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Anafilaxia na criança: adrenalina primeiro

Anafilaxia pediátrica: reconhecimento clínico, adrenalina intramuscular, dose e repetição, posicionamento, refratariedade, observação e alta

Reconheça pelos critérios clínicos, aplique adrenalina intramuscular sem esperar acesso venoso e repita em cinco minutos quando necessário: anti-histamínico nunca é a primeira medida.

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Na alta após anafilaxia alimentar, qual orientação é indispensável?

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Como esse tema cai

Anafilaxia é uma emergência clínica: o tratamento começa quando o conjunto de sinais torna o diagnóstico provável, não quando chega um exame e nem quando aparece urticária. Uma criança pode morrer por obstrução de via aérea ou choque sem apresentar lesões cutâneas.

A conduta que muda o desfecho é simples e, justamente por isso, muito cobrada: adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa, precocemente, enquanto posicionamento, oxigênio, monitorização, acesso vascular e expansão volêmica são organizados.

Este capítulo segue o relógio real da sala de emergência: reconhecer, aplicar adrenalina, reavaliar em cinco minutos, identificar refratariedade, observar conforme o risco e preparar uma alta que reduza a chance de uma segunda morte evitável.

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O que muda decisão

Reconhecer sem esperar pela urticária

Como usar este capítulo: diante de exposição provável e início agudo, procure comprometimento de pele ou mucosa, respiração, circulação e trato gastrointestinal. Se houver problema de via aérea, ventilação ou circulação, aplique adrenalina intramuscular imediatamente; os demais passos acontecem em paralelo.

O diagnóstico é clínico. É altamente provável quando há início em minutos ou poucas horas com pele ou mucosa acometida e, simultaneamente, comprometimento respiratório, hipotensão ou disfunção de órgão-alvo; ou quando, após exposição provável, surgem manifestações em pelo menos dois sistemas. Após exposição a alérgeno conhecido, broncoespasmo, obstrução laríngea ou hipotensão podem bastar mesmo sem pele acometida.

Na criança, vômitos repetidos, dor abdominal intensa e diarreia podem integrar a reação, sobretudo após alimento. O erro é chamar de quadro gastrointestinal isolado quando há também rouquidão, tosse, sibilância, palidez, síncope ou urticária.

Pressão arterial normal não exclui anafilaxia. Hipotensão é manifestação tardia na infância; taquicardia, alteração do comportamento, extremidades frias, enchimento capilar lento e redução do nível de consciência podem antecedê-la.

A primeira ação farmacológica é adrenalina intramuscular

A adrenalina deve ser administrada na face anterolateral da coxa, na concentração 1 mg/mL, em dose de 0,01 mg/kg por aplicação. Na prática isso corresponde a 0,01 mL/kg da solução 1 mg/mL, respeitando-se o máximo de 0,5 mg por dose em ambiente assistencial.

Se os problemas de via aérea, respiração ou circulação persistirem, a dose é repetida após cinco minutos. Não há motivo para adiar a primeira aplicação para obter acesso venoso, administrar anti-histamínico ou confirmar pressão arterial.

A via subcutânea absorve mais lentamente e não é a recomendada. Bolus intravenoso de adrenalina expõe a arritmia grave e erro de concentração; fica restrito a situações especializadas, com monitorização, por profissional experiente e em contexto de parada ou protocolo específico.

Autoinjetores usam doses fixas e variam conforme disponibilidade e peso. A prova pode fornecer faixas próprias do dispositivo; na sala de emergência, a regra universal é 0,01 mg/kg IM com solução 1 mg/mL.

Posicionar é parte do tratamento

A criança deve permanecer deitada, preferencialmente com membros inferiores elevados quando há comprometimento circulatório. Levantá-la ou fazê-la caminhar pode reduzir abruptamente o retorno venoso e precipitar colapso.

Se estiver vomitando ou inconsciente, a posição lateral protege a via aérea. Se o desconforto respiratório intenso impedir o decúbito, pode-se permitir posição semissentada com vigilância, evitando mudança brusca para ortostatismo. Lactentes devem ser mantidos horizontalmente no colo, não verticalizados sobre o ombro.

Aplicação intramuscular de adrenalina no terço médio da face anterolateral da coxa de uma criança.
A coxa anterolateral oferece absorção rápida. A adrenalina 1 mg/mL é administrada por via intramuscular na dose de 0,01 mg/kg; não se espera acesso venoso.

Oxigênio, acesso e volume acontecem em paralelo

Acione ajuda, interrompa a exposição quando possível, ofereça oxigênio em alto fluxo diante de comprometimento respiratório ou circulatório e instale monitorização de saturação, frequência cardíaca e pressão. Prepare material de via aérea cedo quando houver estridor, voz abafada, edema de língua ou progressão rápida.

Obtenha acesso venoso ou intraósseo sem atrasar a adrenalina. No choque, administre cristalóide isotônico em bolus de 10 a 20 mL/kg e reavalie perfusão, ausculta pulmonar, pressão e diurese; perdas para o interstício podem exigir volumes repetidos.

Salbutamol inalatório é adjuvante para broncoespasmo persistente, mas não trata edema de via aérea nem choque. Nebulização de adrenalina pode auxiliar no edema laríngeo, sem substituir a via intramuscular.

Quando a reação se torna refratária

Persistência de comprometimento respiratório ou circulatório apesar de duas doses intramusculares corretas, administradas em intervalo apropriado, exige ajuda de terapia intensiva e preparação de infusão intravenosa de adrenalina titulada. Antes de rotular refratariedade, confira diagnóstico, dose, concentração, local da aplicação, tempo e se a criança continua exposta ao desencadeante.

A infusão exige bomba, linha dedicada e monitorização contínua; é diferente de bolus intravenoso. Hipotensão persistente também exige reavaliação do volume intravascular e consideração de outros vasopressores em ambiente intensivo.

Em paciente que usa betabloqueador e mantém choque ou bradicardia apesar da adrenalina, glucagon pode ser considerado por equipe experiente. Essa situação é rara na infância e não muda a prioridade da adrenalina IM.

Anti-histamínico e corticoide não ocupam o primeiro minuto

Anti-histamínicos aliviam urticária e prurido depois que a criança está estabilizada. Eles não revertem obstrução de via aérea, broncoespasmo grave ou choque e não devem retardar adrenalina.

Corticoides têm início de ação lento e não tratam a fase aguda. Diretrizes recentes não os recomendam rotineiramente para prevenir reação bifásica; podem ser considerados em asma concomitante ou reação prolongada, sem substituir as medidas essenciais.

A melhora da pele após anti-histamínico não comprova resolução. A alta depende da estabilidade respiratória e circulatória, do tempo desde a última adrenalina e do risco de recorrência.

Observação é definida pelo risco, não por um único relógio

Reações leves, rapidamente resolvidas com uma dose e sem fatores de risco podem ter observação mais curta conforme protocolo local. Necessidade de doses repetidas, hipotensão, edema de via aérea, asma grave, desencadeante desconhecido, acesso difícil a emergência ou reação noturna justificam observação prolongada ou internação.

Reações bifásicas são recorrências após resolução sem nova exposição. O risco é maior quando a apresentação inicial foi grave, houve atraso na adrenalina ou foram necessárias várias doses. Nenhum período elimina totalmente o risco; por isso a decisão combina gravidade, resposta e segurança do retorno.

A alta começa antes de a criança sair

Registre o provável desencadeante e encaminhe para investigação alergológica. Oriente por escrito como reconhecer nova reação e quando aplicar adrenalina. Onde disponíveis, prescreva autoinjetores em número suficiente para acesso imediato e ensine paciente, família e escola a utilizá-los.

Revise asma e outras comorbidades, forneça plano de ação, discuta leitura de rótulos e evitação sem dietas amplas desnecessárias. A família precisa saber que anti-histamínico não substitui adrenalina e que, após usar o dispositivo, deve acionar o serviço de emergência.

Antes da alta, confirme que a criança permanece assintomática, que o cuidador compreendeu o plano e que existe rota de retorno. O cuidado termina quando o próximo episódio ficou menos perigoso, não quando a urticária desapareceu.

04

O algoritmo que salva tempo

Trate o problema dominante enquanto confirma o restante do quadro.

  1. 1Reconheça comprometimento de via aérea, respiração ou circulação após exposição provável.
  2. 2Deite a criança, acione ajuda e aplique adrenalina IM imediatamente.
  3. 3Ofereça oxigênio, monitore e obtenha acesso venoso ou intraósseo sem atrasar a adrenalina.
  4. 4No choque, administre cristalóide isotônico 10–20 mL/kg e reavalie.
  5. 5Após 5 minutos, repita adrenalina IM se persistirem sinais graves.
  6. 6Depois de duas doses adequadas sem resposta, trate como refratária e prepare infusão titulada.
  7. 7Defina observação e alta conforme gravidade, resposta, comorbidades e segurança do retorno.

Diagnóstico clínico

Início agudo com comprometimento de sistemas compatíveis; pele pode estar ausente.

Dose essencial

Adrenalina 1 mg/mL, 0,01 mg/kg IM na coxa, máximo 0,5 mg; repetir em 5 minutos se necessário.

Refratariedade

Persistência após duas doses adequadas exige equipe experiente, infusão titulada e terapia intensiva.

O que cada intervenção realmente trata

IntervençãoTrataNão substitui
Adrenalina IMEdema de via aérea, broncoespasmo e choqueNenhuma outra medicação
Cristalóide isotônicoHipovolemia relativa e choque distributivoAdrenalina
SalbutamolBroncoespasmo persistenteAdrenalina para anafilaxia
Anti-histamínicoUrticária e pruridoTratamento respiratório ou circulatório
CorticoideSituações selecionadas, como asma concomitanteTratamento da fase aguda

Não use a melhora cutânea como critério isolado de alta.

Confirme concentração 1 mg/mL antes de calcular o volume.

Evite que a criança fique em pé ou caminhe durante a reação.

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Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Critérios diagnósticos clássicos ou simplificados?

Critérios em múltiplos cenários

Organizam três cenários: pele ou mucosa mais comprometimento respiratório/circulatório; dois sistemas após exposição provável; ou hipotensão após alérgeno conhecido.

NIAID/FAAN e parâmetros de prática

Ênfase em via aérea, respiração ou circulação

Aceitam broncoespasmo, obstrução laríngea ou hipotensão após alérgeno conhecido mesmo sem manifestações cutâneas.

WAO e atualizações internacionais

Na prova

Se há comprometimento respiratório ou circulatório após exposição compatível, não espere que todos os critérios apareçam para tratar.

Corticoide previne reação bifásica?

Uso histórico rotineiro

Incluíam corticoide como parte habitual do pacote terapêutico.

Protocolos antigos

Uso seletivo

Não há demonstração convincente de prevenção da reação bifásica; o fármaco não deve ocupar o primeiro atendimento.

Diretrizes contemporâneas

Na prova

Adrenalina IM é a resposta. Corticoide nunca é a intervenção inicial decisiva.

Quanto tempo observar?

Tempo fixo

Alguns serviços usam janelas padronizadas.

Protocolos locais

Estratificação de risco

Gravidade, doses repetidas, asma, horário e acesso a emergência modificam a duração.

Parâmetros recentes

Na prova

A questão bem construída fornece fatores de risco; reação grave ou com doses repetidas pede permanência maior.

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Caso resolvido

Menina de 12 anos, asmática, apresenta urticária, dispneia, sibilância e tontura cinco minutos após ingerir doce com amendoim. Está sentada, ansiosa, saturando 90%, com extremidades frias e pressão de 82/46 mmHg.
reconhecimento
Há início agudo com pele, respiração e circulação comprometidas: anafilaxia com choque.
primeiro minuto
Deitar com pernas elevadas, acionar ajuda e aplicar adrenalina 1 mg/mL, 0,01 mg/kg IM na coxa.
suporte paralelo
Oxigênio, monitorização, acesso venoso e cristalóide isotônico 10–20 mL/kg com reavaliação.
reavaliação
Persistindo hipotensão ou dispneia após 5 minutos, repetir adrenalina IM.
adjuvantes
Salbutamol pode tratar sibilância persistente, mas não substitui adrenalina.
destino
Gravidade, asma e hipotensão justificam observação prolongada e avaliação para internação.
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Agora feche você

Lactente de 10 meses desenvolve palidez, tosse súbita, edema labial e vômitos após a primeira ingestão de ovo. Não há urticária. A equipe decide aguardar o anti-histamínico porque a pressão está normal.
qual é o diagnóstico?
Anafilaxia é provável pela instalação aguda e comprometimento de mucosa, respiração e trato gastrointestinal; pele pode estar ausente.
qual é o erro?
Pressão normal e ausência de urticária não autorizam espera. Anti-histamínico não trata via aérea.
o que fazer agora?
Administrar adrenalina IM na coxa, 0,01 mg/kg da solução 1 mg/mL, posicionar e monitorar.
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Onde a banca derruba

  1. 1Esperar urticária Até uma reação grave pode ocorrer sem pele acometida.
  2. 2Dar anti-histamínico primeiro Ele trata prurido, não choque nem obstrução de via aérea.
  3. 3Usar via subcutânea A absorção é mais lenta; a via preferida é IM na coxa.
  4. 4Procurar acesso antes da adrenalina A injeção intramuscular não depende de acesso vascular.
  5. 5Confundir concentrações A solução usada por via IM é 1 mg/mL; sempre calcule também o volume.
  6. 6Manter sentada ou caminhar A queda do retorno venoso pode precipitar colapso.
  7. 7Fazer bolus IV de rotina A via intravenosa exige contexto e experiência específicos.
  8. 8Dar alta porque a pele melhorou Avalie estabilidade sistêmica e risco de recorrência.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

A alta segura inclui plano escrito, educação para adrenalina, investigação alergológica e orientação de retorno.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Escreva os critérios clínicos, a dose e o volume de adrenalina 1 mg/mL para três pesos diferentes, o intervalo de repetição e as posições permitidas. Depois liste o que anti-histamínico, salbutamol e corticoide não conseguem tratar.

em 30 dias

Reconstrua o atendimento de uma criança com anafilaxia alimentar e choque desde a porta até a alta. Acrescente uma segunda dose, refratariedade e asma grave, explicando como cada elemento muda o destino.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

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Anafilaxia pediátrica – Anafilaxia na criança: adrenalina primeiro — Preparatório para provas | OsceLabs