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Estratégia AIDPI (2 meses a 5 anos)
A prova não pede diagnóstico: pede a cor. Quem decora os seis sinais gerais de perigo, os cortes de frequência respiratória (50 e 40) e a regra dos dois sinais da desidratação resolve a maioria das questões de AIDPI antes de ler as alternativas.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Uma criança de 18 meses é levada por sua mãe a uma Unidade Básica de Saúde da Família por tosse e febre há três dias. Durante a consulta, seguindo a estratégia AIDPI, o médico pergunta pelos sinais gerais de perigo. A mãe relata que, desde a manhã, a criança está muito sonolenta, recusa o peito e a água oferecida e vomitou duas mamadas. Ao exame, a criança encontra-se letárgica, difícil de despertar, sem tiragem subcostal evidente no momento, frequência respiratória de 38 irpm e temperatura axilar de 38,2 °C. De acordo com a estratégia AIDPI, qual é a classificação e a conduta corretas para esta criança?
Como esse tema cai
AIDPI é o tema de pediatria com o endereço mais previsível: cenário de UBS ou de atenção primária, criança entre 2 meses e 5 anos, e uma pergunta que não é "qual o diagnóstico?", e sim "qual a classificação e a conduta?". O Revalida é o maior cliente — a estratégia é política oficial do SUS para a porta de entrada —, mas ENAMED e provas de acesso direto cobram os mesmos números quando ambientam a questão na atenção básica. A resposta certa quase nunca exige fisiopatologia: exige a cor da linha do quadro e o que está escrito na coluna "tratar".
O que é decoreba obrigatória e inegociável: os seis sinais gerais de perigo da versão brasileira; os dois cortes de respiração rápida (50 irpm até 11 meses, 40 de 1 a 5 anos); a regra dos dois sinais para fechar desidratação; febre definida a partir de 37,5 °C e antitérmico a partir de 38,0 °C; 14 dias como fronteira da diarreia persistente e da secreção crônica de ouvido; e febre que dura mais de 5 dias como gatilho de investigação. Vinheta de AIDPI é feita de números pequenos assim — e os distratores são exatamente esses números trocados de faixa etária.
Delimitação que evita erro bobo: este capítulo é a criança doente de 2 meses a 5 anos. O menor de 2 meses tem quadro próprio (AIDPI neonatal), com outra lógica e outros cortes. E a investigação hospitalar da febre sem foco, com hemograma e hemocultura, é outro raciocínio — o AIDPI foi desenhado para decidir com sinais clínicos simples, sem nenhum exame complementar, quem trata em casa, quem trata na unidade e quem precisa de hospital ainda hoje.
O que muda decisão
O que a estratégia é — e o que ela não é
A Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI) é um protocolo OMS/Unicef adaptado ao Brasil para o atendimento da criança doente na atenção primária. A lógica é uma sequência fixa: avaliar toda criança de 2 meses a 5 anos com as mesmas perguntas e os mesmos sinais, classificar cada problema encontrado em uma de três cores de risco e tratar conforme a coluna da classificação. Vermelho significa doença grave: dar os tratamentos prévios que não podem esperar e referir urgentemente ao hospital. Amarelo significa tratamento específico na unidade, com retorno marcado em data definida. Verde significa cuidado em casa, com a mãe orientada sobre os sinais de retorno imediato.
Classificar não é diagnosticar — e a prova adora essa distinção. "Pneumonia" no AIDPI não é um infiltrado no raio X: é tosse com respiração rápida contada no relógio. A estratégia troca deliberadamente acurácia diagnóstica por sensibilidade e reprodutibilidade: qualquer profissional da ponta, sem laboratório e sem imagem, chega à mesma conduta. Por isso a criança não sai da consulta com um diagnóstico, sai com uma ou mais classificações — pode acumular pneumonia, desidratação e anemia ao mesmo tempo, e a conduta soma as colunas de todas.
A edição brasileira de 2017 é mais larga que o modelo internacional: além dos eixos clássicos (tosse, diarreia, febre, ouvido, desnutrição e anemia), incorporou a avaliação da sibilância, o problema de garganta, a avaliação do desenvolvimento, a triagem de violência e os dez sinais de alerta para imunodeficiências primárias. Toda consulta termina checando a caderneta de vacinação — e atualizando o que estiver atrasado —, o crescimento na curva de peso para idade e o desenvolvimento. É a versão de protocolo, feita para a porta da UBS, do mesmo cuidado integral que a puericultura faz na criança sadia.

Os seis sinais gerais de perigo
Antes de qualquer queixa específica, toda criança é triada para os sinais gerais de perigo. Na versão brasileira são seis — três perguntados e três observados. Pergunte: a criança não consegue beber nem mamar? Vomita tudo o que ingere? Teve convulsões ou movimentos anormais nas últimas 72 horas? Observe: está letárgica ou inconsciente? O tempo de enchimento capilar passa de 2 segundos? Há batimento de asa de nariz ou gemência? Qualquer um deles já classifica a criança no vermelho: complete a avaliação depressa, faça os tratamentos prévios e refira com urgência ao hospital.
Os tratamentos prévios à referência são o segundo alvo favorito das bancas, porque "referir" nunca é referir de mãos vazias. A criança grave recebe a primeira dose de antibiótico intramuscular (ceftriaxona 100 mg/kg/dose; alternativa, penicilina G procaína 50.000 UI/kg) e prevenção de hipoglicemia: se mama, mamar; se engole, 30 a 50 ml de leite ou água açucarada; se não engole, leite por sonda nasogástrica ou glicose venosa. Febre de 38,0 °C ou mais recebe antitérmico. E os dois sinais acrescentados pela versão brasileira têm conduta própria: enchimento capilar acima de 2 segundos pede acesso venoso e expansão de 20 ml/kg de soro fisiológico ou ringer lactato já a caminho; batimento de asa de nariz ou gemência pede via aérea pérvia e oxigênio, se disponível.
Há uma única exceção à regra "sinal de perigo = hospital", e ela cai em prova: a criança cujo único problema é desidratação grave. Se ela não tem nenhuma outra classificação grave, o Plano C — hidratação venosa rápida na própria unidade — pode resolver os sinais de perigo e evitar a referência. Letargia com olhos fundos e prega lenta é choque hipovolêmico por diarreia até prova em contrário, e a resposta é soro, não ambulância.
Tosse ou dificuldade para respirar: conte antes de classificar
O eixo respiratório começa contando a frequência respiratória por um minuto inteiro, com a criança tranquila — contar no choro invalida o número. Respiração rápida é 50 ou mais por minuto de 2 a 11 meses, e 40 ou mais de 1 ano a menos de 5 anos. Esse par de cortes é o número mais cobrado de todo o AIDPI, e a pegadinha clássica é a criança de 11 meses com FR 45 (normal para a faixa) contra a de 14 meses com a mesma FR 45 (respiração rápida).
A classificação tem três linhas. Vermelha — pneumonia grave ou doença muito grave: qualquer sinal geral de perigo, tiragem subcostal ou estridor em repouso; conduta de primeira dose de antibiótico, prevenção de hipoglicemia, oxigênio se disponível e referência urgente. Amarela — pneumonia: respiração rápida isolada; conduta de amoxicilina oral 50 mg/kg/dia (de 8 em 8 horas, ou de 12 em 12 na formulação BD) por 7 dias, medidas caseiras para a tosse e retorno em 2 dias. Verde — não É pneumonia: nenhum dos sinais; medidas caseiras e seguimento em 5 dias se não melhorar. Tosse há mais de 14 dias sai do algoritmo e vira investigação — tuberculose, asma e coqueluche na frente da fila.
Se há sibilância, ela é avaliada e tratada antes de classificar a tosse. A crise é estratificada em três níveis: grave (qualquer sinal de perigo, letargia ou agitação contínua, estridor em repouso, fala em palavras isoladas ou choro curto, tiragem universal ou saturação de 90% ou menos) — beta-2 inalatório, corticoide, primeira dose de antibiótico, oxigênio e referência; moderada (agitação intermitente, fala ou choro entrecortado, tiragem subcostal, respiração rápida, saturação 91 a 95%) — beta-2 até três vezes a cada 20 minutos mais corticoide oral, e a resposta decide entre casa e referência; leve (sem sinais das linhas de cima, saturação de 95% para cima) — beta-2 domiciliar por 5 dias. Quem melhora da crise moderada leva beta-2 por 5 dias e corticoide por 3, com retorno em 2 dias. E o detalhe que vale questão difícil: se a frequência respiratória continua alta depois de tratada a crise, a criança é classificada também como pneumonia e leva antibiótico junto com o broncodilatador.
Diarreia: a regra dos dois sinais
Toda criança com diarreia é avaliada com o mesmo conjunto de sinais: estado geral (letárgica/inconsciente ou inquieta/irritada), olhos fundos, resposta à oferta de líquido (não consegue beber/bebe muito mal ou bebe avidamente, com sede) e sinal da prega (desfaz muito lentamente, acima de 2 segundos, ou lentamente, entre 1 e 2). A regra que decide tudo: são necessários dois sinais da mesma coluna para fechar a classificação. Dois da coluna grave — desidratação grave, Plano C. Dois da coluna do meio — desidratação, Plano B. Menos que isso — sem desidratação, Plano A. Um sinal isolado não classifica, e é exatamente assim que a banca monta o distrator.
Os planos são os números da vez. Plano A, em casa: líquidos extras após cada evacuação (50 a 100 ml até 1 ano; 100 a 200 ml a partir de 1 ano), manter alimentação e ensinar os sinais de retorno imediato. Plano B, na unidade: SRO 75 ml/kg em 4 horas, em goles frequentes, com reavaliação e reclassificação ao final; vômitos persistentes não interrompem o plano — entra ondansetrona (2 mg de 6 meses a 2 anos; 4 mg acima). Plano C, o único venoso: expansão de 100 ml/kg de ringer lactato ou soro fisiológico — abaixo de 1 ano, 30 ml/kg na primeira hora e 70 ml/kg em 5 horas; de 1 ano em diante, 30 ml/kg em 30 minutos e 70 ml/kg em 2 horas e meia — com SRO em goles enquanto o acesso não vem e reavaliação a cada meia hora. Zinco por 10 dias entra em toda diarreia (10 mg/dia até 6 meses; 20 mg/dia acima), em qualquer plano.
Duas classificações extras completam o eixo. Diarreia há 14 dias ou mais: persistente grave se houver desidratação (hidratar primeiro e referir) e persistente se não houver (orientação alimentar específica, zinco e retorno em 5 dias). Sangue nas fezes: disenteria — zinco, retorno em 2 dias, e antibiótico para Shigella apenas se houver comprometimento do estado geral (primeira linha brasileira: ceftriaxona IM 50 mg/kg/dia por 3 dias). Antibiótico de rotina para toda disenteria não é a régua do quadro brasileiro.
Febre: malária primeiro, rigidez de nuca sempre
Febre no AIDPI é temperatura axilar de 37,5 °C ou mais, relato da mãe ou criança quente ao toque — e a primeira pergunta não é sobre o foco, é sobre o mapa: área com ou sem risco de malária? Em área de risco, toda febre colhe gota espessa ou teste rápido. Essa bifurcação geográfica é a marca registrada do tema em prova, especialmente no Revalida, e o antitérmico tem corte próprio: só a partir de 38,0 °C.
A linha vermelha é igual nos dois mapas: qualquer sinal geral de perigo, rigidez de nuca, petéquias ou abaulamento de fontanela fecham doença febril muito grave (ou malária grave, em área de risco) — primeira dose de antibiótico, prevenção de hipoglicemia, antitérmico se 38,0 °C ou mais e referência urgente. Em área de risco com gota espessa positiva, a criança referida recebe ainda a primeira dose de artemeter intramuscular. Sem sinais vermelhos, área de risco com teste positivo é malária: antimalárico oral conforme o esquema nacional, na própria unidade, com seguimento em 3 dias. Teste negativo, ou área sem risco, é doença febril: antitérmico quando indicado, orientação de retorno imediato e reavaliação em 2 dias se a febre persistir.
Dois complementos que valem pontos: febre todos os dias por mais de 5 dias obriga investigação — a criança sai do algoritmo ambulatorial e vai esclarecer a causa. E o quadro brasileiro traz um asterisco que virou questão: criança com doença falciforme e febre é referida ao hospital sempre, qualquer que seja a classificação — o baço que não funciona não espera o retorno de 2 dias.
Ouvido e garganta: os eixos que o Brasil detalhou
Problema de ouvido tem quatro respostas possíveis. Tumefação ou vermelhidão dolorosa atrás da orelha é mastoidite: primeira dose de antibiótico, analgésico e referência urgente. Secreção purulenta há menos de 14 dias — ou otoscopia alterada, com membrana opaca ou hiperemiada com abaulamento ou perfuração — é infecção aguda do ouvido: amoxicilina por 8 dias, analgésico, secar o ouvido com mecha e retorno em 2 dias. Dor de ouvido sem secreção e sem otoscopia disponível é possível infecção aguda: analgésico e retorno em 2 dias — sem antibiótico às cegas. Secreção há 14 dias ou mais é infecção crônica: mecha seca e retorno em 5 dias; antibiótico oral não faz parte da conduta.
O eixo de garganta é acréscimo brasileiro. infecção grave de garganta (qualquer sinal de perigo, abaulamento de palato — pense abscesso — ou membranas branco-acinzentadas nas amígdalas — pense difteria): primeira dose de antibiótico e referência urgente. infecção moderada (gânglios cervicais aumentados e dolorosos, ou amígdalas hiperemiadas com pontos purulentos ou petéquias no palato): antibiótico com retorno em 2 dias — primeira linha, penicilina G benzatina intramuscular em dose única, 600.000 UI abaixo de 20 kg e 1.200.000 UI a partir de 20 kg; se a opção for oral, 10 dias. infecção leve (vesículas ou hiperemia com sinais de resfriado comum): analgésico, sem antibiótico — é viral até que se prove o contrário.
Desnutrição, crescimento e anemia: o fim obrigatório da consulta
Todo atendimento AIDPI termina avaliando o estado nutricional, mesmo que a queixa seja ouvido. Emagrecimento acentuado visível ou edema em ambos os pés é desnutrição grave — a linha vermelha silenciosa que mais derruba candidato, porque a criança pode não ter queixa aguda nenhuma: prevenir hipoglicemia, agasalhar contra hipotermia, megadose de vitamina A se não recebeu nos últimos 30 dias (100.000 UI de 6 a 11 meses; 200.000 UI de 1 a 59 meses) e referência urgente. O edema bilateral de pés aqui é kwashiorkor, não nefropatia — vinheta com "edema nos dois pés" em criança emagrecida é desnutrição até prova em contrário.
Sem sinais de gravidade, a régua é a curva de peso para a idade em escore-z: abaixo de -3, peso muito baixo (dietas especiais, vitamina A, retorno em 5 dias); entre -2 e -3, ou curva horizontal/descendente, peso baixo ou ganho insuficiente (orientação alimentar, retorno em 2 semanas); acima de +2, peso elevado (orientação alimentar e atividade física); na faixa, peso adequado — elogie e reforce. Transversal a todas as faixas: ferro profilático de 1 a 2 mg/kg/dia para toda criança de 6 a 24 meses, pelo Programa Nacional de Suplementação.
A anemia é avaliada pela palidez palmar. Palidez grave — ou hemoglobina abaixo de 5 g/dL — refere com urgência. Palidez leve — ou Hb de 5 a 10,9 — trata na unidade: sulfato ferroso terapêutico 3 mg/kg/dia por 14 dias (e aí retorna para reavaliar), anti-helmíntico se a criança tem 1 ano ou mais e não recebeu dose nos últimos 6 meses (mebendazol 100 mg de 12 em 12 horas por 3 dias, ou albendazol em dose única, repetidos após 15 dias), teste de malária em área de risco e orientação de alimentos ricos em ferro. Note a divisão de trabalho dos números: 3 mg/kg/dia é dose de tratamento; 1 a 2 mg/kg/dia é profilaxia — trocá-los é distrator clássico.
As três cores da conduta
O AIDPI inteiro cabe numa pergunta: depois de avaliar cada eixo, em que linha a criança caiu? A cor da linha já contém a conduta — e a criança pode carregar várias cores ao mesmo tempo, uma por problema. Na dúvida entre duas linhas do mesmo eixo, os critérios são lidos de cima para baixo: a primeira linha cujo critério a criança preenche é a classificação dela.
- 1Receba a mãe, pergunte qual o problema e determine se é primeira consulta ou retorno
- 2Triagem universal: os seis sinais gerais de perigo (beber/mamar, vomita tudo, convulsão em 72 h, letargia, enchimento capilar >2 s, asa de nariz/gemência)
- 3Pergunte pelos problemas principais, um a um: tosse ou dificuldade de respirar (e sibilância), diarreia, febre, problema de ouvido, dor de garganta
- 4Em toda criança, feche com estado nutricional (peso para idade, emagrecimento, edema de pés), palidez palmar, vacinação, desenvolvimento e sinais de violência
- 5Classifique cada problema na cor da primeira linha cujo critério for preenchido
- 6Some as condutas das colunas: vermelho = tratamentos prévios + referência urgente; amarelo = tratamento na unidade + retorno em data marcada; verde = casa + sinais de retorno imediato ensinados
VERMELHA — referir com urgência
Doença grave. Primeira dose de antibiótico IM (ceftriaxona 100 mg/kg ou penicilina procaína 50.000 UI/kg), prevenir hipoglicemia, oxigênio se precisar — e hospital agora. Exceção única: desidratação grave isolada, que o Plano C pode resolver na unidade.
AMARELA — tratar na unidade e marcar retorno
Tratamento específico começa na consulta: antibiótico, antimalárico, Plano B, ferro. A mãe sai com o remédio explicado, os sinais de retorno imediato e uma DATA de retorno — 2 dias para pneumonia, disenteria, ouvido e garganta; 3 para malária; 5 para diarreia persistente; 14 para anemia.
VERDE — cuidar em casa
Sem sinais que exijam antibiótico ou observação: medidas caseiras, líquidos, alimentação mantida. O que transforma o verde em segurança é a orientação de retorno imediato: não consegue beber nem mamar, piorou, febre apareceu ou piorou — voltar na hora.
| Eixo avaliado | Referência urgente | Tratar na unidade + retorno marcado | Cuidado em casa |
|---|---|---|---|
| Tosse / dificuldade de respirar | PNEUMONIA GRAVE OU DOENÇA MUITO GRAVE: sinal de perigo, tiragem subcostal ou estridor em repouso | PNEUMONIA: respiração rápida (amoxicilina 7 dias; retorno 2 dias) | NÃO É PNEUMONIA (tosse >14 dias: investigar) |
| Sibilância | SIBILÂNCIA GRAVE: SpO2 ≤90%, tiragem universal, fala em palavras isoladas, letargia ou estridor | SIBILÂNCIA MODERADA: SpO2 91–95%, tiragem subcostal, fala entrecortada (beta-2 3x/20 min + corticoide) | SIBILÂNCIA LEVE: SpO2 ≥95% (beta-2 domiciliar 5 dias) |
| Diarreia — hidratação | DESIDRATAÇÃO GRAVE (2 sinais) → Plano C | DESIDRATAÇÃO (2 sinais) → Plano B na unidade | SEM DESIDRATAÇÃO → Plano A |
| Diarreia — duração e sangue | PERSISTENTE GRAVE: ≥14 dias COM desidratação | PERSISTENTE (≥14 dias sem desidratação; retorno 5 dias); DISENTERIA (sangue; retorno 2 dias) | — |
| Febre (≥37,5 °C) | DOENÇA FEBRIL MUITO GRAVE / MALÁRIA GRAVE: sinal de perigo, rigidez de nuca, petéquias ou fontanela abaulada | MALÁRIA: área de risco com gota espessa/teste positivo (antimalárico oral; retorno 3 dias) | DOENÇA FEBRIL: retorno em 2 dias se persistir; >5 dias de febre: investigar |
| Problema de ouvido | MASTOIDITE: tumefação dolorosa retroauricular | INFECÇÃO AGUDA (secreção <14 dias ou otoscopia alterada; amoxicilina 8 dias); POSSÍVEL INFECÇÃO (só dor); CRÔNICA (secreção ≥14 dias; mecha, retorno 5 dias) | NÃO HÁ INFECÇÃO |
| Dor de garganta | INFECÇÃO GRAVE: abaulamento de palato ou membranas branco-acinzentadas | INFECÇÃO MODERADA: gânglios dolorosos ou pontos purulentos/petéquias (penicilina benzatina dose única) | INFECÇÃO LEVE: vesículas/hiperemia com resfriado (sem antibiótico) |
| Estado nutricional | DESNUTRIÇÃO GRAVE: emagrecimento acentuado visível ou edema em ambos os pés (vitamina A + referir) | PESO MUITO BAIXO (<-3 z; retorno 5 dias); PESO BAIXO/GANHO INSUFICIENTE (-2 a -3 z ou curva plana; retorno 2 semanas); PESO ELEVADO (>+2 z) | PESO ADEQUADO |
| Palidez palmar | ANEMIA GRAVE: palidez grave ou Hb <5 g/dL | ANEMIA: palidez leve ou Hb 5–10,9 (ferro 3 mg/kg/dia; retorno 14 dias) | SEM PALIDEZ |
Respiração rápida: o corte que decide
| Idade | Respiração rápida |
|---|---|
| 2 a 11 meses | 50 ou mais irpm |
| 1 ano a menos de 5 anos | 40 ou mais irpm |
Desidratação: dois sinais da MESMA coluna fecham a classificação
| Sinal | Desidratação grave (Plano C) | Desidratação (Plano B) |
|---|---|---|
| Estado geral | Letárgica ou inconsciente | Inquieta ou irritada |
| Olhos | Fundos | Fundos |
| Oferta de líquido | Não consegue beber ou bebe muito mal | Bebe avidamente, com sede |
| Sinal da prega | Desfaz muito lentamente (mais de 2 s) | Desfaz lentamente (1 a 2 s) |
Planos A, B e C — os números
| Plano | Onde | Como |
|---|---|---|
| A | Casa | Líquido extra após cada evacuação: 50–100 ml até 1 ano; 100–200 ml a partir de 1 ano. Manter alimentação, zinco 10 dias, sinais de retorno imediato |
| B | Unidade | SRO 75 ml/kg em 4 horas, em goles; reavaliar e reclassificar ao final. Vômitos persistentes: ondansetrona (2 mg de 6 m a 2 anos; 4 mg acima) |
| C | Unidade/hospital | Expansão EV 100 ml/kg de ringer lactato ou SF 0,9%: <1 ano, 30 ml/kg em 1 h + 70 ml/kg em 5 h; a partir de 1 ano, 30 ml/kg em 30 min + 70 ml/kg em 2h30. SRO em goles enquanto o acesso não vem; reavaliar a cada 30 min |
A criança sai com uma classificação POR PROBLEMA avaliado — pneumonia, desidratação e anemia podem coexistir, e a conduta soma as colunas de todas.
Toda classificação vermelha inclui tratamento ANTES da referência: primeira dose de antibiótico e prevenção de hipoglicemia. "Referir imediatamente sem medicar" é distrator, não conduta.
Exceção do Plano C: desidratação grave sem nenhuma outra classificação grave trata-se na unidade — a hidratação venosa pode resolver os sinais de perigo e dispensar a referência.
Dois relógios diferentes na febre: 37,5 °C define que HÁ febre; 38,0 °C é o corte para DAR antitérmico.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Quadro brasileiro (MS/OPAS/Unicef, 2017)
Tiragem subcostal é critério de PNEUMONIA GRAVE OU DOENÇA MUITO GRAVE, mesmo com frequência respiratória normal: primeira dose de antibiótico, prevenção de hipoglicemia, oxigênio se disponível e referência urgente ao hospital.
Manual de Quadros de Procedimentos AIDPI Criança 2 meses a 5 anos, Ministério da Saúde, 2017
OMS (revisão de 2014)
A revisão internacional fundiu respiração rápida e tiragem torácica numa única categoria de pneumonia NÃO grave, tratada em casa com amoxicilina oral 80 mg/kg/dia por 5 dias, reservando a categoria grave para os sinais gerais de perigo — os ensaios mostraram equivalência entre amoxicilina oral e penicilina injetável na pneumonia com tiragem.
WHO, Revised classification and treatment of childhood pneumonia at health facilities, 2014
Na prova
O manual brasileiro saiu TRÊS ANOS DEPOIS da revisão da OMS e manteve a referência hospitalar — régua nacional deliberadamente mais conservadora, não documento desatualizado. Cenário de UBS/SUS, ou enunciado citando o quadro do Ministério, aponta a régua brasileira (tiragem = grave = referir); enunciado que nomeia OMS/IMCI, ou alternativa oferecendo amoxicilina oral para tiragem sem sinal de perigo, denuncia o recorte internacional. Prova oficial do MEC tende à conduta SUS.
Quadro brasileiro (2017)
Amoxicilina 50 mg/kg/dia, de 8 em 8 horas (ou de 12 em 12 na formulação BD), durante 7 dias, com retorno em 2 dias.
Manual de Quadros de Procedimentos AIDPI Criança, Ministério da Saúde, 2017
OMS (2014)
Amoxicilina 80 mg/kg/dia em duas tomadas (40 mg/kg/dose), por 5 dias — ou 3 dias em áreas de baixa prevalência de HIV.
WHO, Revised classification and treatment of childhood pneumonia at health facilities, 2014
Na prova
A divergência é dupla — dose E duração — e as alternativas costumam cruzar as duas (80 mg/kg por 7 dias; 50 mg/kg por 5). Esquema de dose alta com 5 dias pertence ao mundo OMS; 50 mg/kg/dia por 7 dias é a tabela do quadro brasileiro. O cenário e a nomenclatura do enunciado dizem qual tabela o avaliador está lendo.
Caso resolvido
- perigo
- Bebe, não vomita tudo, sem convulsão, consciente, enchimento capilar normal, sem gemência: nenhum dos seis sinais gerais de perigo. Nada de vermelho automático — o roteiro segue eixo por eixo.
- tosse
- Aos 18 meses o corte é 40. FR 46 = respiração rápida; sem tiragem e sem estridor, não sobe para a linha grave. Classificação: PNEUMONIA (amarela).
- diarreia
- Irritada + olhos fundos + bebe com avidez + prega lenta (1–2 s): sinais de sobra da coluna do meio — dois já bastariam. DESIDRATAÇÃO (não é a grave: não está letárgica nem bebe mal).
- conduta
- Duas classificações, colunas somadas. Plano B na unidade: SRO 75 ml/kg em 4 horas em goles, reavaliar e reclassificar ao final; zinco por 10 dias (20 mg/dia). Para a pneumonia: amoxicilina 50 mg/kg/dia por 7 dias, retorno em 2 dias, e os sinais de retorno imediato ensinados antes de liberar.
Agora feche você
- achado
- Febre confirmada (≥37,5 °C) em área sem risco de malária. No eixo febre, a linha vermelha procura quatro coisas: sinal geral de perigo, rigidez de nuca, petéquias e abaulamento de fontanela. A FR de 42 não é respiração rápida aos 9 meses — o corte da faixa é 50.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Tratar a classificação como diagnóstico PNEUMONIA no AIDPI é tosse com respiração rápida contada — sem radiografia, sem ausculta obrigatória. A alternativa "solicitar raio X para confirmar antes de tratar" atrai porque é o reflexo hospitalar, mas a estratégia decide com sinais clínicos simples, e a conduta da coluna começa na própria consulta.
- 2Aplicar o corte de FR da faixa errada 50 até 11 meses; 40 de 1 ano a menos de 5. A banca escolhe idades na fronteira de propósito: FR 45 aos 11 meses é normal; a mesma FR 45 aos 14 meses é respiração rápida. Quem decora um corte só erra metade das vinhetas.
- 3Fechar desidratação com um sinal isolado Olhos fundos sozinhos não classificam nada: a regra exige DOIS sinais da mesma coluna. O distrator clássico dá um sinal da coluna grave e um da coluna do meio e oferece o Plano C — releia as colunas antes de escolher o plano.
- 4Referir sem a primeira dose Classificação vermelha nunca é só encaminhamento: inclui primeira dose de antibiótico (IM se for referir), prevenção de hipoglicemia e, conforme o caso, oxigênio, expansão volêmica ou antitérmico. "Referir imediatamente ao hospital" seco costuma ser a alternativa errada quando existe outra com o tratamento prévio descrito.
- 5Antibiótico oral para a secreção crônica de ouvido Secreção purulenta há 14 dias ou mais é INFECÇÃO CRÔNICA: a conduta é secar com mecha e reavaliar em 5 dias. Amoxicilina é para a infecção AGUDA (menos de 14 dias, por 8 dias de tratamento). A duração da secreção é o divisor — procure esse número na vinheta antes das alternativas.
- 6Confundir os dois termômetros do quadro 37,5 °C define que a criança TEM febre e abre o eixo; 38,0 °C é o corte para DAR antitérmico. A vinheta com 37,7 °C tem febre para classificar, mas ainda não tem indicação de antitérmico pelo quadro — e há alternativa montada exatamente sobre essa diferença.
Pela AIDPI, a presença de qualquer sinal geral de perigo (não consegue beber ou mamar, vomita tudo o que ingere, convulsões ou letargia/inconsciência) classifica a criança como DOENÇA MUITO GRAVE, exigindo a primeira dose de antibiótico e referência urgente ao hospital. A criança apresenta letargia e recusa de líquidos — dois sinais de perigo. Errada porque não há apenas respiração rápida isolada, e sim sinais de perigo que sobrepõem qualquer classificação de pneumonia. Tratar apenas a tosse ignora os sinais de gravidade. A classificação de diarreia não se aplica: não há relato de diarreia e a criança tem sinais de perigo.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Um lactente de 2 meses é trazido pela mãe à emergência com história de tosse e coriza há 4 dias, evoluindo com recusa alimentar e episódios de apneia relatados em casa. Ao exame, encontra-se hipoativo, com FR de 70 irpm, tiragem subcostal e intercostal, batimento de asa nasal e saturação de O2 de 88% em ar ambiente. Nessa faixa etária, segundo a estratégia AIDPI, qual é a classificação e a conduta imediata mais apropriada?
Em menor de 2 meses a AIDPI é mais rigorosa: qualquer sinal geral de perigo (recusa alimentar, letargia, apneia), tiragem, FR igual ou maior que 60 irpm ou saturação baixa classifica como DOENÇA MUITO GRAVE, exigindo estabilização, oxigênio, primeira dose de antibiótico e referência urgente ao hospital. Tratar como pneumonia com amoxicilina oral erra: nessa idade não se trata pneumonia ambulatorialmente — todo quadro respiratório grave em menor de 2 meses é referido. Chamar de bronquiolite leve e liberar subestima a gravidade: há saturação de 88%, apneia e hipoatividade, o que não é quadro leve. E classificar como tosse ou resfriado ignora os sinais de gravidade que exigem referência imediata.
Em uma Unidade Básica de Saúde, uma mãe traz o filho de 15 meses relatando febre e recusa alimentar há um dia. Segundo a estratégia AIDPI, o profissional inicia a consulta verificando os sinais gerais de perigo antes de avaliar os sintomas principais. Ao exame, a criança está consciente, hidratada, sem tiragem, mas a mãe conta que ela vomita tudo o que ingere, inclusive a água oferecida na sala de espera. Não há convulsões nem letargia. Considerando a avaliação e classificação de risco preconizadas pela AIDPI para a criança de 2 meses a 5 anos, qual é a conduta mais adequada diante desse achado?
Na AIDPI, os sinais gerais de perigo (não consegue beber ou mamar, vomita tudo o que ingere, convulsões, letargia/inconsciência) exigem referência URGENTE ao hospital após a primeira dose do tratamento, independentemente da causa. Prescrever antitérmico e antiemético para reavaliar em 48 horas ignora o sinal de perigo e trata sintomas em casa; classificar como quadro leve e apenas orientar retorno subestima gravemente o risco; iniciar plano B de reidratação oral na unidade confunde o vômito incoercível com desidratação isolada — a presença do sinal de perigo, por si, já indica encaminhamento imediato.
Uma criança de 2 anos é trazida ao pronto-atendimento de uma UPA em região endêmica para dengue, com febre alta há três dias. A mãe relata que, há cerca de uma hora, a criança apresentou movimentos tônico-clônicos generalizados com duração aproximada de dois minutos, e que desde então permanece muito sonolenta. Ao exame: letárgica, desperta apenas ao estímulo vigoroso; temperatura axilar de 39,5 °C; rigidez de nuca duvidosa; frequência respiratória de 34 incursões por minuto, sem tiragem subcostal; enchimento capilar de 2 segundos; ausência de exantema, petéquias ou sinais de sangramento. Glicemia capilar não disponível no momento. Segundo a estratégia AIDPI, a classificação e a conduta são, respectivamente:
Na estratégia AIDPI, a presença de febre associada a qualquer sinal geral de perigo (não consegue beber ou mamar, vomita tudo, convulsões, letargia ou inconsciência) ou a rigidez de nuca classifica a criança na fila vermelha: DOENÇA FEBRIL MUITO GRAVE. A criança apresenta dois desses critérios (convulsão e letargia), além de rigidez de nuca duvidosa. A conduta padronizada é: primeira dose de antibiótico apropriado por via parenteral, medidas para prevenir hipoglicemia (a glicemia sequer está disponível), antitérmico para febre alta e referência urgente ao hospital — a hipótese de meningite/sepse deve ser presumida. Errada porque a letargia persistente após a crise afasta o rótulo de convulsão febril simples e configura sinal de perigo. Errada porque subclassifica uma criança da fila vermelha, retardando o tratamento de uma possível meningite. Errada porque não há sinais de alarme de dengue (dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramento de mucosas, hipotensão postural, hepatomegalia) e, ainda que houvesse, sinal geral de perigo impõe a referência urgente, não a permanência na UPA.
Lactente de 8 meses é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde com tosse há 4 dias e febre aferida em casa. Está alerta, mama no peito com boa pega, não vomita o que ingere e não teve convulsões. Ao exame, com a criança calma: frequência respiratória de 54 irpm em duas contagens, ausência de tiragem subcostal, sem estridor em repouso, sem sibilos, saturação de oxigênio em ar ambiente de 96%. De acordo com a estratégia AIDPI, a classificação e a conduta corretas são:
Correta: na criança de 2 meses a 5 anos com tosse ou dificuldade para respirar, sem sinais gerais de perigo, sem tiragem subcostal e sem estridor em repouso, a respiração rápida isolada (≥ 50 irpm dos 2 aos 11 meses; ≥ 40 irpm de 1 a 5 anos) classifica como PNEUMONIA — tratamento ambulatorial com amoxicilina oral, orientação de sinais de retorno imediato e reavaliação em 2 dias. Aos 8 meses, 54 irpm ultrapassa o ponto de corte de 50. Incorreta a referência urgente: pneumonia grave/doença muito grave exige sinal geral de perigo (não consegue beber ou mamar, vomita tudo, convulsão, letargia/inconsciência), tiragem subcostal ou estridor em repouso — nada disso está presente. Incorreta 'tosse ou resfriado': essa classificação pressupõe ausência de respiração rápida, o que não ocorre aqui. Incorreta 'sibilância': não há sibilos descritos, e broncodilatador não substitui o antibiótico indicado pela respiração rápida.
Criança de 14 meses é atendida na Unidade Básica de Saúde com tosse e coriza há 3 dias, sem febre no momento. A mãe informa que ela continua brincando, mama e aceita líquidos normalmente, não vomita o que ingere e não apresentou convulsões. Ao exame, com a criança tranquila: frequência respiratória de 32 irpm, sem tiragem subcostal, sem estridor em repouso e sem sibilos. Segundo a estratégia AIDPI, a classificação e a conduta são:
Correta: sem sinal geral de perigo, sem tiragem subcostal, sem estridor em repouso e com frequência respiratória de 32 irpm — abaixo do corte de 40 irpm para a faixa de 1 a 5 anos —, o AIDPI classifica como TOSSE OU RESFRIADO: medidas de alívio sintomático e hidratação, sem antibiótico, com orientação dos sinais que exigem retorno imediato e reavaliação em 5 dias se não houver melhora. Incorreta 'pneumonia': depende de respiração rápida (≥ 40 irpm nessa idade), ausente no caso. Incorreta 'pneumonia grave': exigiria tiragem subcostal ou estridor em repouso. Incorreta 'doença muito grave': exigiria pelo menos um sinal geral de perigo (não consegue beber ou mamar, vomita tudo, convulsão, letargia ou inconsciência), todos ausentes.
Menino de 10 meses é levado à Unidade Básica de Saúde pela mãe com tosse há 3 dias e queixa de "cansaço". Ao acolhimento, está ativo, mamando bem e sem febre. Seguindo a estratégia AIDPI, você conta a frequência respiratória com a criança calma: 54 incursões por minuto, confirmadas em nova contagem. Não há tiragem subcostal, estridor em repouso nem sinais gerais de perigo. À ausculta, murmúrio vesicular presente bilateralmente. Qual a classificação e a conduta corretas?
Na AIDPI, para a faixa de 2 a 11 meses o ponto de corte de respiração rápida é frequência respiratória igual ou maior que 50 irpm. Com 54 irpm, sem tiragem, estridor ou sinal geral de perigo, a criança é classificada como PNEUMONIA (amarelo): antibiótico oral com amoxicilina e retorno em 2 dias. Classificar como pneumonia grave exigiria tiragem subcostal, ausente aqui. Classificar como tosse ou resfriado ignora a respiração rápida, que já define pneumonia. E 'doença muito grave' exige sinal geral de perigo ou estridor em repouso, também ausentes.
Lactente de 7 meses é levado à UBS com febre e recusa alimentar há 1 dia. A mãe relata que a criança "vomita tudo o que oferece", inclusive líquidos, desde a manhã. Durante a avaliação pela AIDPI, o lactente está sonolento, mas desperta ao estímulo; não há tiragem nem estridor em repouso. Ao pesquisar os sinais gerais de perigo, você confirma que a criança não consegue reter nada por via oral. Qual é a conduta prioritária?
Vomitar tudo o que ingere é um dos sinais gerais de perigo da AIDPI (junto com não conseguir beber/mamar, convulsões e letargia/inconsciência). A presença de qualquer sinal geral de perigo classifica a criança na faixa vermelha (doença muito grave), com referência urgente ao hospital após as medidas iniciais — alternativa Correta: Antitérmico e espera em casa subestimam a gravidade. TRO oral domiciliar é inviável em quem vomita tudo e não substitui a referência. Aguardar exames na UBS atrasa a transferência de uma criança de risco.
De acordo com a estratégia AIDPI (Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância), a avaliação de toda criança de 2 meses a 5 anos de idade que chega ao serviço de saúde deve começar pela pesquisa dos sinais gerais de perigo, que indicam doença muito grave e necessidade de referência urgente ao hospital. Assinale a alternativa que apresenta um sinal geral de perigo dessa estratégia.
Os quatro sinais gerais de perigo da AIDPI são: não consegue beber ou mamar, vomita tudo o que ingere, apresentou convulsão e está letárgica ou inconsciente — logo, 'vomita tudo' é o sinal geral de perigo e indica referência urgente. Febre alta é motivo de avaliação do quadro febril, mas a temperatura isolada não é sinal geral de perigo. A tiragem subcostal é sinal usado na classificação específica do problema respiratório (pneumonia grave), não sinal geral. Diarreia ≥ 14 dias classifica diarreia persistente dentro do quadro de diarreia, e não integra os sinais gerais de perigo.
Menino de 4 anos com saída de secreção purulenta pelo ouvido direito há 20 dias. Sem dor, sem febre, sem tumefação ou vermelhidão atrás da orelha. Pela estratégia AIDPI, a classificação e a conduta são:
Secreção purulenta há 14 dias ou mais define INFECÇÃO CRÔNICA DO OUVIDO: a conduta é secar com mecha e reavaliar em 5 dias — antibiótico oral não faz parte dessa coluna. Amoxicilina por 8 dias é a conduta da infecção AGUDA (secreção há MENOS de 14 dias ou otoscopia alterada). Mastoidite exigiria tumefação/vermelhidão dolorosa retroauricular, explicitamente ausente. "Possível infecção aguda" é a dor de ouvido sem secreção e sem otoscopia. O número que decide a questão é a duração — 20 dias — e ele está no enunciado.
Menina de 3 anos com tosse há 2 dias. Na UBS: FR de 38 irpm (tranquila), tiragem subcostal presente, sem estridor, sem sibilância, sem nenhum sinal geral de perigo; oximetria indisponível. Segundo o Manual de Quadros de Procedimentos AIDPI Criança do Ministério da Saúde (2017), a conduta é:
No quadro brasileiro, tiragem subcostal é critério de PNEUMONIA GRAVE OU DOENÇA MUITO GRAVE mesmo com FR normal (38 < 40): primeira dose de antibiótico, prevenção de hipoglicemia e referência urgente. A alternativa da amoxicilina em casa descreve corretamente a revisão da OMS de 2014 — que rebaixou a tiragem para pneumonia não grave —, mas o enunciado pediu a régua do Ministério, que é de 2017, posterior à revisão, e manteve a referência. "Não é pneumonia" ignora que a tiragem classifica sozinha, independentemente da FR. Sem sibilância na vinheta, não há crise para tratar com beta-2; e amoxicilina por 7 dias é a conduta da linha amarela (respiração rápida sem sinais de gravidade).
Criança de 2 anos levada à UBS para consulta de rotina. Sem queixas agudas. Ao exame: emagrecimento acentuado visível e edema depressível em ambos os pés. Recebeu megadose de vitamina A há 8 meses. Pela estratégia AIDPI, a classificação e a conduta são:
Emagrecimento acentuado visível OU edema em ambos os pés — qualquer um dos dois — fecha DESNUTRIÇÃO GRAVE, linha vermelha do eixo nutricional: prevenir hipoglicemia, agasalhar contra hipotermia, megadose de vitamina A se não recebeu nos últimos 30 dias (200.000 UI de 1 a 59 meses; aqui a última dose foi há 8 meses) e referência urgente. No AIDPI, edema bilateral de pés em criança emagrecida aponta kwashiorkor — o distrator do nefrologista explora o reflexo de investigar edema como doença renal. "Peso muito baixo" e "peso baixo" são classificações da curva peso/idade SEM os sinais de gravidade, e nada na vinheta descreve palidez palmar.
Em município da Amazônia Legal com risco de malária, criança de 2 anos chega à unidade com febre há 3 dias (38,6 °C). Está alerta, bebe normalmente, sem vômitos, sem rigidez de nuca, sem petéquias, fontanela normal. Gota espessa: positiva. Pela estratégia AIDPI, a conduta é:
Teste positivo SEM nenhum sinal da linha vermelha (sinal geral de perigo, rigidez de nuca, petéquias, abaulamento de fontanela) classifica MALÁRIA — linha amarela: antimalárico ORAL na própria unidade, antitérmico porque a temperatura é ≥38,0 °C e seguimento em 3 dias. Não há critério para malária grave, logo não cabem artemeter IM (tratamento prévio à referência de casos graves) nem referência hospitalar — o tratamento da malária não complicada é ambulatorial. "Doença febril" seria a classificação com gota espessa negativa.
Criança de 3 anos, diarreia aquosa há 2 dias, sem sangue. Na UBS: letárgica, olhos fundos, recusa líquidos oferecidos (bebe muito mal) e sinal da prega desfazendo em mais de 2 segundos. Sem outras alterações. A classificação e a conduta iniciais pelo AIDPI são:
Letargia + olhos fundos + bebe muito mal + prega >2 s: quatro sinais da coluna grave (dois bastariam) = DESIDRATAÇÃO GRAVE. Sendo a única classificação grave, a conduta é o Plano C na própria unidade: 100 ml/kg de ringer lactato ou SF 0,9%; a partir de 1 ano, 30 ml/kg em 30 minutos e 70 ml/kg em 2h30 (abaixo de 1 ano, 30 ml/kg em 1 h e 70 em 5 h), com SRO em goles enquanto o acesso é obtido. Referir sem hidratar inverte a exceção do quadro — o Plano C pode resolver os sinais de perigo e evitar a referência. Plano B seria para a coluna do meio, e não há sangue nas fezes para falar em disenteria.
Lactente de 8 meses é trazido à UBS com tosse há 3 dias. Mama bem, não vomita, não teve convulsões e está ativo no colo. Ao exame, com a criança tranquila: FR de 54 irpm, sem tiragem subcostal, sem estridor, sem sibilância; enchimento capilar de 1 segundo; temperatura axilar de 37,0 °C. Pela estratégia AIDPI (2 meses a 5 anos), a classificação e a conduta são:
Aos 8 meses o corte de respiração rápida é 50 irpm — FR 54 fecha PNEUMONIA (linha amarela). Não há nenhum critério da linha vermelha (sinal geral de perigo, tiragem subcostal ou estridor em repouso), então não é pneumonia grave. A conduta da coluna é amoxicilina 50 mg/kg/dia por 7 dias com retorno em 2 dias. "Não é pneumonia" aplicaria o corte de 40, que só vale a partir de 1 ano. O AIDPI decide sem radiografia — é estratégia clínica para a atenção primária. E não há sibilos na vinheta para abrir o eixo da sibilância.
Lactente de 18 meses em crise de sibilância: choro entrecortado, tiragem subcostal, FR de 44 irpm, SpO2 de 93% em ar ambiente, consciência normal com períodos de agitação. Recebe três ciclos de beta-2 inalatório a cada 20 minutos e corticoide oral. Reavaliado: desconforto respiratório resolvido, sibilos escassos, mas FR persiste em 46 irpm. Pela estratégia AIDPI, a conduta é:
A crise era MODERADA (choro entrecortado, tiragem subcostal, SpO2 91–95%) e respondeu ao tratamento — até aí, o caminho seria casa com beta-2 por 5 dias e corticoide por 3. Mas o quadro brasileiro tem uma instrução específica: se a frequência respiratória SE MANTÉM elevada após tratar a crise (46 ≥ 40 na faixa de 1 a 5 anos), a criança é classificada também como PNEUMONIA e recebe antibiótico além do broncodilatador e do corticoide. Não há critério de sibilância grave na reavaliação (melhorou, SpO2 era 93%), repetir ciclos indefinidamente não é conduta do fluxograma, e o AIDPI não usa radiografia para decidir antibiótico.
Durante a triagem inicial de uma criança de 2 anos na atenção primária, segundo a estratégia AIDPI, é considerado SINAL GERAL DE PERIGO:
Os seis sinais gerais de perigo do quadro brasileiro: não consegue beber nem mamar; vomita tudo o que ingere; convulsões ou movimentos anormais nas últimas 72 h; letargia ou inconsciência; enchimento capilar >2 s; batimento de asa de nariz ou gemência. Febre alta isolada não é sinal geral de perigo. FR 48 aos 6 meses está abaixo do corte de 50 — nem respiração rápida é. Olhos fundos pertencem à avaliação da desidratação, e a tiragem subcostal é critério de gravidade do EIXO respiratório (pneumonia grave), não sinal GERAL — distinção que a banca explora.
Lactente de 11 meses com tosse há três dias, sem febre no momento da consulta. Na unidade básica, com a criança tranquila e no colo, a frequência respiratória contada durante um minuto inteiro é de 45 irpm. Não há tiragem subcostal, estridor em repouso, sibilância à ausculta nem qualquer sinal geral de perigo. Pela estratégia AIDPI, a classificação e a conduta são:
O par de cortes de respiração rápida é o número mais cobrado do eixo respiratório: 50 irpm ou mais entre 2 e 11 meses, e 40 irpm ou mais de 1 ano a menos de 5 anos. Aos 11 meses o corte ainda é 50, e 45 irpm fica abaixo dele — sem tiragem subcostal, sem estridor em repouso e sem sinal geral de perigo, a classificação é a linha verde, com medidas caseiras para a tosse e seguimento em cinco dias se não melhorar. A armadilha é aplicar o corte de 40, que só vale a partir de 1 ano: a mesma frequência de 45 irpm em criança de 14 meses fecharia pneumonia com amoxicilina por sete dias. A linha vermelha exige sinal geral de perigo, tiragem subcostal ou estridor em repouso, e nenhum está descrito. Radiografia não faz parte da estratégia, que é clínica e feita para a atenção primária sem laboratório e sem imagem. E não há sibilância no quadro para abrir o eixo da crise, o que retira a indicação do broncodilatador. Vale registrar o outro relógio do mesmo eixo: tosse com 14 dias ou mais sai do algoritmo e vira investigação.
Menina de 3 anos chega à unidade básica de saúde letárgica, com enchimento capilar de 4 segundos e temperatura axilar de 38,6 °C. Não há rigidez de nuca nem petéquias, e a área não tem risco de malária. A unidade não dispõe de leito e a ambulância já foi acionada, com previsão de chegada em 20 minutos. Pela estratégia AIDPI, quais tratamentos são feitos na própria unidade antes da referência urgente?
Referir nunca é referir de mãos vazias, e os tratamentos prévios têm lista fechada. A criança grave recebe a primeira dose de antibiótico intramuscular — ceftriaxona 100 mg/kg por dose, com penicilina G procaína 50.000 UI/kg como alternativa — e prevenção de hipoglicemia: se mama, mamar; se engole, 30 a 50 ml de leite ou de água açucarada; se não engole, leite por sonda ou glicose venosa. Temperatura de 38,0 °C ou mais recebe antitérmico, e 38,6 °C está acima do corte. Os dois sinais acrescentados pela versão brasileira têm conduta própria: enchimento capilar acima de 2 segundos pede acesso venoso com expansão de 20 ml/kg de soro fisiológico ou de ringer lactato já a caminho, e batimento de asa de nariz ou gemência pede via aérea pérvia com oxigênio. Adiar o antibiótico para preservar cultura contraria o quadro de forma explícita. Restringir a conduta à expansão deixa de fora justamente a dose que muda o desfecho da infecção grave. A via oral não substitui a intramuscular na criança letárgica, que pode não engolir de forma segura. E sair sem qualquer tratamento troca minutos de transporte por um pacote que se aplica em poucos minutos na própria sala.
Menino de 18 meses com diarreia aquosa há dois dias, sem sangue nas fezes e sem vômitos. Na unidade básica está alerta e interage normalmente, bebe avidamente e com sede quando lhe oferecem líquido, os olhos não estão fundos e o sinal da prega desfaz imediatamente. Não há nenhum sinal geral de perigo. Pela estratégia AIDPI, a classificação e a conduta são:
A regra que decide o eixo da diarreia é a dos dois sinais: são necessários dois achados da mesma coluna para fechar a classificação. Dois da coluna grave levam ao Plano C; dois da coluna do meio, ao Plano B; menos que isso é sem desidratação, com Plano A em casa. Aqui há um único sinal da coluna do meio, beber avidamente com sede — a criança está alerta, os olhos não estão fundos e a prega desfaz de imediato —, e um sinal isolado não classifica. Marcar o plano da unidade com reidratação oral supervisionada supõe dois sinais que não existem. O plano venoso exige dois achados da coluna grave, e nenhum está descrito. A suplementação de zinco por 10 dias entra em toda diarreia, em qualquer plano, e não apenas na forma persistente, o que derruba a versão que a suprime. E a classificação de diarreia persistente exige duração de 14 dias ou mais: com dois dias de história, o rótulo não se aplica. O Plano A é orientação domiciliar com líquidos extras após cada evacuação, manutenção da alimentação e ensino dos sinais de retorno imediato.
Qual dos sinais gerais de perigo da estratégia AIDPI exige referência hospitalar urgente em criança de 2 meses a 5 anos?
Os sinais gerais de perigo do AIDPI são: não conseguir beber ou mamar, vomitar tudo o que ingere, convulsão, letargia ou inconsciência — qualquer um deles classifica a criança como grave e determina referência urgente após a primeira dose de antibiótico e estabilização. Coriza, tosse e febre isoladas fazem parte da avaliação sintomática e são manejadas em domicílio com orientação. A redução parcial do apetite com boa hidratação engana quem confunde apetite diminuído com incapacidade de beber: o AIDPI é preciso ao exigir a incapacidade, não a redução.
Segundo a estratégia AIDPI, qual achado em criança de 2 a 5 anos com tosse ou dificuldade para respirar classifica o quadro como pneumonia grave, exigindo referência urgente?
Na estratégia AIDPI, os sinais que classificam como pneumonia grave e determinam referência urgente são tiragem subcostal, estridor em repouso e os sinais gerais de perigo. A frequência de 38 incursões por minuto está abaixo do corte de 40 usado dos 12 meses aos 5 anos e sequer classifica como pneumonia, o que engana quem memoriza que taquipneia sempre é gravidade. Coriza, febre e tosse isolados compõem o quadro viral e classificam como tosse ou resfriado, tratado no domicílio com orientação de retorno e sinais de alarme.
Segundo a estratégia AIDPI, qual sinal em criança febril indica avaliação para doença febril muito grave?
Rigidez de nuca e os sinais gerais de perigo — não conseguir beber ou mamar, vomitar tudo, convulsão, letargia ou inconsciência — classificam a criança como doença febril muito grave e determinam primeira dose de antibiótico e referência urgente. Coriza com espirros aponta quadro viral. Febre de curta duração não define gravidade por si só. Exantema após a defervescência sugere exantema súbito, e apetite levemente reduzido com boa ingestão de líquidos não caracteriza o sinal de perigo, que exige a incapacidade.
Segundo a estratégia AIDPI, qual conduta é indicada para criança de 3 anos com febre há 2 dias, sem sinais gerais de perigo, sem rigidez de nuca e sem outros sinais localizatórios, em área sem risco de malária?
Sem sinais gerais de perigo, sem rigidez de nuca e sem sinais localizatórios, em área sem risco de malária, o AIDPI classifica como febre sem gravidade: trata-se a causa aparente, orienta-se a família sobre sinais de alarme e agenda-se retorno em dois dias se a febre persistir. Antibiótico empírico e referência hospitalar universal são excessos que sobrecarregam o sistema. Hemocultura sem orientação não muda a conduta imediata, e corticoide não tem indicação no manejo da febre.
Criança de 2 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde com febre de 39 graus Celsius há 4 dias, tosse produtiva e prostração. Ao exame, frequência respiratória de 48 incursões por minuto, tiragem subcostal, saturação de oxigênio em ar ambiente de 96 por cento, murmúrio vesicular reduzido em base direita e estertores localizados. Aceita líquidos, está hidratada e alerta. Segundo a estratégia de Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância, qual é a classificação e a conduta adequadas?
Na Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância, tiragem subcostal em criança de 2 a 5 anos sem sinais gerais de perigo classifica como pneumonia e autoriza tratamento ambulatorial com amoxicilina e reavaliação em 48 horas. Pneumonia grave exige sinal geral de perigo, estridor em repouso, hipoxemia ou incapacidade de ingerir líquidos, ausentes aqui. Tosse ou resfriado exclui taquipneia e tiragem, presentes no caso. Doença muito grave pressupõe letargia, convulsão ou vômitos incoercíveis, que a criança não apresenta.
Criança de 3 anos chega ao pronto-atendimento com história de febre há 5 dias e tosse. Está prostrada, com respiração rápida, gemência, incapacidade de aceitar líquidos e episódio de convulsão presenciado. Ao exame, temperatura de 39,5 graus Celsius, frequência respiratória de 56 incursões por minuto, saturação de 89 por cento em ar ambiente e letargia. Segundo a Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância, qual é a classificação?
A presença de sinais gerais de perigo, como letargia, convulsão e incapacidade de ingerir líquidos, associada a hipoxemia, classifica o caso como doença muito grave, exigindo estabilização e referência urgente. A classificação de pneumonia com tratamento ambulatorial pressupõe ausência desses sinais. Tosse ou resfriado exclui taquipneia, tiragem e sinais de perigo. Tratar pneumonia grave com antibiótico oral em domicílio contraria o protocolo, que determina referência hospitalar.
Uma agente comunitária de saúde realiza visita domiciliar a uma família com três crianças que apresentam tosse: um lactente de 3 meses, uma criança de 14 meses e outra de 4 anos. Ela sabe que a contagem da frequência respiratória por um minuto completo, com a criança calma, é um dos parâmetros mais importantes para identificar pneumonia na comunidade e orientar o encaminhamento à unidade de saúde, conforme a estratégia adotada pelo Ministério da Saúde. O limite que caracteriza taquipneia é:
Os limites de taquipneia variam com a idade: sessenta ou mais incursões por minuto em menores de dois meses, cinquenta ou mais entre dois e onze meses e quarenta ou mais entre um e cinco anos, parâmetros que fundamentam a identificação de pneumonia na comunidade. Usar um único valor para todas as idades subestima a taquipneia no lactente jovem e superestima na criança maior. O limite de trinta é inadequado para lactentes, gerando encaminhamentos desnecessários. Aplicar sessenta para todos deixaria de identificar pneumonia em crianças maiores.
Lactente de 8 meses é levado à Unidade Básica de Saúde com tosse, febre e recusa alimentar há dois dias. A mãe relata que ele não consegue mamar e vomita tudo o que ingere, além de estar muito sonolento desde a madrugada. Ao exame, apresenta temperatura de 38,7 °C, frequência respiratória de 62 ipm, tiragem subcostal, batimento de asa de nariz, saturação de 90% e letargia, respondendo pouco ao estímulo. O enchimento capilar é de três segundos e ele não apresenta convulsões. Segundo a estratégia de atenção integrada às doenças prevalentes na infância, a conduta correta é
Letargia, incapacidade de mamar e vômitos de tudo que ingere são sinais gerais de perigo, e associados a taquipneia, tiragem e hipoxemia classificam a criança como caso muito grave, exigindo estabilização com oxigênio, primeira dose de antibiótico e referência urgente ao hospital. Tratamento ambulatorial com retorno em dois dias é inadequado diante de sinais gerais de perigo. Sintomáticos isolados são insuficientes. Aguardar exame ambulatorial retarda a transferência de uma criança grave.
Menino de 2 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com tosse e febre há três dias, sem sibilância. Ao exame: alerta, hidratado, aceitando líquidos bem, temperatura axilar 38,4 °C, frequência respiratória de 46 irpm contada em minuto completo com a criança calma, sem tiragem subcostal, sem batimento de asa nasal, sem estridor em repouso, com saturação de oxigênio de 96% em ar ambiente e estertores localizados em base direita. Considerando a estratégia de atenção integrada, qual é a classificação e a conduta?
Na estratégia de atenção integrada às doenças prevalentes na infância, a taquipneia é o sinal-chave para classificar pneumonia, com pontos de corte por faixa etária, e a criança sem sinais gerais de perigo, sem tiragem subcostal e sem hipoxemia é classificada como pneumonia com tratamento domiciliar e reavaliação programada. A classificação de pneumonia grave exige tiragem subcostal ou sinais de gravidade. Considerar apenas resfriado ignora a taquipneia e os achados de ausculta. Doença muito grave pressupõe sinais gerais de perigo, ausentes aqui.
Menina de 3 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com febre há dois dias e a equipe realiza a avaliação sistematizada de sinais gerais de perigo antes de qualquer classificação específica. A mãe relata que a criança vomitou tudo o que ingeriu nas últimas horas e está muito sonolenta, tendo apresentado um episódio de movimentos anormais em casa. Ao exame: letárgica, com dificuldade para despertar, incapaz de beber, sem rigidez de nuca evidente e com desidratação. Qual é a conduta correta?
Letargia ou dificuldade para despertar, incapacidade de beber ou mamar, vômitos de tudo o que ingere e convulsão são sinais gerais de perigo que classificam a criança como caso grave, exigindo primeira dose de antimicrobiano e demais medidas pré-transferência e encaminhamento urgente ao hospital. Tratar apenas a desidratação subestima a gravidade. Antitérmico com alta é conduta perigosa. Aguardar exames na unidade retarda a transferência de uma criança com risco iminente.
Uma equipe de saúde da família planeja ações para reduzir a mortalidade por doenças infecciosas em crianças menores de 5 anos no território, que apresenta indicadores piores que a média do município. A análise mostra baixa cobertura vacinal em duas microáreas, alta prevalência de desnutrição, baixo índice de aleitamento materno exclusivo e demora na procura por atendimento diante de sinais de gravidade, sobretudo entre famílias mais distantes da unidade. Qual é a estratégia mais adequada?
A redução da mortalidade infantil por doenças infecciosas depende de ações integradas sobre determinantes e fatores protetores, incluindo vacinação, promoção do aleitamento materno, vigilância nutricional, educação das famílias para o reconhecimento de sinais de perigo e busca ativa com vínculo territorial. Ampliar apenas o estoque de antibióticos não atua sobre as causas. Encaminhar toda febre ao hospital sobrecarrega a rede e fragiliza o vínculo. Aguardar política nacional adia intervenções já viáveis.
Menina, 18 meses, é avaliada em unidade básica por tosse e febre há dois dias. A equipe utiliza a estratégia de atenção integrada às doenças prevalentes na infância para classificar a gravidade e definir a conduta, considerando frequência respiratória, sinais de esforço, estado geral, aceitação de líquidos e presença de sinais gerais de perigo na avaliação inicial. Assinale a alternativa que NÃO constitui sinal geral de perigo.
Coriza hialina com espirros em criança ativa e interativa é achado benigno e não constitui sinal geral de perigo. A incapacidade de beber ou mamar indica gravidade e necessidade de referência urgente. Vômitos de tudo o que ingere impedem o tratamento por via oral e caracterizam sinal de perigo. Convulsão durante a doença atual também integra essa lista. Letargia ou dificuldade para despertar indica comprometimento neurológico e exige referência imediata a serviço hospitalar.
Menina de 3 anos é atendida na UBS de município da Amazônia Legal (área com risco de malária) por febre há 2 dias, sem outras queixas. Ao exame: ativa, hidratada, sem sinais gerais de perigo, sem rigidez de nuca, sem petéquias, sem sinais respiratórios, sem foco identificável. Temperatura axilar 38,4°C. Segundo a estratégia AIDPI, qual é a conduta imediata mais apropriada?
Em toda criança febril residente em área com risco de malária, a AIDPI recomenda a pesquisa parasitológica (gota espessa) ou teste rápido, com decisão terapêutica baseada no resultado. Como a temperatura é ≥38°C, antitérmico está indicado. Na ausência de sinais gerais de perigo ou de rigidez de nuca/petéquias/abaulamento de fontanela, não há critério para classificação de doença febril muito grave que exija referência imediata. Referências: Manual de Quadros de Procedimentos AIDPI Criança 2 meses a 5 anos (MS, 2017) — https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_quadros_procedimentos_aidpi_crianca_2meses_5anos.pdf
Lactente de 11 meses retorna à UBS após 2 dias do início de amoxicilina oral por classificação AIDPI de pneumonia (respiração rápida isolada, sem tiragem, sem sinais gerais de perigo). A mãe relata que a criança continua tossindo e febril. Ao exame de reavaliação: alerta, aceita mamadas, FR 54 irpm em duas contagens, sem tiragem subcostal, sem estridor, sem sibilos, SpO2 96% em ar ambiente, temperatura 38,2°C. Segundo o passo de consulta de retorno da AIDPI, qual é a conduta apropriada?
Na consulta de retorno de 2 dias da criança tratada por pneumonia, a AIDPI orienta reavaliar os sinais. Se a respiração está mais lenta, houve menos febre e a criança está comendo melhor, considera-se melhora e completa-se o esquema. Se persiste taquipneia sem sinais de gravidade (mesmo estado), considera-se falha terapêutica ao antibiótico de primeira linha e a orientação é trocar para o antibiótico de segunda linha (amoxicilina + clavulanato ou eritromicina) e reavaliar novamente em 2 dias. Se houver piora com surgimento de tiragem ou sinal geral de perigo, refere-se com primeira dose IM. Neste caso, a criança mantém FR ≥50 (respiração rápida para <12 meses) e permanece febril, sem melhora, mas sem sinais de gravidade — portanto, troca-se o antibiótico. Referências: Manual de Quadros de Procedimentos AIDPI Criança 2 meses a 5 anos (MS, 2017) — https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_quadros_procedimentos_aidpi_crianca_2meses_5anos.pdf Guia do Facilitador AIDPI 2017 (Brasil) — https://platform.who.int/docs/default-source/mca-documents/policy-documents/operational-guidance/BRA-CH-20-02-OPERATIONAL-GUIDANCE-2017-prt-Guia-do-Facilitador-AIDPI-2017.pdf
Menino de 4 anos, com diagnóstico prévio de anemia falciforme em acompanhamento no hematologista, é levado à UBS por febre de 38,6°C iniciada há 6 horas, associada a coriza hialina. Ao exame: ativo, brincando, sem sinais gerais de perigo, sem tiragem, FR 28 irpm, SpO2 98%, orofaringe hiperemiada, otoscopia normal, sem rigidez de nuca, sem petéquias, sem foco bacteriano evidente ao exame físico. Segundo o Manual de Quadros de Procedimentos AIDPI Criança 2 meses a 5 anos (MS, 2017), qual é a conduta correta?
A AIDPI brasileira estabelece uma regra especial para crianças com doença falciforme: todo paciente com anemia/doença falciforme que apresenta febre deve ser referenciado a serviço de emergência o mais breve possível, INDEPENDENTEMENTE de haver sinais gerais de perigo, foco aparente ou aparência clínica tranquilizadora. Isso se justifica pelo alto risco de sepse por germes encapsulados (Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae) em razão da asplenia funcional. A conduta apropriada é administrar antitérmico, garantir hidratação e referir com urgência, idealmente com primeira dose de antibiótico parenteral antes do transporte. Manejo ambulatorial sintomático, aguardo de exames laboratoriais ou tratamento empírico oral em UBS não são adequados neste contexto. Referências: Manual de Quadros de Procedimentos AIDPI Criança 2 meses a 5 anos (MS, 2017) — https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_quadros_procedimentos_aidpi_crianca_2meses_5anos.pdf Linha de Cuidado - Puericultura - Aspectos específicos (MS) — https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/puericultura/unidade-de-pronto-atendimento/aspectos-especificos-criancas-adolescentes/
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Recite sem consultar: os seis sinais gerais de perigo; os dois cortes de respiração rápida (50/40); e a tabela da desidratação — duas colunas, quatro sinais cada, dois sinais fecham, e o plano de cada coluna (C, B, A). Depois confira no capítulo o que escapou.
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Pegue três vinhetas antigas de prova (uma de tosse, uma de diarreia, uma de febre) e resolva só com o quadro mental: cor, nome da classificação e conduta da coluna — incluindo dose e retorno. Errou número (75 ml/kg, 7 dias, 8 dias, 2 dias)? Releia a tabela dos planos e a seção do eixo errado.
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