Pediatria › Emergências Pediátricas
Febre sem sinais localizatórios
A idade decide mais que o termômetro. A prova cobra a conduta por faixa etária no lactente febril sem foco — e o corte de leucócitos que dispara hemocultura e ceftriaxona.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Lactente de 8 meses é atendido na UBS com febre de 39 °C há 2 dias sem foco aparente, irritabilidade e recusa alimentar. Não há sintomas respiratórios nem exantema. A mãe nega diarreia. Considerando a investigação de febre sem sinais localizatórios nesse lactente, qual conduta é a mais apropriada?
Como esse tema cai
Febre sem sinais localizatórios (FSSL) é febre com menos de sete dias de duração em uma criança cuja história clínica e cujo exame físico não revelaram a causa. A maioria dessas crianças tem uma virose autolimitada ou está no pródromo de uma doença benigna; uma minoria tem infecção bacteriana grave — infecção urinária, bacteremia, meningite ou pneumonia sem estertores. Todo o capítulo é sobre separar as duas coisas sem submeter o resto das crianças a exames e antibiótico de que não precisam.
Duas entidades vizinhas não são FSSL e caem em outra conduta. Febre com foco identificado — otite, amigdalite, pneumonia com ausculta alterada, celulite — deixa de ser febre sem sinais localizatórios no instante em que o foco aparece: trata-se o foco. E febre de origem indeterminada, que na criança é febre de 38,3 °C ou mais, diária, por 14 dias ou mais, sem causa após avaliação clínica e laboratorial básica, é outro problema, com outro elenco de causas — infecciosas (30% a 40%), neoplásicas (20% a 30%), reumatológicas e inflamatórias (15% a 20%) e miscelânea (10% a 20%).
O instrumento oficial brasileiro na atenção primária é o AIDPI, e o manual de quadros de 2 meses a 5 anos classifica a febre por sinais de perigo, não por exames. A régua que diz quem colhe o quê e em que idade vem da Sociedade Brasileira de Pediatria: o protocolo do Hospital Universitário da USP, construído sobre os protocolos de Baraff e sobre os critérios de Rochester, publicado no Tratado de Pediatria em 2017 e reproduzido no documento científico de 2025. É desse par — AIDPI para o risco imediato, protocolo da SBP para a investigação — que sai quase toda questão de prova sobre criança febril.
As três decisões que a prova cobra vêm sempre na mesma ordem: a criança tem comprometimento do estado geral? Que idade tem? Que exames essa idade manda pedir? Quem inverte a ordem erra — a idade só governa depois que o estado geral foi considerado bom.
O que muda decisão
O que conta como febre — e o que é hipertermia
Como usar este capítulo: a sequência é estado geral, idade e risco de infecção bacteriana invasiva; só então vêm urina, sangue, líquor e decisão de tratar ou observar. Antitérmico controla desconforto, mas nunca substitui essa estratificação.
Febre, na régua brasileira, é temperatura axilar igual ou superior a 37,5 °C, o que corresponde a 38,0 °C na medida oral ou retal. A medida retal é o padrão-ouro de temperatura central pela precisão, mas é invasiva física e psicologicamente, e por isso não é a via da rotina. Em menores de 1 ano, a recomendação é termômetro digital na axila em qualquer cenário; em menores de 4 semanas, digital axilar sempre. Termômetro infravermelho fica reservado a crianças acima de 1 ano e a profissional treinado, porque o erro de manuseio é grande.
O AIDPI é mais largo de propósito: considera febril a criança com temperatura de 37,5 °C ou mais, quente ao toque ou com febre relatada na anamnese. Na atenção primária, febre que a mãe mediu em casa e passou até a chegada não é descartada — ela conta.
A temperatura corporal tem ritmo circadiano: os menores valores ocorrem na madrugada e os maiores no fim da tarde. No adulto essa amplitude é de cerca de 0,5 °C; no lactente pode chegar a 1 °C. Uma medida isolada de 37,6 °C às 18 horas, num dia quente, em criança agasalhada, não fecha nada.
Febre e hipertermia se separam à beira do leito, e a distinção muda a conduta. Na febre, o ponto de termorregulação subiu: a criança tem extremidades frias, não sua, sente frio, eventualmente treme, e apresenta taquicardia e taquipneia. Na hipertermia, o termostato está no lugar e o corpo apenas não consegue perder calor — excesso de roupa, ambiente aquecido, exercício intenso: extremidades quentes, sudorese intensa, sensação de calor, sem tremor. Hipertermia se resolve tirando a roupa e resfriando o ambiente, não com antitérmico.
Um ponto que a prova cobra em forma de distrator: a magnitude da febre não tem valor prognóstico nem etiológico. Quarenta graus não significa bactéria, nem 37,8 °C significa vírus. A única exceção reconhecida é o menor de 3 meses com leucocitose ou proteína C reativa elevada. No protocolo brasileiro, a altura da febre serve para uma coisa só: acima de 39 °C, na faixa de 3 a 36 meses, ela abre a investigação de bacteremia oculta.

A primeira pergunta não é a idade: é o estado geral
Independentemente da idade, a criança febril com comprometimento do estado geral — letargia, irritabilidade que não cede ao colo, má perfusão, gemência, batimento de asa do nariz, dificuldade respiratória — é internada, colhe hemocultura, urocultura, líquor e radiografia de tórax e recebe antibiótico empírico. Essa via não passa por escore, por corte de leucócitos nem por idade. Ela é a primeira ramificação do protocolo brasileiro justamente para não ser esquecida.
Os parâmetros que a SBP manda usar nessa avaliação são objetivos. Frequência cardíaca: 160 bpm ou mais abaixo de 12 meses, 150 bpm ou mais dos 12 aos 24 meses, 140 bpm ou mais dos 2 aos 5 anos. Frequência respiratória: acima de 50 entre 6 e 12 meses e acima de 40 depois dos 12 meses, com saturação de oxigênio de 95% ou menos. Enchimento capilar acima de 3 segundos é alerta. Somam-se o grau de hidratação, avaliado por mucosas e turgor, e o grau de atividade e de responsividade aos estímulos. O conjunto classifica a criança em verde, amarelo ou vermelho — o chamado protocolo semáforo — e é essa cor que define a extensão da investigação.
Na atenção primária o instrumento é o AIDPI, e ele tem lista própria. Sinais gerais de perigo: a criança não consegue beber nem mamar, vomita tudo o que ingere, apresentou convulsão ou movimentos anormais há menos de 72 horas, está letárgica ou inconsciente, tem enchimento capilar acima de 2 segundos, ou apresenta batimento de asa do nariz e gemência. No quadro específico da febre entram ainda três achados: rigidez de nuca, petéquias e abaulamento de fontanela.
Qualquer um desses, em área sem risco de malária, classifica a criança como doença febril muito grave, e a conduta é fixa: primeira dose de antibiótico recomendado ainda na unidade, medidas para evitar hipoglicemia, antitérmico se a temperatura for de 38,0 °C ou mais e referência urgente ao hospital. Em área com risco de malária, acrescenta-se a gota espessa ou o teste rápido e, se positivo, a primeira dose do antimalárico — a classificação passa a se chamar malária grave ou doença febril muito grave, e a referência urgente continua.
Sem sinais de gravidade, a classificação é doença febril: antitérmico se temperatura de 38,0 °C ou mais, orientação sobre quando retornar imediatamente e reavaliação em dois dias se a febre persistir. E existe uma regra que o quadro do AIDPI destaca duas vezes: toda criança com doença falciforme que apresentar febre é referida ao hospital o mais breve possível, tenha ou não foco, tenha ou não sinal de perigo.
Menor de 3 meses: onde o exame físico mente
Abaixo de 30 dias, o bom aspecto não autoriza nada. A conduta é internação com investigação completa — pesquisa de vírus respiratório quando disponível, hemograma, hemocultura, urina I, urocultura, líquor e radiografia de tórax — e antibiótico empírico. Não há via ambulatorial nessa faixa, e a alternativa de prova que manda para casa o recém-nascido febril que está mamando bem é sempre a errada.
A razão é fisiológica, não excesso de zelo. Nessa idade os sinais focais são pobres: bacteremia, infecção urinária e meningite podem cursar apenas com febre e com uma criança que parece bem. Vale ainda o inverso — recém-nascidos, sobretudo prematuros, podem não fazer febre mesmo infectados, e apresentar hipotermia. Desnutridos graves também podem não elevar a temperatura na vigência de infecção. Ausência de febre não exclui infecção nas pontas da curva.
Entre 1 e 3 meses, sem comprometimento do estado geral, colhem-se pesquisa de vírus respiratório (quando disponível), hemograma e urina I, e aplicam-se os critérios de Rochester. Classificada como baixo risco, a criança colhe urocultura e vai para casa com reavaliação diária, sem antibiótico e sem punção lombar. Classificada como alto risco, interna, colhe hemocultura, urocultura, líquor e radiografia de tórax, recebe antibiótico empírico e tem reavaliação diária obrigatória.
Os critérios de Rochester olham quatro domínios. Aspecto: criança com bom aspecto. História prévia: nascida a termo, sem antibiótico no período perinatal, sem hiperbilirrubinemia inexplicada, sem internação prévia e sem doença de base. Exame físico: nenhum foco de infecção em pele, partes moles, ossos, articulações ou ouvido. Laboratório: leucócitos entre 5.000 e 15.000/mm³, bastonetes de até 1.500/mm³, até 10 leucócitos por campo no sedimento urinário e, havendo diarreia, até 5 leucócitos por campo no esfregaço de fezes. Na validação original, 1,0% dos classificados como baixo risco tinham infecção bacteriana grave, contra 12,3% dos de alto risco.
A infecção urinária é a infecção bacteriana grave mais frequente do lactente febril, e é por isso que urina I e urocultura entram sem que haja qualquer queixa urinária — não existe disúria referida aos 2 meses. O sedimento urinário orienta na hora; quem fecha o diagnóstico é a urocultura, e ela só vale se a amostra vier de cateterismo vesical ou de punção suprapúbica. Saco coletor contamina com frequência alta e serve, na prática, apenas quando o resultado é negativo.
Três a 36 meses: bacteremia oculta e o papel da vacina
Nessa faixa, com bom estado geral, o protocolo brasileiro olha dois dados antes de qualquer exame: a situação vacinal e a altura da febre. O que importa na situação vacinal são as conjugadas contra os dois agentes clássicos da bacteremia oculta. No calendário nacional, a pneumocócica conjugada é aplicada aos 2 e aos 4 meses com reforço aos 12 — a VPC20 vem substituindo a VPC10 no programa —, e o Haemophilus influenzae tipo b entra na pentavalente, aos 2, 4 e 6 meses. Uma criança de 15 meses com essas doses em dia cumpriu o esquema básico que o protocolo considera completo.
Com vacinação completa e temperatura axilar de até 39 °C, a conduta é considerar urina I e urocultura e reavaliar diariamente. Não há indicação de hemograma nem de hemocultura: a criança bem, vacinada e com febre moderada não entra em rastreio de bacteremia.
Acima de 39 °C, colhe-se hemograma. Leucócitos de 20.000/mm³ ou mais, ou neutrófilos de 10.000/mm³ ou mais, disparam hemocultura e radiografia de tórax. Radiografia alterada significa pneumonia, e o caso deixa de ser febre sem foco: trata-se a pneumonia. Radiografia normal caracteriza risco de bacteremia oculta, e a conduta é ceftriaxona 50 mg/kg por via intramuscular, uma vez ao dia, com reavaliação diária até o resultado das culturas. Abaixo desses cortes, apenas reavaliação diária, sem antibiótico.
Com esquema vacinal incompleto, a investigação é a mesma, mas a reavaliação diária passa a ser obrigatória — o protocolo não admite perder essa criança de vista, porque a proteção contra pneumococo e Haemophilus não está garantida.
Por que 20.000 e não os 15.000 leucócitos do protocolo clássico de Baraff: o protocolo do HU-USP propõe deliberadamente uma intervenção menor e foi validado ao longo de 12 meses de uso, período em que todos os casos de infecção bacteriana grave foram identificados e o uso empírico de antibiótico caiu. É um corte brasileiro, com justificativa brasileira, e é ele que a banca cobra quando o enunciado descreve hemograma de criança febril entre 3 e 36 meses.
Tratar a febre: o alvo é o desconforto, não o número
Não existe um valor de termômetro fixado por consenso para administrar antitérmico. A indicação é o desconforto evidente: choro intenso, irritabilidade, redução da atividade, redução do apetite, distúrbio do sono. Amarrar a família a um número alimenta a febrefobia e produz mais dose errada do que alívio.
Três drogas estão disponíveis no Brasil, todas eficazes e seguras dentro da faixa terapêutica e em monoterapia. Paracetamol, a partir de 3 kg e já no período neonatal: 10 a 15 mg/kg por dose, a cada 4 a 6 horas, no máximo 50 a 75 mg/kg ao dia. Dipirona, a partir de 3 meses e 5 kg: 10 a 16 mg/kg por dose, a cada 6 a 8 horas. Ibuprofeno, a partir de 6 meses e 5 kg: 5 a 10 mg/kg por dose, a cada 6 a 8 horas, até 40 mg/kg ao dia — a dose anti-inflamatória é outra, de 15 a 20 mg/kg. O ácido acetilsalicílico não é usado como antitérmico na criança, pelo risco de síndrome de Reye. Abaixo de 1 mês, o único antitérmico recomendado é o paracetamol, com dose ajustada pela idade gestacional.
Alternar antitérmicos não se sustenta. Os três agem no mesmo ponto — inibem a ciclo-oxigenase e reduzem a produção de prostaglandina E2 no hipotálamo —, de modo que a combinação não acrescenta mecanismo e multiplica o risco de erro. E o erro é a regra, não a exceção: em estudo brasileiro com 692 crianças, 26,7% dos cuidadores alternavam antitérmicos e cerca de 70% das doses ficavam abaixo da mínima recomendada; em outro, com 575 cuidadores, 43,3% das crianças receberam subdose, 48,7% dose adequada e 8,0% dose acima da terapêutica.
Uma armadilha de dose merece linha própria. No produto de referência, uma gota de dipirona contém 25 mg. A regra caseira de 'uma gota por quilo' entrega 25 mg/kg, acima do teto de 16 mg/kg — e a hipotensão que se costuma atribuir à droga é, em boa parte dos casos, superdosagem. Os gotejadores das diferentes apresentações comerciais não são equivalentes entre si, o que torna a prescrição em miligramas por quilo, e não em gotas, a única segura.
Métodos físicos têm início rápido de ação, efeito curto e produzem calafrio e irritabilidade — pouca vantagem sobre o medicamento e mais desconforto. Ficam reservados à hipertermia, definida como temperatura central de 40 °C ou mais acompanhada de alteração do sistema nervoso central. Banho frio, compressa gelada e fricção com álcool não entram na conduta da criança febril.
Dois usos preventivos não se justificam. Antitérmico não previne convulsão febril: metanálise de três estudos, com 540 crianças de 6 a 72 meses e história prévia de convulsão febril, não encontrou diferença entre antipirético profilático e placebo. E antitérmico profilático antes da vacinação não é rotina — o paracetamol pode reduzir a imunogenicidade de algumas vacinas, sobretudo nas primeiras doses. O uso é terapêutico, em caso de febre ou dor após a aplicação.
Em época de arbovirose, a escolha do antitérmico muda. Na suspeita de dengue, usam-se paracetamol e dipirona; ibuprofeno e ácido acetilsalicílico estão contraindicados pelo risco de sangramento e de comprometimento renal no contexto de extravasamento plasmático. O ponto que a prova mais explora vem depois: na dengue, a piora hemodinâmica costuma ocorrer justamente quando a febre cede, entre o terceiro e o sétimo dia de doença — defervescência não é sinal de melhora, é o momento de vigiar sinais de alarme.
Quando a febre já dura dias
O quadro do AIDPI faz uma pergunta que costuma passar batida: há mais de cinco dias, houve febre todos os dias? Se sim, a criança é encaminhada para investigação mesmo sem qualquer sinal de gravidade. É o gatilho que separa o 'reavalie em dois dias' do 'investigue', e é onde entram no diferencial quadros como a doença de Kawasaki, que se define justamente pela duração da febre.
A febre sem sinais localizatórios, por definição, tem menos de sete dias. Passado esse tempo sem causa, a moldura muda de nome e de lógica: febre de origem indeterminada, na criança, é febre de 38,3 °C ou mais, diária, por 14 dias ou mais, sem causa identificada após avaliação clínica e laboratorial básica. A investigação deixa de perseguir bacteremia oculta e passa a percorrer infecções arrastadas (tuberculose e micobactérias não tuberculosas, citomegalovírus, Epstein-Barr, HIV, endocardite, abscessos, doença da arranhadura do gato, salmonelose, infecções ósseas, malária, toxoplasmose), neoplasias, doenças reumatológicas e a miscelânea que inclui autoinflamatórias, febre factícia e febre por medicamento.
Na prática pediátrica, boa parte do que chega rotulado como febre de origem indeterminada é, no fim, sequência de viroses recorrentes que não preenche a definição clássica. Isso não dispensa a investigação: dispensa a pressa de tratar às cegas.
Conduta no lactente febril sem foco, por faixa etária
O protocolo brasileiro de referência é o do Hospital Universitário da USP, construído sobre Baraff e Rochester, publicado no Tratado de Pediatria em 2017 e reproduzido pela SBP em 2025. Ele se lê de cima para baixo: primeiro o estado geral, depois a idade, e só então os exames.
- 1Confirme que é febre e que não há foco: temperatura axilar de 37,5 °C ou mais (equivalente a 38,0 °C retal), menos de sete dias de duração e exame físico completo — incluindo otoscopia, orofaringe, pele, articulações e fontanela.
- 2Pergunte pelo estado geral antes de perguntar a idade. Havendo comprometimento (letargia, irritabilidade, má perfusão, gemência, batimento de asa do nariz), interne, colha hemocultura, urocultura, líquor e radiografia de tórax e inicie antibiótico empírico — em qualquer idade.
- 3Sem comprometimento, a idade governa. Abaixo de 30 dias: internação com investigação completa, incluindo líquor, e antibiótico empírico, mesmo com ótimo aspecto.
- 4De 1 a 3 meses: hemograma, urina I e pesquisa de vírus respiratório quando disponível; aplique os critérios de Rochester. Baixo risco vai para casa com urocultura colhida e reavaliação diária; alto risco interna com líquor e antibiótico empírico.
- 5De 3 a 36 meses com bom estado geral: confira a situação vacinal e a altura da febre. Até 39 °C, urina I e urocultura com reavaliação diária. Acima de 39 °C, hemograma.
- 6Hemograma com leucócitos de 20.000/mm³ ou mais, ou neutrófilos de 10.000/mm³ ou mais: hemocultura e radiografia de tórax. Radiografia alterada trata-se como pneumonia; radiografia normal recebe ceftriaxona 50 mg/kg por via intramuscular, uma vez ao dia, com reavaliação diária até o resultado das culturas.
- 7Marque o retorno antes de a família sair. A reavaliação diária é parte do protocolo, não gentileza — é ela que autoriza pedir menos exame.
0 a 30 dias
Internação sempre. Pesquisa de vírus respiratório, hemograma, hemocultura, urina I, urocultura, líquor e radiografia de tórax, com antibiótico empírico. Bom estado geral não muda a conduta.
1 a 3 meses
Hemograma e urina I decidem por Rochester. Baixo risco vai para casa com urocultura colhida e reavaliação diária, sem antibiótico; alto risco interna com líquor e antibiótico empírico.
3 a 36 meses
Vacinação e altura da febre decidem. Até 39 °C, urina I e urocultura com retorno diário. Acima de 39 °C, hemograma — e é o hemograma que abre a via da hemocultura e da ceftriaxona.
| Situação | O que colher | Conduta |
|---|---|---|
| Qualquer idade, com comprometimento do estado geral | Hemocultura, urocultura, líquor e radiografia de tórax | Internação e antibiótico empírico imediato, sem passar por corte de exame |
| Menor de 30 dias, bom estado geral | Pesquisa de vírus respiratório, hemograma, hemocultura, urina I, urocultura, líquor e radiografia de tórax | Internação e antibiótico empírico, sem exceção |
| 1 a 3 meses — Rochester de baixo risco | Pesquisa de vírus respiratório, urina I e urocultura | Alta com reavaliação diária; sem antibiótico e sem líquor |
| 1 a 3 meses — Rochester de alto risco | Hemocultura, urocultura, líquor e radiografia de tórax | Internação, antibiótico empírico e reavaliação diária obrigatória |
| 3 a 36 meses, temperatura axilar de até 39 °C | Urina I e urocultura | Reavaliação diária; sem hemograma e sem hemocultura |
| 3 a 36 meses, temperatura axilar acima de 39 °C | Hemograma; se leucócitos ≥ 20.000/mm³ ou neutrófilos ≥ 10.000/mm³, hemocultura e radiografia de tórax | Radiografia alterada: tratar como pneumonia. Radiografia normal: ceftriaxona 50 mg/kg IM 1x/dia e reavaliação diária até o resultado das culturas |
| 3 a 36 meses com esquema vacinal incompleto | Mesma investigação da faixa etária | Reavaliação diária obrigatória — a criança não pode sair sem retorno marcado |
Critérios de Rochester — o que define BAIXO risco no lactente de até 60 dias
| Domínio | Critério |
|---|---|
| Aspecto | Criança com bom aspecto, sem toxemia |
| História prévia | Nascida a termo, sem antibiótico perinatal, sem hiperbilirrubinemia inexplicada, sem internação prévia e sem doença de base |
| Exame físico | Sem foco de infecção em pele, partes moles, ossos, articulações ou ouvido |
| Hemograma | Leucócitos entre 5.000 e 15.000/mm³ e bastonetes de até 1.500/mm³ |
| Urina | Até 10 leucócitos por campo no sedimento urinário |
| Fezes (se houver diarreia) | Até 5 leucócitos por campo no esfregaço |
| Desempenho na validação | Infecção bacteriana grave em 1,0% dos classificados como baixo risco, contra 12,3% no grupo de alto risco |
Antitérmicos disponíveis no Brasil — dose por quilo
| Droga | A partir de | Dose por vez | Intervalo | Máximo diário |
|---|---|---|---|---|
| Paracetamol | Neonatos, acima de 3 kg | 10 a 15 mg/kg | 4 a 6 horas | 50 a 75 mg/kg/dia |
| Dipirona | 3 meses e acima de 5 kg | 10 a 16 mg/kg | 6 a 8 horas | 40 a 64 mg/kg/dia |
| Ibuprofeno | 6 meses e acima de 5 kg | 5 a 10 mg/kg | 6 a 8 horas | 40 mg/kg/dia |
| Ácido acetilsalicílico | Não se usa como antitérmico na criança | — | — | Risco de síndrome de Reye |
O AIDPI usa enchimento capilar acima de 2 segundos como sinal geral de perigo; o documento da SBP de 2025 usa acima de 3 segundos como alerta na avaliação da criança febril. São réguas de cenários diferentes — a da atenção primária é deliberadamente mais sensível, porque quem aplica o quadro precisa errar para o lado de referir.
Toda criança com doença falciforme e febre é referida ao hospital, com ou sem foco, com ou sem sinal de perigo.
A reavaliação diária é o que sustenta a decisão de pedir menos exame. Alta sem retorno marcado transforma 'baixo risco' em aposta.
Abreviações do protocolo: PVR é pesquisa de vírus respiratório; UI é urina I, o sedimento urinário; Uroc é urocultura; Hmc é hemocultura; Hmg é hemograma.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Axilar de 37,5 °C, com a febre referida em casa contando (documentos brasileiros)
A SBP define febre como temperatura axilar igual ou superior a 37,5 °C, equivalente a 38,0 °C por via oral ou retal, e recomenda termômetro digital axilar em menores de 1 ano. O AIDPI considera febril a criança com temperatura de 37,5 °C ou mais, quente ao toque ou com febre relatada na anamnese.
SBP, Documento Científico nº 206, 2025; Ministério da Saúde/OPAS/UNICEF, AIDPI Criança 2 meses a 5 anos, 2017
Retal de 38,0 °C (guideline e critérios americanos)
O guideline da American Academy of Pediatrics de 2021 e os critérios de Rochester trabalham com temperatura retal igual ou superior a 38,0 °C, tomada como padrão-ouro de temperatura central.
AAP, Pediatrics 2021;148(2):e2021052228; Jaskiewicz et al., Pediatrics 1994;94(3):390-396
Na prova
As duas réguas apontam para a mesma temperatura central: o que muda é a via de aferição, não o limiar. Enunciado que informa temperatura retal está no corpo americano; enunciado com temperatura axilar, ou que aceita a febre medida em casa pela mãe, está no corpo brasileiro. O cenário confirma: unidade básica, classificação por cor e consulta de retorno puxam o AIDPI; pronto-socorro pediátrico com faixas descritas em dias de vida puxa o guideline americano.
Corte por idade mais reavaliação diária (protocolo brasileiro)
Abaixo de 30 dias, internação com líquor e antibiótico empírico para todos. De 1 a 3 meses, os critérios de Rochester separam alto e baixo risco a partir de hemograma e urina I: o de baixo risco não faz líquor, não recebe antibiótico e vai para casa com urocultura colhida e reavaliação diária.
SBP, Documento Científico nº 206, 2025 (protocolo do HU-USP, Tratado de Pediatria 2017)
Três faixas de dias e marcadores inflamatórios (AAP, 2021)
O guideline americano separa 8-21, 22-28 e 29-60 dias e decide por marcadores: procalcitonina acima de 0,5 ng/mL, proteína C reativa acima de 20 mg/L e neutrófilos acima de 4.000/mm³ — ou, quando não há procalcitonina disponível, temperatura acima de 38,5 °C e neutrófilos acima de 5.200/mm³. Apenas a faixa de 8 a 21 dias faz punção lombar de rotina.
AAP, Evaluation and Management of Well-Appearing Febrile Infants 8 to 60 Days Old, Pediatrics 2021;148(2):e2021052228
Na prova
A causa da diferença é de disponibilidade: a régua americana depende de procalcitonina, que não é exame de rotina na rede pública brasileira, e o protocolo nacional substitui o marcador caro por uma reavaliação presencial diária. Enunciado que cita procalcitonina, ou que descreve a idade em dias de vida com faixas fechadas, saiu do corpo americano; enunciado com hemograma, urina I e retorno diário à unidade saiu do protocolo brasileiro. Prova oficial do MEC tende à conduta do SUS; em outras bancas, um distrator com procalcitonina denuncia de qual mundo a questão veio.
Tratar o desconforto, sem número fixo (SBP, 2025)
A SBP indica antitérmico quando a febre vem acompanhada de desconforto evidente — choro intenso, irritabilidade, redução da atividade, redução do apetite, distúrbio do sono — e sustenta que fixar um valor prende a família a um número de termômetro.
SBP, Documento Científico nº 206, 2025
Antitérmico com temperatura de 38,0 °C ou mais (AIDPI/Ministério da Saúde, 2017)
O manual de quadros do AIDPI instrui a dar antitérmico quando a temperatura for igual ou superior a 38,0 °C, e repete a instrução em todas as classificações de febre — de doença febril simples a doença febril muito grave, com ou sem risco de malária.
Ministério da Saúde/OPAS/UNICEF, Manual de Quadros de Procedimentos: AIDPI Criança 2 meses a 5 anos, 2017
Na prova
É divergência brasileira contra brasileira, e a causa está no destinatário e na data. O AIDPI é um algoritmo de 2017 escrito para padronizar a conduta de equipes inteiras na atenção básica, e algoritmo precisa de um número operacional; o documento da SBP, de 2025, fala ao pediatra que avalia caso a caso. Enunciado ambientado em unidade básica, com fluxograma ou cor de classificação, roda no AIDPI; enunciado de consultório que pergunta quando orientar a família a medicar roda no texto da sociedade.
Caso resolvido
- achado
- Febre axilar acima de 37,5 °C, com menos de sete dias de duração, e exame físico completo sem foco: por definição, febre sem sinais localizatórios.
- estado geral
- Ativo, reativo, bem perfundido e mamando: não há comprometimento do estado geral. Isso afasta a via de urgência imediata — e não afasta a investigação.
- idade
- Vinte e dois dias. Abaixo de 30 dias o bom aspecto perde valor discriminatório: bacteremia, infecção urinária e meningite podem cursar apenas com febre em criança que parece bem.
- conduta
- Internação. Pesquisa de vírus respiratório, hemograma, hemocultura, urina I, urocultura, líquor e radiografia de tórax; antibiótico empírico logo após as coletas.
- o que não fazer
- Não se aplicam aqui os critérios de Rochester para liberar a criança: no protocolo brasileiro eles decidem a faixa de 1 a 3 meses. Também não cabe prescrever antitérmico e reavaliar em 48 horas.
Agora feche você
- achado
- Febre sem sinais localizatórios, bom estado geral, 16 meses, vacinação completa e temperatura acima de 39 °C — exatamente a situação em que o protocolo brasileiro investiga bacteremia oculta.
- leitura do hemograma
- Leucócitos de 20.000/mm³ ou mais e neutrófilos de 10.000/mm³ ou mais: os dois cortes foram ultrapassados.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Bom estado geral libera o recém-nascido febril O aspecto tranquiliza, e nos primeiros 30 dias é justamente o dado menos confiável. O protocolo brasileiro interna, colhe líquor e inicia antibiótico empírico mesmo no lactente que está mamando bem e sorrindo no colo.
- 2A febre cedeu com o antitérmico, logo é viral Resposta ao antitérmico não separa vírus de bactéria: paracetamol, dipirona e ibuprofeno reduzem a prostaglandina E2 hipotalâmica seja qual for o agente. Alternativa que usa a defervescência como argumento diagnóstico é sempre a errada.
- 3Quanto mais alta a febre, mais grave a doença A magnitude não tem valor prognóstico nem etiológico; a única exceção é o menor de 3 meses com leucocitose ou proteína C reativa elevada. No protocolo brasileiro, o que a altura da febre faz é apenas abrir a investigação de bacteremia oculta acima de 39 °C, entre 3 e 36 meses.
- 4Alternar paracetamol e dipirona de três em três horas Os três antitérmicos disponíveis têm o mesmo mecanismo, de modo que alternar não acrescenta efeito e multiplica o erro de dose. Em estudo brasileiro com 692 crianças, 26,7% dos cuidadores alternavam e cerca de 70% das doses ficavam abaixo da mínima recomendada.
- 5Dipirona: uma gota por quilo No produto de referência, uma gota tem 25 mg. Uma gota por quilo entrega 25 mg/kg, acima do teto de 16 mg/kg — e a hipotensão atribuída à droga costuma ser, na verdade, superdosagem. Prescreva em miligramas por quilo: os gotejadores das apresentações não são equivalentes.
- 6Banho frio, compressa gelada ou fricção com álcool Efeito rápido, curto e desconfortável, com calafrio e irritabilidade. Método físico só se justifica na hipertermia — temperatura central de 40 °C ou mais com alteração do sistema nervoso central —, em que a criança perde calor mal e o termostato não está deslocado.
- 7Antitérmico profilático antes da vacina ou para evitar convulsão febril Nenhum dos dois se sustenta. Metanálise de três estudos com 540 crianças não mostrou redução de convulsão febril com antipirético profilático, e o paracetamol antes da vacinação pode reduzir a imunogenicidade das primeiras doses de algumas vacinas.
- 8Ibuprofeno na criança febril em época de dengue Anti-inflamatórios não esteroidais e ácido acetilsalicílico estão contraindicados na suspeita de dengue, pelo risco de sangramento e de comprometimento renal durante o extravasamento plasmático. E a armadilha maior vem depois: a piora hemodinâmica costuma aparecer quando a febre cede, entre o terceiro e o sétimo dia.
- 9Febre há seis dias sem foco: reavaliar em 48 horas de novo Febre todos os dias por mais de cinco dias é gatilho de investigação no AIDPI, mesmo sem sinal geral de perigo. É o ponto em que a doença de Kawasaki entra no diferencial e em que o retorno programado deixa de ser conduta suficiente.
- 10Urocultura colhida em saco coletor fechando diagnóstico de infecção urinária O saco coletor contamina com frequência alta e serve, na prática, quando o resultado é negativo. Cultura que vai definir antibiótico em lactente febril precisa de amostra por cateterismo vesical ou punção suprapúbica.
Em lactente com febre sem sinal localizatório, a infecção do trato urinário é causa frequente e deve ser ativamente investigada com urina I e urocultura coletadas por técnica confiável (jato médio, sondagem vesical ou punção suprapúbica). Antibiótico empírico sem coleta impede o diagnóstico e a cultura. Só hemograma não afasta ITU. O saco coletor tem altíssima taxa de falso-positivo por contaminação e não serve para urocultura decisória — pode ser usado como triagem negativa, mas cultura positiva de saco coletor não deve embasar tratamento.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Recém-nascido de 12 dias é levado à UPA com recusa alimentar, irritabilidade e temperatura de 38,4°C. Nasceu a termo, parto vaginal, sem intercorrências. Ao exame está hipoativo, fontanela normotensa, sem sinais localizatórios. Qual a conduta inicial mais adequada?
Febre em neonato (≤28 dias) é sempre sinal de alarme por incapacidade de localizar infecção e risco de sepse/meningite. A conduta é sepse workup completo (hemograma, hemocultura, urina, líquor) e antibiótico empírico (ampicilina + gentamicina/cefotaxima) com internação. Coletar exames parciais e reavaliar ou liberar com antitérmico Inadequado: nessa faixa etária. Aciclovir isolado cobre HSV mas não substitui a cobertura bacteriana ampla nem o workup completo.
Recém-nascido de 20 dias é levado ao pronto-socorro com febre de 38,5°C aferida em casa, iniciada há poucas horas. A mãe refere que a criança está mamando menos e mais sonolenta. Ao exame, o lactente está hipoativo, com fontanela normotensa, sem sinais localizatórios, tempo de enchimento capilar normal e sem exantema. Não há foco infeccioso evidente à inspeção. O recém-nascido nasceu a termo, sem intercorrências perinatais. Diante de um neonato febril nesta idade, sem foco aparente, assinale a conduta mais apropriada segundo a abordagem recomendada, respectivamente ao diagnóstico presumido.
Febre em neonato (<28 dias) sem foco é emergência: o risco de infecção bacteriana grave/sepse é alto e os sinais são inespecíficos. A conduta padronizada é internar, coletar investigação completa (hemograma, hemocultura, urina/urocultura e líquor) e iniciar antibioticoterapia empírica de imediato. Tratar como virose banal com reavaliação domiciliar (distrator) é conduta perigosa nessa faixa. Cólica do lactente não cursa com febre e não explica hipoatividade. Diagnóstico de otite sem exame otoscópico compatível e alta oral são inadequados frente a um neonato febril sem foco.
Lactente do sexo masculino, 24 dias de vida, nascido a termo, parto vaginal sem intercorrências, é levado ao pronto-socorro por febre de 38,4 °C aferida em casa (retal), com início há 4 horas. Mama bem, sem vômitos, tosse ou alteração de hábito intestinal. Ao exame: ativo e reativo, corado, hidratado, fontanela normotensa, sem sinais localizatórios. Sinais vitais: FC 150 bpm, FR 40 ipm, SatO2 98%, T 38,3 °C. Exames colhidos: leucócitos 9.200/mm³ (VR 5.000-19.500), bastões 400/mm³, PCR 12 mg/L (VR < 10), urina I com esterase leucocitária negativa e < 5 leucócitos/campo, procalcitonina 0,3 ng/mL (VR < 0,5). Qual é a conduta mais adequada?
Correta: lactente com <= 28 dias de vida e febre >= 38 °C é sempre de ALTO risco para infecção bacteriana invasiva, independentemente de aparência clínica e de biomarcadores normais. A conduta padrão é avaliação sepse completa (hemocultura, urocultura E líquor), início de antibiótico empírico endovenoso e internação. Biomarcadores de baixo risco NÃO liberam o neonato. Erra por dispensar a punção lombar e a internação, além de tratar ambulatorialmente um neonato. Erra por omitir hemocultura/líquor e liberar um neonato febril. Erra por não colher exames nem tratar. Erra por antibiótico oral, inadequado para o neonato de alto risco.
Lactente de 8 meses, vacinação completa para a idade, é levado ao pronto-socorro por febre de 38,8 °C há 1 dia, sem outros sintomas. Ao exame apresenta bom estado geral, ativo, sorridente, corado, hidratado, sem sinais localizatórios; oroscopia, otoscopia e ausculta normais. Sinais vitais: FC 130 bpm, FR 30 ipm, SatO2 99%, T 38,7 °C. Qual é a conduta mais adequada para esta criança?
Correta: lactente > 3 meses (aqui 8 meses), vacinado, em bom estado geral e com febre sem sinais localizatórios de curta duração é de baixo risco. A conduta é sintomática (antitérmico), orientação de sinais de alarme aos cuidadores e reavaliação, sem necessidade de investigação invasiva ou antibiótico. Internar para observação é excessivo para criança vacinada, bem, dessa faixa etária. Erra por antibiótico sem indicação/foco. A tomografia de crânio não tem indicação (TC não investiga febre sem foco). Inadequado: corticoide não é antitérmico e não tem papel aqui.
Lactente do sexo masculino, 22 dias de vida, nascido a termo por parto vaginal sem intercorrências, é levado à emergência por febre aferida em casa (temperatura retal 38,4 °C) há cerca de 6 horas. A mãe nega tosse, coriza, diarreia, vômitos ou recusa alimentar. Ao exame: bom estado geral, ativo e reativo, corado, hidratado; FC 148 bpm, FR 44 ipm, SatO2 98% em ar ambiente, T 38,2 °C; fontanela normotensa, sem sinais meníngeos, ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações, abdome flácido, pele sem lesões. Hemograma com 11.200 leucócitos/mm³, PCR 12 mg/L, urina tipo I sem alterações. Considerando a idade e as diretrizes atuais de abordagem da criança febril, qual é a conduta mais adequada?
Correta: Todo lactente com menos de 28-29 dias de vida com febre sem sinais localizatorios exige investigacao completa de sepse (hemocultura, urocultura e puncao lombar) e antibioticoterapia empirica com internacao, INDEPENDENTEMENTE do bom estado geral e de exames iniciais normais, pois os criterios de baixo risco (Rochester/Step-by-Step/PECARN) nao se aplicam com seguranca abaixo dessa faixa etaria. Erra porque o bom estado geral nao autoriza alta no neonato febril - a taxa de infeccao bacteriana grave e alta e a apresentacao pode ser sutil. Erra porque, embora a procalcitonina componha escores de risco em lactentes maiores, nenhum biomarcador isolado libera manejo ambulatorial de neonato <28 dias. Erra porque adiar antibiotico aguardando cultura em neonato febril e inseguro. Erra porque aciclovir isolado so se justifica com suspeita clinica de infeccao herpetica (vesiculas, convulsao, alteracao hepatica/liquorica); no manejo empirico usa-se antibiotico, eventualmente associado a aciclovir, nunca aciclovir sozinho.
Lactente do sexo feminino, 3 meses de idade, previamente hígida e com vacinação em dia, é atendida por febre de 39 °C há 1 dia, sem tosse, coriza, diarreia ou exantema. Ao exame apresenta bom estado geral, hidratada, corada; FC 150 bpm, FR 40 ipm, SatO2 98%, sem foco infeccioso identificável ao exame físico completo. Diante de uma criança febril nessa faixa etária sem sinais localizatórios, qual é o exame que mais frequentemente identifica a causa bacteriana e o método de coleta mais adequado?
Correta: Na crianca febril sem sinais localizatorios, a infeccao do trato urinario e a infeccao bacteriana grave oculta mais frequente, sobretudo em meninas e lactentes jovens; a coleta confiavel para urocultura em crianca sem controle esfincteriano deve ser por cateterismo vesical (ou puncao suprapubica), metodos com baixa contaminacao. Erra porque o saco coletor tem altissima taxa de contaminacao, servindo apenas para triagem/exclusao quando negativo, jamais para urocultura definitiva. Erra porque radiografia de torax de rotina nao esta indicada sem sinais respiratorios (tosse, taquipneia, hipoxemia) - pneumonia oculta e incomum sem esses achados. Erra porque, apos a vacinacao conjugada contra pneumococo e Hib, a bacteremia oculta tornou-se rara, deixando de ser a principal etiologia. Erra porque a puncao lombar nao e mandatoria em lactente de 3 meses com bom estado geral e sem sinais neurologicos; e reservada a criterios de risco especificos ou piora clinica.
Menino de 11 meses, com esquema vacinal completo para a idade, é levado ao pronto atendimento por febre de 38,7 °C com início há 12 horas, sem outros sintomas. Ao exame apresenta ótimo estado geral, brincando na sala, corado, hidratado, com exame físico completo sem qualquer foco infeccioso e sinais vitais normais para a idade. A triagem de urina resultou normal. Qual é a conduta mais apropriada?
Correta: Lactente maior (>3 meses), com esquema vacinal completo, em otimo estado geral e sem foco, com triagem urinaria normal, e classificado como baixo risco: a conduta recomendada e tratamento sintomatico da febre, orientacao clara dos sinais de alarme (irritabilidade, prostracao, recusa alimentar, dificuldade respiratoria, exantema, febre persistente) e reavaliacao clinica, sem antibiotico ou exames extensos de rotina. Erra porque nao ha indicacao de antibiotico empirico em crianca vacinada de baixo risco sem foco identificado. Erra porque internacao e injustificada diante de bom estado geral e baixo risco. Erra porque puncao lombar so se indica com sinais neurologicos ou criterios de risco, ausentes aqui. Erra porque tomografia de cranio nao tem qualquer papel na investigacao de febre sem foco em lactente higido.
Lactente do sexo masculino, 21 dias de vida, nascido a termo, sem intercorrências perinatais, é trazido ao pronto-socorro por febre de 38,6 °C aferida em casa há 4 horas. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, ativo, corado, hidratado e mamando bem. FC 148 bpm, FR 44 ipm, tempo de enchimento capilar 2 s, sem esforço respiratório, fontanela normotensa, sem exantema e sem qualquer sinal localizatório. Qual a conduta mais adequada?
Correta: Todo recém-nascido/lactente com menos de 28 dias de vida e febre (>= 38 °C), MESMO em bom estado geral, é considerado de alto risco para infecção bacteriana grave e deve receber investigação completa (hemograma, hemocultura, urina I + urocultura E punção lombar/líquor), internação e antibioticoterapia empírica de amplo espectro enquanto se aguardam as culturas. A aparência clínica não é confiável para excluir doença grave nessa faixa etária, na qual predominam patógenos perinatais (estreptococo do grupo B, E. coli, Listeria). Erra por omitir a análise do líquor e o antibiótico empírico, obrigatórios abaixo de 28 dias. Erra por restringir a investigação apenas ao trato urinário, deixando de rastrear bacteremia e meningite. Erra por adotar conduta expectante domiciliar, contraindicada no neonato febril. Erra porque bom estado geral e exame normal não permitem alta sem investigação nessa idade.
Lactente de 4 meses, previamente hígido, com esquema vacinal em dia, apresenta febre sem sinais localizatórios ao exame físico. Considerando a epidemiologia das infecções bacterianas nessa faixa etária, qual é o foco de infecção bacteriana MAIS frequentemente identificado na criança pequena com febre sem sinais localizatórios?
Correta: a infecção do trato urinário (principal agente: E. coli) é a infecção bacteriana grave mais comum no lactente com febre sem sinais localizatórios, motivo pelo qual a coleta de urina (por saco coletor para triagem e, idealmente, jato médio/sondagem/punção para cultura) é etapa obrigatória da investigação. Pneumonia costuma cursar com sinais respiratórios/taquipneia, deixando de ser 'sem sinais localizatórios' e é menos frequente como foco oculto. Meningite é grave, porém rara nessa apresentação. Bacteremia oculta por pneumococo tornou-se incomum após a vacinação conjugada antipneumocócica. Osteomielite é infrequente e geralmente cursa com sinais localizatórios osteoarticulares.
Um lactente de 4 meses, previamente hígido e com vacinação em dia, é levado pela mãe à Unidade de Pronto Atendimento com febre de 39 °C iniciada há 8 horas, sem outros sintomas. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, ativo, corado, hidratado, com boa perfusão periférica; não há sinais localizatórios (ausência de tosse, coriza, diarreia, exantema ou sinais meníngeos). A fontanela está normotensa. Considerando a abordagem da criança febril nessa faixa etária, qual é a conduta mais adequada?
Correta: lactentes jovens (especialmente <3 meses e ainda de risco intermediário até ~3-6 meses) com febre sem sinais localizatórios exigem investigação de infecção bacteriana grave/oculta, incluindo urina por técnica estéril (a ITU é a bacteremia oculta mais comum), pois o exame clínico isolado não afasta bacteremia/ITU nessa idade. Erra ao dispensar toda investigação num lactente pequeno febril sem foco. Erra ao antibioticoterapizar empiricamente sem antes coletar culturas (a coleta precede o antibiótico). Solicitar apenas radiografia de tórax é insuficiente: a urina, não o tórax, é o principal foco oculto a rastrear na ausência de sintomas respiratórios.
Um menino de 18 meses, com calendário vacinal completo, é atendido na Unidade Básica de Saúde da Família com febre de 38,8 °C há 1 dia. A mãe nega tosse, vômitos, diarreia ou dor. Ao exame físico, a criança está em ótimo estado geral, brincando, corada, bem hidratada, com oroscopia, otoscopia, ausculta pulmonar, abdome e pele sem alterações; não há sinais de irritação meníngea. Qual é a definição que melhor corresponde a esse quadro?
Correta: febre sem sinais localizatórios é a febre aguda (em geral <7 dias) sem foco identificável após história e exame físico cuidadosos, exatamente o quadro descrito. A febre de origem indeterminada exige curso prolongado (>2-3 semanas), diferente da apresentação aguda aqui. A síndrome febril purpúrica exige petéquias/púrpura, ausentes no caso. A bacteremia oculta é um diagnóstico laboratorial (hemocultura positiva) que não pode ser afirmado apenas pela clínica, sendo uma possível complicação — não a definição do quadro.
Recém-nascido de 22 dias de vida, a termo, parto vaginal sem intercorrências, é trazido à unidade de saúde da família pela mãe por queixa de que 'está molinho e mamando pouco' desde a véspera. A mãe nega tosse, coriza ou diarreia, e refere que a bolsa rompeu cerca de 20 horas antes do parto. Ao exame: temperatura axilar de 38,3 °C, hipoativo, choro fraco ao manuseio, sucção débil, frequência respiratória 62 irpm, frequência cardíaca 172 bpm, tempo de enchimento capilar de 3 segundos, fontanela anterior normotensa, sem rigidez de nuca, sem exantema, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações e abdome sem visceromegalias. Diante do quadro, o médico da equipe deve adotar qual conduta?
Febre em menor de 3 meses — sobretudo no primeiro mês — é sinal de alerta para infecção bacteriana grave, e o neonato NÃO apresenta os sinais meníngeos clássicos (rigidez de nuca, Kernig, Brudzinski): manifesta-se por hipoatividade, sucção débil, irritabilidade, instabilidade térmica e alteração respiratória, como neste caso, que ainda soma fator de risco (bolsa rota prolongada). A conduta é internação, coleta de culturas com punção lombar e antibioticoterapia empírica endovenosa precoce cobrindo Streptococcus agalactiae, Escherichia coli e Listeria monocytogenes — ampicilina + cefotaxima. Reavaliar em 24 horas com antitérmico é inaceitável pelo risco de evolução para sepse. A ceftriaxona é evitada no período neonatal (desloca a bilirrubina da albumina, com risco de kernicterus, e é incompatível com soluções com cálcio), além de manejo ambulatorial ser inadequado. O aciclovir isolado não cobre as bactérias mais prováveis e adiar a punção retarda o diagnóstico.
Um lactente de 45 dias de vida, sexo masculino, é trazido pela mãe à Unidade de Pronto Atendimento por febre de início há 8 horas, aferida em casa em 38,6 °C, sem outros sintomas. Nasceu de parto vaginal a termo, sem intercorrências, sorologias maternas do pré-natal não reagentes, e vem em aleitamento materno exclusivo com bom ganho ponderal. Ao exame: ativo e reativo, corado, hidratado, temperatura axilar de 38,4 °C, frequência cardíaca de 148 bpm, frequência respiratória de 46 irpm, fontanela normotensa, oroscopia e otoscopia sem alterações, ausculta cardiopulmonar normal, abdome sem visceromegalias, sem exantema e sem sinais meníngeos. Nenhum foco infeccioso é identificado. Qual é a conduta adequada para esse lactente?
Correta: Todo lactente menor de 3 meses (e, com maior rigor, o menor de 1 mês a 2 meses) com febre sem sinais localizatórios é considerado de alto risco para infecção bacteriana grave, mesmo com bom estado geral, porque a resposta inflamatória e os sinais clínicos são pobres nessa faixa etária. A conduta preconizada pelos protocolos brasileiros e pelo Ministério da Saúde é internação, avaliação completa para sepse (hemograma, hemocultura, urina tipo I com urocultura e líquor) e início de antibioticoterapia parenteral empírica até o resultado das culturas. Errada porque manejo ambulatorial expectante é inaceitável nessa idade — bom estado geral não exclui bacteremia ou meningite. Errada porque ceftriaxona intramuscular ambulatorial não substitui a investigação liquórica e a internação, além de mascarar culturas subsequentes. Errada porque antibiótico oral empírico sem coleta de culturas nem investigação de meningite é conduta insegura e retarda o diagnóstico de infecção bacteriana grave.
Lactente do sexo masculino, 22 dias de vida, é levado pela mãe a uma unidade de pronto atendimento porque "está quente desde a madrugada". Nasceu a termo, de parto vaginal, com 3.250 g, sem intercorrências; pré-natal completo, com sorologias maternas não reagentes e triagem para estreptococo do grupo B não realizada. A mãe aferiu temperatura axilar de 38,4 °C em casa. Refere que o bebê mama ao seio sob livre demanda, sem vômitos, diarreia, tosse ou coriza. Ao exame: ativo e reativo, corado, hidratado, temperatura axilar de 38,2 °C, frequência cardíaca de 148 bpm, frequência respiratória de 44 irpm, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, fontanela anterior normotensa, sem rigidez de nuca, ausculta cardiopulmonar sem alterações, abdome flácido, coto umbilical seco e pele sem exantema. Não há foco infeccioso identificável.
Febre (temperatura axilar ≥ 37,8 °C / retal ≥ 38 °C) sem sinais localizatórios em lactente menor de 28 dias é, por definição, situação de alto risco para infecção bacteriana grave (Streptococcus agalactiae, Escherichia coli, Listeria monocytogenes), independentemente do bom estado geral: o neonato tem resposta inflamatória imatura e pode evoluir para sepse ou meningite em poucas horas, e nenhum escore clínico ou marcador isolado exclui bacteriemia/meningite nessa faixa etária. Por isso, as diretrizes brasileiras e a rotina do SUS indicam internação, investigação completa ("sepse workup": hemograma, hemocultura, urina tipo I e urocultura por método estéril, líquor com cultura, ± radiografia de tórax se sintomas respiratórios) e antibioticoterapia empírica endovenosa imediatamente após as coletas. Erra ao usar o bom estado geral como critério de segurança — ele não afasta infecção bacteriana grave no neonato. Erra porque hemograma e PCR normais não excluem meningite ou bacteriemia nessa idade, e o manejo ambulatorial é inaceitável. Erra por indicar antibiótico oral, sem cobertura nem via adequadas, e por retardar a investigação, além de mascarar culturas subsequentes.
Lactente do sexo feminino, 9 meses, é levada pela avó à unidade básica de saúde da família com febre aferida de até 39,2 °C há 48 horas, com boa resposta transitória ao antitérmico. Nega tosse, coriza, vômitos, diarreia ou recusa alimentar; mantém-se brincando entre os picos febris. Calendário vacinal completo para a idade, incluindo pneumocócica conjugada e meningocócica C. Ao exame: em bom estado geral, ativa, corada, hidratada, temperatura axilar de 38,9 °C, frequência cardíaca de 132 bpm, frequência respiratória de 32 irpm, sem esforço respiratório; otoscopia bilateral normal, orofaringe sem hiperemia ou exsudato, ausculta pulmonar limpa, abdome sem visceromegalias, pele sem exantema ou petéquias e sem sinais meníngeos. Não se identifica foco para a febre.
Em lactente de 3 a 24 meses, com febre sem sinais localizatórios, bom estado geral e calendário vacinal completo, a infecção do trato urinário é a infecção bacteriana grave mais prevalente (em torno de 5% a 8% dos casos, com maior risco no sexo feminino), sendo frequentemente oligossintomática — daí a recomendação de coletar urina tipo I e urocultura por técnica estéril (sondagem vesical ou punção suprapúbica) antes de iniciar antibiótico. O saco coletor tem alta taxa de contaminação e só presta para afastar, jamais para confirmar o diagnóstico. Erra porque, na ausência de taquipneia, esforço respiratório, hipoxemia ou alteração à ausculta, a pneumonia oculta é pouco provável, e o antibiótico empírico sem investigação urinária mascararia a urocultura. Erra ao dispensar qualquer investigação: o bom estado geral e a vacinação reduzem o risco de bacteriemia oculta, mas não afastam a infecção urinária, e aguardar cinco dias pode permitir evolução para pielonefrite com cicatriz renal. Erra por indicar investigação invasiva e internação sem critérios — punção lombar e antibiótico endovenoso empírico não estão indicados em lactente maior de 3 meses, vacinado, com bom estado geral e sem sinais meníngeos ou de toxemia.
Lactente de 22 dias de vida, nascido a termo, é levado pela mãe à UPA com febre de 38,4°C aferida em casa há cerca de 3 horas. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, ativo, corado, hidratado, com fontanela normotensa e sem sinais localizatórios de infecção ao exame físico segmentar. Considerando a faixa etária dessa criança febril sem foco aparente, qual é a conduta mais apropriada?
No neonato (≤28 dias), a febre, mesmo com bom estado geral, associa-se a alto risco de infecção bacteriana grave (sepse, meningite, ITU) e os sinais clínicos são pouco confiáveis nessa idade; a conduta padrão é investigação completa (sangue, urina e líquor) + antibioticoterapia empírica + internação. O bom estado geral não afasta IBG (A e D erradas), e a investigação parcial apenas com urina é insuficiente para excluir bacteremia/meningite.
Menina de 9 meses, previamente hígida e com calendário vacinal em dia, é atendida na UBS com febre de 39°C há cerca de 24 horas, sem outros sintomas. Está em bom estado geral, ativa, e não apresenta sinais de localização à anamnese nem ao exame físico completo. Entre as infecções bacterianas, qual é a causa oculta mais frequente a ser investigada nessa criança febril sem foco?
A infecção do trato urinário é a infecção bacteriana grave oculta mais comum no lactente febril sem foco, especialmente em meninas, tornando a urina tipo I + urocultura obrigatórias nessa investigação. Pneumonia costuma cursar com sintomas respiratórios/taquipneia; meningite bacteriana geralmente apresenta toxemia e sinais neurológicos; e osteomielite é rara e habitualmente localizada.
Lactente de 2 meses é levado à UPA com febre de 38,8°C. Ao exame, mostra-se irritado, com dificuldade de consolo, tempo de enchimento capilar de 4 segundos e algumas petéquias esparsas em tronco. Diante desse quadro na criança febril, qual é a conduta mais adequada?
Petéquias, má perfusão (TEC > 3 s) e irritabilidade caracterizam toxemia/possível doença meningocócica ou sepse; a conduta é imediata: investigação completa + antibioticoterapia empírica endovenosa + internação, sem aguardar resultados para iniciar o tratamento. Aguardar defervescência atrasa a terapia salvadora, e a investigação/alta parcial subestima a gravidade do quadro.
Lactente do sexo masculino, 2 meses de vida, nascido a termo, sem intercorrências perinatais, é levado à emergência por febre de 38,8 °C aferida em casa há 8 horas, sem outros sintomas. Ao exame: ativo, reativo, corado, hidratado, bem perfundido, sem sinais de toxemia, sem exantema, otoscopia e ausculta normais, fontanela normotensa. Exames: leucócitos 9.500/mm³ (bastões 400/mm³), PCR 1,2 mg/L (VR < 10), procalcitonina 0,2 ng/mL (VR < 0,5), urina tipo I sem leucocitúria ou nitrito. Culturas coletadas e em andamento. Assinale a conduta mais adequada para este lactente.
Correta: lactente de 29 a 90 dias com febre sem sinais localizatórios, bom estado geral e marcadores inflamatórios normais (leucócitos entre 5.000-15.000, bastões < 1.500/mm³, PCR e procalcitonina baixas, urina normal) preenche critérios de baixo risco (Rochester/step-by-step) para infecção bacteriana grave — a conduta é observação com reavaliação seriada e seguimento das culturas, sem antibiótico empírico. Punção lombar + ampicilina/cefotaxima é a conduta do neonato (< 28 dias) ou do lactente de alto risco/toxemiado, não deste caso. Ceftriaxona em dose única sem seguimento das culturas mascara bacteremia e não garante reavaliação. Liberar sem acompanhamento é inadequado: o risco residual de infecção bacteriana grave nesse grupo exige reavaliação e resultado das culturas.
Recém-nascido do sexo feminino, 25 dias de vida, nascido a termo, em aleitamento materno exclusivo, é trazido pela mãe à unidade de emergência com relato de temperatura axilar de 38,5 °C há cerca de 6 horas, sem tosse, coriza, vômitos ou diarreia. Ao exame físico: ativo, sugando bem, corado, hidratado, sem exantema, sem sinais meníngeos, sem alterações à ausculta cardíaca e pulmonar, abdome sem visceromegalias, coto umbilical cicatrizado. Não há foco infeccioso identificável. Assinale a conduta correta.
Todo recém-nascido com menos de 28 dias de vida e febre (≥ 38 °C) sem sinais localizatórios é considerado de alto risco para infecção bacteriana grave, mesmo com aparência clínica tranquilizadora — a conduta padronizada é internação, investigação completa (hemograma, hemocultura, urina tipo I e urocultura, líquor, com ou sem radiografia de tórax) e antibioticoterapia empírica endovenosa (habitualmente ampicilina + gentamicina ou ampicilina + cefotaxima) até o resultado das culturas. Investigação ambulatorial apenas com urina tipo I e urocultura é insuficiente porque não exclui bacteremia nem meningite. Critérios de baixo risco baseados em hemograma e PCR não se aplicam ao menor de 28 dias, cujo exame físico e marcadores são pouco confiáveis. Ceftriaxona intramuscular com retorno diário não é opção nessa faixa etária: além da hiperbilirrubinemia associada, não substitui a investigação completa nem o manejo hospitalar.
Lactente do sexo feminino, 14 meses, previamente hígida, com calendário vacinal completo para a idade (incluindo pneumocócica conjugada e Haemophilus influenzae tipo b), é levada à UPA por febre de até 39,3 °C há 48 horas, sem outros sintomas. Ao exame: ativa, sorridente, aceitando líquidos, corada, hidratada, tempo de enchimento capilar de 2 segundos; oroscopia, otoscopia, ausculta pulmonar e exame abdominal sem alterações; pele sem exantema. Não se identifica foco infeccioso. Assinale o exame que deve ser priorizado na investigação inicial desta criança.
Correta: em lactentes de 3 a 36 meses com febre sem sinais localizatórios, bom estado geral e vacinação completa, a infecção do trato urinário é a causa bacteriana oculta mais frequente (e a mais provável nesta menina de 14 meses com febre ≥ 39 °C por mais de 24-48 horas) — a investigação inicial prioritária é a análise de urina com urocultura, colhida por método confiável (cateterismo vesical ou punção suprapúbica), pois a coleta por saco coletor tem alta taxa de falso-positivo. Hemocultura com ceftriaxona empírica perdeu espaço após a vacinação conjugada, que reduziu drasticamente a bacteremia oculta em criança hígida e não toxemiada. Radiografia de tórax não se justifica sem taquipneia, hipoxemia, tosse ou leucocitose expressiva. Punção lombar está reservada a sinais meníngeos, toxemia ou lactente jovem de alto risco, não sendo o caso de criança ativa e reativa.
Lactente de 19 dias de vida, nascido a termo, sem intercorrências perinatais, alta da maternidade com 48 horas, em aleitamento materno exclusivo, é trazido pela mãe ao pronto-socorro com história de temperatura axilar de 38,4 °C aferida em casa e confirmada na triagem. A mãe refere que ele está mamando menos desde ontem e mais irritado ao ser manipulado. Ao exame: ativo, porém hiporreativo ao estímulo, fontanela normotensa, ausência de exantema, otoscopia e oroscopia sem alterações, ausculta pulmonar limpa, abdome sem visceromegalias, sem sinais de infecção umbilical. Assinale a conduta adequada.
Febre em lactente com menos de 28 dias de vida é sempre critério para investigação completa de sepse e internação, independentemente do bom estado geral: nenhum escore de risco (Rochester, Step-by-Step, PECARN) permite manejo ambulatorial nessa faixa etária, e a taxa de infecção bacteriana invasiva, incluindo meningite, é significativa. Impõe-se a coleta de hemograma, PCR, hemocultura, urina rotina/urocultura e LÍQUOR, seguida de antibioticoterapia empírica endovenosa que cubra os agentes de transmissão vertical tardia — ampicilina (Listeria e enterococo) associada a cefotaxima (E. coli e demais Gram-negativos). Retardar o antibiótico em neonato febril aumenta a mortalidade; o esquema empírico é iniciado logo após as coletas. Ceftriaxona é contraindicada no período neonatal (risco de kernicterus e de precipitação com cálcio) e o tratamento ambulatorial é inaceitável nessa idade. Antibiótico oral não trata bacteremia/meningite neonatal e não cobre Listeria adequadamente em regime domiciliar.
Lactente de 20 dias de vida, nascido a termo, parto vaginal sem intercorrências, com sorologias maternas negativas e sem uso de antibiótico no periparto, é trazido ao pronto-socorro por temperatura axilar de 38,3 °C aferida em casa e confirmada na chegada. A mãe refere que ele mama bem e está em bom estado geral. Ao exame: ativo, corado, hidratado, fontanela normotensa, sem sinais meníngeos, oroscopia e otoscopia normais, ausculta cardiopulmonar sem alterações, abdome livre, pele sem lesões. Não há qualquer foco infeccioso identificável. A conduta adequada é:
Febre sem sinais localizatórios em lactente com menos de 28 dias de vida é sempre alto risco: a imaturidade imunológica e a alta prevalência de infecção bacteriana grave (incluindo Streptococcus agalactiae, E. coli e Listeria) impõem internação, avaliação completa com culturas (sangue, urina e líquor) e antibiótico parenteral empírico, independentemente do bom estado geral. São inseguras: aparência normal não afasta bacteremia/meningite nessa faixa. A investigação parcial deixa escapar meningite e bacteremia. A via intramuscular ambulatorial não é aceitável no neonato, que exige coleta de líquor antes do antibiótico e observação hospitalar.
Lactente de 45 dias, nascido a termo, sem antibiótico prévio e sem comorbidades, chega ao pronto-socorro com febre de 39,0 °C iniciada há 6 horas. O triângulo de avaliação pediátrica é normal e a criança apresenta bom estado geral, ativa, corada, sem sinais meníngeos e sem foco infeccioso ao exame físico completo. Exames: urina rotina sem leucocitúria e com nitrito negativo; leucócitos 9.800/mm³ com 4.100 neutrófilos absolutos; proteína C reativa 12 mg/L; procalcitonina 0,2 ng/mL. Com base nos critérios de estratificação de risco vigentes, a conduta mais adequada é:
Pelos protocolos de estratificação (Step-by-Step, Rochester/PECARN), o lactente febril de baixo risco reúne: idade acima de 21 dias, bom aspecto geral, urina sem alterações, procalcitonina < 0,5 ng/mL, PCR ≤ 20 mg/L e neutrófilos absolutos ≤ 10.000/mm³ — exatamente o caso. A conduta é observação com reavaliação, dispensando antibiótico empírico. Indicar punção lombar com ceftriaxona empírica é tratá-lo como alto risco: essa abordagem seria mandatória se ele tivesse menos de 21 a 28 dias, aspecto tóxico ou biomarcadores alterados. Erra ao dispensar a reavaliação — a estratificação só é segura com retorno garantido em 24 horas. A dose única intramuscular sem coleta de líquor pode mascarar meningite e não é indicada em lactente de baixo risco.
Sobre o uso de antitérmicos na criança febril, segundo o documento científico da Sociedade Brasileira de Pediatria de 2025, é correto afirmar que:
A recomendação é tratar o desconforto e não um número de termômetro, e a dipirona entra em 10 a 16 mg/kg por dose a cada 6 a 8 horas. Alternar antitérmicos não tem sustentação e aumenta o erro de dose; o ácido acetilsalicílico está fora pela síndrome de Reye; métodos físicos ficam restritos à hipertermia com alteração do sistema nervoso central; e o antitérmico profilático pré-vacinal não é rotina, podendo reduzir a imunogenicidade das primeiras doses.
Lactente de 25 dias de vida, nascido a termo, sem intercorrências perinatais e sem uso de antibiótico no período neonatal, é levado ao pronto-socorro por temperatura axilar de 38,2 °C há quatro horas. Ao exame está ativo, reativo, mamando bem, com enchimento capilar de 2 segundos; otoscopia, orofaringe, pele, articulações e fontanela sem alterações. Não há tosse, vômitos ou diarreia. Segundo a diretriz da American Academy of Pediatrics de 2021 para lactentes febris de 8 a 60 dias, qual é a abordagem inicial mais adequada?
Para lactentes bem de 22 a 28 dias, a diretriz da AAP recomenda avaliação urinária, hemocultura e marcadores inflamatórios. A punção lombar é indicada quando mais de um marcador inflamatório está alterado e pode ser considerada mesmo com marcadores normais; antibiótico parenteral e internação dependem desses resultados e da análise compartilhada de risco. Em pacientes selecionados, com avaliação tranquilizadora e seguimento confiável, o manejo domiciliar pode ser considerado. Radiografia de tórax não é exame rotineiro na ausência de sinais respiratórios. A redação anterior atribuía a um protocolo brasileiro uma conduta universal e acrescentava radiografia sem indicação no caso. Fonte: https://publications.aap.org/pediatrics/article/148/2/e2021052228/179783/Evaluation-and-Management-of-Well-Appearing
Menino de 20 meses, vacinado, tem febre sem foco há dois dias. Após avaliação pediátrica completa, está ativo, hidratado, sem sinais de risco intermediário ou alto e classificado no grupo verde da NICE NG143. A urina não sugere ITU. Exames já realizados mostram leucócitos de 23.000/mm³ e radiografia de tórax normal. Qual afirmação é adequada?
Na diretriz citada, a decisão considera o estado clínico e a pesquisa de foco, especialmente urinário. Hemograma e radiografia não são rotineiros no grupo verde. Um leucograma já obtido não cria, isoladamente, indicação de ceftriaxona. Acompanhamento requer orientações claras e reavaliação se houver piora ou persistência da febre; sinais de alarme exigem retorno imediato.
Menina de 14 meses, com vacinação completa para a idade, é avaliada por pediatra por febre há 24 horas, com temperatura axilar de 39,8 °C. Está ativa, hidratada e sem foco ao exame completo. Não apresenta critérios de risco intermediário ou alto e pertence ao grupo verde da diretriz NICE NG143. Qual investigação está indicada?
Na criança febril sem foco e sem sinais de doença grave, a diretriz NICE orienta pesquisar infecção urinária e avaliar clinicamente sinais de pneumonia. A coleta urinária deve ser adequada à idade, e a necessidade de cultura depende da avaliação e dos resultados, conforme o protocolo de ITU. Hemograma, hemocultura, procalcitonina e radiografia não são exames rotineiros do grupo verde apenas por febre alta. A orientação de retorno e reavaliação continua necessária caso surjam sinais de alarme ou a febre persista.
Criança de 3 anos chega à unidade básica de saúde com febre há um dia. Ao exame apresenta rigidez de nuca e petéquias, além de estar letárgica. Em área sem risco de malária, o AIDPI classifica esse quadro e orienta:
Rigidez de nuca, petéquias, abaulamento de fontanela ou qualquer sinal geral de perigo classificam a criança como doença febril muito grave no quadro do AIDPI: primeira dose de antibiótico ainda na unidade, medidas contra hipoglicemia, antitérmico se a temperatura for de 38,0 °C ou mais e referência urgente. Adiar o antibiótico para preservar cultura contraria o quadro, e as classificações de doença febril simples ignoram os sinais de gravidade presentes.
Uma questão descreve lactente de 26 dias com febre e boa aparência, informa temperatura retal de 38,4 °C e traz, entre as alternativas, a dosagem de procalcitonina como critério de decisão. Esse conjunto de pistas indica que a questão foi construída sobre:
Temperatura retal, faixas descritas em dias de vida e procalcitonina como critério são marcas do guideline americano de 2021, que separa 8-21, 22-28 e 29-60 dias e decide por marcadores inflamatórios (procalcitonina acima de 0,5 ng/mL, proteína C reativa acima de 20 mg/L, neutrófilos acima de 4.000/mm³). O protocolo brasileiro trabalha com temperatura axilar, hemograma e urina I, substituindo o marcador caro pela reavaliação diária, e o AIDPI é instrumento de atenção primária que não usa esses exames.
Menina de 2 anos com febre todos os dias há seis dias, sem foco identificado ao exame físico, em bom estado geral, atendida em unidade básica de área sem risco de malária. Segundo o quadro de procedimentos do AIDPI, a conduta é:
Febre todos os dias por mais de cinco dias é gatilho de investigação no AIDPI, mesmo sem sinal geral de perigo — é o ponto em que entram no diferencial quadros como a doença de Kawasaki. Reavaliar em dois dias é a conduta da doença febril de poucos dias; gota espessa e antimalárico só se aplicam a área com risco de malária; e antibiótico empírico sem foco não está previsto no quadro.
Lactente de 2 meses, nascido a termo, sem doenças prévias e sem antibiótico no período neonatal, apresenta febre axilar de 38,6 °C há seis horas, com bom estado geral e exame físico sem foco. O hemograma mostra 11.000 leucócitos/mm³ com 900 bastonetes/mm³, e o sedimento urinário tem 4 leucócitos por campo. Pelos critérios de Rochester e pelo protocolo brasileiro, a conduta é:
A criança preenche todos os critérios de baixo risco de Rochester: bom aspecto, história prévia sem eventos, ausência de foco ao exame, leucócitos entre 5.000 e 15.000/mm³, bastonetes de até 1.500/mm³ e até 10 leucócitos por campo na urina. Nessa condição o protocolo brasileiro colhe urocultura e libera com reavaliação diária, sem antibiótico e sem líquor — a internação obrigatória vale para os menores de 30 dias.
Menina de 4 anos apresenta febre diária há 16 dias, com picos documentados de 38,5 a 39,2 °C. Foi avaliada três vezes por médicos diferentes, com exame físico sem foco em todas elas, e já realizou hemograma, urina tipo I, urocultura e radiografia de tórax, todos sem alteração. Mantém bom estado geral, sem perda de peso relatada. Como se classifica esse quadro e o que ele muda na investigação?
A moldura muda com o relógio. Febre sem sinais localizatórios, por definição, tem menos de sete dias; passado esse tempo sem causa o quadro deixa de caber nesse rótulo. Febre de origem indeterminada na criança é febre de 38,3 °C ou mais, diária, por 14 dias ou mais, sem causa identificada após avaliação clínica e laboratorial básica — e é exatamente o que 16 dias com exames básicos normais descrevem. A consequência prática é que a investigação troca de alvo: sai da bacteremia oculta e passa a percorrer infecções arrastadas como tuberculose, citomegalovírus, Epstein-Barr, endocardite e abscessos, além de neoplasias, doenças reumatológicas e a miscelânea que inclui autoinflamatórias e febre por medicamento. Manter o rótulo de febre sem foco e repetir hemograma insiste numa régua vencida. Antibiótico empírico intramuscular pertence ao braço de bacteremia oculta da faixa de 3 a 36 meses, com hemograma acima dos cortes, e trata às cegas o que precisa de esclarecimento. Reavaliar em dois dias é a conduta da doença febril de poucos dias na atenção primária — o próprio quadro manda investigar quando a febre passa de cinco dias. E rotular como febre factícia sem investigar troca um diagnóstico da miscelânea por conclusão precoce, retirando a criança justamente da investigação que a definição exige.
Menino de 20 meses, com esquema vacinal completo para a idade, incluindo as doses de pneumocócica conjugada e as da pentavalente, apresenta febre há 18 horas, com temperatura axilar máxima aferida de 38,7 °C. Está ativo, hidratado, aceita líquidos e brinca na sala de espera. O exame físico completo não revela foco; enchimento capilar de 2 segundos e frequência cardíaca de 132 bpm. Pelo protocolo brasileiro de febre sem sinais localizatórios, a conduta é:
Na faixa de 3 a 36 meses com bom estado geral, o protocolo brasileiro olha dois dados antes de qualquer exame: a situação vacinal e a altura da febre. Vacinação completa contra pneumococo e Haemophilus influenzae tipo b mais temperatura axilar de até 39 °C não abrem rastreio de bacteremia — considera-se urina tipo I e urocultura e reavalia-se diariamente. Com 38,7 °C a criança está abaixo do corte, e é esse número que decide. Colher hemograma é a conduta que se abre acima de 39 °C, e é ele que decide sobre hemocultura e radiografia pelos cortes de 20.000 leucócitos/mm³ ou 10.000 neutrófilos/mm³. Pedir hemograma, hemocultura e radiografia de saída inverte a ordem do protocolo. Ceftriaxona intramuscular com reavaliação diária pertence ao braço de risco de bacteremia oculta, isto é, hemograma acima dos cortes com radiografia normal, e nada disso foi medido. E a internação com líquor é a via do comprometimento do estado geral ou do menor de 30 dias, não a de um pré-escolar ativo e hidratado — aqui a resposta certa é a que menos intervém.
Lactente de 4 meses é trazido em dia de calor intenso, vestido com três camadas de roupa e envolto em manta, depois de cerca de uma hora dentro de carro estacionado. A temperatura axilar é de 38,3 °C. Está com extremidades quentes, sudorese abundante, sem tremor nem calafrio, ativo e mamando bem, com enchimento capilar de 1 segundo. O exame não mostra foco infeccioso. Qual a conduta correta?
Febre e hipertermia se separam à beira do leito, e a distinção muda a conduta. Na febre o ponto de termorregulação subiu: a criança tem extremidades frias, não sua, sente frio e pode tremer. Na hipertermia o termostato está no lugar e o corpo apenas não consegue perder calor — excesso de roupa, ambiente aquecido, carro fechado: extremidades quentes, sudorese intensa, sem tremor. É esse o quadro descrito, e ele se resolve retirando roupa e resfriando o ambiente, não com antipirético, que atua sobre um ponto de ajuste que não se deslocou. Manter o agasalho contraria a própria medida que resolve o problema. Escolher dipirona por um número de termômetro repete o erro de origem, e a indicação de antitérmico é o desconforto, não um valor fixado. Banho frio e demais métodos físicos ficam reservados à hipertermia com temperatura central de 40 °C ou mais acompanhada de alteração do sistema nervoso central, situação distinta desta. E a investigação completa com líquor é a via do menor de 30 dias febril ou de qualquer idade com comprometimento do estado geral, ausente em lactente ativo, mamando e bem perfundido.
Lactente de 2 meses, previamente hígido, chega com temperatura retal de 38,4 °C, sem sinais localizatórios, em bom estado geral. Qual a conduta?
Lactentes jovens têm sinais clínicos pobres e risco elevado de infecção bacteriana invasiva, o que torna a investigação laboratorial obrigatória mesmo com bom estado geral — os protocolos atuais estratificam risco e permitem individualizar a punção lombar e o antibiótico nos lactentes entre 29 e 60 dias com exames tranquilizadores. Dar alta apenas com antitérmico é o erro que ignora a limitação da avaliação clínica nessa faixa etária.
Qual conduta é INADEQUADA diante de lactente de 6 semanas com febre sem sinais localizatórios?
Liberar para casa com base apenas na resposta ao antitérmico é o erro central: a resposta da febre ao antitérmico não distingue infecção viral de bacteriana e não deve influenciar a decisão. Nessa faixa etária, o bom estado geral tampouco exclui infecção invasiva, e a investigação estruturada com observação é o que protege a criança. Todas as demais condutas fazem parte do protocolo adequado.
Sobre a bacteremia oculta em lactentes e pré-escolares vacinados, assinale a afirmativa correta.
A vacinação conjugada reduziu drasticamente a bacteremia oculta por pneumococo e por Haemophilus, o que permitiu abordagens mais conservadoras em crianças acima de 3 meses, vacinadas e com bom estado geral — a infecção urinária passou a ser a causa bacteriana mais frequente de febre sem foco. Manter a conduta pré-vacinal, com hemograma e hemocultura para todos, é o excesso que essa mudança epidemiológica tornou desnecessário.
Sobre o uso de marcadores inflamatórios na avaliação do lactente febril sem foco, assinale a afirmativa correta.
A procalcitonina se eleva mais precocemente, em cerca de 4 horas, contra 12 a 24 horas da proteína C reativa, o que a torna mais útil justamente no lactente que chega com poucas horas de febre — daí sua incorporação aos protocolos modernos de estratificação de risco. Confiar na contagem de leucócitos isolada é o erro herdado dos critérios antigos, cujo desempenho se mostrou inferior aos marcadores atuais.
Recém-nascido de 20 dias apresenta febre de 38,2 °C sem foco, com bom estado geral. Qual a conduta?
Abaixo de 28 dias a conduta é uniforme e agressiva: internação, investigação completa incluindo liquor e antibiótico endovenoso empírico, independentemente do estado geral — os escores de baixo risco não se aplicam nessa faixa, porque a incidência de infecção bacteriana invasiva e de infecção herpética é alta e a apresentação, inespecífica. Aplicar aqui a estratificação usada em lactentes maiores é o erro que custa vidas.
Recém-nascido de 20 dias com febre de 38,5 graus, sucção débil e icterícia prolongada. Qual conduta é a mais adequada?
Febre em recém-nascido é sempre investigada de forma completa e tratada empiricamente até que as culturas afastem infecção bacteriana invasiva, porque a apresentação é inespecífica e a progressão para sepse e meningite é rápida. A infecção urinária é uma das causas mais frequentes nessa idade e pode cursar com icterícia prolongada, mas isso não autoriza abordagem ambulatorial, e exames inflamatórios normais não excluem infecção grave no neonato.
Qual das crianças abaixo com febre sem foco tem indicação mais clara de investigação urinária?
Lactentes, especialmente do sexo feminino e meninos não circuncidados abaixo de 1 ano, com febre sem foco por mais de 24 a 48 horas, concentram a maior prevalência de infecção urinária, e a coleta adequada de urina é obrigatória. As demais crianças têm foco identificado — orofaringe, via aérea superior, quadro viral sistêmico ou exantemático —, o que dispensa a investigação urinária de rotina e evita exames desnecessários.
Lactente de 2 meses com febre sem sinais localizatórios, aparência tóxica, com hipoatividade e má perfusão. Qual a conduta?
Aparência tóxica em lactente febril elimina qualquer estratificação de baixo risco: exige investigação completa, incluindo líquor, internação e antibiótico empírico imediato, porque a doença bacteriana invasiva pode progredir para choque em horas. Observação domiciliar e antibiótico oral ambulatorial são inadequados. Esperar exames para iniciar o tratamento contraria a lógica do tempo-dependente. E a melhora da febre após antitérmico não é critério de segurança — criança com bacteremia também desfebriliza temporariamente.
Qual marcador inflamatório tem melhor desempenho para identificar infecção bacteriana invasiva nas primeiras horas de febre em lactentes?
A procalcitonina eleva-se mais precocemente que a proteína C reativa, com melhor desempenho nas primeiras horas de febre, e por isso integra os protocolos modernos de estratificação do lactente febril. A velocidade de hemossedimentação sobe lentamente e é pouco específica. Contagem de plaquetas, desidrogenase láctica e fosfatase alcalina não são marcadores de infecção bacteriana invasiva. Vale lembrar que nenhum marcador isolado substitui a avaliação clínica seriada e a coleta de culturas nessa faixa etária.
Lactente de 20 dias com febre de 38,2 °C, aparência preservada e exames iniciais normais. Qual a conduta?
Abaixo de 28 dias, a boa aparência não permite estratificação de baixo risco: o recém-nascido febril recebe investigação completa com hemocultura, urocultura e líquor, internação e antibiótico empírico. A imaturidade imunológica e a inespecificidade dos sinais tornam o exame clínico pouco confiável nessa faixa. Alta com retorno, coleta parcial, antibiótico oral domiciliar e acompanhamento telefônico são condutas aceitáveis em faixas etárias maiores e de baixo risco, jamais no neonato febril.
Lactente de 10 meses, vacinado, com febre de 39,5 °C há 3 dias sem sinais localizatórios, em bom estado geral. Ao terceiro dia a febre cessa e surge exantema maculopapular no tronco que se dissemina. Qual o diagnóstico?
Febre alta por três dias em lactente com bom estado geral, seguida do desaparecimento da febre e do surgimento do exantema, é a marca do exantema súbito por herpes-vírus humano 6 — o exantema aparece justamente quando a criança melhora, e reconhecê-lo evita antibiótico. No sarampo o exantema surge no auge da febre, com pródromo catarral. Na rubéola há linfadenopatia retroauricular e febre baixa. Escarlatina tem exantema áspero com faringite, e o eritema infeccioso começa com a face esbofeteada.
Qual característica clínica é mais confiável para identificar o lactente com maior risco de doença bacteriana grave?
A avaliação da aparência geral — qualidade do choro, resposta aos estímulos dos pais, coloração da pele, hidratação, interação e nível de atividade, sistematizada em escalas de observação — é o preditor clínico mais útil de doença bacteriana grave. O valor da temperatura, isoladamente, orienta pouco. Coriza sugere causa viral, mas não exclui infecção bacteriana concomitante, especialmente urinária. Duração da febre e episódios anteriores não substituem a avaliação do estado atual da criança.
Lactente de 5 meses com febre há 2 dias, sem sinais localizatórios, apresenta hemograma com 22.000 leucócitos, proteína C reativa de 90 mg/L e exame de urina normal. Qual a conduta?
Leucocitose e proteína C reativa elevada em lactente febril sem foco aumentam a probabilidade de infecção bacteriana invasiva e obrigam a manter a investigação com culturas, considerando antibiótico e reavaliação estreita. Urina normal exclui infecção urinária, mas não bacteremia, pneumonia oculta ou meningite. Repetir exames em 7 dias abandona a criança no período crítico. Corticoide mascara e não trata. Aguardar sorologias virais atrasa condutas que dependem de horas, não de dias.
Lactente de 6 semanas com febre, hemograma normal e proteína C reativa normal, mas com exame de urina alterado. Qual a conduta?
Marcadores inflamatórios normais não excluem infecção urinária, que é a causa bacteriana mais frequente de febre sem foco no lactente; com exame de urina alterado, coleta-se urocultura por cateterismo ou punção e inicia-se antibiótico, considerando internação pela idade abaixo de 2 meses. Liberar com base em marcadores normais é o erro que a questão testa. Repetir a urina em 72 horas atrasa o tratamento. Dispensar a cultura impede ajustar o antibiótico, e tomografia não é exame inicial.
Lactente de 3 meses, previamente hígido, com febre de 39 °C há 8 horas, sem sinais localizatórios, em bom estado geral, vacinação em dia. Qual a conduta inicial?
Entre 1 e 3 meses, o lactente febril sem sinais localizatórios entra em protocolos de estratificação de risco que combinam aparência clínica, hemograma, marcadores inflamatórios como proteína C reativa e procalcitonina e exame de urina, definindo quem pode ser observado e quem precisa de antibiótico e internação. Reavaliar em 72 dias sem exames é inseguro nessa faixa. Internar e tratar todos é excesso em quem tem baixo risco. Radiografia e tomografia de rotina não têm indicação sem achados dirigidos.
Qual foco infeccioso oculto deve ser considerado em criança pequena com febre alta persistente, sem sinais localizatórios, leucocitose importante e taquipneia discreta?
Pneumonia oculta deve ser considerada em criança com febre alta persistente e leucocitose importante, especialmente com taquipneia, mesmo sem achados na ausculta — a radiografia de tórax é o exame que a revela nesse subgrupo, e não deve ser solicitada indiscriminadamente em todo febril. Apendicite cursa com dor abdominal e sinais peritoneais. Osteomielite de crânio é rara e tem sinais locais. Endocardite em criança sem cardiopatia é incomum, e colecistite alitiásica é excepcional nessa faixa.
Lactente de 2 meses com febre sem foco e urocultura positiva. Além do tratamento da infecção urinária, qual cuidado é obrigatório nessa faixa etária?
Nos primeiros meses de vida, a infecção urinária pode cursar com bacteremia e a apresentação clínica não distingue foco urinário de meningite, razão pela qual os protocolos de febre no lactente jovem incluem hemocultura e avaliação liquórica conforme idade, aparência e marcadores. Restringir a conduta ao trato urinário engana quem já tem a urocultura positiva em mãos e considera o caso resolvido, quando nessa faixa etária a coexistência de focos é possível.
Qual conduta é adequada em relação ao uso de antitérmicos na criança febril?
O objetivo do antitérmico é o conforto da criança, e não a busca de um número no termômetro; a alternância rotineira entre fármacos aumenta o risco de erro de dose e de toxicidade sem benefício claro. Ácido acetilsalicílico é contraindicado pela associação com a síndrome de Reye. Antitérmico de horário não previne convulsão febril, mito bastante difundido. E condicionar a dipirona a 40 °C ignora que a indicação é o desconforto, não o valor absoluto da temperatura.
Qual conduta é indicada quando o lactente febril de baixo risco recebe alta para acompanhamento ambulatorial?
A alta do lactente febril de baixo risco só é segura quando há reavaliação garantida em 24 horas, orientação clara sobre sinais de alarme — recusa alimentar, letargia, irritabilidade inconsolável, manchas na pele, dificuldade respiratória — e acesso assegurado ao serviço. Retorno em 7 dias é intervalo longo demais. Antibiótico profilático mascara e não substitui a vigilância. Esperar 10 dias de febre para reavaliar e usar a resposta ao antitérmico como critério de segurança são erros de conduta relevantes.
Qual afirmação sobre a magnitude da febre e o risco de infecção bacteriana grave em lactentes está correta?
Temperaturas mais altas elevam modestamente o risco de bacteremia, mas a decisão clínica se apoia na idade, na aparência do lactente e nos marcadores, e não no número do termômetro. Febre acima de 40 °C ocorre em infecções virais comuns e não exclui nada. Febre abaixo de 38,5 °C não afasta doença invasiva, especialmente no neonato, que pode inclusive apresentar hipotermia. E a resposta ao antitérmico é um mito persistente: ela não discrimina etiologia viral de bacteriana.
Qual é o principal risco de tratar empiricamente com antibiótico todo lactente febril sem sinais localizatórios e de baixo risco?
Tratar indiscriminadamente o lactente de baixo risco expõe a reações adversas, diarreia, alteração do microbioma e seleção de resistência, além de poder mascarar parcialmente um quadro que ainda se definiria clinicamente, tudo isso sem benefício demonstrado nesse subgrupo bem selecionado e com reavaliação garantida. Antibiótico não causa imunodeficiência permanente, não aumenta convulsão febril, não reduz eficácia vacinal nem provoca diabetes tipo 1 — atribuições sem base que desviam do risco real.
Qual afirmação sobre a vacinação e o risco de bacteremia oculta em lactentes febris é correta?
As vacinas conjugadas reduziram de forma expressiva a bacteremia oculta pneumocócica e por Haemophilus influenzae tipo b, o que permitiu protocolos menos agressivos em crianças vacinadas, maiores de 3 meses e com boa aparência — hoje a infecção urinária é a causa bacteriana mais frequente de febre sem sinais localizatórios. Negar a mudança epidemiológica leva a exames desnecessários, mas afirmar risco zero é o outro extremo: a investigação segue indicada conforme idade, aparência e estado vacinal.
Menina de 18 meses, previamente hígida, apresenta febre de 39 graus Celsius há 48 horas sem foco identificado ao exame físico completo. Está com bom estado geral, hidratada, ativa, sem exantema, sem sinais meníngeos e com esquema vacinal completo, incluindo pneumocócica e meningocócica. Não há tosse, diarreia ou sinais respiratórios. Qual é a conduta inicial mais adequada?
Em lactente maior de 3 meses com febre sem sinais localizatórios, bom estado geral e vacinação completa, a infecção urinária é a causa bacteriana oculta mais frequente, e a coleta de urina por técnica adequada com urocultura orienta a decisão terapêutica. O antibiótico empírico sem investigação mascara o diagnóstico e não tem indicação na criança com bom estado geral. A punção lombar de rotina se reserva a lactentes muito jovens ou com sinais de toxemia ou meníngeos. Liberar sem exames e sem retorno programado deixa passar a bacteriúria oculta e o risco de cicatriz renal.
Criança de 6 meses é levada ao pronto-atendimento com febre e irritabilidade. Está sem sinais localizatórios. A punção lombar revela 12 células por milímetro cúbico, glicose normal e proteína normal. Hemograma sem alterações significativas, urina normal e radiografia de tórax sem alterações. A criança está em bom estado geral após antitérmico. Qual é a conduta?
Com exames iniciais sem alterações, criança com bom estado geral após controle da febre pode ser observada com reavaliação programada, evitando antibiótico desnecessário. Iniciar antibiótico prolongado sem foco nem alterações laboratoriais contraria o uso racional de antimicrobianos. O aciclovir se reserva à suspeita de infecção herpética, com quadro neurológico ou lesões compatíveis. Repetir a punção lombar sem deterioração clínica é procedimento invasivo sem justificativa.
Lactente de 45 dias é levado à Unidade Básica de Saúde com temperatura axilar de 38,4 °C, sem tosse, coriza, diarreia, exantema ou foco identificável ao exame. Mama bem, mas está mais sonolento que o habitual segundo a mãe. Frequência respiratória 48 irpm, sem tiragem; fontanela normotensa. Vacinação em dia. Qual é a conduta correta?
Febre sem sinais de localização em lactente menor de três meses implica risco elevado de infecção bacteriana grave e exige investigação hospitalar com exames e frequentemente antibiótico empírico, dada a apresentação inespecífica nessa faixa etária. Antitérmico com reavaliação tardia expõe a criança a sepse não diagnosticada. Antibiótico oral domiciliar não cobre adequadamente esse risco. Medidas físicas isoladas ignoram a gravidade potencial.
Um lactente de 2 meses apresenta febre de 38,5 graus Celsius aferida em casa, sem outros sintomas. Chega ao pronto-atendimento ativo, mamando bem, com exame físico sem alterações. Não há foco identificável. Qual é a conduta mais adequada nessa faixa etária?
Lactente menor de 3 meses com febre sem foco tem risco elevado de infecção bacteriana grave e apresentação clínica pouco específica, justificando investigação laboratorial ampliada e decisão de internação e antibiótico conforme os achados e o protocolo institucional. Liberar apenas com sintomáticos ignora esse risco. O antibiótico oral domiciliar não é adequado nessa faixa etária sem investigação. A radiografia isolada não avalia as fontes bacterianas mais frequentes nesse grupo.
Mãe de menino de 2 anos relata na consulta que a criança teve febre de 38,5 °C ontem e que ela ficou muito assustada, dando banho frio, aplicando álcool na testa e alternando dois antitérmicos de duas em duas horas para baixar a temperatura rapidamente. A criança está agora sem febre, ativa e bebendo líquidos. Ao exame: ativo, hidratado, corado, com orofaringe hiperemiada, sem sinais de gravidade, sem exantema, sem rigidez de nuca e com ausculta pulmonar normal. Qual é a orientação correta?
O tratamento da febre visa ao conforto da criança, e não à normalização obrigatória da temperatura, com antitérmico em dose adequada ao peso quando há desconforto, hidratação e observação de sinais de alerta, sem alternância rotineira de fármacos, que aumenta o risco de erro de dose. Álcool na pele é perigoso, com risco de absorção e intoxicação. Antitérmico não previne convulsão febril. Manter medicação de horário sem febre expõe a efeitos adversos sem benefício.
Lactente de 8 meses é levado à Unidade de Pronto Atendimento com febre alta há dois dias, irritabilidade e recusa alimentar, sem sintomas respiratórios, sem diarreia e sem exantema. Ao exame: febril, irritado, mas consolável no colo, hidratado, com fontanela normotensa, sem rigidez de nuca, orofaringe sem alterações, otoscopia normal, ausculta pulmonar normal e abdome flácido, sem lesões cutâneas e sem sinais de gravidade. Não há foco identificado ao exame. Qual é a conduta mais adequada?
Na criança pequena com febre sem sinais localizatórios, a infecção urinária é a causa bacteriana mais frequente e frequentemente silenciosa, exigindo coleta adequada de urina por método confiável para cultura, além de avaliação clínica cuidadosa e reavaliação programada. Antibiótico empírico sem investigação impede o diagnóstico e a definição do tratamento. Liberar sem exames e sem retorno programado deixa passar infecções bacterianas graves. Neuroimagem não é a investigação inicial em criança sem sinais neurológicos.
Lactente de 2 meses é levado à Unidade de Pronto Atendimento com febre de 38,5 °C aferida em casa, sem outros sintomas. Nasceu a termo, sem intercorrências, em aleitamento materno exclusivo, com vacinas em dia. Ao exame: ativo, hidratado, corado, com fontanela normotensa, sem sinais meníngeos, otoscopia normal, ausculta pulmonar normal, abdome flácido, sem lesões cutâneas e sem foco infeccioso identificado. A criança mantém bom estado geral entre os picos febris. Qual é a conduta mais adequada?
Lactentes menores de 3 meses com febre têm risco aumentado de infecção bacteriana grave, com exame físico frequentemente pouco informativo, exigindo investigação com exames complementares conforme protocolos de estratificação de risco e, em muitos casos, internação com antibiótico empírico até o resultado das culturas. Liberar sem investigação é conduta de alto risco. Antibiótico oral ambulatorial sem investigação mascara o diagnóstico. Hemograma isolado não exclui bacteremia, meningite ou infecção urinária.
Menino de 2 anos é levado à Unidade de Pronto Atendimento com febre há dois dias. A mãe está muito preocupada com a temperatura, que chegou a 39,5 °C, e pergunta se a febre alta pode causar lesão cerebral. Ao exame: febril no momento, mas ativo, sorridente, hidratado, corado, sem petéquias, com fontanela já fechada, sem rigidez de nuca, otoscopia normal, orofaringe hiperemiada, ausculta pulmonar normal e boa perfusão periférica. Qual é a conduta e a orientação mais adequada?
O valor absoluto da temperatura tem baixa correlação com a gravidade, sendo o estado geral, a perfusão, o nível de atividade e a presença de sinais de alerta os principais determinantes da conduta, e o antitérmico visa ao conforto da criança, sem alternância rotineira de fármacos, que aumenta o risco de erro de dose. Internar pelo valor da febre isoladamente é conduta inadequada. Prescrever antibiótico apenas pela febre alta ignora a etiologia viral da maioria dos quadros febris na infância.
Menina de 7 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com febre há dez dias, sem foco identificado após anamnese detalhada, exame físico repetido e investigação inicial com hemograma, exame de urina, radiografia de tórax e provas inflamatórias, todos sem alterações que expliquem o quadro. Ao exame: febril, com bom estado geral entre os picos, sem exantema, sem adenomegalias volumosas, sem visceromegalias, sem sopros cardíacos e sem sinais articulares. Não houve viagens recentes. Qual é a conduta mais adequada?
A febre sem foco prolongada na criança exige reavaliações clínicas seriadas, que frequentemente revelam sinais antes ausentes, e ampliação dirigida da investigação para causas infecciosas, inflamatórias e neoplásicas, evitando antibiótico empírico sem indicação, que mascara culturas e retarda o diagnóstico. Antibiótico para todos os casos é conduta inadequada. Encerrar a investigação abandona a criança sem diagnóstico. Corticoide empírico pode mascarar doenças graves, como neoplasias hematológicas.
Lactente de 2 meses é levado ao pronto-socorro com febre de 38,6 °C, irritabilidade e recusa alimentar há um dia, sem outros sintomas. Nasceu a termo, sem intercorrências, com vacinas em dia. Ao exame: irritado, mas consolável, hidratado, com fontanela normotensa, sem rigidez de nuca, otoscopia normal, orofaringe sem alterações, ausculta pulmonar normal, abdome flácido e sem lesões cutâneas, sem foco infeccioso identificado. Qual é a conduta correta quanto à investigação?
Lactentes menores de 3 meses com febre têm risco elevado de infecção bacteriana grave, incluindo infecção urinária, bacteremia e meningite, com exame físico pouco informativo, exigindo investigação ampliada conforme protocolos de estratificação de risco, com coleta adequada de urina, hemograma, hemocultura e avaliação da necessidade de exame do líquor. Hemograma isolado não exclui essas infecções. Antibiótico oral domiciliar mascara o quadro. Liberar sem investigação é conduta de alto risco nessa faixa etária.
Recém-nascido de 18 dias de vida, nascido a termo de parto normal sem intercorrências, é levado ao pronto-socorro porque a mãe aferiu temperatura axilar de 38,2 °C em casa. Ele mama bem, não apresenta vômitos, tosse ou diarreia, e as vacinas do nascimento estão em dia. Ao exame: ativo, corado, hidratado, fontanela normotensa, sem rigidez de nuca, ausculta cardiopulmonar normal, abdome flácido, coto umbilical cicatrizado e sem lesões cutâneas ou foco aparente. Qual é a conduta correta?
O recém-nascido com febre tem risco elevado de infecção bacteriana grave, com exame físico pouco confiável para excluir bacteremia, meningite ou infecção urinária, exigindo internação, investigação completa incluindo líquor e antibioticoterapia endovenosa empírica até a exclusão da infecção. Liberar sem investigação é conduta de alto risco nessa faixa etária. Antibiótico oral ambulatorial não cobre adequadamente os agentes envolvidos. Hemograma isolado não afasta infecção bacteriana grave no período neonatal.
Menina de 3 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com febre há dois dias, sem foco identificado, e a mãe relata que ela está ativa e brincando entre os picos febris. A criança tem esquema vacinal completo para a idade, incluindo as vacinas conjugadas contra pneumococo e Haemophilus influenzae tipo b. Ao exame: ativa, corada, hidratada, com boa perfusão, sem rigidez de nuca, otoscopia normal, ausculta pulmonar normal, abdome flácido e sem lesões cutâneas ou petéquias. Qual é a conduta mais adequada?
A introdução das vacinas conjugadas reduziu de forma expressiva a bacteremia oculta em crianças vacinadas com bom estado geral, tornando a observação com orientação de sinais de alerta e reavaliação programada a conduta adequada, reservando-se exames e antibióticos a crianças com sinais de gravidade, esquema incompleto ou condições de risco. Investigar e tratar todas as crianças expõe a procedimentos desnecessários. Antibiótico preventivo não tem respaldo. Internação de rotina é desproporcional.
Recém-nascido a termo, com 20 dias de vida, é levado ao pronto-socorro por febre de 38,4 °C aferida em casa, sem outros sintomas. Está mamando bem, ativo ao exame, com fontanela normotensa, sem exantema e sem sinais localizatórios. FC 158 bpm, FR 46 ipm, SatO2 97%. O parto foi sem intercorrências e a mãe não teve febre nem rotura prolongada de membranas. Qual a conduta indicada?
Febre em recém-nascido com menos de 28 dias, mesmo com bom estado geral, exige avaliação completa para sepse com hemocultura, urocultura e exame do líquor, internação e antibioticoterapia empírica, pois a apresentação clínica é inespecífica e a evolução pode ser fulminante. Dar alta com antitérmico ignora esse risco. O hemograma isolado tem baixo valor preditivo negativo e não afasta bacteremia ou meningite. O antibiótico oral domiciliar não atinge concentração adequada e retira o paciente da observação necessária. Observar por poucas horas sem exames não modifica a probabilidade de infecção bacteriana grave nessa faixa etária.
Menina, 20 meses, com esquema vacinal completo para a idade, incluindo pneumocócica conjugada e Haemophilus influenzae tipo b, apresenta febre de 39 °C há 20 horas, sem outros sintomas. FC 132 bpm, FR 28 ipm, SatO2 98%, T 39,0 °C. Ao exame, encontra-se ativa, hidratada, corada, sem exantema, sem sinais meníngeos e sem foco identificável. A criança aceita líquidos bem e brinca durante a consulta. Qual a conduta indicada?
Antipirético com orientação de sinais de alarme e reavaliação programada é a conduta indicada: criança acima de 3 meses, vacinada, com bom estado geral e febre sem sinais localizatórios tem risco muito baixo de bacteremia oculta após a introdução das vacinas conjugadas, o que tornou a conduta expectante segura. A investigação laboratorial ampla com punção lombar de rotina é desnecessária nesse perfil. A ceftriaxona empírica em criança com bom aspecto expõe a efeitos adversos e resistência. A internação com antibiótico endovenoso é desproporcional. A tomografia de crânio não tem qualquer indicação nesse quadro.
Menina, 3 anos, internada por pneumonia, apresenta febre de 39 °C, irritabilidade e desconforto. FR 40 ipm, FC 132 bpm, SatO2 94% com oxigênio, hidratada e aceitando líquidos. A mãe pergunta sobre o uso de antitérmicos e medidas físicas, relatando ter ouvido que a febre deve ser combatida a qualquer custo para evitar convulsões e complicações graves na criança. Qual a orientação correta?
O antitérmico deve ser usado visando o conforto da criança, e não a normalização obrigatória da temperatura, pois a febre é resposta fisiológica e seu controle não previne crises febris. Alternar sistematicamente dois antitérmicos aumenta o risco de erro de dose e de toxicidade sem benefício claro. Banho com álcool é contraindicado pelo risco de absorção e intoxicação. Aguardar quarenta graus mantém a criança desconfortável. A febre nos primeiros dias não indica necessariamente falha terapêutica do antibiótico.
Mãe de menino de 3 anos procura a unidade preocupada porque o filho apresentou febre de 38,6 graus Celsius, aferida em casa, associada a coriza. A criança está ativa, brincando, hidratada, aceitando líquidos, com T 38,2 graus Celsius na consulta, FC 118 bpm, FR 24 ipm, SatO2 98%. O exame físico mostra apenas hiperemia de orofaringe, sem sinais de gravidade ou de desidratação. Sobre a orientação à família, assinale a alternativa correta.
O objetivo do antitérmico é o conforto da criança, e não a normalização obrigatória da temperatura, orientação central no combate à fobia da febre. Alternar antitérmicos de horário aumenta risco de erro de dose e toxicidade sem benefício comprovado. O banho gelado provoca vasoconstrição e desconforto, sem reduzir a temperatura central de forma eficaz. O valor absoluto da temperatura é preditor fraco de infecção bacteriana grave, sendo o estado geral muito mais relevante. Iniciar antibiótico por um valor de temperatura é conduta inadequada, pois a maioria das febres tem causa viral.
Lactente de 45 dias, nascido a termo e previamente hígido, apresenta febre de 38,4 graus Celsius aferida em casa e confirmada na unidade, sem sinais localizatórios ao exame. Está ativo, corado, hidratado, mamando bem, FC 150 bpm, FR 42 ipm, SatO2 98%, sem exantema, sem sinais meníngeos e com fontanela normotensa. Não há contactantes doentes conhecidos na família. Qual a conduta mais adequada?
A investigação ampla com exames laboratoriais e culturas, com internação, é a conduta em lactente febril menor de 2 a 3 meses, faixa em que o bom estado geral não exclui infecção bacteriana grave, dada a imaturidade imunológica e a apresentação inespecífica. Dar alta apenas com antitérmico é arriscado. Prescrever antibiótico oral sem investigação mascara o quadro e não trata adequadamente eventual bacteremia. Considerar o bom estado geral como exclusão de infecção grave é justamente o erro clássico nessa idade. A radiografia isolada não avalia sangue, urina e líquor.
Recém-nascido de 18 dias apresenta temperatura de 38,3 °C, redução de mamadas e nenhum foco claro ao exame inicial. Qual encaminhamento ou investigação é prioritário?
A idade neonatal e a febre exigem avaliação urgente de infecção invasiva. Febre no período neonatal pode indicar infecção invasiva mesmo sem foco e requer avaliação urgente conforme idade e estado clínico. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Febrile_child/
Bebê de 12 dias tem febre documentada e está mais sonolento, apesar de não apresentar tosse ou diarreia. Qual encaminhamento ou investigação é prioritário?
Ausência de foco não reduz a necessidade de avaliação neonatal urgente. Febre no período neonatal pode indicar infecção invasiva mesmo sem foco e requer avaliação urgente conforme idade e estado clínico. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Febrile_child/
Recém-nascido de 25 dias apresenta febre de 38,5 °C e irritabilidade, mesmo com exame inicial pouco expressivo. Qual encaminhamento ou investigação é prioritário?
A faixa etária exige avaliação hospitalar urgente. Febre no período neonatal pode indicar infecção invasiva mesmo sem foco e requer avaliação urgente conforme idade e estado clínico. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Febrile_child/
Bebê de três semanas tem febre e recusa alimentar, sem sinais localizatórios claros. A família pergunta se pode aguardar consulta de rotina. Qual encaminhamento ou investigação é prioritário?
O risco neonatal exige avaliação urgente. Febre no período neonatal pode indicar infecção invasiva mesmo sem foco e requer avaliação urgente conforme idade e estado clínico. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Febrile_child/
Qual limitação etiológica desta imagem é relevante?

História, exame e gravidade orientam a hipótese infecciosa e o tratamento.
Em criança com área cutânea dolorosa e eritematosa, qual padrão ultrassonográfico está mostrado?

Faixas hipoecoicas separam lóbulos de gordura, compatíveis com edema no contexto de celulite.
Qual conclusão deve ser evitada ao usar esta imagem para planejar incisão e drenagem?

Edema interlobular não equivale a uma coleção purulenta organizada.
Sem coleção na varredura completa e sem sinais sistêmicos graves, qual abordagem é mais coerente com celulite bacteriana?

Edema difuso sem abscesso não se beneficia de abertura aleatória.
Quer treinar mais nesse tema? Estas questões vêm do nosso banco — lá tem milhares, com simulado, maratona e estatística de acerto por área.
Criar conta grátis e continuar →Plano de revisão
em 7 dias
Recite as três decisões na ordem: estado geral, idade, exames. Depois escreva de memória a conduta de cada faixa — menor de 30 dias, 1 a 3 meses com Rochester, 3 a 36 meses com e sem os 39 °C — e as três doses de antitérmico por quilo.
em 30 dias
Refaça sem consultar: os cortes de leucócitos e de neutrófilos que disparam hemocultura, radiografia e ceftriaxona; os números do Rochester; a dose de ceftriaxona intramuscular; os sinais gerais de perigo do AIDPI; e o que separa febre de hipertermia à beira do leito.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Lactente de 2 meses e 10 dias, nascido a termo, chega ao pronto-socorro com febre axilar de 38,4 °C há oito horas, sem tosse, sem diarreia e sem exantema. Está ativo, mamando e corado. Conduza a avaliação, decida quais exames colher e diga se essa criança vai para casa ou fica. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
