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Clínica MédicaEndocrinologia

Diabetes tipo 1 e insulinoterapia

Diabetes mellitus tipo 1 e insulinoterapia

A prova cobra três coisas: reconhecer o DM1 no adulto, saber qual insulina o SUS entrega em cada degrau e fazer as contas de dose — total diária, fração basal, bolus de correção e a conversão da NPH para a glargina que entrou na atenção primária em 2026.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem, 22 anos, previamente hígido, procura atendimento com queixa de poliúria, polidipsia e perda de 8 kg em 6 semanas. Nega uso de medicações. Ao exame encontra-se emagrecido, sem outras alterações. Exames: glicemia de jejum 268 mg/dL (VR 70-99), HbA1c 11,2% (VR < 5,7%). Anticorpos anti-GAD positivos e peptídeo C baixo. Qual é o tratamento inicial de escolha para este paciente?

02

Como esse tema cai

O DM1 é a doença em que a prova brasileira menos perdoa quem estudou só revisão internacional. A parte fisiopatológica é universal — destruição autoimune das células beta, deficiência absoluta de insulina, tratamento obrigatório e vitalício —, mas tudo que decide questão é nacional: qual insulina o SUS entrega, em que ordem, mediante qual comprovação, e o que ele não entrega.

A régua é o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito Tipo 1, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 17, de 12 de novembro de 2019. Ele organiza o tratamento em três degraus e condiciona a subida de degrau a hipoglicemia documentada ou mau controle persistente. Em junho de 2026 esse desenho ganhou uma exceção grande: a Nota Técnica Conjunta nº 169/2026 pôs a insulina glargina na farmácia da atenção primária para duas faixas etárias, sem exigir os degraus anteriores. As duas normas convivem, e saber onde cada uma manda é metade do capítulo.

A outra metade são contas. Dose total diária por quilo, quanto disso é basal, bolus prandial pela contagem de carboidratos, bolus de correção pelo fator de correção, conversão de uma basal para outra. Nenhuma delas é difícil; todas caem com números limpos e alternativas plausíveis.

Cetoacidose diabética, estado hiperosmolar e o manejo da hipoglicemia grave têm capítulos próprios. Aqui a hipoglicemia entra pelo que ela decide neste tema: é o gatilho que autoriza subir de degrau no SUS e o efeito adverso que limita a intensificação.

03

O que muda decisão

Fechar o diagnóstico no adulto — e quando pedir anticorpo

Os critérios laboratoriais de diabetes são os mesmos de sempre: glicemia aleatória acima de 200 mg/dL na presença de sintomas clássicos, glicemia de jejum de pelo menos 8 horas maior ou igual a 126 mg/dL em duas ocasiões, HbA1c maior ou igual a 6,5% em duas ocasiões, ou glicemia de 2 horas maior ou igual a 200 mg/dL após sobrecarga de 75 g. O paciente com sintomas clássicos de insulinopenia e hiperglicemia inequívoca não precisa repetir exame. Hiperglicemia que aparece no meio de infecção, trauma ou instabilidade circulatória não fecha diagnóstico: reavalie fora do quadro agudo.

O que separa DM1 de DM2 não é um exame, é um traço clínico. O PCDT é explícito: o traço que melhor caracteriza o DM1 é a tendência à hiperglicemia grave e à cetoacidose. Poliúria, noctúria, polidipsia, polifagia e perda de peso inexplicada em poucas semanas, com glicemia alta, é insulinopenia até prova em contrário — e insulina começa imediatamente, sem ensaio de antidiabético oral.

A armadilha mora na idade. O diagnóstico de DM1 pode ocorrer em qualquer faixa etária, mas como a maioria dos diabetes do adulto é tipo 2, o adulto magro que abre o quadro com hiperglicemia grave costuma ser rotulado como DM2 e deteriorar rápido depois. Quando a suspeita é de diabetes latente autoimune do adulto (LADA), o PCDT exige, para liberar análogo de insulina, dosagem de peptídeo C somada à pesquisa e titulação de pelo menos um marcador de autoimunidade — anticorpo anti-ilhota de Langerhans (ICA), anti-insulina (IAA) ou outro disponível. A SBD acrescenta o anti-GAD para quem tem diagnóstico mais antigo. Os três exames citados pelo protocolo têm código no SIGTAP, ou seja, são solicitáveis dentro do SUS.

Diagnóstico feito, lembre-se de que o DM1 anda acompanhado. Hipotireoidismo ocorre em 17% a 30% e doença celíaca em 1,6% a 16,4% dos pacientes com DM1, segundo a SBD; o próprio PCDT manda rastrear doença celíaca e remete ao protocolo específico dela.

Curva contínua e baixa atravessando o dia inteiro, com três picos separados subindo acima dela
O esquema basal-bolus imita a secreção normal: uma insulina de fundo cobrindo o intervalo entre as refeições e a noite, e três picos curtos cobrindo as refeições.

A escada do SUS: três degraus e o que autoriza subir

O PCDT define um fluxograma terapêutico com ordem fixa: primeiro insulina NPH associada à insulina regular; depois NPH associada a análogo de ação rápida; por último análogo de ação rápida associado a análogo de ação prolongada. Todo paciente com DM1 entra pelo primeiro degrau, em esquema basal-bolus com no mínimo três aplicações diárias.

Subir para o análogo de ação rápida exige, em laudo médico, três coisas ao mesmo tempo. Primeira: uso prévio de NPH e regular por pelo menos três meses. Segunda: pelo menos um dos gatilhos nos últimos seis meses — hipoglicemia grave (a que exigiu atendimento de emergência ou ajuda de terceiro), hipoglicemias não graves repetidas (dois ou mais episódios por semana, com glicemia capilar abaixo de 54 mg/dL com ou sem sintomas, ou abaixo de 70 mg/dL com sintomas), hipoglicemias noturnas repetidas (mais de um episódio por semana) ou mau controle persistente comprovado pela HbA1c dos últimos doze meses. Terceira: automonitorização de glicemia capilar pelo menos três vezes ao dia e acompanhamento regular, no mínimo duas vezes por ano, com médico e equipe multiprofissional.

Antes de contar a hipoglicemia como gatilho, o protocolo obriga a excluir as causas evitáveis: refeição reduzida ou atrasada sem reduzir a insulina, exercício sem ajuste de dose, rodízio inadequado dos locais de aplicação, dose excessiva e uso excessivo de álcool. Hipoglicemia explicada por erro de manejo não abre porta para análogo — ela abre porta para educação em diabetes.

O terceiro degrau tem a mesma lista de gatilhos, mas troca o pré-requisito: é preciso ter usado NPH associada a análogo de ação rápida por pelo menos três meses. Não existe pular do primeiro degrau direto para o análogo de ação prolongada. Esse é o erro de sequência que a prova mais explora.

Quem sobe também pode descer. Para manter o análogo, o paciente precisa comprovar a manutenção da automonitorização e do acompanhamento e, nos últimos seis meses, pelo menos um destes: atingir a meta de HbA1c, reduzir no mínimo 0,5% na HbA1c, melhorar os episódios de hipoglicemia comprovadamente, ou apresentar condição clínica transitória que justifique a glicemia fora da meta (não persistente por mais de seis meses). Quem não cumpre volta às insulinas humanas — mas o PCDT exige que, antes da interrupção, as medidas de adesão sejam reforçadas e registradas em prontuário. A insulina em si nunca se interrompe: suspender insulina em DM1 desencadeia cetoacidose, coma e morte.

A dose total diária e a fração que vai de basal

No diagnóstico recente, ou logo após um episódio de cetoacidose, a dose total diária de insulina no DM1 fica entre 0,5 e 1 UI/kg/dia. Durante a remissão parcial — a lua de mel, em que ainda há secreção residual — a necessidade cai para menos de 0,5 UI/kg/dia, com basal menor que 0,25 UI/kg/dia. Depois da remissão parcial, o adulto se estabiliza entre 0,7 e 1,0 UI/kg/dia, com basal de 0,3 a 0,5 UI/kg/dia.

Quanto dessa dose vai de basal é o ponto em que os dois documentos brasileiros não dizem a mesma coisa, e a divergência está no bloco próprio. Para prescrever, use a faixa em que eles se sobrepõem: comece com a basal entre 40% e 50% da dose total quando a basal for NPH, deixando o restante para os bolus, e trate qualquer coisa acima disso como sinal de alerta, não como meta.

Esse alerta ganhou critérios objetivos na Nota Técnica Conjunta nº 169/2026, sob o nome de excesso de insulina basal. Em criança e adolescente com DM1, acendem a luz vermelha: basal acima de 50% da dose total diária, queda noturna da glicemia maior que 30 mg/dL na criança ou maior que 50 mg/dL no adolescente, e hipoglicemia acompanhada de grande variabilidade glicêmica. Na pessoa com DM2 em uso de basal, os critérios são basal acima de 0,5 UI/kg/dia, HbA1c acima da meta com glicemia de jejum já no alvo, hipoglicemias com ou sem sintomas, e queda maior que 50 mg/dL entre o horário de dormir e o despertar.

A conduta diante desses achados é contraintuitiva e por isso cai: não aumente mais a basal. Reavalie o esquema — quase sempre falta bolus prandial, não sobra hiperglicemia de jejum — e compartilhe o cuidado com a atenção especializada quando necessário. Aumentar basal para tratar hiperglicemia pós-prandial é a receita da hipoglicemia noturna.

Bolus: contagem de carboidratos, fator de correção e a escala para quem não faz conta

A dose de bolus aplicada antes de cada refeição principal é a soma de duas parcelas calculadas separadamente: o bolus prandial, que cobre os carboidratos daquela refeição, e o bolus de correção, que corrige a glicemia que já está alta. Calcula-se cada uma, soma-se e aplica-se junto.

O bolus prandial sai da relação carboidrato/insulina, que diz quantos gramas de carboidrato 1 unidade de insulina rápida cobre. No adulto ela fica entre 10 e 20 g por unidade. Três ajustes de horário importam: no desjejum a resistência é maior e o adulto costuma precisar de 1 unidade para cada 5 a 10 g; antes de dormir, a relação deve ser maior — 20 a 25 g por unidade — para não hipoglicemiar durante o sono; e lanche entre refeições com mais de 15 a 20 g de carboidrato também precisa de insulina. Se a glicemia pós-prandial de uma refeição estiver sistematicamente fora do alvo (no adulto, o alvo pós-prandial usado é 90 a 140 mg/dL), mexa na relação em 1 a 2 g por unidade de cada vez.

O bolus de correção sai do fator de correção, que é a queda de glicemia esperada com 1 unidade de insulina rápida. A fórmula é direta: bolus de correção igual à glicemia atual menos o objetivo glicêmico, dividido pelo fator de correção. O objetivo glicêmico usado é 100 mg/dL no adulto e 150 mg/dL na criança ou em quem tem hipoglicemia sem sintomas. O fator de correção do adulto fica entre 40 e 60, e varia dentro do próprio dia — o mesmo paciente pode precisar de 40 pela manhã, 50 no meio do dia e 60 à noite, porque a resistência à insulina é maior de manhã. Avalie a glicemia duas a três horas após a correção, sem comer, e ajuste o fator em 10% a 20% se ela cair demais ou de menos.

Para quem não consegue fazer contas, o protocolo traz a alternativa: dose fixa de insulina prandial em cada refeição principal, somada a uma escala de correção por faixa de glicemia. Define-se o fator de correção, o objetivo glicêmico e o limite superior de glicemia (soma dos dois — com fator 50 e objetivo 100, o limite é 150), e a partir daí a escala soma ou subtrai unidades à dose fixa conforme a faixa. É pior que a contagem de carboidratos, e é melhor que nada.

O momento da aplicação muda com a insulina: a regular precisa de 30 minutos antes da refeição, o que engessa o ajuste pela quantidade de comida e é a razão de se calcular dose fixa para ela; o análogo de ação rápida entra 5 a 15 minutos antes ou, em exceção, imediatamente após a refeição — o que permite dosar depois de saber o que a pessoa realmente comeu.

A basal na prática: horário da NPH e ajuste por excursão

A NPH é dada duas a três vezes ao dia, eventualmente quatro; a maioria dos pacientes usa três — antes do desjejum, antes do almoço e antes de dormir. A última dose do dia vai por volta das 22 horas, ou cerca de 8 horas antes do despertar, e essa precisão tem motivo: NPH aplicada no jantar faz pico na madrugada, produzindo hipoglicemia noturna, e chega esgotada ao amanhecer, justamente quando a ação da insulina piora. O resultado clássico é o paciente que hipoglicemia às 3 horas e acorda hiperglicêmico.

O ajuste da basal se guia pelas glicemias pré-prandiais, pelas glicemias do período de sono e pela presença de hipoglicemia entre as refeições. A regra numérica: se houver queda ou elevação maior que 30 mg/dL durante o sono ou entre refeições, reduza ou aumente a última dose de insulina basal em 10% a 20%. Se houve hipoglicemia, reduza 10% a 20% da última basal aplicada antes dela. Essa leitura só vale se a excursão foi observada sem lanche entre refeições e sem bolus de correção no meio.

Entre as basais análogas, cada uma tem seu ritmo: glargina U100 uma vez ao dia; detemir uma ou duas vezes; degludeca e glargina U300 uma vez ao dia, em horário preferencialmente fixo. As conversões que o PCDT padroniza também têm números fechados: de NPH para glargina U100, some as doses de NPH e reduza 20%; de NPH para detemir, some e divida em duas doses com 12 horas de intervalo, unidade por unidade; de glargina U100 para degludeca, reduza 15% a 25%; de detemir para degludeca, reduza 25%; de glargina U100 para glargina U300, aumente 10% a 20%.

Um detalhe de técnica que muda glicemia e cai em questão de enfermagem e de clínica: a velocidade de absorção varia com o local. É mais rápida no abdome, intermediária nos braços e mais lenta em coxas e nádegas — e fica ainda mais imprevisível se o segmento for usado no exercício.

O que mudou em 2026: glargina na farmácia da atenção primária

Até 2026, análogo de ação prolongada no SUS significava Componente Especializado, laudo e os dois degraus anteriores cumpridos. A Nota Técnica Conjunta nº 169/2026, de 12 de junho de 2026, abriu uma porta paralela: a insulina glargina passou a ser dispensada no Componente Básico da Assistência Farmacêutica, na própria unidade básica, para dois grupos — crianças e adolescentes com DM1 de 2 anos completos a menos de 18 anos, e pessoas com 70 anos ou mais, com DM1 ou DM2. A elegibilidade inclui novos diagnósticos, e quem completa 18 anos durante a implantação continua no esquema já definido.

A justificativa oficial tem duas pernas. A primeira é de abastecimento: há restrição global na produção de insulinas humanas, incluindo a NPH, e o Ministério da Saúde optou por reduzir a dependência dela. A segunda é clínica: os dois grupos escolhidos concentram maior vulnerabilidade e maior risco de hipoglicemia, e se beneficiam de um esquema basal mais estável e de aplicação única diária. Quem já recebe glargina pelo Componente Especializado permanece nele, para não haver duplicidade de fornecimento.

A conversão tem duas regras, e a prova cobra a segunda. Quem usava NPH uma vez ao dia converte em equivalência de dose, um para um, mantendo o horário. Quem usava NPH duas ou mais vezes ao dia tem a dose total diária prévia reduzida em aproximadamente 20%, e recebe a glargina em dose única, preferencialmente no horário correspondente à maior dose anterior de NPH. Depois, titula-se pela glicemia de jejum, em intervalos de até três dias. Trocar a basal não implica trocar a insulina prandial: o bolus continua o mesmo.

A regra de segurança é categórica e vale como pegadinha pronta: as duas são insulinas basais e não podem ser usadas ao mesmo tempo. No momento em que o paciente recebe a glargina, deixa de receber a NPH — o uso concomitante gera risco muito alto de hipoglicemia grave.

O pacote de insumos também é definido. Cada usuário recebe uma caneta reutilizável, com validade de 3 anos ou 5.000 aplicações, e reposição só mediante avaria comprovada; os tubetes de 3 mL de glargina 100 UI/mL vêm na média de 3,66 por mês; as agulhas de 4 mm são calculadas em uma por dia, por tipo de insulina. A prescrição de insulina análoga de ação prolongada vale por até 180 dias. Tubete fechado fica entre 2 °C e 8 °C; aberto, dura no máximo 28 dias em temperatura de até 30 °C, protegido da luz — e a caneta em uso não vai à geladeira.

Metas, monitorização e o que o SUS não entrega

No adulto com DM1 a meta de HbA1c é abaixo de 7,0%, e nisso o PCDT de 2019 e a nota técnica de 2026 coincidem. As metas de criança, adolescente e idoso mudaram entre os dois documentos, e estão no bloco de divergências. Os alvos de glicemia do adulto: pré-prandial na faixa de 70 a 130 mg/dL pelo PCDT (80 a 130 mg/dL pela nota técnica de 2026), pós-prandial de 2 horas abaixo de 180 mg/dL nos dois, e ao deitar entre 90 e 150 mg/dL.

A HbA1c se dosa no início do tratamento e a cada três meses, podendo espaçar para semestral em quem está com controle ótimo. Mas o protocolo é explícito ao dizer que a avaliação do controle não se restringe a ela: frequência de hipoglicemias — sobretudo noturnas e graves — e variabilidade glicêmica pesam igual.

A automonitorização de glicemia capilar é indicada para todo paciente com DM1, com pelo menos três a quatro testes por dia, ampliáveis conforme a necessidade, por exemplo quando se está ajustando fator de correção e relação carboidrato/insulina. Quando a unidade não consegue baixar os dados do glicosímetro, pede-se registro em tabela por 15 a 30 dias, analisado na consulta. A SBD considera aceitável o fornecimento de pelo menos duas agulhas por dia a quem usa esquema basal-bolus — uma para a basal e uma para os bolus.

O que o SUS não entrega é tão cobrado quanto o que entrega. Sensor de glicose não está incorporado: o sistema flash de monitorização por escaneamento intermitente foi avaliado pela Conitec em dezembro de 2024 e a não incorporação foi publicada na Portaria sectics/MS nº 2, de 31 de janeiro de 2025. O argumento do plenário não foi negar benefício — o relatório reconhece benefícios relevantes para os pacientes — e sim que a monitorização não é demanda desassistida, porque o SUS já oferece a medição por fitas, e que o custo era alto demais para a sustentabilidade do sistema diante da prevalência da doença no Brasil. O monitoramento contínuo em tempo real voltou à mesa em 2026, com parecer preliminar desfavorável e submissão a consulta pública.

Bomba de insulina também não. O sistema de infusão contínua de insulina para tratamento de segunda linha do DM1 teve a não incorporação tornada pública pela Portaria nº 38/SCTIE/MS, de 11 de setembro de 2018, com base no relatório nº 375 da Conitec: a redução de HbA1c observada nos estudos variou de 0,18% a 0,55%, considerada não clinicamente significante, e não houve diferença nos eventos de hipoglicemia leve, grave e noturna em relação a múltiplas doses diárias.

Acompanhamento e rastreio das complicações

O acompanhamento é vitalício, clínico e laboratorial, pelo menos duas vezes ao ano, sempre que possível com endocrinologista; na indisponibilidade, com clínico experiente em diabetes e insulinoterapia. Glicemia de jejum e HbA1c entram nessas duas avaliações anuais; perfil lipídico e creatinina sérica, ao menos uma vez por ano; pressão arterial, no mínimo duas vezes por ano.

O rastreio de complicações crônicas começa mais tarde que no DM2, e o gatilho é a duração da doença: a partir do quinto ano de diagnóstico, ou antes disso se a puberdade chegar primeiro, ou a critério clínico. São três exames anuais. Retinopatia, por fundoscopia. Doença renal do diabetes, por albuminúria, preferencialmente em amostra isolada de urina corrigida pela creatinina. Neuropatia periférica, pelo exame neurológico dos pés, com pesquisa das sensibilidades térmica e vibratória e da sensibilidade protetora pelo monofilamento de Semmes-Weinstein de 10 gramas.

Doença celíaca deve ser rastreada em quem tem DM1, seguindo o protocolo próprio dela. A avaliação de complicações macrovasculares é obrigatória em todo paciente sintomático; no assintomático, parte da estratificação individualizada do risco cardiovascular.

Vale registrar o tamanho do problema para calibrar expectativa: em estudo multicêntrico brasileiro com cerca de 1.700 pacientes com DM1, apenas 9,8% tinham adesão máxima ao tratamento e 48% adesão mínima, com HbA1c média de 8,6% e 9,2% respectivamente. Educação em diabetes não é adorno do plano terapêutico — é o componente que decide se os outros quatro funcionam.

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Escolher o degrau, calcular a dose e converter a basal

Três decisões seguidas: em que degrau do PCDT o paciente está, quanto de insulina ele precisa por dia e como se troca uma basal por outra sem provocar hipoglicemia.

  1. 1Confirme o DM1: hiperglicemia laboratorial somada a sinais inequívocos de insulinopenia (sintomas clássicos com glicemia acima de 200 mg/dL, ou cetoacidose). Em adulto com suspeita de LADA, peça peptídeo C e pelo menos um autoanticorpo antes de pedir análogo.
  2. 2Calcule a dose total diária pelo peso e pela fase da doença: 0,5 a 1 UI/kg/dia no diagnóstico recente ou logo após cetoacidose; menos de 0,5 UI/kg/dia na lua de mel; 0,7 a 1,0 UI/kg/dia no adulto depois da remissão parcial.
  3. 3Reparta: 40% a 50% de basal, o restante distribuído em bolus antes das três refeições principais. Prescreva NPH duas a três vezes ao dia, com a última dose por volta das 22 horas, e regular 30 minutos antes das refeições.
  4. 4Acompanhe por três meses com automonitorização de pelo menos três testes ao dia. Só então avalie subir de degrau, e só se houver hipoglicemia documentada (grave, ou duas ou mais por semana, ou noturna mais de uma vez por semana) ou mau controle persistente, com as causas evitáveis de hipoglicemia já excluídas.
  5. 5Verifique se o paciente cai numa faixa elegível da estratégia de 2026 (2 a 17 anos com DM1, ou 70 anos ou mais com DM1 ou DM2). Se cair, a glargina pode ser dispensada na própria atenção primária, sem os degraus anteriores.
  6. 6Na conversão para glargina: um para um se a NPH era uma vez ao dia; menos 20% da dose total se era duas ou mais vezes ao dia. Suspenda a NPH no mesmo ato, titule pela glicemia de jejum a cada até três dias e mantenha o bolus como estava.

Degrau 1 — NPH + regular

Porta de entrada de todo paciente com DM1 no SUS. Basal-bolus com no mínimo três aplicações diárias. Permanece por pelo menos três meses antes de qualquer mudança de classe.

Degrau 2 — NPH + análogo rápido

Exige NPH e regular por três meses, mais hipoglicemia documentada ou mau controle persistente, automonitorização de três vezes ao dia e acompanhamento duas vezes ao ano.

Degrau 3 — análogo prolongado + análogo rápido

Exige três meses de NPH com análogo rápido, além dos mesmos gatilhos. Quem não cumpre os critérios de manutenção volta às insulinas humanas, depois de reforço de adesão registrado em prontuário.

InsulinaInício de açãoPicoDuraçãoQuando aplicar
Regular (humana)30 a 60 min2 a 3 h5 a 8 h30 minutos antes das refeições
Lispro, asparte, glulisina5 a 15 mincurto e precoce3 a 4 hImediatamente antes ou, por exceção, logo após a refeição
NPH2 a 4 h4 a 10 h10 a 18 h1 a 3 vezes ao dia; a última por volta das 22 h
Glargina U1002 a 4 hsem pico20 a 24 h1 vez ao dia, horário fixo
Detemir1 a 3 h6 a 8 h18 a 22 h1 a 2 vezes ao dia
Degludeca21 a 41 minsem picoaté 42 h1 vez ao dia, com mais de 8 h desde a última aplicação
Glargina U3006 hsem picoaté 36 h1 vez ao dia, horário fixo

Dose total diária e fração basal no DM1 (PCDT DM1, Quadro 2)

SituaçãoDose total diária (UI/kg/dia)Dose basal (UI/kg/dia)
Diagnóstico recente / lua de melmenor que 0,5menor que 0,25
Adulto após a remissão parcial0,7 a 1,00,3 a 0,5
Lactentes0,2 a 0,40,1 a 0,2
Pré-púberes0,5 a 0,80,2 a 0,4
Púberes0,8 a 2,00,4 a 1,0

Fator de correção e relação carboidrato/insulina por faixa etária (PCDT DM1, Apêndice 3)

IdadeFator de correção (mg/dL por 1 U)Relação carboidrato/insulina (g por 1 U)
Até 2 anos300 a 35045 a 50
3 a 5 anos200 a 25040
6 a 8 anos18030
9 a 11 anos100 a 15020
12 a 13 anos75 a 10012 a 15
14 anos ou mais25 a 7510
Adultos40 a 6010 a 20

Conversão da NPH para glargina na atenção primária (Nota Técnica Conjunta nº 169/2026)

Situação préviaDose inicial de glarginaHorário e titulação
NPH uma vez ao diaEquivalência de dose, 1:1Mantém o mesmo horário de aplicação
NPH duas ou mais vezes ao diaReduzir cerca de 20% da dose total diária préviaDose única, preferencialmente no horário da maior dose anterior de NPH
Após a transiçãoAjuste individualizado pela glicemia de jejumTitular em intervalos de até três dias; manter a insulina prandial inalterada

O PCDT traz o pico dos análogos de ação rápida de duas maneiras: 30 a 90 minutos na Tabela 2 e 1 a 2 horas no texto da seção que descreve a classe. O que decide conduta é o mesmo nos dois: pico precoce e duração de 3 a 4 horas, por isso a tabela acima registra a característica e não o intervalo em disputa.

Ainda no PCDT, a meta de HbA1c da gestante aparece como abaixo de 6,5% no texto sobre aconselhamento pré-concepcional e como abaixo de 6,0% na tabela de objetivos glicêmicos. O resumo da SBD sobre o mesmo protocolo reproduz 6,0%. São momentos diferentes do cuidado — planejamento da gravidez e controle durante a gestação —, e o número não foi usado em nenhuma questão deste capítulo.

O Quadro 1 do PCDT dá ao idoso a faixa de 7,5% a 8,5%, mas o próprio rodapé desse quadro manda o idoso saudável ficar abaixo de 7,5% — ou seja, abaixo do piso da faixa impressa. A nota técnica de 2026 resolveu isso separando idoso saudável (abaixo de 7,5%) de idoso comprometido (abaixo de 8,0%).

O Quadro 5 da Nota Técnica Conjunta nº 169/2026 tem por título metas no DM2, mas sua primeira linha é literalmente pessoa com DM1 ou DM2 e há linha própria para criança e adolescente. O conteúdo, não o título, é o que vale.

Os alvos de glicemia pré-prandial do adulto diferem por 10 mg/dL entre os dois documentos brasileiros: 70 a 130 mg/dL no PCDT de 2019 e 80 a 130 mg/dL na nota técnica de 2026. Nenhuma conduta muda com essa diferença.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Que fração da dose total diária deve ser insulina basal

40% a 60% da dose total, e metade quando a basal é NPH

O protocolo do Ministério da Saúde estabelece que a dose basal diária varie de 40% a 60% da dose total, para mimetizar a secreção endógena, e diz textualmente que a dose diária de NPH deve corresponder à metade da dose total. Ao mesmo tempo, define que o bolus idealmente corresponda a 50% ou mais da dose total.

PCDT do Diabete Melito Tipo 1, Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 17/2019 (edição de 2020), seções 9, 9.1 e 9.2

30% a 50% da dose total, com teto menor ainda no lactente

A nota técnica de 2026 recomenda que a basal represente entre 30% e 50% da dose total diária, com o restante em insulina prandial dividida antes das refeições; em lactentes, cerca de 30%; em adolescentes, 50% a 55%. E converte o excesso em critério de alerta: basal acima de 50% da dose total em criança e adolescente com DM1 é sinal de sobrebasalização, assim como HbA1c fora da meta com jejum no alvo.

Nota Técnica Conjunta nº 169/2026-DAF/SCTIE/DEPROS/SAPS/DAET/SAES/MS, anexo, item 1 e Quadro 4

Na prova

A diferença é de data e de literatura: o protocolo é de 2019 e a nota técnica de 2026 incorpora a discussão de sobrebasalização publicada depois. Enunciado que cite o PCDT, que fale em substituir NPH por análogo dentro do protocolo, ou que use o vocabulário de critérios de inclusão e manutenção, está no mundo de 2019. Enunciado que fale em transição para glargina na atenção primária, em excesso de insulina basal ou em queda noturna de glicemia como critério de alerta está no mundo de 2026. Alternativa que ofereça basal acima de 60% da dose total está fora dos dois documentos.

Meta de HbA1c da criança, do adolescente e do idoso com DM1

Criança e adolescente abaixo de 7,5%; idoso entre 7,5% e 8,5%

O quadro de metas do protocolo, construído sobre as referências disponíveis em 2019, fixa HbA1c abaixo de 7,5% para crianças e adolescentes, abaixo de 7,0% para o adulto e a faixa de 7,5% a 8,5% para o idoso, com o rodapé mandando o idoso saudável ficar abaixo de 7,5% e o idoso com múltiplas comorbidades ou dependência funcional ficar entre 8,0% e 8,5%.

PCDT do Diabete Melito Tipo 1, Quadro 1 e Tabela 1 (fontes citadas: ADA 2019 e SBD 2017-2018)

Criança e adolescente abaixo de 7,0%; idoso escalonado por funcionalidade

A nota técnica de 2026 traz metas individualizadas em que criança e adolescente aparecem com HbA1c abaixo de 7,0%, igual à do adulto com DM1 ou DM2, e o idoso é escalonado em três categorias: saudável abaixo de 7,5%, comprometido abaixo de 8,0% e muito comprometido sem alvo numérico, com o objetivo de evitar sintomas de hiper e de hipoglicemia.

Nota Técnica Conjunta nº 169/2026, anexo, Quadro 5 (adaptado das diretrizes da SBD de 2023 e 2025)

Na prova

É divergência de data, com causa declarada: as metas mais baixas para criança e adolescente acompanham a mudança das sociedades a partir do momento em que análogos e tecnologia reduziram o preço em hipoglicemia de um alvo mais apertado. O adulto com DM1 fica abaixo de 7,0% nos dois documentos, e é por isso que o alvo do adulto é o que aparece em enunciado sem contexto. Quando o enunciado nomear o PCDT ou descrever laudo para análogo de insulina, o quadro de metas em jogo é o de 2019; quando descrever avaliação na atenção primária em 2026 ou idoso frágil, é o escalonamento por funcionalidade.

Sensor de glicose para quem tem DM1

Oferecer monitorização contínua a todo adulto com DM1

A diretriz britânica atualizada em 2022 recomenda oferecer a todos os adultos com diabetes tipo 1 monitorização contínua de glicose em tempo real ou por escaneamento intermitente, escolhida conforme preferência, necessidade e características da pessoa, com suporte de equipe treinada — substituindo os critérios restritivos que existiam antes.

NICE NG17, atualização de agosto de 2022, conforme descrito por Ng SM, BMC Medicine 2023;21:295

Não incorporado ao SUS; a monitorização se faz por fitas

O Brasil avaliou o sistema flash de monitorização por escaneamento intermitente e decidiu pela não incorporação. O plenário registrou que os benefícios para os pacientes são relevantes, mas que a monitorização não é demanda desassistida, já que o SUS oferece a medição por fitas, e que os custos eram altos demais para a sustentabilidade do sistema diante da prevalência do diabetes no país.

CONITEC, Relatório de Recomendação nº 956 (dezembro de 2024) e Portaria SECTICS/MS nº 2, de 31 de janeiro de 2025

Na prova

A causa aqui é econômica e de impacto orçamentário, não de evidência: o próprio relatório brasileiro reconhece o benefício da tecnologia. O mesmo raciocínio explica a não incorporação da bomba de insulina em 2018, onde o argumento adicional foi de magnitude do efeito. Cenário de UBS, de programa do SUS ou de dispensação de insumos puxa a régua brasileira, e o insumo em jogo passa a ser a fita reagente com glicosímetro. Cenário de centro terciário, estado da arte ou menção nominal a diretriz estrangeira puxa a régua internacional. Alternativa que ofereça sensor como conduta padrão da atenção básica brasileira denuncia sozinha o recorte da questão.

Qual basal o SUS entrega primeiro no DM1

NPH primeiro, análogo prolongado só no terceiro degrau

Pelo protocolo, o análogo de ação prolongada é o último degrau: exige uso prévio de NPH com análogo de ação rápida por pelo menos três meses, mais hipoglicemia documentada ou mau controle persistente, automonitorização de pelo menos três testes diários e acompanhamento regular, tudo descrito em laudo médico. Sem isso, a basal é NPH.

PCDT do Diabete Melito Tipo 1, critérios de inclusão para análogo de ação prolongada e fluxograma do Apêndice 1

Glargina de saída na atenção primária, para duas faixas etárias

Desde junho de 2026, a glargina é dispensada no Componente Básico da Assistência Farmacêutica para crianças e adolescentes com DM1 de 2 a menos de 18 anos e para pessoas com 70 anos ou mais com DM1 ou DM2, incluindo novos diagnósticos, sem exigir os degraus anteriores nem hipoglicemia documentada. Quem já é atendido pelo Componente Especializado permanece nele.

Nota Técnica Conjunta nº 169/2026-DAF/SCTIE/DEPROS/SAPS/DAET/SAES/MS, itens 3 e 5

Na prova

As duas normas estão vigentes e não se contradizem: a de 2026 não revogou o protocolo, criou uma via paralela por faixa etária, e declara duas causas — a restrição global na produção de insulinas humanas e a maior vulnerabilidade clínica dos dois grupos. O discriminador no enunciado é a idade do paciente e o componente da assistência farmacêutica citado. Idade fora das duas faixas, ou menção a laudo e Componente Especializado, coloca a questão dentro dos degraus do PCDT.

06

Caso resolvido

Mulher de 31 anos, com DM1 há 6 anos, acompanhada na UBS, em uso de NPH 12 UI pela manhã, 6 UI no almoço e 10 UI às 22 horas, mais insulina regular antes das três refeições principais, esquema mantido há oito meses. Traz o caderno de glicemias: mede quatro vezes ao dia e registra, nas últimas seis semanas, três episódios por semana de glicemia entre 55 e 68 mg/dL com tremor e sudorese no meio da tarde, sempre depois de dias em que almoçou mais tarde. Última HbA1c de 7,4%. Não houve episódio grave nem atendimento de emergência.
achado
Paciente no primeiro degrau do protocolo — NPH com regular — há mais de três meses, com automonitorização de quatro testes diários e hipoglicemias não graves repetidas, acima do limiar de dois episódios por semana.
raciocínio
Antes de contar a hipoglicemia como gatilho, o protocolo obriga a excluir causas evitáveis, e a vinheta entrega uma: os episódios coincidem com almoço atrasado. Regular aplicada 30 minutos antes de uma refeição que não veio na hora é hipoglicemia programada, e o mesmo vale para a NPH do almoço.
conduta
Primeiro corrigir o manejo: regularizar horário das refeições, revisar os locais de aplicação e ajustar a dose nos dias de rotina diferente. Como as hipoglicemias são vespertinas e ocorrem entre refeições, cabe reduzir em 10% a 20% a última basal aplicada antes do episódio — a NPH do almoço. Manter a HbA1c em 7,4% sem hipoglicemia é objetivo razoável para reavaliar em três meses.
erro a evitar
Pedir análogo de ação prolongada agora. Além de a hipoglicemia ter causa identificada e evitável, o terceiro degrau exige três meses prévios de NPH com análogo de ação rápida — que ela nunca usou. O degrau imediatamente seguinte, se persistirem hipoglicemias após corrigir o manejo, é trocar a regular pelo análogo de ação rápida, mantendo a NPH.
07

Agora feche você

Homem de 74 anos, com DM1 de longa data, acompanhado na atenção primária, pesando 70 kg. Usa NPH 25 UI pela manhã e 15 UI às 22 horas, além de insulina regular antes das refeições. Glicemias de jejum entre 130 e 160 mg/dL, sem hipoglicemia documentada, HbA1c de 7,6%, independente para as atividades diárias e cognição preservada. A unidade passou a dispensar insulina glargina pelo Componente Básico e ele se enquadra na faixa etária elegível. A esposa pergunta se ele deve continuar aplicando a NPH da manhã para não descompensar.
achado
Idoso saudável com DM1, elegível à estratégia de transição por ter 70 anos ou mais, em uso de NPH duas vezes ao dia, somando 40 UI de basal por dia.
regra aplicável
Quem vinha de NPH em duas ou mais aplicações converte com redução de aproximadamente 20% da dose total diária prévia, em dose única de glargina, preferencialmente no horário da maior dose anterior.
conduta
08

Onde a banca derruba

  1. 1Manter a NPH ao começar a glargina Atrai porque parece prudente não retirar de uma vez o que já funcionava, e porque o paciente costuma pedir isso. Mas as duas são insulinas basais: somá-las dobra o componente de fundo e produz hipoglicemia grave. A norma é explícita — ao receber a glargina, o paciente deixa de receber a NPH.
  2. 2Pular do primeiro degrau direto para o análogo de ação prolongada Atrai porque a hipoglicemia documentada, que é o gatilho, aparece igual nos dois degraus. O que muda é o pré-requisito: o análogo prolongado exige três meses prévios de NPH com análogo de ação rápida. Quem está em NPH com regular e hipoglicemia sobe para o segundo degrau, não para o terceiro.
  3. 3Contar como gatilho a hipoglicemia que tem causa evitável Atrai porque o número de episódios bate com o critério. O protocolo manda excluir antes refeição reduzida ou atrasada sem ajuste de dose, exercício sem redução da insulina, rodízio inadequado dos locais de aplicação, dose excessiva e uso de álcool. Hipoglicemia explicada não abre porta para troca de insulina.
  4. 4Aumentar a basal para corrigir a glicemia depois das refeições Atrai porque a HbA1c está alta e a basal é a dose mais fácil de mexer. É sobrebasalização, e ela tem sinais próprios: HbA1c fora da meta com a glicemia de jejum já no alvo, hipoglicemias, e queda expressiva entre o horário de dormir e o despertar. Nessa situação a conduta é reavaliar o esquema e reforçar o bolus prandial, não subir mais a basal.
  5. 5Deixar a última NPH no jantar Atrai pela conveniência de aplicar junto com o bolus da refeição. O pico da NPH cai na madrugada, causando hipoglicemia noturna, e a ação se esgota no amanhecer, quando a resistência é maior — hipoglicemia às 3 horas e hiperglicemia de jejum no mesmo paciente. A última dose vai por volta das 22 horas, ou cerca de 8 horas antes do despertar.
  6. 6Prometer sensor de glicose ao paciente do SUS Atrai porque a tecnologia é padrão em diretriz estrangeira e comum no consultório privado. No SUS, o sistema flash teve a não incorporação publicada em janeiro de 2025 e a bomba de insulina, em 2018. O que o serviço fornece é glicosímetro e fitas, com pelo menos três a quatro testes por dia.
  7. 7Tratar o adulto magro com hiperglicemia grave como DM2 Atrai pela estatística: a maioria do diabetes do adulto é tipo 2. Mas o traço que define o DM1 é a tendência à hiperglicemia grave e à cetoacidose, e ele pode se manifestar em qualquer idade. Perda de peso rápida com poliúria e glicemia muito alta pede insulina imediata, e a investigação de LADA pede peptídeo C com pelo menos um autoanticorpo.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Correta: o quadro (jovem magro, perda ponderal, sintomas de hiperglicemia acentuada, anti-GAD positivo e peptídeo C baixo) confirma diabetes mellitus tipo 1, cujo tratamento de escolha é a insulinoterapia plena em esquema basal-bolus, pois há deficiência absoluta de insulina. A metformina, sulfonilureia e SGLT2 Inadequados: dependem de função residual de células beta, ausente aqui, e sulfonilureia/SGLT2 podem precipitar CAD. O análogo de GLP-1 não substitui a insulina no DM1 e não trata a deficiência absoluta. A insulina é imprescindível e insubstituível no DM1.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Os três degraus do PCDT na ordem (NPH com regular, NPH com análogo rápido, análogo prolongado com análogo rápido), os quatro gatilhos que autorizam subir, a dose total diária do adulto após remissão parcial (0,7 a 1,0 UI/kg/dia) e as duas regras de conversão da NPH para glargina (1:1 se era uma vez ao dia; menos 20% se era duas ou mais).

em 30 dias

As contas de bolus: correção igual a glicemia atual menos objetivo, dividido pelo fator de correção; prandial igual a gramas de carboidrato dividido pela relação carboidrato/insulina; as duas somadas e aplicadas juntas. Mais as faixas do adulto (fator de correção 40 a 60, relação 10 a 20 g por unidade), a meta de HbA1c abaixo de 7,0%, a regra de nunca associar duas basais e o que o SUS não fornece — sensor e bomba.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Rapaz de 23 anos chega à UBS com três semanas de sede intensa, urinando várias vezes à noite e 8 kg de perda de peso, sem febre. Está lúcido, magro, com mucosas secas; glicemia capilar de 402 mg/dL e cetonúria de uma cruz, sem taquipneia. Conduza o atendimento: confirme o tipo de diabetes, defina o esquema inicial de insulina com dose calculada pelo peso e explique à família o que o SUS fornece e com que frequência ele deve medir a glicemia. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.