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Clínica MédicaEndocrinologia

Doenças da hipófise

Acromegalia, diabete insípido central e hipopituitarismo: três protocolos federais e os cortes que a prova copia deles

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Um homem de 30 anos procura a UBS por cefaleia, aumento das mãos e dos pés (trocou de número de calçado), alargamento dos traços faciais e prognatismo percebidos pela família nos últimos anos. Refere também sudorese excessiva e artralgias. Ao exame: PA 150x94 mmHg, macroglossia, espessamento cutâneo, aumento de partes moles. Exames: glicemia de jejum 138 mg/dL, IGF-1 elevado para a idade e GH que não suprime adequadamente após sobrecarga oral de glicose. Assinale o diagnóstico e o exame de imagem indicado a seguir, respectivamente.

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Como esse tema cai

A hipófise entra na prova de residência por três portas, e cada uma delas tem protocolo federal vigente com números fechados: acromegalia, diabete insípido central e deficiência de hormônio de crescimento, que é como o Ministério da Saúde nomeia o hipopituitarismo. Isso é incomum em endocrinologia, onde boa parte dos temas não tem PCDT e a régua acaba sendo de sociedade. Aqui os três documentos existem, dois deles foram reescritos em 2025, e a alternativa correta costuma ser uma frase copiada de um deles.

A vinheta quase nunca pede o diagnóstico. Ela entrega o fenótipo pronto — mãos que cresceram, poliúria que começou depois da cirurgia de sela, criança que saiu do canal de crescimento — e pergunta outra coisa: qual exame abre a investigação, qual corte confirma, qual resultado dispensa o teste seguinte e o que fazer quando o mesmo número volta a aparecer com outro papel. É por isso que a peça central deste capítulo é a tabela de cortes por momento, e não uma lista de sinais clínicos.

O recorte é estreito de propósito. Prolactinoma aparece aqui só como tumor coprodutor que muda a escolha do medicamento na acromegalia; a investigação de hiperprolactinemia por amenorreia e galactorreia, com os cortes de 40 e de 100 ng/mL, está no capítulo de fisiologia do ciclo menstrual. O padrão laboratorial do hipotireoidismo central — T4 livre baixo com TSH normal ou baixo — e a ordem corticoide antes de levotiroxina estão no capítulo de Hipotireoidismo. Hiponatremia, secreção inapropriada de hormônio antidiurético e velocidade de correção do sódio estão em Distúrbios do sódio, onde a desmopressina aparece com papel oposto ao deste capítulo: lá ela é freio de uma correção rápida demais, aqui é reposição vitalícia. Apoplexia hipofisária como causa de cefaleia em trovoada está em Cefaleias secundárias.

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O que muda decisão

Três doenças, três protocolos, e a data de cada um

O primeiro passo é saber qual documento responde por qual doença, porque enunciado que diz segundo o Ministério da Saúde tem, nestes três temas, uma resposta verificável. A acromegalia é regida pelo PCDT aprovado pela Portaria Conjunta SAES/sectics nº 23, de 22 de outubro de 2025, que revogou expressamente o protocolo de 2019. O diabete insípido é regido pelo PCDT da Portaria Conjunta SAES/sectics nº 17, de 5 de agosto de 2025. O hipopituitarismo é regido pelo PCDT da Deficiência do Hormônio de Crescimento, aprovado pela Portaria Conjunta SAS/SCTIE nº 28, de 30 de novembro de 2018, que revogou a portaria de 2010 e é, dos três, o mais antigo em vigor.

Os códigos da CID-10 aparecem nos próprios protocolos e vale guardá-los porque a prova às vezes usa o código no lugar do nome: E22.0 para acromegalia e gigantismo hipofisário, E23.2 para diabete insípido e E23.0 para hipopituitarismo.

Há um limite de escopo declarado que muda resposta. O PCDT do diabete insípido cobre o DI central e o gestacional e diz, com todas as letras, que o DI renal não será abordado por se tratar de doença decorrente da resistência renal à ação da vasopressina. Ou seja: o diagnóstico diferencial entre central e nefrogênico está no documento, porque é preciso para tipar a síndrome, mas o tratamento do nefrogênico não está. Uma alternativa que ofereça desmopressina para DI nefrogênico erra por dois motivos ao mesmo tempo — o medicamento não funciona onde o receptor não responde, e o protocolo nem sequer trata daquela doença.

Uma observação de nomenclatura, que é rótulo e não conduta. O protocolo de 2025 usa em paralelo os nomes antigos e os novos: deficiência de arginina-vasopressina, abreviada AVP-D, para o que se chamava DI central, neuro-hipofisário ou neurogênico; e resistência à arginina-vasopressina, AVP-R, para o que se chamava DI renal ou nefrogênico. Os dois conjuntos de nomes aparecem no mesmo documento e apontam para as mesmas condutas. Se a vinheta usar AVP-D, ela está falando do diabete insípido central.

Por fim, o acesso. Os três protocolos mandam verificar na RENAME vigente em qual componente da Assistência Farmacêutica está cada medicamento, sem nomeá-lo. Na RENAME 2024 todos eles estão no Componente Especializado: desmopressina em spray nasal de 0,1 mg/mL e em comprimidos de 0,1 e 0,2 mg, somatropina, octreotida, lanreotida, cabergolina e pamoato de pasireotida. Nenhum é do Componente Básico.

Quadro comparativo de três colunas com acromegalia, diabete insípido central e hipopituitarismo, cada um com seu código CID-10, a portaria que o rege e três pontos-chave, e uma faixa inferior avisando que o diabete insípido renal está fora do escopo do protocolo.
Nestes três temas, dizer segundo o Ministério da Saúde é uma afirmação verificável: existe protocolo federal vigente para cada um, e dois deles são de 2025.

Acromegalia: quem abre a investigação é o IGF-I

Cerca de 98% dos casos de acromegalia vêm de um adenoma hipofisário secretor de GH, o somatotropinoma, e mais de 70% desses tumores são macroadenomas, isto é, têm 1 cm ou mais. Os 2% restantes vêm de hipersecreção de GHRH, no próprio hipotálamo ou de origem ectópica — carcinoide brônquico e tumor de ilhota pancreática são os exemplos que o protocolo cita. Secreção ectópica do próprio GH é descrita como extremamente rara. Quando a doença começa antes do fechamento das placas epifisárias, chama-se gigantismo hipofisário; cerca de 10% dos pacientes com acromegalia têm alta estatura, o que indica início antes desse fechamento.

A doença é insidiosa e o atraso diagnóstico é de 7 a 10 anos. A prevalência descrita varia de 2,8 a 13,7 casos por 100.000 habitantes, com incidência anual de 0,2 a 1,17 por 100.000 pessoas. Hipertensão arterial aparece em até 30% dos pacientes, e o cortejo de comorbidades inclui diabete melito, apneia do sono, cardiopatia com hipertrofia de ventrículo esquerdo, artropatia, fraturas vertebrais e síndrome do túnel do carpo.

O ponto que a prova mais explora é o exame de entrada. A dosagem sérica de IGF-I é o melhor teste inicial para o rastreamento diagnóstico. A dosagem isolada de GH tem pouca utilidade, e o motivo é fisiológico: a secreção de GH é pulsátil e sobe em resposta a estímulos normais. Além disso, a concentração de GH é alterada por arginina, contraceptivos orais e esteroides, e por doenças como diabete melito descompensado, hepatopatia e desnutrição. Uma alternativa que proponha GH basal como rastreamento está errada mesmo quando o resto da frase está certo.

Existe, porém, um uso legítimo do GH basal, e é no sentido oposto: um valor muito baixo, abaixo de 0,4 ng/mL por método ultrassensível, exclui o diagnóstico, especialmente se vier acompanhado de IGF-I normal. Guarde a direção — o GH basal não serve para achar a doença, serve para descartá-la.

A confirmação, quando necessária, é feita pela dosagem de GH após sobrecarga de glicose: 75 g de glicose anidra por via oral, com GH dosado antes e aos 30, 60, 90 e 120 minutos. Em indivíduos saudáveis a concentração cai abaixo de 0,4 ng/mL em pelo menos uma das dosagens; não cair é a ausência de supressão fisiológica que sugere secreção desregulada. Paciente com diagnóstico de diabete melito não deve ser submetido à sobrecarga; nele, IGF-I alto com GH basal acima de 0,4 ng/mL por método ultrassensível, na vigência de hiperglicemia, resolve o diagnóstico laboratorial.

E há um atalho que aparece com frequência nas questões novas: em paciente com apresentação clínica sugestiva e IGF-I mais de 30% acima do limite superior de referência — ou seja, acima de 1,3 vez esse limite —, a supressão do GH não é necessária. Clínica típica com IGF-I muito alto já fecha. Repare que os valores de referência do IGF-I variam com idade, índice de massa corporal e método, e por isso o protocolo insiste que diagnóstico e seguimento usem o mesmo método de dosagem.

Acromegalia: a imagem, os outros eixos e o que mais pedir

Como a causa é hipofisária em 98% dos casos, todos os pacientes devem fazer ressonância magnética de sela túrcica; havendo contraindicação, tomografia. Nos raros casos com diagnóstico clínico e laboratorial fechado e sela sem adenoma, procuram-se tumores ectópicos produtores de GH ou de GHRH, e o caminho é tomografia de tórax e de abdome. Essa sequência — sela primeiro, tórax e abdome só se a sela vier limpa — é um item de prova por si só.

A função adeno-hipofisária tem de ser avaliada junto, porque o macroadenoma comprime o que está ao redor. Dosam-se cortisol, TSH, T4 livre, prolactina, LH e FSH. Homens acrescentam testosterona total. Mulheres com ciclo menstrual irregular ou na pós-menopausa acrescentam estradiol, LH e FSH; mulheres com ciclo regular não precisam dosar gonadotrofinas e estradiol — o ciclo regular já é o teste funcional do eixo.

Um grupo significativo de pacientes chega ao diagnóstico pela hiperprolactinemia associada: alterações menstruais e galactorreia na mulher, e impotência, sintomas de hipogonadismo e galactorreia no homem. Prolactina alta na acromegalia não é um segundo diagnóstico — pode ser tumor misto coprodutor de GH e prolactina, e isso vai mudar a escolha do medicamento mais adiante.

Campimetria visual manual está indicada em quem tem queixa visual ou tumor em contato com o nervo óptico na ressonância. Os demais exames são individualizados conforme a suspeita de complicação: ecocardiografia, tomografia de seios da face, radiografia de coluna, polissonografia e colonoscopia, esta última porque há sugestão de aumento da incidência de neoplasia de cólon, associação que o próprio protocolo classifica como ainda controversa. A tireoide deve ser palpada no exame clínico, e havendo nódulo palpável pede-se ultrassonografia.

Acromegalia: cirurgia primeiro, e as exceções que o protocolo nomeia

O tratamento primário da maioria dos pacientes é cirúrgico, por via transesfenoidal, endoscópica ou microscópica. A cirurgia é também o tratamento inicial obrigatório quando há sintoma compressivo, em especial compressão do quiasma óptico com perda de campo visual. As taxas de normalização do IGF-I descritas são de 75% a 95% em microadenomas e de 40% a 68% em macroadenomas não invasivos. Um estudo brasileiro em série com 84% de macroadenomas encontrou remissão em 45% dos casos — 56% nos tumores não invasivos e 19% nos invasivos —, e a invasão de seio cavernoso foi o único preditor pré-operatório de remissão. Classificação de Knosp graus 3 ou 4 e IGF-I pré-operatório elevado apontam pior prognóstico cirúrgico.

As complicações cirúrgicas que o protocolo lista são fístula liquórica, infecções como meningite e sinusite, hipopituitarismo e deficiência transitória de vasopressina. Guarde essa última: o diabete insípido do pós-operatório de sela costuma ser transitório, e é a ponte entre as duas primeiras partes deste capítulo. A mortalidade da cirurgia transesfenoidal feita por neurocirurgião experiente é inferior a 1%. Tratamento pré-operatório com análogos da somatostatina não é preconizado.

O medicamento entra como tratamento primário em duas situações nomeadas. Análogos da somatostatina de primeira geração — octreotida e lanreotida — são tratamento primário apenas em quem tem contraindicação cirúrgica ou baixa probabilidade de benefício com a cirurgia, por tumores invasivos predominantemente de seios cavernosos, e desde que não haja risco de perda visual por extensão supra-selar. Essa última condição é a que a prova esconde: extensão supra-selar com risco visual manda para a mesa, não para a injeção.

Cabergolina é tratamento primário em duas hipóteses: adenomas coprodutores de prolactina e GH, ou tumores não invasivos com níveis pouco elevados de GH e IGF-I, definidos como menores que 1,5 vez o limite superior da normalidade para a idade. É a única opção oral do protocolo, titulada até 2 a 3 mg por semana.

Como tratamento complementar, a sequência é escalonada. Três meses após a cirurgia, se o IGF-I continua elevado, entram octreotida ou lanreotida. Três meses após o uso regular desses análogos, se houve redução sem normalização, associa-se cabergolina. Pasireotida — análogo de segunda geração — exige idade a partir de 12 anos e tumor remanescente após cirurgia demonstrado em imagem, sem resposta a octreotida ou lanreotida, associados ou não à cabergolina; e é vetada em quem tem diabete melito não controlado, definido no critério de exclusão como hemoglobina glicada acima de 8%. A dose inicial é de 40 mg intramuscular a cada quatro semanas, podendo chegar a 60 mg.

A radioterapia é terapia de segunda ou terceira linha, para contraindicação cirúrgica, lesões irressecáveis ou doença resistente. A convencional usa dose total de 40 a 45 Gy fracionada em pelo menos 20 sessões, e o controle hormonal ocorre em 50% a 60% dos pacientes em 5 a 10 anos e em 65% a 87% em 15 anos — o efeito depende do tempo. O preço é alto: hipopituitarismo em 30% a 80% dos irradiados pela técnica convencional, e de 10% a 50% após 5 anos com radiocirurgia estereotáxica, cuja cura bioquímica é de 40% a 60% em 5 anos.

Uma ausência que também é conteúdo: o pegvisomanto, antagonista do receptor de GH, não é recomendado por este protocolo. A Conitec avaliou a incorporação e recomendou não incorporar, por razão de custo-efetividade incremental elevada. O detalhe está no bloco de divergências, porque diretrizes clínicas o recomendam para quem não responde aos análogos.

Acromegalia: o que conta como controlado, e o número que troca de papel

O acompanhamento é para a vida toda, com avaliação clínica e laboratorial trimestral no primeiro ano e anual depois. A resposta ao tratamento cirúrgico é medida com IGF-I e GH após sobrecarga de glicose, de 3 a 6 meses depois do procedimento; em quem tem diabete, com IGF-I e GH basal por método ultrassensível, sem sobrecarga.

O critério clássico de doença controlada combina duas coisas: IGF-I dentro do normal para sexo e idade e nadir de GH após sobrecarga abaixo de 1 ng/mL. Para o pós-operatório de 3 a 6 meses, o protocolo sugere um corte mais exigente para chamar de cura: supressão do GH abaixo de 0,4 ng/mL com ensaios ultrassensíveis.

Aqui está a armadilha aritmética do tema. O valor 0,4 ng/mL aparece três vezes com três papéis: como GH basal que exclui a doença, como limiar de supressão fisiológica no teste diagnóstico e como corte de cura no pós-operatório. E o valor 1,0 ng/mL aparece duas vezes: como nadir que define controle e como GH basal considerado normal no monitoramento. Não são números intercambiáveis — cada um só vale no seu momento. Errar o par momento-corte é o modo mais comum de perder a questão.

No paciente em uso de análogo da somatostatina ou de agonista dopaminérgico, a dosagem de GH após sobrecarga de glicose não é útil para monitorar a resposta; usam-se IGF-I e GH. É uma regra que a prova gosta de inverter na alternativa.

No seguimento clínico, o IGF-I reflete a atividade da doença mas sofre variabilidade pré-analítica e analítica. Consideram-se controlados os pacientes com valores normais ou, ainda que não seja consenso, levemente aumentados, na faixa de 1,2 a 1,3 vez o limite superior da normalidade, conforme o cenário clínico. Note a coincidência que não é coincidência: 1,3 vez o limite superior dispensa o teste de supressão no diagnóstico e é aceito como controle no seguimento. O número é o mesmo, o papel é oposto, e é justamente por isso que ele aparece em distratores.

A discordância entre GH e IGF-I ocorre em cerca de 25% dos pacientes e está associada ao uso de ensaios ultrassensíveis de GH e ao tratamento com análogos; nesses casos o julgamento clínico norteia a conduta. A ressonância de controle é feita no mínimo 3 meses depois da cirurgia, e depois conforme a resposta, sendo repetida sempre que houver sinal clínico ou laboratorial de recorrência.

Entre os eventos adversos, o mais cobrado é a litíase biliar, que ocorre em até 20% dos pacientes em uso de análogos da somatostatina e raramente causa colecistite; o protocolo diz expressamente que não há necessidade de ultrassonografia de rotina para rastreá-la. Desconforto e cólicas abdominais são comuns no início e melhoram em torno de 8 a 10 semanas. Em mulheres que engravidam durante o tratamento, o análogo da somatostatina deve ser suspenso.

Diabete insípido: antes de tipar, prove que a poliúria é hipotônica

A primeira manifestação costuma ser a noctúria, porque a capacidade de concentrar a urina se perde primeiro à noite; depois vêm poliúria e polidipsia. Em lactentes e pré-escolares o quadro é outro: atraso de crescimento, vômitos, dificuldade de alimentação, febre de origem indeterminada, letargia, irritabilidade, enurese, desidratação e distúrbios eletrolíticos. O déficit pôndero-estatural é frequente porque a criança prefere água à refeição.

Poliúria em adolescentes e adultos é volume urinário acima de 3 litros em 24 horas, ou acima de 40 mL/kg/dia. Em crianças o corte muda com a idade: acima de 150 mL/kg/dia ao nascimento, acima de 100 mL/kg/dia até os 2 anos e acima de 50 mL/kg/dia acima de 2 anos. O protocolo também expressa os mesmos limiares por hora — 6, 4 e 2 mL/kg/hora, respectivamente —, e as duas colunas se conferem: dividir por 24 devolve 6,25, 4,17 e 2,08 mL/kg/hora, arredondados no documento para 6, 4 e 2. O volume pode chegar a 18 litros em 24 horas.

A abordagem tem três etapas, e a prova cobra a ordem: confirmar que a poliúria é hipotônica; diagnosticar o tipo de síndrome poliúria-polidipsia; identificar a etiologia. Pular a primeira etapa é o erro clássico, porque o diferencial mais comum não é outro tipo de DI, é diurese osmótica — e a causa mais frequente de diurese osmótica é o diabete melito, pela ação osmótica da glicose na urina.

Antes de qualquer teste dinâmico, portanto, dosam-se glicemia, ureia, creatinina, cálcio, potássio e sódio séricos e as osmolaridades sérica e urinária, para afastar diabete melito, insuficiência renal e DI nefrogênico induzido por hipercalcemia ou hipocalemia. Também é obrigatório descartar medicamentos que causam poliúria — diuréticos e inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2. Para leitura desses exames, o protocolo fixa que sódio sérico baixo é aquele abaixo de 135 mmol/L e osmolalidade baixa é abaixo de 280 mOsm/kg, sendo a faixa normal do fluido extracelular de 275 a 295 mOsm/kg.

O outro diferencial é a polidipsia primária, ou psicogênica, em que o distúrbio inicial é a ingestão excessiva de líquidos, com secreção de vasopressina preservada e resposta renal apropriada. Ocorre sobretudo em pacientes com transtornos psiquiátricos e, raramente, em lesões hipotalâmicas que afetam o centro da sede.

As etiologias do DI central mais frequentes são a idiopática e as associadas a trauma, cirurgia, tumores da região hipotalâmica — disgerminoma, craniofaringioma e histiocitose de células de Langerhans são os nomeados —, encefalopatia hipóxico-isquêmica, doenças inflamatórias, autoimunes ou vasculares e malformações cerebrais. As formas congênitas são raras. Do lado renal, as adquiridas vêm de lítio, hipercalcemia, hipocalemia, lesões infiltrativas e distúrbios vasculares. E há o DI gestacional, causado pelo aumento da degradação da vasopressina pela vasopressinase produzida pelos trofoblastos placentários: forma rara e transitória, mais comum no terceiro trimestre, que se resolve alguns dias após o parto.

Um ponto de fisiologia com consequência de prova: a maioria dos pacientes com deficiência de vasopressina mantém intacta a capacidade de regular a sede, e por isso, mesmo sem tratamento, costuma apresentar sódio normal. A hipernatremia grave aparece quando falta acesso livre à água — paciente sedado, por exemplo — ou quando a lesão hipotalâmica atinge o centro da sede. Esperar hipernatremia em todo DI central é errar o mecanismo.

Fluxograma em três etapas: confirmar que a poliúria é hipotônica excluindo diurese osmótica e medicamentos, tipar a síndrome com teste de restrição hídrica e desmopressina, com destaque para a zona de sobreposição entre as formas parciais, e investigar a etiologia com ressonância em todos os casos centrais.
As faixas de resposta ao DDAVP separam bem as formas completas e se sobrepõem nas parciais. Quando a porcentagem não decide, decide o valor absoluto da osmolalidade urinária.

O teste de restrição hídrica: onde parar e o que o número quer dizer

O teste se apoia num princípio simples: em quem tem hipófise posterior e rim normais, a desidratação eleva a osmolalidade plasmática, isso estimula a liberação de vasopressina, o rim reabsorve água e a urina concentra. O protocolo sugere internação para realizá-lo, pelo risco de desidratação e de distúrbio hidroeletrolítico grave, e registra que uma privação de 7 horas geralmente é suficiente.

Os critérios de interrupção no adulto são quatro: sódio sérico acima de 145 mEq/L; osmolalidade urinária atingindo o intervalo de referência normal; osmolalidade urinária estável em duas ou três medidas horárias consecutivas, mesmo com a osmolalidade plasmática subindo; ou osmolalidade plasmática acima de 295 a 300 mOsm/kg. Na criança há um critério a mais, e é o que costuma cair: perda de 3% a 5% do peso corporal ou sinais clínicos de depleção de volume interrompem o teste, além dos mesmos limiares de sódio e osmolalidade do adulto.

A leitura da osmolalidade urinária tem dois marcos. Valores acima de 600 mOsm/kg indicam produção e ação adequadas do hormônio antidiurético; valores acima de 800 mOsm/kg afastam com grande grau de certeza o diagnóstico de diabete insípido. No DI, central ou nefrogênico, a urina não concentra apesar da privação e a excreção de urina hipotônica persiste.

Terminada a privação, entra a desmopressina para separar central de nefrogênico. A dose é de 10 mcg por via nasal ou 4 mcg por via subcutânea em adolescentes e adultos, e de 5 a 10 mcg nasal ou 1 mcg subcutâneo em crianças. É importante esvaziar completamente a bexiga no momento da administração, senão a variação medida não é real. Depois, medem-se osmolalidade e volume urinários a cada 30 minutos por 2 horas; ao fim, o teste é encerrado e o paciente pode beber livremente.

As faixas de aumento da osmolalidade urinária após a desmopressina são: cerca de 100% no DI central completo; 15% a 50% no DI central parcial; 10% a 45% no DI renal parcial; e menos de 10% no DI renal completo. Repare que as duas faixas parciais se sobrepõem quase inteiramente, e o próprio protocolo reconhece que existe uma faixa de resposta em que o resultado não diferencia central de renal nas formas parciais. O desempate é o valor absoluto: pacientes com DI central geralmente ultrapassam 300 mOsm/kg após a desmopressina, enquanto o nefrogênico dificilmente chega a esses níveis, mesmo apresentando alguma elevação.

A história também ajuda a tipar. No DI renal hereditário, a manifestação aparece já na primeira semana de vida; no central hereditário, na infância após o primeiro ano ou na adolescência. No adulto, o início costuma ser súbito no central e insidioso no renal. E, quando a suspeita é de DI nefrogênico em recém-nascidos e lactentes, o teste diagnóstico de escolha é o DDAVP na dose de 1 mcg por via subcutânea ou intravenosa em 20 minutos, com dose máxima de 0,4 mcg/kg.

O critério de inclusão do protocolo — o parágrafo que a prova copia

Para entrar no protocolo e receber desmopressina pelo SUS, o paciente precisa preencher dois critérios, e vale ler devagar porque o segundo tem três exigências dentro dele.

O primeiro é a poliúria: volume urinário superior a 3 litros, ou mais de 40 mL/kg, em 24 horas em adolescentes e adultos; em pediatria, os cortes por idade já vistos. O segundo é a resposta à administração de desmopressina na vigência de osmolalidade plasmática acima de 295 mOsm/kg ou sódio plasmático acima de 145 mEq/L, com aumento na osmolalidade urinária acima de 15% e osmolalidade urinária acima de 300 mOsm/kg.

Os três componentes do segundo critério cumprem funções diferentes e é isso que o distrator explora. A condição de osmolalidade plasmática alta ou sódio alto garante que o estímulo endógeno para secretar vasopressina estava presente — sem isso, uma resposta ao DDAVP não prova nada. O aumento acima de 15% é o critério relativo. A osmolalidade urinária acima de 300 mOsm/kg é o critério absoluto, aquele que separa a forma central da renal parcial quando a porcentagem não separa. Precisam estar os três.

O critério de exclusão é curto: resistência, hipersensibilidade ou intolerância à desmopressina.

Neonatos e lactentes têm regra própria, e ela dispensa provar a poliúria. O motivo é prático: a diurese é aferida por pesagem de fraldas, que mistura fezes e urina e não permite medida confiável. Nessa faixa, o diagnóstico é feito com hipernatremia — sódio maior ou igual a 146 mEq/L — associada a osmolalidade urinária inapropriadamente baixa, menor que 300 mOsm/kg, com resposta positiva ao DDAVP, definida como osmolalidade urinária maior que 750 mOsm/kg. Note que aqui o corte de sódio é 146 e não 145, e que o limiar de resposta é 750 e não 300.

Todos os pacientes com diagnóstico de DI central devem fazer ressonância magnética da região hipotálamo-hipofisária, para investigação etiológica e para afastar tumor. O achado radiológico associado é a ausência do brilho da hipófise posterior nas imagens ponderadas em T1.

Por fim, a copeptina — porção C-terminal do precursor da vasopressina, liberada em quantidades iguais às dela. É um marcador promissor e aparece com frequência em enunciados novos, mas este protocolo declara que a dosagem de copeptina não é recomendada, porque não há valores de referência consolidados na literatura, principalmente em crianças. Em prova brasileira, a resposta segue sendo restrição hídrica mais desmopressina. A discussão está no bloco de divergências.

Desmopressina: a via muda a dose em uma ordem de grandeza

A desmopressina é um análogo sintético da vasopressina que age especificamente no receptor V2, com meia-vida de 6 a 8 horas, maior potência antidiurética e menor efeito pressórico que o hormônio nativo. É o tratamento padrão do DI central desde 1972, e é também a escolha no DI gestacional, porque o peptídeo resiste à ação das vasopressinases placentárias.

As apresentações mudam o passo da titulação, e isso cai. O spray nasal entrega jatos fixos de 10 mcg, permitindo apenas múltiplos de 10 — 10, 20, 30 mcg. A solução nasal, aplicada por túbulo plástico, permite múltiplos de 5 — 5, 10, 15, 20 mcg —, o que a torna mais adequada a pacientes pediátricos. A dose inicial nasal é de 10 mcg em adultos e adolescentes e de 5 mcg em crianças, administrada à noite, com incremento individualizado. Em neonatos e lactentes, a dose inicial intranasal é de 2,5 mcg, e prematuros ou recém-nascidos de baixo peso podem precisar de menos. A manutenção é de 5 a 20 mcg uma a três vezes ao dia com a solução, e de 10 a 20 mcg uma a três vezes ao dia com o spray.

A via oral existe em comprimidos de 0,1 e 0,2 mg e tem potência cerca de 10 a 20 vezes menor que a nasal, porque apenas 5% é absorvido pelo trato digestivo. A dose inicial oral é de 0,05 a 0,1 mg e a manutenção varia de 0,1 a 1,2 mg/dia, divididos em duas a três administrações. Faça a conta e a razão fecha: 10 mcg nasais equivalem a 0,1 mg orais, que são 100 mcg — dez vezes mais; e o teto oral de 1,2 mg/dia contra os 60 mcg/dia do teto nasal dá vinte vezes. É por isso que trocar a via mantendo o número é erro grave. Não existe correlação de dose validada entre as vias: na troca, titula-se de novo, com controle clínico da diurese, da ingestão hídrica e dos eletrólitos.

Duas orientações não medicamentosas valem alternativa. A primeira: o paciente deve evitar ingerir líquidos por qualquer razão que não seja saciar a sede, porque, sob desmopressina, ele não consegue aumentar rapidamente o débito urinário e pode sofrer intoxicação hídrica. A segunda, complementar: deve-se evitar reduzir o débito urinário abaixo do normal, que o protocolo situa entre 15 e 30 mL/kg/dia. Para desidratação grave, usam-se soluções hipotônicas — água ou leite por via enteral, ou glicose a 5% em água por via intravenosa —, ajustadas para exceder a produção horária de urina; e, pela associação entre desidratação hipernatrêmica e estados hipercoaguláveis, com trombose venosa e embolia pulmonar, sobretudo em imobilizados, a heparina de baixo peso molecular profilática subcutânea é considerada vital até a eunatremia.

O evento adverso que decide questão é a hiponatremia, consequência direta da retenção hídrica: ganho de peso, edema, e nos casos graves edema cerebral, encefalopatia hiponatrêmica, convulsão e coma. Por isso o alvo laboratorial do seguimento é sódio plasmático entre 137 e 145 mEq/L. Sugere-se iniciar o tratamento e definir a posologia com o paciente internado, com controle diário de volume urinário e de natremia; estabilizado, o acompanhamento passa a ambulatorial, com avaliação clínica e sódio plasmático a cada 6 a 12 meses, podendo ser anual em quem já está estável. Clinicamente, o parâmetro é o controle da noctúria e do volume urinário ao longo do dia.

O tratamento do DI central é para a vida toda: suspender a desmopressina expõe o paciente a risco. Na gestante com DI gestacional, trata-se ao longo da gestação até a normalização e reavalia-se após o parto, para definir se a desmopressina continua sendo necessária.

Hipopituitarismo: o corte diagnóstico é 5, e o corte que libera o tratamento é 3

O protocolo federal do hipopituitarismo é, na prática, o da deficiência de hormônio de crescimento, e responde pelo CID E23.0. A deficiência pode ser congênita ou adquirida, e as causas adquiridas são as que aparecem nas vinhetas: tumores e doenças infiltrativas da região hipotálamo-hipofisária, cirurgia de lesão hipofisária, trauma, infecções, infarto hipofisário e radioterapia craniana. Ela pode ser isolada ou vir acompanhada de outras deficiências hipofisárias, e essa distinção muda o número de testes exigidos.

Na criança, a investigação está indicada em seis situações: estatura inferior a 3 desvios-padrão da curva da Organização Mundial da Saúde; estatura entre 2 e 3 desvios-padrão abaixo do previsto para idade e sexo associada a velocidade de crescimento abaixo do percentil 25; estatura acima de menos 2 desvios-padrão mas com velocidade de crescimento abaixo de menos 1 desvio-padrão em 12 meses; presença de condição predisponente, como lesão intracraniana ou irradiação do sistema nervoso central; deficiência de outros hormônios hipofisários; e sinais neonatais de hipopituitarismo — hipoglicemia, icterícia prolongada, micropênis e defeitos de linha média.

O IGF-1 isolado tem baixa especificidade, mas serve muito bem numa direção: valores acima da média para idade e sexo são forte evidência contra o diagnóstico. A confirmação é feita por testes provocativos da secreção de GH — insulina, clonidina, levodopa, glucagon —, e o ponto de corte é pico de GH inferior a 5 ng/mL pelas técnicas com anticorpos monoclonais. O teste de hipoglicemia insulínica não deve ser realizado em crianças com história de convulsões, cardiopatias ou com menos de 20 kg.

A regra de quantos testes é item de prova direto. Na suspeita de deficiência isolada de GH, são necessários dois testes provocativos. Em quem tem lesão anatômica ou defeito da região hipotálamo-hipofisária, história de radioterapia ou deficiência associada de outros hormônios hipofisários, um único teste basta. E há situações em que se dispensa o teste de estímulo: critérios auxológicos compatíveis somados a defeito anatômico, tumor ou irradiação e uma deficiência hormonal adicional; e hipopituitarismo congênito, com GH abaixo de 5 mcg/L colhido em vigência de hipoglicemia mais uma deficiência adicional ou alteração clássica de imagem. Uma condição atravessa todas: se houver deficiência de outros hormônios hipofisários, eles precisam estar adequadamente repostos antes do teste.

No período pré-puberal ou puberal inicial os testes podem ser falsamente negativos, por falta de estímulo endógeno. Para separar deficiência verdadeira de retardo constitucional do crescimento e da puberdade, usa-se priming com esteroides sexuais: em meninas a partir de 10 anos e abaixo de M3 e P3 de Tanner, beta-estradiol 1 mg se peso menor que 20 kg ou 2 mg se maior, por via oral, em duas doses nas duas noites anteriores ao teste; em meninos a partir de 11 anos e abaixo de P3, cipionato de testosterona 50 a 100 mg intramuscular uma semana antes. O protocolo registra que não existe consenso sobre fazer priming, e que criança com baixa velocidade de crescimento, baixa estatura para o alvo genético e atraso de idade óssea que responde ao teste com priming é mais provavelmente um retardo constitucional.

A imagem completa o quadro: radiografia de mãos e punhos para idade óssea, que na deficiência costuma ter atraso maior que dois desvios-padrão, e ressonância da região hipotálamo-hipofisária, procurando transecção de haste, neuro-hipófise ectópica, hipoplasia hipofisária, lesão expansiva selar ou displasia septo-óptica.

No adulto, a deficiência iniciada na vida adulta exige IGF-1 baixo para a idade mais um teste de estímulo. Considera-se deficiência um pico de GH abaixo de 5 ng/mL e deficiência grave um pico abaixo de 3 ng/mL, com a ressalva de que há sugestão de corte diverso conforme o estímulo — insulina abaixo de 5, glucagon abaixo de 3. Quem teve deficiência isolada na infância deve sempre ser retestado.

E aqui está o par de números que a prova adora. O corte que define a deficiência no adulto é 5 ng/mL, mas o corte que dá acesso ao tratamento pelo SUS é 3 ng/mL: entra no protocolo quem tem pico abaixo de 3 ng/mL, ou quem tem pico abaixo de 5 ng/mL acompanhado de pelo menos um entre baixa densidade mineral óssea, dislipidemia e prejuízo no exercício das atividades habituais atestado pelo médico. Diagnóstico e elegibilidade não são a mesma coisa, e o enunciado que pergunta se o paciente deve receber somatropina está perguntando pelo segundo.

São excluídos do protocolo pacientes com doença neoplásica maligna ativa, doença aguda grave, hipertensão intracraniana benigna, retinopatia diabética proliferativa ou pré-proliferativa e intolerância ao medicamento; e, na criança, outras causas de baixa estatura, além de displasias esqueléticas, síndrome de Turner e doenças crônicas em adolescentes. Havendo neoplasia prévia, a somatropina só pode ser usada depois de decorridos 2 anos do tratamento, com remissão completa e liberação documentada por oncologista ou endocrinologista.

As doses: em crianças e adolescentes, somatropina 0,025 a 0,035 mg/kg/dia, ou 0,075 a 0,10 UI/kg/dia, por via subcutânea, à noite, 6 a 7 vezes por semana; em adultos, 0,15 a 0,3 mg/dia, ou 0,5 a 1,0 UI/dia, independentemente do peso corporal, ajustada pelo IGF-1. A conversão oficial é 1 mg igual a 3 UI, e ela fecha exatamente na faixa pediátrica: 0,025 vezes 3 dá 0,075, e 0,035 vezes 3 dá 0,105, arredondado para 0,10. Na faixa do adulto o documento arredonda mais — 0,15 mg daria 0,45 UI e 0,3 mg daria 0,9 UI, e o protocolo escreve 0,5 a 1,0 UI/dia. O tratamento na criança é interrompido quando a velocidade de crescimento cai abaixo de 2 cm por ano associada a idade óssea de 14 a 15 anos em meninas e de 16 anos em meninos. Encerrada a fase de crescimento, interrompe-se e retesta-se após 30 a 90 dias, com um único teste, de insulina ou glucagon, considerando persistência da deficiência quando o IGF-1 está baixo para idade e sexo e o pico de GH fica abaixo de 5 ng/mL.

No seguimento da criança, antropometria a cada 3 a 6 meses, glicemia de jejum e função tireoidiana anuais, idade óssea anual e IGF-1 anual ou após mudança de dose; IGF-1 acima do limite superior manda reduzir a dose e repetir em 30 a 60 dias. No adulto, IGF-1 um mês após cada mudança de dose e depois anual, com meta de manter o valor próximo da média para a idade ou entre a média e o limite superior; mulheres em uso de estrogênio oral podem precisar de doses um pouco mais altas, pela interferência no metabolismo hepático e na síntese de IGF-1. Os riscos a vigiar são intolerância à glicose e hipertensão intracraniana benigna.

04

Esquemas e tabelas

Quase toda alternativa destes três temas é um número com papel definido. O mesmo 0,4 ng/mL exclui acromegalia quando é GH basal, marca a ausência de supressão quando é nadir no teste diagnóstico e define cura quando é nadir no pós-operatório. O mesmo 1,3 vez o limite superior do IGF-I dispensa o teste de supressão no diagnóstico e é aceito como controle no seguimento. A tabela organiza cada corte pelo momento em que ele vale — é assim que se lê a vinheta.

  1. 1SUSPEITA DE ACROMEGALIA. Dose IGF-I sérico, nunca GH basal isolado. Clínica sugestiva com IGF-I mais de 30% acima do limite superior já confirma e dispensa a supressão.
  2. 2IGF-I ALTO SEM ATINGIR ESSE PATAMAR? Sobrecarga com 75 g de glicose anidra, GH antes e aos 30, 60, 90 e 120 minutos. Não cair abaixo de 0,4 ng/mL em nenhuma coleta confirma. Diabético não faz sobrecarga: usa IGF-I alto com GH basal acima de 0,4 ng/mL por método ultrassensível.
  3. 3CONFIRMOU? Ressonância de sela em todos. Sela normal com diagnóstico fechado manda procurar tumor ectópico com tomografia de tórax e abdome. Dose cortisol, TSH, T4 livre, prolactina, LH e FSH; testosterona no homem; campimetria se houver queixa visual ou contato com o nervo óptico.
  4. 4TRATAMENTO DA ACROMEGALIA. Cirurgia transesfenoidal é a primeira linha, e é obrigatória quando há compressão do quiasma com perda de campo. Análogo de primeira geração como tratamento primário só em contraindicação cirúrgica ou baixa probabilidade de benefício, e sem risco de perda visual por extensão supra-selar.
  5. 5SEM CONTROLE APÓS 3 MESES? Octreotida ou lanreotida. Sem controle após 3 meses de análogo regular, associa cabergolina. Pasireotida exige 12 anos ou mais, tumor remanescente em imagem e ausência de resposta prévia, e é vetada com hemoglobina glicada acima de 8%. Pegvisomanto não é recomendado por este protocolo.
  6. 6POLIÚRIA. Confirme o volume: acima de 3 L em 24 h ou de 40 mL/kg/dia no adulto. Antes de qualquer teste dinâmico, afaste diurese osmótica e medicamento: glicemia, ureia, creatinina, cálcio, potássio, sódio e osmolaridades; retire diurético e inibidor de SGLT-2 da conta.
  7. 7É HIPOTÔNICA? Teste de restrição hídrica, preferencialmente internado, geralmente 7 horas. Pare com sódio acima de 145 mEq/L, osmolalidade urinária normal ou estável em duas a três medidas horárias, ou osmolalidade plasmática acima de 295 a 300 mOsm/kg. Na criança, some perda de 3% a 5% do peso.
  8. 8URINA NÃO CONCENTROU? Desmopressina 10 mcg nasal ou 4 mcg subcutânea no adulto, com a bexiga esvaziada, e medidas a cada 30 minutos por 2 horas. Para o protocolo, a inclusão exige os três: estímulo presente (osmolalidade plasmática acima de 295 ou sódio acima de 145), aumento acima de 15% e osmolalidade urinária final acima de 300 mOsm/kg.
  9. 9CONFIRMOU DI CENTRAL? Ressonância da região hipotálamo-hipofisária em todos. Desmopressina nasal 10 mcg à noite no adulto, 5 mcg na criança, 2,5 mcg no lactente, titulando para sódio entre 137 e 145 mEq/L, com início internado. Beber só por sede.
  10. 10BAIXA ESTATURA OU SUSPEITA DE HIPOPITUITARISMO. IGF-1 acima da média afasta. Teste de estímulo com pico abaixo de 5 ng/mL confirma: dois testes se a deficiência for isolada, um só se houver lesão anatômica, radioterapia ou outra deficiência hipofisária — e os outros eixos precisam estar repostos antes.
  11. 11ADULTO COM DEFICIÊNCIA CONFIRMADA. Pico abaixo de 3 ng/mL entra direto no protocolo. Entre 3 e 5, só entra com baixa densidade mineral óssea, dislipidemia ou prejuízo funcional atestado. Somatropina 0,15 a 0,3 mg/dia no adulto e 0,025 a 0,035 mg/kg/dia na criança, à noite, ajustada pelo IGF-1.
IGF-IGH basal

IGF-I abre, GH basal fecha

O IGF-I sérico é o melhor teste inicial de rastreamento da acromegalia. O GH basal isolado tem pouca utilidade diagnóstica, porque a secreção é pulsátil e sobe com arginina, contraceptivo oral, esteroides, diabete descompensado, hepatopatia e desnutrição. O GH basal só tem valor na direção oposta: abaixo de 0,4 ng/mL, exclui.

0,41,0

0,4 e 1,0 ng/mL: cinco papéis, dois números

0,4 ng/mL é GH basal que exclui, é o limiar de supressão no teste diagnóstico e é o corte de cura no pós-operatório de 3 a 6 meses. 1,0 ng/mL é o nadir que define controle no seguimento e o GH basal considerado normal no monitoramento. O erro mais comum do tema é trocar o momento em que cada um vale.

<10100zona de sobreposicao

Resposta ao DDAVP: as parciais se sobrepõem

Aumento da osmolalidade urinária de cerca de 100% é central completo e abaixo de 10% é renal completo — essas duas não se confundem. Já central parcial (15% a 50%) e renal parcial (10% a 45%) ocupam quase a mesma faixa. Quando a porcentagem não decide, decide o absoluto: o central costuma passar de 300 mOsm/kg.

35entra diretoso com fator

Deficiência de GH no adulto: 5 diagnostica, 3 libera

Pico de GH abaixo de 5 ng/mL no teste de estímulo define deficiência; abaixo de 3 ng/mL define deficiência grave e dá entrada direta no protocolo. Entre 3 e 5, o paciente só entra se tiver baixa densidade mineral óssea, dislipidemia ou prejuízo funcional atestado. Diagnóstico e elegibilidade não coincidem.

DoençaMomentoExame e corteO que o corte decide
AcromegaliaRastreamentoIGF-I sérico elevado para sexo e idadeAbre a investigação. GH basal isolado não serve para rastrear
AcromegaliaExclusãoGH basal abaixo de 0,4 ng/mL, método ultrassensívelExclui a doença, sobretudo com IGF-I normal
AcromegaliaConfirmaçãoSobrecarga com 75 g de glicose, GH em 0/30/60/90/120 min, sem cair abaixo de 0,4 ng/mLAusência de supressão fisiológica do GH
AcromegaliaConfirmaçãoIGF-I mais de 30% acima do limite superior, ou seja acima de 1,3 vez, com clínica sugestivaDispensa o teste de supressão
AcromegaliaCura pós-operatória, 3 a 6 mesesNadir de GH após sobrecarga abaixo de 0,4 ng/mL, ensaio ultrassensívelRemissão cirúrgica
AcromegaliaControle no seguimentoIGF-I normal com nadir de GH abaixo de 1 ng/mL; GH basal normal se abaixo de 1 ng/mL; aceita-se IGF-I de 1,2 a 1,3 vez o limite superiorDoença controlada. Sob análogo ou cabergolina, a sobrecarga não serve
Diabete insípidoDefinição de poliúriaAcima de 3 L em 24 h ou acima de 40 mL/kg/dia em adolescentes e adultosEntra na investigação
Diabete insípidoRestrição hídricaOsmolalidade urinária acima de 600 mOsm/kg indica ação adequada do ADH; acima de 800 mOsm/kg afasta o diagnósticoEncerra a investigação
Diabete insípidoTipagem após DDAVPAumento da osmolalidade urinária: cerca de 100% central completo; 15% a 50% central parcial; 10% a 45% renal parcial; menos de 10% renal completoCentral ou renal. Nas parciais as faixas se sobrepõem
Diabete insípidoInclusão no protocoloCom osmolalidade plasmática acima de 295 mOsm/kg ou sódio acima de 145 mEq/L: aumento da osmolalidade urinária acima de 15% E osmolalidade urinária acima de 300 mOsm/kgConfirma DI central e libera desmopressina
Diabete insípidoNeonato e lactenteSódio maior ou igual a 146 mEq/L com osmolalidade urinária menor que 300 mOsm/kg e resposta ao DDAVP acima de 750 mOsm/kgDiagnóstico sem precisar provar poliúria
Diabete insípidoSeguimentoSódio plasmático entre 137 e 145 mEq/LAlvo da titulação da desmopressina
HipopituitarismoDiagnóstico de deficiência de GHPico de GH abaixo de 5 ng/mL no teste de estímuloDeficiência. Dois testes se isolada, um se há lesão, radioterapia ou outra deficiência
HipopituitarismoGravidade e elegibilidade no adultoPico abaixo de 3 ng/mL; ou abaixo de 5 ng/mL com baixa densidade mineral óssea, dislipidemia ou prejuízo funcional atestadoDeficiência grave e entrada no protocolo
HipopituitarismoInterrupção na criançaVelocidade de crescimento abaixo de 2 cm/ano com idade óssea de 14 a 15 anos em meninas e 16 anos em meninosEncerra o tratamento

Nos três temas existe protocolo federal vigente: acromegalia e diabete insípido foram reescritos em 2025; o de deficiência de GH e hipopituitarismo é de 2018.

O PCDT do diabete insípido cobre o central e o gestacional e declara por escrito que o renal fica fora do seu escopo. Desmopressina para DI nefrogênico erra duas vezes.

O critério de inclusão do DI tem três exigências dentro de um único item: estímulo presente, aumento relativo acima de 15% e valor absoluto acima de 300 mOsm/kg.

Trocar a via da desmopressina sem retitular é erro de ordem de grandeza: a via oral é 10 a 20 vezes menos potente, porque só cerca de 5% é absorvido no trato digestivo.

Sob análogo da somatostatina ou cabergolina, a sobrecarga de glicose não serve para monitorar acromegalia — dosam-se IGF-I e GH.

No adulto com deficiência de GH, o corte que diagnostica (5 ng/mL) e o corte que dá acesso ao tratamento (3 ng/mL) são diferentes. Pergunta sobre tratar é pergunta sobre elegibilidade.

A conversão oficial da somatropina é 1 mg igual a 3 UI, e ela fecha na faixa pediátrica: 0,025 a 0,035 mg/kg/dia corresponde a 0,075 a 0,105 UI/kg/dia, que o protocolo escreve como 0,075 a 0,10. Na faixa do adulto o arredondamento é maior.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Pegvisomanto na acromegalia que não responde aos análogos da somatostatina

Protocolo brasileiro: não recomenda

O PCDT da Acromegalia afirma que este Protocolo não recomenda o uso de pegvisomanto, e dá a razão: a incorporação ao SUS foi avaliada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias, com recomendação de não incorporação por razão de custo-efetividade incremental elevada. O arsenal medicamentoso do protocolo fica restrito a octreotida, lanreotida, cabergolina e pamoato de pasireotida — este último acrescentado conforme a Portaria SECTICS/MS nº 25, de 19 de junho de 2024.

PCDT da Acromegalia, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 23, de 22 de outubro de 2025, item 6.3.

Diretrizes clínicas: recomendam para o refratário

O mesmo protocolo registra, no parágrafo imediatamente anterior, que diretrizes clínicas recomendam o uso do pegvisomanto, especialmente para pacientes que não respondem adequadamente ao tratamento com análogos da somatostatina ou que apresentam intolerância a outros medicamentos. A divergência, portanto, não é sobre eficácia — é sobre incorporação: o documento nacional reconhece a recomendação internacional e opta por não seguir, por custo-efetividade.

PCDT da Acromegalia (Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 23/2025), item 6.3, que reporta a recomendação das diretrizes clínicas por ele citadas.

Na prova

Enunciado que peça o tratamento disponível no SUS, ou que cite o Ministério da Saúde, exclui o pegvisomanto: a sequência é cirurgia, depois octreotida ou lanreotida, depois associação com cabergolina, depois pasireotida em quem preenche os critérios, e radioterapia para os demais. Pegvisomanto aparecendo como próximo passo é distrator. Já um enunciado de mecanismo — antagonista do receptor de GH, que normaliza IGF-I sem reduzir o tumor — continua sendo cobrável, porque a farmacologia não depende da incorporação. O sinal para distinguir os dois recortes é a presença ou ausência da moldura SUS na pergunta.

Copeptina no diagnóstico diferencial da síndrome poliúria-polidipsia

Protocolo brasileiro: não recomendada

O PCDT do Diabete Insípido declara que a dosagem de copeptina não é recomendada, uma vez que não há valores de referência consolidados atualmente disponíveis na literatura, principalmente para crianças. O caminho diagnóstico previsto continua sendo o teste de restrição hídrica seguido do teste da desmopressina, com internação sugerida, e é dele que saem os critérios de inclusão no protocolo.

PCDT do Diabete Insípido, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 17, de 5 de agosto de 2025, item 3.2.3.

Literatura reportada pelo próprio protocolo: marcador promissor

O mesmo item descreve a copeptina como biomarcador promissor, por ser a porção C-terminal do precursor da vasopressina e ser liberada em quantidades iguais às dela. Reporta, para a copeptina estimulada comparada à retenção hídrica na diferenciação entre polidipsia primária e deficiência de vasopressina, sensibilidade de 95% a 98% em adultos, com 214 pacientes, e sensibilidade de 83% com especificidade de 75% em crianças, com 80 pacientes. E acrescenta a limitação decisiva: os níveis basais não diferenciam DI central de polidipsia primária, por sobreposição significativa, de modo que testes de estímulo continuam necessários.

PCDT do Diabete Insípido (Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 17/2025), item 3.2.3, que reporta esses desempenhos a partir dos estudos de sua lista de referências.

Na prova

Em prova brasileira que se apoie no protocolo, a alternativa correta é o par restrição hídrica mais desmopressina, e copeptina é distrator moderno — daqueles que parecem certos por serem recentes. O modo de identificar o recorte é olhar quem o enunciado invoca: se cita o Ministério da Saúde, o PCDT ou a disponibilidade no SUS, a copeptina está fora. Se o enunciado for de fisiologia ou de acurácia diagnóstica, sem moldura nacional, ele pode estar testando o conhecimento de que a copeptina reflete a secreção de vasopressina e de que o valor basal isolado não separa central de polidipsia primária.

06

Caso resolvido

Homem de 44 anos procura o ambulatório porque trocou a aliança duas vezes em três anos e passou a calçar dois números a mais. Refere cefaleia frontal, sudorese excessiva, parestesias nas mãos ao acordar e ronco alto com pausas relatadas pela companheira. Ao exame: prognatismo, aumento de partes moles em mãos e pés, pressão arterial de 152 por 96 mmHg. Traz exames de rotina com glicemia de jejum de 118 mg/dL. O IGF-I sérico veio 2,4 vezes acima do limite superior de referência para idade e sexo. Nega alteração visual.
O que a clínica já entrega
Crescimento de extremidades, prognatismo e hipertrofia de partes moles compõem o fenótipo clássico. Somam-se três complicações sistêmicas típicas: hipertensão arterial, que ocorre em até 30% dos pacientes, disglicemia e apneia do sono sugerida pelo ronco com pausas. As parestesias matinais das mãos apontam síndrome do túnel do carpo, também descrita entre as manifestações musculoesqueléticas. O atraso diagnóstico médio de 7 a 10 anos explica por que ele chega já com o cortejo montado.
Por que não se pede GH basal aqui
O melhor teste inicial de rastreamento é o IGF-I, e ele já foi feito. A dosagem isolada de GH teria pouca utilidade: a secreção é pulsátil e sobe com estímulos fisiológicos e com medicamentos, e o paciente ainda tem hiperglicemia, que é uma das condições que alteram o valor. Pedir GH basal agora não acrescentaria nada — e, se viesse baixo por acaso, o único uso legítimo seria excluir, coisa que um IGF-I 2,4 vezes acima do limite superior já torna implausível.
O atalho que dispensa a sobrecarga de glicose
Em paciente com apresentação clínica sugestiva e IGF-I mais de 30% acima do limite superior de referência — acima de 1,3 vez esse limite —, a supressão do GH não é necessária. Com 2,4 vezes o limite superior e o fenótipo completo, o diagnóstico laboratorial está feito sem teste dinâmico. Há ainda um segundo motivo para não insistir na sobrecarga: com glicemia de 118 mg/dL é preciso primeiro definir se ele tem diabete melito, e o protocolo veda a sobrecarga em quem já tem esse diagnóstico.
A imagem que vem em seguida
Como a causa é hipofisária em cerca de 98% dos casos, todos os pacientes devem fazer ressonância magnética de sela túrcica, ou tomografia se houver contraindicação. Se — e somente se — a sela vier sem adenoma com diagnóstico clínico e laboratorial fechado, procura-se tumor ectópico produtor de GH ou de GHRH, com tomografia de tórax e de abdome. Pedir tórax e abdome de entrada inverte a ordem.
Os eixos que precisam ser dosados junto
Avaliação da função adeno-hipofisária com cortisol, TSH, T4 livre, prolactina, LH e FSH; por ser homem, acrescenta-se testosterona total. Prolactina alta neste contexto pode significar tumor misto coprodutor de GH e prolactina — informação que não é acadêmica, porque muda a escolha do medicamento se ele precisar de tratamento clínico. Glicemia de jejum e hemoglobina glicada entram pela alta prevalência de diabete melito nesses pacientes.
Quais complicações rastrear
Os exames complementares são individualizados: ecocardiografia, polissonografia — indicada aqui pelo ronco com pausas —, radiografia de coluna, tomografia de seios da face e colonoscopia, esta última pela sugestão de aumento de incidência de neoplasia de cólon, associação que o protocolo classifica como controversa. A tireoide deve ser palpada, com ultrassonografia se houver nódulo. Campimetria visual manual não está obrigatória neste momento: ele não tem queixa visual, e a indicação surge se a ressonância mostrar contato com o nervo óptico.
O tratamento e a exceção que não se aplica a ele
Cirurgia transesfenoidal é o tratamento primário da maioria dos pacientes e é o que se indica aqui. Análogo da somatostatina como tratamento primário estaria reservado a contraindicação cirúrgica ou baixa probabilidade de benefício por tumor invasivo predominantemente de seios cavernosos, e ainda assim só sem risco de perda visual por extensão supra-selar. Cabergolina primária exigiria tumor coprodutor ou tumor não invasivo com GH e IGF-I abaixo de 1,5 vez o limite superior — o IGF-I de 2,4 vezes já exclui essa segunda hipótese.
Como saber, depois, se deu certo
De 3 a 6 meses após a cirurgia, dosam-se IGF-I e GH após sobrecarga de glicose; se ele for diabético, IGF-I e GH basal ultrassensível, sem sobrecarga. Cura pós-operatória é supressão do GH abaixo de 0,4 ng/mL com ensaio ultrassensível. Doença controlada, no seguimento, é IGF-I normal para sexo e idade com nadir de GH abaixo de 1 ng/mL, aceitando-se IGF-I levemente aumentado, de 1,2 a 1,3 vez o limite superior, conforme o cenário. Ressonância de controle no mínimo 3 meses após a cirurgia, e acompanhamento trimestral no primeiro ano, depois anual, para a vida toda.
07

Agora feche você

Mulher de 31 anos está no segundo dia de pós-operatório de ressecção transesfenoidal de macroadenoma hipofisário. Nas últimas 12 horas apresentou débito urinário de 5.200 mL, com sede intensa e ingestão hídrica proporcional. Sódio sérico 149 mEq/L, glicemia 96 mg/dL, creatinina 0,8 mg/dL, cálcio e potássio normais. Osmolalidade urinária de 165 mOsm/kg. Não está em uso de diurético nem de inibidor de SGLT-2. Peso 62 kg. Qual é o diagnóstico e o que fazer agora?
Confirme o volume antes de qualquer teste
Poliúria no adulto é volume acima de 3 litros em 24 horas ou acima de 40 mL/kg/dia. Com 62 kg, o segundo critério dá 2.480 mL. Os 5.200 mL em 12 horas ultrapassam os dois com folga. Faça a projeção — a vinheta costuma dar o volume em janela parcial justamente para ver se você converte.
Prove que é hipotônica e afaste o que imita
Osmolalidade urinária de 165 mOsm/kg com sódio de 149 mEq/L é urina diluída na presença de estímulo máximo — não há resposta antidiurética. Glicemia normal afasta a causa mais comum de diurese osmótica, e a ausência de diurético e de inibidor de SGLT-2 fecha a etapa. Creatinina normal afasta insuficiência renal; cálcio e potássio normais afastam as causas eletrolíticas de DI nefrogênico adquirido.
Por que não fazer restrição hídrica aqui
O teste existe para elevar artificialmente a osmolalidade plasmática e checar se o rim concentra. Nesta paciente o sódio já passou de 145 mEq/L espontaneamente, que é inclusive um dos critérios de interrupção do teste no adulto. Privar de água quem já está hipernatrêmico e perdendo litros acrescenta risco sem acrescentar informação. Vá direto ao teste da desmopressina.
O que documentar e para onde titular
Registre a resposta ao DDAVP nos termos do protocolo: aumento da osmolalidade urinária acima de 15% e osmolalidade urinária final acima de 300 mOsm/kg, na vigência de sódio acima de 145 mEq/L. Depois titule para sódio entre 137 e 145 mEq/L, com início internado e controle diário. Lembre que o DI pós-operatório de sela é descrito como frequentemente transitório: a reavaliação faz parte do plano, e não se assume vitaliciedade de saída.
08

Onde a banca derruba

  1. 1Rastrear acromegalia com dosagem de GH basal Atrai porque GH é o hormônio da doença. Mas a secreção é pulsátil e sobe com arginina, contraceptivo oral, esteroides, diabete descompensado, hepatopatia e desnutrição, de modo que a dosagem isolada tem pouca utilidade diagnóstica. O melhor teste inicial é o IGF-I. O GH basal só serve na direção oposta: abaixo de 0,4 ng/mL por método ultrassensível, exclui — sobretudo com IGF-I normal.
  2. 2Usar o corte de 0,4 ng/mL onde vale o de 1,0, ou o contrário São dois números com cinco papéis. 0,4 ng/mL é GH basal que exclui, é o limiar abaixo do qual o GH deve cair na sobrecarga de glicose no diagnóstico, e é o corte de cura no pós-operatório de 3 a 6 meses com ensaio ultrassensível. 1,0 ng/mL é o nadir que caracteriza doença controlada no seguimento e o GH basal considerado normal no monitoramento. A alternativa erra quase sempre pelo momento, não pelo número.
  3. 3Pedir sobrecarga de glicose para monitorar quem está em análogo da somatostatina O protocolo é explícito: em pacientes em uso de análogos da somatostatina ou de agonista dopaminérgico, a dosagem de GH após sobrecarga de glicose não é útil para monitorar a resposta terapêutica; usam-se IGF-I e GH. E, no diabético, a sobrecarga sequer deve ser feita no diagnóstico — a saída é IGF-I alto com GH basal acima de 0,4 ng/mL por método ultrassensível.
  4. 4Oferecer análogo da somatostatina a quem tem tumor comprimindo o quiasma O tratamento medicamentoso primário está reservado a quem tem contraindicação cirúrgica ou baixa probabilidade de benefício com a cirurgia, por tumor invasivo predominantemente de seios cavernosos — e a condição que a alternativa esconde é que o paciente não pode apresentar risco de perda visual por extensão supra-selar. Compressão do quiasma com perda de campo é indicação de cirurgia, não de injeção mensal.
  5. 5Chamar de diabete insípido toda poliúria hipotônica sem afastar diurese osmótica A primeira das três etapas é confirmar que a poliúria é hipotônica, e a causa mais comum de diurese osmótica é o diabete melito. Antes de qualquer teste dinâmico entram glicemia, ureia, creatinina, cálcio, potássio, sódio e as osmolaridades sérica e urinária, e retiram-se da conta diurético e inibidor de SGLT-2. Hipercalcemia e hipocalemia, além de causarem poliúria, são causas adquiridas de DI nefrogênico.
  6. 6Separar central de nefrogênico apenas pela porcentagem de resposta ao DDAVP As faixas completas separam bem — cerca de 100% no central completo e menos de 10% no renal completo. Mas central parcial (15% a 50%) e renal parcial (10% a 45%) ocupam quase a mesma faixa, e o próprio protocolo reconhece que existe uma zona em que o resultado não diferencia as formas parciais. O desempate é o valor absoluto: o central geralmente ultrapassa 300 mOsm/kg após a desmopressina; o nefrogênico dificilmente chega lá.
  7. 7Trocar a via da desmopressina mantendo o mesmo número A apresentação oral tem potência cerca de 10 a 20 vezes menor que a nasal, porque apenas 5% é absorvido pelo trato digestivo. A dose inicial nasal é de 10 mcg e a oral, de 0,05 a 0,1 mg, isto é, 50 a 100 mcg. Não existe correlação de dose validada entre as vias: na troca, retitula-se com controle de diurese, ingestão hídrica e eletrólitos. O alvo do seguimento é sódio plasmático entre 137 e 145 mEq/L, e o evento adverso que decide a questão é a hiponatremia.
  8. 8Esperar hipernatremia em todo paciente com diabete insípido central A maioria mantém intacta a capacidade de regular a sede, e a ingestão oral compensa as perdas: sem tratamento, esses pacientes frequentemente têm sódio normal. A hipernatremia grave aparece quando falta acesso livre à água, como no paciente sedado, quando há lesão hipotalâmica do centro da sede, ou quando o volume urinário é muito alto. Sódio normal não afasta o diagnóstico — o que o afasta é urina que concentra.
  9. 9Confundir o corte que diagnostica com o corte que dá acesso ao tratamento Na deficiência de GH do adulto, pico abaixo de 5 ng/mL define deficiência e pico abaixo de 3 ng/mL define deficiência grave. Mas o critério de inclusão no protocolo é outro: entra quem tem pico abaixo de 3 ng/mL, ou quem tem pico abaixo de 5 ng/mL acompanhado de baixa densidade mineral óssea, dislipidemia ou prejuízo no exercício das atividades habituais atestado pelo médico. Enunciado que pergunta se cabe somatropina está perguntando pelo segundo critério.
  10. 10Fazer um teste de estímulo só quando a deficiência de GH é isolada É o inverso. Dois testes provocativos são necessários quando se suspeita de deficiência isolada de GH. Um único teste basta quando há lesão anatômica ou defeito da região hipotálamo-hipofisária, história de radioterapia ou deficiência associada de outros hormônios hipofisários. E, em qualquer cenário, as outras deficiências hipofisárias precisam estar adequadamente repostas antes de o teste ser valorizado.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Crescimento de extremidades, alterações faciais, sudorese, hipertensão e intolerância à glicose em adulto, com IGF-1 elevado e ausência de supressão do GH ao teste de tolerância à glicose, confirmam acromegalia por adenoma hipofisário. O próximo passo é localizar o tumor com RM de sela túrcica. Gigantismo ocorre antes do fechamento das epífises (criança/adolescente). Hipotireoidismo e síndrome metabólica não explicam o crescimento acral nem o GH não suprimível.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Os números na ordem em que a questão os usa. ACROMEGALIA: rastreio é IGF-I; GH basal abaixo de 0,4 ng/mL exclui; sobrecarga com 75 g e coletas em 0, 30, 60, 90 e 120 minutos, sem cair abaixo de 0,4 ng/mL confirma; IGF-I mais de 30% acima do limite superior com clínica sugestiva dispensa a sobrecarga; diabético não faz sobrecarga; cura pós-operatória de 3 a 6 meses é nadir abaixo de 0,4 ng/mL; controle é IGF-I normal com nadir abaixo de 1 ng/mL, aceitando 1,2 a 1,3 vez o limite superior; sob análogo, a sobrecarga não serve; discordância GH e IGF-I em 25%; litíase biliar em até 20%; microadenoma 75% a 95% de sucesso cirúrgico, macroadenoma não invasivo 40% a 68%. DIABETE INSÍPIDO: poliúria acima de 3 L ou 40 mL/kg/dia; na criança 150, 100 e 50 mL/kg/dia por faixa; osmolalidade urinária acima de 600 indica ADH adequado e acima de 800 afasta; resposta ao DDAVP de 100%, 15% a 50%, 10% a 45% e menos de 10%; inclusão exige osmolalidade plasmática acima de 295 ou sódio acima de 145, com aumento acima de 15% E osmolalidade urinária acima de 300; neonato usa 146, menos de 300 e mais de 750; alvo de sódio 137 a 145; desmopressina nasal inicial 10 mcg no adulto, 5 na criança, 2,5 no lactente; oral 10 a 20 vezes menos potente. HIPOPITUITARISMO: pico de GH abaixo de 5 ng/mL diagnostica, abaixo de 3 é grave; dois testes se isolada, um se há lesão, radioterapia ou outra deficiência; somatropina 0,025 a 0,035 mg/kg/dia na criança e 0,15 a 0,3 mg/dia no adulto; 1 mg igual a 3 UI; interrupção com velocidade abaixo de 2 cm/ano e idade óssea de 14 a 15 anos em meninas e 16 em meninos.

em 30 dias

Os porquês, que é o que sobra quando os números escapam. Por que o rastreio da acromegalia é IGF-I e não GH: o GH é pulsátil e responde a estímulos fisiológicos, enquanto o IGF-I integra a exposição ao longo do tempo — por isso a dosagem única de GH só tem valor para excluir. Por que o mesmo 0,4 e o mesmo 1,3 aparecem duas e três vezes com papéis diferentes: cada corte foi construído para um momento clínico, e o momento é a variável que o distrator apaga. Por que a sobrecarga de glicose deixa de servir sob análogo da somatostatina: o medicamento suprime a secreção de GH de forma que não reproduz a fisiologia do teste. Por que provar que a poliúria é hipotônica vem antes de tipar o DI: a causa mais comum de poliúria não é falta de vasopressina, é soluto — e o soluto mais comum é a glicose. Por que as faixas parciais de resposta ao DDAVP se sobrepõem e o absoluto desempata: a porcentagem depende do ponto de partida, e o ponto de partida varia; o valor final de 300 mOsm/kg não depende. Por que o paciente com DI central e sede intacta tem sódio normal: a sede compensa a perda renal, e por isso a hipernatremia grave denuncia falta de acesso à água ou lesão do centro da sede. Por que trocar a via da desmopressina exige retitular: só cerca de 5% da dose oral é absorvida, o que faz a via oral ser 10 a 20 vezes menos potente. E por que o corte de 5 diagnostica mas o de 3 libera somatropina: o primeiro é critério clínico e o segundo é critério de incorporação — diagnóstico e elegibilidade respondem a perguntas diferentes. Feche reescrevendo, de memória, os três critérios que o item de inclusão do DI exige ao mesmo tempo.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Homem de 47 anos chega ao ambulatório de clínica médica encaminhado pela odontologia, que notou aumento do espaço entre os dentes e mudança na mordida nos últimos anos. Queixa-se de cefaleia, sudorese e dor articular em joelhos e mãos. Conduza a consulta: colha a história dirigida ao fenótipo e às comorbidades sistêmicas, examine extremidades, face e campo visual de confrontação, decida qual exame laboratorial abre a investigação e qual imagem pedir, e explique ao paciente por que a conduta inicial é cirúrgica. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Doenças da hipófise — Preparatório para provas | OsceLabs