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Lesões precursoras do colo (NIC) e câncer invasor
Lesões precursoras cervicais (NIC) e câncer de colo uterino invasor
Este capítulo começa onde o rastreamento termina: com a biópsia na mão. Grau da lesão define o tratamento, tipo de zona de transformação define a profundidade da excisão, e o laudo das margens define o seguimento — três decisões encadeadas que a prova cobra separadas.
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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Mulher de 38 anos realiza colpocitologia de rotina, cujo resultado é lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL). Está assintomática e sem lesões macroscópicas ao exame especular. Qual é a conduta subsequente mais apropriada diante desse resultado citológico?
Como esse tema cai
O rastreamento entrega uma suspeita; quem dá o diagnóstico é a histologia. Citologia alterada e teste de DNA-HPV positivo são bilhetes de encaminhamento — dizem que vale olhar o colo com o colposcópio, não o que a mulher tem. Este capítulo pega o caso na etapa seguinte: colposcopia feita, biópsia (ou peça de excisão) no laudo, e uma decisão a tomar. Quem rastreia quem, de quanto em quanto tempo e o que fazer com cada laudo citológico é o assunto do capítulo de rastreamento do colo do útero.
A régua brasileira aqui tem duas metades de idades diferentes, e isso explica quase toda a confusão de prova. A conduta nas lesões precursoras — NIC I, NIC II, NIC III, adenocarcinoma in situ — continua saindo das Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero do INCA, 2ª edição, de 2016: prazos de seguimento, tipos de excisão, critérios de 'Ver e Tratar' e o que fazer com margem comprometida. A atualização de 2025 do Ministério da Saúde é a Parte I e trata de rastreamento com teste molecular; a parte que trataria do manejo das lesões confirmadas ainda não foi publicada. Já o estadiamento e o tratamento do carcinoma invasor rodam pela classificação FIGO de 2018, posterior ao documento do INCA — e é dessa defasagem de dois anos que nasce a divergência numérica mais cobrada do tema.
O que a prova pede, na prática, são três decisões encadeadas e três armadilhas. Decisões: o grau histológico define se trata ou acompanha; o tipo de zona de transformação define a profundidade da excisão; o laudo das margens define o calendário do seguimento. Armadilhas: NIC I confirmada por biópsia não é doença para tratar, 'Ver e Tratar' tem quatro condições e quem não as preenche fica de fora, e lesão glandular (AIS) não se resolve com excisão rasa. O carcinoma invasor entra no fim, com o estadiamento FIGO 2018 e a linha divisória que organiza o tratamento inteiro: até onde se opera, a partir de onde se irradia.
O que muda decisão
Três nomenclaturas para o mesmo epitélio — e por que isso importa na conduta
O colo do útero é o único órgão em que o mesmo espectro de doença recebeu três nomes em três épocas, e os três continuam circulando em laudo e em prova. A nomenclatura de Richart criou a neoplasia intraepitelial cervical em três graus, por altura do epitélio acometido: NIC I ocupa o terço inferior, NIC II até dois terços, NIC III a espessura total sem romper a membrana basal. O sistema Bethesda, que é de citologia, comprimiu isso em dois: LSIL corresponde ao que a histologia chama NIC I, e HSIL abriga NIC II e NIC III juntos. A histologia moderna também adotou dois graus (LSIL/HSIL) — mas o laudo brasileiro, e as Diretrizes do INCA de 2016 com ele, seguem escrevendo NIC I, II e III. Ler 'HSIL' num laudo sem saber se é citologia ou histologia é errar o capítulo inteiro.
A distinção não é acadêmica porque a conduta muda de acordo com o tipo de exame que produziu a palavra. Citologia é rastreamento e tem erro conhecido: de cada 100 mulheres com laudo citológico de HSIL, cerca de 70 a 75 terão confirmação histológica de lesão de alto grau — e 1 a 2 terão carcinoma invasor. Ou seja, um quarto das HSIL citológicas não é lesão de alto grau. É exatamente por isso que a excisão, além de tratar, serve de diagnóstico: ela retira a peça inteira e permite dizer se havia invasão que a citologia e a colposcopia não viram.
Do outro lado da escala, o diagnóstico histológico de NIC I é a tradução microscópica de uma infecção por HPV em atividade, não de uma lesão pré-cancerosa estabelecida. Os números explicam a conduta conservadora: no estudo ALTS, mulheres com NIC I confirmada por biópsia tiveram incidência cumulativa de NIC III de 10,3% em dois anos (IC 95%: 7,9%–13,0%); outra coorte encontrou 12% de NIC II ou pior em três anos. São riscos reais, mas baixos o bastante para que a resposta seja vigiar — e altos o bastante para que a vigilância não possa ser abandonada.
O ponto instável da escala é a NIC II. É o grau com maior discordância entre patologistas e o de história natural mais ambígua: em mulheres jovens, a NIC II se comporta mais como NIC I do que como NIC III, com regressão em torno de 60% em 12 meses de seguimento e chegando a 75% em três anos. Toda a lógica de conduta expectante em jovens nasce daí, e não de uma preferência estética por menos cirurgia: o dano de uma excisão sobre um colo que ainda vai gestar é permanente, e a lesão que se estava tratando tinha boa chance de sumir sozinha.
NIC I: a lesão que se acompanha
NIC I confirmada por biópsia não é indicação de tratamento. A mulher volta ao seguimento citológico e é conduzida pelos resultados seguintes; se a citologia normalizar em dois exames consecutivos, retorna ao rastreamento de rotina. O documento brasileiro é explícito sobre o custo de fazer diferente: um ensaio clínico randomizado no Reino Unido mostrou que tratar de saída com exérese da zona de transformação, nessa população, produziu 60% de peças com NIC I ou sem NIC nenhuma — sobretratamento puro, com efeitos adversos e sem ganho.
O tratamento entra em cena por persistência, não por diagnóstico. Persistindo a NIC I por 24 meses, manter o seguimento ou tratar são as duas condutas aceitáveis, com decisão individualizada por idade, paridade e preferência da mulher. Se a opção for tratar e a junção escamocolunar (JEC) estiver visível e até o primeiro centímetro do canal — zona de transformação (ZT) tipo 1 ou 2 —, cabem métodos destrutivos (eletrocauterização, criocauterização, laser) ou excisão tipo 1 ou 2. Quando a ZT é tipo 2 com JEC além do primeiro centímetro, ou tipo 3, a indicação de um procedimento excisional mais profundo deve ser pesada contra o risco obstétrico que ele cria.
Abaixo dos 25 anos a régua é ainda mais conservadora e vale a pena decorá-la pela negativa: diante de NIC I histológica, o tratamento deve ser evitado e o seguimento citológico é trienal até que a mulher complete 25 anos; métodos excisionais não estão indicados antes dessa idade. Vale lembrar que essa faixa etária sequer é população-alvo do rastreamento organizado — as recomendações existem para orientar o que fazer com o exame que não deveria ter sido colhido.
NIC II/III: a excisão é o tratamento e também o diagnóstico
Confirmada a lesão de alto grau, o método de escolha é excisional, e a razão é dupla: além de tratar, o procedimento retira um espécime que permite diagnosticar a invasão que a citologia e a colposcopia não detectaram. Métodos destrutivos existem e têm eficácia semelhante desde que atinjam a base das glândulas, mas não fornecem peça — e por isso ficam reservados a situações estreitas: lesão completamente visível, restrita à ectocérvice, sem suspeita de invasão ou de doença glandular.
A profundidade da excisão não é escolha do cirurgião: ela é ditada pelo tipo de zona de transformação. A nomenclatura colposcópica internacional adotada nas Diretrizes de 2016 substituiu a sopa de siglas (CAF, LLETZ, LEEP, conização) por três tipos de excisão, um para cada tipo de ZT. A excisão tipo 1 é a exérese da zona de transformação clássica — doença ectocervical ou que não avança mais de 1 cm no canal. A tipo 2 alcança de 1,5 a 2,0 cm de canal, o suficiente para ultrapassar uma JEC que se retraiu. A tipo 3 retira de 2 a 2,5 cm, e é a resposta para ZT tipo 3, com JEC não visível. O racional anatômico é firme: praticamente toda NIC III, inclusive as glandulares, se situa até o segundo centímetro do canal, e em 99% dos casos no primeiro.
A prática mais eficiente para a lesão de alto grau é o 'Ver e Tratar': colposcopia e excisão no mesmo atendimento, sem biópsia prévia. Ela reduz o intervalo entre o diagnóstico e o tratamento e evita a perda de seguimento, que é o verdadeiro inimigo do programa. O preço possível é tratar quem não tinha doença, e por isso a indicação é cercada por quatro condições simultâneas: citologia de HSIL, achados colposcópicos anormais maiores, JEC visível (ZT tipo 1 ou 2), lesão restrita ao colo e ausência de suspeita de invasão ou de doença glandular. Respeitados esses critérios, um estudo brasileiro obteve apenas 2% de histologias negativas e menos de 10% de NIC I; ignorados, os percentuais de sobretratamento sobem para a faixa dos 20%. Nos casos em que o método está indicado, a biópsia de colo não é recomendada — ela só atrasa. E há duas exclusões que a prova adora: 'Ver e Tratar' é inaceitável quando a citologia é de LSIL e é inaceitável em mulheres até 24 anos.
Quando a colposcopia mostra JEC não visível ou parcialmente visível (ZT tipo 3) com achados anormais maiores, a conduta é excisão tipo 3 direta. Com achados anormais menores e JEC visível, faz-se biópsia: se vier NIC II/III, excisão tipo 1 ou 2 conforme a ZT; se vier negativa ou NIC I, repetem-se citologia e colposcopia em seis meses a contar da biópsia. Com JEC não visível e achados menores, a biópsia é opcional e o que manda é a investigação do canal endocervical — de preferência por escovado endocervical, que produz menos material inadequado e menos dor que a curetagem. Mantida a suspeita de lesão pré-invasiva ou invasiva no canal, excisão tipo 3.
Um último cenário confunde muita gente: citologia de HSIL com colposcopia sem nenhum achado anormal. Aqui a primeira providência é garantir que não há lesão vaginal e, se possível, pedir revisão da lâmina — e o resultado da revisão substitui o anterior. Mantido o HSIL sem achados, com JEC visível, repete-se a citologia em seis meses; se o segundo exame também vier HSIL, faz-se o procedimento excisional conforme o tipo de ZT. Se a citologia de seis meses vier normal, mantém-se controle citológico semestral na unidade secundária e, após dois exames negativos, a mulher volta ao rastreamento de rotina.

Margens e seguimento: o laudo da peça é que monta o calendário
Terminada a excisão, a pergunta seguinte é uma só: como estão as margens. Margem comprometida por NIC II/III é o principal fator de risco para doença residual ou recorrente — mas, e aqui está o ponto que a prova testa, ela não é indicação automática de novo procedimento. A maioria das mulheres com margem comprometida não terá lesão residual, e a conduta pode ser conservadora. Nova excisão fica reservada ao caso em que há margem comprometida por NIC II/III e, além disso, o seguimento não é possível — por limitação técnica do serviço ou da própria mulher.
O calendário se bifurca conforme o laudo. Margens livres ou comprometidas apenas por NIC I: citologia aos 6 e aos 12 meses, com colposcopia a critério do serviço; depois do primeiro ano, citologia anual até completar cinco anos do tratamento, já na atenção básica. Qualquer margem comprometida por NIC II/III: citologia e colposcopia semestrais nos dois primeiros anos, depois citologia anual até completar cinco anos. Nos dois cenários, cumpridos os cinco anos, a mulher retorna ao rastreamento de rotina — e a história de doença intraepitelial tratada precisa constar do pedido de exame, porque muda a leitura do citologista.
Por que cinco anos e não alta imediata? Porque o risco não zera. Uma revisão sistemática com meta-análise encontrou taxa de doença residual ou recorrente de 4% a 18% em até dois anos após tratamento de lesão de alto grau, com média de 8% — e o risco é maior acima dos 50 anos, coerente com o fato de a persistência viral aumentar com a idade. Pior: estudos de seguimento longo mostram que mulheres tratadas por NIC II/III permanecem sob risco de câncer cervical maior que o da população geral por pelo menos 10 anos, e possivelmente por 20. Detectada lesão residual ou recorrente, a mulher é conduzida como se fosse a lesão inicial — volta ao começo do algoritmo, não a um protocolo de resgate.
Desde 2026 há uma intervenção a mais nesse mesmo intervalo, e ela costuma passar batida porque mora no calendário vacinal, não na diretriz de rastreamento: mulher tratada por NIC 2, NIC 3 ou adenocarcinoma in situ com procedimento excisional do colo passou a ser grupo prioritário da vacina HPV4 no SUS, independentemente da idade. São três doses no esquema 0, 2 e 6 meses, com prescrição médica e registro pelo CID do diagnóstico, aplicadas no mesmo ano do procedimento — do perioperatório até 12 meses após o tratamento. Quem já tinha uma ou duas doses apenas completa o esquema, sem reiniciar. O racional conversa com os cinco anos de seguimento: a peça retirada trata a lesão, não elimina o risco de doença residual ou recorrente.
Duas populações têm calendário próprio. Mulheres imunossuprimidas, especialmente as que vivem com HIV, recidivam mais — e por isso o seguimento citopatológico após tratamento de NIC II/III é anual por toda a vida, sem alta; quando é preciso tratar, prefere-se o método excisional ao destrutivo. Mulheres histerectomizadas com história de NIC II/III tratada e margens livres fazem citologia aos 6 e 12 meses e, se ambas negativas, seguem em rastreamento trienal independentemente da idade; com margens comprometidas ou sem essa informação, valem os mesmos dois anos de citologia e colposcopia semestrais. O risco que justifica esse acompanhamento é a neoplasia intraepitelial vaginal, que ocorre em 1% a 4% dos casos, e o câncer de vagina, em 0,6%.
Adenocarcinoma in situ: a exceção glandular
O AIS quebra quase todas as regras confortáveis do capítulo, e por um motivo biológico: a lesão glandular não é contígua. De 5% a 15% dos casos são multifocais e as lesões podem estar separadas por epitélio normal — o que significa que margem livre no cone não garante que a doença foi retirada por inteiro. Os números da meta-análise são incômodos justamente por isso: com margens comprometidas, o risco de doença glandular residual foi de 19,4% e o de recorrência, 52,8%; mesmo com margens livres, esses valores foram 2,6% e 20,3%. Somando, o AIS coexiste com lesão escamosa pré-invasiva ou com carcinoma invasivo em cerca de metade dos casos.
A consequência prática é que a excisão indicada é a tipo 3, e não a exérese rasa. A técnica precisa devolver um espécime único e com margens interpretáveis — a conização a frio produz proporção mais alta de margens livres, mas a eletrocirurgia é aceitável desde que garanta peça íntegra e sem artefato térmico que impeça a leitura das margens. É inaceitável produzir mais de um fragmento.
Confirmado AIS no espécime, a conduta se divide pela prole: com prole completa, a indicação é histerectomia simples; com prole incompleta e margens livres, a conização pode ser considerada tratamento suficiente, e o seguimento passa a ser citologia aos 6 e 12 meses, depois anual até cinco anos. Margens comprometidas em mulher com prole completa pedem nova excisão sempre que possível — não para 'limpar', mas para excluir doença invasiva antes da decisão definitiva. Diagnóstico de câncer na peça manda a mulher para a alta complexidade.
Há ainda um passo que só existe no mundo glandular: a avaliação endometrial. Diante de citologia de AIS ou de adenocarcinoma, é recomendável avaliar o endométrio em mulheres com 35 anos ou mais; abaixo dessa idade, apenas se houver sangramento uterino anormal ou condições sugestivas de anovulação crônica. A justificativa é simples — célula glandular atípica pode não ter vindo do colo. Em gestantes, a investigação é a mesma exceto pelo estudo endometrial, que não é factível, e o procedimento excisional, se indicado, é adiado para 90 dias após o parto.
Carcinoma microinvasor: quando a peça de conização vira estadiamento
O carcinoma microinvasor corresponde ao estádio ia da FIGO e é uma entidade definida ao microscópio: não há como diagnosticá-la por biópsia dirigida, porque o diagnóstico exige medir a profundidade de invasão numa peça que contenha a lesão inteira, com margens livres. Daí a regra de técnica: nos casos com suspeita de microinvasão, preferem-se técnicas de conização a frio, e é inaceitável qualquer excisão que produza mais de um segmento — fragmentação e artefato térmico impedem medir a profundidade e avaliar o espaço linfovascular.
A invasão do espaço linfovascular merece um parágrafo próprio porque é o fator que muda a conduta sem mudar o estádio. Ela deve ser sempre relatada. No IA1 sem invasão do espaço linfovascular e com margens livres, a mulher com prole incompleta pode ser considerada tratada pela própria conização, desde que assegurado seguimento rigoroso. Presente a invasão linfovascular, ou tratando-se de estádio IA2 ou mais avançado, ou havendo prole completa, ou sendo impossível garantir o seguimento — em qualquer dessas situações a mulher vai para a unidade terciária. Margens comprometidas por NIC II/III numa peça com IA1 pedem novo procedimento excisional conforme o tipo de ZT.
O seguimento após tratamento conservador do microinvasor não tem estudo próprio, e a régua brasileira resolve isso por analogia com o cenário de maior risco: citologia e colposcopia semestrais nos dois primeiros anos, depois citologia anual até completar cinco anos, e então retorno ao rastreamento de rotina — sempre informando, no pedido, a história de doença microinvasora tratada conservadoramente.
Câncer invasor: FIGO 2018 e a linha que divide operar de irradiar
A revisão FIGO de 2018 mudou três coisas de uma vez, e todas caem em prova. Primeira: o estadiamento deixou de ser exclusivamente clínico e passou a admitir achados de imagem e de patologia, com as notações r (imagem) e p (patologia) — um linfonodo pélvico metastático visto em imagem estadia IIIC1r; confirmado por patologia, IIIC1p. Segunda: a dimensão horizontal saiu da definição do estádio ia. Vale apenas a profundidade de invasão: IA1 é invasão estromal menor que 3 mm; IA2 é invasão de 3 mm ou mais e menor que 5 mm; a partir de 5 mm de profundidade, Ib. Terceira: o estádio Ib foi subdividido por tamanho — IB1 abaixo de 2 cm, IB2 de 2 cm a menos de 4 cm, IB3 de 4 cm em diante — e o comprometimento linfonodal ganhou estádio próprio, o IIIC, independentemente do tamanho do tumor, com IIIC1 para linfonodo pélvico e IIIC2 para para-aórtico. Detalhe fino que a prova gosta: se as margens do cone forem positivas para carcinoma invasor, o caso é alocado como IB1.
Os estádios II a IV mantiveram a lógica anterior: II é a doença que ultrapassa o útero sem atingir a parede pélvica nem o terço inferior da vagina (IIa sem paramétrio, com IIA1 abaixo de 4 cm e IIA2 a partir de 4 cm; IIb com invasão parametrial); III envolve o terço inferior da vagina (IIIA), atinge a parede pélvica ou causa hidronefrose ou rim não funcionante (IIIB), ou compromete linfonodos (IIIC); IV é a extensão a órgãos pélvicos adjacentes com invasão comprovada por biópsia da mucosa vesical ou retal (IVA) ou a metástase a distância (IVB). Edema bolhoso da bexiga, por si só, não estadia como IV.
O estadiamento se apoia em exame físico completo — inclusive toque retal, para avaliar paramétrio — e em imagem: ressonância de pelve para tamanho e relação com estruturas vizinhas, ressonância ou tomografia de abdome a partir do estádio Ib para ureteres e linfonodos retroperitoneais, radiografia ou tomografia de tórax. O PET/CT, quando disponível, é indicado a partir de IB1 e é o exame de escolha para detectar metástase linfonodal. Cistoscopia e retossigmoidoscopia entram apenas na suspeita de invasão de bexiga ou reto. Sorologia para HIV faz parte da avaliação inicial.
O tratamento se organiza por uma pergunta: a doença ainda cabe dentro de uma peça cirúrgica? No IA1, cabe — conização com margens negativas resolve quem deseja preservar fertilidade, e histerectomia simples é a escolha na prole constituída, na ausência de invasão vascular e com margens negativas no cone. No IA2, traquelectomia com linfadenectomia pélvica para quem quer engravidar; havendo invasão vascular, histerectomia radical modificada com linfadenectomia pélvica bilateral. No IB1, histerectomia radical com linfadenectomia pélvica bilateral é o padrão, com pesquisa de linfonodo sentinela a considerar; radioterapia pélvica com braquiterapia fica como alternativa para quem não é candidata à cirurgia. Nos estádios IB2 a IIa, cirurgia radical ou quimiorradiação são caminhos aceitos.
A partir de IIb — isto é, quando o paramétrio está invadido — a doença deixa de ser cirúrgica. O tratamento primário dos estádios IIb a IVA é radioterapia com cisplatina 40 mg/m² por via endovenosa semanalmente durante a irradiação, seguida de braquiterapia. A braquiterapia não é um detalhe: numa série com mais de 7 mil mulheres em estádio IB2 a IVA, sua realização se associou a sobrevida específica de 64% contra 52% e sobrevida global de 58% contra 46% em quatro anos. Campo de radioterapia estendido quando há comprometimento para-aórtico comprovado.
Operada a doença inicial, a adjuvância se decide pela patologia, não pelo estádio clínico. Fatores de alto risco — linfonodo pélvico positivo, margem cirúrgica comprometida ou invasão de paramétrio — indicam quimiorradiação com cisplatina: no GOG 109, a adição da quimioterapia à radioterapia elevou a sobrevida livre de progressão de 63% para 80% e a global de 71% para 81% em quatro anos. Risco intermediário se define pelos critérios de Sedlis, que combinam invasão linfovascular, profundidade de invasão estromal e tamanho tumoral, e indicam radioterapia adjuvante.
Situações especiais: gestante, jovem, imunossuprimida
Na gestação, a regra que resume tudo é: investiga-se, não se trata. A colposcopia pode ser feita em qualquer época da gravidez e a biópsia é segura, com maior probabilidade apenas de sangramento — mas ela só se justifica quando a colposcopia mostra achados sugestivos de invasão. Diante de HSIL citológico, a gestante vai à colposcopia; confirmando-se NIC II/III, a reavaliação fica para 90 dias após o parto. Se a biópsia revelar invasão, aí sim a mulher segue para tratamento na unidade terciária. Procedimentos excisionais durante a gestação aumentam risco de abortamento e de parto prematuro e sangram mais — e não há contraindicação ao parto vaginal por causa de lesão de alto grau. No caso de citologia de LSIL, o documento brasileiro é ainda mais direto: qualquer abordagem diagnóstica fica para três meses após o parto, e a curetagem endocervical deve ser evitada na gestação.
Até 24 anos, a régua muda de eixo. 'Ver e Tratar' é inaceitável. Achado colposcópico menor com citologia de HSIL leva a seguimento citológico anual por dois anos. Achado maior leva à biópsia — e o que ela mostra decide: NIC II tem preferência por conduta expectante por 24 meses, com citologia e colposcopia semestrais, tratando-se apenas se a lesão persistir depois desse período (ou de saída, se o seguimento não puder ser assegurado). NIC III em mulheres até 20 anos ainda admite seguimento semestral por dois anos; entre 21 e 24 anos, recomenda-se tratamento excisional ou destrutivo, embora o seguimento semestral por dois anos ou até completar 25 anos também seja aceitável. O tratamento destrutivo, quando escolhido, exige lesão restrita à ectocérvice com JEC visível (ZT tipo 1).
Na pós-menopausa a conduta é a mesma das demais mulheres; o cuidado é técnico. A atrofia reduz a celularidade da amostra e piora o desempenho da citologia, e a JEC migra para dentro do canal com a idade, aumentando a proporção de colposcopias em que ela não é vista. Estrogênio tópico prévio melhora tanto a coleta quanto o exame colposcópico. Já em imunossuprimidas, a investigação inicial é idêntica à das imunocompetentes — o que muda é o depois: seguimento anual vitalício após tratamento de NIC II/III e preferência pelo método excisional quando for preciso tratar.
Do laudo histológico à conduta
Não misture as cinco etapas. Rastreamento encontra risco; colposcopia localiza a lesão; biópsia define histologia; o tipo de zona de transformação orienta a excisão; invasão confirmada muda o caso para estadiamento oncológico. O fluxo abaixo mantém cada decisão no seu andar e evita aplicar uma regra de rastreamento a uma lesão já diagnosticada.
- 11. RASTREAMENTO — aplicar o programa vigente e o resultado do teste primário. Um teste positivo não é diagnóstico de NIC nem de câncer; ele define a necessidade de triagem complementar ou colposcopia.
- 22. COLPOSCOPIA — descrever achados, localizar a junção escamocolunar e classificar a zona de transformação. Suspeita de invasão ou doença glandular retira o caso de qualquer atalho.
- 33. AMOSTRAGEM — fora dos critérios estritos de “Ver e Tratar”, realizar biópsia dirigida quando a lesão é visível e investigar o canal endocervical quando a junção não é totalmente visível.
- 44. HISTOLOGIA — NIC I em regra acompanha; NIC II exige decisão conforme idade, possibilidade de seguimento e contexto reprodutivo; NIC III trata. Gestação modifica tempo e método: excisão só diante de suspeita de invasão.
- 55. EXCISÃO — o tipo de zona de transformação define a profundidade: tipo 1, excisão tipo 1; tipo 2, excisão tipo 2; tipo 3 ou suspeita glandular/microinvasiva, peça única com canal e margens avaliáveis.
- 66. PEÇA E MARGENS — confirmar grau, excluir invasão e organizar seguimento. Margem comprometida por lesão de alto grau aumenta vigilância, mas não determina automaticamente nova excisão.
- 77. INVASÃO — carcinoma confirmado deixa o algoritmo de NIC: encaminhar à alta complexidade para estadiamento FIGO, imagem quando indicada e tratamento por estádio.
NIC I — terço inferior do epitélio
Manifestação histológica da infecção por HPV. Não se trata: mantém-se seguimento citológico. Tratar só se persistir por 24 meses, e mesmo aí a decisão é individualizada. Abaixo de 25 anos, nunca se trata.
NIC II — até dois terços
O grau instável: maior discordância entre patologistas e regressão em torno de 60% em 12 meses nas jovens. Em mulher a partir de 25 anos, trata-se por excisão; até 24 anos, prefere-se conduta expectante por 24 meses.
NIC III — espessura total, basal íntegra
Lesão de alto grau estabelecida, sem invasão. Tratamento excisional conforme o tipo de ZT, e a peça serve também para excluir a invasão que a colposcopia não viu.
Microinvasor — basal rompida (FIGO IA)
Diagnóstico só na peça de excisão com a lesão inteira e margens livres. Profundidade menor que 3 mm é IA1; de 3 a menos de 5 mm, IA2. A invasão do espaço linfovascular não muda o estádio, mas muda a conduta.
| Diagnóstico histológico | Conduta | Ponto que decide |
|---|---|---|
| NIC I confirmada por biópsia | Seguimento citológico; não tratar | Tratamento só cogitado após 24 meses de persistência, e individualizado |
| NIC I em mulher até 24 anos | Seguimento citológico trienal até completar 25 anos | Método excisional não está indicado antes dos 25 anos |
| NIC II/III, ZT tipo 1 ou 2 | Excisão tipo 1 ou 2 conforme a ZT | Peça serve de tratamento e de diagnóstico de invasão oculta |
| NIC II/III, ZT tipo 3 (JEC não visível) | Excisão tipo 3 | Profundidade suficiente para ultrapassar a JEC no canal |
| NIC II em mulher até 24 anos | Conduta expectante por 24 meses, com citologia e colposcopia semestrais | Tratar de saída se o seguimento não puder ser assegurado |
| NIC III em mulher até 20 anos | Seguimento citológico e colposcópico semestral por dois anos | Entre 21 e 24 anos, recomenda-se tratamento (excisional ou destrutivo) |
| Adenocarcinoma in situ (AIS) | Excisão tipo 3, em espécime único com margens avaliáveis | Prole completa → histerectomia simples; prole incompleta com margens livres → conização basta |
| Suspeita de microinvasão | Cone com margens avaliáveis (preferência por bisturi frio) | Inaceitável excisão que produza mais de um segmento |
| Carcinoma invasor confirmado | Encaminhamento à alta complexidade para estadiamento e tratamento | Estadiamento FIGO 2018, com imagem e patologia |
| NIC II/III em gestante | Reavaliar 90 dias após o parto; sem excisão na gestação | Biópsia apenas se houver achado sugestivo de invasão |
Tipo de zona de transformação e profundidade da excisão
| Tipo de ZT | Onde está a JEC | Excisão indicada | Profundidade de canal retirada |
|---|---|---|---|
| Tipo 1 | Totalmente visível, na ectocérvice | Excisão tipo 1 (a EZT clássica) | Doença ectocervical ou até 1 cm de canal |
| Tipo 2 | Visível, no primeiro centímetro do canal | Excisão tipo 2 | De 1,5 a 2,0 cm |
| Tipo 3 | Não visível ou parcialmente visível | Excisão tipo 3 (conização) | De 2 a 2,5 cm |
Seguimento após tratamento de NIC II/III, pelo laudo das margens
| Margens da peça | Primeiros 2 anos | Do 2º ao 5º ano | Depois de 5 anos |
|---|---|---|---|
| Livres ou comprometidas por NIC I | Citologia aos 6 e 12 meses (colposcopia a critério do serviço) | Citologia anual na atenção básica | Retorno ao rastreamento de rotina |
| Comprometidas por NIC II/III | Citologia e colposcopia semestrais | Citologia anual na atenção básica | Retorno ao rastreamento de rotina |
| Qualquer margem, mulher imunossuprimida | Seguimento citopatológico anual | Seguimento citopatológico anual | Segue anual por toda a vida — não há alta |
| Margens NIC II/III com seguimento inviável | Novo procedimento excisional | — | — |
FIGO 2018 do carcinoma de colo: estádio e tratamento de referência
| Estádio | Definição | Tratamento de referência |
|---|---|---|
| IA1 | Invasão estromal < 3 mm de profundidade | Conização com margens livres (fertilidade) ou histerectomia simples |
| IA2 | Invasão ≥ 3 mm e < 5 mm de profundidade | Traquelectomia + linfadenectomia pélvica; radical modificada se invasão vascular |
| IB1 | Invasão ≥ 5 mm e tumor < 2 cm | Histerectomia radical + linfadenectomia pélvica bilateral |
| IB2 | Tumor ≥ 2 cm e < 4 cm | Cirurgia radical ou quimiorradiação com braquiterapia |
| IB3 | Tumor ≥ 4 cm | Quimiorradiação com braquiterapia (cirurgia em casos selecionados) |
| IIA1 / IIA2 | Dois terços superiores da vagina, sem paramétrio (< 4 cm / ≥ 4 cm) | Cirurgia radical ou quimiorradiação |
| IIB | Invasão parametrial sem atingir a parede pélvica | Quimiorradiação: cisplatina 40 mg/m² semanal + braquiterapia |
| IIIA / IIIB | Terço inferior da vagina / parede pélvica ou hidronefrose | Quimiorradiação + braquiterapia |
| IIIC1 / IIIC2 | Linfonodo pélvico / para-aórtico, em tumor de qualquer tamanho | Quimiorradiação; campo estendido se para-aórtico comprovado |
| IVA / IVB | Mucosa de bexiga ou reto comprovada por biópsia / metástase a distância | Quimiorradiação (IVA); tratamento sistêmico (IVB) |
Margem comprometida por NIC II/III não é, sozinha, indicação de nova excisão — a maioria dessas mulheres não terá lesão residual. Ela indica seguimento mais apertado. Nova excisão entra quando, além da margem, o seguimento não é possível.
'Ver e Tratar' é inaceitável em duas situações que a prova gosta de misturar: citologia de LSIL (sobretratamento) e mulher até 24 anos.
Se as margens do cone forem positivas para carcinoma invasor, o caso é alocado em IB1 na FIGO 2018 — deixa de ser microinvasor por definição.
A invasão do espaço linfovascular deve sempre ser relatada: ela não altera o estádio FIGO, mas altera a decisão terapêutica no IA1 e no IA2.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Profundidade e extensão horizontal (FIGO 2009, reproduzida no documento brasileiro de 2016)
IA1 é invasão de até 3 mm de profundidade E extensão de até 7 mm; IA2, invasão acima de 3 e até 5 mm com extensão de até 7 mm. Profundidade acima de 5 mm OU extensão acima de 7 mm caracteriza estádios a partir de IB. Por essa régua, uma lesão de 4 mm de profundidade e 9 mm de extensão é IB.
INCA, Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero, 2ª ed., 2016 — capítulo de lesão de alto grau não podendo excluir microinvasão.
Só a profundidade (FIGO 2018, adotada pela SBOC em 2025)
A dimensão horizontal deixou de ser considerada na fronteira entre IA e IB: IA1 é invasão estromal menor que 3 mm; IA2, de 3 mm a menos de 5 mm; IB, a partir de 5 mm. A mesma lesão de 4 mm de profundidade e 9 mm de extensão é IA2. O IB passou a se subdividir por tamanho (IB1 < 2 cm, IB2 de 2 a < 4 cm, IB3 ≥ 4 cm) e o linfonodo comprometido criou o estádio IIIC.
BAGP information document — 2018 FIGO staging system for cervix cancer, v1.2 (2019); tabela FIGO/TNM das Diretrizes de tratamentos oncológicos da SBOC, 2025.
Na prova
A causa da diferença é de data, não de mérito: o documento brasileiro de manejo é de 2016 e antecede a revisão FIGO de 2018 — não há discordância clínica entre eles. O enunciado costuma denunciar o recorte: se ele nomeia 'FIGO 2018', usa IB1/IB2/IB3 ou fala em estádio IIIC por linfonodo, está no sistema novo; se oferece alternativas com os 7 mm de extensão horizontal ou trata IB1 como 'até 4 cm', está reproduzindo o sistema de 2009. Questão que cita profundidade e extensão juntas, sem nomear o ano, costuma estar testando exatamente essa troca.
Por diagnóstico e faixa etária (Diretrizes do INCA, 2016)
A conduta é indexada ao laudo e à idade. Citologia de HSIL com achados maiores, JEC visível e lesão restrita ao colo autoriza excisão na primeira consulta ('Ver e Tratar'); até 24 anos esse método é inaceitável, e a NIC II histológica é acompanhada por 24 meses com citologia e colposcopia semestrais antes de se cogitar tratar.
INCA, Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero, 2ª ed., 2016 — capítulo de lesão intraepitelial escamosa de alto grau e situações especiais.
Por risco imediato calculado de NIC 3+ (ASCCP, 2019, com atualização em 2023)
O gatilho não é o diagnóstico isolado, e sim o risco imediato estimado de NIC 3+, calculado a partir da combinação de citologia, genotipagem do HPV e história prévia: tratamento imediato é preferencial quando esse risco é de 60% ou mais e aceitável entre 25% e 60%, sempre a partir dos 25 anos. Abaixo dessa idade, a observação da NIC 2 é considerada opção razoável, pelas altas taxas de regressão.
2019 ASCCP Risk-Based Management Consensus Guidelines (J Low Genit Tract Dis, 2020; atualização de 2023) — recomendações divulgadas em resumo pela ASCCP.
Na prova
As duas réguas chegam a condutas parecidas nos extremos e divergem na arquitetura: uma indexa por laudo, a outra por probabilidade. A régua por risco depende de genotipagem do HPV e de histórico informatizado de rastreamento, que o programa brasileiro passou a ter só com a incorporação do teste molecular em 2025 — a diferença é de infraestrutura disponível, não de discordância sobre a biologia. Identifica-se o recorte pelo vocabulário: enunciado que fala em 'risco imediato de NIC 3+', percentuais de risco ou 'tratamento expedito' está no corpo americano; enunciado com 'Ver e Tratar', 'excisão tipo 1/2/3' ou 'unidade secundária' está no corpo brasileiro. Prova oficial do MEC tende à conduta do SUS; em outras bancas, as alternativas revelam o mundo em que a questão foi escrita.
Citologia, com colposcopia conforme a margem (Diretrizes do INCA, 2016)
Margens livres ou com NIC I: citologia aos 6 e 12 meses, colposcopia a critério do serviço. Margens com NIC II/III: citologia e colposcopia semestrais nos dois primeiros anos. Depois, citologia anual até cinco anos. O próprio documento registra que o teste de DNA-HPV é mais sensível que a citologia para detectar lesão residual ou recorrente, mas mantém a citologia como base da recomendação.
INCA, Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero, 2ª ed., 2016 — seção de seguimento pós-tratamento de NIC II/III.
Teste molecular de DNA-HPV como teste de cura
A base é o desempenho: a revisão sistemática citada pelo próprio documento brasileiro aponta doença residual ou recorrente de 4% a 18% em até dois anos após tratamento de lesão de alto grau, com média de 8%, e o teste molecular identifica esses casos com sensibilidade maior que a da citologia — um estudo brasileiro encontrou teste negativo em 74,75% das tratadas seis meses após o procedimento.
Evidência revisada dentro das próprias Diretrizes do INCA de 2016 (meta-análise de Arbyn e coorte brasileira citadas na seção de seguimento).
Na prova
A causa aqui é de disponibilidade e de calendário: em 2016 o teste molecular não estava incorporado ao SUS, e sua incorporação em 2025 veio na Parte I das novas diretrizes, que trata de rastreamento — a parte destinada ao manejo das lesões confirmadas ainda não foi publicada. Enquanto isso, o seguimento pós-tratamento oficial continua sendo o de 2016. O recorte aparece no cenário: enunciado ambientado em unidade básica ou secundária do SUS, com prazos em meses e menção a colposcopia, está na régua de 2016; enunciado que oferece 'teste de DNA-HPV seis meses após a excisão' entre as alternativas está testando o conhecimento do desempenho do método.
Basta em situação delimitada, e o resto vai para a alta complexidade (INCA, 2016)
No IA1 detectado em peça de excisão com margens livres e sem comprometimento do espaço linfovascular, a mulher com prole incompleta pode ser considerada tratada. Vai para a unidade terciária quem tiver prole completa, impossibilidade de seguimento, invasão do espaço linfovascular na peça, ou estadiamento IA2 ou mais avançado. O seguimento conservador é o mesmo do NIC II/III de maior risco.
INCA, Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero, 2ª ed., 2016 — capítulo de lesão de alto grau não podendo excluir microinvasão.
Histerectomia simples é a escolha na prole constituída (SBOC, 2025)
No IA1 com prole constituída, a histerectomia simples é o procedimento de escolha na ausência de invasão vascular e com margens negativas no cone; a conização com margens negativas fica para quem deseja preservar fertilidade. O próprio documento registra que, em 1.409 pacientes com menos de 40 anos e estádio IA1, não houve diferença de sobrevida global em 5 anos entre conização e histerectomia.
SBOC, Diretrizes de tratamentos oncológicos 2025 — capítulo 'Colo do útero', tratamento do estádio IA1.
Na prova
As duas posições descrevem etapas diferentes da linha de cuidado: o documento do INCA responde 'o que a unidade secundária resolve e o que ela encaminha', enquanto o da SBOC responde 'o que se faz no centro oncológico'. Elas não se contradizem sobre a sobrevida — a própria SBOC registra equivalência entre conização e histerectomia no IA1 de baixo risco. O cenário do enunciado é que separa: ambulatório de patologia cervical, peça de EZT ou conização recém-laudada e pergunta sobre encaminhamento indicam a régua do INCA; consulta em oncologia, discussão de preservação de fertilidade e menção a linfonodo sentinela indicam a régua oncológica.
Caso resolvido
- achado
- Citologia de HSIL com colposcopia mostrando achados anormais maiores (acetobranco denso, mosaico grosseiro), JEC visível — portanto zona de transformação tipo 1 ou 2 —, lesão restrita ao colo e nenhum sinal sugestivo de invasão ou de doença glandular.
- leitura
- As quatro condições do 'Ver e Tratar' estão presentes simultaneamente. Nessa situação, a biópsia prévia não é recomendada: ela adia o tratamento e não muda a conduta, porque a própria peça de excisão dará o diagnóstico. Lembrando que cerca de 1% a 2% das HSIL citológicas escondem carcinoma invasor — outra razão para retirar a peça inteira em vez de fragmentá-la.
- conduta
- Excisão da zona de transformação no mesmo atendimento, sob visão colposcópica e anestesia local, do tipo correspondente à ZT: tipo 1 se a doença é ectocervical ou não ultrapassa o primeiro centímetro do canal; tipo 2 se é preciso retirar de 1,5 a 2,0 cm para ultrapassar a JEC.
- laudo da peça
- Volta NIC III com margem endocervical comprometida por NIC III. Isso não indica, por si só, nova conização: a maioria das mulheres nessa situação não terá lesão residual. Nova excisão só entraria se o seguimento não pudesse ser garantido.
- seguimento
- Citologia e colposcopia semestrais nos dois primeiros anos; depois, citologia anual até completar cinco anos do tratamento, na unidade básica. Cumpridos os cinco anos sem lesão residual, retorno ao rastreamento de rotina, sempre informando no pedido a história de doença intraepitelial tratada.
- armadilha evitada
- Se a citologia dessa mulher fosse de LSIL, e não de HSIL, o 'Ver e Tratar' seria inaceitável — o caminho seria biópsia dirigida e, se viesse NIC I, seguimento citológico.
Agora feche você
- achado
- HSIL citológico em gestante de 24 semanas, com colposcopia mostrando achados anormais maiores e nenhum sinal sugestivo de invasão.
- o que não fazer
- Procedimento excisional na gestação aumenta risco de abortamento e de parto prematuro e cursa com sangramento excessivo. Também não se repete citologia como conduta inicial diante de HSIL.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Tratar NIC I porque 'já tem lesão' O nome carrega a palavra neoplasia e induz à ação, mas NIC I é a tradução histológica de uma infecção por HPV em atividade, com regressão frequente. Tratar de saída produziu 60% de peças com NIC I ou sem NIC alguma num ensaio randomizado — sobretratamento com dano obstétrico e sem benefício. A conduta é seguimento; o tratamento só entra na persistência por 24 meses, e ainda assim individualizado.
- 2Aplicar 'Ver e Tratar' em citologia de LSIL ou em mulher de 22 anos O método é eficiente justamente porque é seletivo. Com citologia de LSIL a probabilidade de doença de alto grau é baixa demais e a excisão vira sobretratamento — o documento classifica a prática como inaceitável. Até 24 anos, também inaceitável: a regressão é a regra nessa faixa e a excisão custa colo. As quatro condições precisam estar presentes ao mesmo tempo, não bastando 'achados maiores'.
- 3Reconizar automaticamente por margem comprometida Margem com NIC II/III é o principal fator de risco para doença residual, e isso engana: a maioria dessas mulheres não terá lesão residual, e a conduta é seguimento semestral com citologia e colposcopia por dois anos. Novo procedimento excisional entra quando à margem comprometida se soma a impossibilidade de seguir a mulher — a decisão é sobre o seguimento, não sobre a margem isolada.
- 4Tratar AIS como se fosse lesão escamosa Excisão rasa não serve para doença glandular. O AIS é multifocal em 5% a 15% dos casos e pode ter lesões descontínuas, de modo que margem livre não garante retirada completa: mesmo com margens negativas, a recorrência chega a 20,3%. A indicação é excisão tipo 3, em peça única com margens interpretáveis, e a definição do tratamento passa pela prole — histerectomia simples na prole completa.
- 5Usar os 7 mm de extensão horizontal para separar IA de IB Esse critério vem da FIGO 2009 e continua estampado em material antigo, inclusive no documento brasileiro de 2016. Na FIGO 2018 a dimensão horizontal saiu: o que define IA é só a profundidade — menor que 3 mm é IA1, de 3 a menos de 5 mm é IA2. Uma lesão de 4 mm de profundidade com 9 mm de extensão migra de IB (régua antiga) para IA2 (régua atual).
- 6Achar que linfonodo comprometido não muda o estádio Mudou em 2018. Comprometimento linfonodal, de qualquer tumor e de qualquer tamanho, leva o caso a IIIC — IIIC1 para pélvico, IIIC2 para para-aórtico —, com as notações r quando o achado é de imagem e p quando é de patologia. Um tumor de 1,5 cm com linfonodo pélvico positivo não é IB1: é IIIC1.
- 7Indicar cesariana por causa de lesão de alto grau Não há contraindicação ao parto vaginal em gestante com NIC II/III. A conduta na gravidez é investigar sem tratar: colposcopia em qualquer idade gestacional, biópsia apenas se houver achado sugestivo de invasão e reavaliação 90 dias após o parto. Procedimento excisional na gestação aumenta abortamento, prematuridade e sangramento.
- 8Dar alta à mulher imunossuprimida depois de cinco anos O calendário de cinco anos com retorno ao rastreamento de rotina vale para a mulher imunocompetente. Quem vive com HIV ou é imunossuprimida por outra causa recidiva mais e mantém seguimento citopatológico anual por toda a vida após tratamento de NIC II/III — e, quando é preciso tratar, prefere-se o método excisional ao destrutivo.
Diante de HSIL na citologia, a conduta é encaminhar à colposcopia com biópsia dirigida para confirmação histológica e definição de tratamento (correta). Repetir a citologia é conduta de lesões de baixo grau/ASC-US em certos cenários, não de HSIL. Histerectomia é desproporcional sem diagnóstico histológico e sem invasão. Seguimento só com HPV subestima uma lesão de alto grau. Imunomodulador tópico não tem papel no manejo da HSIL cervical.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Uma mulher de 35 anos comparece à UBS com resultado de citopatológico do colo uterino evidenciando lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL). Está assintomática, exame especular sem lesões macroscópicas evidentes. Segundo as diretrizes brasileiras para rastreamento do câncer do colo do útero, qual é a conduta mais adequada?
Diante de citologia com HSIL, a conduta preconizada é o encaminhamento para colposcopia em serviço de referência, para biópsia dirigida e definição terapêutica (ex.: EZT/conização). Repetir citologia e o seguimento anual Inadequados: para HSIL, que exige investigação, pois tem alto risco de lesão de alto grau/invasão. Histerectomia não é a primeira conduta — o tratamento padrão da HSIL é excisional local (EZT).
Mulher de 38 anos comparece à UBS para coleta de citologia oncótica de rotina. O resultado retorna como lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL). Está assintomática, sem lesões visíveis a olho nu. Qual a conduta mais adequada?
Diante de citologia com HSIL (lesão de alto grau), a conduta preconizada é encaminhar para colposcopia com biópsia dirigida para confirmação histológica e definição terapêutica (habitualmente excisão/EZT). Repetir a citologia em 6 meses é inadequado para alto grau — retarda o diagnóstico. Histerectomia não é a primeira conduta para HSIL, que é lesão intraepitelial (pré-invasiva) e tratável de forma conservadora. Tratar por crioterapia sem histologia (ver e tratar) não é recomendado para HSIL sem avaliação colposcópica prévia.
Mulher de 35 anos comparece à UBS para coleta de citologia oncótica de rotina. Nunca fez rastreamento. O resultado retorna como 'lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL)'. Está assintomática. De acordo com as diretrizes de rastreamento do câncer de colo do útero no SUS, qual é a conduta correta?
Diante de citologia com HSIL (lesão intraepitelial de alto grau), a conduta é encaminhar para colposcopia com biópsia dirigida, que confirma o diagnóstico histológico e orienta o tratamento (frequentemente excisão da zona de transformação). Repetir citologia em 3 anos é conduta de rastreamento em mulher com exame normal, não com HSIL. HSIL é lesão pré-invasora, não câncer invasor, portanto quimioterapia é inadequada. Antibiótico não trata lesão intraepitelial nem justifica postergar a colposcopia.
Mulher de 35 anos comparece à UBS trazendo resultado de citologia oncótica de colo do útero (Papanicolau) de rastreamento, com laudo de 'lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL)'. É assintomática, sem sangramento. Antecedentes: dois partos vaginais, tabagista, sem citologias alteradas prévias. Exame especular sem lesões macroscópicas evidentes. Considerando as recomendações do INCA/Ministério da Saúde para conduta frente a esse resultado citológico, qual a próxima etapa mais adequada?
Diante de citologia com HSIL (lesão de alto grau), a conduta preconizada pelo INCA é o encaminhamento para colposcopia, que permite avaliar a zona de transformação e dirigir biópsia/tratamento (ver-e-tratar em casos selecionados). Repetir a citologia é conduta reservada a alterações de baixo risco (ex.: ASC-US em determinadas faixas), não para HSIL. Histerectomia não é conduta inicial — o tratamento padrão de lesão de alto grau confirmada é a exérese da zona de transformação (EZT/conização). Cauterização empírica sem diagnóstico colposcópico/histológico é inadequada.
Mulher, 35 anos, encaminhada por citologia com HSIL. À colposcopia satisfatória (junção escamocolunar totalmente visível), identifica-se área de epitélio acetobranco denso com mosaico grosseiro no lábio anterior do colo. Realizada biópsia dirigida, cujo laudo histológico foi: neoplasia intraepitelial cervical grau 3 (NIC 3), sem invasão. A lesão restringe-se à ectocérvice, sem extensão para o canal endocervical. Qual é a conduta terapêutica mais adequada?
Correta: NIC 3 é lesão precursora de alto grau com risco relevante de progressão para carcinoma invasor; a conduta padrão é a excisão da zona de transformação (EZT/CAF/LEEP) por alça diatérmica, que é diagnóstica e terapêutica, indicada quando a colposcopia é satisfatória e a lesão é ectocervical. Aguardar regressão é aceitável em NIC 1 (baixo grau), não em NIC 3. Conização a frio fica reservada a suspeita de invasão, lesão com extensão endocervical não avaliável ou discordância citocolpohistológica — não é a primeira escolha aqui. Histerectomia não é tratamento inicial de lesão precursora; só se considera em situações particulares (ex.: impossibilidade de excisão, comorbidade ginecológica associada). Métodos destrutivos como crioterapia não fornecem material para histologia e não são recomendados para lesões de alto grau em nosso meio.
Mulher, 46 anos, com sangramento pós-coito há 4 meses. Ao exame especular observa-se lesão exofítica e friável no colo uterino, medindo cerca de 3 cm. Biópsia confirma carcinoma epidermoide invasor. Ressonância magnética de pelve mostra tumor confinado ao colo, com maior diâmetro de 3 cm, sem invasão de paramétrios, sem acometimento do terço inferior da vagina e sem comprometimento de linfonodos. Considerando o estadiamento FIGO, essa paciente encontra-se no estádio IB2. Qual é o tratamento de escolha para essa paciente?
Correta: Câncer de colo estádio IB2 (tumor confinado ao colo, > 2 cm e ≤ 4 cm) tem como tratamento padrão a histerectomia radical (tipo Wertheim-Meigs, que remove paramétrios e terço superior da vagina) associada à linfadenectomia pélvica — alternativamente radioquimioterapia definitiva. Conização é tratamento conservador reservado a estádio IA1 (invasão microscópica), inadequada para tumor de 3 cm. Histerectomia simples não remove paramétrios nem linfonodos e é insuficiente para IB2; ela é aceitável apenas em lesões muito iniciais (IA1). Quimioterapia isolada não é tratamento curativo definitivo para doença localizada. Radioterapia exclusiva sem braquiterapia é inadequada — quando se opta pela via radioterápica, a braquiterapia é componente essencial e associa-se à quimioterapia (radioquimioterapia).
Mulher, 40 anos, assintomática, comparece para rastreamento de rotina. A citologia oncótica evidencia lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL). Encaminhada à colposcopia, o exame é satisfatório, com zona de transformação tipo 1 e alterações maiores (grau 2) totalmente visíveis, restritas ao colo. De acordo com as diretrizes brasileiras (INCA/MS), qual a conduta mais adequada?
Correta: Diante de citologia com HSIL em mulher acima de 25 anos, com colposcopia satisfatória, alteração maior totalmente visível e zona de transformação tipo 1, as diretrizes brasileiras autorizam a abordagem "ver e tratar", com exérese da zona de transformação (EZT/CAF) no mesmo tempo, que é diagnóstica e terapêutica. Seguimento citológico é conduta para lesões de baixo grau ou situações específicas, não para HSIL com colposcopia alterada — subtrata a paciente. A conização a frio é reservada a suspeita de invasão, lesão endocervical não visível (ZT tipo 3) ou discordância, não sendo o método de escolha aqui. Histerectomia é tratamento excessivo para lesão precursora, indicada só em situações particulares após avaliação da peça. Métodos ablativos como criocauterização não fornecem peça para estudo histológico e não se aplicam a HSIL com indicação de exérese.
Mulher, 58 anos, na pós-menopausa há 8 anos, refere sangramento vaginal irregular há 2 meses e sangramento após relação sexual. Ao exame especular, observa-se lesão vegetante e friável de cerca de 3 cm no colo uterino, que sangra ao toque. Último preventivo há 4 anos, relatado como normal. Qual é o próximo passo diagnóstico mais adequado?
Correta: Diante de lesão cervical macroscopicamente suspeita (vegetante, friável, com sangramento ao toque) em mulher com sangramento pós-coito/pós-menopausa, a conduta é biópsia dirigida da lesão, que confirma histologicamente o câncer invasor. A citologia tem alta taxa de falso-negativo na presença de tumor invasor franco (necrose/inflamação) e postergaria o diagnóstico. A colposcopia é útil quando o colo parece normal e a citologia é alterada; com lesão visível, a biópsia direta é mandatória e não se deve aguardar controle. A conização é procedimento para lesões não visíveis/avaliação de microinvasão, sendo excessiva frente a tumor macroscópico — a biópsia simples já basta. Tratar como infecção atrasa o diagnóstico de uma lesão altamente suspeita de malignidade.
Mulher, 34 anos, sem comorbidades, comparece ao ambulatório para resultado de citologia oncótica de rastreamento, que evidenciou lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL / NIC II-III). Encaminhada à colposcopia, esta se mostra satisfatória, com junção escamocolunar totalmente visível e achados maiores (epitélio acetobranco denso e mosaico grosseiro) restritos ao ectocérvice e inteiramente visíveis, sem sinais de invasão. Conforme as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, qual a conduta mais adequada?
Correta: Em mulher com 25 anos ou mais, citologia de HSIL e colposcopia satisfatória com achados maiores totalmente visíveis e sem suspeita de invasão, a conduta preconizada pelas diretrizes brasileiras (INCA) é a excisão da zona de transformação por CAF na abordagem "ver e tratar", que é diagnóstica e terapêutica. Erra: repetir citologia é conduta de lesões de baixo grau/ASC-US em cenários específicos, nunca de HSIL, que exige investigação/tratamento imediato. Erra apenas biopsiar e observar subtrata uma NIC de alto grau com indicação de excisão. Erra: histerectomia é exagero terapêutico e não é tratamento de primeira linha de NIC. Erra: cauterização química não trata lesão de alto grau nem fornece espécime para estudo histológico da margem/invasão.
Mulher, 48 anos, tabagista de longa data, procura atendimento por sangramento após as relações sexuais (sinusorragia) e corrimento sanguinolento intermenstrual há cerca de 4 meses. Ao exame especular, observa-se lesão vegetante e friável, medindo aproximadamente 3 cm, ocupando o lábio anterior do colo uterino e sangrando facilmente ao toque. Qual a conduta mais adequada para o diagnóstico dessa paciente?
Correta: Diante de lesão cervical macroscopicamente suspeita (vegetante, friável, com sangramento ao toque e sinusorragia), a conduta é a biópsia dirigida da lesão, pois só o estudo histológico confirma carcinoma invasor. Erra: a citologia é exame de rastreamento de mulheres assintomáticas e tem alta taxa de falso-negativo em tumor invasor por necrose e sangue, não devendo atrasar a biópsia de uma lesão visível. Erra: postergar em 6 meses uma lesão suspeita de malignidade é conduta inaceitável. Erra: tratar como cervicite ignora um quadro clássico de câncer de colo e retarda o diagnóstico. Erra: a tipagem de HPV não confirma nem exclui invasão e não substitui a biópsia da lesão visível.
O câncer de colo do útero é uma das neoplasias mais fortemente associadas a um agente infeccioso, cuja infecção persistente é considerada causa necessária para o desenvolvimento das lesões precursoras (NIC) e do carcinoma invasor. Quais são os tipos virais de maior potencial oncogênico, responsáveis pela maioria dos casos de câncer cervical?
Correta: Os HPV 16 e 18 são os tipos de alto risco oncogênico responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero, sendo a infecção persistente por HPV de alto risco a causa necessária da doença. A e D erram: HPV 6, 11, 42 e 44 são tipos de baixo risco, associados a verrugas genitais/condilomas, e não ao carcinoma invasor. Erra: o HSV-2 causa herpes genital e não é o agente causal do câncer cervical. Erra: o CMV não tem relação etiológica com o câncer de colo uterino.
Uma mulher de 54 anos, tabagista, procura a Unidade de Pronto Atendimento por sangramento vaginal que ocorre após as relações sexuais há cerca de três meses, associado a corrimento serossanguinolento de odor fétido. Refere que parou de realizar o exame preventivo há mais de 10 anos. Ao exame especular, observa-se lesão vegetante, friável e sangrante ocupando grande parte do colo uterino, que sangra ao simples toque. O toque vaginal revela colo endurecido; paramétrios livres à palpação. Diante desse quadro clínico, qual é a conduta inicial mais apropriada para o esclarecimento diagnóstico?
Diante de lesão cervical macroscopicamente suspeita de malignidade (vegetante, friável, sangrante), a investigação NÃO é o rastreamento citológico, e sim a biópsia dirigida da lesão para confirmação histológica — a citologia tem alta taxa de falso-negativo no câncer invasor por necrose e inflamação. Incorreta porque a citologia não deve substituir a biópsia em lesão visível. Incorreta pois postergar a investigação de lesão suspeita é inadequado. Incorreta porque o quadro não é de rastreamento de rotina, mas de lesão sintomática que exige diagnóstico imediato.
Uma mulher de 52 anos procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de sangramento vaginal após as relações sexuais há cerca de quatro meses, associado a corrimento vaginal de odor fétido nas últimas semanas. Refere ainda dor lombar baixa ocasional. Está na menopausa há três anos, teve cinco gestações, é tabagista e relata que seu último exame preventivo foi há mais de dez anos. Ao exame especular, observa-se lesão vegetante, friável, de cerca de 3 cm, ocupando o lábio anterior do colo uterino, que sangra ao toque do espéculo. Ao toque vaginal, o colo está endurecido e os fundos de saco estão livres; o toque retal não evidencia comprometimento de paramétrios. Nesse caso, a conduta imediata é
Correta: Diante de lesão cervical macroscopicamente suspeita de câncer invasor (lesão vegetante, friável, que sangra ao contato, em paciente com sinusorragia, corrimento fétido e rastreamento ausente), a conduta é a BIÓPSIA da lesão para diagnóstico histopatológico e estadiamento subsequente — o colo clinicamente suspeito é indicação de biópsia, independentemente da citologia. Errada: a citologia é exame de rastreamento em mulheres assintomáticas e apresenta alta taxa de resultados falso-negativos em tumores invasores por necrose e inflamação do material, além de retardar o diagnóstico. Errada: tratar como cervicite posterga o diagnóstico de neoplasia com apresentação clássica. Errada: o teste de Schiller não faz diagnóstico e a espera de seis meses é inaceitável frente à suspeita de carcinoma invasor.
Uma mulher de 47 anos comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de sangramento vaginal após as relações sexuais há cerca de quatro meses, além de corrimento amarelado com odor fétido no mesmo período. Refere menarca aos 11 anos, sexarca aos 14 anos, quatro parceiros ao longo da vida, cinco gestações e tabagismo de 20 anos-maço. Nunca realizou exame preventivo. Ao exame especular, observa-se lesão vegetante, friável, de aproximadamente 2,5 cm, ocupando o lábio anterior do colo uterino, que sangra ao simples contato com a espátula. Ao toque vaginal, o colo apresenta consistência endurecida, e os paramétrios estão livres. Restante do exame físico sem alterações. Diante desse quadro, a conduta adequada é
Correta: diante de colo com lesão macroscopicamente suspeita de invasão (vegetante, friável, sangramento ao contato, colo endurecido), as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero (INCA/MS) determinam que a paciente seja encaminhada diretamente para biópsia — o diagnóstico de câncer invasor é histopatológico, não citológico. A citologia é exame de RASTREAMENTO, destinado a mulheres assintomáticas com colo sem lesão visível; em tumores invasores ela tem alta taxa de falso-negativo por necrose, inflamação e sangue no esfregaço, e um resultado negativo retardaria o diagnóstico. Tratar como cervicite é inadequado: o sinusorragia com lesão vegetante e colo pétreo não é quadro infeccioso, e a espera de 30 dias apenas atrasa o encaminhamento oncológico. O teste de DNA-HPV é ferramenta de rastreamento/triagem em mulheres sem lesão visível; um resultado, positivo ou negativo, não altera a indicação de biópsia já estabelecida pelo exame físico.
Durante uma ação de educação em saúde numa Unidade Básica de Saúde, uma agente comunitária pergunta ao médico qual é o principal fator causal do câncer do colo do útero, doença-alvo do rastreamento com o exame de Papanicolaou no SUS. Qual é o agente etiológico presente em praticamente todos os casos de câncer cervical e de suas lesões precursoras (NIC)?
A infecção persistente por HPV de alto risco oncogênico (principalmente os tipos 16 e 18) é causa necessária de praticamente todos os cânceres cervicais e das lesões NIC, sustentando a estratégia de vacinação e rastreio no SUS. HSV-2 e Chlamydia são cofatores/ISTs, mas não causa necessária. O HIV eleva o risco por imunossupressão, porém não é o agente etiológico da doença.
Mulher de 53 anos procura a Unidade Básica de Saúde relatando sangramento vaginal intermitente há 3 meses, com piora após relações sexuais (sinusorragia) e corrimento fétido. Nunca realizou exame preventivo. Ao exame especular, observa-se lesão vegetante, friável e sangrante ocupando o lábio anterior do colo uterino. Diante desse achado, qual é a conduta mais adequada para o diagnóstico?
Lesão cervical macroscópica suspeita de malignidade exige biópsia dirigida (com ou sem colposcopia) para confirmação histológica e encaminhamento ao serviço de referência. A citologia tem alta taxa de falso-negativo em tumores invasores por necrose e inflamação, servindo ao rastreio de assintomáticas, não ao diagnóstico de lesão visível. Observar e tratar como cervicite apenas retardam o diagnóstico de um provável câncer invasor.
Mulher de 37 anos, G2P2, tabagista (20 maços-ano), comparece à unidade básica de saúde com resultado de citologia oncótica: lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL). Nega sangramento genital ou corrimento. Encaminhada ao ambulatório de patologia cervical, realiza colposcopia satisfatória, com junção escamocolunar inteiramente visível (zona de transformação tipo 1) e área de epitélio acetobranco denso com mosaico grosseiro ocupando um quadrante do lábio anterior, sem vasos atípicos, sem ulceração e sem qualquer sinal sugestivo de invasão. Não está grávida e o teste de gravidez é negativo. De acordo com as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, a conduta indicada é
Correta: as Diretrizes Brasileiras (INCA) autorizam o "ver e tratar" — EZT tipo 1 no mesmo ato — em mulher acima de 25 anos com citologia de HSIL, colposcopia com JEC visível (ZT tipo 1) e achado maior, sem suspeita de invasão nem gestação; o caso preenche exatamente esses critérios. Repetir citologia em seis meses é conduta de citologias de significado indeterminado/baixo grau, não de HSIL, e retarda o tratamento de lesão com alta chance de NIC II/III. Biópsia prévia seria necessária apenas se houvesse discordância, suspeita de invasão ou ZT tipo 3 — não é o caso, e a peça da EZT já fornece o diagnóstico histológico. Conização a frio fica reservada à suspeita de microinvasão/adenocarcinoma in situ ou ZT tipo 3, com mais morbidade obstétrica.
Mulher de 48 anos, tabagista, sem exame preventivo há mais de dez anos, procura o pronto atendimento por sangramento pós-coital há quatro meses e corrimento fétido. Ao exame especular, o colo está substituído por lesão vegetante e friável de cerca de 5 cm, que sangra ao contato. O toque vaginal evidencia comprometimento do terço superior da vagina e o toque retal mostra espessamento nodular do paramétrio direito, sem atingir a parede pélvica. A biópsia revela carcinoma de células escamosas invasor. A ressonância magnética confirma os achados, sem hidronefrose, sem invasão de bexiga ou reto e sem linfonodos suspeitos. Assinale a conduta adequada.
Correta: paramétrio comprometido sem atingir a parede pélvica define estádio IIB da FIGO, e a partir do IIB o tratamento padrão é quimiorradioterapia exclusiva (radioterapia pélvica com cisplatina semanal) complementada por braquiterapia. Histerectomia simples é tratamento inadequado para carcinoma invasor e deixa doença paramétrica residual. Wertheim-Meigs é a opção cirúrgica dos estádios iniciais (até IB2/IIA1 selecionados) — com paramétrio acometido a chance de margem comprometida e de necessidade de radioterapia adjuvante é alta, somando morbidade sem ganho. Exenteração pélvica é reservada a recidiva central após radioterapia ou a estádio IVA selecionado com invasão de bexiga/reto, ausentes aqui.
Mulher de 32 anos, nuligesta, encaminhada da atenção primária por citologia oncótica com "lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL)". Nega sangramento pós-coito, dor pélvica ou perda de peso; tabagista, ciclos regulares. Na colposcopia realizada no serviço de referência: epitélio acetobranco denso, com mosaico grosseiro e pontilhado grosseiro, ocupando os lábios anterior e posterior do colo, inteiramente localizado na ectocérvice; junção escamocolunar completamente visível (zona de transformação tipo 1); toda a lesão visível em sua extensão; ausência de vasos atípicos, ulceração ou friabilidade. Teste de Schiller iodo-negativo na área. Assinale a conduta mais adequada.
O caso preenche todos os critérios brasileiros para o "ver e tratar": mulher acima de 25 anos, citologia de HSIL, colposcopia com achados maiores, zona de transformação tipo 1 com JEC totalmente visível, lesão inteiramente visível e ausência de sinais de invasão ou de suspeita glandular — nessa situação a excisão tipo 1 é diagnóstica e terapêutica em tempo único, evitando perda de seguimento. A biópsia prévia é obrigatória apenas quando algum desses critérios falta (JEC não visível, extensão ao canal, suspeita de invasão ou lesão de gravidade discordante), e aqui apenas adiaria o mesmo tratamento. A conização a frio é reservada à suspeita de invasão ou de doença glandular e à ZT tipo 3, com maior morbidade obstétrica em nuligesta. Métodos destrutivos são inaceitáveis diante de HSIL porque não fornecem peça para avaliação histológica e margens, podendo mascarar carcinoma microinvasor.
Mulher de 46 anos procura o ambulatório por sangramento vaginal pós-coito há quatro meses e corrimento fétido. Nunca realizou exame citopatológico. Ao exame especular, lesão vegetante e friável ocupando o colo uterino, com cerca de 5 cm. Ao toque vaginal combinado com toque retal, há espessamento do paramétrio direito, sem atingir a parede pélvica; terço superior da vagina livre. A biópsia confirma carcinoma epidermoide invasor. Tomografia e cistoscopia não mostram acometimento de bexiga, reto ou hidronefrose. Assinale o tratamento indicado.
O acometimento do paramétrio sem atingir a parede pélvica caracteriza estádio IIB da FIGO — e o estadiamento do câncer de colo permanece essencialmente clínico. A partir do IIB, o tratamento padrão é a quimiorradioterapia concomitante à base de cisplatina, complementada por braquiterapia, com resultados superiores à radioterapia isolada. A histerectomia radical com linfadenectomia é reservada aos estádios iniciais (até IB2/IIA1), pois com paramétrio comprometido a cirurgia não obtém margens adequadas e frequentemente exige radioterapia adjuvante, somando morbidades. A conização é opção apenas para doença microinvasora (IA1) em desejo reprodutivo. Quimioterapia paliativa exclusiva se aplica à doença metastática a distância (IVB) ou recidiva não passível de tratamento locorregional, o que não é o caso.
O exame histopatológico de peça de conização de uma mulher de 44 anos revela carcinoma epidermoide com invasão estromal de 4 mm de profundidade e extensão horizontal de 9 mm, margens cirúrgicas livres de doença e ausência de invasão do espaço linfovascular. Considerando o sistema de estadiamento FIGO 2018, o estádio é:
Na revisão FIGO de 2018 a dimensão horizontal deixou de ser considerada na fronteira entre os estádios IA e IB — o que define o estádio IA é apenas a profundidade de invasão estromal. IA1 corresponde a invasão menor que 3 mm; IA2, a invasão de 3 mm ou mais e menor que 5 mm. Com 4 mm de profundidade, o caso é IA2, independentemente dos 9 mm de extensão horizontal. Pela régua anterior (FIGO 2009, ainda reproduzida no documento brasileiro de manejo de 2016), a extensão acima de 7 mm levaria o caso a IB — e é exatamente essa migração de estádio que a questão testa. IB exigiria profundidade de 5 mm ou mais; IB1 e IB2 são subdivisões do IB por tamanho tumoral (abaixo de 2 cm e de 2 a menos de 4 cm).
Mulher de 36 anos, com dois partos anteriores e prole constituída, é encaminhada ao serviço de colposcopia com laudo citológico de lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL). Ao exame colposcópico observa-se epitélio acetobranco denso com bordas nítidas e mosaico grosseiro em lábio anterior do colo, junção escamocolunar inteiramente visível e situada a menos de um centímetro do canal endocervical, lesão restrita ao colo, sem vasos atípicos, sem ulceração e sem lesão exofítica. A vagina não apresenta lesões. Segundo as Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero (INCA), a conduta indicada é:
O caso reúne simultaneamente as quatro condições do 'Ver e Tratar': citologia de HSIL, achados colposcópicos anormais maiores, JEC visível com lesão restrita ao colo (ZT tipo 1 ou 2) e ausência de suspeita de invasão ou de doença glandular. Nessa situação a excisão é feita na primeira consulta, e a biópsia prévia não é recomendada — só atrasaria o tratamento, já que a própria peça dá o diagnóstico e permite detectar a invasão presente em 1% a 2% das HSIL citológicas. Repetir a citologia diante de HSIL é conduta inaceitável. A excisão tipo 3 se reserva à ZT tipo 3, com JEC não visível, o que não é o caso. Histerectomia não trata lesão intraepitelial e ignora que a peça de excisão ainda precisa excluir invasão.
Adolescente de 22 anos, sexualmente ativa, realizou exame citopatológico por iniciativa própria, com resultado de HSIL. À colposcopia observam-se achados anormais maiores com JEC visível; a biópsia dirigida revela NIC II. Ela comparece regularmente ao serviço e tem seguimento assegurado. Segundo as Diretrizes brasileiras, a conduta preferencial é:
Nessa faixa etária a história natural da NIC II se aproxima da NIC I, com regressão em torno de 60% em 12 meses e chegando a 75% em três anos, enquanto a incidência de carcinoma invasor é muito baixa. Por isso a preferência é por conduta expectante por 24 meses, com citologia e colposcopia semestrais nos dois primeiros anos; persistindo a lesão após esse período, opta-se pelo tratamento, excisional ou destrutivo. Tratar de saída é aceitável apenas quando o seguimento não pode ser assegurado, o que não é o caso. O método 'Ver e Tratar' é explicitamente inaceitável em mulheres até 24 anos, mesmo com achados maiores e JEC visível. Alta sem seguimento também não cabe: a lesão precisa ser acompanhada até a resolução ou a decisão de tratar.
Mulher de 52 anos investiga sangramento pós-coito. A biópsia de colo confirma carcinoma epidermoide, e o estadiamento demonstra tumor com invasão parametrial que não atinge a parede pélvica, sem envolvimento do terço inferior da vagina, sem hidronefrose e sem comprometimento linfonodal à ressonância. O tratamento primário indicado é:
Invasão parametrial sem atingir a parede pélvica define o estádio IIB, e é aí que fica a fronteira terapêutica do câncer de colo: até IIA a doença ainda comporta tratamento cirúrgico radical, mas a partir de IIB o tratamento primário é a quimiorradiação — radioterapia com cisplatina 40 mg/m² por via endovenosa semanal durante a irradiação, seguida de braquiterapia. A braquiterapia não é opcional: em série com mais de 7.000 mulheres em estádio IB2 a IVA, sua realização se associou a sobrevida global de 58% contra 46% em quatro anos. Cirurgias conservadoras (conização, traquelectomia) são opções apenas em doença inicial com desejo de preservar fertilidade. Quimioterapia sistêmica isolada não é tratamento primário de doença localmente avançada.
Mulher de 42 anos, com prole completa, apresentou citologia sugestiva de adenocarcinoma in situ (AIS). Foi submetida a excisão tipo 3, e o exame histopatológico da peça confirmou adenocarcinoma in situ, com margens cirúrgicas livres de doença e sem sinais de invasão. Segundo as Diretrizes brasileiras, a conduta é:
O AIS tem comportamento distinto da lesão escamosa: é multifocal em 5% a 15% dos casos e pode ter lesões não contíguas, de modo que margens livres no cone não garantem retirada completa — mesmo com margens negativas, o risco de recorrência descrito chega a 20,3%. Por isso, o achado de AIS no espécime de excisão indica histerectomia simples como tratamento definitivo, exceto na mulher com prole incompleta, para quem a conização com margens livres pode ser considerada suficiente, com seguimento citológico aos 6 e 12 meses e depois anual até cinco anos. Nova conização se aplica quando as margens estão comprometidas e a mulher tem prole completa, para excluir doença invasiva antes da decisão definitiva. Quimiorradiação é tratamento de doença invasiva localmente avançada, não de lesão in situ.
Mulher de 41 anos foi submetida a excisão da zona de transformação por lesão de alto grau. O exame histopatológico da peça revelou NIC III com margem endocervical comprometida por NIC III e margem ectocervical livre. Ela reside próximo à unidade, tem transporte garantido e comparece regularmente às consultas. Qual a conduta?
Margem comprometida por NIC II/III é o principal fator de risco para doença residual ou recorrente, mas a maioria das mulheres nessa situação não terá lesão residual — por isso a conduta é conservadora, com citologia e colposcopia semestrais nos dois primeiros anos, seguidas de citologia anual até completar cinco anos do tratamento. Novo procedimento excisional fica reservado ao caso em que, além da margem comprometida por NIC II/III, o seguimento não é possível por questões técnicas ou da própria mulher — o que não ocorre aqui, já que a adesão está assegurada. Histerectomia não é conduta para lesão intraepitelial. Retornar ao rastreamento trienal ignora que o risco de câncer nessas mulheres permanece elevado por pelo menos dez anos.
Gestante de 26 anos, com 24 semanas de idade gestacional, apresenta citologia colhida no pré-natal com resultado de lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL). Encaminhada à colposcopia, o exame evidencia epitélio acetobranco denso e mosaico em lábio posterior, junção escamocolunar visível, sem vasos atípicos, sem ulceração e sem lesão exofítica. Não há lesão vaginal. Segundo a orientação ASCCP de 2024 para alterações cervicais na gestação, qual é a conduta diagnóstica mais adequada?
A gestação não impede biópsia cervical clinicamente indicada. Diante de citologia de alto grau e alterações colposcópicas correspondentes, a biópsia dirigida pode esclarecer o diagnóstico, idealmente por profissional experiente em colposcopia na gestação. Isso não equivale a tratar uma lesão precursora por excisão durante a gravidez: a ASCCP reserva excisão para suspeita de câncer. O resultado orientará a vigilância durante a gestação e após o parto. A presença de HSIL, por si só, não impõe cesariana.
Mulher de 32 anos, com citologia prévia de LSIL, foi encaminhada à colposcopia após persistência da alteração. O exame mostrou achados anormais menores com JEC visível, e a biópsia dirigida revelou neoplasia intraepitelial cervical grau I (NIC I). Ela nunca teve diagnóstico prévio de doença cervical pré-invasiva. Qual a conduta recomendada?
NIC I confirmada por biópsia é a expressão histológica da infecção pelo HPV, com risco relativamente baixo de progressão — a incidência cumulativa de NIC III em dois anos foi de 10,3% no estudo ALTS. A conduta é seguimento citológico, e o tratamento só é cogitado se a lesão persistir por 24 meses, aí com decisão individualizada por idade, paridade e preferência da mulher. Tratar de saída produz sobretratamento: em ensaio randomizado, a EZT imediata resultou em 60% de peças com NIC I ou sem NIC alguma, com mais efeitos adversos. A excisão tipo 3 é resposta para ZT tipo 3, não para grau histológico baixo. Alta imediata também não cabe, porque o seguimento é justamente o que dá segurança à conduta conservadora.
Mulher de 45 anos tem carcinoma epidermoide do colo do útero medindo 1,5 cm no maior diâmetro, sem invasão parametrial, sem comprometimento do terço inferior da vagina e sem hidronefrose. A ressonância de pelve identifica linfonodo pélvico com características metastáticas, confirmado por estudo patológico. Segundo o estadiamento da FIGO 2018, esse caso é classificado:
Uma das três mudanças da revisão de 2018 foi dar estádio próprio ao comprometimento linfonodal: linfonodo positivo leva o caso a IIIC — IIIC1 quando pélvico, IIIC2 quando para-aórtico —, de qualquer tumor e de qualquer tamanho, com a notação r quando o achado é de imagem e p quando é de patologia. Um tumor de 1,5 cm com linfonodo pélvico comprometido, portanto, não é classificado pela medida do tumor. A extensão além do útero e a profundidade de invasão do estroma descrevem outras categorias, que aqui não se aplicam por ausência de invasão parametrial e por já haver doença nodal. E o terço inferior da vagina precisa estar comprometido de fato, nunca presumido.
Mulher de 38 anos vivendo com HIV, em terapia antirretroviral regular e com carga viral indetectável, tratou NIC III com excisão da zona de transformação, com margens cirúrgicas livres. Completou cinco anos de seguimento pós-tratamento, todos os exames citopatológicos e colposcópicos sem alterações. Segundo as Diretrizes brasileiras, a conduta agora é:
O calendário de cinco anos com retorno ao rastreamento de rotina foi escrito para a mulher imunocompetente. Quem vive com HIV ou é imunossuprimida por outra causa recidiva mais e mantém seguimento citopatológico anual por toda a vida depois de tratar lesão de alto grau, sem alta — e, quando é preciso tratar de novo, prefere-se o método excisional ao destrutivo. Devolvê-la ao intervalo quinquenal ou ao trienal aplica a régua da população geral a quem a diretriz retirou dela, e dar alta definitiva ignora que o risco de câncer permanece elevado por pelo menos dez anos após o tratamento. O par citologia e colposcopia semestrais, por sua vez, é o calendário dos dois primeiros anos, não um regime perpétuo.
Mulher de 31 anos, nuligesta com desejo de engravidar, foi submetida a conização a frio por lesão de alto grau. O exame da peça, retirada em fragmento único e sem artefato térmico, revela carcinoma epidermoide com invasão estromal de 2 mm de profundidade, margens cirúrgicas livres de doença e ausência de invasão do espaço linfovascular. O serviço garante o seguimento da paciente. A conduta indicada é:
Invasão estromal de 2 mm corresponde ao microinvasor de menor profundidade, e nele a conização pode ser o tratamento definitivo desde que três condições estejam reunidas: ausência de invasão do espaço linfovascular, margens livres e seguimento assegurado — as três presentes aqui, em mulher com prole incompleta. A histerectomia radical, a traquelectomia radical e a quimiorradiação com braquiterapia endereçam estádios mais avançados e custariam a fertilidade ou a função de um colo que não precisa ser retirado. Nova conização entraria se a margem estivesse comprometida, o que não é o caso, e retirar mais colo sem indicação aumenta o risco obstétrico da próxima gestação.
Qual conjunto de sintomas deve levantar suspeita de câncer do colo do útero avançado?
A doença avançada invade paramétrios e estruturas vizinhas, comprometendo ureteres, plexos nervosos e drenagem linfática — daí a tríade de dor lombar irradiada, edema de membro inferior e hidronefrose, que sinaliza extensão à parede pélvica. Somam-se o sangramento irregular e pós-coito e o corrimento fétido pela necrose tumoral, além de hematúria ou sintomas retais quando há invasão vesical ou intestinal. Distensão abdominal e saciedade precoce compõem o quadro clássico de câncer de OVÁRIO avançado, e amenorreia com galactorreia aponta hiperprolactinemia — reconhecer o padrão evita investigar o órgão errado.
Mulher de 29 anos com biópsia de colo mostrando NIC 2, colposcopia satisfatória com zona de transformação tipo 1 e lesão totalmente visível, sem suspeita de invasão. Qual a conduta?
NIC 2 e NIC 3 são lesões precursoras de alto grau e o tratamento padrão é a excisão da zona de transformação, que remove a lesão e fornece material para exame histológico, permitindo excluir invasão oculta e avaliar margens. Em mulheres jovens com NIC 2, colposcopia satisfatória e boa aderência ao seguimento, admite-se conduta conservadora com vigilância, pela alta taxa de regressão e pelo impacto obstétrico da conização. Histerectomia é conduta desproporcional para lesão pré-invasora e retira a possibilidade de gestação. Ácido tricloroacético trata verrugas, não lesão intraepitelial de alto grau.
Gestante de 22 semanas apresenta citologia com lesão intraepitelial de alto grau. Colposcopia mostra lesão acetobranca extensa, sem sinais de invasão, com biópsia confirmando NIC 3. Qual a conduta?
Na gestação, o objetivo da propedêutica é excluir doença INVASORA, não tratar a lesão precursora: NIC 2 e 3 não progridem de modo relevante em poucos meses e frequentemente regridem no puerpério, enquanto a conização durante a gestação acarreta hemorragia, perda gestacional e parto prematuro. A conduta é colposcopia seriada, com biópsia apenas se houver suspeita de invasão, e reavaliação seis a oito semanas após o parto para tratamento definitivo. Indicar conização imediata é o erro que troca uma lesão sem urgência por complicações obstétricas graves. Interrupção da gestação não tem qualquer indicação em lesão pré-invasora.
Sobre o estadiamento do câncer do colo do útero segundo a FIGO 2018, assinale a alternativa correta:
A revisão FIGO 2018 rompeu com o estadiamento puramente clínico e passou a admitir imagem e patologia, criando o estádio IIIC para acometimento linfonodal — IIIC1 para pélvicos e IIIC2 para para-aórticos — mudança que altera diretamente o tratamento. Outros pontos consagrados permanecem: invasão do terço inferior da vagina é IIIA, extensão à parede pélvica ou hidronefrose/rim não funcionante por obstrução tumoral é IIIB, e invasão de mucosa vesical ou retal ou metástase a distância é estádio IV. Confundir hidronefrose com estádio II é erro frequente e subestima gravemente a doença.
Mulher de 46 anos apresenta sangramento pós-coito há 6 meses, corrimento sanguinolento fétido e dor pélvica. Ao exame especular, observa-se lesão vegetante e friável no colo, de 3 cm, que sangra ao toque. Qual a conduta imediata?
Diante de lesão cervical macroscopicamente suspeita, o exame que decide é a BIÓPSIA — a citologia é método de rastreio de mulheres assintomáticas e pode vir falsamente negativa em tumor invasor, por necrose e inflamação que dificultam a leitura. Aguardar citologia é o erro que mais atrasa o diagnóstico nesse cenário clássico de sangramento pós-coito com lesão visível. Antibiótico para cervicite trata uma hipótese menos provável e adia o essencial. A conização tem papel quando não há lesão visível e é preciso avaliar microinvasão, e a histerectomia jamais precede a confirmação histológica e o estadiamento.
Paciente submetida a histerectomia radical por carcinoma de colo IB1 apresenta, no exame anatomopatológico, invasão profunda do estroma, invasão linfovascular e tumor de 4 cm, com linfonodos negativos e margens livres. Qual a conduta?
Mesmo com linfonodos negativos e margens livres, a combinação de tumor volumoso, invasão profunda do estroma e invasão do espaço linfovascular constitui o grupo de risco intermediário, no qual a radioterapia pélvica adjuvante reduz a recidiva local. Quando há fatores de ALTO risco — linfonodos positivos, margens comprometidas ou invasão parametrial —, a adjuvância é quimiorradiação. Dispensar tratamento adicional por ver linfonodos negativos é o erro mais comum, por avaliar um critério isolado em vez do conjunto. Ampliar margens já livres não acrescenta, e hormonioterapia não tem papel no carcinoma escamoso cervical.
Gestante de 18 semanas recebe diagnóstico de carcinoma de colo uterino estádio IB1. Qual princípio orienta a conduta?
Câncer de colo na gestação exige decisão compartilhada em equipe multidisciplinar: em estádios iniciais e segundo trimestre, é possível aguardar a viabilidade fetal, com quimioterapia neoadjuvante à base de platina em casos selecionados, programando o tratamento definitivo após o parto. A via de parto é a cesariana, porque o parto vaginal se associa a sangramento, disseminação e recidiva em episiotomia — indicar parto vaginal é o erro mais específico do cenário. A radioterapia é incompatível com a gestação em curso, e a interrupção compulsória ignora a possibilidade de conciliar tratamento e desejo reprodutivo.
Mulher de 52 anos com carcinoma de colo uterino estádio IIIB, com invasão de paramétrio até a parede pélvica e hidronefrose à direita. Qual o tratamento?
Doença localmente avançada, a partir do estádio IB3 e nos estádios II a IVA, é tratada com quimiorradiação concomitante — radioterapia pélvica externa com cisplatina radiossensibilizante — seguida de braquiterapia, que é etapa essencial e cuja omissão piora significativamente o controle local e a sobrevida. A cirurgia radical não é indicada nesses estádios porque não se obtêm margens adequadas com invasão parametrial até a parede pélvica. A exenteração é procedimento de resgate para recidiva central após radioterapia, não tratamento inicial. A hidronefrose exige atenção à função renal antes da cisplatina, podendo requerer derivação urinária.
Sobre os tipos histológicos do câncer do colo do útero, assinale a alternativa correta:
O carcinoma escamoso responde pela maioria dos casos e origina-se na zona de transformação, sendo bem detectado pela citologia. O adenocarcinoma, com origem no epitélio glandular endocervical, vem aumentando em proporção justamente porque escapa com mais frequência ao rastreio citológico, por localizar-se mais alto no canal — o que explica a valorização do teste de HPV como método de rastreamento. Ambos são associados ao HPV, sendo o tipo 18 relativamente mais ligado ao adenocarcinoma. O carcinoma neuroendócrino de pequenas células é raro e tem prognóstico ruim, ao contrário do que a última alternativa afirma.
Mulher de 40 anos submetida a conização por NIC 3 apresenta margens comprometidas no exame histopatológico. Qual a conduta?
Margem comprometida após conização eleva o risco de doença residual e de recidiva, mas não implica automaticamente nova cirurgia: a conduta é individualizada, com seguimento rigoroso por citologia e colposcopia, e nova excisão ou histerectomia reservadas a casos selecionados, como margem endocervical positiva com seguimento inviável, idade mais avançada ou prole constituída. Dar alta é o erro que perde a paciente de maior risco. Radioterapia não trata lesão pré-invasora. O princípio geral é que mulheres tratadas por lesão de alto grau permanecem sob risco aumentado por décadas e não retornam ao rastreio populacional comum.
Paciente de 38 anos com carcinoma escamoso do colo uterino estádio IB1 (tumor de 1,8 cm limitado ao colo), sem comorbidades. Qual o tratamento padrão?
Nos estádios iniciais, a cirurgia radical com parametrectomia, ressecção do terço superior da vagina e linfadenectomia pélvica é o tratamento padrão, com sobrevida equivalente à da radioterapia e vantagem de preservar função ovariana em mulheres jovens, além de fornecer informação patológica. A histerectomia simples é insuficiente porque não remove os paramétrios, principal via de disseminação — indicá-la é o erro oncológico mais grave do tema. A conização isolada só se aplica a carcinoma microinvasor com critérios estritos e desejo reprodutivo, e a traquelectomia radical é a opção conservadora em tumores iniciais selecionados.
Mulher de 31 anos com carcinoma escamoso do colo estádio IA1, sem invasão linfovascular, margens livres na conização, com desejo reprodutivo. Qual a conduta?
O estádio IA1 corresponde a invasão estromal de até 3 mm de profundidade, com risco de metástase linfonodal inferior a 1% quando não há invasão do espaço linfovascular — o que permite tratar apenas com conização de margens livres em pacientes com desejo reprodutivo e boa adesão ao seguimento. Indicar cirurgia radical é sobretratamento com morbidade urinária, sexual e reprodutiva desnecessária. A traquelectomia radical se destina a tumores iniciais maiores, tipicamente IA2 e IB1 selecionados, com desejo de preservar a fertilidade. A presença de invasão linfovascular muda a conduta e obriga avaliação linfonodal.
Sobre o seguimento após tratamento do câncer do colo do útero, assinale a alternativa correta:
A maior parte das recidivas ocorre nos primeiros dois a três anos, o que concentra as consultas nesse período, com intervalos que se ampliam depois. O pilar é a avaliação clínica — anamnese dirigida a sangramento, dor pélvica, edema de membro e sintomas urinários, somada ao exame ginecológico completo —, reservando imagem para sintomas ou achados suspeitos. Imagem sistemática de rotina não melhora sobrevida e gera custo e achados incidentais. O CA-125 não é marcador do colo uterino, e esperar sintomas para reavaliar elimina justamente a chance de detectar recidiva central ainda passível de resgate cirúrgico.
Mulher de 45 anos tratada há 3 anos por NIC 3 com conização de margens livres. Qual a conduta de seguimento?
Mulheres tratadas por lesão intraepitelial de alto grau mantêm risco aumentado de câncer invasor por até duas décadas, mesmo com margens livres, o que exige seguimento prolongado e mais intenso que o da população geral, com citologia e teste de HPV — o chamado teste de cura, cuja negatividade tem excelente valor preditivo. Devolver essas pacientes ao rastreio de rotina ou dar alta precoce é o erro que explica parte dos cânceres diagnosticados em mulheres previamente tratadas. Reconização periódica sem indicação e histerectomia profilática são condutas desproporcionais.
Gestante de 20 semanas com carcinoma invasor de colo uterino estádio IB1 que deseja manter a gestação. Qual estratégia é possível em casos selecionados?
Em estádios iniciais diagnosticados no segundo trimestre, com desejo de manter a gestação, a quimioterapia neoadjuvante com platina permite controlar a doença até uma idade gestacional segura, programando-se o tratamento definitivo após o parto. A via de parto é a cesariana, porque o parto vaginal se associa a sangramento, disseminação e recidiva em episiotomia. A radioterapia é incompatível com a gestação em curso, pois causa morte fetal. A conização não é tratamento definitivo para doença invasora além do microinvasor, e realizá-la no terceiro trimestre acrescenta risco hemorrágico importante.
Mulher de 36 anos, HIV positiva com CD4 de 180 células/mm³, apresenta NIC 3 tratada por conização. Qual a expectativa e a conduta de seguimento?
A imunossupressão altera profundamente a história natural da infecção pelo HPV: menor clareamento viral, maior persistência, lesões multifocais e multicêntricas — envolvendo colo, vagina, vulva e ânus — e taxas mais altas de doença residual e recidiva após tratamento. Por isso o seguimento é mais frequente, a inspeção do trato genital inferior é ampliada, o rastreio anal ganha relevância e a otimização da terapia antirretroviral faz parte do manejo oncológico. Tratar essas pacientes com o mesmo protocolo da população geral é o erro que explica desfechos piores nesse grupo.
Mulher de 30 anos com carcinoma escamoso do colo estádio IB1 (tumor de 1,5 cm), com forte desejo de preservar a fertilidade, sem invasão linfovascular extensa e com linfonodos negativos por imagem. Qual a opção conservadora possível?
A traquelectomia radical remove o colo, os paramétrios proximais e o terço superior da vagina, preservando o corpo uterino e permitindo gestação futura, geralmente com cerclagem no mesmo ato e parto por cesariana — é a opção para tumores iniciais selecionados, tipicamente até 2 cm, com linfonodos negativos, em pacientes com desejo reprodutivo. Conização isolada só basta em IA1 sem invasão linfovascular. Quimiorradiação destrói a função ovariana e uterina, de modo que a expressão "com preservação da fertilidade" é contraditória. Ablação a laser não trata doença invasora.
Sobre a terminologia colposcópica, quais achados são considerados maiores (sugestivos de lesão de alto grau)?
A colposcopia classifica os achados em menores e maiores conforme a probabilidade de lesão de alto grau: acetobranqueamento denso e de instalação rápida, mosaico e pontilhado grosseiros, orifícios glandulares espessados, sinal da borda interna e sinal da crista são achados maiores e orientam a biópsia dirigida. Acetobranco tênue, mosaico e pontilhado finos são achados menores, mais associados a lesão de baixo grau. Vasos atípicos, superfície irregular e ulceração levantam suspeita de invasão. Cistos de Naboth, ectopia e metaplasia madura são achados normais — biopsiá-los reflete leitura equivocada do exame.
Gestante de 12 semanas apresenta citologia cervical de alto grau e colposcopia com lesão maior que requer esclarecimento histológico, sem sinais de invasão. Segundo as orientações da ASCCP de 2024, qual é a conduta?
A biópsia colposcópica indicada pode ser realizada durante a gestação para esclarecer a lesão; não fica restrita a casos com sinais de invasão. Se houver CIN2/3 sem câncer, recomenda-se vigilância individualizada, geralmente a cada 12–24 semanas. Excisão durante a gestação é reservada à suspeita de câncer. A colposcopia após o parto deve ocorrer a partir de quatro semanas. A presença de lesão precursora não indica interrupção da gestação nem histerectomia.
Sobre o carcinoma microinvasor do colo uterino (estádio IA), assinale a alternativa correta:
O estádio IA é uma definição HISTOLÓGICA, baseada na profundidade de invasão estromal (até 5 mm na classificação vigente, subdividida em IA1 até 3 mm e IA2 de 3 a 5 mm), o que exige uma peça que contenha toda a lesão e sua base — daí a necessidade da conização, com margens avaliáveis e orientação adequada. A biópsia dirigida sugere invasão, mas não mede confiavelmente a profundidade. Tumor visível macroscopicamente já não é IA, mesmo se pequeno, sendo classificado a partir de IB1 — confundir tamanho visível com microinvasão é o erro conceitual mais frequente.
Sobre a curetagem endocervical na propedêutica das lesões cervicais, assinale a alternativa correta:
A curetagem endocervical avalia o canal quando a colposcopia é insatisfatória, com junção escamocolunar não visível, ou quando há suspeita de doença endocervical, incluindo adenocarcinoma in situ — situação relativamente comum na pós-menopausa, em que a junção se recolhe para dentro do canal e o exame é particularmente útil. Na GESTAÇÃO é contraindicada, pelo risco de rotura de membranas e sangramento, e essa é a ressalva mais cobrada. Ela também não substitui a conização, que continua sendo o método que permite medir profundidade de invasão e definir o estádio IA.
Mulher de 41 anos com citologia mostrando adenocarcinoma in situ do colo uterino. Qual a conduta?
O adenocarcinoma in situ tem particularidades que o tornam mais traiçoeiro que a lesão escamosa: origina-se alto no canal endocervical, pode ser multifocal e apresentar lesões salteadas, o que reduz a confiabilidade das margens e do seguimento conservador. A conduta é conização com margens amplas e avaliação endocervical, aceitando-se conduta conservadora em quem deseja gestar, com seguimento rigoroso, e indicando histerectomia simples após a prole constituída. Métodos ablativos são inadequados porque destroem tecido sem histologia. Cirurgia radical se reserva a doença invasora, não à lesão in situ.
Sobre o papel da cisplatina concomitante à radioterapia no câncer de colo localmente avançado, assinale a alternativa correta:
A administração concomitante de cisplatina durante a radioterapia foi uma das mudanças de prática mais robustas da oncologia ginecológica: a droga atua como radiossensibilizante, interferindo no reparo do dano ao DNA induzido pela radiação, e vários ensaios randomizados demonstraram ganho de sobrevida em relação à radioterapia isolada. Por isso a concomitância é essencial — administrá-la depois, de forma sequencial, perde o sinergismo que justifica o esquema. Ela também não substitui a radioterapia, que continua sendo o tratamento local dessa doença.
Paciente com câncer de colo estádio IIIB apresenta hidronefrose bilateral com creatinina de 3,2 mg/dL antes de iniciar a quimiorradiação. Qual a conduta?
A obstrução ureteral pela invasão parametrial é a causa da insuficiência renal e precisa ser tratada primeiro, com nefrostomia ou cateter ureteral, porque a cisplatina é nefrotóxica e requer clearance adequado. Após a recuperação da função, a quimiorradiação pode ser instituída, eventualmente com ajuste ou substituição do agente. Iniciar a platina com creatinina elevada é o erro que produz lesão renal irreversível e interrompe o tratamento. Insuficiência renal obstrutiva não contraindica tratamento oncológico — ela é justamente um sinal de doença tratável que exige sequência correta de intervenções.
Mulher de 55 anos com carcinoma de colo uterino estádio IVB com metástases pulmonares. Qual a base do tratamento sistêmico?
Na doença metastática, o tratamento é sistêmico e paliativo: dupla de platina com paclitaxel é a base, com ganho de sobrevida demonstrado ao se acrescentar bevacizumabe — cujo efeito adverso característico é a fístula, atenção especial em paciente previamente irradiada — e com papel crescente da imunoterapia conforme a expressão de PD-L1. Radioterapia pélvica pode ser usada com finalidade paliativa, para dor ou sangramento, mas não com intenção curativa nesse estádio. Cirurgias radicais não têm lugar, e hormonioterapia não atua no carcinoma escamoso cervical.
Paciente com recidiva central isolada de câncer de colo uterino, previamente tratada com quimiorradiação completa, sem doença a distância. Qual a possibilidade terapêutica com intenção curativa?
A recidiva central após radioterapia completa, quando isolada e sem extensão à parede pélvica ou doença a distância, pode ser tratada com exenteração pélvica, cirurgia de grande porte que remove órgãos pélvicos com derivações urinária e intestinal — é mutilante, mas oferece chance real de cura em pacientes cuidadosamente selecionadas. Reirradiar em dose plena o mesmo campo é inviável pela toxicidade cumulativa em bexiga, reto e intestino. Considerar toda recidiva incurável priva a paciente da única alternativa curativa, e conização não tem qualquer papel em doença recidivada.
Paciente com câncer de colo uterino localmente avançado tem hemoglobina de 8,0 g/dL durante radioterapia externa. Está hemodinamicamente estável, sem sangramento ativo e sem sintomas atribuíveis à anemia. Qual é a interpretação e a conduta mais adequadas?
A oxigenação participa da resposta à radioterapia, e anemia se associa a resultados desfavoráveis em estudos de câncer de colo. Isso não demonstra que transfundir toda paciente estável para elevar a hemoglobina melhore os desfechos. O consenso de especialistas de 2021 reconhece incertezas e considera modalidade de radioterapia, sintomas, sangramento e contexto clínico. Hb de 8,0 g/dL, isoladamente, não justifica a regra universal proposta. Deve-se investigar a etiologia e discutir a conduta com a equipe oncológica; suspensão definitiva da radioterapia e uso exclusivo de eritropoetina também não são respostas adequadas.
Paciente com câncer de colo uterino metastático apresenta sangramento vaginal volumoso e persistente, com instabilidade hemodinâmica. Qual a conduta imediata?
O sangramento tumoral maciço é emergência: estabiliza-se a paciente, faz-se tamponamento vaginal compressivo e recorre-se a radioterapia hemostática, que costuma controlar o sangramento em poucas sessões, ou a embolização arterial seletiva quando disponível. Antifibrinolíticos são adjuvantes. Quimioterapia não tem efeito hemostático agudo e leva semanas para reduzir a massa. Curetagem em tumor cervical friável agrava o sangramento e não tem indicação. Reconhecer que existe tratamento eficaz para esse sintoma é o que separa uma paciente estabilizada de um desfecho fatal evitável.
Mulher de 49 anos com carcinoma escamoso do colo uterino estádio IIIB inicia tratamento com radioterapia externa e cisplatina semanal. Qual etapa é indispensável para o controle local e não pode ser omitida?
No tratamento definitivo do câncer de colo localmente avançado, a braquiterapia é insubstituível: ela concentra dose muito alta no tumor central com queda rápida para os tecidos vizinhos, algo que a radioterapia externa isolada não reproduz — séries mostram queda expressiva de controle local e sobrevida quando ela é omitida, o que a torna indicador de qualidade assistencial. Histerectomia de complementação rotineira não demonstrou benefício e aumenta morbidade em tecido irradiado. A transposição ovariana, quando desejada em jovens, é feita ANTES da radioterapia, e não a ooforectomia.
Mulher de 34 anos, dois filhos, tem citologia com lesão intraepitelial escamosa de alto grau. Na colposcopia observa-se área acetobranca densa com mosaico grosseiro em lábio anterior do colo, com junção escamocolunar visível; a biópsia dirigida confirma neoplasia intraepitelial cervical grau 3. Qual a conduta?
Neoplasia intraepitelial cervical grau 3 com junção escamocolunar visível e lesão restrita ao colo tem tratamento excisional da zona de transformação, que remove a lesão e ao mesmo tempo fornece peça para afastar invasão — informação que método destrutivo nenhum consegue dar. Cauterização química não trata lesão de alto grau, e postergar com nova citologia mantém a paciente com lesão de alto risco de progressão. Histerectomia é conduta desproporcional para lesão intraepitelial, e a vacina previne novas infecções, sem efeito terapêutico sobre lesão instalada.
Gestante de 27 anos, 22 semanas, tem citologia com lesão intraepitelial de alto grau e colposcopia com achados maiores, sem sinais de invasão. A biópsia confirma neoplasia intraepitelial grau 3. Qual a conduta?
Lesão intraepitelial de alto grau na gestação, sem suspeita de invasão, não é tratada durante a gravidez: a progressão para carcinoma nesse intervalo é rara, parte das lesões regride no puerpério e a excisão gestacional traz risco de hemorragia e perda fetal. A reavaliação é feita cerca de seis a oito semanas após o parto. Conizar na gestação só se justifica diante de suspeita de invasão, e as demais opções são condutas desproporcionais a uma lesão intraepitelial.
Mulher de 45 anos foi submetida a conização por neoplasia intraepitelial grau 3; o exame da peça revela carcinoma escamoso invasor com invasão estromal de 2 mm de profundidade e 5 mm de extensão horizontal, sem invasão linfovascular e com margens livres. Qual a conduta?
Invasão de até 3 mm de profundidade, sem invasão linfovascular e com margens livres, caracteriza carcinoma microinvasor de risco muito baixo de comprometimento linfonodal, e a conização pode ser considerada tratamento suficiente em paciente que deseja preservar a fertilidade, com seguimento estrito; com prole constituída, a histerectomia simples completa o tratamento. Tratar como doença localmente avançada com quimiorradiação ou exenteração é sobretratamento grave, e reduzir o caso a citologia anual ignora que já existe carcinoma invasor, ainda que mínimo.
Qual das complicações abaixo está diretamente associada à conização com alça diatérmica e deve ser informada no consentimento, especialmente em mulheres com prole a constituir?
A excisão remove tecido cervical e, sobretudo quando o cone é profundo ou há reintervenções, associa-se a insuficiência cervical, parto prematuro e rotura prematura de membranas em gestações subsequentes — motivo pelo qual a profundidade da peça é discutida em pacientes jovens. Estenose cervical e sangramento são outras complicações reconhecidas. O procedimento não atinge ovários nem trompas, portanto não causa insuficiência ovariana nem obstrução tubária, e a síndrome de Asherman decorre de agressão ao endométrio, não ao colo.
Mulher de 29 anos tem citologia com lesão intraepitelial de alto grau; na colposcopia, a junção escamocolunar não é visível e não se identifica lesão no ectocérvice. Qual a conduta?
Citologia de alto grau com colposcopia insatisfatória, sem lesão visível no ectocérvice, é a situação clássica de discordância que exige conização diagnóstica: a lesão está provavelmente no canal, fora do alcance da colposcopia, e pode haver invasão oculta. Repetir citologia ou tratar como falso-positivo deixa passar carcinoma inicial. A curetagem endocervical isolada tem sensibilidade insuficiente para encerrar a investigação, e a histerectomia sem histologia prévia pode subtratar um câncer invasor que exigiria estadiamento e tratamento oncológico específicos.
Qual mecanismo explica a progressão de infecção persistente por HPV de alto risco para neoplasia intraepitelial de alto grau?
A progressão depende da integração do DNA viral ao genoma da célula, que rompe o gene E2 e desregula a expressão de E6 e E7: a E6 degrada p53 e a E7 inativa pRb, liberando o ciclo celular e permitindo acúmulo de mutações. A replicação epissomal corresponde à infecção produtiva transitória, que na maioria das mulheres é eliminada e não leva a lesão de alto grau. A proteína L1 é estrutural, sendo o alvo da vacina, e a E2 tem função reguladora cuja perda é parte do problema, não sua causa ativa.
Mulher de 25 anos com citologia mostrando lesão intraepitelial de alto grau e colposcopia com achado maior único, pequeno, totalmente visível, com junção escamocolunar visível e sem discordância entre os métodos. Qual conduta é aceitável neste cenário?
Ver e tratar é a estratégia validada quando a citologia é de alto grau, a colposcopia mostra achado maior compatível, a junção escamocolunar é visível e não há discordância nem suspeita de invasão: evita uma segunda ida ao centro cirúrgico e não aumenta o sobretratamento nessa seleção. Aguardar citologias semestrais em lesão de alto grau é conduta de baixo grau aplicada no lugar errado. Métodos destrutivos sem histologia perdem a peça que afasta invasão, e histerectomia é desproporcional em mulher de 25 anos com lesão intraepitelial.
Mulher de 41 anos foi submetida a exérese da zona de transformação por neoplasia intraepitelial cervical grau 3. O laudo mostra lesão de alto grau com margem endocervical comprometida, sem invasão. Qual a conduta?
Margem endocervical comprometida sem invasão aumenta o risco de doença residual e por isso muda o seguimento, não necessariamente a indicação de nova cirurgia: a conduta é vigilância com citologia, colposcopia e avaliação do canal, com reintervenção quando há doença residual comprovada, sobretudo em paciente com prole a constituir. Reconizar todas de imediato acrescenta risco de estenose e prejuízo obstétrico sem ganho proporcional. Alta é inadequada porque a margem positiva marca risco aumentado, e histerectomia ou radioterapia são desproporcionais na ausência de invasão.
Mulher de 38 anos vivendo com HIV, carga viral indetectável, tem citologia com lesão intraepitelial de alto grau confirmada por biópsia como neoplasia intraepitelial grau 2. Qual a conduta e o seguimento?
Mulheres vivendo com HIV têm maior persistência da infecção por HPV, maior progressão e maior recorrência após tratamento, de modo que a lesão de alto grau é tratada e o seguimento é mais intenso e prolongado do que na população geral, mesmo com carga viral indetectável. A conduta expectante aceitável em algumas jovens imunocompetentes com lesão de grau 2 não se transfere para essa paciente. A terapia antirretroviral melhora o controle imune, mas não substitui o tratamento da lesão, e histerectomia não é indicada para doença intraepitelial.
Após tratamento excisional de neoplasia intraepitelial cervical de alto grau, com margens livres, qual estratégia de seguimento tem o melhor desempenho para detectar doença residual ou recorrente?
O teste molecular para HPV de alto risco tem sensibilidade superior à citologia isolada para detectar doença residual ou recorrente após tratamento excisional, e um resultado negativo tem valor preditivo negativo muito alto, permitindo espaçar controles com segurança. Citologia anual isolada com alta precoce é a rotina antiga e deixa escapar recorrências, que podem surgir anos depois — o risco permanece elevado por até duas décadas, e é por isso que a alta definitiva não é apropriada mesmo com margens livres. Marcadores tumorais séricos não têm papel nesse seguimento.
Gestante de 22 semanas com citologia mostrando lesao intraepitelial de alto grau. Colposcopia com achado maior, sem sinais de invasao. Qual a conduta?
Na gestacao o objetivo e apenas excluir invasao: faz-se colposcopia e biopsia dirigida quando necessario, e a lesao precursora e reavaliada e tratada apos o puerperio, porque ela nao progride rapidamente e a conizacao gestacional tem risco de hemorragia e perda fetal. Conizar na gravidez so se justifica com suspeita de invasao. Curetagem endocervical e proscrita na gestante.
Paciente de 29 anos com biopsia de colo mostrando NIC 3, colposcopia satisfatoria com juncao escamocolunar totalmente visivel e lesao restrita a ectocervice. Qual o tratamento?
NIC 3 com colposcopia satisfatoria e lesao ectocervical trata-se por exerese da zona de transformacao com alca, que remove a lesao e fornece peca para exame histologico - vantagem decisiva sobre metodos destrutivos. Crioterapia engana porque e menos invasiva, mas destroi o tecido sem permitir avaliar margens nem excluir invasao oculta, o que e inaceitavel em lesao de alto grau. Histerectomia e sobretratamento em mulher jovem com lesao precursora.
Mulher de 40 anos submetida a exerese da zona de transformacao por NIC 3, com margem endocervical COMPROMETIDA por NIC 3 no exame anatomopatologico. Qual a conduta?
Margem comprometida aumenta o risco de doenca residual e recorrencia, mas nao indica automaticamente nova cirurgia: o padrao e seguimento intensificado com citologia, colposcopia e avaliacao do canal endocervical, reservando reexerese para doenca residual demonstrada ou seguimento inviavel. Dar alta e o erro grave. Histerectomia de rotina e sobretratamento e nao garante controle se houver doenca vaginal associada.
Mulher de 45 anos com colposcopia mostrando lesao acetobranca densa, vasos atipicos em saca-rolha e superficie irregular no colo. Qual a conduta mais adequada?
Vasos atipicos em saca-rolha e superficie irregular sao sinais de suspeita de INVASAO: o passo obrigatorio e a biopsia dirigida a essa area, porque a conduta muda completamente se houver carcinoma invasor. Tratar destrutivamente (crioterapia, cauterizacao) sem histologia e o erro mais perigoso da colposcopia - pode 'apagar' um cancer e retardar o estadiamento. Repetir citologia diante de achado maior atrasa o diagnostico.
Mulher de 45 anos submetida à exérese da zona de transformação por neoplasia intraepitelial cervical grau 3, com margens cirúrgicas comprometidas na peça. Qual a conduta?
Margem comprometida aumenta o risco de doença residual, mas não significa doença residual: boa parte das pacientes tem citologia e colposcopia normais no seguimento, porque a própria cauterização e a resposta inflamatória eliminam focos remanescentes. A conduta é seguimento com citologia e colposcopia em torno de 6 meses, com nova excisão apenas se houver persistência. Reoperar todas engana quem lê margem positiva como equivalente a tumor residual e leva a excisões repetidas, com encurtamento cervical e risco obstétrico. Radioterapia não tem papel em lesão intraepitelial.
Gestante de 24 semanas apresenta citologia com lesão intraepitelial escamosa de alto grau. Colposcopia mostra achado maior, sem sinais sugestivos de invasão. Qual a conduta?
Na gestação, o objetivo da colposcopia é apenas afastar doença invasora — lesões intraepiteliais, mesmo de alto grau, não progridem rápido o suficiente para justificar tratamento durante a gravidez, e frequentemente regridem no pós-parto. A conduta é seguimento e reavaliação em torno de 90 dias após o parto. Indicar excisão na gestação engana quem aplica o algoritmo da não gestante, e acarreta risco elevado de hemorragia, perda gestacional e prematuridade. A biópsia fica reservada à suspeita de invasão, e o parto vaginal não está contraindicado por lesão intraepitelial.
Mulher de 32 anos com biópsia dirigida de colo mostrando neoplasia intraepitelial cervical grau 2 a 3, colposcopia satisfatória, lesão totalmente visível e junção escamocolunar visível. Qual o tratamento indicado?
A neoplasia intraepitelial cervical de graus 2 e 3 é lesão precursora com indicação de tratamento excisional; com colposcopia satisfatória e lesão ectocervical inteiramente visível, a exérese da zona de transformação por alça diatérmica é o padrão, ambulatorial e com a vantagem de fornecer peça para estudo histológico, que pode revelar invasão oculta. A histerectomia engana quem confunde lesão precursora com câncer e retira a possibilidade de preservação da fertilidade sem ganho oncológico. Métodos destrutivos sem peça e observação isolada não são adequados nesse grau.
Mulher de 38 anos é encaminhada da Unidade Básica de Saúde ao serviço de referência com citologia mostrando lesão intraepitelial escamosa de alto grau. Na colposcopia, observa-se epitélio acetobranco denso com mosaico grosseiro em zona de transformação tipo 1, inteiramente visível, e a biópsia confirma neoplasia intraepitelial cervical grau 3. Não deseja mais gestações. Qual é a conduta adequada?
Neoplasia intraepitelial cervical grau 3 com zona de transformação totalmente visível tem como tratamento padrão a exérese da zona de transformação por cirurgia de alta frequência, que trata e fornece peça para avaliação de margens e exclusão de invasão. A histerectomia não é tratamento de lesão intraepitelial e impede a avaliação adequada do colo, além de expor a paciente a morbidade desnecessária. O seguimento sem tratar é aceitável apenas em lesões de baixo grau ou em situações especiais, como gestação. Métodos destrutivos químicos não fornecem peça histológica nem alcançam o canal endocervical.
Mulher de 41 anos é submetida a exérese da zona de transformação por neoplasia intraepitelial cervical grau 3. O laudo histopatológico confirma NIC 3 com margem endocervical comprometida, sem sinais de invasão. Ela está assintomática e deseja preservar o útero. Qual é a conduta mais adequada?
Margem comprometida em lesão intraepitelial aumenta o risco de doença residual, mas não indica por si só cirurgia radical: o correto é seguimento rigoroso com citologia e avaliação do canal endocervical em 6 meses, reservando nova excisão à persistência. Dar alta ignora o risco elevado de lesão residual e de recidiva. A histerectomia é desproporcional para doença intraepitelial e retira a possibilidade de conduta conservadora bem-sucedida. A radioterapia é tratamento de carcinoma invasor e traria morbidade grave sem qualquer indicação em lesão intraepitelial.
Mulher de 46 anos é atendida no serviço de referência com sangramento vaginal irregular e corrimento sanguinolento fétido há 4 meses, além de dor pélvica. Ao exame especular, observa-se lesão vegetante e friável de aproximadamente 4 cm no colo uterino, com sangramento ao toque. Ao toque retal, os paramétrios estão livres. A biópsia confirma carcinoma escamoso invasor. Qual é a conduta mais adequada?
Carcinoma invasor do colo uterino comprovado exige estadiamento clínico e tratamento em serviço de oncologia, com escolha entre cirurgia radical e quimiorradioterapia conforme o estádio. A exérese da zona de transformação trata lesão intraepitelial e é inadequada e insuficiente para carcinoma invasor. Cauterização química é conduta de lesões benignas e retardaria de forma perigosa o tratamento oncológico. Antibiótico pode reduzir odor por infecção secundária, mas não trata o tumor e desperdiça tempo crítico para o prognóstico.
Mulher de 29 anos, gestante de 16 semanas, tem citologia oncótica com lesão intraepitelial escamosa de alto grau. É encaminhada ao serviço de referência, onde a colposcopia mostra achados maiores, sem sinais sugestivos de invasão. A biópsia dirigida confirma neoplasia intraepitelial cervical grau 3. Qual é a conduta adequada?
Na gestação, lesões intraepiteliais de alto grau sem suspeita de invasão são acompanhadas com colposcopia periódica e reavaliadas cerca de 6 a 8 semanas após o parto, pois a progressão para carcinoma nesse intervalo é rara e o tratamento excisional aumenta risco de hemorragia e perda gestacional. A excisão imediata só se justifica quando há suspeita de invasão. Interromper a gestação não tem respaldo legal nem clínico para lesão intraepitelial. Quimioterapia é tratamento de doença invasora avançada, inaplicável a lesão pré-invasiva.
Mulher de 37 anos, tabagista de 20 cigarros ao dia há 18 anos, é acompanhada na Unidade Básica de Saúde e tem citologia com lesão intraepitelial de baixo grau. Ela pergunta se parar de fumar traria algum benefício para o problema do colo do útero. Qual é a orientação correta?
O tabagismo é cofator reconhecido na carcinogênese cervical, favorecendo a persistência da infecção por HPV e a progressão de lesões intraepiteliais, de modo que a cessação é intervenção terapêutica com impacto direto nesse desfecho. Restringir os danos do tabaco ao pulmão e à bexiga ignora evidência consolidada sobre o colo uterino. Não existe efeito protetor do cigarro sobre lesões cervicais. Condicionar o benefício ao pós-operatório desperdiça a chance de intervir justamente quando a lesão ainda pode regredir espontaneamente.
Mulher de 38 anos foi submetida a excisão da zona de transformação por lesão intraepitelial de alto grau, com margens livres no exame anatomopatológico. Ela comparece à Unidade Básica de Saúde seis meses após o procedimento, assintomática, sem sangramento e sem corrimento. Ao exame, colo com aspecto pós-tratamento, sem lesões visíveis à inspeção. Ela pergunta se está curada e se pode retomar o rastreamento normal a cada três anos, como fazia antes. A orientação correta é:
Mulheres tratadas por lesão intraepitelial de alto grau mantêm risco aumentado de recidiva e de câncer cervical por muitos anos, mesmo com margens livres, e por isso devem seguir protocolo de acompanhamento mais frequente, com citologia e testes moleculares conforme a rotina do serviço, antes de retornar ao intervalo habitual. Retomar de imediato o rastreamento trienal subestima esse risco. Encerrar o rastreamento é conduta perigosa. Repetir a excisão sem indicação causa dano cervical e repercussões obstétricas desnecessárias.
Mulher de 49 anos recebe diagnóstico de carcinoma de colo uterino em estádio avançado, com sangramento vaginal persistente, dor pélvica e corrimento fétido. Ela nunca havia realizado exame preventivo. Ao exame, lesão vegetante volumosa no colo, sangrante ao toque, com paramétrios endurecidos à palpação bimanual, e edema de membro inferior esquerdo. Está anêmica, com hemoglobina de 8,8 g/dL, e refere dor de forte intensidade mal controlada. A conduta mais adequada é:
Diante de câncer de colo uterino avançado sintomático, a conduta integra encaminhamento prioritário para o serviço de oncologia com o cuidado imediato dos sintomas, incluindo controle da dor, manejo do sangramento e da anemia e acionamento de cuidados paliativos concomitantes ao tratamento oncológico, além de suporte psicossocial. Encaminhar sem tratar sintomas deixa a paciente sofrendo enquanto aguarda. Tratar apenas o corrimento e adiar meses é inaceitável. Esperar o estadiamento completo para aliviar dor intensa contraria os princípios do cuidado.
Gestante de 33 anos, com 20 semanas, tem diagnóstico de carcinoma invasor do colo do útero em estádio inicial, confirmado por biópsia após colposcopia realizada durante o pré-natal por citologia alterada. Ela está assintomática, com sangramento discreto ao coito relatado anteriormente, e o exame especular mostra lesão exofítica de 2 cm no colo. A gestação evolui bem, com biometria adequada e sem sinais de trabalho de parto. Ela deseja manter a gestação e pergunta quais as opções terapêuticas disponíveis. A conduta correta é
No câncer invasor do colo diagnosticado na gestação em estádio inicial, a decisão exige equipe multiprofissional e considera o estádio, a idade gestacional e o desejo da paciente, sendo possível, em casos selecionados, adiar o tratamento definitivo para permitir maturidade fetal, com decisão compartilhada. Interrupção e cirurgia radical em todos os casos ignora essa possibilidade. Seguimento apenas citológico é inadequado diante de carcinoma invasor. Conização ampliada como tratamento definitivo não é adequada.
Mulher de 47 anos procura a Unidade Básica de Saúde por sangramento após relações sexuais há cinco meses e corrimento sanguinolento de odor fétido. Nunca realizou citologia oncótica, teve seis parceiros e é tabagista. Ao exame especular: lesão vegetante e friável no colo uterino, de cerca de 4 cm, que sangra ao toque. Ao toque bimanual, os paramétrios estão livres e as paredes vaginais sem infiltração. Não há edema de membros inferiores e a paciente está afebril. Qual é a conduta adequada?
Lesão cervical vegetante e friável com sangramento pós-coito é câncer de colo do útero até prova em contrário, e a conduta é biópsia da lesão visível seguida de encaminhamento ao serviço de referência, onde o estadiamento clínico definirá cirurgia ou quimiorradioterapia. A citologia é método de rastreamento em mulheres sem lesão macroscópica e pode ser falsamente negativa em tumores necróticos. Tratar como cervicite adia por semanas o diagnóstico de uma neoplasia já evidente. Cauterizar uma lesão tumoral não trata a doença e destrói o material necessário à confirmação histológica.
Mulher de 48 anos é atendida em centro de referência com carcinoma escamoso do colo uterino confirmado por biópsia. Refere sangramento após relação sexual há seis meses e corrimento fétido. Ao exame especular, há lesão vegetante no colo com 5 cm; ao toque retovaginal, observa-se acometimento do paramétrio direito, sem atingir a parede pélvica, e o terço superior da vagina está comprometido. A função renal está normal e a tomografia não mostra doença à distância. Qual é a conduta terapêutica indicada?
O acometimento parametrial define estádio localmente avançado, no qual a quimiorradioterapia definitiva é o tratamento padrão, com resultados superiores à cirurgia radical nesse cenário. A histerectomia simples não remove paramétrios nem realiza linfadenectomia, sendo insuficiente para carcinoma invasor. A conização é procedimento diagnóstico e terapêutico apenas em lesões precursoras ou microinvasivas iniciais, jamais em tumor volumoso com invasão parametrial. A quimioterapia paliativa isolada reserva-se à doença metastática ou a pacientes sem condições de tratamento curativo, o que não se aplica a esta paciente com doença restrita à pelve.
Mulher de 36 anos realizou citologia oncótica de rastreamento na Unidade Básica de Saúde, com resultado de células glandulares atípicas favorecendo neoplasia. Encaminhada à colposcopia, foi submetida a conização, cujo resultado histológico é adenocarcinoma in situ do colo uterino com margens comprometidas. Ela tem dois filhos, não deseja novas gestações e está assintomática, sem sangramento anormal. O exame físico é normal e não há evidência de doença invasiva nos exames de imagem. Qual é a conduta indicada?
O adenocarcinoma in situ tem caráter multifocal e alta taxa de doença residual quando as margens da conização estão comprometidas; em mulher sem desejo reprodutivo, a histerectomia é o tratamento definitivo apropriado. Manter apenas vigilância com margens positivas expõe a paciente à progressão para doença invasiva. A radioterapia não é tratamento de lesão in situ e acarreta morbidade desnecessária. Retornar ao intervalo trienal de rastreamento ignora completamente o diagnóstico já estabelecido e a margem comprometida.
Mulher de 34 anos é encaminhada ao serviço de referência por citologia com lesão intraepitelial escamosa de alto grau. Na colposcopia, após aplicação de ácido acético, observa-se área acetobranca densa com mosaico grosseiro e pontilhado irregular no lábio anterior do colo, com junção escamocolunar completamente visível e limites bem definidos. Ela está assintomática, sem sangramento anormal, e não está grávida. A citologia foi coletada há dois meses no rastreamento de rotina da unidade básica, e ela não tem antecedente de tratamento cervical prévio nem imunossupressão. Qual é a conduta adequada nesse momento?
Diante de achado colposcópico maior, a biópsia dirigida é a etapa que define a histologia e orienta o tratamento adequado, evitando tanto o subtratamento quanto procedimentos excessivos. A histerectomia não é tratamento de lesão intraepitelial em mulher jovem, sendo desproporcional e mutilante. Repetir a citologia em um ano diante de lesão de alto grau permite progressão da doença. A destruição da lesão sem diagnóstico histológico impede excluir invasão e compromete a decisão terapêutica.
Mulher de 55 anos com câncer de colo uterino avançado, aguardando início de tratamento oncológico, chega à Unidade de Pronto Atendimento com sangramento vaginal abundante há oito horas. Está pálida, com pressão arterial de 92x58 mmHg, frequência cardíaca de 122 bpm e hemoglobina de 6,4 g/dL. Ao exame especular, observa-se lesão vegetante friável no colo, com sangramento ativo em toda a superfície tumoral, sem coágulos organizados na vagina. Qual é a conduta imediata?
Diante de sangramento tumoral com instabilidade e anemia grave, a conduta é a estabilização hemodinâmica com volume e hemocomponentes associada a medidas hemostáticas locais, como o tamponamento vaginal compressivo, articulando com o serviço de oncologia a radioterapia hemostática. A curetagem em tumor cervical friável agrava o sangramento e pode causar perfuração. Antifibrinolítico oral com alta é insuficiente em paciente instável. Aguardar o tratamento oncológico sem qualquer medida local mantém o sangramento ativo e o risco de óbito.
Mulher de 46 anos concluiu há seis meses o tratamento de carcinoma de colo uterino estádio inicial com histerectomia radical e linfadenectomia pélvica, sem indicação de radioterapia. Retorna à Unidade Básica de Saúde assintomática, com peso estável, sem sangramento, dor pélvica ou queixas urinárias. Traz o relatório do centro de referência solicitando seguimento compartilhado com a atenção primária. A paciente pergunta quais exames deverá repetir e com que frequência nos próximos anos, e se precisará de tomografias periódicas. Qual é a orientação adequada?
O seguimento do câncer de colo tratado baseia-se em consultas periódicas com anamnese dirigida e exame físico e ginecológico, incluindo avaliação da cúpula vaginal, já que a maioria das recidivas é detectada por sintomas ou exame; imagem é solicitada diante de suspeita clínica. Tomografias seriadas de rotina expõem à radiação e a achados incidentais sem ganho de sobrevida. O CA-125 é marcador empregado no câncer de ovário, não no seguimento do carcinoma cervical. Afirmar ausência de risco é incorreto: recidivas pélvicas e à distância ocorrem, sobretudo nos dois primeiros anos.
Mulher de 44 anos procura a Unidade Básica de Saúde por sangramento após as relações sexuais, ocorrido em quatro ocasiões nos últimos dois meses, em pequena quantidade. Nega dispareunia, corrimento, dor pélvica ou alteração do ciclo menstrual, e não usa hormônios. O último exame citopatológico foi há sete anos, normal. Ao exame especular, o colo apresenta área avermelhada friável ao redor do orifício externo, que sangra ao toque com a espátula. Não há lesões vegetantes nem úlceras visíveis, e o toque bimanual é indolor. Qual é a conduta adequada?
Sangramento pós-coital em mulher com rastreamento atrasado obriga a excluir lesão cervical, sobretudo câncer de colo, e o passo inicial é o exame citopatológico com inspeção cuidadosa, seguido de colposcopia se houver alteração ou persistência da friabilidade. Cauterizar sem investigar destrói a área a ser avaliada e pode mascarar neoplasia. Tratar como cervicite sem coletar preventivo desperdiça a oportunidade de rastreamento em mulher com sete anos sem exame. A ultrassonografia avalia o endométrio e não exclui lesão do colo, que é diagnóstico de inspeção, citologia e histologia.
Mulher de 37 anos, submetida a conização por lesão intraepitelial de alto grau há oito meses, procura a Unidade de Pronto Atendimento com dor pélvica em cólica, progressiva e cíclica, há três meses, associada à interrupção do fluxo menstrual desde a cirurgia. Nega febre, corrimento e sangramento. Ao exame, o abdome é doloroso no hipogástrio e o toque revela útero amolecido e aumentado, doloroso à mobilização; o orifício cervical externo é puntiforme e não permite a passagem da histerômetro. A ultrassonografia mostra cavidade uterina distendida por conteúdo hipoecogênico. Qual é o diagnóstico e a conduta?
Amenorreia após conização com dor cíclica progressiva, útero aumentado e doloroso, orifício cervical puntiforme e cavidade distendida ao ultrassom configura hematometra por estenose cervical, complicação conhecida do procedimento; o tratamento é a dilatação do canal com drenagem do conteúdo retido. Ameaça de abortamento cursaria com teste de gravidez positivo e sangramento, ausentes. Doença inflamatória pélvica cursa com dor contínua, febre, corrimento e dor à mobilização do colo, com fluxo menstrual preservado. Recidiva de lesão intraepitelial é assintomática e não distende a cavidade uterina.
Mulher, 38 anos, submetida a conização por cirurgia de alta frequência por neoplasia intraepitelial cervical de alto grau. O laudo confirma NIC 3, com margem endocervical comprometida e margem ectocervical livre. Não há invasão estromal. A paciente não deseja mais gestações e está assintomática. Qual a conduta adequada?
Margem endocervical comprometida em NIC 3 aumenta o risco de doença residual, mas a conduta padrão é o seguimento semestral com citologia, colposcopia e avaliação do canal endocervical, reservando novo procedimento a quem mantém alteração — grande parte das pacientes não tem doença residual. A reconização imediata expõe desnecessariamente a estenose cervical e sangramento. A histerectomia não é indicada por margem comprometida isolada em lesão intraepitelial, especialmente sem tentativa de seguimento. A radioterapia trata carcinoma invasor e é inadmissível em lesão intraepitelial, pelos danos permanentes que causa. Dar alta ignora o risco residual documentado pela margem comprometida e é a conduta com maior chance de deixar progredir a lesão.
Mulher, 39 anos, com diagnóstico de carcinoma de células escamosas do colo uterino. Ao exame sob anestesia, o tumor mede 3,5 cm, restrito ao colo, sem invasão de paramétrios, de terço inferior da vagina ou de órgãos adjacentes. Ressonância confirma lesão de 3,5 cm limitada ao colo, com paramétrios livres e sem linfonodomegalia. Estádio FIGO 2018: IB2. Qual a conduta terapêutica de escolha?
No estádio IB2, com tumor entre 2 e 4 cm restrito ao colo, o tratamento de escolha é a histerectomia radical com linfadenectomia pélvica ou, alternativamente, a quimiorradioterapia definitiva, com resultados oncológicos equivalentes — a escolha depende de comorbidades, desejo e disponibilidade. A conização trata lesões intraepiteliais e carcinomas microinvasivos IA1 sem invasão linfovascular, deixando doença residual em tumor de 3,5 cm. A traquelectomia radical é opção de preservação da fertilidade restrita a tumores de até 2 cm e não é obrigatória. A histerectomia simples sem avaliação linfonodal subestadia a doença e não trata a via de disseminação principal. A quimioterapia isolada não é tratamento curativo do carcinoma cervical localizado, cujo controle local depende de cirurgia ou de radioterapia.
Mulher, 33 anos, realiza colposcopia por citologia com lesão intraepitelial de alto grau. Ao exame, após aplicação de ácido acético a 5%, observa-se área acetobranca densa, de bordas nítidas e regulares, com mosaico grosseiro e pontilhado grosseiro, ocupando os quadrantes anteriores do colo. O teste de Schiller mostra a mesma área iodo-negativa. A zona de transformação é do tipo 1, totalmente visível. Qual a conduta adequada?
Achados colposcópicos maiores — acetobranco denso, mosaico e pontilhado grosseiros — com teste de Schiller positivo indicam biópsia dirigida da área de maior alteração, que fornece o diagnóstico histológico e orienta o tratamento. A conização imediata sem biópsia é aceitável apenas em situações selecionadas de ver-e-tratar, mas não como regra independentemente do quadro, sob risco de sobretratamento em mulher jovem. A cauterização química destrói o tecido sem diagnóstico e é inadequada para lesão de alto grau suspeita. Repetir a citologia em 12 meses ignora citologia de alto grau somada a achados colposcópicos maiores. A histerectomia é conduta radical, injustificável antes mesmo da histologia e em paciente com zona de transformação totalmente visível e tratável.
Mulher, 34 anos, com carcinoma de colo uterino estádio IIB, com invasão de paramétrio direito sem atingir a parede pélvica, sem acometimento do terço inferior da vagina e sem doença a distância na tomografia. Biópsia com carcinoma escamoso. Função renal normal, hemoglobina de 11,8 g/dL (VR 12–16) e bom desempenho funcional. Ressonância confirma o estádio e não há hidronefrose. Qual o tratamento indicado?
No carcinoma cervical localmente avançado a partir do estádio IIB, o tratamento padrão é a quimiorradioterapia concomitante com cisplatina, complementada por braquiterapia, que é essencial ao controle local. A histerectomia radical é indicada em estádios iniciais, até IB2 e casos selecionados de IIA1, e não alcança doença parametrial com margens adequadas. A traquelectomia radical é procedimento de preservação da fertilidade restrito a tumores pequenos e iniciais. A quimioterapia isolada não confere controle local e não é tratamento curativo nesse cenário. A conização deixa doença invasora parametrial sem tratamento e é conduta de lesão intraepitelial ou microinvasiva.
Mulher, 34 anos, com atraso menstrual de 8 semanas e beta-hCG positivo, traz citologia oncótica colhida no início do pré-natal com resultado de lesão intraepitelial de alto grau. Nega sangramento vaginal e dor. Exame especular: colo com ectopia, sem lesão macroscópica evidente. Colposcopia: área acetobranca densa com mosaico grosseiro em lábio anterior, zona de transformação totalmente visível, sem sinais de invasão. Qual a conduta adequada durante a gestação?
Na gestação, a lesão intraepitelial de alto grau não progride de forma significativa e o objetivo da avaliação é apenas excluir invasão: faz-se biópsia dirigida quando há suspeita de doença invasora e mantém-se seguimento colposcópico, adiando o tratamento excisional para após o parto, com reavaliação no puerpério. A conização durante a gestação associa-se a sangramento importante, perda gestacional e prematuridade, sendo reservada à suspeita de invasão. Interromper a gestação e indicar histerectomia por lesão intraepitelial é conduta inaceitável. A cauterização química não trata lesão de alto grau e destrói o tecido sem diagnóstico. Adiar o seguimento por 3 anos abandona uma lesão de alto grau já documentada.
Mulher, 36 anos, com citologia mostrando adenocarcinoma in situ endocervical, realizou colposcopia com biópsia que confirmou o diagnóstico, sem invasão. Deseja preservar a fertilidade e nunca engravidou. Exame: colo sem lesão macroscópica, zona de transformação tipo 3. Ressonância de pelve sem massa cervical, sem linfonodomegalia e sem doença a distância. Não é imunossuprimida. Qual a conduta adequada?
O adenocarcinoma in situ tende a ser multifocal e a acometer o canal endocervical, exigindo conização cilíndrica ampla com margens livres e avaliação do canal remanescente; em mulher com desejo reprodutivo e margens negativas, admite-se preservação uterina com seguimento rigoroso, reservando a histerectomia para após a prole constituída ou margens comprometidas. Apenas seguimento citológico é insuficiente, pois a citologia detecta mal lesões glandulares. Indicar histerectomia imediata como única opção desconsidera o protocolo de preservação em pacientes selecionadas. A crioterapia é método destrutivo que não trata doença endocervical profunda nem fornece peça histológica. A quimiorradioterapia é tratamento de carcinoma invasor localmente avançado, não de lesão in situ.
Mulher, 44 anos, com diagnóstico de câncer de colo uterino estádio IIB, com invasão parametrial sem acometimento da parede pélvica, sem metástases a distância. Apresenta função renal normal, bom desempenho funcional e hemoglobina de 11,8 g/dL (VR 12–16). A ressonância confirma o estadiamento e não há hidronefrose. A paciente deseja iniciar tratamento com a maior chance de controle da doença. Qual o tratamento indicado?
O câncer de colo uterino com invasão parametrial, estádio IIB, é tratado com quimiorradioterapia definitiva com cisplatina concomitante, complementada por braquiterapia, estratégia com melhor controle locorregional que a cirurgia nesse estádio. A histerectomia radical é a opção para estádios iniciais sem invasão parametrial. A conização é procedimento para lesões pré-invasivas ou microinvasivas. A quimioterapia sistêmica isolada não alcança controle local adequado em doença localmente avançada. A histerectomia simples não remove parametrios nem linfonodos e é inadequada oncologicamente, deixando doença residual.
Mulher, 27 anos, com citologia mostrando lesão intraepitelial escamosa de baixo grau, foi submetida a colposcopia com biópsia que confirmou neoplasia intraepitelial cervical grau 1. Manteve seguimento e, após 24 meses, novas citologia e biópsia continuam mostrando NIC 1, sem progressão. Colposcopia com zona de transformação totalmente visível e lesão restrita ao colo. Não é imunossuprimida e o teste rápido para HIV é não reagente. Qual a conduta adequada?
A NIC 1 tem alta taxa de regressão espontânea, mas a persistência por 24 meses permite discutir tratamento excisional ou destrutivo com decisão compartilhada, considerando idade, desejo reprodutivo e adesão ao seguimento — em jovens, manter a vigilância também é aceitável. A histerectomia é conduta radical inaceitável para lesão de baixo grau. Retomar intervalo de 5 anos abandona o seguimento de uma lesão persistente. Não existe imunoterapia sistêmica estabelecida para eliminar o HPV. Conização com margens de 2 cm é excessiva e compromete a competência cervical, sem qualquer respaldo nesse cenário.
Mulher, 36 anos, foi submetida a excisão da zona de transformação por NIC 3, com margens livres, há 6 meses. Está assintomática, com colo cicatrizado e zona de transformação parcialmente visível à colposcopia. Não é imunossuprimida. A equipe discute a melhor estratégia de seguimento pós-tratamento, considerando que o risco de doença residual ou recorrente permanece maior que o da população geral por muitos anos. Qual a estratégia de seguimento mais adequada?
O teste de HPV, isolado ou combinado à citologia, é o método mais sensível para detectar doença residual ou recorrente após tratamento de lesão de alto grau, e o seguimento deve ser prolongado, pois o risco permanece elevado por décadas. Apenas citologia por 2 anos com alta definitiva subestima esse risco de longo prazo. Colposcopia semestral isolada por 10 anos é pouco específica, onerosa e desnecessária. Repetir a conização profilaticamente expõe a estenose e a complicações obstétricas sem indicação. Dar alta imediata por margens livres ignora que a recorrência ocorre mesmo com margens negativas.
Mulher, 42 anos, com citologia mostrando lesão intraepitelial escamosa de alto grau, comparece à colposcopia. Ao exame, observa-se área acetobranca densa e extensa com mosaico e pontilhado grosseiros, ocupando dois quadrantes, com zona de transformação totalmente visível e sem sinais de invasão. Mora em município distante, com histórico de faltas a consultas anteriores e dificuldade de retorno ao serviço de referência. Qual estratégia é apropriada nesse cenário?
A estratégia de ver-e-tratar é apropriada quando há citologia de alto grau com achados colposcópicos maiores, zona de transformação totalmente visível e risco de perda de seguimento, permitindo excisão diagnóstica e terapêutica no mesmo atendimento. Apenas biopsiar e agendar retorno em 6 meses arrisca perder a paciente, que já tem histórico de faltas. Repetir a citologia em 1 ano abandona lesão de alto grau. A histerectomia é tratamento excessivo para lesão intraepitelial em mulher com colo tratável. A cauterização química não trata lesão de alto grau e destrói o tecido sem diagnóstico histológico.
Mulher, 39 anos, submetida a duas conizações por lesão intraepitelial cervical, apresenta há 8 meses dismenorreia progressiva e intensa, com fluxo menstrual escasso e escuro, além de dor pélvica cíclica. Exame especular: orifício externo do colo puntiforme, com dificuldade de passagem de histerômetro. Ultrassonografia transvaginal: coleção líquida intracavitária de 20 mL com debris, compatível com hematometra, e endométrio não avaliável adequadamente. Qual o diagnóstico e a conduta?
Dismenorreia progressiva com hipomenorreia após conizações repetidas, orifício externo puntiforme e coleção intracavitária definem estenose cervical com hematometra, cujo tratamento é a dilatação cervical com drenagem, preferencialmente guiada e com medidas para reduzir recidiva. A adenomiose cursaria com útero globoso e miométrio heterogêneo, sem estenose do orifício externo. A recidiva de lesão intraepitelial não explica hematometra e exigiria alteração citológica ou colposcópica. A doença inflamatória pélvica crônica não produz obstrução cervical mecânica. A endometriose profunda causa dispareunia e disquezia cíclicas, sem coleção intracavitária por obstrução.
Mulher, 33 anos, teve conização por lesão de alto grau cujo exame anatomopatológico revelou carcinoma escamoso com invasão estromal de 2,5 mm de profundidade e 5 mm de extensão horizontal, sem invasão do espaço linfovascular e com margens livres. Deseja preservar a fertilidade. Ressonância de pelve sem lesão residual e sem linfonodomegalia. Estádio FIGO 2018: IA1 sem invasão linfovascular. Qual a conduta adequada?
No carcinoma cervical estádio IA1 sem invasão do espaço linfovascular e com margens livres na conização, o risco de acometimento linfonodal é inferior a 1%, e a conização é considerada tratamento suficiente em mulher com desejo reprodutivo, mantendo-se seguimento rigoroso. A histerectomia radical com linfadenectomia é desproporcional e elimina a fertilidade. A quimiorradioterapia é tratamento de doença localmente avançada. A exenteração pélvica é cirurgia de doença recidivada central, absolutamente inadequada. A traquelectomia radical é opção para tumores maiores com desejo de fertilidade, não sendo necessária no IA1 sem invasão linfovascular.
Mulher, 31 anos, nuligesta, com carcinoma escamoso do colo uterino de 1,8 cm restrito ao colo, sem invasão de paramétrios e sem linfonodomegalia à ressonância e à tomografia. Deseja fortemente preservar a fertilidade. Estádio FIGO IB1. Bom desempenho funcional, sem comorbidades e com reserva ovariana adequada. Está em acompanhamento em centro de referência com equipe habilitada para cirurgias de preservação da fertilidade. Qual a conduta pode ser oferecida?
Em tumores cervicais de até 2 cm restritos ao colo, sem invasão parametrial e com linfonodos negativos, a traquelectomia radical com linfadenectomia pélvica é opção oncologicamente segura que preserva o corpo uterino e a possibilidade de gestação, devendo ser realizada em centro com experiência. A conização isolada é insuficiente em tumor de 1,8 cm com invasão além do microinvasivo. A histerectomia simples sem avaliação linfonodal subestadia e não trata adequadamente. A quimioterapia exclusiva não é tratamento curativo do carcinoma cervical inicial. A ooforectomia bilateral não trata o tumor cervical e ainda induziria menopausa cirúrgica.
Mulher, 52 anos, tratada há 2 anos com quimiorradioterapia por carcinoma de colo uterino estádio IIB, apresenta recidiva central isolada de 3 cm, confinada à pelve, sem doença a distância à tomografia e à tomografia por emissão de pósitrons, e sem acometimento da parede pélvica. Não há hidronefrose e não há edema de membro inferior. Bom desempenho funcional, sem comorbidades relevantes e com boa rede de suporte familiar. Qual a opção terapêutica potencialmente curativa?
Na recidiva central isolada de carcinoma cervical após radioterapia, sem doença a distância e sem acometimento da parede pélvica, a exenteração pélvica em centro especializado é a única opção com potencial curativo, com seleção rigorosa da paciente e reconstrução adequada. Repetir a radioterapia nas mesmas doses no campo já irradiado provoca toxicidade proibitiva. A histerectomia simples não obtém margens adequadas em recidiva central pós-radiação. A hormonioterapia não tem papel no carcinoma escamoso cervical. Indicar cuidados exclusivos de conforto em paciente com doença potencialmente curável e bom desempenho é inadequado.
Gestante de 32 anos, com 16 semanas, tem diagnóstico de carcinoma escamoso do colo uterino estádio IB1, com lesão de 1,9 cm restrita ao colo e sem linfonodomegalia à ressonância. Deseja fortemente manter a gestação. Está assintomática, sem sangramento importante. O casal é orientado em centro de referência, com equipe multidisciplinar de oncologia ginecológica, obstetrícia de alto risco e neonatologia disponíveis. Qual a orientação correta?
O carcinoma cervical na gestação exige conduta individualizada em centro de referência: em estádios iniciais diagnosticados após o primeiro trimestre, é possível adiar o tratamento definitivo com vigilância ou empregar quimioterapia neoadjuvante à base de platina a partir do segundo trimestre, programando o parto e o tratamento definitivo com maturidade fetal. Afirmar interrupção obrigatória em qualquer estádio desconsidera essas alternativas e a autonomia da gestante. Adiar sempre até o termo sem qualquer intervenção pode permitir progressão em tumores maiores. A quimioterapia é contraindicada no primeiro trimestre, mas possível depois. A radioterapia pélvica é incompatível com a manutenção da gestação.
Mulher, 62 anos, com carcinoma de colo uterino estádio IVA, apresenta perda contínua de urina pela vagina há 3 semanas, com irritação vulvar e odor. Exame: lesão cervical volumosa e infiltrativa, com comunicação evidente entre bexiga e vagina ao teste com azul de metileno intravesical. Está com desempenho funcional razoável, sem sepse e sem hidronefrose. Tomografia confirma invasão vesical extensa pela neoplasia. Qual a conduta mais adequada?
Fístula vesicovaginal por invasão tumoral direta em doença localmente avançada não se resolve com reparo primário, pois o tecido é neoplásico e irradiado: a conduta é a derivação urinária paliativa, com cuidados de pele e controle de odor, discutindo-se o tratamento oncológico possível para controle local. O reparo primário está fadado ao insucesso nesse contexto. Apenas fralda e observação mantêm sofrimento e dermatite grave, sendo abandono terapêutico. A radioterapia externa isolada não fecha a fístula e pode até aumentá-la ao necrosar o tumor. O cateter de demora não desvia o fluxo pela comunicação e não resolve a perda contínua.
Mulher, 50 anos, com carcinoma de colo uterino estádio IB1 de 1,5 cm, será submetida a tratamento cirúrgico. A equipe discute a técnica de histerectomia radical e a via de acesso, considerando estudos que compararam desfechos oncológicos entre a via minimamente invasiva e a laparotomia em tumores iniciais do colo uterino. Qual a orientação atual quanto à via de acesso?
Ensaio randomizado e estudos observacionais posteriores mostraram pior sobrevida livre de doença e global com a cirurgia minimamente invasiva na histerectomia radical por câncer de colo inicial, o que tornou a laparotomia a via preferencial nessa indicação específica. Afirmar superioridade da laparoscopia contraria justamente esses resultados. A via robótica não é obrigatória e integra o grupo minimamente invasivo avaliado. A via vaginal isolada não permite a radicalidade parametrial nem a linfadenectomia adequada. Afirmar indiferença entre as vias desconsidera a evidência que mudou a prática.
Mulher, 58 anos, na pós-menopausa há 8 anos, encaminhada por citologia com lesão intraepitelial escamosa de alto grau. À colposcopia, o epitélio mostra-se atrófico e a junção escamocolunar não é visualizada, mesmo com uso de espéculo endocervical; não se identificam achados anormais no ectocérvice. Não faz terapia hormonal e nega sangramento. Qual a conduta mais adequada?
Diante de citologia de alto grau com colposcopia insatisfatória na pós-menopausa, a lesão pode estar inteiramente dentro do canal endocervical, e a conduta padronizada é a exérese tipo 3 da zona de transformação, que remove o canal e fornece diagnóstico histológico definitivo. A repetição da colposcopia após estrogenização é recurso auxiliar que pode ser tentado, mas não substitui a avaliação do canal diante de citologia de alto grau. As biópsias aleatórias do ectocérvice têm baixo rendimento quando a lesão é endocervical. A histerectomia como primeiro passo trata sem diagnóstico e pode subestimar um carcinoma invasor. A conduta expectante com citologia semestral posterga o diagnóstico de uma lesão com alto potencial de progressão.
Mulher, 36 anos, com dois partos anteriores, apresenta citologia com células glandulares atípicas favorecendo neoplasia. À colposcopia, junção escamocolunar totalmente visível, sem achados anormais no ectocérvice, e a curetagem endocervical revelou adenocarcinoma in situ. Nega sangramento, dor pélvica ou perda de peso. Exame físico sem alterações; PA 118/76 mmHg. A ressonância magnética da pelve não mostrou doença invasora ou linfonodomegalia. Qual a vantagem da conização com bisturi frio sobre a exérese eletrocirúrgica neste caso?
No adenocarcinoma in situ, a avaliação das margens é decisiva para definir a conduta subsequente, e o bisturi frio evita o artefato térmico que a alça eletrocirúrgica produz nas bordas do espécime, dificultando a leitura patológica. A redução do risco de estenose cervical não ocorre com o bisturi frio, que retira cones mais altos e tende a aumentar essa complicação. A ideia de dispensar a avaliação das margens é falsa, pois nenhum cone garante a remoção completa de lesão glandular, que pode ser multifocal e salteada. A eliminação do risco de prematuridade também é falsa, já que cones mais profundos elevam esse risco. A realização em consultório sem anestesia corresponde à alça eletrocirúrgica, não ao bisturi frio.
Mulher, 28 anos, nuligesta, foi submetida há 6 meses a exérese da zona de transformação tipo 3 por neoplasia intraepitelial cervical grau 3, com margens livres e altura do cone de 25 mm. Encontra-se assintomática, com teste de cura previsto para completar um ano do procedimento. Ciclos regulares, PA 110/70 mmHg. Deseja engravidar no próximo ano e pergunta sobre riscos obstétricos. Qual a orientação correta quanto às repercussões obstétricas do procedimento realizado?
A exérese da zona de transformação aumenta o risco de parto prematuro e de rotura prematura de membranas de forma dependente da altura do cone, e um cone de 25 mm situa a paciente na faixa de maior risco, o que justifica vigilância do comprimento cervical na gestação. A cerclagem eletiva universal não é recomendada, pois se indica conforme o comprimento cervical e a história obstétrica. A contraindicação ao parto vaginal não existe, e a via de parto segue indicação obstétrica habitual. A infertilidade definitiva não decorre do procedimento, embora a estenose cervical possa dificultar a ascensão espermática em alguns casos. O risco recai sobre a prematuridade no segundo e terceiro trimestres, e não sobre o abortamento precoce.
Mulher, 23 anos, nuligesta, com citologia de lesão intraepitelial de alto grau. À colposcopia, junção escamocolunar inteiramente visível, com achado maior de 1 cm no lábio anterior; a biópsia dirigida revelou neoplasia intraepitelial cervical grau 2. Nega imunossupressão, tabagismo ou uso de corticoide. Exame físico sem outras alterações e teste anti-HIV negativo. Manifesta desejo de gestar nos próximos anos. Qual a conduta preferencial nesse caso?
Em mulheres com menos de 25 anos, colposcopia satisfatória, lesão totalmente visível e neoplasia intraepitelial grau 2, a taxa de regressão espontânea é alta e a conduta preferencial é o seguimento com citologia e colposcopia semestrais por até vinte e quatro meses, tratando apenas se houver progressão ou persistência. A exérese imediata expõe a jovem nuligesta ao risco obstétrico de um procedimento evitável. A histerectomia é desproporcional para lesão pré-invasora e elimina o futuro reprodutivo desejado. A crioterapia sem confirmação histológica prévia destrói tecido sem diagnóstico definitivo e não é aceitável em lesão de alto grau. A vacinação previne novas infecções, mas não trata lesão já estabelecida.
Mulher, 49 anos, com carcinoma escamoso do colo uterino estádio IIB, com paramétrio direito comprometido e sem doença à distância na tomografia. Hb 11,2 g/dL (VR 12–16) e creatinina 0,9 mg/dL (VR 0,6–1,2). Iniciou radioterapia pélvica externa associada a quimioterapia com cisplatina semanal. A equipe discute a complementação do tratamento com braquiterapia intracavitária ao final da irradiação externa. Qual afirmação sobre a braquiterapia nesse contexto é correta?
A braquiterapia intracavitária é parte indissociável do tratamento definitivo do câncer de colo localmente avançado, pois entrega dose elevada ao volume central com queda rápida nos tecidos vizinhos, e sua omissão associa-se a menor controle local e menor sobrevida global. Substituí-la por sobredose de irradiação externa produz controle inferior e maior toxicidade em bexiga e reto. Reservá-la apenas às respostas incompletas contraria o planejamento terapêutico, no qual ela é programada desde o início. A afirmação de contraindicação no comprometimento parametrial é falsa, pois o estádio IIB é justamente uma indicação clássica de quimiorradiação com braquiterapia. Restringi-la às recidivas centrais desconsidera seu papel no tratamento primário.
Mulher, 53 anos, com carcinoma escamoso do colo uterino estádio IIIB, com hidronefrose à direita drenada por nefrostomia. Creatinina 1,1 mg/dL (VR 0,6–1,2) após a drenagem, Hb 10,9 g/dL (VR 12–16), sem comorbidades relevantes e com bom estado funcional. A tomografia não mostra doença a distância. Programa-se radioterapia pélvica externa seguida de braquiterapia. Qual agente sistêmico deve ser associado de forma concomitante à irradiação?
A cisplatina semanal concomitante à radioterapia é o padrão consagrado no câncer de colo localmente avançado, com ganho consistente de sobrevida sobre a irradiação isolada, e a função renal preservada após a nefrostomia permite seu uso nesta paciente. O paclitaxel isolado não tem esse papel de radiossensibilizante padrão na doença localmente avançada. O bevacizumabe é usado na doença metastática ou recorrente, não como concomitante à irradiação pélvica curativa. O tamoxifeno atua em tumores hormônio-dependentes da mama e não tem indicação no carcinoma escamoso do colo. O pembrolizumabe integra esquemas em contextos selecionados, mas jamais substitui a braquiterapia, componente insubstituível do tratamento local.
Mulher, 47 anos, concluiu há 4 meses quimiorradiação com braquiterapia por carcinoma do colo uterino estádio IIB, com resposta clínica completa ao exame e à ressonância de reavaliação. Encontra-se assintomática, com bom estado geral, sem sangramento, dor pélvica ou edema de membros. Exame ginecológico com colo retraído e fibrose vaginal discreta. Pergunta com que frequência deve retornar e quais exames fará. Qual a estratégia de seguimento recomendada nos dois primeiros anos?
O seguimento do câncer de colo tratado apoia-se na anamnese dirigida e no exame ginecológico periódico, a cada três a quatro meses nos dois primeiros anos, porque a maioria das recidivas é sintomática ou detectável ao exame, sem benefício demonstrado de imagem de rotina em pacientes assintomáticas. A tomografia trimestral sistemática eleva custo e exposição sem ganho de sobrevida. A dosagem seriada do antígeno carcinoembrionário não é marcador validado para o carcinoma escamoso do colo. A consulta apenas anual com citologia de cúpula espaça demais a vigilância no período de maior risco de recidiva. A tomografia por emissão de pósitrons é reservada à suspeita de recidiva, e não ao rastreio semestral sistemático.
Gestante de 31 anos, com 18 semanas, apresenta sangramento pós-coito e lesão vegetante de 3 cm no colo uterino ao exame especular. A biópsia confirma carcinoma escamoso invasor, e a ressonância magnética mostra lesão restrita ao colo, sem acometimento parametrial ou linfonodal, compatível com estádio IB2. A paciente deseja manter a gestação e questiona as possibilidades terapêuticas e o momento do tratamento definitivo. Qual a conduta mais adequada?
Em estádios iniciais com desejo de manter a gestação, a quimioterapia neoadjuvante à base de platina permite controle da doença até que se alcance maturidade fetal, com tratamento definitivo, habitualmente cesariana com histerectomia radical, programado em seguida. Iniciar radioterapia pélvica é incompatível com a manutenção da gestação, pois provoca perda fetal. A conização não é tratamento definitivo do carcinoma invasor nesse estádio. Indicar parto vaginal é inadequado, pois há risco de sangramento, disseminação e implantes em episiotomia, sendo a cesariana a via preferida. Aguardar sem tratamento até 40 semanas ignora a possibilidade de progressão tumoral ao longo de meses.
Mulher, 44 anos, com dois filhos e laqueadura tubária prévia, foi submetida a conização por adenocarcinoma in situ do colo uterino, com margens endocervicais livres e curetagem do canal residual negativa. Está assintomática, com exame físico normal e ressonância da pelve sem sinais de invasão ou linfonodomegalia. Manifesta preocupação com a possibilidade de recidiva e afirma não desejar novas gestações. Qual a conduta definitiva mais adequada?
O adenocarcinoma in situ pode ser multifocal e apresentar lesões salteadas ao longo do canal endocervical, de modo que, concluída a prole, a histerectomia simples é a conduta definitiva preferida mesmo com margens livres, por reduzir o risco de doença residual. O seguimento citológico isolado é opção apenas para quem deseja preservar a fertilidade, com vigilância rigorosa. Repetir conizações profilaticamente acrescenta morbidade cervical sem lógica oncológica. A braquiterapia não é tratamento de lesão in situ e traz toxicidade desnecessária. A quimioterapia adjuvante destina-se a doença invasora avançada, não a lesão pré-invasora.
Mulher, 31 anos, encaminhada por citologia alterada, realiza colposcopia. Após a aplicação de ácido acético, observa-se área acetobranca no lábio anterior do colo. A seguir, aplica-se solução iodo-iodetada de Lugol, e a área correspondente não se cora, permanecendo amarelada, enquanto o epitélio adjacente adquire coloração castanho-escura homogênea. Qual a interpretação correta desse achado?
O epitélio escamoso maduro é rico em glicogênio e cora-se de castanho-escuro pelo Lugol; áreas que não se coram são iodo-negativas e definem o teste de Schiller positivo, que na presença de acetobranqueamento indica biópsia dirigida. Chamar o achado de Schiller negativo inverte a convenção, pois negativo corresponde à captação homogênea do corante. Afirmar ausência de valor diagnóstico desconsidera o papel do Lugol em delimitar áreas suspeitas e orientar a biópsia. O epitélio colunar também não se cora, mas seu aspecto característico difere da área acetobranca descrita. A reação alérgica ao iodo se manifestaria com sintomas sistêmicos ou locais, não com a ausência de coloração.
Mulher, 41 anos, submetida a colposcopia por citologia com lesão de alto grau. O exame descreve junção escamocolunar visível em toda a sua extensão apenas com o auxílio de espéculo endocervical, com o limite superior situado no canal, e achado maior de 8 mm que se estende parcialmente para dentro do canal cervical. Não há sinais de invasão, vasos atípicos ou lesão ulcerada. Qual a classificação da zona de transformação e o tipo de exérese indicado?
A junção escamocolunar visível em toda a extensão somente com auxílio de instrumento, com componente endocervical, define a zona de transformação tipo 2, e a exérese correspondente deve incluir esse componente, retirando altura suficiente do canal sem alcançar a profundidade de um cone alto. A zona tipo 1 é inteiramente ectocervical e visível sem instrumentos, o que não corresponde ao descrito. A zona tipo 3 caracteriza-se por junção não visível mesmo com instrumento, exigindo exérese mais alta e com maior repercussão obstétrica. Não existe categoria de zona atípica que indique histerectomia. A repetição da citologia em um ano posterga o tratamento de lesão de alto grau já documentada.
Mulher, 36 anos, nuligesta, submetida a conização por lesão de alto grau. O laudo histopatológico revela carcinoma escamoso com profundidade de invasão do estroma de 4,2 mm e extensão horizontal de 6 mm, com margens livres e sem invasão do espaço linfovascular. Ressonância da pelve sem linfonodomegalia e sem doença parametrial. A paciente manifesta desejo de preservar a fertilidade. Qual a classificação do estádio e a conduta possível?
Profundidade de invasão superior a 3 mm e até 5 mm classifica o tumor como estádio IA2, situação em que a avaliação linfonodal passa a ser recomendada e, havendo desejo reprodutivo, a traquelectomia associada à pesquisa linfonodal é alternativa que preserva a fertilidade. O estádio IA1 exige invasão de até 3 mm, valor ultrapassado pelos 4,2 mm medidos. O estádio IB2 corresponde a tumores clinicamente visíveis com dimensões bem maiores. O estádio IIB implica comprometimento parametrial, expressamente afastado pela ressonância. O estádio 0 corresponde à lesão in situ, incompatível com a invasão estromal documentada.
Mulher, 45 anos, submetida a histerectomia radical com linfadenectomia pélvica por carcinoma escamoso do colo uterino estádio IB1. O laudo revela tumor de 3,2 cm, invasão do estroma cervical em mais de dois terços da espessura, invasão do espaço linfovascular presente, margens livres, paramétrios livres e todos os linfonodos pélvicos negativos para neoplasia. Qual a conduta adjuvante indicada?
A combinação de tumor volumoso, invasão profunda do estroma e invasão do espaço linfovascular constitui o conjunto de fatores de risco intermediários que indica radioterapia pélvica adjuvante, por reduzir a recidiva local mesmo com linfonodos negativos. A observação isolada baseada apenas na negatividade linfonodal ignora esses fatores histológicos. A quimioterapia sistêmica isolada não substitui o controle local pela irradiação nesse cenário. A hormonioterapia não tem papel no carcinoma escamoso do colo, que não é hormônio-dependente. Uma nova cirurgia para linfadenectomia para-aórtica não está indicada com linfonodos pélvicos negativos e sem sinais de doença retroperitoneal.
Durante atividade educativa em unidade básica de saúde, a equipe discute os sinais e sintomas que devem levantar suspeita de câncer de colo uterino, além da importância do rastreamento em mulheres assintomáticas. Uma agente comunitária pergunta quais queixas relatadas pelas usuárias merecem encaminhamento mais rápido para avaliação médica com exame especular e coleta de material. Qual manifestação é mais característica das fases iniciais dessa neoplasia?
O sangramento após a relação sexual, associado a colo friável, é a manifestação mais característica das fases iniciais do câncer de colo uterino, ainda que boa parte das pacientes seja assintomática, o que justifica o rastreamento. A dor lombar com irradiação para os membros inferiores decorre de comprometimento da parede pélvica e indica doença avançada. O edema unilateral de membro inferior sugere compressão linfática ou trombose, também associadas a estádios avançados. A insuficiência renal por obstrução ureteral bilateral caracteriza doença localmente avançada com invasão parametrial. O emagrecimento com anemia grave traduz doença sistêmica e não corresponde ao quadro inicial.
Mulher, 51 anos, com carcinoma escamoso do colo uterino de 3,8 cm, sem comprometimento parametrial ao exame clínico e sem extensão vaginal. A ressonância magnética confirma o tamanho tumoral e não mostra invasão de paramétrios. A tomografia por emissão de pósitrons identifica linfonodo pélvico ipsilateral hipermetabólico de 1,4 cm, confirmado como metastático por punção. Não há doença a distância. Qual o estádio correspondente ao caso?
O estadiamento vigente do câncer de colo incorpora achados de imagem e de patologia, e o comprometimento de linfonodos pélvicos classifica a doença como estádio IIIC1, independentemente do tamanho do tumor primário. O estádio IB2 se aplicaria a tumor entre 2 e 4 cm sem comprometimento linfonodal, situação afastada pela punção positiva. O estádio IIA1 exige extensão ao terço superior da vagina, expressamente ausente. O estádio IVA corresponde à invasão de bexiga ou reto, não demonstrada. O estádio IIB implica acometimento parametrial, que a ressonância descartou.
Peça adequada mostra proliferação glandular endocervical maligna confinada ao epitélio, sem invasão estromal. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
A classificação é adenocarcinoma in situ. AIS é lesão glandular neoplásica confinada ao epitélio, sem invasão do estroma demonstrada. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/treatment
Epitélio cervical escamoso tem displasia severa de espessura ampla, com membrana basal contínua e estroma sem tumor. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
A lesão é intraepitelial de grau 3. NIC 3 é lesão escamosa de alto grau com alteração extensa da espessura epitelial, sem invasão estromal. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/screening/abnormal-hpv-pap-test-results
Laudo final confirma displasia moderada após integração de morfologia moderadamente displásica e p16 positivo em bloco, sem invasão. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
NIC 2 pertence ao grupo de lesões escamosas de alto grau. NIC 2 é lesão escamosa de alto grau intermediário, definida pela morfologia e, quando indicado, por imunomarcação apropriada. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/screening/abnormal-hpv-pap-test-results
Histologia mostra alterações escamosas de baixo grau predominantemente no terço inferior, com camadas superiores amadurecendo normalmente. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
O padrão corresponde a neoplasia intraepitelial grau 1. NIC 1 corresponde a alteração escamosa de baixo grau, com atipia predominantemente no terço inferior do epitélio, sem invasão. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/screening/abnormal-hpv-pap-test-results
Amostra do colo identifica carcinoma de diferenciação escamosa infiltrando o tecido conjuntivo subepitelial. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
A infiltração confirma caráter invasor. Ninhos escamosos malignos que atravessam a membrana basal e infiltram o estroma caracterizam carcinoma invasor. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/treatment
Glândulas endocervicais apresentam epitélio neoplásico, mas limites basais preservados e nenhuma invasão demonstrada. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
O processo glandular permanece in situ. AIS é lesão glandular neoplásica confinada ao epitélio, sem invasão do estroma demonstrada. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/treatment
Laudo descreve displasia escamosa grave, com perda de maturação quase total, sem passagem de células para o estroma. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
A ausência de invasão com alto grau extenso sustenta NIC 3. NIC 3 é lesão escamosa de alto grau com alteração extensa da espessura epitelial, sem invasão estromal. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/screening/abnormal-hpv-pap-test-results
Biópsia cervical é classificada, após revisão morfológica e imunohistoquímica, como displasia escamosa moderada de alto grau. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
O grau intermediário é NIC 2. NIC 2 é lesão escamosa de alto grau intermediário, definida pela morfologia e, quando indicado, por imunomarcação apropriada. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/screening/abnormal-hpv-pap-test-results
Paciente tem laudo de lesão escamosa de baixo grau com alterações coilocíticas e atipia basal limitada, sem invasão. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
A descrição é compatível com NIC 1. NIC 1 corresponde a alteração escamosa de baixo grau, com atipia predominantemente no terço inferior do epitélio, sem invasão. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/screening/abnormal-hpv-pap-test-results
Biópsia mostra células escamosas malignas rompendo a membrana basal e formando ninhos no estroma cervical. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
A invasão estromal define carcinoma escamoso invasor. Ninhos escamosos malignos que atravessam a membrana basal e infiltram o estroma caracterizam carcinoma invasor. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/treatment
Amostra cervical mostra epitélio glandular endocervical neoplásico, sem infiltração do estroma na avaliação adequada. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
A lesão glandular não invasiva corresponde a AIS. AIS é lesão glandular neoplásica confinada ao epitélio, sem invasão do estroma demonstrada. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/treatment
Epitélio escamoso cervical apresenta atipia intensa em toda a espessura, com membrana basal íntegra e ausência de invasão. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
A lesão escamosa extensa sem invasão corresponde a NIC 3. NIC 3 é lesão escamosa de alto grau com alteração extensa da espessura epitelial, sem invasão estromal. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/screening/abnormal-hpv-pap-test-results
Laudo integrado descreve displasia escamosa moderada, com alteração aproximada dos dois terços inferiores, p16 em bloco sem invasão estromal. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
A classificação histológica é de alto grau intermediário. NIC 2 é lesão escamosa de alto grau intermediário, definida pela morfologia e, quando indicado, por imunomarcação apropriada. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/screening/abnormal-hpv-pap-test-results
Biópsia cervical mostra atipia escamosa restrita principalmente ao terço basal, maturação superficial preservada e ausência de invasão, classificada como baixo grau. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
O padrão de baixo grau corresponde a NIC 1. NIC 1 corresponde a alteração escamosa de baixo grau, com atipia predominantemente no terço inferior do epitélio, sem invasão. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/screening/abnormal-hpv-pap-test-results
Biópsia identifica tumor escamoso cervical com invasão inequívoca do estroma, afastando lesão apenas intraepitelial. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
A infiltração estromal caracteriza carcinoma escamoso invasivo. Ninhos escamosos malignos que atravessam a membrana basal e infiltram o estroma caracterizam carcinoma invasor. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/treatment
A avaliação do colo identifica lesão pré-invasiva glandular endocervical, com arquitetura neoplásica e ausência de infiltração. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
O tipo glandular in situ é AIS. AIS é lesão glandular neoplásica confinada ao epitélio, sem invasão do estroma demonstrada. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/treatment
Laudo de lesão escamosa descreve carcinoma in situ de padrão escamoso, sem ruptura da membrana basal. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
A nomenclatura corresponde ao espectro de NIC 3. NIC 3 é lesão escamosa de alto grau com alteração extensa da espessura epitelial, sem invasão estromal. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/screening/abnormal-hpv-pap-test-results
Revisão anatomopatológica conclui displasia escamosa moderada, com critérios morfológicos intermediários e imunomarcação concordante. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
O diagnóstico fornecido corresponde a NIC 2. NIC 2 é lesão escamosa de alto grau intermediário, definida pela morfologia e, quando indicado, por imunomarcação apropriada. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/screening/abnormal-hpv-pap-test-results
Biópsia do colo demonstra lesão escamosa de baixo grau, com atipia basal e maturação mantida, sem evidência de invasão. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
A lesão de baixo grau é NIC 1. NIC 1 corresponde a alteração escamosa de baixo grau, com atipia predominantemente no terço inferior do epitélio, sem invasão. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/screening/abnormal-hpv-pap-test-results
Células escamosas neoplásicas ultrapassam a membrana basal e infiltram o estroma, independentemente da pequena extensão inicial. Qual classificação corresponde ao laudo descrito?
A presença de invasão muda a classificação para carcinoma invasor. Ninhos escamosos malignos que atravessam a membrana basal e infiltram o estroma caracterizam carcinoma invasor. Referência: https://www.cancer.gov/types/cervical/treatment
Mulher apresenta carcinoma invasor do colo uterino de 3,1 cm, restrito ao colo, com invasão estromal superior a 5 mm e sem linfonodos comprometidos ou metástases na avaliação. Considerando a classificação FIGO atual, qual estádio corresponde ao tamanho descrito?
Tumor restrito ao colo com invasão superior a 5 mm e dimensão entre 2 e 4 cm corresponde ao grupo IB2 na classificação atual, na ausência de achados que mudem o estádio. Referência: NCI. Cervical Cancer Treatment: FIGO staging. https://www.cancer.gov/types/cervical/hp/cervical-treatment-pdq
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Reconstrua as três decisões em cadeia sem consultar: (1) grau histológico — NIC I acompanha, NIC II/III trata por excisão, AIS pede excisão tipo 3 em peça única; (2) tipo de ZT — 1, 2 ou 3 define a profundidade (até 1 cm, 1,5 a 2,0 cm, 2 a 2,5 cm de canal); (3) margens — livres ou NIC I dão citologia aos 6 e 12 meses, NIC II/III dão citologia e colposcopia semestrais por dois anos. Depois recite as quatro condições do 'Ver e Tratar' e as duas situações em que ele é inaceitável.
em 30 dias
Escreva de memória a régua FIGO 2018 do estádio I: IA1 abaixo de 3 mm de profundidade, IA2 de 3 a menos de 5 mm, IB a partir de 5 mm, com IB1 abaixo de 2 cm, IB2 de 2 a menos de 4 cm e IB3 de 4 cm em diante — e explique por que a extensão horizontal de 7 mm sumiu e por que linfonodo positivo virou IIIC. Em seguida, marque a fronteira terapêutica: até IIA ainda se opera; de IIB em diante o padrão é quimiorradiação com cisplatina 40 mg/m² semanal seguida de braquiterapia. Feche revendo a gestante (investiga, não trata; reavaliação 90 dias após o parto) e a imunossuprimida (seguimento anual vitalício).
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Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Mulher de 38 anos comparece ao ambulatório de patologia cervical trazendo o laudo da peça de exérese da zona de transformação realizada há três semanas: neoplasia intraepitelial cervical grau III, com margem endocervical comprometida por NIC III e margem ectocervical livre. Está assustada porque leu 'margem comprometida' e quer saber se o câncer ficou dentro. Mora perto da unidade, tem transporte e comparece às consultas. Conduza a orientação e defina o plano de seguimento. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
