Ginecologia e ObstetríciaGinecologia oncológica, mama e rastreamentos

Nódulo mamário e BI-RADS

Nódulo mamário e classificação BI-RADS

Diante de um nódulo palpável, a prova cobra três decisões em sequência: qual exame de imagem pedir primeiro (e isso depende da idade), o que significa cada categoria BI-RADS e qual conduta ela dispara — e quando a clínica manda mais que a imagem.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Mulher, 55 anos, realizou mamografia de rastreamento de rotina, assintomática, com exame clínico das mamas normal. O laudo descreve a presença de agrupamento de microcalcificações pleomórficas em quadrante superior externo da mama direita e classifica o exame como BI-RADS 4. Não há imagem correspondente palpável. Qual é a conduta adequada diante deste resultado?

02

Como esse tema cai

O capítulo de rastreamento desta apostila cuida da mulher sem queixa. Este cuida da outra porta de entrada — a mulher (ou o homem) que chega com um nódulo palpável, ou com um achado de imagem que precisa de nome e de conduta. É a via pela qual a maioria dos cânceres de mama ainda aparece no Brasil, e é onde a prova monta as questões mais objetivas da mastologia: dado um nódulo, qual exame pedir primeiro; dado um laudo, o que significa a categoria BI-RADS; dada a categoria, biopsiar, vigiar ou liberar.

Três números organizam tudo: 30 e 40 são os cortes de idade que definem o exame de imagem inicial; 2% e 95% são as cercas que separam a categoria 3 (vigiar) da 4 (biopsiar) e da 5 (biopsiar já, com alta suspeita). Em volta desses números orbitam as decisões de agulha — PAAF ou fragmento — e a regra de ouro da avaliação tríplice: clínica, imagem e anatomopatológico precisam concordar; quando discordam, vale o mais suspeito dos três.

03

O que muda decisão

Rastreamento é para quem não tem queixa — o nódulo entra por outra porta

A primeira decisão correta diante de um nódulo palpável é abandonar a régua do rastreamento. As regras de faixa etária e periodicidade do rastreio populacional (hoje, mamografia bienal dos 50 aos 74 anos no SUS) valem para a mulher assintomática. Quem tem um nódulo entra na rota diagnóstica, e nela a mamografia é diagnóstica — pode ser feita em qualquer idade em que esteja indicada, sem esperar faixa de rastreio. Confundir as duas rotas é a pegadinha mais barata da prova: a alternativa que nega imagem a uma mulher de 42 anos com nódulo 'porque o rastreio começa aos 50' está sempre errada.

A espinha da rota diagnóstica é a avaliação tríplice: exame clínico, exame de imagem e, quando indicado, estudo cito ou histopatológico. Quando os três pilares apontam para benignidade, o risco de malignidade é mínimo e a paciente pode ser acompanhada; quando qualquer um deles destoa, é o achado mais suspeito que comanda a conduta. Essa hierarquia resolve as questões aparentemente ambíguas: imagem normal não encerra a investigação de um nódulo clinicamente suspeito, e uma citologia benigna não neutraliza uma imagem categoria 5.

Há um refinamento de timing que a prova cobra em vinheta de atenção primária: na mulher que ainda menstrua, sem sinais de alarme, um nódulo recém-notado pode ser reavaliado após um ciclo menstrual, de preferência na primeira semana pós-menstrual — boa parte das nodulações funcionais desaparece com a queda hormonal. Se persistir, segue para imagem. Essa espera de um ciclo não se aplica quando o exame clínico já é suspeito: aí a imagem é imediata.

Exame clínico: o que tranquiliza e o que acende o alerta

O exame clínico das mamas tem quatro tempos: inspeção estática, inspeção dinâmica (braços elevados e mãos contra a cintura, contraindo o peitoral), palpação das mamas com as polpas digitais e palpação das cadeias axilares, infra e supraclaviculares — fechando com a expressão suave da aréola em busca de descarga. A descrição do nódulo precisa registrar tamanho, consistência, contorno, superfície, mobilidade e localização.

O padrão que tranquiliza é o do nódulo fibroelástico, móvel, de contornos regulares e bem delimitados, frequentemente doloroso ou flutuante com o ciclo — a cara do fibroadenoma e do cisto. O padrão que acende o alerta é o oposto: nódulo endurecido (pétreo), fixo aos planos profundos ou à pele, de margens mal definidas e indolor. Completam a lista dos achados altamente sugestivos de malignidade: linfonodos axilares endurecidos e confluentes sem causa infecciosa, descarga papilar unilateral, uniductal, espontânea, sanguinolenta ou em 'água de rocha', retração ou distorção recente do mamilo, e alterações cutâneas unilaterais — edema em casca de laranja, retração, eczema areolar que não responde a tratamento tópico.

Dois lembretes que derrubam distratores: dor mamária isolada, sem nódulo e com exame físico normal, raramente é câncer (a incidência nessa situação vai de 0 a 3%, e a dor da neoplasia tende a ser unilateral, focal, progressiva e não cíclica); e linfonodo axilar aumentado sem explicação infecciosa ou inflamatória nas últimas semanas indica imagem de axila e de mamas mesmo com mamas clinicamente normais.

A imagem certa pela idade: 30 e 40 são os dois cortes

Abaixo dos 30 anos, o exame inicial é a ultrassonografia mamária. A mama jovem é densa — a mamografia enxerga mal — e a probabilidade pré-teste de câncer é baixa; a ultrassonografia, além de mais informativa nesse tecido, diferencia com segurança o sólido do cístico. A mamografia entra como complemento se a ultrassonografia for negativa com nódulo persistente, se houver fatores de risco significativos ou achados não claramente benignos.

A partir dos 40 anos, o exame inicial é a mamografia diagnóstica, quase sempre complementada por ultrassonografia — a mamografia rastreia toda a mama (inclusive microcalcificações, que a ultrassonografia não caracteriza bem) e a ultrassonografia caracteriza o nódulo-alvo. Entre 30 e 39 anos fica a faixa cinzenta: não há evidência que consagre um dos exames como primeiro, e as referências divergem — o bloco de divergências detalha as posições. Em gestantes e lactantes, a ultrassonografia é o exame preferencial em qualquer idade, com a mamografia acrescentada se houver suspeita clínica de malignidade ou alto risco familiar; a dose fetal da mamografia com proteção é mínima, e o exame não é proibido quando indicado.

A ressonância magnética não participa da avaliação inicial do nódulo: é sensível mas pouco específica, cara e cheia de falso-positivos nesse cenário. Fica reservada a indicações de especialista — como diferenciar recidiva de cicatriz em mastectomizada — e ao rastreamento de mulheres de alto risco. No homem com nódulo palpável, a lógica etária se repete deslocada: ultrassonografia antes dos 25 anos, mamografia a partir dos 25; a causa mais comum é a ginecomastia, e o câncer masculino responde por cerca de 1% dos casos.

Ilustração de duas cenas: mulher jovem realizando ultrassonografia mamária e mulher mais velha posicionada no mamógrafo, ligadas por um caminho que se bifurca.
A idade escolhe o primeiro exame: ultrassonografia antes dos 30, mamografia diagnóstica a partir dos 40 — e, entre 30 e 39, as referências dividem-se.

BI-RADS: a língua comum do laudo

BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) é o sistema do American College of Radiology que padroniza o léxico e a conclusão dos laudos de mamografia, ultrassonografia e ressonância — todo laudo termina numa categoria de 0 a 6, e cada categoria carrega uma probabilidade estimada de câncer e uma conduta pareada. A versão vigente é o manual BI-RADS v2025, que substituiu o atlas da 5ª edição (2013) sem mudar a numeração nem a lógica das categorias: as novidades foram de léxico harmonizado entre os métodos, descritores novos (composição mamária, elastografia na ultrassonografia, implantes na ressonância) e a incorporação de técnicas como a mamografia contrastada. Para a prova, os marcos de probabilidade continuam os da 5ª edição.

A leitura funcional das categorias: 0 é avaliação incompleta — o exame não permitiu conclusão e pede complementação com outra incidência, outro método ou comparação com exames anteriores. 1 (negativa) e 2 (achados benignos: cisto simples, fibroadenoma calcificado, linfonodo intramamário, prótese) devolvem a paciente à rotina da sua faixa etária — a diferença entre 1 e 2 é apenas descrever ou não um achado, o risco é essencialmente zero nas duas. 3 é o provavelmente benigno, com até 2% de probabilidade de câncer: vigilância encurtada, não biópsia. 4 é o suspeito, faixa larguíssima (acima de 2 até 95%), subdividida em 4A, 4B e 4C — qualquer 4 indica estudo tecidual. 5 é o altamente sugestivo de malignidade (95% ou mais): biópsia, e um resultado benigno nessa categoria é presumido discordante até prova em contrário. 6 é a malignidade já comprovada por biópsia, categoria usada para exames de planejamento e avaliação de resposta antes do tratamento definitivo.

Dois cuidados de interpretação. Primeiro: a categoria é do exame, não da paciente — quem integra o laudo à clínica é o médico assistente, e a tríplice avaliação pode mandar prosseguir mesmo com imagem tranquilizadora. Segundo: BI-RADS 0 não é 'quase benigno' nem 'quase maligno'; é inconclusivo, e a única conduta compatível é completar a avaliação — a probabilidade de câncer não é aplicável a essa categoria.

Categoria 3: vigiar é uma conduta ativa, com calendário

A categoria 3 existe para poupar biópsias de lesões quase certamente benignas — nódulo sólido oval, circunscrito, paralelo à pele na ultrassonografia; assimetria focal que se desfaz na compressão; microcistos agrupados. A probabilidade de câncer é maior que 0 e vai até 2%, e é isso que autoriza trocar a agulha por um calendário: controle radiológico semestral no primeiro ano e anual no segundo e no terceiro; estabilidade ao longo de 3 anos rebaixa a lesão para categoria 2 e devolve a paciente à rotina. Qualquer crescimento ou mudança de aspecto no caminho reclassifica para 4 e indica biópsia.

O que a prova adora testar é a fronteira da categoria 3 com a clínica. A vigilância pressupõe que o conjunto fecha: lesão com aspecto provavelmente benigno e contexto que permita seguimento confiável. Nódulo palpável que persiste além de um ciclo menstrual na menacme, ou de aparecimento recente na pós-menopausa, merece avaliação especializada mesmo com imagem categoria 1, 2 ou 3 — o serviço especializado pode optar por monitorar por 1 a 2 anos com exame físico e imagem, mas essa decisão é dele, não da atenção primária. E paciente que não tem como cumprir o calendário de controle, ou cuja ansiedade inviabiliza a espera, pode legitimamente sair da vigilância para o estudo tecidual — a categoria 3 é uma permissão para vigiar, nunca uma proibição de biopsiar.

Da imagem ao tecido: PAAF, core biopsy e o que cada agulha entrega

A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) aspira células: é ambulatorial, dispensa anestesia e resolve duas perguntas — isto é cisto ou é sólido? há células malignas neste material? — sem informar arquitetura tecidual. A core biopsy (biópsia percutânea por agulha grossa) retira fragmentos: exige anestesia local, idealmente guia por imagem, e entrega histologia de verdade — distingue carcinoma in situ de invasor e fornece material para imuno-histoquímica (receptores hormonais e HER2), de que o planejamento terapêutico depende.

Por isso a regra prática: para o diagnóstico inicial de um nódulo sólido suspeito, a core biopsy é o procedimento preferido; a PAAF fica para o manejo do cisto sintomático (punção que é diagnóstica e terapêutica ao mesmo tempo) e para diferenciar sólido de cístico quando a ultrassonografia não foi definitiva. Duas regras de ordem completam o quadro: a imagem vem antes da biópsia — o trauma da agulha distorce o tecido e pode falsear o exame feito depois — e a biópsia deve ser guiada por imagem sempre que possível, mirando a lesão certa.

A biópsia cirúrgica (excisional) deixou de ser a via inicial, mas continua tendo três indicações clássicas: discordância entre imagem suspeita e histologia percutânea benigna, lesões em que o fragmento é sabidamente insuficiente para excluir malignidade (como suspeita de tumor filoide, que a imagem e até a core não separam com segurança do fibroadenoma) e lesões cuja natureza exige a peça inteira, como o hamartoma, em que a agulha pode amostrar tecido normal e conviver com neoplasia ao lado.

Cistos e os sólidos benignos que a prova adora

Cisto simples ao ultrassom — anecoico, de paredes finas, sem septos ou componente sólido, com reforço acústico posterior — é BI-RADS 2 e não exige nada: nem punção, nem controle encurtado. Punciona-se o cisto sintomático (dor, volume incômodo), e a punção encerra o caso quando sai líquido típico e a lesão colaba; controle em torno de 6 meses confirma que não recidivou. Os sinais de que o 'cisto' merece mais respeito: conteúdo hemático na punção, recidiva rápida após esvaziamento ou massa residual — indicam estudo adicional, incluindo exérese. Na classificação ultrassonográfica, o cisto complicado (debris internos, sem componente sólido) costuma ser categoria 3, enquanto o cisto complexo — septos grossos ou componente sólido mural — é lesão categoria 4, com indicação de biópsia.

O fibroadenoma é o nódulo sólido benigno por excelência: o mais comum da adolescente e da mulher jovem (pico na terceira década), tipicamente com 1 a 2 cm, firme, móvel, bem circunscrito; é bilateral em cerca de 10% e múltiplo em 10 a 15% dos casos. Confirmado o padrão benigno, a conduta é expectante — cirurgia não é obrigatória e depende de sintoma, crescimento ou desejo da paciente; acima de 5 cm (fibroadenoma gigante) e nas lesões de crescimento rápido a excisão ganha força, porque entra no diferencial o tumor filoide. O filoide é fibroepitelial como o fibroadenoma e palpavelmente idêntico, mas cresce rápido, recidiva se não for retirado por completo e tem comportamento sarcomatoso em cerca de 5% dos casos — por isso a suspeita clínica indica excisão com margens, não enucleação.

Fecham a lista dos diferenciais que rendem alternativas: necrose gordurosa (nódulo pós-trauma ou pós-cirurgia que imita câncer na imagem e às vezes precisa de biópsia para se provar inocente), galactocele da lactante (punção com saída de leite fecha o diagnóstico), lipoma, papiloma intraductal (mais descarga do que nódulo) e, no polo inflamatório, mastites e abscessos — que têm capítulo próprio nesta série, mas cuja lição transversal é uma só: mastite que não resolve com tratamento adequado precisa excluir carcinoma inflamatório.

Quando a tríplice não fecha: discordância, imagem negativa e alto risco

Imagem normal não exclui câncer em mama com achado clínico suspeito — a mamografia tem falso-negativo relevante, sobretudo na mama densa, e a ultrassonografia depende do operador encontrar a lesão. Se a área palpável persiste com exames de imagem que não a explicam, a paciente deve ser encaminhada ao serviço especializado; lá se decide entre imagem adicional, biópsia dirigida pelo achado palpável ou monitorização estreita. O erro clássico — na prova e na vida — é dar alta pelo laudo.

Os critérios que disparam encaminhamento com prioridade oncológica são objetivos: achado clínico altamente sugestivo de malignidade, laudo BI-RADS 4 ou 5, ou diagnóstico cito/histopatológico de neoplasia já em mãos. Vão para a Mastologia, em fluxo comum, as situações de dúvida: nódulo palpável persistente com imagem negativa ou benigna (incluindo a lesão sólida de 2 cm ou mais na jovem com menos de 30 anos), nódulo novo na pós-menopausa mesmo com imagem tranquila, lesões benignas com desejo de exérese e o abscesso subareolar crônico recidivante.

Pacientes de alto risco — mutação comprovada de BRCA1/2 ou parente de primeiro grau com mutação, síndromes genéticas de predisposição, história familiar carregada (parente de primeiro grau com câncer de mama antes dos 50, câncer de mama bilateral, câncer de ovário em qualquer idade ou câncer de mama em homem), radioterapia torácica antes dos 30, ou história pessoal de câncer de mama e das lesões proliferativas atípicas — não seguem o fluxo comum: com nódulo palpável, vão direto à avaliação especializada, e sem nódulo têm rastreamento próprio, anual e mais precoce, discutido no capítulo de rastreamento.

04

BI-RADS na prática: da categoria à conduta

A sequência que resolve a maioria das questões: caracterizar o nódulo no exame clínico, escolher o exame de imagem pela idade, ler a categoria do laudo e aplicar a conduta pareada — deixando a clínica com o poder de veto quando a tríplice não fecha.

  1. 1Nódulo palpável: exame clínico completo (mamas + axilas + expressão papilar); na menacme sem sinais de alarme, pode-se reavaliar após 1 ciclo menstrual.
  2. 2Persistiu ou é suspeito: imagem pela idade — ultrassonografia se < 30 anos; mamografia diagnóstica (+ ultrassonografia) se ≥ 40; entre 30 e 39, ver divergências; gestante/lactante começa pela ultrassonografia.
  3. 3Laudo BI-RADS: 0 completa a avaliação; 1–2 devolvem à rotina; 3 entra em vigilância 6/12/24/36 meses; 4–5 vão para estudo tecidual; 6 já tem diagnóstico.
  4. 4Biópsia: core guiada por imagem como via preferencial; PAAF para cisto sintomático ou dúvida sólido × cístico; excisional na discordância e na suspeita de filoide.
  5. 5Veto clínico: nódulo suspeito ao exame ou palpável persistente → serviço especializado mesmo com imagem categoria 1 a 3.
CategoriaSignificadoProbabilidade de câncerConduta
0Avaliação incompletaNão aplicávelComplementar: outra incidência/método ou comparação com exames anteriores
1NegativaEssencialmente 0%Rotina conforme a faixa etária
2Achado(s) benigno(s)Essencialmente 0%Rotina conforme a faixa etária
3Provavelmente benigno> 0 a ≤ 2%Controle semestral no 1º ano e anual no 2º e 3º; estável por 3 anos → categoria 2
4Suspeito> 2 a < 95%Diagnóstico tecidual (biópsia)
5Altamente sugestivo de malignidade≥ 95%Diagnóstico tecidual; resultado benigno é presumido discordante
6Malignidade comprovada por biópsiaNão aplicávelTratamento; excisão cirúrgica quando apropriado

Subdivisão da categoria 4

SubcategoriaSuspeitaProbabilidade de câncer
4ABaixa> 2 a ≤ 10%
4BModerada> 10 a ≤ 50%
4CAlta> 50 a < 95%

A categoria do laudo qualifica o exame, não a paciente: nódulo clinicamente suspeito com imagem 1–3 continua em investigação (avaliação tríplice).

As probabilidades são os marcos da 5ª edição do BI-RADS (2013), mantidos na versão v2025 — a atualização mexeu em léxico e descritores, não na lógica das categorias.

Categoria 3 pressupõe lesão com aspecto provavelmente benigno E viabilidade de seguimento; sem uma das duas, o estudo tecidual é legítimo.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Exame de imagem inicial entre 30 e 39 anos

Começar pela mamografia (TeleCondutas/SUS-RS, 2023)

Na ausência de evidência que favoreça um método, o protocolo de apoio à APS do SUS orienta iniciar a investigação do nódulo palpável nessa faixa por mamografia diagnóstica, complementando com ultrassonografia quando o achado não for claramente benigno ou não explicar a clínica.

TelessaúdeRS-UFRGS, TeleCondutas nº 38 — Nódulo Mamário, 2023

Ultrassonografia e mamografia igualmente apropriadas (ACR, 2017)

Os Appropriateness Criteria do American College of Radiology classificam os dois exames como usualmente apropriados para iniciar a avaliação do nódulo palpável entre 30 e 39 anos, deixando a escolha para o contexto — densidade esperada, disponibilidade e preferência do serviço.

Moy L. et al., ACR Appropriateness Criteria: Palpable Breast Masses, JACR, 2017

Na prova

O enunciado denuncia o recorte: cenário de UBS/SUS com fluxo de encaminhamento tende à sequência com mamografia primeiro; questão que cita literatura radiológica internacional ou serviço terciário aceita qualquer um dos dois como inicial. Abaixo dos 30 a resposta converge para ultrassonografia e a partir dos 40 para mamografia — alternativas que violam esses dois extremos estão erradas em qualquer recorte.

Primeira amostra do nódulo sólido: core biopsy ou PAAF

Core biopsy como via preferencial (TeleCondutas, 2023)

A biópsia de fragmentos é preferida como procedimento inicial por entregar mais tecido, maior acurácia e material para imuno-histoquímica — de que dependem a distinção in situ × invasor e o perfil de receptores.

TelessaúdeRS-UFRGS, TeleCondutas nº 38, 2023 (alinhado a Dynamed e ACOG Practice Bulletin nº 164, 2016)

PAAF como primeiro passo em cenários selecionados (FEBRASGO/CNE Mastologia, 2018)

A punção por agulha fina mantém papel de entrada por ser ambulatorial, sem anestesia e de baixo custo: é o padrão para diferenciar lesão sólida de cística e para o manejo do cisto sintomático, funcionando como triagem onde a core não está prontamente disponível — restrição de recurso, não de conceito.

FEBRASGO, portal da CNE Mastologia (Novita), 2018, baseado em Frasson et al., Doenças da Mama, 2ª ed.

Na prova

Olhe o que a questão pede da amostra: receptores hormonais, HER2 ou distinção in situ × invasor só saem de fragmento (core); esvaziar cisto sintomático ou separar sólido de cístico é papel da PAAF. Distrator que promete imuno-histoquímica em material de agulha fina denuncia a alternativa errada.

Nódulo palpável com imagem benigna (BI-RADS 1 a 3): vigiar na APS ou encaminhar

Vigilância radiológica da lesão provavelmente benigna (ACR BI-RADS)

Pelo sistema BI-RADS, o achado categoria 3 tem até 2% de probabilidade de câncer e a conduta pareada é o controle de curto intervalo (6, 12, 24 e 36 meses), reservando a biópsia para quem muda de aspecto — lógica construída para lesões detectadas por imagem.

ACR BI-RADS, 5ª edição (2013), mantido na v2025

Nódulo palpável persistente encaminha mesmo com imagem tranquila (TeleCondutas/SUS-RS, 2023)

O protocolo da APS manda encaminhar à Mastologia a mulher na menacme com nódulo palpável por mais de um ciclo e a pós-menopausa com nódulo de aparecimento recente, ainda que a imagem seja categoria 1, 2 ou 3 — porque imagem negativa não exclui malignidade em lesão palpável, e a decisão de vigiar cabe ao especialista.

TelessaúdeRS-UFRGS, TeleCondutas nº 38, 2023

Na prova

A palavra-interruptor do enunciado é 'palpável persistente' (ou 'nódulo novo na pós-menopausa'): com ela, o cenário pede mais um degrau de investigação; sem ela — achado detectado só por imagem, categoria 3 típica —, o cenário é o do calendário de vigilância. Alternativa que dá alta definitiva pelo laudo diante de clínica suspeita está errada nos dois mundos.

06

Caso resolvido

Mulher de 52 anos, menopausa aos 49, sem uso de terapia hormonal, procura a UBS por nódulo que palpou há 3 semanas no quadrante superolateral da mama esquerda. Exame: nódulo de 2 cm, endurecido, de limites imprecisos, pouco móvel, sem descarga papilar; axila sem linfonodos palpáveis. Mamografia diagnóstica: nódulo irregular de margens espiculadas; ultrassonografia complementar: massa sólida hipoecoica, mais alta que larga, com sombra acústica — BI-RADS 4C.
achado
Pós-menopausa + nódulo endurecido, fixo e mal delimitado: a clínica já é suspeita antes de qualquer exame — e idade ≥ 40 define mamografia diagnóstica como imagem inicial, complementada por ultrassonografia.
leitura do laudo
Margens espiculadas na mamografia e massa mais alta que larga com sombra acústica na ultrassonografia são descritores clássicos de malignidade; BI-RADS 4C traduz suspeita alta, com probabilidade de câncer entre 50 e 95%.
conduta
Estudo tecidual por core biopsy guiada por ultrassonografia — entrega histologia e imuno-histoquímica (receptores e HER2) para o planejamento. PAAF não basta e biópsia excisional não é a via inicial.
fluxo
Laudo BI-RADS 4 ou 5 dispara encaminhamento prioritário pela linha de cuidado; a confirmação histológica de carcinoma leva ao estadiamento e ao tratamento no serviço de Oncologia — sem repetir imagem em 6 meses, que seria a conduta da categoria 3.
07

Agora feche você

Mulher de 26 anos nota nódulo na mama direita. Sem história familiar de câncer de mama ou ovário, sem radioterapia prévia. Reavaliada uma semana após a menstruação seguinte: persiste nódulo de 1,5 cm, fibroelástico, móvel, bem delimitado, indolor, sem linfonodomegalia e sem descarga papilar.
achado
Nódulo persistente após um ciclo menstrual em mulher jovem, com padrão clínico benigno (fibroelástico, móvel, circunscrito) — perfil típico de fibroadenoma, mas que exige confirmação por imagem.
exame inicial
Menos de 30 anos: ultrassonografia mamária. Resultado: nódulo sólido, oval, circunscrito, paralelo à pele — BI-RADS 3.
conduta
08

Onde a banca derruba

  1. 1Aplicar a régua do rastreamento a quem tem nódulo A faixa 50–74 e o intervalo bienal valem para assintomáticas. A alternativa que nega mamografia à mulher de 42 anos com nódulo 'porque não chegou à idade de rastrear' confunde as duas rotas — mamografia diagnóstica não tem idade mínima de programa.
  2. 2Dar alta pelo laudo com clínica suspeita Mamografia e ultrassonografia normais não excluem câncer em nódulo palpável — falso-negativo existe, sobretudo em mama densa. A tríplice avaliação manda: achado clínico suspeito mantém a investigação (e o protocolo do SUS encaminha o palpável persistente mesmo com BI-RADS 1–3). O distrator 'tranquilizar e liberar' atrai porque parece racional.
  3. 3Ler BI-RADS 0 como resultado tranquilizador (ou suspeito) Categoria 0 é avaliação incompleta: não carrega probabilidade de câncer e a única conduta compatível é complementar (outra incidência, ultrassonografia, comparação com exames antigos). Alternativas que mandam 'repetir em 1 ano' ou 'biopsiar' um BI-RADS 0 erram nos dois sentidos.
  4. 4Biopsiar a categoria 3 (ou vigiar a 4A) O limiar da agulha é 2%: até aí, vigilância encurtada (6/12/24/36 meses); acima, estudo tecidual — e 4A já é biópsia, ainda que a probabilidade seja de só 2 a 10%. A banca monta o distrator trocando as condutas das duas categorias vizinhas.
  5. 5Esperar da PAAF o que só a core entrega Citologia não distingue carcinoma in situ de invasor nem fornece receptores hormonais e HER2. Questão que planeja tratamento a partir de PAAF 'positiva' está incompleta — o diagnóstico que orienta terapêutica sai da core (ou da peça cirúrgica).
  6. 6Puncionar ou vigiar todo cisto simples Cisto simples assintomático é BI-RADS 2: rotina, sem punção e sem controle encurtado. A agulha é para o cisto sintomático — e os sinais de alerta são líquido hemático, recidiva rápida e massa residual, que pedem investigação adicional, não nova aspiração cega.
  7. 7Operar todo fibroadenoma da jovem — ou ignorar o que cresce rápido Fibroadenoma típico confirmado é conduta expectante; cirurgia depende de sintoma, crescimento ou desejo. O erro simétrico é vigiar a lesão fibroepitelial que cresce rapidamente ou passa de 5 cm: aí o diferencial é tumor filoide, que exige excisão com margens — enucleação recidiva.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Correta: a categoria BI-RADS 4 indica achado SUSPEITO de malignidade (probabilidade aproximada de 2 a 95%), e a conduta padrão é a INVESTIGAÇÃO HISTOPATOLÓGICA por biópsia percutânea (core biopsy ou mamotomia dirigida às microcalcificações). Microcalcificações pleomórficas agrupadas são um achado clássico de suspeição. Controle em 6 meses é conduta de BI-RADS 3 (provavelmente benigno), não de BI-RADS 4. O achado provavelmente benigno é o BI-RADS 3; BI-RADS 4 é suspeito e exige biópsia, não retorno à rotina. Mastectomia sem diagnóstico histológico prévio é inaceitável; primeiro confirma-se a natureza da lesão. RM não substitui a biópsia diante de lesão categoria 4 com indicação de tecido; postergar o diagnóstico é inadequado.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

Sorteando as questões…

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Plano de revisão

em 7 dias

Refaça de memória a tabela BI-RADS 0–6 (significado, probabilidade, conduta) e as três subcategorias do 4. Depois responda sem consultar: qual o exame inicial aos 25, aos 35 e aos 45 anos? Qual o calendário completo da categoria 3 e o que a rebaixa para 2? Em que três situações o nódulo palpável vai ao especialista mesmo com imagem benigna?

em 30 dias

Monte três vinhetas mentais — jovem com nódulo fibroelástico BI-RADS 3, pós-menopausa com nódulo espiculado 4C, mulher de 35 anos com nódulo e imagem negativa — e percorra em cada uma: imagem inicial, leitura do laudo, agulha certa e fluxo de encaminhamento. Confira se você justificaria core em vez de PAAF citando imuno-histoquímica, e quando a excisional entra (discordância; suspeita de filoide).

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Mulher de 48 anos chega ao ambulatório com um nódulo que palpou no banho há um mês. Conduza a consulta: caracterize o achado, escolha e justifique o exame de imagem, interprete o laudo BI-RADS e decida entre vigiar, puncionar e biopsiar — explicando à paciente cada passo. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Nódulo mamário e classificação BI-RADS – Nódulo mamário e BI-RADS — Preparatório para provas | OsceLabs