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Linfomas Hodgkin e não Hodgkin
Dois protocolos federais separados por seis anos governam este tema no SUS, e eles discordam sobre o que a sorologia do HIV muda. A prova cobra reconhecer a célula, escolher a biópsia certa, ler o estádio — e saber qual dos dois documentos vale para o paciente à frente.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Homem de 50 anos apresenta há 1 ano placa eritematosa infiltrada e descamativa na região glútea, pruriginosa, que não respondeu a corticoides tópicos e antifúngicos. A biópsia mostra infiltrado de linfócitos T atípicos com núcleos cerebriformes na epiderme, agrupados em coleções intraepidérmicas. A imuno-histoquímica revela células CD4+ com perda de CD7. Qual é o diagnóstico e o achado histológico epônimo característico?
Como esse tema cai
Este é o capítulo de quem recebe um paciente com um gânglio, não o do hematologista que conduz a quimioterapia. A vinheta quase sempre entrega um adulto jovem com linfonodomegalia cervical indolor de semanas a meses, às vezes com febre vespertina, sudorese que molha a roupa de cama e perda de peso — e pergunta o que vem depois. Esquemas de resgate, condicionamento de transplante e doença residual mínima ficam de fora.
A prova cobra o tema em cinco formatos. O primeiro entrega a histologia e pede o nome: célula grande e binucleada em fundo inflamatório é uma coisa, proliferação difusa de grandes linfócitos B é outra. O segundo entrega o gânglio e pergunta qual biópsia — e a alternativa errada costuma ser a punção por agulha. O terceiro entrega o mapa das cadeias acometidas e pede o estádio. O quarto entrega um número (massa mediastinal em centímetros, velocidade de hemossedimentação, contagem de linfócitos) e pergunta se aquilo muda o grupo de risco. O quinto entrega o esquema de tratamento e testa se o candidato sabe qual doença recebe qual sigla.
A régua nacional deste tema é feita de dois documentos federais que não conversam entre si. O linfoma de Hodgkin do adulto tem protocolo próprio desde a Portaria Conjunta SAES/SCTIE/MS nº 24, de 29 de dezembro de 2020, a primeira sobre a doença no país — a portaria não revoga nada porque não havia o que revogar. O linfoma difuso de grandes células B, o subtipo agressivo mais comum entre os não Hodgkin, tem protocolo desde a Portaria SAS/MS nº 956, de 26 de setembro de 2014, que revogou a Portaria SAS/MS nº 621, de 2012. Seis anos separam os dois textos, e a distância aparece em coisas que a prova cobra: o corte de doença volumosa, o papel do PET-CT e o que a sorologia do HIV autoriza.
Ficam fora deste capítulo, com endereço. O linfoma da criança e do adolescente está na apostila de Pediatria: o protocolo federal de Hodgkin inclui apenas pacientes de 19 anos ou mais, e abaixo disso a régua é outra. A síndrome de lise tumoral, a compressão medular e a síndrome da veia cava superior estão nos capítulos de emergências oncológicas. A micose fungoide, linfoma cutâneo de células T, está em Dermatologia. As leucemias, inclusive a linfocítica crônica, estão no capítulo vizinho desta mesma apostila. A sarcoidose e o diagnóstico diferencial das massas de mediastino por compartimento estão em Pneumologia e Cirurgia Torácica — e é de lá que vêm os distratores mais caros deste tema.
O que muda decisão
A célula rara num tumor que é quase todo reação
O linfoma de Hodgkin é definido pela multiplicação clonal de uma célula com morfologia peculiar, a célula de Reed-Sternberg, derivada da transformação maligna de linfócitos B do centro germinativo. O detalhe que governa toda a etapa diagnóstica está na proporção: as células de Reed-Sternberg representam apenas 1% a 2% da massa tumoral do tecido acometido. O resto é população reacional — linfócitos T e B maduros, granulócitos, histiócitos, fibroblastos. O tumor, ao microscópio, é quase todo inflamação.
Daí sai a regra que a prova mais cobra e que o candidato mais erra. Se a célula diagnóstica ocupa uma em cada cinquenta a cem células do fragmento, uma amostra pequena tem chance real de não conter nenhuma. Por isso o procedimento padrão é a biópsia excisional do linfonodo suspeito, com retirada completa, material congelado e fixado em formalina, seguida de imuno-histoquímica. Punção aspirativa por agulha fina e biópsia por agulha grossa são consideradas geralmente inadequadas: não removem material suficiente e impedem o diagnóstico preciso. A agulha grossa dirigida por imagem fica reservada a linfonodos internos de difícil acesso.
Uma orientação operacional completa a regra: o linfonodo inguinal deve ser evitado, por ser região mais sujeita a infecções locais que degradam a arquitetura e confundem a leitura. A escolha do gânglio é decisão clínica, feita em acordo prévio com o cirurgião, e não logística de centro cirúrgico.
A imuno-histoquímica separa os dois grandes grupos e é o que a prova transforma em alternativa. No linfoma de Hodgkin clássico, as células de Hodgkin e Reed-Sternberg expressam CD30 em 100% dos casos e CD15 em 75% a 85%, com CD45 negativo e CD20 apenas ocasionalmente positivo. No linfoma de Hodgkin de predomínio linfocítico nodular, o padrão se inverte: as células predominantes de linfócitos expressam CD20 e CD45 e não expressam CD15 nem CD30. Guardar esse par invertido resolve sozinho boa parte das questões de histopatologia deste tema.
O sinal semiológico que aparece com frequência desproporcional em prova é a dor no linfonodo acometido logo após a ingestão de bebida alcoólica. Não é critério de nada, não entra em escore e não muda conduta — mas é específico o bastante para que a banca o use como chave da vinheta. Os linfonodos do linfoma costumam ser indolores, de consistência fibroelástica, e não fistulam, o que os separa da adenite tuberculosa, que amolece, coalesce e fistula.
Os números brasileiros — e os dois que não fecham
O protocolo federal abre com epidemiologia e cita o Instituto Nacional de Câncer: para cada ano do biênio 2018/2019 estimaram-se 2.530 casos novos de linfoma de Hodgkin no Brasil, sendo 1.480 em homens e 1.050 em mulheres. A conta fecha, e os dois números são exatamente os que constam da tabela nacional da Estimativa 2018. Guarde a ordem de grandeza: é uma doença de baixa incidência absoluta e alta taxa de cura, o oposto do perfil que a palavra câncer costuma evocar.
Duas frases vizinhas, porém, não sobrevivem à conferência. A primeira diz que o linfoma de Hodgkin corresponde a aproximadamente 10% de todos os linfomas. A mesma fonte que o documento cita duas linhas abaixo estima, para o mesmo biênio, 5.370 casos novos de linfoma não Hodgkin em homens e 4.810 em mulheres, ou seja, 10.180. Somando os dois grupos chega-se a 12.710 casos por ano, e a fatia do Hodgkin é 19,9% — o dobro do que a frase afirma. O número de 10% é a proporção de séries norte-americanas e europeias; no denominador brasileiro que o próprio parágrafo apresenta, ele não se sustenta.
A segunda frase diz que a doença corresponde a cerca de 0,6% de todos os cânceres. A Estimativa 2018 projeta 600 mil casos novos por ano no país e, excetuando o câncer de pele não melanoma (cerca de 170 mil), 420 mil. Com 2.530 casos, a fatia é de 0,42% sobre o total e de 0,60% sobre os 420 mil. O número publicado só fecha com o denominador que exclui a pele não melanoma, e o texto não diz que exclui. É a mesma família de defeito: um percentual importado de fora, colado num parágrafo cujo denominador brasileiro é outro.
Um terceiro tropeço está na classificação histológica e tem valor didático maior do que aritmético. O texto de 2020 diz que o linfoma de Hodgkin clássico corresponde a cerca de 90% dos casos e o de predomínio linfocítico nodular ao restante; em seguida afirma que a esclerose nodular é o subtipo mais comum, representando de 70% a 80% dos 10% dos casos. Lido ao pé da letra, isso colocaria a esclerose nodular em 7% a 8% do total, enquanto a frase seguinte atribui 15% à celularidade mista — o segundo mais comum seria o dobro do primeiro. A versão submetida à consulta pública, em março de 2020, dizia 70% a 80% de todos os casos, sem o recorte. A troca entrou entre a consulta e o texto que virou norma, e o número vizinho ficou intacto, o que isola o defeito num único parágrafo.
A hierarquia real, que é o que a prova cobra: a esclerose nodular é o subtipo mais frequente do linfoma de Hodgkin clássico, seguida da celularidade mista; rico em linfócitos e depleção linfocítica são incomuns. A incidência tem distribuição etária bimodal — um pico no fim da adolescência e outro no idoso — e a apresentação exclusivamente infradiafragmática, incomum, implica pior prognóstico.
Ann Arbor, Cotswolds e Lugano: três nomes para o mesmo estádio
O estadiamento continua sendo o de Ann Arbor, em quatro estádios, com a modificação de Cotswolds. O eixo é anatômico e simples de decorar porque não conta linfonodos: conta lados do diafragma. Estádio I é uma cadeia linfonodal ou estrutura linfoide (baço, timo, anel de Waldeyer) ou um sítio extralinfático isolado. Estádio II são duas ou mais cadeias do mesmo lado do diafragma. Estádio III são cadeias nos dois lados. Estádio IV é acometimento disseminado de um ou mais órgãos extralinfáticos, ou um sítio extralinfático com acometimento linfonodal à distância — situação encontrada em cerca de 20% dos casos.
Aos quatro estádios somam-se os sufixos. A é ausência e B é presença de sintomas sistêmicos: febre acima de 38 graus, sudorese noturna profusa e perda maior que 10% do peso habitual em seis meses — presentes em cerca de 40% dos casos e com impacto prognóstico negativo. Os sufixos E e S marcam extensão extralinfática por contiguidade e acometimento esplênico. O sufixo X marca massa igual ou maior que 10 centímetros ou que ocupe mais de um terço da caixa torácica.
A alternativa moderna é a classificação de Lugano, que incorpora o PET-CT ao estadiamento e à avaliação de resposta. Ela reorganiza os mesmos quatro estádios em dois blocos — doença localizada (I e II) e avançada (III e IV) —, cria o rótulo de estádio II volumoso, que pode ser tratado como localizado ou avançado conforme histologia e fatores prognósticos, e abandona o sufixo X, mantendo os sufixos A e B porque a presença de sintomas constitucionais continua a mudar o tratamento na doença localizada. Em Lugano, doença volumosa é massa nodal única de 10 centímetros ou maior que um terço do diâmetro transtorácico em qualquer nível das vértebras torácicas.
Duas consequências práticas do PET-CT valem alternativa inteira. A primeira: o exame é considerado o padrão para a avaliação inicial, e a alta sensibilidade para acometimento medular faz com que a biópsia de medula óssea não seja indicada em quem foi avaliado por PET-CT. Quando o exame não está disponível, o substituto é radiografia de tórax mais tomografia com contraste de pescoço, tórax e abdome — e aí a biópsia de medula volta a ser pedida. A segunda: para confirmar acometimento esplênico, o achado tomográfico aceito é aumento maior que 13 centímetros na medida craniocaudal, ou massa e nódulos não císticos e não vasculares.
O corte de doença volumosa é armadilha porque muda entre os dois protocolos federais. No linfoma de Hodgkin, volumoso é 10 centímetros ou mais. No linfoma difuso de grandes células B, a indicação de imunoquimioterapia usa o limiar de doença volumosa maior que 7,5 centímetros para os estádios I e II. Mesma palavra, dois números, duas normas vigentes.
Fatores de risco: três comitês, três listas
Na doença localizada, o estádio sozinho não decide o tratamento. É preciso separar favorável de desfavorável, e essa separação é feita por listas de fatores de risco que três grupos cooperativos escreveram de maneira diferente. O protocolo brasileiro reproduz as três lado a lado, sem eleger uma — o que significa que a prova pode cobrar qualquer delas, e que a alternativa correta depende de qual critério o enunciado nomeia.
As diferenças são poucas e todas cobráveis. O grupo europeu conta idade igual ou maior que 50 anos como fator; o grupo alemão e a rede norte-americana não usam idade. Na massa mediastinal, o alemão e a rede norte-americana usam a razão da massa mediastinal maior que 0,33 (largura máxima da massa dividida pelo diâmetro intratorácico máximo), enquanto o europeu usa a razão toracomediastinal maior que 0,35 (largura máxima da massa dividida pelo diâmetro intratorácico em T5-T6). No número de áreas linfonodais, o alemão marca risco a partir de mais de duas áreas e os outros dois a partir de mais de três. Acometimento extranodal de qualquer tipo conta apenas para o grupo alemão; grande massa acima de 10 centímetros conta apenas para a rede norte-americana.
A velocidade de hemossedimentação entra nos três com a mesma lógica de duas faixas: acima de 50 mm/h em quem não tem sintomas B, acima de 30 mm/h em quem tem. O raciocínio a levar: sem sintomas constitucionais é preciso inflamação sistêmica maior para a doença ser considerada desfavorável; quem já tem sintomas B qualifica com menos.
Há uma armadilha de vocabulário no meio do quadro, e o próprio documento avisa. Área linfonodal não é o mesmo que região linfonodal. As áreas dos critérios europeu e alemão não correspondem às regiões de Ann Arbor nem às de Lugano, porque uma área pode conter várias regiões: no critério alemão a região infraclavicular entra junto com a cervical e supraclavicular do mesmo lado, os linfonodos hilares entram junto com os do mediastino e o abdome se divide em superior e inferior. O resultado é aritmético e brutal — o mesmo mapa de doença tem nove regiões por Ann Arbor e cinco áreas pelos critérios europeu e alemão. Contar as regiões e aplicar o corte das áreas superestima o risco e leva o candidato à alternativa mais agressiva.
O escore que não classifica metade dos pacientes
Para doença avançada existe um segundo instrumento, o escore prognóstico internacional, proposto em 1998 a partir de 5.141 pacientes de 25 instituições. São sete fatores, todos binários e todos disponíveis na primeira consulta: sexo masculino; idade acima de 45 anos; estádio IV; albumina abaixo de 4,0 g/dL; hemoglobina abaixo de 10,5 g/dL; linfócitos abaixo de 600/mm³ ou abaixo de 8% dos leucócitos; e leucócitos acima de 15.000/mm³. Cada fator adicional reduz a sobrevida livre de progressão em cerca de 8 pontos percentuais.
Repare no que não está na lista. A velocidade de hemossedimentação, que é fator de risco nos três critérios de doença localizada, não entra neste escore. Massa mediastinal também não. A confusão entre as duas ferramentas é o erro mais produtivo que a banca pode explorar neste tema: são instrumentos de populações diferentes — um separa localizada favorável de desfavorável, o outro estratifica a doença avançada.
E há um vão declarado no próprio texto normativo. A interpretação publicada diz que escore igual a 3 classifica como risco moderadamente alto, com sobrevida livre de progressão de 55% e sobrevida global de 70% em cinco anos, e que escore maior ou igual a 4 representa risco alto, com 47% e 59%. Nenhuma faixa é atribuída a quem tem 0, 1 ou 2 fatores — que é, na prática, a maior parte dos pacientes com doença avançada. O paciente de baixo risco existe no cálculo e não existe na tabela de interpretação.
O vão fica mais concreto quando se olha para onde o escore é usado. O regime intensificado alemão, o esquema BEACOPP escalonado, aparece no item de tratamento reservado a pacientes bem selecionados definidos como escore maior ou igual a 3 e idade abaixo de 60 anos. Trinta páginas adiante, no fluxo adaptado ao PET-CT da doença avançada, a mesma indicação vem escrita como escore maior ou igual a 4 e idade abaixo de 60 anos — duas vezes, no texto e na legenda da figura. Um paciente com escore exatamente 3 é elegível numa página e inelegível na outra, dentro da mesma norma. O corte de 60 anos é o mesmo nas duas, o que isola a divergência no número do escore.
As duas leituras nasceram juntas: a versão da consulta pública, de março de 2020, já trazia o par 3 e 4 nos mesmos dois lugares, e a versão resumida publicada em julho de 2021 manteve apenas o corte de 4. Três renderizações, uma delas rediagramada do zero, e o par sobreviveu.
Deauville: o escore 3 que muda de lado
A resposta ao tratamento é lida por PET-CT segundo os critérios de Deauville, escala de cinco pontos que compara a captação mais intensa no sítio inicial com dois órgãos de referência: o mediastino e o fígado. Sem captação é 1; até o mediastino é 2; acima do mediastino e até o fígado é 3; moderadamente acima do fígado é 4; muito acima do fígado ou lesão nova é 5.
O ponto que a prova explora é que o escore 3 não tem lado fixo. Na doença localizada favorável, após dois ciclos, o protocolo diz que, se o critério de estratificação usado foi o do grupo alemão, PET-CT negativa significa Deauville de 1 a 3 e o paciente vai direto para a radioterapia; se foi o do grupo europeu, negativa significa Deauville de 1 a 2 e o paciente recebe mais um ciclo antes da radioterapia. O mesmo exame, no mesmo paciente, com o mesmo laudo, muda de rótulo conforme o critério com que a doença foi estratificada semanas antes.
Na doença localizada desfavorável a fronteira se desloca de novo, e desta vez sem menção a qual critério a produz: o texto indica ABVD para Deauville 3 e BEACOPP escalonado para Deauville 4, tratando ambos como resposta positiva. Ou seja, o escore 3 é resposta suficiente numa página e insuficiente na seguinte. Não é erro de cálculo — é a herança de ensaios diferentes, com pontos de corte diferentes, empilhados no mesmo fluxo sem que o documento nomeie a escolha como escolha.
Só o escore 5 tem conduta unívoca em todos os fluxos: nova biópsia. Quem tiver exame histopatológico positivo é tratado como doença refratária ou recaída. É a única situação em que o protocolo manda voltar ao tecido antes de mudar de linha, e é a resposta que a banca espera quando a vinheta traz captação marcadamente superior à hepática ou lesão nova.

Doença refratária e doença recidivada também têm definições fixas que valem alternativa. Refratária é ausência de resposta ou progressão durante a quimioterapia ou dentro de 90 dias após o término do tratamento. Recidivada é o reaparecimento no sítio anterior ou em novos sítios depois de resposta completa. A diferença não é semântica: o prazo de 90 dias é o que separa as duas.
Quem trata o quê: os dois protocolos, lado a lado
No linfoma de Hodgkin clássico, o esquema de primeira linha é o ABVD — doxorrubicina, bleomicina, vimblastina e dacarbazina. A modalidade combinada, quimioterapia seguida de radioterapia em campo envolvido ou nodal, é a melhor opção na doença localizada: dois ciclos seguidos de radioterapia na doença sem fatores de risco, quatro ciclos seguidos de radioterapia na doença com fatores de risco. Quem tem contraindicação à radioterapia ainda tem bom prognóstico só com quimioterapia. Na doença avançada, o padrão é seis ciclos de ABVD e radioterapia apenas se houver doença residual superior a 2,5 centímetros.
O regime intensificado alemão é a alternativa nas formas desfavorável e avançada, com toxicidade aguda maior — anemia, neutropenia, plaquetopenia e infecções — e uso restrito a serviços com suporte adequado. Nos fluxos adaptados ao PET-CT, a doença avançada com resposta negativa após dois ciclos segue com quatro ciclos sem a bleomicina, o que reduz a toxicidade pulmonar sem perder eficácia; no idoso vale a mesma lógica. A bleomicina deve ser omitida em maiores de 80 anos, em quem tem função pulmonar reduzida e em fumantes ativos.
Na doença recaída ou refratária, que atinge cerca de 10% dos pacientes segundo o próprio documento, a rota é poliquimioterapia à base de platina — ICE ou DHAP — seguida de transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas em quem tiver condições. Depois do transplante entra o brentuximabe vedotina, anticorpo monoclonal anti-CD30 conjugado a um agente antitubulina: 1,8 mg/kg em infusão intravenosa de 30 minutos a cada três semanas, mínimo de oito doses e máximo de 16 ciclos, com dose inicial reduzida para 1,2 mg/kg na insuficiência renal grave e na hepática. Nunca em bolus. A neuropatia é o principal efeito não hematológico, e melhora ao longo de um ano na maioria.
No linfoma difuso de grandes células B a régua é outra e mais antiga. O esquema padrão é o CHOP — ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina e prednisona — em intervalo de 21 dias, seis ciclos, podendo chegar a oito se não houver resposta completa após o quarto ou se restar doença após o sexto; o tratamento é suspenso se não houver resposta nenhuma após o quarto ciclo. O rituximabe associado ao CHOP tem indicação escrita como lista de condições cumulativas: mais de 18 anos, CD20 positivo, doença de novo, fora do sistema nervoso central primário, estádio III ou IV ou então I e II com sintomas B ou doença volumosa maior que 7,5 centímetros, sem tratamento prévio, e com sorologia negativa para HIV e sem hepatite B ou C ativa. Segunda linha usa DHAP, ESHAP, EPOCH, ICE ou MINE, com o mesmo objetivo de identificar doença quimiossensível para transplante.
O índice prognóstico do linfoma difuso é o internacional, com cinco fatores: idade acima de 60 anos, estádio III ou IV, mais de um sítio extranodal, estado funcional acima de 2 e desidrogenase láctica acima do limite superior. E aqui o documento entrega duas réguas: o agrupamento clássico em quatro faixas (0-1 baixo; 2 intermediário-baixo; 3 intermediário-alto; 4-5 alto) e um agrupamento simplificado em três faixas para quem recebe rituximabe (0 baixo; 1-2 intermediário; 3-5 alto). O mesmo paciente com três fatores é intermediário-alto numa e alto na outra — e como o rituximabe é condicionado à lista acima, nem sempre está claro qual das duas se aplica.
O HIV e as duas respostas do mesmo sistema
Este é o ponto em que os dois protocolos federais se afastam de forma verificável, e o candidato precisa saber que se afastam. O documento do linfoma de Hodgkin, de 2020, é explícito: pacientes infectados pelo HIV devem receber o mesmo tratamento planejado para os não infectados, acrescido da terapia antirretroviral, iniciada antes ou concomitantemente e mantida durante a quimioterapia. Traz ainda a interação que a prova gosta: esquemas com inibidores de protease, como o ritonavir, podem potencializar a mielotoxicidade, e os inibidores de integrase são a alternativa com menor potencial de interação.
O documento do linfoma difuso de grandes células B, de 2014, diz o contrário sobre o anticorpo monoclonal: não recomenda rituximabe em pacientes com anti-HIV positivo, mesmo em uso de terapia antirretroviral potente e antibioticoprofilaxia, particularmente com contagem baixa de linfócitos CD4 — e leva essa restrição para dentro da indicação, que exige sorologia negativa para HIV. Como a portaria de 2014 nunca foi revogada, é ela que continua a governar a autorização do procedimento para essa doença.
A distância tem data e causa. A busca de literatura que sustenta o texto de 2014 foi realizada em 30 de janeiro de 2012, antes da consolidação das análises que reposicionaram o rituximabe nessa população. Coortes posteriores encontraram esquema com rituximabe seguro e eficaz independentemente do status sorológico, situando o excesso histórico de mortes infecciosas nos pacientes com CD4 abaixo de 50/mm³ — a faixa em que o sinal de risco realmente se concentrava. Não é restrição econômica nem indisponibilidade no SUS: o medicamento está incorporado. É documento nacional que envelheceu.
O que fazer com isso numa prova depende do recorte, e o recorte costuma estar visível. Enunciado que nomeia o protocolo brasileiro, que fala em autorização de procedimento, regulação de acesso ou farmácia do SUS, está pedindo a régua nacional como está escrita. Enunciado de centro terciário, que discute contagem de CD4 e carga viral indetectável e cita literatura recente, está pedindo o estado da arte. Um distrator que mencione contagem de CD4 como limiar denuncia o segundo mundo, porque o texto de 2014 não trabalha com limiar — trabalha com sorologia.
Vale registrar o que não diverge: nos dois documentos a avaliação inicial inclui sorologias para hepatites B e C, HIV e sífilis, e nos dois a terapia antirretroviral é componente essencial do tratamento oncológico de quem vive com o vírus.
O que o protocolo declara não saber
Um documento normativo que diz onde a evidência acaba é mais útil do que um que finge não ter buracos, e este diz — em três lugares. Sobre a intensificação do tratamento em quem tem PET-CT interina positiva na doença avançada, registra que não há ensaios clínicos randomizados avaliando a estratégia e que o efeito preciso permanece incerto, apesar dos controles históricos. Sobre o linfoma de predomínio linfocítico nodular, registra que, por ser doença rara, não há ensaios randomizados comparando condutas, e a recomendação de radioterapia em campo envolvido na dose total de 30 Gy para o estádio IA sai de série observacional e de consenso de especialistas. Sobre a comparação entre o esquema padrão e o intensificado, registra que não há dados de estudos sobre infertilidade.
O apêndice metodológico vai além. Declara que as evidências seriam avaliadas segundo a metodologia de graduação de certeza e, em seguida, que nenhuma pergunta estruturada foi elencada e que uma busca única — na base Epistemonikos, 362 resultados — sustentou a escrita de todas as seções, porque não se identificaram tecnologias novas que exigissem revisão sistemática. Nenhuma recomendação do protocolo, portanto, carrega grau de certeza atribuído. Isso não a invalida: significa que ela codifica prática clínica estabelecida e tecnologias já disponíveis no SUS, que foi exatamente a instrução dada aos relatores.
A origem do documento explica o escopo e vale para entender por que a criança ficou de fora. A demanda nasceu da Portaria SCTIE/MS nº 12, de 11 de março de 2019, que incorporou o brentuximabe vedotina para adultos com doença refratária ou recidivada após transplante autólogo. Quando a consulta pública sugeriu incluir a população pediátrica, a resposta foi que o escopo partiu da decisão de incorporar aquele medicamento para adultos. Curiosamente, o próprio apêndice data essa incorporação em março de 2013, seis anos antes — e a nota de rodapé imediatamente abaixo cita a portaria de 2019, que é a data correta e a que consta da apresentação do relatório.
A consulta pública teve 247 contribuições entre 20 de março e 8 de abril de 2020, e os percentuais publicados fecham com os totais. Entre os anexos havia carta de coletivo de pacientes e carta de empresa fabricante de tecnologias da área. As declarações de conflito de interesse foram assinadas por todos os participantes externos e enviadas ao Ministério da Saúde como parte dos resultados; não acompanham o arquivo publicado, de modo que o leitor não consegue conferi-las no mesmo documento.
Duas frases do texto vigente já venceram e continuam impressas. Uma anuncia que, como a Classificação Internacional de Doenças em sua 11ª revisão entraria em vigor a partir de janeiro de 2022, até dezembro de 2021 a codificação continuaria a ser feita pela categoria C81 — prazo expirado há mais de quatro anos, enquanto o faturamento no SUS segue em C81. A outra, na lista de situações em que a bleomicina deve ser omitida no idoso, imprime depuração de creatinina igual ou menor que 5 mL/minuto: uma faixa de função renal em que a discussão deixou de ser qual fármaco omitir. Os itens vizinhos da mesma lista — idade acima de 80 anos, fragilidade, tabagismo ativo — são cortes clínicos comuns e sobreviveram intactos, o que localiza o problema num único número.
Estadiar, estratificar e ler a resposta
Três decisões em sequência, cada uma com sua ferramenta. O estádio sai do mapa anatômico; o grupo de risco sai da lista de fatores do critério que o enunciado nomear; a resposta sai da escala de cinco pontos do PET-CT. Confundir a ferramenta com a etapa é o erro que mais rende alternativa errada neste tema.
- 1Linfonodo suspeito: biópsia excisional completa, evitando o sítio inguinal; material congelado e fixado, com imuno-histoquímica.
- 2Histologia e imunofenótipo definem o grupo: CD30 e CD15 positivos com CD45 negativo no clássico; CD20 e CD45 positivos com CD15 e CD30 negativos no predomínio linfocítico nodular.
- 3Estadiamento por PET-CT de corpo inteiro; sem PET-CT, radiografia de tórax, tomografia de pescoço, tórax e abdome e biópsia de medula óssea.
- 4Estádio por Ann Arbor com sufixos A, B, E, S e X, ou por Lugano, que separa localizada de avançada e dispensa o sufixo X.
- 5Doença localizada: aplicar a lista de fatores de risco do critério nomeado para separar favorável de desfavorável.
- 6Doença avançada: contar os sete fatores do escore prognóstico internacional.
- 7Tratamento e reavaliação por PET-CT com escore de Deauville; escore 5 manda repetir a biópsia antes de mudar de linha.
Estádio I — uma cadeia, um lado
Uma cadeia linfonodal ou estrutura linfoide (baço, timo, anel de Waldeyer), ou um sítio extralinfático isolado.
Estádio II — duas ou mais, mesmo lado
Duas ou mais cadeias do mesmo lado do diafragma, com ou sem extensão extralinfática por contiguidade.
Estádio III — os dois lados
Cadeias acima e abaixo do diafragma, podendo somar sítio extralinfático ou acometimento esplênico.
Estádio IV — órgão tomado
Acometimento difuso ou disseminado de um ou mais órgãos extralinfáticos, com ou sem doença linfonodal associada.
| Fator de risco na doença localizada | Grupo alemão | Grupo europeu | Rede norte-americana |
|---|---|---|---|
| Idade | não usa | ≥ 50 anos | não usa |
| Velocidade de hemossedimentação, sem sintomas B | > 50 mm/h | > 50 mm/h | ≥ 50 mm/h |
| Velocidade de hemossedimentação, com sintomas B | > 30 mm/h | > 30 mm/h | presença de sintomas B já conta |
| Massa mediastinal | razão da massa mediastinal > 0,33 | razão toracomediastinal > 0,35 | razão da massa mediastinal > 0,33 |
| Número de áreas linfonodais | > 2 | > 3 | > 3 |
| Acometimento extranodal | qualquer | não usa | não usa |
| Grande massa | não usa | não usa | > 10 cm |
| Total de compartimentos contados | 5 áreas | 5 áreas | usa as regiões de Ann Arbor |
Escore prognóstico internacional na doença avançada — os sete fatores e as faixas publicadas
| Fator | Corte | Escore | Sobrevida livre de progressão em 5 anos | Sobrevida global em 5 anos |
|---|---|---|---|---|
| Sexo | masculino | 0 a 2 | sem faixa atribuída no texto normativo | sem faixa atribuída no texto normativo |
| Idade | > 45 anos | 3 (moderadamente alto) | 55% | 70% |
| Estádio | IV | ≥ 4 (alto) | 47% | 59% |
| Albumina | < 4,0 g/dL | cada fator a mais | cerca de 8 pontos percentuais a menos | — |
| Hemoglobina | < 10,5 g/dL | — | — | — |
| Linfócitos | < 600/mm³ ou < 8% dos leucócitos | — | — | — |
| Leucócitos | > 15.000/mm³ | — | — | — |
Escala de Deauville e o que cada escore dispara
| Escore | Definição | Leitura na doença localizada favorável | Leitura na doença localizada desfavorável |
|---|---|---|---|
| 1 | sem captação | negativa pelos dois critérios | negativa |
| 2 | captação ≤ mediastino | negativa pelos dois critérios | negativa |
| 3 | captação > mediastino e ≤ fígado | negativa pelo critério alemão; positiva pelo europeu | positiva — indica ABVD |
| 4 | aumento moderadamente superior ao fígado | positiva | positiva — indica BEACOPP escalonado |
| 5 | muito superior ao fígado ou lesão nova | nova biópsia; se positiva, tratar como refratária | nova biópsia; se positiva, tratar como refratária |
| X | captação nova provavelmente não relacionada ao linfoma | não classifica resposta | não classifica resposta |
Os dois protocolos federais deste tema, lado a lado
| Item | Linfoma de Hodgkin no adulto (2020) | Linfoma difuso de grandes células B (2014) |
|---|---|---|
| Norma | Portaria Conjunta SAES/SCTIE/MS nº 24, de 29/12/2020 | Portaria SAS/MS nº 956, de 26/09/2014 |
| O que revoga | nada — é o primeiro sobre a doença no adulto | Portaria SAS/MS nº 621, de 05/07/2012 |
| Idade de inclusão | 19 anos ou mais | 18 anos ou mais |
| Doença volumosa | ≥ 10 cm ou > 1/3 do diâmetro transtorácico | > 7,5 cm (na indicação de rituximabe em I e II) |
| Primeira linha | ABVD; BEACOPP escalonado em selecionados | CHOP a cada 21 dias, 6 a 8 ciclos |
| Papel do PET-CT | padrão para estadiamento e resposta; dispensa biópsia de medula | alternativa à tomografia; biópsia de medula na lista de exames |
| Escore prognóstico | escore internacional de 7 fatores (doença avançada) | índice internacional de 5 fatores, em duas versões de agrupamento |
| Paciente com HIV | mesmo tratamento dos não infectados, com antirretroviral | rituximabe não recomendado; indicação exige sorologia negativa |
O sufixo X existe em Ann Arbor/Cotswolds e foi abandonado em Lugano; os sufixos A e B permanecem nas duas, porque a presença de sintomas constitucionais continua a mudar o tratamento da doença localizada.
Área linfonodal e região linfonodal não são a mesma unidade: o mesmo mapa de doença tem nove regiões pelo sistema de Ann Arbor e cinco áreas pelos critérios europeu e alemão.
A radioterapia após seis ciclos na doença avançada é indicada para doença residual superior a 2,5 cm; no fluxo do paciente idoso o mesmo limiar aparece escrito como maior ou igual a 2,5 cm.
O cabeçalho da primeira página da portaria de 2020 sai impresso como 'MINITÉRIO DA SAÚDE', e o título do quadro de estadiamento grafa 'Costwolds' enquanto o interior do quadro grafa 'Cotswolds'. A cópia hospedada pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul é o mesmo arquivo, byte a byte: os dois erros chegam idênticos a quem consulta pelo portal estadual.
Escore prognóstico internacional e fatores de risco de doença localizada são instrumentos de populações diferentes: velocidade de hemossedimentação e massa mediastinal entram nos fatores de risco e não entram no escore.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Régua federal em vigor: sorologia negativa como condição
O protocolo nacional não recomenda rituximabe em pacientes com anti-HIV positivo, mesmo em uso de terapia antirretroviral potente e antibioticoprofilaxia, particularmente com contagem baixa de linfócitos CD4, e leva a restrição para dentro da indicação, que exige resultado sorológico negativo para HIV. A portaria nunca foi revogada e continua a governar a autorização do procedimento.
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Linfoma Difuso de Grandes Células B — Portaria SAS/MS nº 956, de 26/09/2014, itens 2 e 6.1.2; busca de literatura realizada em 30/01/2012.
Evidência posterior: mesmo esquema, com atenção à contagem de CD4
Coorte populacional posterior encontrou o esquema com rituximabe seguro e eficaz independentemente do status sorológico para HIV, e situa o excesso histórico de mortalidade infecciosa nos pacientes com contagem de linfócitos CD4 abaixo de 50 por milímetro cúbico, e não na sorologia em si. A causa da distância é temporal: o texto brasileiro foi escrito sobre uma busca de janeiro de 2012.
Habbous S. et al. The effectiveness of rituximab and HIV on the survival of Ontario patients with diffuse large B-cell lymphoma. Cancer Medicine, 2020.
Na prova
O recorte costuma estar no cenário. Enunciado que nomeia o protocolo brasileiro, ou que fala em autorização de procedimento, regulação de acesso e dispensação no SUS, trabalha com a régua nacional como está escrita. Enunciado de centro terciário que discute carga viral indetectável e contagem de CD4 trabalha com a literatura recente. As alternativas denunciam o mundo: distrator que traz um limiar numérico de CD4 só existe no corpo internacional, porque o texto de 2014 raciocina por sorologia, não por limiar. Vale também o protocolo de Hodgkin do mesmo Ministério, de 2020, que manda tratar o paciente com HIV como o não infectado — quando o enunciado é de Hodgkin, a régua nacional e a internacional coincidem.
Critério do grupo cooperativo alemão: 1 a 3 é negativa
Na doença localizada favorável, se a estratificação de risco usou o critério alemão, PET-CT negativa após dois ciclos é definida como Deauville de 1 a 3 pontos, e o paciente segue direto para a radioterapia em campo envolvido ou nodal.
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Linfoma de Hodgkin no Adulto — Portaria Conjunta SAES/SCTIE/MS nº 24/2020, item 6.5.1.
Critério do grupo cooperativo europeu: só 1 e 2 é negativa
Se a estratificação usou o critério europeu, PET-CT negativa é definida como Deauville de 1 a 2 pontos, e há indicação de mais um ciclo de quimioterapia antes da radioterapia. Na doença localizada desfavorável, o mesmo documento trata Deauville 3 como resposta positiva e indica ABVD, reservando o esquema escalonado ao Deauville 4.
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Linfoma de Hodgkin no Adulto — Portaria Conjunta SAES/SCTIE/MS nº 24/2020, itens 6.5.1 e figura do fluxo da doença localizada desfavorável.
Na prova
O enunciado quase sempre entrega o critério junto, porque sem ele a questão não fecha: quando cita o grupo alemão ou fala em cinco áreas linfonodais com corte acima de duas, o mundo é o alemão e o escore 3 é resposta suficiente. Quando cita idade igual ou maior que 50 anos como fator de risco, ou a razão toracomediastinal de 0,35, o mundo é o europeu e o escore 3 pede mais um ciclo. Se o enunciado descrever doença localizada com fatores de risco e não nomear critério nenhum, o documento nacional trata o escore 3 como positivo.
Seção de tratamento: escore maior ou igual a 3
No item que apresenta os esquemas, o regime intensificado é descrito como indicado para doença localizada desfavorável ou avançada, restrito a pacientes bem selecionados definidos como escore prognóstico internacional maior ou igual a 3 e idade abaixo de 60 anos.
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Linfoma de Hodgkin no Adulto — Portaria Conjunta SAES/SCTIE/MS nº 24/2020, item 6.1.
Fluxo adaptado ao PET-CT: escore maior ou igual a 4
No fluxo de doença avançada tratada inicialmente com o esquema escalonado, o mesmo documento restringe a indicação a pacientes com escore prognóstico internacional maior ou igual a 4 e idade abaixo de 60 anos, no texto e na legenda da figura. O corte de idade é idêntico nas duas passagens; só o número do escore muda. As duas leituras já constavam da versão submetida à consulta pública em março de 2020.
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Linfoma de Hodgkin no Adulto — Portaria Conjunta SAES/SCTIE/MS nº 24/2020, item 6.5.2 e figura correspondente; versão da Consulta Pública nº 11/2020.
Na prova
Questão que dependa exclusivamente do paciente com escore exatamente 3 é questão frágil, e banca cuidadosa evita. O que aparece de fato é o corte de idade, que não varia — abaixo de 60 anos — e a exigência de serviço com suporte adequado. Quando a vinheta traz escore 4 ou 5, as duas passagens concordam e a indicação do esquema intensificado é segura. Vale reconhecer os dois números para não descartar uma alternativa correta por lembrar apenas de uma das passagens.
Caso resolvido
- achado
- Duas cadeias acometidas — cervical e supraclavicular direitas — mais o mediastino, todas acima do diafragma. O imunofenótipo com CD30 e CD15 positivos e CD45 negativo fecha linfoma de Hodgkin clássico.
- estádio
- Estádio II: duas ou mais cadeias do mesmo lado do diafragma. Sem febre, sudorese ou perda de peso, o sufixo é A. A massa mediastinal de 11 cm caracteriza doença volumosa pelo corte de 10 cm, o que acrescenta o sufixo X em Ann Arbor e o rótulo de estádio II volumoso em Lugano.
- grupo de risco
- Doença localizada desfavorável. A massa volumosa basta: a razão da massa mediastinal supera 0,33 em qualquer dos critérios, e a grande massa acima de 10 cm é fator na régua norte-americana. A velocidade de hemossedimentação de 42 mm/h, em paciente sem sintomas B, fica abaixo do corte de 50 mm/h e não acrescenta nada.
- erro que a banca cobra
- Chamar de estádio I por acometer só o lado direito, ou de estádio III por somar cervical, supraclavicular e mediastino como se fossem lados diferentes. Também é comum classificar como favorável por olhar apenas a hemossedimentação e ignorar a massa mediastinal.
- conduta
- Modalidade combinada: quatro ciclos de ABVD seguidos de radioterapia em campo envolvido ou nodal. Antes de iniciar, sorologias para hepatites B e C, HIV e sífilis, rastreamento de infecção latente por tuberculose, teste de gravidez e oferta de planejamento reprodutivo, porque quimioterapia e radioterapia abdominal podem causar infertilidade permanente.
Agora feche você
- achado
- Doença avançada, sem sintomas B declarados, com quatro alterações laboratoriais que pertencem ao escore prognóstico internacional e uma que não pertence.
- escore
- …
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Aceitar punção por agulha fina como diagnóstico de linfoma Atrai porque a punção é rápida, ambulatorial e resolve tireoide e mama. Aqui não resolve: a célula diagnóstica é 1% a 2% do tecido, e a amostra pequena volta com material reacional, adiando o diagnóstico em semanas. O padrão é a biópsia excisional completa, com imuno-histoquímica.
- 2Escolher o linfonodo inguinal porque é o mais fácil de alcançar Atrai por acessibilidade cirúrgica. O protocolo pede que se evite justamente esse sítio, por ser região mais sujeita a infecções locais que distorcem a arquitetura do gânglio e prejudicam a leitura histopatológica.
- 3Estadiar contando quantos linfonodos estão acometidos Atrai porque a maioria dos estadiamentos oncológicos conta estruturas. Ann Arbor não conta: separa por lados do diafragma. Duas cadeias do mesmo lado são estádio II, ainda que volumosas; uma cadeia de cada lado é estádio III, ainda que pequenas.
- 4Somar regiões linfonodais quando o critério pede áreas Atrai porque as duas palavras parecem sinônimas e os quadros ficam lado a lado. O mesmo mapa tem nove regiões por Ann Arbor e cinco áreas pelos critérios europeu e alemão. Contar regiões e aplicar o corte de áreas leva o candidato a classificar como desfavorável quem não é, e a marcar o esquema mais agressivo.
- 5Usar um único corte de doença volumosa para os dois linfomas Atrai porque o conceito é o mesmo. Os números não são: no linfoma de Hodgkin, volumoso é massa de 10 cm ou mais, ou maior que um terço do diâmetro transtorácico; na indicação de rituximabe do linfoma difuso de grandes células B em estádios I e II, o limiar escrito é maior que 7,5 cm.
- 6Achar que o escore prognóstico internacional classifica todo mundo Atrai porque escore costuma ter faixa para cada valor. Este só tem interpretação publicada para escore igual a 3 e para escore maior ou igual a 4; quem tem 0, 1 ou 2 fatores fica sem faixa nomeada no texto normativo. Quem tenta encaixar o paciente de baixo risco numa das duas faixas superestima gravidade.
- 7Pedir biópsia de medula óssea depois de um PET-CT de corpo inteiro Atrai porque a biópsia de medula é reflexo antigo do estadiamento de linfoma. A alta sensibilidade do PET-CT para acometimento medular faz com que a biópsia não seja indicada em quem foi avaliado por esse exame. Ela volta à lista quando o PET-CT não está disponível e o estadiamento é feito por radiografia e tomografia.
- 8Prescrever o esquema do outro linfoma Atrai porque as siglas se parecem e as duas doenças chegam com adenomegalia e sintomas B. Doxorrubicina, bleomicina, vimblastina e dacarbazina são o esquema do linfoma de Hodgkin; ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina e prednisona, com ou sem o anticorpo anti-CD20, são o esquema do linfoma difuso de grandes células B. Trocar os dois é o erro mais frequente das vinhetas de idoso com massa de crescimento rápido e desidrogenase láctica alta.
Placa crônica refratária, linfócitos T atípicos cerebriformes com epidermotropismo, coleções intraepidérmicas e fenótipo CD4+ com perda de CD7 definem micose fungoide (linfoma cutâneo de células T); as coleções intraepidérmicas de linfócitos atípicos são os microabscessos de Pautrier. Os microabscessos de Munro (neutrófilos no estrato córneo) são da psoríase. As células de Paget (grandes, PAS+) caracterizam a doença de Paget extramamária. Disceratose com atipia de queratinócitos é do CEC in situ. Centros germinativos e fenótipo B correspondem a linfomas B, não à micose fungoide (que é de células T).
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Um homem de 24 anos procura o ambulatório por surgimento de gânglio cervical indolor há dois meses, associado a febre vespertina, sudorese noturna profusa e perda de 7 kg. Nega tosse ou contato com tuberculose. Ao exame: linfonodo cervical de 3 cm, endurecido, indolor e móvel, além de linfonodomegalia supraclavicular; baço palpável. Não há sinais de infecção local. Hemograma sem citopenias; VHS elevada. A biópsia excisional do linfonodo evidencia células de Reed-Sternberg em fundo inflamatório misto. Considerando o diagnóstico e a etapa seguinte do manejo, assinale a alternativa correta.
Linfadenopatia indolor com sintomas B (febre, sudorese noturna, emagrecimento) e células de Reed-Sternberg na biópsia definem linfoma de Hodgkin; a etapa seguinte é o estadiamento (por imagem e avaliação de extensão) que orienta a terapia. Tuberculose ganglionar não apresenta Reed-Sternberg. Mononucleose é autolimitada e não mostra essa histologia. Não há evidência de carcinoma metastático, e radioterapia paliativa não é conduta inicial de doença potencialmente curável.
Mulher, 28 anos, previamente hígida, procura atendimento por adenomegalia cervical indolor à direita, com crescimento progressivo há 3 meses. Refere febre vespertina intermitente, sudorese noturna profusa (troca de roupa de cama) e perda de 7 kg no período. Ao exame: linfonodos cervicais e supraclaviculares direitos, endurecidos, móveis, o maior com 3 cm. Sem hepatoesplenomegalia. Hemograma sem alterações significativas. TC de tórax evidencia massa mediastinal anterior e adenomegalias mediastinais. A biópsia excisional de linfonodo cervical revela células grandes binucleadas com nucléolos eosinofílicos proeminentes (aspecto em "olhos de coruja"), positivas para CD30 e CD15 e negativas para CD45, em meio a infiltrado inflamatório reacional. O diagnóstico mais provável é:
Correta: As células de Reed-Sternberg (grandes, binucleadas, com nucléolos eosinofílicos proeminentes — "olhos de coruja") com imunofenótipo CD30+/CD15+/CD45- em meio a fundo inflamatório reacional são o achado patognomônico do linfoma de Hodgkin clássico. O quadro clínico reforça: mulher jovem, adenomegalia cervical/supraclavicular indolor de progressão contígua, massa mediastinal anterior e sintomas B (febre, sudorese noturna, perda ponderal). O LNH difuso de grandes células B é CD20+/CD45+ e CD30 variável, sem células de Reed-Sternberg em fundo inflamatório. O linfoma de Burkitt cursa com aspecto de "céu estrelado", proliferação extremamente alta (Ki-67 ~100%) e t(8;14)/MYC, tipicamente abdominal, sem esse imunofenótipo. O linfoma linfoblástico T dá massa mediastinal em jovens, mas é composto por células blásticas TdT+, não por células de Reed-Sternberg. A doença de Castleman é uma hiperplasia linfoide não neoplásica, sem células de Reed-Sternberg CD30+/CD15+.
Homem, 30 anos, apresenta linfoma de Hodgkin clássico. Antes de iniciar a quimioterapia com o esquema ABVD, é solicitado exame para estadiamento e planejamento terapêutico. Qual é o exame de imagem de escolha para o estadiamento inicial do linfoma de Hodgkin?
Correta: a PET-TC com 18F-FDG é o exame de escolha para o estadiamento inicial do linfoma de Hodgkin (e da maioria dos linfomas ávidos por FDG), pois avalia com precisão sítios nodais e extranodais, incluindo acometimento de medula óssea, substituindo a biópsia de medula na maioria dos casos. É também a base da resposta metabólica (Deauville) para adaptar o tratamento. A cintilografia óssea não é usada para estadiamento de linfoma. A RM de corpo inteiro tem papel restrito, reservada a situações específicas (ex.: gestantes, contraindicação ao FDG). A US de abdome é insuficiente para o estadiamento completo. A radiografia de tórax é útil apenas para estimar massa mediastinal bulky, mas não estadia a doença.
Adolescente, 15 anos, apresenta linfonodomegalia cervical indolor, endurecida, de crescimento progressivo há 2 meses, associada a febre vespertina, sudorese noturna intensa e perda de 5 kg no período. A biópsia excisional do linfonodo evidencia células de Reed-Sternberg em meio a infiltrado inflamatório reacional. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: a célula de Reed-Sternberg é o achado histopatológico patognomônico do linfoma de Hodgkin, e o quadro clínico é clássico: adolescente com adenomegalia cervical indolor de crescimento progressivo e sintomas B (febre, sudorese noturna, perda ponderal > 10%). O linfoma de Burkitt tem padrão em "céu estrelado" e costuma se manifestar como massa abdominal, sem células de Reed-Sternberg. A leucemia linfoblástica aguda cursa com citopenias e blastos na medula/sangue periférico, não com Reed-Sternberg. A mononucleose causa adenomegalia dolorosa e linfocitose atípica autolimitada, sem essa célula. O linfoma linfoblástico T tipicamente se apresenta como massa mediastinal anterior e também não contém células de Reed-Sternberg.
Homem, 68 anos, aposentado, procura atendimento por massa cervical de crescimento rápido (surgida há cerca de 4 semanas), indolor, medindo aproximadamente 8 cm, de consistência endurecida e aderida a planos profundos. Refere febre vespertina, sudorese noturna e perda de 7 kg no período. Exame físico: linfonodomegalia cervical e axilar bilateral, hepatoesplenomegalia discreta. Laboratório: Hb 11,2 g/dL (VR 13–17), LDH 780 U/L (VR 135–225). A biópsia excisional revela proliferação difusa de grandes linfócitos atípicos; a imuno-histoquímica mostra CD20+, CD3-, com índice de proliferação Ki-67 de 90%. Qual a terapia de primeira linha indicada?
O quadro (idoso, massa de crescimento rápido, sintomas B, LDH elevada) com biópsia de grandes linfócitos B CD20+ e Ki-67 de 90% define linfoma não Hodgkin difuso de grandes células B (LDGCB), o linfoma agressivo mais comum — a conduta é imunoquimioterapia R-CHOP de primeira linha (opção correta). ABVD é o esquema do linfoma de Hodgkin, contexto errado. Observação vigilante só se aplica a linfomas indolentes assintomáticos, como o folicular — jamais em doença agressiva. Radioterapia isolada é insuficiente para doença sistêmica agressiva. Transplante autólogo é reservado para recidiva/refratariedade, não para primeira linha.
Mulher, 28 anos, professora, apresenta aumento indolor de linfonodos cervicais à esquerda há 2 meses, de consistência elástica e móveis. Relata característica peculiar de dor no linfonodo acometido logo após a ingestão de bebida alcoólica. Associadamente, queixa-se de prurido generalizado e sudorese noturna. Nega febre alta ou sinais flogísticos locais. Qual o diagnóstico mais provável?
Adulto jovem com linfonodomegalia cervical indolor, prurido, sudorese noturna e, sobretudo, a dor ganglionar desencadeada pela ingestão de álcool (sinal clássico e altamente sugestivo) caracteriza o linfoma de Hodgkin (opção correta). Tuberculose ganglionar tipicamente cursa com sinais flogísticos, coalescência e fistulização, além de contexto epidemiológico. LNH folicular é doença indolente de faixa etária mais avançada, sem o sinal do álcool. Metástase de carcinoma gera linfonodo pétreo, aderido, com sítio primário e em idade mais avançada. Doença da arranhadura do gato é autolimitada, com história de contato/arranhadura por felino.
Homem de 66 anos com massa cervical de crescimento rápido, sintomas B e desidrogenase láctica elevada. Biópsia excisional mostra proliferação difusa de grandes linfócitos B, CD20 positivo, alto índice proliferativo. Estadiamento: acometimento cervical e axilar bilateral e hepatoesplenomegalia. Segundo o protocolo federal desta doença, além do estádio, qual condição consta expressamente da indicação para associar o anticorpo anti-CD20 ao esquema de primeira linha?
Correta: o protocolo federal do linfoma difuso de grandes células B lista condições cumulativas para o esquema com anticorpo anti-CD20, e entre elas está resultado de exame sorológico negativo para HIV, além de ausência de hepatite B ou C ativa, doença de novo com CD20 positivo, mais de 18 anos, sem tratamento prévio e estádio III ou IV (ou I e II com sintomas B ou doença volumosa maior que 7,5 cm). O documento raciocina por sorologia e não por limiar de CD4 — por isso qualquer corte numérico de CD4 pertence à literatura internacional, não a esse texto. O índice prognóstico não condiciona a indicação; ele estima prognóstico. A biópsia de medula compõe o estadiamento, mas não é condição escrita para associar o anticorpo. Vale saber que coortes posteriores encontraram o esquema seguro e eficaz independentemente do status sorológico.
Mulher de 38 anos com linfoma de Hodgkin clássico em estádio III B, tratada com 6 ciclos de ABVD sem estratégia adaptada a exame metabólico. Ao término, a tomografia mostra massa mediastinal residual de 3,2 cm, antes com 9 cm. Paciente assintomática. Qual a conduta preconizada pelo protocolo nacional?
Correta: na doença avançada tratada com seis ciclos sem adaptação a exame metabólico, o protocolo indica radioterapia em campo envolvido ou nodal quando resta doença residual superior a 2,5 cm — e 3,2 cm ultrapassa esse limiar. Observar sem irradiar seria a conduta se a massa residual estivesse abaixo do corte. Acrescentar ciclos de quimioterapia não está previsto nessa etapa. Esquema à base de platina e transplante autólogo pertencem à doença refratária ou recidivada, definida como ausência de resposta ou progressão durante a quimioterapia ou em até 90 dias do término, ou reaparecimento após resposta completa — e a redução de 9 cm para 3,2 cm é resposta, não falha. Vale reter que no fluxo do paciente idoso o mesmo limiar aparece escrito como igual ou maior que 2,5 cm.
Homem de 35 anos, linfoma de Hodgkin refratário, já submetido a quimioterapia de resgate à base de platina e a transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas, com recidiva documentada após o transplante. A equipe vai iniciar brentuximabe vedotina. Ele tem clearance de creatinina de 22 mL/min. Qual a prescrição correta segundo o protocolo nacional?
Correta: a dose padrão do anticorpo conjugado anti-CD30 é 1,8 mg/kg em infusão intravenosa de 30 minutos a cada três semanas, e a dose inicial recomendada cai para 1,2 mg/kg na insuficiência renal grave e também na hepática, com monitorização estreita de eventos adversos. Manter 1,8 mg/kg sem ajuste ignora a redução prevista para essa faixa de função renal. Administrar em bolus é expressamente vedado pelo protocolo, e o intervalo de duas semanas não corresponde ao esquema. Não existe apresentação semanal de 0,6 mg/kg nessa indicação; o que o documento fixa é mínimo de oito doses em quem apresenta melhora ou doença estável e máximo de 16 ciclos, cerca de um ano. A neuropatia é o principal efeito tóxico não hematológico e melhora ao longo de um ano na maioria dos pacientes.
Mulher de 26 anos com linfonodomegalia cervical e supraclavicular à direita há 3 meses, indolor, fibroelástica, o maior linfonodo com 4 cm. Nega febre, sudorese noturna e perda de peso. Tomografia de tórax: massa mediastinal anterior de 11 cm, sem outras cadeias acometidas; abdome sem alterações. Biópsia excisional com células grandes binucleadas em fundo inflamatório, CD30 e CD15 positivos, CD45 negativo. Qual a classificação de estádio e de grupo de risco?
Correta: duas ou mais cadeias do mesmo lado do diafragma definem estádio II — cervical, supraclavicular e mediastino estão todas acima. Sem febre, sudorese ou perda de peso, o sufixo é A. A massa de 11 cm ultrapassa o corte de 10 cm e caracteriza doença volumosa, o que joga a paciente para o grupo localizado desfavorável. Chamar de estádio I ignora que há mais de uma cadeia. Somar cervical, supraclavicular e mediastino como se fossem lados diferentes do diafragma produz o estádio III e é o erro mais comum. O sufixo B exige sintoma constitucional, que a vinheta nega expressamente. O estádio IV exigiria acometimento disseminado de órgão extralinfático.
Homem de 52 anos com linfoma de Hodgkin clássico em estádio IV. Ao diagnóstico: hemoglobina 10,1 g/dL, albumina 3,6 g/dL, leucócitos 17.200/mm³, linfócitos 480/mm³, velocidade de hemossedimentação 72 mm/h, massa mediastinal com razão de 0,40. Qual dos achados NÃO integra o escore prognóstico internacional da doença avançada?
Correta: a velocidade de hemossedimentação é fator de risco na doença LOCALIZADA, nas listas dos grupos cooperativos europeu, alemão e da rede norte-americana, e não integra o escore prognóstico internacional da doença avançada. O escore tem sete fatores: sexo masculino, idade acima de 45 anos, estádio IV, albumina abaixo de 4,0 g/dL, hemoglobina abaixo de 10,5 g/dL, linfócitos abaixo de 600/mm³ ou abaixo de 8% dos leucócitos, e leucócitos acima de 15.000/mm³. Leucócitos de 17.200/mm³, albumina de 3,6 g/dL, hemoglobina de 10,1 g/dL e linfócitos de 480/mm³ estão todos dentro dos cortes e pontuam. A razão da massa mediastinal também é da régua da doença localizada.
Mulher de 30 anos com linfoma de Hodgkin clássico, doença localizada sem fatores de risco, estratificada pelo critério do grupo cooperativo alemão. Após 2 ciclos de ABVD, o PET-CT mostra captação residual maior que a do mediastino e menor que a do fígado no sítio inicial. Como esse resultado é lido pelo protocolo nacional e o que se segue?
Correta: captação maior que a do mediastino e menor ou igual à do fígado é escore 3 na escala de Deauville, e na doença localizada favorável estratificada pelo critério alemão o protocolo define resposta negativa como escore 1 a 3, indicando radioterapia em campo envolvido ou nodal. Se o critério de estratificação tivesse sido o europeu, resposta negativa seria escore 1 a 2, e a paciente receberia mais um ciclo antes da radioterapia — a mesma imagem muda de rótulo conforme o critério usado. Escore 4 é aumento moderadamente superior ao do fígado. Escore 2 é captação menor ou igual à do mediastino. Escore 5 é captação muito superior à hepática ou lesão nova, e é a única situação em que se manda repetir a biópsia.
Homem de 28 anos, linfoma de Hodgkin clássico. Realizou PET-CT de corpo inteiro com 18F-FDG para estadiamento inicial, que mostrou captação em cadeias cervicais e mediastinais, sem captação medular. O hematologista assistente pergunta se ainda é necessário complementar o estadiamento com biópsia de medula óssea. Qual a resposta amparada pelo protocolo nacional?
Correta: o protocolo nacional afirma que, dada a alta sensibilidade do exame metabólico de corpo inteiro para acometimento da medula óssea, a biópsia de medula não é indicada em pacientes submetidos a essa avaliação. Ela permanece na rota alternativa: quando o exame metabólico não está disponível, o estadiamento é feito com radiografia simples de tórax, tomografia com contraste de pescoço, tórax e abdome, e aí sim biópsia de medula. Dizer que o exame metabólico não avalia a medula contraria a razão pela qual ele substituiu a biópsia. Condicionar a biópsia à presença de citopenias ou ao estádio IV inverte a lógica: o estádio é resultado do estadiamento, não pré-requisito dele.
Homem de 41 anos com linfonodo cervical indolor de 3,5 cm há 2 meses, sem febre e sem perda de peso. Ultrassonografia mostra linfonodo com perda do hilo. Além do gânglio cervical, palpa-se linfonodo inguinal de 1,5 cm, indolor. A avaliação clínica levanta suspeita de linfoma de Hodgkin, e o linfonodo cervical pode ser retirado com segurança. Segundo o PCDT brasileiro de 2020, qual é o procedimento diagnóstico preferencial?
Diante da suspeita de linfoma de Hodgkin e de linfonodo acessível, a biópsia excisional fornece material e arquitetura adequados para histopatologia e imuno-histoquímica. O cervical descrito é maior e mais suspeito que o inguinal; não se escolhe apenas o gânglio de acesso aparentemente mais simples. Punção aspirativa costuma ser insuficiente para essa avaliação. Biópsia por agulha grossa pode ser considerada em situações selecionadas, especialmente quando a excisão é difícil ou inadequada, mas não é o procedimento preferencial no cenário delimitado. Ausência de sintomas B não exclui linfoma.
Paciente com linfoma de Hodgkin em tratamento faz exame metabólico de reavaliação, que mostra captação muito acima da hepática na massa residual e uma lesão nova. Qual a conduta que o protocolo nacional determina antes de mudar de linha?
Captação muito acima do fígado, ou lesão nova, corresponde ao topo da escala de cinco pontos de Deauville, e essa é a única pontuação com conduta unívoca em todos os fluxos: voltar ao tecido com nova biópsia. Confirmado o exame histopatológico, o paciente passa a ser tratado como doença refratária ou recidivada, e é aí que entra a poliquimioterapia à base de platina — nunca antes da confirmação, porque captação intensa também aparece em processo inflamatório e em segunda neoplasia. Repetir o exame metabólico apenas adia a decisão num cenário que já é de alarme. Radioterapia sobre doença residual pertence ao fim do tratamento da doença avançada, quando resta massa acima de 2,5 cm sem esse padrão de captação. E completar os ciclos como se nada tivesse mudado ignora o achado que mais pesa na reavaliação.
Homem de 33 anos completou seis ciclos de ABVD para linfoma de Hodgkin clássico, com resposta completa documentada ao fim do tratamento. Setenta dias após o término, a reavaliação mostra progressão em cadeias antes acometidas. Como se classifica esse desfecho?
O prazo é o que separa as duas situações: ausência de resposta ou progressão durante a quimioterapia, ou até 90 dias depois de encerrado o tratamento, define doença refratária — e setenta dias cabem dentro dessa janela. Recidiva é o reaparecimento em sítio anterior ou em novos sítios depois de resposta completa, mas só quando a janela dos 90 dias já passou; ter havido resposta completa não basta para o rótulo. Não existe corte de 30 dias nessa definição. O sítio da progressão também não decide nada, porque tanto a recaída quanto a refratariedade podem surgir onde a doença já estava. E falar em progressão sob tratamento contraria o enunciado, em que o esquema foi concluído.
Homem de 82 anos, tabagista ativo, com linfoma de Hodgkin clássico avançado, iniciará quimioterapia de primeira linha. Que ajuste o protocolo nacional prevê no esquema padrão para esse perfil?
A bleomicina é o fármaco que sai: o protocolo manda omiti-la em maiores de 80 anos, em quem tem função pulmonar reduzida e em tabagistas ativos, e o mesmo raciocínio sustenta os quatro ciclos sem bleomicina após resposta metabólica negativa na doença avançada, que reduzem a toxicidade pulmonar sem perder eficácia. Retirar a antraciclina desmonta a espinha do esquema, e o risco cardíaco se administra por dose acumulada e avaliação da função ventricular, não por exclusão do fármaco. A dacarbazina não tem toxicidade que justifique retirada nesse perfil. Cortar todas as doses pela metade sacrifica eficácia sem endereçar o órgão em risco. E o regime alemão intensificado é mais tóxico e fica restrito a pacientes bem selecionados abaixo de 60 anos, o oposto do que este comporta.
Sobre o linfoma de Hodgkin, qual característica é típica na apresentação clínica?
A disseminação por contiguidade entre cadeias, o predomínio cervical e mediastinal e a distribuição etária bimodal caracterizam a doença, com febre, sudorese noturna e perda ponderal presentes em parte dos pacientes. Esperar acometimento extranodal desde o início engana quem confunde com os linfomas não Hodgkin, nos quais a doença extranodal e a disseminação não contígua são mais frequentes. O diagnóstico exige biópsia com arquitetura preservada.
Mulher de 24 anos apresenta linfonodomegalia cervical e supraclavicular, de consistência elástica, indolor, associada a febre vespertina, sudorese noturna e perda de 8 kg em 3 meses. Qual a hipótese e a conduta diagnóstica?
Adenomegalia elástica em paciente jovem com sintomas sistêmicos aponta para linfoma, e o diagnóstico exige a arquitetura do linfonodo inteiro para classificação e imuno-histoquímica, o que a punção aspirativa não fornece. Tratar empiricamente como tuberculose ganglionar engana porque essa doença compartilha o quadro constitucional e é prevalente no país, mas iniciar tratamento sem tecido retarda o diagnóstico de uma neoplasia curável e mascara a resposta.
Qual alteração citogenética está associada a menor probabilidade de resposta à erradicação bacteriana no linfoma gástrico do tecido linfoide associado a mucosa?
A presença dessa translocação identifica tumores cuja proliferação já se tornou independente do estímulo antigênico da bactéria, e esses pacientes seguem para radioterapia ou terapia sistêmica em vez de aguardar a resposta ao antibiótico. As demais alterações enganam por serem marcadores hematológicos conhecidos, mas pertencem à leucemia mieloide crônica, à leucemia promielocítica e a outras condições, sem relação com a resposta do linfoma gástrico.
Homem de 60 anos com massa gástrica volumosa, sintomas B e biópsia mostrando linfoma difuso de grandes células B. Qual o tratamento?
O linfoma agressivo de grandes células exige tratamento sistêmico com imunoquimioterapia, independentemente do estado da bactéria, e a resposta costuma ser rápida. Tentar a erradicação isolada engana quem generaliza a conduta do linfoma indolente de baixo grau, mas nesse subtipo a proliferação não depende do estímulo antigênico e a espera permite a progressão. A cirurgia primária foi abandonada como tratamento padrão dos linfomas gástricos.
Paciente com linfoma gástrico do tecido linfoide associado a mucosa foi submetido a erradicação bacteriana. Qual o seguimento adequado?
A resposta histológica pode levar meses e precisa ser documentada, tanto para confirmar a erradicação da bactéria quanto para identificar os casos que não regridem e exigirão radioterapia ou terapia sistêmica. Dar alta ao fim do antibiótico engana porque o paciente melhora dos sintomas dispépticos, mas a doença linfoproliferativa persiste em parte dos casos e o único modo de saber é a biópsia de controle.
Qual apresentação clínica é a mais comum no linfoma gástrico do tecido linfoide associado a mucosa?
A apresentação é indolente e se confunde com dispepsia funcional ou úlcera péptica, o que explica o diagnóstico frequentemente feito em endoscopia solicitada por queixa banal — daí a importância de biopsiar lesões gástricas mesmo aparentemente benignas. Esperar icterícia ou disfagia engana quem procura sinais de alarme de outros tumores do trato digestivo alto, que não correspondem à topografia gástrica típica desta doença.
Paciente com linfoma gástrico do tecido linfoide associado à mucosa em estágio inicial, após erradicação confirmada do Helicobacter pylori, apresenta apenas doença histológica residual mínima aos 12 meses, com regressão endoscópica e sem sinais clínicos ou histológicos de progressão. Qual é a conduta mais adequada?
Após erradicação bem-sucedida do H. pylori, a resposta histológica do linfoma MALT gástrico pode ser lenta. Em doença residual mínima ou em regressão, com normalização ou melhora endoscópica e sem progressão, é seguro manter estratégia de observação com endoscopias e biópsias seriadas; respostas completas tardias foram documentadas após 12 meses. Radioterapia em dose moderada é muito eficaz quando há não resposta persistente clinicamente relevante, progressão ou necessidade de tratamento oncológico adicional, mas não é obrigatória apenas porque existe resíduo histológico mínimo estável no marco de 12 meses. Fontes: Fischbach et al., Gut, 2007, PMID 17639089; Terai et al., J Gastroenterol, 2008, PMID 18212490; Kiesewetter et al., Cancers, 2020.
Sobre o estadiamento do linfoma gástrico, qual exame é fundamental para avaliar a profundidade de invasão da parede e o comprometimento de linfonodos perigástricos?
A ecoendoscopia discrimina as camadas da parede gástrica e identifica linfonodos perigástricos, informação que separa a doença limitada à mucosa e submucosa — candidata à erradicação isolada — daquela com invasão profunda. A radiografia contrastada engana quem busca avaliar o estômago por imagem, mas mostra apenas o relevo mucoso e não informa profundidade nem linfonodos.
Paciente transplantado em uso crônico de imunossupressão apresenta linfonodomegalia, febre e massa abdominal dois anos após o procedimento. Qual diagnóstico deve ser considerado?
A doença linfoproliferativa pós-transplante decorre da proliferação de linfócitos sob imunossupressão crônica, frequentemente associada ao vírus Epstein-Barr, e se manifesta com linfonodomegalia, febre e massas, exigindo biópsia, redução da imunossupressão e tratamento específico. Rejeição hiperaguda ocorre em minutos a horas e é mediada por anticorpos pré-formados, não dois anos depois. Trombose de artéria hepática é complicação vascular precoce e não produz linfonodomegalia. Recidiva de hepatite autoimune se manifesta por alteração de enzimas e histologia própria. Colangite esclerosante de novo não explica massa abdominal com adenopatia.
Paciente com hepatite C crônica e crioglobulinemia apresenta linfonodomegalia cervical persistente e pico monoclonal de IgM kappa. Qual complicação deve ser investigada?
A estimulação antigênica crônica pelo vírus da hepatite C expande clones de linfócitos B e aumenta o risco de linfoma não Hodgkin de células B, com o linfoma linfoplasmocítico e o linfoma da zona marginal entre os subtipos associados — a crioglobulinemia mista é considerada uma condição linfoproliferativa de baixo grau nesse espectro. O mieloma engana quem vê pico monoclonal, mas ele é de células plasmáticas, tipicamente com IgG ou IgA, lesões ósseas e hipercalcemia.
Qual das seguintes é a apresentação extranodal mais característica dos linfomas não Hodgkin, em contraste com o linfoma de Hodgkin?
O trato gastrointestinal é o sítio extranodal mais frequente dos linfomas não Hodgkin, com destaque para estômago e intestino delgado, e essa preferência é uma das marcas que os separa do Hodgkin, doença predominantemente nodal. Massa mediastinal em jovem, dor ganglionar ao álcool e prurido são pistas que apontam para o Hodgkin, e disseminação por contiguidade é característica dele. Trocar esses conjuntos é o erro que a prova cobra, e ele muda o mapa de estadiamento e a suspeita inicial diante da vinheta.
Homem de 58 anos com dispepsia crônica realiza endoscopia com biópsia que revela linfoma da zona marginal extranodal do tecido linfoide associado à mucosa gástrica, sem translocação t(11;18), com pesquisa de Helicobacter pylori positiva e doença limitada ao estômago. Qual a conduta inicial?
O linfoma gástrico da zona marginal associado à mucosa é dependente do estímulo antigênico da bactéria em boa parte dos casos, e a erradicação isolada induz remissão em proporção expressiva de pacientes com doença localizada e sem a translocação que marca independência do estímulo. Partir direto para quimioterapia ou cirurgia é o erro clássico de tratar todo linfoma como doença sistêmica: aqui, o antibiótico é tratamento oncológico. A resposta deve ser documentada por endoscopias seriadas, e a falha ou a presença da translocação levam à radioterapia ou terapia sistêmica.
Qual achado imuno-histopatológico caracteriza o linfoma de Hodgkin clássico?
No Hodgkin clássico as células neoplásicas são minoria e vivem em meio a um infiltrado inflamatório reativo abundante; o fenótipo de Reed-Sternberg com CD15 e CD30 positivos e CD20 habitualmente negativo é o que fecha o diagnóstico. Células grandes CD20 positivas em lençóis é o distrator que descreve o linfoma difuso de grandes células B, no qual a célula tumoral domina o campo — a diferença de proporção entre tumor e fundo é justamente o que separa as duas entidades ao microscópio. Padrão de céu estrelado pertence ao Burkitt, e plasmócitos clonais ao mieloma.
Segundo a diretriz EHA de 2025 para linfoma de grandes células B, qual cenário tem recomendação explícita de oferecer profilaxia do sistema nervoso central?
A diretriz recomenda oferecer profilaxia de SNC no linfoma primário testicular. Nos demais casos, é preciso avaliar o conjunto do risco, incluindo CNS-IPI e determinados sítios extranodais; o benefício da profilaxia é discutido e a escolha exige ponderar toxicidade e contexto. Idade jovem, adenomegalia cervical isolada ou LDH normal não constituem indicação independente. A afirmação não deve ser ampliada para profilaxia obrigatória em qualquer acometimento extranodal ou dos seios paranasais.
Mulher de 55 anos com linfoma agressivo apresenta, após 2 ciclos de tratamento, tomografia por emissão de pósitrons com redução importante da captação em relação ao exame inicial. Qual a interpretação e conduta?
A tomografia por emissão de pósitrons intermediária avalia resposta metabólica precoce e, quando mostra queda importante de captação, indica que a doença está respondendo e o esquema deve seguir como planejado, com reavaliação ao final. Interpretar qualquer captação residual como falha é o erro frequente: massa residual pode conter apenas fibrose e inflamação, e a leitura correta usa escala visual comparando com fígado e mediastino, não a simples presença de sinal. Trocar esquema com base em leitura precipitada expõe a paciente a toxicidade sem ganho.
Mulher de 30 anos foi tratada aos 20 anos de linfoma de Hodgkin com quimioterapia e radioterapia em manto. Está em remissão. Qual complicação tardia deve ser ativamente rastreada?
A irradiação em manto expõe tireoide e tecido mamário, e o risco de segunda neoplasia mamária e de hipotireoidismo justifica rastreamento mais precoce e mais frequente que na população geral, assim como a vigilância cardiovascular pela soma de radioterapia e antraciclina. O foco excessivo apenas na recidiva do linfoma é o erro de seguimento mais comum: em sobreviventes de longo prazo, as causas tardias de morbidade competem com a própria doença. Fígado, rins e sistema nervoso central não são alvos característicos desse esquema.
Qual o esquema de primeira linha para o linfoma difuso de grandes células B em paciente com bom estado funcional?
A imunoquimioterapia com anticorpo anti-CD20 somada ao esquema com antraciclina é o padrão de primeira linha e cura a maioria dos pacientes, e o acréscimo do anticorpo ao esquema clássico foi o que mudou a curva de sobrevida. O esquema com bleomicina e dacarbazina é o distrator que confunde linfomas: pertence ao Hodgkin. Observação vigilante é conduta legítima em linfomas indolentes, jamais em doença agressiva com potencial curativo, na qual esperar significa perder a janela. Radioterapia isolada tem papel apenas consolidativo em situações selecionadas.
Qual o significado da elevação acentuada da LDH no linfoma agressivo?
A LDH é enzima citoplasmática ubíqua e sua elevação em linfoma traduz massa tumoral e renovação celular acelerada, motivo pelo qual entra em índices prognósticos e serve de alerta para risco de lise tumoral ao iniciar o tratamento. Assumir metástase hepática é o salto que ignora o mecanismo: a enzima sobe pela própria destruição das células tumorais, com ou sem fígado acometido. LDH também sobe em hemólise, infarto e miosite, o que a torna sensível e pouco específica quando lida fora do contexto.
No tratamento do linfoma de Burkitt, além dos esquemas de quimioterapia intensiva, qual medida faz parte da estratégia terapêutica padrão?
O linfoma de Burkitt tem alta propensão a acometimento do sistema nervoso central, e a profilaxia intratecal integra os protocolos intensivos de curta duração que curam a maioria dos pacientes. O transplante autólogo em primeira remissão é o distrator de quem generaliza a lógica dos linfomas agressivos: no Burkitt tratado com esquema adequado, ele não é rotina e fica para recaída. Radioterapia abdominal não faz parte do padrão e acrescenta toxicidade. Esplenectomia não tem papel. Corticoide isolado prolongado não controla um tumor com esse tempo de duplicação.
Paciente com diagnóstico histológico de linfoma de Hodgkin clássico. Qual exame é o padrão para o estadiamento inicial?
O estadiamento moderno do Hodgkin é feito com tomografia por emissão de pósitrons acoplada à tomografia, porque a doença é avidamente captante e o exame identifica sítios que a tomografia isolada não caracteriza, além de dispensar biópsia de medula na maioria dos casos. A laparotomia de estadiamento é o distrator histórico: foi padrão por décadas e hoje está abandonada pela morbidade e pelo risco infeccioso da esplenectomia. Cintilografia com gálio foi substituída. A ultrassonografia não estadia doença mediastinal nem retroperitoneal com confiabilidade.
Homem de 24 anos apresenta adenomegalia cervical à esquerda, indolor, elástica, de 4 cm, com 3 meses de evolução, associada a sudorese noturna encharcante e perda de 7 kg. Refere dor no linfonodo após ingestão de bebida alcoólica. Radiografia de tórax mostra alargamento do mediastino. Qual a principal hipótese?
Adulto jovem com adenomegalia cervical indolor de crescimento lento, sintomas B e massa mediastinal desenha o quadro típico do linfoma de Hodgkin clássico, e a dor ganglionar desencadeada por álcool, embora rara, é bastante sugestiva. Tuberculose ganglionar é o distrator relevante no Brasil e pode dar febre e emagrecimento, mas costuma cursar com linfonodo amolecido, fistulizado ou com sinais flogísticos, e não com massa mediastinal desse padrão em jovem hígido. Burkitt tem crescimento explosivo e topografia abdominal. Metástase de nasofaringe daria linfonodo endurecido e aderido, geralmente em paciente mais velho.
Na classificação de Ann Arbor, quais manifestações caracterizam a presença de sintomas B?
Os sintomas B têm definição fechada: febre inexplicada acima de 38 graus, sudorese noturna encharcante e perda de mais de 10% do peso nos 6 meses anteriores — e a presença deles muda o estádio e o prognóstico. Prurido, fadiga e dor ganglionar ao álcool são achados sugestivos de Hodgkin, mas não entram na definição, e essa é a pegadinha mais frequente da prova. Anemia e LDH alta são marcadores prognósticos por outra via. Sintomas compressivos torácicos indicam massa volumosa, categoria diferente da de sintomas sistêmicos.
Qual é o subtipo histológico mais frequente do linfoma de Hodgkin clássico?
A esclerose nodular responde pela maioria dos casos, predomina em adultos jovens, tem preferência por mediastino e bom prognóstico. Celularidade mista é o segundo mais comum e ganha peso em pacientes com infecção pelo vírus da imunodeficiência humana ou em faixas etárias mais altas — é o distrator que aparece quando a vinheta traz imunossupressão. Depleção linfocitária é rara e de pior prognóstico. O predomínio linfocitário nodular não pertence ao grupo clássico: é entidade à parte, CD20 positiva, com comportamento indolente e conduta distinta.
Antes de iniciar esquema contendo doxorrubicina em paciente de 68 anos com hipertensão e diabetes, qual avaliação deve ser realizada?
A antraciclina tem cardiotoxicidade cumulativa e dose-dependente, e conhecer a fração de ejeção antes do primeiro ciclo é o que permite decidir com segurança e comparar durante o seguimento, sobretudo em idoso com fatores de risco cardiovascular. Prova de função pulmonar é o distrator que vem do esquema do Hodgkin, no qual a bleomicina exige monitorização da difusão — aqui não há bleomicina. Eletroneuromiografia não é rotina, embora a vincristina cause neuropatia, avaliada clinicamente a cada ciclo.
Homem de 63 anos apresenta massa cervical de 8 cm que cresceu em 6 semanas, febre e perda de 8 kg. LDH três vezes o limite superior. Biópsia excisional mostra proliferação difusa de células grandes CD20 positivas. Qual o diagnóstico?
Crescimento rápido, sintomas B, LDH alta e histologia com células grandes CD20 positivas em padrão difuso definem o linfoma difuso de grandes células B, o linfoma agressivo mais frequente do adulto. O linfoma folicular é o distrator que mistura ritmos: também é de linhagem B e CD20 positivo, mas cresce em meses a anos, tem padrão nodular e raramente se apresenta com esse grau de sintoma sistêmico. Hodgkin teria célula neoplásica minoritária em fundo inflamatório. A agressividade aqui é boa notícia relativa, porque este é um linfoma potencialmente curável com imunoquimioterapia.
Quais variáveis compõem o Índice Prognóstico Internacional utilizado no linfoma difuso de grandes células B?
O índice reúne cinco variáveis simples, disponíveis em qualquer serviço: idade acima de 60 anos, estádio avançado, LDH elevada, mais de um sítio extranodal e estado funcional comprometido — e estratifica risco de forma reprodutível. Beta-2-microglobulina com albumina é o distrator que traz o sistema de estadiamento internacional do mieloma, doença diferente. Cálcio e creatinina compõem critérios de lesão de órgão no mieloma. Sintomas B pesam no Hodgkin, mas não entram neste índice.
Paciente com linfoma apresenta acometimento de linfonodos cervicais e axilares do mesmo lado do diafragma, sem sintomas sistêmicos e sem doença extranodal. Como se classifica esse estádio pelo sistema de Ann Arbor?
Duas ou mais cadeias ganglionares acometidas do mesmo lado do diafragma configuram estádio II, e a ausência de febre, sudorese noturna e perda ponderal significativa acrescenta o sufixo que indica ausência de sintomas sistêmicos. O erro habitual é confundir número de cadeias com lado do diafragma: envolvimento dos dois lados é que caracteriza o estádio III, e acometimento difuso de órgão extralinfático define o estádio IV. A classificação correta importa porque orienta a extensão do tratamento e o uso de radioterapia consolidativa.
Homem de 65 anos com adenomegalia generalizada e esplenomegalia tem biópsia com linfócitos de tamanho médio CD5 positivos, CD23 negativos e ciclina D1 positiva. Qual o diagnóstico?
A coexpressão de CD5 com ciclina D1 positiva e CD23 negativo é a assinatura do linfoma de células do manto, decorrente da translocação envolvendo o gene CCND1, doença de comportamento agressivo apesar da aparência citológica pouco atípica. A leucemia linfocítica crônica é o distrator direto porque também é CD5 positiva, mas é CD23 positiva e ciclina D1 negativa — esses dois marcadores são exatamente o que separa as duas entidades. Errar aqui significa oferecer observação vigilante a uma doença que exige tratamento intensivo.
Mulher de 68 anos apresenta adenomegalias cervicais, axilares e inguinais indolores há 14 meses, com variação espontânea de tamanho, sem sintomas B. Biópsia mostra padrão nodular com células centrofoliculares CD20 positivas e t(14;18). Qual o diagnóstico?
Adenomegalia generalizada de evolução arrastada, com flutuação espontânea de volume, padrão nodular à histologia e translocação envolvendo o gene BCL2 caracterizam o linfoma folicular, protótipo do linfoma indolente. O linfoma difuso de grandes células B é o distrator, e a diferença que importa não é a linhagem, que é a mesma, mas o ritmo: doença agressiva não passa 14 meses oscilando sem sintomas. O reconhecimento do subtipo indolente muda inteiramente a conduta, porque nem todo paciente precisa de tratamento imediato.
Paciente de 72 anos com linfoma folicular estádio avançado, assintomático, sem citopenias, sem massa volumosa e com função de órgãos preservada. Qual a conduta inicial adequada?
No linfoma folicular assintomático e sem critérios de alta carga tumoral, a observação vigilante não compromete a sobrevida e evita toxicidade, sendo estratégia consagrada. A imunoquimioterapia imediata é o distrator de quem trata estádio e não paciente: estádio avançado nos indolentes é a regra, não a indicação de tratamento, que depende de sintomas, citopenias, massa volumosa ou compressão de órgãos. Transplante em primeira linha e radioterapia ampla não têm respaldo nesse cenário e acrescentam risco de segunda neoplasia.
Paciente de 27 anos com linfoma de Hodgkin clássico inicia esquema ABVD. Após o terceiro ciclo, apresenta tosse seca e dispneia progressiva, com estertores em velcro nas bases e queda da capacidade de difusão. Qual a causa mais provável?
A bleomicina causa toxicidade pulmonar dose-dependente que se manifesta como tosse seca, dispneia e padrão intersticial com queda da difusão, exigindo suspensão imediata da droga — por isso a difusão é monitorada durante o tratamento. A cardiotoxicidade da doxorrubicina é o distrator que confunde porque o esquema tem as duas drogas e ambas dão dispneia, mas ali se esperam sinais de congestão e queda de fração de ejeção, não estertores secos com difusão reduzida. Progressão pulmonar em paciente respondendo é menos provável nesse tempo. Fibrose actínica exige radioterapia prévia, que ainda não ocorreu.
Adolescente de 16 anos apresenta massa abdominal que dobrou de tamanho em 2 semanas, dor e vômitos. TC mostra volumosa massa ileocecal com linfonodos retroperitoneais. Biópsia revela células de tamanho intermediário, com padrão de céu estrelado e índice de proliferação Ki-67 próximo de 100%. Qual o diagnóstico mais provável?
Massa de crescimento explosivo em jovem, topografia ileocecal, padrão histológico de céu estrelado e Ki-67 beirando 100% definem o linfoma de Burkitt, o tumor humano de maior tempo de duplicação. O linfoma folicular é o distrator que revela confusão de comportamento: é indolente, de crescimento lento, e nunca duplicaria de volume em duas semanas. Hodgkin tem topografia habitualmente supradiafragmática e histologia com células de Reed-Sternberg em fundo inflamatório. A velocidade do Burkitt é o dado que muda a conduta, porque anuncia risco altíssimo de lise tumoral já na primeira dose de quimioterapia.
Qual característica de disseminação diferencia classicamente o linfoma de Hodgkin dos linfomas não Hodgkin?
O Hodgkin costuma progredir de forma ordenada, de uma cadeia para a cadeia contígua, o que historicamente permitiu tratar campos de irradiação com boa previsibilidade. Os linfomas não Hodgkin, ao contrário, saltam cadeias, acometem sítios extranodais com frequência e podem apresentar-se com doença disseminada desde o início. Marcar acometimento extranodal como típico do Hodgkin é a inversão que a prova cobra. Envolvimento do anel de Waldeyer aponta para linfoma não Hodgkin e obriga a avaliar o trato gastrointestinal.
Na avaliação de resposta por tomografia por emissão de pósitrons em linfomas, qual é o parâmetro utilizado pela escala de Deauville?
A escala de Deauville pontua de 1 a 5 a captação residual comparando-a visualmente com dois referenciais internos, o mediastino e o fígado, o que torna a leitura reprodutível entre serviços e independe do tamanho da massa. Medir o diâmetro residual é o critério anatômico antigo e é justamente o que a avaliação metabólica veio superar: massa residual grande pode ser fibrose inativa, e massa pequena pode conter doença viável. Confundir os dois critérios leva a tratar cicatriz e a subestimar doença ativa.
Homem de 32 anos, transplantado renal há 14 meses em uso de tacrolimo e micofenolato, apresenta febre, adenomegalia cervical e massa em amígdala. Biópsia mostra proliferação linfoide B com positividade para vírus Epstein-Barr. Qual a primeira medida terapêutica?
A doença linfoproliferativa pós-transplante decorre da perda do controle imune sobre linfócitos B infectados pelo vírus Epstein-Barr, e a redução da imunossupressão é o primeiro passo, capaz de induzir regressão em parte dos casos, seguida de anticorpo anti-CD20 e quimioterapia conforme a resposta. Aumentar a imunossupressão é exatamente o oposto do mecanismo e piora a proliferação — é o erro de quem trata a adenomegalia como rejeição. Antivirais não atuam sobre o vírus em latência dentro das células proliferantes.
Mulher de 59 anos apresenta placas eritematodescamativas pruriginosas no tronco e nas nádegas há 6 anos, tratadas sem sucesso como eczema. Biópsia atual mostra infiltrado de linfócitos T atípicos com epidermotropismo e microabscessos de Pautrier. Qual o diagnóstico?
Placas crônicas em áreas cobertas, refratárias a tratamentos tópicos por anos, com epidermotropismo e microabscessos de Pautrier na histologia, caracterizam a micose fungoide, o linfoma cutâneo de células T mais comum. Psoríase é o distrator que domina a prática, porque as lesões podem parecer idênticas a olho nu — o que denuncia o linfoma é a refratariedade prolongada e a distribuição em áreas fotoprotegidas, que motivam biópsias repetidas. A progressão para eritrodermia com células de Sézary circulantes define a fase leucêmica da doença.
Paciente com linfoma de Hodgkin em remissão há 4 anos, submetido a esquema com antraciclina e radioterapia mediastinal, procura o clínico. Além do rastreamento oncológico, qual avaliação deve integrar o seguimento?
A soma de antraciclina e radioterapia mediastinal eleva o risco de disfunção ventricular, doença coronariana e valvopatia em idade precoce, tornando a vigilância cardiovascular parte obrigatória do seguimento de sobreviventes. Concentrar o seguimento apenas na recidiva do linfoma é o erro conceitual mais comum, porque em quem foi curado jovem a morbidade tardia do tratamento passa a competir com a doença original. Hipotireoidismo e segundas neoplasias em campo irradiado completam a lista de vigilância.
Paciente de 34 anos com linfoma de Hodgkin recidivado após primeira linha, quimiossensível na terapia de resgate, com bom estado funcional. Qual a conduta consolidativa indicada?
No Hodgkin recidivado e quimiossensível, a consolidação com transplante autólogo é o padrão e oferece chance real de segunda remissão duradoura. Repetir o esquema que já falhou é o erro que soa lógico para quem viu resposta inicial, mas a recidiva sinaliza resistência clonal e a repetição só acumula toxicidade sem controle da doença. A quimiossensibilidade demonstrada no resgate é o pré-requisito que seleciona quem se beneficia. Anticorpo conjugado anti-CD30 e inibidores de ponto de checagem ocupam espaço no resgate e na manutenção.
Mulher de 44 anos apresenta esplenomegalia volumosa isolada, sem adenomegalia periférica, com linfocitose discreta e linfócitos vilosos no sangue periférico. Sorologia para hepatite C positiva. Qual a hipótese diagnóstica?
Esplenomegalia dominante sem adenomegalia, linfócitos vilosos circulantes e associação com hepatite C compõem o linfoma da zona marginal esplênica, no qual o tratamento da infecção viral pode induzir regressão do linfoma. A esquistossomose é o distrator epidemiológico forte no Brasil e também dá esplenomegalia de grande porte, mas cursa com hipertensão portal e varizes, sem clone linfoide circulante. Reconhecer o vínculo com o vírus muda a primeira intervenção, que pode ser antiviral em vez de quimioterapia.
Homem de 47 anos, natural do Maranhão, apresenta lesões cutâneas infiltradas, hepatoesplenomegalia, adenomegalia e cálcio de 13,2 mg/dL. Hemograma mostra linfócitos atípicos com núcleo multilobulado em trevo. Sorologia positiva para HTLV-1. Qual o diagnóstico?
Infecção por HTLV-1, linfócitos com núcleo em trevo, hipercalcemia, lesões cutâneas e visceromegalias compõem a leucemia/linfoma de células T do adulto, endêmica em algumas regiões brasileiras e de prognóstico reservado. A micose fungoide é o distrator natural pelas lesões cutâneas de linhagem T, mas ela evolui por anos em placas e não cursa com hipercalcemia nem com sorologia para o retrovírus. Reconhecer a associação com o HTLV-1 muda o rastreamento familiar e o aconselhamento sobre aleitamento e transmissão sexual.
Homem de 28 anos apresenta linfonodo cervical isolado de crescimento muito lento há 3 anos, sem sintomas B. Histologia mostra padrão nodular com células em pipoca CD20 positivas e CD30 negativas, em fundo de linfócitos pequenos. Qual o diagnóstico?
As células em pipoca, CD20 positivas e CD30 e CD15 negativas, em arranjo nodular e com curso indolente, definem o predomínio linfocitário nodular, entidade separada do Hodgkin clássico com conduta própria, frequentemente radioterapia isolada em doença localizada. O Hodgkin clássico é o distrator porque compartilha o nome, mas nele a célula neoplásica é CD30 e CD15 positiva e CD20 habitualmente negativa. A distinção importa também no seguimento, pela possibilidade de transformação para linfoma agressivo de grandes células B ao longo de anos.
Ao diferenciar micose fungoide em placas de psoríase e de dermatite atópica em adulto, qual característica clínica é mais sugestiva do linfoma cutâneo?
A micose fungoide se anuncia pela desproporção entre cronicidade e resposta terapêutica: placas de contornos irregulares, em áreas fotoprotegidas como nádegas, mamas e raiz das coxas, arrastando-se por anos e melhorando apenas parcialmente com corticoide, num paciente sem história de atopia. Placas extensoras com escama prateada enganam porque psoríase é o diferencial mais frequente, e muitos pacientes chegam com esse rótulo por anos. Liquenificação flexural com atopia é dermatite atópica, lesões fugazes são urticária, e vesículas agrupadas são herpes simples.
Adolescente de 16 anos apresenta linfadenomegalia cervical indolor há 3 meses, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 8 kg. A biópsia excisional do linfonodo mostra células de Reed-Sternberg em meio a infiltrado inflamatório reacional. Qual o diagnóstico?
A célula de Reed-Sternberg em meio a um fundo inflamatório rico é a assinatura do linfoma de Hodgkin, que no adolescente costuma cursar com adenomegalia cervical ou supraclavicular indolor e sintomas B (febre, sudorese noturna e perda de peso). O linfoma não Hodgkin engana porque compartilha a apresentação clínica, mas o infiltrado é monótono de células neoplásicas, sem o fundo reacional característico. Mononucleose tem curso agudo autolimitado com linfocitose atípica, e a tuberculose ganglionar produz granulomas caseosos, com necrose e pesquisa de bacilos.
Qual exame é fundamental para a confirmação diagnóstica da micose fungoide?
O diagnóstico se apoia na histopatologia, com epidermotropismo de linfócitos atípicos e microabscessos de Pautrier, complementada por imuno-histoquímica e, quando necessário, pesquisa de rearranjo clonal do receptor de células T; nas fases iniciais os achados são sutis, e biópsias seriadas ao longo de meses são a regra, não a exceção. A sorologia para HTLV-1 engana porque é essencial no diferencial com leucemia/linfoma de células T do adulto, mas não confirma micose fungoide. Tomografia serve ao estadiamento em doença avançada, e patch test investiga dermatite de contato.
Sobre o tratamento da micose fungoide em estágio inicial, limitada a manchas e placas cutâneas, qual é a estratégia preferencial?
Nas fases iniciais, a doença é indolente e o controle se faz com terapias dirigidas à pele — corticoide tópico, mostarda nitrogenada, bexaroteno tópico e fototerapia com UVB de banda estreita ou PUVA — reservando tratamento sistêmico para doença refratária, tumoral, eritrodérmica ou com acometimento extracutâneo. Partir para poliquimioterapia engana quem ouve a palavra linfoma e presume urgência oncológica, mas nesse contexto ela aumenta toxicidade sem prolongar sobrevida. Transplante fica para casos avançados selecionados, e a doença não é infecciosa.
Homem de 66 anos com micose fungoide evolui com eritrodermia acometendo mais de 90% da superfície corporal, prurido intenso, linfadenomegalia generalizada e presença de células de Sézary no sangue periférico. Qual o diagnóstico?
A tríade eritrodermia, linfadenomegalia generalizada e células de Sézary circulantes define a síndrome de Sézary, variante leucêmica e agressiva do linfoma cutâneo de células T, com prognóstico bem pior que a micose fungoide em placas. DRESS engana porque também cursa com exantema extenso, linfadenomegalia e alterações hematológicas, mas tem relação temporal com uma droga, eosinofilia marcante, linfócitos atípicos e acometimento visceral agudo, evoluindo em semanas e não em anos. Psoríase e dermatite atópica podem eritrodermizar, mas não produzem células de Sézary no sangue.
Homem de 47 anos com micose fungoide avançada, em uso de terapias dirigidas à pele, apresenta febre e placa cutânea com exsudação purulenta. Qual a preocupação principal e a conduta?
A barreira cutânea comprometida em áreas extensas transforma o paciente com linfoma cutâneo avançado em hospedeiro vulnerável, e a sepse de origem cutânea, tipicamente estafilocócica, é causa importante de morte nessa população — febre com placa exsudativa pede cultura, hemocultura e antibiótico. Atribuir tudo à progressão tumoral engana porque a doença de fato avança, mas intensificar fototerapia sobre foco infeccioso é perigoso e adia o tratamento que salva. As demais hipóteses não explicam febre com secreção purulenta.
Homem de 59 anos apresenta há 7 anos placas eritematodescamativas pruriginosas em áreas cobertas pela roupa de banho, com formatos irregulares, que já receberam diagnósticos de eczema e psoríase e responderam apenas parcialmente a corticoide tópico. Duas biópsias anteriores foram inconclusivas. Qual a principal hipótese?
Placas crônicas e pruriginosas, com anos de evolução, preferência por áreas fotoprotegidas (a distribuição em traje de banho), contornos bizarros, resposta parcial a corticoide e biópsias inconclusivas repetidas compõem o retrato da micose fungoide, o linfoma cutâneo de células T mais comum. Psoríase engana por ser a dermatose papuloescamosa crônica mais prevalente, mas prefere superfícies extensoras, tem escama prateada aderente e responde de modo mais previsível. Tinea tem borda ativa e micológico positivo, e a dermatite atópica do adulto predomina em flexuras, com história pessoal ou familiar de atopia.
Qual o achado histopatológico clássico da micose fungoide?
Linfócitos T atípicos que migram para a epiderme, agrupando-se em coleções intraepidérmicas (microabscessos de Pautrier), são a marca histológica da micose fungoide, ainda que sejam encontrados em uma minoria dos casos iniciais. Os microabscessos de Munro enganam pela semelhança do nome, mas contêm neutrófilos e pertencem à psoríase. Granulomas não caseosos remetem à sarcoidose, e acantólise suprabasal, ao pênfigo vulgar — a diferenciação entre Pautrier e Munro é justamente a armadilha mais cobrada.
Qual dado abaixo compõe os chamados sintomas B, relevantes no estadiamento dos linfomas?
Os sintomas B são exatamente febre inexplicada acima de 38 °C, sudorese noturna profusa e perda ponderal superior a 10% do peso corporal em seis meses; sua presença modifica o estádio, acrescentando o sufixo correspondente, e piora o prognóstico. Prurido e fadiga enganam porque são queixas frequentes no linfoma de Hodgkin, o prurido inclusive bastante característico, mas não integram formalmente a definição. Dor óssea, sintomas respiratórios e gastrointestinais podem ocorrer conforme o sítio acometido, sem valor de estadiamento sistêmico.
Paciente eritrodérmico apresenta linfadenopatia generalizada, prurido intenso, ectrópio, ceratodermia palmoplantar e presença de células atípicas com núcleo cerebriforme no sangue periférico. Qual o diagnóstico?
A tríade de eritrodermia, linfadenopatia generalizada e células de Sézary circulantes — linfócitos T atípicos com núcleo cerebriforme — define a síndrome de Sézary, forma leucêmica do linfoma cutâneo de células T, que costuma cursar ainda com prurido intratável, ectrópio, alopecia e ceratodermia palmoplantar. O diagnóstico se apoia em imunofenotipagem e estudo de clonalidade do receptor de célula T. A reação com eosinofilia e sintomas sistêmicos é o diferencial mais importante por também cursar com eritrodermia e linfadenopatia, mas tem latência medicamentosa e eosinofilia proeminente.
Qual característica distingue tipicamente o linfoma de Hodgkin do linfoma não Hodgkin na criança e no adolescente?
O Hodgkin progride de forma previsível, de cadeia em cadeia, o que historicamente sustentou o estadiamento anatômico e o uso da radioterapia em campo estendido, enquanto o não Hodgkin pediátrico é agressivo, frequentemente disseminado ao diagnóstico e com forte acometimento extranodal, incluindo medula e sistema nervoso central. Atribuir a célula de Reed-Sternberg ao não Hodgkin inverte o marcador clássico. O Hodgkin é doença de adolescentes e adultos jovens com alta taxa de cura, e não Hodgkin com prognóstico melhor, o que torna essas afirmações inversões diretas dos fatos.
Quais achados definem os chamados sintomas B no estadiamento dos linfomas?
Os sintomas B compreendem febre inexplicada acima de 38 graus, sudorese noturna importante e perda ponderal superior a um décimo do peso em seis meses, e sua presença altera o estádio e a intensidade do tratamento. Prurido e dor ganglionar após álcool são achados sugestivos e frequentemente cobrados, mas não integram formalmente essa definição, o que faz dessa alternativa o distrator mais tentador. Alterações hematológicas e enzimáticas informam prognóstico sem compor os sintomas B, e a distribuição das cadeias acometidas define o estádio anatômico, não a categoria sintomática.
Homem de 48 anos apresenta, na endoscopia realizada por dispepsia, lesão gástrica ulcerada com biópsia revelando linfoma de tecido linfoide associado à mucosa, de baixo grau, restrito à mucosa, com pesquisa positiva para Helicobacter pylori. Qual é a conduta terapêutica inicial?
O linfoma gástrico de baixo grau associado a Helicobacter pylori frequentemente regride apenas com a erradicação da bactéria, sendo esta a primeira linha, com reavaliação endoscópica programada. Gastrectomia total é conduta mutilante sem indicação inicial. Radioterapia é opção para casos sem resposta ou sem associação com a bactéria. Quimioterapia é reservada a doença de alto grau, avançada ou refratária.
Homem de 58 anos procura a Unidade Básica de Saúde por coceira intensa e generalizada há três meses, sem lesões de pele primárias, associada a sudorese noturna, febre baixa vespertina e perda de 9 kg no período. Já usou hidratantes e anti-histamínicos sem melhora. Ao exame apresenta apenas escoriações lineares por coçadura no tronco e nos membros, sem pápulas, placas ou vesículas, com linfonodos cervicais e axilares aumentados, endurecidos e indolores, além de hepatoesplenomegalia discreta. A conduta mais adequada é:
Prurido sem lesão cutânea primária associado a sintomas B e adenomegalias endurecidas obriga investigação de causa sistêmica, sobretudo doença linfoproliferativa, além de colestase, doença renal e disfunção tireoidiana, com exames dirigidos e encaminhamento. Corticoide tópico com reavaliação em meses adia um diagnóstico potencialmente grave. Aumentar o anti-histamínico e encerrar a investigação ignora os sinais de alarme. Escabicida empírico não se justifica sem lesões típicas nem contactantes sintomáticos e desvia o raciocínio do quadro sistêmico.
Homem de 38 anos é atendido em ambulatório com achado de linfadenopatia cervical há dois meses, associada a febre vespertina, sudorese noturna e perda de 7 kg. Ao exame: adenomegalias cervicais e supraclaviculares de até 5 cm, endurecidas, indolores e aderidas, sem visceromegalias importantes, sem petéquias. Exames: hemoglobina 11,2 g/dL, leucócitos 7.800/mm3, plaquetas normais, desidrogenase láctica elevada, velocidade de hemossedimentação elevada, sorologias para HIV, sífilis e toxoplasmose não reagentes, teste tuberculínico não reator. A biópsia excisional mostra células de Reed-Sternberg. A conduta correta é:
A presença de células de Reed-Sternberg na biópsia excisional confirma linfoma de Hodgkin, exigindo encaminhamento para estadiamento completo e início do tratamento específico, que apresenta altas taxas de cura mesmo em estágios avançados. Esquema antituberculose contraria a confirmação histológica. Antibiótico não trata neoplasia linfoide e retarda o tratamento. Observação sem tratamento em linfoma com sintomas sistêmicos permite progressão de uma doença potencialmente curável.
Homem, 60 anos, em investigação de anemia, realiza endoscopia digestiva alta que evidencia lesão gástrica ulcerada de 3 cm no corpo. A biópsia revela linfoma de células B da zona marginal extranodal do tecido linfoide associado à mucosa. A pesquisa de Helicobacter pylori é positiva, a ecoendoscopia mostra lesão restrita à mucosa e submucosa sem linfonodos, e a translocação t(11;18) é negativa. Qual o tratamento inicial indicado?
O linfoma MALT gástrico localizado, associado a Helicobacter pylori e sem a translocação t(11;18), tem como tratamento inicial a erradicação da bactéria, que leva à regressão do linfoma na maioria dos casos, com seguimento endoscópico rigoroso. A gastrectomia total é conduta do adenocarcinoma e representa mutilação desnecessária em doença que responde a antibiótico. O esquema R-CHOP destina-se a linfomas agressivos ou a MALT avançado refratário. A radioterapia é opção para doença localizada que não responde à erradicação ou nos casos com t(11;18) positiva, e não é o primeiro passo aqui. A ressecção endoscópica não é o tratamento do linfoma, que é doença difusa da mucosa e não lesão epitelial focal.
Homem, 61 anos, apresenta há 6 anos manchas e placas eritematodescamativas de contornos irregulares, pruriginosas, localizadas preferencialmente em áreas cobertas pela roupa, como nádegas e face interna das coxas. Já recebeu diagnósticos de eczema e psoríase, com resposta apenas parcial a corticoide tópico. Biópsia atual: infiltrado de linfócitos atípicos com epidermotropismo e microabscessos de Pautrier na epiderme. Qual o diagnóstico?
Placas eritematodescamativas crônicas em áreas fotoprotegidas, refratárias a tratamentos habituais por anos, com linfócitos atípicos epidermotrópicos e microabscessos de Pautrier, definem micose fungoide, o linfoma cutâneo de células T mais comum. A psoríase apresenta placas bem delimitadas com escamas prateadas em superfícies extensoras e histologia de acantose regular com microabscessos de Munro, distintos dos de Pautrier. A dermatite atópica do adulto tem distribuição flexural, história de atopia e histologia de espongiose. A parapsoríase de pequenas placas é lesão fina e digitiforme sem atipia linfocitária significativa. A tinha extensa teria bordas ativas, exame micológico positivo e resposta a antifúngico.
Homem, 64 anos, apresenta há 6 semanas eritema e descamação progressivos que hoje acometem mais de 90% da superfície corporal, com prurido intenso, calafrios e edema de membros. Nega uso de novos medicamentos e nega história prévia de psoríase ou eczema. Exame: eritrodermia com descamação laminar, linfadenomegalia generalizada de linfonodos móveis e fibroelásticos. Hemograma: 18% de linfócitos atípicos circulantes com núcleo cerebriforme. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Eritrodermia com prurido intenso, linfadenomegalia generalizada e linfócitos atípicos circulantes com núcleo cerebriforme — células de Sézary — define a síndrome de Sézary, forma leucêmica do linfoma cutâneo de células T. A psoríase eritrodérmica ocorreria em paciente com história prévia de psoríase, aqui negada, e sem células cerebriformes circulantes. A eritrodermia medicamentosa exigiria introdução recente de fármaco, também negada. A dermatite atópica eritrodérmica cursa com história de atopia desde a infância e sem linfocitose atípica. A pitiríase rubra pilar apresenta placas alaranjadas com ilhas de pele poupada e ceratodermia palmoplantar, sem células de Sézary no sangue.
Mulher, 29 anos, apresenta linfonodomegalia cervical indolor e supraclavicular à esquerda há 3 meses, associada a febre vespertina, sudorese noturna profusa e perda de 9 kg. Tomografia: massa mediastinal anterior de 8 cm e linfonodomegalias supra e infradiafragmáticas. Biópsia excisional: células de Reed-Sternberg em fundo inflamatório, com imuno-histoquímica positiva para CD15 e CD30. Qual o diagnóstico e o significado dos sintomas relatados?
Células de Reed-Sternberg com positividade para CD15 e CD30 definem linfoma de Hodgkin clássico, e febre, sudorese noturna e perda ponderal maior que 10% caracterizam os sintomas B, que modificam o estadiamento de Ann Arbor e têm valor prognóstico. O linfoma difuso de grandes células B não apresenta células de Reed-Sternberg com esse perfil imuno-histoquímico, e seus sintomas sistêmicos também têm relevância prognóstica. A sarcoidose cursa com granulomas não caseosos, sem células de Reed-Sternberg. A tuberculose ganglionar apresenta granulomas caseosos e pesquisa de micobactéria positiva. O timoma tem origem epitelial tímica e não expressa esse padrão linfoide.
Mulher, 35 anos, com linfoma de Hodgkin em remissão completa após quimioterapia e radioterapia mediastinal realizadas aos 25 anos, comparece para consulta de seguimento de longo prazo. Está assintomática, sem queixas cardiovasculares e com exame físico normal. Pergunta sobre riscos tardios relacionados ao tratamento oncológico recebido na juventude e sobre medidas de vigilância recomendadas. Qual orientação é correta?
Sobreviventes de linfoma de Hodgkin tratados com radioterapia mediastinal em idade jovem têm risco aumentado de segunda neoplasia, especialmente câncer de mama, e de doença cardiovascular precoce, o que justifica vigilância específica com rastreamento mamário antecipado e controle rigoroso de fatores de risco. Afirmar ausência de risco tardio contraria a literatura consolidada de sobrevivência oncológica. Restringir o risco à infertilidade ignora os desfechos cardiovasculares e oncológicos. Hemogramas anuais isolados não detectam tumores sólidos nem doença cardíaca. Limitar o risco a neoplasias hematológicas desconsidera justamente o câncer de mama, o mais relevante nessa população irradiada.
Mulher, 28 anos, G1P0, com 16 semanas, apresenta linfonodomegalia cervical indolor de crescimento progressivo há 2 meses, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg. PA 116/72 mmHg, T 37,9 °C, linfonodos cervicais e supraclaviculares aumentados e endurecidos. Biópsia excisional confirma linfoma de Hodgkin clássico. Não há massa mediastinal com compressão, e as contagens hematológicas estão preservadas. Qual conduta é a correta?
A conduta correta é estadiar preferencialmente com métodos sem radiação ionizante, como ressonância magnética e ultrassonografia, e iniciar quimioterapia a partir do 2º trimestre quando o quadro exigir tratamento, adiando a radioterapia para após o parto, pois o linfoma de Hodgkin tem alta taxa de resposta e o tratamento durante a gestação, no período adequado, apresenta desfechos favoráveis para mãe e feto. Adiar todo o tratamento até o puerpério em qualquer estádio pode comprometer o prognóstico em doença com sintomas B. A tomografia de corpo inteiro e a radioterapia imediata expõem o feto a radiação evitável. A interrupção da gestação não é condição para tratar. O corticoide isolado não é tratamento definitivo do linfoma.
Mulher, 39 anos, com diagnóstico de linfoma de Hodgkin estádio IIA, sem sintomas B e sem massa volumosa. Encontra-se com bom desempenho funcional e deseja informações sobre o tratamento e o prognóstico. A equipe discute o esquema quimioterápico, o papel da radioterapia de campo envolvido e as medidas de preservação de fertilidade antes do início do tratamento programado para as próximas semanas. Qual conduta reflete o manejo adequado?
O linfoma de Hodgkin em estádio inicial favorável é tratado com quimioterapia combinada, associada a radioterapia de campo envolvido em situações selecionadas, com altas taxas de cura, e a discussão sobre preservação de fertilidade deve preceder o início do tratamento em paciente jovem. A radioterapia exclusiva não é o padrão atual e associa-se a maior risco de segunda neoplasia sem ganho de controle. O transplante autólogo é terapia de resgate em doença recidivada ou refratária. Apenas observar uma doença curável é inaceitável. A quimioterapia paliativa contraria o potencial curativo dessa neoplasia mesmo em estádios mais avançados.
Mulher, 44 anos, apresenta dispneia e tosse progressivas há 4 meses. A tomografia mostra massa mediastinal anterior de 10 cm, homogênea, com compressão da veia cava superior e do tronco da artéria pulmonar, sem calcificações e sem componentes de gordura. Os marcadores tumorais germinativos são normais. A biópsia revela linfoma de grandes células B primário do mediastino, sem outras lesões ao estadiamento. Qual a conduta indicada?
O linfoma primário do mediastino é doença sistêmica com alta quimiossensibilidade, e o tratamento é a quimioterapia com imunoterapia associada, eventualmente complementada por radioterapia, sem papel para ressecção cirúrgica além da biópsia diagnóstica. A ressecção cirúrgica completa é inadequada e potencialmente perigosa em massa com compressão vascular. A timectomia trata timoma, entidade distinta. A radioterapia exclusiva não é tratamento definitivo desse linfoma. Observar com tomografias seriadas em doença agressiva com compressão vascular resulta em progressão rápida e risco de síndrome da veia cava superior grave.
Homem, 61 anos, apresenta massa cervical de crescimento rápido há 2 meses, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 9 kg. PA 118x72 mmHg, FC 96 bpm, T 38,1 °C. A biópsia excisional do linfonodo revela linfoma difuso de grandes células B, com imuno-histoquímica positiva para CD20. Desidrogenase láctica 720 U/L (VR até 250). A tomografia mostra acometimento supra e infradiafragmático, sem infiltração de medula óssea. Qual o tratamento indicado?
A imunoquimioterapia com anticorpo anti-CD20 associada a poliquimioterapia é o tratamento indicado: o linfoma difuso de grandes células B é agressivo e potencialmente curável, e a positividade para CD20 permite acrescentar o anticorpo monoclonal ao esquema quimioterápico. A radioterapia cervical exclusiva não trata doença em ambos os lados do diafragma. O transplante autólogo é reservado a recidiva ou refratariedade, não à primeira linha. A vigilância ativa é conduta de linfomas indolentes e seria desastrosa em doença agressiva com sintomas B. O corticoide isolado não induz cura e apenas mascara temporariamente os sintomas.
Homem, 24 anos, com massa cervical indolor há 3 meses, associada a febre vespertina, sudorese noturna profusa e perda de 9 kg. Refere dor nos linfonodos após ingestão de bebida alcoólica. PA 118x72 mmHg, FC 86 bpm, T 37,8 °C. Massa cervical e supraclavicular esquerda de 6 cm, elástica. Tomografia com adenopatia mediastinal volumosa. Biópsia com células de Reed-Sternberg em fundo inflamatório. Qual a classificação quanto aos sintomas sistêmicos?
Os sintomas B do linfoma são febre persistente acima de 38 °C, sudorese noturna profusa e perda de mais de 10% do peso em seis meses, e o paciente os apresenta, o que altera estadiamento, prognóstico e intensidade do tratamento. Exigir febre acima de trinta e nove graus é critério inexistente. A dor ganglionar após ingestão de álcool é achado clássico do linfoma de Hodgkin, mas não integra a definição de sintomas B. O prurido também é sintoma associado, sem entrar na definição. E o acometimento extranodal diz respeito ao estadiamento anatômico, não à presença de sintomas sistêmicos.
Homem, 63 anos, com massa cervical de crescimento rápido em 6 semanas, febre e perda de 8 kg. PA 128x78 mmHg, FC 92 bpm, T 38,0 °C. Linfonodo cervical de 7 cm, endurecido, além de adenopatia axilar bilateral. Exames: desidrogenase láctica muito elevada; hemoglobina 11,2 g/dL; biópsia excisional com infiltrado difuso de células grandes de linhagem B; tomografia com acometimento supradiafragmático e infradiafragmático. Qual a conduta?
O linfoma difuso de grandes células B é neoplasia agressiva, porém potencialmente curável, e o tratamento de primeira linha é imunoquimioterapia com esquema contendo anticorpo monoclonal anti-CD20 associado a poliquimioterapia. A radioterapia isolada não trata doença disseminada em ambos os lados do diafragma. O transplante autólogo é reservado a recidiva quimiossensível ou doença refratária. A observação é inaceitável em linfoma agressivo com sintomas B. A corticoterapia isolada produz resposta transitória e compromete o tratamento curativo subsequente.
Mulher, 56 anos, com dispepsia e plenitude pós-prandial há 8 meses, sem perda ponderal. PA 122x76 mmHg, FC 78 bpm. Endoscopia com lesão infiltrativa em corpo gástrico; biópsia com linfoma de zona marginal extranodal do tecido linfoide associado a mucosa. Pesquisa de Helicobacter pylori positiva no material. Estadiamento sem acometimento nodal ou à distância, e pesquisa da translocação entre cromossomos onze e dezoito negativa. Qual o tratamento inicial?
O linfoma MALT gástrico localizado associado ao Helicobacter pylori, sem a translocação que confere resistência, responde à erradicação do agente em grande parte dos casos, com regressão do linfoma e seguimento endoscópico seriado. A gastrectomia total é mutilante e foi abandonada como primeira linha. A imunoquimioterapia é reservada a doença disseminada, refratária ou com fatores de resistência. A radioterapia é opção após falha da erradicação em doença localizada. A observação sem tratamento ignora que a erradicação é terapia eficaz e potencialmente curativa.
Homem, 52 anos, vivendo com HIV com CD4 de 120 células/mm³, apresenta dor abdominal, febre e perda de 12 kg há 3 meses. PA 108x66 mmHg, FC 98 bpm, T 38,0 °C; massa palpável em fossa ilíaca direita. Hb 9,4 g/dL (VR 13–17); LDH 980 U/L (VR até 250). A tomografia mostra espessamento parietal circunferencial do ceco com dilatação aneurismática da luz e linfonodomegalia mesentérica volumosa. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Espessamento parietal circunferencial com dilatação aneurismática da luz, LDH muito elevado, linfonodomegalia volumosa e imunossupressão avançada apontam linfoma não Hodgkin intestinal, cuja infiltração destrói o plexo mioentérico sem produzir estenose. O adenocarcinoma tipicamente estenosa a luz, e não a dilata. A tuberculose intestinal deforma a válvula ileocecal com estenose e granulomas caseosos. A doença de Crohn produz estenoses fibróticas com história inflamatória crônica. A actinomicose forma massa com grânulos sulfúreos e trajetos fistulosos para a parede abdominal.
Mulher, 58 anos, percebeu linfonodos cervicais e axilares indolores há 10 meses, com variação de tamanho ao longo do tempo. Está assintomática, sem febre, sudorese ou perda de peso. Exame: linfonodos cervicais, axilares e inguinais de até 3 cm, móveis e elásticos; baço não palpável. Hemoglobina 13,2 g/dL (VR 12–16); LDH normal. Biópsia excisional mostra padrão folicular com células centrofoliculares, positividade para CD20 e BCL2, e translocação t(14;18). Qual a característica desse linfoma?
Padrão folicular com células centrofoliculares, expressão de CD20 e BCL2 e translocação t(14;18) define linfoma folicular, neoplasia indolente de linfócitos B em que a observação vigilante é conduta aceita em pacientes assintomáticos, com baixa carga tumoral e sem critérios de tratamento. Classificá-lo como agressivo de curso rápido contraria a evolução de meses com linfonodos que variam de tamanho e LDH normal. Chamá-lo de linfoma de células T contraria a positividade para CD20, marcador de linhagem B. Afirmar que só o transplante autólogo cura em primeira linha é incorreto, pois o transplante é reservado a recidivas selecionadas. Dizer que não acomete a medula é falso, já que a infiltração medular é frequente e faz parte do estadiamento.
Homem, 68 anos, apresenta linfonodomegalia generalizada há 4 meses, com perda de 7 kg e sudorese noturna. Exame: linfonodos cervicais e axilares de até 4 cm, baço a 5 cm do rebordo costal. Hemoglobina 10,8 g/dL (VR 13,5–17,5); leucócitos 22.000/mm³ (VR 4.000–11.000) com linfocitose; LDH 480 U/L (VR até 250). Endoscopia mostra polipose linfomatoide. Biópsia com linfócitos B CD5 positivos, ciclina D1 positiva e translocação t(11;14). Qual o diagnóstico?
A combinação de linfócitos B CD5 positivos com superexpressão de ciclina D1 e translocação t(11;14) define linfoma de células do manto, cuja apresentação frequentemente inclui doença disseminada, esplenomegalia e acometimento gastrointestinal na forma de polipose linfomatoide. A leucemia linfocítica crônica também é CD5 positiva, porém é ciclina D1 negativa e habitualmente CD23 positiva, com curso indolente. O linfoma folicular apresenta t(14;18) com BCL2, e não t(11;14). O linfoma de Hodgkin clássico se caracteriza por células de Reed-Sternberg CD30 e CD15 positivas, sem esse perfil. O linfoma linfoplasmacítico cursa com pico monoclonal de imunoglobulina M e não expressa ciclina D1.
Mulher, 54 anos, apresenta há 6 anos placas eritematodescamativas pruriginosas em nádegas e coxas, com áreas poupadas de exposição solar. Foi tratada como eczema e psoríase, com resposta parcial e recidivas. Exame: placas infiltradas de bordas irregulares, sem linfonodomegalia palpável; sem hepatoesplenomegalia. Hemograma normal, sem células atípicas circulantes. Biópsia cutânea mostra infiltrado de linfócitos T atípicos com epidermotropismo e microabscessos de Pautrier. Qual o diagnóstico?
Placas infiltradas de anos de evolução em áreas poupadas de sol, refratárias a tratamentos de dermatoses inflamatórias, com biópsia mostrando linfócitos T atípicos, epidermotropismo e microabscessos de Pautrier, definem micose fungoide, o linfoma cutâneo de células T mais comum. A psoríase não apresenta epidermotropismo com atipia linfocitária nem microabscessos de Pautrier. A síndrome de Sézary exige eritrodermia e células de Sézary circulantes, ausentes neste hemograma normal. A dermatite atópica do adulto tem distribuição flexural e histologia de dermatite espongiótica, sem linfócitos atípicos. O linfoma cutâneo de grandes células B se apresenta como nódulos ou tumores de evolução rápida, sem esse curso arrastado de seis anos.
Mulher, 27 anos, com linfoma de Hodgkin clássico confirmado por biópsia de linfonodo cervical, é avaliada para estadiamento. Refere febre vespertina de 38,5 °C há 6 semanas, sudorese noturna profusa e perda de 9 kg nos últimos 5 meses, correspondente a 12% do peso corporal. A tomografia mostra linfonodomegalias cervicais bilaterais e mediastinais, sem acometimento infradiafragmático. Biópsia de medula óssea sem infiltração. Qual o estádio?
Há acometimento de duas regiões linfonodais, cervical e mediastinal, ambas acima do diafragma, o que define estádio II; a presença de febre acima de 38 °C, sudorese noturna e perda de mais de 10% do peso em seis meses acrescenta a letra B, resultando em estádio II B. O estádio I A exigiria uma única região acometida e ausência de sintomas sistêmicos. O estádio III A pressupõe acometimento em ambos os lados do diafragma, o que a tomografia não mostrou. O estádio IV B exigiria acometimento extranodal difuso ou infiltração medular, expressamente ausente na biópsia. Classificar como II A ignora que a perda de 12% do peso preenche o critério de sintoma B.
Mulher, 68 anos, com tireoidite de Hashimoto de longa data, apresenta aumento rápido e indolor da glândula tireoide nas últimas 6 semanas, com disfagia e dispneia. PA 128x78 mmHg, FC 78 bpm, T 37,2 °C. Exame: massa tireoidiana firme, difusa, aderida, com linfonodos cervicais palpáveis. TSH elevado com T4 livre baixo. Punção aspirativa mostra população linfoide atípica monomórfica, e a tomografia evidencia massa envolvendo a glândula com compressão traqueal. Qual a conduta mais adequada?
A biópsia com imuno-histoquímica para definir o subtipo e estadiar é a conduta correta na suspeita de linfoma primário de tireoide, sugerido por crescimento rápido em portadora de tireoidite de Hashimoto, com população linfoide atípica à punção, uma vez que o tratamento é quimioterápico e radioterápico, não cirúrgico. A tireoidectomia total com esvaziamento seria conduta de carcinoma, expondo a paciente a cirurgia sem benefício oncológico. A iodoterapia não tem qualquer papel no linfoma, pois o tecido linfoide não capta iodo. Apenas levotiroxina com observação por 6 meses permite progressão de neoplasia agressiva. A traqueostomia pode ser necessária na obstrução, mas não substitui o diagnóstico.
Após adenomegalias persistentes e prurido, uma pessoa recebe diagnóstico por biópsia que identifica células tumorais compatíveis com Hodgkin clássico. Qual diagnóstico é mais compatível?
O diagnóstico é histológico; sintomas isolados não seriam suficientes. Diagnóstico de Hodgkin exige tecido adequado com células e imunofenótipo característicos, integrado à arquitetura e ao contexto clínico. Referência: https://www.cancer.gov/types/lymphoma/patient/adult-hodgkin-treatment-pdq
Linfonodo supraclavicular é retirado para esclarecer adenomegalia. A histologia demonstra Hodgkin clássico, com imunomarcação concordante. Qual diagnóstico é mais compatível?
O exame excisional preserva arquitetura necessária ao diagnóstico. Diagnóstico de Hodgkin exige tecido adequado com células e imunofenótipo característicos, integrado à arquitetura e ao contexto clínico. Referência: https://www.cancer.gov/types/lymphoma/patient/adult-hodgkin-treatment-pdq
Jovem com linfonodo cervical indolor tem biópsia excisional com células de Reed-Sternberg em contexto histológico e imunofenotípico característico. Qual diagnóstico é mais compatível?
O diagnóstico depende do tecido, que confirma Hodgkin clássico. Diagnóstico de Hodgkin exige tecido adequado com células e imunofenótipo característicos, integrado à arquitetura e ao contexto clínico. Referência: https://www.cancer.gov/types/lymphoma/patient/adult-hodgkin-treatment-pdq
Pessoa com sudorese noturna e massa mediastinal tem biópsia que confirma Hodgkin clássico pela arquitetura e marcação celular. Qual diagnóstico é mais compatível?
Os sintomas constitucionais acompanham doença confirmada no tecido. Diagnóstico de Hodgkin exige tecido adequado com células e imunofenótipo característicos, integrado à arquitetura e ao contexto clínico. Referência: https://www.cancer.gov/types/lymphoma/patient/adult-hodgkin-treatment-pdq
Homem de 35 anos apresenta linfonodo cervical progressivamente aumentado há três meses, sudorese noturna e perda ponderal. A punção aspirativa foi inconclusiva e não há foco infeccioso evidente. Qual estratégia oferece melhor avaliação da arquitetura para classificar um possível linfoma?
A análise de arquitetura, histologia e imunofenótipo é fundamental na investigação de linfoma; a excisão de um linfonodo acessível fornece material adequado quando viável. Referência: NCI. Non-Hodgkin Lymphoma Treatment. https://www.cancer.gov/types/lymphoma/hp/adult-nhl-treatment-pdq
Por que corticoide empírico antes da biópsia pode dificultar a avaliação do paciente estável?

Quando não há emergência que o exija, planejar coleta antes de terapias que modifiquem o tecido é importante.
Qual característica sugere necessidade de investigação do linfonodo?

Persistência e sinais associados exigem avaliação etiológica.
Qual próximo passo costuma esclarecer subtipo quando arquitetura é necessária?

Subtipagem pode exigir arquitetura, imunofenótipo e estudos adicionais.
Qual sintoma constitucional aparece no quadro?

Sintomas constitucionais ajudam na caracterização clínica, mas não definem sozinhos subtipo.
Após diagnóstico de linfoma de alta carga, qual risco metabólico merece prevenção no início do tratamento?

Lise celular pode causar alterações de urato, potássio, fósforo, cálcio e função renal.
Após concluir tratamento de linfoma ávido por FDG, um paciente tem massa residual de 3 cm na tomografia. O PET mostra Deauville 2 em todos os sítios prévios, sem novas lesões. Pelos critérios de Lugano, qual é a classificação metabólica?
Avaliação metabólica e dimensões anatômicas não são intercambiáveis. Referências: Cheson et al. Recommendations for Initial Evaluation, Staging, and Response Assessment: Lugano Classification — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25113753/
Um homem com linfoma folicular em acompanhamento passa a ter crescimento muito rápido de um único grupo linfonodal, desproporcional aos demais, com nova elevação de LDH. Qual conduta esclarece a possibilidade de transformação histológica?
A transformação pode exigir tratamento distinto daquele empregado para a doença indolente. Referências: NCI. Indolent B-Cell Non-Hodgkin Lymphoma Treatment, PDQ — https://www.cancer.gov/types/lymphoma/hp/indolent-b-cell-lymphoma-treatment-pdq
Adulto com linfoma de Hodgkin recém-diagnosticado realiza PET-CT adequado para estadiamento, sem achados de infiltração medular. Não há citopenias inexplicadas nem suspeita de outra doença da medula. Qual procedimento pode ser dispensado como rotina nesse contexto?
A dispensa refere-se à biópsia medular de rotina, não a situações com indicação específica adicional. Referências: NCI. Hodgkin Lymphoma Treatment, PDQ, Health Professional Version — https://www.cancer.gov/types/lymphoma/hp/adult-hodgkin-treatment-pdq
Uma paciente com linfoma difuso de grandes células B está em remissão completa, assintomática e sem achados novos no exame. Propõe-se PET-CT trimestral apenas para procurar recaída. Qual orientação corresponde à NICE NG52?
Sintomas novos ou achados suspeitos mudam a indicação de investigação. Referências: NICE NG52. Non-Hodgkin lymphoma: diagnosis and management — https://www.nice.org.uk/guidance/ng52/chapter/Recommendations
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Repasse a sequência das três ferramentas: biópsia excisional e imuno-histoquímica definem a doença; Ann Arbor ou Lugano definem o estádio pelos lados do diafragma; a lista de fatores de risco (localizada) ou o escore de sete fatores (avançada) definem a intensidade. Decore o par invertido de imunofenótipo (CD30 e CD15 positivos com CD45 negativo no clássico; CD20 e CD45 positivos no predomínio linfocítico nodular) e os cinco pontos da escala de Deauville com seus dois órgãos de referência, mediastino e fígado.
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Volte pelos números que mudam decisão: doença volumosa de 10 cm no Hodgkin e de 7,5 cm na indicação de rituximabe do linfoma difuso; velocidade de hemossedimentação de 50 mm/h sem sintomas B e 30 mm/h com sintomas B; sete fatores do escore prognóstico e a ausência da velocidade de hemossedimentação nessa lista; doença residual acima de 2,5 cm como gatilho de radioterapia após seis ciclos; 90 dias como fronteira entre refratária e recidivada; brentuximabe vedotina a 1,8 mg/kg a cada três semanas, reduzido a 1,2 mg/kg na insuficiência renal grave. Feche revendo o que os dois protocolos federais dizem sobre o paciente com HIV, e por que dizem coisas diferentes.
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Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
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