Ginecologia e Obstetrícia › Hemorragias da gestação e do puerpério
Hemorragia pós-parto
A prova cobra três números e uma ordem: o corte do índice de choque, a janela de 3 horas do ácido tranexâmico e a contraindicação da metilergometrina — dentro de uma sequência que vai da mão ao bisturi e não se pula degrau.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Puérpera de 30 anos, parto vaginal há 20 minutos, sangramento vaginal intenso e persistente. PA 100x60 mmHg, FC 108 bpm. Ao exame, útero palpável acima da cicatriz umbilical, amolecido e pouco contraído; canal de parto sem lacerações visíveis e placenta já dequitada e íntegra. Qual é a causa mais provável e a conduta inicial?
Como esse tema cai
Hemorragia pós-parto (HPP) é a primeira causa de morte materna no mundo — 70 a 80 mil mortes por ano, uma a cada oito minutos, um quarto de todos os óbitos maternos. No Brasil ela é a segunda causa, atrás das síndromes hipertensivas. Essa inversão importa na prova: o Brasil tem documento nacional dedicado (a estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia, do Ministério da Saúde com a OPAS) exatamente porque a maioria dessas mortes é evitável e o que falha não é o conhecimento, é a execução — atraso em reconhecer, atraso em chamar, atraso em escalonar.
Por isso a banca quase nunca pergunta 'o que é atonia'. Ela monta uma puérpera de 40 minutos com sangramento aumentado e cobra: qual é o próximo passo, qual droga não pode nessa paciente, e quanto tempo você ainda tem. Os três números que decidem quase toda questão são o índice de choque (frequência cardíaca dividida pela sistólica), a janela de 3 horas do ácido tranexâmico e o prazo de 1,5 hora para decidir a histerectomia antes da tríade letal.
Este capítulo assume que você já viu choque hemorrágico no trauma e não repete as classes de perda volêmica. O que ele acrescenta é a diferença que muda a conduta: a gestante chega ao parto com a volemia expandida e por isso mente. Ela mantém pressão normal enquanto sangra e desaba de uma vez. Quem espera a hipotensão para agir já perdeu de 1.500 a 2.000 mL.
O que muda decisão
A gestante mascara a perda — e esse é o conteúdo, não o detalhe
A gravidez expande o volume plasmático de forma desproporcional à massa eritrocitária. O resultado prático é que, numa gestante hígida, as alterações hemodinâmicas só aparecem depois de perdas superiores a 20%–30% da volemia, o que equivale a 1.500 a 2.000 mL (FEBRASGO, 2020). Traduzindo: quando a pressão finalmente cai, a paciente já perdeu o volume de duas garrafas de refrigerante e está entrando em choque moderado, não iniciando um.
Some a isso o segundo problema — a perda é notoriamente mal estimada a olho. A estimativa visual subestima as perdas volumosas em duas a três vezes. E o terceiro: hemoglobina e hematócrito não servem para a decisão aguda, porque só passam a representar a perda cerca de quatro horas depois do início do sangramento. Uma Hb de 11 g/dL na primeira hora não é notícia boa, é notícia velha.
É essa combinação — sinal vital que atrasa, olho que subestima, laboratório que mente — que justifica todo o resto do capítulo. Ela explica por que a resposta brasileira se organizou em torno de gatilhos precoces e não de diagnóstico tardio, e por que a OMS passou a recomendar a medição objetiva de rotina do sangramento com campo cirúrgico calibrado em vez da avaliação visual.
Quem já leu o capítulo de choque hemorrágico no trauma precisa fazer uma correção mental ao entrar na sala de parto: os limiares do trauma foram construídos para adultos normovolêmicos. Na puérpera, o mesmo grau de palidez e taquicardia corresponde a uma perda maior, e o parâmetro que mais cedo denuncia é a frequência cardíaca — nunca a pressão isolada.

Definição: o número muda com a via de parto — e com o documento
A definição brasileira em vigor é a do protocolo FEBRASGO nº 52 (2025), que adota a da OPAS 2018: HPP é a perda sanguínea acima de 500 mL após parto vaginal ou acima de 1.000 mL após cesárea, dentro de 24 horas — ou qualquer perda de sangue pelo trato genital capaz de causar instabilidade hemodinâmica. Guarde as duas metades: o volume por via de parto e a cláusula clínica. A segunda existe justamente porque a primeira depende de uma estimativa ruim, e é ela que salva a questão em que a vinheta não dá volume nenhum e só descreve uma puérpera pálida e taquicárdica.
HPP maciça tem definição própria: sangramento superior a 2.000 mL em 24 horas, ou que exija transfusão de no mínimo quatro concentrados de hemácias, ou que resulte em queda de hemoglobina maior ou igual a 4 g/dL, ou que evolua com coagulopatia. Basta um desses.
Quanto ao tempo, a HPP primária ocorre nas primeiras 24 horas e concentra os quadros agudos e graves; a secundária vai de 24 horas a 6–12 semanas, com pico nas duas primeiras semanas, e tem outro elenco de causas — restos placentários, infecção puerperal, doença trofoblástica, coagulopatia hereditária.
A definição internacional não é a mesma, e a prova sabe disso. O ACOG (Practice Bulletin 183, 2017) usa 1.000 mL cumulativos independentemente da via de parto, acompanhados de sinais ou sintomas de hipovolemia. Já as diretrizes consolidadas OMS/FIGO/ICM de outubro de 2025 abandonaram o número único e definiram um gatilho de ação: perda objetivamente medida maior ou igual a 300 mL com qualquer sinal hemodinâmico anormal (pulso acima de 100 bpm, índice de choque maior que 1, sistólica abaixo de 100 mmHg ou diastólica abaixo de 60 mmHg), ou perda medida maior ou igual a 500 mL — o que vier primeiro nas 24 horas, com vigilância reforçada nas duas primeiras. O protocolo FEBRASGO 2025 já incorporou esses mesmos gatilhos como critério de início de ação.
O ponto que amarra tudo: nenhuma dessas definições espera a paciente ficar hipotensa. Todas param antes.
Índice de choque: por que a pressão sozinha não serve
O índice de choque é a frequência cardíaca dividida pela pressão arterial sistólica. Uma puérpera com FC 110 e PAS 100 tem índice 1,1. É uma conta de dois segundos, sem equipamento nenhum, e é a ferramenta de escolha na estimativa clínica da perda sanguínea segundo a FEBRASGO.
Ele bate a pressão isolada por um motivo fisiológico direto: a taquicardia compensatória aparece cedo e a queda pressórica aparece tarde, e o índice captura o movimento das duas ao mesmo tempo. Enquanto a PAS ainda está em 100 mmHg — um valor que o plantão olha e considera 'normal' —, a frequência já subiu e o índice já denunciou. Ele também é o único parâmetro que funciona quando o sangramento não é visível, situação clássica de hematoma retroperitoneal, de rotura uterina ou de sangue acumulado dentro do próprio útero atônico.
O corte que dispara ação, na tabela do protocolo FEBRASGO 2025 (adaptada da OPAS 2018), é índice maior ou igual a 1,0 — ou seja, frequência cardíaca acima da sistólica. Nesse ponto está indicada abordagem agressiva, considerar transferência, considerar o traje antichoque não pneumático e considerar hemotransfusão. O Position Statement de 2020 detalha a faixa completa: a partir de 0,9 já há perda sanguínea significativa; entre 1,3 e 1,7 o choque é moderado; acima de 1,7 é grave e entra a avaliação de transfusão maciça.
A gradação da perda volêmica é real e vale decorar em bloco, porque a banca gosta de dar o quadro clínico e pedir o grau — ou dar o grau e pedir a conduta. Uma regra fecha a leitura da tabela: o parâmetro que estiver mais alterado, indicando maior gravidade, é o que define o grau do choque. Não é a média, é o pior.
Os 4 Ts: como se diferencia cada um à beira do leito
O mnemônico dos 4 Ts organiza as causas, e as frequências relativas são as mesmas nos documentos brasileiros: tônus (atonia uterina) 70%, trauma (lacerações, hematomas, inversão e rotura uterina) 19%, tecido (retenção de tecido placentário, coágulos, acretismo) 10% e trombina (coagulopatias congênitas ou adquiridas, uso de anticoagulantes) 1%. Sete em cada dez casos são atonia, e é por isso que o tratamento medicamentoso inicial é direcionado ao tônus enquanto as outras causas são excluídas em paralelo — não depois.
A diferenciação é de exame físico e cabe em quatro gestos. Primeiro, a mão no abdome: útero amolecido, acima da cicatriz umbilical, que endurece à massagem e volta a amolecer quando você solta é tônus. Se o útero está firme, contraído, do tamanho esperado, e mesmo assim escorre sangue vivo, o tônus está descartado e a causa é outra.
Segundo gesto: revisão sistemática do canal de parto com valvas e boa iluminação — colo, vagina, períneo e vulva. É assim que se encontra trauma. Laceração sangra em jato ou em lençol contínuo com útero contraído; hematoma dá dor desproporcional, abaulamento e queda hemodinâmica sem sangramento externo correspondente; rotura uterina cursa com dor, instabilidade e às vezes perda da apresentação; inversão uterina se apresenta como massa vermelho-escura na vagina com fundo uterino não palpável no abdome — e nela a conduta é oposta ao reflexo: suspender imediatamente os uterotônicos, não retirar a placenta ainda aderida e reposicionar o útero pela manobra de Taxe.
Terceiro: a placenta. Examinar cotilédones e membranas logo após a dequitação. Placenta incompleta ou membranas rotas de forma irregular apontam tecido, e o tratamento é o esvaziamento uterino — o uterotônico não resolve retenção, no máximo mascara.
Quarto: o teste do coágulo, também chamado teste de Wiener. Coleta-se sangue em tubo seco e observa-se. Se não formar coágulo firme em cerca de 7 a 10 minutos, ou se o coágulo se desfizer, há coagulopatia — trombina. É o teste do serviço que não tem coagulograma disponível em minutos, e a vinheta que descreve 'sangramento em babação pelos pontos e pelos locais de punção' está falando dele.
Uma advertência que a prova cobra pela contramão: os 4 Ts são categorias, não uma escala. Não existe 'grau' de T, não existe ordem de gravidade entre eles e não se percorre a lista em sequência. A ordem que existe é outra — a das medidas terapêuticas.
Prevenção: o manejo ativo do terceiro período
A medida isolada mais eficaz contra a HPP é a administração universal de uterotônico após todos os partos — reduz em mais de 50% os casos de atonia. No Brasil o esquema é ocitocina 10 UI por via intramuscular logo após o nascimento, em parto vaginal e em cesárea (na cesárea, aplicada em área indolor, o vasto lateral da coxa). Nenhuma outra medida preventiva substitui a ocitocina profilática.
O manejo ativo do terceiro período tem mais três componentes, e todos caem: clampeamento oportuno do cordão — após 60 segundos, na ausência de contraindicação (o clampeamento precoce, abaixo de 1 minuto, é desaconselhado, salvo recém-nascido asfixiado que precise ser levado imediatamente para reanimação); tração controlada do cordão pela manobra de Brandt-Andrews, apenas por profissional treinado; e vigilância pós-dequitação com massagem uterina suave a cada 15 minutos nas primeiras 2 horas. Completam o pacote o uso racional de ocitocina durante o trabalho de parto, a episiotomia seletiva, a proscrição rigorosa da manobra de Kristeller e o contato pele a pele na primeira hora.
Quando há acesso venoso na cesárea, existem dois esquemas endovenosos. A 'Regra dos 3': 3 UI de ocitocina EV lenta em no mínimo 30 segundos, aguardar 3 minutos, e repetir até mais duas vezes se o útero permanecer hipotônico; assim que o tônus ficar adequado, manutenção de 3 UI/hora por 4 horas em bomba. Se o útero não responder após a terceira dose, não se faz uma quarta — passa-se aos uterotônicos de segunda linha. A alternativa é 5 UI EV em infusão lenta por 3 minutos, seguidas de 20 UI em 500 mL de soro fisiológico a 125 mL/hora por 4 a 12 horas em bomba. Em qualquer esquema endovenoso, a dose de ataque nunca vai em bólus rápido e nunca passa de 5 UI, pelo risco de efeitos colaterais graves.
Sem ocitocina disponível, ou quando não há como garantir a refrigeração que ela exige, as alternativas na prevenção são a carbetocina (100 mcg, IM ou EV, termoestável, meia-vida longa e sem necessidade de manutenção na cesárea), os derivados de ergot (0,2 mg IM em dose única, contraindicados nas síndromes hipertensivas) e o misoprostol (800 mcg por via retal em dose única — no Brasil não existe formulação oral). Uma pegadinha frequente: se o misoprostol foi usado na prevenção, ele não deve ser reutilizado no tratamento daquele mesmo episódio.
Duas coisas que a OMS 2025 tirou da prevenção e que continuam aparecendo como distrator: ergometrina/metilergometrina não é recomendada para prevenir HPP (só para tratar), e a massagem uterina sustentada não é recomendada como medida preventiva em quem já recebeu ocitocina profilática — no tratamento, ela continua recomendada.
Tratamento da atonia: a ordem que não se pula
O primeiro ato não é uma droga, é uma mão e um chamado. Compressão uterina bimanual imediata — manobra de Hamilton (compressão vaginal e abdominal, preferida na paciente anestesiada) ou de Chantrapitak (compressão apenas abdominal, para a paciente não anestesiada) — enquanto o time é acionado. A compressão não trata: ela segura o sangramento e compra o tempo que os uterotônicos levam para agir.
Ocitocina é a primeira escolha também no tratamento: 5 UI EV lentamente em 3 minutos, associadas a 20 a 40 UI em 500 mL de soro fisiológico a 0,9% correndo a 250 mL/hora, com manutenção depois a 125 mL/hora por 4 horas. Na atonia grave, avalia-se manter a ocitocina por até 24 horas (67,5 mL/hora, ou 3 UI/hora), com vigilância para intoxicação hídrica. Início de ação em 1 minuto por via endovenosa, meia-vida de 3 a 12 minutos. Paciente que passou horas em trabalho de parto sob indução com ocitocina tende a responder pior — nessa, não atrase a segunda linha.
Segunda linha: metilergometrina 0,2 mg por via intramuscular, repetível em 20 minutos se necessário; em sangramentos graves, mais três doses de 0,2 mg IM a cada 4 horas, dose máxima de 1 mg em 24 horas. Início de ação em 2 a 3 minutos, meia-vida de 30 a 120 minutos. A contraindicação principal — e é a mais cobrada do capítulo inteiro — é paciente hipertensa. Vale para hipertensão crônica, hipertensão gestacional e, com força, para pré-eclâmpsia: o ergot é vasoconstritor potente e pode precipitar crise hipertensiva, AVC e isquemia. O Position Statement de 2020 acrescenta o uso de inibidores de protease como contraindicação. E há uma regra prática que a prova gosta: se a primeira dose falhou, é improvável que a segunda funcione.
Terceira linha: misoprostol 800 mcg por via retal. Início de ação de 15 a 20 minutos pela via retal e de 7 a 11 minutos pela via oral — a latência é o motivo de ele ser o último uterotônico, não o primeiro.
O intervalo de decisão entre um uterotônico e o seguinte não deve passar de 15 minutos. São drogas de ação rápida: se em 15 minutos o sangramento não cedeu, a resposta é escalonar, não repetir.
O ácido tranexâmico corre em paralelo, não no fim da fila: 1 g por via endovenosa, lentamente, em 10 minutos, iniciado imediatamente após o começo do sangramento e, no máximo, até 3 horas do seu início — em HPP de qualquer causa, os quatro Ts. Repete-se 1 g se o sangramento persistir após 30 minutos, ou se recomeçar em até 24 horas da primeira dose. O número que fecha a questão: a cada 15 minutos de atraso na primeira dose, perde-se 10% do efeito hemostático, e depois de 3 horas o uso deixa de ser recomendado. Junto com a ocitocina, o tranexâmico é uma das duas primeiras medicações a serem infundidas.
Falhou o tratamento farmacológico na atonia, entra o balão de tamponamento intrauterino — e ele antecede a abordagem cirúrgica. Volume de infusão de 350 a 500 mL após parto vaginal e de 60 a 250 mL na cesárea. Balão com sistema de drenagem é preferível porque permite o teste do tamponamento: drenagem inferior a 50 mL nos 30 minutos seguintes à infusão prediz sucesso. Uterotônicos e antibioticoprofilaxia correm durante todo o tamponamento; permanência máxima de 24 horas; esvaziamento por etapas, 100 mL a cada 15 minutos, durante o dia e com sala cirúrgica reservada. Contraindicam o balão: gravidez, neoplasia do trato genital, infecção da genitália interna, anomalias que distorçam a cavidade, rotura uterina, alergia aos componentes e sangramento arterial que exija cirurgia ou embolização.
Ressuscitação, transfusão e o prazo para o bisturi
Cristaloide isotônico aquecido, reavaliando a resposta a cada 500 mL infundidos; coloide deve ser evitado. Infusão rápida e excessiva é contraprodutiva: eleva a pressão antes do controle do foco, desfaz coágulos já formados, dilui fatores de coagulação e alimenta a tríade letal. Paciente com resposta inadequada após 1.500 mL de cristaloide é candidata a hemotransfusão; passando de 2.000 mL, a ressuscitação continua com hemocomponentes, não com mais soro.
Instabilidade hemodinâmica com perda importante indica transfusão emergencial de dois concentrados de hemácias; sem prova cruzada disponível, sangue O negativo. A decisão transfusional inicial é clínica — índice de choque e sinais vitais —, porque hemoglobina e hematócrito só se alteram tarde demais para servirem de gatilho.
O protocolo de transfusão maciça entra no choque grave (índice de choque acima de 1,7, perda acima de 35% da volemia, acima de 2.000 mL) e na HPP maciça. A proporção recomendada entre os hemocomponentes é 1:1:1, com quatro ou mais concentrados de hemácias. Um detalhe que separa a HPP do trauma: a hipofibrinogenemia é mais precoce na hemorragia obstétrica. Fibrinogênio abaixo de 200 mg/dL tem valor preditivo positivo de 100% para HPP grave e deve ser tratado de forma agressiva — uma dose de adulto de crioprecipitado (7 a 10 unidades) ou 2 g de concentrado de fibrinogênio. As metas transfusionais são hemoglobina acima de 7 g/dL, plaquetas acima de 50.000 (acima de 100.000 se houver sangramento ativo), tempo de protrombina e PTTa abaixo de 1,5 vez o controle e fibrinogênio acima de 200 mg/dL.
O traje antichoque não pneumático (TAN) é uma vestimenta de neoprene de seis segmentos que comprime pernas, pelve e abdome, redirecionando o fluxo para o território central. Indicado na HPP com instabilidade hemodinâmica ou iminência de choque, é o dispositivo que viabiliza a transferência de uma paciente sangrando. Coloca-se e retira-se sempre do segmento 1 (tornozelo) para o 6 (abdome). Contraindicado com feto vivo e viável, em cardiopatia grave, em pneumopatia grave e em lesão supradiafragmática. A retirada obedece à 'regra dos 20': depois de abrir cada segmento, observar 20 minutos — se a sistólica cair 20 mmHg ou mais, ou a frequência subir 20 bpm ou mais, reposiciona-se o traje inteiro a partir do segmento 1.
Quando as medidas conservadoras falham, a laparotomia segue uma ordem crescente: suturas uterinas compressivas (B-Lynch, que exige histerotomia íntegra e serve à atonia do corpo uterino; Hayman, que dispensa histerotomia; Cho, em quadrados, indicada no acretismo), ligaduras vasculares (artérias uterinas por O'Leary ou Posadas, conexões útero-ovarianas para sangramento do fundo, ilíacas internas para lacerações baixas e controle de danos) — sempre com fio absorvível — e embolização seletiva, que só serve à paciente estável com sangramento persistente e não excessivo.
A histerectomia é indicada na falha do tratamento conservador, e o número que a prova cobra é o prazo: a decisão deve anteceder a instalação da tríade letal, ou seja, se após 1,5 hora do início da hemorragia o controle não foi obtido, as providências para a histerectomia devem ser iniciadas. A subtotal é preferencial, salvo necessidade de remover o colo para controlar o sangramento ou infecção uterina. Se a paciente já está em coagulopatia, hipotermia e acidose, o passo seguinte é cirurgia de controle de danos — empacotamento pélvico com laparostomia, estabilização em UTI e correção definitiva 2 a 5 dias depois.
O time: hora de ouro, código vermelho e o pacote MOTIVE
Nada do que está acima funciona feito por uma pessoa em sequência. A 'hora de ouro' em obstetrícia é o controle do foco hemorrágico dentro da primeira hora a partir do diagnóstico, e ela exige que várias ações aconteçam ao mesmo tempo, com papéis atribuídos antes de a hemorragia começar.
O acionamento codificado do time recebe nomes diferentes conforme o serviço — código vermelho e alerta vermelho nos protocolos de origem latino-americana, sistema obstétrico de alerta e resposta (soar) no Position Statement da FEBRASGO. O gatilho é o mesmo: o diagnóstico de HPP, ou a simples presunção de sangramento aumentado por qualquer membro da equipe. Não se espera confirmação de volume para acionar.
O fluxograma da FEBRASGO distribui a equipe assim: dois médicos obstetras, um enfermeiro obstetra e dois técnicos de enfermagem. Um membro lidera e garante que as ações aconteçam; um auxiliar monitora continuamente FC, PA, temperatura e saturação e calcula o índice de choque; dois auxiliares providenciam dois acessos venosos calibrosos (jelco 14 ou 16 G) — um deles para coletar exames e correr o ácido tranexâmico e os cristaloides, o outro para a ocitocina; alguém se encarrega de comunicar a paciente e o acompanhante. Em paralelo: oxigênio sob máscara facial a 8–10 L/min, sondagem vesical de demora, aquecimento ativo, elevação dos membros inferiores, revisão do canal de parto e coleta de tipagem, prova cruzada, hemograma, coagulograma, fibrinogênio, ionograma, teste do coágulo e — nos graves — lactato e gasometria. O kit de hemorragia, pré-montado, existe para que ninguém saia da sala procurando material.
Em outubro de 2025, OMS, FIGO e ICM publicaram pela primeira vez uma diretriz conjunta de HPP, com 51 recomendações, e nela o tratamento de primeira linha virou um pacote com nome: MOTIVE — massagem uterina, ocitócico, tranexâmico, fluidos IV (intravenous), exame do trato genital e escalonamento do cuidado. A lógica é que essas seis coisas sejam feitas juntas e sem demora, não uma de cada vez. O ensaio E-MOTIVE, que sustentou a recomendação, combinou detecção precoce por campo calibrado com esse pacote e reduziu em 60% o risco do desfecho combinado de HPP grave, laparotomia ou morte por hemorragia — HPP grave em 1,6% contra 4,3% no controle —, além de elevar a detecção de 51,1% para 93,1%.
Repare no que o E-MOTIVE de fato demonstrou: nenhuma droga nova. O ganho veio de medir o sangue em vez de olhar, e de fazer o conjunto de uma vez em vez de escalonar devagar. É a mesma tese da estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia — o que mata não é a falta de tratamento, é o atraso.
A escada: da mão ao bisturi
Duas coisas neste tema têm ordem real e a prova explora as duas. A primeira é a gravidade do choque, que é uma gradação contínua lida pelo índice de choque. A segunda é a sequência terapêutica da atonia, que sobe degrau a degrau e só avança quando o degrau anterior falha — com uma exceção deliberada: o ácido tranexâmico não espera a vez dele.
- 1Compressão uterina bimanual (Hamilton ou Chantrapitak) e acionamento do time — antes de qualquer droga
- 2Ocitocina 5 UI EV lenta em 3 min + 20 a 40 UI em 500 mL de SF 0,9% a 250 mL/h, e ácido tranexâmico 1 g EV em 10 min (em paralelo, não depois)
- 3Metilergometrina 0,2 mg IM, repetível em 20 min — nunca em hipertensa
- 4Misoprostol 800 mcg por via retal
- 5Balão de tamponamento intrauterino: 350 a 500 mL no parto vaginal, 60 a 250 mL na cesárea
- 6Laparotomia com suturas uterinas compressivas (B-Lynch, Hayman, Cho)
- 7Ligaduras vasculares: uterinas, útero-ovarianas, ilíacas internas
- 8Histerectomia — decidida antes da tríade letal, até 1,5 h do início da hemorragia
- 9Cirurgia de controle de danos: empacotamento pélvico com laparostomia
Choque compensado — perda 10%–15% (500–1.000 mL), IC 0,7–1,0
Consciência normal, perfusão normal, pulso 60–90 bpm, sistólica em torno de 90 mmHg. Transfusão usualmente não é necessária. É aqui que a puérpera engana: tudo parece normal e ela já perdeu até um litro.
Choque leve — perda 16%–25% (1.000–1.500 mL), IC 1,0–1,3
Paciente normal ou agitada, palidez e frieza de extremidades, pulso 91–100 bpm, sistólica 80–90 mmHg. Transfusão é possível. O índice cruzou 1,0: a frequência passou a sistólica e a abordagem vira agressiva.
Choque moderado — perda 26%–35% (1.500–2.000 mL), IC 1,3–1,7
Agitação, palidez, frieza e sudorese, pulso 101–120 bpm, sistólica 70–79 mmHg. Transfusão usualmente exigida. Aqui já cabem o traje antichoque e a decisão sobre laparotomia.
Choque grave — perda acima de 35% (mais de 2.000 mL), IC acima de 1,7
Letargia ou inconsciência, perfusão capilar acima de 3 segundos, pulso acima de 120 bpm, sistólica abaixo de 70 mmHg. Protocolo de transfusão maciça, proporção 1:1:1. O parâmetro mais alterado é o que define o grau — não a média.
| Droga | Dose e via no tratamento | Início de ação | Limite / contraindicação |
|---|---|---|---|
| Ocitocina (1ª escolha) | 5 UI EV lenta em 3 min + 20–40 UI em 500 mL de SF 0,9% a 250 mL/h; manutenção 125 mL/h por 4 h | 1 min (EV); meia-vida 3–12 min | Manutenção prolongada (até 24 h, 3 UI/h) exige vigilância para intoxicação hídrica; bólus rápido e dose de ataque acima de 5 UI são proscritos |
| Metilergometrina | 0,2 mg IM, repetir em 20 min; nos graves, +3 doses de 0,2 mg IM a cada 4 h | 2–3 min (IM); meia-vida 30–120 min | Contraindicada em hipertensas (crônica, gestacional, pré-eclâmpsia) e com inibidores de protease. Máximo 1 mg/24 h. Falha da 1ª dose torna a 2ª improvável |
| Misoprostol | 800 mcg por via retal | 15–20 min (retal); 7–11 min (oral) | Latência longa — é o último uterotônico. Se foi usado na prevenção, não reutilizar no tratamento do mesmo episódio |
| Carbetocina | 100 mcg IM ou EV (uso preventivo; termoestável dispensa refrigeração) | Rápido; meia-vida longa, dispensa manutenção na cesárea | Custo alto; não incorporada ao SUS nem à RENAME 2024 |
| Ácido tranexâmico | 1 g EV lento em 10 min; repetir 1 g se persistir após 30 min ou recidivar em até 24 h | Imediato — corre junto da ocitocina | Janela de 3 horas do início do sangramento. Cada 15 min de atraso custa 10% do efeito hemostático. Não recomendado para prevenção |
Os 4 Ts são categorias, não uma escala: não há grau, ordem de gravidade nem sequência a percorrer entre eles.
O intervalo de decisão entre um uterotônico e o seguinte não passa de 15 minutos — se não cedeu, escalone, não repita.
O ácido tranexâmico é o único item da escada que não espera a vez: entra junto da ocitocina, em qualquer um dos 4 Ts.
O grau do choque é definido pelo parâmetro mais alterado, e não pela média dos parâmetros.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Tratamento dentro de 3 horas — recomendado; prevenção — não recomendada (OMS/FIGO/ICM 2025)
O uso precoce de ácido tranexâmico endovenoso, dentro de 3 horas do parto, somado ao tratamento padrão, é recomendado para HPP após parto vaginal ou cesárea, e integra o pacote MOTIVE de primeira linha. Para prevenção, ao contrário, há duas recomendações novas e explícitas de NÃO uso — uma para parto vaginal e outra para cesárea. A base é o WOMAN trial (20.060 mulheres, 193 hospitais, 21 países), que reduziu a morte por sangramento de 1,9% para 1,5% e concentrou o benefício nas primeiras 3 horas; administrado depois disso, o benefício desaparece.
WHO/FIGO/ICM, Consolidated guidelines for the prevention, diagnosis and treatment of postpartum haemorrhage, out/2025; WOMAN Trial, Lancet 2017.
Janela de 3 horas com quantificação do atraso; profilaxia sem base estabelecida (FEBRASGO 2025)
O protocolo brasileiro adota a mesma janela e acrescenta o número que a torna operacional: cada 15 minutos de atraso na primeira dose reduz em 10% o efeito hemostático, e o uso após 3 horas do início da HPP não é recomendado. Sobre a profilaxia, o texto é mais reticente do que negativo — diz que o uso preventivo 'ainda não está bem estabelecido, mesmo nos casos de maior risco', que as metanálises são controversas por heterogeneidade e que os estudos mais robustos não mostram benefício significativo em parto vaginal nem em cesárea.
FEBRASGO, Protocolo nº 52 — Hemorragia pós-parto, 3ª ed., 2025 (Femina 2025;53(4):278-89).
Na prova
As duas posições convergem no tratamento e só se distinguem no tom sobre a profilaxia — o corte de 3 horas é comum às duas e por isso é o número seguro em qualquer enunciado. O que muda a alternativa é o verbo do enunciado: cenário de HPP instalada pede administração imediata; cenário de cesárea eletiva de alto risco, sem sangramento, testa se o candidato estende a indicação para profilaxia. Distratores que oferecem 'iniciar ácido tranexâmico após 4 horas' ou 'dose profilática de rotina antes da incisão' denunciam que a questão está cobrando o limite, não a droga. Enunciado que cita nominalmente a OMS 2025 ou o pacote MOTIVE está no corpo internacional; enunciado que fala em perda de 10% do efeito a cada 15 minutos está reproduzindo o texto brasileiro.
Carbetocina termoestável é a escolha onde a cadeia de frio não se sustenta (OMS/FIGO/ICM 2025)
A carbetocina 100 mcg IM ou EV é recomendada para prevenção de HPP em todos os nascimentos, e a formulação termoestável é a escolha recomendada em locais onde a cadeia de frio da ocitocina não pode ser mantida de forma consistente. Onde há várias opções disponíveis e a refrigeração é confiável, a ocitocina 10 UI IM/EV segue como agente de escolha. A vantagem clínica alegada é a estabilidade térmica, a meia-vida mais longa e a dispensa de dose de manutenção na cesárea.
WHO/FIGO/ICM, Consolidated guidelines for the prevention, diagnosis and treatment of postpartum haemorrhage, out/2025.
Não incorporada ao SUS — decisão unânime por razão econômica (CONITEC, out/2025)
A CONITEC deliberou por unanimidade recomendar a não incorporação da carbetocina para prevenção de HPP no SUS, e o medicamento não consta da RENAME 2024. A consulta pública nº 55/2025 recebeu 305 contribuições, 93% delas favoráveis à incorporação — inclusive com o argumento de que Norte e Nordeste, pelas temperaturas, são exatamente onde um uterotônico termoestável faria diferença. A causa da recusa é econômica, não de eficácia: a carbetocina é reconhecida como equivalente à ocitocina na prevenção em parto vaginal, e o que pesou foi o custo diante de uma alternativa efetiva e barata já disponível na rede.
CONITEC/SECTICS, Relatório de Recomendação e Relatório para a Sociedade nº 557 — Carbetocina para prevenção de hemorragia pós-parto, out/2025; RENAME 2024.
Na prova
É um caso limpo de descolamento por restrição orçamentária, e não por discordância técnica — a OMS considera a carbetocina termoestável eficaz e o Brasil também, mas o SUS oferece ocitocina. O recorte se lê no cenário: maternidade da rede pública, UBS, casa de parto, unidade sem refrigeração confiável no interior → o uterotônico disponível e padronizado no Brasil é a ocitocina 10 UI IM, com misoprostol como alternativa. Enunciado que cita a diretriz consolidada OMS/FIGO/ICM, ou que descreve um serviço privado/terciário sem restrição de insumo, abre espaço para a carbetocina. Alternativa que oferece carbetocina como padrão de rotina em maternidade do SUS está reproduzindo o mundo internacional dentro de um cenário brasileiro — e é esse desencaixe que a questão está testando.
Alternativa legítima, inclusive fora da unidade de saúde (OMS/FIGO/ICM 2025)
O misoprostol 400 ou 600 mcg por via oral é recomendado para prevenção de HPP em todos os nascimentos, e sua administração por agentes comunitários e por agentes de saúde leigos é recomendada onde não há profissional qualificado para aplicar uterotônico injetável. Há ainda recomendação de distribuição pré-natal para autoadministração em contextos de parto fora de unidade de saúde e sem profissional qualificado, condicionada a monitoramento dirigido. O que sustenta a posição é a termoestabilidade, a via não injetável e o custo baixo — é o único uterotônico que sobrevive à ausência de geladeira, seringa e profissional.
WHO/FIGO/ICM, Consolidated guidelines for the prevention, diagnosis and treatment of postpartum haemorrhage, out/2025.
Alternativa de segunda linha, por via retal, e sem uso duplo (FEBRASGO 2025 / OPAS 2018)
No Brasil o misoprostol entra como alternativa quando não há ocitocina disponível ou quando não se pode garantir sua qualidade pela necessidade de refrigeração, na dose de 800 mcg por via retal em dose única para prevenção — a apresentação oral não existe no país, o que altera a via da recomendação internacional. No tratamento, ele é o uterotônico de última linha, pela latência de 15 a 20 minutos por via retal. E há uma restrição explícita: se foi usado na prevenção, não deve ser usado no tratamento do mesmo episódio.
FEBRASGO, Protocolo nº 52, 3ª ed., 2025, Tabela 4 e Quadro 1 (adaptados de OPAS 2018); nota de adaptação nacional do Portal de Boas Práticas IFF/Fiocruz, dez/2025.
Na prova
A diferença que aparece na alternativa é a via, não a droga: 400–600 mcg por via oral é vocabulário da OMS; 800 mcg por via retal é vocabulário brasileiro, e a razão é a indisponibilidade da formulação oral no país. Cenário de parto domiciliar, área rural, agente comunitário ou ausência de profissional qualificado é território das recomendações internacionais de contexto específico. Cenário de maternidade brasileira com ocitocina disponível coloca o misoprostol na segunda linha da prevenção e na última do tratamento. Um distrator recorrente oferece misoprostol para uma paciente que já o recebeu na profilaxia — o detalhe do uso duplo é o que a questão está checando.
500 mL no parto vaginal e 1.000 mL na cesárea, ou qualquer perda com instabilidade (OPAS 2018 / FEBRASGO 2025)
A definição brasileira separa por via de parto e acrescenta uma cláusula clínica que dispensa o volume: qualquer perda de sangue pelo trato genital capaz de causar instabilidade hemodinâmica é HPP. A cláusula existe porque a estimativa visual subestima as perdas volumosas em duas a três vezes e porque hemoglobina e hematócrito só refletem a perda cerca de quatro horas depois — ou seja, o número sozinho é frágil.
FEBRASGO, Protocolo nº 52, 3ª ed., 2025 (adaptado de OPAS, Recomendações assistenciais para prevenção, diagnóstico e tratamento da hemorragia obstétrica, 2018).
1.000 mL cumulativos, independentemente da via (ACOG 2017)
O ACOG define HPP como perda sanguínea cumulativa maior ou igual a 1.000 mL, ou sangramento acompanhado de sinais ou sintomas de hipovolemia, dentro de 24 horas do nascimento, sem distinguir parto vaginal de cesárea. O Position Statement da FEBRASGO de 2020 adota essa definição e ressalva que perdas acima de 500 mL após parto vaginal devem ser consideradas anormais, sobretudo com fatores de risco associados.
ACOG Practice Bulletin nº 183, Obstet Gynecol 2017;130(4):e168-86; reproduzido em FEBRASGO Position Statement nº 5, Femina 2020;48(11):671-9.
Gatilho de ação: 300 mL medidos com sinal anormal, ou 500 mL medidos (OMS/FIGO/ICM 2025)
As diretrizes consolidadas de 2025 trocam a definição por um limiar de acionamento do tratamento: perda objetivamente medida maior ou igual a 300 mL com qualquer sinal hemodinâmico anormal — pulso acima de 100 bpm, índice de choque maior que 1, sistólica abaixo de 100 mmHg ou diastólica abaixo de 60 mmHg — ou perda objetivamente medida maior ou igual a 500 mL, o que ocorrer primeiro nas 24 horas, com vigilância especial nas duas primeiras. Vem acompanhado da recomendação de medição objetiva de rotina com campo cirúrgico calibrado, justamente porque a definição pressupõe medida e não estimativa.
WHO/FIGO/ICM, Consolidated guidelines for the prevention, diagnosis and treatment of postpartum haemorrhage, out/2025 (Recomendações 21 e 22).
Na prova
As três posições nunca aparecem juntas na mesma questão — o que aparece é uma alternativa com o número de uma e o cenário de outra. Vinheta que informa a via de parto e dá um volume entre 500 e 1.000 mL está testando exatamente a separação vaginal/cesárea do corpo brasileiro. Vinheta que fala em 'campo cirúrgico calibrado', 'medição objetiva' ou traz o valor de 300 mL está no vocabulário da diretriz consolidada de 2025 — o número 300 só existe lá. Vinheta que não dá volume nenhum e descreve palidez, taquicardia e índice de choque acima de 1 está apoiada na cláusula clínica, que é comum às três e por isso raramente é o ponto da questão. Régua útil: prova oficial do MEC tende à conduta SUS e ao documento nacional; nas demais bancas, o recorte se revela nas alternativas.
Caso resolvido
- achado
- Útero amolecido acima da cicatriz umbilical com sangramento aumentado é tônus — atonia uterina, a causa de 70% das HPP. Placenta íntegra afasta razoavelmente tecido; a revisão do canal ainda precisa ser feita para afastar trauma.
- gravidade
- Índice de choque = 112 ÷ 96 = 1,17. Acima de 1,0: perda sanguínea significativa, abordagem agressiva e risco de necessidade transfusional. Pela tabela de grau de choque, está em choque leve, com perda estimada de 1.000 a 1.500 mL — muito além do que o forro sugere a olho.
- ação imediata
- Acionar o protocolo de HPP e iniciar compressão uterina bimanual antes de qualquer droga. Dois acessos venosos calibrosos (jelco 14 ou 16 G), oxigênio sob máscara a 8–10 L/min, sondagem vesical, aquecimento, monitorização contínua com recálculo do índice de choque, coleta de tipagem, prova cruzada, hemograma, coagulograma, fibrinogênio e teste do coágulo.
- medicação
- Ocitocina 5 UI EV lenta em 3 minutos, seguida de 20 a 40 UI em 500 mL de SF 0,9% a 250 mL/h. Simultaneamente, ácido tranexâmico 1 g EV em 10 minutos — a paciente está dentro da janela de 3 horas, e cada 15 minutos de espera custa 10% do efeito. Cristaloide aquecido, reavaliando a cada 500 mL infundidos.
- detalhe que muda a conduta
- Ela passou horas em indução com ocitocina, o que reduz a responsividade do receptor. Não se deve insistir em repetir esquemas de ocitocina: se em até 15 minutos o sangramento não ceder, escalona-se para metilergometrina 0,2 mg IM (a paciente é normotensa, então a droga está liberada) e, na sequência, misoprostol 800 mcg por via retal.
- se falhar
- Falhando a terapia farmacológica, balão de tamponamento intrauterino com 350 a 500 mL antes da laparotomia, com uterotônico e antibioticoprofilaxia correndo. Persistindo, laparotomia com sutura compressiva e ligaduras vasculares — e, se o controle não vier em 1,5 hora do início da hemorragia, iniciar as providências para histerectomia antes que a tríade letal se instale.
Agora feche você
- achado
- Atonia uterina refratária à primeira linha, em paciente com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. Índice de choque = 118 ÷ 148 = 0,80 — e aqui está a armadilha: a hipertensão de base infla a sistólica e derruba o índice, mascarando a gravidade. A frequência de 118 bpm e a persistência do sangramento contam mais do que o índice nesta paciente.
- tempo
- Passaram-se 12 minutos desde a primeira linha. O intervalo de decisão entre um uterotônico e o seguinte não deve ultrapassar 15 minutos — a janela para escalonar está fechando agora.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Esperar a pressão cair para chamar de hemorragia Atrai porque hipotensão é o sinal que todo mundo aprendeu a associar a choque. Só que a hipervolemia gestacional segura a pressão até perdas de 20% a 30% da volemia, isto é, 1.500 a 2.000 mL. Quando a sistólica cede, a paciente não está começando o choque, está em choque moderado. O parâmetro que denuncia cedo é a frequência cardíaca — e é por isso que o índice de choque existe.
- 2Dar metilergometrina para a pré-eclâmptica Atrai porque a metilergometrina é o segundo uterotônico da escada e a atonia é o diagnóstico certo. O reflexo de 'próxima droga da lista' ignora a paciente. Ergot é vasoconstritor potente: em hipertensa crônica, hipertensa gestacional ou pré-eclâmptica, pode precipitar crise hipertensiva, AVC e isquemia. Nessas, pula-se direto para o misoprostol.
- 3Deixar o ácido tranexâmico para depois de esgotar os uterotônicos Atrai porque ele não é uterotônico e parece pertencer a um segundo tempo do tratamento. Mas ácido tranexâmico e ocitocina são as duas primeiras medicações a serem infundidas, em qualquer um dos 4 Ts. Cada 15 minutos de atraso custa 10% do efeito hemostático, e depois de 3 horas do início do sangramento o uso deixa de ser recomendado — o atraso é irreversível.
- 4Confiar na hemoglobina da primeira hora Atrai porque um exame com número parece mais objetivo que um exame físico. Hemoglobina e hematócrito só passam a representar a perda cerca de quatro horas depois do início do sangramento. Uma Hb normal na primeira hora não afasta hemorragia grave — a decisão transfusional inicial é clínica, guiada pelo índice de choque e pelos sinais vitais.
- 5Repetir ocitocina em quem passou horas em indução Atrai porque a ocitocina é a primeira escolha e a dose parece ter sido insuficiente. Trabalho de parto prolongado ou indução com altas doses dessensibiliza o receptor: essas pacientes respondem pior e exigem segunda linha mais cedo. Se a 'Regra dos 3' falhou na terceira dose, não se faz uma quarta — escalona-se.
- 6Ir para a laparotomia sem passar pelo balão Atrai porque, com a paciente sangrando, abrir parece mais definitivo. Na atonia com falha da terapia farmacológica, o balão de tamponamento intrauterino deve anteceder a abordagem cirúrgica — e o teste do tamponamento (menos de 50 mL drenados em 30 minutos) dá em meia hora a informação de que o método funcionou. Ele também é o recurso que estabiliza para transferência.
- 7Adiar a histerectomia até a paciente 'não ter mais jeito' Atrai por razão humana: ninguém quer retirar o útero de uma mulher de 25 anos. Mas a decisão precisa anteceder a tríade letal — se após 1,5 hora do início da hemorragia o controle não foi obtido, as providências para a histerectomia devem ser iniciadas. Decidir depois da coagulopatia instalada troca uma histerectomia por uma cirurgia de controle de danos.
- 8Tratar útero contraído com mais uterotônico Atrai porque o algoritmo mental começa e termina na atonia, que é 70% dos casos. Se o útero está firme e o sangue continua saindo, o tônus está resolvido e o problema é outro T. A resposta está na revisão do canal de parto, na conferência da placenta e no teste do coágulo — não em mais uma ampola.
Útero amolecido e mal contraído (hipotônico) após dequitação completa, com sangramento intenso, indica atonia uterina, a causa mais comum de hemorragia pós-parto; a conduta inicial é massagem uterina e uterotônicos como ocitocina (correta). Retenção não se aplica: a placenta saiu íntegra. Não há laceração visível. Coagulopatia é diagnóstico de exclusão e não a primeira hipótese. Na inversão o fundo uterino não é palpável na topografia habitual — aqui o útero está palpável, apenas mole.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Puérpera de 29 anos, 8 horas após parto vaginal de recém-nascido de 4.100 g, apresenta sangramento vaginal aumentado e sensação de fraqueza. Ao exame: PA 90/60 mmHg, FC 118 bpm, útero palpável acima da cicatriz umbilical, de consistência amolecida, que se torna firme à massagem. Não há lacerações visíveis no canal de parto e a placenta foi expulsa íntegra. Qual é a causa mais provável da hemorragia e a primeira medida terapêutica?
Correta: útero amolecido que endurece à massagem, após parto de feto macrossômico, indica atonia uterina (causa mais comum de hemorragia pós-parto); o tratamento inicial é massagem uterina associada a uterotônicos (ocitocina). Retenção placentária foi afastada (placenta íntegra). Laceração foi excluída ao exame. Coagulopatia é diagnóstico de exclusão e menos provável de início. Inversão uterina apresentaria massa no canal e ausência de fundo uterino palpável.
Puérpera de 27 anos, parto vaginal há 2 horas, evolui com sangramento vaginal aumentado. Ao exame, útero amolecido e acima da cicatriz umbilical, PA 100x60 mmHg, FC 105 bpm. Não há lacerações de trajeto identificadas. Qual é a causa mais provável da hemorragia pós-parto e a primeira medida terapêutica?
Útero amolecido (hipotônico) e elevado com sangramento no pós-parto imediato caracteriza atonia uterina, a causa mais comum de hemorragia pós-parto; a primeira medida é massagem uterina e uterotônicos, como a ocitocina. Restos placentários são possíveis, mas o achado de útero amolecido aponta atonia como causa primeira. Não há lacerações identificadas. Coagulopatia não é a causa inicial mais provável sem outros dados. Inversão uterina se apresenta com massa vaginal e fundo uterino não palpável, o oposto do descrito.
Puérpera de 32 anos, parto vaginal há 20 minutos, evolui com sangramento vaginal intenso e persistente. Ao exame: útero palpável, amolecido e mal contraído (fundo acima da cicatriz umbilical), sem laceração visível de trajeto e placenta íntegra revisada. PA = 100/60 mmHg, FC = 110 bpm. Após massagem uterina, qual é a medida farmacológica de PRIMEIRA linha?
Correta: a causa mais comum de hemorragia pós-parto é atonia uterina (útero amolecido/mal contraído); após massagem, o uterotônico de primeira linha é a ocitocina EV. Metilergometrina é uterotônico de segunda linha e contraindicada em hipertensas. Ácido tranexâmico é adjuvante, não substitui o uterotônico de primeira linha. Sulfato de magnésio e nifedipino são tocolíticos/anti-hipertensivos que RELAXAM o útero — piorariam a atonia.
Puérpera de 32 anos, parto vaginal há 20 minutos de recém-nascido de 4.100 g, após dequitação completa, evolui com sangramento vaginal intenso e vermelho-vivo. À palpação, o útero encontra-se amolecido e acima da cicatriz umbilical. PA 96/60 mmHg; FC 116 bpm. Não há lacerações identificadas ao exame do canal. Após massagem uterina, esvaziamento vesical e ocitocina EV sem resposta adequada, qual é o próximo agente uterotônico de escolha, considerando que a paciente NÃO tem contraindicações?
O quadro é hemorragia pós-parto por atonia uterina (útero amolecido/subinvoluído, dequitação completa, sem laceração), fator de risco: macrossomia. Falhando ocitocina + medidas mecânicas, escalona-se para outro uterotônico: metilergometrina (contraindicada se HAS) ou misoprostol. Ácido tranexâmico é antifibrinolítico coadjuvante, não uterotônico. Sulfato de magnésio e nifedipino são tocolíticos/relaxantes uterinos — agravariam a atonia. Carbetocina é análogo da ocitocina usado na prevenção; repetir análogo de ocitocina que já falhou não é a escalada racional.
Puérpera de 25 anos, parto vaginal há 20 minutos com recém-nascido de 4.100 g, apresenta sangramento vaginal abundante e contínuo. Ao exame, o útero está amolecido e acima da cicatriz umbilical. PA 96x60 mmHg, FC 108 bpm. A placenta saiu íntegra e o canal de parto não apresenta lacerações. Qual é a causa mais provável da hemorragia e a primeira medida a ser tomada?
Útero amolecido, elevado e sangramento profuso após parto de macrossômico (fator de risco), com placenta íntegra e sem lacerações, define atonia uterina — a causa mais comum de hemorragia pós-parto; a primeira medida é massagem uterina + uterotônico (ocitocina) (correta). Restos placentários são improváveis com placenta íntegra. Laceração foi afastada ao exame. Coagulopatia não é a causa inicial aqui. Inversão uterina cursa com fundo não palpável ou massa protruindo pelo colo, não útero amolecido acima da cicatriz.
Puérpera de 25 anos evolui, 20 minutos após parto vaginal, com sangramento vaginal vermelho-vivo abundante. PA 92/58 mmHg, FC 118 bpm. A placenta foi expelida completa e íntegra. À palpação abdominal o útero está acima da cicatriz umbilical, amolecido e mal delimitado ('flácido'). O canal de parto não apresenta lacerações visíveis. Qual é a causa mais provável da hemorragia e a medida inicial de manejo?
Útero amolecido, mal contraído e elevado, com placenta íntegra e sem lacerações, indica atonia uterina — causa mais comum de hemorragia pós-parto. O manejo inicial é massagem uterina (bimanual) associada a uterotônicos (ocitocina, e escalonamento se necessário). A retenção de restos placentários é improvável com placenta descrita completa. A laceração de trajeto foi excluída ao exame. A coagulopatia de consumo não é a primeira hipótese, nem se transfunde plasma antes das medidas básicas. A inversão uterina apresentaria massa protrusa e útero não palpável no abdome.
Primigesta de 30 anos tem parto vaginal de recém-nascido de 4.100 g. Imediatamente após a dequitação, apresenta sangramento vaginal abundante. O útero está palpável, amolecido e acima da cicatriz umbilical, e não se contrai adequadamente à massagem. PA 100/60 mmHg, FC 108 bpm. Já foi iniciada ocitocina em infusão contínua sem resposta satisfatória. Qual é a próxima medida farmacológica mais apropriada, considerando ausência de contraindicações?
Hemorragia pós-parto por atonia uterina refratária à ocitocina: o próximo uterotônico é a metilergometrina IM (ergot), na ausência de hipertensão — correta. Sulfato de magnésio relaxa o útero (piora a atonia). Ácido tranexâmico é antifibrinolítico adjuvante, não uterotônico. Nifedipina e terbutalina são tocolíticos (relaxam o útero), contraindicados na atonia.
Puérpera de 28 anos, parto vaginal há 20 minutos, apresenta sangramento vaginal abundante. Ao exame, útero amolecido e acima da cicatriz umbilical, sem lacerações visíveis no canal. Placenta íntegra e completa. Qual a causa e a primeira medida?
Útero amolecido e alto (não contraído) com placenta íntegra e sem lacerações indica atonia uterina — a causa mais comum de hemorragia pós-parto. A primeira medida é massagem uterina bimanual associada a uterotônico, sendo a ocitocina a droga de primeira linha. Restos placentários são improváveis com placenta descrita como completa. Laceração foi afastada ao exame do canal. Coagulopatia é causa menos comum e não é a primeira hipótese diante de um útero classicamente atônico.
Gestante de 38 semanas chega à maternidade em trabalho de parto. Após a dequitação placentária, apresenta sangramento vaginal volumoso e persistente. Ao exame, o útero está amolecido e mal contraído (útero de Couvelaire ausente), a placenta saiu íntegra e não há lacerações no canal. Está com PA 90x60 mmHg e taquicárdica. Qual é a causa mais provável e a primeira medida terapêutica?
Hemorragia pós-parto com útero amolecido/hipotônico, placenta íntegra e canal sem lacerações caracteriza atonia uterina, a causa mais frequente. A primeira medida é a massagem uterina bimanual associada a uterotônicos (ocitocina). Retenção de restos é descartada pela placenta íntegra. Laceração de trajeto foi afastada ao exame. Coagulopatia primária é rara como causa inicial e a reposição de hemoderivados não precede as medidas mecânicas/farmacológicas de contração uterina.
Logo após um parto vaginal de recém-nascido de 4.100 g, uma puérpera de 33 anos apresenta sangramento vaginal intenso e contínuo. À palpação, o útero está amolecido e mal contraído (atonia). Ela está com pressão arterial de 90x60 mmHg e taquicárdica. Qual é a sequência de medidas iniciais mais apropriada para o manejo dessa hemorragia pós-parto?
Na hemorragia pós-parto por atonia, a conduta inicial combina massagem uterina, uterotônicos (ocitocina em primeira linha) e reposição volêmica com acessos venosos calibrosos, além de ácido tranexâmico. Aguardar é inaceitável em paciente instável. Histerectomia é medida de último recurso, após falha das condutas conservadoras. Ácido tranexâmico isolado sem uterotônicos não trata a causa (atonia).
Puérpera de 24 anos, parto vaginal há 30 minutos em maternidade do SUS, apresenta sangramento vaginal aumentado. Ao exame, útero acima da cicatriz umbilical, amolecido e sem contração adequada; sinais vitais com FC 108 bpm e PA 100x60 mmHg. Placenta saiu íntegra e não há lacerações. Qual a primeira conduta?
O quadro e de hemorragia pos-parto por atonia uterina (utero amolecido, mal contraido, com placenta integra e sem laceracoes). A conduta inicial e massagem uterina associada a uterotonicos, sendo a ocitocina o agente de primeira linha. Histerectomia e medida de exceção apos falha das condutas conservadoras. Aguardar involucao espontanea e inaceitavel diante de sangramento ativo com repercussao hemodinamica. Curetagem nao esta indicada com placenta integra e sem retencao de restos.
Puérpera de 27 anos, cesariana há 30 minutos, apresenta sangramento vaginal volumoso. Ao exame, o útero está amolecido e mal contraído (fundo acima da cicatriz umbilical), sem lacerações visíveis. PA 100x60 mmHg, FC 110 bpm. Após massagem uterina e esvaziamento vesical, qual é a conduta farmacológica de primeira linha?
O quadro é hemorragia pós-parto por atonia uterina (útero amolecido e mal contraído, causa mais comum de HPP). Após medidas mecânicas (massagem uterina, esvaziamento vesical), o uterotônico de primeira linha é a ocitocina endovenosa; se a atonia persistir, escalona-se para metilergometrina (contraindicada em hipertensas) e misoprostol. O ácido tranexâmico é adjuvante importante e deve ser administrado precocemente, mas não substitui os uterotônicos. Sulfato de magnésio é para pré-eclâmpsia/eclâmpsia e, por relaxar o útero, pioraria a atonia. Aguardar resolução espontânea diante de sangramento ativo com taquicardia é conduta inaceitável.
Puérpera de 30 anos, parto vaginal há 20 minutos de recém-nascido de 3.600 g, com dequitação placentária completa, evolui com sangramento vaginal aumentado e persistente. Ao exame: útero palpável acima da cicatriz umbilical, amolecido (hipotônico), sem lacerações visíveis ao exame do canal de parto. PA 100x60 mmHg, FC 100 bpm. Considerando a causa mais provável da hemorragia pós-parto e a conduta inicial mais adequada, respectivamente, qual a melhor opção?
Útero amolecido, aumentado e acima do esperado no puerpério imediato, com placenta completa e sem lacerações, aponta atonia uterina — causa mais comum de hemorragia pós-parto. A conduta inicial é massagem uterina (manobra de compressão) associada a uterotônicos, sendo a ocitocina IV o agente de primeira linha, seguida de ergometrina/misoprostol se necessário. Retenção de restos é afastada pela dequitação completa. Laceração foi descartada ao exame. Coagulopatia não é a causa neste momento e a transfusão de hemoderivados é medida de suporte, não a primeira ação frente à atonia.
Gestante de 33 anos, quarta gestação, com 39 semanas, é admitida no centro obstétrico com feto único em apresentação cefálica. Após parto vaginal espontâneo do recém-nascido, ocorre dequitação da placenta. Cerca de 10 minutos depois, apresenta sangramento vaginal volumoso e contínuo. Ao exame: PA 96x60 mmHg, FC 112 bpm, útero palpável acima da cicatriz umbilical, amolecido e pouco contraído. Não há lacerações visíveis no canal de parto e a placenta saiu íntegra. Diante da hemorragia pós-parto identificada, qual é a causa mais provável e a primeira conduta, respectivamente?
Útero amolecido, mal contraído (hipotônico) e alto, com placenta íntegra e sem lacerações, caracteriza atonia uterina, causa mais comum de hemorragia pós-parto. A primeira conduta é massagem uterina bimanual e uterotônicos, sobretudo ocitocina, além de reposição volêmica. A retenção placentária exigiria placenta incompleta. Laceração cursa com útero bem contraído e sangramento de lesão visível. Coagulopatia não é a causa inicial aqui, e a transfusão de plasma não é a primeira medida antes de tratar a atonia e repor volume.
Uma mulher de 24 anos, primigesta, com 39 semanas de gestação, é admitida na maternidade em trabalho de parto. Após 4 horas de fase ativa, evolui com parto vaginal de recém-nascido de 3.900 g. Cerca de 20 minutos após a dequitação, evolui com sangramento vaginal abundante. Ao exame, o útero encontra-se amolecido e acima da cicatriz umbilical, não se contraindo adequadamente à palpação. A pressão arterial é de 90 x 60 mmHg e a frequência cardíaca é de 112 bpm. A revisão do canal de parto não evidencia lacerações e a placenta encontra-se íntegra. Considerando a principal causa dessa hemorragia e a conduta inicial mais apropriada, respectivamente, tem-se:
Útero amolecido, aumentado de volume e sem contração eficaz após o parto, com sangramento abundante e placenta íntegra, caracteriza atonia uterina, a causa mais comum de hemorragia pós-parto. A conduta inicial é massagem uterina bimanual e uterotônicos (ocitocina). Retenção de restos é descartada pela placenta íntegra; laceração é descartada pela revisão do canal sem lesões; inversão uterina cursaria com massa vaginal/ausência de fundo uterino à palpação abdominal, o que não ocorre.
Mulher, 28 anos, secundigesta, evolui com parto vaginal de recém-nascido de 4.200 g após indução do trabalho de parto por pós-datismo, com segundo período prolongado. Cerca de 10 minutos após a dequitação completa da placenta (íntegra à revisão), apresenta sangramento vaginal aumentado, contínuo. Ao exame: PA 100/60 mmHg, FC 108 bpm, útero palpável acima da cicatriz umbilical, amolecido e de difícil delimitação à palpação abdominal, que se contrai transitoriamente à massagem. A revisão do canal de parto não evidencia lacerações. Qual é a causa MAIS provável da hemorragia e a conduta inicial imediata mais apropriada?
Correta: o quadro reúne os principais fatores de risco para atonia (macrossomia, indução, trabalho de parto prolongado — sobredistensão e fadiga miometrial) e o achado semiológico clássico: útero amolecido, aumentado e mal delimitado que se contrai apenas transitoriamente à massagem, com placenta íntegra e canal sem lacerações. A atonia é o primeiro dos 4 Ts (Tônus) e responde por ~70–80% das HPP; conduta inicial é massagem uterina/bimanual + uterotônico (ocitocina) e medidas de ressuscitação. A placenta foi descrita íntegra à revisão, o que torna retenção improvável como causa primária; curetagem não é o primeiro passo. A revisão do trajeto foi negativa e o útero está amolecido, apontando para tônus, não trauma. Na inversão o fundo uterino não é palpável no abdome (fundo invertido/ausente) e há dor intensa/choque desproporcional — aqui o útero é palpável acima da cicatriz umbilical. Coagulopatia (Trombina) é causa menos comum e geralmente tardia/secundária; não há dados de sangramento difuso ou consumo, e o tratar-primeiro é a atonia evidente.
Puérpera, 32 anos, parto vaginal há 25 minutos, com diagnóstico de atonia uterina. Já foram realizadas massagem uterina bimanual, esvaziamento vesical e ocitocina endovenosa em dose adequada, sem controle do sangramento. A perda estimada é de aproximadamente 1.200 mL. Antecedentes: hipertensão arterial crônica em uso de metildopa, sem outras comorbidades. PA atual 150/95 mmHg, FC 115 bpm. Considerando a diretriz de manejo escalonado dos uterotônicos, qual é a droga de segunda linha CONTRAINDICADA neste caso e qual seria a alternativa uterotônica mais apropriada a seguir?
Correta: a metilergometrina (ergometrina/derivado do ergot) é vasoconstritora e CONTRAINDICADA na hipertensão/pré-eclâmpsia por risco de crise hipertensiva e AVC — exatamente o cenário desta puérpera hipertensa com PA 150/95. Como próximo uterotônico, opta-se por misoprostol (análogo de prostaglandina E1, seguro no hipertenso) ou carbetocina, mantendo-se o ácido tranexâmico como adjuvante. A ocitocina já foi usada em dose adequada e é o uterotônico de primeira linha, não a droga 'contraindicada' em foco; repeti-la isoladamente não é a melhor escalada. O misoprostol NÃO é contraindicado no hipertenso; a lógica está invertida — quem é contraindicada é a ergometrina. O ácido tranexâmico (antifibrinolítico) é recomendado e não contraindicado aqui; a sulprostona também é prostaglandina e não é 'alternativa por contraindicação do TXA'. A ergometrina é justamente a contraindicada no hipertenso, não a alternativa; carboprosta (PGF2α) tem cautela na asma, mas propor ergometrina EV no hipertenso é incorreto e perigoso.
Mulher, 30 anos, cesariana há 30 minutos por falha de progressão, evolui com hemorragia. Recebeu ocitocina, metilergometrina e misoprostol, além de massagem uterina, sem controle. A perda estimada já ultrapassa 1.500 mL e há sinais de instabilidade hemodinâmica em correção com cristaloides e hemocomponentes. Ao exame direto, o útero encontra-se hipotônico apesar da terapia farmacológica máxima. A equipe decide por medida de contenção mecânica intrauterina antes de escalonar para condutas cirúrgicas mais invasivas. Qual é o próximo passo mais apropriado nesse fluxograma de manejo da atonia refratária?
Correta: Na atonia refratária à terapia uterotônica máxima, o passo seguinte no fluxograma escalonado — antes das medidas cirúrgicas mais invasivas — é o tamponamento intrauterino com balão (ex.: Bakri), que oferece contenção mecânica e pode ser definitivo ou servir de ponte. A histerectomia é medida de último recurso, indicada após falha das opções conservadoras; não deve ser 'de imediato' sem tentar tamponamento/suturas compressivas. O ácido tranexâmico é adjuvante importante e deve ser administrado precocemente, mas 'apenas observar por 60 minutos' com sangramento maciço e instabilidade é inaceitável. A embolização das artérias uterinas depende de radiologia intervencionista/estabilidade e não precede o tamponamento simples e imediatamente disponível; não é o próximo passo padrão nesse ponto. Repetir metilergometrina após terapia uterotônica máxima já instituída não é a próxima etapa e há risco de teto de dose/efeitos adversos; o algoritmo indica progressão para o tamponamento mecânico.
Mulher, 27 anos, primigesta, evolui com parto vaginal a termo após indução por ocitocina em trabalho de parto prolongado. Cerca de 10 minutos após a dequitação (placenta íntegra), apresenta sangramento vaginal volumoso e contínuo. Ao exame: PA 100x60 mmHg, FC 108 bpm; útero palpável acima da cicatriz umbilical, amolecido e que não se contrai adequadamente à palpação. A inspeção do canal de parto não evidencia lacerações. Qual é a causa MAIS provável da hemorragia pós-parto neste caso?
Correta: o quadro clássico de atonia uterina é o útero amolecido/hipotônico ('em bolsa de borracha'), acima da cicatriz umbilical e que não contrai, com sangramento contínuo — é a causa de ~70-80% das HPP (o 'Tônus' dos 4 Ts). Os fatores de risco estão todos presentes: trabalho de parto prolongado e uso de ocitocina. Trauma: incorreta, pois o enunciado afirma canal de parto sem lacerações e o útero estaria contraído. Tecido: a placenta foi descrita como íntegra, tornando restos improváveis como causa principal. Trombina/coagulopatia: possível, mas é diagnóstico de exclusão e não há evidência de sangramento em outros sítios ou distúrbio prévio. Rotura uterina cursaria com dor abdominal intensa, instabilidade desproporcional e frequentemente perda do foco/subida da apresentação, não com útero amolecido palpável no abdome.
Mulher, 32 anos, secundípara, teve parto vaginal a termo de recém-nascido de 4.100 g, com uso de fórceps. Logo após a dequitação, apresenta sangramento vaginal vermelho-vivo, intenso e em jato. PA 110x70 mmHg, FC 100 bpm. À palpação abdominal, o útero encontra-se firme, bem contraído e no nível esperado; a revisão da placenta mostra cotilédones e membranas completos. A ocitocina profilática já havia sido administrada. Qual é a conduta mais adequada para o próximo passo?
Correta: Diante de sangramento ativo com útero BEM CONTRAÍDO e placenta íntegra, a atonia (Tônus) e a retenção (Tecido) estão afastadas; o raciocínio aponta para o 'Trauma' dos 4 Ts. Os fatores de risco são macrossomia (4.100 g) e parto instrumentado com fórceps, que predispõem a lacerações de trajeto/cervicais. A conduta correta é a revisão sistemática do canal de parto sob boa exposição e a sutura da laceração. São o tratamento da atonia — inúteis quando o útero já está contraído. A placenta já saiu íntegra, não há o que extrair. Histerectomia é medida de último recurso, jamais o primeiro passo diante de uma provável laceração suturável.
Mulher, 34 anos, com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, evolui com parto vaginal a termo. No pós-parto imediato apresenta hemorragia por atonia uterina. Já foram realizadas massagem uterina bimanual e infusão de ocitocina 40 UI EV, sem controle do sangramento. No momento: PA 168x112 mmHg, FC 112 bpm, útero ainda hipotônico. Antecedente de asma brônquica moderada. Qual é o agente uterotônico de segunda linha MAIS adequado para esta paciente?
Correta: Falhando a ocitocina, escala-se para um uterotônico de segunda linha, mas a escolha deve respeitar as comorbidades. O misoprostol (análogo de prostaglandina E1) é seguro na hipertensão e na asma, sendo a opção adequada aqui. A metilergometrina (derivado do ergot) é vasoconstritora e formalmente CONTRAINDICADA na hipertensão/pré-eclâmpsia — risco de crise hipertensiva e AVC. A carboprosta (PGF2-alfa) é CONTRAINDICADA na asma por causar broncoespasmo. Bolus EV rápido de ocitocina provoca vasodilatação e hipotensão abrupta, além de a paciente já ter recebido dose plena — a via correta é infusão diluída, não bolus rápido. O ácido tranexâmico é um antifibrinolítico ADJUVANTE (deve ser dado idealmente em até 3 h), mas NÃO é uterotônico e não substitui o controle do tônus uterino.
Mulher, 32 anos, G4P4, é submetida a parto vaginal de recém-nascido de 4.200 g após trabalho de parto prolongado com necessidade de ocitocina para condução. Cerca de 15 minutos após a dequitação, apresenta sangramento vaginal abundante e contínuo. Ao exame: útero amolecido, aumentado de volume, com fundo palpável acima da cicatriz umbilical; placenta revisada e íntegra; inspeção do canal de parto sem lacerações. PA 100/60 mmHg, FC 105 bpm, SatO2 98%. A causa mais provável da hemorragia pós-parto é:
Correta: a hemorragia pós-parto precoce (>500 mL em parto vaginal) com útero amolecido, aumentado e mal contraído define atonia uterina — o primeiro dos 4 Ts (Tônus) e responsável por ~70-80% dos casos. Os fatores de risco estão todos presentes na vinheta: multiparidade, sobredistensão (macrossomia de 4.200 g), trabalho de parto prolongado e uso de ocitocina. Laceração (Trauma) cursa com útero bem contraído/globoso e sangramento vivo apesar da boa contração — aqui o canal foi inspecionado e está íntegro. Retenção de tecido exigiria placenta incompleta, mas ela foi revisada e está íntegra. Coagulopatia (Trombina) é diagnóstico de exclusão e não explica o útero amolecido, que aponta diretamente para o tônus. Inversão uterina apresenta fundo uterino não palpável no abdome ou massa protrusa no canal, com dor intensa e choque desproporcional — incompatível com o fundo palpável acima da cicatriz umbilical.
Puérpera de 27 anos, primípara, evolui com sangramento vaginal ativo e em jato logo após parto vaginal instrumentado (fórceps) de recém-nascido de 3.600 g. Ao exame físico: útero firme, bem contraído, formando globo de segurança de Pinard ao nível da cicatriz umbilical; placenta e membranas revisadas e completas. Apesar da massagem uterina e da manutenção da ocitocina em infusão, o sangramento persiste. PA 110/70 mmHg, FC 98 bpm. Qual o próximo passo mais apropriado para elucidar a causa do sangramento?
Correta: o raciocínio tem dois passos. Primeiro: o útero firme e bem contraído (globo de Pinard) afasta atonia (Tônus) como causa. Segundo: com útero contraído, placenta completa e sangramento persistente após parto instrumentado, a causa mais provável é Trauma — laceração de colo, vagina ou períneo — que só é diagnosticada pela inspeção sistemática do canal sob visualização direta. Mais ocitocina não trata sangramento de origem traumática e o útero já está contraído. Curagem/curetagem se aplica à retenção de tecido, mas a placenta foi revisada e está completa. Metilergometrina é uterotônico para atonia, já descartada pelo útero firme. Histerectomia é medida de exceção após falha das condutas conservadoras — precipitá-la antes mesmo de identificar a laceração é desproporcional.
Puérpera de 35 anos, com diagnóstico de pré-eclâmpsia e níveis pressóricos de 160/105 mmHg durante o trabalho de parto, evolui no pós-parto imediato com hemorragia por atonia uterina. Foram realizadas massagem uterina bimanual, esvaziamento vesical e ocitocina (bolus seguido de infusão contínua), sem controle adequado do sangramento. O útero permanece hipotônico e a paciente mantém sangramento vaginal significativo. PA atual 165/108 mmHg, FC 110 bpm. Assinale o próximo agente uterotônico mais apropriado para esta paciente:
Correta: Na atonia refratária à ocitocina, escala-se para um segundo uterotônico. Como a paciente é hipertensa (pré-eclâmpsia, PA 165/108 mmHg), os derivados do ergot (metilergometrina) estão CONTRAINDICADOS por provocarem vasoconstrição e piora da hipertensão, com risco de crise hipertensiva/AVC. O misoprostol (análogo de PGE1), 800 mcg por via retal, é seguro no hipertenso e é a escolha adequada aqui. Metilergometrina é justamente a opção contraindicada pela hipertensão. Bolus IV rápido de ocitocina causa hipotensão e taquicardia e é formalmente evitado; além disso já se usou ocitocina sem resposta. Ácido tranexâmico é adjuvante antifibrinolítico (reduz mortalidade quando administrado precocemente), mas NÃO é uterotônico e não substitui o segundo agente contrátil. Dobrar a ocitocina sem limite não vence a refratariedade e expõe a hiponatremia e efeitos cardiovasculares — a conduta correta é trocar de classe de fármaco.
Mulher, 28 anos, G2P2, evolui com sangramento vaginal volumoso imediatamente após parto vaginal de recém-nascido de 4.100 g, no qual foi utilizado fórceps de alívio. Ao exame: PA 100/60 mmHg, FC 104 bpm, corada. À palpação abdominal, o útero encontra-se firme, contraído e no nível da cicatriz umbilical. O sangramento é vivo, rutilante e contínuo pela vulva. A placenta foi expelida íntegra e o exame do canal de parto ainda não foi realizado. Qual a causa mais provável do sangramento?
Correta: o achado-chave é o útero FIRME, contraído e bem posicionado, o que exclui atonia como origem do sangramento. Diante de sangramento rutilante e contínuo com útero contraído, o mecanismo é o 'T' de Trauma (laceração do canal). Os fatores de risco reforçam: macrossomia (4.100 g) e parto instrumentalizado com fórceps predispõem a lacerações de trajeto/colo. A conduta seria a revisão sistemática do canal de parto. Distratores: Atonia cursa com útero amolecido/subinvoluído, o oposto do descrito; Restos placentários são improváveis com placenta expelida íntegra e útero contraído; CIVD é exclusão, sem coagulopatia clínica ou sangramento em outros sítios; Inversão uterina cursa com útero não palpável no abdome e massa vaginal/dor intensa, ausentes aqui.
Mulher, 32 anos, com diagnóstico de pré-eclâmpsia, submetida a parto vaginal. Cerca de 15 minutos após a dequitação, apresenta sangramento vaginal abundante. À palpação, o útero está amolecido, acima da cicatriz umbilical e não se mantém contraído apesar de massagem uterina bimanual e da administração de ocitocina intravenosa. PA 150/100 mmHg, FC 110 bpm. Placenta íntegra e canal de parto sem lacerações. Qual o próximo agente uterotônico mais apropriado?
Correta: o quadro é de atonia uterina (útero amolecido/subinvoluído) refratária à primeira linha (massagem + ocitocina). O uterotônico de segunda linha habitual seria a metilergometrina, PORÉM ela é contraindicada na hipertensão/pré-eclâmpsia por risco de crise hipertensiva — por isso o próximo uterotônico indicado é o misoprostol. Distratores: Metilergometrina é o 'pega-ratão' — correta na paciente normotensa, mas contraindicada aqui pela HAS; Ácido tranexâmico é antifibrinolítico adjuvante recomendado, mas NÃO é uterotônico, que é o que o comando pede; Sulfato de magnésio trata/previne eclâmpsia e relaxa a musculatura uterina, podendo até piorar a atonia; Ocitocina em bolus rápido é contraindicada (hipotensão/arritmia) e a paciente já não respondeu à ocitocina.
Mulher, 30 anos, G3P3, evolui com hemorragia pós-parto nas primeiras 2 horas após parto vaginal a termo. A investigação etiológica das hemorragias puerperais é sistematizada pela regra mnemônica dos '4 Ts' (Tônus, Trauma, Tecido e Trombina). Qual é a causa mais frequente de hemorragia pós-parto?
Correta: a atonia uterina (o 'T' de Tônus) responde por cerca de 70-80% dos casos de hemorragia pós-parto, sendo disparadamente a causa mais comum e a primeira hipótese a ser considerada. Distratores, todos possíveis mas menos frequentes: Trauma (lacerações) é a segunda causa; Retenção de tecido (restos placentários/acretismo) responde por parcela menor; Trombina (coagulopatias) é causa incomum; A inversão uterina é evento raro. Todos integram os 4 Ts, mas apenas a atonia é a etiologia predominante.
Secundigesta de 29 anos, 40 semanas, sem intercorrências no pré-natal, evolui em maternidade do SUS com parto vaginal espontâneo de recém-nascido a termo, vigoroso, que é imediatamente colocado em contato pele a pele com a mãe. Logo após o desprendimento fetal, a puérpera encontra-se estável, sem sangramento anormal, e a equipe se organiza para conduzir o terceiro período do parto (dequitação). Com o objetivo de reduzir o risco de hemorragia pós-parto, principal causa de morte materna evitável no Brasil, qual conduta corresponde ao manejo ativo do terceiro período do parto recomendado pelo Ministério da Saúde?
O manejo ativo do terceiro período reduz a hemorragia pós-parto e tem como pilar o uterotônico profilático, sendo a ocitocina 10 UI IM logo após o nascimento a droga de escolha (correta). A tração controlada do cordão deve ser suave e associada ao uterotônico, não vigorosa e isolada. A metilergometrina não é primeira escolha, é contraindicada em hipertensas e nunca deve ser administrada antes da saída completa do feto. Postergar o uterotônico e só usá-lo diante de sangramento caracteriza conduta expectante, oposta ao manejo ativo.
Uma mulher de 28 anos teve parto vaginal a termo há 20 minutos em maternidade do SUS. A placenta foi dequitada de forma completa e, revisada, mostrou-se íntegra. A paciente evolui com sangramento vaginal vermelho-vivo, contínuo e volumoso. Ao exame: PA 100/60 mmHg, FC 105 bpm, e o útero está firmemente contraído, globoso e bem abaixo da cicatriz umbilical. Foram realizadas massagem uterina e ocitocina endovenosa, sem qualquer redução do sangramento. O recém-nascido pesou 4.100 g e o período expulsivo foi rápido. Qual a causa mais provável do sangramento e a conduta imediata?
Útero firme e bem contraído com sangramento ativo afasta atonia (Tônus) e aponta para Trauma — laceração do trajeto, favorecida por macrossomia (4.100 g) e expulsivo rápido; a conduta é inspeção do canal e sutura. É o raciocínio dos 4 Ts. Atribuir à atonia contraria o achado de útero contraído. Suspeitar de restos placentários é improvável com placenta revisada e íntegra. A coagulopatia de consumo é diagnóstico de exclusão, sem sinais que a sustentem aqui.
Uma paciente de 34 anos, com diagnóstico de pré-eclâmpsia (PA atual 160/105 mmHg), evolui com hemorragia pós-parto logo após parto vaginal em maternidade do SUS. Ao exame, o útero encontra-se amolecido, aumentado e mal contraído, configurando atonia uterina. Já foram realizadas massagem uterina bimanual e ocitocina endovenosa, sem controle do sangramento, e a placenta saiu íntegra. Diante da persistência da atonia e considerando as comorbidades da paciente, qual é o agente uterotônico de segunda linha mais apropriado para a sequência do manejo?
Na atonia refratária à ocitocina, o próximo uterotônico seria a metilergometrina, mas ela é derivado do ergot e está contraindicada na hipertensão/pré-eclâmpsia por risco de crise hipertensiva; logo, o misoprostol é a escolha. É justamente a contraindicada. O sulfato de magnésio relaxa o miométrio e agravaria a atonia. Omitir uterotônico frente a sangramento ativo é conduta inadequada.
Uma mulher de 25 anos, G3P3, teve parto vaginal a termo em maternidade do SUS após trabalho de parto prolongado com uso prolongado de ocitocina para condução. Imediatamente após a dequitação, apresenta sangramento vaginal intenso. Ao exame: PA 110/70 mmHg, FC 98 bpm, e o útero está amolecido, aumentado de volume e sem tônus adequado à palpação. A placenta saiu completa e o canal de parto, à inspeção, não apresenta lacerações. Considerando o quadro descrito, qual é a causa mais comum de hemorragia pós-parto e a conduta inicial indicada?
A atonia uterina é a causa mais frequente de hemorragia pós-parto (o primeiro 'T' — Tônus), favorecida por trabalho de parto prolongado, uso de ocitocina e multiparidade; o útero amolecido e mal contraído confirma o diagnóstico, e a conduta inicial é massagem uterina associada a ocitocina. Canal sem lacerações. Placenta íntegra e completa. Na inversão o útero não é palpável no abdome, o que não ocorre aqui.
Uma mulher de 32 anos, G4P4, é atendida na maternidade de um hospital do SUS logo após parto vaginal de recém-nascido de 4.100 g, cujo trabalho de parto foi prolongado e conduzido com ocitocina. Cerca de 10 minutos após a dequitação da placenta, que se apresentou íntegra, a paciente evolui com sangramento vaginal volumoso e vermelho-vivo. Ao exame, apresenta PA de 90x60 mmHg, FC de 112 bpm e útero palpável acima da cicatriz umbilical, amolecido e com contorno impreciso à palpação abdominal. A revisão do canal de parto não evidencia lacerações. Considerando o quadro descrito, qual é, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta inicial mais apropriada?
O útero amolecido, aumentado e sem contração adequada após dequitação de placenta íntegra, num contexto de fatores de risco (macrossomia, trabalho de parto prolongado, multiparidade e uso de ocitocina), caracteriza atonia uterina — o primeiro dos 4 Ts (Tônus) e a causa mais comum de hemorragia pós-parto. A conduta inicial preconizada pelo Ministério da Saúde é a massagem uterina (incluindo a bimanual) associada a uterotônicos, sendo a ocitocina o de primeira linha. Placenta íntegra afasta retenção de restos, e histerectomia é medida de exceção após falha das etapas iniciais. A revisão do canal não mostrou lacerações e o útero está amolecido, o que aponta tônus, não trauma. Coagulopatia é causa menos provável e tardia; não há dados sugerindo consumo, e a transfusão isolada não trata a causa.
Uma primigesta de 24 anos evolui, imediatamente após parto vaginal com uso de fórceps por período expulsivo prolongado, com sangramento vaginal contínuo e vermelho-vivo, em jato, apesar de bom estado geral. Ao exame físico, o útero encontra-se firme, bem contraído e no nível da cicatriz umbilical à palpação abdominal. A placenta foi dequitada de forma completa e íntegra. A paciente mantém PA de 110x70 mmHg e FC de 96 bpm, e o sangramento persiste mesmo após administração de ocitocina. Diante desse quadro, qual é a causa mais provável do sangramento e a conduta mais adequada?
Sangramento ativo com útero bem contraído (tônus preservado) e que não responde a uterotônicos, sobretudo após parto instrumentado (fórceps) e período expulsivo prolongado, aponta para trauma do canal de parto — outro dos 4 Ts (Trauma). A conduta correta é a revisão sistemática do canal de parto e sutura das lacerações sob boa visualização e analgesia. O útero firme e contraído afasta atonia, e repetir ocitocina não corrige lesão de trajeto. Coagulopatia é improvável com útero contraído e sem outros sinais de sangramento difuso; não se deve postergar o exame do canal. Na inversão uterina o fundo não é palpável na posição habitual e há dor e choque desproporcionais, o que não ocorre aqui.
Uma puérpera de 35 anos, submetida a cesariana de urgência há 30 minutos por sofrimento fetal, apresentou durante o procedimento hipotensão abrupta, hipoxemia e broncoespasmo, revertidos com aminas vasoativas e ventilação mecânica. Agora, na sala de recuperação de um hospital do SUS, evolui com sangramento vaginal intenso, útero contraído e bem globoso ao toque, sangramento em lençol na incisão e nos locais de punção. PA 80x40 mmHg, FC 130 bpm. Exames: hemoglobina 6,2 g/dL, plaquetas 38.000/mm³, fibrinogênio 70 mg/dL, TP e TTPa alargados, D-dímero muito elevado. Não há laceração de trajeto identificada e não houve retenção de restos placentários.
O útero contraído afasta atonia, e o sangramento difuso (incisão e punções) com plaquetopenia, hipofibrinogenemia grave, TP/TTPa alargados e D-dímero elevado, após colapso cardiorrespiratório intraoperatório, caracteriza CIVD por embolia de líquido amniótico. O tratamento é de suporte com reposição dirigida de hemocomponentes — hemácias, crioprecipitado/fibrinogênio (alvo acima de 200 mg/dL) e plaquetas — associada a ácido tranexâmico. Uterotônicos não corrigem coagulopatia com útero já contraído. Laparotomia sem correção hematológica perpetua o sangramento em lençol, pois a causa não é cirúrgica. A PTT não explica o quadro: cursa com anemia hemolítica microangiopática e consumo, mas sem hipofibrinogenemia e alargamento de TP/TTPa.
Uma mulher de 24 anos, primigesta, com 39 semanas e 4 dias de idade gestacional confirmada por ultrassonografia de primeiro trimestre, é admitida em trabalho de parto na maternidade de referência do SUS. Pré-natal com nove consultas na unidade de saúde da família, sem intercorrências, sorologias não reagentes e hemoglobina de 12,1 g/dL. A evolução do trabalho de parto foi fisiológica, com deambulação livre e acompanhante presente. Ocorre parto vaginal espontâneo, em posição semissentada, de recém-nascido do sexo feminino, com 3.250 g, tônus e choro presentes ao nascer. Imediatamente após o desprendimento fetal, a médica plantonista, ainda antes da dequitação, planeja as medidas de rotina para prevenir a hemorragia pós-parto. Considerando as recomendações da Organização Mundial da Saúde e as diretrizes nacionais de assistência ao parto normal, qual é a conduta indicada?
A conduta ativa do terceiro período é a intervenção de maior impacto na prevenção da hemorragia pós-parto e é recomendada pela OMS e pelas Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal: uterotônico profilático — ocitocina 10 UI IM é o de escolha — logo após o nascimento, seguido de tração controlada do cordão com contratração suprapúbica por profissional habilitado. A massagem uterina sustentada de rotina não substitui o uterotônico profilático e não demonstrou benefício quando a ocitocina é usada. A conduta expectante pura aumenta o volume de sangramento e o risco de HPP; além disso, a metilergometrina não é o uterotônico de primeira linha e é contraindicada em hipertensas. A extração manual de rotina é intervenção invasiva reservada à retenção placentária/hemorragia, e a ocitocina em bolus endovenoso rápido pode causar hipotensão grave.
Uma mulher de 32 anos, G4P4, é atendida na maternidade de referência do SUS após parto vaginal de recém-nascido de 4.150 g, ao final de trabalho de parto prolongado (18 horas) conduzido com ocitocina. A dequitação foi espontânea e a placenta apresentava-se íntegra. Trinta minutos após o parto, apresenta sangramento vaginal vermelho-escuro, volumoso e contínuo, estimado em 900 mL. Ao exame: descorada (++/4+), PA 96 x 58 mmHg, FC 118 bpm, útero palpável 3 cm acima da cicatriz umbilical, amolecido e de contornos mal delimitados. Foram realizadas massagem uterina, esvaziamento vesical e ocitocina 10 UI intramuscular, sem melhora do tônus. Não há antecedente de hipertensão. Qual é a conduta a ser adotada neste momento?
Trata-se de hemorragia pós-parto por atonia uterina (útero amolecido, acima da cicatriz umbilical, em contexto de trabalho de parto prolongado, uso prolongado de ocitocina e macrossomia — fatores clássicos de sobredistensão/exaustão miometrial). O protocolo do Ministério da Saúde/OPAS ("Zero Morte Materna por Hemorragia") preconiza, diante de falha da primeira medida, escalonar uterotônicos — metilergometrina IM (permitida por não haver hipertensão) e/ou misoprostol — mantendo massagem e ocitocina em infusão, associando ácido tranexâmico (indicado em até 3 horas do início do sangramento) e reposição volêmica, com o balão e as medidas cirúrgicas reservados à refratariedade. Curetagem é incorreta: a placenta estava íntegra e não há evidência de restos ovulares; além disso, o útero atônico curetado tem alto risco de perfuração. Histerectomia é medida de exceção, indicada apenas após falha das medidas clínicas e conservadoras, e não após uma única dose de uterotônico. Suspender uterotônicos para inserir o balão inverte a ordem do protocolo e agrava a atonia — o balão é adjuvante às drogas, não substituto.
Uma primigesta de 21 anos evolui com parto vaginal em maternidade vinculada ao SUS, com uso de fórceps de alívio por período expulsivo prolongado e episiotomia médio-lateral. A placenta foi dequitada íntegra em 8 minutos, e foram administradas 10 UI de ocitocina intramuscular no manejo ativo do terceiro período. Quarenta minutos após o parto, mantém sangramento vaginal vermelho-vivo, em jato intermitente, já estimado em 800 mL. Ao exame: PA 104 x 62 mmHg, FC 104 bpm, útero contraído, endurecido, globoso, a 2 cm abaixo da cicatriz umbilical, e a episiorrafia encontra-se íntegra e sem hematoma. Qual é a conduta mais adequada?
O útero está bem contraído (globo de segurança de Pinard) e a placenta saiu íntegra: dentro dos 4 Ts (Tônus, Trauma, Tecido, Trombina), a atonia e a retenção de tecido ficam afastadas, e o sangramento vermelho-vivo em jato após parto instrumentado com fórceps aponta fortemente para TRAUMA — laceração de canal de parto (cervical ou vaginal). A conduta é a revisão sistemática do canal com valvas, iluminação e analgesia, com sutura das lacerações identificadas. Repetir ocitocina é incorreto, pois trata tônus que já está adequado, apenas retardando o diagnóstico enquanto a paciente sangra. Misoprostol tem a mesma falha de raciocínio: é uterotônico para atonia, que não é o caso aqui. A laparotomia com B-Lynch é desproporcional e sem indicação: a sutura compressiva trata atonia refratária, e não há sinais de rotura uterina (dor abdominal intensa, instabilidade grave, perda da apresentação, útero mal delimitado) — nesta paciente o útero está firme e bem contraído.
Uma mulher de 28 anos, G3P3, encontra-se na sala de parto de uma maternidade do SUS logo após parto vaginal a termo, sem intercorrências, com dequitação espontânea de placenta íntegra e completa. Cerca de 15 minutos depois, a equipe de enfermagem observa sangramento vaginal vermelho-escuro, abundante e contínuo, com formação de coágulos, já com perda estimada em 700 mL. Ao exame físico: consciente, PA 108 x 64 mmHg, FC 102 bpm, bexiga vazia; à palpação abdominal, o útero encontra-se amolecido, flácido e mal delimitado, acima da cicatriz umbilical. O canal de parto foi revisado e não apresenta lacerações. Quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta inicial?
O quadro é o de hemorragia pós-parto por atonia uterina — a causa mais frequente de HPP (cerca de 70-80% dos casos) e a principal causa de morte materna evitável no Brasil. O achado semiológico é característico: útero amolecido, flácido, mal delimitado e acima da cicatriz umbilical, com sangramento abundante, tendo sido afastadas as demais causas dos 4 Ts (placenta íntegra afasta tecido; revisão do canal sem lacerações afasta trauma; ausência de sangramento incoagulável ou fator de risco afasta trombina). A conduta inicial, segundo o Ministério da Saúde, é a massagem uterina associada à ocitocina, além de esvaziamento vesical e reposição volêmica. Retenção de restos placentários é incorreta porque a placenta foi descrita como íntegra e completa. Coagulopatia é improvável neste momento, pois há coágulos formados (indicando coagulação preservada) e nenhum fator predisponente. A inversão uterina não corresponde ao exame: nela, o fundo uterino não é palpável no abdome (ou há depressão em cratera), com massa endurecida exteriorizada pela vagina, e cursa com dor e choque desproporcionais.
Uma mulher de 24 anos, primigesta, está em uma maternidade vinculada ao SUS, 20 minutos após parto vaginal espontâneo a termo, com feto de 3.450 g, cujo período expulsivo foi rápido e assistido com episiotomia médio-lateral. A placenta foi dequitada espontaneamente, íntegra e completa. A puérpera apresenta sangramento vaginal vermelho-vivo, contínuo e em jato, com perda estimada em 700 mL. Ao exame, encontra-se corada, com pressão arterial de 110 x 70 mmHg e frequência cardíaca de 92 bpm. À palpação abdominal, o útero está firmemente contraído, globoso e com fundo situado 2 cm abaixo da cicatriz umbilical. A massagem uterina e a administração de ocitocina não modificaram o padrão do sangramento. Considerando o quadro descrito, quais são, respectivamente, a causa mais provável da hemorragia e a conduta imediata?
O raciocínio exige dois passos: (1) reconhecer que o útero firmemente contraído e bem involuído afasta a atonia, que responde por cerca de 70% das hemorragias pós-parto; (2) dentro dos 4 Ts (Tônus, Trauma, Tecido, Trombina), o sangramento vermelho-vivo, contínuo e em jato, com útero contraído, após parto rápido com episiotomia, aponta para Trauma do canal de parto. A conduta preconizada pelo Ministério da Saúde/OMS e pelo protocolo Zero Morte Materna por Hemorragia é a revisão sistemática do canal (vulva, vagina, colo) sob boa iluminação e visualização direta, com sutura das lacerações. Atonia uterina está incorreta: o útero contraído e a ausência de resposta à ocitocina e à massagem excluem falha de tônus, e o misoprostol não trata sangramento traumático. Retenção de restos placentários está incorreta: a placenta foi descrita como íntegra e completa e, nesse caso, o útero tenderia a estar amolecido/aumentado. Coagulopatia de consumo está incorreta: é causa tardia/secundária, não haveria sangramento em jato localizado com útero contraído e, sobretudo, adiar o controle da fonte local do sangramento em favor de exames é conduta inadequada.
Mulher de 32 anos, secundípara, é atendida em maternidade vinculada ao SUS após parto vaginal a termo, sem intercorrências. Quinze minutos após a dequitação espontânea, apresenta sangramento vaginal ativo, vermelho-vivo e contínuo, estimado em 700 mL. Ao exame, o útero está firmemente contraído, dois dedos abaixo da cicatriz umbilical. A placenta foi revisada e encontra-se íntegra, com membranas completas. PA: 100/60 mmHg; FC: 106 bpm. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Correta: útero bem contraído e placenta íntegra afastam tônus e tecido; com sangramento vermelho-vivo persistente, a causa provável entre os 4 Ts é trauma (laceração de trajeto, colo ou episiotomia), e o próximo passo é a revisão sistemática do canal de parto com boa iluminação/afastamento e sutura hemostática. Misoprostol atua sobre a contratilidade e nada acrescenta em útero já contraído. Massagem e ocitocina tratam atonia, já excluída pelo exame. Histerectomia é medida de exceção, apenas após falha do manejo escalonado e nunca antes de identificar a fonte do sangramento.
Mulher de 26 anos, primípara, teve parto vaginal a termo em maternidade do SUS. Logo após a dequitação, apresenta sangramento vaginal volumoso, estimado em 800 mL. Ao exame, o útero encontra-se amolecido, flácido e com fundo acima da cicatriz umbilical; a placenta está íntegra e a revisão do canal de parto não mostra lacerações. PA: 105/65 mmHg; FC: 98 bpm. Qual é o diagnóstico e a conduta inicial mais apropriada?
Correta: útero amolecido e elevado, com placenta íntegra e trajeto sem lesões, define atonia uterina — causa mais frequente de hemorragia pós-parto. A conduta inicial é massagem uterina associada a uterotônico, sendo a ocitocina intravenosa a droga de primeira linha, com reposição volêmica concomitante. Restos placentários são improváveis com placenta íntegra e exigiriam confirmação. Laceração foi afastada pela revisão do canal e cursaria com útero contraído. Coagulopatia é causa tardia (T de trombina), não justifica o achado de útero flácido e não se trata empiricamente com plasma nesse cenário.
Mulher de 29 anos, em seu terceiro parto vaginal a termo, em maternidade do SUS. Após dequitação espontânea, o exame da placenta mostra ausência de um cotilédone e membranas irregulares. Vinte minutos depois, mantém sangramento vaginal moderado e persistente; o útero está pouco contraído, com resposta apenas parcial à massagem uterina e à ocitocina em infusão contínua. PA: 108/68 mmHg; FC: 100 bpm. Qual é a conduta mais adequada?
Correta: placenta incompleta com sangramento persistente e resposta parcial aos uterotônicos aponta para o T de tecido — restos placentários impedem a contração eficaz do útero. O tratamento é a exploração da cavidade (curagem/curetagem) com remoção dos restos, sob analgesia adequada e com antibioticoprofilaxia. Repetir uterotônico não resolve a causa mecânica e apenas retarda o tratamento. O balão de tamponamento é indicado na atonia refratária sem restos e pode inclusive mascarar sangramento com a cavidade ocupada. Histerectomia é medida de último recurso, após falha das condutas conservadoras.
Secundigesta de 28 anos, 40 semanas, tem parto vaginal espontâneo a termo em maternidade do SUS, sem intercorrências; o recém-nascido está vigoroso, em contato pele a pele. Logo após o desprendimento fetal, a placenta ainda não dequitou e o sangramento vaginal é discreto. O útero está contraído e a paciente permanece estável. A instituição adota protocolo de prevenção da hemorragia pós-parto. Qual é a medida de maior impacto a ser adotada neste momento?
O manejo ativo do terceiro período é a intervenção de maior impacto na prevenção da hemorragia pós-parto, principal causa de morte materna evitável no Brasil. Seu componente essencial e de maior evidência é o uterotônico profilático — ocitocina 10 UI IM (ou EV lenta/diluída) logo após o nascimento —, complementado pela tração controlada do cordão realizada por profissional habilitado, com contratração suprapúbica e apenas quando há sinais de dequitação. Conduta apenas expectante, sem uterotônico, eleva o risco de hemorragia e não é a de maior impacto. Extração manual imediata da placenta é indicada somente na retenção placentária ou em hemorragia com dequitação impossível, e aumenta risco de infecção, inversão uterina e trauma. A manobra de Kristeller é prática comprovadamente prejudicial (risco de trauma materno e fetal, rotura uterina), formalmente proscrita pelas diretrizes; tração vigorosa do cordão sem contratração pode causar inversão uterina.
Mulher de 27 anos teve parto vaginal há cerca de 20 minutos em maternidade vinculada ao SUS. Passa a apresentar sangramento vaginal aumentado, com perda estimada em 900 mL. Ao exame: PA 100/60 mmHg, FC 104 bpm, útero firme e bem contraído ao nível da cicatriz umbilical. A placenta foi expulsa íntegra. À inspeção do canal de parto, identifica-se laceração cervical ativamente sangrante. Qual é a conduta inicial mais adequada?
Correta: útero firme e contraído afasta a atonia (T de tônus); sangramento com útero bem contraído aponta para trauma do canal — a laceração cervical visível deve ser suturada, corrigindo a causa. Erradas: nova ocitocina + massagem tratariam atonia, já descartada pelo exame; histerectomia é desproporcional para uma lesão suturável; misoprostol é uterotônico e não corrige lesão traumática.
Puérpera de 32 anos evolui, após parto vaginal em hospital do SUS, com hemorragia pós-parto por atonia uterina. Já recebeu ocitocina endovenosa e foi feita massagem uterina bimanual, sem controle satisfatório do sangramento. Tem antecedente de pré-eclâmpsia e, no momento, PA de 160/105 mmHg. Diante desse antecedente, qual uterotônico de segunda linha está CONTRAINDICADO para esta paciente?
Correta: os alcaloides do ergot (metilergometrina) provocam vasoconstrição sistêmica e são contraindicados em hipertensão/pré-eclâmpsia, pelo risco de crise hipertensiva e AVC. Erradas: misoprostol (análogo de prostaglandina E1) é opção segura e recomendada nesse cenário; carbetocina e nova infusão de ocitocina atuam em receptores ocitócicos, sem a contraindicação hipertensiva do ergot.
Mulher de 24 anos, após parto vaginal domiciliar, é levada à UPA com sangramento vaginal persistente cerca de 1 hora após o nascimento. Ao exame: útero amolecido e subinvoluído, que endurece com a massagem, mas volta a sangrar quando a compressão cessa. A placenta já havia sido dequitada; à revisão, nota-se placenta incompleta, com ausência de um cotilédone. PA 90/60 mmHg, FC 112 bpm. Além da reposição volêmica, qual é a conduta específica direcionada à causa do sangramento?
Correta: útero que só contrai transitoriamente somado à placenta incompleta indica retenção de restos placentários (T de tecido) — a resolução é o esvaziamento uterino, pois o útero não mantém a contração enquanto houver conteúdo intracavitário. Erradas: não há laceração descrita para suturar; ocitocina isolada não corrige restos retidos; não há dados sugestivos de coagulopatia (T de trombina) que justifiquem plasma como conduta dirigida à causa.
Uma gestante de 30 anos evoluiu com descolamento prematuro de placenta e óbito fetal, sendo conduzida a parto vaginal. Imediatamente após a dequitação, apresenta sangramento uterino profuso. Ao exame, o útero encontra-se amolecido e não contrai adequadamente à palpação; durante a avaliação, observa-se a superfície uterina com aspecto arroxeado e infiltrado por sangue (útero de Couvelaire). A paciente está taquicárdica e hipotensa. Assinale a conduta inicial mais adequada.
O quadro é de hemorragia pós-parto por atonia uterina no contexto de apoplexia útero-placentária (útero de Couvelaire). A conduta inicial padrão da atonia é massagem uterina bimanual + uterotônicos (ocitocina, seguida de ergometrina/misoprostol se necessário), com reposição volêmica e hemocomponentes (opção correta). O útero de Couvelaire, por si só, NÃO é indicação de histerectomia: ele frequentemente responde aos uterotônicos, e a histerectomia fica reservada à atonia refratária às medidas clínicas e cirúrgicas conservadoras (opção errada). Curetagem não trata atonia e pode perfurar o útero amolecido. O ácido tranexâmico é adjuvante importante na HPP, mas nunca medida isolada — não substitui os uterotônicos e a ressuscitação.
Primigesta de 24 anos, 39 semanas, submetida a parto vaginal instrumentado com fórceps de alívio após período expulsivo prolongado; recém-nascido de 4.100 g. Imediatamente após a dequitação, com placenta e membranas íntegras à revisão, apresenta sangramento vaginal vermelho-vivo, contínuo e em fluxo moderado. Ao exame, o útero encontra-se contraído, globoso e firme ao nível da cicatriz umbilical. PA 110/70 mmHg, FC 96 bpm. Não há restos placentários. Considerando o diferencial entre os 4 Ts da hemorragia pós-parto, assinale a conduta mais adequada como próximo passo.
Útero firme e bem contraído afasta atonia (tônus) e restos (tecido) já revisados; parto instrumentado + macrossomia com sangramento apesar do útero globoso apontam para trauma/laceração de canal — a conduta é a revisão direta do trajeto. Ocitocina e massagem tratam atonia, que não está presente. Curetagem não se aplica sem restos. Coagulopatia é improvável com útero contraído e sem contexto de CIVD.
Secundigesta de 32 anos com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade evolui para parto vaginal a termo. Cerca de 10 minutos após a dequitação completa, apresenta sangramento vaginal aumentado; ao exame o útero está amolecido, mal contraído e elevado acima da cicatriz umbilical, sem lacerações de trajeto. Foram iniciadas massagem uterina bimanual e ocitocina endovenosa, sem controle do sangramento. PA 168/108 mmHg, FC 110 bpm. Assinale o agente uterotônico de segunda linha mais apropriado para esta paciente.
Diante de atonia refratária à ocitocina, o segundo uterotônico seria a metilergometrina, mas ela é contraindicada na hipertensão/pré-eclâmpsia por risco de crise hipertensiva e AVC — por isso a escolha recai sobre o misoprostol 800 mcg por via retal. A metilergometrina 0,2 mg intramuscular está formalmente contraindicada aqui. O ácido tranexâmico 1 g endovenoso é adjuvante, não substitui o uterotônico. Um novo bolus endovenoso rápido de ocitocina 20 UI provoca hipotensão e vasodilatação, sem benefício adicional.
Terceigesta de 29 anos, gestação gemelar, evolui após parto vaginal a termo com hemorragia pós-parto por atonia uterina. Apesar de massagem uterina bimanual, ocitocina, metilergometrina e misoprostol, além de reposição volêmica com cristaloides, mantém sangramento vaginal significativo com útero amolecido. A revisão não evidencia lacerações de trajeto nem restos placentários. PA 90/60 mmHg, FC 122 bpm. Assinale a medida mais adequada como próximo passo, antes de indicar laparotomia.
Na atonia refratária ao manejo farmacológico completo, a escalada preconizada antes da abordagem cirúrgica (suturas de compressão/B-Lynch, ligaduras vasculares, histerectomia) é a medida mecânica menos invasiva: o tamponamento com balão intrauterino, eficaz na gemelaridade com sobredistensão. A histerectomia não é primeira medida cirúrgica. Apenas aguardar é inadequado diante de instabilidade hemodinâmica com útero atônico. A curetagem não se justifica sem restos e pode agravar o sangramento.
Primigesta de 24 anos, gestação de 39 semanas e 2 dias, com pré-natal sem intercorrências, é admitida na maternidade em trabalho de parto espontâneo. Evolui de forma fisiológica e, após período expulsivo sem distocia, nasce recém-nascido a termo, vigoroso, por via vaginal. A equipe deseja aplicar o manejo ativo do terceiro período do parto, conforme as boas práticas preconizadas pela OMS, com o objetivo de reduzir o risco de hemorragia pós-parto. Nesse contexto, qual é a intervenção isolada mais eficaz e recomendada como primeira linha?
O uterotônico profilático é o componente mais eficaz do manejo ativo do 3º período, e a OMS recomenda a ocitocina 10 UI IM como primeira escolha para prevenção de hemorragia pós-parto (opção correta). A tração controlada do cordão só deve ser feita após sinais de descolamento e com contração uterina, nunca isoladamente e precocemente. A conduta expectante aumenta o risco de hemorragia em relação ao manejo ativo. A ergometrina não é primeira linha, é contraindicada em hipertensas e tem mais efeitos adversos.
Primigesta de 34 anos, com diagnóstico de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, em uso de sulfato de magnésio, evolui com parto vaginal de recém-nascido de 3.850 g após indução prolongada com ocitocina. Cinco minutos após a dequitação espontânea de placenta íntegra, apresenta sangramento vaginal volumoso e contínuo. Ao exame: PA 168 x 108 mmHg, FC 118 bpm, útero amolecido, acima da cicatriz umbilical, canal de parto sem lacerações à revisão. Foram realizadas massagem uterina bimanual, esvaziamento vesical, ocitocina 5 UI IV lenta seguida de infusão contínua e ácido tranexâmico 1 g IV, sem controle do sangramento. Assinale a conduta farmacológica adequada para a sequência do manejo.
Trata-se de atonia uterina (o T mais frequente das 4 causas) refratária à primeira linha, com fatores de risco clássicos: macrossomia, indução prolongada com ocitocina e uso de sulfato de magnésio (relaxante uterino). O uterotônico de segunda linha seguro nesta paciente é o misoprostol 800 mcg por via retal. Metilergometrina é formalmente contraindicada na hipertensão e na pré-eclâmpsia, pelo risco de crise hipertensiva, AVC e convulsão. Ocitocina em bolus IV rápido é proscrita por causar hipotensão grave e arritmia, além de a paciente já estar em infusão contínua. A sutura de B-Lynch é medida cirúrgica reservada para falha das medidas farmacológicas e mecânicas (tamponamento com balão), que ainda não foram esgotadas.
Secundigesta de 27 anos, 39 semanas, submetida a parto vaginal com fórceps de alívio e episiotomia médio-lateral por período expulsivo prolongado. Recém-nascido de 3.200 g, com dequitação espontânea de placenta e membranas íntegras aos 8 minutos. Quinze minutos após o parto, mantém sangramento vaginal vermelho-vivo, contínuo e em jato, com perda estimada de 700 mL. Ao exame: PA 100 x 60 mmHg, FC 106 bpm, útero contraído, firme, no nível da cicatriz umbilical, com globo de segurança de Pinard presente. Já recebeu ocitocina profilática no terceiro período. Assinale a conduta inicial mais adequada.
A chave está na dissociação entre útero bem contraído (globo de segurança de Pinard presente) e sangramento arterial contínuo: isso afasta atonia e aponta para o T de trauma — laceração do canal de parto, altamente provável após fórceps e episiotomia. A conduta é a revisão sistemática do trajeto (colo, vagina, períneo) com afastadores e boa iluminação, seguida de hemostasia. Uterotônicos como a ocitocina tratam atonia e não corrigem sangramento de origem traumática, retardando o diagnóstico. O balão de tamponamento também se destina à atonia refratária e seria ineficaz numa laceração cervical. Laparotomia por rotura uterina não se justifica sem instabilidade grave, dor abdominal ou perda de altura da apresentação, e sem antes ter revisado o canal.
Multípara de 31 anos, quarto parto vaginal, evolui com dequitação após tração controlada do cordão aos 20 minutos. Ao inspecionar a placenta, o obstetra observa superfície materna com falha de um cotilédone e membranas rotas de forma irregular. Trinta minutos após, a paciente apresenta sangramento vaginal moderado e persistente, com coágulos. Ao exame: PA 104 x 64 mmHg, FC 102 bpm, útero pouco acima da cicatriz umbilical, que endurece à massagem mas volta a amolecer, sem lacerações à revisão do trajeto. Recebeu ocitocina profilática e ácido tranexâmico. Assinale o próximo passo adequado.
Placenta com cotilédone faltante e membranas irregulares, somadas a útero que não sustenta a contração após massagem, caracterizam o T de tecido: retenção de restos placentários, que impede a contração eficaz e perpetua o sangramento. A conduta é a revisão da cavidade uterina com extração dos restos (curagem ou AMIU/curetagem, conforme o serviço), sob analgesia e antibioticoprofilaxia. Manter apenas ocitocina ou acrescentar metilergometrina trata a atonia secundária sem remover a causa, e a resposta será transitória. Conduta expectante é inadequada diante de sangramento ativo com taquicardia. O balão de tamponamento sobre restos retidos é ineficaz e pode mascarar o sangramento.
Puérpera de 26 anos, no 14º dia após parto vaginal de recém-nascido de 3.900 g, com dequitação descrita como completa, retorna à unidade básica referindo sangramento vaginal vermelho-vivo, intermitente, por vezes em quantidade semelhante à de uma menstruação intensa, com eliminação ocasional de coágulos. Nega febre, calafrios ou dor pélvica significativa. Ao exame: afebril, corada, estável hemodinamicamente; útero amolecido, palpável a 2 cm abaixo da cicatriz umbilical, indolor; colo uterino pérvio para 1 cm, sem secreção fétida. Assinale o próximo passo.
A involução uterina segue ritmo definido: logo após a dequitação o fundo está na altura da cicatriz umbilical e regride cerca de 1 cm ao dia, tornando-se intrapélvico (não palpável acima da sínfise) por volta do 10º–12º dia. Útero ainda palpável a 2 cm da cicatriz umbilical no 14º dia, amolecido, com colo pérvio e sangramento vermelho-vivo persistente, configura subinvolução uterina, cuja causa mais frequente é a retenção de restos ovulares — a investigação inicial é a ultrassonografia transvaginal. Chamar de fisiológico ignora o atraso da involução e a persistência de lóquios rubros. Antibiótico endovenoso pressupõe endometrite, e não há febre, dor uterina ou lóquios fétidos. Curetagem às cegas, sem imagem, expõe a perfuração e sinéquias.
Secundigesta de 29 anos, 40 semanas, evolui em trabalho de parto espontâneo sem intercorrências e dá à luz, por via vaginal, recém-nascido a termo que chora vigorosamente e apresenta bom tônus. A placenta ainda não se descolou. A gestante não apresenta comorbidades, mas o pré-natal registrou hemoglobina de 10,2 g/dL. O residente pergunta qual a medida com maior impacto na prevenção da hemorragia pós-parto neste momento. Assinale a conduta correta, segundo o manejo ativo do terceiro período do parto.
Correta: o manejo ativo do terceiro período — uterotônico profilático (ocitocina 10 UI IM é a droga de escolha) administrado após o nascimento, tração controlada do cordão com contratração suprapúbica e avaliação do tônus uterino — reduz de forma consistente a hemorragia pós-parto e é recomendado para todas as parturientes. Conduta expectante pura eleva o risco de HPP e não é a estratégia preferencial. Tração do cordão sem uterotônico e sem contratração pode causar inversão uterina e rotura do cordão. Ácido tranexâmico tem indicação no tratamento da HPP estabelecida, não como profilaxia universal no parto vaginal.
Primigesta de 22 anos evoluiu com parto vaginal a termo após indução com ocitocina por 14 horas, recém-nascido de 4.100 g. Cerca de 10 minutos após a dequitação, apresenta sangramento vaginal aumentado, contínuo, com coágulos. A placenta foi revisada e está íntegra. Ao exame: PA 100/60 mmHg, FC 108 bpm; à palpação abdominal, útero acima da cicatriz umbilical, amolecido e com contorno mal definido; inspeção do canal de parto sem lacerações. Assinale a conduta inicial mais adequada.
O quadro é de hemorragia pós-parto por atonia uterina (primeiro dos 4 Ts — Tônus), sugerida por útero amolecido e elevado, com placenta íntegra e canal íntegro, em contexto de fatores de risco clássicos (trabalho de parto prolongado, indução com ocitocina e macrossomia); a conduta inicial é massagem uterina associada a uterotônico, sendo a ocitocina a droga de primeira linha. Balão de tamponamento pertence à segunda linha, após falha das medidas farmacológicas e mecânicas iniciais. Ácido tranexâmico é adjuvante recomendado nas primeiras 3 horas, mas nunca substitui nem posterga massagem e uterotônicos. Curagem/curetagem se aplicaria a restos placentários (Tecido), afastados pela revisão da placenta íntegra.
Secundípara de 29 anos, parto vaginal a termo com uso de fórcipe de alívio e episiotomia médio-lateral. Recebeu ocitocina profilática no terceiro período. Vinte minutos após o parto, mantém sangramento vaginal ativo, vermelho-vivo, em jato contínuo, com perda estimada de 600 mL. À palpação, o útero está firmemente contraído, globoso, abaixo da cicatriz umbilical. A placenta foi examinada e encontra-se completa, com membranas íntegras. PA 104/64 mmHg, FC 104 bpm. Assinale o próximo passo mais adequado.
Diante de hemorragia pós-parto com útero bem contraído e placenta completa, os Ts 'Tônus' e 'Tecido' estão afastados, e o parto instrumentado com episiotomia aponta fortemente para 'Trauma' — lacerações de colo, vagina ou períneo, ou extensão da episiotomia —, cuja conduta é a revisão sistemática do canal sob analgesia adequada com hemostasia/sutura. Repetir ocitocina e apenas observar é inútil quando o tônus já está adequado e permite perda sanguínea adicional. Curetagem trataria restos ovulares, excluídos pela placenta completa e íntegra. Investigar coagulopatia ('Trombina') antes de excluir a causa mecânica é inversão de prioridade, ainda mais em paciente sem discrasia prévia.
Primigesta de 23 anos, 39 semanas, em trabalho de parto espontâneo, evolui com boa progressão e período expulsivo de 40 minutos com puxos espontâneos, sem uso de ocitocina. Ocorre parto vaginal de recém-nascido de termo, que nasce chorando, com bom tônus, sendo colocado em contato pele a pele com a mãe. A paciente não apresenta sangramento anormal, o períneo está íntegro e não há fatores de risco para hemorragia pós-parto. Considerando as boas práticas de assistência ao parto preconizadas pela OMS e pelo Ministério da Saúde, assinale a conduta adequada para o terceiro período.
O manejo ativo do terceiro período é recomendado para TODAS as parturientes, independentemente do risco de hemorragia, e tem como componente essencial o uterotônico — ocitocina 10 UI IM logo após o nascimento —, associado à tração controlada do cordão com contratração uterina por profissional habilitado; o clampeamento oportuno (entre 1 e 3 minutos, ou após cessarem as pulsações) é boa prática neonatal por reduzir anemia no lactente e não conflita com a administração da ocitocina. O clampeamento imediato é justamente a prática desaconselhada no recém-nascido vigoroso, e o RN com choro e tônus adequados deve permanecer em contato pele a pele, não na mesa de reanimação. Conduta expectante sem uterotônico não é recomendada mesmo em baixo risco, pois a maioria das hemorragias ocorre em mulheres sem fatores de risco. Ergometrina não é uterotônico de primeira escolha (maior risco de hipertensão, náuseas e retenção placentária) e a massagem uterina sustentada de rotina não é recomendada quando a ocitocina foi administrada.
Puérpera de 33 anos com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, cesárea há 45 minutos, apresenta atonia uterina que não respondeu à ocitocina endovenosa em dose plena. PA 152×98 mmHg, FC 116 bpm, útero amolecido, sangramento persistente. Qual uterotônico deve ser evitado nesta paciente?
A metilergometrina (0,2 mg IM, repetível em 20 minutos, máximo de 1 mg em 24 horas) é o segundo uterotônico da escada, mas tem contraindicação principal em pacientes hipertensas — hipertensão crônica, hipertensão gestacional e, sobretudo, pré-eclâmpsia. Sendo um derivado do ergot, é vasoconstritor potente e pode precipitar crise hipertensiva, acidente vascular cerebral e isquemia. Nessa paciente o escalonamento correto pula para o misoprostol 800 mcg por via retal. A alternativa 2 inverte: o misoprostol pode causar hipertermia e calafrios, mas isso não é contraindicação em hipertensa e ele é justamente a saída aqui. A 3 confunde: a intoxicação hídrica é risco da manutenção prolongada de ocitocina por até 24 horas e exige vigilância, mas não é contraindicação ligada à pré-eclâmpsia. A 4 é falsa: a carbetocina tem eficácia estabelecida e a vantagem de dispensar dose de manutenção na cesárea, embora não esteja incorporada ao SUS. A 5 ignora uma das contraindicações mais cobradas do tema.
Puérpera cujo parto ocorreu há uma hora, com hemorragia pós-parto por atonia uterina, diagnosticada há 25 minutos. O ácido tranexâmico ainda não foi administrado. Sobre essa medicação na hemorragia pós-parto, assinale a opção correta quanto a dose, via e janela terapêutica.
A recomendação da OMS conta a janela a partir do nascimento. Nesta paciente, o parto há uma hora permite iniciar tranexâmico imediatamente, junto às demais medidas para hemorragia pós-parto. A dose é 1 g IV em dez minutos, com segunda dose de 1 g se persistir após trinta minutos ou reiniciar em até 24 horas. Não é necessário aguardar falha de todos os uterotônicos nem demonstrar coagulopatia. Referência: OMS, Recommendation on Tranexamic Acid for the Treatment of Postpartum Haemorrhage (2017).
Puérpera de 24 anos, parto vaginal há 1 hora, com sangramento vaginal vivo e contínuo. Ao exame, o útero está firmemente contraído, abaixo da cicatriz umbilical, e a placenta foi conferida e estava completa. PA 100×62 mmHg, FC 104 bpm. Qual é a causa mais provável e a conduta prioritária?
Útero firmemente contraído com sangramento ativo afasta o T de tônus — se a atonia fosse a causa, o útero estaria amolecido. Com a placenta íntegra afastando razoavelmente o T de tecido, a hipótese que se impõe é o T de trauma, que responde por 19% das HPP e inclui lacerações, hematomas, rotura e inversão uterina. A conduta é a revisão sistemática do canal de parto — colo, vagina, períneo e vulva — com valvas e boa iluminação, seguida da sutura do foco encontrado. A alternativa 1 é o erro clássico de tratar tônus já resolvido com mais uterotônico. A 2 é improvável com placenta conferida e completa, e a curetagem sem indicação acrescenta risco. A 3 erra por dois motivos: coagulopatia responde por apenas 1% dos casos e, sobretudo, ninguém aguarda resultado de exame com paciente sangrando — se a suspeita fosse essa, o teste do coágulo à beira do leito daria a resposta em minutos. A 5 descreve outra forma de trauma, mas a inversão cursa com massa vaginal e fundo uterino não palpável, o oposto do achado descrito.
Puérpera com hemorragia pós-parto apresenta PA 68×40 mmHg, FC 132 bpm, letargia, sudorese e perfusão capilar acima de 3 segundos, após infusão de 1.500 mL de cristaloide sem resposta sustentada. Qual é o índice de choque, o grau de choque e a conduta hemoterápica indicada?
O índice de choque é a frequência cardíaca dividida pela sistólica: 132 ÷ 68 = 1,94. Acima de 1,7 caracteriza choque grave, com perda superior a 35% da volemia, isto é, mais de 2.000 mL, quadro compatível com a letargia, a sudorese e a perfusão capilar acima de 3 segundos descritas. Nesse cenário indica-se o protocolo de transfusão maciça, com hemocomponentes na proporção 1:1:1 e quatro ou mais concentrados de hemácias; sem prova cruzada disponível, sangue O negativo. As alternativas 1, 2 e 3 erram o cálculo e, por consequência, a gravidade. A 5 acerta o índice mas erra a conduta: paciente sem resposta adequada após 1.500 mL de cristaloide já é candidata a hemotransfusão, e insistir em volume dilui fatores de coagulação, favorece hipotermia e alimenta a tríade letal — hipotermia, acidose e coagulopatia. Vale lembrar ainda que, na hemorragia obstétrica, a hipofibrinogenemia é mais precoce que no trauma: fibrinogênio abaixo de 200 mg/dL deve ser corrigido de forma agressiva.
Sobre a prevenção da hemorragia pós-parto no manejo ativo do terceiro período, conforme o protocolo brasileiro vigente, qual conjunto está correto?
O manejo ativo do terceiro período tem quatro componentes: uterotônico universal — ocitocina 10 UI intramuscular logo após o nascimento, em partos vaginais e cesáreas, medida que reduz em mais de 50% os casos de atonia —, clampeamento oportuno do cordão após 60 segundos, tração controlada do cordão pela manobra de Brandt-Andrews apenas por profissional treinado, e vigilância com massagem uterina suave a cada 15 minutos nas primeiras 2 horas após a dequitação. A alternativa 1 erra três vezes: bólus rápido de ocitocina é proscrito pelo risco de efeitos colaterais graves, o clampeamento precoce não é recomendado e a tração vigorosa favorece inversão uterina. A 2 erra porque a metilergometrina não é recomendada para prevenção, apenas para tratamento. A 4 erra a hierarquia: o misoprostol é alternativa quando não há ocitocina disponível ou quando não se pode garantir a refrigeração, não a primeira escolha. A 5 erra porque o ácido tranexâmico não é recomendado para prevenção de HPP, nem em parto vaginal nem em cesárea.
Puérpera com atonia uterina refratária a ocitocina, metilergometrina e misoprostol, hemodinamicamente instável, permanece sangrando 50 minutos após o diagnóstico. Qual é a sequência correta das medidas seguintes?
Na atonia com falha da terapia farmacológica, o balão de tamponamento intrauterino deve anteceder a abordagem cirúrgica — 350 a 500 mL após parto vaginal, 60 a 250 mL na cesárea, com uterotônico e antibioticoprofilaxia durante todo o tamponamento e o teste do tamponamento (menos de 50 mL drenados em 30 minutos) predizendo sucesso. Falhando, a laparotomia segue ordem crescente: suturas uterinas compressivas (B-Lynch, Hayman, Cho), ligaduras vasculares (uterinas, útero-ovarianas, ilíacas internas) e, na falha do conservador, histerectomia — cuja decisão deve anteceder a instalação da tríade letal, ou seja, se após 1,5 hora do início da hemorragia o controle não foi obtido, as providências devem ser iniciadas. A alternativa 1 pula degraus que preservariam a fertilidade. A 3 erra porque a embolização exige paciente estável e estrutura especializada, tendo valor limitado no sangramento agudo. A 4 é perigosa: os uterotônicos têm dose máxima e o intervalo de decisão entre eles não passa de 15 minutos, sendo o escalonamento a resposta correta à falha. A 5 descreve uma medida não recomendada.
Puérpera de 28 anos, G2P2, parto vaginal há 40 minutos de recém-nascido de 4.000 g após trabalho de parto induzido. Recebeu 10 UI de ocitocina intramuscular logo após o nascimento. A enfermagem aciona a equipe por sangramento vaginal aumentado com coágulos. Ao exame: consciente, pálida, extremidades frias, PA 94×56 mmHg, FC 118 bpm, útero amolecido e palpável acima da cicatriz umbilical. A placenta foi conferida e estava íntegra. Qual é a conduta imediata mais adequada?
O quadro é atonia uterina — útero amolecido acima da cicatriz umbilical, causa de 70% das HPP, com placenta íntegra afastando retenção de tecido. O índice de choque é 118 ÷ 94 = 1,26, acima do corte de 1,0 que indica perda significativa e abordagem agressiva. A conduta inicial é simultânea: compressão uterina bimanual (Hamilton ou Chantrapitak) antes de qualquer droga, acionamento do time, dois acessos venosos calibrosos, e ocitocina e ácido tranexâmico como as duas primeiras medicações infundidas. A alternativa 1 erra porque a normotensa gestante mascara a perda: a hipervolemia da gravidez só deixa a pressão cair após 20% a 30% da volemia, ou seja, 1.500 a 2.000 mL — esperar é perder a hora de ouro. A 2 erra porque hemoglobina e hematócrito só refletem a perda cerca de quatro horas depois; a decisão inicial é clínica, pelo índice de choque. A 4 erra na ordem: a metilergometrina é a segunda linha, depois da ocitocina, e além disso não substitui a compressão bimanual. A 5 erra porque a histerectomia é indicada na falha do tratamento conservador, e nada foi tentado.
Em uma maternidade da rede pública no interior do Norte do país, onde a refrigeração dos insumos é intermitente, discute-se qual uterotônico padronizar para a prevenção de hemorragia pós-parto. Considerando as diretrizes consolidadas OMS/FIGO/ICM de 2025 e a situação regulatória brasileira, qual afirmação está correta?
As diretrizes consolidadas OMS/FIGO/ICM de outubro de 2025 recomendam a carbetocina 100 mcg IM ou EV para prevenção em todos os nascimentos e apontam a formulação termoestável como a escolha onde a cadeia de frio da ocitocina não pode ser mantida de forma consistente. No Brasil, porém, a CONITEC deliberou por unanimidade recomendar a não incorporação ao SUS em 2025, e o medicamento não consta da RENAME 2024 — a consulta pública recebeu 305 contribuições, 93% favoráveis, e a recusa se deu por razão econômica diante de alternativa efetiva e barata já disponível, não por dúvida sobre eficácia. Na prática do SUS, portanto, a padronização segue sendo ocitocina 10 UI intramuscular, com misoprostol 800 mcg por via retal como alternativa. A alternativa 2 é factualmente falsa. A 3 inverte a posição da OMS. A 4 é grave: o uterotônico universal após todos os partos é a medida preventiva mais eficaz, e a massagem uterina sustentada sequer é recomendada como medida de prevenção em quem recebeu ocitocina. A 5 é falsa: o ácido tranexâmico não é recomendado para prevenção e não é uterotônico.
Puérpera de 25 anos, parto vaginal há dez minutos, apresenta dor pélvica intensa e sangramento vaginal aumentado. Recebeu ocitocina 10 UI por via intramuscular no manejo ativo do terceiro período. Ao exame: massa vermelho-escura ocupando a vagina, com a placenta ainda aderida a ela; o fundo uterino não é palpável no abdome. Pressão arterial 88 x 54 mmHg, frequência cardíaca 122 bpm, palidez cutânea. Qual é a conduta imediata?
A cena descrita — massa vermelho-escura na vagina com fundo uterino não palpável no abdome — é a inversão uterina, e nela a conduta é oposta ao reflexo de quem trata hemorragia pós-parto. Suspendem-se imediatamente os uterotônicos, porque a contração fecha o anel cervical e impede a redução; não se retira a placenta ainda aderida, porque removê-la antes do reposicionamento aumenta a hemorragia; e reposiciona-se o útero pela manobra de Taxe. Massagem vigorosa e ocitocina em dose plena tratam a atonia, que é outro diagnóstico. A revisão do canal com valvas procura trauma do trajeto e atrasa a única manobra que resolve. A laparotomia existe, mas para a falha da redução manual, e não como primeiro passo.
Puérpera de 31 anos, normotensa, teve parto vaginal em maternidade sem cadeia de frio confiável e recebeu misoprostol 800 mcg por via retal na prevenção da hemorragia pós-parto. Trinta minutos depois evolui com atonia uterina e sangramento aumentado. Foram iniciadas compressão uterina bimanual, ocitocina por via endovenosa em dose plena e ácido tranexâmico 1 g. Passados quinze minutos, o útero segue amolecido e o sangramento persiste. Qual é o próximo passo?
Duas regras se cruzam aqui. A primeira é a do intervalo: não se deve passar de quinze minutos entre um uterotônico e o seguinte — são drogas de ação rápida, e se o sangramento não cedeu, a resposta é escalonar, não repetir a mesma. A segunda é a pegadinha do misoprostol: usado na prevenção, ele não deve ser reutilizado no tratamento do mesmo episódio. Sobra a segunda linha, a metilergometrina 0,2 mg por via intramuscular, liberada porque a paciente é normotensa. O ácido tranexâmico já foi administrado e só se repete se o sangramento persistir após trinta minutos. A retirada do útero é o fim da escada, depois do balão de tamponamento e das técnicas cirúrgicas conservadoras, e não o passo seguinte à falha de um único uterotônico.
Puérpera de 32 anos, parto vaginal, mantém sangramento por atonia uterina após ocitocina, metilergometrina e misoprostol. Está estável depois da ressuscitação inicial, e a equipe instala um balão de tamponamento intrauterino com sistema de drenagem, infundindo 400 mL. Sobre a condução do dispositivo, qual afirmação está correta?
O balão com sistema de drenagem permite o teste do tamponamento, e o número é este: drenagem inferior a 50 mL nos trinta minutos seguintes à infusão prediz sucesso. Uterotônicos e antibioticoprofilaxia correm durante todo o tempo de permanência, que tem teto de vinte e quatro horas. O esvaziamento é por etapas, 100 mL a cada quinze minutos, feito durante o dia e com sala cirúrgica reservada, justamente porque o ressangramento pode exigir cirurgia imediata — esvaziar de uma vez, à noite, inverte as duas travas de segurança. E o volume infundido depende da via de parto: 350 a 500 mL após parto vaginal, mas apenas 60 a 250 mL na cesárea.
Mulher de 28 anos, primigesta de 36 semanas, apresenta descolamento prematuro de placenta com sangramento vaginal volumoso e útero hipertônico. Após o parto, mantém sangramento em lençol pelo sítio cirúrgico. Fibrinogênio 120 mg/dL, plaquetas 70.000/mm3, TP alargado. Qual hemocomponente é prioritário para corrigir o distúrbio mais crítico neste momento?
Na hemorragia obstétrica o fibrinogênio é o primeiro fator a se esgotar, e na gestante o valor basal é fisiologicamente mais alto — um fibrinogênio de 120 mg/dL representa um consumo muito mais grave do que o mesmo número em não gestante, sendo preditor independente de hemorragia grave. O crioprecipitado (ou concentrado de fibrinogênio) é a reposição de maior impacto. Priorizar plaquetas engana porque 70.000/mm3 ainda sustenta a hemostasia cirúrgica, ao passo que o fibrinogênio abaixo de 150-200 mg/dL nesse contexto é o gargalo do coágulo.
Puérpera de 31 anos evolui, após cesárea-histerectomia por placenta percreta, com perda estimada de 3.500 mL, PA 82x50 mmHg, FC 128 bpm e sangramento difuso em bordas cirúrgicas. Qual a estratégia transfusional correta?
Hemorragia obstétrica maciça cursa com coagulopatia precoce, agravada por hemodiluição e consumo — daí a reposição balanceada de hemácias, plasma e plaquetas, somada ao ácido tranexâmico, cujo benefício é maior quando administrado nas primeiras três horas. O sangramento difuso em bordas cirúrgicas é o sinal clínico de coagulopatia instalada. Esperar o coagulograma é o erro mais sedutor, porque parece racional e criterioso: o resultado chega depois de 30 a 60 minutos e retrata um passado que já não existe. Transfundir só hemácias corrige o transporte de oxigênio e piora a diluição de fatores. Cristaloide em grande volume antes dos hemocomponentes agrava a tríade letal de acidose, hipotermia e coagulopatia.
Mulher de 34 anos com hemorragia pós-parto por atonia uterina, com sangramento estimado em 1500 mL nas últimas duas horas, é levada ao centro cirúrgico. Sobre o uso do ácido tranexâmico nesse cenário, qual afirmativa está correta?
A recomendação da OMS conta a janela de três horas a partir do nascimento. Duas horas de sangramento não informam, sozinhas, o tempo desde o parto, que precisa ser verificado. Dentro da janela, o tranexâmico integra o tratamento da hemorragia sem aguardar um número de transfusões ou comprovação de hiperfibrinólise. Não se recomenda iniciar rotineiramente após três horas do nascimento. Referência: OMS, recomendação sobre ácido tranexâmico na hemorragia pós-parto, 2017.
Puérpera de 25 anos, parto vaginal há 40 minutos, apresenta sangramento vaginal volumoso. Ao exame, útero amolecido acima da cicatriz umbilical, placenta dequitada e íntegra, canal de parto sem lacerações. Qual a sequência inicial correta?
Útero amolecido e acima da cicatriz umbilical, com placenta íntegra e trajeto sem lesões, caracteriza atonia — a causa mais frequente de hemorragia pós-parto. O manejo é escalonado e simultâneo: massagem, volume, ocitocina e ácido tranexâmico precoce, seguidos de outros uterotônicos, balão intrauterino, suturas compressivas e, por último, histerectomia. Partir para curetagem é o distrator mais tentador em quem pensa em restos placentários, mas a placenta foi descrita íntegra e a curetagem em útero atônico aumenta o risco de perfuração e sinéquias. Metilergometrina é contraindicada em hipertensas, o que exige checar a pressão antes de usá-la, e nunca é a primeira escolha universal. Embolização exige paciente estável e serviço de hemodinâmica disponível.
Puérpera de 26 anos, 12 dias após parto vaginal, retorna com sangramento vaginal aumentado, febre de 38,4°C e útero doloroso e subinvoluído. Ultrassonografia mostra material heterogêneo intracavitário de 3 cm. Qual o diagnóstico e a conduta?
Sangramento após 24 horas e até 12 semanas do parto define hemorragia pós-parto tardia, cujas causas principais são restos placentários, endometrite e subinvolução do leito placentário — a associação de febre, útero doloroso e material intracavitário aponta as duas primeiras, tratadas com antibiótico de amplo espectro e esvaziamento, preferencialmente guiado. Considerar involução normal é o erro que perpetua a infecção. O coriocarcinoma entra no diferencial de sangramento persistente pós-parto e exige dosagem de beta-hCG, mas nunca se trata sem confirmação diante de um quadro infeccioso típico.
Sobre o uso do ácido tranexâmico na hemorragia pós-parto, é correto afirmar:
A OMS recomenda tranexâmico intravenoso o mais cedo possível na hemorragia pós-parto, dentro de três horas do nascimento. A dose inicial é 1 g ao longo de dez minutos; pode-se repetir 1 g se o sangramento persistir após 30 minutos ou reiniciar em até 24 horas da primeira dose. O fármaco complementa as demais medidas e não substitui ressuscitação, hemocomponentes ou controle da causa. Referência: OMS, Recommendation on Tranexamic Acid for the Treatment of Postpartum Haemorrhage, 2017.
Qual das medidas abaixo compõe o manejo ativo do terceiro período do parto, com maior impacto na prevenção da hemorragia pós-parto?
A ocitocina profilática administrada após o nascimento é a intervenção isolada com maior redução de hemorragia pós-parto, e integra o manejo ativo do terceiro período junto à tração controlada do cordão com contratração suprapúbica e à avaliação do tônus. Tração vigorosa sem contratração é o erro técnico que provoca inversão uterina e rotura de cordão. O clampeamento imediato foi abandonado como rotina, já que o clampeamento oportuno melhora as reservas de ferro do recém-nascido sem aumentar hemorragia materna. Curetagem profilática não existe como conduta e apenas adiciona risco.
Puérpera de 22 anos, 40 minutos após parto vaginal, apresenta sangramento vaginal contínuo em jato, útero bem contraído e globoso, placenta íntegra. Ao exame do canal de parto, identifica-se laceração cervical sangrante. Qual a conduta?
Útero bem contraído com sangramento ativo desloca o raciocínio da atonia para o trauma — a mnemônica dos quatro T lembra tônus, trauma, tecido e trombina. A conduta é a inspeção sistemática do canal de parto com afastadores e boa iluminação, seguida de sutura da lesão. Insistir em uterotônicos é o erro mais comum e faz perder tempo e volume enquanto o vaso segue aberto. Curetagem se aplica quando há suspeita de restos placentários, e o balão intrauterino trata sangramento de origem uterina, não cervical, podendo mascarar a perda por laceração enquanto a paciente se deteriora.
Puérpera de 33 anos com hemorragia pós-parto por atonia, já submetida a ocitocina, misoprostol e massagem, mantém sangramento com perda estimada de 1.500 mL e PA 88x54 mmHg. Qual a próxima medida da sequência escalonada?
O manejo da hemorragia pós-parto é escalonado e cronometrado: uterotônicos e ácido tranexâmico, depois tamponamento com balão intrauterino, que controla boa parte dos casos refratários e serve de ponte, seguido de suturas compressivas, ligadura de artérias uterinas ou hipogástricas, embolização e, por fim, histerectomia. Pular direto para a histerectomia em paciente que ainda não recebeu o balão retira a chance de preservar o útero, embora a decisão não possa ser adiada indefinidamente. Ocitocina em bolus rápido causa hipotensão e arritmia e é formalmente desaconselhada. Observar por uma hora com sangramento ativo e hipotensão é inaceitável.
Sobre o uso do ácido tranexâmico na hemorragia pós-parto, qual afirmação está correta?
O benefício do antifibrinolítico é tempo-dependente: administrado na primeira hora reduz mortalidade por sangramento de forma expressiva, e o efeito praticamente desaparece depois de 3 horas — por isso ele entra junto com os uterotônicos, não depois deles. Guardá-lo como último recurso é o erro que anula a droga. Ele é indicado independentemente da causa do sangramento, e não se espera dosagem de fibrinogênio para iniciá-lo.
Sobre a estimativa da gravidade do choque hemorrágico obstétrico à beira do leito, qual parâmetro é mais fidedigno em uma puérpera jovem previamente hígida?
A gestante e a puérpera compensam com taquicardia e vasoconstrição e mantêm a pressão até perdas de 30 a 40% da volemia — o índice de choque acima de 0,9 flagra a deterioração antes da hipotensão aparecer. Esperar a sistólica cair abaixo de 90 mmHg é o erro que atrasa a ativação do protocolo. A hemoglobina precoce ainda não equilibrou e subestima a perda, e a estimativa visual do sangramento é notoriamente imprecisa, subestimando o volume real em cerca de metade.
Puérpera com atonia uterina refratária a uterotônicos, mantendo sangramento após parto vaginal, hemodinamicamente instável. Qual a sequência de escalonamento terapêutico mais adequada antes da histerectomia?
O escalonamento clássico coloca o tamponamento com balão como recurso conservador rápido e disponível; falhando, segue-se a laparotomia com sutura compressiva (B-Lynch) ou desvascularização, e só então a histerectomia. Ir direto à histerectomia engana quem confunde urgência com etapa final: ela é o último recurso e custa a fertilidade da paciente. A curetagem em útero vazio traumatiza o endométrio sem resolver a atonia; a embolização exige hemodinâmica disponível e paciente relativamente estável, o que não é a regra.
Após dequitação, a obstetriz percebe massa arroxeada emergindo pela vulva, fundo uterino não palpável no abdome e a paciente em hipotensão desproporcional ao sangramento visível, com bradicardia. Qual a conduta imediata?
A inversão uterina explica a hipotensão com bradicardia por reflexo vagal e o fundo ausente à palpação; a correção é o reposicionamento manual imediato, porque cada minuto perdido permite que o anel de constrição se feche e torne a manobra impossível sem relaxante uterino ou cirurgia. Dar uterotônico antes é exatamente o oposto do necessário — contrai o anel e aprisiona o útero invertido; eles só entram depois da reposição, para evitar recidiva.
Diante de hemorragia pós-parto por atonia refratária à massagem uterina e à ocitocina, a enfermeira pergunta qual uterotônico associar. A paciente tem 34 anos e pré-eclâmpsia com pressão de 165x105 mmHg. Qual droga deve ser EVITADA?
Os derivados do ergot são vasoconstritores sistêmicos e estão contraindicados em hipertensão e pré-eclâmpsia, pelo risco de crise hipertensiva e acidente vascular encefálico — nessa paciente a escolha recai sobre misoprostol. O ácido tranexâmico é o distrator que confunde quem o associa a trombose: seu uso na hemorragia pós-parto reduz mortalidade e não teve aumento de eventos trombóticos, sendo indicado nas primeiras 3 horas. Misoprostol e carbetocina não têm restrição pela pressão arterial.
Puérpera de 28 anos, 20 minutos após parto vaginal de recém-nascido de 4.100 g, apresenta sangramento vaginal volumoso e contínuo. Ao exame: útero acima da cicatriz umbilical, amolecido, placenta íntegra revisada, canal de parto sem lacerações. Qual a causa mais provável do sangramento?
Útero amolecido e acima da cicatriz umbilical, com placenta íntegra e canal íntegro, define atonia — responsável por cerca de 70 a 80% das hemorragias pós-parto, e favorecida aqui pela sobredistensão do feto macrossômico. Retenção de restos é o distrator mais tentador, mas a revisão mostrou placenta completa e, sobretudo, ela não explica um útero tão globalmente relaxado. A inversão daria fundo uterino não palpável ou massa vaginal, e a coagulopatia costuma ser consequência da hemorragia, não seu ponto de partida.
Multípara de 38 anos, com duas cesarianas prévias, apresenta na ultrassonografia de 32 semanas placenta prévia total com lacunas intraplacentárias, perda da zona hipoecoica retroplacentária e adelgaçamento da interface vesical. Qual a hipótese e o planejamento adequado?
Placenta prévia sobre cicatriz de cesariana, com lacunas, perda da interface retroplacentária e invasão da interface vesical, é o retrato ultrassonográfico do acretismo — e o que muda o prognóstico é o planejamento: parto programado entre 34 e 37 semanas, em serviço com hemocomponentes reservados e equipe treinada, com histerectomia total prevista. Tratar como prévia simples é o erro que produz hemorragia maciça inesperada em plantão desguarnecido. A vasa prévia é outra entidade, envolvendo vasos fetais desprotegidos sobre o orifício interno.
Após a extração fetal em cesariana, a paciente apresenta útero amolecido e sangramento difuso do leito placentário. Qual a sequência de conduta?
A atonia intraoperatória segue a mesma lógica escalonada da hemorragia pós-parto, com a vantagem do abdome aberto: massagem, uterotônicos e ácido tranexâmico precoce, seguidos de suturas compressivas do tipo B-Lynch, ligadura de artérias uterinas ou hipogástricas e, esgotadas as alternativas, histerectomia. A ocitocina em bolus rápido é desaconselhada por causar hipotensão e arritmias, devendo ser administrada em infusão. Encerrar a cirurgia com sangramento ativo para "reavaliar depois" é decisão que leva a reoperação em condições piores, com a paciente já coagulopática.
Gestante de 36 semanas com descolamento prematuro de placenta e sangramento volumoso apresenta plaquetas 78.000/mm³, TP e TTPa alargados, D-dímero muito elevado e fibrinogênio de 110 mg/dL. Qual desses parâmetros é o marcador mais sensível e precoce da coagulopatia obstétrica?
Na gestação o fibrinogênio sobe fisiologicamente para 400 a 600 mg/dL; por isso um valor de 110 mg/dL representa consumo maciço, e mesmo um resultado dito 'normal' para não gestantes, em torno de 200, já sinaliza coagulopatia grave e prediz hemorragia refratária. Ancorar na contagem de plaquetas é o erro que atrasa a reposição, porque elas caem mais tarde. O D-dímero está elevado em qualquer gestação avançada e não serve para graduar.
Parturiente de 32 anos apresenta, logo após amniotomia, dispneia súbita, cianose, hipotensão grave e parada cardiorrespiratória revertida, evoluindo em seguida com sangramento incoercível por todos os sítios de punção. Qual a hipótese diagnóstica?
Colapso cardiorrespiratório súbito intraparto seguido de coagulopatia de consumo grave é a apresentação característica da embolia por líquido amniótico — a fase hemorrágica com sangramento por punções é o que a distingue das demais catástrofes cardiovasculares. O tromboembolismo pulmonar é o distrator mais escolhido, mas ele produz hipoxemia e choque obstrutivo sem essa coagulopatia fulminante. O diagnóstico é clínico e de exclusão, e o tratamento é de suporte agressivo.
Puérpera com hemorragia maciça em curso. O serviço dispõe de tromboelastometria à beira do leito. Qual a principal vantagem desse método sobre o coagulograma convencional nesse cenário?
O coagulograma convencional demora e mede apenas o início da formação de fibrina em plasma, enquanto a tromboelastometria entrega em minutos uma leitura global — velocidade de formação, firmeza e lise do coágulo — que permite decidir entre fibrinogênio, plasma, plaquetas ou antifibrinolítico com alvo definido. Achar que ela dispensa hemocomponentes inverte a lógica: ela orienta quais transfundir, e o ganho é reduzir transfusão desnecessária, não aboli-la.
Puérpera de 31 anos, após parto vaginal de recém-nascido de 4.100 g, apresenta sangramento vaginal abundante 10 minutos depois da dequitação. Útero palpável acima da cicatriz umbilical, amolecido. Placenta íntegra e canal de parto sem lacerações. Qual é a causa e a primeira medida?
Útero amolecido e acima do esperado, com placenta íntegra e trajeto sem lesão, é atonia — a causa de longe mais frequente de hemorragia pós-parto, e o macrossômico explica a sobredistensão. A resposta inicial combina massagem e uterotônico, feitos ao mesmo tempo em que se garantem acessos calibrosos e se pede sangue. Aguardar coagulograma para agir é o erro que mais mata: a coagulopatia é consequência da perda e do consumo, e o tratamento não pode esperar exame. A inversão se reconhece pela ausência do fundo à palpação abdominal.
Puérpera de 29 anos com hemorragia pós-parto maciça recebeu 6 unidades de concentrado de hemácias. Está com hipotermia, sangramento em locais de punção e coágulos ausentes no campo cirúrgico. Qual é a conduta transfusional?
A coagulopatia da hemorragia maciça se instala por consumo, diluição, hipotermia e acidose, e o tratamento é protocolo estruturado com reposição equilibrada de hemocomponentes somada ao aquecimento e à correção metabólica — o triângulo letal precisa ser atacado inteiro. Repor só hemácias corrige o transporte de oxigênio e piora a diluição dos fatores. Esperar exame numa paciente que já sangra difusamente atrasa o que a clínica já indicou. Cristaloide em excesso dilui fatores e agrava o sangramento.
Puérpera com sangramento persistente e ultrassonografia mostrando conteúdo uterino heterogêneo com vascularização ao Doppler. Estável hemodinamicamente, afebril. Qual a conduta mais adequada?
Com restos e sangramento persistente, o esvaziamento resolve a causa, e a aspiração reduz o risco de sinéquias em comparação com a curetagem convencional. A histerectomia engana porque é de fato a via final na hemorragia incontrolável, mas em paciente estável ela sacrifica a fertilidade de uma jovem por um problema tratável de forma conservadora.
Gestante de 38 anos, com três cesarianas prévias, tem ultrassonografia com placenta prévia total e imagem com lacunas placentárias, perda da zona hipoecoica retroplacentária e vascularização aumentada na interface com a bexiga. Qual é a conduta que mais reduz a morbidade materna?
O acretismo suspeitado antes do parto é a única forma de transformar catástrofe em cirurgia planejada: equipe treinada, sala com recursos, banco de sangue avisado, acesso vascular preparado e data eleita antes do trabalho de parto reduzem de forma expressiva a perda sanguínea e a mortalidade. Deixar a paciente entrar em trabalho de parto no serviço sem estrutura é a via mais comum para o desastre. Antecipar a cesariana sem indicação clínica troca risco materno por prematuridade evitável.
Puérpera de 28 anos com sangramento abundante 6 horas após parto vaginal, útero palpável acima da cicatriz umbilical e de consistência amolecida à palpação. Qual a primeira medida?
Útero amolecido no pós-parto imediato aponta atonia, e o tratamento começa por massagem e uterotônico, medidas que resolvem a maioria dos casos em minutos. A sutura de compressão engana porque é um recurso válido, mas só entra depois da falha do tratamento clínico e já em ambiente cirúrgico.
Puérpera de 36 anos, com duas cesarianas prévias e placenta prévia, é submetida a cesariana e, ao tentar a dequitação, a placenta não se descola e há sangramento intenso do leito placentário. Qual é a conduta?
Duas cesarianas somadas a placenta prévia é o cenário de maior risco de acretismo, e a placenta que não descola confirma a suspeita. Insistir na remoção manual rasga o miométrio invadido e transforma sangramento controlável em hemorragia catastrófica — a conduta que salva é deixar a placenta no lugar e retirar o útero com ela. Curetagem tem o mesmo problema. Transferir uma paciente sangrando ativamente para embolização em outro serviço arrisca a vida no trajeto; o planejamento em centro de referência deve ser feito ANTES do parto.
Puérpera de 33 anos evolui para histerectomia puerperal de emergência por atonia refratária, com sangramento contínuo e instabilidade hemodinâmica. Qual é a técnica preferencial nesse cenário?
Na paciente instável, tempo é sangue: a técnica supracervical é mais rápida, evita a dissecção do rebordo vesical e do trajeto ureteral em pelve edemaciada e sangrante, e controla a atonia, que é fenômeno do corpo uterino. Insistir na retirada do colo é justificado quando a fonte do sangramento está no segmento inferior ou no colo, como no acretismo com placenta prévia. Retirar os ovários não acrescenta hemostasia e impõe menopausa cirúrgica a uma mulher jovem sem indicação.
Puérpera de 30 anos apresenta, 20 minutos após parto vaginal, sangramento abundante, dor pélvica intensa e choque desproporcional à perda estimada. À palpação abdominal o fundo uterino não é identificado e há massa vermelho-escura na vagina. Qual é a conduta imediata?
Ausência do fundo uterino à palpação com massa na vagina e choque desproporcional é inversão uterina, e cada minuto conta: o anel cervical se contrai e a reposição fica progressivamente mais difícil, exigindo relaxante uterino ou cirurgia. Retirar a placenta antes aumenta o sangramento e é erro clássico — ela sai depois que o útero volta ao lugar. Dar uterotônico antes da reposição fecha o anel e trava a manobra; ele é administrado justamente depois, para manter o útero contraído no lugar.
Puérpera de 28 anos com atonia uterina após cesariana mantém sangramento apesar de massagem, ocitocina e misoprostol. É hipertensa crônica em uso de metildopa. Qual uterotônico deve ser EVITADO?
O derivado do ergot provoca vasoconstrição sistêmica intensa e é contraindicado na hipertensa e na pré-eclâmpsia, pelo risco de crise hipertensiva, acidente vascular cerebral e isquemia. Os demais uterotônicos permanecem disponíveis. Vale lembrar que o antifibrinolítico não é uterotônico, mas reduz mortalidade por sangramento quando administrado nas primeiras três horas, e a demora em usá-lo é uma perda frequente na sala. A ocitocina segue sendo o pilar, com atenção à hipotensão quando infundida em bolus rápido.
Puérpera de 27 anos, após parto vaginal, apresenta sangramento moderado e persistente, útero contraído, e à revisão do canal identifica-se laceração cervical sangrante de 2 cm. Qual é a conduta?
Útero bem contraído com sangramento persistente desloca o raciocínio da atonia para o trauma, e a lesão identificada exige reparo cirúrgico — nenhum uterotônico fecha uma laceração. Uma revisão sistemática do trajeto com afastadores e boa luz é o passo que evita transfusão desnecessária. O tamponamento vaginal apenas esconde a perda por horas. Partir para laparotomia sem ter tratado a lesão visível e acessível pela via vaginal expõe a paciente a cirurgia maior sem necessidade.
Puérpera de 32 anos, no pós-operatório de histerectomia puerperal de emergência por hemorragia, evolui no segundo dia com oligúria, hipotensão persistente, incapacidade de amamentar por ausência de lactação e hiponatremia. Qual complicação deve ser suspeitada?
Hemorragia grave com hipotensão prolongada pode infartar a hipófise anterior aumentada da gestação, e o quadro se anuncia justamente pela falha da lactação somada a hipotensão, hiponatremia e hipoglicemia — reflexo da deficiência de prolactina, de corticotrofina e de outros eixos. O tratamento é reposição de glicocorticoide, e a suspeita precoce evita crise adrenal. Lesão ureteral é complicação real dessa cirurgia, mas cursa com dor em flanco, elevação de creatinina e coleção, sem explicar a ausência de leite.
Puérpera de 34 anos, no centro cirúrgico, mantém sangramento por atonia após uterotônicos e ácido tranexâmico, com útero ainda flácido e paciente hemodinamicamente compensada com reposição. Qual é a próxima etapa antes de considerar a histerectomia?
Entre o uterotônico que falhou e a retirada do útero existe um degrau inteiro de medidas que preservam a fertilidade: balão intrauterino, sutura compressiva do corpo uterino e ligadura de artérias uterinas ou hipogástricas, escolhidas conforme o cenário e a experiência da equipe. Pular direto para a histerectomia em paciente compensada retira o útero de uma mulher jovem sem necessidade. A compressão aórtica é manobra de ponte, para ganhar minutos, e não tratamento a ser mantido por horas.
Puérpera de 33 anos com hemorragia por atonia refratária a uterotônicos após parto vaginal, mantendo sangramento com perda de 1.800 mL e pressão arterial de 90/50 mmHg. Qual a próxima medida antes de considerar cirurgia?
Entre o esgotamento dos uterotônicos e a laparotomia existe uma etapa não cirúrgica de alto rendimento: o tamponamento com balão intrauterino, que controla a maioria dos casos, é rápido, pode ser feito à beira do leito e serve de ponte enquanto se organiza sala, sangue e equipe. Partir direto para histerectomia engana porque é o procedimento definitivo e às vezes inevitável, mas indicá-la antes de tentar o balão retira o útero de uma paciente que responderia a uma medida conservadora. Ligadura vascular e sutura compressiva vêm depois da falha do balão, e compressão da aorta é manobra temporária de resgate, não conduta definitiva.
Puérpera de 35 anos, cesariana há 15 dias por placenta prévia, retorna com sangramento vaginal intermitente. Ultrassonografia com Doppler mostra massa intracavitária de 3 cm com fluxo de baixa resistência e vasos que atravessam a interface miometrial. Beta-hCG sérico de 12 mUI/mL. Qual o diagnóstico mais provável e o cuidado essencial na conduta?
Massa intracavitária com fluxo de baixa resistência e vasos cruzando a interface com o miométrio, em puérpera com antecedente de placenta prévia e beta-hCG praticamente negativo, corresponde a restos placentários com retenção vascularizada: o tecido mantém conexão vascular com o miométrio, e curetagem cega pode abrir um vaso de alto fluxo e provocar hemorragia maciça — por isso planeja-se embolização prévia ou abordagem guiada em ambiente com suporte hemoterápico. Doença trofoblástica engana pela imagem vascularizada, mas exigiria beta-hCG elevado. Curetagem no mesmo tempo da suspeita de infecção é justamente o gesto de maior risco aqui.
Puérpera com hemorragia pós-parto por atonia, 20 minutos após parto vaginal, com perda estimada de 1.200 mL. Já foram feitas massagem uterina bimanual, ocitocina endovenosa e esvaziamento vesical, sem controle. Qual a próxima medida farmacológica e o cuidado associado?
Falhada a primeira linha, escalam-se os uterotônicos: misoprostol por via retal ou sublingual e metilergometrina intramuscular, com a ressalva obrigatória de que a metilergometrina é contraindicada em hipertensas e pré-eclâmpsicas por risco de crise hipertensiva e acidente vascular cerebral. Ácido tranexâmico deve ser associado precocemente. As demais opções são erros de direção: nifedipino, sulfato de magnésio e terbutalina são relaxantes uterinos, ou seja, agravariam a atonia, e diurético apenas reduz a volemia de uma paciente que está sangrando.
Puérpera de 29 anos com hemorragia pós-parto por restos placentários, perda estimada de 2.500 mL, recebeu 6 unidades de concentrado de hemácias. Apresenta agora sangramento em pontos de punção, gengivorragia, plaquetas de 48.000/mm³, fibrinogênio de 110 mg/dL e razão normalizada internacional de 2,1. Qual a conduta hemoterápica?
O quadro é coagulopatia da hemorragia maciça, com consumo e diluição de fatores: sangramento em mucosas e pontos de punção, plaquetopenia, fibrinogênio abaixo de 200 mg/dL e alargamento do tempo de protrombina exigem reposição de fibrinogênio por crioprecipitado ou concentrado, plasma fresco congelado e plaquetas, em protocolo balanceado com as hemácias. Manter só hemácias engana porque a hemoglobina é o número mais visível, mas transfundir apenas hemácias piora a diluição de fatores e perpetua o sangramento. Cristaloide em grande volume agrava a coagulopatia, vitamina K é lenta e insuficiente, e anticoagular paciente que sangra é contraindicado.
Gestante de 38 semanas com corioamnionite diagnosticada evolui, após o nascimento por parto vaginal, com atonia uterina e hemorragia pós-parto. Qual a relação entre as duas condições e a implicação prática?
A corioamnionite prejudica a contração do miométrio inflamado e figura entre os fatores de risco clássicos de atonia uterina, ao lado de trabalho de parto prolongado, sobredistensão por macrossomia ou polidrâmnio, multiparidade e uso prolongado de ocitocina, vários deles presentes justamente nas parturientes que desenvolvem a infecção. A implicação é prática: reconhecida a corioamnionite, o parto é assistido com uterotônico preparado, acesso venoso adequado, disponibilidade de sangue e vigilância ativa do sangramento no puerpério imediato. Atribuir tudo a laceração de trajeto é o erro mais comum, e ele custa tempo, porque a atonia responde por cerca de 70 a 80 por cento das hemorragias pós-parto e é a primeira hipótese a ser afastada pela palpação do útero. Coagulopatia pode surgir na sepse, mas é consequência tardia e não a via inicial. O antibiótico não é causa de hemorragia neste contexto.
Sobre o uso de ácido tranexâmico na hemorragia pós-parto, qual afirmativa está correta?
A OMS recomenda tranexâmico intravenoso precocemente na hemorragia pós-parto, dentro de três horas do nascimento. A contagem não recomeça quando o sangramento é identificado. O medicamento integra o tratamento e não deve aguardar falha de todos os uterotônicos ou do tamponamento. Sua indicação não se restringe a trauma nem depende de fibrinogênio baixo. Referência: OMS, Recommendation on Tranexamic Acid for the Treatment of Postpartum Haemorrhage, 2017.
Puérpera de 27 anos, parto vaginal há 8 dias, apresenta sangramento discreto e ultrassonografia com imagem endometrial heterogênea de 1,2 cm, sem vascularização ao Doppler, sem dor, sem febre e com hemoglobina de 11,4 g/dL. Qual a conduta?
Achado ultrassonográfico de pequeno volume, sem vascularização, em paciente com sangramento discreto, sem dor, sem febre e sem anemia significativa não caracteriza retenção de restos com repercussão: é frequente encontrar material intracavitário no puerpério normal, e intervir sobre imagem em paciente assintomática troca um achado inofensivo por risco de perfuração e sinéquias. A aspiração imediata engana porque é a conduta certa quando há sangramento significativo ou massa vascularizada — o que decide é a repercussão clínica, não a existência da imagem. Transfusão não se cogita com hemoglobina de 11,4 g/dL.
Puérpera de 24 anos, parto vaginal há 12 dias, procura o pronto-socorro com sangramento vaginal aumentado há 3 dias, sem febre. Ao exame: útero de 14 cm, amolecido, colo entreaberto, sangramento vermelho vivo moderado, temperatura de 36,8 °C, frequência cardíaca de 96 bpm. Ultrassonografia mostra material heterogêneo intracavitário de 4 cm com vascularização. Qual o diagnóstico?
Sangramento que aumenta após o décimo dia, útero maior que o esperado e amolecido, colo entreaberto e material heterogêneo vascularizado na cavidade compõem o quadro de hemorragia pós-parto tardia por retenção de restos placentários — o tecido residual impede a contração eficaz e sustenta o sangramento. Endometrite engana porque também cursa com subinvolução uterina, mas traz febre, dor à mobilização uterina e lóquios fétidos, ausentes aqui. Atonia primária ocorre nas primeiras 24 horas, e involução fisiológica não produz sangramento vermelho vivo crescente com massa intracavitária.
Puérpera de 31 anos, parto vaginal há 10 dias, com sangramento moderado por restos placentários confirmados em ultrassonografia, estável hemodinamicamente e sem sinais de infecção. Qual a conduta de escolha para o esvaziamento uterino?
Confirmados restos com sangramento significativo, o tratamento é esvaziar a cavidade, e a aspiração intrauterina é preferível por ser menos traumática ao endométrio recém-puerperal, com menor risco de perfuração de um útero amolecido e de sinéquias que comprometeriam a fertilidade futura. Curetagem vigorosa com cureta cortante engana porque é a técnica clássica e ainda usada onde não há vácuo, mas em útero puerperal ela é justamente o gesto que produz perfuração e sinéquias. Histerectomia é desproporcional em paciente estável, e antibiótico isolado não remove o tecido que causa o sangramento.
Mulher de 28 anos, imediatamente após parto vaginal, apresenta sangramento vaginal abundante. Útero contraído e globoso ao exame, placenta íntegra revisada, sem hipotonia. Qual a causa mais provável dentro da mnemônica dos quatro T da hemorragia pós-parto?
Útero bem contraído com placenta íntegra e sangramento abundante desloca o raciocínio do tônus para o trauma: lacerações de colo, vagina ou períneo, ou hematoma em expansão, sangram com útero perfeitamente contraído, e a conduta é inspeção sistemática do canal com afastadores e boa iluminação. Atonia é o distrator natural porque responde por cerca de 70% das hemorragias pós-parto, mas o achado que a define é o útero amolecido, e aqui ele está globoso e firme. Retenção de tecido cursa com placenta incompleta, e coagulopatia costuma vir depois de sangramento volumoso ou de causa predisponente.
Puérpera de 28 anos evoluiu com parto vaginal 40 minutos após o diagnóstico de infecção intra-amniótica. Imediatamente após a dequitação apresenta sangramento vaginal abundante, útero amolecido acima da cicatriz umbilical e pressão arterial de 90/54 mmHg. Qual a complicação em curso?
A infecção intra-amniótica é fator de risco clássico de atonia porque o miométrio infiltrado por mediadores inflamatórios responde mal à contração, e o achado de útero amolecido e alto com sangramento imediato é a assinatura da atonia. Laceração de colo é o distrator tentador em sangramento imediato, mas nela o útero está bem contraído e o sangue é vivo e contínuo à inspeção. Inversão cursaria com massa vaginal e fundo uterino não palpável, e embolia amniótica traria colapso cardiorrespiratório antes do sangramento.
Durante extração manual de placenta retida, o cirurgião não identifica plano de clivagem entre a placenta e a parede uterina, com o tecido firmemente aderido em toda a área de inserção. Sangramento moderado. Qual a hipótese e a conduta?
Ausência de plano de clivagem durante a extração manual é o sinal intraoperatório de acretismo, e insistir nesse cenário é o gesto que transforma sangramento moderado em hemorragia catastrófica: interrompe-se a tentativa, aciona-se equipe cirúrgica, reserva de hemocomponentes e planeja-se histerectomia ou abordagem conservadora deliberada. Placenta encarcerada por anel de contração engana porque também impede a extração e nela o relaxamento uterino de fato ajuda, mas ali existe plano de clivagem e a placenta já está descolada. Aumentar a tração e curetar amplamente são as condutas de maior risco aqui.
Parturiente de 26 anos, parto vaginal espontâneo há 35 minutos, sem dequitação da placenta apesar de manejo ativo do terceiro período com ocitocina e tração controlada do cordão. Sangramento vaginal discreto, útero contraído, estável hemodinamicamente. Qual a conduta?
Ausência de dequitação após 30 minutos de manejo ativo caracteriza retenção placentária, e a conduta é a extração manual sob analgesia adequada, com antibioticoprofilaxia pelo risco infeccioso do procedimento. Aguardar horas engana porque a placenta às vezes se solta espontaneamente e a paciente está estável, mas o tempo prolongado de retenção é fator direto de hemorragia e infecção, e a conduta ativa é o padrão. Tração vigorosa provoca inversão uterina e rotura de cordão, curetagem primária num útero puerperal amolecido é a via da perfuração, e histerectomia é resposta desproporcional em paciente estável.
Parturiente de 30 anos, dequitação incompleta com falta evidente de um fragmento de cotilédone à revisão da placenta, sangramento moderado com útero contraído. Qual a conduta?
Placenta com cotilédone faltante à revisão indica fragmento retido, e enquanto ele permanece na cavidade o útero não se contrai eficazmente sobre o leito placentário, mantendo o sangramento e criando substrato para infecção e hemorragia tardia: a conduta é revisar a cavidade e remover o tecido. Uterotônico isolado engana porque melhora temporariamente o tônus e reduz o sangramento visível, dando falsa impressão de resolução, mas o fragmento continua ali. Conduta expectante e antibiótico isolado não removem a causa mecânica do sangramento.
Parturiente apresenta, imediatamente após tração do cordão umbilical durante o terceiro período, dor abdominal intensa, sangramento vaginal abundante, massa violácea visível na vulva e ausência do fundo uterino à palpação abdominal. Pressão arterial de 80/50 mmHg. Qual o diagnóstico e a conduta imediata?
Dor intensa, sangramento abundante, massa violácea na vulva e fundo uterino ausente à palpação definem inversão uterina aguda, complicação da tração indevida do cordão, e a conduta é reposicionar o útero imediatamente, com reposição volêmica em paralelo — quanto mais tempo passa, mais o anel de contração se fecha e mais difícil fica a redução, podendo exigir relaxantes uterinos ou cirurgia. Interpretar como retenção placentária engana porque a placenta muitas vezes ainda está aderida ao fundo invertido, mas retirar a placenta antes de reposicionar aumenta o sangramento. Uterotônicos antes da redução fecham o anel e pioram o quadro.
Sobre o uso de antibiótico na extração manual de placenta retida, qual a conduta adequada?
A extração manual introduz a mão no útero pela via vaginal, colonizada, e o risco de endometrite justifica antibioticoprofilaxia em dose única no momento do procedimento, geralmente com cefalosporina de primeira geração ou associação com cobertura para anaeróbios conforme o protocolo local. Esperar a febre engana porque parece evitar antibiótico desnecessário, mas nesse caso a profilaxia previne a infecção e não apenas antecipa o tratamento. Considerar o procedimento limpo é erro de classificação, curso prolongado de 14 dias em todos os casos é uso abusivo, e antifúngico não tem qualquer indicação.
Quais são os fatores de risco classicamente associados à retenção placentária?
A retenção placentária concentra-se em úteros com cicatriz ou endométrio previamente agredido, situação em que a decidualização é deficiente: cesariana e curetagem prévias, placenta prévia, além de parto prematuro, multiparidade e antecedente do próprio evento. Primiparidade em gestante jovem sem antecedentes engana porque a primiparidade é fator de risco para várias complicações obstétricas, entre elas a pré-eclâmpsia e a distócia, mas não para retenção placentária. Macrossomia, uso de sulfato de magnésio e apresentação cefálica fletida não integram esse conjunto de fatores.
Parturiente com placenta descolada, porém retida na cavidade uterina por anel de contração cervical, sem plano de saída apesar da dequitação já ter ocorrido. Estável hemodinamicamente. Qual a medida farmacológica que pode facilitar a extração?
Na placenta encarcerada por anel de contração, a placenta já se descolou mas não atravessa o colo espasmado, e o que resolve é relaxar transitoriamente o útero: a nitroglicerina endovenosa tem efeito rápido e de curta duração, permitindo a retirada com segurança. Ocitocina em bolus engana porque é o uterotônico reflexo de toda a assistência ao terceiro período, mas aqui aumentar a contração fecha ainda mais o anel e prende a placenta. Metilergometrina e misoprostol têm o mesmo problema, com efeito mais prolongado, e o ácido tranexâmico atua na coagulação, sem qualquer ação sobre o anel.
Após extração manual de placenta retida com sucesso, a paciente evolui com sangramento vaginal abundante e útero amolecido. Qual a sequência inicial de conduta?
Retenção placentária e sua extração predispõem à atonia subsequente, e a sequência inicial é a do manejo da hemorragia pós-parto: massagem uterina bimanual, ocitocina endovenosa, ácido tranexâmico precoce e revisão sistemática da cavidade e do canal para excluir fragmento remanescente e lacerações. Metilergometrina é uterotônico eficaz, mas usá-la em paciente pré-eclâmpsica é justamente a contraindicação clássica, pelo risco de crise hipertensiva. Histerectomia é etapa final após falha das medidas conservadoras, observar sangramento ativo é inaceitável e plaquetas não são a primeira medida numa hemorragia por atonia.
Sobre a definição de retenção placentária e o intervalo de tempo utilizado como critério, qual afirmativa está correta?
O limite habitual é de 30 minutos quando se pratica manejo ativo do terceiro período, com uterotônico profilático e tração controlada do cordão, e estende-se a cerca de 60 minutos na conduta fisiológica, sem uterotônico. Fixar prazos muito longos engana quem raciocina que a placenta acaba saindo sozinha na maioria dos casos, e realmente a maior parte dequita nos primeiros minutos — mas cada minuto adicional de retenção aumenta a chance de hemorragia. Sangramento importante antecipa a intervenção independentemente do relógio, o que não elimina o critério temporal.
Após cesariana de gestação gemelar a termo, qual medida profilática é prioritária no terceiro período e no pós-parto imediato?
A sobredistensão uterina da gemelaridade eleva substancialmente o risco de atonia, e a profilaxia com uterotônico em infusão é a medida prioritária, ao lado de acesso venoso adequado e reserva de hemocomponentes. Antibiótico prolongado após cesariana não tem indicação, sendo a profilaxia em dose única pré-incisional a conduta correta. Balão intrauterino é terapêutico em atonia estabelecida, não profilático de rotina, e transfusão de plasma sem coagulopatia é intervenção sem indicação.
Sobre o manejo do terceiro período do parto para prevenção de hemorragia pós-parto, assinale a conduta correta.
O manejo ativo do terceiro período reduz a hemorragia pós-parto e consiste em uterotônico profilático logo após o nascimento, tração controlada do cordão com a mão contrária estabilizando o útero acima da sínfise, e avaliação do tônus. Tracionar sem contratração é o gesto que provoca inversão uterina aguda. A extração manual de rotina aumenta infecção e sangramento, ficando reservada à retenção placentária. A metilergometrina é contraindicada na hipertensão e na pré-eclâmpsia.
Puérpera com atonia uterina mantém sangramento após massagem uterina bimanual e ocitocina endovenosa em infusão. Está estável, com pressão arterial de 100x60 mmHg. Qual a sequência mais adequada de escalonamento terapêutico?
O manejo é escalonado e não pode pular etapas nem se demorar em nenhuma: uterotônicos adicionais e antifibrinolítico, depois tamponamento intrauterino, depois suturas compressivas e ligaduras vasculares, deixando a histerectomia como último recurso. Indicá-la logo após a falha da ocitocina retira o útero de uma mulher que responderia ao balão. Repetir massagem por meia hora consome o tempo em que o sangramento continua, e curetagem só cabe quando há suspeita de restos, podendo agravar a atonia se feita às cegas.
Puérpera de 25 anos apresenta sangramento vaginal contínuo, de sangue vivo, imediatamente após parto vaginal com uso de fórceps. Ao exame, útero firmemente contraído em nível infraumbilical. Qual a conduta?
Útero bem contraído com sangramento ativo desloca o diagnóstico da atonia para o trauma, e o parto instrumentado é o antecedente que sela a suspeita; a conduta é expor e suturar a laceração de colo, vagina ou períneo. Insistir em uterotônicos e massagem é o erro mais comum, porque a mão vai automaticamente ao fundo uterino e ignora o achado que já afastou a hipótese. Curetagem e balão tratam causas intracavitárias que não são a deste caso.
Puérpera de 28 anos, parto vaginal de recém-nascido de 4.100 g após indução prolongada, apresenta sangramento vaginal volumoso 20 minutos após a dequitação. Ao exame, útero acima da cicatriz umbilical, amolecido. Qual a causa mais provável?
Útero alto e amolecido é a definição semiológica da atonia, causa de cerca de 70% a 80% das hemorragias pós-parto, e a macrossomia com indução prolongada é o cenário de sobredistensão e exaustão miometrial que a produz. Laceração cursaria com sangramento vivo e útero bem contraído, que é justamente a pista para revisar o canal. Retenção de restos e coagulopatia são possíveis, mas vêm depois na hierarquia diagnóstica, e a inversão se apresenta com massa vaginal e fundo uterino não palpável.
Qual a posologia e a janela de administração do ácido tranexâmico na hemorragia pós-parto?
O benefício do antifibrinolítico é tempo-dependente e desaparece quando a administração ultrapassa três horas do parto, motivo pelo qual a droga entra cedo no protocolo e não depende de exame de coagulação. Exigir coagulopatia documentada é o erro que anula a janela terapêutica, já que o resultado do laboratório chega depois do prazo útil. A infusão precisa ser lenta para evitar hipotensão, e a via oral não tem papel no quadro agudo.
Qual é a definição clássica de hemorragia pós-parto adotada pelas principais referências obstétricas?
A definição combina um limiar de volume por via de parto com um critério funcional, e é esse segundo componente que importa na prática: gestante anêmica ou de baixo peso descompensa antes de atingir qualquer número. Fixar-se em 1.500 mL é o erro que atrasa o diagnóstico, pois esse valor descreve hemorragia grave, não o ponto de partida. Queda de hemoglobina e transfusão são consequências que se conhecem tarde demais e não servem para acionar o protocolo à beira do leito.
Puérpera com 40 minutos de parto vaginal, placenta ainda não dequitada, sangramento moderado e útero contraído. Qual a conduta?
Ultrapassados 30 minutos com manejo ativo, define-se retenção placentária, e a extração manual com analgesia e cobertura antibiótica é a conduta, pois a placenta retida impede a contração eficaz e alimenta o sangramento. Esperar duas horas é conduta antiga e perigosa em quem já sangra. Tração vigorosa do cordão sem contração é o gesto que provoca inversão uterina e rotura do cordão. Uterotônico com placenta dentro pode encarcerá-la, e histerectomia só se cogita quando o plano de clivagem não existe, o que é achado do próprio procedimento.
Qual é a medida isolada de maior impacto na prevenção da hemorragia pós-parto por atonia?
O uterotônico profilático logo após o nascimento é a intervenção com maior redução comprovada de hemorragia e a peça central do manejo ativo, ao lado da tração controlada do cordão com contratração suprapúbica. O clampeamento imediato foi abandonado como rotina porque prejudica as reservas de ferro do recém-nascido sem reduzir sangramento materno. Episiotomia de rotina aumenta o trauma em vez de reduzi-lo, a pressão sobre o fundo uterino é proscrita e curetagem de rotina não previne nada e provoca lesão endometrial.
Puérpera com hemorragia pós-parto apresenta pressão arterial sistólica de 90 mmHg e frequência cardíaca de 115 bpm. Qual parâmetro traduz melhor a gravidade da perda nesse momento à beira do leito?
O índice de choque é calculado com dois dados que já estão no monitor e sobe antes de a pressão desabar, capturando a fase compensada em que a intervenção ainda muda o desfecho. A estimativa visual subestima sistematicamente a perda, erro documentado e responsável por muito diagnóstico tardio. A hemoglobina do momento agudo ainda não refletiu a perda porque a hemodiluição leva horas, e diurese acumulada ou pressão venosa central são lentas ou invasivas demais para a decisão imediata.
Puérpera com atonia uterina e diagnóstico prévio de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade mantém sangramento. Qual uterotônico está contraindicado nesse contexto?
Os derivados do ergot causam vasoconstrição sistêmica e podem precipitar crise hipertensiva, acidente vascular cerebral e convulsão em quem já tem doença hipertensiva da gestação, por isso são proscritos nesse cenário. A ocitocina é a primeira linha universal e a carbetocina é seu análogo de meia-vida longa, ambas seguras. O misoprostol tem como efeitos adversos febre e tremores, não hipertensão. O ácido tranexâmico não é uterotônico, mas é indicado e seguro na hemorragia pós-parto.
Puérpera de 31 anos, 20 dias após cesariana, apresenta episódios de sangramento vaginal maciço e intermitente. Ultrassonografia mostra cavidade uterina vazia e Doppler evidencia área de fluxo turbilhonar de alta velocidade no miométrio, junto à cicatriz. Qual a conduta?
Fluxo turbilhonar de alta velocidade no miométrio com cavidade vazia descreve pseudoaneurisma de artéria uterina ou malformação arteriovenosa, lesão em que qualquer instrumentação da cavidade rompe a bolsa vascular e produz hemorragia catastrófica; a via correta é endovascular. A curetagem é o distrator mais perigoso porque o reflexo diante de sangramento tardio é raspar o útero, e aqui a cavidade já foi mostrada vazia. Uterotônicos e antibióticos não fecham uma lesão vascular estrutural.
Qual é o intervalo de tempo que define a hemorragia puerperal tardia, também chamada de secundária?
A divisão temporal separa dois grupos de causas: até 24 horas predominam atonia e trauma, e depois desse marco entram restos placentários, endometrite, subinvolução do leito placentário e lesões vasculares, com limite superior habitualmente fixado em 12 semanas. Marcar as primeiras 24 horas é confundir com a forma precoce, que é justamente aquela de que a tardia se distingue. Não há definição que comece na dequitação ou que se estenda por meses, e a lactação não delimita a entidade.
Mulher de 30 anos com sangramento vaginal irregular seis semanas após parto vaginal. Além da ultrassonografia, qual exame deve ser obrigatoriamente solicitado nessa investigação?
Sangramento persistente no puerpério tardio obriga a afastar neoplasia trofoblástica gestacional, cuja apresentação pode ser exatamente essa e cujo tratamento é quimioterápico; um beta-hCG que não cai ou que volta a subir muda todo o desfecho. A prolactina está fisiologicamente elevada na lactação e não ajuda. O hormônio tireoestimulante pode compor a investigação de sangramento crônico fora do puerpério, o marcador tumoral tem baixa especificidade e frequentemente se altera após qualquer processo peritoneal, e o perfil lipídico nada tem a ver com o quadro.
Puérpera no 15º dia após parto vaginal com sangramento persistente. Ultrassonografia mostra material heterogêneo intracavitário de 3 cm com vascularização ao Doppler. Está estável e afebril. Qual a conduta?
Restos ovulares vascularizados mantêm o leito aberto e sangrando, e o esvaziamento resolve a causa; a aspiração é preferida à curetagem cortante por menor risco de sinéquias. Observação prolongada em paciente que sangra troca resolução por anemia e infecção. Histerectomia é desproporcional em paciente estável com causa tratável, o metotrexato serve à doença trofoblástica e não a restos, e uterotônico isolado não expulsa material aderido.
Puérpera de 25 anos retorna ao pronto-socorro no 12º dia após parto vaginal com sangramento vaginal abundante, com coágulos, iniciado há 6 horas. Temperatura 37,2 °C, pressão arterial 100x60 mmHg, frequência cardíaca 104 bpm. Útero amolecido, com colo pérvio para 1 polpa digital, e a ultrassonografia mostra conteúdo heterogêneo intracavitário de 30 mm com vascularização ao Doppler. Qual a conduta?
Sangramento entre 24 horas e 12 semanas após o parto define hemorragia puerperal tardia, e a causa mais frequente é a retenção de restos placentários — sugerida aqui pelo útero amolecido, colo pérvio e material intracavitário vascularizado. A conduta reúne estabilização, uterotônico para contrair o leito e esvaziamento da cavidade, preferencialmente por aspiração, que traumatiza menos o endométrio, com antibiótico se houver endometrite associada. Manejo expectante engana em paciente já taquicárdica e com sangramento ativo, e a histerectomia é reservada a falha das medidas conservadoras ou a acretismo confirmado.
Qual manobra do exame físico é decisiva para diferenciar inversão uterina de outras causas de massa vaginal no puerpério?
Enquanto todas as massas vaginais se parecem ao exame especular, apenas a inversão faz o fundo uterino desaparecer do abdome ou apresentar uma depressão em taça, e essa é a informação que muda a conduta imediatamente. Confiar apenas no exame especular é o erro que leva a manipular ou até tentar ressecar um útero invertido tomado por mioma parido. As demais manobras não respondem à pergunta clínica em questão.
Durante o manejo da inversão uterina com hemorragia importante, quais medidas compõem a reanimação adequada?
O choque é predominantemente hipovolêmico com componente vagal, e a reanimação segue os princípios da hemorragia obstétrica, com acessos calibrosos, fluidos aquecidos, transfusão precoce e antifibrinolítico dentro da janela de três horas. Esperar exame laboratorial é o erro clássico, pois a hemoglobina inicial ainda não reflete a perda aguda. Vasopressor em paciente sem volume mascara a hipovolemia e piora a perfusão tecidual.
Qual conduta é formalmente inadequada diante de inversão uterina aguda com placenta aderida?
Descolar a placenta com o útero invertido abre bruscamente todo o leito placentário em um órgão incapaz de se contrair, transformando uma hemorragia grave em hemorragia catastrófica; a ordem correta é repor e só depois retirar. As demais condutas compõem o manejo correto e devem ocorrer em paralelo: reposição volêmica, apoio anestésico para relaxamento, suspensão temporária dos uterotônicos e ativação do protocolo institucional.
Imediatamente após a dequitação, puérpera apresenta dor abdominal excruciante, hemorragia vaginal volumosa e choque. Ao exame, massa arredondada e avermelhada visível na vulva e fundo uterino não palpável no abdome. Qual o diagnóstico?
A tríade de dor intensa, massa vaginal e ausência do fundo uterino à palpação abdominal é praticamente patognomônica, e o choque costuma parecer desproporcional à perda visível pela intensa resposta vagal. Atonia cursa com útero palpável, amolecido e alto, exatamente o contrário do que se descreve. Rotura uterina se apresenta com dor, sofrimento fetal e sangramento durante o trabalho de parto, e a laceração cervical não faz desaparecer o fundo uterino.
Diante de inversão uterina aguda com placenta ainda aderida, qual a conduta imediata?
Retirar a placenta antes da reposição aumenta acentuadamente a hemorragia, pois abre todo o leito placentário de um útero que não pode se contrair enquanto estiver invertido; por isso a sequência correta é repor primeiro, retirar depois. Administrar uterotônico antes da reposição contrai o anel cervical e aprisiona o fundo, tornando a manobra muito mais difícil. Histerectomia é último recurso, e tamponar sem repor mantém a hemorragia e a resposta vagal.
Qual prática do terceiro período do parto reduz o risco de inversão uterina?
A tração só é segura quando acompanhada de contratração suprapúbica, feita durante a contração e após os sinais de descolamento, o que impede que a força seja transmitida ao fundo uterino. Todas as demais práticas descrevem exatamente os mecanismos que produzem a inversão: tração precoce e vigorosa, pressão sobre o fundo e manipulação antes do descolamento. A extração manual de rotina, além de desnecessária, aumenta infecção e sangramento.
Por que o choque na inversão uterina aguda frequentemente parece desproporcional ao volume de sangue perdido?
A tração súbita sobre ligamentos e peritônio desencadeia resposta vagal intensa, com bradicardia e hipotensão que se somam à hipovolemia, produzindo um quadro mais grave do que o volume perdido explicaria. Atribuir tudo à subestimação da perda ignora o mecanismo e pode levar a reposições volêmicas excessivas sem corrigir a causa. Catecolaminas elevam a pressão, e sepse não se instala em minutos.
Qual técnica utiliza a pressão hidrostática de solução salina aquecida infundida na vagina, com vedação do introito, para reposicionar o útero invertido?
A infusão de grande volume de solução aquecida com o introito ocluído gera pressão que distende os fórnices e empurra o fundo de volta, sendo alternativa útil quando a reposição manual falha e antes de partir para a via abdominal. As técnicas de Haultain e Huntington são cirúrgicas, por laparotomia. A manobra de Zavanelli descreve a recolocação da cabeça fetal no canal, e a de McRoberts pertence ao manejo da distocia de ombro.
A primeira tentativa de reposição manual do útero invertido falhou por constrição do anel cervical. Qual a conduta seguinte?
O obstáculo mecânico é o anel de constrição, e relaxá-lo farmacologicamente ou por aprofundamento anestésico transforma uma manobra impossível em factível. Prescrever uterotônico nesse momento é o erro conceitual mais grave, pois aumenta a constrição e sela o encarceramento. Aguardar redução espontânea não ocorre e a paciente continua sangrando, e qualquer instrumentação ou tamponamento sobre um útero invertido apenas agrava a lesão.
Paciente com inversão uterina e hemorragia maciça recebeu quatro unidades de concentrado de hemácias e mantém sangramento. Qual a conduta transfusional adequada?
Reposição isolada de hemácias em hemorragia maciça produz coagulopatia dilucional e agrava o sangramento, por isso a reposição balanceada de hemocomponentes é o padrão, junto ao controle da hipotermia e da hipocalcemia induzida pelo citrato. Esperar coagulograma é o erro clássico, pois o resultado chega tarde demais para orientar a conduta. Grandes volumes de cristaloide isoladamente pioram a coagulopatia e o edema.
Puérpera retorna ao serviço no décimo dia após parto vaginal com sangramento persistente, dor pélvica e sensação de peso vaginal. Ao exame, identifica-se massa vaginal e o fundo uterino não é palpável ao exame abdominal. Qual a hipótese?
A inversão pode se apresentar dias depois do parto, com quadro menos dramático mas com o mesmo achado decisivo: ausência do fundo uterino à palpação abdominal associada a massa vaginal. Pólipo placentário e mioma parido produzem massa vaginal, porém o fundo uterino permanece palpável, e essa é a manobra que separa as hipóteses. A endometrite explica dor e sangramento, mas não a massa nem o desaparecimento do fundo.
Em que situação a histerectomia se torna necessária no manejo da inversão uterina puerperal?
A histerectomia é o último degrau do algoritmo e se justifica apenas quando as etapas conservadoras falharam ou quando o órgão já não é viável, situação em que insistir custa a vida da paciente. Indicá-la pelo grau da inversão, pela necessidade de anestesia geral ou pela prole constituída retira o útero de mulheres que teriam resolução conservadora. Acretismo pode exigir a cirurgia, mas não quando a reposição foi bem-sucedida e o sangramento está controlado.
Sobre o uso de uterotônicos no manejo da inversão uterina, qual afirmativa é correta?
A lógica é sequencial: antes da redução, contrair o útero fecha o anel e aprisiona o fundo, e depois da redução, contraí-lo é justamente o que impede a reinversão e o sangramento do leito placentário. Administrar antes é o erro que torna a reposição manual impossível. Considerá-los contraindicados o tempo todo deixa a paciente sangrando após uma redução tecnicamente bem-sucedida, e adiar 24 horas não faz qualquer sentido fisiológico.
Qual condição anestésica favorece o sucesso da reposição uterina em inversão de diagnóstico tardio?
O obstáculo é o anel de constrição, e a anestesia com halogenado promove relaxamento uterino profundo, condição que transforma uma manobra impossível em viável; alternativamente, nitroglicerina ou beta-agonista podem ser usados. Bloqueios locais e regionais restritos não relaxam o miométrio. Preservar o tônus é o oposto do necessário nessa fase, embora seja exatamente o que se busca imediatamente após a redução.
Em parto domiciliar, a puérpera apresenta sangramento volumoso após a dequitação, com útero amolecido. Qual a conduta imediata antes e durante o transporte?
A hemorragia pós-parto mata rápido, e as medidas mecânicas e farmacológicas devem ocorrer simultaneamente ao acionamento do transporte, nunca em sequência; a compressão bimanual sustenta a paciente durante o deslocamento. Tamponar e permanecer no domicílio é o erro que transforma uma hemorragia tratável em óbito materno. Diurético em paciente hipovolêmica agrava o choque e não tem qualquer racional.
Após reposição bem-sucedida de inversão uterina puerperal, qual orientação sobre gestações futuras é adequada?
A recorrência é descrita e por isso a informação precisa constar do prontuário e do cartão da gestante, permitindo que o terceiro período seja conduzido sem tração precoce e com equipe preparada. Afirmar impossibilidade de recorrência é falso e desarma a próxima equipe. Esterilização compulsória fere a autonomia e não é conduta indicada, e a via de parto se define por indicação obstétrica, não pelo antecedente isolado.
Qual achado de imagem sugere inversão uterina em casos de diagnóstico tardio ou duvidoso?
A imagem mostra a inversão da relação entre fundo e cavidade, com o característico aspecto em alvo no corte transversal, e a ressonância esclarece casos de apresentação arrastada em que a anatomia está distorcida. Espessamento endometrial e líquido livre são achados inespecíficos do puerpério. Gás intracavitário pode ocorrer após instrumentação ou infecção e não caracteriza a condição.
Na classificação da inversão uterina, o grau em que o fundo uterino ultrapassa o colo mas não alcança o introito vaginal corresponde a:
A graduação segue o quanto o fundo progrediu: uma simples depressão fúndica sem passagem pelo colo, a passagem através do colo sem alcançar o introito, a exteriorização pela vulva e, por fim, a inversão total que arrasta a vagina. Distinguir os graus importa porque as formas iniciais podem passar despercebidas ao exame externo e ser diagnosticadas apenas pela palpação bimanual ou por imagem.
Após a reposição bem-sucedida do útero invertido, qual a conduta imediata?
A sequência é invertida em relação à fase anterior: assim que o fundo volta ao lugar, é preciso contrair o útero para evitar a reinversão e conter o sangramento, mantendo a mão como suporte enquanto o uterotônico age. Retirar a mão antes da contração firme permite que o útero se inverta novamente. Manter relaxamento prolongado é exatamente o oposto do necessário, e histerectomia não é conduta preventiva em um caso resolvido.
Quais são os principais fatores de risco para inversão uterina aguda?
A inversão é quase sempre iatrogênica, produzida por tração do cordão sem que a placenta tenha se descolado, muitas vezes combinada com pressão sobre o fundo uterino, manobra proscrita; implantação fúndica e aderência anormal da placenta completam o cenário. Analgesia, episiotomia e antifibrinolítico não têm relação com o mecanismo. Ocitocina no primeiro período não causa inversão, embora o uterotônico administrado com a placenta ainda dentro possa dificultar a reposição.
Falhando as tentativas de reposição por via vaginal, qual procedimento cirúrgico consiste na incisão do anel de constrição por via posterior, permitindo a redução do fundo uterino?
A incisão posterior do anel libera a constrição que impede o retorno do fundo, e depois se sutura a histerotomia; é a alternativa quando a tração progressiva por via abdominal não resolve. A técnica de Huntington é justamente essa tração progressiva com pinças, sem incisão do anel, e as duas são frequentemente confundidas. Sutura compressiva e ligadura vascular tratam hemorragia por atonia, e histerectomia é o último recurso.
Durante cesariana, após o nascimento, a placenta não se desprende e a tentativa de extração manual provoca sangramento intenso, com perda estimada de 2.000 mL em poucos minutos. A paciente apresenta pressão arterial de 75 x 40 mmHg e pulso de 135 bpm. Qual a conduta imediata?
Diante de acretismo com hemorragia instalada e instabilidade, a histerectomia é o tratamento definitivo, e deve ser feita sem hesitação, com ativação simultânea do protocolo de transfusão maciça em proporções equilibradas de concentrado de hemácias, plasma e plaquetas, além de ácido tranexâmico. Insistir em uterotônicos e massagem é o erro conceitual central: o sangramento não vem de atonia, e sim de leito placentário que não se descola, de modo que essas medidas não funcionam e consomem tempo. Curetagem aprofunda a lesão. Balão intrauterino é recurso da atonia, e transferir paciente em choque ativo é inaceitável.
Sobre a prevenção da hemorragia pós-parto, qual medida integra o manejo ativo do terceiro período do parto?
O manejo ativo do terceiro período reúne uterotônico profilático — ocitocina como padrão, carbetocina como alternativa — logo após o nascimento, tração controlada do cordão sempre com contratração suprapúbica para evitar inversão uterina, e avaliação do tônus. Essa combinação reduz de forma consistente a hemorragia pós-parto. Tracionar o cordão sem uterotônico e sem contratração é justamente o mecanismo da inversão uterina. Curetagem de rotina é iatrogenia. O clampeamento oportuno do cordão, após 1 a 3 minutos, beneficia o recém-nascido e não aumenta a perda materna, sendo a prática recomendada.
Segundo a recomendação 22 das diretrizes consolidadas da OMS de 2025 para hemorragia pós-parto, quais critérios orientam a identificação precoce e o início do tratamento de primeira resposta?
A recomendação de 2025 procura antecipar a resposta. Considera perda medida de 300 mL ou mais associada, por exemplo, a pulso acima de 100/min, índice de choque acima de 1, pressão sistólica abaixo de 100 ou diastólica abaixo de 60 mmHg; ou perda de 500 mL ou mais, mesmo sem esses sinais. Há vigilância especial nas primeiras duas horas. Não se deve esperar 1.000–2.000 mL, queda tardia da hemoglobina ou necessidade de múltiplas transfusões para reconhecer e tratar o sangramento.
Qual a medida farmacológica adjuvante que reduz mortalidade por sangramento na hemorragia pós-parto quando administrada precocemente?
O ácido tranexâmico reduz mortalidade por sangramento quando administrado até 3 horas do início da hemorragia, com benefício que decresce rapidamente depois disso, e por isso entra cedo no pacote de manejo, junto de uterotônicos e reposição. O fator VII ativado é recurso de exceção, caro e trombogênico, reservado ao sangramento refratário após terapia transfusional adequada. Corticoide não tem qualquer papel. Vitamina K corrige deficiência de fatores dependentes dela, como em uso de varfarina, e não a hemorragia obstétrica típica. Desmopressina se aplica a distúrbios plaquetários específicos, como a doença de von Willebrand.
Puérpera de 29 anos apresenta perda sanguínea estimada de 900 mL após parto vaginal, com pressão arterial de 110 x 70 mmHg e frequência cardíaca de 120 bpm. Qual o índice de choque e sua interpretação?
O índice de choque é a razão entre frequência cardíaca e pressão arterial sistólica, aqui 120 dividido por 110, resultando em aproximadamente 1,09. Valores acima de 0,9 a 1,0 na puérpera sinalizam perda significativa e predizem necessidade de transfusão maciça, sendo mais sensíveis que a pressão isolada. A armadilha da hemorragia obstétrica é exatamente essa: a expansão volêmica da gestação mantém a pressão normal até perdas de 1.000 a 1.500 mL, de modo que uma sistólica preservada tranquiliza falsamente. Taquicardia com pressão ainda normal é o sinal que deve disparar o protocolo, não o que autoriza esperar.
Puérpera com hemorragia pós-parto por atonia refratária a uterotônicos, após cesariana, hemodinamicamente instável, com desejo de preservar a fertilidade. Qual a sequência cirúrgica mais adequada antes da histerectomia?
Na paciente que deseja preservar a fertilidade e ainda tolera medidas conservadoras, a escada terapêutica passa por tamponamento com balão intrauterino, suturas compressivas e desvascularização progressiva com ligadura de artérias uterinas e hipogástricas, reservando a histerectomia para a falha ou para a deterioração hemodinâmica. Ligar as ilíacas comuns é erro anatômico grave: comprometeria a perfusão do membro inferior, e o vaso a ser ligado é a ilíaca interna. A embolização é excelente opção, porém exige paciente estável o suficiente para o transporte, e por isso não cabe na instabilidade grave.
Puérpera com hemorragia pós-parto por atonia recebe ocitocina sem resposta. Ela é hipertensa crônica em uso de anti-hipertensivo. Qual uterotônico deve ser evitado?
Os derivados do ergot, como a metilergometrina, provocam vasoconstrição sistêmica e são contraindicados na hipertensão e na pré-eclâmpsia pelo risco de crise hipertensiva, acidente vascular cerebral e isquemia. O misoprostol é a alternativa segura nesse perfil, com o efeito adverso esperado de hipertermia e tremores. A carbetocina, análogo de ação prolongada da ocitocina, também é opção. O ácido tranexâmico não é uterotônico, mas antifibrinolítico adjuvante e deve ser administrado precocemente. Vale lembrar o par oposto: em asma grave, é o carboprost, prostaglandina F2-alfa, que se evita por broncoespasmo.
Puérpera de 34 anos, 3 horas após cesariana por placenta prévia, apresenta sangramento vaginal persistente, útero bem contraído ao exame, com sangue vivo saindo pelo colo. Qual a fonte mais provável do sangramento?
O segmento uterino inferior é pobre em fibras musculares e por isso contrai mal: na placenta prévia, o leito placentário fica exatamente ali, e o sangramento persiste mesmo com corpo uterino bem contraído — situação em que os uterotônicos ajudam pouco e o controle depende de suturas hemostáticas no leito, balão, ligaduras ou, se preciso, histerectomia. Atribuir à atonia é a leitura reflexa, mas o enunciado descreve útero contraído, o que a exclui. Laceração perineal produziria sangramento externo perineal, e não fluxo pelo colo. Restos ovulares e coagulopatia não explicam o padrão topográfico descrito.
Puérpera de 26 anos, após parto vaginal com dequitação por tração do cordão, apresenta dor pélvica intensa, sangramento e hipotensão desproporcional à perda. O fundo uterino não é palpável no abdome e há massa arroxeada visível na vulva. Qual a conduta imediata?
Trata-se de inversão uterina aguda, complicação favorecida por tração excessiva do cordão com placenta ainda aderida; a conduta é a reposição manual imediata, empurrando o fundo pelo canal com a mão em cone, quanto antes melhor, pois o anel de constrição se forma rapidamente. O ponto que a questão testa é a ordem: uterotônicos devem ser suspensos até a reposição, e relaxantes uterinos podem ser necessários — dar ocitocina antes fecha o anel e inviabiliza a manobra. Histerectomia só entra após falha das tentativas de reposição, inclusive cirúrgicas, e curetagem não tem qualquer papel aqui.
Puérpera transferida após cesariana por acretismo, com perda sanguínea de 4.000 mL, recebeu 8 concentrados de hemácias. Apresenta sangramento difuso em sítios de punção, plaquetas de 45.000/mm3, fibrinogênio de 90 mg/dL e tempo de protrombina prolongado. Qual a conduta?
A coagulopatia da hemorragia maciça combina consumo, diluição, hipotermia e acidose, e se trata com reposição balanceada de hemocomponentes, com atenção especial ao fibrinogênio, que na obstetrícia deve ser mantido acima de 200 mg/dL — valor mais alto que em outros contextos, porque queda de fibrinogênio prediz progressão da hemorragia. Transfundir só hemácias perpetua a coagulopatia dilucional, e é o erro mais comum. Cristaloide em grande volume agrava diluição e edema. Heparina não tem lugar na coagulação intravascular disseminada com sangramento ativo obstétrico, e a vitamina K não corrige consumo agudo.
Puérpera de 32 anos, 40 minutos após parto vaginal, apresenta sangramento vaginal contínuo, útero palpável acima da cicatriz umbilical, amolecido, com pouca resposta à massagem. Qual a causa mais provável e a primeira medida farmacológica?
Útero amolecido, acima do esperado e que não contrai à massagem caracteriza atonia, responsável por cerca de 70 a 80% das hemorragias pós-parto; a conduta inicial reúne massagem bimanual, esvaziamento vesical e uterotônicos, começando pela ocitocina e seguindo para ergometrina, misoprostol ou carbetocina, com ácido tranexâmico precoce. A laceração é o principal diferencial, mas nela o útero está contraído e o sangramento é vivo e contínuo, exigindo revisão do canal. Na retenção placentária a dequitação não ocorreu, e na inversão uterina o fundo não é palpável no abdome — justamente o oposto do achado descrito.
Puérpera de 32 anos, imediatamente após parto vaginal de recém-nascido de 4.100 g, com trabalho de parto prolongado e uso de ocitocina, apresenta sangramento vaginal abundante. Ao exame: útero amolecido e acima da cicatriz umbilical, pressão arterial 92 x 58 mmHg, frequência cardíaca 118 bpm. A placenta saiu íntegra e o canal de parto foi inspecionado, sem lacerações. Assinale a conduta imediata correta.
Útero amolecido e elevado após dequitação completa, sem lacerações, caracteriza atonia uterina, a causa mais comum de hemorragia pós-parto, e o tratamento inicial combina massagem uterina, uterotônicos como ocitocina e misoprostol, acesso venoso calibroso e reposição volêmica. A histerectomia é medida de exceção, só considerada após falha das condutas clínicas e conservadoras. A curetagem não se justifica com placenta íntegra e sem retenção evidenciada. O ácido tranexâmico é adjuvante importante, mas não substitui os uterotônicos e a ressuscitação volêmica, e não pode ser a única medida com a paciente já hipotensa.
Puérpera de 29 anos apresenta sangramento vaginal intenso 20 minutos após parto vaginal. O útero está contraído, globoso e abaixo da cicatriz umbilical, e a placenta foi expulsa íntegra. Ao exame do canal de parto sob boa iluminação, identifica-se laceração de parede vaginal com sangramento ativo pulsátil. A pressão arterial é de 104 x 62 mmHg e a frequência cardíaca, 100 bpm. Assinale a conduta imediata correta segundo a abordagem dos quatro Ts.
Com útero bem contraído e placenta íntegra, a causa do sangramento é o trauma do trajeto, e o tratamento é a revisão e a sutura da laceração, mantendo suporte hemodinâmico. Insistir em uterotônicos ignora que o tônus está adequado e retarda a hemostasia. A extração manual da placenta é conduta para retenção placentária, que a inspeção já afastou. Aguardar coagulograma diante de sangramento arterial ativo posterga a única medida capaz de estancá-lo, embora a investigação de coagulopatia se justifique em paralelo.
Puérpera de 27 anos, 40 minutos após parto vaginal, permanece com a placenta retida apesar de tração controlada do cordão e uso de ocitocina. Apresenta sangramento moderado e persistente, com pressão arterial de 100 x 60 mmHg e frequência cardíaca de 104 bpm. O útero está parcialmente contraído e o cordão umbilical permanece exteriorizado. Há acesso venoso e a paciente está em maternidade com centro cirúrgico. Assinale a conduta indicada.
Retenção placentária além de 30 minutos com sangramento ativo indica extração manual sob analgesia adequada, com antibioticoprofilaxia, e revisão da cavidade em seguida. Aguardar mais duas horas com sangramento persistente aumenta a perda sanguínea e o risco de choque. A tração vigorosa do cordão pode provocar inversão uterina e rotura do cordão. A histerectomia é reservada a acretismo confirmado com sangramento incontrolável, não sendo conduta inicial.
Puérpera de 32 anos apresenta hemorragia pós-parto refratária após parto vaginal. Foram realizadas massagem uterina, ocitocina, misoprostol e ácido tranexâmico, sem controle do sangramento, que já ultrapassa 1.500 mL. Ela está com pressão arterial de 86 x 50 mmHg, frequência cardíaca de 130 bpm e recebe hemocomponentes. A maternidade dispõe de centro cirúrgico. O útero permanece atônico apesar das medidas. Assinale a próxima medida indicada.
Na hemorragia pós-parto refratária às medidas farmacológicas, a escalada preconizada inclui o tamponamento uterino com balão e, na persistência, medidas cirúrgicas conservadoras como suturas compressivas e ligadura de artérias uterinas ou hipogástricas, reservando-se a histerectomia para o insucesso dessas etapas. Aguardar mais uma hora com a paciente em choque é inaceitável. A curetagem não trata atonia e pode agravar a lesão uterina. Partir diretamente para a histerectomia elimina a fertilidade sem tentar as opções conservadoras disponíveis.
Uma Unidade Básica de Saúde rural, distante 90 minutos da maternidade de referência, atende uma parturiente que dá à luz na própria unidade, sem intercorrências. Logo após a dequitação, a puérpera apresenta sangramento vaginal abundante com útero amolecido. A unidade dispõe de ocitocina, misoprostol, acesso venoso e ambulância. A equipe inicia o manejo enquanto aciona o transporte. Assinale a sequência inicial de medidas correta neste cenário.
Mesmo em unidade sem retaguarda cirúrgica, a hemorragia por atonia exige medidas imediatas: massagem uterina, uterotônicos disponíveis, acesso venoso calibroso e reposição volêmica, com transporte simultâneo para o serviço de referência. Aguardar passivamente a ambulância desperdiça o tempo em que medidas simples salvam vidas. Restringir a conduta ao ácido tranexâmico sem acesso venoso e sem uterotônicos deixa de tratar a causa. Curetagem em unidade básica, sem condições cirúrgicas, é procedimento inadequado e perigoso.
Puérpera de 29 anos, no centro obstétrico, evolui com sangramento vaginal abundante 20 minutos após parto vaginal de recém-nascido de 3.900 g. Foram realizadas massagem uterina bimanual, esvaziamento vesical e ocitocina endovenosa em bomba de infusão, sem controle do sangramento. O útero permanece amolecido acima da cicatriz umbilical, o canal de parto está íntegro à revisão e a placenta saiu completa. A pressão arterial é de 92x56 mmHg e a frequência cardíaca, de 118 bpm. A perda estimada é de 1.200 mL. O próximo passo terapêutico é
Na atonia refratária à ocitocina, o passo seguinte do escalonamento é associar outro uterotônico de classe diferente e administrar ácido tranexâmico, que reduz mortalidade por hemorragia obstétrica quando iniciado nas primeiras três horas. Histerectomia é medida de último recurso, após falha de uterotônicos, tamponamento e medidas conservadoras. Aguardar sem intervir desperdiça a janela terapêutica e agrava a coagulopatia de consumo. Curagem às cegas não se justifica com placenta completa e revisão do canal negativa, e ainda acrescenta risco de perfuração e infecção.
Gestante de 27 anos, com 39 semanas, dá à luz recém-nascido de 3.400 g por parto vaginal sem intercorrências. Após 35 minutos, a placenta não se desprendeu, apesar da tração controlada do cordão e da administração de ocitocina no manejo ativo do terceiro período. Não há sangramento importante, o útero está contraído acima do nível da placenta e a paciente está estável, com pressão arterial de 116x72 mmHg e frequência cardíaca de 88 bpm. O colo permanece pérvio. A conduta correta é
Placenta retida por mais de 30 minutos após o manejo ativo é indicação de extração manual, realizada sob analgesia e com antibioticoprofilaxia, para prevenir hemorragia e infecção. Aguardar por horas aumenta o risco de sangramento maciço e de infecção puerperal. A metilergometrina contrai o útero de forma tônica e pode aprisionar ainda mais a placenta, além de ser contraindicada em hipertensas. Tração vigorosa e contínua do cordão pode provocar inversão uterina aguda ou rotura do cordão, complicações graves que a técnica de tração controlada busca justamente evitar.
Gestante de 34 anos, com 39 semanas, é submetida a cesariana por falha de indução. Durante a histerotomia, o obstetra observa que a placenta está inserida na parede anterior e que há dificuldade de dequitação. Após retirada do recém-nascido, a placenta não se descola e há sangramento importante pelo leito placentário, com perda estimada de 1.500 mL e queda da pressão arterial para 88x54 mmHg. Não há previsão de sangue na unidade e o serviço não dispõe de radiologia intervencionista. A conduta correta é
Na suspeita intraoperatória de acretismo com hemorragia, a prioridade é ativar o protocolo de transfusão maciça, aplicar medidas hemostáticas como suturas compressivas e ligadura vascular, e proceder à histerectomia quando as medidas conservadoras falharem, pois a demora é o principal determinante de mortalidade. Insistir na dequitação de placenta acreta aumenta a superfície de sangramento. Fechar e transferir sem hemostasia leva a exsanguinação no transporte. Aguardar hemocomponentes distantes sem controlar cirurgicamente o sangramento inverte a ordem de prioridades da hemorragia obstétrica.
Puérpera de 27 anos, no segundo dia após parto vaginal com laceração de segundo grau suturada, refere dor perineal intensa e sensação de peso. Ao exame, há abaulamento roxo-azulado de aproximadamente 6 cm na região vulvar direita, doloroso e tenso, sem sangramento ativo pela vagina. A pressão arterial é de 106x66 mmHg e a frequência cardíaca é de 96 bpm, com hemoglobina de 9,2 g/dL, sem queda significativa em relação ao valor pré-parto. A conduta correta é
Hematoma vulvar volumoso, tenso e doloroso após laceração suturada tem indicação de drenagem cirúrgica com identificação e ligadura do vaso sangrante, pois a expansão pode consumir grande volume sanguíneo e comprometer a cicatrização. Aguardar reabsorção é aceitável apenas em hematomas pequenos, estáveis e pouco sintomáticos. Tamponamento vaginal isolado não trata a coleção já formada e mascara a progressão. Histerectomia não tem qualquer relação com hematoma do canal de parto, cuja origem é vascular perineal e não uterina.
Gestante de 36 anos, com 39 semanas, deu à luz por parto vaginal e evolui, 40 minutos após a dequitação, com sangramento vaginal contínuo em pequena a moderada quantidade. O útero está bem contraído e globoso abaixo da cicatriz umbilical, a placenta foi revisada e estava íntegra, e não há sinais de coagulopatia. A pressão arterial é de 106x66 mmHg e a frequência cardíaca é de 98 bpm. Ainda não foi feita a revisão sistemática do canal de parto. A causa mais provável do sangramento é
Sangramento persistente com útero bem contraído e placenta íntegra aponta para trauma do canal de parto, e a revisão sistemática do colo e da vagina é o passo indispensável para localizar e suturar a lesão. Atonia cursaria com útero amolecido e acima do esperado, o que não se observa. Retenção de restos é improvável com placenta revisada e íntegra, e costuma cursar com útero mal contraído. Coagulopatia exigiria sangramento difuso por punções e alterações laboratoriais, ausentes no quadro descrito.
Gestante de 29 anos, com 31 semanas, é internada por sangramento vaginal de moderada intensidade associado a dor abdominal e hipertonia uterina. É diagnosticado descolamento prematuro de placenta e indicada cesariana de urgência. Após o parto, com perda estimada de 2.000 mL, ela mantém sangramento difuso pelos pontos de punção e pelo leito cirúrgico, com útero contraído. Os exames mostram fibrinogênio de 110 mg/dL, plaquetas de 68.000/mm³ e tempo de protrombina alargado. A conduta hemoterápica prioritária é
Na coagulopatia associada a hemorragia obstétrica, a hipofibrinogenemia é o marcador mais fortemente associado à progressão do sangramento, e a reposição de fibrinogênio é prioritária, integrada ao protocolo de transfusão maciça com plasma e plaquetas conforme a necessidade. Concentrado de hemácias corrige a capacidade de transporte de oxigênio, mas não a coagulopatia. A vitamina K tem início de ação lento e não corrige o consumo agudo de fatores. Aguardar seis horas para repor em sangramento ativo permite a progressão do choque e a falência orgânica.
Puérpera de 28 anos comparece à Unidade Básica de Saúde no vigésimo dia após parto vaginal referindo sangramento vaginal vermelho vivo, mais volumoso que nos dias anteriores, com eliminação de coágulos, iniciado há um dia. Nega febre. Ao exame: PA 104x64 mmHg, FC 104 bpm, mucosas discretamente descoradas, útero palpável acima da sínfise púbica, amolecido e discretamente doloroso, sangramento ativo ao exame especular, sem odor fétido. Hemoglobina de 9,2 g/dL, previamente 11,8 g/dL. A conduta correta é:
Sangramento vermelho vivo aumentado, com útero subinvoluído e amolecido e queda expressiva da hemoglobina após a segunda semana do parto, caracteriza hemorragia puerperal tardia, frequentemente por restos placentários, exigindo acesso venoso, transporte e avaliação em serviço obstétrico. Considerar o quadro como loquiação normal ignora o volume, os coágulos e a anemia. Repor ferro e reavaliar em trinta dias trata a consequência e não a causa do sangramento ativo. Antibiótico isolado em domicílio não resolve retenção de restos placentários nem a hemorragia em curso.
Puérpera de 27 anos, dez minutos após parto vaginal de recém-nascido de 4.100 gramas, apresenta sangramento vaginal abundante e contínuo. O trabalho de parto foi prolongado, com uso de ocitocina. Ao exame, útero amolecido e acima da cicatriz umbilical, pressão arterial de 92 x 56 mmHg, frequência cardíaca de 124 bpm, palidez cutânea, placenta já dequitada e íntegra, sem lacerações significativas em canal de parto identificadas à revisão. A conduta imediata é:
A atonia uterina é a principal causa de hemorragia pós-parto, sugerida pelo útero amolecido e elevado com placenta íntegra e sem lacerações; a conduta imediata combina massagem uterina, uterotônicos, reposição volêmica e, na falha, medidas mecânicas como balão intrauterino e, em seguida, cirúrgicas. Aguardar contração espontânea em paciente já instável é inaceitável. Curetagem não é a primeira medida quando a placenta está íntegra e não há restos evidentes. Apenas observar em vigência de choque hemorrágico leva a desfecho fatal.
Uma maternidade de município de médio porte, que realiza cerca de 200 partos por mês, revisa seus protocolos com o objetivo de reduzir a hemorragia pós-parto, principal causa de morte materna evitável na região. Na auditoria dos últimos doze meses, verifica-se que a equipe aguarda a dequitação espontânea sem qualquer intervenção medicamentosa e que a ocitocina é administrada somente quando o sangramento já se tornou excessivo, muitas vezes com a puérpera hipotensa. Não há dificuldade de acesso a uterotônicos nem falha de armazenamento na unidade. A medida com maior impacto na prevenção da hemorragia pós-parto é:
O manejo ativo do terceiro período, cujo componente essencial é a administração profilática de uterotônico logo após o nascimento, reduz de forma significativa a hemorragia pós-parto e é recomendação universal, associando-se ainda tração controlada do cordão quando há profissional habilitado e avaliação do tônus uterino. Curetagem de rotina é agressiva e desnecessária. Conduta expectante com intervenção tardia aumenta perdas sanguíneas. Episiotomia de rotina não previne hemorragia e aumenta lesões perineais, devendo ser seletiva.
Gestante de 27 anos, com 39 semanas, é admitida em trabalho de parto e evolui bem até o nascimento de recém-nascido vigoroso. Cerca de dez minutos após a dequitação, a equipe observa massa vermelho-escura exteriorizada pela vulva, com sangramento abundante, e a paciente refere dor intensa e evolui com hipotensão de 84x50 mmHg e frequência cardíaca de 128 bpm. O fundo uterino não é palpável no abdome. Não havia sinais de acretismo e a tração do cordão foi realizada durante a dequitação. A hipótese diagnóstica e a conduta corretas são
Massa exteriorizada pela vulva com fundo uterino não palpável no abdome, dor intensa, sangramento e choque desproporcional caracterizam inversão uterina aguda, cuja conduta é a redução manual imediata, com suspensão temporária dos uterotônicos até o reposicionamento e suporte hemodinâmico simultâneo. A atonia cursa com útero amolecido palpável no abdome. A rotura uterina cursa com perda da apresentação e dor abdominal, sem massa exteriorizada. Hematoma vaginal não desloca o fundo uterino.
Gestante de 30 anos, com 40 semanas, é admitida em trabalho de parto e evolui para o período expulsivo. Após o nascimento, a equipe realiza o manejo ativo do terceiro período do trabalho de parto. A puérpera está estável, com pressão arterial de 118x74 mmHg, e o recém-nascido está em contato pele a pele com a mãe. A equipe revisa os componentes do manejo ativo com uma estudante presente na sala. Considerando as recomendações vigentes para prevenção da hemorragia pós-parto, o manejo ativo inclui
O manejo ativo do terceiro período inclui a administração de uterotônico logo após o nascimento, a tração controlada do cordão realizada por profissional habilitado e a avaliação do tônus uterino, reduzindo de forma significativa a hemorragia pós-parto. A tração vigorosa e contínua pode causar inversão uterina e rotura do cordão. Massagem contínua isolada, sem uterotônico, não substitui o componente farmacológico. O clampeamento imediato deixou de ser componente do manejo ativo, sendo recomendado o clampeamento oportuno.
Puérpera de 31 anos, após parto vaginal, permanece com a placenta retida 40 minutos após o nascimento, apesar do manejo ativo do terceiro período. Apresenta sangramento vaginal moderado e progressivo. Ao exame, pressão arterial de 100 x 62 mmHg, frequência cardíaca de 112 bpm, útero palpável acima da cicatriz umbilical e cordão umbilical exteriorizado sem sinais de descolamento placentário. Não há lacerações significativas identificadas à revisão do canal de parto. A conduta correta é:
A retenção placentária além do intervalo esperado, com sangramento progressivo e sinais de instabilidade, exige acesso venoso, reposição volêmica, analgesia adequada e extração manual da placenta, associada a antibiótico e vigilância do sangramento e do tônus uterino. Aguardar horas com sangramento ativo é conduta perigosa. Transferir sem intervenção mantém a hemorragia. Histerectomia é medida extrema, reservada a acretismo com sangramento incontrolável ou falha das demais estratégias.
Puérpera de 25 anos, logo após a dequitação, apresenta dor abdominal intensa e sangramento vaginal volumoso, com queda súbita da pressão arterial. Ao exame, pressão arterial de 72 x 40 mmHg, frequência cardíaca de 130 bpm, palidez intensa, e observa-se massa avermelhada exteriorizando-se pela vagina, com ausência de fundo uterino à palpação abdominal. A tração do cordão havia sido realizada de forma vigorosa antes da dequitação. A conduta imediata correta é:
A inversão uterina é emergência obstétrica rara, favorecida por tração vigorosa do cordão, e cursa com dor, hemorragia e choque desproporcional; a conduta é o reposicionamento manual imediato, quanto mais precoce mais fácil, com suporte hemodinâmico simultâneo e uso de uterotônicos apenas após a reposição, pois administrá-los antes contrai o útero e dificulta a manobra. Histerectomia é medida de exceção. Aguardar estabilização completa antes de qualquer manobra retarda a correção e perpetua a hemorragia.
Puérpera de 31 anos evolui com hemorragia pós-parto por atonia refratária a uterotônicos após parto vaginal, com perda estimada de 1.800 mL e instabilidade hemodinâmica inicial revertida com volume. O serviço não dispõe de radiologia intervencionista e a equipe cirúrgica está disponível. A paciente deseja preservar a fertilidade e o sangramento persiste apesar de massagem, uterotônicos e ácido tranexâmico. A revisão do canal de parto não identificou lacerações e a placenta estava íntegra. A medida seguinte no escalonamento é
No escalonamento da hemorragia pós-parto por atonia refratária, o tamponamento uterino com balão é medida eficaz e pouco invasiva, capaz de controlar o sangramento e evitar a laparotomia, sendo indicada antes de medidas cirúrgicas radicais em paciente que deseja preservar a fertilidade. Histerectomia imediata sem tentativas conservadoras sacrifica o útero desnecessariamente. Curagem às cegas com placenta íntegra acrescenta risco de perfuração. Observar por duas horas com sangramento ativo permite a progressão do choque.
Puérpera de 35 anos, submetida a cesariana por placenta prévia, evolui com hemorragia persistente do leito placentário no segmento inferior, apesar de uterotônicos e de suturas hemostáticas locais. A perda estimada é de 2.500 mL e ela já recebeu hemocomponentes conforme protocolo de transfusão maciça, mantendo-se instável. Ela tem três filhos e não deseja novas gestações. As medidas conservadoras foram tentadas sem sucesso e a coagulopatia progride. Ela nega febre, dispneia, dor torácica e sangramento anormal, e o restante do exame físico não mostra alterações. Os exames laboratoriais recentes estão dentro da normalidade e o puerpério vinha transcorrendo sem intercorrências. A conduta correta é
Diante de hemorragia obstétrica com falha das medidas conservadoras, instabilidade persistente e coagulopatia progressiva, a histerectomia é a medida que salva a vida e não deve ser adiada, pois o retardo é o principal determinante de mortalidade. Insistir indefinidamente em medidas conservadoras aprofunda a coagulopatia. Interromper a transfusão em hemorragia ativa agrava o choque. Transferir paciente instável sem controle do sangramento resulta em deterioração durante o transporte.
Gestante de 26 anos, com 39 semanas, é admitida na maternidade em trabalho de parto e a equipe planeja a prevenção da hemorragia pós-parto. Ela é primigesta, sem fatores de risco adicionais, com gestação de risco habitual e cardiotocografia tranquilizadora. A pressão arterial é de 114x70 mmHg e a hemoglobina de 11,8 g/dL. A equipe revisa as intervenções com impacto comprovado na redução da hemorragia. Considerando a prevenção primária, a medida com maior impacto é
A administração profilática de uterotônico logo após o nascimento é a intervenção com maior impacto na prevenção da hemorragia pós-parto, reduzindo a perda sanguínea e a necessidade de intervenções adicionais em todas as parturientes. A episiotomia de rotina aumenta lacerações graves e sangramento. O clampeamento imediato não reduz hemorragia materna e prejudica as reservas de ferro do recém-nascido. O ácido tranexâmico tem papel no tratamento e em situações selecionadas, não como profilaxia universal em baixo risco.
Gestante de 33 anos, com 38 semanas, é admitida na maternidade em trabalho de parto e a equipe identifica fatores de risco para hemorragia pós-parto, incluindo gestação gemelar, polidrâmnio e três partos anteriores. Ela está estável, com pressão arterial de 118x74 mmHg e hemoglobina de 11,2 g/dL, com cardiotocografia tranquilizadora de ambos os fetos. A equipe deseja organizar a assistência para reduzir o risco de desfecho grave. A medida de organização mais adequada é
A classificação de risco na admissão, com preparo antecipado que inclui acesso venoso calibroso, reserva de hemocomponentes, disponibilidade imediata de uterotônicos e kit de hemorragia, reduz o tempo de resposta e a morbimortalidade. Aguardar o sangramento para acionar recursos aumenta o tempo até o tratamento definitivo. Transferir apenas após a hemorragia expõe a paciente ao transporte instável. Embora parte das hemorragias ocorra sem fatores de risco, isso não justifica dispensar a preparação em paciente de alto risco.
Puérpera de 24 anos, no quinto dia após parto vaginal, retorna à Unidade Básica de Saúde com sangramento vaginal aumentado, com coágulos, e cólicas. Ela está afebril, com pressão arterial de 110x68 mmHg, frequência cardíaca de 92 bpm e sem palidez importante. Ao exame, o útero está amolecido e acima do esperado para o dia de puerpério, com colo entreaberto e loquiação com coágulos, sem odor fétido e sem dor à mobilização do colo. A hemoglobina é de 10,2 g/dL. A hipótese diagnóstica mais provável é
Sangramento aumentado após as primeiras 24 horas e até 12 semanas do parto caracteriza hemorragia pós-parto tardia, cujas causas mais frequentes são subinvolução do leito placentário e restos placentários, indicando avaliação com ultrassonografia, uterotônicos e esvaziamento quando necessário. Endometrite cursaria com febre, dor à mobilização do colo e loquiação fétida. Laceração produziria sangramento desde o parto, com útero contraído. Coagulopatia hereditária costuma manifestar-se com sangramentos prévios ao longo da vida.
Uma maternidade decide implantar um protocolo institucional para hemorragia pós-parto após a análise de casos graves evidenciar demora no reconhecimento do sangramento, estimativa visual imprecisa das perdas, ausência de kit de emergência organizado e falhas de comunicação entre as equipes obstétrica, de enfermagem, de anestesia e do banco de sangue. Não houve, nos casos analisados, falta de medicamentos ou de hemocomponentes no estoque da instituição. A medida mais adequada para reduzir a mortalidade é:
A mortalidade por hemorragia pós-parto está fortemente associada a atraso no reconhecimento e a falhas de processo, de modo que a intervenção efetiva combina quantificação objetiva das perdas, kit de emergência pronto, definição clara de papéis, comunicação estruturada, acionamento rápido do banco de sangue e treinamento por simulação. Aumentar estoque sem mudar processos não corrige as falhas identificadas. Ampliar cesarianas não reduz hemorragia e acrescenta riscos. A estimativa visual subestima sistematicamente as perdas e é justamente uma das causas do atraso.
Puérpera de 29 anos apresenta hemorragia pós-parto por atonia uterina, iniciada vinte minutos após parto vaginal, com perda estimada em 900 mL e sangramento que persiste apesar de massagem uterina e uterotônicos. Ao exame, pressão arterial de 98 x 58 mmHg, frequência cardíaca de 118 bpm, útero ainda amolecido, sem lacerações significativas identificadas à revisão do canal de parto e com placenta íntegra. Foram instalados dois acessos venosos calibrosos e iniciada reposição volêmica. A conduta farmacológica adicional recomendada é:
O ácido tranexâmico reduz a mortalidade por sangramento na hemorragia pós-parto quando administrado precocemente, idealmente nas primeiras horas do início do sangramento, devendo ser incorporado ao protocolo junto a massagem uterina, uterotônicos, reposição volêmica e medidas mecânicas e cirúrgicas. Heparina durante hemorragia ativa é contraindicada. Aguardar a estabilização completa desperdiça a janela de maior benefício. Corticoide não tem efeito hemostático e não faz parte do manejo da hemorragia pós-parto.
Puérpera de 35 anos, submetida a cesariana por placenta prévia, evolui com hemorragia persistente do leito placentário no segmento inferior, apesar de uterotônicos e de suturas hemostáticas locais. A perda estimada é de 2.500 mL e ela já recebeu hemocomponentes conforme protocolo de transfusão maciça, mantendo-se instável. Ela tem três filhos e não deseja novas gestações. As medidas conservadoras foram tentadas sem sucesso e a coagulopatia progride. A equipe já realizou massagem uterina, ligadura de artérias uterinas e suturas compressivas, sem controle do sangramento. A temperatura corporal caiu para 34,8 °C e o pH arterial está em 7,18, com lactato em elevação. A conduta correta é
Diante de hemorragia obstétrica com falha das medidas conservadoras, instabilidade persistente e coagulopatia progressiva, a histerectomia é a medida que salva a vida e não deve ser adiada, pois o retardo é o principal determinante de mortalidade. Insistir indefinidamente em medidas conservadoras aprofunda a coagulopatia. Interromper a transfusão em hemorragia ativa agrava o choque. Transferir paciente instável sem controle do sangramento resulta em deterioração durante o transporte.
Puérpera de 32 anos, após parto vaginal de gestação gemelar com recém-nascidos de 2.800 g e 2.600 g, evolui com sangramento vaginal aumentado 20 minutos após a dequitação. O útero está amolecido e acima da cicatriz umbilical, a placenta foi revisada e está íntegra e o canal de parto não mostra lacerações. A pressão arterial é de 100x60 mmHg e a frequência cardíaca é de 112 bpm, com perda estimada de 900 mL. Ela recebeu ocitocina profilática no terceiro período. A conduta correta é
A sobredistensão uterina da gestação gemelar é fator de risco para atonia, e diante de sangramento com útero amolecido a conduta é massagem uterina bimanual, uterotônico adicional, ácido tranexâmico, acesso venoso calibroso e reposição volêmica, com escalonamento se não houver resposta. Aguardar sem intervir permite a progressão do choque. Histerectomia imediata sem tentativas conservadoras é desproporcional. Curagem às cegas com placenta íntegra acrescenta risco de perfuração e infecção.
Mulher de 34 anos é atendida no pronto-socorro com dor abdominal e sangramento vaginal há um dia. Ela está no puerpério imediato de parto vaginal, com hemorragia pós-parto tratada com múltiplas transfusões. Ao exame: PA 96x58 mmHg, FC 118 bpm, palidez, sangramento vaginal persistente, equimoses em sítios de punção, sem petéquias isoladas. Exames: plaquetas 52.000/mm3, fibrinogênio 110 mg/dL, tempo de protrombina e tempo de tromboplastina parcial ativada alargados, dímero D muito elevado, hemoglobina 6,8 g/dL, cálcio iônico reduzido. A conduta correta é:
Hemorragia pós-parto com coagulopatia de consumo e diluição exige controle do foco obstétrico associado à reposição balanceada de hemocomponentes, com atenção especial ao fibrinogênio, cuja queda é precoce e crítica na hemorragia obstétrica, além da correção da hipocalcemia induzida pelo citrato. Transfundir apenas hemácias agrava a coagulopatia. Anticoagulação em sangramento ativo é contraindicada. Aguardar exames retarda a reanimação em situação de risco iminente de morte.
Puérpera de 27 anos, atendida em maternidade de pequeno porte do interior, apresenta hemorragia pós-parto por atonia uterina refratária às medidas iniciais, com sangramento estimado em 1.800 mL. Ela está pálida, sudoreica, com pressão arterial de 78x46 mmHg, frequência cardíaca de 132 bpm e enchimento capilar lentificado. A equipe já administrou uterotônicos, ácido tranexâmico e iniciou reposição volêmica, e o serviço não dispõe de hemocomponentes suficientes nem de retaguarda cirúrgica imediata. A transferência para o hospital de referência levará cerca de duas horas por via terrestre. Além de manter as medidas em curso, a conduta correta é
O traje antichoque não pneumático é medida de primeiros cuidados no choque hemorrágico obstétrico, indicado especialmente em serviços sem retaguarda cirúrgica ou hemocomponentes, pois reduz o sangramento e estabiliza a paciente durante o transporte para o serviço de referência, sem substituir o tratamento definitivo. Aguardar hemocomponentes retarda o acesso à terapêutica definitiva. Suspender a reposição volêmica agrava a hipoperfusão. Repetir uterotônicos já ineficazes e não transferir mantém a paciente sem tratamento definitivo.
Puérpera de 30 anos é submetida a cesariana por desproporção e evolui, ainda no intraoperatório, com atonia uterina refratária a massagem, ocitocina, metilergometrina e misoprostol, com sangramento persistente e estimativa de perda de 1.500 mL. Ela está em uso de vasopressor em dose baixa e recebeu concentrado de hemácias e plasma, com hemoglobina de 7,8 g/dL e fibrinogênio de 180 mg/dL. Ela tem 30 anos, é primípara e deseja gestações futuras, e a equipe considera as opções cirúrgicas conservadoras antes de proceder à histerectomia. O útero permanece amolecido apesar das medidas. A conduta correta é
Na atonia refratária durante cesariana em paciente com desejo reprodutivo, as técnicas conservadoras, como sutura compressiva uterina e ligadura vascular, devem ser tentadas antes da histerectomia, que fica reservada à falha dessas medidas ou à instabilidade materna. Histerectomia imediata sem tentativa conservadora retira desnecessariamente a fertilidade. Interromper transfusões em paciente com anemia e hipofibrinogenemia agrava a coagulopatia. Fechar a cavidade sem tratar a atonia mantém o sangramento ativo.
Puérpera de 34 anos, no segundo dia após cesariana por placenta prévia, apresenta sangramento vaginal persistente e queda progressiva da hemoglobina, sem resposta completa aos uterotônicos e ao tamponamento com balão intrauterino. Ela está consciente, com pressão arterial de 100x62 mmHg e frequência cardíaca de 108 bpm, sem sinais de coagulopatia grave nos exames. O serviço é de referência terciária e dispõe de equipe de radiologia intervencionista disponível no momento. A paciente tem 34 anos e manifestou desejo de preservar a fertilidade, e a ultrassonografia não mostra restos ovulares significativos. A conduta correta é
Na hemorragia pós-parto persistente em paciente estável, com serviço que dispõe de radiologia intervencionista, a embolização de artérias uterinas é opção eficaz que preserva o útero e a fertilidade, mantendo-se as demais medidas de suporte e uterotônicos. Histerectomia com paciente estável e recurso menos invasivo disponível é desproporcional. Observação isolada mantém a perda sanguínea. Suspender uterotônicos antes do procedimento favorece a recorrência da atonia.
Puérpera de 29 anos, no décimo quarto dia após parto vaginal, comparece à Unidade Básica de Saúde com sangramento vaginal aumentado e cólicas, referindo que a perda havia diminuído e voltou a aumentar nos últimos dias, com odor discreto. Ela está afebril, com pressão arterial de 110x68 mmHg e frequência cardíaca de 88 bpm. Ao exame, o útero está amolecido e maior que o esperado para o período, com colo pérvio e sem dor intensa à mobilização. A ultrassonografia mostra material heterogêneo na cavidade uterina. A conduta correta é
O sangramento que diminui e volta a aumentar no puerpério, com útero subinvoluído, colo pérvio e material intracavitário à ultrassonografia, sugere retenção de restos ovulares, cuja conduta inclui uterotônico, antibioticoterapia quando há sinais de infecção e esvaziamento uterino. Considerar todo sangramento fisiológico ignora um quadro tratável e potencialmente grave. Anti-inflamatório isolado não resolve a causa. Histerectomia é desproporcional diante de conduta conservadora eficaz.
Puérpera de 28 anos apresenta hemorragia pós-parto por descolamento prematuro de placenta com óbito fetal, com sangramento persistente por locais de punção e por incisões, além de sangramento vaginal com coágulos frouxos. Ela está com pressão arterial de 84x50 mmHg, frequência cardíaca de 136 bpm e recebeu quatro concentrados de hemácias. Os exames mostram fibrinogênio de 90 mg/dL, plaquetas de 62.000/mm³, tempo de protrombina alargado e produtos de degradação da fibrina elevados. O útero está contraído após uterotônicos. A conduta correta é
O sangramento difuso com hipofibrinogenemia, plaquetopenia e alargamento dos tempos de coagulação após descolamento prematuro de placenta caracteriza coagulação intravascular disseminada, cuja conduta é a reposição de fibrinogênio e demais hemocomponentes conforme protocolo, associada ao tratamento da causa obstétrica. Transfundir apenas hemácias não corrige a coagulopatia. Heparina em dose plena na fase hemorrágica é contraindicada. Aguardar novos exames retarda a reposição em paciente instável.
Puérpera de 23 anos, duas horas após parto vaginal com episiotomia, apresenta dor perineal intensa e progressiva, desproporcional ao esperado, com sensação de pressão retal. Ao exame, observa-se abaulamento vulvar azulado e tenso à direita, muito doloroso à palpação, com útero contraído e sangramento vaginal externo pequeno. A frequência cardíaca é de 108 bpm e a pressão arterial é de 100x62 mmHg, com queda em relação aos valores anteriores. Qual é a conduta adequada?
Dor perineal desproporcional com abaulamento tenso e sinais de repercussão hemodinâmica indica hematoma em expansão, que exige drenagem cirúrgica com identificação e ligadura do vaso sangrante, além de suporte volêmico, pois o sangramento é oculto. Analgesia e compressas atendem apenas hematomas pequenos e estáveis. Uterotônicos tratam atonia uterina, mas o útero está contraído e a fonte é o trauma do canal de parto. Antibiótico e conduta expectante não interrompem o sangramento ativo e retardam o tratamento definitivo.
Puérpera de 25 anos retorna à maternidade no 14º dia após parto vaginal com sangramento vaginal aumentado há dois dias, com coágulos, associado a cólicas e febre de 38 °C. Ao exame, o útero está amolecido e maior que o esperado para o período, doloroso à palpação, com colo entreaberto e loquiação de odor fétido. A pressão arterial é de 108x66 mmHg, a frequência cardíaca é de 104 bpm e a hemoglobina é de 9,2 g/dL. Qual é a hipótese e a conduta inicial?
Sangramento tardio com útero subinvoluído e doloroso, colo entreaberto, febre e loquiação fétida indica restos placentários com endometrite, cuja conduta combina antibioticoterapia e esvaziamento uterino. Considerar involução normal ignora sinais claros de infecção e retenção. A atonia primária ocorre nas primeiras 24 horas e não explica febre e odor fétido. A infecção urinária não causa subinvolução uterina nem sangramento com coágulos e loquiação fétida.
Puérpera de 24 anos apresenta sangramento vaginal aumentado logo após parto vaginal instrumentado com fórceps. O útero está bem contraído ao exame abdominal, com fundo firme abaixo da cicatriz umbilical, e a placenta foi revisada e está íntegra. Apesar da administração de uterotônico, o sangramento persiste em jato contínuo e vermelho vivo. A pressão arterial é de 104x62 mmHg e a frequência cardíaca é de 108 bpm, com sangramento estimado já em 900 mL. Qual é a conduta adequada?
Sangramento vivo e contínuo com útero bem contraído e placenta íntegra, sobretudo após parto instrumentado, aponta trauma do canal de parto, e a conduta é a revisão cuidadosa do trajeto com sutura das lacerações. Repetir uterotônicos não trata sangramento de origem traumática. A histerectomia é medida extrema, indicada apenas após falha de condutas conservadoras e diante de causa uterina. O tamponamento com balão trata atonia, e não laceração de trajeto, deixando a fonte do sangramento sem controle.
Mulher, 27 anos, G1P1, após parto vaginal de recém-nascido de 4.100 g, evolui com sangramento vaginal abundante e dor pélvica intensa logo após tração do cordão. PA 78/40 mmHg, FC 136 bpm. À palpação abdominal, o fundo uterino não é identificado; ao exame vaginal, observa-se massa vermelho-escura, de superfície rugosa, ocupando a vagina, com a placenta ainda aderida. Qual a conduta correta?
Reposicionar o útero manualmente antes de retirar a placenta, com o auxílio de agentes relaxantes uterinos como nitroglicerina ou terbutalina e sob analgesia, é a conduta correta na inversão uterina aguda: a remoção prévia da placenta aumenta a superfície de sangramento e piora o choque, que aqui já é desproporcional à perda visível pelo componente neurogênico. Remover a placenta primeiro é justamente o erro clássico descrito. Iniciar ocitocina antes da reposição contrai o anel cervical e torna a manobra impossível, devendo o uterotônico ser administrado somente depois de o útero voltar à posição. O tamponamento com embolização não corrige a inversão anatômica e retarda a única medida efetiva. A histerectomia é último recurso, reservada à falha das tentativas manual e cirúrgica, e não é indicação primária.
Mulher, 30 anos, G4P4, parto vaginal após indução prolongada por 18 horas, com feto de 4.250 g. Dez minutos após dequitação completa, apresenta sangramento vaginal volumoso. PA 88/50 mmHg, FC 128 bpm. Útero palpável acima da cicatriz umbilical, amolecido. Revisão do canal de parto sem lacerações; placenta íntegra à inspeção. Já recebeu ocitocina profilática no 3º período. Qual a sequência inicial mais adequada?
Massagem uterina bimanual, ocitocina venosa adicional, ácido tranexâmico e reposição volêmica constituem a primeira linha correta na atonia uterina — útero amolecido e acima da cicatriz umbilical, com canal de parto íntegro e placenta completa —, e o ácido tranexâmico tem benefício demonstrado quando administrado nas primeiras 3 horas. A laparotomia com sutura de B-Lynch é medida de segunda linha, indicada apenas após falha das medidas clínicas. A metilergometrina não deve ser administrada em bolus intravenoso rápido pelo risco de crise hipertensiva e é contraindicada em hipertensas, e a curetagem exploradora não se justifica com placenta íntegra. O balão intrauterino é opção válida, porém após a falha dos uterotônicos, não antes deles. A embolização exige serviço de hemodinâmica e paciente relativamente estável, sendo inviável como medida inicial em choque hipovolêmico.
Mulher, 26 anos, no 14º dia após parto vaginal, retorna com sangramento vaginal vermelho-vivo em grande quantidade, com coágulos, iniciado há 6 horas. T 37,4 °C, PA 96/58 mmHg, FC 116 bpm. Útero palpável a 3 cm abaixo da cicatriz umbilical, amolecido, com colo pérvio para 1 dedo. Ultrassom transvaginal mostra material heterogêneo intracavitário de 3,8 cm com vascularização ao Doppler. Hb 8,0 g/dL (VR 12–16). Qual a conduta correta?
Reposição volêmica, uterotônico, cobertura antibiótica e esvaziamento uterino guiado, preferencialmente por aspiração, é a conduta correta na hemorragia puerperal tardia por restos ovulares, sugerida pelo sangramento após a primeira semana com material intracavitário vascularizado ao Doppler e repercussão hemodinâmica. Observação com ocitocina isolada e alta precoce não remove o foco e mantém o risco de novo sangramento em paciente já anêmica e taquicárdica. A cabergolina inibe a prolactina e não tem efeito sobre a vascularização uterina nem sobre o conteúdo retido. A embolização é recurso de exceção para hemorragia refratária, não medida inicial. A histerectomia é último recurso e retiraria a fertilidade de paciente jovem com causa tratável por procedimento conservador.
Mulher, 32 anos, no pós-parto imediato de cesariana por placenta prévia, apresenta sangramento estimado em 2.500 mL em 40 minutos, sem resposta a uterotônicos. PA 76/40 mmHg, FC 142 bpm, FR 30 ipm, extremidades frias e tempo de enchimento capilar de 5 segundos. Hb 6,0 g/dL (VR 12–16), fibrinogênio 120 mg/dL (VR 200–400), plaquetas 62.000/mm³ (VR 150.000–450.000), pH 7,22, lactato 5,8 mmol/L. Qual a conduta hemoterápica correta?
Ativar o protocolo de transfusão maciça, com hemácias, plasma e plaquetas em proporção balanceada, associando reposição de fibrinogênio e ácido tranexâmico, é a conduta correta na hemorragia obstétrica com choque hemorrágico e coagulopatia instalada, reconhecida pela hipotensão, taquicardia, acidose e queda do fibrinogênio. Transfundir apenas hemácias corrige a capacidade de transporte de oxigênio, mas perpetua a coagulopatia dilucional e de consumo. Infundir grandes volumes de cristaloide antes dos hemocomponentes agrava a coagulopatia, a hipotermia e a acidose, tríade letal do trauma. Plasma isolado não repõe hemácias nem plaquetas e é insuficiente para elevar o fibrinogênio ao alvo. Aguardar novo coagulograma por uma hora em paciente em choque ativo é inaceitável, pois a reposição deve ser guiada pela clínica e por testes rápidos.
Mulher, 29 anos, G1P1, submetida a cesariana por parada de progressão, apresenta atonia uterina que persiste após massagem, ocitocina, metilergometrina, misoprostol e ácido tranexâmico. O sangramento permanece ativo, com perda estimada de 1.800 mL. PA 92/54 mmHg, FC 128 bpm. O útero está aberto na mesa cirúrgica, e a paciente tem 29 anos, sem filhos vivos anteriores e com desejo de nova gestação. Qual a próxima medida mais adequada?
Realizar sutura compressiva uterina, como a técnica de B-Lynch, associada ou não a ligadura das artérias uterinas, é a próxima medida adequada em paciente com útero já aberto na mesa, atonia refratária ao tratamento clínico e desejo de preservar a fertilidade. A histerectomia é o último recurso, indicada após falha das medidas conservadoras ou diante de instabilidade extrema, e retiraria definitivamente a fertilidade de paciente jovem. Fechar a histerotomia e transferir para embolização em outro serviço expõe a paciente ao transporte durante sangramento ativo. Compressas intracavitárias com espera de 30 minutos não controlam a atonia e permitem a evolução para coagulopatia. Repetir metilergometrina em intervalos de 5 minutos ultrapassa a dose máxima e arrisca crise hipertensiva sem resolver o quadro.
Mulher, 26 anos, G2P2, após parto vaginal espontâneo, completa 45 minutos sem dequitação, apesar de tração controlada do cordão e ocitocina profilática. Apresenta sangramento vaginal moderado e contínuo. PA 104/62 mmHg, FC 108 bpm. Útero palpável na cicatriz umbilical, com contração parcial. Ao toque, o colo está pérvio e a placenta é palpável na cavidade, sem plano de clivagem evidente em toda a superfície. Qual a conduta correta?
Realizar extração manual da placenta sob analgesia adequada, com antibioticoprofilaxia e revisão cuidadosa da cavidade, é a conduta correta na retenção placentária além de 30 minutos com sangramento ativo, situação em que a permanência do tecido mantém o útero parcialmente contraído e perpetua a perda sanguínea. Aguardar mais 60 minutos aumenta o risco de hemorragia e de infecção em paciente já taquicárdica. O misoprostol não é eficaz para promover a dequitação e adiaria a resolução. A tração forte e contínua do cordão provoca avulsão ou inversão uterina. Indicar histerectomia neste momento é precipitado, pois a dificuldade de clivagem só se confirma durante a tentativa de extração, e a hipótese de acretismo exige achado intraoperatório consistente.
Mulher, 23 anos, primípara, 3 horas após parto vaginal com fórceps e episiotomia, queixa-se de dor perineal intensa e progressiva, com sensação de pressão retal, desproporcional ao esperado. PA 100/58 mmHg, FC 118 bpm. Útero contraído, na cicatriz umbilical, com loquiação escassa. Ao exame, há abaulamento roxo-azulado tenso em parede vaginal direita, de cerca de 8 cm, muito doloroso. Hb caiu de 11,5 para 8,4 g/dL (VR 12–16). Qual a conduta correta?
Drenagem cirúrgica do hematoma com identificação do vaso sangrante, hemostasia, reposição volêmica e antibioticoprofilaxia é a conduta correta em hematoma paravaginal maior que 5 cm, em expansão e com repercussão hemodinâmica, como indicado pela queda de mais de 3 g/dL na hemoglobina e pela taquicardia. Analgesia e compressa isoladas servem apenas a hematomas pequenos e estáveis, o que não é o caso. Massagem uterina e ocitocina tratam atonia, e o útero está contraído com loquiação escassa, o que aponta para sangramento extrauterino. O tamponamento apertado sem exploração não controla o vaso arterial e mascara a progressão. Revisar o colo é sempre prudente, mas a causa aqui está evidente na parede vaginal, e postergar a drenagem mantém o sangramento ativo.
Mulher, 27 anos, G3P3, acaba de ter parto vaginal espontâneo de recém-nascido de 3.400 g, sem intercorrências. A placenta ainda não se desprendeu. PA 118/74 mmHg, FC 84 bpm, útero palpável na cicatriz umbilical. A equipe discute quais medidas devem ser adotadas de rotina nesse momento para reduzir o risco de hemorragia pós-parto, que é a principal causa de morte materna evitável no país. Qual conjunto de medidas compõe o manejo ativo do terceiro período?
Administrar uterotônico profilático, preferencialmente ocitocina, realizar tração controlada do cordão com contratração suprapúbica e avaliar continuamente o tônus uterino compõem o manejo ativo do terceiro período, que reduz em cerca de 60% a incidência de hemorragia pós-parto. A tração vigorosa sem uterotônico e sem contratração provoca inversão uterina e avulsão do cordão. A extração manual de rotina é procedimento invasivo, doloroso e associado a infecção, reservado à retenção placentária. A curetagem de rotina lesa o endométrio e favorece sinéquias, sem benefício. A massagem uterina isolada por 2 horas não substitui o uterotônico, embora a avaliação do tônus faça parte do cuidado.
Mulher, 31 anos, G2P2, apresenta hemorragia pós-parto por atonia 20 minutos após parto vaginal, com perda estimada de 900 mL e sangramento persistente apesar de ocitocina e massagem. PA 100/60 mmHg, FC 112 bpm. Sem antecedente de trombose, sem doença renal. Hb prévia de 11,8 g/dL (VR 12–16). A equipe discute a indicação e o momento do ácido tranexâmico, além do papel dos demais uterotônicos. Qual a conduta correta quanto ao ácido tranexâmico?
O ácido tranexâmico deve ser administrado por via intravenosa o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 3 horas após o parto, pois nesse intervalo reduz a mortalidade por hemorragia obstétrica, com benefício que se perde quando a administração é tardia. Afirmar contraindicação por risco tromboembólico não se sustenta, já que os grandes ensaios não mostraram aumento significativo de eventos trombóticos. Reservá-lo para depois da falha das medidas cirúrgicas contraria a lógica da administração precoce. Ele não substitui uterotônicos, pois é antifibrinolítico e não tem ação sobre a contratilidade uterina. Condicionar seu uso à documentação laboratorial de coagulopatia atrasaria a administração dentro da janela útil.
Mulher, 36 anos, com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e PA de 165/105 mmHg no pós-parto imediato, apresenta atonia uterina após parto vaginal, com sangramento moderado. Recebeu ocitocina profilática. FC 104 bpm, SatO2 97%. A residente pergunta se pode administrar metilergometrina intramuscular como segundo uterotônico, conforme o protocolo de hemorragia adotado pelo serviço. Qual a orientação correta?
A metilergometrina está contraindicada em pacientes hipertensas e com pré-eclâmpsia, pelo risco de crise hipertensiva, acidente vascular cerebral e convulsão, devendo-se optar por misoprostol, carbetocina ou manter a ocitocina em infusão. Administrá-la por via intravenosa lenta não elimina a contraindicação e ainda aumenta o risco de pico pressórico. Dobrar a dose agrava o efeito vasoconstritor. Colocá-la como primeira escolha em qualquer hemorragia é incorreto, pois a primeira linha é a ocitocina. Considerar o efeito hipertensor irrelevante é falso, já que ele é justamente o mecanismo do dano nessa população.
Mulher, 25 anos, no pós-parto imediato de parto vaginal, apresenta sangramento vaginal aumentado. A perda estimada visualmente foi de 600 mL, mas a equipe considera a estimativa pouco confiável. PA 90/58 mmHg, FC 126 bpm, FR 24 ipm, extremidades frias, nível de consciência preservado. Hb de admissão 11,0 g/dL (VR 12–16). O útero está amolecido e acima da cicatriz umbilical. Qual a interpretação hemodinâmica correta?
O índice de choque, obtido pela divisão da frequência cardíaca pela pressão arterial sistólica, é de aproximadamente 1,4 nesta paciente, muito acima do limiar de 0,9, o que indica perda volêmica significativa e impõe a ativação do protocolo de hemorragia com reposição e uterotônicos, sendo esse índice mais confiável que a estimativa visual da perda, notoriamente subestimada. Considerar o índice normal por causa da sistólica acima de 90 mmHg ignora o cálculo e a taquicardia. Concluir por perda inferior a 500 mL contraria os sinais de hipoperfusão descritos. A taquicardia de 126 bpm não é achado fisiológico do puerpério, período em que a frequência tende a cair. A consciência preservada não exclui choque, pois o rebaixamento é sinal tardio, após a falência dos mecanismos compensatórios.
Equipe de maternidade revisa seu protocolo de hemorragia pós-parto e discute critérios objetivos para o diagnóstico, considerando a limitação da estimativa visual da perda sanguínea. São debatidos os volumes que definem o quadro conforme a via de parto, o papel dos sinais clínicos de hipovolemia e a periodicidade da avaliação do tônus uterino no pós-parto imediato das pacientes atendidas. Qual definição está correta?
A definição correta considera perda igual ou superior a 500 mL após parto vaginal ou 1.000 mL após cesariana, ou qualquer perda acompanhada de sinais clínicos de hipovolemia, como taquicardia, hipotensão ou índice de choque elevado, critério que corrige a subestimação da avaliação visual. Fixar 1.000 mL para qualquer via ignora o menor limiar do parto vaginal e o valor dos sinais clínicos. O limiar de 300 mL é inferior ao adotado e transformaria perdas fisiológicas em diagnóstico. A queda de hemoglobina é critério auxiliar tardio e não serve isoladamente para o diagnóstico agudo. Restringir o conceito ao sangramento após 24 horas descreve a hemorragia tardia, e não a definição geral, que inclui as primeiras 24 horas.
Maternidade implanta estratificação de risco para hemorragia pós-parto na admissão. São avaliadas: uma primigesta com feto único de 3.000 g e trabalho de parto espontâneo; uma gestante com gemelaridade e polidrâmnio; uma com quatro partos anteriores e antecedente de hemorragia; e uma com placenta prévia e duas cesarianas prévias. Todas chegam estáveis, com hemoglobina acima de 11 g/dL e sem sangramento ativo. Qual estratificação está correta?
A estratificação correta coloca a gestante com placenta prévia e duas cesarianas prévias como a de maior risco, pela possibilidade de acretismo e pelo sítio placentário em segmento inferior pouco contrátil, seguida da gemelaridade com polidrâmnio, que causa sobredistensão uterina e atonia, e da multípara com antecedente de hemorragia, fator de recorrência bem estabelecido. Considerar todas de baixo risco por estarem estáveis confunde estabilidade na admissão com risco de evento futuro. A primigesta com feto de peso normal em trabalho de parto espontâneo é justamente a de menor risco. A sobredistensão uterina prejudica, e não favorece, a contração após o parto. Negar a influência do antecedente de hemorragia contraria um dos fatores preditivos mais fortes.
Mulher, 28 anos, no pós-parto imediato de parto vaginal, apresenta sangramento vaginal progressivo. Encontra-se agitada e confusa, com PA 82/46 mmHg, FC 138 bpm, FR 32 ipm, extremidades frias e diurese de 10 mL na última hora. A perda estimada supera 2.000 mL, com útero amolecido. Hb 6,4 g/dL (VR 12–16), lactato 5,4 mmol/L (VR < 2), pH 7,21 e temperatura axilar de 35,2 °C. Qual a classificação e a prioridade terapêutica?
A classificação corresponde a choque hemorrágico de classe III a IV, caracterizado por perda superior a 30 a 40% da volemia, com hipotensão, taquicardia acentuada, taquipneia, oligúria e alteração do estado mental, e a prioridade é a transfusão precoce de hemocomponentes em proporção balanceada, o controle imediato do foco de sangramento, a prevenção da hipotermia e a correção da acidose, evitando a tríade letal. O choque classe I cursa com perda de até 15% e parâmetros praticamente normais. A classe II apresenta taquicardia com pressão preservada e não justifica apenas observação nesse contexto. O choque neurogênico cursaria com bradicardia e pele quente. O choque cardiogênico exigiria sinais de congestão, e restringir volume em paciente exsanguinada seria fatal.
Mulher, 32 anos, após parto vaginal, mantém sangramento por atonia apesar de massagem, ocitocina, misoprostol e ácido tranexâmico. PA 96/58 mmHg, FC 118 bpm, com resposta parcial à reposição volêmica. Revisão do canal sem lacerações, cavidade sem restos ao ultrassom. O serviço não dispõe de hemodinâmica, e a paciente deseja preservar a fertilidade. Não há sinais de coagulopatia grave nos exames iniciais. Qual a próxima medida mais adequada?
A inserção de balão de tamponamento intrauterino é a próxima medida adequada, pois oferece controle rápido do sangramento por atonia refratária ao tratamento clínico, preserva a fertilidade, funciona como teste de resposta e permite preparo simultâneo para abordagem cirúrgica caso o sangramento persista. A histerectomia imediata é o último recurso, reservada à falha das medidas conservadoras ou à instabilidade extrema. Ocitocina em bolus rápido causa hipotensão e a paciente já não responde a uterotônicos, além de aguardar uma hora ser inaceitável. Tamponamento vaginal com alta precoce não controla a atonia e mascara a perda. A curetagem ampla em útero atônico eleva o risco de perfuração e não está indicada com cavidade sem restos ao ultrassom.
Mulher, 36 anos, submetida a cesariana por placenta prévia com acretismo, evolui com sangramento maciço após tentativa de dequitação, sem resposta a suturas compressivas e ligadura de artérias uterinas. PA 70/38 mmHg, FC 148 bpm, perda estimada de 4.000 mL, fibrinogênio 80 mg/dL (VR 200–400), pH 7,15 e temperatura de 34,8 °C. A equipe indica histerectomia puerperal de urgência com a paciente em choque profundo. Qual conduta é a correta?
Prosseguir com a histerectomia adotando estratégia de controle de danos, com transfusão maciça em proporção balanceada, reposição de fibrinogênio, aquecimento ativo e correção da acidose, e escolher entre técnica total e subtotal conforme o sítio placentário, é a conduta correta: a subtotal é mais rápida e menos hemorrágica, mas não controla o sangramento quando a placenta invade o segmento inferior e o colo, situação frequente na prévia com acretismo. Afirmar que nunca é necessário remover o colo é incorreto justamente nesse cenário. Adiar a cirurgia para corrigir a coagulopatia antes é erro grave, pois a coagulopatia só se resolve com o controle do foco. Optar sempre pela total ignora que a subtotal pode salvar vidas em choque profundo. Manter apenas medidas conservadoras já falhadas levaria ao óbito.
Durante cesariana complicada por hemorragia por atonia refratária, a equipe considera a ligadura bilateral das artérias ilíacas internas para controle do sangramento antes de indicar histerectomia, em paciente de 26 anos, primípara, que deseja preservar a fertilidade. PA 88/50 mmHg, FC 130 bpm, com transfusão em curso. O cirurgião discute com a residente os fundamentos anatômicos e fisiológicos do procedimento. Qual afirmação está correta?
A afirmação correta é que a ligadura bilateral das artérias ilíacas internas reduz a pressão de pulso distal e converte o fluxo arterial em um regime de baixa pressão, favorecendo a hemostasia, com preservação da fertilidade na maioria dos casos graças à rica circulação colateral pélvica proveniente das artérias ovarianas, sacral média, lombares e hemorroidária superior. A ligadura é realizada no ramo anterior da artéria ilíaca interna, e não da ilíaca externa. Ela não interrompe definitivamente a irrigação uterina, justamente pela colateralidade. O ureter cruza a bifurcação ilíaca e deve ser identificado e afastado para evitar lesão. O procedimento não é primeira linha, sendo indicado após a falha das medidas clínicas e de suturas compressivas.
Mulher, 33 anos, no 3º dia após parto vaginal, apresenta sangramento vaginal recorrente e volumoso, sem restos ovulares ao ultrassom, com útero contraído e revisão de canal sem lacerações. Doppler mostra imagem sugestiva de pseudoaneurisma de artéria uterina. PA 104/64 mmHg, FC 106 bpm, Hb 8,2 g/dL (VR 12–16), sem coagulopatia. O hospital dispõe de serviço de hemodinâmica com equipe disponível. Qual a conduta mais adequada?
A embolização das artérias uterinas por radiologia intervencionista é a conduta mais adequada, pois a paciente está hemodinamicamente compensada, o serviço dispõe de hemodinâmica e a causa identificada é um pseudoaneurisma de artéria uterina, lesão vascular tratável por via endovascular com preservação do útero e da fertilidade. A histerectomia imediata seria desproporcional em paciente estável com causa focal tratável. A curetagem ampla não trata lesão vascular e pode agravar o sangramento. O tamponamento vaginal com observação não controla um pseudoaneurisma e apenas retarda a resolução. A trombose de veia ovariana cursaria com febre persistente e dor, sem sangramento vaginal volumoso, e a anticoagulação agravaria a hemorragia.
Unidade de saúde rural, distante 3 horas do hospital de referência, atende puérpera de 24 anos com hemorragia por atonia após parto domiciliar. PA 78/40 mmHg, FC 140 bpm, palidez intensa e sudorese. Foram administrados ocitocina, misoprostol e ácido tranexâmico, com sangramento persistente. A unidade dispõe de traje antichoque não pneumático, cristaloide e ambulância, mas não tem banco de sangue nem centro cirúrgico. Qual conduta é a correta?
Aplicar o traje antichoque não pneumático, manter reposição volêmica e uterotônicos e transferir imediatamente ao serviço de referência, retirando o dispositivo apenas de forma gradual e sequencial após o controle do sangramento e a estabilização, é a conduta correta, pois o traje redistribui o sangue para os órgãos centrais e ganha tempo até o tratamento definitivo, sendo especialmente útil em áreas com longo tempo de transporte. Aguardar estabilização completa antes de transportar é irreal sem hemocomponentes nem centro cirúrgico. Manter o traje até a alta hospitalar é incorreto, pois sua retirada deve seguir critérios de estabilidade. Contraindicá-lo por suposto agravamento da hipoperfusão é falso. Retirá-lo durante o transporte pode precipitar colapso hemodinâmico.
Equipe de maternidade revisa seu protocolo de hemorragia obstétrica maciça e discute os princípios da reanimação com controle de danos, incluindo o papel dos cristaloides, a proporção entre hemocomponentes, o alvo de fibrinogênio, o momento do ácido tranexâmico, a prevenção de hipotermia e o uso de testes viscoelásticos, quando disponíveis, para guiar a reposição durante o sangramento ativo. Qual conjunto de princípios está correto?
O conjunto correto reúne limitar o volume de cristaloides, transfundir precocemente hemácias, plasma e plaquetas em proporção balanceada, manter o fibrinogênio acima de 200 mg/dL, administrar ácido tranexâmico nas primeiras 3 horas, prevenir ativamente a hipotermia e utilizar testes viscoelásticos para guiar a reposição quando disponíveis. Infundir grandes volumes de cristaloide agrava a coagulopatia dilucional, a hipotermia e a acidose. Repor apenas hemácias perpetua o distúrbio de coagulação. Adiar o aquecimento até o controle cirúrgico é erro, pois a hipotermia agrava a disfunção plaquetária e enzimática desde o início. Condicionar o ácido tranexâmico à confirmação laboratorial de coagulopatia faria perder a janela em que ele reduz mortalidade.
Mulher, 30 anos, no pós-parto imediato de parto vaginal com fórceps, apresenta dor lombar e em flanco à esquerda, taquicardia progressiva e queda da hemoglobina de 11,4 para 7,0 g/dL (VR 12–16) em 6 horas, com sangramento vaginal escasso e útero bem contraído. PA 88/50 mmHg, FC 132 bpm. Tomografia mostra coleção hemática retroperitoneal volumosa à esquerda, com extravasamento ativo de contraste. Qual a conduta correta?
A conduta correta é ressuscitação com hemocomponentes e controle do sangramento por embolização arterial, quando há serviço de hemodinâmica e estabilidade relativa, ou por abordagem cirúrgica, diante de hematoma retroperitoneal volumoso com extravasamento ativo de contraste e instabilidade hemodinâmica. A observação com transfusão isolada não controla o sangramento arterial ativo. A massagem uterina e os uterotônicos tratam atonia, e o útero está contraído com sangramento vaginal escasso, o que aponta para hemorragia extrauterina. O tamponamento vaginal não alcança o retroperitônio e a alta em 24 horas seria temerária. A curetagem não trata a fonte do sangramento e acrescenta risco em paciente instável.
Mulher, 26 anos, após parto vaginal com período expulsivo rápido e feto de 3.700 g, apresenta sangramento vaginal contínuo em jato, de sangue vivo, logo após a dequitação. PA 104/62 mmHg, FC 116 bpm. O útero está bem contraído, abaixo da cicatriz umbilical, e a placenta foi inspecionada e está íntegra. Não há hematoma vaginal visível ao exame inicial nem laceração perineal significativa identificada. Qual a conduta correta?
A conduta correta é realizar revisão sistemática do canal de parto, com boa iluminação, valvas e pinçamento do colo com pinças atraumáticas, buscando laceração cervical, e suturar a lesão identificada, pois sangramento vivo e contínuo com útero bem contraído e placenta íntegra aponta para lesão do trajeto e não para atonia. Nova dose de uterotônico com espera de 30 minutos não trata laceração e permite a progressão do choque. A curetagem não se justifica com placenta íntegra e agrava a perda. A histerectomia é desproporcional antes mesmo de identificar a fonte do sangramento. O balão de tamponamento trata atonia e não controla laceração cervical, além de dispensar a inspeção que definiria o diagnóstico.
Mulher, 31 anos, é levada à maternidade 3 horas após parto domiciliar, com placenta ainda retida e sangramento vaginal discreto. PA 112/70 mmHg, FC 92 bpm, T 36,8 °C, útero contraído acima da cicatriz umbilical, cordão exteriorizado. Hb 10,8 g/dL (VR 12–16). Ao toque, o colo permanece pérvio e a placenta é palpável na cavidade, com plano de clivagem aparentemente presente em toda a superfície acessível. Qual conduta é a correta?
A conduta correta é realizar a extração manual da placenta sob analgesia adequada, com antibioticoprofilaxia e revisão cuidadosa da cavidade, pois a retenção placentária além de 30 minutos, aqui já com 3 horas, mantém risco de hemorragia e de infecção, ainda que o sangramento atual seja discreto. Aguardar mais 12 horas prolonga a exposição a esses riscos sem benefício. Administrar misoprostol e liberar para casa deixa a paciente com a placenta retida e sem vigilância. A histerectomia é desproporcional em paciente estável com plano de clivagem aparentemente presente. A tração forte do cordão provoca avulsão ou inversão uterina e é manobra proscrita.
Equipe discute a ordem das intervenções na hemorragia pós-parto por atonia refratária, listando massagem uterina bimanual, uterotônicos, ácido tranexâmico, balão de tamponamento intrauterino, suturas compressivas, ligadura de artérias uterinas e hipogástricas, embolização e histerectomia, considerando a preservação da fertilidade, a estabilidade da paciente e os recursos disponíveis no serviço. Qual sequência é a mais adequada?
A sequência mais adequada inicia com massagem uterina bimanual e uterotônicos associados ao ácido tranexâmico, prossegue com o balão de tamponamento intrauterino como medida de segunda linha, e, na falha, avança para suturas compressivas e ligaduras vasculares ou embolização conforme os recursos e a estabilidade, reservando a histerectomia como último recurso. Iniciar por histerectomia ou por embolização inverte a lógica de escalonamento e sacrifica a fertilidade ou perde tempo em paciente instável. Começar pela ligadura de hipogástricas ignora medidas clínicas simples e eficazes. Usar ácido tranexâmico isolado seguido diretamente de histerectomia salta todas as etapas conservadoras que resolvem a maioria dos casos.
Mulher, 39 anos, internada na UTI, apresenta hipotensão e taquicardia após parto com hemorragia pós-parto por atonia uterina. Recebeu ocitocina e massagem uterina, sem controle do sangramento. Exame: PA 76/42 mmHg, FC 138 bpm, palidez, sangramento vaginal ativo e abundante, útero amolecido à palpação. Hemoglobina 6,2 g/dL. A equipe está realizando reposição volêmica e acionou o banco de sangue, além de manter monitorização contínua da paciente. Qual a sequência correta de condutas adicionais?
Na hemorragia pós-parto por atonia refratária à ocitocina e à massagem, a conduta é escalonar os uterotônicos, administrar ácido tranexâmico precocemente, usar tamponamento com balão intrauterino e, na persistência, partir para medidas cirúrgicas como suturas compressivas, ligadura vascular ou histerectomia. Aguardar a estabilização completa antes de agir sobre a causa perpetua o sangramento. Repetir apenas ocitocina em quadro já refratário e observar por 2 horas é conduta inaceitável. Histerectomia imediata sem tentar medidas conservadoras é desproporcional em paciente jovem. Transfundir sem controlar a fonte apenas adia o desfecho e agrava a coagulopatia.
Mulher, 34 anos, com hipertensão crônica e asma grave, apresenta hemorragia pós-parto por atonia após parto vaginal, sem resposta à ocitocina e à massagem uterina. PA 168/102 mmHg, FC 118 bpm, sibilos difusos à ausculta pulmonar. A equipe revisa quais uterotônicos podem ser administrados com segurança, considerando as comorbidades da paciente e o quadro hemorrágico em curso. Assinale o fármaco que NÃO deve ser administrado nesta paciente.
A metilergometrina não deve ser administrada, pois é contraindicada em hipertensas pelo risco de crise hipertensiva e acidente vascular cerebral, situação agravada pela pressão de 168/102 mmHg apresentada. O misoprostol é opção adequada, sendo evitado apenas quando há alergia ao fármaco. A ocitocina em infusão contínua diluída é a primeira linha e pode ser mantida. O ácido tranexâmico é antifibrinolítico com benefício demonstrado nas primeiras 3 horas e não tem contraindicação nesse contexto. A carbetocina é análogo da ocitocina de meia-vida longa, útil e sem a restrição pressórica dos derivados do ergot, ainda que o derivado da prostaglandina F2-alfa é que seja o proscrito na asma.
Maternidade implanta estratificação de risco para hemorragia pós-parto na admissão das parturientes, revisando os fatores de risco anteparto e intraparto que devem compor o instrumento e reservando hemocomponentes para as pacientes classificadas como de alto risco, com o objetivo de antecipar a resposta e reduzir a morbidade materna grave no serviço. Assinale o fator que NÃO se associa a maior risco de hemorragia pós-parto.
A primiparidade com feto de peso adequado a termo não se associa a maior risco de hemorragia pós-parto, sendo justamente o perfil de menor risco entre os listados. A gestação gemelar com sobredistensão uterina compromete a contratilidade e favorece a atonia. O trabalho de parto prolongado com uso de ocitocina leva à dessensibilização dos receptores e à exaustão da musculatura uterina. O antecedente de hemorragia em parto anterior é um dos preditores mais fortes de recorrência. A placenta prévia associada a cesarianas prévias eleva o risco de acretismo e de hemorragia maciça.
Maternidade discute a padronização do uterotônico profilático administrado imediatamente após o nascimento, no manejo ativo do terceiro período. A instituição enfrenta dificuldades logísticas para manter a cadeia de frio em unidades remotas e avalia alternativas, considerando eficácia na prevenção da hemorragia pós-parto, perfil de efeitos adversos e estabilidade térmica das apresentações disponíveis. Assinale a alternativa correta.
A carbetocina termoestável tem eficácia comparável à da ocitocina na prevenção da hemorragia pós-parto e não exige cadeia de frio, o que a torna alternativa adequada em locais com dificuldade logística. Eleger a metilergometrina como primeira escolha universal é incorreto, pois ela é contraindicada em hipertensas e pré-eclâmpticas. Afirmar superioridade do misoprostol quando há ocitocina disponível inverte a hierarquia, já que o misoprostol é alternativa quando a ocitocina falta. Restringir a ocitocina ao período pós-dequitação contraria o manejo ativo, que preconiza sua administração logo após o nascimento. Dizer que o manejo ativo aumenta hemorragia grave contraria a evidência que fundamenta a própria recomendação.
Parturiente de 31 anos dá à luz em unidade rural sem energia elétrica estável e sem ocitocina disponível no momento. Quinze minutos após a dequitação, apresenta sangramento vaginal estimado em 700 mL, útero amolecido à palpação, PA 96x58 mmHg e FC 118 bpm. Não há sinais de laceração de canal de parto à revisão e não há restos placentários visíveis à inspeção. Qual a conduta farmacológica adequada nesse cenário?
Na ausência de ocitocina, o misoprostol por via sublingual é a alternativa recomendada para atonia uterina, associado a massagem uterina, compressão bimanual e reposição volêmica, com transferência para serviço de maior complexidade. Aguardar a chegada da ocitocina é conduta inaceitável diante de hemorragia ativa com repercussão hemodinâmica. Administrar metilergometrina por via intravenosa rápida é perigoso, pela possibilidade de crise hipertensiva e vasoespasmo, sendo a via intramuscular a preferida. O ácido tranexâmico é adjuvante importante, porém não é uterotônico e não substitui a correção da atonia. A prostaglandina F2-alfa é opção de segunda linha, com custo e conservação problemáticos, e não é a primeira escolha nesse cenário.
Puérpera de 29 anos, com descolamento prematuro de placenta e hemorragia pós-parto, recebeu uterotônicos, ácido tranexâmico e quatro unidades de concentrado de hemácias. Persiste com sangramento em lençol pelos locais de punção. PA 92x54 mmHg, FC 122 bpm. Exames: fibrinogênio de 120 mg/dL (VR na gestação 350 a 600), plaquetas de 78.000/mm³, INR de 1,8 e tempo de tromboplastina parcial ativada alargado. Qual a conduta transfusional correta?
O fibrinogênio é o primeiro fator a se esgotar na hemorragia obstétrica e valores abaixo de 200 mg/dL predizem sangramento grave, de modo que a reposição com crioprecipitado ou concentrado de fibrinogênio, associada a plasma e plaquetas conforme metas, é a conduta correta. Repor apenas hemácias corrige a anemia, mas mantém a coagulopatia. Administrar apenas plaquetas ignora a hipofibrinogenemia, que é a alteração mais crítica. Considerar 120 mg/dL adequado é erro grave, pois na gestação os valores normais são bem mais altos. A vitamina K tem início de ação lento e não corrige o consumo de fatores na coagulação intravascular disseminada.
Maternidade avalia a introdução do ácido tranexâmico em seu protocolo de cesariana, tanto no tratamento da hemorragia pós-parto quanto em situações selecionadas de profilaxia. A comissão revisa o mecanismo de ação, o momento de administração, as evidências de benefício e os efeitos adversos, buscando padronizar a prescrição e evitar tanto o subuso no tratamento quanto o uso indiscriminado sem indicação clínica definida. Assinale a afirmativa INCORRETA sobre o ácido tranexâmico.
Classificar o ácido tranexâmico como uterotônico e substituto da ocitocina é incorreto, pois ele é antifibrinolítico e não promove contração uterina, sendo adjuvante e nunca substituto no manejo ativo do terceiro período. A inibição da ligação do plasminogênio à fibrina descreve corretamente seu mecanismo. A administração o mais precoce possível é recomendação central, pois o benefício decresce com o tempo. A redução de mortalidade por sangramento com uso nas primeiras três horas corresponde aos achados dos grandes ensaios. Náuseas e, em infusão rápida, hipotensão e sintomas visuais transitórios são efeitos adversos descritos.
Puérpera de 27 anos apresenta atonia uterina refratária a uterotônicos e massagem durante cesariana, com sangramento estimado em 2.000 mL. A paciente tem 27 anos, é primípara e deseja preservar a fertilidade. Está sob anestesia, com PA 96x56 mmHg e FC 118 bpm, recebendo hemoderivados. O útero permanece amolecido apesar de ocitocina, metilergometrina e misoprostol, e não há laceração de trato genital identificada. Qual a conduta cirúrgica conservadora mais adequada neste momento?
Na atonia refratária em paciente jovem que deseja preservar a fertilidade, as medidas conservadoras incluem suturas compressivas e ligadura das artérias uterinas, que reduzem o fluxo e frequentemente controlam o sangramento sem retirar o útero. Indicar histerectomia imediata como primeira escolha ignora as alternativas conservadoras disponíveis. Ligar a artéria ilíaca externa é erro anatômico grave, pois esse vaso irriga o membro inferior, sendo a hipogástrica o vaso abordado. A curetagem não trata atonia e pode agravar o sangramento. Limitar-se ao tamponamento abdominal sem abordagem vascular é medida de exceção, insuficiente como conduta primária.
Puérpera de 36 anos, com atonia uterina refratária após parto vaginal, evolui com hemorragia maciça e instabilidade hemodinâmica apesar de suturas compressivas e ligadura de artérias uterinas. PA 78x42 mmHg, FC 138 bpm, com hipotermia e acidose. A equipe indica histerectomia puerperal. Não há placenta prévia, acretismo ou laceração cervical identificada, e o sangramento predomina no corpo uterino, com colo íntegro à revisão. Qual a conduta cirúrgica mais adequada?
Em paciente instável, com sangramento originado no corpo uterino e colo íntegro, a histerectomia subtotal é preferível por ser mais rápida, com menor perda sanguínea e menor risco de lesão ureteral, alinhando-se aos princípios do controle de danos. Considerar a histerectomia total obrigatória desconsidera o contexto e a fonte do sangramento, sendo indicada quando há acretismo com placenta prévia ou laceração cervical. Manter apenas tamponamento diante de falha das medidas conservadoras e instabilidade retarda o controle definitivo. A ooforectomia não integra o procedimento e retiraria a função ovariana sem indicação. Adiar a cirurgia até corrigir acidose e hipotermia inverte a lógica, pois só o controle do sangramento permite essa correção.
Maternidade de referência implanta protocolo institucional de hemorragia pós-parto, com acionamento por código, kit de medicamentos, estimativa objetiva da perda sanguínea, protocolo de transfusão maciça e treinamento periódico das equipes. Após um ano, a comissão avalia os resultados e revisa cada componente do protocolo, buscando identificar práticas que devam ser corrigidas por não corresponderem às recomendações vigentes de manejo dessa emergência. Assinale a prática que deve ser CORRIGIDA no protocolo.
Estimar a perda sanguínea apenas por avaliação visual é a prática que precisa ser corrigida, pois esse método subestima sistematicamente o volume perdido e retarda o reconhecimento da hemorragia grave. A pesagem de compressas e o uso de bolsas coletoras graduadas fornecem estimativa objetiva e devem ser mantidos. O kit com uterotônicos, ácido tranexâmico e material para tamponamento reduz o tempo até a intervenção. O acionamento por código único com funções definidas organiza a resposta da equipe. O treinamento periódico por simulação melhora o desempenho e reduz o tempo de resposta nessas emergências.
Mulher, 27 anos, evolui com hemorragia pós-parto por atonia uterina 40 minutos após parto vaginal, com perda estimada de 1.200 mL e sangramento ativo persistente. Exame: PA 92/56 mmHg, FC 122 bpm, útero amolecido acima da cicatriz umbilical, sem lacerações identificadas à revisão do canal de parto. Já recebeu ocitocina, massagem uterina bimanual e cristaloide. Hemoglobina 8,4 g/dL (VR 12–16); plaquetas 180.000/mm³; fibrinogênio 260 mg/dL (VR 200–400). Qual a medida adicional indicada?
O ácido tranexâmico reduz mortalidade por sangramento na hemorragia pós-parto quando administrado precocemente, idealmente nas primeiras três horas, e deve ser somado às medidas uterotônicas e mecânicas já instituídas. Plasma fresco congelado profilático não é indicado sem coagulopatia documentada e acrescenta risco de sobrecarga volêmica e lesão pulmonar. O crioprecipitado se indica quando o fibrinogênio cai abaixo de cerca de 150 a 200 mg/dL, e aqui está em 260 mg/dL. O concentrado de plaquetas não é prioritário com 180.000/mm³. Aguardar seis horas contraria a evidência de que o benefício do antifibrinolítico diminui com o atraso da administração.
Após parto vaginal de recém-nascido macrossômico, puérpera apresenta sangramento volumoso. A placenta foi examinada e parece completa; não há laceração relevante. O útero está aumentado e amolecido. A equipe inicia o protocolo de hemorragia e ressuscitação. Qual conduta deve ser priorizada nas circunstâncias apresentadas?
O tratamento deve ser simultâneo à ressuscitação e investigação das causas; persistência exige medidas mecânicas ou cirúrgicas. Referência: OMS, FIGO e ICM. Consolidated guidelines for prevention, diagnosis and treatment of postpartum haemorrhage, 2025. https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Após parto vaginal de recém-nascido macrossômico, puérpera apresenta sangramento volumoso. A placenta foi examinada e parece completa; não há laceração relevante. O útero está aumentado e amolecido. A equipe inicia o protocolo de hemorragia e ressuscitação. Qual é a causa mais provável do sangramento?
Útero amolecido após parto e ausência de trauma ou retenção evidente tornam a falha de contração a principal hipótese. Referência: OMS, FIGO e ICM. Consolidated guidelines for prevention, diagnosis and treatment of postpartum haemorrhage, 2025. https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Após parto vaginal de recém-nascido macrossômico, puérpera apresenta sangramento volumoso. A placenta foi examinada e parece completa; não há laceração relevante. O útero está aumentado e amolecido. A equipe inicia o protocolo de hemorragia e ressuscitação. Qual processo explica o sangramento nesse quadro?
A contração uterina funciona como hemostasia do leito placentário; sua insuficiência favorece hemorragia. Referência: OMS, FIGO e ICM. Consolidated guidelines for prevention, diagnosis and treatment of postpartum haemorrhage, 2025. https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Após parto vaginal de recém-nascido macrossômico, puérpera apresenta sangramento volumoso. A placenta foi examinada e parece completa; não há laceração relevante. O útero está aumentado e amolecido. A equipe inicia o protocolo de hemorragia e ressuscitação. Qual achado é mais coerente com a hipótese principal?
Resposta à compressão é compatível com atonia, mas não dispensa procurar causas associadas quando o sangramento persiste. Referência: OMS, FIGO e ICM. Consolidated guidelines for prevention, diagnosis and treatment of postpartum haemorrhage, 2025. https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Após tração inadequada do cordão, paciente apresenta dor intensa, colapso e massa uterina na vagina, sem fundo abdominal palpável. Qual causa deve ser priorizada?
O mecanismo e o exame sugerem inversão uterina. Inversão do fundo uterino pode causar hemorragia, choque e massa vaginal, com ausência do fundo na posição abdominal esperada. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Após parto instrumental, paciente tem sangramento por lesão vaginal visível, enquanto o útero permanece bem contraído. Qual causa deve ser priorizada?
Trauma do canal é a fonte identificada. Sangramento persistente com útero contraído exige procurar trauma cervical, vaginal ou perineal e realizar hemostasia da lesão. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Pessoa com placenta prévia sobre cicatriz de cesárea tem lacunas placentárias e sinais de invasão na avaliação especializada. Qual causa explica melhor a apresentação?
A associação aumenta suspeita de espectro acreta. Aderência ou invasão placentária anormal associa-se a cicatriz uterina e placenta prévia; pode impedir dequitação e causar hemorragia grave. Referência: https://www.rcog.org.uk/guidance/browse-all-guidance/green-top-guidelines/placenta-praevia-and-placenta-accreta-diagnosis-and-management-green-top-guideline-no-27a/
Durante avaliação de placenta retida, confirma-se invasão de vilosidades no miométrio em paciente de alto risco. Qual causa explica melhor a apresentação?
A invasão anormal pertence ao espectro da placenta acreta. Aderência ou invasão placentária anormal associa-se a cicatriz uterina e placenta prévia; pode impedir dequitação e causar hemorragia grave. Referência: https://www.rcog.org.uk/guidance/browse-all-guidance/green-top-guidelines/placenta-praevia-and-placenta-accreta-diagnosis-and-management-green-top-guideline-no-27a/
Após parto de gestação gemelar, paciente apresenta sangramento importante e útero aumentado, amolecido e pouco contraído, sem trauma identificado. Qual causa deve ser priorizada?
Sobredistensão e útero flácido favorecem atonia. Útero que não contrai adequadamente após o parto é causa frequente de hemorragia; avaliação e tratamento devem ocorrer em conjunto com ressuscitação. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Após dequitação, a inspeção mostra placenta incompleta; paciente mantém sangramento e há fragmento retido confirmado. Qual causa deve ser priorizada?
O tecido residual é a causa provável da hemorragia. Fragmentos placentários ou membranas retidos podem impedir contração adequada e manter sangramento; investigação e remoção apropriada integram controle da causa. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Puérpera sangra de forma persistente apesar de útero firme. Inspeção identifica laceração cervical com sangramento ativo. Qual causa deve ser priorizada?
A fonte traumática deve ser reparada. Sangramento persistente com útero contraído exige procurar trauma cervical, vaginal ou perineal e realizar hemostasia da lesão. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Paciente com complicação obstétrica grave apresenta sangramento em múltiplos locais, fibrinogênio baixo e tempos de coagulação prolongados. Qual causa deve ser priorizada?
O padrão difuso e os exames indicam coagulopatia. Alteração de coagulação pode causar sangramento difuso; correção hemostática e tratamento da causa devem acompanhar ressuscitação. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Após o parto, há choque e massa uterina exteriorizada pela vagina; o fundo não é palpado em sua posição abdominal habitual. Qual causa deve ser priorizada?
A anatomia alterada caracteriza inversão uterina. Inversão do fundo uterino pode causar hemorragia, choque e massa vaginal, com ausência do fundo na posição abdominal esperada. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Paciente teve trabalho de parto prolongado e apresenta hemorragia com útero hipotônico, que melhora transitoriamente com massagem. Qual causa deve ser priorizada?
A resposta à contração reforça atonia como causa. Útero que não contrai adequadamente após o parto é causa frequente de hemorragia; avaliação e tratamento devem ocorrer em conjunto com ressuscitação. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Puérpera apresenta sangramento e ultrassom, integrado ao exame clínico, identifica tecido placentário retido após placenta incompleta. Qual causa deve ser priorizada?
O fragmento retido pode manter sangramento. Fragmentos placentários ou membranas retidos podem impedir contração adequada e manter sangramento; investigação e remoção apropriada integram controle da causa. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Paciente com cesáreas prévias e placenta baixa tem achados de invasão placentária e ausência de plano normal entre placenta e miométrio. Qual causa explica melhor a apresentação?
O risco e a interface alterada favorecem espectro acreta. Aderência ou invasão placentária anormal associa-se a cicatriz uterina e placenta prévia; pode impedir dequitação e causar hemorragia grave. Referência: https://www.rcog.org.uk/guidance/browse-all-guidance/green-top-guidelines/placenta-praevia-and-placenta-accreta-diagnosis-and-management-green-top-guideline-no-27a/
Puérpera tem oozing difuso em locais de punção e sangramento genital, com consumo de plaquetas e fibrinogênio. Qual causa deve ser priorizada?
A alteração hemostática sistêmica explica o sangramento difuso. Alteração de coagulação pode causar sangramento difuso; correção hemostática e tratamento da causa devem acompanhar ressuscitação. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Placenta não se separa após o parto, e a avaliação identifica aderência anormal ao miométrio em paciente com cicatriz uterina. Qual causa explica melhor a apresentação?
A ausência de separação normal sugere acretismo. Aderência ou invasão placentária anormal associa-se a cicatriz uterina e placenta prévia; pode impedir dequitação e causar hemorragia grave. Referência: https://www.rcog.org.uk/guidance/browse-all-guidance/green-top-guidelines/placenta-praevia-and-placenta-accreta-diagnosis-and-management-green-top-guideline-no-27a/
Paciente tem útero firme e perda sanguínea contínua por laceração perineal extensa, visualizada na inspeção. Qual causa deve ser priorizada?
A fonte é lesão do canal de parto. Sangramento persistente com útero contraído exige procurar trauma cervical, vaginal ou perineal e realizar hemostasia da lesão. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Pessoa após parto de feto macrossômico tem hemorragia e útero flácido, sem retenção documentada ou laceração responsável. Qual causa deve ser priorizada?
A sobredistensão pode predispor a falha de contração. Útero que não contrai adequadamente após o parto é causa frequente de hemorragia; avaliação e tratamento devem ocorrer em conjunto com ressuscitação. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Após dequitação, útero não é palpado no abdome e há massa arredondada na vagina acompanhada de choque. Qual causa deve ser priorizada?
Ausência do fundo e massa vaginal sugerem inversão. Inversão do fundo uterino pode causar hemorragia, choque e massa vaginal, com ausência do fundo na posição abdominal esperada. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Paciente tem sangramento generalizado e exames que demonstram falha hemostática importante, sem fonte local suficiente para explicar a perda. Qual causa deve ser priorizada?
A coagulopatia necessita correção junto ao controle obstétrico. Alteração de coagulação pode causar sangramento difuso; correção hemostática e tratamento da causa devem acompanhar ressuscitação. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Hemorragia persiste apesar de boa contração uterina; exame localiza lesão cervical sangrante sem restos placentários. Qual causa deve ser priorizada?
Útero firme com lesão ativa aponta para trauma. Sangramento persistente com útero contraído exige procurar trauma cervical, vaginal ou perineal e realizar hemostasia da lesão. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Paciente apresenta hemorragia após saída de placenta fragmentada, com confirmação de restos aderidos na cavidade. Qual causa deve ser priorizada?
Remanescentes placentários são a causa identificada. Fragmentos placentários ou membranas retidos podem impedir contração adequada e manter sangramento; investigação e remoção apropriada integram controle da causa. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Após parto, útero permanece aumentado e amolecido, com sangramento que acompanha relaxamento uterino e sem outra fonte evidente. Qual causa deve ser priorizada?
A ausência de tônus adequado favorece atonia. Útero que não contrai adequadamente após o parto é causa frequente de hemorragia; avaliação e tratamento devem ocorrer em conjunto com ressuscitação. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Puérpera apresenta sangramento e choque com fundo uterino invertido, visualizado no exame vaginal. Qual causa deve ser priorizada?
A inversão explica o quadro anatômico e circulatório. Inversão do fundo uterino pode causar hemorragia, choque e massa vaginal, com ausência do fundo na posição abdominal esperada. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Após descolamento placentário grave, puérpera apresenta hemorragia com alteração importante dos testes de coagulação e fibrinogênio reduzido. Qual causa deve ser priorizada?
Coagulopatia de consumo pode contribuir para hemorragia pós-parto. Alteração de coagulação pode causar sangramento difuso; correção hemostática e tratamento da causa devem acompanhar ressuscitação. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Placenta apresenta ausência de um cotilédone à revisão, e paciente mantém sangramento; avaliação confirma remanescente intrauterino. Qual causa deve ser priorizada?
A inspeção placentária direciona investigação de tecido retido. Fragmentos placentários ou membranas retidos podem impedir contração adequada e manter sangramento; investigação e remoção apropriada integram controle da causa. Referência: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Após parto vaginal instrumental, puérpera apresenta sangramento persistente. A placenta foi examinada e está completa. O fundo uterino está firme, bem contraído e em posição habitual. Qual causa deve ser procurada prioritariamente?
Sangramento persistente com útero contraído e placenta completa torna o trauma genital uma hipótese prioritária, sem dispensar avaliação simultânea das demais causas. Referência: WHO. Consolidated guidelines for the prevention, diagnosis and treatment of postpartum haemorrhage, 2025. https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Puérpera com pré-eclâmpsia e PA de 170/110 mmHg apresenta atonia uterina. A equipe já iniciou medidas de ressuscitação, massagem uterina e ocitocina, e discute outro uterotônico. Qual fármaco deve ser evitado por sua ação vasoconstritora nesse contexto?
Derivados do ergot podem agravar hipertensão e são inadequados nessa paciente com pré-eclâmpsia e pressão gravemente elevada. Referência: WHO. Consolidated guidelines for the prevention, diagnosis and treatment of postpartum haemorrhage, 2025. https://www.who.int/publications/i/item/9789240115637
Qual interpretação integra os três painéis no último momento registrado após parto?

Perda crescente, taquicardia e hipotensão indicam gravidade.
Na evolução mostrada, o útero está amolecido e aumentado. Qual causa é mais provável e exige tratamento inicial dirigido?

O achado de tônus reduzido orienta massagem e uterotônicos, junto da ressuscitação.
Calcule o índice de choque (FC/PAS) no último ponto da figura.

135/85≈1,59, compatível com preocupação hemodinâmica no contexto hemorrágico.
Entre 15 e 30 minutos, qual foi o acréscimo de perda sanguínea acumulada?

1100−600=500 mL perdidos nesse intervalo de 15 minutos.
Qual atitude deve ocorrer enquanto se procura a causa do sangramento representado?

Diagnóstico causal e estabilização precisam ocorrer em paralelo.
No manejo de atonia após parto, como a manobra ilustrada deve se integrar ao atendimento?

Não substitui ressuscitação nem investigação das outras causas.
Qual medida temporária de controle de sangramento é sugerida pelas forças opostas aplicadas ao útero na figura?

Comprime o útero entre apoio vaginal e abdominal, enquanto se tratam causas e se ressuscita.
Qual parâmetro clínico ajuda a acompanhar perfusão durante o atendimento?

Estado mental, diurese e sinais circulatórios ajudam a avaliar repercussão e resposta.
Qual efeito se busca ao comprimir o útero atônico?

Compressão pode contribuir para hemostasia temporária enquanto medidas definitivas são organizadas.
O útero fica firme, mas o sangramento persiste. Qual mudança de avaliação é necessária?

As causas de hemorragia incluem tônus, trauma, tecido e trombina; resposta parcial não encerra investigação.
Atonia significa alteração de qual propriedade uterina?

O útero atônico contrai-se inadequadamente para comprimir vasos do leito placentário.
Por que uma medida mecânica temporária não deve atrasar ressuscitação e escalonamento em choque persistente?

Manejo deve ser coordenado, com tratamento da causa, reposição e escalonamento quando a resposta é insuficiente.
A compressão reduz a perda por instantes, mas ela volta ao aliviar a força. Qual interpretação orienta os próximos passos? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Melhora durante compressão não comprova resolução definitiva.
As forças opostas aplicadas ao órgão procuram reduzir diretamente qual fenômeno? Imagem didática do acervo OsceLabs.

A compressão aproxima paredes e ajuda temporariamente na hemostasia.
Após uterotônico e a manobra esquematizada, o útero está firme, mas persiste sangue vermelho vivo. Qual etapa diagnóstica ganha prioridade? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Persistência de perda com bom tônus exige procurar fonte não explicada por atonia.
Qual achado no exame pós-parto torna o mecanismo da figura especialmente pertinente? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Favorece atonia uterina.
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Você é chamado à sala de parto 40 minutos após um parto vaginal de recém-nascido de 4.200 g. A puérpera de 29 anos, G4P4, está pálida e sonolenta; o forro e o lençol estão encharcados de sangue com coágulos. PA 88×54 mmHg, FC 124 bpm, extremidades frias. O útero é palpável acima da cicatriz umbilical e está amolecido. Ela recebeu ocitocina profilática após o nascimento. Conduza. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
