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Coqueluche

A doença voltou trinta e quatro vezes maior em um ano, e mata concentrada num único mês de vida. Duas réguas nacionais convivem no tema: uma tabela de doses com um buraco, uma sobreposição e uma contradição, e uma quimioprofilaxia que trocou de pergunta — do cartão de vacina do contato para quem mais mora na casa.

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Lactente de 45 dias, não vacinado, apresenta há 2 semanas tosse em acessos paroxísticos seguidos de guincho inspiratório e cianose, com vômitos pós-tosse e episódios de apneia. Entre as crises fica bem. Hemograma: leucocitose de 28.000/mm³ com linfocitose de 70%. Além do isolamento respiratório e do tratamento com azitromicina, qual medida de saúde pública é fundamental para os contatos domiciliares?

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Como esse tema cai

Este capítulo cobre a coqueluche do reconhecimento clínico ao fechamento do caso pela vigilância: definição de caso suspeito e confirmado, diagnóstico laboratorial, esquemas de tratamento com dose por quilo, quimioprofilaxia dos contatos, isolamento e afastamento, e a conduta em surto. A régua nacional está em três documentos que precisam ser lidos juntos — o capítulo de coqueluche do Guia de Vigilância em Saúde, a nota técnica conjunta de 2025 do Programa Nacional de Imunizações, que atualiza parte dele, e a nota técnica de 2025 do laboratório central sobre coleta e transporte. Onde eles divergem, e divergem em pontos que mudam prescrição, o bloco de divergências mostra de que lado cada número está.

O calendário vacinal completo tem capítulo próprio nesta apostila, e é lá que estão os esquemas de penta e DTP por idade, as apresentações acelulares dos centros de referência e a vacinação da gestante em detalhe. Aqui a vacina entra só onde decide a conduta do caso: quem se vacina depois da profilaxia e com que intervalo, quem não se vacina mais, e por que a proteção do lactente de dois meses depende da dose que a mãe recebeu na gestação. Os eventos adversos do componente pertussis, incluindo a encefalopatia dos sete primeiros dias, pertencem ao capítulo de eventos adversos pós-vacinação.

Dois recortes ficam de fora. A abordagem geral da criança com tosse crônica, que é diferencial amplo e inclui asma, tuberculose e corpo estranho, não cabe aqui; a síndrome coqueluchoide aparece apenas como lista de agentes que produzem quadro indistinguível. E a bronquiolite viral aguda, o diferencial mais cobrado ao lado da coqueluche no lactente, tem capítulo próprio na apostila de Pneumologia Pediátrica — neste, ela entra somente pelo que a separa: a ausculta, a febre e o comportamento da criança entre as crises.

03

O que muda decisão

A doença que voltou, e o mês em que ela mata

A coqueluche saiu do radar da prova por quase uma década e voltou de uma vez. A página de situação epidemiológica do Ministério da Saúde registra 216 casos confirmados em 2023 e 7.440 em 2024 — trinta e quatro vezes mais em um ano —, com 1.479 até a semana epidemiológica 15 de 2025. O painel citado pela nota das sociedades de pediatria e de imunizações, extraído em janeiro de 2025, contava 6.504 notificados e incidência de 3,06 por 100 mil. Um conta confirmados, o outro notificados, e ambos vêm marcados como sujeitos a alteração: guarde a ordem de grandeza, não o algarismo.

A distribuição ensina mais que o total. O Paraná fechou 2024 com coeficiente de 21,89 por 100 mil, contra 10,43 da região Sul e 3,06 do país — sete vezes a média nacional num único estado. E a letalidade concentra-se de modo quase cirúrgico: dos 29 óbitos confirmados em 2024, 24 ocorreram em menores de 1 ano, com partição por mês de vida de 3 abaixo de 1 mês, 13 entre 1 e 2 meses, 3 entre 3 e 4, 3 entre 5 e 6, 1 entre 7 e 8 e 1 entre 9 e 10.

Some as duas primeiras faixas: 16 dos 24 óbitos, dois terços, ocorreram em crianças que ainda não tinham idade para ter mais de uma dose de vacina. O pico não está no recém-nascido, e sim no segundo mês de vida — a janela em que o anticorpo materno já caiu e a primeira dose de penta ainda não fez efeito. É essa janela que a vacinação da gestante a partir da 20ª semana existe para cobrir, e é ela que a quimioprofilaxia do contato menor de 1 ano protege.

Duas variáveis fecham a explicação. A transmissibilidade é altíssima: a nota das sociedades registra número de reprodução entre 15 e 17 e observa que em mais de 75% dos casos o contato reside com o infectado — o domicílio é o lugar da transmissão, e por isso toda vinheta descreve quem mora na casa. E a cobertura vacinal ficou abaixo da meta: 89,2% em menores de 1 ano e 86,39% no primeiro reforço, contra 95% pactuados. Uma doença com número de reprodução de 16 não tolera 10 pontos de cobertura faltando.

Três fases, e a que chega ao pronto-socorro é a segunda

O Guia de Vigilância em Saúde divide a doença em três fases com durações declaradas. A fase catarral dura de uma a duas semanas e é indistinguível de um resfriado: febre pouco intensa, mal-estar, coriza e tosse seca. A fase paroxística dura de duas a seis semanas e é a que produz o quadro reconhecível. A fase de convalescença persiste por duas a seis semanas e pode se arrastar por até três meses; nela, uma infecção respiratória qualquer reacende transitoriamente os paroxismos.

O paroxismo tem descrição literal no documento, e ela é útil porque a prova costuma parafraseá-la: crise súbita, incontrolável, rápida e curta, com cerca de cinco a dez tossidas em uma única expiração. Durante o acesso o paciente não consegue inspirar, apresenta protrusão da língua, congestão facial e eventualmente cianose, seguida de apneia e vômitos. Só então vem a inspiração profunda pela glote estreitada — o guincho. Os episódios podem chegar a 30 em 24 horas, com predomínio noturno.

A curva de transmissibilidade explica por que o antibiótico entra cedo. Para efeito de controle, o período de transmissão vai do quinto dia após a exposição até a terceira semana do início dos paroxismos; em lactentes menores de 6 meses pode se estender por quatro a seis semanas após o início da tosse. E a transmissibilidade cai de 95% na primeira semana, que é a fase catarral, para 50% na terceira, sendo praticamente nula na quinta. O paciente é mais contagiante exatamente quando ninguém suspeita dele, e quando chega guinchando já entregou metade do que tinha para entregar.

Duas apresentações fogem do molde. Em quem não foi adequadamente vacinado ou foi vacinado há mais de cinco anos, a doença aparece como tosse persistente sem paroxismo, sem guincho e sem vômito — é o adolescente que tosse há três semanas e contamina o irmão de dois meses. E no lactente abaixo de 6 meses a apresentação pode ser apneia, cianose, convulsão e parada respiratória, com desidratação pelos vômitos repetidos; nesse grupo o Guia exige hospitalização, isolamento e vigilância permanente.

A definição de caso tem duas réguas, e o sexto mês troca as duas de uma vez

Aqui está o vão mais rentável do tema, e ele passa despercebido porque as duas listas parecem a mesma coisa escrita duas vezes. Em situação endêmica, é caso suspeito quem tem menos de 6 meses e apresenta tosse de qualquer tipo há dez dias ou mais, associada a pelo menos um entre seis sintomas: tosse paroxística, guincho inspiratório, vômitos pós-tosse, cianose, apneia e engasgo. E é caso suspeito quem tem 6 meses ou mais e apresenta tosse de qualquer tipo há 14 dias ou mais, associada a pelo menos um entre três: tosse paroxística, guincho inspiratório e vômitos pós-tosse.

O aniversário de seis meses muda duas coisas ao mesmo tempo. A duração mínima da tosse sobe de dez para quatorze dias, e a lista de sintomas encolhe de seis para três — cianose, apneia e engasgo desaparecem. A consequência é contraintuitiva: o lactente de 5 meses e 29 dias com tosse há doze dias e apneia presenciada é caso suspeito por dois caminhos independentes; o de 6 meses e um dia, com o mesmo quadro, não é por nenhum — nem pela duração, que ainda não chegou a quatorze dias, nem pelo sintoma, que saiu da lista dele. A régua fica mais frouxa justamente onde a doença é menos grave.

Duas colunas separadas pela marca do aniversário de seis meses. À esquerda, tosse mínima de 10 dias e seis sintomas válidos; à direita, 14 dias e apenas três, com cianose, apneia e engasgo riscados. Na base, duas fichas de paciente com o mesmo quadro: o de 5 meses e 29 dias é caso suspeito por dois caminhos, o de 6 meses e 1 dia não é por nenhum.
O aniversário de seis meses sobe a tosse mínima de 10 para 14 dias e apaga cianose, apneia e engasgo da lista — a régua afrouxa justamente onde a doença é menos grave.

O documento antecipa o incômodo e abre uma porta lateral: em situações excepcionais, havendo forte suspeita clínica do médico assistente, deve-se coletar o swab de nasofaringe e tratar adequadamente mesmo sem cumprir todos os critérios. Essa frase é o que salva a vinheta comum de lactente com oito dias de tosse paroxística e apneia — clinicamente óbvia, formalmente fora da definição. Há ainda um terceiro caminho, que dispensa qualquer prazo: é suspeito todo indivíduo que apresente tosse, em qualquer período, com história de contato próximo com caso confirmado por critério laboratorial.

A confirmação tem três critérios. O laboratorial é isolamento por cultura ou identificação por reação em cadeia da polimerase. O clínico-epidemiológico exige caso suspeito mais contato com caso confirmado por laboratório, no intervalo que vai do início do período catarral até três semanas após o início do paroxístico. O clínico fecha o suspeito que não atende aos dois anteriores, analisando em conjunto sintomas, idade, situação vacinal, tempo de tosse contra os 21 dias de transmissibilidade e hemograma — variáveis que o documento declara não excludentes entre si. Descartado é o suspeito que não se enquadra em nenhuma dessas situações.

Cultura, PCR e a palavra que decide a questão: nasofaringe

A prova brasileira pergunta o exame de duas maneiras, e cada uma tem resposta própria. Quando o enunciado pede o padrão-ouro ou o exame recomendado pelo Ministério da Saúde, a resposta é a cultura: o Guia a considera padrão-ouro, com especificidade de 100% e sensibilidade entre 12% e 60%, variando com antibioticoterapia prévia, duração dos sintomas, idade, estado vacinal, qualidade do meio, tipo de swab e tempo até o processamento. Quando pede o exame de maior sensibilidade na janela descrita, a resposta é a reação em cadeia da polimerase, que o mesmo documento aceita como critério de confirmação em pé de igualdade com a cultura.

Há um detalhe de redação que resolve a maior parte das questões antes da discussão de sensibilidade, e ele cabe em uma palavra. O Guia justifica o sítio de coleta: como a bactéria tem tropismo pelo epitélio respiratório ciliado, a cultura deve ser feita a partir da secreção nasofaríngea. Alternativa que ofereça cultura de secreção de orofaringe está errada pelo sítio, não pela acurácia — e é assim que aparece com frequência, disfarçada de resposta plausível por trazer o nome certo do meio de cultura ao lado do sítio errado.

O tempo de coleta é a segunda trava. O material deve ser colhido antes da antibioticoterapia eficaz — macrolídeo ou sulfametoxazol-trimetoprima — ou, se o tratamento já começou, com no máximo três dias de medicação; na investigação, prioriza-se quem ainda não iniciou o antibiótico, em casos com até quatro semanas de evolução. Nada disso significa esperar o resultado: o Guia é explícito ao dizer que os macrolídeos são indicados antes que os resultados laboratoriais sejam recebidos.

A nota técnica do laboratório central detalha o que faz a amostra prestar. O swab precisa ter haste ultrafina, flexível e estéril, de alginato de cálcio, dacron, nylon, rayon ou flocado; o de algodão comum contém substâncias tóxicas para a bactéria e não deve ser usado. O meio é o Regan-Lowe, ágar carvão com sangue desfibrinado e cefalexina. Colhe-se na parede posterior da nasofaringe com movimentos rotatórios por 10 a 20 segundos, e o material segue protegido da luz, entre 2 e 8 graus, preferencialmente em até seis horas e no máximo em 72.

A sorologia não fecha diagnóstico no Brasil: o Guia registra que não se dispõe de testes sorológicos adequados e padronizados e que os métodos em investigação têm limitações de interpretação. Alternativa com sorologia pareada, imunoglobulina M anti-pertussis ou imunoglobulina G antitoxina pertussis é distrator em qualquer vinheta que siga a régua nacional — e engana bem, porque em outros países a sorologia tem lugar definido na fase tardia.

Hemograma e radiografia: indicativos, nunca determinantes

O leucograma é o exame que mais aparece em enunciado e o que mais é lido errado, e os números do Guia são específicos por fase. No período catarral ocorre linfocitose relativa e absoluta, geralmente acima de 10 mil linfócitos por milímetro cúbico, e os leucócitos totais ao final dessa fase costumam ultrapassar 20 mil. No paroxístico, podem chegar a 30 mil ou 40 mil, com linfocitose de 60% a 80%. Um hemograma com 32 mil leucócitos e 70% de linfócitos num lactente afebril com ausculta limpa é o achado esperado, não uma pista de leucemia.

A frase que vale mais que os números vem em seguida: a presença de leucocitose com linfocitose confere forte suspeita clínica, mas a ausência não exclui o diagnóstico — e o documento nomeia quem falha: em lactentes, em vacinados e em quadros atípicos pode não haver linfocitose. Na seção de confirmação a regra volta como vigilância: o hemograma é indicativo, não determinante na confirmação nem no descarte, porque a situação vacinal influencia o resultado.

A radiografia tem indicação etária declarada e um achado com nome. É recomendada em menores de 4 anos, para diagnóstico diferencial e pesquisa de complicações, e a imagem característica é a do coração borrado ou franjado — as bordas da silhueta cardíaca perdem nitidez por causa dos infiltrados peri-hilares. Consolidação franca não é isso, e levanta pneumonia associada.

O diferencial tem duas camadas. A primeira é com infecções respiratórias agudas comuns: traqueobronquite, bronquiolite, adenovirose e laringite. A segunda é a síndrome coqueluchoide — o quadro clinicamente idêntico produzido por outro agente. O Guia nomeia Bordetella parapertussis, Mycoplasma pneumoniae, Chlamydia trachomatis, Chlamydia pneumoniae e adenovírus dos tipos 1, 2, 3 e 5; Bordetella bronchiseptica e avium são patógenos de animais e só acometem imunodeprimidos. A resposta a “qual agente causa quadro indistinguível de coqueluche” não é única, e a alternativa correta costuma oferecer o conjunto, não um nome isolado.

As complicações valem memorizadas por grupos, porque o enunciado gosta de misturar. Respiratórias: pneumonia pela própria bactéria e por outras etiologias, ativação de tuberculose latente, atelectasia, bronquiectasia, enfisema, pneumotórax e ruptura de diafragma. Neurológicas: encefalopatia aguda, convulsões, coma, hemorragias intracerebrais e subdural, estrabismo e surdez. E o grupo das consequências mecânicas do esforço: hemorragia subconjuntival, epistaxe, edema de face, úlcera do frênulo lingual e hérnias umbilical, inguinal e diafragmática.

A azitromicina e a aritmética do sexto mês

Macrolídeo é a primeira linha, e a hierarquia é declarada: azitromicina em primeira escolha, claritromicina em segunda, eritromicina em terceira. Sulfametoxazol-trimetoprima é alternativa para quem não tolera macrolídeo. Penicilinas e cefalosporinas não são eficazes contra a bactéria — a nota técnica de 2025 escreve isso com todas as letras, o que transforma amoxicilina e ceftriaxona em distratores de descarte imediato. A duração da azitromicina é de cinco dias em qualquer idade, e o tratamento e a quimioprofilaxia usam exatamente os mesmos esquemas.

A posologia da azitromicina esconde a aritmética mais cobrável do capítulo. Abaixo de 6 meses, a dose é 10 mg/kg por dia em dose única durante todos os cinco dias. De 6 meses em diante, é 10 mg/kg no primeiro dia e 5 mg/kg do segundo ao quinto. Multiplique: o lactente pequeno recebe 50 mg/kg no total do tratamento; a criança maior recebe 30 mg/kg. São 1,67 vez mais miligramas por quilo de um lado da linha do que do outro. Em duas crianças de 7 quilos separadas por dois dias de idade, isso é 350 miligramas contra 210 — e a alternativa que oferece “10 mg/kg no primeiro dia e 5 mg/kg nos seguintes” para um lactente de três meses está errada por uma conta, não por um conceito.

A nota técnica conjunta de 2025 reescreveu a tabela e partiu a faixa dos menores de 6 meses em duas: menores de 1 mês e 1 a 5 meses. A dose de azitromicina é a mesma nas duas, e a linha do sexto mês continua no mesmo lugar. A divisão não existe por causa da azitromicina, e sim porque as opções de segunda e terceira linha mudam de comportamento no primeiro mês de vida. Guardar a partição é útil porque enunciado que cite a nota de 2025 fala em “menores de 1 mês” onde o material antigo falava em “menores de 6 meses”.

Em adolescentes com 12 anos ou mais, ou peso igual ou superior a 45 quilos, e em adultos, o esquema é fixo: 500 mg no primeiro dia e 250 mg do segundo ao quinto — ou 500 mg por dia nos cinco dias, se faltar a apresentação de 250. Vale para qualquer idade a cautela com intervalo QT prolongado.

As três linhas de baixo, e os vãos que elas deixam abertos

A tabela do Guia, reproduzida sem alteração na nota das sociedades de fevereiro de 2025, tem três incoerências internas que decidem alternativa. Não são erros de digitação: são fronteiras de faixa etária que não conversam entre si, e a prova as encontra sozinha porque copia a tabela.

A primeira é um buraco. Na claritromicina, as faixas do Guia vão de “1 a 24 meses” direto para “3 a 6 anos”. A criança de dois anos e meio não tem linha, e quem tenta encaixá-la escolhe entre 62,5 mg de doze em doze horas, que são 125 mg por dia, e 125 mg de doze em doze horas, que são 250: o terceiro aniversário dobra a dose diária sem que a criança tenha ganhado peso proporcional. Pior, a linha “1 a 24 meses” troca a dose por quilo por uma dose fixa acima de 8 quilos, e então 125 mg diários equivalem a 15,4 mg/kg em quem pesa 8,1 quilos e a 8,9 mg/kg em quem pesa 14 — 1,7 vez menos por quilo dentro da mesma linha.

A segunda é uma sobreposição. Na eritromicina, as faixas são “1 a 24 meses”, com 125 mg de seis em seis horas, e “2 a 8 anos”, com 250 mg de seis em seis horas. Vinte e quatro meses são dois anos: a criança que acaba de completar dois anos cabe nas duas linhas, e uma entrega 500 mg por dia enquanto a outra entrega 1.000. É a mesma tabela mandando prescrever o dobro para o mesmo paciente, conforme a linha que o leitor achou primeiro.

A terceira é uma contradição. Na sulfametoxazol-trimetoprima, a primeira linha diz “menores de 2 meses: contraindicado” e a linha imediatamente abaixo prescreve dose para a faixa “de 6 semanas a 5 meses”. Seis semanas são quarenta e dois dias, menos de dois meses: o bebê de sete semanas está contraindicado e dosado na mesma tabela. A nota de 2025 corrigiu a redação para “bebês com 2 meses ou mais”. Quem estuda pelo Guia encontra a contradição; quem estuda pela nota, não.

A nota também trocou doses fixas por doses por quilo, e a diferença cresce com o peso. Na sulfa, o Guia entrega trimetoprima 40 mg por dia à faixa de 6 semanas a 5 meses — 10 mg/kg em quem pesa 4 quilos e 5,7 mg/kg em quem pesa 7; a nota fixa trimetoprima 8 mg/kg por dia e estende a duração de sete para quatorze dias. Na eritromicina, fixa 40 mg/kg por dia em quatro tomadas, que num pré-escolar de 12 quilos dá 480 mg diários contra os 1.000 mg da linha “2 a 8 anos” do Guia. E onde o Guia escreve, para menores de 1 mês, “não recomendado devido à associação com a síndrome de hipertrofia pilórica”, a nota passa a listar eritromicina como terceira escolha.

Quem toma antibiótico sem estar doente: a profilaxia mudou de arquitetura

Aqui há uma mudança de régua que inverte a lógica da resposta. No Guia, a profilaxia olha para o próprio contato: todo comunicante com menos de 1 ano, independentemente da situação vacinal; entre 1 e 7 anos, os não vacinados, de situação desconhecida ou com menos de quatro doses com componente pertussis; a partir de 7 anos, quem teve contato íntimo e prolongado ou contato com um comunicante vulnerável no mesmo domicílio; e quem trabalha em serviço de saúde ou com crianças.

Na nota técnica conjunta de 2025, que revoga a de 2024 e atualiza esse capítulo, a pergunta passa a ser sobre o domicílio, e a elegibilidade se restringe a três grupos. O Grupo 1 são as pessoas vulneráveis: crianças com menos de 1 ano, independentemente da situação vacinal, e pessoas com condições que a coqueluche possa exacerbar, como imunocomprometidos e portadores de asma moderada a grave. O Grupo 2 são os contatos domiciliares — familiares, babás, cuidadores, quem passa a noite no mesmo quarto — que convivem no mesmo ambiente de alguém do Grupo 1, com profilaxia independentemente da situação vacinal. O Grupo 3 reúne quem tem alto potencial de transmitir a vulneráveis: gestantes a partir da 32ª semana não vacinadas na gestação atual, profissionais de saúde que assistem pessoas do Grupo 1 mesmo se vacinados, e quem convive ou trabalha em creches que atendem menores de 1 ano.

A diferença cabe em duas vinhetas simétricas. Criança de 3 anos com duas doses de penta, contato domiciliar do irmão de 8 anos com coqueluche, sem lactente, gestante ou imunocomprometido na casa: recebe profilaxia pelo Guia, por ter entre 1 e 7 anos e menos de quatro doses; não recebe pela nota, porque a casa não tem ninguém do Grupo 1 — e a nota diz expressamente que os contatos fora do quadro não são elegíveis, mantêm a rotina e são apenas monitorados. O inverso também acontece: o irmão de 3 anos com calendário completo que mora com um lactente de 4 meses doente não recebia pelo Guia, por ter quatro doses, e recebe pela nota, por conviver com um vulnerável.

Os prazos valem decorados. Contato é a pessoa de convivência próxima e prolongada — exposição a até 1 metro e por mais de 1 hora, em ambiente fechado — ou que teve contato direto com secreções, no período de 21 dias a partir do início da tosse do caso índice. A profilaxia é feita o quanto antes, dentro de 21 dias da exposição, contando-se a mais recente quando houver mais de uma, e todos os contatos próximos, elegíveis ou não, são monitorados por 21 dias. Não se repetem ciclos: quem já fez profilaxia e se expõe de novo é monitorado, e se adoecer passa a caso suspeito, notificado e tratado.

Duas situações especiais fecham o bloco. Recém-nascido filho de mãe que não fez ou não completou o tratamento adequado deve receber quimioprofilaxia. E mulheres no último mês de gestação ou puérperas que tiveram contato com caso e apresentem tosse por cinco dias ou mais recebem tratamento, não profilaxia — junto com o recém-nascido, que também é tratado. A inversão é o que a prova cobra: a tosse por cinco dias transforma a comunicante em caso, e caso se trata.

Isolamento, afastamento e o intervalo que atrasa a vacina

As medidas não farmacológicas têm duas contagens que competem, e a diferença chega a duas semanas de escola. Pela nota de 2025, o paciente não hospitalizado é afastado de creche, escola ou trabalho por pelo menos cinco dias após o início do antibiótico, ou por até 21 dias após o início da tosse se não tratado. Pelo Guia, a segunda hipótese é três semanas após o início dos paroxismos — e como a fase catarral dura de uma a duas semanas, isso pode significar quatro ou cinco semanas desde o primeiro sintoma. Para a mesma criança não tratada, uma régua libera no vigésimo primeiro dia de tosse e a outra ainda a mantém em casa.

No hospital, a orientação é quarto individual com a porta fechada e precaução para gotículas por cinco dias de antibiótico; paciente e acompanhante usam máscara cirúrgica se precisarem sair, e quem circula no quarto usa máscara e higieniza as mãos. Fora do hospital, o caso evita contato com gestantes, bebês e crianças pequenas e usa máscara em ambientes fechados, pelo mesmo prazo.

A notificação é imediata e tem endereço. A Lista Nacional de Notificação Compulsória vigente coloca a coqueluche entre as doenças de notificação imediata, em até 24 horas, para a secretaria estadual e para a secretaria municipal — e não para o Ministério, coluna reservada a botulismo, cólera e covid-19, entre outras. Ela nasce da suspeita clínica e não depende de laboratório. A área fica sob vigilância por 42 dias após o último caso, prazo do período máximo de incubação já observado, embora a incubação habitual seja de 5 a 10 dias.

A vacinação depois do episódio ganhou uma regra nova e contraintuitiva. Considerando o período de incubação, a nota de 2025 recomenda que casos e contatos elegíveis para vacinação recebam a vacina com intervalo mínimo de 15 dias após a conclusão do antibiótico ou da profilaxia; se o contato desenvolver sintomas, adia-se até o resultado laboratorial ou o fim da investigação. Material anterior a 2025 afirma o oposto — que a profilaxia não contraindica a vacinação —, e essa frase ainda circula.

A mesma nota revogou a vacinação seletiva com dTpa para contatos a partir de 7 anos, instituída em 2024. A vacinação seletiva de menores de 7 anos com esquema ausente, incompleto ou desconhecido permanece: inicia-se com penta quem não tem esquema, completa-se com penta, DTP, penta acelular ou hexa quem tem esquema incompleto — e a janela do componente pertussis vai até 6 anos, 11 meses e 29 dias.

Surto: a mesma criança muda de lado da definição

Em surto ou epidemia, a definição de caso suspeito é deliberadamente afrouxada, e o que sai dela é justamente a lista de sintomas. Passa a ser suspeito todo indivíduo com menos de 6 meses que apresente tosse há dez dias ou mais, e todo indivíduo com 6 meses ou mais que apresente tosse há 14 dias ou mais — sem exigir paroxismo, guincho ou vômito pós-tosse, e independentemente da situação vacinal. A criança de 8 anos com tosse seca há vinte dias, que em situação endêmica não fecha definição alguma, vira caso suspeito assim que o surto é declarado. E todo comunicante íntimo de caso que atenda à definição de surto também é considerado suspeito e recebe tratamento.

As três definições de surto têm números próprios. Domiciliar: dois ou mais casos num domicílio, um confirmado por critério laboratorial e o outro por qualquer um dos três, dentro de 42 dias. Institucional: dois ou mais casos, ao menos um laboratorial, no mesmo intervalo de 42 dias e no mesmo espaço de convívio, com evidência de transmissão local em pelo menos um deles — vale para escolas, creches, serviços de saúde, alojamentos e presídios. Comunitário: casos confirmados, incluindo ao menos um laboratorial, acima do esperado para o local e o tempo segundo a série histórica.

A coleta também muda de regra. Em surto domiciliar, todos os sintomáticos têm amostra de nasofaringe coletada para cultura. Em surto institucional ou comunitário, coleta-se de quem atenda à definição de suspeito da situação endêmica — a inversão que confunde: a definição frouxa dimensiona o surto, mas o laboratório segue a estrita. Colhe-se preferencialmente 48 horas antes de iniciar tratamento ou profilaxia, e envia-se 10% das amostras ao laboratório de referência nacional para reação em cadeia da polimerase e análise genotípica.

Duas figuras completam o vocabulário. O portador é o indivíduo sem sinais nem sintomas sugestivos, mas com isolamento da bactéria por cultura ou identificação por reação em cadeia da polimerase — e ele recebe quimioprofilaxia, porque carrega o agente e o dissemina. E o tossidor identificado entre os comunicantes vulneráveis deixa de ser contato e passa a caso suspeito: é notificado e tratado independentemente do resultado laboratorial, com coleta preferencialmente antes do antibiótico. A consequência é direta na investigação domiciliar: o pai que tosse há dez dias não entra na conta da profilaxia, porque não é contato — é caso.

04

Da vinheta à conduta: seis perguntas na ordem em que resolvem

Quase toda questão do tema se resolve sem discutir diagnóstico diferencial, porque o diagnóstico costuma vir dado no enunciado. O que decide a alternativa é outra coisa: a idade da criança, o número de dias de tosse, qual documento a banca está citando e quem mais mora na casa. Responda nesta ordem.

  1. 11. Conte os dias de tosse e olhe a idade. Menos de 6 meses precisa de dez dias ou mais; 6 meses ou mais precisa de quatorze. A lista de sintomas que acompanha também muda: seis itens abaixo de 6 meses, três a partir dali. Se não fecha, procure a cláusula de forte suspeita clínica ou o vínculo com caso confirmado por laboratório, que dispensa prazo.
  2. 22. Veja se há surto declarado no enunciado. Em surto, a definição perde a exigência de sintoma acompanhante e só cobra a duração da tosse — e o comunicante íntimo de um caso que atende à definição de surto passa a ser tratado, não profilaxado.
  3. 33. Decida o exame pelo que o enunciado pede. Padrão-ouro ou exame recomendado pelo Ministério da Saúde é a cultura de secreção de nasofaringe. Maior sensibilidade na janela é a reação em cadeia da polimerase. Cultura de orofaringe está errada pelo sítio. Sorologia não é critério de confirmação no Brasil.
  4. 44. Trate antes do resultado, e escolha a linha pela idade. Azitromicina em cinco dias sempre. Abaixo de 6 meses, 10 mg/kg por dia nos cinco dias; de 6 meses em diante, 10 mg/kg no primeiro dia e 5 mg/kg do segundo ao quinto. Penicilina e cefalosporina não cobrem a bactéria.
  5. 55. Monte o domicílio antes de decidir a profilaxia. Pergunte quem é vulnerável — menor de 1 ano, imunocomprometido, asma moderada ou grave. Se há um vulnerável na casa, todos os contatos domiciliares recebem profilaxia, qualquer que seja a situação vacinal. Se não há, só entram os do Grupo 3: gestante a partir da 32ª semana não vacinada nesta gestação, profissional de saúde que assiste vulneráveis e quem convive em creche que atende menores de 1 ano.
  6. 66. Separe contato de caso. Comunicante que tosse não recebe profilaxia — recebe tratamento, é notificado e tem material colhido. Puérpera ou gestante de último mês com tosse por cinco dias ou mais entra na mesma regra, e o recém-nascido dela também é tratado.
  7. 77. Feche com as medidas de vigilância. Notificação imediata em até 24 horas para as secretarias estadual e municipal. Afastamento por cinco dias de antibiótico, ou pelo prazo sem tratamento que o documento citado usar. Monitoramento dos contatos por 21 dias. Vacinação, se indicada, quinze dias após o fim do antibiótico ou da profilaxia.

A conta que o sexto mês faz na azitromicina

Abaixo de 6 meses: 10 mg/kg por dia durante cinco dias, total de 50 mg/kg. De 6 meses em diante: 10 mg/kg no primeiro dia mais 5 mg/kg em quatro dias, total de 30 mg/kg. A razão é 1,67. Em duas crianças de 7 quilos, 350 miligramas contra 210. A duração não muda — o que muda é a dose diária a partir do segundo dia.

Os três defeitos de fronteira da tabela do Guia

Claritromicina: as faixas vão de 1 a 24 meses direto para 3 a 6 anos, deixando a criança de dois anos e meio sem linha, e o terceiro aniversário dobra a dose diária de 125 para 250 miligramas. Eritromicina: as faixas 1 a 24 meses e 2 a 8 anos se sobrepõem em 24 meses, com 500 e 1.000 miligramas diários para o mesmo paciente. Sulfametoxazol-trimetoprima: contraindicado abaixo de 2 meses na primeira linha, com dose prescrita a partir de 6 semanas na linha seguinte.

Dose fixa na tabela: quem recebe mais por quilo

Claritromicina de 1 a 24 meses acima de 8 quilos é 125 miligramas por dia, fixos: 15,4 mg/kg em quem pesa 8,1 quilos e 8,9 mg/kg em quem pesa 14 — 1,7 vez menos por quilo na mesma linha. Sulfametoxazol-trimetoprima de 6 semanas a 5 meses entrega trimetoprima 40 miligramas por dia: 10 mg/kg no bebê de 4 quilos e 5,7 mg/kg no de 7. A nota de 2025 troca as duas por dose por quilo, 15 e 8 mg/kg por dia, e estende a sulfa de sete para quatorze dias.

Quem recebe profilaxia pela régua de 2025

Grupo 1, vulneráveis: menores de 1 ano, imunocomprometidos, asma moderada ou grave e outras pneumopatias. Grupo 2, contatos domiciliares que convivem com alguém do Grupo 1 — independentemente da situação vacinal. Grupo 3, alto potencial de transmitir: gestante a partir da 32ª semana não vacinada nesta gestação, profissional de saúde que assiste vulneráveis, e quem convive ou trabalha em creche que atende menores de 1 ano. Quem não está nos três grupos é monitorado por 21 dias e mantém a rotina.

Os números da vigilância, em um bloco

Incubação de 5 a 10 dias, faixa de 4 a 21, raramente até 42. Transmissibilidade do quinto dia da exposição até a terceira semana dos paroxismos, e até 4 a 6 semanas de tosse no menor de 6 meses. Contato: até 1 metro, mais de 1 hora, ambiente fechado, dentro de 21 dias do início da tosse do caso. Profilaxia em até 21 dias da exposição. Monitoramento por 21 dias. Área sob vigilância por 42 dias. Surto domiciliar e institucional: intervalo máximo de 42 dias entre os casos.

Definição de caso suspeito em situação endêmica: o que muda aos 6 meses

ItemMenos de 6 meses6 meses ou mais
Duração mínima da tosseDez dias ou maisQuatorze dias ou mais
Tipo de tosse exigidoTosse de qualquer tipoTosse de qualquer tipo
Sintomas que servem de gatilhoTosse paroxística, guincho inspiratório, vômitos pós-tosse, cianose, apneia e engasgoTosse paroxística, guincho inspiratório e vômitos pós-tosse
Situação vacinalIrrelevante para a definiçãoIrrelevante para a definição
Definição de surtoTosse há dez dias ou mais, sem exigir sintoma acompanhanteTosse há quatorze dias ou mais, sem exigir sintoma acompanhante
Caminho que dispensa prazoTosse em qualquer período com contato próximo de caso confirmado por laboratórioTosse em qualquer período com contato próximo de caso confirmado por laboratório

Tratamento e quimioprofilaxia: os dois documentos lado a lado

FaixaGuia de Vigilância em Saúde, 6ª edição revisadaNota técnica conjunta de 2025
Azitromicina abaixo de 6 meses10 mg/kg em dose única diária por 5 dias, declarada preferida na faixaMesma dose, com a faixa partida em menores de 1 mês e 1 a 5 meses
Azitromicina de 6 meses a 12 anos10 mg/kg no 1º dia, máximo 500 mg, e 5 mg/kg do 2º ao 5º, máximo 250 mg10 mg/kg como dose única no 1º dia e 5 mg/kg do 2º ao 5º dia
Claritromicina abaixo de 1 mêsNão recomendadoNão recomendado
Claritromicina de 1 a 24 meses7,5 mg/kg de 12/12h se até 8 kg; 62,5 mg de 12/12h se acima de 8 kg, por 7 dias15 mg/kg/dia em 2 doses por 7 dias, sem corte por peso
Eritromicina abaixo de 1 mêsNão recomendado, pela associação com a síndrome de hipertrofia pilórica40 mg/kg/dia em 4 doses fracionadas, por 14 dias
Eritromicina de 1 a 24 meses125 mg de 6/6h por 7 a 14 dias40 mg/kg/dia em 4 doses fracionadas, por 14 dias até 5 meses e 7 a 14 dias a partir de 6
Sulfametoxazol-trimetoprima, limite inferiorContraindicado abaixo de 2 meses; dose prescrita a partir de 6 semanasContraindicado abaixo de 2 meses, sem faixa que comece antes disso
Sulfametoxazol-trimetoprima, esquemaDoses fixas por faixa, de 12/12h, por 7 diasSulfametoxazol 40 mg/kg/dia e trimetoprima 8 mg/kg/dia, 2 doses, por 14 dias
Quem recebe quimioprofilaxiaPor idade e número de doses do próprio contatoPor vulnerabilidade: três grupos prioritários e elegíveis
Afastamento sem tratamentoTrês semanas após o início dos paroxismosAté 21 dias após o início da tosse
Vacinar depois do antibióticoSem intervalo declaradoIntervalo mínimo de 15 dias após concluir antibiótico ou profilaxia

A nota de 2025 lista, entre as recomendações do Guia que atualiza, a troca do termo comunicante por contato próximo, a nova definição de grupos elegíveis para profilaxia, a estratégia de rastreamento e monitoramento e as medidas não farmacológicas. A mudança da eritromicina em menores de 1 mês não aparece nessa lista, mas está na tabela nova.

A nota técnica das sociedades de pediatria e de imunizações, de fevereiro de 2025, reproduz a tabela do Guia sem alteração — inclusive o buraco da claritromicina, a sobreposição da eritromicina e a contradição da sulfa. Material de sociedade não é necessariamente mais novo que material do Ministério.

Tratamento e quimioprofilaxia usam o mesmo esquema, a mesma droga e a mesma duração. A pergunta nunca é qual antibiótico usar no contato; é se aquele contato deve receber alguma coisa.

O hemograma sugere e não confirma, e sua ausência não descarta: em lactentes, vacinados e quadros atípicos pode não haver linfocitose. A confirmação clínica analisa em conjunto sintomas, idade, situação vacinal, tempo de tosse e hemograma, e essas variáveis não são excludentes entre si.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Eritromicina em menores de 1 mês de idade

Não recomendada, pelo risco de estenose hipertrófica de piloro

O quadro do Guia escreve, na linha dos menores de 1 mês, “não recomendado devido à associação com a síndrome de hipertrofia pilórica”, e o texto corrido reforça que a eritromicina ainda poderá ser usada, mas é contraindicada para menores de 1 mês de idade e nas situações de intolerância ou dificuldade de adesão. O mesmo trecho registra que, embora não haja confirmação da associação entre azitromicina e hipertrofia pilórica, a criança deve ser acompanhada.

Brasil. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, volume 1, 6ª edição revisada, 2024, capítulo Coqueluche, Quadro 1 e seção Tratamento.

Listada como terceira escolha, 40 mg/kg/dia em quatro doses por 14 dias

A tabela que substitui a do Guia traz, na linha “< 1 mês”, azitromicina como primeira escolha, claritromicina como não recomendada e eritromicina 40 mg/kg/dia em quatro doses fracionadas por quatorze dias como terceira escolha, sem repetir a ressalva sobre hipertrofia pilórica. A lista de recomendações que a nota declara atualizar no capítulo do Guia não menciona essa alteração.

Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 165/2025-DPNI/SVSA/MS, Quadro 1.

Na prova

As duas posições convivem no mesmo órgão, e o que denuncia o recorte é a fonte citada no enunciado. Questão que diga “conforme o Guia de Vigilância em Saúde” está na régua antiga, e ali eritromicina abaixo de 1 mês é alternativa a descartar por contraindicação declarada. Questão que cite a nota técnica de 2025 ou que fale em terceira escolha está na régua nova. Em qualquer das duas, a azitromicina permanece a primeira escolha nessa faixa, então a alternativa correta raramente muda — o que muda é o motivo pelo qual a eritromicina é rejeitada: contraindicação num documento, terceira linha com dose específica no outro. Desconfie sempre que a alternativa trouxer eritromicina com dose diferente de 40 mg/kg/dia: aí ela erra pela posologia, e não pela faixa etária.

Quem entre os contatos domiciliares recebe quimioprofilaxia

Pela idade e pelo número de doses do próprio contato

O Guia indica profilaxia para comunicantes com menos de 1 ano independentemente da situação vacinal; entre 1 e 7 anos, para os não vacinados, com situação desconhecida ou com menos de quatro doses de vacina com componente pertussis; a partir de 7 anos, para quem teve contato íntimo e prolongado no período de 21 dias que precedeu os sintomas do caso até três semanas após o início da fase paroxística, ou para quem teve contato com um comunicante vulnerável no mesmo domicílio; e para quem trabalha em serviço de saúde ou com crianças.

Brasil. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, volume 1, 6ª edição revisada, 2024, capítulo Coqueluche, seção Quimioprofilaxia.

Pela presença de uma pessoa vulnerável no ambiente

A nota restringe a profilaxia a três grupos prioritários: pessoas vulneráveis, contatos domiciliares que residem ou convivem no mesmo ambiente de um vulnerável, e pessoas com elevado potencial de transmitir a vulneráveis. Sobre o segundo grupo, escreve que a recomendação vale independentemente da situação vacinal; sobre os demais, que os contatos próximos não enquadrados no quadro não são elegíveis e podem manter suas atividades de rotina, sendo apenas monitorados.

Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 165/2025-DPNI/SVSA/MS, Quadro 2 e item 3.5.

Na prova

As duas réguas concordam na vinheta mais comum — o domicílio com um lactente menor de 1 ano —, porque ali todo mundo recebe profilaxia pelos dois caminhos. Elas se separam em duas situações que a prova ainda explora pouco. A primeira é o pré-escolar com esquema incompleto numa casa sem nenhum vulnerável: recebe pelo Guia, não recebe pela nota. A segunda é o irmão com calendário completo numa casa com lactente doente: não recebia pelo Guia, por ter quatro doses, e recebe pela nota, por conviver com vulnerável. Quando o enunciado descreve minuciosamente quem mora na casa e a idade de cada um, está usando a régua de 2025 — a descrição do domicílio só faz falta na régua que olha para o domicílio.

Dose de reforço de dTpa no adolescente

Não introduzir no calendário nacional

A nota registra o consenso de não introduzir a dose de reforço em adolescentes no Brasil neste momento, com dois argumentos: as vacinas de pertussis acelular não impedem a colonização da orofaringe pela bactéria nem modificam a dinâmica populacional da doença como as de células inteiras, e nos países que introduziram o reforço no adolescente não se observou redução da incidência em menores de 1 ano, grupo em que se concentraram os óbitos de 2024. A mesma decisão revogou a vacinação seletiva com dTpa para contatos a partir de 7 anos.

Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 165/2025-DPNI/SVSA/MS, item 3.5.3.3 e Considerações Finais, referindo a Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações de novembro de 2024.

Reforço na adolescência e a cada dez anos por toda a vida

As duas sociedades recomendam, além das três doses primárias e dos dois reforços, uma dose de reforço na adolescência com dTpa e depois uma a cada dez anos, inclusive para adultos e maiores de 60 anos, admitindo reforços a partir de cinco anos da última dose conforme o cenário epidemiológico. As idades do reforço adolescente não coincidem entre elas: a Sociedade Brasileira de Imunizações indica entre 9 e 11 anos e a Sociedade Brasileira de Pediatria, entre 13 e 15 anos.

Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Imunizações. Nota Técnica nº 190, de 13 de fevereiro de 2025 — Coqueluche, atualização, seção Recomendações de vacinação.

Na prova

São três posições, não duas, e a diferença de finalidade explica todas. Questão de prova de residência ancorada em política pública — que fale em calendário nacional, Programa Nacional de Imunizações, sala de vacina ou disponibilidade no Sistema Único de Saúde — segue o Ministério: na adolescência, o reforço previsto é a dupla adulto a cada dez anos, e a dTpa fica restrita a gestantes e a grupos ocupacionais definidos. Questão que peça a recomendação de sociedade, ou que descreva uma clínica privada, admite o reforço com dTpa. E o argumento do não introduzir é conteúdo cobrável por si só: a vacina acelular protege o vacinado da doença grave, mas não bloqueia a colonização, e por isso o contato vacinado continua elegível para quimioprofilaxia.

06

Caso resolvido

Lactente de 3 meses, 6 kg, é levado ao pronto-socorro por tosse há 11 dias. Começou com coriza e tosse leve sem febre; há quatro dias os acessos ficaram intensos e sucessivos, seguidos de guincho inspiratório, cianose perioral e vômitos, com recuperação completa entre as crises. Recebeu apenas a primeira dose de penta. Ao exame: afebril, frequência respiratória de 44, saturação de 96% em ar ambiente, ausculta pulmonar sem ruídos adventícios. Hemograma com 31 mil leucócitos e 72% de linfócitos; radiografia com infiltrado peri-hilar sem consolidação. Em casa moram o pai, a mãe — gestante de 30 semanas, vacinada com dTpa na 22ª semana — e uma irmã de 5 anos com calendário completo e tosse seca há três semanas.
O caso fecha a definição por dois caminhos, e nenhum deles é o hemograma
Ele tem menos de 6 meses e tosse há onze dias, portanto acima do mínimo de dez, com três dos seis sintomas da lista dessa faixa: paroxismo, guincho e vômito pós-tosse, além da cianose. E há um segundo caminho independente, que dispensa qualquer prazo: tosse com história de contato próximo de caso. Os 31 mil leucócitos com 72% de linfócitos são exatamente o esperado da fase paroxística, mas entram como exame complementar indicativo — se viessem normais, o caso continuaria sendo suspeito.
Colher e prescrever na mesma consulta, nesta ordem
Swab de nasofaringe em meio Regan-Lowe, com haste flexível de dacron, nylon, rayon, alginato de cálcio ou flocada, jamais de algodão, e envio ao laboratório central sob refrigeração de 2 a 8 graus, protegido da luz, em até seis horas e no máximo em 72. A azitromicina começa em seguida, sem esperar resultado: com 3 meses de idade ele está abaixo dos 6 meses, então são 10 mg/kg por dia em dose única durante os cinco dias — 60 miligramas por dia neste peso, 300 no total. O esquema de 10 e depois 5 mg/kg pertence a quem já fez 6 meses.
A irmã não é contato: é caso
Tosse seca há três semanas numa criança de 5 anos, contato próximo de caso, é a apresentação atípica do vacinado — sem paroxismo, sem guincho, sem vômito. Ela preenche a definição de suspeito pela duração, com 6 meses ou mais e tosse há quatorze dias ou mais, se apresentar um dos três sintomas da faixa; e preenche pelo vínculo epidemiológico com o irmão assim que ele for confirmado por laboratório. Colhe-se material dela também, e ela é tratada com azitromicina — 10 mg/kg no primeiro dia e 5 mg/kg do segundo ao quinto —, não profilaxada. Como caso, ela também entra na contagem do surto domiciliar.
O domicílio tem um vulnerável, e é ele que decide a profilaxia dos demais
O lactente de 3 meses é do Grupo 1. Isso coloca pai e mãe no Grupo 2, contatos domiciliares que convivem com um vulnerável, independentemente da situação vacinal — e portanto ambos recebem azitromicina, 500 miligramas no primeiro dia e 250 do segundo ao quinto. A mãe entraria de qualquer modo pelo Grupo 2, mas não pelo Grupo 3: ela está com 30 semanas, abaixo do corte de 32, e foi vacinada nesta gestação. O detalhe é o que a prova cobra, porque a resposta certa pelo motivo errado sobrevive à vinheta e morre na próxima.
Fechar com vigilância, isolamento e o intervalo da vacina
Notificação imediata, em até 24 horas, às secretarias estadual e municipal, com ficha de investigação própria e sem esperar laboratório. Precaução para gotículas em quarto individual por cinco dias de antibiótico se ele for internado; a irmã sai da escola por pelo menos cinco dias após iniciar o antibiótico. Todos os contatos são monitorados por 21 dias a partir da última exposição. Dois casos no mesmo domicílio dentro de 42 dias, com um confirmado por laboratório, configuram surto domiciliar — e aí todos os sintomáticos da casa têm amostra colhida. A segunda dose de penta do lactente, quando ele completar 4 meses, respeita o intervalo mínimo de quinze dias após o fim do antibiótico.
07

Agora feche você

Menina de 7 anos é atendida na unidade básica com tosse há 18 dias, em acessos, com vômito ocasional depois das crises, afebril desde o início e com ausculta normal. Calendário vacinal completo para a idade, incluindo os dois reforços com DTP. Mora com os pais, ambos hígidos e assintomáticos, e com um irmão de 4 anos que tem asma persistente moderada em uso de corticoide inalatório. Não há lactentes nem gestantes no domicílio. O hemograma mostra 11 mil leucócitos com 45% de linfócitos. Não há surto declarado no território.
Diga se ela é caso suspeito, com o número e a lista corretos
Escreva a definição da faixa dela com as palavras da fonte: qual é a duração mínima de tosse exigida a partir dos 6 meses e quais são os três sintomas que servem de gatilho nessa faixa. Depois mostre o encaixe item a item e diga por que a lista dela é menor que a do lactente. Explique, em uma frase, por que a ausência de guincho não a tira da definição.
Resolva o hemograma sem deixá-lo decidir
Compare os 11 mil leucócitos e os 45% de linfócitos com os valores que o Guia descreve para a fase paroxística e diga por que o resultado dela é compatível com a doença mesmo estando fora daquela faixa. Nomeie os três grupos em que o documento admite que a linfocitose pode faltar e diga em qual deles ela se enquadra. Feche dizendo o estatuto do hemograma na confirmação e no descarte.
Decida a profilaxia da casa pelas duas réguas, separadamente
Pela régua do Guia, avalie cada morador por idade e número de doses e diga quem recebe. Pela régua de 2025, identifique se há alguém no Grupo 1 e justifique com o critério clínico exato que a condição do irmão preenche; depois classifique pai e mãe. Diga se as duas réguas chegam ao mesmo resultado nesta casa e qual delas você citaria se o enunciado mencionasse a nota técnica de 2025.
Escreva a receita completa dos que forem elegíveis
Para o irmão de 4 anos, dê droga, dose por quilo, número de tomadas e duração, dizendo de qual faixa da tabela você tirou o esquema. Para os adultos, dê o esquema de apresentação fixa. Diga qual é o prazo máximo, contado da exposição, dentro do qual a profilaxia ainda deve ser feita, e o que se faz com quem passou desse prazo.
Feche a vigilância e diga o que muda se o território declarar surto
Escreva o prazo e o destinatário da notificação, o tempo de afastamento escolar dela nas duas hipóteses — tratada e não tratada — pelos dois documentos, e o tempo de monitoramento dos contatos. Depois refaça a primeira pergunta na hipótese de surto declarado: o que sai da definição de caso suspeito e o que passa a acontecer com o comunicante íntimo dela.
08

Onde a banca derruba

  1. 1Descartar coqueluche porque o hemograma veio sem linfocitose O Guia afirma que a presença de leucocitose com linfocitose confere forte suspeita clínica, mas que a ausência não exclui o diagnóstico, e nomeia os grupos em que a linfocitose pode faltar: lactentes, vacinados e quadros atípicos. Na seção de confirmação, repete que o hemograma é indicativo e não determinante na confirmação nem no descarte, porque a situação vacinal influencia o resultado. Um lactente de dois meses com 9 mil leucócitos, tosse paroxística e apneia continua sendo caso suspeito e continua sendo tratado.
  2. 2Aceitar cultura de orofaringe como resposta correta A alternativa costuma vir com o nome certo do meio de cultura, Bordet-Gengou ou Regan-Lowe, e o sítio errado. O Guia explica o porquê: a bactéria tem tropismo pelo epitélio respiratório ciliado, de modo que a cultura deve ser feita a partir da secreção nasofaríngea. A coleta se faz introduzindo o swab por uma narina até a parede posterior da nasofaringe, com movimentos rotatórios por 10 a 20 segundos. Cultura de orofaringe, aspirado traqueal de rotina e hemocultura não têm lugar — a doença é de mucosa respiratória, sem bacteremia.
  3. 3Esperar o resultado do exame para começar o antibiótico O documento é explícito: os macrolídeos são indicados antes que os resultados laboratoriais sejam recebidos, e quando administrados na fase catarral podem amenizar os sinais e sintomas. A regra da coleta é o inverso — ela é que precisa vir antes, ou no máximo dentro de três dias de antibiótico, porque depois disso a cultura perde o que ainda tinha de sensibilidade. A sequência correta em vinheta de emergência é colher e prescrever na mesma consulta, com precaução para gotículas iniciada de imediato.
  4. 4Prescrever profilaxia ao comunicante que já está tossindo Tossidor identificado entre os comunicantes vulneráveis é caso suspeito, não contato: deve ser notificado e tratado independentemente do resultado laboratorial, com coleta de material de nasofaringe preferencialmente antes do antibiótico. A regra tem uma versão específica para o pós-parto: mulher no último mês de gestação ou puérpera que teve contato com caso e apresenta tosse por cinco dias ou mais recebe tratamento, e o recém-nascido dela também. Como o esquema é o mesmo, o erro não muda a receita — muda a notificação, a coleta e a contagem do surto.
  5. 5Aplicar a regra “todos os contatos domiciliares” sem olhar quem mora na casa A frase circula como se fosse incondicional, e ela não é. Pela nota técnica de 2025, os contatos domiciliares formam o Grupo 2 justamente por conviverem com alguém do Grupo 1 — e é essa convivência que dispensa a situação vacinal. Numa casa sem menor de 1 ano, sem imunocomprometido e sem asma moderada a grave, os contatos domiciliares que não pertençam ao Grupo 3 não são elegíveis: mantêm a rotina e são monitorados por 21 dias. Em quase toda vinheta de prova existe um lactente ou uma gestante na casa, e por isso a frase incondicional acerta por acidente.
  6. 6Confundir a gestante que se vacina com a gestante que recebe profilaxia São duas idades gestacionais diferentes no mesmo assunto. A dTpa é aplicada em toda gestação a partir da 20ª semana, independentemente do histórico vacinal, e no puerpério o mais precocemente possível para quem perdeu a oportunidade. A quimioprofilaxia do Grupo 3, na régua de 2025, alcança a gestante no último trimestre a partir da 32ª semana e não vacinada na gestação atual. A gestante de 30 semanas contato de um caso não entra pelo Grupo 3 — mas entra pelo Grupo 2 se houver um vulnerável no domicílio, que é o que costuma acontecer na vinheta.
  7. 7Contar o afastamento escolar pela régua errada Para o caso tratado, os dois documentos dizem a mesma coisa: pelo menos cinco dias após o início do antibiótico. Para o caso não tratado, a nota de 2025 conta até 21 dias do início da tosse e o Guia conta três semanas após o início dos paroxismos. Como a fase catarral dura de uma a duas semanas, a segunda régua pode manter a criança fora da creche por quatro ou cinco semanas desde o primeiro sintoma. Quando o enunciado der a data do início da tosse e a data em que ela virou paroxística, é porque a diferença entre as duas contagens é a pergunta.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

O quadro (tosse paroxística com guincho, apneia, cianose, vômitos pós-tosse e linfocitose acentuada em lactente não vacinado) é coqueluche (Bordetella pertussis). Além de tratar o caso com macrolídeo, indica-se quimioprofilaxia com azitromicina para TODOS os contatos próximos/domiciliares independentemente do estado vacinal, pois a vacina não confere imunidade completa/duradoura e a doença é grave em lactentes. Restringir a profilaxia só a sintomáticos falha em interromper a transmissão de assintomáticos/pré-sintomáticos. Vacinação de bloqueio é medida complementar, mas não substitui a quimioprofilaxia. A doença é altamente transmissível na fase catarral e paroxística inicial. Oseltamivir é para influenza, sem papel na coqueluche.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

Sorteando as questões…

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Plano de revisão

em 7 dias

Recite as duas definições de caso suspeito em situação endêmica dizendo, para cada faixa, o número de dias de tosse e a lista de sintomas — seis abaixo de 6 meses, três a partir dali —, e nomeie os três que desaparecem no sexto mês. Depois dê, sem consultar, os dois esquemas de azitromicina, e calcule a dose total em miligramas por quilo de cada um. Feche com os três grupos elegíveis para quimioprofilaxia pela nota de 2025 e com a pergunta que os organiza: quem é o vulnerável desta casa?

em 30 dias

Reconstrua as duas tabelas que decidem número. Primeiro a de tratamento: as quatro drogas em ordem de escolha, as faixas etárias de cada uma nos dois documentos, e os três defeitos de fronteira do Guia — o buraco entre 24 meses e 3 anos na claritromicina, a sobreposição em 24 meses na eritromicina e a contradição entre 6 semanas e 2 meses na sulfa. Depois a da vigilância: incubação, transmissibilidade, definição de contato com metro e hora, prazo de profilaxia, prazo de monitoramento e prazo de vigilância da área, dizendo qual deles usa 42 dias e por quê. Recite as três definições de surto com os respectivos requisitos laboratoriais. Feche explicando, em duas frases, por que a vacina acelular protege o vacinado e ainda assim não o dispensa da quimioprofilaxia — e o que isso tem a ver com a decisão de não introduzir o reforço no adolescente.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Chega ao pronto-socorro um lactente de 2 meses com tosse há duas semanas, trazido pela mãe, que tosse há um mês e não recebeu dTpa na gestação. Você tem à mão o cartão de vacinas, um hemograma e a possibilidade de colher swab de nasofaringe. Conduza o atendimento: caracterize a tosse com as perguntas que separam paroxismo de tosse comum, verifique se o caso fecha a definição pela faixa etária dele, decida o que colhe e em que ordem, prescreva o antibiótico com dose por quilo, levante quem mais mora na casa e explique à mãe, em linguagem que ela entenda, por que ela e as outras pessoas do domicílio vão tomar antibiótico mesmo sem estar doentes e por quanto tempo a criança precisará ficar isolada. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

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