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Coqueluche
A doença voltou trinta e quatro vezes maior em um ano, e mata concentrada num único mês de vida. Duas réguas nacionais convivem no tema: uma tabela de doses com um buraco, uma sobreposição e uma contradição, e uma quimioprofilaxia que trocou de pergunta — do cartão de vacina do contato para quem mais mora na casa.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Lactente de 45 dias, não vacinado, apresenta há 2 semanas tosse em acessos paroxísticos seguidos de guincho inspiratório e cianose, com vômitos pós-tosse e episódios de apneia. Entre as crises fica bem. Hemograma: leucocitose de 28.000/mm³ com linfocitose de 70%. Além do isolamento respiratório e do tratamento com azitromicina, qual medida de saúde pública é fundamental para os contatos domiciliares?
Como esse tema cai
Este capítulo cobre a coqueluche do reconhecimento clínico ao fechamento do caso pela vigilância: definição de caso suspeito e confirmado, diagnóstico laboratorial, esquemas de tratamento com dose por quilo, quimioprofilaxia dos contatos, isolamento e afastamento, e a conduta em surto. A régua nacional está em três documentos que precisam ser lidos juntos — o capítulo de coqueluche do Guia de Vigilância em Saúde, a nota técnica conjunta de 2025 do Programa Nacional de Imunizações, que atualiza parte dele, e a nota técnica de 2025 do laboratório central sobre coleta e transporte. Onde eles divergem, e divergem em pontos que mudam prescrição, o bloco de divergências mostra de que lado cada número está.
O calendário vacinal completo tem capítulo próprio nesta apostila, e é lá que estão os esquemas de penta e DTP por idade, as apresentações acelulares dos centros de referência e a vacinação da gestante em detalhe. Aqui a vacina entra só onde decide a conduta do caso: quem se vacina depois da profilaxia e com que intervalo, quem não se vacina mais, e por que a proteção do lactente de dois meses depende da dose que a mãe recebeu na gestação. Os eventos adversos do componente pertussis, incluindo a encefalopatia dos sete primeiros dias, pertencem ao capítulo de eventos adversos pós-vacinação.
Dois recortes ficam de fora. A abordagem geral da criança com tosse crônica, que é diferencial amplo e inclui asma, tuberculose e corpo estranho, não cabe aqui; a síndrome coqueluchoide aparece apenas como lista de agentes que produzem quadro indistinguível. E a bronquiolite viral aguda, o diferencial mais cobrado ao lado da coqueluche no lactente, tem capítulo próprio na apostila de Pneumologia Pediátrica — neste, ela entra somente pelo que a separa: a ausculta, a febre e o comportamento da criança entre as crises.
O que muda decisão
A doença que voltou, e o mês em que ela mata
A coqueluche saiu do radar da prova por quase uma década e voltou de uma vez. A página de situação epidemiológica do Ministério da Saúde registra 216 casos confirmados em 2023 e 7.440 em 2024 — trinta e quatro vezes mais em um ano —, com 1.479 até a semana epidemiológica 15 de 2025. O painel citado pela nota das sociedades de pediatria e de imunizações, extraído em janeiro de 2025, contava 6.504 notificados e incidência de 3,06 por 100 mil. Um conta confirmados, o outro notificados, e ambos vêm marcados como sujeitos a alteração: guarde a ordem de grandeza, não o algarismo.
A distribuição ensina mais que o total. O Paraná fechou 2024 com coeficiente de 21,89 por 100 mil, contra 10,43 da região Sul e 3,06 do país — sete vezes a média nacional num único estado. E a letalidade concentra-se de modo quase cirúrgico: dos 29 óbitos confirmados em 2024, 24 ocorreram em menores de 1 ano, com partição por mês de vida de 3 abaixo de 1 mês, 13 entre 1 e 2 meses, 3 entre 3 e 4, 3 entre 5 e 6, 1 entre 7 e 8 e 1 entre 9 e 10.
Some as duas primeiras faixas: 16 dos 24 óbitos, dois terços, ocorreram em crianças que ainda não tinham idade para ter mais de uma dose de vacina. O pico não está no recém-nascido, e sim no segundo mês de vida — a janela em que o anticorpo materno já caiu e a primeira dose de penta ainda não fez efeito. É essa janela que a vacinação da gestante a partir da 20ª semana existe para cobrir, e é ela que a quimioprofilaxia do contato menor de 1 ano protege.
Duas variáveis fecham a explicação. A transmissibilidade é altíssima: a nota das sociedades registra número de reprodução entre 15 e 17 e observa que em mais de 75% dos casos o contato reside com o infectado — o domicílio é o lugar da transmissão, e por isso toda vinheta descreve quem mora na casa. E a cobertura vacinal ficou abaixo da meta: 89,2% em menores de 1 ano e 86,39% no primeiro reforço, contra 95% pactuados. Uma doença com número de reprodução de 16 não tolera 10 pontos de cobertura faltando.
Três fases, e a que chega ao pronto-socorro é a segunda
O Guia de Vigilância em Saúde divide a doença em três fases com durações declaradas. A fase catarral dura de uma a duas semanas e é indistinguível de um resfriado: febre pouco intensa, mal-estar, coriza e tosse seca. A fase paroxística dura de duas a seis semanas e é a que produz o quadro reconhecível. A fase de convalescença persiste por duas a seis semanas e pode se arrastar por até três meses; nela, uma infecção respiratória qualquer reacende transitoriamente os paroxismos.
O paroxismo tem descrição literal no documento, e ela é útil porque a prova costuma parafraseá-la: crise súbita, incontrolável, rápida e curta, com cerca de cinco a dez tossidas em uma única expiração. Durante o acesso o paciente não consegue inspirar, apresenta protrusão da língua, congestão facial e eventualmente cianose, seguida de apneia e vômitos. Só então vem a inspiração profunda pela glote estreitada — o guincho. Os episódios podem chegar a 30 em 24 horas, com predomínio noturno.
A curva de transmissibilidade explica por que o antibiótico entra cedo. Para efeito de controle, o período de transmissão vai do quinto dia após a exposição até a terceira semana do início dos paroxismos; em lactentes menores de 6 meses pode se estender por quatro a seis semanas após o início da tosse. E a transmissibilidade cai de 95% na primeira semana, que é a fase catarral, para 50% na terceira, sendo praticamente nula na quinta. O paciente é mais contagiante exatamente quando ninguém suspeita dele, e quando chega guinchando já entregou metade do que tinha para entregar.
Duas apresentações fogem do molde. Em quem não foi adequadamente vacinado ou foi vacinado há mais de cinco anos, a doença aparece como tosse persistente sem paroxismo, sem guincho e sem vômito — é o adolescente que tosse há três semanas e contamina o irmão de dois meses. E no lactente abaixo de 6 meses a apresentação pode ser apneia, cianose, convulsão e parada respiratória, com desidratação pelos vômitos repetidos; nesse grupo o Guia exige hospitalização, isolamento e vigilância permanente.
A definição de caso tem duas réguas, e o sexto mês troca as duas de uma vez
Aqui está o vão mais rentável do tema, e ele passa despercebido porque as duas listas parecem a mesma coisa escrita duas vezes. Em situação endêmica, é caso suspeito quem tem menos de 6 meses e apresenta tosse de qualquer tipo há dez dias ou mais, associada a pelo menos um entre seis sintomas: tosse paroxística, guincho inspiratório, vômitos pós-tosse, cianose, apneia e engasgo. E é caso suspeito quem tem 6 meses ou mais e apresenta tosse de qualquer tipo há 14 dias ou mais, associada a pelo menos um entre três: tosse paroxística, guincho inspiratório e vômitos pós-tosse.
O aniversário de seis meses muda duas coisas ao mesmo tempo. A duração mínima da tosse sobe de dez para quatorze dias, e a lista de sintomas encolhe de seis para três — cianose, apneia e engasgo desaparecem. A consequência é contraintuitiva: o lactente de 5 meses e 29 dias com tosse há doze dias e apneia presenciada é caso suspeito por dois caminhos independentes; o de 6 meses e um dia, com o mesmo quadro, não é por nenhum — nem pela duração, que ainda não chegou a quatorze dias, nem pelo sintoma, que saiu da lista dele. A régua fica mais frouxa justamente onde a doença é menos grave.

O documento antecipa o incômodo e abre uma porta lateral: em situações excepcionais, havendo forte suspeita clínica do médico assistente, deve-se coletar o swab de nasofaringe e tratar adequadamente mesmo sem cumprir todos os critérios. Essa frase é o que salva a vinheta comum de lactente com oito dias de tosse paroxística e apneia — clinicamente óbvia, formalmente fora da definição. Há ainda um terceiro caminho, que dispensa qualquer prazo: é suspeito todo indivíduo que apresente tosse, em qualquer período, com história de contato próximo com caso confirmado por critério laboratorial.
A confirmação tem três critérios. O laboratorial é isolamento por cultura ou identificação por reação em cadeia da polimerase. O clínico-epidemiológico exige caso suspeito mais contato com caso confirmado por laboratório, no intervalo que vai do início do período catarral até três semanas após o início do paroxístico. O clínico fecha o suspeito que não atende aos dois anteriores, analisando em conjunto sintomas, idade, situação vacinal, tempo de tosse contra os 21 dias de transmissibilidade e hemograma — variáveis que o documento declara não excludentes entre si. Descartado é o suspeito que não se enquadra em nenhuma dessas situações.
Cultura, PCR e a palavra que decide a questão: nasofaringe
A prova brasileira pergunta o exame de duas maneiras, e cada uma tem resposta própria. Quando o enunciado pede o padrão-ouro ou o exame recomendado pelo Ministério da Saúde, a resposta é a cultura: o Guia a considera padrão-ouro, com especificidade de 100% e sensibilidade entre 12% e 60%, variando com antibioticoterapia prévia, duração dos sintomas, idade, estado vacinal, qualidade do meio, tipo de swab e tempo até o processamento. Quando pede o exame de maior sensibilidade na janela descrita, a resposta é a reação em cadeia da polimerase, que o mesmo documento aceita como critério de confirmação em pé de igualdade com a cultura.
Há um detalhe de redação que resolve a maior parte das questões antes da discussão de sensibilidade, e ele cabe em uma palavra. O Guia justifica o sítio de coleta: como a bactéria tem tropismo pelo epitélio respiratório ciliado, a cultura deve ser feita a partir da secreção nasofaríngea. Alternativa que ofereça cultura de secreção de orofaringe está errada pelo sítio, não pela acurácia — e é assim que aparece com frequência, disfarçada de resposta plausível por trazer o nome certo do meio de cultura ao lado do sítio errado.
O tempo de coleta é a segunda trava. O material deve ser colhido antes da antibioticoterapia eficaz — macrolídeo ou sulfametoxazol-trimetoprima — ou, se o tratamento já começou, com no máximo três dias de medicação; na investigação, prioriza-se quem ainda não iniciou o antibiótico, em casos com até quatro semanas de evolução. Nada disso significa esperar o resultado: o Guia é explícito ao dizer que os macrolídeos são indicados antes que os resultados laboratoriais sejam recebidos.
A nota técnica do laboratório central detalha o que faz a amostra prestar. O swab precisa ter haste ultrafina, flexível e estéril, de alginato de cálcio, dacron, nylon, rayon ou flocado; o de algodão comum contém substâncias tóxicas para a bactéria e não deve ser usado. O meio é o Regan-Lowe, ágar carvão com sangue desfibrinado e cefalexina. Colhe-se na parede posterior da nasofaringe com movimentos rotatórios por 10 a 20 segundos, e o material segue protegido da luz, entre 2 e 8 graus, preferencialmente em até seis horas e no máximo em 72.
A sorologia não fecha diagnóstico no Brasil: o Guia registra que não se dispõe de testes sorológicos adequados e padronizados e que os métodos em investigação têm limitações de interpretação. Alternativa com sorologia pareada, imunoglobulina M anti-pertussis ou imunoglobulina G antitoxina pertussis é distrator em qualquer vinheta que siga a régua nacional — e engana bem, porque em outros países a sorologia tem lugar definido na fase tardia.
Hemograma e radiografia: indicativos, nunca determinantes
O leucograma é o exame que mais aparece em enunciado e o que mais é lido errado, e os números do Guia são específicos por fase. No período catarral ocorre linfocitose relativa e absoluta, geralmente acima de 10 mil linfócitos por milímetro cúbico, e os leucócitos totais ao final dessa fase costumam ultrapassar 20 mil. No paroxístico, podem chegar a 30 mil ou 40 mil, com linfocitose de 60% a 80%. Um hemograma com 32 mil leucócitos e 70% de linfócitos num lactente afebril com ausculta limpa é o achado esperado, não uma pista de leucemia.
A frase que vale mais que os números vem em seguida: a presença de leucocitose com linfocitose confere forte suspeita clínica, mas a ausência não exclui o diagnóstico — e o documento nomeia quem falha: em lactentes, em vacinados e em quadros atípicos pode não haver linfocitose. Na seção de confirmação a regra volta como vigilância: o hemograma é indicativo, não determinante na confirmação nem no descarte, porque a situação vacinal influencia o resultado.
A radiografia tem indicação etária declarada e um achado com nome. É recomendada em menores de 4 anos, para diagnóstico diferencial e pesquisa de complicações, e a imagem característica é a do coração borrado ou franjado — as bordas da silhueta cardíaca perdem nitidez por causa dos infiltrados peri-hilares. Consolidação franca não é isso, e levanta pneumonia associada.
O diferencial tem duas camadas. A primeira é com infecções respiratórias agudas comuns: traqueobronquite, bronquiolite, adenovirose e laringite. A segunda é a síndrome coqueluchoide — o quadro clinicamente idêntico produzido por outro agente. O Guia nomeia Bordetella parapertussis, Mycoplasma pneumoniae, Chlamydia trachomatis, Chlamydia pneumoniae e adenovírus dos tipos 1, 2, 3 e 5; Bordetella bronchiseptica e avium são patógenos de animais e só acometem imunodeprimidos. A resposta a “qual agente causa quadro indistinguível de coqueluche” não é única, e a alternativa correta costuma oferecer o conjunto, não um nome isolado.
As complicações valem memorizadas por grupos, porque o enunciado gosta de misturar. Respiratórias: pneumonia pela própria bactéria e por outras etiologias, ativação de tuberculose latente, atelectasia, bronquiectasia, enfisema, pneumotórax e ruptura de diafragma. Neurológicas: encefalopatia aguda, convulsões, coma, hemorragias intracerebrais e subdural, estrabismo e surdez. E o grupo das consequências mecânicas do esforço: hemorragia subconjuntival, epistaxe, edema de face, úlcera do frênulo lingual e hérnias umbilical, inguinal e diafragmática.
A azitromicina e a aritmética do sexto mês
Macrolídeo é a primeira linha, e a hierarquia é declarada: azitromicina em primeira escolha, claritromicina em segunda, eritromicina em terceira. Sulfametoxazol-trimetoprima é alternativa para quem não tolera macrolídeo. Penicilinas e cefalosporinas não são eficazes contra a bactéria — a nota técnica de 2025 escreve isso com todas as letras, o que transforma amoxicilina e ceftriaxona em distratores de descarte imediato. A duração da azitromicina é de cinco dias em qualquer idade, e o tratamento e a quimioprofilaxia usam exatamente os mesmos esquemas.
A posologia da azitromicina esconde a aritmética mais cobrável do capítulo. Abaixo de 6 meses, a dose é 10 mg/kg por dia em dose única durante todos os cinco dias. De 6 meses em diante, é 10 mg/kg no primeiro dia e 5 mg/kg do segundo ao quinto. Multiplique: o lactente pequeno recebe 50 mg/kg no total do tratamento; a criança maior recebe 30 mg/kg. São 1,67 vez mais miligramas por quilo de um lado da linha do que do outro. Em duas crianças de 7 quilos separadas por dois dias de idade, isso é 350 miligramas contra 210 — e a alternativa que oferece “10 mg/kg no primeiro dia e 5 mg/kg nos seguintes” para um lactente de três meses está errada por uma conta, não por um conceito.
A nota técnica conjunta de 2025 reescreveu a tabela e partiu a faixa dos menores de 6 meses em duas: menores de 1 mês e 1 a 5 meses. A dose de azitromicina é a mesma nas duas, e a linha do sexto mês continua no mesmo lugar. A divisão não existe por causa da azitromicina, e sim porque as opções de segunda e terceira linha mudam de comportamento no primeiro mês de vida. Guardar a partição é útil porque enunciado que cite a nota de 2025 fala em “menores de 1 mês” onde o material antigo falava em “menores de 6 meses”.
Em adolescentes com 12 anos ou mais, ou peso igual ou superior a 45 quilos, e em adultos, o esquema é fixo: 500 mg no primeiro dia e 250 mg do segundo ao quinto — ou 500 mg por dia nos cinco dias, se faltar a apresentação de 250. Vale para qualquer idade a cautela com intervalo QT prolongado.
As três linhas de baixo, e os vãos que elas deixam abertos
A tabela do Guia, reproduzida sem alteração na nota das sociedades de fevereiro de 2025, tem três incoerências internas que decidem alternativa. Não são erros de digitação: são fronteiras de faixa etária que não conversam entre si, e a prova as encontra sozinha porque copia a tabela.
A primeira é um buraco. Na claritromicina, as faixas do Guia vão de “1 a 24 meses” direto para “3 a 6 anos”. A criança de dois anos e meio não tem linha, e quem tenta encaixá-la escolhe entre 62,5 mg de doze em doze horas, que são 125 mg por dia, e 125 mg de doze em doze horas, que são 250: o terceiro aniversário dobra a dose diária sem que a criança tenha ganhado peso proporcional. Pior, a linha “1 a 24 meses” troca a dose por quilo por uma dose fixa acima de 8 quilos, e então 125 mg diários equivalem a 15,4 mg/kg em quem pesa 8,1 quilos e a 8,9 mg/kg em quem pesa 14 — 1,7 vez menos por quilo dentro da mesma linha.
A segunda é uma sobreposição. Na eritromicina, as faixas são “1 a 24 meses”, com 125 mg de seis em seis horas, e “2 a 8 anos”, com 250 mg de seis em seis horas. Vinte e quatro meses são dois anos: a criança que acaba de completar dois anos cabe nas duas linhas, e uma entrega 500 mg por dia enquanto a outra entrega 1.000. É a mesma tabela mandando prescrever o dobro para o mesmo paciente, conforme a linha que o leitor achou primeiro.
A terceira é uma contradição. Na sulfametoxazol-trimetoprima, a primeira linha diz “menores de 2 meses: contraindicado” e a linha imediatamente abaixo prescreve dose para a faixa “de 6 semanas a 5 meses”. Seis semanas são quarenta e dois dias, menos de dois meses: o bebê de sete semanas está contraindicado e dosado na mesma tabela. A nota de 2025 corrigiu a redação para “bebês com 2 meses ou mais”. Quem estuda pelo Guia encontra a contradição; quem estuda pela nota, não.
A nota também trocou doses fixas por doses por quilo, e a diferença cresce com o peso. Na sulfa, o Guia entrega trimetoprima 40 mg por dia à faixa de 6 semanas a 5 meses — 10 mg/kg em quem pesa 4 quilos e 5,7 mg/kg em quem pesa 7; a nota fixa trimetoprima 8 mg/kg por dia e estende a duração de sete para quatorze dias. Na eritromicina, fixa 40 mg/kg por dia em quatro tomadas, que num pré-escolar de 12 quilos dá 480 mg diários contra os 1.000 mg da linha “2 a 8 anos” do Guia. E onde o Guia escreve, para menores de 1 mês, “não recomendado devido à associação com a síndrome de hipertrofia pilórica”, a nota passa a listar eritromicina como terceira escolha.
Quem toma antibiótico sem estar doente: a profilaxia mudou de arquitetura
Aqui há uma mudança de régua que inverte a lógica da resposta. No Guia, a profilaxia olha para o próprio contato: todo comunicante com menos de 1 ano, independentemente da situação vacinal; entre 1 e 7 anos, os não vacinados, de situação desconhecida ou com menos de quatro doses com componente pertussis; a partir de 7 anos, quem teve contato íntimo e prolongado ou contato com um comunicante vulnerável no mesmo domicílio; e quem trabalha em serviço de saúde ou com crianças.
Na nota técnica conjunta de 2025, que revoga a de 2024 e atualiza esse capítulo, a pergunta passa a ser sobre o domicílio, e a elegibilidade se restringe a três grupos. O Grupo 1 são as pessoas vulneráveis: crianças com menos de 1 ano, independentemente da situação vacinal, e pessoas com condições que a coqueluche possa exacerbar, como imunocomprometidos e portadores de asma moderada a grave. O Grupo 2 são os contatos domiciliares — familiares, babás, cuidadores, quem passa a noite no mesmo quarto — que convivem no mesmo ambiente de alguém do Grupo 1, com profilaxia independentemente da situação vacinal. O Grupo 3 reúne quem tem alto potencial de transmitir a vulneráveis: gestantes a partir da 32ª semana não vacinadas na gestação atual, profissionais de saúde que assistem pessoas do Grupo 1 mesmo se vacinados, e quem convive ou trabalha em creches que atendem menores de 1 ano.
A diferença cabe em duas vinhetas simétricas. Criança de 3 anos com duas doses de penta, contato domiciliar do irmão de 8 anos com coqueluche, sem lactente, gestante ou imunocomprometido na casa: recebe profilaxia pelo Guia, por ter entre 1 e 7 anos e menos de quatro doses; não recebe pela nota, porque a casa não tem ninguém do Grupo 1 — e a nota diz expressamente que os contatos fora do quadro não são elegíveis, mantêm a rotina e são apenas monitorados. O inverso também acontece: o irmão de 3 anos com calendário completo que mora com um lactente de 4 meses doente não recebia pelo Guia, por ter quatro doses, e recebe pela nota, por conviver com um vulnerável.
Os prazos valem decorados. Contato é a pessoa de convivência próxima e prolongada — exposição a até 1 metro e por mais de 1 hora, em ambiente fechado — ou que teve contato direto com secreções, no período de 21 dias a partir do início da tosse do caso índice. A profilaxia é feita o quanto antes, dentro de 21 dias da exposição, contando-se a mais recente quando houver mais de uma, e todos os contatos próximos, elegíveis ou não, são monitorados por 21 dias. Não se repetem ciclos: quem já fez profilaxia e se expõe de novo é monitorado, e se adoecer passa a caso suspeito, notificado e tratado.
Duas situações especiais fecham o bloco. Recém-nascido filho de mãe que não fez ou não completou o tratamento adequado deve receber quimioprofilaxia. E mulheres no último mês de gestação ou puérperas que tiveram contato com caso e apresentem tosse por cinco dias ou mais recebem tratamento, não profilaxia — junto com o recém-nascido, que também é tratado. A inversão é o que a prova cobra: a tosse por cinco dias transforma a comunicante em caso, e caso se trata.
Isolamento, afastamento e o intervalo que atrasa a vacina
As medidas não farmacológicas têm duas contagens que competem, e a diferença chega a duas semanas de escola. Pela nota de 2025, o paciente não hospitalizado é afastado de creche, escola ou trabalho por pelo menos cinco dias após o início do antibiótico, ou por até 21 dias após o início da tosse se não tratado. Pelo Guia, a segunda hipótese é três semanas após o início dos paroxismos — e como a fase catarral dura de uma a duas semanas, isso pode significar quatro ou cinco semanas desde o primeiro sintoma. Para a mesma criança não tratada, uma régua libera no vigésimo primeiro dia de tosse e a outra ainda a mantém em casa.
No hospital, a orientação é quarto individual com a porta fechada e precaução para gotículas por cinco dias de antibiótico; paciente e acompanhante usam máscara cirúrgica se precisarem sair, e quem circula no quarto usa máscara e higieniza as mãos. Fora do hospital, o caso evita contato com gestantes, bebês e crianças pequenas e usa máscara em ambientes fechados, pelo mesmo prazo.
A notificação é imediata e tem endereço. A Lista Nacional de Notificação Compulsória vigente coloca a coqueluche entre as doenças de notificação imediata, em até 24 horas, para a secretaria estadual e para a secretaria municipal — e não para o Ministério, coluna reservada a botulismo, cólera e covid-19, entre outras. Ela nasce da suspeita clínica e não depende de laboratório. A área fica sob vigilância por 42 dias após o último caso, prazo do período máximo de incubação já observado, embora a incubação habitual seja de 5 a 10 dias.
A vacinação depois do episódio ganhou uma regra nova e contraintuitiva. Considerando o período de incubação, a nota de 2025 recomenda que casos e contatos elegíveis para vacinação recebam a vacina com intervalo mínimo de 15 dias após a conclusão do antibiótico ou da profilaxia; se o contato desenvolver sintomas, adia-se até o resultado laboratorial ou o fim da investigação. Material anterior a 2025 afirma o oposto — que a profilaxia não contraindica a vacinação —, e essa frase ainda circula.
A mesma nota revogou a vacinação seletiva com dTpa para contatos a partir de 7 anos, instituída em 2024. A vacinação seletiva de menores de 7 anos com esquema ausente, incompleto ou desconhecido permanece: inicia-se com penta quem não tem esquema, completa-se com penta, DTP, penta acelular ou hexa quem tem esquema incompleto — e a janela do componente pertussis vai até 6 anos, 11 meses e 29 dias.
Surto: a mesma criança muda de lado da definição
Em surto ou epidemia, a definição de caso suspeito é deliberadamente afrouxada, e o que sai dela é justamente a lista de sintomas. Passa a ser suspeito todo indivíduo com menos de 6 meses que apresente tosse há dez dias ou mais, e todo indivíduo com 6 meses ou mais que apresente tosse há 14 dias ou mais — sem exigir paroxismo, guincho ou vômito pós-tosse, e independentemente da situação vacinal. A criança de 8 anos com tosse seca há vinte dias, que em situação endêmica não fecha definição alguma, vira caso suspeito assim que o surto é declarado. E todo comunicante íntimo de caso que atenda à definição de surto também é considerado suspeito e recebe tratamento.
As três definições de surto têm números próprios. Domiciliar: dois ou mais casos num domicílio, um confirmado por critério laboratorial e o outro por qualquer um dos três, dentro de 42 dias. Institucional: dois ou mais casos, ao menos um laboratorial, no mesmo intervalo de 42 dias e no mesmo espaço de convívio, com evidência de transmissão local em pelo menos um deles — vale para escolas, creches, serviços de saúde, alojamentos e presídios. Comunitário: casos confirmados, incluindo ao menos um laboratorial, acima do esperado para o local e o tempo segundo a série histórica.
A coleta também muda de regra. Em surto domiciliar, todos os sintomáticos têm amostra de nasofaringe coletada para cultura. Em surto institucional ou comunitário, coleta-se de quem atenda à definição de suspeito da situação endêmica — a inversão que confunde: a definição frouxa dimensiona o surto, mas o laboratório segue a estrita. Colhe-se preferencialmente 48 horas antes de iniciar tratamento ou profilaxia, e envia-se 10% das amostras ao laboratório de referência nacional para reação em cadeia da polimerase e análise genotípica.
Duas figuras completam o vocabulário. O portador é o indivíduo sem sinais nem sintomas sugestivos, mas com isolamento da bactéria por cultura ou identificação por reação em cadeia da polimerase — e ele recebe quimioprofilaxia, porque carrega o agente e o dissemina. E o tossidor identificado entre os comunicantes vulneráveis deixa de ser contato e passa a caso suspeito: é notificado e tratado independentemente do resultado laboratorial, com coleta preferencialmente antes do antibiótico. A consequência é direta na investigação domiciliar: o pai que tosse há dez dias não entra na conta da profilaxia, porque não é contato — é caso.
Da vinheta à conduta: seis perguntas na ordem em que resolvem
Quase toda questão do tema se resolve sem discutir diagnóstico diferencial, porque o diagnóstico costuma vir dado no enunciado. O que decide a alternativa é outra coisa: a idade da criança, o número de dias de tosse, qual documento a banca está citando e quem mais mora na casa. Responda nesta ordem.
- 11. Conte os dias de tosse e olhe a idade. Menos de 6 meses precisa de dez dias ou mais; 6 meses ou mais precisa de quatorze. A lista de sintomas que acompanha também muda: seis itens abaixo de 6 meses, três a partir dali. Se não fecha, procure a cláusula de forte suspeita clínica ou o vínculo com caso confirmado por laboratório, que dispensa prazo.
- 22. Veja se há surto declarado no enunciado. Em surto, a definição perde a exigência de sintoma acompanhante e só cobra a duração da tosse — e o comunicante íntimo de um caso que atende à definição de surto passa a ser tratado, não profilaxado.
- 33. Decida o exame pelo que o enunciado pede. Padrão-ouro ou exame recomendado pelo Ministério da Saúde é a cultura de secreção de nasofaringe. Maior sensibilidade na janela é a reação em cadeia da polimerase. Cultura de orofaringe está errada pelo sítio. Sorologia não é critério de confirmação no Brasil.
- 44. Trate antes do resultado, e escolha a linha pela idade. Azitromicina em cinco dias sempre. Abaixo de 6 meses, 10 mg/kg por dia nos cinco dias; de 6 meses em diante, 10 mg/kg no primeiro dia e 5 mg/kg do segundo ao quinto. Penicilina e cefalosporina não cobrem a bactéria.
- 55. Monte o domicílio antes de decidir a profilaxia. Pergunte quem é vulnerável — menor de 1 ano, imunocomprometido, asma moderada ou grave. Se há um vulnerável na casa, todos os contatos domiciliares recebem profilaxia, qualquer que seja a situação vacinal. Se não há, só entram os do Grupo 3: gestante a partir da 32ª semana não vacinada nesta gestação, profissional de saúde que assiste vulneráveis e quem convive em creche que atende menores de 1 ano.
- 66. Separe contato de caso. Comunicante que tosse não recebe profilaxia — recebe tratamento, é notificado e tem material colhido. Puérpera ou gestante de último mês com tosse por cinco dias ou mais entra na mesma regra, e o recém-nascido dela também é tratado.
- 77. Feche com as medidas de vigilância. Notificação imediata em até 24 horas para as secretarias estadual e municipal. Afastamento por cinco dias de antibiótico, ou pelo prazo sem tratamento que o documento citado usar. Monitoramento dos contatos por 21 dias. Vacinação, se indicada, quinze dias após o fim do antibiótico ou da profilaxia.
A conta que o sexto mês faz na azitromicina
Abaixo de 6 meses: 10 mg/kg por dia durante cinco dias, total de 50 mg/kg. De 6 meses em diante: 10 mg/kg no primeiro dia mais 5 mg/kg em quatro dias, total de 30 mg/kg. A razão é 1,67. Em duas crianças de 7 quilos, 350 miligramas contra 210. A duração não muda — o que muda é a dose diária a partir do segundo dia.
Os três defeitos de fronteira da tabela do Guia
Claritromicina: as faixas vão de 1 a 24 meses direto para 3 a 6 anos, deixando a criança de dois anos e meio sem linha, e o terceiro aniversário dobra a dose diária de 125 para 250 miligramas. Eritromicina: as faixas 1 a 24 meses e 2 a 8 anos se sobrepõem em 24 meses, com 500 e 1.000 miligramas diários para o mesmo paciente. Sulfametoxazol-trimetoprima: contraindicado abaixo de 2 meses na primeira linha, com dose prescrita a partir de 6 semanas na linha seguinte.
Dose fixa na tabela: quem recebe mais por quilo
Claritromicina de 1 a 24 meses acima de 8 quilos é 125 miligramas por dia, fixos: 15,4 mg/kg em quem pesa 8,1 quilos e 8,9 mg/kg em quem pesa 14 — 1,7 vez menos por quilo na mesma linha. Sulfametoxazol-trimetoprima de 6 semanas a 5 meses entrega trimetoprima 40 miligramas por dia: 10 mg/kg no bebê de 4 quilos e 5,7 mg/kg no de 7. A nota de 2025 troca as duas por dose por quilo, 15 e 8 mg/kg por dia, e estende a sulfa de sete para quatorze dias.
Quem recebe profilaxia pela régua de 2025
Grupo 1, vulneráveis: menores de 1 ano, imunocomprometidos, asma moderada ou grave e outras pneumopatias. Grupo 2, contatos domiciliares que convivem com alguém do Grupo 1 — independentemente da situação vacinal. Grupo 3, alto potencial de transmitir: gestante a partir da 32ª semana não vacinada nesta gestação, profissional de saúde que assiste vulneráveis, e quem convive ou trabalha em creche que atende menores de 1 ano. Quem não está nos três grupos é monitorado por 21 dias e mantém a rotina.
Os números da vigilância, em um bloco
Incubação de 5 a 10 dias, faixa de 4 a 21, raramente até 42. Transmissibilidade do quinto dia da exposição até a terceira semana dos paroxismos, e até 4 a 6 semanas de tosse no menor de 6 meses. Contato: até 1 metro, mais de 1 hora, ambiente fechado, dentro de 21 dias do início da tosse do caso. Profilaxia em até 21 dias da exposição. Monitoramento por 21 dias. Área sob vigilância por 42 dias. Surto domiciliar e institucional: intervalo máximo de 42 dias entre os casos.
Definição de caso suspeito em situação endêmica: o que muda aos 6 meses
| Item | Menos de 6 meses | 6 meses ou mais |
|---|---|---|
| Duração mínima da tosse | Dez dias ou mais | Quatorze dias ou mais |
| Tipo de tosse exigido | Tosse de qualquer tipo | Tosse de qualquer tipo |
| Sintomas que servem de gatilho | Tosse paroxística, guincho inspiratório, vômitos pós-tosse, cianose, apneia e engasgo | Tosse paroxística, guincho inspiratório e vômitos pós-tosse |
| Situação vacinal | Irrelevante para a definição | Irrelevante para a definição |
| Definição de surto | Tosse há dez dias ou mais, sem exigir sintoma acompanhante | Tosse há quatorze dias ou mais, sem exigir sintoma acompanhante |
| Caminho que dispensa prazo | Tosse em qualquer período com contato próximo de caso confirmado por laboratório | Tosse em qualquer período com contato próximo de caso confirmado por laboratório |
Tratamento e quimioprofilaxia: os dois documentos lado a lado
| Faixa | Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição revisada | Nota técnica conjunta de 2025 |
|---|---|---|
| Azitromicina abaixo de 6 meses | 10 mg/kg em dose única diária por 5 dias, declarada preferida na faixa | Mesma dose, com a faixa partida em menores de 1 mês e 1 a 5 meses |
| Azitromicina de 6 meses a 12 anos | 10 mg/kg no 1º dia, máximo 500 mg, e 5 mg/kg do 2º ao 5º, máximo 250 mg | 10 mg/kg como dose única no 1º dia e 5 mg/kg do 2º ao 5º dia |
| Claritromicina abaixo de 1 mês | Não recomendado | Não recomendado |
| Claritromicina de 1 a 24 meses | 7,5 mg/kg de 12/12h se até 8 kg; 62,5 mg de 12/12h se acima de 8 kg, por 7 dias | 15 mg/kg/dia em 2 doses por 7 dias, sem corte por peso |
| Eritromicina abaixo de 1 mês | Não recomendado, pela associação com a síndrome de hipertrofia pilórica | 40 mg/kg/dia em 4 doses fracionadas, por 14 dias |
| Eritromicina de 1 a 24 meses | 125 mg de 6/6h por 7 a 14 dias | 40 mg/kg/dia em 4 doses fracionadas, por 14 dias até 5 meses e 7 a 14 dias a partir de 6 |
| Sulfametoxazol-trimetoprima, limite inferior | Contraindicado abaixo de 2 meses; dose prescrita a partir de 6 semanas | Contraindicado abaixo de 2 meses, sem faixa que comece antes disso |
| Sulfametoxazol-trimetoprima, esquema | Doses fixas por faixa, de 12/12h, por 7 dias | Sulfametoxazol 40 mg/kg/dia e trimetoprima 8 mg/kg/dia, 2 doses, por 14 dias |
| Quem recebe quimioprofilaxia | Por idade e número de doses do próprio contato | Por vulnerabilidade: três grupos prioritários e elegíveis |
| Afastamento sem tratamento | Três semanas após o início dos paroxismos | Até 21 dias após o início da tosse |
| Vacinar depois do antibiótico | Sem intervalo declarado | Intervalo mínimo de 15 dias após concluir antibiótico ou profilaxia |
A nota de 2025 lista, entre as recomendações do Guia que atualiza, a troca do termo comunicante por contato próximo, a nova definição de grupos elegíveis para profilaxia, a estratégia de rastreamento e monitoramento e as medidas não farmacológicas. A mudança da eritromicina em menores de 1 mês não aparece nessa lista, mas está na tabela nova.
A nota técnica das sociedades de pediatria e de imunizações, de fevereiro de 2025, reproduz a tabela do Guia sem alteração — inclusive o buraco da claritromicina, a sobreposição da eritromicina e a contradição da sulfa. Material de sociedade não é necessariamente mais novo que material do Ministério.
Tratamento e quimioprofilaxia usam o mesmo esquema, a mesma droga e a mesma duração. A pergunta nunca é qual antibiótico usar no contato; é se aquele contato deve receber alguma coisa.
O hemograma sugere e não confirma, e sua ausência não descarta: em lactentes, vacinados e quadros atípicos pode não haver linfocitose. A confirmação clínica analisa em conjunto sintomas, idade, situação vacinal, tempo de tosse e hemograma, e essas variáveis não são excludentes entre si.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Não recomendada, pelo risco de estenose hipertrófica de piloro
O quadro do Guia escreve, na linha dos menores de 1 mês, “não recomendado devido à associação com a síndrome de hipertrofia pilórica”, e o texto corrido reforça que a eritromicina ainda poderá ser usada, mas é contraindicada para menores de 1 mês de idade e nas situações de intolerância ou dificuldade de adesão. O mesmo trecho registra que, embora não haja confirmação da associação entre azitromicina e hipertrofia pilórica, a criança deve ser acompanhada.
Brasil. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, volume 1, 6ª edição revisada, 2024, capítulo Coqueluche, Quadro 1 e seção Tratamento.
Listada como terceira escolha, 40 mg/kg/dia em quatro doses por 14 dias
A tabela que substitui a do Guia traz, na linha “< 1 mês”, azitromicina como primeira escolha, claritromicina como não recomendada e eritromicina 40 mg/kg/dia em quatro doses fracionadas por quatorze dias como terceira escolha, sem repetir a ressalva sobre hipertrofia pilórica. A lista de recomendações que a nota declara atualizar no capítulo do Guia não menciona essa alteração.
Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 165/2025-DPNI/SVSA/MS, Quadro 1.
Na prova
As duas posições convivem no mesmo órgão, e o que denuncia o recorte é a fonte citada no enunciado. Questão que diga “conforme o Guia de Vigilância em Saúde” está na régua antiga, e ali eritromicina abaixo de 1 mês é alternativa a descartar por contraindicação declarada. Questão que cite a nota técnica de 2025 ou que fale em terceira escolha está na régua nova. Em qualquer das duas, a azitromicina permanece a primeira escolha nessa faixa, então a alternativa correta raramente muda — o que muda é o motivo pelo qual a eritromicina é rejeitada: contraindicação num documento, terceira linha com dose específica no outro. Desconfie sempre que a alternativa trouxer eritromicina com dose diferente de 40 mg/kg/dia: aí ela erra pela posologia, e não pela faixa etária.
Pela idade e pelo número de doses do próprio contato
O Guia indica profilaxia para comunicantes com menos de 1 ano independentemente da situação vacinal; entre 1 e 7 anos, para os não vacinados, com situação desconhecida ou com menos de quatro doses de vacina com componente pertussis; a partir de 7 anos, para quem teve contato íntimo e prolongado no período de 21 dias que precedeu os sintomas do caso até três semanas após o início da fase paroxística, ou para quem teve contato com um comunicante vulnerável no mesmo domicílio; e para quem trabalha em serviço de saúde ou com crianças.
Brasil. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, volume 1, 6ª edição revisada, 2024, capítulo Coqueluche, seção Quimioprofilaxia.
Pela presença de uma pessoa vulnerável no ambiente
A nota restringe a profilaxia a três grupos prioritários: pessoas vulneráveis, contatos domiciliares que residem ou convivem no mesmo ambiente de um vulnerável, e pessoas com elevado potencial de transmitir a vulneráveis. Sobre o segundo grupo, escreve que a recomendação vale independentemente da situação vacinal; sobre os demais, que os contatos próximos não enquadrados no quadro não são elegíveis e podem manter suas atividades de rotina, sendo apenas monitorados.
Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 165/2025-DPNI/SVSA/MS, Quadro 2 e item 3.5.
Na prova
As duas réguas concordam na vinheta mais comum — o domicílio com um lactente menor de 1 ano —, porque ali todo mundo recebe profilaxia pelos dois caminhos. Elas se separam em duas situações que a prova ainda explora pouco. A primeira é o pré-escolar com esquema incompleto numa casa sem nenhum vulnerável: recebe pelo Guia, não recebe pela nota. A segunda é o irmão com calendário completo numa casa com lactente doente: não recebia pelo Guia, por ter quatro doses, e recebe pela nota, por conviver com vulnerável. Quando o enunciado descreve minuciosamente quem mora na casa e a idade de cada um, está usando a régua de 2025 — a descrição do domicílio só faz falta na régua que olha para o domicílio.
Não introduzir no calendário nacional
A nota registra o consenso de não introduzir a dose de reforço em adolescentes no Brasil neste momento, com dois argumentos: as vacinas de pertussis acelular não impedem a colonização da orofaringe pela bactéria nem modificam a dinâmica populacional da doença como as de células inteiras, e nos países que introduziram o reforço no adolescente não se observou redução da incidência em menores de 1 ano, grupo em que se concentraram os óbitos de 2024. A mesma decisão revogou a vacinação seletiva com dTpa para contatos a partir de 7 anos.
Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 165/2025-DPNI/SVSA/MS, item 3.5.3.3 e Considerações Finais, referindo a Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações de novembro de 2024.
Reforço na adolescência e a cada dez anos por toda a vida
As duas sociedades recomendam, além das três doses primárias e dos dois reforços, uma dose de reforço na adolescência com dTpa e depois uma a cada dez anos, inclusive para adultos e maiores de 60 anos, admitindo reforços a partir de cinco anos da última dose conforme o cenário epidemiológico. As idades do reforço adolescente não coincidem entre elas: a Sociedade Brasileira de Imunizações indica entre 9 e 11 anos e a Sociedade Brasileira de Pediatria, entre 13 e 15 anos.
Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Imunizações. Nota Técnica nº 190, de 13 de fevereiro de 2025 — Coqueluche, atualização, seção Recomendações de vacinação.
Na prova
São três posições, não duas, e a diferença de finalidade explica todas. Questão de prova de residência ancorada em política pública — que fale em calendário nacional, Programa Nacional de Imunizações, sala de vacina ou disponibilidade no Sistema Único de Saúde — segue o Ministério: na adolescência, o reforço previsto é a dupla adulto a cada dez anos, e a dTpa fica restrita a gestantes e a grupos ocupacionais definidos. Questão que peça a recomendação de sociedade, ou que descreva uma clínica privada, admite o reforço com dTpa. E o argumento do não introduzir é conteúdo cobrável por si só: a vacina acelular protege o vacinado da doença grave, mas não bloqueia a colonização, e por isso o contato vacinado continua elegível para quimioprofilaxia.
Caso resolvido
- O caso fecha a definição por dois caminhos, e nenhum deles é o hemograma
- Ele tem menos de 6 meses e tosse há onze dias, portanto acima do mínimo de dez, com três dos seis sintomas da lista dessa faixa: paroxismo, guincho e vômito pós-tosse, além da cianose. E há um segundo caminho independente, que dispensa qualquer prazo: tosse com história de contato próximo de caso. Os 31 mil leucócitos com 72% de linfócitos são exatamente o esperado da fase paroxística, mas entram como exame complementar indicativo — se viessem normais, o caso continuaria sendo suspeito.
- Colher e prescrever na mesma consulta, nesta ordem
- Swab de nasofaringe em meio Regan-Lowe, com haste flexível de dacron, nylon, rayon, alginato de cálcio ou flocada, jamais de algodão, e envio ao laboratório central sob refrigeração de 2 a 8 graus, protegido da luz, em até seis horas e no máximo em 72. A azitromicina começa em seguida, sem esperar resultado: com 3 meses de idade ele está abaixo dos 6 meses, então são 10 mg/kg por dia em dose única durante os cinco dias — 60 miligramas por dia neste peso, 300 no total. O esquema de 10 e depois 5 mg/kg pertence a quem já fez 6 meses.
- A irmã não é contato: é caso
- Tosse seca há três semanas numa criança de 5 anos, contato próximo de caso, é a apresentação atípica do vacinado — sem paroxismo, sem guincho, sem vômito. Ela preenche a definição de suspeito pela duração, com 6 meses ou mais e tosse há quatorze dias ou mais, se apresentar um dos três sintomas da faixa; e preenche pelo vínculo epidemiológico com o irmão assim que ele for confirmado por laboratório. Colhe-se material dela também, e ela é tratada com azitromicina — 10 mg/kg no primeiro dia e 5 mg/kg do segundo ao quinto —, não profilaxada. Como caso, ela também entra na contagem do surto domiciliar.
- O domicílio tem um vulnerável, e é ele que decide a profilaxia dos demais
- O lactente de 3 meses é do Grupo 1. Isso coloca pai e mãe no Grupo 2, contatos domiciliares que convivem com um vulnerável, independentemente da situação vacinal — e portanto ambos recebem azitromicina, 500 miligramas no primeiro dia e 250 do segundo ao quinto. A mãe entraria de qualquer modo pelo Grupo 2, mas não pelo Grupo 3: ela está com 30 semanas, abaixo do corte de 32, e foi vacinada nesta gestação. O detalhe é o que a prova cobra, porque a resposta certa pelo motivo errado sobrevive à vinheta e morre na próxima.
- Fechar com vigilância, isolamento e o intervalo da vacina
- Notificação imediata, em até 24 horas, às secretarias estadual e municipal, com ficha de investigação própria e sem esperar laboratório. Precaução para gotículas em quarto individual por cinco dias de antibiótico se ele for internado; a irmã sai da escola por pelo menos cinco dias após iniciar o antibiótico. Todos os contatos são monitorados por 21 dias a partir da última exposição. Dois casos no mesmo domicílio dentro de 42 dias, com um confirmado por laboratório, configuram surto domiciliar — e aí todos os sintomáticos da casa têm amostra colhida. A segunda dose de penta do lactente, quando ele completar 4 meses, respeita o intervalo mínimo de quinze dias após o fim do antibiótico.
Agora feche você
- Diga se ela é caso suspeito, com o número e a lista corretos
- Escreva a definição da faixa dela com as palavras da fonte: qual é a duração mínima de tosse exigida a partir dos 6 meses e quais são os três sintomas que servem de gatilho nessa faixa. Depois mostre o encaixe item a item e diga por que a lista dela é menor que a do lactente. Explique, em uma frase, por que a ausência de guincho não a tira da definição.
- Resolva o hemograma sem deixá-lo decidir
- Compare os 11 mil leucócitos e os 45% de linfócitos com os valores que o Guia descreve para a fase paroxística e diga por que o resultado dela é compatível com a doença mesmo estando fora daquela faixa. Nomeie os três grupos em que o documento admite que a linfocitose pode faltar e diga em qual deles ela se enquadra. Feche dizendo o estatuto do hemograma na confirmação e no descarte.
- Decida a profilaxia da casa pelas duas réguas, separadamente
- Pela régua do Guia, avalie cada morador por idade e número de doses e diga quem recebe. Pela régua de 2025, identifique se há alguém no Grupo 1 e justifique com o critério clínico exato que a condição do irmão preenche; depois classifique pai e mãe. Diga se as duas réguas chegam ao mesmo resultado nesta casa e qual delas você citaria se o enunciado mencionasse a nota técnica de 2025.
- Escreva a receita completa dos que forem elegíveis
- Para o irmão de 4 anos, dê droga, dose por quilo, número de tomadas e duração, dizendo de qual faixa da tabela você tirou o esquema. Para os adultos, dê o esquema de apresentação fixa. Diga qual é o prazo máximo, contado da exposição, dentro do qual a profilaxia ainda deve ser feita, e o que se faz com quem passou desse prazo.
- Feche a vigilância e diga o que muda se o território declarar surto
- Escreva o prazo e o destinatário da notificação, o tempo de afastamento escolar dela nas duas hipóteses — tratada e não tratada — pelos dois documentos, e o tempo de monitoramento dos contatos. Depois refaça a primeira pergunta na hipótese de surto declarado: o que sai da definição de caso suspeito e o que passa a acontecer com o comunicante íntimo dela.
Onde a banca derruba
- 1Descartar coqueluche porque o hemograma veio sem linfocitose O Guia afirma que a presença de leucocitose com linfocitose confere forte suspeita clínica, mas que a ausência não exclui o diagnóstico, e nomeia os grupos em que a linfocitose pode faltar: lactentes, vacinados e quadros atípicos. Na seção de confirmação, repete que o hemograma é indicativo e não determinante na confirmação nem no descarte, porque a situação vacinal influencia o resultado. Um lactente de dois meses com 9 mil leucócitos, tosse paroxística e apneia continua sendo caso suspeito e continua sendo tratado.
- 2Aceitar cultura de orofaringe como resposta correta A alternativa costuma vir com o nome certo do meio de cultura, Bordet-Gengou ou Regan-Lowe, e o sítio errado. O Guia explica o porquê: a bactéria tem tropismo pelo epitélio respiratório ciliado, de modo que a cultura deve ser feita a partir da secreção nasofaríngea. A coleta se faz introduzindo o swab por uma narina até a parede posterior da nasofaringe, com movimentos rotatórios por 10 a 20 segundos. Cultura de orofaringe, aspirado traqueal de rotina e hemocultura não têm lugar — a doença é de mucosa respiratória, sem bacteremia.
- 3Esperar o resultado do exame para começar o antibiótico O documento é explícito: os macrolídeos são indicados antes que os resultados laboratoriais sejam recebidos, e quando administrados na fase catarral podem amenizar os sinais e sintomas. A regra da coleta é o inverso — ela é que precisa vir antes, ou no máximo dentro de três dias de antibiótico, porque depois disso a cultura perde o que ainda tinha de sensibilidade. A sequência correta em vinheta de emergência é colher e prescrever na mesma consulta, com precaução para gotículas iniciada de imediato.
- 4Prescrever profilaxia ao comunicante que já está tossindo Tossidor identificado entre os comunicantes vulneráveis é caso suspeito, não contato: deve ser notificado e tratado independentemente do resultado laboratorial, com coleta de material de nasofaringe preferencialmente antes do antibiótico. A regra tem uma versão específica para o pós-parto: mulher no último mês de gestação ou puérpera que teve contato com caso e apresenta tosse por cinco dias ou mais recebe tratamento, e o recém-nascido dela também. Como o esquema é o mesmo, o erro não muda a receita — muda a notificação, a coleta e a contagem do surto.
- 5Aplicar a regra “todos os contatos domiciliares” sem olhar quem mora na casa A frase circula como se fosse incondicional, e ela não é. Pela nota técnica de 2025, os contatos domiciliares formam o Grupo 2 justamente por conviverem com alguém do Grupo 1 — e é essa convivência que dispensa a situação vacinal. Numa casa sem menor de 1 ano, sem imunocomprometido e sem asma moderada a grave, os contatos domiciliares que não pertençam ao Grupo 3 não são elegíveis: mantêm a rotina e são monitorados por 21 dias. Em quase toda vinheta de prova existe um lactente ou uma gestante na casa, e por isso a frase incondicional acerta por acidente.
- 6Confundir a gestante que se vacina com a gestante que recebe profilaxia São duas idades gestacionais diferentes no mesmo assunto. A dTpa é aplicada em toda gestação a partir da 20ª semana, independentemente do histórico vacinal, e no puerpério o mais precocemente possível para quem perdeu a oportunidade. A quimioprofilaxia do Grupo 3, na régua de 2025, alcança a gestante no último trimestre a partir da 32ª semana e não vacinada na gestação atual. A gestante de 30 semanas contato de um caso não entra pelo Grupo 3 — mas entra pelo Grupo 2 se houver um vulnerável no domicílio, que é o que costuma acontecer na vinheta.
- 7Contar o afastamento escolar pela régua errada Para o caso tratado, os dois documentos dizem a mesma coisa: pelo menos cinco dias após o início do antibiótico. Para o caso não tratado, a nota de 2025 conta até 21 dias do início da tosse e o Guia conta três semanas após o início dos paroxismos. Como a fase catarral dura de uma a duas semanas, a segunda régua pode manter a criança fora da creche por quatro ou cinco semanas desde o primeiro sintoma. Quando o enunciado der a data do início da tosse e a data em que ela virou paroxística, é porque a diferença entre as duas contagens é a pergunta.
O quadro (tosse paroxística com guincho, apneia, cianose, vômitos pós-tosse e linfocitose acentuada em lactente não vacinado) é coqueluche (Bordetella pertussis). Além de tratar o caso com macrolídeo, indica-se quimioprofilaxia com azitromicina para TODOS os contatos próximos/domiciliares independentemente do estado vacinal, pois a vacina não confere imunidade completa/duradoura e a doença é grave em lactentes. Restringir a profilaxia só a sintomáticos falha em interromper a transmissão de assintomáticos/pré-sintomáticos. Vacinação de bloqueio é medida complementar, mas não substitui a quimioprofilaxia. A doença é altamente transmissível na fase catarral e paroxística inicial. Oseltamivir é para influenza, sem papel na coqueluche.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Lactente de 2 meses apresenta há 1 semana tosse em acessos (paroxismos) intensos, seguidos de guincho inspiratório e por vezes cianose e vômito pós-tosse. Entre os acessos, permanece bem e afebril. Mãe relata vacinação incompleta. Ao exame: FR 40 ipm, SatO2 95%, ausculta pulmonar sem alterações significativas. Qual é o diagnóstico mais provável?
Tosse paroxística com guincho inspiratório, cianose e vômito pós-tosse, entre acessos criança bem e afebril, com vacinação incompleta, é o quadro clássico de coqueluche (Bordetella pertussis). Bronquiolite cursa com sibilância e desconforto contínuos. Asma do lactente cursa com sibilância recorrente. Refluxo não causa paroxismos com guincho. Pneumonia por Chlamydia dá tosse em staccato e taquipneia, sem guincho paroxístico típico.
Lactente de 3 meses, nascido a termo, é internado com quadro de tosse em acessos (paroxismos) seguidos de guincho inspiratório e cianose, com vômitos pós-tosse há 10 dias. Entre os acessos permanece afebril e relativamente bem. Mãe com esquema vacinal desconhecido. Hemograma mostra leucócitos 32.000/mm³ com linfocitose de 70%. Qual o antibiótico de escolha para o agente etiológico mais provável?
Tosse paroxística com guincho, cianose e vômitos pós-tosse, afebril, com leucocitose e linfocitose marcante em lactente é coqueluche (Bordetella pertussis). O tratamento de escolha é um macrolídeo — azitromicina (correta). Amoxicilina não é eficaz. Ceftriaxona não cobre pertussis adequadamente. Oseltamivir é para influenza. SMX-TMP é alternativa em contraindicação a macrolídeos, mas não de primeira linha, e corticoide não é padrão.
Lactente de 2 meses, nascido a termo, chega à emergência com tosse há 5 dias que evoluiu para acessos paroxísticos intensos, seguidos de cianose e, em um episódio, apneia. Entre as crises fica em bom estado. Sem febre. A mãe relata tosse prolongada em irmão de 7 anos. Hemograma: leucócitos 28.000/mm³ com linfocitose de 70%. Qual é a conduta antibiótica de escolha?
Tosse paroxística com cianose/apneia em lactente jovem, contato com caso de tosse prolongada e leucocitose com linfocitose acentuada é coqueluche (Bordetella pertussis). O tratamento de escolha é macrolídeo, sendo a azitromicina preferida em lactentes pelo menor risco (comparado à eritromicina, associada a estenose hipertrófica de piloro). Amoxicilina e penicilina não cobrem Bordetella. Ceftriaxona/ampicilina-sulbactam não são o tratamento de coqueluche.
Lactente de 3 meses é levado à UBS com tosse em acessos paroxísticos há 10 dias, seguidos de guincho inspiratório e, por vezes, cianose e vômito pós-tosse. Fica bem entre os acessos e está afebril. A mãe não completou o esquema vacinal. Além da notificação, qual é o antibiótico de escolha e a principal justificativa para seu uso?
O quadro de tosse paroxística com guincho inspiratório, cianose e vômitos pós-tosse, com bom estado entre os acessos e vacinação incompleta, é típico de coqueluche (Bordetella pertussis). O antibiótico de escolha é um macrolídeo, sendo a azitromicina preferida em lactentes; seu principal benefício é reduzir a transmissibilidade (importante para controle) e, se iniciado precocemente na fase catarral, atenuar a doença. Amoxicilina não é eficaz contra a Bordetella. Oseltamivir trata influenza, quadro clínico distinto. Ceftriaxona não é indicada, pois não há suspeita de doença meningocócica. É doença de notificação compulsória.
Lactente de 2 meses, nascido a termo, é levado à UBS pela mãe, que relata há 5 dias tosse em acessos paroxísticos, seguidos de vômito e cianose perioral, sem febre significativa. Entre os acessos o bebê fica bem. A mãe não completou o pré-natal e a criança recebeu apenas a 1ª dose da pentavalente há 3 dias. Ao exame, ausculta pulmonar limpa. Além de notificar o caso, qual a conduta mais adequada?
O quadro é coqueluche (tosse paroxística com guincho/vômito/cianose, apirético, ausculta limpa) em lactente < 3 meses, grupo de maior risco de apneia, pneumonia e morte — indicando internação e antibiótico (macrolídeo, azitromicina de escolha). Salbutamol/bronquiolite não explica os paroxismos apiréticos nem é o quadro típico. Aguardar cultura atrasa tratamento que deve ser empírico e precoce. Amoxicilina domiciliar não cobre Bordetella pertussis e ignora o risco da faixa etária.
Um lactente de 2 meses é levado à UPA com história de crises de tosse paroxística há uma semana, algumas seguidas de cianose e vômito, e um episódio de apneia presenciado pela mãe. Entre as crises fica bem e afebril. O contato domiciliar inclui um irmão de 8 anos com tosse arrastada. A vacinação do lactente está atrasada. Qual é a conduta mais adequada?
Tosse paroxística com cianose, vômitos pós-tosse e, sobretudo, APNEIA em lactente jovem com vacinação atrasada e contato com caso de tosse arrastada é altamente sugestivo de coqueluche. Nessa faixa etária o risco de complicações graves (apneia, pneumonia, encefalopatia) indica internação e monitorização. O tratamento é com macrolídeo (azitromicina) e a coqueluche é doença de NOTIFICAÇÃO compulsória (opção correta). Broncodilatador e corticoide não tratam a coqueluche nem previnem as complicações ; o corticoide ainda omite a notificação obrigatória. Radiografia normal não exclui coqueluche nem dispensa tratamento e notificação (opção errada).
Menina de 4 anos chega à UBS com tosse há 3 semanas, descrita pela mãe como acessos intensos, sucessivos e sem inspiração no intervalo, seguidos de um som agudo ao inspirar e, por vezes, vômito após o acesso. Entre as crises, a criança fica bem e afebril. O calendário vacinal está incompleto (recebeu apenas uma dose de penta). No domicílio há um recém-nascido de 1 mês. Ao exame, ausculta pulmonar limpa e ausência de toxemia. Hemograma revela leucocitose acentuada com predomínio de linfócitos. Considerando o diagnóstico mais provável, assinale o agente e a conduta, respectivamente.
Tosse paroxística em acessos com guincho inspiratório e vômitos pós-tosse, criança afebril e bem entre as crises, ausculta limpa, vacinação incompleta e linfocitose acentuada caracterizam coqueluche (Bordetella pertussis). A conduta inclui macrolídeo (azitromicina), notificação compulsória e quimioprofilaxia dos contatos — especialmente o recém-nascido de alto risco no domicílio. Mycoplasma (distrator) causa tosse arrastada em escolares, mas não o guincho clássico nem a linfocitose, e trata-se com macrolídeo, não amoxicilina. VSR dá bronquiolite em lactentes, não esse padrão. Adenovírus não justifica o quadro paroxístico típico nem corticoide/broncodilatador.
Lactente, 2 meses, sexo feminino, ainda sem doses de vacina pentavalente, é levada ao pronto-socorro com história de tosse há 12 dias. A mãe relata que os episódios de tosse são em salvas (acessos paroxísticos), seguidos de um ruído inspiratório agudo ("guincho") e, por vezes, vômitos ao final da crise. Nos intervalos entre os acessos, a criança fica bem, afebril e com bom estado geral. Ao exame: FC 140 bpm, FR 44 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, ausculta pulmonar sem estertores. Hemograma: leucócitos 32.000/mm3 (VR 6.000–17.500) com linfocitose de 78%. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: o quadro clássico de coqueluche em lactente é tosse paroxística em salvas, guincho inspiratório e vômitos pós-tosse, com criança bem nos intervalos, afebril, ausculta limpa e leucocitose com linfocitose acentuada (32.000 com 78% de linfócitos) — o marcador laboratorial mais característico. A ausência de vacinação em lactente <3 meses reforça o risco. Bronquiolite cursa com sibilos/estertores difusos e desconforto respiratório, não guincho inspiratório com ausculta limpa. Pneumonia bacteriana dá febre, taquipneia e estertores focais, ausentes aqui. Crupe tem estridor inspiratório contínuo e tosse ladrante, não tosse paroxística em salvas com guincho pós-acesso. Asma do lactente cursa com sibilância expiratória recorrente, não linfocitose marcante nem guincho característico.
Lactente, 3 meses, sexo masculino, com tosse em acessos há 10 dias acompanhada de guincho e cianose perioral ao final das crises, é internado com suspeita clínica de coqueluche. A mãe iniciou pré-natal tardio e não recebeu a vacina dTpa na gestação. A equipe deseja confirmar o diagnóstico laboratorialmente. Considerando o tempo de evolução (10 dias) e a maior sensibilidade e especificidade neste momento da doença, qual é o exame de escolha para confirmação diagnóstica?
Correta: Na coqueluche, o método de escolha nas primeiras semanas (até ~3–4 semanas de tosse) é a PCR em amostra de nasofaringe, por combinar alta sensibilidade e rapidez — superior à cultura, que perde sensibilidade após ~2 semanas. Com 10 dias de tosse, a PCR é o teste ideal. A sorologia (IgG anti-PT) só é útil em fase tardia (após 2–4 semanas) e é limitada em lactentes e vacinados recentemente. B. pertussis não é isolada em hemocultura — a doença é da mucosa respiratória, sem bacteremia. A cultura (Bordet-Gengou/Regan-Lowe) tem alta especificidade mas baixa sensibilidade, exige coleta de nasofaringe (não orofaringe) e demora dias; útil só precocemente. A radiografia é inespecífica e não confirma o agente.
Recém-nascido, 20 dias de vida, é atendido no pronto-socorro com tosse em acessos há 5 dias, episódios de apneia e um episódio de cianose durante crise presenciado na sala de espera. A mãe teve tosse prolongada nas últimas semanas. Exame: afebril, FR 50 ipm com pausas respiratórias, SatO2 92%, ausculta pulmonar limpa. Firmada a hipótese de coqueluche, a criança é internada. Qual é a conduta antimicrobiana mais apropriada para o tratamento?
Correta: o tratamento da coqueluche é feito com macrolídeos. Em recém-nascidos e lactentes <1 mês, a azitromicina é o macrolídeo preferido porque a eritromicina nessa faixa etária associa-se a risco aumentado de estenose hipertrófica de piloro; além disso, a azitromicina tem esquema mais curto e melhor tolerância. A eritromicina é opção, mas justamente NÃO é preferida no <1 mês pelo risco de estenose de piloro — por isso a alternativa está incorreta como "primeira escolha em qualquer idade". A amoxicilina/betalactâmicos não têm ação clínica útil contra B. pertussis. Sulfametoxazol-trimetoprima é apenas alternativa de 2ª linha (alergia/intolerância a macrolídeo) e é contraindicado no RN <2 meses pelo risco de kernicterus. A ceftriaxona não trata B. pertussis e agrava o risco de kernicterus no RN; a gravidade indica internação/suporte, não muda a classe do antimicrobiano.
Lactente, 3 meses, sexo masculino, sem vacinas por opção dos pais, é levado ao pronto-socorro por tosse há 2 semanas. Nos últimos dias a tosse tornou-se em acessos intensos e súbitos, com vários golpes seguidos numa mesma expiração, seguidos de um ruído inspiratório agudo ("guincho") e, por vezes, vômito ao final do acesso. Fora dos acessos, a criança permanece afebril e com aparência clínica satisfatória. Ao exame: T 36,8 °C, FR 44 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, ausculta pulmonar sem estertores. Hemograma: leucócitos 28.000/mm³ (VR 5.000–15.000) com predomínio de linfócitos (70%). Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: o quadro é clássico de coqueluche na fase paroxística: lactente não vacinado, tosse em acessos (paroxismos) seguida de guincho inspiratório e vômitos pós-tosse, afebril e com bom estado geral entre as crises, além de leucocitose com linfocitose acentuada (achado laboratorial muito sugestivo de B. pertussis). Bronquiolite ocorre tipicamente até 2 anos, mas cursa com sibilância/estertores difusos, esforço respiratório e frequentemente febre baixa, sem o padrão de paroxismo-guincho-vômito nem linfocitose tão marcante. Pneumonia bacteriana costuma dar febre, taquipneia e achados focais na ausculta/radiografia, não o padrão paroxístico com ausculta limpa. Crupe cursa com tosse ladrante, estridor inspiratório contínuo e rouquidão de início agudo, não acessos com guincho e vômito ao longo de semanas. Corpo estranho gera início súbito de tosse/engasgo com achado auscultatório assimétrico e não explica leucocitose com linfocitose nem a evolução de 2 semanas em fases.
Um lactente de 2 meses, previamente hígido e ainda sem doses da vacina pentavalente, é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde por tosse há 12 dias. A mãe relata que há cerca de uma semana a tosse passou a ocorrer em crises intensas e sucessivas, seguidas de um som agudo à inspiração, com cianose perioral e, por vezes, vômitos após os acessos. Entre as crises, a criança fica com aparência tranquila e afebril. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, corada, com ausculta pulmonar sem ruídos adventícios. A mãe teve tosse arrastada nas últimas semanas. Considerando o quadro mais provável, qual é o exame padrão-ouro para a confirmação diagnóstica nesta fase da doença?
O quadro é clássico de coqueluche na fase paroxística (tosse em acessos, guincho inspiratório, cianose e vômitos pós-tosse, afebril e com bom estado entre as crises), em lactente não vacinado. A cultura de secreção de nasofaringe em meio específico (Bordet-Gengou/Regan-Lowe) é o padrão-ouro para confirmação, sendo o exame recomendado pelo Ministério da Saúde para diagnóstico laboratorial. O hemograma com linfocitose é sugestivo, mas inespecífico. A radiografia de tórax é achado auxiliar/inespecífico. A sorologia tem baixa utilidade e não é padrão-ouro, sobretudo em lactentes.
Uma menina de 4 anos é atendida na UPA com tosse paroxística há 10 dias, com guincho inspiratório e vômitos pós-tosse, sem febre significativa. A hipótese de coqueluche é levantada e a notificação é realizada. A criança tem em casa um irmão de 1 mês (ainda sem vacina), a mãe gestante de 30 semanas e a avó de 68 anos, todos assintomáticos e convivendo no mesmo domicílio. Além de instituir o tratamento da criança acometida, qual é a conduta correta de quimioprofilaxia para os contatos domiciliares?
Segundo o Ministério da Saúde, a quimioprofilaxia (macrolídeo, sendo a azitromicina de escolha) está indicada aos comunicantes domiciliares e íntimos de um caso de coqueluche, com atenção prioritária a grupos de maior vulnerabilidade — menores de 1 ano, gestantes no terceiro trimestre e contatos que convivam com esses grupos. No cenário descrito, com lactente de 1 mês, gestante de 30 semanas e demais conviventes no mesmo domicílio, a profilaxia está indicada a todos os contatos domiciliares próximos. Restringi-la apenas ao lactente, apenas à gestante ou omiti-la deixa desprotegidos comunicantes que podem transmitir a bactéria ao recém-nascido.
Um lactente de 3 meses é diagnosticado com coqueluche na Unidade Básica de Saúde, apresentando tosse paroxística com guincho, sem sinais de gravidade que indiquem internação. A mãe pergunta sobre o tratamento. De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde, qual é o antimicrobiano de primeira escolha para o tratamento da coqueluche?
O tratamento de escolha da coqueluche é feito com macrolídeos, sendo a azitromicina o antimicrobiano de primeira linha recomendado pelo Ministério da Saúde (alternativas: claritromicina e, com ressalvas em menores de 1 mês, eritromicina). A amoxicilina e a ceftriaxona não têm eficácia estabelecida contra Bordetella pertussis nesse contexto. A doxiciclina é contraindicada em crianças pequenas pelo risco de alterações dentárias e não é a droga de escolha para coqueluche.
Um lactente de 2 meses é levado pela mãe à unidade de saúde da família com queixa de tosse há 12 dias. Nos últimos 4 dias, a tosse passou a ocorrer em acessos intensos e consecutivos, seguidos de dificuldade para inspirar, cianose perioral e vômitos, com prostração após as crises e recuperação completa entre elas. Não houve febre em nenhum momento. Ao exame: bom estado geral entre os paroxismos, eupneico, ausculta pulmonar sem ruídos adventícios, sem tiragem. Hemograma: leucócitos 32.000/mm³ com 68% de linfócitos; radiografia de tórax sem consolidações. A criança recebeu apenas a vacina BCG e a mãe não recebeu dTpa na gestação. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: Coqueluche. A tríade tosse paroxística em acessos, guincho inspiratório com cianose e vômitos pós-tosse, em lactente sem febre, com ausculta pulmonar limpa, radiografia sem consolidação e leucocitose com linfocitose absoluta (leucócitos 32.000 com 68% de linfócitos), é o quadro clássico da fase paroxística descrito no Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde; o lactente com apenas 2 meses e mãe sem dTpa está desprotegido. Bronquiolite viral aguda: cursa com pródromo catarral, febre baixa, taquipneia, tiragem e ausculta com sibilos/estertores, ausentes aqui, e não produz linfocitose dessa magnitude. Laringotraqueíte viral: caracteriza-se por tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório contínuo, e não por acessos paroxísticos com vômito. Pneumonia por Chlamydia trachomatis: também é afebril e com tosse coqueluchoide, mas ocorre entre 1 e 3 meses acompanhada de taquipneia, estertores, conjuntivite prévia, infiltrado intersticial na radiografia e eosinofilia — não linfocitose.
Um lactente de 4 meses foi internado em enfermaria pediátrica com coqueluche confirmada por PCR de nasofaringe, em uso de azitromicina. O caso foi notificado imediatamente. Na investigação epidemiológica realizada pela equipe da unidade de saúde da família do território, identificam-se como comunicantes domiciliares: a mãe (assintomática), o pai (com tosse há 10 dias), um irmão de 3 anos com calendário vacinal completo para a idade e assintomático, e a avó materna, gestante de 34 semanas, que ainda não recebeu a dTpa nesta gestação. Segundo as recomendações do Ministério da Saúde, a conduta correta em relação aos comunicantes é
Correta: quimioprofilaxia com azitromicina para todos os comunicantes domiciliares, incluindo a gestante, e aplicação da dTpa nela. O Guia de Vigilância em Saúde indica quimioprofilaxia a todos os comunicantes íntimos quando no domicílio há menor de 1 ano (independentemente do estado vacinal) e/ou gestante no terceiro trimestre — as duas situações de risco estão presentes aqui; a azitromicina é segura na gestação e o esquema é o mesmo do tratamento. A dTpa está indicada a toda gestante a partir da 20ª semana, a cada gestação, para proteger o recém-nascido por transferência de anticorpos. Primeira alternativa: incorreta porque comunicantes assintomáticos ou oligossintomáticos transmitem a Bordetella pertussis, sendo justamente o elo de transmissão para lactentes. Segunda: restringir ao sintomático deixa desprotegidos os demais elos do domicílio de risco. Terceira: a vacinação não impede colonização e transmissão, e a imunidade é de curta duração — por isso o estado vacinal não dispensa a quimioprofilaxia nos domicílios com menor de 1 ano ou gestante.
Lactente de 3 meses, sexo feminino, é levada pela mãe à unidade de pronto atendimento por tosse há 12 dias. Iniciou com coriza e tosse leve, sem febre, e nos últimos 4 dias os episódios se tornaram intensos, em salvas, seguidos de guincho inspiratório, vômitos e cianose perioral transitória. Entre as crises, a criança permanece bem e ativa. A mãe refere que a irmã de 6 anos apresenta tosse seca há três semanas. A criança recebeu apenas a primeira dose da vacina pentavalente. Ao exame: afebril, FR 44 irpm, SatO2 96% em ar ambiente, ausculta pulmonar sem ruídos adventícios. Hemograma: leucócitos 29.500/mm³ com 72% de linfócitos. Qual é, respectivamente, o diagnóstico e a conduta adequada?
A tríade epidemiológica e clínica é típica de coqueluche: lactente com esquema vacinal incompleto (apenas 1ª dose de pentavalente), evolução em fases (catarral → paroxística), tosse em salvas com guincho, vômitos pós-tosse e cianose, criança bem entre as crises, ausculta limpa, ausência de febre, comunicante com tosse prolongada (irmã, provável caso índice) e leucocitose com linfocitose absoluta — marcador clássico de Bordetella pertussis e fator de gravidade em lactentes. Pelo Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, coqueluche é doença de notificação compulsória IMEDIATA (até 24 h), a confirmação se faz por cultura/PCR de swab de nasofaringe, o tratamento de escolha em menores de 1 mês e lactentes é a azitromicina, e todo menor de 6 meses com cianose/apneia deve ser internado pelo risco de apneia e morte. A quimioprofilaxia dos comunicantes domiciliares com azitromicina é indicada quando há menor de 1 ano no domicílio — não se deve aguardar a confirmação laboratorial para tratar, notificar ou profilaxiar. Bronquiolite ocorreria com taquipneia, sibilos/estertores e desconforto respiratório contínuo, não com paroxismos e ausculta normal. A pneumonia por C. trachomatis cursa com tosse em staccato, taquipneia, infiltrado intersticial e eosinofilia (não linfocitose), e ocorre em torno de 4-12 semanas com história de conjuntivite neonatal; além disso, ignora a notificação obrigatória e a profilaxia dos contatos. Tuberculose não explica o quadro paroxístico agudo com linfocitose, e postergar conduta em lactente com cianose é inaceitável.
Lactente de 2 meses é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde com história de 12 dias de tosse. Nos últimos dias, a tosse passou a ocorrer em acessos (crises paroxísticas) intensos, seguidos de um ruído inspiratório agudo (guincho) e, por vezes, de vômitos após o esforço. A criança fica bem no intervalo das crises, está afebril e tem cartão vacinal incompleto (não iniciou a vacina pentavalente). Ao exame, ausculta pulmonar sem estertores. Qual é o diagnóstico mais provável?
O quadro é típico de coqueluche na fase paroxística: acessos de tosse seguidos de guincho inspiratório e vômitos pós-tosse, criança afebril e bem entre as crises, ausculta limpa e vacinação incompleta (lactente jovem é o grupo de maior risco). Bronquiolite cursa com sibilos/estertores difusos e desconforto respiratório contínuo, geralmente febril e sem guincho clássico. Crupe apresenta tosse metálica (ladrido), estridor e rouquidão, não acessos paroxísticos com vômito. Pneumonia bacteriana costuma dar febre, taquipneia e achados focais à ausculta, ausentes aqui.
Lactente de 3 meses é atendido na UBS com 2 semanas de tosse que evoluiu para crises paroxísticas com cianose perioral e vômitos pós-tosse, mantendo-se afebril e em bom estado no intervalo das crises. O hemograma mostra leucócitos de 28.000/mm3 com 78% de linfócitos. Considerando o diagnóstico mais provável, qual é a conduta terapêutica de escolha?
A tosse paroxística afebril com leucocitose e linfocitose acentuada é altamente sugestiva de coqueluche; o macrolídeo é o tratamento de escolha, sendo a azitromicina o preferido em lactentes (inclusive nos menores de 1 mês, com menor risco de estenose hipertrófica de piloro que a eritromicina). Amoxicilina e penicilina benzatina não têm atividade adequada contra Bordetella pertussis. Corticoide/broncodilatador é conduta de asma ou obstrução brônquica, sem papel no manejo etiológico da coqueluche.
Um menino de 4 anos, moradorde área de abrangência de uma UBS, recebe diagnóstico confirmado de coqueluche. No domicílio vivem também um recém-nascido de 20 dias (sem doses vacinais) e a mãe, que amamenta e refere estar com o esquema vacinal de dTpa completo na gestação. Além da notificação compulsória e do tratamento do caso, qual é a conduta correta em relação à quimioprofilaxia dos contatos domiciliares?
A quimioprofilaxia com macrolídeo (azitromicina) está indicada para todos os comunicantes domiciliares de um caso de coqueluche independentemente da idade e do estado vacinal, pois a vacina não impede totalmente a transmissão; a prioridade é ainda maior quando há contato vulnerável, como recém-nascido/lactente menor de 1 ano e nutriz. Vacinação materna não substitui a profilaxia dos contatos. Penicilina benzatina não age contra Bordetella pertussis. Isolamento isolado não protege o recém-nascido de alto risco no mesmo domicílio.
Menina de 4 meses é atendida na unidade de emergência com história de tosse paroxística há 8 dias, com guincho e vômitos pós-tosse, além de dois episódios de apneia presenciados pela mãe. Está afebril, corada, saturando 96% em ar ambiente, com ausculta pulmonar sem ruídos adventícios. Recebeu apenas a primeira dose de penta. Hemograma: 28.500 leucócitos/mm³, 71% de linfócitos; radiografia de tórax com discreto infiltrado peri-hilar. A hipótese é de coqueluche e a criança será internada. Sobre a conduta neste momento, assinale a alternativa correta.
Correta: diante de caso clinicamente compatível, colhe-se o material de nasofaringe (cultura e/ou PCR) e o antibiótico é iniciado imediatamente, sem aguardar resultado — o tratamento precoce reduz transmissibilidade e, quando iniciado na fase catarral/início da paroxística, atenua os sintomas; a coleta deve preceder ou coincidir com a primeira dose para não comprometer a positividade. O macrolídeo de escolha em lactentes é a azitromicina, e a precaução para gotículas é mantida até 5 dias completos de antibiótico (ou 3 semanas do início dos paroxismos, se não tratada). Aguardar a cultura é inaceitável: ela é pouco sensível, demora dias e o retardo perpetua a transmissão em um lactente com apneia. Sorologia não é o método de escolha em lactentes (interpretação prejudicada por anticorpos maternos e pela vacinação, além de exigir amostras pareadas — diagnóstico retrospectivo). SMZ-TMP é alternativa apenas na contraindicação ou intolerância aos macrolídeos, e é proscrito em menores de 2 meses; a precaução, com tratamento, é de 5 dias e não de 21.
Recém-nascido de 18 dias de vida, a termo, em aleitamento materno exclusivo, assintomático, é levado à UBS. A mãe, de 24 anos, teve diagnóstico de coqueluche confirmado por PCR de nasofaringe há 2 dias, após 3 semanas de tosse paroxística; ela não recebeu dTpa na gestação e iniciou azitromicina ontem. Além dela, moram na casa o pai e uma irmã de 3 anos com vacinação em dia. O recém-nascido recebeu apenas BCG e hepatite B na maternidade. Está eupneico, sem tosse, apneia ou recusa alimentar. Assinale a conduta correta para o recém-nascido.
Correta: azitromicina 10 mg/kg/dia, uma vez ao dia, por 5 dias — é o macrolídeo de escolha para quimioprofilaxia e tratamento em menores de 1 mês, e nessa faixa a posologia é de 10 mg/kg/dia durante todos os 5 dias (o esquema 10 mg/kg no dia 1 seguido de 5 mg/kg do 2º ao 5º dia aplica-se a partir dos 6 meses). O recém-nascido é comunicante domiciliar de caso confirmado, menor de 1 ano e sem esquema vacinal contra coqueluche: profilaxia formalmente indicada, independentemente de estar assintomático. Eritromicina é a pegadinha clássica: além do esquema prolongado e da má adesão, associa-se a estenose hipertrófica de piloro em menores de 1 mês, motivo pelo qual foi substituída pela azitromicina nessa idade. Vacinar não substitui a profilaxia — a primeira dose de penta só é feita a partir de 2 meses e não protege em tempo hábil; aguardar a tosse ou a apneia significa esperar a forma potencialmente fatal no lactente jovem. Por fim, o tratamento materno iniciado há 1 dia ainda não interrompeu a transmissão (são necessários 5 dias) e o aleitamento materno não confere proteção suficiente contra a coqueluche.
Lactente de 2 meses, sexo feminino, é levada ao pronto-socorro com tosse há 12 dias, inicialmente seca e, na última semana, em acessos paroxísticos que terminam em vômito, com cianose perioral e um episódio de apneia presenciado pela mãe. Nega febre em todo o período. Vacinação: apenas BCG e hepatite B ao nascimento. Ao exame: afebril, FR 48 irpm, SatO2 96% em ar ambiente, ausculta pulmonar sem ruídos adventícios entre as crises. Hemograma: leucócitos 32.000/mm³ (linfócitos 68%, neutrófilos 24%), plaquetas 480.000/mm³. Radiografia de tórax sem consolidações. Assinale a conduta adequada.
Tosse paroxística com vômito pós-tussígeno, apneia e cianose em lactente não vacinado, afebril, com leucocitose de predomínio linfocitário e radiografia limpa configura coqueluche. Menores de 3 meses têm indicação formal de internação pelo risco de apneia e morte, e o macrolídeo de escolha nessa faixa é a azitromicina (10 mg/kg/dia por 5 dias), preferida à eritromicina pelo risco de estenose hipertrófica de piloro. Amoxicilina cobriria pneumonia afebril por Chlamydia trachomatis, que cursa com taquipneia, estertores e eosinofilia, não com guincho e leucocitose linfocítica. Corticoide e broncodilatador não têm eficácia na coqueluche e a bronquiolite não produz leucocitose de 32.000. Sulfametoxazol-trimetoprim é alternativa apenas acima dos 2 meses e a conduta ambulatorial é inadequada nessa idade.
Lactente de 2 meses, com apenas uma dose de pentavalente, é levado à emergência com história de 12 dias de coriza e tosse, que se intensificou na última semana. A mãe descreve acessos de tosse seguidos de vômito e um episódio de cianose peribucal e apneia durante a mamada. Entre as crises, a criança está afebril e com bom estado geral. Ao exame: taquipneia leve, ausculta pulmonar sem alterações. Hemograma: leucócitos 32.000/mm³ com 68% de linfócitos. A mãe apresenta tosse seca há 3 semanas. A criança tem uma irmã de 4 anos e o pai reside no domicílio. Assinale a conduta correta.
Tosse paroxística com vômito pós-tosse, apneia/cianose em lactente menor de 3 meses com esquema vacinal incompleto, ausência de febre, leucocitose com linfocitose e fonte adulta com tosse prolongada configuram coqueluche. O tratamento de escolha no menor de 1 mês e nos demais lactentes é o macrolídeo — azitromicina —, e menores de 6 meses com formas graves (apneia, cianose) têm indicação de internação pelo risco de complicações. A quimioprofilaxia dos contatos domiciliares é obrigatória e usa o mesmo macrolídeo, independentemente do estado vacinal, além da notificação compulsória imediata. Amoxicilina-clavulanato e ceftriaxona não são eficazes contra Bordetella pertussis, e rifampicina é a profilaxia de doença meningocócica/H. influenzae tipo b, não de coqueluche. Afirmar que o antibiótico não altera a transmissibilidade é incorreto: o macrolídeo erradica o agente da nasofaringe e interrompe a cadeia de transmissão, ainda que não encurte os paroxismos quando iniciado tardiamente.
Lactente de 4 meses, 6,5 kg, com coqueluche confirmada por reação em cadeia da polimerase, inicia tratamento ambulatorial com azitromicina. Segundo os esquemas terapêuticos do Ministério da Saúde, qual é a posologia correta?
A tabela separa a azitromicina em duas posologias, e a fronteira está nos 6 meses. Abaixo dessa idade, a dose é de 10 mg/kg por dia em dose única durante todos os cinco dias, esquema que o próprio documento declara preferido nessa faixa; a partir dos 6 meses, passa a ser 10 mg/kg no primeiro dia e 5 mg/kg do segundo ao quinto. A diferença não é cosmética: o esquema do lactente entrega 50 mg/kg no total do tratamento e o da criança maior, 30 mg/kg, uma razão de 1,67 vez. Aplicar a posologia decrescente a um lactente de 4 meses subdosa o paciente por uma conta de calendário. A duração de cinco dias vale para todas as idades, o que elimina o esquema de sete e o de três dias, e a dose de 20 mg/kg não existe em nenhuma linha da tabela.
Menina de 4 anos com tosse paroxística há duas semanas tem hipótese clínica de coqueluche levantada na unidade básica de saúde. O hemograma mostra 9.800 leucócitos com 38% de linfócitos e a radiografia de tórax não evidencia consolidação. Qual é a interpretação correta desses exames?
O Guia afirma que a presença de leucocitose com linfocitose confere forte suspeita clínica, mas que a ausência desses achados não exclui o diagnóstico — e nomeia os grupos em que a linfocitose pode faltar: lactentes, pacientes vacinados e quadros clínicos atípicos. Na seção de confirmação, o documento repete que o hemograma é exame complementar indicativo, e não determinante, porque a situação vacinal influencia o resultado; a confirmação clínica analisa em conjunto sintomatologia, idade, situação vacinal, tempo de tosse e hemograma, variáveis que não são excludentes entre si. A radiografia é recomendada em menores de 4 anos para diagnóstico diferencial e pesquisa de complicações, e o coração borrado é achado característico, não específico nem obrigatório. Dizer que esses exames não são complementares neste agravo contraria a própria seção que os descreve.
Recém-nascido de 22 dias, assintomático, é contato domiciliar de um caso confirmado de coqueluche. Conforme o Quadro 1 do Guia de Vigilância em Saúde, qual esquema de quimioprofilaxia deve ser prescrito?
Tratamento e quimioprofilaxia usam os mesmos esquemas, e a azitromicina é a primeira escolha: abaixo de 6 meses, 10 mg/kg em dose única diária durante cinco dias, esquema declarado preferido nessa faixa. As demais opções esbarram em restrições da própria tabela. A eritromicina, no Guia, é não recomendada em menores de 1 mês pela associação com a síndrome de hipertrofia pilórica — e a posologia de 125 mg de seis em seis horas pertence à faixa de 1 a 24 meses. A claritromicina é não recomendada abaixo de 1 mês nos dois documentos vigentes. A sulfametoxazol-trimetoprima é contraindicada abaixo de 2 meses. E a criança menor de 1 ano é elegível para profilaxia independentemente da situação vacinal, o que elimina a conduta expectante.
Durante investigação domiciliar de um caso confirmado de coqueluche em lactente de 5 meses, identifica-se que o pai apresenta tosse seca há doze dias, sem paroxismos e sem guincho. Ele é assintomático quanto a febre e trabalha em escritório. Qual é a conduta correta em relação a ele?
Tossidor identificado entre os comunicantes de um caso deixa de ser contato e passa a ser caso suspeito: o documento manda notificar e tratar independentemente do resultado laboratorial, colhendo material de nasofaringe preferencialmente antes do antibiótico. Além disso, ele já preenche a definição por um caminho que dispensa prazo — indivíduo com tosse, em qualquer período, com história de contato próximo com caso confirmado por critério laboratorial. A ausência de paroxismo e de guincho não afasta nada: é a apresentação atípica esperada em adolescentes e adultos vacinados há mais de cinco anos, e é exatamente esse perfil que costuma ser a fonte de infecção do lactente da casa. Como tratamento e quimioprofilaxia usam o mesmo esquema, a receita não muda — o que muda é a notificação, a coleta e a contagem de casos para caracterizar surto domiciliar.
Pai de um lactente de 2 meses internado por coqueluche pergunta se o filho de 12 anos, com esquema básico completo e os dois reforços na infância, deveria receber uma dose de vacina acelular do adulto como reforço de rotina. Segundo o posicionamento vigente do Programa Nacional de Imunizações, qual é a resposta correta e o argumento que a sustenta?
A câmara técnica de assessoramento em imunizações concluiu, em reunião de novembro de 2024, pela não introdução da dose de reforço em adolescentes no Brasil neste momento, com dois argumentos registrados: as vacinas de pertussis acelular não impedem a colonização da orofaringe pela bactéria nem modificam a dinâmica populacional da doença como fazem as de células inteiras, e nos países que introduziram esse reforço não se observou redução da incidência em menores de 1 ano, faixa em que se concentraram os óbitos de 2024. A mesma decisão revogou a avaliação de vacinação seletiva com a acelular do adulto para contatos a partir de 7 anos. Afirmar que a proteção é permanente contraria o próprio Guia, que registra queda da proteção após cinco a dez anos da última dose. As sociedades brasileiras de pediatria e de imunizações recomendam o reforço na adolescência, mas em idades que nem elas fazem coincidir, e essa recomendação não está no calendário público.
Criança de 5 anos com diagnóstico clínico de coqueluche inicia azitromicina hoje na unidade básica de saúde. A mãe pergunta quando ela pode voltar à escola e a equipe pergunta em quanto tempo a notificação precisa ser feita. Segundo as normas vigentes, quais são as respostas?
O afastamento de creche, escola ou trabalho é de pelo menos cinco dias após o início do tratamento com antibiótico; o prazo de 21 dias contados do início da tosse, ou de três semanas após o início dos paroxismos conforme o documento consultado, aplica-se apenas a quem não recebeu antibioticoterapia. Não existe liberação imediata: a orientação de evitar contato com gestantes, bebês e crianças pequenas e de usar máscara em ambientes fechados vale pelos mesmos cinco dias. Quanto à vigilância, a coqueluche integra a lista de notificação compulsória imediata, em até 24 horas, dirigida às secretarias estadual e municipal de saúde, e a notificação nasce da suspeita clínica — condicioná-la ao resultado laboratorial atrasaria justamente as medidas de bloqueio que dependem de rapidez.
Lactente de 3 meses é internado com quadro clínico compatível com coqueluche, com dez dias de tosse e sem uso prévio de antibiótico. A equipe solicita confirmação laboratorial e a enfermagem pergunta como colher. Conforme a nota técnica do laboratório central de 2025, qual conduta está correta?
A nota lista os materiais aceitos para a haste — alginato de cálcio, dacron, nylon, rayon ou flocada — e proíbe expressamente o algodão comum, que contém substâncias tóxicas para a bactéria e compromete sua viabilidade. O sítio é a parede posterior da nasofaringe, com movimentos rotatórios por 10 a 20 segundos, porque o agente tem tropismo pelo epitélio respiratório ciliado; orofaringe é sítio errado. O meio é o Regan-Lowe, ágar carvão suplementado com sangue desfibrinado e cefalexina, e o transporte é sob refrigeração de 2 a 8 graus, protegido da luz, preferencialmente em até seis horas e no máximo em 72 — não congelado e não em temperatura ambiente. Hemocultura não tem lugar: a doença é de mucosa respiratória e cursa sem bacteremia.
Menino de 3 anos recebe diagnóstico de coqueluche confirmada por laboratório. No domicílio moram os pais, hígidos e assintomáticos, e uma irmã de 6 anos com calendário vacinal completo, também assintomática. Não há gestantes, lactentes, imunocomprometidos nem portadores de doença pulmonar crônica na casa. Aplicando o Quadro 2 da nota técnica conjunta de 2025 do Programa Nacional de Imunizações, qual é a conduta quanto à quimioprofilaxia dos contatos?
Na régua de 2025, os contatos domiciliares formam o Grupo 2 porque residem ou convivem no mesmo ambiente de alguém do Grupo 1 — e é essa convivência que dispensa a situação vacinal deles. Nesta casa não há ninguém do Grupo 1: não há menor de 1 ano, imunocomprometido nem portador de asma moderada ou grave ou de outra pneumopatia. Também não há ninguém do Grupo 3, que reúne gestante a partir da 32ª semana não vacinada nesta gestação, profissional de saúde que assiste vulneráveis e quem convive em creche que atende menores de 1 ano. A nota é explícita ao dizer que os contatos próximos fora do quadro não são elegíveis, podem manter suas atividades de rotina e precisam apenas ser monitorados quanto ao aparecimento de sintomas — se algum começar a tossir, passa a caso suspeito. Vale notar que a régua anterior, do Guia de Vigilância em Saúde, chegaria a resultado diferente para uma criança de 1 a 7 anos com menos de quatro doses.
Lactente de 6 meses e 4 dias é levado à unidade básica por tosse há 12 dias, que há três dias ocorre em acessos seguidos de guincho inspiratório, com dois episódios de apneia presenciados pela mãe. Está afebril, em bom estado entre as crises, com ausculta pulmonar limpa. Recebeu as três doses de penta nas idades recomendadas. Não há surto declarado no território. Considerando a definição de caso do Guia de Vigilância em Saúde, qual afirmação descreve corretamente a situação dele?
Com 6 meses e 4 dias ele está na faixa dos indivíduos com 6 meses ou mais, para a qual a definição exige tosse há quatorze dias ou mais — ele tem doze — associada a tosse paroxística, guincho inspiratório ou vômitos pós-tosse. A apneia integra a lista de sintomas apenas na faixa dos menores de 6 meses, junto com cianose e engasgo, e desaparece da lista quando a criança completa seis meses; por isso ela não serve de gatilho aqui. Ainda assim o documento prevê que, havendo forte suspeita clínica do médico assistente, se colha swab de nasofaringe e se trate adequadamente mesmo sem cumprir todos os critérios, o que resolve a vinheta. Afirmar que doze dias bastam a partir dos 6 meses troca o número de uma faixa pelo da outra. E a confirmação por critério clínico pressupõe que a definição de suspeito já esteja preenchida, o que não é o caso.
Numa creche que atende crianças de 1 a 4 anos, dois casos de coqueluche são confirmados com intervalo de dezoito dias entre os inícios de sintomas, um deles por reação em cadeia da polimerase, com evidência de transmissão no próprio ambiente. Declarado o surto, uma criança de 3 anos da mesma sala apresenta tosse seca há dezesseis dias, sem paroxismo, sem guincho e sem vômito. Qual é a classificação e a conduta corretas para essa criança?
Em situação de surto a definição de caso fica deliberadamente mais sensível: passa a bastar tosse há dez dias ou mais em menores de 6 meses e tosse há quatorze dias ou mais a partir dessa idade, sem exigir tosse paroxística, guincho inspiratório ou vômitos pós-tosse e independentemente da situação vacinal. Com 3 anos e dezesseis dias de tosse, a criança preenche a definição de surto — e o documento acrescenta que todo comunicante que teve contato íntimo com caso suspeito que atenda à definição em surto é considerado caso suspeito e deve receber tratamento, não profilaxia. O cenário descrito satisfaz a definição de surto institucional: dois ou mais casos, ao menos um confirmado por critério laboratorial, dentro do intervalo máximo de 42 dias e no mesmo espaço de convívio, com evidência de transmissão local. O prazo de 42 dias é o de manutenção da área sob vigilância, não o de monitoramento individual, que é de 21 dias.
Menino de 2 anos, com esquema vacinal incompleto para difteria, tétano e coqueluche, é contato domiciliar de um caso confirmado de coqueluche e convive na mesma casa com um irmão de 3 meses. Recebeu quimioprofilaxia com azitromicina por cinco dias, encerrada ontem, e permanece assintomático. Quando aplicar a dose de vacina com componente pertussis que falta?
A nota técnica conjunta de 2025 trouxe uma regra nova e contraintuitiva: considerando o período de incubação, casos e contatos elegíveis para vacinação devem receber a vacina com intervalo mínimo de 15 dias após a conclusão do antibiótico ou da quimioprofilaxia; e, se o contato desenvolver sintomas, adia-se até o resultado laboratorial ou o encerramento da investigação. Material anterior a 2025 afirma exatamente o oposto — que a profilaxia não contraindica a vacinação —, e essa frase ainda circula, o que torna a resposta imediata a mais tentadora. Os 42 dias são o prazo em que a área fica sob vigilância após o último caso, e os 21 dias são a janela de monitoramento dos contatos e também o prazo para fazer a profilaxia contado da exposição; nenhum dos dois governa a vacinação. Não há exigência de swab negativo para vacinar. E a vacinação seletiva de menores de 7 anos com esquema ausente, incompleto ou desconhecido permanece indicada, com a janela do componente pertussis indo até 6 anos, 11 meses e 29 dias.
Homem de 24 anos apresenta tosse há 7 semanas, em acessos paroxísticos intensos seguidos de vômito, com guincho inspiratório ocasional. Entre as crises, permanece assintomático e o exame pulmonar é normal. Hemograma com linfocitose. Qual a hipótese mais provável?
Tosse paroxística prolongada com vômito pós-tussígeno, guincho inspiratório e ausculta normal entre os acessos é a assinatura da coqueluche no adulto, cuja imunidade vacinal decai com o tempo — a linfocitose reforça. Reconhecer importa por dois motivos: o adulto é a fonte de contágio para o lactente não vacinado, e há indicação de macrolídeo e de profilaxia dos contatos. Asma engana porque também dá tosse noturna, mas costuma vir com sibilos e resposta a broncodilatador, sem o padrão paroxístico com vômito. Tuberculose produziria alteração radiológica e sintomas consuntivos, ausentes aqui.
Qual é o antimicrobiano de escolha para tratamento e quimioprofilaxia da coqueluche?
Os macrolídeos são o tratamento e a profilaxia da coqueluche, e a azitromicina é preferida em lactentes por melhor tolerância e por menor associação com estenose hipertrófica do piloro do que a eritromicina. Beta-lactâmicos não têm ação sobre a Bordetella, e doxiciclina não é indicada em crianças pequenas — escolher amoxicilina é o erro mais comum na emergência.
Sobre a fase catarral da coqueluche, assinale a alternativa correta.
A coqueluche transmite mais quando ainda parece um resfriado, o que explica por que o diagnóstico costuma ser feito tarde e por que a busca de contatos é crucial. Os paroxismos e o guincho pertencem à fase seguinte, quando a transmissibilidade já está caindo — a febre alta não é característica em nenhuma das fases e sua presença sugere complicação ou outro diagnóstico.
Lactente de 2 meses, com esquema vacinal incompleto, apresenta há 10 dias tosse que evoluiu para acessos paroxísticos seguidos de cianose e vômitos, sem febre. Hemograma com leucócitos de 32.000/mm3 e 78% de linfócitos. Qual a hipótese e a conduta?
Tosse paroxística com cianose e vômito pós-tussígeno em lactente jovem, sem febre e com leucocitose às custas de linfócitos, é coqueluche — o guincho inspiratório costuma faltar justamente nessa idade, que é a de maior mortalidade. Menores de três meses devem ser internados pelo risco de apneia e de hiperleucocitose com hipertensão pulmonar.
Qual conduta é indicada para os contatos domiciliares próximos de um caso confirmado de coqueluche?
A quimioprofilaxia com macrolídeo é indicada aos contatos próximos mesmo quando vacinados, porque a proteção vacinal não impede colonização e transmissão — lactentes menores de um ano e gestantes no terceiro trimestre são prioridade absoluta. Restringir a profilaxia aos sintomáticos perde justamente os que estão transmitindo na fase catarral.
Sobre a estratégia de proteção do lactente contra coqueluche no Brasil, assinale a alternativa correta.
A vacinação materna em cada gestação, a partir da vigésima semana, é a medida que protege o lactente no intervalo mais perigoso, antes que o esquema próprio produza imunidade. A proteção da vacinação da infância materna não persiste e não se transfere de forma adequada, e uma dose isolada de pentavalente aos dois meses não confere proteção suficiente.
Lactente de 3 meses com coqueluche apresenta leucócitos de 68.000/mm3 com linfocitose, taquipneia e hipoxemia progressiva. Qual complicação deve ser temida?
A hiperleucocitose extrema forma agregados leucocitários na microcirculação pulmonar, gerando hipertensão pulmonar refratária e choque — é a principal causa de morte em lactentes com coqueluche maligna, e leucócitos acima de 50.000 já servem como alerta. Nesses casos considera-se remover leucócitos por exsanguineotransfusão ou leucaférese antes da deterioração irreversível.
Lactente com coqueluche apresenta piora súbita com taquicardia, hipotensão, hipoxemia refratária e leucócitos de 85.000/mm3. Qual a conduta a ser considerada em centro de referência?
A coqueluche maligna com leucocitose extrema evolui para hipertensão pulmonar refratária, e reduzir mecanicamente a massa leucocitária é a medida de resgate descrita em centros de referência, ao lado do suporte intensivo. Aumentar a dose do antimicrobiano não reverte o processo mecânico já instalado, e a imunoglobulina específica não tem eficácia estabelecida.
Sobre o hemograma na coqueluche do lactente, assinale a alternativa correta.
A toxina pertussis impede o retorno dos linfócitos aos linfonodos, produzindo linfocitose absoluta com leucocitose — padrão que ajuda a diferenciar de infecções bacterianas comuns, em que predominam neutrófilos. Além do valor diagnóstico, a magnitude da leucocitose é marcador prognóstico e orienta a vigilância em unidade intensiva.
Qual complicação respiratória é mais frequente em lactentes com coqueluche e contribui de forma importante para a mortalidade?
A pneumonia é a complicação mais comum e a principal causa de morte nos lactentes com coqueluche, seja por extensão da própria infecção, seja por sobreposição bacteriana — daí a atenção redobrada quando surge febre em um quadro que costuma ser afebril. As demais complicações listadas são raras e não explicam a letalidade observada nessa faixa etária.
Sobre as medidas de isolamento em paciente internado com coqueluche, assinale a alternativa correta.
A transmissão ocorre por gotículas respiratórias, e a precaução correspondente é mantida por cinco dias após o início do macrolídeo, quando a transmissibilidade cai drasticamente. Sem tratamento, o período de transmissão se estende por semanas, o que reforça o papel do antibiótico como medida de controle mesmo quando já não altera os sintomas.
Qual é a duração aproximada das três fases clássicas da coqueluche não tratada?
A doença segue um curso longo, com fase catarral de uma a duas semanas, paroxística de duas a seis e convalescença que pode se arrastar por meses — a expressão tosse dos cem dias resume bem essa evolução. Conhecer essa cronologia ajuda a orientar a família de que os acessos vão persistir mesmo com o antimicrobiano corretamente administrado.
Qual é a orientação correta sobre o uso de antitussígenos, corticoides e broncodilatadores na coqueluche do lactente?
Nenhuma dessas classes demonstrou reduzir a frequência ou a intensidade dos paroxismos, e antitussígenos opioides são proibidos em lactentes pelo risco de depressão respiratória. O tratamento eficaz se resume ao antimicrobiano e ao suporte — prescrever broncodilatador porque a criança tosse e cianosa é a transposição equivocada do raciocínio da asma.
Adolescente de 16 anos, vacinado na infância, apresenta tosse persistente há 4 semanas, em acessos, com vômito ao final dos episódios, sem febre. Trabalha como monitor em creche. Qual a hipótese e a implicação epidemiológica?
A imunidade conferida pela vacina de coqueluche se perde ao longo dos anos, e adolescentes e adultos com tosse arrastada são a principal fonte de infecção para lactentes ainda não protegidos. Reconhecer isso muda a conduta: além de tratar, é preciso rastrear contatos e proteger os bebês da creche, o que uma prescrição isolada de antitussígeno jamais alcançaria.
Um lactente de 2 meses recebeu apenas a primeira dose da vacina pentavalente. A família pergunta se ele está protegido contra a coqueluche. Qual a resposta correta?
A imunidade se constrói ao longo do esquema primário, deixando o lactente vulnerável exatamente nos primeiros meses, que são os de maior letalidade — por isso a proteção depende da vacinação materna na gestação e da estratégia de cercar o bebê com contatos imunizados. Assumir proteção após a primeira dose gera falsa segurança e afrouxa essas medidas.
Lactente de 6 semanas, filho de mãe não vacinada com dTpa na gestação, apresenta há 8 dias coriza e tosse leve, evoluindo agora com acessos de tosse seguidos de cianose perioral. Está afebril. Qual a conduta?
Lactente abaixo de três meses com suspeita de coqueluche tem indicação de internação pelo risco de apneia súbita, hiperleucocitose e evolução para hipertensão pulmonar — a monitorização é a razão do internamento, tanto quanto o antibiótico. A ausência de mãe vacinada na gestação e a ausência de febre reforçam a hipótese e afastam o raciocínio de pneumonia bacteriana.
Qual é o método diagnóstico de maior rendimento na coqueluche nas primeiras semanas de doença?
A reação em cadeia da polimerase em material de nasofaringe combina boa sensibilidade e rapidez nas primeiras semanas, superando a cultura, que é muito específica porém lenta e de rendimento decrescente. A sorologia só é útil em fases tardias e não ajuda na decisão inicial, e a radiografia serve apenas para avaliar complicações, jamais para confirmar o agente.
Sobre o diagnóstico diferencial da tosse paroxística no lactente, qual condição deve ser considerada além da coqueluche?
A síndrome coqueluchoide pode ser causada por outras bordetelas, por Mycoplasma, por Chlamydia trachomatis no lactente jovem e por vírus respiratórios, além de causas mecânicas como corpo estranho. Reconhecer esse leque evita tanto o subdiagnóstico quanto a conclusão precipitada — a pneumonia afebril do lactente por clamídia, com eosinofilia, é um diferencial clássico.
Lactente de 4 meses com coqueluche apresenta apneia sem paroxismos exuberantes de tosse. Qual a interpretação?
Em lactentes muito jovens a coqueluche pode se manifestar por apneia, bradicardia e cianose sem a tosse típica, e esse é justamente o subgrupo de maior mortalidade — o que sustenta a indicação de internar menores de três meses com suspeita. Interpretar a ausência de paroxismos como evidência contra o diagnóstico é o erro que manda para casa o paciente de maior risco.
Sobre o momento de maior benefício do tratamento antimicrobiano na coqueluche, assinale a alternativa correta.
O tratamento nas primeiras uma a duas semanas, antes dos paroxismos, tem maior chance de reduzir a gravidade dos sintomas. Administrado muito tardiamente, não modifica o curso nem previne transmissão. O CDC orienta, em geral, tratar pessoas a partir de um ano até três semanas do início da tosse, e lactentes e gestantes até seis semanas, conforme risco. Suspeita clínica forte ou risco elevado justificam considerar tratamento antes da confirmação laboratorial. Referência: CDC, Treatment of Pertussis, atualização de 2025.
Qual complicação da coqueluche em lactente jovem está associada a leucocitose extrema e alta mortalidade?
A coqueluche maligna do lactente jovem cursa com leucocitose extrema, muitas vezes acima de 50.000/mm³, hiperviscosidade com obstrução da microvasculatura pulmonar, hipertensão pulmonar e choque refratário, com mortalidade elevada e eventual indicação de exsanguineotransfusão ou suporte extracorpóreo. Otite serosa e rinossinusite são complicações banais de outras infecções respiratórias. Laringomalácia é condição congênita. Bronquiectasia pode ser sequela tardia de infecções repetidas, mas não surge agudamente nem explica o risco de morte descrito.
Qual é o exame de escolha para confirmação da coqueluche nas primeiras semanas de sintomas?
A PCR em amostra de nasofaringe tem boa sensibilidade nas primeiras semanas e é o método de escolha na prática, complementada pela cultura, que é específica mas de rendimento menor e mais demorada. Sorologia tem papel em quadros tardios e é difícil de interpretar em vacinados. Hemocultura não detecta Bordetella, que não causa bacteremia. Radiografia serve para investigar complicações, como pneumonia, e o escarro para bacilo álcool-ácido resistente investiga tuberculose, diagnóstico diferencial de tosse arrastada, mas não confirma coqueluche.
Qual estratégia é a mais efetiva para proteger o lactente menor de 2 meses contra a coqueluche?
A vacinação da gestante com dTpa a partir da 20ª semana, repetida a cada gestação, transfere anticorpos ao feto e protege o recém-nascido no intervalo em que ele ainda não completou o esquema — é a medida de maior impacto na mortalidade por coqueluche em lactentes jovens. A vacina acelular não é aplicada ao nascimento, e o esquema começa aos 2 meses, não aos 6. Isolamento domiciliar prolongado é impraticável, e quimioprofilaxia contínua não é estratégia preventiva populacional.
Qual é a conduta com os contatos domiciliares de um caso confirmado de coqueluche?
A quimioprofilaxia com macrolídeo é indicada a contatos domiciliares e a comunicantes de risco — lactentes, gestantes no terceiro trimestre, pessoas que convivem com lactentes e imunodeprimidos — associada à atualização do esquema vacinal. Afirmar que não há transmissão fora da fase paroxística é falso: o período catarral é o de maior transmissibilidade. Isolamento sem antibiótico não interrompe a cadeia. E exigir PCR de todos antes de agir atrasa a profilaxia justamente em quem tem maior risco de doença grave.
Sobre as fases clínicas da coqueluche, qual afirmação é correta?
A criança transmite mais justamente quando o quadro parece banal, com coriza e tosse leve, porque a carga bacteriana em nasofaringe é máxima antes do surgimento dos paroxismos; quando a tosse característica aparece, a transmissibilidade já está caindo. Isso explica por que a quimioprofilaxia dos contatos é feita mesmo com o caso índice já em fase paroxística, e por que a doença circula tanto antes de ser reconhecida. A febre é caracteristicamente ausente ou baixa.
Qual conduta é indicada para lactente de 6 semanas com coqueluche confirmada e episódios de apneia durante as crises de tosse?
Lactente com menos de 3 meses, apneia, cianose ou dificuldade alimentar tem indicação de internação com monitorização, porque as complicações — apneia, hipertensão pulmonar, pneumonia e encefalopatia — concentram-se justamente nessa faixa, que também tem a maior letalidade. O macrolídeo reduz transmissão e encurta o período contagioso, embora modifique pouco a evolução se iniciado tardiamente. Manejo ambulatorial em bebê com apneia é conduta de risco. Corticoide e broncodilatador não alteram o curso da coqueluche.
Lactente de 6 semanas, não vacinado, apresenta acessos de tosse que terminam em cianose e apneia, sem guincho inspiratório e sem febre. Hemograma com 32.000 leucócitos e linfocitose absoluta. Qual o diagnóstico e a conduta?
No lactente muito jovem a coqueluche frequentemente se apresenta sem o guincho clássico, e a manifestação que denuncia a gravidade é a apneia associada aos acessos, motivo pelo qual esses pacientes são internados e monitorados. A linfocitose absoluta acentuada é a pista laboratorial, e contagens muito elevadas correlacionam-se com hipertensão pulmonar e pior prognóstico. Tratar ambulatorialmente como bronquiolite é o erro que deixa a apneia sem vigilância.
Qual é o esquema vacinal contra coqueluche na criança segundo o calendário nacional?
O esquema básico usa a pentavalente aos 2, 4 e 6 meses, com reforços com DTP aos 15 meses e aos 4 anos, além do dTpa na gestante a cada gestação e em profissionais de saúde. Esquemas com dose única ou apenas duas doses não conferem proteção adequada durante o primeiro ano, exatamente quando a letalidade é maior. Não há dose ao nascimento. E limitar a vacinação à adolescência deixaria descoberta a faixa em que a doença mata — a proteção do lactente depende do esquema precoce somado à vacinação materna.
Lactente de 2 meses com síndrome coqueluchoide, quadro clínico compatível, porém com PCR negativa para Bordetella pertussis. Qual agente pode produzir quadro semelhante?
Adenovírus, Mycoplasma pneumoniae, Chlamydia trachomatis, vírus sincicial respiratório e Bordetella parapertussis produzem síndrome coqueluchoide, com tosse paroxística indistinguível clinicamente da coqueluche — daí a importância da confirmação laboratorial, que muda a necessidade de quimioprofilaxia dos contatos. Estreptococo do grupo A causa faringite e escarlatina. Rotavírus é agente de gastroenterite. Enterovírus 71 associa-se a doença mão-pé-boca e complicações neurológicas. Meningococo causa doença invasiva aguda, não tosse crônica paroxística.
Lactente de 3 meses com tosse em acessos, congestão facial durante os episódios e vômitos pós-tosse há 2 semanas, afebril, com bom estado geral entre as crises. Hemograma com leucócitos de 28.000/mm³ e 70% de linfócitos. Qual o diagnóstico mais provável?
Tosse paroxística com congestão facial e vômitos pós-tosse, criança afebril e bem entre as crises, com leucocitose e linfocitose absoluta é a assinatura clássica da coqueluche. A bronquiolite é o distrator mais forte na mesma faixa etária, mas cursa com sibilância, taquipneia contínua e coriza, e o hemograma não mostra esse padrão linfocitário. Pneumonia bacteriana traz febre e toxemia. Asma do lactente não produz linfocitose e tem sibilância recorrente. Tuberculose tem curso arrastado com febre vespertina e perda de peso.
Sobre a quimioprofilaxia dos contatos de um caso de coqueluche, qual afirmação está correta?
A vacina reduz a doença grave, mas não impede completamente a colonização e a transmissão, de modo que contatos vacinados também recebem quimioprofilaxia quando convivem com o caso, com prioridade para lactentes menores de um ano, gestantes no terceiro trimestre e pessoas que convivem com esses grupos. O antibiótico é o mesmo macrolídeo do tratamento, e betalactâmicos como a amoxicilina não são eficazes contra a Bordetella.
Qual característica clínica ajuda a diferenciar bronquiolite de coqueluche no lactente?
A distinção prática está no intervalo entre as crises e na ausculta: na coqueluche o lactente fica bem entre os paroxismos e a ausculta costuma ser limpa, enquanto na bronquiolite há sibilância difusa e desconforto respiratório contínuo. O guincho inspiratório pertence à coqueluche, não à bronquiolite, e mesmo assim é ausente na maioria dos lactentes pequenos. Febre alta com toxemia não é típica da coqueluche. E a linfocitose acentuada é achado da coqueluche, não da bronquiolite.
Sobre a prevenção da coqueluche no lactente jovem, qual estratégia tem maior impacto?
O lactente só completa o esquema primário depois dos primeiros meses, exatamente a fase em que a coqueluche mata, e por isso a estratégia mais eficaz é a transferência de anticorpos maternos pela vacinação na gestação, repetida a cada gravidez independentemente do intervalo. Somam-se a isso a vacinação dos contatos próximos e a quimioprofilaxia dos comunicantes dos casos, mas o pilar é a imunização materna.
Lactente de 45 dias é levado ao pronto-atendimento por tosse em acessos, seguidos de cianose e vômito pós-tosse, há 10 dias. Não teve febre. A mãe recebeu apenas uma dose de vacina na gestação, no oitavo mês, e a criança tomou a primeira dose de pentavalente há 3 dias. Ao exame, apresenta-se afebril, com episódios de tosse paroxística presenciados e leucocitose de 32.000 por milímetro cúbico com linfocitose. Qual é a conduta terapêutica de escolha?
Tosse paroxística com cianose e vômito pós-tosse em lactente menor de 3 meses, com leucocitose e linfocitose, caracteriza coqueluche de alto risco, indicando internação para vigilância de apneia e macrolídeo, sendo a azitromicina a droga de escolha nessa idade. A amoxicilina não erradica a Bordetella pertussis. O corticoide e o broncodilatador não modificam a evolução da doença. O oseltamivir trata influenza, que não cursa com esse padrão de tosse e hemograma.
Lactente de 5 meses, previamente hígido, é levado ao pronto-atendimento com tosse há 12 dias, em acessos paroxísticos, seguidos de vômito pós-tussígeno e cianose perioral durante as crises. Está afebril, com bom estado geral entre os episódios. A mãe não completou o esquema vacinal do bebê. Hemograma com leucocitose de 28.000/mm³ e linfocitose de 70%. Qual é o diagnóstico e a conduta?
Tosse paroxística prolongada com vômito pós-tussígeno e cianose em lactente com vacinação incompleta, associada a leucocitose com linfocitose, caracteriza coqueluche, doença de notificação imediata que exige macrolídeo e quimioprofilaxia de contatos. A bronquiolite cursa com sibilância difusa e desconforto respiratório contínuo, geralmente com febre e coriza prévias. A pneumonia bacteriana apresenta febre, taquipneia e consolidação, sem esse padrão paroxístico. A asma do lactente não explica o hemograma nem o padrão epidemiológico vacinal.
Criança de 8 anos apresenta há 3 semanas tosse em acessos, com paroxismos que terminam em vômito, sem febre. Já foi tratada com amoxicilina sem melhora. Frequenta escola e há outros casos com tosse prolongada. Hemograma mostra leucócitos de 22.000 por milímetro cúbico com 70 por cento de linfócitos. Qual é a conduta correta?
Tosse paroxística prolongada com vômito pós-tosse e linfocitose é compatível com coqueluche, que ocorre em escolares e adolescentes pela perda progressiva de proteção vacinal, exigindo macrolídeo, notificação e quimioprofilaxia de contatos de risco, sobretudo lactentes. Considerar impossível a doença em vacinados desconhece a queda da imunidade ao longo dos anos. O corticoide não altera o curso da coqueluche. A broncoscopia investiga aspiração de corpo estranho, com história e apresentação distintas.
Mulher de 34 anos procura a Unidade Básica de Saúde com tosse há cinco semanas, em acessos intensos que terminam com vômito e sensação de falta de ar, com predomínio noturno, sem febre. Trabalha em creche e relata que dois lactentes da instituição foram internados recentemente com quadro respiratório grave. Ao exame: bom estado geral, afebril, ausculta pulmonar limpa, sem dispneia entre os acessos. A radiografia de tórax é normal e o hemograma mostra linfocitose. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta?
Tosse prolongada em acessos com vômito pós-tussígeno e linfocitose, em profissional de creche com lactentes internados, sugere coqueluche no adulto, que costuma ser a fonte de infecção para lactentes, exigindo antibiótico, notificação, profilaxia dos contatos e atualização vacinal. A asma cursa com sibilância e resposta a broncodilatador, ausentes. A tuberculose apresenta sintomas consumptivos e alterações radiológicas, não descritas. O refluxo pode causar tosse crônica, mas não explica os acessos paroxísticos com vômito e o vínculo epidemiológico com casos graves em lactentes.
Lactente de 2 meses é internado com diagnóstico confirmado de coqueluche, apresentando acessos de tosse com cianose e dois episódios de apneia. A equipe de vigilância avalia os contatos domiciliares: a mãe, o pai, um irmão de 5 anos com esquema vacinal completo e a avó de 68 anos, que reside na mesma casa e cuida da criança durante o dia. Todos estão assintomáticos no momento e não há outros casos identificados na comunidade até então. A conduta correta em relação aos contatos é:
Na coqueluche, os contatos domiciliares recebem quimioprofilaxia com macrolídeo independentemente da situação vacinal, especialmente quando há lactente vulnerável no domicílio, associada à revisão do calendário vacinal e à notificação compulsória do caso. Não intervir porque os contatos estão assintomáticos permite a transmissão a partir de portadores. Aguardar tosse prolongada em contatos perde a janela de interrupção da cadeia. Não há indicação de imunoglobulina específica como medida profilática para contatos de coqueluche.
Gestante de 31 anos, com 26 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde e informa que trabalha em escola infantil e que houve surto de coqueluche na instituição, com dois casos confirmados em crianças. Ela já recebeu a dTpa há três semanas, com 23 semanas de gestação. Está assintomática, sem tosse, sem coriza e sem febre, com pressão arterial de 110x68 mmHg e exame obstétrico normal. Ela pergunta se precisa tomar outra dose ou algum medicamento. A conduta correta é
A dTpa é aplicada uma vez a cada gestação e não deve ser repetida em intervalo tão curto, sendo a conduta avaliar a indicação de quimioprofilaxia conforme o tipo e a proximidade do contato com os casos, além de orientar sinais de alerta. Repetir a vacina não traz benefício adicional. Antibiótico profilático universal a todas as trabalhadoras de escolas não é recomendado. Afastamento definitivo do trabalho é medida desproporcional diante de exposição controlável.
Lactente de 6 semanas é levado à Unidade de Pronto Atendimento com tosse em acessos há dez dias, com episódios de cianose e apneia durante as crises, seguidos de vômitos, sem febre. A mãe não recebeu vacina durante a gestação e um irmão mais velho está com tosse prolongada. Ao exame: afebril, com bom estado geral entre os acessos, sem sibilância, com episódio de apneia presenciado na sala de espera. O hemograma mostra leucocitose com linfocitose acentuada. Qual é a conduta correta?
Coqueluche em lactente jovem, com apneia e cianose durante os acessos, é forma grave que exige internação com monitorização, antibiótico que reduz a transmissibilidade e altera pouco a evolução quando tardio, notificação imediata e quimioprofilaxia dos contatos, além de reforço da vacinação da gestante em gestações futuras. Sintomáticos com alta expõem o lactente a apneia fatal. Corticoide e broncodilatador não alteram o curso da doença. Aguardar confirmação retarda medidas de controle e proteção.
Uma equipe de saúde é acionada porque uma escola do território comunicou caso confirmado de coqueluche em aluno de 7 anos, que convive com irmão lactente de 2 meses em casa e frequenta sala com trinta colegas. O caso índice iniciou tratamento ontem. A equipe precisa definir as medidas de controle, considerando a alta transmissibilidade da doença e a gravidade em lactentes jovens, especialmente naqueles com esquema vacinal ainda incompleto. Qual é a conduta correta?
A coqueluche exige notificação e adoção de medidas de controle com quimioprofilaxia dos contatos de maior risco, especialmente lactentes menores de 1 ano, gestantes no terceiro trimestre, imunossuprimidos e comunicantes domiciliares, além da atualização do calendário vacinal, incluindo a vacinação de gestantes em gestações futuras. Não realizar medidas expõe o lactente a doença grave. Profilaxia indiscriminada em toda a escola gera uso desnecessário de antimicrobiano. Afastar apenas o caso índice deixa os contatos vulneráveis sem proteção.
Adolescente de 14 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com tosse há cinco semanas, em acessos intensos que terminam em vômito, com predomínio noturno e sensação de falta de ar durante as crises, sem febre. Ele tem um irmão lactente de 2 meses em casa, com esquema vacinal em andamento. Ao exame: bom estado geral, afebril, ausculta pulmonar sem alterações, orofaringe normal e hemograma com linfocitose relativa, sem outros achados. Qual é a conduta correta?
A tosse prolongada em acessos com vômito pós-tússico e linfocitose em adolescente sugere coqueluche, forma frequentemente atípica nessa faixa etária e importante fonte de transmissão para lactentes, exigindo notificação, coleta de material, tratamento e quimioprofilaxia dos contatos de risco, sobretudo lactentes com esquema incompleto. Tratar como asma não interrompe a transmissão. Antitussígeno não altera o curso nem protege o contato. Radiografia sem tratamento deixa o lactente exposto.
Um lactente de 2 meses é levado à unidade básica de saúde com tosse em acessos há dez dias, seguidos de vômito e cianose transitória, sem febre. O irmão de 6 anos tem tosse prolongada há três semanas. A mãe não recebeu vacina na gestação. Ao exame, o lactente está eupneico entre os acessos, com ausculta pulmonar normal e hemograma com linfocitose. Qual é a conduta correta em relação ao caso e aos contatos?
Tosse em acessos com vômito pós-tussígeno e cianose em lactente não vacinado, com contato domiciliar de tosse prolongada e linfocitose, caracteriza coqueluche, agravo de notificação compulsória que exige tratamento com macrolídeo e quimioprofilaxia dos contatos domiciliares e de comunicantes vulneráveis. Aguardar cultura, exame de baixa sensibilidade e demorado, atrasa a interrupção da transmissão. Deixar os contatos sem quimioprofilaxia mantém a cadeia de transmissão em torno do lactente, que é o grupo de maior letalidade. Corticoide inalatório não tem papel no tratamento da coqueluche.
Lactente, 2 meses, é levado ao serviço com tosse em acessos há 12 dias, que terminam em vômito e cianose peribucal, sem febre. Entre as crises, permanece bem. A mãe não recebeu vacina dTpa na gestação. FC 160 bpm, FR 52 ipm, SatO2 93%. Hemograma: leucócitos 34.000/mm³ (VR 6.000–17.500) com 72% de linfócitos. Radiografia de tórax com infiltrado peri-hilar discreto. Qual o diagnóstico e o tratamento indicado?
Tosse paroxística seguida de vômito e cianose, ausência de febre, bom estado entre as crises e linfocitose acentuada em lactente de mãe não vacinada com dTpa configuram coqueluche, cujo tratamento é a azitromicina, com internação em menores de três meses pelo risco de apneia e evolução maligna. A bronquiolite cursa com sibilância difusa e desconforto respiratório contínuo, não com paroxismos e bom estado intercrítico. A pneumonia bacteriana produz febre, taquipneia sustentada e consolidação radiológica. O refluxo gastroesofágico não explica leucocitose com linfocitose expressiva nem os acessos com cianose. A laringotraqueíte apresenta tosse ladrante, estridor inspiratório e rouquidão, quadro clínico distinto.
Gestante de 29 anos, com 32 semanas, apresenta tosse seca há três semanas, com acessos paroxísticos seguidos de vômito e guincho inspiratório ocasional, sem febre. Um sobrinho de 2 meses, que convive com ela, foi internado com diagnóstico de coqueluche. A gestante não recebeu dTpa nesta gestação. Ao exame, ausculta pulmonar limpa, SatO2 de 97% e exame obstétrico normal, com batimentos fetais de 142 bpm. Qual a conduta correta?
A conduta correta associa tratamento com macrolídeo, preferencialmente azitromicina, notificação compulsória do caso e vacinação com dTpa para proteção em gestações futuras e do lactente, respeitando o momento adequado. Prescrever apenas antitussígeno deixa a paciente transmitindo a doença e sem tratamento específico. Contraindicar a vacina por ter apresentado a doença é incorreto, pois a imunidade natural é incompleta e transitória. Iniciar corticoide em dose alta não é tratamento da coqueluche e não reduz os paroxismos de forma consistente. Aguardar cultura, exame de baixa sensibilidade e demorado, atrasa tratamento e medidas de controle de um agravo de notificação.
Adolescente do sexo feminino, 15 anos, com tosse há 4 semanas, inicialmente leve e agora em acessos paroxísticos que terminam em vômito, com guincho inspiratório ocasional e predomínio noturno. Está afebril. Exame: FR 18 ipm, SatO2 98% em ar ambiente, ausculta pulmonar limpa, hemorragia subconjuntival à direita. Hemograma com leucócitos 19.400/mm³ e linfocitose de 68% (VR 20–40). Radiografia de tórax sem alterações. Há lactente de 2 meses no domicílio. Qual a conduta correta?
Tosse paroxística prolongada com vômito pós-tussígeno, guincho, hemorragia subconjuntival e linfocitose absoluta configuram coqueluche, doença de notificação compulsória. A conduta é iniciar macrolídeo, que reduz a transmissibilidade mesmo quando já não altera muito o curso clínico, e sobretudo garantir quimioprofilaxia dos contactantes, prioridade absoluta diante de um lactente de 2 meses no domicílio, faixa etária de maior letalidade. O corticoide não tem eficácia demonstrada no controle dos paroxismos. Limitar-se a sintomáticos ignora o bloqueio de transmissão e desprotege o lactente. Aguardar cultura, exame de baixa sensibilidade após semanas de doença, atrasa medida de saúde pública urgente. A amoxicilina não é eficaz contra Bordetella pertussis, e o isolamento deve durar cinco dias após o início do macrolídeo, e não 21 dias.
Lactente de 2 meses, com apenas uma dose de vacina pentavalente, apresenta há 12 dias tosse que evoluiu para acessos paroxísticos seguidos de cianose e vômito pós-tussígeno, sem febre. Entre os acessos permanece em bom estado geral. FC 148 bpm, FR 46 ipm, SatO2 94%, T 36,8 graus Celsius. Hemograma com leucócitos 32.000/mm3 (VR 5.000-15.000) e linfocitose de 70%. Assinale a conduta correta.
A azitromicina para o lactente e a quimioprofilaxia dos contatos domiciliares constituem a conduta correta: a leucocitose com linfocitose e a tosse paroxística com guincho e vômito pós-tussígeno em lactente incompletamente vacinado configuram coqueluche, e o macrolídeo reduz a transmissão mesmo quando o efeito sobre os sintomas já é limitado. A amoxicilina não tem atividade contra Bordetella pertussis e ignorar os contatos mantém a cadeia de transmissão. Afirmar que o antibiótico não altera a transmissibilidade é incorreto, pois ele negativa a cultura de nasofaringe. O oseltamivir trata influenza, cujo quadro é febril e agudo. O isolamento isolado, sem antimicrobiano, não interrompe a eliminação do agente.
Lactente de 6 semanas, sem vacinação iniciada, apresenta acessos de tosse paroxística seguidos de cianose e apneia há cinco dias. Está afebril, FR 48 ipm entre as crises, FC 148 bpm, SatO2 92%. O hemograma mostra leucócitos de 34.000/mm3 com predomínio de linfócitos. A mãe apresentou tosse prolongada nas últimas semanas e não recebeu vacina durante a gestação. Qual a conduta indicada?
Lactente com menos de três meses e coqueluche apresenta alto risco de apneia, hipoxemia, hiperleucocitose com hipertensão pulmonar e morte, exigindo internação com monitorização, suporte e antibiótico macrolídeo, além de quimioprofilaxia dos contatos. O tratamento ambulatorial é inseguro nessa faixa etária com apneias documentadas. O corticoide não altera o curso da doença. O broncodilatador não controla os paroxismos característicos. Afirmar evolução autolimitada em lactente jovem ignora a letalidade da doença nesse grupo.
Lactente de 2 meses é diagnosticado com coqueluche e reside com os pais, um irmão de 4 anos com esquema vacinal completo e a avó de 68 anos. A equipe de vigilância é acionada e organiza as medidas de controle. O caso foi confirmado laboratorialmente e o lactente permanece internado com boa evolução clínica, sem complicações respiratórias até o momento da avaliação. Qual a conduta indicada quanto aos contatos domiciliares?
A quimioprofilaxia com macrolídeo está indicada para todos os contatos domiciliares de caso de coqueluche, independentemente do estado vacinal, pois a vacina não impede a colonização e a transmissão, sobretudo quando há lactente jovem no domicílio. Restringir a profilaxia a um único contato deixa a cadeia de transmissão aberta. Dispensar medidas por esquema vacinal adequado é incorreto, já que a proteção vacinal decai com o tempo. Isolamento sem antibiótico é insuficiente. A vacinação de reforço é complementar, mas não substitui a quimioprofilaxia.
Lactente de 2 meses, com tosse há 12 dias, evolui com acessos de tosse seguidos de cianose e apneia, sem febre. Frequência cardíaca 168 bpm, frequência respiratória 62 ipm, SatO2 88% durante os acessos. Recebeu apenas a primeira dose de vacina pentavalente. Leucócitos 42.000/mm³ (VR 5.000-15.000) com 70% de linfócitos; radiografia de tórax com infiltrado peri-hilar discreto. Qual a conduta?
Lactente jovem com tosse paroxística, cianose, apneia e leucocitose com linfocitose acentuada tem coqueluche, forma de maior gravidade e letalidade; a conduta é internação para monitorização, azitromicina e quimioprofilaxia dos contatos domiciliares. Alta com sintomáticos é conduta perigosa em lactente com apneia e dessaturação, faixa etária de maior mortalidade. Corticoide e broncodilatador não alteram o curso da fase paroxística. A amoxicilina não é o antimicrobiano indicado, que deve ser um macrolídeo. O oseltamivir trata influenza, que cursaria com febre e sem essa leucocitose linfocítica característica.
Mulher, 41 anos, professora, apresenta tosse seca há 5 semanas, em acessos que terminam com vômitos, predominando à noite, sem febre. PA 120x76 mmHg, FC 78 bpm, FR 18 ipm, SatO2 98% em ar ambiente, T 36,6 °C. Ausculta pulmonar normal; radiografia de tórax sem alterações. Refere que um aluno teve coqueluche confirmada há 6 semanas. Sua filha tem 2 meses de vida. Qual a conduta?
Tosse prolongada em acessos com vômitos pós-tosse, sem febre, com vínculo epidemiológico e ausculta normal sugere coqueluche no adulto, que deve ser investigada, tratada com macrolídeo, notificada e acompanhada de quimioprofilaxia dos contatos vulneráveis, sobretudo o lactente de 2 meses. Antitussígeno com corticoide inalatório não trata a infecção nem protege o lactente. Espirometria e broncodilatador tratariam asma, incompatível com o padrão descrito e o vínculo epidemiológico. O esquema antituberculose empírico não se justifica com radiografia normal e sem sintomas constitucionais. Afastar do trabalho sem antimicrobiano nem profilaxia deixa o lactente exposto ao risco de forma grave.
Lactente de dois meses tem crises de tosse com cianose e apneias, pouca febre e contato domiciliar com tosse prolongada. A PCR de amostra nasofaríngea detecta Bordetella pertussis. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
O lactente com apneia requer vigilância; antibiótico reduz transmissão, mas pode não encerrar rapidamente tosse tardia. Referência: https://www.cdc.gov/pertussis/hcp/clinical-care/index.html
Lactente de dois meses tem crises de tosse com cianose e apneias, pouca febre e contato domiciliar com tosse prolongada. A PCR de amostra nasofaríngea detecta Bordetella pertussis. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
Lactentes podem apresentar apneia sem guincho clássico e têm maior risco de gravidade. Referência: https://www.cdc.gov/pertussis/hcp/clinical-care/index.html
Lactente de dois meses tem crises de tosse com cianose e apneias, pouca febre e contato domiciliar com tosse prolongada. A PCR de amostra nasofaríngea detecta Bordetella pertussis. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
Tempo de coleta e antibiótico prévio influenciam rendimento; a história epidemiológica permanece importante. Referência: https://www.cdc.gov/pertussis/hcp/clinical-care/index.html
Lactente de dois meses tem crises de tosse com cianose e apneias, pouca febre e contato domiciliar com tosse prolongada. A PCR de amostra nasofaríngea detecta Bordetella pertussis. Qual é o diagnóstico mais provável?
Paroxismos e apneias em lactente com confirmação de B. pertussis indicam coqueluche. Referência: https://www.cdc.gov/pertussis/hcp/clinical-care/index.html
Paciente apresenta acessos de tosse seguidos de guincho e vômito, com pouca febre e evolução prolongada. Qual diagnóstico é mais provável?
O padrão paroxístico favorece coqueluche. Tosse paroxística, guincho ou vômito pós-tosse podem indicar coqueluche; lactentes podem apresentar apneia sem guincho típico. Referência: https://www.cdc.gov/pertussis/hcp/clinical-signs/index.html
Lactente apresenta apneias e tosse em acessos, com contato domiciliar de tosse prolongada e teste positivo para Bordetella pertussis. Qual diagnóstico é mais provável?
A idade pode modificar a apresentação clássica da coqueluche. Tosse paroxística, guincho ou vômito pós-tosse podem indicar coqueluche; lactentes podem apresentar apneia sem guincho típico. Referência: https://www.cdc.gov/pertussis/hcp/clinical-signs/index.html
Bebê tem episódios de apneia relacionados a crises de tosse, sem guincho, com exposição e exame específicos compatíveis. Qual diagnóstico é mais provável?
Coqueluche pode ocorrer sem guincho em lactentes. Tosse paroxística, guincho ou vômito pós-tosse podem indicar coqueluche; lactentes podem apresentar apneia sem guincho típico. Referência: https://www.cdc.gov/pertussis/hcp/clinical-signs/index.html
Escolar tem tosse paroxística por semanas e vômitos após acessos, com investigação confirmatória para pertussis. Qual diagnóstico é mais provável?
A evolução e o teste favorecem coqueluche. Tosse paroxística, guincho ou vômito pós-tosse podem indicar coqueluche; lactentes podem apresentar apneia sem guincho típico. Referência: https://www.cdc.gov/pertussis/hcp/clinical-signs/index.html
Uma criança exposta a caso confirmado de coqueluche apresenta coriza e tosse leve há quatro dias. Qual afirmação explica a importância de reconhecer a doença nessa fase?
A fase catarral é pouco específica, mas importante para transmissão; esperar o quadro clássico atrasa o reconhecimento e o controle. Referência: CDC. Clinical Features of Pertussis. https://www.cdc.gov/pertussis/hcp/clinical-signs/index.html
Uma criança inicia tratamento adequado para coqueluche já na fase de tosse paroxística. A família espera que a tosse desapareça imediatamente após a primeira dose. Qual orientação é adequada?
Antibióticos são mais eficazes para modificar sintomas quando iniciados cedo; a tosse tardia pode persistir e não indica, por si só, resistência. Referência: CDC. Treatment of Pertussis. https://www.cdc.gov/pertussis/hcp/clinical-care/index.html
Um lactente de sete semanas apresenta episódios de apneia e cianose, com pouca tosse e sem febre alta. Um adulto do domicílio tosse há três semanas. Qual interpretação é correta quanto à coqueluche?
Nessa faixa etária, apneia pode ser manifestação importante e a tosse clássica pode ser discreta ou ausente. Referência: CDC. Clinical Features of Pertussis. https://www.cdc.gov/pertussis/hcp/clinical-signs/index.html
Qual bactéria é a causa clássica da coqueluche?

B. pertussis causa a forma clássica da doença.
Qual infecção deve ser considerada apesar de não haver guincho típico?

Lactentes podem apresentar apneia e pouca tosse, sem guincho clássico.
Qual abordagem integra idade, apneia e exposição domiciliar?

Lactentes têm risco de doença grave; padrão clínico e contato sustentam suspeita.
Qual alteração respiratória representa interrupção do fluxo?

Apneia é pausa respiratória e pode causar hipoxemia.
Se PCR tardio vier negativo após antibiótico, qual interpretação é adequada?

Sensibilidade dos testes varia com fase e tratamento; resultado não deve ser isolado.
Menino com quadro típico de coqueluche iniciou antibiótico eficaz há seis dias. Solicita-se agora a primeira PCR para decidir se o diagnóstico pode ser descartado. Qual é a principal limitação?
O resultado deve ser interpretado junto à história e à epidemiologia. Referências: CDC. Best Practices for Use of Polymerase Chain Reaction for Diagnosing Pertussis — https://www.cdc.gov/pertussis/php/pcr-bestpractices/index.html
Adolescente com tosse paroxística há seis semanas é investigado durante surto. Não recebeu vacina contendo componente pertussis recentemente. O laboratório de referência dispõe de sorologia validada contra toxina pertussis. Qual afirmação sobre o momento dos exames é correta?
A seleção deve considerar tempo de evolução e validação do método. Referências: CDC. Laboratory Testing for Pertussis — https://www.cdc.gov/pertussis/php/laboratories/index.html
Após confirmação de coqueluche em uma criança, o serviço propõe testar por PCR todos os familiares assintomáticos e oferecer profilaxia apenas aos positivos. Qual revisão é necessária?
A testagem indiscriminada também favorece resultados falsamente positivos. Referências: CDC. Best Practices for Use of Polymerase Chain Reaction for Diagnosing Pertussis — https://www.cdc.gov/pertussis/php/pcr-bestpractices/index.html
Criança internada por coqueluche completou cinco dias de tratamento antimicrobiano eficaz e aderente. Está clinicamente bem, mas ainda tosse. Não há outra indicação de isolamento. Segundo o CDC, qual interpretação é adequada para as precauções por gotículas?
Sintomas e transmissibilidade têm evoluções distintas. Referências: CDC. Pertussis: Infection Control — https://www.cdc.gov/infection-control/hcp/healthcare-personnel-epidemiology-control/pertussis.html
Uma criança com tosse paroxística há nove dias terá coleta para PCR de Bordetella pertussis. O kit contém swab sintético apropriado. Qual local de coleta oferece amostra adequada?
A qualidade da coleta interfere no resultado. Referências: CDC. Best Practices for Use of Polymerase Chain Reaction for Diagnosing Pertussis — https://www.cdc.gov/pertussis/php/pcr-bestpractices/index.html
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em 7 dias
Recite as duas definições de caso suspeito em situação endêmica dizendo, para cada faixa, o número de dias de tosse e a lista de sintomas — seis abaixo de 6 meses, três a partir dali —, e nomeie os três que desaparecem no sexto mês. Depois dê, sem consultar, os dois esquemas de azitromicina, e calcule a dose total em miligramas por quilo de cada um. Feche com os três grupos elegíveis para quimioprofilaxia pela nota de 2025 e com a pergunta que os organiza: quem é o vulnerável desta casa?
em 30 dias
Reconstrua as duas tabelas que decidem número. Primeiro a de tratamento: as quatro drogas em ordem de escolha, as faixas etárias de cada uma nos dois documentos, e os três defeitos de fronteira do Guia — o buraco entre 24 meses e 3 anos na claritromicina, a sobreposição em 24 meses na eritromicina e a contradição entre 6 semanas e 2 meses na sulfa. Depois a da vigilância: incubação, transmissibilidade, definição de contato com metro e hora, prazo de profilaxia, prazo de monitoramento e prazo de vigilância da área, dizendo qual deles usa 42 dias e por quê. Recite as três definições de surto com os respectivos requisitos laboratoriais. Feche explicando, em duas frases, por que a vacina acelular protege o vacinado e ainda assim não o dispensa da quimioprofilaxia — e o que isso tem a ver com a decisão de não introduzir o reforço no adolescente.
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Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Chega ao pronto-socorro um lactente de 2 meses com tosse há duas semanas, trazido pela mãe, que tosse há um mês e não recebeu dTpa na gestação. Você tem à mão o cartão de vacinas, um hemograma e a possibilidade de colher swab de nasofaringe. Conduza o atendimento: caracterize a tosse com as perguntas que separam paroxismo de tosse comum, verifique se o caso fecha a definição pela faixa etária dele, decida o que colhe e em que ordem, prescreva o antibiótico com dose por quilo, levante quem mais mora na casa e explique à mãe, em linguagem que ela entenda, por que ela e as outras pessoas do domicílio vão tomar antibiótico mesmo sem estar doentes e por quanto tempo a criança precisará ficar isolada. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
