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Eventos adversos pós-vacinação
O calendário diz o que aplicar; este tema diz o que fazer depois. Classificar por gravidade, achar a caixa de causalidade certa, separar erro de imunização de reação ao produto, decidir a próxima dose e notificar no prazo — com o rótulo que mudou de nome em 2026.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Um lactente de 3 meses é levado pela mãe à unidade básica de saúde para consulta de rotina, dois dias após ter recebido a primeira dose da vacina pentavalente (DTP + Hib + hepatite B) e das demais vacinas do calendário. A mãe relata que, cerca de quatro horas após a vacinação, a criança ficou subitamente pálida, "molhada", com o corpo "mole" e pouco responsiva ao chamado, episódio que durou aproximadamente 15 minutos, com recuperação espontânea e completa, sem movimentos anormais. Nasceu a termo, sem intercorrências, e mama bem. Ao exame, encontra-se ativo, reativo, corado, afebril, sem sinais meníngeos e com exame neurológico normal. A mãe está assustada e pergunta se a criança poderá tomar as próximas doses.
Como esse tema cai
Há dois temas de vacinação na prova, e eles não se misturam. Um pergunta o que aplicar, com que idade e com que intervalo — é o calendário, e ele mora no capítulo Calendário vacinal da criança (PNI), nesta mesma apostila. O outro pergunta o que fazer quando algo acontece depois da agulha: como classificar o quadro, de quem é a responsabilidade, o que muda na próxima dose e para onde vai a notificação. É este.
A palavra que organiza o assunto é supostamente. Evento adverso pós-vacinação não quer dizer evento causado pela vacina: quer dizer qualquer ocorrência médica indesejada observada depois dela, com ou sem relação causal. A distinção não é filosófica — é o motivo pelo qual existe uma classificação de causalidade com cinco categorias, e pelo qual duas delas ficam do lado da associação consistente sem responsabilizar o produto.
Em maio de 2026 o nome mudou na lei. A Lista Nacional de Notificação Compulsória trocou o item Eventos adversos graves ou óbitos pós-vacinação por Evento supostamente atribuível à vacinação ou imunização — ESAVI, com notificação imediata, em até 24 horas, às três esferas de gestão. O manual que rege a conduta continua sendo o de 2021, que ainda escreve EAPV; a Instrução Normativa do calendário vigente já o cita como Manual ESAVI. Enunciado que ainda usa o rótulo antigo foi escrito sob a lista anterior a 14 de maio de 2026 — o regime de notificação compulsória em si está no capítulo Vigilância epidemiológica e investigação de surtos, da apostila de SUS, políticas de saúde, APS e vigilância.
O tratamento da anafilaxia em si — critérios diagnósticos, dose de adrenalina, segunda linha, reação bifásica — está no capítulo Anafilaxia, da apostila de Imunologia. Aqui interessa o que é próprio da sala de vacina: distinguir anafilaxia de síncope vasovagal e de episódio hipotônico-hiporresponsivo, saber a dose que o manual do Ministério da Saúde tabela por peso, e decidir o que cada um desses três quadros faz com a dose seguinte. São respostas diferentes para quadros que se parecem nos primeiros trinta segundos.
O que muda decisão
O que a definição inclui — e o que ela deliberadamente não afirma
A definição oficial é curta: evento adverso pós-vacinação é qualquer ocorrência médica indesejada após a vacinação, não possuindo necessariamente uma relação causal com o uso de uma vacina ou de outro imunobiológico. A frase abrange imunoglobulinas e soros heterólogos, e abrange sintoma, doença ou achado laboratorial anormal. O que ela não faz é atribuir causa.
A consequência prática aparece logo: muitos eventos são apenas associação temporal. A vacinação da criança acontece justamente nas idades em que várias doenças de base se manifestam pela primeira vez, e o manual do Ministério da Saúde usa o exemplo mais duro — a síndrome da morte súbita infantil ocorre na mesma janela de idade em que se aplicam vários imunobiológicos do calendário básico, e vários estudos mostraram que as imunizações não aumentam esse risco. O objetivo da vigilância de óbitos, diz o texto, é primordialmente afastar as causas coincidentes indevidamente atribuídas às vacinas.
Existe ainda uma categoria à parte, que a prova cobra pelo nome: o evento adverso de interesse especial. É aquele que constitui preocupação científica em relação a um produto, a uma classe de produtos ou a um programa de imunização, exigindo monitoramento contínuo e comunicação rápida ao Programa Nacional de Imunizações. Pode ser grave ou não grave — o manual exemplifica com queda de cabelo e perda do paladar — e inclui eventos que possam ser precursores ou pródromos de condições mais graves em pessoas suscetíveis.
Uma observação que a banca gosta de plantar em alternativa: vacinas mais reatogênicas costumam ser mais eficazes. O manual afirma isso com dois exemplos — a pertússis de células inteiras é mais reatogênica e mais eficaz que as acelulares, e a cepa Urabe da caxumba é mais reatogênica e mais imunogênica que a Jeryl Lynn. Reação, portanto, não é sinônimo de desvio de qualidade; a escolha do produto equilibra reatogenicidade e imunogenicidade.
Grave ou não grave: são cinco critérios, e intenso não é um deles
A primeira classificação, feita pela própria unidade que atende, é por gravidade. Evento adverso grave é qualquer evento clinicamente relevante que requeira hospitalização, que ocasione risco de morte e exija intervenção clínica imediata para evitar o óbito, que cause disfunção significativa ou incapacidade permanente, que resulte em anomalia congênita ou que ocasione o óbito. São cinco portas, e basta uma.
O erro clássico é ler a lista como grave é o que interna. O próprio manual antecipa a armadilha: eventos clinicamente relevantes em pacientes que não necessitem internação — e ele nomeia broncoespasmo, discrasias sanguíneas e convulsões febris — têm potencial de gravidade e devem ser investigados e acompanhados. A criança que convulsionou, ficou em observação e voltou para casa não some da vigilância porque não ficou internada.
A segunda armadilha é semântica, e o manual a explicita: gravidade não é intensidade. Um evento pode ser leve, moderado ou intenso independentemente de ser ou não grave — o exemplo dado é a hiperemia local intensa, que é intensa e não é grave. Alternativa que classifica uma reação local exuberante como evento adverso grave está trocando os dois eixos.
Evento adverso não grave é, por definição, todo o resto: qualquer evento que não preencha os critérios de grave. Não representa risco potencial para a saúde do vacinado, mas continua sendo monitorado, porque pode sinalizar um problema maior em relação àquela vacina ou àquela imunização, e porque tem impacto sobre a aceitabilidade da vacinação em geral. A diferença prática entre os dois está no que a vigilância faz com cada um, e isso se vê na última seção.
As cinco categorias da causalidade — e as duas que não acusam o produto
Depois da gravidade vem a causalidade, e é aqui que o tema deixa de ser tabela. O manual apresenta o assunto duas vezes, e as duas apresentações precisam ser lidas juntas. Na primeira, ao definir o evento adverso, ele lista cinco categorias segundo a relação causal: reação relacionada ao produto, reação relacionada à qualidade da vacina, erro de imunização, reação de ansiedade relacionada à imunização e evento coincidente. Na segunda, no capítulo de avaliação de causalidade, ele organiza essas mesmas categorias em quatro níveis — A, associação consistente; B, indeterminada; C, inconsistente ou coincidente; e D, inclassificável —, e é o nível A que se subdivide nas quatro primeiras categorias. Quem decora uma das duas apresentações e ignora a outra erra a questão que cobra a numeração.
A1 é a reação relacionada ao produto: causada ou precipitada pela vacina ou por um de seus componentes, entendendo por componente também os adjuvantes, conservantes, estabilizantes e resíduos do processo de produção, como proteínas do ovo, leveduras e antibióticos. A2 é a reação relacionada à qualidade — desvio de qualidade da vacina, incluindo embalagens e acessórios como diluente, seringa e agulha; quando aparece ligada a um lote específico, a distribuição desse lote precisa ser verificada, e a ocorrência comunicada ao Programa Nacional de Imunizações, à Anvisa e ao fabricante.
A3 é o erro de imunização, causado por manuseio, prescrição ou administração inadequados. A4 é a reação de ansiedade relacionada à imunização, também chamada de estresse desencadeado em resposta à vacinação — inclui síncope vasovagal, reações de hiperventilação e reações consequentes a desordens psiquiátricas, e pode ser desencadeada imediatamente antes, durante ou depois da vacinação. Repare no que A3 e A4 têm em comum: são associação consistente com a vacinação, e nenhuma das duas responsabiliza o produto. Uma responsabiliza o processo; a outra, a resposta da pessoa à agulha.
B é a caixa dos casos que ainda não fecharam. B1 é relação temporal consistente sem evidência na literatura para estabelecer relação causal — e o manual avisa que isso pode ser um sinal em potencial, digno de investigação. O exemplo dado é a narcolepsia após determinada vacina influenza pandêmica, classificada como coincidente ou indeterminada até que a evidência científica de 2010 a movesse para consistente. B2 é quando os dados da investigação são conflitantes em relação à causalidade.
C é a associação inconsistente ou coincidente: condições preexistentes ou emergentes causadas por outros fatores — infecções em geral, manifestação de doença congênita ou hereditária, efeito de outro medicamento. D é o inclassificável, reservado ao caso com informação insuficiente para sequer formular a pergunta de causalidade; nesse caso a exigência é especificar os elementos que faltam e guardar o registro, porque a classificação pode mudar quando a informação adicional chegar.
Erro de imunização: o único evento adverso que não deveria existir
O erro de imunização é evitável por definição, e o manual é explícito ao dizer que, em muitos países, a maioria dos eventos adversos é desencadeada por ele — razão pela qual deve ser o primeiro a ser descartado na investigação. A classificação, nesse caso, se concentra na natureza do erro, e não no processo biológico que originou o sintoma.
Os fatores que o caracterizam se distribuem em três blocos. Produção: descumprimento das boas práticas de fabricação, com alteração de potência ou de esterilidade — o exemplo citado é a contaminação, geralmente por Staphylococcus aureus, que em algumas horas produz sensibilidade local, infiltração tecidual, vômitos, diarreia, cianose e febre elevada, o quadro da síndrome do choque tóxico. Rede de frio: transporte, armazenamento, temperatura, prazo de validade, umidade e luz — excesso de frio ou de calor compromete a potência imunogênica e pode desencadear reação local por alteração física, como a aglutinação de excipientes à base de alumínio. Manuseio e administração: reconstituição, diluente trocado, dosagem, preenchimento de seringa, tamanho de agulha, troca de vacinas, via e sítio, idade fora da recomendada, intervalo entre doses e prazo de validade.
Dois desses itens rendem questão sozinhos. Agulha curta demais deposita no subcutâneo uma vacina com adjuvante de alumínio que era para ser intramuscular e produz abscesso frio, isto é, estéril — o que separa o abscesso frio do abscesso quente não é a temperatura da criança, é a presença de infecção bacteriana secundária. E vacina de uso oral administrada por via parenteral, ou o inverso, é erro de imunização com nome próprio, ao lado das lesões musculares, vasculares e neurológicas por má técnica de administração.
Fecha o bloco a lembrança de que o erro de imunização é prevenível por treinamento de pessoal, suprimento adequado de equipamentos e insumos e supervisão dos serviços — e de que ele é uma das três primeiras classificações que a unidade notificadora faz, ao lado de grave e não grave.

A dose que saiu errada: quando repete e quando não repete
Esta é a régua mais cobrada do erro de imunização, e ela não é simétrica. Dose superior à recomendada não afeta a resposta de produção de anticorpos: não se repete nada, apenas se informa a família sobre a possibilidade de risco aumentado de reação local. Dose inferior à recomendada não é suficiente para desenvolver resposta imunológica completa e tem de ser repetida — idealmente no mesmo dia; não sendo possível, vacina viva se repete após intervalo mínimo de quatro semanas e vacina inativada, o mais rapidamente possível.
Idade abaixo da recomendada geralmente não é prejudicial, mas anticorpos maternos transferidos passivamente ao recém-nascido podem interferir na resposta — por isso a dose se repete quando a pessoa atingir a idade recomendada, com intervalo mínimo de um mês a partir da dose aplicada antes da hora.
Intervalo maior que o recomendado não causa prejuízo e não obriga a reiniciar esquema, embora possa interferir na proteção desejada. Intervalo menor tem regra própria, e ela se divide por tipo de vacina. Vacinas inativadas do mesmo tipo administradas com menos de 21 dias entre si exigem repetir uma dose quatro semanas após a última, avisando sobre o risco aumentado de reação local. Vacinas vivas de uso parenteral administradas com menos de 28 dias entre si tornam inválida a segunda dose, e recomenda-se repetir uma dose pelo menos quatro semanas depois da dose inválida — vivas de uso oral, essas, podem ser dadas ao mesmo tempo que as parenterais ou em qualquer intervalo entre elas.
Vacina aplicada fora do prazo de validade não deixa de vigorar no dia do vencimento, mas há possibilidade de degradação e queda de potência ao longo do tempo: a revacinação deve ser considerada segundo o cronograma de revacinação do próprio manual. E diluente trocado dificilmente causa evento adverso, mas pode alterar a potência a ponto de inutilizar a dose — também aqui a decisão é sobre revacinar, não sobre tratar.
O que muda na próxima dose: três degraus — e um parágrafo que se contradiz
A pergunta que chega ao consultório é sempre a mesma: aconteceu isso depois da vacina, e agora? As respostas se organizam em três degraus. Trocar o produto: convulsão, com ou sem febre, nas primeiras 72 horas, e episódio hipotônico-hiporresponsivo nas primeiras 48 horas contraindicam a continuidade com a penta ou a DTP de células inteiras, e o esquema segue com vacina acelular obtida na rede de imunobiológicos especiais. Retirar o componente: encefalopatia aguda grave instalada em até sete dias após uma dose contraindica as vacinas com pertússis, e o esquema continua com a vacina contra difteria e tétano. Contraindicar a vacina: anafilaxia após dose anterior fecha a porta daquele imunobiológico.
Existe um quarto degrau, mais discreto, que é o da precaução. Diante de temperatura igual ou maior que 40 °C nas 48 horas seguintes sem outra causa identificável, colapso ou estado semelhante a choque nas 48 horas, choro persistente e inconsolável com duração de três horas ou mais nas 48 horas, e convulsões com ou sem febre nos três dias seguintes, a norma manda avaliar cuidadosamente a administração de doses adicionais de vacina com o componente pertússis. Precaução não proíbe: manda pensar duas vezes.
Há uma distinção fina que quase nunca é ensinada e que separa o candidato bem preparado. O episódio hipotônico-hiporresponsivo após vacina de células inteiras troca o produto pela acelular. O mesmo episódio após a DTPa — que já é acelular — não troca nada: a conduta escrita no manual é manter o esquema, com as próximas doses aplicadas sob supervisão. Faz sentido, porque não há para onde escalar, e porque estudos prospectivos de crianças que tiveram episódio hipotônico-hiporresponsivo não demonstraram sequela neurológica nem tendência à repetição nas doses subsequentes.
E há um ponto em que o manual se contradiz dentro do próprio texto. No capítulo de condutas gerais, a caixa de atenção sobre episódio hipotônico-hiporresponsivo afirma que há contraindicação para doses subsequentes de vacinas e, na linha seguinte, manda utilizar preferencialmente a vacina DTP acelular na dose subsequente — duas instruções que não podem valer ao mesmo tempo, porque a segunda pressupõe a dose que a primeira proíbe. Os capítulos específicos da penta e da DTP resolvem a ambiguidade em favor da segunda leitura, ao mandar continuar o esquema com vacina acelular. É essa a conduta que a Instrução Normativa do calendário vigente também sustenta, ao dizer que crianças com risco aumentado ou que tenham desenvolvido evento adverso grave a vacina com componente pertússis de células inteiras podem dispor de vacinas especiais.
O tratamento do episódio em si é conservador e cabe em quatro linhas: observação rigorosa até a resolução completa do quadro, oferta de água e leite materno, ambiente ventilado, antitérmico se necessário e precauções especiais para evitar broncoaspiração.
Anafilaxia, síncope e episódio hipotônico: o diagnóstico diferencial da sala de vacina
Três quadros começam parecidos e terminam em condutas opostas. A anafilaxia exige comprometimento simultâneo de dois ou mais órgãos ou sistemas, incluindo sempre o cardiovascular e o respiratório — é esse envolvimento múltiplo que a separa da urticária isolada, da rinite alérgica e da asma. O manual chama a atenção para o valor dos sinais dermatológicos: a associação de sintomas cardiorrespiratórios com urticária ou angioedema é o que diferencia a anafilaxia de síncope vasovagal, infarto do miocárdio, episódio hipotônico-hiporresponsivo e choque séptico. A ressalva importante é que alguns pacientes têm quadro incompleto, sem sinais cutâneos, e entre eles estão os de progressão mais rápida ao óbito.
O tempo também ajuda. A maioria dos casos de anafilaxia acontece na primeira hora, de segundos a minutos após a exposição; uma quantidade menor aparece depois de 12 horas, e há relatos de apresentação bifásica em até 72 horas. O episódio hipotônico-hiporresponsivo ocorre nas primeiras 48 horas e, em geral, nas primeiras seis, costuma começar com irritabilidade e febre e é autolimitado. A síncope vasovagal é imediata — segundos após a picada — e se resolve com a pessoa deitada.
A adrenalina é a primeira linha, e o manual grifa que não há contraindicação para administrá-la no contexto da anafilaxia: via intramuscular, preferencialmente no músculo vasto lateral da coxa, repetindo a cada 5 a 15 minutos, no máximo três vezes. A dose vem tabelada por faixa etária e peso, da apresentação de 1 mg/mL: 0,05 mL para 4 a 8,5 kg, 0,1 mL para 9 a 14,5 kg, 0,15 mL para 15 a 17,5 kg, 0,2 a 0,25 mL para 18 a 25,5 kg, 0,25 a 0,3 mL para 26 a 34,5 kg, 0,35 a 0,4 mL para 35 a 45 kg e 0,5 mL a partir de 46 kg, com dose mínima de 0,05 mL. A coluna que resolve o caso à beira do leito é a do peso, e há um bom motivo: as faixas de peso se sucedem sem vão relevante, com degrau de meio quilo entre uma linha e outra, enquanto a coluna de idade salta de 16 meses direto para 37 meses e deixa vinte meses de vida — dos 17 aos 36 — sem linha correspondente. Diante de uma criança nessa faixa, é o peso que decide.
Quem recebe adrenalina de emergência é imediatamente transferido para o hospital e monitorado por pelo menos 12 horas, porque a reação bifásica ocorre em até 23% dos adultos e até 11% das crianças e é mais provável quando a adrenalina foi retardada. O manejo completo — critérios diagnósticos, segunda linha, refratariedade — está no capítulo Anafilaxia, da apostila de Imunologia.
A síncope tem tratamento conservador e uma medida preventiva que é conduta: adolescentes e adultos devem estar sentados ou deitados durante a vacinação, e recomenda-se observá-los por 15 minutos depois, para diminuir o risco de trauma em caso de queda. Ocorrida a síncope, mantém-se a pessoa em decúbito dorsal com os membros inferiores discretamente elevados, em ambiente ventilado, até a recuperação completa. E o ponto que decide questão: síncope não contraindica as doses subsequentes — ela é a caixa A4 da causalidade, não uma reação ao produto.
A norma mais recente acrescentou uma regra de observação que não é geral, e sim de uma vacina. A partir do monitoramento de segurança da vacina dengue atenuada, o Ministério da Saúde identificou sinal de alerta para anafilaxia e outras reações de hipersensibilidade pós-vacinação acima do observado para outras vacinas, e passou a recomendar observação de pelo menos 30 minutos em quem tem histórico de reações alérgicas graves e de pelo menos 15 minutos em quem não tem. No mesmo texto vêm três consequências: reação grave de hipersensibilidade ou anafilaxia contraindica a dose subsequente da mesma vacina; reação não grave pede avaliação individualizada de risco e benefício, podendo incluir vacinação supervisionada por no mínimo 60 minutos em local com suporte adequado; e a vacinação contra a dengue deve ser evitada em atividades fora da sala de vacinação quando não for possível cumprir as exigências de suporte de vida e de disponibilidade de medicamentos.
Os eventos com nome próprio: BCG, rotavírus e febre amarela
A BCG tem uma lista de eventos locorregionais que a prova cobra pelo tamanho: úlcera com diâmetro maior que 1 cm, abscesso subcutâneo frio, abscesso subcutâneo quente, granuloma, linfadenopatia regional não supurada maior que 3 cm, linfadenopatia regional supurada, cicatriz queloide e reação lupoide. Em geral não estão associados a imunodeficiência e podem, em alguns casos, decorrer de técnica incorreta de administração. O tratamento, quando indicado, é isoniazida 10 mg/kg/dia, com dose máxima de 400 mg, até a regressão completa da lesão — e há duas instruções negativas explícitas: não cobrir a úlcera e não aplicar qualquer medicamento tópico. O bacilo do BCG é naturalmente resistente à pirazinamida, e a cepa Moreau-Rio de Janeiro é sensível à isoniazida.
O que muda o patamar é a disseminação. Lesões que ultrapassam a topografia locorregional — osteoarticulares, de linfonodos a distância, de vísceras, ou generalizadas, com febre persistente, hepatoesplenomegalia e linfadenite múltipla — impõem investigação de imunodeficiência e tratamento com esquema de múltiplas drogas. Também merecem conduta individualizada a ausência de resposta à isoniazida após três a quatro meses, a recidiva da lesão depois de suspender a droga, o aparecimento de linfadenopatia em outras cadeias ganglionares e os sinais de disseminação sistêmica. Ainda sobre a BCG: estima-se que cerca de 10% dos vacinados não desenvolvam cicatriz, e a ausência de cicatriz não indica ausência de proteção nem constitui indicação de revacinação.
No rotavírus, o evento com nome próprio é a intussuscepção. Estudos de vigilância pós-licenciamento das duas principais vacinas licenciadas identificaram risco aumentado principalmente nos primeiros sete dias após a primeira dose, com risco atribuído de 1,1 a 4,3 por 100 mil crianças vacinadas. Por isso história prévia de intussuscepção e malformação congênita não corrigida do trato gastrointestinal que predisponha a ela são contraindicações formais.
Na febre amarela, os dois eventos graves têm sigla e janela temporal distintas. A doença neurológica aguda associada à vacina surge geralmente de uma a quatro semanas após a aplicação, com variação de 2 a 56 dias, e pode ser neurotrópica — invasão direta do vírus vacinal, com meningoencefalite — ou autoimune, na forma de encefalomielite disseminada aguda ou de síndrome de Guillain-Barré. A doença viscerotrópica aguda é disfunção aguda de múltiplos órgãos por replicação e disseminação descontrolada do vírus vacinal, com alta letalidade e manejo em terapia intensiva; o intervalo entre a vacinação e o início dos sintomas é de três a quatro dias, variando de 1 a 18 dias. Investiga-se como suspeito quem apresentar pelo menos dois dos seguintes nos 30 dias após a vacina: febre persistente, hemorragia e/ou icterícia, hipotensão ou choque. Nos dois quadros há contraindicação para doses subsequentes. No Brasil, entre 2007 e 2012, a frequência foi de 0,04 caso de doença viscerotrópica por 100 mil doses aplicadas e de 0,20 caso de doença neurológica por 100 mil doses — 0,17 de doença neurotrópica somado a 0,03 de doença neurológica autoimune.
Notificar: quem, para onde e em quanto tempo
A obrigação não é só do serviço público: qualquer unidade de saúde, pública ou privada, deve notificar a ocorrência. A unidade notificadora faz a primeira classificação em três caixas — evento adverso grave, evento adverso não grave ou erro de imunização — e o destino de cada uma é diferente.
Evento não grave: preenche-se o formulário de notificação e investigação e insere-se no e-SUS Notifica, sem necessidade de investigação — com uma exceção, a das situações de surtos de eventos adversos. Evento grave, ou inusitado, ou com agravante registrado: notificação imediata ou em até 24 horas, admitindo-se telefone, e-mail e aplicativo de mensagem para alertar o nível hierárquico superior, e todos devem ser investigados. O prazo máximo para iniciar uma investigação de campo em tempo oportuno é de 48 horas após a notificação.
O sistema de registro mudou de casa em janeiro de 2021: o módulo de notificação de eventos adversos passou a ser o do e-SUS Notifica, em notifica.saude.gov.br, no lugar do módulo do sistema de informação de imunizações. A Instrução Normativa do calendário vigente já se refere a ele pelo nome atual, e-SUS Notifica módulo ESAVI. O registro nominal de doses aplicadas, esse, continua no sistema de informação do Programa Nacional de Imunizações, que é outra coisa e responde a outra pergunta.
Ao lado dele existe o VigiMed, da Anvisa, lançado em dezembro de 2018 como versão brasileira do VigiFlow da Organização Mundial da Saúde. Ele recebe relatos de eventos adversos a medicamentos e vacinas feitos por cidadãos e por profissionais de saúde — dispensando cadastro prévio para o cidadão e para o profissional liberal — e alimenta também o banco de dados mundial. Não confundir com o Notivisa, que é o canal das queixas técnicas, isto é, da suspeita de desvio de qualidade do produto.
No nível federal, os eventos graves são avaliados, discutidos e classificados segundo a causalidade, e os mais graves são apresentados ao Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos para avaliação, classificação e encerramento. Depois do encerramento e da validação, há retroalimentação a todos os envolvidos — e é essa devolutiva que fecha o ciclo da vigilância.
Uma leitura fina para a prova de saúde coletiva: a Lista Nacional de Notificação Compulsória vigente desde 14 de maio de 2026 traz o item ESAVI sem qualquer qualificação de gravidade, na coluna de notificação imediata em até 24 horas para o Ministério da Saúde, a Secretaria Estadual e a Secretaria Municipal de Saúde. O rótulo anterior restringia o item aos eventos adversos graves e aos óbitos pós-vacinação. A periodicidade em si não foi alterada: o artigo que muda periodicidades na mesma portaria trata apenas de difteria e tétano. O que mudou no item foi o nome e o alcance, e o fluxo operacional graduado por gravidade continua sendo o do manual de 2021.
Ler o caso na ordem em que a decisão acontece
Quase toda questão do tema se resolve em cinco leituras, sempre na mesma ordem. Trocar a ordem é o que faz o candidato acertar a classificação e errar a conduta — ou tratar bem e esquecer a notificação, que é metade da resposta.
- 1Primeiro decida se é evento adverso. Ocorrência médica indesejada depois da vacinação já basta para entrar na vigilância — não é preciso ter certeza de que a vacina causou. É por isso que o rótulo legal, desde maio de 2026, é evento supostamente atribuível à vacinação ou imunização.
- 2Depois classifique a gravidade pelos cinco critérios, e não pela impressão. Ausência de internação não retira do radar o broncoespasmo, a discrasia sanguínea e a convulsão febril, que têm potencial de gravidade e continuam sendo investigados e acompanhados.
- 3Em seguida procure erro de imunização antes de qualquer outra explicação — dose, via, sítio, diluente, agulha, intervalo, idade, validade e rede de frio. Descartar o erro primeiro é instrução do manual, não estilo pessoal.
- 4Só então classifique a causalidade. Se o quadro é síncope imediata em adolescente, a caixa é a da reação de ansiedade, e ela não contraindica dose subsequente. Se é urticária generalizada com broncoespasmo e hipotensão, é anafilaxia e a caixa é a do produto.
- 5Decida o que muda na próxima dose antes de a família ir embora: trocar o produto, retirar o componente pertússis, contraindicar aquela vacina, ou não mudar nada. E diga em voz alta as vacinas que seguem inalteradas — evento adverso a uma delas não suspende o calendário inteiro.
- 6Feche notificando. Grave, inusitado ou erro de imunização: imediato, em até 24 horas, com investigação iniciada em até 48 horas. Não grave: registro sem investigação, exceto em surto. E lembre-se de que a unidade privada notifica igual à pública.
Grave é o que a lista diz
Hospitalização, risco de morte com intervenção imediata, disfunção significativa ou incapacidade permanente, anomalia congênita, óbito. Broncoespasmo, discrasia sanguínea e convulsão febril sem internação continuam sendo investigados e acompanhados. Intenso não é grave.
Cinco categorias, duas sem culpa do produto
Reação relacionada ao produto, reação relacionada à qualidade, erro de imunização, reação de ansiedade ligada à vacinação e evento coincidente. As quatro primeiras compõem o nível A, de associação consistente, e nele o erro de imunização e a reação de ansiedade não responsabilizam a vacina. Fora do A ficam B, indeterminada, C, coincidente, e D, inclassificável.
Três degraus para a próxima dose
Convulsão em 72 horas e episódio hipotônico-hiporresponsivo em 48 horas trocam a célula inteira pela acelular. Encefalopatia em até 7 dias tira o pertússis e o esquema segue com difteria e tétano. Anafilaxia contraindica aquela vacina.
24 horas para notificar, 48 para investigar
Evento grave, inusitado ou com agravante: notificação imediata ou em até 24 horas no e-SUS Notifica, e investigação de campo iniciada em até 48 horas. Evento não grave: registra-se sem investigar, salvo surto.
O que cada evento faz com a dose seguinte
| Evento após vacina com pertússis | Janela | Consequência para o esquema |
|---|---|---|
| Convulsão, com ou sem febre | Primeiras 72 horas | Contraindica penta e DTP de células inteiras; segue com acelular pela rede de imunobiológicos especiais |
| Episódio hipotônico-hiporresponsivo | Primeiras 48 horas | Contraindica a célula inteira; segue com acelular. Se o episódio ocorreu após DTPa, mantém-se o esquema com as próximas doses sob supervisão |
| Encefalopatia aguda grave | Até 7 dias | Contraindica as vacinas com pertússis; o esquema continua com a vacina contra difteria e tétano |
| Anafilaxia | Minutos a horas | Contraindica doses subsequentes daquele imunobiológico |
| Febre igual ou maior que 40 °C sem outra causa; colapso; choro por 3 horas ou mais | 48 horas | Precaução: avaliar cuidadosamente doses adicionais com componente pertússis, sem proibir |
| Síncope vasovagal; reação local, mesmo intensa; febre baixa ou moderada | Imediata ou nas primeiras horas | Não contraindica doses subsequentes |
Adrenalina intramuscular na anafilaxia pós-vacinal — apresentação 1 mg/mL, diluição 1:1000, no vasto lateral da coxa
| Faixa etária impressa | Peso | Dose |
|---|---|---|
| 1 a 6 meses | 4 a 8,5 kg | 0,05 mL |
| 7 a 16 meses | 9 a 14,5 kg | 0,1 mL |
| 37 a 59 meses | 15 a 17,5 kg | 0,15 mL |
| 5 a 7 anos | 18 a 25,5 kg | 0,2 a 0,25 mL |
| 8 a 10 anos | 26 a 34,5 kg | 0,25 a 0,3 mL |
| 11 a 12 anos | 35 a 45 kg | 0,35 a 0,4 mL |
| 13 anos ou mais | 46 kg ou mais | 0,5 mL |
Os níveis e as categorias da classificação de causalidade
| Nível | Subtipo | O que significa |
|---|---|---|
| A — associação consistente | A1 reação relacionada ao produto | Causada ou precipitada pela vacina ou por um de seus componentes, adjuvantes e resíduos incluídos |
| A — associação consistente | A2 reação relacionada à qualidade | Desvio de qualidade da vacina, do diluente, da seringa ou da agulha; verificar o lote e comunicar PNI, Anvisa e fabricante |
| A — associação consistente | A3 erro de imunização | Manuseio, prescrição ou administração inadequados; por definição, evitável |
| A — associação consistente | A4 ansiedade ou estresse ligado à vacinação | Síncope vasovagal, hiperventilação e reações consequentes a desordens psiquiátricas, antes, durante ou após a aplicação |
| B — indeterminada | B1 e B2 | B1: relação temporal consistente sem evidência na literatura, possível sinal. B2: dados de investigação conflitantes |
| C — inconsistente ou coincidente | — | Condição preexistente ou emergente causada por outro fator: infecção, doença congênita, outro medicamento |
| D — inclassificável | — | Informação insuficiente para formular a pergunta de causalidade; especificar o que falta e guardar o registro |
A tabela de adrenalina do manual tem um vão na coluna de idade: as faixas passam de 7 a 16 meses direto para 37 a 59 meses, e a criança entre 17 e 36 meses não encontra linha própria. A coluna de peso avança sem lacuna relevante — o degrau entre uma faixa e a seguinte é de meio quilo —, e é ela que se usa à beira do leito. A dose mínima registrada é de 0,05 mL, e a repetição é a cada 5 a 15 minutos, no máximo três vezes.
Evento não grave dispensa investigação, mas a dispensa tem exceção escrita: situações de surtos de eventos adversos. Surto de evento adverso é hipótese de erro de imunização ou de desvio de qualidade de lote até prova em contrário, e por isso ele volta a exigir investigação.
A regra de observar 30 minutos quem tem histórico de alergia grave e 15 minutos quem não tem é da vacina dengue atenuada, não do calendário inteiro. O que vale para todas as vacinas injetáveis é outra coisa: adolescentes e adultos vacinados sentados ou deitados, com 15 minutos de observação para reduzir trauma por queda em caso de síncope.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Contraindica doses subsequentes
A caixa de atenção do capítulo de condutas gerais afirma que há contraindicação para doses subsequentes de vacinas e, na linha imediatamente seguinte, manda utilizar preferencialmente a vacina DTP acelular na dose subsequente. As duas frases não podem valer ao mesmo tempo: a segunda pressupõe exatamente a dose que a primeira proíbe.
Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-Vacinação, 4ª edição atualizada, 2021, item 26.9, página 309.
Não interrompe: troca a célula inteira pela acelular
Os capítulos das vacinas com pertússis são inequívocos e detalham a conduta: observação rigorosa até o desaparecimento completo dos sinais e continuidade do esquema com vacina DTP acelular, completando também as demais vacinas do combinado com produtos isolados. Após episódio ocorrido com a própria DTPa, a instrução é manter o esquema com as próximas doses aplicadas sob supervisão.
Mesmo manual, itens 7.1.4 (penta, página 83), 7.2 (DTP, página 91) e 7.3.4 (DTPa, página 97); no mesmo sentido, a Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação vigente, que oferece vacinas especiais a quem teve evento adverso grave com componente pertússis de células inteiras.
Na prova
O enunciado avisa qual leitura está cobrando pelo verbo que usa. Quando pergunta o que fazer com o esquema, a resposta é continuar com acelular pela rede de imunobiológicos especiais — é a conduta detalhada nos capítulos específicos e a que a instrução normativa vigente sustenta. Quando o enunciado apenas repete o texto da caixa de atenção e pede a transcrição literal, ele está cobrando a frase, não a conduta. Alternativa que suspende todo o calendário da criança está errada nas duas leituras.
Contraindicada a partir dos 5 anos
A lista de contraindicações da penta abre com crianças com 5 anos ou mais de idade, ao lado da contraindicação após evento adverso grave em dose anterior. Na mesma obra, a DTP aparece contraindicada a partir dos 7 anos.
Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-Vacinação, 4ª edição atualizada, 2021, item 7.1.3.2, página 79.
Indicada até 6 anos, 11 meses e 29 dias
A instrução normativa do calendário vigente define a penta para crianças a partir de 2 meses até 6 anos, 11 meses e 29 dias de idade, manda atualizar a situação vacinal até essa idade e diz expressamente que a vacina é contraindicada a partir dos 7 anos, quando a atualização passa a ser feita com dupla adulto e hepatite B monovalente.
Brasil. Ministério da Saúde. Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação, seção da vacina penta (DTP+HB+Hib).
Na prova
É divergência de data, não de opinião: o manual é de 2021 e a instrução normativa é a norma operacional vigente do calendário. Enunciado que descreve uma criança de 5 ou 6 anos com esquema incompleto e pergunta o que aplicar está cobrando a norma do calendário — penta até 6 anos, 11 meses e 29 dias. O corte dos 7 anos é o único que as duas fontes compartilham, e é por isso que ele aparece com tanta frequência.
EAPV, evento adverso pós-vacinação
O manual que rege a conduta usa EAPV em todo o texto, do título ao glossário, e é dele que saem as definições de caso, a classificação por gravidade, a classificação de causalidade e o fluxo de notificação e investigação.
Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-Vacinação, 4ª edição atualizada, 2021.
ESAVI, evento supostamente atribuível à vacinação ou imunização
O item da Lista Nacional de Notificação Compulsória deixou de se chamar eventos adversos graves ou óbitos pós-vacinação e passou a ser evento supostamente atribuível à vacinação ou imunização, com notificação imediata, em até 24 horas, ao Ministério da Saúde e às secretarias estadual e municipal. A instrução normativa do calendário vigente já usa a sigla no corpo do texto e chama o manual de 2021 de Manual ESAVI.
Brasil. Portaria GM/MS nº 11.211, de 13 de maio de 2026, art. 4º, inciso V, e Anexo I, item 23; e Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação.
Na prova
Os dois rótulos nomeiam a mesma coisa, e a diferença serve para datar o enunciado: quem escreve eventos adversos graves ou óbitos pós-vacinação está copiando a lista anterior a 14 de maio de 2026. O detalhe que muda substância é o alcance — o item da lista antiga se restringia aos casos graves e aos óbitos, e o atual nomeia o ESAVI sem qualificar a gravidade. O fluxo interno graduado por gravidade, esse, continua sendo o do manual.
Caso resolvido
- por que isto é anafilaxia e não síncope nem episódio hipotônico
- Há comprometimento simultâneo de três sistemas — pele com urticária generalizada e angioedema, respiratório com tosse e sibilos, cardiovascular com hipotensão e taquicardia — e o critério da anafilaxia exige dois ou mais sistemas, incluindo sempre o cardiovascular e o respiratório. A síncope vasovagal é imediata, tem palidez com recuperação rápida ao deitar e não cursa com urticária nem broncoespasmo. O episódio hipotônico-hiporresponsivo é hipotonia, palidez e hiporresponsividade nas primeiras 48 horas, tipicamente ligado a vacina com pertússis, sem sinais cutâneos nem respiratórios. Vale registrar que a presença de sinais dermatológicos ajuda o diagnóstico, mas parte dos casos de anafilaxia não tem sinal de pele — e são justamente os de progressão mais rápida.
- qual é a dose de adrenalina, e por que ela sai da coluna do peso
- A dose é 0,1 mL da apresentação de 1 mg/mL, por via intramuscular no vasto lateral da coxa, repetível a cada 5 a 15 minutos, no máximo três vezes. Ela vem da linha de 9 a 14,5 kg, onde os 11,2 kg desta criança se encaixam. A coluna de idade não resolve o caso: as faixas impressas passam de 7 a 16 meses direto para 37 a 59 meses, e uma criança de 20 meses não tem linha própria. O manual grifa ainda que não há contraindicação à adrenalina no contexto da anafilaxia — e que a dose mínima é de 0,05 mL.
- o que vem junto e o que vem depois
- Simultaneamente: paciente em decúbito dorsal com as pernas elevadas, via aérea garantida, oxigênio suplementar de alto fluxo e expansão com soro fisiológico 0,9% 20 mL/kg intravenoso rápido para a hipotensão; anti-histamínico, broncodilatador inalatório e corticosteroide são medidas de segunda linha e não substituem a adrenalina. Acionado o serviço de emergência, a criança vai para o hospital e permanece monitorada por pelo menos 12 horas, porque a reação bifásica ocorre em até 11% das crianças e é mais provável quando a adrenalina foi retardada.
- como este evento se classifica
- Por gravidade, é evento adverso grave: ocasionou risco de morte e exigiu intervenção clínica imediata para evitar o óbito, e além disso resultará em hospitalização. Por causalidade, a caixa é a A1, reação relacionada ao produto, dentro do nível A de associação consistente — e é preciso antes descartar erro de imunização, verificando lote, validade, diluente, via e volume aplicados.
- o que a unidade precisa fazer nas próximas 24 e 48 horas
- Notificação imediata, em até 24 horas, com registro no e-SUS Notifica; por ser grave, o caso é obrigatoriamente investigado, e o prazo máximo para iniciar a investigação em tempo oportuno é de 48 horas após a notificação. A ficha deve trazer lote, sítio anatômico e a descrição detalhada do quadro e do tratamento. A obrigação independe de a vacina ter sido aplicada em serviço público ou privado.
- o que fica contraindicado a partir de agora
- Anafilaxia após dose anterior contraindica as doses subsequentes daquele imunobiológico — no caso, a vacina que contém sarampo, caxumba, rubéola e varicela. O que não se contraindica é o resto do calendário: as demais vacinas seguem, e a criança deve ser encaminhada à rede de imunobiológicos especiais para avaliação, porque ter apresentado evento adverso grave a uma vacina da rotina é exatamente uma das portas de entrada desses centros.
Agora feche você
- qual é o quadro e o que o separa da anafilaxia
- Compare o número de sistemas envolvidos, a presença ou ausência de sinais cutâneos e respiratórios, e o comportamento da frequência cardíaca. Diga o que a resposta ao decúbito com pernas elevadas acrescenta.
- em que caixa de causalidade este evento entra
- Escolha entre reação relacionada ao produto, erro de imunização, reação de ansiedade ligada à vacinação e evento coincidente, e explique por que o nível de associação continua sendo o A.
- o que muda na dose seguinte e no esquema das colegas
- Decida se há contraindicação, e diga qual é a medida preventiva que a norma manda adotar para adolescentes e adultos na hora de vacinar.
- se este evento é notificável, e em que prazo
- Classifique primeiro a gravidade pelos cinco critérios, e só então diga o que a unidade faz com a ficha e se é preciso investigar.
Onde a banca derruba
- 1Chamar de grave só o que interna Hospitalização é apenas um dos cinco critérios. Risco de morte com necessidade de intervenção clínica imediata, disfunção significativa ou incapacidade permanente, anomalia congênita e óbito valem sozinhos. E o manual vai além: broncoespasmo, discrasias sanguíneas e convulsões febris em pacientes que não precisaram internar têm potencial de gravidade e devem ser investigados e acompanhados. Alternativa que devolve a criança para casa sem notificar porque ela não ficou internada está errada.
- 2Confundir gravidade com intensidade São eixos diferentes, e o manual diz isso com todas as letras: um evento pode ser leve, moderado ou intenso independentemente de ser ou não grave. O exemplo escolhido é a hiperemia local intensa — intensa e não grave. Enunciado que descreve uma reação local exuberante, dolorosa e extensa não está descrevendo um evento adverso grave; está descrevendo um evento intenso.
- 3Achar que erro de imunização e desmaio não são evento adverso São, e ficam no nível A da causalidade, o de associação consistente. O erro de imunização é a caixa A3 e a reação de ansiedade é a A4. O que essas duas caixas dizem é que a associação com o ato de vacinar existe, mas a causa não é o produto: uma acusa o processo, a outra acusa a resposta da pessoa à agulha. Alternativa que classifica um desmaio pós-vacinal como evento coincidente está trocando a caixa A4 pela C.
- 4Repetir a dose porque aplicaram volume a mais A régua é assimétrica e a banca inverte. Dose superior à recomendada não afeta a resposta de anticorpos e não se repete: informa-se a família sobre possível risco aumentado de reação local. Dose inferior não gera resposta completa e tem de ser repetida — no mesmo dia, se possível; se não, vacina viva após intervalo mínimo de quatro semanas e vacina inativada o mais rapidamente possível.
- 5Suspender o calendário inteiro depois de um evento adverso Nenhum dos três degraus faz isso. Convulsão em 72 horas e episódio hipotônico-hiporresponsivo em 48 horas trocam a célula inteira pela acelular; encefalopatia em até sete dias retira o pertússis e mantém difteria e tétano; anafilaxia contraindica aquele imunobiológico, e apenas ele. Ter apresentado evento adverso grave a uma vacina da rotina é, aliás, indicação de encaminhamento à rede de imunobiológicos especiais — ou seja, é motivo para continuar vacinando, com outro produto.
- 6Notificar no lugar errado, ou achar que um canal substitui o outro O registro do evento adverso pelo profissional que atende é no e-SUS Notifica, módulo próprio. O VigiMed é o canal da Anvisa, aberto também ao cidadão e ao profissional liberal sem cadastro prévio, e alimenta o banco mundial. O Notivisa é para queixa técnica, isto é, suspeita de desvio de qualidade do produto. E o sistema de informação do Programa Nacional de Imunizações é onde se registram as doses aplicadas — ele não recebe a notificação do evento.
Palidez súbita, hipotonia e hiporresponsividade nas primeiras 48 horas (tipicamente até 12 horas) após vacina com componente pertussis celular, com recuperação espontânea e sem sequelas, define o episódio hipotônico-hiporresponsivo (EHH). Pelo Manual de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-Vacinação do Ministério da Saúde, o EHH é evento de notificação compulsória e indica substituição do componente celular pelo acelular (DTPa) nas doses subsequentes, disponível nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE). Não houve febre nem movimentos tônico-clônicos, o que afasta crise febril — além disso, manter DTP celular seria inadequado. Não houve urticária, broncoespasmo ou choque de instalação imediata, o que afasta anafilaxia; e anafilaxia comprovada contraindicaria o imunobiológico, mas não é o caso. A criança está eutrófica, afebril e com exame normal, sem qualquer sinal de sepse.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Lactente de 2 meses, previamente hígido, nascido a termo, recebeu a primeira dose da vacina pentavalente (DTPw-HB-Hib) e da VIP na UBS. Cerca de 4 horas depois, a mãe procura a unidade relatando que a criança ficou subitamente "molinha", pálida e pouco responsiva ao chamado, por aproximadamente 10 minutos, com recuperação espontânea completa e sem movimentos anormais. Ao exame, encontra-se ativa, corada, afebril, eupneica, sem alterações neurológicas ou hemodinâmicas. Assinale a conduta adequada quanto às próximas doses do esquema.
O quadro de hipotonia, palidez/cianose e hiporresponsividade nas primeiras 48 horas após vacina com pertussis de células inteiras, com recuperação espontânea, define o Episódio Hipotônico-Hiporresponsivo (EHH). Segundo o Manual de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-Vacinação (MS), é evento de notificação obrigatória e indica a substituição do componente pertussis celular pelo acelular (DTPa, disponível nos CRIE) nas doses subsequentes — o esquema não deve ser interrompido. Não há contraindicação absoluta ao componente pertussis (a DT isolada deixaria a criança desprotegida contra coqueluche desnecessariamente). Manter a DTPw com antitérmico profilático ignora a indicação formal de troca e expõe a criança à recorrência do EHH. Aguardar a recorrência para só então trocar contraria a norma, que indica a DTPa já após o primeiro episódio.
Lactente de 4 meses comparece à unidade para a segunda dose do esquema básico. Nasceu a termo, sem intercorrências, com desenvolvimento neuropsicomotor prévio normal. Cinco dias após a primeira dose de penta (DTP + HB + Hib), aos 2 meses, foi internado por rebaixamento do nível de consciência e crises convulsivas focais prolongadas, evoluindo com atraso de marcos do desenvolvimento; investigação ampla (neuroimagem, líquor, painel metabólico e infeccioso) não identificou outra causa. Atualmente em uso de fenobarbital, afebril, sem infecção. Assinale a conduta vacinal adequada em relação ao componente contra coqueluche.
Encefalopatia aguda nos primeiros 7 dias após dose de vacina com componente pertussis, sem outra causa identificada, é a única CONTRAINDICAÇÃO ABSOLUTA ao componente pertussis (celular ou acelular): o esquema é completado com dupla bacteriana infantil (DT), preservando Hib, hepatite B, VIP, rotavírus e demais vacinas. O erro clássico — a DTPa substitui a DTP em eventos como episódio hipotônico-hiporresponsivo, convulsão nas primeiras 72 h, febre ≥ 39,5 °C e choro persistente, mas NÃO na encefalopatia, pois a contraindicação é ao componente pertussis como um todo. A atribuição causal se sustenta pela janela de 7 dias com investigação negativa. Adiar não resolve — a contraindicação é definitiva para pertussis e atrasar as demais vacinas é iatrogênico.
Lactente de 2 meses, previamente hígido, nascido a termo, recebeu na sala de vacinação as primeiras doses de pentavalente (DTP/Hib/HB), poliomielite inativada, pneumocócica 10-valente e rotavírus. Cerca de 4 horas depois, apresentou episódio súbito de palidez, hipotonia generalizada e redução da responsividade, com duração aproximada de 15 minutos, sem febre, sem movimentos tônico-clônicos e com recuperação espontânea e completa. Foi levado ao pronto-socorro, onde permaneceu assintomático, com exame neurológico e glicemia normais. Assinale a conduta adequada em relação às doses subsequentes.
O quadro descreve o episódio hipotônico-hiporresponsivo (EHH): início súbito de palidez, hipotonia e hiporresponsividade nas primeiras 48 horas após vacina com componente pertussis de células inteiras, autolimitado e com recuperação completa. Conduta padronizada pelo Manual de Vigilância de Eventos Adversos Pós-Vacinação: notificar e indicar a vacina acelular (DTPa) nas doses seguintes, disponível nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) — a mesma conduta vale para convulsão nas primeiras 72 horas. Manter a pentavalente de células inteiras expõe o lactente à recorrência, e antitérmico profilático não previne EHH (evento não mediado por febre). Excluir de vez o componente pertussis com DT é excessivo: o EHH não é contraindicação absoluta à coqueluche, apenas indicação de troca pela formulação acelular, e privar a criança da proteção contra coqueluche é danoso. O evento é benigno e autolimitado, e não se deve aguardar recorrência para trocar a apresentação.
Criança de 22 meses, com 12 kg, é vacinada em uma unidade básica de saúde. Dez minutos depois apresenta urticária generalizada, edema de lábios, sibilância difusa, pressão arterial 64 x 32 mmHg e taquicardia. Na sala há adrenalina na apresentação de 1 mg/mL, oxigênio e material para acesso venoso. Qual é a dose e a via da primeira administração de adrenalina, conforme a tabela do manual do Ministério da Saúde?
A via adequada para o tratamento da anafilaxia é a intramuscular, preferencialmente no músculo vasto lateral da coxa, e a repetição, quando necessária, é a cada 5 a 15 minutos, no máximo três vezes. A dose vem tabelada por peso: 0,05 mL para 4 a 8,5 kg, 0,1 mL para 9 a 14,5 kg, 0,15 mL para 15 a 17,5 kg, e assim por diante até 0,5 mL a partir de 46 kg, com dose mínima de 0,05 mL. Com 12 kg, a criança se encaixa na faixa de 9 a 14,5 kg, o que dá 0,1 mL. Repare que a coluna de idade da tabela não resolve este caso: as faixas passam de 7 a 16 meses direto para 37 a 59 meses, e uma criança de 22 meses não encontra linha própria — é o peso que decide. Via subcutânea e via intravenosa em bolus não são as recomendadas nesse contexto, e o manual grifa que não há contraindicação à administração de adrenalina diante de anafilaxia. Anti-histamínico, broncodilatador e corticosteroide são medidas subsequentes e não substituem a primeira linha.
Em uma clínica privada de vacinação, uma criança apresenta, poucas horas após receber uma vacina do calendário, um quadro que exige internação hospitalar. A enfermeira responsável pergunta ao médico o que a clínica deve fazer do ponto de vista da vigilância. Qual é a orientação correta?
Qualquer unidade de saúde, pública ou privada, deve notificar a ocorrência de evento adverso pós-vacinação. Como houve hospitalização, trata-se de evento adverso grave: a notificação é imediata ou em até 24 horas, admitindo-se telefone, correio eletrônico e aplicativo de mensagem para alertar o nível hierárquico superior, e o registro é feito no e-SUS Notifica. Todos os casos graves devem ser investigados, e o prazo máximo para iniciar a investigação de campo em tempo oportuno é de 48 horas após a notificação. O sistema de informação do Programa Nacional de Imunizações serve ao registro nominal das doses aplicadas e não recebe a notificação do evento. O Notivisa é o canal das queixas técnicas, isto é, das suspeitas de desvio de qualidade do produto, e não substitui a notificação; o VigiMed, da Anvisa, é canal complementar aberto a cidadãos e profissionais. A Lista Nacional de Notificação Compulsória vigente traz o evento supostamente atribuível à vacinação ou imunização na coluna de notificação imediata, em até 24 horas, às três esferas de gestão.
Adolescente de 14 anos recebe a vacina papilomavírus humano na unidade básica de saúde. Cerca de vinte segundos após a aplicação, refere escurecimento visual e perde a consciência brevemente. É deitada com os membros inferiores elevados e recupera-se por completo em menos de dois minutos. Ao exame, não há urticária, angioedema nem broncoespasmo; a frequência cardíaca inicial era de 46 bpm e a pressão arterial normalizou-se rapidamente. Como se classifica esse evento quanto à causalidade e o que ele determina para as doses seguintes?
O quadro é síncope vasovagal, classificada como reação de ansiedade relacionada à imunização, ou estresse desencadeado em resposta à vacinação. Ela permanece no nível A da classificação de causalidade, de associação consistente, porque o ato de vacinar desencadeou o episódio — mas não é reação ao produto e, por isso, não contraindica as doses seguintes. O que a separa da anafilaxia é o número de sistemas envolvidos: anafilaxia exige comprometimento simultâneo de dois ou mais órgãos ou sistemas, incluindo sempre o cardiovascular e o respiratório, e a associação de sinais cardiorrespiratórios com urticária ou angioedema é o achado mais específico. Bradicardia com recuperação rápida ao decúbito com pernas elevadas aponta para o mecanismo vasovagal. A medida preventiva prevista é vacinar adolescentes e adultos sentados ou deitados e observá-los por 15 minutos, para reduzir o risco de trauma por queda. O evento continua sendo notificável: por não preencher critério de gravidade, é registrado sem necessidade de investigação, salvo em situação de surto.
Menino de 6 meses apresenta convulsão febril cerca de 24 horas após receber a terceira dose da vacina penta. É levado à unidade de pronto atendimento, permanece em observação por seis horas, recupera-se completamente e recebe alta sem internação. A equipe discute como classificar e conduzir o caso na vigilância de eventos adversos pós-vacinação. Qual afirmativa está correta?
Os cinco critérios de evento adverso grave são hospitalização, risco de morte com necessidade de intervenção clínica imediata para evitar o óbito, disfunção significativa ou incapacidade permanente, anomalia congênita e óbito. O manual do Ministério da Saúde acrescenta uma advertência expressa: eventos clinicamente relevantes em pacientes que não necessitem internação, nomeadamente broncoespasmo, discrasias sanguíneas e convulsões febris, têm potencial de gravidade e devem ser investigados e acompanhados. Ausência de internação, portanto, não encerra o caso. O mesmo manual separa explicitamente gravidade de intensidade: um evento pode ser leve, moderado ou intenso independentemente de ser grave, e o exemplo citado é a hiperemia local intensa. A primeira classificação por gravidade é feita pela própria unidade notificadora, não pelo nível estadual. E reação de ansiedade relacionada à imunização é a categoria de causalidade que abriga síncope vasovagal e hiperventilação, não a convulsão febril, cuja explicação mais provável é a febre desencadeada pela resposta inflamatória à vacina em criança predisposta.
Lactente de 2 meses recebe a primeira dose da vacina penta (DTP+HB+Hib) em uma unidade básica de saúde. Cerca de cinco horas depois, os pais o encontram hipotônico, pálido e pouco responsivo, quadro que dura aproximadamente 25 minutos e se resolve espontaneamente. Levado ao pronto-socorro, chega assintomático, com exame físico normal, sem febre e sem convulsão; recebe alta após observação. Aos 4 meses, retorna à unidade para a dose seguinte. Qual é a conduta correta?
O quadro descrito é o episódio hipotônico-hiporresponsivo, que ocorre nas primeiras 48 horas após a vacinação — em geral nas primeiras seis — e se caracteriza por hipotonia, palidez e hiporresponsividade autolimitadas. Ocorrido após vacina com pertússis de células inteiras, ele contraindica a continuidade com penta ou DTP celular, e a conduta escrita nos capítulos específicos do manual do Ministério da Saúde é continuar o esquema com vacina acelular, completando as demais vacinas do combinado com produtos isolados; o encaminhamento à rede de imunobiológicos especiais é justamente para isso. Retirar o componente pertússis e seguir com a dupla infantil é a conduta da encefalopatia aguda grave instalada em até sete dias, um degrau acima. Antitérmico profilático é a medida indicada para crianças com história pessoal ou familiar de convulsão, choro intenso incontrolável ou febre acima de 39,5 °C após dose anterior, e não resolve o episódio hipotônico. Todos os casos de episódio hipotônico-hiporresponsivo devem ser notificados e investigados, e suspender o calendário inteiro não está previsto em nenhum dos degraus.
Lactente de 5 meses, vacinado com BCG ao nascer, é levado à unidade básica de saúde por lesão no local da aplicação. Ao exame, há úlcera de 1,5 cm no braço direito, presente há cerca de 14 semanas e sem sinais de cicatrização. A criança está afebril, com bom ganho de peso, sem hepatoesplenomegalia, sem linfadenopatia em outras cadeias e com restante do exame normal. Qual é a conduta?
Úlcera com diâmetro maior que 1 cm que não evolui para cicatrização após 12 semanas é um dos eventos adversos locais da BCG previstos no manual do Ministério da Saúde, ao lado do abscesso subcutâneo frio e quente, do granuloma, da linfadenopatia regional não supurada maior que 3 cm, da linfadenopatia regional supurada, da cicatriz queloide e da reação lupoide. A conduta é notificar, investigar, acompanhar e, na ausência de cicatrização, tratar com isoniazida 10 mg/kg/dia, com dose máxima de 400 mg, até a regressão completa da lesão. Há duas instruções negativas explícitas: não cobrir a úlcera e não aplicar qualquer medicamento tópico. Esquema com múltiplas drogas e investigação de imunodeficiência ficam reservados às lesões resultantes de disseminação — osteoarticulares, viscerais ou generalizadas com febre persistente, hepatoesplenomegalia e linfadenite múltipla —, que não é o caso desta criança, hígida e com bom ganho de peso. Não há indicação de excisão de rotina nem de revacinação: a ausência de cicatriz de BCG não indica ausência de proteção e não é indicação de revacinar.
Em uma maternidade, a equipe percebe que um recém-nascido recebeu apenas metade do volume recomendado da vacina hepatite B, por erro no preenchimento da seringa. O erro é identificado poucos minutos após a aplicação, com a criança bem e sem qualquer manifestação clínica. Qual é a conduta correta?
Dose inferior à recomendada não é suficiente para desenvolver resposta imunológica completa e, por isso, precisa ser repetida — idealmente no mesmo dia. Quando a reaplicação no mesmo dia não é possível, a regra se divide por tipo de vacina: as vivas devem ser repetidas após intervalo mínimo de quatro semanas e as inativadas, o mais rapidamente possível. A vacina hepatite B é inativada, de modo que a espera de quatro semanas não se aplica. A régua é assimétrica e a banca costuma inverter: dose superior à recomendada não afeta a resposta de produção de anticorpos e não se repete, cabendo apenas informar sobre a possibilidade de risco aumentado de reação local. Reiniciar o esquema não está previsto. O episódio é um erro de imunização, uma das três classificações que a unidade notificadora faz na primeira triagem, ao lado de evento grave e evento não grave, e por ser evitável deve ser notificado e usado para corrigir o processo.
Criança de 5 anos e 8 meses chega à unidade básica de saúde para matrícula escolar. O cartão mostra apenas uma dose da vacina penta (DTP+HB+Hib) aplicada aos 2 meses de idade, sem nenhuma outra dose com componentes diftérico e tetânico. A criança é hígida, sem antecedente de evento adverso. Conforme a instrução normativa do Calendário Nacional de Vacinação vigente, qual é a conduta?
A instrução normativa do calendário vigente indica a penta para crianças a partir de 2 meses até 6 anos, 11 meses e 29 dias, e manda atualizar a situação vacinal até essa idade em quem perdeu a oportunidade, respeitando intervalo de 60 dias entre as doses, intervalo mínimo de quatro meses entre a primeira e a terceira e terceira dose nunca antes dos 6 meses de idade. Esquema incompleto se completa, não se reinicia. A troca por dupla adulto com hepatite B monovalente é a recomendação para quem já tem 7 anos ou mais, idade em que a penta passa a ser contraindicada. Vale registrar uma divergência de data: o manual de vigilância de eventos adversos pós-vacinação, de 2021, ainda lista como contraindicação da penta a idade de 5 anos ou mais, régua superada pela instrução normativa vigente do calendário. Encaminhamento à rede de imunobiológicos especiais existe para imunodeprimidos, condições clínicas de risco, conviventes e quem teve evento adverso grave — nenhuma delas presente aqui.
Menino de 7 anos recebeu a vacina febre amarela e, quatro dias depois, foi internado com febre persistente, icterícia, plaquetopenia, elevação importante de transaminases e hipotensão, evoluindo com disfunção renal. A investigação não identificou outra causa. Qual a classificação do evento e a consequência para doses futuras?
A doença viscerotrópica aguda é disfunção aguda de múltiplos órgãos por replicação e disseminação descontrolada do vírus vacinal, com alta letalidade e manejo em terapia intensiva, e o intervalo entre a vacinação e o início dos sintomas é de três a quatro dias, variando de 1 a 18 — exatamente o quadro descrito. Investiga-se como suspeito quem apresentar pelo menos dois entre febre persistente, hemorragia ou icterícia, e hipotensão ou choque nos 30 dias após a vacina. A forma neurológica é a outra manifestação grave e tem janela distinta, surgindo em geral de uma a quatro semanas depois da aplicação, com variação de 2 a 56 dias, sob a forma de meningoencefalite ou de quadro autoimune. Nos dois casos há contraindicação para doses subsequentes. Chamar de evento coincidente ignora a relação temporal típica e a ausência de outra causa. Não há erro de dose descrito, e a reação de ansiedade relacionada à imunização abriga síncope vasovagal e hiperventilação, quadros imediatos e autolimitados. A frequência brasileira medida entre 2007 e 2012 foi de 0,04 caso viscerotrópico por 100 mil doses aplicadas.
Lactente de 4 meses, nascido com 31 semanas de idade gestacional, faz o esquema com vacina acelular obtida na rede de imunobiológicos especiais por essa indicação de risco. Cinco horas após a segunda dose apresentou episódio hipotônico-hiporresponsivo, com hipotonia, palidez e baixa resposta por cerca de vinte minutos, seguido de recuperação espontânea e exame físico normal. Aos 6 meses retorna para a terceira dose. Qual a conduta?
A distinção fina do tema é esta: o episódio hipotônico-hiporresponsivo ocorrido após vacina com pertussis de células inteiras contraindica a continuidade com esse produto e manda seguir com a acelular; o mesmo episódio ocorrido após a acelular não troca nada, e a conduta escrita no manual é manter o esquema, com as doses seguintes aplicadas sob supervisão. Faz sentido porque não há para onde escalar e porque estudos prospectivos de crianças que apresentaram o episódio não demonstraram sequela neurológica nem tendência à repetição nas doses subsequentes. Retirar o componente pertussis e passar à dupla infantil é a conduta da encefalopatia aguda grave instalada em até sete dias, um degrau acima. Encerrar o esquema deixaria a criança sem proteção contra tétano e difteria sem que exista contraindicação a esses componentes. Voltar para a vacina de células inteiras é o oposto do indicado, porque ela é a mais reatogênica das duas. Antitérmico profilático é medida para história de convulsão, choro intenso incontrolável ou febre acima de 39,5 °C, e não resolve este evento — que deve ser notificado e investigado.
Adolescente de 12 anos, com história de anafilaxia a alimento confirmada por serviço de alergia, vai receber a vacina dengue atenuada na unidade básica de saúde. A equipe pergunta por quanto tempo ele deve permanecer em observação e o que fazer caso ocorra reação. Qual a orientação vigente?
A partir do monitoramento de segurança da vacina dengue atenuada, o Ministério da Saúde identificou sinal de alerta para anafilaxia e outras reações de hipersensibilidade acima do observado para as demais vacinas e passou a recomendar observação de pelo menos 30 minutos em quem tem histórico de reações alérgicas graves, e de pelo menos 15 minutos em quem não tem — é uma regra de uma vacina, não uma regra geral da sala de vacina. Do mesmo texto vêm as consequências: reação grave de hipersensibilidade ou anafilaxia contraindica a dose subsequente da mesma vacina, enquanto reação não grave pede avaliação individualizada de risco e benefício, podendo incluir vacinação supervisionada por no mínimo 60 minutos em local com suporte adequado — de modo que reação não grave não fecha o esquema. As contraindicações comuns a todo imunobiológico são apenas duas, anafilaxia após dose anterior e hipersensibilidade a componente da fórmula; alergia alimentar sem relação com a composição não entra nessa lista. E a vacinação contra a dengue deve ser evitada fora da sala de vacinação quando não for possível cumprir as exigências de suporte de vida.
Qual é a conduta diante de paciente que relata reação local intensa, com dor e edema no braço por 48 horas após dose anterior de vacina?
Reações locais e sistêmicas leves, como dor, edema, febre baixa e mal-estar, são esperadas e não contraindicam doses subsequentes, devendo ser explicadas ao paciente com orientação de medidas sintomáticas, pois o receio dessas reações é uma das principais causas de abandono de esquemas. A contraindicação verdadeira é a anafilaxia a dose anterior ou a componente da vacina. Suspender esquemas ou substituir vacinas por imunoglobulinas deixa o paciente desprotegido sem qualquer justificativa técnica.
Criança de 5 anos com alergia a ovo manifestada por urticária após ingestão. A mãe pergunta sobre a vacina contra influenza. Qual a orientação?
O conteúdo residual de proteína do ovo nas vacinas atuais contra influenza é mínimo, e crianças com alergia manifestada apenas por urticária podem ser vacinadas em unidade de saúde comum, com o período de observação habitual. Reservar a aplicação para ambiente hospitalar em todos os casos é a conduta antiga, hoje restrita a histórias de anafilaxia. Contraindicar é o erro que retira proteção de uma criança de risco.
Criança de 4 anos recebeu vacina tríplice viral e, 8 dias depois, apresenta febre alta e exantema maculopapular que dura 2 dias, com bom estado geral. Qual a interpretação e a conduta?
Febre e exantema entre o quinto e o décimo segundo dia após a tríplice viral traduzem a replicação do vírus atenuado e são eventos esperados, autolimitados, que não contraindicam a segunda dose. Rotular como falha vacinal e sarampo selvagem é possível apenas se houver vínculo epidemiológico, e mesmo assim a investigação é que decide — a janela temporal característica aponta para o evento vacinal.
Lactente apresenta abscesso frio e linfadenopatia axilar supurada ipsilateral 3 meses após aplicação de BCG. Qual a conduta correta?
Linfadenite supurada pós-BCG é evento adverso notificável, cujo manejo é isoniazida quando indicado, com preferência por punção aspirativa em vez de incisão ampla, que tende a fistulizar e cicatrizar mal. Tratar como abscesso bacteriano comum com antibiótico e drenagem é o erro mais frequente. O evento também levanta a hipótese de imunodeficiência, que merece investigação quando disseminado ou recorrente.
Lactente de 3 meses apresenta, 6 horas após a primeira dose da vacina pentavalente, episódio hipotônico-hiporresponsivo com palidez e recuperação espontânea em 20 minutos. Qual a conduta em relação às doses seguintes?
O episódio hipotônico-hiporresponsivo é evento adverso notificável associado ao componente pertussis de célula inteira, e a conduta prevista nos centros de referência é seguir o esquema com a formulação acelular, que tem perfil de reatogenicidade muito menor. Suspender de vez a proteção contra coqueluche é o excesso que deixa o lactente exposto à doença mais letal justamente nessa faixa etária.
Criança de 7 anos apresenta exantema maculopapular, febre de 38 °C e linfadenopatia occipital. Duas semanas antes, recebeu a segunda dose da tríplice viral. Qual a interpretação mais provável?
Exantema com febre entre 5 e 12 dias após a tríplice viral é evento adverso esperado, decorrente da replicação do vírus vacinal atenuado, mas a diferenciação de caso autóctone só é possível pela genotipagem — por isso a notificação e a coleta de amostra continuam obrigatórias. Assumir falha vacinal sem genotipagem gera alarme epidemiológico indevido. A panencefalite tem latência de anos e não cursa com exantema. Rubéola congênita se manifesta no recém-nascido. Anafilaxia é reação imediata, em minutos a horas, e não se apresenta com exantema febril tardio.
Criança apresenta febre e exantema maculopapular sete dias após a aplicação da vacina tríplice viral. Como interpretar esse achado?
A vacina contém vírus vivos atenuados que se replicam, e por isso febre e exantema surgem tipicamente entre o quinto e o décimo segundo dia, com curso benigno e autolimitado. Reconhecer essa janela temporal evita tratar como doença aguda e evita atribuir o quadro a outra causa. A notificação segue a normativa vigente, e não há indicação de revacinação nem contraindicação a doses futuras.
Criança apresentou anafilaxia poucos minutos após receber determinada vacina, com urticária generalizada, broncoespasmo e hipotensão, tratada com adrenalina. Qual a conduta em relação a essa vacina?
A anafilaxia comprovada a um imunobiológico é uma das poucas contraindicações absolutas a doses subsequentes daquele produto, e a conduta inclui notificação, investigação do componente responsável, que pode estar presente em outras vacinas, e avaliação especializada para definir alternativas. Fracionar dose ou pré-medicar não previne anafilaxia e apenas retarda o reconhecimento de uma nova reação grave.
Criança de 4 meses apresenta, 4 horas após a aplicação da vacina com componente pertussis de células inteiras, episódio de hipotonia, palidez e hiporresponsividade, com recuperação espontânea em poucos minutos. Qual a conduta em relação às próximas doses?
O episódio hipotônico-hiporresponsivo é um evento adverso benigno e autolimitado, associado ao componente de células inteiras, e a conduta é continuar o esquema com a formulação acelular, que tem perfil de reatogenicidade muito menor. Suspender a proteção contra coqueluche é o erro que expõe a criança a uma doença potencialmente fatal, e a única situação que contraindica definitivamente o componente é a encefalopatia surgida após uma dose.
Sobre a notificação de eventos adversos pós-vacinação, qual afirmação é correta?
O sistema de vigilância se apoia justamente na notificação de eventos temporalmente associados, cuja causalidade será avaliada depois, e exigir nexo comprovado antes de notificar destruiria a capacidade de detectar sinais raros. A notificação não substitui o cuidado clínico, e a subnotificação é o maior problema prático, muitas vezes por receio de que o registro seja interpretado como culpa do vacinador.
Uma criança de 3 anos apresenta, 8 horas após receber vacina, febre de 38,5 °C e dor local com eritema de 3 cm, sem outros sintomas, com melhora em 48 horas. A mãe pergunta se pode receber as próximas doses. Considerando a vigilância de eventos adversos pós-vacinação, qual é a conduta correta?
Febre e reação local são eventos adversos leves e esperados, devem ser notificados quando atendem aos critérios de vigilância, mas não contraindicam a continuidade do calendário. Suspender todas as vacinas expõe a criança a doenças imunopreveníveis sem justificativa. Não existem formulações orais equivalentes para a maioria dos imunizantes do calendário. Encaminhamento a serviço de referência para imunobiológicos especiais é reservado a eventos graves, como anafilaxia ou episódio hipotônico-hiporresponsivo.
Lactente de 4 meses recebeu a segunda dose da vacina pentavalente e, cerca de 8 horas depois, apresentou episódio de hipotonia, hiporresponsividade e palidez, com duração de 15 minutos e recuperação espontânea completa. Foi avaliado no pronto-atendimento e encontra-se bem, sem febre e com exame neurológico normal. A mãe pergunta se poderá receber as próximas doses. Qual é a orientação correta?
O episódio hipotônico-hiporresponsivo é evento adverso pós-vacinação associado ao componente pertussis de células inteiras e, no Brasil, indica a substituição das doses seguintes pela vacina com componente acelular disponível no Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais, além da notificação obrigatória. Manter o mesmo imunobiológico contraria essa recomendação nacional. Interromper o esquema deixa a criança suscetível a difteria, tétano e coqueluche, sem respaldo técnico. Corticoide profilático não previne o evento e não faz parte de nenhum protocolo de imunização.
Criança de 12 meses recebeu a primeira dose da tríplice viral há 8 dias e apresenta hoje febre de 38,9 graus Celsius e exantema maculopapular discreto em tronco, sem outros sintomas. Está ativa, hidratada, alimentando-se bem, sem sinais de toxemia. A família está preocupada com a possibilidade de sarampo. Qual é a orientação correta?
Febre e exantema entre o quinto e o décimo segundo dia após a tríplice viral são eventos adversos esperados, decorrentes da replicação do vírus atenuado, de curso benigno, manejados com sintomáticos e registrados no sistema de vigilância. Interpretar como sarampo ativo desconsidera a cronologia típica e a ausência de pródromo catarral com manchas de Koplik. O evento não contraindica a dose subsequente. A antibioticoterapia não tem indicação em criança com bom estado geral e quadro compatível com resposta vacinal.
Lactente de 2 meses é levado à sala de vacina e a mãe relata que a criança teve febre de 38,5 graus Celsius após a dose anterior de pentavalente, com irritabilidade por 24 horas, sem outros sintomas. Ela pergunta se a próxima dose é segura. A criança está bem hoje, afebril, com bom ganho de peso. Qual é a orientação correta?
Febre e irritabilidade nas primeiras 48 horas após a vacina com componente pertussis de células inteiras são eventos comuns e autolimitados, que não contraindicam a continuidade do esquema, cabendo orientação sobre antitérmico se necessário. A substituição pela apresentação acelular se reserva a eventos graves definidos, como episódio hipotônico-hiporresponsivo, convulsão ou encefalopatia. Suspender o componente deixa a criança suscetível à coqueluche. Corticoide profilático não integra qualquer recomendação de imunização.
Na sala de vacinas da Unidade Básica de Saúde, uma auxiliar pergunta ao médico quais situações impedem a aplicação de vacinas naquele dia. Comparecem: lactente com coriza e febre de 37,6 °C; criança em uso de amoxicilina para otite; criança convalescente de diarreia leve; e criança em uso de prednisona 2 mg/kg/dia há 20 dias por síndrome nefrótica. Qual dessas situações representa contraindicação verdadeira à vacina de vírus vivo atenuado?
Corticoterapia sistêmica em dose imunossupressora por duas semanas ou mais contraindica temporariamente vacinas de agentes vivos atenuados, devendo-se aguardar o intervalo recomendado após a suspensão. Coriza com febre baixa é falsa contraindicação e não deve adiar a vacinação. Antibiótico para infecção localizada não interfere na resposta vacinal. Convalescença de doença leve tampouco justifica adiamento, sendo oportunidade de atualizar o esquema.
Lactente de 4 meses apresenta, cerca de 8 horas após receber vacinas do calendário, episódio de hipotonia, hiporresponsividade e palidez com duração de aproximadamente 20 minutos, com recuperação espontânea completa. Foi levado à Unidade Básica de Saúde, onde se encontra ativo, corado, afebril, com exame físico normal. Qual é a conduta correta?
Episódio hipotônico-hiporresponsivo é evento adverso de notificação obrigatória que deve ser investigado, sem que isso implique, por si, contraindicação permanente ao calendário, decidindo-se as doses seguintes após avaliação. Contraindicar todas as vacinas deixa a criança desprotegida sem respaldo técnico. Deixar de notificar compromete a vigilância dos eventos adversos. Imunoglobulinas não substituem a imunização ativa do calendário.
Lactente de 2 meses recebeu a vacina pentavalente e, cerca de seis horas depois, apresentou febre de 38,4 °C, irritabilidade e área de eritema e endurecimento de 3 cm no local da aplicação. Está mamando bem, sem prostração, sem convulsão e sem choro persistente por mais de três horas. O exame físico não mostra outras alterações. A mãe está assustada e pergunta se pode dar as próximas doses. Assinale a conduta correta.
Febre, irritabilidade e reação local nas primeiras horas após a pentavalente são eventos adversos comuns e leves, manejados com sintomáticos e compressa fria, sem contraindicar as doses subsequentes. Contraindicar o esquema por essa reação privaria a criança de proteção contra doenças graves, já que anafilaxia é reação imediata, com manifestações sistêmicas distintas. Classificar o quadro como evento grave e encaminhar à terapia intensiva é desproporcional. Vacinas de vírus vivo não substituem componentes inativados da pentavalente.
Criança de 3 anos com imunodeficiência combinada grave em investigação recebeu, por engano, vacina de vírus vivo atenuado em sala de vacina. A família procura a unidade preocupada. A criança está assintomática no momento, com bom estado geral. Qual é a conduta correta?
A aplicação inadvertida de vacina de vírus vivo em imunodeficiência grave é evento adverso que exige notificação, acionamento do serviço especializado e avaliação de medidas específicas, como imunoglobulina ou antiviral, conforme o agente vacinal. Aguardar sintomas atrasa intervenções que podem prevenir doença disseminada. Completar o esquema com nova dose agrava o risco. Suspender todo o calendário priva a criança de vacinas inativadas, que continuam indicadas.
Um lactente de 10 meses recebe diagnóstico de invaginação intestinal 5 dias após a segunda dose da vacina oral contra rotavírus, com necessidade de intervenção. A família procura a Unidade Básica de Saúde para orientações. Qual é a conduta da equipe em relação a esse evento?
A invaginação intestinal após a vacina de rotavírus deve ser notificada como evento adverso grave e contraindica doses subsequentes desse imunobiológico, mantendo-se as demais vacinas do calendário. Deixar de notificar compromete a vigilância e o monitoramento de segurança. Aplicar nova dose expõe a criança a novo episódio. Suspender todo o calendário priva a criança de proteção contra outras doenças, sem qualquer justificativa técnica.
Uma criança de 3 anos é levada à Unidade Básica de Saúde para receber a vacina contra febre amarela. A mãe relata que a criança tem alergia grave a ovo, com anafilaxia documentada após ingestão. Não há outras comorbidades. Qual é a conduta correta?
A anafilaxia a ovo é precaução para vacinas produzidas em substrato de ovo, como a de febre amarela, exigindo avaliação e eventual aplicação em serviço com suporte, o que é papel do Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais. Aplicar na rotina sem avaliação expõe a criança a risco de reação grave. Contraindicar sem avaliação priva a criança de proteção contra doença de alta letalidade em área de risco. Não existe imunoglobulina específica para essa finalidade.
Uma criança de 12 meses é levada à sala de vacina com histórico de anafilaxia após dose anterior de determinada vacina, com necessidade de adrenalina. A família pergunta se ela poderá receber a próxima dose do mesmo imunobiológico. Qual é a orientação correta?
A anafilaxia após dose prévia do mesmo imunobiológico é uma das poucas contraindicações verdadeiras à vacinação, exigindo notificação e avaliação especializada para definir alternativas. Classificar como precaução manejável com anti-histamínico expõe a criança a risco de morte. Repetir a dose em ambiente hospitalar comum não elimina o risco nem substitui a avaliação. Contraindicar todo o calendário é excessivo, pois a contraindicação é específica ao componente envolvido.
Mulher de 35 anos comparece à Unidade Básica de Saúde relatando que teve reação alérgica leve com prurido e algumas urticas após tomar a primeira dose de uma vacina, tratada apenas com anti-histamínico, sem necessidade de adrenalina ou internação. Ela precisa tomar a segunda dose do esquema e está muito receosa. Está assintomática, com exame físico normal e pressão arterial de 116x72 mmHg, sem história de anafilaxia prévia a outros agentes. A orientação correta é
Reação leve e não anafilática a dose prévia não contraindica a continuidade do esquema, sendo a conduta aplicar a dose seguinte em local com estrutura para atendimento de emergências e ampliar o tempo de observação. Contraindicar definitivamente após reação leve priva a paciente da proteção vacinal sem justificativa. Pré-medicação com corticoide não é recomendada de rotina e pode reduzir a resposta imune. Imunoglobulina específica não substitui a vacinação de rotina e nem existe para a maioria dos imunobiológicos.
Homem de 62 anos, com diabetes tipo 2 e doença renal crônica estágio 3, comparece à sala de vacina da Unidade Básica de Saúde durante campanha de vacinação contra influenza. Traz caderneta com registro da dose no ano anterior. Refere que teve febre e dor no braço por dois dias após a última dose e pergunta se deve tomar novamente. Ao exame: afebril, bom estado geral, sem sinais de infecção aguda, sem uso de imunossupressores. Nega alergia grave a componentes da vacina. A conduta correta é:
Febre baixa e dor local por poucos dias após vacinação são eventos adversos leves e esperados, que não contraindicam doses subsequentes; o paciente pertence a grupo prioritário por diabetes e doença renal crônica, e a vacinação anual é recomendada por causa da variação dos vírus circulantes. Contraindicar por essa reação confunde evento leve com anafilaxia, que é a verdadeira contraindicação. Fracionar a dose não é prática prevista e compromete a resposta imune. Adiar por um ano deixa paciente de risco desprotegido durante toda a temporada.
Menino de 18 meses é levado à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina e a mãe pergunta sobre a vacina contra rotavírus, pois ouviu dizer que ela pode causar problema intestinal. Ele recebeu as duas doses nas idades preconizadas, sem intercorrências, e nunca teve dor abdominal, vômitos ou sangue nas fezes. Ao exame, está eutrófico, com abdome flácido e indolor, sem massas e sem distensão, e o desenvolvimento é adequado para a idade. O calendário vacinal está completo e não há outras queixas. A orientação correta é
A vacina contra rotavírus reduz substancialmente hospitalizações e mortalidade por diarreia grave, e o risco de invaginação intestinal, quando presente, é muito pequeno e concentrado nos dias seguintes à aplicação, com balanço amplamente favorável à vacinação. Afirmar que a maioria das crianças desenvolve invaginação é factualmente incorreto. Não há doses de reforço previstas após o esquema básico, que tem idade máxima definida. Desaconselhar a vacinação de futuros irmãos contraria a evidência e a política de imunização.
Mãe de menino de 3 anos relata na sala de vacina que o filho teve urticária e vômitos após comer ovo pela primeira vez, aos 2 anos, e nunca mais consumiu o alimento. Ele precisa receber vacinas do calendário, incluindo tríplice viral e influenza. Ao exame: criança saudável, sem lesões cutâneas atuais, sem sibilância, com crescimento adequado e sem uso de medicamentos. A equipe pergunta se a alergia ao ovo contraindica alguma dessas vacinas. Qual é a orientação correta?
A alergia ao ovo não contraindica a vacina tríplice viral, cujo cultivo em fibroblastos de embrião de galinha deixa quantidade desprezível de proteína, nem a vacina influenza, que pode ser aplicada com observação após a administração mesmo em pessoas com alergia. Contraindicar todas essas vacinas priva a criança de proteção sem base científica. Excluir permanentemente a influenza também é incorreto. A dessensibilização alimentar tem indicações próprias e não é pré-requisito para vacinação.
Uma criança de 5 anos apresenta, três dias após receber uma vacina do calendário, episódio de febre alta, irritabilidade e uma lesão extensa e dolorosa no local da aplicação, com limitação de movimento do membro. A mãe procura a unidade muito assustada e diz que não pretende mais vacinar a filha. Ao exame: lesão local extensa, quente, dolorosa, sem flutuação e sem sinais de abscesso, criança febril, hidratada e ativa nos intervalos, sem sinais de gravidade. Qual é a conduta correta?
Os eventos adversos pós-vacinação devem ser notificados e investigados, com manejo clínico adequado e orientação da família, distinguindo reações locais intensas, que raramente contraindicam doses futuras, de eventos que exigem avaliação especializada, preservando a confiança na vacinação. Suspender todas as vacinas por reação local é conduta desproporcional que expõe a criança a doenças evitáveis. Ignorar e não registrar impede a vigilância da segurança dos imunobiológicos. Antibiótico não trata reação inflamatória sem infecção bacteriana.
Lactente de 4 meses é levado à sala de vacina da Unidade Básica de Saúde e a mãe informa que ele apresentou, após a dose anterior da vacina pentavalente, um episódio de choro persistente e inconsolável por mais de três horas, com febre alta, mas sem convulsão, sem palidez e sem perda de tônus. A criança está bem, sem febre e sem doença aguda no momento, com desenvolvimento adequado. A equipe pergunta se a dose atual pode ser aplicada. Qual é a conduta correta?
O choro persistente e inconsolável após vacinação é evento adverso não grave e não constitui contraindicação para as doses seguintes, devendo o caso ser notificado, os pais orientados e a vacinação mantida, eventualmente com uso de antitérmico conforme avaliação. Suspender o esquema deixa a criança suscetível a doenças graves. Adiar por meses gera oportunidade perdida sem benefício. Não existe substituição por vacina de vírus vivo equivalente para os componentes da pentavalente.
Menina de 4 anos é levada à Unidade Básica de Saúde para vacinação e a mãe relata que a criança teve reação anafilática confirmada após ingestão de ovo, com necessidade de atendimento de emergência. A criança precisa receber a vacina tríplice viral e a vacina contra febre amarela, indicada por residir em área com recomendação. Ao exame: bem, sem doença aguda, sem lesões cutâneas e sem sibilância. Qual é a conduta correta?
A alergia ao ovo, mesmo grave, não contraindica a vacina tríplice viral, cujo conteúdo proteico é desprezível, enquanto a vacina contra febre amarela contém quantidade maior de proteínas do ovo e, diante de anafilaxia comprovada, exige avaliação em serviço especializado, com possibilidade de aplicação sob supervisão ou teste prévio. Contraindicar as duas priva a criança de proteção necessária. Aplicar ambas sem cuidados desconsidera o risco específico. Não existem imunoglobulinas substitutivas para essas vacinas.
Menino de 3 anos recebe a vacina tríplice viral na Unidade Básica de Saúde e, cerca de dez dias depois, a mãe retorna preocupada porque a criança apresentou febre e exantema maculopapular discreto por dois dias, já em resolução. A criança manteve bom estado geral, sem toxemia, sem recusa alimentar e sem sinais de gravidade. Ao exame: afebril, ativa, com exantema residual discreto, sem conjuntivite, sem tosse, sem adenomegalias volumosas e sem sinais de complicação. Qual é a orientação correta?
Febre e exantema discretos entre cinco e doze dias após a vacina tríplice viral são eventos adversos esperados, decorrentes da replicação do vírus vacinal atenuado, devendo ser notificados e orientados à família, sem contraindicar doses futuras. Suspender vacinas de vírus vivo por evento esperado deixa a criança desprotegida. A investigação de sarampo deve considerar o nexo temporal com a vacinação, evitando resposta desproporcional, embora casos suspeitos exijam avaliação criteriosa. Antibiótico não tem qualquer indicação.
Menino de 2 anos é levado à sala de vacina e a mãe relata que ele apresentou, após dose anterior de vacina, episódio em que ficou pálido, mole e pouco responsivo por alguns minutos, com recuperação espontânea completa, sem convulsão e sem necessidade de atendimento hospitalar. A criança está bem hoje, sem doença aguda. Ao exame: ativo, corado, com desenvolvimento adequado e exame físico normal. A equipe questiona se a próxima dose pode ser aplicada. Qual é a conduta correta?
O episódio hipotônico-hiporresponsivo é evento adverso pós-vacinal benigno e autolimitado, sem sequelas, que deve ser notificado, mas não contraindica a continuidade do esquema, podendo-se considerar apresentações acelulares quando disponíveis conforme o protocolo. Suspender a vacinação deixa a criança desprotegida contra doenças graves. Adiar por anos não tem fundamento. Restringir a vacinas de vírus vivo não guarda relação com o evento descrito.
Menina de 5 anos é levada à sala de vacina e a mãe relata que, após uma vacina aplicada anos atrás, a criança apresentou urticária generalizada, edema de lábios, dificuldade respiratória e hipotensão minutos após a aplicação, com necessidade de adrenalina e atendimento de emergência. Hoje ela está saudável, sem doença aguda. Ao exame: ativa, sem lesões cutâneas e sem sibilância, com desenvolvimento adequado. Ela precisa receber uma dose da mesma vacina. Qual é a conduta correta?
A anafilaxia comprovada após dose prévia é contraindicação verdadeira à aplicação da mesma vacina ou de componentes específicos, exigindo notificação, contraindicação registrada e avaliação em serviço especializado para definir conduta, mantendo-se as demais vacinas do calendário. Reaplicar a vacina expõe a risco de nova reação grave. Suspender todo o calendário deixa a criança desprotegida sem necessidade. Fracionar doses não é estratégia segura para contornar anafilaxia.
Uma mãe leva o filho de 2 meses à sala de vacina e pergunta sobre a segurança da vacina oral contra rotavírus, pois ouviu falar de um risco de obstrução intestinal. A criança nasceu a termo, está em aleitamento materno exclusivo, tem bom ganho de peso e não apresenta antecedentes de malformação do trato gastrointestinal nem episódios prévios de invaginação intestinal. Ao exame: lactente ativo, hidratado, com abdome flácido, sem massas palpáveis e sem visceromegalias. Qual é a orientação correta?
A vacina oral contra rotavírus tem risco muito baixo de invaginação intestinal, amplamente superado pelo benefício de prevenir hospitalizações e óbitos por diarreia grave, devendo ser aplicada dentro das faixas etárias estabelecidas, com contraindicação apenas em antecedente de invaginação, malformação intestinal não corrigida e imunodeficiência combinada grave. Contraindicar sem esses antecedentes priva a criança de proteção. Adiar para depois dos 12 meses ultrapassa o limite de idade. Não existe apresentação injetável dessa vacina.
Menino de 1 ano comparece à sala de vacinação da Unidade Básica de Saúde para receber a vacina tríplice viral. A mãe informa que ele teve urticária e vômitos após comer bolo com ovo aos 10 meses, com teste cutâneo positivo para ovo, e pergunta se pode vacinar. A criança está afebril, ativa, sem uso de corticoide sistêmico e com esquema vacinal em dia até o momento. A unidade dispõe de sala equipada, com adrenalina e profissional treinado para atendimento de emergência. Qual é a conduta correta?
A vacina tríplice viral é cultivada em fibroblastos de embrião de galinha e contém traços mínimos de proteína do ovo, de modo que alergia ao ovo, mesmo grave, não é contraindicação: a aplicação ocorre na própria unidade, com observação após a dose. Contraindicar e isentar a criança a expõe desnecessariamente ao sarampo, doença de notificação imediata em recrudescimento. O encaminhamento ao centro de referência é indicado para reação anafilática a dose anterior da própria vacina ou a seus componentes, como gelatina e neomicina. Não existe, na rede pública, vacina inativada contra sarampo que substitua a tríplice viral.
Durante a campanha de vacinação, uma criança de 1 ano recebeu por engano a vacina tríplice viral por via intramuscular, quando a via correta seria subcutânea. A criança está bem, sem reação local ou sistêmica, e a mãe pergunta se será necessário repetir a dose. A enfermeira registra o ocorrido e aciona o médico da unidade para orientação e para o encaminhamento adequado do evento. Qual é a conduta correta?
Erros de imunização, com ou sem consequência clínica, devem ser registrados e notificados no sistema de vigilância de eventos, com avaliação técnica sobre a validade da dose e eventual necessidade de revacinação, além de comunicação transparente à família e revisão do processo de trabalho. Ignorar o evento impede a correção sistêmica das causas e a decisão sobre revacinação. Contraindicar definitivamente a vacina prejudica a criança sem qualquer justificativa. Corticoide e anti-histamínico profiláticos não têm indicação nesse contexto.
Lactente de 2 meses recebeu a primeira dose da vacina pentavalente e, 6 horas depois, apresentou palidez, hipotonia e redução da responsividade, com duração de cerca de 20 minutos e recuperação completa e espontânea. Não houve convulsão, febre alta ou sinais de anafilaxia. Ao ser avaliado, encontra-se ativo e reativo. FC 132 bpm, FR 42 ipm, T 36,7 °C, exame físico e neurológico normais. Qual a conduta quanto às doses subsequentes?
Substituir o componente pertussis pela apresentação acelular nas próximas doses é a conduta correta: o episódio hipotônico-hiporresponsivo é evento adverso associado ao componente de células inteiras, e a troca permite completar o esquema com segurança. Contraindicar todas as vacinas expõe a criança a doenças imunopreveníveis sem justificativa. Manter a apresentação de células inteiras sem qualquer ajuste desconsidera a recomendação do programa de imunizações. Adiar todas as vacinas até um ano de idade deixa o lactente desprotegido na fase de maior risco. O corticoide profilático não previne esse tipo de evento.
Lactente de 3 meses é levado ao pronto-socorro 8 horas após a segunda dose da vacina pentavalente, com choro persistente e inconsolável por mais de 3 horas, seguido de episódio de hipotonia e hiporresponsividade que durou cerca de 20 minutos, com recuperação espontânea completa. Está afebril, ativo, com exame físico e neurológico normais no momento da avaliação. Qual a conduta em relação às próximas doses?
Manter o esquema com a vacina que contém componente pertussis acelular é a conduta correta, pois o episódio hipotônico-hiporresponsivo está associado ao componente pertussis de células inteiras e indica a substituição nas doses seguintes, disponível em centros de referência para imunobiológicos especiais. Contraindicar todas as vacinas é excessivo e deixaria a criança vulnerável. Suspender a poliomielite inativada não faz sentido, pois esse componente não se relaciona ao evento. Repetir a vacina de células inteiras ignora a recomendação de troca. A imunoglobulina periódica não substitui a imunização ativa do calendário.
Uma alergia com anafilaxia a componente vacinal foi confirmada. A equipe considera aplicar produto que contém o mesmo componente. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
A segurança exige avaliação específica da contraindicação. Anafilaxia a dose anterior ou componente exige avaliação específica antes de nova exposição ao mesmo produto ou componente. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/contraindications-precautions.html
Após dose anterior houve urticária generalizada, broncoespasmo e hipotensão confirmados como anafilaxia. Planeja-se repetir o mesmo imunizante. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
A reação grave requer avaliação antes de nova dose. Anafilaxia a dose anterior ou componente exige avaliação específica antes de nova exposição ao mesmo produto ou componente. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/contraindications-precautions.html
Foi documentada reação anafilática a componente presente na vacina planejada. A equipe precisa decidir antes de administrá-la. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
É necessário avaliar a contraindicação à exposição ao componente. Anafilaxia a dose anterior ou componente exige avaliação específica antes de nova exposição ao mesmo produto ou componente. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/contraindications-precautions.html
Criança teve anafilaxia confirmada após uma vacina e está agendada para receber o mesmo produto sem avaliação do componente responsável. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
A reexposição precisa ser avaliada por risco de reação grave. Anafilaxia a dose anterior ou componente exige avaliação específica antes de nova exposição ao mesmo produto ou componente. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/contraindications-precautions.html
Qual manifestação em B indica broncoespasmo?

Sibilância sugere estreitamento de vias aéreas inferiores.
Em B, qual intervenção farmacológica é prioritária no manejo da anafilaxia?

Adrenalina é tratamento de primeira linha; adjuvantes não a substituem.
Qual posição favoreceu melhora em A?

Decúbito pode melhorar retorno venoso em reação vasovagal.
Por que ocorrência após vacinação não prova causalidade para todo evento subsequente?

Notificar e investigar não exige concluir antecipadamente causalidade.
Qual distinção é prioritária entre A e B?

Padrão multissistêmico e comprometimento respiratório/circulatório favorecem anafilaxia.
Lactente de 3 meses foi vacinado ontem em unidade básica com pentavalente e VIP. Hoje pela manhã foi trazido ao pronto-socorro em parada cardiorrespiratória, com constatação de óbito. Não havia doença prévia conhecida. A família relata que o bebê foi colocado para dormir em decúbito ventral no sofá. O médico plantonista deve tomar qual conduta em relação à vigilância de ESAVI?
ESAVI é definido como qualquer ocorrência médica indesejada após vacinação, sem necessariamente haver relação causal comprovada. Óbito é critério de gravidade e configura ESAVI grave, com notificação compulsória imediata em até 24 horas pela unidade que atendeu, no e-SUS Notifica. A investigação de causalidade é posterior e pode concluir por evento coincidente (categoria C), mas isso não isenta a notificação inicial. Prazos e conduta independem da hipótese diagnóstica presumida. Referências: FAQ ESAVI — Ministério da Saúde — https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/esavi/faq/faq OpenDataSUS — ESAVI — https://opendatasus.saude.gov.br/dataset/esavi
Um adolescente de 14 anos recebe a vacina HPV em campanha escolar. Cerca de 2 minutos após a aplicação, apresenta palidez, sudorese, sensação de mal-estar e desmaia, com recuperação completa em menos de 1 minuto após ser posicionado em decúbito com elevação dos membros inferiores. Sinais vitais normalizam em 5 minutos. Não houve urticária, broncoespasmo, hipotensão persistente ou edema. Qual é a classificação de causalidade mais adequada e a conduta em relação à próxima dose?
O quadro descrito é típico de síncope vasovagal, classificada pela OMS/Brasil como reação de estresse desencadeada em resposta à vacinação (EDRV, categoria A4). Não há sinais de anafilaxia (ausência de urticária, broncoespasmo, hipotensão sustentada, edema angioneurótico). Não contraindica doses futuras. Recomenda-se aplicar a próxima dose com o paciente sentado ou deitado e manter observação de pelo menos 15 minutos, especialmente em adolescentes recebendo HPV ou dengue. Referências: Manual de Vigilância Epidemiológica de EAPV, 4ª ed. atualizada (Ministério da Saúde, 2021) — https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vacinacao-imunizacao-pni/manual_eventos-_adversos_pos_vacinacao_4ed_atualizada.pdf FAQ ESAVI — Ministério da Saúde — https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/esavi/faq/faq
Lactente de 5 meses recebeu a segunda dose da vacina pentavalente há 36 horas em unidade básica. A mãe procura o pronto atendimento porque a criança está com febre de 38,2 °C e hiperemia local com endurecimento de aproximadamente 4 cm no local da aplicação, sem drenagem, sem limitação de movimento e sem repercussão sistêmica. Está mamando bem, ativa, sem sinais neurológicos. Sobre a classificação e a notificação deste evento no âmbito do Sistema Nacional de Vigilância de ESAVI, qual é a conduta correta?
Reação local intensa (hiperemia e enduração extensas) e febre baixa após pentavalente configuram ESAVI, porém sem qualquer critério de gravidade: não há hospitalização, risco de morte, incapacidade, anomalia congênita, óbito fetal ou óbito. A confusão clássica é equiparar intensidade a gravidade — são conceitos distintos na vigilância brasileira. Como ESAVI não grave, a notificação é feita no e-SUS Notifica pelo profissional de saúde, sem exigência do prazo de 24 horas (reservado ao ESAVI grave). O VigiMed é a via preferencial para cidadãos e empresas detentoras de registro, não para o profissional da rede. Não há indicação de suspender doses subsequentes, e a ausência de notificação contraria a recomendação de registro dos ESAVI. Referências: FAQ ESAVI — Onde notificar e quem notifica (Ministério da Saúde) — https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/esavi/faq/faq/notificacao-e-preenchimento-de-sistemas/onde-notificar-esavi-quem-e Manual de Vigilância Epidemiológica de EAPV, 4ª ed. atualizada (Ministério da Saúde, 2021) — https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vacinacao-imunizacao-pni/manual_eventos-_adversos_pos_vacinacao_4ed_atualizada.pdf
Mulher de 45 anos, previamente hígida, recebeu a primeira dose da vacina febre amarela há 8 dias, antes de viagem a área endêmica. Retorna ao serviço com febre alta (39,5 °C) iniciada no sexto dia após a vacinação, mialgia intensa, icterícia progressiva, oligúria e sonolência. Exames laboratoriais mostram AST 3.200 U/L, ALT 2.800 U/L, bilirrubina total 8,2 mg/dL (direta 6,1), creatinina 3,4 mg/dL, plaquetas 62.000/mm³ e INR 2,4. Sorologias iniciais afastam hepatites virais agudas, dengue e leptospirose. Não há uso de medicamentos hepatotóxicos nem etilismo. Qual é a hipótese diagnóstica e o fluxo correto de vigilância?
A associação de febre alta, disfunção hepática grave (transaminases muito elevadas, hiperbilirrubinemia direta, coagulopatia), lesão renal aguda e trombocitopenia com início entre 2 e 10 dias após a vacina febre amarela, em pessoa sem outras causas identificadas, configura doença viscerotrópica aguda associada à vacina (DVA-VFA). Trata-se de ESAVI grave (preenche critérios de hospitalização e risco iminente de morte) e evento adverso de interesse especial (EAIE), com notificação obrigatória e imediata em até 24 horas no e-SUS Notifica pelo profissional/serviço de saúde, seguida de investigação pela vigilância. A conduta clínica é internação, suporte hemodinâmico e órgão-específico, geralmente em terapia intensiva. Não se trata de reação de ansiedade, hepatite autoimune típica ou falha vacinal com doença silvestre, e o VigiMed é via de notificação por cidadãos e detentoras de registro, não substituindo o e-SUS Notifica para o profissional diante de ESAVI grave. Referências: Manual de Vigilância Epidemiológica de EAPV, 4ª ed. atualizada (Ministério da Saúde, 2021) — https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vacinacao-imunizacao-pni/manual_eventos-_adversos_pos_vacinacao_4ed_atualizada.pdf Portal ESAVI — Notificação de ESAVI (Ministério da Saúde) — https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/esavi/notificacao-de-esavi
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em 7 dias
Escreva de memória os cinco critérios de evento adverso grave e, ao lado, os três exemplos de eventos que continuam sendo investigados mesmo sem internação. Depois desenhe as caixas da causalidade em uma folha: A1, A2, A3, A4, B1, B2, C e D, dizendo em uma frase o que cada uma significa e apontando as duas em que a vacina não é a causa do dano. Feche recitando os três degraus que mudam a próxima dose com o componente pertússis, com a janela de horas de cada um: 72 horas, 48 horas e sete dias.
em 30 dias
Reconstrua os dois casos do capítulo decidindo, item a item: qual é o quadro, em que caixa de causalidade ele entra, o que acontece com a dose seguinte e qual é o prazo de notificação. Em seguida escreva a régua da dose errada nas duas direções — dose a mais e dose a menos, idade antes da hora, intervalo abaixo do mínimo para inativada e para viva parenteral — e diga, sem consultar, quantos dias e quantas semanas há em cada uma. Por fim, responda em voz alta: qual é o sistema em que se registra o evento adverso, qual é o prazo para notificar um caso grave, qual é o prazo para iniciar a investigação e qual é a única situação em que um evento não grave também precisa ser investigado.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Uma mãe volta à unidade no dia seguinte à vacinação do filho de quatro meses, ainda assustada, e traz no celular o vídeo do que aconteceu: horas depois das doses, o bebê ficou pálido, mole e sem responder ao chamado por cerca de quinze minutos, e depois voltou ao normal sozinho. Hoje ele mama e sorri. Conduza a consulta: estabeleça o intervalo entre a aplicação e o início do episódio, pergunte uma a uma as características que separam esse quadro de uma crise convulsiva, confira na caderneta quais imunobiológicos foram aplicados e em que sítios, examine o local da injeção e o tônus do lactente, e resolva três coisas antes de ela ir embora: o que precisa ser notificado e por quê, o que muda na próxima dose do calendário, e o que essa mãe leva escrito como sinal de alarme. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
