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Criança exposta ao HIV: a profilaxia começa antes de qualquer resultado

O protocolo federal do bebê exposto manda inibir a lactação já na lista da sala de parto e, quase sete páginas adiante, condiciona a mesma inibição à confirmação do diagnóstico materno; e o documento que governa esse recém-nascido não escreve uma única vez o nome da vacina que ele recebe ao nascer.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Recém-nascido com trinta e duas semanas de idade gestacional, peso de mil e quatrocentos gramas, nasce de mãe que não realizou pré-natal e recebeu diagnóstico de infecção pelo vírus da imunodeficiência humana no momento do parto. O neonato está estável em unidade neonatal. Qual esquema de profilaxia antirretroviral está indicado?

02

Como esse tema cai

O capítulo trata da criança exposta ao vírus da imunodeficiência humana: o que se faz na sala de parto, qual esquema antirretroviral o bebê recebe e por quanto tempo, como se diagnostica ou se afasta a infecção antes dos dezoito meses, o que se faz com o leite e quais vacinas entram. É o capítulo que os guias de aleitamento remetem para outro lugar quando dizem que a profilaxia do recém-nascido, o diagnóstico e o seguimento não são assunto deles.

Ficam de fora o tratamento da criança que já vive com o vírus, que é outro protocolo, e a profilaxia após violência sexual, que tem indicação, esquema e prazo próprios. As demais infecções congênitas têm capítulo próprio; aqui o vírus entra pela porta da prevenção, não pela do diagnóstico diferencial de sepse neonatal.

03

O que muda decisão

A ordem dos atos na sala de parto não é a ordem que o exame sugere

O protocolo federal que governa o recém-nascido exposto ao vírus da imunodeficiência humana escreve a lista da sala de parto em dez itens numerados, e a sequência importa mais do que qualquer um deles isolado. O parto empelicado vem primeiro, sempre que possível, com a retirada do neonato mantendo as membranas corioamnióticas íntegras. O cordão é clampeado imediatamente, sem qualquer ordenha. O banho vem em seguida, ainda na sala de parto, preferencialmente com fonte de água corrente, assim que o neonato esteja estável. Só depois disso entram os dois atos que a prova cobra.

O primeiro é o medicamento. O texto determina iniciar a profilaxia para a prevenção da transmissão vertical o mais precocemente possível, na sala de parto, logo após os cuidados iniciais, preferencialmente nas primeiras quatro horas após o nascimento, de acordo com a classificação de risco de exposição da criança. Quatro horas é a janela declarada; quarenta e oito horas é o limite a partir do qual a indicação passa a ser avaliada caso a caso.

O segundo é o exame, e é aqui que a intuição erra. A primeira carga viral deve ser colhida nas primeiras horas de vida, por punção periférica, nunca de cordão umbilical, e preferencialmente antes da primeira dose. Mas o mesmo item fecha com uma frase que inverte a prioridade: em nenhuma hipótese a coleta deve atrasar o início dos antirretrovirais. O exame serve ao diagnóstico, que pode esperar horas; a droga serve à prevenção, que não pode.

É por isso que a vinheta com recém-nascido em bom estado geral, filho de mãe com teste rápido reagente na admissão e sem carga viral disponível, não está pedindo que se aguarde exame nenhum. Ausência de resultado não é motivo para adiar: é o que classifica a exposição como de alto risco e determina o esquema mais completo.

O bebê vai para junto da mãe o mais brevemente possível, e o alojamento conjunto em período integral é recomendado, com o objetivo declarado de fortalecer o vínculo. Separar mãe e filho não faz parte da prevenção brasileira em nenhum ponto do texto — o que a prevenção proíbe é o leite, não a convivência.

Fecham a lista a orientação de não amamentar e a inibição farmacológica da lactação — as duas que concentram quase toda a divergência do tema.

Coleta de sangue por punção de veia periférica no dorso da mão do recém-nascido, com o coto umbilical já clampeado ao fundo, marcado como sítio não utilizado.
A primeira amostra sai de veia periférica e nunca do cordão umbilical, e a coleta não atrasa em nenhuma hipótese a primeira dose do antirretroviral.

O esquema muda com duas variáveis, e a idade gestacional pode anular o risco

O Quadro cinco do protocolo cruza duas entradas: o risco de transmissão e a idade gestacional ao nascimento. Errar qual das duas manda é o erro mais frequente do tema, porque o candidato lê a história materna, conclui alto risco e escolhe o esquema triplo sem conferir a idade gestacional.

No baixo risco, a profilaxia é zidovudina isolada por via oral, por quatro semanas. A dose muda com a idade gestacional: quatro miligramas por quilo por dose, de doze em doze horas, para trinta e cinco semanas ou mais; dois miligramas por quilo por dose de doze em doze horas nos primeiros catorze dias e três a partir do décimo quinto dia, entre trinta e trinta e cinco semanas; e dois miligramas por quilo por dose abaixo de trinta semanas. Se a via oral for impossível, a dose intravenosa corresponde a setenta e cinco por cento da oral, com o mesmo intervalo.

No alto risco, e desde que o bebê tenha trinta e sete semanas ou mais e peso de dois quilos ou mais, o esquema é triplo: zidovudina, lamivudina e raltegravir granulado, por vinte e oito dias. O raltegravir foi a novidade da edição de dois mil e vinte e quatro, incorporada por decisão da comissão nacional de tecnologias, e sua apresentação em granulado só está indicada da trigésima sétima semana até a quarta semana de vida.

Duas exceções desmontam o esquema triplo. Entre trinta e quatro e trinta e sete semanas, ou com peso abaixo de dois quilos, o raltegravir está contraindicado e a profilaxia de alto risco passa a ser zidovudina com lamivudina e nevirapina, por vinte e oito dias, com quatro miligramas por quilo por dose duas vezes ao dia até a primeira semana e seis miligramas por quilo por dose da segunda à quarta semana.

A segunda exceção é a mais cobrada porque parece contraintuitiva: abaixo de trinta e quatro semanas a profilaxia é zidovudina isolada por vinte e oito dias, independentemente do risco. O prematuro extremo de mãe sem pré-natal, que a leitura rápida classificaria como alto risco e trataria com três drogas, recebe uma só. A idade gestacional vence o risco.

Quando o esquema combinado é indicado e a via oral não é possível, o texto manda avaliar sonda nasoenteral, porque lamivudina e raltegravir existem apenas em apresentação oral. Só a zidovudina tem forma injetável, e é por isso que ela é a droga que sobra em toda exceção.

Baixo risco tem três condições ligadas por uma conjunção, e a vinheta costuma satisfazer só a primeira

A definição de baixo risco não é uma impressão clínica. O quadro escreve três condições encadeadas: uso de terapia antirretroviral na gestação, e carga viral indetectável a partir da vigésima oitava semana, e ausência de falha na adesão. Basta uma delas faltar para a exposição deixar de ser de baixo risco.

O protocolo ainda fecha a porta de trás definindo o que a palavra significa: para fins de suas recomendações, carga viral indetectável é resultado inferior a cinquenta cópias, e detectável é resultado igual ou superior a cinquenta cópias. Não é uma convenção universal; é a régua daquele documento, e é por ela que a vinheta deve ser lida.

O gatilho satisfeito pela porta errada é o mecanismo mais comum de erro no tema. A vinheta diz indetectável e o candidato marca zidovudina isolada — mas o resultado é do primeiro trimestre, não do terceiro; ou a mãe iniciou o tratamento na trigésima terceira semana com uso irregular; ou a carga viral da trigésima sexta semana é de quatro mil e oitocentas cópias, o que satisfaz a palavra colhida no terceiro trimestre e reprova no valor. Cada uma dessas histórias contém a palavra que o leitor procura e falha na condição que a palavra deveria representar.

As situações que o quadro lista como alto risco são reconhecíveis de longe: pré-natal não realizado, terapia não utilizada na gestação, carga viral detectável no terceiro trimestre, falha de adesão, diagnóstico materno feito no parto. Um enunciado que diga apenas que a mãe não fez pré-natal já entregou o esquema triplo.

Vale registrar o que o texto não usa como critério: não há corte de carga viral materna que dispense a profilaxia do bebê. Toda criança exposta recebe profilaxia, e a discussão é apenas sobre quantas drogas e por quanto tempo. Alternativa que ofereça conduta expectante para recém-nascido de mãe com carga viral indetectável está errada por princípio, não por detalhe.

A palavra que torna a decisão contável não é o nome do vírus

Vale medir antes de decidir o que estudar. Em duas mil cento e vinte e nove questões de prova de Pediatria das quatro trilhas de residência e revalidação, medindo sempre na resposta certa e não no enunciado, a sigla do vírus fecha onze respostas. Onze é pouco acima de um capítulo já escrito sobre tumor renal da infância e abaixo de sarampo, bronquiolite e crise febril, que fecham treze cada, e de coqueluche, que fecha catorze — todos eles com capítulo próprio.

Onze, porém, é o número errado para decidir, porque a maior parte dessas onze não é deste capítulo: quatro tratam de profilaxia após violência sexual e duas de esquema vacinal em adolescente que já vive com o vírus. O que separa o tema é a palavra que nomeia a ação, e não a que nomeia a doença.

Medidas assim, as respostas certas se reagrupam: carga viral fecha sete, zidovudina fecha cinco, a janela das primeiras quatro horas fecha cinco e raltegravir fecha três. Somadas sem repetição, oito respostas certas tratam especificamente do bebê exposto — a profilaxia, a janela, o esquema por risco e o diagnóstico antes dos dezoito meses.

Ler essas oito uma a uma mostra onde cada uma fecha. Duas mandam iniciar zidovudina nas primeiras quatro horas; duas escolhem o esquema triplo pela história materna; três pedem quantificação de carga viral em vez de sorologia; e uma manda colher a segunda carga viral antes de concluir. Nenhuma delas fecha em nenhum dos textos já publicados do nível de prova em Pediatria — noventa e seis deles, varridos um a um.

O contraponto honesto é que frequência baixa não significa peso baixo. As três respostas certas que citam raltegravir são as três únicas questões em que o medicamento aparece: quando ele entra numa alternativa, ele é a resposta. É o oposto de marcadores de vinheta como sibilância ou linfonodomegalia, que aparecem mais de cem vezes e nunca fecham nada.

Cada documento domina metade, e a matriz mostra exatamente onde a metade acaba

Treze documentos foram abertos e medidos palavra a palavra. A divisão é quase perfeita, e explica por que o tema escapa de quem estuda por especialidade.

Os dois guias de aleitamento da sociedade de pediatria concentram cento e cinquenta e duas e duzentas e sessenta e uma ocorrências de amamentação — e escrevem zero de zidovudina, zero de raltegravir e, um deles, zero de carga viral. São os documentos que o pediatra abre diante da mama, e neles a droga que decide o destino do bebê não existe.

Do outro lado, os dois módulos do protocolo sobre a criança que já vive com o vírus escrevem trinta e vinte e três ocorrências de zidovudina e zero de amamentação. Cada metade do problema tem seu documento, e nenhum dos quatro contém a decisão inteira.

O corte que fecha a investigação diagnóstica é ainda mais concentrado. O limiar de cem cópias, que confirma a transmissão quando a segunda carga viral o alcança, aparece em um único dos treze documentos: o protocolo do bebê exposto de dois mil e vinte e quatro. Nem a edição de dois mil e dezenove, nem o protocolo da transmissão vertical, nem o guia de vigilância o escrevem uma vez.

A frase que autoriza o exame que substitui a sorologia segue o mesmo padrão: o teste de material genético do vírus integrado à célula aparece dezoito vezes no protocolo do bebê exposto, oito na edição anterior e uma na versão de trabalho do módulo seguinte — e zero nos outros dez, incluindo os dois guias de aleitamento, o manual de imunobiológicos especiais e o guia de vigilância.

O documento que governa esse bebê não escreve o nome da vacina que ele recebe ao nascer

A criança exposta recebe, na maternidade brasileira, a vacina atenuada contra a tuberculose. É um dado clínico de primeira linha, cobrado com frequência, e contraintuitivo: aplica-se vacina viva a um recém-nascido cuja condição imunológica ainda não está definida.

O protocolo do bebê exposto, sessenta e seis páginas dedicadas exatamente a essa criança, escreve zero vez o nome dessa vacina e zero vez o nome da vacina oral contra rotavírus. A borda existe, é cobrada, e não está onde o clínico a procuraria.

Ela está no manual dos centros de referência para imunobiológicos especiais, e a frase vale a pena literalmente: crianças expostas ao vírus devem receber a vacina atenuada contra a tuberculose, em função da situação epidemiológica do Brasil, e devem receber a vacina oral de rotavírus humano na idade prevista no calendário nacional. A justificativa é epidemiológica, não imunológica.

Só que a frase não mora num capítulo sobre a criança exposta. Ela está dentro de um bloco de exemplos de situações em que se aplicam vacinas atenuadas em indivíduos potencialmente ou comprovadamente imunodeprimidos — uma lista de exceções ao princípio geral. A obrigação só é encontrada por quem entra pela porta da imunossupressão, e não pela porta do bebê exposto.

A sociedade de pediatria escreve a mesma conduta com força de verbo diferente: a vacina pode ser aplicada em crianças com exposição perinatal, desde que não sintomáticas, ao nascimento ou o mais precocemente possível, sem revacinação. Uma régua obriga, a outra permite e acrescenta a condição de estar assintomática. As duas mandam vacinar, e quem lê só uma delas perde a condição ou perde a obrigação.

Duas bordas fecham o assunto. A primeira dose contra hepatite B é dada ao nascer, preferencialmente nas primeiras doze horas, e a vacina oral contra poliomielite é sempre substituída pela inativada. Entre dezoito meses e cinco anos, quem não foi vacinado só recebe a atenuada contra a tuberculose com a infecção já afastada.

A mesma folha manda inibir a lactação e, quase sete páginas depois, condiciona a inibição

O item nove da lista da sala de parto é direto: orientar a não amamentação e inibir a lactação com medicamento. A dose está escrita alhures no mesmo documento — cabergolina um miligrama por via oral, em dose única, dois comprimidos de meio miligrama, imediatamente após o parto — e a orientação seguinte manda substituir o leite materno por fórmula láctea infantil até, pelo menos, os seis meses. O aleitamento misto também é contraindicado.

Treze mil setecentos e sessenta e um caracteres adiante, o que dá cerca de sete páginas na densidade desse arquivo, o mesmo documento escreve o contrário para uma situação concreta: quando o diagnóstico materno vem de teste rápido reagente no momento do parto, a inibição da lactação com cabergolina será realizada somente se o diagnóstico for confirmado. Se a infecção materna for excluída, a profilaxia do bebê é suspensa e o aleitamento pode ser instituído.

A recomendação não está errada, e vale dizer isso com todas as letras. O alvo declarado da lista da sala de parto é o recém-nascido de mãe com diagnóstico já confirmado, e a ressalva vive numa seção própria sobre teste rápido reagente no parto. O que falta é a borda no lugar onde ela é lida: a lista que fica na parede da sala de parto ordena inibir sem dizer que há um caso em que não se inibe ainda.

Entre a ordem e a ressalva há uma conduta que não muda: o bebê não é amamentado até a definição do diagnóstico e recebe profilaxia combinada com três antirretrovirais, porque teste rápido reagente sem confirmação classifica a exposição como de alto risco. Suspende-se o leite sem suspender a mama, e a droga entra imediatamente.

Se em qualquer momento do seguimento a prática do aleitamento for identificada, a conduta é tripla e simultânea: suspender imediatamente, solicitar carga viral para a criança e iniciar profilaxia pós-exposição ao mesmo tempo em que a investigação diagnóstica corre. Amamentação cruzada é contraindicada em qualquer circunstância, e pasteurização domiciliar do leite nunca deve ser feita — leite humano pasteurizado só vale se vier de banco credenciado.

Uma faixa de pano em três direções, e um cordão que contraria a regra de todo recém-nascido

O enfaixamento das mamas é o melhor exemplo de régua apontando para lados diferentes em três documentos da mesma década.

O protocolo da transmissão vertical de dois mil e vinte prescreve o procedimento com duração: compressão das mamas com atadura, imediatamente após o parto, com cuidado para não restringir os movimentos respiratórios, recomendado por um período de dez dias, evitando manipulação e estimulação. E, no mesmo parágrafo, escreve que a adesão é baixa, especialmente em países de clima quente, e que a efetividade é questionável.

O guia da sociedade de pediatria rebaixa o procedimento a medida de exceção, indicada apenas quando a cabergolina não estiver disponível, e manda os serviços se organizarem para oferecer o medicamento em tempo oportuno.

O protocolo vigente do bebê exposto, de dois mil e vinte e quatro, escreve zero vez a palavra: o procedimento simplesmente deixou de existir no documento que hoje governa a cena. Prescrever com prazo, admitir como exceção e apagar são três posições, e a prova costuma testar a mais recente sem avisar que houve mudança.

O cordão umbilical guarda a inversão mais bonita do tema. Toda a pediatria neonatal brasileira ensina o clampeamento tardio, e o protocolo do bebê exposto manda clampear imediatamente o cordão, sem qualquer ordenha, embora sejam reconhecidos os benefícios do clampeamento tardio — e reconhece o benefício na mesma frase em que o recusa.

O próprio item, porém, não é uniforme. Ele detalha que a indicação geral de clampeamento imediato se mantém em mulheres com replicação viral, definidas como carga viral desconhecida ou superior a mil cópias, ou com sintomas de infecção aguda, ou com falha de adesão; e remete os demais casos, chamados de fora do protocolo, à discussão conjunta com especialistas. O comando abre categórico e fecha restrito a um subgrupo, deixando o outro sem regra escrita.

Abaixo de dezoito meses a sorologia mente, e é por isso que o exame muda

Anticorpo materno atravessa a placenta e permanece na criança por muitos meses. Uma sorologia reagente aos seis meses pode estar medindo o anticorpo da mãe, e não infecção da criança. É o ponto que separa o diagnóstico pediátrico do adulto.

Abaixo de dezoito meses, portanto, o diagnóstico é feito por quantificação da carga viral, isto é, pela detecção do material genético do vírus no plasma. A primeira coleta é imediatamente após o nascimento, por punção periférica. Diante de qualquer resultado detectável, independentemente do valor, indica-se coleta imediata do teste de material genético integrado à célula, preferencialmente, ou de nova carga viral.

O fechamento tem número: se esse teste for detectável, ou se a segunda carga viral for igual ou superior a cem cópias, encerra-se a investigação e considera-se que houve transmissão. É o corte que existe em um único dos treze documentos abertos.

A exclusão anda pelo caminho oposto e exige quatro condições simultâneas: criança não amamentada, assintomática, sem evidência clínica de imunodeficiência e com pelo menos duas cargas virais indetectáveis após o término da profilaxia. Duas, não uma — a questão que pergunta o que fazer diante de uma carga viral indetectável aos dois meses está pedindo a segunda coleta, não a alta.

Acima de dezoito meses a régua volta a ser a do adulto: sorologia, teste rápido ou imunoensaio, interpretada como em qualquer pessoa. Se ainda houver sorologia reagente aos dezoito meses, colhe-se nova amostra aos vinte e quatro meses.

Enquanto a definição não vem, a criança recebe profilaxia contra o fungo que causa a pneumonia oportunista mais frequente do primeiro ano: sulfametoxazol com trimetoprima a partir da quarta semana de vida, três vezes na semana, até ter pelo menos duas cargas virais indetectáveis colhidas com seis e doze semanas. Do nascimento até a quarta semana o quadro do protocolo é explícito em não indicar a profilaxia — e a alternativa que começa o antimicrobiano na maternidade é justamente por isso a errada.

Dois estudos, três aritméticas: a que não fecha, a que fecha e a que o texto explica

Um estudo transversal em serviço de referência declara no resumo ter investigado cento e dois prontuários de mulheres que deram à luz recém-nascidos vivos, e abre a seção de resultados dizendo que as características apresentadas são das setenta e seis mulheres estudadas. A diferença de vinte e seis registros entre o resumo e o corpo não é explicada em nenhum ponto do texto.

A prevalência publicada é de seis vírgula seis por cento. Ela não fecha com cento e dois em nenhuma combinação de inteiros, e fecha exatamente com setenta e seis: cinco crianças infectadas sobre setenta e seis dão seis vírgula cinco e oito por cento, que arredonda para o número publicado. O denominador que sustenta o dado do resumo é o do corpo, não o do próprio resumo.

Dentro do mesmo artigo, o número de crianças infectadas oscila entre as tabelas: quatro na tabela de variáveis sociodemográficas e na tabela do parto, cinco na tabela do pré-natal e na do seguimento ambulatorial. O contraponto honesto é que cada percentual fecha com o denominador da sua própria linha, o que é o comportamento esperado de revisão de prontuário com perda variável por variável; o que não fecha é o número principal, aquele que o leitor apressado leva embora.

Vale trazer a conta bruta que o artigo não publica. Na linha da profilaxia do recém-nascido, três das quatro crianças infectadas não a receberam, contra cinco das cinquenta e nove não infectadas; a razão de chances é trinta e dois vírgula quatro, com probabilidade de cinco milésimos. O artigo publica só a probabilidade. Com quatro casos o intervalo seria largo demais para sustentar estimativa de efeito, e o próprio texto lembra que o desenho transversal mede num único momento.

A terceira aritmética é a que fecha porque o documento explica. Uma série paulista de dois mil e cinco inclui quarenta e cinco pacientes e quarenta e sete pares mãe-filho, e a frase seguinte resolve a diferença: duas pacientes estiveram gestantes por duas vezes no período delimitado. Quarenta e cinco mais dois é quarenta e sete, e o texto declara o motivo.

O mesmo artigo guarda uma discrepância interna menor e útil: o resumo afirma que cinquenta por cento das pacientes foram submetidas a cesárea eletiva, e o corpo escreve quarenta e seis vírgula nove por cento. Sobre quarenta e sete pares, a diferença é de uma ou duas cesáreas e não altera a conclusão do estudo, em que nenhuma criança se infectou — mas o número que a memória guarda é o do resumo.

O que a régua mudou é justamente o que a prova quase não pergunta

A edição de dois mil e vinte e quatro do protocolo declara suas próprias novidades na apresentação: a inclusão do raltegravir granulado para a profilaxia em crianças de alto risco, o acréscimo de uma seção sobre o diagnóstico abaixo de dezoito meses com o fluxo do teste de material genético integrado, a atualização do ponto de corte da carga viral e um capítulo novo sobre crianças expostas e não infectadas.

Medido nas duas mil cento e vinte e nove questões, raltegravir aparece três vezes, e as três são respostas certas. Zidovudina aparece dez vezes e fecha cinco. A norma mudou naquilo que a prova ainda quase não pergunta, e continua sendo perguntada pelo que não mudou: a janela de quatro horas e a proibição do leite.

O contraponto é que baixa frequência não é baixo rendimento. Quando o medicamento novo aparece numa alternativa, ele é a resposta em todas as vezes medidas — o que faz dele um item de custo baixíssimo para estudar e retorno alto quando cai.

A duração também envelheceu. Uma série brasileira de dois mil e cinco registra que a terapia foi oferecida aos recém-nascidos por seis semanas; o protocolo vigente trabalha com quatro semanas no baixo risco e vinte e oito dias nos esquemas combinados. Enunciados antigos reproduzidos em coletâneas ainda trazem seis semanas, e a alternativa que a oferece hoje está desatualizada, não errada por outro motivo.

Fecha o tema a régua de vigilância: a infecção pelo vírus e a síndrome, em todas as faixas etárias, inclusive em crianças expostas, são de notificação compulsória, e a notificação cabe a qualquer profissional de saúde ou responsável por estabelecimento, público ou privado. Notificar a criança exposta, e não apenas a criança infectada, é a pegadinha mais barata do assunto.

04

Do nascimento à alta do seguimento: o que decide o esquema, o exame e o leite

A decisão treinada aqui tem cinco degraus, e o primeiro é o que mais se erra: a profilaxia não espera exame. Depois vêm duas leituras encadeadas — o risco de exposição e a idade gestacional — que juntas escolhem o esquema; e a idade gestacional pode anular o risco. O quarto degrau é o leite, com uma ressalva que depende de o diagnóstico materno estar ou não confirmado. O quinto é o calendário do diagnóstico, que muda de exame conforme a criança tenha mais ou menos de dezoito meses.

  1. 1Comece o antirretroviral, não o exame. A profilaxia é indicada a toda criança exposta e deve começar na sala de parto, logo após os cuidados iniciais, preferencialmente nas primeiras quatro horas. Colha a primeira carga viral por punção periférica, nunca de cordão, de preferência antes da primeira dose — mas a coleta não atrasa o medicamento em hipótese alguma. Depois de quarenta e oito horas, a indicação passa a ser individualizada.
  2. 2Classifique o risco de exposição pelas três condições do baixo risco, ligadas por conjunção aditiva: terapia antirretroviral na gestação, carga viral indetectável a partir da vigésima oitava semana e ausência de falha de adesão. Falhando qualquer uma, a exposição é de alto risco. Indetectável, no texto, é resultado inferior a cinquenta cópias.
  3. 3Só então leia a idade gestacional, porque ela pode anular o risco. Com trinta e sete semanas ou mais e dois quilos ou mais, o alto risco recebe zidovudina com lamivudina e raltegravir por vinte e oito dias. Entre trinta e quatro e trinta e sete semanas, ou abaixo de dois quilos, o raltegravir sai e entra nevirapina. Abaixo de trinta e quatro semanas, zidovudina isolada por vinte e oito dias, seja qual for o risco. E no baixo risco, zidovudina isolada por quatro semanas.
  4. 4Resolva o leite antes da alta. O aleitamento materno está contraindicado, o misto também, e a amamentação cruzada em qualquer circunstância. A fórmula infantil substitui o leite até pelo menos os seis meses e é fornecida pelo Estado. Leite humano pasteurizado só vale se vier de banco credenciado, e pasteurização domiciliar nunca. A inibição da lactação com cabergolina é imediata quando o diagnóstico materno já está confirmado, e espera a confirmação quando o que existe é apenas teste rápido reagente no parto.
  5. 5Programe o diagnóstico pela idade. Abaixo de dezoito meses vale carga viral, e a infecção se confirma quando o teste de material genético integrado à célula é detectável ou quando a segunda carga viral alcança cem cópias. A exclusão presumível pede quatro condições ao mesmo tempo: criança não amamentada, assintomática, sem evidência de imunodeficiência e com pelo menos duas cargas virais indetectáveis após o fim da profilaxia. Acima de dezoito meses, sorologia lida como no adulto.

A janela se estreita, e o que fecha primeiro é a chance de prevenir

Nascimento, quatro horas, quarenta e oito horas: a profilaxia começa de preferência dentro da primeira faixa, ainda é indicada na segunda e, depois da terceira, passa a ser avaliada caso a caso. A coleta do exame nunca desloca esse relógio.

Três portas de entrada, e a idade gestacional fecha duas delas

O risco escolhe entre uma droga e três; a idade gestacional decide se as três cabem. Abaixo de trinta e quatro semanas a porta do esquema combinado se fecha por completo, e sobra a droga que também existe em forma injetável.

O exame troca de natureza aos dezoito meses

Antes dos dezoito meses o que se mede é o material genético do vírus, porque o anticorpo ainda pode ser da mãe. Depois, a sorologia volta a valer como em qualquer pessoa. A exclusão pede dois resultados indetectáveis, não um.

O esquema do recém-nascido: risco na linha, idade gestacional na coluna

SituaçãoEsquemaDuração
Baixo risco, trinta e cinco semanas ou maisZidovudina isolada, quatro miligramas por quilo por dose, de doze em doze horasQuatro semanas
Baixo risco, trinta a trinta e cinco semanasZidovudina isolada, dois miligramas por quilo por dose até o décimo quarto dia e três a partir do décimo quintoQuatro semanas
Baixo risco, abaixo de trinta semanasZidovudina isolada, dois miligramas por quilo por dose, de doze em doze horasQuatro semanas
Alto risco, trinta e sete semanas ou mais e dois quilos ou maisZidovudina com lamivudina e raltegravir granuladoVinte e oito dias
Alto risco, trinta e quatro a trinta e sete semanas ou abaixo de dois quilosZidovudina com lamivudina e nevirapinaVinte e oito dias
Qualquer risco, abaixo de trinta e quatro semanasZidovudina isoladaVinte e oito dias

O que cada régua diz sobre o leite e sobre a vacina do bebê exposto

DocumentoSobre o leiteSobre a vacina atenuada
Protocolo federal do bebê exposto, dois mil e vinte e quatroNão amamentar, inibir a lactação com cabergolina, fórmula até pelo menos seis mesesNenhuma menção em sessenta e seis páginas
Protocolo federal da transmissão vertical, dois mil e vinteMesma proibição, e ainda descreve o enfaixamento das mamas por dez diasNenhuma menção
Manual dos centros de referência para imunobiológicos especiais, dois mil e vinte e trêsNão trata do leiteDeve receber, pela situação epidemiológica do país, e também rotavírus oral
Sociedade brasileira de pediatria, imunizações, dois mil e dezesseteNão trata do leitePode ser aplicada desde que a criança não esteja sintomática, sem revacinação
Sociedade brasileira de pediatria, doenças maternas e amamentaçãoContraindicação absoluta; enfaixamento só na falta de cabergolinaNenhum antirretroviral citado no documento

A ressalva da cabergolina é a que mais aparece em cena real e a que menos aparece na lista de parede: com teste rápido reagente no parto e sem confirmação, o bebê não mama e recebe três drogas, mas a lactação materna não é inibida ainda. Se a infecção for afastada, suspende-se a profilaxia e o aleitamento é instituído.

Vacinar o bebê exposto contra a tuberculose ao nascer é conduta correta e contraintuitiva. Quem procurar a regra no protocolo do bebê exposto não a encontra; ela está no manual dos imunobiológicos especiais, dentro do bloco de exceções sobre vacina atenuada em imunodeprimido, junto com a autorização do rotavírus oral.

Nenhum valor de carga viral materna dispensa a profilaxia do recém-nascido. A carga viral muda quantas drogas, nunca se há droga.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Quando inibir a lactação da puérpera com teste rápido reagente no parto

Inibir imediatamente após o parto, antes da alta

A régua da transmissão vertical determina que a inibição farmacológica da lactação seja realizada imediatamente após o parto, com cabergolina um miligrama por via oral em dose única, dois comprimidos de meio miligrama, administrada antes da alta hospitalar, e a lista da sala de parto do protocolo do bebê exposto repete a ordem sem ressalva.

Ministério da Saúde. Protocolo da prevenção da transmissão vertical, dois mil e vinte, seção de uso de inibidores de lactação; e protocolo do bebê exposto, dois mil e vinte e quatro, Quadro três, item nove.

Inibir somente após a confirmação do diagnóstico materno

O mesmo protocolo de dois mil e vinte e quatro, na seção sobre teste rápido reagente no momento do parto, escreve que a inibição da lactação com cabergolina será realizada somente se o diagnóstico da infecção materna for confirmado, e que, excluída a infecção, a profilaxia do recém-nascido é suspensa e o aleitamento pode ser instituído.

Ministério da Saúde. Protocolo do bebê exposto, dois mil e vinte e quatro, seção quatro ponto três, teste rápido reagente no momento do parto.

Na prova

O enunciado costuma dar os dois lados numa frase só e esperar que o candidato repare no estado do diagnóstico. Duas marcas orientam: se o texto diz diagnóstico confirmado, ou terapia em uso no pré-natal, a inibição é imediata; se o texto diz teste rápido reagente na admissão, sem confirmação, a conduta imediata é não amamentar e medicar o bebê, deixando a inibição para depois da confirmação. A alternativa que suspende o leite e a que inibe a lactação parecem sinônimas e não são.

Que força tem a indicação da vacina atenuada contra a tuberculose no bebê exposto

Deve receber, por decisão epidemiológica do país

O manual dos centros de referência para imunobiológicos especiais lista, entre os exemplos de situações em que se aplicam vacinas atenuadas em indivíduos potencialmente ou comprovadamente imunodeprimidos, que crianças expostas devem receber a vacina em função da situação epidemiológica do Brasil, e também a vacina oral de rotavírus na idade prevista.

Ministério da Saúde. Manual dos centros de referência para imunobiológicos especiais, sexta edição, dois mil e vinte e três, bloco de exceções sobre vacinas atenuadas em imunodeprimidos.

Pode ser aplicada, desde que a criança não esteja sintomática

O documento científico da sociedade de pediatria escreve que a vacina pode ser aplicada em crianças com exposição perinatal desde que não sintomáticas, que deve ser administrada ao nascimento ou o mais precocemente possível para crianças assintomáticas, e que não está indicada a revacinação.

Sociedade Brasileira de Pediatria. Imunizações em crianças e adolescentes vivendo com o vírus, dois mil e dezessete, seção da vacina atenuada contra a tuberculose.

Na prova

Aparece pouco como pergunta direta e muito como alternativa de descarte. O que separa as duas redações é uma palavra: uma diz que deve receber, a outra diz que pode ser aplicada desde que assintomática. Vinheta com recém-nascido exposto em bom estado geral responde igual pelas duas réguas; vinheta que descreva sinais de imunodepressão só responde pela régua que exige criança assintomática, e é essa a mais cobrada.

O que fazer com o enfaixamento das mamas quando não há cabergolina

Procedimento descrito, com prazo de dez dias

O protocolo da transmissão vertical descreve a compressão das mamas com atadura imediatamente após o parto, sem restringir os movimentos respiratórios, recomendada por um período de dez dias, e no mesmo parágrafo registra que a adesão é baixa, sobretudo em países de clima quente, e que a efetividade é questionável.

Ministério da Saúde. Protocolo da prevenção da transmissão vertical, dois mil e vinte, seção enfaixamento das mamas.

Medida de exceção, só na indisponibilidade do medicamento

O guia da sociedade de pediatria escreve que nutrizes com diagnóstico devem realizar a inibição farmacológica da lactação, que os serviços devem se organizar para oferecer cabergolina em tempo oportuno e que o enfaixamento representa medida de exceção, indicada apenas quando o medicamento não estiver disponível.

Sociedade Brasileira de Pediatria. Doenças maternas infecciosas e amamentação, dois mil e dezoito, revisado em dois mil e dezenove.

Na prova

É a divergência mais datável do tema, e a prova costuma cobrar a régua mais recente sem avisar que houve mudança. Se a alternativa oferece enfaixamento como conduta de primeira linha, está reproduzindo um texto que a própria fonte já qualificava como de efetividade questionável. Se oferece como exceção na falta do medicamento, está acompanhando a sociedade. E o protocolo vigente simplesmente não menciona o procedimento.

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Caso resolvido

Recém-nascido a termo, três quilos e cento e cinquenta gramas, nasce de cesárea eletiva. A mãe tem vinte e quatro anos, recebeu o diagnóstico da infecção no terceiro trimestre, iniciou terapia antirretroviral na trigésima terceira semana com uso irregular, e a carga viral colhida na trigésima sexta semana foi de quatro mil e oitocentas cópias por mililitro. O bebê está assintomático, com bom estado geral, em alojamento conjunto. A equipe pergunta qual profilaxia iniciar, em quanto tempo, e o que orientar sobre a amamentação.
Passo 1
Classifique o risco pelas três condições, não pela impressão. Houve terapia na gestação, mas ela começou na trigésima terceira semana, o uso foi irregular e a carga viral do terceiro trimestre é de quatro mil e oitocentas cópias. Duas das três condições do baixo risco falham, e a terceira falha por valor: indetectável, no texto, é resultado inferior a cinquenta cópias. Exposição de alto risco.
Passo 2
Confira a idade gestacional e o peso antes de escolher o esquema. Bebê a termo, três quilos e cento e cinquenta gramas: acima de trinta e sete semanas e acima de dois quilos, portanto o raltegravir granulado está liberado. O esquema é zidovudina com lamivudina e raltegravir.
Passo 3
Fixe o relógio e a duração. Iniciar preferencialmente nas primeiras quatro horas de vida, ainda na maternidade, e manter por vinte e oito dias. Colher a primeira carga viral por punção periférica, de preferência antes da primeira dose, sem jamais atrasar o medicamento por causa da coleta.
Passo 4
Resolva o leite. O diagnóstico materno está confirmado desde o pré-natal, então a conduta é completa e imediata: contraindicar o aleitamento materno e o misto, inibir a lactação com cabergolina um miligrama por via oral em dose única antes da alta, e fornecer fórmula infantil até pelo menos os seis meses. Amamentação cruzada é proibida em qualquer circunstância.
Passo 5
Programe o que vem depois da alta. Profilaxia contra o fungo oportunista a partir da quarta semana de vida, cargas virais com seis e doze semanas, vacina atenuada contra a tuberculose ao nascer e rotavírus na idade prevista, pólio sempre inativada, e notificação da criança exposta mesmo antes de qualquer definição diagnóstica.
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Agora feche você

Lactente de três meses, nascido de mãe que vive com o vírus, comparece à unidade básica para acompanhamento. Nunca foi amamentado, usa fórmula infantil, completou os vinte e oito dias de profilaxia antirretroviral e está em uso de sulfametoxazol com trimetoprima. Está assintomático, com ganho ponderal adequado e exame físico normal. A mãe traz o resultado da primeira carga viral, colhida com dois meses de vida, indetectável, e pergunta se a criança está livre da infecção.
Passo 1
Escolha o exame pela idade antes de discutir resultado. A criança tem três meses, e abaixo de dezoito meses uma sorologia reagente pode refletir apenas anticorpo materno. O exame que decide é a quantificação da carga viral, isto é, a detecção do material genético do vírus no plasma.
Passo 2
Não confunda um resultado com a exclusão. A infecção só é presumivelmente excluída com quatro condições simultâneas: criança não amamentada, assintomática, sem evidência clínica de imunodeficiência e com pelo menos duas cargas virais indetectáveis colhidas após o término da profilaxia. Aqui há uma só.
Passo 3
Colha a segunda carga viral. As duas coletas de referência do seguimento são com seis e doze semanas de vida, e é a segunda indetectável que autoriza considerar a criança provavelmente não infectada e discutir a suspensão do antimicrobiano profilático.
Passo 4
Mantenha o restante do seguimento. A sorologia continua marcada para depois dos dezoito meses, quando volta a ser interpretada como no adulto, e uma sorologia ainda reagente naquele momento pede nova coleta aos vinte e quatro meses. A criança segue com calendário vacinal próprio, com pólio inativada.
Passo 5
Reforce a proibição que sustenta tudo isso. A exclusão presumível exige criança não amamentada; qualquer episódio de aleitamento identificado no seguimento reabre a exposição e obriga a suspender o leite, solicitar carga viral e iniciar profilaxia pós-exposição ao mesmo tempo.
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Onde a banca derruba

  1. 1Esperar o resultado do exame para começar a profilaxia É o erro mais caro e o mais compreensível, porque a lógica do diagnóstico manda examinar antes de tratar. Aqui não: o texto pede que a primeira carga viral seja colhida de preferência antes da primeira dose, e no mesmo item escreve que em nenhuma hipótese a coleta deve atrasar o início dos antirretrovirais. Carga viral materna desconhecida não é motivo para aguardar; é o que classifica a exposição como de alto risco.
  2. 2Aplicar o esquema triplo ao prematuro extremo porque a mãe não fez pré-natal A história materna define o risco, mas a idade gestacional define o que cabe. Abaixo de trinta e quatro semanas a profilaxia é zidovudina isolada por vinte e oito dias, independentemente do risco. Entre trinta e quatro e trinta e sete semanas, ou abaixo de dois quilos, o raltegravir está contraindicado e o terceiro fármaco passa a ser nevirapina.
  3. 3Ler a palavra indetectável e parar de ler O baixo risco exige três condições ao mesmo tempo, e o resultado indetectável é só uma delas — e ainda precisa ser do terceiro trimestre, a partir da vigésima oitava semana. Carga viral indetectável no primeiro trimestre, ou uso irregular do tratamento, ou início tardio da terapia derrubam a classificação. O documento ainda define a palavra: resultado inferior a cinquenta cópias.
  4. 4Pedir sorologia para a criança de três meses Abaixo de dezoito meses o anticorpo pode ser da mãe, e sorologia reagente não define infecção. O exame é a quantificação da carga viral. Diante de resultado detectável, colhe-se o teste de material genético integrado à célula ou nova carga viral, e o diagnóstico se fecha quando esse teste é detectável ou quando a segunda carga viral alcança cem cópias.
  5. 5Confundir suspender o leite com inibir a lactação São duas condutas e dois tempos. O bebê deixa de mamar assim que o teste rápido materno é reagente; a mãe só recebe cabergolina quando o diagnóstico é confirmado. Se a infecção for afastada, a profilaxia do bebê é suspensa e o aleitamento é instituído — o que seria impossível se a lactação já tivesse sido inibida.
  6. 6Começar o antimicrobiano contra o fungo oportunista na maternidade O quadro do protocolo é explícito: do nascimento até a quarta semana, não indicar a profilaxia. Ela começa a partir da quarta semana de vida, três vezes na semana, e vai até a criança ter pelo menos duas cargas virais indetectáveis colhidas com seis e doze semanas de vida.
  7. 7Dar alta com uma única carga viral indetectável A exclusão presumível pede quatro condições simultâneas, e uma delas é ter pelo menos duas cargas virais indetectáveis colhidas após o término da profilaxia, além de criança não amamentada, assintomática e sem evidência clínica de imunodeficiência. Sorologia reagente aos dezoito meses ainda pede nova coleta aos vinte e quatro meses.
  8. 8Notificar só a criança infectada A régua de vigilância é mais larga do que parece: a infecção e a síndrome, em todas as faixas etárias, inclusive em crianças expostas, são de notificação compulsória, e a obrigação recai sobre qualquer profissional de saúde ou responsável por estabelecimento público ou privado. Notifica-se a exposição, não apenas a doença.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Abaixo de trinta e quatro semanas de idade gestacional a profilaxia é zidovudina isolada por vinte e oito dias, independentemente do risco de exposição — é a exceção em que a idade gestacional vence a história materna. O esquema com inibidor de integrase está fora porque o granulado só é indicado a partir de trinta e sete semanas e com peso de dois quilos ou mais; a associação com nevirapina é a alternativa de alto risco para a faixa de trinta e quatro a trinta e sete semanas, ou peso abaixo de dois quilos, e não alcança este prematuro. Não medicar contraria a regra de que toda criança exposta recebe profilaxia, e condicionar o terceiro fármaco ao resultado do exame inverte a ordem dos atos definida pelo protocolo.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

A profilaxia do recém-nascido exposto começa na sala de parto, de preferência nas primeiras quatro horas, e a coleta da carga viral nunca a atrasa. O baixo risco exige três condições juntas — terapia na gestação, carga viral indetectável a partir da vigésima oitava semana e adesão sem falha — e recebe zidovudina isolada por quatro semanas. O alto risco recebe zidovudina com lamivudina e raltegravir por vinte e oito dias, mas só de trinta e sete semanas e dois quilos em diante; entre trinta e quatro e trinta e sete semanas o terceiro fármaco vira nevirapina, e abaixo de trinta e quatro semanas é zidovudina isolada, seja qual for o risco. Aleitamento materno, misto e cruzado estão contraindicados; a fórmula infantil é fornecida pelo Estado.

em 30 dias

Abaixo de dezoito meses o diagnóstico é por carga viral, e não por sorologia, porque o anticorpo pode ser materno; confirma-se quando o teste de material genético integrado é detectável ou quando a segunda carga viral alcança cem cópias, e exclui-se presumivelmente com criança não amamentada, assintomática, sem imunodeficiência e com pelo menos duas cargas virais indetectáveis após o fim da profilaxia. Acima de dezoito meses, sorologia como no adulto. A profilaxia contra o fungo oportunista começa na quarta semana de vida e não antes. O bebê exposto recebe a vacina atenuada contra a tuberculose ao nascer e o rotavírus oral na idade prevista, com pólio sempre inativada, e a criança exposta é de notificação compulsória mesmo sem infecção confirmada. A inibição da lactação com cabergolina, um miligrama em dose única, espera a confirmação do diagnóstico materno quando tudo o que existe é teste rápido reagente no parto.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Recém-nascido a termo de mãe com teste rápido reagente na admissão, sem pré-natal, cuja equipe quer aguardar o exame do bebê antes de medicar — e cuja avó já ofereceu o peito de uma vizinha que está amamentando. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Criança exposta ao HIV: a profilaxia começa antes de qualquer resultado — Preparatório para provas | OsceLabs