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Dengue, zika e chikungunya na criança
A prova quase nunca pede o diagnóstico da arbovirose: pede o estadiamento da dengue e o volume de líquido por quilo. O erro clássico é esperar a hipotensão para chamar de choque.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Escolar de 7 anos é atendido na UBS com febre, cefaleia, mialgia e dor retro-orbitária há 3 dias, em área endêmica no período chuvoso. Hoje surgiram petéquias em membros inferiores. Sinais vitais estáveis, sem sinais de alarme. Qual é a conduta correta na APS?
Como esse tema cai
Dengue, zika e chikungunya circulam nas mesmas cidades, no mesmo mosquito e na mesma estação. A prova sabe disso e raramente pergunta qual das três é — pergunta o que fazer com a criança que está na frente do examinador. E o que fazer, no Brasil, tem número: grupo de estadiamento, volume em mL/kg, hora de reavaliar, onde internar.
A criança muda o problema em dois pontos. O primeiro é a definição de caso: toda criança que vive em área de transmissão e chega com febre aguda de dois a sete dias sem foco de infecção aparente já é caso suspeito de dengue, mesmo sem nenhum dos sintomas clássicos do adulto. O segundo é o ritmo: no adulto os sinais de alarme aparecem e dão tempo; na criança pequena o agravamento é súbito, e o quadro grave pode ser a primeira manifestação percebida.
O eixo do capítulo é o estadiamento da dengue, porque é ele que decide hidratação, local de acompanhamento e alta. Chikungunya e zika entram por dois motivos práticos: separam-se da dengue por sinais que a vinheta descreve de propósito, e a chikungunya tem uma armadilha própria na maternidade — o recém-nascido infectado no parto, que fica bem nos primeiros dias e depois adoece grave.
O que muda decisão
Separar as três no primeiro atendimento (e por que isso quase nunca muda a conduta)
A dengue dá febre alta, acima de 38 °C, com duração de dois a sete dias, e o exantema aparece tarde — entre o terceiro e o sexto dia, muitas vezes no desaparecimento da febre. Cefaleia e dor retro-orbitária são intensas, a mialgia é o sintoma dominante e a artralgia, quando existe, é leve. Leucopenia e trombocitopenia são achados de hemograma esperados.
A zika tende a não ter febre, ou a ter febre baixa, de até 38 °C, por um ou dois dias. O exantema é precoce, do primeiro ao segundo dia, frequentemente pruriginoso, e a conjuntivite não purulenta aparece em 50% a 90% dos casos — é o sinal que mais separa a zika das outras duas. Linfonodomegalia é frequente e a plaquetopenia é discreta.
A chikungunya também abre com febre alta, mais curta, de dois a três dias, mas o que a define é a artralgia: poliarticular, simétrica, de mãos, punhos, tornozelos e pés, moderada a intensa, com edema articular frequente. O exantema surge entre o segundo e o quinto dia. Em criança pequena o quadro pode não ter nada disso: febre com hiperalgesia difusa ou apenas rash, indistinguível de qualquer exantemática da idade.
Nos primeiros dias, quando a diferenciação é tênue, a orientação nacional é conduzir o caso como dengue — é a arbovirose com maior potencial de complicação e morte, e o custo de tratar as três como dengue é baixo. O diagnóstico laboratorial serve à vigilância e à confirmação, não à decisão de beira de leito: NS1, RT-PCR ou isolamento viral até o quinto dia de sintomas; sorologia a partir do sexto.

As três fases da dengue e a janela que mata
A fase febril dura de dois a sete dias, com febre de 39 °C a 40 °C de início abrupto, cefaleia, adinamia, mialgia, artralgia e dor retro-orbitária. Náuseas, vômitos e diarreia de três a quatro evacuações pastosas por dia são comuns e ajudam a separar de gastroenterite. O exantema maculopapular ocorre em cerca de metade dos casos, atinge face, tronco e membros de forma aditiva, incluindo palmas e plantas.
A fase crítica começa com a defervescência, entre o terceiro e o sétimo dia de doença. É quando o aumento da permeabilidade vascular extravasa plasma, o hematócrito sobe, a albumina cai e o choque se instala. O período de extravasamento e choque dura de 24 a 48 horas. Na criança, as formas graves costumam aparecer por volta do terceiro dia, acompanhadas ou não da queda da febre.
A fase de recuperação traz o problema inverso: o líquido extravasado volta para o intravascular e o risco passa a ser a hiper-hidratação, com desconforto respiratório e sinais de congestão. Bradicardia, novo exantema com prurido generalizado e infecção bacteriana secundária pertencem a essa fase.
A consequência prática é uma frase que vale a questão inteira: a criança piora quando a febre cai. Por isso o retorno do grupo A é agendado para o dia da melhora da febre, e não para uma data fixa; se a febre não ceder, o retorno é no quinto dia de doença.
Sinais de alarme: a lista fechada
São sete achados clínicos, e a maioria deles é consequência direta do extravasamento plasmático: dor abdominal intensa, referida ou à palpação, e contínua; vômitos persistentes; acúmulo de líquidos, isto é, ascite, derrame pleural ou derrame pericárdico; hipotensão postural ou lipotimia; hepatomegalia maior que 2 cm abaixo do rebordo costal; sangramento de mucosa; letargia ou irritabilidade. O aumento progressivo do hematócrito entra junto, como o oitavo item, e é o que o hemograma acrescenta.
Nada mais entra nessa lista. Febre alta, mialgia intensa, exantema, cefaleia e prova do laço positiva não são sinais de alarme — são manifestações da doença. Plaquetopenia isolada, sem sangramento e sem os itens acima, também não muda o grupo do paciente.
Na criança pequena, esses sinais se apresentam disfarçados. Dor abdominal vira choro persistente e recusa alimentar; letargia vira o bebê que não interage e é descrito pela mãe como quieto demais; irritabilidade vira o que não se consola. Recusa de líquidos e vômito repetido têm peso duplo: são sinal de alarme e são o motivo pelo qual a hidratação oral falha.
Sinal de alarme presente, com sinais de gravidade ausentes, é grupo C: reposição venosa imediata e internação. Não existe grupo C ambulatorial.
Choque na criança: reconhecer antes da pressão cair
O choque da dengue é hipovolêmico por extravasamento e tem duas fases. No choque compensado, a criança ainda está lúcida — o manual nacional adverte que, se o paciente não for tocado, o choque pode não ser detectado. O enchimento capilar já está prolongado, de 3 a 5 segundos, as extremidades estão frias, o pulso periférico é fino e filiforme, há taquicardia, a pressão sistólica ainda é normal mas a diastólica sobe, e a pressão de pulso se estreita para 20 mmHg ou menos.
No choque com hipotensão, já tardio, aparecem alteração do estado mental com agitação ou agressividade, enchimento capilar acima de 5 segundos com pele mosqueada, extremidades muito frias e pálidas ou cianóticas, pulso tênue ou ausente e pressão indetectável. A bradicardia, no choque tardio, é sinal ruim, não sinal de melhora.
Para saber quando a pressão da criança já é baixa, o corte operacional até os 10 anos é o quinto percentil da sistólica: 70 + (idade em anos × 2) mmHg. Uma criança de 6 anos com sistólica de 82 mmHg já está no limite; e a pressão convergente abaixo de 20 mmHg denuncia o choque bem antes de esse número ser alcançado. Oligúria abaixo de 1,5 mL/kg/h é o outro marcador de gravidade; durante a expansão, a diurese desejável é de 1 mL/kg/h.
Separar choque da dengue de choque séptico rende questão: no da dengue, a temporalidade é clássica — choque hipovolêmico logo após a defervescência —, o nível de consciência está relativamente preservado, há normotermia, a pressão de pulso é estreita, o hematócrito sobe, as plaquetas caem e os leucócitos caem. No séptico, a consciência está mais comprometida, há hipotermia, a pressão de pulso é ampla, o hematócrito cai e leucócitos e plaquetas sobem.
Dengue grave que não é choque
Choque é a via mais comum para a dengue grave, mas não é a única. Sangramento grave e disfunção grave de órgão entram na mesma categoria e levam a criança direto ao grupo D, com ou sem extravasamento plasmático associado.
A hemorragia massiva pode ocorrer sem choque prolongado e sem estar acompanhada de trombocitopenia ou hemoconcentração — outro motivo para não usar a contagem de plaquetas como termômetro de gravidade. No aparelho digestivo, é mais frequente em quem tem doença ácido-péptica prévia ou usou salicilato, anti-inflamatório ou anticoagulante, o que reforça a proibição desses medicamentos.
No fígado, a elevação discreta de transaminases ocorre em até metade dos pacientes; o comprometimento grave se expressa por aumento de dez vezes o limite superior da normalidade, com alargamento do tempo de protrombina. O guia pediátrico usa AST ou ALT acima de 1.000 como marcador de envolvimento grave de órgão.
No coração, a miocardite se manifesta por alteração de ritmo — taquicardia ou bradicardia —, inversão de onda T e alteração do segmento ST, queda da fração de ejeção e elevação de enzimas cardíacas, podendo chegar a choque cardiogênico. No sistema nervoso, convulsão e irritabilidade podem aparecer na fase febril, e meningite linfomonocítica, encefalite, síndrome de Reye, polirradiculoneurite e síndrome de Guillain-Barré tanto na fase aguda quanto na convalescença. Insuficiência renal aguda é incomum e sinaliza pior prognóstico.
Vale conhecer a síndrome hemofagocítica, complicação de falência multiorgânica por reação hiperimune com citopenia progressiva: o tratamento envolve imunomodulação e plasmaférese, e reconhecê-la muda o desfecho. A regra que fecha o assunto é a do próprio manual nacional: os óbitos por dengue são, em sua maioria, evitáveis com medidas de baixa densidade tecnológica — reconhecer sinal de alarme e repor volume na hora certa.
Que exames pedir, quando e para quê
No grupo A, exame laboratorial é a critério médico — a criança sem sinal de alarme, sem sangramento e sem condição especial não precisa de hemograma para ir para casa com hidratação oral e retorno marcado. No grupo B, o hemograma completo é obrigatório para todos, colhido no atendimento, com resultado liberado em até duas horas ou, no máximo, quatro; até sair, a criança fica em observação recebendo hidratação oral.
Nos grupos C e D, além do hemograma, são obrigatórias a dosagem de albumina sérica e as transaminases. Imagem entra para procurar derrames: radiografia de tórax em posteroanterior, perfil e incidência de Hjelm-Laurell, e ultrassonografia de abdome, mais sensível para derrames cavitários. Conforme a necessidade, glicemia, ureia, creatinina, eletrólitos, gasometria, tempo de protrombina e ecocardiograma.
O exame que confirma a dengue segue outra lógica: é obrigatório para a vigilância, mas não muda a conduta e não deve atrasar a expansão volêmica. A janela importa — até o quinto dia de sintomas, detecção viral por antígeno NS1, RT-PCR ou isolamento; a partir do sexto, sorologia. O volume recomendado de sangue total sem anticoagulante é de 5 mL na criança.
O acompanhamento da reposição não se faz por um exame só: hematócrito, diurese e sinais vitais juntos. Edema subcutâneo generalizado e derrames cavitários podem aparecer pela própria perda capilar e não significam, por si, hiper-hidratação — embora possam aumentar depois de uma reposição satisfatória.
Todo caso suspeito é de notificação compulsória, e a forma grave, de notificação imediata. Internar não depende apenas do grupo: recusa de alimentos e líquidos, comprometimento respiratório, comorbidade descompensada e impossibilidade de retorno por condição clínica ou social são indicações próprias — e essa última pesa em pediatria, porque o retorno diário depende de um adulto disponível.
Chikungunya na criança e o recém-nascido infectado no parto
A chikungunya evolui em três fases com prazos definidos: aguda, até 14 dias; pós-aguda, de 15 a 90 dias; crônica, depois do terceiro mês, quando dor, edema ou rigidez articular persistem. Em criança, a fase aguda pode se apresentar apenas como febre com hiperalgesia difusa ou rash, sem a poliartralgia típica do adulto — o tratamento é sintomático, com analgesia guiada por escala de dor apropriada à idade.
O caso que a prova gosta é o neonatal. A infecção não é teratogênica e não se transmite pelo leite materno; a transmissão é praticamente toda intraparto, e o risco chega a 50% quando a gestante está virêmica na última semana antes do parto. A cesariana não reduz esse risco.
O recém-nascido infectado fica assintomático nos primeiros dias. Os sintomas começam a partir do quarto dia, variando do terceiro ao sétimo: febre, irritabilidade, síndrome álgica, edema de extremidades e lesões cutâneas — erupção maculopapular ou eritema que começa no tronco e se espalha para face, palmas e plantas, descamação, hiperpigmentação em axilas e regiões perioral e genital, e lesões vesicobolhosas simétricas, flácidas, de conteúdo seroso claro e sem eritema perilesional, que lembram queimadura.
Nessa faixa etária as formas graves são frequentes: meningoencefalite, edema cerebral, hemorragia intracraniana, convulsões e encefalopatia, além de complicações hemorrágicas e miocárdicas. Entre os neonatos que tiveram acometimento do sistema nervoso central, metade evolui com atraso de neurodesenvolvimento a longo prazo — o que transforma o episódio agudo em indicação de seguimento prolongado. Recém-nascidos, maiores de 65 anos e portadores de comorbidades são os grupos em que a chikungunya grave se concentra.
Chikungunya grave, por definição, é o caso com sinais clínicos ou laboratoriais de insuficiência de pelo menos um órgão ou sistema, com risco de morte ou exigindo internação — e nessas formas as manifestações articulares podem estar ausentes.
Zika na criança: pouco na fase aguda, muito no que veio antes
A zika adquirida na infância é, na maioria das vezes, um quadro leve e breve: exantema precoce e pruriginoso, conjuntivite não purulenta, febre baixa ou ausente, linfonodomegalia. Não há tratamento específico e não há estadiamento por grupos — o manejo é sintomático, com a mesma proibição de anti-inflamatórios enquanto a dengue não estiver afastada.
O peso da zika em pediatria está em duas outras frentes. A primeira é o acometimento neurológico pós-infeccioso, com síndrome de Guillain-Barré e outras manifestações. A segunda é a infecção materna na gestação, cuja repercussão na criança é a síndrome congênita — assunto do capítulo de infecções congênitas, não deste.
Para a prova, o papel da zika neste capítulo é quase sempre o de distrator: a vinheta descreve exantema no primeiro dia, prurido e olho vermelho sem secreção, e a pergunta testa se o candidato sabe que ali não cabe estadiar grupo nem expandir volume.
O que não fazer, e o que a criança recebe para dor e febre
Analgesia e antitérmico na dengue e nas demais arboviroses, em criança, são dipirona 10 mg/kg/dose até de 6 em 6 horas ou paracetamol 10 mg/kg/dose até de 6 em 6 horas, respeitando a dose máxima por peso e idade. Doses acima da recomendada de paracetamol são hepatotóxicas — e o fígado já está agredido na dengue.
Salicilatos, anti-inflamatórios não esteroides e corticosteroides estão fora na fase aguda. O AAS acrescenta risco de sangramento e de síndrome de Reye na criança; os anti-inflamatórios agravam o sangramento e a lesão renal. Na chikungunya isso vale igual: enquanto a dengue não estiver descartada, a artralgia é tratada sem anti-inflamatório.
Transfusão de plaquetas não é conduta de plaquetopenia. Ela só entra diante de sangramento persistente não controlado, depois de corrigidos os fatores de coagulação e o choque, com trombocitopenia e INR acima de 1,5 vez o valor normal. Contagem baixa isolada, sem sangramento, não indica transfusão nem internação por si só.
Procedimentos invasivos desnecessários — toracocentese, paracentese, pericardiocentese — devem ser evitados: o derrame e a ascite da dengue são consequência do extravasamento e regridem com o controle volêmico. Na criança em choque descompensado sem acesso venoso rápido, a via intraóssea é a alternativa legítima.
Estadiamento da dengue: grupos A, B, C e D
O estadiamento é clínico e dinâmico — a mesma criança troca de grupo em horas, e o reestadiamento a cada reavaliação faz parte da conduta. Cada grupo define três coisas: via e volume de líquido, exames obrigatórios e local de acompanhamento. A cor da triagem acompanha o grupo: azul, verde, amarelo e vermelho.
- 1Caso suspeito: febre de dois a sete dias com duas ou mais manifestações (náusea, vômito, exantema, mialgia, artralgia, cefaleia, dor retro-orbitária, petéquias, prova do laço positiva, leucopenia) — ou, em criança de área de transmissão, febre aguda de dois a sete dias sem foco aparente.
- 2Procurar sinal de alarme ou de gravidade. Havendo sinal de gravidade (choque, sangramento grave, disfunção grave de órgão), é grupo D. Havendo apenas sinal de alarme, é grupo C.
- 3Sem sinal de alarme, procurar sangramento espontâneo de pele ou induzido (prova do laço) e condição clínica especial, comorbidade ou risco social. Presentes, é grupo B; ausentes, é grupo A. Lactente com menos de 24 meses conta como condição especial.
- 4Grupos A e B recebem hidratação oral; grupos C e D recebem hidratação venosa, iniciada no ponto de atenção em que a criança está, mesmo sem exames e mesmo durante a transferência.
- 5Reavaliar e reestadiar: no grupo C, clínica após 1 hora e hematócrito a cada 2 horas; no grupo D, clínica a cada 15 a 30 minutos e hematócrito a cada 2 horas.
- 6Notificar o caso. Todo caso suspeito é de notificação compulsória; a forma grave, de notificação imediata.
Grupo A — azul
Sem sinais de alarme, sem sangramento, sem comorbidade, condição especial ou risco social. Exames a critério médico. Hidratação oral em casa, dieta mantida e amamentação estimulada. Retorno agendado no dia da melhora da febre; se a febre não ceder, no quinto dia. Acompanhamento ambulatorial, com cartão de acompanhamento preenchido.
Grupo B — verde
Sem sinais de alarme, mas com sangramento espontâneo ou induzido, ou com condição especial, comorbidade ou risco social — o que inclui o lactente com menos de 24 meses. Hemograma completo é obrigatório, com resultado em até duas horas. Hidratação oral como no grupo A até sair o exame, em leito de observação. Hematócrito normal: tratamento ambulatorial com reavaliação diária. Hemoconcentração ou sinal de alarme: conduzir como grupo C.
Grupo C — amarelo
Sinal de alarme presente, sinais de gravidade ausentes. Soro fisiológico 0,9% 10 mL/kg na primeira hora, repetido na segunda hora, com máximo de 20 mL/kg em duas horas por fase de expansão; até três fases. Melhorou: manutenção com 25 mL/kg em 6 horas e depois 25 mL/kg em 8 horas. Obrigatórios hemograma, albumina sérica e transaminases. Internação até estabilização, no mínimo 48 horas. Sem melhora clínica e laboratorial, conduzir como grupo D.
Grupo D — vermelho
Dengue grave: choque, sangramento grave ou disfunção grave de órgão. Expansão rápida com soro fisiológico 0,9% 20 mL/kg em até 20 minutos, repetível até três vezes, iniciada em qualquer nível de complexidade. Oxigênio em toda situação de choque. Reavaliação clínica a cada 15 a 30 minutos. UTI até estabilização, no mínimo 48 horas. Respondeu: volta para o esquema do grupo C.
| Grupo | Líquido: via, volume e tempo | Onde a criança fica |
|---|---|---|
| A | Via oral. Até 10 kg: 130 mL/kg/dia. Acima de 10 até 20 kg: 100 mL/kg/dia. Acima de 20 kg: 80 mL/kg/dia. Um terço como sais de reidratação oral, o restante como água, sucos e chás; um terço do volume nas primeiras 4 a 6 horas. | Domicílio, com retorno agendado. Manter hidratação por todo o período febril e por 24 a 48 horas após a defervescência. |
| B | Mesmo volume oral do grupo A, iniciado enquanto se espera o hemograma. | Leito de observação até o resultado dos exames e a reavaliação clínica. |
| C | Soro fisiológico 0,9% 10 mL/kg na primeira hora e 10 mL/kg na segunda (máximo de 20 mL/kg em duas horas por fase); até três fases. Manutenção: 25 mL/kg em 6 horas, depois 25 mL/kg em 8 horas. | Leito de internação até estabilização, no mínimo 48 horas. |
| D | Soro fisiológico 0,9% 20 mL/kg em até 20 minutos, repetível até três vezes. Respondendo, segue o esquema do grupo C. | Leito de UTI até estabilização, no mínimo 48 horas; depois, leito de internação. |
Prova do laço: execução e leitura
| Etapa | Como se faz |
|---|---|
| Calcular a pressão média | (pressão sistólica + pressão diastólica) ÷ 2. Exemplo: PA 100 x 60 mmHg resulta em média de 80 mmHg. |
| Insuflar o manguito | Manter no valor da média por 5 minutos no adulto e 3 minutos na criança. |
| Delimitar a área | Desenhar um quadrado de 2,5 cm de lado no antebraço e contar as petéquias dentro dele. |
| Ler o resultado | Positiva com 20 ou mais petéquias no adulto e 10 ou mais na criança. |
| Saber o limite do teste | Frequentemente negativa na obesidade e durante o choque; não exclui dengue nem prevê forma grave. |
Reconhecer o choque na criança antes da hipotensão
| Parâmetro | Choque compensado | Choque com hipotensão |
|---|---|---|
| Consciência | Claro e lúcido — sem tocar a criança, passa despercebido | Alteração do estado mental, agitação ou agressividade |
| Enchimento capilar | 3 a 5 segundos | Acima de 5 segundos, pele mosqueada |
| Extremidades e pulso | Frias; pulso fraco e filiforme | Muito frias, pálidas ou cianóticas; pulso tênue ou ausente |
| Ritmo cardíaco | Taquicardia | Taquicardia no início, bradicardia no choque tardio |
| Pressão arterial | Sistólica normal com diastólica crescente; pressão de pulso 20 mmHg ou menos | Sistólica abaixo do quinto percentil — até 10 anos, 70 + (idade × 2) mmHg — ou pressão indetectável |
| Diurese | Desejável 1 mL/kg/h durante a expansão | Oligúria abaixo de 1,5 mL/kg/h |
Alta hospitalar exige os cinco critérios juntos: 48 horas de estabilidade hemodinâmica, 24 horas sem febre, melhora clínica visível, hematócrito normal e estável por 24 horas e plaquetas em elevação.
Internação também se justifica sem sinal de alarme quando há recusa de alimentos e líquidos, comprometimento respiratório, comorbidade descompensada ou impossibilidade de retorno por condição clínica ou social.
Exame específico confirma o caso e alimenta a vigilância, mas não muda a conduta: NS1, RT-PCR ou isolamento viral até o quinto dia de sintomas; sorologia a partir do sexto. Volume de amostra recomendado de 5 mL na criança.
Sem balança disponível, o peso estimado sai de fórmula: lactente de 3 a 12 meses, peso = idade em meses × 0,5 + 4,5; criança de 1 a 8 anos, peso = idade em anos × 2 + 8,5.
Na fase de recuperação, o risco inverte. Desconforto respiratório, sinais de insuficiência cardíaca e edema pulmonar depois da expansão pedem redução da infusão, diurético e, se necessário, inotrópico — não mais volume.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Quatro grupos de estadiamento, A a D (Ministério da Saúde, 6ª edição, 2024)
O manual brasileiro mantém o estadiamento clínico-evolutivo em quatro grupos, derivado da classificação da OMS de 2009, cada um amarrado a uma cor de triagem, a um volume de líquido em mL/kg e a um local de acompanhamento. É o formato que sustenta a triagem em massa nas epidemias, os protocolos estaduais do SUS e as fichas de notificação.
BRASIL. Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico – adulto e criança. 6. ed. Brasília, 2024.
Duas categorias, doença grave e não grave (Organização Mundial da Saúde, 2025)
A diretriz de arboviroses da OMS de 2025 abandona o degrau intermediário e trabalha com doença grave — aquela em que a avaliação clínica indica hospitalização — e doença não grave, manejável ambulatorialmente, com a mesma régua servindo para dengue, chikungunya, zika e febre amarela. A diferença de data explica a distância: o documento nacional é de 2024 e trocar a classificação implica refazer fluxos de triagem, formulários de notificação e protocolos estaduais.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Guidelines for clinical management of arboviral diseases: dengue, chikungunya, Zika and yellow fever. Genebra, 2025.
Na prova
Alternativas que trazem as letras A, B, C e D, cores de triagem ou volumes em mL/kg por grupo estão no corpo brasileiro. Alternativas que só falam em dengue com sinais de alarme e dengue grave usam a nomenclatura da OMS. Cenário de unidade básica, classificação de risco por cor e menção ao Sinan apontam o manual do Ministério da Saúde; menção nominal à OMS ou tratamento conjunto das quatro arboviroses aponta o documento de 2025. Prova oficial do MEC tende a cobrar a conduta do SUS.
Apenas sangramento espontâneo ou induzido (texto corrido do item 6.2.1, Ministério da Saúde, 2024)
A caracterização escrita do grupo B na 6ª edição lista três itens: caso suspeito, ausência de sinais de alarme e presença de sangramento espontâneo de pele ou induzido. Por esse recorte, o lactente sem sangramento e sem sinal de alarme seria grupo A.
BRASIL. Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico – adulto e criança. 6. ed. Brasília, 2024, item 6.2.1.
Sangramento ou condição especial, comorbidade e risco social (fluxograma da mesma edição e SBP, 2019)
O fluxograma de manejo publicado no mesmo manual manda pesquisar sangramento espontâneo ou induzido e também condição clínica especial, risco social ou comorbidade, e lista o lactente com menos de 24 meses entre as condições especiais. O guia da Sociedade Brasileira de Pediatria descreve o grupo B da mesma forma. É o recorte com que a rede opera: bebê com dengue não vai para casa sem hemograma.
BRASIL. Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico – adulto e criança. 6. ed. Brasília, 2024, Figura 2; e SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Guia Prático de Atualização: Dengue, 2019.
Na prova
A vinheta de lactente febril, sem sangramento e sem sinal de alarme é o teste desse recorte. Se as alternativas separam grupo A de grupo B apenas pela idade, o avaliador está usando o fluxograma e a tradição pediátrica; se exigem sangramento explícito para o grupo B, está lendo o texto corrido da 6ª edição. Enunciado que enumera as condições especiais — lactente, gestante, idoso, comorbidades — sinaliza o fluxograma.
Segue no exame físico e separa o grupo A do B (Ministério da Saúde, 6ª edição, 2024)
O manual mantém a pesquisa de sangramento induzido no exame físico e no fluxograma, e a prova positiva continua na definição de caso suspeito. No mesmo documento, porém, registra que revisão sistemática da Opas/OMS de 2022, com 217 estudos, encontrou baixo valor preditivo do teste para forma grave e para indicação de hospitalização, e que sua realização pode gerar discordância na condução dos casos.
BRASIL. Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico – adulto e criança. 6. ed. Brasília, 2024, Apêndice G.
Realizar em todos os casos suspeitos (Sociedade Brasileira de Pediatria, 2019)
O guia pediátrico afirma que a prova do laço avalia a fragilidade capilar, pode ser positiva tanto na dengue clássica quanto nas formas graves, e deve ser realizada em todos os pacientes com suspeita de dengue. É documento anterior à revisão sistemática citada no manual de 2024.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Guia Prático de Atualização: Dengue, 2019.
Na prova
Questão que pede a técnica — 3 minutos na criança, quadrado de 2,5 cm, 10 ou mais petéquias — cobra a execução, e nisso os dois documentos coincidem. Questão que usa a prova negativa para liberar a criança está testando o limite do teste: negativa na obesidade e no choque, não exclui dengue. Alternativa que trata a prova positiva como sinal de alarme confunde duas listas diferentes.
Caso resolvido
- achado
- A febre caiu — a criança entrou na fase crítica, e é aí que o quadro piora. Não é melhora.
- achado
- Quatro sinais de alarme na mesma criança: vômitos persistentes, letargia, hepatomegalia acima de 2 cm do rebordo costal e aumento progressivo do hematócrito. Um só já bastaria.
- achado
- Não há sinal de gravidade: perfusão e pressão estão preservadas, não há sangramento importante nem disfunção de órgão. Sinal de alarme presente com gravidade ausente é grupo C, não D.
- conduta
- Soro fisiológico 0,9% 10 mL/kg na primeira hora, iniciado onde a criança está, sem esperar mais exames. Reavaliar clínica, pressão e diurese após 1 hora; repetir 10 mL/kg na segunda hora, respeitando o teto de 20 mL/kg em duas horas por fase; hematócrito de controle em 2 horas.
- conduta
- Pedir os exames obrigatórios do grupo C — hemograma completo, albumina sérica e transaminases — e internar em leito, com permanência mínima de 48 horas. Analgesia com dipirona ou paracetamol 10 mg/kg/dose; nada de anti-inflamatório, salicilato ou corticoide.
- conduta
- Notificar o caso. Se após as fases de expansão houver melhora clínica e queda do hematócrito, seguir para manutenção com 25 mL/kg em 6 horas e depois 25 mL/kg em 8 horas; se não houver melhora, conduzir como grupo D.
Agora feche você
- achado
- A pressão sistólica de 90 mmHg está acima do quinto percentil esperado para a idade, que é 70 + (6 × 2) = 82 mmHg. A pressão de pulso, porém, é de 14 mmHg — abaixo de 20 mmHg.
- achado
- Extremidades frias, enchimento capilar prolongado, pulso filiforme, taquicardia, taquipneia e oligúria compõem um quadro de choque compensado: a pressão sistólica ainda normal não afasta o diagnóstico.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Achar que a queda da febre é sinal de melhora É o contrário: a fase crítica começa com a defervescência, entre o terceiro e o sétimo dia, e é nela que aparecem o extravasamento e o choque. A vinheta que diz que a febre cedeu ontem está avisando que a criança entrou na janela de risco, não que está melhorando.
- 2Esperar a hipotensão para diagnosticar choque A criança compensa por mais tempo e desaba de uma vez. Enchimento capilar prolongado, extremidades frias, pulso filiforme, taquicardia e pressão de pulso abaixo de 20 mmHg já definem choque com pressão sistólica normal. Hipotensão em criança é achado tardio.
- 3Tratar a plaqueta em vez de tratar o paciente Plaquetopenia isolada não é sinal de alarme, não muda o grupo e não indica transfusão. Plaqueta entra na conta apenas diante de sangramento persistente não controlado, após corrigidos os fatores de coagulação e o choque, com INR acima de 1,5 vez o normal — e como critério de alta, quando está subindo.
- 4Dar anti-inflamatório para a artralgia da chikungunya na fase aguda Enquanto a dengue não estiver descartada — e, no surto, quase nunca está no primeiro atendimento —, anti-inflamatórios não esteroides, salicilatos e corticoide estão proibidos, por sangramento, lesão renal e, no caso do AAS em criança, síndrome de Reye. A dor se trata com dipirona ou paracetamol 10 mg/kg/dose.
- 5Usar a prova do laço negativa para liberar a criança O teste é frequentemente negativo justamente na obesidade e durante o choque, e revisão sistemática da Opas/OMS de 2022 mostrou baixo valor preditivo para forma grave. Positiva, ela sobe o paciente para o grupo B; negativa, não afasta nada.
- 6Não considerar dengue porque a criança não tem os sintomas clássicos A definição pediátrica de caso suspeito dispensa a lista do adulto: criança de área de transmissão com febre aguda de dois a sete dias e sem foco de infecção aparente já é caso suspeito. Em menores de 2 anos, dor se manifesta como choro persistente, adinamia e irritabilidade.
- 7Confundir choque da dengue com choque séptico No da dengue, a consciência está relativamente preservada, há normotermia, a pressão de pulso é estreita, o hematócrito sobe e leucócitos e plaquetas caem. No séptico, a consciência está mais comprometida, há hipotermia, a pressão de pulso é ampla, o hematócrito cai e leucócitos e plaquetas sobem.
- 8Continuar expandindo na fase de recuperação Reabsorvido o líquido extravasado, mais volume vira congestão. Desconforto respiratório, crepitações e sinais de insuficiência cardíaca depois da expansão pedem redução da infusão, diurético e inotrópico se necessário — e a infusão deve ser interrompida ou reduzida quando a pressão, o pulso, a perfusão, a diurese e os sintomas abdominais normalizam.
- 9Dar alta ao recém-nascido de mãe com chikungunya no parto porque ele está bem O neonato infectado no intraparto é assintomático nos primeiros dias e adoece a partir do quarto, com febre, irritabilidade, síndrome álgica, edema de extremidades e lesões vesicobolhosas. As formas graves — neurológicas, hemorrágicas e miocárdicas — concentram-se justamente nessa faixa etária.
O quadro é compatível com dengue (grupo B pela presença de petéquia/sangramento espontâneo). A conduta na APS é hidratação oral, sintomáticos evitando AAS e AINEs (risco de sangramento), solicitar hemograma para avaliar hematócrito/plaquetas e realizar a notificação compulsória (doença de notificação). Antibiótico não trata doença viral. AAS é contraindicado na dengue. Sem sinais de alarme ou choque, não há indicação de UTI; a estratificação de risco define o manejo.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Escolar de 7 anos, em acompanhamento na APS, chega à UPA com febre há 6 dias, dor retro-orbitária, mialgia intensa e, hoje, dor abdominal, vômitos persistentes e sangramento gengival. Reside em área endêmica de dengue. Ao exame, mostra-se prostrado, com extremidades frias. Qual é a conduta imediata mais adequada?
Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramento de mucosa e sinais de má perfusão são sinais de alarme/gravidade da dengue, exigindo classificação em grupo C/D, hidratação venosa com reposição volêmica e monitorização em ambiente adequado. Hidratação oral domiciliar é reservada a casos sem sinais de alarme. O AAS é contraindicado na dengue pelo risco de sangramento. Encaminhar para sorologia sem hidratar posterga o tratamento de um quadro potencialmente fatal.
Criança de 4 anos é atendida na UPA com febre há 6 dias, cefaleia, mialgia intensa e dor retro-orbitária, em região com surto de dengue. Hoje a febre cedeu, mas a criança apresenta dor abdominal intensa, vômitos persistentes e letargia. O médico identifica sinais de alarme. Qual é a conduta imediata mais apropriada?
A criança apresenta dengue com sinais de alarme (dor abdominal intensa, vômitos persistentes, letargia, surgindo tipicamente na defervescência). A conduta é internação (grupo C) e hidratação venosa com cristaloide, com monitorização seriada de hematócrito e plaquetas para detectar extravasamento plasmático. Liberar para casa é inseguro diante dos sinais de alarme. O AAS é contraindicado na dengue pelo risco hemorrágico e de síndrome de Reye. Não há indicação de antibiótico, pois o quadro é viral; o foco é o suporte hemodinâmico precoce.
Menino de 6 anos, procedente de área rural de Mato Grosso, chega à UBS com febre há 6 dias, cefaleia, mialgia e dor retro-orbitária. Nas últimas 24 horas apresentou dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramento gengival. Ao exame, está hipoativo, com extremidades frias, tempo de enchimento capilar de 3 segundos, PA 80/60 mmHg e prova do laço positiva. Hemograma revela hematócrito 48%, plaquetas 45.000/mm³ e leucopenia. A mãe relata que há casos semelhantes na vizinhança. Considerando o cenário epidemiológico e os achados, assinale o diagnóstico e a conduta imediata, respectivamente.
Dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramento de mucosa são sinais de alarme da dengue; a hipotensão, extremidades frias, enchimento capilar prolongado e hemoconcentração (Ht 48%) com plaquetopenia caracterizam choque (grupo D). A conduta imediata é expansão volêmica com cristaloide (10-20 mL/kg) e reavaliação seriada em ambiente hospitalar. Classificar como grupo A com hidratação domiciliar (distrator) é erro grave frente ao choque. Febre amarela pode dar febre hemorrágica, mas o manejo do choque exige reposição volêmica — a alternativa que a nega está incorreta. Leptospirose entra no diferencial, porém alta ambulatorial em paciente chocado é inadequada.
Uma menina de 7 anos é levada pela mãe à Unidade Básica de Saúde. Reside em bairro com surto de dengue confirmado. Há 4 dias apresenta febre alta, cefaleia e prostração. A mãe relata que a febre cedeu no dia de hoje, mas a filha ficou mais quieta e passou a se queixar de desconforto no abdome. Ao exame: afebril, hidratada, corada, sem exantema, abdome flácido, pressão arterial e enchimento capilar normais. A médica de família explica que, na dengue, a defervescência marca o período crítico e orienta a mãe a observar sinais de alarme. Entre os achados abaixo, qual caracteriza um SINAL DE ALARME da dengue que exige reavaliação imediata?
Pelas diretrizes do Ministério da Saúde, os sinais de alarme da dengue incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, letargia/irritabilidade, hepatomegalia dolorosa, sangramento de mucosa, hipotensão postural, aumento progressivo do hematócrito e acúmulo de líquidos — surgem tipicamente na defervescência (período crítico). Cefaleia retro-orbitária, mialgia e dor à mobilização ocular são sintomas comuns da fase febril, e não sinais de alarme.
Um menino de 9 anos é atendido em Unidade de Pronto Atendimento em cidade do interior com transmissão de arboviroses. Há 3 dias apresenta febre de início súbito acompanhada de dor articular intensa e simétrica em punhos, tornozelos e joelhos, com edema visível das articulações. A mãe relata que ele acorda com rigidez e chora ao tentar andar ou segurar objetos. Refere ainda exantema maculopapular no tronco. Ao exame: febril, articulações edemaciadas e dolorosas à mobilização, sem sinais de instabilidade hemodinâmica. Hemograma sem plaquetopenia significativa. Considerando o quadro clínico predominante e o cenário epidemiológico brasileiro, qual é o diagnóstico mais provável?
A chikungunya caracteriza-se por febre de início súbito associada a poliartralgia/poliartrite intensa, simétrica e frequentemente incapacitante, com edema articular — achado que domina o quadro e o distingue das demais arboviroses. Na dengue predominam febre alta, mialgia e risco de plaquetopenia/sinais de alarme. Na zika a febre é baixa ou ausente, com exantema pruriginoso e hiperemia conjuntival, sendo a artralgia leve. A febre reumática cursa com artrite migratória pós-estreptocócica e critérios de Jones, não com início súbito febril arboviral.
Uma criança de 6 anos, previamente hígida, é reavaliada na emergência de um hospital do SUS no 5º dia de doença febril, em área com epidemia de dengue. A febre cedeu há 1 dia, mas a mãe notou que a criança ficou sonolenta, com dor abdominal intensa e dois episódios de vômito. Ao exame: descorada, letárgica, tempo de enchimento capilar de 3 segundos, extremidades frias, dor à palpação de hipocôndrio direito. Exames: hematócrito elevado em relação ao valor prévio e plaquetas de 68.000/mm³. Diante desse quadro, qual é a conduta inicial mais apropriada segundo a classificação de risco da dengue do Ministério da Saúde?
A presença de sinais de alarme (dor abdominal intensa, letargia, vômitos, hemoconcentração) classifica o paciente como GRUPO C, exigindo internação e reposição volêmica venosa imediata com cristaloide 10 mL/kg na primeira hora, seguida de reavaliação clínica e do hematócrito. Hidratação oral domiciliar corresponde ao grupo A/B sem alarme. O AAS (e demais AINEs/salicilatos) é contraindicado na dengue pelo risco hemorrágico e de síndrome de Reye. Antibiótico não tem indicação em arbovirose sem foco bacteriano.
Uma menina de 6 anos é levada à unidade de pronto atendimento pela mãe. Está no quarto dia de doença, com febre alta desde o início, que cedeu nas últimas 12 horas. Reside em bairro com epidemia de dengue confirmada. Desde ontem apresenta dor abdominal intensa e contínua, referida em todo o abdome, além de cinco episódios de vômitos. Ao exame: regular estado geral, irritada, mucosas úmidas, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, pressão arterial 100 x 60 mmHg, frequência cardíaca 110 bpm, abdome doloroso difusamente à palpação, sem sinais de irritação peritoneal, fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito. Prova do laço positiva. Não há sangramento espontâneo.
Correta: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e hepatomegalia dolorosa surgindo na defervescência são sinais de alarme; pelo estadiamento do Ministério da Saúde, isso define grupo C, cuja conduta é reposição volêmica imediata com solução isotônica 10 mL/kg na primeira hora, em leito hospitalar, com reavaliação. Grupo A está errado porque exige ausência de sinais de alarme e de condições de risco, o que não é o caso. Grupo B se aplica a sangramento espontâneo/prova do laço positiva OU condição de risco SEM sinais de alarme — a presença de sinais de alarme reclassifica a paciente para C. Grupo D exige choque (hipotensão, pulso fino, enchimento capilar > 2 s, extremidades frias), ausente aqui, e a expansão de 20 mL/kg em 20 minutos seria excessiva para esta criança estável.
Um menino de 8 anos é atendido em unidade de saúde da família durante surto de arboviroses no município. Há três dias apresenta febre de início súbito (39 °C), cefaleia e exantema maculopapular no tronco. A mãe relata que a queixa principal é dor articular muito intensa, simétrica, em punhos, tornozelos e pequenas articulações das mãos, que o impede de escrever e de andar sem apoio; a dor é pior pela manhã. Ao exame: bom estado geral, hidratado, edema e calor em punhos e tornozelos, sem sinais flogísticos localizados em uma única articulação. Prova do laço negativa. Hemograma: hematócrito 37%, leucócitos 4.200/mm³, plaquetas 178.000/mm³.
Correta: febre alta súbita com poliartralgia/poliartrite intensa, simétrica, de pequenas articulações e com edema é o padrão típico da chikungunya (na dengue a mialgia predomina sobre a artrite, e o acometimento articular raramente é incapacitante). O protocolo do Ministério da Saúde recomenda analgesia com paracetamol ou dipirona e proscreve AAS e AINEs enquanto não houver exclusão de dengue, pelo risco hemorrágico; chikungunya é de notificação compulsória. Dengue está incorreta pelo quadro articular e, sobretudo, pela prescrição de AINE em arbovirose não esclarecida. Artrite séptica é monoarticular, com toxemia e sinais flogísticos localizados. Febre reumática cursa com artrite migratória de grandes articulações, após faringoamigdalite estreptocócica, e não com febre súbita e exantema neste padrão.
Uma menina de 4 anos é levada à unidade básica de saúde por exantema. A mãe conta que a criança acordou há dois dias com manchas vermelhas que começaram na face e se espalharam para o tronco e os membros, muito pruriginosas, tirando o sono. A temperatura axilar mais alta medida em casa foi 37,8 °C, por poucas horas. Nega tosse, coriza e prostração; a criança segue brincando e comendo bem. Vacinação em dia, incluindo duas doses de tríplice viral. Ao exame: bom estado geral, exantema maculopapular difuso, hiperemia conjuntival bilateral sem secreção purulenta, artralgia leve em joelhos, sem edema articular. Prova do laço negativa; hemograma sem alterações. Há circulação simultânea de arbovírus no município.
Correta: exantema maculopapular precoce e intensamente pruriginoso, febre baixa ou ausente, conjuntivite não purulenta e artralgia leve, em criança em bom estado geral, compõem o quadro clássico de Zika; o manejo é sintomático, com a mesma ressalva do protocolo do Ministério da Saúde de evitar AAS e AINEs até excluir dengue, e o caso deve ser notificado à vigilância epidemiológica. Sarampo é improvável com esquema vacinal completo e, principalmente, pela ausência do pródromo catarral (tosse, coriza, conjuntivite purulenta), da toxemia e da progressão craniocaudal com febre alta ao surgir o exantema. Dengue costuma cursar com febre alta e mialgia, e a alternativa ainda prescreve AINE, contraindicado. Escarlatina apresenta exantema micropapular áspero ("lixa"), língua em framboesa e faringoamigdalite, ausentes aqui.
Um menino de 6 anos é levado à UPA pela mãe no quarto dia de doença. Iniciou com febre alta (39 °C), cefaleia e mialgia; a febre cedeu há cerca de 12 horas, mas a criança passou a apresentar dor abdominal contínua e intensa, três episódios de vômitos e sonolência. Reside em bairro com casos confirmados de dengue. Ao exame: sonolento, porém responsivo; FC 130 bpm, PA 95/60 mmHg (percentil 50 para a idade), tempo de enchimento capilar de 2 segundos, extremidades quentes, fígado palpável e doloroso a 3 cm do rebordo costal direito, sem sangramentos. Exames: hematócrito 44% (prévio de 36%), plaquetas 88.000/mm³, leucócitos 3.200/mm³. De acordo com a classificação de risco do Ministério da Saúde, qual é, respectivamente, o estadiamento e a conduta imediata?
O quadro reúne sinais de alarme do Ministério da Saúde (dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, letargia, hepatomegalia dolorosa e aumento do hematócrito concomitante à queda de plaquetas), surgidos justamente na defervescência — a fase crítica da dengue. Sinais de alarme SEM choque definem o Grupo C, cuja conduta é internação e expansão com cristaloide isotônico 10 mL/kg em 1 hora, repetível até 3 vezes conforme resposta. Grupo A está errado: exige ausência de sinais de alarme e de comorbidades, o que não é o caso. Grupo B está errado: aplica-se a sangramento espontâneo/prova do laço positiva ou risco social/comorbidade, sem sinais de alarme — e a criança já os apresenta. Grupo D está errado: exige choque (hipotensão, pulso fino, enchimento capilar > 2 s, extremidades frias) ou disfunção orgânica grave, ausentes aqui (PA normal, enchimento de 2 s, extremidades quentes).
Uma menina de 3 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde no terceiro dia de doença, em município do interior da Bahia com epidemia de arboviroses em curso. A mãe relata início súbito de febre de 39,5 °C, acompanhada de irritabilidade intensa, recusa a andar e choro ao ser pega no colo. Hoje surgiu exantema maculopapular com prurido importante em tronco e membros. Ao exame: ativa, hidratada, FC 118 bpm, PA 90/55 mmHg, enchimento capilar menor que 2 segundos, edema e dor à mobilização de punhos e tornozelos, de forma simétrica; sem sangramentos; prova do laço negativa. Hemograma: plaquetas 190.000/mm³, hematócrito 34%. Qual é, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta?
Febre alta de início súbito com poliartralgia/artrite simétrica e incapacitante de punhos e tornozelos (na criança pequena traduzida por irritabilidade e recusa a deambular), somada a exantema pruriginoso, é o quadro típico de chikungunya. A conduta preconizada pelo Ministério da Saúde é sintomática, com analgesia por paracetamol ou dipirona; AINEs e AAS são proscritos na fase aguda enquanto a dengue não for descartada, pelo risco hemorrágico e de disfunção renal. Todas as arboviroses urbanas são de notificação compulsória. A alternativa da zika está errada em dois pontos: o predomínio é de exantema pruriginoso com febre baixa ou ausente e artralgia leve — não artrite incapacitante — e a notificação é obrigatória. A alternativa da dengue está errada porque a artrite simétrica exuberante não é típica e, sobretudo, porque o ibuprofeno é contraindicado nesse contexto. A artrite idiopática juvenil exige febre por pelo menos duas semanas e artrite persistente por seis semanas, incompatível com o terceiro dia de doença em plena epidemia.
Menina de 5 anos, 20 kg, é levada à UPA no 4º dia de doença. A febre cessou hoje, mas surgiram dor abdominal intensa e contínua, vômitos e sonolência. Ao exame: ativa ao estímulo, PA 100/60 mmHg, FC 110 bpm, enchimento capilar de 2 segundos, extremidades quentes. Hematócrito 43% (basal 36%), plaquetas 90.000/mm³. Há epidemia de dengue no município. Qual a conduta imediata?
A criança está no período crítico (defervescência) com sinais de alarme (dor abdominal intensa e contínua, vômitos, letargia) e hemoconcentração, mas SEM sinais de choque (PA e perfusão normais): é Grupo C do estadiamento do Ministério da Saúde. A conduta é expansão com cristaloide 10 mL/kg na primeira hora, repetindo até 3 vezes conforme reavaliação clínica e do hematócrito. A alternativa com 20 mL/kg em até 20 minutos corresponde ao Grupo D (choque/dengue grave), não indicada aqui. A hidratação oral com alta é conduta do Grupo B (prova do laço positiva ou sangramento espontâneo de pele, sem sinais de alarme) e seria perigosa nesta paciente. Transfusão de plaquetas não é indicada pela contagem isolada — a plaquetopenia não prediz sangramento na dengue e a transfusão profilática é contraindicada.
Menino de 7 anos é atendido na UBS com febre alta há 3 dias, dor articular intensa e simétrica em punhos, tornozelos e joelhos, com edema local e recusa a deambular, além de exantema maculopapular no tronco. Vários vizinhos apresentaram quadro semelhante. Sem sinais de alarme; hematócrito normal e plaquetas 180.000/mm³. Qual a conduta mais adequada?
O quadro é típico de chikungunya (poliartralgia intensa e incapacitante, simétrica, de pequenas e grandes articulações, com edema e exantema em contexto epidêmico), mas dengue e chikungunya cocirculam e são indistinguíveis com segurança na fase aguda. Por isso o manejo é sintomático com analgésicos simples (dipirona/paracetamol) e hidratação, evitando AINE e AAS enquanto a dengue não for afastada, pelo risco de sangramento. O ibuprofeno é AINE e está contraindicado nessa fase. Corticoide não é indicado na fase aguda da chikungunya (pode ser considerado apenas nas fases subaguda/crônica com artrite persistente, por avaliação especializada). Artrocentese e antibiótico se aplicariam a artrite séptica, que é tipicamente monoarticular e não explica o exantema, a poliartralgia simétrica e o contexto de surto.
Menina de 6 anos é atendida na UBS no 3º dia de febre alta, com relato de mialgia, cefaleia e exantema. Reside em área com transmissão ativa de dengue. A mãe pergunta quais sinais devem motivar retorno imediato ao serviço. Entre os achados abaixo, qual é considerado sinal de alarme da dengue segundo o Ministério da Saúde?
Vômitos persistentes constituem sinal de alarme da dengue, ao lado de dor abdominal intensa e contínua, hipotensão postural, letargia ou irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm, sangramento de mucosas, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural/pericárdico) e aumento progressivo do hematócrito. Cefaleia retro-orbitária, exantema maculopapular e mialgia difusa são manifestações comuns da fase febril e, isoladamente, não indicam evolução para a forma grave nem mudam o estadiamento do caso.
Menino de 6 anos, previamente hígido, é levado à UPA no quinto dia de doença, em município com epidemia de dengue. A febre, que atingia 39 °C, cessou há cerca de 12 horas, mas a criança passou a apresentar dor abdominal intensa e contínua, três episódios de vômitos e recusa alimentar. Ao exame: consciente, corado, FC 112 bpm, PA 100/60 mmHg (percentil 50 para idade e estatura), enchimento capilar de 2 segundos, fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito. Exames: hematócrito 45% (36% há dois dias), plaquetas 78.000/mm³, albumina 3,2 g/dL. Assinale a conduta imediata adequada.
Correta: a criança tem dengue com sinais de alarme (dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hepatomegalia acima de 2 cm e aumento progressivo do hematócrito), o que a classifica no Grupo C do Ministério da Saúde — internação e reposição volêmica com cristaloide isotônico 10 mL/kg na primeira hora, com reavaliação clínico-laboratorial ao final de cada etapa (até três repetições). Hidratar por via oral supervisionada descreve o manejo do Grupo B (sangramento espontâneo de pele ou prova do laço positiva, ou comorbidade, SEM sinal de alarme) — inadequado e perigoso aqui. Expandir 20 mL/kg em 20 minutos é o esquema do Grupo D (choque, dengue grave), e o paciente está hemodinamicamente compensado (PA e enchimento capilar normais, sem hipotensão nem pressão convergente). O coloide não é a expansão inicial: fica reservado ao choque refratário à segunda ou terceira fase de cristaloide.
Menina de 9 anos é atendida na UBS no terceiro dia de doença. A mãe relata início súbito de febre de 39 °C acompanhada de dor articular de forte intensidade, simétrica, em punhos, tornozelos e joelhos, com edema visível dos punhos; a criança recusa-se a caminhar e a segurar objetos. Refere ainda exantema maculopapular no tronco surgido no segundo dia, sem prurido importante. Nega odinofagia recente. Vizinhos com quadro semelhante. Ao exame: hidratada, prova do laço negativa, sem petéquias, artrite bilateral de punhos e tornozelos. Hemograma: leucócitos 5.400/mm³ com linfopenia, plaquetas 182.000/mm³, hematócrito 35%. Assinale o diagnóstico mais provável.
Correta: febre alta de início súbito associada a poliartralgia/artrite intensa, simétrica, de pequenas e grandes articulações periféricas, com incapacidade funcional, exantema precoce e nexo epidemiológico é o quadro clássico da fase aguda da chikungunya; linfopenia com plaquetas normais reforça (a plaquetopenia acentuada é incomum). A dengue cursa com mialgia e artralgia, mas raramente com artrite/edema articular incapacitante; além disso não há plaquetopenia, hemoconcentração nem sinais de extravasamento. Na Zika predominam exantema muito pruriginoso, conjuntivite não purulenta e febre baixa ou ausente — não artrite incapacitante com febre de 39 °C. A febre reumática exige estreptococcia prévia (odinofagia nas semanas anteriores, negada) e caracteriza-se por poliartrite migratória de grandes articulações, com intervalo de latência — não início súbito simultâneo em surto comunitário.
Menino de 5 anos, morador de área endêmica, está no quarto dia de doença febril. Nas últimas horas a temperatura normalizou e a mãe procura a unidade de saúde preocupada com a mudança do comportamento da criança. Você foi orientado a rastrear ativamente sinais de alarme da dengue, que indicam extravasamento plasmático e risco de evolução para choque. Assinale, entre os achados abaixo, aquele que constitui sinal de alarme segundo o Ministério da Saúde.
Correta: dor abdominal intensa e contínua (ou à palpação do abdome) é um dos sinais de alarme do Ministério da Saúde, junto com vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural/pericárdico), hipotensão postural e/ou lipotimia, hepatomegalia maior que 2 cm, sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade e aumento progressivo do hematócrito. Mialgia intensa e exantema pruriginoso são manifestações da própria fase febril da dengue, sem valor prognóstico de gravidade. Prova do laço positiva indica fragilidade capilar e classifica o paciente no Grupo B (necessidade de hemograma e observação), mas não é sinal de alarme.
Menina de 6 anos, moradora de área endêmica, está no quinto dia de febre que cedeu há 24 horas. A mãe a traz ao pronto-socorro por dor abdominal intensa e contínua, três episódios de vômito nas últimas 6 horas e sonolência alternada com irritabilidade. Exame: corada, ativa quando estimulada, PA 96/60 mmHg, enchimento capilar de 2 segundos, fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito, prova do laço positiva. Hematócrito 42% (era 34% na véspera), plaquetas 72.000/mm³. Assinale a conduta imediata correta.
Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hepatomegalia >2 cm, letargia/irritabilidade e aumento progressivo do hematócrito são SINAIS DE ALARME, e o quadro ocorre exatamente na fase crítica (defervescência entre o 3º e o 7º dia). Isso classifica a criança como dengue grupo C, que exige internação e expansão com cristaloide isotônico 10 mL/kg em 1 hora, repetível até 3 vezes, com reavaliação clínica e laboratorial a cada etapa. Alta com hidratação oral é conduta do grupo B, e ignorá-lo aqui pode ser fatal. A expansão de 20 mL/kg em 20 minutos com UTI é a conduta do grupo D (choque/hipotensão), e a paciente ainda tem PA e perfusão preservadas — sobrecarregá-la aumenta o risco de desconforto respiratório no período de reabsorção. A transfusão de plaquetas não é indicada pela contagem isolada na dengue, sem sangramento grave.
Recém-nascido de 5 dias, a termo, parto vaginal, apresenta febre de 38,5 °C, recusa alimentar, choro inconsolável ao manuseio, exantema maculopapular difuso e edema doloroso de mãos e pés. A mãe teve febre alta, exantema e poliartralgia intensa nas 48 horas que antecederam o parto, em município com epidemia de arbovirose. Exames: plaquetas 68.000/mm³, linfopenia, transaminases discretamente elevadas, PCR pouco alterada, líquor sem pleocitose. Assinale o diagnóstico mais provável e a conduta correta.
A transmissão vertical do vírus chikungunya ocorre sobretudo no INTRAPARTO, quando a mãe está virêmica nas 48 horas antes ou depois do parto, e o recém-nascido — assintomático ao nascer — adoece tipicamente entre o 3º e o 7º dia com febre, recusa alimentar, dor intensa ao manuseio, exantema, edema de extremidades, plaquetopenia e risco de encefalopatia. A conduta é hospitalar e de suporte: hidratação, analgesia com paracetamol/dipirona, vigilância neurológica e notificação; AAS e demais AINEs são proscritos pelo risco hemorrágico e, no neonato, pela imaturidade renal. Não há antiviral específico. A síndrome congênita do Zika resulta de infecção intraútero e se manifesta com alterações estruturais do sistema nervoso ao nascimento, não com quadro febril agudo no 5º dia. O herpes neonatal disseminado costuma trazer vesículas, hepatite grave e coagulopatia; pode ser cogitado, mas o vínculo epidemiológico materno torna o chikungunya o diagnóstico mais provável. Na sepse por GBS esperaríamos instabilidade hemodinâmica e provas inflamatórias francamente alteradas, sem exantema e artralgia maternos.
Recém-nascido a termo, com cinco dias de vida, é levado ao pronto-socorro por febre e irritabilidade intensa. A mãe teve febre alta e dor articular importante três dias antes do parto, em município com transmissão de chikungunya. O bebê estava assintomático na alta da maternidade. Ao exame: febril, chora ao ser mobilizado, edema de mãos e pés, exantema maculopapular que começou no tronco e lesões bolhosas flácidas de conteúdo claro, sem eritema ao redor. Qual é a hipótese e a preocupação principal?
O conjunto é típico: mãe virêmica na semana que antecede o parto, risco de transmissão vertical de até 50% concentrado no intraparto, recém-nascido assintomático nos primeiros dias e início dos sintomas a partir do quarto dia, com febre, irritabilidade, síndrome álgica, edema de extremidades, exantema que começa no tronco e lesões vesicobolhosas simétricas, flácidas, de conteúdo seroso claro e sem eritema perilesional. A preocupação maior é neurológica: meningoencefalite, edema cerebral, hemorragia intracraniana e convulsões são frequentes nessa faixa etária, e metade dos neonatos com acometimento do sistema nervoso central evolui com atraso de neurodesenvolvimento. A sífilis congênita cursa com lesões palmoplantares, rinite e alterações ósseas, sem esse vínculo temporal com febre materna aguda. O impetigo bolhoso não explica febre materna nem edema articular. O herpes neonatal produz vesículas agrupadas sobre base eritematosa e tem outra história epidemiológica. A dengue não tem esse padrão de transmissão vertical com lesões bolhosas.
Menina de 20 meses é levada ao pronto-socorro no quarto dia de doença, em município com epidemia de dengue. A febre de 39 °C cedeu na noite anterior. Desde então apresentou seis episódios de vômito, recusa líquidos e está sonolenta. Ao exame: desperta ao estímulo, extremidades quentes, enchimento capilar de 2 segundos, FC 152 bpm, PA 92 x 58 mmHg, fígado a 3 cm do rebordo costal direito. Hematócrito de 43% (era 34% há dois dias) e plaquetas de 88.000/mm³. Qual é a conduta imediata?
A febre que cede marca a entrada na fase crítica, e a criança acumula quatro sinais de alarme: vômitos persistentes, letargia, hepatomegalia maior que 2 cm e aumento progressivo do hematócrito. Sinal de alarme presente com sinais de gravidade ausentes é grupo C, cuja conduta é expansão com soro fisiológico 0,9% 10 mL/kg na primeira hora e internação por no mínimo 48 horas. A hidratação oral (alternativa 1) serve aos grupos A e B, que não têm sinal de alarme. Os 20 mL/kg em 20 minutos (alternativa 3) pertencem ao grupo D, e aqui perfusão, enchimento capilar e pressão estão preservados — não há choque. Plaquetopenia isolada não indica transfusão (alternativa 4), que só entra em sangramento persistente não controlado após correção do choque e dos fatores de coagulação. Anti-inflamatórios não esteroides estão proibidos na dengue (alternativa 5) pelo risco de sangramento e de lesão renal.
Criança de 3 anos, 12 kg, com dengue sem sinais de alarme, sem sangramento, sem comorbidades e sem risco social, será acompanhada em domicílio. Qual é a prescrição de hidratação oral correta para as primeiras 24 horas?
Na criança menor de 13 anos, o volume diário de hidratação oral é escalonado por peso: até 10 kg, 130 mL/kg/dia; acima de 10 até 20 kg, 100 mL/kg/dia; acima de 20 kg, 80 mL/kg/dia. Com 12 kg, o cálculo é 12 × 100 = 1.200 mL/dia. A prescrição só fica completa com a composição: um terço como sais de reidratação oral e dois terços como água, sucos e chás, com um terço do volume total ofertado nas primeiras 4 a 6 horas. A opção de 1.560 mL/dia aplica a faixa de até 10 kg (130 mL/kg) a um peso que não lhe corresponde, e a de 960 mL/dia usa a faixa acima de 20 kg. Oferecer todo o volume como sais de reidratação ou apenas como água ignora a proporção recomendada, e suspender a alimentação é erro: a dieta deve ser mantida conforme a aceitação, e a amamentação, estimulada.
Durante um surto de dengue, um médico decide realizar a prova do laço em uma criança de 8 anos com febre há três dias. A pressão arterial aferida é de 100 x 60 mmHg. Como o teste deve ser executado e interpretado nessa criança?
A prova do laço é feita com o manguito insuflado no valor da pressão arterial média, calculada por (sistólica + diastólica) ÷ 2 — aqui, (100 + 60) ÷ 2 = 80 mmHg. O tempo de manutenção é de 5 minutos no adulto e 3 minutos na criança. Conta-se o número de petéquias dentro de um quadrado de 2,5 cm de lado desenhado no antebraço, e o teste é positivo com 20 ou mais petéquias no adulto e 10 ou mais na criança. As alternativas com 100 ou 60 mmHg erram o cálculo da média, e as com quadrado de 5 cm ou tempo de adulto trocam os parâmetros pediátricos. Vale lembrar o limite do exame: ele é frequentemente negativo na obesidade e durante o choque, e seu valor preditivo para forma grave é baixo.
Menino de 7 anos está no quinto dia de doença febril em área endêmica de dengue. Encontra-se afebril desde a manhã, hidratado, corado, com perfusão normal. Entre os achados a seguir, qual configura sinal de alarme e obriga a reclassificar o caso?
A lista de sinais de alarme é fechada: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos, hipotensão postural ou lipotimia, hepatomegalia maior que 2 cm abaixo do rebordo costal, sangramento de mucosa, letargia ou irritabilidade, e aumento progressivo do hematócrito. Hepatomegalia de 3 cm ultrapassa o corte e coloca a criança no grupo C. Mialgia, cefaleia com dor retro-orbitária e exantema são manifestações da própria doença e não mudam o estadiamento. A prova do laço positiva não é sinal de alarme: ela caracteriza sangramento induzido e sobe o paciente do grupo A para o grupo B, que segue em hidratação oral com hemograma obrigatório.
Menina de 9 anos é atendida na unidade básica com exantema maculopapular pruriginoso que surgiu no primeiro dia dos sintomas, hiperemia conjuntival bilateral sem secreção purulenta, temperatura axilar de 37,8 °C e artralgia leve. Não há dor retro-orbitária nem mialgia importante. Qual é a hipótese mais provável e a conduta?
O padrão descrito é o da zika: exantema precoce, do primeiro ao segundo dia, frequentemente pruriginoso, febre ausente ou baixa, de até 38 °C, e conjuntivite não purulenta em 50% a 90% dos casos. Na dengue a febre é alta, o exantema surge entre o terceiro e o sexto dia e predominam mialgia e dor retro-orbitária. Na chikungunya a febre é alta e a artralgia é moderada a intensa, com edema articular — e corticoide não se usa na fase aguda, quando a dengue ainda não foi descartada. A escarlatina cursa com exantema micropapular áspero, palidez perioral e faringite. O sarampo tem tosse, coriza e conjuntivite com fotofobia, exantema que progride craniocaudal e manchas de Koplik. Na zika não há estadiamento por grupos: o manejo é sintomático, com dipirona ou paracetamol e sem anti-inflamatório enquanto a dengue não estiver afastada.
Menino de 6 anos, 22 kg, quinto dia de doença febril em cidade com surto de dengue, chega sonolento porém responsivo. Extremidades frias, enchimento capilar de 4 segundos, pulso radial fino, FC 148 bpm, FR 38 irpm, PA 90 x 76 mmHg, sem diurese desde a manhã. Hematócrito de 49%. Qual é a classificação e a conduta?
Extremidades frias, enchimento capilar acima de 3 segundos, pulso filiforme, taquicardia, taquipneia e oligúria configuram choque, mesmo com a sistólica de 90 mmHg acima do quinto percentil esperado para a idade, que é 70 + (6 × 2) = 82 mmHg. O que denuncia o choque compensado é a pressão de pulso de 14 mmHg, abaixo do corte de 20 mmHg. Choque é sinal de gravidade e define grupo D, cuja expansão inicial é soro fisiológico 0,9% 20 mL/kg em até 20 minutos, repetível até três vezes, com acompanhamento em UTI por no mínimo 48 horas. Tratar como grupo B ou C subestima a gravidade e atrasa a expansão rápida. A albumina não é a primeira medida: entra apenas na persistência do choque com hematócrito em ascensão após reposição volêmica adequada. Hematócrito elevado na dengue traduz hemoconcentração por extravasamento plasmático, e não indicação de transfusão de hemácias.
Menino de 10 anos internado por dengue em fase crítica recebeu duas fases de expansão volêmica e apresentou melhora dos sinais vitais, com queda do hematócrito e retorno da diurese. Doze horas depois, surgem taquipneia, crepitações em bases pulmonares e desconforto respiratório, sem sangramento e com hematócrito em queda. Qual é a conduta?
O quadro descreve a fase de recuperação, quando o líquido extravasado retorna ao intravascular e o risco se inverte: desconforto respiratório, crepitações e sinais de congestão após expansão adequada apontam hiper-hidratação, e a conduta é reduzir a infusão à velocidade mínima necessária, usar diurético e, se necessário, inotrópico. Nova expansão agravaria a congestão. Hematócrito em queda com resolução do choque e sem sangramento é achado esperado da reabsorção, não indicação de transfusão. Procedimentos invasivos como toracocentese, paracentese e pericardiocentese devem ser evitados, porque os derrames decorrem do extravasamento e regridem com o controle volêmico. Corticoide não faz parte do tratamento da dengue em nenhuma fase.
Menino de 7 anos é atendido no terceiro dia de febre em área endêmica de dengue, sem sinais de alarme, sem sangramento, sem comorbidade e com condições sociais de retorno. Está hidratado e aceita líquidos. A mãe pergunta quando deve trazê-lo de volta e se precisa colher exames hoje. Qual a orientação correta?
A frase que organiza o acompanhamento ambulatorial é que a criança piora quando a febre cai: a fase crítica começa com a defervescência, entre o terceiro e o sétimo dia de doença, e é nela que o extravasamento plasmático e o choque acontecem. Por isso o retorno do grupo A é agendado para o dia da melhora da febre, e não para uma data fixa; se a febre não ceder, o retorno é no quinto dia de doença. No grupo A o exame laboratorial fica a critério médico, de modo que a criança sem sinal de alarme, sem sangramento e sem condição especial vai para casa com hidratação oral e retorno marcado. Hemograma obrigatório colhido no atendimento, com resultado liberado em até duas horas e no máximo quatro, é conduta do grupo B, que exige observação até o resultado. Plaquetopenia isolada, sem sinal de alarme, não muda o grupo nem interna. E orientar retorno apenas diante de sinais de alarme deixa de fora justamente a consulta que serve para reconhecê-los.
Menina de 8 anos está no sétimo dia de doença febril em área com epidemia de dengue, afebril desde ontem, hidratada, sem sinais de alarme e em bom estado geral. A mãe traz o resultado de um antígeno NS1 colhido hoje, não reagente, e pergunta se a dengue está descartada. Qual a orientação?
As janelas de exame são fixas e explicam o resultado: detecção viral por antígeno NS1, reação em cadeia da polimerase ou isolamento vale até o quinto dia de sintomas; a partir do sexto dia, o exame indicado é a sorologia. Um antígeno não reagente colhido no sétimo dia informa sobre a janela e não sobre a criança, de modo que não descarta nada, e repetir o mesmo exame dois dias depois só afasta ainda mais da janela útil, porque a viremia cai e não sobe na convalescença. A pesquisa molecular também não se estende ao décimo quarto dia. Vale registrar a lógica que atravessa o tema: o exame que confirma a dengue é obrigatório para a vigilância, mas não muda a conduta de beira de leito e nunca deve atrasar a expansão volêmica — a classificação por grupos é clínica, e todo caso suspeito é de notificação compulsória, sendo a forma grave de notificação imediata. Por isso condicionar a sorologia ao aparecimento de sinais de alarme inverte o papel de cada coisa.
Menino de 11 anos, quinto dia de dengue, está afebril, hidratado, com enchimento capilar de 2 segundos, pressão arterial adequada para a idade e diurese preservada. Refere dor abdominal contínua e teve três episódios de vômito. Exames: hematócrito de 41%, plaquetas de 62.000/mm³, transaminase oxalacética de 1.480 U/L, transaminase pirúvica de 1.260 U/L e tempo de protrombina alargado. Qual a classificação e a conduta?
Choque é a via mais comum para a dengue grave, mas não é a única: sangramento grave e disfunção grave de órgão entram na mesma categoria e levam ao grupo D, com ou sem extravasamento plasmático associado. O guia pediátrico usa transaminase oxalacética ou pirúvica acima de 1.000 como marcador de envolvimento grave de órgão, e o alargamento do tempo de protrombina confirma o comprometimento hepático — o critério está preenchido mesmo com perfusão, pressão e diurese normais. Dor abdominal contínua e vômitos persistentes são sinais de alarme e por si sós já tirariam a criança dos grupos A e B, mas o que define o destino aqui é a disfunção de órgão. Plaquetopenia isolada não indica transfusão: ela só entra diante de sangramento persistente não controlado, depois de corrigidos os fatores de coagulação e o choque. A expansão de 10 mL/kg na primeira hora em enfermaria é a conduta do grupo C, e subestimar a gravidade atrasa o cuidado que a disfunção hepática exige.
Menino de 11 anos com dengue apresenta no 6º dia icterícia leve, dor em hipocôndrio direito e exames com AST 2.400 U/L e ALT 1.900 U/L, INR 1,9 e sonolência. A classificação e a conduta corretas são:
Transaminases acima de 1.000 U/L, coagulopatia e alteração do nível de consciência configuram disfunção orgânica, um dos três critérios de dengue grave, ao lado do choque e do sangramento grave. Classificar como sinais de alarme subestima o risco e adia o cuidado intensivo. Corticoide não tem indicação estabelecida na dengue, e postergar a hidratação para investigar outras hepatites perde a janela do manejo volêmico.
Menina de 6 anos, no 4º dia de doença febril em área endêmica, é reavaliada porque a febre cedeu, mas ela passou a apresentar dor abdominal contínua e intensa e vômitos repetidos. Está consciente, corada, com pressão arterial normal. Segundo a classificação de risco da dengue, a criança pertence ao grupo:
Dor abdominal intensa e contínua e vômitos persistentes são sinais de alarme, e a presença de qualquer um deles classifica o paciente como grupo C, com internação e hidratação venosa. O grupo B reúne quem tem sangramento espontâneo de pele, prova do laço positiva, comorbidade ou risco social, sem sinais de alarme. Classificar como grupo A por estar corada e com pressão normal é o erro que devolve para casa a criança que está entrando na fase crítica.
Entre os achados abaixo, em criança com dengue confirmada, o que caracteriza a doença como GRAVE é:
Dengue grave se define por extravasamento plasmático que leva a choque ou desconforto respiratório, sangramento grave ou disfunção orgânica; o derrame pleural sintomático com hipotensão preenche o primeiro critério. Vômitos persistentes, dor abdominal e hematócrito em elevação são sinais de alarme, que classificam o paciente para hidratação venosa e internação, mas ainda não configuram gravidade. A plaquetopenia isolada é o distrator mais tentador porque impressiona no exame, mas não entra na definição.
Menino de 9 anos com dengue tem hemograma seriado: hematócrito de 38% na admissão e 47% após 12 horas, com plaquetas caindo de 150.000 para 70.000/mm³. Permanece sem hipotensão, com dor abdominal leve. A melhor interpretação desses exames é:
Aumento progressivo do hematócrito é o marcador laboratorial do extravasamento e figura entre os sinais de alarme, mesmo com pressão ainda normal. A plaquetopenia acompanha a doença e chama mais atenção da família e do plantonista, mas não guia a reposição volêmica nem indica transfusão sem sangramento grave. Atribuir a hemoconcentração apenas a ingesta baixa é subestimar o mecanismo da fase crítica.
Sobre a analgesia e a antitermia na criança com dengue, é correto afirmar:
Salicilatos e anti-inflamatórios não esteroidais aumentam o risco de sangramento e de lesão gástrica e estão proibidos na dengue; a antitermia é feita com paracetamol ou dipirona. Liberar ácido acetilsalicílico com base na contagem de plaquetas engana porque o problema é o efeito antiagregante somado à disfunção plaquetária da própria doença, não apenas o número. Injeção intramuscular deve ser evitada pelo risco de hematoma.
Lactente de 18 meses com dengue apresenta, no 4º dia, recusa alimentar, irritabilidade alternada com sonolência e choro inconsolável. Está afebril há 10 horas. A interpretação correta é:
Alteração do comportamento, com letargia ou irritabilidade, é sinal de alarme e no lactente muitas vezes é a única pista de que a fase crítica começou, já que ele não relata dor abdominal. Interpretar a mudança como consequência banal da defervescência é o raciocínio que devolve a criança para casa às vésperas do choque. Anti-inflamatório não esteroidal é formalmente contraindicado na dengue pelo risco hemorrágico.
Menino de 7 anos, 25 kg, no 5º dia de febre que cedeu há 12 horas, chega ao pronto-socorro sonolento, com extremidades frias, tempo de enchimento capilar de 4 segundos e pressão arterial de 80/70 mmHg. Vive em área com epidemia de dengue. A conduta imediata é:
Pressão convergente, perfusão lentificada e alteração do sensorial no momento da defervescência caracterizam choque por extravasamento plasmático, que é dengue grave e exige expansão rápida com cristaloide 20 mL/kg em até 20 minutos, repetível até três vezes. A infusão em uma hora é o esquema do paciente com sinais de alarme sem choque e engana quem parou a classificação um degrau antes. Transfundir plaquetas antes de restaurar a volemia troca a prioridade e não corrige o extravasamento.
Menino de 8 anos, 30 kg, com febre há 2 dias, cefaleia e mialgia, em área com epidemia de dengue. Está hidratado, sem sangramento, prova do laço negativa, sem comorbidades e sem risco social. A conduta correta é:
A criança sem sinais de alarme, sangramento, comorbidade, condição especial ou risco social é classificada no grupo A e pode ser acompanhada ambulatorialmente. Na 6ª edição do manual do Ministério da Saúde, crianças com menos de 13 anos e mais de 20 kg devem receber 80 mL/kg/dia por via oral; para 30 kg, isso corresponde a 2.400 mL/dia. Um terço deve ser oferecido como solução de reidratação oral e os dois terços restantes como outros líquidos, com um terço do volume total nas primeiras 4 a 6 horas. O retorno é diário durante o período crítico e a hidratação deve prosseguir por 24 a 48 horas após a defervescência. Hemograma é obrigatório no grupo B, não no grupo A. Fonte: Ministério da Saúde, Dengue: diagnóstico e manejo clínico, 6ª edição, 2024.
Sobre a solução a ser utilizada na expansão volêmica da criança com dengue e choque, a escolha correta é:
A expansão é feita com cristaloide isotônico, que permanece no extracelular e restaura a volemia; soluções hipotônicas se distribuem para o intracelular e podem provocar hiponatremia e edema cerebral, sendo o erro clássico de prescrição pediátrica. Soro glicosado como expansor não repõe volume efetivo. Hemoderivados não corrigem o extravasamento e entram apenas em sangramento grave.
Criança de 9 anos com dengue apresenta, no 6º dia, dor precordial, taquicardia desproporcional à febre, ritmo de galope e elevação de troponina, com sinais de congestão. A complicação mais provável é:
Miocardite é uma das formas de disfunção orgânica na dengue e explica taquicardia desproporcional, galope e troponina elevada; reconhecê-la muda a hidratação, que passa a ser cautelosa, e pode exigir suporte inotrópico. Atribuir a congestão apenas à sobrecarga hídrica engana, porque nesse cenário o coração é o fator limitante e insistir em volume piora o quadro.
Criança internada por dengue com sinais de alarme evolui bem após 48 horas. Para autorizar a alta hospitalar, além da melhora clínica, exige-se:
Os critérios de alta combinam estabilidade clínica, 48 horas sem febre, hematócrito normalizado e tendência de subida das plaquetas — é a tendência, e não o valor absoluto, que mostra que a fase crítica passou. Exigir plaquetas acima de 150.000 prolonga internações sem benefício e é o erro mais comum na enfermaria. Alta com plaquetas ainda caindo antecipa a saída para dentro da janela de risco.
Menina de 9 anos, no 8º dia de doença, já afebril e recuperada, apresenta exantema maculopapular intensamente pruriginoso, com áreas de pele poupada em meio ao eritema, predominando em membros. A conduta é:
O exantema pruriginoso com ilhas de pele sã surge na fase de recuperação, tipicamente após o sétimo dia, e é sinal de boa evolução; a conduta é orientação e sintomático. Interpretá-lo como piora e reinternar a criança é o erro que gera exames desnecessários. Suspeitar de reação medicamentosa engana pelo prurido, mas o momento e o padrão do exantema são característicos da própria doença.
Menina de 12 anos com febre, exantema e dor articular intensa e simétrica em punhos, tornozelos e pequenas articulações das mãos, com edema articular que a impede de segurar objetos. A hipótese mais provável é:
Poliartralgia intensa e incapacitante, com edema articular em mãos e pés, é a assinatura da chikungunya e a distingue da dengue, onde predominam mialgia e dor retro-orbitária sem artrite franca. Confundir com dengue é comum porque as três arboviroses compartilham febre e exantema, mas a articulação tomada é o dado que decide. A febre reumática afeta grandes articulações de forma migratória e vem semanas após faringite estreptocócica.
Criança de 6 anos apresenta exantema maculopapular pruriginoso que surgiu já no primeiro dia, febre baixa de curta duração e hiperemia conjuntival sem secreção. A arbovirose mais provável é:
Exantema precoce e pruriginoso, febre baixa ou ausente e conjuntivite não purulenta formam o quadro típico da infecção por zika. Na dengue o exantema costuma aparecer mais tarde e a febre é alta, o que torna esse o distrator mais tentador. Reconhecer zika importa sobretudo pelo risco em gestantes e pela vigilância de síndrome de Guillain-Barré.
Adolescente de 15 anos com dengue apresenta epistaxe volumosa e gengivorragia, plaquetas de 25.000/mm³, hematócrito de 40% estável, pressão arterial normal e boa perfusão. A conduta inicial mais adequada é:
Sangramento de mucosa é sinal de alarme e indica internação com hidratação venosa e medidas locais; hemoderivados entram quando o sangramento é grave ou há repercussão hemodinâmica, não pelo número de plaquetas. Transfundir pelo valor isolado é o reflexo mais comum e não reduz sangramento na dengue. Liberar para casa ignora que a mucosa sangrando já classifica o paciente para conduta hospitalar.
Criança com febre iniciada há 48 horas e suspeita de dengue. O exame com melhor rendimento diagnóstico nesse momento é:
O NS1 é detectável desde o primeiro dia de sintomas e mantém bom rendimento até o quinto dia, sendo o teste de escolha na fase aguda, ao lado da RT-PCR. A sorologia IgM só se positiva a partir do sexto dia, e pedi-la no segundo dia gera resultado negativo que falsamente tranquiliza — esse é o erro que mais aparece em prova. IgG pareada serve para inquérito e diagnóstico retrospectivo.
Criança com dengue e choque persiste hipotensa após duas expansões. O hematócrito, que era 50%, mantém-se em 52%. A interpretação e a conduta corretas são:
Hematócrito que permanece alto ou sobe em paciente ainda em choque indica que o plasma continua saindo do vaso: a resposta é manter reposição e escalar para coloide se não houver resposta. O raciocínio de sangramento oculto se aplica quando o hematócrito CAI em paciente que segue instável, e é esse o par que costuma ser trocado na prova. Vasopressor sem volume restaurado em choque hipovolêmico apenas mascara a hipoperfusão.
Criança de 8 anos com dengue grave, já estabilizada após expansões, encontra-se com diurese de 0,4 mL/kg/h, hematócrito estável e pressão arterial normal para a idade. O parâmetro mais confiável para orientar a continuidade da reposição volêmica é:
O manejo volêmico da dengue é guiado por perfusão, débito urinário alvo em torno de 1 mL/kg/h e comportamento seriado do hematócrito, que traduz o balanço entre extravasamento e reposição. Guiar-se pela pressão sistólica isolada engana porque a criança mantém pressão normal até tarde, por vasoconstrição, e descompensa abruptamente. Plaquetas e testes diagnósticos não medem volemia e não devem comandar a infusão.
Sobre a fase crítica da dengue na criança, é correto afirmar que:
A defervescência é o momento de maior risco: a febre cede e a família se tranquiliza justamente quando o aumento da permeabilidade capilar começa. Reconhecer esse paradoxo é o que evita alta indevida. A segunda infecção por sorotipo diferente aumenta o risco de gravidade, mas dizer que a fase crítica só ocorre nela é falso e engana quem decorou a teoria do anticorpo facilitador. O exantema pruriginoso marca a recuperação, não a fase crítica.
Menina de 6 anos com dengue e choque recebeu três expansões de 20 mL/kg. Está com pressão normalizada, mas surgem estertores em bases, taquipneia e saturação de 91%. O hematócrito caiu de 48% para 38%. A conduta mais adequada é:
Congestão pulmonar após múltiplas expansões, com pressão restabelecida e hematócrito em queda por hemodiluição, sinaliza sobrecarga hídrica na fase em que o líquido extravasado começa a retornar ao intravascular; a conduta é frear a infusão e dar suporte, não repetir volume. Insistir em nova expansão é o erro mais comum e transforma o extravasamento em edema pulmonar. Diurético em paciente ainda em risco de extravasamento exige cautela e reavaliação, não uso automático.
Após a primeira hora de reposição com 10 mL/kg em criança do grupo C, ela mantém dor abdominal, diurese de 0,3 mL/kg/h e hematócrito que subiu mais 4%. A conduta é:
Resposta insuficiente — oligúria mantida e hematócrito ainda subindo — indica extravasamento ativo, e o protocolo permite repetir a etapa de reposição até três vezes antes de reclassificar o paciente para conduta de choque. Passar para manutenção com esses parâmetros é abandonar o paciente no meio da fase crítica. Vasopressor não corrige hipovolemia por extravasamento e vem depois de volume adequado.
Criança de 20 kg classificada como grupo C na dengue, sem hipotensão. Conforme o manejo preconizado pelo Ministério da Saúde, a reposição volêmica inicial deve ser:
Para o paciente com sinais de alarme sem choque a reposição é de 10 mL/kg de cristaloide na primeira hora, reavaliando perfusão, diurese e hematócrito antes de repetir. O esquema de 20 mL/kg em 20 minutos pertence ao paciente em choque e engana quem não separa alarme de gravidade. Manter apenas hidratação oral em quem tem sinal de alarme é a conduta que mais atrasa o reconhecimento do extravasamento.
Mãe traz criança de 7 anos com dengue e informa que a febre desapareceu e por isso ela achou que a doença tinha passado, mas a criança está mais quieta e com dor na barriga. A orientação correta sobre o significado da queda da febre na dengue é:
O extravasamento plasmático se instala justamente quando a temperatura normaliza, entre o terceiro e o sétimo dia: é o momento em que a família relaxa e a criança piora. Ensinar isso na alta é a intervenção que mais evita óbito. Achar que a viremia encerrada significa risco encerrado engana porque confunde o fim da replicação viral com o fim da resposta inflamatória que aumenta a permeabilidade capilar.
Entre os achados de exame físico abaixo, em criança com suspeita de dengue, aquele que constitui sinal de alarme é:
Hepatomegalia dolorosa acima de 2 cm do rebordo costal é sinal de alarme e traduz congestão e extravasamento; ela é frequentemente esquecida porque exige palpar o abdome com atenção. Febre alta, mialgia e dor retro-orbitária são manifestações da fase febril, presentes em quase todos os casos, e por isso não discriminam risco. O exantema também é comum e não indica gravidade por si.
Menina de 10 anos com dengue e dor abdominal intensa realiza ultrassonografia de abdome, que mostra espessamento da parede vesicular, líquido perivesicular e pequena quantidade de líquido livre. A interpretação correta é:
Parede vesicular espessada, líquido perivesicular e ascite discreta traduzem o mesmo fenômeno de perda de plasma para o terceiro espaço, e são úteis para confirmar que a fase crítica começou. O erro de alto custo é interpretar esse conjunto como abdome cirúrgico e levar à sala uma criança em extravasamento — a laparotomia desnecessária em plena plaquetopenia é uma catástrofe evitável.
Sobre a prova do laço na criança, é correto afirmar:
A prova é feita com a pressão média mantida por 3 minutos em crianças, e o ponto de corte é 10 ou mais petéquias no quadrado de 2,5 cm de lado; em adultos são 5 minutos e 20 petéquias. A troca desses parâmetros é a pegadinha usual. A positividade indica fragilidade capilar e classifica no grupo B, não caracteriza gravidade, e a prova não depende de contagem prévia de plaquetas.
Sobre o diagnóstico diferencial da dengue na criança, o achado que mais fala CONTRA esse diagnóstico e obriga a considerar outra etiologia com urgência é:
Púrpura que progride rapidamente, toxemia e sinais meníngeos precoces apontam para doença meningocócica, que exige antibiótico nas primeiras horas — atribuir essas lesões à plaquetopenia da dengue é um atraso potencialmente fatal. Exantema, dor retro-orbitária, prova do laço positiva e plaquetopenia moderada são compatíveis com dengue e não desviam a hipótese.
Adolescente de 14 anos tem suspeita clínica de dengue, com febre iniciada há sete dias, mialgia, cefaleia e exposição em área de transmissão. Agora afebril, ainda não realizou teste etiológico. Segundo o manual do Ministério da Saúde de 2024, qual exame, entre os listados, é mais indicado nessa fase para investigação laboratorial?
No manual brasileiro de 2024, a pesquisa de IgM por ELISA é indicada a partir do sexto dia do início dos sintomas, enquanto a RT-PCR é prioritária até o quinto dia. Por isso, no sétimo dia e entre as opções, a sorologia é a escolha esperada. O resultado deve ser interpretado com clínica, epidemiologia e possibilidade de reação cruzada com outros flavivírus; um teste negativo isolado não exclui automaticamente dengue. A queda da febre não significa que o risco clínico terminou e não dispensa avaliar sinais de alarme. Proteína C reativa e prova do laço não confirmam a etiologia.
Lactente de 14 meses, em área com epidemia de dengue, apresenta febre alta há 3 dias, recusa alimentar e choro persistente, sem foco infeccioso ao exame. Sobre a dengue nessa faixa etária, é correto afirmar:
O lactente não verbaliza dor nem tontura, de modo que os sinais de alarme se traduzem em irritabilidade, recusa alimentar e sonolência; somado à menor reserva volêmica, isso faz da faixa etária um grupo de maior risco de choque. Assumir que a imaturidade imune protege é o inverso do observado. Exigir exantema para levantar a hipótese exclui a maioria dos casos, já que ele é inconstante e tardio.
Criança de 5 anos com dengue em acompanhamento ambulatorial. Entre os itens abaixo, aquele que a família deve ser orientada a reconhecer como motivo de retorno IMEDIATO é:
O cartão de acompanhamento deve traduzir os sinais de alarme em linguagem da família: dor abdominal contínua, vômitos persistentes, sangramento de mucosa, sonolência ou irritabilidade e tontura ao levantar. Febre, exantema e dor retro-orbitária são esperados na fase febril e por isso não servem de gatilho — orientar retorno por eles satura o serviço e dilui a mensagem que importa.
Entre as situações abaixo, aquela que, por si só, classifica a criança com dengue como grupo B mesmo sem sinais de alarme é:
Comorbidades como anemia falciforme, asma, diabetes, cardiopatia e imunossupressão, além de extremos de idade e risco social, colocam o paciente no grupo B, que exige hemograma e observação até o resultado. Infecção prévia por outro sorotipo aumenta o risco teórico de forma grave, mas não é, isoladamente, critério de classificação nos protocolos — é o distrator que mais engana quem estudou fisiopatologia sem ler o fluxograma.
Segundo o manual do Ministério da Saúde de 2024, sobre a hidratação oral domiciliar de crianças menores de 13 anos com dengue classificadas no grupo A, a orientação correta é:
O esquema pediátrico do Ministério da Saúde usa 130, 100 ou 80 mL/kg/dia nas faixas até 10 kg, acima de 10 até 20 kg e acima de 20 kg, respectivamente. Um terço deve ser oferecido como solução de reidratação oral, e o restante como água, sucos ou chás apropriados à idade. Prescrever o volume e orientar sua distribuição; considerar um terço nas primeiras quatro a seis horas. Alimentação e aleitamento devem ser mantidos. Sinais de alarme ou incapacidade de hidratação oral exigem reavaliação imediata. Referência: Ministério da Saúde, Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criança, 6ª edição, 2024, quadro 3, p. 30.
Sobre a definição de pressão arterial convergente na criança com dengue, é correto afirmar:
A pressão convergente ou pinçada, com diferencial de 20 mmHg ou menos, traduz vasoconstrição intensa para compensar a queda do débito e é um marcador de choque na dengue, muitas vezes com sistólica ainda dentro da normalidade. Confundi-la com hipotensão postural é comum: esta última é sinal de alarme, enquanto a convergente já classifica o paciente como grave.
Após a fase de expansão, a criança com dengue melhorou clinicamente e a hidratação passou para manutenção. Sobre essa etapa, é correto afirmar:
Na fase de reabsorção, o líquido que estava no terceiro espaço retorna ao intravascular, e manter volume alto produz edema pulmonar; por isso a manutenção é reduzida com reavaliações. Aumentar a infusão porque o hematócrito caiu é uma armadilha frequente: nessa fase a queda reflete hemodiluição fisiológica, e só significa sangramento quando acompanhada de instabilidade.
Sobre o uso de corticoide e de imunoglobulina endovenosa no tratamento da dengue, é correto afirmar:
Ensaios não demonstraram benefício de corticoide ou imunoglobulina na dengue, e o pilar do tratamento continua sendo a reposição volêmica ajustada por reavaliações clínicas. A tentação de usar corticoide vem da analogia com a plaquetopenia imune, mas o mecanismo aqui é de consumo e sequestro, não autoimune isolado, e a imunossupressão traz risco adicional de infecção.
Sobre a fisiopatologia da dengue grave, a explicação mais aceita para o maior risco em uma segunda infecção por sorotipo diferente é:
O fenômeno de amplificação dependente de anticorpos explica por que a reinfecção por sorotipo distinto é fator de risco: anticorpos que não neutralizam formam complexos que facilitam a infecção de monócitos e macrófagos, com liberação maciça de mediadores e aumento da permeabilidade capilar. Atribuir o risco à virulência do sorotipo desloca a explicação para o vírus quando o determinante é a resposta do hospedeiro.
Adolescente de 13 anos com dengue no 6º dia evolui com hematêmese volumosa, palidez intensa, taquicardia e queda do hematócrito de 45% para 28% após expansões. As plaquetas são 30.000/mm³. A conduta prioritária é:
Queda do hematócrito acompanhada de instabilidade após expansão em paciente com sangramento visível indica hemorragia grave: a prioridade é repor massa eritrocitária. A transfusão de plaquetas é o erro clássico, porque o número baixo chama a atenção, mas ela não corrige a perda volêmica e não está indicada pelo valor isolado. Suspender a hidratação diante de sangramento agrava o choque; a hidratação é ajustada, não interrompida.
Criança de 9 anos com dengue, sem qualquer sangramento, apresenta plaquetas de 16.000/mm³ no 5º dia de doença, com hematócrito estável e boa perfusão. Sobre a transfusão de plaquetas nesse caso:
Na dengue a plaquetopenia é transitória e de consumo, e a transfusão profilática guiada apenas pelo número não reduz sangramento nem mortalidade, além de expor a reações transfusionais; a indicação é sangramento grave com repercussão. Ancorar-se no limiar de 20.000 engana porque transporta para a dengue um gatilho pensado para plaquetopenia de causa medular. Corticoide também não tem papel estabelecido para elevar plaquetas nesse contexto.
Recém-nascido de mãe com dengue no periparto. Sobre a dengue neonatal e o aleitamento, é correto afirmar:
Quando a mãe apresenta viremia próxima ao parto, o recém-nascido pode adoecer nos primeiros dias, com quadro que vai de febre isolada a plaquetopenia e choque, o que justifica vigilância. Suspender o aleitamento é o erro mais comum: os benefícios superam qualquer risco teórico e não há indicação de interrupção. Não existe imunoglobulina específica para dengue.
Menina de 5 anos com febre há 3 dias em área endêmica apresenta petéquias espontâneas em membros inferiores, sem sinais de alarme, hidratada e ativa. A conduta correta segundo a classificação de risco é:
Sangramento espontâneo de pele, como petéquias, ou prova do laço positiva colocam o paciente no grupo B, cuja conduta é hemograma com observação até o resultado; se o hematócrito estiver normal, o manejo segue como no grupo A. Tratar como grupo C engana quem confunde sangramento de pele com sinal de alarme — sangramento de mucosa é que entra no alarme. Solicitar IgM no terceiro dia é inútil, pois o anticorpo ainda não subiu.
Menina de 8 anos apresenta febre de início súbito, exantema e artralgia intensa de pequenas articulações. Reside em área com transmissão confirmada de chikungunya. Recebeu duas doses de tríplice viral, não tem contato conhecido com sarampo ou rubéola e não apresenta tosse, coriza ou conjuntivite. Qual hipótese deve ser priorizada?
Febre aguda com artralgia intensa e vínculo com transmissão de chikungunya torna essa uma hipótese prioritária, ainda sujeita a diagnóstico diferencial. Deve-se notificar o caso suspeito e seguir a investigação indicada para a fase da doença e o contexto epidemiológico. Duas doses de tríplice viral reduzem a probabilidade de sarampo e rubéola, mas não os excluem. Se seus critérios de suspeição forem preenchidos, a notificação e a investigação correspondentes devem ocorrer independentemente da vacinação. Não é correto atribuir automaticamente qualquer exantema à vacina.
Qual característica clínica ajuda a diferenciar a chikungunya da dengue e do zika em crianças?
A chikungunya distingue-se pela artralgia e artrite marcantes, frequentemente simétricas e de mãos, punhos e tornozelos, que podem se prolongar por meses. A dor retro-orbitária com plaquetopenia engana por ser um traço característico, mas da DENGUE, cuja gravidade decorre do extravasamento plasmático. O exantema muito pruriginoso com conjuntivite e febre baixa ou ausente é o perfil do zika, cuja principal preocupação em saúde pública é o acometimento fetal.
Criança de 4 anos apresenta febre alta por 3 dias, exantema maculopapular, dor retro-orbitária, mialgia intensa e prova do laço positiva, com plaquetas de 92.000/mm3 e hematócrito estável. Qual é a conduta?
O manejo da dengue baseia-se na classificação de risco e na hidratação adequada, com reavaliações programadas — sobretudo na fase de defervescência, quando ocorre o extravasamento plasmático —, sendo proibidos o ácido acetilsalicílico e os anti-inflamatórios não esteroidais pelo risco de sangramento. Liberar pela contagem de plaquetas engana quem usa esse número como termômetro de gravidade, mas o que define o risco é o extravasamento plasmático e os sinais de alarme, não o valor plaquetário isolado.
Menina de 7 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde com febre há 6 dias, cefaleia, dor retro-orbitária e mialgia. Reside em área endêmica para dengue. Ao exame, encontra-se hidratada, corada, pressão arterial de 100 por 60 milímetros de mercúrio, prova do laço negativa, sem dor abdominal, vômitos, sangramentos ou hepatomegalia. Hemograma indisponível na unidade no momento. Segundo o Ministério da Saúde, qual é a classificação de risco e a conduta?
A ausência de sinais de alarme, de sangramento espontâneo, de prova do laço positiva e de condição clínica especial classifica o caso como grupo A, manejado em domicílio com hidratação oral generosa, sintomáticos sem anti-inflamatórios e reavaliação diária no período crítico. O grupo B exige sangramento de pele, prova do laço positiva ou comorbidade e condição de risco social. O grupo C pressupõe sinais de alarme e reposição volêmica parenteral. Dengue grave envolve choque, sangramento grave ou disfunção orgânica, ausentes no caso.
Menina de 6 anos é levada à Unidade de Pronto Atendimento com febre há 4 dias, dor abdominal difusa e vômitos. Reside em área endêmica para dengue e teve teste rápido NS1 reagente no segundo dia. Hoje a febre cedeu, mas a criança está sonolenta, com dor abdominal intensa e contínua, extremidades frias e tempo de enchimento capilar de 4 segundos. Pressão arterial de 80 por 60 milímetros de mercúrio. Qual é a conduta imediata?
O quadro de defervescência com dor abdominal intensa, letargia e sinais de má perfusão indica dengue grave com choque, cujo tratamento é a expansão rápida com cristaloide e reavaliação frequente da perfusão, do hematócrito e do débito urinário. A hidratação oral é conduta para o grupo sem sinais de alarme. A transfusão de plaquetas não está indicada apenas por plaquetopenia sem sangramento grave e não corrige o extravasamento plasmático. O corticoide não tem benefício comprovado na dengue e desvia a atenção do problema hemodinâmico.
Escolar de 8 anos apresenta febre há 5 dias, mal-estar e dor abdominal, seguidos de exantema maculopapular. Reside em área com epidemia de chikungunya. Hoje refere dor articular intensa e simétrica em punhos, tornozelos e pequenas articulações das mãos, com edema e dificuldade para escrever. Qual é o manejo adequado na fase aguda?
Na fase aguda da chikungunya, com sobreposição epidemiológica de dengue, a analgesia deve ser feita com paracetamol ou dipirona, evitando anti-inflamatórios não esteroidais e salicilatos pelo risco de sangramento caso se trate de dengue. O corticoide pode ser considerado apenas em fases subaguda e crônica, sob avaliação, e não como conduta inicial. O ibuprofeno precoce é justamente o que se recomenda evitar. O antibiótico não trata arbovirose e a poliartrite simétrica não é compatível com artrite séptica.
Menino de 12 anos apresenta há 4 dias febre, mialgia e cefaleia, evoluindo com dor abdominal e vômitos. O hemograma mostra hematócrito de 46 por cento, com valor prévio de 38 por cento, e plaquetas de 80.000 por milímetro cúbico. Reside em área endêmica para dengue. Está com pressão arterial normal e boa perfusão. Qual é a classificação e a conduta?
Dor abdominal intensa, vômitos persistentes e hemoconcentração com queda de plaquetas configuram sinais de alarme, indicando hidratação parenteral e observação em unidade de saúde com reavaliação seriada. O grupo A pressupõe ausência de sinais de alarme e permite manejo domiciliar. A dengue grave requer choque, sangramento grave ou disfunção orgânica, ainda não presentes. Classificar como grupo B com alta subestima a gravidade e ignora a fase crítica em curso.
Em uma Unidade Básica de Saúde, o médico avalia a prova do laço em criança com suspeita de dengue. A pressão arterial é de 100 por 60 milímetros de mercúrio. Sobre a técnica e a interpretação desse teste na criança, assinale a alternativa correta.
Na criança, a prova do laço é realizada com o manguito insuflado no valor médio entre sistólica e diastólica por três minutos, e considera-se positiva a presença de vinte ou mais petéquias em quadrado de 2,5 centímetros de lado, o que classifica o caso no grupo B. Insuflar na sistólica por dez minutos e considerar qualquer petéquia não corresponde à técnica padronizada. O critério de contagem em toda a extensão do antebraço não é o preconizado. O teste é seguro e recomendado também em crianças.
Criança de 7 anos apresenta febre há 4 dias, cefaleia, dor abdominal e vômitos, com exantema difuso. Reside em área endêmica para dengue e chikungunya. Hoje apresenta epistaxe de pequeno volume e gengivorragia discreta, mantendo pressão arterial normal e boa perfusão. Prova do laço positiva. Qual é a classificação e a conduta?
Sangramento espontâneo de pele ou prova do laço positiva, sem sinais de alarme, classifica o caso no grupo B, indicando permanência na unidade com hidratação e realização de hemograma para decidir a conduta subsequente. O grupo A pressupõe ausência desses achados e permite manejo domiciliar. O grupo C exige sinais de alarme, como dor abdominal intensa e vômitos persistentes com hemoconcentração. A dengue grave requer choque, sangramento grave ou disfunção orgânica.
Criança de 6 anos apresenta febre, mialgia e dor de cabeça há 3 dias, com plaquetas de 130.000 por milímetro cúbico e leucopenia. Reside em área com circulação simultânea de dengue e influenza. A criança está hidratada, sem sinais de alarme e sem desconforto respiratório. Qual é a conduta terapêutica sintomática adequada?
Em área com circulação de dengue, os antitérmicos de escolha são paracetamol e dipirona, evitando salicilatos e anti-inflamatórios não esteroidais pelo risco de sangramento e de lesão renal. O ibuprofeno é justamente uma das drogas a evitar nesse contexto. O ácido acetilsalicílico associa-se ainda a risco de síndrome de Reye em crianças com viroses. Deixar a criança sem antitérmico não é conduta adequada e não melhora a vigilância clínica.
Criança de 9 anos apresenta febre há 4 dias, dor abdominal e vômitos, com diagnóstico de dengue. A família pergunta sobre a alimentação e a hidratação em casa após alta com orientação. Qual é a orientação correta sobre a hidratação oral em criança com dengue sem sinais de alarme?
A hidratação oral abundante e fracionada, com uso de sais de reidratação, é o pilar do manejo domiciliar da dengue sem sinais de alarme, associada ao retorno diário para reavaliação no período crítico. Restringir líquidos aumenta o risco de progressão para choque. Oferecer apenas água não repõe eletrólitos de forma adequada em vigência de vômitos. Bebidas com cafeína têm efeito diurético e não são recomendadas.
Menino de 7 anos é levado à Unidade Básica de Saúde no terceiro dia de febre, com cefaleia, dor retro-orbitária e mialgia, em município com epidemia de dengue. Está aceitando líquidos, sem vômitos, sem dor abdominal e sem sangramentos. Ao exame: corado, hidratado, com pressão arterial adequada para idade, estatura e sexo, sem hepatomegalia, sem derrames cavitários, com prova do laço negativa e sem sinais de alarme. Não tem comorbidades. Qual é a conduta correta?
A criança com dengue sem sinais de alarme e sem condição especial é acompanhada em domicílio, com hidratação oral calculada por peso, uso de dipirona ou paracetamol e retorno programado, com orientação clara sobre sinais de alarme, que costumam surgir na defervescência. Internar todos os casos sobrecarrega o sistema sem benefício. Salicilatos e anti-inflamatórios são contraindicados pelo risco de sangramento. Liberar sem orientação de retorno é a falha mais associada a desfechos graves.
Menina de 9 anos é levada à Unidade de Pronto Atendimento no quinto dia de doença febril compatível com dengue. A febre cedeu ontem e ela evoluiu com dor abdominal intensa e contínua, vômitos repetidos e sonolência. Ao exame: prostrada, com pressão arterial no limite inferior para a idade e pressão de pulso reduzida, tempo de enchimento capilar de 3 segundos, hepatomegalia dolorosa a 3 cm do rebordo costal e extremidades frias. O hematócrito está elevado em relação ao basal e as plaquetas em queda. Qual é a conduta correta?
Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hepatomegalia dolorosa, letargia e hemoconcentração com plaquetopenia caracterizam sinais de alarme na fase crítica da dengue, exigindo internação e hidratação endovenosa imediata com reavaliação frequente. Hidratação oral domiciliar é conduta do grupo sem sinais de alarme. Anti-inflamatórios são contraindicados e agravam o risco hemorrágico. Transfusão de plaquetas não é indicada pela contagem isolada e não trata o extravasamento plasmático.
Menino de 11 anos é levado ao pronto-socorro no sexto dia de dengue, trazido pela família por prostração e extremidades frias. Ao exame: sonolento, com pele fria e pegajosa, pulso fino, tempo de enchimento capilar de 5 segundos, pressão arterial com pressão de pulso convergente, taquicardia acentuada e redução do murmúrio em bases pulmonares. Exames: hematócrito muito elevado em relação ao basal, plaquetopenia acentuada e discreta elevação de transaminases. Qual é a conduta imediata?
O choque na dengue decorre do extravasamento plasmático e exige reposição volêmica endovenosa vigorosa com cristaloide em alíquotas rápidas, com reavaliação frequente de perfusão, diurese, sinais vitais e hematócrito, em ambiente com suporte avançado. Vasopressor antes da reposição não corrige a hipovolemia. Corticoide não tem eficácia comprovada nessa situação. Aguardar exames em criança com sinais de choque descompensado atrasa a única medida capaz de reverter o quadro.
Menina de 8 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde no terceiro dia de doença febril em município com epidemia de dengue, e a equipe decide realizar a prova do laço como parte da avaliação. A criança está hidratada, sem sangramentos espontâneos, sem dor abdominal e sem vômitos. O médico posiciona o manguito, calcula a média entre as pressões sistólica e diastólica e mantém a insuflação pelo tempo previsto para crianças, delimitando um quadrado no antebraço para a contagem. Qual é o critério de positividade nessa faixa etária?
A prova do laço é considerada positiva em crianças quando há vinte ou mais petéquias no quadrado delimitado, enquanto em adultos o ponto de corte é vinte petéquias na área padronizada, com tempo de insuflação menor em crianças, sendo o exame um marcador de fragilidade capilar que compõe a avaliação, sem substituir a busca de sinais de alarme. Usar critérios de adulto na criança leva a interpretações equivocadas. Considerar qualquer petéquia isolada como positiva superestima o achado. Contagens fora da área padronizada não seguem a técnica.
Menino de 4 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com febre há dois dias, exantema maculopapular pruriginoso e hiperemia conjuntival não purulenta, em município com circulação simultânea de arboviroses. A mãe relata que ele está bem-disposto, brincando, com boa aceitação de líquidos. Ao exame: exantema difuso, conjuntivite não purulenta, discreta adenomegalia cervical, sem artrite, sem dor abdominal, sem hepatomegalia e sem sinais de alarme, com prova do laço negativa. Qual é a conduta correta?
Doença exantemática febril em área com circulação de arboviroses deve ser notificada e acompanhada com hidratação, sintomáticos seguros e vigilância dos sinais de alarme, uma vez que a distinção clínica entre as arboviroses é imprecisa e a dengue exige monitoramento na defervescência. Antibiótico não trata infecção viral. Anti-inflamatórios são evitados enquanto não se afasta a dengue, pelo risco de sangramento. Deixar de notificar compromete a vigilância epidemiológica e a resposta a epidemias.
Menina de 10 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com dor articular em punhos, tornozelos e pequenas articulações das mãos há três meses, após quadro febril agudo com exantema e artralgia intensa durante epidemia de arbovirose no município. A dor limita a escrita e as atividades escolares. Ao exame: dor e edema discretos em pequenas articulações das mãos e tornozelos, sem deformidades, sem lesões cutâneas ativas e sem febre. Provas inflamatórias discretamente elevadas e autoanticorpos negativos. Qual é a conduta correta?
A chikungunya pode evoluir com artralgia e artrite persistentes por meses, inclusive em crianças, com autoanticorpos negativos, exigindo analgesia escalonada, reabilitação, orientação familiar e seguimento, sem rotular precipitadamente como doença reumática autoimune. Iniciar imunossupressor sem critérios diagnósticos expõe a riscos desnecessários. Antibiótico prolongado não trata artropatia pós-viral. Desqualificar a queixa da criança é conduta inadequada diante de achados objetivos e limitação funcional.
Menina de 8 anos é levada a unidade de pronto atendimento no quarto dia de febre, com dor abdominal contínua, vômitos persistentes e prostração, em município com epidemia de dengue. Ao exame: temperatura axilar 37,2 °C, prostrada, com dor abdominal à palpação de hipocôndrio direito, hepatomegalia dolorosa a 3 cm do rebordo costal, pressão arterial normal, tempo de enchimento capilar de 2 segundos e prova do laço positiva, com hematócrito em elevação e plaquetas em queda. Qual é a conduta correta?
Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hepatomegalia dolorosa e elevação do hematócrito com queda de plaquetas caracterizam dengue com sinais de alarme, exigindo internação e hidratação venosa conforme protocolo, com reavaliação clínica e laboratorial frequente. Manter hidratação domiciliar retarda a intervenção na fase crítica. Anti-inflamatórios não esteroidais são contraindicados pelo risco hemorrágico. A transfusão de plaquetas não é indicada apenas pelo valor laboratorial.
Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com febre alta de início súbito há três dias, acompanhada de dor intensa em punhos e tornozelos, com dificuldade para caminhar e para segurar objetos, e exantema maculopapular pruriginoso. Vários vizinhos apresentaram quadro semelhante nas últimas semanas, em município com circulação documentada de arbovírus. Ao exame: exantema difuso, edema e dor importante em articulações de punhos e tornozelos, sem sinais de choque e sem sangramentos, hidratado. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Febre alta de início súbito com poliartralgia intensa e incapacitante, edema articular e exantema, em contexto de circulação de arbovírus, caracteriza a febre chikungunya, que exige analgesia adequada, hidratação, vigilância de sinais de gravidade e notificação. A dengue cursa com mialgia e dor retro-orbitária, sem artrite intensa. A infecção por zika cursa com exantema pruriginoso, febre baixa ou ausente e conjuntivite. A febre reumática apresenta poliartrite migratória semanas após faringite, sem exantema desse padrão.
Menina, 8 anos, é atendida com febre há 3 dias, dor abdominal e vômitos. Reside em área endêmica de dengue. T 38,5 °C, PA 92/70 mmHg, FC 120 bpm, com extremidades frias e tempo de enchimento capilar de 4 segundos. Hematócrito subiu de 34% para 44% (VR 34–40); plaquetas 68.000/mm³ (VR 150.000–400.000). Apresenta dor abdominal intensa e contínua, além de hepatomegalia de 3 cm do rebordo costal. Qual a classificação e a conduta imediata?
Pressão de pulso convergente de 22 mmHg, extremidades frias e enchimento capilar lentificado caracterizam choque, classificando o caso como dengue grave, cuja conduta imediata é expansão volêmica rápida com cristaloide e reavaliação frequente em unidade de internação. Dengue sem sinais de alarme pressupõe ausência de sinais de gravidade e permite hidratação oral domiciliar. Dengue com sinais de alarme — dor abdominal intensa, hepatomegalia, hemoconcentração — já exige hidratação venosa hospitalar, e não apenas sintomáticos, mas o caso ultrapassou esse estágio ao instalar choque. Chamar de síndrome gripal inespecífica ignora a hemoconcentração e a plaquetopenia. Tratar como choque séptico bacteriano com antibiótico isolado não corrige o extravasamento plasmático que define a gravidade.
Menina, 10 anos, apresenta há 4 dias febre alta, cefaleia intensa, dor retro-orbitária, mialgia e exantema maculopapular. Reside em área com transmissão de arboviroses. T 39,0 °C, PA 100/70 mmHg, FC 110 bpm, enchimento capilar de 2 segundos. Hematócrito 36% (VR 34–40) estável; plaquetas 120.000/mm³ (VR 150.000–400.000). Está hidratada, aceita líquidos e não apresenta dor abdominal, vômitos ou sangramento. Qual a classificação e a conduta indicada?
Febre, cefaleia, dor retro-orbitária e exantema, com paciente hidratada, sem sinais de alarme, sem hemoconcentração e sem instabilidade, classifica-se como dengue sem sinais de alarme, conduzida com hidratação oral conforme peso e reavaliação clínica diária até 48 horas após a queda da febre. Sinais de alarme incluem dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramento de mucosa, letargia, hepatomegalia dolorosa e aumento do hematócrito, todos ausentes. A dengue grave exige choque, sangramento grave ou disfunção orgânica. A chikungunya crônica cursa com artralgia persistente após meses, e não com esse quadro agudo. A febre amarela apresenta icterícia, elevação acentuada de transaminases e sinal de Faget.
Menina, 11 anos, apresenta há 4 dias febre alta, cefaleia, dor retro-orbitária e mialgia intensa, com exantema surgido no terceiro dia. Hoje, refere melhora da febre, mas apresenta dor abdominal contínua e intensa, vômitos persistentes e sonolência. PA 100/80 mmHg, FC 118 bpm. Hematócrito subiu de 36% para 44% (VR 34–40); plaquetas caíram de 140.000 para 62.000/mm³. Ao exame, há hepatomegalia dolorosa a 3 cm do rebordo costal. Qual a classificação e a conduta indicada?
Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, letargia, hepatomegalia dolorosa e aumento do hematócrito com queda das plaquetas, surgindo na defervescência, definem dengue com sinais de alarme, cuja conduta é internação imediata com hidratação venosa conforme protocolo e reavaliação frequente. Dengue sem sinais de alarme pressupõe ausência desses achados e permite hidratação oral domiciliar. A dengue grave exige choque estabelecido, sangramento grave ou disfunção orgânica, e a pressão de pulso ainda não caracteriza choque instalado. A chikungunya cursa com artralgia intensa e persistente. A infecção pelo Zika apresenta exantema pruriginoso com febre baixa, sem hemoconcentração e plaquetopenia dessa magnitude.
Menino, 9 anos, apresenta há 5 dias febre, exantema maculopapular e conjuntivite, com artralgia intensa em punhos e tornozelos que persiste após a defervescência. Reside em área com transmissão de arboviroses. Hemograma com leucopenia e plaquetas de 148.000/mm³ (VR 150.000–400.000). Não há hemoconcentração, sangramento ou sinais de alarme. A artralgia é simétrica, incapacitante e limita a deambulação, com edema articular visível ao exame. Qual a hipótese mais provável?
Artralgia intensa, simétrica, incapacitante e com edema articular, que persiste após a febre, é a marca da infecção por chikungunya, que pode evoluir com fase subaguda e crônica de acometimento articular. A dengue com sinais de alarme exige dor abdominal intensa, vômitos persistentes, hepatomegalia dolorosa ou hemoconcentração, ausentes. A infecção pelo Zika cursa com exantema pruriginoso e conjuntivite, mas com artralgia leve e febre baixa ou ausente. A febre amarela na fase de intoxicação apresenta icterícia, hemorragias e insuficiência hepatorrenal. A malária cursa com paroxismos febris e anemia hemolítica, com parasitemia detectável na gota espessa.
Menina, 7 anos, apresenta há 3 dias febre alta, cefaleia e dor abdominal, com surgimento de petéquias em membros inferiores. Reside em área endêmica para dengue. PA 100/70 mmHg, FC 112 bpm. Hematócrito de 40% (VR 34–40) sem elevação em relação ao basal; plaquetas 88.000/mm³ (VR 150.000–400.000). A prova do laço é positiva. Está hidratada, aceitando líquidos, sem vômitos persistentes, sem dor abdominal intensa e sem letargia. Qual a classificação e a conduta?
A prova do laço positiva e as petéquias caracterizam manifestação hemorrágica leve, que por si só não define dengue com sinais de alarme nem dengue grave, e a paciente hidratada, sem vômitos persistentes, dor abdominal intensa, letargia ou hemoconcentração, é manejada com hidratação oral e reavaliação clínica diária. A dengue grave exige choque, sangramento grave ou disfunção orgânica. Os sinais de alarme incluem dor abdominal intensa, vômitos persistentes, hepatomegalia dolorosa e aumento do hematócrito, ausentes. A púrpura trombocitopênica imune não cursa com febre alta e contexto epidemiológico de arbovirose. A meningococcemia é fulminante, com toxemia e instabilidade.
Menina, 10 anos, apresenta há 5 dias febre, cefaleia e mialgia, com exantema maculopapular que surgiu no terceiro dia. Reside em área de transmissão de arboviroses. Encontra-se hidratada, sem sinais de alarme, com PA 106/68 mmHg e FC 96 bpm. Hematócrito estável; plaquetas 130.000/mm³ (VR 150.000–400.000). A família pergunta quais medicamentos podem ser usados para o alívio dos sintomas durante o período de recuperação em domicílio. Qual a orientação correta?
Na dengue e nas demais arboviroses, o controle sintomático deve ser feito com paracetamol ou dipirona, evitando-se ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios não esteroidais, que aumentam o risco de sangramento e de complicações renais e gástricas. O ácido acetilsalicílico é formalmente contraindicado, também pelo risco de síndrome de Reye em crianças. Os anti-inflamatórios compartilham o risco hemorrágico e devem ser evitados. O corticoide não acelera a recuperação e não tem indicação estabelecida. O antibiótico não previne complicações em doença viral e expõe a efeitos adversos sem benefício.
Qual contribuição da incidência em decúbito é útil para interpretar a alteração da base direita?

Redistribuição gravitacional favorece líquido livre e ajuda a distingui-lo de opacidade fixa.
Em adolescente com dengue, qual alteração pleural é apoiada pelas duas incidências?

O seio costofrênico direito está velado e o decúbito ajuda a demonstrar líquido livre.
No contexto de dengue e hematócrito crescente, o achado pleural mostrado sugere qual processo?

Líquido em terceiro espaço pode acompanhar aumento de permeabilidade vascular na fase crítica.
Em criança com suspeita de dengue, como interpretar a queda da febre diante das demais curvas?

Defervescência não garante recuperação quando hematócrito sobe e plaquetas caem.
Qual mecanismo explica a elevação do hematócrito se não houve transfusão?

A proporção de hemácias aumenta quando plasma sai do compartimento vascular.
Qual achado clínico associado às curvas exige avaliação imediata de choque?

Sugerem hipoperfusão, mesmo antes de hipotensão franca.
Sem sangramento e com 55 mil plaquetas no último ponto, qual decisão não deve ser automática?

Na dengue, plaquetopenia isolada não é indicação rotineira de transfusão.
Qual aumento relativo aproximado do hematócrito ocorreu entre o primeiro e o último ponto?

O aumento foi de 35 para 46: (46−35)/35≈31%. Não confundir 11 pontos percentuais com 11% relativo.
Por que reposição de volume deve ser reavaliada frequentemente?

Manejo integra peso, sinais de choque, hematócrito, diurese e resposta, evitando excesso.
Se houver choque com queda de hematócrito e sangramento, qual hipótese muda a reposição?

Hematócrito deve ser interpretado com clínica; queda no choque pode indicar sangramento.
Qual interpretação integra queda da febre e piora clínica?

Defervescência pode coincidir com piora; sintomas e hemoconcentração exigem avaliação e manejo adequados.
Qual sinal de alarme aparece no dia 5?

Dor abdominal intensa e vômitos persistentes são sinais de alerta.
Qual tendência do hematócrito está presente?

Aumento de 34 para 42% pode representar hemoconcentração no contexto.
Escolar apresenta febre baixa, exantema muito pruriginoso iniciado precocemente, hiperemia conjuntival sem secreção e artralgia leve, mantendo bom estado geral. Qual arbovirose é mais compatível com esse conjunto?
Reconhecer o fenótipo mais provável organiza testes e vigilância, mas não substitui retorno se a criança mudar de estado clínico. Referências: Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criança, 6ª edição, 2024; consultado em 24/09/2026 — https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/dengue/dengue-diagnostico-e-manejo-clinico-adulto-e-crianca Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, volume 2, 6ª edição revisada; consultado em 24/09/2026 — https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigilancia/guia-de-vigilancia-em-saude-volume-2-6a-edicao/view
Criança com dengue grave recebe expansão inicial, mas continua em choque. O hematócrito, antes elevado, cai rapidamente, e surge sangramento digestivo importante. Qual raciocínio orienta a próxima conduta?
O mesmo número baixo pode significar diluição ou sangue perdido; o choque e a trajetória tornam o dado inteligível. Referências: Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criança, 6ª edição, 2024; consultado em 24/09/2026 — https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/dengue/dengue-diagnostico-e-manejo-clinico-adulto-e-crianca
Menino de 8 anos no período de defervescência apresenta extremidades frias, enchimento capilar de 4 segundos, taquicardia e pressão arterial de 92 por 78 mmHg. Qual achado hemodinâmico merece maior atenção?
Em pediatria, esperar a pressão sistólica desabar pode significar reconhecer o choque tarde demais. Referências: Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criança, 6ª edição, 2024; consultado em 24/09/2026 — https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/dengue/dengue-diagnostico-e-manejo-clinico-adulto-e-crianca
Lactente de 14 meses vive em área com transmissão de dengue. Após dois dias de febre, passa a alternar irritabilidade e sonolência, recusa líquidos e chora continuamente, sem conseguir localizar dor. Qual interpretação é mais segura?
Quanto menor a criança, mais o examinador precisa traduzir comportamento e função em sinais clínicos. Referências: Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criança, 6ª edição, 2024; consultado em 24/09/2026 — https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/dengue/dengue-diagnostico-e-manejo-clinico-adulto-e-crianca
Criança de 18 meses com suspeita de dengue está hidratada, sem sangramento nem sinal de alarme e aceita líquidos. Qual aspecto impede tratá-la como caso de menor risco sem acompanhamento mais próximo?
Estratificar risco serve para ajustar intensidade de observação, não para aplicar o mesmo procedimento invasivo a todos. Referências: Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criança, 6ª edição, 2024; consultado em 24/09/2026 — https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/dengue/dengue-diagnostico-e-manejo-clinico-adulto-e-crianca
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em 7 dias
Os oito sinais de alarme da dengue e o estadiamento A/B/C/D com os volumes: 130, 100 e 80 mL/kg/dia por faixa de peso no grupo A; 10 mL/kg/hora no grupo C; 20 mL/kg em até 20 minutos no grupo D. Mais a frase que organiza tudo: a criança piora quando a febre cai.
em 30 dias
Reconhecimento do choque compensado na criança (pressão de pulso abaixo de 20 mmHg, enchimento capilar prolongado, sistólica mínima de 70 + idade × 2), a prova do laço com seus cortes de 3 minutos e 10 petéquias, a separação clínica entre dengue, zika e chikungunya, e o recém-nascido com chikungunya de transmissão intraparto que adoece a partir do quarto dia.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Lactente de 20 meses, quarto dia de doença, febre alta que cedeu na véspera. Chega ao pronto-socorro com vômitos repetidos, recusa de líquidos e sonolência. O fígado está palpável a 3 cm do rebordo costal e o hematócrito subiu de 34% para 43% em dois dias. Estadie o caso e conduza. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
