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Parasitoses intestinais na infância
A prova cobra três coisas: a pista clínica que identifica o parasita, o exame que enxerga aquele parasita e o antiparasitário certo — inclusive quando o alvo do tratamento deixa de ser a criança e passa a ser a localidade.
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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Menino de 6 anos é levado pela mãe à UBS com prurido anal noturno intenso há duas semanas e irritabilidade. Dois irmãos apresentam sintomas semelhantes. Ao exame, discreta escoriação perianal, sem outras alterações. Qual é a conduta mais adequada considerando o diagnóstico mais provável e o contexto familiar?
Como esse tema cai
Quatro parasitoses ocupam quase toda a carga de questões de pediatria sobre o tema, e elas não são um bloco homogêneo. Ascaridíase, ancilostomíase e tricuríase são geo-helmintíases: têm programa nacional, entram no algoritmo de saúde pública do Ministério da Saúde e o medicamento de primeira escolha chega de graça na Rede de Atenção à Saúde. Enterobíase e giardíase ficam de fora desse programa — são diagnóstico e tratamento individuais, com uma extensão obrigatória ao domicílio no caso do oxiúro. Nenhuma das quatro é de notificação compulsória nacional; nas áreas endêmicas de esquistossomose, as geo-helmintíases são registradas no SISPCE.
A prova raramente pede o ciclo biológico completo. O que ela pede é o caminho: uma pista clínica dominante, o exame que enxerga aquele parasita e a droga com a posologia certa. Prurido anal noturno em criança de creche, anemia ferropriva em criança que anda descalça na zona rural, tosse com eosinofilia e infiltrado fugaz, diarreia gordurosa sem sangue e sem eosinofilia — cada uma dessas quatro frases já entrega o parasita antes do laboratório.
Há duas armadilhas de calendário que a banca adora. A primeira é o período pré-patente: entre a infecção e o aparecimento de ovos nas fezes passam de 60 a 80 dias nas geo-helmintíases, de modo que o parasitológico é normal justo na fase pulmonar sintomática da ascaridíase. A segunda é a sensibilidade do método: uma amostra isolada de fezes acerta cerca de metade dos casos, e o oxiúro praticamente não aparece no parasitológico de rotina — ele precisa ser procurado na região perianal.
O que muda decisão
A pista clínica que identifica cada parasita
Ascaris lumbricoides é o maior dos geo-helmintos, chega a 30 cm e vive no intestino delgado. Na maior parte das vezes é assintomático. Quando dá sintoma, dá por dois mecanismos distintos: a passagem pulmonar da larva e a massa de vermes adultos. A passagem pulmonar produz tosse, sibilância, hemoptise e infiltrado pulmonar transitório com eosinofilia importante — a síndrome de Löffler. A massa de vermes adultos produz dor abdominal, semioclusão e oclusão intestinal, e a migração errática de um verme adulto pode obstruir o colédoco, o canal pancreático ou a luz do apêndice.
Os ancilostomídeos — Ancylostoma duodenale e Necator americanus — medem cerca de 1 cm, habitam o duodeno e têm boca com dentes ou lâminas que prendem o verme à mucosa e sangram. Daí a anemia ferropriva, que é a marca da parasitose e a origem dos apelidos amarelão e opilação. A porta de entrada é diferente das outras: a larva penetra ativamente na pele íntegra, em geral pelos pés, e deixa uma dermatite pruriginosa conhecida como coceira da terra. A criança que anda descalça em área sem saneamento e chega pálida ao consultório é a vinheta padrão.
Enterobius vermicularis dá prurido anal de predomínio noturno, irritabilidade e sono ruim. As escoriações de coçar infectam secundariamente a região perianal. Na menina, a migração do verme para a genitália explica vulvovaginite, e o guia do Ministério da Saúde registra ainda salpingite e granuloma pélvico como complicações raras. O ponto operacional é que a infestação quase nunca é de um só morador: o controle é dirigido a todos que dividem o domicílio.
Giardia lamblia é o único protozoário do grupo e se comporta como tal. Fica na porção alta do intestino delgado, não invade a mucosa e não produz eosinofilia. O que produz é má absorção: fezes amolecidas de aspecto gorduroso, flatulência, distensão, anorexia, perda de peso. A Sociedade Brasileira de Pediatria acrescenta o prejuízo na absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), de vitamina B12, de ferro e de lactase. Fezes com sangue e muco, tenesmo e dor intensa apontam para amebíase, não para giardíase.

O relógio do parasita: por que o exame de fezes vem negativo
Nas geo-helmintíases, o intervalo entre a infecção e o início da eliminação de ovos nas fezes gira em torno de 60 a 80 dias, segundo o Guia de Vigilância em Saúde. O guia de bolso do Ministério da Saúde é mais específico na ascaridíase: cerca de 20 dias para o ovo se tornar infectante no ambiente e de 60 a 75 dias de período pré-patente dentro do hospedeiro. A consequência clínica é direta — a criança com síndrome de Löffler está sintomática por causa da larva, e a larva ainda não gerou verme adulto botando ovo. O parasitológico daquele momento tende a ser negativo, e repetir o exame semanas depois é o que fecha o diagnóstico.
Na enterobíase, o ciclo do parasito dura de 2 a 6 semanas, mas o sintoma aparece quando já houve infestação sucessiva, alguns meses depois da primeira exposição. Os ovos permanecem infectantes por uma a duas semanas fora do hospedeiro — o suficiente para sustentar a reinfecção dentro de casa através de roupa de cama, toalha e poeira.
Na giardíase, o período de incubação é de 1 a 4 semanas, com média de 7 a 10 dias, e a transmissibilidade dura enquanto persistir a infecção. Os cistos resistem à cloração da água e permanecem viáveis por semanas a meses no ambiente, o que explica por que a água tratada apenas por cloração, sem filtração, continua sendo fonte de surto — em creche, em escola e em instituição fechada.
Nas geo-helmintíases, o período de transmissibilidade se estende enquanto o indivíduo elimina ovos viáveis: pode chegar a cinco anos, e se prolonga indefinidamente se houver reinfecção sem tratamento. É esse número que sustenta a lógica do tratamento coletivo em área de alta prevalência — tratar só quem procurou a unidade deixa intacta a fonte de contaminação do solo.
O exame certo para o parasita certo
Para os helmintos que botam ovo no intestino, o exame é o parasitológico de fezes por sedimentação espontânea — método de Lutz, também chamado de Hoffman, Pons e Janer. Quando o objetivo não é só dizer se há infecção, mas medir a intensidade dela em ovos por grama de fezes, o método indicado é o de Kato-Katz. Essa distinção tem uso prático: o Kato-Katz é a ferramenta dos inquéritos que definem se uma localidade entra em tratamento coletivo.
Para a Giardia, o alvo é o cisto — eliminado em fezes formadas — ou o trofozoíto, mais encontrado em fezes diarreicas. O guia de bolso do Ministério da Saúde indica o método de Faust e registra que são necessárias pelo menos três amostras para uma boa sensibilidade; a pesquisa de antígeno por ELISA serve como confirmação. A Sociedade Brasileira de Pediatria quantifica o ganho: uma amostra fecal tem positividade em torno de 50%, e três amostras levam a faixa para 60% a 90%.
Para o oxiúro, o parasitológico de rotina praticamente não serve — o achado de ovos ali é casual, em parasitismo muito intenso. O exame é a pesquisa na região perianal, pelo método de Graham, com fita gomada, ou pelo método de Hall, com swab anal, colhidos pela manhã antes do banho e da evacuação. O material raspado de unhas de crianças infectadas também tem alto índice de positividade.
Duas causas comuns de falso negativo estão sob controle do médico. A primeira é a medicação em uso: antiácido, laxante, óleo mineral, antimicrobiano, bário, bismuto, ferro e enema hipertônico comprometem a amostra e devem ser suspensos uma semana antes da coleta. A segunda é o tempo até o processamento — o trofozoíto se degenera em 20 minutos, de modo que a coleta ideal é feita com fixador.
Tratamento: o que muda de um parasita para o outro
O medicamento de primeira escolha das geo-helmintíases é o albendazol 400 mg, que integra o Componente Básico da Assistência Farmacêutica e a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, e por isso é distribuído gratuitamente na Rede de Atenção à Saúde. A dose padrão é de 400 mg por via oral em dose única. Em criança pequena, o guia de bolso do Ministério da Saúde prevê 10 mg/kg em dose única até o máximo de 400 mg — o que dá a dose cheia a partir de cerca de 40 kg e mantém a lógica do peso abaixo disso.
O mebendazol é a alternativa de amplo espectro e tem uma particularidade que a prova cobra: a dose é fixa, 100 mg de 12 em 12 horas por três dias consecutivos, e independe do peso corporal e da idade. Nas ancilostomíases, o pamoato de pirantel entra como opção, na dose de 20 a 30 mg/kg/dia por três dias. Nenhum desses fármacos é recomendado na gestação.
A enterobíase tem duas regras próprias. A primeira é a repetição: como a autoinfecção reintroduz o parasita, a dose única é repetida de 10 a 14 dias depois. A segunda é a extensão ao domicílio — o guia do Ministério da Saúde é explícito ao dizer que, para fins de vigilância e controle, o tratamento deve ser feito em todo o grupo familiar ou em quem coabita o mesmo domicílio. Junto vai a orientação de trocar roupas de cama, roupa íntima e toalhas diariamente e manter as unhas aparadas. Além do albendazol e do mebendazol, o pamoato de pirvínio e o pamoato de pirantel, ambos a 10 mg/kg em dose única, são opções registradas pelo Ministério da Saúde — o pirvínio tinge fezes e vômito de vermelho, e avisar a família disso evita um retorno de emergência desnecessário.
Na giardíase, a família de escolha é a dos nitroimidazólicos. O esquema de referência do Ministério da Saúde é metronidazol 15 mg/kg/dia, com máximo de 250 mg por tomada, dividido em duas tomadas, por cinco dias; secnidazol e tinidazol são as opções em dose única. Duas orientações práticas acompanham a prescrição: nada de bebida alcoólica por quatro dias após o tratamento, pelo efeito antabuse, e a advertência da Sociedade Brasileira de Pediatria de que há de 10% a 20% de resistência do parasita ao metronidazol na giardíase — falha terapêutica não é sinônimo de má adesão. O albendazol também tem ação sobre a Giardia, mas em esquema prolongado, não em dose única.
O controle de cura é o mesmo para todas: parasitológico de fezes no 7º, no 14º e no 21º dia após o tratamento. A Sociedade Brasileira de Pediatria acrescenta a regra prática de que, quando não for possível fazer esses exames, o tratamento deve ser repetido. E lembra que, havendo poliparasitismo, ou se usa um antiparasitário de amplo espectro, ou se começa pela espécie mais patogênica.
Na ancilostomíase, o antiparasitário estanca a perda de sangue, mas não repõe o estoque de ferro já consumido: a anemia ferropriva instalada exige reposição, e a criança que volta com hemoglobina inalterada semanas depois em geral recebeu o vermífugo e não recebeu o ferro.
Quando o áscaris obstrui
Carga parasitária alta permite que os vermes adultos formem massas entrelaçadas — o bolo de áscaris — e produzam semioclusão ou oclusão intestinal, com quadro de abdome agudo. O erro clássico nessa cena é prescrever de imediato o vermicida: matar ou paralisar vermes dentro de uma alça já obstruída não desfaz a massa. A conduta começa pelo suporte.
A Sociedade Brasileira de Pediatria descreve o caminho assim: hidratação parenteral e óleo mineral por sonda nasogástrica até a eliminação retal do óleo, aguardar a eliminação dos parasitas e só então tratar a parasitose. O documento acrescenta que a migração errática de vermes para a árvore biliar indica retirada por via endoscópica, e que a piperazina foi descontinuada pela agência regulatória americana e pela Anvisa desde 2012.
Os documentos do Ministério da Saúde descrevem o mesmo quadro com um repertório farmacológico diferente, que inclui a piperazina — e é justamente aí que mora a divergência mais cobrável do tema, tratada no bloco adiante. O que os dois lados têm em comum, e que é o núcleo da questão de prova, é a ordem das ações: suporte e desobstrução primeiro, antiparasitário depois, cirurgia quando a remoção mecânica da massa se impuser.
Tratamento coletivo: quando o alvo deixa de ser a criança
Nas geo-helmintíases, o Ministério da Saúde adota um algoritmo populacional. Faz-se primeiro a análise da situação epidemiológica da comunidade por exames de fezes em escolares, e o percentual de positividade define a estratégia: abaixo de 20% — risco baixo — trata-se somente os casos positivos; de 20% a 50% — risco moderado — trata-se coletivamente a localidade uma vez por ano; acima de 50% — risco alto — trata-se coletivamente duas vezes por ano. O tratamento é executado pelas equipes das Unidades Básicas de Saúde, e o algoritmo tem origem declarada em documento da Organização Mundial da Saúde.
A escolha dos escolares como termômetro não é arbitrária. A prevalência e a intensidade de infecção por A. lumbricoides e T. trichiura atingem os níveis mais altos entre 5 e 14 anos, faixa em que a criança elimina grande quantidade de ovos no ambiente. Os ancilostomídeos fogem a essa regra: o pico ocorre em adultos com mais de 20 anos. Foi essa concentração em idade escolar que sustentou, no Brasil, a administração de albendazol 400 mg em dose única a escolares de 5 a 14 anos em municípios de alta vulnerabilidade, dentro das campanhas nacionais integradas de doenças negligenciadas conduzidas nas escolas.
A diretriz da Organização Mundial da Saúde de 2017 amplia os grupos-alvo além do escolar: crianças de 12 a 23 meses, pré-escolares de 24 a 59 meses, escolares de 5 a 12 anos, adolescentes do sexo feminino de 10 a 19 anos e mulheres em idade reprodutiva de 15 a 49 anos recebem albendazol 400 mg ou mebendazol 500 mg em dose única — a intervenção é recomendada onde a prevalência basal é de 20% ou mais, e passa a semestral acima de 50%. Gestantes após o primeiro trimestre entram apenas onde duas condições coexistem: prevalência de ancilostomídeo e/ou T. trichiura de 20% ou mais entre gestantes e anemia como problema grave de saúde pública, com 40% ou mais de prevalência nesse grupo.
Vale reparar num detalhe de posologia que a prova gosta de trocar: no esquema populacional da Organização Mundial da Saúde, o mebendazol é dado em dose única de 500 mg; no tratamento individual descrito pelos documentos brasileiros, o mebendazol é 100 mg de 12 em 12 horas por três dias. São dois esquemas diferentes para o mesmo fármaco, e o que decide qual deles cabe é o cenário — campanha em população de risco ou consulta com diagnóstico parasitológico.
O limite dessa estratégia está escrito no próprio material do Ministério da Saúde: o tratamento em massa reduz a carga parasitária, mas, se não for associado a medidas de saneamento, a reinfecção pode atingir os níveis anteriores em pouco tempo. Por isso o controle das geo-helmintíases é sempre descrito como tripé — medicação antiparasitária, educação em saúde e saneamento ambiental — e não como campanha isolada de comprimido.
Do sintoma ao antiparasitário
O caminho é sempre o mesmo: identificar a pista dominante, pedir o exame que enxerga aquele parasita, tratar com a posologia certa, estender a conduta a quem convive e, por fim, olhar o território — porque acima de certo patamar de positividade o alvo do tratamento deixa de ser o paciente e passa a ser a localidade.
- 1Isole a pista dominante: prurido anal noturno, anemia ferropriva sem explicação dietética, quadro pulmonar com eosinofilia ou diarreia gordurosa sem sangue e sem eosinofilia.
- 2Peça o exame que enxerga aquele parasita — parasitológico de fezes em três amostras para ovos e cistos; fita gomada ou swab anal quando a suspeita é Enterobius.
- 3Se houver poliparasitismo, use um antiparasitário de amplo espectro ou comece pela espécie mais patogênica.
- 4Trate com a posologia certa e verifique se o caso exige repetição em 14 dias (enterobíase) ou esquema de vários dias (giardíase).
- 5Estenda a conduta: todo o domicílio na enterobíase, reposição de ferro na ancilostomíase com anemia, higiene e calçado em todas.
- 6Faça o controle de cura com parasitológico no 7º, 14º e 21º dias — ou repita o tratamento, se os exames não forem viáveis.
- 7Olhe o território: a positividade em escolares define se a conduta é individual, coletiva anual ou coletiva semestral.
Positividade abaixo de 20% — risco baixo
Trata-se somente os casos positivos. A busca é individual, na unidade de saúde, com diagnóstico laboratorial antes do medicamento.
Positividade de 20% a 50% — risco moderado
Trata-se coletivamente a localidade uma vez por ano, pelas equipes das Unidades Básicas de Saúde, somado a educação em saúde e saneamento.
Positividade acima de 50% — risco alto
Trata-se coletivamente a localidade duas vezes por ano. Sem saneamento associado, a reinfecção devolve a prevalência ao patamar anterior em pouco tempo.
| Parasitose | Primeira escolha | Posologia | Alternativas e observações |
|---|---|---|---|
| Ascaridíase | Albendazol | 400 mg VO em dose única; em criança pequena, 10 mg/kg em dose única, até o máximo de 400 mg | Mebendazol 100 mg de 12/12 h por 3 dias; levamizol consta como opção no guia de bolso do Ministério da Saúde |
| Ancilostomíase | Albendazol | 400 mg VO em dose única | Mebendazol 100 mg de 12/12 h por 3 dias; pamoato de pirantel 20 a 30 mg/kg/dia por 3 dias; repor ferro se houver anemia |
| Tricuríase | Albendazol | 400 mg VO em dose única | Entra no mesmo algoritmo de tratamento coletivo das demais geo-helmintíases |
| Enterobíase | Albendazol | 10 mg/kg VO em dose única, até o máximo de 400 mg, repetida de 10 a 14 dias depois | Mebendazol 100 mg de 12/12 h por 3 dias; pamoato de pirvínio ou de pirantel 10 mg/kg em dose única; tratar todo o domicílio |
| Giardíase | Metronidazol | 15 mg/kg/dia, máximo de 250 mg por tomada, dividido em 2 tomadas, por 5 dias | Secnidazol e tinidazol em dose única — ver o quadro abaixo; 10% a 20% de resistência ao metronidazol |
Giardíase — esquemas do Quadro 12 do guia de bolso do Ministério da Saúde (2010)
| Medicamento | Adulto | Criança |
|---|---|---|
| Secnidazol | 2 g VO, dose única | 30 mg/kg (ou 1 mL/kg), dose única, tomada após uma refeição |
| Tinidazol | 2 g VO, dose única | 30 mg/kg/dia, dose única |
| Metronidazol | 250 mg VO, 2 vezes ao dia, por 5 dias | 15 mg/kg/dia (máximo de 250 mg), VO, dividido em 2 tomadas, por 5 dias |
Qual exame enxerga cada parasita
| Alvo | Método | O que limita |
|---|---|---|
| Ovos de A. lumbricoides, ancilostomídeos e T. trichiura | Parasitológico de fezes por sedimentação espontânea (Lutz, ou Hoffman, Pons e Janer) | Negativo no período pré-patente, de 60 a 80 dias após a infecção |
| Intensidade da infecção em ovos por grama de fezes | Kato-Katz | É o método indicado quando se quer quantificar, e não apenas detectar |
| Cistos e trofozoítos de Giardia | Faust; pesquisa de antígeno por ELISA como confirmação | Exige pelo menos três amostras; o trofozoíto degenera em 20 minutos sem fixador |
| Ovos de E. vermicularis | Fita gomada (Graham) ou swab anal (Hall), na região perianal | Aparece no parasitológico de rotina apenas por acaso, em parasitismo intenso |
Uma amostra fecal tem positividade em torno de 50%; três amostras levam a faixa para 60% a 90%.
Antiácido, laxante, óleo mineral, antimicrobiano, bário, bismuto, ferro e enema hipertônico comprometem a amostra e devem ser suspensos uma semana antes da coleta.
Controle de cura: parasitológico de fezes no 7º, 14º e 21º dias após o tratamento. Quando não for viável, o tratamento é repetido.
Antiparasitários não são recomendados na gestação; a exceção é a quimioterapia preventiva populacional descrita pela Organização Mundial da Saúde, restrita a gestantes após o primeiro trimestre e a cenários epidemiológicos definidos.
Nenhuma das quatro parasitoses é de notificação compulsória nacional; nas áreas endêmicas de esquistossomose, as geo-helmintíases são notificadas no SISPCE.
O secnidazol e o tinidazol da giardíase não têm a mesma posologia nos dois documentos brasileiros — ver o bloco de divergências.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Ministério da Saúde: piperazina no esquema de desobstrução
O guia de bolso descreve, para a obstrução intestinal, piperazina 100 mg/kg/dia associada a óleo mineral 40 a 60 mL/dia, antiespasmódicos e hidratação, com sonda nasogástrica, jejum e mebendazol 200 mg/dia em duas tomadas por três dias. O capítulo de geo-helmintíases do Guia de Vigilância em Saúde mantém a mesma linha, citando a tentativa de paralisação dos vermes com piperazina, laxante salino e massageamento abdominal antes da eventual intervenção cirúrgica para retirada do bolo de áscaris.
Ministério da Saúde — Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso, 8. ed. rev., 2010; e Guia de Vigilância em Saúde, capítulo Geo-helmintíases (referências do capítulo encerradas em 2021).
Sociedade Brasileira de Pediatria: piperazina descontinuada, suporte e óleo mineral
O documento científico registra que o uso de piperazina foi descontinuado pela agência regulatória americana e pela Anvisa desde 2012 e descreve a conduta atual como hidratação parenteral e óleo mineral por sonda nasogástrica até a eliminação retal do óleo, aguardando a eliminação dos parasitas para só então tratar a parasitose; migração errática para a árvore biliar indica retirada endoscópica.
Sociedade Brasileira de Pediatria — Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial, Documento Científico nº 4, setembro de 2020.
Na prova
A causa da diferença é a data: o capítulo do Ministério da Saúde reproduz um repertório farmacológico anterior a 2012, quando a piperazina ainda tinha registro, e não foi reescrito depois disso. Como identificar o recorte: enunciado que cita nominalmente a Sociedade Brasileira de Pediatria, ou alternativa que traz óleo mineral por sonda nasogástrica sem qualquer paralisante, aponta para o corpo pediátrico de 2020; enunciado ancorado em documento de vigilância do Ministério da Saúde ou alternativa que oferece piperazina como opção aponta para o corpo ministerial. Nos dois mundos a sequência é a mesma — suporte e desobstrução antes, antiparasitário depois — e é essa ordem, não o nome do fármaco paralisante, que costuma decidir a questão.
Sociedade Brasileira de Pediatria: cautela abaixo de 2 anos
Entre as considerações prévias à escolha do antiparasitário, o documento coloca a idade do paciente e afirma que a maioria dos fármacos tem contraindicação abaixo dos dois anos de idade — orientação de consultório, para tratamento individual de criança com diagnóstico parasitológico.
Sociedade Brasileira de Pediatria — Documento Científico nº 4, 2020.
Organização Mundial da Saúde: meia dose dos 12 aos 23 meses
A diretriz de quimioterapia preventiva inclui como grupo-alvo as crianças de 12 a 23 meses, que recebem meia dose de albendazol, isto é, 200 mg; a dose plena de 400 mg vale a partir dos 24 meses. As preocupações de segurança ficam restritas ao primeiro ano de vida e ao primeiro trimestre da gestação.
World Health Organization — Guideline: preventive chemotherapy to control soil-transmitted helminth infections in at-risk population groups, 2017.
Na prova
As duas posições respondem a perguntas diferentes, e essa é a chave para ler o enunciado. O texto brasileiro fala do tratamento individual em consultório, onde a bula do produto registrado no país é a régua e não há ganho populacional que justifique tratar antes dos 2 anos sem diagnóstico. O documento internacional fala de intervenção de saúde pública em população de risco, onde a decisão é de balanço epidemiológico. Como identificar: vinheta de ambulatório com exame parasitológico positivo em lactente puxa a leitura brasileira; enunciado que fala em quimioterapia preventiva, administração massiva, grupo etário de 12 a 23 meses ou cita a Organização Mundial da Saúde puxa a régua internacional, com os 200 mg.
Ministério da Saúde: secnidazol e tinidazol em dose única
O Quadro 12 do guia de bolso traz, para a criança, secnidazol 30 mg/kg (ou 1 mL/kg) em dose única após uma refeição e tinidazol 30 mg/kg/dia em dose única, com eficácia registrada de 92% a 95%; o metronidazol é 15 mg/kg/dia, com máximo de 250 mg por tomada, dividido em duas tomadas, por cinco dias.
Ministério da Saúde — Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso, 8. ed. rev., 2010.
Sociedade Brasileira de Pediatria: secnidazol por duas noites e tinidazol em dose maior
A tabela de antiparasitários traz secnidazol 30 mg/kg à noite por dois dias na giardíase, tinidazol 50 mg/kg em dose única à noite e metronidazol 15 a 25 mg/kg/dia por cinco a sete dias, com a ressalva de 10% a 20% de resistência do parasita ao metronidazol.
Sociedade Brasileira de Pediatria — Documento Científico nº 4, 2020.
Na prova
Aqui são dois documentos brasileiros com quinze anos de distância entre eles: o texto do Ministério da Saúde é de 2010 e o da Sociedade Brasileira de Pediatria é de 2020, e o mais novo alarga tanto a dose do tinidazol quanto a duração do secnidazol e do metronidazol. Como identificar o recorte: enunciado de atenção básica, unidade de saúde da família ou dispensação pelo SUS costuma trabalhar com o quadro ministerial e a dose única; enunciado de consultório pediátrico, ou que cite nominalmente a Sociedade Brasileira de Pediatria, costuma trazer os esquemas mais longos. Quando as alternativas variam apenas a duração e não o fármaco, é sinal de que a questão está justamente nessa fenda.
Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde: limiar de positividade define a estratégia
O algoritmo de controle parte de inquérito coproscópico em escolares: abaixo de 20% de positividade, tratam-se apenas os casos positivos; entre 20% e 50%, tratamento coletivo anual da localidade; acima de 50%, tratamento coletivo semestral. O tratamento coletivo é descrito como forma efetiva de controle porque reduz a carga parasitária e as fontes de contaminação do ambiente.
Ministério da Saúde — Guia de Vigilância em Saúde, capítulo Geo-helmintíases, com algoritmo atribuído à Organização Mundial da Saúde; e WHO, 2017.
O próprio material ministerial: sem saneamento, o efeito não se sustenta
O guia de bolso registra que o tratamento em massa das populações tem sido preconizado por alguns autores para reduzir a carga parasitária, mas que, se não for associado a medidas de saneamento, a reinfecção pode atingir os níveis anteriores em pouco tempo. O capítulo de vigilância trata a medicação como um dos três componentes, ao lado de educação em saúde e saneamento ambiental.
Ministério da Saúde — Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso, 2010; e Guia de Vigilância em Saúde, capítulo Geo-helmintíases.
Na prova
Não é contradição de conduta, e sim de horizonte: o limiar decide o que fazer neste ano, e a ressalva decide o que muda em cinco. Como identificar o recorte: questão que fornece um percentual de positividade em escolares está cobrando o degrau do algoritmo, e o enunciado gira em torno desse número; questão que descreve uma comunidade tratada repetidamente e com prevalência que retorna está cobrando a leitura de determinação social, e é o vocabulário de saneamento, água tratada e destino das fezes que aparece nas alternativas. Enunciado de prova oficial do Ministério da Educação tende a cobrar a conduta do SUS, o que inclui o algoritmo por prevalência.
Caso resolvido
- achado
- Anemia microcítica e hipocrômica com ferritina baixa — anemia ferropriva — acompanhada de eosinofilia, em criança que anda descalça em área sem saneamento e teve dermatite pruriginosa nos pés.
- raciocínio
- A eosinofilia afasta a hipótese de carência puramente dietética e aponta para helminto com fase tecidual. A porta de entrada cutânea nos pés e a anemia por hematofagismo são a assinatura dos ancilostomídeos: o Ancylostoma duodenale suga de 0,05 a 0,3 mL por verme por dia e o Necator americanus, de 0,01 a 0,04 mL. A ascaridíase não costuma cursar com anemia ferropriva, e a giardíase, por ser protozoário sem invasão tecidual, não produz eosinofilia.
- exame
- Parasitológico de fezes, em três amostras, por sedimentação espontânea; se o objetivo for medir a intensidade da infecção, Kato-Katz. Confirmam-se ovos de ancilostomídeo.
- conduta
- Albendazol 400 mg por via oral em dose única — disponível gratuitamente na Rede de Atenção à Saúde. Mebendazol 100 mg de 12/12 h por três dias é a alternativa. Junto, reposição de ferro para corrigir a anemia já instalada, uso de calçado e orientação sobre destino das fezes e higiene das mãos.
- seguimento
- Parasitológico de controle no 7º, 14º e 21º dias após o tratamento e reavaliação do hemograma. Se o hemograma não melhorar, verifique se o ferro foi de fato prescrito e tomado: o vermífugo estanca a perda, mas não repõe o estoque.
Agora feche você
- achado
- Prurido anal de predomínio noturno, escoriação perianal, sono fragmentado e um conviventes com o mesmo sintoma — quadro clínico de enterobíase.
- interpretação
- Três parasitológicos negativos não afastam o diagnóstico: o ovo de Enterobius vermicularis é depositado na região perianal, não nas fezes, e só aparece no exame de rotina por acaso, em parasitismo muito intenso.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Dar por excluída a oxiuríase porque o parasitológico veio negativo É a armadilha mais frequente do tema, porque parece rigor diagnóstico. O ovo do Enterobius fica na margem anal, não nas fezes; o exame de rotina só o encontra por acaso. Enquanto o médico repete parasitológicos, a criança segue com prurido noturno e a casa segue se reinfectando. O exame que fecha é a fita gomada na região perianal, pela manhã.
- 2Esperar eosinofilia na giardíase A eosinofilia sugere helminto com passagem tecidual, e a Giardia é protozoário que fica na luz do intestino delgado sem invadir a mucosa. Alternativa que oferece giardíase para uma vinheta com eosinofilia importante e infiltrado pulmonar está trocando protozoário por helminto — o quadro é de ascaridíase em fase larvária.
- 3Prescrever vermicida de imediato na obstrução por bolo de áscaris Atrai porque parece tratar a causa. Só que matar ou paralisar vermes dentro de uma alça já obstruída não desfaz a massa. A sequência cobrada é suporte primeiro — jejum, sonda nasogástrica, hidratação, óleo mineral — e antiparasitário depois que os vermes começam a ser eliminados; cirurgia quando a remoção mecânica se impõe.
- 4Aceitar uma única amostra de fezes como negativa Uma amostra tem cerca de 50% de positividade. Três amostras levam a faixa para 60% a 90%. Uma amostra negativa em criança com quadro sugestivo pede repetição — ou, se a criança está em uso de antiácido, laxante, óleo mineral, ferro ou antimicrobiano, pede primeiro a suspensão dessas drogas por uma semana antes de recoletar.
- 5Tratar só a criança na enterobíase A enterobíase quase sempre é domiciliar: ovos sobrevivem uma a duas semanas em roupa de cama, toalha e poeira. Tratar apenas a criança sintomática garante a recaída em poucas semanas. O guia do Ministério da Saúde é explícito ao mandar tratar todo o grupo familiar ou quem coabita o mesmo domicílio.
- 6Achar que albendazol em dose única resolve giardíase O albendazol tem ação sobre a Giardia, mas em esquema prolongado, não na dose única que resolve as geo-helmintíases. O esquema de referência do Ministério da Saúde para a criança é metronidazol 15 mg/kg/dia por cinco dias, com secnidazol e tinidazol como opções de dose única — e falha terapêutica pode ser resistência, descrita em 10% a 20% dos casos com metronidazol, não necessariamente má adesão.
- 7Atribuir a anemia da criança do campo apenas à dieta Anemia ferropriva em criança que anda descalça em área sem saneamento tem uma causa a mais para investigar: o hematofagismo dos ancilostomídeos. Prescrever ferro sem tratar o verme mantém a perda; tratar o verme sem prescrever ferro mantém a anemia. As duas coisas andam juntas.
- 8Confundir o número que decide o algoritmo de saúde pública Os cortes são de positividade em escolares, não de número de casos: abaixo de 20%, tratam-se só os positivos; de 20% a 50%, tratamento coletivo anual; acima de 50%, semestral. Alternativa que troca a frequência pelo patamar, ou que aplica o algoritmo a um caso individual em consultório, está fora do enquadramento da pergunta.
O prurido anal noturno com acometimento de vários membros da família é altamente sugestivo de enterobíase (oxiuríase). O tratamento é clínico e empírico com albendazol ou mebendazol, com dose repetida em 2 semanas, tratamento dos contactantes domiciliares e reforço de higiene (unhas, roupas de cama, lavagem de mãos). O parasitológico de fezes convencional tem baixa sensibilidade para Enterobius (método de fita gomada é o indicado), não devendo atrasar o tratamento de um quadro clássico. Corticoide não trata a causa. Encaminhamento especializado é desnecessário para quadro típico manejável na APS.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Menino de 8 anos, morador de zona rural, é levado à Unidade Básica de Saúde por cansaço progressivo e palidez há cerca de dois meses. A mãe conta que a criança costuma andar descalça e brincar em terreno de terra ao redor da casa. Ao exame físico: mucosas hipocoradas (3+/4+), discreta taquicardia, sem visceromegalias ou adenomegalias. O hemograma mostra Hb 7,8 g/dL, VCM 68 fL, HCM reduzido e eosinofilia. O exame parasitológico de fezes evidencia ovos de casca fina e transparente, com conteúdo em segmentação. Considerando o quadro clínico e laboratorial, qual é, respectivamente, o diagnóstico e a conduta mais adequada?
A combinação de anemia ferropriva (Hb baixa, VCM/HCM reduzidos), eosinofilia, contato com solo contaminado e andar descalço, somada a ovos de casca fina com conteúdo segmentado, caracteriza a ancilostomíase (Ancylostoma/Necator), cuja larva penetra pela pele e o verme adulto causa espoliação sanguínea intestinal — daí a necessidade de anti-helmíntico (albendazol/mebendazol) E reposição de ferro. A ascaridíase não cursa tipicamente com anemia ferropriva por espoliação e seus ovos têm casca espessa e mamilonada. A giardíase causa má absorção/diarreia, não anemia por perda de sangue. A esquistossomose tem outro perfil epidemiológico e ovo com espículo lateral.
Menina de 4 anos, que frequenta creche, é trazida ao ambulatório por diarreia crônica há cerca de seis semanas, caracterizada por fezes volumosas, amolecidas, fétidas e que 'boiam' na água. A mãe refere ainda distensão abdominal, muita flatulência e perda de peso no período, sem febre e sem sangue ou muco nas fezes. Ao exame, criança emagrecida, com abdome distendido e timpânico, hidratada e sem visceromegalias. O exame parasitológico de fezes seriado (três amostras) revela cistos ovais com quatro núcleos e alguns trofozoítos piriformes flagelados. Qual é, respectivamente, o diagnóstico e o tratamento de escolha?
O quadro de diarreia crônica com esteatorreia (fezes volumosas, fétidas, que boiam), distensão, flatulência e perda ponderal traduz síndrome de má absorção típica da giardíase, confirmada pelos cistos com quatro núcleos e trofozoítos flagelados de Giardia lamblia — tratada com metronidazol (alternativas: tinidazol/secnidazol/albendazol). A amebíase cursa classicamente com disenteria (fezes com sangue e muco), não com esteatorreia crônica, e o achado laboratorial seria trofozoíto com hemácias fagocitadas. Ascaridíase e enterobíase não produzem esse padrão de má absorção nem esses achados parasitológicos.
Menino de 6 anos é levado à Unidade de Saúde da Família porque apresenta prurido anal intenso, de predomínio noturno, que vem atrapalhando o sono há duas semanas. A mãe relata ter observado, ao redor do ânus da criança durante a noite, pequenos vermes brancos e filiformes, semelhantes a fios de linha em movimento. O exame físico geral é normal, exceto por escoriações de coçadura na região perianal. A mãe informa ainda que outros dois irmãos, que dormem no mesmo quarto, apresentam queixa semelhante de coceira anal noturna. Qual é o diagnóstico mais provável?
Prurido anal de predomínio noturno com visualização de vermes brancos, curtos e filiformes (aspecto de fio de linha) na região perianal, e acometimento de vários conviventes, é o quadro clássico da enterobíase por Enterobius vermicularis — a fêmea migra ao ânus à noite para depositar ovos, causando o prurido; o diagnóstico se confirma pelo método da fita gomada (Graham) e o tratamento (albendazol ou mebendazol/pamoato de pirvínio) deve abranger todos os conviventes. Ancilostomíase cursa com anemia, não prurido anal. Ascaridíase elimina vermes cilíndricos grandes, tipicamente nas fezes. Teníase elimina proglotes (fragmentos achatados), não vermes filiformes perianais.
Um menino de 5 anos é atendido na Unidade Básica de Saúde por diarreia intermitente há cerca de 6 semanas, com fezes amolecidas, esbranquiçadas e de odor muito fétido, associadas a cólicas abdominais, distensão e flatulência. A mãe relata episódios que alternam com períodos de fezes mais formadas e perda de peso no período. A família reside em área com saneamento precário e utiliza água de poço. Não há febre nem sangue nas fezes. O exame parasitológico de fezes evidenciou cistos com dois a quatro núcleos e axonema, compatíveis com o agente etiológico. Qual é o diagnóstico mais provável?
A tríade de diarreia crônica/intermitente com fezes gordurosas e fétidas, distensão, flatulência e perda ponderal, em criança exposta a água contaminada, aliada a cistos multinucleados com axonema no parasitológico, define giardíase (Giardia lamblia) — a Giardia acomete o intestino delgado e causa má absorção. A amebíase invasiva cursaria tipicamente com disenteria (fezes com sangue e muco), ausente aqui. A ascaridíase costuma ser oligossintomática ou cursar com sintomas obstrutivos/respiratórios (ciclo de Loeffler), não com esteatorreia crônica. A enterobíase manifesta-se sobretudo por prurido anal noturno, sem esse padrão disabsortivo. O tratamento indicado é com antiparasitário nitroimidazólico (metronidazol, tinidazol ou secnidazol).
Menino de 7 anos é levado à Unidade Básica de Saúde de área rural pela mãe, que relata cansaço, sonolência e queda no rendimento escolar há cerca de três meses. A família não dispõe de esgotamento sanitário e a criança costuma brincar descalça no quintal. Ao exame físico: bom estado geral, mucosas hipocoradas (++/4+), sem hepatoesplenomegalia, sem edemas; ausculta cardíaca com sopro sistólico suave em foco mitral. Exames: hemoglobina 8,1 g/dL, VCM 68 fL, RDW 17%, ferritina 6 ng/mL, eosinófilos 1.400/mm³. O exame parasitológico de fezes evidencia ovos de casca fina, transparentes, com blastômeros em segmentação. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, o diagnóstico e a conduta adequada.
O conjunto contato com solo contaminado sem calçados, anemia microcítica/hipocrômica com ferritina baixa, eosinofilia e ovos de casca fina com blastômeros em segmentação no parasitológico é característico de ancilostomíase (Ancylostoma duodenale/Necator americanus), cujo verme se fixa à mucosa duodenal e causa perda sanguínea crônica. O Ministério da Saúde recomenda albendazol 400 mg em dose única (ou mebendazol 100 mg 12/12 h por 3 dias) associado à reposição de ferro, pois o anti-helmíntico interrompe a perda, mas não repõe o estoque já espoliado; orientação sobre calçados e saneamento previne a reinfecção. A alternativa da ascaridíase erra o agente (ovos de Ascaris são grandes, ovalados e com casca mamilonada) e nega a ferropenia comprovada por ferritina de 6 ng/mL. A esquistossomose cursaria com ovos com espículo lateral e não explica ferritina tão baixa nesse contexto. Tratar apenas com ferro, sem antiparasitário, mantém a fonte da perda sanguínea e leva à recidiva da anemia.
Menina de 5 anos, frequentadora de creche, é atendida na Unidade de Saúde da Família com queixa de fezes amolecidas, volumosas, claras, malcheirosas e que 'boiam no vaso' há cerca de dois meses, acompanhadas de distensão abdominal, flatulência e cólicas. A mãe nota que a filha 'emagreceu e ficou molinha'. Nega febre, sangue ou muco nas fezes. Ao exame: peso com queda de dois percentis na curva, abdome globoso e timpânico, sem visceromegalias ou massas; sem palidez ou edema. Hemograma sem eosinofilia. O exame parasitológico de fezes, em três amostras seriadas, revela cistos ovalados com quatro núcleos. Considerando o diagnóstico mais provável, qual é a conduta correta?
Diarreia crônica com esteatorreia, distensão, flatulência e perda ponderal em criança de creche, sem eosinofilia e com cistos ovalados tetranucleados no parasitológico, define giardíase (Giardia lamblia/duodenalis) — o parasita adere à mucosa duodenojejunal e causa síndrome de má absorção; a ausência de eosinofilia é esperada por se tratar de protozoário e não de helminto. O tratamento preconizado no Brasil é metronidazol oral por 5 a 7 dias (alternativas: tinidazol ou secnidazol em dose única), com reforço de higiene e tratamento dos contactantes sintomáticos, pela alta transmissão fecal-oral em creches. Albendazol em dose única é o esquema da ascaridíase e não trata adequadamente o protozoário encontrado. O praziquantel atua em trematódeos/cestódeos e não tem ação sobre Giardia; postergar o tratamento de uma causa já identificada para investigar doença celíaca é inadequado. Considerar a giardíase achado sem significado clínico ignora que a paciente é sintomática e está perdendo peso — dieta isenta de lactose isolada não elimina o parasita.
Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde porque, há três semanas, acorda de madrugada chorando e coçando intensamente a região anal, com irritabilidade e sono fragmentado. A mãe refere que um irmão de 4 anos, da mesma creche, apresenta queixa semelhante. Nega diarreia, dor abdominal importante, febre ou emagrecimento. Ao exame físico: bom estado geral, eutrófico, corado, abdome flácido e indolor; região perianal com escoriações lineares por coçadura, sem secreção ou fissuras. Qual é, respectivamente, a hipótese diagnóstica mais provável e o método diagnóstico de escolha?
Prurido anal de predomínio noturno em criança de creche, com caso semelhante entre os contactantes domiciliares e exame físico apenas com escoriações perianais, é o quadro clássico da enterobíase (Enterobius vermicularis, oxiúro). A fêmea migra à noite para a região perianal e deposita seus ovos na pele — por isso os ovos raramente aparecem nas fezes, e o método de escolha é a fita gomada (swab anal de Graham), colhida pela manhã, ao despertar, antes da higiene íntima e da evacuação; o tratamento (albendazol ou mebendazol, repetido em duas semanas) deve alcançar todos os conviventes. O parasitológico de fezes por Hoffman é adequado para Ascaris e outros geo-helmintos, mas tem baixa sensibilidade para oxiúro, além de a ascaridíase não cursar com prurido anal noturno. A ancilostomíase manifesta-se com anemia ferropriva e eosinofilia, ausentes aqui. A giardíase cursa com diarreia crônica e má absorção, não com prurido perianal.
Um menino de 6 anos é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde por diarreia intermitente há 4 meses. As evacuações são pastosas, volumosas, esbranquiçadas, de odor fétido e flutuam no vaso; não há febre, sangue ou muco. A mãe refere distensão abdominal, cólicas, flatulência e perda de 1,5 kg no período. A criança frequenta creche em tempo integral, e outras crianças da turma têm queixas semelhantes. Ao exame: ativo, hipocorado +/4+, abdome distendido e timpânico, sem visceromegalias; peso cruzou dois canais de crescimento para baixo. Exames: hemoglobina 10,8 g/dL, eosinófilos 200/mm³ (normal), exame parasitológico de fezes de amostra única negativo. Qual é, respectivamente, a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta imediata mais adequada?
O quadro é clássico de giardíase: criança de creche (transmissão fecal-oral em coletividade), diarreia crônica com esteatorreia (fezes claras, fétidas, que flutuam), distensão, flatulência e perda de peso por má absorção, SEM eosinofilia — Giardia lamblia é protozoário e não invade tecidos, logo não eosinofiliza. A eliminação de cistos é INTERMITENTE, de modo que uma única amostra negativa NÃO afasta o diagnóstico; o Ministério da Saúde recomenda três amostras em dias alternados com método de concentração (Faust/Hoffman) antes de excluir a hipótese — daí ser esse o próximo passo. Ancilostomíase cursa com anemia ferropriva importante e eosinofilia, ausentes aqui, e tratar às cegas sem exame não se justifica. Doença celíaca é diferencial razoável de má absorção, mas só deve ser investigada após afastar parasitose no contexto epidemiológico evidente; além disso, jamais se inicia dieta isenta de glúten antes da confirmação, pois isso negativa a sorologia e a biópsia. Ascaridíase habitualmente é oligossintomática ou causa dor abdominal/eliminação de vermes, não esteatorreia, e cursa com eosinofilia na fase larvária.
Uma menina de 9 anos é atendida na Unidade de Saúde da Família da zona rural com queixa de cansaço progressivo há cerca de 6 meses, sonolência nas aulas e queda do rendimento escolar. A mãe relata que a filha anda descalça na horta e no quintal, que a casa não tem esgotamento sanitário, e que a criança tem comido terra. Ao exame: descorada +++/4+, coiloníquia, taquicardia leve, sopro sistólico ejetivo suave, sem hepatoesplenomegalia; sem edemas. Exames: hemoglobina 8,2 g/dL, VCM 68 fL, RDW 17%, ferritina 6 ng/mL, eosinófilos 1.400/mm³; parasitológico de fezes com ovos de ancilostomídeo. Qual é a conduta mais adequada?
A tríade epidemiológica (andar descalço em solo contaminado, ausência de saneamento), anemia ferropriva grave (VCM baixo, ferritina 6 ng/mL, coiloníquia, geofagia) e eosinofilia, com ovos de ancilostomídeo no parasitológico, fecha ancilostomíase (Ancylostoma duodenale/Necator americanus), cujo verme adulto espolia sangue na mucosa duodenal. O tratamento preconizado pelo Ministério da Saúde é albendazol 400 mg em dose única (alternativa: mebendazol 100 mg 2x/dia por 3 dias), SEMPRE associado à reposição de ferro para corrigir a ferropenia instalada e às medidas de prevenção (calçados, saneamento, higiene), com controle de cura por parasitológico. Repor apenas ferro mantém a fonte de perda — o verme continua espoliando sangue e a anemia recidiva. Ivermectina é a droga da estrongiloidíase e da escabiose, não da ancilostomíase; a causa do sangramento já está identificada, tornando o encaminhamento desnecessário. Praziquantel trata esquistossomose e teníase; e a transfusão não se indica por número isolado de hemoglobina em anemia crônica bem tolerada, sem instabilidade hemodinâmica — o ferro oral é suficiente.
Menino de 5 anos é levado à Unidade Básica de Saúde pela mãe, que relata prurido anal intenso há três semanas, predominantemente à noite, associado a irritabilidade e sono fragmentado. A criança frequenta creche em período integral. A irmã de 3 anos, que mora na mesma casa, apresenta queixa semelhante. Ao exame, a criança está eutrófica, corada, com abdome flácido e indolor; observam-se escoriações lineares na região perianal, sem secreção ou lesões vesiculosas. Considerando a hipótese diagnóstica mais provável, qual é a conduta adequada?
O quadro é típico de enterobíase (Enterobius vermicularis): prurido anal noturno, irritabilidade, escoriações perianais e agregação familiar/creche. O tratamento preconizado é albendazol 400 mg em dose única, repetido em 2 semanas para cobrir a auto-reinfecção pelo ciclo do parasita, e o tratamento simultâneo de todos os contactantes domiciliares é essencial, pois a reinfecção intradomiciliar é a regra — daí a alternativa correta. Metronidazol tem espectro para protozoários (giardíase, amebíase), não para helmintos. Ivermectina é opção para estrongiloidíase e escabiose, não sendo a droga de escolha para oxiuríase. Aguardar o parasitológico de fezes é inadequado porque os ovos de E. vermicularis raramente são eliminados nas fezes (são depositados na região perianal): o método diagnóstico seria a fita gomada (Graham), e o quadro clínico já autoriza o tratamento empírico na APS.
Menina de 9 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde de zona rural com queixa de cansaço progressivo, palidez e queda no rendimento escolar há quatro meses. Anda habitualmente descalça e a casa não dispõe de saneamento. Ao exame: mucosas hipocoradas (3+/4+), sem hepatoesplenomegalia, sem edemas. Exames: hemoglobina 7,8 g/dL, VCM 68 fL, HCM 21 pg, RDW 17%, eosinófilos 1.400/mm3. O parasitológico de fezes evidencia ovos ovalados de casca fina com blastômeros. Qual é o diagnóstico e a conduta?
A tríade anemia microcítica e hipocrômica + eosinofilia + exposição rural com marcha descalça aponta para ancilostomíase (Ancylostoma duodenale/Necator americanus), cujos ovos são ovalados, de casca fina e com blastômeros; o verme adulto espolia sangue na mucosa duodenal, causando perda crônica de ferro. A conduta correta associa o anti-helmíntico (albendazol 400 mg dose única) à reposição de ferro por pelo menos 3 meses — tratar apenas o verme não corrige o estoque de ferro já depletado — além de medidas de prevenção (calçados, saneamento). Giardíase é protozoose que causa má absorção e diarreia crônica, mas não cursa com eosinofilia e seus cistos/trofozoítos têm morfologia distinta. Ascaridíase pode dar eosinofilia, mas não causa anemia ferropriva por espoliação e seus ovos são arredondados com casca mamilonada espessa. Enterobíase não causa anemia nem é diagnosticada por ovos no parasitológico de fezes.
Menino de 4 anos chega ao pronto-atendimento com dor abdominal em cólica há 12 horas, vômitos biliosos e distensão abdominal. A mãe refere que a criança eliminou dois vermes cilíndricos, longos e esbranquiçados nas fezes na semana passada. Ao exame: hidratado, taquicárdico, abdome distendido, timpânico, com massa tubular palpável em flanco direito, ruídos hidroaéreos aumentados e eliminação de flatos reduzida; sem sinais de irritação peritoneal. Radiografia simples de abdome mostra distensão de alças e imagem em novelo, sem pneumoperitônio. Qual é a conduta inicial?
Trata-se de suboclusão intestinal por bolo de Ascaris lumbricoides — quadro obstrutivo parcial, sem peritonite e sem pneumoperitônio, com o clássico aspecto radiológico de novelo de vermes. A conduta inicial é clínica/conservadora: jejum, sonda nasogástrica para descompressão, hidratação venosa e óleo mineral (laxante), com o anti-helmíntico adiado até a desobstrução. A pegadinha está em administrar albendazol na vigência da obstrução: é contraindicado, pois o vermicida provoca morte/paralisia espástica dos vermes, podendo compactar ainda mais o bolo e desencadear migração errática (via biliar, pancreática, apêndice) — a piperazina, que causa paralisia flácida, é a exceção histórica. A laparotomia exploradora de urgência fica reservada para falha do tratamento conservador ou complicações (peritonite, perfuração, volvo, isquemia), ausentes aqui. E encaminhar à Unidade Básica de Saúde para mebendazol ambulatorial é inadequado: há obstrução instalada, que exige internação e suporte, além de repetir o erro de vermifugar na fase aguda.
Menino de 6 anos é trazido pela mãe à Unidade Básica de Saúde com queixa de prurido anal intenso, de predomínio noturno, há cerca de 3 semanas, acompanhado de irritabilidade e sono agitado. A mãe nega diarreia, dor abdominal, febre ou perda de peso. Refere que uma irmã de 4 anos, que dorme no mesmo quarto, apresenta queixa semelhante. Ao exame físico, a criança encontra-se em bom estado geral, eutrófica, com discretas escoriações por coçadura na região perianal e restante do exame sem alterações. Diante da principal hipótese diagnóstica, assinale o método com maior sensibilidade para a confirmação.
O quadro de prurido anal noturno em criança em idade escolar, com caso familiar concomitante, é típico de enterobíase (Enterobius vermicularis). A fêmea migra à região perianal à noite para depositar ovos, que raramente aparecem nas fezes — por isso o parasitológico convencional (Hoffman) tem baixa sensibilidade e não é o exame de escolha. O método da fita gomada/adesiva coletada pela manhã, antes da higiene, capta os ovos na margem anal, sendo o padrão diagnóstico. Não há sorologia validada de rotina para enterobíase, e a eosinofilia é inespecífica e frequentemente ausente nessa parasitose.
Menino de 9 anos, residente em zona rural, com hábito de andar descalço, é levado ao ambulatório por palidez progressiva, cansaço aos esforços e queda do rendimento escolar há cerca de 2 meses. A mãe recorda episódio prévio de lesões pruriginosas e eritematosas nos pés. Ao exame: mucosas hipocoradas (3+/4+), taquicardia e sopro sistólico ejetivo em foco pulmonar. Exames: Hb 7,2 g/dL, VCM 68 fL, HCM 21 pg, RDW elevado, ferritina reduzida e eosinofilia. O parasitológico de fezes evidenciou ovos ovoides, de casca fina e translúcida, contendo blastômeros em seu interior. Assinale a alternativa correta quanto ao agente e ao manejo.
A tríade epidemiológica (zona rural, marcha descalça, 'coceira do solo' pela penetração de larvas filarioides na pele) somada à anemia ferropriva microcítica/hipocrômica com eosinofilia e a ovos de casca fina, ovoides e com blastômeros é diagnóstica de ancilostomíase (Necator americanus/Ancylostoma duodenale). Os vermes se fixam à mucosa e espoliam sangue, causando perda crônica de ferro — daí a necessidade de anti-helmíntico (albendazol) E de repor o ferro. O Ascaris não causa anemia ferropriva significativa nem por 'competição de ferro'; a giardíase gera má absorção/esteatorreia, não anemia microcítica ferropriva, e os ovos descritos não são dela; e a estrongiloidíase tem larvas nas fezes, não ovos com blastômeros, e a autoinfestação não explica esse quadro.
Menina de 4 anos, que frequenta creche em período integral, é levada à consulta por quadro de 6 semanas de fezes amolecidas, volumosas, fétidas e com aspecto gorduroso, associadas a distensão abdominal, flatulência excessiva e perda ponderal de aproximadamente 800 g. A mãe nega febre, sangue ou muco nas fezes. Ao exame físico, a criança está descorada +/4+, com abdome distendido, timpânico e indolor à palpação, sem visceromegalias. Considerando a principal hipótese e a conduta, assinale a alternativa correta.
Diarreia crônica alta com esteatorreia (fezes volumosas, gordurosas e fétidas), distensão, flatulência e perda de peso, SEM sangue/muco ou febre, em criança de creche, é o quadro clássico de giardíase — a Giardia adere ao epitélio duodenojejunal e causa síndrome de má absorção. O tratamento é com metronidazol (ou tinidazol/nitazoxanida). A amebíase cursa tipicamente com disenteria (sangue e muco), não esteatorreia; a ascaridíase geralmente não provoca síndrome disabsortiva com esteatorreia; e a ancilostomíase leva a anemia ferropriva por espoliação, sem o padrão de esteatorreia descrito.
Menino de 5 anos, procedente de zona rural, é levado à emergência com dor abdominal em cólica há 2 dias, vômitos biliosos e parada de eliminação de fezes e flatos. A mãe refere que, há uma semana, a criança eliminou "vermes brancos e compridos" nas fezes e pelo nariz. Ao exame: desnutrido, hipoativo, desidratado (+/4+), abdome distendido e timpânico, com massa alongada palpável em fossa ilíaca direita, ruídos hidroaéreos aumentados e sem sinais de irritação peritoneal. Radiografia simples de abdome evidencia distensão de alças de delgado, níveis hidroaéreos e imagem em "miolo de pão". Assinale a conduta inicial mais adequada.
O quadro é de suboclusão intestinal por bolo de Ascaris lumbricoides (eliminação de vermes cilíndricos, massa palpável, imagem em "miolo de pão"). O tratamento inicial é clínico: jejum, sonda nasogástrica, hidratação venosa e correção hidroeletrolítica; usa-se óleo mineral como lubrificante e, quando há trânsito, a piperazina, que promove paralisia flácida do verme e facilita sua eliminação. Albendazol e mebendazol são evitados na fase obstrutiva por provocarem paralisia espástica e migração errática do parasita (colédoco, apêndice, orifícios naturais) — logo, é inadequada. A laparotomia fica reservada para falha do tratamento clínico, perfuração, volvo ou peritonite, ausentes aqui. A ivermectina não é a droga de escolha para ascaridíase obstrutiva e o metronidazol não tem ação sobre helmintos.
Menina de 6 anos é levada à Unidade Básica de Saúde porque, há cerca de um mês, apresenta prurido anal intenso, predominantemente à noite, com irritabilidade, sono agitado e enurese recente. A mãe conta que duas primas que frequentam a mesma creche têm queixa semelhante. Ao exame físico: bom estado geral, eutrófica, sem palidez, abdome sem alterações; região perianal com escoriações lineares por coçadura. Exame parasitológico de fezes por sedimentação, realizado em três amostras, foi negativo. Assinale o exame que confirma o diagnóstico mais provável.
Prurido anal de predomínio noturno, com agrupamento familiar/creche e parasitológico de fezes negativo, é o quadro clássico de enterobíase (Enterobius vermicularis). A fêmea deposita os ovos na região perianal durante a noite, e eles raramente são encontrados nas fezes — por isso o exame de escolha é o método da fita gomada (swab anal de Graham), colhido pela manhã, antes do banho e da evacuação. O Baermann-Moraes é usado para pesquisa de larvas de Strongyloides stercoralis. A sorologia não tem papel no diagnóstico de rotina do oxiúro. O Kato-Katz é quantitativo para ovos pesados nas fezes, útil sobretudo em esquistossomose e geo-helmintíases, e permanece negativo no oxiuríase.
Menino de 4 anos, frequentador de creche, é trazido ao ambulatório com quadro de 2 meses de fezes amolecidas, volumosas, fétidas, que "boiam no vaso", associadas a distensão abdominal, flatulência excessiva e cólicas pós-prandiais. Não há febre, sangue ou muco nas fezes. Houve perda de 1 kg no período e desaceleração do ganho estatural. Exame físico: abdome distendido, timpânico, indolor; ausência de palidez cutâneo-mucosa. Hemograma sem eosinofilia; albumina normal. Assinale o diagnóstico mais provável e o tratamento indicado.
Diarreia crônica com esteatorreia (fezes volumosas, fétidas, que flutuam), distensão, flatulência e déficit ponderoestatural, sem sangue e sem eosinofilia, em criança de creche, caracteriza a giardíase: a Giardia duodenalis adere ao epitélio duodeno-jejunal e causa síndrome de má absorção, sem invasão tecidual (daí a ausência de eosinofilia, que é típica dos helmintos teciduais). O tratamento de escolha no Brasil é metronidazol (alternativas: tinidazol, secnidazol, nitazoxanida). A ancilostomíase cursa com anemia ferropriva e eosinofilia, ausentes aqui. A ascaridíase costuma ser oligossintomática ou obstrutiva, sem esteatorreia. A amebíase invasiva cursa com disenteria (sangue e muco), não descrita.
Em um programa de quimioterapia preventiva para geo-helmintíases conduzido segundo a diretriz da Organização Mundial da Saúde de 2017, incluem-se crianças a partir de 12 meses de idade. Qual é a dose de albendazol recomendada para as crianças de 12 a 23 meses e a partir de qual idade se usa a dose plena?
A diretriz da Organização Mundial da Saúde recomenda meia dose de albendazol, isto é, 200 mg, para as crianças de 12 a 23 meses, reservando os 400 mg em dose única para pré-escolares de 24 a 59 meses em diante. As preocupações de segurança do documento se restringem ao primeiro ano de vida e ao primeiro trimestre da gestação. Vale registrar o contraste com o documento da Sociedade Brasileira de Pediatria, que trata do consultório e da bula do produto registrado no país e lembra que a maioria dos antiparasitários tem contraindicação abaixo dos dois anos — as duas posições respondem a perguntas diferentes, uma populacional e outra individual. As demais alternativas trocam a dose ou a idade de corte.
Menina de 4 anos, frequentadora de creche, apresenta há um mês prurido anal de predomínio noturno, irritabilidade e sono fragmentado, com escoriações perianais. Foram realizados três exames parasitológicos de fezes, todos negativos. A mãe questiona a hipótese de verminose diante dos exames normais. Qual é a conduta diagnóstica adequada?
O quadro é de enterobíase, e o ovo de Enterobius vermicularis é depositado na margem anal, não nas fezes — no parasitológico de rotina ele aparece apenas por acaso, quando o parasitismo é muito intenso. O exame indicado é a pesquisa na região perianal pelo método de Graham (fita gomada) ou de Hall (swab anal), colhida pela manhã antes do banho e da evacuação. O Kato-Katz serve para quantificar ovos de geo-helmintos nas fezes e não resolve o problema de o ovo não estar nas fezes. O ELISA de antígeno é recurso da giardíase. Descartar parasitose por exames negativos é justamente a armadilha da questão. A biópsia duodenal é recurso excepcional na giardíase.
A equipe de vigilância de um município realiza inquérito coproscópico em escolares de uma localidade rural e encontra 62% de positividade para geo-helmintos. Segundo o algoritmo de controle das geo-helmintíases adotado pelo Ministério da Saúde, qual é a estratégia indicada?
O algoritmo do Ministério da Saúde estratifica pela positividade em escolares: abaixo de 20%, risco baixo, tratam-se apenas os casos positivos; de 20% a 50%, risco moderado, tratamento coletivo da localidade uma vez por ano; acima de 50%, risco alto, tratamento coletivo duas vezes por ano. Com 62%, a localidade está na faixa de alto risco, e o tratamento coletivo semestral é a resposta — sempre associado a educação em saúde e saneamento, porque o próprio material ministerial registra que, sem saneamento, a reinfecção devolve a prevalência ao patamar anterior em pouco tempo. Tratar só os positivos corresponde à faixa abaixo de 20%. Tratamento hospitalar não faz parte da estratégia, que é executada pelas Unidades Básicas de Saúde. Suspender o medicamento até haver saneamento universal contraria o tripé de controle.
Menino de 7 anos é levado à unidade básica de saúde de um município rural por cansaço progressivo e queda no rendimento escolar há cerca de três meses. A família não tem rede de esgoto e a criança anda descalça na maior parte do dia. A mãe lembra que, no início do ano, ele teve lesões muito pruriginosas nos pés. Ao exame, apresenta palidez cutâneo-mucosa, sem visceromegalias. Hemograma: hemoglobina 8,2 g/dL, VCM 68 fL, eosinófilos 12%. Ferritina reduzida. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta inicial correspondente?
A tríade que fecha o caso é anemia ferropriva, eosinofilia e porta de entrada cutânea nos pés em criança que anda descalça em área sem saneamento: são os ancilostomídeos, que se prendem à mucosa duodenal e sangram. O tratamento é albendazol 400 mg em dose única, medicamento de primeira escolha e distribuído gratuitamente na Rede de Atenção à Saúde, e a reposição de ferro é obrigatória porque o antiparasitário estanca a perda mas não repõe o estoque já consumido. A ascaridíase não cursa com anemia ferropriva. A giardíase, por ser protozoário que não invade a mucosa, não produz eosinofilia. Atribuir tudo à dieta ignora a eosinofilia e o contexto epidemiológico. A enterobíase se manifesta por prurido anal noturno, não por anemia.
Menina de 5 anos apresenta há dois meses fezes amolecidas de aspecto gorduroso, flatulência, distensão abdominal, anorexia e perda de peso. Não há sangue nem muco nas fezes e não há febre. O hemograma não mostra eosinofilia. A família usa água de poço, sem filtração, apenas clorada. Qual é o agente mais provável e o método diagnóstico de escolha?
Má absorção com esteatorreia, sem sangue, sem muco e sem eosinofilia é o retrato da giardíase: a Giardia lamblia parasita a porção alta do intestino delgado e não invade a mucosa, por isso não gera eosinofilia. O cisto resiste à cloração da água, o que explica o surto associado a água clorada mas não filtrada. O método indicado pelo Ministério da Saúde é o de Faust, com pelo menos três amostras para boa sensibilidade. A ascaridíase e a ancilostomíase são helmintos e cursam com eosinofilia, além de não produzirem esse padrão de esteatorreia. A amebíase invasiva dá disenteria com muco e sangue, tenesmo e dor intensa. A enterobíase se manifesta por prurido anal noturno.
Confirmada enterobíase em criança de 5 anos que mora com os pais e dois irmãos, além do tratamento medicamentoso da paciente, qual conjunto de medidas é o recomendado pelo Ministério da Saúde para o controle da infestação?
Na enterobíase, o Ministério da Saúde é explícito: para fins de vigilância e controle, o tratamento deve ser feito em todo o grupo familiar ou em quem coabita o mesmo domicílio, justamente porque a infestação em geral atinge mais de um morador. A dose única é repetida de 10 a 14 dias depois, porque a autoinfecção reintroduz o parasita, e os ovos permanecem infectantes por uma a duas semanas em roupa de cama, roupa íntima e toalhas, que devem ser trocadas diariamente, além de manter as unhas aparadas. Tratar só a criança garante a recaída. Não há imunidade natural do adulto. Afastamento escolar isolado e desinfecção de superfícies não substituem o tratamento dos conviventes nem a repetição da dose.
Menino de 6 anos chega ao pronto-socorro com dor abdominal em cólica há 12 horas, vômitos e parada de eliminação de gases. Ao exame, abdome distendido, timpânico, com ruídos hidroaéreos aumentados de timbre metálico. A mãe relata eliminação de vermes cilíndricos e longos nas fezes nas últimas semanas. A radiografia mostra distensão de alças de delgado com imagens tubulares em seu interior. Qual é a conduta inicial?
Trata-se de suboclusão ou oclusão intestinal por bolo de áscaris. A conduta começa pelo suporte: jejum, sonda nasogástrica, hidratação parenteral e óleo mineral, aguardando a eliminação dos parasitas para só então tratar a parasitose — matar ou paralisar vermes dentro de uma alça já obstruída não desfaz a massa e pode piorar o quadro. Por isso as alternativas que iniciam albendazol ou mebendazol de imediato estão erradas. A laparotomia não é o primeiro passo: a cirurgia fica reservada para a falha do tratamento clínico, quando a remoção mecânica do bolo se impõe. Enema hipertônico com alta é conduta insuficiente e insegura para um abdome agudo obstrutivo.
Menino de 8 anos, morador de área sem saneamento, apresenta há uma semana tosse seca, sibilância e febre baixa. A radiografia de tórax mostra infiltrados pulmonares de aspecto migratório e o hemograma revela eosinofilia importante. O parasitológico de fezes, colhido no mesmo dia, é negativo. Qual é a explicação mais provável para o exame negativo?
Tosse, sibilância, infiltrado pulmonar migratório e eosinofilia importante compõem a síndrome de Löffler, produzida pela passagem da larva de Ascaris lumbricoides pelos pulmões. Nessa fase, a larva ainda não se tornou verme adulto botando ovo no intestino: o período pré-patente das geo-helmintíases é de 60 a 80 dias, de modo que o parasitológico colhido durante o quadro pulmonar tende a ser negativo, e repetir o exame semanas depois é o que confirma o diagnóstico. O Ascaris é helminto, não protozoário. Descartar parasitose pelo exame negativo é justamente o erro que a questão testa. A eosinofilia aqui tem relação temporal direta com a migração larvária. E não é o tratamento que positiva o exame: é o amadurecimento do verme.
Menina de 6 anos com giardíase confirmada recebeu metronidazol 15 mg/kg/dia por cinco dias, com tomadas supervisionadas pela mãe e sem falhas. Duas semanas depois mantém fezes amolecidas de aspecto gorduroso e distensão abdominal, e o novo parasitológico continua positivo. Qual a explicação mais provável?
A Sociedade Brasileira de Pediatria registra de 10% a 20% de resistência do parasita ao metronidazol na giardíase, e a consequência prática é que falha terapêutica com adesão comprovada não é sinônimo de má tomada nem de erro de prescrição. O esquema de referência do Ministério da Saúde é justamente o que foi usado — metronidazol 15 mg/kg/dia, com máximo de 250 mg por tomada, dividido em duas tomadas por cinco dias —, de modo que a dose de 50 mg/kg/dia não existe nessa indicação. Diante da falha, as alternativas são os demais nitroimidazólicos, secnidazol e tinidazol em dose única, e o albendazol, que tem ação sobre a Giardia em esquema prolongado e não em dose única. Reinfecção domiciliar é possível, mas não é a única causa e não explica melhor um caso com fonte controlada. Cisto inviável não sustenta laudo positivo por semanas, e não há descrição de superinfecção bacteriana como causa de persistência do quadro. Vale lembrar que o controle de cura desta parasitose é o parasitológico e não a melhora clínica isolada.
Menino de 9 anos, com 30 kg, tem ascaridíase e tricuríase confirmadas no parasitológico e apresentou intolerância ao albendazol em tratamento anterior. O serviço dispõe de mebendazol. Qual a posologia correta no tratamento individual, conforme os documentos brasileiros?
O mebendazol é a alternativa de amplo espectro ao albendazol e tem uma particularidade que decide a resposta: no tratamento individual a dose é fixa, 100 mg de 12 em 12 horas por três dias consecutivos, e independe do peso corporal e da idade. Os 500 mg em dose única existem, mas pertencem ao esquema populacional de quimioterapia preventiva recomendado pela Organização Mundial da Saúde, ao lado do albendazol 400 mg — são dois esquemas diferentes para o mesmo fármaco, e o que decide qual deles cabe é o cenário, campanha em população de risco ou consulta com diagnóstico parasitológico. A posologia por quilo com teto de 400 mg é a do albendazol em criança pequena, não a do mebendazol. A repetição em dez a quatorze dias é regra própria da enterobíase, justificada pela autoinfecção, e não se aplica às geo-helmintíases. E 20 a 30 mg/kg/dia por três dias é o pamoato de pirantel, opção nas ancilostomíases. Nenhum desses fármacos é recomendado na gestação.
Depois de tratar um menino de 5 anos com albendazol 400 mg em dose única por ascaridíase confirmada, a mãe pergunta como saber se o verme foi realmente eliminado e quando voltar. Qual a orientação de controle de cura preconizada?
O controle de cura das parasitoses intestinais é o parasitológico de fezes colhido no 7º, no 14º e no 21º dia após o tratamento, e a Sociedade Brasileira de Pediatria acrescenta a regra prática que fecha o assunto: quando não for possível realizar esses exames, o tratamento deve ser repetido. Uma amostra única em trinta dias não é o previsto e perde as janelas de eliminação. Dispensar o controle porque a dose única é eficaz confunde eficácia com confirmação individual, e ignora que a reinfecção é frequente em área sem saneamento, com transmissibilidade que se estende enquanto houver eliminação de ovos viáveis. A eosinofilia acompanha a resposta a helmintos e não serve de critério de cura, e não há sorologia com papel diagnóstico ou de seguimento nas geo-helmintíases — o exame que quantifica ovos por grama de fezes, usado em inquéritos, é o de Kato-Katz. Havendo poliparasitismo, ou se emprega um antiparasitário de amplo espectro ou se começa pela espécie mais patogênica.
Qual a conduta inicial na suboclusão intestinal por Ascaris, em criança estável, sem sinais de irritação peritoneal?
A maioria dos casos responde ao tratamento conservador: jejum, descompressão por sonda nasogástrica, hidratação e correção hidroeletrolítica, reservando a cirurgia para falha, sinais de peritonite, perfuração ou volvo. O anti-helmíntico é dado depois que a obstrução se resolve; administrá-lo no auge engana porque a lógica de matar o parasita parece correta, mas vermes mortos e imóveis podem compactar ainda mais o bolo e agravar a obstrução, motivo pelo qual alguns serviços preferem drogas que promovam a eliminação. Enema opaco e colonoscopia se aplicam a obstruções colônicas.
Criança de 6 anos, de área rural sem saneamento, apresenta há 2 dias dor abdominal em cólica, distensão e vômitos biliosos, com parada da eliminação de flatos. A radiografia de abdome mostra distensão de alças de delgado com níveis hidroaéreos e uma imagem tubular alongada e enovelada dentro da alça. Qual a hipótese?
Criança de área endêmica com quadro obstrutivo de delgado e imagem tubular enovelada dentro da alça configura obstrução por bolo de áscaris, complicação clássica em infecções de alta carga parasitária. Invaginação engana porque também obstrui nessa faixa etária, mas costuma ocorrer em lactentes, com dor em crises, massa palpável em salsicha e fezes em geleia de framboesa. Volvo de sigmoide é doença de idoso ou constipado crônico, com distensão colônica em grão de café; apendicite não produz esse padrão radiológico, e Hirschsprung se manifesta desde o período neonatal.
Criança tratada por suboclusão por Ascaris recebeu alta após resolução do quadro e uso de anti-helmíntico. Qual orientação é a mais importante para prevenir novo episódio?
A prevenção da reinfecção é ambiental e comportamental: lavar as mãos e os alimentos, consumir água tratada, dar destino adequado aos dejetos e tratar periodicamente os contatos e os escolares em áreas endêmicas, já que a reinfecção após o tratamento é a regra sem essas medidas. Restringir fibras engana quem imagina que o bolo se formou por alimento, quando ele é feito de vermes; laxante contínuo em criança não previne nada e traz efeitos adversos. Não há transmissão interpessoal direta que justifique isolamento, e não existe vacina contra helmintos.
Criança de 4 anos apresenta dor abdominal, distensão e eliminação de verme cilíndrico, branco-amarelado, de cerca de 20 cm, pelas fezes. Qual o agente e a complicação mais temida?
O verme cilíndrico grande eliminado nas fezes é o Ascaris lumbricoides, e suas complicações mais graves decorrem do volume e da mobilidade: obstrução intestinal em infestações maciças e migração para vias biliares e pancreáticas, com colangite e pancreatite. A Taenia saginata é o distrator que ativa o medo da cisticercose, mas essa espécie não causa cisticercose humana — o risco pertence à Taenia solium.
Criança de 6 anos apresenta prurido anal noturno intenso, irritabilidade e sono agitado. Qual o exame diagnóstico adequado e o tratamento?
A fêmea do Enterobius vermicularis deposita ovos na região perianal durante a noite, e o método da fita adesiva aplicada pela manhã, antes da higiene, é o exame de escolha — o parasitológico de fezes convencional tem baixo rendimento e é o distrator preferido. O tratamento deve alcançar todos os conviventes, com repetição após duas semanas, além de medidas de higiene de roupas de cama e unhas, sob risco de reinfecção contínua.
Criança de 5 anos, de área rural, apresenta anemia ferropriva, palidez e baixo ganho ponderal. Exame parasitológico mostra ovos de ancilostomídeo. Qual a explicação da anemia e o tratamento?
Os ancilostomídeos se fixam à mucosa do intestino delgado e provocam sangramento contínuo, com perda de ferro que leva à anemia ferropriva — daí a necessidade de tratar o parasito e repor o ferro, pois só um dos dois não resolve. Atribuir o quadro à deficiência de vitamina B12 é o erro que confunde com a Diphyllobothrium latum, cestódeo que realmente consome essa vitamina, mas é epidemiologicamente distinto.
Lactente de 15 meses com desnutrição e diarreia crônica, com parasitológico positivo para múltiplos helmintos. Sobre o uso de anti-helmínticos nessa faixa etária, qual afirmação é correta?
Programas de desparasitação incluem crianças a partir de 12 meses, com ajuste de dose nas menores, e o tratamento é parte da recuperação nutricional, e não algo a ser adiado até que ela ocorra, já que a carga parasitária consome nutrientes, causa perda sanguínea e piora a absorção. Condicionar a indicação à eosinofilia é erro conceitual, porque muitos infectados não a apresentam, sobretudo quando o verme está restrito à luz intestinal.
Criança de 6 anos com tosse seca, febre baixa, sibilância e infiltrado pulmonar migratório à radiografia, com eosinofilia acentuada. Reside em área com saneamento precário. Qual a hipótese?
O infiltrado migratório e fugaz, com eosinofilia importante e sintomas respiratórios leves, corresponde à passagem das larvas pelo pulmão no ciclo de Ascaris, ancilostomídeos e Strongyloides, quadro que se resolve em dias. A asma é o distrator natural porque também dá sibilância, mas ela não explica infiltrado que muda de lugar nem eosinofilia dessa magnitude. Nessa fase o parasitológico costuma ser negativo, pois o verme ainda não é adulto e não põe ovos.
Menina de 4 anos apresenta prurido anal noturno intenso, irritabilidade e sono agitado. A mãe relata ter visto pequenos vermes brancos filiformes na região perianal. Qual o exame e o tratamento adequados?
O Enterobius vermicularis deposita ovos na região perianal durante a noite, o que torna o parasitológico de fezes pouco sensível e faz da fita adesiva colhida pela manhã, antes do banho, o método adequado; o tratamento inclui repetição da dose após duas semanas e extensão aos moradores da casa, porque a reinfestação intradomiciliar é a regra. Confiar no parasitológico convencional e tratar só a criança é o erro que explica as recorrências repetidas. Metronidazol trata protozoários, e praziquantel atua em trematódeos e cestódeos.
Menina de 5 anos com prurido anal de predomínio noturno, irritabilidade e sono fragmentado, sem diarreia. Exame parasitológico de fezes negativo em três amostras. Qual o exame indicado e o tratamento?
A fêmea do Enterobius deposita os ovos na região perianal durante a noite, e não nas fezes, o que explica o parasitológico repetidamente negativo: o exame que faz o diagnóstico é a coleta perianal com fita adesiva pela manhã, antes da higiene. O tratamento inclui toda a família, com repetição da dose em cerca de duas semanas para alcançar as formas que ainda não haviam eclodido, além de medidas de higiene, corte de unhas e troca de roupas de cama.
Menino de 7 anos com disenteria, tenesmo, fezes com muco e sangue e febre baixa. Evolui com dor em hipocôndrio direito, hepatomegalia dolorosa e febre alta. Ultrassonografia mostra lesão hepática única de conteúdo espesso. Qual o agente e o tratamento?
Disenteria seguida de abscesso hepático único é a evolução característica da amebíase invasiva, em que os trofozoítos ulceram a mucosa colônica e alcançam o fígado pela circulação portal. O tratamento tem duas etapas que costumam ser esquecidas: o nitroimidazólico elimina a forma tecidual, mas é preciso associar um amebicida luminal para erradicar os cistos e evitar recidiva e transmissão. A shigelose causa disenteria febril, porém não produz abscesso hepático.
Sobre o tratamento das parasitoses intestinais na infância, qual associação entre agente e fármaco está correta?
O praziquantel é o fármaco de escolha para a esquistossomose e também para as teníases intestinais, com esquema de dose única ajustada ao peso. As demais alternativas trocam classes: a giardíase responde melhor aos nitroimidazólicos, a estrongiloidíase tem na ivermectina o tratamento preferencial, e os ancilostomídeos são tratados com benzimidazólicos. Guardar a correspondência entre parasita e droga é o que a prova cobra aqui, e o erro mais comum é generalizar o albendazol para protozoários.
Criança de 7 anos com diarreia crônica, fezes volumosas e gordurosas, distensão abdominal, flatulência e perda ponderal, sem eosinofilia. Qual o agente mais provável e o tratamento?
Diarreia arrastada com esteatorreia, distensão e má absorção em criança aponta para giardíase, que agride o duodeno e o jejuno e pode levar a déficit de crescimento. Um detalhe discrimina bem: por ser protozoário, a giárdia NÃO cursa com eosinofilia, ao contrário dos helmintos, e essa é a pista que a questão oferece. Tratar empiricamente com albendazol pensando em verme é o erro comum, embora o albendazol tenha alguma atividade contra giárdia.
Menino de 5 anos, com desnutrição e verminose, recebe albendazol e evolui em 48 horas com dor abdominal intensa, vômitos biliosos, distensão e parada de eliminação de gases. Radiografia mostra níveis hidroaéreos. Qual a complicação mais provável?
Em crianças com alta carga parasitária, o vermífugo pode agitar os vermes e transformar um novelo de áscaris em obstrução mecânica, quadro clássico que aparece nos primeiros dias de tratamento e frequentemente responde a medidas conservadoras com sonda, hidratação e óleo mineral, reservando a cirurgia à falha ou à perfuração. A invaginação é o diferencial mais próximo, porém típica de lactentes e com fezes em geleia de framboesa. Peritonite espontânea ocorre em ascite, colecistite alitiásica em pacientes graves e prolongadamente em jejum, e volvo de sigmoide é doença de adultos com megacólon.
Menina de 8 anos, de área rural, apresenta palidez progressiva, cansaço aos esforços e desejo de comer terra. Hemograma: hemoglobina 7,8 g/dL, VCM 65 fL, ferritina baixa, eosinofilia de 12%. Qual a parasitose mais provável?
A combinação de anemia ferropriva com eosinofilia em criança de área rural aponta ancilostomíase: o verme se fixa à mucosa do delgado e produz perda sanguínea crônica, o que explica a ferropenia e a geofagia. A ascaridíase é o distrator mais escolhido por ser a geo-helmintíase mais prevalente, mas ela causa desnutrição, dor abdominal, quadros obstrutivos e migração do verme, e não anemia por perda sanguínea. Enterobíase dá prurido anal noturno, teníase costuma ser oligossintomática com eliminação de proglotes, e amebíase produz disenteria, não anemia crônica ferropriva.
Menino de 6 anos apresenta diarreia com fezes gordurosas, flatulência intensa, dor abdominal e perda de peso há três semanas, após acampamento com consumo de água de riacho. Qual o agente mais provável e o tratamento?
Diarreia arrastada com esteatorreia, distensão e perda de peso após exposição a água não tratada é o quadro da giárdia, protozoário que agride o duodeno e o jejuno e causa má absorção; o tratamento é com derivado imidazólico ou albendazol. A amebíase é o distrator próximo, mas dá disenteria com sangue e muco e pode formar abscesso hepático, além de não ser tratada com o antibiótico citado. Diarreia viral não se arrasta por três semanas com esse padrão.
Menino de 6 anos, de área com saneamento precário, com dor abdominal em cólica, distensão e vômitos há 2 dias. Radiografia de abdome mostra imagens alongadas em novelo, no interior de alças distendidas. Qual o diagnóstico?
Um novelo de estruturas alongadas dentro de alças distendidas em criança de área endêmica é a imagem clássica do bolo de áscaris, a causa parasitária mais frequente de obstrução intestinal na infância, favorecida pela carga parasitária alta e pelo pequeno calibre do intestino. A intussuscepção é o diferencial obrigatório de obstrução nessa faixa, mas ali predominam o lactente, as fezes em geleia de framboesa e a massa palpável em salsicha, sem essas imagens tubulares.
Criança de 8 anos com palidez importante, cansaço aos esforços e Hb de 6,5 g/dL, com hipocromia e microcitose, ferritina baixa e eosinofilia de 15%. Refere andar descalça na área rural. Qual o agente mais provável?
A combinação de anemia ferropriva significativa, eosinofilia e contato com solo contaminado sem calçado aponta para ancilostomíase: as larvas penetram pela pele e os vermes adultos se fixam à mucosa do delgado, causando perda sanguínea crônica proporcional à carga parasitária. Giardia causa má absorção, mas não sangramento nem eosinofilia; o oxiúro dá prurido anal e não anemia. Tratar a anemia sem tratar o verme perpetua a perda e a recidiva.
Criança com suboclusão intestinal por Ascaris, ainda com trânsito parcialmente preservado. Qual conduta inicial é a mais adequada?
O manejo inicial é clínico: descomprimir, hidratar e facilitar a eliminação do novelo, reservando a cirurgia aos casos com sinais de perfuração, isquemia ou falha do tratamento conservador. O ponto que a prova cobra é o momento do anti-helmíntico: drogas que causam paralisia espástica podem enrijecer o novelo e converter uma suboclusão em obstrução completa, por isso o antiparasitário definitivo entra depois de restabelecido o trânsito.
Sobre a eosinofilia como pista diagnóstica nas parasitoses, qual afirmação é correta?
O eosinófilo responde a parasitas multicelulares que atravessam tecidos, o que explica a eosinofilia marcante na fase migratória de áscaris, ancilostomídeos, estrongiloides e toxocara, e a sua discrição quando o verme está apenas na luz intestinal. Protozoários como giárdia e ameba não provocam essa resposta, e essa dissociação é justamente o que orienta a investigação. Achar que a ausência de eosinofilia afasta parasitose é a leitura equivocada mais frequente.
Qual parasitose intestinal está classicamente associada a prolapso retal em crianças com infestação maciça?
A infestação maciça por Trichuris trichiura causa colite com tenesmo, diarreia mucossanguinolenta e esforço evacuatório repetido, podendo levar ao prolapso retal, no qual às vezes se visualizam os vermes aderidos à mucosa. A ascaridíase, por sua vez, se associa a suboclusão intestinal por novelo de vermes e a migração para vias biliares, e a enterobíase, ao prurido anal noturno com irritabilidade e insônia, cada uma com sua marca clínica.
Menino de 7 anos, residente em área rural sem saneamento, apresenta palidez, cansaço aos esforços e baixo rendimento escolar. Hemoglobina 8,0 g/dL, VCM 66 fL, ferritina 5 ng/mL, com eosinofilia de 12%. Anda descalço na terra. Qual a hipótese e a conduta?
A ancilostomíase é a geo-helmintíase que mais causa anemia, porque o verme adulto se fixa à mucosa e provoca perda sanguínea crônica; a associação de anemia microcítica com ferritina baixa, eosinofilia e contato com solo em área sem saneamento fecha o raciocínio. O tratamento precisa ser duplo: antiparasitário e reposição de ferro, porque tratar apenas o verme deixa a criança anêmica por meses e tratar apenas com ferro permite a perda continuada.
Menina de 4 anos apresenta prurido anal intenso de predomínio noturno, irritabilidade e insônia, com vulvovaginite associada. Qual o diagnóstico e a conduta?
O prurido anal noturno decorre da migração da fêmea de Enterobius vermicularis para a região perianal, e em meninas ela pode alcançar a vulva e causar vulvovaginite. O tratamento inclui toda a família, com repetição da dose após duas semanas para cobrir o ciclo, além de higiene, corte de unhas e troca de roupas de cama, porque a reinfestação por autoinoculação é a regra quando só o caso índice é tratado.
Criança de 6 anos com diarreia crônica, distensão abdominal, flatulência, esteatorreia e perda de peso, sem febre nem sangue nas fezes. Qual a hipótese parasitária mais provável e o tratamento?
A Giardia lamblia coloniza o duodeno e o jejuno, causando síndrome de má absorção com esteatorreia, distensão, flatulência e perda de peso, sem sangue nas fezes nem invasão tecidual, o que também explica a ausência de eosinofilia. O tratamento é com nitroimidazólicos ou albendazol, e um detalhe prático é que a pesquisa em amostra única de fezes tem sensibilidade baixa pela eliminação intermitente de cistos, exigindo amostras seriadas.
Criança de 5 anos apresenta dor abdominal, distensão e vômitos, com eliminação de verme cilíndrico e branco-rosado pelas fezes. Radiografia de abdome sugere massa de vermes em alça intestinal com sinais de suboclusão. Qual a conduta?
A ascaridíase com suboclusão é manejada com suporte, hidratação, descompressão e antiparasitário, reservando a cirurgia para obstrução completa, perfuração ou falha do tratamento conservador. Um cuidado clássico é a escolha e o momento do antiparasitário, porque drogas que paralisam sem matar podem favorecer migração errática do verme para vias biliares ou pancreáticas. Complicações incluem colangite, pancreatite e abscesso hepático.
Menino de 7 anos é levado à UBS com prurido anal noturno intenso, irritabilidade e sono fragmentado há duas semanas. Duas irmãs apresentam queixa semelhante. Exame físico sem alterações relevantes, exceto escoriações perianais. A família mora em domicílio com boas condições de saneamento. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta?
Prurido anal noturno com agregação familiar é quadro típico de enterobíase, cujo manejo inclui tratamento do caso e dos contatos domiciliares, além de higiene de roupas de cama e unhas curtas para interromper a autoinfestação. A ascaridíase costuma cursar com queixas abdominais ou eliminação de vermes, e tratar só o caso índice mantém o ciclo familiar. A estrongiloidíase grave ocorre sobretudo em imunossuprimidos e não se apresenta assim. A teníase manifesta-se por eliminação de proglotes, não por prurido anal noturno.
Menino de 4 anos, morador de área rural, apresenta prurido anal noturno intenso há 3 semanas, com irritabilidade e sono fragmentado. A mãe relata ter visto pequenos vermes brancos e móveis na região perianal ao acordar. Exame físico sem outras alterações e desenvolvimento adequado. Qual é o agente e a conduta correta?
O prurido anal de predomínio noturno com visualização de vermes brancos filiformes na região perianal é típico da enterobíase, cujo tratamento deve alcançar todos os conviventes e ser repetido após duas semanas pelo alto índice de reinfecção por autoinoculação. A ascaridíase costuma cursar com dor abdominal, eliminação de verme cilíndrico grande ou quadro obstrutivo. A giardíase manifesta-se com diarreia crônica, distensão e má absorção. A estrongiloidíase associa-se a larva currens e eosinofilia, sem esse padrão de prurido perianal noturno.
Criança de 5 anos é levada à Unidade Básica de Saúde por episódios recorrentes de dor abdominal, palidez e baixo ganho de peso. Reside em área sem saneamento e brinca descalça em terreno de terra. Hemograma mostra hemoglobina de 8,4 gramas por decilitro, com microcitose e hipocromia, e eosinofilia de 12 por cento. Qual é a parasitose mais provável e o tratamento?
Anemia ferropriva com eosinofilia em criança que anda descalça em solo contaminado aponta para ancilostomíase, cuja larva penetra pela pele e o verme adulto provoca perda sanguínea intestinal crônica, exigindo anti-helmíntico e reposição de ferro. A enterobíase causa prurido anal e não anemia. A teníase costuma ser oligossintomática, com eliminação de proglotes, sem anemia ferropriva. A amebíase produz disenteria com muco e sangue, e não esse padrão de anemia crônica com eosinofilia.
Criança de 7 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com dor abdominal e eliminação de verme cilíndrico de cerca de 20 cm nas fezes. Está em bom estado geral, sem sinais de obstrução intestinal. Reside em área rural com saneamento precário e água de poço. Exame parasitológico de fezes com ovos de Ascaris lumbricoides. Qual é a conduta adequada?
A ascaridíase não complicada é tratada com albendazol ou mebendazol, sempre acompanhados de orientações de saneamento, higiene e tratamento dos contatos, dado o mecanismo de transmissão fecal-oral. A laparotomia é reservada a complicações como obstrução intestinal refratária ou volvo, ausentes no caso. A ivermectina é a escolha para estrongiloidíase e escabiose, com eficácia inferior nesse helminto. O metronidazol trata protozooses como amebíase e giardíase, sem ação sobre nematódeos intestinais.
Criança de 9 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde com palidez, cansaço e baixo desempenho escolar. Reside em área rural, anda descalça e a família não tem saneamento. Hemoglobina 7,8 g/dL, volume corpuscular médio 64 fL, ferritina 5 ng/mL, com eosinofilia de 9%. Parasitológico de fezes com ovos de ancilostomídeos. Qual é a conduta adequada?
A ancilostomíase provoca anemia ferropriva por espoliação sanguínea intestinal, e o manejo completo exige tratamento anti-helmíntico com albendazol, reposição de ferro e medidas de prevenção, como uso de calçados e saneamento. Repor ferro sem tratar o verme mantém a perda contínua e a recidiva da anemia. A transfusão é reservada a anemia grave com repercussão hemodinâmica, o que não se descreve. O praziquantel trata esquistossomose e teníases, sem ação sobre ancilostomídeos.
Criança de 3 anos apresenta febre e dor abdominal há 3 dias, com eliminação de verme cilíndrico de cerca de 20 centímetros pelo ânus. Hoje evolui com vômitos biliosos, distensão abdominal e parada de eliminação de gases e fezes. Ao exame, o abdome está distendido, com dor difusa e ruídos hidroaéreos aumentados em timbre metálico. Qual é a conduta?
A eliminação de verme com quadro obstrutivo caracteriza suboclusão ou obstrução por novelo de Ascaris, exigindo jejum, hidratação, descompressão quando indicada e avaliação cirúrgica, pelo risco de perfuração e volvo. Administrar anti-helmíntico durante o quadro obstrutivo pode agravar a impactação por paralisia dos vermes. Laxantes não estão indicados na obstrução mecânica. Aguardar exame parasitológico retarda a abordagem de uma emergência abdominal.
Criança de 9 anos apresenta diarreia intermitente há 2 meses, com fezes pastosas, distensão abdominal, flatulência e perda de peso. Não há febre nem sangue nas fezes. Frequenta escola com casos semelhantes e usa água de poço. Exame parasitológico revela cistos de protozoário flagelado. Qual é o tratamento indicado?
Diarreia crônica com distensão, flatulência e má absorção, com cistos de protozoário flagelado, corresponde a giardíase, tratada com nitroimidazólico. O albendazol tem atividade principal contra helmintos intestinais, embora possa ser alternativa em alguns esquemas. O praziquantel trata esquistossomose e teníase. A ivermectina é indicada para estrongiloidíase e escabiose, e não para giardíase.
Um município do interior implanta ação de desparasitação em escolas, com administração de anti-helmíntico em massa para crianças em idade escolar. A equipe de saúde da família participa do planejamento. Qual é a justificativa técnica dessa estratégia em áreas de alta prevalência?
A quimioterapia preventiva em escolares de áreas de alta prevalência reduz a carga parasitária e seus efeitos sobre anemia, crescimento e aprendizagem, sendo uma estratégia complementar a saneamento e educação em saúde. Afirmar erradicação definitiva ignora a reinfecção, inevitável sem melhoria ambiental. A estratégia coletiva não dispensa a investigação individual do paciente sintomático. Anti-helmínticos não previnem infecções bacterianas.
Criança de 7 anos apresenta há 6 meses episódios recorrentes de dor abdominal e eliminação de estruturas brancas achatadas nas fezes, semelhantes a fitas. A família consome carne bovina malpassada com frequência. Não há febre, e o estado geral é bom. Qual é o diagnóstico e o tratamento?
A eliminação de proglotes em fita associada ao consumo de carne bovina malcozida caracteriza teníase por Taenia saginata, tratada com praziquantel ou niclosamida. A ascaridíase cursa com eliminação de verme cilíndrico e não de proglotes. A estrongiloidíase não produz proglotes e tem apresentação clínica distinta. A himenolepíase é causada por outro cestódeo e não é tratada com metronidazol, que atua sobre protozoários.
Uma criança de 6 anos apresenta prolapso retal recorrente, diarreia crônica com muco e sangue e anemia. Reside em área sem saneamento. O exame parasitológico identifica ovos em forma de barril com tampões polares. Qual é o parasita e o tratamento indicado?
Ovos em barril com tampões polares identificam Trichuris trichiura, cuja infecção maciça em criança pode causar disenteria crônica, anemia e prolapso retal, tratada com benzimidazólico. O ascaris apresenta ovos com casca mamilonada e causa quadros obstrutivos. O oxiúro produz prurido anal e ovos assimétricos coletados por fita adesiva. O esquistossomo tem ovos com espículo lateral e cursa com hepatoesplenomegalia.
Criança de 4 anos é levada à Unidade Básica de Saúde e a mãe relata dificuldade para adormecer, prurido anal e agitação noturna há 1 mês. O exame parasitológico de fezes convencional foi negativo em duas amostras. O exame físico é normal, sem lesões perianais evidentes. Qual é o exame mais apropriado para confirmar a suspeita?
O diagnóstico da enterobíase se faz pelo método da fita adesiva perianal, pois os ovos são depositados na região perianal e raramente aparecem nas fezes. Repetir o parasitológico convencional mantém a baixa sensibilidade para esse helminto. A eosinofilia é inespecífica e frequentemente ausente na enterobíase. A ultrassonografia não avalia essa parasitose.
Criança de 6 anos apresenta dor abdominal recorrente, palidez e prurido anal. Foi tratada há 3 meses com anti-helmíntico, com melhora temporária, e voltou a apresentar sintomas. Reside em domicílio sem saneamento, com contato frequente com solo. Qual é a intervenção com maior impacto na prevenção da reinfecção?
A reinfecção por parasitas intestinais depende de exposição ambiental, e a intervenção de maior impacto sustentado é a melhoria do saneamento e das práticas de higiene, complementando o tratamento medicamentoso. Repetir o anti-helmíntico mensalmente sem mudar a exposição não interrompe o ciclo e amplia a pressão seletiva. O antibiótico não atua sobre helmintos. Restringir a alimentação a industrializados não previne parasitoses e piora a qualidade nutricional.
Menina de 6 anos, moradora de área sem saneamento básico, é levada ao pronto-socorro por dor abdominal em cólica, distensão e vômitos há 2 dias, com parada de eliminação de gases. A mãe relata eliminação de vermes cilíndricos nas fezes em outras ocasiões. Ao exame apresenta abdome distendido, doloroso à palpação difusa, com ruídos hidroaéreos aumentados e massa palpável mal definida em quadrante inferior direito, sem sinais de peritonite. A radiografia simples mostra distensão de alças de delgado com níveis hidroaéreos e imagem em miolo de pão. A conduta inicial mais adequada é:
A suboclusão por bolo de áscaris responde na maioria dos casos ao tratamento conservador com jejum, descompressão gástrica, hidratação e antiespasmódicos, com antiparasitário administrado após a resolução da obstrução para evitar migração dos vermes, mantendo-se vigilância cirúrgica em caso de sinais de sofrimento intestinal. Dar antiparasitário e liberar durante a fase obstrutiva pode provocar migração e perfuração. Laparotomia imediata é reservada à falha do tratamento clínico ou a sinais de peritonite. Laxantes agravam a cólica e não desfazem o novelo de vermes.
Menino de 8 anos, morador de área rural sem saneamento e que anda descalço, é levado à Unidade Básica de Saúde por palidez, cansaço e queda no rendimento escolar. A mãe refere que ele come bem. Ao exame: mucosas hipocoradas, sem visceromegalias, sopro sistólico suave, crescimento no percentil 10 de peso para a idade, sem edema. Exames: hemoglobina 8,4 g/dL, volume corpuscular médio 66 fL, ferritina 5 ng/mL, eosinofilia de 1.400/mm3, exame parasitológico de fezes com ovos de ancilostomídeos. A conduta correta é:
Anemia ferropriva com eosinofilia e ovos de ancilostomídeos nas fezes, em criança que anda descalça em área sem saneamento, indica ancilostomíase como causa da perda crônica de sangue intestinal; a conduta é tratar a parasitose, repor ferro e orientar prevenção, incluindo calçados e melhoria das condições sanitárias. Repor ferro sem tratar o verme mantém a perda e perpetua a anemia. Antibióticos não têm ação sobre helmintos. Transfusão não está indicada sem instabilidade ou anemia sintomática grave e não trata a causa da perda.
Menina de 8 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com queixa de cansaço e o hemograma de rotina mostra eosinofilia de 2.400 células por microlitro, com hemoglobina normal e demais séries sem alterações. Ela mora em zona rural, brinca descalça no quintal e não tem acesso regular a saneamento básico. Ela nega asma, rinite, dermatite atópica ou uso de medicamentos. Ao exame, está em bom estado geral, com discreta palidez, abdome globoso e sem visceromegalias, e o exame de fezes não foi realizado. A conduta inicial correta é
Eosinofilia em criança de área com saneamento inadequado e contato com solo aponta prioritariamente para parasitoses intestinais, sobretudo helmintíases com ciclo pulmonar, exigindo exame parasitológico com métodos adequados e tratamento específico, além de medidas de saneamento e educação em saúde. Corticoide mascara a eosinofilia sem tratar a causa e é perigoso em estrongiloidíase. Mielograma é desproporcional como investigação inicial. Anti-histamínico não trata parasitose e adia o diagnóstico.
Menina de 5 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com queixa de prurido anal noturno intenso há três semanas, que atrapalha o sono e piora de madrugada. A mãe relata que a irmã de 8 anos apresenta sintomas semelhantes e que as duas dormem na mesma cama. Ao exame, há escoriações perianais por coçadura, sem lesões vesiculares, sem secreção vaginal e sem sinais de abuso. A criança está em bom estado geral, eutrófica, com abdome normal e sem visceromegalias, e o hemograma é normal. O agente etiológico mais provável é
Prurido anal de predomínio noturno com acometimento de contactantes domiciliares é característico da enterobíase, causada pelo Enterobius vermicularis, diagnosticada pelo método da fita adesiva e tratada com anti-helmíntico estendido aos conviventes. A ascaridíase costuma ser assintomática ou causar dor abdominal e eliminação de vermes. A giardíase causa diarreia crônica e má absorção. A ancilostomíase cursa com anemia ferropriva por perda sanguínea intestinal e lesão cutânea no ponto de penetração larvária.
Menino de 6 anos é levado ao pronto-atendimento com dor abdominal em cólica, vômitos e parada de eliminação de fezes e gases há 24 horas. A família mora em zona rural sem saneamento e a criança já eliminou vermes pelas fezes anteriormente. Ao exame, apresenta abdome distendido, doloroso à palpação difusa, com ruídos hidroaéreos aumentados de timbre metálico e massa palpável em fossa ilíaca direita, sem sinais de peritonite. A radiografia mostra distensão de alças com níveis hidroaéreos e imagem de novelo em alça intestinal. A hipótese diagnóstica mais provável é
Obstrução intestinal em criança de área endêmica, com antecedente de eliminação de vermes e imagem de novelo em alça, é característica da obstrução por bolo de áscaris, tratada inicialmente de forma conservadora com jejum, sonda nasogástrica, hidratação e anti-helmíntico após a desobstrução, com cirurgia se houver complicação. A invaginação acomete lactentes e cursa com fezes em geleia de framboesa. O plastrão apendicular cursa com febre e dor persistente sem parada completa do trânsito. O volvo de sigmoide é raro na infância.
Menina de 8 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com diarreia crônica há dois meses, fezes pastosas, gordurosas e fétidas, distensão abdominal, flatulência e perda de 2 kg. Ela frequenta creche comunitária e a família usa água de poço sem tratamento. Ao exame, está com discreta palidez, abdome distendido e timpânico, sem visceromegalias e sem edema. Não há sangue nas fezes, febre ou sinais de desidratação, e o hemograma mostra apenas anemia leve. O exame parasitológico mostra cistos de protozoário flagelado. O agente e o tratamento corretos são
Diarreia crônica com esteatorreia, distensão, flatulência e perda ponderal, associada a cistos de protozoário flagelado e consumo de água não tratada, caracteriza giardíase, tratada com nitroimidazólico e medidas de saneamento e higiene. A amebíase cursa tipicamente com disenteria e não produz esse padrão de má absorção crônica. A ascaridíase é causada por helminto e não por protozoário flagelado. A esquistossomose cursa com hepatoesplenomegalia e ovos, e não com cistos de flagelado.
Menina de 5 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com dor abdominal, diarreia intermitente e prurido anal, e a mãe relata ter visto estruturas brancas achatadas e móveis na roupa íntima da criança. A família consome carne bovina malpassada com frequência e mora em área sem inspeção sanitária adequada. Ao exame, a criança está eutrófica, com abdome flácido e indolor, sem visceromegalias e sem palidez. O exame parasitológico de fezes identificou proglotes e ovos característicos, e o hemograma mostra eosinofilia discreta. O agente etiológico mais provável é
A eliminação de proglotes achatadas e móveis associada ao consumo de carne bovina malpassada caracteriza a teníase por Taenia saginata, tratada com anti-helmíntico específico e prevenida pela inspeção sanitária da carne e pelo cozimento adequado. O Enterobius produz prurido anal noturno, mas seus vermes são pequenos e filiformes, sem proglotes. O Ascaris é cilíndrico e grande, eliminado inteiro. O Strongyloides causa autoinfecção com larvas nas fezes, sem eliminação de proglotes.
Menino de 5 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com dor abdominal recorrente, diarreia intermitente e emagrecimento leve, e o exame parasitológico de fezes identifica ovos de Hymenolepis nana. A família tem cinco crianças pequenas em casa, com condições precárias de higiene, e outras duas apresentam sintomas semelhantes. Ao exame, ele está com peso no percentil 10, abdome flácido e indolor, sem visceromegalias e sem palidez importante. O hemograma mostra eosinofilia discreta e a criança está afebril e ativa. A conduta correta é
A himenolepíase tem transmissão fecal-oral direta e autoinfecção, com alta transmissibilidade intradomiciliar, de modo que o tratamento deve incluir a criança, a avaliação e o tratamento dos contactantes sintomáticos e o reforço das medidas de higiene e saneamento para evitar reinfecção. Tratar apenas o caso índice perpetua o ciclo. Aguardar três meses mantém a transmissão e a morbidade. Antibiótico de amplo espectro não tem ação sobre helmintos e favorece resistência bacteriana.
Menino de 7 anos é levado ao pronto-atendimento com dor abdominal, diarreia com sangue e muco, febre e tenesmo há cinco dias, com piora progressiva. A família mora em comunidade sem tratamento de água e outras pessoas apresentaram sintomas semelhantes. Ao exame, está prostrado, com temperatura de 38,5 °C, abdome doloroso à palpação difusa, sem sinais de peritonite, e desidratação leve. O exame parasitológico de fezes com técnica adequada revela trofozoítos com hemácias fagocitadas, e o hemograma mostra leucocitose sem eosinofilia. O agente etiológico mais provável é
Trofozoítos com hemácias fagocitadas nas fezes definem a amebíase invasiva por Entamoeba histolytica, que cursa com disenteria e pode complicar com abscesso hepático, sendo tratada com nitroimidazólico associado a amebicida luminal. A giardíase cursa com diarreia crônica e má absorção, sem hemácias fagocitadas. A shigelose causa disenteria, mas o diagnóstico é por coprocultura e não pela visualização de trofozoítos. O Ascaris é helminto e não causa disenteria com esse achado microscópico.
Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com prurido anal intenso, sobretudo à noite, que atrapalha o sono há três semanas. A mãe relata que a irmã menor tem queixa semelhante e que a criança frequenta creche. Ao exame, escoriações perianais por coçadura, sem lesões ulceradas, sem massas ao toque e com abdome indolor. Não há diarreia, perda ponderal ou palidez. O exame parasitológico de fezes convencional foi negativo. A conduta correta é:
Prurido anal de predomínio noturno em criança, com caso semelhante no domicílio e frequência a creche, é típico de enterobíase, cujo diagnóstico não é feito pelo parasitológico convencional, mas pelo método da fita adesiva na região perianal; o tratamento é anti-helmíntico com repetição da dose e extensão aos contatos domiciliares, além de medidas de higiene. Repetir o exame convencional mantém o resultado negativo. Corticoide alivia sintoma sem tratar a causa. Colonoscopia é invasiva e desnecessária nesse quadro típico.
Homem de 31 anos procura a Unidade Básica de Saúde com diarreia intermitente há dois meses, com fezes amolecidas, gordurosas e de odor fétido, associada a distensão abdominal, flatulência excessiva, cólicas e perda de 4 kg. Nega febre, sangue nas fezes e viagens recentes ao exterior, mas bebe água de poço não tratado em sítio onde passa fins de semana. Ao exame: bom estado geral, abdome distendido e timpânico, sem massas. O exame parasitológico de fezes identifica cistos característicos. Qual é o agente mais provável?
Diarreia arrastada com fezes gordurosas e fétidas, distensão abdominal, flatulência e perda de peso, associada ao consumo de água não tratada, é característica da giardíase, que provoca má absorção por acometimento do intestino delgado proximal. A amebíase cursa com disenteria, com muco e sangue, e pode complicar com abscesso hepático. A ascaridíase costuma ser oligossintomática ou causar obstrução intestinal em infestações maciças. A teníase se manifesta por eliminação de proglotes, sem síndrome de má absorção desse padrão.
Menina de 4 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com palidez, cansaço e baixo rendimento nas atividades. A família mora em área rural sem saneamento e a criança anda descalça e brinca na terra. Ao exame, apresenta palidez cutâneo-mucosa importante, abdome globoso, sem visceromegalias e sem edema, com peso no percentil 5. O hemograma mostra hemoglobina de 7,6 g/dL, volume corpuscular médio reduzido, eosinofilia e o exame parasitológico identifica ovos de ancilostomídeo. A conduta correta é
A ancilostomíase causa anemia ferropriva por perda sanguínea intestinal crônica, e o tratamento combina anti-helmíntico específico, reposição de ferro em dose terapêutica e medidas de saneamento e proteção individual, como uso de calçados, para evitar reinfecção. Tratar apenas com ferro sem eliminar o parasita perpetua a perda sanguínea. Tratar apenas a parasitose deixa a criança anêmica com impacto sobre o desenvolvimento. Transfusão é reservada a anemia grave sintomática e não substitui o tratamento etiológico.
Uma equipe de saúde da família atende família com cinco crianças e três adultos em que várias pessoas relatam prurido anal noturno intenso e insônia há semanas. A mãe relata ter visto pequenos vermes brancos e móveis na região anal de uma das crianças durante a noite. Ao exame das crianças: escoriações perianais, sem lesões vesiculares, sem secreção e sem sinais de violência, com bom estado geral e crescimento adequado. Qual é a conduta mais adequada?
A enterobíase se transmite facilmente no ambiente domiciliar por ovos que contaminam roupas, superfícies e mãos, exigindo tratamento simultâneo de todos os moradores, repetição da dose conforme o esquema e medidas de higiene, como lavagem de roupas de cama, corte de unhas e higiene das mãos, para evitar reinfestação. Tratar apenas um membro perpetua o ciclo. Anti-histamínico alivia o prurido sem eliminar o parasito. O parasitológico convencional tem baixa sensibilidade para essa parasitose, cujo diagnóstico é clínico ou por método específico da região perianal.
Menino de 6 anos, morador de área rural com saneamento precário, é levado à Unidade Básica de Saúde com dor abdominal recorrente, distensão e episódios de diarreia com fezes gordurosas há dois meses, além de perda de apetite. Ao exame: mucosas discretamente hipocoradas, abdome distendido e timpânico, sem visceromegalias, com estatura no percentil 10 e peso no percentil 5, cruzando canal de percentil para baixo. O parasitológico identifica cistos de Giardia lamblia. Qual é a conduta correta?
A giardíase provoca má absorção com repercussão sobre o crescimento em crianças, exigindo tratamento específico, orientação sobre higiene das mãos, tratamento da água e destino adequado de dejetos, além de reavaliação nutricional e do crescimento, com atenção à reinfecção. Condicionar o tratamento à presença de sangue nas fezes é incorreto, pois a giardíase não cursa com disenteria. Suplemento sem tratar o parasito mantém a má absorção. Colonoscopia não é necessária diante de diagnóstico parasitológico estabelecido.
Menina de 7 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com prolapso retal ocorrido durante evacuação, com esforço evacuatório frequente e diarreia crônica com muco e sangue em pequena quantidade há meses. Mora em área sem saneamento e anda descalça. Ao exame: mucosas hipocoradas, abdome flácido, com prolapso retal reduzido manualmente, apresentando mucosa friável com pequenos parasitas visíveis aderidos. O hemograma mostra anemia e eosinofilia. Qual é o agente mais provável?
Diarreia crônica com muco e sangue, tenesmo, prolapso retal e visualização de vermes finos aderidos à mucosa retal em criança de área sem saneamento é característico da tricuríase, cujas infestações maciças acometem cólon e reto. A ascaridíase causa quadro abdominal inespecífico ou obstrução, sem prolapso com vermes aderidos ao reto. A enterobíase provoca prurido anal noturno, sem disenteria e prolapso. A teníase cursa com eliminação de proglotes, sem esse quadro colônico.
Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com palidez progressiva, cansaço e queda no rendimento escolar há meses. Mora em área rural, anda descalço e brinca em terra. Ao exame: mucosas hipocoradas, taquicárdico, sopro sistólico suave, sem visceromegalias, com estatura preservada e peso discretamente abaixo do esperado. Exames: anemia microcítica e hipocrômica com ferritina muito baixa, eosinofilia, e o parasitológico de fezes identifica ovos de ancilostomídeos. Qual é a conduta correta?
A ancilostomíase provoca perda sanguínea intestinal crônica com anemia ferropriva na criança, exigindo tratamento anti-helmíntico, reposição de ferro até restaurar os estoques, orientação de uso de calçados e ações de saneamento, além de reavaliação hematológica. Repor ferro sem tratar o parasito mantém a perda. Transfusão se reserva a anemia grave com repercussão hemodinâmica. Tratar somente o parasito deixa a criança anêmica, com prejuízo cognitivo e escolar.
Menino de 4 anos é levado à Unidade de Pronto Atendimento com dor abdominal em cólica, vômitos e distensão há um dia, com parada de eliminação de gases. A mãe relata eliminação de vermes grandes pelas fezes e pela boca no mês passado. Ao exame: abdome distendido, timpânico, com dor difusa e ruídos hidroaéreos de luta, sem irritação peritoneal, com desidratação leve. A radiografia mostra distensão de alças de delgado com níveis hidroaéreos e imagem tubular sugestiva de novelo de vermes. Qual é a conduta inicial?
A suboclusão intestinal por novelo de áscaris costuma responder ao tratamento conservador com jejum, descompressão por sonda nasogástrica, hidratação e reavaliação seriada, administrando-se anti-helmíntico após a desobstrução, para evitar migração errática dos vermes, com cirurgia reservada a complicações como perfuração, volvo ou isquemia. Administrar anti-helmíntico com obstrução instalada pode agravar o quadro. Laparotomia para todos é conduta excessiva. Laxantes estimulantes em obstrução aumentam o risco de perfuração.
Menina de 5 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com prurido anal intenso à noite, insônia e irritabilidade há três semanas. A mãe relata que outras crianças da creche têm queixa semelhante e que já usou pomadas sem melhora. Ao exame: escoriações perianais, sem secreção, sem lesões vesiculares e sem sinais de violência sexual, com bom estado geral e crescimento adequado. O parasitológico de fezes convencional foi negativo em três amostras coletadas em dias alternados. Qual é a conduta correta?
A enterobíase raramente é detectada pelo parasitológico de fezes convencional, sendo o diagnóstico clínico ou por método específico de coleta perianal, e o tratamento deve incluir todos os contatos domiciliares, com repetição da dose e medidas de higiene, como lavagem de roupas de cama, corte de unhas e higiene das mãos. Descartar a hipótese pelo exame negativo é erro frequente. Corticoide tópico alivia sintomas sem eliminar o parasita. Investigar violência sexual apenas pelo prurido, sem outros indícios, é interpretação equivocada.
Uma equipe de saúde da família planeja ações para reduzir a carga de parasitoses intestinais em escola de território com saneamento precário, onde inquérito recente mostrou alta prevalência de geo-helmintíases entre os alunos. Um profissional propõe apenas a administração periódica de anti-helmíntico a todas as crianças, sem outras medidas, argumentando ser a estratégia mais simples e barata para resolver o problema de forma definitiva. Qual é a avaliação tecnicamente correta dessa proposta?
A administração periódica de anti-helmíntico em populações de alta prevalência reduz a carga parasitária e melhora desfechos nutricionais e cognitivos, mas sem saneamento, água tratada, destino adequado de dejetos e educação em saúde a reinfecção ocorre em poucos meses, exigindo abordagem integrada e intersetorial. Afirmar eliminação definitiva com medicação isolada contraria a experiência dos programas. Negar o papel do saneamento e da educação em saúde ignora os determinantes centrais da transmissão.
Menino de 5 anos, morador de área rural, é levado à Unidade Básica de Saúde com dor abdominal recorrente, palidez e cansaço há alguns meses, além de baixo apetite. Anda descalço e brinca em terra próxima ao chiqueiro. Ao exame: mucosas hipocoradas, abdome distendido e timpânico, sem visceromegalias, com peso no percentil 5 e estatura no percentil 15, cruzando canal para baixo. Exames: anemia microcítica com ferritina baixa, eosinofilia e parasitológico com ovos de mais de uma espécie de helminto. Qual é a conduta correta?
A poliparasitose intestinal em criança com repercussão nutricional exige tratamento anti-helmíntico eficaz contra os agentes identificados, reposição de ferro até restaurar os estoques, reavaliação nutricional e de crescimento e ações de saneamento, uso de calçados e educação em saúde, sem as quais a reinfecção é rápida. Tratar apenas uma espécie deixa as demais ativas. Repor ferro sem tratar os parasitos mantém a perda. Internação não é necessária em quadro ambulatorial sem complicações.
Menina de 6 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com dor abdominal em cólica e diarreia intermitente há dois meses, com fezes amolecidas e gordurosas, distensão abdominal e flatulência. A família consome água de poço não tratado no sítio onde passa os fins de semana e outras crianças da casa têm queixas semelhantes. Ao exame: abdome distendido e timpânico, sem visceromegalias, com peso cruzando canal de percentil para baixo. O parasitológico identifica cistos característicos. Qual é a conduta correta?
A giardíase provoca má absorção com repercussão sobre o crescimento e é transmitida por água e alimentos contaminados, exigindo tratamento específico, avaliação dos contatos sintomáticos, orientação sobre tratamento da água por fervura ou cloração, higiene das mãos e reavaliação nutricional. Tratar apenas a criança sem orientar sobre a fonte perpetua a reinfecção. Suplemento sem tratar o parasito não corrige a má absorção. Endoscopia é exame invasivo desnecessário diante de diagnóstico parasitológico já estabelecido.
Menino de 4 anos é levado ao pronto-socorro com dor abdominal intensa em cólica, vômitos biliosos e distensão abdominal há um dia. A mãe relata eliminação de vermes grandes pelas fezes há duas semanas e que a criança recebeu anti-helmíntico ontem, comprado na farmácia. Ao exame: abdome distendido, timpânico, doloroso, com ruídos hidroaéreos de luta, sem irritação peritoneal, com desidratação moderada e taquicardia. A radiografia mostra níveis hidroaéreos e massa de aspecto tubular em alça de delgado. Qual é a conduta inicial?
A obstrução intestinal por novelo de áscaris é tratada inicialmente de forma conservadora, com jejum, descompressão por sonda nasogástrica, hidratação venosa e reavaliação seriada com apoio cirúrgico, administrando-se anti-helmíntico apenas após a desobstrução, pois medicamentos que paralisam ou irritam os vermes podem agravar a obstrução ou provocar migração errática. Nova dose de anti-helmíntico nesse momento é contraproducente. Laxante estimulante aumenta o risco de perfuração. Liberar criança com obstrução é conduta perigosa.
Menina de 5 anos é levada à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina e a mãe pergunta se deve dar remédio de verme a cada seis meses para todas as crianças da casa, como faz há anos por orientação de uma vizinha, mesmo sem sintomas e sem exames. A família mora em casa com água tratada, rede de esgoto e boas condições de higiene. Ao exame: criança saudável, com crescimento e desenvolvimento adequados e sem palidez ou distensão abdominal. Qual é a orientação correta?
A desparasitação periódica em massa é estratégia de saúde pública indicada em áreas de alta prevalência de geo-helmintíases, com objetivo de reduzir carga parasitária e melhorar desfechos nutricionais, não sendo recomendada de rotina em contextos com saneamento adequado, boas condições de higiene e ausência de sintomas, onde o uso indiscriminado expõe a efeitos adversos sem benefício. Manter ou aumentar a frequência nesse cenário não tem respaldo. Uso contínuo prolongado é ainda mais inadequado.
Menina de 6 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com diarreia com muco e sangue há duas semanas, associada a cólicas e tenesmo, sem febre alta. A família mora em área sem saneamento e consome água de poço. Ao exame: hidratada, com bom estado geral, abdome doloroso à palpação em flanco esquerdo, sem massas e sem irritação peritoneal, com peso preservado. O parasitológico identifica trofozoítos com hemácias fagocitadas em amostra fresca. Qual é a conduta correta?
A identificação de trofozoítos com hemácias fagocitadas confirma amebíase invasiva, cujo tratamento associa nitroimidazólico para a forma tecidual e amebicida de ação luminal para eliminar cistos, evitando recidiva e transmissão, com orientação sobre água, higiene e saneamento. Amebicida luminal isolado não trata a invasão tecidual. Antibiótico de amplo espectro não é o tratamento do protozoário. Antidiarreicos inibidores da motilidade são contraindicados na disenteria invasiva.
Menina de 9 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com queixa de cansaço e palidez, e o hemograma de rotina mostra eosinofilia acentuada e persistente em duas amostras. Ela mora em área rural, anda descalça e brinca com cães e gatos. Está assintomática do ponto de vista respiratório e digestivo, sem febre e sem lesões cutâneas. Ao exame: mucosas discretamente hipocoradas, abdome flácido, sem visceromegalias, com crescimento adequado e sem lesões de pele. Qual é a conduta inicial mais adequada?
A eosinofilia persistente em criança de área rural com exposição a solo e animais deve ser investigada considerando parasitoses intestinais e teciduais, com parasitológico seriado e métodos específicos conforme a suspeita, além de causas alérgicas e outras condições, orientando o tratamento adequado. Corticoide reduz a eosinofilia sem tratar a causa e pode ser perigoso diante de estrongiloidíase. Dosar apenas imunoglobulina E não define diagnóstico. Ignorar a eosinofilia persistente deixa de identificar condições tratáveis.
Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com diarreia intermitente, dor abdominal e prurido anal há dois meses, e a mãe relata que outras crianças da casa apresentam sintomas semelhantes. As condições de higiene são precárias e há relato de roedores no domicílio. Ao exame: eutrófico, com abdome flácido e discretamente doloroso, sem visceromegalias, e o parasitológico de fezes identifica ovos característicos de um cestódeo de ciclo direto, com autoinfestação possível. Qual é a conduta correta?
A himenolepíase tem ciclo direto com possibilidade de autoinfestação interna, o que favorece a persistência e a transmissão intradomiciliar, exigindo tratamento da criança e dos familiares acometidos, higiene rigorosa das mãos e dos alimentos, controle de roedores e insetos e reavaliação parasitológica após o tratamento. Tratar apenas a criança sem orientação mantém o ciclo. Antibiótico não trata helmintos. Aguardar a resolução espontânea perpetua o quadro e a transmissão.
Menina de 6 anos é levada pela mãe à Unidade Básica de Saúde por prurido vulvar e anal intenso, predominantemente noturno, há três semanas, com irritabilidade e sono fragmentado. A mãe relata que o irmão de 4 anos apresenta queixa semelhante. Ao exame, há hiperemia vulvar discreta com escoriações por coçadura, sem corrimento purulento, sem sinais de trauma e com hímen íntegro. O desenvolvimento é normal e não há relato ou indício de violência sexual. Qual é a conduta mais apropriada?
Prurido vulvar e anal de predomínio noturno em criança, com caso semelhante entre irmãos, aponta para enterobíase, cujo manejo inclui tratamento antiparasitário da criança e dos contatos domiciliares, além de medidas de higiene para evitar reinfestação. O antibiótico sistêmico trataria vulvovaginite bacteriana, que cursa com corrimento purulento, ausente aqui. Adiar o tratamento aguardando cultura prolonga desnecessariamente o sofrimento em um quadro de diagnóstico clínico. O estrogênio tópico não tem indicação na pré-púbere saudável e não trata a causa do prurido, que é parasitária.
Menino de 5 anos, morador de área sem saneamento básico, é levado à Unidade de Pronto Atendimento com dor abdominal em cólica, vômitos e parada da eliminação de fezes há 24 horas. A mãe relata que a criança eliminou vermes cilíndricos e brancos pelas fezes e pela boca em ocasiões anteriores. Ao exame, o abdome está distendido, doloroso, com massa palpável em forma de novelo em flanco direito; a radiografia mostra distensão de alças com aspecto de miolo de pão. Qual é a conduta inicial?
Na suboclusão por bolo de áscaris, a conduta inicial é conservadora, com hidratação, descompressão gástrica, jejum e observação, reservando a cirurgia para falha do tratamento clínico; o antiparasitário é administrado após a desobstrução, para não induzir migração e obstrução completa. Administrar dose alta de antiparasitário no quadro obstrutivo pode agravar a obstrução. Antibiótico não trata a obstrução mecânica. Enema domiciliar em criança com quadro obstrutivo e vômitos é conduta insegura e insuficiente.
Menina de 6 anos, residente em área rural sem esgotamento sanitário, é levada à Unidade Básica de Saúde por evacuações frequentes com muco e sangue e episódios de exteriorização de massa avermelhada pelo ânus ao evacuar. Está pálida e abaixo do peso esperado para a idade. O hemograma mostra hemoglobina de 9,2 g/dL e o exame parasitológico de fezes identifica ovos em forma de barril com tampões polares. Qual é o agente e a conduta adequada?
Ovos em forma de barril com tampões polares identificam o Trichuris trichiura, e a infestação maciça em criança cursa com disenteria crônica, anemia e prolapso retal; o tratamento inclui antiparasitário específico, redução do prolapso e ações de saneamento. O Enterobius provoca prurido anal noturno e tem ovos assimétricos. A teníase cursa com eliminação de proglotes, sem disenteria e prolapso. A esquistossomose apresenta ovos com espícula lateral e evolução hepatoesplênica, com epidemiologia ligada a coleções de água doce.
Menina, 4 anos, é levada à UBS por prurido anal noturno há 3 semanas, com irritabilidade e sono agitado. Frequenta creche onde outras crianças apresentam queixa semelhante. Exame físico: escoriações perianais, abdome sem visceromegalias, sem palidez. Peso e estatura no percentil 50. Hemograma com eosinófilos 320/mm³ (VR 0–500). Exame parasitológico de fezes de três amostras negativo. Qual a conduta mais adequada?
Prurido anal noturno em pré-escolar de creche com parasitológico negativo é o quadro típico de enterobíase, cujos ovos raramente aparecem nas fezes e são recuperados pelo swab anal ou teste da fita gomada matinal; o tratamento com albendazol deve incluir os contatos domiciliares por causa da alta taxa de reinfecção. O método de Baermann destina-se a larvas de Strongyloides, que não causam prurido anal noturno. A ivermectina é a droga de estrongiloidíase e escabiose, não a primeira escolha para oxiuríase, e não contempla o tratamento familiar como estratégia central. A sorologia para Toxocara investiga larva migrans visceral, que cursa com hepatomegalia, sibilância e eosinofilia acentuada, ausentes aqui. O metronidazol trata giardíase, que se manifesta com diarreia crônica, distensão e má absorção, não com prurido perianal isolado.
Menina, 7 anos, é levada por prurido anal noturno intenso há 3 semanas, com irritabilidade e sono fragmentado. A mãe relata ter visto pequenos vermes brancos e filiformes na região perianal durante a noite. Ao exame, há escoriações perianais por coçadura, sem outras alterações. Duas irmãs apresentam sintomas semelhantes. O exame parasitológico de fezes convencional resultou negativo. Qual o agente e a conduta indicada?
Prurido anal noturno com visualização de vermes filiformes brancos e acometimento de vários familiares é característico da enterobíase por Enterobius vermicularis, cujo tratamento inclui albendazol ou mebendazol com repetição após duas semanas e tratamento simultâneo dos contactantes domiciliares, além de medidas de higiene. O Ascaris lumbricoides causa dor abdominal, eliminação de vermes cilíndricos grandes nas fezes e eventual obstrução, sem prurido anal noturno. A Giardia provoca diarreia e má absorção. O Strongyloides cursa com larva currens, sintomas gastrointestinais e eosinofilia. A Taenia manifesta-se pela eliminação de proglotes, e o parasitológico convencional negativo é esperado na enterobíase, cujo diagnóstico se faz pelo método da fita adesiva.
Menino, 7 anos, apresenta há 6 semanas tosse seca persistente e sibilância, com eosinofilia de 2.800/mm³ (VR < 500). Reside em área rural, anda descalço e tem contato com solo. Refere prurido nos pés no início do quadro. Radiografia de tórax com infiltrados migratórios bilaterais. Hemoglobina 9,8 g/dL (VR 11,5–15,5) com índices de microcitose e hipocromia; ferritina reduzida. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Eosinofilia acentuada, infiltrados pulmonares migratórios, prurido plantar inicial pela penetração larvária e anemia ferropriva em criança que anda descalça em área rural configuram ancilostomíase com síndrome de Löffler durante o ciclo pulmonar do parasita. A asma alérgica não produz infiltrados migratórios nem anemia ferropriva por perda intestinal. A tuberculose primária cursa com adenomegalia hilar e não com eosinofilia expressiva. A pneumonia por Mycoplasma apresenta infiltrado intersticial persistente sem eosinofilia. A fibrose cística evolui com infecções supurativas crônicas, bronquiectasias e insuficiência pancreática, sem esse padrão eosinofílico migratório.
Menina, 8 anos, retorna de acampamento e apresenta há 5 dias diarreia com fezes volumosas, gordurosas e fétidas, distensão abdominal, flatulência e perda de 2 kg. Está afebril, sem sangue nas fezes e sem tenesmo. Consumiu água de riacho sem tratamento durante a viagem. Exame parasitológico de fezes com cistos de protozoário flagelado. Não há eosinofilia no hemograma e o estado geral está preservado. Qual o agente e o tratamento indicado?
Diarreia com esteatorreia, distensão e flatulência após consumo de água não tratada, com cistos de protozoário flagelado nas fezes e sem sangue nem febre, é giardíase, tratada com metronidazol ou tinidazol. A Entamoeba histolytica causa disenteria com muco e sangue, podendo evoluir com abscesso hepático, quadro distinto do descrito. A Shigella provoca disenteria febril com tenesmo. O rotavírus causa diarreia aquosa aguda com vômitos, sobretudo em lactentes, sem esteatorreia arrastada. O Ascaris lumbricoides é helminto, e a descrição de cistos de protozoário flagelado exclui essa hipótese.
Menino, 3 anos, apresenta há 3 semanas prurido anal noturno e irritabilidade, com escoriações perianais. A mãe também apresenta prurido anal e refere que a criança frequenta creche. Foi tratado com dose única de albendazol há 10 dias, com melhora inicial seguida de retorno dos sintomas. Não há diarreia, dor abdominal ou emagrecimento, e o exame físico geral não mostra outras alterações relevantes. Qual a explicação mais provável e a conduta?
A enterobíase tem alta taxa de reinfecção e autoinfecção pelo ciclo ano-mão-boca, de modo que o tratamento exige repetição da dose após duas semanas, tratamento simultâneo dos contatos domiciliares e medidas rigorosas de higiene, como corte de unhas e troca de roupas de cama. Resistência ao albendazol não é a explicação usual, e antifúngico não tem qualquer ação sobre helmintos. Atribuir a quadro alérgico ignora a resposta inicial ao antiparasitário e o acometimento familiar. Não há indicação de administração venosa desse fármaco. A colonoscopia é desnecessária, pois o diagnóstico é clínico e confirmado pelo método da fita adesiva.
Menino, 6 anos, procedente de área com saneamento precário, apresenta dor abdominal em cólica, vômitos e parada de eliminação de gases há 24 horas. Relata eliminação de vermes cilíndricos nas fezes há um mês. FC 118 bpm, T 37,4 °C, mucosas desidratadas. Abdome distendido, com massa palpável de consistência elástica no quadrante inferior direito. A radiografia mostra níveis hidroaéreos e imagem em miolo de pão no delgado. Qual a conduta inicial?
Jejum, sonda nasogástrica, hidratação venosa e óleo mineral por sonda é a conduta inicial: a obstrução por bolo de áscaris costuma resolver com medidas conservadoras, e o óleo mineral facilita a desagregação do novelo de vermes. A laparotomia com enterotomia é reservada à falha do tratamento clínico, à perfuração ou ao sofrimento de alça. O albendazol na vigência da obstrução pode provocar migração errática dos parasitas e deve ser dado depois da desobstrução. O enema com bário não alcança o delgado e é inadequado. O antibiótico isolado não trata a obstrução mecânica.
Menina, 5 anos, moradora de área sem saneamento, apresenta dor abdominal em cólica, vômitos e distensão há 2 dias, com parada de eliminação de gases. FC 132 bpm, FR 28 ipm, T 37,4 °C; abdome distendido com massa palpável em fossa ilíaca direita, de consistência elástica. Hemoglobina 10,4 g/dL (VR 11,5–15,5); eosinófilos 1.400/mm³ (VR até 500). Radiografia mostra imagens tubulares em miolo de pão nas alças. Qual a conduta inicial?
Suboclusão intestinal por novelo de áscaris em criança de área endêmica é inicialmente tratada de forma conservadora, com sonda nasogástrica, hidratação, correção eletrolítica e óleo mineral, reservando o anti-helmíntico para depois da desobstrução. Administrar albendazol na vigência da obstrução pode paralisar os vermes e piorar o bolo obstrutivo. A laparotomia com enterotomia é reservada à falha do tratamento clínico, à perfuração ou ao volvo. O enema opaco não alcança o intestino delgado, sede do novelo, e pode agravar a distensão. O praziquantel atua sobre trematódeos e cestódeos, sem eficácia contra nematódeos como o Ascaris lumbricoides.
Homem, 28 anos, retornou de acampamento com consumo de água de riacho há 3 semanas e apresenta diarreia com fezes pastosas, muito fétidas e que boiam, além de distensão, flatulência e perda de 3 kg. PA 116x72 mmHg, FC 76 bpm, T 36,7 °C; abdome distendido e timpânico, sem visceromegalias. Hemograma normal, sem eosinofilia. Pesquisa de cistos nas fezes positiva em duas amostras. Qual o tratamento indicado?
A giardíase, sugerida por diarreia gordurosa e fétida após ingestão de água não tratada e confirmada por cistos nas fezes, é tratada com metronidazol por cinco a sete dias ou tinidazol em dose única, com boas taxas de cura. O sulfametoxazol com trimetoprima é opção para isosporíase e ciclosporíase, não para Giardia. A ivermectina é indicada em estrongiloidíase e escabiose. O praziquantel trata esquistossomose e teníase. O albendazol tem alguma atividade contra Giardia, mas não em esquema de três dias com corticoide, que sequer faz parte do tratamento dessa protozoose.
Menino de 5 anos, frequentador de creche, apresenta há 6 semanas diarreia com fezes pastosas e fétidas, distensão abdominal, flatulência e perda de 1,5 kg. Está afebril, T 36,5 graus Celsius, com abdome distendido e timpânico, sem visceromegalias. Não há sangue nem muco nas fezes. O hemograma não mostra eosinofilia e o exame parasitológico revela cistos ovalados com quatro núcleos. Qual o tratamento de escolha?
O metronidazol é o tratamento de escolha da giardíase, sugerida por diarreia crônica com esteatorreia, distensão e flatulência sem sangue, ausência de eosinofilia e cistos característicos ao parasitológico. O albendazol em dose única é usado principalmente em helmintíases como ascaridíase e ancilostomíase, embora possa ter atividade em esquemas prolongados. O praziquantel trata esquistossomose e teníase. A ivermectina é indicada para estrongiloidíase e ectoparasitoses. O sulfametoxazol com trimetoprima trata isosporíase e ciclosporíase, protozoários de outro grupo.
Menina, 6 anos, apresenta prurido anal intenso de predomínio noturno há 3 semanas, com irritabilidade e sono fragmentado. Duas irmãs apresentam queixa semelhante. FC 92 bpm, T 36,6 °C; ao exame perianal, há escoriações por coçadura, sem fissuras profundas ou secreção. O hemograma é normal, sem eosinofilia, e o exame parasitológico de fezes convencional foi negativo em três amostras. Qual o exame diagnóstico indicado?
O prurido anal noturno em criança, com casos na família e parasitológico convencional negativo, sugere enterobíase, cujo diagnóstico se faz pelo método da fita gomada aplicada na região perianal ao acordar, antes da higiene, coletando os ovos depositados pela fêmea durante a noite. Repetir o parasitológico convencional mantém o mesmo baixo rendimento, pois os ovos raramente aparecem nas fezes. A sorologia com imunoglobulina E total é inespecífica e não diagnostica a parasitose. A colonoscopia é invasiva e desnecessária. A pesquisa de sangue oculto nada acrescenta em quadro sem sangramento.
Menina, 5 anos, frequentadora de creche, apresenta há 2 meses fezes pastosas, fétidas e gordurosas, distensão abdominal, flatulência e perda de 1,5 kg. FC 96 bpm, T 36,6 °C; abdome distendido e timpânico, sem visceromegalias. Hemograma sem eosinofilia; albumina 3,6 g/dL (VR 3,5–5,0). O exame parasitológico de fezes revela cistos ovalados com quatro núcleos e axonema visível. Qual o tratamento indicado?
Cistos ovalados com quatro núcleos identificam Giardia lamblia, e o tratamento de escolha na infância é o metronidazol por cinco a sete dias, ou o tinidazol em dose única, com avaliação e tratamento dos contatos sintomáticos, sobretudo em creches. O albendazol tem eficácia inferior e não é o esquema padrão. A ivermectina atua sobre nematódeos e ectoparasitos, sem ação contra protozoários. O praziquantel trata trematódeos e cestódeos. O sulfametoxazol com trimetoprima é indicado em isosporíase e ciclosporíase, sem efeito sobre a giardíase descrita.
Menina de 6 anos apresenta há 3 semanas prurido anal intenso de predomínio noturno, com irritabilidade e sono fragmentado. Está eutrófica, afebril, com exame abdominal normal e sem palidez. A mãe relata ter visto pequenos vermes brancos e filiformes na região perianal durante a noite. Duas irmãs que dividem o quarto apresentam queixa semelhante e o exame parasitológico de fezes convencional foi negativo. Qual o método diagnóstico e a conduta?
O método da fita adesiva perianal é o exame de escolha para enterobíase, pois os ovos são depositados na região perianal e não nas fezes, o que explica o parasitológico convencional negativo, e o tratamento deve incluir todos os contatos domiciliares para evitar reinfecção. A pesquisa de sangue oculto não tem papel diagnóstico e tratar apenas o caso índice perpetua o ciclo. A sorologia não é utilizada e o praziquantel trata esquistossomose e teníase. A colonoscopia é invasiva e desnecessária. A cultura de fezes investiga bactérias, não helmintos.
Menino de 5 anos, morador de área sem saneamento, apresenta há 2 dias dor abdominal em cólica, vômitos e distensão, com parada de eliminação de gases. T 37,4 graus Celsius, FC 128 bpm, PA 92x58 mmHg. O abdome está distendido, com massa palpável em cordão em flanco direito e ruídos aumentados. Ele relata eliminação de vermes cilíndricos pelas fezes há uma semana. A radiografia mostra níveis hidroaéreos e imagem em miolo de pão. Qual a conduta inicial?
Descompressão gástrica, hidratação e uso do antiparasitário após a resolução da obstrução é a conduta inicial no bolo de áscaris, pois a maioria dos casos responde ao tratamento conservador. Administrar o antiparasitário de imediato pode aumentar a agitação dos vermes e piorar a obstrução ou provocar migração. A laparotomia é reservada à falha do tratamento clínico, à perfuração ou a sinais de sofrimento de alça. O enema com bário não trata a obstrução por bolo de vermes no delgado. A alta ambulatorial é inaceitável diante de obstrução instalada com vômitos e distensão.
Menina, 6 anos, moradora de área sem saneamento básico, apresenta dor abdominal difusa e relato materno de eliminação de verme cilíndrico e esbranquiçado de cerca de 20 cm nas fezes há 2 dias. FC 92 bpm, T 36,7 °C; abdome flácido, sem massas e sem distensão. Hb 11,0 g/dL (VR 11,5–15,5); eosinófilos 1.100/mm³ (VR até 500). Parasitológico com ovos de Ascaris lumbricoides. Qual o tratamento indicado?
Ascaridíase não complicada é tratada com albendazol ou mebendazol em esquema curto, sendo o albendazol em dose única eficaz e prático, sempre acompanhado de orientação sobre saneamento, higiene e tratamento dos contatos domiciliares. O metronidazol atua sobre protozoários como amebas e giárdias. O praziquantel trata trematódeos e cestódeos, sem ação sobre nematódeos intestinais. O sulfametoxazol com trimetoprima é indicado em isosporíase. A ivermectina é a escolha na estrongiloidíase, mas não é o esquema padrão para Ascaris lumbricoides em criança com quadro não complicado.
Menino, 9 anos, refere eliminação de estruturas brancas e achatadas nas fezes e nas roupas íntimas há 2 meses, com dor abdominal leve e apetite aumentado. FC 88 bpm, T 36,6 °C; peso e estatura adequados. Hb 12,4 g/dL (VR 11,5–15,5); eosinófilos 700/mm³ (VR até 500). O exame das proglotes mostra útero com mais de treze ramificações laterais, e o parasitológico revela ovos de Taenia. Qual o tratamento indicado?
Teníase, sugerida pela eliminação de proglotes e confirmada pelos ovos, é tratada com praziquantel em dose única, com alternativa de niclosamida, associada a orientação sobre cozimento adequado da carne e saneamento para prevenir a cisticercose. O albendazol é usado na neurocisticercose e em outros helmintos, sem ser a escolha para a forma intestinal. O metronidazol trata protozoários. A ivermectina atua sobre nematódeos e ectoparasitos. A nitazoxanida tem espectro amplo, mas não é o tratamento de escolha para teníase confirmada por proglotes com útero ramificado.
Menino, 8 anos, morador de zona rural e que anda descalço, apresenta palidez progressiva, fadiga e dor abdominal há 4 meses. FC 110 bpm, T 36,6 °C; palidez cutâneo-mucosa acentuada e sopro sistólico ejetivo leve. Hb 7,4 g/dL (VR 11,5–15,5); VCM 68 fL (VR 76–90); ferritina 4 ng/mL (VR 12–150); eosinófilos 2.400/mm³ (VR até 500). O parasitológico mostra ovos de ancilostomídeos. Qual a conduta indicada?
Anemia ferropriva grave com eosinofilia em criança de área rural com ovos de ancilostomídeos exige tratamento anti-helmíntico com albendazol ou mebendazol, associado à reposição de ferro por via oral por tempo suficiente para repor os estoques, além de medidas de saneamento e uso de calçados. A transfusão isolada é reservada a anemia sintomática grave e não trata a causa. Repor ferro sem tratar o parasita mantém a perda sanguínea intestinal contínua. O corticoide não trata parasitose e pode agravar helmintíases. O antibiótico não tem ação sobre helmintos.
Menina de 6 anos, moradora de área sem saneamento, apresenta há meses diarreia com muco e sangue em pequena quantidade, tenesmo e dor abdominal, com déficit de crescimento. Está com estatura no percentil 3, pálida, com FC 112 bpm. Ao exame há prolapso retal identificado durante o esforço evacuatório. Hemoglobina 8,8 g/dL (VR 11,5-15,5). O parasitológico de fezes mostra ovos em forma de barril com opérculos polares. Qual o agente e o tratamento?
O Trichuris trichiura é o agente, identificado pelos ovos em forma de barril com opérculos polares, causando disenteria crônica com tenesmo, anemia, déficit de crescimento e prolapso retal nas infecções maciças, tratado com albendazol ou mebendazol. O Ascaris lumbricoides produz ovos ovalados com casca mamilonada e não causa prolapso retal. O Enterobius vermicularis causa prurido anal noturno com ovos assimétricos. A Taenia saginata elimina proglotes e ovos esféricos. O Strongyloides stercoralis apresenta larvas rabditoides nas fezes, e não ovos.
Menino de 7 anos, morador de área com precárias condições sanitárias e histórico de contato com roedores, apresenta há 3 meses dor abdominal recorrente, diarreia intermitente, irritabilidade e prurido anal ocasional. Está com peso no percentil 10, afebril, com exame abdominal sem massas. Eosinófilos discretamente aumentados. O parasitológico de fezes revela ovos esféricos com filamentos polares entre as membranas. Qual o agente e o tratamento?
A Hymenolepis nana é o agente, identificada pelos ovos esféricos com filamentos polares entre as membranas, com ciclo que permite autoinfecção interna, motivo pelo qual o tratamento com praziquantel costuma exigir repetição da dose. A Taenia solium elimina proglotes e ovos esféricos com casca radiada. O Ascaris apresenta ovos com casca mamilonada. A Giardia é protozoário com cistos ovalados de quatro núcleos. O Enterobius produz ovos assimétricos detectados pela fita adesiva perianal, e não por parasitológico convencional.
Menino de 8 anos, morador de área com saneamento precário, apresenta dor abdominal recorrente, irritabilidade e prurido anal, com eliminação de estruturas brancas achatadas nas fezes segundo a mãe. FC 92 bpm, T 36,6 °C, exame abdominal sem alterações. Hb 11,8 g/dL (VR 11,5 a 15,5); eosinófilos 700/mm3 (VR até 500). Exame parasitológico identifica ovos de Taenia sp. e, em outra amostra, ovos de Hymenolepis nana. Acerca do manejo desse paciente, assinale a alternativa INCORRETA.
Afirmar que a ivermectina em dose única é o tratamento de escolha para cestódeos é incorreto e corresponde à assertiva pedida: a ivermectina atua sobre nematódeos, como Strongyloides, e não tem eficácia contra tênias. O praziquantel é de fato opção eficaz para teníase e himenolepíase, com doses distintas para cada uma. A himenolepíase frequentemente exige repetição do tratamento pelo ciclo de autoinfecção interna. O saneamento e a higiene das mãos são medidas essenciais de prevenção da reinfecção. Tratar a teníase reduz a eliminação de ovos e, com isso, o risco de cisticercose para os contatos domiciliares.
Menino, 5 anos, mora em área com saneamento precário e frequenta creche. Apresenta prurido anal noturno, irritabilidade e sono agitado há semanas, sem diarreia ou emagrecimento. Temperatura axilar 36,7 °C, frequência cardíaca 96 bpm. Exame abdominal normal; hemograma sem eosinofilia. A mãe relata ter visto pequenos vermes brancos móveis na região perianal durante a noite. Qual a conduta?
O quadro é típico de enterobíase, com prurido anal noturno e visualização de vermes brancos móveis; o tratamento deve incluir a criança e os contatos domiciliares, com repetição da dose após duas semanas para cobrir o ciclo do parasito, associado a higiene rigorosa e troca de roupas de cama. O metronidazol trata protozoários, sem ação sobre o oxiúro. Exigir parasitológico de fezes é pouco útil, pois os ovos raramente aparecem nesse exame, sendo o método da fita adesiva o indicado quando necessário. O corticoide tópico não trata a causa. A fissura anal causa dor à evacuação com sangramento, e não prurido noturno com vermes visíveis.
Qual medida reduz transmissão por mãos e unhas?

Ovos podem ser transferidos por mãos e objetos contaminados.
Qual parasitose é sugerida pelo padrão?

Prurido perianal noturno e transmissão familiar são típicos de Enterobius.
Qual investigação é mais apropriada que depender de um parasitológico fecal comum negativo?

Ovos são depositados na região perianal, o que orienta método de coleta.
Por que tratar apenas a criança sem orientar família e higiene pode favorecer recorrência?

Manejo integra tratamento conforme protocolo e medidas de prevenção de reinfecção.
Qual período é mais associado ao prurido descrito?

Migração e deposição de ovos contribuem para sintomas noturnos.
Após tratamento adequado de giardíase, uma criança continua com desconforto abdominal e fezes amolecidas. Três amostras fecais, coletadas em dias distintos e examinadas adequadamente, não mostram Giardia. Segundo o CDC, qual interpretação é apropriada?
A evolução clínica, o estado nutricional e a qualidade da investigação orientam os próximos passos. Referências: CDC. Patient Care for Giardia Infection — https://www.cdc.gov/giardia/hcp/clinical-care/index.html
Ocorre surto de diarreia por Cryptosporidium entre crianças que usaram uma piscina. O responsável argumenta que a cloração habitual tornaria essa transmissão impossível. Qual resposta é correta?
O controle envolve afastar pessoas com diarreia da água e seguir orientações sanitárias para o estabelecimento. Referências: CDC. Preventing and controlling Crypto at camps — https://www.cdc.gov/cryptosporidium/prevention/preventing-and-controlling-crypto-at-camps.html
Uma criança assintomática apresenta laudo fecal de cistos do complexo Entamoeba histolytica/dispar. Qual consideração é correta antes de atribuir doença invasiva ao achado?
Resultado parasitológico, identificação do agente e síndrome clínica são informações complementares. Referências: CDC DPDx. Amebiasis — https://www.cdc.gov/dpdx/amebiasis/
Uma criança mantém Giardia documentada nas fezes apesar de terapia combinada orientada por especialista. Adesão, dose, duração e possibilidade de reinfecção foram cuidadosamente reavaliadas. Segundo o CDC, qual investigação adicional deve ser considerada?
Essa etapa depende de demonstrar infecção persistente, e não somente sintomas residuais depois da cura. Referências: CDC. Patient Care for Giardia Infection — https://www.cdc.gov/giardia/hcp/clinical-care/index.html
Para uma criança de 25 kg com estrongiloidíase, a equipe definiu ivermectina na dose de 200 microgramas/kg por administração. Antes de ajustar a apresentação farmacêutica, qual quantidade em miligramas corresponde à dose calculada?
A dose por peso deve ser convertida corretamente antes de definir a apresentação e o esquema final, após avaliação das contraindicações. Referências: CDC. Clinical Care of Strongyloides — https://www.cdc.gov/strongyloides/hcp/clinical-care/index.html
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Refaça de memória a linha que liga pista clínica, exame e droga: prurido anal noturno → fita gomada (Graham) → albendazol dose única repetida em 14 dias e tratamento de todo o domicílio; anemia ferropriva com eosinofilia em quem anda descalço → parasitológico → albendazol 400 mg dose única mais reposição de ferro; tosse com eosinofilia e infiltrado fugaz → síndrome de Löffler da ascaridíase, com parasitológico ainda negativo no período pré-patente de 60 a 80 dias; diarreia gordurosa sem sangue e sem eosinofilia → Faust em três amostras → metronidazol 15 mg/kg/dia por 5 dias.
em 30 dias
Recupere os três blocos numéricos que a prova cobra sem dó: o algoritmo de tratamento coletivo (menos de 20%, de 20% a 50%, mais de 50% de positividade em escolares, com tratamento individual, anual e semestral); as posologias-chave (albendazol 400 mg dose única, mebendazol 100 mg de 12/12 h por 3 dias com dose fixa independente de peso e idade, metronidazol 15 mg/kg/dia por 5 dias na giardíase); e o controle de cura no 7º, 14º e 21º dias. Depois releia as quatro divergências e treine identificar, pelo enunciado, se a questão está no mundo do Ministério da Saúde, no da Sociedade Brasileira de Pediatria ou no da Organização Mundial da Saúde.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Criança de 5 anos trazida à unidade básica de saúde por dor abdominal recorrente e relato materno de ter visto 'um verme comprido' nas fezes. Mora em área sem esgotamento sanitário, frequenta creche e tem um irmão de 3 anos com prurido anal noturno. Conduza a consulta: investigue as pistas clínicas de cada parasitose, defina o exame que confirma cada hipótese, prescreva com posologia correta e decida quem mais na casa precisa ser tratado. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
