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Parasitoses intestinais na infância

A prova cobra três coisas: a pista clínica que identifica o parasita, o exame que enxerga aquele parasita e o antiparasitário certo — inclusive quando o alvo do tratamento deixa de ser a criança e passa a ser a localidade.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Menino de 6 anos é levado pela mãe à UBS com prurido anal noturno intenso há duas semanas e irritabilidade. Dois irmãos apresentam sintomas semelhantes. Ao exame, discreta escoriação perianal, sem outras alterações. Qual é a conduta mais adequada considerando o diagnóstico mais provável e o contexto familiar?

02

Como esse tema cai

Quatro parasitoses ocupam quase toda a carga de questões de pediatria sobre o tema, e elas não são um bloco homogêneo. Ascaridíase, ancilostomíase e tricuríase são geo-helmintíases: têm programa nacional, entram no algoritmo de saúde pública do Ministério da Saúde e o medicamento de primeira escolha chega de graça na Rede de Atenção à Saúde. Enterobíase e giardíase ficam de fora desse programa — são diagnóstico e tratamento individuais, com uma extensão obrigatória ao domicílio no caso do oxiúro. Nenhuma das quatro é de notificação compulsória nacional; nas áreas endêmicas de esquistossomose, as geo-helmintíases são registradas no SISPCE.

A prova raramente pede o ciclo biológico completo. O que ela pede é o caminho: uma pista clínica dominante, o exame que enxerga aquele parasita e a droga com a posologia certa. Prurido anal noturno em criança de creche, anemia ferropriva em criança que anda descalça na zona rural, tosse com eosinofilia e infiltrado fugaz, diarreia gordurosa sem sangue e sem eosinofilia — cada uma dessas quatro frases já entrega o parasita antes do laboratório.

Há duas armadilhas de calendário que a banca adora. A primeira é o período pré-patente: entre a infecção e o aparecimento de ovos nas fezes passam de 60 a 80 dias nas geo-helmintíases, de modo que o parasitológico é normal justo na fase pulmonar sintomática da ascaridíase. A segunda é a sensibilidade do método: uma amostra isolada de fezes acerta cerca de metade dos casos, e o oxiúro praticamente não aparece no parasitológico de rotina — ele precisa ser procurado na região perianal.

03

O que muda decisão

A pista clínica que identifica cada parasita

Ascaris lumbricoides é o maior dos geo-helmintos, chega a 30 cm e vive no intestino delgado. Na maior parte das vezes é assintomático. Quando dá sintoma, dá por dois mecanismos distintos: a passagem pulmonar da larva e a massa de vermes adultos. A passagem pulmonar produz tosse, sibilância, hemoptise e infiltrado pulmonar transitório com eosinofilia importante — a síndrome de Löffler. A massa de vermes adultos produz dor abdominal, semioclusão e oclusão intestinal, e a migração errática de um verme adulto pode obstruir o colédoco, o canal pancreático ou a luz do apêndice.

Os ancilostomídeos — Ancylostoma duodenale e Necator americanus — medem cerca de 1 cm, habitam o duodeno e têm boca com dentes ou lâminas que prendem o verme à mucosa e sangram. Daí a anemia ferropriva, que é a marca da parasitose e a origem dos apelidos amarelão e opilação. A porta de entrada é diferente das outras: a larva penetra ativamente na pele íntegra, em geral pelos pés, e deixa uma dermatite pruriginosa conhecida como coceira da terra. A criança que anda descalça em área sem saneamento e chega pálida ao consultório é a vinheta padrão.

Enterobius vermicularis dá prurido anal de predomínio noturno, irritabilidade e sono ruim. As escoriações de coçar infectam secundariamente a região perianal. Na menina, a migração do verme para a genitália explica vulvovaginite, e o guia do Ministério da Saúde registra ainda salpingite e granuloma pélvico como complicações raras. O ponto operacional é que a infestação quase nunca é de um só morador: o controle é dirigido a todos que dividem o domicílio.

Giardia lamblia é o único protozoário do grupo e se comporta como tal. Fica na porção alta do intestino delgado, não invade a mucosa e não produz eosinofilia. O que produz é má absorção: fezes amolecidas de aspecto gorduroso, flatulência, distensão, anorexia, perda de peso. A Sociedade Brasileira de Pediatria acrescenta o prejuízo na absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), de vitamina B12, de ferro e de lactase. Fezes com sangue e muco, tenesmo e dor intensa apontam para amebíase, não para giardíase.

Corte esquemático do trato digestivo infantil com quatro regiões destacadas, correspondendo aos habitats dos parasitas intestinais mais comuns.
Cada parasitose ocupa um andar do tubo digestivo — e é o andar ocupado que explica o sintoma dominante.

O relógio do parasita: por que o exame de fezes vem negativo

Nas geo-helmintíases, o intervalo entre a infecção e o início da eliminação de ovos nas fezes gira em torno de 60 a 80 dias, segundo o Guia de Vigilância em Saúde. O guia de bolso do Ministério da Saúde é mais específico na ascaridíase: cerca de 20 dias para o ovo se tornar infectante no ambiente e de 60 a 75 dias de período pré-patente dentro do hospedeiro. A consequência clínica é direta — a criança com síndrome de Löffler está sintomática por causa da larva, e a larva ainda não gerou verme adulto botando ovo. O parasitológico daquele momento tende a ser negativo, e repetir o exame semanas depois é o que fecha o diagnóstico.

Na enterobíase, o ciclo do parasito dura de 2 a 6 semanas, mas o sintoma aparece quando já houve infestação sucessiva, alguns meses depois da primeira exposição. Os ovos permanecem infectantes por uma a duas semanas fora do hospedeiro — o suficiente para sustentar a reinfecção dentro de casa através de roupa de cama, toalha e poeira.

Na giardíase, o período de incubação é de 1 a 4 semanas, com média de 7 a 10 dias, e a transmissibilidade dura enquanto persistir a infecção. Os cistos resistem à cloração da água e permanecem viáveis por semanas a meses no ambiente, o que explica por que a água tratada apenas por cloração, sem filtração, continua sendo fonte de surto — em creche, em escola e em instituição fechada.

Nas geo-helmintíases, o período de transmissibilidade se estende enquanto o indivíduo elimina ovos viáveis: pode chegar a cinco anos, e se prolonga indefinidamente se houver reinfecção sem tratamento. É esse número que sustenta a lógica do tratamento coletivo em área de alta prevalência — tratar só quem procurou a unidade deixa intacta a fonte de contaminação do solo.

O exame certo para o parasita certo

Para os helmintos que botam ovo no intestino, o exame é o parasitológico de fezes por sedimentação espontânea — método de Lutz, também chamado de Hoffman, Pons e Janer. Quando o objetivo não é só dizer se há infecção, mas medir a intensidade dela em ovos por grama de fezes, o método indicado é o de Kato-Katz. Essa distinção tem uso prático: o Kato-Katz é a ferramenta dos inquéritos que definem se uma localidade entra em tratamento coletivo.

Para a Giardia, o alvo é o cisto — eliminado em fezes formadas — ou o trofozoíto, mais encontrado em fezes diarreicas. O guia de bolso do Ministério da Saúde indica o método de Faust e registra que são necessárias pelo menos três amostras para uma boa sensibilidade; a pesquisa de antígeno por ELISA serve como confirmação. A Sociedade Brasileira de Pediatria quantifica o ganho: uma amostra fecal tem positividade em torno de 50%, e três amostras levam a faixa para 60% a 90%.

Para o oxiúro, o parasitológico de rotina praticamente não serve — o achado de ovos ali é casual, em parasitismo muito intenso. O exame é a pesquisa na região perianal, pelo método de Graham, com fita gomada, ou pelo método de Hall, com swab anal, colhidos pela manhã antes do banho e da evacuação. O material raspado de unhas de crianças infectadas também tem alto índice de positividade.

Duas causas comuns de falso negativo estão sob controle do médico. A primeira é a medicação em uso: antiácido, laxante, óleo mineral, antimicrobiano, bário, bismuto, ferro e enema hipertônico comprometem a amostra e devem ser suspensos uma semana antes da coleta. A segunda é o tempo até o processamento — o trofozoíto se degenera em 20 minutos, de modo que a coleta ideal é feita com fixador.

Tratamento: o que muda de um parasita para o outro

O medicamento de primeira escolha das geo-helmintíases é o albendazol 400 mg, que integra o Componente Básico da Assistência Farmacêutica e a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, e por isso é distribuído gratuitamente na Rede de Atenção à Saúde. A dose padrão é de 400 mg por via oral em dose única. Em criança pequena, o guia de bolso do Ministério da Saúde prevê 10 mg/kg em dose única até o máximo de 400 mg — o que dá a dose cheia a partir de cerca de 40 kg e mantém a lógica do peso abaixo disso.

O mebendazol é a alternativa de amplo espectro e tem uma particularidade que a prova cobra: a dose é fixa, 100 mg de 12 em 12 horas por três dias consecutivos, e independe do peso corporal e da idade. Nas ancilostomíases, o pamoato de pirantel entra como opção, na dose de 20 a 30 mg/kg/dia por três dias. Nenhum desses fármacos é recomendado na gestação.

A enterobíase tem duas regras próprias. A primeira é a repetição: como a autoinfecção reintroduz o parasita, a dose única é repetida de 10 a 14 dias depois. A segunda é a extensão ao domicílio — o guia do Ministério da Saúde é explícito ao dizer que, para fins de vigilância e controle, o tratamento deve ser feito em todo o grupo familiar ou em quem coabita o mesmo domicílio. Junto vai a orientação de trocar roupas de cama, roupa íntima e toalhas diariamente e manter as unhas aparadas. Além do albendazol e do mebendazol, o pamoato de pirvínio e o pamoato de pirantel, ambos a 10 mg/kg em dose única, são opções registradas pelo Ministério da Saúde — o pirvínio tinge fezes e vômito de vermelho, e avisar a família disso evita um retorno de emergência desnecessário.

Na giardíase, a família de escolha é a dos nitroimidazólicos. O esquema de referência do Ministério da Saúde é metronidazol 15 mg/kg/dia, com máximo de 250 mg por tomada, dividido em duas tomadas, por cinco dias; secnidazol e tinidazol são as opções em dose única. Duas orientações práticas acompanham a prescrição: nada de bebida alcoólica por quatro dias após o tratamento, pelo efeito antabuse, e a advertência da Sociedade Brasileira de Pediatria de que há de 10% a 20% de resistência do parasita ao metronidazol na giardíase — falha terapêutica não é sinônimo de má adesão. O albendazol também tem ação sobre a Giardia, mas em esquema prolongado, não em dose única.

O controle de cura é o mesmo para todas: parasitológico de fezes no 7º, no 14º e no 21º dia após o tratamento. A Sociedade Brasileira de Pediatria acrescenta a regra prática de que, quando não for possível fazer esses exames, o tratamento deve ser repetido. E lembra que, havendo poliparasitismo, ou se usa um antiparasitário de amplo espectro, ou se começa pela espécie mais patogênica.

Na ancilostomíase, o antiparasitário estanca a perda de sangue, mas não repõe o estoque de ferro já consumido: a anemia ferropriva instalada exige reposição, e a criança que volta com hemoglobina inalterada semanas depois em geral recebeu o vermífugo e não recebeu o ferro.

Quando o áscaris obstrui

Carga parasitária alta permite que os vermes adultos formem massas entrelaçadas — o bolo de áscaris — e produzam semioclusão ou oclusão intestinal, com quadro de abdome agudo. O erro clássico nessa cena é prescrever de imediato o vermicida: matar ou paralisar vermes dentro de uma alça já obstruída não desfaz a massa. A conduta começa pelo suporte.

A Sociedade Brasileira de Pediatria descreve o caminho assim: hidratação parenteral e óleo mineral por sonda nasogástrica até a eliminação retal do óleo, aguardar a eliminação dos parasitas e só então tratar a parasitose. O documento acrescenta que a migração errática de vermes para a árvore biliar indica retirada por via endoscópica, e que a piperazina foi descontinuada pela agência regulatória americana e pela Anvisa desde 2012.

Os documentos do Ministério da Saúde descrevem o mesmo quadro com um repertório farmacológico diferente, que inclui a piperazina — e é justamente aí que mora a divergência mais cobrável do tema, tratada no bloco adiante. O que os dois lados têm em comum, e que é o núcleo da questão de prova, é a ordem das ações: suporte e desobstrução primeiro, antiparasitário depois, cirurgia quando a remoção mecânica da massa se impuser.

Tratamento coletivo: quando o alvo deixa de ser a criança

Nas geo-helmintíases, o Ministério da Saúde adota um algoritmo populacional. Faz-se primeiro a análise da situação epidemiológica da comunidade por exames de fezes em escolares, e o percentual de positividade define a estratégia: abaixo de 20% — risco baixo — trata-se somente os casos positivos; de 20% a 50% — risco moderado — trata-se coletivamente a localidade uma vez por ano; acima de 50% — risco alto — trata-se coletivamente duas vezes por ano. O tratamento é executado pelas equipes das Unidades Básicas de Saúde, e o algoritmo tem origem declarada em documento da Organização Mundial da Saúde.

A escolha dos escolares como termômetro não é arbitrária. A prevalência e a intensidade de infecção por A. lumbricoides e T. trichiura atingem os níveis mais altos entre 5 e 14 anos, faixa em que a criança elimina grande quantidade de ovos no ambiente. Os ancilostomídeos fogem a essa regra: o pico ocorre em adultos com mais de 20 anos. Foi essa concentração em idade escolar que sustentou, no Brasil, a administração de albendazol 400 mg em dose única a escolares de 5 a 14 anos em municípios de alta vulnerabilidade, dentro das campanhas nacionais integradas de doenças negligenciadas conduzidas nas escolas.

A diretriz da Organização Mundial da Saúde de 2017 amplia os grupos-alvo além do escolar: crianças de 12 a 23 meses, pré-escolares de 24 a 59 meses, escolares de 5 a 12 anos, adolescentes do sexo feminino de 10 a 19 anos e mulheres em idade reprodutiva de 15 a 49 anos recebem albendazol 400 mg ou mebendazol 500 mg em dose única — a intervenção é recomendada onde a prevalência basal é de 20% ou mais, e passa a semestral acima de 50%. Gestantes após o primeiro trimestre entram apenas onde duas condições coexistem: prevalência de ancilostomídeo e/ou T. trichiura de 20% ou mais entre gestantes e anemia como problema grave de saúde pública, com 40% ou mais de prevalência nesse grupo.

Vale reparar num detalhe de posologia que a prova gosta de trocar: no esquema populacional da Organização Mundial da Saúde, o mebendazol é dado em dose única de 500 mg; no tratamento individual descrito pelos documentos brasileiros, o mebendazol é 100 mg de 12 em 12 horas por três dias. São dois esquemas diferentes para o mesmo fármaco, e o que decide qual deles cabe é o cenário — campanha em população de risco ou consulta com diagnóstico parasitológico.

O limite dessa estratégia está escrito no próprio material do Ministério da Saúde: o tratamento em massa reduz a carga parasitária, mas, se não for associado a medidas de saneamento, a reinfecção pode atingir os níveis anteriores em pouco tempo. Por isso o controle das geo-helmintíases é sempre descrito como tripé — medicação antiparasitária, educação em saúde e saneamento ambiental — e não como campanha isolada de comprimido.

04

Do sintoma ao antiparasitário

O caminho é sempre o mesmo: identificar a pista dominante, pedir o exame que enxerga aquele parasita, tratar com a posologia certa, estender a conduta a quem convive e, por fim, olhar o território — porque acima de certo patamar de positividade o alvo do tratamento deixa de ser o paciente e passa a ser a localidade.

  1. 1Isole a pista dominante: prurido anal noturno, anemia ferropriva sem explicação dietética, quadro pulmonar com eosinofilia ou diarreia gordurosa sem sangue e sem eosinofilia.
  2. 2Peça o exame que enxerga aquele parasita — parasitológico de fezes em três amostras para ovos e cistos; fita gomada ou swab anal quando a suspeita é Enterobius.
  3. 3Se houver poliparasitismo, use um antiparasitário de amplo espectro ou comece pela espécie mais patogênica.
  4. 4Trate com a posologia certa e verifique se o caso exige repetição em 14 dias (enterobíase) ou esquema de vários dias (giardíase).
  5. 5Estenda a conduta: todo o domicílio na enterobíase, reposição de ferro na ancilostomíase com anemia, higiene e calçado em todas.
  6. 6Faça o controle de cura com parasitológico no 7º, 14º e 21º dias — ou repita o tratamento, se os exames não forem viáveis.
  7. 7Olhe o território: a positividade em escolares define se a conduta é individual, coletiva anual ou coletiva semestral.

Positividade abaixo de 20% — risco baixo

Trata-se somente os casos positivos. A busca é individual, na unidade de saúde, com diagnóstico laboratorial antes do medicamento.

Positividade de 20% a 50% — risco moderado

Trata-se coletivamente a localidade uma vez por ano, pelas equipes das Unidades Básicas de Saúde, somado a educação em saúde e saneamento.

Positividade acima de 50% — risco alto

Trata-se coletivamente a localidade duas vezes por ano. Sem saneamento associado, a reinfecção devolve a prevalência ao patamar anterior em pouco tempo.

ParasitosePrimeira escolhaPosologiaAlternativas e observações
AscaridíaseAlbendazol400 mg VO em dose única; em criança pequena, 10 mg/kg em dose única, até o máximo de 400 mgMebendazol 100 mg de 12/12 h por 3 dias; levamizol consta como opção no guia de bolso do Ministério da Saúde
AncilostomíaseAlbendazol400 mg VO em dose únicaMebendazol 100 mg de 12/12 h por 3 dias; pamoato de pirantel 20 a 30 mg/kg/dia por 3 dias; repor ferro se houver anemia
TricuríaseAlbendazol400 mg VO em dose únicaEntra no mesmo algoritmo de tratamento coletivo das demais geo-helmintíases
EnterobíaseAlbendazol10 mg/kg VO em dose única, até o máximo de 400 mg, repetida de 10 a 14 dias depoisMebendazol 100 mg de 12/12 h por 3 dias; pamoato de pirvínio ou de pirantel 10 mg/kg em dose única; tratar todo o domicílio
GiardíaseMetronidazol15 mg/kg/dia, máximo de 250 mg por tomada, dividido em 2 tomadas, por 5 diasSecnidazol e tinidazol em dose única — ver o quadro abaixo; 10% a 20% de resistência ao metronidazol

Giardíase — esquemas do Quadro 12 do guia de bolso do Ministério da Saúde (2010)

MedicamentoAdultoCriança
Secnidazol2 g VO, dose única30 mg/kg (ou 1 mL/kg), dose única, tomada após uma refeição
Tinidazol2 g VO, dose única30 mg/kg/dia, dose única
Metronidazol250 mg VO, 2 vezes ao dia, por 5 dias15 mg/kg/dia (máximo de 250 mg), VO, dividido em 2 tomadas, por 5 dias

Qual exame enxerga cada parasita

AlvoMétodoO que limita
Ovos de A. lumbricoides, ancilostomídeos e T. trichiuraParasitológico de fezes por sedimentação espontânea (Lutz, ou Hoffman, Pons e Janer)Negativo no período pré-patente, de 60 a 80 dias após a infecção
Intensidade da infecção em ovos por grama de fezesKato-KatzÉ o método indicado quando se quer quantificar, e não apenas detectar
Cistos e trofozoítos de GiardiaFaust; pesquisa de antígeno por ELISA como confirmaçãoExige pelo menos três amostras; o trofozoíto degenera em 20 minutos sem fixador
Ovos de E. vermicularisFita gomada (Graham) ou swab anal (Hall), na região perianalAparece no parasitológico de rotina apenas por acaso, em parasitismo intenso

Uma amostra fecal tem positividade em torno de 50%; três amostras levam a faixa para 60% a 90%.

Antiácido, laxante, óleo mineral, antimicrobiano, bário, bismuto, ferro e enema hipertônico comprometem a amostra e devem ser suspensos uma semana antes da coleta.

Controle de cura: parasitológico de fezes no 7º, 14º e 21º dias após o tratamento. Quando não for viável, o tratamento é repetido.

Antiparasitários não são recomendados na gestação; a exceção é a quimioterapia preventiva populacional descrita pela Organização Mundial da Saúde, restrita a gestantes após o primeiro trimestre e a cenários epidemiológicos definidos.

Nenhuma das quatro parasitoses é de notificação compulsória nacional; nas áreas endêmicas de esquistossomose, as geo-helmintíases são notificadas no SISPCE.

O secnidazol e o tinidazol da giardíase não têm a mesma posologia nos dois documentos brasileiros — ver o bloco de divergências.

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Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Obstrução intestinal por Ascaris: a piperazina ainda faz parte da conduta?

Ministério da Saúde: piperazina no esquema de desobstrução

O guia de bolso descreve, para a obstrução intestinal, piperazina 100 mg/kg/dia associada a óleo mineral 40 a 60 mL/dia, antiespasmódicos e hidratação, com sonda nasogástrica, jejum e mebendazol 200 mg/dia em duas tomadas por três dias. O capítulo de geo-helmintíases do Guia de Vigilância em Saúde mantém a mesma linha, citando a tentativa de paralisação dos vermes com piperazina, laxante salino e massageamento abdominal antes da eventual intervenção cirúrgica para retirada do bolo de áscaris.

Ministério da Saúde — Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso, 8. ed. rev., 2010; e Guia de Vigilância em Saúde, capítulo Geo-helmintíases (referências do capítulo encerradas em 2021).

Sociedade Brasileira de Pediatria: piperazina descontinuada, suporte e óleo mineral

O documento científico registra que o uso de piperazina foi descontinuado pela agência regulatória americana e pela Anvisa desde 2012 e descreve a conduta atual como hidratação parenteral e óleo mineral por sonda nasogástrica até a eliminação retal do óleo, aguardando a eliminação dos parasitas para só então tratar a parasitose; migração errática para a árvore biliar indica retirada endoscópica.

Sociedade Brasileira de Pediatria — Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial, Documento Científico nº 4, setembro de 2020.

Na prova

A causa da diferença é a data: o capítulo do Ministério da Saúde reproduz um repertório farmacológico anterior a 2012, quando a piperazina ainda tinha registro, e não foi reescrito depois disso. Como identificar o recorte: enunciado que cita nominalmente a Sociedade Brasileira de Pediatria, ou alternativa que traz óleo mineral por sonda nasogástrica sem qualquer paralisante, aponta para o corpo pediátrico de 2020; enunciado ancorado em documento de vigilância do Ministério da Saúde ou alternativa que oferece piperazina como opção aponta para o corpo ministerial. Nos dois mundos a sequência é a mesma — suporte e desobstrução antes, antiparasitário depois — e é essa ordem, não o nome do fármaco paralisante, que costuma decidir a questão.

Albendazol antes dos 2 anos de idade

Sociedade Brasileira de Pediatria: cautela abaixo de 2 anos

Entre as considerações prévias à escolha do antiparasitário, o documento coloca a idade do paciente e afirma que a maioria dos fármacos tem contraindicação abaixo dos dois anos de idade — orientação de consultório, para tratamento individual de criança com diagnóstico parasitológico.

Sociedade Brasileira de Pediatria — Documento Científico nº 4, 2020.

Organização Mundial da Saúde: meia dose dos 12 aos 23 meses

A diretriz de quimioterapia preventiva inclui como grupo-alvo as crianças de 12 a 23 meses, que recebem meia dose de albendazol, isto é, 200 mg; a dose plena de 400 mg vale a partir dos 24 meses. As preocupações de segurança ficam restritas ao primeiro ano de vida e ao primeiro trimestre da gestação.

World Health Organization — Guideline: preventive chemotherapy to control soil-transmitted helminth infections in at-risk population groups, 2017.

Na prova

As duas posições respondem a perguntas diferentes, e essa é a chave para ler o enunciado. O texto brasileiro fala do tratamento individual em consultório, onde a bula do produto registrado no país é a régua e não há ganho populacional que justifique tratar antes dos 2 anos sem diagnóstico. O documento internacional fala de intervenção de saúde pública em população de risco, onde a decisão é de balanço epidemiológico. Como identificar: vinheta de ambulatório com exame parasitológico positivo em lactente puxa a leitura brasileira; enunciado que fala em quimioterapia preventiva, administração massiva, grupo etário de 12 a 23 meses ou cita a Organização Mundial da Saúde puxa a régua internacional, com os 200 mg.

Posologia dos nitroimidazólicos na giardíase da criança

Ministério da Saúde: secnidazol e tinidazol em dose única

O Quadro 12 do guia de bolso traz, para a criança, secnidazol 30 mg/kg (ou 1 mL/kg) em dose única após uma refeição e tinidazol 30 mg/kg/dia em dose única, com eficácia registrada de 92% a 95%; o metronidazol é 15 mg/kg/dia, com máximo de 250 mg por tomada, dividido em duas tomadas, por cinco dias.

Ministério da Saúde — Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso, 8. ed. rev., 2010.

Sociedade Brasileira de Pediatria: secnidazol por duas noites e tinidazol em dose maior

A tabela de antiparasitários traz secnidazol 30 mg/kg à noite por dois dias na giardíase, tinidazol 50 mg/kg em dose única à noite e metronidazol 15 a 25 mg/kg/dia por cinco a sete dias, com a ressalva de 10% a 20% de resistência do parasita ao metronidazol.

Sociedade Brasileira de Pediatria — Documento Científico nº 4, 2020.

Na prova

Aqui são dois documentos brasileiros com quinze anos de distância entre eles: o texto do Ministério da Saúde é de 2010 e o da Sociedade Brasileira de Pediatria é de 2020, e o mais novo alarga tanto a dose do tinidazol quanto a duração do secnidazol e do metronidazol. Como identificar o recorte: enunciado de atenção básica, unidade de saúde da família ou dispensação pelo SUS costuma trabalhar com o quadro ministerial e a dose única; enunciado de consultório pediátrico, ou que cite nominalmente a Sociedade Brasileira de Pediatria, costuma trazer os esquemas mais longos. Quando as alternativas variam apenas a duração e não o fármaco, é sinal de que a questão está justamente nessa fenda.

Tratamento coletivo por limiar de prevalência ou busca individual de casos

Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde: limiar de positividade define a estratégia

O algoritmo de controle parte de inquérito coproscópico em escolares: abaixo de 20% de positividade, tratam-se apenas os casos positivos; entre 20% e 50%, tratamento coletivo anual da localidade; acima de 50%, tratamento coletivo semestral. O tratamento coletivo é descrito como forma efetiva de controle porque reduz a carga parasitária e as fontes de contaminação do ambiente.

Ministério da Saúde — Guia de Vigilância em Saúde, capítulo Geo-helmintíases, com algoritmo atribuído à Organização Mundial da Saúde; e WHO, 2017.

O próprio material ministerial: sem saneamento, o efeito não se sustenta

O guia de bolso registra que o tratamento em massa das populações tem sido preconizado por alguns autores para reduzir a carga parasitária, mas que, se não for associado a medidas de saneamento, a reinfecção pode atingir os níveis anteriores em pouco tempo. O capítulo de vigilância trata a medicação como um dos três componentes, ao lado de educação em saúde e saneamento ambiental.

Ministério da Saúde — Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso, 2010; e Guia de Vigilância em Saúde, capítulo Geo-helmintíases.

Na prova

Não é contradição de conduta, e sim de horizonte: o limiar decide o que fazer neste ano, e a ressalva decide o que muda em cinco. Como identificar o recorte: questão que fornece um percentual de positividade em escolares está cobrando o degrau do algoritmo, e o enunciado gira em torno desse número; questão que descreve uma comunidade tratada repetidamente e com prevalência que retorna está cobrando a leitura de determinação social, e é o vocabulário de saneamento, água tratada e destino das fezes que aparece nas alternativas. Enunciado de prova oficial do Ministério da Educação tende a cobrar a conduta do SUS, o que inclui o algoritmo por prevalência.

06

Caso resolvido

Menino de 7 anos, morador de zona rural sem rede de esgoto, é levado à unidade básica por cansaço e queda no rendimento escolar há três meses. Anda descalço na maior parte do tempo. Ao exame, está pálido, sem hepatoesplenomegalia, e a mãe relata que ele teve lesões pruriginosas nos pés no início do ano. Hemograma: hemoglobina 8,2 g/dL, VCM 68 fL, HCM baixa, eosinófilos 12%. Ferritina baixa.
achado
Anemia microcítica e hipocrômica com ferritina baixa — anemia ferropriva — acompanhada de eosinofilia, em criança que anda descalça em área sem saneamento e teve dermatite pruriginosa nos pés.
raciocínio
A eosinofilia afasta a hipótese de carência puramente dietética e aponta para helminto com fase tecidual. A porta de entrada cutânea nos pés e a anemia por hematofagismo são a assinatura dos ancilostomídeos: o Ancylostoma duodenale suga de 0,05 a 0,3 mL por verme por dia e o Necator americanus, de 0,01 a 0,04 mL. A ascaridíase não costuma cursar com anemia ferropriva, e a giardíase, por ser protozoário sem invasão tecidual, não produz eosinofilia.
exame
Parasitológico de fezes, em três amostras, por sedimentação espontânea; se o objetivo for medir a intensidade da infecção, Kato-Katz. Confirmam-se ovos de ancilostomídeo.
conduta
Albendazol 400 mg por via oral em dose única — disponível gratuitamente na Rede de Atenção à Saúde. Mebendazol 100 mg de 12/12 h por três dias é a alternativa. Junto, reposição de ferro para corrigir a anemia já instalada, uso de calçado e orientação sobre destino das fezes e higiene das mãos.
seguimento
Parasitológico de controle no 7º, 14º e 21º dias após o tratamento e reavaliação do hemograma. Se o hemograma não melhorar, verifique se o ferro foi de fato prescrito e tomado: o vermífugo estanca a perda, mas não repõe o estoque.
07

Agora feche você

Menina de 4 anos, frequenta creche, é trazida por prurido anal que a acorda quase todas as noites há um mês, com irritabilidade e sono fragmentado. A mãe já notou hiperemia perianal por escoriação. Foram feitos três parasitológicos de fezes, todos negativos, e a mãe chega convencida de que 'não é verme'. Um irmão de 8 anos, no mesmo quarto, também tem se coçado à noite.
achado
Prurido anal de predomínio noturno, escoriação perianal, sono fragmentado e um conviventes com o mesmo sintoma — quadro clínico de enterobíase.
interpretação
Três parasitológicos negativos não afastam o diagnóstico: o ovo de Enterobius vermicularis é depositado na região perianal, não nas fezes, e só aparece no exame de rotina por acaso, em parasitismo muito intenso.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Dar por excluída a oxiuríase porque o parasitológico veio negativo É a armadilha mais frequente do tema, porque parece rigor diagnóstico. O ovo do Enterobius fica na margem anal, não nas fezes; o exame de rotina só o encontra por acaso. Enquanto o médico repete parasitológicos, a criança segue com prurido noturno e a casa segue se reinfectando. O exame que fecha é a fita gomada na região perianal, pela manhã.
  2. 2Esperar eosinofilia na giardíase A eosinofilia sugere helminto com passagem tecidual, e a Giardia é protozoário que fica na luz do intestino delgado sem invadir a mucosa. Alternativa que oferece giardíase para uma vinheta com eosinofilia importante e infiltrado pulmonar está trocando protozoário por helminto — o quadro é de ascaridíase em fase larvária.
  3. 3Prescrever vermicida de imediato na obstrução por bolo de áscaris Atrai porque parece tratar a causa. Só que matar ou paralisar vermes dentro de uma alça já obstruída não desfaz a massa. A sequência cobrada é suporte primeiro — jejum, sonda nasogástrica, hidratação, óleo mineral — e antiparasitário depois que os vermes começam a ser eliminados; cirurgia quando a remoção mecânica se impõe.
  4. 4Aceitar uma única amostra de fezes como negativa Uma amostra tem cerca de 50% de positividade. Três amostras levam a faixa para 60% a 90%. Uma amostra negativa em criança com quadro sugestivo pede repetição — ou, se a criança está em uso de antiácido, laxante, óleo mineral, ferro ou antimicrobiano, pede primeiro a suspensão dessas drogas por uma semana antes de recoletar.
  5. 5Tratar só a criança na enterobíase A enterobíase quase sempre é domiciliar: ovos sobrevivem uma a duas semanas em roupa de cama, toalha e poeira. Tratar apenas a criança sintomática garante a recaída em poucas semanas. O guia do Ministério da Saúde é explícito ao mandar tratar todo o grupo familiar ou quem coabita o mesmo domicílio.
  6. 6Achar que albendazol em dose única resolve giardíase O albendazol tem ação sobre a Giardia, mas em esquema prolongado, não na dose única que resolve as geo-helmintíases. O esquema de referência do Ministério da Saúde para a criança é metronidazol 15 mg/kg/dia por cinco dias, com secnidazol e tinidazol como opções de dose única — e falha terapêutica pode ser resistência, descrita em 10% a 20% dos casos com metronidazol, não necessariamente má adesão.
  7. 7Atribuir a anemia da criança do campo apenas à dieta Anemia ferropriva em criança que anda descalça em área sem saneamento tem uma causa a mais para investigar: o hematofagismo dos ancilostomídeos. Prescrever ferro sem tratar o verme mantém a perda; tratar o verme sem prescrever ferro mantém a anemia. As duas coisas andam juntas.
  8. 8Confundir o número que decide o algoritmo de saúde pública Os cortes são de positividade em escolares, não de número de casos: abaixo de 20%, tratam-se só os positivos; de 20% a 50%, tratamento coletivo anual; acima de 50%, semestral. Alternativa que troca a frequência pelo patamar, ou que aplica o algoritmo a um caso individual em consultório, está fora do enquadramento da pergunta.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

O prurido anal noturno com acometimento de vários membros da família é altamente sugestivo de enterobíase (oxiuríase). O tratamento é clínico e empírico com albendazol ou mebendazol, com dose repetida em 2 semanas, tratamento dos contactantes domiciliares e reforço de higiene (unhas, roupas de cama, lavagem de mãos). O parasitológico de fezes convencional tem baixa sensibilidade para Enterobius (método de fita gomada é o indicado), não devendo atrasar o tratamento de um quadro clássico. Corticoide não trata a causa. Encaminhamento especializado é desnecessário para quadro típico manejável na APS.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Refaça de memória a linha que liga pista clínica, exame e droga: prurido anal noturno → fita gomada (Graham) → albendazol dose única repetida em 14 dias e tratamento de todo o domicílio; anemia ferropriva com eosinofilia em quem anda descalço → parasitológico → albendazol 400 mg dose única mais reposição de ferro; tosse com eosinofilia e infiltrado fugaz → síndrome de Löffler da ascaridíase, com parasitológico ainda negativo no período pré-patente de 60 a 80 dias; diarreia gordurosa sem sangue e sem eosinofilia → Faust em três amostras → metronidazol 15 mg/kg/dia por 5 dias.

em 30 dias

Recupere os três blocos numéricos que a prova cobra sem dó: o algoritmo de tratamento coletivo (menos de 20%, de 20% a 50%, mais de 50% de positividade em escolares, com tratamento individual, anual e semestral); as posologias-chave (albendazol 400 mg dose única, mebendazol 100 mg de 12/12 h por 3 dias com dose fixa independente de peso e idade, metronidazol 15 mg/kg/dia por 5 dias na giardíase); e o controle de cura no 7º, 14º e 21º dias. Depois releia as quatro divergências e treine identificar, pelo enunciado, se a questão está no mundo do Ministério da Saúde, no da Sociedade Brasileira de Pediatria ou no da Organização Mundial da Saúde.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Criança de 5 anos trazida à unidade básica de saúde por dor abdominal recorrente e relato materno de ter visto 'um verme comprido' nas fezes. Mora em área sem esgotamento sanitário, frequenta creche e tem um irmão de 3 anos com prurido anal noturno. Conduza a consulta: investigue as pistas clínicas de cada parasitose, defina o exame que confirma cada hipótese, prescreva com posologia correta e decida quem mais na casa precisa ser tratado. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Parasitoses intestinais na infância — Preparatório para provas | OsceLabs