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Doença de Kawasaki
A prova cobra três coisas: reconhecer febre de cinco dias com quatro dos cinco critérios, não descartar o diagnóstico porque existe uma infecção junto, e tratar com imunoglobulina 2 g/kg dentro dos dez primeiros dias de febre.
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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Menina de 5 anos apresenta há 5 dias febre alta persistente (39,5 °C), hiperemia conjuntival bilateral não exsudativa, lábios fissurados e língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco, edema de mãos e pés e um linfonodo cervical de 1,8 cm. Exames: PCR elevada, plaquetas 520.000/mm³. Além da imunoglobulina intravenosa, qual medicamento é fundamental no tratamento inicial para reduzir o risco de aneurisma coronariano?
Como esse tema cai
Kawasaki é uma vasculite aguda e autolimitada de vasos de médio calibre que ataca preferencialmente as coronárias. É a principal causa de cardiopatia adquirida na infância nos países desenvolvidos, e cerca de 85% dos casos ocorrem antes dos 5 anos, com pico entre 9 e 12 meses. Nada disso é o que faz o tema cair tanto em prova. O que faz é a aritmética do tratamento: 25% das crianças não tratadas desenvolvem anormalidade coronariana, contra 4% das tratadas. O diagnóstico é inteiramente clínico, não existe exame que confirme, e a decisão de tratar tem prazo.
Por isso a questão quase nunca pergunta 'qual é o diagnóstico' de forma direta. Ela monta uma criança pequena com febre alta que já passou por antibiótico sem melhora, distribui quatro dos cinco critérios pelo enunciado — às vezes um deles já resolvido, contado pela mãe — e testa se o candidato trata ou se pede mais um exame. Uma variação frequente coloca uma infecção documentada no meio do caminho, para ver se o candidato descarta Kawasaki por causa dela.
O segundo bloco de questões é o Kawasaki incompleto: a criança que não fecha quatro critérios, tipicamente o lactente com menos de 6 meses e febre arrastada sem foco. É onde entram os cortes laboratoriais e o ecocardiograma, e é onde o candidato que decorou só 'febre de cinco dias mais quatro critérios' erra.
O terceiro bloco é o tratamento e o que vem depois: dose e janela da imunoglobulina, o papel do AAS, o que fazer quando a febre volta 36 horas depois da infusão, e o seguimento com ecocardiograma. As doses de AAS e a conduta na resistência mudaram de lugar entre o documento brasileiro de 2019 e o norte-americano de 2024 — esse é o ponto do capítulo em que faz diferença saber de qual documento a questão está falando.
O que muda decisão
O que a doença faz, e por que existe um prazo
A doença tem três fases e cada uma explica um pedaço da prova. A fase aguda, das duas primeiras semanas, é obrigatoriamente febril: febre alta, persistente, com mais de cinco dias de duração, acompanhada de elevação de VHS e PCR e de leucocitose com neutrofilia. É nela que aparecem os cinco critérios clínicos e também a miocardite, o derrame pericárdico, as arritmias, o acometimento das valvas mitral e aórtica e a insuficiência cardíaca.
A fase subaguda começa por volta do sétimo ao décimo dia de febre. É a fase da descamação — perineal primeiro, depois periungueal —, da trombocitose e, sobretudo, das ectasias e dos aneurismas coronarianos. Aneurismas podem surgir também em outros vasos de médio calibre (celíaca, mesentérica, renal, femoral, ilíaca, braquial, axilar), e é nessa janela que ocorrem trombose e infarto agudo do miocárdio. A fase de convalescença é a normalização: VHS, PCR e plaquetas voltam ao normal e a maioria dos aneurismas regride.
A imunoglobulina intravenosa muda o desfecho da fase subaguda, não o da fase aguda. Ela derruba o risco coronariano de cerca de 25% para menos de 4%, e o benefício depende de ser administrada antes de a vasculite coronariana se estabelecer — daí a janela dos 10 primeiros dias de febre. Esse é o motivo pelo qual não se espera o quadro ficar completo, não se espera cultura e não se espera ecocardiograma: cada dia perdido é dia dentro da janela.
Um esclarecimento que evita erro: o ecocardiograma alterado não é requisito para tratar, e o ecocardiograma normal não afasta a doença. Na fase aguda ele serve como exame de base para comparação e para detectar miocardite e pericardite. As coronárias podem estar rigorosamente normais no quinto dia de febre e dilatar depois.
Os cinco critérios, um por um
O critério obrigatório é febre persistente por pelo menos cinco dias. A ele se somam quatro dos cinco achados seguintes, segundo os critérios da American Heart Association e da EULAR/PReS adotados pela Sociedade Brasileira de Pediatria.
Alterações de lábios e cavidade oral, presentes em cerca de 90%: ressecamento, fissuras e eritema labial, hiperemia difusa da mucosa orofaríngea e papilas linguais proeminentes, a chamada língua em morango ou framboesa. O detalhe que separa Kawasaki de quase todo o resto: não há aftas, não há úlceras e não há exsudato. Enunciado com placa purulenta em amígdala está falando de outra doença.
Hiperemia conjuntival bilateral, em cerca de 85%: bulbar, poupando o limbo — o anel ao redor da íris fica claro —, não purulenta e indolor. Aparece no início do quadro e pode se arrastar por até um mês por conta de uveíte anterior. Secreção purulenta não combina com Kawasaki.
Alterações de extremidades, em cerca de 70%: na fase aguda, edema do dorso das mãos e dos pés e eritema palmar ou plantar, muitas vezes doloroso, a ponto de a criança recusar apoiar os pés; na fase subaguda, descamação periungueal e da área perineal. A descamação é achado tardio: se ela já está lá, o quadro está no sétimo ao décimo dia ou além, e a janela terapêutica está terminando.
Exantema polimorfo, em 80% a 90%: sem vesículas, surgindo nos primeiros cinco dias de febre, predominando em tronco e períneo. 'Polimorfo' quer dizer literalmente que ele pode ser maculopapular, escarlatiniforme ou multiforme — a morfologia não ajuda. Vesícula ou bolha, por outro lado, aponta para fora do diagnóstico.
Linfadenopatia cervical de pelo menos 1,5 cm, em geral unilateral e única. É o critério menos frequente e o que mais atrapalha: a criança costuma chegar com o rótulo de adenite bacteriana e já em uso de antibiótico. Adenite cervical que não responde à antibioticoterapia é uma das situações que obrigam a pensar em Kawasaki.
Dois avisos sobre como esses critérios se apresentam. Primeiro, eles são sequenciais: podem não estar presentes ao mesmo tempo, e um achado que já desapareceu continua valendo. Por isso a anamnese precisa perguntar ativamente pelo que passou, e as fotografias feitas pelos pais no celular são material diagnóstico legítimo. Segundo, sintomas de infecção de via aérea superior, como tosse, ou gastrintestinais, como dor abdominal e diarreia, não afastam Kawasaki.

O que não é critério, mas aparece no enunciado
A criança com Kawasaki é caracteristicamente muito irritada, e a irritabilidade é desproporcional ao restante do quadro. Parte disso é meningite asséptica, que pode cursar com irritabilidade, convulsão, ataxia, paralisia facial periférica, hipoacusia neurossensorial e secreção inapropriada de hormônio antidiurético. Lactente com febre prolongada, irritabilidade inexplicada ou líquor com pleocitose estéril é uma das situações listadas para suspeitar do diagnóstico.
No aparelho urinário, uretrite com proteinúria e piúria estéril. É um detalhe caro: a urina com leucócitos e cultura negativa costuma ser lida como infecção urinária tratada pela metade, quando é manifestação da própria vasculite — e conta como um dos achados laboratoriais de apoio.
No trato gastrintestinal, dor abdominal, diarreia, hidropsia de vesícula biliar, colestase, pancreatite e, nos casos mais graves, insuficiência hepática. Nas articulações, artrite nas três fases: poliartrite de pequenas articulações na fase aguda e oligoartrite de grandes articulações na subaguda.
Há ainda a forma que abre com choque, com hipotensão e má perfusão e culturas negativas — a chamada síndrome do choque do Kawasaki. Choque inexplicado ou com culturas negativas em criança pequena entra na lista de gatilhos para suspeitar da doença, e é uma das apresentações associadas a pior prognóstico coronariano.
Em país de vacinação universal com BCG, como o Brasil, vale olhar a cicatriz vacinal: eritema e endurecimento no sítio da BCG são um sinal reconhecido de Kawasaki no lactente. Não é critério e não substitui nenhum deles, mas num quadro febril arrastado é um achado que empurra a suspeita para cima.
O laboratório não fecha o diagnóstico — sustenta o incompleto
Não existe exame confirmatório. O laboratório serve para duas coisas: afastar diferenciais e sustentar a decisão de tratar quando os critérios clínicos não fecham. O padrão esperado é leucocitose com neutrofilia acima de 15.000/mm³, anemia para a idade, VHS acima de 40 mm na primeira hora, PCR acima de 3 mg/dL, TGP acima de 50 U/L, albumina abaixo de 3 g/dL, piúria estéril com mais de 10 leucócitos por campo e hiponatremia.
A trombocitose acima de 450.000/mm³ tem hora marcada: ela aparece depois da primeira semana de doença. Plaqueta normal no quinto dia de febre não afasta nada — e plaquetopenia, ao contrário do que a intuição sugere, é sinal de gravidade, associada a pior prognóstico coronariano.
Dois valores marcam o paciente grave e vale guardá-los separados dos cortes de apoio diagnóstico: PCR igual ou maior que 10 mg/dL e TGO acima de 80 a 100 U/L estão entre os fatores de mau prognóstico, ao lado de sexo masculino, idade menor que 6 meses ou maior que 8 anos, febre persistente, hipoalbuminemia, anemia, leucócitos acima de 15.000/mm³ com mais de 80% de neutrófilos, plaquetopenia e provas inflamatórias elevadas por mais de um mês.
O diagnóstico diferencial se faz com as doenças febris agudas que cursam com exantema, linfadenite e alteração de mucosas: escarlatina, meningite, endocardite, adenite bacteriana, síndrome do choque tóxico estreptocócico ou estafilocócico, mononucleose, adenovirose, enterovirose, arboviroses, sarampo, farmacodermia e outras vasculites de médio calibre, como a poliarterite nodosa. Depois de 2020 somou-se a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica associada à covid-19, que compartilha febre, exantema, hiperemia conjuntival e alteração de mucosas, mas costuma atingir crianças mais velhas, com dor abdominal proeminente e disfunção miocárdica.
O ponto que mais derruba candidato é a coinfecção. A regra da SBP é explícita: mesmo na presença de infecção documentada, se houver critérios clínicos típicos, mantém-se a suspeita de Kawasaki. Um adenovírus positivo no painel viral ou um estreptococo na orofaringe não desfazem quatro critérios clínicos.
Kawasaki incompleto: quem entra e com o quê
Entre 20% e 30% dos pacientes não preenchem os critérios clássicos. Essas são as formas incompletas — o nome 'atípico' ainda circula, mas descreve mal, porque o que falta é número de critérios, não tipicidade. O risco coronariano é o mesmo ou maior, porque o diagnóstico demora.
O grupo de maior risco é o lactente com menos de 6 meses, e o motivo é justamente que ele expressa poucos critérios: pode ter apenas febre arrastada e irritabilidade. No algoritmo norte-americano de 2024, febre inexplicada por 7 dias ou mais em lactente já é gatilho para investigar, mesmo sem nenhum dos cinco achados clínicos.
O caminho de decisão é laboratorial e ecocardiográfico. Com febre prolongada sem explicação e dois ou três dos cinco critérios — ou lactente com febre de 7 dias ou mais —, pede-se hemograma, VHS, PCR, função renal, ALT, GGT, bilirrubinas e urina com sedimento. PCR igual ou maior que 3 mg/dL e/ou VHS igual ou maior que 40 mm/h somados a três ou mais dos seis achados de apoio (anemia para a idade, plaquetas iguais ou maiores que 450.000, albumina igual ou menor que 3 g/dL, ALT elevada, leucócitos iguais ou maiores que 15.000/mm³, leucocitúria igual ou maior que 10 por campo) sustentam o tratamento.
O ecocardiograma entra pelo outro lado da porta: Z-escore igual ou maior que 2,5 na descendente anterior ou na coronária direita já basta. Também apoiam o diagnóstico três ou mais achados sugestivos — função ventricular esquerda reduzida, insuficiência mitral, derrame pericárdico e Z-escore entre 2 e 2,5 nessas artérias.
Ou seja: no incompleto, o exame que não confirma o diagnóstico clássico passa a ser decisivo. Mas ele decide para tratar, nunca para não tratar. Ecocardiograma normal em criança com febre prolongada, provas inflamatórias altas e nenhum diagnóstico alternativo não encerra a investigação.
Tratamento: imunoglobulina, AAS e a reavaliação de 36 horas
O tratamento é imunoglobulina humana intravenosa 2 g/kg em dose única, infundida ao longo de 8 a 12 horas, até o 10º dia de febre. Em criança com choque ou disfunção miocárdica, infunde-se mais devagar. O paciente fica internado com monitorização cardíaca, pelo risco de miocardite e arritmia na fase aguda.
Passar do 10º dia não encerra a indicação. A imunoglobulina deve ser administrada mesmo depois disso enquanto houver febre ou elevação de VHS ou PCR — e também quando o diagnóstico é feito tardiamente em criança já afebril, se houver aneurisma. O que se perde depois do décimo dia é parte da proteção coronariana, não a indicação.
O AAS entra junto, e é aqui que documento brasileiro e norte-americano se afastam: a SBP recomenda dose moderada de 30 a 50 mg/kg/dia ou alta de 50 a 80 mg/kg/dia, registrando que faltam evidências consistentes de que a dose alta reduza aneurisma; a tabela da AHA de 2024 traz 30 a 50 mg/kg/dia divididos a cada 6 horas, com nota de que a dose ideal está sob investigação prospectiva. Quem responde à antiga régua de 80 a 100 mg/kg/dia está respondendo pela recomendação de 2017.
Quando a criança completa 48 a 72 horas afebril — a SBP fala em dois dias sem febre —, o AAS cai para a dose antiagregante de 3 a 5 mg/kg/dia, uma vez ao dia, mantida por 6 a 8 semanas e por tempo indefinido se houver anormalidade coronariana. Dois cuidados práticos: não associar anti-inflamatório não esteroidal, porque ele reduz o efeito antiplaquetário do AAS; e lembrar que a criança em uso de AAS tem risco de síndrome de Reye se contrair varicela, dengue ou influenza.
A reavaliação acontece 36 horas após o término da infusão. Febre persistente ou recorrente nesse ponto define resistência à imunoglobulina, que ocorre em parcela relevante dos casos e é o principal marcador de risco coronariano depois do tratamento. A conduta brasileira de 2019 é repetir a IVIG na mesma dose e, se a febre persistir, aplicar pulso de metilprednisolona 30 mg/kg/dose (máximo de 1 g) uma vez ao dia por três dias, reservando infliximabe 5 mg/kg, ciclosporina, ciclofosfamida e plasmaférese para os refratários. O documento de 2024 põe a segunda IVIG e o infliximabe 10 mg/kg lado a lado, apoiado no ensaio kidcare.
Existe ainda a intensificação da terapia inicial — corticoide ou infliximabe junto da primeira IVIG — para quem tem alto risco de aneurisma. Aí mora a segunda diferença entre os documentos, tratada no bloco de divergências: a lista brasileira de 2019 é ampla e clínico-laboratorial; a régua de 2024 é objetiva e curta.
Depois da alta: ecocardiograma, aspirina e vacinas
O seguimento ecocardiográfico brasileiro é conhecido: exame no momento da suspeita, repetido entre 1 e 2 semanas e entre 6 e 8 semanas de evolução. Havendo aneurisma, duas vezes por semana até a estabilização do lúmen. O documento de 2024 encurta o primeiro retorno para 7 a 14 dias após a alta, ou antes disso no paciente de alto risco, e recomenda repetir o exame a cada 2 a 3 dias enquanto o aneurisma estiver evoluindo. O exame deve ser feito por profissional experiente e interpretado por Z-escore, não por diâmetro absoluto — a mesma medida em milímetros significa coisas diferentes em um lactente e em um escolar.
A classificação de risco a longo prazo tem cinco níveis, e é dela que sai a conduta antitrombótica: sem envolvimento coronariano (Z abaixo de 2), dilatação apenas (Z de 2 a menos de 2,5), aneurisma pequeno (Z de 2,5 a menos de 5), aneurisma médio (Z de 5 a menos de 10 e diâmetro absoluto menor que 8 mm) e aneurisma gigante (Z igual ou maior que 10 ou diâmetro igual ou maior que 8 mm). Antiagregação para todos; clopidogrel somado ao AAS no aneurisma médio persistente; anticoagulação plena no gigante — varfarina, heparina de baixo peso molecular ou, desde 2024, anticoagulante oral direto.
As vacinas fecham o assunto e caem em prova. Depois da imunoglobulina, o algoritmo norte-americano de 2024 adia as vacinas vivas atenuadas por 11 meses, porque os anticorpos transferidos passivamente neutralizam o vírus vacinal. Vacinas inativadas seguem normalmente. Na criança que ficará meses em AAS, a vacinação contra influenza e varicela ganha peso adicional pelo risco de síndrome de Reye — respeitado o intervalo pós-imunoglobulina para a vacina de varicela, que é atenuada.
O acompanhamento conjunto com cardiologia pediátrica e reumatologia pediátrica é a regra. Mesmo nas lesões que regrediram persistem disfunção endotelial e espessamento da íntima, o que faz da criança que teve Kawasaki alguém que precisa de controle de fatores de risco cardiovascular a vida toda.
Da suspeita ao tratamento: a sequência e os números
O fluxo abaixo é a ordem em que as decisões acontecem na porta. As tabelas concentram o que se decora: os achados laboratoriais que sustentam a forma incompleta, as doses da terapia inicial, da intensificação e do resgate, e a classificação coronariana por Z-escore, que é o que define a conduta antitrombótica e o seguimento.
- 1Contou os dias de febre: o primeiro dia de febre é o dia 1. Cinco dias de febre em criança pequena, com antibiótico já em curso e sem melhora, abre a hipótese.
- 2Procurou os cinco achados — inclusive os que já passaram: pergunte por exantema, olho vermelho, mãos inchadas e descamação, e peça as fotos do celular. Quatro dos cinco, com a febre, fecham o diagnóstico clássico.
- 3Não fechou quatro: colheu hemograma, VHS, PCR, ALT, albumina, sódio e urina com sedimento, e pediu ecocardiograma. PCR igual ou maior que 3 mg/dL e/ou VHS igual ou maior que 40 mm/h mais três dos seis achados de apoio, ou Z-escore igual ou maior que 2,5 na descendente anterior ou na coronária direita, sustentam tratar como forma incompleta.
- 4Tratou: internou com monitorização cardíaca, IVIG 2 g/kg em dose única e AAS. O ecocardiograma não atrasa a infusão, e infecção documentada junto não cancela o tratamento.
- 5Reavaliou em 36 horas após o término da infusão: sem febre, transição para AAS em dose antiagregante e programação do ecocardiograma de seguimento. Com febre, resistência à IVIG — intensificação do tratamento.
- 6Programou a alta: AAS 3-5 mg/kg/dia por 6-8 semanas (indefinido se houver anormalidade coronariana), ecocardiograma de controle, orientação de retorno se a febre voltar e adiamento das vacinas vivas atenuadas.
Nível 1 — Z-escore abaixo de 2: sem envolvimento coronariano. AAS por 6 semanas e alta do seguimento cardiológico.
Calibre normal em todos os exames. Nenhuma conduta antitrombótica além do AAS do período agudo.
Nível 2 — Z-escore de 2 a menos de 2,5: dilatação apenas, que costuma resolver em semanas a um ano.
Aumento de calibre sem aneurisma. AAS mantido até o diâmetro normalizar; sem anticoagulação.
Nível 3 — Z-escore de 2,5 a menos de 5: aneurisma pequeno.
Antiagregação com AAS enquanto persistir. Sem anticoagulação. Já é o corte que sustenta, sozinho, o diagnóstico de forma incompleta.
Nível 4 — Z-escore de 5 a menos de 10, com diâmetro abaixo de 8 mm: aneurisma médio.
AAS somado a clopidogrel enquanto persistir. Anticoagulação não indicada de rotina neste nível.
Nível 5 — Z-escore igual ou maior que 10, ou diâmetro igual ou maior que 8 mm: aneurisma gigante.
Antiagregação somada a anticoagulação plena — varfarina, heparina de baixo peso molecular ou anticoagulante oral direto. É o nível de maior risco de trombose e infarto.
| Achado | Corte | Observação |
|---|---|---|
| PCR | Igual ou maior que 3 mg/dL | Porta de entrada: PCR e/ou VHS elevados são exigidos antes de contar os demais |
| VHS | Igual ou maior que 40 mm na 1ª hora | Pode estar falsamente elevado após a infusão de imunoglobulina |
| Anemia | Para a idade | Um dos seis achados de apoio |
| Plaquetas | Iguais ou maiores que 450.000/mm³ | Só depois do 7º dia de doença; plaqueta normal antes disso não afasta nada |
| Albumina | Igual ou menor que 3 g/dL | Hipoalbuminemia também é fator de mau prognóstico |
| ALT (TGP) | Acima de 50 U/L | Elevação de transaminases entra na lista de alto risco da SBP |
| Leucócitos | Iguais ou maiores que 15.000/mm³ | Com neutrofilia; mais de 80% de neutrófilos é sinal de gravidade |
| Leucocitúria | Igual ou maior que 10 por campo, com cultura negativa | Piúria estéril por uretrite — não é infecção urinária |
| Z-escore coronariano | Igual ou maior que 2,5 na descendente anterior ou na coronária direita | Sozinho, sustenta o diagnóstico da forma incompleta |
Doses: terapia inicial, intensificação e resgate
| Etapa | Droga e dose | Documento |
|---|---|---|
| Inicial | Imunoglobulina intravenosa 2 g/kg em dose única, infundida em 8 a 12 horas, até o 10º dia de febre — e também depois dele enquanto houver febre ou VHS/PCR elevados | SBP 2019 e AHA 2024 |
| Inicial | AAS 30 a 50 mg/kg/dia (dose moderada) ou 50 a 80 mg/kg/dia (dose alta) | SBP 2019 |
| Inicial | AAS 30 a 50 mg/kg/dia divididos a cada 6 horas | AHA 2024 |
| Manutenção | AAS 3 a 5 mg/kg/dia após 48 a 72 horas afebril, por 6 a 8 semanas; indefinidamente se houver anormalidade coronariana | SBP 2019 e AHA 2024 |
| Intensificação no alto risco | Metilprednisolona 2 mg/kg/dia por via intravenosa até a resolução da febre, seguida de prednisolona oral com desmame em 2 a 3 semanas | SBP 2019 |
| Intensificação no alto risco | Prednisolona 2 mg/kg/dia divididos a cada 8 horas por 5 dias (máximo de 60 mg/dia) e depois via oral com desmame em 15 dias; ou metilprednisolona 2 mg/kg/dia divididos a cada 12 horas por 5 dias; ou infliximabe 10 mg/kg em 2 horas | AHA 2024 |
| Resistência (febre 36 h após a infusão) | Repetir IVIG 2 g/kg; persistindo, pulso de metilprednisolona 30 mg/kg/dose (máximo de 1 g) por 3 dias | SBP 2019 |
| Resistência (febre 36 h após a infusão) | Segunda IVIG 2 g/kg ou infliximabe 10 mg/kg | AHA 2024 |
| Refratário | Infliximabe 5 mg/kg, ciclosporina, ciclofosfamida, plasmaférese | SBP 2019 |
| Refratário | Ciclosporina 5 mg/kg/dia, anakinra 10 mg/kg/dia, ciclofosfamida 10 mg/kg/dia, etanercepte 0,8 mg/kg semanal por 3 doses | AHA 2024 |
Quando suspeitar mesmo sem os quatro critérios
| Situação | Por que entra na lista |
|---|---|
| Lactente com febre inexplicada por 7 dias ou mais | É o grupo que menos expressa critérios e o de maior risco coronariano |
| Irritabilidade inexplicada ou meningite asséptica no lactente | Manifestação neurológica da vasculite, frequentemente isolada |
| Exantema com provas de atividade inflamatória elevadas | Combinação que sobra quando os demais critérios ainda não apareceram |
| Adenite cervical sem resposta a antibiótico | Rótulo inicial típico da criança que depois fecha Kawasaki |
| Choque inexplicado ou com culturas negativas | Síndrome do choque do Kawasaki, associada a pior prognóstico |
| Ecocardiograma com sinais de coronariopatia | O achado ecocardiográfico substitui critérios clínicos ausentes |
| Infecção documentada, mas com critérios clínicos típicos | Coinfecção não afasta o diagnóstico nem cancela o tratamento |
O dia 1 é o primeiro dia de febre. O critério clássico exige pelo menos 5 dias; o algoritmo assistencial norte-americano de 2024 reproduzido no material de ensino do Children's National permite fechar o diagnóstico com 4 dias de febre quando já há 4 dos 5 achados, e o documento da AHA de 2017 já admitia isso para examinadores experientes. Em prova brasileira, o enunciado que traz 'febre há 5 dias' está seguindo o critério clássico.
A imunoglobulina eleva o VHS por semanas. Depois da infusão, o VHS deixa de servir para acompanhar a atividade da doença — quem faz esse papel é a PCR.
Os critérios podem ser sequenciais: quatro achados que apareceram em dias diferentes valem tanto quanto quatro achados simultâneos.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Dose moderada de 30 a 50 mg/kg/dia ou alta de 50 a 80 mg/kg/dia, com a ressalva explícita de que faltam evidências consistentes de redução de aneurisma
O documento brasileiro registra as duas faixas e assume que o benefício comprovado sobre a coronária é da imunoglobulina, não da aspirina. A aspirina em dose anti-inflamatória controla febre e inflamação sistêmica.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Documento Científico nº 06, novembro de 2019
Dose de 30 a 50 mg/kg/dia divididos a cada 6 horas, com nota de que a dose ideal está sob investigação prospectiva
A tabela de 2024 abandona a faixa alta que constava do documento de 2017 (80 a 100 mg/kg/dia), sem afirmar equivalência: registra que a dose menor é a usada em muitos centros e que o ensaio prospectivo está em curso.
American Heart Association, Circulation 2024;150(23):e481-e500, Tabela 3
Na prova
A causa da diferença é falta de evidência, não restrição econômica: nenhum documento sustenta que dose alta reduza aneurisma. Alternativa com 80 a 100 mg/kg/dia denuncia enunciado escrito sobre a régua da AHA de 2017 ou sobre livro-texto anterior a 2024; alternativa com 30 a 50 mg/kg/dia é compatível tanto com a SBP de 2019 quanto com a AHA de 2024. Quando o enunciado cita a SBP ou descreve um serviço do SUS, a faixa brasileira é a que está em jogo; quando cita a AHA sem ano, a leitura depende do que as demais alternativas revelam — se uma delas traz 'divididos a cada 6 horas', o recorte é o de 2024.
Repetir a imunoglobulina na mesma dose; persistindo, pulso de metilprednisolona 30 mg/kg/dose por 3 dias; biológico só nos refratários, com infliximabe 5 mg/kg
Escalonamento em degraus, com o biológico reservado para depois de duas linhas. Reflete a evidência disponível até 2019 e a realidade de acesso ao infliximabe no serviço público brasileiro.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Documento Científico nº 06, novembro de 2019
Segunda imunoglobulina 2 g/kg ou infliximabe 10 mg/kg como opções de mesma linha no resgate
O ensaio KIDCARE, publicado em 2021, comparou as duas estratégias: resolução da febre em 24 horas sem recorrência em 40 de 52 pacientes com infliximabe contra 25 de 49 com a segunda IVIG, com menos queda de hemoglobina e nenhum caso de anemia hemolítica no braço do infliximabe. O documento de 2024 incorpora o resultado.
American Heart Association, Circulation 2024;150(23):e481-e500, Tabela 3, apoiada em Burns JC et al., Lancet Child & Adolescent Health, 2021
Na prova
A diferença tem duas causas nomeáveis: o ensaio que sustenta o infliximabe foi publicado dois anos depois do documento brasileiro, e o custo e a disponibilidade do biológico pesam de forma diferente no SUS e no sistema norte-americano. Enunciado ambientado em unidade pública brasileira, ou que cite a SBP, tende a cobrar o escalonamento com a segunda dose de imunoglobulina; enunciado de centro terciário que ofereça infliximabe entre as alternativas está trabalhando com a régua de 2024. Repare também na dose do infliximabe nas alternativas: 5 mg/kg aponta para o documento brasileiro, 10 mg/kg para o norte-americano.
Lista clínico-laboratorial ampla: menores de 6 meses, maiores de 8 anos, hipoalbuminemia, plaquetopenia, leucocitose, elevação de transaminases, hiponatremia, síndrome do choque do Kawasaki e sexo masculino
A SBP reproduz a orientação da AHA de 2017 e sugere metilprednisolona 2 mg/kg/dia por via intravenosa até a resolução da febre, seguida de prednisolona oral com desmame em 2 a 3 semanas.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Documento Científico nº 06, novembro de 2019
Critério objetivo e curto: idade igual ou menor que 6 meses, ou Z-escore igual ou maior que 2,5 na descendente anterior ou na coronária direita no ecocardiograma basal
O documento de 2024 troca a lista por dois gatilhos verificáveis e acrescenta que, no paciente de alto risco, escolher entre corticoide e infliximabe importa menos do que usar um dos dois. O escore norte-americano de risco de aneurisma (Son, 2019) pontua Z-escore basal igual ou maior que 2 com 2 pontos e idade menor que 6 meses, raça asiática e PCR basal igual ou maior que 13 mg/dL com 1 ponto cada.
American Heart Association, Circulation 2024;150(23):e481-e500, comentada na análise do American College of Cardiology, abril de 2025
Na prova
A causa aqui é metodológica e populacional: os escores de predição de resistência desenvolvidos no Japão não se reproduziram em coortes ocidentais, e o documento de 2024 preferiu dois gatilhos objetivos derivados de população norte-americana. Enunciado que descreve um lactente de 3 ou 4 meses cabe nas duas réguas ao mesmo tempo — é alto risco em 2019 e em 2024. A distinção aparece quando o enunciado oferece só achados laboratoriais (hiponatremia, hipoalbuminemia, transaminases) sem idade extrema nem Z-escore: nesse desenho, o recorte é o da lista brasileira de 2019.
Caso resolvido
- achado
- Febre há 6 dias mais quatro critérios: alteração de lábios e cavidade oral, hiperemia conjuntival bulbar, linfadenopatia cervical maior que 1,5 cm e alteração de extremidades. O exantema relatado pela mãe e documentado em foto seria o quinto — critério que já passou continua valendo.
- leitura
- O antibiótico sem resposta e a piúria estéril não são ruído: adenite que não responde a antibiótico está na lista de gatilhos, e a leucocitúria com cultura negativa é uretrite da própria vasculite. O laboratório completa o retrato: anemia, leucocitose com neutrofilia acima de 80%, PCR de 14 mg/dL, hipoalbuminemia, transaminase elevada e hiponatremia.
- diagnóstico
- Doença de Kawasaki na forma clássica. Não é preciso ecocardiograma para fechar o diagnóstico, e nenhum exame vai confirmá-lo — o diagnóstico é clínico.
- conduta
- Internação com monitorização cardíaca, imunoglobulina intravenosa 2 g/kg em dose única infundida em 8 a 12 horas — ainda dentro dos 10 dias — e AAS em dose anti-inflamatória. Ecocardiograma basal solicitado, sem que a espera atrase a infusão.
- seguimento
- Reavaliação 36 horas após o término da infusão. Afebril, transição para AAS 3 a 5 mg/kg/dia por 6 a 8 semanas, ecocardiograma repetido entre 1 e 2 semanas e entre 6 e 8 semanas, orientação de retorno se a febre reaparecer e adiamento das vacinas vivas atenuadas.
Agora feche você
- achado
- Febre inexplicada por 8 dias em lactente com menos de 6 meses, sem nenhum dos cinco critérios clínicos, com meningite asséptica, piúria estéril e provas inflamatórias altas.
- leitura
- Lactente com febre de 7 dias ou mais sem explicação entra no algoritmo da forma incompleta mesmo sem critérios clínicos. A porta de entrada laboratorial está aberta — PCR de 9,4 mg/dL e VHS de 58 mm/h — e os achados de apoio somam bem mais que três: anemia, plaquetas acima de 450.000 depois da primeira semana, albumina de 2,7 g/dL, ALT elevada, leucócitos acima de 15.000/mm³ e leucocitúria maior que 10 por campo.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Descartar Kawasaki porque veio um exame infeccioso positivo Adenovírus no painel viral, estreptococo na orofaringe, urina com leucócitos: o enunciado planta uma infecção para ver se o candidato abandona o diagnóstico. A regra do documento brasileiro é o contrário — mesmo com infecção documentada, havendo critérios clínicos típicos, mantém-se a suspeita. E a piúria com cultura negativa costuma ser a própria uretrite da vasculite.
- 2Esperar o ecocardiograma para decidir se trata O diagnóstico é clínico e o ecocardiograma da fase aguda serve de base para comparação. Coronária normal no quinto dia é o esperado, não é alívio: o aneurisma se forma na fase subaguda. Adiar a imunoglobulina para 'ver o eco' gasta a janela dos 10 dias, que é onde está o benefício.
- 3Achar que passou do 10º dia e não adianta mais A janela ideal é até o 10º dia de febre, mas a imunoglobulina continua indicada depois dele enquanto houver febre ou elevação de VHS ou PCR. O que se perde é parte da proteção coronariana, não a indicação de tratar.
- 4Ler a linfadenopatia errado O critério é linfonodo de pelo menos 1,5 cm, em geral unilateral e único. Micropoliadenomegalia bilateral não conta — e é justamente esse o achado que aparece nas viroses que servem de distrator.
- 5Aceitar exsudato, úlcera ou vesícula como parte do quadro Kawasaki não faz aftas, não faz úlceras orais, não faz exsudato amigdaliano e não faz exantema vesicular. Cada um desses achados no enunciado empurra para escarlatina, faringite estreptocócica, herpangina, varicela ou farmacodermia.
- 6Trocar o AAS por anti-inflamatório não esteroidal Ibuprofeno e outros AINEs reduzem o efeito antiplaquetário da aspirina e não devem ser associados. Quando o AAS não pode ser usado — deficiência de G6PD, influenza aguda —, o caminho é outro antiplaquetário, não um AINE comum.
- 7Usar o VHS para acompanhar a resposta depois da infusão A própria imunoglobulina eleva o VHS por semanas. Quem acompanha atividade inflamatória depois do tratamento é a PCR. A definição de resistência, aliás, é clínica: febre persistente ou recorrente 36 horas após o término da infusão.
- 8Aplicar a tríplice viral no calendário logo após a alta A imunoglobulina transfere anticorpos que neutralizam o vírus vacinal: o algoritmo norte-americano de 2024 adia as vacinas vivas atenuadas por 11 meses após a dose de 2 g/kg. As vacinas inativadas seguem normalmente, e a antigripal ganha importância na criança que ficará semanas em AAS.
O quadro preenche critérios de doença de Kawasaki (febre ≥5 dias + conjuntivite não exsudativa, alterações de mucosa oral, exantema, alterações de extremidades e linfadenopatia). O tratamento padrão é imunoglobulina IV associada a ácido acetilsalicílico (AAS) — é uma das poucas indicações de AAS em pediatria — para reduzir inflamação e risco de aneurismas coronarianos. Ibuprofeno não substitui o AAS e pode antagonizar seu efeito antiplaquetário. Corticoide isolado não é a base do tratamento inicial (usado em casos refratários/alto risco associado à IGIV). Heparina não é o pilar inicial. Antibiótico não tem papel, pois a doença não é bacteriana.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Menina de 4 anos é levada ao pronto-socorro por febre há 6 dias (pico 39 °C), irritabilidade, conjuntivite bilateral não exsudativa, lábios rachados e hiperemiados, língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco e edema com descamação inicial nas pontas dos dedos. Ao exame há um único linfonodo cervical de 1,8 cm, endurecido. PA 95x60 mmHg, FC 140 bpm, T 38,9 °C. Além do início do tratamento, qual exame é fundamental para avaliar a principal complicação temida dessa condição?
O quadro preenche critérios de doença de Kawasaki (febre ≥5 dias + 4 dos 5 critérios: conjuntivite, alterações de mucosa oral, exantema, alterações de extremidades e linfonodo cervical). A complicação temida são os aneurismas de artérias coronárias, avaliados pelo ecocardiograma (correta), que deve ser feito ao diagnóstico e seriado. Punção lombar e EEG não avaliam a complicação principal. Radiografia de tórax e USG abdominal não detectam acometimento coronariano.
Menino de 4 anos apresenta há 6 dias febre alta persistente, conjuntivite bilateral não exsudativa, lábios rachados e eritema de língua, exantema polimorfo no tronco e edema de mãos e pés que agora descama nas pontas dos dedos. Há linfonodo cervical de 1,8 cm. Confirmado o diagnóstico clínico, qual é o exame de imagem essencial no seguimento pela principal complicação cardiovascular dessa doença?
O quadro é doença de Kawasaki, e a principal complicação é o aneurisma de artéria coronária; o ecocardiograma é o exame de escolha para rastrear e acompanhar dilatações/aneurismas coronarianos, sendo realizado no diagnóstico e em intervalos definidos. A ressonância avalia fibrose mas não é o método de rastreio inicial das coronárias na fase aguda. A cintilografia avalia perfusão, não a anatomia coronária dilatada. O cateterismo é invasivo e reservado a casos selecionados, não é rastreio. A radiografia não avalia coronárias.
Pré-escolar de 3 anos chega à UBS com febre há 6 dias, conjuntivite bilateral não purulenta, lábios fissurados e hiperemiados, exantema polimorfo em tronco, adenomegalia cervical > 1,5 cm e edema de mãos e pés. Diante dessa apresentação, qual é a conduta correta na atenção primária?
O quadro preenche critérios de doença de Kawasaki (febre ≥5 dias + conjuntivite não exsudativa, alterações de lábios/mucosa, exantema, adenomegalia e alterações de extremidades). É emergência médica pelo risco de aneurisma coronariano; requer encaminhamento urgente para diagnóstico ecocardiográfico e tratamento com imunoglobulina e AAS em serviço de referência. Escarlatina não cursa com conjuntivite e edema de extremidades. Considerar viral autolimitada retarda tratamento que reduz complicações cardíacas. Aguardar sorologias inespecíficas atrasa a intervenção crítica.
Menino de 5 anos é levado à UPA com febre há 6 dias, hiperemia conjuntival bilateral não exsudativa, lábios rachados e língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco, edema de mãos e pés e um linfonodo cervical de 1,8 cm. Não há tosse, coriza nem exsudato. O médico plantonista aventa a hipótese de doença de Kawasaki. Além do ecocardiograma, qual é a conduta terapêutica de referência a ser instituída para reduzir o risco de aneurisma de coronária?
A doença de Kawasaki completa (≥5 dias de febre + ≥4 dos 5 critérios) tem tratamento de referência com imunoglobulina IV (IVIG 2 g/kg) associada a AAS, idealmente nos primeiros 10 dias, para reduzir aneurismas coronarianos — correta. Corticoide isolado não é a terapia de primeira linha (pode ser adjuvante em alto risco/refratários). Antibiótico não trata Kawasaki, que não é bacteriana. Observação isolada é perigosa: sem tratamento o risco de aneurisma coronariano chega a ~25%.
Menina de 2 anos é levada ao pronto-atendimento com febre alta persistente há 6 dias. Ao exame apresenta hiperemia conjuntival bilateral não exsudativa, lábios rachados e língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco, edema de mãos e pés e um linfonodo cervical de 1,8 cm. Considerando a principal hipótese diagnóstica e sua complicação mais temida, qual exame é fundamental solicitar?
O quadro é típico de doença de Kawasaki (febre ≥5 dias + conjuntivite não exsudativa, alterações de lábios/língua em framboesa, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfonodomegalia cervical). A complicação mais temida são os aneurismas de artérias coronárias, avaliados por ecocardiograma, exame fundamental no diagnóstico e seguimento. O tratamento precoce com imunoglobulina reduz esse risco. Radiografia de tórax, EEG e USG abdominal não avaliam a complicação coronariana que define o prognóstico, embora a hidropsia de vesícula possa ocorrer como achado associado, não é o exame prioritário.
Menino de 3 anos chega à UPA com febre há 5 dias, irritabilidade, conjuntivite bilateral não purulenta, lábios rachados e hiperemiados, língua em framboesa, exantema polimorfo no tronco e edema com descamação nas extremidades. Ao exame, palpa-se linfonodo cervical único de 2 cm. Além de iniciar a investigação, qual conduta é prioritária para prevenir a principal complicação desta doença?
O quadro preenche critérios de doença de Kawasaki (febre ≥5 dias + conjuntivite, alterações de mucosa oral, exantema, alterações de extremidades e linfadenopatia cervical). O tratamento que reduz o risco de aneurismas de artérias coronárias — principal complicação — é a imunoglobulina intravenosa associada ao AAS, idealmente nos primeiros 10 dias. A doença não é bacteriana, tornando a amoxicilina inútil. Corticoide isolado não é a terapia de primeira linha (pode ser adjuvante em casos de alto risco/refratários). Aciclovir não tem papel, pois não se trata de infecção herpética.
Menina de 6 anos comparece à UBS com quadro de febre há 6 dias, exantema, hiperemia conjuntival bilateral não purulenta, lábios fissurados, língua em framboesa e edema de mãos e pés. Apresenta ainda um linfonodo cervical de 1,8 cm. Diante da principal hipótese, qual a conduta que reduz o risco da complicação mais temida?
O quadro preenche critérios de doença de Kawasaki (febre ≥5 dias + ≥4 dos 5 critérios: conjuntivite, alterações de lábios/língua, exantema, alterações de extremidades, linfonodo cervical). A complicação temida é o aneurisma de coronária, prevenido por imunoglobulina IV + AAS. Corticoide isolado não é a terapia de primeira linha. Ceftriaxona trata infecção bacteriana, não a hipótese. Anti-histamínico não altera o curso nem previne a complicação coronariana.
Menino de 6 anos é levado à UPA com febre alta há 6 dias. Ao exame apresenta conjuntivite bilateral não exsudativa, lábios fissurados e língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco, edema endurado de mãos e pés e um linfonodo cervical de 1,8 cm. Foram descartadas causas infecciosas específicas. Além de iniciar o tratamento da fase aguda, qual exame complementar é essencial para avaliar a principal complicação desta doença?
O quadro (febre ≥ 5 dias + conjuntivite não exsudativa, alterações de mucosa oral, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfadenopatia cervical) preenche critérios de doença de Kawasaki. A complicação temida é o acometimento coronariano (aneurismas), avaliado por ecocardiograma, que deve ser feito ao diagnóstico e no seguimento; o tratamento é imunoglobulina IV + AAS. A radiografia não detecta aneurismas coronarianos. O EEG não tem papel. A hidropsia de vesícula pode ocorrer, mas é achado secundário e não a complicação principal que define o prognóstico.
Uma menina de 2 anos é levada ao pronto-socorro com febre alta persistente há 6 dias, sem foco infeccioso definido e com pouca resposta a antitérmicos. Ao exame, apresenta hiperemia conjuntival bilateral sem secreção, lábios avermelhados e fissurados com língua em framboesa, exantema polimorfo no tronco, edema e eritema de mãos e pés e um linfonodo cervical de cerca de 1,5 cm. A mãe nota descamação começando nas pontas dos dedos. O exame cardiovascular é normal no momento. Diante do quadro, qual é o diagnóstico mais provável e o tratamento de escolha, respectivamente?
Febre ≥5 dias com conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios/língua em framboesa, exantema polimorfo, alterações de extremidades (edema e depois descamação) e linfonodomegalia cervical preenchem os critérios de doença de Kawasaki; o tratamento de escolha é imunoglobulina IV com AAS, prevenindo aneurismas coronarianos. A escarlatina tem língua em framboesa e exantema, mas não cursa com conjuntivite e edema de extremidades típicos. O sarampo tem tosse, coriza, manchas de Koplik e exantema crânio-caudal. A reação medicamentosa não explica a febre prolongada com esse conjunto de critérios mucocutâneos.
Criança de 3 anos é trazida ao pronto-socorro com febre de 39°C há 5 dias, olhos vermelhos sem secreção, lábios rachados e avermelhados e língua em framboesa. A mãe notou edema e vermelhidão nas mãos e nos pés. Ao exame, há exantema polimorfo no tronco e um linfonodo cervical de 1,8 cm, único, à direita. Não há tosse nem coriza. Ecocardiograma solicitado ainda pendente. Hemograma mostra leucocitose com neutrofilia, plaquetas 480.000/mm³ e VHS elevada. A criança mantém-se irritada e febril apesar de antitérmicos. Diante da suspeita clínica, assinale o diagnóstico mais provável e o tratamento indicado, respectivamente.
O quadro preenche critérios de doença de Kawasaki: febre ≥5 dias mais conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de mucosa oral (lábios fissurados, língua em framboesa), alterações de extremidades (edema/eritema), exantema polimorfo e linfadenopatia cervical (>1,5 cm). O tratamento é imunoglobulina IV + AAS, para reduzir o risco de aneurisma coronariano. Escarlatina (distrator) teria faringite exsudativa e exantema em lixa, sem conjuntivite ou alterações de extremidades típicas. Adenovirose costuma cursar com sintomas respiratórios e é autolimitada, não explicando a constelação de critérios. Sarampo exige os 3 C (tosse, coriza, conjuntivite) e manchas de Koplik, ausentes.
Menina de 2 anos é levada à emergência com febre alta (pico de 39,5°C) diária há seis dias, irritabilidade e exantema. Ao exame: hiperemia conjuntival bilateral não exsudativa, lábios rachados e língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco, edema e eritema de mãos e pés, além de um linfonodo cervical de 1,8 cm. Não há secreção conjuntival nem coriza. Exames mostram leucocitose com desvio, VHS e PCR elevados, plaquetas de 550.000/mm³ e discreta anemia. Qual é o diagnóstico e a conduta terapêutica, respectivamente?
Febre ≥5 dias associada a conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios/língua em framboesa, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfadenopatia cervical preenche os critérios de doença de Kawasaki. O tratamento é imunoglobulina intravenosa (idealmente até o 10º dia) e AAS, para reduzir o risco de aneurisma coronariano. A escarlatina tem exantema micropapular em lixa e resposta a penicilina, mas não cursa com conjuntivite não exsudativa e alterações de extremidades típicas de Kawasaki. O sarampo tem tosse, coriza, conjuntivite com secreção e manchas de Koplik. Faringoamigdalite viral não justifica febre prolongada com esse conjunto de sinais mucocutâneos.
Menino, 2 anos, é levado ao pronto-socorro com febre alta (até 39,5 °C) há 6 dias, sem melhora apesar de antitérmicos. Ao exame: irritabilidade importante, conjuntivite bulbar bilateral sem secreção, lábios rachados e hiperemiados com língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco e edema endurecido de dorso das mãos e pés. Palpa-se linfonodo cervical único de 1,8 cm à direita. PA 95/60 mmHg, FC 140 bpm. Exames: Hb 9,8 g/dL (VR 11–14), leucócitos 16.500/mm³ (VR 5.000–15.000), plaquetas 620.000/mm³ (VR 150.000–450.000), PCR 90 mg/L (VR < 5), VHS 68 mm/h (VR < 15). Sorologias e culturas negativas. Qual é a conduta terapêutica de primeira linha mais adequada neste momento?
A criança preenche os critérios de Doença de Kawasaki clássica: febre ≥ 5 dias mais ≥ 4 dos 5 critérios (conjuntivite bulbar bilateral não exsudativa, alterações de mucosa oral com língua em framboesa, exantema polimorfo, alterações de extremidades com edema endurecido, e linfadenopatia cervical > 1,5 cm). O tratamento de primeira linha, iniciado idealmente até o 10º dia de doença, é a imunoglobulina intravenosa (IGIV) 2 g/kg em dose única associada a AAS — a IGIV reduz drasticamente o risco de aneurismas coronarianos e o AAS soma efeito anti-inflamatório/antiplaquetário (opção correta). Corticoide isolado não é primeira linha na doença não complicada, ficando reservado a associação em casos de alto risco ou refratariedade. Culturas negativas e o quadro típico afastam infecção bacteriana, não sendo caso de antibiótico. AAS isolado não previne aneurismas — a IGIV é indispensável; adiar tratamento aguardando eco aumenta risco coronariano. O tratamento padrão associa AAS à IGIV; omitir o AAS não é a conduta de primeira linha estabelecida.
Lactente de 18 meses apresenta febre há 5 dias associada a hiperemia conjuntival bilateral sem secreção, lábios fissurados e avermelhados, exantema maculopapular difuso, eritema e edema de mãos e pés e um linfonodo cervical de 2 cm. Considerando o diagnóstico mais provável, quantos critérios clínicos principais (além da febre) são necessários para caracterizar a forma clássica dessa doença?
A Doença de Kawasaki clássica é definida por febre com duração ≥ 5 dias associada a pelo menos 4 dos 5 critérios clínicos principais: (1) conjuntivite bulbar bilateral não exsudativa; (2) alterações de lábios e cavidade oral (fissuras, língua em framboesa, hiperemia orofaríngea); (3) exantema polimorfo; (4) alterações de extremidades (eritema/edema na fase aguda, descamação na convalescença); (5) linfadenopatia cervical (geralmente > 1,5 cm, frequentemente unilateral). Portanto, a resposta correta é 4 dos 5. Subestimam o número exigido de critérios — além disso os critérios são 5, não 6. Não é necessário reunir todos os 5, o que retardaria o diagnóstico. A associação de 1 critério com alteração coronariana caracteriza a forma incompleta/atípica, e não a forma clássica.
Menina, 9 meses, é internada com febre persistente há 7 dias e irritabilidade. Apresenta apenas hiperemia conjuntival bilateral e eritema labial, sem outros critérios clínicos evidentes. Exames: leucócitos 18.000/mm³ (VR 5.000–15.000), plaquetas 700.000/mm³ (VR 150.000–450.000), PCR 85 mg/L (VR < 5), VHS 60 mm/h (VR < 15), albumina 2,4 g/dL (VR 3,5–5,0), ALT 80 U/L (VR < 40) e piúria estéril no exame de urina. Culturas negativas. Diante de febre prolongada com apenas 2 critérios clínicos e alterações laboratoriais compatíveis, qual é o exame mais importante a ser solicitado para apoiar o diagnóstico e definir a conduta?
O quadro sugere Doença de Kawasaki incompleta (atípica), suspeita frequente em lactentes < 12 meses com febre prolongada e poucos critérios. Nesses casos, os achados laboratoriais de apoio (PCR/VHS elevadas somadas a ≥ 3 de: anemia, plaquetose, leucocitose, albumina < 3,0 g/dL, ALT elevada, piúria estéril — aqui vários presentes) sustentam a investigação, e o ecocardiograma é o exame-chave: a presença de alteração coronariana (dilatação/aneurisma, escore Z ≥ 2,5) confirma o diagnóstico e indica tratamento imediato com IGIV (opção correta). A meningite asséptica pode ocorrer, mas o líquor não confirma Kawasaki nem guia a conduta. TC de abdome e aspirado medular não fazem parte da investigação diagnóstica dirigida da doença. Sorologias virais servem para afastar diferenciais, mas não são o exame mais importante para apoiar o diagnóstico e definir o tratamento, papel que cabe ao ecocardiograma.
Menino de 2 anos é levado ao pronto-socorro com febre alta (39,5 °C) há 6 dias, sem melhora com antitérmicos. Ao exame: hiperemia conjuntival bilateral sem secreção, lábios secos e fissurados com língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco, edema com eritema de mãos e pés e um linfonodo cervical de 2 cm à direita. Hemograma com leucocitose e plaquetas 620.000/mm³; PCR elevada. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: o quadro preenche os critérios clássicos de doença de Kawasaki — febre ≥5 dias associada a ≥4 dos 5 critérios principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios/cavidade oral (língua em framboesa), exantema polimorfo, alterações de extremidades (edema/eritema palmoplantar) e linfadenopatia cervical (>1,5 cm). A trombocitose e a elevação de provas inflamatórias reforçam. Na escarlatina há exantema micropapular em lixa com sinal de Pastia e resposta rápida à penicilina, sem alterações de extremidades ou conjuntivite não exsudativa. No sarampo a conjuntivite costuma ser exsudativa, há tosse/coriza/manchas de Koplik e exantema com progressão craniocaudal. Em Stevens-Johnson há lesões mucosas erosivas dolorosas e descolamento cutâneo, não edema palmoplantar febril. A AIJ sistêmica cursa com febre em picos, exantema evanescente salmão e artrite, sem o conjunto mucocutâneo agudo descrito.
Lactente de 8 meses apresenta febre há 7 dias, irritabilidade e recusa alimentar. Ao exame encontram-se apenas hiperemia conjuntival bilateral e exantema maculopapular esparso — nenhum outro critério clínico clássico. Exames: PCR 9,5 mg/dL (VR <0,5), VHS 62 mm/h, plaquetas 580.000/mm³, Hb 9,0 g/dL (VR 10,5–13,5) e piúria estéril. As culturas são negativas. Qual é o próximo passo mais adequado?
Correta: Lactente com febre prolongada e apenas 2 critérios clínicos, mas com marcadores inflamatórios muito elevados (PCR/VHS), anemia, trombocitose e piúria estéril, preenche o algoritmo de Kawasaki incompleto (≥3 critérios laboratoriais suplementares). Nesse cenário indica-se ecocardiograma e início do tratamento com imunoglobulina, pois lactentes têm maior risco de aneurismas coronarianos e frequentemente cursam com formas incompletas. Não há foco nem hemoculturas positivas que justifiquem tratar como sepse bacteriana. Postergar aumenta o risco de acometimento coronariano — o tratamento é tempo-dependente (ideal até o 10º dia). Corticoide não é primeira linha isolada; o padrão é imunoglobulina + AAS. Sorologias negativas não afastam Kawasaki, que é diagnóstico clínico-laboratorial.
Menina de 3 anos com doença de Kawasaki confirmada recebeu imunoglobulina intravenosa 2 g/kg em dose única e ácido acetilsalicílico em dose anti-inflamatória. Cerca de 40 horas após o término da infusão, permanece febril (38,8 °C) e com PCR ainda elevada; o ecocardiograma inicial não mostrou dilatação coronariana. Qual é a conduta mais adequada?
Correta: a persistência ou recrudescência de febre 36 horas ou mais após a primeira infusão de imunoglobulina define resistência à imunoglobulina, que ocorre em ~10–20% dos casos e aumenta o risco de aneurismas coronarianos. A conduta consagrada é uma segunda dose de imunoglobulina 2 g/kg (corticosteroides ou infliximabe são alternativas de resgate). Não há indicação de anticoagulação plena sem trombo ou aneurisma gigante; suspender o AAS é inadequado. A febre reflete doença ativa/resistência, não infecção bacteriana. A dose anti-inflamatória do AAS é 80–100 mg/kg/dia; 150 mg/kg/dia é tóxica e não trata a resistência. Febre persistente após a imunoglobulina não é fenômeno benigno esperado — sinaliza resistência e exige retratamento.
Menino, 2 anos, previamente hígido, é internado com febre alta há 6 dias, associada a hiperemia conjuntival bilateral não exsudativa, exantema polimorfo em tronco, edema e eritema de mãos e pés, lábios fissurados e língua em framboesa. Ecocardiograma inicial sem alterações coronarianas. Firmado o diagnóstico de doença de Kawasaki, iniciou-se imunoglobulina intravenosa (IVIG) 2 g/kg em dose única, associada a ácido acetilsalicílico (AAS) em dose anti-inflamatória (30–50 mg/kg/dia). Trinta e seis horas após o término da infusão, a criança mantém febre de 39 °C, sem outro foco infeccioso identificado. Qual é a conduta mais apropriada?
A persistência ou recrudescência da febre 36 horas ou mais após o término da primeira infusão caracteriza doença de Kawasaki resistente à IVIG (ocorre em ~10–20% dos casos) — fator de risco maior para aneurisma coronariano. A conduta de primeira linha recomendada é uma segunda infusão de IVIG 2 g/kg (opção correta). A corticoterapia é opção de resgate/associação em casos de alto risco ou refratários, mas suspender o AAS não se justifica e o corticoide isolado não é a primeira escolha após uma única dose de IVIG. Não há dado de infecção bacteriana; antibiótico não trata Kawasaki e atrasaria a conduta correta. A troca do antiagregante não aborda a atividade inflamatória em curso, que é o que ameaça as coronárias. A espera passiva é inadequada: febre persistente pós-IVIG exige nova intervenção precoce para reduzir o risco coronariano.
Menina, 3 anos, previamente hígida, é levada ao pronto-socorro com febre alta diária há 5 dias. Ao exame: irritabilidade importante, hiperemia conjuntival bilateral sem secreção, lábios rachados e língua em framboesa, exantema maculopapular difuso, eritema com descamação inicial das extremidades e um linfonodo cervical de 1,8 cm à direita. Orofaringe sem exsudato. Hemograma com leucocitose e plaquetas de 480.000/mm³; PCR e VHS elevadas. Além de iniciar o tratamento específico, qual é o exame mais importante para avaliar a principal complicação desta doença?
O quadro preenche critérios de doença de Kawasaki clássica: febre ≥5 dias mais ao menos 4 dos 5 critérios (conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios/cavidade oral, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfadenopatia cervical). A principal complicação e determinante do prognóstico é o aneurisma de artéria coronária, avaliado pelo ecocardiograma transtorácico, que deve ser realizado ao diagnóstico e no seguimento (opção correta). Cultura e ASLO investigam faringoamigdalite estreptocócica/escarlatina, mas a ausência de exsudato e o conjunto de critérios apontam Kawasaki. A punção lombar poderia mostrar meningite asséptica inespecífica, mas não avalia a complicação-alvo. A hemocultura não é o exame-chave e tende a ser negativa. A sorologia para EBV investiga um diferencial (mononucleose), não a complicação coronariana que define o manejo.
Menino de 3 anos é levado à UBS com febre alta há 6 dias, sem resposta a antitérmicos. Ao exame: irritado, hiperemia conjuntival bilateral sem secreção, lábios fissurados e língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco, edema doloroso de mãos e pés e linfonodo cervical único de 2 cm. FC 130 bpm, temperatura axilar 39,2 °C. Estreptococo de orofaringe negativo. Qual é a conduta mais adequada?
O quadro preenche os critérios de doença de Kawasaki completa: febre ≥5 dias associada a ≥4 dos 5 critérios principais (conjuntivite bulbar não exsudativa, alterações de lábios/cavidade oral, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfadenopatia cervical >1,5 cm). O tratamento com imunoglobulina intravenosa deve ser instituído idealmente até o 10º dia de febre para reduzir o risco de aneurisma de coronária de ~25% para ~4%, o que exige referência imediata da APS ao nível hospitalar, com ecocardiograma basal — mas sem que este atrase o tratamento. Amoxicilina para escarlatina é inadequada com estreptococo negativo e conjuntivite/edema de extremidades, que não fazem parte da escarlatina. Sarampo cursa com tosse, coriza, Koplik e exantema craniocaudal, e não com edema de extremidades e língua em framboesa; além disso, a criança não teria pródromo catarral. Manter conduta expectante na UBS por mais 72 horas ultrapassaria a janela terapêutica ótima da imunoglobulina.
Lactente de 5 meses está internado com febre há 8 dias sem foco, irritabilidade e recusa alimentar. Não apresenta exantema, conjuntivite ou alterações de mucosa. Hemograma: Hb 8,9 g/dL, leucócitos 18.000/mm³, plaquetas 720.000/mm³; PCR 11 mg/dL; VHS 65 mm/h; albumina 2,7 g/dL; ALT 92 U/L; urina com piúria e cultura estéril. Hemoculturas negativas após 72 horas de antibiótico, sem melhora. Qual é a conduta?
Lactente com menos de 6 meses e febre ≥7 dias sem explicação, com marcadores inflamatórios elevados, deve ser investigado para doença de Kawasaki incompleta mesmo sem critérios clínicos — é justamente essa faixa etária a de maior risco de aneurisma coronariano e a de apresentação mais oligossintomática. Os achados laboratoriais suplementares (anemia, plaquetas >450.000 após o 7º dia, PCR/VHS elevados, albumina <3,0 g/dL, ALT elevada e piúria estéril) sustentam o diagnóstico e indicam ecocardiograma e tratamento. Aguardar quatro critérios é erro clássico: em Kawasaki incompleto eles não aparecerão, e a janela dos 10 dias se perde. O esquema de 400 mg/kg/dia por 5 dias está abandonado — dose única de 2 g/kg é superior na prevenção de lesão coronariana. A piúria estéril é achado típico da própria doença (uretrite), e não indica antibiótico para ITU, ainda mais com urocultura negativa e ausência de resposta ao antibiótico já em uso.
Menina de 4 anos, internada com doença de Kawasaki completa, recebeu imunoglobulina intravenosa 2 g/kg em infusão única no 7º dia de doença, associada a AAS. Quarenta horas após o término da infusão, mantém-se febril (39,0 °C), irritada, com PCR ainda em ascensão. Ecocardiograma inicial sem alterações coronarianas. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Persistência ou recrudescimento da febre 36 horas ou mais após o término da primeira infusão caracteriza doença de Kawasaki resistente à imunoglobulina, situação que ocorre em 10–20% dos casos e eleva substancialmente o risco de aneurisma coronariano. A conduta de primeira linha é uma segunda dose de imunoglobulina 2 g/kg (alternativas de resgate incluem corticoide ou infliximabe). Suspender o AAS e presumir sepse não se sustenta: a febre refratária tem explicação pela própria doença e retirar o antiplaquetário aumenta o risco trombótico. Não é esperado que a febre persista dias após a infusão — a defervescência ocorre tipicamente em até 36 horas, e esperar consome a janela terapêutica. Ecocardiograma normal não autoriza alta: o exame inicial frequentemente é normal, e as alterações coronarianas surgem entre a 1ª e a 2ª semana, com reavaliações seriadas programadas.
Menino de 3 anos é levado à Unidade de Pronto Atendimento com febre alta há 6 dias, sem resposta a antitérmicos. Ao exame: hiperemia conjuntival bilateral sem secreção, lábios fissurados e eritematosos, língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco, edema e início de descamação das extremidades e um linfonodo cervical de 2 cm. Orofaringe sem exsudato. Qual é a principal hipótese diagnóstica e a conduta indicada?
Embora a língua em framboesa e o exantema lembrem escarlatina, a febre por 5 dias ou mais associada a conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios/mucosa oral, alterações de extremidades (edema/descamação), exantema polimorfo e linfadenopatia cervical preenche critérios de doença de Kawasaki, que exige encaminhamento urgente pelo risco de aneurisma coronariano e necessidade de imunoglobulina. A escarlatina cursa com faringite exsudativa, sem conjuntivite ou lábios fissurados, e não costuma manter febre tão prolongada. Mononucleose e exantema viral não explicam o conjunto mucocutâneo nem justificam conduta expectante diante do risco cardíaco.
Menino de 2 anos e 3 meses é levado à emergência pediátrica no sexto dia de febre alta diária (até 39,8 °C), sem resposta a antitérmicos. Vem em uso de amoxicilina há 3 dias, sem melhora. Ao exame: muito irritado, hiperemia conjuntival bulbar bilateral sem secreção, lábios fissurados e língua em framboesa, exantema maculopapular polimorfo em tronco e região perineal, edema endurado do dorso das mãos e dos pés com eritema palmoplantar e linfonodo cervical anterior direito de 2,0 cm. Não há vesículas, exsudato amigdaliano ou coriza. Exames: leucócitos 18.400/mm³ (78% neutrófilos), Hb 10,1 g/dL, plaquetas 480.000/mm³, PCR 12 mg/dL (VR < 0,5), VHS 68 mm/h. Assinale a conduta mais adequada neste momento.
O paciente preenche os critérios de doença de Kawasaki completa: febre ≥ 5 dias associada a 5 dos 5 critérios principais (conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios/cavidade oral, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfadenopatia cervical > 1,5 cm), com marcadores inflamatórios elevados e ausência de explicação alternativa. A recomendação da AHA (e das diretrizes brasileiras) é iniciar imunoglobulina 2 g/kg em infusão única, idealmente até o 10º dia de febre, associada a AAS, e realizar ecocardiograma no diagnóstico (que não deve atrasar o tratamento) — daí a alternativa correta. A penicilina benzatina trataria escarlatina, mas esta não cursa com conjuntivite não exsudativa nem edema endurado de extremidades, e o paciente já não respondeu a betalactâmico. O corticoide isolado não é terapia inicial padrão (pode ser associado à IGIV em alto risco, nunca substituí-la). Sintomáticos e reavaliação retardariam o tratamento além da janela de proteção coronariana.
Lactente de 5 meses, previamente hígido, está no oitavo dia de febre diária (até 39,5 °C) sem foco identificado, já tendo recebido dois cursos de antibiótico oral. Ao exame: irritabilidade importante, hiperemia conjuntival bulbar bilateral sem secreção e eritema perineal com descamação inicial; sem exantema, sem adenomegalia, sem alterações de extremidades. Exames: Hb 8,9 g/dL, leucócitos 16.200/mm³, plaquetas 620.000/mm³, VHS 62 mm/h, PCR 9 mg/dL, albumina 2,7 g/dL, ALT 92 U/L, urina tipo I com 25 leucócitos/campo e urocultura negativa. Ecocardiograma inicial sem alterações coronarianas. Assinale a conduta correta.
Trata-se de doença de Kawasaki incompleta, forma mais frequente justamente em lactentes < 6 meses. O algoritmo da AHA determina que, diante de febre ≥ 7 dias sem explicação em lactente < 6 meses (ou febre ≥ 5 dias com 2–3 critérios), com PCR ≥ 3 mg/dL e/ou VHS ≥ 40 mm/h e ao menos três achados laboratoriais suplementares, indica-se o tratamento. Aqui há cinco: anemia para a idade, plaquetas ≥ 450.000/mm³ após o 7º dia, albumina ≤ 3,0 g/dL, ALT elevada e piúria estéril (≥ 10 leucócitos/campo com urocultura negativa) — logo, IGIV 2 g/kg + AAS estão indicados independentemente do número de critérios clínicos. Aguardar o quarto critério é o erro clássico: o benefício coronariano da IGIV se concentra até o 10º dia de febre. A leucocitúria é estéril e faz parte do próprio quadro (uretrite), não justificando ceftriaxona. Ecocardiograma normal NÃO exclui Kawasaki nem autoriza postergar o tratamento — o aneurisma costuma surgir após a 1ª–2ª semana, e evitá-lo é o objetivo.
Menina de 3 anos internada com diagnóstico de doença de Kawasaki completa recebeu imunoglobulina humana endovenosa 2 g/kg no sexto dia de febre, associada a ácido acetilsalicílico em dose anti-inflamatória. Houve defervescência por poucas horas, mas 40 horas após o término da infusão a paciente volta a apresentar picos de 38,8 °C, mantém irritabilidade e conjuntivite. Culturas de sangue e urina negativas; não há sinais de sobrecarga volêmica nem de reação infusional. PCR permanece em 8 mg/dL. Ecocardiograma de controle mostra artéria coronária direita com escore Z de 2,3. Assinale a conduta mais adequada.
Define-se doença de Kawasaki refratária (resistente à IGIV) pela febre persistente ou recrudescente ≥ 36 horas após o término da primeira infusão de imunoglobulina, exatamente o caso — ocorre em cerca de 10–20% dos pacientes e é fator de risco independente para aneurisma coronariano, o que reforça a necessidade de agir (já há escore Z limítrofe de 2,3). A conduta recomendada pela AHA é uma segunda dose de IGIV 2 g/kg (podendo-se considerar corticoide ou infliximabe como alternativas), mantendo o AAS. Suspender o AAS e anticoagular não trata a inflamação e a febre não decorre de trombose. Conduta expectante por 5 dias contraria a própria definição de refratariedade e perde a janela de proteção coronariana. Reduzir o AAS para dose antiplaquetária só é feito após 48–72 horas afebril, e antibiótico de amplo espectro é desnecessário com culturas negativas e quadro inflamatório explicado.
Menino de 2 anos e 3 meses é levado ao pronto-socorro pediátrico por febre alta diária (até 39,8 °C) há 6 dias, sem resposta a antitérmicos, associada a irritabilidade importante. A mãe nega contato com doentes e refere vacinação em dia. Ao exame: hiperemia conjuntival bulbar bilateral, sem secreção; lábios fissurados e eritematosos, com língua em framboesa; exantema maculopapular polimorfo em tronco e região perineal; edema endurado do dorso das mãos e dos pés, com eritema palmoplantar; linfonodo cervical anterior direito de 2,0 cm, pouco doloroso. Exames: leucócitos 18.400/mm³ (78% neutrófilos), Hb 10,1 g/dL, plaquetas 552.000/mm³, PCR 96 mg/L, VHS 68 mm/h. Assinale o diagnóstico mais provável.
O caso preenche os critérios clássicos: febre ≥5 dias associada a 5 dos 5 achados principais (conjuntivite bulbar bilateral não exsudativa, alterações de lábios/cavidade oral, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfadenopatia cervical >1,5 cm), com laboratório de inflamação sistêmica e trombocitose da 2ª semana — Doença de Kawasaki. Escarlatina cursa com exantema micropapular áspero em lixa, palidez perioral e faringoamigdalite exsudativa, mas não com conjuntivite bulbar nem edema endurado de extremidades, e responde à penicilina. Sarampo é improvável em criança com vacinação em dia e cursa com tosse, coriza, manchas de Koplik e exantema com progressão craniocaudal e descamação furfurácea. Febre faringoconjuntival por adenovírus cursa com conjuntivite geralmente exsudativa e faringite, sem edema endurado de mãos e pés nem trombocitose com PCR nessa magnitude.
Lactente de 7 meses é internado por febre há 7 dias sem foco identificado, apesar de dois cursos de antibiótico oral por suspeita de otite. Ao exame: irritado, hiperemia conjuntival bulbar bilateral sem secreção e exantema maculopapular esparso em tronco; sem alterações de extremidades, mucosas ou linfonodos. Exames: Hb 8,9 g/dL, leucócitos 21.000/mm³, plaquetas 690.000/mm³, PCR 92 mg/L, VHS 74 mm/h, albumina 2,7 g/dL, ALT 78 U/L, urina com 30 leucócitos/campo e urocultura negativa. Hemoculturas negativas. Assinale a conduta mais adequada neste momento.
Febre ≥5 dias com apenas 2 critérios clínicos, em lactente <1 ano, com PCR ≥30 mg/L e/ou VHS ≥40 mm/h somados a ≥3 achados laboratoriais suplementares (anemia para a idade, plaquetas ≥450.000 após o 7º dia, albumina ≤3,0 g/dL, ALT elevada, piúria estéril) fecha o algoritmo de Kawasaki incompleta: indica-se ecocardiograma e tratamento com IGIV 2 g/kg em dose única associada a AAS, sem esperar o eco ficar pronto. Aguardar critérios adicionais é a armadilha clássica — lactentes <1 ano são justamente os que mais fazem forma incompleta e aneurisma coronariano, e o benefício da IGIV é máximo até o 10º dia de febre. A piúria é estéril (urocultura negativa), achado esperado na doença, e não sustenta ITU. Corticoide em pulso não é terapia de primeira linha isolada; associa-se à IGIV apenas em pacientes de alto risco selecionados.
Menina de 2 anos é levada ao pronto-socorro por febre alta e persistente há 6 dias, sem resposta a antitérmicos. A mãe refere irritabilidade importante e recusa alimentar. Ao exame: hiperemia conjuntival bilateral sem secreção, lábios fissurados e eritematosos com língua em framboesa, exantema maculopapular polimorfo em tronco, edema endurado de dorso das mãos e dos pés e linfonodo cervical anterior único de 1,8 cm. Exames: leucócitos 18.400/mm³, plaquetas 520.000/mm³, PCR 96 mg/L, urina I com piúria estéril. Assinale a conduta terapêutica indicada.
Febre por 5 dias ou mais associada a pelo menos quatro dos cinco critérios clássicos (conjuntivite bulbar não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfadenopatia cervical maior que 1,5 cm) fecha o diagnóstico de doença de Kawasaki, aqui reforçado por trombocitose, elevação de PCR e piúria estéril. O tratamento na fase aguda é imunoglobulina intravenosa 2 g/kg em infusão única, idealmente até o 10º dia de febre, associada a AAS, para reduzir o risco de aneurisma de coronária. Penicilina benzatina trataria escarlatina, que não cursa com conjuntivite nem edema de extremidades. Ceftriaxona com punção lombar seria conduta de sepse/meningite, não sustentada pelo quadro. Corticoide isolado não é o esquema de primeira linha.
Criança de 2 anos com doença de Kawasaki clássica recebeu imunoglobulina 2 g/kg e AAS. Quarenta horas após o término da infusão, mantém picos febris de 39 °C, sem novo foco infeccioso identificado. A interpretação e a conduta corretas são:
Resistência à imunoglobulina é definida por febre persistente ou recorrente 36 horas após o término da infusão, e é o principal marcador de risco coronariano depois do tratamento — portanto exige intensificação, não observação. O documento brasileiro de 2019 orienta repetir a imunoglobulina na mesma dose e, se a febre persistir, aplicar pulso de metilprednisolona 30 mg/kg/dose por três dias; o documento norte-americano de 2024 coloca a segunda imunoglobulina e o infliximabe 10 mg/kg como opções de mesma linha no resgate. Aumentar a dose do AAS não tem efeito sobre a coronária, e suspendê-lo remove a antiagregação justamente no paciente que se tornou mais grave.
Menina de 14 meses, previamente hígida, é levada ao pronto-socorro no sexto dia de febre alta diária, muito irritada e aceitando mal a alimentação. Havia recebido amoxicilina por suspeita de amigdalite, sem melhora. Ao exame: hiperemia conjuntival bilateral, bulbar, sem secreção; lábios fissurados e língua com papilas proeminentes; exantema polimorfo em tronco e região perineal; edema doloroso do dorso das mãos e dos pés; linfonodo cervical direito de 2 cm. Não há exsudato amigdaliano nem vesículas. Exames: leucócitos 18.400/mm³ com neutrofilia, Hb 9,4 g/dL, plaquetas 480.000/mm³, PCR 12 mg/dL, VHS 68 mm na 1ª hora, albumina 2,9 g/dL, urina com 15 leucócitos por campo e urocultura negativa. A conduta indicada neste momento é:
A criança tem febre há 6 dias e quatro dos cinco critérios (alteração de lábios e cavidade oral, hiperemia conjuntival bulbar, exantema polimorfo e alteração de extremidades — o linfonodo de 2 cm é o quinto): é doença de Kawasaki clássica, e o tratamento é imunoglobulina 2 g/kg em dose única com AAS, dentro dos 10 primeiros dias de febre. A alternativa de observar por 48 horas gasta a janela em que a imunoglobulina reduz o risco coronariano de 25% para cerca de 4%. Esperar o ecocardiograma está errado duas vezes: o diagnóstico é clínico e coronária normal na fase aguda é o achado esperado, porque o aneurisma se forma na fase subaguda. Trocar o antibiótico ignora que a falta de resposta ao antibiótico é parte do quadro típico. Corticoide isolado não substitui a imunoglobulina — ele entra como intensificação, associado a ela, no paciente de alto risco.
Menino de 3 anos é encaminhado no 12º dia de febre com diagnóstico de doença de Kawasaki feito tardiamente. Permanece febril, com PCR de 11 mg/dL e VHS de 80 mm na 1ª hora. O ecocardiograma mostra Z-escore de 3,2 na coronária direita. Sobre a imunoglobulina intravenosa neste paciente:
A janela de até o 10º dia é o período em que a imunoglobulina oferece a maior redução do risco coronariano, mas não é um limite de indicação. O documento brasileiro é explícito: a imunoglobulina deve ser administrada mesmo passados os 10 dias enquanto houver febre e elevação de VHS ou PCR — situação exata deste paciente, que ainda tem alteração coronariana documentada. Não há contraindicação relacionada ao dia de doença, e corticoide isolado não substitui a imunoglobulina em nenhum momento: ele é terapia de intensificação associada a ela. Adiar até a PCR normalizar deixaria a vasculite ativa evoluir sem tratamento.
Lactente de 5 meses está internado no oitavo dia de febre diária sem foco, muito irritado, sem exantema, sem conjuntivite e sem linfonodomegalia. Culturas de sangue, urina e líquor são negativas. Exames: Hb 8,6 g/dL, leucócitos 16.800/mm³, plaquetas 610.000/mm³, PCR 8,2 mg/dL, VHS 56 mm na 1ª hora, albumina 2,8 g/dL, ALT 68 U/L, urina com 12 leucócitos por campo e urocultura negativa. Ecocardiograma sem aneurismas, com Z-escore de 2,2 na artéria descendente anterior. A conduta correta é:
Lactente com febre inexplicada por 7 dias ou mais entra no algoritmo da forma incompleta mesmo sem nenhum critério clínico, e é justamente o grupo de maior risco coronariano porque expressa poucos achados. A porta de entrada laboratorial está preenchida (PCR igual ou maior que 3 mg/dL e VHS igual ou maior que 40 mm/h) e há bem mais que três dos seis achados de apoio: anemia, plaquetas acima de 450.000 após a primeira semana, albumina igual ou menor que 3 g/dL, ALT elevada, leucócitos acima de 15.000 e leucocitúria acima de 10 por campo. O critério ecocardiográfico de 2,5 é uma via alternativa de entrada, não um requisito — e o Z entre 2 e 2,5 é ele próprio um achado sugestivo. Esperar critérios clínicos ou repetir culturas consome a janela terapêutica.
Criança de 18 meses tratada por doença de Kawasaki está afebril há 48 horas, com ecocardiograma sem alterações coronarianas. Sobre o ácido acetilsalicílico neste momento:
Quando a criança completa cerca de 48 a 72 horas sem febre (o documento brasileiro fala em dois dias afebril), o AAS passa da dose anti-inflamatória para a dose antiagregante de 3 a 5 mg/kg/dia, mantida por 6 a 8 semanas — e por tempo indefinido apenas se houver anormalidade coronariana, o que não é o caso. Suspender agora deixaria a criança sem antiagregação durante a fase subaguda, que é quando ocorrem trombocitose e formação de aneurisma. Manter dose anti-inflamatória por semanas expõe à toxicidade sem benefício. Ibuprofeno é a pior opção: os AINEs reduzem o efeito antiplaquetário da aspirina e não devem ser associados a ela.
Entre os achados abaixo, qual é o que fala CONTRA o diagnóstico de doença de Kawasaki em uma criança de 2 anos com febre há 6 dias?
A doença de Kawasaki não cursa com aftas, úlceras orais nem exsudato amigdaliano — a alteração de mucosa é hiperemia difusa, com lábios fissurados e língua em framboesa. Exsudato purulento aponta para faringite estreptocócica ou outra causa infecciosa. As demais alternativas descrevem achados compatíveis: a conjuntivite é bulbar, não purulenta e caracteristicamente poupa o limbo; a piúria estéril é manifestação de uretrite da própria vasculite e entra como achado laboratorial de apoio; e a descamação periungueal é o achado típico da fase subaguda, a partir do sétimo ao décimo dia.
Menino de 4 anos teve doença de Kawasaki tratada com imunoglobulina. No ecocardiograma de controle, a coronária direita apresenta aneurisma com Z-escore de 11 e diâmetro de 8,4 mm. A conduta antitrombótica indicada é:
Z-escore igual ou maior que 10, ou diâmetro absoluto igual ou maior que 8 mm, define aneurisma gigante — o nível de maior risco de trombose e de infarto agudo do miocárdio na doença de Kawasaki. Nesse nível a conduta é antiagregação somada a anticoagulação plena, com varfarina ou heparina de baixo peso molecular, e o documento de 2024 acrescentou os anticoagulantes orais diretos como alternativa, com menos necessidade de monitorização. Aneurisma pequeno (Z de 2,5 a menos de 5) e médio (Z de 5 a menos de 10) não exigem anticoagulação de rotina — no médio persistente associa-se clopidogrel ao AAS. Suspender a terapia com o aneurisma persistente é o erro mais grave da lista.
Sobre o papel dos exames complementares no diagnóstico da doença de Kawasaki, assinale a afirmativa correta.
O diagnóstico de Kawasaki é clínico e nenhum exame o confirma — não existe agente etiológico identificado nem sorologia específica. O ecocardiograma da fase aguda serve como base para comparação e para detectar miocardite e pericardite; coronária normal é o achado esperado nos primeiros dias, porque o aneurisma se forma na fase subaguda, e esperar o exame apenas consome a janela terapêutica. A trombocitose só aparece depois da primeira semana de doença. O VHS sobe por semanas após a infusão de imunoglobulina, por efeito do próprio produto, e por isso deixa de servir para acompanhar a atividade da doença — quem cumpre esse papel é a PCR; a resistência é definida clinicamente, por febre 36 horas após a infusão. A piúria estéril é manifestação de uretrite da vasculite e conta como achado de apoio.
Menina de 2 anos está no sexto dia de febre alta diária, com hiperemia conjuntival bilateral sem secreção, lábios fissurados e eritematosos, exantema polimorfo no tronco e edema doloroso do dorso das mãos. O painel viral colhido na admissão detectou adenovírus em secreção de nasofaringe. Proteína C reativa de 9 mg/dL e velocidade de hemossedimentação de 52 mm na primeira hora. Qual a conduta?
A regra da Sociedade Brasileira de Pediatria é explícita e resolve o caso: mesmo na presença de infecção documentada, havendo critérios clínicos típicos, mantém-se a suspeita de doença de Kawasaki. A menina tem febre há seis dias e quatro dos cinco critérios principais — conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral, exantema polimorfo não vesicular e alterações de extremidades —, e um adenovírus no painel respiratório ou um estreptococo na orofaringe não desfazem esses quatro achados. Adiar por 48 horas gasta a janela dos dez primeiros dias de febre, em que a imunoglobulina derruba o risco coronariano de cerca de 25% para menos de 4%. Esperar o ecocardiograma erra duas vezes: o diagnóstico é clínico e coronária normal é o achado esperado na fase aguda, porque o aneurisma se forma na fase subaguda. E o corticoide não substitui a imunoglobulina em momento nenhum — ele entra associado a ela como intensificação no paciente de alto risco, ou no resgate da febre persistente.
Menino de 16 meses recebeu imunoglobulina humana intravenosa 2 g/kg por doença de Kawasaki há três semanas e segue em ácido acetilsalicílico na dose antiagregante, com ecocardiograma sem alterações. A caderneta mostra pendentes a vacina tríplice viral e a vacina varicela, e a campanha de influenza está em curso. Qual a conduta quanto às vacinas?
Depois da imunoglobulina intravenosa em dose alta, os anticorpos transferidos passivamente neutralizam o vírus vacinal, e por isso o algoritmo norte-americano de 2024 adia as vacinas vivas atenuadas por 11 meses. As inativadas seguem normalmente, e a influenza ganha peso adicional nesta criança: quem fica meses em ácido acetilsalicílico tem risco de síndrome de Reye se contrair varicela, dengue ou influenza, de modo que vacinar contra influenza é parte do cuidado e não algo a adiar até a suspensão do antiagregante. Pela mesma razão a vacina varicela não é contraindicada — ela é desejável, apenas respeitado o intervalo pós-imunoglobulina, já que é atenuada. Afirmar que a imunoglobulina não interfere contraria o mecanismo que justifica todo o intervalo, e o prazo de 3 meses pertence a outros imunossupressores, como azatioprina, micofenolato e biológicos anticitocina, não à imunoglobulina em dose de 2 g/kg.
Lactente de 5 meses tem doença de Kawasaki confirmada no sexto dia de febre. Apresenta proteína C reativa de 16 mg/dL, transaminase oxalacética de 120 U/L, albumina de 2,6 g/dL e hemoglobina de 8,2 g/dL, com Z-escore de 2,8 na artéria descendente anterior ao ecocardiograma. Qual a conduta inicial?
O lactente acumula fatores de mau prognóstico que mudam a terapia inicial: idade menor que 6 meses, proteína C reativa igual ou maior que 10 mg/dL, transaminase oxalacética acima de 80 a 100 U/L, hipoalbuminemia, anemia e alteração coronariana já ao diagnóstico. Nesse cenário os documentos preveem intensificação da terapia inicial — corticosteroide, ou infliximabe, associado à primeira dose de imunoglobulina — e não a imunoglobulina isolada com resgate posterior, que é a conduta padrão de quem não tem esse perfil de risco. O corticosteroide nunca substitui a imunoglobulina, e usá-lo isolado deixa a vasculite sem o tratamento que reduz o risco coronariano. O infliximabe tem lugar como intensificação ou resgate, associado, e não como primeira linha isolada. Manter só o ácido acetilsalicílico e esperar o décimo dia é o erro mais caro: a janela terapêutica é justamente até o décimo dia de febre, idealmente entre o quinto e o décimo, e o lactente está no sexto.
Menino de 5 anos com febre alta há 5 dias, exantema, conjuntivite não purulenta, lábios fissurados, língua em framboesa e edema de mãos e pés. Foi inicialmente rotulado como sarampo. Qual o diagnóstico a considerar prioritariamente?
Febre por 5 dias ou mais somada a conjuntivite não purulenta, alterações de lábios e língua, exantema polimorfo e alterações de extremidades preenche critérios de doença de Kawasaki, cujo reconhecimento é urgente porque a imunoglobulina nas primeiras 10 dias reduz o aneurisma coronariano. O sarampo tem pródromo catarral com tosse e coriza intensas, ausentes aqui. Escarlatina tem exantema áspero com faringite exsudativa e responde a antibiótico. Rubéola não produz edema de extremidades. Stevens-Johnson cursa com acometimento mucoso erosivo e descolamento cutâneo.
Qual escore ou conjunto de fatores indica maior risco de resistência à imunoglobulina e de aneurisma coronariano?
Os preditores de mau desfecho combinam idade muito baixa, atraso no início da imunoglobulina e um perfil inflamatório intenso com hipoalbuminemia, hiponatremia e alteração hepática, e reconhecê-los permite intensificar o tratamento inicial em pacientes selecionados. Curiosamente, a apresentação completa com todos os critérios facilita o diagnóstico e tende a levar a tratamento mais precoce, o que não configura maior risco. Formas incompletas em lactentes são as mais perigosas.
Além das coronárias, qual outra alteração cardíaca pode ser encontrada ao ecocardiograma na fase aguda da doença de Kawasaki?
A doença é uma vasculite sistêmica que também acomete o miocárdio, o pericárdio e as valvas, e a miocardite subclínica é comum na fase aguda, com queda da função ventricular que costuma melhorar após o tratamento. As demais opções são cardiopatias congênitas estruturais, sem relação com a vasculite, e funcionam como distratores de outro capítulo da cardiologia pediátrica.
Qual é o papel do ácido acetilsalicílico no tratamento da doença de Kawasaki após o desaparecimento da febre?
O desaparecimento da febre não determina a suspensão imediata da antiagregação. Mantém-se aspirina em baixa dose até a avaliação de seguimento, com ecocardiograma e orientação cardiológica. A duração posterior e a necessidade de outros antitrombóticos dependem da presença, dimensão e evolução dos aneurismas e do risco trombótico. Não se deve prescrever uso indefinido a partir da expressão genérica "alterações coronarianas". Dose anti-inflamatória alta por seis meses, corticoide ou outro anti-inflamatório não substituem esse planejamento. Referência: Royal Children’s Hospital, Kawasaki disease, janeiro de 2026.
Menino de 2 anos está no sexto dia de febre alta diária. Apresenta hiperemia conjuntival bilateral sem secreção, lábios rachados e língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco, edema e eritema de mãos e pés e um linfonodo cervical de 2 cm. Qual o diagnóstico?
Febre por cinco dias ou mais somada a quatro dos cinco critérios clínicos, aqui todos presentes, fecha o diagnóstico de Kawasaki. A conjuntivite não exsudativa e as alterações de extremidades são os achados que mais ajudam a separar da escarlatina, que tem exantema em lixa com palidez perioral e responde ao antibiótico. O sarampo cursa com tosse, coriza e manchas de Koplik, com exantema que progride craniocaudalmente e não produz edema doloroso de mãos e pés.
Qual é o tratamento de escolha da doença de Kawasaki e qual o momento ideal para iniciá-lo?
A imunoglobulina administrada dentro dos primeiros dez dias reduz a incidência de aneurismas coronarianos de cerca de 25 por cento para menos de 5 por cento, e o ácido acetilsalicílico entra em dose anti-inflamatória e depois antiagregante. Iniciar depois do décimo dia ainda se justifica quando há febre persistente ou sinais de inflamação em atividade, mas o benefício é menor. Antibiótico não trata a doença, embora seja frequentemente prescrito antes do diagnóstico correto.
Qual manifestação clínica caracteristicamente aparece na fase subaguda da doença de Kawasaki?
A descamação que começa na região periungueal e se estende pelas mãos e pés é achado tardio, surge após o desaparecimento da febre e frequentemente ajuda no diagnóstico retrospectivo de casos incompletos. Manchas de Koplik pertencem ao sarampo e antecedem o exantema, e vesículas em palmas e plantas sugerem doença mão-pé-boca. Essa cronologia é o que permite reconstruir o quadro de uma criança que já passou pela fase aguda sem diagnóstico.
Menino de 3 anos, tratado tardiamente para doença de Kawasaki, apresenta no ecocardiograma da sexta semana aneurisma gigante de artéria coronária direita com escore Z acima de 10. Qual a conduta antitrombótica?
Aneurismas gigantes têm fluxo turbulento e alto risco de trombose e infarto, e por isso a antiagregação isolada é insuficiente: associa-se anticoagulação plena, com monitorização e orientação sobre atividades de risco. Suspender a medicação ignora que o risco trombótico persiste por anos, mesmo com regressão parcial do calibre, porque a parede permanece anormal. Trombólise é tratamento de evento agudo, não profilaxia.
Qual é a janela terapêutica ideal para administração de imunoglobulina na doença de Kawasaki e por quê?
A imunoglobulina administrada nos primeiros 10 dias de febre reduz a incidência de aneurismas coronarianos de cerca de 25% para menos de 5%, o que faz do reconhecimento precoce uma urgência. Esperar 30 dias ou a documentação de aneurisma significa tratar depois que o dano ocorreu. Não há restrição por idade — lactentes menores de 1 ano, aliás, têm maior risco de apresentação incompleta e de complicação coronariana. E aguardar falha de antibiótico é justamente o atraso mais comum na prática.
Qual é a principal causa de morte na doença de Kawasaki?
O desfecho temido é a oclusão trombótica de um aneurisma, que pode ocorrer meses ou anos depois, tornando a doença a principal causa de cardiopatia adquirida na infância em países desenvolvidos. Meningite asséptica, hepatite e disfunção renal podem ocorrer na fase aguda, mas são autolimitadas. Sintomas de infarto em criança são atípicos, com irritabilidade, palidez, vômitos e choro inconsolável, o que dificulta o reconhecimento.
Qual achado laboratorial é característico da fase subaguda da doença de Kawasaki, entre a segunda e a terceira semana?
A contagem de plaquetas costuma ser normal ou pouco elevada na primeira semana e sobe de forma marcante na fase subaguda, período que coincide com a descamação periungueal e com o maior risco trombótico coronariano. Plaquetopenia na fase aguda é sinal de alarme e sugere síndrome de ativação macrofágica ou coagulação intravascular, com pior prognóstico. Linfocitose atípica apontaria para mononucleose, distrator de outro exantema febril.
Criança com doença de Kawasaki apresenta febre persistente 48 horas após a infusão de imunoglobulina. Qual a conduta?
Febre persistente ou recrudescente 36 a 48 horas após a imunoglobulina define doença refratária, situação de maior risco coronariano que exige segunda dose de imunoglobulina, corticoide ou agentes biológicos, com reavaliação ecocardiográfica. Suspender o tratamento e observar deixa a inflamação coronariana ativa. Antibiótico não trata a vasculite. Cateterismo não é conduta inicial. E reduzir o ácido acetilsalicílico é o oposto do necessário em um paciente com risco trombótico aumentado.
Qual exame é obrigatório na avaliação inicial e no seguimento da síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica e da doença de Kawasaki?
O ecocardiograma avalia função ventricular, derrame pericárdico, regurgitação valvar e, sobretudo, o calibre das artérias coronárias, sendo indispensável no diagnóstico, no acompanhamento e na decisão terapêutica das duas condições. Tomografia de crânio, endoscopia, cintilografia óssea e eletroencefalograma podem ser necessários diante de manifestações específicas, mas nenhum deles avalia o desfecho que determina o prognóstico a longo prazo — o comprometimento coronariano é justamente o que se busca prevenir com o tratamento precoce.
Adolescente com antecedente de doença de Kawasaki na infância e aneurismas coronarianos persistentes deseja praticar esportes competitivos. Qual a orientação?
A conduta depende do calibre e da persistência dos aneurismas, da presença de estenoses e de isquemia demonstrada, e um ponto prático central é que pacientes anticoagulados devem evitar esportes de contato pelo risco de sangramento. Liberar sem avaliação ignora que essas coronárias permanecem anormais mesmo quando o calibre regride. Proibir toda atividade é excesso que traz prejuízo cardiovascular e psicossocial.
Qual cuidado é necessário quanto à vacinação de uma criança que recebeu imunoglobulina endovenosa na dose de 2 g/kg para doença de Kawasaki?
Após imunoglobulina intravenosa na dose de 2 g/kg para Kawasaki, recomenda-se intervalo de 11 meses para vacinas contendo sarampo e para varicela, devido à interferência dos anticorpos passivos. As vacinas inativadas mantêm o calendário. Não se deve estender automaticamente esse intervalo a todas as vacinas vivas: há exceções, como rotavírus e febre amarela, respeitadas suas próprias indicações e contraindicações. Em situações de exposição ou alto risco, a estratégia vacinal deve ser individualizada conforme a orientação específica.
Criança de 3 anos com febre alta há 6 dias, hiperemia conjuntival bilateral sem secreção, lábios fissurados e língua em framboesa, exantema polimorfo, edema e eritema de mãos e pés e linfonodo cervical de 2 cm. Qual o diagnóstico e a conduta?
Febre por cinco dias ou mais somada a pelo menos quatro dos critérios clássicos define a doença de Kawasaki, e o tratamento com imunoglobulina nos primeiros dez dias reduz de forma expressiva a formação de aneurismas coronarianos, que é o desfecho temido. A escarlatina engana pelo exantema e pela língua em framboesa, mas nela não há conjuntivite não exsudativa nem alterações de extremidades, e o quadro responde ao antibiótico.
Menina de 8 meses tem febre há 7 dias, irritabilidade e apenas hiperemia conjuntival, com proteína C reativa muito elevada, anemia, plaquetose e piúria estéril. Culturas negativas e ausência de outros critérios. Qual a conduta?
Lactentes abaixo de 1 ano frequentemente apresentam a forma incompleta, com febre prolongada e poucos critérios, e são justamente os que têm maior risco de aneurisma, o que torna a espera perigosa. O algoritmo dessa forma usa marcadores inflamatórios, anemia, plaquetose, hipoalbuminemia, transaminases elevadas e piúria estéril, além do ecocardiograma, para decidir tratar. A piúria estéril faz parte do quadro e não deve ser tratada como infecção urinária.
Quais são os critérios clínicos da doença de Kawasaki clássica além da febre por 5 dias ou mais?
Os cinco critérios adicionais são conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios e mucosa oral com língua em framboesa, exantema polimorfo, alterações de extremidades com edema e descamação periungueal tardia e linfadenopatia cervical, geralmente unilateral e maior que 1,5 cm. Os demais conjuntos descrevem febre reumática, vasculite por IgA, sarampo e eritema infeccioso — todos diagnósticos diferenciais reais, o que torna o reconhecimento dos critérios corretos decisivo para indicar a imunoglobulina a tempo.
Lactente de 8 meses com febre há 7 dias, irritabilidade e apenas dois dos critérios clássicos de doença de Kawasaki, com proteína C reativa muito elevada, anemia, plaquetose e piúria estéril. Qual a conduta?
A forma incompleta é mais frequente justamente nos lactentes, que são também os de maior risco de aneurisma coronariano, e por isso a combinação de febre prolongada, poucos critérios e marcadores inflamatórios com achados laboratoriais suplementares autoriza o tratamento sem esperar o quadro completo. Aguardar mais critérios é o erro que faz perder a janela terapêutica dos dez primeiros dias, e a piúria estéril é achado da própria doença.
Sobre o seguimento cardiológico na doença de Kawasaki, qual conduta é a recomendada?
As alterações coronarianas podem surgir e progredir ao longo das primeiras semanas, e por isso o ecocardiograma é repetido em momentos definidos, tipicamente ao diagnóstico, por volta de duas semanas e entre seis e oito semanas, com seguimento prolongado quando há dilatação ou aneurisma. Condicionar o exame à presença de sopro é erro grave, porque as lesões coronarianas são silenciosas à ausculta.
Criança tratada para doença de Kawasaki mantém febre 40 horas após a infusão de imunoglobulina. Qual a conduta?
Persistência ou recorrência da febre além de 36 a 48 horas após a infusão define resistência, situação que aumenta o risco de aneurisma e exige retratamento imediato com nova dose de imunoglobulina, frequentemente associada a corticoide, com opções adicionais em casos refratários. Esperar é o que permite a lesão coronariana se instalar. O ecocardiograma deve ser repetido precocemente nesse cenário, e não apenas semanas depois.
Qual orientação de longo prazo é importante para crianças que tiveram doença de Kawasaki com acometimento coronariano?
A parede da coronária que sofreu vasculite permanece alterada por décadas, com disfunção endotelial e risco aterosclerótico acelerado, o que torna o controle rigoroso dos fatores de risco parte central do seguimento desses pacientes até a vida adulta. Dar alta definitiva porque a criança está assintomática ignora a natureza silenciosa dessa evolução. Cateterismo anual universal é invasivo e desnecessário fora de indicações específicas.
Criança de 4 anos é atendida na Unidade de Pronto Atendimento com febre alta há 6 dias, hiperemia conjuntival bilateral sem secreção, lábios fissurados, língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco, edema de mãos e pés e adenomegalia cervical de 2 centímetros. Exames mostram proteína C reativa elevada, leucocitose e plaquetas de 620.000 por milímetro cúbico. Qual é a conduta terapêutica imediata mais adequada?
Febre por cinco dias ou mais com pelo menos quatro dos critérios clássicos configura doença de Kawasaki, cujo tratamento com imunoglobulina intravenosa nos primeiros dez dias reduz de forma marcante o risco de aneurisma coronariano, associado ao ácido acetilsalicílico e à avaliação ecocardiográfica. A antibioticoterapia trata infecção bacteriana, que não explica a constelação de achados mucocutâneos. O corticoide isolado não é a terapia inicial padrão. Tratar como virose autolimitada perde a janela terapêutica que protege as coronárias.
Criança de 4 anos apresenta febre há 6 dias, exantema, conjuntivite bilateral não purulenta e edema de extremidades. Não há adenomegalia significativa nem alterações de mucosa oral. Exames mostram provas inflamatórias elevadas, anemia e hipoalbuminemia. A equipe questiona se há indicação de tratamento sem preencher todos os critérios clássicos. Qual é a conduta correta?
A doença de Kawasaki incompleta é reconhecida em crianças com febre prolongada e menos critérios clínicos, sendo o ecocardiograma e os critérios laboratoriais suplementares determinantes para indicar imunoglobulina e prevenir aneurismas coronarianos. Exigir todos os critérios clássicos exclui justamente os casos incompletos, mais frequentes em lactentes. Tratar como escarlatina não explica a conjuntivite não purulenta nem o padrão laboratorial. Aguardar dez dias ultrapassa a janela em que a imunoglobulina é mais eficaz.
Criança de 3 anos, com febre há 6 dias, apresenta eritema e endurecimento no local da cicatriz da BCG, além de exantema, conjuntivite e irritabilidade. Esse achado no local da vacinação é descrito como sinal auxiliar em determinada condição. Qual é a hipótese diagnóstica que esse achado reforça?
A reativação do local da cicatriz da BCG com eritema e endurecimento é sinal auxiliar descrito na doença de Kawasaki, especialmente em países onde a vacinação é universal, somando-se aos demais critérios clínicos. A tuberculose disseminada não produz esse achado agudo associado a conjuntivite e exantema. A reação vacinal tardia isolada não cursa com febre prolongada e envolvimento mucocutâneo. A escarlatina apresenta exantema áspero com faringite, sem reativação da cicatriz vacinal.
Menino de 2 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com febre há cinco dias, irritabilidade e recusa alimentar. Ao exame: temperatura 39 °C, conjuntivite bilateral não purulenta, lábios fissurados e língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco, edema de mãos e pés e linfonodo cervical de 2 cm. Sem sinais meníngeos, ausculta pulmonar normal, sem otite à otoscopia. Exames iniciais mostram proteína C reativa elevada e leucocitose com neutrofilia. A conduta mais adequada é:
Febre por cinco dias associada a conjuntivite não purulenta, alterações de lábios e língua, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfadenopatia cervical preenche critérios de doença de Kawasaki, cuja principal complicação é o aneurisma coronariano; o tratamento com imunoglobulina intravenosa deve ocorrer preferencialmente até o décimo dia de doença, exigindo encaminhamento urgente. Escarlatina não cursa com conjuntivite nem edema de extremidades e responde a antibiótico, mas o retardo aqui custaria a janela terapêutica. Conduta expectante desperdiça essa janela. Corticoide isolado em ambiente ambulatorial não substitui a imunoglobulina nem o ecocardiograma de avaliação coronariana.
Menino de 3 anos recebeu diagnóstico de doença de Kawasaki durante internação, tendo apresentado febre por seis dias, conjuntivite não purulenta, exantema, alterações de lábios e língua e linfadenopatia cervical. Recebeu imunoglobulina endovenosa no sétimo dia de doença, com boa resposta clínica. Recebe alta afebril, com descamação periungueal em curso e sem sinais de descompensação. A mãe pergunta se o tratamento encerrou o problema. A orientação correta quanto ao seguimento é:
A principal complicação da doença de Kawasaki é o acometimento coronariano, com aneurismas que podem surgir ou progredir nas semanas seguintes, mesmo após boa resposta clínica à imunoglobulina; por isso o seguimento inclui ecocardiogramas seriados e conduta antitrombótica conforme os achados. Encerrar o acompanhamento na alta deixa de detectar aneurismas com risco de trombose e isquemia. Imunoglobulina mensal profilática não tem qualquer indicação. O eletrocardiograma isolado não avalia as artérias coronárias e não substitui o ecocardiograma no seguimento.
Menina de 3 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com febre alta diária há seis dias, irritabilidade e exantema polimorfo em tronco. Ao exame, apresenta hiperemia conjuntival bilateral não purulenta, lábios fissurados e vermelhos, língua em framboesa, linfonodo cervical de 1,8 cm e edema com eritema de mãos e pés. A temperatura é de 39,2 °C, a frequência cardíaca é de 148 bpm e ela está irritada, mas hidratada. Os exames mostram leucocitose, proteína C reativa muito elevada e plaquetas em ascensão. A conduta correta é
Febre por cinco dias ou mais associada a conjuntivite não exsudativa, alterações de lábios e língua, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfadenopatia cervical preenche critérios de doença de Kawasaki, cujo tratamento é imunoglobulina endovenosa com ácido acetilsalicílico, com ecocardiograma para avaliar as coronárias. Antibiótico não trata a doença e a escarlatina não cursa com conjuntivite e alterações de extremidades desse padrão. Aguardar 72 horas ultrapassa a janela ideal de tratamento para prevenir aneurismas. Corticoide isolado não é primeira linha.
Menina de 4 anos é levada à Unidade de Pronto Atendimento com febre há seis dias, irritabilidade importante e exantema. Ao exame: febre persistente, conjuntivite bilateral não purulenta, lábios rachados e hiperemiados com língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco, edema e eritema de mãos e pés, e um linfonodo cervical de 2 cm, sem exsudato amigdaliano e sem coriza. Exames: provas inflamatórias muito elevadas, leucocitose e plaquetas em elevação. Qual é a conduta correta?
Febre por cinco dias ou mais associada a conjuntivite não purulenta, alterações de lábios e língua, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfonodomegalia cervical preenche critérios de doença de Kawasaki, cujo tratamento com imunoglobulina endovenosa, idealmente nos primeiros dez dias, reduz drasticamente o risco de aneurismas coronarianos, com ecocardiograma para avaliação cardíaca. Antibiótico não trata a vasculite. Sintomáticos isolados deixam evoluir a lesão coronariana. Aguardar além da janela terapêutica aumenta o risco de sequela cardíaca.
Menino de 2 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com febre há sete dias, irritabilidade e exantema, sem foco infeccioso identificado. Ao exame: febril, irritado, com exantema maculopapular em tronco, discreta hiperemia conjuntival, sem alterações evidentes de lábios e língua, com edema discreto de mãos, sem adenomegalia cervical significativa e com reativação da cicatriz da vacina BCG, que se apresenta eritematosa e endurecida. As provas inflamatórias estão muito elevadas. Qual é a conduta correta?
A doença de Kawasaki incompleta é frequente em crianças pequenas, com menos critérios clássicos, e a reativação da cicatriz da BCG é achado sugestivo em países que utilizam a vacina, devendo-se ampliar a investigação com provas inflamatórias e ecocardiograma e tratar sem aguardar a soma completa de critérios, para preservar as coronárias. Esperar todos os critérios atrasa o tratamento além da janela ideal. Antibiótico não trata a vasculite. Atribuir tudo a reação vacinal ignora a febre prolongada com inflamação sistêmica.
Menino, 3 anos, com febre alta há 6 dias, hiperemia conjuntival bilateral sem secreção, língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco, edema com descamação periungueal iniciando e linfonodo cervical de 1,8 cm. T 39,4 °C, FC 156 bpm, PA 92/56 mmHg. PCR 140 mg/L (VR < 5), plaquetas 620.000/mm³ (VR 150.000–400.000). Ecocardiograma mostra dilatação da coronária direita com escore Z de 3,1. Qual o tratamento indicado?
O quadro preenche critérios de doença de Kawasaki com aneurisma coronariano incipiente, e o tratamento é imunoglobulina endovenosa em dose única de 2 g/kg associada a ácido acetilsalicílico, idealmente nos primeiros 10 dias de febre, o que reduz drasticamente o risco de aneurismas. O corticoide em monoterapia não substitui a imunoglobulina, sendo adjuvante em casos de alto risco ou refratários. A ceftriaxona trata infecção bacteriana, e a Kawasaki é vasculite sem agente tratável por antibiótico. O ácido acetilsalicílico isolado é insuficiente para prevenir a progressão do dano coronariano. A anticoagulação isolada não controla a vasculite e se aplica apenas a aneurismas gigantes já estabelecidos, como adjuvante.
Menino, 5 anos, é levado à UBS por febre há 6 dias, com temperatura de 39 °C, irritabilidade, conjuntivite bilateral não purulenta, lábios fissurados e língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco e edema com descamação periungueal iniciando nas mãos. Linfonodo cervical de 2 cm à direita. Sem tosse, coriza ou exsudato amigdaliano. PCR 90 mg/L (VR < 5); plaquetas 620.000/mm³ (VR 150.000–450.000). Qual a hipótese diagnóstica e a conduta?
Febre por cinco dias ou mais somada a conjuntivite bulbar não exsudativa, alterações de lábios e língua, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfadenopatia cervical maior que 1,5 cm preenche os critérios de doença de Kawasaki, cujo tratamento com imunoglobulina intravenosa deve ocorrer preferencialmente até o décimo dia para reduzir o risco de aneurisma coronariano. A escarlatina cursa com exantema micropapular áspero, palidez perioral e faringite exsudativa, sem conjuntivite bulbar nem alterações de extremidades. A mononucleose cursa com faringite exsudativa, adenomegalia generalizada e esplenomegalia, e não com a constelação mucocutânea descrita. O sarampo tem pródromo catarral com tosse e coriza e manchas de Koplik, ausentes. Doença do soro exige exposição medicamentosa e cursa com urticária, artralgia e ausência das alterações de mucosa oral típicas descritas.
Menina, 3 anos, é levada ao pronto-socorro com febre alta há 5 dias, irritabilidade e exantema. Ao exame: T 39,5 °C, FC 140 bpm, conjuntivite bilateral não purulenta, lábios fissurados e língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco e edema endurado de mãos e pés. Palpa-se linfonodo cervical único de 2 cm. Plaquetas 620.000/mm³ (VR 150.000–400.000); PCR 120 mg/L (VR < 5). Qual a conduta terapêutica indicada?
O quadro preenche critérios de doença de Kawasaki — febre por cinco dias com conjuntivite não purulenta, alterações de mucosa oral, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfonodomegalia cervical — e o tratamento é imunoglobulina endovenosa em dose única associada a ácido acetilsalicílico, com o objetivo de prevenir aneurismas coronarianos. Corticoide isolado não é a terapia inicial padrão, sendo adjuvante em casos refratários ou de alto risco. A penicilina benzatina trata infecção estreptocócica, que não explica o conjunto de achados. O aciclovir é antiviral sem papel nessa vasculite. Tratar como exantema viral autolimitado expõe a criança ao risco de aneurisma coronariano, que chega a 25% sem tratamento.
Menino, 5 anos, apresenta há 12 dias febre, exantema polimorfo, conjuntivite não purulenta e edema de extremidades, tendo recebido diagnóstico de doença viral. Chega ao serviço com irritabilidade, descamação periungueal em dedos das mãos e sopro cardíaco novo. Plaquetas 780.000/mm³ (VR 150.000–400.000); PCR 90 mg/L (VR < 5). O ecocardiograma revela dilatação da artéria coronária direita com escore Z de 3,2. Qual a conduta indicada?
Diante de doença de Kawasaki com aneurisma coronariano ou provas inflamatórias ainda elevadas, a imunoglobulina endovenosa deve ser administrada mesmo após o décimo dia de doença, associada ao ácido acetilsalicílico, pois ainda reduz a progressão da inflamação vascular. Limitar-se ao seguimento ecocardiográfico deixa a vasculite ativa sem tratamento. O corticoide é adjuvante em casos refratários ou de alto risco, não substituto da imunoglobulina. O antibiótico não trata vasculite e a doença não é bacteriana. A anticoagulação pode ser necessária em aneurismas gigantes, mas isoladamente não controla o processo inflamatório em atividade.
Menina, 4 anos, apresenta há 10 dias febre persistente, irritabilidade, conjuntivite bilateral não purulenta e exantema, sem outros critérios clássicos completos. Plaquetas 640.000/mm³ (VR 150.000–400.000); PCR 110 mg/L (VR < 5); albumina 2,8 g/dL (VR 3,5–5,0); alanina aminotransferase elevada; leucocitúria estéril. As culturas são negativas e não há foco infeccioso identificado após investigação ampla. Qual a hipótese e a conduta indicada?
Febre prolongada com critérios clínicos incompletos, associada a marcadores laboratoriais de apoio como trombocitose, proteína C reativa elevada, hipoalbuminemia, transaminase alterada e leucocitúria estéril, caracteriza doença de Kawasaki incompleta, indicando ecocardiograma e tratamento com imunoglobulina para prevenir aneurismas coronarianos. A leucocitúria estéril é achado da própria doença, e não de infecção urinária bacteriana, cujas culturas seriam positivas. O sarampo cursa com pródromo catarral e manchas de Koplik. A artrite idiopática juvenil sistêmica apresenta artrite e exantema evanescente com picos febris diários. Considerar febre benigna e apenas observar expõe a criança ao risco coronariano evitável.
Menino, 4 anos, apresenta há 6 dias febre alta persistente, irritabilidade, conjuntivite bilateral não purulenta e exantema polimorfo. Ao exame, há eritema e fissuras labiais, língua em framboesa e edema de mãos e pés, sem linfonodomegalia cervical significativa. Plaquetas 520.000/mm³ (VR 150.000–400.000); PCR 140 mg/L (VR < 5). O ecocardiograma inicial não mostra alterações coronarianas até o momento da avaliação. Qual a conduta indicada?
A doença de Kawasaki é diagnóstico clínico, e o ecocardiograma normal na fase inicial não afasta o diagnóstico nem adia o tratamento, que deve ser iniciado com imunoglobulina endovenosa e ácido acetilsalicílico o mais precocemente possível, com repetição seriada do ecocardiograma. Aguardar o aneurisma significa tratar depois do dano que se pretende prevenir. O antibiótico não trata vasculite e a doença não é bacteriana. Manter apenas sintomáticos por causa do ecocardiograma normal expõe a criança ao risco coronariano. O corticoide é adjuvante em casos refratários ou de alto risco, não substituindo a imunoglobulina como primeira linha.
Menino de 3 anos apresenta febre alta diária há 6 dias, sem resposta a antitérmicos. Ao exame há hiperemia conjuntival bilateral não exsudativa, lábios fissurados com língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco, edema endurado de mãos e pés e linfonodo cervical único de 2 cm. PCR de 120 mg/L (VR até 5) e plaquetas de 620.000/mm³ (VR 150.000 a 400.000). Qual a conduta indicada?
A imunoglobulina endovenosa em dose única associada ao ácido acetilsalicílico é o tratamento da doença de Kawasaki, e a criança preenche o critério de febre por cinco dias ou mais com quatro dos cinco sinais clínicos principais. Instituir o tratamento nos primeiros dez dias reduz o risco de aneurisma coronariano de cerca de 25% para menos de 5%. A penicilina benzatina trataria escarlatina ou febre reumática, quadros que não cursam com edema endurado de extremidades e conjuntivite não exsudativa. O corticoide isolado não é a primeira linha e se reserva a casos refratários ou de alto risco, sempre associado. O antitérmico com reavaliação e o anti-inflamatório comum deixam o leito coronariano desprotegido justamente na janela terapêutica.
Menino, 2 anos, apresenta febre alta há 6 dias, irritabilidade e exantema. Exame: T 39,2 °C, conjuntivite bilateral não exsudativa, lábios fissurados e língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco, edema de mãos e pés, linfonodo cervical de 2 cm. Leucócitos 18.000/mm³; PCR 120 mg/L (VR menor que 5); plaquetas 620.000/mm³; ecocardiograma inicial sem dilatação coronariana identificável. Qual a conduta indicada?
Febre por pelo menos cinco dias com conjuntivite não exsudativa, alterações de lábios e língua, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfonodo cervical preenche critérios de doença de Kawasaki, tratada com imunoglobulina intravenosa e ácido acetilsalicílico para reduzir o risco de aneurisma coronariano. O antibiótico não altera o curso da doença, que não é bacteriana. O corticoide isolado não substitui a imunoglobulina no tratamento inicial padrão. Considerar o quadro viral autolimitado deixa a criança sem a terapia que previne a complicação coronariana. O anti-histamínico trata prurido, sem qualquer efeito sobre a vasculite subjacente.
Menino, 3 anos, teve doença de Kawasaki tratada com imunoglobulina há 8 semanas. Encontra-se assintomático, com bom estado geral. FC 104 bpm, PA 96x58 mmHg, T 36,6 °C. Ecocardiograma de controle mostra aneurisma em artéria coronária direita com diâmetro interno de 6 mm, correspondente a escore Z acima de dez. Exames: plaquetas 480.000 por milímetro cúbico; velocidade de hemossedimentação normalizada. Qual a conduta?
Aneurismas coronarianos gigantes, com escore Z muito elevado, conferem alto risco trombótico e exigem antiagregação com ácido acetilsalicílico associada a anticoagulação, além de seguimento cardiológico intensivo. Suspender a terapia antitrombótica expõe a criança a trombose coronariana e infarto. A repetição da imunoglobulina se aplica à refratariedade na fase aguda, já superada. A revascularização cirúrgica é reservada a isquemia documentada ou estenose significativa. Observar com ecocardiograma a cada cinco anos é intervalo incompatível com o risco desse perfil.
Menino de 3 anos apresenta febre alta há 6 dias, sem resposta a antitérmicos, associada a conjuntivite bilateral não exsudativa, lábios fissurados e língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco e edema de mãos e pés. T 39,2 graus Celsius, FC 148 bpm. Há linfonodo cervical único de 2 cm. Plaquetas 620.000/mm3; proteína C reativa muito elevada; culturas negativas. Qual a conduta indicada?
A imunoglobulina endovenosa associada ao ácido acetilsalicílico, com realização de ecocardiograma, é a conduta na doença de Kawasaki, diagnosticada por febre prolongada com conjuntivite não exsudativa, alterações de mucosas, exantema, alterações de extremidades e linfonodomegalia, sendo o tratamento precoce essencial para reduzir aneurismas coronarianos. A penicilina trataria escarlatina, que não cursa com conjuntivite e edema de extremidades. Manter apenas antitérmico ignora o risco cardíaco. O corticoide isolado não é a primeira linha. O antibiótico isolado não altera o curso da vasculite.
Menino, 3 anos, com doença de Kawasaki, recebeu imunoglobulina endovenosa há 40 horas, mas mantém febre de 38,8 °C e irritabilidade. FC 148 bpm, PA 92x56 mmHg. Persistem hiperemia conjuntival, exantema e edema de extremidades. Exames: proteína C reativa ainda elevada; albumina reduzida; ecocardiograma com escore Z de coronária direita em elevação em relação ao exame de admissão. Qual a conduta?
A persistência ou recrudescência da febre após 36 a 48 horas do término da imunoglobulina define doença de Kawasaki refratária, e a conduta é repetir a imunoglobulina ou associar corticoide, dado o risco aumentado de aneurismas coronarianos, já sinalizado pela elevação do escore Z. Suspender o ácido acetilsalicílico remove a antiagregação justamente quando o risco trombótico aumenta. A antibioticoterapia não trata a vasculite. O cateterismo diagnóstico não é necessário nessa fase, pois o ecocardiograma avalia adequadamente as coronárias. Aguardar mais três dias permite a progressão dos aneurismas.
Menino, 3 anos, apresenta febre alta persistente há 6 dias, sem resposta a antitérmicos. PA 96x58 mmHg, FC 140 bpm, T 39,4 °C. Exame: hiperemia conjuntival bilateral sem secreção, lábios fissurados com língua em framboesa, exantema polimorfo em tronco, edema endurado de mãos e pés e linfonodo cervical de 2 cm. Exames: leucócitos 18.400/mm³ (VR 5.000–15.000); plaquetas 620.000/mm³ (VR 150.000–400.000); proteína C reativa 140 mg/L (VR abaixo de 5). Qual a conduta mais adequada?
A doença de Kawasaki é diagnóstico clínico com febre por pelo menos cinco dias somada a pelo menos quatro dos critérios de conjuntivite não exsudativa, alterações de mucosa oral, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfadenopatia cervical, e o tratamento é imunoglobulina venosa com ácido acetilsalicílico, idealmente nos primeiros dez dias, além de ecocardiograma para avaliação coronariana. Antibiótico isolado para escarlatina não previne aneurismas e não corresponde ao conjunto de achados. Considerar o quadro viral autolimitado retarda a terapia justamente na janela em que ela reduz o risco de aneurisma de vinte e cinco para menos de cinco por cento. Corticoide isolado não é primeira linha, sendo adjuvante em alto risco ou refratariedade. Aguardar sorologias desperdiça a janela terapêutica.
Criança de três anos apresenta febre há seis dias, conjuntivite bilateral não purulenta, lábios fissurados, língua avermelhada, exantema e edema de mãos. Há linfonodo cervical aumentado e nenhum agente explica o conjunto. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
Ecocardiograma normal inicial não exclui Kawasaki e não deve atrasar tratamento indicado. Referência: https://www.cdc.gov/kawasaki/about/index.html
Criança de três anos apresenta febre há seis dias, conjuntivite bilateral não purulenta, lábios fissurados, língua avermelhada, exantema e edema de mãos. Há linfonodo cervical aumentado e nenhum agente explica o conjunto. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
O risco cardiovascular determina urgência de reconhecimento e tratamento. Referência: https://www.cdc.gov/kawasaki/about/index.html
Criança de três anos apresenta febre há seis dias, conjuntivite bilateral não purulenta, lábios fissurados, língua avermelhada, exantema e edema de mãos. Há linfonodo cervical aumentado e nenhum agente explica o conjunto. Qual é o diagnóstico mais provável?
Febre prolongada com manifestações mucocutâneas típicas favorece vasculite de Kawasaki. Referência: https://www.cdc.gov/kawasaki/about/index.html
Criança de três anos apresenta febre há seis dias, conjuntivite bilateral não purulenta, lábios fissurados, língua avermelhada, exantema e edema de mãos. Há linfonodo cervical aumentado e nenhum agente explica o conjunto. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
Tratamento precoce reduz risco coronariano; seguimento depende da evolução e dos achados cardíacos. Referência: https://www.cdc.gov/kawasaki/about/index.html
Criança tem febre há seis dias, conjuntivite bilateral não purulenta, lábios fissurados, exantema e edema de mãos, com linfonodo cervical aumentado. Qual diagnóstico integra melhor o quadro?
A associação reúne manifestações clássicas de Kawasaki. Febre persistente com alterações mucocutâneas e de extremidades pode indicar vasculite com risco coronariano; avaliação cardíaca é importante. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Kawasaki_disease/
Paciente pediátrico tem febre prolongada, olhos vermelhos sem secreção, língua avermelhada, rash e alterações de extremidades, com dilatação coronariana ao eco. Qual diagnóstico integra melhor o quadro?
O comprometimento coronariano reforça Kawasaki. Febre persistente com alterações mucocutâneas e de extremidades pode indicar vasculite com risco coronariano; avaliação cardíaca é importante. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Kawasaki_disease/
Lactente tem febre persistente e achados mucocutâneos incompletos, mas avaliação especializada demonstra alteração coronariana compatível e inflamação sistêmica. Qual diagnóstico integra melhor o quadro?
Kawasaki incompleta deve ser considerada nesse contexto. Febre persistente com alterações mucocutâneas e de extremidades pode indicar vasculite com risco coronariano; avaliação cardíaca é importante. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Kawasaki_disease/
Criança tem sete dias de febre, eritema oral, conjuntivite não exsudativa, rash polimorfo e descamação periungueal na evolução. Qual diagnóstico integra melhor o quadro?
A sequência clínica é típica de Kawasaki. Febre persistente com alterações mucocutâneas e de extremidades pode indicar vasculite com risco coronariano; avaliação cardíaca é importante. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Kawasaki_disease/
Por que um ecocardiograma inicial normal não encerra a avaliação da criança com essa prancha e febre persistente?

O exame inicial normal não exclui a síndrome nem dispensa seguimento.
Qual tratamento precoce reduz o risco de complicações coronarianas quando esse diagnóstico é confirmado?

O tratamento oportuno modifica o risco cardiovascular.
Qual achado ocular da prancha é compatível com o diagnóstico sindrômico proposto?

É uma das manifestações principais da doença de Kawasaki.
Qual exame é prioritário para avaliar uma complicação relevante da doença sugerida pela prancha?

A vasculite pode causar dilatação ou aneurisma de coronárias.
Criança com febre persistente há seis dias apresenta o conjunto ilustrado. Qual diagnóstico deve ser priorizado?

Alterações conjuntivais, orais, cutâneas, de extremidades e linfonodo cervical formam o padrão mucocutâneo típico.
Criança com febre há seis dias e esses achados tem ecocardiograma inicial sem aneurisma. Qual interpretação é adequada?

Alterações coronarianas podem não estar presentes no início; diagnóstico e tratamento não dependem de aneurisma já formado.
Após imunoglobulina intravenosa, qual consideração afeta algumas vacinas de vírus vivos?

Anticorpos passivos podem reduzir resposta a certas vacinas vivas; intervalo depende de produto, dose e orientação oficial.
Qual vaso merece atenção especial nas complicações cardíacas dessa doença?

A vasculite pode comprometer coronárias e formar dilatações ou aneurismas.
Lactente com febre prolongada tem apenas parte dos achados, mas inflamação laboratorial e alterações cardíacas. Qual hipótese não deve ser perdida?

Formas incompletas ocorrem, especialmente em lactentes; integração laboratorial e cardíaca orienta avaliação.
Qual alteração ocular é mostrada?

A prancha mostra olhos bilateralmente hiperemiados sem secreção purulenta evidente.
Qual alteração da língua é mostrada na imagem? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

O aspecto corresponde à proeminência das papilas; não é exclusivo de uma doença.
Na criança com febre prolongada e suspeita de Kawasaki, qual aspecto visível nesta fotografia corresponde a uma alteração mucosa compatível com os critérios clínicos? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Esse conjunto é uma alteração oral compatível, mas precisa ser integrado aos demais achados.
Uma criança tem seis dias de febre, conjuntivite bilateral sem pus, exantema, edema das mãos e o achado oral mostrado. Qual hipótese integra melhor o quadro? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Febre prolongada com sinais mucocutâneos e alterações de extremidades forma um conjunto característico.
Uma criança tem a língua mostrada, exantema áspero e teste positivo para estreptococo, mas sem outros critérios de Kawasaki. Qual interpretação evita um erro diagnóstico? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Língua em morango é compartilhada por doenças distintas; não confirma Kawasaki isoladamente.
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em 7 dias
Febre por pelo menos 5 dias mais 4 dos 5 critérios: mucosa oral sem úlcera ou exsudato, conjuntivite bulbar sem secreção, alteração de extremidades, exantema polimorfo sem vesícula e linfonodo cervical de pelo menos 1,5 cm. Tratamento: imunoglobulina 2 g/kg em dose única até o 10º dia mais AAS. Sem tratamento, 25% desenvolvem lesão coronariana; com tratamento, 4%.
em 30 dias
Forma incompleta (20% a 30% dos casos, típica do lactente de menos de 6 meses): febre prolongada mais PCR igual ou maior que 3 mg/dL e/ou VHS igual ou maior que 40 mm/h, somados a 3 dos 6 achados (anemia, plaquetas iguais ou maiores que 450.000 após o 7º dia, albumina igual ou menor que 3 g/dL, ALT elevada, leucócitos iguais ou maiores que 15.000, leucocitúria igual ou maior que 10 por campo), ou Z-escore igual ou maior que 2,5 em descendente anterior ou coronária direita. Resistência = febre 36 horas após a infusão. AAS cai para 3 a 5 mg/kg/dia quando afebril, por 6 a 8 semanas. Aneurisma gigante é Z igual ou maior que 10 ou 8 mm, e é o que exige anticoagulação.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Lactente de 11 meses chega ao pronto-socorro no quinto dia de febre alta, irritado, já tendo usado amoxicilina por suspeita de otite. A mãe conta que ele teve manchas vermelhas no corpo há dois dias e que agora as mãos estão inchadas. Conduza a avaliação, decida se há indicação de tratamento específico e explique à mãe por que a internação é necessária hoje. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
