Clínica Médica › Infectologia
Dengue
O manejo é protocolo do Ministério da Saúde, e a prova cobra literalmente o grupo e o plano: dado um paciente febril, dizer se ele é A, B, C ou D, onde trata, que exame pede e quantos mililitros por quilo recebe, em quanto tempo.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Homem de 34 anos, previamente hígido, procura atendimento com febre de 39°C, cefaleia intensa, dor retro-orbitária, mialgia difusa e prostração há 3 dias. Reside em bairro com alta infestação de Aedes aegypti e relata surto de doença semelhante na vizinhança. Ao exame: PA 118x76 mmHg, FC 92 bpm, T 38,7°C, exantema maculopapular em tronco e prova do laço positiva. Hemograma com plaquetas 130.000/mm³ e leucopenia. Qual é o diagnóstico mais provável?
Como esse tema cai
Dengue é o tema em que a prova brasileira menos quer saber a sua opinião. Existe um documento nacional, ele é recente, e ele decide tudo: em que grupo o paciente cai, onde ele é tratado, que exame é obrigatório e quantos mililitros por quilo ele recebe em quanto tempo. A 6ª edição do manual do Ministério da Saúde, de 2024, é a régua. Quando a questão descreve um paciente febril e pergunta a conduta, ela quase nunca está pedindo raciocínio fisiopatológico — está pedindo que você reconheça um sinal de alarme, converta isso num grupo e recite o plano daquele grupo com o número certo.
Por isso este capítulo é montado ao contrário do habitual. O bloco central não é o texto: é a tabela dos grupos A, B, C e D com a hidratação de cada um. Tudo o que vem antes existe para você conseguir classificar corretamente, e tudo o que vem depois existe para você não ser derrubado por uma armadilha de calibragem — o volume do grupo vizinho, a via de administração proibida, o antitérmico que não pode.
O recorte é o manejo clínico do caso suspeito, adulto e criança, do acolhimento à alta. Fica de fora controle vetorial, entomologia e a discussão epidemiológica da temporada. A vacina entra, mas pelo ângulo que a prova cobra: quem o SUS vacina hoje, com o quê, e por que a faixa etária é essa — que é uma decisão de disponibilidade de doses, não de biologia.
O que muda decisão
Três fases, e a armadilha de a febre melhorar
A dengue sintomática é descrita pelo manual em três fases. A febril começa de forma abrupta, costuma ficar entre 39 e 40 graus e dura de dois a sete dias, acompanhada de cefaleia, adinamia, mialgia, artralgia e dor retro-orbitária. Exantema maculopapular aparece em torno de metade dos casos, atinge face, tronco e membros de forma aditiva e inclui palmas das mãos e plantas dos pés. Diarreia com fezes pastosas, três a quatro evacuações por dia, é comum e ajuda a separar de gastroenterite.
A fase crítica começa com a defervescência — a queda da febre — entre o terceiro e o sétimo dia de doença. É aí que os sinais de alarme aparecem, é aí que o extravasamento plasmático se instala e é aí que o paciente choca. Essa é a inversão que a doença impõe e que a prova adora: o paciente melhora da febre, se sente melhor, e é exatamente esse o momento de maior risco. O choque costuma ocorrer entre o quarto e o quinto dia de doença, com intervalo do terceiro ao sétimo, e o período de extravasamento e choque dura de 24 a 48 horas. Uma vez instalado, o choque da dengue pode levar ao óbito em 12 a 24 horas — ou à recuperação rápida, se a reposição volêmica for adequada.
É dessa cronologia que sai a orientação de retorno do Grupo A, e ela é literal: retornar no dia da melhora da febre, porque é o possível início da fase crítica; e, se não houver defervescência, retornar no quinto dia de doença. Quem manda o paciente para casa sem essa instrução perdeu metade do manejo.
A fase de recuperação vem com a reabsorção do líquido extravasado. O débito urinário normaliza ou aumenta, pode surgir bradicardia e alterações eletrocardiográficas, e é comum um exantema com prurido generalizado. O risco aqui muda de natureza: deixa de ser hipovolemia e passa a ser hiper-hidratação, com edema pulmonar em quem recebeu volume demais e não teve a infusão reduzida a tempo.

Sinais de alarme: a lista literal
O Quadro 1 do manual traz sete sinais de alarme: dor abdominal intensa, referida ou à palpação, e contínua; vômitos persistentes; acúmulo de líquidos, isto é, ascite, derrame pleural ou derrame pericárdico; hipotensão postural ou lipotimia; hepatomegalia maior que 2 centímetros abaixo do rebordo costal; sangramento de mucosa; letargia ou irritabilidade.
Há um oitavo item que a prova cobra junto e que não está no Quadro 1, mas aparece na caracterização do Grupo C e na definição de caso suspeito com sinais de alarme: aumento progressivo do hematócrito. Ele é laboratorial, os outros sete são clínicos. Guardar os sete clínicos mais o hematócrito é a forma segura de responder tanto a questão que pede sete quanto a que pede oito.
A regra de uso é binária e não admite gradação: um único sinal de alarme, na ausência de sinais de gravidade, coloca o paciente no Grupo C. Não existe meio sinal de alarme, não existe sinal de alarme que autorize observação domiciliar, e não existe esperar o exame para começar a hidratar. A maioria desses sinais é consequência do aumento da permeabilidade vascular — eles marcam o início da deterioração, não o seu ápice.
Duas armadilhas de leitura. Dor abdominal precisa ser intensa e contínua para contar; desconforto abdominal vago no primeiro dia de febre não é sinal de alarme. E hepatomegalia conta pelo tamanho: acima de 2 centímetros do rebordo costal. Fígado palpável a 1 centímetro não fecha o critério.
Dengue grave: choque, sangramento e órgão
Dengue grave, no manual, tem três portas de entrada, e basta uma. A primeira é o extravasamento plasmático grave levando a choque ou a acúmulo de líquidos com desconforto respiratório. A segunda é sangramento grave, avaliado pelo médico — o manual dá como exemplos hematêmese, melena, metrorragia volumosa e sangramento do sistema nervoso central. A terceira é comprometimento grave de órgãos, com dano hepático importante definido por AST ou ALT acima de 1.000, alteração de consciência por acometimento do sistema nervoso central, miocardite, e outros órgãos.
Os sinais de choque que o manual lista para caracterizar o Grupo D são nove: taquicardia; extremidades distais frias; pulso fraco e filiforme; enchimento capilar lento, acima de 2 segundos; pressão arterial convergente, com pressão diferencial menor que 20 mmHg; taquipneia; oligúria, definida aqui como menos de 1,5 mL/kg/h; hipotensão arterial, que é fase tardia; e cianose, também fase tardia.
Note a ordem: hipotensão e cianose vêm por último. O choque compensado da dengue é o que mata o desatento, porque a pressão sistólica ainda está normal enquanto a diastólica sobe e a pressão de pulso estreita. O manual chega a advertir que, no choque compensado, o paciente pode parecer lúcido e o choque passar despercebido se ele não for tocado — extremidade fria e enchimento capilar de 3 a 5 segundos aparecem antes de qualquer número da pressão mudar.
Hipotensão, no adulto, é pressão sistólica menor que 90 mmHg ou pressão arterial média menor que 70 mmHg; também conta queda da sistólica maior que 40 mmHg em relação ao habitual, ou valor menor que 2 desvios-padrão abaixo do normal para a idade, e pressão de pulso igual ou menor que 20 mmHg. Em crianças de até 10 anos, o quinto percentil da pressão sistólica é estimado pela fórmula 70 mais duas vezes a idade em anos. Guarde essa fórmula: ela é a única do capítulo que a prova pede de cabeça.
No hipertenso crônico, o corte absoluto engana. O manual avisa que uma redução de 40% em relação aos níveis pressóricos anteriores do paciente já pode significar hipotensão, e que sinais de má perfusão periférica e oligúria valem mais que o número no manguito.
A prova do laço: técnica exata e onde ela decide
A prova do laço é o exame que separa o Grupo A do Grupo B em quem não tem sinal de alarme nem comorbidade, e sua técnica é cobrada com precisão de bula. Afere-se a pressão arterial e calcula-se a média pela fórmula soma da sistólica com a diastólica dividida por dois. O exemplo do próprio manual: pressão de 100 por 60, média 80 mmHg. Insufla-se o manguito até esse valor médio e mantém-se por cinco minutos no adulto e três minutos na criança. Desenha-se um quadrado de 2,5 centímetros de lado no antebraço e contam-se as petéquias dentro dele.
A prova é positiva com 20 ou mais petéquias no adulto e 10 ou mais na criança. Vale ainda procurar petéquias em todo o antebraço, no dorso das mãos e nos dedos. E vale saber quando ela mente: o manual registra que a prova é frequentemente negativa na obesidade e durante o choque — ou seja, justamente nos dois pacientes em que você mais gostaria de um sinal objetivo.
A 6ª edição fez algo incomum: manteve o exame no estadiamento e, ao mesmo tempo, abriu o Apêndice G dizendo que uma revisão sistemática publicada em 2022 pela Opas/OMS, com 217 estudos, encontrou baixo valor preditivo da prova do laço para formas graves e como critério de hospitalização, e que a sua realização pode gerar discordância na condução dos casos. As duas coisas convivem no mesmo documento, e a distinção é útil: a prova do laço decide entrada em Grupo B, não decide gravidade nem internação.

Diagnóstico laboratorial: o exame depende do dia de doença
A regra é uma linha do tempo, e ela é o conteúdo mais fácil de acertar do capítulo. Até o quinto dia do início dos sintomas, o alvo é o vírus: antígeno NS1, RT-PCR ou isolamento viral. A partir do sexto dia, o alvo é o anticorpo: sorologia IgM por ELISA. Pedir sorologia no segundo dia de febre e NS1 no oitavo é o erro clássico, e ambos aparecem como distratores.
A confirmação laboratorial de caso, no capítulo 10 do manual, aceita cinco resultados: NS1 reagente; isolamento viral positivo; RT-PCR detectável até o quinto dia; IgM ELISA a partir do sexto dia; e aumento de quatro vezes ou mais nos títulos de anticorpos em PRNT ou inibição da hemaglutinação, com amostras pareadas de fase aguda e convalescente separadas por pelo menos 14 dias. Na impossibilidade de confirmação específica, ou diante de resultado inconclusivo, vale a confirmação por vínculo clínico-epidemiológico com caso confirmado laboratorialmente.
Detalhes operacionais que a prova ocasionalmente cobra: recomenda-se 5 mL de sangue total sem anticoagulante na criança e 10 mL no adulto; o acondicionamento é a menos 70 graus para amostras colhidas até o quinto dia e a menos 20 graus a partir do sexto. Dengue e Zika são flavivírus e dão reação cruzada na sorologia, o que gera resultado inconclusivo com frequência.
O ponto que fecha o raciocínio clínico: exame específico não muda conduta. O manual é explícito ao dizer, para o Grupo A, que se deve esclarecer ao paciente que exames de confirmação não são necessários para a conduta terapêutica, e, para os Grupos C e D, que os exames de confirmação são obrigatórios do ponto de vista da vigilância, mas não essenciais para a decisão de tratamento. Quem decide conduta é o hemograma, pela hemoconcentração, e o exame clínico.
Uma novidade de 2026 vale registrar porque já apareceu em nota técnica do Ministério: em vacinado recente, a viremia vacinal pode dar RT-PCR e, dependendo do teste, NS1 reagentes, e depois soroconversão de IgM. Resultado positivo em quem tomou a vacina há poucos dias não confirma automaticamente dengue selvagem, e a investigação precisa considerar o histórico vacinal.
O que não se prescreve — e a via que não se usa
A lista de proibições é curta e cai muito. O manual, na conduta do Grupo A, escreve em uma linha: não utilizar salicilatos ou anti-inflamatórios não esteroides e corticosteroides. Salicilato — o ácido acetilsalicílico — inibe a função plaquetária num paciente que já cursa com plaquetopenia e disfunção vascular, e ainda carrega o risco de síndrome de Reye em criança. Os anti-inflamatórios não esteroides agravam gastrite e sangramento digestivo; o manual, ao descrever hemorragia grave, cita nominalmente uso prévio de ácido acetilsalicílico, anti-inflamatórios e anticoagulantes entre os fatores que a favorecem.
O que se prescreve é dipirona ou paracetamol, com as doses do Apêndice H. Dipirona no adulto: 20 gotas ou 1 comprimido de 500 mg até de 6 em 6 horas; na criança, 10 mg/kg/dose até de 6 em 6 horas. Paracetamol no adulto: 40 gotas ou 1 comprimido de 500 mg de 4 em 4 horas, podendo ser 60 gotas ou 2 comprimidos até de 6 em 6 horas, sem exceder 4 gramas em 24 horas; na criança, 10 mg/kg/dose até de 6 em 6 horas, com o aviso expresso de que doses maiores são hepatotóxicas.
A via intramuscular é evitada, e a razão é mecânica: injeção intramuscular em paciente com plaquetopenia e fragilidade vascular produz hematoma, e o manual da OMS de 2009 registra trauma de qualquer natureza, incluindo injeção intramuscular, entre os fatores de risco para sangramento maior, escrevendo diretamente que não se devem aplicar injeções intramusculares para evitar hematoma. A Sociedade Brasileira de Pediatria formula do jeito mais operacional: a via intramuscular deve ser evitada até que se conheça a contagem de plaquetas. A 6ª edição do manual brasileiro não repete essa frase no corpo do texto — ela lista a apresentação injetável da dipirona no apêndice sem qualificar a via —, e por isso o comando vale mas a fonte dele é a orientação internacional e a pediátrica brasileira, não uma linha do manual de 2024.
Sobre hemoderivados, a lógica é a mesma de toda a hemostasia da dengue: sangramento se previne com volume, não com plaqueta. Transfusão de plaquetas, no Grupo D, é considerada apenas diante de sangramento persistente não controlado, depois de corrigidos os fatores de coagulação e o choque, e com plaquetopenia associada a INR acima de 1,5 vez o valor normal. Plaqueta baixa isolada, em paciente estável, não transfunde.
Quem sobe de grupo só por ser quem é
O Grupo B não é feito apenas de quem sangra. O manual, no rodapé do fluxograma, define condições clínicas especiais, risco social ou comorbidades como: lactentes com menos de 24 meses, gestantes, adultos acima de 65 anos, hipertensão arterial ou outras doenças cardiovasculares graves, diabetes mellitus, doença pulmonar obstrutiva crônica, asma, obesidade, doenças hematológicas crônicas, doença renal crônica, doença ácido-péptica, hepatopatias e doenças autoimunes. Qualquer uma delas, mesmo sem nenhum sinal de alarme e com prova do laço negativa, tira o paciente do Grupo A.
No lactente, o problema é a apresentação. O manual descreve, em menores de 2 anos, dor que se manifesta como choro persistente, adinamia e irritabilidade, quadro facilmente confundido com qualquer outra febre da faixa etária; e adverte que na criança o agravamento costuma ser súbito, diferentemente do adulto, em que os sinais de alarme são mais facilmente detectáveis — o quadro grave pode ser a primeira manifestação percebida. A Sociedade Brasileira de Pediatria reforça o mesmo ponto.
No idoso, a inversão é do risco do tratamento. O manual abre dois alertas idênticos, um no Grupo C e outro no Grupo D, dizendo que apesar do risco maior de complicações e choque, esses pacientes correm risco maior de sobrecarga de fluidos, em parte por comorbidades, maior risco de lesão renal e redução da função miocárdica, e que a hidratação deve ser minuciosamente acompanhada na busca de sinais de edema pulmonar, com crepitação à ausculta. O volume não muda; a vigilância muda. E a apresentação da 6ª edição destaca o idoso como grupo de maior vulnerabilidade para desfecho fatal.
Na gestante, o comportamento fisiopatológico é o mesmo, o estadiamento é o mesmo, e o volume prescrito é o mesmo — o manual escreve que a gestante com sinal de alarme ou de choque recebe volume igual ao dos demais pacientes, de acordo com o estadiamento. O que muda é a leitura. As adaptações da gravidez atrasam o reconhecimento: o volume sanguíneo aumenta cerca de 40%, o hematócrito cai por hemodiluição, a resistência vascular periférica e a pressão caem, e há hipoproteinemia. Taquicardia, hipotensão postural e hemoconcentração aparecem mais tarde e podem ser confundidas com a fisiologia gestacional. A letalidade em gestantes é superior à de mulheres não gestantes em idade fértil, com maior risco no terceiro trimestre. O diagnóstico diferencial obrigatório em quadros graves inclui pré-eclâmpsia, síndrome HELLP e sepse, que podem mimetizar e podem coexistir. Radiografia é permitida a critério clínico. A partir da 20ª semana, a gestante deitada fica em decúbito lateral, preferencialmente esquerdo.
No hipertenso e no cardiopata, o manual passou a dar instruções nominais nesta edição. Paciente sem sinais de alarme e com pressão normal mantém as medicações habituais. Em desidratação e hipovolemia com necessidade de ressuscitação venosa, suspendem-se em princípio diuréticos e vasodilatadores; a suspensão de betabloqueador e clonidina deve ser ponderada pelo risco de hipertensão rebote. Na dengue grave com extravasamento importante, os hipotensores são prontamente suspensos.
Internar, escalonar, dar alta
As indicações de internação hospitalar do manual são seis. Presença de sinais de alarme ou de choque, sangramento grave ou comprometimento grave de órgão, isto é, os Grupos C e D. Recusa à ingestão de alimentos e líquidos. Comprometimento respiratório, com dor torácica, dificuldade respiratória, diminuição do murmúrio vesicular ou outros sinais de gravidade. Impossibilidade de seguimento ou de retorno à unidade por condição clínica ou social. Comorbidades descompensadas ou de difícil controle, com exemplos que a prova reaproveita: diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, uso de dicumarínicos, crise asmática e anemia falciforme. E outras situações a critério clínico.
O escalonamento entre grupos tem gatilhos escritos. O Grupo B vira Grupo C quando aparece hemoconcentração ou surge sinal de alarme. O Grupo C vira Grupo D quando não há melhora clínica e laboratorial depois das fases de expansão. O caminho de volta também existe e cai em prova: o paciente do Grupo D que melhora após a expansão rápida retorna para a fase de expansão do Grupo C e segue a conduta de lá.
A alta hospitalar exige que todos os critérios sejam preenchidos, e são cinco na lista do item 6.10: estabilização hemodinâmica durante 48 horas; ausência de febre por 24 horas; melhora visível do quadro clínico; hematócrito normal e estável por 24 horas; plaquetas em elevação. Repare no último: o critério é plaqueta subindo, não plaqueta acima de um valor. É a tendência que importa, porque a plaquetopenia da dengue se recupera depois da estabilização hemodinâmica. O fluxograma da mesma edição escreve seis critérios e lista os mesmos cinco — a lista é a que vale.
Depois da alta, o retorno do paciente que passou pelo Grupo C ou D segue a orientação do Grupo B: reavaliação clínica e laboratorial diária. E o cartão de acompanhamento da dengue é preenchido e entregue em todos os grupos, do A ao D.
A vacina, do jeito que a prova pergunta
O Ministério da Saúde incorporou ao SUS, em dezembro de 2023, a vacina dengue atenuada do laboratório Takeda, e o público-alvo é crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, em duas doses com intervalo de três meses. A oferta começou restrita a 521 municípios, subiu para 2.752 até dezembro de 2025 e foi ampliada a todos os municípios do país pela Nota Técnica nº 4/2026, de janeiro de 2026.
A pergunta que a prova faz não é qual a faixa etária, é por quê. A nota técnica responde sem rodeios: a definição de territórios prioritários decorreu da produção limitada por parte do laboratório produtor, o que impactou o quantitativo de doses disponibilizadas e o cronograma de entrega; e a escolha da faixa de 10 a 14 anos considerou as recomendações do SAGE, o grupo consultivo de especialistas em imunizações da OMS, as taxas de hospitalização por dengue nos cinco anos anteriores à incorporação e a pactuação na Comissão Intergestores Tripartite. Ou seja: é a faixa que mais internava, dentro do que havia de dose. Não é limite biológico da vacina.
Em 2026 entrou no Programa Nacional de Imunizações uma segunda vacina atenuada, do Instituto Butantan, recomendada para 15 a 59 anos em dose única de 0,5 mL por via subcutânea. Em 8 de junho de 2026 o Ministério anunciou a descontinuidade temporária dessa estratégia, por precaução e em consenso com a Anvisa, após o registro de eventos adversos raros incompatíveis com o estudo clínico: 42 casos com sinais de alarme e três eventos graves entre mais de 500 mil doses aplicadas. A vacina da Takeda seguiu sem restrição. Quem estuda por material anterior a junho de 2026 está com essa informação desatualizada.
Grupos A, B, C e D: onde trata, o que pede, quanto hidrata
Esta é a tabela central do capítulo e o único conteúdo que vale decorar número a número. Os quatro grupos são uma escala ordinal real de gravidade — A é o paciente que vai para casa, D é o paciente em choque —, e o paciente atravessa a escala durante a doença, em qualquer direção. O fluxo abaixo é a ordem das perguntas do fluxograma oficial; os cards mostram o que está acontecendo com o plasma em cada degrau; a tabela grande traz o plano de cada grupo; e as duas tabelas seguintes fecham o diagnóstico laboratorial por dia de doença e o diferencial com as outras duas arboviroses urbanas.
- 1Confirme a suspeita: febre, usualmente de dois a sete dias, mais duas ou mais entre náusea ou vômito, exantema, mialgia ou artralgia, cefaleia ou dor retro-orbital, petéquias, prova do laço positiva e leucopenia — em quem vive ou viajou nos últimos 14 dias para área com transmissão. Criança de área endêmica com febre aguda de dois a sete dias e sem foco aparente também é caso suspeito.
- 2Pergunta 1: há sinal de alarme ou sinal de gravidade? Se há sinal de gravidade — choque, sangramento grave ou disfunção grave de órgão —, é Grupo D e a expansão rápida começa agora. Se há sinal de alarme sem sinal de gravidade, é Grupo C e a reposição de 10 mL/kg começa agora. Nos dois casos, a hidratação é iniciada em qualquer ponto de atenção, inclusive durante a transferência, mesmo sem exames.
- 3Pergunta 2, só para quem passou sem alarme: há sangramento espontâneo de pele, sangramento induzido pela prova do laço, condição clínica especial, risco social ou comorbidade? Se sim, Grupo B. Se não, Grupo A.
- 4Grupo A vai para casa com hidratação oral calculada, sintomático, orientação de retorno e cartão de acompanhamento. Grupo B fica em leito de observação, com hemograma obrigatório e hidratação oral igual à do A, até sair o resultado.
- 5Releia o hemograma do Grupo B: hematócrito normal libera para tratamento ambulatorial com reavaliação diária; hemoconcentração ou surgimento de sinal de alarme faz o paciente ser conduzido como Grupo C.
- 6No Grupo C, reavalie clinicamente após a primeira hora e o hematócrito em até duas horas. Sem melhora do hematócrito ou dos sinais hemodinâmicos, repita a fase de expansão — até três vezes. Com melhora, entre na fase de manutenção. Sem melhora clínica e laboratorial, conduza como Grupo D.
- 7No Grupo D, reavalie a cada 15 a 30 minutos e o hematócrito a cada 2 horas, repetindo a expansão rápida até três vezes. Se melhorar, volte para a fase de expansão do Grupo C. Se o choque persistir, decida pelo hematócrito: em ascensão, expansor plasmático; em queda, procure hemorragia.
- 8Antes da alta, confira os cinco critérios. Depois da alta, o retorno segue a orientação do Grupo B.
Grupo A — sem alarme, sem condição especial
Caso suspeito, sem sinal de alarme, sem sangramento espontâneo ou induzido e sem comorbidade, condição clínica especial ou risco social. Não há extravasamento em curso. Classificação de risco azul: atendimento conforme horário de chegada. Tratamento ambulatorial, hidratação oral, exame complementar a critério médico.
Grupo B — sangramento de pele ou condição especial
Caso suspeito sem sinal de alarme, mas com sangramento espontâneo de pele ou induzido pela prova do laço, ou com condição clínica especial, risco social ou comorbidade. A parede vascular já denuncia fragilidade, sem extravasamento maciço. Classificação verde: prioridade não urgente. Leito de observação até o hemograma, que é obrigatório.
Grupo C — pelo menos um sinal de alarme
Caso suspeito com um ou mais sinais de alarme e sem sinal de gravidade. O plasma está saindo do vaso e se acumulando nas cavidades — é o que produz a dor abdominal, os vômitos, o derrame e o hematócrito subindo. Classificação amarela: urgência. Leito de internação até estabilizar, mínimo de 48 horas, com hidratação venosa.
Grupo D — dengue grave
Caso suspeito com sinais de choque, sangramento grave ou disfunção grave de órgão. O volume perdido cruzou o limiar: taquicardia, extremidades frias, pulso filiforme, enchimento capilar acima de 2 segundos, pressão convergente. Classificação vermelha: emergência. Leito de terapia intensiva até estabilizar, mínimo de 48 horas.
| Grupo | O que define | Onde trata | Exames | Hidratação: volume, via e tempo | Reavaliação |
|---|---|---|---|---|---|
| A (azul) | Sem sinal de alarme, sem sangramento espontâneo nem induzido, sem comorbidade, condição especial ou risco social. | Ambulatorial, em casa. | A critério médico. Hemograma não é obrigatório. | Oral. Adulto: 60 mL/kg/dia, sendo 1/3 com sais de reidratação oral e 2/3 com líquidos caseiros, com volume maior no início — nas primeiras 4 a 6 horas, 1/3 do total. Criança menor de 13 anos, pelo peso: até 10 kg, 130 mL/kg/dia; acima de 10 até 20 kg, 100 mL/kg/dia; acima de 20 kg, 80 mL/kg/dia. Manter durante todo o período febril e por 24 a 48 horas após a defervescência. | Retorno no dia da melhora da febre, pelo possível início da fase crítica. Sem defervescência, retorno no quinto dia de doença. Retorno imediato se surgir sinal de alarme ou sangramento. |
| B (verde) | Sem sinal de alarme, mas com sangramento espontâneo de pele ou induzido — prova do laço positiva —, ou com condição clínica especial, risco social ou comorbidade: lactente com menos de 24 meses, gestante, adulto acima de 65 anos, hipertensão ou cardiopatia grave, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica, asma, obesidade, doença hematológica crônica, doença renal crônica, doença ácido-péptica, hepatopatia, doença autoimune. | Leito de observação até sair o resultado dos exames e a reavaliação clínica. | Hemograma completo obrigatório para todos. Colher no atendimento, liberar em até 2 horas ou no máximo 4 horas. Outros exames conforme a condição associada. | Oral, no mesmo volume do Grupo A, até o resultado dos exames. | Hematócrito normal: tratamento ambulatorial com reavaliação clínica e laboratorial diária, até 48 horas após a queda da febre. Hemoconcentração ou surgimento de sinal de alarme: conduzir como Grupo C. |
| C (amarelo) | Pelo menos um sinal de alarme, sem sinal de gravidade. | Leito de internação até a estabilização, mínimo de 48 horas. | Obrigatórios: hemograma completo, albumina sérica e transaminases. Imagem recomendada: radiografia de tórax em PA, perfil e incidência de Hjelm-Laurell, e ultrassonografia de abdome — mais sensível para derrames cavitários. Conforme necessidade: glicemia, ureia, creatinina, eletrólitos, gasometria, tempo de protrombina, ecocardiograma. | Venosa, soro fisiológico a 0,9%. Expansão: 10 mL/kg na primeira hora; mantém 10 mL/kg na segunda hora até avaliar o hematócrito — máximo de 20 mL/kg em 2 horas por fase de expansão, para infusão gradativa e monitorada. Sem melhora, repetir a fase de expansão até três vezes. Com melhora clínica e laboratorial, manutenção: primeira fase 25 mL/kg em 6 horas; havendo melhora, segunda fase 25 mL/kg em 8 horas. | Clínica após 1 hora — sinais vitais, pressão arterial e diurese, desejável 1 mL/kg/h — e hematócrito em até 2 horas, após cada etapa. Sem melhora clínica e laboratorial, conduzir como Grupo D. |
| D (vermelho) | Sinais de choque, sangramento grave ou disfunção grave de órgão. | Leito de terapia intensiva até a estabilização, mínimo de 48 horas; depois, leito de internação. | Os mesmos obrigatórios do Grupo C: hemograma, albumina e transaminases, mais imagem e exames conforme necessidade. | Venosa, expansão rápida com soro fisiológico a 0,9%: 20 mL/kg em até 20 minutos. Repetir até três vezes conforme avaliação clínica. Iniciar em qualquer nível de complexidade, inclusive durante a transferência, mesmo sem exames. Com melhora, retornar à fase de expansão do Grupo C. Choque persistente com hematócrito subindo: albumina 0,5 a 1 g/kg, em solução a 5% — para cada 100 mL, 25 mL de albumina a 20% e 75 mL de soro fisiológico; na falta, coloide sintético a 10 mL/kg/hora. Hematócrito caindo com choque persistente: investigar hemorragia. | Clínica a cada 15 a 30 minutos e hematócrito a cada 2 horas, com monitoramento contínuo. Oferecer oxigênio em toda situação de choque. |
Diagnóstico laboratorial por dia de doença
| Janela | Exame | O que confirma | Detalhe operacional |
|---|---|---|---|
| Do 1º ao 5º dia de sintomas | Antígeno NS1, RT-PCR ou isolamento viral | NS1 reagente, RT-PCR detectável ou isolamento positivo confirmam o caso. | Sangue total sem anticoagulante: 5 mL na criança, 10 mL no adulto. Acondicionar a menos 70 graus. |
| A partir do 6º dia de sintomas | Sorologia IgM por ELISA | IgM reagente confirma o caso. | Acondicionar a menos 20 graus. Dengue e Zika são flavivírus e cruzam na sorologia, gerando resultado inconclusivo. |
| Fase aguda e convalescente, com pelo menos 14 dias de intervalo | PRNT ou inibição da hemaglutinação em amostras pareadas | Aumento de quatro vezes ou mais nos títulos confirma o caso. | Uso essencialmente de vigilância e pesquisa; não muda conduta à beira do leito. |
| Qualquer dia, e é o que decide conduta | Hemograma completo | Não confirma dengue: mede hemoconcentração e plaquetopenia, que definem o grupo e a resposta à hidratação. | Obrigatório nos Grupos B, C e D. No Grupo C e D vem acompanhado de albumina sérica e transaminases. |
| Sem laboratório disponível ou resultado inconclusivo | Vínculo clínico-epidemiológico | Confirma o caso por ligação com caso confirmado laboratorialmente, após avaliar a distribuição espacial dos casos. | Exame específico é obrigatório para a vigilância, mas não é essencial para a decisão terapêutica. |
Dengue, Zika e chikungunya: o que separa as três
| Achado | Dengue | Zika | Chikungunya |
|---|---|---|---|
| Febre | Alta, acima de 38 graus, por 2 a 7 dias | Ausente ou subfebril, até 38 graus, por 1 a 2 dias | Alta, acima de 38 graus, por 2 a 3 dias |
| Exantema: quando surge | Do 3º ao 6º dia | Do 1º ao 2º dia | Do 2º ao 5º dia |
| Mialgia | Muito frequente | Frequente | Frequente |
| Artralgia: frequência e intensidade | Pouco frequente e leve | Frequente, leve a moderada | Muito frequente, moderada a intensa |
| Edema articular | Raro e leve | Frequente e leve | Frequente, moderado a intenso |
| Conjuntivite | Rara | Em 50% a 90% dos casos | Em cerca de 30% |
| Linfoadenomegalia | Pouco frequente | Muito frequente | Frequente |
| Hemorragia discreta | Frequente | Ausente | Pouco frequente |
| Acometimento neurológico | Pouco frequente | Muito frequente | Frequente |
| Leucopenia e plaquetopenia | Ambas muito frequentes | Leucopenia frequente, plaquetopenia pouco frequente | Ambas frequentes |
Hidratação oral é para A e B; hidratação venosa é para C e D. Essa é a frase literal do fluxograma e resolve sozinha uma parte das questões.
Nos Grupos C e D, a reposição volêmica começa em qualquer ponto de atenção, independentemente do nível de complexidade, inclusive durante a transferência para a unidade de referência, e mesmo na ausência de exames complementares. Esperar o hemograma para começar a hidratar é erro de conduta.
O total máximo de cada fase de expansão do Grupo C é 20 mL/kg em 2 horas. O número 20 mL/kg, portanto, existe nos dois grupos com significados opostos: no C é o teto de duas horas, no D é o bolus de vinte minutos.
A prova do laço decide entrada no Grupo B. Ela não define gravidade nem indica internação — e a própria 6ª edição registra a revisão sistemática da Opas/OMS de 2022, com 217 estudos, apontando baixo valor preditivo do exame para formas graves e como critério de hospitalização.
Interromper ou reduzir a infusão à velocidade mínima necessária quando houver término do extravasamento, normalização de pressão, pulso e perfusão periférica, queda do hematócrito na ausência de sangramento, diurese normalizada e resolução dos sintomas abdominais.
Transfusão de plaquetas no Grupo D só com sangramento persistente não controlado, depois de corrigidos os fatores de coagulação e o choque, e com plaquetopenia associada a INR acima de 1,5 vez o valor normal. Hemorragia: concentrado de hemácias 10 a 15 mL/kg/dia; coagulopatia: plasma fresco 10 mL/kg, vitamina K endovenosa e crioprecipitado 1 unidade para cada 5 a 10 kg.
Edema subcutâneo generalizado e derrames cavitários nos Grupos C e D não significam, por si, hiper-hidratação: são a perda capilar, e podem aumentar mesmo com hidratação correta. O acompanhamento da reposição é feito por hematócrito, diurese e sinais vitais — não pelo edema.
Dengue é de notificação compulsória a partir da suspeita clínica, sem esperar confirmação laboratorial, e a notificação cabe à primeira unidade que atende o paciente.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Grupos A, B, C e D — estadiamento operacional do Ministério da Saúde
Quatro grupos que combinam gravidade e logística de atendimento, cada um com cor de classificação de risco, local de tratamento, exames e plano de hidratação próprios. O Grupo B existe por um motivo que não é de gravidade: reúne quem sangra pouco e quem tem comorbidade, condição especial ou risco social. O Grupo D corresponde à dengue grave.
Brasil. Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criança, 6. ed., 2024, capítulos 5 e 6.
Dengue com ou sem sinais de alarme e dengue grave — classificação de gravidade da OMS, 2009
Três categorias de gravidade: dengue sem sinais de alarme, dengue com sinais de alarme e dengue grave, esta definida por extravasamento plasmático grave, sangramento grave ou comprometimento grave de órgãos. Para manejo, a mesma diretriz usa três grupos com as letras A, B e C, mas com significado diferente do brasileiro: A é quem pode ir para casa, B é quem deve ser encaminhado para manejo hospitalar — incluindo os com sinais de alarme e os com condições coexistentes ou circunstâncias sociais desfavoráveis — e C é quem precisa de tratamento de emergência e encaminhamento urgente.
World Health Organization. Dengue: guidelines for diagnosis, treatment, prevention and control, 2009, Figura 1.4 e seções 2.2 e 2.3.
Na prova
As duas classificações compartilham letras e não compartilham significados, e é aí que a questão separa quem estudou. Sinais de que o enunciado usa a régua brasileira: as palavras estadiamento e Grupo D, cores de classificação de risco, volumes em mL/kg com tempo fechado, ou cenário de unidade básica, UPA e SUS. Sinais de que usa a régua da OMS: os termos dengue com sinais de alarme e dengue grave sem menção a grupos, ou grupos A, B e C definidos por destino do paciente. Um detalhe entrega quase sempre: se o enunciado chama de Grupo C o paciente com um sinal de alarme, é a régua brasileira; se chama de Grupo C o paciente em choque, é a régua da OMS. Vale ainda que prova oficial do MEC tende a conduta SUS; em outras bancas, um distrator com volume em mL/kg/hora contínua costuma denunciar recorte internacional.
Volumes fechados por etapa — Ministério da Saúde, 2024
Grupo C: 10 mL/kg de soro fisiológico a 0,9% na primeira hora, mantendo 10 mL/kg na segunda hora até avaliar o hematócrito, com teto de 20 mL/kg em 2 horas por fase de expansão e repetição de até três fases; manutenção em 25 mL/kg em 6 horas seguidos de 25 mL/kg em 8 horas. Grupo D: 20 mL/kg em até 20 minutos, repetível até três vezes. O desenho é de etapas com volume e tempo fixos, executável em qualquer nível de complexidade e sem bomba de infusão.
Brasil. Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criança, 6. ed., 2024, itens 6.3.2 e 6.4.2.
Velocidades decrescentes tituladas pela resposta — OMS, 2009
Dengue com sinais de alarme: cristaloide isotônico a 5 a 7 mL/kg/hora por 1 a 2 horas, reduzindo para 3 a 5 mL/kg/hora por 2 a 4 horas e depois para 2 a 3 mL/kg/hora, guiado pelo hematócrito e por diurese em torno de 0,5 mL/kg/hora. Choque compensado: 5 a 10 mL/kg/hora em uma hora. Choque hipotensivo: 20 mL/kg em bolus em 15 minutos, com coloide considerado no segundo bolus se o hematócrito permanecer alto. O desenho é de velocidade contínua ajustada a cada reavaliação.
World Health Organization. Dengue: guidelines for diagnosis, treatment, prevention and control, 2009, seção 2.3.2 e Figuras 2.2 e 2.3.
Na prova
A causa da diferença não é discordância científica sobre fisiologia: é desenho de protocolo para escala. O brasileiro precisa ser executável por equipe de unidade básica em epidemia, com centenas de atendimentos por dia e sem bomba de infusão, e por isso converte velocidade em etapas de volume e tempo. O internacional supõe titulação contínua com reavaliação frequente. Pistas de recorte no enunciado: alternativas escritas em mL/kg/hora com faixas — 5 a 7, 3 a 5, 2 a 3 — apontam para o corpo internacional; alternativas com número inteiro mais janela fechada, do tipo 10 mL/kg na primeira hora ou 20 mL/kg em 20 minutos, apontam para o corpo brasileiro. Repare que o choque hipotensivo é o único ponto em que os dois coincidem quase literalmente, em 20 mL/kg rápido — o que faz dele um mau discriminador e um bom distrator.
Cálculo por faixa de peso — Ministério da Saúde, 6ª edição, 2024
Criança menor de 13 anos, com base na regra de Holliday-Segar acrescida de reposição de perdas de 3%: até 10 kg, 130 mL/kg/dia; acima de 10 até 20 kg, 100 mL/kg/dia; acima de 20 kg, 80 mL/kg/dia. Um terço na forma de sais de reidratação oral, dois terços em água, sucos e chás, com um terço do volume ofertado nas primeiras 4 a 6 horas. Alimentação não é interrompida e a amamentação é mantida e estimulada.
Brasil. Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criança, 6. ed., 2024, Quadro 3.
Oferta por volume fracionado e faixa de 60 a 80 mL/kg/dia — Sociedade Brasileira de Pediatria, 2019
Para crianças, orientação de oferta fracionada: 50 a 100 mL por vez em menores de 2 anos e 100 a 200 mL por vez acima de 2 anos, com um terço das necessidades basais em sais de reidratação oral. Para adolescentes, cálculo de 60 a 80 mL/kg/dia, um terço com sais de reidratação oral. O guia reproduz o protocolo do Ministério vigente à época de sua publicação.
Sociedade Brasileira de Pediatria. Dengue — Guia Prático de Atualização, setembro de 2019.
Na prova
Aqui a divergência é de data, não de conteúdo: 2019 contra 2024, com o guia da sociedade reproduzindo o protocolo ministerial anterior. Números por faixa de peso — 130, 100 e 80 mL/kg/dia — pertencem ao texto de 2024; a faixa de 60 a 80 mL/kg/dia para adolescente e a oferta em mililitros por vez pertencem ao material anterior. Como as bancas atualizam bibliografia com atraso variável, o discriminador prático é o enunciado: quando ele cita explicitamente o manual do Ministério da Saúde ou traz o peso da criança em quilos, está pedindo a conta por faixa de peso. Em adulto o valor não mudou nas duas fontes brasileiras: 60 mL/kg/dia.
Programa Nacional de Imunizações: 10 a 14 anos, duas doses
A vacina dengue atenuada do laboratório Takeda é ofertada no SUS a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, em duas doses com intervalo de três meses, hoje em todos os municípios do país. A nota técnica declara a causa da restrição: produção limitada pelo laboratório produtor, com impacto no quantitativo de doses e no cronograma de entrega; a faixa foi escolhida a partir das recomendações do SAGE/OMS, das taxas de hospitalização por dengue nos cinco anos anteriores à incorporação e da pactuação tripartite. Há orientação temporária de ampliação, até o limite etário de bula, apenas para aproveitamento de doses com validade próxima do vencimento.
Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 4/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS, de 15 de janeiro de 2026, e Nota Técnica nº 24/2025-CGICI/DPNI/SVSA/MS.
Calendário da Sociedade Brasileira de Pediatria: a partir dos 4 anos
A vacina é recomendada independentemente de contato prévio com o vírus da dengue, a partir de quatro anos de idade, no esquema de duas doses com intervalo de três meses. A recomendação acompanha o licenciamento do produto, e não a disponibilidade de doses na rede pública.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Imunizações, nota de esclarecimento de 12 de junho de 2026.
Na prova
A diferença entre 10 a 14 anos e a partir de 4 anos não é científica — é de estoque. A faixa pública é o recorte da população que mais internava dentro do número de doses que o produtor conseguiu entregar. Enunciado que fala em estratégia de vacinação, campanha, sala de vacina do SUS ou público-alvo está pedindo o recorte do Programa Nacional de Imunizações; enunciado que fala em indicação, licenciamento, calendário de sociedade ou clínica privada está pedindo o recorte de bula. Vale acrescentar o estado da política em 2026: a segunda vacina, do Instituto Butantan, para 15 a 59 anos em dose única, teve a estratégia descontinuada temporariamente em 8 de junho de 2026, por precaução, após 42 casos com sinais de alarme e três eventos graves entre mais de 500 mil doses aplicadas — sem restrição para a vacina da Takeda.
Manutenção no fluxograma de estadiamento — Ministério da Saúde, 2024
A prova do laço continua no fluxograma oficial como a pesquisa de sangramento induzido que separa o Grupo A do Grupo B, e o manual descreve a técnica completa no Apêndice G, com os cortes de 20 petéquias no adulto e 10 na criança. Ela também integra a definição de caso suspeito de dengue.
Brasil. Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criança, 6. ed., 2024, Figura 2, item 10.1 e Apêndice G.
Baixo valor preditivo para gravidade e hospitalização — revisão Opas/OMS, 2022
Revisão sistemática publicada em 2022 pela Organização Pan-Americana da Saúde e Organização Mundial da Saúde identificou 217 estudos em que o valor de predição da prova do laço foi baixo para formas graves e como critério de hospitalização, e a realização do exame nessas circunstâncias pode gerar discordância na condução dos casos.
Revisão sistemática Opas/OMS de 2022, citada e resumida no Apêndice G do próprio manual do Ministério da Saúde, 6. ed., 2024.
Na prova
As duas posições estão no mesmo documento, o que muda o tipo de pergunta possível: nenhuma banca vai pedir qual delas o Brasil segue, porque o Brasil segue as duas ao mesmo tempo. O que a questão testa é a fronteira de uso. Enunciado sobre técnica, contagem de petéquias, tamanho do quadrado ou tempo de insuflação está no terreno do Apêndice G. Enunciado que usa a prova do laço positiva para justificar internação, ou para dizer que o paciente é grave, está construindo o distrator com o ponto exato que a revisão de 2022 derruba — o exame classifica em Grupo B, e Grupo B é conduta ambulatorial com observação até o hemograma. Também é frequente o enunciado descrever um paciente obeso ou chocado com prova negativa: é a limitação registrada no próprio manual.
Caso resolvido
- fase
- Quinto dia de doença com a febre tendo cedido ontem: o paciente está na fase crítica, que começa com a defervescência entre o terceiro e o sétimo dia. Melhora da febre aqui é o sinal de entrada no período de risco, não de resolução.
- achado
- Três sinais de alarme, e bastaria um: dor abdominal intensa e contínua; vômitos persistentes; hepatomegalia maior que 2 centímetros abaixo do rebordo costal — o fígado está a 3. A tontura ao sentar com queda da sistólica configura ainda hipotensão postural, que é o quarto.
- gravidade
- Não há sinal de gravidade. Extremidades aquecidas, enchimento capilar de 2 segundos, pressão de pulso de 36 mmHg, sem oligúria relatada, sem sangramento grave, sem alteração de consciência. Choque ausente afasta o Grupo D.
- estadiamento
- Sinal de alarme presente e sinal de gravidade ausente é a definição literal do Grupo C. Classificação de risco amarela, urgência, atendimento o mais rápido possível.
- conduta
- Reposição volêmica imediata, antes e independentemente do resultado dos exames: soro fisiológico a 0,9%, 10 mL/kg na primeira hora — 800 mL para os 80 kg deste paciente. Internação em leito, com permanência mínima de 48 horas até a estabilização.
- exames
- Obrigatórios: hemograma completo, albumina sérica e transaminases. Radiografia de tórax em PA, perfil e incidência de Hjelm-Laurell, e ultrassonografia de abdome, que é mais sensível para detectar derrames cavitários. Não se espera nenhum deles para hidratar.
- reavaliação
- Reavaliação clínica após a primeira hora — sinais vitais, pressão arterial e diurese, desejável 1 mL/kg/h — e hematócrito em até duas horas. Mantém-se 10 mL/kg na segunda hora até essa avaliação, respeitando o teto de 20 mL/kg em 2 horas por fase de expansão.
- escalonamento
- Sem melhora do hematócrito ou dos sinais hemodinâmicos, repete-se a fase de expansão, até três vezes. Havendo melhora, entra a manutenção: 25 mL/kg em 6 horas e, se persistir a melhora, 25 mL/kg em 8 horas. Se não houver melhora clínica e laboratorial após as expansões, conduz-se como Grupo D.
- sintomático
- Dipirona ou paracetamol para dor e febre. Nada de salicilato, anti-inflamatório não esteroide ou corticosteroide. Notificar o caso, já que é a primeira unidade que atende este paciente, e preencher o cartão de acompanhamento.
Agora feche você
- achado
- Terceiro dia de febre, ainda febril, sem nenhum sinal de alarme: sem dor abdominal intensa, sem vômitos persistentes, sem acúmulo de líquidos, sem hipotensão postural ou lipotimia, sem hepatomegalia, sem sangramento de mucosa, sem letargia ou irritabilidade. Sem sinal de gravidade. Prova do laço negativa e nenhum sangramento espontâneo de pele.
- detalhe que decide
- Idade de 68 anos e hipertensão arterial em tratamento. Adultos acima de 65 anos e hipertensão constam nominalmente na lista de condições clínicas especiais e comorbidades do fluxograma do Ministério da Saúde.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Dar alta ao paciente que melhorou da febre Atrai porque é o que a intuição clínica faz em quase toda virose: febre cedeu, paciente melhorando, alta. Na dengue é o inverso — a fase crítica começa com a defervescência, entre o terceiro e o sétimo dia, e é nela que surgem os sinais de alarme e o choque. Por isso o retorno do Grupo A é agendado justamente para o dia da melhora da febre.
- 2Trocar o 20 mL/kg do Grupo D pelo do Grupo C O número 20 mL/kg aparece nos dois grupos e significa coisas opostas. No Grupo D é bolus de expansão rápida em até 20 minutos. No Grupo C é o teto acumulado de uma fase de expansão inteira, em 2 horas — dez vezes mais lento. Infundir o bolus do D num paciente do C é hiper-hidratar quem tem permeabilidade capilar aumentada; infundir a etapa do C num paciente chocado é subtratar um choque que mata em 12 a 24 horas.
- 3Esperar o hemograma para começar a hidratar o Grupo C ou D Parece prudente e é o contrário. O manual manda iniciar a reposição volêmica imediatamente, em qualquer ponto de atenção, independentemente do nível de complexidade, inclusive durante a transferência para unidade de referência e mesmo na ausência de exames complementares. O hemograma serve para reavaliar a resposta, não para autorizar o início.
- 4Classificar como Grupo A quem tem comorbidade O erro nasce de ler o Grupo B como o grupo do sangramento. Ele é também o grupo do lactente com menos de 24 meses, da gestante, do adulto acima de 65 anos, do hipertenso, do diabético, do asmático, do obeso, do renal crônico, do hepatopata. Prova do laço negativa e ausência de sinais de alarme não devolvem essas pessoas para o Grupo A.
- 5Pedir sorologia no terceiro dia de febre Atrai porque sorologia soa como o exame que fecha diagnóstico. Até o quinto dia o exame que serve é NS1, RT-PCR ou isolamento viral; IgM por ELISA só a partir do sexto dia. E o erro maior está embutido: nenhum desses exames muda a conduta, que é definida pelo estadiamento clínico e pelo hemograma.
- 6Transfundir plaqueta porque a plaqueta está baixa Plaquetopenia impressiona no laudo e é o gatilho errado. Transfusão de plaquetas fica reservada a sangramento persistente não controlado, após corrigidos os fatores de coagulação e o choque, com trombocitopenia associada a INR acima de 1,5 vez o valor normal. Sangramento na dengue se previne com reposição volêmica precoce e adequada.
- 7Usar plaqueta acima de um valor como critério de alta A lista de alta tem cinco itens e o quinto é plaquetas em elevação — tendência, não patamar. O paciente pode receber alta com plaqueta ainda baixa, desde que esteja subindo e os outros quatro critérios estejam preenchidos: estabilidade hemodinâmica por 48 horas, sem febre por 24 horas, melhora visível do quadro e hematócrito normal e estável por 24 horas.
- 8Prescrever anti-inflamatório para a dor do corpo A mialgia intensa convida ao anti-inflamatório, e o paciente muitas vezes já se automedicou com um. Salicilatos, anti-inflamatórios não esteroides e corticosteroides estão proibidos: agravam gastrite e sangramento, comprometem a função plaquetária de quem já tem plaquetopenia, e o ácido acetilsalicílico ainda carrega risco de síndrome de Reye na criança. Sobram dipirona e paracetamol.
- 9Confiar na pressão normal do hipertenso e da gestante Nos dois, o número engana por motivos diferentes. No hipertenso crônico, queda de 40% em relação aos níveis habituais já pode significar hipotensão, mesmo com valor absoluto aceitável. Na gestante, a hemodiluição fisiológica derruba o hematócrito e mascara a hemoconcentração, e taquicardia e hipotensão postural aparecem tardiamente. Nos dois casos, perfusão periférica e diurese valem mais que o manguito.
O quadro de febre alta, dor retro-orbitária, mialgia, exantema, prova do laço positiva, leucopenia e plaquetopenia em área de circulação do Aedes é clássico de dengue. Leptospirose costuma cursar com mialgia em panturrilhas, sufusão conjuntival e história de exposição à água contaminada. Febre tifoide evolui de forma insidiosa com febre em escada, dor abdominal e roséola tífica, sem dor retro-orbitária. Malária exige história epidemiológica de área endêmica e paroxismos febris com calafrios. Hepatite A cursa com icterícia e elevação de transaminases, não com exantema e dor retro-orbitária.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Mulher de 28 anos, previamente hígida, apresenta há 5 dias febre alta (39 °C), cefaleia retro-orbitária, mialgia intensa e exantema maculopapular. No 6º dia de doença, com a defervescência da febre, evolui com dor abdominal intensa, vômitos persistentes e letargia. Ao exame: PA 90x60 mmHg, FC 112 bpm, extremidades frias, tempo de enchimento capilar 3 segundos. Hematócrito subiu de 38% para 49% e plaquetas caíram para 42.000/mm³. Qual é a classificação e a conduta imediata?
Hipotensão (PA 90x60), taquicardia, extremidades frias, enchimento capilar lentificado e hemoconcentração configuram choque — dengue grave, exigindo expansão volêmica rápida com cristaloide 20 mL/kg. Dengue com sinais de alarme (dor abdominal, vômitos, letargia, aumento do hematócrito) descreveria o quadro se não houvesse choque instalado, mas aqui já há instabilidade hemodinâmica. Dengue sem sinais de alarme não cabe com plaquetopenia e sinais de alarme evidentes. Chikungunya cursa com artralgia intensa, sem hemoconcentração/choque típicos. Zika é oligossintomático e não gera choque.
Homem de 38 anos procura o pronto-socorro com febre de 39°C, cefaleia, mialgia intensa ("dor nos olhos" retro-orbitária) e exantema há 3 dias, no verão, em cidade endêmica. PA 120x80 mmHg, FC 92 bpm. Hemograma: leucócitos 3.200/mm³, plaquetas 110.000/mm³, hematócrito 42%. Prova do laço negativa, sem sinais de alarme. Qual é a conduta inicial mais adequada?
Quadro clássico de dengue sem sinais de alarme (grupo B pela ausência de comorbidade/sangramento seria A/B): conduta é hidratação oral, sintomáticos (paracetamol/dipirona) e reavaliação clínica e laboratorial. Internação em UTI só em dengue grave com choque. Antibiótico não trata arbovirose viral. Transfusão de plaquetas não é indicada por plaquetopenia isolada sem sangramento grave. AAS e AINEs são contraindicados na dengue pelo risco hemorrágico.
Um homem de 32 anos, previamente hígido, procura a UPA com febre alta, cefaleia intensa, dor retro-orbital e mialgia há 3 dias, em período de epidemia de dengue na cidade. Ao exame, apresenta-se hidratado, sem sinais de alarme, prova do laço negativa, sem comorbidades e com boa rede de apoio domiciliar. Considerando o manejo estratificado da dengue, qual é a classificação e a conduta mais apropriada?
O paciente sem sinais de alarme, sem comorbidades/condições de risco e com boa rede de apoio corresponde ao grupo de manejo ambulatorial: hidratação oral, sintomáticos (paracetamol/dipirona) e orientação de sinais de alarme com retorno para reavaliação. Sinais de alarme com internação não se aplica, pois ele não os apresenta. Dengue grave/UTI exige choque/disfunção orgânica, ausentes aqui. AINE e AAS são contraindicados na dengue pelo risco de sangramento.
Mulher de 28 anos procura a UBS com febre alta de início súbito há 2 dias, cefaleia intensa, dor retro-orbitária, mialgia difusa e prostração. Refere surto de casos semelhantes no bairro. Nega sangramentos, dor abdominal ou vômitos persistentes. Ao exame: temperatura de 39 °C, PA 110x70 mmHg, FC 92 bpm, ausculta cardiopulmonar normal, sem sinais de alarme. Prova do laço positiva. Hemograma com hematócrito 40%, leucócitos 3.200/mm³ e plaquetas 130.000/mm³. Considerando a suspeita de dengue sem sinais de alarme em paciente sem comorbidades, qual é a conduta mais adequada?
Trata-se de dengue do grupo A/B sem sinais de alarme e sem comorbidades, com estabilidade hemodinâmica. A conduta é ambulatorial: hidratação oral orientada, sintomáticos (paracetamol/dipirona), orientação sobre sinais de alarme e retorno diário para reavaliação clínico-laboratorial. AAS e AINEs são contraindicados pelo risco de sangramento. Internação e hidratação venosa reservam-se a sinais de alarme, choque ou comorbidades de risco. Antibiótico não tem papel na dengue, que é viral.
Homem de 34 anos, coletor de lixo, procura a UBS com febre alta, cefaleia intensa, dor retro-orbitária e mialgia difusa há 5 dias. Refere que a febre cedeu ontem, mas hoje surgiram dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sonolência. Ao exame: PA 90x60 mmHg, FC 118 bpm, extremidades frias, tempo de enchimento capilar de 3 segundos, hepatimetria dolorosa e petéquias em membros inferiores. Hematócrito 52%, plaquetas 38.000/mm³. Reside em área com surto de dengue. Sobre a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta imediata, assinale a alternativa correta.
O quadro (defervescência seguida de dor abdominal intensa, vômitos persistentes, letargia, hemoconcentração com Ht 52% e plaquetopenia) caracteriza dengue com sinais de alarme, cuja conduta é hidratação venosa com cristaloide 10 mL/kg em 1 hora e reavaliação seriada. Manejo ambulatorial (grupo A) está errado pela presença de sinais de alarme e instabilidade. Leptospirose ictérica cursa com icterícia rubínica, sufusão conjuntival e insuficiência renal, não descritas. Não existe imunoglobulina específica para febre amarela e o tratamento é de suporte.
Mulher de 24 anos procura o pronto-socorro com quadro de febre há 4 dias, dor retro-orbitária e mialgia, em região com epidemia de arboviroses. Nega comorbidades. Ao exame: temperatura 38,2°C, hidratada, PA 110x70 mmHg, sem dor abdominal, sem sangramentos, prova do laço negativa. Hemograma: hematócrito 40%, plaquetas 130.000/mm³, leucócitos 3.800/mm³. Não há sinais de alarme. Sobre a classificação de risco e a conduta segundo o protocolo de dengue do Ministério da Saúde, assinale a alternativa correta.
Sem sinais de alarme e sem gravidade, mas com plaquetopenia/leucopenia que justificam acompanhamento laboratorial, o caso se enquadra no grupo B: hidratação oral supervisionada, hemograma e reavaliação. Grupo D exige sinais de gravidade/choque, ausentes aqui. Grupo A não solicita exames de imediato, mas a alteração hematológica e o contexto orientam para B; ainda assim sempre há orientação de retorno. Afastar dengue em plena epidemia com quadro compatível é inadequado.
Mulher de 28 anos, previamente hígida, procura o pronto-socorro no 4º dia de febre alta, cefaleia retro-orbitária, mialgia e exantema. Refere que a febre cedeu há cerca de 12 horas, mas passou a sentir dor abdominal intensa e vômitos persistentes. Vive em bairro com casos confirmados de dengue. Ao exame: PA 100/70 mmHg, FC 104 bpm, mucosas descoradas +/4+, dor à palpação difusa do abdome e prova do laço positiva. Hematócrito 48% (basal 38%), plaquetas 42.000/mm³. Considerando o diagnóstico e a conduta imediata mais apropriada, respectivamente, assinale a alternativa correta.
A defervescência seguida de dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e aumento do hematócrito (hemoconcentração indicando extravasamento plasmático) caracteriza dengue COM SINAIS DE ALARME (grupo C). A conduta preconizada pelo Ministério da Saúde é internação com hidratação endovenosa com cristaloide 10 mL/kg na primeira hora e reavaliação clínico-laboratorial. Não é grupo B, pois há sinais de alarme, que exigem observação e hidratação parenteral. Não é dengue grave/choque, pois não há hipotensão franca, PA convergente crítica ou má perfusão sustentada; ademais, transfusão profilática de plaquetas não é indicada mesmo com plaquetopenia sem sangramento. Não é abdome agudo cirúrgico: a dor abdominal na dengue decorre do extravasamento plasmático e da hepatomegalia dolorosa, não requerendo cirurgia.
Uma mulher de 42 anos procura pronto-atendimento no 4º dia de febre alta, mialgia, cefaleia retro-orbitária e prostração. Reside em área com epidemia de dengue. Refere que hoje a febre cedeu, mas passou a apresentar dor abdominal intensa e contínua e dois episódios de vômitos. Ao exame: PA 100/70 mmHg, FC 104 bpm, tempo de enchimento capilar 3 segundos, dor à palpação profunda de abdome. Exames: hematócrito 48% (basal 38%), plaquetas 68.000/mm³. Prova do laço positiva. Considerando a classificação de risco da dengue, assinale a conduta mais adequada.
Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e sinais de aumento da hemoconcentração (hematócrito elevado) são sinais de alarme, classificando como dengue grupo C, que exige hidratação venosa com cristaloide (10 mL/kg na 1ª hora) e observação hospitalar. A queda da febre no período crítico não indica melhora — é justamente quando surge o extravasamento plasmático. AAS é contraindicado na dengue pelo risco hemorrágico. Transfusão de plaquetas não é indicada apenas pelo número; reserva-se a sangramento grave, e 68.000/mm³ sem sangramento não a justifica.
Um homem de 45 anos procura a Unidade Básica de Saúde relatando que há dois dias apresenta febre alta (39°C), dor retro-orbitária intensa, mialgia difusa, artralgia e prostração acentuada. Mora em bairro periférico de cidade do interior com histórico recente de surto na comunidade. Ao exame, encontra-se hidratado, corado, com PA 120x80 mmHg, FC 88 bpm, ausculta cardiopulmonar normal, sem sinais de sangramento e prova do laço negativa. Não apresenta dor abdominal, vômitos, letargia nem hepatomegalia. Nega comorbidades. Considerando a principal hipótese diagnóstica e a conduta inicial na APS, qual é a orientação correta?
O quadro febril agudo com dor retro-orbitária, mialgia, artralgia e prostração, em contexto de surto, é típico de dengue. A ausência de sinais de alarme (dor abdominal intensa, vômitos persistentes, letargia, sangramento, hepatomegalia) e prova do laço negativa classificam como grupo sem sinais de alarme: manejo ambulatorial com hidratação oral, sintomáticos (paracetamol/dipirona) e reavaliação; deve-se evitar AAS e AINEs pelo risco de sangramento (correta). Não há sinais de alarme que justifiquem internação/hidratação venosa. Febre tifoide cursa tipicamente com febre prolongada e sintomas gastrointestinais, não com dor retro-orbitária. Leptospirose grave (síndrome de Weil) exige icterícia/insuficiência renal, ausentes aqui.
Um homem de 28 anos procura a UBS com febre há 5 dias (até 39°C), cefaleia retro-orbitária, mialgia intensa, dor articular e prostração. Reside em bairro periférico com surto conhecido de dengue. Nega sangramentos. Ao exame: consciente, hidratado, corado, PA 118/76 mmHg, FC 88 bpm, exantema maculopapular em tronco, sem sinais de alarme; prova do laço negativa. Hemograma: hematócrito 43%, plaquetas 118.000/mm³, leucócitos 3.900/mm³. Diante do quadro compatível com dengue sem sinais de alarme e sem condições especiais (grupo B), qual a conduta segundo o protocolo do Ministério da Saúde?
Trata-se de dengue provável sem sinais de alarme; a plaquetopenia leve (>100.000) e ausência de comorbidade/sinal de alarme classificam como grupo B (acompanhamento ambulatorial com hemograma e reavaliação, hidratação oral vigorosa, orientação de sinais de alarme e retorno). Internação com reposição de plaquetas não se indica na ausência de sangramento grave/sinais de alarme. AAS é contraindicado na dengue pelo risco hemorrágico e nunca liberar sem retorno. Antibiótico não trata doença viral e não há foco bacteriano.
Mulher, 28 anos, previamente hígida, procura a UPA no 4º dia de febre alta (39 °C) que iniciou de forma abrupta, associada a cefaleia retro-orbitária intensa, mialgia, artralgia e dor lombar. Reside em área com surto de dengue confirmado. Nega sangramentos, dor abdominal ou vômitos. Ao exame: bom estado geral, hidratada, corada, PA 118/76 mmHg, FC 84 bpm, FR 16 ipm, SatO2 98%. Abdome indolor, sem hepatomegalia. Prova do laço negativa. Hemograma: Hto 40% (VR 36–46), plaquetas 130.000/mm³ (VR 150.000–450.000), leucócitos 3.800/mm³. Segundo a classificação de risco do Ministério da Saúde, esta paciente enquadra-se em qual grupo, e qual a conduta indicada?
Correta (Grupo A): paciente sem sinais de alarme, sem sangramento espontâneo, prova do laço negativa e sem condição clínica especial/comorbidade/risco social. Pela classificação do MS ela é Grupo A — acompanhamento ambulatorial com hidratação oral (adulto: 60 mL/kg/dia, 1/3 salina + 2/3 líquidos caseiros) e retorno com hemograma e reavaliação. Plaquetopenia de 130.000 e leucopenia isoladas NÃO mudam o grupo (o hemograma no Grupo A é para acompanhamento, não critério de internação). Classificar como Grupo B erra: o Grupo B exige sangramento espontâneo ou induzido (prova do laço positiva) ou condição clínica especial/risco — ausentes aqui. Classificar como Grupo C erra: exige sinal de alarme, que a paciente não tem. Classificar como Grupo D erra: é reservado ao choque, hipotensão ou desconforto respiratório grave, ausentes. Internar por plaquetopenia isolada erra: plaquetopenia isolada não é critério de internação nem define Grupo B na dengue — o que importa são sinais de alarme e sangramento.
Homem, 34 anos, morador de área endêmica, procura a UPA no 5º dia de doença. Refere febre alta que cessou há cerca de 24 horas, seguida do surgimento de dor abdominal intensa e contínua e vômitos persistentes (mais de 5 episódios no dia). Ao exame: regular estado geral, hidratado, PA 110/70 mmHg (sem alteração postural), FC 96 bpm, extremidades quentes, tempo de enchimento capilar 2 s, sem sangramentos. Prova do laço positiva. Considerando a classificação de risco da dengue do Ministério da Saúde, qual é a conduta imediata mais adequada?
A dor abdominal intensa e contínua e os vômitos persistentes são sinais de alarme da dengue; a presença de ao menos um sinal de alarme (sem sinais de choque) classifica o paciente no GRUPO C. A conduta preconizada é internação e hidratação IV imediata com 10 mL/kg na 1ª hora, reavaliando após cada etapa. Correta: Hidratação oral ambulatorial (60 mL/kg/dia) é conduta dos grupos A/B, sem sinais de alarme — subestima a gravidade. A expansão de 20 mL/kg em 20 min é do grupo D (choque/hipotensão), que este paciente ainda não apresenta (PA e perfusão normais). O desaparecimento da febre marca justamente a fase crítica de extravasamento plasmático; alta é contraindicada na presença de sinais de alarme. Transfusão profilática de plaquetas não é indicada e não há sangramento significativo; corticoide não tem indicação na dengue.
Mulher, 27 anos, previamente hígida, no 4º dia de febre, mialgia e cefaleia retro-orbitária. Nega dor abdominal, vômitos, sangramento espontâneo ou lipotimia. Ao exame: bom estado geral, PA 118/76 mmHg sem alteração postural, FC 84 bpm, perfusão normal, presença de petéquias em membros inferiores e prova do laço positiva. Sem comorbidades e sem risco social. De acordo com a classificação de risco do Ministério da Saúde, qual é a conduta correta?
A paciente tem sangramento espontâneo de pele (petéquias) e prova do laço positiva, porém SEM sinais de alarme e sem sinais de choque: isso a classifica no GRUPO B. A conduta é solicitar hemograma e manter em observação/acompanhamento até o resultado, mantendo hidratação oral. É correta. Grupo A exige ausência de sangramento e prova do laço negativa; a manifestação hemorrágica cutânea a exclui. Grupo C exige pelo menos um sinal de alarme, ausente aqui. Expansão de 20 mL/kg em 20 min é do grupo D (choque), sem qualquer sinal de instabilidade nesta paciente. O AAS é contraindicado na dengue pelo risco hemorrágico e não há indicação de antibiótico em quadro viral.
Durante uma epidemia de dengue, um médico de UBS revisa com a equipe os sinais de alarme que, quando presentes, exigem reclassificação do paciente e hidratação intravenosa imediata. Segundo o Ministério da Saúde, qual das alternativas a seguir corresponde a um SINAL DE ALARME da dengue?
Os sinais de alarme da dengue definidos pelo Ministério da Saúde incluem: dor abdominal intensa e contínua ou dor à palpação do abdome, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite/derrame), hipotensão postural/lipotimia, hepatomegalia > 2 cm, sangramento de mucosa, letargia/irritabilidade e aumento progressivo do hematócrito. É correta. Febre, cefaleia/dor retro-orbitária, mialgia/artralgia e exantema são manifestações comuns da fase febril da dengue, e não sinais de alarme — sua presença isolada não muda a classificação de risco.
Mulher, 34 anos, previamente hígida, procura pronto-socorro no 5º dia de doença. Refere que a febre alta que a acompanhava desde o início cessou há cerca de 24 horas, mas passou a apresentar dor abdominal intensa e contínua, além de dois episódios de vômitos nas últimas horas. Ao exame: regular estado geral, corada, hidratada, PA 110x70 mmHg, FC 96 bpm, FR 18 ipm, SatO2 97%, T 36,4 °C. Abdome doloroso difusamente à palpação, sem sinais de irritação peritoneal; fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito. Hemograma: Hb 13,8 g/dL, Ht 42% (basal 38%), leucócitos 3.200/mm3, plaquetas 78.000/mm3. Reside em área com transmissão ativa de dengue. Qual a conduta imediata mais apropriada?
A paciente apresenta sinais de alarme da dengue (dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hepatomegalia >2 cm e aumento do hematócrito em relação ao basal), surgidos justamente no período de defervescência (fase crítica). Isso a enquadra no Grupo C, cuja conduta preconizada pelo Ministério da Saúde é hidratação intravenosa imediata com 10 mL/kg de cristaloide na 1ª hora, em ambiente hospitalar, com reavaliação clínico-laboratorial. Erra porque hidratação oral ambulatorial é conduta do Grupo A, sem sinais de alarme. Erra porque expansão de 20 mL/kg em 20 min é reservada ao Grupo D (choque/dengue grave), e a paciente está hemodinamicamente estável, sem hipotensão ou má perfusão. Erra porque AAS é contraindicado na dengue (risco hemorrágico e Reye), e a dor é sinal de alarme, não indicação de analgesia isolada. Erra porque não há evidência de infecção bacteriana; o quadro é a própria fase crítica da dengue.
Homem, 68 anos, hipertenso e diabético em uso de metformina e losartana, está no 4º dia de febre, cefaleia, mialgia e dor retro-orbitária. Nega dor abdominal, vômitos, sangramentos ou lipotimia. Ao exame: bom estado geral, PA 130x80 mmHg (sem variação postural), FC 84 bpm, FR 16 ipm, SatO2 98%, T 37,8 °C. Prova do laço negativa, sem sangramentos espontâneos, ausculta e abdome sem alterações. Vive em município com epidemia de dengue confirmada. De acordo com o estadiamento clínico do Ministério da Saúde, qual a classificação de risco e a conduta corretas?
O paciente não tem sinais de alarme nem gravidade, o que exclui os Grupos C e D. Contudo, apresenta condição clínica de risco (idade acima de 65 anos, hipertensão e diabetes), o que o enquadra no Grupo B — e não no Grupo A. A conduta do Grupo B é solicitar hemograma, manter o paciente em observação/acompanhamento e hidratar (oral supervisionada), definindo o destino conforme o hematócrito e a evolução. Erram porque a presença de comorbidades e idade avançada retira o paciente do Grupo A, destinado a pacientes sem comorbidade, sem risco social e sem sinais de alarme; além disso, todo caso suspeito exige acompanhamento. Erra porque não há sinais de alarme que justifiquem hidratação parenteral de Grupo C. Erra porque não há choque nem dengue grave.
Estudante de medicina revisa, com o preceptor, os critérios de classificação de risco da dengue segundo o Ministério da Saúde, com foco no reconhecimento precoce da fase crítica da doença. Qual das manifestações abaixo é considerada um SINAL DE ALARME da dengue?
Entre os sinais de alarme da dengue definidos pelo Ministério da Saúde estão: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural/pericárdico), hipotensão postural/lipotimia, hepatomegalia maior que 2 cm, sangramento de mucosa, letargia/irritabilidade e aumento progressivo do hematócrito. A dor abdominal intensa e contínua é o clássico sinal de alarme. As demais alternativas descrevem sintomas típicos da fase febril inicial da dengue (febre, cefaleia/dor retro-orbitária, mialgia/artralgia e exantema), que fazem parte do quadro comum e NÃO caracterizam sinal de alarme.
Mulher, 34 anos, previamente hígida, procura a emergência no 4º dia de doença. Refere febre alta nos primeiros dias, cefaleia e mialgia; hoje está afebril, porém evoluiu com dor abdominal intensa e contínua, além de vômitos persistentes. Ao exame: consciente, PA 110/70 mmHg, FC 96 bpm, FR 18 ipm, T 37,2 °C, sem sinais de choque; abdome doloroso à palpação difusa, fígado palpável a 3 cm do rebordo costal. Exames: hematócrito 48% (na admissão de ontem era 40%), plaquetas 90.000/mm³, prova do laço positiva. Sorologia NS1 reagente para dengue. Qual é a conduta de hidratação mais adequada neste momento?
A paciente apresenta sinais de alarme da dengue (dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hepatomegalia > 2 cm e aumento progressivo do hematócrito — de 40% para 48%), mas SEM choque (PA e perfusão preservadas). Isso a classifica como Grupo C do Ministério da Saúde, cuja conduta é internação e reposição endovenosa imediata com cristaloide 10 mL/kg na primeira hora, com reavaliação após. A hidratação oral de 60 mL/kg/dia com retorno ambulatorial é conduta de Grupo A, insuficiente e perigosa diante de sinais de alarme. A expansão de 20 mL/kg em 20 min é a conduta do Grupo D (dengue grave/choque), que a paciente NÃO apresenta — configura excesso terapêutico. A alta com sintomáticos é contraindicada: sinais de alarme exigem internação e monitorização. E a transfusão profilática de plaquetas não é indicada na dengue (mesmo com plaquetopenia sem sangramento ativo grave); a piora resulta do extravasamento plasmático, corrigido com volume, não com plaquetas.
Homem de 34 anos procura a UPA no quinto dia de doença. A febre alta, que durava desde o início do quadro, cedeu há cerca de 24 horas, mas ele evoluiu com dor abdominal intensa e contínua e vômitos repetidos nas últimas horas. Reside em área endêmica, com vários casos de dengue na vizinhança. Ao exame: PA 110x70 mmHg, FC 98 bpm, mucosas descoradas, dor à palpação em hipocôndrio direito com hepatomegalia dolorosa e prova do laço positiva. O hemograma mostra hematócrito de 52% (basal de 42%) e plaquetas de 68.000/mm³. Considerando a classificação de risco do Ministério da Saúde, qual é o grupo de estadiamento e a conduta imediata mais adequada?
Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hepatomegalia dolorosa e hemoconcentração (Ht subindo de 42% para 52%) com plaquetopenia caracterizam SINAIS DE ALARME, definindo o Grupo C: reposição volêmica intravenosa imediata com cristaloide e observação em leito. O Grupo D exige sinais de dengue grave/choque (hipotensão, pulso filiforme, extremidades frias, enchimento capilar lentificado), ausentes aqui. Grupos A e B não apresentam sinais de alarme e não justificam a gravidade do caso.
Em uma Unidade Básica de Saúde durante epidemia de dengue, o médico orienta os pacientes com diagnóstico provável da doença a retornarem imediatamente ao serviço caso apresentem algum sinal de alarme, já que estes indicam risco de evolução para a forma grave, especialmente na fase de defervescência da febre. Entre as manifestações a seguir, qual é considerada um sinal de alarme da dengue segundo o Ministério da Saúde?
A dor abdominal intensa e contínua é um sinal de alarme clássico da dengue, ao lado de vômitos persistentes, sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia dolorosa maior que 2 cm, hipotensão postural e aumento progressivo do hematócrito associado a queda rápida das plaquetas. Febre, mialgia, cefaleia e exantema fazem parte do quadro típico da doença e, isoladamente, não indicam gravidade nem definem estadiamento de maior risco.
Um homem de 32 anos procura a UPA em município da região Norte durante epidemia de dengue. Relata febre alta há 4 dias, mialgia e cefaleia retro-orbitária. Refere que a febre cedeu ontem, mas hoje passou a apresentar dor abdominal intensa e contínua, associada a vômitos repetidos. Ao exame: regular estado geral, corado, hidratado, pressao arterial 110x70 mmHg, frequência cardíaca 92 bpm, abdome doloroso à palpação difusa, sem sinais de irritação peritoneal. Considerando o protocolo de manejo de dengue do Ministério da Saúde, qual a classificação de risco e a conduta imediata, respectivamente?
Dor abdominal intensa e contínua e vômitos persistentes são sinais de alarme, classificando o caso como grupo C — exige hidratação intravenosa imediata (10 mL/kg na 1ª hora) e internação. Tratar como grupo A, com hidratação oral domiciliar, não cabe: o grupo A é para pacientes sem sinais de alarme, sem risco. O grupo D pressupõe choque/hipotensão, ausente aqui (PA e FC estáveis). E classificar como grupo B para liberar com sintomáticos ignora que a presença de sinais de alarme já contraindica alta, independentemente da prova do laço.
Uma mulher de 26 anos, previamente hígida, comparece à Unidade Básica de Saúde com quadro de febre há 2 dias, mialgia, cefaleia e dor retro-orbitária, em período de epidemia de dengue na cidade. Nega sangramentos, dor abdominal, vômitos ou tontura. Ao exame físico apresenta bom estado geral, corada, hidratada, pressao arterial 118x76 mmHg, frequência cardíaca 78 bpm, sem alterações relevantes. A prova do laço é negativa e a paciente não possui comorbidades nem fatores de risco social. De acordo com o protocolo do Ministério da Saúde, qual a classificação de risco e a conduta adequada?
Paciente sem sinais de alarme, sem comorbidades, sem sangramento e com prova do laço negativa é classificada como grupo A — acompanhamento ambulatorial com hidratação oral (60 mL/kg/dia, sendo 1/3 com solução salina) e sintomáticos, orientando sinais de alarme. Classificar como grupo B e observar até o resultado do hemograma exigiria sangramento espontâneo/prova do laço positiva ou condição de risco. Já as condutas de grupo C (hidratação intravenosa e internação) e de grupo D (expansão volêmica rápida e UTI) pressupõem sinais de alarme ou gravidade, ausentes no caso.
Durante um surto de dengue, um médico da atenção primária avalia vários pacientes com suspeita da doença e revisa o protocolo do Ministério da Saúde para estratificar o risco. Ele explica à equipe que a identificação precoce dos sinais de alarme é decisiva para indicar hidratação intravenosa e internação, pois marcam a fase crítica de extravasamento plasmático. Entre os achados clínicos frequentemente encontrados nesses pacientes, a equipe deve reconhecer qual dos seguintes como um SINAL DE ALARME da dengue, segundo a classificação vigente?
Dor abdominal intensa e contínua é um dos sinais de alarme clássicos da dengue (junto a vômitos persistentes, acúmulo de líquidos, sangramento de mucosa, letargia/irritabilidade, hipotensão postural, hepatomegalia dolorosa e aumento do hematócrito). B, C e D descrevem manifestações da fase febril inicial (mialgia, cefaleia, febre, dor retro-orbitária, exantema), que compõem o quadro típico mas não caracterizam sinal de alarme.
Um homem de 34 anos procura a UPA referindo febre alta há 5 dias, que cedeu espontaneamente na véspera. Nas últimas 12 horas, porém, passou a apresentar dor abdominal intensa e contínua, vômitos repetidos e sensação de tontura ao levantar-se. Reside em área com transmissão ativa de arboviroses. Ao exame: regular estado geral, hipocorado (+/4+), PA 110x70 mmHg, FC 98 bpm, abdome doloroso à palpação difusa, sem sinais de irritação peritoneal. Prova do laço positiva. Hemograma mostra hematócrito de 52% (basal 43%) e plaquetas de 78.000/mm3. Considerando o protocolo de manejo da dengue do Ministério da Saúde, qual é, respectivamente, a classificação de risco e a conduta imediata?
A dor abdominal intensa e contínua surgindo na defervescência, associada à hemoconcentração (Ht subindo >20% do basal) e plaquetopenia, caracteriza dengue COM sinais de alarme (grupo C): a conduta preconizada pelo MS é internação e reposição volêmica EV de 10 mL/kg na primeira hora, com reavaliação. Grupo B subestima o risco, pois há sinal de alarme. Grupo D só se aplica com choque/hipotensão/disfunção grave, ausentes aqui (PA e perfusão preservadas). Erra: o diagnóstico: o quadro é típico de dengue, não de chikungunya, e a conduta ambulatorial seria perigosa.
Um homem de 25 anos procura a Unidade de Pronto Atendimento com início súbito, há 2 dias, de febre alta (39,5 °C), forte dor atrás dos olhos, dor muscular intensa e cefaleia. Refere que vários vizinhos estão com sintomas semelhantes e que há intensa infestação por Aedes aegypti no bairro. Ao exame: bom estado geral, corado, hidratado, PA 120x80 mmHg, FC 88 bpm, discreto exantema no tronco e prova do laço positiva. Nega dor abdominal, vômitos, sangramentos ou tontura. Hemograma revela leucopenia e plaquetas de 130.000/mm3. Qual é o diagnóstico mais provável?
Febre alta de início súbito com dor retro-orbitária, mialgia intensa, cefaleia, exantema, prova do laço positiva e leucopenia, em contexto epidêmico de Aedes aegypti, é o quadro clássico de dengue na fase febril. Leptospirose costuma associar-se a exposição a água/lama contaminada, mialgia em panturrilhas, sufusão conjuntival e icterícia. Malária exige história epidemiológica de área endêmica (Amazônia) e cursa com febre em acessos/paroxismos. Meningite bacteriana cursa com rigidez de nuca, sinais meníngeos e toxemia, ausentes neste caso.
Um homem de 28 anos procura a unidade básica de saúde referindo febre de 39 °C com início há dois dias, acompanhada de cefaleia intensa, dor retro-orbitária, mialgia difusa e náuseas. Nega comorbidades, uso de medicações contínuas e viagens recentes. Reside em bairro com transmissão autóctone de dengue confirmada pela vigilância epidemiológica. Ao exame: bom estado geral, corado, hidratado, ativo; temperatura axilar 38,4 °C; pressão arterial 120/80 mmHg sentado e 118/78 mmHg em pé; frequência cardíaca 82 bpm; ausculta cardiopulmonar sem alterações; abdome flácido, indolor, sem hepatomegalia; ausência de sangramentos espontâneos; prova do laço negativa. Considerando a classificação de risco do Ministério da Saúde, qual é a conduta adequada?
Paciente sem sinais de alarme, sem sangramento espontâneo ou induzido (prova do laço negativa) e sem condição clínica especial/risco social enquadra-se no grupo A da classificação do Ministério da Saúde (Dengue: diagnóstico e manejo clínico – adulto e criança). A conduta é ambulatorial: hidratação oral 60 mL/kg/dia (sendo 1/3 com sais de reidratação oral), antitérmico/analgésico do tipo paracetamol ou dipirona, orientação escrita sobre sinais de alarme e retorno para reavaliação. Internação e hidratação venosa são reservadas aos grupos C e D. Salicilatos e AINEs são contraindicados na suspeita de dengue pelo risco de sangramento e de acidose. Transfusão de plaquetas não é profilática nem indicada por número isolado de plaquetas, apenas em sangramento grave conforme avaliação hematológica.
Um homem de 34 anos comparece à UPA no quinto dia de doença. Teve febre alta por quatro dias, que cessou nas últimas 24 horas, mas evoluiu desde ontem com dor abdominal intensa e contínua em hipocôndrio direito, quatro episódios de vômitos e sonolência. Reside em área endêmica para dengue. Ao exame: descorado ++/4, sonolento, mas orientado; temperatura 36,8 °C; PA 100/70 mmHg (habitual 120/80 mmHg); FC 102 bpm; tempo de enchimento capilar 2 segundos; abdome doloroso à palpação, fígado palpável a 3 cm do rebordo costal. Hemograma atual: hematócrito 52% (era 43% há dois dias), plaquetas 68.000/mm³, leucócitos 3.100/mm³. Qual é a conduta imediata?
O paciente está na fase crítica (defervescência) e apresenta múltiplos sinais de alarme — dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, letargia, hepatomegalia dolorosa e aumento progressivo do hematócrito com queda de plaquetas —, sem hipotensão ou choque. Isso o classifica no grupo C do protocolo do Ministério da Saúde: internação e reposição volêmica imediata com solução isotônica 10 mL/kg na primeira hora, reavaliando clínica e hematócrito ao fim de cada etapa (até três etapas). Dar alta com hidratação oral e retorno em 48 horas por não haver hipotensão arterial é inadequado e perigoso: sinal de alarme já indica expansão venosa, independentemente da pressão arterial, pois a hipotensão é evento tardio. Transfundir concentrado de plaquetas e plasma fresco congelado é incorreto: não há sangramento grave, e a transfusão de plaquetas não é indicada por contagem isolada. Manter apenas observação por 12 horas com hidratação oral atrasa a expansão venosa, e a via oral está comprometida pelos vômitos; essa conduta aplica-se ao grupo B (sangramento espontâneo ou risco, sem sinais de alarme). Expansão de 20 mL/kg em até 20 minutos seria reservada ao grupo D (choque).
Um homem de 28 anos procura a Unidade Básica de Saúde de um município com epidemia de dengue em curso. Refere febre de 39 °C há dois dias, cefaleia retro-orbitária, mialgia e exantema maculopapular no tronco iniciado hoje. Nega comorbidades, uso de medicamentos e não pertence a grupo de risco; mora com a família e tem transporte próprio. Ao exame: bom estado geral, corado, hidratado, lúcido e orientado, PA 120x80 mmHg (deitado e em pé), FC 84 bpm, FR 16 irpm, enchimento capilar de 2 segundos. Abdome indolor, sem hepatomegalia. Prova do laço negativa, sem sangramentos espontâneos. Aceita bem líquidos por via oral.
Pelo Manual de Dengue do Ministério da Saúde, o paciente sem sinais de alarme, sem sangramento espontâneo, com prova do laço negativa, sem comorbidades e sem risco social é grupo A: acompanhamento ambulatorial, hidratação oral de 60 mL/kg/dia (1/3 com sais de reidratação oral), sintomáticos (dipirona ou paracetamol) e orientação sobre sinais de alarme, sem necessidade de exames específicos para conduta. Classificar como grupo B está errado porque exige sangramento espontâneo/prova do laço positiva, condição clínica especial, risco social ou comorbidade — ausentes aqui. Classificar como grupo C está errado porque a hidratação venosa é reservada ao grupo C (presença de sinal de alarme). Prescrever AAS está errado porque AAS e demais AINEs são contraindicados na dengue pelo risco de sangramento, e a conduta não depende do resultado da sorologia.
Uma mulher de 35 anos chega à UPA no quinto dia de febre por dengue confirmada laboratorialmente. Relata que a febre cedeu ontem, mas iniciou dor abdominal intensa e contínua em andar superior, além de três episódios de vômitos nas últimas seis horas. Nega comorbidades. Ao exame: descorada +/4+, PA 110x70 mmHg, FC 96 bpm, FR 20 irpm, pulso cheio, enchimento capilar de 2 segundos, abdome doloroso à palpação difusa, com fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito. Hematócrito 46% (basal 38%), plaquetas 78.000/mm³. Não há sinais de choque.
Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hepatomegalia dolorosa e aumento do hematócrito são sinais de alarme; sem hipotensão ou choque, a paciente é grupo C. O protocolo do Ministério da Saúde determina hidratação venosa imediata com 10 mL/kg de soro fisiológico na primeira hora, em leito de internação, com reavaliação clínica e de hematócrito a cada hora. Errada porque sinal de alarme contraindica manejo ambulatorial com hidratação oral. Errada porque a transfusão de plaquetas não é indicada pela contagem isolada, e sim por sangramento grave. Errada porque a expansão rápida de 20 mL/kg em 20 minutos é a conduta do grupo D (choque), ausente neste caso.
Um adolescente de 16 anos é levado ao pronto-socorro pela mãe no sexto dia de doença febril em área endêmica para dengue. Nas últimas horas, apresentou queda do estado geral, sonolência e extremidades frias. Ao exame: torporoso, palidez cutânea, pele fria e pegajosa, tempo de enchimento capilar de 5 segundos, pulso radial fino e rápido, FC 132 bpm, PA 80x60 mmHg, FR 28 irpm. Hematócrito 52%, plaquetas 45.000/mm³. Não há sangramento visível. Acesso venoso periférico obtido de imediato. A equipe questiona a conduta inicial mais adequada para o quadro.
O quadro é de choque na dengue (grupo D): hipotensão, taquicardia, extremidades frias, enchimento capilar acima de 4 segundos, pulso fino e hemoconcentração. O Ministério da Saúde preconiza expansão imediata com soro fisiológico 0,9% (ou Ringer lactato) 20 mL/kg em até 20 minutos, podendo repetir até três vezes conforme a resposta, com o paciente em leito de terapia intensiva. Errada porque 10 mL/kg na primeira hora é a conduta do grupo C, insuficiente e lenta diante do choque. Errada porque o hematócrito alto reflete hemoconcentração por extravasamento plasmático, e não indica transfusão. Errada porque a via oral é ineficaz e insegura em paciente torporoso e chocado.
Um homem de 34 anos procura a UPA queixando-se de dor abdominal intensa e contínua, associada a três episódios de vômitos nas últimas 6 horas. Refere febre alta que iniciou há 5 dias e cessou ontem, acompanhada de mialgia e cefaleia retro-orbitária. Nega comorbidades e uso de medicações. Reside em município com epidemia de dengue em curso. Ao exame: consciente, orientado, mucosas úmidas, pele quente, PA 100/70 mmHg (habitual 120/80 mmHg), FC 104 bpm, FR 20 irpm, Tax 36,8 °C, enchimento capilar de 2 segundos, prova do laço positiva, abdome doloroso à palpação difusa, sem sinais de irritação peritoneal, fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito. Exames: hematócrito 48% (basal de 41%), plaquetas 68.000/mm3, leucócitos 3.100/mm3.
O paciente está no período crítico da dengue (defervescência no 5º dia) e apresenta sinais de alarme — dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hepatomegalia dolorosa e hemoconcentração (Ht 48% sobre basal de 41%). Pelo protocolo do Ministério da Saúde, sinal de alarme SEM choque classifica o caso como GRUPO C: internação, expansão imediata com 10 mL/kg de solução salina isotônica na primeira hora e reavaliação clínica e do hematócrito ao término de cada etapa. A alternativa do Grupo B está errada porque a presença de qualquer sinal de alarme exclui essa classificação e contraindica manejo apenas oral com alta. O Grupo D exigiria choque (hipotensão franca, pulso filiforme, enchimento capilar > 2 s, PA convergente) — aqui há taquicardia leve e perfusão preservada, sem critérios de choque, e a expansão de 20 mL/kg em 20 minutos é reservada a essa situação. A transfusão profilática de plaquetas não é indicada pela contagem isolada na dengue (a hemorragia decorre do extravasamento plasmático e da disfunção endotelial, não da plaquetopenia isolada), e trocar a expansão venosa por hidratação oral neste caso é conduta insuficiente.
Mulher de 34 anos procura a UPA no 5º dia de doença, em município com epidemia de dengue confirmada. Refere que a febre cessou há cerca de 24 horas, porém desde então apresenta dor abdominal intensa e contínua e vômitos repetidos, com dificuldade para aceitar líquidos por via oral. Nega sangramentos. É previamente hígida, não gestante. Ao exame: regular estado geral, mucosas coradas e pouco úmidas, PA 110 x 70 mmHg (sem hipotensão postural), FC 96 bpm, FR 20 irpm, extremidades quentes, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, dor à palpação do hipocôndrio direito, sem hepatomegalia. Exames: hematócrito 48% (basal 40%), plaquetas 88.000/mm³, leucócitos 3.200/mm³. Qual a classificação de risco e a conduta imediata, respectivamente?
Correta: dor abdominal intensa e contínua e vômitos persistentes são sinais de alarme (Diretrizes de Dengue do Ministério da Saúde), o que define GRUPO C — não há sinais de choque. A conduta é expansão imediata com soro fisiológico 0,9% (ou Ringer lactato) 10 mL/kg na primeira hora, em internação, com reavaliação clínica e de hematócrito ao término de cada etapa; notificação compulsória imediata. Grupo B está errado porque a presença de sinal de alarme exclui o grupo B (que se define por sangramento espontâneo/prova do laço positiva ou condição de risco SEM sinais de alarme) e a via oral não é suficiente aqui. Grupo D está errado porque não há hipotensão, taquicardia importante, extremidades frias, pulso fino ou enchimento capilar > 2 segundos — a expansão de 20 mL/kg em 20 minutos é reservada ao choque. A transfusão de plaquetas está errada: não há indicação de transfusão profilática por plaquetopenia isolada na dengue, mesmo abaixo de 100.000/mm³, na ausência de sangramento grave.
Homem de 68 anos, hipertenso e diabético em uso regular de losartana e metformina, comparece à unidade de saúde da família no 3º dia de febre alta, acompanhada de cefaleia retro-orbitária, mialgia e prostração. Reside em área endêmica para dengue. Nega vômitos, dor abdominal, tontura postural ou sangramentos; está aceitando líquidos e refere diurese normal. Ao exame: bom estado geral, corado, hidratado, PA 130 x 80 mmHg sem queda postural, FC 84 bpm, FR 16 irpm, abdome indolor, extremidades quentes e bem perfundidas. A prova do laço resulta positiva, sem petéquias espontâneas. Qual a classificação de risco e a conduta, respectivamente?
Correta: a prova do laço positiva (manifestação hemorrágica induzida) e, adicionalmente, a idade acima de 65 anos com comorbidades (HAS e DM) são critérios de GRUPO B nas Diretrizes de Dengue do Ministério da Saúde. A conduta é solicitar hemograma obrigatório, manter hidratação oral (60 mL/kg/dia, sendo 1/3 com sal de reidratação oral) sob observação na unidade até o resultado, e reclassificar conforme o hematócrito — normal, alta com orientações e reavaliação; aumentado, tratar como grupo C. Grupo A está errado porque exige ausência de sangramento (inclusive prova do laço negativa) e ausência de condição clínica de risco — o paciente tem ambas as condições. Grupo C está errado porque a prova do laço positiva NÃO é sinal de alarme (os sinais de alarme são dor abdominal intensa, vômitos persistentes, letargia, hipotensão postural, hepatomegalia dolorosa, sangramento de mucosa, acúmulo de líquidos, aumento progressivo do hematócrito, queda abrupta de plaquetas). A última opção erra ao indicar hidratação venosa de rotina: no grupo B a via oral é a regra, e a decisão terapêutica depende do hematócrito.
Mulher de 34 anos procura a UPA com dor abdominal intensa e contínua iniciada há cerca de 8 horas, associada a três episódios de vômitos. Refere que há 5 dias apresentou febre de 39 °C, cefaleia retro-orbitária e mialgia intensa, com desaparecimento da febre nas últimas 24 horas. Reside em área com transmissão ativa de dengue e nega comorbidades. Ao exame: consciente e orientada, corada, PA 110 x 70 mmHg (sem variação postural), FC 92 bpm, FR 18 irpm, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, prova do laço positiva, dor à palpação em hipocôndrio direito, sem sinais de irritação peritoneal. Hematócrito 44% (basal 38%), plaquetas 78.000/mm³. Qual a classificação de risco e a conduta imediata?
A paciente está no período crítico da dengue (defervescência ao 5º dia) e apresenta sinais de alarme do protocolo do Ministério da Saúde: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e aumento do hematócrito (38% para 44%) concomitante à plaquetopenia. Sinal de alarme SEM choque define o GRUPO C — internação e expansão com solução salina isotônica 10 mL/kg na primeira hora, com reavaliação clínica e do hematócrito, podendo repetir a etapa até três vezes. O grupo A exige ausência de sinais de alarme, de sangramento espontâneo/prova do laço positiva e de condição de risco, o que não se verifica aqui. O grupo B (prova do laço positiva ou condição especial, SEM sinais de alarme) também não se aplica, pois a presença de sinal de alarme reclassifica a paciente, e manejo com hidratação oral em observação seria inadequado. O grupo D exige sinais de choque (hipotensão, PA convergente ≤ 20 mmHg, extremidades frias, enchimento capilar > 2 s, pulso filiforme), ausentes aqui; além disso, não se indica transfusão profilática de plaquetas na dengue sem sangramento grave.
Homem de 34 anos procura a UPA no quinto dia de doença febril; a febre cessou há cerca de 24 horas. Refere dor abdominal intensa e contínua e dois episódios de vômitos. Ao exame: consciente, corado, PA 110/70 mmHg, FC 92 bpm, extremidades aquecidas, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, sem sangramento espontâneo. Hematócrito 52% (basal 44%) e plaquetas 68.000/mm³. Reside em área com transmissão sustentada de dengue. Segundo a classificação de risco do Ministério da Saúde, a conduta imediata é:
O paciente está no período crítico (defervescência) e apresenta sinais de alarme (dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes) com hemoconcentração, mas SEM hipotensão ou sinais de choque: é Grupo C. A conduta preconizada pelo Ministério da Saúde é reposição volêmica imediata com soro fisiológico 0,9% (ou Ringer lactato) 10 mL/kg na primeira hora, em leito de internação, com reavaliação clínica e de hematócrito ao término da etapa. A primeira alternativa corresponde ao Grupo B (sem sinais de alarme), inadequada aqui pois a presença de sinal de alarme já exclui manejo ambulatorial. A segunda descreve o Grupo D (choque/extravasamento grave), que exige hipotensão, pulso fino, enchimento capilar lentificado ou taquicardia com má perfusão — ausentes neste caso. A quarta é incorreta porque na dengue a transfusão de plaquetas não é indicada apenas pelo valor numérico, mas somente diante de sangramento grave com critérios específicos; o problema fisiopatológico é o extravasamento plasmático, não a plaquetopenia isolada.
Mulher de 28 anos, previamente hígida, é atendida na Unidade Básica de Saúde no terceiro dia de febre, com mialgia, cefaleia retro-orbital e exantema maculopapular. Mora em área endêmica de dengue. Ao exame, encontra-se hidratada, PA 118/76 mmHg, FC 84 bpm, sem sangramentos e com prova do laço negativa. A médica classifica o caso como Grupo A, orienta hidratação oral e retorno imediato caso surjam sinais de alarme. Qual manifestação, se surgir, caracteriza sinal de alarme da dengue segundo o Ministério da Saúde?
Dor abdominal intensa e contínua (ou dor à palpação abdominal) é um dos sinais de alarme clássicos da dengue no Ministério da Saúde, ao lado de vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural/pericárdico), sangramento de mucosas, letargia ou irritabilidade, hipotensão postural/lipotimia, hepatomegalia > 2 cm e aumento progressivo do hematócrito. Cefaleia retro-orbital, exantema e mialgia intensa são sintomas típicos da fase febril e, isoladamente, NÃO configuram sinal de alarme nem mudam a classificação de risco — o Grupo A permanece com hidratação oral (60 mL/kg/dia) e sintomáticos sem AAS/AINE. O reconhecimento do sinal de alarme, que costuma surgir na defervescência, é o que reclassifica o caso para Grupo C e indica expansão volêmica imediata.
Homem de 34 anos procura a UPA no 5º dia de doença. Refere que a febre cessou há um dia, mas iniciou dor abdominal intensa e contínua, com vômitos repetidos. Está lúcido, PA 110x80 mmHg, FC 96 bpm, extremidades quentes, tempo de enchimento capilar de 2 segundos. Hematócrito 48% (valor prévio 42%) e plaquetas 90.000/mm³. Reside em área com transmissão sustentada de dengue. Qual a conduta imediata mais adequada?
Dor abdominal intensa e contínua e vômitos persistentes são sinais de alarme; associados à defervescência e à hemoconcentração, classificam o paciente como grupo C do protocolo do Ministério da Saúde, que exige internação e expansão com cristaloide 10 mL/kg na primeira hora, com reavaliação clínica e do hematócrito. Alta com hidratação oral é conduta do grupo A, inadequada diante de sinal de alarme. Transfusão de plaquetas não é indicada por plaquetopenia isolada sem sangramento grave e não trata o extravasamento plasmático. A expansão de 20 mL/kg em 20 minutos é reservada ao grupo D (choque), e o paciente não apresenta hipotensão, taquicardia importante ou má perfusão.
Mulher de 25 anos, previamente hígida, comparece à UBS no 2º dia de febre alta, com mialgia, cefaleia retro-orbitária e prostração. Nega sangramentos, dor abdominal e vômitos. Ao exame: bom estado geral, hidratada, PA 120x80 mmHg, FC 84 bpm, prova do laço negativa, sem hepatomegalia. Mora em bairro com epidemia de dengue. Qual a conduta correta?
Ausência de sinais de alarme, de sangramento espontâneo ou induzido (prova do laço negativa) e de condições clínicas especiais classifica o caso como grupo A: acompanhamento ambulatorial, hidratação oral de 60 mL/kg/dia (sendo um terço com sais de reidratação oral), sintomáticos com paracetamol ou dipirona, notificação compulsória e orientação sobre sinais de alarme. Hemograma com observação até o resultado é conduta do grupo B. Internação e hidratação venosa cabem aos grupos C e D. AINEs e AAS são contraindicados na dengue pelo risco hemorrágico e de disfunção plaquetária.
Mulher de 68 anos, hipertensa e diabética em uso de losartana e metformina, é atendida na UBS no 3º dia de febre, com mialgia e cefaleia. Nega dor abdominal, vômitos, sangramentos ou sonolência. Ao exame: bom estado geral, hidratada, PA 130x80 mmHg, FC 80 bpm, prova do laço negativa, abdome indolor. Suspeita-se de dengue. Qual a conduta mais adequada?
Idade acima de 65 anos e comorbidades (hipertensão e diabetes) são condições clínicas especiais que classificam a paciente como grupo B, mesmo sem sinais de alarme e com prova do laço negativa. A conduta é hemograma obrigatório com permanência em observação na unidade até o resultado, mantendo hidratação oral; a reclassificação depende do hematócrito. Liberar para o domicílio sem exame corresponde ao grupo A e ignora o fator de risco. Expansão com 10 mL/kg na primeira hora é conduta do grupo C, que exige sinal de alarme. Terapia intensiva é reservada ao grupo D com choque refratário ou disfunção orgânica.
Homem de 32 anos, previamente hígido, procura a UPA no 4º dia de febre alta associada a mialgia e cefaleia, em período de epidemia de dengue na cidade. Nas últimas 12 horas evoluiu com dor abdominal intensa e contínua e vômitos persistentes. Ao exame: consciente e orientado, PA 110x70 mmHg, FC 92 bpm, extremidades quentes, enchimento capilar < 2 s. Hematócrito 49% (basal 43%), plaquetas 78.000/mm³, prova do laço positiva. De acordo com o protocolo do Ministério da Saúde, a conduta inicial mais apropriada é:
O paciente tem dengue com sinais de alarme (dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes) sem sinais de choque (PA e perfusão normais): é Grupo C. A conduta é reposição volêmica com cristaloide 10 mL/kg na 1ª hora e reavaliação de sinais vitais e hematócrito. Hidratação oral de 60 mL/kg é conduta do Grupo B (sem alarme), inadequada aqui. 20 mL/kg em 20 min é o bolus do Grupo D (choque), que este paciente não apresenta. Transfusão de plaquetas não se indica apenas pela contagem, mas por sangramento grave com repercussão.
Durante epidemia de dengue, um paciente no 5º dia de doença retorna à unidade básica de saúde para reavaliação. Entre as manifestações abaixo, assinale aquela considerada sinal de alarme para dengue, indicando necessidade de observação e reavaliação clínico-laboratorial:
A dor abdominal intensa e contínua é um dos sinais de alarme clássicos da dengue, ao lado de vômitos persistentes, sangramento de mucosa, letargia/irritabilidade, hipotensão postural, hepatomegalia > 2 cm e aumento progressivo do hematócrito com queda rápida de plaquetas. As demais alternativas (cefaleia, dor retro-orbital, mialgia e exantema) são manifestações comuns da fase febril da dengue, mas NÃO configuram sinais de alarme e não indicam, por si só, mudança de grupo de manejo.
Homem de 34 anos procura a UPA no 5º dia de doença, referindo que a febre cedeu há cerca de 24 horas. Queixa-se agora de dor abdominal intensa e contínua e de três episódios de vômitos. Ao exame: bom estado geral, PA 110/70 mmHg, FC 96 bpm, hidratado, dor à palpação do hipocôndrio direito com fígado palpável a 3 cm do rebordo costal. Hematócrito de 48% (valor prévio de 41%) e prova do laço positiva. Reside em área com transmissão de dengue confirmada. Assinale a conduta inicial de hidratação mais adequada.
A dor abdominal intensa e contínua, os vômitos persistentes, a hepatomegalia dolorosa e a elevação do hematócrito no período de defervescência caracterizam sinais de alarme, classificando o caso como Grupo C. A conduta é internação com hidratação venosa de 10 mL/kg na primeira hora e reavaliação clínica e laboratorial. A alta com sintomáticos serviria ao Grupo A, sem sinais de alarme, o que não é o caso. A expansão volêmica rápida de 20 mL/kg em até 20 minutos é reservada ao Grupo D, com choque, ausente aqui (PA e pulso normais). E a hidratação de manutenção de 25 mL/kg em 6 horas não corresponde à fase inicial de reposição do Grupo C.
Mulher de 34 anos, previamente hígida, procura a UPA no 5º dia de febre que cedeu há 24 horas. Reside em área com surto de dengue confirmado. Relata, desde ontem, dor abdominal intensa e contínua em andar superior do abdome e dois episódios de vômito. Ao exame: consciente, PA 110x70 mmHg (sem variação postural), FC 92 bpm, extremidades quentes, dor à palpação de hipocôndrio direito com fígado palpável a 3 cm do rebordo costal. Prova do laço positiva. Assinale a conduta inicial mais adequada.
A dor abdominal intensa e contínua, os vômitos e a hepatomegalia dolorosa (>2 cm) são sinais de alarme, classificando a paciente no grupo C, cuja conduta é hidratação venosa imediata com 10 mL/kg de soro fisiológico na 1ª hora e internação. A hidratação oral cabe aos grupos A/B sem alarme. A expansão de 20 mL/kg é do grupo D (choque), ausente aqui, pois a PA e a perfusão estão normais. Manejo ambulatorial apenas com sintomáticos é conduta de grupo A e subestima o quadro.
Homem de 28 anos, hipertenso, comparece à UBS no 3º dia de febre alta, mialgia e cefaleia retro-orbitária, em município com transmissão ativa de dengue. Nega dor abdominal, vômitos persistentes, sangramento ou sonolência. Ao exame: bom estado geral, hidratado, PA 130x80 mmHg deitado e em pé, FC 84 bpm, sem hepatomegalia. Prova do laço positiva, com algumas petéquias no antebraço. Não há sinais de alarme. Qual a classificação de risco e a conduta correta?
Prova do laço positiva e sangramento espontâneo de pele (petéquias), além da comorbidade (HAS), enquadram o paciente no grupo B, mesmo sem sinais de alarme: exige hemograma e observação na unidade até o resultado, com hidratação oral. Classificar o caso como grupo A ignora o sangramento e a prova do laço, além da comorbidade, que retiram o paciente desse grupo. O grupo C pressupõe sinais de alarme, ausentes. O grupo D exige choque/gravidade. O hemograma orienta se há hemoconcentração, definindo a continuidade da conduta.
Adolescente de 15 anos é trazida ao pronto-socorro no 6º dia de doença febril, com defervescência há dois dias. Nas últimas horas apresentou lipotimia e piora do estado geral. Ao exame: sonolenta, extremidades frias e pegajosas, tempo de enchimento capilar de 4 segundos, pulso fino, PA 80x65 mmHg (pressão de pulso de 15 mmHg) e FC 128 bpm. Hematócrito 49% (basal 38%). Sorologia NS1 reagente para dengue. Assinale a conduta imediata mais apropriada.
Hipotensão com pressão de pulso estreita (15 mmHg), taquicardia, extremidades frias, enchimento capilar lentificado e aumento do hematócrito configuram dengue grave com choque (grupo D). A conduta é expansão rápida com 20 mL/kg de cristaloide em até 20 minutos e reavaliação. Os 10 mL/kg em 1 hora são do grupo C, sem choque. Hidratação oral é insuficiente no choque. Hemocomponentes profiláticos não precedem a reposição volêmica.
Mulher de 34 anos, previamente hígida, procura a UPA no 5º dia de doença. Relata que a febre alta iniciada há 4 dias cedeu no dia anterior, mas evoluiu com dor abdominal intensa e contínua, três episódios de vômitos e tontura ao levantar-se. Ao exame: descorada (+/4+), PA 100x70 mmHg, FC 104 bpm, extremidades levemente frias e dor à palpação de hipocôndrio direito. Hemograma: hematócrito 48% (valor prévio 40%), plaquetas 68.000/mm³. Reside em área com transmissão ativa de dengue. Assinale a conduta mais adequada.
Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e hemoconcentração (elevação do hematócrito de 40% para 48%) caracterizam sinais de alarme, classificando a paciente como Grupo C, que exige internação e expansão volêmica com cristaloide 10 mL/kg na 1ª hora com reavaliação. A alta com hidratação domiciliar descreve conduta de Grupo A (sem alarme). A transfusão profilática de plaquetas não se justifica — não se transfunde apenas pela contagem, sem sangramento. A hidratação oral supervisionada corresponde ao Grupo B, insuficiente diante de sinais de alarme.
Homem de 27 anos procura a UBS de município que vive epidemia de dengue confirmada. Refere febre de 39 °C há três dias, cefaleia retro-orbitária, mialgia intensa e, hoje, exantema maculopapular em tronco. Nega vômitos, dor abdominal, sangramentos ou comorbidades. Ao exame: bom estado geral, corado, hidratado, PA 110/70 mmHg (deitado e em pé), FC 88 bpm, prova do laço negativa, abdome indolor, sem hepatomegalia. Hemograma: Ht 44%, leucócitos 3.200/mm³, plaquetas 148.000/mm³. Sorologia IgM ainda não coletada. Assinale a conduta correta quanto às ações de vigilância epidemiológica neste atendimento.
Dengue é doença de notificação compulsória a partir do CASO SUSPEITO, com periodicidade semanal, e a notificação é ato do atendimento — não depende de confirmação laboratorial. O paciente não tem sinais de alarme nem comorbidade/risco social, logo é grupo A: hidratação oral (60 mL/kg/dia), sintomáticos sem AAS/AINE e retorno diário até 48 h após a defervescência. Aguardar IgM atrasa a resposta da vigilância e é errado. Notificação imediata (24 h) em dengue está reservada a óbito suspeito (e, para outras arboviroses, a situações-sentinela), não ao caso clássico em área endêmica. Em epidemia a notificação não é dispensada — ela é justamente o que sustenta a série histórica e o LIRAa/ações de bloqueio.
Mulher de 34 anos, no quinto dia de doença febril, comparece à UPA com dor abdominal intensa e contínua e três episódios de vômitos nas últimas seis horas. Está afebril desde ontem. Ao exame: descorada +/4+, PA 110/70 mmHg sem variação postural, FC 96 bpm, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, abdome doloroso à palpação em hipocôndrio direito e fígado palpável a 3 cm do rebordo costal. Prova do laço positiva. Hematócrito 48% (era 39% há dois dias) e plaquetas 78.000/mm³. Assinale a conduta adequada.
A paciente está no período crítico (defervescência, entre o 3º e o 7º dia) e apresenta sinais de alarme do protocolo do Ministério da Saúde: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hepatomegalia dolorosa >2 cm e aumento progressivo do hematócrito. Sinal de alarme SEM choque = grupo C: internação e reposição com 10 mL/kg de cristaloide na primeira hora, reavaliando clínica e hematócrito ao fim de cada etapa (podendo repetir até três vezes). O grupo B é o paciente com sangramento de pele/prova do laço positiva ou condição especial, mas SEM sinais de alarme — não é o caso, e a alta seria perigosa. O grupo D exige sinais de choque (hipotensão, PA convergente ≤20 mmHg, extremidades frias, enchimento capilar >2 s, taquicardia com pulso fino), ausentes aqui. A plaquetopenia isolada não indica transfusão profilática, e a prioridade é sempre a reposição volêmica.
Mulher de 29 anos, no sexto dia de doença, retorna à unidade de saúde para reavaliação de dengue confirmada por NS1. Está afebril há 48 horas, aceita líquidos bem e nega dor abdominal, vômitos, sangramento de mucosas, letargia ou tontura postural. Ao exame: bom estado geral, corada e hidratada, PA 118/76 mmHg sem queda postural, FC 78 bpm, enchimento capilar de 2 segundos, abdome indolor, fígado não palpável; há petéquias esparsas em antebraços e a prova do laço é positiva. Hematócrito 38% (basal 39%) e plaquetas 17.000/mm³, sem sangramento espontâneo. Assinale a conduta adequada.
A pegadinha é a plaquetopenia acentuada em paciente CLINICAMENTE estável. No protocolo do Ministério da Saúde, o estadiamento da dengue é CLÍNICO — a contagem de plaquetas não classifica gravidade, não define grupo e não indica transfusão profilática. Aqui há sangramento apenas de pele com prova do laço positiva (grupo B), hematócrito estável e nenhum sinal de alarme: conduta é hidratação oral 60 mL/kg/dia (1/3 com sais de reidratação oral), sintomáticos sem AAS/AINE, repouso e reavaliação diária com hemograma até 48 h após a defervescência. A transfusão profilática de plaquetas não tem respaldo e pode piorar o desfecho — a transfusão é reservada a sangramento grave com instabilidade. Grupo D exige sinais de choque ou sangramento grave/disfunção orgânica; a paciente está normotensa, com perfusão e hematócrito normais, de modo que expansão agressiva e vaga de UTI seriam iatrogenia e desperdício de recurso.
Homem de 34 anos, sem comorbidades, procura a UPA no quarto dia de febre alta (39 °C), acompanhada de cefaleia retro-orbitária, mialgia intensa e prostração. Reside em área com epidemia de dengue confirmada. Nega dor abdominal, vômitos, sangramento de mucosas ou lipotimia. Ao exame: bom estado geral, corado, hidratado, lúcido e orientado; PA 120x80 mmHg em decúbito e 118x78 mmHg em pé, FC 84 bpm, FR 16 irpm, temperatura axilar 38,4 °C; abdome flácido, indolor, sem hepatomegalia; ausculta cardiopulmonar normal. Observam-se petéquias esparsas em antebraços e a prova do laço evidencia 22 petéquias no quadrado de 2,5 cm. Diurese preservada. De acordo com o estadiamento do Ministério da Saúde, a classificação e a conduta adequadas são:
A prova do laço positiva caracteriza sangramento induzido de pele e, na ausência de sinais de alarme, define o Grupo B — que exige hemograma e permanência em observação até o resultado, com hidratação oral de 60 mL/kg/dia (1/3 com sais de reidratação oral). Grupo A está errado porque exige ausência de sangramento espontâneo ou induzido e dispensa exames apenas nesse cenário. Grupo C só se aplica na presença de sinal de alarme (dor abdominal intensa, vômitos persistentes, hipotensão postural, hepatomegalia dolorosa, sangramento de mucosa, letargia, aumento abrupto do hematócrito), ausentes aqui. Grupo D pressupõe choque, desconforto respiratório ou disfunção orgânica, e o paciente está hemodinamicamente estável.
Mulher de 28 anos, hígida, no quinto dia de doença febril, comparece ao pronto-socorro referindo que a febre cedeu há cerca de 24 horas, mas que desde então apresenta dor abdominal contínua e intensa em andar superior, além de quatro episódios de vômitos nas últimas seis horas, com pouca aceitação de líquidos por via oral. Ao exame: consciente, mucosas descoradas +/4+, PA 110x70 mmHg, FC 96 bpm, tempo de enchimento capilar 2 segundos, dor à palpação de hipocôndrio direito com fígado a 3 cm do rebordo costal. Exames: hematócrito 48% (basal de 40%), plaquetas 78.000/mm³, albumina 3,0 g/dL. Assinale a conduta imediata correta.
Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hepatomegalia dolorosa e elevação do hematócrito são sinais de alarme e definem o grupo C, cuja conduta é internação com expansão de soro fisiológico 0,9% ou Ringer lactato 10 mL/kg na primeira hora, seguida de reavaliação clínica e laboratorial a cada etapa. Hidratação oral isolada é conduta dos grupos A e B, inadequada diante de sinal de alarme e vômitos. Transfusão de plaquetas não é indicada profilaticamente pela contagem. O grupo D (20 mL/kg em até 20 minutos, com UTI) exige choque, desconforto respiratório ou disfunção orgânica, ausentes — a paciente mantém PA e perfusão adequadas.
Homem de 45 anos, portador de hipertensão arterial, é trazido ao pronto-socorro no sexto dia de doença por familiares, que relatam sonolência progressiva desde a manhã. Vinha em tratamento domiciliar por dengue confirmada por NS1, com febre que cessou no quarto dia. Ao exame: torporoso, responsivo apenas ao chamado vigoroso, extremidades frias e pegajosas, tempo de enchimento capilar de 4 segundos, pulso radial fino e rápido, FC 128 bpm, PA 80x65 mmHg, FR 26 irpm, diurese ausente há 8 horas. Exames iniciais: hematócrito 52% (basal 41%), plaquetas 42.000/mm³, lactato 3,8 mmol/L. Assinale a conduta inicial adequada.
Hipotensão, taquicardia, extremidades frias, enchimento capilar maior que 3 segundos, oligoanúria e alteração do nível de consciência configuram choque — grupo D —, cuja conduta é expansão rápida com cristaloide 20 mL/kg em até 20 minutos, em unidade de terapia intensiva, repetindo-se a etapa até três vezes conforme a resposta. A expansão de 10 mL/kg em uma hora é a do grupo C e é insuficiente e lenta demais no choque instalado. Vasopressor não é a primeira medida: só se considera após reposição volêmica adequada e choque refratário. Coloides (albumina) são reservados a casos refratários às etapas iniciais de cristaloide, não como expansor inicial.
Adolescente de 16 anos, 50 kg, internada por dengue com sinal de alarme (vômitos persistentes e hematócrito de 47%, com basal de 39%), recebeu duas etapas de expansão com soro fisiológico 0,9% a 10 mL/kg em uma hora cada. Na reavaliação após a segunda etapa apresenta-se lúcida, ativa, aceitando líquidos, sem vômitos ou dor abdominal, com PA 110x70 mmHg, FC 82 bpm, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, extremidades quentes e diurese de 1,5 mL/kg/h nas últimas horas. Novo hematócrito de 38%, plaquetas 96.000/mm³. Considerando o protocolo do Ministério da Saúde para o grupo C, a conduta correta neste momento é:
Houve resposta favorável às etapas de expansão (melhora clínica, hematócrito em queda, diurese acima de 1 mL/kg/h e estabilidade hemodinâmica); o protocolo determina passar à fase de manutenção com 25 mL/kg em 6 horas e, mantida a melhora, 25 mL/kg em 8 horas, com reavaliação seriada. Repetir expansões guiando-se pela contagem de plaquetas é erro: o alvo terapêutico é a perfusão e o hematócrito, não a plaquetopenia, que se recupera espontaneamente. Alta imediata é contraindicada — o critério de alta exige estabilidade por 48 horas após a defervescência, ausência de sinais de alarme e hematócrito estável. Não há critério de grupo D: a queda do hematócrito após volume é justamente o sinal de boa resposta, não de gravidade.
Homem de 34 anos, previamente hígido, procura a unidade de pronto atendimento no quinto dia de doença. Teve febre de até 39,5 graus com mialgia intensa e dor retro-orbitária desde o início do quadro; a febre cedeu há cerca de 20 horas. Desde então apresenta dor abdominal difusa, forte e contínua, e vomitou três vezes nas últimas seis horas. Reside em área com transmissão de dengue. Ao exame: consciente e orientado, temperatura axilar 36,6 graus, pressão arterial 120 por 80 mmHg, frequência cardíaca 98 batimentos por minuto, frequência respiratória 18, extremidades aquecidas, enchimento capilar de 2 segundos, abdome doloroso à palpação difusa, fígado palpável a 3 centímetros do rebordo costal direito, sem sangramentos. Peso 70 kg. Qual a conduta imediata?
O paciente está na fase crítica, que começa com a defervescência entre o terceiro e o sétimo dia, e apresenta três sinais de alarme: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e hepatomegalia maior que 2 centímetros abaixo do rebordo costal. Sinal de alarme presente com sinais de gravidade ausentes define o Grupo C, cuja conduta é reposição volêmica imediata com 10 mL/kg de soro fisiológico a 0,9% na primeira hora, internação em leito por no mínimo 48 horas e exames obrigatórios de hemograma completo, albumina sérica e transaminases. A alternativa da alta domiciliar aplica o plano do Grupo A a um paciente com sinal de alarme. A alternativa da observação com hidratação oral é o plano do Grupo B e comete o erro adicional de esperar exame para hidratar, quando o manual manda iniciar a reposição em qualquer ponto de atenção, mesmo sem exames. A de 20 mL/kg em 20 minutos é o plano do Grupo D, e não há sinal de choque: extremidades aquecidas, enchimento capilar de 2 segundos e pressão de pulso de 40 mmHg. A manutenção de 25 mL/kg em 6 horas só é iniciada após melhora clínica e laboratorial nas fases de expansão.
Paciente do Grupo C, internado há 30 horas, encontra-se estável após duas fases de expansão: sem febre há 26 horas, hemodinamicamente estável, hematócrito normal e estável desde ontem, abdome indolor, aceitando dieta. O hemograma de hoje mostra plaquetas de 78 mil por milímetro cúbico, contra 54 mil ontem. Sobre a alta hospitalar, o que se aplica?
A alta hospitalar exige o preenchimento de todos os critérios da lista do manual: estabilização hemodinâmica durante 48 horas, ausência de febre por 24 horas, melhora visível do quadro clínico, hematócrito normal e estável por 24 horas e plaquetas em elevação. O paciente cumpre quatro deles, inclusive o das plaquetas, que é de tendência e não de patamar — 54 mil subindo para 78 mil caracteriza plaquetas em elevação, sem exigir qualquer valor mínimo. O que ainda falta é tempo: a estabilidade hemodinâmica precisa completar 48 horas, e ele está internado há 30. Não existe corte de 100 mil plaquetas como critério de alta na dengue, e nenhum critério isolado autoriza a liberação, já que todos precisam estar preenchidos. Após a alta, o retorno para reavaliação clínica e laboratorial segue a orientação do Grupo B.
Homem de 47 anos, com dengue confirmada e classificado no Grupo B, retorna à unidade referindo mialgia intensa e cefaleia. Faz uso de ácido acetilsalicílico em profilaxia secundária após angioplastia com stent convencional há dois anos, e traz plaquetometria de 62 mil por milímetro cúbico. Sobre a prescrição, qual conduta está de acordo com o protocolo brasileiro?
Os sintomáticos permitidos na dengue são dipirona e paracetamol, nas doses do Apêndice H do manual. Salicilatos, anti-inflamatórios não esteroides e corticosteroides estão proibidos porque agravam gastrite e sangramento e comprometem a hemostasia de um paciente que já cursa com plaquetopenia e fragilidade vascular. Isso exclui o ibuprofeno e a prednisona. Sobre o ácido acetilsalicílico em uso crônico, a 6ª edição trata o caso separadamente: em profilaxia secundária de doença coronariana ou cerebrovascular, ou com stent convencional há mais de um mês, o paciente mantém o ácido acetilsalicílico enquanto a plaquetometria estiver acima de 50 mil por milímetro cúbico, com contagem diária de plaquetas; entre 30 mil e 50 mil, mantém em leito de observação; abaixo de 30 mil, suspende. A via intramuscular deve ser evitada até que se conheça a contagem de plaquetas, pelo risco de hematoma — a orientação internacional é explícita ao dizer que injeções intramusculares não devem ser aplicadas nesses pacientes.
Homem de 52 anos, 80 kg, com suspeita clínica de dengue, no sexto dia de sintomas, chega ao pronto-socorro sonolento, com extremidades frias e pegajosas, pulso radial fino, enchimento capilar de 4 segundos, pressão arterial de 96 por 80 mmHg e frequência cardíaca de 124 batimentos por minuto. Refere não urinar desde a noite anterior. Qual a conduta imediata de reposição volêmica?
Na suspeita de dengue, a pressão de pulso estreita, a hipoperfusão periférica, a alteração de consciência e a oligúria indicam choque e enquadramento no Grupo D. O manual brasileiro de 2024 recomenda expansão imediata com SF 0,9%, 20 mL/kg em até 20 minutos, inclusive durante transferência, com monitorização e reavaliação clínica frequente. A repetição depende da resposta, não é uma sequência automática de bolus. Persistência do choque requer avaliação de hematócrito, sangramento e outras causas de deterioração, além de cuidado intensivo. Os esquemas de expansão mais lenta e de manutenção do Grupo C não atendem à necessidade inicial deste caso.
Criança de 9 anos, com 28 kg, é atendida no terceiro dia de febre por suspeita de dengue. Está ativa, aceitando líquidos, sem vômitos, sem dor abdominal e sem sangramentos espontâneos. Pressão arterial de 100 por 60 mmHg. O médico decide realizar a prova do laço. Como o exame deve ser feito e qual resultado o classifica como positivo nesta paciente?
A técnica descrita no Apêndice G do manual do Ministério da Saúde é insuflar o manguito até o valor médio da pressão arterial, calculado pela soma da sistólica com a diastólica dividida por dois. Com pressão de 100 por 60, a média é 80 mmHg. O tempo é de 5 minutos no adulto e 3 minutos na criança, e o quadrado desenhado no antebraço tem 2,5 centímetros de lado. O corte de positividade é de 20 ou mais petéquias no adulto e 10 ou mais na criança — esta paciente tem 9 anos, portanto 10 petéquias já tornam a prova positiva. As alternativas erram por trocar o tempo do adulto pelo da criança, por usar a sistólica em vez da média, por reduzir o tamanho do quadrado ou por aplicar o corte do adulto a uma criança. Prova do laço positiva, na ausência de sinais de alarme, classifica no Grupo B.
Mulher de 26 anos, gestante de 30 semanas, vive em município com transmissão atual de dengue e é atendida no quarto dia de febre e mal-estar, preenchendo a definição de caso suspeito. Está consciente, sem vômitos, dor abdominal ou sangramentos, com pressão arterial de 110 por 68 mmHg, frequência cardíaca de 92 e prova do laço negativa. Segundo o protocolo do Ministério da Saúde, qual afirmativa sobre o manejo desta paciente está correta?
Em paciente com suspeita de dengue, sem sinais de alarme, a gestação é uma condição clínica especial e determina classificação no Grupo B, mesmo com prova do laço negativa. Deve-se solicitar hemograma completo, manter a paciente em observação até os resultados e iniciar hidratação oral conforme o Grupo A. Grupo C exige sinal de alarme, que não está presente. A gestante com sinal de alarme ou choque recebe o volume indicado pelo estadiamento, com atenção para evitar hiper-hidratação; radiografia pode ser realizada quando clinicamente indicada e não é contraindicada de modo absoluto. Fonte: Ministério da Saúde, Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criança, 6ª edição, 2024.
Menino de 3 anos, com 15 kg, é atendido no segundo dia de febre. Está ativo, aceitando líquidos e alimentos, sem vômitos, sem dor abdominal, sem sangramentos espontâneos, com prova do laço negativa, sem comorbidades e sem risco social. A mãe pergunta quanto líquido deve oferecer em casa. De acordo com a 6ª edição do manual do Ministério da Saúde, qual a orientação correta?
A criança não tem sinais de alarme, não tem sangramento espontâneo nem induzido e não tem comorbidade, condição especial ou risco social: é Grupo A, com tratamento ambulatorial e hidratação oral. O cálculo do Quadro 3 do manual, para menores de 13 anos, é por faixa de peso, baseado na regra de Holliday-Segar acrescida de reposição de perdas de 3%: até 10 kg, 130 mL/kg/dia; acima de 10 até 20 kg, 100 mL/kg/dia; acima de 20 kg, 80 mL/kg/dia. Com 15 kg, a criança recebe 100 mL/kg/dia, ou seja, 1.500 mL, sendo um terço em sais de reidratação oral e dois terços em água, sucos e chás, com um terço do volume total ofertado nas primeiras 4 a 6 horas. O valor de 60 mL/kg/dia é o do adulto. A oferta em mililitros por vez, sem cálculo por peso, corresponde a orientação de material anterior à edição de 2024. A alimentação não deve ser interrompida.
Mulher de 30 anos comparece à unidade básica de saúde no sétimo dia do início dos sintomas, referindo febre que durou cinco dias, mialgia e exantema que surgiu no quarto dia. Está bem, sem sinais de alarme, e deseja confirmar o diagnóstico. Qual exame é adequado para confirmação laboratorial nesse momento?
A janela diagnóstica é definida pelo dia de doença. Até o quinto dia do início dos sintomas, o alvo é o vírus: antígeno NS1, RT-PCR ou isolamento viral. A partir do sexto dia, o alvo é o anticorpo, e o exame indicado é a sorologia IgM por ELISA — que é o caso desta paciente, no sétimo dia. NS1, RT-PCR e isolamento viral não são indicados nessa janela, e a alternativa que desloca a RT-PCR para depois do sexto dia inverte exatamente a regra. O hemograma continua sendo o exame que orienta a conduta clínica, por medir hemoconcentração e plaquetopenia, mas não confirma dengue, e a confirmação específica continua possível depois da fase febril justamente pela sorologia. Vale lembrar que dengue e Zika são flavivírus e cruzam na sorologia, o que pode gerar resultado inconclusivo, e que a confirmação por vínculo clínico-epidemiológico é aceita nessa situação.
Menina de 6 anos, 20 kg, é atendida no quinto dia de doença em município com transmissão de dengue. Está sonolenta, com extremidades frias, enchimento capilar de 4 segundos, pulso fino, frequência cardíaca de 148 batimentos por minuto e pressão arterial de 80 por 62 mmHg. A mãe refere que ela não urina desde a noite anterior. Como classificar a pressão arterial desta criança e o que ela indica?
Em crianças de até 10 anos, o quinto percentil da pressão sistólica se estima por 70 mais duas vezes a idade em anos: aos 6 anos, 82 mmHg. Uma sistólica de 80 mmHg está abaixo desse valor e caracteriza hipotensão, que na dengue é achado tardio — extremidades frias, enchimento capilar acima de 2 segundos, pulso fino, taquicardia e oligúria já vinham antes. Chamar de normal essa pressão aplica o corte do adulto, de 90 mmHg, a uma faixa etária que tem fórmula própria. E a pressão diferencial de 18 mmHg reforça o choque em vez de afastá-lo: pressão de pulso igual ou menor que 20 mmHg é um dos sinais que caracterizam a forma mais grave.
Homem de 44 anos está internado com dengue e choque, em segunda expansão volêmica, com melhora da perfusão. Não apresenta sangramento exteriorizado. O hemograma mostra plaquetas de 18.000 por milímetro cúbico e o INR é de 1,1. A equipe da enfermaria pede transfusão de plaquetas pelo valor do exame. Qual é a conduta correta?
Na dengue, sangramento se previne com volume, não com plaqueta. A transfusão de plaquetas é considerada apenas diante de sangramento persistente e não controlado, depois de corrigidos o choque e os fatores de coagulação, e com plaquetopenia associada a INR acima de 1,5 vez o valor normal — nada disso está presente aqui, em que o INR é normal e não há sangramento. Prescrever pelo número da contagem, ou criar um corte de 10.000, transporta a lógica de outras plaquetopenias para uma doença cuja hemostasia depende da perfusão. Somar plasma fresco sem distúrbio de coagulação acrescenta risco sem benefício. E suspender a expansão retira justamente o tratamento que sustenta o paciente.
Mãe de dois filhos, de 12 e 17 anos, procura a unidade básica para vacinar ambos contra a dengue, após saber que o município passou a ofertar a vacina. Nenhum dos dois recebeu doses e ambos estão saudáveis. Considerando a vacina dengue atenuada incorporada ao SUS em dezembro de 2023 e as notas técnicas vigentes, qual é a orientação correta?
O público-alvo da vacina dengue atenuada incorporada em dezembro de 2023 é de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, em duas doses com intervalo de três meses — a faixa foi escolhida pelas taxas de hospitalização dos cinco anos anteriores e pelo limite de doses que o produtor conseguia entregar, não por um limite biológico do produto. O adolescente de 17 anos fica fora dessa faixa. A segunda vacina atenuada, indicada de 15 a 59 anos em dose única por via subcutânea, teve a estratégia descontinuada de forma temporária em junho de 2026, após eventos adversos raros. E exigir prova prévia de infecção transporta um critério que não pertence ao produto ofertado no país.
Sobre a vacinação contra a dengue, qual princípio orienta a indicação das vacinas disponíveis?
As vacinas contra dengue têm indicações definidas por faixa etária e, no caso de determinadas formulações, por sorostatus prévio, uma vez que a vacinação de indivíduos sem infecção anterior pode se comportar como uma primeira exposição e aumentar o risco em infecção subsequente. A vacinação complementa, mas não substitui, o controle vetorial e a assistência oportuna.
Sobre a prova do laço na avaliação do paciente com suspeita de dengue, qual afirmação está correta?
A prova do laço avalia fragilidade capilar e, quando positiva em paciente com suspeita clínica e sem sinais de alarme, reclassifica para o grupo B, com necessidade de hemograma e observação. Tomar a negatividade como garantia engana quem busca um teste de exclusão, mas o paciente pode evoluir com extravasamento independentemente do resultado — o que orienta a conduta é a reavaliação clínica seriada.
Sobre a transfusão de plaquetas na dengue, qual afirmação está correta?
A transfusão profilática de plaquetas guiada apenas pela contagem não demonstrou benefício na dengue e expõe o paciente a reações transfusionais, ficando reservada ao sangramento grave. Transfundir por número engana quem se assusta com contagens muito baixas, mas o que determina a evolução e a conduta é o extravasamento plasmático e a reposição volêmica adequada, não a plaqueta.
Qual característica diferencia o exantema da zika do exantema da dengue?
O exantema da zika aparece cedo, coça bastante e vem com conjuntivite não purulenta e febre baixa ou ausente, enquanto o da dengue costuma surgir na defervescência e vir acompanhado de febre alta e mialgia intensa. Considerar os quadros indistinguíveis engana quem prefere não arriscar, mas a diferenciação clínica orienta a vigilância de gestantes e a busca de sinais de alarme.
Em uma área com circulação simultânea de dengue, zika e chikungunya, qual estratégia de triagem é mais segura no primeiro atendimento?
Como a dengue é a arbovirose com maior potencial de deterioração hemodinâmica, a triagem segura assume esse risco em todo febril agudo, buscando sinais de alarme e evitando drogas que aumentem sangramento. Definir pela dor articular engana quem confia na diferenciação clínica, correta em muitos casos, mas os quadros se sobrepõem e a coinfecção existe, tornando arriscado descartar dengue com base no sintoma predominante.
Paciente com dengue apresenta plaquetas de 42.000 por mm3, sem sangramento e sem sinais de alarme, hemodinamicamente estável. Qual a conduta?
Na dengue a plaquetopenia isolada não indica transfusão, que deve ser reservada a sangramento grave, porque o determinante do prognóstico é o extravasamento plasmático e não a contagem de plaquetas. Transfundir profilaticamente engana quem trata o número, mas expõe o paciente a reações transfusionais sem reduzir sangramento, e o foco correto é a hidratação e a vigilância de sinais de alarme.
Sobre a fase crítica da dengue, qual afirmação está correta?
A fase crítica coincide com a queda da febre, entre o terceiro e o sétimo dia, quando a permeabilidade capilar aumenta e podem surgir os sinais de alarme e o choque. Associar gravidade ao pico febril engana pacientes e profissionais, e é a razão pela qual muitos são liberados justamente quando parecem melhorar — a melhora da febre é o momento de maior vigilância, não de alta.
Sobre a coinfecção por arbovírus em áreas endêmicas, qual conduta é apropriada diante de quadro febril com artralgia intensa e sinais de alarme?
Quando há sobreposição de quadros em área com circulação simultânea, a conduta segue a hipótese de maior gravidade potencial: manejar como dengue, com hidratação e vigilância do extravasamento, evitando anti-inflamatórios enquanto o diagnóstico não estiver esclarecido. Priorizar o alívio da artralgia engana quem trata o sintoma mais incômodo, e expõe a sangramento em um paciente que já apresenta sinais de alarme.
Qual conduta é obrigatória diante de paciente com suspeita de arbovirose e sinais de alarme como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e hipotensão postural?
Sinais de alarme na dengue indicam extravasamento plasmático iminente e exigem hidratação venosa com observação, porque a deterioração para choque ocorre em horas. Aguardar a sorologia engana quem busca confirmação etiológica, mas ela não muda o manejo imediato e o atraso custa vidas. O ácido acetilsalicílico é contraindicado pelo risco de sangramento nesse cenário.
Sobre as formas atípicas e graves da dengue, qual manifestação caracteriza a forma com comprometimento grave de órgãos?
A dengue grave se define por extravasamento plasmático com choque ou desconforto respiratório, sangramento grave ou comprometimento grave de órgãos, categoria em que entram a miocardite, a hepatite com elevação acentuada de transaminases e as manifestações neurológicas. Sintomas intensos porém habituais e a plaquetopenia moderada isolada enganam quem associa desconforto ou número baixo a gravidade, sem que representem os critérios da classificação.
Sobre a infecção sequencial por diferentes sorotipos de dengue, qual afirmação está correta?
A imunidade após a infecção é duradoura apenas para o sorotipo infectante, e a resposta cruzada parcial contra os demais pode facilitar a entrada viral nas células por meio de anticorpos subneutralizantes, aumentando o risco de forma grave na infecção subsequente. Presumir proteção ampla engana quem generaliza a imunidade viral e é a base epidemiológica da gravidade em áreas com circulação de múltiplos sorotipos.
Sobre a hidratação do paciente do grupo C de dengue, qual esquema é recomendado?
O paciente com sinais de alarme recebe expansão endovenosa com cristaloide isotônico em etapas, com reavaliação clínica e do hematócrito após cada uma para decidir a continuidade — a resposta guia o volume. Manter apenas a via oral engana quem observa que o paciente ainda aceita líquidos, mas no extravasamento plasmático a reposição precisa ser controlada e monitorizada. Diurético é contraindicado nessa fase, pois o problema é hipovolemia intravascular.
Sobre o hemograma na dengue, qual conjunto de alterações é característico?
A dengue cursa tipicamente com leucopenia, linfocitose relativa com atipia linfocitária e plaquetopenia, achados que ajudam a diferenciar de infecção bacteriana. Esperar leucocitose com desvio engana quem raciocina por padrão infeccioso genérico, e essa distinção é útil na triagem — leucocitose importante em quadro febril agudo em área endêmica deve reorientar a investigação para causa bacteriana ou outra etiologia.
Sobre o diagnóstico laboratorial específico da dengue, qual exame é adequado conforme o tempo de doença?
A janela diagnóstica segue a cinética da infecção: antígeno viral e métodos moleculares na fase de viremia, nos primeiros cinco dias, e sorologia com imunoglobulina M a partir do sexto dia, quando os anticorpos se tornam detectáveis. Solicitar sorologia no primeiro dia engana quem pede o exame mais disponível sem considerar o tempo de doença, e o resultado negativo precoce leva a falsa exclusão diagnóstica.
Mulher de 62 anos, hipertensa e diabética, apresenta febre há 2 dias, mialgia e cefaleia, sem sinais de alarme, hidratando bem. Qual a classificação de risco e a conduta?
Comorbidades como diabetes, hipertensão, doença renal, hepatopatia e pneumopatia, assim como gestantes, menores de 2 anos e maiores de 65 anos, classificam o paciente no grupo B mesmo sem sinais de alarme, com necessidade de hemograma e observação. Classificar como grupo A engana quem se guia apenas pela ausência de sinais de alarme, mas o risco individual muda o grupo e a conduta.
Paciente com dengue evolui, no sexto dia, com melhora clínica, retorno do apetite, diurese abundante e exantema pruriginoso com áreas de pele poupada. Qual a interpretação?
O retorno do apetite, a diurese abundante e o exantema com ilhas de pele sã marcam a fase de recuperação, quando o líquido extravasado retorna ao intravascular — momento em que manter hidratação endovenosa plena provoca congestão e edema pulmonar. Interpretar como piora engana quem vê exantema novo e sinais de mudança clínica, e leva justamente à sobrecarga que se deve evitar.
Sobre a dengue na gestante, qual afirmação está correta?
A gestação é condição especial que classifica a paciente no mínimo como grupo B, com atenção redobrada por risco de sangramento, prematuridade e complicações obstétricas, além da possibilidade de transmissão vertical quando a infecção ocorre próximo ao parto. Manter a paciente no grupo A engana quem avalia apenas a presença de sinais de alarme e não considera a condição especial.
Sobre os sinais de alarme na dengue, qual conjunto está corretamente descrito?
Os sinais de alarme marcam o extravasamento plasmático e indicam hidratação endovenosa e observação, e aparecem tipicamente na defervescência. Febre alta, cefaleia e mialgia enganam por serem os sintomas mais intensos da fase febril, mas não indicam gravidade. A plaquetopenia isolada, sem sangramento nem alarme, também não define conduta — o que decide é o conjunto clínico com o hematócrito.
Sobre o uso de medicamentos em paciente com suspeita de dengue, qual conduta está correta?
Salicilatos e anti-inflamatórios não esteroidais aumentam o risco de sangramento e de lesão gástrica e renal, sendo contraindicados na suspeita de dengue; a analgesia e a antipirese são feitas com paracetamol ou dipirona. Prescrever ibuprofeno engana quem busca melhor controle da mialgia intensa, mas é justamente o erro que pode transformar um caso leve em hemorrágico. O corticoide não tem indicação estabelecida.
Paciente de 55 anos com dengue apresenta, na defervescência, hipotensão postural, extremidades frias, pulso fino e tempo de enchimento capilar de 4 segundos. Qual a classificação e a conduta?
Sinais de choque — hipotensão, má perfusão periférica, pulso fino, enchimento capilar lentificado — classificam o paciente no grupo D, que exige expansão volêmica imediata com cristaloide em alíquotas rápidas e reavaliação frequente, em ambiente de maior vigilância. Classificar como grupo C engana quem vê apenas a necessidade de via endovenosa, mas o ritmo e a intensidade da reposição são inteiramente distintos entre os dois grupos.
Sobre a interpretação do hematócrito na dengue, qual afirmação está correta?
O hematócrito é o marcador prático do extravasamento: sobe com a hemoconcentração e cai após a reposição adequada. A leitura precisa ser feita com o quadro clínico ao lado, porque uma queda abrupta acompanhada de instabilidade hemodinâmica pode significar hemorragia, e não melhora. Guiar-se apenas pelas plaquetas engana quem toma a plaquetopenia como marcador de gravidade, quando o determinante prognóstico é o extravasamento.
Homem de 30 anos com febre há 3 dias, cefaleia retro-orbitária, mialgia e exantema, sem sinais de alarme, hidratando bem por via oral, sem comorbidades. Prova do laço negativa. Segundo a classificação de risco da dengue, qual a conduta?
Sem sinais de alarme, sangramento, comorbidades ou condição especial, o paciente pertence ao grupo A. Cabe hidratação oral, repouso e orientações escritas. O Ministério da Saúde recomenda reavaliação no dia de melhora da febre, pelo possível início da fase crítica; se não houver defervescência, no quinto dia da doença. Sinais de alarme ou sangramento exigem retorno imediato. Não se deve atribuir a todos os pacientes do grupo A o esquema de reavaliação diária do grupo B. Referência: Ministério da Saúde, Dengue: diagnóstico e manejo clínico, adulto e criança, 6ª edição, 2024, seção 6.1.
Sobre a reposição volêmica em paciente com dengue e comorbidade cardíaca ou renal, qual cuidado é necessário?
Cardiopatas e nefropatas toleram mal tanto a hipovolemia quanto a sobrecarga, o que exige alíquotas menores, reavaliação mais frequente e atenção redobrada aos sinais de congestão. Contraindicar a hidratação engana quem teme apenas o excesso, mas a hipovolemia por extravasamento leva ao choque e à lesão renal — o equilíbrio se obtém com monitorização mais próxima, não com omissão da reposição.
Sobre a orientação de retorno ao paciente com dengue tratado em domicílio, qual conteúdo é essencial?
A orientação de sinais de alarme com retorno imediato é a principal medida de segurança do paciente manejado em domicílio, e deve incluir a informação de que a piora costuma acontecer quando a febre cede. Condicionar o retorno à persistência da febre engana quem associa gravidade a febre alta, e é justamente esse equívoco que faz o paciente permanecer em casa durante a fase crítica.
Paciente com dengue recebeu expansão volêmica adequada e apresenta melhora hemodinâmica, com diurese abundante e hematócrito em queda. Qual a conduta em relação à hidratação endovenosa?
Com a melhora da perfusão e a queda do hematócrito, o extravasamento cessou e o líquido acumulado começa a retornar ao intravascular — manter a infusão plena nesse momento produz congestão pulmonar, derrames e desconforto respiratório. A conduta é reduzir de forma progressiva. Aumentar o ritmo engana quem persegue diurese abundante como meta em si, sem perceber que a fase mudou.
Sobre o balanço hídrico e o risco de hiper-hidratação na dengue, qual complicação deve ser vigiada?
O excesso de fluidos, sobretudo se mantido na transição para a fase de reabsorção, provoca acúmulo em cavidades e edema pulmonar, com desconforto respiratório — uma das principais causas de deterioração iatrogênica na dengue. A vigilância é clínica, com ausculta, avaliação de esforço respiratório, balanço e imagem quando necessário, e a correção é a redução da infusão, com diurético apenas na fase de reabsorção com congestão.
Homem de 40 anos, quinto dia de dengue, apresenta dor abdominal intensa e contínua, dois episódios de vômito e hepatimetria aumentada com dor à palpação. Hematócrito subiu de 42% para 51% e plaquetas caíram para 78.000/mm3. Pressão arterial 116x74 mmHg. Qual a conduta?
Dor abdominal intensa, vômitos, hepatomegalia dolorosa e elevação do hematócrito com queda de plaquetas são sinais de alarme e indicam hidratação endovenosa com cristaloide em etapas, com reavaliação após cada uma. Manter o manejo domiciliar engana quem se apoia na pressão arterial ainda normal, mas na dengue a hipotensão é achado tardio — o extravasamento já está em curso e a compensação se esgota rapidamente.
Sobre a hidratação oral no paciente com dengue do grupo A, qual orientação é correta?
O paciente do grupo A recebe orientação de hidratação oral aumentada, com parte do volume como solução de reidratação, distribuída ao longo do dia — é a medida mais eficaz para prevenir a progressão para as formas com sinais de alarme. Restringir líquidos engana quem teme sobrecarga, mas o problema da dengue é a perda de volume para o terceiro espaço, e a prevenção começa pela oferta adequada.
Mulher de 28 anos, sexto dia de dengue, chega com pressão arterial não mensurável, pulso filiforme, extremidades frias, cianose de extremidades e sonolência. Qual a conduta imediata?
O choque da dengue é hipovolêmico por extravasamento plasmático, e a conduta imediata é a expansão volêmica rápida com cristaloide em alíquotas, reavaliando a cada etapa. Iniciar vasopressor antes de repor volume engana quem trata a hipotensão pelo mecanismo mais rápido, mas vasoconstringir um leito vascular vazio agrava a hipoperfusão tecidual — o vasopressor entra apenas se a hipotensão persistir após reposição adequada.
Paciente com dengue em choque refratário mantém hipotensão após múltiplas etapas de expansão com cristaloide, com hematócrito em queda importante. Qual a hipótese e a conduta?
Queda importante do hematócrito em paciente que permanece instável apesar da reposição sugere hemorragia, e a conduta é transfundir hemocomponentes e buscar o sítio de sangramento. Interpretar a queda como sinal de melhora engana quem associa hematócrito descendente à resolução do extravasamento, mas essa leitura só vale quando acompanhada de melhora hemodinâmica — com instabilidade, ela aponta na direção oposta.
Sobre a escolha da solução para expansão volêmica inicial no paciente com sinais de alarme por dengue, qual é a recomendada?
A expansão inicial é feita com cristaloide isotônico, que permanece no espaço extracelular e restaura volume intravascular de forma previsível. A solução glicosada engana quem pensa em ofertar aporte energético, mas ela se distribui pela água corporal total e praticamente não expande o intravascular, além de provocar hiponatremia. Coloides ficam reservados a situações refratárias específicas, e não à expansão inicial.
Sobre a avaliação da perfusão à beira do leito no paciente com dengue, qual achado indica comprometimento hemodinâmico precoce?
O estreitamento da pressão de pulso, com enchimento capilar lentificado e extremidades frias, marca o choque compensado, quando a pressão sistólica ainda está preservada pela vasoconstrição — reconhecer essa fase é o que permite agir antes da hipotensão franca. Esperar a queda da sistólica engana quem monitora apenas o valor absoluto da pressão, e nessa etapa o paciente já está em choque descompensado.
Sobre a monitorização da resposta à hidratação no paciente com dengue e sinais de alarme, quais parâmetros devem ser avaliados a cada etapa?
A resposta se avalia com sinais clínicos de perfusão, débito urinário e comportamento do hematócrito, que juntos indicam se o extravasamento está controlado e se a reposição foi suficiente ou excessiva. Seguir apenas as plaquetas engana quem toma a plaquetopenia como termômetro de gravidade, mas ela não reflete o volume intravascular nem orienta a fluidoterapia — o determinante da evolução é o extravasamento plasmático.
Homem de 35 anos, residente em área endêmica, apresenta febre, mialgia e exantema há 5 dias, evoluindo com rebaixamento do nível de consciência, tremores e crise convulsiva. Plaquetas 68.000/mm3, hematócrito elevado. Líquido com pleocitose linfocítica discreta. Qual etiologia deve ser priorizada?
Febre, mialgia, exantema, plaquetopenia e hemoconcentração em área endêmica, com quadro neurológico associado, apontam arbovirose - a dengue pode cursar com encefalite, encefalopatia por choque e hepatopatia, ou com quadros pós-infecciosos. O reconhecimento importa porque o tratamento é de suporte e a hidratação criteriosa é decisiva, além da notificação compulsória. Meningite meningocócica evoluiria com petéquias e púrpura e líquido com pleocitose neutrofílica e glicose baixa. A encefalite herpética permanece como diagnóstico a cobrir empiricamente, mas não explica plaquetopenia com hemoconcentração.
Mulher de 24 anos, moradora de Manaus, apresenta febre, cefaleia, dor retro-orbitária, exantema e plaquetas de 90.000/mm³, com gota espessa negativa em duas coletas. Qual a hipótese mais provável?
Dor retro-orbitária, exantema e plaquetopenia com pesquisa de plasmódio repetidamente negativa apontam para dengue, a arbovirose que compartilha o cenário urbano amazônico com a malária e frequentemente entra no mesmo diferencial. Insistir no diagnóstico de malária diante de duas gotas espessas negativas e de um quadro clínico distinto é o erro de ancoragem epidemiológica. A leptospirose ictérica traria mialgia em panturrilhas e injúria renal, e a febre amarela cursaria com elevação marcante de transaminases e possível sinal de Faget.
Homem de 55 anos, hipertenso, no quinto dia de dengue, apresenta hematócrito de 52% (basal de 42%), plaquetas de 38.000/mm³, PA 90/70 mmHg com pulso fino e extremidades frias, e tempo de enchimento capilar de 4 segundos. Qual a classificação e a conduta?
Pressão convergente com pulso fino, extremidades frias, enchimento capilar lentificado e hemoconcentração configuram choque por extravasamento plasmático, ou seja, dengue grave: a conduta é expansão rápida com cristaloide e reavaliação seriada de perfusão, diurese e hematócrito. Focar na plaquetopenia engana porque o número impressiona, mas na dengue a transfusão profilática de plaquetas não está indicada e o que mata é a hipovolemia, não a contagem. Corticoide não reverte o extravasamento, e hidratação domiciliar em paciente chocado é conduta inaceitável.
Em qual situação clínica a coinfecção ou a infecção sequencial por diferentes arbovírus tem maior relevância prática?
O perigo prático da circulação simultânea é o raciocínio ancorado: rotular o paciente como chikungunya pela artralgia, liberar anti-inflamatório e deixar de monitorar sinais de alarme de dengue coexistente, o que expõe a sangramento e a extravasamento não reconhecido. Contar com imunidade cruzada engana porque a exposição prévia a um arbovírus não protege contra outro, e na dengue a infecção prévia por sorotipo distinto aumenta o risco de forma grave, e não o reduz. Coinfecção não atenua a doença nem contraindica hidratação.
Mulher de 34 anos, em área com transmissão simultânea de dengue e chikungunya, apresenta há 4 dias febre alta, cefaleia retro-orbitária, mialgia intensa e exantema. Hoje a febre cedeu, mas surgiram dor abdominal intensa e contínua e vômitos persistentes. Qual a conduta imediata?
Dor abdominal intensa e contínua e vômitos persistentes são sinais de alarme, e eles aparecem justamente na defervescência, quando começa a fase crítica com extravasamento plasmático — o momento de mais risco, e não de melhora. Liberar o paciente porque a febre cedeu é o erro que mata na dengue, e é exatamente essa leitura que a questão testa. Anti-inflamatórios não esteroides e salicilatos são contraindicados pelo risco hemorrágico, corticoide não tem benefício comprovado, e esperar sorologia adia a hidratação, que é a intervenção que salva.
Sobre o diagnóstico laboratorial das arboviroses conforme o tempo de doença, qual afirmativa está correta?
A janela diagnóstica segue a cinética da viremia: nos primeiros dias, RT-PCR e NS1 (este específico para dengue) têm melhor rendimento; a partir do sexto dia, quando a viremia cai e os anticorpos sobem, a sorologia IgM passa a ser o método adequado. Pedir IgM no primeiro dia engana porque é o exame mais disponível na rede e o mais lembrado, mas resulta em falso-negativo e falsa tranquilidade. O manejo clínico, sobretudo a hidratação e a busca de sinais de alarme, nunca deve aguardar confirmação laboratorial.
Paciente de 55 anos, no segundo dia de dengue, é atendido na unidade básica. Refere febre, mialgia e cefaleia retro-orbitária. Hipertenso em uso de losartana e ácido acetilsalicílico por doença coronariana. Sem sinais de alarme. Qual conduta medicamentosa é correta?
Na dengue o analgésico e antitérmico seguro é o paracetamol ou a dipirona, e os anti-inflamatórios não esteroidais estão proscritos pelo risco de sangramento e lesão renal. Prescrever ibuprofeno é o erro que mais aparece na prática e o distrator mais tentador porque parece um antitérmico qualquer. O ácido acetilsalicílico em uso crônico por indicação cardiológica exige julgamento individual entre risco trombótico e hemorrágico, mas nunca se acrescenta salicilato como antitérmico.
Sobre os testes diagnósticos da dengue, qual afirmação está correta em relação ao momento da coleta?
A janela diagnóstica da dengue segue a cinética viral: o antígeno NS1 e a RT-PCR são exames da fase virêmica, com melhor rendimento nos primeiros cinco dias, enquanto o IgM só ganha sensibilidade a partir do sexto dia. Pedir IgM no primeiro dia é o erro mais frequente e devolve resultado não reagente que não afasta nada. O hemograma é indispensável para o manejo, pela leitura seriada do hematócrito e das plaquetas, mas não define etiologia.
Mulher de 29 anos com dengue, sétimo dia de doença, chega com pressão arterial 80 x 65 mmHg, extremidades frias, tempo de enchimento capilar de 4 segundos e hematócrito 55%. Qual a conduta imediata?
O choque da dengue é hipovolêmico por extravasamento plasmático, e a resposta é volume: cristaloide isotônico em alíquotas rápidas com reavaliação frequente de perfusão, diurese e hematócrito. Partir para vasopressor antes de repor volume inverte a fisiopatologia e é o erro mais comum de quem transporta o raciocínio do choque séptico. O hematócrito muito elevado indica hemoconcentração e não anemia — transfundir hemácias nesse momento é contraindicado. Corticoide não tem benefício demonstrado.
Sobre a vacinação contra dengue disponível no Brasil, qual afirmação está correta?
A vacina tetravalente de vírus vivo atenuado incorporada ao Sistema Único de Saúde é aplicada em duas doses e, na estratégia adotada, não requer triagem sorológica prévia, sendo direcionada a faixas etárias definidas conforme a disponibilidade de doses. Exigir sorologia prévia é o distrator que reproduz a exigência de outra vacina, de composição diferente, na qual a soronegatividade se associava a risco aumentado de doença grave. Por ser de vírus atenuado, é contraindicada em gestantes e imunossuprimidos, e o controle vetorial permanece indispensável.
Homem de 30 anos, quinto dia de febre, com quadro de dengue confirmado. Hoje a febre cedeu, mas ele apresenta dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hematócrito subindo de 42% para 51% e plaquetas de 60.000/mm³. Pressão arterial 110 x 70 mmHg. Qual a classificação e a conduta?
O período crítico da dengue começa justamente com a defervescência, e dor abdominal intensa, vômitos persistentes e hemoconcentração são sinais de alarme que indicam extravasamento plasmático em curso — o paciente entra em hidratação endovenosa com cristaloide e observação, sem esperar hipotensão. Classificar como forma grave engana porque ainda não há choque, sangramento grave nem disfunção orgânica, e transfundir plaquetas por número, sem sangramento, não melhora desfecho. O hematócrito, e não a plaquetometria, é o parâmetro que guia a reposição.
Mulher de 22 anos com dengue e plaquetas de 18.000/mm³ no sexto dia de doença, sem sangramento, hemodinamicamente estável, hematócrito estável, aceitando líquidos. Qual conduta?
Na dengue a plaquetopenia é transitória e por si só não determina conduta: o gatilho para transfusão é o sangramento grave, não o número. Transfundir profilaticamente é o erro mais disseminado e consome hemocomponente sem alterar desfecho, além de expor o paciente a reações transfusionais. O parâmetro que realmente comanda a assistência nesse período é o estado hemodinâmico e a variação do hematócrito, que aqui estão estáveis.
Mulher de 42 anos, no 5o dia de doenca, apresenta queda da febre acompanhada de dor abdominal intensa e continua, vomitos persistentes e hematocrito em elevacao. A conduta correta e:
Dor abdominal intensa e continua, vomitos persistentes e aumento do hematocrito na defervescencia sao sinais de alarme e indicam extravasamento plasmatico: a conduta e hidratacao venosa imediata, em servico de saude, com reavaliacao seriada. Interpretar a queda da febre como melhora engana e e o erro mais mortal da dengue — e exatamente ai que comeca a fase critica. Transfusao profilatica de plaquetas nao esta indicada pelo numero isolado, e imagem nao deve atrasar a expansao volemica.
Homem de 28 anos, no 6o dia de doenca, com dengue e hipotensao, extremidades frias, pulso filiforme e enchimento capilar lento. A conduta imediata e:
Choque na dengue e classificado como grupo D e exige expansao volemica rapida com cristaloide, repetida conforme a resposta, com monitorizacao de hematocrito, diurese e perfusao — o extravasamento e transitorio e responde a volume. Comecar por droga vasoativa engana quem aplica o raciocinio de outros choques, mas aqui o problema e hipovolemia relativa por perda plasmatica, e o vasopressor so entra apos reposicao adequada. Corticoide nao demonstrou beneficio no choque da dengue.
Homem de 30 anos com febre ha 3 dias, mialgia, cefaleia retro-orbitaria e exantema, em area endemica de dengue. Ao exame: hidratado, sem sinais de alarme, prova do laco negativa. A conduta correta e:
Caso suspeito sem sinais de alarme, sem comorbidade e com prova do laco negativa e classificado no grupo A: hidratacao oral, sintomaticos e — o ponto que mais se perde na pratica — retorno programado, sobretudo no periodo de defervescencia, quando surge a fase critica. Prescrever salicilato ou anti-inflamatorio engana quem trata a febre por reflexo, mas aumenta o risco de sangramento. A notificacao e imediata para o caso suspeito, independentemente do resultado sorologico.
Sobre a confirmacao laboratorial da dengue, a escolha do exame conforme o tempo de doenca e:
Na fase virêmica, ate cerca do 5o dia, os testes de deteccao direta — antigeno NS1 e amplificacao de acido nucleico — sao os indicados; a partir do 6o dia a resposta de anticorpos ja permite a sorologia. Solicitar sorologia na fase inicial engana e produz falso-negativo, levando a descartar caso verdadeiro. Hemograma e prova do laco orientam gravidade e conduta, mas nao confirmam etiologia.
Qual conduta é adequada em relação à transfusão de plaquetas na dengue?
A transfusão profilática de plaquetas na dengue não previne sangramento nem melhora desfechos, e o gatilho para transfundir é clínico: sangramento grave ativo ou contextos específicos definidos pelo serviço, e não um número isolado no hemograma. Transfundir por contagem baixa consome hemocomponentes, expõe o paciente a riscos transfusionais e desvia o foco do que realmente importa, que é a reposição volêmica guiada por sinais de alarme, hematócrito e perfusão. Dizer que é sempre contraindicada, porém, é o extremo oposto e também incorreto.
Qual a principal alteração fisiopatológica responsável pela gravidade na dengue?
A gravidade da dengue decorre principalmente do aumento da permeabilidade capilar, com extravasamento de plasma para o terceiro espaço, o que produz hemoconcentração, ascite, derrame pleural e, se não corrigido, choque hipovolêmico. É por isso que o hematócrito seriado é tão informativo e que a reposição volêmica cuidadosa é a intervenção que salva vidas, mais do que qualquer transfusão de plaquetas. A plaquetopenia é frequente e assusta, mas o sangramento grave é menos comum que o choque por extravasamento.
Paciente com dengue no quinto dia de doença apresenta melhora da febre, mas evolui com dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e letargia. Qual a interpretação e a conduta?
O momento mais perigoso da dengue é justamente a defervescência, entre o terceiro e o sétimo dia, quando se inicia a fase crítica com extravasamento plasmático. Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, letargia ou irritabilidade, hepatomegalia dolorosa, sangramento de mucosa, acúmulo de líquidos e aumento do hematócrito com queda de plaquetas são sinais de alarme e indicam hidratação venosa e observação hospitalar. Interpretar a queda da febre como melhora e dar alta nesse ponto é o erro clássico que precede o choque.
Adolescente de 16 anos, gestante de 30 semanas, com dengue confirmada e sinais de alarme. Sobre o manejo, é correto afirmar:
Gestantes entram em grupo de risco na dengue por maior chance de complicações, e a proximidade do parto em plena plaquetopenia exige planejamento e vigilância fetal, não antecipação automática do nascimento. Anti-inflamatórios seguem contraindicados, e no terceiro trimestre há ainda o risco de fechamento do canal arterial. A hemorragia periparto é justamente uma das complicações temidas.
Gestante de 29 anos, com 22 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde em região com epidemia de dengue. Refere febre há três dias, cefaleia retro-orbitária, mialgia e prostração. Hoje, no quarto dia, a febre cedeu, mas ela apresenta dor abdominal intensa e vômitos persistentes. Ao exame: pressão arterial 100 x 70 mmHg, frequência cardíaca 104 bpm, prova do laço positiva. Hematócrito 44% e plaquetas 92.000/mm³. Assinale a classificação de risco e a conduta corretas.
Dor abdominal intensa e vômitos persistentes no período de defervescência caracterizam sinais de alarme na dengue, e toda gestante nessa situação deve ser internada para hidratação venosa e monitorização, condição agravada por ser a gestação um fator de risco reconhecido. Classificar como dengue sem sinais de alarme e liberar para casa ignora justamente os sinais descritos. Dengue grave exige choque, sangramento grave ou disfunção orgânica, e a transfusão de plaquetas não é indicada apenas pelo número de plaquetas. Pré-eclâmpsia não explica febre, mialgia e prova do laço positiva em contexto epidêmico.
Mulher de 30 anos, moradora de área urbana com surto de dengue, é atendida na UBS com febre há 3 dias, mialgia e cefaleia retro-orbitária. Está hidratada, com PA 110x70 mmHg, prova do laço negativa, sem sinais de alarme e sem comorbidades. Hemograma mostra plaquetas de 130.000/mm³ e hematócrito normal. De acordo com o estadiamento clínico do Ministério da Saúde, qual é a conduta?
Paciente sem sinais de alarme, sem sangramento espontâneo e sem condição clínica especial ou risco social é classificada como grupo A, tratada em domicílio com hidratação oral e retorno para reavaliação, especialmente na defervescência. O grupo B exige sangramento espontâneo, prova do laço positiva ou condição de risco, ausentes aqui; a plaquetopenia isolada leve não muda o grupo. O grupo C pressupõe sinal de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes ou hipotensão postural. A internação em terapia intensiva é reservada ao grupo D, com choque ou disfunção orgânica.
Adolescente de 14 anos, com quadro de febre e dor abdominal, tem diagnóstico de dengue confirmado. Evolui com melhora, recebe alta e retorna 10 dias depois com novo quadro febril. A equipe questiona a possibilidade de segunda infecção. Sobre a dengue e o risco de gravidade em reinfecções, assinale a alternativa correta.
A infecção sequencial por sorotipo distinto está associada a maior risco de formas graves, fenômeno explicado pela amplificação dependente de anticorpos, o que justifica vigilância redobrada em quem já teve dengue. A imunidade duradoura é específica de sorotipo, e a proteção cruzada é apenas temporária. Afirmar que reinfecções são sempre mais leves contraria a evidência epidemiológica. Atribuir a gravidade apenas à carga viral ignora o papel da resposta imune prévia.
Gestante de 28 anos, com 12 semanas, é atendida na Unidade Básica de Saúde de um município da região amazônica com febre de 38,8 °C, cefaleia intensa, mialgia e dor retro-orbitária há três dias, associada a náuseas. Nega sangramentos, dor abdominal persistente e vômitos incoercíveis. A pressão arterial é de 110x70 mmHg, a frequência cardíaca é de 96 bpm, a prova do laço é positiva e o hematócrito é de 39%, com plaquetas de 128.000/mm³. O teste rápido para dengue é positivo. A classificação de risco e a conduta são
A gestação é condição especial que enquadra a paciente no grupo B do estadiamento clínico da dengue mesmo sem sinais de alarme, exigindo hidratação assistida e observação em unidade de saúde até resultado de exames e reavaliação. Classificá-la como grupo A e liberá-la para casa desconsidera a condição de risco, ainda que a prova do laço positiva por si já mudasse a classificação. Dengue grave pressupõe choque, sangramento grave ou disfunção orgânica, ausentes no caso. Aguardar sorologia para classificar contraria a lógica do protocolo, que é clínica e imediata, já que o manejo hídrico oportuno é o que reduz mortalidade.
Homem de 32 anos procura a Unidade Básica de Saúde com febre alta há quatro dias, cefaleia retro-orbitária, mialgia intensa e prostração. Reside em área com transmissão ativa de dengue. Hoje refere que a febre cedeu, mas iniciou dor abdominal contínua e vômitos persistentes. Ao exame: PA 100x70 mmHg, FC 106 bpm, mucosas descoradas, extremidades levemente frias, tempo de enchimento capilar de 3 segundos, dor à palpação de hipocôndrio direito, prova do laço positiva. Hematócrito 49% e plaquetas 88.000/mm3. A classificação e a conduta corretas são:
Defervescência acompanhada de dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e hemoconcentração caracteriza dengue com sinais de alarme, que exige hidratação venosa imediata em unidade com leito de observação e reavaliações seriadas, pois é a fase crítica de extravasamento plasmático. Classificar como sem sinais de alarme e liberar para domicílio ignora justamente os critérios presentes. Dengue grave exigiria choque estabelecido, sangramento grave ou disfunção orgânica; além disso, transfusão de plaquetas não é indicada apenas pela contagem baixa sem sangramento. Laparotomia exploradora seria intervenção desastrosa em quadro de extravasamento plasmático por dengue.
Mulher de 30 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde no quinto dia de doença febril, em município com epidemia de dengue. A febre cessou hoje, mas ela evoluiu com dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e tontura ao levantar. Ao exame: pressão arterial 100x80 mmHg com pressão de pulso reduzida, extremidades frias, tempo de enchimento capilar de 3 segundos, dor à palpação abdominal e hepatomegalia dolorosa. Exames: hematócrito em elevação e plaquetas em queda acentuada. Qual é a conduta correta?
Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hepatomegalia dolorosa, hematócrito em elevação com plaquetas em queda e sinais de má perfusão configuram dengue com sinais de alarme na fase crítica, exigindo internação e hidratação endovenosa imediata com reavaliação frequente. Hidratação oral domiciliar é conduta do grupo sem sinais de alarme. Anti-inflamatórios não esteroidais são contraindicados na dengue por aumentarem o risco de sangramento. Transfusão de plaquetas não é indicada pela contagem isolada, e sim diante de sangramento grave conforme protocolo.
Gestante de 29 anos, com 30 semanas, procura a Unidade de Pronto Atendimento no quinto dia de febre, agora afebril, com dor abdominal intensa e contínua e vômitos persistentes. Ao exame, pressão arterial de 96 x 74 mmHg, frequência cardíaca de 112 bpm, tempo de enchimento capilar de 3 segundos, dor à palpação abdominal difusa e batimentos cardiofetais de 152 bpm. Hematócrito em ascensão em relação ao exame anterior e plaquetas de 68.000/mm³. A conduta correta é:
Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, aumento do hematócrito e queda das plaquetas na fase de defervescência caracterizam dengue com sinais de alarme, que exige internação, hidratação endovenosa conforme protocolo e monitorização rigorosa, com atenção especial na gestante pelo risco materno e fetal. Liberar para hidratação oral ignora que a fase crítica começa justamente com a queda da febre. Anti-inflamatórios não esteroidais são contraindicados pelo risco hemorrágico. Interromper a gestação não trata a doença e acrescenta risco em paciente instável.
Mulher de 26 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde no terceiro dia de febre, cefaleia, dor retro-orbitária e mialgia intensa, em município com epidemia de dengue. Está tolerando líquidos por via oral, sem vômitos, sem dor abdominal e sem sangramentos. Ao exame: corada, hidratada, pressão arterial 112x70 mmHg, frequência cardíaca 92 bpm, sem hepatomegalia, sem derrames cavitários, com prova do laço negativa e sem sinais de alarme. Não tem comorbidades nem gestação. Qual é a conduta correta?
Paciente com dengue sem sinais de alarme, sem comorbidades e sem condição especial é classificada no grupo de menor risco, com tratamento domiciliar baseado em hidratação oral em volume calculado por peso, sintomáticos seguros e retorno programado, com orientação clara dos sinais de alarme. Internar por mialgia intensa não é critério. Ácido acetilsalicílico e outros anti-inflamatórios são contraindicados pelo risco de sangramento. Liberar sem orientação de retorno é falha grave, pois a fase crítica ocorre justamente na defervescência.
Homem de 68 anos, hipertenso e diabético, é atendido na Unidade de Pronto Atendimento no quarto dia de doença febril compatível com dengue. Está sem sinais de alarme, tolerando líquidos, sem vômitos e sem dor abdominal. Ao exame: corado, hidratado, pressão arterial 138x84 mmHg, frequência cardíaca 84 bpm, sem hepatomegalia e sem derrames. O hematócrito está no limite superior e as plaquetas em 118.000 por milímetro cúbico. Ele usa anti-hipertensivo e metformina regularmente e mora com a filha. Qual é a conduta correta?
Idade avançada e comorbidades como hipertensão e diabetes caracterizam condição especial ou risco social, o que classifica o paciente em grupo que exige acompanhamento em unidade de saúde com hidratação orientada e reavaliação clínica e laboratorial, mesmo sem sinais de alarme. Tratá-lo como caso de menor risco desconsidera o perfil de vulnerabilidade. Internação em terapia intensiva sem instabilidade é desproporcional. Suspender a hidratação favorece a evolução para choque, devendo-se apenas ajustar o volume com monitorização.
Homem de 33 anos internado por dengue com sinais de alarme recebeu hidratação endovenosa e apresenta melhora progressiva. Está no sétimo dia de doença, afebril há 48 horas, com boa aceitação oral, diurese adequada e sem dor abdominal ou vômitos. Ao exame: corado, hidratado, pressão arterial 118x76 mmHg, sem derrames cavitários e sem hepatomegalia dolorosa. Exames: hematócrito estável em queda em relação ao pico e plaquetas em ascensão, sem sangramentos. A equipe discute os critérios de alta hospitalar. Qual é a conduta correta?
Os critérios de alta na dengue incluem ausência de febre por período definido sem uso de antitérmico, melhora clínica evidente, boa aceitação oral, diurese adequada, estabilização do hematócrito e tendência de elevação das plaquetas, sem sinais de alarme e fora da fase crítica. Exigir plaquetas acima de determinado valor absoluto não é critério de alta. Prazo fixo de internação não corresponde às recomendações. Aguardar sorologia não altera a conduta clínica e prolonga desnecessariamente a internação.
Mulher de 40 anos chega à Unidade de Pronto Atendimento no quinto dia de dengue, trazida pela família por prostração intensa e extremidades frias. Ao exame: sonolenta, pele fria e pegajosa, pulso filiforme, pressão arterial de 80x70 mmHg com pressão de pulso convergente, tempo de enchimento capilar de 5 segundos, taquicardia de 128 bpm e ausculta pulmonar com redução do murmúrio em bases. Exames: hematócrito muito elevado em relação ao basal e plaquetopenia acentuada. Qual é a conduta imediata?
O choque da dengue decorre de extravasamento plasmático e a conduta imediata é a reposição volêmica endovenosa vigorosa com cristaloide, em alíquotas rápidas, com reavaliação frequente de sinais vitais, perfusão, diurese e hematócrito, em ambiente com suporte avançado. Vasopressor antes da reposição não corrige a hipovolemia subjacente. Transfusão de plaquetas não é medida prioritária e não trata o choque. Corticoide não tem eficácia comprovada no choque da dengue.
Gestante de 30 anos, com 28 semanas, é atendida na Unidade de Pronto Atendimento com febre há três dias, cefaleia, dor retro-orbitária, mialgia e vômitos persistentes que iniciaram hoje, com dor abdominal intensa e contínua. Ao exame, apresenta pressão arterial de 96x70 mmHg, com pressão de pulso reduzida, frequência cardíaca de 116 bpm, extremidades frias e enchimento capilar de três segundos. O hematócrito subiu de 36% para 45% e as plaquetas estão em 68.000/mm³. A conduta correta é
Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, aumento do hematócrito e redução da pressão de pulso caracterizam dengue com sinais de alarme, exigindo reposição volêmica imediata com cristaloide em ambiente hospitalar, o que reduz drasticamente a mortalidade. Classificar como grupo B e liberar após hidratação oral subestima a gravidade. Aguardar sorologia retarda a única intervenção que altera o desfecho. Anti-inflamatórios não esteroidais são contraindicados por risco hemorrágico.
Gestante de 25 anos, com 36 semanas, é internada com dengue confirmada e trombocitopenia de 42.000/mm³, sem sangramento ativo. Ela está estável, com hematócrito estável após hidratação, pressão arterial de 110x70 mmHg e frequência cardíaca de 92 bpm. A cardiotocografia é tranquilizadora e não há contrações. A equipe discute o planejamento do parto, considerando o risco hemorrágico e a possibilidade de trabalho de parto espontâneo nos próximos dias. A conduta correta é
Durante a fase crítica da dengue, a resolução eletiva da gestação deve ser evitada sempre que possível, pois o risco hemorrágico e a instabilidade hemodinâmica são maiores, mantendo-se suporte, vigilância e reserva de hemocomponentes, com transfusão de plaquetas indicada apenas para sangramento ou procedimento. Cesariana eletiva na fase crítica aumenta a morbimortalidade. Transfusão profilática universal não é recomendada. Suspender a hidratação em paciente com extravasamento plasmático é conduta perigosa.
Mulher de 42 anos é atendida no pronto-socorro com febre, cefaleia e petéquias há dois dias. Ela retornou de área endêmica de dengue há uma semana. Ao exame: temperatura 38,6 °C, PA 106x68 mmHg, FC 104 bpm, petéquias em membros, prova do laço positiva, sem sangramento ativo volumoso, abdome sem dor intensa, sem vômitos persistentes. Exames: hemoglobina 13,6 g/dL, hematócrito 42%, plaquetas 42.000/mm3, leucócitos 2.800/mm3, transaminases discretamente elevadas, sem hemoconcentração, sem sinais de extravasamento plasmático. A conduta correta é:
Dengue com plaquetopenia mas sem sinais de alarme e sem hemoconcentração é manejada com hidratação oral, evitação de anti-inflamatórios e ácido acetilsalicílico pelo risco hemorrágico e reavaliação diária até a defervescência, período de maior risco. Transfusão de plaquetas não é indicada apenas pela contagem, sem sangramento grave. Ácido acetilsalicílico é contraindicado na dengue. Internação em terapia intensiva sem sinais de alarme é desproporcional.
Um homem de 29 anos procura a unidade básica de saúde no terceiro dia de febre alta, cefaleia retro-orbitária, mialgia intensa e prostração, em município com transmissão simultânea de três arboviroses. Nega artralgia incapacitante e não apresenta exantema no momento. A pressão é de 110x70 mmHg, a prova do laço é positiva e o hematócrito está no limite superior. A médica precisa orientar a hipótese principal e a conduta. Qual é a conduta correta?
Febre alta com cefaleia retro-orbitária, mialgia intensa, prostração e prova do laço positiva orienta para dengue, cuja conduta é o estadiamento clínico com hidratação correspondente, proibição de anti-inflamatórios não esteroides pelo risco hemorrágico e reavaliação diária no período crítico. Chikungunya cursa com artralgia intensa e incapacitante, ausente aqui, e o anti-inflamatório seria contraindicado enquanto dengue não estiver afastada. Zika costuma cursar com exantema pruriginoso e febre baixa, e liberar sem reavaliação é inseguro. Adiar a hidratação até resultado laboratorial é a principal causa evitável de agravamento.
Homem, 34 anos, procura a UBS com febre há 4 dias, mialgia intensa e dor retro-orbitária. A febre cessou ontem, mas iniciou dor abdominal contínua e vômitos persistentes. PA 110/70 mmHg, FC 96 bpm, FR 18 ipm, T 36,8 °C, sem hipotensão postural ou sangramento espontâneo. Prova do laço positiva. Hematócrito 48% (VR 40–50); plaquetas 92.000/mm³ (VR 150.000–450.000). Segundo a classificação de risco do Ministério da Saúde, qual a conduta imediata?
Dor abdominal intensa e contínua somada a vômitos persistentes são sinais de alarme; na ausência de hipotensão, choque ou sangramento grave, o caso é dengue do grupo C, cuja conduta padronizada é expansão venosa com cristaloide 10 mL/kg na primeira hora sob observação, com reavaliação clínica e de hematócrito. A hidratação oral domiciliar de 60 mL/kg/dia destina-se ao grupo A, definido pela ausência de sinais de alarme e de condição de risco, o que não é o caso. A hidratação oral supervisionada com liberação após hemograma corresponde ao grupo B, no qual há apenas prova do laço positiva ou condição especial, sem sinal de alarme. A expansão com 20 mL/kg em 20 minutos é reservada ao grupo D, que exige choque, desconforto respiratório ou sangramento grave, ausentes aqui. Sintomáticos com reavaliação em 48 horas retardam a reposição volêmica justamente na janela de extravasamento plasmático, quando a defervescência já ocorreu.
Mulher, 27 anos, G2P1, com 32 semanas, apresenta febre há 4 dias, mialgia, cefaleia retro-orbitária e, hoje, dor abdominal intensa e vômitos persistentes. PA 100/80 mmHg, FC 112 bpm, T 37,2 °C. Prova do laço positiva. Plaquetas 78.000/mm³ (VR 150.000–450.000); hematócrito subiu de 34% para 44%; albumina reduzida; ultrassom com líquido livre em cavidade e espessamento de parede vesicular. Qual a classificação e a conduta correta?
Trata-se de dengue com sinais de alarme — dor abdominal intensa, vômitos persistentes, hemoconcentração com queda plaquetária e sinais de extravasamento plasmático como ascite e espessamento vesicular —, o que impõe internação e hidratação venosa vigorosa conforme protocolo, com monitorização seriada de hematócrito e diurese. Classificá-la como sem sinais de alarme e manejá-la em domicílio arrisca a evolução para choque. A zika cursa com exantema pruriginoso e febre baixa ou ausente, sem hemoconcentração. Diagnosticar dengue grave com choque exigiria hipotensão franca ou pressão de pulso menor que 20 mmHg com má perfusão, e a resolução da gestação em plena plaquetopenia agravaria o risco hemorrágico. A vacina de febre amarela é de vírus vivo atenuado, evitada na gestação salvo risco epidemiológico elevado.
Homem, 38 anos, é atendido na UBS com quadro de febre há 5 dias, mialgia, cefaleia retro-orbitária e exantema. Reside em área com transmissão ativa de dengue. Exame: T 38,4 °C, PA 118/76 mmHg, FC 92 bpm, hidratado, sem dor abdominal, sem vômitos, sem sangramentos, prova do laço negativa. Hematócrito 44%; plaquetas 128.000/mm³; leucócitos 3.100/mm³. Sem comorbidades, sem gestação, sem extremos de idade e com boa aceitação de líquidos. Qual a classificação de risco e a conduta corretas?
Paciente sem sinais de alarme, sem sangramento espontâneo, com prova do laço negativa, sem condições clínicas especiais e com boa aceitação de líquidos é classificado como grupo A, cuja conduta é hidratação oral domiciliar de 60 mL/kg/dia, sintomáticos e orientação de retorno imediato diante de sinais de alarme, sobretudo no período da defervescência. O grupo B exige prova do laço positiva, sangramento espontâneo de pele ou condição clínica especial, nenhum presente. O grupo C exige sinais de alarme, ausentes. O grupo D exige choque, sangramento grave ou disfunção orgânica. A plaquetopenia isolada não define grupo de risco na classificação, que se baseia em sinais clínicos de alarme e em condições especiais, e não em um valor laboratorial isolado.
Mulher, 34 anos, no 5º dia de febre por dengue confirmada, evolui com queda da temperatura, dor abdominal intensa, vômitos persistentes e letargia. PA 90x78 mmHg, FC 122 bpm, tempo de enchimento capilar 4 segundos, extremidades frias. Hematócrito 52% (basal 38%); plaquetas 28.000/mm³ (VR 150.000-450.000); albumina 2,6 g/dL (VR 3,5-5,0). Ultrassonografia mostra ascite e derrame pleural bilateral. Qual a conduta imediata?
A paciente está em dengue grave com choque, evidenciado por pressão de pulso convergente de 12 mmHg, extremidades frias, enchimento capilar lento e hemoconcentração com hematócrito de 52%; a conduta imediata é expansão volêmica com cristaloide em bolus e reavaliação seriada. A transfusão profilática de plaquetas não é indicada apenas pelo número, sem sangramento significativo, e não corrige o extravasamento plasmático. Restringir líquidos e usar diurético agrava o choque, pois a ascite decorre de extravasamento e não de hipervolemia. O corticoide não interrompe o extravasamento e não é recomendado. A heparina é contraindicada na plaquetopenia grave com risco hemorrágico.
Homem, 33 anos, no quinto dia de febre em área endêmica, procura o serviço com dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e sonolência. Exame: PA 100/80 mmHg, FC 110 bpm, extremidades frias, tempo de enchimento capilar de 3 segundos, hepatimetria aumentada e dolorosa. Hematócrito 52% (VR 40–52), com valor de 42% há 2 dias; plaquetas 38.000/mm³ (VR 150.000–450.000); albumina 2,8 g/dL (VR 3,5–5,0). Prova do laço positiva. Qual a conduta prioritária?
Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sonolência, hepatomegalia dolorosa, hemoconcentração com queda da albumina e estreitamento da pressão de pulso indicam sinais de alarme com extravasamento plasmático, e a prioridade é a reposição volêmica imediata com cristaloide segundo protocolo, não a contagem de plaquetas. Transfundir plaquetas com base apenas no número, sem sangramento grave, não reduz desfechos e pode ser deletério. Anti-inflamatórios não esteroidais são contraindicados na dengue por risco de sangramento e lesão renal. Plasma profilático não previne coagulopatia e não é recomendado. Liberar para casa em paciente com sinais de alarme e sinais de choque incipiente é conduta de alto risco.
Mulher de 30 anos, no quinto dia de febre, passa a apresentar dor abdominal persistente e vômitos repetidos quando a temperatura cai. Há aumento do hematócrito e queda de plaquetas. O teste NS1 anterior foi positivo; não há choque neste momento. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
Esse mecanismo pode reduzir o volume circulante e elevar o hematócrito. Referência: https://www.cdc.gov/dengue/hcp/clinical-care/index.html
Mulher de 30 anos, no quinto dia de febre, passa a apresentar dor abdominal persistente e vômitos repetidos quando a temperatura cai. Há aumento do hematócrito e queda de plaquetas. O teste NS1 anterior foi positivo; não há choque neste momento. Qual é o diagnóstico mais provável?
Dor abdominal persistente, vômitos e hemoconcentração na defervescência sugerem risco de extravasamento plasmático. Referência: https://www.cdc.gov/dengue/hcp/clinical-care/index.html
Mulher de 30 anos, no quinto dia de febre, passa a apresentar dor abdominal persistente e vômitos repetidos quando a temperatura cai. Há aumento do hematócrito e queda de plaquetas. O teste NS1 anterior foi positivo; não há choque neste momento. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
A tendência deve ser interpretada com hidratação e possível sangramento, não como número isolado. Referência: https://www.cdc.gov/dengue/hcp/clinical-care/index.html
Mulher de 30 anos, no quinto dia de febre, passa a apresentar dor abdominal persistente e vômitos repetidos quando a temperatura cai. Há aumento do hematócrito e queda de plaquetas. O teste NS1 anterior foi positivo; não há choque neste momento. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
Sinais de alarme exigem acompanhamento próximo; plaquetopenia isolada não justifica transfusão profilática de plaquetas. Referência: https://www.cdc.gov/dengue/hcp/clinical-care/index.html
Durante circulação de arbovírus, adulto tem febre, dor retro-orbitária e mialgia. Teste molecular na fase inicial confirma vírus da dengue. Qual diagnóstico melhor explica o quadro?
O teste específico define a etiologia da síndrome febril. Febre, mialgia e manifestações hematológicas em contexto epidemiológico compatível sugerem dengue; sinais de alarme orientam vigilância e manejo. Referência: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/dengue-and-severe-dengue
Paciente com dengue confirmada apresenta dor abdominal persistente e vômitos durante a queda da febre, exigindo reavaliação por sinais de alarme. Qual diagnóstico melhor explica o quadro?
A defervescência pode coincidir com a fase de maior risco da dengue. Febre, mialgia e manifestações hematológicas em contexto epidemiológico compatível sugerem dengue; sinais de alarme orientam vigilância e manejo. Referência: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/dengue-and-severe-dengue
Mulher com febre aguda e exantema tem NS1 positivo e evolui com plaquetopenia, sem evidência de infecção bacteriana focal. Qual diagnóstico melhor explica o quadro?
O antígeno específico apoia dengue aguda. Febre, mialgia e manifestações hematológicas em contexto epidemiológico compatível sugerem dengue; sinais de alarme orientam vigilância e manejo. Referência: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/dengue-and-severe-dengue
Paciente com infecção pelo vírus da dengue confirmada tem aumento do hematócrito, derrame pleural e sinais de hipoperfusão. Qual diagnóstico melhor explica o quadro?
Extravasamento plasmático pode causar choque na dengue. Febre, mialgia e manifestações hematológicas em contexto epidemiológico compatível sugerem dengue; sinais de alarme orientam vigilância e manejo. Referência: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/dengue-and-severe-dengue
Qual alteração do hematócrito acompanha a queda da febre no gráfico?

Passa de cerca de 40% para 50%, caracterizando hemoconcentração relativa.
Após reposição inicial, o paciente permanece instável e o hematócrito cai de 50% para 34%, com melena volumosa. Qual interpretação exige mudar a investigação e o suporte?

Instabilidade com perda sanguínea evidente e queda do hematócrito exige avaliação de hemorragia e possível suporte transfusional.
Normalização da temperatura entre os dias 3 e 5 garante que o paciente saiu do período de risco?

A evolução clínica e circulatória deve ser acompanhada mesmo com melhora da febre.
Qual tendência das plaquetas é apresentada?

Diminuem de 170 para 48 mil/mm³ ao longo da série.
No sexto dia, surgem extremidades frias, pulso fraco e pressão de 90/75 mmHg. Como integrar esses sinais às curvas?

Defervescência com hematócrito crescente e pressão de pulso estreita indica deterioração, não recuperação garantida.
Após a fase crítica da dengue, melhora a perfusão, aumenta a diurese e o líquido extravasado começa a retornar à circulação. Qual consequência deve orientar a prescrição de hidratação intravenosa?
A reabsorção de líquido na recuperação torna excessiva uma infusão antes necessária. Referência: CDC. Clinical Care of Dengue. https://www.cdc.gov/dengue/hcp/clinical-care/index.html
Uma pessoa que teve dengue confirmada pergunta se permanece suscetível à doença. Qual característica da resposta imune explica a possibilidade de novo episódio?
A imunidade homotípica costuma ser duradoura; a proteção cruzada contra os outros sorotipos é limitada. Referência: CDC. Clinical Features of Dengue. https://www.cdc.gov/dengue/hcp/clinical-signs/index.html
Na investigação de síndrome febril aguda, solicita-se pesquisa de NS1 para dengue. Qual componente é diretamente detectado nesse exame, diferentemente de uma sorologia IgM?
NS1 é um antígeno viral, não um anticorpo do paciente. Referência: CDC. Clinical Testing Guidance for Dengue. https://www.cdc.gov/dengue/hcp/diagnosis-testing/index.html
No terceiro dia de uma doença clinicamente compatível com dengue, deseja-se combinar detecção direta do agente e resposta humoral. Qual estratégia contempla esses dois componentes?
Na primeira semana, NAAT e IgM oferecem informações complementares; NS1 associado à IgM é outra estratégia aceita. Referência: CDC. Clinical Testing Guidance for Dengue. https://www.cdc.gov/dengue/hcp/diagnosis-testing/index.html
Uma pessoa apresenta IgM reagente para dengue em amostra única, sem data confiável do início dos sintomas. Qual interpretação respeita a persistência desse marcador?
IgM pode permanecer detectável por cerca de três meses; resultado isolado requer contexto clínico e epidemiológico. Referência: CDC. Clinical Testing Guidance for Dengue. https://www.cdc.gov/dengue/hcp/diagnosis-testing/index.html
Em região com circulação de dengue e Zika, a interpretação de sorologias pode ser difícil. Qual propriedade desses testes explica parte dos resultados discordantes?
A reatividade cruzada limita a especificidade de certas sorologias; o contexto e testes complementares podem ser necessários. Referência: CDC. Clinical Testing Guidance for Dengue. https://www.cdc.gov/dengue/hcp/diagnosis-testing/index.html
Um exame para RNA viral ou NS1 é negativo na fase inicial de um quadro sugestivo de dengue. Qual princípio deve orientar a interpretação desse resultado?
A sensibilidade depende da fase da doença; pode ser necessária avaliação sorológica em amostra convalescente. Referência: CDC. Clinical Testing Guidance for Dengue. https://www.cdc.gov/dengue/hcp/diagnosis-testing/index.html
Na dengue, o hematócrito pode aumentar ao mesmo tempo em que surgem derrame pleural e ascite. Qual mecanismo integra esses achados sem pressupor aumento da massa eritrocitária?
A perda de plasma concentra as hemácias remanescentes e favorece acúmulo de líquido nas cavidades. Referência: CDC. Clinical Features of Dengue. https://www.cdc.gov/dengue/hcp/clinical-signs/index.html
Durante tratamento da dengue, o paciente mantém instabilidade circulatória apesar da reposição adequada e apresenta queda inesperada do hematócrito. Qual complicação deve ser ativamente procurada?
Em instabilidade persistente, a queda do hematócrito exige considerar sangramento, além de interpretar o efeito dos líquidos administrados. Referência: CDC. Clinical Care of Dengue. https://www.cdc.gov/dengue/hcp/clinical-care/index.html
Na dengue com plaquetopenia importante, mas sem sangramento ativo ou procedimento invasivo previsto, qual princípio se aplica à transfusão profilática de concentrado de plaquetas?
A contagem isolada não justifica transfusão profilática rotineira na dengue; a avaliação clínica orienta o manejo. Referência: CDC. Clinical Care of Dengue. https://www.cdc.gov/dengue/hcp/clinical-care/index.html
Um adulto já classificado no grupo B por dengue permanece bem durante observação, tolera líquidos e não apresenta hemoconcentração ou sinais de alarme. Recebe alta da unidade com cartão de acompanhamento. Qual programação de retorno corresponde ao manual brasileiro de 2024?
A orientação de retorno deve ser explícita e acompanhada dos sinais que exigem procura imediata. Referências: Ministério da Saúde: Dengue, diagnóstico e manejo clínico, adulto e criança, 6ª edição, 2024 — https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/dengue/dengue-diagnostico-e-manejo-clinico-adulto-e-crianca
Mulher de 38 anos com dengue confirmada apresenta AST de 1.420 U/L e ALT de 1.180 U/L, sem outra causa identificada para a lesão hepática. Está com pressão e perfusão preservadas e não tem sangramento volumoso. Como deve ser entendida a gravidade desse quadro?
O reconhecimento exige manejo hospitalar compatível com a disfunção orgânica. Referências: Ministério da Saúde: Dengue, diagnóstico e manejo clínico, adulto e criança, 6ª edição, 2024 — https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/dengue/dengue-diagnostico-e-manejo-clinico-adulto-e-crianca
Homem hipertenso usa hidroclorotiazida diariamente. Durante dengue, desenvolve desidratação e sinais de alarme e necessita de reposição intravenosa sob observação. Não apresenta congestão ou outra indicação atual de diurético. Qual ajuste é apropriado nesse período?
A revisão de anti-hipertensivos deve acompanhar a condição hemodinâmica. Referências: Ministério da Saúde: Dengue, diagnóstico e manejo clínico, adulto e criança, 6ª edição, 2024 — https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/dengue/dengue-diagnostico-e-manejo-clinico-adulto-e-crianca
Um adulto internado por dengue está hemodinamicamente estável há 50 horas, afebril há 30 horas, alimentando-se bem e com melhora clínica evidente. O hematócrito está normal e estável há 26 horas. As plaquetas subiram de 42.000 para 78.000/mm³, sem sangramento. Segundo o manual do Ministério da Saúde de 2024, qual interpretação é adequada?
A avaliação reúne estabilidade hemodinâmica, ausência de febre, melhora clínica e evolução laboratorial. Referências: Ministério da Saúde: Dengue, diagnóstico e manejo clínico, adulto e criança, 6ª edição, 2024 — https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/dengue/dengue-diagnostico-e-manejo-clinico-adulto-e-crianca
Uma adulta com dengue confirmada está no quinto dia de doença, afebril e com pressão arterial e perfusão preservadas. A ultrassonografia abdominal foi realizada durante a reavaliação. Qual achado do painel direito impede classificá-la simplesmente como dengue sem sinais de alarme? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

No painel direito, uma faixa anecoica acompanha a borda hepática e separa fígado e rim. É líquido livre, achado compatível com extravasamento plasmático no contexto apresentado. Ausência de febre não exclui entrada na fase crítica; pressão normal não apaga o sinal de alarme.
Uma paciente com dengue apresenta desconforto abdominal leve e difuso, sem Murphy clínico ou ultrassonográfico, leucocitose ou icterícia. Observe conjuntamente os dois painéis. Qual interpretação evita uma indicação cirúrgica baseada apenas na imagem? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

O painel esquerdo mostra espessamento estratificado da parede vesicular; o direito mostra líquido livre. Sem achados clínicos de inflamação vesicular focal, a combinação pode refletir extravasamento da dengue. Ela exige vigilância clínica e manejo da dengue, e não estabelece colecistite ou perfuração.
Um adolescente no quinto dia de dengue realiza os exames mostrados. Está sem choque, sem desconforto respiratório, com saturação de 98%, sem sangramento importante e sem disfunção orgânica. Qual classificação clínica é sustentada pelo achado pleural? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

A base direita mostra líquido pleural com distribuição dependente na incidência em decúbito. No contexto informado, isso constitui sinal de alarme e requer manejo correspondente. A ausência de choque, desconforto respiratório e outras manifestações graves impede classificar automaticamente como dengue grave apenas pela imagem.
Quer treinar mais nesse tema? Estas questões vêm do nosso banco — lá tem milhares, com simulado, maratona e estatística de acerto por área.
Criar conta grátis e continuar →Plano de revisão
em 7 dias
Os números, na ordem em que a questão os usa. Fases: febril de 2 a 7 dias, com febre de 39 a 40 graus; crítica começando com a defervescência, entre o terceiro e o sétimo dia; choque tipicamente no quarto ou quinto dia, intervalo do terceiro ao sétimo, extravasamento durando 24 a 48 horas e óbito possível em 12 a 24 horas. Sinais de alarme, sete clínicos: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos, hipotensão postural ou lipotimia, hepatomegalia maior que 2 cm, sangramento de mucosa, letargia ou irritabilidade; mais o aumento progressivo do hematócrito. Sinais de choque: taquicardia, extremidades frias, pulso filiforme, enchimento capilar acima de 2 segundos, pressão convergente abaixo de 20 mmHg, taquipneia, oligúria abaixo de 1,5 mL/kg/h, hipotensão e cianose, estas duas tardias. Hipotensão no adulto: sistólica abaixo de 90 ou média abaixo de 70 mmHg; em criança até 10 anos, quinto percentil da sistólica igual a 70 mais duas vezes a idade. Prova do laço: manguito na média entre sistólica e diastólica, 5 minutos no adulto e 3 na criança, quadrado de 2,5 cm, positiva com 20 ou mais petéquias no adulto e 10 ou mais na criança. Hidratação oral: adulto 60 mL/kg/dia, um terço com sais de reidratação; criança até 10 kg 130, de 10 a 20 kg 100, acima de 20 kg 80 mL/kg/dia. Grupo C: 10 mL/kg na primeira hora, teto de 20 mL/kg em 2 horas por fase, até três fases; manutenção 25 mL/kg em 6 horas e 25 mL/kg em 8 horas. Grupo D: 20 mL/kg em até 20 minutos, até três vezes. Internação mínima de 48 horas no C e na terapia intensiva no D. Laboratório: até o quinto dia NS1, RT-PCR ou isolamento; do sexto em diante IgM. Alta: cinco critérios.
em 30 dias
As decisões, e não os números. Primeiro: a pergunta inicial do fluxograma é sempre sinal de alarme ou de gravidade, e ela é binária — um único sinal de alarme já leva ao Grupo C, e o Grupo B só é avaliado em quem passou limpo por essa pergunta. Segundo: o Grupo B tem duas portas independentes, sangramento espontâneo ou induzido, e condição especial, comorbidade ou risco social; esquecer a segunda porta é o erro mais comum de classificação. Terceiro: hidratação oral para A e B, venosa para C e D, e nos dois últimos ela começa antes de qualquer exame, em qualquer ponto de atenção. Quarto: os grupos são dinâmicos nas duas direções — B vira C com hemoconcentração ou sinal de alarme, C vira D sem melhora após as expansões, e D volta para a expansão do C quando responde. Quinto: o exame que decide conduta é o hemograma; o exame que confirma a doença é o do dia de doença e serve à vigilância. Sexto: nas populações que mudam o estadiamento, o volume não muda, a vigilância muda — no idoso pela sobrecarga de fluidos, na gestante porque a fisiologia mascara o extravasamento, no lactente porque o agravamento é súbito. Sétimo: existe uma classificação brasileira em quatro grupos e uma classificação da OMS em três categorias de gravidade com três grupos de manejo que reaproveitam as letras A, B e C com outro sentido; identificar qual está sendo cobrada, pelo vocabulário e pelas alternativas, resolve as questões que parecem ter duas respostas.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Homem de 41 anos no quinto dia de doença, com a febre tendo cedido ontem, chega ao pronto atendimento com dor abdominal intensa e contínua, quatro episódios de vômito, tontura ao sentar e fígado palpável a 3 centímetros do rebordo costal — bairro com vários casos de dengue — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
