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Clínica MédicaInfectologia

Leptospirose e febre amarela

Febre, icterícia e exposição ambiental. O que separa as duas é a dissociação: transaminase nos milhares na febre amarela, creatinoquinase alta com transaminase modesta na leptospirose.

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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 45 anos, morador de área rural, procura a UBS com febre, cefaleia intensa, mialgia e dor retro-orbitária há 4 dias, seguidas de icterícia, oligúria e sufusões hemorrágicas conjuntivais. Relata contato com água de enchente e roedores. PA 100/60 mmHg, FC 96 bpm. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta de vigilância?

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Como esse tema cai

A vinheta é sempre a mesma: febre alta de início súbito, mialgia, icterícia e alguma coisa que sangra ou que derruba a diurese, num paciente que esteve onde não deveria. O que muda é o onde. Água de enchente, lama, esgoto e rato apontam para leptospirose; mata, cachoeira, trilha, acampamento e macaco morto apontam para febre amarela. Quando o enunciado esconde a exposição, o que decide é o laboratório — e ele decide de um jeito só. Transaminase na casa dos milhares com creatinoquinase discreta é febre amarela; creatinoquinase alta com transaminase que não passa de algumas centenas é leptospirose. Essa dissociação é o discriminador do tema e vale mais que a icterícia, que as duas têm.

O capítulo trabalha as duas doenças juntas porque a prova as junta, mas a conduta se separa cedo. Na leptospirose há antibiótico, ele é barato, está na farmácia básica e não espera sorologia — a única decisão que atrasa desfecho é segurar a droga esperando exame. Na febre amarela não há antimicrobiano: o que muda desfecho é classificar a forma clínica pelos cortes de transaminase, creatinina, razão normalizada internacional e plaqueta, internar quem tem sinal de alarme, não prescrever anti-inflamatório e vigiar o oligossintomático até o sétimo dia. A prevenção da febre amarela é uma vacina de vírus vivo atenuado com lista fechada de contraindicações, e é dela que sai metade das questões do assunto.

O recorte é o adulto que chega ao pronto-socorro. A classificação de risco da dengue, a hidratação por estágio e o que não se prescreve nas arboviroses estão no capítulo de dengue; a Lista Nacional de Notificação Compulsória inteira, com as colunas por esfera e o que a portaria de 2026 mudou, está no capítulo de vigilância das arboviroses e notificação compulsória — aqui entram só as duas linhas que interessam. Terapia dialítica e critérios de início ficam no capítulo de injúria renal aguda; o pacote da primeira hora do paciente em choque, no de sepse; a decisão de não transfundir plaqueta baixa sem sangramento, no de terapia transfusional; e o calendário vacinal completo, nos capítulos de calendário da criança e do adolescente ao idoso.

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O que muda decisão

As duas doenças na mesma vinheta — e os três eixos que as separam

Leptospirose e febre amarela compartilham a síndrome febril íctero-hemorrágica com insuficiência renal, e o próprio Ministério da Saúde as coloca uma na lista de diferenciais da outra: a fase tardia da leptospirose tem febre amarela entre os diagnósticos a afastar, e as formas graves de febre amarela devem ser diferenciadas de malária por Plasmodium falciparum, leptospirose, hepatites fulminantes, febres hemorrágicas virais, dengue grave, outras arboviroses e septicemias.

O primeiro eixo é a exposição, e ele vem com prazos diferentes. A definição de caso suspeito de leptospirose pergunta por antecedente epidemiológico nos 30 dias anteriores ao início dos sintomas: enchente, alagamento, lama, coleção hídrica, fossa, esgoto, lixo, entulho, coleta de material reciclável, limpeza de córrego, trabalho em água ou esgoto, manejo de animais, agricultura em área alagada, ou residência e trabalho em área de risco. A definição de caso suspeito de febre amarela pergunta por exposição nos últimos 15 dias em área de risco, em local com epizootia recente em primatas não humanos ou em área recém-afetada — e exige, além disso, que o indivíduo seja não vacinado ou de estado vacinal ignorado.

O segundo eixo é o tempo. A incubação da leptospirose varia de 1 a 30 dias; a da febre amarela, de 3 a 6 dias, chegando excepcionalmente a 15. A leptospirose é bifásica: fase precoce que dura de três a sete dias e, em cerca de 15% dos doentes, uma fase tardia que começa depois da primeira semana. A febre amarela é classicamente trifásica: período de infecção, um período de remissão que engana, e o período toxêmico. O macete que sobrevive à prova é que a piora da leptospirose costuma vir depois de uma semana, e a da febre amarela vem por volta do terceiro ao quinto dia, logo depois de o paciente parecer melhor.

O terceiro eixo é o laboratório, e é o mais confiável. Na leptospirose as aminotransferases ficam normais ou sobem de três a cinco vezes o valor de referência, e a creatinoquinase está alta — é a combinação que, segundo o próprio Guia, distingue a leptospirose ictérica das hepatites virais, junto com leucocitose e desvio à esquerda. Na febre amarela grave a aspartato aminotransferase chega a valores de 25.000 a 50.000 U/L e fica acima da alanina aminotransferase, enquanto a ausência de leucocitose e a proteína C reativa baixa são características da doença: proteína C reativa elevada ou leucocitose enfraquecem a suspeita de febre amarela e apontam outro diagnóstico ou infecção bacteriana superposta.

Vale medir a distância. Tomando o limite superior de referência do adulto para a aspartato aminotransferase, que o próprio capítulo de febre amarela fixa em 40 U/L, o teto da leptospirose equivale a cerca de dez a doze vezes o valor de referência, e o patamar da febre amarela grave, a algo entre 625 e 1.250 vezes. São duas ordens de grandeza de diferença, e é por isso que a dissociação resolve a questão mesmo quando o enunciado sonega a exposição.

Leptospirose: quem adoece, e por que a chuva muda a curva

A leptospirose é endêmica no Brasil e vira epidêmica em períodos chuvosos, principalmente em capitais e regiões metropolitanas, pela combinação de enchente, aglomeração populacional de baixa renda, saneamento inadequado e alta infestação de roedores infectados. O ser humano é hospedeiro acidental: o reservatório são os roedores, sobretudo Rattus norvegicus, Rattus rattus e Mus musculus, que não adoecem e eliminam a leptospira viva pela urina por meses ou pela vida toda.

A infecção se dá por contato direto com animal infectado ou, muito mais comumente, de forma indireta, por solo ou água contaminados com urina de animal infectado. A penetração ocorre por pele com lesão ou por pele íntegra imersa por longos períodos em água contaminada. Contato com sangue, tecidos e órgãos de animal infectado, transmissão acidental em laboratório e ingestão de água ou alimento contaminado existem, mas são raros.

Algumas ocupações concentram risco e aparecem no enunciado como pista: trabalhador de limpeza e desentupimento de esgoto, gari, catador de lixo, agricultor, veterinário, tratador de animais, pescador, magarefe, laboratorista, militar e bombeiro. Mais de 300 sorovares já foram identificados; no Brasil, Icterohaemorrhagiae e Copenhageni são os relacionados aos casos mais graves, e o Rattus norvegicus é o principal portador do Icterohaemorrhagiae.

A imunidade pós-infecção é sorovar-específica e de duração variável, de modo que um mesmo indivíduo pode ter a doença mais de uma vez se o agente de cada episódio pertencer a sorovar diferente. Não existe vacina humana no calendário nacional, e a prevenção é ambiental e ocupacional: controle de roedores, saneamento, equipamento de proteção individual e cuidado com a lama e a caixa-d'água depois da enchente.

Rua alagada com entulho, lixo e um roedor; um trabalhador protegido por botas e luvas e, ao lado, uma pessoa descalça na mesma água, com destaque para uma pequena lesão de pele em contato com o líquido.
A porta de entrada da leptospirose é a pele: lesão cutânea ou pele íntegra imersa por longos períodos em água contaminada pela urina de roedores. É por isso que a pergunta da anamnese é por contato nos 30 dias anteriores — enchente, lama, esgoto, entulho, lixo — e por ocupação de risco, e é por isso que bota e luva de borracha são prevenção, não formalidade.

As duas fases da leptospirose — e o que a fase precoce entrega

A fase precoce, ou leptospirêmica, corresponde de 85% a 90% das formas clínicas e começa com febre de início abrupto, cefaleia, mialgia, anorexia, náuseas e vômitos. Pode haver diarreia, artralgia, hiperemia ou hemorragia conjuntival, fotofobia, dor ocular e tosse. Ela é autolimitada e regride entre três e sete dias, e por isso quase sempre é rotulada de síndrome gripal, virose ou dengue.

Dois achados ajudam a farejar a leptospirose nessa fase. A sufusão conjuntival, hiperemia e edema da conjuntiva ao longo das fissuras palpebrais, é característica, aparece no fim da fase precoce e está presente em cerca de 30% dos pacientes. E a mialgia é intensa, com predomínio em região lombar e nas panturrilhas. Exantema ocorre em 10% a 20%, com componente macular, papular, urticariforme ou purpúrico, no tronco ou na região pré-tibial; hepatomegalia, esplenomegalia e linfadenopatia aparecem em menos de 20% dos casos. Nenhum desses sinais, isoladamente, é sensível ou específico o bastante para separar a leptospirose de outras febres agudas.

Em aproximadamente 15% dos pacientes a doença evolui para manifestações graves, que se iniciam após a primeira semana, mas podem aparecer antes nos quadros fulminantes. Essa é a fase tardia, ou imune. A manifestação clássica é a síndrome de Weil: a tríade de icterícia, insuficiência renal e hemorragia, mais comumente pulmonar. A icterícia da leptospirose tem tonalidade alaranjada intensa, a icterícia rubínica, costuma aparecer entre o terceiro e o sétimo dia de doença e é preditor de pior prognóstico.

A palavra que a prova esconde nesse ponto é 'concomitantemente ou isoladamente'. Os três componentes da síndrome de Weil podem vir juntos ou separados, e hemorragia pulmonar e insuficiência renal ocorrem em pacientes anictéricos. O texto é explícito: o médico não deve se basear apenas na presença de icterícia para identificar quem tem leptospirose ou quem está sob risco de complicação grave.

A convalescença dura de um a dois meses, com astenia, anemia e persistência de febre, cefaleia, mialgia e mal-estar por alguns dias. A icterícia desaparece lentamente e pode durar semanas, e a eliminação de leptospiras pela urina continua de uma semana a vários meses depois do desaparecimento dos sintomas.

A hemorragia pulmonar é o que mata — e ela precede a icterícia

A síndrome de hemorragia pulmonar, com lesão pulmonar aguda e sangramento maciço, vem sendo cada vez mais reconhecida no Brasil como manifestação distinta e importante da fase tardia. Enquanto a letalidade geral dos casos de leptospirose notificados no Brasil é de 9%, nos pacientes que desenvolvem hemorragia pulmonar ela é maior que 50%. Essa é a razão de o tema existir na prova.

O comprometimento pulmonar se apresenta com tosse seca, dispneia, expectoração hemoptoica e, ocasionalmente, dor torácica e cianose. A hemoptise franca indica extrema gravidade e pode ocorrer de forma súbita, levando à insuficiência respiratória e ao óbito. Só que, na maioria dos pacientes, a hemorragia pulmonar maciça não é identificada até que se faça uma radiografia de tórax ou até que o paciente seja intubado. Daí a regra escrita: manter suspeição de forma pulmonar grave em todo paciente com febre e sinais de insuficiência respiratória, independentemente de haver hemoptise. A leptospirose também causa síndrome da angústia respiratória aguda sem sangramento pulmonar.

Há um sinal laboratorial precoce que a prova gosta: queda de hemoglobina e hematócrito em exames seriados, sem exteriorização de sangramento, em paciente hidratado, pode ser indício de sangramento pulmonar. É o achado que antecipa a decisão de vaga em terapia intensiva antes de aparecer o escarro hemoptoico.

O quadro pulmonar pode preceder a icterícia e a insuficiência renal, e nesses casos o óbito pode ocorrer nas primeiras 24 horas de internação. Outras diáteses hemorrágicas acompanham, em geral associadas a trombocitopenia: petéquias, equimoses, sangramento em locais de venopunção, conjuntivas, outras mucosas e órgãos internos, inclusive sistema nervoso central.

Três painéis: olho com esclera alaranjada e conjuntiva hiperemiada e edemaciada; pulmões com sombreamento alveolar difuso bilateral acompanhados de uma linha descendente; e rim em corte com túbulo destacado, fluxo urinário preservado e perda iônica distal.
Os três componentes da síndrome de Weil podem vir juntos ou isolados. Icterícia rubínica com sufusão conjuntival; hemorragia pulmonar, que na maioria das vezes só aparece na radiografia ou depois da intubação e é anunciada pela queda de hemoglobina sem sangramento visível; e insuficiência renal aguda não oligúrica com hipocalemia. Nenhum deles é obrigatório — hemorragia pulmonar e insuficiência renal ocorrem em pacientes anictéricos.

A insuficiência renal da leptospirose não é oligúrica, e o potássio está baixo

A insuficiência renal aguda é complicação importante da fase tardia e ocorre em 16% a 40% dos pacientes. Ela tem uma assinatura própria: é não oligúrica e cursa com hipocalemia, porque a leptospira inibe a reabsorção de sódio nos túbulos proximais, o que aumenta o aporte distal de sódio e faz perder potássio. No estágio inicial o débito urinário é normal ou elevado, ureia e creatinina sobem, e o paciente pode desenvolver hipocalemia moderada a grave.

Com a perda progressiva de volume intravascular, instala-se insuficiência renal oligúrica por azotemia pré-renal, e é aí que o potássio começa a subir para valores normais ou elevados. Persistindo a perda de volume, aparece necrose tubular aguda que não responde à reposição de fluidos, e a diálise passa a ser necessária.

O detalhe que separa a leptospirose das outras causas infecciosas de insuficiência renal aguda é justamente esse potássio. O achado de hipocalemia moderada a grave é útil para diferenciar a leptospirose de outras doenças infecciosas que cursam com insuficiência renal aguda — e potássio elevado, quando aparece, indica pior prognóstico. Uma vinheta com creatinina em ascensão, diurese preservada e potássio de 2,8 mEq/L num paciente que limpou lama de enchente é leptospirose até prova em contrário.

Outras complicações frequentes da forma grave são miocardite, acompanhada ou não de choque e arritmias agravadas por distúrbio eletrolítico, pancreatite, anemia e distúrbios neurológicos: confusão, delírio, alucinações e sinais de irritação meníngea. A leptospirose é causa relativamente frequente de meningite asséptica, e o líquor mostra pleocitose linfomonocitária ou neutrofílica moderada, abaixo de 1.000 células por mm³, comum na segunda semana e presente mesmo sem evidência clínica de envolvimento meníngeo. O predomínio de neutrófilos gera confusão com meningite bacteriana — a leitura completa do líquor está no capítulo de meningites.

O antibiótico da leptospirose não espera sorologia

A frase está escrita em uma linha, isolada, antes do bloco de tratamento: a antibioticoterapia deve ser iniciada no momento da suspeita, não necessitando aguardar confirmação laboratorial. A antibioticoterapia está indicada em qualquer período da doença, mas a eficácia costuma ser maior na primeira semana do início dos sintomas. Segurar o antibiótico até o resultado do laboratório central é a armadilha número um do tema, e ela se disfarça de prudência.

A escolha depende da fase. Na fase precoce, em adulto, doxiciclina 100 mg por via oral de 12 em 12 horas por 5 a 7 dias, ou amoxicilina 500 mg por via oral de 8 em 8 horas por 5 a 7 dias; em criança, amoxicilina 50 mg/kg/dia por via oral, em intervalos de 6 a 8 horas, por 5 a 7 dias. A doxiciclina não se usa em gestante nem em portador de nefropatia ou hepatopatia, e o algoritmo do primeiro atendimento acrescenta a essa lista as crianças menores de 9 anos. Azitromicina e claritromicina são as alternativas para quem tem contraindicação a amoxicilina e a doxiciclina.

Na fase tardia o esquema é venoso. No adulto: penicilina G cristalina 1.500.000 UI por via intravenosa de 6 em 6 horas, ou ampicilina 1 g por via intravenosa de 6 em 6 horas, ou ceftriaxona 1 g a 2 g por via intravenosa a cada 24 horas, ou cefotaxima 1 g por via intravenosa de 6 em 6 horas. Na criança: penicilina cristalina 50 a 100 mil UI/kg/dia em 4 ou 6 doses, ampicilina 50 a 100 mg/kg/dia em 4 doses, ceftriaxona 80 a 100 mg/kg/dia em 1 ou 2 doses, ou cefotaxima 50 a 100 mg/kg/dia em 2 a 4 doses. O tratamento intravenoso deve durar pelo menos sete dias.

No primeiro atendimento do paciente com sinal de alerta, o algoritmo é mais direto ainda: iniciar penicilina cristalina 1.500.000 UI por via intravenosa de 6 em 6 horas ou ceftriaxona 1 g por via intravenosa ao dia — e, se houver dúvida diagnóstica, 2 g ao dia, pela cobertura mais ampla. Havendo contraindicação, azitromicina 500 mg por via intravenosa ao dia.

Todos esses medicamentos estão no Sistema Único de Saúde. A Rename 2024 lista amoxicilina em suspensão oral de 50 mg/mL, cápsula e comprimido de 500 mg, benzilpenicilina potássica de 5.000.000 UI, ceftriaxona de 250 mg, 500 mg e 1 g e cefotaxima sódica de 500 mg — todos no Componente Básico da Assistência Farmacêutica; e o cloridrato de doxiciclina de 100 mg em comprimido, no Componente Estratégico. A reação de Jarisch-Herxheimer, com febre súbita, calafrios, cefaleia, mialgia e às vezes choque refratário a volume depois da primeira dose, é rara e não deve inibir o uso do antibiótico.

Sinais de alerta, internação e o que o leucograma decide

A régua de internação da leptospirose é uma lista de oito sinais de alerta, e a presença de um deles já indica hospitalização: dispneia, tosse e taquipneia; alterações urinárias, geralmente oligúria; fenômenos hemorrágicos, incluindo escarros hemoptoicos; hipotensão; alterações do nível de consciência; vômitos frequentes; arritmias; e icterícia. Repare que icterícia sozinha interna.

Sem sinal de alerta, o paciente é ambulatorial — mas com duas amarras. A primeira é o leucograma de urgência: leucocitose acima de 10.000 células/mm³ sustenta o tratamento com doxiciclina ou amoxicilina e a solicitação da sorologia; leucopenia abaixo de 4.000 células/mm³ manda investigar outras doenças e avaliar outros exames, porque leucopenia é mais compatível com virose e a leptospirose costuma cursar com leucocitose e desvio à esquerda. A segunda é o retorno programado em 24 a 72 horas, com o paciente orientado sobre os sinais de alerta, porque casos leves tratados podem evoluir para quadros graves em questão de horas ou dias.

Internado com sinal de alerta, o primeiro atendimento tem três colunas simultâneas. Avaliar pressão arterial, frequência respiratória, saturação em ar ambiente, escala de Glasgow, diurese das últimas 6 a 12 horas e sangramento. Solicitar hemograma, sódio, potássio, ureia, creatinina, transaminases, bilirrubinas totais e direta, creatinoquinase, sorologia para leptospirose, hemocultura para leptospira e hemocultura para aeróbios. E iniciar o antibiótico venoso.

O padrão respiratório decide o destino. Havendo tosse, escarro hemoptoico, frequência respiratória acima de 28 incursões por minuto, estertores crepitantes ou saturação abaixo de 92% em ar ambiente, colhe-se gasometria e radiografia de tórax; pressão parcial de oxigênio abaixo de 60 mmHg, infiltrado bilateral, ou frequência respiratória acima de 28 com saturação abaixo de 92% e crepitações bilaterais configuram pneumonite e indicam internação precoce em terapia intensiva, com suporte ventilatório precoce e estratégia protetora. O manual clínico acrescenta a lista completa de critérios de terapia intensiva, que inclui ainda tosse seca persistente, distúrbios eletrolíticos e ácido-básicos refratários, hipotensão refratária a volume, arritmias agudas, alteração do nível de consciência e hemorragia digestiva.

Na parte renal, o algoritmo separa oligúria de diurese preservada pelo corte de 0,5 mL/kg/h e trata a insuficiência renal não oligúrica com hidratação vigorosa, soro fisiológico a 0,9% em 80 mL/kg/dia. Quando a diálise é indicada, ela deve começar cedo: o próprio rodapé do algoritmo fixa que o tempo do início dos cuidados até a diálise deve ser de no máximo 4 horas, e a hemodiálise é o método preferencial. A indicação e a técnica de terapia de substituição renal estão no capítulo de injúria renal aguda.

Diagnóstico laboratorial da leptospirose: qual exame em qual semana

O método de escolha depende da fase evolutiva, e essa é a pergunta que a prova faz. Na fase precoce, as leptospiras podem ser vistas no sangue por exame direto em cultura, inoculação em animal ou detecção de DNA por reação em cadeia da polimerase. A observação impressa no algoritmo é curta: até o sétimo dia é o período ideal para realização da reação em cadeia da polimerase, e a coleta de plasma ou soro se faz na fase aguda, entre o primeiro e o décimo dia de sintomas.

Antes do sétimo dia é comum não haver produção de anticorpos, e por isso a janela ideal da sorologia é a partir do sétimo dia. Os exames sorológicos são o ensaio imunoenzimático de captura de imunoglobulina M e a microaglutinação, ambos realizados nos Laboratórios Centrais de Saúde Pública. Os anticorpos começam a surgir na primeira semana e atingem título máximo por volta da terceira e da quarta semanas.

Confirma o caso, pelo critério clínico-laboratorial, qualquer um destes: ensaio imunoenzimático reagente com primeira microaglutinação não reagente e segunda com título maior ou igual a 200; ensaio imunoenzimático reagente com primeira microaglutinação reagente e segunda com aumento de quatro vezes; ensaio imunoenzimático reagente com primeira microaglutinação de título maior ou igual a 800; isolamento em sangue; ou reação em cadeia da polimerase detectável em sangue com anticoagulante que não seja heparina, em paciente com até sete dias de sintomas. A segunda amostra de microaglutinação deve ter entre 14 e 60 dias do início dos sintomas.

A regra de descarte é a que mais derruba candidato. Resultado negativo de qualquer sorológico específico em amostra colhida antes do sétimo dia não descarta o caso — outra amostra deve ser colhida a partir do sétimo dia. Descarta quem tem ensaio imunoenzimático não reagente em amostra colhida a partir do sétimo dia, ou duas microaglutinações não reagentes, ou reagentes sem soroconversão nem aumento de quatro vezes, colhidas a partir do primeiro atendimento e com duas a três semanas de intervalo entre si.

Duas notas finais que valem ponto. O uso precoce de antibiótico pode interferir na resposta imunológica e alterar os títulos, e por isso muitos pacientes tratados cedo não chegam a soroconverter — o que não é motivo para adiar o antibiótico, e sim para lembrar que existem os métodos diretos. E o caso deve ser encerrado em até 60 dias da data da notificação.

Febre amarela: silvestre e urbana, e o que a epizootia significa

O vírus da febre amarela é um flavivírus, protótipo da família Flaviviridae, e não há transmissão de pessoa a pessoa. No ciclo silvestre, os primatas não humanos são os principais hospedeiros amplificadores e são vítimas da doença, tanto quanto o ser humano, que nesse ciclo é hospedeiro acidental; os vetores são mosquitos dos gêneros Haemagogus, com destaque para Haemagogus janthinomys e Haemagogus leucocelaenus, e Sabethes. No ciclo urbano, o ser humano é o hospedeiro principal e o vetor é o Aedes, sobretudo Aedes aegypti, num ciclo homem-mosquito.

A frase que a prova cobra é a data. O ciclo urbano não é registrado no Brasil desde 1942. Todos os casos brasileiros das últimas décadas são de transmissão silvestre, ainda que ocorram em periferias de cidades grandes — e é isso que torna a expressão 'febre amarela urbana' uma pegadinha comum em alternativa. O que preocupa a vigilância é a sobreposição progressiva dos ecossistemas silvestre e antrópico, que aproxima o ciclo do Haemagogus do território das espécies sinantrópicas e pode favorecer a reurbanização da transmissão.

Como o macaco adoece e morre, a morte de primatas não humanos é sentinela: a epizootia confirmada, ao lado do caso humano e do vetor infectado, é um dos três gatilhos que disparam intensificação vacinal seletiva na localidade, com meta de cobertura de no mínimo 95% em curto espaço de tempo. Na anamnese, perguntar por macaco morto na região tem valor diagnóstico, e matar macaco não protege ninguém — remove justamente o aviso.

A viremia humana dura cerca de sete dias: começa 24 a 48 horas antes do aparecimento dos sintomas e vai até três a cinco dias após o início da doença, período em que o paciente pode infectar mosquitos. Nos primatas não humanos o comportamento é semelhante. No mosquito, o vírus se replica nas glândulas salivares após 8 a 12 dias de incubação, e a fêmea transmite até o fim da vida, que dura de seis a oito semanas; há ainda transmissão vertical entre mosquitos, o que mantém o vírus na natureza. A suscetibilidade humana é universal e a infecção confere imunidade duradoura, que pode se estender por toda a vida.

Faixa em três ambientes: mata com macacos e mosquitos silvestres ligados por setas cheias; borda de mata com um caminhante recebendo seta a partir dos mosquitos da copa; e cidade com mosquito urbano e pessoas ligados por setas tracejadas.
No ciclo silvestre, os primatas não humanos são os hospedeiros amplificadores e adoecem — por isso a epizootia é sentinela — e os vetores são Haemagogus e Sabethes, com o ser humano como hospedeiro acidental na borda da mata. O ciclo urbano, homem-Aedes aegypti-homem, aparece tracejado porque não é registrado no Brasil desde 1942; o que preocupa é a sobreposição progressiva dos dois ambientes.

As três fases da febre amarela e a remissão que engana

O espectro vai de infecção assintomática a quadro fulminante. O quadro clássico começa de forma súbita, com febre alta, cefaleia intensa e duradoura, inapetência, náuseas e mialgia. O sinal de Faget, bradicardia acompanhando febre alta, pode ou não estar presente — a redação do documento é essa, e alternativa que exige o sinal de Faget para suspeitar de febre amarela está errada.

O período de infecção é virêmico e dura cerca de três a seis dias, com sintomas inespecíficos: febre, calafrios, cefaleia, lombalgia, mialgias generalizadas, prostração, mal-estar, tonturas, náuseas e vômitos, podendo haver infecção conjuntival e bradicardia. Segue-se o período de remissão, em que a temperatura declina e os sintomas afrouxam, dando ao paciente a sensação de melhora. É o intervalo mais perigoso da doença justamente porque parece alta hospitalar.

Depois vem o período toxêmico, caracterizado por resposta inflamatória exacerbada com colapso hemodinâmico. A febre reaparece, a diarreia e os vômitos ganham aspecto de borra de café, e instala-se insuficiência hepatorrenal com icterícia, oligúria, anúria e albuminúria, acompanhada de gengivorragia, epistaxe, otorragia, hematêmese, melena, hematúria, sangramento em locais de punção venosa e prostração intensa, com obnubilação, torpor, coma e morte. O pulso torna-se mais lento apesar da temperatura elevada, e é essa dissociação pulso-temperatura que se chama sinal de Faget.

A cronologia clássica não é obrigatória, e o manual clínico é explícito nisso: a maioria segue a sequência, mas o paciente pode já iniciar os sintomas no período toxêmico ou passar para ele em qualquer momento desde o início dos sintomas. Daí a regra operacional que resolve a questão de conduta: o acompanhamento estreito do paciente oligossintomático é necessário até pelo menos o sétimo dia de início dos sintomas, que é o período máximo em que ele pode iniciar sinais de gravidade.

A evolução para o óbito ocorre em 7 a 14 dias na grande maioria dos casos e se deve, sobretudo, à insuficiência hepática fulminante. Podem ocorrer ainda sepse bacteriana e fúngica, hemorragias e arritmias cardíacas, com choque distributivo séptico, hipovolêmico, cardiogênico por miocardite e arritmia, ou misto, além de relatos de morte súbita tardia atribuída a complicação cardíaca. Na convalescença, que dura de duas a quatro semanas e pode se estender por meses, o manual descreve uma icterícia persistente e progressiva em parte dos pacientes que saíram da forma grave: a bilirrubina sobe apesar da melhora clínica e da normalização da razão normalizada internacional e da albumina, e o desfecho é benigno — reconhecê-la evita propedêutica desnecessária e internação prolongada.

Classificar a febre amarela: os quatro números que definem a forma grave

A classificação em formas leve, moderada e grave é o que decide destino, e ela é numérica. Forma leve: ausência de sinais de alarme e de gravidade, com alanina ou aspartato aminotransferase abaixo de 500 U/L, creatinina abaixo de 1,3 mg/dL e razão normalizada internacional abaixo de 1,5. Forma moderada: presença de sinal de alarme sem sinal de gravidade, sendo os sinais de alarme vômitos, diarreia e dor abdominal, e o critério laboratorial aspartato aminotransferase maior ou igual a 500 U/L e creatinina maior ou igual a 1,3 mg/dL.

Forma grave: presença de pelo menos um dos sinais de gravidade — oligúria, sonolência, confusão mental, torpor, coma, convulsão, sangramento, dificuldade respiratória, hipotensão, sinais de má perfusão e icterícia — ou alanina ou aspartato aminotransferase maior ou igual a 2.000 U/L, ou creatinina maior ou igual a 2 mg/dL, ou razão normalizada internacional maior ou igual a 1,5, ou plaquetas abaixo de 50.000 por mm³.

A consequência prática de icterícia estar na lista de sinais de gravidade é grande: o paciente ictérico com febre amarela é forma grave por definição e vai para terapia intensiva, sem depender de nenhum exame. A hospitalização em terapia intensiva está indicada para quem apresentar qualquer alteração clínica ou laboratorial comum às formas graves, a qualquer momento, desde a avaliação inicial.

A forma leve em adulto se hidrata por via oral com 60 mL/kg/dia, conforme aceitação, e com 30 mL/kg/dia de cristaloide por via venosa em caso de intolerância. Transaminases, creatinina, razão normalizada internacional e hemograma completo se repetem em intervalo máximo de 24 horas, até o paciente completar 48 horas de remissão da febre, e há busca ativa se ele não voltar em 24 horas. Não havendo como monitorar clínica e laboratorialmente a forma leve, ela é manejada como forma moderada.

A forma moderada interna: recomenda-se internar todos os casos suspeitos com essa classificação. A hidratação busca euvolemia, com expansão de 20 mL/kg/h para o desidratado e reavaliação hemodinâmica e urinária após a primeira hora; permanecendo oligúrico ou hipotenso, considera-se terapia intensiva e repete-se a infusão, com vigilância contra hiperidratação. A reavaliação clínica é de 4 em 4 horas e a laboratorial, no mínimo de 12 em 12 horas. Nas formas graves entram terapia intensiva, cabeceira elevada entre 30 e 45 graus, inibidor de bomba de prótons, balanço hídrico próximo de zero, e diálise se o bicarbonato sérico for menor que 18 mEq/L, ou houver hipervolemia, hipercalemia ou oligúria, mesmo que o paciente seja classificado como critério AKIN I ou II.

O que não se faz na febre amarela

Não existe antiviral para febre amarela: o tratamento é sintomático, com assistência cuidadosa, hospitalização, repouso, reposição de líquidos e reposição de perdas sanguíneas quando indicado. A pergunta de conduta, então, cobra o que não fazer.

Para dor e febre, não usar ácido acetilsalicílico nem anti-inflamatórios não esteroides. Na forma moderada a instrução vai além e manda suspender ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios em quem os usa cronicamente. O motivo é a coagulopatia: a insuficiência hepática reduz a produção dos fatores II, V, VII, IX e X, e a isso se somam plaquetopenia, disfunção plaquetária e queda do fibrinogênio.

O paracetamol é permitido, mas com teto: evitar doses superiores a 3 g por dia, pela hepatotoxicidade somada à do próprio vírus. Nas formas graves a orientação endurece — controlar a temperatura corporal evitando o paracetamol. Medidas de resfriamento físico são explicitamente autorizadas nas três formas.

Duas armadilhas laboratoriais fecham o bloco. Transaminase levemente alterada ou normal em paciente com quadro clínico grave sugere erro de diluição do exame: o laboratório deve ser alertado para refazer a dosagem, se preciso com diluição manual — a dissociação entre clínica grave e transaminase baixa é problema do equipamento, não sinal de doença leve. E leucocitose ou proteína C reativa elevada enfraquecem a hipótese de febre amarela e apontam outro diagnóstico ou infecção bacteriana superposta, com a ressalva de que hemorragia de grande vulto pode causar leucocitose por resposta medular.

Sobre antibiótico na febre amarela grave, a redação é de indefinição assumida: recomenda-se intensificar a vigilância de infecções secundárias, e havendo opção pela antibioticoterapia, cefotaxima 2 g por via endovenosa de 8 em 8 horas ou ceftriaxona 1 g por via endovenosa de 12 em 12 horas. Antibiótico de rotina para todo caso grave não é a régua.

Diagnóstico da febre amarela por fase — e por que vacinado atrapalha a sorologia

A regra de janela é simétrica à da leptospirose, mas com números próprios. Para isolamento viral e pesquisa de genoma por transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase, as amostras devem ser obtidas na fase inicial, preferencialmente até o décimo dia após o início dos sintomas; o material pode ser sangue, urina, líquor, soro ou tecidos. Para a sorologia de captura de imunoglobulina M por ensaio imunoenzimático, a coleta se faz a partir do sétimo dia do início dos sintomas.

Sorologia reagente não fecha o diagnóstico sozinha. Casos com resultado reagente para febre amarela devem ser avaliados quanto à possibilidade de infecção recente por outros flavivírus, como dengue e Zika, pela reação cruzada e pela resposta inespecífica — e o mesmo vale para vacinação recente contra febre amarela. É por isso que a definição de caso suspeito exige indivíduo não vacinado ou de estado vacinal ignorado, e que a confirmação por imunoglobulina M seja escrita como detecção em indivíduos não vacinados, associada aos achados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais.

Quando é preciso distinguir doença por vírus selvagem de evento adverso pela vacina, a diferenciação entre vírus selvagem e vírus vacinal se faz por reação em cadeia da polimerase ou por sequenciamento. A informação sobre o estado vacinal e a data da vacina é imprescindível: ela define qual ficha de notificação será preenchida e quais ações de controle serão disparadas. Não muda, porém, o manejo clínico — o paciente é tratado igual, suspeito de vírus selvagem ou de evento adverso.

Confirmam o caso, além do isolamento e do genoma: aumento de quatro vezes ou mais nos títulos em amostras pareadas por inibição da hemaglutinação, e achados histopatológicos compatíveis acompanhados de imuno-histoquímica positiva. No pós-morte, o fígado é o tecido principal, colhido preferencialmente em até 24 horas após o óbito e conservado em formalina tamponada a 10%, e as lesões esperadas são a necrose médio-lobular ou médio-zonal e os corpúsculos acidófilos de Councilman-Rocha Lima. Existe ainda a confirmação por vínculo epidemiológico, para o caso suspeito que evoluiu para óbito em menos de dez dias, sem confirmação laboratorial, em período e área compatíveis com surto em que outros casos ou epizootias já foram confirmados.

Descarta-se o caso suspeito com diagnóstico laboratorial negativo, desde que comprovado que as amostras foram colhidas em tempo oportuno e em condições adequadas para a técnica realizada, ou o caso com diagnóstico confirmado de outra doença.

A vacina de febre amarela: esquema, precaução e contraindicação

A vacina brasileira é de vírus vivos atenuados da linhagem 17DD, com imunogenicidade de 90% a 98%. Os anticorpos protetores aparecem entre o sétimo e o décimo dia após a aplicação, e daí sai a regra do viajante: vacinar pelo menos dez dias antes de ingressar em área de risco. O volume é de 0,5 mL, exclusivamente por via subcutânea, preferencialmente na região deltoide. Depois de reconstituída, a vacina vale até 6 horas, mantida entre 2 e 8 °C e ao abrigo da luz direta. Quem recebeu a vacina fica impedido de doar sangue por quatro semanas.

O esquema vigente é o da Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação de 2026, e a população-alvo vai de 9 meses a 59 anos, 11 meses e 29 dias, com a vacina recomendada para todo o território nacional. A agenda oportuna é uma dose aos 9 meses e um reforço aos 4 anos, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas. Para atualizar cartão a partir dos 5 anos de idade: uma dose aplicada a partir dos 5 anos já considera a pessoa vacinada; uma dose aplicada antes dos 5 anos pede uma dose adicional; duas doses antes dos 5 anos consideram a pessoa vacinada. Não há reforço periódico e o certificado internacional passou a ter validade por toda a vida desde a atualização do Anexo 7 do Regulamento Sanitário Internacional em 2014.

As precauções são o bloco que a prova adora, porque cada uma tem uma saída diferente. Pessoas de 60 anos ou mais não vacinadas, residentes ou que se deslocarão para área com circulação viral comprovada em contexto de surto: vacinar mediante avaliação de risco por comorbidades, condições autoimunes, imunossupressão e medicamentos. Gestantes e crianças de 6 a 8 meses e 29 dias, nas mesmas condições: vacinar em caso de impossibilidade de adiamento, com avaliação de risco-benefício. Nutriz que amamenta criança abaixo de 6 meses: evitar ou postergar até a criança completar 6 meses e, sendo impossível adiar, suspender a amamentação por dez dias após a vacinação. Histórico de hipersensibilidade a ovo de galinha ou a gelatina: vacinar somente após avaliação médica, com cautela e preferencialmente em ambiente hospitalar, e o Guia de Vigilância acrescenta observação de pelo menos duas horas na unidade.

Em pessoa vivendo com HIV, o parâmetro é o linfócito T CD4 e a decisão tem três degraus: sem alteração imunológica, vacinar; alteração moderada, considerar o risco-benefício; alteração grave, contraindicado. A partir de 13 anos de idade, a tabela nacional coloca a ausência de alteração em contagem maior ou igual a 350 células por mm³, a alteração moderada entre 200 e 350, e a grave abaixo de 200. Também são precauções o lúpus eritematoso sistêmico e outras doenças potencialmente autoimunes, a doença neurológica desmielinizante pregressa, o transplante de células-tronco hematopoiéticas com prazo mínimo de 24 meses, e a história familiar próxima de evento adverso grave após a vacina.

As contraindicações são fechadas: crianças menores de 6 meses de idade, pelo risco de meningoencefalite; neoplasia maligna; transplante de órgãos sólidos; imunodeficiência primária ou secundária por doença, incluindo aids e infecção pelo HIV com comprometimento da imunidade; história de reação anafilática grave a substância presente na vacina; doenças do timo, como miastenia gravis e timoma, ausência ou remoção cirúrgica do timo; doença falciforme em uso de hidroxiureia com contagem de neutrófilos menor que 1.500 células por mm³; corticoide em dose imunossupressora, definida como prednisona de 2 mg/kg por dia em crianças até 10 kg ou 20 mg por dia em adultos, por mais de 14 dias; medicamentos imunobiológicos modificadores da resposta imune; e doenças reumatológicas e transplantes em geral. Doença falciforme sem hidroxiureia, ao contrário, vacina.

Simultaneidade com outras atenuadas, eventos adversos e conduta em surto

A vacina de febre amarela pode ser administrada simultaneamente com a maioria das vacinas do calendário. A exceção que cai em prova é a das outras atenuadas injetáveis. Em menores de 2 anos de idade, não se recomenda administrar simultaneamente febre amarela e tríplice viral ou tetraviral: observa-se intervalo de 30 dias entre as doses, e apenas em situação excepcional o mínimo de 15 dias. A partir de 2 anos, e em adultos de qualquer idade, as vacinas podem ser simultâneas ou respeitar o intervalo de 30 dias — o mesmo valendo para a varicela, em qualquer idade.

Há uma exceção da exceção. Em emergência epidemiológica, com circulação concomitante dos vírus da febre amarela e do sarampo, da caxumba ou da rubéola, administram-se as duas vacinas simultaneamente, sem intervalo mínimo, considerando a relação risco-benefício. Doses aplicadas simultaneamente são válidas para cobertura vacinal e não exigem revacinação.

Os eventos supostamente atribuíveis à vacinação dividem-se em não graves e graves, e a divisão é a que a questão cobra. Manifestações locais, com dor, eritema e enduração por um a dois dias, ocorrem em 2% a 4% e não contraindicam revacinação. Manifestações gerais, com febre, mialgia e cefaleia a partir do terceiro dia, ocorrem em menos de 4% e são menos frequentes em revacinados; também não contraindicam.

Os três eventos graves contraindicam doses subsequentes. Anafilaxia, com hipotensão, choque e manifestações respiratórias e cutâneas, ocorre em 1,3 caso por 100 mil doses administradas, em geral na primeira hora e podendo chegar a 12 horas, com apresentações bifásicas descritas em até 72 horas. A doença neurológica aguda associada à vacina, com febre, cefaleia, confusão mental, letargia, convulsões, ataxia, afasia, paresia e sinais meníngeos, ocorre em 0,8 caso por 100 mil doses e sobe para 2,2 por 100 mil em pessoas de 60 anos ou mais. A doença viscerotrópica aguda, que é uma síndrome íctero-hemorrágica indistinguível da forma grave da doença natural, ocorre em 0,25 a 0,4 por 100 mil doses, começa em geral entre o terceiro e o quarto dia e exige notificação e investigação imediatas com coleta urgente de espécimes.

Traduzindo em números que se guardam melhor: a doença neurológica aparece em cerca de uma a cada 125 mil doses na população geral e em uma a cada 45 mil doses a partir dos 60 anos, quase o triplo do risco; a doença viscerotrópica, em uma a cada 250 mil a 400 mil doses; e a anafilaxia, em uma a cada 77 mil doses. É esse aumento do risco no idoso que sustenta a avaliação individual de risco-benefício acima dos 60 anos, e não uma contraindicação absoluta. Diante de circulação viral comprovada, a resposta é intensificação vacinal seletiva com meta de cobertura de no mínimo 95% em curto espaço de tempo, incluindo, além da população-alvo, as pessoas não vacinadas de 60 anos ou mais, as gestantes e as nutrizes de crianças com até 6 meses — sempre observadas as precauções.

Notificação: as duas linhas da Lista que separam as doenças

As duas são de notificação compulsória, mas em colunas diferentes da Lista Nacional. A febre amarela é de notificação imediata, em até 24 horas, para as três esferas: Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de Saúde e Secretaria Municipal de Saúde. Todo caso suspeito é comunicado pelo meio mais rápido disponível, por se tratar de doença grave com risco de dispersão para outras áreas do território nacional e internacional, e o registro se faz na Ficha de Notificação e Investigação da Febre Amarela, no Sistema de Informação de Agravos de Notificação.

A leptospirose também é de notificação imediata em até 24 horas, mas somente à Secretaria Municipal de Saúde — a linha da Lista tem a marca em uma única coluna. É a diferença que a alternativa costuma explorar, oferecendo 'notificar imediatamente às três esferas' como resposta plausível para a leptospirose. Tanto o caso suspeito isolado quanto o surto se notificam, e a ficha é a de Investigação da Leptospirose.

A notificação internacional da febre amarela mudou com o Regulamento Sanitário Internacional de 2005: ela não é automática, e passa por avaliação de risco feita pelo Ministério da Saúde com instrumento de decisão que pode classificar o evento como emergência de saúde pública de importância nacional ou internacional. A investigação epidemiológica começa imediatamente após a notificação, porque um caso pode significar um surto.

A investigação da leptospirose tem uma peça que não existe na febre amarela: o local provável de infecção. A vigilância epidemiológica coleta dados e material; a vigilância ambiental identifica o local provável de infecção e as áreas de transmissão e desencadeia antirratização, desratização e ações de educação em saúde. As áreas de risco se definem pelo mapeamento desses locais, cruzado com antecedentes de casos humanos e animais, topografia, hidrografia, pluviometria, pontos críticos de enchente, saneamento e níveis de infestação por roedores. A Lista completa, com todas as periodicidades e esferas, está no capítulo de vigilância das arboviroses e notificação compulsória.

Os outros diferenciais da mesma vinheta

Dengue grave entra quando há febre de dois a sete dias, prova do laço positiva, extravasamento plasmático com hemoconcentração, dor abdominal intensa, vômitos persistentes e queda rápida de plaquetas, e o que decide não é sorologia: é a classificação de risco à beira do leito e a hidratação por estágio, que estão no capítulo de dengue. Icterícia franca não é o traço da dengue, e transaminase na casa dos milhares aponta para outro lado.

Malária por Plasmodium falciparum é a hipótese que não perdoa demora e tem diagnóstico rápido e disponível por gota espessa ou teste rápido: pergunta obrigatória sobre viagem à Amazônia ou a área endêmica no exterior nos últimos meses, febre com paroxismos, anemia hemolítica com aumento de bilirrubina indireta e plaquetopenia. Bilirrubina de predomínio indireto com desidrogenase láctica alta e haptoglobina baixa afasta o padrão colestático das outras duas.

Hepatites virais agudas dão transaminases muito altas, como a febre amarela, mas com creatinoquinase normal, sem insuficiência renal precoce e sem o antecedente ambiental típico; a exposição perguntada é outra, e o diagnóstico é sorológico e molecular, com o manejo no capítulo de hepatite B. A leptospirose ictérica se separa das hepatites pelo trio creatinoquinase alta, aminotransferases apenas de leve a moderadamente elevadas e leucocitose com desvio à esquerda.

Sepse de foco não identificado com disfunção hepática e renal é a hipótese que corre em paralelo em qualquer uma dessas vinhetas, e o pacote da primeira hora não espera diferencial fechado: cultura, antimicrobiano, lactato e volume conforme o capítulo de sepse e choque séptico. Colher hemocultura para aeróbios junto com a hemocultura para leptospira, como manda o algoritmo do primeiro atendimento, é exatamente a materialização dessa dúvida.

Hantavirose entra pela exposição rural e por roedores silvestres, com pródromo febril seguido de insuficiência respiratória de instalação rápida, hemoconcentração, plaquetopenia e infiltrado pulmonar bilateral, em geral sem icterícia — e é de notificação imediata às três esferas, ao contrário da leptospirose. Febre maculosa brasileira fecha a lista das febres com exantema e exposição a carrapato, também imediata às três esferas. Nenhuma das duas tem capítulo próprio nesta apostila, e o que se guarda delas é o par exposição-notificação.

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Da exposição à notificação: a ordem que a questão cobra

O fluxo abaixo é a ordem das decisões no plantão do adulto com febre, icterícia e exposição ambiental. Os quatro cartões trazem o que a prova desenha: as duas curvas de febre, a dissociação laboratorial que resolve a questão e a janela de cada exame. A tabela comparativa é o miolo do tema; as quatro tabelas seguintes concentram o que se decora — antibiótico por fase na leptospirose, classificação de gravidade na febre amarela, a régua da vacina e os eventos adversos com frequência.

  1. 1Febre aguda com mialgia e icterícia: antes de qualquer exame, pergunte pela exposição e cronometre. Água de enchente, lama, esgoto ou roedor nos últimos 30 dias apontam leptospirose; mata, trilha, acampamento ou macaco morto nos últimos 15 dias, mais estado vacinal ausente ou ignorado, apontam febre amarela.
  2. 2Feche a definição de caso. Leptospirose: febre, cefaleia e mialgia mais um antecedente epidemiológico dos últimos 30 dias, ou um destes achados — icterícia, aumento de bilirrubinas, sufusão conjuntival, fenômeno hemorrágico ou sinais de insuficiência renal aguda. Febre amarela: não vacinado ou estado vacinal ignorado, quadro febril agudo de início súbito com icterícia e ou manifestação hemorrágica e exposição em área de risco nos últimos 15 dias.
  3. 3Peça o mesmo painel para as duas: hemograma, ureia, creatinina, sódio, potássio, bilirrubinas totais e frações, transaminases, creatinoquinase, coagulograma com razão normalizada internacional e urina. Radiografia de tórax e gasometria entram se houver qualquer sintoma respiratório.
  4. 4Leia a dissociação. Aminotransferase em milhares com creatinoquinase sem relevo, ausência de leucocitose e proteína C reativa baixa: febre amarela. Creatinoquinase alta, aminotransferase que não passa de algumas centenas, leucocitose com desvio à esquerda e potássio baixo: leptospirose.
  5. 5Suspeita de leptospirose: inicie o antibiótico agora, sem esperar sorologia. Sem sinal de alerta e com leucocitose acima de 10.000 células/mm³, doxiciclina ou amoxicilina por via oral, sorologia solicitada e retorno em 24 a 72 horas. Com qualquer um dos oito sinais de alerta, interne e comece penicilina cristalina ou ceftriaxona por via intravenosa.
  6. 6Suspeita de leptospirose com sintoma respiratório: pense em hemorragia pulmonar antes de haver hemoptise. Frequência respiratória acima de 28, saturação abaixo de 92% em ar ambiente, crepitações bilaterais, infiltrado bilateral ou pressão parcial de oxigênio abaixo de 60 mmHg indicam terapia intensiva precoce. Queda de hemoglobina sem sangramento visível, em paciente hidratado, é sinal precoce.
  7. 7Suspeita de febre amarela: classifique em leve, moderada ou grave pelos cortes de transaminase, creatinina, razão normalizada internacional e plaqueta, somados aos sinais clínicos. Icterícia isolada já é forma grave. Forma moderada interna; forma grave vai para terapia intensiva.
  8. 8Na febre amarela, prescreva o que pode: hidratação, paracetamol até 3 g por dia e medidas físicas. Não prescreva ácido acetilsalicílico nem anti-inflamatório não esteroide, e suspenda os que o paciente já usava. Transaminase baixa em paciente grave é suspeita de erro de diluição — peça ao laboratório para refazer.
  9. 9Colha o exame certo para a fase. Até o sétimo dia, reação em cadeia da polimerase para leptospira; até o décimo, isolamento ou transcrição reversa com reação em cadeia da polimerase para febre amarela. A partir do sétimo dia, sorologia de imunoglobulina M nas duas. Sorologia negativa antes do sétimo dia não descarta leptospirose.
  10. 10Notifique, e note a diferença de esferas. Febre amarela: imediata, em até 24 horas, para Ministério da Saúde, Secretaria Estadual e Secretaria Municipal. Leptospirose: imediata, em até 24 horas, apenas para a Secretaria Municipal. Na febre amarela, a investigação começa no mesmo dia porque um caso pode ser um surto; na leptospirose, a vigilância ambiental identifica o local provável de infecção.
  11. 11Fechado o episódio, olhe para a prevenção. Na leptospirose, orientação ambiental e ocupacional, limpeza de lama com hipoclorito e cuidado com a caixa-d'água. Na febre amarela, vacinar quem não tem contraindicação — inclusive o próprio paciente, após a alta, quando o caso não se confirmar.
dia 7febre

Leptospirose: duas fases

Fase precoce, de 85% a 90% das formas clínicas: febre abrupta, cefaleia, mialgia lombar e de panturrilha, autolimitada em três a sete dias. A sufusão conjuntival, presente em cerca de 30%, aparece no fim dessa fase — é o ponto amarelo. Em torno de 15% dos doentes vem a fase tardia, depois da primeira semana, com icterícia rubínica entre o terceiro e o sétimo dia, insuficiência renal e hemorragia. A queda da temperatura entre as fases não é remissão de doença: é o intervalo em que o antibiótico ainda muda o desfecho.

remissãofebre

Febre amarela: três fases

Período de infecção virêmico de cerca de três a seis dias; período de remissão, a faixa sombreada, com queda da temperatura e sensação de melhora; e período toxêmico, com febre de volta, vômito em borra de café, icterícia, oligúria e hemorragia. A remissão é o que engana: o paciente parece pronto para alta e volta em choque. A maioria segue essa ordem, mas há quem comece já no período toxêmico — por isso o oligossintomático é vigiado até pelo menos o sétimo dia.

ASTCPKASTCPKf. amarelaleptosp.

A dissociação que resolve

Na febre amarela grave a aspartato aminotransferase chega a 25.000 a 50.000 U/L e fica acima da alanina aminotransferase; a creatinoquinase não é o marcador da doença. Na leptospirose as aminotransferases ficam normais ou de três a cinco vezes o valor de referência, e a creatinoquinase está elevada. Tomando 40 U/L como limite superior da aspartato aminotransferase no adulto, o teto da leptospirose fica em torno de dez a doze vezes o valor de referência e o patamar da febre amarela grave, entre 625 e 1.250 vezes.

PCR / isolamentosorologia IgMdia 1dia 7dia 14

A janela do exame

Nas duas doenças o método direto pertence à primeira semana e o sorológico começa no sétimo dia. Leptospirose: reação em cadeia da polimerase em plasma ou soro na fase aguda, de 1 a 10 dias, com o período ideal até o sétimo; ensaio imunoenzimático de imunoglobulina M e microaglutinação a partir do sétimo dia. Febre amarela: isolamento e transcrição reversa com reação em cadeia da polimerase preferencialmente até o décimo dia; imunoglobulina M por ensaio imunoenzimático a partir do sétimo. Sorologia negativa colhida cedo demais não descarta leptospirose.

EixoLeptospiroseFebre amarela
Exposição da vinhetaEnchente, alagamento, lama, esgoto, fossa, lixo, entulho, roedor; ocupações como gari, catador, agricultor em área alagada, bombeiroMata, trilha, cachoeira, acampamento, área rural de mata; epizootia recente em primatas não humanos
Janela epidemiológica perguntada30 dias antes do início dos sintomas15 dias antes do início dos sintomas
Estado vacinal na definição de casoNão entra — não há vacina humana no calendárioEntra: o caso suspeito é o não vacinado ou de estado vacinal ignorado
Incubação1 a 30 dias3 a 6 dias, excepcionalmente até 15
Curso da febreBifásico: fase precoce de 3 a 7 dias e fase tardia após a primeira semana em cerca de 15%Trifásico: infecção, remissão de horas a dois dias, período toxêmico
Sinal semiológico próprioSufusão conjuntival em cerca de 30%; mialgia lombar e de panturrilha; icterícia rubínicaSinal de Faget, a dissociação pulso-temperatura, que pode ou não estar presente
BilirrubinaElevação de bilirrubina total com predomínio da direta, podendo atingir níveis altosElevação com predomínio da direta, indicando lesão intensa de hepatócito
AminotransferasesNormais ou de 3 a 5 vezes o valor de referência, sem ultrapassar algumas centenas de U/L; AST acima de ALTMuito altas na forma grave, de 25.000 a 50.000 U/L; AST acima de ALT
CreatinoquinaseElevada — é o achado que separa das hepatites viraisNão é marcador da doença
LeucogramaLeucocitose com neutrofilia e desvio à esquerdaAusência de leucocitose; leucocitose enfraquece a hipótese
PlaquetasPlaquetopenia frequente na fase tardiaAbaixo de 50.000 por mm³ é critério de forma grave
Creatinina e potássioInsuficiência renal aguda em 16% a 40%, não oligúrica, com hipocalemia; potássio alto indica pior prognósticoCreatinina maior ou igual a 1,3 mg/dL é sinal de alarme e maior ou igual a 2 mg/dL é gravidade; ureia costuma não subir tanto
CoagulaçãoAtividade de protrombina diminuída ou tempo de protrombina aumentado ou normalRazão normalizada internacional maior ou igual a 1,5 é critério de forma grave
O que mataHemorragia pulmonar, com letalidade maior que 50% contra 9% no conjunto dos casos notificadosInsuficiência hepática fulminante, com óbito em 7 a 14 dias
Tratamento específicoAntibiótico, iniciado na suspeita, sem esperar sorologiaNão há antiviral: suporte, e proibição de ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios
PrevençãoAmbiental e ocupacional: controle de roedores, saneamento, equipamento de proteção individualVacina 17DD de vírus vivo atenuado, dose única a partir dos 5 anos
NotificaçãoImediata, em até 24 horas, apenas à Secretaria Municipal de SaúdeImediata, em até 24 horas, às três esferas

Antibioticoterapia da leptospirose, por fase (Quadro 1 do Guia de Vigilância em Saúde)

FaseAntibióticoAdultoCriança
PrecoceDoxiciclina100 mg, via oral, de 12 em 12 horas, por 5 a 7 diasNão se aplica — e o algoritmo do primeiro atendimento exclui menores de 9 anos
PrecoceAmoxicilina500 mg, via oral, de 8 em 8 horas, por 5 a 7 dias50 mg/kg/dia, via oral, em intervalos de 6 a 8 horas, por 5 a 7 dias
TardiaPenicilina G cristalina1.500.000 UI, intravenosa, de 6 em 6 horas50 a 100 mil UI/kg/dia, intravenosa, em 4 ou 6 doses
TardiaAmpicilina1 g, intravenosa, de 6 em 6 horas50 a 100 mg/kg/dia, intravenosa, em 4 doses
TardiaCeftriaxona1 g a 2 g, intravenosa, de 24 em 24 horas80 a 100 mg/kg/dia, intravenosa, em 1 ou 2 doses
TardiaCefotaxima1 g, intravenosa, de 6 em 6 horas50 a 100 mg/kg/dia, intravenosa, em 2 a 4 doses
AlternativaAzitromicina ou claritromicinaAzitromicina 500 mg, intravenosa, ao dia, quando há contraindicação ao esquema padrãoAlternativa para quem tem contraindicação a amoxicilina e doxiciclina

Febre amarela: classificar para decidir o destino

FormaClínicaLaboratórioDestino
LeveSem sinal de alarme e sem sinal de gravidadeALT ou AST abaixo de 500 U/L; creatinina abaixo de 1,3 mg/dL; razão normalizada internacional abaixo de 1,5Ambulatorial com reavaliação clínica e laboratorial em até 24 horas, até 48 horas de remissão da febre; sem condição de monitorar, manejar como moderada
ModeradaSinal de alarme: vômitos, diarreia e dor abdominalAST maior ou igual a 500 U/L e creatinina maior ou igual a 1,3 mg/dLInternar todos os casos suspeitos; reavaliação clínica de 4 em 4 horas e laboratorial de 12 em 12 horas
GraveOligúria, sonolência, confusão mental, torpor, coma, convulsão, sangramento, dificuldade respiratória, hipotensão, sinais de má perfusão, icteríciaALT ou AST maior ou igual a 2.000 U/L; ou creatinina maior ou igual a 2 mg/dL; ou razão normalizada internacional maior ou igual a 1,5; ou plaquetas abaixo de 50.000 por mm³Terapia intensiva, a qualquer momento desde a avaliação inicial

Vacina febre amarela: quem recebe, quem recebe com avaliação, quem não recebe

SituaçãoConduta
Rotina, de 9 meses a 59 anos, 11 meses e 29 diasUma dose aos 9 meses e reforço aos 4 anos, com intervalo mínimo de 30 dias; a partir de 5 anos, dose única válida para toda a vida
Uma dose aplicada antes dos 5 anosAdministrar uma dose
Uma dose aplicada a partir dos 5 anos, ou duas doses antes dos 5 anosConsiderar vacinado
60 anos ou mais, não vacinado, em área com circulação viral comprovadaVacinar mediante avaliação de risco por comorbidades, condições autoimunes, imunossupressão e medicamentos
GestanteExceção: apenas na impossibilidade de adiamento, sendo residente ou viajante para área de risco, com avaliação de risco-benefício
Nutriz amamentando criança abaixo de 6 mesesEvitar ou postergar até a criança completar 6 meses; sendo impossível adiar, suspender a amamentação por dez dias
Criança de 6 a 8 meses e 29 diasPrecaução: vacinar apenas na impossibilidade de adiamento, em área com circulação comprovada, com avaliação de risco-benefício
Hipersensibilidade a ovo de galinha ou gelatinaVacinar somente após avaliação médica, com cautela, preferencialmente em ambiente hospitalar, com observação de pelo menos duas horas
HIV com CD4 a partir de 13 anosSem alteração imunológica (350 células/mm³ ou mais): vacinar. Alteração moderada (entre 200 e 350): considerar risco-benefício. Alteração grave (abaixo de 200): contraindicado
Doença falciformeSem hidroxiureia: vacinar. Em uso de hidroxiureia: vacinar se neutrófilos acima de 1.500 células/mm³; abaixo disso, contraindicado
Criança menor de 6 mesesContraindicado, pelo risco de meningoencefalite
ImunossupressãoContraindicado: neoplasia maligna, transplante de órgãos sólidos, imunodeficiência primária ou secundária, imunobiológicos modificadores da resposta imune, e corticoide em dose imunossupressora (prednisona 2 mg/kg/dia em criança até 10 kg ou 20 mg/dia em adulto, por mais de 14 dias)
Anafilaxia a componente da vacina, ou doença do timoContraindicado

Eventos supostamente atribuíveis à vacina febre amarela

EventoInícioFrequênciaRevacinação
Manifestações locais: dor, eritema e enduração por 1 a 2 dias1 a 2 dias2% a 4%Não contraindica
Manifestações gerais: febre, mialgia e cefaleia por 1 a 2 diasA partir do 3º diaMenos de 4%, e menos em revacinadosNão contraindica
AnafilaxiaDe minutos a 12 horas; formas bifásicas em até 72 horas1,3 caso por 100 mil doses — cerca de 1 em 77 milContraindica
Doença neurológica aguda associada à vacina1 a 30 dias0,8 por 100 mil doses (1 em 125 mil); 2,2 por 100 mil a partir dos 60 anos (1 em cerca de 45 mil)Contraindica
Doença viscerotrópica aguda: síndrome íctero-hemorrágica3 a 4 dias, variando de 1 a 180,25 a 0,4 por 100 mil doses — 1 em 250 mil a 400 milContraindica

A conta que nenhum documento traz pronta, e que fixa a dissociação: o capítulo de febre amarela fixa o valor de referência do adulto em até 40 U/L para a aspartato aminotransferase e até 30 U/L para a alanina. Logo, o teto da leptospirose — de três a cinco vezes o valor de referência, sem ultrapassar algumas centenas — fica entre 10 e 12,5 vezes o limite superior; e o patamar da febre amarela grave, de 25.000 a 50.000 U/L, fica entre 625 e 1.250 vezes. A razão entre os dois é de cerca de 50 a 100.

Duas unidades diferentes para o mesmo teto de aminotransferase na leptospirose. O Guia de Vigilância em Saúde, na página 1057, escreve 'aminotransferases normais ou com aumento de três a cinco vezes o valor da referência (geralmente não ultrapassam 500 UI/dL)'; na página seguinte, o mesmo capítulo escreve 'leve a moderada elevação de aminotransferases (<400 U/L)'. O par idêntico já estava no manual clínico de 2014, nas páginas 19 e 20. A unidade da aminotransferase é U/L: lido ao pé da letra, 500 UI/dL equivaleria a 5.000 U/L, dez vezes o valor pretendido. Este capítulo adota a faixa de 400 a 500 U/L como teto, que é a leitura compatível com a frase 'três a cinco vezes o valor de referência'.

A palavra trocada na descrição da insuficiência renal da leptospirose. O Guia de Vigilância em Saúde, na página 1056, escreve que a insuficiência renal aguda é 'não oligúrica e hipocalcemia, devido à inibição de reabsorção de sódio nos túbulos renais proximais, aumento no aporte distal de sódio e consequente perda de potássio'. Perda de potássio produz hipocalemia, e o próprio capítulo escreve 'hipocalemia moderada a grave' duas vezes na sequência, inclusive na frase que usa o achado para diferenciar a leptospirose de outras causas infecciosas de insuficiência renal aguda. Este capítulo adota hipocalemia.

Os percentuais da leptospirose não fecham. A fase precoce 'corresponde de 85% a 90% das formas clínicas' e 'em aproximadamente 15% dos pacientes ocorre a evolução para manifestações clínicas graves'. Somados nos extremos superiores, 90% mais 15% dão 105%. As duas frases são do mesmo capítulo, e a leitura razoável é que as faixas são estimativas independentes, não partições de um todo.

Os percentuais da febre amarela também não fecham, e a frase se contradiz sozinha. 'As formas leves ou infecções assintomáticas representam a maioria dos casos (40% a 60%)' — 40% não é maioria. Somando com 'as formas leves e moderadas, que representam entre 20% e 60% dos casos' e 'as formas graves e malignas representam aproximadamente 20% a 40% dos casos', os extremos superiores chegam a 160%. O que se aproveita com segurança é a letalidade: com 20% a 40% de formas graves e óbito em 20% a 50% delas, a letalidade sobre o conjunto dos casos fica entre 4% e 20%.

A letalidade da leptospirose muda de denominador entre os documentos. O Guia de Vigilância em Saúde de 2024 fala em 9% para 'os casos de leptospirose notificados no Brasil'; o manual clínico de 2014 abre com 'letalidade média de 10,8%', logo depois de informar 13.000 notificados e 3.500 confirmados por ano, sem dizer sobre qual dos dois números incide, e mais adiante afirma que 'a letalidade de formas graves de leptospirose é de aproximadamente 10%'. Este último valor não fecha com os outros: se 15% dos casos evoluem para forma grave e a letalidade dentro dela fosse de 10%, a letalidade geral seria de 1,5%, e não de 9%. Para 9% de letalidade geral com 15% de formas graves, a letalidade dentro da forma grave teria de ser de cerca de 60% — o que é coerente com os mais de 50% atribuídos à hemorragia pulmonar. O capítulo usa 9% para o conjunto dos casos notificados e mais de 50% para a hemorragia pulmonar.

A classificação de gravidade da febre amarela deixa paciente sem categoria. A forma leve exige aminotransferase abaixo de 500 U/L, creatinina abaixo de 1,3 mg/dL e razão normalizada internacional abaixo de 1,5, todas juntas. A forma moderada exige 'AST/TGO ≥ 500 U/L e creatinina ≥ 1,3 mg/dL', com a conjunção 'e'. Um paciente com aspartato aminotransferase de 900 U/L e creatinina de 1,0 mg/dL não é leve, porque a transaminase ultrapassa o corte; não é moderado, porque a creatinina não alcança o segundo critério; e não é grave, porque fica abaixo de todos os cortes de gravidade e não tem sinal clínico. O mesmo vale para creatinina de 1,5 mg/dL com transaminase normal. A redação é idêntica no Manual de Manejo Clínico de 2020 e no Guia de Vigilância em Saúde de 2024, o que descarta erro de transcrição. Na prática e na prova, basta um sinal de alarme para tratar como moderada.

Duas linhas do mesmo quadro de gravidade não fecham nas unidades: 'Plaquetas <50.000 mm³' está impressa sem a barra — a unidade de contagem plaquetária é por mm³, não mm³.

O período de remissão da febre amarela aparece com três janelas diferentes em documentos do mesmo ministério. O Guia de Vigilância em Saúde escreve, em texto corrido, que a remissão 'pode levar de 6 a 48 horas entre o terceiro ao quinto dia de doença' e, no marcador logo abaixo, que ela 'dura de poucas horas a até, no máximo, dois dias'. A Figura 3 do Manual de Manejo Clínico de 2020 traz 'período da remissão 2-24 horas'. Entre o teto de 48 horas e o de 24 horas há um dia inteiro de diferença. O capítulo trabalha com 'de poucas horas a no máximo dois dias', que é a redação repetida nos dois documentos.

Dois prazos para o início da doença neurológica aguda pós-vacinal, no mesmo capítulo. O texto afirma que 'as manifestações neurológicas surgem de uma a quatro semanas após a vacinação'; o Quadro 1, na página seguinte, registra 'tempo decorrente aplicação/evento: 1 a 30 dias'. O piso difere em uma semana. O capítulo usa a janela do quadro, de 1 a 30 dias, por ser a que traz também a frequência.

A tabela de categorias imunológicas por CD4 põe o mesmo valor em duas categorias. Para a faixa 'a partir de 13 anos', a Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação de 2026 marca alteração ausente como 'maior ou igual a 350' e alteração moderada como 'entre 200 e 350'. Uma contagem de exatamente 350 células por mm³ satisfaz as duas linhas. As três faixas pediátricas do mesmo quadro não têm essa sobreposição. Na dúvida, a decisão vem da avaliação clínica associada, e o capítulo trata 350 como limite da vacinação indicada.

A doença falciforme em uso de hidroxiureia tem um valor sem regra. O Quadro 4 da Instrução Normativa manda vacinar 'se neutrófilos >1.500 células/mm³'; a lista de contraindicações da mesma página contraindica com 'contagem de neutrófilos menor que 1500 células/mm³'. Uma contagem de exatamente 1.500 não está em nenhuma das duas.

A janela da reação em cadeia da polimerase na leptospirose tem dois prazos que servem a propósitos diferentes. O anexo laboratorial manda colher plasma ou soro na fase aguda, 'início dos sintomas em 1-10 dias', e a observação do algoritmo de encerramento diz que 'até o 7º dia é o período ideal'. Já o critério de confirmação em paciente vivo exige amostra 'em pacientes com até sete dias de início dos sintomas', enquanto o critério aplicável a óbitos aceita coleta 'em até dez dias'. Colher até o décimo dia é correto; contar com o resultado para confirmar o caso, só até o sétimo.

O Guia de Vigilância em Saúde de 2024, no bloco de antibioticoterapia da leptospirose, remete à Rename 2022 para dizer que doxiciclina está no Componente Estratégico e os demais no Componente Básico. A edição vigente é a Rename 2024, e nela a alocação se mantém: cloridrato de doxiciclina 100 mg comprimido no Componente Estratégico; amoxicilina, benzilpenicilina potássica, ceftriaxona e cefotaxima sódica no Componente Básico.

A contraindicação da doxiciclina em criança aparece com duas redações no mesmo capítulo. A Figura 1, do algoritmo de primeiro atendimento, escreve que a droga 'não deve ser utilizada em crianças menores de 9 anos, mulheres grávidas e em pacientes portadores de nefropatias ou hepatopatias'. O rodapé do Quadro 1 de antibioticoterapia, três páginas adiante, repete a frase sem as crianças. O manual clínico de 2014 traz a versão completa, com as crianças menores de 9 anos. O capítulo adota a versão completa, e de todo modo a coluna infantil do Quadro 1 não oferece doxiciclina.

A duração do período de infecção da febre amarela difere entre os dois documentos do ministério. O Guia de Vigilância em Saúde escreve que ele 'dura em torno de três dias'; o Manual de Manejo Clínico de 2020 escreve 'dura cerca de 3-6 dias', e a Figura 3 do mesmo manual repete '3-6 dias (virêmico)'. O capítulo usa a faixa de três a seis dias, que é a do documento clínico e a compatível com a viremia descrita nos dois — de 24 a 48 horas antes dos sintomas até três a cinco dias depois do início.

O período de incubação da leptospirose vem com uma média impossível: 'varia de 1 a 30 dias (média de 5 e 14 dias)'. Uma média é um número, não dois; a leitura provável é que 5 e 14 dias delimitem a faixa mais frequente dentro do intervalo de 1 a 30. O capítulo usa apenas o intervalo de 1 a 30 dias, que é o que sustenta a pergunta da anamnese sobre exposição nos 30 dias anteriores.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

O período de remissão da febre amarela é regra ou exceção?

Três fases com remissão, como quadro típico

O quadro clínico típico tem, em geral, apresentação bifásica, com um período inicial prodrômico e um toxêmico que surge após uma aparente remissão; o período de remissão ocorre entre o terceiro e o quinto dia de doença e dura de poucas horas a, no máximo, dois dias.

Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição revisada, volume 2, capítulo Febre amarela, p. 799

A cronologia clássica não se confirmou na epidemia brasileira

A apresentação do manual registra que a doença descrita em artigos e livros-texto não era exatamente a que se apresentava na epidemia de 2016 a 2018: sem período de remissão, com icterícia progressiva semanas depois e sinal de Faget sem febre. O corpo do documento formaliza a ressalva: a maioria segue a cronologia, mas o paciente pode iniciar os sintomas já no período toxêmico ou passar para ele em qualquer momento, o que obriga acompanhamento estreito do oligossintomático até pelo menos o sétimo dia.

Manual de Manejo Clínico da Febre Amarela, Ministério da Saúde, 2020, apresentação e capítulo 6

Na prova

O avaliador que escreve a partir do Guia de Vigilância em Saúde monta a vinheta clássica em três tempos e cobra o reconhecimento da remissão como armadilha de alta hospitalar; é o recorte mais comum e o que a alternativa correta costuma refletir. O avaliador que escreve a partir do Manual de Manejo Clínico monta a vinheta do paciente que já chega no período toxêmico, ou que piora sem ter melhorado, e a resposta certa é a vigilância até o sétimo dia. Repare no verbo do enunciado: se ele descreve melhora seguida de piora, o recorte é o clássico; se descreve piora contínua, o recorte é o do manual, e negar febre amarela por falta de remissão é o erro.

Dose fracionada da vacina de febre amarela: imuniza para sempre ou pede complementação?

Dose fracionada equivale a esquema completo

Os indivíduos que receberam a dose fracionada da vacina febre amarela devem ser considerados adequadamente imunizados, já que os estudos demonstram proteção conferida de pelo menos oito anos com essa dosagem.

Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição revisada, volume 2, capítulo Febre amarela, p. 817

Dose fracionada segue a regra por idade de aplicação, e gestante recebe uma dose

Em caso de histórico de dose fracionada, seguir a mesma recomendação aplicada às doses padrão, conforme a idade em que foram administradas. E, entre as gestantes que se enquadram na exceção, recomenda-se uma dose para as que foram vacinadas exclusivamente com dose fracionada durante a estratégia adotada em 2018.

Instrução Normativa que instrui o Calendário Nacional de Vacinação 2026, Quadro 2

Na prova

A questão que traz um paciente vacinado na campanha de dose fracionada de 2018 está testando qual documento o candidato usa. Enunciado que fala em 'considerado adequadamente imunizado' e cita oito anos de proteção vem do Guia de Vigilância; enunciado que traz gestante ou atualização de cartão vem da Instrução Normativa, que é a régua vigente do Programa Nacional de Imunizações. Quando o enunciado situar a decisão numa sala de vacina, a Instrução Normativa vence.

Gestante: exceção estrita ou situação especial com indicação ampla?

Gestante como exceção, só na impossibilidade de adiamento

A vacinação contra a febre amarela para gestantes somente se considera na impossibilidade de adiamento, em caso de residente ou viajante para área de risco epidemiológico e mediante avaliação do serviço de saúde sobre o risco-benefício da vacinação.

Instrução Normativa que instrui o Calendário Nacional de Vacinação 2026, Quadro 2, linha 'Gestantes (Exceção)'

Gestante em qualquer período gestacional, se alto risco de exposição

Entre as situações especiais nas quais a vacina febre amarela pode ser administrada, a gestante é listada com a conduta de vacinar em qualquer período gestacional, se houver alto risco de exposição ao vírus da febre amarela.

Instrução Normativa que instrui o Calendário Nacional de Vacinação 2026, Quadro 4, com fonte declarada no Manual dos CRIE, 6ª edição, 2023

Na prova

Os dois quadros estão no mesmo documento e sustentam alternativas diferentes. O gatilho do enunciado é o que decide: se ele fala em viagem que pode ser adiada, ou em residência fora de área de risco, a resposta é adiar. Se ele descreve surto em curso, epizootia confirmada ou impossibilidade de sair da área, a resposta é vacinar em qualquer período gestacional. Alternativa que apresenta a gestação como contraindicação absoluta está errada nos dois recortes.

Com que urgência se notifica a leptospirose?

Redação genérica, sem periodicidade nem esfera

A leptospirose é doença de notificação compulsória no Brasil, e tanto casos suspeitos isolados quanto surtos devem ser notificados 'o mais rapidamente possível', com registro no Sistema de Informação de Agravos de Notificação pela Ficha de Investigação da Leptospirose. O texto não fixa prazo em horas nem indica a quais esferas se notifica.

Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição revisada, volume 3, capítulo Leptospirose, p. 1064

Imediata em até 24 horas, apenas à Secretaria Municipal de Saúde

A linha da leptospirose traz a marca na coluna de notificação imediata, em até 24 horas, para a Secretaria Municipal de Saúde; as colunas do Ministério da Saúde, da Secretaria Estadual e a coluna semanal ficam em branco. A febre amarela, item 24 da mesma Lista, traz a marca nas três colunas de notificação imediata.

Lista Nacional de Notificação Compulsória, Anexo 1 do Anexo V da Portaria de Consolidação GM/MS nº 4/2017, na redação da Portaria GM/MS nº 11.211/2026, item 43

Na prova

A alternativa que diz 'notificar imediatamente às três esferas' soa completa e por isso convence, mas para a leptospirose ela está errada — a marca da Lista está numa coluna só. E a alternativa que classifica a leptospirose como notificação semanal, apoiada na redação genérica do Guia, também erra. A régua que vale é a Lista Nacional. O erro simétrico é imaginar que a febre amarela pare no município: ela vai às três esferas, com investigação imediata, porque um caso pode significar um surto.

06

Caso resolvido

Homem de 34 anos, gari, chega ao pronto-socorro no quinto dia de febre alta, com cefaleia, dor intensa nas panturrilhas e vômitos. Há uma semana trabalhou na remoção de entulho e lama numa rua alagada depois de temporal. Ao exame: temperatura de 38,8 °C, pressão arterial de 105 por 60 mmHg, frequência respiratória de 30 incursões por minuto, saturação de 90% em ar ambiente, esclera ictérica de tom alaranjado, hiperemia e edema conjuntival, e tosse seca. Exames: hemoglobina de 11,2 g/dL (era 13,6 g/dL na véspera), leucócitos de 16.400/mm³ com 12% de bastões, plaquetas de 78.000/mm³, creatinina de 2,4 mg/dL, ureia de 92 mg/dL, potássio de 2,9 mEq/L, bilirrubina total de 9,8 mg/dL com direta de 7,1 mg/dL, aspartato aminotransferase de 180 U/L, alanina aminotransferase de 96 U/L, creatinoquinase de 1.850 U/L. Diurese preservada.
achado
Exposição a lama e entulho de alagamento nos 30 dias anteriores, somada a febre, cefaleia e mialgia, já fecha caso suspeito de leptospirose pelo critério epidemiológico. A icterícia e a sufusão conjuntival fechariam sozinhas pelo segundo critério, o clínico — qualquer um dos dois basta.
achado
A dissociação laboratorial confirma a direção. Aspartato aminotransferase de 180 U/L é pouco mais de quatro vezes o limite superior de referência do adulto, dentro da faixa de três a cinco vezes que a leptospirose produz, enquanto a creatinoquinase está em 1.850 U/L. Se fosse febre amarela grave, com bilirrubina de 9,8 mg/dL e creatinina de 2,4 mg/dL, a transaminase estaria na casa dos milhares. A leucocitose com desvio à esquerda também aponta leptospirose, e afastaria febre amarela, em que a ausência de leucocitose é característica.
achado
O potássio de 2,9 mEq/L com creatinina em ascensão e diurese preservada é a assinatura da insuficiência renal aguda da leptospirose: não oligúrica e com hipocalemia, por inibição da reabsorção proximal de sódio e perda distal de potássio. É o achado que a diferencia de outras causas infecciosas de injúria renal.
decisão
Ele tem quatro dos oito sinais de alerta: dispneia com taquipneia, icterícia, vômitos frequentes e alteração compatível com comprometimento respiratório. Internação está indicada, e não se colhe leucograma para decidir — o leucograma de urgência é o desempate de quem não tem sinal de alerta.
decisão
Antibiótico agora, sem esperar sorologia. Fase tardia, esquema venoso: penicilina G cristalina 1.500.000 UI intravenosa de 6 em 6 horas, ou ceftriaxona 1 g intravenosa ao dia — 2 g ao dia se houver dúvida diagnóstica. Duração mínima de sete dias por via intravenosa. Colher, na mesma punção, sorologia para leptospirose, hemocultura para leptospira e hemocultura para aeróbios.
decisão
Frequência respiratória de 30 e saturação de 90% em ar ambiente, com tosse, pedem gasometria e radiografia de tórax imediatas. A queda de 13,6 para 11,2 g/dL de hemoglobina em 24 horas, sem sangramento exteriorizado e em paciente hidratado, é indício precoce de sangramento pulmonar. Terapia intensiva precoce, com suporte ventilatório em estratégia protetora, é a conduta — a hemorragia pulmonar leva a letalidade de 9% para mais de 50%.
decisão
Quinto dia de doença: a reação em cadeia da polimerase ainda está na janela, e é o exame que confirma agora. A sorologia colhida hoje pode vir não reagente sem descartar nada, e uma segunda amostra deve ser colhida a partir do sétimo dia. Notificar em até 24 horas à Secretaria Municipal de Saúde, com a Ficha de Investigação da Leptospirose, e acionar a vigilância para o local provável de infecção.
07

Agora feche você

Mulher de 27 anos, sem comorbidades, procura a emergência no quarto dia de doença. Voltou há oito dias de um acampamento em área de mata no interior de Minas Gerais, onde guias relataram macacos encontrados mortos. Começou com febre de 39 °C, cefaleia intensa, lombalgia e náuseas; ontem a febre cedeu e ela se sentiu melhor, mas hoje voltou a febre, com dor abdominal, vômitos escuros e prostração. Não tem registro de vacina de febre amarela e não sabe informar. Ao exame: temperatura de 38,9 °C, frequência cardíaca de 58 batimentos por minuto, pressão arterial de 100 por 62 mmHg, mucosas anictéricas, abdome doloroso em epigástrio. Exames: leucócitos de 4.100/mm³ sem desvio, plaquetas de 96.000/mm³, aspartato aminotransferase de 4.300 U/L, alanina aminotransferase de 2.100 U/L, bilirrubina total de 1,9 mg/dL, creatinina de 1,5 mg/dL, razão normalizada internacional de 1,3, proteína C reativa baixa, creatinoquinase de 210 U/L.
achado
Exposição em área de mata com epizootia relatada nos últimos 15 dias, em pessoa sem comprovação vacinal, com quadro febril agudo de início súbito: caso suspeito de febre amarela. A febre que cedeu e voltou no quarto dia é o período de remissão seguido do período toxêmico, e a bradicardia relativa com febre alta é o sinal de Faget.
achado
O laboratório fecha a direção e afasta a leptospirose: aminotransferase de 4.300 U/L com creatinoquinase de 210 U/L, ausência de leucocitose e proteína C reativa baixa. Se fosse leptospirose, a creatinoquinase estaria alta e a transaminase não passaria de algumas centenas.
achado
Falta classificar a forma clínica, e é a classificação que decide o destino. Ela tem sinais de alarme e um dos critérios laboratoriais de gravidade já batido.
08

Onde a banca derruba

  1. 1Esperar a sorologia para começar o antibiótico da leptospirose É a armadilha número um do tema, e ela se disfarça de método. A regra escrita é a oposta: a antibioticoterapia deve ser iniciada no momento da suspeita, sem aguardar confirmação laboratorial, e a eficácia é maior na primeira semana. Pior: o próprio uso precoce do antibiótico pode interferir na resposta imunológica e impedir a soroconversão, o que dá ao candidato a falsa impressão de que tratar cedo atrapalha o diagnóstico. Atrapalha a sorologia, não o diagnóstico — para isso existem a reação em cadeia da polimerase e a cultura.
  2. 2Descartar leptospirose porque a sorologia veio negativa no quinto dia Resultado não reagente de qualquer exame sorológico específico — ensaio imunoenzimático ou microaglutinação — em amostra colhida antes do sétimo dia do início dos sintomas não descarta o caso suspeito. Outra amostra deve ser colhida a partir do sétimo dia. O descarte só vale com ensaio imunoenzimático não reagente a partir do sétimo dia, ou com duas microaglutinações não reagentes colhidas com duas a três semanas de intervalo.
  3. 3Exigir icterícia para considerar leptospirose grave Hemorragia pulmonar e insuficiência renal ocorrem em pacientes anictéricos, e o texto proíbe expressamente que o médico se baseie apenas na icterícia para identificar quem está sob risco. A síndrome de Weil é a apresentação clássica, não a obrigatória: os três componentes podem vir concomitantemente ou isoladamente. O paciente que morre nas primeiras 24 horas costuma ser o pulmonar, e nele o quadro respiratório precede a icterícia e a insuficiência renal.
  4. 4Achar que hemoptise é obrigatória na hemorragia pulmonar Na maioria dos pacientes a hemorragia pulmonar maciça só é identificada pela radiografia de tórax ou depois da intubação. Por isso a régua manda manter suspeição de forma pulmonar grave em todo paciente com febre e sinais de insuficiência respiratória, independentemente da presença de hemoptise. E a leptospirose ainda pode causar síndrome da angústia respiratória aguda sem sangramento pulmonar.
  5. 5Interpretar a queda da febre da febre amarela como melhora O período de remissão é o intervalo mais perigoso: a temperatura cai, os sintomas afrouxam e o paciente parece pronto para a alta, e é dele que o período toxêmico emerge. A regra operacional que evita o erro é acompanhar o oligossintomático até pelo menos o sétimo dia de início dos sintomas, período máximo em que ele pode iniciar sinais de gravidade. E há quem nunca tenha remissão — o manual clínico registra pacientes que iniciam já no período toxêmico.
  6. 6Prescrever anti-inflamatório para a mialgia da febre amarela Não se usa ácido acetilsalicílico nem anti-inflamatório não esteroide, e quem já usava deve suspendê-los, porque a insuficiência hepática derruba os fatores de coagulação II, V, VII, IX e X e a isso se somam plaquetopenia, disfunção plaquetária e queda do fibrinogênio. Paracetamol é permitido, mas com teto de 3 g por dia — e nas formas graves a orientação passa a ser evitar o paracetamol e controlar a temperatura por medidas físicas.
  7. 7Ler transaminase baixa em paciente grave como doença leve Transaminase levemente alterada ou normal em quadro clínico grave sugere erro de diluição do exame: o laboratório deve ser alertado para reavaliar o equipamento e refazer a dosagem com diluição manual. Classificar como forma leve um paciente com oligúria, confusão ou sangramento porque a aspartato aminotransferase veio em 300 U/L é inverter o algoritmo — os sinais clínicos de gravidade classificam sozinhos.
  8. 8Marcar 'notificar imediatamente às três esferas' para a leptospirose A leptospirose tem notificação imediata, em até 24 horas, mas apenas à Secretaria Municipal de Saúde: na Lista Nacional a marca está numa coluna só. Quem vai às três esferas é a febre amarela, junto com hantavirose, febre maculosa, óbito por dengue e malária extra-amazônica. O erro espelhado — classificar a leptospirose como notificação semanal, apoiado na expressão genérica 'o mais rapidamente possível' do Guia de Vigilância — também derruba.
  9. 9Tratar a febre amarela urbana como realidade brasileira atual O ciclo urbano, com transmissão homem-Aedes aegypti-homem, não é registrado no Brasil desde 1942. Todos os casos das últimas décadas são silvestres, inclusive os ocorridos em periferias de cidades grandes, transmitidos por Haemagogus e Sabethes. Alternativa que atribui um surto brasileiro recente ao Aedes aegypti está errada — o que existe é o risco de reurbanização, pela sobreposição dos ecossistemas.
  10. 10Tomar a gestação ou os 60 anos como contraindicação absoluta à vacina Nenhuma das duas é contraindicação: as duas são precaução, com decisão por risco-benefício. Gestante e criança de 6 a 8 meses vacinam quando não há como adiar e há circulação viral comprovada; a pessoa de 60 anos ou mais vacina mediante avaliação de comorbidades, condições autoimunes, imunossupressão e medicamentos. Contraindicação absoluta é outra lista: menor de 6 meses, neoplasia maligna, transplante de órgão sólido, imunodeficiência primária ou secundária, anafilaxia a componente da vacina, doença do timo, doença falciforme em hidroxiureia com neutrófilos abaixo de 1.500 e corticoide em dose imunossupressora.
  11. 11Aplicar febre amarela e tríplice viral juntas em criança de 15 meses Em menores de 2 anos não se recomenda administrar simultaneamente a vacina de febre amarela e a tríplice viral ou a tetraviral: o intervalo é de 30 dias, e apenas em situação excepcional o mínimo de 15 dias. A partir de 2 anos, e em adultos, elas podem ser simultâneas ou respeitar os 30 dias. A exceção da exceção também cai: em emergência epidemiológica com circulação concomitante de febre amarela e sarampo, caxumba ou rubéola, as duas se aplicam simultaneamente, sem intervalo mínimo.
  12. 12Confundir a doença viscerotrópica pós-vacinal com falha vacinal A doença viscerotrópica aguda associada à vacina é uma síndrome íctero-hemorrágica que reproduz a forma grave da doença natural, começa em geral entre o terceiro e o quarto dia após a aplicação e ocorre em 0,25 a 0,4 caso por 100 mil doses. O manejo clínico é idêntico ao da doença por vírus selvagem; o que muda é a ficha de notificação e a investigação, e a diferenciação entre vírus vacinal e selvagem se faz por reação em cadeia da polimerase ou sequenciamento. Ela contraindica doses subsequentes.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Febre, mialgia, icterícia rubínica, insuficiência renal, sufusão conjuntival e exposição a água de enchente/roedores caracterizam leptospirose (fase de Weil): antibioticoterapia precoce e notificação compulsória (correta). Dengue não cursa tipicamente com icterícia e história epidemiológica de roedores/enchente aponta leptospirose. Hepatite A não explica sufusão hemorrágica e é notificável. Febre amarela exige área de risco e tem outro perfil; vacinação isolada não trata o caso. Malária requer confirmação parasitológica e a área não é sugestiva.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

Sorteando as questões…

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Plano de revisão

em 7 dias

Diga em voz alta os três eixos que separam as duas doenças: exposição com prazo (30 dias na leptospirose, 15 na febre amarela), curva de febre (bifásica contra trifásica com remissão) e laboratório (creatinoquinase alta com transaminase modesta contra transaminase em milhares sem leucocitose). Depois liste os oito sinais de alerta da leptospirose — dispneia com tosse e taquipneia, oligúria, fenômeno hemorrágico, hipotensão, alteração de consciência, vômitos frequentes, arritmia e icterícia — e diga o que faz cada um deles: internam. Escreva o esquema antibiótico por fase: doxiciclina 100 mg de 12 em 12 horas ou amoxicilina 500 mg de 8 em 8 horas na fase precoce; penicilina cristalina 1.500.000 UI de 6 em 6 horas ou ceftriaxona 1 a 2 g ao dia na fase tardia, por pelo menos sete dias. Feche com os quatro números da forma grave da febre amarela: transaminase maior ou igual a 2.000 U/L, creatinina maior ou igual a 2 mg/dL, razão normalizada internacional maior ou igual a 1,5, plaquetas abaixo de 50.000 por mm³ — e lembre que icterícia sozinha já classifica como grave.

em 30 dias

A parte que se perde primeiro é a da vacina e a das janelas de exame. Refaça a régua da vacina de memória: população de 9 meses a 59 anos, 11 meses e 29 dias; uma dose aos 9 meses e reforço aos 4 anos; a partir dos 5 anos, dose única para a vida; volume de 0,5 mL por via subcutânea; proteção a partir do décimo dia, e por isso vacinar dez dias antes da viagem. Separe precaução de contraindicação: gestante, nutriz de menor de 6 meses, criança de 6 a 8 meses, 60 anos ou mais e alergia a ovo são precaução; menor de 6 meses, neoplasia maligna, transplante de órgão sólido, imunodeficiência, anafilaxia prévia, doença do timo e corticoide em dose imunossupressora são contraindicação. Diga as três frequências que a prova cobra: anafilaxia 1,3 por 100 mil doses, doença neurológica 0,8 por 100 mil (2,2 acima dos 60 anos) e doença viscerotrópica 0,25 a 0,4 por 100 mil — as três contraindicam revacinação. Depois recite as janelas: método molecular na primeira semana nas duas doenças (até o sétimo dia na leptospirose, até o décimo na febre amarela) e sorologia a partir do sétimo dia, com a ressalva de que sorologia negativa antes do sétimo dia não descarta leptospirose. Termine pela notificação: febre amarela às três esferas em 24 horas, leptospirose em 24 horas só ao município.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Homem de 34 anos, gari, no quinto dia de febre com mialgia de panturrilha, icterícia alaranjada, tosse seca e saturação de 90% em ar ambiente, após limpar lama de alagamento — pronto-socorro de hospital geral — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Leptospirose e febre amarela — Preparatório para provas | OsceLabs