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Raiva: profilaxia pós-exposição
Raiva humana e profilaxia pós-exposição antirrábica (esquema de vacina e soro conforme animal e ferimento)
A prova entrega um animal e um ferimento e cobra a decisão: observar, vacinar ou soro mais vacina — no esquema de 4 doses (0, 3, 7 e 14) que a Nota Técnica nº 8/2022 fixou.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Criança de 3 anos vem à consulta após ser mordida por um cão de rua, com ferimento em antebraço, sangramento leve. O animal fugiu e não pôde ser observado. A criança tem esquema vacinal infantil completo, mas nunca recebeu vacina antirrábica. De acordo com a profilaxia de raiva, qual é a conduta correta?
Como esse tema cai
Raiva é o tema em que errar a questão dói mais: uma vez iniciados os sintomas, a doença mata praticamente 100% das vezes, e toda a medicina útil acontece antes — na sala de curativo de uma UBS ou de um pronto-socorro, com um paciente mordido na frente do médico. Por isso a banca não pede fisiopatologia: ela entrega um animal e um ferimento e pergunta o que fazer. A resposta sai de um quadro de condutas do Ministério da Saúde que qualquer plantonista deveria saber de cor, e é exatamente esse quadro que este capítulo destrincha.
Há um agravante que derruba quem estudou por material antigo: a Nota Técnica nº 8/2022 reescreveu os números. O esquema pós-exposição encolheu de 5 para 4 doses (dias 0, 3, 7 e 14), a pré-exposição caiu de 3 para 2 doses (dias 0 e 7), a via intradérmica entrou como estratégia poupadora de dose e a conduta diante do cão observável mudou de figura. Questão de prova recente cobra o protocolo novo — e costuma plantar o esquema velho entre os distratores.
O capítulo cobre a decisão profilática completa: classificar o ferimento, classificar o animal, decidir entre observar, vacinar e sorovacinar, aplicar certo o soro e resolver as situações especiais (reexposição, faltoso, gestante, imunossuprimido, escassez de soro). A doença clínica aparece no tamanho que a prova usa: o suficiente para reconhecer o quadro e entender por que a profilaxia não admite meio-termo.
O que muda decisão
Por que não se negocia com a raiva
A raiva é uma encefalite viral aguda causada por um Lyssavirus de RNA, transmitido pela saliva de mamíferos infectados — por mordedura, arranhadura ou lambedura de mucosa e pele lesada. O vírus não cai na corrente sanguínea: caminha pelos nervos periféricos até o sistema nervoso central, e é essa rota lenta que abre a janela da profilaxia. A incubação típica no ser humano é de 2 a 3 meses, com extremos de uma semana a mais de um ano; quanto mais inervado e mais próximo da cabeça o ferimento, mais curta tende a ser. No mundo, a doença mata cerca de 59 mil pessoas por ano, até 99% delas a partir de cães — quase metade crianças. No Brasil, o controle da raiva canina inverteu o perfil: na última década os casos humanos passaram a vir principalmente de animais silvestres, com o morcego à frente.
O quadro clínico começa com pródromos inespecíficos — febre, mal-estar e, tipicamente, parestesia ou dor no local da mordedura já cicatrizada. Evolui para uma de duas formas: a furiosa, com agitação, espasmos faríngeos dolorosos à deglutição (hidrofobia), aerofobia e hipersalivação; ou a paralítica, com paralisia flácida ascendente que lembra Guillain-Barré — forma associada à variante do morcego e responsável por diagnósticos perdidos. Em dias, qualquer das formas termina em coma e morte. Sobrevida é excepcional, descrita em pouquíssimos casos no mundo sob protocolos intensivos experimentais — nada que mude a régua: raiva se previne, não se trata.
O diagnóstico clínico se apoia na história de exposição; a confirmação laboratorial usa imunofluorescência direta e biologia molecular em saliva, folículo piloso e tecido neural, e no animal agressor o exame do encéfalo. Para a prova, guarde o par de vigilância: raiva humana é notificação compulsória imediata, e todo atendimento antirrábico — mesmo o que termina sem vacina — gera notificação em ficha própria.
O primeiro gesto: água, sabão e nenhuma pressa de suturar
Antes de qualquer imunobiológico vem o gesto mais custo-efetivo da profilaxia: lavar o ferimento com água corrente abundante e sabão ou detergente, o quanto antes — a OMS recomenda uns 15 minutos de lavagem, seguida de antisséptico com ação virucida, como os iodados. A limpeza mecânica remove partículas virais da porta de entrada e comprovadamente reduz o risco de infecção; vale ser feita na consulta mesmo que o acidente tenha ocorrido há horas ou dias.
Ferida de mordedura, em regra, não se sutura. Quando o fechamento for inevitável — sangramento, estética facial —, aproximam-se as bordas com pontos isolados e frouxos, e sempre depois de infiltrar o soro no ferimento quando ele estiver indicado; suturar antes do soro enterra vírus em tecido fechado. Complete o atendimento com o que a ferida pede de resto: avaliação da profilaxia do tétano conforme o capítulo próprio e vigilância de infecção secundária.
Só então começa a decisão antirrábica propriamente dita, que cruza duas classificações: a do ferimento e a do animal. As duas seções seguintes montam cada eixo; o bloco de decisão junta tudo no quadro que a prova cobra.
Eixo 1 — o ferimento: contato indireto, acidente leve, acidente grave
Contato indireto não é exposição: tocar ou alimentar o animal, lambedura em pele íntegra, contato com utensílios. A conduta é lavar e liberar, sem profilaxia. O raciocínio vale também para a manipulação de carne ou leite de animal raivoso — não há caso humano descrito por essa via; cabe lavar, tranquilizar e, no máximo, discutir situações excepcionais individualmente.
Acidente leve é o ferimento superficial, pouco extenso, geralmente único, em tronco ou membros — excluídas mãos, polpas digitais e plantas dos pés. Arranhaduras e lambeduras sobre lesões superficiais entram aqui.
Acidente grave é definido pelo lugar e pela profundidade: qualquer ferimento em cabeça, face, pescoço, mãos, polpas digitais ou plantas dos pés; ferimentos profundos, múltiplos ou extensos em qualquer região; e lambedura de mucosa ou de pele já lesada. O racional é anatômico: essas áreas concentram terminações nervosas, encurtando o caminho do vírus ao sistema nervoso, e a mucosa é permeável ao vírus mesmo intacta. Guarde ainda duas regras que atravessam esse eixo: todo acidente com morcego ou outro mamífero silvestre é grave por definição, seja qual for o arranhão; e a gravidade aqui é da exposição ao vírus, não do trauma — um ferimento cirurgicamente banal na polpa digital é grave para a raiva.
Eixo 2 — o animal: observável, suspeito, silvestre, de produção ou de baixo risco
Cão e gato têm um privilégio biológico que sustenta metade do quadro de condutas: o vírus só aparece na saliva 2 a 5 dias antes dos primeiros sinais clínicos, e o animal doente morre em poucos dias — em geral até o quinto dia de sintomas. Logo, se o animal está vivo e saudável 10 dias depois da agressão, ele não estava excretando vírus quando mordeu. Animal observável é o cão ou gato sem sinais sugestivos de raiva — domiciliado ou não — que se consegue acompanhar por 10 dias, comendo e bebendo normalmente. Sinais de alerta durante a observação: recusa de água, engasgos, salivação excessiva, paralisias, mudança de comportamento. Se o animal adoecer, morrer ou desaparecer, a profilaxia começa imediatamente; se completar os 10 dias saudável, encerra-se o caso sem vacina.
Na outra ponta estão os animais em que não existe margem de observação. Morcegos e demais mamíferos silvestres — micos, macacos, raposas, guaxinins, quatis, gambás, capivaras, cachorros-do-mato, felídeos selvagens, javalis — são sempre tratados como de risco, mesmo quando criados dentro de casa, porque a patogenia da raiva nessas espécies não é bem conhecida: não vale a lógica dos 10 dias. Animais de produção — bovinos, equídeos, caprinos, ovinos, suínos — também são animais de risco; a avaliação pesa o tipo de contato e a epidemiologia local, e o cenário clássico de prova é o trabalhador rural que desengasgou um boi que depois morreu raivoso: contato de pele lesada e mucosa com saliva, exposição grave.
No extremo oposto, ratos, camundongos, cobaias, hamsters e coelhos — roedores urbanos e lagomorfos — são de baixo risco: mordedura desses animais praticamente nunca indica profilaxia, salvo circunstâncias excepcionais como animal de laboratório inoculado com o vírus ou ataque bizarro em área com epizootia. É a pegadinha de prova mais barata do tema: rato de residência urbana morde, a resposta é lavar e não vacinar.

Vacina, soro e os números que valem desde 2022
A vacina antirrábica humana é de vírus inativado produzida em cultivo celular, segura em qualquer idade, na gestação e na lactação — diante de uma doença 100% letal, profilaxia pós-exposição não tem contraindicação. O esquema pós-exposição vigente são 4 doses, nos dias 0, 3, 7 e 14, por uma de duas vias: intramuscular (frasco inteiro, 0,5 ou 1,0 mL conforme o fabricante, no deltoide — ou vasto lateral da coxa em menores de 2 anos; nunca no glúteo) ou intradérmica (0,2 mL divididos em duas aplicações de 0,1 mL em sítios distintos, no antebraço ou na delimitação do deltoide, conferindo a pápula que atesta a técnica). A via intradérmica é a aposta poupadora de dose — rende mais pacientes por frasco — e o Ministério recomenda priorizá-la onde há profissional treinado. Paciente que falta a uma dose não reinicia nada: aplica no dia em que comparecer e mantém os intervalos seguintes.
A imunização passiva entra apenas nos acidentes graves. São duas opções com a mesma função: o soro antirrábico heterólogo (SAR), de origem equina, na dose de 40 UI/kg, e a imunoglobulina humana antirrábica (IGHAR), 20 UI/kg — reservada, nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, a quem já apresentou hipersensibilidade ou usou soro heterólogo antes. A técnica importa mais que a marca: infiltrar todo o volume, ou o máximo possível, dentro e ao redor das lesões; o excedente vai por via intramuscular em grupo muscular distinto do da vacina. O teste cutâneo prévio foi abandonado — falso-negativo não afasta reação, e a OMS o considera desnecessário —, mas o soro heterólogo exige estrutura para atender anafilaxia e observação após a aplicação. Duas travas temporais caem em prova: o soro é dose única, o mais cedo possível, e só até o 7º dia após a primeira dose de vacina — depois disso está contraindicado, porque a imunidade ativa já responde; e vacina nunca se atrasa esperando soro indisponível. Em escassez, a Nota Técnica nº 134/2022 manda concentrar o que houver na infiltração do ferimento.
A pré-exposição (PrEP) vale para quem convive com o risco antes do acidente: veterinários e estudantes da área, biólogos, espeleólogos, profissionais de laboratório que manipulam o vírus e trabalhadores de campo em áreas endêmicas. São 2 doses, nos dias 0 e 7, IM ou ID, com controle sorológico periódico para quem segue exposto. Em 2024, a Nota Técnica nº 160 levou a PrEP ao calendário de comunidades amazônicas de difícil acesso — a mesma lógica da OMS para áreas remotas com raiva de morcego hematófago e pouco acesso à profilaxia pós-exposição. Quem tem histórico vacinal muda de esquema na reexposição: após PrEP completa ou pós-exposição prévia com pelo menos 2 doses há mais de 90 dias, bastam 2 doses (dias 0 e 3), sem soro; reexposição até 90 dias de um esquema completo não exige nada além do cuidado com a ferida; esquema anterior de dose única é desconsiderado e recomeça-se do zero. Imunossuprimidos fogem da régua: avaliação individual, esquema completo e soro indicado mesmo na reexposição.
A decisão: ferimento × animal
O fluxo resolve o atendimento na ordem em que ele acontece; os cards graduam o eixo do ferimento, que é o degrau ordinal do tema; as tabelas fecham com o quadro de condutas do protocolo federal e os esquemas em números.
- 1Lave o ferimento com água corrente e sabão, abundantemente, e aplique antisséptico virucida. Não suture de imediato; se inevitável, pontos isolados e frouxos, depois do soro quando este estiver indicado.
- 2Classifique o ferimento: contato indireto (sem exposição), acidente leve (superficial, único, em tronco ou membros, poupando mãos, polpas e plantas) ou grave (cabeça, face, pescoço, mãos, polpas digitais, plantas dos pés; profundo, múltiplo ou extenso; lambedura de mucosa ou pele lesada).
- 3Classifique o animal: cão ou gato sem sinais e observável por 10 dias; cão ou gato suspeito, raivoso, morto ou desaparecido; animal de produção; morcego ou outro silvestre (sempre grave); roedor urbano ou coelho (baixo risco).
- 4Cruze os dois eixos no quadro de condutas e decida: só observar, vacinar 4 doses (0, 3, 7 e 14) ou soro infiltrado no ferimento mais as 4 doses. Cheque histórico vacinal prévio — reexposição tem esquema próprio e dispensa soro.
- 5Notifique o atendimento antirrábico em ficha própria, agende as doses com busca ativa de faltosos e complete a profilaxia do tétano conforme a ferida.
Contato indireto
Tocar ou alimentar o animal, lambedura em pele íntegra, contato com utensílios ou com carne e leite. Não há exposição: lavar, orientar e encerrar, sem vacina e sem soro.
Acidente leve
Ferimento superficial, pouco extenso, geralmente único, em tronco ou membros — fora de mãos, polpas digitais e plantas dos pés. Com cão ou gato observável, autoriza a conduta mais econômica do quadro: observar sem vacinar.
Acidente grave
Cabeça, face, pescoço, mãos, polpas digitais ou plantas dos pés; ferimento profundo, múltiplo ou extenso; lambedura de mucosa ou de pele lesada; qualquer acidente com morcego ou silvestre. É o território do soro: imunização passiva mais 4 doses de vacina.
| Animal envolvido | Acidente leve | Acidente grave |
|---|---|---|
| Cão ou gato sem sinais de raiva, observável por 10 dias | Lavar. Não iniciar profilaxia; observar o animal por 10 dias. Se adoecer, morrer ou desaparecer: 4 doses (0, 3, 7 e 14). Se seguir saudável: encerrar. | Lavar. Não iniciar profilaxia; observar por 10 dias. Se adoecer, morrer ou desaparecer: soro + 4 doses (0, 3, 7 e 14). Se seguir saudável: encerrar. |
| Cão ou gato suspeito, raivoso, morto, desaparecido ou não observável | Lavar e vacinar: 4 doses (0, 3, 7 e 14), sem soro. | Lavar, infiltrar soro (SAR 40 UI/kg ou IGHAR 20 UI/kg) e vacinar: 4 doses (0, 3, 7 e 14). |
| Animal de produção (bovino, equídeo, caprino, ovino, suíno) | Lavar e vacinar: 4 doses (0, 3, 7 e 14), sem soro. | Lavar, infiltrar soro e vacinar: 4 doses (0, 3, 7 e 14). |
| Morcego ou outro mamífero silvestre, mesmo domiciliado | Não existe leve: todo acidente é grave. | Lavar, infiltrar soro e vacinar: 4 doses (0, 3, 7 e 14), qualquer que seja a lesão. |
| Roedor urbano ou coelho (rato, camundongo, hamster, cobaia) | Lavar. Profilaxia não indicada, salvo circunstância excepcional (animal de laboratório inoculado, epizootia). | Lavar. Profilaxia não indicada, salvo circunstância excepcional. |
Esquemas vigentes (Nota Técnica nº 8/2022)
| Situação | Esquema | Detalhe de via e volume |
|---|---|---|
| Pós-exposição (sem histórico vacinal) | 4 doses: dias 0, 3, 7 e 14 — mais soro apenas nos graves | IM: frasco inteiro (0,5 ou 1,0 mL) no deltoide, ou vasto lateral se < 2 anos; nunca glúteo. ID: 0,2 mL em 2 sítios de 0,1 mL, antebraço ou deltoide, conferindo a pápula |
| Pré-exposição (grupos de risco) | 2 doses: dias 0 e 7, com sorologia periódica em quem segue exposto | IM ou ID, mesmos volumes; indicada a via ID em serviço com equipe treinada |
| Reexposição após esquema completo (PrEP, ou PEP há mais de 90 dias com ao menos 2 doses) | 2 doses: dias 0 e 3 — sem soro | IM ou ID; imunodeprimido é exceção: avaliação individual e soro indicado |
| Reexposição até 90 dias de PEP completa | Apenas cuidado com o ferimento; sem vacina e sem soro | Se o esquema anterior ficou incompleto, completam-se as doses faltantes |
| Paciente faltoso | Não se reinicia: aplica no dia do comparecimento e mantém os intervalos seguintes | Busca ativa é rotina do serviço |
| Soro/imunoglobulina (só em acidente grave) | SAR 40 UI/kg ou IGHAR 20 UI/kg, dose única, até 7 dias após a 1ª dose de vacina | Infiltrar tudo (ou o máximo) no ferimento; excedente IM longe do sítio da vacina; IGHAR para quem já reagiu ou usou soro heterólogo |
Depois do 7º dia da primeira dose de vacina, soro e imunoglobulina estão contraindicados — a resposta ativa já assumiu.
Soro heterólogo pede serviço preparado para anafilaxia e observação do paciente após a aplicação; o teste cutâneo prévio foi abandonado.
A vacina nunca espera: indisponibilidade de soro não atrasa a primeira dose.
Todo atendimento antirrábico é notificado em ficha própria, inclusive quando a conduta é só observar.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Ministério da Saúde (NT nº 8/2022 e Guia de Vigilância em Saúde)
Se o cão ou gato não tem sinais sugestivos de raiva e pode ser observado por 10 dias, não se inicia a profilaxia — nem no acidente grave. Vacina só entra se o animal adoecer, morrer ou desaparecer. A régua se apoia na biologia da excreção viral (2 a 5 dias antes dos sinais) e no contexto nacional de raiva canina controlada e oferta limitada de imunobiológicos, causas que a própria nota técnica nomeia.
Nota Técnica nº 8/2022-CGZV/DEIDT/SVS/MS
OMS (position paper de 2018)
Exposições das categorias II e III recebem lavagem e vacinação imediata — o documento não condiciona o início à observação do animal. A recomendação mira o mundo onde a raiva canina é endêmica e o acesso ao serviço é incerto: começar já e eventualmente interromper custa menos que perder o paciente de vista.
WHO position paper, abril de 2018 (sumário oficial)
Na prova
O cenário denuncia o recorte: UBS brasileira, animal domiciliado e vigilância acessível apontam para a conduta do Ministério; enunciado que cita categorias de exposição da OMS, viagem a área endêmica ou banca que escreve vacinação imediata nas alternativas está operando o documento internacional. Distrator com observar sem vacinar e alternativa com iniciar de imediato no mesmo enunciado é o clássico dessa fronteira — leia qual protocolo a questão nomeou.
OMS (position paper de 2018)
O regime intradérmico preferido é o IPC de uma semana: 2 sítios de 0,1 mL nos dias 0, 3 e 7 — 3 visitas, curso completo em 7 dias. No intramuscular, o Essen de 4 doses fecha entre os dias 14 e 28.
WHO position paper, abril de 2018 (sumário oficial)
Ministério da Saúde (NT nº 8/2022)
A via intradérmica foi adotada como poupadora de dose com os mesmos 4 encontros do esquema intramuscular: 0,2 mL em 2 sítios nos dias 0, 3, 7 e 14. O protocolo nacional padronizou uma única grade de datas para as duas vias — simplificação operacional para a rede, não discordância imunológica.
Nota Técnica nº 8/2022-CGZV/DEIDT/SVS/MS
Na prova
Questão que descreve 2 sítios nos dias 0, 3 e 7 e encerra aí está citando o regime da OMS; a grade 0, 3, 7 e 14 — em qualquer via — é a do protocolo brasileiro. O número de visitas nas alternativas é a impressão digital do documento usado pela banca.
Ministério da Saúde (NT nº 8/2022)
Infiltra-se o máximo possível na lesão e o restante vai por via intramuscular, respeitando o volume máximo do grupo muscular mais próximo e longe do sítio da vacina. Em escassez (NT nº 134/2022), admite-se infiltrar apenas o ferimento.
Notas Técnicas nº 8/2022 e nº 134/2022-CGZV/DEIDT/SVS/MS
OMS (position paper de 2018)
O que importa é o ferimento: o excedente da dose calculada não precisa ser aplicado IM à distância — pode até ser fracionado assepticamente para outros pacientes. A mudança de 2018 nasceu de evidência de que a proteção vem da neutralização local e da escassez mundial de imunoglobulina.
WHO position paper, abril de 2018 (sumário oficial)
Na prova
Alternativa que manda aplicar o restante IM reflete a letra do protocolo brasileiro; a que dispensa o excedente reproduz a OMS de 2018 — e note que, na escassez, o próprio Ministério converge para a infiltração exclusiva. Os anos dos documentos (2018 e 2022) costumam aparecer no enunciado quando a banca quer essa minúcia.
Caso resolvido
- achado
- Ferimento profundo em polpa digital — área de alta inervação — causado por gato: acidente grave por definição, independentemente do tamanho da lesão.
- achado
- Animal fugiu: cão/gato não observável. A coluna do quadro que permitiria só observar 10 dias está fechada.
- conduta
- Lavagem imediata e abundante com água e sabão, antisséptico virucida, sem sutura.
- conduta
- Grave + animal não observável = imunização passiva e ativa: SAR 40 UI/kg (ou IGHAR 20 UI/kg se reação ou uso prévio de soro heterólogo) infiltrado nos ferimentos, com excedente IM longe do sítio vacinal, mais vacina antirrábica em 4 doses nos dias 0, 3, 7 e 14.
- conduta
- Completar a porta de entrada: reforço dT (ferimento de risco com última dose há mais de 5 anos) e vigilância de infecção secundária — mordedura de gato é a que mais infecta.
- justificativa
- Notificar o atendimento antirrábico e agendar as doses com busca ativa. Se o soro faltar no serviço, a primeira dose de vacina não espera: soro pode entrar até 7 dias após a dose 1 — depois disso, está contraindicado.
Agora feche você
- achado
- Lesão puntiforme em pé, de aspecto banal, com morcego no ambiente: mordedura de morcego hematófago pode ser superficial e pouco dolorosa — o tamanho da ferida não mede o risco.
- classificação
- Acidente por morcego é sempre exposição grave, qualquer que seja a lesão — a categoria leve não existe para silvestres.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Responder com o esquema de 5 doses (0, 3, 7, 14 e 28) Atrai porque foi o esquema brasileiro por muitos anos e ainda domina apostilas antigas. Desde a Nota Técnica nº 8/2022 a pós-exposição tem 4 doses (0, 3, 7 e 14) — o dia 28 sobrevive apenas como distrator.
- 2Vacinar de imediato o mordido por cão saudável e observável Parece prudência, mas o protocolo vigente manda não iniciar a profilaxia — nem no acidente grave — enquanto o cão ou gato sem sinais estiver sob observação de 10 dias. E o velho reflexo de aplicar 2 doses e observar morreu em 2022: o esquema de 2 doses (0 e 3) hoje pertence à reexposição de quem já tem histórico vacinal completo.
- 3Subestimar o morcego porque o arranhão é minúsculo A gravidade aqui é da exposição, não do trauma: mordedura de morcego pode ser puntiforme, superficial e indolor, e mesmo assim todo acidente com morcego ou silvestre é grave — soro mais 4 doses, sem regra dos 10 dias. Classificar como leve pela aparência da lesão é o erro que a vinheta quer induzir.
- 4Prescrever soro fora do lugar ou fora da janela Soro não entra em acidente leve, não entra na reexposição de quem tem esquema completo (exceto imunodeprimido) e não entra depois do 7º dia da primeira dose de vacina. A banca adora oferecer soro reconfortante nessas três situações — nas três, a resposta certa o recusa.
- 5Vacinar mordedura de rato Roedores urbanos e coelhos são animais de baixo risco: a profilaxia praticamente nunca é indicada, salvo situações excepcionais como animal de laboratório inoculado. A alternativa lavar, orientar e não vacinar parece negligente — e é a correta.
Mordedura por cão desconhecido/não observável, com ferimento (mesmo leve com solução de continuidade), configura exposição grave/de risco para raiva. Como o animal não pode ser observado, indica-se esquema completo de vacina antirrábica ASSOCIADO a soro/imunoglobulina antirrábica, além de lavagem exaustiva do ferimento. Apenas observar é inadequado, pois a raiva é praticamente 100% letal. dTpa cobre tétano, não substitui a profilaxia de raiva (embora avaliação antitetânica também deva ocorrer). Vacina sem soro é insuficiente quando há indicação de imunoglobulina. Aguardar sintomas é fatal — a profilaxia deve ser imediata.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem de 45 anos procura atendimento após ser mordido por cão de rua desconhecido no antebraço, com ferimento profundo e sangrante, há 2 horas. O animal fugiu e não pôde ser observado. O paciente nunca foi vacinado contra raiva. Além da limpeza exaustiva do ferimento, qual é a conduta de profilaxia antirrábica indicada?
Ferimento profundo por animal não observável configura acidente grave, exigindo esquema completo com vacina antirrábica MAIS soro/imunoglobulina antirrábica infiltrado na lesão. A observação isolada só é possível quando o cão pode ser vigiado por 10 dias. Dose única de vacina é insuficiente. Soro sem vacina não confere imunidade ativa duradoura. Deixar de fazer profilaxia é conduta errada e potencialmente fatal, pois a raiva humana é quase sempre letal.
Homem de 30 anos chega ao pronto-socorro 6 horas após ser mordido no dorso da mão por cão desconhecido, que fugiu. A ferida é profunda, com sangramento. Ele nunca foi vacinado contra raiva. Ao exame: PA 128x80 mmHg, FC 88 bpm, ferida puntiforme profunda em dorso da mão, sem sinais de infecção. Qual é a conduta de profilaxia antirrábica correta?
Exposição grave (mordedura profunda, em mão/extremidade rica em inervação) por animal desconhecido que não pôde ser observado, em paciente não imunizado, exige esquema vacinal completo + soro/imunoglobulina antirrábica infiltrada na ferida. Só observar o animal não cabe porque o cão fugiu (não é observável). Vacina sem soro é insuficiente numa exposição grave em paciente sem imunização prévia. Dose única não constitui profilaxia adequada. Soro isolado, sem vacina, não confere proteção duradoura.
Homem de 35 anos, sem comorbidades, sofreu mordedura por cão de rua desconhecido, com ferimento profundo e lambedura de mucosa na mão. O animal fugiu e não pôde ser observado. O paciente nunca foi vacinado contra a raiva. Qual é a conduta de profilaxia pós-exposição correta?
Acidente grave (ferimento profundo e em mucosa) por animal não observável configura profilaxia pós-exposição completa: esquema vacinal antirrábico associado ao soro/imunoglobulina antirrábica infiltrado na ferida, além da lavagem exaustiva. Observação de 10 dias só se aplica a cão/gato passível de observação. Vacina isolada é insuficiente em acidente grave com animal não localizável. Soro isolado não gera imunidade duradoura. Antibiótico não substitui a imunoprofilaxia antirrábica, doença de letalidade praticamente 100%.
Uma criança de 18 meses foi mordida por um cão de rua desconhecido no membro inferior, com ferimento que sangrou. A família procura a UBS no mesmo dia. A criança tem esquema vacinal em dia (incluindo tétano) e não há como observar o animal, pois ele fugiu. Considerando o protocolo de profilaxia de raiva do Ministério da Saúde para acidente com animal não passível de observação, qual é a conduta correta?
Em mordedura por cão desconhecido, não passível de observação (fugiu), a exposição é considerada de risco para raiva, doença de letalidade praticamente 100%. A conduta é limpeza imediata do ferimento com água e sabão e início do esquema de profilaxia pós-exposição com vacina antirrábica; em ferimentos graves/profundos ou em áreas de maior risco, associa-se soro antirrábico (imunoglobulina). O esquema vacinal infantil de rotina NÃO inclui proteção contra raiva, portanto não dispensa a profilaxia. Antibiótico trata infecção bacteriana da ferida, mas não substitui a profilaxia antirrábica. Aguardar 10 dias só faz sentido quando o animal PODE ser observado; sem essa possibilidade, a profilaxia deve ser iniciada prontamente.
Adolescente de 12 anos é levado ao pronto-atendimento após ser mordido no antebraço por um cão de rua desconhecido, que fugiu. A mordida causou ferimento profundo com sangramento. A criança nunca foi vacinada contra raiva e o esquema de tétano está desatualizado (última dose há 8 anos). Quanto à profilaxia antirrábica pós-exposição, qual é a conduta correta segundo o Ministério da Saúde?
Acidente grave (mordida profunda) por cão não passível de observação (fugiu/desconhecido) classifica-se como exposição grave: indica-se esquema vacinal completo + soro/imunoglobulina antirrábica infiltrada na lesão (correta). Dose única da vacina é insuficiente. Não fazer profilaxia é conduta inaceitável em acidente grave com animal não observável. Soro isolado sem vacina está errado: a imunização ativa é indispensável. Também se deve atualizar o tétano.
Homem de 30 anos é atendido na UBS após sofrer mordedura de cão de rua desconhecido, com ferimento lacerante em antebraço há 2 horas. Está com esquema de tétano completo e atualizado. Considerando a profilaxia da raiva humana no SUS, qual a conduta correta?
Mordedura por cao desconhecido/nao passivel de observacao, com ferimento, indica profilaxia antirrabica (vacina, com ou sem soro conforme gravidade/localizacao), alem da limpeza local. So lavar e liberar ou apenas antibiotico nao previne a raiva, doenca letal. Aguardar observacao do animal e impossivel pois o cao e de rua desconhecido — a profilaxia nao deve ser postergada.
Um homem de 30 anos comparece à UBS relatando que foi mordido por um cão de rua desconhecido, com ferimento superficial em membro inferior há 2 horas. O animal fugiu e não pôde ser observado. Além dos cuidados locais com a ferida, qual é a conduta correta de prevenção específica no contexto do SUS?
Mordedura por cão desconhecido e não observável exige avaliação e indicação de profilaxia antirrábica (esquema vacinal, com ou sem soro/imunoglobulina, conforme a gravidade e o protocolo), disponível no SUS — a raiva é praticamente 100% letal e a profilaxia deve ser precoce. Liberar sem profilaxia é conduta insegura. Aguardar sintomas é inaceitável, pois a doença instalada é fatal. A conduta profilática inicial deve ser tomada na própria UBS, sem depender de encaminhamento prévio.
Um homem de 28 anos procura a UBS após ter sido mordido no antebraço por um cão desconhecido, de rua, que fugiu. A lesão é um ferimento profundo com sangramento. O paciente não sabe informar seu histórico vacinal antirrábico e a última dose de vacina antitetânica foi há mais de 10 anos. Qual a conduta profilática correta para a raiva?
Mordedura por cão desconhecido/de rua que não pode ser observado, com ferimento profundo (acidente grave), configura profilaxia com esquema de vacina antirrábica associado à imunoglobulina (soro) antirrábica infiltrada na lesão (opção correta). Só observar o animal seria possível se cão sadio e passível de observação por 10 dias, o que não ocorre aqui (opção errada). O soro isolado não confere imunidade duradoura e sempre acompanha a vacina em acidentes graves (opção errada). Em acidente grave com animal não observável, a vacina isolada é insuficiente — o soro é indicado (opção errada).
Criança de 6 anos comparece à UBS 30 dias após ter sido mordida na perna por um cão de rua desconhecido, que fugiu. A ferida foi lavada em casa, mas não houve atendimento prévio. A criança está assintomática. Segundo o protocolo de profilaxia da raiva, qual é a conduta mais adequada?
Mordedura por cão desconhecido/não passível de observação é exposição de risco para raiva, e a profilaxia pós-exposição deve ser iniciada mesmo com atraso, pois o período de incubação é variável e frequentemente longo. Não há prazo que contraindique iniciar a profilaxia enquanto o paciente estiver assintomático. Aguardar sintomas é fatal, pois a raiva instalada é quase sempre letal. Apenas orientar limpeza é insuficiente diante de animal não observável.
Mulher de 40 anos comparece à UBS após ter sido mordida no antebraço por um cão desconhecido de rua há 2 horas; a ferida é superficial, com sangramento discreto. Ela nunca recebeu vacina antirrábica. Não foi possível observar o animal. Além de lavar exaustivamente a ferida com água e sabão, qual a conduta correta quanto à profilaxia da raiva?
Em agressão por animal não observável, indica-se profilaxia pós-exposição com vacina antirrábica, avaliando soro/imunoglobulina conforme localização e gravidade da lesão. A raiva é praticamente sempre fatal, e o cão pode transmiti-la (opção errado). Antibiótico trata infecção bacteriana da ferida, mas não substitui a profilaxia da raiva. Adiar a profilaxia quando o animal não pode ser observado é conduta inadequada.
Homem de 40 anos é atendido na UBS após ser mordido por um cão desconhecido, de rua, na perna, com ferimento superficial e único. O animal fugiu e não pôde ser observado. O paciente não tem esquema prévio de vacinação antirrábica. Qual é a conduta de profilaxia da raiva humana mais adequada?
Em acidente por animal não observável (cão de rua que fugiu), com ferimento leve/único, indica-se lavagem exaustiva e esquema vacinal pós-exposição; o soro/imunoglobulina é reservado a ferimentos graves (múltiplos, profundos, mãos/face/cabeça) ou lambedura de mucosas. Apenas observar é perigoso porque o animal não pode ser observado. Soro isolado não substitui a vacina. Não indicar profilaxia ignora o risco em animal de comportamento desconhecido.
Idoso de 70 anos, morador de área rural, é atendido na UPA após ser mordido por um cão errante desconhecido, com ferimento profundo e dilacerante no antebraço. O cão fugiu e não pôde ser observado. O paciente tem esquema vacinal antitetânico incompleto (última dose há mais de 10 anos). Qual é a conduta correta quanto à profilaxia?
Ferimento grave (profundo/dilacerante) por cão desconhecido que não pode ser observado configura acidente de alto risco para raiva: indica-se esquema completo de vacina antirrábica associado à imunoglobulina/soro antirrábico. Como o esquema antitetânico é incompleto e o ferimento é de alto risco para tétano, indica-se também vacina e imunoglobulina antitetânica. Apenas observar ou dispensar a profilaxia antirrábica Inadequado: num acidente grave com animal não observável. Aguardar observação do cão é impossível (o animal fugiu) e atrasa perigosamente uma profilaxia que, uma vez indicada, não deve ser adiada.
Um homem de 40 anos procura a Unidade Básica de Saúde relatando que há cerca de três horas foi mordido no braço por um cão de rua desconhecido, que fugiu logo em seguida. Ao exame, apresenta ferimento lacerante superficial no antebraço direito, com sangramento discreto, sem sinais de infecção. Está com esquema vacinal antitetânico completo e atualizado. Nega comorbidades. O animal não pôde ser localizado nem observado, e não há informação sobre seu estado de saúde. Considerando a profilaxia da raiva humana preconizada pelo Ministério da Saúde, qual é a conduta correta?
Diante de mordedura por cão que não pode ser observado por 10 dias (fugiu/desconhecido), o ferimento é considerado de risco e indica-se limpeza local com água e sabão e início do esquema de vacinação antirrábica (correta); em ferimentos graves/profundos considera-se também soro/imunoglobulina, mas aqui o mínimo indicado é iniciar a vacina. Não se deve apenas liberar sem profilaxia quando o animal não é observável. Não se aguarda o surgimento de sintomas — a raiva é praticamente 100% letal após instalada, por isso a profilaxia é pré-sintomática. O reforço antitetânico não substitui a profilaxia antirrábica, e o paciente já está com tétano em dia.
Homem, 34 anos, agricultor, procura a unidade básica de saúde 3 horas após ser mordido por um cão de rua desconhecido. Ao exame, apresenta laceração profunda de aproximadamente 4 cm no dorso da mão direita, com sangramento ativo. Nega esquemas vacinais antirrábicos prévios. O animal fugiu logo após a agressão e não pôde ser localizado para observação. Sinais vitais: PA 128/80 mmHg, FC 82 bpm, T 36,5 °C. A ferida foi lavada exaustivamente com água e sabão. Qual é a conduta de profilaxia pós-exposição CORRETA?
Ferimento GRAVE (mordedura profunda) por cão desconhecido, sem possibilidade de observação (fugiu), em paciente sem esquema prévio: exposição de alto risco que exige SORO + VACINA. Correta: o soro heterólogo é 40 UI/kg (ou imunoglobulina homóloga 20 UI/kg), infiltrando o máximo possível ao redor e no fundo da(s) lesão(ões); o volume restante, se houver, é aplicado por via IM em local distante da vacina. Associa-se o esquema de 4 doses (dias 0, 3, 7 e 14) do PNI. Errada: esquema de 2 doses (dias 0 e 3) é para reexposição de pessoa previamente imunizada. Errada: omite o soro, indispensável no ferimento grave sem esquema prévio. Errada: a lavagem é fundamental, mas não substitui imunoprofilaxia em exposição grave. Errada: aplicar todo o soro IM no glúteo desperdiça o efeito local de neutralização, que deve ser infiltrado na ferida; o esquema também não é de 5 doses.
Mulher, 28 anos, é atendida por lambedura de pele íntegra do antebraço por um cão do vizinho durante uma visita. Não houve mordedura, arranhadura ou contato com mucosas, e a pele estava sem lesões. O cão é sadio, vacinado, tem dono e pode ser observado. A paciente está preocupada e pergunta se precisa iniciar vacina. Qual é a conduta mais adequada?
Lambedura de pele ÍNTEGRA (sem solução de continuidade) é classificada como contato SEM risco / pré-contato — não constitui exposição, dispensando vacina e soro. Correta: apenas lavar com água e sabão e orientar. Errada: nem todo contato exige profilaxia — a indicação depende do tipo de exposição, não da procedência do cão. Errada: soro só em exposições graves com solução de continuidade; pele íntegra não se enquadra. Errada: esquema de 2 doses (dias 0 e 3) é reservado a reexposição de já imunizados, e aqui não há sequer indicação de profilaxia. Errada: pré-exposição é para pessoas com risco ocupacional contínuo, não para este contato pontual sem risco.
Menino, 9 anos, é levado ao pronto-socorro pela mãe após ser mordido no braço por um morcego que entrou no quarto durante a noite. Há uma pequena escoriação superficial no local. A criança está bem, sem outras queixas. A mãe pergunta se, por ser um ferimento pequeno e por se tratar de morcego, é necessário tratamento. Sobre a profilaxia antirrábica neste caso, assinale a alternativa CORRETA.
Morcego é reservatório silvestre da raiva e, no Brasil, QUALQUER exposição a morcego é classificada como GRAVE, independentemente do tipo/gravidade do ferimento — indica-se sempre SORO + VACINA. Correta: Errada: a aparência superficial não reduz o risco em exposição por morcego. Errada: omite o soro, sempre indicado nessa exposição grave. Errada: o método de observação por 10 dias aplica-se apenas a cães e gatos, não a animais silvestres. Errada: não se deve aguardar teste do animal para iniciar a profilaxia — a conduta é imediata.
Mulher, 34 anos, auxiliar de limpeza, procura a unidade básica de saúde após ser mordida em um dos dedos da mão direita enquanto retirava um rato (ratazana urbana) que havia caído em um balde no depósito onde trabalha. Ao exame: paciente em bom estado geral, afebril, PA 120x76 mmHg, FC 78 bpm. No segundo quirodáctilo direito há duas pequenas lacerações puntiformes, superficiais, sem sangramento ativo, com boa perfusão distal e mobilidade preservada. Vacinação antitetânica em dia. Não há relato de outros animais no local. Qual é a conduta antirrábica correta?
Correta: Roedores urbanos/sinantrópicos (ratazana, rato de telhado, camundongo), assim como lagomorfos e roedores de criação (hamster, coelho, cobaia), NÃO são reservatórios do vírus da raiva no ciclo urbano — segundo o Protocolo do Ministério da Saúde, a exposição a esses animais dispensa profilaxia; basta cuidado local do ferimento. Esquema vacinal de 4 doses é indicado para exposições a animais que transmitem raiva (cão/gato suspeito, morcego, silvestres), não a roedor urbano. Soro + vacina é reservado a acidente grave por animal transmissor — não se aplica aqui. Observação de 10 dias é conduta para cão e gato, não para roedores (e é desnecessária). Não existe indicação de dose única profilática nesse contexto, e a exposição já dispensa vacina.
Homem, 60 anos, foi mordido na face (região malar e lábio superior) por um cão desconhecido, de rua, que fugiu logo após o ataque e não pôde ser localizado nem observado. Chega ao pronto-socorro 3 horas depois. Ao exame: PA 132x84 mmHg, FC 88 bpm, afebril; ferimentos profundos e com bordas irregulares na face, já lavados abundantemente com água e sabão. Paciente sem esquema de vacinação antirrábica prévio. A unidade dispõe de imunoglobulina humana antirrábica. Peso 60 kg. Quanto à imunização passiva, qual é a conduta correta?
Correta: Trata-se de acidente GRAVE (ferimentos profundos e múltiplos em face) por animal transmissor não passível de observação — indicação clássica de soroterapia + vacina. A imunoglobulina humana antirrábica é usada na dose de 20 UI/kg, devendo-se infiltrar a MAIOR quantidade possível ao redor/dentro dos ferimentos (neutralização local do vírus) e aplicar o volume restante por via intramuscular em local distante da vacina. 40 UI/kg é a dose do soro heterólogo (equino), não da imunoglobulina humana (20 UI/kg); além disso, nunca se aplica todo o volume IM sem infiltrar a lesão. Em acidente grave o soro/imunoglobulina não deve ser adiado nem omitido. A infiltração local é justamente o ponto-chave da técnica; aplicar só IM reduz a eficácia. Esquema de duas doses com observação é conduta para cão observável em acidente grave — inaplicável quando o animal fugiu e não pode ser observado.
Menino de 8 anos é levado pela mãe à UBS após ser mordido no antebraço esquerdo pelo cão da própria casa, durante brincadeira. O animal é domiciliado, tem vacinação antirrábica em dia, está aparentemente saudável e permanecerá com a família. Ao exame: criança em bom estado geral, afebril, sem alterações; no antebraço há uma laceração superficial única, de pequena extensão, já lavada com água e sabão, sem sinais de infecção. Não houve contato com mucosas nem ferimento em mãos, pés ou face. Segundo o Protocolo de Profilaxia da Raiva Humana, qual é a conduta mais adequada?
Correta: É acidente LEVE (ferimento único, superficial, em região que não é mão/pé/face) causado por cão passível de observação. Nessa situação o protocolo recomenda observar o animal por 10 dias e NÃO iniciar a vacinação de imediato: se o cão permanecer sadio ao final do período, encerra-se o caso; se adoecer, morrer ou desaparecer, inicia-se o esquema vacinal. O início imediato das 4 doses é reservado a exposições por animais não observáveis, suspeitos, silvestres ou morcegos. Soro só em acidente grave e/ou animal não observável — não é o caso. Não há indicação de dose única profilática. Perigosa: cão domiciliado, ainda que vacinado, pode transmitir raiva; por isso a observação de 10 dias é justamente a conduta indicada, e não a dispensa.
Mulher, 28 anos, hígida, procura o pronto-socorro após acordar durante a madrugada com um morcego voando dentro do quarto. Ao inspecionar-se, nota uma pequena lesão puntiforme no antebraço esquerdo, sem sangramento ativo. O animal foi capturado e encaminhado ao laboratório. Nega vacinação antirrábica prévia. A ferida foi lavada com água e sabão. Sinais vitais: PA 120x76 mmHg, FC 78 bpm, T 36,5 °C. Qual a conduta profilática antirrábica correta?
Correta: pela Norma Técnica de Profilaxia da Raiva Humana (Ministério da Saúde), qualquer agressão ou contato por morcego — e demais mamíferos silvestres — é sempre classificada como ACIDENTE GRAVE, independentemente do tipo ou da gravidade aparente do ferimento, indicando soro E vacina. O morcego é o principal reservatório do ciclo aéreo. Apenas lavar o local subestima o risco: exposição a morcego nunca dispensa imunização ativa e passiva. Dar só a vacina omite o soro, obrigatório em acidente grave em pessoa não imunizada. Observar o morcego por 10 dias não se aplica: essa conduta vale apenas para cães e gatos. O soro isolado é insuficiente, pois não confere imunidade duradoura; sempre se associa à vacina.
Menino, 7 anos, é levado à UBS após ser mordido pelo cão da vizinha há cerca de 1 hora. Apresenta ferimento único e superficial, com discreta escoriação na face anterior da perna direita, sem acometimento de mãos, pés, mucosas, cabeça ou pescoço. O cão é domiciliado, tem vacinação antirrábica em dia, mostrava-se sadio no momento da agressão e está disponível para observação pela família. A ferida foi lavada com água e sabão. Qual a conduta profilática antirrábica mais adequada?
Correta: Trata-se de ACIDENTE LEVE (ferimento único, superficial, em membro, fora de mãos/pés/mucosas/cabeça/pescoço) causado por CÃO SADIO passível de observação. Nessa combinação, o Ministério da Saúde recomenda apenas lavar a ferida e OBSERVAR o animal por 10 dias, sem iniciar profilaxia; só se inicia a vacina se o cão adoecer, morrer ou desaparecer no período. Iniciar esquema completo de imediato indica-se quando o animal está raivoso/desaparecido ou é silvestre, não neste cenário. Soro reserva-se a acidentes GRAVES por animal suspeito/raivoso/silvestre — inadequado em acidente leve com animal observável. O esquema de 2 doses + observação aplica-se ao acidente leve com cão CLINICAMENTE SUSPEITO no momento da agressão, o que não é o caso (animal sadio). Soro isolado não tem indicação e o acidente leve com animal observável nem exige imunização inicial.
Homem, 40 anos, é agredido por um cão de rua e apresenta ferimento profundo e sangrante na polpa digital da mão direita. O animal foi posteriormente capturado, evoluiu com sintomas neurológicos e teve raiva confirmada. Como antecedente, o paciente completou, há 8 meses, esquema de profilaxia PÓS-EXPOSIÇÃO antirrábico completo e devidamente documentado, por outra agressão. A ferida atual foi lavada com água e sabão. Considerando a exposição atual, qual a conduta correta?
Correta: Trata-se de REEXPOSIÇÃO em paciente que comprovadamente completou esquema de profilaxia antirrábico anterior. Nessa situação, o Ministério da Saúde recomenda apenas 2 doses de reforço da vacina (D0 e D3), INDEPENDENTEMENTE da gravidade do ferimento e da condição do animal, e o soro (imunoglobulina) NÃO é indicado — a resposta anamnéstica é rápida e robusta, tornando a imunização passiva desnecessária. É a conduta para paciente NÃO imunizado previamente; a pegadinha é que gravidade + animal raivoso não muda a regra da reexposição. Soro isolado está errado — o correto são as 2 doses de vacina, sem soro. Esquema prévio não garante proteção permanente frente a nova exposição de risco; o reforço é obrigatório. Reiniciar esquema completo é desnecessário — bastam 2 doses.
Homem, 32 anos, é mordido no antebraço pelo próprio cão há 2 horas. Ao exame, apresenta ferimento superficial único, sem sangramento ativo, em membro superior. O animal é domiciliado, tem carteira de vacinação antirrábica em dia, encontra-se clinicamente saudável e está disponível para observação. Sinais vitais: PA 128/78 mmHg, FC 76 bpm, T 36,5 °C. Qual a conduta correta de profilaxia antirrábica?
Correta: Trata-se de acidente LEVE (ferimento superficial, único, em membro, fora de mãos/pés/mucosas) causado por cão passível de observação, saudável e disponível. Nessa combinação, a norma do Ministério da Saúde indica apenas lavagem exaustiva com água e sabão e observação do animal por 10 dias, iniciando profilaxia somente se o cão adoecer, desaparecer ou morrer. Erra por iniciar vacina — o esquema de 2 doses + observação se reserva ao cão clinicamente SUSPEITO, não ao sadio. Soro + vacina é conduta de acidente grave com animal suspeito/ausente. Esquema completo sem soro superdimensiona um acidente leve com animal observável sadio. E é perigosa: nega o seguimento — se o cão adoecer nos 10 dias, a profilaxia deve ser iniciada imediatamente.
Homem, 28 anos, saudável, procura a UPA cerca de 1 hora após ter sido mordido por um cão durante corrida no parque. Ao exame: ferimento único e superficial, tipo arranhão, na face lateral da perna direita, sem sangramento ativo e sem perda de tecido. O cão pertence a um morador da vizinhança, é domiciliado, está com a vacinação em dia, apresenta comportamento normal e pode ser mantido em observação. Sinais vitais: PA 124x78 mmHg, FC 78 bpm, T 36,6 °C. Qual a conduta mais adequada em relação à profilaxia antirrábica?
O caso reúne dois critérios que definem a conduta: (1) acidente LEVE — ferimento único, superficial, em membro (não é mão, pé, face, pescoço nem mucosa) — e (2) cão domiciliado, sadio, com comportamento normal e PASSÍVEL de observação. Nessa combinação, o protocolo do Ministério da Saúde recomenda apenas lavar o ferimento com água e sabão e observar o animal por 10 dias, iniciando a vacina somente se ele adoecer, morrer ou desaparecer nesse período. Erra por exagero: iniciar o esquema completo de imediato não se justifica em acidente leve com animal observável e saudável. Erra porque soro está reservado a acidentes GRAVES (mucosas, ferimentos profundos/múltiplos/extensos, mão, face, pescoço, ou agressão por morcego/silvestre), o que não se aplica aqui. O esquema de 2 doses (dias 0 e 3) é indicado quando o cão está clinicamente SUSPEITO no momento da agressão — não é o caso deste animal sadio. Erra por ser insuficiente: mesmo sem vacinar de imediato, a observação do animal por 10 dias é obrigatória para autorizar a não profilaxia.
Mulher, 40 anos, previamente hígida, acorda de madrugada e encontra um morcego dentro do quarto. Ao tentar retirá-lo com as mãos, percebe uma pequena lesão puntiforme no dorso do dedo indicador direito. O morcego consegue escapar pela janela antes de qualquer captura. Ela procura o pronto-atendimento na manhã seguinte, assintomática, com a lesão limpa e sem sinais flogísticos. Qual a conduta profilática antirrábica indicada?
Toda agressão/contato por morcego (ou outro animal silvestre) é classificada como acidente GRAVE, independentemente do tipo ou da extensão do ferimento, pois esses animais são sempre considerados portadores do vírus da raiva e NÃO são passíveis de observação. A conduta correta é soro antirrábico (imunoglobulina) infiltrado ao redor da lesão + esquema vacinal completo. Observar o morcego por 10 dias erra: morcego é animal silvestre e não pode ser observado como cão/gato. Erra por omitir o soro, obrigatório em acidente grave em quem nunca foi imunizado. Erra: gravemente: em exposição a morcego, mesmo lesões mínimas — ou até contato sem ferimento evidente — exigem profilaxia completa. 2 doses corresponde ao esquema de observação de cão/gato suspeito, jamais aplicável a morcego.
Um agricultor de 45 anos procura a Unidade Básica de Saúde de uma zona rural relatando que, no início da manhã, encontrou um morcego caído e ainda vivo no quintal de casa. Ao manipulá-lo com as mãos desprotegidas para retirá-lo, sofreu uma pequena mordedura puntiforme na polpa do dedo indicador direito. Está assintomático, com bom estado geral, e refere esquema de vacina antitetânica atualizado. Ao exame, observa-se lesão puntiforme única, sem sinais flogísticos, na polpa digital. Não há como capturar ou observar o animal, que voou em seguida. Considerando as Normas Técnicas de Profilaxia da Raiva Humana do Ministério da Saúde, qual é a conduta correta?
Toda agressão por morcego (mamífero silvestre e principal reservatório da raiva no Brasil) é classificada como ACIDENTE GRAVE, independentemente do tipo ou da localização do ferimento e mesmo que a lesão seja mínima. A conduta é profilaxia completa: lavagem abundante com água e sabão, soro antirrábico (40 UI/kg heterólogo, infiltrado ao redor da lesão) associado ao esquema de vacina de 4 doses (dias 0, 3, 7 e 14). Observar o paciente sem tratar Inadequado: pois a raiva humana é praticamente 100% letal e a profilaxia não pode aguardar sintomas. Somente vacina subestima a gravidade — morcego sempre exige soro. Animal silvestre não é passível de observação de 10 dias, método restrito a cães e gatos.
Uma mãe leva à Unidade Básica de Saúde o filho de 8 anos, que há duas horas foi mordido pelo cão da própria família enquanto brincava no quintal. O animal é domiciliado, tem carteira de vacinação antirrábica em dia e permanece saudável e disponível para acompanhamento. Ao exame, a criança apresenta ferimento superficial único, pouco extenso, no antebraço direito, sem acometimento de mãos, mucosas ou face. Está assintomática e com bom estado geral. A mãe, preocupada, pergunta se será necessário 'tomar as injeções contra a raiva'. Segundo as Normas Técnicas do Ministério da Saúde, qual é a conduta mais adequada?
Trata-se de ACIDENTE LEVE (ferimento superficial, único, pouco extenso, em membro, poupando mãos/face/mucosas) causado por cão SADIO e PASSÍVEL DE OBSERVAÇÃO. Nessa combinação, o protocolo do Ministério da Saúde indica lavar o ferimento e observar o animal por 10 dias, SEM iniciar imunoprofilaxia; caso o cão adoeça, morra ou desapareça, inicia-se o esquema. Iniciar de imediato o esquema vacinal de 4 doses, ou soro antirrábico associado à vacina, seria sobretratamento diante de animal sadio observável e acidente leve. E fazer apenas o curativo, liberando a criança sem observar o cão, é incorreto: a observação de 10 dias é justamente a base da decisão e não pode ser dispensada, mesmo em animal vacinado.
Um homem de 30 anos, morador de área rural, é levado ao pronto-socorro com quadro iniciado há três dias. Há cerca de 40 dias foi mordido por um cão errante na perna, mas não procurou atendimento nem recebeu profilaxia. Evoluiu com parestesia e dor no local da antiga mordedura, seguidas de febre, agitação psicomotora, insônia e intensa salivação. Durante a avaliação, ao lhe ser oferecido um copo de água, apresenta espasmos dolorosos da musculatura da faringe e recusa aterrorizada de beber; corrente de ar sobre a face desencadeia reação semelhante. A consciência oscila entre lucidez e períodos de confusão. Qual é o diagnóstico mais provável?
O quadro é característico da forma clássica (encefalítica) da RAIVA HUMANA: history de mordedura por cão sem profilaxia, período de incubação de semanas, pródromo com parestesia/dor no local da lesão e, sobretudo, os sinais praticamente patognomônicos de HIDROFOBIA (espasmos faríngeos ao tentar beber) e AEROFOBIA (reação a correntes de ar), acompanhados de agitação, hipersalivação e disautonomia. O tétano cursa com trismo, riso sardônico e rigidez com espasmos a estímulos, mas sem hidrofobia/aerofobia e com sensório preservado. A encefalite herpética e a meningite bacteriana causam febre e alteração de consciência, porém não produzem hidrofobia nem o vínculo epidemiológico com mordedura, sendo a hidrofobia o dado que fecha o diagnóstico de raiva.
Homem de 34 anos, trabalhador rural, procura unidade de pronto atendimento de município do interior relatando que, há cerca de 4 horas, encontrou um morcego caído no chão do galpão da propriedade e o retirou com as mãos desprotegidas. Refere que o animal se debateu e provocou uma escoriação superficial e única no dorso do segundo quirodáctilo da mão direita. O morcego foi solto e não está disponível para exame. Nega qualquer vacinação antirrábica prévia e nega comorbidades. Ao exame: bom estado geral, afebril, lesão puntiforme superficial no dorso do dedo, sem sinais flogísticos; peso 70 kg. Foi realizada lavagem exaustiva do ferimento com água e sabão. Diante desse quadro, a conduta profilática indicada é:
Correta: pelas Normas Técnicas de Profilaxia da Raiva Humana (Ministério da Saúde), QUALQUER exposição a morcego — mordedura, arranhadura ou lambedura, independentemente da gravidade aparente da lesão — é classificada como ACIDENTE GRAVE, pois o morcego é reservatório silvestre do vírus e o animal não é passível de observação. A conduta em paciente não vacinado é soro antirrábico heterólogo 40 UI/kg (ou imunoglobulina humana 20 UI/kg), infiltrando o máximo possível ao redor da lesão, associado ao esquema vacinal completo de quatro doses IM (dias 0, 3, 7 e 14), em região deltoide. Distrator 1: a gravidade do acidente por morcego não depende da extensão ou da localização do ferimento — a exposição a quiróptero já define acidente grave, e omitir o soro deixa o paciente sem proteção passiva no período de janela imunológica. Distrator 2: houve solução de continuidade da pele em contato com o animal, o que caracteriza exposição; a raiva tem letalidade praticamente de 100% e não se aguarda sintoma para profilaxia. Distrator 4: o soro deve ser infiltrado ao redor do ferimento (o restante, se houver, aplicado por via IM em local distante do da vacina), nunca em dose única no glúteo como regra, e o esquema de duas doses é reservado a reexposição de paciente previamente vacinado.
Mulher de 28 anos procura a Unidade Básica de Saúde da Família após ser arranhada, há 2 horas, pelo gato da própria casa enquanto tentava colocá-lo na caixa de transporte. O animal é domiciliado, tem vacinação antirrábica anual em dia, permanece no domicílio, está sadio, com comportamento habitual, e não teve contato com animais silvestres. Ao exame, apresenta três escoriações lineares profundas na face palmar da mão direita, com sangramento discreto e sem sinais de infecção. A paciente nunca recebeu vacina antirrábica. Foi realizada lavagem do ferimento com água e sabão. Segundo as normas do Ministério da Saúde, a conduta correta é:
Correta: o raciocínio exige dois passos. Primeiro, classificar o acidente: ferimentos profundos, múltiplos e localizados na MÃO caracterizam ACIDENTE GRAVE, independentemente do estado vacinal do animal. Segundo, avaliar o animal agressor: gato domiciliado, sadio, sem suspeita de raiva no momento da agressão e PASSÍVEL DE OBSERVAÇÃO por 10 dias. Nessa combinação, as Normas Técnicas do MS orientam iniciar esquema com duas doses de vacina (dias 0 e 3) e observar o animal por 10 dias — se permanecer sadio, encerra-se o caso; se adoecer, morrer, desaparecer ou for confirmado raivoso, indica-se soro e completa-se o esquema de quatro doses. Distrator 2: a vacinação do animal e o baixo risco epidemiológico não afastam a profilaxia em acidente grave — o gato é passível de observação, mas a conduta é observar E iniciar as duas doses. Distrator 3: soro e esquema de quatro doses de imediato estariam indicados se o animal fosse suspeito, raivoso, morto, desaparecido ou silvestre — não é o caso, pois o gato está disponível para observação. Distrator 4: dispensar a observação do animal contraria a norma e, ao mesmo tempo, expõe a paciente a doses desnecessárias, já que o esquema pode ser encerrado no 10º dia se o gato permanecer sadio.
Homem de 41 anos, carteiro, é atendido na UPA após ser mordido, há 1 hora, por cão de rua que fugiu logo em seguida e não pôde ser localizado nem observado. Apresenta ferimento único e superficial na face anterior da perna esquerda, já lavado com água e sabão, sem sinais de infecção. O paciente traz a caderneta de vacinação comprovando esquema COMPLETO de profilaxia pós-exposição antirrábica realizado há dois anos, após acidente semelhante, com todas as doses documentadas. Encontra-se em bom estado geral, afebril, sem comorbidades e sem uso de imunossupressores. A conduta indicada é:
Correta: trata-se de REEXPOSIÇÃO em paciente com esquema de profilaxia antirrábica anteriormente completo e documentado. As Normas Técnicas de Profilaxia da Raiva Humana (MS) determinam, nessa situação, apenas duas doses de reforço da vacina (dias 0 e 3), independentemente da gravidade do acidente, e NÃO se indica soro antirrábico — a memória imunológica garante resposta anamnéstica rápida, e a imunização passiva poderia inclusive interferir na resposta vacinal. Distrator 1: o soro está formalmente contraindicado no paciente previamente vacinado com esquema completo comprovado. Distrator 2: o antecedente vacinal não dispensa a profilaxia; ele apenas reduz o esquema para duas doses de reforço. Distrator 3: o esquema de quatro doses (0, 3, 7 e 14) é o de pessoas não vacinadas ou com esquema prévio incompleto/não comprovado.
Um homem de 34 anos procura a unidade de pronto atendimento relatando que, ao acordar durante a madrugada, encontrou um morcego voando dentro do quarto onde dormia com a janela aberta. Ao tentar retirar o animal com uma toalha, sofreu um arranhão superficial no dorso da mão direita, que sangrou discretamente. O morcego escapou pela janela e não foi capturado. O paciente nega comorbidades, refere calendário vacinal de adulto em dia, mas nunca recebeu vacina antirrábica. Ao exame, apresenta-se em bom estado geral, afebril, com escoriação linear de 1 cm no dorso da mão, sem sinais flogísticos. Após a lavagem exaustiva do ferimento com água e sabão, qual é a conduta profilática indicada?
Correta: pelas Normas Técnicas de Profilaxia da Raiva Humana (Ministério da Saúde), TODA exposição a morcego — mordedura, arranhadura, lambedura de mucosa ou mesmo contato direto, independentemente da gravidade aparente da lesão — é classificada como ACIDENTE GRAVE, porque os quirópteros são reservatórios do ciclo aéreo e não são passíveis de observação. A conduta é soro antirrábico heterólogo 40 UI/kg (ou imunoglobulina humana 20 UI/kg), infiltrando a maior quantidade possível na lesão, mais o esquema vacinal completo de quatro doses (dias 0, 3, 7 e 14) por via intramuscular. Incorreta (leve + só vacina): a classificação leve/grave para morcego não depende da extensão do ferimento; omitir o soro deixa o paciente sem a imunização passiva na janela de latência. Incorreta (dispensar): não houve contato indireto — houve solução de continuidade da pele causada pelo animal, e a raiva tem letalidade próxima de 100%. Incorreta (aguardar exame): a profilaxia nunca deve ser postergada à espera de diagnóstico laboratorial do animal, ainda mais quando o morcego não foi capturado.
Um homem de 41 anos, agente de vigilância ambiental, comparece à unidade básica de saúde após ser mordido no antebraço direito por um cão errante durante ação de campo, há cerca de quatro horas. Apresenta ferimento único, superficial, de 2 cm, com bordas regulares e sem sangramento ativo. O animal fugiu e não pôde ser localizado para observação. O paciente apresenta caderneta comprovando esquema completo de profilaxia PRÉ-exposição antirrábica realizado há 14 meses, com sorologia satisfatória à época. Nega comorbidades e uso de imunossupressores. Após lavagem exaustiva do ferimento com água e sabão, qual é a conduta profilática indicada nesta reexposição?
Correta: em pessoa com esquema de pré-exposição (ou pós-exposição) anterior COMPLETO e comprovado, a reexposição é conduzida com duas doses de reforço, nos dias 0 e 3, independentemente do tempo decorrido. O soro antirrábico está CONTRAINDICADO nesses casos, pois a memória imunológica garante resposta anamnéstica rápida e a imunoglobulina exógena interferiria na produção de anticorpos. Incorreta (soro + 2 doses): acrescenta imunização passiva desnecessária, com risco de reação a soro heterólogo e prejuízo à resposta vacinal. Incorreta (reiniciar 4 doses): esquema de primovacinação, indicado apenas para quem não tem histórico comprovado ou tem esquema incompleto/sem comprovação; a impossibilidade de observar o cão não altera a conduta de reexposição. Incorreta (sorologia antes): a profilaxia pós-exposição é urgente e nunca deve aguardar resultado sorológico — a sorologia tem papel no seguimento de pré-exposição e em imunossuprimidos, não como gatilho da conduta aguda.
Uma mulher de 34 anos procura a unidade de pronto atendimento relatando que, ao acordar durante a madrugada, encontrou um morcego voando dentro do quarto da casa de campo onde passava o fim de semana. Ao tentar retirar o animal com um pano, foi arranhada no dorso da mão direita. O morcego escapou pela janela e não foi capturado. Ela nega comorbidades e uso de medicações, está em bom estado geral, afebril, hemodinamicamente estável. Ao exame, apresenta duas escoriações lineares superficiais, de cerca de 1 cm, sem sangramento ativo, no dorso da mão direita, sem sinais flogísticos. Nunca recebeu vacina antirrábica. Não há registro de casos de raiva animal no município. Conforme o protocolo de profilaxia antirrábica humana do Ministério da Saúde, a conduta correta é
O raciocínio tem dois passos: (1) identificar que o agressor é um morcego e (2) aplicar a regra de que TODA exposição a morcego (mordedura, arranhadura ou lambedura), independentemente da gravidade aparente da lesão, é classificada como acidente GRAVE pelo protocolo do Ministério da Saúde — morcegos são reservatórios do ciclo aéreo da raiva, não são passíveis de observação e a ausência de casos notificados no município não afasta o risco. Portanto, indica-se imunização passiva (soro antirrábico ou imunoglobulina, infiltrando o máximo possível no ferimento) + esquema completo de quatro doses de vacina (dias 0, 3, 7 e 14), além da lavagem exaustiva com água e sabão. A alternativa que propõe duas doses está errada: o esquema de 2 doses (dias 0 e 3) só existe para cão/gato passível de observação por 10 dias, o que não se aplica a animal silvestre. A que dispensa o soro erra ao usar a epidemiologia municipal como critério — a indicação do soro depende da classificação do acidente, e o morcego é sempre grave. A que apenas orienta retorno é inaceitável: a raiva humana tem letalidade próxima de 100% e a profilaxia não pode ser postergada, ainda mais com o animal não capturado.
Homem de 32 anos procura a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) após ser mordido por um cão no antebraço direito há 2 horas, enquanto brincava com o animal. Trata-se do cão do vizinho, com vacinação antirrábica em dia, sadio, sem alteração de comportamento, que permanece no domicílio e pode ser observado. Ao exame: ferimento único, superficial, de cerca de 1 cm, em face anterior do antebraço, sem sangramento ativo. O ferimento foi lavado com água e sabão. Vacinação antitetânica em dia. O paciente nunca recebeu vacina antirrábica. Qual é a conduta de profilaxia antirrábica?
O raciocínio exige dois passos: classificar a exposição e definir se o animal é passível de observação. Ferimento único, superficial, em tronco ou membro (excluídas mãos, polpas digitais e planta dos pés) caracteriza ACIDENTE LEVE. Para acidente leve por cão sadio, sem sinais sugestivos de raiva e passível de observação, a Norma Técnica de Profilaxia da Raiva Humana (MS) indica apenas lavagem do ferimento e observação do animal por 10 dias: se permanecer sadio, encerra-se o caso; se adoecer, morrer ou desaparecer, inicia-se o esquema de 4 doses. Iniciar imediatamente o esquema vacinal de 4 doses independentemente da observação superindica profilaxia num cenário em que a observação é possível e segura. Aplicar soro antirrábico infiltrado na lesão erra ainda mais: o soro é reservado a acidentes GRAVES com animal suspeito/raivoso/não observável — e não à espécie por si. E aplicar duas doses de vacina (dias 0 e 3) com observação do animal descreve a conduta do acidente GRAVE com animal passível de observação, incompatível com um ferimento leve.
Mulher de 41 anos, bióloga, previamente hígida e sem imunossupressão, comparece à Unidade Básica de Saúde após manipular um morcego caído no quintal, sofrendo pequena mordida na polpa do dedo indicador esquerdo há 6 horas. O ferimento é puntiforme, já lavado com água e sabão. Apresenta caderneta comprovando esquema completo de pré-exposição antirrábica realizado há 2 anos, sem intercorrências. Encontra-se assintomática, afebril, com exame neurológico normal. Qual é a conduta profilática correta?
Passos encadeados: (1) toda exposição a morcego é classificada como acidente GRAVE, independentemente da gravidade da lesão ou mesmo de contato indireto; (2) porém, trata-se de REEXPOSIÇÃO em pessoa com esquema profilático anterior completo e comprovado. Nessa situação a Norma Técnica do MS indica apenas 2 doses de reforço (dias 0 e 3) e NÃO indica soro antirrábico — o paciente já possui memória imunológica, e a imunização passiva poderia inclusive interferir na resposta anamnéstica (exceção: imunodeprimidos, que recebem esquema completo com soro). Aplicar soro antirrábico infiltrado na lesão com esquema vacinal completo de quatro doses é a pegadinha clássica: usa a regra do morcego ignorando o antecedente vacinal. Não indicar profilaxia alguma, alegando que a pré-exposição confere proteção duradoura, é perigoso: a pré-exposição não dispensa a profilaxia pós-exposição, apenas simplifica o esquema e dispensa o soro. E solicitar titulação de anticorpos neutralizantes aguardando o resultado é inadequado, porque a titulação não está indicada para decisão de conduta na urgência nem deve retardar a profilaxia, cuja eficácia depende da precocidade.
Menino de 6 anos é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde após ser mordido pelo hamster de estimação, há 3 horas, enquanto o retirava da gaiola. Ao exame: dois ferimentos puntiformes na polpa digital do 2º quirodáctilo direito, com sangramento discreto e sem sinais flogísticos. O animal é criado dentro de casa desde filhote, nunca teve contato com outros animais e permanece sadio. Calendário vacinal da criança em dia, incluindo antitetânica. A mãe está muito preocupada com raiva, pois a lesão é na mão. Qual é a conduta?
O raciocínio de dois passos começa pela ESPÉCIE, não pela localização do ferimento. A Norma Técnica de Profilaxia da Raiva Humana (MS) determina que não se indica profilaxia em acidentes com roedores urbanos e de criação (ratos, camundongos, hamster, cobaia/porquinho-da-índia) nem com lagomorfos (coelhos e lebres), pois não participam da cadeia de transmissão da raiva. A conduta é limpeza com água e sabão, avaliação de tétano e de infecção bacteriana, e orientação da família. Classificar como acidente grave pela localização em polpa digital e indicar soro com quatro doses aplica corretamente o critério de gravidade (polpa digital é acidente grave), mas esse critério só é usado quando a espécie é transmissora — é a armadilha da questão. Indicar quatro doses sob o argumento de que todo mamífero seria transmissor potencial generaliza indevidamente: nem todo mamífero tem indicação de profilaxia no protocolo brasileiro. E observar o hamster por 10 dias transpõe a regra da observação, válida apenas para cães e gatos, a uma espécie que sequer demanda profilaxia.
Homem de 34 anos procura a UPA às 7h relatando que acordou durante a madrugada com um morcego voando dentro do quarto, onde dormia com as janelas abertas. Ao acender a luz, o animal escapou pela janela e não foi capturado. Ao inspecionar o braço, notou uma escoriação puntiforme. Nega comorbidades e nunca recebeu vacina antirrábica. Ao exame: lesão superficial de cerca de 2 mm no antebraço direito, sem sinais flogísticos; demais achados sem alterações. De acordo com o Protocolo de Profilaxia da Raiva Humana do Ministério da Saúde, a conduta correta é
Toda exposição a morcego — mordedura, arranhadura, lambedura ou mesmo contato direto sem lesão evidente — é classificada como ACIDENTE GRAVE pelo Ministério da Saúde, independentemente da extensão do ferimento e da espécie do quiróptero, porque morcegos são reservatórios silvestres do vírus rábico e as lesões costumam ser mínimas. Em paciente não previamente imunizado, indica-se soro antirrábico (heterólogo 40 UI/kg ou imunoglobulina humana 20 UI/kg), infiltrando-se o máximo possível na ferida e o restante por via IM em local distante do sítio vacinal, associado ao esquema vacinal de quatro doses (D0, D3, D7 e D14). Lavar a ferida, orientar sinais de alarme e dispensar o paciente subestima a exposição: não existe acidente leve com morcego. Iniciar apenas o esquema vacinal, reservando o soro a ferimentos profundos ou extensos, omite o soro, obrigatório em acidente grave em não vacinado. Aguardar a captura do morcego e o resultado da imunofluorescência é inaceitável: não se espera diagnóstico laboratorial nem observação do animal silvestre para iniciar a profilaxia — a raiva é praticamente 100% letal.
Médica veterinária de 29 anos é atendida no pronto-socorro após ser mordida na polpa digital do 2º quirodáctilo direito por um cão trazido à clínica com sialorreia intensa, disfagia e agressividade. O animal morreu 48 horas depois e a imunofluorescência direta do tecido cerebral foi positiva para vírus rábico. A paciente apresenta caderneta comprovando esquema completo de pré-exposição (três doses) realizado há três anos, sem sorologia posterior. Ao exame: ferimento puntiforme profundo, sangrante, em polpa digital. A conduta profilática indicada é
A pegadinha está na imunização prévia comprovada. Em pessoa com esquema anterior completo (pré ou pós-exposição), a profilaxia pós-exposição consiste em DUAS doses de reforço (dias 0 e 3), sem soro, independentemente da gravidade do acidente e da condição do animal. O soro (heterólogo ou imunoglobulina) está formalmente CONTRAINDICADO nesses casos: a memória imunológica produz resposta anamnéstica rápida, e a imunização passiva interferiria na resposta ao reforço, além de expor a paciente desnecessariamente ao risco de reação ao soro heterólogo. Por isso erram tanto a conduta que associa soro a duas doses quanto a que associa soro ao esquema completo de quatro doses, esta última estendendo ainda o esquema sem necessidade. Aplicar apenas as quatro doses de vacina acerta ao dispensar o soro, mas prescreve o esquema do não vacinado.
Menino de 6 anos é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde após ser mordido no dorso da mão esquerda por um rato, enquanto brincava no quintal de casa, em área urbana com acúmulo de lixo. O episódio ocorreu há três horas; o animal fugiu. Nega contato com cães ou gatos desconhecidos. Ao exame: criança em bom estado geral, afebril, com duas lesões puntiformes superficiais, discretamente sangrantes, sem sinais de infecção. Vacinação de rotina em dia, com última dose de vacina contendo componente tetânico há dois anos. A conduta correta é
O Ministério da Saúde não indica profilaxia antirrábica — nem vacina nem soro — em acidentes com roedores urbanos e lagomorfos (ratazana de esgoto, rato de telhado, camundongo, hamster, cobaia/porquinho-da-índia e coelho), pois esses animais não têm participação comprovada na cadeia de transmissão da raiva; a exposição a eles não configura risco. A conduta é limpeza exaustiva com água e sabão, cuidados locais, avaliação de profilaxia antitetânica (dispensável aqui, pois o esquema está em dia e o reforço é recente) e orientação de sinais de alerta. As condutas que aplicam esquemas — quatro doses de vacina, soro associado a quatro doses, ou duas doses com observação do animal — destinam-se a cães, gatos, herbívoros de interesse econômico e animais silvestres como morcegos e primatas, não a roedores urbanos; e a observação por 10 dias proposta em uma delas só se aplica a cães e gatos.
Mulher de 27 anos, bióloga, acorda em alojamento de campo e percebe pequena escoriação sangrante no dorso da mão; encontra um morcego dentro do quarto. Ela apresenta comprovante de esquema de pré-exposição antirrábica completo, com três doses concluídas há dois anos, e não realizou titulação de anticorpos depois disso. Está assintomática, e a ferida foi imediatamente lavada com água e sabão. Assinale a conduta de profilaxia pós-exposição correta neste caso:
Agressão por morcego é sempre classificada como acidente GRAVE, independentemente do tipo e da extensão da lesão. Entretanto, em paciente com esquema anterior completo (pré ou pós-exposição), a conduta de reexposição é apenas duas doses de reforço (D0 e D3) e o soro/imunoglobulina está CONTRAINDICADO, pois a memória imunológica garante resposta anamnéstica rápida e a imunoglobulina interferiria nela. Por isso a conduta que associa imunoglobulina está errada, ainda que o acidente seja grave. O esquema de quatro doses aplica-se a pacientes sem imunização prévia comprovada, não à reexposição. Aguardar titulação de anticorpos retarda de forma inaceitável a profilaxia de uma doença de letalidade quase 100%; a sorologia pode ser feita, mas nunca substitui o reforço imediato.
Menino de 6 anos é levado ao pronto-socorro pela mãe cerca de uma hora após ser arranhado por um gato de rua que tentava alimentar; o animal fugiu logo em seguida e não pode ser localizado. Ao exame, há três lesões lineares profundas na região malar e no dorso do nariz, com sangramento. A criança tem calendário vacinal em dia para a idade, mas nunca recebeu vacina antirrábica. As feridas foram lavadas com água e sabão. A conduta de profilaxia antirrábica indicada é:
Trata-se de acidente GRAVE (lesões múltiplas e profundas em cabeça/face, área de rica inervação e curta distância do SNC) causado por gato NÃO passível de observação. A conduta padronizada pelo MS é sorovacinação: imunoglobulina antirrábica humana 20 UI/kg infiltrada no maior volume possível ao redor e no interior das lesões, mais esquema completo de quatro doses de vacina (D0, D3, D7 e D14). Omitir a imunoglobulina é erro — arranhadura de felino é considerada exposição, pois o gato lambe as patas. Observar o animal é impossível, já que ele fugiu, e duas doses só se aplicam a acidentes leves com animal observável ou a reexposição. Aplicar toda a imunoglobulina no glúteo desperdiça o efeito local de neutralização do vírus na porta de entrada.
Homem de 34 anos, entregador, chega à UPA 2 horas após ser mordido por cão desconhecido enquanto trabalhava. Apresenta ferimento profundo, com laceração extensa e sangramento ativo no dorso da mão direita. O animal fugiu logo após a agressão e não pôde ser capturado nem observado. O paciente nunca recebeu vacina antirrábica e está com esquema antitetânico em dia. Nega comorbidades. Exame físico sem outras alterações. Sobre a profilaxia antirrábica pós-exposição, assinale a conduta adequada.
Pelo Protocolo de Profilaxia da Raiva Humana do Ministério da Saúde, trata-se de acidente GRAVE (ferimento profundo e extenso em mão, região de rica inervação) causado por cão NÃO passível de observação (fugiu). A conduta é lavagem exaustiva com água e sabão + soro antirrábico heterólogo 40 UI/kg, infiltrando o máximo possível na lesão e o restante por via IM, associado ao esquema de 4 doses de vacina (D0, D3, D7 e D14). A alternativa da observação por 10 dias só se aplica a cão sadio, localizável e passível de observação, com ferimento leve — não é o caso. Duas doses (D0 e D3) correspondem ao esquema de pré-exposição/reexposição ou de observação do animal, não a acidente grave sem observação. A imunoglobulina antirrábica humana é usada na dose de 20 UI/kg, mas o esquema vacinal de 3 doses (0-7-21) não é o preconizado no Brasil e a infiltração local é obrigatória, não glútea exclusiva.
Mulher de 42 anos, sem vacinação antirrábica prévia, acorda em comunidade ribeirinha com lesão puntiforme superficial e indolor no hálux, sangrante, e encontra um morcego pousado dentro do mosquiteiro. Procura atendimento no mesmo dia. Qual a classificação e a conduta?
Todo acidente com morcego é exposição grave, qualquer que seja o tamanho da lesão — a mordedura do hematófago é tipicamente puntiforme e pouco dolorosa, e a categoria leve não existe para silvestres. A conduta é soro infiltrado mais 4 doses de vacina. Classificar pela aparência da ferida é a pegadinha central; contato houve, e com lesão; o envio do animal para exame é desejável, mas nunca atrasa o início da profilaxia; e o esquema de 2 doses (0 e 3) pertence à reexposição de quem já completou esquema vacinal, não à natureza do animal.
Menino de 9 anos é levado à UBS após arranhadura superficial única na panturrilha, ocorrida enquanto brincava com o cão do vizinho. O animal é vacinado, está saudável, tem dono conhecido e pode ser acompanhado diariamente. A criança está com o calendário vacinal em dia e nunca recebeu vacina antirrábica. Além da lavagem do ferimento com água e sabão, qual a conduta preconizada pelo protocolo vigente do Ministério da Saúde?
Acidente leve (superficial, único, em membro, poupando mãos e pés) por cão sem sinais de raiva e observável: a NT nº 8/2022 manda não iniciar profilaxia e observar o animal por 10 dias — o vírus só aparece na saliva 2 a 5 dias antes dos sinais clínicos, e o animal doente morre em poucos dias. A alternativa do esquema de 2 doses com suspensão reproduz o protocolo anterior a 2022, hoje restrito à reexposição; vacinar 4 doses de imediato ignora a janela de observação; soro não tem lugar em acidente leve nem se indica por idade; e dispensar a observação abandona a vigilância que sustenta a conduta expectante.
Homem imunocompetente de 34 anos sofre mordedura de gato de rua, com dois ferimentos puntiformes profundos na polpa do polegar direito. O animal fugiu e não pode ser observado. O paciente nunca recebeu vacina antirrábica. Conforme o protocolo brasileiro, qual conduta deve ser iniciada, além da lavagem cuidadosa com água e sabão?
Ferimento profundo na mão é exposição grave. Sem possibilidade de observar o gato e sem vacinação prévia, indica-se imunização passiva associada à vacina. O soro deve ser administrado preferencialmente no dia zero, infiltrando ao redor e no interior das lesões sem forçar volume excessivo na polpa digital. A norma brasileira orienta o eventual remanescente intramuscular em local diferente da vacina e prevê racionalização de ampolas; não se substitui a infiltração por aplicação isolada no glúteo. A vacina segue os dias 0, 3, 7 e 14 neste paciente. Não se aguarda o aparecimento de sintomas humanos para decidir a profilaxia.
Trabalhador rural de 51 anos tentou desengasgar, com as mãos desprotegidas e calejadas de pequenas fissuras, um bovino que morreu 2 dias depois com quadro neurológico e diagnóstico laboratorial de raiva. Não há ferimento novo visível. O paciente nunca recebeu vacina antirrábica. Qual a conduta?
Contato da mucosa oral e da saliva de animal comprovadamente raivoso com pele que tem soluções de continuidade — as fissuras do trabalhador — é exposição sem mordedura, e o cenário do desengasgo é o exemplo nominal que a NT nº 8/2022 usa para indicar profilaxia em acidentes com animais de produção: exposição grave, soro mais 4 doses. Exigir mordedura ignora a via mucosa/pele lesada; bovinos são animais de risco e a raiva dos herbívoros existe e mata; a regra de observação de 10 dias vale para cão e gato, não para o rebanho; e PrEP é medida para antes do risco — depois da exposição, o esquema é outro.
Mulher de 38 anos iniciou esquema pós-exposição por mordedura de cão desaparecido e recebeu as doses dos dias 0 e 3. Faltou à dose do dia 7 e retorna à unidade no dia 12. Qual a conduta quanto ao esquema vacinal?
Paciente faltoso não reinicia profilaxia: aplica-se a dose pendente no dia em que comparecer e o restante do esquema é reagendado preservando os intervalos originais — e o serviço deve fazer busca ativa de quem falta. Reiniciar desperdiça doses e retarda a proteção; 2 doses só encerram esquema na reexposição de quem já tinha histórico completo, não na primeira profilaxia; soro fora da indicação (e tardio) não compensa atraso vacinal; e a intercambialidade de vias existe, mas com as doses normais do esquema — dose dobrada não faz parte do protocolo.
Bióloga de 27 anos iniciará pesquisa de campo com captura de morcegos em cavernas. Nunca recebeu vacina antirrábica. Qual o esquema de profilaxia pré-exposição vigente no Brasil?
A pré-exposição vigente são 2 doses (dias 0 e 7), IM ou ID, indicada para quem convive com o risco — veterinários, biólogos, espeleólogos, pessoal de laboratório — com sorologia periódica em exposição continuada. O esquema de 3 doses (0, 7 e 28) é o formato antigo, extinto pela NT nº 8/2022; 4 doses com soro é pós-exposição grave, não PrEP; não existe dose única com reforço anual automático — o reforço depende da sorologia e da persistência do risco; e negar a PrEP contraria sua indicação clássica, reforçada em 2024 pela inclusão no calendário de comunidades amazônicas de difícil acesso.
Sobre a imunização passiva na profilaxia da raiva humana, assinale a alternativa correta segundo o protocolo brasileiro vigente.
A regra vigente concentra o soro onde o vírus está — infiltrar todo o volume, ou o máximo possível, na lesão — e fecha a janela no 7º dia após a primeira dose de vacina, quando a resposta ativa já assumiu. As doses corretas são o inverso da primeira alternativa (SAR 40 UI/kg; IGHAR 20 UI/kg); o excedente vai IM em grupo muscular distinto do da vacina, nunca no mesmo; o teste cutâneo foi abandonado por baixo valor preditivo (falso-negativo não afasta reação); e a vacina jamais espera o soro — atrasá-la é o erro mais grave da lista.
Enfermeiro de 29 anos sofre mordedura profunda na mão por cão desaparecido. Há 7 meses, após outra agressão, recebeu esquema pós-exposição completo de 4 doses de vacina antirrábica. Qual a conduta atual?
Reexposição após esquema pós-exposição completo há mais de 90 dias: 2 doses (dias 0 e 3), sem soro — a memória imunológica responde ao reforço, e a imunização passiva deixaria de ter papel (soro em reexposição só se discute no imunodeprimido). Repetir 4 doses desperdiça doses e visitas; acrescentar soro contraria a regra explícita da NT nº 8/2022; dispensar qualquer reforço só valeria se a nova exposição ocorresse até 90 dias após esquema completo, o que não é o caso aos 7 meses; e soro isolado, sem vacina, não gera a resposta duradoura que a reexposição exige.
Mulher de 31 anos procura a unidade após ser mordida por um rato enquanto retirava entulho do quintal, em bairro urbano. Apresenta duas lesões puntiformes superficiais no dorso da mão, sem sangramento ativo. Nunca recebeu vacina antirrábica e o animal fugiu. Qual é a conduta quanto à profilaxia da raiva?
Ratos, camundongos, cobaias, hamsters e coelhos são animais de baixo risco para a raiva: a mordedura desses animais praticamente nunca indica profilaxia, salvo circunstâncias excepcionais, como animal de laboratório inoculado com o vírus. A conduta é limpeza com água corrente e sabão, orientação e encerramento — a lesão em mão qualificaria acidente grave se o animal fosse de risco, mas o eixo do animal decide antes. Indicar soro reproduz a resposta que parece prudente e é desnecessária. O esquema de duas doses pertence à reexposição de quem já tem histórico vacinal completo. E a observação por dez dias vale para cão e gato, cuja excreção viral na saliva tem janela conhecida, não para roedores.
Homem de 47 anos, transplantado renal em uso de tacrolimo e micofenolato, sofre mordedura profunda em antebraço por cão sem dono, que fugiu logo depois. Há dois anos completou esquema pós-exposição de quatro doses de vacina antirrábica por outro acidente. Qual é a conduta?
Quem tem histórico vacinal completo muda de esquema na reexposição: duas doses, nos dias 0 e 3, sem soro. O imunossuprimido, porém, foge dessa régua — a conduta é avaliação individual com esquema completo e soro indicado mesmo na reexposição, porque a resposta anamnéstica não pode ser presumida em quem usa imunossupressor. Aplicar as duas doses habituais, ou quatro doses sem soro, trata este paciente como se a memória imunológica estivesse íntegra. Limitar-se aos cuidados da ferida vale para reexposição dentro de 90 dias de um esquema completo, o que não é o caso. E condicionar a conduta a uma sorologia atrasa uma profilaxia que, diante de doença letal, não espera exame.
Homem de 29 anos chega ao pronto atendimento duas horas após mordedura de cão desconhecido, com laceração extensa e sangrante na face e ferimento profundo na mão direita. Está estável. A equipe já classificou o acidente como grave e separou vacina e soro. Sobre o cuidado local, qual conduta é correta?
O gesto mais custo-efetivo da profilaxia da raiva é lavar o ferimento com água corrente abundante e sabão, o quanto antes, seguido de antisséptico com ação virucida — a limpeza mecânica remove partículas virais da porta de entrada e vale mesmo horas depois do acidente. Ferida de mordedura em regra não se sutura; quando o fechamento for inevitável, por sangramento ou por estética facial, aproximam-se as bordas com pontos isolados e frouxos, sempre depois de infiltrar o soro, porque suturar antes enterra vírus em tecido fechado. Dizer que a ferida nunca se fecha ignora a exceção prevista. Trocar a água e o sabão pelo antisséptico isolado abre mão da lavagem que reduz o risco. E adiar a limpeza para depois da vacina inverte a ordem do atendimento.
Paciente com quadro encefalítico após contato com morcego em zona rural, evoluindo com hidrofobia, aerofobia, agitação e disautonomia. Qual a conduta correta?
Hidrofobia e aerofobia após exposição a morcego são praticamente patognomônicas de raiva, doença de letalidade próxima de 100% depois de instalados os sintomas: o manejo é de suporte e conforto, com notificação imediata e, sobretudo, profilaxia pós-exposição dos contactantes e de quem manipulou o paciente. Vacinar quem já está sintomático não altera o desfecho - a vacina e a imunoglobulina salvam ANTES do aparecimento dos sintomas, e essa é a lição prática. Aciclovir e imunoterapia não têm eficácia, e a biópsia não muda a conduta nem deve atrasar as medidas de saúde pública.
Qual é o esquema vacinal antirrábico pós-exposição atualmente adotado pelo Ministério da Saúde para pessoas não previamente imunizadas, quando indicado?
O esquema vigente para quem nunca foi vacinado usa quatro aplicações intramusculares distribuídas em duas semanas, com a região deltoide ou o vasto lateral da coxa em crianças pequenas, jamais a região glútea, cuja absorção é errática. O esquema com doses diárias na parede abdominal pertence às antigas vacinas de tecido nervoso, abandonadas por reatogenicidade, e ainda aparece no imaginário popular. O esquema de duas doses se aplica apenas à reexposição de pessoas previamente imunizadas.
Homem de 40 anos é atacado por cão desconhecido, que fugiu, sofrendo múltiplas mordeduras profundas em face e mãos. Qual a conduta profilática para raiva?
Lesões múltiplas, profundas e em região ricamente inervada e próxima ao sistema nervoso central caracterizam acidente grave, e a conduta combina imunização passiva imediata, com infiltração do soro no maior volume possível ao redor das feridas, e imunização ativa com o esquema vacinal. Aplicar só a vacina é o erro mais frequente e deixa o paciente desprotegido justamente no intervalo em que ainda não produziu anticorpos. Suturar de imediato feridas contaminadas por mordedura também é conduta a evitar sempre que possível.
Menino de 9 anos é mordido pelo cão da própria casa, vacinado e sadio, apresentando arranhadura superficial em perna, sem sangramento importante. O animal está disponível para observação. Qual a conduta profilática para raiva?
Acidente leve causado por cão passível de observação permite conduta expectante com vigilância do animal por dez dias, período que cobre a excreção viral na saliva, iniciando a vacinação apenas se surgirem sinais de doença ou o animal desaparecer. Dispensar completamente qualquer medida por confiar na carteira de vacinação do cão é o erro que a questão cobra, porque a observação é parte da conduta e não pode ser abandonada. O soro fica reservado a acidentes graves, o que não é o caso de uma lesão superficial em membro.
Ao administrar o soro antirrábico heterólogo em um paciente com ferimento no antebraço, qual é a técnica correta de aplicação?
A lógica da imunização passiva é neutralizar o vírus onde ele está, ainda no local da inoculação, por isso a maior parte do volume deve ser infiltrada na própria ferida, com o excedente aplicado em massa muscular distante. Aplicar o soro no mesmo sítio da vacina é o erro técnico que compromete a resposta ativa, porque os anticorpos passivos neutralizam o antígeno vacinal. A via intravenosa não é utilizada para o soro antirrábico e aumenta o risco de reação anafilática.
Homem de 45 anos, que completou esquema de profilaxia antirrábica pós-exposição há 2 anos, é novamente mordido por cão desconhecido, com lesão em perna. Qual a conduta?
Quem já recebeu esquema completo tem memória imunológica e responde rapidamente a um estímulo, de modo que a reexposição exige apenas duas doses de reforço, dispensando o soro. Aplicar imunoglobulina em pessoa previamente imunizada é o erro mais comum e chega a ser contraprodutivo, pois os anticorpos passivos podem atenuar a resposta anamnéstica, além de desperdiçar insumo escasso e caro. Confiar em imunidade permanente sem reforço também é equivocado, porque os títulos declinam com o tempo.
Sobre a imunização passiva na profilaxia antirrábica, qual afirmativa está correta quanto às doses dos produtos disponíveis?
A dose difere conforme a origem do produto: o soro equino, mais disponível e mais barato, é aplicado no dobro da dose da imunoglobulina de origem humana, que é mais purificada e tem menor risco de reação de hipersensibilidade. Inverter os valores é o erro de cálculo mais frequente. Também é falso supor que a vacina dispensa a imunização passiva nos acidentes graves: os anticorpos próprios levam cerca de dez a catorze dias para surgir, e é justamente esse intervalo que o soro cobre.
Um veterinário que trabalha com animais silvestres pergunta sobre a vacinação antirrábica preventiva. Qual a orientação correta quanto à profilaxia pré-exposição contra a raiva?
A vacinação preventiva é oferecida a quem tem exposição ocupacional continuada, como veterinários, biólogos de campo, trabalhadores de laboratório e profissionais que manejam morcegos, e o esquema atual é de duas doses, com verificação periódica dos títulos de anticorpos neutralizantes. Seu grande benefício é simplificar a conduta em caso de acidente futuro: quem foi previamente imunizado dispensa o soro e recebe apenas duas doses de reforço, o que reduz custo e risco de reação.
Sobre o período de incubação da raiva humana, qual afirmativa está correta?
O vírus caminha pelos nervos periféricos até o sistema nervoso central, de modo que a distância a percorrer e a densidade de inervação no sítio da inoculação são determinantes: mordeduras em face e mãos encurtam a incubação e por isso são classificadas como acidentes graves. Inverter essa lógica é o erro conceitual que a questão testa e que leva a subestimar a urgência da profilaxia em lesões de cabeça e pescoço. O período de dez dias mencionado no distrator se refere à observação do animal, não ao paciente.
Confirmado o diagnóstico de raiva humana em um paciente já sintomático, qual é a expectativa de evolução e a conduta?
Uma vez instalada a doença clínica, a raiva é praticamente sempre fatal, e o cuidado se volta ao suporte intensivo, ao controle dos espasmos e à analgesia, com comunicação honesta à família. Os raros sobreviventes descritos com protocolos de sedação profunda e antivirais não foram reproduzidos de forma consistente e não devem ser apresentados como tratamento estabelecido. Vacinar quem já tem sintomas não reverte o quadro, porque o vírus já alcançou o sistema nervoso central, e por isso toda a estratégia depende da profilaxia antes do adoecimento.
Paciente com suspeita de raiva apresenta quadro de paralisia flácida ascendente simétrica, arreflexia e insuficiência respiratória progressiva, sem hidrofobia ou agitação. Qual a interpretação e o principal diagnóstico diferencial?
Cerca de um quinto dos casos de raiva se apresenta na forma paralítica, ou muda, sem hidrofobia e sem a agitação característica, o que retarda enormemente o diagnóstico. A semelhança com a síndrome de Guillain-Barré é notável e faz dela o diferencial obrigatório, especialmente diante de história de mordedura. A ausência dos sinais clássicos é justamente o que faz muitos casos escaparem da suspeita, e é por isso que a epidemiologia deve ser ativamente perguntada em toda paralisia flácida aguda.
Homem de 38 anos, mordido por cão errante há 6 semanas e que não procurou atendimento, apresenta há 3 dias parestesia e dor em queimação na cicatriz da mordedura, seguidas de ansiedade, insônia e agora espasmos violentos da musculatura faríngea ao tentar beber água. Qual o diagnóstico?
A sequência descrita é praticamente patognomônica: parestesia e dor no sítio da inoculação, que correspondem à replicação viral no gânglio sensitivo, seguidas de sintomas psíquicos e da hidrofobia, o espasmo doloroso desencadeado pela tentativa de deglutir líquidos. O tétano é o distrator mais próximo por também cursar com espasmos, mas ali predomina o trismo com rigidez sustentada e a consciência permanece plenamente preservada, sem os períodos de agitação e lucidez alternados da raiva.
Mulher de 33 anos acorda com um morcego voando dentro do quarto e o retira sem perceber qualquer lesão na pele. Procura o serviço de saúde no mesmo dia. Qual a conduta profilática para raiva?
Todo contato com morcego é classificado como acidente grave, independentemente da existência de lesão visível, porque os dentes são finíssimos e a mordedura pode passar despercebida, inclusive durante o sono. Por isso a conduta é sempre soro somado ao esquema vacinal. Descartar a profilaxia por não encontrar ferida é o erro que já resultou em óbitos por raiva e é exatamente o que a questão testa. Também não existe observação do animal silvestre como estratégia, ao contrário do que se faz com cães e gatos.
Qual é a primeira medida a ser realizada em qualquer atendimento a pessoa exposta a risco de raiva, antes mesmo da decisão sobre soro e vacina?
A lavagem mecânica exaustiva com água e sabão remove parte importante do inóculo viral ainda no local e é a medida mais custo-efetiva de toda a cadeia de profilaxia, devendo ser feita o quanto antes, inclusive pelo próprio paciente no domicílio. Suturar a ferida precocemente é conduta a evitar sempre que possível, pois fecha o inóculo dentro do tecido, e quando a sutura for indispensável ela deve ser precedida da infiltração do soro. Antibiótico trata infecção bacteriana da mordedura, não a raiva.
Quais métodos podem ser utilizados para o diagnóstico laboratorial da raiva humana em vida e após o óbito?
O diagnóstico em vida combina pesquisa do material genético viral na saliva, que pode exigir amostras seriadas por eliminação intermitente, com imunofluorescência em biópsia de pele da nuca, onde os folículos pilosos carregam terminações nervosas infectadas. Após a morte, a imunofluorescência direta no tecido cerebral é o padrão. A sorologia tem valor limitado, porque os anticorpos surgem tardiamente e podem estar ausentes, e nenhum exame de imagem faz o diagnóstico.
Na histopatologia do tecido cerebral de um animal ou paciente com raiva, qual achado clássico é descrito?
As inclusões eosinofílicas descritas por Negri no citoplasma dos neurônios, particularmente no hipocampo e no cerebelo, são o achado histológico clássico da raiva, embora sua ausência não afaste o diagnóstico, que hoje se apoia na imunofluorescência. Os corpos de Lewy pertencem à doença de Parkinson e as placas e emaranhados à doença de Alzheimer, sendo distratores que testam a organização do repertório de inclusões neuropatológicas. A desmielinização perivenular caracteriza a encefalomielite disseminada aguda.
Gestante de 24 semanas sofre acidente grave com animal silvestre e há indicação formal de profilaxia antirrábica. Qual a conduta?
Não existe contraindicação à profilaxia antirrábica pós-exposição, seja gestação, lactação, doença intercorrente ou imunossupressão, porque a alternativa é uma doença de letalidade praticamente total. Adiar ou fracionar a conduta por receio de efeitos adversos é o erro que a questão persegue e que já custou vidas. Em imunodeprimidos, aliás, a recomendação vai no sentido oposto ao da cautela: pode ser necessário ampliar o número de doses e verificar a resposta com sorologia, nunca reduzir.
Homem de 30 anos, imunocompetente e sem vacinação antirrábica prévia, sofreu mordedura única e superficial no braço por cão domiciliado, classificada como exposição leve. O animal foi colocado em observação, sem início da vacina. No quinto dia, apresenta sinais neurológicos e morre. Segundo o quadro brasileiro de profilaxia pós-exposição, qual é a conduta?
A morte de um cão durante a observação exige reavaliação imediata e início da profilaxia indicada, sem esperar o diagnóstico laboratorial. No cenário delimitado, a exposição é leve e o quadro brasileiro recomenda vacina, sem soro. Em exposições graves, o esquema inclui soro ou imunoglobulina conforme indicação. O intervalo de cinco dias desde a mordedura não dispensa nem reduz o esquema inicial. Um resultado laboratorial confiável do animal pode orientar reavaliação posterior pela equipe de vigilância.
Paciente iniciou esquema vacinal antirrábico de quatro doses, mas faltou à aplicação prevista para o dia 7, comparecendo apenas no dia 12. Qual a conduta?
Atrasos em esquemas vacinais não anulam as doses já aplicadas: a memória imunológica é construída de forma cumulativa e a conduta é retomar de onde parou, ajustando as datas subsequentes. Reiniciar do zero é o erro mais comum e desperdiça doses, além de retardar a proteção completa. Interromper o esquema por considerá-lo perdido é ainda pior, pois deixa o paciente parcialmente imunizado diante de uma doença de letalidade praticamente total, e aplicar duas doses no mesmo dia não substitui o intervalo necessário.
Qual é o local correto de aplicação da vacina antirrábica de cultivo celular em adultos e em crianças menores de 2 anos, e qual local é formalmente desaconselhado?
A absorção na região glútea é imprevisível pela espessura do panículo adiposo, e sua utilização já foi associada a falhas de resposta vacinal em imunizações desse tipo, motivo pelo qual é desaconselhada. O deltoide é o sítio de escolha em quem tem massa muscular suficiente, e o vasto lateral da coxa substitui essa opção nos menores de dois anos. Aplicar na parede abdominal remete às antigas vacinas de tecido nervoso, já abandonadas, e a via intravenosa jamais se aplica a vacinas.
Mulher de 42 anos é arranhada profundamente na mão por gato de rua, que fugiu logo em seguida e não pode ser localizado. Qual a conduta profilática antirrábica?
A localização em mão, área ricamente inervada, e a impossibilidade de observar o animal caracterizam acidente grave, que exige imunização passiva e ativa simultâneas. Descartar risco porque a lesão foi arranhadura e não mordedura é o erro clássico: o gato lambe as patas e pode veicular saliva contaminada, além de as arranhaduras profundas serem explicitamente classificadas como graves nos protocolos. O antibiótico é pertinente para infecção bacteriana da ferida, muito comum em felinos, mas não substitui a profilaxia.
Trabalhador rural relata que, ao manejar um bovino que apresentava salivação excessiva e incoordenação, sofreu lambedura sobre ferimento aberto na mão. O animal morreu dias depois. Qual a conduta?
A saliva do animal infectado é o veículo do vírus, e o contato dela com pele que perdeu a integridade ou com mucosas é exposição efetiva, sem necessidade de mordedura. Herbívoros com sinais neurológicos em área de circulação de morcego hematófago são fortemente suspeitos de raiva, o que reforça a gravidade. Descartar risco por não haver dentada é o erro mais frequente e o mais perigoso nesta situação, e a observação de animais de produção não é estratégia aceita para essa decisão.
Sobre a aplicação do soro antirrábico heterólogo de origem equina, qual conduta é a recomendada atualmente em relação ao risco de reação de hipersensibilidade?
O teste intradérmico prévio foi abandonado por não predizer de forma confiável quem terá reação e por criar falsa segurança ou recusa indevida do produto. A recomendação é aplicar com equipe e material de anafilaxia prontamente disponíveis, já que a intervenção é potencialmente salvadora e não tem substituto quando a imunoglobulina humana não está acessível. Reduzir a dose pela metade é o erro que compromete a neutralização viral sem eliminar o risco alérgico.
Uma equipe assiste a um paciente com raiva humana confirmada em unidade de terapia intensiva. Qual a orientação correta quanto ao risco para os profissionais?
A transmissão entre humanos é excepcional, mas o material infectante existe: saliva, lágrima e tecido nervoso podem veicular o vírus se atingirem mucosa ou pele com solução de continuidade, e nesses casos a profilaxia está indicada. Vacinar toda a equipe indistintamente é excesso sem base, e negar qualquer risco é o extremo oposto, igualmente equivocado, já que há relatos documentados de transmissão por transplante de órgãos e córneas. O manejo se apoia em precauções padrão e avaliação individual de exposição.
Sobre a notificação relacionada à raiva, qual afirmativa está correta?
O registro de todo atendimento antirrábico permite dimensionar a demanda, planejar insumos e monitorar a circulação viral no território, e por isso é obrigatório mesmo quando não se indica profilaxia. O caso suspeito de raiva humana, por sua vez, exige comunicação imediata, porque desencadeia investigação de contatos e bloqueio vacinal. Esperar a confirmação laboratorial ou o óbito para notificar inviabiliza justamente as ações de controle que dependem de rapidez.
Criança de 6 anos é mordida no dedo pelo hamster de estimação da família, com pequeno sangramento. A mãe procura a unidade de saúde preocupada com raiva. Qual a conduta?
Roedores e lagomorfos de pequeno porte, como ratos, camundongos, hamsters, cobaias e coelhos, não são reservatórios do vírus rábico e não desencadeiam profilaxia, o que é uma das poucas situações em que se pode tranquilizar a família sem qualquer imunização. Vacinar por precaução nesse cenário é o excesso que a questão testa e consome insumo caro sem benefício. O cuidado com a ferida, a limpeza e a avaliação da situação vacinal antitetânica continuam necessários.
Sobre a epidemiologia atual da raiva no Brasil, qual afirmativa está correta?
As campanhas de vacinação canina em massa reduziram enormemente o ciclo urbano, e o perfil dos casos humanos deslocou-se para os morcegos, tanto hematófagos quanto insetívoros e frugívoros, além de outros animais silvestres como primatas e canídeos do campo. Supor que o cão ainda responde pela maioria dos casos é uma leitura desatualizada que leva a subestimar exposições a morcegos, justamente as mais perigosas e frequentemente sem lesão aparente. A doença não está erradicada e continua sendo notificada.
Homem de 40 anos e mordido em face por cao desconhecido, que fugiu. Alem do tratamento da ferida e da profilaxia antirrabica, quanto a vigilancia:
O atendimento antirrabico humano e evento notificavel, e a raiva humana e de notificacao imediata — a vigilancia da agressao por animal potencialmente transmissor existe justamente para acompanhar profilaxias e detectar circulacao viral antes de haver caso humano. Esperar o adoecimento engana porque, na raiva, quando o caso aparece a letalidade e praticamente total: toda a estrategia e pre-exposicao e pos-exposicao. A captura do animal orienta o esquema, mas nao condiciona a notificacao.
Mulher de 28 anos procura a Unidade Básica de Saúde após ser mordida no dorso da mão por cão do vizinho, há 6 horas. O animal é domiciliado, vacinado, com comportamento habitual, e o proprietário concorda em mantê-lo em observação. A lesão é única, superficial, com 1 cm. Segundo o protocolo do Ministério da Saúde para profilaxia da raiva humana, qual é a conduta correta?
Acidente leve por cão passível de observação por 10 dias permite conduta de observação sem profilaxia imediata: lava-se a ferida e vacina-se apenas se o animal apresentar sinais de raiva, morrer ou desaparecer no período. Iniciar vacina com soro é reservado a acidentes graves ou a animais não observáveis/suspeitos. O esquema abreviado nos dias 0 e 3 aplica-se ao pré-exposto ou ao reexposto já vacinado, não a este caso. Dispensar toda conduta é errado porque a observação do animal é parte obrigatória da vigilância e o caso deve ser notificado.
Adolescente de 12 anos comparece à Unidade Básica de Saúde após ser mordido por cão domiciliar conhecido, com ferimento superficial em antebraço ocorrido há 2 horas. O animal é sadio, vacinado e pode ser observado pelos tutores. O ferimento é único, sem sangramento ativo, e a criança tem esquema vacinal antitetânico completo, com última dose há 4 anos. Qual é a conduta em relação à profilaxia da raiva?
Em acidente leve por cão passível de observação, o protocolo do Ministério da Saúde permite lavar o ferimento e observar o animal por dez dias, iniciando a vacinação apenas se houver sinais sugestivos de raiva, morte ou desaparecimento. O esquema completo com soro é reservado a acidente grave ou a animal com sinais suspeitos ou não observável. O esquema de duas doses aplica-se ao observador, mas com observação concomitante do animal e outros critérios. Considerar risco nulo pela vacinação do cão ignora a necessidade formal de observação, que é a medida que sustenta a decisão.
Mulher de 34 anos é atendida com mordedura de cão em antebraço, ocorrida há 4 horas, com ferida puntiforme profunda e sinais inflamatórios iniciais. Está com esquema vacinal antitetânico completo, última dose há 4 anos. Qual é a conduta mais adequada em relação à ferida?
Feridas por mordedura têm alto risco infeccioso, sendo prioritárias a lavagem abundante, a avaliação de antibioticoprofilaxia e o manejo aberto de lesões puntiformes profundas, além da avaliação para profilaxia antirrábica. Sutura primária indiscriminada aumenta o risco de infecção fechada. Cauterização química não é conduta indicada. Reforço antitetânico não é necessário com esquema completo e última dose há 4 anos em ferida dessa natureza, exceto em critérios específicos.
Criança de 6 anos é atendida em Unidade de Pronto Atendimento após mordida de cão em face, com laceração de 3 centímetros ocorrida há 1 hora. O animal é desconhecido e fugiu. A ferida está contaminada, com bordas irregulares. A criança tem esquema vacinal antitetânico completo e a última dose foi há 2 anos. Qual é a conduta em relação à antibioticoprofilaxia e à raiva?
Mordedura em face por animal desconhecido e não observável configura acidente grave, indicando vacinação antirrábica com soro, e a ferida contaminada em região de alto risco justifica antibiótico com cobertura para Pasteurella e anaeróbios. Limitar-se à limpeza e sutura ignora tanto o risco infeccioso quanto o risco de raiva. A cefalexina não cobre adequadamente Pasteurella multocida, e a observação é impossível com o animal desaparecido. Aplicar apenas vacina sem soro deixa o paciente sem proteção passiva em acidente grave.
Criança de 3 anos é levada à Unidade Básica de Saúde e a mãe informa que teve contato, no quintal de casa, com morcego encontrado caído no chão durante o dia. A criança relata que tocou o animal, mas não há ferimento visível nem relato de mordedura. O morcego não foi capturado. Qual é a conduta em relação à profilaxia antirrábica?
Contato com morcego é classificado como acidente grave no protocolo brasileiro, independentemente da visualização de ferimento, indicando soro e vacinação, pois lesões podem passar despercebidas e a letalidade da raiva é praticamente total. Dispensar a profilaxia por ausência de lesão visível ignora essa característica do acidente com quirópteros. Observação do animal é possível apenas para cães e gatos. Esquema reduzido não confere proteção adequada em acidente grave.
Homem de 41 anos, veterinário, recebeu esquema completo de pré-exposição antirrábica há três anos, com comprovação documental. É mordido no antebraço por cão desconhecido, com ferimento superficial. O animal fugiu e não pode ser observado. O paciente está assintomático, e a ferida foi lavada com água e sabão na unidade. Qual é a conduta correta quanto à profilaxia?
Pessoa com esquema de pré-exposição comprovado que sofre nova exposição recebe apenas duas doses de reforço, nos dias zero e três, sem indicação de imunoglobulina, pois já possui memória imunológica. Esquema completo com soro é conduta para quem nunca foi imunizado. Considerar a proteção permanente e nada fazer desconsidera a necessidade de reforço em nova exposição. Soro isolado, além de desnecessário, não substitui as doses de reforço.
Mulher de 45 anos chega à Unidade Básica de Saúde 3 horas após mordedura por cão do vizinho na mão direita, com ferimento profundo e puntiforme sobre a articulação metacarpofalângica. Sem sinais de infecção no momento. Vacinação antitetânica com última dose há 12 anos. O animal está vivo, vacinado e disponível para observação. Qual é a conduta correta em relação à ferida e à profilaxia?
Mordedura profunda em mão, região de alto risco infeccioso, indica lavagem abundante, ferida deixada aberta, antibioticoprofilaxia com cobertura para Pasteurella e anaeróbios e atualização antitetânica, pois a última dose ultrapassou o intervalo. Sutura primária em mordedura de mão aumenta o risco de infecção. Aguardar sinais de infecção em ferida de alto risco perde a janela profilática. Com animal identificado, vacinado e passível de observação, a conduta antirrábica segue o protocolo de observação, sem esquema completo imediato com soro.
Menina de 6 anos é levada à unidade de pronto atendimento cerca de 1 hora após ser mordida no rosto pelo cão da própria casa, animal com vacinação antirrábica em dia e possível de ser observado. Ao exame apresenta bom estado geral, afebril, com laceração de 3 cm na bochecha direita, bordas irregulares, sem perda de substância, sem exposição de estruturas nobres e sem sinais de infecção. O cartão vacinal mostra esquema de tetano incompleto, com última dose há mais de cinco anos. A conduta mais adequada inclui:
Em mordedura de cão na face, a limpeza abundante seguida de sutura primária é aceita pelo resultado estético em área nobre, associada a antibioticoprofilaxia, revisão da situação vacinal antitetânica e conduta antirrábica orientada pela observação do animal sadio e vacinado por dez dias. Deixar a ferida facial aberta sem antibiótico piora o resultado estético e o risco infeccioso. Iniciar esquema antirrábico completo sem considerar as condições do animal contraria o protocolo de profilaxia do Ministério da Saúde. Apenas curativo, sem limpeza cirúrgica e sem atualizar a proteção antitetânica, deixa o principal risco da ferida sem manejo.
Gestante de 27 anos, com 21 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina e traz o cartão de vacina atualizado. Ela relata ter sido mordida por um cão errante na perna há duas horas, com ferimento superficial e sangramento discreto. O animal fugiu e não pode ser observado. A ferida foi lavada com água e sabão. Ela está afebril, com pressão arterial de 110x68 mmHg. Considerando a profilaxia da raiva humana no Brasil, a conduta correta é
A gestação não contraindica a profilaxia pós-exposição da raiva, doença de letalidade praticamente total, e o esquema deve ser indicado conforme a classificação do acidente e a impossibilidade de observar o animal. Adiar a profilaxia para depois do parto seria inaceitável diante do desfecho invariavelmente fatal da doença instalada. A observação de dez dias aplica-se ao animal, e não à pessoa exposta, e é inviável com o cão desaparecido. Antibiótico previne infecção bacteriana da ferida, mas não tem qualquer ação sobre o vírus rábico.
Menina de 8 anos é levada à Unidade de Pronto Atendimento 40 minutos após ser mordida no antebraço por cão do vizinho, animal conhecido, vacinado e disponível para observação. Ao exame, apresenta duas lacerações de 2 cm com bordas irregulares e uma ferida puntiforme profunda, sem sinais de infecção, com sensibilidade e perfusão preservadas. Está com esquema vacinal antitetânico completo e atualizado. Sinais vitais normais e temperatura axilar de 36,6 °C. A conduta correta é:
Em mordedura por cão sadio, passível de observação por dez dias, a conduta prevista é lavagem abundante com água e sabão, desbridamento, antibioticoprofilaxia por se tratar de ferida com risco de infecção, e observação do animal, iniciando o esquema antirrábico apenas se o cão adoecer, desaparecer ou morrer. Iniciar de imediato vacina e imunoglobulina desconsidera o protocolo de profilaxia e desperdiça insumos. Sutura hermética de feridas puntiformes contaminadas aumenta o risco de infecção. Curativo isolado, sem lavagem nem antibiótico, ignora o alto risco infeccioso dessas lesões.
Homem de 27 anos é atendido na Unidade Básica de Saúde após ser mordido por cão de rua no antebraço, há três horas. O animal fugiu e não pode ser observado. A ferida tem cerca de 3 cm, profunda, com sangramento já contido. O paciente nunca recebeu vacina antirrábica e tem esquema de tétano incompleto, com apenas duas doses registradas na infância. Ao exame: ferida profunda em antebraço, sem sinais de infecção, movimentos e sensibilidade preservados, afebril. A conduta correta quanto à profilaxia antirrábica é:
Ferimento profundo em animal não localizável e, portanto, não passível de observação, configura exposição grave, indicando lavagem abundante da ferida somada a esquema vacinal e soro antirrábico infiltrado ao redor da lesão, pois a raiva é praticamente sempre letal e a profilaxia não admite espera. Aplicar somente a vacina subestima a gravidade do ferimento. A conduta de observação do animal só é possível quando ele está disponível e identificado. Afirmar ausência de risco em cães urbanos é incorreto, pois persistem casos e ciclos silvestres com transmissão para animais domésticos.
Menino de 4 anos é levado ao pronto-socorro logo após ser mordido por cão da vizinhança no rosto, com ferimento em bochecha direita de cerca de 4 cm, com bordas irregulares e sangramento moderado já contido. O animal é conhecido, vacinado e está sob observação. Ao exame: ferida com tecido viável, sem exposição óssea, sem lesão de nervo facial ou de ducto parotídeo, criança estável e com vacinação em dia. Qual é a conduta adequada quanto ao manejo da ferida?
Mordeduras faciais têm indicação de lavagem copiosa, desbridamento econômico e sutura primária cuidadosa, pela boa vascularização e pelo resultado estético, associadas a antibiótico profilático e à avaliação da profilaxia antirrábica e antitetânica conforme o protocolo e a observação do animal. Deixar toda ferida facial aberta piora o resultado estético sem reduzir infecção nessa topografia. Suturar sem lavagem prévia encerra bactérias na ferida e favorece infecção. Ignorar a profilaxia antirrábica é falha grave, mesmo com animal aparentemente vacinado.
Biólogo de 31 anos vai iniciar trabalho de campo com captura e manejo de morcegos em cavernas, com previsão de contato frequente com os animais durante meses, em áreas remotas de difícil acesso a serviços de saúde. Ele procura a Unidade Básica de Saúde para orientação preventiva antes da viagem. Está assintomático, sem exposições prévias e sem contraindicação a vacinas. A equipe consulta as recomendações sobre profilaxia antirrábica para pessoas com risco ocupacional permanente. Qual é a conduta correta?
Pessoas com risco ocupacional permanente de exposição ao vírus rábico, como profissionais que manejam morcegos e outros animais silvestres, têm indicação de profilaxia pré-exposição com esquema vacinal definido e controle sorológico periódico, o que simplifica a conduta caso ocorra exposição. Restringir a vacinação ao pós-exposição desconsidera a recomendação para grupos de risco. O soro antirrábico é usado apenas na profilaxia pós-exposição de acidentes graves, e não isoladamente antes da exposição. Dose única sem controle sorológico não confere o esquema recomendado.
Homem de 42 anos chega à Unidade Básica de Saúde após ser mordido por cão desconhecido na rua, há duas horas. Apresenta ferimentos múltiplos e profundos em face e mãos, com dilaceração. O animal fugiu e não pôde ser observado. Ele nunca recebeu vacina antirrábica. Ao exame: ferimentos extensos e profundos em região malar direita e no dorso de ambas as mãos, com sangramento controlado. A equipe realiza lavagem exaustiva das feridas com água e sabão. Qual é a conduta correta quanto à profilaxia antirrábica?
Acidente grave, com ferimentos múltiplos, profundos e em áreas de rica inervação como face e mãos, causado por animal não passível de observação, indica profilaxia com imunização passiva por soro ou imunoglobulina antirrábica, infiltrada nas lesões quando possível, associada ao esquema vacinal completo, além da lavagem exaustiva. Vacinar sem imunização passiva deixa o paciente desprotegido no intervalo até a produção de anticorpos. Observar por dez dias só se aplica quando o animal está disponível para observação. Deixar de indicar profilaxia diante de raiva, doença praticamente sempre fatal, é conduta inaceitável.
Mulher de 34 anos procura a Unidade Básica de Saúde após ser mordida por seu cão doméstico, vacinado anualmente e com comportamento habitual, sem sinais de doença. A mordedura ocorreu quando ela tentou separar o animal de outro cão. Ao exame: ferimento superficial único em antebraço, com pequena laceração, sem acometimento de mãos, pés, face ou pescoço, sem sangramento ativo e sem sinais de infecção. O animal pode ser observado pela família durante os próximos dias. Qual é a conduta quanto à profilaxia antirrábica?
Em acidente leve por cão sadio, passível de observação, a conduta prevista é lavagem exaustiva da ferida e observação do animal por dez dias, iniciando-se a profilaxia caso ele apresente sinais sugestivos de raiva, desapareça ou morra no período. Iniciar esquema completo com soro em todos os casos leves contraria o protocolo e desperdiça insumos. Dispensar até a lavagem ignora medida elementar de prevenção. Sacrificar o animal saudável elimina a possibilidade de observação, que é justamente o instrumento de decisão.
Homem de 45 anos procura a Unidade Básica de Saúde relatando que acordou durante a noite e encontrou um morcego dentro do quarto, voando próximo à cama, mas não percebeu qualquer mordedura ou arranhadura e não há lesão visível na pele. Ele dormia sozinho e não sabe informar se houve contato direto. Ao exame: sem lesões cutâneas, sem escoriações e sem sinais de ferimento em qualquer parte do corpo. Ele nunca recebeu vacina antirrábica. Qual é a conduta correta?
Qualquer contato com morcego, mesmo sem ferimento visível, é classificado como acidente grave pelo protocolo brasileiro, dada a possibilidade de lesões imperceptíveis e a alta letalidade da raiva, indicando profilaxia com vacina e imunização passiva conforme a norma. Deixar de indicar profilaxia por ausência de lesão visível é erro potencialmente fatal. Observação de dez dias se aplica a cães e gatos passíveis de observação, não a animais silvestres. Aplicar apenas a vacina não cumpre a conduta prevista para acidentes graves em pessoa sem imunização prévia.
Homem de 39 anos chega ao pronto-socorro após ser mordido por cão de rua na perna direita há 2 horas, com ferimento com perda de substância e sujidade. Ao exame apresenta PA 126x78 mmHg, FC 92 bpm, ferimento profundo de 6 cm com bordas irregulares, tecido desvitalizado e sujidade, sem comprometimento vascular ou nervoso, e o animal fugiu, não sendo possível observá-lo. O esquema antitetânico é desconhecido e não há relato de vacinação antirrábica prévia do paciente. A conduta correta inclui:
Mordedura por animal não observável, com ferimento profundo, extenso e contaminado, indica esquema antirrábico com soro e vacina, além de limpeza abundante, desbridamento, antibioticoprofilaxia e cuidados antitetânicos conforme a situação vacinal. Sutura primária de ferida contaminada e sem profilaxia aumenta infecção e risco de raiva. Apenas curativo e observação ignoram uma doença de letalidade praticamente total. Dispensar o soro em ferimento grave com animal não observável contraria o protocolo do Ministério da Saúde.
Menino de 4 anos é levado à Unidade de Pronto Atendimento após ser mordido por cão de rua na perna direita, há duas horas. O animal fugiu e não pode ser observado. Ao exame: ferimento com laceração superficial de 2 cm em perna direita, com bordas irregulares, sem tecido desvitalizado extenso, sangramento já contido, sem sinais de infecção e sem acometimento de mãos, face ou pescoço. A caderneta mostra esquema antitetânico completo para a idade. Qual é a conduta correta quanto à profilaxia antirrábica?
Ferimento por cão desconhecido e não passível de observação exige lavagem exaustiva da ferida e indicação do esquema de profilaxia antirrábica conforme a classificação do acidente, com imunização passiva nos acidentes graves, dada a letalidade praticamente total da raiva. Considerar o ferimento superficial como dispensa de profilaxia ignora que a decisão depende também da possibilidade de observar o animal. Aguardar dez dias sem animal disponível é conduta impossível de executar. Soro isolado, sem vacina, não confere proteção duradoura.
Menina de 7 anos é levada à Unidade Básica de Saúde após ser mordida pelo cão da família na mão direita, há três horas. O animal é vacinado anualmente, está saudável e permanecerá em casa sob observação. Ao exame: ferimento puntiforme e superficial no dorso da mão, sem laceração extensa, com sangramento já contido, sem sinais de infecção. A caderneta mostra vacinação antitetânica em dia. A mãe pergunta se a criança precisa tomar a vacina antirrábica imediatamente. Qual é a conduta correta?
Em acidente leve por cão sadio e passível de observação, a conduta prevista é lavagem exaustiva da ferida e observação do animal por dez dias, iniciando-se a profilaxia caso ele apresente sinais sugestivos de raiva, desapareça ou morra no período, o que evita esquemas desnecessários. Iniciar vacina e soro em todos os acidentes contraria o protocolo. Dispensar a lavagem ignora medida elementar. Soro isolado sem observação e sem vacina não corresponde a nenhuma recomendação.
Menino de 9 anos é levado ao pronto-socorro após ser mordido por um morcego encontrado dentro do quarto durante a madrugada, com pequena lesão puntiforme visível no braço. A família matou o animal e não o guardou. Ao exame: pequena lesão puntiforme no braço esquerdo, sem sangramento, sem sinais de infecção e sem outras lesões. A criança tem esquema antitetânico completo e nunca recebeu vacina antirrábica. Qual é a conduta correta?
Todo contato com morcego é classificado como acidente grave no protocolo brasileiro, independentemente do tipo e do tamanho da lesão, indicando profilaxia com vacina e imunização passiva em pessoa sem imunização prévia, dada a letalidade praticamente absoluta da raiva. Deixar de profilatizar por lesão pequena é erro fatal. Observação de dez dias se aplica a cães e gatos, e não a animais silvestres. Aplicar apenas a vacina não cumpre a conduta prevista para acidentes graves.
Menino de 7 anos é levado à Unidade Básica de Saúde após ser mordido por cão de rua no antebraço, há duas horas. Ele já recebeu esquema completo de vacinação antirrábica pré-exposição no ano anterior, por residir em área de risco, com comprovação na caderneta. Ao exame: ferimento superficial com abrasão e pequena laceração em antebraço direito, sem sangramento ativo, sem sinais de infecção e com boa mobilidade do membro, e o animal agressor não pôde ser localizado para observação. Qual é a conduta correta?
Pessoas previamente imunizadas contra a raiva com esquema completo recebem, em nova exposição, apenas cuidados locais e duas doses de reforço da vacina, sem indicação de soro, pois a memória imunológica garante resposta rápida. Reiniciar o esquema completo é desnecessário. Aplicar soro em pessoa previamente imunizada não traz benefício e desperdiça insumo escasso. Dispensar a conduta ignora que o esquema pré-exposição não elimina a necessidade de reforços após exposição.
Um veterinário de 30 anos procura a unidade básica de saúde antes de assumir trabalho em área de alta circulação do vírus rábico em morcegos e animais silvestres, com contato frequente e previsível com espécies potencialmente infectadas. Ele nunca recebeu vacina antirrábica e está assintomático, sem qualquer exposição recente. A médica avalia a indicação de imunização preventiva conforme as normas do programa nacional. Ele trabalhará na captura e no manejo de morcegos em cavernas por período prolongado, com previsão de contato semanal com animais silvestres potencialmente infectados. Qual é a conduta correta?
Profissionais com risco ocupacional permanente e previsível de exposição ao vírus rábico têm indicação de profilaxia pré-exposição, com esquema vacinal e controle sorológico periódico para verificar título protetor e definir necessidade de reforço, o que também simplifica a conduta em caso de exposição futura. Restringir a profilaxia ao pós-exposição desconsidera a indicação ocupacional prevista. Imunoglobulina é reservada à profilaxia pós-exposição em situações específicas, nunca isolada como preventivo. Dose única sem controle sorológico não garante título protetor nem seguimento adequado.
Mulher, 30 anos, é atendida na UBS 36 horas após ser mordida no antebraço por cão desconhecido que fugiu. Ferimento profundo de 3 cm, com sangramento contido. Vacinação antitetânica completa na infância, último reforço há 6 anos. Nunca recebeu vacina antirrábica. T 36,6 °C, ferida sem sinais flogísticos. Qual a profilaxia antirrábica indicada?
Ferimento profundo causado por cão desconhecido, impossível de observar por ter fugido, configura acidente grave em pessoa não imunizada, o que impõe soroterapia antirrábica com infiltração da imunoglobulina ou soro heterólogo ao redor da lesão somada ao esquema vacinal completo. Aguardar observação de 10 dias é impossível quando o animal não está disponível, e a lesão não é leve. Dispensar o soro por lavagem precoce não é previsto: em exposição grave de pessoa não vacinada, a imunização passiva é o que cobre o intervalo até a produção de anticorpos. Reduzir a conduta ao reforço antitetânico ignora que a raiva urbana, embora rara, tem letalidade próxima de 100% e não admite espera; além disso, o reforço tetânico de 6 anos ainda é válido para este tipo de ferida. Aguardar a imunofluorescência do animal adia irreversivelmente a profilaxia, que deve começar imediatamente e pode ser suspensa depois se o exame for negativo.
Menina, 10 anos, é mordida no antebraço por cão desconhecido que fugiu logo após o ataque, na zona rural. A ferida é profunda e única, com sangramento moderado, e ocorreu há 4 horas. A criança nunca recebeu vacina antirrábica. Não há como observar o animal agressor. A ferida foi lavada com água e sabão no serviço. Qual a conduta indicada quanto à profilaxia antirrábica?
Ferimento profundo causado por cão desconhecido que não pode ser observado configura exposição grave, exigindo profilaxia completa com soro antirrábico infiltrado ao redor e dentro da ferida sempre que anatomicamente possível, associado ao esquema vacinal. Observar o animal é impossível neste caso, já que ele fugiu, e a espera colocaria a criança em risco fatal. A vacina isolada é indicada em exposições leves, com lesões superficiais e animal passível de observação. Lavagem e antibiótico previnem infecção bacteriana, mas não a raiva, doença com letalidade praticamente universal. O soro isolado não induz memória imunológica e não protege ao longo do período de incubação, sendo obrigatório associá-lo à vacina.
Homem, 27 anos, é atendido na UBS após ser mordido por cão da própria casa, vacinado com comprovação de vacina antirrábica atualizada, saudável e disponível para observação. A lesão é superficial, única, em antebraço, com 2 cm, sem sangramento ativo. A última dose de vacina antitetânica ocorreu há 12 anos. A ferida é limpa e superficial, sem tecidos desvitalizados. O paciente não recorda o esquema completo, mas traz cartão com três doses documentadas. Qual a conduta correta?
Em acidente leve por cão sadio, vacinado e passível de observação por 10 dias, a conduta antirrábica é apenas lavar a ferida e observar o animal, sem soro nem início imediato do esquema vacinal; quanto ao tétano, ferida limpa e superficial com última dose há mais de 10 anos exige reforço da vacina, mas não soro. Aplicar soro antitetânico não se indica em ferida limpa em paciente com esquema prévio documentado. A imunoglobulina antirrábica é reservada a exposições graves com animal suspeito ou indisponível. Não aplicar nenhuma vacina ignora o intervalo de 12 anos desde a última dose antitetânica. Antibiótico profilático não é rotina em mordedura superficial de baixo risco e não substitui a atualização vacinal.
Mulher, 26 anos, com 22 semanas de gestação, sofre mordedura profunda em mão direita por cão desconhecido que fugiu do local, sem possibilidade de observação do animal. A lesão apresenta sangramento moderado e foi lavada com água e sabão na unidade. T 36,6 °C, PA 116/72 mmHg. Ela nunca recebeu vacina antirrábica e pergunta se pode fazer o tratamento durante a gestação sem prejudicar o bebê. Qual conduta é a correta?
A conduta correta é realizar a profilaxia antirrábica completa, com vacina e infiltração de soro ou imunoglobulina antirrábica na lesão, pois a gestação não é contraindicação a nenhuma dessas medidas e a raiva humana é doença praticamente sempre fatal, além de a exposição ser grave por se tratar de mordedura profunda em mão, região ricamente inervada, por animal desconhecido não passível de observação. Adiar a profilaxia para depois do parto é inaceitável. Contraindicar o soro na gestação é incorreto e deixaria a paciente sem proteção passiva imediata. Considerar a mordedura em mão de baixo risco inverte a classificação, pois é justamente exposição grave. Antibiótico e observação isolados não previnem a raiva.
Menino, 7 anos, é mordido por cão da própria família, vacinado e com carteira de vacinação em dia, que permanece disponível para observação. A mordida ocorreu quando a criança tentou pegar o alimento do animal. Apresenta lesão superficial única no antebraço, com sangramento discreto, sem perda tecidual, ocorrida há 2 horas. A criança está bem, com esquema vacinal antitetânico completo e reforço há 2 anos. Qual a conduta quanto à profilaxia antirrábica?
Em acidente leve, com lesão superficial causada por cão conhecido, vacinado e disponível para observação, a conduta é lavar a ferida com água e sabão e observar o animal por dez dias, iniciando a profilaxia apenas se o animal adoecer, desaparecer ou morrer no período. Aplicar soro e vacina de imediato é desproporcional nesse cenário de baixo risco. O soro isolado não confere memória imunológica e não está indicado. Aplicar esquema completo com animal saudável e observável contraria o protocolo vigente. O antibiótico profilático pode ser considerado para infecção bacteriana da ferida, mas não substitui a avaliação do risco de raiva.
Menina, 7 anos, foi mordida no antebraço por cão do vizinho há 2 horas. O animal é domiciliado, vacinado e pôde ser observado. Exame: ferida profunda com bordas irregulares, dilaceração e edema local, sem lesão tendínea aparente, T 36,6 °C, sem sinais sistêmicos. A criança tem calendário vacinal em dia, incluindo as doses de vacina contendo componente tetânico. Qual a conduta indicada?
Mordedura de cão com ferida profunda e dilacerada exige lavagem abundante com água e sabão, antibiótico profilático com cobertura para Pasteurella e anaeróbios, e observação do animal por dez dias, conforme o protocolo de profilaxia da raiva. A sutura primária hermética em ferida contaminada aumenta o risco de infecção, preferindo-se aproximação frouxa ou cicatrização por segunda intenção. Soro e vacina antirrábicos não são indicados de rotina quando o animal é domiciliado, vacinado e passível de observação. O reforço antitetânico não é necessário com calendário em dia e, isoladamente, não cobre a infecção bacteriana. Omitir a lavagem é o erro mais grave, pois ela é a medida isolada mais eficaz.
Menino, 7 anos, mordido por cão desconhecido em antebraço direito há três horas. Apresenta duas feridas puntiformes profundas e uma laceração de 3 cm, com sangramento já controlado. Está afebril, PA 100/60 mmHg, FC 100 bpm. O animal fugiu e não pôde ser observado. A criança tem esquema vacinal de rotina completo para a idade, incluindo três doses de vacina antitetânica registradas na caderneta. Qual a conduta profilática indicada?
Mordedura profunda por cão desconhecido que não pôde ser observado configura acidente grave, indicando lavagem abundante, esquema de vacina antirrábica associado ao soro antirrábico e antibioticoprofilaxia com amoxicilina e clavulanato pelo risco de Pasteurella multocida. Apenas lavar a ferida deixa a criança exposta à raiva. A vacina isolada sem soro é insuficiente em ferimento grave com animal indisponível para observação. Antibiótico isolado não previne raiva. O reforço antitetânico não se aplica, pois o esquema está completo e recente, e tampouco cobre o risco rábico.
Homem, 29 anos, sofreu mordedura de cão em antebraço direito há 4 horas, com ferimento puntiforme profundo e laceração adjacente. Exame: T 36,6 °C, ferida com bordas irregulares, sem sinais de infecção, sem lesão tendínea ou vascular, pulso radial presente. O animal é conhecido, vacinado e mantido sob observação. Esquema antitetânico do paciente completo, com última dose há sete anos, sem outros antecedentes relevantes. Qual a conduta mais adequada?
Feridas por mordedura de cão exigem limpeza e irrigação abundantes, desbridamento quando necessário, avaliação da profilaxia antitetânica e da conduta antirrábica conforme o animal e a região, além de antibioticoprofilaxia com cobertura para Pasteurella multocida e anaeróbios, sendo amoxicilina com clavulanato a escolha usual, especialmente em feridas puntiformes profundas. O fechamento primário de todas as feridas sem antibiótico aumenta o risco de infecção, sobretudo em ferimentos puntiformes e em mãos. Aguardar sinais de infecção desperdiça a janela profilática. A imunoglobulina antirrábica não é indicada de forma automática quando o animal é conhecido, vacinado e passível de observação. Apenas curativo oclusivo com retorno tardio é conduta insuficiente.
Mulher, 34 anos, foi mordida por morcego encontrado dentro de sua residência há 6 horas, com ferimento superficial em mão direita. Exame: T 36,5 °C, ferida puntiforme em dorso da mão, sem sinais de infecção, sem lesão tendínea. O animal não foi capturado para observação. A paciente nunca recebeu vacina antirrábica previamente e apresenta esquema antitetânico completo e atualizado nos últimos cinco anos. Qual a conduta correta quanto à profilaxia antirrábica?
Agressão por morcego é sempre classificada como exposição grave, independentemente da extensão do ferimento, e a profilaxia em pessoa não previamente vacinada exige esquema vacinal completo associado a imunoglobulina antirrábica, com infiltração da maior quantidade possível ao redor e no fundo da ferida, além de limpeza abundante com água e sabão. Não indicar profilaxia por se tratar de ferimento superficial ignora a classificação de gravidade dessa exposição. Observar o animal por dez dias aplica-se a cães e gatos passíveis de observação, jamais a morcegos. A vacina isolada é insuficiente em exposição grave de paciente não vacinado. A imunoglobulina isolada não confere imunidade duradoura e não substitui o esquema vacinal.
Homem, 41 anos, acordou com um morcego voando dentro do quarto e encontrou o animal pousado na parede. Não identifica ferimento visível na pele e não recorda contato direto. Está assintomático, PA 122x78 mmHg, FC 76 bpm, T 36,6 °C. Nunca recebeu vacina antirrábica. O animal não foi capturado para exame laboratorial. Qual a conduta indicada?
Contato com morcego, mesmo sem ferimento evidente, é classificado como acidente grave pelo risco de lesões imperceptíveis e pela alta prevalência do vírus nesses animais, indicando esquema completo de vacina associado a soro ou imunoglobulina antirrábica em quem nunca foi vacinado. Deixar de tratar por ausência de lesão visível é justamente o erro que o protocolo pretende evitar, e a raiva é praticamente sempre fatal. Observar por 10 dias é conduta aplicável ao cão ou gato passíveis de observação, jamais ao paciente exposto. A lavagem com água e sabão é necessária, mas insuficiente como única medida. Vacina em dose única sem imunoglobulina não confere proteção adequada em exposição grave.
Menina, 9 anos, mordida por cão de vizinho conhecido há 3 horas, apresenta ferimento profundo em mão direita com laceração de 3 cm, sem lesão tendínea. Temperatura axilar 36,7 °C, frequência cardíaca 92 bpm. Vacinação antitetânica completa, último reforço há 3 anos. O cão está vacinado contra raiva e disponível para observação. Sobre a conduta, assinale a alternativa correta.
Mordedura profunda em mão é ferimento de alto risco de infecção, indicando profilaxia com amoxicilina associada a clavulanato, que cobre Pasteurella multocida e anaeróbios, além de lavagem abundante; como o cão é conhecido, vacinado e passível de observação, indica-se observação do animal por dez dias. A sutura primária hermética em mordeduras de mão é desaconselhada pelo alto risco de infecção. Afirmar que mordeduras de cão raramente infectam é incorreto, sobretudo em mãos e ferimentos puntiformes profundos. O reforço antitetânico não é necessário com esquema completo e última dose há apenas 3 anos em ferimento dessa natureza. Soro e vacina antirrábicos de imediato não são obrigatórios quando o animal pode ser observado.
Homem, 29 anos, é levado ao pronto-socorro com agitação intensa, alucinações e episódios de espasmo faríngeo doloroso ao tentar beber água, com salivação abundante. Há cerca de 40 dias foi mordido por morcego em zona rural e não procurou atendimento. Exame: febril, T 38,8 °C, taquicárdico, sudorese profusa, hidrofobia e aerofobia evidentes, sem déficits focais. Líquor com discreta pleocitose linfocitária. Qual a conduta correta neste momento?
Hidrofobia, aerofobia, agitação e disautonomia semanas após mordedura de morcego caracterizam raiva humana em fase sintomática, condição de letalidade praticamente universal, em que a conduta é suporte, sedação e conforto, além de notificação compulsória e avaliação dos contatos. A profilaxia pós-exposição com vacina e soro é eficaz apenas antes do início dos sintomas, e não reverte a doença instalada. O aciclovir trata encefalite herpética e não tem eficácia na raiva. Corticoide em pulso não altera o curso da doença. Isolamento respiratório isolado não é a questão central, pois a transmissão interpessoal é excepcional, embora precauções com secreções sejam recomendadas.
Menina, 9 anos, mordida por cão de vizinho conhecido há 3 horas, apresenta ferimento profundo em mão direita com laceração de 3 cm, sem lesão tendínea. Temperatura axilar 36,7 °C, frequência cardíaca 92 bpm. Vacinação antitetânica completa, último reforço há 3 anos. O cão está vacinado contra raiva e disponível para observação. Sobre a conduta, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmativa incorreta é a que indica sutura primária hermética em toda mordedura de mão: essa conduta aumenta muito o risco de infecção profunda e é desaconselhada nessas feridas. O alto risco de infecção da mordedura profunda em mão, com indicação de profilaxia, está correto neste caso. A cobertura de Pasteurella multocida e anaeróbios pela amoxicilina com clavulanato é adequada. A observação do animal conhecido, vacinado e disponível por dez dias é conduta correta. A lavagem abundante do ferimento é de fato medida inicial obrigatória.
Homem, 29 anos, mordido por cão errante há 6 semanas sem qualquer profilaxia, apresenta parestesia no local da mordedura, seguida de agitação, alucinações, sialorreia intensa e espasmos ao ver água. PA 148x92 mmHg, FC 132 bpm, T 38,6 °C. Alterna períodos de lucidez com agitação extrema. Líquor com discreta pleocitose linfocítica. Qual a conduta correta?
Com a raiva humana clinicamente instalada, o prognóstico é praticamente sempre fatal e não há tratamento curativo estabelecido, cabendo suporte intensivo com sedação e medidas de conforto, notificação imediata e investigação dos contatos para profilaxia pós-exposição. Vacina e soro são medidas profiláticas e não revertem o quadro depois da instalação dos sintomas. Aciclovir e corticoide tratariam encefalite herpética, incompatível com o quadro clássico de hidrofobia após mordedura. A imunoglobulina intravenosa não promove recuperação neurológica nessa doença. O manejo ambulatorial com antipsicótico é inaceitável em encefalite fatal e transmissível.
Uma unidade revisa a técnica de aplicação intramuscular da vacina antirrábica em adultos. Qual local é recomendado, evitando uma região inadequada para esse imunizante?
Na aplicação intramuscular em adultos, utiliza-se a região deltoidea; a vacina antirrábica não deve ser aplicada na região glútea. Referência: CDC. Rabies Biologics. https://www.cdc.gov/rabies/hcp/clinical-care/biologics.html
Na avaliação dos contatos de um caso suspeito de raiva, uma pessoa relata apenas ter manuseado roupas secas, sem contato da pele lesada ou mucosas com saliva ou tecido nervoso. Como esse relato deve ser classificado?
A raiva não é transmitida pelo contato habitual com roupas ou objetos; a avaliação deve identificar exposição real a material infeccioso. Referência: CDC. Clinical Overview of Rabies. https://www.cdc.gov/rabies/hcp/clinical-overview/index.html
Uma pessoa assintomática procura atendimento logo após exposição potencial ao vírus da raiva e solicita um exame para decidir se pode dispensar a profilaxia. Qual orientação é correta?
A ausência de sintomas e um teste precoce não substituem a avaliação do risco e da necessidade de profilaxia pós-exposição. Referência: WHO. Rabies. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/rabies
Um paciente com suspeita de raiva já recebeu vacina antirrábica. Qual interpretação distingue corretamente os achados de anticorpos no soro e no líquido cefalorraquidiano?
A imunização interfere na interpretação dos anticorpos séricos. A presença de anticorpos no líquor é sugestiva de infecção, independentemente do histórico vacinal, no contexto da investigação. Referência: CDC. Laboratory Methods for Rabies Testing. https://www.cdc.gov/rabies/php/labs-specimens/testing.html
Na investigação ante mortem da raiva humana, a biópsia de pele da nuca deve incluir folículos pilosos e profundidade adequada. Qual estrutura é relevante para a pesquisa do vírus nesse material?
A amostra deve conter as estruturas nervosas cutâneas na base dos folículos, onde podem ser pesquisados componentes virais. Referência: CDC. Rabies Specimen Collection. https://www.cdc.gov/rabies/hcp/suspected-human-rabies/index.html
Em paciente sintomático com suspeita de raiva, o laboratório orienta coletar mais de uma amostra de saliva para pesquisa molecular. Qual é a principal justificativa?
A intermitência da presença viral na saliva pode produzir amostra isolada negativa; coletas seriadas integram a investigação apropriada. Referência: CDC. Rabies Specimen Collection. https://www.cdc.gov/rabies/hcp/suspected-human-rabies/index.html
Ao revisar as formas clínicas da raiva humana, qual afirmação evita restringir a suspeita aos pacientes com agitação intensa, hidrofobia e comportamento hiperexcitável?
A raiva paralítica pode evoluir com paralisia progressiva e ser confundida com outras doenças neurológicas; a ausência do padrão furioso não a exclui. Referência: WHO. Rabies. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/rabies
A profilaxia pós-exposição antirrábica deve ser avaliada antes do surgimento de sintomas neurológicos. Qual objetivo biológico explica essa oportunidade de prevenção?
A profilaxia busca impedir que a infecção progrida ao sistema nervoso central; após doença neurológica estabelecida, ela não funciona como tratamento curativo. Referência: WHO. Rabies. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/rabies
Após a primeira dose da vacina antirrábica, uma pessoa apresenta dor e discreto eritema no local da aplicação, sem urticária, dispneia ou instabilidade. A profilaxia permanece indicada. Qual princípio orienta a continuidade?
Dor e eritema leves podem ser manejados sintomaticamente; interromper uma profilaxia indicada por esse motivo compromete sua finalidade preventiva. Referência: CDC. Rabies Biologics. https://www.cdc.gov/rabies/hcp/clinical-care/biologics.html
Além da transmissão zoonótica habitual, há registros raros de transmissão de raiva entre seres humanos. Qual situação tem documentação estabelecida como via de transmissão?
A transmissão por transplante de órgãos e tecidos é uma via rara documentada de raiva entre humanos. Referência: CDC. Clinical Overview of Rabies. https://www.cdc.gov/rabies/hcp/clinical-overview/index.html
Por que ferida pequena não autoriza dispensar profilaxia apropriada?

Exposição por morcego exige avaliação e profilaxia segundo protocolo local; dimensão não mede risco isoladamente.
Qual cuidado local deve ocorrer prontamente?

Limpeza cuidadosa reduz carga contaminante e integra profilaxia.
Como o histórico de vacinação prévia completa mudaria o plano?

Pessoas previamente imunizadas seguem esquema distinto; documentação e protocolo devem ser conferidos.
Qual tipo de agente causa raiva?

Raiva é uma infecção viral neurotrópica.
A observação usual de cão ou gato saudável pode ser transposta para aguardar um morcego não disponível?

Regras de observação são específicas; aguardar inadequadamente pode perder oportunidade preventiva.
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em 7 dias
Refaça de memória o quadro de condutas: as cinco linhas de animal (cão/gato observável; suspeito ou sumido; produção; morcego/silvestre; roedor) cruzadas com leve e grave. Depois confira os números: PEP 4 doses (0, 3, 7, 14), PrEP 2 doses (0, 7), reexposição 2 doses (0, 3), SAR 40 UI/kg, IGHAR 20 UI/kg, soro até 7 dias da primeira dose, observação do animal por 10 dias.
em 30 dias
Monte três vinhetas e resolva em voz alta: gato que fugiu com mordedura na mão (grave não observável: soro + 4 doses), cão do vizinho saudável com arranhão no tronco (observar 10 dias sem vacinar) e morcego no quarto com lesão mínima (sempre grave: soro + 4 doses). Feche revisando o que mudou em 2022 — de 5 para 4 doses, PrEP de 2 doses, observação sem vacina — e as três situações em que o soro é recusado.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Homem de 34 anos chega à UPA mordido na polpa do polegar por um gato de rua que fugiu em seguida; ferimentos puntiformes profundos, sem vacinação antirrábica prévia — classifique o acidente e decida entre observar, vacinar e sorovacinar. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
