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Tétano: profilaxia no ferimento
A prova quase nunca pergunta o que é tétano. Ela entrega um ferimento, uma história vacinal e cobra duas decisões independentes: vacina, sim ou não; imunização passiva, sim ou não.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Uma criança de 5 anos apresentou ferimento cutâneo profundo e contaminado com terra. A mãe apresenta a caderneta demonstrando esquema vacinal COMPLETO para a idade, com a última dose de vacina contendo o componente tetânico (DTP/pentavalente) administrada há menos de 5 anos. Qual é a conduta correta quanto à profilaxia do tétano?
Como esse tema cai
Tétano é um tema operacional. Não se discute diagnóstico diferencial fino nem escolha entre estratégias: existe um quadro de duas entradas no Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, e a questão de prova é quase sempre uma célula desse quadro. As duas entradas são o tipo de ferimento e a história vacinal. As duas saídas são a vacina e a imunização passiva — decididas separadamente, o que é justamente o ponto que a maioria dos erros ignora.
Este capítulo cobre a profilaxia do tétano acidental no adulto: como classificar o ferimento, como contar a história vacinal, quando entra vacina, quando entra soro antitetânico ou imunoglobulina, e o que fazer com o ferimento em si. Cobre também o esquema vacinal completo — dT, dTpa, gestante, profissional de saúde — porque a mesma questão que dá um ferimento costuma cobrar de quebra a dose que faltava no cartão. E fecha com o tétano já instalado, que cai menos, mas cai com pegadinhas fixas: o diagnóstico é clínico, o paciente permanece lúcido e a doença não deixa imunidade.
O tema continua caindo porque a doença continua acontecendo. Entre 2021 e 2023 o Brasil confirmou 173, 200 e 135 casos por ano, com letalidade de 27%, 26% e 26% — o dobro da faixa de 10% a 17% observada em países desenvolvidos. Oito em cada dez casos ocorrem entre 30 e 79 anos, concentrados em aposentados, trabalhadores da agropecuária e da construção civil: adultos que perderam o reforço decenal e que se ferem com o que há de mais tetanogênico no ambiente de trabalho. É doença de adulto mal vacinado, não de criança.
O que muda decisão
A primeira variável: que ferimento é esse
O Guia de Vigilância em Saúde só reconhece duas categorias, e as define por escrito. Ferimento com risco mínimo de tétano é o ferimento superficial, limpo, sem corpos estranhos e sem tecidos desvitalizados. Ferimento com alto risco de tétano é o ferimento profundo ou o superficial sujo; o que tem corpo estranho ou tecido desvitalizado; queimaduras; feridas puntiformes ou por armas brancas e de fogo; mordeduras; politraumatismos e fraturas expostas.
Repare que a lista de alto risco é definida por mecanismo, não por aparência. Uma ferida puntiforme por prego ou agulha é de alto risco mesmo quando quase não sangra e mesmo quando o objeto parecia limpo: o que a qualifica é ser puntiforme, porque a anaerobiose se estabelece no fundo do trajeto. Mordedura é de alto risco mesmo quando pequena. Queimadura é de alto risco mesmo sem sujidade visível. A vinheta que descreve 'pequeno ferimento perfurante no pé ao pisar em prego' está descrevendo alto risco, por mais discreta que seja a lesão.
Não existe categoria intermediária. Todo ferimento que não preenche integralmente a definição de risco mínimo — superficial, limpo, sem corpo estranho e sem tecido desvitalizado, tudo ao mesmo tempo — é tratado como de alto risco. Quando a vinheta descreve escoriação superficial de queda em calçada, sem terra e sem tecido morto, é risco mínimo; quando descreve corte com faca de cozinha limpa, superficial, também. Basta acrescentar terra, profundidade ou um pedaço de vidro dentro para mudar de coluna.
Essa é a variável que a questão manipula com mais frequência, porque é a única que depende de interpretação. A história vacinal vem escrita em número de doses e anos; o ferimento vem descrito em prosa, e é na prosa que mora a decisão.
A segunda variável: quantas doses e há quanto tempo
A história vacinal entra no quadro em quatro faixas, mais uma quinta que é uma exceção qualificada. Primeira faixa: história incerta ou menos de três doses. Segunda: três doses ou mais, com a última há menos de cinco anos. Terceira: três doses ou mais, com a última entre cinco e dez anos. Quarta: três doses ou mais, com a última há dez anos ou mais. A quinta faixa é a quarta acrescida de 'situações especiais'.
Contam as doses de qualquer vacina que contenha o toxoide tetânico — penta, DTP, dT, dT ou dTpa. Três doses documentadas fecham o esquema básico; abaixo disso, ou sem documentação que comprove, o paciente entra na primeira faixa. Relato verbal sem cartão é história incerta: 'acho que tomei todas quando servi ao Exército' conta como incerta, e essa é uma das trocas de coluna mais cobradas.
O cruzamento tem uma simetria que vale decorar. Quem tem esquema completo e última dose há menos de cinco anos não recebe nada — nem vacina, nem soro —, seja qual for o ferimento. Quem tem história incerta ou menos de três doses recebe vacina em qualquer ferimento, e recebe também imunização passiva se o ferimento for de alto risco. No meio, só a vacina se move: com ferimento de risco mínimo, o reforço entra a partir dos dez anos; com ferimento de alto risco, entra já a partir dos cinco.
Daí vem a regra de bolso mais útil do tema: em todo o quadro, a imunização passiva aparece em apenas duas células. Ferimento de alto risco em quem tem história incerta ou menos de três doses; e ferimento de alto risco em quem tem esquema completo com dez anos ou mais de intervalo, mas em situações especiais. Todas as demais combinações se resolvem com vacina ou com nada. Quem sai indicando soro para todo cartão vencido está errando por excesso — e a prova cobra exatamente esse excesso.
As três notas de rodapé, que é onde a prova mora
O quadro tem três notas, e elas valem tanto quanto as células. A primeira diz que vacinar alguém com esquema incompleto no pronto-socorro não é dose avulsa: é preciso aprazar as próximas doses para completar o esquema básico, porque essa vacinação protege contra os ferimentos futuros, não só contra o de hoje. Um atendimento que aplica a dose e libera o paciente sem agendamento deixou a tarefa pela metade.
A segunda nota é a mais cobrada. Para o paciente imunodeprimido, desnutrido grave ou idoso, além do reforço com a vacina está também indicada IGHAT ou SAT. Ela se aplica às faixas de esquema completo com cinco anos ou mais de intervalo e ferimento de alto risco — justamente as células em que a coluna diz 'não' para a imunização passiva. Ou seja: a mesma vinheta muda de conduta se o paciente for idoso, estiver desnutrido ou usar imunossupressor. É a nota que transforma uma questão fácil em difícil.
A terceira nota autoriza a imunização passiva quando o profissional que atende suspeita de que os cuidados posteriores com o ferimento não serão adequados — paciente que não vai retornar, ferimento em que o debridamento não pôde ser completo, condições de moradia que inviabilizam curativo. É a definição operacional de 'situações especiais' na última linha do quadro, e vale também na primeira faixa. Sempre que vacina e soro forem indicados juntos, aplicam-se em locais diferentes.
Somando as duas últimas notas, 'situações especiais' significa, na prática: imunodepressão, desnutrição grave, idade avançada ou dúvida fundamentada sobre o cuidado posterior do ferimento. Não é um campo aberto para o julgamento livre — é essa lista.
Vacina: qual, quantas, de quanto em quanto tempo
A partir dos 7 anos de idade, a vacina do calendário público contra tétano é a dupla adulto (dT), 0,5 mL por via intramuscular, preferencialmente no deltoide. Quem nunca se vacinou ou não tem comprovação recebe três doses, com intervalo recomendado de 60 dias entre elas e mínimo de 30 dias em situações excepcionais. Quem tem esquema incompleto completa até três doses, aproveitando as anteriores — nunca se recomeça o esquema. Depois disso, um reforço a cada dez anos, antecipado para cinco anos em caso de exposição a risco de difteria ou tétano.
Essa antecipação para cinco anos não é uma regra separada: é a mesma que aparece no quadro do ferimento. O ferimento de alto risco é a exposição a risco, e por isso quem tem esquema completo com intervalo entre cinco e dez anos leva um reforço quando chega com ferimento sujo, e não leva nada quando chega com escoriação limpa.
Abaixo dos 7 anos não se usa dT. A criança segue o calendário infantil: penta aos 2, 4 e 6 meses, reforço com DTP aos 15 meses e segundo reforço aos 4 anos. A vinheta pediátrica que oferece 'dupla adulto' como alternativa está oferecendo a vacina errada para a idade.
A gestante tem regra própria e independente do ferimento: uma dose de dTpa a partir da 20ª semana, em cada gravidez, mesmo que o esquema básico esteja completo e mesmo que a última dose seja recente. O objetivo é a passagem de anticorpos para o recém-nascido, protegendo contra tétano neonatal e coqueluche até que o bebê comece o próprio esquema aos 2 meses. Se o esquema básico estiver incompleto, a atualização combina dT e dTpa até totalizar três doses: sem nenhuma dose prévia, duas de dT mais uma de dTpa; com uma dose prévia, uma de dT mais uma de dTpa; com duas doses prévias, apenas a dTpa a partir da 20ª semana. Quando a gestante chega ao serviço já depois da 20ª semana, aplica-se a dTpa primeiro e completa-se o esquema com dT ainda na gestação; não sendo possível, agenda-se para o puerpério em até 45 dias.
Profissionais de saúde, parteiras tradicionais e estagiários que assistem recém-nascidos recebem uma dose de dTpa mesmo que tenham tomado uma vacina com toxoide diftérico e tetânico há menos de dez anos, e daí em diante fazem os reforços decenais com dTpa no lugar da dT — também antecipados para cinco anos em exposição a risco.
Imunização passiva: SAT e IGHAT
Existem dois produtos para neutralizar a toxina já circulante, e eles não são intercambiáveis por preferência do prescritor. O soro antitetânico (SAT) é heterólogo: imunoglobulinas purificadas obtidas de plasma de equinos hiperimunizados. A imunoglobulina humana antitetânica (IGHAT) é homóloga, obtida de plasma de doadores humanos com altos títulos de antitoxina. No calendário público brasileiro, o SAT é o produto de rotina e a IGHAT tem indicações fechadas.
As doses caem direto. Na profilaxia: SAT 5.000 UI, IGHAT 250 UI. No tratamento do tétano já instalado: SAT 20.000 UI, IGHAT 500 UI — podendo chegar a 6.000 UI a critério médico. A IGHAT é sempre intramuscular e deve ser aplicada em grupo muscular diferente daquele em que se aplicou a vacina. O SAT pode ser intramuscular ou endovenoso; se intramuscular, divide-se em duas massas musculares diferentes, e a diluição é feita em soro fisiológico ou glicosado a 5%.
A IGHAT está indicada, no lugar do SAT, em quatro situações: pessoas que apresentaram qualquer tipo de hipersensibilidade ao uso de qualquer soro heterólogo — antitetânico, antirrábico, antidiftérico, antiofídico; pessoas imunodeprimidas, sempre que houver indicação de imunoprofilaxia contra o tétano, mesmo vacinadas, porque a meia-vida dos anticorpos é maior; recém-nascidos em situação de risco cuja mãe seja desconhecida ou não tenha sido adequadamente vacinada; e recém-nascidos prematuros com lesões potencialmente tetanogênicas, independentemente da história vacinal materna.
A proteção passiva é curta: a conferida pelo SAT dura em torno de duas semanas, a da IGHAT, aproximadamente três. É por isso que soro nunca substitui vacina — ele cobre a janela do ferimento atual, e quem recebeu soro por ter esquema incompleto continua precisando das doses que faltam.
Dois detalhes de segurança são cobráveis. O teste de sensibilidade cutânea foi excluído da rotina de administração de soros, porque seu valor preditivo é discutível e imprevisível — quem ainda descreve 'fazer o teste antes' está descrevendo prática abandonada. E a administração de doses subsequentes de soro é contraindicada: repetiu, não repete. O soro heterólogo só deve ser aplicado em serviço preparado para tratar anafilaxia, com acesso venoso instalado, material de emergência à mão e supervisão médica permanente, mantendo o paciente em observação hospitalar por pelo menos 24 horas.
O ferimento em si: limpeza, debridamento e o antibiótico que não entra
A conduta local integra a profilaxia e aparece na coluna 'outras condutas' do quadro. Limpa-se o ferimento com soro fisiológico ou água e sabão; faz-se o debridamento, retirando todo o tecido desvitalizado e os corpos estranhos; depois disso, limpeza com água oxigenada ou solução antisséptica — álcool a 70%, clorexidina, permanganato de potássio a 1:5.000. Ferimentos puntiformes e profundos devem ser abertos em cruz e lavados generosamente, porque o que impede o esporo de germinar é a entrada de oxigênio no fundo do trajeto.
O antibiótico sistêmico não faz parte da profilaxia do tétano. O Guia é explícito: não há comprovação de eficácia do uso de penicilina benzatina nas infecções cutâneas para profilaxia do tétano acidental. A dose de benzilpenicilina benzatina aplicada 'para prevenir tétano' é conduta sem respaldo, e o distrator existe em prova justamente porque a prática persiste em serviço. Antibiótico pode ser indicado para tratar infecção da ferida — isso é outra decisão, com outra justificativa.
Vale registrar o que a limpeza não resolve: nenhuma técnica de cuidado local dispensa a decisão imunológica. Ferida bem lavada em paciente com história vacinal incerta continua pedindo vacina, e continua pedindo soro se o ferimento for de alto risco.
Quando o tétano já está instalado
O período de incubação vai de 3 a 21 dias, em média de 5 a 15 — e quanto mais curto, pior o prognóstico. O período de progressão, contado do primeiro sintoma até o primeiro espasmo espontâneo, segue a mesma lógica: quanto mais curto, pior. A doença não é contagiosa e exige apenas precaução padrão.
O quadro é de hipertonia muscular mantida, com febre ausente ou baixa, hiperreflexia profunda e contraturas paroxísticas desencadeadas por estímulo tátil, sonoro, luminoso ou por temperatura ambiente alta. Começa pela dificuldade de abrir a boca — trismo e riso sardônico — e pela dificuldade de deambular. Progride para disfagia, rigidez de nuca, rigidez paravertebral com opistótono, hipertonia torácica e abdominal (abdome em tábua). A hipertonia torácica, a contração da glote e as crises espásticas causam insuficiência respiratória, que é causa frequente de morte. Nas formas graves surge disautonomia, com taquicardia, sudorese profusa, hipertensão e febre, e a presença dela agrava o prognóstico.
O paciente se mantém consciente e lúcido — e esse é o detalhe que a definição de caso confirmado transforma em critério: a lucidez reforça o diagnóstico. O diagnóstico é essencialmente clínico e não depende de confirmação laboratorial; os exames servem para manejar complicações. Culturas de sangue, secreção e urina só são indicadas quando há infecção secundária. Caso suspeito é todo paciente acima de 28 dias de vida com um ou mais de disfagia, trismo, riso sardônico, opistótono ou contraturas musculares localizadas ou generalizadas, com ou sem espasmos — independentemente da situação vacinal, de história prévia de tétano e de se encontrar ou não a porta de entrada. Não achar o ferimento não afasta o diagnóstico.
Os diferenciais clássicos são a intoxicação por metoclopramida e por neurolépticos, que causam trismo e hipertonia; a tetania por hipocalcemia, com sinais de Trousseau e Chvostek e relaxamento entre os paroxismos; a meningite, com febre alta desde o início, cefaleia, vômito e sem trismo; a raiva, com história de mordedura, alteração de comportamento e sem trismo; a intoxicação por estricnina, sem trismo e sem hipertonia entre os espasmos; e os processos inflamatórios de boca e faringe — abscesso dentário, abscesso amigdaliano ou retrofaríngeo — que causam trismo isolado.
O tratamento se apoia em cinco pilares: sedação do paciente, neutralização da toxina, debridamento do foco, antibioticoterapia e medidas gerais de suporte. A hospitalização é imediata, preferencialmente em UTI; não havendo, quarto individual com ruído e luminosidade reduzidos e temperatura estável. O relaxamento muscular é o principal objetivo, com benzodiazepínico endovenoso — diazepam, substituível por midazolam —, clorpromazina quando a resposta ao diazepam é insatisfatória, e bloqueador neuromuscular nos refratários. Na antibioticoterapia, penicilina G cristalina 2.000.000 UI por dose, endovenosa, de 4 em 4 horas, ou metronidazol 500 mg, endovenoso, de 8 em 8 horas, ambos por 7 a 10 dias: não há evidência suficiente de superioridade de um sobre o outro, embora alguns dados mostrem maior benefício com o metronidazol. Entre as medidas gerais, manipular o paciente o mínimo necessário, sedar antes de qualquer procedimento e usar heparina de baixo peso molecular em quem tem risco de trombose e nos idosos.
A alta hospitalar não encerra o assunto: a doença não confere imunidade. Quem teve tétano deve ser referenciado à unidade básica para iniciar ou completar o esquema de três doses, com reforço a cada dez anos, como qualquer outra pessoa.

Notificação e vigilância
Tétano acidental e tétano neonatal são de notificação compulsória imediata, em até 24 horas, à Secretaria Municipal de Saúde — é o que consta da Lista Nacional de Notificação Compulsória em vigor, atualizada pela Portaria GM/MS nº 5.201, de 15 de agosto de 2024. A notificação parte do caso suspeito, não do confirmado, e pode ser feita por qualquer profissional de saúde ou por qualquer pessoa da comunidade.
O registro é feito no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), pela Ficha de Investigação do Tétano Acidental, e a investigação começa imediatamente após a notificação. O caso deve ser encerrado em até 60 dias contados da notificação, com atualização do Sinan e, quando couber, do Sistema de Informação sobre Mortalidade e do Sistema de Informação Hospitalar.
A vigilância não é burocracia paralela ao atendimento: cada caso investigado identifica uma população suscetível — o assentamento onde a cobertura vacinal caiu, a obra sem proteção, o serviço que deixou de aprazar as doses. É esse o motivo de a investigação ser imediata mesmo numa doença não contagiosa.
Do ferimento à decisão
O caminho inteiro cabe em sete passos e numa tabela de duas entradas. Os cards destrincham a única escala verdadeiramente ordinal do tema — o tempo desde a última dose, que é o que corrói a proteção e move a coluna da vacina. A tabela principal é o quadro do Ministério da Saúde, reproduzido célula a célula; as duas tabelas seguintes fecham as doses dos imunobiológicos e o antibiótico do tétano já instalado.
- 1Classifique o ferimento em risco mínimo ou alto risco pela definição escrita: risco mínimo exige superficial, limpo, sem corpo estranho e sem tecido desvitalizado, tudo ao mesmo tempo. Faltou um desses, é alto risco.
- 2Conte as doses documentadas de vacina com toxoide tetânico — penta, DTP, DT, dT ou dTpa. Menos de três, ou relato sem comprovação, entra como história incerta.
- 3Meça o tempo desde a última dose e enquadre em uma das três faixas: menos de cinco anos, entre cinco e dez anos, dez anos ou mais.
- 4Cruze as duas variáveis no quadro e decida vacina e imunização passiva como duas perguntas separadas — a maioria das células responde 'sim' a uma e 'não' à outra.
- 5Aplique as exceções das notas: imunodeprimido, desnutrido grave ou idoso com ferimento de alto risco e esquema completo há cinco anos ou mais recebem também IGHAT ou SAT; dúvida fundamentada sobre o cuidado posterior do ferimento autoriza a imunização passiva.
- 6Escolha o produto passivo, quando indicado: SAT 5.000 UI é a rotina; IGHAT 250 UI substitui o SAT em hipersensibilidade prévia a soro heterólogo, imunodepressão, recém-nascido de mãe não vacinada ou desconhecida e prematuro com lesão tetanogênica. Vacina e soro vão em locais diferentes.
- 7Cuide do ferimento — limpeza com soro fisiológico ou água e sabão, remoção de corpo estranho e tecido desvitalizado, água oxigenada ou antisséptico, abertura em cruz das feridas puntiformes profundas — e, se vacinou alguém com esquema incompleto, apraze as doses restantes antes de o paciente sair.
História incerta ou menos de três doses
Esquema básico não fechado. Recebe vacina em qualquer ferimento, e recebe também imunização passiva quando o ferimento é de alto risco. A dose aplicada no pronto-socorro não é avulsa: as próximas doses precisam ser aprazadas para completar as três. Relato verbal sem cartão entra aqui.
Três doses ou mais, última há menos de cinco anos
Proteção cheia. Não recebe vacina nem imunização passiva, seja o ferimento de risco mínimo ou de alto risco. É a única linha do quadro em que as quatro células respondem 'não'. Gestante é exceção por outro motivo: a dTpa de cada gravidez independe do ferimento.
Três doses ou mais, última entre cinco e dez anos
Proteção parcial. Ferimento de risco mínimo não pede nada; ferimento de alto risco pede um reforço da vacina, sem soro. Aqui mora a nota mais cobrada: se o paciente for imunodeprimido, desnutrido grave ou idoso, o ferimento de alto risco pede também IGHAT ou SAT.
Três doses ou mais, última há dez anos ou mais
Proteção vencida. Recebe vacina nos dois tipos de ferimento — reforço isolado, não novo esquema. Imunização passiva só nas situações especiais: imunodepressão, desnutrição grave, idade avançada ou dúvida fundamentada sobre o cuidado posterior do ferimento.
| História de vacinação prévia contra tétano | Risco mínimo — vacina | Risco mínimo — SAT/IGHAT | Alto risco — vacina | Alto risco — SAT/IGHAT |
|---|---|---|---|---|
| Incerta ou menos de três doses | Sim (e aprazar as demais) | Não | Sim (e aprazar as demais) | Sim |
| Três doses ou mais, última há menos de cinco anos | Não | Não | Não | Não |
| Três doses ou mais, última há mais de cinco e menos de dez anos | Não | Não | Sim (um reforço) | Não — exceto imunodeprimido, desnutrido grave ou idoso |
| Três doses ou mais, última há dez anos ou mais | Sim | Não | Sim (um reforço) | Não — exceto imunodeprimido, desnutrido grave ou idoso |
| Três doses ou mais, última há dez anos ou mais, em situações especiais | Sim | Não | Sim (um reforço) | Sim |
Imunização passiva: dose profilática e dose terapêutica
| Imunobiológico | Dose profilática | Dose terapêutica | Via | Observação |
|---|---|---|---|---|
| Imunoglobulina humana antitetânica (IGHAT) | 250 UI | 500 UI (até 6.000 UI a critério médico) | Intramuscular | Aplicar em grupo muscular diferente do da vacina; proteção dura cerca de três semanas |
| Soro antitetânico (SAT), heterólogo equino | 5.000 UI | 20.000 UI | Intramuscular ou endovenosa | Se intramuscular, dividir em duas massas musculares; diluir em soro fisiológico ou glicosado a 5%; proteção dura cerca de duas semanas |
Vacina com toxoide tetânico por idade e situação
| Situação | Vacina | Esquema |
|---|---|---|
| Menor de 7 anos | Penta e DTP | Três doses aos 2, 4 e 6 meses; reforços aos 15 meses e aos 4 anos |
| A partir de 7 anos, sem esquema ou sem comprovação | dT | Três doses com intervalo de 60 dias (mínimo de 30); reforço a cada dez anos |
| A partir de 7 anos, esquema completo | dT | Um reforço a cada dez anos, antecipado para cinco anos em exposição a risco de difteria ou tétano |
| Gestante | dTpa (combinada com dT quando o esquema está incompleto) | Uma dose de dTpa a partir da 20ª semana, em cada gravidez; se o esquema básico não está completo, completar até três doses; não sendo possível na gestação, puerpério em até 45 dias |
| Profissional de saúde, parteira tradicional e estagiário | dTpa | Uma dose mesmo que tenha recebido vacina com toxoide tetânico há menos de dez anos; reforços decenais com dTpa no lugar da dT |
Antibiótico para eliminação do C. tetani no tétano instalado
| Antibiótico | Adulto | Criança | Via e intervalo | Duração |
|---|---|---|---|---|
| Penicilina G cristalina | 2.000.000 UI por dose | 50.000 a 100.000 UI/kg/dia | Endovenosa, de 4 em 4 horas | 7 a 10 dias |
| Metronidazol | 500 mg | 7,5 mg/kg por dose | Endovenosa, de 8 em 8 horas | 7 a 10 dias |
Vacinar quem tem esquema incompleto exige aprazar as doses seguintes: a vacinação do atendimento protege contra ferimentos futuros, não apenas contra o de hoje.
Paciente imunodeprimido, desnutrido grave ou idoso com ferimento de alto risco recebe IGHAT ou SAT além do reforço, mesmo nas células em que a coluna diz 'não'.
Suspeita fundamentada de que os cuidados posteriores com o ferimento não serão adequados autoriza a imunização passiva e define as 'situações especiais' da última linha.
Quando vacina e SAT ou IGHAT são indicados ao mesmo tempo, aplicam-se em locais diferentes.
Penicilina benzatina não previne tétano: não há comprovação de eficácia do seu uso em infecções cutâneas para profilaxia do tétano acidental.
O teste de sensibilidade cutânea foi excluído da rotina de administração de soros, e doses subsequentes de soro heterólogo são contraindicadas.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Calendário Nacional de Vacinação: dT no reforço, dTpa reservada a dois grupos
O reforço decenal da população geral é feito com dupla adulto (dT), antecipado para cinco anos em exposição a risco de difteria ou tétano. A dTpa fica reservada a duas situações: uma dose em cada gestação a partir da 20ª semana, e os reforços de profissionais de saúde, parteiras tradicionais e estagiários que assistem recém-nascidos, que substituem a dT pela dTpa.
Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação, 3ª edição, ano 2026, Ministério da Saúde
SBIm: dTpa no reforço de todo adulto, a cada dez anos
Atualizar a dTpa em qualquer adulto, independentemente do intervalo prévio com dT ou toxoide tetânico isolado, e fazer o reforço com dTpa a cada dez anos. Em não vacinados, uma dose de dTpa mais duas de dT no esquema 0-2-4 a 8 meses. Em adultos que convivem com lactentes, considerar antecipar o reforço com dTpa para cinco anos. O argumento é a redução da transmissão de Bordetella pertussis para suscetíveis de alto risco.
Calendário de Vacinação SBIm Adulto, recomendações 2024/2025
Na prova
A divergência não é sobre proteção contra tétano — as duas vacinas contêm o mesmo toxoide tetânico. É sobre o componente pertussis, e a distância entre os documentos tem causa econômica: a dTpa custa muito mais e o programa público concentra o componente pertussis em quem protege o lactente. Para identificar o recorte: enunciado ambientado em unidade básica, sala de vacina do SUS ou que cite o Calendário Nacional está no corpo do programa público; enunciado que cita nominalmente a sociedade, clínica privada de vacinação ou adulto que convive com recém-nascido está no corpo da sociedade. As alternativas denunciam: quando aparecem 'dT a cada dez anos' e 'dTpa a cada dez anos' lado a lado como opções de reforço para adulto sem qualificação, a questão está pedindo o documento que ela mesma citou no enunciado.
Guia de Vigilância em Saúde: imunização passiva a partir de cinco anos da última dose
A nota do quadro estende IGHAT ou SAT ao imunodeprimido, ao desnutrido grave e ao idoso com ferimento de alto risco, mas apenas nas faixas de esquema completo com cinco anos ou mais desde a última dose. Com esquema completo e última dose há menos de cinco anos, a linha do quadro responde 'não' às quatro células, e a imunodepressão não a altera.
Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição, Ministério da Saúde, 2023 — Quadro 4, nota d
ACIP/CDC: imunoglobulina em ferida contaminada de imunodeprimido, qualquer que seja a história vacinal
Pessoas com infecção pelo HIV ou imunodeficiência grave que tenham ferimentos contaminados recebem imunoglobulina antitetânica humana independentemente da história de imunização contra o tétano — inclusive com esquema completo e recente. A dose é de 250 unidades por via intramuscular.
Recomendação do ACIP/CDC, reproduzida no serviço de perguntas técnicas do Immunize.org
Na prova
A causa da distância é de insumo, não de fisiopatologia: a imunoglobulina humana vem de plasma de doador, tem oferta restrita e distribuição controlada no país, e o documento brasileiro a concentra onde o risco absoluto é maior. Para identificar o recorte: cenário de UPA, unidade básica ou pronto-socorro do SUS, com o enunciado descrevendo cartão vacinal e tempo desde a última dose, está pedindo o cruzamento do quadro do Ministério da Saúde. Enunciado que caracteriza imunodeficiência grave — contagem de CD4, transplantado em imunossupressão, quimioterapia em curso — e oferece imunoglobulina mesmo com vacina recente está trabalhando com o corpo internacional. A palavra 'idoso' junto de 'ferimento sujo' é marca do documento brasileiro: nenhuma diretriz internacional usa idade como critério isolado para imunização passiva.
Programa Nacional de Imunizações: SAT como rotina, IGHAT com indicações fechadas
O soro antitetânico equino, 5.000 UI na profilaxia, é o produto de rotina da rede pública. A imunoglobulina humana antitetânica, 250 UI, entra em quatro situações: hipersensibilidade prévia a qualquer soro heterólogo, imunodepressão, recém-nascido em risco cuja mãe seja desconhecida ou não adequadamente vacinada, e prematuro com lesão potencialmente tetanogênica.
Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição, Ministério da Saúde, 2023 — Quadro 2 e indicações de IGHAT
ACIP/CDC: imunoglobulina humana como único produto passivo de rotina
A imunoprofilaxia passiva do tétano é feita com imunoglobulina antitetânica humana, 250 unidades por via intramuscular, em qualquer paciente com indicação. A antitoxina de origem equina não integra a rotina de manejo de ferimentos.
Recomendação do ACIP/CDC, reproduzida no guia resumido de manejo de ferimentos do Departamento de Saúde de Minnesota
Na prova
Não é discordância sobre eficácia: a imunoglobulina humana é melhor tolerada e tem meia-vida maior — três semanas contra duas —, e o documento brasileiro reconhece isso ao mandar que o imunodeprimido receba sempre IGHAT em vez de SAT. A distância é de custo e de disponibilidade. Para identificar o recorte: se o enunciado planta uma das quatro indicações — reação prévia a soro heterólogo, imunossupressão, recém-nascido de mãe não vacinada, prematuro —, a própria régua brasileira já leva à IGHAT, e não há corpo internacional envolvido. Quando a imunoglobulina humana aparece como conduta de rotina para adulto hígido em unidade do SUS, a alternativa está descrevendo prática de outro sistema de saúde. Todo cuidado com anafilaxia, observação de 24 horas e diluição descrito na questão é sinal de que o produto em jogo é o soro equino.
Caso resolvido
- achado
- Ferida puntiforme com terra ao redor. Puntiforme já basta para classificar como ferimento de alto risco, e a sujidade confirma. O tamanho pequeno e o sangramento escasso não movem a classificação — nesse tipo de lesão, são justamente o que favorece a anaerobiose no fundo do trajeto.
- achado
- História vacinal documentada: esquema básico completo, com última dose há sete anos. Enquadra na faixa de três doses ou mais com a última entre cinco e dez anos.
- achado
- Nenhuma situação especial: 58 anos não caracteriza idoso, não há imunodepressão nem desnutrição grave, e o paciente tem condições de retornar e cuidar do curativo.
- conduta
- Vacina: sim, um reforço com dT. O cruzamento da faixa de cinco a dez anos com a coluna de alto risco pede o reforço — que é a mesma regra de antecipar para cinco anos o reforço decenal em exposição a risco de tétano. Não se reinicia esquema: é uma dose.
- conduta
- Imunização passiva: não. Essa célula do quadro responde 'não' para SAT e IGHAT, e nenhuma das exceções se aplica. Indicar soro aqui é o erro por excesso mais comum do tema.
- conduta
- Cuidado do ferimento: limpeza com soro fisiológico ou água e sabão, remoção de corpo estranho e de tecido desvitalizado, abertura em cruz da ferida puntiforme com lavagem generosa e antissepsia. Nenhuma dose de penicilina benzatina — ela não previne tétano.
- conduta
- Registrar a dose no cartão e orientar que o próximo reforço cai dez anos depois desta aplicação, com retorno se surgirem sinais de infecção local.
Agora feche você
- achado
- Ferimento profundo, sujo com terra e com tecido desvitalizado: alto risco de tétano pelos três critérios ao mesmo tempo.
- achado
- História vacinal: esquema básico completo, última dose há oito anos — faixa de cinco a dez anos.
- achado
- Duas condições da nota do quadro presentes na mesma paciente: idade avançada e imunossupressão por corticoide em dose alta e prolongada.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Classificar ferida puntiforme pequena e 'limpa' como ferimento de risco mínimo Atrai porque a lesão é discreta, sangra pouco e o objeto parecia limpo. Mas a definição de alto risco lista explicitamente feridas puntiformes, junto com mordeduras, queimaduras, politraumatismos e fraturas expostas: a classificação é por mecanismo, não por aparência. Risco mínimo exige superficial, limpo, sem corpo estranho e sem tecido desvitalizado, tudo simultaneamente.
- 2Prescrever penicilina benzatina para prevenir tétano Persiste em serviço e por isso aparece como distrator convincente. O Guia de Vigilância em Saúde afirma que não há comprovação de eficácia do uso de penicilina benzatina em infecções cutâneas para profilaxia do tétano acidental. O que previne é o conjunto vacina, imunização passiva quando indicada e cuidado local com debridamento — antibiótico entra para tratar infecção da ferida, que é outra decisão.
- 3Indicar soro para todo cartão vencido A lógica intuitiva diz que quem está desprotegido precisa da proteção imediata. O quadro discorda: com três doses documentadas e dez anos ou mais desde a última, ferimento de alto risco pede apenas o reforço da vacina. A imunização passiva aparece em duas células apenas — história incerta ou menos de três doses com ferimento de alto risco, e a linha de situações especiais.
- 4Tratar a vacina do pronto-socorro como dose avulsa Quem tem menos de três doses e recebe a vacina no atendimento sai com o esquema ainda incompleto. A nota do quadro exige aprazar as doses seguintes, com intervalo de 60 dias, para completar as três — a vacinação protege contra os ferimentos futuros, não apenas contra o de hoje. Liberar sem agendamento deixa o paciente na mesma faixa de risco no próximo acidente.
- 5Trocar dose profilática por dose terapêutica São quatro números que a prova gosta de embaralhar: IGHAT 250 UI na profilaxia e 500 UI no tratamento; SAT 5.000 UI na profilaxia e 20.000 UI no tratamento. Alternativa com 'imunoglobulina humana antitetânica 500 UI' para um ferimento em paciente assintomático está oferecendo dose de tratamento a quem só precisa de profilaxia.
- 6Achar que quem teve tétano fica imune A intuição vem de outras doenças infecciosas. A quantidade de toxina necessária para causar a doença é pequena demais para gerar resposta imune protetora: o tétano não confere imunidade. Depois da alta, o paciente deve ser referenciado à unidade básica para iniciar ou completar as três doses, com reforço a cada dez anos.
- 7Esperar exame para firmar o diagnóstico de tétano O diagnóstico é essencialmente clínico e não depende de confirmação laboratorial; cultura da ferida não faz parte da investigação e é negativa com frequência. Também não é preciso encontrar a porta de entrada: a definição de caso suspeito vale independentemente da detecção de solução de continuidade de pele ou mucosa. Exames servem para manejar complicações — e a lucidez preservada reforça o diagnóstico em vez de afastá-lo.
Para ferimentos de qualquer tipo (limpos ou contaminados), se o esquema vacinal está completo e a última dose foi há menos de 5 anos, NÃO há indicação de reforço nem de soro/imunoglobulina antitetânica. O reforço estaria indicado em ferimento de alto risco quando a última dose foi há mais de 5 anos (ou >10 anos para ferimentos limpos). Soro/imunoglobulina são reservados a pacientes com esquema incompleto/desconhecido em ferimentos de alto risco ou imunossuprimidos. Não se reinicia esquema em quem já o completou.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem de 28 anos comparece à UBS após acidente perfurocortante em ambiente doméstico, com ferimento limpo em mão. Refere ter recebido esquema primário completo de vacina antitetânica na infância e o último reforço há cerca de 6 anos. Segundo a conduta de profilaxia do tétano, o que fazer?
Ferimento limpo/superficial (baixo risco) em paciente com esquema completo e último reforço há menos de 10 anos: não necessita vacina nem imunoglobulina (correta). Reforço de dT só seria indicado, em ferimento limpo, se o último reforço tivesse mais de 10 anos. Imunoglobulina se reserva a ferimentos de alto risco em não imunizados/esquema incerto. Reiniciar esquema é desnecessário com histórico completo documentado.
Uma criança de 5 anos é levada à UBS com ferimento perfurante contaminado no pé, ocorrido em terreno com terra. A mãe apresenta a caderneta mostrando que a criança recebeu 3 doses da vacina contra tétano (esquema básico) e o último reforço foi há 6 anos. Segundo as recomendações de profilaxia do tétano acidental, qual é a conduta correta?
Ferimento com risco (contaminado com terra) em paciente com esquema vacinal completo mas com último reforço há mais de 5 anos: indica-se apenas reforço da vacina, sem necessidade de soro/imunoglobulina, pois o paciente é imunocompetente e tem histórico de imunização confiável. Associar imunoglobulina não é indicado nesse cenário de esquema completo (reservada para não vacinados/incertos com ferimento de alto risco ou imunossuprimidos). Não vacinar está errado porque o reforço passou de 5 anos em ferimento sujo. Aplicar só soro sem vacina é inadequado. Reiniciar esquema de 3 doses não se justifica em quem já tem esquema básico documentado.
Homem de 45 anos, trabalhador rural, é atendido com ferimento cortante profundo e contaminado com terra no pé, ocorrido há 2 horas. Refere ter recebido a última dose de vacina antitetânica há mais de 10 anos e completou o esquema básico na infância. Qual é a conduta correta quanto à profilaxia do tétano?
Ferimento de alto risco (profundo, contaminado com terra) em paciente com última dose há mais de 10 anos exige tanto a vacina (dT) para reforço quanto a imunoglobulina antitetânica (proteção imediata), além de limpeza/desbridamento. Só limpeza é insuficiente diante do risco. Vacina isolada não protege de imediato em ferimento sujo com esquema vencido. Imunoglobulina isolada não confere memória imunológica. Antibiótico não substitui a imunoprofilaxia.
Homem de 45 anos, etilista, procura o pronto-socorro com ferida no pé direito há 3 dias, após acidente com prego enferrujado em ambiente rural. Não sabe informar situação vacinal antitetânica. A ferida é profunda, com tecido desvitalizado. Além da limpeza cirúrgica, qual é a conduta correta quanto à profilaxia do tétano?
Ferida de alto risco (profunda, contaminada, tecido desvitalizado, corpo enferrujado) em paciente com estado vacinal desconhecido exige vacina E imunoglobulina antitetânica. Só a vacina não confere proteção imediata numa ferida suja de alto risco em não-imunizado/desconhecido. Só imunoglobulina não gera memória imunológica. O intervalo de 24 h não dispensa profilaxia. Penicilina não substitui a imunoprofilaxia — antibiótico eventual é adjuvante, não profilaxia do tétano.
Criança de 6 anos comparece à UBS com ferimento cortocontuso profundo e sujo em pé, ocorrido há 3 horas. A caderneta mostra 3 doses de vacina contendo componente tetânico, com a última dose há 6 anos. Qual é a conduta correta quanto à profilaxia do tétano?
Para ferimento de alto risco (profundo e contaminado), com esquema vacinal completo mas última dose há mais de 5 anos, a conduta é aplicar reforço de vacina com componente tetânico; a imunoglobulina/soro só é indicada quando o esquema é incompleto/desconhecido em ferimento de alto risco. Aplicar apenas imunoglobulina ignora a necessidade de reforço. Não fazer nada é inadequado, pois o intervalo desde a última dose ultrapassa 5 anos em ferimento sujo. A associação vacina + imunoglobulina não é necessária em criança previamente bem vacinada.
Um homem de 28 anos comparece à UPA com ferimento cortante contaminado no pé, ocorrido em terreno rural. Não sabe informar seu histórico vacinal e não possui cartão. Ao exame, ferimento com tecido desvitalizado. Qual é a conduta correta quanto à profilaxia do tétano?
Ferimento com alto risco (contaminado, tecido desvitalizado, ambiente rural) em paciente com histórico vacinal desconhecido/incerto exige tanto a vacina (dT) para induzir memória imunológica quanto a imunoprofilaxia passiva (imunoglobulina ou soro antitetânico) para proteção imediata. Vacina isolada não protege no curto prazo em ferida de alto risco com esquema incerto. Imunoglobulina isolada não confere proteção duradoura. Não realizar profilaxia Incorreto: pois a ferida é de alto risco independentemente de ser perfurante.
Homem de 34 anos procura a UBS relatando que, há 3 dias, cortou o pé em um prego enferrujado ao caminhar descalço no quintal. A ferida é pequena e limpa. Traz caderneta mostrando esquema vacinal completo de dTpa/dT na infância e adolescência, com última dose registrada há 4 anos. Qual a conduta adequada quanto à profilaxia antitetânica?
Para ferimento de baixo risco em paciente com esquema vacinal completo e última dose há menos de 5 anos, não há indicação de reforço nem de soro/imunoglobulina (opção correta). O reforço de dT só seria indicado se a última dose fosse há mais de 5 anos (ferimento de risco) ou mais de 10 anos (baixo risco). Soro/imunoglobulina reservam-se a pacientes com esquema incompleto/desconhecido em ferimentos de alto risco.
Homem de 28 anos, catador de material reciclável, comparece à UBS após pisar em prego enferrujado exposto há 3 horas, com ferimento puntiforme profundo em planta do pé. Refere que recebeu as doses de vacina contra difteria/tétano na infância, mas não sabe informar sobre reforços; o último documentado foi há mais de 10 anos. A ferida é considerada de alto risco para tétano. Qual é a conduta de imunoprofilaxia adequada?
Em ferimento de alto risco para tétano com último reforço há mais de 10 anos (ou esquema incerto/incompleto), a conduta é aplicar a vacina dT E a imunoglobulina/soro antitetânico, além de limpeza — combinando imunização ativa e passiva. Só limpeza Falsa porque a proteção decai e o ferimento é de alto risco. dT isolada é insuficiente para ferida de alto risco com esquema em atraso. Imunoglobulina isolada não induz memória imunológica duradoura, sendo necessária a vacina.
Em um município do interior, o médico da ESF é procurado por um paciente de 30 anos com ferimento na perna, sujo de terra, ocorrido há 3 horas ao pisar em prego enferrujado. O paciente não sabe informar sobre vacinação e não tem caderneta. Ao exame: ferida puntiforme profunda em planta do pé, com bordas sujas, sem sinais de infecção. Bom estado geral, afebril. Considerando o manejo de profilaxia do tétano acidental segundo o Ministério da Saúde para ferimento de alto risco em pessoa com história vacinal desconhecida, qual é a conduta correta?
Ferimento profundo, contaminado com terra e por objeto enferrujado é de alto risco para tétano; com história vacinal desconhecida ou incompleta, o Ministério da Saúde indica limpeza/desbridamento da ferida, iniciar/completar o esquema vacinal (dT) E administrar imunização passiva (imunoglobulina antitetânica humana ou soro antitetânico) por não haver proteção comprovada. Só limpeza deixa o paciente desprotegido. Antibiótico isolado sem imunização não previne tétano. Vacina sem soro é insuficiente em ferimento de alto risco com status vacinal desconhecido.
Mulher, 68 anos, diabética, comparece ao serviço de emergência após queimadura de 2º grau extensa em membro inferior por líquido fervente, ocorrida há 6 horas, com áreas de tecido desvitalizado. A paciente não sabe informar seu histórico vacinal e não possui caderneta. Encontra-se estável: PA 140/85 mmHg, FC 88 bpm, T 36,8 °C, glicemia capilar 210 mg/dL. Considerando a profilaxia antitetânica, qual a conduta correta quanto à imunoglobulina e à vacina?
Correta: ferimento de ALTO RISCO (queimadura extensa com tecido desvitalizado é porta de entrada clássica) em paciente com história vacinal DESCONHECIDA. Nessa situação a conduta é imunizar E imunoglobulinizar: administrar a IGHAT (250 UI, ou 500 UI em casos graves ou com contaminação intensa) em local diferente da vacina, associada ao início ou complemento do esquema vacinal com dT (3 doses). A idade avançada e o diabetes reforçam a indicação de proteção passiva. Dar só a dT subestima a queimadura como porta de entrada e omite a imunoglobulina necessária diante de histórico desconhecido em ferimento de alto risco. Dar só a IGHAT omite a vacina, essencial para a imunização ativa e duradoura, e a idade não contraindica vacinar. Não fazer profilaxia é incorreto: queimaduras são portas de entrada relevantes para o tétano. O soro heterólogo só é alternativa quando não há IGHAT disponível, exige teste e observação de hipersensibilidade, e administrá-lo sem cuidados de anafilaxia é inadequado.
Adolescente de 16 anos sofre laceração superficial e limpa no antebraço ao cair de bicicleta em calçada, há 1 hora. Ao exame: ferida linear rasa, bordas limpas, sem corpo estranho, sem contaminação com terra ou sujidade. A caderneta de vacinação mostra esquema primário completo, sendo a última dose de vacina contendo componente tetânico administrada há 3 anos. Qual a conduta de profilaxia antitetânica indicada?
Correta: Ferimento de BAIXO RISCO (superficial, limpo, sem contaminação ou corpo estranho) em paciente com esquema vacinal COMPLETO e última dose há apenas 3 anos. Para ferimentos de baixo risco, só se indica reforço se a última dose foi há mais de 10 anos. Como se passaram apenas 3 anos, não há necessidade de vacina nem de imunoglobulina — basta a limpeza da ferida. Erra: o conceito: nem todo ferimento exige reforço; depende do risco da ferida e do intervalo desde a última dose. A imunoglobulina não tem qualquer indicação em ferimento limpo com esquema completo recente. O esquema primário completo não 'perde a validade' exigindo reinício — no máximo requer reforços periódicos. Combina duas condutas desnecessárias para um ferimento de baixo risco em paciente bem vacinado.
Adolescente de 15 anos, trabalhador rural, é levado ao pronto-socorro após sofrer laceração profunda e extensa na perna ao manusear um facão no roçado, com ferida contaminada por terra e restos vegetais (ferimento com alto risco tetanogênico). Está hemodinamicamente estável. A carteira vacinal, disponível, mostra esquema primário completo contra o tétano na infância (mais de 3 doses documentadas), com a última dose de vacina contendo toxoide tetânico administrada há 6 anos. Nega imunossupressão. Além da limpeza cirúrgica do ferimento, qual a conduta de profilaxia antitetânica correta?
Diante de ferimento com risco (tetanogênico) em paciente com 3 ou mais doses documentadas, a decisão depende do intervalo desde a última dose: <5 anos, nada; entre 5 e 10 anos, aplicar 1 reforço; >10 anos, 1 reforço. Como a última dose foi há 6 anos (faixa 5-10 anos), a conduta é uma única dose de reforço de vacina com toxoide tetânico — dT ou dTpa. A imunoglobulina/soro NÃO está indicada porque o paciente tem esquema completo (≥3 doses) e é imunocompetente — é a pegadinha do sobretratamento. Errada: em ferimento de risco com última dose há 5-10 anos o reforço é necessário. A imunoglobulina só entra se o esquema for incompleto/incerto (<3 doses) ou em imunossuprimidos com ferida de risco. Isolada é insuficiente e desnecessária aqui. Não se reinicia esquema em quem já tem série primária completa documentada.
Homem, 58 anos, em quimioterapia por linfoma não-Hodgkin (última sessão há 10 dias, linfopenia importante), procura o pronto-socorro após pisar em prego enferrujado, com ferimento perfurante profundo na região plantar, contaminado por terra, ocorrido há 4 horas. Refere esquema vacinal antitetânico completo (três doses na infância, com reforços), sendo o último reforço de dupla adulto (dT) há 3 anos. Exame: ferida puntiforme com tecido desvitalizado, sem sinais flogísticos. PA 128/78 mmHg, FC 84 bpm, T 36,7 °C. Qual a conduta de imunoprofilaxia antitetânica mais adequada?
Correta: Em ferimento de alto risco (perfurante, profundo, contaminado por terra, com tecido desvitalizado), o paciente com esquema vacinal completo e reforço há menos de 5 anos normalmente NÃO necessitaria de imunização adicional. Entretanto, o Ministério da Saúde recomenda a imunização passiva (IGHAT, preferida ao SAT em imunodeprimidos) para pacientes gravemente imunocomprometidos com ferimentos de alto risco, INDEPENDENTEMENTE do estado vacinal, pois a resposta imune à vacina pode ser inadequada — é a pegadinha do caso. Seria a conduta se ele fosse imunocompetente, mas ignora a imunossupressão. O reforço não está indicado (última dose < 5 anos) e, isolado, não protege agudamente o imunodeprimido. O SAT é heterólogo (maior risco de reação) e menos indicado que a IGHAT em imunodeprimido, e a vacina é desnecessária aqui. Antibiótico não substitui a imunoprofilaxia antitetânica.
Homem, 42 anos, agricultor, chega ao pronto-socorro 3 horas após ferimento perfurante profundo no pé, provocado por prego contaminado com terra. Relata ter recebido apenas "duas doses de vacina antitetânica" na adolescência, sem nenhuma dose posterior, e nega comorbidades. Exame: ferida puntiforme com tecido desvitalizado ao redor, sem secreção purulenta. Sinais vitais normais. Qual a conduta de imunoprofilaxia antitetânica indicada?
Correta: o raciocínio tem dois passos — (1) classificar o ferimento como de ALTO risco (profundo, perfurante, contaminado por terra, com tecido desvitalizado) e (2) reconhecer o esquema vacinal INCOMPLETO (menos de 3 doses). Nessa combinação, o Ministério da Saúde indica imunização ativa (iniciar ou completar o esquema com dT) E passiva (IGHAT ou SAT), pois o paciente não tem proteção confiável e o ferimento é de risco. Dar apenas uma dose de dT, ou apenas um reforço, deixa o paciente sem cobertura imediata: duas doses não completam a série primária (mínimo de 3) nem garantem memória imunológica. Dispensar a imunoprofilaxia ignora tanto o risco do ferimento quanto a vacinação incompleta. O soro antitetânico isolado, sem a vacina, não induz imunidade ativa duradoura.
Mulher, 28 anos, sofre escoriação superficial e limpa no joelho após queda em ambiente doméstico. Apresenta caderneta com esquema vacinal antitetânico completo, tendo recebido o último reforço de dupla adulto (dT) há 4 anos. Ferida sem tecido desvitalizado e sem contaminação evidente. Qual a conduta profilática para tétano?
Correta: Ferimento de BAIXO risco (superficial, limpo, sem contaminação ou tecido desvitalizado) em paciente com esquema vacinal COMPLETO e último reforço há menos de 5 anos: não há indicação de vacina nem de imunização passiva — apenas cuidados locais da ferida. A imunização passiva (IGHAT/SAT) só se aplica a ferimentos de alto risco com vacinação incompleta/incerta ou a imunodeprimidos. O reforço só seria indicado se a última dose tivesse sido há mais de 10 anos (ferimento limpo) ou mais de 5 anos (ferimento de alto risco); aqui foi há 4 anos. O esquema já está completo, não se reinicia a série primária.
Homem, 45 anos, marceneiro, procura o pronto-socorro 3 horas após pisar em um prego enferrujado, sofrendo ferimento perfurante profundo na região plantar do pé direito, com sujidade e presença de terra na lesão. Refere esquema vacinal completo na infância, com reforços na idade adulta; o último reforço com dupla adulto (dT) foi há 7 anos. Ao exame: ferida puntiforme, com fundo mal visualizado e detritos, sem sinais flogísticos. Vitais estáveis, afebril. Qual é a conduta de profilaxia antitetânica correta?
Trata-se de ferimento de alto risco para tétano (perfurante, profundo, contaminado com terra). Segundo o Ministério da Saude, em paciente com esquema vacinal COMPLETO (>=3 doses), o critério para reforço em ferida de risco é o intervalo desde a última dose: <5 anos nada é necessário; >=5 anos indica-se reforço com dT. Como o último reforço foi há 7 anos (>5 anos), a conduta correta é aplicar apenas o reforço de dT. A imunoglobulina/SAT NÃO é indicada em paciente adequadamente vacinado, mesmo em ferida de risco — reserva-se a esquemas incompletos/desconhecidos ou imunossuprimidos. Erra por omitir o reforço devido ao intervalo >5 anos em ferida de risco. Erra por acrescentar imunoglobulina desnecessária num vacinado. Erra por indicar imunoglobulina isolada e omitir o reforço. Erra ao usar SAT (heterólogo, mais reatogênico) e sem indicação de soro/Ig neste caso.
Mulher, 30 anos, chega ao pronto atendimento após acidente com facão durante trabalho rural, apresentando ferimento profundo e sujo com terra no dorso da mão esquerda há 2 horas. Ao ser questionada, relata que nunca se vacinou e não possui caderneta ou qualquer registro vacinal. Exame: ferida contaminada, bordas irregulares; sinais vitais normais. Qual a conduta profilática antitetânica indicada?
Diante de ferimento de alto risco (profundo, contaminado, rural) em paciente com esquema vacinal DESCONHECIDO/ausente, a recomendação do Ministério da Saude é a imunização ATIVA e PASSIVA combinada: iniciar o esquema com vacina dT e administrar simultaneamente imunoglobulina antitetânica humana (ou SAT, se indisponível). A vacina protege a médio/longo prazo, e a imunoglobulina confere proteção imediata enquanto a resposta vacinal não se estabelece. Erram por não imunizar paciente sem cobertura diante de ferida de risco. Erra por omitir a proteção passiva imediata, essencial no não vacinado. Erra por não iniciar o esquema vacinal (a imunoglobulina isolada não gera memória imunológica).
Homem, 52 anos, receptor de transplante renal em uso contínuo de imunossupressores (tacrolimo e micofenolato), procura atendimento após ferimento perfurante contaminado com terra no antebraço, ocorrido há 4 horas em atividade de jardinagem. Apresenta esquema vacinal completo, com último reforço de dT há 4 anos. Exame: ferida profunda, suja, sem sinais infecciosos; hemodinamicamente estável. Considerando a condição do paciente, qual é a conduta profilática mais adequada?
O passo-chave é reconhecer a IMUNOSSUPRESSÃO como exceção à regra habitual. Em paciente imunocompetente com esquema completo e último reforço há 4 anos (menos de 5), nenhuma medida seria necessária mesmo em ferida de risco. Contudo, o Ministério da Saúde recomenda que IMUNODEPRIMIDOS (transplantados, HIV, quimioterapia) recebam imunoglobulina antitetânica humana em ferimentos de alto risco INDEPENDENTEMENTE do status vacinal, pois a resposta à vacina pode ser inadequada — associa-se o reforço de dT à imunoglobulina. Dispensar qualquer medida por causa do reforço recente é a pegadinha: aplica a regra do imunocompetente e ignora a imunossupressão. Dar apenas o reforço de dT omite a proteção passiva indicada no imunodeprimido. Dar apenas a imunoglobulina dispensa indevidamente a vacina. Usar soro antitetânico com antibiótico emprega SAT sem necessidade, dispensa a vacinação e ainda confunde antibioticoprofilaxia com profilaxia antitetânica.
Homem, 34 anos, marceneiro, procura a UPA após perfurar a região plantar do pé direito com um prego enferrujado durante o trabalho, há cerca de 2 horas. Ao exame: ferimento puntiforme profundo, com sujidade visível e presença de terra, sem sangramento ativo. Refere ter tomado "vacinas na infância", mas nega qualquer dose contra o tétano nos últimos anos e não sabe informar o número total de doses recebidas. Qual é a conduta profilática adequada para o tétano?
Correta: Trata-se de ferimento de ALTO RISCO para tétano (profundo, puntiforme, contaminado com terra) em paciente com história vacinal incerta/<3 doses. Pela tabela do PNI (Ministério da Saúde), essa combinação (história vacinal incerta ou incompleta + ferimento de risco) indica VACINA (dT) MAIS imunoglobulina/soro antitetânico. Errada: ferimento de risco com história vacinal duvidosa nunca dispensa profilaxia. Insuficiente: a vacina isolada só cobriria história incerta em ferimento limpo/superficial; no ferimento de risco falta a proteção passiva imediata. Errada: a IGHAT isolada não confere imunidade duradoura — é obrigatório associar a vacina para completar o esquema. Errada: antibiótico não substitui a imunoprofilaxia; a penicilina tem papel apenas no tratamento do tétano instalado, não na profilaxia primária do ferimento.
Mulher, 52 anos, agricultora, sofreu laceração profunda em perna direita ao cair sobre solo contaminado com terra e fezes de animais, há 5 horas. Ao exame: ferida com tecido desvitalizado e sujidade abundante. Apresenta caderneta de vacinação comprovando esquema COMPLETO de três doses contra o tétano, sendo a última dose (reforço) administrada há 7 anos. Qual é a conduta profilática correta?
Correta: o raciocínio exige dois passos: (1) classificar o ferimento como de ALTO RISCO (profundo, com tecido desvitalizado, contaminado por terra e fezes) e (2) avaliar o intervalo desde a última dose. Com esquema completo (≥3 doses) e última dose entre 5 e 10 anos, o PNI indica REFORÇO com dT em ferimentos de risco — sem imunoglobulina, pois o paciente já tem memória imunológica e responde rapidamente ao reforço. Errada: em ferimento de risco, esquema completo com última dose >5 anos exige reforço. Errada: a IGHAT é reservada para história vacinal incerta/incompleta ou imunodeprimidos — paciente competente com 3 doses não precisa de proteção passiva. Errada: soro isolado nunca substitui a vacina e não está indicado aqui. Errada: não se reinicia esquema em quem já completou três doses documentadas; basta o reforço.
Homem, 45 anos, portador de HIV com contagem de linfócitos T CD4+ de 180 células/mm³ e má adesão à terapia antirretroviral, chega ao pronto-socorro após ferimento profundo em coxa, contaminado por terra, ocorrido há 3 horas em acidente rural. Traz caderneta comprovando esquema vacinal COMPLETO (três doses), com a última dose de reforço aplicada há 3 anos. Considerando as particularidades desse paciente, qual é a conduta profilática mais adequada?
Correta: a pegadinha está em aplicar mecanicamente a regra do imunocompetente. Em um paciente IMUNODEPRIMIDO (HIV com CD4 baixo), a resposta vacinal pode ser inadequada; por isso o PNI recomenda IGHAT (ou soro antitetânico) em ferimentos de ALTO RISCO em imunodeprimidos, desnutridos graves e outros grupos de resposta imune comprometida, INDEPENDENTEMENTE do estado vacinal. É a armadilha: seria a conduta correta em imunocompetente (esquema completo, última dose <5 anos = nada), mas ignora a imunodepressão. Insuficiente: o reforço vacinal não garante proteção rápida e confiável nesse paciente — falta a proteção passiva. Errada: metronidazol e imunoglobulina em dose terapêutica são para o tétano JÁ instalado, não para profilaxia de ferimento. Errada: postergar a profilaxia em ferimento de risco em imunodeprimido é conduta inaceitável — a proteção passiva deve ser imediata.
Homem, 45 anos, agricultor, procura pronto-socorro após ferimento no dorso do pé direito ocorrido há 6 horas, ao pisar em prego enferrujado durante o trabalho na lavoura. Ao exame: ferida puntiforme profunda, com bordas contaminadas por terra e tecido desvitalizado ao redor, sem sinais flogísticos. Sinais vitais: PA 130x80 mmHg, FC 84 bpm, T 36,5 °C. Nega comorbidades e uso de imunossupressores. Relata ter recebido as três doses da vacina antitetânica na infância, com última dose há cerca de 8 anos. Após limpeza e desbridamento da ferida, qual a conduta CORRETA quanto à profilaxia antitetânica?
O raciocínio exige dois passos: (1) classificar o ferimento e (2) cruzar com o histórico vacinal. Trata-se de ferimento de ALTO RISCO para tétano (profundo, contaminado com terra, tecido desvitalizado). O paciente tem esquema primário COMPLETO (≥3 doses) e é imunocompetente. Pela norma do Ministério da Saúde, indivíduo com ≥3 doses e ferimento de alto risco recebe reforço vacinal quando a última dose foi há MAIS de 5 anos — aqui, 8 anos. Logo, a conduta é apenas o reforço com dT, sem imunoglobulina. A imunoglobulina só é indicada para vacinação incerta/incompleta (<3 doses) em ferida de risco, ou para imunodeprimidos. Erra por acrescentar imunoglobulina desnecessária num imunocompetente com esquema completo (sobretratamento). Erra ao dar imunoglobulina isolada e dispensar o reforço, que é justamente o indicado. Erra porque, embora o esquema esteja completo, o intervalo >5 anos em ferida de risco exige reforço. Erra ao reiniciar esquema de três doses num paciente já imunizado — basta o reforço.
Um agricultor de 45 anos comparece à Unidade de Pronto Atendimento após perfurar o pé direito com um prego enferrujado durante o trabalho na lavoura há cerca de 4 horas. Ao exame, apresenta ferimento puntiforme profundo na região plantar, com sujidade e tecido desvitalizado ao redor, sem sinais de infecção. Nega comorbidades. Ao ser questionado sobre vacinação, refere não possuir cartão e não se recordar de ter recebido vacinas na vida adulta. Encontra-se em bom estado geral, afebril. Considerando as recomendações do Ministério da Saúde para profilaxia do tétano, qual é a conduta mais adequada em relação à imunização deste paciente?
Ferimento de alto risco (profundo, sujo, com tecido desvitalizado) em paciente com história vacinal incerta ou menos de 3 doses exige, pelo protocolo do Ministério da Saúde, VACINA (dT) associada à IMUNOGLOBULINA (IGHAT). Dar só a dT ignora a IGHAT, indispensável quando não há esquema comprovado e o ferimento é tetanogênico. Fazer apenas limpeza cirúrgica é inadequado: a limpeza é necessária, mas não substitui a imunoprofilaxia. Dar só a IGHAT erra ao dispensar a vacina, essencial para gerar proteção duradoura em quem não tem esquema completo.
Uma diarista de 38 anos procura a Unidade Básica de Saúde após sofrer laceração extensa e contaminada com terra na perna esquerda ao cair em um terreno baldio há 2 horas. Ao exame, observa-se ferida com bordas irregulares, presença de sujidade e tecido desvitalizado, sem sinais flogísticos. Apresenta o cartão de vacinação, que comprova esquema primário completo de tétano na infância e reforço com dT há 7 anos. Nega imunossupressão ou uso de medicamentos. Está em bom estado geral. De acordo com as orientações do Ministério da Saúde para profilaxia antitetânica, qual é a conduta correta?
Paciente com 3 ou mais doses e último reforço entre 5 e 10 anos, diante de ferimento de alto risco, tem indicação de REFORÇO da vacina (dT), sem imunoglobulina. Dizer que não há necessidade de vacina nem de imunoglobulina porque o esquema está completo é erro: embora o esquema esteja completo, o intervalo maior que 5 anos com ferida tetanogênica exige reforço. Associar a imunoglobulina antitetânica à dT indica IGHAT desnecessariamente — em paciente imunocompetente com esquema comprovado, a memória imunológica responde ao reforço. E administrar apenas a imunoglobulina dispensa incorretamente a vacina, que é a intervenção indicada.
Um homem de 60 anos, em tratamento quimioterápico para linfoma, comparece ao pronto-socorro após ferimento profundo e sujo no antebraço causado por ferramenta de jardinagem há 3 horas. Ao exame, apresenta ferida com tecido desvitalizado e contaminação evidente. Traz cartão de vacinação demonstrando esquema completo, com último reforço de dT há 3 anos. Encontra-se afebril, com bom estado geral, porém em imunossupressão pela doença de base e pela terapia. Considerando as recomendações do Ministério da Saúde para profilaxia do tétano em situações especiais, qual é a conduta mais adequada?
O Ministério da Saúde recomenda IMUNOGLOBULINA (IGHAT) para ferimentos de alto risco em imunossuprimidos, INDEPENDENTEMENTE do esquema vacinal, pois a resposta imune à vacina pode ser inadequada. Não realizar profilaxia por o último reforço ter menos de 5 anos aplica a regra do imunocompetente, inválida neste contexto especial. Oferecer apenas a dose de reforço da dupla adulto é insuficiente para garantir proteção em quem não responde bem à vacina. E encaminhar para observação hospitalar sem imunização específica adia a profilaxia, conduta perigosa diante de ferimento tetanogênico — a prevenção deve ser feita antes de qualquer sinal de infecção.
Um homem de 34 anos, lavrador, é atendido na unidade de pronto atendimento cerca de 4 horas após ter pisado em um prego enferrujado enquanto trabalhava descalço em um curral. Refere dor local intensa. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, afebril, com pressão arterial de 120 x 80 mmHg e frequência cardíaca de 78 bpm. Observa-se ferimento puntiforme e profundo na região plantar do pé direito, com bordas sujas de terra e resíduos orgânicos, sem sangramento ativo. Na caderneta de vacinação, consta o registro de duas doses de vacina dupla adulto (dT), a última aplicada há 3 anos. Nega comorbidades e uso de medicamentos. Após a limpeza cirúrgica do ferimento, qual é a conduta de profilaxia do tétano acidental indicada?
Correta: a conduta depende de dois passos — classificar o ferimento e verificar o estado vacinal. Trata-se de ferimento de ALTO RISCO (profundo, puntiforme, contaminado com terra e material orgânico de curral) em paciente com esquema INCOMPLETO (apenas 2 doses). Pelo Guia de Vigilância em Saúde/Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação do Ministério da Saúde, ferimento de alto risco em pessoa com menos de 3 doses ou história vacinal incerta exige imunização ATIVA (dose de dT, com continuidade do esquema) E PASSIVA (SAT ou IGHAT). Incorretas: 'apenas dT sem soro' seria a conduta para ferimento de risco mínimo com esquema incompleto — aqui a proteção imediata pela imunização passiva é necessária, pois o paciente não tem esquema básico completo. O intervalo desde a última dose só isenta de vacina quem já tem 3 ou mais doses; com 2 doses o esquema não confere proteção e deve ser continuado. Reiniciar o esquema é errado (dose de vacina dada não se perde — completa-se o esquema) e a profilaxia do tétano não se faz com penicilina benzatina.
Uma mulher de 52 anos, cozinheira, procura a unidade básica de saúde 2 horas após ter sofrido ferimento no antebraço esquerdo ao cair sobre uma cerca de madeira em um terreno baldio. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, corada, afebril, com pressão arterial de 130 x 80 mmHg. Apresenta ferimento lacerante de cerca de 5 cm no antebraço esquerdo, com tecido desvitalizado, sujidade e uma pequena farpa de madeira em seu interior. Não é diabética, não usa imunossupressores e não apresenta desnutrição. Apresenta cartão de vacinação com registro de esquema completo (três doses de dT), sendo a última dose administrada há 7 anos. Após desbridamento e limpeza do ferimento, qual é a conduta de profilaxia do tétano?
Correta: o raciocínio exige classificar o ferimento e cruzar com o tempo desde a última dose. O ferimento é de ALTO RISCO (contaminado, com tecido desvitalizado e corpo estranho). Pelo Ministério da Saúde, em ferimento de alto risco com esquema completo (3 ou mais doses), a conduta depende do intervalo: menos de 5 anos, nenhuma medida; entre 5 e 10 anos, apenas uma dose de REFORÇO de dT; 10 anos ou mais, reforço e, em situações especiais (imunodeprimido, desnutrido grave, idoso, ferimento com grande destruição tecidual), também SAT/IGHAT. Como a última dose foi há 7 anos, indica-se somente o reforço. Incorretas: 'nenhuma medida' vale apenas se a última dose tivesse menos de 5 anos em ferimento de alto risco (ou menos de 10 anos em ferimento de risco mínimo). Associar soro é desnecessário — a imunização passiva não está indicada em paciente com esquema básico completo e intervalo inferior a 10 anos, além de expor a risco de reação a soro heterólogo. Imunoglobulina isolada, sem reforço, não corrige a queda de anticorpos a longo prazo e não está indicada neste cenário.
Um homem de 68 anos, com diagnóstico de HIV em uso irregular de terapia antirretroviral (contagem recente de linfócitos T CD4+ de 140 células/mm³), é atendido na emergência após acidente com motosserra. Ao exame físico, está lúcido, com pressão arterial de 128 x 78 mmHg e frequência cardíaca de 88 bpm. Apresenta ferimento extenso na coxa direita, com grande destruição de tecidos, áreas de necrose e sujidade com terra. Relata esquema vacinal completo (três doses de dT), com última dose há 12 anos. Informa que, há alguns anos, apresentou urticária generalizada, broncoespasmo e hipotensão logo após receber soro antitetânico de origem equina. Além do desbridamento cirúrgico, qual é a conduta de profilaxia do tétano?
Correta: são dois passos — definir se há indicação de imunização passiva e escolher qual produto. O ferimento é de ALTO RISCO (extenso, com necrose e contaminação por terra) e a última dose de dT foi há 12 anos (10 anos ou mais). Nessa faixa, o Ministério da Saúde indica reforço de dT e também imunização passiva nas situações especiais — que aqui se somam: idoso, imunodeprimido (HIV com CD4+ de 140) e ferimento com grande destruição tecidual. Entre os produtos, a IGHAT (imunoglobulina humana antitetânica) é formalmente indicada em vez do SAT nos casos de história de hipersensibilidade ao soro heterólogo, além de imunodeprimidos e recém-nascidos em situação de risco. Incorretas: reforço isolado deixa o paciente sem proteção imediata justamente no perfil de maior risco. Reaplicar SAT após reação anafilática prévia documentada é contraindicado — a pré-medicação não torna seguro repetir soro heterólogo quando existe alternativa homóloga. Omitir o reforço é errado: a dT é vacina inativada, segura em pessoas vivendo com HIV, e a imunização passiva não substitui a ativa.
Um homem de 42 anos, lavrador, procura a unidade de pronto atendimento cerca de 4 horas após ter pisado descalço em um prego enferrujado enquanto capinava uma horta. Ao exame, apresenta ferimento puntiforme profundo na região plantar do pé direito, com bordas impregnadas de terra e discreto sangramento; não há sinais flogísticos nem secreção. Encontra-se afebril, corado, hemodinamicamente estável (PA 128x76 mmHg, FC 82 bpm). Nega comorbidades, uso de medicamentos ou imunossupressores. Relata que nunca recebeu vacinas na vida adulta e não sabe informar se foi vacinado na infância, não dispondo de caderneta de vacinação. De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde para profilaxia do tétano acidental, qual é a conduta adequada?
O ferimento é de ALTO RISCO para tétano (puntiforme, profundo, contaminado com terra, em membro inferior). Pelo Guia de Vigilância em Saúde/MS, diante de história vacinal incerta ou menos de 3 doses associada a ferimento de alto risco, a conduta é limpeza/desbridamento + iniciar ou completar o esquema com dT (3 doses) + imunização passiva (IGHAT ou SAT), pois o paciente não tem anticorpos protetores e a resposta à vacina leva dias a semanas. A opção 'dose única de dT sem imunização passiva' deixa o paciente desprotegido no período de incubação. 'IGHAT isolada' protege apenas transitoriamente e não gera memória imunológica — o esquema vacinal é obrigatório. 'Antibioticoprofilaxia com penicilina benzatina' não faz parte da profilaxia do tétano acidental (a base é limpeza, desbridamento, vacina e, quando indicado, imunização passiva).
Uma mulher de 28 anos, professora, comparece à unidade básica de saúde de seu território após sofrer um corte ao manusear uma faca limpa na cozinha de casa, há cerca de 1 hora. Ao exame, observa-se ferimento linear de aproximadamente 2 cm no dorso da mão esquerda, superficial, com bordas regulares, limpo, sem corpos estranhos e sem tecido desvitalizado; o sangramento já cessou. Está em bom estado geral, afebril, sem comorbidades, sem uso de corticoides ou imunossupressores e sem histórico de desnutrição. A caderneta de vacinação comprova três doses de vacina contendo toxoide tetânico, sendo a última aplicada há 7 anos. Qual é a conduta adequada quanto à profilaxia do tétano?
O raciocínio exige dois passos: primeiro classificar o ferimento — superficial, limpo, com bordas regulares, sem corpos estranhos ou tecido desvitalizado = RISCO MÍNIMO; depois aplicar a regra do MS para esse risco. Em ferimento de risco mínimo com esquema completo (≥3 doses), o reforço só é indicado se a última dose tiver mais de 10 anos; com 7 anos, basta a limpeza. O reforço aos 5 anos é a regra dos ferimentos de ALTO risco — aplicá-la aqui é a pegadinha clássica. A associação de dT com IGHAT não se justifica: paciente imunocompetente, com esquema completo e ferimento de risco mínimo. Reiniciar o esquema é incorreto — esquema vacinal não é invalidado por atraso; doses anteriores sempre são consideradas ('dose aplicada é dose contada').
Um homem de 68 anos, com diabetes mellitus tipo 2 e em uso de prednisona 40 mg/dia há três meses por doença autoimune, é trazido ao pronto-socorro 12 horas após acidente com máquina agrícola em zona rural. Apresenta ferimento extenso em face lateral da coxa direita, com grande perda tecidual, áreas de esmagamento e tecido necrótico, contaminado com terra e restos vegetais. Está consciente, orientado, PA 130x80 mmHg, FC 96 bpm, afebril, glicemia capilar 210 mg/dL. A caderneta de vacinação comprova três doses de vacina contendo toxoide tetânico, com a última aplicada há 12 anos. Além da limpeza cirúrgica e do desbridamento do tecido desvitalizado, qual é a conduta correta de profilaxia antitetânica?
Ferimento de alto risco (extenso, com esmagamento, necrose, contaminação por terra e atendimento tardio) em paciente com esquema completo, porém última dose há 12 anos: está indicado o reforço com dT. O segundo passo é reconhecer a 'situação especial' prevista pelo Guia de Vigilância em Saúde/MS, em que se acrescenta a imunização passiva (IGHAT) mesmo com esquema prévio completo — imunodeprimidos (aqui, corticoterapia em dose imunossupressora), idosos, desnutridos graves, ferimentos com grande perda tecidual/necrose, corpo estranho retido ou tratamento tardio. Vários desses critérios coexistem, logo dT + IGHAT. A IGHAT isolada é insuficiente: o reforço é necessário para restabelecer a memória imunológica. Reiniciar o esquema é incorreto — doses prévias documentadas são sempre aproveitadas, bastando o reforço.
Homem de 47 anos, lavrador, procura a Unidade de Pronto Atendimento cerca de 4 horas após pisar descalço em um prego enferrujado enquanto trabalhava em um curral. Refere dor local e nega febre. Antecedentes: hipertensão arterial em uso de losartana; nega diabetes, uso de corticoide ou outra imunossupressão. Ao exame: bom estado geral, afebril, PA 138 x 84 mmHg, FC 78 bpm. No calcanhar direito observa-se ferimento puntiforme profundo, com bordas irregulares, sujidade e terra visíveis no interior, sem sinais flogísticos. Traz a caderneta de vacinação, que registra três doses de vacina contendo toxoide tetânico, sendo a última dose aplicada há 12 anos. Considerando o risco de tétano acidental, qual é a conduta profilática recomendada pelo Ministério da Saúde?
O raciocínio exige dois passos: (1) classificar o ferimento — puntiforme, profundo, com terra e sujidade, em ambiente rural — como de ALTO risco para tétano; (2) interpretar a caderneta — esquema básico COMPLETO (3 doses documentadas), porém com última dose há 12 anos. Pelo Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação / Guia de Vigilância em Saúde (MS), em ferimento de alto risco com três ou mais doses e última dose há mais de 5 anos, indica-se REFORÇO com dT, e a IGHAT NÃO é necessária, pois o paciente é imunocompetente e a memória imunológica garante resposta anamnéstica rápida ao reforço; a limpeza e o desbridamento são medidas essenciais em qualquer situação. Erra ao acrescentar IGHAT, reservada a ferimentos de alto risco em pessoas com menos de três doses, com história vacinal desconhecida, imunodeprimidos ou desnutridos/debilitados — não é o caso. Erra: duplamente: a imunoglobulina nunca substitui a vacina (é imunização passiva e transitória) e não está indicada aqui. Erra ao afirmar proteção vitalícia: a proteção do toxoide tetânico decai com o tempo, exigindo reforço a cada 10 anos e, em ferimentos de alto risco, a cada 5 anos.
Trabalhador rural de 47 anos chega à Unidade de Pronto Atendimento com ferimento perfurante profundo na região plantar direita, provocado por prego enferrujado em curral, há seis horas. A lesão contém terra e tecido desvitalizado. Não possui caderneta e não recorda nenhuma vacinação prévia. Está afebril, sem trismo ou rigidez. Além da limpeza cirúrgica com desbridamento e remoção de corpos estranhos, qual é a conduta profilática correta?
Correta: ferimento de alto risco (profundo, perfurante, contaminado com terra, com tecido desvitalizado) em paciente com história vacinal incerta ou menos de três doses — o quadro do Ministério da Saúde indica vacina (dT, iniciando/completando o esquema de três doses) MAIS imunização passiva com imunoglobulina humana antitetânica (ou soro antitetânico), além do desbridamento. A segunda erra porque a vacina isolada leva dias a semanas para produzir anticorpos protetores, deixando o paciente desprotegido justamente no período de incubação. A terceira erra porque a imunoglobulina confere proteção apenas transitória (poucas semanas) e não substitui a necessidade de imunização ativa. A quarta erra porque antibiótico é medida acessória e nunca substitui a profilaxia imunológica, que não pode ser postergada.
Mulher de 74 anos, em uso crônico de prednisona 30 mg/dia por doença autoimune, é atendida na UPA após queda em terreno baldio, com ferimento extenso e contuso na perna direita, com tecido necrótico e sujidade. Traz caderneta com esquema completo de três doses de dT, sendo a última há 12 anos. Além do desbridamento e da limpeza exaustiva, qual é a conduta profilática mais adequada para o tétano?
Correta: ferimento de alto risco com última dose há mais de 10 anos indica reforço de dT; e, embora o esquema completo em geral dispense a imunização passiva, o Ministério da Saúde prevê que em situações especiais — imunodeprimidos (corticoterapia em dose imunossupressora), desnutridos graves e idosos — com ferimento de alto risco também se indique a imunoglobulina humana antitetânica, pela resposta vacinal potencialmente inadequada. Aqui a paciente acumula idade avançada e imunossupressão. A primeira erra porque a proteção não é permanente: exige reforço a cada 10 anos. A segunda erra porque a dT é vacina inativada, sem contraindicação em imunossuprimidos (apenas resposta possivelmente reduzida). A terceira erra porque, nessa paciente de exceção, o reforço isolado não garante proteção no período de incubação — daí a associação com a imunoglobulina, preferida ao soro heterólogo nesse perfil.
Adolescente de 14 anos é levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) após ferimento profundo na região plantar, com laceração contaminada por terra, ocorrido há 3 horas durante trabalho em propriedade rural. A caderneta registra apenas 2 doses de vacina contendo componente tetânico na primeira infância, sem reforços posteriores. Encontra-se estável, sem sinais de infecção local. Além da limpeza cirúrgica do ferimento, qual é a conduta de imunização adequada segundo o Programa Nacional de Imunizações?
Ferimento de alto risco (profundo e contaminado com terra) em paciente com esquema vacinal incompleto (<3 doses) exige, pela conduta do PNI, a associação de vacina (dT, para iniciar/completar o esquema) MAIS imunoglobulina antitetânica (proteção passiva imediata). Erra por omitir a imunoglobulina, indispensável quando há menos de 3 doses e ferimento sujo. Erra por não completar o esquema ativo, deixando o paciente desprotegido no futuro. Erra porque 2 doses não conferem proteção adequada e o ferimento é de risco.
Homem de 24 anos, hígido, procura a UBS cerca de duas horas após ter sofrido corte com faca de cozinha limpa no dorso da mão esquerda enquanto preparava o jantar. Nega comorbidades, uso de medicamentos e imunossupressão. Ao exame: bom estado geral, afebril, ferimento linear superficial de 2 cm, bordas regulares, sem tecido desvitalizado, sem corpo estranho e sem contaminação visível por terra ou fezes. Traz a caderneta de vacinação: três doses de dupla adulto (dT) na adolescência e último reforço documentado há dois anos. Assinale a conduta adequada quanto à profilaxia do tétano.
Pelo Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação do Ministério da Saúde, a conduta depende de dois eixos: tipo de ferimento e histórico vacinal. Trata-se de ferimento de baixo risco (superficial, limpo, bordas regulares, sem corpo estranho ou tecido desvitalizado) em paciente com esquema completo (≥3 doses) e última dose há menos de 5 anos: não se indica vacina nem imunização passiva — apenas limpeza e cuidados locais (correta). Reforço de dT só seria necessário se a última dose tivesse mais de 10 anos (ou mais de 5 anos em ferimento de alto risco), o que não é o caso. Soro antitetânico e imunoglobulina são reservados a ferimentos de alto risco com esquema incompleto/desconhecido, ou a imunodeprimidos, desnutridos graves e idosos com ferimento de alto risco — nenhuma dessas situações se aplica. Reiniciar o esquema com três doses seria conduta para paciente sem comprovação de nenhuma dose prévia.
Homem de 52 anos, agricultor, atendido na UPA quatro horas após pisar em prego enferrujado que atravessou a bota, no curral. Nega comorbidades e uso de imunossupressores. Ao exame: bom estado geral, afebril, ferida puntiforme profunda na região plantar do pé direito, com sujidade de terra e material orgânico, sem sangramento ativo e de difícil exploração. Apresenta caderneta com esquema básico de três doses de dT e último reforço registrado há oito anos. Além da limpeza e do desbridamento cirúrgico, assinale a conduta de profilaxia antitetânica indicada.
O ferimento é de alto risco (profundo, puntiforme, contaminado com terra e material orgânico, de difícil exploração), mas o paciente é imunocompetente e tem esquema completo (≥3 doses) com última dose entre 5 e 10 anos. Nessa faixa, o Ministério da Saúde indica apenas uma dose de reforço de dT, sem imunização passiva (correta). Não vacinar seria correto se o ferimento fosse de baixo risco — o intervalo de 5 a 10 anos só dispensa reforço nessa situação. A associação com imunoglobulina não se justifica: soro/imunoglobulina em ferimento de alto risco cabem quando o esquema é incompleto (<3 doses) ou desconhecido, ou em imunodeprimidos, desnutridos graves e idosos. Reiniciar as três doses só se aplica a quem não comprova nenhuma dose prévia, o que não é o caso, pois há caderneta com esquema básico completo.
Homem de 42 anos, trabalhador rural, chega à UPA cerca de 3 horas após sofrer ferimento perfurante ao pisar em prego enferrujado dentro de um curral. Ao exame, apresenta ferida puntiforme profunda na região plantar, com presença de terra e material orgânico no leito. Nega comorbidades. Traz o cartão de vacinação, que documenta esquema básico completo na infância e uma dose de reforço aplicada há 7 anos. Após limpeza cirúrgica e desbridamento da lesão, qual é a conduta de profilaxia antitetânica adequada?
O raciocínio exige dois passos: classificar o ferimento (perfurante, profundo, contaminado com terra e material orgânico = alto risco/tetanogênico) e interpretar a história vacinal (esquema completo, ≥3 doses, último reforço há 7 anos, ou seja, entre 5 e 10 anos). Pela tabela do PNI/Ministério da Saúde, ferimento de alto risco em paciente com ≥3 doses e última dose entre 5 e 10 anos indica apenas 1 dose de reforço de dT, SEM imunoglobulina (correta). Apenas cuidados locais não bastam, pois ferida de alto risco com última dose >5 anos exige reforço. Associar a imunoglobulina superestima o risco (IGHAT reservada a esquema incompleto/incerto, imunodeprimidos ou impossibilidade de retorno). Reiniciar o esquema é conduta de quem tem esquema incerto ou incompleto, não deste paciente.
Mulher de 30 anos comparece à Unidade Básica de Saúde 1 hora após escoriação superficial no antebraço, decorrente de queda sobre piso doméstico limpo. Ao exame, observa-se abrasão rasa, sem sujidade, sem tecido desvitalizado e sem corpo estranho. A paciente apresenta o cartão de vacinação com esquema vacinal completo e dose de reforço de dT aplicada há 4 anos. Qual é a conduta correta em relação à profilaxia do tétano?
Recall direto de conduta em 1 passo. Ferimento limpo e superficial (baixo risco) em paciente com esquema vacinal completo (≥3 doses) e última dose há menos de 10 anos: nenhuma medida profilática adicional é indicada (correta). O reforço de dT só se aplicaria se a última dose tivesse ≥10 anos em ferimento limpo. A conduta que soma dT e IGHAT é indevida: a imunoglobulina não tem indicação em ferimento de baixo risco nem em paciente imunocompetente com esquema completo. Reiniciar o esquema é conduta de esquema incerto ou incompleto, não deste caso.
Homem de 60 anos, transplantado renal em uso crônico de prednisona e micofenolato, é levado ao pronto-socorro cerca de 6 horas após acidente com maquinário agrícola. Apresenta ferimento extenso em perna esquerda, com áreas de necrose, tecido desvitalizado e contaminação por terra. Está estável hemodinamicamente. O cartão vacinal documenta esquema completo com último reforço de dT há 6 anos. Após o desbridamento cirúrgico, qual é a conduta de profilaxia antitetânica mais adequada?
Raciocínio de dois passos: reconhecer o ferimento de alto risco (extenso, necrótico, contaminado por terra) e valorizar a imunossupressão. Em paciente imunodeprimido com ferimento tetanogênico, indica-se o reforço de dT E a imunoglobulina humana antitetânica (IGHAT), independentemente do histórico vacinal, pois a resposta à vacina pode estar comprometida. Ignorar a imunossupressão é o erro central: ela é justamente a exceção que acrescenta a IGHAT mesmo em quem tem o calendário em dia. Aplicar somente a imunoglobulina está incompleto: também é preciso o reforço vacinal, já que a última dose ocorreu há mais de 5 anos em ferimento de alto risco. E deixar de fazer profilaxia por ter havido reforço há menos de 10 anos ignora tanto o tipo de ferimento quanto a imunossupressão.
Homem de 34 anos, pedreiro, é atendido na UPA cerca de 3 horas após perfurar a região plantar do pé direito com um prego enferrujado enquanto trabalhava em terreno com terra e restos de obra. Ao exame: ferimento puntiforme profundo, com bordas necróticas e presença de corpo estranho e sujidade, sem sinais flogísticos. A caderneta apresenta registro de apenas duas doses de vacina contendo componente tetânico, a última há 12 anos. Nega comorbidades e uso de imunossupressores. Assinale a conduta adequada para a profilaxia do tétano nesse caso.
Trata-se de ferimento de ALTO RISCO para tétano (profundo, puntiforme, com corpo estranho, sujidade/terra e tecido desvitalizado) em paciente com esquema vacinal INCOMPLETO (duas doses). Pela norma do Ministério da Saúde, nessa combinação a conduta é limpeza/desbridamento + iniciar ou completar o esquema vacinal com dT (três doses) + imunização passiva com imunoglobulina humana antitetânica (IGHAT) 250 UI IM (ou SAT 5.000 UI, se IGHAT indisponível) — alternativa correta. A alternativa da dose única de dT sem imunoglobulina falha porque menos de três doses não garante resposta anamnéstica protetora em tempo hábil para um ferimento de alto risco. A imunoglobulina isolada é insuficiente: a proteção passiva é transitória (meia-vida de semanas) e não substitui a necessidade de completar o esquema ativo. Por fim, adiar toda a conduta para a UBS sem imunoglobulina inverte a regra: a IGHAT é indicada justamente em ferimento de alto risco com esquema desconhecido ou com menos de três doses, e não apenas na ausência total de doses prévias.
Mulher de 22 anos, estudante, procura a unidade básica de saúde após corte superficial e linear na polpa do 2º quirodáctilo esquerdo, ocorrido há 1 hora ao manusear faca limpa durante o preparo do jantar em casa. Ao exame: ferimento superficial, com bordas regulares, sem tecido desvitalizado, sem corpo estranho e sem sujidade, com sangramento já cessado. A caderneta de vacinação mostra esquema completo com três doses de vacina contendo toxoide tetânico e reforço de dT há 3 anos. Assinale a conduta profilática correta para o tétano.
O ferimento é de BAIXO RISCO para tétano (superficial, bordas regulares, limpo, sem corpo estranho ou tecido desvitalizado) em paciente com esquema vacinal COMPLETO e última dose há 3 anos. Pela norma do Ministério da Saúde, em ferimento de baixo risco com três ou mais doses e última dose há menos de 10 anos, não há indicação de vacina nem de imunoglobulina: basta a limpeza da ferida — alternativa correta. Aplicar reforço de dT é incorreto porque o intervalo de reforço a ser antecipado é de 5 anos apenas para ferimentos de alto risco e de 10 anos para os de baixo risco; nenhum deles foi atingido. Associar dT à imunoglobulina é conduta reservada a ferimento de alto risco com esquema incompleto/desconhecido, o que não é o caso. A imunoglobulina isolada nunca se justifica em paciente com esquema completo e recente, pois a memória imunológica está preservada.
Homem de 58 anos, portador de mieloma múltiplo em quimioterapia há 4 meses, chega ao pronto-socorro após queda em área rural, com ferimento contuso extenso na face anterior da perna direita, com esmagamento de partes moles, tecido desvitalizado e contaminação por terra, ocorrido há 6 horas. Está afebril, hemodinamicamente estável. Apresenta comprovante de esquema vacinal completo, com três doses de vacina com componente tetânico e último reforço de dT há 7 anos. Assinale a conduta adequada de profilaxia antitetânica.
São dois passos. Primeiro, o ferimento é de ALTO RISCO (contuso, com esmagamento, tecido desvitalizado e contaminação por terra) e o último reforço foi há 7 anos — acima do limite de 5 anos que indica antecipar o reforço de dT em ferimentos de alto risco. Segundo, o paciente é IMUNODEPRIMIDO (mieloma múltiplo em quimioterapia): o Ministério da Saúde recomenda que imunodeprimidos, desnutridos graves e pacientes com ferimento de alto risco recebam também imunização passiva com IGHAT 250 UI IM independentemente do histórico vacinal, porque a resposta anamnéstica à vacina é imprevisível. Logo, a conduta correta é desbridamento + dT + IGHAT. Aplicar somente o reforço de dT ignora a imunossupressão, que é exatamente a exceção à regra do esquema completo. Aplicar somente IGHAT deixa de restaurar a imunidade ativa, cujo reforço já estava indicado pelo intervalo de 7 anos em ferimento de alto risco. Não fazer nada é errado porque o esquema completo isolado não protege quando há intervalo superior a 5 anos e alto risco.
Durante o atendimento de um ferimento com indicação de imunização passiva contra o tétano, o médico precisa decidir entre soro antitetânico (SAT) e imunoglobulina humana antitetânica (IGHAT). Segundo o Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, qual das situações abaixo torna a IGHAT o produto indicado, em substituição ao SAT?
A IGHAT tem quatro indicações fechadas: hipersensibilidade prévia ao uso de qualquer soro heterólogo (antitetânico, antirrábico, antidiftérico, antiofídico); pessoas imunodeprimidas, que devem receber sempre a IGHAT no lugar do SAT em razão da meia-vida maior dos anticorpos; recém-nascidos em situação de risco cuja mãe seja desconhecida ou não adequadamente vacinada; e recém-nascidos prematuros com lesões potencialmente tetanogênicas. A segunda alternativa descreve a indicação de imunização passiva em geral, não de trocar o produto. A terceira confunde a nota que estende a passiva ao idoso com a escolha entre os dois produtos. A quarta troca soro heterólogo por antibiótico — a hipersensibilidade que importa é a soros de origem equina. A quinta não é indicação: a gestante recebe dTpa por causa da gestação, o que é decisão de vacina, não de imunização passiva.
Homem de 45 anos, pedreiro, procura a unidade de pronto atendimento cerca de três horas após ferir a mão direita com um prego enferrujado durante a obra. Ao exame: ferida puntiforme de 4 mm na região tenar, com pouco sangramento e sujidade visível, sem sinais flogísticos. Traz o cartão de vacinação, que documenta esquema básico completo contra difteria e tétano, com o último reforço registrado há seis anos. Nega comorbidades e uso de medicamentos, tem bom estado nutricional e mora perto da unidade. Qual a conduta de imunização indicada?
Ferida puntiforme com sujidade é ferimento de alto risco pela definição do Guia de Vigilância em Saúde — a classificação é por mecanismo, e feridas puntiformes estão na lista independentemente do tamanho ou do sangramento. Com esquema básico completo e última dose há seis anos, o paciente está na faixa de cinco a dez anos, cujo cruzamento com a coluna de alto risco indica um reforço da vacina e nenhuma imunização passiva. A primeira alternativa erra ao classificar o ferimento como de risco mínimo. A terceira erra por excesso: soro nessa célula só entraria se o paciente fosse imunodeprimido, desnutrido grave ou idoso, o que não é o caso. A quarta troca a decisão ativa pela passiva, e a quinta reinicia um esquema que já está completo — doses anteriores documentadas sempre são aproveitadas.
Homem de 71 anos, diabético, em uso de prednisona 30 mg por dia por doença pulmonar, sofre ferimento profundo e contaminado com terra em perna esquerda ao trabalhar na horta. O cartão documenta esquema básico completo com dupla adulto, com a última dose aplicada há sete anos. Qual a conduta de imunização?
O ferimento é de alto risco e a última dose foi há sete anos, o que coloca o paciente na faixa de cinco a dez anos — cuja célula, isoladamente, indicaria apenas o reforço. A nota do quadro, porém, determina que o paciente imunodeprimido, desnutrido grave ou idoso com ferimento de alto risco receba também IGHAT ou SAT além do reforço, e este paciente reúne idade avançada e corticoterapia em dose imunossupressora. Entre os dois produtos, a imunodepressão obriga a IGHAT em lugar do SAT, pela meia-vida maior dos anticorpos, na dose profilática de 250 UI por via intramuscular, aplicada em grupo muscular diferente do da vacina. A primeira e a segunda alternativas param na célula e ignoram a nota. A quarta usa dose terapêutica e dispensa a vacina, que continua indicada. A quinta usa o produto contraindicado no imunodeprimido e em dose de tratamento.
Mulher de 31 anos, previamente hígida, sofre laceração superficial e limpa em antebraço ao manusear uma faca de cozinha. Sem corpos estranhos e sem tecido desvitalizado na lesão. O cartão de vacinação documenta esquema básico completo com dupla adulto, tendo o último reforço sido aplicado há doze anos. Qual a conduta de imunização?
O ferimento preenche todos os critérios de risco mínimo: superficial, limpo, sem corpo estranho e sem tecido desvitalizado. Nessa coluna, quem tem três doses ou mais recebe vacina apenas quando a última dose foi há dez anos ou mais — que é exatamente o caso, com doze anos. A imunização passiva não é indicada em nenhuma célula da coluna de risco mínimo. A segunda alternativa esquece que a faixa de dez anos ou mais pede reforço mesmo no ferimento limpo. A terceira e a quarta indicam imunização passiva onde o quadro nunca a indica. A quinta reinicia esquema já completo: doses documentadas são sempre aproveitadas, e o reforço é dose única.
Homem de 63 anos é internado com quadro de dificuldade progressiva para abrir a boca há dois dias, disfagia e contraturas dolorosas desencadeadas por estímulos sonoros e táteis. Ao exame: trismo, contratura da musculatura facial, rigidez de nuca e paravertebral, afebril, consciente e orientado. A família nega ferimentos recentes e não há solução de continuidade visível na pele. Qual afirmativa está correta quanto à condução do caso?
O diagnóstico de tétano é essencialmente clínico e não depende de confirmação laboratorial; a definição de caso suspeito vale independentemente da situação vacinal, de história prévia de tétano e da detecção ou não de solução de continuidade de pele ou mucosas — não achar a porta de entrada não afasta nada. O paciente mantém-se consciente e lúcido, e a definição de caso confirmado registra que a lucidez reforça o diagnóstico. Tétano acidental e neonatal são de notificação compulsória imediata, em até 24 horas à Secretaria Municipal de Saúde, a partir da suspeita e não da confirmação. Como a doença não confere imunidade, após a alta o paciente deve ser referenciado para iniciar ou completar as três doses, com reforço a cada dez anos.
Mulher de 38 anos sofre ferimento profundo e sujo em pé após pisar em vidro em terreno baldio. O cartão de vacinação registra apenas duas doses de dupla adulto, aplicadas na vida adulta em intervalos válidos, sendo a última há mais de seis meses. Ela relata que, há alguns anos, apresentou reação de hipersensibilidade após receber soro antiofídico. Qual a conduta de imunização mais adequada?
Ferimento profundo e sujo em pessoa com apenas duas doses indica vacina e imunização passiva. Com as duas doses anteriores válidas e intervalo adequado, a dT administrada hoje completa as três doses do esquema básico; não se agenda uma quarta dose como se ainda fosse a terceira. A imunoglobulina humana antitetânica, 250 UI IM, fornece proteção passiva e é apropriada diante da história de reação a soro heterólogo. Vacina e imunoglobulina devem ser administradas em locais distintos. Concluir o esquema básico não dispensa reforços futuros nem limpeza e manejo do ferimento. Referências: CDC, Wound Management to Prevent Tetanus; Ministério da Saúde, Tétano acidental.
Homem de 27 anos, vítima de acidente motociclístico, chega ao pronto-socorro com fratura exposta de tíbia direita, com exposição óssea e contaminação por terra. Está consciente, estável hemodinamicamente. Não tem cartão de vacinação e refere apenas que 'tomou algumas vacinas quando era criança', sem lembrar de reforços na vida adulta. Além do manejo ortopédico e da limpeza cirúrgica do ferimento, qual a conduta de imunização contra o tétano?
História vacinal sem comprovação documental entra no quadro como incerta, e fratura exposta com contaminação por terra é ferimento de alto risco. Esse é um dos dois cruzamentos que pedem vacina e imunização passiva ao mesmo tempo, e o Guia determina que, quando ambas são indicadas, sejam aplicadas em locais diferentes. A nota do quadro exige ainda aprazar as doses seguintes para completar as três, porque a vacinação protege contra os ferimentos futuros. A primeira alternativa deixa o paciente sem cobertura na janela atual. A segunda inverte a lógica: a proteção passiva dura cerca de duas semanas e não substitui a vacina. A terceira ignora que o debridamento não dispensa a decisão imunológica. A quinta usa a dose terapêutica de imunoglobulina (500 UI) em situação de profilaxia, cuja dose é 250 UI.
Gestante de 26 semanas, 29 anos, comparece à unidade básica de saúde após pequeno ferimento superficial e limpo em dorso da mão, ocorrido em casa. Traz cartão de vacinação com esquema básico completo contra difteria e tétano, com a última dose aplicada há três anos, e nenhuma dose de dTpa nesta gestação. Qual a conduta vacinal correta?
São duas decisões independentes. Pelo ferimento: superficial e limpo é risco mínimo, e com esquema completo e última dose há três anos nenhuma conduta é indicada — nem vacina, nem imunização passiva. Pela gestação: o Calendário Nacional de Vacinação indica uma dose de dTpa a partir da 20ª semana em cada gravidez, mesmo com esquema básico completo e mesmo com dose recente, para proteger o recém-nascido contra tétano neonatal e coqueluche até que ele inicie o próprio esquema aos 2 meses. Com 26 semanas, a gestante já está na janela. A primeira alternativa acerta o raciocínio do ferimento e esquece a indicação obstétrica. A segunda adia a dTpa sem necessidade, já que a gestante está na janela. A terceira aplica dT desnecessária. A quinta indica soro em situação sem qualquer indicação de imunização passiva.
Homem de 38 anos, pedreiro, sofre ferimento profundo e contaminado com terra na coxa ao cair sobre um vergalhão enferrujado. Traz cartão de vacinação com esquema básico completo de dupla adulto e último reforço aplicado há três anos. Não é imunodeprimido, não é desnutrido e as condições de curativo em casa são adequadas. Qual é a conduta de imunização?
Quem tem esquema básico completo e última dose há menos de cinco anos não recebe vacina nem imunização passiva, seja qual for o ferimento — é a única faixa do quadro em que todas as células respondem que não há conduta de imunização. O reforço passa a entrar a partir dos cinco anos quando o ferimento é de alto risco, e a partir dos dez anos quando o ferimento é de risco mínimo, o que não se aplica a um intervalo de três anos. A imunização passiva mora em apenas duas células: ferimento de alto risco em quem tem história incerta ou menos de três doses, e ferimento de alto risco em esquema completo com dez anos ou mais, em situações especiais. E esquema completo documentado nunca se reinicia.
Mulher de 44 anos pisa em prego enferrujado e apresenta ferimento puntiforme profundo na planta do pé, com sujidade. O serviço já definiu a conduta de imunização conforme o cartão. O plantonista propõe acrescentar benzilpenicilina benzatina por via intramuscular para prevenir o tétano. Sobre o cuidado local e essa proposta, qual conduta é correta?
O antibiótico sistêmico não faz parte da profilaxia do tétano: o Guia registra que não há comprovação de eficácia da benzilpenicilina benzatina nas infecções cutâneas para prevenir o tétano acidental, e trocá-la por outro antibiótico com a mesma finalidade repete o mesmo equívoco. Antibiótico pode ser indicado para tratar infecção da ferida, o que é outra decisão. O que reduz o risco é a conduta local: limpar com soro fisiológico ou água e sabão, debridar todo tecido desvitalizado e corpo estranho e, nos ferimentos puntiformes e profundos, abrir o trajeto em cruz e lavar generosamente, porque o que impede o esporo de germinar é a entrada de oxigênio no fundo. Manter o trajeto fechado preserva exatamente a anaerobiose de que o esporo precisa.
Homem de 58 anos é internado com trismo, riso sardônico, rigidez de nuca e espasmos desencadeados por estímulo sonoro, lúcido e afebril, com ferimento em pé ocorrido há doze dias. O diagnóstico clínico de tétano acidental foi firmado. Além da internação em ambiente calmo e escuro, qual é a conduta terapêutica inicial?
O tratamento do tétano instalado se apoia em cinco pilares: sedação, neutralização da toxina, debridamento do foco, antibioticoterapia e suporte. As doses de neutralização são maiores que as de profilaxia — soro antitetânico 20.000 UI ou imunoglobulina humana antitetânica 500 UI, podendo chegar a 6.000 UI a critério médico, contra 5.000 UI e 250 UI usadas na profilaxia do ferimento. O antibiótico é penicilina G cristalina de 4 em 4 horas ou metronidazol de 8 em 8 horas, por 7 a 10 dias; a penicilina benzatina não tem lugar aqui. O relaxamento muscular é objetivo central, com benzodiazepínico endovenoso, reservando o bloqueador neuromuscular aos refratários. E abrir mão da neutralização deixa de agir sobre a toxina ainda circulante.
Paciente com fratura exposta e história vacinal incerta para tétano, ferimento contaminado com terra. A conduta profilática correta é:
Ferimento de alto risco somado a esquema vacinal desconhecido ou incompleto exige as duas frentes: a imunização ativa, que protege no futuro, e a passiva, que oferece anticorpos agora — nenhuma das duas isoladamente cobre o intervalo. Confiar no antibiótico é erro conceitual: a doença é causada por toxina já produzida, e nenhum antimicrobiano neutraliza toxina circulante. Esperar o trismo é esperar a doença instalada.
Paciente vítima de ferimento por arma branca abdominal, com esquema vacinal antitetânico desconhecido e ferida contaminada com terra. Qual é a conduta em relação à profilaxia do tétano?
Em ferida de alto risco, isto é, contaminada, profunda ou com tecido desvitalizado, e em paciente com esquema vacinal incompleto ou desconhecido, a profilaxia é dupla: vacina, que confere proteção ativa a longo prazo, e imunoglobulina, que oferece proteção passiva imediata enquanto a resposta vacinal não se estabelece. Aplicar apenas a vacina é o erro mais comum e deixa o paciente desprotegido justamente na janela de incubação. Antibiótico não substitui a imunização, pois não neutraliza a toxina já produzida. E esperar sintomas neurológicos é tardio demais, já que o tétano instalado tem alta letalidade.
Qual medida faz parte do manejo inicial de todo paciente com trauma abdominal penetrante?
Todo ferimento penetrante exige revisão do estado vacinal com profilaxia antitetânica quando indicada e antibioticoterapia conforme o cenário, além da avaliação sistematizada do trauma. Suspender analgesia até o diagnóstico é dogma superado. Sondagem vesical na presença de sangue no meato uretral é contraindicada até uretrografia. Alimentação oral precoce para testar tolerância pode agravar contaminação em quem tem lesão de víscera oca e ainda dificultar a anestesia. E antibiótico oral domiciliar como padrão substitui inadequadamente a avaliação hospitalar que esses ferimentos exigem.
Sobre a profilaxia antitetânica no paciente queimado, é correto afirmar que:
Tecido desvitalizado e contaminado é ambiente propício para o bacilo, e a avaliação do histórico vacinal faz parte do atendimento inicial de qualquer queimado. Dispensar a vacina e administrar apenas imunoglobulina engana porque a imunoglobulina confere proteção passiva e transitória, enquanto a vacina constrói a imunidade duradoura. A profilaxia é feita na admissão, não dias depois.
Homem de 48 anos, agricultor, com ferimento em pé há 8 dias, apresenta trismo, riso sardônico, rigidez de nuca e espasmos musculares dolorosos desencadeados por estímulos, com consciência preservada e sem febre alta. Qual o diagnóstico?
Trismo, riso sardônico, opistótono, espasmos desencadeados por estímulos e consciência preservada compõem o quadro clássico do tétano generalizado, causado pela tetanospasmina que bloqueia a liberação de neurotransmissores inibitórios. Meningite cursa com febre alta e alteração do sensório, e a distonia aguda por antipsicótico responde prontamente a anticolinérgico, o que a diferencia à beira do leito.
Qual mecanismo explica os espasmos musculares do tétano?
A tetanospasmina sobe por transporte axonal retrógrado até o sistema nervoso central e bloqueia a liberação dos neurotransmissores inibitórios, deixando o neurônio motor sem freio, o que produz rigidez e espasmos ao menor estímulo. O bloqueio da liberação de acetilcolina na junção descreve a toxina botulínica, que produz o quadro oposto, de paralisia flácida descendente.
Qual complicação é a principal causa de morte no tétano generalizado grave?
O espasmo laríngeo e da musculatura respiratória pode causar parada respiratória súbita, e a instabilidade autonômica gera oscilações extremas de pressão e frequência, com arritmias — daí a necessidade de terapia intensiva, sedação profunda e frequentemente bloqueio neuromuscular com ventilação. A rabdomiólise ocorre pelos espasmos intensos, mas é complicação secundária e não a causa principal de óbito.
Paciente com esquema vacinal completo e última dose há 4 anos sofre ferimento limpo e superficial. Qual a conduta?
Em ferimento limpo e superficial com esquema completo e última dose há menos de dez anos, basta o cuidado local. O reforço passa a ser indicado com mais de dez anos nesse tipo de ferimento, e com mais de cinco anos nos ferimentos de alto risco, cenário em que também se avalia a imunoglobulina conforme o estado vacinal — é o cruzamento entre tipo de ferimento e tempo desde a última dose que define a conduta.
Sobre a profilaxia antitetânica em paciente com abortamento provocado em condições inseguras, qual conduta é correta?
A manipulação uterina em condições inseguras, com instrumentos não estéreis, cria risco de tétano, e a conduta é avaliar o histórico vacinal, aplicando vacina e, nos casos de esquema incompleto ou desconhecido com ferimento de risco, também a imunoglobulina. Confiar que o antibiótico cobre esse risco engana, porque a doença é mediada por toxina e a proteção depende de imunização. Esperar sinais clínicos é inaceitável, já que o tétano instalado tem alta letalidade e evolução rápida.
Qual conjunto compõe o tratamento do tétano acidental generalizado?
O tratamento reúne neutralização da toxina circulante com imunoglobulina, eliminação da fonte com antibiótico e desbridamento, controle dos espasmos com benzodiazepínico e por vezes bloqueio neuromuscular com ventilação mecânica, e ambiente com mínimos estímulos. Um detalhe frequentemente esquecido: a doença não gera imunidade, de modo que a vacinação deve ser iniciada ou completada durante a internação.
Sobre a notificação do tétano acidental no Brasil, qual afirmação é correta?
Tanto o tétano acidental quanto o neonatal são de notificação compulsória, com investigação que verifica a situação vacinal e as circunstâncias da exposição, permitindo identificar falhas de cobertura vacinal e de profilaxia nos serviços. Restringir a notificação aos óbitos ou apenas à forma neonatal apagaria justamente os casos que sinalizam oportunidades perdidas de prevenção.
Qual antibiótico é atualmente preferido no tratamento do tétano e por quê?
O metronidazol tornou-se preferido por boa penetração e por evitar o antagonismo sobre os receptores do ácido gama-aminobutírico atribuído à penicilina em doses elevadas, que poderia agravar os espasmos. Vale lembrar que o antibiótico atua apenas sobre a forma vegetativa no foco, sem neutralizar a toxina já ligada ao tecido nervoso — papel que cabe exclusivamente à imunoglobulina.
Qual grupo populacional apresenta maior risco de tétano acidental no Brasil?
A alta cobertura vacinal na infância deslocou a doença para adultos e idosos que perderam os reforços a cada dez anos, com maior incidência entre trabalhadores rurais expostos a ferimentos contaminados com terra. Reconhecer esse perfil orienta a busca ativa de atualização vacinal em adultos, etapa frequentemente esquecida nas consultas por não haver caderneta em mãos.
Paciente com ferimento profundo e contaminado com terra, com esquema vacinal desconhecido e sem documentação. Qual a conduta profilática?
Ferimento de alto risco em paciente com esquema desconhecido ou incompleto exige a soma de imunização ativa e passiva, porque a vacina leva dias a semanas para produzir anticorpos e a imunoglobulina oferece proteção imediata. O cuidado local com limpeza e desbridamento é parte essencial, já que o ambiente anaeróbio do tecido desvitalizado é o que permite a germinação dos esporos.
Qual conduta melhora o controle dos espasmos em paciente com tétano internado em terapia intensiva?
Como os espasmos são desencadeados por estímulos, reduzir luz, ruído e manipulação é parte do tratamento, e não detalhe de conforto. A sedação com benzodiazepínico atua no mesmo receptor cujo neurotransmissor inibitório está bloqueado pela toxina, e nos casos graves acrescenta-se bloqueio neuromuscular com ventilação. Estimulação frequente é exatamente o oposto do que a fisiopatologia recomenda.
Gestante de 30 semanas sofre ferimento profundo e sujo com material perfurocortante enferrujado. Recebeu a tríplice bacteriana acelular há oito semanas nesta gestação. Qual a conduta em relação à profilaxia do tétano?
Com esquema em dia e dose recente, a proteção contra o tétano está garantida e a conduta se resume ao cuidado local, com limpeza e desbridamento adequados. Aplicar dose adicional poucas semanas depois não acrescenta proteção e aumenta reatogenicidade local. A imunoglobulina é indicada quando o esquema é incompleto ou desconhecido em ferimento de alto risco, e antibiótico não substitui imunização, pois a doença decorre da toxina, não da invasão bacteriana sistêmica.
Homem de 28 anos apresenta pequeno corte limpo e superficial em dedo, ocorrido em ambiente doméstico com faca de cozinha. Refere esquema vacinal antitetânico completo, com última dose há 3 anos. Qual a conduta em relação ao tétano?
Em ferimento limpo e superficial, o intervalo aceitável desde a última dose é de dez anos, e o paciente descrito está dentro dessa margem, o que dispensa qualquer imunização. A ideia de que objeto metálico ou enferrujado obriga a vacinar é crença popular consagrada e não corresponde ao critério real, que combina característica da ferida com histórico vacinal. Reservar o reforço para o intervalo maior que cinco anos vale apenas nos ferimentos de alto risco, com tecido desvitalizado, contaminação por terra, fezes ou saliva.
Homem de 35 anos sofre ferimento profundo e contaminado com terra em perna, ao cair em obra. Refere esquema vacinal completo contra tétano na infância, com última dose há cerca de 8 anos. Qual a conduta?
Em ferimento de alto risco, o intervalo aceitável desde a última dose cai para cinco anos, de modo que um paciente com esquema completo mas vacinado há oito anos precisa de reforço. A imunoglobulina não entra aqui, porque há memória imunológica estabelecida e a resposta anamnéstica é rápida: ela se reserva a quem tem esquema incompleto ou desconhecido, ou a imunodeprimidos. Não fazer nada, confiando apenas no esquema primário antigo, é o erro mais comum diante de ferida suja.
Em qual situação a imunoglobulina antitetânica está indicada além do esquema vacinal, em paciente com ferimento de alto risco?
A imunoglobulina cobre o intervalo em que o paciente ainda não produziu anticorpos próprios, e por isso se destina a quem não tem memória imunológica confiável ou não consegue montá-la, como imunodeprimidos e desnutridos graves. Indicá-la para todo ferimento sujo, mesmo em quem tem esquema completo e recente, é excesso que consome um insumo caro sem benefício. Esperar sinais clínicos como trismo é outro erro, porque nesse ponto já não se trata de profilaxia, e sim de doença instalada com alta letalidade.
Qual é a orientação sobre a profilaxia do tétano em vítima de acidente ofídico?
A ferida da picada é contaminada e a profilaxia antitetânica segue a avaliação do estado vacinal, como em qualquer ferimento de risco. Vale um cuidado prático relevante: enquanto persistir a incoagulabilidade, injeções intramusculares devem ser evitadas pelo risco de hematoma, adiando-se a aplicação até a correção da coagulação — o que é diferente de contraindicar a imunização.
Adulto de 45 anos sofre ferimento profundo e sujo com terra. A última dose de vacina contra tétano foi há 8 anos, com esquema completo. Qual é a conduta?
Em ferimento de alto risco, o reforço é indicado quando a última dose ocorreu há mais de cinco anos, mesmo com esquema completo, enquanto a imunoglobulina se reserva a pacientes com esquema incompleto, desconhecido ou com imunossupressão, além de ferimentos de alto risco em situações específicas. Considerar a proteção vitalícia é erro conceitual, já que a imunidade decai com o tempo. Antibiótico trata infecção quando indicado, mas não substitui a profilaxia antitetânica, e reiniciar o esquema é desnecessário.
Homem de 31 anos, sem carteira de vacinação disponível, sofre fratura exposta contaminada com terra. Qual a conduta correta quanto à profilaxia do tétano?
Ferida contaminada com terra, extensa e com tecido desvitalizado é classificada como de alto risco, e diante de esquema vacinal desconhecido ou incompleto a conduta é vacinar e associar imunoglobulina, que oferece proteção imediata enquanto a resposta vacinal se desenvolve. Dar apenas a vacina deixa uma janela desprotegida justamente na ferida de maior risco. A imunoglobulina isolada não gera memória imunológica. O antibiótico não substitui a profilaxia específica, e adiar a decisão por 72 horas desperdiça a janela de proteção.
Adolescente de 12 anos sofre ferimento profundo e sujo com terra em fazenda. Recebeu três doses de vacina antitetânica na infância, com último reforço há 8 anos. Qual a conduta?
Com esquema completo e último reforço além de 5 anos em ferimento de alto risco, a conduta é o reforço vacinal; a imunoglobulina fica reservada a quem tem esquema incompleto, desconhecido ou é imunossuprimido. Prescrever os dois é o excesso mais comum no pronto-socorro e gasta um insumo escasso sem ganho. Não fazer nada ignora que a janela de 10 anos encurta para 5 quando o ferimento é sujo e profundo.
Sobre a profilaxia antitetânica no trauma ocular, é correto afirmar:
Trauma ocular é trauma, e a avaliação antitetânica segue a mesma lógica de qualquer ferimento: estado vacinal, tempo desde a última dose e características da ferida definem reforço e, em situações selecionadas, imunoglobulina. Ela é particularmente relevante em traumas perfurantes e contaminados com terra ou material orgânico. Imaginar o olho como território isento é um erro conceitual que também aparece na prática quando se esquece a profilaxia. Vale notar que antitetânica e antibioticoprofilaxia sistêmica no trauma perfurante são medidas complementares, e nenhuma substitui a outra.
Adolescente de 16 anos, imunocompetente, com esquema vacinal infantil completo documentado, sofre ferimento profundo e contaminado com terra. A última dose de vacina antitetânica foi há 8 anos. Qual a conduta?
Em ferimento contaminado, quem completou a série básica deve receber reforço se a última dose foi há cinco anos ou mais. Neste adolescente, o intervalo de oito anos indica uma dose de reforço, sem reiniciar o esquema. Imunoglobulina não é indicada apenas por o ferimento ser profundo em pessoa imunocompetente adequadamente vacinada. A avaliação muda diante de vacinação incompleta ou desconhecida e de condições específicas de imunodeficiência. Limpeza e desbridamento quando necessário continuam essenciais.
Recém-nascido de 7 dias, parto domiciliar assistido por parteira, cordão cortado com tesoura não esterilizada, mãe sem histórico vacinal. Apresenta dificuldade para sugar, trismo, riso sardônico e espasmos generalizados desencadeados por estímulos, com consciência preservada. Qual o diagnóstico?
Recusa alimentar por trismo entre o terceiro e o décimo dia de vida, riso sardônico, hipertonia generalizada com espasmos desencadeados por estímulo e consciência preservada é tétano neonatal, ligado a parto sem assepsia, cuidado inadequado do coto umbilical e mãe não vacinada. A consciência preservada durante os espasmos é o dado que separa de meningite e de encefalopatia, em que há rebaixamento. Hipocalcemia causa tremores e convulsão, mas não trismo com riso sardônico.
Recém-nascido com tétano neonatal internado em unidade de terapia intensiva. Qual conjunto de medidas compõe o tratamento?
O tratamento ataca três frentes simultâneas: neutralizar a toxina ainda não fixada com imunoglobulina, eliminar o bacilo com antimicrobiano (metronidazol é a escolha atual) e cuidar do foco, e controlar os espasmos com sedação, relaxante muscular e ambiente escuro e silencioso, já que qualquer estímulo desencadeia crise. Antibiótico isolado não resolve porque a doença é toxina-mediada. A vacinação deve ser iniciada na convalescença, pois a doença não confere imunidade.
Criança de 6 anos, com esquema vacinal completo e última dose de vacina contendo componente tetânico há 2 anos, sofre ferimento profundo e sujo com terra em pé descalço. Qual a conduta quanto à profilaxia do tétano?
Com esquema completo e dose há menos de 5 anos, mesmo em ferimento de alto risco, não se indica reforço nem imunoglobulina: basta o cuidado local, que é a parte da conduta mais negligenciada e a que mais reduz a proliferação do bacilo. O reforço entraria se a última dose tivesse mais de 5 anos nesse tipo de ferimento, e a imunoglobulina se soma apenas quando o esquema é incompleto, desconhecido ou o paciente é imunodeprimido. Antibiótico isolado não substitui limpeza nem imunização.
Criança de 3 anos com esquema vacinal desconhecido sofre ferimento perfurante contaminado com fezes de animal. Qual a conduta?
Esquema desconhecido ou incompleto em ferimento de alto risco pede as três medidas: cuidado local, imunização ativa para proteção futura e imunização passiva com imunoglobulina para neutralizar a toxina circulante agora, já que a vacina leva semanas para produzir anticorpos. Aplicar apenas a vacina é o erro que deixa a criança desprotegida justamente no período de incubação. A imunoglobulina humana tem risco de reação muito baixo e é a opção preferencial em relação ao soro heterólogo.
Qual medida é a mais eficaz para prevenir o tétano neonatal em uma população?
A proteção do recém-nascido vem da passagem transplacentária de anticorpos maternos, e por isso a vacinação da gestante, com pelo menos duas doses e reforço adequado, somada a parto limpo e cuidado do coto, é o que elimina a doença. Vacinar o recém-nascido não protege a tempo, porque a resposta imune leva semanas e o tétano neonatal se instala na primeira. Imunoglobulina para todos é inviável e não substitui a imunização materna. Antibiótico não previne uma doença causada por toxina.
Homem de 34 anos, pedreiro, chega à Unidade Básica de Saúde com ferimento cortocontuso no antebraço direito ocorrido há 3 horas em obra, com terra e restos de cimento no leito da ferida. Refere que tomou a última dose de vacina contra tétano há mais de 10 anos e não tem documentação. Ferida com 4 cm, bordas irregulares, sangramento controlado. Após limpeza cirúrgica da lesão, qual é a conduta de imunização indicada?
Ferimento com terra e material orgânico é classificado como de alto risco para tétano; em paciente com esquema vacinal incerto ou última dose há mais de 10 anos, o protocolo do Ministério da Saúde indica vacina dT (iniciando/completando o esquema) ASSOCIADA à imunoglobulina antitetânica. Vacinar sem soro só se aplica a ferimento de baixo risco ou a esquema completo com última dose entre 5 e 10 anos. Dar somente imunoglobulina deixa o paciente sem proteção duradoura, já que a imunização passiva dura poucas semanas. Confiar apenas no desbridamento ignora que a limpeza reduz, mas não elimina, o risco de tétano acidental.
Criança de 4 anos é levada ao pronto-atendimento com ferimento perfurante em pé por prego enferrujado ocorrido há 3 horas, em terreno com terra. A ferida é profunda e suja. A caderneta mostra três doses de pentavalente na infância e nenhum reforço posterior, sendo a última dose há 3 anos e meio. Qual é a conduta profilática correta em relação ao tétano?
Em ferimento com alto risco de tétano, o reforço vacinal é indicado quando a última dose ocorreu há mais de cinco anos, mesmo com esquema básico completo, além da limpeza cirúrgica adequada. Deixar de vacinar por considerar apenas o esquema básico ignora o intervalo desde a última dose e o tipo de ferimento. A imunoglobulina isolada não confere proteção duradoura e não substitui a vacina. A associação de vacina e imunoglobulina se reserva a pessoas com esquema incompleto, desconhecido ou imunossuprimidas, o que não é o caso.
Recém-nascido de 12 dias apresenta rigidez de nuca, trismo, dificuldade de sucção, espasmos ao manuseio e opistótono. O parto foi domiciliar, com corte do cordão umbilical com tesoura não esterilizada. A mãe não realizou pré-natal e não tem registro de vacinação. Qual é o diagnóstico e a medida de prevenção que teria evitado o caso?
Trismo, espasmos ao estímulo e opistótono em recém-nascido com antecedente de parto domiciliar sem assepsia caracterizam tétano neonatal, cuja prevenção depende da vacinação da gestante e do cuidado asséptico com o cordão umbilical. A meningite neonatal cursa com sinais inespecíficos de sepse, sem trismo e espasmos característicos. O kernicterus produz hipertonia e opistótono, mas em contexto de icterícia grave, ausente na descrição. A hipocalcemia gera irritabilidade e crises, sem trismo típico e sem esse antecedente epidemiológico.
Homem de 22 anos é atendido na Unidade Básica de Saúde por ferimento cortocontuso em antebraço ocorrido há duas horas, ao manusear ferramenta enferrujada em obra. A ferida tem cerca de 4 cm, bordas irregulares, com terra e sujidade visíveis. Não há sangramento ativo. Ele traz a caderneta de vacinação, que registra esquema primário completo na infância e último reforço com vacina dupla adulto há doze anos. Ao exame: afebril, sem sinais de infecção local, movimentos e sensibilidade preservados no membro. A conduta correta quanto à profilaxia do tétano é:
Ferimento sujo e com corpos estranhos em pessoa com esquema primário completo, porém com último reforço há mais de cinco anos, indica limpeza e desbridamento cuidadosos mais uma dose de reforço da vacina, sem imunoglobulina, que se reserva a esquema incompleto, desconhecido ou a imunossuprimidos. Aplicar apenas imunoglobulina desperdiça a oportunidade de restaurar a memória imunológica. Assumir proteção vitalícia é incorreto, pois os títulos declinam com o tempo e por isso se recomendam reforços periódicos. Reiniciar o esquema completo é desnecessário em quem já recebeu as doses primárias e apenas atrasa o cuidado, além de gerar custo evitável.
Gestante de 21 anos, com 14 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de pré-natal e refere que sofreu queda de bicicleta com escoriação profunda e suja no joelho há seis horas. A ferida foi lavada e não há sinais de infecção. No cartão vacinal consta esquema completo de tétano na infância, com última dose de reforço há 12 anos. Ela está afebril, com pressão arterial de 106x64 mmHg. Considerando a profilaxia do tétano acidental em gestante, a conduta correta é
Ferimento com risco de tétano em pessoa com esquema completo, porém com última dose há mais de cinco anos, indica reforço vacinal, que pode ser feito com dupla adulto ou aproveitado como dTpa na gestação; o soro é reservado a esquema incompleto, desconhecido ou imunossupressão em ferimentos de alto risco. Afirmar proteção vitalícia após o esquema infantil é incorreto, pois a imunidade decai. Soro isolado não confere memória imunológica. Vacinas inativadas como a antitetânica são seguras e recomendadas na gestação.
Homem de 52 anos, agricultor, chega à Unidade Básica de Saúde três horas após ferimento profundo e sujo de terra no pé direito, provocado por prego enferrujado. Ao exame, ferida puntiforme com bordas irregulares, tecido desvitalizado e contaminação visível, sem sinais de infecção estabelecida. Ele afirma que tomou vacinas na infância, mas não sabe informar doses posteriores e não tem caderneta. Está afebril, com sinais vitais normais e sem comorbidades conhecidas. A conduta correta quanto à profilaxia do tétano é:
Ferimento profundo, sujo, com tecido desvitalizado e contaminação por terra é de alto risco para tétano; em pessoa com histórico vacinal incerto ou incompleto, indica-se limpeza e desbridamento, vacina antitetânica e também imunização passiva com imunoglobulina, que oferece proteção imediata enquanto a resposta vacinal se desenvolve. Aplicar só a vacina deixa o paciente desprotegido no período de risco. A proteção conferida na infância não é permanente e requer reforços a cada dez anos. Antibiótico não substitui a profilaxia específica, embora o cuidado com a ferida seja parte essencial da prevenção.
Recém-nascido de 8 dias, nascido em parto domiciliar sem assistência qualificada, em município com baixa cobertura de pré-natal, é levado à unidade de pronto atendimento por recusa alimentar iniciada há 2 dias, com dificuldade para abrir a boca e rigidez. Ao exame apresenta trismo, riso sardônico, hipertonia generalizada com opistótono, espasmos desencadeados por estímulos táteis e luminosos, coto umbilical com odor fétido e restos de material aplicado localmente. A mãe não tem registro de vacinação antitetânica. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Trismo, riso sardônico, hipertonia com opistótono e espasmos desencadeados por estímulos em recém-nascido com coto umbilical contaminado e mãe não vacinada caracteriza tétano neonatal, doença de notificação compulsória imediata, prevenível pela vacinação da gestante e pelo cuidado adequado do coto. A meningite cursa com fontanela abaulada e alterações liquóricas, sem trismo e riso sardônico. A encefalopatia hipóxico-isquêmica se instala nas primeiras horas após asfixia perinatal. A hipocalcemia produz irritabilidade e convulsões, sem a rigidez característica e os espasmos reflexos descritos.
Homem de 37 anos, agricultor, chega à Unidade de Pronto Atendimento com dificuldade para abrir a boca há dois dias, dor cervical e rigidez da nuca. Há dez dias sofreu ferimento perfurante no pé com prego enferrujado, tratado apenas com lavagem em casa. Não sabe informar sobre vacinação. Ao exame: trismo importante, riso sardônico, rigidez de nuca e abdominal, com espasmos musculares desencadeados por estímulos sonoros e luminosos, sem febre alta e com consciência preservada. Qual é a conduta terapêutica indicada?
O tétano acidental exige internação em ambiente com mínimo estímulo, imunoglobulina antitetânica para neutralizar a toxina circulante, antibiótico, controle dos espasmos com sedação e relaxantes, desbridamento do foco e início ou complementação do esquema vacinal, pois a doença não confere imunidade. Relaxante oral com alta ignora o risco de espasmo laríngeo e insuficiência respiratória. A vacina isolada não neutraliza a toxina já circulante e demora a produzir resposta. Corticoide não é tratamento específico da doença.
Homem de 52 anos chega à Unidade Básica de Saúde com ferimento profundo e sujo de terra no pé, ocorrido há seis horas em obra. Ele não sabe informar sobre vacinação antitetânica e não tem caderneta, relatando não ter tomado vacinas na vida adulta. Ao exame: ferimento perfurante com tecido desvitalizado e presença de corpo estranho, sem sinais de infecção estabelecida, com pulsos preservados e sem déficit neurológico. A ferida foi limpa e desbridada na unidade. Qual é a conduta correta quanto à profilaxia do tétano?
Em ferimento de alto risco, com tecido desvitalizado, sujidade e corpo estranho, associado a histórico vacinal desconhecido ou incompleto, indica-se tanto a vacina quanto a imunização passiva com imunoglobulina antitetânica ou soro, além do desbridamento adequado. Vacinar sem imunização passiva deixa o paciente desprotegido durante o período necessário para a resposta imune. A limpeza da ferida é indispensável, mas não substitui a profilaxia. Aplicar apenas a imunização passiva não confere proteção duradoura, pois não inicia o esquema vacinal.
Homem de 52 anos, agricultor, chega à unidade de pronto atendimento após pisar em prego enferrujado que perfurou o pé direito através do calçado, há 3 horas. Ao exame apresenta PA 128x80 mmHg, FC 88 bpm, ferimento puntiforme profundo na região plantar, com pouca sujidade visível na superfície, sem sinais inflamatórios, com pulsos e sensibilidade preservados. O cartão vacinal mostra três doses de vacina antitetânica, com a última dose há doze anos, e ele não recebeu reforços desde então. A conduta correta quanto à profilaxia é:
Ferimento profundo, puntiforme e com potencial de contaminação em pessoa com esquema completo mas última dose há mais de cinco anos indica reforço da vacina antitetânica, associado à limpeza e ao desbridamento adequados, sendo o soro reservado a ferimentos de alto risco em pessoas com esquema incompleto ou desconhecido. Não aplicar reforço desconsidera o intervalo e o tipo de ferimento. Soro isolado não confere proteção duradoura. Antibiótico não substitui a profilaxia antitetânica nem o cuidado da ferida.
Recém-nascido de 5 dias, nascido em domicílio sem assistência, é levado à Unidade de Pronto Atendimento com dificuldade para mamar, choro fraco e rigidez muscular. A mãe não fez pré-natal e não sabe informar sobre vacinação. Ao exame: trismo com dificuldade de abrir a boca, hipertonia generalizada, opistótono, espasmos desencadeados por estímulos luminosos e sonoros, e coto umbilical com aspecto sujo, tratado com substâncias caseiras. A criança está afebril e consciente. Qual é a hipótese diagnóstica?
Trismo, hipertonia generalizada, opistótono e espasmos desencadeados por estímulos em recém-nascido de parto domiciliar sem assistência, com cuidado inadequado do coto umbilical e mãe sem vacinação, caracterizam tétano neonatal, doença de notificação imediata, evitável pela vacinação da gestante e por práticas seguras de parto e cuidado do coto. A sepse com meningite cursa com febre ou hipotermia e alteração do sensório. A encefalopatia hipóxico-isquêmica se manifesta nas primeiras horas com depressão neurológica. A hipocalcemia produz irritabilidade e convulsões, sem trismo e opistótono típicos.
Menino de 10 anos é levado à Unidade Básica de Saúde após ferimento profundo no pé com prego enferrujado em terreno baldio, ocorrido há quatro horas. A caderneta mostra apenas três doses de vacina contendo componente tetânico, com a última aplicada há oito anos. Ao exame: ferimento perfurante com tecido desvitalizado e sujidade, sem sinais de infecção estabelecida, com pulsos preservados e sem déficit neurológico. A ferida foi limpa e desbridada na unidade. Qual é a conduta correta quanto à profilaxia do tétano?
Em ferimento de alto risco, com tecido desvitalizado e sujidade, indica-se reforço da vacina quando a última dose ocorreu há mais de cinco anos, avaliando-se também a indicação de imunização passiva conforme o tipo de ferimento e o estado vacinal, além do desbridamento adequado. Considerar o esquema da infância suficiente ignora o intervalo desde a última dose e o tipo de ferimento. Imunização passiva isolada não confere proteção duradoura. Reiniciar todo o esquema é desnecessário quando há doses prévias documentadas.
Menino de 8 anos é levado ao pronto-socorro após ferimento profundo em pé com prego enferrujado enquanto brincava em terreno baldio, há cerca de quatro horas. A caderneta mostra apenas três doses de vacina contendo o componente tetânico, sendo a última há sete anos, sem reforços posteriores. Ao exame: ferimento puntiforme profundo e sujo em planta do pé, com corpo estranho aparente e tecido desvitalizado, sem sinais inflamatórios sistêmicos e sem trismo, com boa perfusão do membro. Qual é a conduta correta?
Em ferimento profundo e contaminado com tecido desvitalizado, a profilaxia do tétano combina limpeza e desbridamento cirúrgico, dose de reforço da vacina quando a última dose ultrapassou cinco anos e avaliação da indicação de imunoglobulina conforme o risco e a situação vacinal. Aplicar vacina sem tratar o ferimento mantém o meio anaeróbio. Antibiótico isolado não substitui a imunização. Considerar o esquema suficiente ignora o intervalo desde a última dose em ferimento de alto risco.
Homem de 58 anos é atendido na Unidade Básica de Saúde com queimadura de segundo grau em 6% da superfície corporal na perna direita, ocorrida há duas horas ao manusear panela com óleo quente. A lesão está suja com terra, pois ele caiu no quintal em seguida. Ao ser questionado sobre vacinas, informa que recebeu a última dose de vacina com componente tetânico há cerca de 12 anos, com esquema primário completo documentado na caderneta. Está afebril, estável e sem outras lesões. Qual é a conduta quanto à profilaxia do tétano?
Ferimento com risco de tétano, como queimadura contaminada com terra, em paciente com esquema primário completo mas última dose há mais de cinco anos, indica reforço com vacina dupla adulto; a imunoglobulina é reservada a esquema incompleto ou desconhecido, imunossupressão ou ferimentos de alto risco em pessoas não adequadamente imunizadas. Afirmar proteção permanente ignora a necessidade de reforço a cada dez anos, reduzido a cinco em ferimentos de risco. Imunoglobulina isolada não gera memória imunológica e não substitui o reforço vacinal.
Em município do interior, nasce em domicílio um recém-nascido cuja mãe não realizou pré-natal. Com sete dias de vida, a criança apresenta dificuldade de sucção, choro constante, rigidez muscular generalizada e espasmos desencadeados por estímulos, com trismo evidente. O cordão umbilical foi cortado com instrumento não esterilizado. A criança apresenta temperatura axilar de 37,5 °C e coto umbilical com secreção purulenta, e a mãe nunca recebeu qualquer dose de vacina contendo o toxoide tetânico. Qual é a conduta correta em relação a esse caso do ponto de vista da vigilância?
O tétano neonatal é doença em processo de eliminação, com notificação e investigação imediatas de todo caso suspeito, pois cada ocorrência sinaliza falha de cobertura vacinal materna e de assistência ao parto que exige resposta rápida no território. Esperar confirmação laboratorial é inviável, já que o diagnóstico é eminentemente clínico e não depende de isolamento do agente. Afirmar que não é agravo notificável contraria a lista nacional. Restringir a notificação aos óbitos impede a vigilância de casos e a correção das falhas identificadas.
Menino, 6 anos, é trazido após ferimento com prego enferrujado na planta do pé, ocorrido há 3 horas, com ferida profunda e suja de terra. A caderneta mostra três doses da vacina pentavalente na infância e nenhum reforço posterior, com última dose há 4 anos. A ferida foi limpa e desbridada no serviço. A criança não apresenta sinais de infecção local nem sintomas sistêmicos. Qual a conduta quanto à profilaxia do tétano?
Ferimento profundo e sujo em criança com esquema básico completo, mas com última dose há mais de cinco anos ou próxima disso, indica reforço vacinal; como a criança é adequadamente imunizada, a imunoglobulina não é necessária. Aplicar apenas imunoglobulina não confere memória imunológica e é desnecessária em quem tem esquema completo. Deixar de aplicar qualquer medida ignora que ferimentos de alto risco exigem reforço quando o intervalo desde a última dose é longo. Iniciar esquema completo com três doses desconsidera as doses já recebidas e a imunoglobulina não está indicada nesse cenário. O antibiótico previne infecção bacteriana da ferida, mas não substitui a profilaxia antitetânica.
Recém-nascido de 15 dias apresenta irritabilidade, recusa alimentar e episódios de rigidez generalizada desencadeados por estímulos, com trismo e opistótono. O parto foi domiciliar, com secção do cordão umbilical por instrumento não esterilizado, e a mãe não recebeu vacina antitetânica. T 37,4 °C, FC 180 bpm. Ao exame, há espasmos paroxísticos com preservação da consciência entre as crises. Qual o diagnóstico e a conduta?
Trismo, opistótono e espasmos desencadeados por estímulos com consciência preservada em recém-nascido de parto domiciliar com cordão manipulado sem assepsia e mãe não vacinada definem tétano neonatal, tratado com imunoglobulina antitetânica, antibiótico, controle dos espasmos com sedação, ambiente com estímulos reduzidos e suporte intensivo. A meningite bacteriana cursa com alteração do nível de consciência e alterações liquóricas, sem espasmos com consciência preservada. A encefalopatia hipóxico-isquêmica se manifesta nas primeiras horas de vida após asfixia perinatal. A hipocalcemia e a hipoglicemia podem causar crises, mas não produzem trismo e opistótono com esse padrão nem se relacionam ao antecedente descrito.
Menino, 7 anos, com esquema vacinal incompleto, sofreu ferimento profundo e sujo de terra no pé há 12 dias. Há 2 dias apresenta dificuldade de abrir a boca e rigidez cervical, hoje com espasmos ao menor estímulo. FC 128 bpm, FR 28 ipm, T 37,6 °C, PA 128x84 mmHg. Ao exame, trismo, riso sardônico e opistótono, com consciência preservada. A ferida no pé encontra-se com tecido desvitalizado e secreção. Qual a conduta indicada?
Imunoglobulina antitetânica, metronidazol, desbridamento e sedação em ambiente calmo é a conduta indicada: o tratamento do tétano acidental combina neutralização da toxina circulante, eliminação do foco produtor, controle dos espasmos e redução dos estímulos, além da vacinação, já que a doença não confere imunidade. O corticoide isolado não neutraliza toxina nem controla o foco. A vacina isolada não protege contra a toxina já produzida. O antibiótico isolado não neutraliza a toxina circulante. Aguardar cultura é inaceitável em doença de diagnóstico clínico e evolução rapidamente fatal.
Gestante de 25 anos, com 28 semanas, sofre ferimento perfurante profundo no pé ao pisar em prego enferrujado em ambiente rural. A ferida está contaminada com terra. Ela apresenta esquema vacinal com três doses de vacina dupla adulto, sendo a última há doze anos, e não recebeu dTpa nesta gestação. Ao exame, PA 112x70 mmHg, T 36,6 °C, sem sinais flogísticos locais e com pulsos distais presentes. Qual a conduta correta?
Ferimento profundo e contaminado com terra, em paciente com última dose há mais de cinco anos, exige limpeza cirúrgica da ferida, dose de reforço vacinal e imunoglobulina antitetânica, dada a alta suspeita de ferimento de risco. Limitar-se à limpeza sob a premissa de proteção permanente é erro, pois a imunidade vacinal decai com o tempo. Prescrever apenas antibiótico não previne o tétano, que decorre da toxina. Reiniciar o esquema desprezando doses documentadas e negar a imunoglobulina deixa a paciente desprotegida no período de incubação. Adiar a vacinação para o puerpério é incorreto, pois as vacinas indicadas são seguras na gestação.
Homem, 55 anos, lavrador, sofreu ferimento profundo e sujo de terra em perna direita com instrumento agrícola há oito horas. A ferida tem 6 cm, com tecido desvitalizado e corpos estranhos visíveis. Está afebril, PA 130/82 mmHg, FC 88 bpm. Relata ter recebido a última dose de vacina antitetânica há cerca de 12 anos e não sabe informar se completou o esquema primário de três doses na infância. Qual a conduta profilática indicada?
Ferimento sujo, profundo e com tecido desvitalizado em paciente com esquema vacinal incerto e última dose há mais de dez anos indica vacina antitetânica associada à imunoglobulina humana antitetânica, além do desbridamento. Fazer apenas limpeza cirúrgica deixa o paciente sem proteção ativa ou passiva diante de ferida de alto risco. A vacina isolada bastaria se o esquema primário fosse comprovadamente completo. A imunoglobulina isolada oferece proteção transitória sem induzir memória imunológica. Penicilina trata infecção estabelecida e não substitui a imunoprofilaxia antitetânica.
Homem, 52 anos, agricultor, com ferimento perfurante em pé há 10 dias, apresenta dificuldade para abrir a boca e rigidez cervical há 2 dias. Não recebe vacina há mais de 20 anos. PA 168x98 mmHg, FC 122 bpm, T 37,8 °C. Trismo, riso sardônico e espasmos musculares dolorosos desencadeados por estímulos, com consciência preservada. Ferida com tecido desvitalizado. Líquido cefalorraquidiano sem alterações. Qual o conjunto de medidas indicado?
O tétano acidental exige neutralização da toxina circulante com imunoglobulina antitetânica, antibiótico de escolha com metronidazol, desbridamento do foco, controle dos espasmos com sedação em ambiente com pouca estimulação e início do esquema vacinal. A penicilina benzatina em dose única não trata o foco anaeróbio nem neutraliza a toxina. O corticoide não faz parte do tratamento e o relaxante oral é insuficiente para os espasmos. A antitoxina diftérica trata difteria, doença distinta. O aciclovir não tem qualquer papel, e a monitorização em enfermaria subestima o risco de espasmo laríngeo e disautonomia.
Homem, 47 anos, com queimadura de segundo grau profundo em 12% da superfície corporal por líquido inflamável, ocorrida há 3 horas. Refere ter recebido três doses de vacina antitetânica na infância, com última dose de reforço há cerca de 12 anos. PA 126x78 mmHg, FC 96 bpm, T 36,6 °C. Ferimentos com tecido desvitalizado e contaminação por sujidade. Nega imunossupressão ou uso de corticoide. Qual a conduta quanto à profilaxia?
O paciente tem esquema básico completo, mas o último reforço ocorreu há mais de cinco anos, e a ferida é considerada de alto risco, o que indica reforço vacinal; a imunoglobulina fica reservada a quem tem esquema incompleto, desconhecido ou imunossupressão. Aplicar somente imunoglobulina deixa de estimular a memória imunológica. Aplicar ambas expõe a paciente a intervenção desnecessária. Dispensar a profilaxia ignora o intervalo superior a cinco anos em ferida contaminada. O antibiótico sistêmico não substitui a imunização e não previne o tétano.
Homem, 47 anos, trabalhador rural, apresenta ferimento profundo e sujo de terra em pé direito, ocorrido há 6 horas ao pisar em prego enferrujado. Exame: T 36,6 °C, ferimento puntiforme profundo com bordas irregulares e tecido desvitalizado, sem sinais de infecção estabelecida. Relata última dose de vacina antitetânica há mais de 10 anos, com esquema básico completo na infância, sem reforços posteriores documentados. Qual a conduta profilática correta?
Ferimento profundo, sujo, com tecido desvitalizado e mais de seis horas de evolução é classificado como de alto risco para tétano, e em paciente cuja última dose ocorreu há mais de dez anos indica-se vacina antitetânica associada à imunoglobulina específica, além de limpeza rigorosa e desbridamento do tecido desvitalizado, que é a medida mais importante. Considerar a imunização infantil como proteção vitalícia é incorreto, pois a proteção requer reforços a cada dez anos. Aplicar apenas imunoglobulina não confere proteção duradoura. Aplicar somente a vacina é insuficiente em ferimento de alto risco com esquema desatualizado, pois a resposta demora a se estabelecer. O antibiótico isolado não substitui a profilaxia imunológica nem o desbridamento.
Homem, 63 anos, trabalhador rural sem vacinação atualizada, apresenta há 2 dias trismo, disfagia e rigidez cervical, evoluindo com espasmos musculares desencadeados por estímulos. Exame: T 37,8 °C, PA 168x98 mmHg com oscilações, FC 132 bpm, riso sardônico, opistótono intermitente, consciente e lúcido durante os espasmos. Relata ferimento em pé há 12 dias, tratado apenas com curativo caseiro em casa. Qual conjunto de medidas é mais adequado?
O tétano acidental exige internação em ambiente com pouca luminosidade e mínimo estímulo, sedação com benzodiazepínico e eventualmente bloqueio neuromuscular com suporte ventilatório, imunoglobulina antitetânica para neutralizar a toxina circulante, antibiótico como metronidazol, desbridamento do foco, controle da disautonomia e início do esquema vacinal, já que a doença não confere imunidade. Antibiótico oral com observação domiciliar é incompatível com a gravidade e com o risco de espasmo laríngeo. O corticoide isolado não controla os espasmos nem neutraliza a toxina. A vacina isolada gera resposta lenta e não neutraliza a toxina já circulante. Antitérmico com alta precoce ignora a evolução potencialmente fatal do quadro.
Homem, 26 anos, sofreu corte em antebraço com vidro há 3 horas, apresentando ferida linear de 6 cm, com bordas regulares, sangramento já contido e sem contaminação grosseira. Não há déficit motor, alteração de sensibilidade ou comprometimento vascular distal. PA 124x78 mmHg, FC 84 bpm, T 36,6 graus Celsius. O esquema antitetânico está completo, com última dose há 3 anos. Qual a conduta indicada?
Limpeza, exploração da ferida e sutura primária, sem necessidade de reforço antitetânico, é a conduta correta, pois a ferida é limpa, com menos de 6 horas de evolução em condições favoráveis, e o esquema vacinal está completo com dose recente. O antibiótico profilático de rotina não é indicado em ferida limpa e suturada precocemente. A cicatrização por segunda intenção é reservada a feridas contaminadas ou com perda de substância. O reforço antitetânico não é necessário com esquema completo e última dose há 3 anos em ferida limpa. A anestesia geral é desproporcional para sutura de ferida superficial sem lesão nobre.
Homem, 39 anos, agricultor, sofre ferimento profundo e sujo de terra no antebraço há 8 horas, com tecido desvitalizado. Refere ter recebido três doses de vacina antitetânica na infância, com última dose há cerca de 12 anos. Exame: ferida com bordas contundidas, contaminada por terra, sem sinais de infecção; sem febre. Qual a conduta correta quanto à profilaxia do tétano?
A conduta correta é aplicar o reforço vacinal e também a imunoglobulina antitetânica: trata-se de ferida de alto risco, profunda, contaminada por terra e com tecido desvitalizado, em paciente cuja última dose ocorreu há mais de 5 anos, situação em que se combinam imunização ativa e passiva. Aplicar somente a imunoglobulina deixa o paciente sem a resposta duradoura do reforço. Afirmar que o esquema primário protege por toda a vida é incorreto, pois a proteção declina e exige reforços. O reforço isolado seria suficiente em ferida limpa e superficial, mas não nesta ferida de alto risco com intervalo longo. A penicilina benzatina não substitui a profilaxia específica do tétano.
Homem, 58 anos, agricultor sem vacinação documentada, apresenta trismo, disfagia e rigidez cervical há 2 dias, com espasmos desencadeados por estímulos sonoros. Sofreu ferimento em pé com prego enferrujado há 12 dias. PA 156x94 mmHg, FC 124 bpm, T 37,6 °C. Riso sardônico presente, sensório preservado durante os espasmos. Ferida com tecido desvitalizado no pé direito. Qual o conjunto de medidas indicado?
O tratamento do tétano acidental instalado reúne imunoglobulina antitetânica para neutralizar a toxina circulante, metronidazol para eliminar a fonte bacteriana, desbridamento da ferida, imunização ativa, pois a doença não confere imunidade, e controle de espasmos com sedação em ambiente com pouco estímulo. Vacina e antibiótico oral em domicílio são insuficientes e perigosos em paciente com espasmos e risco de insuficiência respiratória. Corticoide não é tratamento e dispensar imunoglobulina deixa a toxina circulante sem neutralização. O bacilo é sensível a metronidazol, de modo que o antimicrobiano tem papel definido. A plasmaférese não remove a toxina já fixada ao tecido nervoso.
Um serviço de referência para imunobiológicos especiais revisa as indicações de imunoglobulinas hiperimunes disponíveis, discutindo prazos de administração e populações-alvo em situações de exposição. São analisados casos de exposição a varicela em gestante suscetível, ferimentos com risco de tétano e exposições a hepatite B e raiva. Sobre as imunoglobulinas específicas, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmativa incorreta é a que faz a imunoglobulina antitetânica substituir a vacina: imunização passiva e ativa são complementares, e a vacina permanece indicada após o ferimento. A indicação da imunoglobulina antivaricela-zóster a gestantes suscetíveis expostas, dentro do prazo, está correta. A aplicação precoce da imunoglobulina anti-hepatite B, idealmente nas primeiras 24 a 48 horas, é a recomendação vigente. A associação obrigatória da imunoglobulina antirrábica ao esquema vacinal está corretamente enunciada. O caráter transitório da proteção passiva também é verdadeiro.
Recém-nascido de 8 dias, parto domiciliar sem assistência, com cordão umbilical cortado com instrumento não esterilizado, apresenta dificuldade de sucção há 2 dias, choro constante e agora rigidez generalizada com espasmos ao manuseio. Temperatura axilar 37,4 °C, frequência cardíaca 168 bpm. Trismo evidente com dificuldade de abertura bucal; coto umbilical com secreção. Mãe sem vacinação documentada. Qual a conduta?
O tétano neonatal, sugerido por parto domiciliar com corte não estéril do cordão, recusa alimentar seguida de trismo e espasmos em recém-nascido de mãe não vacinada, é tratado com imunoglobulina antitetânica, metronidazol, cuidados locais do coto, sedação para controle dos espasmos e ambiente com estímulos mínimos. Fenobarbital isolado não neutraliza a toxina nem elimina a fonte. Ceftriaxona isolada trataria sepse bacteriana, que não explica trismo com espasmos ao manuseio. O aciclovir trata infecção herpética neonatal, que cursaria com vesículas e alteração liquórica. A encefalopatia bilirrubínica exigiria hiperbilirrubinemia grave, não relatada.
Ferimentos com tecido desvitalizado favorecem o desenvolvimento do tétano após contaminação por esporos. Qual característica local contribui para esse processo?
Clostridium tetani é anaeróbio; condições locais de pouca oxigenação favorecem a germinação dos esporos e a produção de toxina. Referência: CDC. Clinical Overview of Tetanus. https://www.cdc.gov/tetanus/hcp/clinical-overview/index.html
Uma pessoa se recupera de tétano e pergunta se a doença substitui a necessidade de vacinação. Qual orientação corresponde ao conhecimento sobre a imunidade após a infecção?
A quantidade de toxina capaz de causar doença pode não induzir resposta protetora. A recuperação não dispensa imunização ativa. Referência: CDC. Clinical Care of Tetanus. https://www.cdc.gov/tetanus/hcp/clinical-care/index.html
Uma cultura da ferida não isola Clostridium tetani em paciente com trismo e espasmos típicos, sem outra causa mais provável. Como esse resultado deve ser interpretado?
A recuperação do bacilo na ferida é pouco frequente; a avaliação clínica orienta o diagnóstico e o tratamento. Referência: CDC. Clinical Features of Tetanus. https://www.cdc.gov/tetanus/hcp/clinical-signs/index.html
Durante a internação por tétano grave, ocorrem sudorese intensa, episódios de taquicardia e grande oscilação da pressão arterial. Qual mecanismo relacionado à doença pode explicar esse conjunto?
O tétano pode afetar o controle autonômico e causar instabilidade hemodinâmica, exigindo manejo além do controle dos espasmos. Referência: CDC. Pink Book, Chapter 21: Tetanus — patogênese e epidemiologia. https://www.cdc.gov/pinkbook/hcp/table-of-contents/chapter-21-tetanus.html
O tétano cefálico pode surgir após lesão de cabeça ou face e também se associar a otite média. Qual alteração neurológica distingue essa apresentação das formas dominadas por espasmos musculares?
A forma cefálica pode causar paresias flácidas de nervos cranianos, especialmente na região facial, e pode evoluir para generalização. Referência: CDC. Clinical Features of Tetanus. https://www.cdc.gov/tetanus/hcp/clinical-signs/index.html
Um paciente apresenta espasmos dolorosos limitados aos músculos próximos à porta de entrada e recebe diagnóstico de tétano localizado. Qual afirmação sobre sua evolução é correta?
A localização inicial dos espasmos não garante que a doença permaneça restrita; pode haver progressão para a forma generalizada. Referência: CDC. Clinical Features of Tetanus. https://www.cdc.gov/tetanus/hcp/clinical-signs/index.html
Ao avaliar fatores relacionados à gravidade do tétano, como deve ser interpretado um intervalo curto entre o ferimento e o início dos sintomas, em comparação com uma incubação mais longa?
Uma incubação curta é um marcador de maior gravidade; não deve ser interpretada como proteção por reconhecimento precoce. Referência: CDC. Clinical Overview of Tetanus. https://www.cdc.gov/tetanus/hcp/clinical-overview/index.html
Uma família teme adquirir tétano por compartilhar o ambiente doméstico com alguém internado pela doença. Qual característica epidemiológica deve orientar o esclarecimento?
A doença decorre de contaminação de uma porta de entrada por esporos ambientais; o convívio com o doente não constitui transmissão interpessoal. Referência: CDC. Pink Book, Chapter 21: Tetanus — patogênese e epidemiologia. https://www.cdc.gov/pinkbook/hcp/table-of-contents/chapter-21-tetanus.html
Os espasmos do tétano decorrem de ação da tetanospasmina sobre circuitos neurais. Qual mecanismo explica a contração muscular sem oposição adequada?
A toxina bloqueia impulsos inibitórios por interferir na liberação de neurotransmissores, produzindo desinibição motora e espasmos. Referência: CDC. Clinical Overview of Tetanus. https://www.cdc.gov/tetanus/hcp/clinical-overview/index.html
A imunoglobulina antitetânica integra o tratamento, mas não elimina de imediato todos os espasmos já estabelecidos. Qual limite farmacológico explica esse fato?
A imunoglobulina atua sobre toxina não ligada; não desfaz prontamente os efeitos neurais da toxina já fixada, razão para manter o suporte clínico. Referência: CDC. Clinical Care of Tetanus. https://www.cdc.gov/tetanus/hcp/clinical-care/index.html
Qual cuidado local deve integrar a prevenção?

Reduzir contaminação e tecido desvitalizado faz parte do manejo.
Qual característica torna esta ferida de maior risco para tétano?

Ambiente contaminado e tecido desvitalizado favorecem germinação de esporos.
Qual prevenção integra o histórico incerto e a ferida de risco?

História vacinal desconhecida com ferida contaminada exige proteção ativa e avaliação de imunoglobulina; limpeza também é essencial.
Qual manifestação clínica é típica de tétano generalizado?

A toxina tetânica causa desinibição motora com rigidez e espasmos.
Se houver indicação de imunoglobulina, por que a vacina ainda é necessária?

Anticorpos passivos oferecem proteção imediata limitada; a vacinação estabelece imunidade ativa.
Diante da postura da imagem, trismo e espasmos desencadeados por ruído após ferimento, qual síndrome é mais provável? Esquema didático do acervo OsceLabs.

O conjunto reúne rigidez, trismo e espasmos provocados por estímulos, compatíveis com tétano.
Uma pessoa sem vacinação documentada, com trismo após ferimento, assume a postura ilustrada durante espasmos dolorosos. Como se denomina essa postura? Esquema didático do acervo OsceLabs.

A hiperextensão do tronco e do pescoço arqueia o corpo, apoiado principalmente na cabeça e nos calcanhares.
A postura e o padrão de espasmos mostrados na figura persistem mesmo após imunoglobulina antitetânica. Qual explicação justifica manter suporte respiratório e controle dos espasmos, sem concluir falha imediata da imunoglobulina? Esquema didático do acervo OsceLabs.

O efeito neurológico pode persistir; imunoterapia, controle de espasmos e suporte tratam aspectos distintos do quadro.
Reconheça o padrão motor da imagem em uma pessoa com tétano confirmado. Qual alteração da neurotransmissão explica melhor esse padrão, em oposição à paralisia do botulismo? Esquema didático do acervo OsceLabs.

A perda de inibição mediada por GABA e glicina favorece rigidez e espasmos. No botulismo, o bloqueio colinérgico periférico favorece fraqueza flácida.
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em 7 dias
Os números, na ordem em que a questão os usa. Ferimento de alto risco: profundo ou superficial sujo, corpo estranho, tecido desvitalizado, queimadura, ferida puntiforme ou por arma branca e de fogo, mordedura, politraumatismo, fratura exposta. Risco mínimo: superficial, limpo, sem corpo estranho, sem tecido desvitalizado. Faixas vacinais: incerta ou menos de três doses; três ou mais com última há menos de cinco anos; entre cinco e dez anos; dez anos ou mais. Imunização passiva só em duas células: alto risco com história incerta ou menos de três doses, e alto risco com dez anos ou mais em situações especiais. Doses: IGHAT 250 UI profilática e 500 UI terapêutica, intramuscular; SAT 5.000 UI profilática e 20.000 UI terapêutica, intramuscular ou endovenosa. Duração da proteção passiva: SAT cerca de duas semanas, IGHAT cerca de três. Vacina: dT a partir dos 7 anos, três doses com 60 dias de intervalo (mínimo 30), reforço a cada dez anos, antecipado para cinco em exposição a risco; dTpa a partir da 20ª semana em cada gestação; reforços com dTpa em profissional de saúde. Incubação de 3 a 21 dias, média de 5 a 15. Antibiótico do tétano instalado: penicilina G cristalina 2.000.000 UI de 4 em 4 horas ou metronidazol 500 mg de 8 em 8 horas, endovenosos, por 7 a 10 dias. Notificação imediata em até 24 horas à Secretaria Municipal de Saúde; encerramento do caso em até 60 dias.
em 30 dias
O raciocínio, sem os números. Toda questão de profilaxia do tétano é o cruzamento de duas variáveis que geram duas decisões independentes — vacina e imunização passiva. A variável que a questão manipula é o ferimento, porque vem em prosa: a lista de alto risco é por mecanismo, não por aparência, e risco mínimo exige quatro qualidades ao mesmo tempo. A variável que a questão entrega pronta é a história vacinal, e o truque ali é o relato sem cartão, que conta como incerta. Sobre esse cruzamento incidem três notas, e é nelas que a questão difícil se separa da fácil: aprazar as doses de quem tem esquema incompleto; estender a imunização passiva ao imunodeprimido, desnutrido grave ou idoso com ferimento de alto risco; e a dúvida sobre o cuidado posterior, que define 'situações especiais'. Escolhido o produto passivo, quatro condições trocam SAT por IGHAT, todas ligadas a quem não tolera soro heterólogo ou a quem precisa de anticorpos que durem mais. Do lado da vacina, memorize que o calendário público separa três públicos — população geral com dT, gestante com dTpa a cada gravidez, profissional de saúde com dTpa nos reforços — e que a sociedade brasileira estende a dTpa a todo adulto, com a diferença explicada por custo e por prioridade programática, não por eficácia contra tétano. Por fim, o tétano instalado tem três marcas que resolvem qualquer questão: diagnóstico clínico, paciente lúcido e doença que não deixa imunidade.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Homem de 58 anos, trabalhador rural, com ferida puntiforme plantar contaminada com terra após pisar em prego; cartão com esquema básico completo e último reforço há sete anos — unidade de pronto atendimento — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
