Clínica Médica › Infectologia
Sífilis e outras IST
Sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis
Três decisões concentram quase toda a cobrança: estadiar a sífilis (o corte de um ano define uma dose ou três), ler a queda de titulação do teste não treponêmico, e tratar a síndrome — úlcera, corrimento — sem esperar o agente etiológico.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Homem de 30 anos apresenta úlcera genital única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo, com aproximadamente 1 cm, surgida há 10 dias no sulco balanoprepucial. Há linfonodomegalia inguinal bilateral não dolorosa. Nega uso de preservativo. Qual é a etiologia mais provável dessa lesão?
Como esse tema cai
Este capítulo trata da pessoa adulta fora da gestação. Sífilis na gestante e sífilis congênita têm régua própria — outro esquema de intervalo entre doses, outra definição de tratamento adequado, outra ficha de notificação — e estão no capítulo de pré-natal. Aqui entram sífilis adquirida, as infecções que causam úlcera genital, o corrimento uretral e o que mudou na prevenção em 2026.
O documento que governa tudo isso no Brasil é o PCDT de IST do Ministério da Saúde. Ele organiza o atendimento por síndrome, não por agente: quem chega com úlcera anogenital ou com corrimento uretral sai da primeira consulta tratado, mesmo sem exame. A justificativa é numérica e está no próprio protocolo — no estudo de validação da abordagem sindrômica no Brasil, o valor preditivo positivo da impressão clínica foi de 30,9% para sífilis e 32,7% para cancroide. Diagnosticar a olho erra em dois terços das vezes; esperar o laboratório perde o paciente.
A prova cobra três coisas com regularidade. Primeira: estadiar a sífilis, porque o corte de um ano separa uma dose de penicilina de três. Segunda: interpretar titulação — o que significa cair duas diluições, o que é cicatriz sorológica, quando retratar. Terceira: o esquema sindrômico do corrimento uretral, que no Brasil continua sendo duplo enquanto o americano virou monoterapia. Cada uma dessas tem um número exato, e é o número que decide a alternativa.
O que muda decisão
A régua brasileira: tratar na primeira consulta
O PCDT parte de uma premissa operacional: as amostras para exame são colhidas na primeira consulta, mas a conduta terapêutica não espera o resultado. Se o laboratório não devolve o exame no mesmo atendimento, trata-se assim mesmo. E onde não há rede laboratorial, o protocolo é explícito ao recomendar tratamento baseado na clínica em todo caso de suspeita de IST — assumindo, e dizendo com todas as letras, que isso produz alguma quantidade de tratamento desnecessário. O cálculo é epidemiológico: o custo de tratar a mais é menor que o custo de perder quem não volta.
Três síndromes organizam o atendimento sintomático. Úlcera anogenital: Treponema pallidum, HSV-2, Haemophilus ducreyi, Chlamydia trachomatis dos sorotipos L1 a L3 e Klebsiella granulomatis. Corrimento uretral ou vaginal: Neisseria gonorrhoeae, C. trachomatis dos sorotipos D a K, Trichomonas vaginalis, Mycoplasma genitalium — e, no caso vaginal, candidíase e vaginose bacteriana, que o próprio protocolo classifica como infecções endógenas e não como IST. Verruga anogenital: HPV.
Duas dessas infecções o protocolo marca como não curáveis, porém tratáveis: herpes genital e condiloma acuminado. É uma distinção que muda a conversa com o paciente e aparece em questão de comunicação: o antiviral do herpes reduz intensidade e duração do surto, não erradica o vírus do gânglio sensitivo — nenhuma medida terapêutica impede a latência ganglionar.
Na sífilis, o protocolo vai além e autoriza tratar com um único teste reagente — treponêmico ou não treponêmico, independentemente de sinais e sintomas — em cinco situações: gestantes, vítimas de violência sexual, pessoas com chance de perda de seguimento, pessoas com sinais ou sintomas de sífilis primária ou secundária, e pessoas sem diagnóstico prévio de sífilis. Tratar com um teste não dispensa nada do resto: o segundo teste continua sendo feito, o monitoramento laboratorial continua, e a parceria continua sendo tratada.
Sífilis: os estágios e o relógio de um ano
A sífilis primária aparece de 10 a 90 dias após o contato, com média de três semanas. A lesão é o cancro duro: úlcera geralmente única, no ponto de entrada da bactéria — pênis, vulva, vagina, colo, ânus, boca ou qualquer outro ponto do tegumento —, indolor, de base endurecida e fundo limpo, rica em treponemas. Ela dura de duas a seis semanas e desaparece sozinha, com ou sem tratamento. Esse desaparecimento espontâneo é a razão de tanta sífilis chegar ao serviço já em outro estágio: o paciente entendeu que sarou.
O secundarismo traz as lesões cutâneo-mucosas que a prova adora nomear: roséola, placas mucosas, sifílides papulosas, sifílides palmoplantares, condiloma plano, alopecia em clareira, madarose e rouquidão. Vêm acompanhadas de micropoliadenopatia, linfadenopatia generalizada, sinais constitucionais e, em parte dos casos, de quadros neurológicos, oculares e hepáticos. Note que quadro neurológico e ocular podem existir no secundarismo — a neurossífilis não é privilégio da fase terciária.
Depois vem a latência, que é assintomática por definição e onde mora a decisão terapêutica. Latente recente é a de até um ano de evolução; latente tardia, a de mais de um ano. E a categoria que mais aparece em prova é a terceira: latente com duração ignorada. Quando não se sabe quando a infecção começou, o protocolo trata como tardia. Há inclusive uma regra explícita sobre isso: pessoas com títulos baixos em testes não treponêmicos, sem registro de tratamento e sem data de infecção conhecida, são consideradas portadoras de sífilis latente tardia e devem ser tratadas.
A sífilis terciária, hoje incomum, tem quatro territórios. Cutâneo: lesões gomosas e nodulares, de caráter destrutivo. Ósseo: periostite, osteíte gomosa ou esclerosante, artrites, sinovites e nódulos justa-articulares. Cardiovascular: aortite, aneurisma de aorta — especialmente da porção torácica — e estenose de coronárias. Neurológico: meningite, gomas cerebrais ou medulares, atrofia do nervo óptico, lesão do sétimo par, tabes dorsalis e a paralisia geral, com seu quadro demencial.
Duas famílias de teste, e o número que importa é a diluição
Os testes treponêmicos detectam anticorpos específicos contra o T. pallidum: teste rápido, FTA-Abs, TPHA, TPPA, ELISA e quimiluminescência. São os primeiros a positivar e, em regra, permanecem reagentes pelo resto da vida — por isso não servem para controle de cura. Os testes não treponêmicos (VDRL, RPR, USR) detectam anticorpos anticardiolipina, não são específicos, e permitem quantificação. São eles que dizem se o tratamento funcionou.
O não treponêmico torna-se reagente cerca de uma a três semanas depois do aparecimento do cancro duro. Isso significa que existe uma janela real em que o paciente tem cancro duro e VDRL não reagente — e é exatamente esse o cenário que o protocolo cobre ao autorizar tratamento imediato de quem tem sinais de sífilis primária com um único teste reagente.
Há um segundo modo de o VDRL vir falsamente não reagente: o fenômeno de prozona. Quando há excesso de anticorpos em relação ao antígeno, formam-se imunocomplexos solúveis e a amostra pura não reage. Por isso a rotina laboratorial já inicia o teste qualitativo com a amostra pura e diluída a 1:8 ou 1:16. É um erro de laboratório, não de clínica — mas é o motivo pelo qual um secundarismo florido pode voltar com VDRL não reagente se a amostra não for diluída.
Titulação é a parte que confunde. A amostra é diluída em fator dois — 1:2, 1:4, 1:8, 1:16, 1:32, 1:64 — e o título é a última diluição ainda reagente. Uma diluição equivale a dois títulos; portanto, cair duas diluições (de 1:64 para 1:16) é cair quatro vezes o título. Como o teste não é automatizado e depende de leitura visual, variação de uma única diluição deve ser lida com cautela: pode ser observador diferente, não doença diferente. O seguimento deve ser feito, sempre que possível, com o mesmo método e no mesmo laboratório.
A combinação dos dois testes define a conduta. Treponêmico reagente com não treponêmico reagente é diagnóstico de sífilis — resta estadiar pelo tempo de infecção e pelo histórico de tratamento — ou é cicatriz sorológica, quando há tratamento anterior documentado com queda prévia de pelo menos duas diluições. Quando os dois discordam, faz-se um terceiro teste treponêmico com metodologia diferente do primeiro, e é ele que fecha o fluxograma: reagente, há sífilis ou cicatriz sorológica; não reagente, o primeiro foi falso-reagente e a sífilis está excluída. Sem terceiro teste disponível, decide-se por exposição de risco, sinais e sintomas e histórico de tratamento.

Tratar: uma dose ou três, e o que muda quando não pode ser penicilina
Benzilpenicilina benzatina é o medicamento de escolha, e o protocolo registra que não há evidência de resistência do T. pallidum à penicilina no Brasil nem no mundo. Aplicação exclusivamente intramuscular. A região preferencial é a ventroglútea, por ser livre de vasos e nervos importantes e ter tecido subcutâneo mais fino; vasto lateral da coxa e dorso glúteo são alternativas. Prótese ou silicone líquido industrial nos locais recomendados pode inviabilizar a aplicação — nesse caso, vai-se para a medicação alternativa.
Sífilis recente — primária, secundária e latente recente, com até um ano de evolução — recebe 2,4 milhões de UI em dose única, 1,2 milhão em cada glúteo. Sífilis tardia — latente tardia, latente de duração ignorada e terciária — recebe 2,4 milhões de UI por semana durante três semanas, totalizando 7,2 milhões de UI. Em pessoa não gestante, o intervalo entre as doses não pode ultrapassar 14 dias; se ultrapassar, o esquema é reiniciado do zero. (Na gestante o intervalo é de 7 dias, e essa diferença é assunto do capítulo de pré-natal.)
Fora da gestação, a alternativa para alergia à penicilina é doxiciclina 100 mg de 12 em 12 horas por via oral: 15 dias na sífilis recente, 30 dias na sífilis tardia. O protocolo condiciona o uso dessas alternativas a acompanhamento clínico e laboratorial rigoroso. Na gestante não existe alternativa: qualquer tratamento que não seja benzilpenicilina benzatina é considerado tratamento não adequado da mãe para fins de definição de caso de sífilis congênita.
O medo da anafilaxia é o principal obstáculo prático, e o protocolo o enfrenta com número: a probabilidade de reação anafilática à benzilpenicilina benzatina é de 0,002%. A administração pode ser feita com segurança na Atenção Básica, tanto para a pessoa com sífilis quanto para suas parcerias, e não exige teste de sensibilidade prévio.
A reação de Jarisch-Herxheimer é outra coisa e não deve ser confundida com alergia. Ocorre nas 24 horas seguintes à primeira dose, sobretudo nas fases primária e secundária, e se manifesta como exacerbação das lesões cutâneas, mal-estar, febre, cefaleia e artralgia, com regressão espontânea em 12 a 24 horas. Trata-se com analgésico simples e não se interrompe o esquema. Alergia à penicilina, ao contrário, é rara com a benzatina e costuma se apresentar como urticária e exantema pruriginoso.
Neurossífilis tem esquema próprio: benzilpenicilina potássica/cristalina 18 a 24 milhões de UI por dia, por via endovenosa, administradas em doses de 3 a 4 milhões de UI a cada 4 horas ou em infusão contínua, por 14 dias. A alternativa é ceftriaxona 2 g EV uma vez ao dia, por 10 a 14 dias. O seguimento aqui não é sorológico e sim liquórico: exame de LCR a cada 6 meses até a normalização. A punção lombar está indicada diante de sintomas neurológicos ou oftalmológicos, de evidência de sífilis terciária ativa e após falha ao tratamento sem reexposição sexual; em pessoa vivendo com HIV, está indicada em todos os casos de retratamento, tenha havido nova exposição ou não.
Seguir: a queda de duas diluições é o desfecho
O monitoramento é feito com teste não treponêmico, a cada três meses até o 12º mês — ou seja, aos 3, 6, 9 e 12 meses — na população geral, incluindo pessoas vivendo com HIV. Na gestante, mensal. Sempre que possível, com o mesmo método usado no diagnóstico: quem fechou com VDRL segue com VDRL; quem fechou com RPR segue com RPR. Idealmente colhe-se um não treponêmico no primeiro dia de tratamento, porque o título pode subir bastante em poucos dias e é dele que sai a linha de base de toda a comparação futura.
Resposta imunológica adequada, na definição vigente, é teste não treponêmico não reagente ou queda de duas diluições em até seis meses na sífilis recente e em até doze meses na sífilis tardia. O protocolo registra que a definição tradicional era mais exigente — duas diluições em até três meses e quatro diluições em até seis — e que essa resposta rápida é mais comum em pessoas mais jovens, com títulos iniciais altos e em estágios mais recentes. Quem responde bem pode ser liberado de novas coletas após um ano de seguimento.
Cicatriz sorológica, ou serofast, é a persistência de teste não treponêmico reagente depois de tratamento adequado, com queda prévia documentada de pelo menos duas diluições e sem nova exposição de risco no período. Não é falha terapêutica, não se retrata e não se notifica.
Retratamento tem três gatilhos, e basta um. Ausência de redução de duas diluições em seis meses na sífilis recente ou em doze meses na sífilis tardia. Aumento de duas diluições ou mais — de 1:16 para 1:64, por exemplo. Ou persistência e recorrência de sinais e sintomas clínicos. Quando o critério é preenchido e não houve exposição sexual que justifique reinfecção, investiga-se neurossífilis com punção lombar antes de repetir a penicilina.
Há uma sutileza sobre a razão de existirem coletas aos 3 e aos 9 meses, já que os prazos de decisão são 6 e 12: o protocolo diz que esses pontos intermediários não têm o objetivo de avaliar a queda, e sim de descartar aumento de duas diluições — isto é, flagrar reinfecção cedo, do paciente e da parceria.
Úlcera genital: cinco causas e um fluxograma
As cinco IST ulcerativas são sífilis primária, herpes genital, cancroide, linfogranuloma venéreo e donovanose. Podem coexistir na mesma lesão, e o aspecto clínico tem baixo poder preditivo — daí o fluxograma. Fora das IST, a úlcera genital ainda pode ser dermatose bolhosa, líquen plano erosivo, afta, lesão traumática, erupção fixa por droga ou carcinoma espinocelular.
O herpes genital é o mais comum. A primoinfecção tem incubação média de seis dias e é a apresentação mais severa: vesículas de um a três milímetros sobre base eritematosa, muito dolorosas, acompanhadas de febre, mal-estar, mialgia e disúria — em mulheres, pode simular infecção urinária baixa. Linfadenomegalia inguinal dolorosa e bilateral está presente em metade dos casos, e o quadro dura de duas a três semanas. Depois o vírus ascende pelos nervos sensitivos e entra em latência ganglionar. Após a primoinfecção, 90% dos pacientes com HSV-2 e 60% com HSV-1 têm novo episódio nos primeiros 12 meses. As recorrências são mais brandas, precedidas de pródromo de prurido, queimação e fisgadas, e regridem em sete a dez dias.
O tratamento do herpes é aciclovir. Primeiro episódio: 400 mg três vezes ao dia por 7 a 10 dias, ou 200 mg cinco vezes ao dia pelo mesmo período, podendo prolongar se a cicatrização estiver incompleta. Recidiva: 400 mg três vezes ao dia por 5 dias, ou 800 mg duas vezes ao dia por 5 dias, iniciando de preferência ainda no pródromo. Supressão, para quem tem seis ou mais episódios por ano: 400 mg duas vezes ao dia por até seis meses, podendo estender a dois anos, com avaliação periódica de função renal e hepática. Em imunossuprimido com lesões extensas, aciclovir endovenoso 5 a 10 mg/kg de 8 em 8 horas por 5 a 7 dias.
O cancroide é o oposto clínico do cancro duro. Incubação de três a cinco dias, podendo chegar a duas semanas. Lesões dolorosas, geralmente múltiplas por autoinoculação, de borda irregular, contornos eritemato-edematosos e fundo recoberto por exsudato necrótico amarelado e fétido que, removido, revela granulação sangrante. Em 30% a 50% dos casos surge o bubão inguinal — unilateral em dois terços, quase exclusivo de homens pela anatomia da drenagem linfática — que fistuliza em metade dos casos, tipicamente por orifício único. O manejo do bubão cai em prova: aspira-se com agulha de grosso calibre para aliviar linfonodo tenso e flutuante; incisão com drenagem e excisão são contraindicadas.
O linfogranuloma venéreo evolui em três fases. Inoculação: pápula, pústula ou exulceração indolor que some sem sequela e quase nunca é notada. Disseminação linfática regional: no homem, linfadenopatia inguinal de uma a seis semanas depois, unilateral em 70% dos casos, e é ela que traz o paciente à consulta. Sequelas: supuração e fistulização por orifícios múltiplos, correspondentes a linfonodos individualizados parcialmente fundidos em uma massa. Guarde o contraste que a prova explora — o bubão do cancroide fistuliza por orifício único, o do LGV por orifícios múltiplos —, e note que nos dois a conduta é aspirar com agulha calibrosa, nunca incisar. Lesão anal pode evoluir para proctite e proctocolite hemorrágica.
A donovanose é a mais lenta das cinco. Começa como ulceração de borda plana ou hipertrófica, bem delimitada, com fundo granuloso vermelho-vivo e sangramento fácil, que evolui progressivamente e pode se tornar vegetante; as lesões costumam ser múltiplas, com a configuração em espelho nas bordas cutâneas ou mucosas, e há predileção por dobras e região perianal. O detalhe que a distingue: não ocorre adenite — quando muito, pseudobubões, que são granulações subcutâneas, quase sempre unilaterais. A forma elefantiásica na mulher é sequela tardia de obstrução linfática.
O tratamento do cancroide é azitromicina 1 g por via oral em dose única, com ceftriaxona 250 mg IM dose única ou ciprofloxacino 500 mg duas vezes ao dia por três dias como alternativas — e as parcerias são tratadas mesmo assintomáticas. O LGV recebe doxiciclina 100 mg de 12 em 12 horas por 21 dias, com azitromicina 1 g por semana durante 21 dias como alternativa e opção preferencial na gestante; antibiótico não reverte estenose retal nem elefantíase genital já instaladas. A donovanose recebe azitromicina 1 g por semana por pelo menos três semanas ou até a cicatrização das lesões, e é a única das três em que não se trata a parceria, por baixa infectividade — o critério de cura é o desaparecimento da lesão.
Corrimento uretral: por que o Brasil ainda dá dois antibióticos
Diante de corrimento uretral sem identificação do agente, o esquema é ceftriaxona 500 mg IM em dose única mais azitromicina 1 g por via oral em dose única. Como segunda opção, ceftriaxona 500 mg IM mais doxiciclina 100 mg de 12 em 12 horas por 7 dias. O mesmo esquema duplo cobre a uretrite gonocócica e as demais infecções gonocócicas não complicadas — uretra, colo do útero, reto e faringe.
Quando o agente é conhecido e não é o gonococo, o esquema encolhe. Uretrite não gonocócica e uretrite por clamídia: azitromicina 1 g em dose única, com doxiciclina 100 mg de 12 em 12 horas por 7 dias como segunda opção. Uretrite por Mycoplasma genitalium: azitromicina 1 g em dose única, sem segunda opção listada no protocolo. Uretrite por Trichomonas vaginalis: metronidazol 500 mg duas vezes ao dia por 7 dias. Nas uretrites tratadas com azitromicina ou doxiciclina, a resolução dos sintomas pode levar até sete dias após o fim da terapia — sintoma residual nesse intervalo não é falha.
Falha comprovada de tratamento gonocócico tem esquema de resgate próprio: ceftriaxona 500 mg IM em dose única mais azitromicina 2 g por via oral em dose única, ou gentamicina 240 mg IM mais azitromicina 2 g. Reinfecção, que é coisa diferente de falha, volta às doses habituais. Infecção gonocócica disseminada, fora meningite e endocardite, recebe ceftriaxona 1 g IM ou EV ao dia por pelo menos 7 dias mais azitromicina 1 g em dose única. Conjuntivite gonocócica no adulto: ceftriaxona 1 g IM em dose única. Alergia grave a cefalosporinas: azitromicina 2 g por via oral em dose única.
A razão de o Brasil manter terapia dupla está escrita no protocolo e tem nome: o Projeto SenGono, rede nacional de vigilância da resistência da N. gonorrhoeae. Ele constatou alta resistência à penicilina, à tetraciclina e ao ciprofloxacino, emergência de resistência à azitromicina e sensibilidade total às cefalosporinas de terceira geração. Diante desse quadro, e da baixa disponibilidade de teste etiológico na rede, a azitromicina permanece associada — ela cobre a clamídia que não foi testada e agrega uma segunda droga contra o gonococo.
O paciente e as parcerias devem se abster de relação sexual desprotegida até que o tratamento de ambos esteja completo — o que, na terapia de dose única, significa sete dias depois da tomada. É a frase que transforma a prescrição em interrupção de cadeia de transmissão, e é o que a questão de conduta costuma cobrar como alternativa complementar.
Rastrear, notificar, tratar a parceria — e o que entrou em 2026
Toda pessoa com diagnóstico de uma IST deve ser testada, no momento do diagnóstico, para HIV, sífilis e clamídia/gonococo — e retestada para HIV e sífilis de 4 a 6 semanas depois, para cobrir a janela das duas. Pessoa vivendo com HIV faz rastreio semestral de sífilis. Quem está em uso de PrEP tem calendário próprio: HIV a cada visita ao serviço, sífilis trimestral, clamídia e gonococo semestral, hepatites trimestral. Na gestante, o rastreio de sífilis e HIV é feito na primeira consulta do pré-natal, no início do terceiro trimestre (28ª semana) e no momento do parto, e em caso de aborto ou natimorto testa-se para sífilis independentemente de exames anteriores. O sítio de coleta para clamídia e gonococo segue a prática sexual: swab anal no sexo anal receptivo, orofaringe no sexo oral, material uretral no sexo insertivo — testagem só genital subestima a prevalência.
A parceria sexual tem conduta própria e específica. Um terço das parcerias de pessoas com sífilis recente desenvolve sífilis em até 30 dias da exposição. Por isso, havendo exposição nos últimos 90 dias, oferece-se tratamento presuntivo com dose única de benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões de UI, independentemente do estágio clínico do caso-índice e de a parceria ter ou não sinais e sintomas. Todas as parcerias devem ser testadas; se o teste vier reagente, trata-se como sífilis adquirida conforme o estágio, e não mais presuntivamente.
Sífilis adquirida é de notificação compulsória desde 2010, pela Portaria nº 2.472, de 31 de agosto de 2010. A definição de caso tem duas situações. Situação 1: indivíduo assintomático com teste não treponêmico reagente em qualquer titulação e teste treponêmico reagente, sem registro de tratamento prévio. Situação 2: indivíduo sintomático com pelo menos um teste reagente — treponêmico ou não treponêmico — em qualquer titulação. Repare na assimetria: no assintomático exigem-se os dois testes; no sintomático, um basta. E cicatriz sorológica confirmada não se notifica.
Em 2026 entrou uma peça nova na prevenção. A Conitec recomendou por unanimidade, na 148ª Reunião Ordinária de 12 de fevereiro de 2026, a ampliação de uso da doxiciclina 100 mg como profilaxia pós-exposição às IST bacterianas clamídia e sífilis, e a decisão foi publicada pela Portaria SCTIE/MS nº 16, de 10 de março de 2026. O esquema é doxiciclina 200 mg — dois comprimidos de 100 mg — em dose única, em até 72 horas após a exposição, idealmente nas primeiras 24 horas, respeitado o máximo de 200 mg a cada 24 horas.
A população alvo da recomendação brasileira é adulta e delimitada: homens cisgênero gays e bissexuais, outros homens que fazem sexo com homens e mulheres transgênero, vivendo ou não com HIV. O gonococo ficou de fora do alvo declarado — a indicação incorporada é para clamídia e sífilis. E o plenário condicionou a estratégia a uso conforme protocolo, com monitoramento sistemático e vigilância contínua de resistência antimicrobiana, exatamente porque a droga é a mesma que trata clamídia, LGV e donovanose. Vale saber que a oferta é recente e ainda está sendo estruturada na rede: a questão de prova tende a cobrar dose, janela de 72 horas e alvo, não fluxo de dispensação.
Estadiar a sífilis: o corte de um ano decide o número de doses
Estadiar não é exercício acadêmico — é o que separa uma injeção de três, e o que define se o prazo para julgar a resposta é de seis ou de doze meses. O estágio sai de duas informações: tempo desde a infecção e presença de lesão. Quando o tempo é desconhecido, a regra é tratar como tardia.
- 1Testar: teste rápido treponêmico no primeiro atendimento, ou fluxo laboratorial completo onde houver rede.
- 2Confirmar: o segundo teste é da outra família; se os dois discordarem, um terceiro teste treponêmico com metodologia diferente da do primeiro fecha o fluxograma.
- 3Estadiar: lesão presente define primária ou secundária; sem lesão, o corte é o tempo de infecção — até um ano, latente recente; acima de um ano ou tempo ignorado, latente tardia.
- 4Tratar: dose única na sífilis recente, três doses semanais na tardia; não atrasar por espera de resultado quando o paciente se enquadra nas situações de tratamento imediato.
- 5Notificar sífilis adquirida no Sinan e oferecer tratamento presuntivo às parcerias com exposição nos últimos 90 dias.
- 6Monitorar com teste não treponêmico aos 3, 6, 9 e 12 meses, pelo mesmo método e, de preferência, no mesmo laboratório.
Primária — cancro duro
Úlcera única, indolor, base endurecida, fundo limpo, com linfonodo regional. Surge de 10 a 90 dias após o contato e some sozinha em 2 a 6 semanas. Tratamento de sífilis recente.
Secundária — disseminação
Roséola, sifílides papulosas e palmoplantares, condiloma plano, alopecia em clareira, madarose, rouquidão, micropoliadenopatia. Pode já ter acometimento neurológico e ocular. Tratamento de sífilis recente.
Latente recente — até 1 ano
Assintomática, com infecção documentadamente iniciada há menos de um ano. Ainda é sífilis recente: 2,4 milhões de UI em dose única.
Latente tardia ou de duração ignorada
Assintomática, com mais de um ano de evolução — ou sem data conhecida de infecção, que é o cenário mais comum. Título baixo sem registro de tratamento entra aqui. Três doses semanais.
Terciária — lesão destrutiva
Gomas cutâneas e ósseas, aortite e aneurisma de aorta torácica, tabes dorsalis, paralisia geral. Tratamento de sífilis tardia; se houver acometimento do sistema nervoso, o esquema passa a ser o de neurossífilis.
| Estágio | Benzilpenicilina benzatina | Alternativa (exceto gestantes) | Seguimento |
|---|---|---|---|
| Sífilis recente: primária, secundária e latente recente (até 1 ano) | 2,4 milhões UI, IM, dose única (1,2 milhão em cada glúteo) | Doxiciclina 100 mg, VO, 12/12h, por 15 dias | Teste não treponêmico trimestral |
| Sífilis tardia: latente tardia (mais de 1 ano), latente de duração ignorada e terciária | 2,4 milhões UI, IM, 1x/semana por 3 semanas — total 7,2 milhões UI | Doxiciclina 100 mg, VO, 12/12h, por 30 dias | Teste não treponêmico trimestral |
| Neurossífilis | Benzilpenicilina potássica/cristalina 18-24 milhões UI/dia, EV, em doses de 3-4 milhões UI a cada 4h ou infusão contínua, por 14 dias | Ceftriaxona 2 g, EV, 1x/dia, por 10 a 14 dias | LCR a cada 6 meses até normalização |
| Parceria sexual com exposição nos últimos 90 dias, sem diagnóstico próprio | 2,4 milhões UI, IM, dose única (tratamento presuntivo) | — | Testar; se reagente, tratar conforme o estágio |
Resposta ao tratamento e critérios de retratamento da sífilis
| Situação | Definição | Conduta |
|---|---|---|
| Resposta imunológica adequada | Teste não treponêmico não reagente OU queda de duas diluições em até 6 meses (sífilis recente) ou até 12 meses (sífilis tardia) | Manter seguimento; liberar de novas coletas após 1 ano |
| Cicatriz sorológica (serofast) | Teste não treponêmico persistentemente reagente após tratamento adequado, com queda prévia documentada de pelo menos duas diluições e sem nova exposição | Apenas orientar. Não retratar e não notificar |
| Critério de retratamento — sem queda | Ausência de redução de duas diluições em 6 meses (recente) ou 12 meses (tardia) | Retratar conforme o estágio; investigar neurossífilis com punção lombar se não houve reexposição |
| Critério de retratamento — aumento | Aumento de duas diluições ou mais (ex.: 1:16 para 1:64) | Retratar a pessoa e as parcerias sexuais |
| Critério de retratamento — clínico | Persistência ou recorrência de sinais e sintomas | Retratar; punção lombar conforme a mesma regra |
Corrimento uretral e infecções gonocócicas
| Condição | Primeira opção | Segunda opção |
|---|---|---|
| Uretrite sem identificação do agente | Ceftriaxona 500 mg, IM, dose única + azitromicina 1 g, VO, dose única | Ceftriaxona 500 mg, IM, dose única + doxiciclina 100 mg, VO, 12/12h, por 7 dias |
| Uretrite gonocócica e infecções gonocócicas não complicadas (uretra, colo, reto, faringe) | Ceftriaxona 500 mg, IM, dose única + azitromicina 1 g, VO, dose única | — |
| Uretrite não gonocócica e uretrite por clamídia | Azitromicina 1 g, VO, dose única | Doxiciclina 100 mg, VO, 12/12h, por 7 dias |
| Uretrite por Mycoplasma genitalium | Azitromicina 1 g, VO, dose única | — |
| Uretrite por Trichomonas vaginalis | Metronidazol 500 mg, VO, 12/12h, por 7 dias | — |
| Retratamento de infecção gonocócica (falha) | Ceftriaxona 500 mg, IM, dose única + azitromicina 2 g, VO, dose única | Gentamicina 240 mg, IM + azitromicina 2 g, VO, dose única |
| Infecção gonocócica disseminada (exceto meningite e endocardite) | Ceftriaxona 1 g, IM ou EV, ao dia, por ao menos 7 dias + azitromicina 1 g, VO, dose única | — |
| Conjuntivite gonocócica no adulto | Ceftriaxona 1 g, IM, dose única | — |
| Alergia grave a cefalosporinas | Azitromicina 2 g, VO, dose única | — |
Úlcera genital não sifilítica: quadro e tratamento
| IST | Marca clínica | Primeira opção | Parceria |
|---|---|---|---|
| Herpes genital (HSV-1/HSV-2) | Vesículas agrupadas, muito dolorosas; adenopatia inguinal dolorosa bilateral em 50% na primoinfecção; recorrências com pródromo | 1º episódio: aciclovir 400 mg, VO, 3x/dia, 7-10 dias. Recidiva: 400 mg, 3x/dia, 5 dias. Supressão (≥6 surtos/ano): 400 mg, 2x/dia, até 6 meses | Orientar; infecção não curável, porém tratável |
| Cancroide (H. ducreyi) | Úlceras múltiplas e dolorosas, borda irregular, fundo com exsudato necrótico fétido; bubão unilateral que fistuliza por orifício único | Azitromicina 1 g, VO, dose única (alternativas: ceftriaxona 250 mg IM dose única ou ciprofloxacino 500 mg 12/12h por 3 dias) | Tratar mesmo se assintomática |
| Linfogranuloma venéreo (C. trachomatis L1-L3) | Lesão de inoculação indolor e fugaz, seguida de linfadenopatia inguinal em 1 a 6 semanas, unilateral em 70%; fistuliza por orifícios múltiplos; sequelas de estenose retal e elefantíase genital | Doxiciclina 100 mg, VO, 12/12h, por 21 dias (alternativa: azitromicina 1 g, VO, 1x/semana, por 21 dias — preferencial na gestante) | Tratar: sintomática, mesmo esquema do caso-índice; assintomática, azitromicina 1 g dose única ou doxiciclina 7 dias |
| Donovanose (K. granulomatis) | Ulceração de borda bem delimitada, fundo granuloso vermelho-vivo e sangramento fácil, de evolução lenta e progressiva, podendo tornar-se vegetante; não ocorre adenite (no máximo pseudobubões) | Azitromicina 1 g, VO, 1x/semana, por pelo menos 3 semanas ou até a cicatrização | Não é necessário tratar, por baixa infectividade |
Neurossífilis não é sinônimo de sífilis terciária: acometimento neurológico e ocular pode ocorrer já no secundarismo, e é por isso que sintoma neurológico ou oftalmológico indica punção lombar em qualquer estágio.
Em pessoa não gestante, intervalo maior que 14 dias entre as doses da sífilis tardia obriga a reiniciar o esquema — não se completa de onde parou.
Doxiciclina e ciprofloxacino estão contraindicados na gestação e na lactação; o ciprofloxacino também em crianças.
Doxi-PEP (Portaria SCTIE/MS nº 16, de 10/3/2026): doxiciclina 200 mg, VO, dose única, em até 72 horas após a exposição — idealmente nas primeiras 24 horas —, no máximo 200 mg a cada 24 horas, para adultos HSH e mulheres transgênero, com alvo declarado em clamídia e sífilis.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Ceftriaxona 500 mg IM + azitromicina 1 g VO (PCDT-IST, Ministério da Saúde, 2022)
O Brasil mantém a associação. A justificativa está escrita no protocolo: a rede nacional de vigilância SenGono encontrou alta resistência do gonococo à penicilina, à tetraciclina e ao ciprofloxacino, emergência de resistência à azitromicina e sensibilidade total às cefalosporinas de terceira geração. Somando-se a isso a baixa disponibilidade de teste etiológico na rede, a azitromicina cumpre duas funções: cobrir empiricamente a clamídia não testada e agregar uma segunda droga contra o gonococo.
PCDT-IST 2022, Quadro 37 e seção 4 (manejo integral das pessoas com IST sintomáticas)
Ceftriaxona 500 mg IM isolada, com doxiciclina apenas se a clamídia não foi excluída (CDC, Estados Unidos, 2021)
A diretriz americana retirou a azitromicina do esquema padrão e passou a tratar gonorreia com ceftriaxona em monoterapia, acrescentando doxiciclina só quando a coinfecção por clamídia não pôde ser afastada. O raciocínio é de stewardship: a exposição populacional repetida à azitromicina pressiona resistência, e nos Estados Unidos o teste de amplificação de ácido nucleico está disponível o bastante para dispensar cobertura empírica.
CDC. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021 (MMWR Recomm Rep 70;4)
Na prova
A diferença é de disponibilidade diagnóstica, não de microbiologia. Enunciado ambientado em UBS ou pronto-atendimento do SUS, sem exame etiológico, com paciente que veio por corrimento — o vocabulário é o do manejo sindrômico e as alternativas trarão associações. Enunciado que informa NAAT positivo isolado para gonococo, ou que cita nominalmente o CDC, está pedindo o recorte americano. Um distrator com azitromicina sozinha denuncia que a questão quer testar se você sabe que o gonococo não é tratado com macrolídeo isolado em nenhuma das duas réguas.
Azitromicina 1 g VO em dose única como primeira opção (PCDT-IST, Ministério da Saúde, 2022)
O protocolo brasileiro coloca a doxiciclina de 7 dias como segunda opção. A vantagem da dose única é operacional e vale mais em um sistema de manejo sindrômico: pode ser tomada na frente do profissional, elimina o problema de adesão e resolve o caso na consulta em que ele apareceu — coerente com a premissa do documento de que o paciente pode não retornar.
PCDT-IST 2022, Quadro 37
Doxiciclina 100 mg VO 12/12h por 7 dias como primeira escolha (CDC, 2021)
A diretriz americana inverteu a ordem em 2021, com base em desempenho superior da doxiciclina na infecção retal por clamídia — sítio frequentemente não testado e não sintomático — e no cenário de resistência do Mycoplasma genitalium aos macrolídeos. É a mesma ordem que o relatório da Conitec de 2026, ao descrever o tratamento vigente da clamídia, registra como primeira escolha: um documento brasileiro de 2026 já descreve a régua no arranjo internacional, enquanto a tabela do PCDT de 2022 mantém o arranjo inverso.
CDC. STI Treatment Guidelines, 2021; e CONITEC, Relatório de Recomendação nº 1.089, 2026, seção 4.3
Na prova
O sinal está no cenário e na data do documento citado. Questão que descreve corrimento uretral tratado empiricamente na atenção básica trabalha no arranjo do PCDT; questão que fornece resultado de biologia molecular, que menciona sítio retal ou que nomeia o CDC trabalha no outro. Quando o enunciado cita a fonte pelo nome, a fonte manda — e vale reparar no ano do documento citado, porque essa divergência é recente e brasileira também.
15 dias na sífilis recente e 30 dias na sífilis tardia (PCDT-IST, Ministério da Saúde, 2022)
O protocolo brasileiro fixa esses dois prazos no mesmo quadro do esquema com penicilina, e condiciona o uso da alternativa a acompanhamento clínico e laboratorial rigoroso, porque a evidência de cura sorológica com doxiciclina é menos robusta que a da penicilina.
PCDT-IST 2022, Quadro 15
14 dias na sífilis precoce e 28 dias na tardia (CDC, 2021)
A diretriz americana usa prazos de 14 e 28 dias para a mesma alternativa. A diferença de um e de dois dias não tem lastro em ensaio comparativo — é arredondamento de esquema em semanas de um lado e em quinzenas do outro.
CDC. STI Treatment Guidelines, 2021
Na prova
Divergência de baixa consequência clínica e alta capacidade de confundir. Banca brasileira que cobra número exato de dias está cobrando o PCDT; alternativa com 14 ou 28 dias em prova nacional costuma ser distrator construído a partir da diretriz americana. O que decide a questão de verdade quase nunca é o número de dias, e sim se o candidato lembrou que na gestante não existe alternativa nenhuma.
Adultos HSH e mulheres transgênero, com ou sem HIV, sob protocolo e vigilância de resistência (CONITEC/Ministério da Saúde, 2026)
A incorporação brasileira delimita a população pelo perfil de exposição e não exige IST prévia como porta de entrada. Em compensação, o plenário condicionou a estratégia a uso conforme protocolo, com monitoramento sistemático e vigilância contínua de resistência antimicrobiana, e o alvo declarado é clamídia e sífilis — o gonococo não entrou na indicação incorporada.
CONITEC, Relatório de Recomendação nº 1.089, março de 2026; Portaria SCTIE/MS nº 16, de 10/3/2026
MSM e mulheres transgênero com pelo menos uma IST bacteriana nos últimos 12 meses (CDC, 2024)
A diretriz americana usa um gatilho de evento: ter tido sífilis, clamídia ou gonorreia nos 12 meses anteriores. A dose e a janela são as mesmas — 200 mg em até 72 horas, no máximo 200 mg a cada 24 horas —, e a recomendação vem acompanhada de retestagem para IST bacterianas nos sítios de exposição na linha de base e a cada 3 a 6 meses, com reavaliação da necessidade de manter a profilaxia no mesmo intervalo.
CDC Clinical Guidelines on the Use of Doxycycline Postexposure Prophylaxis, MMWR Recomm Rep 2024;73(2)
Na prova
Dose e janela de tempo são idênticas nos dois documentos — 200 mg em até 72 horas — e é isso que a questão de conhecimento tende a cobrar. O que diverge é o critério de elegibilidade e o alvo microbiológico. Enunciado que descreve paciente com IST bacteriana no último ano está usando o gatilho americano; enunciado ambientado em serviço do SUS, que fala em incorporação, protocolo ou vigilância de resistência, está no recorte brasileiro. Alternativa que inclua gonorreia entre as infecções prevenidas pela indicação incorporada no Brasil está descrevendo o que a portaria não cobre.
Caso resolvido
- achado
- Úlcera única, indolor, de base endurecida e fundo limpo, com adenopatia regional indolor, cerca de três semanas após a exposição. É o cancro duro — dentro da janela de incubação de 10 a 90 dias da sífilis primária.
- diagnóstico
- Teste treponêmico reagente somado a teste não treponêmico reagente fecha o diagnóstico de sífilis. Não há tratamento anterior documentado com queda de titulação, então não se trata de cicatriz sorológica. Com lesão primária presente, o estágio é sífilis primária — portanto, sífilis recente.
- conduta
- Benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões de UI, IM, em dose única — 1,2 milhão em cada glúteo, preferencialmente na região ventroglútea. Nenhuma dose adicional: dose única é o esquema completo da sífilis recente fora da gestação.
- orientação
- Avisar sobre a reação de Jarisch-Herxheimer nas primeiras 24 horas — exacerbação das lesões, febre, cefaleia, mal-estar, com regressão espontânea em 12 a 24 horas — para que ela não seja confundida com alergia e não motive abandono do tratamento. Abstinência sexual até sete dias após a dose.
- parceria
- Exposição nos últimos 90 dias: oferecer tratamento presuntivo com benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões de UI, IM, em dose única, independentemente de sintomas, e testar. Se o teste da parceria vier reagente, tratar conforme o estágio dela.
- notificação e seguimento
- Notificar sífilis adquirida no Sinan — indivíduo sintomático com pelo menos um teste reagente já preenche a definição de caso. Testar também para HIV, hepatites B e C e clamídia/gonococo no mesmo atendimento, com retestagem de HIV em 4 a 6 semanas. VDRL de controle aos 3, 6, 9 e 12 meses, pelo mesmo método e, de preferência, no mesmo laboratório. A meta aos 6 meses é título não reagente ou queda de duas diluições — de 1:32 para 1:8 ou menos.
Agora feche você
- achado
- Seis meses após tratamento adequado de sífilis recente, o título do teste não treponêmico permanece 1:32, sem nenhuma queda. Paciente assintomática e sem reexposição sexual referida.
- leitura do exame
- Resposta imunológica adequada na sífilis recente seria teste não treponêmico não reagente ou queda de duas diluições em até seis meses — o esperado aqui seria 1:8 ou menos. Não houve queda alguma, e não se trata de cicatriz sorológica, porque cicatriz sorológica exige queda prévia documentada de pelo menos duas diluições.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Tratar latente de duração ignorada com dose única É o erro mais cobrado. O raciocínio que atrai é o de que 'não tem lesão e o título é baixo, então é recente'. O protocolo faz o contrário: sem data conhecida de infecção, trata-se como tardia — três doses semanais, 7,2 milhões de UI no total. Título baixo sem registro de tratamento é justamente a descrição de latente tardia.
- 2Achar que VDRL não reagente exclui sífilis Duas rotas para o falso-negativo. A primeira é temporal: o teste não treponêmico só se torna reagente uma a três semanas após o aparecimento do cancro duro, então há uma janela real com lesão presente e VDRL negativo. A segunda é o fenômeno de prozona, em que o excesso de anticorpos impede a reação na amostra pura — motivo pelo qual a rotina laboratorial já testa a amostra diluída a 1:8 ou 1:16.
- 3Confundir Jarisch-Herxheimer com alergia à penicilina Febre, cefaleia, mal-estar e piora das lesões nas primeiras 24 horas depois da injeção parecem reação adversa grave, e a reação intuitiva é suspender. É o oposto: a reação regride sozinha em 12 a 24 horas, é controlada com analgésico simples e não motiva interromper o esquema. Alergia verdadeira à benzatina é rara e se apresenta como urticária e exantema pruriginoso — e a chance de anafilaxia é de 0,002%.
- 4Completar o esquema atrasado de onde parou Parece razoável aplicar a terceira dose com três semanas de atraso e considerar o tratamento feito. Na sífilis tardia em pessoa não gestante, intervalo maior que 14 dias entre doses obriga a reiniciar o esquema inteiro. Guardar essa regra vale mais do que decorar o total de 7,2 milhões de UI.
- 5Ler variação de uma diluição como resposta ou como falha Cair de 1:32 para 1:16, ou subir de 1:8 para 1:16, é uma diluição — e o protocolo manda analisar essa variação com cautela, porque o teste não é automatizado e a leitura depende do observador. Os limiares de decisão, para os dois lados, são de duas diluições.
- 6Notificar cicatriz sorológica ou deixar de notificar sífilis adquirida Sífilis adquirida é de notificação compulsória desde 2010 e a definição de caso é generosa: no sintomático, um único teste reagente em qualquer titulação já basta. Do outro lado, caso confirmado de cicatriz sorológica não deve ser notificado — o que atrai o erro é o VDRL persistentemente reagente parecer doença ativa.
- 7Achar que neurossífilis é só da fase terciária O secundarismo já pode cursar com quadros neurológicos e oculares, e o próprio protocolo lista punção lombar diante de sintoma neurológico ou oftalmológico, sem exigir estágio. Em pessoa vivendo com HIV, a investigação está indicada em todos os casos de retratamento, tenha havido ou não nova exposição sexual.
- 8Incisar e drenar o bubão do cancroide Linfonodo tenso e flutuante pede alívio, e o reflexo cirúrgico é drenar. O protocolo indica aspiração com agulha de grosso calibre e contraindica expressamente a incisão com drenagem e a excisão dos linfonodos acometidos — a cicatrização pode ser desfigurante.
- 9Tratar o paciente e esquecer a parceria Um terço das parcerias de pessoas com sífilis recente adoece em até 30 dias. Exposição nos últimos 90 dias indica tratamento presuntivo com dose única de 2,4 milhões de UI, mesmo sem sintomas e mesmo antes do resultado do teste. Nas uretrites, a abstinência sexual vai até sete dias depois da dose única — e vale para os dois.
Úlcera única, indolor, de base endurecida e fundo limpo (cancro duro) com adenopatia indolor é característica da sífilis primária (Treponema pallidum). Haemophilus ducreyi causa cancro mole: úlceras múltiplas, dolorosas, de fundo sujo e adenopatia dolorosa/supurativa. Herpes cursa com vesículas agrupadas dolorosas que ulceram. LGV (Chlamydia) causa lesão inicial fugaz e adenopatia dolorosa com fistulização. Donovanose (Klebsiella granulomatis) causa úlcera crônica, granulomatosa e progressiva, sem adenopatia típica.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem de 34 anos procura a UBS com quadro de úlcera genital única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo, no sulco balanoprepucial, surgida há 12 dias. Refere adenopatia inguinal bilateral, indolor, sem sinais flogísticos. Nega febre ou secreção uretral. Ao exame: PA 122x78 mmHg, FC 76 bpm, T 36,5 °C; lesão de ~1 cm, indurada, sem exsudato. Considerando a apresentação clínica mais provável, qual é a conduta terapêutica de primeira escolha?
Úlcera única, indolor, de bordas endurecidas (dura) e fundo limpo, com adenopatia inguinal indolor, é o cancro duro da sífilis primária — tratamento de escolha é penicilina G benzatina 2.400.000 UI IM dose única. Ceftriaxona é usada para gonorreia/cancroide, não é primeira linha na sífilis. Aciclovir trata herpes genital (úlceras múltiplas, dolorosas, vesículas). Azitromicina + doxiciclina prolongada é o esquema do linfogranuloma venéreo (Chlamydia). Doxiciclina 7 dias é alternativa para sífilis apenas em alérgicos à penicilina, não a primeira escolha.
Adolescente de 16 anos, sexualmente ativa, queixa-se de corrimento vaginal amarelado e disúria há uma semana, além de dor pélvica leve. Ao exame especular observa-se colo friável com mucopus no orifício externo e dor à mobilização do colo. PA 112x70 mmHg, T 37,4°C. Qual é o agente etiológico mais provavelmente envolvido nessa cervicite?
Cervicite mucopurulenta com colo friável em jovem sexualmente ativa aponta para Chlamydia trachomatis (e/ou gonococo) como agente principal (correta). Gardnerella e Mobiluncus causam vaginose bacteriana, sem cervicite/mucopus. Candida causa corrimento branco grumoso com prurido, não mucopus cervical. Trichomonas dá corrimento amarelo-esverdeado bolhoso e colo em framboesa, mas a cervicite mucopurulenta friável clássica é atribuída a clamídia/gonococo.
Homem de 24 anos, previamente hígido, comparece à UBS com lesão ulcerada única na haste do pênis, indolor, de bordas elevadas e endurecidas, fundo limpo, surgida há 12 dias após relação sexual sem preservativo. Ao exame, palpam-se linfonodos inguinais bilaterais, móveis e indolores. Sem febre. Qual é o diagnóstico mais provável?
A úlcera única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo (cancro duro), com adenopatia inguinal indolor, é o quadro clássico de sífilis primária (Treponema pallidum). Cancro mole causa úlceras múltiplas, dolorosas, de fundo sujo e adenopatia dolorosa/supurativa. Herpes genital produz vesículas dolorosas que ulceram. Linfogranuloma venéreo cursa com úlcera transitória seguida de linfadenopatia dolorosa (bubão). Donovanose gera úlcera crônica, indolor, granulomatosa e sangrante, sem adenopatia típica.
Homem de 40 anos, sem comorbidades, apresenta há 6 semanas úlcera indolor de bordas elevadas em região genital que cicatrizou espontaneamente. Há 1 semana surgiram exantema maculopapular acometendo palmas e plantas, adenopatia generalizada e placas úmidas em região perianal. VDRL 1:64 e FTA-Abs reagente. Nega alergias. Qual é o tratamento de escolha?
O quadro (cancro que cicatrizou + exantema palmoplantar + condiloma plano + VDRL 1:64) é sífilis SECUNDÁRIA (recente, <1 ano), tratada com penicilina benzatina 2.400.000 UI IM em dose ÚNICA. O esquema de 3 doses semanais é para sífilis tardia/latente de duração indeterminada. Doxiciclina só é alternativa em alérgicos à penicilina. Ceftriaxona não é primeira escolha. Penicilina cristalina EV é para neurossífilis, não presente aqui.
Homem de 30 anos comparece à UPA com disúria, aumento da frequência urinária e secreção uretral purulenta há 4 dias, após relação sexual desprotegida. Afebril, sem dor lombar. Considerando o protocolo do Ministério da Saúde para manejo das IST com abordagem sindrômica, qual a conduta terapêutica mais adequada para o corrimento uretral?
Na abordagem sindrômica do corrimento uretral recomendada pelo Ministério da Saúde, trata-se empiricamente gonorreia e clamídia simultaneamente, pois a coinfecção é frequente e não se aguarda laboratório — o esquema é ceftriaxona IM (gonococo) + azitromicina VO (clamídia). Azitromicina isolada não cobre adequadamente o gonococo. Ciprofloxacino não é recomendado como primeira linha para gonococo pela alta resistência. Aguardar cultura retarda o tratamento, favorece transmissão e complicações. Deve-se ainda orientar tratamento de parceiros e testar outras IST (HIV/sífilis/hepatites).
Em uma UBS, o médico de família recebe o resultado de VDRL reagente 1:32 de uma paciente assintomática de 30 anos, com teste treponêmico (FTA-Abs) também reagente. Ela nunca tratou sífilis e não sabe o tempo de infecção. Qual é a conduta correta?
Com dois testes (treponêmico e não treponêmico) reagentes, sem tratamento prévio e tempo de infecção desconhecido, classifica-se como sífilis latente tardia/duração indeterminada: penicilina benzatina 2,4 milhões UI semanalmente por 3 semanas (7,2 milhões UI total), com notificação compulsória. Não tratar Errado: pois testes reagentes sem tratamento prévio indicam infecção ativa. Dose única só se aplica à sífilis recente e a sífilis é de notificação obrigatória. Postergar atrasa tratamento indicado.
Mulher de 30 anos procura a UBS com queixa de corrimento vaginal e dor pélvica; relata parceiro com secreção uretral. Ao exame, há dor à mobilização do colo e leucorreia. Em local sem disponibilidade imediata de exames laboratoriais, seguindo a lógica do SUS para infecções sexualmente transmissíveis, a conduta correta é:
A abordagem sindrômica das IST permite tratamento imediato sem depender de laboratório, cobrindo os agentes prováveis (gonococo/clamídia na cervicite/DIP leve), com manejo do parceiro e testagem ampliada (HIV/sífilis/hepatites). Aguardar cultura atrasa o tratamento e a transmissão continua. Antifúngico isolado não cobre o quadro. Não há indicação de encaminhamento terciário como primeira medida em quadro não complicado.
Homem de 26 anos procura a UBS por úlcera indolor no pênis há 15 dias, de bordas endurecidas e fundo limpo, com adenopatia inguinal indolor. Nega uso de preservativo. Ao exame: cancro único, indurado, sem secreção purulenta. VDRL 1:32 reagente e teste treponêmico (FTA-Abs) reagente. Nega alergias medicamentosas. Sobre o diagnóstico e o tratamento de escolha, assinale a alternativa correta.
Úlcera única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo (cancro duro) com adenopatia indolor e VDRL/treponêmico reagentes define sífilis primária, tratada com penicilina benzatina 2,4 milhões UI IM dose única. O cancroide gera úlceras dolorosas, múltiplas e sujas. O herpes cursa com vesículas/úlceras dolorosas recorrentes. O linfogranuloma venéreo cursa com adenopatia dolorosa que fistuliza, não com cancro duro.
Homem de 26 anos comparece à UBS relatando lesão genital indolor há cerca de 3 semanas. Nega outros sintomas. Ao exame: úlcera única em sulco balanoprepucial, com bordas endurecidas, fundo limpo e base infiltrada, indolor à palpação, acompanhada de linfadenopatia inguinal bilateral não supurativa e indolor. Refere prática sexual sem preservativo. Teste rápido treponêmico reagente. Considerando o diagnóstico e a conduta terapêutica de escolha, respectivamente, assinale a alternativa correta.
A úlcera genital única, indolor, de borda endurecida e fundo limpo (cancro duro), com adenopatia inguinal bilateral indolor e não supurativa, e teste treponêmico reagente, caracteriza sífilis primária. O tratamento de escolha é penicilina G benzatina 2.400.000 UI dose única IM, além de rastreio de outras ISTs, notificação e tratamento das parcerias. O cancro mole cursa com úlceras múltiplas, dolorosas, de fundo sujo, e adenopatia dolorosa/supurativa. O herpes genital apresenta vesículas e úlceras dolorosas recidivantes, não úlcera única indolor endurecida. O linfogranuloma venéreo cursa com úlcera transitória seguida de linfadenopatia inguinal dolorosa e fistulizante (bubão), diferente do quadro descrito, e o teste treponêmico reagente sela o diagnóstico de sífilis.
Um homem de 26 anos procura a UBS com uma lesão ulcerada indolor no pênis, de bordas endurecidas e fundo limpo, surgida há 3 semanas. Nega ardência ou secreção uretral. Ao exame: úlcera única de ~1 cm, base endurecida, e adenopatia inguinal bilateral, móvel e indolor. Refere relações sexuais desprotegidas. Considerando o diagnóstico mais provável e a conduta terapêutica preconizada pelo Ministério da Saúde, assinale a alternativa correta.
Úlcera genital única, indolor, de base endurecida e fundo limpo, com adenopatia bilateral indolor, é o cancro duro da sífilis primária. O tratamento preconizado é penicilina benzatina 2,4 milhões UI (dose única na sífilis recente), com testagem para outras ISTs (HIV, hepatites) e rastreio/tratamento de parcerias. O cancro mole causa úlceras dolorosas, múltiplas, de fundo sujo e adenopatia dolorosa que pode fistulizar. Herpes genital cursa com vesículas/úlceras dolorosas e recorrentes. A donovanose causa úlcera granulomatosa progressiva, sem a base endurecida indolor típica do cancro duro; a testagem para outras ISTs é sempre recomendada.
Um homem de 28 anos procura a UBS com queixa de disúria, aumento da frequência urinária e dor em baixo ventre há 3 dias, associado a corrimento uretral purulento abundante. Relata relação sexual desprotegida há cerca de uma semana. Nega febre alta, dor lombar ou dor testicular. Ao exame: bom estado geral, afebril, presença de secreção uretral purulenta à expressão do meato; sem alterações à palpação abdominal ou testicular. Considerando o quadro e a abordagem sindrômica preconizada pelo Ministério da Saúde para infecções sexualmente transmissíveis, qual é a conduta terapêutica mais apropriada?
O quadro é de uretrite (corrimento uretral purulento após exposição sexual). A abordagem sindrômica do Ministério da Saúde para corrimento uretral preconiza tratamento empírico simultâneo dos dois agentes mais frequentes — Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis — com ceftriaxona associada a azitromicina, além de rastreio de outras ISTs e tratamento de parcerias. Penicilina benzatina trata sífilis, não gonorreia/clamídia. Aguardar cultura retarda o tratamento e a interrupção da transmissão. Sintomáticos isolados não tratam a infecção e mantêm a cadeia de transmissão.
Homem de 34 anos, caminhoneiro, comparece à UBS relatando lesão genital indolor há cerca de três semanas. Nega febre ou prurido. Ao exame, apresenta úlcera única no sulco balanoprepucial, de bordas endurecidas, fundo limpo e base infiltrada, indolor à palpação, acompanhada de linfadenopatia inguinal bilateral, com gânglios móveis e sem sinais flogísticos. Nega uso de preservativo em relações eventuais. Refere ser hígido, sem comorbidades, e não usa medicações. O teste rápido treponêmico realizado na unidade resultou reagente. Considerando o quadro clínico e o estágio da doença, qual é o diagnóstico mais provável e a conduta terapêutica de primeira escolha, respectivamente?
A úlcera única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo (cancro duro) com adenopatia regional e teste treponêmico reagente caracteriza sífilis primária, tratada com penicilina benzatina 2.400.000 UI IM em dose única (PCDT/MS). O cancro mole (Haemophilus ducreyi) cursa com úlceras múltiplas, dolorosas e fundo sujo, com adenite supurativa. O herpes genital produz vesículas e úlceras dolorosas recorrentes, não endurecidas. A sífilis secundária apresenta lesões cutâneo-mucosas disseminadas (roséola, sifílides), não úlcera genital isolada; o esquema de três doses é reservado à sífilis tardia/latente de duração indeterminada.
Uma mulher de 26 anos procura a UBS relatando corrimento vaginal amarelado e dor pélvica leve há uma semana, além de sangramento após relação sexual. Tem novo parceiro há dois meses e uso irregular de preservativo. Nega febre. Ao exame ginecológico: colo friável com secreção mucopurulenta no orifício, dor discreta à mobilização do colo, sem massas anexiais; abdome flácido, indolor. Considerando a abordagem sindrômica das infecções sexualmente transmissíveis preconizada pelo Ministério da Saúde e a conduta de saúde coletiva associada, qual é a orientação e conduta correta?
O quadro de cervicite (colo friável, secreção mucopurulenta, dor à mobilização do colo) é manejado pela abordagem sindrômica do MS: tratamento empírico cobrindo Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, oferta de testagem para outras IST (HIV, sífilis, hepatites B e C), aconselhamento, preservativos e tratamento do(s) parceiro(s) sexual(is) — medida essencial de controle da cadeia de transmissão. Tratar como candidíase ignora a cervicite e o parceiro. Aguardar cultura atrasa tratamento numa doença de manejo sindrômico imediato. Metronidazol isolado sem parceria nem preservativos não cobre os agentes da cervicite e falha na prevenção.
Homem de 34 anos, motorista, comparece à UBS relatando surgimento, há três dias, de uma ferida indolor no pênis. Nega febre, disúria ou secreção uretral. Refere múltiplas parcerias sexuais sem uso regular de preservativo. Ao exame: úlcera única de bordas endurecidas e regulares, fundo limpo, base infiltrada, de aproximadamente 1 cm, na região da glande, sem dor à palpação. Palpam-se linfonodos inguinais bilaterais, móveis e indolores. Restante do exame físico sem alterações. Considerando a apresentação clínica e a necessidade de conduta na atenção primária, qual é a hipótese diagnóstica mais provável e o tratamento de escolha, respectivamente?
A úlcera única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo (cancro duro), acompanhada de adenopatia inguinal indolor, é o quadro clássico de sífilis primária. O tratamento preconizado pelo Ministério da Saúde é penicilina G benzatina 2.400.000 UI IM em dose única (opção correta). O cancroide (Haemophilus ducreyi) cursa com úlceras múltiplas, dolorosas, de fundo sujo e bordas irregulares, com adenopatia dolorosa/supurativa. O herpes genital apresenta-se com vesículas agrupadas e úlceras dolorosas recidivantes, não com úlcera endurecida única. O linfogranuloma venéreo causa úlcera pequena e fugaz seguida de linfadenopatia inguinal volumosa e dolorosa (bubão), sendo a doxiciclina o tratamento — mas o quadro descrito não corresponde a essa apresentação.
Homem de 45 anos comparece à UBS para investigação de assintomático após parceria fixa ter sido diagnosticada com sífilis. Nega lesões cutâneas ou genitais atuais e passadas. Traz teste rápido treponêmico reagente. Solicita-se VDRL, que retorna 1:4. O paciente nega tratamento prévio para sífilis. Ao exame físico não há lesões, adenopatias ou alterações neurológicas. Considerando o resultado dos testes e a ausência de sintomas, qual é a classificação e a conduta terapêutica corretas para este caso?
Teste treponêmico e não treponêmico reagentes, sem sintomas e sem lesões, em paciente sem tratamento prévio e sem como precisar o tempo de infecção, caracterizam sífilis latente de duração ignorada — tratada como latente tardia: penicilina G benzatina 2.400.000 UI IM semanal por três semanas (total 7.200.000 UI) (opção correta). Sífilis primária exige úlcera (cancro duro), ausente aqui, e usa dose única. Neurossífilis exige alterações neurológicas/LCR compatível, não presentes. Não tratar é conduta errada, pois há infecção comprovada com testes reagentes em paciente não tratado, com risco de progressão.
Homem, 32 anos, apresenta há 3 semanas úlcera única no sulco balanoprepucial, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo, associada a linfonodomegalia inguinal bilateral não dolorosa. Nega febre. Refere contato sexual desprotegido há cerca de 5 semanas. Foi solicitado VDRL, que resultou NÃO REAGENTE. O exame direto em campo escuro da lesão não estava disponível no serviço. Qual a conduta mais adequada?
A lesão descrita é o cancro duro clássico da sífilis primária: úlcera única, indolor, bordas endurecidas, fundo limpo, com adenopatia regional não dolorosa. Nas primeiras semanas o VDRL (teste não treponêmico) pode ser não reagente por ainda não ter havido produção suficiente de anticorpos — a janela imunológica da fase primária. O teste treponêmico (FTA-Abs ou teste rápido) positiva mais precocemente e confirma o diagnóstico, autorizando o tratamento com penicilina benzatina (correta). Errada: VDRL não reagente NÃO afasta sífilis primária precoce, justamente pela janela. Errada: herpes causa vesículas/úlceras MÚLTIPLAS e DOLOROSAS, incompatível com o cancro duro indolor. Errada: pesquisar HIV é pertinente, mas postergar por 3 meses uma úlcera com quadro típico é conduta inadequada; deve-se confirmar com treponêmico e tratar. Errada: o cancroide (Haemophilus ducreyi) cursa com úlceras dolorosas, fundo sujo e adenopatia dolorosa/fistulizante, oposto do quadro apresentado.
Homem, 40 anos, procura atendimento com lesões cutâneas há 2 semanas: máculas eritematosas disseminadas no tronco, incluindo lesões nas palmas das mãos e plantas dos pés, associadas a febre baixa, mal-estar e linfonodomegalia generalizada. Relata que teve, há cerca de 6 semanas, uma úlcera genital indolor que desapareceu espontaneamente. Qual é o estágio da sífilis mais provável neste paciente?
O quadro é típico de sífilis secundária: exantema maculopapular disseminado que caracteristicamente acomete palmas e plantas, acompanhado de sintomas sistêmicos (febre, mal-estar) e linfonodomegalia generalizada, surgindo semanas após a resolução espontânea do cancro duro da fase primária (correta). Errada: a fase primária é a úlcera (cancro duro), que aqui já regrediu. Erradas: a fase latente é, por definição, ASSINTOMÁTICA, com sorologia reagente e sem lesões; o paciente tem lesões ativas. Errada: a sífilis terciária ocorre anos depois, com gomas, acometimento cardiovascular (aortite) ou neurológico, e não com esse exantema palmoplantar agudo.
Homem, 24 anos, procura atendimento por lesão genital. Refere que, há cerca de 3 semanas, surgiu úlcera única no sulco balanoprepucial, indolor, precedida por relação sexual desprotegida. Ao exame: úlcera de aproximadamente 1 cm, de bordas bem delimitadas e endurecidas, fundo limpo, sem secreção; linfonodos inguinais bilaterais palpáveis, móveis e indolores. VDRL reagente 1:16; teste treponêmico (FTA-Abs) reagente. Não relata alergias medicamentosas. Assinale a conduta terapêutica adequada.
O quadro (úlcera única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo — cancro duro — com adenopatia inguinal indolor e sorologias reagentes) é de sífilis primária, forma de sífilis recente (< 1 ano). Pelo PCDT-IST/MS, o tratamento da sífilis recente (primária, secundária e latente recente) é penicilina benzatina 2.400.000 UI IM em dose ÚNICA. Três doses semanais (7.200.000 UI) são o esquema da sífilis TARDIA (latente tardia ou de duração ignorada/terciária) — exagero terapêutico para o estágio recente. Doxiciclina é a alternativa apenas para alérgicos à penicilina (que o paciente não é) e nunca é opção em gestante. Ceftriaxona 1 g IM dose única trata gonorreia, não sífilis. Azitromicina 1 g é esquema de clamídia/cancroide; para sífilis há alta resistência e não é recomendada.
Mulher, 28 anos, foi tratada há 12 meses para sífilis com penicilina benzatina; ao diagnóstico apresentava VDRL reagente 1:64. Assintomática, comparece para seguimento sorológico de rotina. Exames atuais: VDRL reagente 1:4; teste treponêmico (FTA-Abs) permanece reagente. Nega novas exposições de risco desde o tratamento. Qual a interpretação e a conduta corretas?
Resposta adequada ao tratamento é definida pela queda de ao menos duas diluições (redução de 4 vezes ou mais) no título do teste não treponêmico em até 6-12 meses. A queda de 1:64 para 1:4 corresponde a 4 diluições — resposta plenamente adequada em paciente assintomática; a conduta é apenas manter o seguimento. Não há falha: o VDRL não precisa negativar, e a queda de títulos indica cura, portanto não se retrata. O teste treponêmico permanece reagente por toda a vida (cicatriz sorológica) e NÃO serve para monitorar cura ou reinfecção — não indica retratamento. Punção lombar estaria indicada se houvesse sintomas neurológicos/oculares ou ausência de queda adequada dos títulos, o que não é o caso. Título baixo residual com queda documentada não é falso-positivo; interromper o seguimento é conduta incorreta.
Homem, 45 anos, com história de sífilis diagnosticada e não tratada, apresenta há 2 meses alteração progressiva da marcha, parestesias em membros inferiores e embaçamento visual. Ao exame neurológico: pupilas que se contraem à acomodação, mas não reagem à luz (pupila de Argyll Robertson), redução da sensibilidade vibratória e proprioceptiva e marcha atáxica. VDRL sérico reagente 1:32; punção lombar com VDRL reagente no líquor e pleocitose linfocítica. Nega alergias medicamentosas. Qual o tratamento indicado?
O quadro (sinais de tabes dorsalis, pupila de Argyll Robertson, acometimento ocular e, sobretudo, VDRL reagente no líquor com pleocitose) confirma neurossífilis. Seu tratamento exige penicilina que atinja concentração liquórica adequada: penicilina cristalina aquosa 18–24 milhões UI/dia EV por 10-14 dias — alternativamente penicilina procaína IM + probenecida. Penicilina benzatina NÃO atinge níveis treponemicidas no líquor, sendo inadequada para qualquer forma de neurossífilis, independentemente do número de doses. Doxiciclina é apenas alternativa para alérgicos em formas não neurológicas e tem evidência frágil no SNC; o paciente não é alérgico. Ceftriaxona pode ser considerada apenas em situações excepcionais de alergia, em dose diária de 2 g EV por 10-14 dias — o esquema descrito (1 g IM) é insuficiente e não é a conduta padrão.
Mulher, 24 anos, previamente hígida, sexualmente ativa com parceiro novo há 3 semanas, procura o pronto-socorro com febre (T 38,5 °C) e dor articular há 5 dias. Relata início com dores migratórias em punhos e tornozelos, evoluindo nas últimas 48 horas para dor, edema e limitação intensa do joelho direito. Ao exame: FC 96 bpm, PA 118/74 mmHg, joelho direito quente e com derrame, dor à extensão dos tendões extensores do punho esquerdo (tenossinovite) e algumas lesões pustulosas com halo eritematoso em membros. Artrocentese do joelho: líquido turvo, 22.000 leucócitos/mm³ (predomínio de polimorfonucleares), Gram sem microrganismos. Qual a conduta terapêutica inicial mais adequada?
O quadro é clássico de infecção gonocócica disseminada (IGD): mulher jovem sexualmente ativa com a tríade dermatite (lesões pustulosas), tenossinovite e poliartralgia migratória evoluindo para monoartrite; o Gram frequentemente é negativo no líquido sinovial (Neisseria gonorrhoeae é fastidiosa). O tratamento de escolha é ceftriaxona parenteral, sempre com cobertura empírica concomitante para Chlamydia por coinfecção frequente (opção correta). Oxacilina e C (vancomicina) cobrem S. aureus, agente da artrite séptica não gonocócica, mas não contemplam o cenário clínico de IGD nem a Neisseria. A penicilina G foi abandonada como monoterapia pela alta resistência do gonococo e não cobre Chlamydia. Colchicina/AINE trataria crise gotosa, improvável nesta paciente jovem com pústulas, tenossinovite e história sexual sugestiva de doença infecciosa.
Homem, 27 anos, previamente higido, procura a unidade basica de saude por lesao genital surgida ha 12 dias. Refere que a lesao apareceu como papula que evoluiu para ulcera, NAO dolorosa. Ao exame: ulcera unica no sulco balanoprepucial, de ~1 cm, com bordas endurecidas e fundo limpo, base infiltrada, indolor a palpacao; linfonodo inguinal ipsilateral aumentado, movel e indolor. Nega febre ou corrimento uretral. Sorologia rapida treponemica reagente. Qual e o tratamento de escolha?
O quadro e classico de sifilis primaria: cancro duro - ulcera genital unica, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo, com adenopatia inguinal indolor, surgindo cerca de 3 semanas apos o contato. Na sifilis recente (primaria, secundaria ou latente com menos de 1 ano), o tratamento de escolha e penicilina G benzatina 2,4 milhoes UI IM em dose unica. Doxiciclina e apenas alternativa para alergicos a penicilina (nao gestantes), nao a primeira escolha. Ceftriaxona nao e o esquema padrao para sifilis primaria. Penicilina cristalina EV por 14 dias e reservada a neurossifilis, ausente aqui. Azitromicina nao e recomendada pelo risco de resistencia do Treponema pallidum.
Mulher, 34 anos, assintomatica, realiza exames de rotina. Nega lesoes genitais, exantema ou queixas neurologicas atuais e no passado; nao recorda episodios previos sugestivos de sifilis e nunca foi tratada. Exame fisico sem alteracoes. Resultados: teste treponemico (FTA-Abs) reagente e VDRL reagente 1:16. Nao ha registro de sorologias anteriores, de modo que o tempo de infeccao nao pode ser determinado. Qual a conduta terapeutica mais adequada?
Paciente assintomatica com dois testes reagentes (treponemico + nao treponemico) e sem lesoes: trata-se de sifilis latente. Como nao ha sorologia previa nem historia que permita datar a infeccao em menos de 1 ano, classifica-se como sifilis latente tardia / de duracao indeterminada. O esquema correto e penicilina G benzatina 2,4 milhoes UI IM, uma vez por semana, por 3 semanas (total 7,2 milhoes UI). Dose unica trata apenas a sifilis recente (menos de 1 ano) e subtrataria este caso - e a principal pegadinha. Penicilina cristalina EV so se houver neurossifilis, que a paciente nao apresenta. Doxiciclina e alternativa apenas para alergicos (esquema de 28 dias na forma tardia), nao a primeira escolha. Deixar de tratar diante de VDRL reagente 1:16 com teste treponemico confirmatorio esta incorreto, pois configura infeccao ativa nao tratada.
Mulher, 24 anos, sexualmente ativa, com múltiplos parceiros e uso irregular de preservativo, procura atendimento por febre e poliartralgia migratória há 4 dias, que evoluiu para artrite do punho e do tornozelo esquerdos. Ao exame apresenta dor à mobilização dos tendões extensores do dorso da mão (tenossinovite) e algumas lesões pustulosas em extremidades. A artrocentese do tornozelo revela líquido inflamatório, porém a bacterioscopia pelo Gram e as culturas do líquido sinovial são frequentemente negativas nesse quadro. Qual é o tratamento empírico mais adequado?
O quadro é clássico de infecção gonocócica disseminada (síndrome artrite-dermatite): mulher jovem sexualmente ativa com a tríade poliartralgia migratória/tenossinovite/lesões cutâneas pustulosas, em que a cultura do líquido sinovial costuma ser negativa (a bactéria é fastidiosa). O tratamento é ceftriaxona, e as diretrizes recomendam associar azitromicina pela alta coinfecção por clamídia. Correta: Errada: vancomicina cobre MRSA, mas a apresentação migratória com tenossinovite e pústulas aponta para Neisseria gonorrhoeae, não estafilococo. Errada: gota poliarticular em mulher de 24 anos sem hiperuricemia é altamente improvável, e não explica tenossinovite/pústulas. Errada: a doença de Lyme não é endêmica no Brasil e cursa tipicamente com monoartrite tardia de grandes articulações, não com esse padrão. Errada: oxacilina isolada não cobre o gonococo, agente do quadro.
Um homem de 26 anos procura a Unidade Básica de Saúde referindo o surgimento, há cerca de duas semanas, de uma lesão no pênis. Relata vida sexual ativa com parcerias eventuais, uso inconsistente de preservativo e nega dor local. Ao exame físico, observa-se, na glande, úlcera única de aproximadamente 1 cm, bordas endurecidas e bem delimitadas, fundo limpo e base infiltrada, indolor à palpação. Há linfonodomegalia inguinal bilateral, de consistência firme, móvel e também indolor. O paciente encontra-se afebril e em bom estado geral, sem outras queixas sistêmicas. Considerando o quadro clínico e a epidemiologia das infecções sexualmente transmissíveis no Brasil, qual o diagnóstico mais provável e a conduta terapêutica adequada?
A úlcera única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo (cancro duro), acompanhada de adenopatia inguinal indolor, caracteriza a sífilis primária, tratada com penicilina benzatina 2,4 milhões UI IM em dose única (PCDT/MS). Entre os distratores, o cancroide cursa com úlceras múltiplas, dolorosas, de fundo sujo e adenopatia supurativa; o herpes genital apresenta vesículas/úlceras dolorosas e recorrentes; e o linfogranuloma venéreo tem úlcera fugaz seguida de bubão inguinal doloroso e fistulizante.
Um homem de 32 anos procura a Unidade de Pronto Atendimento queixando-se de corrimento uretral abundante, de aspecto amarelo-esverdeado e purulento, iniciado há três dias, associado a ardência miccional intensa. Relata relação sexual desprotegida com nova parceria há cerca de uma semana. Ao exame, evidencia-se secreção purulenta exteriorizando-se pelo meato uretral à expressão, sem lesões ulceradas, sem adenopatia e sem edema testicular; encontra-se afebril e em bom estado geral. Na unidade, não há disponibilidade imediata de exames laboratoriais para identificação do agente etiológico. Considerando a abordagem sindrômica preconizada pelo Ministério da Saúde, qual é a conduta terapêutica mais adequada para este paciente?
O corrimento uretral purulento sugere uretrite gonocócica; pela abordagem sindrômica do MS, trata-se empiricamente gonorreia e clamídia (frequente coinfecção) com ceftriaxona 500 mg IM + azitromicina 1 g VO, ambas em dose única. Distratores: metronidazol cobre tricomoníase, não gonococo/clamídia como monoterapia; penicilina benzatina é para sífilis; ciprofloxacino foi abandonado no tratamento da gonorreia por elevada resistência do N. gonorrhoeae no Brasil.
Uma mulher de 26 anos comparece à Unidade Básica de Saúde relatando o aparecimento, há cerca de 15 dias, de uma ferida na região genital. Ao exame, observa-se úlcera única de aproximadamente 1 cm, de bordas endurecidas, fundo limpo e indolor à palpação, acompanhada de linfonodo inguinal ipsilateral não doloroso. A paciente nega febre ou secreção. Ela é sexualmente ativa, com parceria fixa, e não usa preservativo regularmente. Considerando a apresentação clínica descrita, qual é o diagnóstico mais provável?
A úlcera genital única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo, com adenopatia inguinal indolor, é o cancro duro, lesão típica da sífilis primária (Protocolo Clínico de IST do Ministério da Saúde). O cancroide cursa com úlceras múltiplas, dolorosas, de fundo sujo e bordas moles, com adenopatia dolorosa/supurativa. O herpes genital apresenta vesículas agrupadas dolorosas que evoluem para úlceras rasas. A donovanose gera úlceras crônicas, indolores, mas com aspecto vegetante/granulomatoso e evolução arrastada, sem o linfonodo típico.
Uma mulher de 24 anos procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de "ferida na região genital" há 5 dias. Relata início súbito de múltiplas vesículas dolorosas na vulva, que evoluíram para pequenas úlceras rasas e agrupadas, acompanhadas de ardência, febre baixa e mal-estar. É a primeira vez que apresenta esse quadro. Nega uso de preservativo com o parceiro atual. Ao exame, observam-se úlceras dolorosas, de fundo limpo e bordas eritematosas, sobre base eritematosa na vulva, além de linfonodos inguinais bilaterais dolorosos. Com base no quadro clínico, qual é o diagnóstico mais provável e a conduta terapêutica indicada?
O quadro de múltiplas vesículas que evoluem para úlceras rasas, agrupadas e DOLOROSAS, com base eritematosa, sintomas sistêmicos (febre/mal-estar) e adenopatia inguinal dolorosa bilateral em primeiro episódio é típico de herpes genital (HSV). O tratamento do primeiro episódio, conforme o Ministério da Saúde, é aciclovir 400 mg VO 3x/dia (ou 200 mg 5x/dia) por 7 a 10 dias. A sífilis primária cursa com úlcera única e INDOLOR (cancro duro), tratada com penicilina benzatina. O cancro mole causa úlceras dolorosas, mas com fundo sujo/purulento e adenopatia que supura (bubão), tratado com azitromicina. O linfogranuloma cursa com úlcera transitória seguida de linfadenopatia inguinal volumosa e fistulizante.
Um homem de 30 anos é atendido na Unidade Básica de Saúde por apresentar "caroço na virilha" há 2 semanas. Relata que, cerca de 3 semanas antes, notou uma pequena lesão ulcerada indolor no pênis, que desapareceu espontaneamente. Atualmente queixa-se de aumento doloroso dos gânglios na região inguinal direita, com a pele sobrejacente avermelhada. Ao exame, observa-se massa inguinal dolorosa, flutuante, com áreas de fistulização e drenagem de secreção. Nega febre. Refere múltiplos parceiros sexuais e uso inconsistente de preservativo. Considerando a hipótese diagnóstica mais provável, qual é o agente etiológico e o tratamento de escolha?
A sequência de úlcera genital transitória e INDOLOR seguida, semanas depois, de linfadenopatia inguinal dolorosa, com fistulização/drenagem (bubões que fistulizam) é característica do linfogranuloma venéreo (LGV), causado pela Chlamydia trachomatis sorotipos L1, L2 e L3. O tratamento de escolha, segundo o Ministério da Saúde, é doxiciclina 100 mg VO 12/12h por 21 dias. A sífilis primária não fistuliza os gânglios. O cancro mole (Haemophilus ducreyi) cursa com úlceras dolorosas de fundo sujo e bubão que pode supurar, mas sem a fase de úlcera transitória indolor prévia. O herpes não causa massa inguinal fistulizante.
Um homem de 27 anos comparece à Unidade Básica de Saúde relatando o aparecimento de uma "ferida" no pênis há cerca de 15 dias. Refere que a lesão não dói e não coça, motivo pelo qual demorou a procurar atendimento. Nega febre ou outros sintomas. Ao exame físico, observa-se uma única úlcera na glande, de aproximadamente 1 cm, com bordas endurecidas e bem delimitadas, fundo limpo e base indurada à palpação, indolor. Há linfonodos inguinais bilaterais, endurecidos e indolores. Diante desse quadro clínico clássico, qual é o diagnóstico mais provável?
A úlcera genital ÚNICA, INDOLOR, de bordas endurecidas, fundo limpo e base indurada (cancro duro), acompanhada de adenopatia inguinal bilateral indolor e endurecida, é a apresentação clássica da sífilis primária (Treponema pallidum). O cancro mole (Haemophilus ducreyi) cursa com úlceras múltiplas, dolorosas e de fundo sujo. O herpes genital cursa com vesículas/úlceras dolorosas. A donovanose apresenta úlceras crônicas, indolores, de bordas hipertróficas e sangrantes, sem adenopatia significativa, com evolução lenta e progressiva.
Mulher de 26 anos comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de "verruguinhas" na região genital há cerca de 2 meses, indolores, que aumentaram em número. Nega febre, corrimento, dor ou úlceras prévias. É sexualmente ativa, com parceria única, não usa preservativo e não apresenta comorbidades; não está gestante. Ao exame ginecológico observam-se múltiplas lesões papilomatosas, verrucosas, de superfície áspera e queratótica, cor da pele a acinzentadas, medindo de 2 a 5 mm, agrupadas na fúrcula e nos pequenos lábios; ausência de úlceras, secreção anormal ou linfadenopatia. As sorologias para HIV, sífilis e hepatites estão negativas. Firmado o diagnóstico de verrugas anogenitais (condilomatose por HPV), qual é a conduta ambulatorial de primeira linha, aplicada pelo profissional, adequada a este caso?
Correta: as verrugas anogenitais têm aspecto verrucoso e queratótico e são causadas pelo HPV. Entre os métodos químicos ambulatoriais aplicados pelo profissional, o ácido tricloroacético (ATA) a 80–90% em aplicações semanais é opção de primeira linha, segura inclusive na gestação. A penicilina benzatina trata sífilis. O aciclovir trata herpes genital. O metronidazol trata tricomoníase e vaginose — nenhum atua sobre o HPV.
Gestante de 24 anos, com idade gestacional de 28 semanas, na consulta de pré-natal na UBS, refere o aparecimento de verrugas na vulva que cresceram nas últimas semanas. Nega dor, sangramento ou sensação de obstrução ao canal de parto. Ao exame observam-se lesões condilomatosas típicas (verrugas anogenitais), múltiplas, distribuídas na vulva e no períneo, sem sangramento e sem obstruir o intróito vaginal. As sorologias do pré-natal (HIV, sífilis e hepatites B e C) são negativas e a paciente está assintomática do ponto de vista sistêmico. Considerando o manejo das verrugas anogenitais na gestação, assinale a conduta correta.
Na gestação, o ácido tricloroacético (ATA) e métodos físicos (crio/eletro/exérese) são as opções seguras; a via de parto segue indicação obstétrica, sendo a cesariana reservada apenas a lesões volumosas que obstruam o canal ou risco de sangramento. Correta: Imiquimode não é recomendado na gestação. A presença de condilomas, por si, não indica cesariana. Podofilina e podofilotoxina são contraindicadas na gravidez (toxicidade/absorção sistêmica).
Mulher de 30 anos procura a UBS por "verrugas" na região genital há cerca de 3 semanas. Relata que, há aproximadamente 6 semanas, notou uma ferida genital indolor que desapareceu sozinha. Ao exame apresenta lesões planas, úmidas, discretamente elevadas, de superfície lisa e aspecto acinzentado/esbranquiçado, algumas confluentes, localizadas nas regiões vulvar e perianal; há linfadenopatia inguinal bilateral, indolor, além de máculas eritematosas nas palmas das mãos e plantas dos pés. Nega prurido ou dor nas lesões. Considerando o quadro clínico e o aspecto das lesões, qual é o diagnóstico mais provável e a conduta indicada?
O conjunto — úlcera genital prévia indolor que cicatrizou (cancro duro), placas planas e úmidas (condiloma plano), adenopatia inguinal bilateral indolor e exantema palmoplantar — caracteriza sífilis secundária, cujo tratamento é penicilina benzatina 2,4 milhões UI IM. Correta: o condiloma acuminado tem aspecto verrucoso/queratótico, não plano e úmido, e não cursa com exantema palmoplantar. Herpes cursa com vesículas/úlceras dolorosas. Cancro mole causa úlceras dolorosas e não esse conjunto sistêmico.
Uma mulher de 23 anos procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de corrimento vaginal amarelado há duas semanas e pequenos sangramentos após as relações sexuais. Relata início de novo parceiro há um mês, sem uso de preservativo. Nega dor pélvica, febre ou dispareunia profunda. Ao exame especular, observa-se secreção mucopurulenta saindo pelo orifício externo do colo, que sangra facilmente ao toque do swab (friabilidade cervical). O toque bimanual não desperta dor à mobilização do colo nem massa anexial. Considerando a abordagem sindrômica preconizada pelo Ministério da Saúde, qual é, respectivamente, o diagnóstico sindrômico mais provável e a conduta terapêutica adequada?
O corrimento mucopurulento pelo orifício cervical, a friabilidade do colo e o sangramento pós-coito, num contexto de fator de risco (novo parceiro, sem preservativo), caracterizam a síndrome de CERVICITE, cujos agentes são Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. O PCDT-IST do Ministério da Saúde recomenda o tratamento combinado empírico com ceftriaxona 500 mg IM dose única (gonococo) + azitromicina 1 g VO dose única (clamídia). A candidíase cursa com corrimento branco grumoso e prurido, não com secreção pelo colo. A vaginose bacteriana dá corrimento acinzentado com odor de peixe, sem friabilidade cervical. A DIP exigiria dor à mobilização do colo, dor anexial ou febre, ausentes neste caso.
Uma paciente de 26 anos, atendida na Unidade de Saúde da Família, recebe o diagnóstico sindrômico de cervicite após o exame ginecológico evidenciar corrimento cervical mucopurulento e colo friável. Ela não apresenta sinais de doença inflamatória pélvica e não está gestante. De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, qual é o esquema de primeira escolha para o tratamento empírico dessa síndrome, cobrindo os dois principais agentes etiológicos?
A cervicite tem como agentes N. gonorrhoeae e C. trachomatis, e o tratamento empírico de primeira linha do Ministério da Saúde cobre ambos: ceftriaxona 500 mg IM dose única + azitromicina 1 g VO dose única. Metronidazol + fluconazol trata tricomoníase/vaginose e candidíase (corrimento vaginal), não cervicite. Penicilina benzatina é o tratamento da sífilis. Aciclovir trata o herpes genital e a nistatina, candidíase — nenhum cobre gonococo ou clamídia.
Homem de 26 anos procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de 'feridas' no pênis há sete dias. Relata que as lesões começaram como pequenas pápulas dolorosas que rapidamente se ulceraram, e que a dor piora ao contato e à higiene. Refere relações sexuais desprotegidas com parceiras eventuais, a última há 12 dias. Nega febre, exantema, vesículas agrupadas prévias, corrimento uretral ou episódios semelhantes anteriores. Ao exame físico: três úlceras no sulco balanoprepucial, medindo de 0,5 a 1,5 cm, com bordas irregulares e solapadas, fundo recoberto por exsudato purulento amarelado, base amolecida e muito dolorosas à manipulação. Há linfonodomegalia inguinal unilateral à esquerda, dolorosa, com sinais flogísticos e área de flutuação. Testes rápidos treponêmico e para HIV não reagentes.
Correta: úlceras múltiplas, dolorosas, de bordas solapadas, fundo purulento e base amolecida, associadas a bubão inguinal unilateral, doloroso e flutuante, caracterizam o cancro mole (Haemophilus ducreyi). O PCDT de IST do Ministério da Saúde indica azitromicina 1 g VO em dose única (alternativa: ceftriaxona 500 mg IM dose única), e o bubão flutuante deve ser aspirado por punção — nunca incisado e drenado, pelo risco de fístula. Sífilis primária é incorreta: o cancro duro é típico único, indolor, de base endurecida e fundo limpo, com adenopatia indolor — e o teste treponêmico é não reagente. Herpes genital primário é incorreto: cursa com vesículas agrupadas que evoluem para úlceras rasas de fundo limpo, geralmente com pródromos e sintomas sistêmicos, sem bubão supurativo. Linfogranuloma venéreo é incorreto: a lesão inicial é uma pápula/úlcera fugaz e indolor, e a adenopatia dominante surge semanas depois, com fistulização em 'bico de regador'.
Homem de 32 anos comparece à Unidade Básica de Saúde relatando o aparecimento de uma 'ferida' no pênis há 15 dias. Conta que a lesão surgiu como uma pequena elevação que se ulcerou e chama a atenção pelo fato de não doer nem coçar, motivo pelo qual demorou a procurar atendimento. Nega febre, corrimento uretral, disúria, exantema ou uso recente de medicamentos. Relata relação sexual desprotegida com nova parceira cerca de 25 dias antes do início da lesão. Ao exame físico: lesão única no sulco balanoprepucial, ulcerada, com cerca de 1 cm, bordas regulares e elevadas, fundo limpo e liso, base endurecida à palpação e totalmente indolor. Linfonodos inguinais bilaterais, móveis, endurecidos e indolores, sem sinais flogísticos. Teste rápido treponêmico reagente.
Correta: úlcera genital única, indolor, de fundo limpo, bordas regulares e base endurecida (cancro duro), com adenopatia inguinal indolor e teste treponêmico reagente, após período de incubação compatível (10 a 90 dias), define sífilis primária. Conforme o PCDT de IST do Ministério da Saúde, o tratamento é penicilina G benzatina 2.400.000 UI IM em dose única, com testagem/tratamento da parceria sexual e notificação compulsória (sífilis adquirida é de notificação obrigatória). Cancro mole é incorreto: as úlceras são múltiplas, dolorosas, de fundo purulento e base amolecida, com bubão inflamatório. Herpes genital é incorreto: cursa com vesículas e úlceras rasas dolorosas, recorrentes. Donovanose é incorreta: evolui de forma lenta e progressiva, com lesão vegetante/granulomatosa de fundo vermelho-vivo que sangra facilmente, sem adenopatia verdadeira.
Uma mulher de 24 anos comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de corrimento vaginal amarelado há três semanas, disúria leve e sangramento após as relações sexuais. Refere nova parceria sexual há dois meses, sem uso de preservativo. Nega febre, dor pélvica ou atraso menstrual. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, afebril, com abdome flácido e indolor. Ao exame especular, observa-se secreção mucopurulenta saindo do orifício externo do colo uterino, que se mostra friável e sangra ao toque com a espátula. Ao toque vaginal bimanual, não há dor à mobilização do colo nem dor anexial. A unidade não dispõe de testes laboratoriais para o agente etiológico no momento. De acordo com a abordagem sindrômica preconizada pelo Ministério da Saúde, quais são, respectivamente, a hipótese diagnóstica e a conduta terapêutica imediata?
O quadro reúne os marcadores de corrimento CERVICAL (e não vaginal): mucopus no orifício externo, colo friável com sangramento ao toque e sinusiorragia, em mulher com parceria nova sem preservativo. Pelo PCDT-IST do Ministério da Saúde, o fluxograma de corrimento cervical manda tratar empiricamente, na mesma consulta, os dois agentes mais prevalentes — Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis — com ceftriaxona 500 mg IM dose única + azitromicina 1 g VO dose única, sem aguardar exame etiológico. Vaginose cursa com corrimento branco-acinzentado homogêneo e odor de peixe, sem friabilidade cervical nem sinusiorragia. Candidíase dá corrimento branco grumoso com prurido intenso, não mucopus endocervical. DIP exigiria dor à mobilização do colo, dor anexial ou hipogástrica, ausentes aqui — tratar como DIP significaria expor a paciente a 14 dias de esquema desnecessário.
Uma mulher de 22 anos procura a Unidade Básica de Saúde referindo corrimento vaginal purulento há dez dias, associado a leve ardência ao urinar. É sexualmente ativa, tem duas parcerias no último mês e faz uso irregular de preservativo. Nega uso de medicamentos, nega alergias e nega atraso menstrual; o teste de gravidez é negativo. Ao exame especular, evidencia-se secreção mucopurulenta exteriorizando-se pelo orifício externo do colo uterino, com colo hiperemiado e friável ao toque do swab. O toque bimanual não revela dor à mobilização do colo nem massas anexiais. A unidade não dispõe de exames laboratoriais para pesquisa do agente etiológico, e a paciente será tratada pela abordagem sindrômica de corrimento cervical. Qual é o esquema terapêutico recomendado pelo Ministério da Saúde para esse caso?
A conduta padronizada no PCDT-IST/MS para o fluxograma de corrimento cervical é a cobertura simultânea de gonococo e clamídia com ceftriaxona 500 mg IM dose única + azitromicina 1 g VO dose única, na própria consulta. O metronidazol com creme trata vaginose/tricomoníase e candidíase, que não cursam com mucopus endocervical e colo friável. A penicilina benzatina é o tratamento da sífilis recente, que não cobre nem gonococo nem clamídia. Errada: no componente antigonocócico: as quinolonas foram retiradas do esquema de primeira linha no Brasil pela alta resistência do N. gonorrhoeae ao ciprofloxacino.
Uma mulher de 27 anos foi atendida na Unidade Básica de Saúde há uma semana com corrimento cervical mucopurulento e colo friável, tendo recebido, na própria consulta, ceftriaxona intramuscular e azitromicina por via oral pela abordagem sindrômica. Retorna hoje assintomática, com o corrimento resolvido. Relata que tem uma parceria sexual fixa há oito meses e teve uma outra parceria eventual há cerca de 40 dias. Informa que conversou com o companheiro, que está totalmente assintomático, sem corrimento uretral ou disúria, e que, por isso, ele não quer tomar medicação nem se considera doente. A paciente pergunta como deve proceder em relação às parcerias. Qual é a conduta correta em relação ao manejo das parcerias sexuais, segundo o Ministério da Saúde?
O manejo das parcerias é parte indissociável do tratamento das ISTs: pelo PCDT-IST/MS, as parcerias sexuais dos últimos 60 dias devem ser convocadas, avaliadas e tratadas presuntivamente com o MESMO esquema (ceftriaxona 500 mg IM + azitromicina 1 g VO, dose única), independentemente de sintomas ou de exames, para interromper a cadeia de transmissão e evitar a reinfecção da paciente — devendo-se ainda ofertar testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C. Condicionar o tratamento a exames frequentemente indisponíveis na atenção primária e retarda a interrupção da transmissão. Não tratar a parceria assintomática ignora que a maioria das infecções por clamídia (e boa parte das gonocócicas) é assintomática no homem, mas transmissível e potencialmente causadora de reinfecção e de DIP. Tratar só com azitromicina deixa o gonococo sem cobertura e parte de premissa falsa sobre a etiologia da infecção assintomática masculina.
Um homem de 24 anos comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de "uma ferida no pênis" percebida há cerca de 12 dias. Refere que a lesão não dói e não coça, e que não usou preservativo nas últimas relações sexuais. Nega febre, corrimento uretral, disúria ou uso de medicamentos. Não tem comorbidades. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, afebril; observa-se, no sulco balanoprepucial, úlcera única de aproximadamente 1 cm, com fundo limpo, secreção serosa escassa, bordas elevadas e base endurecida à palpação, indolor. Há linfonodos inguinais bilaterais, móveis, endurecidos e indolores, sem flutuação. O teste rápido treponêmico realizado na unidade resultou reagente. Qual é, respectivamente, o diagnóstico e a conduta terapêutica indicada para esse paciente?
A tríade úlcera única, indolor, de base endurecida e fundo limpo (cancro duro), com adenopatia inguinal indolor e teste treponêmico reagente, define sífilis primária. Pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para IST do Ministério da Saúde, sífilis recente (primária, secundária e latente recente, até 1 ano) é tratada com benzilpenicilina benzatina 2.400.000 UI IM em dose única (1.200.000 UI em cada glúteo), com tratamento das parcerias sexuais e notificação compulsória. Cancro mole (Haemophilus ducreyi) cursa com úlceras múltiplas, dolorosas, de fundo sujo e adenopatia supurativa — não é o quadro. Herpes genital cursa com vesículas agrupadas e úlceras rasas dolorosas, e não com base endurecida nem teste treponêmico reagente. Linfogranuloma venéreo tem lesão inicial fugaz e o quadro é dominado por linfadenopatia dolorosa que fistuliza ("bubão"), diferente da adenopatia indolor e não supurativa descrita.
Um homem de 32 anos retorna à Unidade Básica de Saúde para consulta de seguimento. Há seis meses recebeu diagnóstico de sífilis secundária — apresentava exantema maculopapular no tronco e nas regiões palmar e plantar, com VDRL reagente 1:64 e teste treponêmico reagente — e foi tratado com benzilpenicilina benzatina 2.400.000 UI, via intramuscular, em dose única, na própria unidade. As lesões cutâneas desapareceram em poucas semanas. Nega, desde então, novas lesões, febre, cefaleia, alteração visual ou auditiva, e refere uso consistente de preservativo com sua única parceria, que também foi testada e tratada. A sorologia anti-HIV é não reagente. Ao exame físico, encontra-se assintomático, sem lesões cutaneomucosas e com exame neurológico normal. O VDRL de hoje é reagente 1:4. Qual é a interpretação do resultado e a conduta adequada?
A resposta ao tratamento da sífilis é monitorada por teste não treponêmico (VDRL) na mesma metodologia e laboratório: considera-se resposta imunológica adequada a queda de pelo menos duas diluições (quatro vezes o título) em até seis meses na sífilis recente. A queda de 1:64 para 1:4 corresponde a quatro diluições, muito além do exigido, em paciente assintomático — portanto, resposta adequada, bastando manter o seguimento sorológico periódico (trimestral, conforme o PCDT de IST) até o critério de cura, sem retratar. Falha: terapêutica exigiria ausência de queda de duas diluições em seis meses, aumento de títulos ou persistência/recorrência de sinais clínicos — nada disso ocorre. Reinfecção se manifestaria por elevação de títulos (≥ 2 diluições) ou novas lesões, e não por queda expressiva. Punção lombar está indicada diante de sinais neurológicos/oftalmológicos/auditivos ou de evidência de falha terapêutica, ausentes no caso; investigar liquor em paciente com resposta adequada é conduta desnecessária e invasiva.
Um homem de 26 anos, pedreiro, comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de uma "ferida" no pênis, notada há 12 dias. Refere que a lesão não dói e não coça, e que por isso demorou a procurar atendimento. Nega febre, disúria ou corrimento uretral. Relata múltiplas parcerias sexuais nos últimos seis meses, com uso inconsistente de preservativo. Nega tratamento prévio para infecções sexualmente transmissíveis. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, afebril; observa-se úlcera única em sulco balanoprepucial, com cerca de 1 cm, bordas elevadas e regulares, fundo limpo, base endurecida e indolor à palpação, acompanhada de linfonodomegalia inguinal bilateral, móvel e indolor. Teste rápido treponêmico: reagente. VDRL: não reagente. Teste rápido para HIV: não reagente.
O quadro é o cancro duro clássico: úlcera única, indolor, de bordas elevadas, fundo limpo e base endurecida, com adenopatia inguinal indolor. O ponto de raciocínio é a discordância sorológica: na sífilis primária muito recente o teste treponêmico (que positiva primeiro) já é reagente enquanto o não treponêmico (VDRL) ainda pode ser não reagente — isso NÃO afasta o diagnóstico. Pelo PCDT de IST do Ministério da Saúde, com quadro clínico compatível e teste treponêmico reagente, trata-se sífilis recente (primária) com penicilina benzatina 2.400.000 UI IM em dose única, notifica-se o caso e convocam-se as parcerias. Cancro mole cursa com úlceras múltiplas, dolorosas, de fundo sujo e adenopatia supurativa. Herpes causa vesículas e úlceras rasas dolorosas, não lesão endurecida indolor. Cicatriz sorológica exige tratamento adequado documentado no passado, que o paciente nega, e não explicaria a úlcera ativa.
Um homem de 22 anos procura a UPA relatando, há 3 dias, saída de secreção pela uretra e ardência ao urinar. Refere relação sexual desprotegida há cerca de uma semana com parceria eventual. Nega febre, dor testicular, lesões ulceradas ou artralgia. Nega alergia a medicamentos e uso recente de antibióticos. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, afebril, com sinais vitais normais; à expressão da uretra, observa-se corrimento uretral abundante, purulento, amarelo-esverdeado, com meato eritematoso; testículos e epidídimos são indolores, sem lesões cutâneas ou adenomegalias inguinais. A unidade não dispõe de laboratório para bacterioscopia no momento do atendimento. Foram coletados testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites.
Trata-se de corrimento uretral purulento agudo, cujo manejo sindrômico preconizado pelo PCDT de IST do Ministério da Saúde, na indisponibilidade de bacterioscopia, cobre simultaneamente Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis: ceftriaxona 500 mg IM em dose única + azitromicina 1 g VO em dose única, com notificação, tratamento das parcerias e oferta de testagem para HIV, sífilis e hepatites. Metronidazol trataria tricomoníase, causa incomum de uretrite purulenta e não cobre gonococo nem clamídia. Penicilina benzatina trata sífilis, que não cursa com corrimento uretral. Fluconazol trata candidíase, que não produz secreção uretral purulenta em homem imunocompetente.
Um homem de 24 anos, pedreiro, procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de feridas dolorosas no pênis há 8 dias. Relata que tudo começou com uma "espinha" que virou ferida e que outras surgiram ao redor. Nega vesículas prévias, ardor ou formigamento antes das lesões e nega episódios semelhantes anteriores. Refere relação sexual desprotegida com parceira eventual há cerca de 12 dias. Ao exame: três úlceras em sulco balanoprepucial, de 5 a 10 mm, bordas irregulares e solapadas, fundo recoberto por exsudato purulento, muito dolorosas ao toque, com linfonodo inguinal esquerdo aumentado, doloroso e amolecido. Pesquisa em campo escuro negativa e teste rápido para sífilis não reagente. Considerando a hipótese mais provável, o tratamento indicado é
O quadro é de cancro mole (cancroide, Haemophilus ducreyi): múltiplas úlceras dolorosas, de bordas solapadas e fundo purulento, com adenite inguinal dolorosa e amolecida (bubão), após incubação curta. O PCDT-IST do Ministério da Saúde indica azitromicina 1 g VO em dose única como primeira escolha (alternativa: ceftriaxona 500 mg IM DU). Aciclovir trataria herpes genital, que cursa com vesículas agrupadas, pródromo de ardor/parestesia e úlceras rasas de fundo limpo — ausentes aqui. Penicilina benzatina trata sífilis, cuja lesão é úlcera ÚNICA, INDOLOR, de bordas endurecidas e fundo limpo, com campo escuro e teste rápido que seriam positivos/complementados. Doxiciclina por 21 dias é o esquema do linfogranuloma venéreo, cuja lesão inicial é pápula fugaz e o achado dominante é a linfadenopatia com sinal do sulco, não múltiplas úlceras dolorosas.
Uma mulher de 27 anos comparece à Unidade de Saúde da Família para consulta de rotina e relata que há cerca de 15 dias notou uma "ferida" na região genital, que não dói e não coça, motivo pelo qual não havia procurado atendimento. Nega febre, corrimento vaginal ou disúria. Refere vida sexual ativa, sem uso regular de preservativo. Ao exame ginecológico, observa-se, em grande lábio direito, úlcera única de aproximadamente 1,5 cm, arredondada, de bordas bem delimitadas e endurecidas, fundo limpo e liso, indolor à palpação; há linfonodos inguinais bilaterais aumentados, móveis e indolores. Teste rápido para sífilis reagente. O diagnóstico e a conduta são, respectivamente,
A úlcera única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo, com adenopatia inguinal indolor, é o cancro duro clássico da SÍFILIS PRIMÁRIA, confirmada pelo teste rápido (treponêmico) reagente. O tratamento preconizado pelo Ministério da Saúde é penicilina G benzatina 2.400.000 UI IM em dose única, e a sífilis adquirida é de notificação compulsória. Herpes genital cursa com vesículas e úlceras múltiplas, rasas e DOLOROSAS, com adenopatia dolorosa. Cancro mole produz úlceras múltiplas dolorosas de fundo sujo e bubão flutuante — e o bubão deve ser aspirado, nunca incisado/drenado cirurgicamente. Sífilis secundária manifesta-se por roséolas, lesões palmoplantares e condiloma plano, não por cancro; além disso, o esquema de 3 doses semanais é reservado à sífilis tardia/latente de duração ignorada.
Um homem de 31 anos procura a UPA com dor e aumento de volume na virilha esquerda há 10 dias, acompanhados de febre baixa e mal-estar. Relata que, cerca de 3 semanas antes, teve uma pequena lesão no pênis que desapareceu sozinha em poucos dias, sem dor. Refere relações sexuais desprotegidas com parceiros do sexo masculino. Ao exame: ausência de úlcera genital no momento; massa inguinal esquerda dolorosa, com linfonodos coalescentes acima e abaixo do ligamento inguinal, formando depressão linear na região, com áreas de flutuação e pele eritematosa. Testes para sífilis e HIV não reagentes. A conduta correta é
A sequência lesão genital fugaz e indolor seguida, semanas depois, de linfadenopatia inguinal dolorosa com linfonodos coalescentes separados pelo ligamento inguinal (sinal do sulco) é típica do LINFOGRANULOMA VENÉREO (Chlamydia trachomatis, sorotipos L1-L3). O PCDT-IST indica doxiciclina 100 mg VO 12/12 h por 21 dias; bubões flutuantes devem ser ASPIRADOS por punção com agulha calibrosa através de pele sadia — incisão e drenagem cirúrgica são contraindicadas por retardarem a cicatrização e favorecerem fístulas. Penicilina benzatina trata sífilis, afastada pelo quadro e pelo teste não reagente. Azitromicina em dose única é esquema de cancro mole, cuja úlcera é dolorosa e persistente, e vem aqui associada à conduta cirúrgica proscrita. Aciclovir trata herpes, que não produz bubão com sinal do sulco.
Uma mulher de 26 anos, gestante, na 28ª semana de idade gestacional, comparece à consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde queixando-se de "carocinhos" na região genital, notados há cerca de seis semanas e em aumento progressivo. Nega dor, prurido intenso ou corrimento. É primigesta, sem comorbidades, e refere pré-natal sem intercorrências. Testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C, repetidos neste trimestre, foram todos não reagentes. Ao exame ginecológico, observam-se múltiplas lesões vegetantes, com superfície verrucosa e aspecto de couve-flor, medindo de 2 a 8 mm, distribuídas nos grandes lábios e no introito vaginal, sem envolvimento do canal de parto ou obstrução. O colo uterino está sem lesões macroscópicas. Considerando o diagnóstico mais provável, qual é a conduta adequada?
O quadro é de condilomatose acuminada (HPV, tipos de baixo risco 6 e 11). Correta: o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para IST do Ministério da Saúde recomenda o ácido tricloroacético (ATA) 80-90%, aplicado por profissional treinado semanalmente, como opção segura na gestação; a presença de condilomas não é, por si só, indicação de cesariana — a via de parto segue critério obstétrico (a cesárea só se cogita quando há lesões volumosas que obstruam o canal de parto ou risco de laceração/hemorragia), pois não há evidência de que ela previna a papilomatose respiratória recorrente. Podofilina é contraindicada na gestação por toxicidade sistêmica (neuro e mielotóxica) e teratogenicidade, além de a indicação de cesárea eletiva ser inadequada. Imiquimode não tem segurança estabelecida na gestação e não é recomendado nesse contexto. Adiar o tratamento e indicar cesárea eletiva contraria a diretriz: o tratamento é indicado na gestação e a cesárea não protege o neonato da papilomatose respiratória recorrente.
Uma mulher de 23 anos procura a Unidade Básica de Saúde referindo o aparecimento de "verrugas" na região genital e anal há cerca de três semanas, acompanhadas de manchas no corpo e mal-estar. Refere ainda astenia e febre baixa intermitente. Relata parceria sexual nova nos últimos quatro meses, sem uso consistente de preservativo. Ao exame, observam-se, na região perianal e na face interna das coxas, lesões planas, elevadas, úmidas, de superfície lisa e acinzentada, coalescentes e de base larga. Há máculas eritematosas difusas no tronco, incluindo lesões descamativas nas palmas das mãos e plantas dos pés, além de micropoliadenopatia cervical. O teste rápido para sífilis é reagente. Quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta?
Correta: lesões planas, úmidas, acinzentadas, de base larga em região perianal, associadas a exantema com acometimento palmoplantar, micropoliadenopatia e sintomas gerais, com teste treponêmico reagente, configuram sífilis secundária com condiloma plano — o tratamento preconizado pelo Ministério da Saúde é penicilina benzatina 2.400.000 UI IM em dose única, com controle de cura por VDRL (queda de dois títulos) e tratamento da parceria, além de notificação compulsória. Condiloma acuminado por HPV cursa com lesões vegetantes, secas, em couve-flor, e não explica o exantema palmoplantar nem o teste reagente. A alternativa de coinfecção erra o estágio: o quadro é sífilis recente (secundária), tratada com dose única, e não latente tardia (três doses); a morfologia também não é de HPV. Molusco contagioso apresenta pápulas umbilicadas peroladas, sem exantema palmoplantar, e não justifica o teste reagente para sífilis.
Um homem de 26 anos comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de uma ferida no pênis, percebida há 12 dias. Nega dor local, ardência ou secreção uretral. Refere relações sexuais desprotegidas com parceiros eventuais nos últimos meses. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, afebril, com úlcera única de 1,2 cm no sulco balanoprepucial, de bordas bem delimitadas, fundo limpo, base endurecida e indolor à palpação; há linfonodos inguinais bilaterais, móveis e não dolorosos, sem sinais flogísticos. O teste rápido treponêmico realizado no momento da consulta resultou reagente, e o VDRL coletado na mesma data retornou não reagente. O paciente nunca tratou sífilis previamente. Diante desse quadro, qual é, respectivamente, o diagnóstico e a conduta adequada?
A úlcera única, indolor, de base endurecida e fundo limpo, com adenopatia inguinal indolor, é o cancro duro da sífilis primária. O ponto-chave é a interpretação da discordância sorológica: na sífilis primária muito precoce o teste treponêmico (que positiva primeiro) já é reagente enquanto o VDRL ainda pode ser não reagente (janela imunológica / soroconversão). O PCDT de IST do Ministério da Saúde orienta que, havendo um teste reagente com quadro clínico compatível e sem tratamento prévio, o tratamento deve ser imediato, sem aguardar o segundo exame — inclusive por ser oportunidade única de captação. O esquema para sífilis recente (primária, secundária e latente recente) é benzilpenicilina benzatina 2.400.000 UI IM em dose única, com tratamento das parcerias. Errada: com clínica típica e teste treponêmico reagente, não se posterga o tratamento — perde-se a chance de interromper a transmissão. Errada: o cancro mole cursa com úlceras múltiplas, dolorosas, de fundo sujo e adenopatia dolorosa/supurativa, e não explica o teste treponêmico reagente. Errada: o herpes genital produz vesículas agrupadas e úlceras rasas dolorosas, sem base endurecida, e também não justifica a sorologia treponêmica reagente.
Uma mulher de 24 anos procura a unidade de saúde da família por manchas no corpo há três semanas, sem coceira. Relata que, cerca de dois meses antes, teve uma ferida na região genital que desapareceu sozinha sem tratamento. Refere mal-estar e dor de garganta leve no início do quadro. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, afebril, com máculas eritemato-acastanhadas disseminadas pelo tronco, incluindo lesões descamativas nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, além de micropoliadenopatia cervical indolor. Nega uso de medicamentos. O VDRL resultou reagente com titulação de 1:64 e o teste treponêmico foi reagente. Qual é, respectivamente, o diagnóstico e o tratamento indicado?
O quadro é clássico de sífilis secundária: exantema maculopapular disseminado não pruriginoso com acometimento palmoplantar, micropoliadenopatia e sintomas gerais, precedido semanas antes por lesão genital que involuiu espontaneamente (cancro duro da sífilis primária). O VDRL em título alto (1:64) associado a teste treponêmico reagente confirma sífilis ativa. Por se tratar de sífilis recente (menos de um ano de evolução: primária, secundária ou latente recente), o PCDT de IST do Ministério da Saúde indica benzilpenicilina benzatina 2.400.000 UI IM em dose única (1.200.000 UI em cada glúteo), com controle de cura por VDRL e tratamento das parcerias. Errada: não se trata de sífilis latente (há lesões clínicas evidentes) nem de duração superior a um ano; o esquema de três doses é reservado à sífilis latente tardia ou de duração ignorada e à terciária. Errada: não há qualquer manifestação neurológica ou oftalmológica que justifique punção lombar ou penicilina cristalina endovenosa. Errada: não há exposição a fármacos, e a sorologia com título elevado e clínica compatível indica doença ativa, não cicatriz sorológica.
Um homem de 32 anos, motorista de aplicativo, comparece à Unidade Básica de Saúde referindo manchas avermelhadas no tronco há duas semanas, que agora acometem também as palmas das mãos e as plantas dos pés, acompanhadas de mal-estar e febre baixa. Relata tratamento para sífilis há dois anos, com penicilina benzatina, e informa múltiplas parcerias sexuais nos últimos meses, sem uso regular de preservativo. Ao exame, apresenta exantema maculopapular não pruriginoso em tronco e região palmoplantar, além de micropoliadenopatia. Traz exames: teste treponêmico reagente e VDRL 1:32. No prontuário, consta VDRL 1:4 no seguimento realizado há oito meses. Nega uso de outras medicações e alergias. Quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta adequada?
A elevação de quatro vezes ou mais no título do VDRL (1:4 para 1:32) em paciente previamente tratado, associada a quadro clínico florido de sífilis secundária (exantema maculopapular com acometimento palmoplantar, micropoliadenopatia, sintomas gerais) e exposição sexual desprotegida, caracteriza reinfecção com sífilis recente. Pelo PCDT de IST do Ministério da Saúde, a sífilis recente (primária, secundária e latente recente) é tratada com penicilina benzatina 2,4 milhões UI IM em dose única, com notificação compulsória e tratamento das parcerias. A alternativa da cicatriz sorológica é incorreta: cicatriz sorológica cursa com títulos baixos e ESTÁVEIS, sem sintomas e sem ascensão de titulação. A alternativa da latente indeterminada (três doses) erra a classificação, pois há lesões de sífilis secundária, o que define doença recente. A alternativa da resistência é incorreta porque não há resistência descrita do T. pallidum à penicilina, que segue como droga de primeira escolha.
Um homem de 24 anos procura a Unidade Básica de Saúde por uma ferida no pênis, notada há dez dias. Refere que a lesão não dói e não coça, e por isso demorou a buscar atendimento. Relata relação sexual sem preservativo com parceria eventual há cerca de um mês. Nega febre, corrimento uretral, disúria e uso de medicamentos; nega alergias. Ao exame físico, observa-se úlcera única em sulco balanoprepucial, com cerca de 1 cm, bordas bem delimitadas e regulares, fundo limpo, base endurecida e indolor à palpação, com linfonodos inguinais aumentados, móveis, indolores e sem sinais flogísticos. Quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e o tratamento indicado?
A úlcera única, indolor, de bordas regulares, fundo limpo e base endurecida, acompanhada de adenopatia inguinal indolor e sem supuração, cerca de três semanas após exposição sexual desprotegida, é o quadro clássico do cancro duro da sífilis primária. O PCDT de IST do Ministério da Saúde recomenda tratamento imediato com penicilina benzatina 2,4 milhões UI IM em dose única, mesmo antes do resultado sorológico (o VDRL pode ainda ser não reagente na fase primária), além de notificação e tratamento da parceria. O herpes genital cursa com vesículas agrupadas e úlceras múltiplas, rasas e DOLOROSAS, com recorrências. O cancro mole produz úlceras múltiplas, dolorosas, de fundo sujo com exsudato purulento e bordas irregulares, com bubão inguinal que pode fistulizar. O linfogranuloma venéreo tem lesão inicial fugaz e evolui com linfadenopatia inguinal dolorosa e supurativa, não com úlcera endurecida indolor persistente.
Uma mulher de 24 anos comparece à unidade básica de saúde queixando-se de corrimento vaginal amarelado há cerca de duas semanas, associado a sangramento após as relações sexuais e desconforto discreto no baixo ventre. Refere início de atividade sexual com novo parceiro há dois meses, uso irregular de preservativo e ausência de sintomas urinários. Nega febre. Faz uso de contraceptivo oral combinado. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, afebril, com abdome flácido e indolor à palpação. No exame especular, observa-se colo uterino friável, com sangramento ao toque da espátula e saída de secreção mucopurulenta pelo orifício externo. Ao toque bimanual, não há dor à mobilização do colo nem massas anexiais. A unidade não dispõe de testes de biologia molecular. Qual é a conduta adequada nesse momento?
O quadro é de cervicite mucopurulenta: corrimento cervical mucopurulento, colo friável com sangramento ao toque e sinusorragia em mulher jovem com nova parceria e uso irregular de preservativo. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de IST do Ministério da Saúde recomenda, na abordagem sindrômica, o tratamento imediato e concomitante de gonococo e clamídia — ceftriaxona 500 mg IM dose única + azitromicina 1 g VO dose única —, sem aguardar exames, além de testagem para HIV, sífilis e hepatites e tratamento das parcerias sexuais dos últimos 60 dias. A opção que propõe aguardar cultura contraria a lógica sindrômica (a paciente pode se perder do seguimento e evoluir para DIP e infertilidade tubária). Metronidazol trata vaginose bacteriana e tricomoníase, cujo corrimento é vaginal (não cervical/endocervical) e não cursa com colo friável mucopurulento típico. Colposcopia/biópsia não é o passo inicial: a sinusorragia aqui se explica pela friabilidade inflamatória do colo, e a investigação de lesão cervical seria eventual seguimento após o tratamento, não a conduta imediata.
Uma mulher de 22 anos comparece à unidade básica de saúde queixando-se de "feridas" na vulva há 6 dias, muito dolorosas, que surgiram após uma pequena pápula avermelhada. Relata início de atividade sexual com novo parceiro há cerca de 10 dias, sem uso de preservativo. Nega febre, corrimento vaginal, disúria ou lesões prévias semelhantes. Ao exame ginecológico, observam-se três úlceras rasas em grande lábio direito e fúrcula, com 8 a 12 mm, bordas irregulares e solapadas, fundo recoberto por exsudato purulento amarelado e sangramento fácil ao toque. Há linfonodo inguinal direito único, doloroso, amolecido e com sinais flogísticos, sem fistulização. Testes rápidos treponêmico e não treponêmico para sífilis e teste rápido para HIV: não reagentes.
O quadro é típico de cancroide (cancro mole, Haemophilus ducreyi): úlceras MÚLTIPLAS, DOLOROSAS, de bordas irregulares e solapadas, fundo sujo/purulento que sangra facilmente, acompanhadas de bubão inguinal unilateral doloroso e amolecido. Pelo PCDT-IST do Ministério da Saúde, o tratamento de escolha é azitromicina 1 g VO em dose única (alternativa: ceftriaxona 500 mg IM dose única), com abordagem sindrômica e tratamento das parcerias sexuais. Sífilis primária está afastada: o cancro duro é ÚNICO, INDOLOR, de bordas endurecidas e fundo limpo, com adenopatia bilateral indolor — e ambos os testes para sífilis foram não reagentes. Herpes genital cursa com vesículas agrupadas que evoluem para úlceras pequenas, rasas e MÚLTIPLAS de fundo limpo, geralmente com pródromo de ardor/queimação e sintomas sistêmicos na primoinfecção, sem exsudato purulento nem bubão amolecido. Linfogranuloma venéreo (Chlamydia trachomatis L1-L3) tem lesão inicial FUGAZ e indolor, frequentemente despercebida, e o quadro dominante é a linfadenopatia inguinal que fistuliza em "bico de regador" semanas depois — incompatível com as úlceras dolorosas e persistentes descritas.
Homem de 23 anos procura Unidade Básica de Saúde referindo lesão no pênis há 10 dias. Ao exame, úlcera única de 1 cm na glande, indolor, com bordas elevadas, fundo limpo e base endurecida, associada a linfonodos inguinais bilaterais móveis e indolores. Relata relações sexuais desprotegidas nos últimos dois meses. Traz exame realizado em farmácia há dois dias: VDRL não reagente. Está afebril, sem exantema, sem outras lesões cutâneas e sem alergias conhecidas.
O quadro é o cancro duro clássico da sífilis primária (úlcera única, indolor, fundo limpo, base endurecida, adenopatia indolor). Na fase primária muito precoce o teste não treponêmico (VDRL) pode ser não reagente, pois os anticorpos treponêmicos surgem antes; por isso o próximo passo é o teste rápido treponêmico, disponível na APS, e o tratamento com penicilina G benzatina 2.400.000 UI IM em dose única para sífilis recente. Descartar sífilis pelo VDRL não reagente é o erro central da questão, e o aciclovir trataria herpes, cujas lesões são vesículas múltiplas e dolorosas. Repetir o VDRL em 30 dias sem tratar mantém a transmissão e é injustificado diante de lesão sugestiva. A biópsia e o encaminhamento não têm indicação: o diagnóstico é clínico-laboratorial e o manejo é integralmente da atenção básica.
Homem de 30 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com exantema maculopapular não pruriginoso disseminado há duas semanas, acometendo tronco, palmas das mãos e plantas dos pés, associado a febre baixa, mal-estar e linfonodomegalia generalizada. Refere ter apresentado uma úlcera genital indolor há cerca de dois meses, que desapareceu espontaneamente sem tratamento. Nega alergia a medicamentos. O teste rápido treponêmico é reagente e o VDRL apresenta titulação de 1:64.
O quadro é sífilis secundária (roséola sifilítica com acometimento palmoplantar, sintomas sistêmicos, linfonodomegalia e história de cancro que regrediu), confirmada por teste treponêmico reagente e VDRL em título alto. A sífilis secundária é sífilis recente e o tratamento preconizado pelo Ministério da Saúde é penicilina G benzatina 2.400.000 UI IM em dose única, com seguimento por VDRL. O esquema de três doses semanais é reservado à sífilis latente tardia ou de duração ignorada e à sífilis terciária. A penicilina cristalina endovenosa é indicada apenas na neurossífilis. A ceftriaxona em dose única trata gonorreia, não sífilis.
Mulher de 24 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina, assintomática. Nega tratamento prévio para sífilis e não sabe informar exames anteriores. Refere parceria sexual fixa há dois anos, sem uso de preservativo. O teste rápido treponêmico é reagente e o VDRL, colhido no mesmo dia, resulta 1:32. Exame físico sem lesões cutâneo-mucosas, sem adenomegalias e sem alterações neurológicas ou oculares. Qual é a conduta terapêutica adequada nesse nível de atenção?
Dois testes reagentes (treponêmico + não treponêmico) confirmam sífilis ativa. Sem lesões, sem exposição datável e sem tratamento prévio, classifica-se como sífilis latente de duração ignorada (tardia), tratada com penicilina benzatina 2,4 milhões UI IM semanais por três semanas, conforme o PCDT de IST do Ministério da Saúde — tratamento disponível na própria UBS. A dose única só cobre sífilis recente (primária, secundária ou latente recente, até um ano), o que não pode ser presumido aqui. Doxiciclina é apenas alternativa na indisponibilidade de penicilina ou alergia comprovada em não gestantes, nunca primeira escolha. Aguardar nova amostra atrasa o tratamento sem necessidade: o fluxograma já está completo com os dois testes reagentes.
Homem de 25 anos procura a Unidade de Pronto Atendimento com corrimento uretral amarelado abundante e disúria há três dias, após relação sexual desprotegida. Afebril, sem dor ou edema testicular, sem lesões genitais e sem artralgias. A unidade não dispõe de bacterioscopia nem de cultura no momento. Segundo a abordagem sindrômica preconizada pelo Ministério da Saúde, qual é a conduta?
O corrimento uretral purulento agudo pós-exposição impõe manejo sindrômico imediato, cobrindo simultaneamente Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, pela alta taxa de coinfecção e pela impossibilidade de distinção clínica confiável: ceftriaxona 500 mg IM + azitromicina 1 g VO, em dose única supervisionada, com oferta de testagem para HIV, sífilis e hepatites e convocação da(s) parceria(s). Azitromicina isolada deixa o gonococo sem cobertura adequada. Ciprofloxacino foi retirado do protocolo brasileiro pela elevada resistência do gonococo. Aguardar exames contraria a abordagem sindrômica e retarda o tratamento, aumentando transmissão e risco de complicações como epididimite.
Mulher de 24 anos procura a Unidade Básica de Saúde (UBS) queixando-se de corrimento vaginal amarelado há 10 dias e sangramento após as relações sexuais. Refere parceria sexual nova, sem uso de preservativo. Ao exame especular, observa-se secreção mucopurulenta saindo do orifício externo do colo, que sangra facilmente ao toque do swab. Não há dor à mobilização do colo nem dor anexial; temperatura axilar de 36,6 °C. A UBS não dispõe de exames laboratoriais para agentes etiológicos. Qual é a conduta imediata, segundo a abordagem sindrômica preconizada pelo Ministério da Saúde?
Correta: o quadro é de corrimento cervical (cervicite), e o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de IST do Ministério da Saúde recomenda tratamento sindrômico imediato, na mesma consulta, cobrindo Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis — ceftriaxona 500 mg IM dose única + azitromicina 1 g VO dose única —, com manejo das parcerias e oferta de testagem para HIV, sífilis e hepatites. Metronidazol trata vaginose bacteriana/tricomoníase, que cursam com corrimento vaginal e não com secreção mucopurulenta endocervical e colo friável. Aguardar o resultado etiológico contraria a lógica sindrômica e retarda o tratamento, aumentando o risco de doença inflamatória pélvica e de transmissão. Colposcopia não tem papel no manejo agudo de cervicite e a referência não é necessária neste caso.
Gestante de 22 anos, com 26 semanas, comparece à consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde relatando corrimento vaginal amarelado. Ao exame especular, há secreção mucopurulenta endocervical e colo friável, sem dor à mobilização do colo, sem dor anexial e afebril. Sorologias do pré-natal não reagentes. O serviço não dispõe de biologia molecular. Qual é a conduta correta?
Correta: na gestante, a cervicite é tratada sindromicamente com ceftriaxona 500 mg IM + azitromicina 1 g VO em dose única — ambas seguras na gestação — e o PCDT-IST recomenda teste de cura para clamídia em gestantes três a quatro semanas após o tratamento (particularidade que não se aplica à não gestante), além do manejo das parcerias para evitar reinfecção. A doxiciclina é contraindicada na gestação (tetraciclina), por isso a azitromicina é a escolha para cobrir clamídia. Postergar o tratamento é inaceitável: cervicite não tratada associa-se a rotura prematura de membranas, parto pré-termo e infecção neonatal (conjuntivite e pneumonia). Azitromicina isolada deixa o gonococo sem cobertura, contrariando a abordagem sindrômica, que trata simultaneamente os dois agentes na ausência de diagnóstico etiológico.
Mulher de 24 anos procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de feridas dolorosas na vulva há sete dias. Refere parceria sexual nova, sem preservativo, há duas semanas. Ao exame: três úlceras rasas em grandes lábios, com bordas irregulares e amolecidas, fundo recoberto por secreção purulenta e intensamente dolorosas ao toque. Há linfonodomegalia inguinal esquerda, dolorosa, com flutuação. Afebril. Testes rápidos para sífilis e HIV não reagentes. Qual é a conduta adequada nesse nível de atenção?
O quadro é de cancro mole (Haemophilus ducreyi): úlceras múltiplas, dolorosas, de fundo sujo e bordas amolecidas, com bubão inguinal unilateral flutuante. O Protocolo Clínico de IST do Ministério da Saúde recomenda azitromicina 1 g VO dose única (alternativa: ceftriaxona 500 mg IM), e o bubão flutuante deve ser aspirado por punção com agulha em pele sã — nunca incisado com drenagem, pelo risco de fístula e cicatrização retardada. A opção com penicilina benzatina trata sífilis, cuja úlcera é única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo, com teste rápido não reagente aqui. O aciclovir trata herpes genital, que cursa com vesículas agrupadas que evoluem para úlceras rasas e limpas, sem bubão flutuante. A doxiciclina por 21 dias é o esquema do linfogranuloma venéreo, em que a lesão de inoculação é fugaz e indolor e a adenopatia evolui com fistulização em bico de regador.
Mulher de 28 anos comparece à Unidade Básica de Saúde após notar uma lesão na vulva há 15 dias. Nega dor, prurido, corrimento ou febre. Ao exame: úlcera única de cerca de 1 cm no grande lábio direito, indolor, com bordas elevadas e endurecidas, fundo limpo, sem secreção; linfonodos inguinais bilaterais, móveis e indolores. Teste rápido para sífilis reagente; teste rápido para HIV não reagente. Qual é o tratamento de escolha?
Úlcera única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo (cancro duro), com adenopatia bilateral indolor e teste rápido reagente, define sífilis primária (recente). O Ministério da Saúde recomenda penicilina benzatina 2.400.000 UI IM em dose única, aplicável na própria UBS, com convocação e tratamento da parceria e controle sorológico (VDRL) trimestral. O esquema de três doses semanais é reservado à sífilis latente tardia ou de duração ignorada, e à sífilis terciária — não à forma primária. A azitromicina 1 g em dose única trata cancro mole e clamídia, mas não é aceita como tratamento de sífilis pelo risco de resistência. O aciclovir trata herpes genital, cuja lesão é dolorosa, vesiculosa e de fundo limpo, incompatível com o cancro duro descrito.
Uma mulher de 24 anos procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de "verruguinhas" na região genital, percebidas há cerca de dois meses, indolores e que vêm aumentando em número. Ao exame da vulva, observam-se múltiplas lesões vegetantes, róseas, de superfície irregular com aspecto de "couve-flor", localizadas na fúrcula e nos pequenos lábios, sem sinais flogísticos. Ela nega dor, prurido intenso ou secreção. Qual é o diagnóstico mais provável?
Lesões vegetantes, indolores, com aspecto de couve-flor em vulva são a apresentação clássica do condiloma acuminado, causado pelo HPV (tipos 6 e 11 na maioria). O condiloma plano (lata) da sífilis secundária é uma placa úmida, plana e acinzentada, não verrucosa, e cursa com outros sinais sistêmicos. O herpes genital cursa com vesículas dolorosas que evoluem para úlceras. O molusco contagioso apresenta pápulas umbilicadas com centro perolado, não vegetantes.
Uma mulher de 30 anos comparece à UBS relatando lesões na região perianal há três semanas. Ao exame, observam-se placas planas, úmidas, acinzentadas e levemente elevadas na região perianal, além de exantema maculopapular acometendo tronco, palmas das mãos e plantas dos pés, com linfonodos cervicais e inguinais palpáveis e indolores. Nega dor nas lesões genitais. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
O quadro de placas úmidas planas perianais (condiloma plano/lata) associado a exantema em palmas e plantas e linfadenopatia generalizada indolor é típico de sífilis secundária, não de condiloma acuminado por HPV. A conduta correta é confirmar com testagem para sífilis e tratar com penicilina benzatina. Tratar como HPV com ácido tricloroacético ignoraria a etiologia. Aciclovir trata herpes, ausente aqui. A biópsia não é o primeiro passo diante de um quadro clínico-sorológico tão sugestivo.
Gestante de 25 anos, na 24ª semana, é atendida na UBS com múltiplas lesões condilomatosas (condiloma acuminado) na vulva e no intróito vaginal, algumas com 1 cm. Ela não apresenta sinais de trabalho de parto e deseja tratamento. Considerando o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de ISTs do Ministério da Saúde, qual das opções terapêuticas é adequada e segura para uso nesta gestante?
Na gestação, o ácido tricloroacético (ATA) é o agente tópico de escolha para condilomas, por ser seguro; alternativas incluem exérese, eletrocauterização ou crioterapia. A podofilina/podofilotoxina é contraindicada na gravidez por toxicidade sistêmica e potencial teratogênico. O imiquimode não tem segurança estabelecida e é evitado na gestação pelo PCDT. O 5-fluorouracil é contraindicado por embriotoxicidade. Lesões extensas podem indicar via de parto cesárea apenas se houver obstrução do canal — a decisão é obstétrica.
Mulher de 27 anos, sexualmente ativa, procura a UBS por lesões cutâneas há duas semanas. Ao exame, apresenta máculas eritematosas em tronco que se estendem às regiões palmares e plantares, placas úmidas e acinzentadas na região perianal (condiloma plano), madarose e linfadenopatia generalizada indolor. Traz um VDRL colhido há três dias com resultado NÃO REAGENTE. Diante da forte suspeita clínica, assinale a interpretação e a conduta corretas.
Quadro clássico de sífilis secundária (sifílides palmoplantares, condiloma plano, madarose, poliadenopatia), fase de alta carga de anticorpos. Um VDRL não reagente nesse contexto sugere fenômeno de prozona (excesso de anticorpos que impede a floculação), corrigido diluindo-se a amostra. Por isso, o resultado não afasta a doença (afirmar que um VDRL não reagente exclui sífilis é erro grave de interpretação). Não é herpes e não se trata de janela imunológica da fase primária — a paciente já está na fase secundária, exigindo diluição imediata e não observação.
Homem de 42 anos, assintomático, realiza sorologias em consulta de rotina na atenção primária. O teste rápido treponêmico é reagente e o VDRL é reagente na titulação 1:8. Ele nega lesão genital, exantema ou qualquer sintoma neurológico atual ou pregresso, não recorda tratamento prévio para sífilis e não consegue precisar o momento de eventual exposição. O exame físico é inteiramente normal. Segundo o PCDT de IST do Ministério da Saúde, assinale o tratamento adequado.
Paciente com sorologia reagente, sem sintomas e com tempo de infecção indeterminado: classifica-se como sífilis latente tardia/de duração ignorada, tratada com penicilina benzatina 2,4 milhões UI semanal por 3 semanas. A dose única reservar-se-ia à sífilis recente (primária, secundária ou latente recente < 1 ano), que não pode ser presumida aqui. A penicilina cristalina IV é para neurossífilis, ausente neste caso. A doxiciclina é alternativa apenas para alérgicos não gestantes, nunca primeira escolha.
Homem de 55 anos é levado ao ambulatório por familiares devido a alterações comportamentais progressivas, déficit de memória recente e marcha instável há alguns meses. Ao exame neurológico, apresenta pupilas de Argyll Robertson e alterações da sensibilidade profunda. O VDRL sérico é reagente 1:32 e o teste treponêmico é reagente. A punção lombar revela VDRL reagente no líquor, com pleocitose linfocítica e hiperproteinorraquia. Assinale o tratamento indicado para este paciente.
O quadro de demência progressiva, ataxia sensitiva e pupilas de Argyll Robertson, com VDRL reagente no líquor associado a pleocitose e hiperproteinorraquia, confirma neurossífilis. O tratamento de escolha é a penicilina G cristalina (aquosa) 18-24 milhões UI/dia IV por 14 dias, única capaz de atingir níveis treponemicidas no SNC. Os esquemas com penicilina benzatina IM — seja a dose única, usada na sífilis recente, sejam as três aplicações semanais, indicadas na latente tardia — não penetram adequadamente no líquor e não tratam a neurossífilis. A doxiciclina, por sua vez, não é o esquema padrão para acometimento neurológico.
Homem de 27 anos, previamente hígido, procura a Unidade Básica de Saúde por manchas no corpo há três semanas. Refere lesão ulcerada única e indolor no pênis há cerca de dois meses, com resolução espontânea sem tratamento. Nega uso de medicamentos ou alergias. Ao exame: exantema maculopapular acastanhado disseminado em tronco, com acometimento de palmas e plantas, não pruriginoso; placas úmidas e vegetantes em região perianal; adenomegalia cervical e inguinal bilateral, móvel e indolor; áreas de alopecia em clareira no couro cabeludo. Teste rápido treponêmico reagente e VDRL reagente 1:64. Assinale a conduta terapêutica adequada para este paciente.
O quadro é clássico de sífilis secundária: cancro duro prévio autolimitado, roséola/exantema com acometimento palmoplantar, condiloma plano perianal, micropoliadenopatia, alopecia em clareira e VDRL em título alto com treponêmico reagente. Pelo PCDT-IST do Ministério da Saúde, sífilis recente (primária, secundária e latente recente, < 1 ano) é tratada com penicilina G benzatina 2,4 milhões UI IM em DOSE ÚNICA — por isso a alternativa correta. Três doses semanais (7,2 milhões UI) é o esquema da sífilis tardia ou de duração ignorada, não da secundária — é a pegadinha mais frequente. Doxiciclina 100 mg 12/12h por 15 dias é alternativa apenas para não gestantes com alergia comprovada à penicilina (e por 30 dias na forma tardia), não sendo a conduta de escolha em paciente sem alergia. Ceftriaxona é opção de exceção, não recomendada de rotina.
Homem de 34 anos, vivendo com HIV em terapia antirretroviral (CD4 380 células/mm³, carga viral indetectável), procura o pronto-socorro por embaçamento visual progressivo e dor no olho direito há 10 dias. Nega cefaleia, febre, rigidez de nuca ou déficits focais. Exame neurológico sem alterações. Avaliação oftalmológica evidencia uveíte posterior com vitreíte à direita e acuidade visual reduzida. Exantema palmoplantar discreto. VDRL reagente 1:64 e teste treponêmico reagente. Assinale o esquema terapêutico recomendado para este paciente.
Sífilis ocular (uveíte posterior/vitreíte com sorologia reagente) é, por definição, forma neurológica da doença e deve ser tratada com o esquema de NEUROSSÍFILIS: penicilina cristalina 18–24 milhões UI/dia EV (3–4 milhões UI a cada 4 horas) por 14 dias — a alternativa correta pelo PCDT-IST. A pegadinha central está na alternativa que propõe aguardar o líquor: o exame do LCR pode ser normal na sífilis ocular e sua alteração NÃO é pré-requisito para tratar; postergar o tratamento arrisca perda visual definitiva. Penicilina benzatina em três doses semanais não atinge concentração treponemicida no sistema nervoso central e no humor vítreo, sendo inadequada em qualquer forma neurológica/ocular — trata-se do esquema da sífilis latente tardia. Ceftriaxona é apenas alternativa de exceção quando a penicilina é inviável, em dose de 2 g/dia EV/IM por 10 a 14 dias, e não substitui a cristalina como primeira escolha; a dose e o contexto propostos são inadequados.
Mulher de 24 anos, previamente hígida, procura a UBS por "verrugas" na região genital há cerca de três semanas, indolores, precedidas por febre baixa, mialgia e astenia. Nega corrimento, disúria ou uso de medicações. É sexualmente ativa, com parceria nova há dois meses, sem uso regular de preservativo. Ao exame: pápulas e placas planas, acinzentadas, úmidas e maceradas, de superfície lisa, em grande lábio direito e região perianal; exantema maculopapular discreto em tronco, palmas e plantas; adenomegalia inguinal bilateral, móvel e indolor. Assinale a opção que apresenta o diagnóstico mais provável e a conduta adequada.
A vinheta reúne os marcadores da sífilis secundária: lesões planas, úmidas e acinzentadas (condiloma plano) em áreas de dobra, pródromo gripal, exantema com acometimento palmoplantar e micropoliadenopatia indolor — quadro em que o PCDT-IST/MS indica testagem (treponêmico + não treponêmico) e penicilina benzatina 2,4 milhões UI IM em dose única, com tratamento das parcerias. O condiloma acuminado do HPV 6/11 é verrucoso/vegetante, "em couve-flor", seco e sem sintomas sistêmicos nem exantema palmoplantar — é justamente o distrator do nome "condiloma". O herpes primário produz vesículas e úlceras dolorosas com adenopatia dolorosa, não placas planas indolores. A donovanose evolve com úlceras crônicas, vermelho-vivas, friáveis e sem adenite verdadeira, e não explica o exantema.
Primigesta de 26 anos, 30 semanas, HIV negativa, comparece ao pré-natal referindo o aparecimento progressivo de "verrugas" na vulva desde o segundo trimestre. Ao exame: múltiplas lesões vegetantes, papilomatosas, com aspecto de couve-flor, medindo de 2 a 8 mm, distribuídas em pequenos lábios, fúrcula e região perianal, sem sangramento e sem obstrução do canal de parto. Colpocitologia do primeiro trimestre normal. A paciente está angustiada e pergunta sobre tratamento e via de parto. Assinale a conduta adequada.
No PCDT-IST/MS, o ácido tricloroacético 80–90% é a opção de escolha para condilomas na gestação (agente cáustico, aplicação semanal por profissional, seguro em qualquer trimestre); crioterapia e exérese/eletrocauterização também são aceitas. A via de parto segue indicação obstétrica — a cesariana só é considerada quando as lesões obstruem o canal de parto ou há risco de hemorragia importante. Imiquimode não é recomendado na gestação por ausência de dados de segurança. Podofilina é formalmente contraindicada (antimitótico, neurotoxicidade e relatos de morte fetal). O risco de papilomatose respiratória recorrente é baixo e a cesariana não o previne de forma comprovada, não sendo indicação isolada.
Gestante de 24 anos, na 22ª semana, é diagnosticada com cervicite mucopurulenta e tratada com ceftriaxona 500 mg IM + azitromicina 1 g VO, com resolução dos sintomas. Retorna após quatro semanas, assintomática. O parceiro foi convocado e tratado, e ambos referem abstinência sexual até a conclusão do tratamento. As sorologias para HIV, sífilis e hepatites vieram não reagentes. Considerando as particularidades da infecção por clamídia e gonococo na gestação, assinale a conduta correta quanto ao seguimento desta paciente.
Diferentemente da mulher não gestante, na gestação recomenda-se teste de cura para clamídia e gonococo cerca de 3–4 semanas após o tratamento, além de reteste no 3º trimestre, pelo risco de complicações perinatais (ruptura de membranas, prematuridade, conjuntivite/pneumonia neonatal). Dispensar controle ignora essa recomendação específica da gestação. A doxiciclina é contraindicada na gravidez — a azitromicina foi a escolha correta. Repetir o esquema cegamente não substitui o reteste.
Homem de 34 anos, vivendo com HIV, em terapia antirretroviral, com carga viral indetectável e CD4 de 620 células/mm³. Há 12 meses, em rastreamento de rotina, apresentou teste treponêmico reagente e VDRL reagente 1:32, sem lesões atuais ou pregressas e sem registro de tratamento anterior. Foi tratado como sífilis latente de duração ignorada, com benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI IM por semana, três doses, com adesão documentada. No seguimento, o VDRL foi 1:32 aos três meses, 1:16 aos seis meses e 1:16 aos doze meses. Nega nova exposição sexual desde o tratamento. Exames neurológico e oftalmológico normais. Assinale a conduta adequada.
Pelo PCDT de IST (Ministério da Saúde), a resposta imunológica adequada é a queda de pelo menos duas diluições do teste não treponêmico em até 6 meses na sífilis recente e em até 12 meses na sífilis tardia/latente de duração ignorada. O paciente caiu apenas uma diluição (1:32 para 1:16) em 12 meses, sem reexposição: isso configura falha terapêutica, situação em que se indica investigação de neurossífilis por punção lombar — especialmente em pessoa vivendo com HIV — e retratamento conforme o resultado. A alternativa que considera resposta adequada erra o critério (é preciso queda de duas diluições, ou seja, para ≤1:8). Cicatriz sorológica só pode ser admitida após resposta inicial adequada com estabilização em títulos baixos, o que não ocorreu, e nunca justifica encerrar o seguimento diante de falha. Dose única de benzilpenicilina é esquema de sífilis recente, não de retratamento de forma tardia (que exige 7,2 milhões UI, três doses).
Homem de 26 anos, que faz sexo com homens, procura a unidade básica de saúde com quadro iniciado há cinco dias: três úlceras genitais dolorosas no sulco balanoprepucial, de bordas irregulares e solapadas, fundo purulento e base mole ao toque, acompanhadas de adenomegalia inguinal esquerda dolorosa, com sinais de flutuação. Nega vesículas prévias, febre e uso de medicações. Relata parceria sexual nova sem preservativo há duas semanas. No momento, a unidade não dispõe de testes rápidos nem de exames laboratoriais. Assinale a conduta terapêutica inicial adequada.
O quadro é típico de cancroide (Haemophilus ducreyi): múltiplas úlceras dolorosas, fundo purulento, base mole e bubão inguinal doloroso com flutuação. Na abordagem sindrômica das úlceras genitais preconizada pelo PCDT de IST, diante de úlcera com menos de quatro semanas de evolução e ausência de vesículas, trata-se empiricamente sífilis e cancroide na mesma consulta — benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI IM em dose única mais azitromicina 1 g VO em dose única — sem aguardar exames. O aciclovir isolado cobriria apenas herpes, cujo quadro clássico é de vesículas agrupadas que evoluem para úlceras rasas e limpas, ausente aqui. A doxiciclina por 21 dias trata linfogranuloma venéreo, em que a úlcera é fugaz e indolor e o achado dominante é a linfadenopatia com fistulização em 'bico de regador'. Adiar o tratamento contraria a lógica sindrômica, que visa interromper a transmissão e evitar perda de seguimento.
Gestante de 26 anos, 39 semanas, comparece à maternidade com dor vulvar intensa, disúria e febre há 3 dias. Nega episódios semelhantes prévios. Ao exame: temperatura axilar 38,1 °C, múltiplas vesículas agrupadas e ulcerações rasas, muito dolorosas, em grandes lábios e fúrcula, com adenomegalia inguinal bilateral dolorosa. Bolsa íntegra, colo com 1 cm de dilatação, batimentos cardiofetais 142 bpm. Sorologias do pré-natal (VDRL, HIV, HBsAg) não reagentes no terceiro trimestre.
O quadro (primeiro episódio, vesículas agrupadas dolorosas, febre, disúria e adenomegalia bilateral) caracteriza primoinfecção por herpes simples no termo — situação de maior risco de transmissão vertical (30-50%), o que indica via alta e aciclovir. Manter conduta expectante para parto vaginal erra: lesão ativa no momento do parto é justamente a indicação de cesárea, independentemente da integridade da bolsa. Indicar cesárea sem antiviral também erra: o aciclovir é seguro e recomendado na gestação. E aguardar o resultado de cultura viral é inaceitável — a decisão da via de parto é clínica e imediata.
Mulher de 23 anos procura a Unidade Básica de Saúde relatando uma "ferida" na vulva percebida há 10 dias, que não dói e não coça. Refere relação sexual desprotegida com parceiro novo há cerca de 3 semanas. Ao exame: lesão ulcerada única em grande lábio direito, com 1,2 cm, bordas elevadas e regulares, fundo limpo, base endurecida à palpação, indolor, acompanhada de linfonodos inguinais bilaterais móveis, endurecidos e indolores. Restante do exame sem alterações.
Úlcera única, indolor, de bordas regulares, fundo limpo e base endurecida (cancro duro), com adenopatia bilateral indolor e período de incubação de ~3 semanas, é o quadro clássico de sífilis primária. Herpes cursa com vesículas e úlceras múltiplas e muito dolorosas. Cancro mole dá úlceras múltiplas, dolorosas, de fundo sujo e bubão unilateral doloroso. Linfogranuloma tem úlcera fugaz seguida de linfadenopatia dolorosa fistulizante.
Mulher de 31 anos refere que há cerca de 4 semanas notou pequena úlcera vulvar indolor, que cicatrizou espontaneamente em poucos dias. Há 10 dias apresenta massa inguinal esquerda dolorosa, com pele eritematosa e drenagem de secreção purulenta por múltiplos orifícios. Queixa-se ainda de tenesmo e secreção retal mucossanguinolenta. VDRL não reagente; teste molecular de amostra do aspirado positivo para Chlamydia trachomatis. HIV não reagente.
Úlcera fugaz indolor seguida, semanas depois, de bubão unilateral fistulizante em "bico de regador" com sintomas anorretais e PCR positivo para C. trachomatis define linfogranuloma venéreo; o PCDT-IST recomenda doxiciclina 100 mg 12/12h por 21 dias, com punção aspirativa (nunca incisão) do bubão flutuante. Falha na droga e na conduta cirúrgica, que favorece fístulas crônicas. A ceftriaxona com azitromicina é esquema para cervicite/uretrite gonocócica e clamidiana não complicada. A doxiciclina por 7 dias subdimensiona o tempo de tratamento, insuficiente para a forma linfotrópica.
Homem de 27 anos, solteiro, comparece à UBS relatando lesão genital notada há cerca de 12 dias. Nega dor local, disúria ou febre. Refere prática sexual anal e vaginal sem preservativo com parceria eventual há aproximadamente 4 semanas. Ao exame: lesão ulcerada única no sulco balanoprepucial, de 1,2 cm, bordas bem delimitadas e regulares, fundo limpo, base endurecida à palpação, indolor; linfonodomegalia inguinal bilateral, móvel, fibroelástica e indolor, sem flutuação. Realizado teste rápido treponêmico no local: REAGENTE. Coletado VDRL no mesmo dia: NÃO REAGENTE. Sorologias para HIV e hepatites B e C não reagentes. Assinale a conduta adequada neste momento.
Úlcera única, indolor, de fundo limpo e base endurecida (cancro duro) com adenopatia inguinal indolor é a apresentação clássica da sífilis primária. Na fase primária o VDRL pode ainda ser não reagente (a resposta não treponêmica surge cerca de 1 a 3 semanas após o cancro), enquanto o teste treponêmico já se positiva mais precocemente — logo, UM teste reagente com quadro clínico compatível já autoriza o tratamento imediato, sem aguardar o segundo teste (PCDT/IST do Ministério da Saúde). O esquema para sífilis recente (primária, secundária e latente recente) é penicilina G benzatina 2.400.000 UI IM em dose única, com convocação das parcerias. Aguardar o VDRL retarda o tratamento e mantém a transmissão. Azitromicina com ceftriaxona cobriria cancro mole (Haemophilus ducreyi), que cursa com úlceras múltiplas, dolorosas, de fundo sujo e adenite supurativa. O esquema de três doses é reservado à sífilis latente tardia ou de duração ignorada e à sífilis terciária, não à fase primária.
Mulher de 24 anos procura a unidade básica por manchas no corpo há 3 semanas, associadas a febre baixa, mal-estar e dor de garganta. Nega prurido e uso recente de medicamentos. Ao exame: exantema maculopapular eritemato-acastanhado difuso no tronco e raiz dos membros, acometendo também as regiões palmares e plantares; placas úmidas, acinzentadas e vegetantes na região perianal; rarefação da cauda das sobrancelhas e áreas de alopecia em clareira no couro cabeludo; micropoliadenopatia generalizada, incluindo cadeias epitrocleares. Refere lesão genital indolor que desapareceu espontaneamente há cerca de 2 meses. VDRL: reagente 1:64. Assinale o diagnóstico mais provável.
O conjunto exantema atingindo palmas e plantas (roséola sifilítica), condiloma plano perianal, madarose, alopecia em clareira, adenomegalia generalizada com gânglios epitrocleares e antecedente de úlcera genital indolor autolimitada há 2 meses define sífilis secundária; o VDRL alto (1:64) reforça, pois é na fase secundária que a titulação atinge seus maiores valores. Pitiríase rósea inicia por placa-mãe, segue as linhas de clivagem em 'árvore de Natal', poupa palmas e plantas e não causa condiloma plano ou adenopatia generalizada. A síndrome retroviral aguda pode dar exantema e adenopatia, mas não justifica condiloma plano, madarose, alopecia em clareira nem o VDRL 1:64 — e o antecedente de cancro é dado-chave (embora coinfecção deva ser sempre pesquisada). Farmacodermia exige exposição a droga, cursa com prurido e não produz as lesões mucosas/anexiais descritas.
Homem de 40 anos, vivendo com HIV, em uso irregular de terapia antirretroviral (CD4 de 210 células/mm³), procura o pronto-socorro por embaçamento visual progressivo e dor no olho direito há 10 dias, com piora importante da acuidade visual. Nega trauma, febre ou cefaleia. Exame neurológico sem déficits focais, sem rigidez de nuca. A avaliação oftalmológica evidencia uveíte posterior com vitreíte no olho direito. VDRL sérico reagente 1:32 e teste treponêmico reagente. Nega tratamento prévio para sífilis. Assinale a conduta terapêutica adequada.
Sífilis ocular (uveíte, vitreíte, neurite óptica) e sífilis otológica são tratadas como NEUROSSÍFILIS, independentemente do estágio clínico ou do resultado do líquor. O esquema preconizado é penicilina G cristalina 18 a 24 milhões UI/dia EV (3 a 4 milhões UI de 4/4 horas ou infusão contínua) por 14 dias — a penicilina benzatina, mesmo em três doses semanais, NÃO atinge concentração treponemicida no sistema nervoso central nem no humor vítreo, sendo por isso inadequada. Adiar o antibiótico para aguardar o líquor arrisca perda visual irreversível, e corticoide isolado não trata a infecção (pode ser adjuvante, nunca substituto). Doxiciclina é alternativa apenas em sífilis não neurológica com alergia à penicilina; em neurossífilis a conduta na alergia é a dessensibilização. Vale lembrar que na sífilis ocular a punção lombar não é obrigatória para indicar o tratamento.
Homem de 31 anos retorna ao ambulatório para seguimento. Há 9 meses foi tratado de sífilis primária com penicilina G benzatina 2.400.000 UI intramuscular em dose única, apresentando à época VDRL reagente 1:32. Nos controles seriados, o VDRL foi 1:8 aos 3 meses e 1:4 aos 6 meses, com desaparecimento da lesão genital. Encontra-se assintomático, sem lesões cutâneas, mucosas ou genitais, e sem queixas neurológicas, oculares ou auditivas. Relata, entretanto, nova relação sexual desprotegida com parceria eventual há cerca de 2 meses. O VDRL de hoje resulta reagente 1:32. Assinale a interpretação e a conduta corretas.
O paciente havia apresentado resposta imunológica adequada (queda de quatro vezes ou mais na titulação: de 1:32 para 1:8 em 3 meses). O novo aumento de quatro vezes ou mais em relação ao menor título obtido (de 1:4 para 1:32, ou seja, três diluições) caracteriza reinfecção ou reativação; com exposição sexual desprotegida recente e resposta prévia satisfatória, a hipótese é reinfecção, que exige RETRATAMENTO conforme o estágio atual — sífilis recente, penicilina benzatina 2.400.000 UI IM em dose única — além de tratar as parcerias e reforçar prevenção combinada. Cicatriz sorológica é a persistência de títulos BAIXOS e ESTÁVEIS (habitualmente ≤1:4) após tratamento adequado, o que não descreve uma elevação de quatro vezes. O efeito prozona é resultado falso-NEGATIVO ou falsamente baixo por excesso de anticorpos, não explica título que sobe. Não há sinais ou sintomas neurológicos, oculares ou otológicos que justifiquem investigar neurossífilis neste momento.
Homem de 27 anos, sem comorbidades, procura a Unidade Básica de Saúde referindo lesão genital notada há 12 dias. Nega dor, prurido ou secreção uretral. Relata relações sexuais desprotegidas com parceria eventual há cerca de um mês. Ao exame, apresenta-se em bom estado geral, afebril, com úlcera única no sulco balanoprepucial, de aproximadamente 1 cm, bordas elevadas, fundo limpo, base endurecida e indolor à palpação, acompanhada de linfonodomegalia inguinal bilateral, móvel e indolor. Teste rápido treponêmico reagente e VDRL 1:32. Sorologia anti-HIV não reagente. Sem relato de alergia a medicamentos. Assinale o tratamento adequado para este paciente.
Úlcera única, indolor, de base endurecida e fundo limpo, com adenopatia inguinal indolor e testes treponêmico e não treponêmico reagentes, configura sífilis primária (cancro duro). Pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para IST do Ministério da Saúde, a sífilis recente (primária, secundária e latente recente) é tratada com penicilina G benzatina 2.400.000 UI IM em dose única (1.200.000 UI em cada glúteo). O esquema de três doses semanais destina-se à sífilis tardia (latente tardia, de duração ignorada ou terciária), não ao caso. A doxiciclina por 14 dias é alternativa apenas na alergia comprovada à penicilina — que o paciente não tem — e nunca é a escolha em gestantes. Penicilina cristalina EV por 14 dias é reservada à neurossífilis, sem qualquer sinal neurológico ou oftalmológico aqui.
Gestante de 24 anos, na 24ª semana de gestação, comparece à consulta de pré-natal referindo corrimento vaginal amarelo-esverdeado há duas semanas, com sangramento em pequena quantidade após as relações sexuais. Nega febre, dor pélvica ou perda de líquido. Ao exame especular, o colo uterino apresenta-se edemaciado, hiperemiado e friável, com saída de secreção mucopurulenta pelo orifício externo. O toque bimanual não evidencia dor à mobilização do colo nem dor anexial. Dinâmica uterina ausente e batimentos cardiofetais normais. Assinale a conduta terapêutica adequada.
O quadro é de cervicite na gestação, e o tratamento sindrômico não muda: ceftriaxona 500 mg IM dose única (gonococo) + azitromicina 1 g VO dose única (clamídia), ambos seguros na gravidez, conforme o PCDT de IST do Ministério da Saúde, com testagem para as demais IST e tratamento da parceria. As tetraciclinas, incluindo a doxiciclina, são contraindicadas na gestação pela deposição em ossos e dentes fetais. As quinolonas também são evitadas na gestação e, além disso, o gonococo tem alta taxa de resistência ao ciprofloxacino no Brasil. Postergar o tratamento é inaceitável: a cervicite não tratada associa-se a rotura prematura de membranas, parto pré-termo, corioamnionite e transmissão vertical (conjuntivite e pneumonia neonatais).
Mulher de 24 anos, trabalhadora do comércio, procura a UBS relatando o surgimento de "feridas" na vulva há 6 dias, extremamente dolorosas, que a impedem de sentar-se e caminhar com conforto. Refere novo parceiro sexual há cerca de 10 dias, sem uso de preservativo. Nega vesículas ou queimação prévia às lesões, nega febre. Ao exame: múltiplas úlceras rasas de 5 a 10 mm em grandes lábios e fúrcula, com bordas irregulares e solapadas, fundo recoberto por exsudato purulento de odor fétido e base mole ao toque; sangram com facilidade. Há linfonodomegalia inguinal unilateral dolorosa, com sinais flogísticos e flutuação. Testes rápidos para sífilis e HIV não reagentes. Assinale o diagnóstico mais provável.
O conjunto úlceras MÚLTIPLAS, dolorosas, de bordas solapadas, fundo sujo/purulento com odor e base MOLE, associado a bubão inguinal unilateral, doloroso e com flutuação, é o quadro clássico do cancro mole (Haemophilus ducreyi) — tratamento com azitromicina 1 g VO em dose única (alternativa: ceftriaxona 500 mg IM). Herpes primário cursa com vesículas agrupadas que evoluem para úlceras rasas, geralmente precedidas de ardor/parestesia e acompanhadas de sintomas sistêmicos, sem bubão flutuante. Sífilis primária dá úlcera ÚNICA, INDOLOR, de base limpa e bordas endurecidas, com adenopatia indolor e não supurativa. Linfogranuloma venéreo tem úlcera fugaz e indolor que passa despercebida, seguida semanas depois de adenopatia com sinal do sulco e fistulização em múltiplos orifícios.
Mulher de 27 anos comparece ao ambulatório de ginecologia por lesão genital notada há 10 dias, indolor, que não a incomoda — procurou atendimento por insistência do parceiro. Nega corrimento, disúria ou febre. Última relação sexual desprotegida há cerca de 4 semanas. Ao exame: úlcera única de 1,5 cm em face interna do grande lábio direito, arredondada, de bordas elevadas e endurecidas, fundo limpo e brilhante, com secreção serosa escassa; palpam-se linfonodos inguinais bilaterais, móveis, endurecidos e indolores, sem flutuação. Exames: VDRL não reagente; teste rápido treponêmico REAGENTE; anti-HIV não reagente. Assinale a conduta adequada.
Úlcera única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo (cancro duro) com teste treponêmico reagente fecha sífilis PRIMÁRIA (recente): o VDRL não reagente é esperado na janela, pois o teste não treponêmico pode levar 1 a 4 semanas após a úlcera para positivar — um teste reagente já autoriza o tratamento imediato. O esquema para sífilis recente (primária, secundária e latente recente) é penicilina G benzatina 2.400.000 UI IM em dose única, com notificação compulsória e tratamento da parceria. Azitromicina 1 g em dose única é o esquema do cancro mole (úlceras múltiplas, dolorosas, fundo sujo). O esquema de 3 doses semanais é reservado à sífilis TARDIA (latente tardia, de duração ignorada ou terciária), não à primária. Adiar o tratamento aguardando o VDRL mantém a transmissão e é erro de conduta em ISTs — trata-se na primeira oportunidade.
Mulher de 30 anos procura a UPA por "caroços" dolorosos na virilha há 12 dias, com piora progressiva. Relata que, cerca de 3 semanas antes, notou pequena lesão ulcerada indolor na fúrcula, que cicatrizou espontaneamente em poucos dias sem tratamento. Refere febrícula e mal-estar. Ao exame: conglomerado de linfonodos inguinais dolorosos bilateralmente, com massa acima e abaixo do ligamento inguinal separadas por depressão linear, pele eritemato-violácea e drenagem de secreção purulenta por múltiplos orifícios. Não há úlcera genital no momento. Testes rápidos para sífilis e HIV não reagentes. Assinale a conduta terapêutica correta.
A sequência úlcera fugaz e indolor seguida, semanas depois, de linfadenopatia inguinal dolorosa com SINAL DO SULCO (massas separadas pelo ligamento inguinal) e fistulização em múltiplos orifícios ("bico de regador") define linfogranuloma venéreo (Chlamydia trachomatis, sorotipos L1-L3). O tratamento é doxiciclina 100 mg 12/12h por 21 DIAS (alternativa: azitromicina 1 g/semana por 3 semanas); o bubão flutuante deve ser ASPIRADO por agulha em pele sadia — a incisão e drenagem cirúrgica é contraindicada por retardar a cicatrização e favorecer fístulas. Azitromicina em dose única trata cancro mole/clamídia não complicada, mas é insuficiente para o LGV, que exige curso prolongado. Penicilina benzatina trata sífilis, cuja adenopatia é indolor e não supura. Ceftriaxona em dose única cobre cancro mole/gonococo, não o LGV.
Gestante de 24 anos, com idade gestacional de 22 semanas, comparece à UBS queixando-se de corrimento vaginal amarelado há 10 dias e sangramento após relação sexual. Parceria sexual única, sem uso de preservativo. Ao exame especular, observa-se colo uterino com mucopus no orifício externo, friável, com sangramento ao toque do swab e teste do cotonete positivo. A unidade não dispõe de teste de biologia molecular nem de cultura para gonococo ou clamídia, e as sorologias para HIV, sífilis e hepatites foram coletadas no mesmo atendimento. De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com IST do Ministério da Saúde, assinale o tratamento adequado.
O quadro é de cervicite (mucopus cervical, friabilidade, sangramento ao toque do swab), cujo manejo sindrômico cobre simultaneamente Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis: ceftriaxona 500 mg IM dose única + azitromicina 1 g VO dose única, com tratamento das parcerias e oferta de testagem para outras IST. Em gestantes, a azitromicina é a escolha para clamídia porque a doxiciclina é contraindicada na gestação (deposição óssea e dentária fetal) — esse é o ponto crítico da questão, tornando incorreta a alternativa que a inclui. Metronidazol com fluconazol trata vaginites (tricomoníase e candidíase), não cervicite. Ciprofloxacino foi abandonado para gonococo pelas altas taxas de resistência no Brasil, além de ser evitado na gestação.
Mulher de 23 anos, sexualmente ativa, procura o ambulatório de ginecologia por lesões na vulva percebidas há cerca de dois meses, indolores e que vêm aumentando em número. Nega corrimento, febre, perda ponderal ou uso de imunossupressores. Ao exame da região vulvar e perianal, observam-se múltiplas lesões vegetantes, papilomatosas, de superfície verrucosa e coloração róseo-esbranquiçada, algumas confluentes, com aspecto de 'couve-flor'. O colo uterino não apresenta lesões macroscópicas e a citologia oncótica realizada há seis meses foi normal. Assinale os tipos virais mais frequentemente associados ao quadro descrito.
O quadro descrito é o condiloma acuminado (verruga anogenital), causado em cerca de 90% dos casos pelos HPV 6 e 11, tipos de baixo risco oncogênico — daí a lesão exuberante, mas sem potencial de progressão a carcinoma na maioria dos casos, e a citologia normal. Os HPV 16 e 18 são os principais tipos de alto risco, responsáveis por aproximadamente 70% dos cânceres de colo uterino, e produzem tipicamente lesões subclínicas ou neoplasias intraepiteliais, não condilomas floridos. Os tipos 31 e 33 também pertencem ao grupo de alto risco oncogênico e não são a causa habitual das verrugas genitais. Os HPV 1 e 2 estão associados a verrugas cutâneas comuns e plantares, sem tropismo pela mucosa anogenital.
Gestante de 25 anos, primigesta, com 24 semanas de idade gestacional, comparece à consulta de pré-natal referindo o surgimento de 'verrugas' na região genital há cerca de quatro semanas, com aumento progressivo. Nega prurido intenso, sangramento ou dor. Ao exame ginecológico, identificam-se lesões condilomatosas isoladas e agrupadas na vulva e no períneo, a maior medindo cerca de 1,0 cm, sem obstrução do canal de parto e sem lesões cervicais. As sorologias do pré-natal para HIV, sífilis e hepatites B e C são não reagentes. Assinale a conduta adequada para o tratamento das lesões nesta paciente.
Na gestação, o tratamento de escolha para condilomas é o ácido tricloroacético a 80–90%, agente cáustico de aplicação ambulatorial pelo profissional, seguro em qualquer trimestre e passível de repetição semanal; crioterapia e exérese cirúrgica/eletrocauterização também são alternativas aceitas. Podofilina e podofilotoxina são formalmente contraindicadas na gestação por efeito antimitótico sistêmico, neurotoxicidade e potencial teratogênico/abortivo. O imiquimode não é recomendado na gravidez por ausência de segurança estabelecida (e é de uso domiciliar, o que agrava o risco). A cesariana não deve ser indicada apenas pela presença de condilomas, já que o risco de papilomatose respiratória recorrente no recém-nascido é muito baixo e a via alta não o elimina; a cesárea só se justifica quando as lesões são obstrutivas do canal de parto ou há risco de sangramento importante — e, de todo modo, não se deve deixar de tratar as lesões durante o pré-natal.
Homem de 26 anos procura a unidade básica de saúde por lesão genital notada há oito dias, indolor. Refere relação sexual desprotegida há cerca de um mês. Ao exame, úlcera única de 1,2 cm no sulco bálano-prepucial, de base endurecida, bordas elevadas e fundo limpo, indolor à palpação, associada a adenomegalia inguinal direita móvel e indolor. Teste rápido treponêmico reagente; VDRL colhido no mesmo dia com título 1:32. Não há registro de tratamento prévio para sífilis. Qual a conduta terapêutica correta para este paciente?
A úlcera única, indolor, de base endurecida e fundo limpo, surgida cerca de três semanas após a exposição, é o cancro duro da sífilis primária — dentro da janela de incubação de 10 a 90 dias. Teste treponêmico e não treponêmico reagentes, sem tratamento prévio documentado, fecham o diagnóstico. Sífilis primária é sífilis recente, e o esquema do PCDT-IST é benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões de UI IM em dose única, 1,2 milhão em cada glúteo. A alternativa com doxiciclina 15 dias existe, mas apenas para alergia à penicilina em pessoa não gestante, com acompanhamento rigoroso — não é a primeira escolha. As três doses semanais (7,2 milhões de UI) são o esquema da sífilis tardia, latente de duração ignorada ou terciária, e superestimam o estágio. Aguardar exame é o erro que o protocolo combate explicitamente: pessoa com sinais de sífilis primária e sem diagnóstico prévio é uma das situações em que se trata com um único teste reagente. Ceftriaxona com azitromicina é o esquema de corrimento uretral, não de úlcera genital sifilítica.
Homem de 24 anos chega à unidade básica com corrimento uretral purulento há três dias e disúria, após relação sexual desprotegida na semana anterior. Ao exame, secreção purulenta pelo meato uretral, sem úlceras e sem adenomegalia. A unidade não dispõe de exame etiológico e o paciente informa que viaja a trabalho no dia seguinte. Segundo o protocolo do Ministério da Saúde, qual a conduta?
O manejo sindrômico brasileiro trata na primeira consulta: as amostras são colhidas, mas a conduta terapêutica não espera o resultado, e onde não há rede laboratorial recomenda-se tratar com base na clínica em todo caso de suspeita de IST. Para uretrite sem identificação do agente, o PCDT-IST indica ceftriaxona 500 mg IM em dose única associada a azitromicina 1 g por via oral em dose única — a associação cobre gonococo e clamídia, que não foi testada. Adiar para o resultado é justamente o comportamento que o protocolo combate, e aqui perderia o paciente, que viaja. Azitromicina isolada é o esquema da uretrite não gonocócica com agente identificado e não cobre adequadamente o gonococo. Ciprofloxacino está descartado: a vigilância nacional SenGono documentou alta resistência do gonococo às quinolonas. Benzilpenicilina benzatina trata sífilis, que não produz corrimento uretral purulento.
Mulher de 38 anos, assintomática, realiza testagem de rotina em unidade básica. Teste rápido treponêmico reagente e VDRL reagente com título 1:4. Não há registro de tratamento prévio para sífilis, não sabe informar quando poderia ter adquirido a infecção e nega qualquer lesão genital ou exantema no passado. Exame físico sem alterações. Qual o estadiamento e o tratamento indicados?
Paciente assintomática com os dois testes reagentes e sem registro de tratamento prévio preenche a definição de caso de sífilis adquirida e não pode ser classificada como cicatriz sorológica — esta exige tratamento anterior documentado com queda prévia de pelo menos duas diluições. Sem data conhecida de infecção, o PCDT-IST manda tratar como sífilis latente de duração ignorada, que segue o esquema da sífilis tardia: 2,4 milhões de UI IM por semana durante três semanas, total de 7,2 milhões de UI. O protocolo é explícito ao afirmar que pessoas com títulos baixos, sem registro de tratamento e sem data de infecção conhecida são consideradas portadoras de sífilis latente tardia. Classificar como latente recente exigiria documentar menos de um ano de evolução, o que não existe no caso. Sífilis primária pressupõe cancro duro, ausente. E não há qualquer manifestação gomosa, óssea, cardiovascular ou neurológica que sustente terciária ou neurossífilis.
Homem de 47 anos, não gestante e sem alergias, iniciou tratamento de sífilis latente de duração ignorada com benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões de UI. Recebeu a primeira dose no dia 1 e a segunda no dia 8. Perdeu o retorno e comparece à unidade apenas no dia 26 — ou seja, 18 dias após a segunda dose — para receber a terceira. Está assintomático. Qual a conduta?
O PCDT-IST estabelece que, em pessoas não gestantes, o intervalo entre as doses do esquema de sífilis tardia não deve ultrapassar 14 dias; caso isso ocorra, o esquema deve ser reiniciado. Foram 18 dias entre a segunda e a terceira dose, acima do limite, de modo que a conduta é recomeçar as três doses semanais. Somar a dose atrasada e declarar o esquema completo ignora a regra do intervalo — a eficácia depende de níveis séricos treponemicidas mantidos, não apenas da dose acumulada. Acrescentar uma quarta dose não é previsto em nenhum esquema do protocolo. Trocar por doxiciclina só se justifica na alergia à penicilina em pessoa não gestante, o que não é o caso. E antecipar o controle sorológico não corrige um tratamento incompleto: o seguimento pressupõe tratamento adequado como ponto de partida.
Homem de 30 anos recebeu, há 14 horas, a primeira dose de benzilpenicilina benzatina para sífilis secundária. Retorna ao pronto-atendimento com febre de 38,4 °C, cefaleia, mialgia e piora do exantema, que se tornou mais evidente em tronco e palmas. Está lúcido, sem dispneia, sem urticária, sem edema de face ou lábios e com pressão arterial de 120 x 80 mmHg. Qual a conduta?
O quadro é a reação de Jarisch-Herxheimer: ocorre nas 24 horas seguintes à primeira dose de penicilina, é mais frequente nas fases primária e secundária, e se caracteriza por exacerbação das lesões cutâneas, mal-estar, febre, cefaleia e artralgia, com regressão espontânea em 12 a 24 horas. Trata-se com analgésico simples e não se descontinua o tratamento. Não há nenhum critério de anafilaxia — sem urticária, sem angioedema, sem broncoespasmo, sem hipotensão —, de modo que adrenalina e suspensão da penicilina não se justificam; aliás, o protocolo registra que a probabilidade de reação anafilática à benzilpenicilina benzatina é de 0,002%, e que alergia verdadeira costuma se apresentar como urticária e exantema pruriginoso. A febre com piora do exantema poucas horas após a dose não é sinal de neurossífilis, que se investiga com punção lombar diante de sintomas neurológicos ou oftalmológicos. Corticoide não faz parte do manejo preconizado.
Homem de 22 anos apresenta, há cinco dias, três úlceras genitais muito dolorosas em frênulo e sulco bálano-prepucial, de bordas irregulares e fundo recoberto por exsudato amarelado de odor fétido que, ao ser removido, revela tecido de granulação que sangra com facilidade. Há linfonodo inguinal esquerdo aumentado, doloroso e flutuante. Qual o agente mais provável e a conduta correta em relação ao linfonodo?
Úlceras múltiplas e dolorosas, de borda irregular e fundo com exsudato necrótico fétido sobre tecido de granulação sangrante, com incubação de três a cinco dias, descrevem o cancroide, causado pelo Haemophilus ducreyi. O bubão inguinal ocorre em 30% a 50% dos casos, é unilateral em dois terços e fistuliza em metade, tipicamente por orifício único. O PCDT-IST indica aspiração com agulha de grosso calibre para aliviar linfonodo tenso e flutuante e contraindica expressamente a incisão com drenagem e a excisão dos linfonodos acometidos, porque a cicatrização pode ser desfigurante. A sífilis primária cursa com úlcera única, indolor e de base endurecida, o oposto do quadro. A donovanose por Klebsiella granulomatis produz úlcera crônica indolor de fundo granulomatoso, sem bubão. O herpes cursa com vesículas agrupadas e adenopatia dolorosa habitualmente bilateral. O LGV tem linfadenopatia volumosa, mas sua conduta também não é excisão — e o tratamento é doxiciclina por 21 dias.
Mulher de 41 anos foi tratada há seis meses por sífilis primária com benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões de UI em dose única, aplicada e registrada na unidade. O VDRL colhido no dia do tratamento era 1:32. No controle de hoje, o VDRL — mesmo método, mesmo laboratório — permanece 1:32. Está assintomática, sem lesões, e refere não ter tido nenhuma relação sexual desde o tratamento. Qual a conduta?
Resposta imunológica adequada na sífilis recente é teste não treponêmico não reagente ou queda de duas diluições em até seis meses — aqui esperava-se 1:8 ou menos, e não houve queda alguma. Está preenchido o primeiro critério de retratamento do PCDT-IST: ausência de redução de duas diluições em seis meses após tratamento adequado. Não é cicatriz sorológica, porque esta exige queda prévia documentada de pelo menos duas diluições, que nunca ocorreu. Não é reinfecção, porque a paciente nega exposição sexual no período — e é exatamente nessa situação, sem reexposição que justifique reinfecção, que o protocolo indica punção lombar para investigar neurossífilis na população geral antes de repetir a penicilina. Repetir a dose sem investigar pula esse passo. Repetir teste treponêmico não ajuda: ele permanece reagente por toda a vida e não serve para controle de cura.
Durante o acolhimento em uma unidade básica, quatro adultos são avaliados no mesmo turno: (I) homem assintomático, teste treponêmico reagente e VDRL 1:8, sem registro de tratamento prévio; (II) mulher com exantema palmoplantar e VDRL 1:64, teste treponêmico ainda não realizado; (III) homem tratado para sífilis há dois anos, com queda documentada de 1:32 para 1:2 e VDRL atual de 1:2, sem nova exposição; (IV) mulher assintomática com apenas teste rápido treponêmico reagente, com VDRL não reagente e terceiro teste treponêmico de outra metodologia não reagente. Quais casos devem ser notificados como sífilis adquirida?
A definição de caso de sífilis adquirida do PCDT-IST tem duas situações. Situação 1: indivíduo assintomático com teste não treponêmico reagente em qualquer titulação E teste treponêmico reagente, sem registro de tratamento prévio — é o caso I, que deve ser notificado. Situação 2: indivíduo sintomático com pelo menos um teste reagente, treponêmico OU não treponêmico, em qualquer titulação — é o caso II, com exantema palmoplantar e VDRL 1:64, que também é notificado mesmo antes do teste treponêmico. O caso III é cicatriz sorológica: tratamento anterior com queda documentada de pelo menos duas diluições e sem nova exposição; o protocolo determina expressamente que casos confirmados de cicatriz sorológica não devem ser notificados. No caso IV, o terceiro teste treponêmico de metodologia diferente veio não reagente, o que caracteriza o primeiro resultado como falso-reagente e exclui o diagnóstico de sífilis — sem diagnóstico, não há notificação.
Homem cisgênero de 31 anos, que faz sexo com homens, usa profilaxia pré-exposição ao HIV e foi tratado de sífilis há seis meses, relata relação anal sem preservativo há 20 horas. Está assintomático e pergunta sobre prevenção de novas infecções bacterianas sexualmente transmissíveis. Qual é a orientação conforme a incorporação brasileira de 2026?
A incorporação brasileira de 2026 prevê Doxi-PEP para homens cisgênero gays e bissexuais, outros homens que fazem sexo com homens e mulheres trans/travestis, vivendo ou não com HIV, desde que tenham apresentado ao menos uma IST bacteriana nos 12 meses anteriores. O esquema é doxiciclina 200 mg em dose única, idealmente nas primeiras 24 horas e no máximo até 72 horas após a relação, sem ultrapassar 200 mg a cada 24 horas. A estratégia visa principalmente reduzir sífilis e clamídia; ceftriaxona, azitromicina e curso terapêutico de sete dias não correspondem ao esquema incorporado. Fonte: Relatório de Recomendação Conitec nº 1089/2026.
Homem de 27 anos comparece à unidade porque a parceria sexual foi diagnosticada com sífilis primária há cinco dias e já recebeu tratamento. Ele teve relações sem preservativo com essa parceria nas últimas quatro semanas. Está assintomático, sem lesões genitais e sem exantema. Foram colhidos testes, ainda sem resultado. Qual é a conduta?
Um terço das parcerias de pessoas com sífilis recente desenvolve a infecção em até 30 dias da exposição. Por isso, havendo exposição nos últimos 90 dias, oferece-se tratamento presuntivo com dose única de benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões de UI, independentemente do estágio clínico do caso conhecido e de a parceria ter ou não sinais e sintomas — os testes são colhidos, mas não seguram a aplicação. Se o resultado vier reagente, o tratamento passa a ser conduzido conforme o estágio, e não mais de forma presuntiva. As três doses semanais pertencem à sífilis tardia, latente de duração ignorada e terciária, que não é o cenário de uma exposição datada. E a doxiciclina é alternativa para alergia à penicilina fora da gestação, não escolha de rotina.
Homem de 52 anos apresenta perda visual bilateral progressiva há três semanas, com uveíte posterior confirmada. VDRL sérico de 1:64 e teste treponêmico reagente. A punção lombar mostra pleocitose linfocitária e VDRL liquórico reagente. Não vive com HIV e não tem alergia a penicilina. Segundo as diretrizes CDC de 2021, qual é o tratamento e o seguimento?
O tratamento recomendado é penicilina cristalina intravenosa, 18 a 24 milhões de UI por dia, em doses de 3 a 4 milhões a cada quatro horas ou infusão contínua, durante 10 a 14 dias. O acompanhamento inclui evolução clínica e títulos de teste não treponêmico. No paciente sem HIV que apresenta resposta clínica e sorológica, não é necessário repetir rotineiramente o líquor. Falha de resposta ou novos achados exigem reavaliação. Benzatina isolada não substitui esse esquema, mas pode ser considerada depois de completá-lo, conforme a situação da sífilis; não é correto proibir toda utilização sequencial.
Homem de 30 anos apresenta disúria, secreção uretral purulenta e ausência de febre. Qual a hipótese principal?
Secreção uretral em homem jovem aponta uretrite, e o tratamento cobre empiricamente gonococo e clamídia, dada a alta taxa de coinfecção, com abordagem das parcerias sexuais, oferta de testagem para outras infecções sexualmente transmissíveis e notificação conforme o protocolo. Cistite isolada é incomum em homem jovem sem fator predisponente e, quando ocorre, exige investigação de causa estrutural ou funcional.
Homem de 26 anos apresenta exantema maculopapular acometendo tronco, palmas das mãos e plantas dos pés, associado a placas mucosas orais, adenomegalia generalizada e febre baixa há 3 semanas. Relata úlcera genital indolor que desapareceu há 2 meses. Qual o diagnóstico?
Exantema que acomete palmas e plantas, placas mucosas, adenomegalia generalizada e antecedente de úlcera genital indolor autolimitada compõem o quadro clássico da sífilis secundária. A pitiríase rósea é o distrator dermatológico mais citado, mas poupa palmas e plantas e não cursa com adenomegalia generalizada nem com o antecedente de cancro — que é o dado que fecha a história natural.
Qual é o tratamento de escolha para sífilis secundária em paciente não alérgico à penicilina?
Sífilis recente — primária, secundária ou latente recente — trata-se com dose única de penicilina benzatina; o esquema de três doses semanais é reservado à sífilis tardia ou de duração ignorada, e é justamente essa a troca que a questão cobra. Doxiciclina serve como alternativa apenas na alergia comprovada, exceto em gestantes, que devem ser dessensibilizadas para receber penicilina.
Homem de 40 anos com sífilis apresenta alteração visual e cefaleia. Qual a conduta?
Manifestações oculares, otológicas ou neurológicas indicam avaliação para neurossífilis e tratamento com penicilina cristalina endovenosa em altas doses por 10 a 14 dias — a penicilina benzatina não atinge concentração liquórica adequada. Manter o esquema intramuscular nesse cenário é o erro que deixa o sistema nervoso central sem tratamento efetivo, com risco de sequela permanente.
Paciente tratado para sífilis apresenta, 6 horas após a primeira dose de penicilina, febre, calafrios, mialgia e piora do exantema. Qual o diagnóstico e a conduta?
A reação de Jarisch-Herxheimer decorre da liberação maciça de antígenos pela lise dos treponemas, surge nas primeiras horas e é autolimitada, tratada com sintomáticos. Interpretá-la como alergia é o erro mais frequente e priva o paciente do tratamento de escolha; a alergia verdadeira cursa com urticária, broncoespasmo ou hipotensão, e não com esse padrão febril precoce e transitório.
Homem de 28 anos com diagnóstico de sífilis secundária. Além do tratamento, qual conduta é obrigatória?
Toda infecção sexualmente transmissível é porta de entrada para rastrear as demais, especialmente HIV, e a abordagem inclui tratar as parcerias, orientar sobre preservativo e notificar — a sífilis é agravo de notificação compulsória. Punção lombar de rotina não é indicada na ausência de manifestações neurológicas, oculares ou otológicas, e é o distrator que confunde rigor com excesso.
Qual é a interpretação de teste treponêmico reagente com teste não treponêmico não reagente em paciente assintomático com tratamento documentado no passado?
Após tratamento adequado, o teste treponêmico costuma permanecer reagente por toda a vida enquanto o não treponêmico negativa, configurando cicatriz sorológica. Tratar novamente esse paciente é o erro mais comum na prática e expõe a injeções desnecessárias; a decisão muda apenas diante de nova exposição de risco ou de elevação de títulos no teste não treponêmico.
Homem de 28 anos apresenta úlcera genital única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo, com adenopatia inguinal não supurativa. Qual o diagnóstico e o tratamento?
Úlcera única, indolor, de base limpa e bordas endurecidas, com adenopatia que não supura, é o cancro duro da sífilis primária, tratado com penicilina benzatina. O cancro mole é o distrator direto, mas dá úlceras múltiplas, dolorosas, de fundo sujo, com linfonodo que amolece e fistuliza. Herpes produz vesículas agrupadas dolorosas, e toda úlcera genital exige testagem para HIV e demais infecções sexualmente transmissíveis.
Qual conduta é adequada para o seguimento sorológico após tratamento de sífilis recente?
O seguimento se faz com teste não treponêmico quantitativo, e a resposta adequada é a queda de pelo menos duas diluições, ou seja, quatro vezes o título. Os testes treponêmicos permanecem reativos por toda a vida na maioria dos pacientes e não servem para controle de cura — usá-los com essa finalidade é o erro que gera retratamentos desnecessários.
Qual das situações abaixo caracteriza um teste sorológico não treponêmico com padrão compatível com sífilis tratada com sucesso?
O controle de cura é feito pelo teste não treponêmico, esperando-se queda de pelo menos duas diluições nos primeiros seis a doze meses, enquanto o teste treponêmico costuma permanecer positivo pela vida toda, o que torna a expectativa de sua negativação um erro conceitual. Manutenção ou elevação de títulos sugere falha terapêutica ou reinfecção e obriga a reavaliar, inclusive quanto a neurossífilis.
Sobre o diagnóstico laboratorial da sífilis, assinale a alternativa correta:
A lógica sorológica da sífilis é a divisão de tarefas: os treponêmicos detectam anticorpos específicos e tendem a permanecer reagentes indefinidamente, servindo para confirmar contato com o treponema mas não para dizer se a infecção está ativa; os não treponêmicos são titulados e caem com o tratamento eficaz, sendo os que monitoram a resposta, com queda esperada de duas diluições. Inverter esses papéis é o erro mais comum do tema. Vale lembrar ainda que o VDRL pode ser não reagente na fase muito inicial e que o efeito prozona pode gerar falso-negativo em títulos muito altos.
Qual é o tratamento de escolha para neurossífilis confirmada?
A neurossífilis exige penicilina cristalina endovenosa em altas doses por 10 a 14 dias, único esquema que garante concentração treponemicida no líquor de forma consistente. Penicilina benzatina intramuscular trata as formas recente e tardia sem acometimento neurológico, mas não penetra adequadamente o sistema nervoso central, sendo o erro mais grave nesse cenário. Azitromicina tem resistência descrita e não é opção para neurossífilis. Doxiciclina é alternativa em alérgicos para outras formas, com menor evidência no acometimento neurológico. Ceftriaxona em dose única é insuficiente.
Qual manifestação clínica é característica da neurossífilis tardia parenquimatosa?
As formas parenquimatosas tardias incluem a tabes dorsalis, com degeneração dos cordões posteriores, ataxia sensitiva, dores lancinantes e a pupila que acomoda mas não reage à luz, e a paralisia geral progressiva, com demência e alterações psiquiátricas. Meningite bacteriana aguda é quadro febril agudo de outra etiologia, embora a neurossífilis possa cursar com meningite precoce. Neuropatia simétrica súbita não é o padrão. Guillain-Barré é doença desmielinizante aguda de outra causa. Cefaleia em salvas é cefaleia primária sem relação com a infecção.
Paciente com sífilis apresenta perda visual e alteração ocular à fundoscopia. Qual a implicação diagnóstica e terapêutica?
O acometimento ocular e o auditivo pela sífilis são tratados com o mesmo esquema da neurossífilis, com penicilina cristalina endovenosa, independentemente dos achados liquóricos, porque o risco de perda funcional definitiva é alto. Colírio de corticoide isolado não trata a infecção. Penicilina benzatina em dose única é insuficiente, e a premissa de que o olho estaria fora do sistema nervoso é justamente o raciocínio errado, dada a continuidade anatômica do nervo óptico. Aguardar evolução espontânea arrisca cegueira. Cirurgia não precede o tratamento antimicrobiano.
Qual achado no líquor apoia o diagnóstico de neurossífilis?
O padrão liquórico compatível reúne pleocitose de predomínio linfocítico, elevação de proteína e teste não treponêmico reagente no líquor, que é bastante específico embora pouco sensível, motivo pelo qual um resultado negativo não exclui o diagnóstico. Glicose muito baixa com neutrófilos e cultura positiva descreve meningite bacteriana aguda. Líquor normal não confirma nada e torna o diagnóstico menos provável. Eosinofilia liquórica sugere parasitoses do sistema nervoso central. Aumento isolado da pressão de abertura ocorre em várias condições e não caracteriza a doença.
Homem de 45 anos, vivendo com o vírus da imunodeficiência humana, apresenta declínio cognitivo progressivo, alteração de comportamento e marcha instável. Teste treponêmico e não treponêmico reagentes, com título de 1:64. Qual a conduta?
Manifestações neurológicas em paciente com sífilis, especialmente com imunossupressão, indicam punção lombar para pesquisa de neurossífilis, avaliando celularidade, proteína e testes específicos no líquor. Penicilina benzatina engana por ser o tratamento consagrado da sífilis, mas não atinge concentração treponemicida no sistema nervoso central, o que a torna inadequada para neurossífilis. Iniciar antirretroviral é necessário, porém não substitui a investigação. Tomografia normal não exclui neurossífilis. Corticoide não trata a infecção e pode ser adjuvante apenas em situações específicas.
Após o tratamento de neurossífilis, como deve ser feito o seguimento?
O seguimento combina avaliação clínica com queda dos títulos do teste não treponêmico sérico, e a reavaliação do líquor é considerada conforme a resposta clínica e sorológica e o contexto, especialmente em pessoas vivendo com o vírus da imunodeficiência humana. Dispensar seguimento impede identificar falha terapêutica. Repetir o esquema indefinidamente sem critério é inadequado. O teste treponêmico permanece reagente por toda a vida na maioria dos pacientes, o que torna a expectativa de negativação um erro conceitual frequente. Tomografia mensal não é parâmetro de cura.
Homem de 30 anos com sífilis latente de duração indeterminada e sem sintomas neurológicos, oculares ou auditivos, não vivendo com o vírus da imunodeficiência humana. Qual a conduta?
A sífilis latente tardia ou de duração indeterminada é tratada com três doses semanais de penicilina benzatina, e a punção lombar não é indicada de rotina na ausência de manifestações neurológicas, oculares ou auditivas. Puncionar todos os casos de latente submete muitos pacientes a procedimento desnecessário. Dose única corresponde ao tratamento da sífilis recente, sendo insuficiente aqui. Não tratar permite progressão para formas terciárias e mantém a transmissão. Azitromicina em dose única tem resistência descrita e não é esquema recomendado.
Qual afirmativa sobre a interpretação dos testes de sífilis está correta?
O teste treponêmico marca contato prévio e costuma permanecer reagente por toda a vida, enquanto o não treponêmico é titulável e sua queda documenta resposta ao tratamento, sendo o parâmetro de seguimento. Inverter os papéis dos dois testes é o erro mais comum nesse tema. Um teste não treponêmico não reagente não exclui sífilis, podendo ocorrer na fase muito precoce ou por efeito prozona em títulos muito altos. Não é obrigatório que ambos negativem após o tratamento, e esperar isso leva a retratamentos desnecessários.
Sobre a notificação e as ações de saúde pública nas infecções sexualmente transmissíveis, assinale a alternativa correta:
O atendimento de uma infecção sexualmente transmissível é uma oportunidade de saúde pública que vai muito além da receita: inclui notificação conforme as normas vigentes, testagem para HIV, sífilis e hepatites oferecida a todas as pessoas — a lógica de "grupos de risco" foi abandonada por perder diagnósticos e reforçar estigma —, tratamento das parcerias, oferta de insumos de prevenção, atualização vacinal contra hepatite B e HPV e discussão sobre profilaxias pré e pós-exposição ao HIV quando indicadas. Reduzir tudo isso ao antibiótico é a falha assistencial mais comum do tema.
Ao diagnosticar donovanose, além do tratamento específico, qual conjunto de medidas complementares é obrigatório?
Toda infecção sexualmente transmissível é porta de entrada para o rastreio das demais: HIV, sífilis e hepatites B e C devem ser oferecidos, com avaliação de vacinação para hepatite B e HPV e discussão de profilaxias quando indicadas. Restringir à sorologia de HIV perde diagnósticos com tratamento disponível e é o erro prático mais comum. Cultura uretral investiga uretrite, quadro diferente do apresentado. A donovanose não é de notificação compulsória nacional, ao contrário de sífilis e HIV, e biópsia mensal não faz parte do seguimento, que é clínico até a epitelização.
Mulher de 26 anos apresenta lesões papulosas, planas, úmidas e acinzentadas em região perianal e vulvar, associadas a lesões palmoplantares descamativas e adenomegalia generalizada. Qual a hipótese?
Lesões planas e úmidas em áreas de dobra, acompanhadas de exantema palmoplantar e adenomegalia generalizada, caracterizam o condiloma plano da sífilis secundária — altamente infectante e confirmado por testes treponêmicos e não treponêmicos. O condiloma acuminado é o distrator que o nome parecido sustenta, mas ele é exofítico, seco e verrucoso, sem manifestações sistêmicas. Tratar como HPV deixaria a sífilis evoluir para a fase latente e terciária.
Ao diagnosticar condilomatose vulvar em paciente de 22 anos, qual conduta complementar é recomendada?
O diagnóstico de uma infecção sexualmente transmissível é oportunidade obrigatória de rastrear as demais e de abordar as parcerias, além de discutir prevenção combinada e vacinação. Restringir-se ao tratamento local é a perda de oportunidade mais frequente na prática. Tratar empiricamente gonococo e clamídia sem quadro clínico compatível é sobretratamento, e o condiloma acuminado não integra a lista de agravos de notificação compulsória.
Sobre o manejo das parcerias sexuais na donovanose, qual conduta está correta?
A donovanose tem baixa infectividade e período de incubação longo e variável, o que faz com que a recomendação seja avaliar as parcerias e tratar as que apresentem lesão, em vez de tratamento empírico universal. Isso a diferencia de gonorreia, clamídia e cancro mole, em que se trata a parceria mesmo assintomática, e é exatamente essa transposição automática que o tratamento empírico de todas explora. A transmissão é sexual, ainda que ineficiente, de modo que dispensar a avaliação está errado. Não há afastamento laboral, e a sorologia de HIV, embora deva ser oferecida, não condiciona o tratamento das parcerias.
Paciente tratado com penicilina benzatina por sífilis recente apresenta, seis horas após a aplicação, febre de 38,8 graus, mialgia, cefaleia e exacerbação do exantema, com pressão arterial mantida. Qual a interpretação?
Febre, mialgia e piora transitória das lesões nas primeiras 24 horas após o tratamento são a reação de Jarisch-Herxheimer, decorrente da liberação de antígenos treponêmicos com a lise bacteriana, autolimitada e manejada com antitérmico e hidratação. Confundir com anafilaxia é o erro de maior custo prático, porque leva a rotular o paciente como alérgico à penicilina e a perder o único tratamento seguro na gestação — a anafilaxia é imediata, com broncoespasmo, urticária e hipotensão, e não com exacerbação do exantema sifilítico.
Diante de erupção papuloescamosa no tronco de adulto jovem sexualmente ativo, qual exame é obrigatório antes de firmar o diagnóstico de pitiríase rósea?
A sífilis secundária é a grande imitadora das erupções papuloescamosas e sua exclusão sorológica é mandatória, porque o tratamento é simples e o custo do diagnóstico perdido é alto, com progressão para formas tardias e transmissão continuada. Confiar apenas na morfologia é o erro que mais aparece na prática, sobretudo quando não há acometimento palmoplantar evidente. Sorologia para herpes-vírus 7 não tem utilidade clínica, e biópsia ou fator antinuclear respondem a hipóteses diferentes.
Além do tratamento da lesão, qual alternativa descreve adequadamente a atenção integral a uma pessoa com úlcera genital provavelmente causada por infecção sexualmente transmissível?
A abordagem inclui oferta de testes, aconselhamento, avaliação das parcerias, vacinação indicada e notificação dos agravos pertinentes. Oferta de testagem não equivale a imposição sem informação à pessoa. O manejo das parcerias depende da infecção: por exemplo, no herpes genital, parceiros sintomáticos devem ser avaliados e tratados, mas não se recomenda antiviral preventivo indiscriminado para parceiros sem a doença. Encaminhamento especializado é definido pela complexidade, não exigido em todos os casos.
Após tratamento adequado de sífilis recente com VDRL inicial de 1:64, qual resultado no seguimento sorológico caracteriza resposta imunológica adequada?
O critério de resposta é a queda de dois títulos, ou seja, duas diluições, em até seis meses na sífilis recente, o que corresponde a passar de 1:64 para 1:16 ou menos. Esperar negativação completa é o erro conceitual mais comum: muitos pacientes mantêm cicatriz serológica em títulos baixos por anos. O teste treponêmico costuma permanecer reagente por toda a vida e não serve para monitorar cura. Queda de apenas uma diluição em um ano, ou manutenção do título, obriga a reavaliar reinfecção, falha terapêutica ou neurossífilis.
Homem de 30 anos com úlcera genital de 20 dias tem teste rápido para sífilis reagente e VDRL de 1:32. Nunca tratou sífilis. Qual o tratamento indicado?
Úlcera com menos de um ano de evolução e sorologia reagente caracterizam sífilis recente, tratada com dose única de penicilina benzatina de 2,4 milhões de unidades, aplicada metade em cada glúteo. As três doses semanais correspondem à sífilis tardia ou de duração desconhecida e representam o erro mais comum — tratar todo mundo com o esquema longo, por segurança. Penicilina cristalina intravenosa é reservada à neurossífilis e à sífilis congênita, e doxiciclina só entra como alternativa em não gestantes com alergia documentada.
Homem de 35 anos com úlcera genital tem VDRL não reagente e teste rápido para sífilis não reagente na primeira consulta, cinco dias após o início da lesão. Qual a interpretação e a conduta?
Na sífilis primária muito precoce, as sorologias podem ser não reagentes por janela imunológica, que se estende por até três a quatro semanas após o aparecimento do cancro; a conduta é repetir os testes e, na abordagem sindrômica de úlcera genital, tratar empiricamente sem esperar a confirmação. Declarar sífilis descartada é o erro que perpetua a transmissão. O efeito prozona é o distrator mais elaborado, mas ocorre em títulos muito altos com teste não treponêmico falsamente não reagente — e cursa com teste treponêmico reagente, o que não é o caso.
Gestante de 24 semanas tem teste rápido reagente e VDRL de 1:16 para sífilis, e relata alergia à penicilina com história de urticária generalizada e edema de glote em uso prévio. Qual a conduta correta?
Na gestação, a penicilina é o único tratamento com eficácia comprovada na prevenção da sífilis congênita; diante de alergia verdadeira, a conduta é dessensibilizar em ambiente hospitalar e tratar com penicilina, e não substituir a droga. Doxiciclina é o distrator mais tentador porque é a alternativa clássica fora da gestação, mas é contraindicada por efeitos sobre ossos e dentes fetais. Azitromicina tem resistência descrita e falha na prevenção da transmissão vertical; ceftriaxona não é regime recomendado, e postergar o tratamento condena o feto.
Homem de 30 anos com erupção papuloescamosa no tronco, com lesões também em palmas e plantas, associada a adenomegalia epitroclear e placas acinzentadas em mucosa oral. Qual é o diagnóstico e a conduta?
Lesões palmoplantares, adenomegalia generalizada incluindo cadeia epitroclear e placas mucosas compõem o quadro da sífilis secundária, que exige testagem treponêmica e não treponêmica, tratamento com penicilina benzatina, rastreio de outras infecções sexualmente transmissíveis, notificação e abordagem das parcerias sexuais. Enquadrar como pitiríase rósea é justamente o erro que a topografia palmoplantar e a mucosa deveriam impedir. Psoríase e pitiríase liquenoide não produzem esse conjunto sistêmico, e farmacodermia não explica as lesões mucosas acinzentadas.
Além do tratamento do caso, quais medidas complementares são obrigatórias no manejo do linfogranuloma venéreo?
Toda úlcera genital é porta de entrada e marcador de risco, de modo que o manejo inclui tratamento das parcerias, oferta de testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C, aconselhamento e notificação segundo o protocolo local — a associação com HIV nesse agravo é alta. Tratar apenas o caso índice mantém a cadeia de transmissão, já que parcerias podem estar assintomáticas. Isolamento domiciliar e abstinência definitiva não são medidas do protocolo, e exames inflamatórios genéricos não substituem a investigação das coinfecções.
Qual conduta é obrigatória diante do diagnóstico de qualquer infecção sexualmente transmissível em adolescente de 13 anos?
Infecção sexualmente transmissível em criança ou adolescente nessa faixa etária obriga a considerar violência sexual, com acolhimento, avaliação de risco, profilaxias cabíveis e comunicação ao Conselho Tutelar, além da notificação compulsória, que é responsabilidade do profissional e independe da vontade da família. Tratar e liberar é omissão e deixa a adolescente exposta ao agressor. O atendimento em saúde nunca é substituído pelo encaminhamento policial, e a espera por relato espontâneo ignora o silêncio típico das vítimas.
Mulher de 30 anos apresenta úlcera genital única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo, com linfadenopatia inguinal bilateral e indolor, surgida há 15 dias. Qual o diagnóstico mais provável?
Úlcera única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo, acompanhada de adenopatia bilateral indolor, é o cancro duro da sífilis primária. O cancro mole engana por também ser úlcera genital, mas costuma ser múltiplo, doloroso, com fundo sujo e adenopatia dolorosa que pode fistulizar por orifício único. O herpes genital produz vesículas que evoluem para úlceras rasas e muito dolorosas. A donovanose forma lesão granulomatosa vermelho-viva de evolução lenta, sem adenopatia significativa.
Mulher de 32 anos apresenta lesões maculopapulares acobreadas em tronco, palmas das mãos e plantas dos pés, associadas a placas mucosas orais e adenopatia generalizada. Qual o diagnóstico e o tratamento?
Exantema que acomete palmas e plantas, com placas mucosas e adenopatia generalizada, é a apresentação clássica da sífilis secundária, forma recente e altamente infectante, tratada com dose única de penicilina benzatina. A pitiríase rósea é o distrator mais tentador pela semelhança do exantema, mas poupa palmas e plantas e não cursa com lesões mucosas nem adenopatia difusa. O esquema com penicilina cristalina endovenosa é reservado à neurossífilis, e não à forma secundária sem acometimento neurológico.
Sobre a profilaxia pós-exposição sexual consentida de risco, assinale a alternativa correta.
A janela de eficácia da profilaxia pós-exposição é curta: ela precisa começar em até 72 horas, quanto mais cedo melhor, e ser mantida por 28 dias completos, com testagem inicial e seguimento sorológico. Estender a janela para 7 dias é o erro que oferece falsa proteção. A indicação não se restringe à violência sexual, abrangendo qualquer exposição consentida de risco, e a testagem inicial é obrigatória justamente para não iniciar profilaxia em pessoa já infectada, o que selecionaria resistência.
Paciente com diagnóstico de doença inflamatória pélvica tem sorologia positiva para sífilis com VDRL 1:32 e teste treponêmico reagente, sem lesões cutâneas ou mucosas e sem antecedente de tratamento. Qual a conduta?
Sem lesões, sem antecedente de tratamento e sem como datar a infecção, o caso se classifica como sífilis latente de duração ignorada, tratada com três doses semanais de penicilina benzatina. Aplicar dose única é o erro mais comum e corresponde ao esquema da sífilis recente, com até um ano de evolução. Titulação alta com teste treponêmico reagente em paciente nunca tratada é infecção ativa, e não cicatriz sorológica. Azitromicina não é alternativa aceita, pela resistência descrita e pela inferioridade à penicilina.
Sobre o seguimento da paciente tratada para sífilis, qual critério define resposta adequada ao tratamento?
A resposta é medida pelo teste não treponêmico: queda de pelo menos duas diluições, por exemplo de 1:64 para 1:16, em até 6 meses na sífilis recente e até 12 meses na tardia. O teste treponêmico costuma permanecer reagente por toda a vida, e esperar sua negativação é o erro que gera retratamentos desnecessários. Elevação de duas diluições após tratamento indica reinfecção ou falha, jamais cura. O desaparecimento das lesões não substitui o controle sorológico, pois a doença segue evoluindo em silêncio.
Gestante de 28 semanas tem teste rápido treponêmico reagente e VDRL 1:64, sem tratamento prévio. O parceiro se recusa a comparecer ao serviço. Qual a conduta correta em relação à gestante?
Na gestação, o tratamento da sífilis é urgência e não pode ser condicionado à avaliação do parceiro, porque cada semana de atraso aumenta o risco de sífilis congênita; a penicilina benzatina é a única droga com eficácia comprovada para tratar o feto, e a alergia à penicilina indica dessensibilização, não substituição. Aguardar o parceiro é o erro que produz casos de sífilis congênita evitáveis, ainda que o tratamento dele siga sendo essencial para evitar reinfecção. A notificação é compulsória.
Homem de 30 anos com úlcera genital única, indolor, de bordas elevadas e endurecidas, fundo limpo, associada a linfonodomegalia inguinal indolor e sem flutuação. Qual o agente etiológico?
Úlcera única, indolor, limpa e endurecida com adenopatia igualmente indolor é a assinatura do cancro duro. A ausência de dor é o dado que mais discrimina, porque leva o paciente a procurar atendimento tarde e faz o profissional desatento pensar em lesão traumática. O bacilo do cancro mole produz úlceras dolorosas, múltiplas e de fundo purulento, o vírus do herpes produz lesões vesiculosas agrupadas, a donovanose cursa com úlcera vegetante e friável sem adenopatia verdadeira, e o agente do linfogranuloma dá lesão inicial fugaz seguida de adenopatia volumosa.
Diante do diagnóstico de qualquer infecção sexualmente transmissível com úlcera genital, qual conduta complementar é obrigatória?
Úlcera genital é porta de entrada e marcador de risco: quem tem uma infecção sexualmente transmissível frequentemente tem outra, e a solução de continuidade da mucosa aumenta a transmissão do vírus da imunodeficiência humana, o que torna a testagem ampliada e o manejo das parcerias parte do tratamento. Restringir ao agente da lesão perde coinfecções assintomáticas. Biópsia se reserva a lesões atípicas ou que não respondem, e profilaxia pós-exposição tem critérios próprios, não sendo automática.
Paciente com VDRL sérico reagente 1:32 e FTA-Abs reagente apresenta queixa de perda auditiva progressiva e alteração visual há 3 meses. Qual a conduta?
Sintomas neurológicos, oftalmológicos ou otológicos em paciente com sífilis são indicação formal de punção lombar em qualquer estágio da doença, porque a neurossífilis pode ocorrer precocemente e muda completamente o esquema terapêutico. Tratar com penicilina benzatina é o erro mais grave e mais tentador, porque essa formulação não alcança concentração treponemicida no liquor e deixaria a infecção do sistema nervoso sem tratamento. Exame de imagem normal também não afasta o diagnóstico, que é liquórico.
A alteração pupilar encontrada em um paciente com neurossífilis tardia é descrita como pupila de Argyll Robertson. Qual é a sua definição semiológica?
Na pupila de Argyll Robertson há dissociação entre o reflexo fotomotor, abolido, e a reação à acomodação, preservada, em pupilas mióticas e frequentemente irregulares. A pupila tônica de Adie é o distrator mais próximo e faz o caminho inverso: é midriática, com resposta lenta e redilatação demorada, e aparece em pessoas jovens sem doença sistêmica. A anisocoria com ptose e anidrose corresponde à síndrome de Horner, e a dilatação paradoxal ao teste da lanterna oscilante indica defeito pupilar aferente por lesão do nervo óptico.
Mulher de 44 anos com neurossífilis confirmada relata história de anafilaxia após uso de amoxicilina na infância, com relato consistente de urticária generalizada e broncoespasmo. Qual a conduta?
Em neurossífilis, assim como na gestação, a penicilina não tem substituto de eficácia comprovada, e a alergia verdadeira se resolve com dessensibilização em ambiente controlado, não com troca de classe. Optar por tetraciclina é a saída aparentemente prudente que a questão testa, mas os dados que sustentam esse esquema vêm de outros estágios da sífilis e não do acometimento neurológico. Trocar uma formulação de penicilina por outra não reduz risco alérgico algum, pois o antígeno responsável é o mesmo.
Poucas horas após a primeira dose de penicilina para sífilis, um paciente apresenta febre de 38,8 °C, calafrios, mialgia, cefaleia e exacerbação das lesões cutâneas, com resolução espontânea em cerca de 24 horas. Qual a interpretação e a conduta?
A liberação maciça de antígenos treponêmicos após a primeira dose desencadeia uma resposta inflamatória sistêmica autolimitada, com febre, calafrios e piora transitória das lesões, que se resolve em cerca de um dia com antitérmico e hidratação. É fundamental não confundir com alergia: interromper a penicilina por causa dessa reação é o erro clássico e deixa o paciente sem o único tratamento eficaz. A anafilaxia é imediata, cursa com broncoespasmo e hipotensão e não tem esse padrão febril tardio de horas.
Confirmado o diagnóstico de neurossífilis em homem de 55 anos sem alergias, qual o tratamento de escolha?
A neurossífilis exige concentração treponemicida no liquor, e isso só se obtém de forma confiável com penicilina cristalina endovenosa em altas doses por duas semanas. A penicilina benzatina, correta na sífilis recente e tardia sem acometimento neurológico, é o distrator que mais reprova, porque atinge níveis liquóricos insuficientes. A doxiciclina pode ser alternativa em outros estágios, mas não tem evidência para o acometimento do sistema nervoso, e a dose única de macrolídeo não trata nem a sífilis primária de forma segura no cenário atual de resistência.
Homem de 58 anos relata há 2 anos dores lancinantes em membros inferiores, instabilidade de marcha que piora no escuro e episódios de incontinência urinária. Ao exame: marcha talonante, arreflexia patelar e aquileia, perda de sensibilidade vibratória e proprioceptiva, sinal de Romberg presente. As pupilas são mióticas, não reagem à luz, mas contraem à acomodação. Qual o diagnóstico mais provável?
A combinação de ataxia sensitiva com Romberg presente, arreflexia, dores lancinantes, disfunção esfincteriana e pupila que acomoda mas não reage à luz é a descrição clássica da tabes dorsalis, forma tardia da neurossífilis que acomete os cordões posteriores e as raízes dorsais. A deficiência de vitamina B12 é o distrator mais forte porque também lesa cordões posteriores e dá ataxia sensitiva, mas costuma cursar com hiperreflexia e Babinski por acometimento do trato corticospinal, além de anemia macrocítica, e não produz a alteração pupilar descrita.
Um paciente com forte suspeita clínica de neurossífilis tem liquor com 18 células/mm³ de predomínio linfocitário, proteína de 78 mg/dL e VDRL não reagente no liquor. Como interpretar esse resultado?
O VDRL no liquor é muito específico, de modo que um resultado reagente praticamente confirma a doença, mas é pouco sensível e negativa em parcela relevante dos casos comprovados. Diante de clínica compatível, epidemiologia e liquor inflamatório com pleocitose linfocitária e hiperproteinorraquia, trata-se. Tomar o exame negativo como prova de ausência de doença é o raciocínio que a questão desmonta, e resulta em pacientes com tabes ou paralisia geral deixados sem penicilina endovenosa. O Treponema pallidum não é cultivável em meios convencionais.
Após completar o tratamento de neurossífilis, qual é o parâmetro esperado de resposta terapêutica no seguimento sorológico sérico?
O seguimento se faz com o teste não treponêmico quantitativo, e a resposta adequada é a queda de duas diluições, ou seja, redução de quatro vezes no título, dentro de seis a doze meses, além da melhora ou estabilização do liquor quando reavaliado. O teste treponêmico é o distrator recorrente: ele costuma permanecer reagente por toda a vida, mesmo após cura, e usá-lo para monitorar tratamento gera a falsa impressão de falha terapêutica e retratamentos desnecessários.
Mulher de 30 anos com diagnóstico de tricomoníase. Qual conduta complementar é obrigatória no atendimento?
A tricomoníase é infecção sexualmente transmissível e sinaliza exposição de risco, o que torna obrigatória a oferta de testagem para HIV, sífilis e hepatites virais, além de aconselhamento sobre prevenção e uso de preservativo. A infecção também aumenta a suscetibilidade à aquisição do HIV por comprometer a barreira epitelial e recrutar células-alvo. Restringir a conduta ao controle microbiológico local engana quem trata o corrimento como problema isolado e perde a oportunidade de rastreio ampliado que o diagnóstico impõe.
Sobre a relação entre tricomoníase e infecção pelo HIV, qual afirmativa está correta?
A inflamação intensa provocada pelo protozoário produz microulcerações da mucosa e atrai linfócitos e macrófagos, que são justamente as células-alvo do HIV, elevando o risco de aquisição e de transmissão. Esse é um dos motivos pelos quais o rastreio e o tratamento das infecções sexualmente transmissíveis integram as estratégias de prevenção. Supor efeito protetor pela acidificação engana por inverter o achado: a tricomoníase eleva o pH vaginal, não o reduz, e é a perda da acidez que favorece o ambiente inflamatório.
Paciente tratada para sífilis com penicilina benzatina apresenta, seis horas depois, febre, calafrios, mialgia e exacerbação das lesões cutâneas. Qual a conduta?
A liberação maciça de antígenos após a lise dos treponemas provoca resposta inflamatória sistêmica transitória, mais comum nas formas recentes e nas gestantes, resolvendo-se em 24 horas com sintomáticos. Interpretar como alergia é o erro que interrompe um tratamento eficaz e leva a esquemas inferiores. A anafilaxia é imediata, com broncoespasmo, urticária e hipotensão, quadro distinto do descrito, e a dessensibilização se reserva a alergia verdadeira documentada.
Paciente assintomática apresenta teste treponêmico reagente e VDRL não reagente, sem histórico de tratamento prévio para sífilis. Qual a interpretação mais adequada?
Teste treponêmico reagente com VDRL não reagente pode ocorrer em diferentes contextos, inclusive infecção recente, sífilis não tratada de maior duração ou falso-positivo do primeiro teste. A história de tratamento é indispensável para interpretar memória sorológica. O algoritmo reverso recomenda outro teste treponêmico para esclarecer a discordância. Se confirmado e sem tratamento prévio, tratar; sem evidência de aquisição recente, considerar duração ignorada ou latente tardia. Esse perfil isolado não indica punção lombar. Referência: CDC 2021, Syphilis, algoritmo reverso.
Ao diagnosticar sífilis em uma paciente, qual conduta em relação à parceria sexual é correta?
O período de janela imunológica faz com que uma parceria recentemente exposta possa ter sorologia ainda negativa e mesmo assim estar infectada, motivo pelo qual o tratamento presuntivo é recomendado; sem isso, a paciente é reinfectada e o ciclo se repete. Aguardar sintomas ignora que a maior parte das infecções é assintomática. Sigilo profissional não impede o manejo das parcerias, que é feito com estratégias que preservam a confidencialidade, e a sífilis é de notificação compulsória.
Paciente com sífilis apresenta alterações visuais, hipoacusia e sinais neurológicos. Qual a conduta terapêutica?
O acometimento neurológico, ocular ou auditivo exige concentrações liquóricas que somente o esquema endovenoso em altas doses alcança, independentemente do estágio clínico da doença. Os esquemas com penicilina benzatina não atingem o sistema nervoso central em concentração treponemicida e são justamente os distratores que perpetuam a infecção nesse cenário. Alternativas orais não têm respaldo nessa forma e a doxiciclina, quando usada, é reservada a alérgicos fora da gestação e em formas não neurológicas.
Qual é o critério laboratorial de resposta adequada ao tratamento da sífilis?
A resposta é medida pelo teste não treponêmico, cujo título deve cair pelo menos quatro vezes, o que corresponde a duas diluições, dentro do prazo esperado conforme o estágio. O teste treponêmico não serve para seguimento porque em geral permanece reagente indefinidamente, e essa confusão é a causa mais frequente de retratamentos desnecessários. Melhora clínica isolada não substitui o controle sorológico, e elevação do título sugere falha ou reinfecção.
Mulher de 25 anos apresenta exantema maculopapular disseminado, incluindo palmas e plantas, lesões vegetantes e úmidas na região perianal, febre baixa e linfonodomegalia generalizada. Qual o diagnóstico?
Exantema que acomete palmas e plantas, condiloma plano perianal e adenomegalia generalizada compõem a apresentação clássica da fase secundária, que ocorre semanas a meses após o cancro e frequentemente é confundida com quadros dermatológicos benignos. O herpes primário produz vesículas e úlceras dolorosas localizadas, não exantema disseminado. A infecção aguda pelo vírus da imunodeficiência humana pode dar exantema, mas raramente com esse padrão palmoplantar e lesões vegetantes.
Durante rastreio de rotina de um usuário em profilaxia pré-exposição, o VDRL vem reagente 1:16 com teste treponêmico reagente. O paciente relata lesão ulcerada indolor no pênis há cerca de 3 semanas, já em resolução, e nunca tratou sífilis. Qual a conduta?
Úlcera genital indolor recente com testes reagentes caracteriza sífilis recente, cujo tratamento é uma única aplicação de penicilina benzatina, com seguimento sorológico para documentar a queda de títulos. O esquema de três doses semanais é o distrator mais comum e corresponde à sífilis tardia ou de duração ignorada, o que na dúvida é aceitável, mas aqui há data definida de início. A resolução espontânea do cancro não significa cura: a doença apenas segue para o estágio seguinte, e não tratar é o pior desfecho possível.
Homem de 25 anos apresenta corrimento uretral purulento abundante iniciado há 3 dias, com disúria. Sem disponibilidade imediata de exames laboratoriais. Qual a conduta preconizada pelo manejo sindrômico?
A abordagem sindrômica das uretrites cobre os dois agentes mais frequentes de uma vez, porque a coinfecção é comum e distinguir clinicamente gonococo de clamídia não é confiável. Tratar somente um deles é o erro que perpetua sintomas e transmissão. As quinolonas foram abandonadas como primeira linha para gonorreia pela resistência elevada, e essa desatualização é um distrator recorrente. Convocar as parcerias e ofertar testagem para HIV, sífilis e hepatites completa o atendimento.
Segundo as recomendações do CDC, qual afirmação sobre punção lombar na investigação de neurossífilis, sífilis ocular e otossífilis está correta?
O CDC recomenda exame do líquor diante de comprometimento neurológico, como déficit motor/sensitivo, meningismo, alteração cognitiva ou disfunção de nervos cranianos. Na sífilis ocular confirmada, sem disfunção de nervos cranianos ou outros achados neurológicos, o líquor não é necessário antes do tratamento. Em sintomas auditivos isolados com exame neurológico normal, a punção não é recomendada rotineiramente. Essas formas exigem tratamento apropriado mesmo sem punção. Sífilis latente, gestação ou um título isolado de VDRL não estabelecem indicação universal. Referência: CDC, Neurosyphilis, Ocular Syphilis, and Otosyphilis.
Após o tratamento de sífilis terciária com goma, qual desfecho é esperado?
O tratamento da sífilis tardia elimina os treponemas e interrompe a progressão, permitindo a cicatrização das gomas, mas não restaura estruturas já destruídas — aneurisma de aorta, perfuração de palato e degeneração de cordões posteriores permanecem. Esperar reversão completa é a expectativa equivocada que gera frustração; por outro lado, considerar o tratamento inútil nessa fase é erro que abandona o paciente à progressão da doença.
Qual é o intervalo típico entre a infecção inicial e o surgimento das manifestações terciárias da sífilis não tratada?
A sífilis terciária se manifesta anos ou décadas após a infecção inicial, em cerca de um terço dos não tratados, atravessando um longo período de latência assintomática — é essa lentidão que explica por que muitos pacientes não conseguem relacionar a lesão atual a um episódio de décadas atrás. Semanas a poucos meses correspondem às fases primária e secundária, e confundir esses tempos desorganiza todo o raciocínio de estadiamento e de escolha do esquema.
Homem de 58 anos apresenta lesão nodular ulcerada, indolor, de bordas endurecidas, em face anterior da perna, com evolução de oito meses, sem melhora com antibióticos. Biópsia mostra granuloma com necrose central e infiltrado de plasmócitos. VDRL 1:8 e teste treponêmico reagente. Qual o diagnóstico?
Lesão granulomatosa destrutiva, indolor e arrastada, com histologia mostrando granuloma com necrose central e plasmócitos abundantes em paciente com sorologia treponêmica reagente, caracteriza a goma sifilítica — a presença de plasmócitos é um achado histológico que sempre deve lembrar sífilis. O carcinoma espinocelular é o diferencial que mais preocupa em úlcera crônica de perna, e por isso a biópsia é obrigatória antes de qualquer conclusão.
Homem de 45 anos com sífilis apresenta queixa de perda visual progressiva e uveíte posterior. VDRL 1:32. Qual a conduta?
Sífilis ocular e sífilis otológica são manejadas como neurossífilis, com penicilina cristalina endovenosa por 14 dias, independentemente do estágio clínico, porque compartilham o comprometimento do sistema nervoso central. Prescrever penicilina benzatina é o erro grave, já que ela não alcança concentrações treponemicidas no líquor. O tratamento não deve aguardar a punção lombar quando o quadro clínico é característico.
Paciente inicia tratamento para sífilis secundária e, seis horas após a primeira dose, apresenta febre, calafrios, mialgia e exacerbação das lesões cutâneas. Qual a interpretação e a conduta?
A reação de Jarisch-Herxheimer decorre da liberação maciça de antígenos com a lise dos treponemas, surge nas primeiras horas, é autolimitada e se maneja com antitérmico e hidratação, sem interromper o tratamento. Interpretá-la como alergia à penicilina é o erro que rotula o paciente indevidamente e o priva do único fármaco insubstituível em gestantes e na neurossífilis. Em gestantes, a reação exige vigilância pelo risco de contrações e sofrimento fetal.
Qual é a diferença fundamental entre testes treponêmicos e não treponêmicos no diagnóstico da sífilis?
Os testes treponêmicos, como o teste rápido e o FTA-Abs, detectam anticorpos específicos e permanecem reagentes na maioria das pessoas mesmo após a cura, funcionando como memória sorológica; os não treponêmicos, como o VDRL e o RPR, são titulados e servem para acompanhar a resposta terapêutica. Esperar que ambos negativem após o tratamento é o erro que gera retratamentos desnecessários e ansiedade evitável.
Homem de 29 anos com sífilis primária relata alergia grave à penicilina, com anafilaxia documentada. Não é gestante nem tem neurossífilis. Qual a alternativa terapêutica?
Fora da gestação e da neurossífilis, a doxiciclina por 14 dias é a alternativa aceita para quem tem alergia grave à penicilina, exigindo seguimento sorológico atento pela menor experiência acumulada. A azitromicina é o distrator perigoso: existem cepas com resistência documentada, e ela não é recomendada como alternativa de rotina. Em gestantes, nenhuma alternativa substitui a penicilina, o que torna a dessensibilização obrigatória.
Paciente assintomático tem teste treponêmico reagente e VDRL 1:8. Nega tratamento prévio e não sabe informar quando pode ter se infectado; não há registro de exames anteriores. Qual a classificação e o tratamento?
Sem data provável de infecção e sem exames prévios que permitam situar o contágio no último ano, a infecção é classificada como latente de duração ignorada e recebe o esquema de três doses semanais. Tratar como latente recente com dose única é o erro que subtrata uma parcela dos pacientes. Cicatriz sorológica exigiria tratamento adequado documentado e títulos baixos e estáveis, o que não é o caso aqui.
Homem de 31 anos apresenta lesões maculopapulares eritematosas difusas em tronco, incluindo palmas e plantas, associadas a placas mucosas orais, adenomegalia generalizada e alopecia em clareira. Nega dor. Qual a fase da doença e o tratamento?
Exantema difuso com envolvimento palmoplantar, condilomas planos, placas mucosas, adenomegalia e alopecia em clareira compõem a sífilis secundária, tratada com dose única de penicilina benzatina, assim como a primária e a latente recente. A confusão mais comum é aplicar as três doses semanais, esquema que pertence à sífilis latente tardia ou de duração ignorada e à terciária sem acometimento neurológico.
Homem de 60 anos com goma sifilítica em palato apresenta perfuração palatina com regurgitação nasal de alimentos. Além do tratamento antimicrobiano, qual conduta complementa o manejo?
O tratamento antimicrobiano interrompe a destruição, mas o defeito anatômico permanece e exige reabilitação — placa obturadora ou reconstrução cirúrgica — que deve ser planejada após a estabilização das lesões. Operar antes de eliminar o treponema é o erro que resulta em falha do retalho e recidiva sobre a área reconstruída. Corticoide e radioterapia não têm papel nessa condição.
Homem de 63 anos, com sífilis não tratada há décadas, apresenta marcha atáxica com base alargada, dor lancinante em membros inferiores, arreflexia patelar, perda da sensibilidade vibratória e proprioceptiva e pupilas que reagem à acomodação, mas não à luz. Qual o diagnóstico?
A tabes dorsalis compromete os cordões posteriores da medula e as raízes dorsais, produzindo ataxia sensitiva com marcha talonante, dores lancinantes, arreflexia e perda proprioceptiva, acompanhada da clássica pupila de Argyll Robertson, que acomoda mas não reage à luz. A deficiência de vitamina B12 é o diferencial mais próximo, por também lesar cordões posteriores, mas não produz a alteração pupilar característica nem as dores lancinantes.
Homem de 24 anos com corrimento uretral purulento abundante e disúria há três dias, após relação desprotegida. Qual o tratamento empírico adequado?
Uretrite com corrimento purulento abundante sugere gonococo, mas a coinfecção por clamídia é frequente e muitas vezes assintomática, o que sustenta o tratamento combinado com ceftriaxona e azitromicina no manejo sindrômico. Tratar apenas com azitromicina é o erro que deixa o gonococo descoberto num cenário de resistência crescente. Penicilina benzatina trata sífilis, e o metronidazol cobre tricomoníase, agente de uretrite bem menos comum nesse quadro.
Qual é o tratamento da sífilis terciária com goma, sem evidência de acometimento neurológico?
A sífilis terciária sem comprometimento do sistema nervoso é tratada com três doses semanais de penicilina benzatina, mesmo esquema da latente tardia. A dose única pertence às fases recentes e usá-la aqui é o erro mais comum de subtratamento. A penicilina cristalina endovenosa fica reservada à neurossífilis, incluindo as formas ocular e otológica, e sua indicação depende da avaliação neurológica e, quando cabível, do líquor.
Qual é o critério de resposta adequada ao tratamento da sífilis no seguimento com testes não treponêmicos?
O controle de cura se faz com o teste não treponêmico quantitativo, e a resposta esperada é a queda de pelo menos duas diluições no prazo definido para cada fase — a elevação de duas diluições, ao contrário, sugere reinfecção ou falha e obriga a retratamento. Esperar a negativação do teste treponêmico é o erro conceitual mais frequente: ele permanece reagente pela vida toda na maioria das pessoas tratadas.
Paciente de 55 anos apresenta alteração progressiva de comportamento, perda de memória, delírios de grandeza e tremor de língua e lábios. VDRL sérico reagente 1:16. Qual a hipótese e o exame decisivo?
A paralisia geral progressiva é a neurossífilis parenquimatosa que compromete o córtex, produzindo demência com alterações de personalidade, delírios e tremores, e a investigação exige punção lombar com VDRL no líquor, celularidade e proteinorraquia. Rotular como transtorno psiquiátrico primário é o erro histórico dessa doença — trata-se de uma demência potencialmente tratável, e a sorologia deveria fazer parte da investigação de qualquer quadro demencial atípico.
Qual conduta é obrigatória ao diagnosticar sífilis em qualquer fase?
A sífilis adquirida, a sífilis em gestante e a sífilis congênita são todas de notificação compulsória, e o diagnóstico abre a porta para testagem das demais infecções sexualmente transmissíveis e para o tratamento das parcerias, sem o qual a reinfecção é frequente. Restringir a notificação aos casos congênitos é o erro que compromete a vigilância justamente da cadeia que produz esses casos.
Qual a característica das lesões gomosas da sífilis terciária quanto à transmissibilidade?
As gomas resultam de reação de hipersensibilidade tardia a poucos treponemas, e por isso a sífilis terciária não é uma fase transmissível — a contagiosidade se concentra nas fases primária e secundária, quando as lesões são ricas em espiroquetas. A transmissão vertical, por sua vez, é mais provável nas fases recentes, embora possa ocorrer também em gestantes com infecção tardia, o que sustenta o rastreamento em todas as gestantes.
Paciente com diagnóstico de gonorreia é tratado adequadamente. Qual conduta complementar é obrigatória?
O diagnóstico de uma infecção sexualmente transmissível é a janela para rastrear as demais e para interromper a cadeia de transmissão pelo tratamento das parcerias — sem isso, a reinfecção é a regra. Limitar-se ao tratamento do caso índice é o erro mais comum na prática ambulatorial. A abordagem inclui ainda a oferta de preservativo, vacinação contra hepatite B e papilomavírus quando indicada, e discussão sobre profilaxia pré-exposição ao HIV.
Qual manifestação cardiovascular é característica da sífilis terciária?
O treponema produz endarterite obliterante dos vasa vasorum, que nutrem a parede aórtica, resultando em necrose da média, dilatação da aorta ascendente, aneurisma e insuficiência valvar aórtica, além do possível estreitamento dos óstios coronarianos. A estenose mitral pertence à cardiopatia reumática e é o distrator que troca uma doença infecciosa tardia por outra — a topografia aórtica ascendente é o dado que decide.
Homem de 41 anos com uveíte posterior apresenta sorologia positiva para sífilis (VDRL reagente 1:64 e teste treponêmico positivo). Sobre a conduta, é correto afirmar:
Acometimento ocular por sífilis é considerado equivalente a neurossífilis e exige penicilina cristalina endovenosa em esquema de 10 a 14 dias, e não penicilina benzatina, que não atinge níveis adequados no sistema nervoso central e no olho — esse é o erro mais frequente e mais grave nessa situação. A investigação inclui HIV, pela alta taxa de coinfecção e pela apresentação mais agressiva nesses pacientes, e avaliação de punção lombar. O corticoide pode ser adjuvante para a inflamação, mas somente sob cobertura antimicrobiana, e adiar o tratamento significa risco de perda visual irreversível.
Adolescente de 16 anos com diagnóstico de sífilis primária. Além do tratamento com penicilina benzatina, qual conduta é obrigatória?
A sífilis é de notificação compulsória, e o diagnóstico de uma infecção sexualmente transmissível obriga a rastrear as demais, que compartilham a via de transmissão, além de tratar as parcerias para interromper a cadeia e evitar a reinfecção. Limitar a conduta ao controle sorológico do próprio paciente engana quem foca apenas no seguimento da cura individual, mas deixa a rede de transmissão intacta e a reinfecção praticamente garantida.
Adolescente de 15 anos apresenta úlcera genital única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo, com adenopatia inguinal indolor. Qual é o diagnóstico mais provável?
Úlcera única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo, com adenopatia também indolor, é o cancro duro da sífilis primária, confirmado por testes treponêmicos e não treponêmicos e tratado com penicilina benzatina. O cancro mole engana por ser o principal diferencial de úlcera genital, mas suas lesões são múltiplas, DOLOROSAS, de bordas irregulares e fundo sujo, com adenopatia dolorosa que pode fistulizar. O herpes cursa com vesículas agrupadas e ardor.
Mulher de 24 anos comparece à Unidade Básica de Saúde após teste rápido reagente para sífilis, confirmado por VDRL 1:32. Está assintomática, não gestante, refere lesão genital ulcerada indolor há cerca de 4 meses que desapareceu sozinha. Nega alergia a penicilina. O parceiro atual está assintomático. Qual é a conduta correta?
Lesão que regrediu há mais de 3 meses sem tratamento caracteriza sífilis latente tardia ou de duração ignorada, tratada com três doses semanais de penicilina benzatina, acompanhada de tratamento do parceiro e seguimento sorológico trimestral. A dose única é o esquema da sífilis recente, com menos de 1 ano de evolução, o que não se aplica ao caso. A doxiciclina é alternativa apenas na alergia comprovada à penicilina, e a paciente nega alergia. Postergar o tratamento aguardando nova sorologia mantém a transmissão e permite a progressão para formas tardias.
Homem de 26 anos comparece à UBS com úlcera genital única, indolor, de fundo limpo e bordas endurecidas, surgida há 12 dias, associada a linfonodomegalia inguinal indolor. Teste rápido para sífilis reagente; teste rápido para HIV não reagente. Nega alergias e nunca tratou sífilis. Qual é a conduta terapêutica adequada neste momento?
Lesão típica de cancro duro com teste reagente caracteriza sífilis recente, tratada com dose única de penicilina benzatina, além de convocação e tratamento das parcerias e notificação. O esquema de três doses é para sífilis tardia ou de duração ignorada. Azitromicina não é tratamento de escolha por risco de resistência e falha, sobretudo se houver gestação envolvida na cadeia de transmissão. Aguardar exame quantitativo atrasa o tratamento de doença com diagnóstico já apoiado por clínica e teste reagente.
Adolescente de 14 anos é atendido na Unidade Básica de Saúde com corrimento uretral purulento abundante e disúria há 4 dias, após relação sexual desprotegida. Não há lesões genitais ulceradas. Considerando a abordagem sindrômica preconizada pelo Ministério da Saúde, qual é a conduta correta?
O manejo sindrômico do corrimento uretral cobre concomitantemente Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, oferece testagem para outras infecções sexualmente transmissíveis e prevê a comunicação e o tratamento dos parceiros, encerrando a transmissão no mesmo atendimento. Tratar somente o gonococo deixa a coinfecção por clamídia sem cobertura, o que é frequente. Aguardar cultura mantém o adolescente transmitindo e sintomático. Anti-inflamatório isolado não trata infecção bacteriana e favorece complicações como epididimite.
Homem de 28 anos tratou sífilis recente com penicilina benzatina há seis meses, com VDRL inicial 1:32. Retorna à Unidade Básica de Saúde assintomático, com parceria fixa também tratada, sem nova exposição. VDRL atual 1:8. Não tem HIV e nega uso de drogas injetáveis. Está preocupado porque o exame ainda está positivo. Qual é a interpretação e a conduta?
Queda de pelo menos duas diluições do teste não treponêmico em relação ao título inicial caracteriza resposta adequada, e a conduta é manter o acompanhamento sorológico até a negativação ou estabilização em títulos baixos. Falha terapêutica exigiria manutenção ou elevação dos títulos. Reinfecção pressupõe aumento de títulos com nova exposição, ausente no relato. Punção lombar se indica diante de sinais neurológicos ou oftalmológicos, ou de falha sorológica, o que não ocorre aqui.
Mulher de 34 anos, com diagnóstico confirmado de sífilis latente recente e história documentada de anafilaxia após uso de penicilina, é acompanhada na Unidade Básica de Saúde. Não está grávida e não apresenta sinais neurológicos ou oculares. Qual é a conduta adequada?
Em pessoa não gestante com alergia grave documentada à penicilina, a doxiciclina por 15 dias é a alternativa recomendada para sífilis recente, com seguimento sorológico trimestral. Manter penicilina diante de anafilaxia documentada expõe a risco de morte. A dessensibilização é obrigatória em gestantes e em neurossífilis, pois não há alternativa segura para o feto ou eficácia comprovada no sistema nervoso central, mas não é exigida em não gestante com opção oral disponível. A azitromicina tem resistência documentada em Treponema pallidum e não é considerada equivalente.
Mulher de 26 anos, sexualmente ativa, procura a Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina e refere não usar preservativo com o parceiro atual. Está assintomática. Nunca realizou testagem para infecções sexualmente transmissíveis. Qual é a conduta correta na atenção primária?
A testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites B e C, com aconselhamento e atualização vacinal, é oferta padronizada na atenção primária e permite diagnóstico precoce em pessoa com exposição de risco, mesmo assintomática. A cultura de secreção vaginal não rastreia infecções sistêmicas nem substitui os testes sorológicos. Esperar sintomas mantém infecções assintomáticas transmissíveis e permite progressão silenciosa. Restringir à testagem de HIV desperdiça a oportunidade de diagnosticar sífilis e hepatites, todas com testes rápidos disponíveis na rede.
Homem de 23 anos procura a Unidade Básica de Saúde com corrimento uretral purulento abundante e disúria há três dias, após relação sexual desprotegida. Nega febre, dor testicular ou lesões genitais. Ao exame: secreção purulenta pelo meato uretral, sem edema escrotal. O serviço não dispõe de laboratório para cultura no momento. Qual é a conduta correta?
O manejo sindrômico do corrimento uretral prevê tratamento na mesma consulta com cobertura simultânea para gonococo e clamídia, oferta de testagem para outras infecções sexualmente transmissíveis e convocação das parcerias, interrompendo a cadeia de transmissão. Cobrir apenas clamídia deixa sem tratamento o agente mais provável do corrimento purulento. Aguardar cultura em serviço sem laboratório posterga indefinidamente o tratamento. Analgesia isolada não trata a infecção nem previne complicações.
Homem de 29 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com teste rápido reagente para sífilis e VDRL 1:32, tendo apresentado há um mês lesão ulcerada peniana indolor que cicatrizou sozinha. Recebeu penicilina benzatina hoje. Refere parceria fixa há dois anos, que está assintomática, não realizou testagem e não compareceu à unidade. Ele pergunta o que fazer em relação à parceria. Ao exame de hoje: sem lesões cutâneas, sem adenomegalias, restante sem alterações. A conduta correta quanto à parceria sexual é:
O manejo da sífilis inclui obrigatoriamente a atenção às parcerias sexuais: convocar para testagem e tratar, sendo o tratamento presuntivo indicado quando houve exposição recente, mesmo com testes não reagentes, pela possibilidade de janela imunológica. Esperar a procura espontânea perpetua a cadeia de transmissão e o risco de reinfecção. Delegar a aplicação de penicilina benzatina ao paciente é inaceitável, pois exige avaliação clínica, ambiente com condições de manejo de anafilaxia e registro. Comunicar o diagnóstico diretamente à parceria sem concordância viola o sigilo profissional, devendo-se trabalhar a convocação com o próprio paciente.
Homem de 29 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com quadro de disúria e corrimento uretral purulento abundante iniciado há três dias, após relação sexual desprotegida. Nega febre, dor testicular ou lesões genitais. Ao exame: secreção uretral purulenta à expressão, meato uretral hiperemiado, testículos sem alterações, sem adenomegalias inguinais, sem úlceras. A unidade não dispõe de laboratório para identificação etiológica imediata, e o protocolo local orienta abordagem sindrômica. A conduta correta é:
Na abordagem sindrômica do corrimento uretral, trata-se empiricamente gonococo e clamídia de forma simultânea, pela alta frequência de coinfecção e pela impossibilidade de distinguir clinicamente com segurança, associando testagem para outras infecções sexualmente transmissíveis, convocação das parcerias e orientação preventiva. Tratar somente o gonococo deixa a clamídia sem cobertura e favorece complicações e transmissão. Esperar cultura mantém o paciente sintomático e transmitindo, contrariando a lógica da abordagem sindrômica. Candidíase não é causa habitual de uretrite masculina com secreção purulenta abundante.
Homem de 30 anos procura a Unidade Básica de Saúde por manchas avermelhadas disseminadas há três semanas, sem prurido, acompanhadas de febre baixa, mal-estar e queda de cabelo em áreas irregulares. Relata que há dois meses teve uma ferida no pênis que cicatrizou sozinha. Ao exame apresenta máculas eritematoacastanhadas no tronco, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés, com discreta descamação, adenomegalia generalizada indolor e placas esbranquiçadas na mucosa oral. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Exantema não pruriginoso com acometimento palmoplantar, adenomegalia generalizada, alopecia em clareira e lesões mucosas, após úlcera genital que cicatrizou espontaneamente, é sífilis secundária, tratada com penicilina benzatina e com investigação e tratamento das parcerias. A pitiríase rósea inicia por placa mãe, segue as linhas de clivagem do tronco e poupa palmas e plantas. A farmacodermia exantemática exige exposição recente a fármaco e costuma ser pruriginosa, sem lesões mucosas e sem alopecia. A psoríase gutata cursa com pápulas eritematodescamativas após faringite estreptocócica, sem acometimento palmoplantar típico nem adenomegalia generalizada.
Homem de 24 anos procura a Unidade Básica de Saúde por lesão no pênis notada há 10 dias. Refere relação sexual desprotegida há cerca de três semanas. Nega dor local, febre ou corrimento uretral. Ao exame apresenta úlcera única de cerca de 1 cm na glande, com bordas bem delimitadas e elevadas, fundo limpo, base endurecida à palpação e ausência de secreção purulenta, associada a linfonodos inguinais aumentados, móveis, endurecidos e indolores bilateralmente. O restante do exame é normal. A conduta terapêutica correta é:
Úlcera genital única, indolor, de base endurecida e fundo limpo, com adenomegalia inguinal indolor, é o cancro duro da sífilis primária, tratado com penicilina benzatina intramuscular, com testagem para outras infecções e manejo das parcerias sexuais. Aciclovir trata herpes genital, cujas lesões são vesículas e erosões dolorosas e recorrentes. Azitromicina para cancro mole se aplicaria a úlceras múltiplas, dolorosas, de fundo sujo e com adenomegalia supurativa. Apenas curativo local deixa a infecção evoluir para as fases secundária e terciária e mantém a transmissão.
Homem de 71 anos, viúvo, procura a Unidade Básica de Saúde por lesão genital indolor percebida há duas semanas. Relata novo relacionamento e informa que não usa preservativo, por acreditar que, sem risco de gravidez, não haveria necessidade. Ao exame, úlcera única, de bordas endurecidas, fundo limpo e indolor, no sulco balanoprepucial, com adenomegalia inguinal bilateral não dolorosa. Sem febre e sem outras lesões cutâneas visíveis no momento. A conduta correta é:
Úlcera genital única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo, com adenomegalia inguinal indolor, é cancro duro da sífilis primária, que deve ser tratado prontamente, com testagem para outras infecções, incluindo HIV e hepatites, e abordagem de prevenção combinada. Considerar essas infecções raras em idosos é equívoco: a incidência vem aumentando nessa faixa etária, entre outros fatores pela baixa percepção de risco quando não há preocupação com gravidez. Antifúngico não trata sífilis. Biópsia antes do tratamento retarda uma terapia simples e eficaz em quadro clinicamente típico.
Homem de 24 anos procura a Unidade Básica de Saúde com corrimento uretral purulento abundante e disúria iniciados há três dias, após relação sexual desprotegida com parceria eventual. Nega febre, dor testicular e lesões genitais. Ao exame: secreção uretral purudenta à expressão, meato hiperemiado, sem úlceras genitais, sem adenomegalias inguinais dolorosas e testículos normais. O serviço não dispõe de exames laboratoriais para identificação do agente no mesmo dia. Qual é a conduta correta segundo a abordagem sindrômica?
A abordagem sindrômica do corrimento uretral prevê tratamento empírico simultâneo para gonococo e clamídia no mesmo atendimento, oferta de testagem para HIV, sífilis e hepatites, aconselhamento, uso de preservativo e convocação das parcerias, evitando perda de seguimento e interrompendo a cadeia de transmissão. Aguardar cultura mantém o paciente transmitindo e frequentemente resulta em abandono. Tratar apenas o gonococo deixa a coinfecção por clamídia sem cobertura, muito frequente nesse cenário. Anti-inflamatório isolado não erradica a infecção nem previne complicações.
Homem de 40 anos procura a Unidade Básica de Saúde com queixa de alterações visuais e dificuldade de memória há alguns meses, além de alterações no equilíbrio. Refere ter tido uma ferida genital indolor há cerca de cinco anos, que desapareceu sem tratamento, e não realiza exames de rotina. Ao exame: pupilas que não reagem à luz, mas mantêm a acomodação, marcha instável de base alargada, com Romberg positivo e arreflexia patelar bilateral. O teste treponêmico é reagente e o não treponêmico apresenta título baixo. Qual é a conduta correta?
Manifestações neurológicas tardias com pupila que não reage à luz mas acomoda, ataxia sensitiva e arreflexia, em paciente com teste treponêmico reagente e antecedente de cancro não tratado, indicam neurossífilis, que exige exame do líquor e tratamento com penicilina cristalina endovenosa em esquema específico. Penicilina benzatina não atinge concentração liquórica adequada e não trata neurossífilis. Considerar cicatriz sorológica ignora um quadro neurológico compatível e progressivo. Corticoide isolado não trata a infecção treponêmica.
Mulher de 27 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com resultado de teste rápido treponêmico reagente, realizado em campanha de testagem. Está assintomática, nega lesões genitais atuais ou pregressas e nunca foi tratada para sífilis. Ao exame: sem lesões cutâneas, mucosas ou genitais, sem adenomegalias. O teste não treponêmico realizado em seguida é reagente com título de 1:16. Ela não está gestante e sua parceria sexual atual não realizou exames até o momento. Qual é a conduta correta?
Testes treponêmico e não treponêmico reagentes em pessoa nunca tratada, sem sinais clínicos e sem data definida de infecção, configuram sífilis latente de duração ignorada, tratada com penicilina benzatina em três doses semanais, com seguimento sorológico e convocação das parcerias sexuais. Deixar de tratar por ausência de sintomas permite evolução para formas tardias. Repetir os testes em seis meses adia o tratamento de uma infecção já documentada. Tratar somente a parceria mantém a paciente infectada e a cadeia de transmissão ativa.
Homem de 23 anos retorna à Unidade Básica de Saúde uma semana após tratamento para uretrite, mantendo corrimento uretral e disúria. Ele afirma ter tomado toda a medicação prescrita e nega novas relações sexuais no período; sua parceria, no entanto, não foi tratada e mantiveram relação sem preservativo após o término do tratamento dele. Ao exame: secreção uretral mucopurulenta à expressão, sem úlceras genitais e sem adenomegalias. Qual é a explicação mais provável e a conduta correta?
A causa mais frequente de persistência ou recorrência de uretrite após tratamento adequado é a reinfecção pela parceria não tratada, o que reforça a importância do manejo das parcerias sexuais e do uso de preservativo até a conclusão do tratamento de ambos. Assumir resistência sem considerar a reinfecção é precipitado, embora ela deva ser investigada em casos com parcerias tratadas. Considerar o quadro evolução natural deixa a infecção ativa e transmissível. Infecção fúngica não é causa habitual de uretrite masculina com secreção mucopurulenta.
Homem de 26 anos é atendido na Unidade Básica de Saúde com corrimento uretral purulento e disúria há quatro dias, após relação sexual desprotegida. Ele já foi tratado por quadro semelhante há seis meses, com resolução. Nega alergias medicamentosas. Ao exame: secreção uretral purulenta abundante, sem úlceras e sem adenomegalias dolorosas. A equipe pergunta por que o esquema atual para gonorreia combina medicamentos e não utiliza mais os antimicrobianos usados no passado. Qual é a explicação correta?
O gonococo desenvolveu resistência progressiva a várias classes de antimicrobianos, o que levou à atualização dos esquemas terapêuticos, hoje baseados em terapia combinada conforme protocolo do Ministério da Saúde, com vigilância da resistência e tratamento simultâneo da coinfecção por clamídia. A escolha não é motivada por custo. Afirmar ausência de resistência contraria décadas de vigilância microbiológica. A terapia combinada não trata sífilis nem HIV, que exigem abordagens próprias.
Mulher de 28 anos foi tratada para sífilis recente com penicilina benzatina há seis meses, com teste não treponêmico inicial de 1:64. Comparece agora para seguimento, assintomática, sem lesões cutâneas ou mucosas, negando nova exposição sexual de risco, com parceria única também tratada. Ao exame: sem lesões, sem adenomegalias e sem alterações neurológicas. O teste não treponêmico atual é de 1:8, e o teste treponêmico permanece reagente. Qual é a interpretação correta desse resultado?
A resposta ao tratamento da sífilis é avaliada pela queda do título do teste não treponêmico, considerando-se adequada a redução de pelo menos duas diluições em determinado intervalo, como ocorreu de 1:64 para 1:8, mantendo-se o seguimento sorológico. Falha terapêutica se caracteriza por ausência de queda ou por elevação dos títulos com sinais clínicos. A persistência do teste treponêmico reagente é esperada por toda a vida e não indica reinfecção. Punção lombar se reserva a suspeita de neurossífilis, ausente nesse caso.
Homem de 27 anos recebe a primeira dose de penicilina benzatina para sífilis secundária, com exantema palmoplantar e condilomas planos. Cerca de quatro horas após a aplicação, retorna à unidade com febre de 38,8 °C, calafrios, cefaleia, mialgia e piora transitória do exantema. Ao exame: febril, taquicárdico com 108 bpm, pressão arterial 118x72 mmHg, sem dispneia, sem urticária, sem angioedema, sem estridor e sem hipotensão. Ele está assustado, achando que é alergia à penicilina. Qual é a interpretação correta?
A reação de Jarisch-Herxheimer decorre da liberação maciça de antígenos após a lise dos treponemas, ocorrendo poucas horas após a primeira dose, com febre, calafrios, mialgia e exacerbação das lesões, sendo autolimitada e tratada com sintomáticos, sem contraindicar a continuidade do tratamento. A anafilaxia cursa com urticária, angioedema, broncoespasmo e hipotensão em minutos. Falha terapêutica não se manifesta em horas. A reação descrita não caracteriza neurossífilis, que exigiria manifestações neurológicas específicas.
Homem de 41 anos vivendo com HIV, com carga viral indetectável e boa adesão ao tratamento, é diagnosticado com sífilis latente tardia, com teste treponêmico reagente e teste não treponêmico de 1:32, sem sintomas neurológicos, oftalmológicos ou auditivos. Ao exame: sem lesões cutâneas ou mucosas, sem alterações neurológicas, com acuidade visual preservada e sem alterações à fundoscopia. Ele pergunta se o tratamento é diferente por ele viver com HIV. Qual é a conduta correta?
O tratamento da sífilis em pessoas vivendo com HIV segue o mesmo esquema recomendado conforme o estágio da doença, com seguimento sorológico mais atento pela maior possibilidade de falha e de manifestações atípicas, reservando-se a punção lombar para sinais neurológicos, oftalmológicos, auditivos ou falha terapêutica. Dose única é esquema da sífilis recente, insuficiente para a forma latente tardia. Puncionar todos os pacientes sem indicação clínica é conduta invasiva desnecessária. Deixar de tratar a sífilis é erro grave.
Homem de 45 anos é atendido na Unidade Básica de Saúde e, durante a consulta, relata múltiplas parcerias sexuais e uso inconsistente de preservativo, sem sintomas atuais. Nunca realizou testagem para infecções sexualmente transmissíveis. Ao exame: sem lesões genitais, sem corrimento, sem adenomegalias e sem lesões cutâneas. A unidade dispõe de testes rápidos para HIV, sífilis, hepatite B e hepatite C. Ele pergunta se precisa mesmo fazer exames, já que se sente bem. Qual é a conduta correta?
A testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C deve ser oferecida de forma ampliada, especialmente diante de exposição sexual de risco, pois essas infecções são frequentemente assintomáticas por longos períodos, e o diagnóstico precoce permite tratamento, prevenção de complicações e interrupção da transmissão, acompanhado de aconselhamento e prevenção combinada. Testar apenas para HIV perde diagnósticos relevantes e tratáveis. Considerar a ausência de sintomas como exclusão é erro conceitual. Condicionar a testagem a sintomas contraria a lógica do diagnóstico precoce.
Uma equipe de saúde da família identifica que muitos usuários com diagnóstico de sífilis não retornam para as doses subsequentes de penicilina benzatina nem para o seguimento sorológico, e que várias parcerias não são tratadas. O município apresenta aumento de casos de sífilis adquirida e de sífilis congênita. A equipe discute estratégias para melhorar o desempenho do serviço e interromper a cadeia de transmissão no território. Qual é a estratégia mais eficaz?
A interrupção da cadeia de transmissão da sífilis depende de diagnóstico oportuno, tratamento imediato com penicilina benzatina na própria unidade básica, tratamento das parcerias sexuais, busca ativa de faltosos e seguimento sorológico, sendo a aplicação na atenção primária segura e recomendada. Encaminhar todos os casos cria barreiras e perde oportunidades de tratamento. Substituir a penicilina em gestantes é inadequado, pois é o único tratamento que trata adequadamente o feto. Reduzir a testagem apenas oculta o problema.
Uma equipe de saúde discute a organização do cuidado a pessoas com infecções sexualmente transmissíveis em unidade com grande demanda e dificuldade de acesso a exames laboratoriais em tempo oportuno. Muitos usuários não retornam para buscar resultados e são perdidos para o seguimento, mantendo a transmissão. A equipe avalia adotar de forma sistemática a abordagem sindrômica, com fluxogramas, para o manejo dessas condições no primeiro atendimento. Qual é a principal vantagem dessa estratégia?
A abordagem sindrômica permite tratar no primeiro atendimento, com base em fluxogramas por síndrome clínica, reduzindo a perda de seguimento e interrompendo a transmissão em contextos com limitação de acesso laboratorial oportuno, sem dispensar a oferta de testagem, o aconselhamento, a notificação e o manejo das parcerias sexuais. Afirmar que elimina testagem e notificação é incorreto. Ela não substitui o aconselhamento nem o cuidado das parcerias. Também não garante diagnóstico etiológico, que depende de exames específicos.
Homem de 27 anos procura a Unidade Básica de Saúde com corrimento uretral purulento abundante e ardor ao urinar, iniciados há 3 dias, após relação sexual desprotegida. Ao exame apresenta bom estado geral, temperatura axilar 36,8 °C, secreção purulenta pelo meato uretral à expressão, sem lesões ulceradas genitais, sem adenomegalia inguinal dolorosa e sem edema escrotal. A unidade não dispõe de exames laboratoriais imediatos para identificação do agente etiológico. A conduta correta é:
O manejo sindrômico do corrimento uretral prevê tratamento no mesmo atendimento cobrindo gonococo e clamídia, dada a frequente coinfecção e a dificuldade de diagnóstico etiológico imediato, associado à oferta de testagem para sífilis, HIV e hepatites e ao manejo das parcerias sexuais. Aguardar cultura retarda o tratamento e mantém a transmissão. Tratar apenas gonorreia deixa a clamídia sem cobertura, com risco de complicações. Analgésico isolado não trata a infecção nem interrompe a cadeia de transmissão.
Adolescente de 17 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com corrimento uretral purulento e disúria há três dias, após relação sexual desprotegida. Está acompanhado de um amigo e pede que os pais não sejam informados. Ao exame: secreção uretral purulenta à expressão, meato hiperemiado, sem úlceras genitais, sem adenomegalias inguinais dolorosas e com testículos de volume e consistência normais. Não há sinais sistêmicos e ele nega alergias medicamentosas. Qual é a conduta correta?
A abordagem sindrômica do corrimento uretral prevê tratamento empírico simultâneo para gonococo e clamídia no primeiro atendimento, com oferta de testagem para HIV, sífilis e hepatites, aconselhamento, uso de preservativo e manejo das parcerias, respeitando o sigilo do adolescente. Aguardar exames aumenta a perda de seguimento e mantém a transmissão. Tratar apenas o gonococo deixa a coinfecção sem cobertura. Recusar o atendimento sem responsável é barreira ilegal ao cuidado.
Adolescente de 16 anos procura a Unidade Básica de Saúde com lesão genital ulcerada há uma semana, indolor, única, com bordas endurecidas e fundo limpo, associada a adenomegalia inguinal bilateral indolor e sem sinais flogísticos. Refere relações sexuais desprotegidas nos últimos meses. Ao exame: úlcera de cerca de 1,5 cm em sulco balanoprepucial, com base endurecida, sem secreção purulenta, e linfonodos inguinais móveis e indolores. O teste rápido para sífilis é reagente. Qual é a conduta correta?
Úlcera genital única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo, com adenomegalia indolor e teste treponêmico reagente, caracteriza sífilis primária, tratada com penicilina benzatina, com notificação, testagem para HIV e hepatites, aconselhamento e convocação das parcerias. Antibiótico tópico não trata a infecção sistêmica. O herpes genital cursa com vesículas dolorosas agrupadas. Aguardar o teste não treponêmico retarda o tratamento em quadro clínico e sorológico já compatível.
Mulher de 22 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde por lesão vulvar percebida há oito dias. Ao exame, há úlcera única de 1,5 cm, bordas regulares e endurecidas, fundo limpo, indolor, associada a linfonodomegalia inguinal bilateral discreta e não dolorosa. Refere relação sexual desprotegida cerca de 25 dias antes. O teste rápido treponêmico realizado na unidade é reagente e não há registro de tratamento prévio para sífilis. Está assintomática no restante do exame. Qual é a conduta correta neste atendimento?
Úlcera genital única, indolor e de bordas endurecidas com teste treponêmico reagente em pessoa sem tratamento prévio configura sífilis primária, e a conduta na atenção primária é tratamento imediato com dose única de penicilina benzatina, além da notificação compulsória e do manejo das parcerias. Aguardar o teste não treponêmico atrasa o tratamento de uma infecção transmissível e é desnecessário quando o quadro clínico é típico. A azitromicina não é esquema recomendado para sífilis no Brasil, por resistência documentada. O encaminhamento para especialista retarda o cuidado que é plenamente resolutivo na própria unidade básica.
Mulher de 32 anos, não gestante, foi tratada há seis meses por sífilis latente recente com penicilina benzatina, conforme o protocolo. O teste não treponêmico era de 1:32 no diagnóstico e agora está em 1:4, com paciente assintomática, sem lesões cutâneas ou mucosas e sem nova exposição sexual relatada. Ela pergunta se está curada, pois o exame ainda aparece reagente, e teme precisar repetir todo o tratamento novamente. Qual é a orientação correta?
A resposta adequada ao tratamento da sífilis é definida pela queda de pelo menos quatro vezes na titulação do teste não treponêmico, como ocorreu nesta paciente, mantendo-se o seguimento sorológico nos intervalos previstos. Retratar por persistência de baixa titulação ignora o critério de resposta e pode levar a tratamento desnecessário. O teste treponêmico costuma permanecer reagente por toda a vida e não serve para controle de cura. Encerrar o seguimento precocemente impede detectar reinfecção ou falha.
Uma mulher de 31 anos, assintomática, realizou teste rápido treponêmico reagente em consulta de rotina e o teste não treponêmico apresentou titulação de 1:8. Ela nunca tratou sífilis, não tem lesões genitais ou cutâneas, nega alergia a penicilina e não está grávida. O parceiro atual não realizou exames e não apresenta sintomas. Ela relata relação sexual sem preservativo com parceria anterior há cerca de dois anos e não se recorda de lesão genital, exantema ou queda de cabelo nesse período. Qual é a conduta correta?
Testes treponêmico e não treponêmico reagentes, sem tratamento prévio e sem definição do tempo de infecção, configuram sífilis latente de duração indeterminada, indicando tratamento com penicilina benzatina em três doses semanais, notificação compulsória, convocação e tratamento da parceria e seguimento com titulações. Postergar o tratamento mantém a transmissão e o risco de evolução terciária. Não existe limiar de titulação para indicar tratamento em quem nunca tratou. Tratar apenas a parceria deixa a paciente infectada sem cuidado.
Homem de 49 anos é atendido em ambulatório por declínio cognitivo há um ano, com alterações de personalidade, irritabilidade e episódios de desinibição, além de instabilidade de marcha. Ao exame: pupilas pequenas que não reagem à luz, mas contraem à acomodação, reflexos aquileus abolidos e Romberg positivo. O teste treponêmico é reagente e o VDRL sérico é positivo na diluição 1:64. Ele nega tratamento prévio para sífilis. Não é portador de HIV e não usa medicações psicotrópicas. Qual é a conduta adequada?
Declínio cognitivo com alterações de personalidade, pupilas de Argyll Robertson e sinais de acometimento de cordões posteriores em paciente com sorologia treponêmica reagente indicam neurossífilis: investiga-se o líquido cefalorraquidiano e trata-se com penicilina cristalina endovenosa em altas doses por 10 a 14 dias. A penicilina benzatina não alcança concentrações treponemicidas no sistema nervoso central e não trata neurossífilis. Iniciar inibidor da colinesterase deixa sem tratamento uma demência de causa reversível. Apenas repetir a sorologia adia o tratamento de uma infecção ativa com lesão neurológica em curso.
Mulher de 26 anos, não gestante, é atendida na Unidade Básica de Saúde com teste rápido reagente para sífilis, confirmado por teste treponêmico laboratorial, com VDRL na titulação de 1:32. Está assintomática no momento e refere lesão genital indolor que desapareceu há dois meses. A médica prescreve o tratamento adequado, orienta o uso de preservativo e convoca a parceria sexual para avaliação e tratamento. A auxiliar pergunta se, por não se tratar de gestante, o caso precisa ser comunicado à vigilância epidemiológica. Qual é a orientação correta?
A sífilis adquirida integra a lista nacional de notificação compulsória desde 2010, ao lado da sífilis em gestante e da sífilis congênita, e o registro é essencial para a vigilância e o planejamento das ações de prevenção. Restringir a obrigatoriedade a gestantes e recém-nascidos é justamente o equívoco que produz subnotificação. A notificação independe da resposta ao tratamento, sendo feita no momento do diagnóstico. O tratamento da parceria é medida assistencial importante, mas não substitui nem dispensa o registro do caso.
Mulher, 35 anos, procura a unidade após ser informada de que o parceiro recebeu diagnóstico de sífilis recente. Está assintomática, sem lesões genitais, exantema ou adenopatia. Nega gestação atual, com beta-hCG negativo, e nega alergia a penicilina. VDRL não reagente e teste treponêmico rápido não reagente, colhidos hoje. O contato sexual desprotegido mais recente ocorreu há 10 dias. Qual a conduta correta?
Parceria sexual de caso de sífilis recente deve ser tratada presuntivamente com penicilina benzatina mesmo com sorologia não reagente, pois o contato há 10 dias está dentro do período de janela imunológica, repetindo-se a sorologia depois para documentar ou afastar a infecção. Apenas repetir a sorologia em 3 meses deixa uma provável infecção sem tratamento e mantém a cadeia de transmissão. Condicionar a doxiciclina à sorologia futura desperdiça a oportunidade do tratamento presuntivo, e a penicilina é a droga de escolha em paciente sem alergia. Aguardar o surgimento de lesões despreza que a infecção pode evoluir sem cancro percebido. O campo escuro exige lesão ativa, ausente na paciente, e sua negatividade não afastaria a infecção.
Mulher, 29 anos, diagnosticada com sífilis latente de duração indeterminada, recebeu três doses semanais de penicilina benzatina, com VDRL inicial de 1:32. Após 6 meses, o VDRL é de 1:8; após 12 meses, 1:4. Está assintomática, sem lesões cutâneas ou mucosas, sem alterações neurológicas, oculares ou auditivas. Teste treponêmico permanece reagente. Nega nova exposição de risco e o parceiro foi tratado. Qual a interpretação correta?
A resposta adequada ao tratamento da sífilis é definida pela queda de pelo menos quatro vezes no título do teste não treponêmico — de 1:32 para 1:8 já cumpre esse critério, e a redução adicional para 1:4 confirma a boa evolução. Falha terapêutica exigiria persistência ou elevação dos títulos, ou surgimento de sintomas, o que não ocorreu. Reinfecção se caracteriza por nova elevação de quatro vezes, e o teste treponêmico permanece reagente por toda a vida, não servindo para esse julgamento. Neurossífilis assintomática não é presumida por queda adequada de títulos, e a punção lombar seria indicada diante de sinais neurológicos, oculares ou de falha. A reação de Jarisch-Herxheimer ocorre nas primeiras 24 horas após a primeira dose, e não meses depois.
Mulher, 30 anos, procura a UBS com resultado de teste rápido treponêmico reagente e VDRL 1:2, sem lesões atuais e sem sintomas. Relata tratamento completo de sífilis com penicilina benzatina há 3 anos, com VDRL de 1:64 na ocasião e queda documentada para 1:2 no ano seguinte. Nega novas exposições de risco desde então, mantendo parceiro fixo testado e negativo. Exame físico sem lesões cutâneo-mucosas ou linfadenopatia. Qual a interpretação e a conduta corretas?
Título baixo e estável após queda documentada de pelo menos quatro vezes em relação ao valor inicial, em paciente tratada adequadamente e sem nova exposição, caracteriza cicatriz sorológica, situação em que não se retrata; o teste treponêmico permanece reagente indefinidamente e não serve para monitorar resposta. Reinfecção exigiria elevação de pelo menos quatro vezes no título ou nova exposição de risco, ausentes. Falha terapêutica se caracteriza por persistência ou aumento do título após tratamento, e não por manutenção de título baixo com queda prévia adequada. Falso-positivo é improvável com teste treponêmico reagente e história documentada de sífilis tratada. Diagnosticar sífilis latente tardia e tratar com doxiciclina é duplamente inadequado, pois não há critério para retratamento e a penicilina é a primeira escolha.
Homem, 31 anos, apresenta há 5 semanas exantema maculopapular difuso, não pruriginoso, acometendo tronco, membros, palmas e plantas, com lesões acastanhadas descamativas nas regiões palmoplantares. Refere úlcera genital indolor há 3 meses, que cicatrizou espontaneamente. Exame: adenomegalia generalizada indolor, placas úmidas e planas em região perianal, e alopecia em clareira no couro cabeludo. VDRL reagente 1:64. Qual o diagnóstico?
Exantema com acometimento palmoplantar, condiloma plano perianal, alopecia em clareira, adenomegalia generalizada indolor e VDRL reagente em título alto, após úlcera genital indolor prévia, definem sífilis secundária. A pitiríase rósea poupa palmas e plantas, tem placa-mãe e VDRL não reagente. A farmacodermia exigiria fármaco desencadeante e não explicaria condiloma plano, alopecia em clareira e sorologia reagente. A psoríase gutata apresenta pápulas descamativas em gota após infecção estreptocócica, sem lesões palmoplantares acastanhadas nem lesões mucosas. A doença de Kawasaki é doença da infância, com febre prolongada e critérios clínicos específicos.
Mulher, 27 anos, é atendida na UBS com queixa de dor e edema em joelho e tornozelo esquerdos há 10 dias, associada a lesões cutâneas pustulosas em extremidades e febre baixa. Refere corrimento vaginal há 3 semanas e novo parceiro sexual. Exame: artrite de joelho esquerdo com derrame, tenossinovite de punho direito, pústulas em dorso das mãos. Leucócitos 13.400/mm³; PCR 68 mg/L; teste de gravidez negativo; ácido úrico normal. Qual a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta?
A tríade de tenossinovite, dermatite pustulosa e poliartralgia migratória em jovem sexualmente ativa com corrimento recente é a apresentação clássica da infecção gonocócica disseminada, exigindo coleta de amostras dos sítios pertinentes, início de ceftriaxona e rastreamento de outras infecções sexualmente transmissíveis. Gota é rara em mulher jovem na pré-menopausa, cursa com ácido úrico habitualmente elevado e não produz pústulas cutâneas. Artrite reumatoide tem instalação insidiosa e simétrica, sem pústulas nem febre com esse padrão. Febre reumática cursa com poliartrite migratória de grandes articulações após faringite, com cardite e eritema marginado, sem tenossinovite pustulosa. Lúpus não produz o padrão dermatológico pustuloso descrito.
Adolescente, 16 anos, sexualmente ativa há 1 ano, comparece à unidade para orientação contraceptiva. Nega sintomas ginecológicos e refere uso irregular de preservativo com dois parceiros no último ano. Exame ginecológico sem alterações, colo sem secreção anormal e sem friabilidade. Nega diagnóstico prévio de infecção sexualmente transmissível e nunca realizou qualquer testagem, e o serviço dispõe de testes rápidos e de coleta para pesquisa molecular. Qual conduta complementar é adequada nessa consulta?
Adolescentes e mulheres jovens sexualmente ativas têm alta prevalência de infecção assintomática por clamídia, e a consulta contraceptiva é oportunidade para oferecer testagem para infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o rastreio dessa bactéria, com tratamento oportuno e prevenção de sequelas tubárias. A citologia oncótica é iniciada aos 25 anos no protocolo brasileiro, não sendo indicada aos 16 anos. A colposcopia de rotina não é método de rastreamento. Antibiótico empírico universal seleciona resistência e trata quem não tem infecção. Dispensar testagem por ausência de sintomas ignora que a maioria das infecções é assintomática.
Homem, 34 anos, é atendido no ambulatório com queixa de disúria e secreção uretral purulenta abundante iniciada há 4 dias, após relação sexual desprotegida. Exame: meato uretral com secreção purulenta amarelada, sem lesões ulceradas, sem adenomegalia inguinal, testículos normais. Bacterioscopia da secreção mostra diplococos gram-negativos intracelulares. Nega alergia medicamentosa e não fez uso recente de antibióticos. Parceria sexual eventual, sem sintomas relatados até o momento. Qual a conduta correta?
A abordagem sindrômica da uretrite purulenta com diplococos gram-negativos intracelulares implica tratar gonorreia e, simultaneamente, cobrir clamídia, dada a alta taxa de coinfecção, além de orientar o tratamento das parcerias sexuais e oferecer testagem para outras infecções sexualmente transmissíveis. Tratar apenas gonorreia deixa a coinfecção sem cobertura e perpetua a transmissão. Aguardar cultura retarda o tratamento e amplia a disseminação. Anti-inflamatório e higiene local não tratam a infecção. Cateterismo uretral não tem qualquer papel e pode causar trauma e disseminação ascendente da infecção.
Homem, 52 anos, é atendido no ambulatório com queixa de queimação uretral e secreção uretral escassa e clara há 3 semanas, sem melhora após tratamento para gonorreia realizado no início do quadro. Exame: meato uretral com discreta secreção mucoide, sem lesões ulceradas, sem adenomegalia. Bacterioscopia sem diplococos gram-negativos, com aumento de polimorfonucleares. Nega novas exposições sexuais desde o tratamento e a parceria foi tratada simultaneamente. Qual a hipótese e a conduta?
Persistência de secreção mucoide com polimorfonucleares e sem diplococos após tratamento adequado da gonorreia, com parceria tratada e sem nova exposição, caracteriza uretrite persistente por agentes não gonocócicos, devendo-se cobrir Mycoplasma genitalium e Trichomonas vaginalis conforme os recursos diagnósticos disponíveis. Repetir o mesmo esquema em dose dobrada não trata os agentes envolvidos. Considerar uretrite química e apenas observar deixa a infecção sem tratamento e mantém a transmissão. Prostatite aguda cursaria com febre e próstata dolorosa ao toque. Carcinoma de uretra é raro, cursaria com massa ou sangramento e não com secreção mucoide inflamatória.
Mulher, 29 anos, não gestante, apresenta VDRL reagente 1:32 e teste treponêmico reagente, sem lesões cutâneas ou mucosas e sem sintomas neurológicos ou oculares. Não sabe informar a data provável da infecção. Relata reação anafilática à penicilina aos 15 anos, com registro em prontuário. Teste anti-HIV negativo e exame neurológico sem alterações. Qual a conduta terapêutica adequada?
Trata-se de sífilis latente de duração ignorada, que se maneja como latente tardia; na mulher não gestante com anafilaxia documentada à penicilina, a alternativa recomendada é a doxiciclina por 30 dias, com seguimento sorológico trimestral. Administrar penicilina benzatina sem dessensibilização em paciente com anafilaxia documentada expõe a risco de reação grave. A azitromicina em dose única não é aceita, pela resistência de Treponema pallidum a macrolídeos já descrita. A ceftriaxona em dose única é esquema insuficiente para formas latentes, que exigem tratamento prolongado. Deixar sem tratamento uma sorologia reagente com titulação elevada permite a progressão para formas terciárias e mantém a cadeia de transmissão.
Mulher, 35 anos, assintomática, realiza exames de rotina e apresenta teste treponêmico reagente com VDRL não reagente. Relata que foi tratada para sífilis com penicilina benzatina há 6 anos, com documentação em cartão de vacinação e queda documentada da titulação após o tratamento. Nega novas exposições de risco desde então, mantém parceria única e o teste anti-HIV é negativo. Qual a interpretação mais provável desse resultado?
O teste treponêmico permanece reagente por toda a vida na maioria das pessoas tratadas, e a combinação com VDRL não reagente em paciente com tratamento documentado e queda prévia da titulação caracteriza cicatriz sorológica, sem indicação de novo tratamento. A sífilis latente tardia ativa cursaria com teste não treponêmico reagente, ainda que em títulos baixos. A reinfecção recente produziria elevação da titulação em pelo menos duas diluições, o que não ocorreu. A reação falso-positiva costuma afetar o teste não treponêmico, e não o treponêmico, além de não explicar a história de tratamento. A investigação de neurossífilis exige sintomas neurológicos ou oculares, ou falha terapêutica, ausentes no caso.
Adolescente de 16 anos comparece à unidade básica com lesões maculopapulares acastanhadas nas palmas das mãos e nas plantas dos pés há 3 semanas, associadas a linfonodomegalia generalizada e febrícula. Relata ferida genital indolor que desapareceu há 2 meses. PA 118x72 mmHg, FC 84 bpm, T 37,4 °C. Teste treponêmico reagente e teste não treponêmico com título de 1:64. Nega alergia a penicilina. Qual o tratamento indicado?
Penicilina benzatina em dose única é o tratamento indicado: o exantema palmoplantar com linfonodomegalia generalizada, precedido por cancro que regrediu, caracteriza sífilis secundária, forma recente cujo esquema é uma única dose. O esquema de três doses semanais se destina à sífilis latente tardia ou de duração ignorada. A ceftriaxona com internação é reservada a neurossífilis e a situações especiais. A azitromicina não é recomendada por resistência documentada. A doxiciclina é alternativa apenas em alergia à penicilina, que o adolescente nega, e não configura primeira escolha.
Adolescente de 17 anos apresenta corrimento uretral purulento abundante e disúria intensa há 4 dias, iniciados 3 dias após relação sexual desprotegida. PA 122x74 mmHg, FC 78 bpm, T 36,8 °C. Ao exame, secreção purudenta no meato uretral, sem lesões ulceradas, sem adenomegalia inguinal dolorosa e sem edema escrotal. Não há relato de alergia medicamentosa nem de tratamento recente. Qual a conduta terapêutica indicada?
Ceftriaxona intramuscular associada a azitromicina é a conduta indicada: o corrimento purulento abundante de curto período de incubação sugere uretrite gonocócica, e o tratamento sindrômico cobre simultaneamente a coinfecção por clamídia, muito frequente. A azitromicina isolada não trata adequadamente o gonococo. O metronidazol se destina à tricomoníase, que produz corrimento mais escasso e mucoide. O aciclovir trata herpes genital, que cursa com vesículas e úlceras dolorosas. Aguardar cultura retarda o tratamento e favorece complicações e transmissão continuada.
Homem, 48 anos, com declínio cognitivo progressivo há 10 meses, alterações de comportamento e marcha instável. Nega uso de drogas. PA 132x80 mmHg, FC 74 bpm. Pupilas mióticas que reagem à acomodação, mas não à luz, com arreflexia patelar e sinal de Romberg positivo. Exames: teste treponêmico e não treponêmico séricos reagentes; líquido com 22 células, proteína de 78 mg/dL e teste não treponêmico reagente no líquor. Qual o tratamento?
A neurossífilis, evidenciada por pupilas de Argyll Robertson, tabes dorsalis e teste não treponêmico reagente no líquido cefalorraquidiano, é tratada com penicilina cristalina endovenosa em altas doses por catorze dias, único esquema que garante concentração treponemicida no sistema nervoso. A penicilina benzatina não atinge níveis liquóricos adequados e é o esquema da sífilis sem acometimento neurológico. A doxiciclina é alternativa apenas em alergia comprovada, com evidência inferior. A ceftriaxona em dose única é insuficiente, pois exige esquema prolongado. A azitromicina tem resistência documentada e não trata neurossífilis.
Homem, 36 anos, assintomático, realiza triagem por solicitação da parceira. Refere tratamento de sífilis com penicilina benzatina há 3 anos, com queda documentada de títulos. PA 120x76 mmHg, FC 78 bpm. Teste treponêmico reagente; VDRL reagente com título de 1:2, sendo que o exame de um ano atrás mostrava 1:2 e o de dois anos atrás 1:4. Exame neurológico normal. Qual a interpretação e a conduta?
Títulos baixos e estáveis de VDRL em 1:2, após queda documentada de quatro vezes desde o tratamento adequado, caracterizam cicatriz sorológica, sem indicação de retratamento, apenas seguimento. Reinfecção exigiria aumento de pelo menos quatro vezes no título, o que não ocorreu, já que os valores caíram e depois se estabilizaram. Falha terapêutica também se define por ausência de queda ou por elevação de títulos, não pelo padrão observado. O teste treponêmico permanece reagente por toda a vida após infecção tratada, e não se trata de falso-positivo. Sífilis primária em incubação cursaria com lesão genital e títulos ascendentes, incompatíveis com paciente assintomático e títulos decrescentes.
Homem, 52 anos, vivendo com o vírus da imunodeficiência humana, apresenta perda visual progressiva bilateral há 2 meses, alterações de memória e marcha instável. PA 132x82 mmHg, FC 80 bpm, T 36,8 °C. Pupilas com dissociação luz-acomodação. VDRL sérico reagente 1:64; teste treponêmico reagente. Líquor com 24 células/mm³ (predomínio linfocitário), proteína 78 mg/dL (VR 15-45) e VDRL liquórico reagente. Qual o tratamento indicado?
VDRL liquórico reagente com pleocitose e hiperproteinorraquia, associado a pupila de Argyll Robertson e alterações cognitivas, confirma neurossífilis, cujo tratamento é penicilina G cristalina endovenosa em altas doses por 10 a 14 dias. A penicilina benzatina em três doses trata sífilis latente tardia sem acometimento neurológico e não atinge níveis liquóricos adequados. A doxiciclina é alternativa apenas em sífilis não neurológica com alergia à penicilina, e não é equivalente na neurossífilis. Ceftriaxona em dose única com azitromicina é esquema de outras infecções sexualmente transmissíveis, insuficiente aqui. A penicilina procaína pode ser alternativa apenas quando associada a probenecida e por período adequado, não do modo descrito.
Homem, 23 anos, com corrimento uretral abundante e purulento há 3 dias, associado a disúria intensa. Relata relação sexual desprotegida há 6 dias. PA 122x78 mmHg, FC 76 bpm, T 36,9 °C. Meato uretral hiperemiado com secreção amarelada abundante. Bacterioscopia da secreção mostra diplococos Gram-negativos intracelulares em polimorfonucleares. Teste rápido para o vírus da imunodeficiência humana e para sífilis não reagentes. Qual o tratamento indicado?
A presença de diplococos Gram-negativos intracelulares confirma uretrite gonocócica, tratada com ceftriaxona intramuscular em dose única associada a azitromicina, que cobre a coinfecção por clamídia, frequente nesse contexto. O ciprofloxacino foi abandonado como esquema empírico pela alta resistência do gonococo às quinolonas. A penicilina benzatina trata sífilis e não tem atividade adequada contra o gonococo atual. O metronidazol com fluconazol trataria tricomoníase e candidíase, que não produzem esse achado bacterioscópico. Sulfametoxazol-trimetoprima com nistatina tópica não tem qualquer indicação em uretrite gonocócica.
Homem, 33 anos, vivendo com o vírus da imunodeficiência humana com CD4 de 180 células/mm³, apresenta febre, mal-estar e lesões cutâneas nodulares que evoluem para úlceras recobertas por crostas espessas em face e tronco há 3 semanas. PA 116x72 mmHg, FC 96 bpm, T 38,2 °C. VDRL reagente 1:256; teste treponêmico reagente. Biópsia com infiltrado plasmocitário e espiroquetas à imuno-histoquímica. Qual o diagnóstico e a conduta?
A sífilis maligna precoce, ou lues maligna, é forma ulceronodular grave associada à imunossupressão, com títulos altos de VDRL e demonstração de espiroquetas na lesão, tratada com penicilina e investigação de acometimento neurológico e ocular pela maior frequência nesse perfil. A leishmaniose tegumentar não elevaria o VDRL nem mostraria espiroquetas na biópsia. A varicela grave produz lesões vesiculosas em diferentes estágios, sem infiltrado plasmocitário com espiroquetas. A micobacteriose atípica tem curso indolente sem títulos treponêmicos altos. O pioderma gangrenoso é diagnóstico de exclusão, sem agente demonstrável, e o corticoide agravaria a infecção ativa.
Homem, 38 anos, vivendo com o vírus da imunodeficiência humana, apresenta baixa acuidade visual bilateral progressiva há 3 semanas, com fotofobia e dor ocular. PA 122x76 mmHg, FC 80 bpm, T 36,8 °C. Exame oftalmológico mostra uveíte posterior bilateral com vitreíte e placas coriorretinianas amareladas. VDRL reagente 1:64; teste treponêmico reagente. Sem lesões cutâneas ou genitais. Qual a conduta?
A sífilis ocular é tratada como neurossífilis, com penicilina cristalina endovenosa em altas doses, indicando-se punção lombar para avaliação do acometimento do sistema nervoso central. A penicilina benzatina não atinge concentrações adequadas nesses compartimentos e é tratamento insuficiente. O corticoide pode ser adjuvante, mas nunca substitui o antimicrobiano. A retinite por citomegalovírus tem aspecto de necrose com hemorragias e ocorre com CD4 muito baixos, além de não explicar os títulos treponêmicos. A doxiciclina não é equivalente à penicilina no acometimento ocular ou neurológico.
Homem, 27 anos, tratado há 3 semanas com ceftriaxona e azitromicina por uretrite, retorna com corrimento uretral escasso e disúria persistentes. PA 120x76 mmHg, FC 76 bpm, T 36,7 °C. Nega nova exposição sexual desde o tratamento e refere adesão completa. Bacterioscopia atual sem diplococos Gram-negativos, com cinco polimorfonucleares por campo. Testes moleculares para gonococo e clamídia negativos. Qual a hipótese e a conduta?
Uretrite que persiste após tratamento adequado, sem reexposição e com testes negativos para gonococo e clamídia, tem no Mycoplasma genitalium a causa mais frequente, devendo-se pesquisá-lo e tratar conforme disponibilidade e perfil de resistência aos macrolídeos. Repetir o mesmo esquema é ineficaz quando o agente não é coberto. A prostatite crônica cursa com dor pélvica e sintomas urinários prolongados, e a massagem prostática não é conduta de rotina. A uretrite química não explicaria a piúria uretral persistente. A ciprofloxacina não é indicada empiricamente para gonococo pela resistência, e não tratar a parceria perpetua o ciclo.
Homem de 29 anos apresenta exantema incluindo palmas e plantas, linfonodos generalizados e lesões mucosas. Relata úlcera genital indolor resolvida semanas antes. Testes treponêmico e não treponêmico são reagentes; não há sintomas neurológicos ou oculares. Qual é o diagnóstico mais provável?
Exantema palmoplantar após provável cancro e testes reagentes favorecem a fase secundária. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/p-and-s-syphilis.htm
Homem de 29 anos apresenta exantema incluindo palmas e plantas, linfonodos generalizados e lesões mucosas. Relata úlcera genital indolor resolvida semanas antes. Testes treponêmico e não treponêmico são reagentes; não há sintomas neurológicos ou oculares. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
Na ausência de acometimento neurológico ou ocular, o tratamento segue o estágio recente e inclui prevenção de reinfecção. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/p-and-s-syphilis.htm
Homem de 29 anos apresenta exantema incluindo palmas e plantas, linfonodos generalizados e lesões mucosas. Relata úlcera genital indolor resolvida semanas antes. Testes treponêmico e não treponêmico são reagentes; não há sintomas neurológicos ou oculares. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
O teste quantitativo também serve de referência para acompanhar resposta; a fase depende da história e do exame. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/p-and-s-syphilis.htm
Homem de 29 anos apresenta exantema incluindo palmas e plantas, linfonodos generalizados e lesões mucosas. Relata úlcera genital indolor resolvida semanas antes. Testes treponêmico e não treponêmico são reagentes; não há sintomas neurológicos ou oculares. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
A disseminação explica manifestações cutâneas, mucosas e linfonodais. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/p-and-s-syphilis.htm
Se depois houver aumento sustentado de 1:16 para 1:64 e nova exposição, qual interpretação merece investigação?

Aumento de quatro vezes é relevante; exposição nova favorece reinfecção, mas não dispensa avaliação.
Sífilis é causada por qual tipo de agente?

Treponema pallidum é uma espiroqueta.
Por que um teste treponêmico persistente não demonstra, sozinho, falha terapêutica?

Testes treponêmicos podem manter reatividade por longo prazo e não são usados isoladamente para medir resposta.
Qual é a magnitude da queda do VDRL apresentada?

A sequência 1:64 para 1:32 para 1:16 corresponde a duas diluições.
Qual teste da tabela é usado quantitativamente no seguimento?

Títulos de testes não treponêmicos permitem acompanhar mudanças, no contexto do estágio e do tempo.
Um adulto apresenta exantema no tronco, adenopatia indolor e as lesões palmares mostradas. Qual hipótese deve ser investigada? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

O conjunto de exantema, adenopatia e lesões palmares acobreadas com descamação é sugestivo.
Em pessoa com sorologia reagente sem tratamento prévio, qual estágio é favorecido pelo exantema atual e pelas lesões palmares ilustradas? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Manifestações mucocutâneas atuais compatíveis indicam doença clínica, em vez de fase latente.
Um adulto sem tratamento prévio apresenta exantema e as lesões palmares da figura. Como deve ser investigada a hipótese de sífilis? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

A investigação sorológica utiliza ambos os tipos de teste, com funções complementares.
Qual descrição corresponde ao achado palmar mostrado? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

A coloração e o relevo variável são compatíveis com sifílides, no contexto clínico adequado.
Quer treinar mais nesse tema? Estas questões vêm do nosso banco — lá tem milhares, com simulado, maratona e estatística de acerto por área.
Criar conta grátis e continuar →Plano de revisão
em 7 dias
Recite os dois números que estruturam a sífilis: um ano separa recente de tardia; duas diluições definem resposta e retratamento. Depois complete a régua: dose única de 2,4 milhões de UI na recente, três doses semanais na tardia (total 7,2 milhões), intervalo máximo de 14 dias entre doses na pessoa não gestante sob pena de reiniciar. Alternativa fora da gestação: doxiciclina 100 mg 12/12h, 15 dias na recente e 30 dias na tardia. Seguimento aos 3, 6, 9 e 12 meses. E o esquema sindrômico do corrimento uretral: ceftriaxona 500 mg IM + azitromicina 1 g VO.
em 30 dias
Reconstrua três decisões sem consultar. (1) Paciente assintomático, VDRL 1:4, teste treponêmico reagente, sem registro de tratamento e sem data de infecção — qual estágio, quantas doses? (2) Seis meses após tratar sífilis primária, VDRL não caiu e não houve reexposição — qual critério foi preenchido e qual exame vem antes de repetir a penicilina? (3) Úlceras múltiplas e dolorosas com bubão flutuante — qual agente, qual antibiótico, e o que não se faz com o linfonodo? Feche revisando a definição de caso de sífilis adquirida (assintomático exige dois testes; sintomático, um) e a régua de doxi-PEP de 2026: 200 mg em até 72 horas.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Homem de 33 anos chega à unidade básica queixando-se de corrimento uretral amarelado há três dias, com ardência ao urinar. Relata relação sexual sem preservativo há uma semana. Ao exame, secreção purulenta pelo meato uretral, sem úlceras nem adenomegalia. A unidade não dispõe de teste etiológico no momento. Conduza o atendimento: anamnese sexual, tratamento na própria consulta, testagem para as demais IST, orientação sobre abstinência e abordagem da parceria. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
