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Vigilância das arboviroses e notificação compulsória
Endemias e arboviroses: vigilância e notificação compulsória
A questão quase nunca pergunta o que o paciente tem. Pergunta o que se faz com a suspeita: quem notifica, em quanto tempo, para quantas esferas de gestão, e o que a notificação dispara.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Em vigilância epidemiológica, algumas doenças são de notificação compulsória imediata (em até 24 horas) às autoridades de saúde. Um médico da UBS atende paciente com quadro sugestivo e confirma clinicamente sarampo. Qual é a conduta correta quanto à notificação?
Como esse tema cai
Este capítulo trata do ato de vigilância, não do manejo à beira do leito. A hidratação por grupos de risco da dengue, os sinais de alarme e a decisão de internar têm capítulo próprio; aqui a pergunta é outra e é respondida sem saber o diagnóstico final: diante de uma suspeita, o que sai da sala de atendimento, para onde, e em quanto tempo.
É a única parte da infectologia em que a alternativa correta não depende do resultado do exame. O gatilho da notificação é a definição de caso suspeito, e a periodicidade é uma tabela — a Lista Nacional de Notificação Compulsória. Decorar a tabela inteira não é o objetivo; entender a lógica que separa as linhas de 24 horas das linhas semanais resolve a maioria das questões, porque a mesma lógica se repete de uma arbovirose para outra.
A Lista mudou em 13 de maio de 2026, com a Portaria GM/MS nº 11.211: entraram a febre do Oropouche e a caxumba, a covid-19 deixou de ser item próprio, e difteria e tétano ganharam esferas novas na notificação imediata. Material publicado antes dessa data traz a redação anterior, e as duas convivem em protocolos estaduais e apostilas. O capítulo trabalha com a redação vigente e sinaliza onde a antiga ainda aparece.
O recorte é o adulto fora da gestação quando o assunto é quadro clínico — mas a notificação da gestante entra em cheio, porque é justamente a gestação que muda a periodicidade em Zika e em Oropouche. Arboviroses na criança e sífilis na gestação são tratadas em outros capítulos; o que se aplica aqui, e vale para qualquer idade, é a régua da notificação.
O que muda decisão
Notificar é ato de suspeita, não de diagnóstico
A obrigação de notificar nasce da suspeita clínica. A Lista Nacional é lista de doenças, agravos e eventos de saúde pública de notificação compulsória nos serviços de saúde públicos e privados de todo o território nacional — rede privada inclusive, consultório inclusive. Quem notifica é o profissional de saúde que atende e o responsável pelo serviço, não o laboratório, não a vigilância municipal e não o gestor. A base legal está no art. 7º da Lei nº 6.259/1975, invocado no preâmbulo de cada portaria que atualiza a Lista.
A consequência prática é dura e cai muito: alternativa que manda aguardar sorologia, NS1, gota espessa ou hemocultura para notificar está errada por construção. O sistema de vigilância foi desenhado para trabalhar com casos suspeitos e depois limpá-los. O Guia de Vigilância em Saúde define caso provável de dengue, chikungunya e Zika como todos os casos notificados, exceto os descartados — ou seja, a base de cálculo da incidência que orienta a resposta municipal é feita de notificações, não de confirmações.
Notificar também não é acusar nem diagnosticar: o caso descartado é encerrado no Sinan como descartado, e isso não é erro de quem notificou. O erro é o oposto — a suspeita que não vira registro. Se o caso foi notificado como dengue e confirmou chikungunya, o Guia orienta encerrar a notificação original como descartada e abrir outra notificação para o agravo confirmado; não se aproveita a ficha.
Notificação de dengue e chikungunya vai para o Sinan On-line, pela Ficha de Notificação/Investigação da Dengue e Chikungunya. Zika usa a Ficha de Notificação Individual e entra no Sinan Net. Febre amarela tem ficha própria de notificação/investigação. Malária na região amazônica não entra no Sinan: entra no Sivep-Malária, sistema próprio do programa. São detalhes operacionais, mas o par doença–sistema já foi enunciado de questão.
Duas velocidades: 24 horas e semanal
A Lista Nacional tem quatro colunas, não duas. Uma é a notificação semanal. As outras três são a notificação imediata — em até 24 horas a partir do conhecimento do caso, pelo meio de comunicação mais rápido disponível — e dizem para quem: Ministério da Saúde (MS), Secretaria Estadual de Saúde (SES) e Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Um agravo pode ser imediato para uma, para duas ou para as três esferas, e a tabela marca com um X cada coluna que se aplica.
Isso desfaz a simplificação mais comum. Leptospirose é de notificação imediata, mas só à Secretaria Municipal de Saúde. Doença de Chagas aguda é imediata à Secretaria Estadual e à Municipal — o Ministério não está marcado. Febre amarela, hantavirose, febre maculosa, raiva humana, sarampo e malária extra-amazônica são imediatas às três. Dizer que 'toda doença grave é imediata às três esferas' erra em cerca de um terço das linhas.
A notificação semanal não é um prazo frouxo de sete dias corridos à escolha do serviço: é o registro dentro da semana epidemiológica, alimentando o Sinan em tempo de compor o boletim. No texto de malária, o Guia de Vigilância em Saúde traduz a coluna semanal em 'até sete dias' para a região amazônica, e a coluna imediata em 'até 24 horas' para a extra-amazônica — as mesmas duas velocidades, ditas em palavras.
Na prática, notificação imediata é telefonema, e-mail ou plantão de vigilância, seguido do registro no sistema. O caminho normal é o serviço avisar a vigilância epidemiológica municipal, que aciona a estadual, que aciona o nível federal — a rede de Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde existe para isso e funciona 24 horas. O médico assistente não liga para Brasília, e não notifica organismo internacional: no texto de febre amarela, o Guia é explícito de que a comunicação à Organização Pan-Americana da Saúde deixou de ser automática com o RSI-2005 e passa por avaliação de risco aplicada pelo Ministério da Saúde, que decide se o evento é emergência de saúde pública de importância nacional ou internacional.
Arboviroses: o gatilho das 24 horas é a mudança de cenário, não a gravidade do doente
Olhando as linhas de arbovirose da Lista lado a lado, aparece um padrão que vale mais do que a memorização. O caso comum é semanal. O que puxa para 24 horas é o evento que muda o mapa: o óbito, o caso em área onde a doença não circulava, a gestante, a anomalia congênita, o óbito fetal. Nenhum desses gatilhos é 'o paciente está grave'.
Dengue segue exatamente isso: casos com periodicidade semanal, óbitos com notificação imediata às três esferas. Dengue com sinais de alarme e dengue grave, apesar do risco individual, continuam na linha semanal — a internação muda tudo no manejo e não muda nada na periodicidade. O que a vigilância quer saber em 24 horas é que alguém morreu, porque óbito por dengue é evento sentinela de falha assistencial e dispara investigação.
Chikungunya tem casos semanais, mas com um acréscimo decisivo: caso de febre de chikungunya em área sem transmissão é de notificação imediata às três esferas, assim como o óbito com suspeita de chikungunya. O primeiro caso num município virgem é a informação mais valiosa que a vigilância pode receber — dá tempo de bloqueio vetorial antes da primeira onda.
Zika tem quatro linhas com três periodicidades diferentes: caso agudo, semanal; doença aguda pelo vírus Zika em gestante, imediata à Secretaria Estadual e à Municipal; óbito com suspeita de Zika, imediato às três esferas; síndrome congênita associada à infecção pelo vírus Zika, semanal. Não é intuitivo que a gestante infectada corra e o recém-nascido com síndrome congênita não: a gestante ainda permite intervenção e delimita transmissão ativa, e a síndrome congênita entra num monitoramento próprio de crescimento e desenvolvimento.
Febre do Oropouche entrou na Lista em maio de 2026 com o desenho mais protetor de todos: casos com notificação semanal, mas óbitos e óbitos fetais, gestantes e anomalias congênitas com notificação imediata às três esferas — Ministério incluído. Foi a resposta à expansão da transmissão para fora da Amazônia e à suspeita de repercussão fetal, ainda em caracterização.
Febre amarela não tem linha semanal. Todo caso suspeito é de notificação imediata às três esferas, e a razão é o risco de reurbanização: um único caso próximo de área infestada por Aedes aegypti muda a política de vacinação de uma região inteira. Na mesma lógica está a linha 'Febre do Nilo Ocidental e outras arboviroses de importância em saúde pública', também imediata às três — é ela que cobre arbovírus sem linha própria.

Definição de caso: o gatilho é clínico-epidemiológico
Caso suspeito de dengue, no Guia de Vigilância em Saúde, é o indivíduo que reside em área com registro de casos ou que viajou nos últimos 14 dias para área com transmissão ou com presença de Aedes aegypti, e apresenta febre — usualmente entre dois e sete dias — com duas ou mais das seguintes manifestações: náusea ou vômitos; exantema; mialgia ou artralgia; cefaleia ou dor retro-orbital; petéquias ou prova do laço positiva; leucopenia. Em criança proveniente de área com transmissão, quadro febril agudo de dois a sete dias sem sinais de outra doença já basta.
Repare no que a definição exige e no que não exige. Exige vínculo epidemiológico — residência ou viagem — e um conjunto sindrômico. Não exige exame nenhum, não exige prova do laço positiva (ela é uma das seis manifestações possíveis, não um critério obrigatório) e não exige plaquetopenia. Leucopenia entra na lista de manifestações; plaquetas não entram na definição de caso suspeito.
Caso suspeito de febre amarela é outra construção e cai com frequência: indivíduo não vacinado ou com estado vacinal ignorado, com quadro infeccioso febril agudo de início súbito, geralmente até sete dias, acompanhado de icterícia e/ou manifestações hemorrágicas, com exposição nos últimos 15 dias em área de risco, em local com ocorrência recente de epizootia em primatas não humanos, ou em área recém-afetada e proximidades. O estado vacinal faz parte da definição — paciente com vacina comprovada sai dela.
A notificação abre um relógio de encerramento. Casos de dengue, chikungunya e Zika devem ser encerrados oportunamente em até 60 dias após a data da notificação; a doença de Chagas aguda tem o mesmo prazo de 60 dias. Encerrar significa classificar: confirmado por critério laboratorial, confirmado por critério clínico-epidemiológico, ou descartado. Notificação sem encerramento é indicador de vigilância ruim, e 'oportunidade de encerramento' é um dos indicadores operacionais que o Guia manda monitorar.
As endemias que caem na mesma questão
Enunciado de prova raramente diz 'arbovirose'. Ele descreve um caso e espera que o candidato saiba a linha. Vale ter a mão as endemias vizinhas, porque elas ocupam as três velocidades.
Malária é o caso mais instrutivo, porque a mesma doença tem duas réguas por geografia. Na região amazônica a notificação é semanal — o Guia traduz em até sete dias — e o registro vai para o Sivep-Malária. Na região extra-amazônica todo caso suspeito é de notificação imediata, em até 24 horas, às três esferas, com registro no Sinan. A régua acompanha a unidade que atende, não o lugar onde o paciente se infectou: um caso importado de Manaus atendido em Belo Horizonte é notificação imediata, porque ali existe vetor competente e a chance de transmissão autóctone é o que se quer evitar.
Doença de Chagas separa-se pela fase: a aguda é de notificação imediata à Secretaria Estadual e à Municipal — desenho pensado para surtos de transmissão oral, em que a investigação do alimento suspeito só funciona se for rápida —, e a crônica é semanal. Leishmaniose tegumentar americana e leishmaniose visceral são semanais; esquistossomose, hanseníase e tuberculose também. Leptospirose é imediata, mas apenas à Secretaria Municipal de Saúde.
Do lado das imediatas às três esferas ficam as de alto potencial epidêmico ou letalidade: hantavirose, febre maculosa e outras riquetsioses, peste, cólera, botulismo, raiva humana, sarampo e rubéola, poliomielite/paralisia flácida aguda, síndrome da rubéola congênita, influenza humana por novo subtipo viral, mpox e as febres hemorrágicas emergentes. E há a linha coringa que resolve o que não está previsto: 'Evento de Saúde Pública que se constitua ameaça à saúde pública' — imediata às três esferas. É por ela que entra o aglomerado de casos sem diagnóstico, o agravo inusitado, o surto de causa desconhecida.
Duas linhas de raiva também merecem atenção porque são diferentes entre si: raiva humana é imediata às três esferas, e 'acidente por animal potencialmente transmissor da raiva' é imediato à Secretaria Municipal de Saúde. O acidente por animal peçonhento segue a mesma marcação municipal imediata. São notificações de exposição, não de doença — servem para rastrear insumo e cobertura de soro.
O que a notificação dispara
Notificação não é fim de linha, é gatilho. O Guia determina que a vigilância epidemiológica informe imediatamente o caso à equipe de controle vetorial local e ao gestor municipal, para as medidas de combate ao vetor. Em arbovirose urbana, a notificação é o que autoriza a visita domiciliar no quarteirão, a eliminação de criadouros e, em situação de transmissão ativa, a nebulização.
Em febre amarela, o disparo é mais amplo. Imediatamente após a notificação de um ou mais casos suspeitos inicia-se a investigação epidemiológica, porque um caso pode significar surto. Entra em cena a vigilância de primatas não humanos: a morte ou o adoecimento de macacos é evento de notificação, e a epizootia é classificada em indeterminada, em investigação ou confirmada para febre amarela — por laboratório, com resultado conclusivo em pelo menos um animal, ou por vínculo epidemiológico, quando há evidência de circulação viral em mosquitos, outros primatas ou casos humanos no local provável de infecção. A epizootia costuma anteceder o caso humano; é o alarme mais precoce que o sistema tem, e por isso macaco morto é assunto da vigilância, não da defesa ambiental apenas.
A vigilância também tem um eixo entomológico, que anda em paralelo ao de casos. Os indicadores que o Guia lista para os programas de arboviroses são o Índice de Infestação Predial, o Índice de Tipo de Recipientes, o Índice de Breteau e os índices de ovos e de armadilhas, medidos pelo Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti. Servem para dizer onde há vetor antes que haja caso — e para orientar onde a equipe de campo entra primeiro.
Por fim, a notificação alimenta a análise. Curva endêmica e diagrama de controle permitem reconhecer que a semana atual saiu do esperado; em epidemia, o Guia orienta análise preferencialmente diária. Os indicadores operacionais que ele manda acompanhar dizem muito sobre o que a prova considera boa prática: oportunidade de notificação, oportunidade de digitação e encerramento, oportunidade de investigação dos casos e dos óbitos, completitude da ficha e cobertura de visita domiciliar. Ficha mal preenchida é falha de vigilância, não detalhe burocrático.
Da suspeita ao Sinan: o que corre em 24 horas
A decisão tem duas partes, e só a segunda é de memória. A primeira é reconhecer que a definição de caso suspeito foi preenchida — e a partir daí a notificação já é devida. A segunda é localizar a linha na Lista Nacional e ver quantas colunas de esfera estão marcadas: nenhuma, e o caso é semanal; uma, duas ou três, e o caso corre em 24 horas para aquelas esferas.
- 1O quadro preenche a definição de caso suspeito? Se sim, a notificação já é obrigatória — não se aguarda exame.
- 2Identifique a linha exata na Lista: dengue tem linha de caso e linha de óbito; chikungunya tem linha de área sem transmissão; Zika e Oropouche têm linha de gestante.
- 3Leia as colunas: se não há X em MS, SES ou SMS, o caso é de notificação semanal, com registro no Sinan dentro da semana epidemiológica.
- 4Havendo X, notifique em até 24 horas do conhecimento do caso, pelo meio mais rápido disponível, às esferas marcadas — e registre no sistema depois.
- 5Preencha a ficha correta: Sinan On-line para dengue e chikungunya, Sinan Net para Zika, ficha própria para febre amarela, Sivep-Malária na região amazônica.
- 6Avise a vigilância municipal de que o caso existe, para que o controle vetorial e a investigação comecem; encerre o caso no Sinan em até 60 dias.
Sem X nas esferas — notificação semanal
Registro no Sinan dentro da semana epidemiológica. É onde ficam os casos de dengue, chikungunya, Zika e Oropouche sem agravante, além de leishmanioses, esquistossomose, hanseníase, tuberculose e Chagas crônica.
Uma esfera — imediata em 24 h à Secretaria Municipal
Leptospirose, acidente por animal peçonhento, acidente por animal potencialmente transmissor da raiva e violência sexual estão aqui: correm em 24 horas, mas param no município.
Duas esferas — imediata em 24 h à Municipal e à Estadual
Doença de Chagas aguda, Zika em gestante, tétano acidental, coqueluche, febre tifoide, varicela e doença meningocócica sobem até o estado, sem acionar o nível federal.
Três esferas — imediata em 24 h ao município, ao estado e ao Ministério
Febre amarela, óbito por dengue, chikungunya em área sem transmissão, Oropouche em gestante, malária extra-amazônica, hantavirose, febre maculosa, raiva humana, sarampo e Evento de Saúde Pública.
| Linha da Lista Nacional | Imediata em até 24 h para | Semanal |
|---|---|---|
| Dengue — casos | — | sim |
| Dengue — óbitos | MS, SES e SMS | — |
| Febre de chikungunya — casos | — | sim |
| Febre de chikungunya em áreas sem transmissão | MS, SES e SMS | — |
| Óbito com suspeita de febre de chikungunya | MS, SES e SMS | — |
| Doença aguda pelo vírus Zika | — | sim |
| Doença aguda pelo vírus Zika em gestante | SES e SMS | — |
| Óbito com suspeita de doença pelo vírus Zika | MS, SES e SMS | — |
| Síndrome congênita associada à infecção pelo vírus Zika | — | sim |
| Febre do Oropouche — casos | — | sim |
| Febre do Oropouche — óbitos e óbitos fetais | MS, SES e SMS | — |
| Febre do Oropouche em gestante | MS, SES e SMS | — |
| Febre do Oropouche — anomalias congênitas | MS, SES e SMS | — |
| Febre amarela | MS, SES e SMS | — |
| Febre do Nilo Ocidental e outras arboviroses de importância em saúde pública | MS, SES e SMS | — |
Endemias não arbovirais que caem na mesma questão
| Linha da Lista Nacional | Imediata em até 24 h para | Semanal |
|---|---|---|
| Malária na região amazônica | — | sim (registro no Sivep-Malária) |
| Malária na região extra-amazônica | MS, SES e SMS | — |
| Doença de Chagas aguda | SES e SMS | — |
| Doença de Chagas crônica | — | sim |
| Leptospirose | SMS | — |
| Febre maculosa e outras riquetsioses | MS, SES e SMS | — |
| Hantavirose | MS, SES e SMS | — |
| Peste | MS, SES e SMS | — |
| Raiva humana | MS, SES e SMS | — |
| Acidente por animal potencialmente transmissor da raiva | SMS | — |
| Acidente por animal peçonhento | SMS | — |
| Leishmaniose tegumentar americana | — | sim |
| Leishmaniose visceral | — | sim |
| Esquistossomose | — | sim |
| Hanseníase | — | sim |
| Tuberculose | — | sim |
| Esporotricose humana | — | sim |
| Evento de Saúde Pública que se constitua ameaça à saúde pública | MS, SES e SMS | — |
O que a Portaria GM/MS nº 11.211, de 13/05/2026, mudou na Lista
| Item | Redação anterior | Redação vigente desde 14/05/2026 |
|---|---|---|
| Febre do Oropouche | não constava | incluída: casos semanais; óbitos, óbitos fetais, gestantes e anomalias congênitas imediatos às três esferas |
| Parotidite (caxumba) | não constava | incluída na Lista |
| Covid-19 | item próprio na Lista | removida como item próprio; contemplada em 'Síndrome Gripal por covid-19 confirmada' |
| Síndrome Gripal suspeita de covid-19 | essa era a redação | passa a 'Síndrome Gripal por covid-19 confirmada' |
| SRAG associada a coronavírus | 'SRAG associada ao coronavírus SARS-CoV, MERS-CoV, SARS-CoV-2' | 'Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) hospitalizado ou óbito por Srag' |
| Difteria | imediata a SES e SMS | passa a incluir notificação imediata ao Ministério da Saúde |
| Tétano acidental | imediata à SMS | passa a incluir notificação imediata às Secretarias Estaduais de Saúde |
| Poliomielite por poliovírus selvagem | essa era a redação | passa a 'Poliomielite'; a paralisia flácida aguda vira 'Paralisia Flácida Aguda (PFA)' |
| Varicela — caso grave internado ou óbito | essa era a redação | passa a 'Varicela' |
| Eventos adversos graves ou óbitos pós-vacinação | essa era a redação | passa a 'Evento supostamente atribuível à vacinação ou imunização — ESAVI' |
| Vigilância sentinela | incluía a SRAG | SRAG excluída; incluída a doença invasiva por Haemophilus influenzae ao lado da doença pneumocócica invasiva |
Notificação imediata conta da data do conhecimento do caso pelo serviço, não da data de início dos sintomas nem da data do exame.
As colunas da Lista são cumulativas: um X em SMS e outro em SES significa notificar às duas em 24 horas, não escolher uma.
Óbito por dengue, chikungunya ou Zika é notificação imediata às três esferas mesmo sem confirmação laboratorial — o Guia manda coletar amostra de tecido em até 48 horas após o óbito quando a confirmação em vida não foi possível.
Caso notificado como uma arbovirose e confirmado como outra: encerra-se a notificação original como descartada e abre-se notificação nova para o agravo confirmado.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Item próprio 'covid-19', com notificação imediata (redação vigente até 13/05/2026)
Durante toda a fase de emergência e nos anos seguintes, a covid-19 figurou como linha autônoma da Lista Nacional, ao lado de 'Síndrome Gripal suspeita de covid-19' e da SRAG associada a coronavírus. É essa a redação que aparece em material didático, protocolos municipais e fluxogramas impressos antes de maio de 2026.
Anexo 1 do Anexo V da Portaria de Consolidação GM/MS nº 4/2017, na redação anterior à Portaria GM/MS nº 11.211/2026
Sem item próprio; a notificação passa por 'Síndrome Gripal por covid-19 confirmada' (redação vigente)
O art. 3º remove a covid-19 da Lista como item autônomo, dizendo expressamente que ela fica contemplada no item 'Síndrome Gripal por covid-19 confirmada' — que segue de notificação imediata às três esferas. A SRAG também foi renomeada para 'Srag hospitalizado ou óbito por Srag' e saiu da vigilância sentinela. A causa é a migração da covid-19 para a vigilância sindrômica de vírus respiratórios, o mesmo arranjo já usado para influenza.
Portaria GM/MS nº 11.211, de 13/05/2026, arts. 3º, 4º e 7º (DOU de 14/05/2026)
Na prova
O ano do enunciado decide. Questão elaborada com base em material anterior a maio de 2026 tratará 'covid-19' como linha própria; enunciado que nomeie a Lista Nacional atualizada ou que use 'Síndrome Gripal por covid-19 confirmada' está no corpo novo. As alternativas denunciam: se alguma delas trouxer 'SRAG associada ao SARS-CoV-2' com essa nomenclatura, a questão foi escrita sob a redação antiga. Em ambos os corpos a periodicidade permanece imediata às três esferas — a mudança é de nome e de arrumação, não de velocidade.
Zika em gestante: imediata à Secretaria Estadual e à Municipal
A linha 19b da Lista marca 'Doença aguda pelo vírus Zika em gestante' apenas nas colunas SES e SMS. O nível federal não é acionado em 24 horas, e a síndrome congênita associada ao Zika — linha 19d — é de notificação semanal, entrando num monitoramento próprio de crescimento e desenvolvimento. O desenho vem da resposta montada após 2016, quando o eixo federal passou a receber os dados pelo protocolo de acompanhamento das crianças, e não pela notificação individual da gestante.
Anexo I da Portaria GM/MS nº 11.211/2026, itens 19b e 19d
Oropouche em gestante: imediata às três esferas, incluindo o Ministério da Saúde
O art. 2º, II, e as linhas 27b a 27d exigem notificação imediata ao município, ao estado e ao Ministério da Saúde para gestante, anomalias congênitas, óbitos e óbitos fetais por Oropouche — enquanto o caso comum permanece semanal. A causa é a diferença de maturidade da vigilância: a repercussão fetal do Oropouche ainda está em caracterização e a expansão geográfica é recente, o que justifica monitoramento federal caso a caso.
Portaria GM/MS nº 11.211, de 13/05/2026, art. 2º, II, e Anexo I, itens 27b a 27d
Na prova
Enunciado que descreve gestante com quadro febril agudo obriga a identificar qual arbovirose está em jogo antes de escolher a periodicidade — as duas linhas não são intercambiáveis. Pista de cenário: menção a surto amazônico, a maruim ou Culicoides paraensis, ou a caso 'sem Aedes' aponta para Oropouche; exantema pruriginoso com conjuntivite não purulenta em área de Aedes aponta para Zika. Alternativa que ofereça 'às três esferas' e outra que ofereça 'estadual e municipal' na mesma questão é sinal de que o elaborador está testando exatamente essa distinção.
Notificação imediata às três esferas, conforme o art. 2º, I
O corpo da portaria inclui a caxumba com redação inequívoca: 'Parotidite (Caxumba), com periodicidade de notificação imediata para Secretaria Estadual de Saúde/ Secretaria Municipal de Saúde/ Ministério da Saúde'. É esse o texto reproduzido nos informes que anunciaram a mudança.
Portaria GM/MS nº 11.211, de 13/05/2026, art. 2º, I
Notificação semanal, conforme a linha 48 do Anexo I da mesma portaria
Na tabela publicada como Anexo I, a linha 48 'Parotidite (Caxumba)' traz a marcação exclusivamente na coluna 'Semanal', sem X em MS, SES ou SMS. Como o Anexo I é o texto que passa a vigorar como Anexo 1 do Anexo V da Portaria de Consolidação nº 4/2017, é ele que a rede consulta no dia a dia.
Anexo I da Portaria GM/MS nº 11.211/2026, item 48 (DOU de 14/05/2026, ed. 89, seção 1, p. 1120)
Na prova
Enquanto a redação não for harmonizada, questão sobre a periodicidade da caxumba é questão frágil, e banca costuma evitá-la. Se aparecer, o enunciado tende a citar nominalmente o dispositivo em que se apoia — referência ao artigo puxa para a leitura imediata, referência ao quadro ou à Lista puxa para a semanal. O que é seguro e cobrável é o fato novo: a caxumba passou a ser de notificação compulsória em maio de 2026, quando antes não constava da Lista.
Caso resolvido
- achado
- Quadro febril agudo com poliartralgia intensa, edema articular e exantema, com deslocamento recente para área de transmissão. Preenche definição de caso suspeito de febre de chikungunya — e o padrão articular, mais intenso e incapacitante que o da dengue, é o que orienta a suspeita inicial.
- onde está a linha
- O município não tem transmissão registrada. A linha aplicável não é 'Febre de chikungunya — casos' (semanal), e sim 'Febre de chikungunya em áreas sem transmissão', marcada nas três colunas de esfera.
- periodicidade
- Notificação imediata, em até 24 horas do conhecimento do caso, pelo meio de comunicação mais rápido disponível, à Secretaria Municipal, à Secretaria Estadual e ao Ministério da Saúde. Não se aguarda sorologia nem RT-PCR.
- conduta
- Preencher a Ficha de Notificação/Investigação da Dengue e Chikungunya e registrar no Sinan On-line; comunicar a vigilância municipal para que o controle vetorial avalie o quarteirão e investigue a autoctonia; coletar amostra conforme o dia de sintomas; manejo sintomático com analgesia, sem anti-inflamatório não esteroidal enquanto a dengue não estiver descartada; encerrar o caso no Sinan em até 60 dias.
- por que corre
- A urgência aqui não é do paciente, que está bem. É do território: o primeiro caso num município sem transmissão pode ser importado e terminar nele mesmo, ou pode ser o marco zero de uma epidemia. Só a investigação rápida distingue os dois, e ela depende da notificação chegar antes.
Agora feche você
- achado
- Quadro febril agudo com cefaleia intensa, mialgia e fotofobia, com o padrão bifásico característico, em gestante residente em área com surto confirmado de febre do Oropouche. A definição de caso suspeito está preenchida pelo vínculo epidemiológico somado ao quadro clínico.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Esperar o exame para notificar Atrai porque parece rigor científico: não se rotula ninguém sem prova. Mas a Lista Nacional é de casos suspeitos, e o próprio Guia define caso provável como todo notificado menos os descartados. Segurar a notificação até o NS1 ou a sorologia tira do sistema justamente o dado que orienta a resposta em tempo útil — e, em chikungunya em área nova ou em febre amarela, joga fora a janela de bloqueio.
- 2Confundir gravidade do doente com gatilho de 24 horas É o erro mais elegante da lista, porque a intuição clínica está do lado errado. Dengue com sinais de alarme e dengue grave continuam em notificação semanal; o que corre em 24 horas é o óbito. A vigilância não acelera pela gravidade individual, e sim pelo que muda o mapa: óbito, área sem transmissão, gestante, anomalia congênita.
- 3Achar que 'notificação imediata' significa sempre às três esferas Alternativa que diz 'notificar imediatamente às três esferas' soa completa e por isso convence. Só que leptospirose e acidente por animal peçonhento são imediatos apenas à Secretaria Municipal; Chagas aguda, tétano acidental e Zika em gestante param na estadual. A Lista tem três colunas de esfera exatamente para permitir essa gradação.
- 4Tratar epizootia de macaco como assunto ambiental Morte de primata não humano parece problema de fauna, não de saúde. É o inverso: em febre amarela a epizootia costuma preceder o caso humano e é o alarme mais precoce do sistema, com classificação própria em indeterminada, em investigação e confirmada. Quem atende a comunidade que relatou macacos mortos tem informação de vigilância nas mãos.
- 5Aplicar a mesma régua de malária no país inteiro Malária é endêmica no Brasil, e a conclusão fácil é que seja rotina em toda parte. Na região amazônica é notificação semanal, registrada no Sivep-Malária; na extra-amazônica é imediata em 24 horas às três esferas, no Sinan. A régua segue a região onde o caso é atendido, não onde a infecção foi adquirida — porque o risco que se quer evitar é o de transmissão autóctone na área receptiva.
- 6Imaginar que o médico notifica a Organização Mundial da Saúde O RSI-2005 é citado em toda aula de vigilância, e daí sai a impressão de que certos agravos disparam comunicação internacional direta. O fluxo é outro: o serviço notifica a vigilância municipal, que aciona estado e nível federal, e a comunicação a organismos internacionais depende de avaliação de risco aplicada pelo Ministério da Saúde por instrumento de decisão.
- 7Notificar e considerar o trabalho encerrado A ficha enviada dá sensação de dever cumprido. Mas os indicadores operacionais da vigilância incluem oportunidade de investigação e de encerramento, e dengue, chikungunya, Zika e Chagas aguda devem ser encerrados em até 60 dias da notificação. Caso aberto para sempre e ficha incompleta são falhas de vigilância tanto quanto a notificação que não foi feita.
O sarampo é doença de notificação compulsória imediata (até 24 horas), inclusive na suspeita, dado o alto potencial de transmissão e surto. Não se espera confirmação laboratorial para notificar (a notificação é da suspeita). Notificação mensal aplica-se a agravos de notificação não imediata. O sarampo integra a lista de notificação compulsória. Restringir a notificação a casos com óbito é incorreto.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Uma agente comunitária de saúde notifica um caso suspeito em morador de área rural: homem de 40 anos com febre, mialgia intensa, cefaleia e icterícia, com relato de contato com água de enchente há 10 dias. Exames iniciais mostram creatinina elevada e plaquetopenia. Considerando a principal hipótese diagnóstica e as ações de vigilância na atenção primária, qual é a medida mais adequada?
O quadro (febre, mialgia, icterícia, injúria renal, contato com água de enchente) sugere leptospirose, doença de notificação compulsória, com benefício de antibiótico precoce e suporte (correta). Tratar como dengue ignora o contexto epidemiológico e omite a notificação, obrigatória. Aguardar sorologia atrasa notificação e tratamento, que se baseiam na suspeita clínico-epidemiológica. Corticoide não é primeira linha. Só hidratação oral subestima uma doença potencialmente grave e omite a notificação.
Mulher de 34 anos procura a UBS relatando tosse produtiva há 4 semanas, sudorese noturna e perda de 3 kg. Reside em área de alta incidência de tuberculose. O médico solicita baciloscopia e teste rápido molecular. Considerando a organização da vigilância no SUS, a tuberculose é um agravo de notificação compulsória. Qual é a característica correta da notificação compulsória desse agravo?
A tuberculose é de notificação compulsória (regular/semanal), feita por qualquer profissional de saúde diante de caso confirmado ou suspeito, e registrada no SINAN. Não exige confirmação por cultura — casos suspeitos e clínicos também entram. Não é de notificação imediata em 24h (essa modalidade é reservada a agravos de potencial epidêmico/emergência, como sarampo, cólera, etc.). A notificação é compulsória e independe de autorização do paciente. Qualquer profissional de saúde, não apenas o especialista, deve notificar.
Mulher de 34 anos procura a UBS relatando tosse produtiva há 4 semanas, sudorese noturna e perda de 3 kg. Reside em comunidade de alta vulnerabilidade. O médico solicita baciloscopia e teste rápido molecular. Segundo a organização do SUS, uma vez confirmado o diagnóstico de tuberculose pulmonar, qual medida de vigilância é obrigatória?
Correta (notificação compulsória semanal via SINAN): a tuberculose é doença de notificação compulsória regular (semanal), registrada no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). A notificação imediata (24h) é reservada a agravos de maior urgência (ex.: sarampo, cólera, eventos inusitados). Registrar só no prontuário viola a obrigatoriedade legal. A notificação independe de haver resistência. A comunicação à referência não substitui a notificação ao SINAN.
Uma equipe de vigilância recebe a notificação de um caso de sarampo em uma criança de 3 anos. O gestor questiona o prazo e a forma de notificação. De acordo com a lógica da vigilância epidemiológica no SUS, o sarampo é uma doença cuja notificação deve ser:
O sarampo integra a lista de notificação compulsória imediata (em até 24 horas), dado seu alto potencial epidêmico e a meta de eliminação. Notificação semanal aplica-se a agravos de menor urgência; a notificação não é facultativa nem depende de confirmação laboratorial prévia (a suspeita já deflagra a ação); e prazos mensal/anual são incompatíveis com a resposta rápida exigida para doenças imunopreveníveis de alto risco.
Durante atendimento na UBS, o médico identifica um caso de dengue com sinais de alarme em um paciente adulto. Considerando o sistema de vigilância epidemiológica do SUS, qual a conduta correta em relação à notificação?
A dengue e doenca de notificacao compulsoria, e a notificacao deve ser feita a partir da suspeita clinica, sem depender de confirmacao laboratorial. Afirmar que nao integra a lista de agravos esta incorreto. Restringir a notificacao ao obito inviabiliza a vigilancia e o controle de surtos, cujo objetivo e detectar precocemente a circulacao viral.
Durante consulta na UBS, um médico atende uma criança de 3 anos com diagnóstico clínico de coqueluche (tosse paroxística há 12 dias com guincho inspiratório). Considerando as obrigações de vigilância em saúde no SUS, qual é a conduta correta quanto à notificação?
A coqueluche integra a lista de doenças de notificação compulsória imediata (até 24 horas), pelo risco de surtos e necessidade de bloqueio vacinal e quimioprofilaxia de contatos. A notificação é baseada na suspeita clínica, não dependendo de confirmação laboratorial (por isso a alternativa da cultura está errada). Afirmar que não é notificável é incorreto. A notificação mensal agregada aplica-se a outros agravos, não a doenças de notificação imediata.
Durante consulta na UBS, um médico atende um paciente de 40 anos com diagnóstico confirmado de dengue com sinais de alarme (dor abdominal intensa e vômitos persistentes). Além do manejo clínico adequado, qual providência de vigilância em saúde é obrigatória?
A dengue é doença de notificação compulsória no Brasil; todo caso suspeito/confirmado deve ser notificado à vigilância epidemiológica (SINAN), independentemente de gravidade ou confirmação sorológica. Aguardar a confirmação do sorotipo pelo teste sorológico atrasa a vigilância e não é exigido para notificar. Notificar somente em caso de óbito subestima a vigilância de surtos. E afirmar que nenhuma providência é necessária, por a dengue não ser doença de notificação compulsória, contraria a lista nacional de notificação compulsória.
Em uma comunidade atendida por uma equipe de Saúde da Família, ocorrem, em duas semanas, vários casos de diarreia aquosa aguda em crianças e adultos, com relato de água de abastecimento intermitente e uso de poço. O médico avalia a situação epidemiológica. Qual é a ação inicial mais adequada de vigilância em saúde?
Um aglomerado de casos de diarreia acima do esperado configura surto de doença de transmissão hídrica/alimentar, de notificação imediata à vigilância epidemiológica, com investigação da fonte (água/poço) junto à vigilância sanitária. Tratar isoladamente sem notificar impede a contenção do surto. Exigir coprocultura de todos antes de notificar atrasa a resposta de saúde coletiva. Internar todos é desproporcional, pois a maioria dos casos é manejável ambulatorialmente com hidratação.
Uma equipe de Saúde da Família observa aumento de casos de diarreia aguda em crianças de sua área de abrangência nas últimas duas semanas, concentrados em uma microárea com abastecimento irregular de água. Além do manejo clínico individual, qual ação de vigilância é a mais apropriada para a equipe?
Aumento de casos acima do esperado configura suspeita de surto, que deve ser notificado à vigilância epidemiológica com investigação da fonte comum (ex.: água contaminada) para interromper a transmissão (opção correta). Não se deve aguardar confirmação de todos os casos para agir — a notificação de surto é oportuna e imediata (opção errada). Hospitalizar todas as crianças não é conduta de saúde coletiva e a maioria das diarreias agudas é tratada com hidratação ambulatorial (opção errada). Antibiótico profilático em massa é inadequado e favorece resistência (opção errada).
Um homem de 40 anos, morador de área endêmica, chega à UBS com febre alta, calafrios e cefaleia iniciados há 3 dias, após retornar de viagem à região amazônica. Ao exame, sem sinais de gravidade. Qual a conduta inicial mais adequada na APS para investigação de malária?
Em paciente com febre e história epidemiológica para malária (região amazônica), o diagnóstico é feito na APS por gota espessa ou teste rápido, e o tratamento é definido conforme a espécie (P. vivax x P. falciparum) — a malária é doença de notificação compulsória e o diagnóstico/tratamento oportuno é fundamental (opção correta). Antibiótico empírico não trata malária (opção errada). Sem sinais de gravidade não há indicação de UTI (opção errada). Priorizar sorologia de dengue e postergar a malária é perigoso, pois a malária pode evoluir rapidamente (opção errada).
Mulher de 28 anos procura a UBS com quadro de febre, mialgia e dor retro-orbitária há 3 dias, em área com transmissão de dengue. Ao exame: hidratada, PA 110x70 mmHg, sem sinais de alarme. Prova do laço negativa. Além da hidratação oral e sintomáticos, qual é a conduta obrigatória do médico neste caso?
Dengue é doença de notificação compulsória; todo caso suspeito deve ser notificado à vigilância epidemiológica, função essencial do médico na APS. AAS é contraindicado na dengue pelo risco hemorrágico. Sem sinais de alarme (grupo A/B), o manejo é ambulatorial com hidratação e retorno programado (reavaliação diária e orientação de sinais de alarme), não internação. Liberar sem retorno é inadequado no período crítico.
Uma equipe de Saúde da Família identifica aumento de casos de dengue em sua área. O médico atende uma criança de 6 anos com febre há 3 dias, sem sinais de alarme, hidratada, com prova do laço negativa. Além do manejo clínico com hidratação, qual medida de saúde coletiva é obrigatória?
Dengue é doença de notificação compulsória; todo caso suspeito deve ser notificado à vigilância epidemiológica, independentemente de confirmação laboratorial. Aguardar sorologia ou notificar só se agravar contraria a lógica da vigilância, que se baseia em caso suspeito. Encaminhar à vigilância sanitária para autuação confunde papéis; o combate ao vetor é conduzido pela vigilância, não por punição à família.
Em uma área de abrangência de 4.000 pessoas, o médico da ESF observa, em um mês, 8 casos novos de diarreia aguda entre crianças que frequentam a mesma creche com fonte de água comum. Qual medida de saúde coletiva é prioritária, além do manejo individual?
Agrupamento de casos com fonte comum caracteriza surto, exigindo notificação e investigação epidemiológica para identificar e controlar a fonte (água/creche), medida de saúde coletiva prioritária. Antibiótico rotineiro em diarreia aguda é inapropriado e ignora o coletivo. Aguardar mais casos atrasa o controle. Hidratação individual sem notificar omite a resposta de vigilância exigida frente a um surto.
Um paciente de 30 anos chega à UPA com febre alta, mialgia intensa, dor retro-orbitária e prostração há 3 dias, em período de epidemia na cidade. O médico levanta a hipótese de dengue e confirma o caso. Do ponto de vista da vigilância epidemiológica, qual a conduta obrigatória?
Dengue é doença de notificação compulsória e deve ser notificada (SINAN) a partir da suspeita clínica, não sendo necessário aguardar confirmação laboratorial por sorologia. A notificação não se restringe aos casos que evoluam com sinais de alarme ou óbito — todo caso suspeito é notificável, o que sustenta a vigilância e a resposta a epidemias. E a responsabilidade da notificação é do profissional/serviço de saúde que atende o caso, não do laboratório, de modo que registrar apenas no prontuário é insuficiente.
Durante consulta na UBS, um homem de 28 anos recebe diagnóstico laboratorial confirmado de dengue com sinais de alarme ausentes. O médico, ao registrar o caso, lembra que a dengue é doença de notificação compulsória. Qual a periodicidade correta de notificação nesse caso?
A dengue é agravo de notificação compulsória, feita de forma individual e semanal (registro no SINAN), não sendo caso de notificação imediata em 24h (opção correta). A notificação imediata é reservada a agravos como dengue com sinais de alarme/óbito, sarampo, cólera etc. Casos leves também exigem notificação (opção incorreta). A notificação semanal agregada não é a modalidade da dengue.
Durante uma semana, uma UBS de área rural recebe cinco crianças da mesma comunidade com diarreia aquosa aguda e vômitos. A equipe suspeita de surto de doença diarreica veiculada por água contaminada. Além de hidratar os pacientes (plano A/B conforme avaliação), qual ação de vigilância é prioritária?
Diante de agregação temporo-espacial de casos, o surto deve ser notificado à vigilância epidemiológica e a fonte comum investigada rapidamente para bloqueio. A maioria das diarreias agudas não requer antibiótico; a base é reidratação. Nem todos precisam de hospital terciário. A ação de saúde coletiva não pode aguardar resultados individuais de coprocultura.
Um homem de 55 anos, morador de área rural com histórico de contato com águas de coleção natural, chega à UPA com febre alta, mialgia intensa em panturrilhas, sufusão conjuntival e icterícia rubínica há 5 dias. A equipe suspeita de leptospirose com sinais de gravidade. Além de iniciar o tratamento, qual medida de saúde coletiva é obrigatória?
A leptospirose é doença de notificação compulsória e o caso SUSPEITO já deve ser notificado à vigilância epidemiológica, permitindo investigação, medidas ambientais e monitoramento. Aguardar a sorologia atrasa a resposta de saúde pública. Notificar apenas em óbito contraria a lógica da vigilância, que atua sobre casos suspeitos. O fato de não haver transmissão interpessoal não isenta da notificação — trata-se de agravo de relevância epidemiológica e ambiental. Clinicamente, o caso descrito sugere gravidade (síndrome de Weil) e demanda antibioticoterapia e suporte.
Durante ação de vigilância na UBS, o enfermeiro identifica que um paciente teve confirmação laboratorial de dengue com sinais de alarme e foi internado. O médico de família precisa cumprir a obrigação de vigilância epidemiológica. Sobre a notificação da dengue no SUS, assinale a conduta correta.
A dengue é doença de notificação compulsória; todo caso suspeito deve ser notificado, e formas graves e óbitos têm notificação imediata (até 24h) às autoridades de saúde. Restringir a notificação a óbitos ou surtos confirmados laboratorialmente, ou exigi-la apenas nos casos com sorologia IgM positiva dispensando os clínico-epidemiológicos, subnotifica e prejudica a vigilância. E a notificação não é facultativa na APS nem exclusiva dos hospitais de referência — a APS integra a rede de vigilância.
Um agente comunitário de saúde comunica à equipe que, em uma comunidade ribeirinha do território, três pessoas adoeceram na última semana com febre, mialgia intensa, icterícia e, em um caso, hemorragia; todos referem contato com água de enchente. O médico suspeita de leptospirose. Além de iniciar o cuidado clínico dos casos, qual medida de vigilância é imediatamente exigida na APS?
A leptospirose é doença de notificação compulsória; diante de casos suspeitos com nexo epidemiológico (contato com água de enchente), a notificação deve ser imediata, sem esperar confirmação laboratorial, para desencadear investigação e ações de controle (correta). Aguardar sorologia atrasa a resposta e é incorreto para agravo de notificação. Notificar só o caso hemorrágico subnotifica; todos os suspeitos entram. Apenas registrar em prontuário omite a notificação obrigatória e a possibilidade de surto.
Mulher de 25 anos procura a UBS com febre baixa, exantema maculopapular difuso pruriginoso, conjuntivite não purulenta bilateral e artralgia em mãos e punhos há 3 dias. Refere caso semelhante no bairro e alta densidade de mosquitos. Está no início da gravidez (8 semanas). Ao exame: temperatura 37,7 °C, hiperemia conjuntival sem secreção, exantema em tronco e membros, edema leve de articulações das mãos. Considerando a arbovirose mais compatível e sua principal implicação nesta paciente, qual é a hipótese e a conduta prioritária?
Exantema pruriginoso, conjuntivite não purulenta, febre baixa e artralgia em surto de arbovirose sugerem infecção por Zika, cuja implicação crítica na gestante é o risco de síndrome congênita (microcefalia e outras malformações). A conduta é notificação compulsória, suporte sintomático e acompanhamento pré-natal com ultrassonografias. Chikungunya predomina artralgia intensa, mas corticoide em dose alta imediata não é conduta inicial. Dengue não cursa tipicamente com conjuntivite e prurido, e este caso não tem sinais de alarme. Sarampo não se trata com aciclovir.
Mulher de 31 anos procura o pronto-socorro com febre baixa, artralgia intensa e simétrica em punhos, tornozelos e dedos das mãos há 4 dias, associada a exantema maculopapular. Refere que a dor articular é incapacitante. Reside em bairro com casos confirmados da doença. Ao exame: edema articular em punhos, exantema em tronco, sem sinais de choque. Hemograma com linfopenia leve; plaquetas 160.000/mm³. Sobre o diagnóstico mais provável e a conduta, assinale a alternativa correta.
Poliartralgia/artrite intensa, simétrica e incapacitante com febre e exantema em área de transmissão sugere chikungunya, cujo manejo é sintomático (analgesia, hidratação, repouso), evitando-se AINEs/AAS na fase aguda até afastar dengue pelo risco hemorrágico. Não há sinais de alarme de dengue (sem dor abdominal, sem hemoconcentração). Artrite reumatoide é crônica e não cursa com febre/exantema agudo epidêmico. Febre reumática cursa com artrite migratória e evidência de estreptococcia, não descrita.
Um homem de 40 anos procura o pronto-socorro com febre, artralgia e exantema há 3 dias, após período febril inicial. Reside em cidade com transmissão simultânea de dengue, zika e chikungunya. Queixa-se principalmente de dor articular intensa e simétrica em punhos, tornozelos e dedos das mãos, com edema articular e dificuldade importante para deambular. Refere prurido e discreto exantema maculopapular. Ao exame: articulações edemaciadas e dolorosas à mobilização. Hemograma com discreta linfopenia, plaquetas 160.000/mm³. Considerando o quadro, assinale a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta correta.
Entre as arboviroses, a chikungunya destaca-se pela poliartralgia/artrite intensa, simétrica e incapacitante, frequentemente com edema articular, que pode se tornar crônica — diferindo da dengue (dor mais muscular e retro-orbitária) e da zika (exantema pruriginoso proeminente, geralmente com sintomas mais leves). A conduta é sintomática, com analgesia e hidratação; anti-inflamatórios devem ser usados apenas após exclusão de dengue, pelo risco hemorrágico. Corticoide de imediato não é o manejo da dengue clássica. Não há dados de síndrome neurológica que justifiquem líquor/imunoglobulina. A febre reumática tem contexto e critérios distintos (Jones), não compatível com o quadro.
Uma agente comunitária de saúde relata à equipe da Estratégia Saúde da Família que, em sua microárea, foram notificados nas últimas três semanas oito casos de doença febril com exantema, cefaleia retro-orbitária, mialgia intensa e prostração, sendo dois com dor abdominal e vômitos persistentes. Há acúmulo de recipientes com água parada nos quintais. A equipe confirma laboratorialmente dengue em alguns casos. Diante do agrupamento de casos e da presença de sinais de alarme em parte deles, além do manejo clínico individual, qual é a ação de vigilância em saúde mais apropriada a ser desencadeada pela equipe na APS?
Dengue é doença de notificação compulsória; diante de agrupamento de casos, a equipe deve notificar imediatamente, acionar a vigilância epidemiológica e promover, junto à comunidade, o controle vetorial (eliminação de criadouros). A A é incorreta pois a notificação é por suspeita clínica, sem aguardar confirmação laboratorial. A C é desproporcional: apenas casos com sinais de alarme/gravidade necessitam de referência, e não se suspende o atendimento. A D é infundada, pois não existe quimioprofilaxia antiviral para dengue.
Uma mulher de 34 anos procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de febre alta de início súbito há 3 dias, dor retro-orbitária, mialgia intensa, cefaleia e dois episódios de vômito. Refere que vários vizinhos apresentaram quadro semelhante nas últimas semanas. Ao exame: temperatura axilar 38,7°C, prova do laço negativa, sem sinais de alarme, bem hidratada. O município vive surto sazonal com alta infestação por Aedes aegypti. O médico da equipe de saúde da família formula a hipótese de dengue e inicia hidratação oral conforme o estadiamento. Em relação à vigilância epidemiológica, qual é a conduta correta quanto à notificação deste caso?
A dengue integra a Lista Nacional de Notificação Compulsória, e a notificação é feita a partir do CASO SUSPEITO, sem esperar confirmação laboratorial. Condicionar a notificação ao resultado de NS1 ou de sorologia está errado, porque não se aguarda a confirmação para notificar. Notificar somente se o quadro evoluir com sinais de alarme ou hemorragia também está errado, porque todo caso suspeito — e não apenas os graves — deve ser notificado. E afirmar que a dengue clássica sem gravidade não integra a lista nacional está errado, porque a dengue, em qualquer forma, é de notificação compulsória.
Um homem de 41 anos, trabalhador rural, procura a UPA com febre alta há 4 dias, mialgia, cefaleia e prostração, evoluindo com icterícia, oligúria e colúria. Relata não ter tomado a vacina contra febre amarela e ter trabalhado recentemente em área de mata, em região com registro de mortandade de primatas (epizootias). Ao exame: ictérico (2+/4+), FC 58 bpm apesar da febre (sinal de Faget), dor à palpação em hipocôndrio direito. Exames mostram AST/ALT muito elevadas, hiperbilirrubinemia e plaquetopenia. Diante da principal hipótese diagnóstica, qual é a conduta correta quanto à vigilância epidemiológica?
O quadro (icterícia febril, sinal de Faget, exposição em mata, não vacinado, epizootias) é altamente sugestivo de febre amarela, doença de notificação compulsória IMEDIATA (até 24 horas), a partir da suspeita. Aguardar a sorologia para então notificar na rotina semanal está errado, porque não se espera confirmação nem se usa fluxo semanal. Notificar apenas a Secretaria Estadual e dispensar a investigação das epizootias também está errado: as epizootias em primatas são eventos-sentinela da vigilância da febre amarela e devem ser investigadas. E dispensar a notificação para encaminhar ao hepatologista ignora a obrigatoriedade da notificação.
Um adolescente de 15 anos é levado ao pronto-socorro de um município em surto de dengue. Havia sido atendido dois dias antes, com febre e diagnóstico clínico de dengue, tendo o caso sido lançado no SINAN. Retorna agora com dor abdominal intensa, vômitos persistentes, letargia, extremidades frias, pulso fino e hipotensão, evoluindo com choque e, apesar da reanimação volêmica adequada, com óbito por dengue grave. A equipe argumenta que o caso já constava da notificação semanal de rotina. Considerando as normas de vigilância epidemiológica, qual é a conduta adicional obrigatória diante deste desfecho?
Embora os casos de dengue tenham notificação de periodicidade semanal, o ÓBITO suspeito por dengue/arbovirose é evento de notificação e investigação IMEDIATA (até 24 horas), independentemente de o caso já ter sido notificado. Considerar que nenhuma medida adicional é necessária por o caso já constar da rotina semanal do SINAN, limitar-se a atualizar o encerramento após a necropsia sem prazo definido ou deixar a notificação do óbito para a semana epidemiológica seguinte subestimam a urgência: o desfecho fatal muda o prazo de notificação de semanal para imediato e obriga a investigação do óbito.
Mulher de 45 anos, previamente hígida, procura a Unidade Básica de Saúde com quadro de três dias de febre alta de início súbito acompanhada de dor articular muito intensa e simétrica em punhos, tornozelos e pequenas articulações das mãos, com edema evidente e dificuldade importante para deambular e segurar objetos. Refere também cefaleia e exantema maculopapular pruriginoso, e nega dor retro-orbitária significativa. Vive em município em epidemia de arboviroses. O hemograma não mostra plaquetopenia relevante nem hemoconcentração. Considerando o quadro clínico predominante, qual é a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta inicial adequada?
A poliartralgia/artrite intensa, simétrica, incapacitante e com edema articular é a marca clínica da chikungunya, diferenciando-a da dengue (em que predominam febre, mialgia e dor retro-orbitária) e da Zika (exantema pruriginoso proeminente, conjuntivite não purulenta e febre baixa ou ausente). A conduta é sintomática, com analgesia e repouso, evitando AINE até excluir dengue, além de notificação compulsória. Febre reumática não se apresenta com esse padrão agudo de arbovirose em adulto e não justifica antibiótico.
Um homem de 30 anos, agricultor não vacinado, procura a unidade de saude apos retornar de area rural de Minas Gerais (regiao de mata). Ha 4 dias apresenta febre alta de inicio subito, cefaleia, mialgia, nauseas e prostracao. Ao exame nota-se hiperemia conjuntival e sinal de Faget (bradicardia relativa em relacao a febre). Considerando a doenca de notificacao compulsoria imediata mais provavel nesse contexto epidemiologico, qual e o diagnostico?
Homem nao vacinado, exposicao em area de mata em regiao endemica (MG), febre de inicio subito com sinal de Faget e hiperemia conjuntival configuram febre amarela, arbovirose de notificacao compulsoria imediata. Correta: Chagas aguda cursaria tipicamente com chagoma/sinal de Romana e contexto vetorial distinto. Katayama associa-se a contato com agua doce contaminada por cercarias e eosinofilia. Malaria e mais provavel na Amazonia e cursa com paroxismos febris ciclicos.
Uma mulher de 42 anos comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de dor articular incapacitante há 6 dias. Relata que teve febre baixa por 3 dias, já resolvida, seguida de dor e inchaço simétricos em punhos, articulações das mãos, joelhos e tornozelos, com grande dificuldade para caminhar e segurar objetos. Apresenta exantema maculopapular discreto no tronco. Nega dor retro-orbitária ou sangramentos. Ao exame: afebril, edema e limitação dolorosa em pequenas articulações das mãos, PA 120x80 mmHg. Reside em município com surto simultâneo de arboviroses. Hemograma sem plaquetopenia significativa. Qual é o diagnóstico mais provável e a principal complicação tardia a ser monitorada?
A poliartralgia/artrite intensa, simétrica e incapacitante de pequenas articulações, desproporcional à febre e persistente após a fase febril, é o marco clínico da chikungunya; a complicação característica é a artropatia crônica, que pode durar semanas a meses. Incorreta: na dengue predomina mialgia difusa (não artrite franca) e a ausência de plaquetopenia/hemoconcentração afasta gravidade. Erra na zika o exantema pruriginoso e a hiperemia conjuntival dominam, com artralgia leve; o Guillain-Barré é tardio, não em 24 h. A febre amarela não se sustenta: cursa com quadro sistêmico grave (hepatite, icterícia), não com poliartrite.
Menino de 6 anos é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde por febre alta há 1 dia, cefaleia intensa, vômitos e prostração. Ao exame: temperatura axilar de 39,4 °C, rigidez de nuca e petéquias disseminadas em tronco e membros. O médico aciona o transporte para o hospital de referência com a hipótese de doença meningocócica e inicia a primeira dose de antibiótico. A enfermeira pergunta como e em que prazo o caso deve ser comunicado à vigilância epidemiológica. De acordo com a lista nacional de notificação compulsória do Ministério da Saúde, qual é a conduta correta quanto à notificação desse caso suspeito?
Doença meningocócica/meningite é agravo de notificação compulsória imediata: o caso SUSPEITO deve ser comunicado à vigilância epidemiológica municipal em até 24 horas por qualquer meio (telefone/e-mail), com posterior registro da ficha no SINAN, para desencadear a quimioprofilaxia dos contatos. Alternativa 2: errada porque a periodicidade semanal vale para agravos de notificação compulsória regular, não para os de notificação imediata. Alternativa 3: errada porque a notificação se baseia na suspeita clínica — aguardar confirmação laboratorial retarda o bloqueio; além disso, o sistema oficial de notificação é o SINAN. Alternativa 4: errada porque o e-SUS APS é sistema de registro do cuidado na atenção primária e não substitui a notificação no SINAN.
Uma mulher de 45 anos é atendida na unidade de saúde da família com febre alta de início súbito há quatro dias, associada desde o primeiro dia a dor articular intensa e incapacitante, simétrica, em punhos, articulações metacarpofalangianas, tornozelos e joelhos, com edema visível em punhos. Refere ainda exantema maculopapular pruriginoso em tronco e membros e cefaleia. Reside em município com epidemia de arboviroses e há casos confirmados de chikungunya no seu quarteirão. Ao exame: bom estado geral, hidratada, PA 120/76 mmHg, FC 88 bpm, prova do laço negativa, sem sangramentos. Hemograma: hematócrito 40%, leucócitos 3.900/mm³ com linfopenia, plaquetas 180.000/mm³. Quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta?
A tríade febre alta de início abrupto + poliartralgia intensa, simétrica e incapacitante de pequenas articulações com edema + exantema pruriginoso, em contexto epidemiológico, é o quadro típico da fase aguda da chikungunya (Guia de Vigilância em Saúde/MS). O manejo é sintomático: analgésicos simples (dipirona, paracetamol) e, se necessário, opioides fracos; AAS e AINEs devem ser evitados enquanto não se afasta dengue, pelo risco hemorrágico. Repouso, crioterapia articular e hidratação completam a conduta, e a doença é de notificação compulsória. Rotular como dengue com sinais de alarme e internar para expansão volêmica está incorreto: não há sinais de alarme (sem dor abdominal intensa, vômitos persistentes, hipotensão, hemoconcentração ou plaquetopenia relevante). A hipótese de artrite reumatoide de início agudo ignora o contexto epidemiológico e a febre alta abrupta — a artrite reumatoide exige cronicidade (≥6 semanas). Atribuir o quadro ao vírus Zika e prescrever ácido acetilsalicílico está incorreto duplamente: na Zika a febre é baixa ou ausente e predominam prurido e conjuntivite não purulenta, e o AAS é contraindicado em arbovirose.
Homem de 27 anos procura a Unidade Básica de Saúde de município do interior de Goiás que apresenta transmissão sustentada de dengue no período. Relata febre de início súbito há três dias, cefaleia retro-orbitária, mialgia intensa e exantema maculopapular no tronco iniciado hoje. Nega comorbidades e uso de medicações. Ao exame: bom estado geral, corado, hidratado, afebril no momento, PA 118 x 76 mmHg, FC 82 bpm, abdome indolor, sem hepatomegalia, prova do laço negativa e ausência de sinais de alarme. Hemograma com hematócrito 43%, leucócitos 3.900/mm³ e plaquetas 145.000/mm³. Foi classificado como dengue grupo A, orientada hidratação oral e retorno. Quanto às ações de vigilância epidemiológica, a conduta correta do médico é
Correta: a dengue consta na Lista Nacional de Notificação Compulsória (Portaria GM/MS nº 420/2022, que atualiza a PRC nº 4/2017) e deve ser notificada pelo médico diante da SUSPEITA clínica, sem aguardar confirmação laboratorial, por meio da ficha de notificação/investigação individual no SINAN; para casos de dengue sem gravidade a periodicidade é SEMANAL. Erradas: aguardar a sorologia atrasa a vigilância e contraria a regra de notificar o caso suspeito; a notificação imediata em 24 horas aplica-se ao ÓBITO por dengue (e a arboviroses como febre amarela ou Zika em gestante), não ao caso classificado como grupo A; e a afirmação de que só casos graves/óbitos seriam notificáveis inverte a lógica da vigilância — todo caso suspeito é notificado, e a gravidade apenas muda a periodicidade para imediata.
Homem de 34 anos, trabalhador rural, é atendido na UPA de município da zona da mata de Minas Gerais. Refere febre alta de início súbito há cinco dias, cefaleia, mialgia e dor lombar, com melhora transitória e retorno da febre acompanhada de icterícia, vômitos, dor no hipocôndrio direito e redução do volume urinário. Não recebeu vacinação nos últimos dez anos e trabalha em área de mata onde moradores relataram, nas últimas semanas, o encontro de macacos bugios mortos. Ao exame: ictérico 3+/4+, febril, PA 100 x 60 mmHg, FC 58 bpm, fígado doloroso à palpação. Exames: TGO 1.850 U/L, TGP 1.420 U/L, bilirrubina total 9,2 mg/dL (direta 6,8), plaquetas 62.000/mm³, ureia 96 mg/dL, creatinina 2,4 mg/dL. Quais são, respectivamente, a principal hipótese diagnóstica e a conduta de vigilância?
Correta: quadro febril agudo com período de remissão seguido de icterícia, elevação acentuada de transaminases (com TGO > TGP), plaquetopenia, injúria renal e sinal de Faget, em trabalhador rural não vacinado e com epizootia de primatas não humanos na área, configura caso suspeito de febre amarela — doença de notificação COMPULSÓRIA IMEDIATA (24 horas) às três esferas de gestão; a epizootia em primatas não humanos também é evento de notificação imediata e dispara vacinação de bloqueio e investigação. Erradas: a periodicidade semanal com comunicação apenas no óbito subverte a regra — na febre amarela a suspeita já é imediata; a leptospirose é diferencial plausível (também é notificação compulsória, porém semanal), mas o contexto de epizootia, ausência de vacina e a marcada elevação de transaminases favorecem febre amarela — na leptospirose as transaminases costumam ser pouco elevadas (< 500 U/L) e há CPK aumentada; hepatite viral aguda não explica a epizootia nem o padrão hemodinâmico/renal, e notificar apenas após sorologia contraria a notificação do caso suspeito.
Gestante de 26 anos, com 24 semanas de idade gestacional, comparece à Unidade de Saúde da Família em Recife (PE) para consulta de pré-natal. Refere que há três dias apresenta exantema maculopapular muito pruriginoso, iniciado na face e disseminado para o tronco e os membros, acompanhado de febre baixa (37,8 °C), hiperemia conjuntival sem secreção purulenta e artralgia leve em mãos e tornozelos. Nega dor retro-orbitária intensa, sangramentos ou sinais de alarme. Relata vizinhos com quadro semelhante. Ao exame: bom estado geral, PA 110 x 70 mmHg, exantema maculopapular difuso, conjuntivite não purulenta bilateral, altura uterina e batimentos cardiofetais adequados para a idade gestacional. A conduta correta quanto à vigilância epidemiológica é
Correta: exantema pruriginoso com febre baixa, conjuntivite não purulenta e artralgia leve em área endêmica é caso suspeito de infecção pelo vírus Zika; quando ocorre em GESTANTE, a notificação é COMPULSÓRIA IMEDIATA (até 24 horas), conforme a Lista Nacional de Notificação Compulsória (Portaria GM/MS nº 420/2022, que atualiza a PRC nº 4/2017), com ficha específica no SINAN, coleta de RT-PCR (janela de até 5 dias de sintomas) e vigilância do desfecho gestacional/fetal — a gestante é justamente o gatilho da notificação imediata. Erradas: a periodicidade semanal aplica-se à doença aguda pelo Zika em não gestantes, e não é verdade que só a microcefalia seja imediata (síndrome congênita, óbito e Zika em gestante também são); aguardar a sorologia contraria a regra de notificar o caso suspeito e perde a janela do RT-PCR; condicionar a notificação a alterações ultrassonográficas anularia a finalidade da vigilância, que é justamente identificar precocemente a exposição fetal.
Um homem de 42 anos procura a UPA no quinto dia de doença. Refere que a febre alta cessou há 24 horas, mas persiste com dor articular intensa e simétrica em punhos, mãos e tornozelos, com edema e rigidez matinal que o impedem de segurar objetos. Apresenta exantema maculopapular pruriginoso em tronco e membros. Ao exame: bom estado geral, corado, hidratado, PA 120x80 mmHg, FC 84 bpm, prova do laço negativa, sem sinais de sangramento. Hemograma: hematócrito 43%, leucócitos 3.400/mm³, plaquetas 178.000/mm³. O município vive epidemia simultânea de dengue e chikungunya. Considerando o quadro, quais são, respectivamente, a hipótese diagnóstica e a conduta adequadas?
A poliartralgia intensa, simétrica, com edema e rigidez, desproporcional ao quadro febril e persistente após a defervescência, associada a exantema pruriginoso, é o padrão típico da chikungunya (na dengue predomina mialgia e dor retro-orbitária, não artrite). Pelo Ministério da Saúde, a analgesia na fase aguda usa paracetamol ou dipirona, e AINE/AAS são proibidos até que a dengue seja descartada, pelo risco hemorrágico — o que também invalida a alternativa com ibuprofeno e corticoide (corticoide não é indicado na fase aguda). A alternativa de dengue com sinais de alarme não se sustenta: não há dor abdominal intensa, vômitos persistentes, hemoconcentração, plaquetopenia relevante ou sangramento. A de Zika erra na apresentação (o Zika cursa com febre baixa ou ausente e artralgia leve) e no fato: todas as arboviroses são de notificação compulsória.
Uma gestante de 26 anos, com 24 semanas de idade gestacional, comparece à Unidade Básica de Saúde por manchas avermelhadas no corpo há três dias. Relata que as lesões surgiram no rosto e desceram para o tronco e membros, acompanhadas de coceira importante, e nega dor intensa. Refere sensação febril leve, dor articular discreta em mãos e olhos vermelhos, sem secreção ou dor ocular. Mora em área com intensa infestação por Aedes aegypti. Ao exame: temperatura axilar 37,7 °C, bom estado geral, exantema maculopapular pruriginoso disseminado, hiperemia conjuntival não purulenta, sem adenomegalia retroauricular. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
A tríade exantema maculopapular de início precoce e muito pruriginoso, febre baixa ou ausente e hiperemia conjuntival não purulenta é a apresentação clássica da infecção pelo vírus Zika — quadro de especial relevância na gestante pelo risco de síndrome congênita, exigindo notificação e seguimento. Na dengue predominam febre alta, cefaleia, dor retro-orbitária e mialgia intensa, com exantema mais tardio e pouco pruriginoso. Na chikungunya, a marca é a poliartralgia intensa e incapacitante, ausente aqui. A febre amarela cursa com febre alta, calafrios, mialgia e prostração, evoluindo com icterícia, e não com exantema pruriginoso e conjuntivite.
Um homem de 35 anos, trabalhador rural, é levado ao pronto-socorro de município de Minas Gerais. Há sete dias iniciou febre alta, calafrios, cefaleia e mialgia; no quarto dia houve melhora por cerca de 24 horas, seguida de retorno da febre, icterícia, vômitos e redução do volume urinário. Nas últimas horas apresentou hematêmese. Trabalhava em área de mata onde houve epizootia de macacos; nunca foi vacinado. Exame: icterícia intensa, FC 68 bpm com temperatura de 39 °C, sangramento gengival. Exames: AST 3.200 U/L, ALT 2.100 U/L, bilirrubina total 8,4 mg/dL (direta 6,1), creatinina 3,0 mg/dL, INR 2,1, plaquetas 62.000/mm³. Quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta?
O curso bifásico (período de infecção, remissão breve e período toxêmico), a icterícia com insuficiência renal e hemorragia, o sinal de Faget (bradicardia relativa na vigência de febre alta), a exposição em área de mata com epizootia em primatas e a ausência de vacinação compõem a forma grave da febre amarela; o padrão de aminotransferases muito elevadas com AST maior que ALT (lesão também miocárdica e muscular) é característico. A conduta é suporte intensivo, com notificação imediata em até 24 horas por ser doença de notificação compulsória imediata. A leptospirose ictero-hemorrágica cursa tipicamente com aminotransferases abaixo de 500 U/L, CPK elevada e sufusão conjuntival, e sua notificação não é semanal quando se trata de caso grave. A hepatite A aguda apresenta ALT maior que AST e não tem curso bifásico com epizootia associada. A dengue grave manifesta-se por choque ou sangramento por extravasamento plasmático, e transfusão profilática de plaquetas não é indicada.
Uma mulher de 42 anos comparece à Unidade Básica de Saúde relatando febre de 39 °C há 3 dias, acompanhada de dor articular de forte intensidade que a impede de segurar objetos e de caminhar sem apoio. Ao exame, apresenta poliartralgia simétrica com edema e calor em punhos, articulações metacarpofalangeanas e tornozelos, exantema maculopapular pruriginoso em tronco e cefaleia. Nega dor abdominal, vômitos, sangramentos ou queda do estado geral; a diurese está preservada. Reside em bairro com transmissão simultânea de dengue e chikungunya. Prova do laço negativa. Hemograma: hematócrito 39% (basal 38%), plaquetas 180.000/mm3, leucócitos 3.900/mm3 com linfopenia relativa.
A poliartralgia intensa, simétrica e incapacitante, com artrite (edema e calor) de pequenas articulações das mãos, punhos e tornozelos, associada a febre alta de início abrupto e exantema pruriginoso, é o quadro típico de chikungunya na fase aguda — a artrite proeminente é o que a diferencia da dengue, em que predominam mialgia, dor retro-orbitária e prostração, com artralgia leve. O hemograma reforça o diferencial: sem hemoconcentração e sem plaquetopenia significativa. A conduta preconizada pelo Ministério da Saúde na fase aguda é sintomática e escalonada, começando por paracetamol ou dipirona, com repouso e crioterapia, além de notificação compulsória por se tratar de arbovirose. A alternativa da dengue com ibuprofeno erra duplamente: o quadro articular não é o da dengue e o AINE está contraindicado enquanto não se afasta dengue, pelo risco hemorrágico e de lesão renal. Artrite reumatoide não se instala com febre alta abrupta e exantema em 3 dias, e imunossupressão nesse cenário é inadequada. A febre reumática ocorre tipicamente em crianças e adolescentes, após faringoamigdalite, com poliartrite migratória de grandes articulações — e o AAS, aqui, seria perigoso enquanto a dengue não estiver descartada.
Uma gestante de 26 anos, com 14 semanas de idade gestacional e pré-natal em dia na Unidade de Saúde da Família, procura atendimento por exantema maculopapular muito pruriginoso, iniciado há 2 dias em face e disseminado para tronco e membros. Refere febre baixa apenas no primeiro dia (37,6 °C), hiperemia conjuntival bilateral sem secreção purulenta, artralgia leve em mãos e discreto edema periarticular. Nega dor abdominal, vômitos, sangramentos ou hipotensão postural. Reside em área com circulação de arbovírus e relata mosquitos no domicílio. Ao exame: bom estado geral, PA 110/70 mmHg, FC 80 bpm, prova do laço negativa. Hemograma sem hemoconcentração e com plaquetas de 210.000/mm3. Cartão vacinal completo, com tríplice viral aplicada na adolescência.
Exantema maculopapular intensamente pruriginoso de início precoce, febre baixa ou ausente, conjuntivite não purulenta e artralgia leve compõem a apresentação clássica da infecção pelo vírus Zika, distinguindo-a da dengue (febre alta, mialgia intensa, prostração) e da chikungunya (artrite incapacitante). Em gestante, o caso suspeito de Zika é de NOTIFICAÇÃO IMEDIATA (até 24 horas), diferentemente dos demais casos de Zika, que são de notificação semanal — e exige confirmação laboratorial por RT-PCR em sangue e urina (a urina amplia a janela de detecção), sintomáticos com paracetamol (AAS e AINE contraindicados enquanto não se afasta dengue e pelo risco na gestação) e vigilância fetal com ultrassonografias seriadas pelo risco de síndrome congênita. A rubéola é improvável em gestante com tríplice viral prévia, e imunoglobulina não é conduta preconizada pelo Ministério da Saúde para essa finalidade. Não há qualquer sinal de alarme de dengue no caso, e gestação por si só não classifica a paciente no grupo C — gestante sem sinais de alarme é grupo B, com hidratação oral e hemograma. Atribuir o quadro a farmacodermia sem investigar arbovírus em área de transmissão ativa, em gestante, negligencia o risco fetal e a obrigação de notificar.
Homem de 28 anos, previamente hígido, é levado ao pronto-socorro de hospital de referência. Há 7 dias apresentou febre alta de início súbito, cefaleia, mialgia e náuseas, com melhora espontânea no 4º dia; há 24 horas voltou a apresentar febre, com icterícia progressiva, vômitos, dor epigástrica e gengivorragia. Relata acampamento em área de mata em região serrana de Minas Gerais há 12 dias, onde moradores comentavam sobre macacos encontrados mortos. Não recebeu vacina contra febre amarela. Ao exame: torporoso, ictérico ++/4, PA 96x58 mmHg, FC 58 bpm, temperatura 38,5 °C, petéquias em membros. Exames: leucócitos 2.900/mm³, plaquetas 62.000/mm³, AST 4.180 U/L, ALT 1.960 U/L, bilirrubina total 9,8 mg/dL (direta 7,4 mg/dL), creatinina 2,6 mg/dL, INR 2,1. O diagnóstico mais provável e a conduta imediata são, respectivamente,
O quadro é típico de febre amarela silvestre na forma grave: paciente NÃO VACINADO com exposição em área de mata com epizootia de primatas não humanos (evento sentinela clássico), evolução BIFÁSICA (período de infecção → remissão → período toxêmico), icterícia, manifestações hemorrágicas, insuficiência renal e sinal de Faget (bradicardia relativa apesar da febre). O laboratório fecha o raciocínio: transaminases na casa dos milhares com AST DESPROPORCIONALMENTE MAIOR que a ALT (lesão miocárdica/muscular além da hepática) e leucopenia. A febre amarela é de notificação IMEDIATA (até 24 horas) e não tem antiviral específico — o manejo é suporte intensivo, com confirmação por RT-PCR (até o 5º dia de sintomas) e/ou sorologia IgM. Errada: na leptospirose as transaminases raramente ultrapassam algumas centenas e há leucocitose com neutrofilia (não leucopenia); falta o vínculo com água de enchente e a investigação etiológica é sempre obrigatória por vigilância. Errada: hepatite B cursa com ALT ≥ AST e não explica a evolução bifásica, o sinal de Faget nem a epidemiologia de epizootia. Errada: a região serrana de Minas Gerais não é área endêmica de malária, o P. vivax raramente causa a forma grave descrita e a epizootia de macacos aponta para febre amarela.
Um homem de 34 anos, trabalhador rural, procura a unidade de pronto atendimento de um município da zona da mata de Minas Gerais com quadro de início súbito, há 4 dias, de febre alta, calafrios, cefaleia intensa, mialgia e prostração. Nas últimas 24 horas, evoluiu com náuseas, vômitos, dor em hipocôndrio direito, icterícia, redução do volume urinário e sangramento gengival. Nega vacinação prévia contra febre amarela. Ao exame: temperatura de 37,2 °C, frequência cardíaca de 58 bpm, icterícia (++/4+), dor à palpação de hipocôndrio direito. Exames: AST 1.850 U/L, ALT 1.520 U/L, bilirrubina total 8,4 mg/dL (direta 6,1), creatinina 2,7 mg/dL. Moradores relatam achado de macacos mortos na mata próxima à propriedade nas últimas semanas. Qual é, respectivamente, a principal hipótese diagnóstica e a conduta de vigilância adequada?
Correta: a tríade febre + icterícia + insuficiência renal com transaminases muito elevadas (AST > ALT), sinal de Faget (bradicardia relativa com febre), exposição em área silvestre, ausência de vacinação e epizootia de primatas não humanos configuram caso suspeito de febre amarela — doença de notificação compulsória IMEDIATA (até 24 horas) às três esferas de gestão, conforme a Portaria de Consolidação nº 4/2017 (Lista Nacional de Notificação Compulsória) e o Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde; a notificação não espera confirmação laboratorial. Dengue é notificação semanal e não cursa com esse padrão de hepatite grave, e a notificação nunca aguarda sorologia. Leptospirose, embora também curse com icterícia e lesão renal, tem transaminases habitualmente pouco elevadas (< 500 U/L), exige exposição a água/roedores e também é de notificação — mas o contexto de epizootia e não vacinação aponta febre amarela. Malária extra-amazônica é de notificação imediata (não semanal) e não explica a epizootia nem esse padrão hepático.
Uma mulher de 26 anos, gestante de 12 semanas, comparece à unidade básica de saúde de Recife (PE) relatando, há 3 dias, exantema maculopapular pruriginoso que começou na face e se disseminou para o tronco e os membros, acompanhado de febre baixa (37,8 °C aferida em casa), hiperemia conjuntival não purulenta, cefaleia e artralgia leve em punhos e tornozelos. Nega dor retro-orbitária intensa e nega sangramentos. Refere vários vizinhos com quadro semelhante e presença de criadouros de Aedes aegypti no quintal. Ao exame: bom estado geral, corada, hidratada, exantema maculopapular difuso, conjuntivas hiperemiadas, prova do laço negativa, sem edema articular. Qual é, respectivamente, a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta de vigilância correta?
Correta: exantema pruriginoso precoce e proeminente, febre baixa ou ausente e conjuntivite não purulenta compõem o quadro típico de infecção pelo vírus Zika. Embora a doença aguda pelo Zika em pessoas não gestantes seja de notificação SEMANAL, o Zika em GESTANTE é de notificação COMPULSÓRIA IMEDIATA (24 horas), conforme a Lista Nacional de Notificação Compulsória, pelo risco de síndrome congênita — daí a coleta de RT-PCR (janela de até 5 dias de sintomas) e o seguimento ultrassonográfico. A alternativa que propõe notificação semanal para Zika é o distrator central: acerta a doença, erra o prazo justamente por ignorar a condição de gestante. Dengue costuma cursar com febre alta e dor retro-orbitária, e sua notificação não depende de sinais de alarme. Chikungunya cursa com artralgia intensa e incapacitante, e AINE está contraindicado na suspeita de arbovirose (risco hemorrágico) e no 3º trimestre da gestação.
Em uma unidade básica de saúde de município do interior do Ceará, em pleno período epidêmico, um homem de 22 anos é atendido com febre de 39 °C há 2 dias, cefaleia, dor retro-orbitária, mialgia intensa e exantema. Está em bom estado geral, hidratado, com prova do laço negativa e sem sinais de alarme. O médico classifica o caso como dengue do grupo A, orienta hidratação oral, prescreve sintomáticos e agenda retorno. O enfermeiro pergunta como proceder quanto à vigilância epidemiológica, uma vez que o resultado do teste NS1 só ficará pronto em alguns dias e o município já registra centenas de casos confirmados. Qual é a conduta correta?
Correta: dengue é doença de notificação compulsória e a notificação é feita a partir da SUSPEITA clínica, sem aguardar confirmação laboratorial — esse é o princípio da sensibilidade da vigilância (Portaria de Consolidação nº 4/2017 e Guia de Vigilância em Saúde). Todo caso suspeito gera ficha do SINAN; a dengue (casos não graves e sem óbito) é de notificação semanal, ao passo que dengue grave e óbito por dengue são de notificação imediata (24 h). Aguardar o laboratório atrasaria a detecção de surtos e é incorreto. Não notificar por já haver epidemia é erro grave: a curva epidêmica e a definição de medidas de controle dependem justamente do registro contínuo de todos os casos. Restringir a notificação a casos graves subestima a magnitude da epidemia e inviabiliza o cálculo de incidência e letalidade.
Uma médica da unidade básica de saúde de um município do interior atende, em uma manhã de sábado, sete pessoas de famílias diferentes, com idades entre 8 e 62 anos, que apresentam náuseas, vômitos, cólicas abdominais e diarreia aquosa iniciados entre 4 e 8 horas antes. Todas relatam ter participado, na véspera, de uma festa comunitária no salão paroquial, em que foi servida maionese caseira. Ao exame, os pacientes estão hidratados, afebris ou subfebris, com abdome doloroso difusamente à palpação, sem sinais de irritação peritoneal. Nenhum caso apresenta gravidade que indique internação. Não há, até o momento, identificação do agente etiológico envolvido. Diante dessa situação, a conduta correta da médica quanto à vigilância epidemiológica é
Correta: pela lista nacional de notificação compulsória (Portaria de Consolidação GM/MS nº 4/2017, Anexo V), SURTO de doença transmitida por alimentos (DTA) é evento de notificação IMEDIATA, em até 24 horas, à vigilância municipal — a notificação é do surto (evento), não de cada diarreia isolada, e independe de etiologia definida. A investigação inclui busca ativa de casos, curva epidêmica, coleta de fezes/vômito e de restos alimentares (bromatológica), com medidas de controle iniciadas de imediato. A primeira alternativa erra ao condicionar a notificação ao laboratório: a suspeita basta e a espera inviabiliza a coleta de alimentos e o controle da fonte. A segunda erra duas vezes: diarreia aguda tem monitorização (MDDA) e, sobretudo, o agrupamento configura surto de notificação imediata. A quarta inventa um limiar numérico inexistente: define-se surto pela ocorrência de dois ou mais casos com vínculo epidemiológico (e, em DTA como botulismo/cólera, um único caso já é surto).
Homem de 34 anos procura a unidade básica de saúde referindo febre de início súbito há 3 dias, associada a dor articular intensa e simétrica em punhos, mãos e tornozelos, com edema e dificuldade para segurar objetos, além de exantema maculopapular pruriginoso no tronco e cefaleia retro-orbitária. Reside em bairro com casos confirmados de dengue e de chikungunya nas últimas semanas. Nega comorbidades e uso de medicamentos. Ao exame: temperatura axilar 38,4 °C, PA 120/80 mmHg, FC 88 bpm, hidratado, sem sangramentos, prova do laço negativa, edema e dor importante à mobilização de punhos e tornozelos. Hemograma: leucócitos 3.800/mm³ com linfopenia, plaquetas 148.000/mm³, hematócrito 42%. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta inicial adequada.
O quadro de febre alta de início súbito com poliartralgia INTENSA e simétrica de pequenas articulações, com edema articular e exantema pruriginoso, em área com circulação viral, é típico de chikungunya — a dor articular incapacitante com artrite é o que a distingue da dengue (onde predominam mialgia e dor retro-orbitária) e da zika (exantema pruriginoso proeminente, hiperemia conjuntival e febre baixa ou ausente). Na fase aguda, como dengue não pode ser excluída clinicamente e ambas cocirculam, o Ministério da Saúde recomenda hidratação e analgesia com paracetamol ou dipirona, PROIBINDO AINEs e AAS pelo risco hemorrágico; todas as arboviroses são de notificação compulsória. Alternativa 1 (dengue com sinais de alarme): não há nenhum sinal de alarme (sem dor abdominal intensa, vômitos persistentes, hipotensão postural, sangramento de mucosa ou hemoconcentração) — não se interna. Alternativa 2 (zika): não explica a artrite com edema e febre alta, e zika é de notificação compulsória, sendo imediata em gestantes. Alternativa 4: AINE e corticoide são contraindicados na fase aguda (dengue não afastada) e o corticoide não previne a fase crônica, podendo causar rebote articular.
Uma mulher de 26 anos, gestante de 14 semanas, procura a Unidade Básica de Saúde de seu território, em município do interior do Nordeste com infestação predial elevada por Aedes aegypti e casos de dengue notificados nas últimas semanas. Relata que há dois dias apareceram manchas vermelhas no tronco e nos membros, muito pruriginosas, acompanhadas de febre baixa (37,8 °C), dor articular leve nas mãos e olhos vermelhos, sem secreção. Nega dor retro-orbitária intensa, vômitos ou sangramentos. Ao exame: bom estado geral, PA 110x70 mmHg, FC 84 bpm, exantema maculopapular difuso, hiperemia conjuntival bilateral não purulenta, prova do laço negativa, sem sinais de alarme. A gestação vinha transcorrendo sem intercorrências. Diante da hipótese diagnóstica, qual é a conduta correta quanto à notificação?
O quadro de exantema maculopapular muito pruriginoso, febre baixa, artralgia leve e conjuntivite não purulenta sem secreção, em área com circulação de Aedes aegypti, é típico de doença aguda pelo vírus Zika (o prurido intenso e a hiperemia conjuntival diferenciam de dengue e chikungunya). O segundo passo é reconhecer que, pela Lista Nacional de Notificação Compulsória (Portaria de Consolidação GM/MS nº 4, Anexo V, atualizada pela Portaria nº 1.061/2020), a doença aguda pelo vírus Zika EM GESTANTE é evento de notificação IMEDIATA em até 24 horas à vigilância municipal, pelo risco de síndrome congênita — a notificação se faz diante da SUSPEITA, não da confirmação. Errada: a notificação semanal aplica-se ao caso de Zika em não gestante e à dengue sem sinais de alarme; gestante muda a regra. Errada: notificação compulsória é feita por suspeição; condicioná-la ao exame atrasa a ação de vigilância e o seguimento pré-natal. Errada: gravidade clínica não é critério para dispensar notificação — o risco relevante aqui é para o concepto, e o caso é notificável independentemente da leveza do quadro.
Gestante de 22 anos, com 11 semanas de gestação, comparece à Unidade Básica de Saúde relatando, há dois dias, exantema maculopapular pruriginoso em tronco e membros, hiperemia conjuntival bilateral sem secreção, febre de 37,8 °C e artralgia leve. Nega dor retro-orbital, vômitos ou sangramentos. Reside em município com circulação simultânea de dengue, Zika e chikungunya. Exame obstétrico sem alterações. Além de sintomáticos e orientação sobre sinais de alarme, qual a conduta correta na atenção primária?
O quadro é altamente sugestivo de Zika: exantema pruriginoso precoce, conjuntivite não purulenta e febre baixa ou ausente — diferente da dengue (febre alta, dor retro-orbital, mialgia intensa) e da chikungunya (poliartralgia intensa e incapacitante). Zika em gestante é agravo de notificação compulsória IMEDIATA (até 24 horas), pelo risco de síndrome congênita, e a confirmação se faz por RT-PCR (sangue até o 5º dia de sintomas; urina até o 14º dia), com seguimento pré-natal e ultrassonográfico. A primeira alternativa erra ao postergar a investigação e ao dispensar a notificação, que é obrigatória e imediata na gestante. A segunda é inaceitável: AAS e demais AINEs são contraindicados em arboviroses até afastar dengue (risco hemorrágico) e o AAS ainda é contraindicado na gestação; além disso, não há indicação de alto risco apenas por suspeita clínica. A terceira falha ao abrir mão do diagnóstico etiológico e da notificação, que orientam vigilância e manejo do binômio.
Em uma creche com 28 crianças, a UBS de referência investiga um surto de diarreia aquosa com vômitos. Os três primeiros casos ocorreram no mesmo dia; a seguir, novos grupos de casos surgiram em picos sucessivos, separados por intervalos de cerca de 2 a 3 dias, ao longo de três semanas, acometendo também duas funcionárias e irmãos das crianças em casa. Não houve mudança no cardápio nem na fonte de água. A interpretação da curva epidêmica e a conduta prioritária são:
Curva epidêmica com picos sucessivos separados por aproximadamente um período de incubação (2 a 3 dias, compatível com norovírus/rotavírus), extensão a funcionárias e contatos domiciliares e ausência de veículo comum caracterizam surto de fonte PROPAGADA (transmissão pessoa a pessoa); a conduta prioritária é o bloqueio da cadeia de transmissão — higiene das mãos, desinfecção de superfícies com hipoclorito e afastamento dos sintomáticos por 48 horas após a resolução. Fonte comum pontual produziria um único pico com todos os casos dentro de um período de incubação, o que não ocorreu. Fonte comum persistente geraria platô contínuo sem picos separados por intervalos regulares, e não explicaria os casos domiciliares. A quarta opção é incorreta em dois pontos: há claro vínculo epidemiológico e todo surto, inclusive de diarreia em instituição, é de notificação imediata à vigilância.
Homem de 32 anos procura a Unidade Básica de Saúde (UBS) de um município do interior com transmissão sustentada de dengue. Refere febre de 38,8 °C há dois dias, cefaleia retro-orbitária, mialgia e exantema maculopapular no tronco. Prova do laço negativa, sem sinais de alarme. Pressão arterial de 120 x 80 mmHg, frequência cardíaca de 88 bpm. O médico faz a hidratação oral conforme estadiamento e orienta retorno. Em relação à vigilância epidemiológica, qual é a conduta correta quanto à notificação desse caso?
Dengue é doença de notificação compulsória e o caso SUSPEITO deve ser notificado ao SINAN pelo profissional/serviço que o atende, sem esperar confirmação — é a suspeita que dispara a investigação e o controle vetorial. A segunda alternativa inverte a lógica da vigilância: aguardar exame atrasa a resposta e subnotifica o município. A terceira é falsa: a obrigatoriedade vale para todo caso suspeito, e não só para dengue grave/com sinais de alarme (estes têm notificação imediata, em até 24 horas). A quarta confunde registro assistencial (prontuário/e-SUS) com notificação compulsória, que é ato próprio e independente.
Gestante de 24 anos, na 12ª semana, é atendida na UBS com exantema maculopapular pruriginoso há dois dias, febre baixa (37,7 °C), hiperemia conjuntival não purulenta e artralgia leve. Reside em município com circulação de Aedes aegypti. A hipótese principal é doença aguda pelo vírus Zika. Coletam-se amostras para RT-PCR. Qual é a conduta correta de vigilância nesse caso?
Zika em gestante integra a lista de notificação IMEDIATA (até 24 horas) à vigilância municipal, justamente pelo risco de síndrome congênita, que exige investigação e seguimento pré-natal específico — a notificação parte da suspeita clínico-epidemiológica. A notificação semanal aplica-se ao caso de Zika em não gestantes, não a esta situação. Aguardar o RT-PCR contraria o princípio da vigilância, que se baseia no caso suspeito, e retardaria o monitoramento do binômio. Esperar alteração ultrassonográfica é tardio e equivocado: a notificação da gestante independe de desfecho fetal, e a síndrome congênita é agravo notificável à parte.
Homem de 45 anos chega à UPA de município que não registra casos autóctones de febre de chikungunya. Há três dias apresenta febre alta de início súbito, exantema e poliartralgia simétrica e incapacitante em punhos, tornozelos e mãos, com edema articular. Nega viagens nos últimos três meses; um vizinho teve quadro semelhante na mesma semana. Há infestação por Aedes aegypti na área. Qual é a conduta de vigilância mais adequada?
A definição operacional distingue os prazos: chikungunya é de notificação semanal em áreas com transmissão estabelecida, mas o caso suspeito em área SEM transmissão autóctone é notificação IMEDIATA (24 horas), pois pode representar a introdução do vírus e exige resposta rápida de investigação e controle vetorial — a ausência de viagem e o caso no vizinho reforçam a suspeita de autoctonia. A notificação semanal é justamente a pegadinha: seria o prazo em área endêmica. Notificar como dengue é errado — o quadro articular incapacitante caracteriza a suspeita de chikungunya, e a notificação usa a suspeita clínica, não o exame. Não notificar é inaceitável: sem viagem, o caso é ainda mais prioritário, e a comunicação ao controle vetorial não substitui a notificação compulsória.
Homem de 45 anos, morador de área rural próxima à mata na região amazônica e sem vacinação prévia contra febre amarela, é internado com febre, icterícia, oligúria e sangramento gengival. Ao exame chama atenção bradicardia relativa apesar da febre (sinal de Faget). Exames: AST 4.800 U/L e ALT 3.200 U/L, bilirrubina total 12 mg/dL, leucócitos 2.100/mm³, proteinúria e creatinina 2,8 mg/dL. Diante da suspeita de febre amarela, qual achado laboratorial melhor a diferencia da leptospirose ictérica?
Na febre amarela, doença hepatotrópica, as aminotransferases atingem milhares de U/L (tipicamente com AST > ALT pela lesão de miocárdio e músculo além do fígado) e há leucopenia, além do sinal de Faget — padrão que a distingue da leptospirose (2). Na leptospirose ictérica as transaminases costumam elevar-se apenas modestamente (raramente acima de 400 U/L), e o hemograma mostra leucocitose neutrofílica com CPK elevada por rabdomiólise (0). A hiperpotassemia com lesão renal oligúrica é típica da leptospirose grave, não discrimina a favor da febre amarela (1). O padrão puramente colestático com fosfatase alcalina alta não caracteriza nenhuma das duas hepatites virais/leptospiróticas com esse perfil de citólise intensa (3).
A vigilância epidemiológica de um município recebe a notificação de vários macacos (primatas não humanos) encontrados mortos em uma mata próxima à zona urbana. Até o momento não há casos humanos confirmados de febre amarela na região, e a cobertura vacinal local está abaixo da meta. Qual é a conduta de saúde pública mais apropriada frente a essa epizootia?
A epizootia em primatas não humanos é um evento sentinela de notificação imediata: sinaliza circulação do vírus da febre amarela antes do surgimento de casos humanos, permitindo antecipar a resposta. A conduta correta é intensificar a vacinação da população da área de risco e investigar/notificar a epizootia (3). Vacinar macacos não é medida disponível nem indicada (0). Esperar caso humano confirmado desperdiça a janela de prevenção que a epizootia oferece (1). O controle vetorial isolado não substitui a vacinação, que é a principal medida de proteção contra a febre amarela silvestre (2).
Homem de 55 anos comparece à UBS com quadro de síndrome gripal há 4 dias, agora evoluindo com dispneia. Ao exame apresenta SpO2 de 92% em ar ambiente e desconforto respiratório. Qual a classificação do caso e a conduta inicial mais adequada?
Síndrome gripal que evolui com dispneia e/ou SpO2 < 95% em ar ambiente configura Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), de notificação compulsória imediata e que exige encaminhamento para avaliação/estabilização hospitalar. As demais opções subestimam a gravidade: o paciente hipoxêmico e dispneico não pode ser manejado como quadro leve, resfriado comum ou rinite alérgica.
Homem de 34 anos procura a Unidade Básica de Saúde com febre de início súbito há 3 dias (38,5°C), acompanhada de dor articular intensa e simétrica em punhos, tornozelos e pequenas articulações das mãos, com edema e importante limitação da movimentação. Relata que vários vizinhos apresentaram quadro semelhante nas últimas semanas. Ao exame, há edema e dor à mobilização das articulações acometidas, além de discreto exantema maculopapular em tronco. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
A poliartralgia/artrite intensa, simétrica e incapacitante, de predomínio em pequenas articulações, associada a febre súbita em contexto epidêmico, é a marca da chikungunya. A dengue predomina com mialgia, cefaleia e dor retro-orbitária, sem artrite verdadeira. A febre amarela cursa com manifestação hepática e icterícia, não com poliartrite. A infecção por Zika tipicamente apresenta exantema pruriginoso e conjuntivite com artralgia leve, não incapacitante.
Homem de 42 anos, trabalhador rural não vacinado, procura a UPA com febre alta, mialgia e cefaleia há 4 dias. Houve melhora transitória dos sintomas por cerca de 24 horas, seguida de reaparecimento da febre associada a icterícia, dor abdominal, vômitos e oligúria. Relata mortandade de macacos na região onde trabalha. Ao exame está ictérico, com FC de 58 bpm apesar da temperatura de 39°C. Exames laboratoriais mostram elevação acentuada de transaminases e de bilirrubinas. Além do suporte clínico, qual conduta é imediatamente indicada?
O quadro bifásico com fase de intoxicação hepatorrenal, sinal de Faget (bradicardia relativa à febre) e epizootia de primatas caracteriza febre amarela, que é agravo de notificação compulsória imediata (até 24h) já na suspeita, para desencadear a resposta de vigilância e a vacinação de bloqueio. Não existe imunoglobulina específica nem tratamento antiviral. A vacina não trata a doença já instalada e é contraindicada na vigência do quadro. A antibioticoterapia cobriria leptospirose (diferencial), mas os dados epidemiológicos e o Faget apontam febre amarela.
Gestante de 25 anos, na 12ª semana, comparece à Unidade Básica de Saúde com exantema maculopapular pruriginoso em face e tronco há 2 dias, hiperemia conjuntival não purulenta e febre baixa (37,8°C). Nega artralgia importante e nega dor retro-orbitária. Reside em área com circulação de arbovírus. Qual é a hipótese mais provável e a conduta adequada nesta situação?
Exantema pruriginoso, hiperemia conjuntival e febre baixa com pouca ou nenhuma artralgia compõem o quadro típico de Zika. Em gestante, a infecção por Zika é de notificação e exige vigilância pré-natal reforçada com ultrassonografias seriadas pelo risco de síndrome congênita. A dengue cursa com febre mais alta, mialgia e dor retro-orbitária, sem conjuntivite marcante. A chikungunya predomina com artrite intensa. A rubéola é diferencial, mas a interrupção da gestação não é conduta padrão preconizada no SUS diante de suspeita.
Homem de 19 anos é levado à UPA com febre alta de início súbito, cefaleia intensa, vômitos, rigidez de nuca e petéquias disseminadas há cerca de 8 horas. O médico plantonista firma a hipótese de doença meningocócica e inicia antibioticoterapia empírica. Além do manejo clínico e das medidas de precaução, qual é a conduta correta quanto à vigilância e aos sistemas de informação em saúde?
A doença meningocócica é agravo de notificação compulsória IMEDIATA (até 24h à vigilância), independentemente de confirmação laboratorial, e o instrumento oficial é o SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) — a suspeita já dispara a notificação para deflagrar o bloqueio e a quimioprofilaxia dos contatos. O e-SUS APS registra a produção da atenção primária, não substitui a notificação de agravos. Esperar a cultura atrasa medidas de controle e contraria a norma de notificação por suspeita. A notificação mensal/consolidada aplica-se a agravos de notificação semanal/negativa, não a um agravo de notificação imediata.
Em uma comunidade rural atendida por uma UBS, o médico identifica, em poucos dias, dezenas de casos de diarreia aquosa aguda. Os moradores relatam consumir água de um poço raso sem tratamento, próximo a fossas. Além da hidratação dos doentes, qual é a conduta de saúde pública mais adequada nesse momento?
A ocorrência agrupada de diarreia aguda com fonte de água contaminada caracteriza um surto, cuja notificação é imediata e deve desencadear investigação ambiental da fonte hídrica (coleta e análise da água) em conjunto com as vigilâncias epidemiológica e sanitária. Antibiótico para toda a população não é indicado e favorece resistência. Não se deve aguardar confirmação laboratorial para notificar/agir, pois a resposta a surtos é oportuna. Tratar individualmente sem medida coletiva ignora a fonte e perpetua a exposição.
Mulher de 45 anos apresenta febre alta de início súbito (39 °C) há 3 dias, acompanhada de dor articular. Com a defervescência, evolui com poliartralgia simétrica intensa e edema em punhos, articulações metacarpofalângicas e tornozelos, com importante limitação para deambular e vestir-se. Refere ainda exantema e prurido discreto. Há surto de doença transmitida por Aedes na região. O acometimento articular é a manifestação mais marcante e incapacitante do quadro. O diagnóstico mais provável é:
A poliartralgia/artrite simétrica intensa e incapacitante, acometendo pequenas articulações, com edema e limitação funcional marcante, é a assinatura clínica da chikungunya. Na dengue clássica predominam mialgia, cefaleia e dor retro-orbital, sem artrite franca. Na infecção pelo vírus Zika o achado dominante é o exantema pruriginoso com conjuntivite não purulenta e febre baixa ou ausente, com artralgia leve. A leptospirose na fase precoce cursa com mialgia intensa em panturrilhas, sufusão conjuntival e exposição a água contaminada.
Homem de 34 anos, trabalhador rural, procura a UPA com febre de 39 °C, cefaleia intensa, mialgia e dor lombar há quatro dias, com breve remissão da febre no terceiro dia e retorno acompanhado de icterícia, dor abdominal e epistaxe. Refere derrubada de mata na zona rural do Vale do Ribeira e não recorda vacinação prévia. Exame: ictérico, temperatura axilar 39,1 °C com FC 62 bpm, dor à palpação do hipocôndrio direito. Exames: AST 1.480 U/L, ALT 1.320 U/L, bilirrubina total 6,8 mg/dL (direta 5,1), creatinina 2,1 mg/dL, INR 1,9. Diante da suspeita de febre amarela, assinale a conduta correta quanto à vigilância epidemiológica.
A febre amarela integra a Lista Nacional de Notificação Compulsória (Portaria de Consolidação GM/MS nº 4, Anexo V) na categoria de notificação IMEDIATA, em até 24 horas, a partir da suspeita, para os três níveis de gestão (municipal, estadual e federal) — é doença de potencial epidêmico, sujeita ao Regulamento Sanitário Internacional, e o caso descrito (febre bifásica, icterícia, sinal de Faget, transaminases > 1.000 com AST > ALT, insuficiência renal e sangramento, em não vacinado exposto a mata) é caso suspeito por definição, o que já basta para notificar. A opção que condiciona a notificação à confirmação laboratorial inverte a lógica da vigilância: notifica-se a suspeita, e a investigação é que confirma ou descarta. A notificação semanal aplica-se a agravos como dengue (casos), leptospirose e hanseníase, não à febre amarela, cujos casos e óbitos são ambos imediatos. Restringir a notificação a epizootias ou surtos é incorreto: a epizootia em primatas não humanos é evento de notificação imediata adicional e independente, não pré-requisito do caso humano.
Gestante de 26 anos, com 14 semanas, comparece à UBS relatando exantema maculopapular intensamente pruriginoso há dois dias, iniciado na face e disseminado ao tronco, com hiperemia conjuntival bilateral e artralgia leve em mãos. Refere sensação febril apenas no primeiro dia (Tax 37,6 °C aferida), sem dor retro-orbitária importante, prostração ou vômitos. Reside em bairro com circulação simultânea de arbovírus. Exame: exantema difuso, conjuntivite não purulenta, prova do laço negativa, sem edema articular. Hemograma: leucócitos 5.900/mm³, plaquetas 198.000/mm³, hematócrito 36%. Assinale a conduta de vigilância adequada.
O quadro é típico de Zika: exantema maculopapular pruriginoso de instalação precoce, conjuntivite não purulenta e febre baixa ou ausente — diferente da dengue (febre alta, dor retro-orbitária, mialgia intensa, plaquetopenia, prova do laço) e da chikungunya (febre alta com poliartralgia incapacitante e edema articular). Reconhecido o caso suspeito em GESTANTE, a Lista Nacional de Notificação Compulsória classifica 'doença aguda pelo vírus Zika em gestante' como notificação IMEDIATA, em até 24 horas, justamente para deflagrar a investigação de infecção congênita, com coleta de RT-PCR (soro até o 5º dia, urina até o 14º) e seguimento do binômio. Notificar como dengue erra o agravo e o prazo — a suspeita de Zika em gestante tem ficha e fluxo próprios. A notificação semanal vale para o caso de Zika em não gestante; a gestação é exatamente o critério que a torna imediata. Condicionar a notificação ao RT-PCR repete o erro de exigir confirmação: notifica-se a suspeita.
Homem de 41 anos procura pronto-socorro em Curitiba (PR) com febre de 39,5 °C precedida de calafrios e seguida de sudorese profusa, em episódios que se repetem a cada 48 horas, associados a cefaleia e mialgia. Retornou há 12 dias de viagem de trabalho a Manaus (AM), onde permaneceu três semanas em área ribeirinha, sem quimioprofilaxia. Exame: hipocorado 1+/4+, baço palpável a 2 cm do rebordo costal esquerdo. Hb 10,8 g/dL, plaquetas 92.000/mm³, bilirrubina indireta 2,4 mg/dL. Gota espessa: Plasmodium vivax, parasitemia baixa. Assinale a conduta correta quanto à vigilância epidemiológica deste caso.
A malária tem classificação de notificação DUPLA na Lista Nacional de Notificação Compulsória: na Amazônia Legal (AC, AP, AM, MA, MT, PA, RO, RR e TO) é de notificação semanal, registrada no SIVEP-Malária; fora dela — região extra-amazônica, como o Paraná — é de notificação IMEDIATA, em até 24 horas, com registro no SINAN. A razão é epidemiológica, não burocrática: na área não endêmica existem vetores anofelinos competentes, e todo caso, mesmo importado, precisa de investigação em até 24-48 horas para busca ativa de outros casos e para descartar transmissão autóctone ou introduzida, além de tratamento imediato supervisionado. Por isso é errado usar o SIVEP-Malária fora da região amazônica e é errado tratá-lo como sistema nacional único. Restringir a notificação ao P. falciparum ou às recaídas não encontra respaldo: a compulsoriedade independe da espécie, e o P. vivax, com hipnozoítos e gametócitos precoces, é plenamente capaz de sustentar transmissão local. Aguardar o término do tratamento anularia a oportunidade da resposta, que deve ser simultânea, e não posterior, à terapêutica.
Homem de 38 anos procura a UPA no terceiro dia de sintomas com febre de 39 °C, exantema maculopapular pruriginoso no tronco e artralgia intensa, simétrica e incapacitante em punhos, tornozelos e pequenas articulações das mãos, com edema articular à inspeção. Nega sangramentos. PA 120x76 mmHg, FC 92 bpm, prova do laço negativa. Reside em bairro com surto confirmado de chikungunya nas últimas semanas. Considerando o agente mais provável e o tempo de doença, assinale o exame mais adequado para a confirmação etiológica neste momento.
Febre alta com poliartralgia simétrica intensa e edema articular, exantema pruriginoso e nexo epidemiológico apontam chikungunya. A janela diagnóstica manda no exame: até o 5º–8º dia há viremia, e o método de escolha é a RT-PCR (detecção direta do RNA viral) — o paciente está no 3º dia. IgM anti-CHIKV só se torna detectável por volta do 5º–6º dia e seria falso-negativo agora. NS1 investiga dengue, não é o agente mais provável e não confirma chikungunya. IgG em amostra única não define doença aguda (exige soroconversão em amostras pareadas).
Gestante de 24 anos, com 22 semanas, comparece à UBS relatando há 2 dias exantema maculopapular muito pruriginoso iniciado na face e disseminado para o tronco, hiperemia conjuntival não purulenta, artralgia leve em mãos e febre baixa e fugaz (37,8 °C aferida uma vez). Bom estado geral, sem sangramentos, prova do laço negativa, altura uterina compatível, BCF presentes. Reside em área com circulação de arbovírus. Assinale a conduta mais adequada.
Exantema muito pruriginoso de início precoce, hiperemia conjuntival e febre baixa ou ausente compõem o quadro clássico de zika — diferente da dengue (febre alta, mialgia) e da chikungunya (artralgia incapacitante com edema). Zika em gestante é agravo de notificação IMEDIATA, e o diagnóstico na fase aguda é por RT-PCR em sangue e urina (a urina amplia a janela de detecção até ~14 dias), com acompanhamento ecográfico seriado para rastrear a síndrome congênita. Pedir só IgM é inadequado pela reação cruzada com dengue e, sobretudo, por omitir a notificação obrigatória. Amniocentese é procedimento invasivo, não é o passo inicial e não muda a conduta obstétrica agora. Postergar a notificação até haver dano fetal contraria a lógica da vigilância.
Em um município do semiárido, sem rede de esgoto e com abastecimento predominante por poços rasos, observa-se em poucos dias aumento súbito do número de adultos com diarreia aquosa profusa, de aspecto "água de arroz", sem febre, evoluindo com desidratação grave e alguns óbitos. Duas amostras foram confirmadas por coprocultura para Vibrio cholerae O1. Além da reidratação imediata dos doentes, qual é a medida de vigilância mais adequada?
Cólera é agravo de notificação imediata e, como doença de veiculação hídrica, o controle depende de investigar e sanear a fonte de água (cloração/fervura) além de reidratar. Aguardar percentual de confirmação ou notificar só no fim do surto viola o prazo imediato; a quimioprofilaxia em massa não é recomendada — a base é água segura, saneamento e reidratação, reservando-se antibiótico aos casos graves/moderados.
Homem de 42 anos procura a UBS com febre de início súbito há 3 dias, acompanhada de dor articular de forte intensidade, simétrica, acometendo punhos, tornozelos e pequenas articulações das mãos, com edema e importante limitação dos movimentos. Refere ainda exantema maculopapular e cefaleia. Reside em bairro em situação de epidemia de arboviroses. O caráter intenso e incapacitante da poliartralgia, com sinais de artrite, chama a atenção. Assinale o diagnóstico mais provável.
Poliartralgia intensa, simétrica e incapacitante, com edema e sinais de artrite franca, é a marca registrada da chikungunya. A dengue cursa com mialgia e artralgia menos intensas, sem artrite. A Zika caracteriza-se por exantema pruriginoso e conjuntivite não purulenta, com artralgia apenas leve. A leptospirose sugere mialgia em panturrilhas, sufusão conjuntival e exposição a água/lama contaminada.
Gestante de 27 anos, com 22 semanas, comparece ao pré-natal na ESF referindo, há 2 dias, exantema maculopapular pruriginoso disseminado, hiperemia conjuntival não purulenta e febre baixa (37,8°C), além de discreta artralgia em mãos. Nega dor retro-orbitária intensa, mialgia importante ou qualquer sinal de alarme. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, afebril no momento. Reside em região endêmica para arboviroses. Considerando o diagnóstico mais provável e o contexto obstétrico, assinale a conduta correta.
Exantema pruriginoso, conjuntivite não purulenta e febre baixa com sintomas sistêmicos discretos compõem o quadro típico de Zika. Em gestante, é agravo de notificação compulsória e exige vigilância do desenvolvimento fetal com ultrassonografia seriada, pelo risco de síndrome congênita do Zika. Incorreta: não há febre alta, dor retro-orbitária ou sinais de alarme que sugiram dengue ou justifiquem internação. Errada: a artralgia é discreta, não o padrão incapacitante da chikungunya, e corticoide não é conduta inicial. Erra ao contraindicar o AAS (risco em arboviroses e na gestação) e ao dispensar a notificação obrigatória.
Gestante de 24 anos, com 12 semanas de idade gestacional, é atendida na UBS por exantema maculopapular pruriginoso iniciado há dois dias em face e tronco, febre baixa (37,8 °C), hiperemia conjuntival não purulenta e artralgia leve em mãos. Nega sangramentos, dor abdominal ou vômitos. O município apresenta circulação simultânea de dengue, chikungunya e Zika. Exame: bom estado geral, PA 108/68 mmHg, prova do laço negativa, útero compatível com a idade gestacional. Hemograma sem alterações relevantes. Assinale a conduta correta quanto à notificação e à vigilância deste caso.
Zika em gestante é uma das situações-sentinela de NOTIFICAÇÃO IMEDIATA (até 24 horas) na lista nacional de notificação compulsória, ao lado de óbito por arbovirose e chikungunya em área sem transmissão prévia — justamente pelo risco de síndrome congênita. O quadro (exantema pruriginoso precoce, febre baixa ou ausente, conjuntivite não purulenta) é típico de Zika e a confirmação se faz por RT-PCR em sangue e urina na fase aguda. Notificação semanal é a regra do caso suspeito de dengue/chikungunya/Zika em não gestantes — não se aplica aqui. Condicionar a notificação ao RT-PCR inverte a lógica da vigilância, que opera sobre suspeita. Registrar apenas o recém-nascido ao nascimento também não resolve: a unidade de vigilância aqui é a gestante suspeita, e o acompanhamento do neonato exposto é acréscimo, não substituto.
Gestante de 24 anos, com 21 semanas de idade gestacional, comparece à Unidade Básica de Saúde referindo há dois dias exantema maculopapular pruriginoso no tronco e nos membros, hiperemia conjuntival sem secreção e artralgia leve em mãos. Nega febre aferida. Reside em área com transmissão simultânea de dengue, chikungunya e Zika, e relata muitos focos de água parada no quintal. Exame físico: BEG, afebril, PA 110x70 mmHg, exantema difuso, sem sinais de alarme, altura uterina e BCF compatíveis. A hipótese principal é doença aguda pelo vírus Zika. Quanto à ação de vigilância epidemiológica, assinale a conduta correta.
Pela Lista Nacional de Notificação Compulsória, a doença aguda pelo vírus Zika em GESTANTE é de notificação IMEDIATA, em até 24 horas, à autoridade de saúde municipal, justamente pelo risco de síndrome congênita associada ao Zika — o que a diferencia do Zika fora da gestação, de notificação semanal. Aguardar confirmação laboratorial é erro conceitual grave: notifica-se diante do caso SUSPEITO, e o encerramento posterior pode descartá-lo. Notificação negativa semanal é instrumento para semanas sem casos, não substitui a notificação individual de um caso suspeito. Enquadrar o caso na notificação semanal ignora a condição de gestante, que muda o prazo para imediato.
Homem de 29 anos, previamente hígido, retorna ao pronto-socorro após passar cinco dias em área de mata na região Sudeste, onde foram encontrados macacos mortos. Refere que há seis dias iniciou febre alta, cefaleia, mialgia e náuseas, com melhora aparente no quarto dia, seguida de piora com icterícia, vômitos, dor em hipocôndrio direito e redução do volume urinário. Nega vacinação prévia contra febre amarela. Ao exame: ictérico +++/4, temperatura 38,9 °C, FC 62 bpm, PA 100 × 60 mmHg, hepatimetria aumentada e dolorosa, sem sufusão conjuntival e sem dor em panturrilhas. Exames: AST 3.200 U/L, ALT 1.900 U/L, bilirrubina total 9,8 mg/dL (direta 7,1), creatinina 3,4 mg/dL, plaquetas 78.000/mm³, INR 2,1. Assinale o diagnóstico mais provável.
Exposição em área silvestre com epizootia de primatas, ausência de vacinação, curso bifásico (período de infecção, remissão e fase toxêmica), icterícia com insuficiência hepática e renal, bradicardia relativa apesar da febre (sinal de Faget) e transaminases muito elevadas com predomínio de AST sobre ALT compõem o quadro clássico de febre amarela — doença de notificação imediata, com necessidade de isolamento vetorial do paciente. Na leptospirose a icterícia é rubínica, há sufusão conjuntival, mialgia intensa em panturrilhas, CPK elevada e as transaminases costumam ficar abaixo de 500 U/L. Na hepatite A a ALT em geral supera a AST e falta o contexto epidemiológico silvestre com curso bifásico e lesão renal precoce. A dengue grave se define por choque, extravasamento plasmático ou sangramento grave, com padrão de exposição urbana e sem a relação AST/ALT descrita.
Gestante de 24 anos, com 22 semanas, é atendida em unidade básica de município do Nordeste com circulação comprovada de Aedes aegypti e casos recentes de doença aguda pelo vírus Zika. Apresenta exantema maculopapular pruriginoso há dois dias, febre baixa, conjuntivite não purulenta e artralgia leve. Conforme a Lista Nacional de Notificação Compulsória vigente, a notificação deste caso é:
A Lista Nacional desdobra o Zika em quatro linhas, e 'Doença aguda pelo vírus Zika em gestante' está marcada nas colunas SES e SMS — notificação imediata, em até 24 horas, à Secretaria Estadual e à Secretaria Municipal, sem acionamento do nível federal em 24 horas. Por isso a primeira alternativa. A segunda é o distrator mais próximo e traduz a simplificação de que toda notificação imediata sobe às três esferas: não é o caso aqui, embora seja o desenho adotado para gestante com febre do Oropouche. A periodicidade semanal aplica-se ao caso agudo de Zika em não gestante e também à síndrome congênita associada ao Zika, mas não à gestante. Condicionar a notificação ao RT-PCR contraria a regra de que o gatilho é a suspeita clínico-epidemiológica. E adiar tudo para o nascimento retiraria da vigilância a informação que permite acompanhar a gestação e delimitar transmissão ativa.
Homem de 34 anos procura a unidade básica de saúde de um município do sul de Santa Catarina onde nunca houve registro de transmissão autóctone de chikungunya. Relata febre de 38,7 °C há três dias, poliartralgia intensa e simétrica em punhos, mãos e tornozelos, com edema articular, e exantema maculopapular no tronco. Retornou há seis dias de duas semanas de férias em Fortaleza (CE). Encontra-se estável, sem sinais de alarme. O médico levanta a hipótese de febre de chikungunya e solicita sorologia, cujo resultado sairá em cinco dias. Quanto à notificação compulsória, a conduta correta é:
A Lista Nacional de Notificação Compulsória tem duas linhas distintas para chikungunya: 'Febre de chikungunya — casos', de periodicidade semanal, e 'Febre de chikungunya em áreas sem transmissão', de notificação imediata às três esferas de gestão. Como o município nunca registrou transmissão autóctone, aplica-se a segunda linha, e o prazo é de até 24 horas do conhecimento do caso, pelo meio mais rápido disponível — daí a alternativa correta. As alternativas que condicionam a notificação ao resultado da sorologia ou à piora clínica erram no princípio básico da vigilância: a notificação nasce da suspeita, e caso provável é definido como todo caso notificado exceto os descartados. A alternativa que limita a comunicação à Secretaria Municipal ignora que as colunas da Lista são cumulativas — havendo marcação nas três, notifica-se às três, e não se delega a escalada. E a alternativa que aplica a periodicidade semanal desconsidera justamente o dado epidemiológico que a vinheta destaca: o primeiro caso em área sem transmissão é o evento que permite bloqueio vetorial antes da primeira onda.
Mulher de 28 anos, moradora de município com transmissão de dengue em curso, chega à unidade básica com febre de 39 °C há dois dias, cefaleia, dor retro-orbital, mialgia e náusea. Prova do laço negativa, sem sinais de alarme, hemograma com leucopenia e plaquetas de 180.000/mm³. Foi coletado NS1, com resultado previsto para 48 horas. Sobre a notificação compulsória deste caso, é correto afirmar que:
A paciente preenche a definição de caso suspeito de dengue: reside em área com registro de casos e apresenta febre de dois a sete dias com duas ou mais manifestações da lista (cefaleia/dor retro-orbital, mialgia, náusea, leucopenia). A notificação é devida imediatamente a partir da suspeita, mas a periodicidade da linha 'Dengue — casos' é semanal, com registro no Sinan dentro da semana epidemiológica — por isso a segunda alternativa. Condicionar a notificação ao NS1 inverte a lógica do sistema, que trabalha com casos suspeitos e depois os descarta. Atribuir a notificação ao laboratório contraria a regra de que notificam os profissionais de saúde e os responsáveis pelos serviços, públicos e privados. A periodicidade imediata às três esferas, em dengue, é reservada à linha de óbitos. E não existe dispensa de notificação por ausência de gravidade: plaquetopenia não integra a definição de caso suspeito, e a prova do laço é apenas uma das manifestações possíveis, não critério obrigatório.
Durante reunião de sala de situação, a equipe de vigilância epidemiológica de um município precisa informar o número de casos prováveis de dengue da semana e avaliar o indicador de oportunidade de encerramento. Conforme o Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, é correto afirmar que:
O Guia de Vigilância em Saúde define, para fins de ações de vigilância, que casos prováveis são todos os casos notificados exceto os descartados — o que faz da notificação, e não da confirmação, a base de cálculo da incidência que orienta a resposta municipal. O mesmo capítulo estabelece que casos de dengue, chikungunya e Zika devem ser encerrados oportunamente em até 60 dias após a data da notificação, prazo também aplicado à doença de Chagas aguda. Daí a terceira alternativa. Definir caso provável como confirmado por laboratório ou por NS1 reagente esvazia o conceito, que existe justamente para não depender do exame. Subtrair os confirmados em vez dos descartados inverte a conta e produziria um indicador sem sentido, e a contagem do prazo parte da data da notificação, não do início dos sintomas. Restringir o caso provável aos que têm sinais de alarme confunde estratificação clínica com classificação epidemiológica, e a ausência de prazo contraria um dos indicadores operacionais que o Guia manda monitorar.
Em município do Amazonas com surto de febre do Oropouche confirmado pela vigilância, três situações chegam à mesma unidade na mesma semana: I) homem de 30 anos com quadro febril agudo, cefaleia e mialgia, com boa evolução; II) gestante de 18 semanas com quadro febril agudo compatível; III) óbito fetal em mulher que apresentou quadro febril agudo há duas semanas. Conforme a Lista Nacional de Notificação Compulsória vigente, as periodicidades de notificação de I, II e III são, respectivamente:
A febre do Oropouche foi incluída na Lista Nacional pela Portaria GM/MS nº 11.211, de 13 de maio de 2026, com desenho escalonado: casos com notificação semanal e, com notificação imediata às três esferas de gestão, os óbitos, os óbitos fetais, as gestantes e as anomalias congênitas. Assim, o caso comum (I) é semanal, e tanto a gestante (II) quanto o óbito fetal (III) correm em 24 horas — o que corresponde à terceira alternativa. A primeira e a quinta alternativas aplicam régua única a todas as situações e ignoram que a Lista trata a arbovirose por linhas. A segunda deixa a gestante na periodicidade semanal, exatamente o ponto que a portaria alterou. A quarta inverte a lógica: coloca em 24 horas o caso de boa evolução e devolve à semana os eventos que motivaram o monitoramento federal, que são justamente os de repercussão gestacional e fetal, ainda em caracterização.
Paciente de 61 anos, hipertenso, internado há três dias com diagnóstico clínico de dengue grave, evolui com choque refratário e morre às 3 h de um sábado. A sorologia e o NS1 haviam sido coletados, mas os resultados ainda não foram liberados pelo laboratório de referência. A equipe assistencial pergunta como proceder quanto à vigilância. A orientação correta é:
A Lista Nacional traz 'Dengue — óbitos' como linha própria, com notificação imediata ao município, ao estado e ao Ministério da Saúde, em até 24 horas do conhecimento do fato e pelo meio de comunicação mais rápido disponível. Óbito por dengue é evento sentinela de falha assistencial e dispara investigação, motivo pelo qual a última alternativa é a correta. Aguardar exame ou esperar o expediente da semana desfaz exatamente o que a notificação imediata pretende: a investigação começa a partir da notificação, e o Guia de Vigilância em Saúde orienta que, quando a confirmação em vida não foi possível, sejam coletados fragmentos de vísceras em até 48 horas após o óbito para pesquisa de antígeno viral por imuno-histoquímica — prazo incompatível com espera. A notificação do caso na admissão não substitui a do óbito, porque são linhas diferentes da Lista com periodicidades diferentes. E o encaminhamento ao Serviço de Verificação de Óbito é ato de investigação da causa da morte, não substitui a notificação compulsória.
Homem de 27 anos é atendido em unidade de pronto atendimento de Belo Horizonte com febre alta acompanhada de calafrios e sudorese, em acessos, há cinco dias, além de cefaleia e mialgia. Esteve há três semanas em zona rural do interior do Amazonas. A gota espessa é positiva para Plasmodium vivax. Sobre a notificação deste caso, é correto afirmar que:
A Lista Nacional separa 'Malária na região amazônica', de notificação semanal, de 'Malária na região extra-amazônica', de notificação imediata às três esferas de gestão; o Guia de Vigilância em Saúde traduz essas colunas em até sete dias e até 24 horas, respectivamente, e indica os sistemas: Sivep-Malária na região amazônica e Sinan na extra-amazônica. A régua acompanha a região em que o caso é atendido e notificado, e não o local de infecção, porque o que se pretende evitar é a transmissão autóctone em área receptiva — daí a quarta alternativa. A primeira ignora a divisão geográfica; a segunda restringe indevidamente a comunicação a uma esfera, quando as três colunas estão marcadas; a terceira aplica ao caso o sistema e a periodicidade da região de origem da infecção, exatamente o erro que a divisão pretende evitar; e a quinta confunde controle de insumos com vigilância epidemiológica: a dispensação de antimaláricos não substitui a notificação compulsória.
Homem de 45 anos, lavrador, morador de área rural de Minas Gerais, sem comprovante de vacinação contra febre amarela, procura atendimento com febre alta de início súbito há quatro dias, prostração intensa, icterícia e epistaxe. Relata que, há cerca de duas semanas, vizinhos encontraram vários macacos mortos em um fragmento de mata próximo às casas. A conduta correta da equipe é:
O paciente preenche a definição de caso suspeito de febre amarela: não vacinado, com quadro febril agudo de início súbito acompanhado de icterícia e manifestação hemorrágica, e exposição em área com ocorrência recente de epizootia em primatas não humanos. A febre amarela não tem linha semanal na Lista Nacional — todo caso suspeito é de notificação imediata às três esferas, e o Guia de Vigilância em Saúde determina que a investigação epidemiológica comece imediatamente após a notificação, porque um caso pode significar surto. Daí a segunda alternativa. Aguardar IgM ou aplicar periodicidade semanal desperdiça a janela de resposta, que inclui decisões de vacinação para a região. Vacinar o paciente com quadro suspeito em curso é conduta equivocada: a vacina é de vírus vivo atenuado e não trata a doença instalada. Tratar a epizootia como assunto exclusivamente ambiental descarta o alarme mais precoce do sistema — a morte de primatas não humanos costuma preceder o caso humano e tem classificação própria em indeterminada, em investigação e confirmada para febre amarela.
Após forte chuva, uma unidade de pronto atendimento registra, na mesma semana, um caso suspeito de leptospirose em morador que limpou lama de enchente e um caso suspeito de doença de Chagas aguda por provável transmissão oral. A equipe pergunta a quem cada suspeita deve ser comunicada em até 24 horas. Pela Lista Nacional de Notificação Compulsória da Portaria GM/MS nº 11.211/2026, qual é a resposta correta?
Na lista nacional citada, a leptospirose tem marcação de notificação imediata à Secretaria Municipal de Saúde. A doença de Chagas aguda tem marcação de notificação imediata às Secretarias Municipal e Estadual. A comunicação deve ocorrer em até 24 horas da suspeita, conforme o fluxo aplicável. As colunas devem ser verificadas para cada agravo; a gravidade clínica, isoladamente, não permite inferir os destinatários. Isso não elimina outras comunicações que possam ser necessárias em situação específica de surto ou evento de saúde pública.
Mulher de 35 anos, residente em município com registro de casos de dengue, procura a unidade no terceiro dia de febre, com mialgia intensa e dor retro-orbital. A prova do laço é negativa e o hemograma mostra plaquetas de 210.000 por milímetro cúbico e leucócitos de 4.100. Qual é a conduta quanto à definição de caso e à notificação?
Caso suspeito de dengue é o indivíduo que reside em área com registro de casos, ou que viajou nos últimos 14 dias para área com transmissão ou com presença do vetor, e apresenta febre, usualmente de dois a sete dias, com duas ou mais manifestações da lista: náusea ou vômitos, exantema, mialgia ou artralgia, cefaleia ou dor retro-orbital, petéquias ou prova do laço positiva, e leucopenia. A residência já cumpre o vínculo epidemiológico, e exigir viagem acrescenta um requisito que a definição apresenta como alternativa. A prova do laço é uma das manifestações possíveis, não critério obrigatório, e a plaquetometria sequer entra na definição. A obrigação de notificar nasce da suspeita clínica: aguardar exame para registrar inverte o desenho da vigilância.
Paciente foi notificado como suspeito de dengue no Sinan Online, módulo dengue/chikungunya. A investigação, com testes adequados ao período da doença e avaliação clínica, descartou dengue e confirmou chikungunya, sem coinfecção. Ainda não há notificação para chikungunya. Como registrar o resultado?
Deve-se encerrar a suspeita de dengue como descartada e registrar a notificação e conclusão de chikungunya. Embora o modelo de ficha seja comum às duas doenças, o Sinan Online mantém registros específicos por suspeita e restringe as classificações ao agravo notificado. Não se deve excluir uma suspeita legitimamente notificada, confirmá-la contra os achados ou deixá-la pendente após a conclusão. A notificação de suspeita não se torna um erro de cadastro apenas porque o diagnóstico final foi outro.
Segundo as orientações federais vigentes sobre a notificação de dengue, chikungunya e zika no Brasil, qual afirmação está correta?
Notificação compulsória é obrigatória nos serviços públicos e privados e, conforme a definição do Ministério da Saúde, pode decorrer da suspeita ou da confirmação, com periodicidade imediata ou semanal conforme o agravo. Para dengue e chikungunya, casos suspeitos devem ser registrados sem aguardar confirmação laboratorial; óbitos suspeitos devem ser comunicados imediatamente, em até 24 horas. A página federal atual de zika orienta comunicação ao Ministério da Saúde em até 24 horas após confirmação. A redação anterior estava errada ao transformar genericamente toda forma grave das três arboviroses em notificação imediata. Fontes: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/notificacao-compulsoria ; https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/dengue/casos-suspeitos/not-de-casos-suspeitos/ ; https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/chikungunya/notificacoes ; https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/z/zika-virus
Sobre as medidas de controle vetorial das arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti, qual tem maior impacto sustentado?
O controle sustentado depende da eliminação de criadouros e do manejo ambiental com participação da comunidade, já que o vetor se reproduz em recipientes com água limpa no peridomicílio. A nebulização espacial atinge apenas os mosquitos adultos, tem efeito transitório e é medida de bloqueio em surtos, não estratégia isolada. O isolamento do doente não interrompe a transmissão, que depende do vetor.
Paciente com suspeita de arbovirose apresenta febre, exantema pruriginoso, conjuntivite não purulenta e artralgia leve, com mialgia discreta e febre baixa. Qual a hipótese mais provável?
Exantema pruriginoso proeminente, conjuntivite não purulenta e febre baixa ou ausente, com sintomas gerais leves, é o padrão da infecção por zika. A dengue engana pela sobreposição, mas cursa com febre alta, mialgia intensa e dor retro-orbitária marcantes. A chikungunya se distingue pela artralgia intensa e frequentemente incapacitante, com acometimento poliarticular simétrico e edema articular.
Sobre o Aedes aegypti, qual característica é relevante para as estratégias de controle?
O vetor é urbano, domiciliado, deposita ovos em recipientes artificiais com água limpa e pica preferencialmente durante o dia, com picos no início da manhã e no fim da tarde. Essas características explicam por que a eliminação de criadouros no peridomicílio é a medida central, e por que o mosquiteiro isolado, útil contra vetores noturnos como o da malária, tem papel limitado nas arboviroses.
Sobre a associação entre zika e manifestações neurológicas no adulto, qual quadro deve ser vigiado?
O aumento de casos de síndrome de Guillain-Barré acompanhou epidemias de zika, configurando uma associação reconhecida que motivou vigilância específica das paralisias flácidas agudas. O quadro típico é a fraqueza ascendente simétrica com hiporreflexia, dias a semanas após um quadro exantemático febril, e o reconhecimento precoce importa pelo risco de acometimento respiratório.
Qual é a medida de maior impacto no controle das arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti?
O controle depende da eliminação dos criadouros domiciliares e peridomiciliares, com participação da comunidade, já que o vetor se reproduz em pequenos volumes de água limpa dentro das casas. Confiar apenas na nebulização engana quem vê a ação visível do inseticida, medida que atinge o mosquito adulto de forma transitória e não impede a reposição das novas gerações a partir dos criadouros.
Sobre o óbito por dengue, qual afirmação está correta?
Todo óbito suspeito ou confirmado por dengue é de notificação e investigação obrigatórias, com análise da assistência prestada, já que a maioria das mortes é evitável e decorre de falhas na classificação de risco, no reconhecimento da fase crítica ou na hidratação oportuna. Condicionar a notificação à confirmação ou ao tipo de serviço engana quem trata a vigilância como formalidade administrativa.
Sobre a vigilância das arboviroses, qual é o objetivo do monitoramento de casos suspeitos e da investigação oportuna?
A vigilância existe para detectar precocemente o aumento de casos e a introdução de novos sorotipos, disparando bloqueio vetorial, comunicação de risco e preparo da rede assistencial — é o que permite antecipar a epidemia em vez de reagir a ela. Vê-la como burocracia engana quem não conecta a notificação individual à resposta coletiva, e é a razão da subnotificação que compromete a resposta.
Qual é a orientação correta sobre notificação das arboviroses no Brasil?
A notificação de casos suspeitos é o que alimenta a vigilância em tempo real e permite detectar surtos antes que a confirmação laboratorial chegue, com atenção especial a gestantes e a óbitos. Esperar a confirmação engana quem entende notificação como registro estatístico, mas ela é ferramenta de resposta rápida, e o atraso significa perder a janela de ação sobre o vetor.
Em investigação de surto, foram notificadas mortes de bugios em área de mata próxima a um município sem casos humanos registrados. Qual a conduta de vigilância indicada?
Primatas não humanos são sentinelas: a morte de bugios costuma preceder em semanas os casos humanos, e a notificação de epizootias é imediata e obrigatória, disparando investigação com coleta de material dos animais e intensificação da vacinação na área. Esperar o caso humano é perder exatamente a janela que o sistema de vigilância existe para aproveitar. Controle vetorial urbano tem papel na prevenção da reurbanização, mas não substitui a vacinação em área silvestre. Não existe número mínimo de animais para notificar: um único primata morto ou doente já é evento notificável.
Sobre a notificação da febre amarela no Brasil, qual afirmativa está correta?
Febre amarela integra a lista de notificação compulsória imediata: o caso suspeito deve ser comunicado à vigilância em até 24 horas, porque a resposta — bloqueio vacinal, investigação de epizootias e monitoramento de vetores — depende dessa velocidade. Esperar confirmação laboratorial é o erro que anula o propósito da vigilância. A notificação é dever de todo profissional de saúde que atende o caso, não apenas do setor de vigilância. Vale lembrar que epizootias em primatas não humanos também são de notificação imediata e frequentemente antecedem casos humanos, funcionando como alerta precoce.
Gestante de 22 semanas apresenta exantema maculopapular pruriginoso, conjuntivite não purulenta e febre baixa, com epidemiologia positiva para região com circulação de arbovírus. Qual a conduta prioritária?
Zika em gestante tem notificação imediata pela relação com síndrome congênita, e a investigação laboratorial precoce, com seguimento ultrassonográfico do feto, é o que permite antecipar o cuidado. Notificar só se houver microcefalia engana quem raciocina pelo desfecho e ignora que o espectro da síndrome congênita vai muito além do perímetro cefálico. Rotular como dengue apaga justamente a informação que muda a conduta obstétrica.
Paciente de 25 anos, retornando de viagem à Amazônia, apresenta febre alta, icterícia, oligúria e sangramento gengival no 5º dia de doença, com AST de 3.200 U/L. Sobre a conduta em vigilância, assinale a correta.
Febre amarela é de notificação imediata, em 24 horas, na suspeita — a investigação do local provável de infecção orienta a vacinação de bloqueio e a vigilância de epizootias em primatas. Esperar sorologia engana quem quer confirmar antes de agir, mas o intervalo até o resultado é justamente quando o vetor continua transmitindo. O local de residência não isenta o serviço notificante: notifica quem atende.
Médico de unidade básica atende homem de 28 anos com febre, mialgia e exantema, e a sorologia confirma dengue. Sobre a notificação compulsória, qual a conduta correta?
A notificação de dengue é de caso suspeito, não de caso confirmado — esperar a sorologia atrasaria a resposta da vigilância, que precisa detectar o aumento de casos em tempo hábil para o bloqueio vetorial. Restringir aos graves engana quem confunde vigilância epidemiológica com vigilância do óbito: é a curva de casos leves que sinaliza a epidemia. O registro é feito no SINAN, alimentado a partir da unidade notificante.
Sobre o achado de primatas não humanos mortos em área de mata próxima a zona urbana, qual a conduta de vigilância correta?
A morte de macacos é evento sentinela da circulação do vírus amarílico e sua notificação imediata permite antecipar a vacinação de bloqueio semanas antes dos primeiros casos humanos. Esperar caso humano engana quem pensa que vigilância só se ocupa de gente — nesse agravo, esperar significa perder a única janela de prevenção. Confirmação laboratorial é etapa posterior e não condiciona a notificação.
Qual medida é a mais efetiva para o controle vetorial de Aedes aegypti em nível domiciliar?
O Aedes aegypti é doméstico e se cria em recipientes com água limpa parada, de modo que a eliminação e o manejo de criadouros, com participação da comunidade e visitas de agentes de endemias, é a medida estruturante. O fumacê engana por ser visível e transmitir sensação de ação, mas atinge apenas o mosquito adulto voando naquele momento, sem tocar ovos e larvas, e serve como medida complementar durante surtos. Mosquiteiro protege contra vetores de hábito noturno, como os anofelinos da malária, enquanto este mosquito pica de dia.
Sobre a notificação das arboviroses no Brasil, assinale a alternativa correta:
A notificação compulsória pode ser imediata ou semanal e é feita a partir de suspeita ou confirmação, conforme a definição de cada agravo. A lista nacional vigente atribui notificação semanal aos casos de dengue e chikungunya e imediata aos respectivos óbitos; suspeita de febre amarela é imediata, e outros eventos por arbovírus têm regras próprias. Assim, não é correto generalizar que todo caso grave de qualquer arbovirose seja imediatamente notificável, nem esperar confirmação laboratorial ou dispensar casos em área endêmica. Fontes: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/notificacao-compulsoria ; https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2026/prt11211_14_05_2026.html
Um municipio recebe, em 24 horas, tres casos suspeitos de febre amarela silvestre em area onde nao havia registro previo, com relato de mortandade de macacos. A conduta de vigilancia mais adequada e:
Febre amarela e agravo de notificacao imediata, e a epizootia em primatas nao humanos tambem e evento notificavel — na pratica ela costuma ANTECEDER os casos humanos e e o sinal que dispara a vacinacao de bloqueio. Esperar confirmacao laboratorial engana quem quer precisao diagnostica, mas nesse agravo o custo do atraso e uma epidemia. Vacinar so contatos domiciliares nao faz sentido epidemiologico, porque a transmissao e vetorial e nao interpessoal.
Sobre as medidas de controle do Aedes aegypti, a acao com maior impacto sustentado na reducao da transmissao e:
O vetor se reproduz predominantemente em depositos domiciliares, e sua eliminacao com manejo ambiental e participacao comunitaria e o que sustenta a queda da infestacao. A nebulizacao espacial engana por ser a acao mais visivel e mais cobrada pela populacao, mas atinge apenas mosquitos adultos em voo, tem efeito fugaz e se destina a bloquear transmissao em situacoes especificas. Repelente protege o individuo sem reduzir a densidade vetorial, e as vacinas disponiveis nao substituem o controle do vetor.
Sobre a notificação de arboviroses e de eventos de saúde pública no Brasil, qual afirmação está correta?
A lista nacional diferencia doença e situação: casos de dengue têm notificação semanal e suspeitas de óbito, imediata. Na chikungunya, casos em áreas sem transmissão e suspeitas de óbito são imediatos. Para zika, a doença aguda em gestante e a suspeita de óbito também têm prazo imediato. A lista não reúne todo caso grave dessas três doenças em uma única categoria. Alertas epidemiológicos e regras locais podem exigir comunicação mais rápida.
Gestante de 12 semanas, residente em area de circulacao de arbovirus, apresenta exantema maculopapular pruriginoso, febre baixa e hiperemia conjuntival nao purulenta, com artralgia leve. A principal preocupacao e a conduta sao:
Exantema pruriginoso, febre baixa ou ausente e conjuntivite nao purulenta compoem o quadro tipico da zika, e na gestante o risco e a sindrome congenita, o que torna a notificacao imediata e o seguimento ecografico obrigatorios. A chikungunya engana pelo exantema, mas cursa com artralgia INTENSA e incapacitante, frequentemente com edema articular, e a dengue tem febre alta com mialgia e dor retro-orbitaria. Corticoide na fase aguda da chikungunya nao previne cronificacao.
Em municipio sem casos autoctones de dengue ha 2 anos, e confirmado um caso autoctone. Quanto a notificacao e a resposta:
Dengue e de notificacao semanal na rotina, mas a ocorrencia de caso em area onde nao havia transmissao — assim como os obitos e as formas graves — exige notificacao IMEDIATA, porque muda o cenario epidemiologico e dispara investigacao e bloqueio. Tratar como caso de rotina engana quem memorizou apenas a periodicidade geral e perde a excecao que existe justamente para detectar reintroducao precocemente.
Sobre o Levantamento Rapido de Indices para Aedes aegypti (LIRAa), e correto afirmar que:
O levantamento estima a infestacao por larvas em amostras de imoveis, gerando o indice de infestacao predial e identificando os criadouros predominantes — informacao que direciona as acoes de controle e, idealmente, antecede o periodo de maior transmissao. Confundir com soroprevalencia engana porque ambos sao 'indicadores de dengue', mas um mede VETOR e o outro mediria exposicao humana. Ele nao substitui a vigilancia de casos, que segue sendo alimentada pela notificacao.
Qual medida é a mais eficaz para o controle vetorial do Aedes aegypti em nível domiciliar?
O ataque aos criadouros é a medida de maior impacto e sustentabilidade, porque interrompe o ciclo do vetor na fase larvária dentro dos domicílios, onde se concentram os focos. A nebulização espacial, popularmente conhecida como fumacê, atinge apenas o mosquito adulto e tem efeito transitório, sendo reservada a situações de epidemia — tomá-la como estratégia principal é o erro que consome recursos sem reduzir a infestação de forma duradoura.
Durante epidemia de dengue, um municipio quer avaliar a gravidade da epidemia ao longo das semanas. O indicador mais adequado para monitorar o desempenho da assistencia e:
A letalidade — obitos entre os casos — reflete diretamente a capacidade de reconhecer sinais de alarme e tratar a tempo, sendo o indicador classico de qualidade da assistencia numa epidemia. Numero absoluto de casos engana porque mede magnitude da transmissao, nao desempenho do servico, e sobe mesmo quando a assistencia esta boa. Indice de infestacao e visitas de agentes medem o esforco de controle vetorial, uma dimensao anterior a assistencia.
Diante de um óbito de criança com suspeita de dengue grave em um hospital, sobre a notificação é correto afirmar:
A suspeita de óbito por dengue deve ser notificada imediatamente, em até 24 horas, sem aguardar confirmação laboratorial, e desencadeia investigação. Na lista nacional, a categoria de casos de dengue tem prazo semanal; isso não autoriza adiar a comunicação do óbito. A assistência e a resposta a sinais de gravidade são urgentes, independentemente do prazo de registro epidemiológico.
Em relação à notificação e à vigilância da dengue, a conduta correta do pediatra ao atender uma criança com quadro febril suspeito em área endêmica é:
A notificação é do caso suspeito e ocorre imediatamente na suspeita clínica, porque é ela que dispara a investigação e o bloqueio vetorial no entorno; aguardar o exame atrasa a resposta em dias. Restringir a notificação aos internados subestima a epidemia, já que a maioria dos casos é ambulatorial e é justamente essa massa que orienta as ações de controle.
Sobre o vetor da dengue e as medidas de controle, é correto afirmar:
O vetor pica preferencialmente durante o dia, com picos no início da manhã e no fim da tarde, e deposita ovos em recipientes com água limpa parada dentro e ao redor das casas, o que torna a eliminação de criadouros a medida estruturante. Depositar esperança no fumacê engana porque ele atinge o mosquito adulto e tem efeito transitório, sem tocar nas larvas.
Menino de 7 anos com dengue confirmada e evolução favorável recebeu alta. Sobre as medidas de controle e prevenção que devem ser orientadas, a mais adequada é:
A transmissão exige o mosquito: proteger o doente de picadas durante a viremia impede que o vetor local se infecte e mantenha a cadeia, e a eliminação de criadouros é a medida estruturante. Isolamento respiratório não faz sentido porque não há transmissão pessoa a pessoa, e é o distrator que revela desconhecimento do ciclo. Não existe quimioprofilaxia para arbovirose.
O município identifica bairro com alto índice de infestação predial pelo Aedes aegypti no levantamento rápido de índices, além de aumento de casos suspeitos de dengue. A gestão precisa definir prioridade de ação para as próximas semanas. Qual medida tem maior impacto imediato sobre a transmissão nesse território?
O controle do Aedes depende principalmente da eliminação de criadouros, pois o vetor se reproduz em água parada domiciliar e peridomiciliar; a ação combinada de mutirões e visitas atinge a fase larvária e sustenta a redução. A nebulização atinge apenas o mosquito adulto, com efeito transitório e indicada como complemento em situações de transmissão intensa. A vacinação em massa não é a estratégia disponível para resposta imediata a surto nesse cenário. Repelente é medida individual de proteção, incapaz de reduzir a densidade vetorial do território.
Uma criança de 6 anos apresenta diagnóstico de dengue e a família pergunta como evitar novos casos em casa. A equipe de Saúde da Família realiza visita domiciliar e encontra recipientes com água parada no quintal, calhas obstruídas e caixa d'água destampada. Qual é a orientação de maior impacto para o controle vetorial no domicílio?
O controle do Aedes aegypti depende principalmente da eliminação de criadouros e da vedação de reservatórios, medidas que interrompem o ciclo reprodutivo no domicílio. O inseticida em aerossol tem efeito transitório sobre formas adultas e não elimina larvas. A nebulização espacial é medida complementar em situações de surto e não substitui o manejo ambiental. O repelente protege individualmente, mas não reduz a densidade vetorial no ambiente.
Um município com transmissão sustentada de dengue realiza levantamento rápido de índices de infestação por Aedes aegypti e encontra índice predial de 5,2%, com predomínio de criadouros em depósitos domiciliares de armazenamento de água. A equipe de vigilância discute prioridades com as equipes de Saúde da Família. Qual é a interpretação e a conduta prioritária?
Índice predial acima de quatro por cento caracteriza risco elevado de surto, e a ação de maior efetividade é a eliminação mecânica dos criadouros com mobilização comunitária, apoiada por vigilância de casos e resposta rápida. Considerar a situação satisfatória contraria os pontos de corte do levantamento. Nebulização espacial atua sobre o mosquito adulto de forma transitória e não substitui o controle de criadouros. Estratégias vacinais têm indicação definida por faixa etária e soroprevalência e não dispensam o controle vetorial.
Mulher de 30 anos, gestante de 26 semanas, é atendida com quadro febril de três dias, mialgia e exantema, em município com transmissão simultânea de dengue, zika e chikungunya. Ela está preocupada com o bebê. Ao exame: afebril no momento, hidratada, pressão arterial 110x70 mmHg, com exantema maculopapular pruriginoso, hiperemia conjuntival não purulenta, sem hepatomegalia, sem sangramentos e com altura uterina compatível, batimentos cardiofetais normais. A febre foi baixa e de curta duração. Qual é a conduta correta?
Gestante com doença exantemática febril em área de circulação de arboviroses deve ter o caso notificado e investigado com exames específicos, sobretudo pela associação entre infecção pelo vírus zika e síndrome congênita, mantendo-se o pré-natal com vigilância ultrassonográfica e seguimento do recém-nascido. Dispensar a investigação impede a vigilância epidemiológica e o seguimento adequado. Não existe antiviral específico disponível para essas arboviroses. Interromper a gestação por risco de malformação não tem respaldo clínico nem legal nesse contexto.
Uma equipe de saúde realiza visitas domiciliares em bairro com alta infestação por Aedes aegypti e encontra criadouros em pratos de vasos, calhas entupidas, caixas d'água destampadas, pneus e recipientes plásticos no quintal. Os moradores relatam uso frequente de inseticida em aerossol dentro das casas e acreditam que isso é suficiente para eliminar o mosquito. A equipe precisa orientar as medidas mais eficazes para reduzir a transmissão de arboviroses no território. Qual é a orientação correta?
O controle do Aedes aegypti se apoia prioritariamente na eliminação mecânica de criadouros e no manejo ambiental, com participação comunitária e ações intersetoriais, pois o vetor se reproduz em recipientes com água limpa no peridomicílio. Inseticidas domésticos em aerossol matam formas adultas momentaneamente, sem impacto sustentado sobre a infestação. A aplicação por veículos é medida complementar de curto alcance, indicada em situações específicas. Aguardar o pico epidêmico desperdiça o período de menor transmissão, que é o mais eficaz para reduzir a infestação.
Uma equipe de vigilância ambiental de município com alta infestação por vetor identifica que, apesar das visitas de agentes de endemias, os índices de infestação permanecem elevados, com grande número de imóveis fechados, recusas de moradores e depósitos em terrenos baldios e em obras paradas. A equipe discute com a gestão como qualificar as ações de controle vetorial no território, considerando as limitações das estratégias adotadas até o momento e a necessidade de participação da comunidade nesse processo. A estratégia mais adequada é:
O controle vetorial eficaz depende principalmente da eliminação mecânica de criadouros, com mobilização comunitária, ações intersetoriais envolvendo limpeza urbana, fiscalização de imóveis e obras, e uso criterioso e complementar de inseticidas, evitando resistência e limitando o impacto ambiental. A aplicação espacial isolada tem efeito transitório sobre alados. Multar moradores como estratégia central afasta a comunidade e não elimina criadouros. Restringir as ações a terrenos públicos ignora que a maioria dos criadouros está no interior dos domicílios.
Uma equipe de saúde da família de município da região Norte identifica aumento de casos de doença febril aguda com cefaleia intensa, mialgia, exantema e, em parte dos pacientes, recorrência dos sintomas após breve melhora, incluindo várias crianças. Os testes disponíveis para dengue, zika e chikungunya resultaram negativos em vários casos e a vigilância epidemiológica local suspeita de arbovírus emergente com circulação recente na região. Qual é a conduta mais adequada da equipe?
Diante de agrupamento de casos febris com testes negativos para as arboviroses habituais, a conduta é notificar, articular com a vigilância o envio de amostras para investigação laboratorial ampliada, incluindo arbovírus emergentes, e reforçar o controle vetorial e a comunicação com a população. Encerrar a investigação impede a identificação do agente. Antibiótico empírico não trata arboviroses. Aguardar internações retarda a resposta de saúde pública.
Um município enfrenta surto de doença transmitida por Aedes aegypti, com aumento expressivo de casos em três bairros. A vigilância identifica índice de infestação predial elevado, com criadouros predominantes em depósitos domiciliares de água e recipientes descartáveis acumulados em quintais, além de deficiências na coleta de resíduos sólidos em parte do território afetado. Qual conjunto de ações é prioritário para o controle?
O controle vetorial do Aedes aegypti depende primordialmente da eliminação de criadouros e do manejo ambiental, com melhoria da coleta de resíduos sólidos e mobilização comunitária sustentada, pois o vetor se reproduz em água limpa acumulada em recipientes domiciliares. A aplicação isolada de inseticida em ultrabaixo volume atinge apenas mosquitos adultos, tem efeito transitório e não substitui o controle de criadouros. Vacinação em massa indiscriminada não é estratégia recomendada para todas as faixas etárias e depende de critérios específicos. O isolamento domiciliar não interrompe a transmissão vetorial de forma efetiva isoladamente. Não existe antiviral profilático para contatos nessas arboviroses.
Um médico atende paciente de 35 anos que apresenta quadro compatível com dengue durante epidemia no município. A confirmação laboratorial ainda não está disponível e o paciente será conduzido ambulatorialmente com hidratação oral. O médico questiona se deve notificar o caso e em que momento fazê-lo, considerando a rotina do serviço e a existência de fichas de notificação disponíveis na unidade de saúde onde atua. Qual a conduta correta quanto à notificação?
A notificação compulsória de dengue é feita a partir do caso suspeito, sem aguardar confirmação laboratorial, pois a informação oportuna orienta as ações de controle vetorial e o monitoramento da epidemia. Condicionar a notificação à confirmação atrasa a resposta e subestima a magnitude do evento. Notificar apenas internados exclui a maioria dos casos e distorce o perfil epidemiológico. Deixar de notificar durante epidemia impede acompanhar a curva epidêmica e avaliar as intervenções. Notificar somente óbitos elimina a possibilidade de identificar precocemente o aumento de casos e agir antes das formas graves.
Município registra aumento súbito de casos de síndrome febril aguda com cefaleia intensa, mialgia, exantema e recorrência dos sintomas após breve melhora, em região de mata próxima a área urbana. Os casos são negativos para dengue, zika e chikungunya nos testes iniciais. Muitos pacientes relatam picadas de insetos pequenos ao entardecer, e não há mortes registradas até o momento. Qual a conduta mais adequada da vigilância?
Notificar, ampliar a investigação laboratorial para agentes não contemplados nos testes iniciais e reforçar o controle vetorial é a conduta mais adequada, pois a apresentação com recorrência dos sintomas e a exposição vetorial sugerem arbovirose emergente que exige diagnóstico diferencial ampliado. Encerrar a investigação pelos testes negativos iniciais é erro, pois eles não cobrem todos os agentes. Antibioticoterapia em massa não se aplica a doença viral. Considerar intoxicação alimentar ignora o padrão febril com exantema e nexo vetorial. Aguardar óbitos para acionar a vigilância é inaceitável.
Homem, 36 anos, trabalhador que atua em área de mata na Amazônia, apresenta há 6 dias febre alta de início súbito, cefaleia retro-orbitária, mialgia intensa e artralgia, com exantema maculopapular. T 38,9 graus Celsius, PA 118x72 mmHg. Após 3 dias de melhora, houve recorrência da febre e dos sintomas. Plaquetas 142.000/mm3 (VR 150.000-400.000). Testes iniciais para dengue, zika e chikungunya são negativos. Qual a hipótese e a conduta?
A hipótese é de arbovirose emergente de ciclo silvestre, como as febres do Oropouche e do Mayaro, sugerida por exposição em área de mata, quadro febril agudo com artralgia e exantema, recorrência dos sintomas após breve melhora e testes negativos para as arboviroses mais comuns, sendo a conduta a notificação, a investigação específica e o suporte clínico. A malária cursaria com parasitemia detectável e anemia hemolítica. A leptospirose ictérica apresenta icterícia rubínica e insuficiência renal. A febre tifoide cursa com febre progressiva e dissociação pulso-temperatura. A hepatite viral apresentaria elevação importante de transaminases.
A análise por bairro mostra crescimento de casos prováveis de dengue concentrado ao redor de uma área com depósitos de água descobertos, enquanto o restante do município permanece estável. Qual uso do dado é mais adequado?
Georreferenciar é útil quando o mapa muda a ação e permite medir se ela funcionou. Referências: Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, volume 2, 6ª edição revisada; consultado em 24/09/2026 — https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigilancia/guia-de-vigilancia-em-saude-volume-2-6a-edicao/view
Um município observa aumento precoce de síndrome febril, mais internações que no mesmo período do ano anterior e resultados negativos para o sorotipo de dengue predominante. Qual resposta é mais informativa?
Sinais de circulação nova raramente aparecem completos em uma única fonte de informação. Referências: Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, volume 2, 6ª edição revisada; consultado em 24/09/2026 — https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigilancia/guia-de-vigilancia-em-saude-volume-2-6a-edicao/view
Durante transmissão sustentada de dengue, a rede não consegue testar laboratorialmente todo caso suspeito. Qual estratégia preserva simultaneamente assistência e vigilância?
A capacidade laboratorial deve ser concentrada onde muda classificação, segurança ou conhecimento da circulação, sem apagar casos clínicos. Referências: Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, volume 2, 6ª edição revisada; consultado em 24/09/2026 — https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigilancia/guia-de-vigilancia-em-saude-volume-2-6a-edicao/view
Uma pessoa morre com choque e síndrome compatível com dengue, mas a confirmação laboratorial ainda está pendente. A declaração inicial registra causa inespecífica. Qual conduta de vigilância é correta?
A vigilância do óbito começa pela suspeita e termina com classificação fundamentada, não o contrário. Referências: Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, volume 2, 6ª edição revisada; consultado em 24/09/2026 — https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigilancia/guia-de-vigilancia-em-saude-volume-2-6a-edicao/view
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em 7 dias
Reconstrua de memória as quatro colunas da Lista Nacional (MS, SES, SMS, semanal) e preencha as linhas de dengue, chikungunya, Zika, Oropouche e febre amarela. Depois responda em voz alta: quais são os quatro gatilhos que transformam uma arbovirose semanal em notificação de 24 horas?
em 30 dias
Pegue cinco vinhetas curtas — óbito por dengue, chikungunya em município sem transmissão, Zika em gestante, malária importada atendida em Minas Gerais e leptospirose após enchente — e diga, para cada uma, a periodicidade, as esferas a notificar e o sistema de informação. Depois liste o que a Portaria GM/MS nº 11.211/2026 mudou: o que entrou, o que saiu como item próprio e quais nomenclaturas foram trocadas.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Homem de 41 anos chega à unidade básica de um município do interior de Minas Gerais com febre alta há quatro dias, calafrios intensos, cefaleia e mal-estar. Trabalha com garimpo e retornou há doze dias de uma temporada de dois meses no interior do Pará. Está ictérico, com dor no hipocôndrio direito e hepatoesplenomegalia discreta. Conduza a anamnese, o exame físico e a investigação — e decida o que precisa sair desta unidade hoje. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
