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Distúrbios do sódio
Na hiponatremia, sintomas definem a emergência e limites evitam sobrecorreção; na hipernatremia, calcular o déficit de água não basta sem repor perdas contínuas e revisar a resposta.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Homem de 55 anos, hipertenso, em uso de enalapril e hidroclorotiazida, retorna com exames: sódio 128 mEq/L, potássio 4,0 mEq/L, sem edema, PA 130x80 mmHg, mucosas úmidas, sem sinais de desidratação. Osmolalidade sérica 262 mOsm/kg, osmolalidade urinária 380 mOsm/kg, sódio urinário 45 mEq/L. Qual é a causa mais provável da hiponatremia?
Como esse tema cai
A frase que resolve metade das questões deste tema cabe em cinco palavras: o sódio mede a água. Sódio baixo quase nunca significa falta de sal, e sódio alto quase nunca significa excesso de sal — significam água demais e água de menos para o sódio que o corpo tem. Quem lê a natremia como estoque de sódio prescreve na direção errada nos dois extremos: dá sal a quem precisa de água e restringe sal a quem já está seco.
O recorte cobrado é estreito e numérico. Na hiponatremia, a pergunta não é a etiologia — é se há sintoma neurológico grave, quanto se pode subir em 24 horas e o que fazer quando o sódio sobe sozinho. Na hipernatremia, a pergunta é quanta água falta, por qual via ela entra e por que, na prática de UTI, ela quase nunca entra em quantidade suficiente. A investigação etiológica completa — osmolalidade urinária, sódio urinário, secreção inapropriada de hormônio antidiurético, diabetes insípido — organiza o raciocínio, mas raramente é o gabarito.
Há uma disputa aberta e recente que a banca já começou a explorar. Os limites conservadores de correção da hiponatremia são de 2014, e desde 2023 estudos observacionais e metanálises sugerem que a desmielinização osmótica é rara e que corrigir mais rápido não piora — e talvez melhore — o desfecho. Uma coorte de dois hospitais terciários brasileiros, publicada em 2026, está no meio dessa discussão, com 362 pacientes e um único caso de desmielinização. Este capítulo entrega os dois lados, diz qual continua sendo a régua de prova e mostra por que o argumento observacional não fecha. O manejo do choque e a escolha do cristaloide pertencem aos capítulos de sepse e de reposição volêmica desta mesma apostila; aqui, o fluido entra pelo que ele faz com a tonicidade.
O que muda decisão
Antes do número: o sódio é de verdade?
A concentração normal de sódio plasmático fica entre 135 e 145 mmol/L, e ele é o principal cátion do extracelular e o maior determinante da tonicidade do plasma. Como toda concentração, a natremia é uma fração: sódio no numerador, água no denominador. É por isso que ela informa sobre a água — o denominador é o que costuma variar rápido — e é por isso que a mesma quantidade de sódio corporal pode aparecer como 120 ou como 160 mmol/L, dependendo de quanta água a acompanha.
Antes de tratar, há uma checagem de método que a prova gosta de esconder no enunciado. Os laboratórios de bioquímica usam eletrodos íon-seletivos indiretos, que diluem a amostra antes de medir; nesse arranjo, a proteinemia interfere. Hipoproteinemia produz pseudo-hipernatremia, em que um sódio normal é reportado como alto; hiperproteinemia produz pseudonormonatremia, em que um sódio verdadeiramente alto é reportado como normal. O mesmo raciocínio, na direção clássica, explica a pseudo-hiponatremia de hipertrigliceridemia e paraproteinemia grave.
Há ainda a imprecisão analítica banal, que muda conduta: pela variabilidade inevitável do método, um laudo que informa elevação de 8 mmol/L pode corresponder, na realidade, a 10. Quem mira exatamente no teto do dia está mirando dentro da margem de erro do próprio exame — motivo pelo qual a meta planejada não deve encostar na velocidade que causa dano.
Hiponatremia: o que define gravidade é o sintoma, não o número
A definição operacional que a literatura brasileira recente usa é dupla, e vale decorar nesse formato: hiponatremia grave é natremia abaixo de 120 mmol/L independentemente de sintomas ou sinais neurológicos, ou natremia entre 120 e 129 mmol/L acompanhada de manifestação neurológica grave de edema encefálico — convulsão, coma, depressão respiratória. Repare na conjunção: são dois caminhos independentes para a mesma classificação, e a vinheta costuma entregar o segundo, que é o que muitos candidatos não reconhecem.
O motivo de o sintoma mandar é fisiológico. O cérebro tem espaço fixo dentro do crânio e, na hiponatremia aguda, a água entra na célula e produz edema; quem convulsiona ou rebaixa está mostrando que a adaptação cerebral não deu conta. Nessa situação a conduta é imediata e não espera osmolalidade urinária: bolus de salina hipertônica para elevar o sódio em 4 a 6 mmol/L — ou 5 mmol/L, pela régua europeia — em poucas horas. Elevação dessa magnitude já reduz de forma marcante a pressão intracraniana e pode reverter herniação iminente.
Dois detalhes de execução caem em prova. O primeiro: bolus, e não infusão contínua — a administração em bolus alcança o incremento desejado mais rápido que a infusão contínua de salina a 3%. O segundo: o incremento inicial é um alvo em poucas horas, não a meta do dia; alcançado o alvo e cessado o sintoma, o paciente passa a ser governado pelo teto de 24 horas, e não pela pressa que salvou o cérebro na primeira hora.
Os limites de 24 e 48 horas, e os cinco fatores que os apertam
O risco da correção rápida tem nome — síndrome de desmielinização osmótica — e cinco fatores conhecidos que o aumentam: sódio ≤ 105 mmol/L, transtorno por uso de álcool, hipocalemia, desnutrição e doença hepática avançada. Essa lista é a chave da vinheta: ela é o que decide qual das duas colunas de números se aplica ao paciente da questão, e a banca costuma escondê-la no meio da história social ou do exame físico.
Em paciente de risco habitual com sódio ≤ 120 mmol/L, o limite recomendado é de 10 a 12 mmol/L em qualquer período de 24 horas e 18 mmol/L em qualquer período de 48 horas, com correção mínima de 4 a 8 mmol/L. Em paciente de risco aumentado, a correção não deve exceder 8 mmol/L em 24 horas, com meta mínima de 4 a 6 mmol/L. Note que existe piso, e não apenas teto: correção insuficiente também é erro, e é por isso que as recomendações trazem os dois lados.
Há ainda uma nota de calibração para quem não tem fator de risco nenhum: corrigir 8 a 12 mmol/L no primeiro dia é mais do que o necessário, embora seja improvável causar dano desde que o incremento de dois dias não ultrapasse 18 mmol/L. Traduzindo em ritmo: 8 mmol/L em 24 horas equivalem a cerca de 0,33 mmol/L por hora — um número que parece confortável e que, como a próxima seção mostra, pode ser consumido inteiro em quatro horas sem que ninguém prescreva nada.
A aquarese: por que o sódio sobe sozinho, e onde estão os freios
Aqui está o mecanismo que separa quem entendeu de quem decorou. A principal causa de o sódio subir demais não é dose excessiva de salina: é a eliminação súbita de um grande volume de urina diluída. Enquanto a causa da retenção de água persiste — hipovolemia, tiazídico, vômito, dor, náusea —, o hormônio antidiurético mantém a água dentro. No instante em que essa causa é tratada, o estímulo desliga e emerge uma diurese aquosa, a aquarese, capaz de elevar o sódio em mais de 2 mmol/L por hora.
Faça a conta e o susto fica claro: a 2 mmol/L por hora, os 8 mmol/L permitidos em 24 horas a um paciente de risco aumentado se esgotam em quatro horas. E o gatilho é justamente o tratamento bem-sucedido — reexpandir o hipovolêmico, suspender o diurético, cessar o vômito. Por isso, em paciente com sódio ≤ 120 mmol/L, a prescrição não termina na bolsa: inclui dosagem frequente de sódio e vigilância do débito urinário, que é o sinal precoce da aquarese.
Existem dois freios, e eles caem em prova. A desmopressina — hormônio antidiurético sintético — administrada depois ou em antecipação à diurese aquosa previne ou reverte a correção inadvertidamente rápida. E o reabaixamento do sódio deve ser considerado quando os limites foram ultrapassados; a indicação mais forte é no paciente de risco muito alto — sódio ≤ 105 mmol/L, uso pesado de álcool, hipocalemia grave, desnutrição, doença hepática avançada — cuja natremia subiu mais de 8 mmol/L em menos de 24 horas.
Há um contraexemplo que a mesma literatura registra e que impede a regra de virar reflexo: pacientes que ficaram hiponatrêmicos rapidamente por intoxicação hídrica autoinduzida — psicose, exercício de endurance — frequentemente desenvolvem aquarese espontânea que normaliza o sódio depressa, e neles o risco de desmielinização é extremamente baixo. Correção rápida, nesse cenário, não tem o mesmo significado.
Sobrecorreção e desmielinização osmótica: o que a evidência recente muda
Em dois hospitais terciários brasileiros, 362 pacientes com sódio inicial abaixo de 120 mmol/L foram acompanhados. O sódio médio na admissão era 113,3 ± 4,9 mmol/L, 81,8% foram para UTI, 73,2% receberam NaCl a 0,9% e apenas seis receberam NaCl a 3%. Hipercorreção — definida como elevação maior que 8 mmol/L em 24 horas ou maior que 18 mmol/L em 48 horas — ocorreu em 38,7% dos pacientes, isto é, cerca de 140 deles. Desmielinização osmótica: um único caso, 0,28% da coorte, o que corresponde a aproximadamente 0,7% do grupo hipercorrigido.
A mortalidade global foi de 26,2%, com sepse (55,8%), câncer (15,8%) e aspiração de conteúdo gástrico (13,7%) como causas — esta última a única plausivelmente ligada à hiponatremia. De 95 óbitos, cinco foram considerados potencialmente associados à hiponatremia grave, e quatro deles ocorreram no grupo sem hipercorreção. O grupo hipercorrigido teve razão de chances de 0,548 para mortalidade (IC 95% 0,389 a 0,772; p < 0,001) — 45% menos chance de morrer, resultado alinhado a metanálises recentes.
Antes de tirar a conclusão errada, note o que os próprios autores e o editorial que acompanha o artigo apontam. Primeiro, viés de indicação: quem é corrigido rápido costuma ser quem tinha hiponatremia aguda, causa reversível, disponibilidade de terapia intensiva e vigilância próxima, enquanto o frágil, o crônico e o com muitas comorbidades é corrigido devagar por precaução. Segundo, limitações da coleta retrospectiva: a frequência das dosagens e o controle de variáveis como osmolalidade urinária, débito urinário e reposição de potássio variam muito entre pacientes. Terceiro, etiologias diferentes: o hipovolêmico reexpandido tem aquarese súbita e correção rápida não intencional, ao contrário do paciente com secreção inapropriada de hormônio antidiurético, em que o estímulo é constante.
Um achado desta coorte tem consequência direta na conduta e não depende da discussão de causalidade: o volume de NaCl a 0,9% administrado ainda na emergência foi fator independentemente associado à hipercorreção — ao lado de idade menor e sódio de admissão mais baixo, tendo câncer e uso de furosemida como fatores protetores. Ou seja, a expansão generosa feita na porta, com a melhor das intenções, é parte do mecanismo da correção rápida que se quer evitar.
Hipernatremia: quem faz, e por que ela é sinal de fragilidade
Hipernatremia é sódio acima de 145 mmol/L, e em quase todo caso significa déficit de água livre. Ela é rara em quem tem sede preservada e acesso ao copo, porque o mecanismo da sede é eficiente — e é exatamente por isso que, quando aparece, ela costuma marcar um paciente que não bebe sozinho: o idoso institucionalizado, o acamado dependente, o sedado, o intubado, o com demência avançada.
Os números confirmam o retrato. Numa coorte de 4.501 pacientes de internação domiciliar entre 2019 e 2024, a hipernatremia foi quase quatro vezes mais prevalente entre os institucionalizados do que entre os que viviam em casa (3,1% contra 0,8%; p < 0,001), e os institucionalizados com hipernatremia tinham maior dependência funcional (índice de Barthel 11 contra 15) e comprometimento cognitivo mais avançado. O prognóstico desse grupo é sombrio: mortalidade de 32,9% durante a internação, 61,2% em 30 dias, 70,6% em 60 dias e cerca de 79% em 90 dias.
Na terapia intensiva o mecanismo se diversifica. A hipernatremia adquirida na UTI ocorre em cerca de 10% a 15% dos pacientes que entram com sódio normal, e vem de três fontes: carga de sódio — soluções ricas em sódio, salina hipertônica, bicarbonato de sódio, antimicrobianos sódicos como a ticarcilina; corticosteroide; e perdas de água livre, renais ou extrarrenais, como diabetes insípido, uso de diurético, queimadura e diarreia. Em uma das grandes coortes citadas, a prevalência foi de 7,5% (4,8% leve, com sódio de 145 a 150; 1,9% moderada, de 150 a 155; e 0,7% grave, acima de 155), com APACHE III alto, ventilação invasiva, febre e uso de diurético na véspera como fatores de risco independentes. Na outra, entre os casos graves, 28% tiveram delirium e a mortalidade hospitalar foi de 24%.
Se a hipernatremia mata ou apenas acompanha quem vai morrer é pergunta em aberto. Ela é preditor independente de mortalidade nas análises ajustadas, mas os pacientes que a desenvolvem também têm mais catecolamina, escores de disfunção orgânica mais altos, mais hiperlactatemia e mais ventilação mecânica — e o corticosteroide, fator de risco reconhecido, sequer foi contabilizado nessas coortes. Vale como analogia o achado do lado da hiponatremia: na série em que as causas de óbito foram revistas uma a uma, os pacientes morreram com, e não por causa da hiponatremia.
Corrigir a hipernatremia: quanta água falta, e por que ela não chega
O tratamento da hipernatremia é água — e a primeira conta é de quanta. O déficit de água livre se estima pela água corporal total multiplicada pela razão entre o sódio atual e o sódio-alvo, menos um. O exemplo trabalhado que fecha o raciocínio: corrigir o sódio de 155 para 145 mmol/L num paciente de 70 kg exige 2,9 litros adicionais de água livre. Confira a aritmética, porque ela reaparece na alternativa: com água corporal total de cerca de 42 litros em 70 kg, 42 × (155 ÷ 145 − 1) dá 2,9 litros. Distribuídos ao longo de 48 horas, isso significa cerca de 1,5 litro por dia além de tudo o que o paciente já recebe.
A fórmula tem uma virtude que nem toda fórmula clínica tem: ela se comporta bem nos extremos. O denominador é o sódio-alvo, um valor fixo entre 140 e 145 mmol/L, e portanto nunca se aproxima de zero; quando o sódio atual iguala o alvo, o déficit é exatamente zero; e quando o sódio atual está abaixo do alvo, o resultado fica negativo, o que corretamente sinaliza excesso de água em vez de déficit. Não há faixa clínica de uso em que ela produza resultado sem sentido — o que não se pode dizer de todas as fórmulas de reposição em circulação.
A parte que o candidato não espera é a via. Administrar 1,5 litro por dia de água livre por sonda esbarra na disfunção do trato gastrointestinal do paciente grave, com risco de aumentar o resíduo gástrico e de aspiração. Por via parenteral, a água livre só existe dentro de um veículo: glicose a 5%, solução glicossalina hipotônica ou salina a 0,45% — e cada uma cobra um pedágio obrigatório, de carga calórica ou de carga de sódio. Some-se o receio de prolongar o desmame ventilatório ou de piorar a função cardíaca com mais volume, e está explicado por que a correção observada em UTI é lenta e a água administrada, pouca.
Há, por fim, um conflito terapêutico que a vinheta adora: boa parte da hipernatremia adquirida na UTI é o preço de um diurético prescrito de propósito, para negativar o balanço de um paciente que não desmama do ventilador. Corrigir o sódio com água livre parece desfazer o que o diurético foi buscar — e é por isso que a hipernatremia é tolerada como efeito colateral aceitável. Nomear esse conflito é o que a questão espera, junto com a ordem de prioridade: no paciente simultaneamente hipoperfundido e hipernatrêmico, restaura-se a perfusão com cristaloide isotônico primeiro, porque perfusão não espera, e a reposição de água livre — com seu teto de velocidade próprio — começa depois, com a circulação sustentada.
A ordem das prioridades quando os dois problemas coexistem
O paciente da prova raramente tem só um problema. A regra de sequenciamento é simples e quase sempre é a resposta: perfusão primeiro, tonicidade depois. Quem está hipoperfundido recebe cristaloide isotônico — de primeira linha, com recomendação forte —, guiado por medidas dinâmicas, lactato e tempo de enchimento capilar; a correção da natremia, com o seu teto de velocidade, entra quando a circulação já está sustentada. Inverter essa ordem para 'não hipercorrigir o sódio' é deixar um paciente em choque sem volume.
Isso não significa que a escolha da bolsa seja indiferente. No ensaio brasileiro BaSICS, com 11.052 pacientes em 75 UTIs, a diferença entre solução balanceada e salina a 0,9% não moveu a mortalidade em 90 dias (26,4% contra 27,2%; razão de risco ajustada 0,97). O que importa neste capítulo não é balanceado contra salina: é a tonicidade da solução em relação ao plasma daquele paciente. A mesma salina a 0,9% é praticamente isotônica para quem tem sódio de 140, francamente HIPERtônica para quem tem sódio de 110 — e é por isso que ela sobe o sódio do hiponatrêmico — e HIPOtônica para quem tem sódio de 165, servindo, nesse caso, como veículo parcial de água livre.
A consequência prática fecha o capítulo e liga as duas metades dele. Ao expandir o hiponatrêmico hipovolêmico com salina a 0,9%, você está fazendo duas coisas ao mesmo tempo: corrigindo a perfusão e subindo o sódio — e, quando a perfusão se restabelece, o hormônio antidiurético desliga e a aquarese acrescenta a sua parte. Foi exatamente isso que a coorte brasileira capturou ao identificar o volume de salina na emergência como fator independente de hipercorreção. Expandir é certo; expandir sem programar sódio seriado e vigilância do débito urinário é o que produz o problema.

Da natremia à conduta: metas, tetos e a ordem das prioridades
O fluxo abaixo percorre a decisão nos dois extremos, sempre na mesma ordem: confirmar que o número é real, tratar o que ameaça a vida agora, e só então escolher a velocidade. Os cartões resolvem a pergunta de tonicidade que abre a vinheta. A primeira tabela traz as metas e os tetos da hiponatremia, que é o bloco de números mais recortado pela banca; a segunda organiza a hipernatremia, de quem a faz até quanta água falta.
- 1PASSO 0 — O NÚMERO É REAL? Hipoproteinemia produz pseudo-hipernatremia e hiperproteinemia produz pseudonormonatremia no eletrodo íon-seletivo indireto; hipertrigliceridemia e paraproteinemia produzem pseudo-hiponatremia. E lembre da imprecisão do método: uma elevação relatada de 8 mmol/L pode ser de 10.
- 2HÁ HIPOPERFUSÃO? Se sim, perfusão vem primeiro: cristaloide isotônico, recomendação forte, guiado por medidas dinâmicas, lactato e tempo de enchimento capilar. A correção da natremia começa com a circulação sustentada — mas já com sódio seriado programado, porque a própria expansão move o sódio.
- 3HIPONATREMIA — CLASSIFIQUE A GRAVIDADE. Grave é sódio < 120 mmol/L independentemente de sintomas, OU sódio de 120 a 129 mmol/L com manifestação neurológica grave de edema encefálico (convulsão, coma, depressão respiratória). São dois caminhos independentes para a mesma classificação.
- 4SINTOMÁTICO GRAVE. Bolus de salina hipertônica para elevar o sódio em 4 a 6 mmol/L (5 mmol/L pela régua europeia) em poucas horas — magnitude suficiente para reduzir de forma marcante a pressão intracraniana e reverter herniação iminente. Bolus, não infusão contínua: alcança o incremento desejado mais rápido.
- 5ESTRATIFIQUE O RISCO DE DESMIELINIZAÇÃO. Os cinco fatores: sódio ≤ 105 mmol/L, transtorno por uso de álcool, hipocalemia, desnutrição, doença hepática avançada. É essa lista que escolhe a coluna de números.
- 6APLIQUE O TETO DO DIA. Risco habitual, sódio ≤ 120: mínimo de 4 a 8 mmol/L, teto de 10 a 12 mmol/L em 24 h e 18 mmol/L em 48 h. Risco aumentado: mínimo de 4 a 6 mmol/L, teto de 8 mmol/L em 24 h. Não mire no teto — a imprecisão do exame come a margem.
- 7VIGIE A DIURESE, NÃO SÓ A BOLSA. Resolvida a causa da retenção de água, o hormônio antidiurético desliga e emerge a aquarese, capaz de elevar o sódio em mais de 2 mmol/L por hora — quatro horas assim consomem sozinhas o teto de um paciente de risco. Sódio seriado de curto intervalo e débito urinário sob vigilância.
- 8ULTRAPASSOU O LIMITE? Freios disponíveis: desmopressina, depois ou em antecipação à diurese aquosa, e reabaixamento do sódio — indicação mais forte em quem tem sódio ≤ 105 mmol/L, uso pesado de álcool, hipocalemia grave, desnutrição ou hepatopatia avançada e subiu mais de 8 mmol/L em menos de 24 horas.
- 9HIPERNATREMIA — ACHE O MECANISMO. Carga de sódio (soluções ricas em sódio, salina hipertônica, bicarbonato, antimicrobiano sódico), corticosteroide, ou perda de água livre (diabetes insípido, diurético, queimadura, diarreia) — quase sempre somada a alguém que não bebe sozinho.
- 10CALCULE E ENTREGUE A ÁGUA. Déficit = água corporal total × (sódio atual ÷ sódio-alvo − 1). De 155 para 145 mmol/L em 70 kg dá 2,9 L, ou cerca de 1,5 L por dia em 48 horas — além de tudo o que já entra. Via enteral esbarra na disfunção gastrointestinal; por via parenteral, cada veículo (glicose a 5%, glicossalina hipotônica, salina a 0,45%) cobra carga calórica ou de sódio.
Tonicidade normal: a célula em repouso
Sódio entre 135 e 145 mmol/L. A concentração de soluto dentro e fora está equilibrada e não há fluxo líquido de água através da membrana. É o estado de referência contra o qual os dois extremos se leem — e é o ponto para o qual a correção caminha, sem pressa.
Hipotônica: a água entra e a célula incha
Hiponatremia. Menos soluto fora do que dentro: a água atravessa para o intracelular e o cérebro edemacia — daí convulsão, coma e depressão respiratória. É o quadro que autoriza bolus de salina hipertônica para elevar o sódio em 4 a 6 mmol/L em poucas horas.
Hipertônica: a água sai e a célula murcha
Hipernatremia. Mais soluto fora do que dentro: a água deixa o intracelular e a célula se retrai. O tratamento é água livre, calculada e entregue devagar — desfazer depressa uma adaptação instalada em dias é o que produz lesão, nos dois sentidos.
Hiponatremia grave: metas mínimas, tetos e o que fazer se passar
| Situação | Elevação mínima em 24 h | Teto em 24 h | Observação |
|---|---|---|---|
| Sódio ≤ 120 mmol/L, risco habitual de desmielinização | 4 a 8 mmol/L | 10 a 12 mmol/L (e 18 mmol/L em 48 h) | Corrigir 8 a 12 mmol/L no primeiro dia é mais do que o necessário, ainda que improvável de causar dano se o incremento de 2 dias não passar de 18 mmol/L |
| Risco aumentado: sódio ≤ 105 mmol/L, transtorno por uso de álcool, hipocalemia, desnutrição ou doença hepática avançada | 4 a 6 mmol/L | 8 mmol/L | O teto de 48 h de 18 mmol/L é o declarado para o risco habitual; no risco aumentado o documento fixa o limite pelas 24 horas |
| Sintomático grave (convulsão, coma, depressão respiratória), qualquer faixa de risco | Elevar 4 a 6 mmol/L (ou 5 mmol/L, régua europeia) em POUCAS HORAS, por bolus de salina hipertônica | Depois do alvo inicial, volta a valer o teto da faixa de risco do paciente | Bolus alcança o incremento desejado mais rápido que infusão contínua de salina a 3% |
| Limite ultrapassado, paciente de alto risco (subiu > 8 mmol/L em < 24 h) | — | — | Considerar reabaixar o sódio; desmopressina depois ou em antecipação à diurese aquosa previne ou reverte a correção rápida |
Hipernatremia: quem faz, por qual mecanismo, e o que isso muda
| Cenário | Mecanismo predominante | Números que a questão usa | Conduta |
|---|---|---|---|
| Idoso institucionalizado ou acamado dependente | Perda insensível continuada sem acesso à água — sede preservada não basta se ninguém oferece o copo | Prevalência de 3,1% em institucionalizados contra 0,8% em domiciliados; mortalidade de 32,9% na internação e cerca de 79% em 90 dias nesse grupo | Repor água livre calculada e corrigir o acesso à água — o distúrbio é marcador de fragilidade, não doença isolada |
| Paciente de UTI com sódio normal na admissão | Carga de sódio (soluções ricas em sódio, salina hipertônica, bicarbonato, antimicrobiano sódico), corticosteroide, ou perda renal e extrarrenal de água livre | Hipernatremia adquirida na UTI em cerca de 10% a 15%; numa coorte, 7,5% no total — 4,8% leve (145 a 150), 1,9% moderada (150 a 155) e 0,7% grave (> 155) | Identificar a fonte antes de repor: carga de sódio se corrige tirando a fonte; perda de água livre se corrige entregando água |
| Uso deliberado de diurético para negativar balanço | Perda renal de água livre induzida por prescrição, em paciente que não desmama do ventilador | Uso de diurético na véspera é fator de risco independente para hipernatremia moderada ou grave, ao lado de APACHE III alto, ventilação invasiva e febre | Nomear o conflito: repor água livre parece desfazer o que o diurético buscou. A decisão é de prioridade clínica, não automática |
| Hipernatremia grave em terapia intensiva | Combinação das anteriores, com administração de água livre ausente, limitada ou tardia | Cerca de 0,9% dos pacientes; 28% com delirium; mortalidade hospitalar de 24% | Corrigir de 155 para 145 mmol/L em 70 kg exige 2,9 L de água livre — cerca de 1,5 L por dia em 48 horas, além do que já entra |
A mesma bolsa, três pacientes: por que tonicidade é relativa
| Sódio do paciente | Salina a 0,9% (154 mmol/L de sódio) é... | Efeito sobre a natremia | Consequência prática |
|---|---|---|---|
| 140 mmol/L | Praticamente isotônica | Praticamente neutra | Expande o extracelular sem mover a tonicidade — é o cenário do paciente que só precisa de volume |
| 110 mmol/L | Francamente hipertônica | Sobe o sódio | Expandir o hiponatrêmico hipovolêmico corrige a perfusão E sobe a natremia; foi o volume de salina na emergência que apareceu como fator independente de hipercorreção na coorte brasileira |
| 165 mmol/L | Hipotônica | Desce o sódio, devagar | Serve como veículo parcial de água livre em quem está hipoperfundido, mas não substitui o cálculo do déficit nem a via de água livre propriamente dita |
A definição de hiponatremia grave tem dois braços ligados por OU: sódio < 120 mmol/L independentemente de sintomas, OU sódio de 120 a 129 mmol/L com manifestação neurológica grave. Trocar esse OU por E é o erro que faz o candidato observar um paciente que precisa de hipertônica agora.
Existe piso, e não apenas teto. Correção insuficiente também é conduta errada — por isso as recomendações trazem elevação mínima de 4 a 8 mmol/L no risco habitual e de 4 a 6 mmol/L no risco aumentado.
A fórmula do déficit de água livre se comporta nos extremos: o denominador é o sódio-alvo, valor fixo entre 140 e 145 mmol/L, que nunca se aproxima de zero; o resultado é zero quando o sódio atual iguala o alvo e negativo quando ele está abaixo dele, sinalizando corretamente excesso de água em vez de déficit.
⚠️ Erro de publicação a registrar: o resumo do artigo do Jornal Brasileiro de Nefrologia sobre disnatremias em hemodiálise aguda traz, para a hiponatremia, razão de risco ajustada de 0,19 com intervalo de confiança de 0,69 a 2,04 — estimativa pontual FORA do próprio intervalo, portanto impossível. O corpo do artigo traz 1,19 (IC 95% 0,69 a 2,04), que é o valor coerente com a conclusão de ausência de associação e o único usado neste capítulo.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Manter o curso — painel de especialistas de 20 centros em 9 países (2024)
Os limites vigentes devem ser preservados até que exista evidência melhor. Em risco habitual com sódio ≤ 120 mmol/L, teto de 10 a 12 mmol/L em 24 horas e 18 mmol/L em 48 horas; em risco aumentado, não exceder 8 mmol/L em 24 horas. O argumento central é que a raridade da desmielinização osmótica SOB os limites vigentes é evidência de que eles funcionam, não de que sejam dispensáveis — abandoná-los seria, na imagem dos autores, jogar fora o guarda-chuva porque não se molhou na tempestade. Soma-se a imprecisão analítica: uma elevação relatada de 8 mmol/L pode ser, de fato, de 10, e por isso a meta planejada não deve encostar na velocidade que causa dano.
Sterns RH, Rondon-Berrios H, Adrogué HJ, Berl T, Burst V, Cohen DM, et al. Treatment guidelines for hyponatremia: stay the course. Clin J Am Soc Nephrol. 2024;19(1):129-135
Sinal observacional em sentido contrário — coorte brasileira e editorial do Jornal Brasileiro de Nefrologia (2026)
Em 362 pacientes com sódio inicial < 120 mmol/L em dois hospitais terciários brasileiros, a hipercorreção ocorreu em 38,7% e produziu um único caso de desmielinização osmótica (0,28% da coorte). O grupo hipercorrigido teve razão de chances de 0,548 para mortalidade (IC 95% 0,389 a 0,772; p < 0,001), em linha com metanálises recentes que apontam desmielinização rara, nem sempre ligada à hipercorreção, e correção mais rápida associada a menor mortalidade hospitalar e menor tempo de internação. Os próprios autores, ao revisar as causas de óbito uma a uma, não encontraram relação causal entre velocidade de correção e mortalidade — e o editorial que acompanha o artigo nomeia os três motivos pelos quais a associação não sustenta causalidade: viés de indicação, limitações da coleta retrospectiva e etiologias diferentes de hiponatremia.
Reis LAC, et al. J Bras Nefrol. 2026;48(1):e20250161; Gomes CP (editorial). J Bras Nefrol. 2026;48(1):e2026E005
Na prova
Nenhuma banca brasileira vai cobrar hoje a correção liberal como gabarito: os limites conservadores continuam sendo a régua, e a alternativa correta traz os números do painel de especialistas. O que a discussão recente muda na questão é a ÊNFASE — os enunciados começam a testar se o candidato sabe que a hipercorreção nasce da aquarese e não da dose de salina, e que existem freios (desmopressina, reabaixamento do sódio). Se aparecer alternativa afirmando que corrigir mais rápido REDUZ mortalidade, ela está apresentando uma associação observacional como se fosse causal — é distrator. E se o enunciado citar nominalmente a coorte brasileira, o que ele quer é a leitura crítica, não a mudança de conduta.
É o tratamento — e a subida do sódio é parte dele
Na hiponatremia hipovolêmica, restaurar o volume é o que desliga o estímulo não osmótico para o hormônio antidiurético e permite que o rim volte a excretar água livre. A salina isotônica é uma das formas de tratamento reconhecidas, ao lado da salina hipertônica em bolus ou em infusão contínua — e, com qualquer uma delas, o sódio sérico frequentemente sobe MAIS do que o pretendido, risco que os próprios documentos citam como razão declarada para fixar metas conservadoras.
Sterns RH, et al. Treatment guidelines for hyponatremia: stay the course. Clin J Am Soc Nephrol. 2024;19(1):129-135
É fator independente de hipercorreção — coorte brasileira (2026)
Na coorte de 362 pacientes com sódio < 120 mmol/L, em que 73,2% receberam NaCl a 0,9% e apenas seis receberam NaCl a 3%, o VOLUME de salina a 0,9% administrado ainda na emergência apareceu como fator independentemente associado à hipercorreção, ao lado de idade menor e sódio de admissão mais baixo — com câncer e uso de furosemida como fatores protetores.
Reis LAC, Guimarães MGM, Bastos AP, da Mata DR, Lins e Silva DH, Rocha PN. J Bras Nefrol. 2026;48(1):e20250161
Na prova
As duas posições não se anulam: descrevem o mesmo fenômeno de lados opostos, e a alternativa correta costuma conter as duas metades — expandir, sim, e programar sódio seriado e vigilância do débito urinário porque a expansão sobe o sódio. Alternativa que NEGA volume ao hipovolêmico 'para não hipercorrigir' está errada: perfusão vem antes de tonicidade. Alternativa que expande generosamente e reavalia o sódio só no dia seguinte também está errada, e é a que a coorte brasileira ajuda a derrubar. Enunciado que descreve expansão vigorosa na emergência seguida de sódio subindo depressa está cobrando exatamente esse par.
Preditor independente — as grandes coortes de terapia intensiva
Em coortes que rastrearam dezenas de milhares de admissões, todos os níveis de hipernatremia adquirida na UTI permaneceram independentemente associados à mortalidade após ajuste para fatores de confusão, com APACHE III alto, ventilação invasiva, febre e uso de diurético na véspera como fatores de risco independentes para as formas moderada e grave. Entre os casos graves, 28% tiveram delirium e a mortalidade hospitalar foi de 24%. É com esse argumento que os autores defendem um ensaio de intervenção — liberalizar a oferta de água livre — para o distúrbio.
Coortes de Nasser et al. e Chaba et al., descritas em Venkatesh B. Is hypernatremia worth its salt? Crit Care Resusc. 2024;26(4):225-226
Provável epifenômeno — leitura crítica das mesmas coortes
Os pacientes que desenvolvem hipernatremia na UTI já são diferentes na linha de base: mais catecolamina, escores de disfunção orgânica mais altos, hiperlactatemia, mais ventilação mecânica e predomínio de admissões clínicas — perfil de mortalidade alta por si só. O uso de corticosteroide, fator de risco reconhecido para hipernatremia e marcador de doença grave, sequer foi contabilizado nessas coortes. Em dado retrospectivo, decifrar a contribuição própria do distúrbio é difícil sem informação sobre causas de morte — e há precedente do outro lado: em série de hiponatremia grave com revisão detalhada das causas de óbito, concluiu-se que os pacientes morreram COM, e não POR causa da hiponatremia.
Venkatesh B. Is hypernatremia worth its salt? (editorial). Crit Care Resusc. 2024;26(4):225-226
Na prova
Esta divergência raramente é o gabarito direto; ela aparece como enunciado de raciocínio epidemiológico dentro de uma questão clínica. A pista é o verbo: 'está associada a' é sustentável pelos dados; 'causa' não é. Alternativa que trata a hipernatremia como alvo terapêutico com benefício comprovado de mortalidade extrapola — o próprio argumento das coortes é que ainda FALTA o ensaio de intervenção. Na prática clínica, a conduta não muda com a resposta: corrigir o déficit de água livre é indicado de qualquer modo, porque a alternativa é manter um paciente hiperosmolar.
Caso resolvido
- achado
- Hiponatremia grave por dois caminhos ao mesmo tempo: sódio de 108 mmol/L, abaixo de 120, o que já basta; e manifestação neurológica grave — convulsão com rebaixamento persistente —, que sozinha classificaria como grave mesmo entre 120 e 129 mmol/L. Isso tira o caso do território da investigação etiológica: edema cerebral não espera osmolalidade urinária.
- estratificação de risco
- Antes de escolher a meta, classifique o risco de desmielinização osmótica pelos cinco fatores: sódio ≤ 105 mmol/L, transtorno por uso de álcool, HIPOCALEMIA, DESNUTRIÇÃO e doença hepática avançada. Ela tem dois — potássio de 2,9 mmol/L e magreza com ingestão alimentar ruim e perda de peso —, ainda que o sódio não esteja abaixo de 105. Está na faixa de risco AUMENTADO.
- conduta imediata
- Bolus de salina hipertônica para elevar o sódio em 4 a 6 mmol/L (5 mmol/L pela régua europeia) em poucas horas — magnitude suficiente para reduzir de forma marcante a pressão intracraniana e reverter herniação iminente. Bolus, e não infusão contínua de salina a 3%, porque alcança o incremento desejado mais rápido. Repor potássio em paralelo, lembrando que a reposição de potássio também eleva a natremia e entra na conta do dia.
- teto do dia
- Como está na faixa de risco aumentado, o teto é 8 mmol/L em 24 horas, com meta mínima de 4 a 6 mmol/L — quase todo o orçamento do dia cabe no bolus inicial. Em números: sair de 108 e não passar de 116 mmol/L nas primeiras 24 horas. E não mire no teto: pela imprecisão do método, uma elevação relatada de 8 mmol/L pode corresponder a 10.
- a armadilha do caso
- Ela reúne as duas causas reversíveis que desligam o estímulo antidiurético: hipovolemia, que será corrigida, e tiazídico, que será suspenso. Assim que isso acontecer, emerge a aquarese — diurese aquosa capaz de elevar o sódio em mais de 2 mmol/L por hora, o que consome os 8 mmol/L permitidos em cerca de quatro horas, sozinha. Por isso a prescrição inclui sódio seriado de curto intervalo e vigilância do débito urinário, e não apenas a bolsa.
- freio
- Se o débito urinário disparar ou o sódio subir acima do previsto, o freio existe: desmopressina, administrada depois ou em antecipação à diurese aquosa, previne ou reverte a correção rápida; e reabaixar o sódio deve ser considerado quando o limite foi ultrapassado — indicação mais forte justamente no paciente de alto risco cuja natremia subiu mais de 8 mmol/L em menos de 24 horas.
- o que NÃO fazer
- Não expandir com grandes volumes de salina a 0,9% 'para tratar a desidratação e a hiponatremia de uma vez': para quem tem sódio de 108, a salina a 0,9% é francamente hipertônica, e na coorte brasileira o volume de salina a 0,9% administrado na emergência foi fator independentemente associado à hipercorreção. Não usar solução hipotônica nem glicose a 5% em quem está convulsionando por hiponatremia. E não adiar a hipertônica para investigar a etiologia — a investigação corre em paralelo.
Agora feche você
- o que já sei
- Entrou com sódio normal e desenvolveu hipernatremia durante a internação — é o padrão da hipernatremia ADQUIRIDA na UTI, que ocorre em cerca de 10% a 15% dos pacientes admitidos com sódio normal. Ele reúne quatro fatores de risco descritos: ventilação invasiva, gravidade, uso de diurético e corticosteroide, este último reconhecido como fator de risco e frequentemente não contabilizado.
- o mecanismo
- Perda renal de água livre induzida por prescrição — a furosemida foi indicada de propósito para negativar o balanço —, somada a oferta de água livre limitada porque a via enteral está comprometida por resíduo gástrico alto. Não é carga de sódio: não há salina hipertônica, bicarbonato nem antimicrobiano sódico na história.
- a conta
- O déficit de água livre é a água corporal total multiplicada pela razão entre o sódio atual e o sódio-alvo, menos um. Com cerca de 42 litros de água corporal total num paciente de 70 kg e alvo de 145 mmol/L, o cálculo dá 2,9 litros — e distribuídos em 48 horas, cerca de 1,5 litro por dia ALÉM de tudo o que ele já recebe.
- o conflito
- Entregar 1,5 litro por dia de água livre parece desfazer exatamente o que a furosemida foi buscar, num paciente que não desmama do ventilador. É esse conflito — e não desconhecimento — que explica por que a correção observada nessas coortes é lenta e a água administrada, pouca.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Ler a natremia como estoque de sódio É o erro-mãe do tema e produz conduta invertida nas duas pontas. Sódio de 165 mmol/L num idoso acamado não é excesso de sal a ser restringido: é falta de água a ser reposta — e prescrever diurético ou dieta hipossódica piora o compartimento que está vazio. Sódio de 112 mmol/L não é falta de sal a ser corrigida com salina generosa: é água em excesso, e a expansão liberal com salina a 0,9% foi fator independentemente associado à hipercorreção na coorte brasileira.
- 2Trocar por E o OU da definição de hiponatremia grave Hiponatremia grave é sódio < 120 mmol/L INDEPENDENTEMENTE de sintomas, OU sódio de 120 a 129 mmol/L ACOMPANHADA de manifestação neurológica grave de edema encefálico. São dois caminhos independentes. Quem exige as duas condições simultaneamente observa um paciente de 124 mmol/L que acabou de convulsionar — exatamente quem precisa de bolus de hipertônica agora.
- 3Achar que a hipercorreção vem da dose de salina Vem, na maioria das vezes, da aquarese. Quando a causa da retenção de água se resolve — o hipovolêmico é reexpandido, o tiazídico é suspenso, o vômito cessa —, o hormônio antidiurético desliga e emerge diurese aquosa capaz de elevar o sódio em mais de 2 mmol/L por hora: quatro horas assim consomem sozinhas os 8 mmol/L permitidos ao paciente de risco. Por isso a conduta inclui sódio seriado e vigilância do débito urinário, e por isso existem desmopressina e reabaixamento do sódio como freios.
- 4Esquecer que existe piso, e não só teto As recomendações trazem correção MÍNIMA — de 4 a 8 mmol/L em 24 horas no risco habitual e de 4 a 6 mmol/L no risco aumentado — porque correção insuficiente também é erro. A alternativa que propõe 'apenas restrição hídrica e reavaliação em 24 horas' num paciente com sódio de 110 e rebaixamento troca um risco raro e catastrófico por um risco imediato e provável.
- 5Ignorar os cinco fatores de risco de desmielinização Sódio ≤ 105 mmol/L, transtorno por uso de álcool, hipocalemia, desnutrição e doença hepática avançada. É essa lista que decide se o teto do dia é 8 ou 10 a 12 mmol/L, e a banca costuma escondê-la na história social ou num potássio de 2,8 mmol/L jogado no meio do laboratório. Quem não estratifica aplica o teto errado e erra a alternativa por 4 mmol/L.
- 6Corrigir a tonicidade antes da perfusão A ordem é perfusão primeiro, tonicidade depois. O paciente hipoperfundido recebe cristaloide isotônico — de primeira linha, com recomendação forte —, e a correção da natremia, com o seu teto de velocidade próprio, começa com a circulação sustentada. Negar volume a quem está em choque 'para não hipercorrigir o sódio' inverte a prioridade; o correto é expandir E programar sódio seriado, porque a própria expansão move a natremia.
- 7Tratar o número sem checar se ele é real Eletrodo íon-seletivo indireto sofre com proteinemia: hipoproteinemia produz pseudo-hipernatremia e hiperproteinemia produz pseudonormonatremia — esta última perigosa, porque esconde uma hipernatremia verdadeira. Hipertrigliceridemia e paraproteinemia grave produzem pseudo-hiponatremia. Antes de prescrever hipertônica ou água livre, o enunciado precisa fechar: a clínica combina com o número?
- 8Apresentar associação observacional como benefício de corrigir rápido A coorte brasileira mostrou razão de chances de 0,548 para mortalidade no grupo hipercorrigido — e os próprios autores, revisando as causas de óbito uma a uma, não encontraram relação causal. Viés de indicação (quem corrige rápido é quem tinha causa reversível e vigilância intensiva), limitações da coleta retrospectiva e etiologias diferentes explicam o achado. Alternativa que conclui 'corrigir mais rápido reduz mortalidade' é distrator construído sobre esse salto.
Hiponatremia euvolêmica, com urina inapropriadamente concentrada e sódio urinário elevado, em paciente em uso de tiazídico, aponta para hiponatremia induzida por tiazídico — causa muito comum e diretamente atribuível ao fármaco. SIADH é diagnóstico de exclusão e exige afastar drogas; o uso de tiazídico torna-o a causa mais provável aqui. Não há sinais de hipovolemia (mucosas úmidas) que sugiram perda gastrointestinal. Insuficiência adrenal costuma cursar com hipercalemia e hipotensão. Não há edema/congestão para hiponatremia hipervolêmica.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem de 55 anos, tabagista, com carcinoma de pulmão de pequenas células, apresenta confusão e náuseas. Exames: sódio 118 mEq/L, osmolalidade plasmática 250 mOsm/kg, osmolalidade urinária 520 mOsm/kg, sódio urinário 60 mEq/L. Euvolêmico ao exame, sem edema, função tireoidiana e adrenal normais. Qual é o diagnóstico da hiponatremia?
Hiponatremia hipotônica (osmolalidade plasmática baixa) com urina inapropriadamente concentrada (osm urinária > 100), sódio urinário elevado (> 30 mEq/L), euvolemia e funções tireoidiana/adrenal normais definem SIADH — aqui associada a carcinoma de pequenas células (secreção ectópica de ADH). A forma hipovolêmica cursaria com sinais de depleção. A hipervolêmica teria edema/IC. A pseudo-hiponatremia tem osmolalidade plasmática normal. O diabetes insipidus causa hipernatremia com urina diluída, o oposto do quadro.
Homem de 52 anos, internado em UTI por choque séptico de foco pulmonar, evolui no 4º dia com hiponatremia. Exames: Na 122 mEq/L, osmolalidade plasmática 262 mOsm/kg, osmolalidade urinária 480 mOsm/kg, Na urinário 62 mEq/L. Está euvolêmico ao exame, sem edema, com PA 118/74 mmHg e FC 84 bpm; função tireoidiana e cortisol normais. Qual é a conduta inicial MAIS apropriada, considerando o diagnóstico mais provável?
O quadro (euvolemia, hipoosmolalidade plasmática, urina inapropriadamente concentrada, Na urinário elevado, com tireoide/adrenal normais) define SIADH; a base do tratamento na hiponatremia crônica assintomática/oligossintomática é a restrição hídrica. Salina isotônica pode paradoxalmente piorar o sódio no SIADH pela retenção de água livre. Salina a 3% só está indicada em hiponatremia sintomática grave (convulsão/coma), ausente aqui. Fludrocortisona trata perda cerebral de sal/insuficiência adrenal, não SIADH. Furosemida isolada não corrige e agrava depleção.
Mulher de 52 anos é internada por pneumonia. Ao segundo dia, apresenta hiponatremia (Na 122 mEq/L). Está euvolêmica, sem edema, PA e FC normais. Osmolaridade sérica 258 mOsm/kg, osmolaridade urinária 480 mOsm/kg, sódio urinário 60 mEq/L. Função tireoidiana e cortisol normais. Qual o diagnóstico e a conduta inicial mais apropriada?
O quadro é clássico de SIADH: hiponatremia hipo-osmolar, euvolemia, urina inapropriadamente concentrada (osm urinária alta) e sódio urinário elevado, com tireoide e adrenal normais, no contexto de pneumonia (causa comum). A conduta inicial na SIADH crônica/moderada é a restrição hídrica. Não é hipovolêmica: a paciente está euvolêmica e a salina isotônica pode piorar a hiponatremia na SIADH. Insuficiência adrenal foi afastada pelo cortisol normal. Hiponatremia por hiperglicemia exigiria glicemia muito elevada, não referida, e a osmolaridade estaria alta/normal, não baixa.
Uma mulher de 62 anos é atendida no pronto-socorro por confusão mental progressiva ao longo de dois dias, náuseas e fraqueza. Tem histórico de carcinoma de pulmão em tratamento. Ao exame: hidratada, sem edemas, PA 124x78 mmHg, sem sinais de desidratação ou congestão. Exames: sódio 118 mEq/L, potássio 4,2 mEq/L, osmolaridade sérica 248 mOsm/kg, osmolaridade urinária 480 mOsm/kg, sódio urinário 60 mEq/L, função renal, tireoidiana e adrenal normais. Assinale o diagnóstico do distúrbio e a conduta inicial, respectivamente.
Hiponatremia hipotônica euvolêmica com osmolaridade urinária inapropriadamente alta (>100), sódio urinário elevado e funções renal/tireoidiana/adrenal normais, em paciente com neoplasia pulmonar, define SIADH (secreção ectópica de ADH). A conduta inicial na hiponatremia crônica assintomática/oligossintomática é a restrição hídrica. Não há hipovolemia, portanto soro livre pioraria; o diabetes insípido cursa com hipernatremia e urina diluída; e a hiponatremia por hiperglicemia exigiria glicemia muito elevada, ausente aqui.
Mulher, 72 anos, hipertensa em uso de hidroclorotiazida, é levada ao pronto-socorro com rebaixamento do nível de consciência e uma crise convulsiva tônico-clônica presenciada há 30 minutos. Familiares relatam náuseas e cefaleia progressivas nas últimas 48 horas. Exame: sonolenta (Glasgow 12), sem sinais focais, PA 138/84 mmHg, FC 78 bpm, mucosas normocoradas e hidratadas, sem edema. Exames: sódio 112 mEq/L (VR 135–145), potássio 3,8 mEq/L, osmolalidade sérica 238 mOsm/kg, osmolalidade urinária 480 mOsm/kg, sódio urinário 42 mEq/L. Iniciada infusão de salina hipertônica a 3%. Qual é a meta MÁXIMA de correção da natremia nas primeiras 24 horas para minimizar o risco de desmielinização osmótica?
Correta: Trata-se de hiponatremia hipotônica grave e sintomática (convulsão, sódio 112, osmolalidade 238), o que indica infusão de salina hipertônica a 3%. O objetivo inicial é elevar a natremia em 4 a 6 mEq/L para reverter os sintomas neurológicos graves (o que já reduz drasticamente o edema cerebral), respeitando o limite de segurança de 8 mEq/L em 24 horas para evitar síndrome de desmielinização osmótica, risco aumentado nesta paciente (idosa, tiazídico, hiponatremia crônica de instalação em dias). Correção ultrarrápida e sem teto é a receita para desmielinização osmótica. 12 mEq/L em 24h ultrapassa o limite seguro e prioriza velocidade sobre segurança. 1–2 mEq/L/h mantido levaria a correção total muito acima de 8 mEq/L em 24h. Hiponatremia sintomática grave com convulsão exige salina hipertônica imediata; apenas restrição hídrica é insuficiente e perigosa.
Homem, 58 anos, tabagista, com perda ponderal de 6 kg em 2 meses, é internado para investigação de tosse crônica. Encontra-se assintomático do ponto de vista neurológico. Exame físico: PA 124/78 mmHg, FC 76 bpm, sem edemas, turgor cutâneo normal, mucosas úmidas, sem sinais de desidratação ou congestão. Exames: sódio 126 mEq/L (VR 135–145), potássio 4,1 mEq/L, ureia 18 mg/dL, creatinina 0,7 mg/dL, glicemia 92 mg/dL, ácido úrico 2,4 mg/dL (VR 3,5–7,2), osmolalidade sérica 262 mOsm/kg (VR 275–295), osmolalidade urinária 520 mOsm/kg, sódio urinário 58 mEq/L. TSH e cortisol matinal normais. Qual é o diagnóstico mais provável do distúrbio do sódio?
Correta: o paciente apresenta hiponatremia hipotônica (osmolalidade 262) euvolêmica: sem edema, sem sinais de desidratação, com osmolalidade urinária inapropriadamente elevada (520, urina concentrada apesar da hipotonicidade plasmática), sódio urinário alto (>30-40 mEq/L), ácido úrico baixo e função tireoidiana/adrenal normais — o quadro clássico de SIADH. O contexto (tabagista, emagrecimento, tosse) sugere carcinoma pulmonar de pequenas células como causa. Na hipovolemia o sódio urinário seria baixo (<20-30) e haveria sinais de depleção. Pseudo-hiponatremia cursa com osmolalidade sérica normal/isotônica, não hipotônica. Falta edema/congestão e o sódio urinário na ICC costuma ser baixo. Na polidipsia primária a osmolalidade urinária é baixa (<100), urina diluída, e não concentrada como aqui.
Homem, 80 anos, acamado e com demência avançada, institucionalizado, é trazido por rebaixamento e ingesta hídrica reduzida há vários dias por recusa alimentar. Exame: letárgico, mucosas secas, turgor cutâneo diminuído, PA 100/60 mmHg, FC 104 bpm. Exames: sódio 162 mEq/L (VR 135–145), potássio 4,0 mEq/L, ureia 78 mg/dL, creatinina 1,4 mg/dL, glicemia 98 mg/dL. Qual é a principal alteração eletrolítica apresentada por este paciente?
Correta: o sódio de 162 mEq/L caracteriza hipernatremia (VR 135–145). O contexto é típico: idoso com demência, acamado, com déficit de acesso à água livre e mecanismo de sede comprometido, evoluindo com desidratação (mucosas secas, turgor diminuído, taquicardia, elevação de ureia/creatinina). O sódio está elevado, não reduzido, e não há hipervolemia. O potássio está normal (4,0). Exigem sódio baixo, o oposto do apresentado. A conduta é reposição cuidadosa de água livre, corrigindo o sódio em no máximo 10-12 mEq/L em 24h para evitar edema cerebral.
Homem, 70 anos, com hipertrofia prostática, admitido para prostatectomia. No 3º dia de pós-operatório evolui com náuseas, cefaleia, confusão mental e uma crise convulsiva tônico-clônica. Vinha recebendo grandes volumes de solução glicosada a 5% no pós-operatório e apresenta débito urinário reduzido. Ao exame: sem edemas, PA 128/78 mmHg, sem sinais de desidratação. Exames: Na+ 118 mEq/L, K+ 4,2 mEq/L, osmolaridade sérica 248 mOsm/kg, osmolaridade urinária 420 mOsm/kg, sódio urinário 45 mEq/L. Qual é a conduta mais apropriada neste momento?
Correta: Trata-se de hiponatremia hipotônica grave (Na+ 118, osmolaridade sérica baixa 248) com quadro neurológico agudo (convulsão) — emergência. O contexto de excesso de água livre (glicosado 5%) somado à secreção inapropriada de ADH pós-operatória (osmolaridade urinária inapropriadamente alta 420 e Na+ urinário 45 em paciente euvolêmico) configura hiponatremia sintomática. Diante de sintoma neurológico grave, a conduta é salina hipertônica a 3% para elevar o sódio de forma controlada (evitando ultrapassar ~8-10 mEq/L em 24h pelo risco de mielinólise pontina). Errado: SF 0,9% em bolus rápido é insuficiente para hiponatremia sintomática grave e sem controle da velocidade de correção. Errado: restrição hídrica trata hiponatremia leve/assintomática, não uma convulsão ativa. Errado: glicosado 5% é água livre — agravaria a hiponatremia. Errado: furosemida isolada, sem reposição de sódio, não corrige com segurança a hiponatremia sintomática.
Mulher, 68 anos, tabagista, com diagnóstico recente de carcinoma de pequenas células de pulmão, é internada por confusão mental leve e cefaleia há 5 dias. Ao exame: consciente, orientada, mucosas úmidas, sem edemas, PA 128/80 mmHg, FC 78 bpm, turgor cutâneo preservado, sem sinais de desidratação ou congestão. Exames: Na 118 mEq/L (VR 135-145), K 4,0 mEq/L, ureia 18 mg/dL (VR 15-40), creatinina 0,6 mg/dL, glicemia 92 mg/dL, osmolalidade sérica 248 mOsm/kg (VR 275-295), osmolalidade urinária 520 mOsm/kg, sódio urinário 60 mEq/L. TSH e cortisol matinal normais. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: o quadro preenche os critérios clássicos de SIADH — hiponatremia hiposmolar (osm sérica 248 mOsm/kg), euvolemia clínica, urina inapropriadamente concentrada (osm urinária >100, aqui 520 mOsm/kg), sódio urinário >30 mEq/L (60 mEq/L) e função tireoidiana/adrenal normais. O carcinoma de pequenas células de pulmão é a causa paraneoplásica clássica de secreção ectópica de ADH. Erra porque não há sinais de hipovolemia (mucosas úmidas, turgor preservado, PA/FC normais) — a paciente é euvolêmica. Erra porque não há edema nem congestão, e na ICC a natriurese é baixa (Na urinário <20). Erra porque a glicemia está normal (92 mg/dL); pseudo-hiponatremia por hiperglicemia exige glicose muito elevada. Erra porque na polidipsia primária a urina é maximamente diluída (osm urinária <100), o oposto do achado de urina concentrada aqui.
Homem, 45 anos, é trazido ao pronto-socorro após crise convulsiva tônico-clônica generalizada presenciada. Familiares relatam vômitos e diarreia há 3 dias, com ingesta abundante de água pura para 'repor líquidos'. Ao exame: torporoso, Glasgow 11, sem sinais focais, PA 118/76 mmHg, FC 92 bpm. Exames: Na 112 mEq/L (VR 135-145), K 3,8 mEq/L, glicemia 98 mg/dL. Qual é a conduta imediata mais apropriada?
Correta: Hiponatremia grave (Na 112) com sintomas neurológicos graves (convulsão, rebaixamento) configura emergência por edema cerebral e exige correção rápida inicial com salina hipertônica a 3%, em bólus (ex.: 100-150 mL), visando elevar o sódio em cerca de 4-6 mEq/L para reverter os sintomas, respeitando o limite de <8-10 mEq/L em 24 h. Erra por ser lenta demais para uma emergência neurológica em curso. Erra porque a salina isotônica é insuficiente e demasiado lenta na emergência, podendo até agravar em contexto de SIADH concomitante. Erra porque os antagonistas da vasopressina têm início lento e não são indicados na hiponatremia aguda sintomática. Erra porque a furosemida aumenta a perda de sódio e não trata o edema cerebral agudo.
Homem, 68 anos, tabagista de longa data, em investigação de nódulo pulmonar, procura o pronto-socorro por cefaleia leve e náuseas há três dias. Ao exame: lúcido, hidratado, sem edemas, PA 128x78 mmHg, FC 76 bpm, mucosas úmidas, turgor cutâneo preservado. Exames: sódio 118 mEq/L (VR 135-145), potássio 4,1 mEq/L (VR 3,5-5,0), osmolalidade sérica 248 mOsm/kg (VR 275-295), glicemia 92 mg/dL (VR 70-99), osmolalidade urinária 485 mOsm/kg, sódio urinário 58 mEq/L. TSH e cortisol matinal normais. Qual é o diagnóstico mais provável?
O quadro define hiponatremia hipotônica (osmolalidade sérica 248 mOsm/kg) em paciente clinicamente euvolêmico (mucosas úmidas, turgor preservado, sem edema, PA/FC normais), com urina inapropriadamente concentrada (osm urinária 485, > sérica) e sódio urinário elevado (58 mEq/L, > 30-40). Com função tireoidiana e adrenal normais, esse é o padrão clássico da SIADH — aqui provavelmente paraneoplásica (carcinoma de pequenas células). Correta: Na perda renal haveria sinais de hipovolemia, e o quadro clínico é euvolêmico. Pseudo-hiponatremia cursa com osmolalidade sérica normal/alta e a glicemia está normal (92 mg/dL), não corrigindo o sódio. Excluída pelo cortisol matinal normal. Na polidipsia primária a urina estaria máxima e diluída (osm < 100 mOsm/kg), não concentrada.
Mulher, 28 anos, com transtorno psiquiátrico e polidipsia psicogênica, é trazida por rebaixamento do nível de consciência e uma crise convulsiva tônico-clônica autolimitada. Sódio de entrada 108 mEq/L (VR 135-145); quadro de instalação presumidamente crônica (> 48 h). Inicia-se salina hipertônica a 3%. Oito horas depois, cessadas as convulsões e com melhora do sensório, novo controle mostra sódio 124 mEq/L. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
A elevação foi de 16 mEq/L em 8 horas, muito acima do limite seguro de correção da hiponatremia crônica (≤ 8 mEq/L em 24 h; ≤ 6 mEq/L em pacientes de alto risco de desmielinização osmótica, como esta jovem com hiponatremia grave e crônica). Configura-se supercorreção, e a conduta baseada em diretriz é REVERTER parte da subida ofertando água livre (SG 5%) e desmopressina, para reancorar a natremia e prevenir a síndrome de desmielinização osmótica. Correta: Manter a 3% agrava a supercorreção. Restrição isolada não desfaz a subida já ocorrida nem previne a desmielinização. Novo bolus de hipertônica está contraindicado — o objetivo agudo (parar a convulsão) já foi atingido. A salina 0,9% é hipertônica em relação a este plasma e continuaria elevando o sódio.
Homem, 68 anos, tabagista de longa data, com tosse seca e emagrecimento de 6 kg em 3 meses, é internado por confusão mental leve. Ao exame encontra-se euvolêmico: mucosas úmidas, turgor cutâneo normal, sem edema, PA 128/80 mmHg sem hipotensão postural. Exames: Na+ 119 mEq/L (VR 135-145), K+ 4,2 mEq/L (VR 3,5-5,0), osmolalidade plasmática 245 mOsm/kg (VR 275-295), osmolalidade urinária 480 mOsm/kg, sódio urinário 62 mEq/L. Função renal, TSH, T4 livre e cortisol basal normais. Radiografia de tórax com massa hilar à direita. Qual o diagnóstico mais provável para a hiponatremia?
Correta: Trata-se de hiponatremia hipotônica (osmolalidade plasmática 245, baixa) em paciente EUVOLÊMICO, com urina inapropriadamente concentrada (osm urinária 480 > plasmática) e sódio urinário elevado (>30 mEq/L), após exclusão de hipotireoidismo e insuficiência adrenal — critérios clássicos de SIADH. O contexto (tabagista, massa hilar, emagrecimento) sugere carcinoma de pequenas células como causa paraneoplásica. Perda renal geraria sinais de hipovolemia (hipotensão postural, mucosas secas), ausentes aqui. Na pseudo-hiponatremia a osmolalidade plasmática é NORMAL (isotônica), e neste caso está francamente baixa, confirmando hiponatremia verdadeira. Hipervolemia cursaria com edema/congestão, ausentes. Na polidipsia primária a urina estaria maximamente diluída (osm <100 mOsm/kg) pela supressão do ADH, e aqui está concentrada em 480.
Mulher, 55 anos, é trazida ao pronto-socorro após crise convulsiva tônico-clônica generalizada presenciada em casa. No momento apresenta-se pós-ictal, com Glasgow 10, já em acesso venoso periférico. Não há história de trauma. Exames laboratoriais imediatos revelam Na+ 108 mEq/L (VR 135-145), com demais eletrólitos e glicemia normais. Qual a conduta imediata mais apropriada?
Correta: Hiponatremia grave (Na+ 108) com sintoma neurológico maior (convulsão) configura emergência por edema cerebral. A conduta indicada por diretriz é bolus de salina hipertônica a 3% (ex.: 100-150 mL) para elevar rapidamente o sódio em ~4-6 mEq/L e reverter o quadro neurológico, sob monitorização para evitar correção excessiva. Restrição hídrica é medida lenta, inadequada para emergência com convulsão. Soro 0,9% eleva o sódio de forma insuficiente e lenta, podendo até piorar em contexto de SIADH. Furosemida é adjuvante em hipervolemia, não a terapia de resgate do quadro agudo sintomático. Tolvaptana é contraindicada na hiponatremia aguda grave sintomática — corrige de modo imprevisível e não controlado.
Mulher, 68 anos, hipertensa em uso crônico de hidroclorotiazida, é trazida ao pronto-socorro após crise convulsiva tônico-clônica generalizada presenciada em casa. Ao exame, encontra-se sonolenta, desorientada, sem sinais focais. PA 132/80 mmHg, FC 88 bpm, FR 16 ipm, SatO2 97%, T 36,5 °C; mucosas úmidas, sem edema, turgor preservado. Exames: sódio 108 mEq/L (VR 135–145), potássio 3,3 mEq/L (VR 3,5–5,0), osmolalidade sérica 226 mOsm/kg (VR 275–295), osmolalidade urinária 470 mOsm/kg, sódio urinário 52 mEq/L, glicemia 96 mg/dL, função renal e tireoidiana normais. A família refere que ela vinha "estranha" há cerca de duas semanas. Qual é a conduta imediata mais apropriada?
Trata-se de hiponatremia hipotônica grave (Na 108, osm sérica 226) e SINTOMÁTICA (convulsão + rebaixamento) por tiazídico, provavelmente crônica (sintomas há ~2 semanas, alto risco de mielinólise). A conduta Correta:para sintoma neurológico grave é bolus de salina hipertônica a 3% (100–150 mL, repetível) visando elevar o Na apenas 4–6 mEq/L para cessar o edema cerebral, sem ultrapassar 8 mEq/L em 24h (paciente idosa, tiazídico, hipocalemia = alto risco de síndrome de desmielinização osmótica). Erra: restrição hídrica isolada é lenta e inaceitável diante de convulsão/coma iminente. Erra: salina isotônica não corrige rápido o suficiente para sintoma grave e, em estado antidiurético (osm urinária alta), pode até piorar a natremia. Erra: meta de 130 mEq/L em 24h supera amplamente o limite seguro (≤8, ou ≤6 em alto risco), induzindo mielinólise pontina. Erra: repor K eleva o Na (deve ser contabilizado na correção total) e a desmopressina profilática é estratégia adjuvante contra supercorreção — não substitui o tratamento imediato do edema cerebral com hipertônica.
Uma mulher de 68 anos, com sequela de AVC e restrição ao leito, é atendida na enfermaria por quadro de febre, diarreia e baixa ingestão hídrica há vários dias. Está letárgica, com mucosas secas e turgor cutâneo reduzido, PA 100/60 mmHg e FC 104 bpm. Os exames mostram sódio sérico de 166 mEq/L, potássio 4,2 mEq/L, ureia elevada e osmolaridade plasmática aumentada. Após a estabilização hemodinâmica inicial com cristaloide isotônico, qual é o princípio que deve orientar a correção do distúrbio do sódio nesta paciente?
O quadro é de desidratação hipernatrêmica (Na 166 mEq/L, hiperosmolaridade) por perdas e baixa ingestão. Após restaurar a perfusão com cristaloide isotônico, o déficit de água livre deve ser reposto de forma lenta, com queda do sódio de no máximo ~10-12 mEq/L/dia, pois a correção rápida provoca edema cerebral e convulsões (correta). Salina hipertônica é usada em hiponatremia sintomática, não aqui. Reduzir o sódio abruptamente com excesso de água livre é justamente o erro que causa edema cerebral. Restringir líquidos agravaria a hipovolemia e a hipernatremia.
Mulher de 78 anos, acamada após acidente vascular encefálico prévio, é trazida à unidade de pronto atendimento pela cuidadora, que relata que a paciente vem recusando líquidos há cinco dias e apresenta sonolência progressiva. Faz uso de furosemida. Ao exame: torporosa, mucosas muito secas, turgor cutâneo diminuído, pressão arterial de 88 x 50 mmHg, frequência cardíaca de 118 bpm, tempo de enchimento capilar de 4 segundos, sem edema, sem estertores. Exames: sódio de 168 mEq/L, potássio de 4,0 mEq/L, glicemia de 104 mg/dL, ureia de 96 mg/dL, creatinina de 2,1 mg/dL. Peso de 50 kg.
A paciente tem desidratação hipernatrêmica grave com choque hipovolêmico. A prioridade é restaurar a perfusão tecidual com solução isotônica (soro fisiológico 0,9%), que, apesar de ter sódio de 154 mEq/L, é hipotônica em relação ao plasma dela (168 mEq/L) e ainda contribui para reduzir a natremia; só depois de estabilizada a hemodinâmica se corrige o déficit de água livre de forma lenta, com queda máxima de 10-12 mEq/L em 24 horas, para evitar edema cerebral. Errada: soluções hipotônicas não são a escolha para reanimação de choque. Errada: correção rápida da hipernatremia crônica (instalada em dias) causa edema cerebral e convulsões. Errada: a conduta expectante com manutenção de diurético é inaceitável diante de choque, e a furosemida agrava a perda de água livre.
Mulher de 78 anos, acamada e com demencia, e trazida ao pronto-atendimento por reducao da ingestao hidrica ha varios dias e rebaixamento do nivel de consciencia (torporosa). Ao exame apresenta mucosas secas e turgor reduzido, sem hipotensao (PA 118/70 mmHg, FC 96 bpm). Exames: sodio 162 mEq/L e osmolaridade serica elevada. Qual e a conduta de reposicao mais adequada?
Trata-se de desidratacao hipernatremica por baixa ingestao de agua; sem instabilidade hemodinamica, a conduta e repor o deficit de agua livre com solucao hipotonica e correcao LENTA do sodio (limite de ~10-12 mEq/L/dia) para evitar edema cerebral. A correcao rapida causa edema cerebral e e contraindicada. A salina hipertonica a 3% elevaria ainda mais o sodio, agravando o quadro. Restringir liquidos e observar perpetua o deficit hidrico e o rebaixamento.
Mulher de 72 anos, hipertensa em uso crônico de hidroclorotiazida 25 mg/dia, procura o pronto-socorro com fraqueza e tontura ao levantar-se, após quatro dias de vômitos incoercíveis por gastroenterite. Nega tosse, dispneia ou uso de outras medicações. Ao exame: lúcida e orientada, mucosas secas, turgor cutâneo reduzido, PA 92/58 mmHg em decúbito e 78/50 mmHg em ortostase, FC 112 bpm, sem edemas, sem estase jugular. Exames: sódio 116 mEq/L; potássio 3,1 mEq/L; ureia 78 mg/dL; creatinina 1,4 mg/dL (basal 0,8); osmolalidade plasmática 245 mOsm/kg; osmolalidade urinária 520 mOsm/kg; sódio urinário 12 mEq/L. Assinale a conduta mais adequada.
Trata-se de hiponatremia hipotônica HIPOVOLÊMICA: há perda extrarrenal de sódio (vômitos) com hipotensão postural, taquicardia, mucosas secas, ureia/creatinina desproporcionalmente elevada (padrão pré-renal) e, sobretudo, sódio urinário baixo (12 mEq/L), indicando ávida retenção renal de sódio. O tratamento é a expansão com salina isotônica, que corrige a hipovolemia, desliga o estímulo não osmótico ao ADH e permite a correção do sódio; suspender o tiazídico é obrigatório. A correção deve ser limitada a 8–10 mEq/L em 24 h pelo risco de síndrome de desmielinização osmótica — risco aumentado nesta paciente (Na < 120, hipocalemia, uso de tiazídico). A osmolalidade urinária elevada ocorre também na hipovolemia (ADH não osmótico); o SIADH é diagnóstico de exclusão e exige euvolemia e sódio urinário > 30-40 mEq/L — o oposto do caso. Salina a 3% está reservada a hiponatremia com sintomas neurológicos graves (convulsão, rebaixamento) e em bolus de 100-150 mL; elevar 12 mEq/L em 12 h é correção excessiva e iatrogênica. Tolvaptana é indicada em hiponatremia euvolêmica/hipervolêmica e é formalmente contraindicada na hiponatremia hipovolêmica, pois a aquarese piora a depleção de volume.
Homem de 81 anos, hipertenso e com transtorno depressivo maior, é trazido ao pronto-socorro por queda e sonolência progressiva há dois dias. Há cinco semanas iniciou sertralina 50 mg/dia; usa cronicamente hidroclorotiazida 25 mg/dia e AAS 100 mg/dia. Exame: sonolento, desperta ao chamado, orientado parcialmente, sem sinais meníngeos ou déficits focais; euvolêmico (turgor preservado, sem edema, mucosas úmidas), PA 128/76 mmHg sem variação ortostática, FC 78 bpm. Exames: Na 118 mEq/L (VR 135-145), K 3,4 mEq/L (VR 3,5-5,0), creatinina 0,9 mg/dL, glicemia 96 mg/dL, osmolalidade sérica 248 mOsm/kg (VR 275-295), osmolalidade urinária 520 mOsm/kg, sódio urinário 62 mEq/L, TSH e cortisol matinal normais. Assinale a conduta mais adequada.
O paciente tem hiponatremia hipotônica euvolêmica com osmolalidade urinária > 100 mOsm/kg e sódio urinário > 40 mEq/L, função tireoidiana e adrenal normais — padrão de SIADH, aqui induzido por fármacos: tanto os ISRS quanto os diuréticos tiazídicos são causas clássicas e ambos figuram entre os medicamentos a evitar/usar com cautela nos critérios de Beers por risco de hiponatremia no idoso. Como há sintomas neurológicos (sonolência, queda) com Na 118 mEq/L, a conduta é salina hipertônica a 3% em bolus/infusão controlada, além da retirada dos agentes causadores, respeitando o limite de correção de 8-10 mEq/L em 24 horas para evitar síndrome de desmielinização osmótica. A restrição hídrica isolada de 800 mL/dia é insuficiente na hiponatremia sintomática e não remove a causa. A salina 0,9% em ritmo rápido pode até agravar a hiponatremia no SIADH, pois a urina é mais concentrada que o soro infundido. A tolvaptana não é primeira linha, é contraindicada na hiponatremia sintomática aguda pelo risco de correção rápida e não corrige a iatrogenia.
Homem de 72 anos, hipertenso em uso de hidroclorotiazida 25 mg/dia, iniciou há 12 dias fluoxetina 20 mg/dia para episódio depressivo maior. É trazido pela filha ao pronto-socorro com quadro de confusão mental flutuante iniciado há dois dias, cefaleia, náuseas e um episódio de queda. Ao exame: desorientado no tempo, sem sinais focais, sem rigidez de nuca, euvolêmico, PA 132x80 mmHg, FC 78 bpm, afebril. Exames: sódio 118 mEq/L, potássio 3,8 mEq/L, osmolalidade sérica 250 mOsm/kg, osmolalidade urinária 480 mOsm/kg, sódio urinário 62 mEq/L, TSH e cortisol normais. Assinale a conduta mais apropriada.
O quadro é de síndrome de secreção inapropriada de ADH (SIADH) induzida por ISRS — euvolemia, hiponatremia hipotônica (osmolalidade sérica baixa), urina inapropriadamente concentrada (>100 mOsm/kg) e sódio urinário >40 mEq/L, com função tireoidiana e adrenal normais. Idosos em uso de tiazídico são o grupo de maior risco, e o início costuma ocorrer nas primeiras semanas. Com sintomas neurológicos e sódio de 118 mEq/L, a conduta é suspender o agente causador, restringir água livre e usar salina hipertônica, respeitando a correção máxima de 8 a 10 mEq/L em 24 horas para evitar síndrome de desmielinização osmótica. Amitriptilina também pode causar hiponatremia e, em idoso, soma efeitos anticolinérgicos, hipotensão postural e risco de queda. Não há dado sugestivo de insuficiência adrenal (cortisol normal). Correção rápida e agressiva do sódio é justamente o erro a ser evitado.
Na classificação da Society for Endocrinology para avaliação da hiponatremia, qual é a distinção correta entre gravidade bioquímica e apresentação clínica?
A classificação citada diferencia faixas bioquímicas e manifestações clínicas. Uma pessoa com sódio muito baixo pode ter poucos sintomas, enquanto outra com redução menos intensa pode apresentar convulsão ou rebaixamento importante de consciência. Sintomas graves exigem avaliação e tratamento urgentes com monitorização, sem usar o número isolado para tranquilizar. Tempo de instalação e risco de correção excessiva são outros eixos da avaliação; internação em UTI não é critério definidor da hiponatremia.
Paciente de 70 kg em UTI, sem hipoperfusão, apresenta sódio de 155 mmol/L após dias de furosemida e oferta limitada de água livre. Sobre o cálculo e a entrega da reposição:
O déficit de água livre é a água corporal total multiplicada pela razão entre o sódio atual e o sódio-alvo, menos um. Com cerca de 42 litros de água corporal total em 70 kg e alvo de 145 mmol/L, 42 × (155 ÷ 145 − 1) resulta em 2,9 litros; distribuídos em 48 horas, cerca de 1,5 litro por dia, além de tudo o que já entra. O déficit de 500 mL usa uma água corporal total absurda — cerca de 10% do peso, quando a fração é da ordem de 60%. Repor com salina a 0,9% confunde as soluções: ela não é veículo de água livre em quem tem sódio de 155, senão parcialmente; os veículos parenterais de água livre são glicose a 5%, glicossalina hipotônica ou salina a 0,45%, cada um com carga obrigatória de glicose ou de sódio. Mirar 135 mmol/L em 12 horas corrige rápido demais e persegue um alvo que não é o da conta. E dizer que não há déficit enquanto a diurese estiver preservada confunde diurese com balanço de água adequado — foi justamente a perda renal de água livre induzida pelo diurético que produziu a hipernatremia.
Idoso de 82 anos, institucionalizado, acamado e dependente para ingestão hídrica, é internado com sonolência e sódio de 166 mmol/L. PA 110 × 70 mmHg, FC 92 bpm, lactato normal, sem sinais de choque. Sobre a fisiopatologia e a conduta:
A natremia mede água, não sal: sódio alto significa pouca água para o sódio existente, e o quadro clássico é a perda continuada de água em quem depende de outra pessoa para beber. O tratamento é o déficit de água livre calculado e reposto devagar, com correção da causa e do acesso à água. Falar em excesso de sódio corporal, com restrição de sal e diurético, aplica a lógica invertida: isso agrava o compartimento que está vazio, e diurético é fator de risco reconhecido para hipernatremia. O bolus de salina hipertônica erra fluido e direção — ela retira água do intracelular, o oposto do necessário —, e não há sinais de choque aqui; mesmo quando há hipoperfusão, a ordem é restaurar a perfusão com cristaloide isotônico antes de repor água livre. A restrição hídrica confunde com o manejo da hiponatremia, em que ela tem papel. E chamar de crônica assintomática, liberando água oral com reavaliação em 72 horas, ignora que o paciente está sonolento e que depender da oferta por terceiros foi exatamente o que produziu o quadro. O contexto também informa prognóstico: em coorte de internação domiciliar, a hipernatremia foi quase quatro vezes mais prevalente entre institucionalizados (3,1% contra 0,8%), com mortalidade de 61,2% em 30 dias nesse grupo.
Homem de 30 anos, previamente hígido, é internado com hiponatremia de 118 mmol/L atribuída a vômitos e hipovolemia. Recebe expansão com cristaloide e melhora hemodinamicamente. Seis horas depois apresenta débito urinário de 400 mL/h, com urina clara, e o sódio subiu para 127 mmol/L. A explicação e a conduta corretas são:
O sódio subiu 9 mmol/L em 6 horas, ritmo de 1,5 mmol/L por hora. A principal causa de correção excessiva não é a dose de salina, e sim a eliminação súbita de grande volume de urina diluída: resolvida a hipovolemia, o estímulo antidiurético desliga e emerge a aquarese, capaz de elevar o sódio em mais de 2 mmol/L por hora. A conduta é a recomendada — desmopressina depois ou em antecipação à diurese aquosa, e reabaixamento do sódio quando o limite foi ultrapassado. Atribuir à dose de salina e apenas suspender a solução prescreve inércia justamente quando a natremia está em movimento. Diagnosticar diabetes insípido central confunde a aquarese fisiológica pós-correção com a doença, e propõe tratamento sem cabimento. Chamar de resposta esperada e reavaliar em 24 horas ignora que a elevação já consumiu o orçamento do dia. E supor erro de coleta adia a intervenção por 12 horas num paciente cuja natremia sobe mais de 1 mmol/L por hora — e a imprecisão do método joga a favor da cautela, não contra: uma elevação relatada de 8 pode ser de 10.
Homem de 66 anos chega ao pronto-socorro com sepse de foco urinário: PA 82 × 48 mmHg, lactato 4,5 mmol/L, enchimento capilar de 4 segundos e sódio de 116 mmol/L, sem sintoma neurológico. A conduta inicial correta é:
A ordem das prioridades é perfusão antes de tonicidade: o paciente hipoperfundido recebe cristaloide isotônico, que é o fluido de primeira linha com recomendação forte, guiado por medidas dinâmicas, lactato e tempo de enchimento capilar. A parte que completa a resposta é o monitoramento: para quem tem sódio de 116, a salina a 0,9% é hipertônica e a própria expansão vai elevar a natremia — e, quando a perfusão se restabelecer, a aquarese acrescenta a sua parte. Por isso sódio seriado e débito urinário entram junto com a bolsa. Adiar a expansão e sustentar a pressão só com noradrenalina inverte a prioridade e deixa em choque um paciente que precisa de volume. O bolus de salina hipertônica ignora que este paciente NÃO tem sintoma neurológico grave: sódio abaixo de 120 classifica como hiponatremia grave e exige teto de correção, mas o bolus é a conduta do sintomático. A glicosada a 5% usa solução hipotônica em paciente em choque, erro de compartimento além de erro de tonicidade. E corrigir o sódio até 135 antes de expandir propõe uma sequência impossível e perigosa nos dois sentidos.
Paciente com hiponatremia crônica de 112 mmol/L, etilista, desnutrido e com potássio de 2,7 mmol/L. Sobre o risco de síndrome de desmielinização osmótica e o teto de correção, é correto afirmar:
Os cinco fatores de risco reconhecidos são sódio ≤ 105 mmol/L, transtorno por uso de álcool, hipocalemia, desnutrição e doença hepática avançada — este paciente tem três (álcool, hipocalemia e desnutrição), o que o coloca na faixa de risco aumentado, cujo teto é 8 mmol/L em 24 horas com meta mínima de 4 a 6 mmol/L. Dizer que sem sintoma não há risco confunde ausência de sintoma com ausência de perigo: é justamente a hiponatremia crônica, sem sintoma agudo, que carrega o maior risco de desmielinização na correção. Aplicar o teto de 10 a 12 mmol/L usa a régua do risco habitual num paciente que não é habitual — o erro clássico de não estratificar, que custa 4 mmol/L de margem. Dizer que a hipocalemia protege inverte a fisiologia: ela é fator de RISCO, e a reposição de potássio inclusive contribui para elevar a natremia. E dispensar a meta mínima ignora que as recomendações trazem piso além de teto, porque a correção insuficiente também é conduta errada.
Mulher de 74 anos, magra e com perda de peso recente, em uso crônico de hidroclorotiazida, é levada ao pronto-socorro após crise convulsiva generalizada, mantendo-se sonolenta. Refere vômitos e baixa ingestão alimentar há uma semana, com ingestão hídrica aumentada. Exame: PA 96 × 58 mmHg, FC 104 bpm, mucosas secas, sem edema, Glasgow 11. Laboratório: sódio 108 mmol/L, potássio 2,9 mmol/L. Não há etilismo nem hepatopatia. A conduta imediata e o teto de correção mais adequados são:
Hiponatremia com convulsão e rebaixamento é sintomática grave: a conduta é bolus de salina hipertônica para elevar o sódio em 4 a 6 mmol/L (5 mmol/L pela régua europeia) em poucas horas, magnitude suficiente para reduzir de forma marcante a pressão intracraniana. O teto do dia depende dos cinco fatores de risco de desmielinização osmótica — sódio ≤ 105 mmol/L, transtorno por uso de álcool, HIPOCALEMIA, DESNUTRIÇÃO e doença hepática avançada: ela tem dois, portanto o teto é 8 mmol/L em 24 horas, e não 10 a 12, que vale para risco habitual (o que derruba A). Erra também na conduta: para quem tem sódio de 108, a salina a 0,9% é francamente hipertônica, e o volume de salina a 0,9% administrado na emergência foi fator independentemente associado à hipercorreção em coorte brasileira com 362 pacientes. A restrição hídrica isolada ignora que existe sintoma neurológico maior — e também que há piso de correção, não só teto. Erra: o alvo (não se normaliza o sódio em 24 horas) e a forma (bolus alcança o incremento desejado mais rápido que a infusão contínua). A desmopressina antes inverte a ordem: ela é freio para a aquarese, usada depois ou em antecipação à diurese aquosa, não antes de tratar o edema cerebral.
Uma coorte brasileira de 362 pacientes com sódio inicial abaixo de 120 mmol/L encontrou hipercorreção em 38,7%, um único caso de desmielinização osmótica (0,28%) e razão de chances de mortalidade de 0,548 (IC 95% 0,389 a 0,772) no grupo hipercorrigido. A leitura correta desse achado é:
A associação entre hipercorreção e menor mortalidade é observacional, e os próprios autores, ao revisar as causas de óbito uma a uma, não encontraram relação causal. O editorial que acompanha o artigo nomeia os três motivos: viés de indicação (quem é corrigido rápido costuma ter hiponatremia aguda, causa reversível e vigilância intensiva, enquanto o frágil e o crônico são corrigidos devagar por precaução), limitações da coleta retrospectiva e etiologias diferentes de hiponatremia, com destaque para a aquarese súbita do hipovolêmico. Concluir que corrigir mais rápido reduz a mortalidade confunde associação com causalidade e ignora que o risco raro é catastrófico. Dizer que a desmielinização osmótica deixou de ocorrer extrapola de um único caso para inexistência — e 0,28% da coorte não é zero. Apontar a hiponatremia como principal causa de óbito contraria os dados: as causas foram sepse (55,8%), câncer (15,8%) e aspiração (13,7%), e de 95 óbitos apenas cinco foram considerados potencialmente ligados à hiponatremia, quatro deles no grupo SEM hipercorreção. E dispensar a vigilância do débito urinário inverte a lição prática: o mesmo estudo identificou o volume de salina a 0,9% na emergência como fator independente de hipercorreção, o que reforça — e não dispensa — a vigilância.
Homem de 63 anos é internado com sódio de 116 mmol/L e sonolência leve, sem convulsão. Não usa álcool, tem potássio de 4,4 mmol/L, estado nutricional preservado e não tem hepatopatia. Recebeu restrição hídrica isolada e, 24 horas depois, o sódio está em 118 mmol/L, com a sonolência mantida. Qual é a avaliação e a conduta?
Sódio de 116 mmol/L com sonolência persistente configura hiponatremia sintomática e pede tratamento rápido e monitorizado com salina hipertônica, além de investigação e terapia da causa. A meta inicial é melhora clínica com aumento de aproximadamente 4–6 mmol/L (a diretriz europeia usa 5 mmol/L), interrompendo bolus quando essa resposta ocorre e respeitando limites de segurança para evitar desmielinização. Essa meta não é um 'piso diário' obrigatório: após a resposta inicial, o objetivo é impedir sobrecorreção. Restrição hídrica isolada é inadequada neste quadro, e desmopressina/água livre são reservadas à sobrecorreção ou alto risco. Fontes: https://www.endocrinology.org/clinical-practice/clinical-guidance/emergency-management-of-severe-and-moderately-severely-symptomatic-hyponatraemia-in-adult-patients/ ; https://www.ese-hormones.org/publications/guidelines/
Homem de 47 anos, assintomático, faz exames de rotina: sódio de 122 mmol/L, triglicerídeos de 3.400 mg/dL, glicemia de 96 mg/dL e osmolalidade plasmática medida de 285 mOsm/kg. Está lúcido, sem edema, sem uso de diurético e com exame neurológico normal. Qual é a interpretação e a conduta?
Osmolalidade plasmática medida normal, de 285 mOsm/kg, ao lado de triglicerídeos de 3.400 mg/dL, é a assinatura da pseudo-hiponatremia: os laboratórios de bioquímica usam eletrodos íon-seletivos indiretos, que diluem a amostra antes de medir, e o excesso de lípides ocupa volume plasmático sem participar da fase aquosa, fazendo o aparelho reportar sódio baixo em quem tem sódio normal. O mesmo mecanismo explica o erro na paraproteinemia grave. Como não há hipotonicidade nem sintoma, não há o que corrigir: a conduta é confirmar por eletrodo direto ou pela própria osmolalidade e tratar a hipertrigliceridemia. Restringir água, dar salina hipertônica, prescrever antagonista do receptor de vasopressina ou expandir com salina são condutas dirigidas a uma hiponatremia verdadeira, que este paciente não tem — e todas empurrariam a natremia real para fora da faixa normal.
Mulher de 29 anos com transtorno psicótico e polidipsia é internada com sódio de 118 mmol/L após ingestão de grande volume de água. Não usa álcool, tem potássio de 4,2 mmol/L, estado nutricional preservado e não tem hepatopatia. Sem tratamento além da restrição hídrica, apresenta diurese aquosa espontânea e, em 24 horas, o sódio está em 128 mmol/L, com a paciente lúcida e assintomática. Qual é a conduta?
Dois pontos sustentam a conduta expectante. O primeiro é a régua: o teto de 8 mmol/L em 24 horas vale para quem tem fator de risco de desmielinização osmótica — sódio de 105 mmol/L ou menos, transtorno por uso de álcool, hipocalemia, desnutrição e doença hepática avançada —, e a paciente não tem nenhum deles; no risco habitual, o limite é de 10 a 12 mmol/L em 24 horas e de 18 mmol/L em 48 horas, faixa em que o incremento de 10 mmol/L cabe. O segundo é o contraexemplo que a literatura registra: quem fica hiponatrêmico rapidamente por intoxicação hídrica autoinduzida frequentemente desenvolve aquarese espontânea que normaliza o sódio depressa, e nesse grupo o risco de desmielinização é extremamente baixo. Não há, portanto, o que reabaixar nem o que frear com desmopressina. Salina hipertônica é para a hiponatremia com manifestação neurológica grave, liberar água livre desfaz a correção em curso e a diálise não é instrumento de titulação da natremia.
Paciente de 79 anos com delirium hipoativo apresenta, na investigação, sódio de 119 mEq/L. Estava em uso de hidroclorotiazida e sertralina. Qual a conduta em relação à causa?
Tiazídico e inibidor seletivo de recaptação de serotonina são causas medicamentosas clássicas de hiponatremia no idoso, e a conduta combina a retirada dos agentes com a correção em ritmo seguro. Manter os fármacos engana quem trata o distúrbio sem remover a causa, garantindo recidiva. Corrigir rapidamente uma hiponatremia crônica expõe à desmielinização osmótica, e a restrição de sódio na dieta agrava o quadro.
Paciente de 60 anos chega com sódio de 108 mEq/L, crise convulsiva e rebaixamento do nível de consciência. Qual a conduta imediata?
Hiponatremia com manifestação neurológica grave é emergência: administra-se salina hipertônica em bolus para elevar o sódio de 4 a 6 mEq/L rapidamente, o suficiente para reverter o edema cerebral, respeitando o limite total de correção nas 24 horas para evitar a desmielinização osmótica. Corrigir devagar engana quem teme a síndrome de desmielinização e generaliza a cautela — nos sintomáticos graves, o risco imediato é a herniação, não a desmielinização.
Sobre a velocidade de correção da hiponatremia crônica, qual limite reduz o risco de síndrome de desmielinização osmótica?
A correção da hiponatremia crônica deve respeitar um teto diário em torno de 8 a 10 mEq/L, reduzido em pacientes de risco como etilistas, desnutridos, hepatopatas e hipocalêmicos, nos quais se recomenda ser ainda mais conservador. Corrigir rápido engana quem trata o número e não o cérebro adaptado: os osmólitos intracelulares foram perdidos ao longo de dias, e a reversão abrupta do gradiente lesa a bainha de mielina, com quadro neurológico grave e frequentemente irreversível.
Homem de 68 anos, acamado após acidente vascular cerebral, apresenta sódio de 158 mEq/L, urina concentrada, mucosas secas e hipotensão postural. Qual o mecanismo e a conduta?
O acamado sem acesso livre à água perde água insensível e não repõe, gerando hipernatremia; a urina concentrada mostra que o rim está respondendo corretamente, o que afasta os diabetes insipidus, nos quais a urina é diluída apesar da hipertonicidade plasmática. A reposição é feita com água, calculando o déficit e corrigindo em ritmo controlado para não causar edema cerebral. Prescrever desmopressina engana quem associa hipernatremia a distúrbio do hormônio antidiurético sem olhar a urina.
Paciente com hiponatremia cronica de 112 mEq/L e corrigida em 20 mEq/L nas primeiras 24 horas. Dois dias depois evolui com disartria, disfagia, tetraparesia e alteracao do nivel de consciencia. Qual a complicacao?
Na hiponatremia cronica o cerebro perde osmoles para se adaptar; corrigir rapido demais retira agua do neuronio de forma abrupta e provoca desmielinizacao, com quadro tipicamente bifasico - melhora inicial e deterioracao neurologica dias depois. O limite recomendado e de cerca de 8 a 10 mEq/L em 24 horas (menos ainda em pacientes de risco, como desnutridos, etilistas, hipocalemicos e hepatopatas). Achar que faltou correcao engana porque os sintomas sao neurologicos graves, mas a piora TARDIA apos normalizacao rapida e a assinatura da complicacao iatrogenica.
Mulher de 62 anos e trazida com crise convulsiva e sodio de 108 mEq/L, com inicio dos sintomas ha algumas horas. Qual a conduta imediata?
Hiponatremia sintomatica grave, com convulsao ou rebaixamento, e emergencia: bolus de salina hipertonica para elevar o sodio em 4 a 6 mEq/L reverte o edema cerebral, e essa elevacao inicial rapida e segura desde que o total nas 24 horas respeite o limite de 8 a 10 mEq/L. Restringir agua engana porque e a base do tratamento da secrecao inapropriada de hormonio antidiuretico cronica, mas age devagar demais diante de convulsao. Normalizar o sodio em 6 horas seria justamente o caminho para a desmielinizacao osmotica.
Mulher de 74 anos, em uso de hidroclorotiazida ha 3 semanas, apresenta sodio de 118 mEq/L, confusao leve, euvolemia aparente, osmolalidade urinaria de 400 mOsm/kg e sodio urinario de 45 mEq/L. Qual a conduta?
Os tiazidicos sao causa classica de hiponatremia, sobretudo em idosas, e podem simular a secrecao inapropriada de hormonio antidiuretico no perfil laboratorial - a conduta e suspender a droga e nao substituir por outra da mesma classe. O ponto pratico que a questao cobra e o risco de correcao rapida DEMAIS: retirada a causa, o rim volta a excretar agua livre e o sodio pode subir sozinho alem do limite seguro, exigindo monitorizacao frequente e, as vezes, reposicao de agua ou desmopressina para frear a subida.
Paciente apresenta poliuria de 6 litros por dia, polidipsia intensa, sodio de 148 mEq/L e osmolalidade urinaria de 120 mOsm/kg. Apos administracao de desmopressina, a osmolalidade urinaria sobe para 480 mOsm/kg. Qual o diagnostico?
Urina inapropriadamente diluida com sodio serico elevado indica falha na acao do hormonio antidiuretico, e a resposta a desmopressina localiza o defeito: se a urina concentra, o problema era a PRODUCAO central; se nao concentra, o rim e resistente e o diagnostico e nefrogenico. A polidipsia primaria engana por tambem cursar com poliuria e urina diluida, mas nela o sodio serico esta normal ou BAIXO, porque o excesso de agua e a causa, e nao a consequencia. Causas centrais incluem trauma, cirurgia hipofisaria, tumores e infiltracoes.
Paciente no setimo dia de pos-operatorio de aneurisma cerebral roto apresenta sodio de 125 mEq/L, poliuria, balanco hidrico negativo, hipotensao postural e sodio urinario elevado. Qual o diagnostico e a conduta?
As duas condicoes compartilham hiponatremia com sodio urinario alto em paciente neurocirurgico, e o que as separa e a VOLEMIA: aqui ha poliuria, balanco negativo e hipotensao postural, indicando deplecao - portanto perda cerebral de sal, tratada com reposicao de volume e sodio. Restringir agua engana porque e a conduta correta na secrecao inapropriada, mas aplicada a um paciente hipovolemico agrava a hipoperfusao e o risco de vasoespasmo. Avaliar volemia com cuidado e o passo que muda o tratamento.
Paciente com sodio serico de 122 mEq/L. Qual o primeiro passo da avaliacao?
Antes de classificar volemia ou tratar, e preciso confirmar que a hiponatremia e hipotonica: hipertrigliceridemia e paraproteinemia produzem pseudo-hiponatremia com osmolalidade NORMAL, e hiperglicemia acentuada ou manitol geram hiponatremia com osmolalidade ELEVADA, por deslocamento osmotico de agua. Partir direto para a salina hipertonica engana porque o numero e baixo, mas tratar uma pseudo-hiponatremia com sodio hipertonico e um erro grave. Confirmada a hipotonicidade, o passo seguinte e avaliar volemia com osmolalidade e sodio urinarios.
Idoso acamado, com demencia avancada e ingesta hidrica dependente de cuidador, apresenta sodio de 162 mEq/L, mucosas secas e letargia. Qual o principio de correcao?
A hipernatremia cronica tambem gera adaptacao cerebral, e a correcao rapida produz edema cerebral e convulsoes - por isso o ritmo recomendado e de ate cerca de 10 a 12 mEq/L em 24 horas, apos calcular o deficit de agua livre e considerar as perdas em curso. Em paciente instavel, a prioridade inicial e restaurar a perfusao com cristaloide. Restringir liquidos engana quem transporta automaticamente a logica do tratamento da hiponatremia. A desmopressina so cabe no diabetes insipido central.
Paciente com cirrose e ascite apresenta sódio sérico de 122 mEq/L, sem sintomas neurológicos, em uso de diurético. Qual a conduta inicial?
A hiponatremia dilucional da cirrose reflete excesso de água livre com retenção de sódio corporal, e a conduta é restringir líquidos e ajustar diuréticos, com correção lenta para evitar desmielinização osmótica. Aumentar o diurético de alça engana quem quer eliminar mais líquido, mas isso agrava a depleção do volume circulante efetivo e piora tanto o sódio quanto a função renal.
Paciente psiquiatrico em uso de antipsicoticos apresenta ingesta hidrica estimada em 12 litros por dia, sodio de 126 mEq/L, osmolalidade plasmatica baixa e osmolalidade urinaria de 70 mOsm/kg. Qual o diagnostico e a conduta?
Urina maximamente DILUIDA, com osmolalidade abaixo de 100 mOsm/kg, mostra que o rim esta respondendo corretamente e excretando agua livre - a hiponatremia decorre de ingesta que ultrapassa a capacidade maxima de excrecao, e a conduta e restringir a agua e tratar o transtorno de base. Diagnosticar secrecao inapropriada engana porque as duas cursam com hiponatremia hipotonica e euvolemia, mas nela a urina estaria inapropriadamente CONCENTRADA. Antipsicoticos podem contribuir tanto pela sede quanto pelo efeito antidiuretico.
Durante o tratamento de uma hiponatremia cronica, o sodio subiu 12 mEq/L nas primeiras 18 horas, ultrapassando o alvo. Qual a conduta?
Ultrapassar o limite de elevacao diaria e situacao de risco para desmielinizacao osmotica, e a conduta reconhecida e RE-BAIXAR o sodio com agua livre, associada a desmopressina quando a diurese aquosa esta intensa - estrategia que previne a lesao antes que ela se instale. Achar que 'nao se volta atras' engana porque a correcao parece um caminho de mao unica, mas a evidencia apoia a reducao terapeutica. Apenas suspender o sodio pode ser insuficiente se o paciente estiver eliminando grande volume de urina diluida.
Homem de 52 anos, etilista, com ingesta quase exclusiva de cerveja e alimentacao muito pobre, apresenta sodio de 118 mEq/L, osmolalidade urinaria de 80 mOsm/kg e euvolemia. Qual o mecanismo?
A capacidade de excretar agua depende da carga de solutos filtrada: com dieta pobre em proteina e sal, e ingesta rica em liquido com poucos solutos, o rim atinge diluicao maxima e ainda assim nao da conta do volume - a urina fica com osmolalidade baixa, o oposto da secrecao inapropriada. Diagnosticar aquela sindrome engana porque a euvolemia e a hiponatremia coincidem, mas ali a urina estaria CONCENTRADA. O cuidado pratico e que a correcao pode ser rapida demais quando a dieta melhora, exigindo monitorizacao estreita.
Paciente em estado hiperglicemico hiperosmolar apresenta glicemia de 900 mg/dL e sodio serico medido de 128 mEq/L. Qual a interpretacao?
A hiperglicemia eleva a osmolalidade e puxa agua do intracelular para o plasma, diluindo o sodio - a correcao soma cerca de 1,6 a 2,4 mEq/L de sodio para cada 100 mg/dL de glicose acima de 100, o que aqui devolve um valor normal ou ate elevado. Chamar de hiponatremia verdadeira engana porque o numero medido esta baixo, mas essa hiponatremia e TRANSLOCACIONAL, com osmolalidade alta, e se corrige sozinha com o tratamento da hiperglicemia. Salina hipertonica nesse contexto seria erro grave.
Paciente em terapia intensiva, sedado, intubado, febril, em nutricao enteral hiperproteica e sem acesso livre a agua, evolui em 4 dias com sodio de 158 mEq/L. Qual o mecanismo predominante?
A hipernatremia hospitalar quase sempre e por deficit de agua livre em quem nao pode beber: febre e ventilacao aumentam perdas insensiveis, a dieta hiperproteica gera carga osmotica de ureia com diurese, e o mecanismo da sede - a principal defesa contra a hipernatremia - esta indisponivel no paciente sedado. Atribuir ao excesso de sodio engana porque solucoes isotonicas e bicarbonato contribuem em alguns casos, mas raramente sao a causa principal. A prevencao e a prescricao ativa de agua livre com balanco diario.
Homem de 70 kg apresenta sódio sérico de 160 mEq/L. Considerando água corporal total de 50% do peso e sódio de referência de 140 mEq/L, qual é o déficit estimado de água livre, sem acrescentar perdas em curso?
A água corporal total estimada é 0,50 × 70 = 35 L. O déficit de água livre é 35 × (160/140 − 1) = 5 L. Não se acrescenta um litro de perdas não informado no enunciado. Esse déficit não é, por si só, uma prescrição de volume a infundir imediatamente: o planejamento da reposição considera duração da hipernatremia, estado volêmico, perdas em curso e medidas seriadas de sódio. Referência: Yun et al., Evaluation and management of hypernatremia in adults: clinical perspectives (2023), PMID 36578134.
Paciente em uso de litio ha 8 anos apresenta poliuria de 5 litros/dia, sodio de 149 mEq/L e osmolalidade urinaria de 150 mOsm/kg, sem resposta a desmopressina. Qual o diagnostico e o tratamento?
A ausencia de resposta a desmopressina localiza o defeito no rim, e o litio e a causa medicamentosa mais classica de diabetes insipido nefrogenico, por entrar na celula do tubulo coletor atraves do canal epitelial de sodio. Por isso a amilorida, que bloqueia esse canal, e especialmente util, e o tiazidico reduz o volume urinario de forma paradoxal ao induzir leve deplecao volemica. Aumentar a desmopressina engana porque a droga e a solucao na forma central, mas nao ha receptor funcional respondendo aqui.
Corredor amador de 32 anos completa maratona ingerindo grande quantidade de agua ao longo do percurso e, ao final, apresenta cefaleia, vomitos, confusao e convulsao. Sodio de 119 mEq/L. Qual a conduta?
A hiponatremia associada ao exercicio decorre de ingesta excessiva de agua somada a liberacao nao osmotica de hormonio antidiuretico; por ser AGUDA, o cerebro nao teve tempo de se adaptar e o edema cerebral e a ameaca imediata, o que indica salina hipertonica em bolus. Hidratar com liquido hipotonico engana porque o atleta 'parece desidratado' apos a prova, mas essa conduta agrava a hiponatremia e ja causou mortes. Na forma aguda nao ha o mesmo risco de desmielinizacao osmotica que limita a correcao das formas cronicas.
Paciente com cirrose descompensada, ascite volumosa e edema apresenta sodio de 124 mEq/L. Qual o mecanismo e a conduta inicial?
Na cirrose e na insuficiencia cardiaca ha excesso de agua e de sodio corporal total, mas o volume arterial efetivo esta reduzido - o organismo 'interpreta' hipovolemia e libera hormonio antidiuretico, retendo mais agua que sodio. O tratamento e restricao hidrica e manejo da doenca de base, e nao oferta de sodio, que agravaria a ascite e o edema. Rotular como secrecao inapropriada engana pela semelhanca laboratorial, mas aquele diagnostico exige EUVOLEMIA, ausente aqui.
Paciente com hemorragia subaracnoidea apresenta, no sexto dia, sodio serico de 124 mEq/L, com sinais de hipovolemia, poliuria e sodio urinario elevado. Qual a hipotese e a conduta?
A distincao entre sindrome perdedora de sal cerebral e secrecao inapropriada de hormonio antidiuretico e critica nesse contexto e se apoia no estado volemico: na perdedora de sal ha hipovolemia com poliuria e balanco negativo de sodio, e o tratamento e repor volume e sodio, enquanto na secrecao inapropriada o paciente e euvolemico e a conduta e restricao hidrica. Aplicar restricao hidrica a um paciente hipovolemico com hemorragia subaracnoidea aumenta o risco de isquemia por vasoespasmo, e por isso esse e o erro mais perigoso. Diabetes insipidus cursa com hipernatremia. Insuficiencia adrenal e possivel mas menos provavel. Furosemida agravaria a hipovolemia e a hiponatremia.
Homem de 70 anos, em pós-operatório de artroplastia, apresenta crise tônico-clônica isolada. Sódio sérico 108 mEq/L, demais exames normais. Qual a conduta prioritária?
Crise convulsiva por hiponatremia grave é indicação de salina hipertônica a 3% em bolus, com meta de elevar o sódio 4 a 6 mEq/L rapidamente — o suficiente para reverter o edema cerebral — respeitando depois o teto de 8 a 10 mEq/L em 24 horas para não provocar desmielinização osmótica. Carregar antiepiléptico sem corrigir o sódio é o erro que a questão persegue: enquanto o distúrbio persistir a crise recorre, porque a causa é osmótica e não epileptogênica primária. Restrição hídrica e salina isotônica corrigem devagar demais para um paciente convulsionando, e furosemida isolada agrava a perda de sódio.
Paciente de 58 anos internado por insuficiência cardíaca descompensada tem sódio sérico de 124 mEq/L, com edema, ascite e congestão. Qual o mecanismo predominante dessa hiponatremia?
Na insuficiência cardíaca, a queda do débito é lida pelos barorreceptores como hipovolemia e ativa sistema renina-angiotensina, simpático e vasopressina, retendo água em excesso relativo ao sódio — o paciente está hipervolêmico e hiponatrêmico ao mesmo tempo, e o tratamento passa por descongestionar e restringir água livre, não por infundir salina. Interpretar como hipovolemia verdadeira e prescrever volume é o erro grave, porque piora a congestão. Hiponatremia nesse contexto é ainda marcador de pior prognóstico.
Homem de 56 anos, quinto dia de hemorragia subaracnóidea, apresenta sódio sérico de 124 mEq/L. Está com sinal de prega cutânea, diurese de 4.200 mL nas últimas 24 horas, pressão venosa central baixa, sódio urinário 90 mEq/L e osmolalidade urinária 520 mOsm/kg. Qual a conduta correta?
O quadro tem natriurese e depleção de volume — diurese elevada, pressão venosa baixa, sinais de desidratação — o que caracteriza a síndrome cerebral perdedora de sal, e não secreção inapropriada de hormônio antidiurético. A diferença é exatamente o estado volêmico, porque os índices urinários se sobrepõem nas duas. Repor volume e sódio é o tratamento. Restringir água é a armadilha que mais reprova aqui: seria adequado na secreção inapropriada, mas em paciente hipovolêmico com risco de vasoespasmo, restringir líquido precipita isquemia cerebral. Diurético e antagonista de receptor de vasopressina agravam a depleção.
Qual condição frequentemente associada ao idoso agrava o risco de hipernatremia durante uma doença febril aguda?
O rim envelhecido concentra menos, o limiar de sede sobe e a febre aumenta as perdas pela pele e pela respiração, de modo que uma pneumonia ou uma infecção urinária bastam para gerar déficit de água em poucos dias. Afirmar que a sensibilidade à sede aumenta é o oposto do que ocorre com o envelhecimento, e é justamente essa alteração que explica por que o idoso não bebe mesmo desidratado. Retenção de água levaria a hiponatremia, não ao distúrbio em questão.
Qual fórmula orienta a estimativa da variação do sódio sérico ao se infundir um litro de determinada solução?
A fórmula de Adrogué-Madias estima quanto um litro da solução escolhida altera o sódio sérico, servindo de ponto de partida para planejar a velocidade de correção, sempre com a ressalva de que ela não contabiliza as perdas contínuas e por isso exige dosagens seriadas para ajuste. As demais opções são ferramentas legítimas, mas respondem a outras perguntas: gravidade de disfunção orgânica, origem da lesão renal, função glomerular e manejo do potássio.
Sobre o prognóstico da hipernatremia grave em idosos hospitalizados, qual afirmação é correta?
A hipernatremia grave no idoso associa-se a mortalidade alta, em parte porque desidrata o cérebro e desestabiliza o paciente, em parte porque é marcador de doença grave, dependência e cuidado inadequado. A hipernatremia adquirida no hospital, longe de ser mais benigna, costuma indicar falha na prescrição de água livre em pacientes que dependem inteiramente da equipe — é o distrator que inverte o significado do dado e ignora a natureza evitável desses casos.
Qual das seguintes é a definição correta de hipernatremia grave?
Hipernatremia se define acima de 145 mEq/L, e o patamar de gravidade é habitualmente colocado acima de 160 mEq/L, faixa associada a manifestações neurológicas importantes e a maior mortalidade. Confundir o limiar diagnóstico com o limiar de gravidade é o erro que a questão isola. Vale ressaltar que a velocidade de instalação pesa tanto quanto o número absoluto: um sódio de 155 instalado em horas pode ser mais sintomático que um de 165 desenvolvido ao longo de semanas.
Homem de 81 anos, morador de instituição de longa permanência, apresenta há 5 dias diarreia e recusa alimentar. Chega prostrado, com sódio de 162 mEq/L, ureia 138 mg/dL, creatinina 2,4 mg/dL e relação ureia/creatinina elevada. Qual a interpretação da lesão renal?
Perda gastrointestinal com ingestão reduzida em idoso produz depleção de volume, e a relação desproporcionalmente elevada entre ureia e creatinina reflete a reabsorção aumentada de ureia nos túbulos sob estímulo de hormônio antidiurético, marca do padrão pré-renal. Necrose tubular é o distrator natural quando a creatinina sobe, mas ela cursa com sódio urinário alto, fração de excreção de sódio acima de 2% e cilindros granulosos, além de não reverter com volume. A resposta rápida à reposição é o que confirma o diagnóstico.
Qual a velocidade máxima recomendada de correção da hipernatremia crônica, instalada há mais de 48 horas?
Na hipernatremia crônica o cérebro gerou osmóis idiogênicos para se defender da desidratação celular, e a correção rápida faz a água entrar bruscamente no neurônio, produzindo edema cerebral e convulsões; por isso o limite é de aproximadamente 10 mEq/L em 24 horas, ou até 12 em algumas referências. A correção de 1 mEq por hora é aceitável apenas na hipernatremia aguda, instalada em menos de 48 horas, quando os osmóis ainda não se acumularam — confundir os dois cenários é o erro que causa dano neurológico iatrogênico.
Idoso com hipernatremia de 158 mEq/L, hemodinamicamente estável, tolerando via oral. Qual conduta é mais adequada?
Quando o paciente está estável e deglute com segurança, a via oral é a mais fisiológica e a mais segura para repor água livre, desde que a oferta seja programada com metas e horários, porque deixar a critério da sede não funciona justamente em quem tem o limiar de sede alterado. A infusão rápida corrige depressa demais e arrisca edema cerebral. Restringir sódio da dieta não repõe água, e observar sem intervir mantém o déficit que produziu o quadro.
Idoso com hipernatremia apresenta osmolalidade urinária de 250 mOsm/kg e volume urinário de 3.800 mL/24 h. Qual a interpretação?
Diante de hipernatremia, o rim íntegro deveria concentrar ao máximo, produzindo urina com osmolalidade bem acima de 600 mOsm/kg e volume reduzido; urina diluída e abundante nesse contexto indica falha da concentração, seja por deficiência de hormônio antidiurético, seja por resistência tubular a ele. Interpretar como resposta apropriada é o erro que faz o médico não investigar o diabetes insípido — a avaliação da urina é o passo que separa perda de água extrarrenal de perda renal.
Paciente de 78 anos, 60 kg, com sódio de 165 mEq/L. Qual o déficit aproximado de água livre?
O déficit de água livre se estima pela água corporal total multiplicada pela razão entre o sódio medido e o desejado menos um; em idosa de 60 kg, com fração de água corporal em torno de 45%, chega-se a aproximadamente 27 litros de água corporal, e a razão entre 165 e 140 menos 1 dá cerca de 0,18, resultando em quase 5 a 6 litros. Estimativas de um litro subestimam grosseiramente e levam a correção insuficiente. É preciso lembrar que esse cálculo não inclui as perdas que continuam ocorrendo, que devem ser somadas à reposição.
Sobre a hipernatremia associada ao uso de diuréticos em idosos, qual afirmação é correta?
O diurético de alça bloqueia o mecanismo de contracorrente e prejudica a capacidade de concentrar a urina, favorecendo perda de água relativamente maior que a de sódio, o que contribui para hipernatremia em quem não repõe a água perdida. Os tiazídicos, ao contrário, prejudicam a diluição e classicamente causam hiponatremia, sobretudo em idosas — associar cada classe ao seu distúrbio típico é o que a questão testa, e afirmar que uma classe nunca causa o distúrbio oposto é simplificação perigosa.
Paciente idosa com hipernatremia grave apresenta sódio de 166 mEq/L, glicemia de 620 mg/dL, cetonúria ausente e osmolalidade efetiva estimada de 366,4 mOsm/kg pela fórmula 2 × Na + glicose/18. Entre as alternativas, qual a principal hipótese diagnóstica, ainda dependente de confirmação dos demais critérios?
Os dados favorecem estado hiperglicêmico hiperosmolar. É necessário avaliar pH, bicarbonato e cetonemia para confirmar os critérios e excluir apresentação mista com cetoacidose; a fita urinária pode subestimar a cetose. O cálculo emprega o sódio medido. Fonte: https://link.springer.com/article/10.1007/s00125-024-06183-8
Após o início da correção da hipernatremia com reposição de água, qual periodicidade de controle laboratorial é adequada na fase inicial?
O controle frequente na fase inicial permite verificar se a velocidade real de correção está dentro do alvo, já que as fórmulas apenas estimam e as perdas continuam; intervalos de quatro a seis horas equilibram segurança e praticidade. Dosar apenas ao final é a conduta que descobre tarde demais uma queda excessiva, e confiar somente na fórmula é o erro conceitual central, porque ela pressupõe um sistema fechado que o paciente real não é. Intervalos de 30 minutos não acrescentam informação clínica útil.
Durante a correção de hipernatremia grave, o sódio caiu de 168 para 150 mEq/L em 12 horas e o paciente apresenta piora da sonolência e uma crise convulsiva. Qual a interpretação?
Queda de 18 mEq/L em 12 horas ultrapassa amplamente o limite recomendado e provoca entrada rápida de água no neurônio, que ainda mantém seus osmóis idiogênicos, resultando em edema cerebral com rebaixamento e convulsão; a conduta é interromper as soluções hipotônicas e reavaliar. A desmielinização osmótica é o distrator mais escolhido por associação com correção rápida de sódio, mas ela pertence à correção acelerada da hiponatremia, e não da hipernatremia — o erro é inverter o distúrbio.
Qual das seguintes condições aumenta o risco de hipernatremia em idosos institucionalizados?
Pessoas idosas podem apresentar menor resposta de sede e menor capacidade de concentrar a urina. Dependência para obter água e perdas não repostas, inclusive durante uso de diuréticos, favorecem hipernatremia. Dizer que o limiar de sede diminui significaria ativar a sede com estímulo menor, o oposto da explicação pretendida. O efeito de diuréticos depende do contexto: seu uso não implica sempre hipernatremia. Referência: Shah et al., Hypernatremia in the geriatric population, Clinical Interventions in Aging, 2014.
Durante a correção da hipernatremia em paciente crítico, o sódio não cai apesar da oferta calculada de água livre. Qual a explicação mais provável?
As fórmulas estimam o efeito de um litro de solução sobre um sistema fechado, mas o paciente continua perdendo água pela urina, pela pele, pela respiração e às vezes pelo trato digestivo, e essas perdas precisam ser somadas à reposição — é a causa mais frequente de correção que empaca. Concluir que a fórmula não presta ou que o sódio não responde à água é abandonar o raciocínio no meio; o correto é medir o débito urinário e sua osmolalidade e refazer o cálculo com as perdas em curso.
Qual via de reposição de água livre é preferível em paciente idoso estável, com hipernatremia e sonda enteral funcionante?
Havendo trato digestivo funcionante, a água livre pela sonda é a via mais fisiológica, barata e segura, evitando a carga de glicose e o risco de hiperglicemia que a infusão de soro glicosado traz, e permitindo controle mais fino da velocidade. A via endovenosa complementa quando o volume necessário é grande ou a via enteral é insuficiente. Aguardar queda espontânea sem oferta de água é justamente o erro que perpetua o quadro no idoso institucionalizado.
Qual medida institucional reduz efetivamente a incidência de desidratação e hipernatremia em residentes de instituições de longa permanência?
A prevenção depende de rotina e de registro: oferecer líquidos ativamente em horários definidos, com meta diária e monitorização de ingestão, é a intervenção que muda o desfecho, porque a população em questão não pede água. Reduzir líquidos à noite para diminuir episódios de incontinência é prática comum nas instituições e uma causa direta de desidratação — exatamente o hábito que a questão convida a reconhecer como iatrogênico. Hidratação endovenosa preventiva não é medida populacional.
Confirmado o diagnóstico de diabetes insípido central em paciente crítico, qual o tratamento?
A reposição do análogo do hormônio antidiurético controla a poliúria, e a reposição de água livre corrige o déficit já instalado, com dosagens seriadas de sódio porque a resposta pode ser abrupta e a correção rápida demais é perigosa. A hidroclorotiazida é opção paradoxal usada na forma nefrogênica, e escolhê-la aqui é confundir os dois tipos. Restrição hídrica e diurético agravam a desidratação, e a salina hipertônica é o oposto do necessário — esses são os erros que fazem o sódio disparar em poucas horas.
Homem de 41 anos, no segundo dia de pós-operatório de ressecção de macroadenoma hipofisário, apresenta diurese de 6.500 mL em 12 horas, sódio 154 mEq/L, osmolalidade plasmática 315 mOsm/kg e osmolalidade urinária 110 mOsm/kg. Qual o diagnóstico?
Poliúria com urina francamente diluída em paciente hipernatrêmico e hiperosmolar logo após manipulação da região hipofisária é diabetes insípido central, por perda da secreção de hormônio antidiurético. A forma nefrogênica é o distrator direto e produz o mesmo perfil de urina, mas surge em contextos de lítio, hipercalcemia ou doença renal, não no pós-operatório imediato de hipófise — a resposta à desmopressina separa as duas. A diurese osmótica cursaria com osmolalidade urinária elevada, e não com urina diluída.
Homem de 55 anos em uso crônico de lítio apresenta poliúria de 5 litros por dia, sódio 152 mEq/L e osmolalidade urinária que não se eleva após administração de desmopressina. Qual a conduta?
A ausência de resposta à desmopressina caracteriza a forma nefrogênica, e no usuário de lítio o mecanismo é o bloqueio da ação do hormônio antidiurético no túbulo coletor por entrada do íon através do canal epitelial de sódio; por isso a amilorida, que fecha esse canal, é particularmente útil, ao lado dos tiazídicos, que reduzem paradoxalmente o volume urinário. Insistir na desmopressina é o erro que a própria prova de estímulo já respondeu. Restringir água em quem perde água livre é francamente perigoso.
Homem de 58 anos, etilista, apresenta rebaixamento e é diagnosticado com hiponatremia (Na 108 mEq/L). A correção foi feita a 14 mEq/L nas primeiras 24 horas. Quatro dias depois, evolui com disartria, disfagia e tetraparesia. Qual o diagnóstico?
Correção acima do limite recomendado - habitualmente 8 a 10 mEq/L em 24 horas, e ainda menos em pacientes de alto risco como etilistas, desnutridos, hipopotassêmicos e hepatopatas - provoca desmielinização osmótica, com quadro bifásico: melhora inicial e, dias depois, disartria, disfagia, tetraparesia e até síndrome do encarceramento. A cronologia é o dado que fecha o diagnóstico e diferencia de oclusão da basilar, que seria de instalação súbita. Wernicke não produz tetraparesia com disfagia, e Guillain-Barré cursa com arreflexia e evolução ascendente sem esse antecedente.
Paciente idosa com hipernatremia de 170 mEq/L, hipotensa e com sinais de choque hipovolêmico. Qual a conduta inicial?
Quando há instabilidade hemodinâmica, a prioridade é o volume intravascular, e a salina isotônica cumpre esse papel mesmo sendo hipotônica em relação ao plasma desse paciente; só depois de estabilizada a perfusão se passa à correção lenta do déficit de água livre. Começar por soluções muito hipotônicas em rápido volume corrige o sódio depressa demais e expande mal o intravascular, sendo o distrator que ignora a sequência. A desmopressina só tem papel quando o mecanismo é diabetes insípido central.
Paciente em terapia intensiva, sedado e em ventilação mecânica, evolui com sódio de 158 mEq/L. Recebeu nas últimas 48 horas bicarbonato de sódio para acidose e dieta enteral hiperproteica, com balanço hídrico positivo. Qual o mecanismo mais provável?
O paciente crítico não bebe e recebe apenas o que se prescreve: infusões de bicarbonato de sódio, antibióticos diluídos em salina e dietas com alta carga osmótica somam sódio e ureia enquanto a água livre é oferecida em quantidade insuficiente, e o resultado é hipernatremia com balanço hídrico positivo — combinação que só faz sentido quando se separa água de sódio. Buscar perda renal de água é o reflexo automático que ignora o dado do balanço positivo. Insuficiência adrenal cursaria com hiponatremia.
Qual achado do exame físico é mais confiável para estimar depleção de volume em idosos?
Nenhum sinal isolado é bom, e o exame no idoso é particularmente traiçoeiro: o turgor cutâneo perde valor pela redução fisiológica da elasticidade da pele, e a ausência de sede é justamente parte do problema, não evidência contra o diagnóstico. O que mais ajuda é a combinação de variação postural da pressão e do pulso, mucosas, axila seca e queda de peso comparada a um valor anterior. Edema em membros inferiores é frequente por outras causas e não afasta depleção do compartimento intravascular.
Paciente crítico com hipernatremia de 160 mEq/L instalada nas últimas 24 horas, após uso de manitol para hipertensão intracraniana. Qual particularidade orienta a correção?
A distinção entre aguda e crônica é o que define o ritmo: quando a hipernatremia se instala em menos de 48 horas, o cérebro ainda não acumulou osmóis idiogênicos e a correção pode ser mais rápida, com menor risco de edema cerebral. Aplicar cegamente o limite da forma crônica prolonga desnecessariamente a hiperosmolaridade. Ainda assim, em paciente neurocrítico a decisão é individualizada, porque a osmolaridade sérica interfere no manejo da pressão intracraniana e a vigilância precisa ser contínua.
Idoso de 79 anos com hipernatremia recebeu reposição adequada e o sódio normalizou, mas persiste com poliúria de 4 litros por dia e urina diluída. Qual o próximo passo?
Poliúria com urina diluída que persiste após a normalização da natremia não é explicada pela reposição já suspensa e exige diagnóstico diferencial entre as formas central e nefrogênica de diabetes insípido e a polidipsia primária, o que se faz com prova de restrição hídrica seguida de desmopressina, sempre sob supervisão pelo risco de desidratação rápida. Tratar empiricamente e dar alta expõe o paciente à hiponatremia se a causa for polidipsia. Ignorar o achado devolve o paciente à mesma emergência semanas depois.
Qual solução tem maior conteúdo de água livre por litro infundido?
O soro glicosado a 5% funciona como água livre pura depois que a glicose é metabolizada, oferecendo o litro inteiro para reduzir a osmolalidade; a salina a 0,45% oferece cerca de metade de água livre por litro, enquanto salina isotônica e Ringer lactato praticamente não fornecem água livre e a salina hipertônica agrava a hipernatremia. Escolher a salina a 0,45% é razoável na prática por diluir menos a glicemia, mas a pergunta é sobre conteúdo de água livre, e nesse quesito a solução glicosada é a mais eficiente.
Mulher de 84 anos com demência avançada, acamada, é levada ao pronto-socorro por sonolência progressiva há 3 dias. Mucosas secas, turgor reduzido, PA 100x60 mmHg. Sódio 168 mEq/L, ureia 110 mg/dL, creatinina 1,8 mg/dL, glicemia 118 mg/dL. Qual o mecanismo principal?
A hipernatremia quase sempre significa déficit de água, e ela só se instala quando o paciente não consegue beber: idoso com demência, acamado e dependente perde a percepção de sede e o acesso ao copo, e a perda insensível continua. Ganho de sódio é possível, mas é iatrogênico e minoritário. Diurese osmótica seria hipótese se houvesse hiperglicemia, o que os números afastam. A secreção inapropriada de hormônio antidiurético é o distrator mais escolhido por reflexo, mas ela causa hiponatremia, e não o distúrbio descrito.
Qual das seguintes é a principal medida preventiva da hipernatremia adquirida em unidade de terapia intensiva?
A hipernatremia do paciente crítico é em grande parte iatrogênica e evitável: quem não pode beber depende de que alguém calcule e prescreva água livre, contabilizando o sódio oculto em diluentes de antibióticos, bicarbonato e expansores. Restringir sódio da dieta não corrige déficit de água, e usar desmopressina sem diabetes insípido cria risco de hiponatremia. A prevenção é rotina de prescrição e não intervenção farmacológica, e é justamente esse deslocamento de raciocínio que a questão cobra.
Paciente em crise addisoniana com sódio de 118 mEq/L, assintomático do ponto de vista neurológico, recebe hidrocortisona e salina isotônica. Qual cuidado é essencial?
A reposição de glicocorticoide remove o estímulo inapropriado à vasopressina e pode acelerar a correção do sódio, com risco de síndrome de desmielinização osmótica se a elevação ultrapassar cerca de 8 a 10 mEq/L em 24 horas, o que exige medidas seriadas e, se necessário, uso de água livre ou desmopressina para frear. Corrigir depressa em paciente sem sintoma neurológico grave é o erro que produz lesão iatrogênica irreversível.
Quais manifestações caracterizam a desmielinização osmótica e quando surgem?
A síndrome se manifesta de forma bifásica: o paciente melhora com a correção e, dois a sete dias depois, desenvolve disartria, disfagia, paresia progressiva, alterações comportamentais e, nos casos graves, síndrome do encarceramento. Esse intervalo livre é o que torna o quadro traiçoeiro, porque a melhora inicial dá falsa segurança à equipe — e é exatamente por isso que o limite de correção deve ser respeitado mesmo quando o paciente parece bem.
Qual a frequência recomendada de dosagem do sódio sérico durante o tratamento da hiponatremia grave sintomática?
O controle frequente é o que permite detectar a correção excessiva a tempo de revertê-la, e a autocorreção espontânea pelo rim é imprevisível, podendo elevar o sódio muito além do planejado assim que a causa é removida. Dosar apenas ao final ou uma vez ao dia descobre o excesso quando já não há como desfazê-lo, e é o intervalo de segurança perdido que separa uma recuperação completa de uma lesão neurológica permanente.
Qual grupo de pacientes tem maior risco de desmielinização osmótica e exige metas de correção mais conservadoras?
O risco se concentra em quem tem menor capacidade de reacumular osmóis cerebrais: alcoolistas, desnutridos, hepatopatas em espera de transplante, hipocalêmicos e portadores de hiponatremia muito profunda e crônica. Pacientes com hiponatremia verdadeiramente aguda, instalada em horas, não desenvolveram adaptação cerebral e por isso toleram e até necessitam de correção mais rápida — distinguir agudo de crônico é a decisão que organiza todo o tratamento.
Homem de 47 anos participante de maratona apresenta, ao final da prova, náusea, cefaleia e confusão. Sódio de 121 mEq/L. Qual a conduta?
A hiponatremia associada ao exercício resulta de ingestão excessiva de líquidos hipotônicos somada à liberação não osmótica de hormônio antidiurético, é aguda e cursa com edema cerebral, sendo o tratamento a salina hipertônica em paciente sintomático — e o risco de desmielinização é mínimo porque não houve tempo de adaptação cerebral. Oferecer mais água é a conduta intuitiva do atendimento esportivo e é justamente a que pode matar o atleta.
Qual achado sugere síndrome cerebral perdedora de sal em vez de secreção inapropriada de hormônio antidiurético em paciente neurocrítico?
As duas condições compartilham hiponatremia, urina concentrada e sódio urinário elevado, e o que as separa é o estado volêmico: na síndrome perdedora de sal há depleção, com balanço negativo, poliúria e sinais clínicos de desidratação, enquanto na secreção inapropriada o paciente é euvolêmico. A distinção é decisiva porque uma exige reposição de sal e volume e a outra, restrição hídrica — condutas opostas diante de exames laboratoriais quase idênticos.
Homem de 62 anos apresenta sódio de 126 mEq/L. Glicemia 480 mg/dL, triglicerídeos e proteínas normais. Como interpretar a natremia?
A glicose é osmoticamente ativa e, quando muito elevada, puxa água do intracelular para o plasma, diluindo o sódio sem que haja excesso real de água corporal — trata-se de hiponatremia hipertônica, e a correção estimada acrescenta cerca de 1,6 a 2,4 mEq/L de sódio para cada 100 mg/dL de glicose acima do normal. Tratar esse paciente com restrição hídrica é o erro que ignora a osmolalidade, que nesse caso está elevada e não baixa.
Paciente com hiponatremia crônica corrigiu o sódio de 108 para 122 mEq/L em 14 horas por diurese aquosa espontânea. Qual a conduta?
A correção ultrapassou o limite de segurança, e a conduta baseada em evidência é reverter parcialmente com oferta de água livre e desmopressina, estratégia que reduz o risco de desmielinização osmótica quando aplicada dentro das primeiras horas do excesso. A autocorreção rápida é típica de quem tinha hiponatremia por depleção de volume ou por droga: removido o estímulo, o rim elimina água livre em massa, e é justamente esse cenário que exige vigilância e não comemoração.
Qual é o limite seguro de correção do sódio em 24 horas na hiponatremia crônica, para prevenir desmielinização osmótica?
Na hiponatremia crônica o cérebro se adaptou eliminando osmóis, e a correção rápida desidrata a célula neuronal, causando desmielinização osmótica com quadro devastador que aparece dias depois — o limite habitual é de 8 a 10 mEq/L em 24 horas, reduzido a 6 a 8 em pacientes de alto risco, como alcoolistas, desnutridos, hipocalêmicos, hepatopatas e nos casos de sódio inicial muito baixo. O bolus inicial da emergência não contraria esse limite, porque entra no total das 24 horas.
Mulher de 58 anos é trazida com crise convulsiva generalizada. Sódio de 112 mEq/L, osmolalidade plasmática de 240 mOsm/kg, euvolêmica. Qual a conduta imediata?
Hiponatremia com convulsão é emergência por edema cerebral, e o tratamento é bolus de salina hipertônica para elevar o sódio em 4 a 6 mEq/L de forma rápida, o que basta para reduzir a pressão intracraniana e cessar as manifestações — não se busca normalizar o sódio, apenas afastar o risco imediato. Restrição hídrica e antagonista de receptor de vasopressina agem lentamente e são inadequados na emergência. Salina isotônica pode até piorar a natremia em quem tem urina muito concentrada.
Paciente com cirrose e ascite volumosa apresenta sódio de 124 mEq/L, edema, sódio urinário de 8 mEq/L. Qual o mecanismo da hiponatremia?
Na cirrose, a vasodilatação esplâncnica reduz o volume arterial efetivo, e os barorreceptores disparam a liberação de hormônio antidiurético e a retenção ávida de sódio pelo rim, produzindo hiponatremia com edema e sódio urinário muito baixo — o mesmo mecanismo opera na insuficiência cardíaca e na síndrome nefrótica. Chamar de secreção inapropriada é errado porque, nesse contexto, a secreção é fisiologicamente apropriada ao estímulo hemodinâmico percebido.
Paciente com insuficiência cardíaca refratária e hiponatremia grave persistente apesar de restrição hídrica. Qual opção terapêutica pode ser considerada em casos selecionados?
Os antagonistas do receptor de vasopressina promovem excreção de água livre e elevam o sódio sem espoliar eletrólitos, sendo alternativa em hiponatremia hipervolêmica refratária, com monitorização da velocidade de correção e sem impacto demonstrado em mortalidade. Salina hipertônica prolongada não é estratégia de manutenção. Aumentar a oferta de água agrava a hiponatremia, e suspender o diurético piora a congestão sem corrigir o distúrbio.
Qual é o primeiro passo do algoritmo diagnóstico da hiponatremia?
O algoritmo começa pela osmolalidade plasmática, porque nem toda hiponatremia é hipotônica: valores normais indicam pseudo-hiponatremia por hiperlipidemia ou hiperproteinemia, e valores altos indicam hiponatremia translocacional por glicose, manitol ou glicina. Só depois de confirmada a hipotonicidade é que se avalia a volemia e se dosa a osmolalidade e o sódio urinários. Pular esse degrau é o erro que faz um número virar diagnóstico.
Homem de 44 anos com esquizofrenia apresenta sódio de 118 mEq/L, poliúria, osmolalidade urinária de 70 mOsm/kg e ingestão relatada de mais de 10 litros de água por dia. Qual o diagnóstico?
Urina maximamente diluída, com osmolalidade muito baixa, em paciente que ingere volumes enormes de água indica que o rim está funcionando corretamente e simplesmente foi superado pela carga hídrica, o que caracteriza a polidipsia primária, frequente em transtornos psiquiátricos e agravada por medicações que causam boca seca. Na secreção inapropriada a urina é concentrada, e essa diferença na osmolalidade urinária é o que resolve a questão em uma linha.
Paciente idosa em uso de hidroclorotiazida apresenta sódio de 122 mEq/L, hipovolemia leve, sódio urinário de 45 mEq/L e osmolalidade urinária de 400 mOsm/kg. Qual a conduta inicial?
Os tiazídicos prejudicam a diluição urinária ao agir no túbulo distal, sem afetar o mecanismo de contracorrente, e são causa clássica de hiponatremia, sobretudo em idosas de baixo peso; o tratamento é suspender a droga e corrigir a depleção com salina isotônica. O sódio urinário elevado aqui é efeito do próprio diurético e não deve ser lido como sinal de secreção inapropriada — essa é a armadilha que a questão arma, e restringir água num paciente hipovolêmico piora o quadro.
Qual dado laboratorial urinário melhor separa a hiponatremia por depleção de volume daquela por secreção inapropriada de hormônio antidiurético?
Na depleção de volume o rim retém sódio avidamente e o sódio urinário cai, enquanto na secreção inapropriada o rim mantém excreção normal de sódio porque não há hipovolemia — a urina é concentrada nos dois casos, e por isso a osmolalidade urinária não separa as situações. Confiar na osmolalidade urinária para essa distinção é o erro mais comum, e o uso concomitante de diurético embaralha o sódio urinário, exigindo cautela adicional.
Qual é o papel dos antagonistas do receptor de vasopressina no tratamento da hiponatremia?
Os antagonistas do receptor de vasopressina promovem excreção de água livre e podem ser usados na hiponatremia euvolêmica ou hipervolêmica em pacientes sem sintomas graves, sempre com dosagens frequentes de sódio porque a correção pode ser rápida demais, e com cautela na doença hepática. Na hiponatremia sintomática grave o tratamento é salina hipertônica, e na hipovolêmica seu uso agravaria a depleção — as indicações mal aplicadas são a armadilha da classe.
Qual exame de imagem e qual o momento adequado para confirmar a suspeita de síndrome de desmielinização osmótica?
A ressonância é o exame de escolha, mas as alterações na ponte podem demorar dias a semanas para aparecer, de modo que um exame inicial normal não afasta o diagnóstico e deve ser repetido diante de quadro clínico compatível. Confiar na tomografia é o erro que gera falsa segurança, pois sua sensibilidade para essa lesão é baixa. O diagnóstico é essencialmente clínico, sustentado pelo contexto de correção rápida do sódio e pelo padrão temporal bifásico da deterioração.
Paciente com sequela de mielinólise pontina apresenta tetraparesia grave, disartria e disfagia, mantendo consciência preservada. Qual a conduta terapêutica?
Não há tratamento específico que reverta a lesão estabelecida, e o cuidado se apoia em reabilitação, suporte nutricional com via segura, prevenção de broncoaspiração, de úlcera por pressão e de tromboembolismo, com recuperação funcional parcial possível ao longo de meses. Tentar novas manipulações do sódio ou intervenções invasivas é o erro que acrescenta risco sem benefício. A prevenção continua sendo a única estratégia eficaz, o que reforça o rigor no controle da velocidade de correção.
Mulher de 52 anos, etilista, é internada com sódio de 108 mEq/L e confusão. Recebe salina hipertônica e o sódio sobe para 128 mEq/L em 18 horas. Melhora inicialmente, mas 4 dias depois evolui com disartria, disfagia, tetraparesia e labilidade emocional, mantendo-se alerta. Qual o diagnóstico?
Deterioração neurológica bifásica, com melhora inicial seguida de tetraparesia, disartria e disfagia dias após correção rápida do sódio, define a síndrome de desmielinização osmótica, cuja apresentação extrema é a síndrome do encarceramento com paciente alerta. O acidente vascular de tronco é o distrator, mas instala-se de forma súbita e não segue esse padrão temporal ligado à velocidade de correção. Etilismo, desnutrição, hipocalemia e hepatopatia são fatores de risco que exigem correção ainda mais lenta.
Quais fatores aumentam o risco de desmielinização osmótica durante a correção da hiponatremia?
Alcoolismo, desnutrição, hipocalemia, doença hepática avançada e hiponatremia crônica muito baixa identificam o grupo em que a correção precisa ser ainda mais lenta e a meta diária, mais conservadora. A hiponatremia aguda, instalada em poucas horas, é justamente a exceção em que o cérebro ainda não se adaptou e a correção mais rápida é segura e necessária — inverter isso é o erro conceitual central do tema. Reconhecer o perfil de risco antes da primeira prescrição é o que evita a complicação.
Durante a correção de hiponatremia, o paciente apresenta diurese aquosa abundante e o sódio sobe 12 mEq/L em 10 horas. Qual a conduta?
A correção excessiva exige ação ativa para reverter o sódio para dentro da meta, com água livre e, se necessário, desmopressina para frear a diurese aquosa, evitando a desmielinização osmótica. Considerar a subida rápida como boa notícia é o erro mais comum, porque a melhora aparente antecede a lesão que aparece dias depois. A autocorreção súbita é típica quando a causa da hiponatremia é removida, como na reposição volêmica de um hipovolêmico ou na suspensão de um fármaco, e exige vigilância redobrada.
Mulher de 60 anos em uso de hidroclorotiazida apresenta sódio de 121 mEq/L, com sinais de depleção de volume, sódio urinário de 8 mEq/L e melhora após hidratação. Qual a classificação e a conduta?
Sódio urinário baixo com sinais de depleção indica resposta renal apropriada à hipovolemia, e o tiazídico é causa clássica de hiponatremia nessa população, devendo ser suspenso enquanto se repõe volume. O cuidado essencial é que, ao restaurar a volemia, o estímulo ao hormônio antidiurético desaparece e o sódio pode subir rápido demais, exigindo monitorização frequente. Tratar como secreção inapropriada e restringir líquidos é o erro que agrava a hipovolemia e a lesão renal.
Paciente com hiponatremia grave e convulsão apresenta sódio de 106 mEq/L. Qual a conduta imediata?
Diante de sintoma neurológico grave, como convulsão ou rebaixamento importante, o tratamento é bolus de salina hipertônica para elevar o sódio em poucos milimoles e reverter o edema cerebral, independentemente da cronicidade. Optar por restrição hídrica isolada é o erro que deixa o paciente convulsionando por horas. O bolus inicial não autoriza correção rápida do restante: após o alívio dos sintomas, retoma-se o limite diário. Salina isotônica em grande volume pode até piorar a hiponatremia em quadros com secreção inapropriada de hormônio antidiurético.
Qual é o limite de velocidade de correção do sódio recomendado em paciente com hiponatremia crônica e risco de desmielinização osmótica?
Em hiponatremia crônica, a correção deve respeitar cerca de 8 mEq/L em 24 horas, com limite ainda mais restritivo nos pacientes de alto risco, porque o cérebro já se adaptou perdendo osmóis e a reversão rápida desidrata a célula glial e destrói a mielina. Corrigir depressa parece intuitivo diante de um sódio alarmante e é justamente o que causa a lesão. Nos sintomas graves, permite-se bolus de salina hipertônica para elevar poucos milimoles e abortar a herniação, sem que isso libere correção rápida no restante do dia.
Sobre a avaliação inicial de uma hiponatremia, qual é o primeiro passo antes de assumir secreção inapropriada do hormônio antidiurético?
Antes de atribuir o sódio baixo à secreção inapropriada de ADH, é necessário verificar se há hiponatremia hipotônica. A hiperglicemia pode produzir hiponatremia translocacional, geralmente com aumento da tonicidade, pela passagem de água para o meio extracelular. Pseudohiponatremia é outro fenômeno: um artefato de certos métodos de dosagem, possível em hiperproteinemia ou hiperlipidemia acentuadas. Confirmada hipotonicidade, a investigação integra osmolalidade e sódio urinários, volume circulante, medicamentos e função endócrina/renal. Dosar ADH ou iniciar tolvaptana empiricamente não substitui essa avaliação.
Sobre a velocidade de correção do sódio em hiponatremia crônica assintomática, qual é o limite máximo recomendado nas primeiras 24 horas?
O cérebro adaptado à hiponatremia crônica perde osmóis orgânicos e leva dias para recuperá-los, de modo que subir mais de 8 a 10 mEq/L em 24 horas expõe à desmielinização osmótica; em etilistas, desnutridos, hepatopatas e hipopotassêmicos convém ficar abaixo disso. Limites mais altos são o erro que produz a complicação, e restringir a correção a 2 mEq/L por dia é excessivamente lento e mantém o risco de sintomas neurológicos por tempo desnecessário.
Homem de 55 anos chega ao pronto-socorro com crise convulsiva tônico-clônica generalizada e sódio sérico de 112 mEq/L, com instalação estimada em 48 horas. Qual a conduta imediata?
Hiponatremia sintomática grave com convulsão é emergência neurológica tratada com bolus de salina hipertônica, buscando subida rápida de 4 a 6 mEq/L, que já reverte o edema cerebral, respeitado o teto de 8 a 10 mEq/L em 24 horas. Restrição hídrica age em dias e não serve em quem convulsiona. A salina isotônica pode até piorar o sódio nessa síndrome, porque a urina hipertônica excreta o sódio ofertado e retém a água livre.
Paciente com hiponatremia de 121 mEq/L em tratamento com restrição hídrica apresenta, no segundo dia, diurese súbita e abundante, com sódio subindo 12 mEq/L em 10 horas. Qual a conduta?
A resolução da causa do estímulo antidiurético produz aquarese abrupta e correção não intencional, cenário clássico de desmielinização osmótica. Diante de ultrapassagem do alvo, faz-se a correção reversa com água livre por via oral ou soro glicosado, associando desmopressina para travar a perda renal de água. Comemorar a subida rápida é o raciocínio que produz a lesão neurológica, porque o teto de segurança vale mesmo quando o sódio sobe sozinho.
No oitavo dia de hemorragia subaracnóidea, paciente apresenta sódio sérico de 124 mEq/L, sinais de desidratação, balanço hídrico negativo, diurese aumentada, sódio urinário de 90 mEq/L e ácido úrico baixo. Qual o diagnóstico e a conduta?
Hiponatremia com hipovolemia clínica, balanço negativo e natriurese elevada caracteriza a síndrome cerebral perdedora de sal, e o tratamento é oposto ao da secreção inapropriada: repõe-se volume e sódio, porque restringir água em paciente já depletado aumenta o risco de isquemia tardia. A secreção inapropriada é o distrator mais forte porque compartilha hiponatremia, sódio urinário alto e ácido úrico baixo, e a diferença está no estado volêmico, que aqui é de depleção. Diabetes insípido cursa com hipernatremia e urina diluída. Chamar de dilucional ignora a natriurese. Insuficiência adrenal exige outros achados e não explica o balanço negativo com natriurese.
Paciente com hiponatremia crônica de 110 mEq/L teve o sódio corrigido para 128 mEq/L em 18 horas. Dois dias depois evolui com disartria, disfagia, paraparesia e alteração de comportamento. Qual a complicação?
Correção acima de 8 a 10 mEq/L em 24 horas na hiponatremia crônica retira água do neurônio já adaptado e provoca desmielinização osmótica, com quadro bifásico: melhora inicial seguida, em dias, de sinais pseudobulbares e tetraparesia. Etilistas, desnutridos, hepatopatas e hipopotassêmicos são os de maior risco. Interpretar a piora como correção insuficiente é o erro que leva a subir mais o sódio e agravar a lesão.
Jovem de 24 anos participa de maratona, ingere grande volume de água durante a prova e, ao final, apresenta cefaleia, vômitos e confusão. Sódio de 121 mEq/L. Qual a fisiopatologia predominante?
A hiponatremia associada ao exercício combina duas coisas: o atleta bebe muita água pura e, ao mesmo tempo, o esforço, a dor e o estresse estimulam a liberação não osmótica de hormônio antidiurético, impedindo o rim de excretar essa água. Atribuir tudo à perda de sódio pelo suor é a explicação incompleta que domina o senso comum e leva ao erro de tratar apenas com bebida isotônica, insuficiente para o caso sintomático, que pede salina hipertônica.
Sobre a síndrome de desmielinização osmótica, qual afirmação é correta?
O quadro é bifásico e traiçoeiro: o paciente melhora com a correção e, dias depois, apresenta disartria, disfagia, tetraparesia e até síndrome do encarceramento, sendo a ressonância frequentemente normal na fase inicial dos sintomas. Esperar manifestação imediata após a infusão é o erro que dá falsa segurança ao plantonista que viu o paciente bem na virada do plantão.
Mulher de 62 anos em uso de hidroclorotiazida há 2 semanas apresenta náusea, cefaleia e sódio de 119 mEq/L, sem convulsão. Está clinicamente hipovolêmica. Qual a conduta inicial?
A hiponatremia por tiazídico é hipovolêmica, e o tratamento é retirar o fármaco e repor volume com solução isotônica; a hipovolemia estimulava o hormônio antidiurético, e ao ser corrigida o rim libera água livre e o sódio pode subir rápido demais, o que obriga a controles frequentes. Restringir água mantendo o diurético seria conduta de secreção inapropriada, situação euvolêmica e mecanismo distinto do descrito.
Paciente com hiponatremia crônica de 112 mEq/L recebe correção e, no controle de 12 horas, o sódio está em 128 mEq/L. Qual a conduta?
A elevação de 16 mEq/L em 12 horas ultrapassa em muito o teto seguro, e a conduta é reverter parte da correção com água livre, geralmente com desmopressina para travar a diurese aquosa — a desmielinização osmótica ainda pode ser evitada nessa janela. Manter a correção porque o número segue baixo é o raciocínio que mais causa a lesão: o dano vem da VELOCIDADE, não do valor absoluto atingido.
Qual é o limite máximo de correção do sódio nas primeiras 24 horas em paciente com hiponatremia crônica, para evitar complicação neurológica?
Na hiponatremia crônica o cérebro já eliminou osmóis para se adaptar, e a correção rápida provoca desmielinização osmótica, com quadriparesia e síndrome do encarceramento dias depois — por isso o teto costuma ser de 8 a 10 mEq/L em 24 horas, e ainda menor em desnutridos, etilistas, hipocalêmicos e hepatopatas. Achar que a presença de sintomas autoriza correção ilimitada confunde a elevação rápida INICIAL de 4 a 6 mEq/L, que é permitida, com o total das 24 horas, que não é.
Qual grupo de pacientes tem maior risco de desmielinização osmótica e exige metas de correção ainda mais conservadoras?
Álcool, desnutrição, hipocalemia e doença hepática avançada comprometem a capacidade do neurônio de recuperar osmóis orgânicos, e nesses pacientes o teto de correção cai para cerca de 4 a 6 mEq/L em 24 horas. O jovem com hiponatremia AGUDA, instalada em menos de 48 horas, é justamente o oposto: como o cérebro ainda não se adaptou, ele tolera e até necessita de correção mais rápida.
Mulher de 68 anos chega com crise convulsiva tônico-clônica e rebaixamento. Sódio sérico de 108 mEq/L, instalação estimada em 3 dias. Qual a conduta imediata?
Hiponatremia com convulsão é emergência neurológica, e o tratamento é bolus de salina hipertônica a 3% para elevar o sódio em 4 a 6 mEq/L rapidamente e cessar o edema cerebral. Restrição hídrica e soro fisiológico agem lentamente demais e podem até piorar o sódio quando há secreção inapropriada de hormônio antidiurético, porque o rim excreta o sal e retém a água ofertada — esse é o erro clássico do tema. A tolvaptana não tem lugar na emergência sintomática.
Paciente com sódio de 125 mEq/L, glicemia de 900 mg/dL e osmolalidade sérica calculada elevada. Como interpretar o sódio?
A glicose atua como osmol efetivo e puxa água do intracelular para o plasma, diluindo o sódio: corrige-se cerca de 1,6 a 2,4 mEq/L para cada 100 mg/dL de glicose acima de 100, o que aqui já normaliza o valor. Tratar como hiponatremia verdadeira e infundir salina hipertônica é o erro grave da questão, porque o tratamento correto é a insulinoterapia e a hidratação da hiperglicemia, e o sódio sobe sozinho conforme a glicemia cai.
Paciente com hiponatremia de 118 mEq/L apresenta osmolalidade sérica baixa, osmolalidade urinária de 480 mOsm/kg, sódio urinário de 60 mEq/L, euvolemia clínica, função tireoidiana e adrenal normais. Qual é o diagnóstico?
Hiponatremia hipotônica com urina inapropriadamente concentrada, sódio urinário elevado, euvolemia e função tireoidiana e adrenal normais define a secreção inapropriada do hormônio antidiurético, cujo tratamento inicial é a restrição hídrica, com investigação de neoplasias, doenças pulmonares, afecções do sistema nervoso central e fármacos. A perda gastrointestinal cursaria com sódio urinário baixo e sinais de hipovolemia. Polidipsia primária traria urina diluída, insuficiência cardíaca mostraria hipervolemia, e a pseudo-hiponatremia cursa com osmolalidade normal.
Homem de 72 anos com rebaixamento de consciência tem sódio sérico de 108 mEq/L. Qual é a conduta quanto à velocidade de correção?
Na hiponatremia grave com sintomas neurológicos, a salina hipertônica em bolus controlados corrige a ameaça imediata, mas a elevação total deve respeitar limites diários para evitar a síndrome de desmielinização osmótica, complicação devastadora e frequentemente irreversível. Corrigir rapidamente até a normalidade é justamente o erro que a provoca. Restrição hídrica isolada é insuficiente diante de sintomas neurológicos, solução glicosada agrava a hiponatremia, e diurético sem reposição de sódio pode piorar tanto o distúrbio quanto a volemia.
Idosa de 86 anos, acamada e dependente, e trazida com confusao, mucosas secas e sonolencia. Sodio serico de 162 mEq/L e ureia elevada, com relato de reducao da oferta de agua por dificuldade de deglutição. Qual a conduta?
A hipernatremia do idoso decorre tipicamente de deficit de agua livre por baixa ingesta em quem nao tem acesso a agua ou nao sente sede, e o tratamento e repor agua com calculo do deficit e correcao lenta, respeitando o limite de queda diaria do sodio para evitar edema cerebral, alem de corrigir a causa da ingesta insuficiente. Corrigir tudo em poucas horas engana porque o valor alarmante convida a normalizar rapido, mas o cerebro adaptado a hipertonicidade sofre com a queda brusca. Salina hipertonica e diuretico agravariam o disturbio, e restringir agua e o oposto do necessario.
Homem de 70 anos com neoplasia de pulmao apresenta sodio de 118 mEq/L, osmolalidade serica de 250 mOsm/kg, osmolalidade urinaria de 480 mOsm/kg e sodio urinario de 60 mEq/L, encontrando-se euvolemico, com funcao renal, tireoidiana e adrenal normais e sem uso de diureticos. Qual o diagnostico?
Hiponatremia hipotonica em paciente euvolemico, com urina inapropriadamente concentrada e sodio urinario elevado, afastadas disfuncoes renal, tireoidiana e adrenal e sem diureticos, define a sindrome de secrecao inapropriada de hormonio antidiuretico - frequente em neoplasia pulmonar, sobretudo no carcinoma de pequenas celulas. A polidipsia primaria engana porque tambem cursa com hiponatremia em paciente sem edema, mas nela a urina esta maximamente diluida, com osmolalidade urinaria baixa, o oposto do encontrado. Hipovolemia e hipervolemia teriam sinais clinicos e sodio urinario baixo, e a pseudo-hiponatremia cursa com osmolalidade serica normal.
Mulher de 79 anos em uso de hidroclorotiazida apresenta confusao, sonolencia e uma crise convulsiva. Sodio serico de 112 mEq/L, instalado ao longo das ultimas semanas. Qual a conduta?
Hiponatremia grave com sintoma neurologico maior, como crise convulsiva, exige elevacao rapida e limitada do sodio com salina hipertonica em bolus, apenas o suficiente para reverter o quadro, seguida de correcao lenta respeitando os limites diarios, porque a hiponatremia se instalou ao longo de semanas e o cerebro ja se adaptou. Normalizar completamente em poucas horas engana porque o valor esta muito baixo e a tentacao e corrigir tudo, mas a correcao excessivamente rapida provoca sindrome de desmielinizacao osmotica, com sequelas devastadoras. Restricao hidrica isolada e insuficiente diante de crise convulsiva.
Mulher de 75 anos apresenta hiponatremia de 126 mEq/L assintomatica, descoberta em exame de rotina, em uso de hidroclorotiazida ha 3 meses, com pressao arterial normal e sem edema. Qual a conduta inicial?
Os diureticos tiazidicos sao uma das causas mais comuns de hiponatremia em idosos, e diante de quadro assintomatico a conduta e suspender o farmaco, corrigir deficits associados de potassio e magnesio e acompanhar a correcao, que deve ser lenta para evitar desmielinizacao osmotica. Iniciar salina hipertonica engana porque o valor chama atencao e a solucao existe justamente para hiponatremia, mas ela se reserva a sintomas neurologicos graves - usa-la aqui traz risco sem beneficio. Aumentar o diuretico agrava, restricao hidrica extrema e desnecessaria e ignorar o achado perpetua o disturbio.
Mulher de 70 anos apresenta confusão e sonolência progressivas, com sódio sérico de 108 mEq/L. Qual o princípio fundamental da correção?
Hiponatremia crônica grave exige correção controlada, com limites diários de elevação do sódio, porque a correção rápida provoca síndrome de desmielinização osmótica, com quadro devastador que aparece dias depois. Corrigir rapidamente até a normalidade é o erro que produz iatrogenia grave e irreversível. Em pacientes sintomáticos com crises ou coma, indica-se bolus de salina hipertônica para elevação pequena e rápida inicial, mantendo o limite diário total.
Criança chega com sódio de 168 mEq/L e desidratação por diabetes insipidus não tratado. Qual o cuidado essencial na correção?
O cérebro exposto a hipernatremia crônica gera osmóis idiogênicos para não desidratar; baixar o sódio depressa faz a água entrar nesse tecido hiperosmolar e produz edema cerebral com convulsão e herniação. A regra é corrigir devagar, calcular o déficit de água livre e monitorar o sódio a cada 2 a 4 horas, corrigindo primeiro a instabilidade hemodinâmica com solução isotônica quando houver choque. A solução hipertônica é o tratamento da hiponatremia sintomática e aqui só agravaria o problema.
Uma criança com diabetes insipidus central em uso de desmopressina apresenta cefaleia, náusea e uma convulsão. Sódio de 118 mEq/L. Qual a explicação mais provável e a conduta?
Convulsão com sódio de 118 mEq/L constitui emergência. Além da correção inicial com salina hipertônica, são necessários controles frequentes de natremia, diurese e balanço hídrico. Suspender a desmopressina pode desencadear perda rápida de água e elevar demais o sódio; por isso, no diabetes insipidus central, sua manutenção, ajuste ou suspensão deve ser planejada com endocrinologia e terapia intensiva. A administração controlada de desmopressina pode ser necessária para conter aquarese durante a correção. Não se deve aumentar a dose empiricamente nem excluir causas contribuintes apenas pela presença de diabetes insipidus. Fontes: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Diabetes_insipidus/ ; https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Hyponatraemia/ ; https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22579272/
Qual complicação neurológica pode decorrer da correção excessivamente rápida da hiponatremia crônica em um paciente com desnutrição grave?
No desnutrido grave, a correção da natremia deve ser lenta e cuidadosa, porque variações rápidas — especialmente a correção acelerada da hiponatremia crônica — podem causar desmielinização osmótica, com quadro neurológico devastador. Meningite não decorre de reposição eletrolítica. Hidrocefalia obstrutiva tem causas estruturais. Excesso de fósforo causa hipocalcemia e calcificação metastática, não neuropatia periférica aguda. E hemorragia subaracnoide espontânea não é complicação reconhecida da hipomagnesemia nessa faixa etária.
Lactente de 10 meses, em ambiente quente, com oferta de água insuficiente e diarreia, apresenta letargia, irritabilidade ao manuseio, mucosas secas e sódio sérico de 168 mEq/L. Qual é o cuidado essencial na correção?
Na hipernatremia instalada em dias, os neurônios geram osmóis idiogênicos para se proteger; se o sódio plasmático cai rápido, a água entra na célula e produz edema cerebral com convulsões — por isso a correção é lenta e monitorizada. Corrigir depressa engana quem se assusta com o número e quer normalizá-lo, mas é justamente a velocidade, e não o valor, que mata nesse distúrbio. A salina hipertônica seria usada na situação oposta, a hiponatremia sintomática.
Lactente de 11 meses é levado à Unidade de Pronto Atendimento com diarreia aquosa há quatro dias, sem sangue, e vômitos. A mãe ofereceu apenas água e chás caseiros durante esse período. Ao exame: irritado, muito sedento, olhos encovados, mucosas secas, turgor da pele diminuído, fontanela deprimida, com pele com aspecto pastoso, frequência cardíaca 168 bpm e letargia alternada com irritabilidade extrema. O sódio sérico é de 168 mEq/L. Qual é o cuidado essencial na correção desse quadro?
Na desidratação hipernatrêmica a reidratação deve ser gradual, com queda controlada do sódio, geralmente não superior a cerca de 10 a 12 mEq/L em 24 horas, porque a correção rápida desloca água para o intracelular e provoca edema cerebral com convulsões. Bolus de solução hipotônica para correção acelerada é justamente o erro a evitar. Restringir líquidos mantém a criança desidratada e agrava a hipoperfusão. Administrar solução hipertônica eleva ainda mais a natremia, agravando o distúrbio.
Homem de 61 anos, com hipertensão, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. Traz exames que evidenciam sódio de 126 mEq/L, confirmado em nova coleta. Está assintomático, sem confusão, cefaleia, náuseas ou convulsão. Faz uso de hidroclorotiazida há dois anos e iniciou sertralina há dois meses por sintomas depressivos. Ao exame: PA 132x82 mmHg, FC 76 bpm, mucosas úmidas, sem edema, sem estase jugular, turgor cutâneo preservado, ausculta normal. Função renal, glicemia e TSH normais. A conduta inicial mais adequada é:
Hiponatremia assintomática em paciente euvolêmico usuário de tiazídico e inibidor de recaptação de serotonina tem causa medicamentosa provável, e a conduta é revisar e ajustar esses fármacos, orientar restrição hídrica e recontrolar o sódio em curto intervalo, corrigindo lentamente para evitar desmielinização osmótica. Salina hipertônica é reservada a hiponatremia sintomática grave e a ambiente com monitorização. Aumentar líquidos livres agrava a diluição e reduz ainda mais o sódio. Considerar o valor normal para a idade é incorreto, pois sódio de 126 mEq/L é anormal em qualquer faixa etária e requer investigação.
Lactente de 4 meses é levado ao pronto-socorro por irritabilidade, vômitos e duas crises convulsivas generalizadas nas últimas 3 horas. A mãe, orientada por uma vizinha, passou a diluir a fórmula infantil com o dobro de água para render mais tempo, há duas semanas. Ao exame apresenta-se hipoativo, com edema palpebral discreto, fontanela normotensa, temperatura axilar 36,7 °C, FC 148 bpm e sem sinais de infecção. Os exames mostram sódio sérico de 118 mEq/L, potássio 4,2 mEq/L e glicemia de 82 mg/dL. A conduta imediata é:
Convulsão em lactente com sódio de 118 mEq/L após diluição excessiva da fórmula é intoxicação hídrica, e o tratamento da crise sintomática é a solução salina hipertônica, com correção controlada e orientação nutricional para prevenir a recorrência. Anticonvulsivante isolado não corrige a causa e a crise tende a recorrer enquanto persistir a hiponatremia. Soro glicosado é hipotônico em efeito e agrava a queda do sódio. Antibiótico empírico não se justifica sem febre nem sinais de infecção, e deixaria o distúrbio eletrolítico sem tratamento.
Mulher de 81 anos é levada à Unidade de Pronto Atendimento com confusão, náuseas e uma queda hoje. Iniciou sertralina há três semanas e usa hidroclorotiazida há anos. Ao exame, encontra-se sonolenta, orientada apenas parcialmente, sem sinais focais neurológicos, mucosas úmidas, sem edema e sem turgência jugular, com pressão arterial de 126 x 76 mmHg. Sódio sérico de 118 mEq/L, osmolalidade sérica baixa, osmolalidade urinária elevada e sódio urinário aumentado. Função renal e tireoidiana normais. A conduta inicial adequada é:
O padrão laboratorial de hiponatremia hipotônica com urina concentrada e sódio urinário elevado em paciente euvolêmica sugere secreção inapropriada de hormônio antidiurético, frequentemente precipitada por inibidores da recaptação de serotonina e agravada por tiazídico; a conduta é suspender os agentes, restringir água livre e corrigir o sódio lentamente, com monitorização, evitando a síndrome de desmielinização osmótica. Soro glicosado fornece água livre e agrava a hiponatremia. Correção rápida é perigosa. Manter os fármacos e aumentar a ingestão de água piora diretamente o distúrbio.
Homem de 70 anos, morador de zona rural, é levado pela filha à Unidade Básica de Saúde em dia de calor intenso, com relato de confusão leve, boca seca e redução do volume urinário há dois dias. Ele toma hidroclorotiazida e reduziu a ingestão de líquidos por medo de acordar à noite para urinar. Ao exame: mucosas secas, turgor cutâneo reduzido, PA deitado 110x66 mmHg e em pé 88x54 mmHg, FC 104 bpm, temperatura 37 °C, sem febre ou sinais de infecção. Exames: sódio 149 mEq/L, creatinina 1,8 mg/dL, previamente 1,1 mg/dL. A conduta mais adequada é:
Desidratação hipernatrêmica com injúria renal aguda em idoso usuário de diurético e com baixa ingesta hídrica exige suspensão temporária do diurético, reidratação com correção gradual do sódio, para evitar edema cerebral, orientação da família sobre oferta regular de líquidos e recontrole da função renal. Manter o diurético perpetua a perda de água e sódio. Solução hipertônica é usada em hiponatremia grave, não em hipernatremia, e agravaria o quadro. Antibiótico empírico sem qualquer sinal de infecção não trata a causa evidente do quadro.
Menina de 3 anos é internada com pneumonia e recebe hidratação endovenosa com solução hipotônica em volume de manutenção. No segundo dia, apresenta cefaleia, vômitos, letargia e uma crise convulsiva. Ao exame, está sonolenta, com pressão arterial de 100x64 mmHg, sem sinais de desidratação e sem edema evidente. Os exames mostram sódio sérico de 118 mEq/L, osmolaridade sérica reduzida, sódio urinário elevado e osmolaridade urinária inadequadamente alta para a hiponatremia. A conduta imediata correta é
Hiponatremia grave e sintomática, com convulsão, é tratada com solução salina hipertônica em bolus para elevar rapidamente o sódio o suficiente para cessar os sintomas neurológicos, associada à suspensão de fluidos hipotônicos, que são a causa do quadro em crianças hospitalizadas. Aumentar a solução hipotônica agrava a hiponatremia. Diurético isolado não corrige o distúrbio de forma segura. Corrigir integralmente o sódio em poucas horas expõe ao risco de síndrome de desmielinização osmótica, devendo a correção subsequente ser gradual.
Mulher de 75 anos, com insuficiência cardíaca, é levada ao pronto-socorro com confusão mental, sonolência e piora da dispneia há dois dias. Ela usa furosemida em dose alta, enalapril e espironolactona. Ao exame: sonolenta, desorientada, PA 108x66 mmHg, FC 82 bpm, mucosas secas, estertores discretos em bases, edema maleolar, sem febre, sem sinais focais. Exames: sódio 116 mEq/L, potássio 3,4 mEq/L, creatinina 1,6 mg/dL, osmolalidade sérica reduzida, glicemia 98 mg/dL, TSH normal. A conduta correta é:
Hiponatremia grave sintomática em usuária de diuréticos exige correção lenta e monitorizada, com limite de elevação diária do sódio para evitar síndrome de desmielinização osmótica, além de ajuste dos diuréticos e restrição de líquidos livres conforme o mecanismo. Solução hipotônica agrava a hiponatremia. Correção rápida até a normalidade é justamente o erro que produz lesão neurológica irreversível. Manter os diuréticos e apenas sedar a paciente ignora a causa metabólica da alteração do sensório.
Mulher de 86 anos, acamada e com demência avançada, é levada ao pronto-socorro por sonolência progressiva há dois dias. A cuidadora relata redução da oferta de líquidos e recusa alimentar. Ao exame, mucosas muito secas, turgor reduzido, pressão arterial de 96 x 58 mmHg, frequência cardíaca de 108 bpm, sonolência sem sinais focais neurológicos e diurese concentrada e escassa. Os exames mostram sódio de 162 mEq/L, ureia elevada e osmolalidade urinária alta, com glicemia normal. A conduta correta é:
Hipernatremia em idoso com demência decorre habitualmente de ingestão hídrica insuficiente, com urina concentrada indicando resposta renal adequada; a conduta é repor água livre de forma gradual, com velocidade de correção controlada para evitar edema cerebral, e garantir oferta hídrica regular, além de orientar a cuidadora. Correção rápida com grandes volumes hipotônicos é perigosa. Solução hipertônica agravaria a hipernatremia. Restringir líquidos é exatamente o oposto do necessário e aprofunda a desidratação.
Homem de 62 anos é atendido no pronto-socorro com confusão mental, náuseas e fraqueza há dois dias. Ele tem neoplasia de pulmão em investigação. Ao exame: desorientado, PA 128x78 mmHg, FC 84 bpm, mucosas úmidas, sem edema, sem estase jugular, turgor cutâneo preservado, sem sinais de depleção ou sobrecarga. Exames: sódio 114 mEq/L, osmolalidade sérica reduzida, osmolalidade urinária elevada, sódio urinário elevado, função renal, tireoidiana e adrenal normais, glicemia normal, sem uso de diuréticos. A conduta imediata correta é:
Hiponatremia grave com sintomas neurológicos exige correção com solução salina hipertônica em ambiente monitorizado, respeitando o limite de elevação diária do sódio para evitar síndrome de desmielinização osmótica. Solução isotônica em grandes volumes pode até agravar a hiponatremia na síndrome de secreção inapropriada de hormônio antidiurético. Restrição hídrica isolada é insuficiente em paciente sintomático grave. Correção rápida até a normalidade é justamente o erro que causa lesão neurológica irreversível.
Mulher, 78 anos, com insuficiência cardíaca avançada, internada por congestão. PA 104/64 mmHg, FC 84 bpm, com turgência jugular, ascite e edema importante. Sódio 122 mEq/L (VR 135–145), osmolalidade sérica 258 mOsm/kg (VR 275–295), sódio urinário 12 mEq/L, osmolalidade urinária 480 mOsm/kg. Está em uso de furosemida 80 mg duas vezes ao dia. Sem confusão mental ou convulsões. Qual a conduta mais adequada?
A hiponatremia hipervolêmica da insuficiência cardíaca decorre de excesso de água livre por ativação neuro-hormonal, com sódio urinário baixo, e o tratamento é restrição hídrica associada à descongestão eficaz. A salina hipertônica se reserva à hiponatremia sintomática grave, com convulsão ou rebaixamento, ausentes nesta paciente. A salina isotônica em infusão rápida agrava a congestão e pode até reduzir mais o sódio nesse contexto. Suspender todos os diuréticos por 72 horas piora a congestão que perpetua o distúrbio. A reposição oral de sal em altas doses aumenta a retenção hídrica e a sobrecarga volêmica.
Mulher, 48 anos, hipertensa, retorna com resultados solicitados após queixa de fadiga. Sódio 128 mEq/L (VR 135–145); potássio 4,0 mEq/L; osmolalidade sérica 262 mOsm/kg (VR 275–295); osmolalidade urinária 480 mOsm/kg; sódio urinário 60 mEq/L. Está euvolêmica, sem edema, sem hipotensão postural, com turgor e mucosas normais. Usa hidroclorotiazida 25 mg/dia há 3 meses. TSH 2,0 mUI/L, cortisol matinal 16 µg/dL (VR 5–25). Qual a hipótese mais provável e a conduta inicial?
Hiponatremia hipotônica com paciente euvolêmica, urina concentrada acima de 100 mOsm/kg e sódio urinário acima de 30 mEq/L configura o padrão de secreção inapropriada de hormônio antidiurético, e o tiazídico é causa clássica dessa apresentação, de modo que a conduta é suspender o fármaco e restringir água livre. Hiponatremia hipovolêmica cursaria com sódio urinário baixo e sinais de depleção, ausentes; salina hipertônica em bolus reserva-se a sintomas neurológicos graves, não a fadiga isolada. Polidipsia primária cursa com urina diluída, com osmolalidade urinária tipicamente abaixo de 100 mOsm/kg, o oposto do encontrado. Insuficiência adrenal está afastada pelo cortisol matinal normal e potássio normal. Pseudo-hiponatremia exige osmolalidade sérica normal, e aqui ela está reduzida, confirmando hiponatremia verdadeira.
Mulher, 24 anos, primigesta, em indução prolongada há 26 horas com ocitocina em altas doses diluída em solução glicosada a 5%, com balanço hídrico positivo de 4 litros. Evolui com cefaleia, náuseas, confusão mental e, em seguida, crise convulsiva generalizada. PA 118/76 mmHg, sem proteinúria, reflexos normais, plaquetas e transaminases normais. Sódio 118 mEq/L (VR 135–145), osmolaridade sérica reduzida. Qual o diagnóstico e a conduta?
Trata-se de intoxicação hídrica: a ocitocina tem homologia estrutural com o hormônio antidiurético e, em altas doses por tempo prolongado, sobretudo diluída em solução hipotônica, provoca retenção de água livre e hiponatremia dilucional, que explica a convulsão com sódio de 118 mEq/L; a conduta é suspender a infusão, restringir água livre e corrigir o sódio de forma cuidadosa, evitando mielinólise. A eclâmpsia é o principal diferencial, mas exigiria hipertensão e outros achados de pré-eclâmpsia, ausentes. A intoxicação por magnésio cursa com arreflexia e depressão respiratória, e a paciente não recebeu esse fármaco. A meningite traria febre e sinais meníngeos. Diagnosticar epilepsia idiopática ignora uma causa metabólica evidente e potencialmente reversível.
Mulher, 76 anos, com insuficiência cardíaca avançada e congestão, apresenta sódio de 121 mEq/L (VR 135–145) apesar de restrição hídrica de 1 litro por dia e otimização do diurético. PA 102/62 mmHg, FC 84 bpm, com edema e turgência jugular. Refere sonolência leve, sem convulsões. Osmolalidade urinária elevada e sódio urinário baixo; função renal com creatinina de 1,7 mg/dL. Qual a alternativa terapêutica pode ser considerada nesse cenário?
Na hiponatremia hipervolêmica refratária da insuficiência cardíaca, os antagonistas do receptor de vasopressina promovem excreção de água livre e elevam o sódio, podendo ser considerados com monitorização estrita da velocidade de correção. Salina isotônica em grande volume agrava a congestão e pode reduzir ainda mais o sódio. A reposição oral agressiva de sal aumenta a retenção hídrica. Suspender todos os diuréticos por 72 horas piora a congestão que perpetua o distúrbio. Corrigir rapidamente o sódio em 24 horas expõe à síndrome de desmielinização osmótica, devendo-se respeitar limites diários de elevação.
Homem, 71 anos, internado na UTI, apresenta sódio sérico de 108 mEq/L, com confusão mental e uma crise convulsiva. Está euvolêmico, com osmolalidade urinária de 520 mOsm/kg e sódio urinário de 60 mEq/L. Função tireoidiana e adrenal normais. A equipe discute a velocidade de correção. Exame: PA 128/76 mmHg, FC 84 bpm, sem edema, sem sinais de desidratação, com nível de consciência flutuante e sonolência progressiva. Qual a conduta correta?
Hiponatremia grave com sintomas neurológicos, como convulsão e rebaixamento de consciência, exige salina hipertônica em bolus para elevar o sódio em poucos mEq/L e reverter o edema cerebral, respeitando o limite total de correção de 8 a 10 mEq/L em 24 horas para evitar a síndrome de desmielinização osmótica. Corrigir até 135 mEq/L em 12 horas ultrapassa amplamente o limite seguro. Restrição hídrica isolada é adequada na hiponatremia crônica assintomática, mas é lenta demais diante de convulsão. Salina isotônica em grande volume pode até reduzir o sódio no contexto de secreção inapropriada de hormônio antidiurético. Limitar a correção a 2 mEq/L em 24 horas é insuficiente para reverter os sintomas neurológicos graves.
Homem, 55 anos, internado na UTI, apresenta hipernatremia progressiva, com sódio de 158 mEq/L. Está em ventilação mecânica, sedado, recebendo nutrição enteral hiperproteica e reposição hídrica insuficiente. Exame: mucosas secas, PA 118/72 mmHg, FC 96 bpm, diurese de 0,8 mL/kg/h com osmolalidade urinária de 720 mOsm/kg. Glicemia 120 mg/dL; ureia 96 mg/dL; sem uso de diuréticos ou manitol e sem poliúria significativa. Qual a interpretação e a conduta?
Urina concentrada com osmolalidade alta indica resposta renal apropriada e aponta para déficit de água livre por oferta hídrica insuficiente, e o tratamento é repor o déficit calculado de forma gradual, limitando a correção a cerca de 10 a 12 mEq/L em 24 horas para evitar edema cerebral. Excesso de sódio cursaria com expansão volêmica e não com mucosas secas e urina máxima concentrada. Diabetes insípido cursaria com urina diluída e poliúria, o oposto do encontrado. Considerar a hipernatremia sem repercussão desconsidera seu impacto prognóstico. Corrigir rapidamente para 140 mEq/L em 6 horas provoca edema cerebral e convulsões.
Homem, 54 anos, internado na UTI, apresenta rebaixamento do nível de consciência e crises convulsivas repetidas após correção rápida de hiponatremia crônica. O sódio foi elevado de 106 para 132 mEq/L em 20 horas. Exame: tetraparesia flácida evoluindo com espasticidade, disartria, disfagia, olhar fixo, Glasgow 9. Ressonância magnética de encéfalo mostra hipersinal em ponte na sequência de difusão. Sem sinais de infecção e sem outras alterações metabólicas. Qual a hipótese diagnóstica e a lição terapêutica?
A correção excessivamente rápida de hiponatremia crônica provoca desmielinização osmótica, classicamente pontina, com quadro bifásico de melhora inicial seguida de deterioração neurológica dias depois, e hipersinal em ponte na ressonância; a prevenção consiste em limitar a correção a 8 a 10 mEq/L em 24 horas. Encefalopatia hepática cursa com flapping e não com hipersinal pontino após correção de sódio. Acidente vascular de tronco teria instalação súbita e território vascular definido, além de a trombólise ser inadequada nesse contexto. Encefalite viral cursaria com febre e alterações liquóricas. Estado de mal primário não explica a lesão pontina característica nem a relação temporal com a correção do sódio.
Menino, 4 anos, internado por pneumonia, recebeu solução hipotônica de manutenção nas últimas 24 horas. Apresenta cefaleia, náuseas e um episódio de convulsão. PA 104/64 mmHg, FC 110 bpm, sem desidratação e com diurese preservada. Sódio sérico de 118 mEq/L (VR 135–145), osmolalidade sérica reduzida e osmolalidade urinária elevada, com sódio urinário de 60 mEq/L. Qual a conduta imediata mais adequada?
A hiponatremia sintomática com convulsão exige correção imediata com solução salina hipertônica em bolus para elevar o sódio o suficiente e cessar os sintomas neurológicos, com monitorização estreita. Aumentar a solução hipotônica agrava o distúrbio, que aqui foi iatrogênico. A restrição isolada de água livre é conduta da hiponatremia assintomática ou leve. O diurético de alça isolado não corrige rapidamente a hiponatremia sintomática. Corrigir rapidamente até valores normais em poucas horas expõe à síndrome de desmielinização osmótica, devendo-se respeitar limites de elevação diária.
Lactente de 3 meses, em aleitamento materno exclusivo com dificuldade de pega, apresenta perda ponderal de 14% e letargia. FC 168 bpm, PA 76/44 mmHg, mucosas secas e turgor reduzido. Sódio sérico de 168 mEq/L (VR 135–145), glicemia de 88 mg/dL, ureia de 68 mg/dL e creatinina de 0,7 mg/dL, com urina concentrada. Não há febre ou sinais de infecção evidentes ao exame. Qual cuidado é fundamental na correção do distúrbio?
Na hipernatremia com desidratação, a correção deve ser lenta, evitando queda do sódio superior a cerca de 10 a 12 mEq/L em 24 horas, pelo risco de edema cerebral, após a restauração inicial da perfusão com solução isotônica. Corrigir rapidamente em poucas horas é o principal erro nesse distúrbio. Usar apenas solução glicosada em infusão rápida provoca queda abrupta do sódio. Restringir líquidos agrava a desidratação. A solução hipertônica elevaria ainda mais o sódio, sendo o oposto do necessário.
Homem, 68 anos, é submetido a ressecção transuretral de próstata por hiperplasia prostática benigna volumosa, com tempo cirúrgico prolongado. No pós-operatório imediato, apresenta confusão mental, náuseas, vômitos, bradicardia e hipertensão. Exame: PA 172/96 mmHg, FC 52 bpm, agitação seguida de sonolência. Sódio 112 mEq/L; osmolalidade sérica reduzida; hemoglobina caindo sem sangramento externo proporcional; glicemia 118 mg/dL. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta?
Hiponatremia grave com sintomas neurológicos, bradicardia e hipertensão logo após ressecção transuretral prolongada caracteriza a síndrome pós-ressecção, causada pela absorção de grande volume de solução de irrigação hipotônica, cuja conduta é interromper a irrigação, restringir fluidos e corrigir a hiponatremia conforme a gravidade dos sintomas, com salina hipertônica nos casos graves. Choque hemorrágico cursaria com hipotensão e taquicardia. Sepse urinária cursaria com febre e hipotensão, não com hipertensão e bradicardia. Acidente vascular cerebral cursaria com déficit focal e não explicaria a hiponatremia grave. Intoxicação por anestésico local não produz hiponatremia dilucional com esse perfil.
Lactente de 7 meses, com diarreia há 3 dias, recebeu em casa solução preparada pela família com excesso de sal. Apresenta irritabilidade, sede intensa e febre baixa. FC 156 bpm, PA 82/48 mmHg, mucosas secas, turgor pastoso. Sódio de 162 mEq/L (VR 135–145), glicemia de 96 mg/dL, ureia de 60 mg/dL e creatinina de 0,6 mg/dL, com diurese reduzida. Qual erro dietético explica melhor o distúrbio?
Soluções caseiras preparadas com excesso de sal levam a hipernatremia, com sede intensa, irritabilidade e turgor pastoso, quadro coerente com o sódio de 162 mEq/L. A oferta exclusiva de água pura causaria hiponatremia, com sódio baixo. A oferta insuficiente de calorias produziria hipoglicemia, afastada pela glicemia normal. O excesso de potássio geraria hipercalemia, não descrita. A solução isotônica adequada, como o sal de reidratação oral padronizado, não causaria esse distúrbio, sendo justamente a alternativa correta de preparo.
Lactente de 6 meses é internado por diarreia há 4 dias, com aspecto de desidratação e irritabilidade intensa. A mãe preparou o soro caseiro com excesso de sal. Exame: mucosas secas, turgor pastoso, FC 160 bpm, PA 84/50 mmHg, T 37,2 °C, irritabilidade ao manuseio, sem convulsões. Sódio 168 mEq/L; potássio 4,0 mEq/L; glicemia 92 mg/dL; ureia 60 mg/dL; creatinina 0,6 mg/dL. Assinale a alternativa INCORRETA sobre a correção deste distúrbio.
Buscar correção rápida com solução hipotônica é incorreto: a queda abrupta da osmolaridade plasmática desloca água para o intracelular e provoca edema cerebral, complicação temida da hipernatremia. A redução gradual do sódio, respeitando limite diário, é a regra. O edema cerebral é justamente o risco associado à correção acelerada. A reidratação deve ser distribuída ao longo de cerca de 48 horas ou mais, conforme a gravidade. A dosagem seriada de sódio orienta o ajuste da velocidade e da composição da infusão, sendo parte essencial do manejo.
Lactente de 5 meses é levado ao pronto-socorro após crise convulsiva generalizada de 4 minutos. A mãe relata que, por falta de leite, vem oferecendo grande volume de água e chá nas últimas 48 horas. Exame: sonolento, sem sinais meníngeos, sem febre, FC 130 bpm, PA 88/50 mmHg, fontanela normotensa. Sódio 118 mEq/L; potássio 4,2 mEq/L; glicemia 84 mg/dL; osmolaridade sérica reduzida. Qual a conduta imediata?
Hiponatremia sintomática com convulsão exige correção imediata com solução salina hipertônica em bolus controlado, elevando o sódio o suficiente para cessar a crise e reduzir o edema cerebral, seguida de correção lenta do restante. A solução glicosada agrava a hiponatremia por aporte de água livre. A restrição hídrica isolada é conduta de hiponatremia assintomática, insuficiente diante de convulsão. A furosemida isolada pode agravar distúrbios eletrolíticos e não corrige a hiposmolaridade com a rapidez necessária. Anticonvulsivante sem corrigir o sódio não controla crises de causa metabólica.
Homem, 68 anos, com diarreia há cinco dias, apresenta tontura e fraqueza. PA 96/60 mmHg com queda ortostática, FC 108 bpm, mucosas secas e turgor cutâneo reduzido. Sódio sérico de 122 mEq/L (VR 135–145), osmolaridade plasmática de 258 mOsm/kg (VR 275–295), sódio urinário de 12 mEq/L e osmolaridade urinária de 620 mOsm/kg. Ureia de 78 mg/dL e creatinina de 1,6 mg/dL. Qual a conduta indicada?
Hiponatremia com sinais de hipovolemia, sódio urinário baixo e osmolaridade urinária elevada indica perda extrarrenal de volume com resposta renal apropriada, e o tratamento é a reposição com solução salina isotônica, que corrige a volemia e desliga o estímulo não osmótico ao hormônio antidiurético. A restrição hídrica é conduta da síndrome de secreção inapropriada, na qual o paciente é euvolêmico. A furosemida agrava a depleção volêmica. A salina hipertônica é reservada à hiponatremia sintomática grave com manifestações neurológicas. Os antagonistas do receptor de vasopressina são contraindicados na hipovolemia.
Mulher, 48 anos, etilista, admitida com sódio de 106 mEq/L (VR 135–145) e crise convulsiva. Recebeu solução salina hipertônica com melhora do quadro neurológico. Nas primeiras 24 horas o sódio subiu para 126 mEq/L e nas 24 horas seguintes para 138 mEq/L. Após quatro dias evolui com disartria, disfagia, tetraparesia e mutismo, mantendo o nível de consciência preservado. Qual a complicação apresentada?
A elevação de 20 mEq/L em 24 horas ultrapassa muito o limite seguro de 8 a 10 mEq/L por dia, e o quadro tardio de disartria, disfagia, tetraparesia e mutismo com consciência preservada caracteriza a síndrome de desmielinização osmótica, mais frequente em etilistas e desnutridos. O edema cerebral por correção insuficiente ocorre precocemente e cursa com rebaixamento do sensório. A encefalopatia de Wernicke apresenta oftalmoplegia, ataxia e confusão. O acidente vascular de circulação posterior tem instalação súbita. A síndrome de Guillain-Barré cursa com arreflexia ascendente e dissociação proteinocitológica.
Mulher, 84 anos, acamada e com demência, trazida por sonolência progressiva. PA 100/62 mmHg, FC 104 bpm, mucosas secas e turgor cutâneo reduzido. Sódio de 162 mEq/L (VR 135–145), ureia de 92 mg/dL, creatinina de 1,8 mg/dL (VR 0,6–1,1), osmolaridade urinária de 720 mOsm/kg. A cuidadora relata redução importante da oferta de água nos últimos dias por dificuldade de deglutição. Qual a conduta indicada?
A hipernatremia por privação de água em idoso é corrigida com reposição de água livre, oral ou endovenosa, em ritmo lento, com queda de até 10 mEq de sódio por dia, para evitar edema cerebral, além de tratar a causa da baixa ingestão. A correção rápida em doze horas provoca edema cerebral e convulsões. Restringir ainda mais a água agrava a hipernatremia. A salina hipertônica elevaria o sódio já muito alto. A furosemida promove perda de água livre proporcionalmente maior que a de sódio e tende a agravar o distúrbio.
Mulher, 62 anos, admitida com rebaixamento do sensório e uma crise convulsiva. PA 128/78 mmHg, FC 88 bpm, sem edema e com mucosas úmidas. Sódio de 110 mEq/L (VR 135–145), osmolaridade plasmática de 232 mOsm/kg, osmolaridade urinária de 480 mOsm/kg e sódio urinário de 62 mEq/L. Não usa diuréticos e a função tireoidiana e adrenal está normal. Qual a conduta imediata?
Hiponatremia grave com convulsão é emergência neurológica e exige bolus de solução salina hipertônica a 3 por cento para elevar o sódio em cerca de 4 a 6 mEq/L rapidamente, o suficiente para reduzir o edema cerebral, respeitando o limite diário de correção. A restrição hídrica isolada age lentamente e não resolve a emergência. A salina isotônica em paciente com urina concentrada pode até agravar a hiponatremia. A furosemida isolada não corrige o distúrbio na fase aguda sintomática. Os antagonistas de vasopressina não são indicados na hiponatremia sintomática grave.
Homem, 74 anos, com insuficiência cardíaca avançada, internado por dispneia. PA 96/58 mmHg, FC 92 bpm, turgência jugular, estertores bibasais e edema de membros. Sódio de 126 mEq/L (VR 135–145), osmolaridade urinária de 480 mOsm/kg, sódio urinário de 14 mEq/L, ureia de 88 mg/dL e creatinina de 1,9 mg/dL, em uso de furosemida em dose crescente. Qual o mecanismo da hiponatremia nesse paciente?
Na insuficiência cardíaca avançada, apesar da sobrecarga de volume total, o volume arterial efetivo é reduzido, o que estimula a liberação não osmótica de hormônio antidiurético e provoca retenção de água livre com hiponatremia e sódio urinário baixo. A perda renal primária de sódio cursaria com sódio urinário elevado. O excesso puro de ingestão hídrica ocorreria em paciente euvolêmico com urina diluída. A síndrome de secreção inapropriada exige euvolemia e sódio urinário elevado. A perda gastrointestinal cursaria com sinais de depleção, e não com congestão.
Homem, 62 anos, em terapia intensiva, recebeu grandes volumes de bicarbonato de sódio e salina hipertônica durante reanimação. PA 146/88 mmHg, FC 92 bpm, com edema periférico e estertores pulmonares. Sódio de 158 mEq/L (VR 135–145), osmolaridade plasmática de 320 mOsm/kg, débito urinário de 1,0 mL/kg/h e creatinina de 1,4 mg/dL, sem uso de diuréticos até o momento. Qual a conduta indicada?
A hipernatremia hipervolêmica iatrogênica é tratada com suspensão das soluções sódicas, oferta de água livre e uso de diurético de alça para eliminar o excesso de sódio e volume, com correção lenta do sódio. Aumentar salina isotônica adiciona mais sódio ao paciente já sobrecarregado. Restringir todo aporte hídrico agrava a hipernatremia. A salina hipertônica elevaria ainda mais o sódio e a congestão. A desmopressina retém água livre, mas é inadequada em paciente hipervolêmico e não corrige o excesso de sódio corporal total.
Mulher, 76 anos, hipertensa, iniciou hidroclorotiazida há três semanas e apresenta confusão e náuseas. PA 118/72 mmHg, FC 84 bpm, sem edema e com mucosas discretamente secas. Sódio de 118 mEq/L (VR 135–145), potássio de 3,0 mEq/L, ácido úrico de 2,4 mg/dL, osmolaridade urinária de 420 mOsm/kg e sódio urinário de 50 mEq/L, com função tireoidiana normal. Qual a conduta indicada?
A hiponatremia induzida por tiazídico é mais frequente em idosas, instala-se nas primeiras semanas de uso e exige suspensão do fármaco, reposição de sódio e potássio e correção lenta, respeitando o limite de 8 a 10 mEq/L em 24 horas para evitar desmielinização osmótica. Manter o diurético perpetua o distúrbio. Trocar por outro tiazídico repete o mecanismo. Corrigir completamente o sódio em doze horas provoca desmielinização osmótica. A fludrocortisona não é o tratamento dessa hiponatremia e agrava a hipocalemia.
Mulher, 54 anos, com vômitos e diarreia há 4 dias, apresenta crise tônico-clônica generalizada presenciada no pronto-socorro. Nega epilepsia prévia ou trauma. PA 108x66 mmHg, FC 104 bpm, T 36,8 °C, mucosas secas. Exames: sódio 114 mEq/L (VR 135–145); potássio 3,2 mEq/L; glicemia 96 mg/dL; creatinina 1,4 mg/dL; tomografia de crânio sem alterações agudas; osmolalidade plasmática reduzida. Qual a conduta?
A crise foi provocada por hiponatremia grave, e o tratamento é corrigir o sódio com salina hipertônica de forma controlada, com elevação limitada nas primeiras horas e no primeiro dia, sob monitorização, o que resolve o quadro sem necessidade de antiepiléptico de manutenção. Iniciar fármaco antiepiléptico crônico é inadequado em crise sintomática aguda com causa corrigível. A correção rápida até valores normais no mesmo dia expõe à síndrome de desmielinização osmótica. O eletroencefalograma não deve preceder a correção do distúrbio. A solução glicosada isotônica agrava a hiponatremia ao ofertar água livre.
Homem, 70 kg, 68 anos, admitido com sódio de 165 mEq/L (VR 135–145) por privação hídrica. PA 106/64 mmHg, FC 104 bpm, mucosas secas. Está sonolento, com débito urinário de 0,6 mL/kg/h e osmolaridade urinária de 700 mOsm/kg. A equipe calcula o déficit de água livre para programar a reposição, considerando a água corporal total estimada em 50 por cento do peso. Qual o déficit aproximado de água livre?
O déficit de água livre é calculado multiplicando a água corporal total, aqui 35 litros, pela razão entre o sódio atual e o desejado menos um, resultando em aproximadamente 5 litros, que devem ser repostos lentamente ao longo de 48 horas somados às perdas em curso. Um litro corrigiria apenas uma fração pequena do déficit. Doze litros superestimam grosseiramente o cálculo. Afirmar ausência de déficit contraria a hipernatremia e os sinais de desidratação. Vinte litros equivaleriam a quase um terço do peso corporal, valor absurdo.
Mulher, 58 anos, no segundo dia após histerectomia, apresenta cefaleia, náuseas e confusão mental. Exame: PA 122x76 mmHg, FC 84 bpm, sem edema, mucosas úmidas, sem sinais de desidratação nem de sobrecarga volêmica. Recebeu grande volume de solução glicosada a 5% no pós-operatório. Sódio de 118 mEq/L; osmolalidade sérica reduzida; osmolalidade urinária elevada; sódio urinário de 45 mEq/L. Qual a conduta mais adequada?
Hiponatremia hipotônica euvolêmica sintomática, com confusão mental e sódio de 118 mEq/L, frequentemente por secreção inapropriada de hormônio antidiurético no pós-operatório agravada por soluções hipotônicas, exige suspensão do fluido hipotônico e infusão de salina hipertônica com correção controlada, elevando o sódio em poucos mEq nas primeiras horas para reverter o edema cerebral e respeitando o limite diário para evitar desmielinização osmótica. Manter a solução glicosada perpetua a causa. Corrigir rapidamente até a normalidade em seis horas provoca síndrome de desmielinização osmótica. O diurético de alça isolado agrava a depleção sem corrigir a natremia de forma segura. Administrar mais glicosada aprofunda a hiponatremia e o risco de convulsão.
Homem, 76 anos, com sequela neurológica, internado em terapia intensiva após laparotomia, apresenta rebaixamento do sensório e febre. Exame: T 38,4 °C, PA 118x70 mmHg, FC 104 bpm, mucosas secas, turgor reduzido, recebendo dieta enteral hiperproteica sem água livre adicional. Sódio de 162 mEq/L; osmolalidade sérica elevada; ureia de 96 mg/dL; creatinina de 1,7 mg/dL; diurese concentrada e reduzida. Qual a conduta mais adequada?
Hipernatremia por perda de água livre e oferta insuficiente, agravada por febre e dieta hiperproteica com carga osmótica elevada, é corrigida com reposição de água livre, por via enteral quando possível ou com solução hipotônica endovenosa, em ritmo gradual para evitar edema cerebral, tratando simultaneamente a causa. Corrigir rapidamente até a normalidade em seis horas provoca edema cerebral e convulsões. A solução salina hipertônica elevaria ainda mais o sódio, agravando o quadro. Restringir líquidos aprofunda a desidratação e a hipernatremia. O diurético de alça aumenta a perda de água livre proporcionalmente maior que a de sódio, podendo piorar a hipernatremia.
Homem, 84 anos, acamado e com demência avançada, institucionalizado, é trazido por confusão e sonolência há 3 dias, com redução da ingesta de líquidos. PA 96x58 mmHg, FC 108 bpm, T 37,8 °C, mucosas muito secas e turgor cutâneo reduzido. Exames: sódio 164 mEq/L (VR 135–145); ureia elevada; creatinina 1,8 mg/dL; glicemia 118 mg/dL; osmolalidade urinária elevada; sem uso de diuréticos. Qual a conduta?
A hipernatremia hipovolêmica por baixa ingesta em idoso dependente é corrigida com reposição do déficit de água livre de forma lenta, respeitando limite diário de queda do sódio, após restaurar a volemia com cristaloide, pelo risco de edema cerebral na correção rápida. Corrigir rapidamente até valores normais é justamente o erro que provoca convulsões e edema cerebral. A salina hipertônica agravaria a hipernatremia. A furosemida aumenta perda de água livre e piora o quadro. Restringir líquidos é o oposto do tratamento necessário.
Homem, 49 anos, com queimadura de 50% da superfície corporal, no oitavo dia de internação, em nutrição enteral hiperproteica e curativos abertos em grandes áreas. PA 124x74 mmHg, FC 104 bpm, T 37,6 °C, mucosas secas. Diurese de 0,6 mL/kg/h, concentrada. Exames: sódio 158 mEq/L (VR 135–145); ureia elevada; creatinina 1,3 mg/dL; osmolalidade plasmática aumentada; glicemia 148 mg/dL. Qual o mecanismo principal e a conduta?
A hipernatremia do grande queimado decorre sobretudo das perdas insensíveis muito aumentadas pela superfície cutânea desprotegida, somadas à carga osmótica da dieta hiperproteica, e a conduta é aumentar a oferta de água livre com correção gradual do sódio. Atribuir a excesso de oferta de sódio e usar diurético de alça agravaria a depleção. O diabetes insipidus central cursaria com urina diluída em grande volume, e não com diurese concentrada. O hiperaldosteronismo secundário não explica esse grau de hipernatremia. A sobrecarga hídrica é o oposto do quadro apresentado.
Menina, 3 anos, internada por gastroenterite, recebeu hidratação venosa com solução hipotônica em grande volume e evolui com sonolência, cefaleia e uma crise convulsiva. FC 118 bpm, FR 26 ipm, PA 104x62 mmHg, T 36,8 °C. Escala de coma de Glasgow de 11, sem sinais focais. Exames: sódio 118 mEq/L (VR 135–145); glicemia 94 mg/dL; ureia e creatinina normais; tomografia de crânio sem lesões estruturais agudas. Qual a conduta imediata?
A hiponatremia sintomática com crise convulsiva é emergência e exige salina hipertônica em bolus, com elevação controlada do sódio suficiente para cessar os sintomas, evitando correção excessiva. Manter a solução hipotônica perpetua a causa iatrogênica do quadro. A furosemida isolada não corrige a hiponatremia grave e pode causar depleção volêmica. A fenitoína não controla crises secundárias a hiponatremia sem a correção do sódio. Aguardar correção espontânea em criança com crise e rebaixamento de consciência arrisca herniação por edema cerebral.
Mulher, 62 anos, cirrótica com ascite em uso de espironolactona e furosemida, apresenta náuseas, cefaleia e confusão leve há 3 dias. PA 104x64 mmHg, FC 84 bpm; ascite moderada e edema de membros inferiores. Sódio 118 mEq/L (VR 135–145); potássio 4,0 mEq/L; creatinina 1,1 mg/dL (VR 0,6–1,2); osmolalidade sérica reduzida e sódio urinário baixo, sem sinais de infecção ativa. Qual a conduta indicada?
A hiponatremia dilucional do cirrótico, com sódio urinário baixo e retenção de água livre, é tratada com suspensão dos diuréticos e restrição hídrica, corrigindo-se o sódio lentamente para evitar mielinólise pontina, com albumina como adjuvante e vaptanos em situações selecionadas. A infusão rápida de salina hipertônica até normalizar o sódio arrisca desmielinização osmótica. Aumentar os diuréticos agrava a hiponatremia. A infusão de grande volume de salina isotônica piora a ascite e o edema. A albumina isolada em altas doses não é o tratamento principal dessa hiponatremia.
Mulher, 68 anos, etilista, é internada com confusão mental e sódio sérico de 106 mEq/L (VR 135–145). Osmolalidade plasmática 228 mOsm/kg (VR 275–295); sódio urinário 12 mEq/L; potássio 3,0 mEq/L (VR 3,5–5,0). Recebeu salina hipertônica e, nas primeiras 12 horas, o sódio subiu de 106 para 122 mEq/L. Encontra-se mais alerta, sem convulsão. PA 112/70 mmHg, FC 82 bpm, diurese abundante e diluída. Qual a conduta?
A elevação de 16 mEq/L em 12 horas ultrapassa amplamente o limite seguro de 8 a 10 mEq/L em 24 horas e coloca a paciente sob risco de síndrome de desmielinização osmótica, ainda mais por ser etilista e hipocalêmica; a conduta é interromper a correção e reabaixar o sódio com água livre ou desmopressina. Manter a mesma velocidade agrava o risco de desmielinização. Acelerar com nova salina hipertônica é o erro oposto ao necessário, pois a paciente já está sobrecorrigida e sem convulsão. A tolvaptana aumenta ainda mais a excreção de água livre e elevaria o sódio com maior rapidez. Repor potássio liberando água sem monitorização ignora que a própria reposição de potássio eleva a natremia e exige controle seriado.
Homem, 78 anos, acamado e com demência avançada, é trazido do domicílio com rebaixamento do nível de consciência há 2 dias e ingestão hídrica reduzida. Peso de 60 kg. PA 100/60 mmHg, FC 108 bpm, mucosas secas e turgor cutâneo reduzido. Sódio 168 mEq/L (VR 135–145); glicemia 96 mg/dL (VR 70–99); ureia 92 mg/dL (VR 15–45); creatinina 1,6 mg/dL (VR 0,7–1,3). Qual a conduta correta?
Trata-se de hipernatremia hipovolêmica por privação de água em idoso dependente, e a conduta correta é restaurar primeiro a perfusão com salina isotônica e depois corrigir a natremia de forma lenta, em até 10 mEq/L ao dia, para evitar edema cerebral. Corrigir até 140 mEq/L em 24 horas representa queda de 28 mEq/L, muito acima do limite seguro. Repor apenas salina isotônica até normalizar o sódio não fornece a água livre necessária para corrigir o déficit hídrico. Restringir líquidos com furosemida agrava a desidratação e a hipernatremia. A desmopressina só teria papel em diabetes insipidus central com poliúria, o que não corresponde a este quadro de ingestão reduzida com sinais de hipovolemia.
Homem, 47 anos, com hipertrigliceridemia grave conhecida, comparece para exames de rotina. Está assintomático, sem confusão, náusea ou convulsão. Exame: PA 132/84 mmHg, FC 78 bpm, xantomas eruptivos em dorso e nádegas, sem edema e sem sinais de desidratação. Sódio sérico 124 mEq/L (VR 135–145); triglicerídeos 3.800 mg/dL (VR < 150); glicemia 104 mg/dL (VR 70–99); osmolalidade plasmática medida de 288 mOsm/kg (VR 275–295). Qual a interpretação?
A osmolalidade plasmática medida de 288 mOsm/kg é normal apesar do sódio de 124 mEq/L, o que caracteriza pseudo-hiponatremia: os triglicerídeos de 3.800 mg/dL aumentam a fração não aquosa do plasma e produzem valor falsamente baixo em métodos com diluição prévia da amostra. Tratar como hiponatremia hipotônica verdadeira com restrição hídrica seria intervenção desnecessária em paciente assintomático. A hiponatremia hipertônica ocorre em hiperglicemia acentuada, e a glicemia aqui é de 104 mg/dL. A síndrome de secreção inapropriada de hormônio antidiurético cursa com hipotonicidade plasmática, incompatível com a osmolalidade normal. A hiponatremia hipovolêmica exigiria sinais de desidratação, expressamente ausentes ao exame.
Mulher, 22 anos, é trazida de uma festa após uso de comprimido de ecstasy e ingestão de grande volume de água ao longo de 8 horas de dança. Exame: confusa, com cefaleia e vômitos, seguida de crise convulsiva tônico-clônica; T 39,2 graus C, FC 124 bpm, PA 128x76 mmHg. Laboratório: sódio 118 mEq/L (VR 135-145); creatinofosfoquinase 4.800 U/L (VR até 200); osmolaridade urinária elevada. Qual a conduta específica mais adequada?
A conduta específica é a salina hipertônica a 3% em bolus, associada a resfriamento e controle das convulsões: a hiponatremia sintomática grave, com sódio de 118 mEq/L, convulsão e edema cerebral, decorre da combinação de secreção inapropriada de hormônio antidiurético induzida pela substância e ingestão excessiva de água livre. A restrição hídrica isolada é lenta demais para hiponatremia sintomática. A salina isotônica pode até agravar a natremia quando a osmolaridade urinária está elevada. A furosemida isolada não corrige com segurança e agrava a depleção. Corrigir acima de 8 a 10 mEq/L em 24 horas expõe à síndrome de desmielinização osmótica.
Mulher, 82 anos, em uso de hidroclorotiazida e sertralina, apresenta há 5 dias náuseas, fraqueza e confusão leve. PA 126x74 mmHg, FC 76 bpm, T 36,4 °C, sem edema e com turgor cutâneo preservado. Exames: sódio 119 mEq/L (VR 135–145); osmolalidade sérica 252 mOsm/kg; osmolalidade urinária 420 mOsm/kg; sódio urinário 58 mEq/L; hormônio tireoestimulante e cortisol matinal normais; creatinina 0,9 mg/dL. Qual a conduta mais adequada?
O quadro corresponde a hiponatremia hipotônica euvolêmica com urina concentrada e sódio urinário elevado, padrão de secreção inapropriada de hormônio antidiurético, aqui favorecida pelo tiazídico e pelo inibidor seletivo de recaptação de serotonina, de modo que a conduta é suspender os fármacos implicados, restringir água livre e corrigir o sódio de forma lenta, respeitando limites de elevação diária para evitar síndrome de desmielinização osmótica. A correção rápida à normalidade em poucas horas é justamente o que provoca essa complicação. A solução glicosada fornece água livre e agrava a hiponatremia. Manter os fármacos e aumentar a ingestão hídrica pioraria o quadro. Furosemida isolada sem reposição de sódio não é conduta adequada nesse cenário.
Em descompensação cardíaca, paciente apresenta ganho de peso e edema pulmonar junto com hiponatremia dilucional. O exame não sugere depleção do volume corporal total. Qual mecanismo ou condição melhor explica a hiponatremia?
Congestão com hiponatremia indica retenção proporcionalmente maior de água na IC. Na insuficiência cardíaca, baixo volume arterial efetivo estimula retenção de água apesar da congestão corporal total. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24569125/
Paciente com comportamento compulsivo de beber água chega com sódio de 119 mmol/L. Durante avaliação inicial, a osmolaridade urinária é inferior a 100 mOsm/kg e a função renal está preservada. Qual mecanismo ou condição melhor explica a hiponatremia?
A diluição urinária extrema aponta para excesso de ingestão, não para antidiurese persistente. Polidipsia e baixa oferta de solutos podem limitar a eliminação do excesso de água; urina muito diluída sugere supressão apropriada da antidiurese. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24569125/
Homem com fístula enterocutânea de alto débito perde líquido diariamente. Apresenta queda de peso, taquicardia e hiponatremia; a função tubular preservada permite intensa conservação urinária de sódio. Qual mecanismo ou condição melhor explica a hiponatremia?
A perda digestiva continuada causa hipovolemia e ativação de mecanismos de retenção. Perda de sal e água por via digestiva ou cutânea reduz volume circulante e estimula antidiurese; sem interferentes, o rim tende a conservar sódio. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24569125/
Mulher com fração de ejeção muito reduzida apresenta extremidades edemaciadas e dispneia progressiva. O sódio cai em paralelo à retenção hídrica, sem insuficiência adrenal. Qual mecanismo ou condição melhor explica a hiponatremia?
A água retida em resposta ao baixo volume arterial efetivo dilui o sódio na IC. Na insuficiência cardíaca, baixo volume arterial efetivo estimula retenção de água apesar da congestão corporal total. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24569125/
Pessoa com dieta muito pobre em proteínas e sal consome grandes quantidades de líquido. Desenvolve hiponatremia com urina bastante diluída, sem edema ou perda de volume. Qual mecanismo ou condição melhor explica a hiponatremia?
Baixa carga de solutos limita o volume de água que pode ser eliminado. Polidipsia e baixa oferta de solutos podem limitar a eliminação do excesso de água; urina muito diluída sugere supressão apropriada da antidiurese. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24569125/
Atleta apresenta perdas intensas por suor e reposição apenas com água, sem sal, com tontura ao ficar de pé e sinais de desidratação. O sódio está reduzido e a excreção urinária de sódio é baixa. Qual mecanismo ou condição melhor explica a hiponatremia?
As perdas extrarrenais e a redução de volume explicam a antidiurese não osmótica. Perda de sal e água por via digestiva ou cutânea reduz volume circulante e estimula antidiurese; sem interferentes, o rim tende a conservar sódio. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24569125/
Homem com insuficiência cardíaca avançada tem edema, ascite, turgência jugular e sódio de 124 mmol/L. A hiponatremia acompanha piora da congestão. Qual mecanismo ou condição melhor explica a hiponatremia?
Há excesso corporal de água com baixa perfusão arterial efetiva, característico da forma hipervolêmica cardíaca. Na insuficiência cardíaca, baixo volume arterial efetivo estimula retenção de água apesar da congestão corporal total. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24569125/
Pessoa com vômitos persistentes apresenta perda de peso aguda, ortostatismo e baixa perfusão periférica. A hiponatremia surge após as perdas, sem sinais de congestão. Qual mecanismo ou condição melhor explica a hiponatremia?
A deficiência de volume circulante sustenta liberação de vasopressina apesar do sódio baixo. Perda de sal e água por via digestiva ou cutânea reduz volume circulante e estimula antidiurese; sem interferentes, o rim tende a conservar sódio. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24569125/
Mulher com diarreia abundante apresenta hipotensão ortostática, mucosas secas e sódio de 126 mmol/L. Sem uso de diuréticos, o sódio urinário é baixo e a urina está concentrada. Qual mecanismo ou condição melhor explica a hiponatremia?
Perdas digestivas reduziram volume, e a conservação renal de sódio é a resposta esperada. Perda de sal e água por via digestiva ou cutânea reduz volume circulante e estimula antidiurese; sem interferentes, o rim tende a conservar sódio. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24569125/
Paciente ingere grandes volumes de água durante o dia e apresenta sódio baixo com osmolaridade urinária de 65 mOsm/kg. Não há sinais de hipovolemia ou insuficiência renal. Qual mecanismo ou condição melhor explica a hiponatremia?
A urina diluída mostra supressão da antidiurese; a carga de água excede a excreção. Polidipsia e baixa oferta de solutos podem limitar a eliminação do excesso de água; urina muito diluída sugere supressão apropriada da antidiurese. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24569125/
Paciente com cardiopatia congestiva tem sódio de 123 mmol/L, edema sacral e jugulares elevadas. A equipe identifica ativação neuro-hormonal relacionada à perfusão arterial efetiva reduzida. Qual mecanismo ou condição melhor explica a hiponatremia?
O mecanismo é hipervolêmico: retenção hídrica mesmo com excesso de líquido no corpo. Na insuficiência cardíaca, baixo volume arterial efetivo estimula retenção de água apesar da congestão corporal total. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24569125/
Idoso com alimentação restrita a chá e pequenas torradas ingere muita água. Apresenta hiponatremia com baixa excreção diária de solutos e urina diluída. Qual mecanismo ou condição melhor explica a hiponatremia?
A combinação de baixa oferta de solutos e água em excesso reduz a capacidade de manter o balanço hídrico. Polidipsia e baixa oferta de solutos podem limitar a eliminação do excesso de água; urina muito diluída sugere supressão apropriada da antidiurese. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24569125/
Após a resposta demonstrada, a pessoa mantém ingestão excessiva de água e doses repetidas de desmopressina. Qual alteração deve ser prevenida?

A curva documenta antidiurese efetiva; água excessiva durante esse efeito pode causar hiponatremia.
Paciente com hiponatremia crônica foi acompanhado pelo gráfico. Qual foi a elevação total do sódio nas primeiras 24 horas?

O sódio passou de 108 para 124; a diferença é 16 mmol/L.
Neste paciente de alto risco, a equipe adotou previamente limite de 8 mmol/L de elevação em qualquer período inicial de 24 horas. Qual é a primeira coleta mostrada que já documenta ultrapassagem desse limite em relação ao início?

Às 6 horas o aumento era 6; às 12 horas, 118 − 108 = 10, já acima do limite definido.
A evolução mostrada ocorreu em paciente com alcoolismo e desnutrição, após hiponatremia crônica. Qual complicação deve preocupar pelo ritmo de correção?

A elevação de 16 mmol/L em 24 horas é excessiva para esse perfil de alto risco; adaptação cerebral à hiponatremia torna correção rápida perigosa.
A elevação persistiu mesmo após suspensão da solução hipertônica, acompanhada de diurese abundante e urina diluída. Qual mecanismo pode explicar a continuação da curva?

Aquarese pode elevar rapidamente o sódio, mesmo sem infusão hipertônica; por isso diurese e sódio devem ser acompanhados.
Ao reconhecer a trajetória excessiva deste gráfico, qual atitude é mais adequada?

A sobrecorreção exige reavaliação imediata; desmopressina e água livre podem ser consideradas conforme causa, risco e evolução, com equipe experiente.
Qual interpretação do sódio final é coerente com a evolução de diurese?

A concentração chega a 150 durante poliúria, exigindo avaliar o balanço de água e solutos.
Por que a elevação acentuada da diurese pode explicar a aceleração do sódio mesmo sem aumentar a infusão de sal?

A aquarese aumenta o sódio independentemente de maior carga de sódio administrada.
Qual complicação neurológica se busca evitar ao limitar a correção da hiponatremia crônica?

A correção rápida pode causar lesão osmótica do sistema nervoso.
Pessoa desnutrida e com uso crônico de álcool segue a curva após tratamento de hiponatremia crônica. Qual conduta deve ser considerada imediatamente?

O sódio subiu 12 mEq/L em 8 h em paciente de alto risco; a correção excessiva exige resposta especializada.
Qual eletrólito está reduzido nos dois pacientes?

Ambos têm 124 mEq/L.
Qual perfil apresenta urina mais diluída?

A osmolalidade urinária é 85 mOsm/kg.
O sódio se aproxima ou se afasta da faixa habitual ao longo do registro?

O valor aumenta rapidamente; melhora numérica não garante segurança.
A osmolalidade plasmática baixa nos dois perfis caracteriza qual tipo de hiponatremia?

O sódio baixo acompanha osmolalidade plasmática reduzida.
Após a subida rápida, o paciente parece neurologicamente bem. Qual interpretação é adequada?

Manifestações de desmielinização podem surgir após intervalo; a tendência exige intervenção e acompanhamento.
Considere o painel central como resposta inicial a hiponatremia hipotônica. Se o distúrbio persistir por dias, qual adaptação reduz a tumefação, mas aumenta a vulnerabilidade à correção excessivamente rápida? Esquema didático do acervo OsceLabs.

A célula reduz sua carga osmótica para limitar entrada de água. A restauração rápida da tonicidade externa, antes de repor osmólitos, favorece desidratação celular e lesão.
Uma pessoa com perda de água não reposta desenvolve hipernatremia aguda. Qual painel melhor representa a alteração celular inicial e sua direção de movimento da água? Esquema didático do acervo OsceLabs.

O aumento da tonicidade extracelular atrai água para fora da célula.
Uma paciente com hiponatremia crônica tem elevação acentuada do sódio durante o tratamento e, dias depois, disartria e tetraparesia. Qual transição conceitual da figura ajuda a explicar a complicação? Esquema didático do acervo OsceLabs.

A adaptação prévia envolve perda de osmólitos. Correção excessiva pode causar síndrome de desmielinização osmótica; a figura ilustra o gradiente, não o diagnóstico por imagem.
Na figura, qual painel representa a resposta imediata de uma célula cerebral à redução da tonicidade extracelular? Esquema didático do acervo OsceLabs.

O meio hipotônico favorece entrada de água e tumefação celular.
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Os números na ordem em que a questão os usa. Faixa normal: 135 a 145 mmol/L. Hiponatremia grave: sódio < 120 mmol/L OU 120 a 129 mmol/L com manifestação neurológica grave. Sintomático grave: bolus de salina hipertônica para elevar 4 a 6 mmol/L (5 mmol/L pela régua europeia) em poucas horas — bolus, não infusão contínua. Cinco fatores de risco de desmielinização: sódio ≤ 105 mmol/L, álcool, hipocalemia, desnutrição, hepatopatia avançada. Risco habitual: mínimo 4 a 8, teto 10 a 12 mmol/L em 24 h e 18 mmol/L em 48 h. Risco aumentado: mínimo 4 a 6, teto 8 mmol/L em 24 h. Aquarese: mais de 2 mmol/L por hora — quatro horas consomem o teto do risco aumentado. Freios: desmopressina e reabaixamento do sódio. Coorte brasileira: 362 pacientes, sódio médio 113,3 mmol/L, hipercorreção em 38,7%, um caso de desmielinização (0,28%), mortalidade 26,2%, razão de chances 0,548. Hipernatremia: > 145 mmol/L; adquirida na UTI em 10% a 15%; déficit de água livre = água corporal total × (sódio atual ÷ alvo − 1); de 155 para 145 em 70 kg dá 2,9 L, cerca de 1,5 L por dia em 48 horas.
em 30 dias
Reconstrua o capítulo por cinco perguntas, sem consultar. Primeira: 'este número é real?' — nomeie as três interferências analíticas e diga qual delas ESCONDE uma hipernatremia verdadeira. Segunda: 'esta hiponatremia é grave?' — escreva a definição com o OU no lugar certo e diga o que muda na conduta em cada braço. Terceira: 'quanto posso subir hoje?' — estratifique pelos cinco fatores, escreva piso e teto das duas faixas, e explique por que não se deve mirar no teto. Quarta: 'por que o sódio subiu sozinho?' — descreva a aquarese, calcule em quantas horas ela consome o teto de um paciente de risco aumentado e cite os dois freios. Quinta: 'quanta água falta?' — escreva a fórmula do déficit, reproduza o cálculo de 155 para 145 mmol/L em 70 kg, converta para litros por dia em 48 horas e liste as vias com o pedágio de cada uma. Termine resolvendo de novo o caso para completar com um dado trocado: se esse mesmo paciente estivesse hipotenso e com lactato de 4 mmol/L, o que entraria primeiro e por quê.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Mulher de 74 anos em uso de tiazídico chega ao pronto-socorro após convulsão, sonolenta, com vômitos há uma semana e sódio de 108 mmol/L, potássio de 2,9 mmol/L. Conduza: classifique a gravidade, estratifique o risco de desmielinização, prescreva o que ela precisa agora, defina o teto das próximas 24 horas e diga o que você vai vigiar para saber que o sódio está subindo depressa demais. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
