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PCR e suporte avançado de vida (ACLS)

Parada cardiorrespiratória e suporte avançado de vida (ACLS)

A prova cobra o algoritmo em decisões cronometradas: qual ritmo é chocável, quando entra cada droga, qual causa reversível a vinheta escondeu e quais metas guiam o pós-parada. Quem domina os números da RCP de qualidade resolve metade das questões.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 70 anos, com IAM prévio e disfunção ventricular, é trazido ao pronto-socorro após colapso. Está inconsciente, sem pulso central palpável e sem respiração espontânea. O monitor mostra ritmo regular de QRS largo, rápido, sem pulso. A equipe iniciou compressões torácicas. Considerando o algoritmo de parada cardiorrespiratória, qual é o ritmo e a conduta imediata mais apropriada, respectivamente?

02

Como esse tema cai

A parada cardiorrespiratória é o tema em que a banca menos tolera hesitação: cada questão simula um relógio correndo. O formato clássico entrega um colapso súbito, um ritmo no monitor e quatro ou cinco condutas — e a diferença entre a certa e as erradas é quase sempre de sequência, não de conteúdo. Desfibrilar antes de medicar, comprimir antes de intubar, adrenalina cedo no ritmo não chocável e depois da desfibrilação no chocável: a ordem é a resposta.

Três documentos regem o tema no Brasil. O Ministério da Saúde publica os Protocolos de Suporte Avançado de Vida do SAMU 192 (2016), que transcrevem o algoritmo para o atendimento pré-hospitalar; a Sociedade Brasileira de Cardiologia publicou em 2019 a Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar, o texto nacional mais completo; e a American Heart Association publicou em 2025 a revisão integral de suas diretrizes, que atualizou pontos de desfibrilação, acesso vascular e cuidados pós-parada. Onde os três coincidem — e coincidem em quase tudo — a questão é direta; onde a régua mudou com o tempo (temperatura-alvo, oxigenação pós-parada, momento do cateterismo), o ano do documento que a banca cita decide a alternativa.

Este capítulo cobre o adulto: reconhecimento e cadeia de sobrevivência, RCP de alta qualidade, ritmos e desfibrilação, fármacos, via aérea e capnografia, as causas reversíveis (5H e 5T), os cuidados pós-retorno da circulação espontânea e os critérios para não iniciar ou interromper a reanimação.

03

O que muda decisão

Reconhecer a parada e disparar a cadeia de sobrevivência

O diagnóstico de PCR é clínico e cabe em dez segundos: paciente irresponsivo, sem respiração ou com respiração agônica (gasping), sem pulso central palpável. O profissional de saúde checa pulso carotídeo e respiração simultaneamente, por no máximo 10 segundos — se houver dúvida, trata como parada. Gasping é parada: a respiração agônica está presente em boa parte dos colapsos súbitos e é o erro clássico da vinheta que descreve o paciente 'ainda respirando' para atrasar o início das compressões.

A sobrevida depende da cadeia de sobrevivência, e as cadeias intra e extra-hospitalar são diferentes. Fora do hospital, tudo depende de quem presencia: reconhecer e acionar o 192, iniciar compressões, desfibrilar com o DEA o mais cedo possível. Dentro do hospital, o elo inicial é a vigilância e prevenção — times de resposta rápida existem para tratar a deterioração antes da parada. Os números justificam a pressa: a cada minuto sem desfibrilação em uma fibrilação ventricular, a probabilidade de sobrevivência cai 7 a 10%, e 56 a 74% das paradas extra-hospitalares começam em FV. Mesmo com sistema organizado, a sobrevida até a alta é de cerca de 10% na parada extra-hospitalar e de 24% na intra-hospitalar — entre os que sobrevivem, cerca de 85% têm desfecho neurológico favorável.

A sequência de atendimento no adulto é C-A-B: compressões primeiro, depois via aérea, depois ventilação. Confirmada a parada, o profissional aciona ajuda e o desfibrilador e começa a comprimir; o socorrista leigo orientado por telefone faz compressões contínuas sem ventilação. A RCP nunca espera monitor, acesso venoso ou via aérea.

RCP de alta qualidade: os números que a banca pede

A RCP de alta qualidade tem parâmetros fixos, e eles caem literalmente: frequência de 100 a 120 compressões por minuto; profundidade mínima de 5 cm, sem exceder 6 cm; retorno completo do tórax após cada compressão, sem apoiar-se no tórax da vítima; interrupções mínimas — pausas de no máximo 10 segundos para aplicar duas ventilações; e revezamento do compressor a cada 2 minutos, junto da checagem de ritmo, porque a qualidade da compressão despenca com a fadiga antes de o socorrista percebê-la.

A fração de compressão torácica — a proporção do tempo de atendimento em que o tórax está de fato sendo comprimido — deve ser a maior possível, com objetivo mínimo de 60%. É esse conceito que sustenta as respostas 'não interrompa': não se pausa compressão para instalar acesso, administrar droga ou intubar; a checagem de ritmo dura segundos e acontece a cada 2 minutos, não a cada intervenção.

Sem via aérea avançada, a relação é 30 compressões para 2 ventilações, cada insuflação com 1 segundo de duração e volume suficiente para elevar visivelmente o tórax. Com via aérea avançada instalada, a lógica muda: compressões contínuas a 100–120 por minuto, sem pausa para ventilar, e 1 ventilação a cada 6 segundos (10 por minuto), não sincronizada. Hiperventilar é dano ativo — aumenta a pressão intratorácica, reduz o retorno venoso e o débito das compressões.

Ritmos de parada e desfibrilação

Todo algoritmo se bifurca na primeira leitura do monitor: ritmos chocáveis — fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso — e não chocáveis — assistolia e atividade elétrica sem pulso (AESP). No chocável, a prioridade absoluta é a desfibrilação precoce; no não chocável, é a RCP de qualidade com adrenalina o mais cedo possível e a caça à causa reversível.

A desfibrilação é um choque único, na dose máxima recomendada pelo fabricante: 360 J no desfibrilador monofásico e 120 a 200 J no bifásico — se a orientação do fabricante é desconhecida, 200 J. Após cada choque, reiniciam-se imediatamente 2 minutos de RCP começando pelas compressões, sem checar pulso ou ritmo logo após o disparo: o ciclo é choque, 2 minutos de massagem, e só então nova análise. A sequência de três choques empilhados morreu há décadas, mas segue viva nos distratores.

Assistolia exige o protocolo da linha reta antes de ser aceita: verificar a conexão de cabos e eletrodos, aumentar o ganho do monitor e checar o ritmo em uma segunda derivação — o objetivo é não confundir FV fina com assistolia, nem tratar cabo solto como parada. AESP é atividade elétrica organizada no monitor sem pulso palpável: o traçado pode ser quase normal, e é o ritmo que mais aponta para causa reversível.

Para a FV que persiste após 3 ou mais choques, a revisão americana de 2025 avaliou duas estratégias que a literatura recente popularizou — a desfibrilação sequencial dupla (dois desfibriladores) e a mudança de vetor (trocar a posição das pás para anteroposterior) — e concluiu que a utilidade de ambas não está estabelecida. Em prova, FV refratária resolve-se no algoritmo clássico: RCP de qualidade, adrenalina, antiarrítmico e busca de causa.

Equipe realizando reanimação cardiopulmonar: um profissional comprime o tórax enquanto outro posiciona as pás do desfibrilador, com monitor mostrando traçado irregular.
FV/TVSP: compressões de qualidade até o desfibrilador estar carregado, choque único na energia máxima do aparelho e retorno imediato às compressões por 2 minutos.

Fármacos e acesso vascular

A via de acesso mudou de hierarquia em 2025: recomenda-se tentar primeiro o acesso intravenoso; o intraósseo fica aceitável se as tentativas de IV falharem ou não forem viáveis — a revisão que embasou a mudança observou menor chance de retorno da circulação espontânea sustentado com a via intraóssea. No pré-hospitalar brasileiro, o protocolo do SAMU ensina o detalhe prático que a prova gosta: cada droga em bolus é seguida de 20 mL de solução salina e elevação do membro.

Adrenalina é a primeira droga de qualquer ritmo de parada: 1 mg IV/IO a cada 3 a 5 minutos — na prática, a cada dois ciclos de 2 minutos. O momento da primeira dose depende do ritmo: em assistolia e AESP, o mais rápido possível após obter acesso; em FV/TVSP, depois que as tentativas iniciais de desfibrilação falharam — a prioridade no chocável é o choque, e a diretriz americana de 2025 reafirmou essa ordem. A vasopressina saiu do algoritmo: isolada ou combinada, não oferece vantagem sobre a adrenalina.

O antiarrítmico entra na FV/TVSP que persiste apesar de RCP, desfibrilação e vasopressor — na prática, após o terceiro choque. Primeira escolha: amiodarona 300 mg IV/IO em bolus, com dose adicional de 150 mg intercalada com o vasopressor. Alternativa: lidocaína 1 a 1,5 mg/kg, com segunda dose de 0,5 a 0,75 mg/kg. O sulfato de magnésio (1 a 2 g diluídos) não é rotina: reserva-se à torsades de pointes e à parada associada a hipomagnesemia. Após o retorno da circulação em quem recebeu amiodarona, mantém-se infusão de 900 mg em 24 horas (360 mg em 6 horas, depois 540 mg em 18 horas).

O que não entra: atropina não faz parte do algoritmo de parada (é droga de bradicardia com pulso); bicarbonato e cálcio não são rotina, reservados a cenários específicos como hipercalemia e intoxicações; e a revisão de 2025 classificou como de benefício incerto os betabloqueadores, o bretílio, a procainamida e o sotalol na FV/TVSP refratária. A RCP com elevação da cabeça também não é recomendada fora de pesquisa.

Via aérea, ventilação e capnografia

A via aérea avançada não é urgência da parada — compressão e desfibrilação vêm antes. Quando instalada, a preferência do protocolo nacional é a intubação orotraqueal, com a máscara laríngea como alternativa para não atrasar as compressões em via aérea difícil; a instalação deve ocorrer sem interromper a massagem. Confirmada e fixada a via aérea, o time migra para compressões contínuas com 1 ventilação a cada 6 segundos.

A capnografia com forma de onda é o monitor da parada e serve a três decisões. Primeira: confirmar e vigiar o posicionamento do tubo endotraqueal. Segunda: medir a qualidade da RCP — PETCO2 abaixo de 10 mmHg indica pouca probabilidade de retorno da circulação e manda melhorar a compressão (profundidade, retorno, fração de compressão). Terceira: detectar o retorno da circulação espontânea — uma elevação súbita e sustentada do valor, tipicamente para a faixa de 35 a 45 mmHg, precede o pulso palpável e evita interrupções para checagens desnecessárias.

O valor persistentemente baixo tem peso prognóstico, mas não autonomia: PETCO2 abaixo de 10 mmHg por mais de 20 minutos de RCP adequada é uma das informações que entram na decisão de interromper os esforços — nunca um critério isolado.

Causas reversíveis: os 5H e os 5T

Toda parada em atividade elétrica sem pulso é uma pergunta: qual é a causa? O mnemônico nacional lista 5H — hipovolemia, hipóxia, hidrogênio (acidose), hipo/hipercalemia e hipotermia — e 5T — trombose coronariana (infarto), trombose pulmonar (TEP), tamponamento cardíaco, tensão no tórax (pneumotórax hipertensivo) e tóxicos. A investigação é ativa e simultânea à RCP: história dirigida com quem presenciou, exame do paciente e do cenário.

A vinheta entrega a causa por pistas: hemorragia digestiva ou trauma apontam hipovolemia (cristaloide e hemoderivados); doença renal crônica dialítica aponta hipercalemia (cálcio e bicarbonato); paciente em ventilação mecânica que degrada após pico de pressão aponta pneumotórax hipertensivo (descompressão imediata); pós-operatório de cirurgia cardíaca ou dissecção aponta tamponamento (pericardiocentese); TVP recente com parada em AESP aponta TEP; intoxicação por tricíclico ou cocaína pede antídoto e bicarbonato. Tratar a causa é o único caminho de saída da AESP — adrenalina e compressão apenas compram tempo.

A regra do tempo também muda com a causa: hipotermia, afogamento e intoxicações justificam esforços de reanimação mais prolongados do que o habitual, porque são os cenários com melhor potencial de recuperação tardia.

Cuidados pós-parada: as metas do retorno

O retorno da circulação espontânea abre a segunda metade da questão. A sequência imediata: capnografia e oximetria para titular suporte, ECG de 12 derivações à procura de supradesnível de ST, pressão arterial e exame neurológico. Supradesnível de ST no ECG pós-parada indica estratégia invasiva imediata; nos demais sobreviventes com suspeita de etiologia cardíaca — especialmente ritmo inicial chocável ou disfunção ventricular sem explicação — a angiografia coronária deve acontecer antes da alta hospitalar. A revisão de 2025 também considera aceitável a tomografia da cabeça à pelve para investigar etiologia e complicações da reanimação, e o ecocardiograma à beira do leito.

As metas hemodinâmicas e ventilatórias de 2025: manter FiO2 em 100% até a SpO2 ser mensurável com confiança e então titular para SpO2 de 90 a 98% (PaO2 de 60 a 105 mmHg) — hipóxia e hiperóxia fazem mal; PaCO2 de 35 a 45 mmHg; e pressão arterial média mínima de 65 mmHg, evitando ativamente a hipotensão. No pré-hospitalar, o protocolo do SAMU trata pressão sistólica abaixo de 90 mmHg com 1 a 2 litros de cristaloide e manda não hiperventilar (10 a 12 ventilações por minuto).

No paciente que não obedece comandos, inicia-se o quanto antes uma estratégia deliberada de controle de temperatura com meta entre 32 e 37,5 °C, mantida por pelo menos 36 horas — o intervalo comporta tanto o controle hipotérmico (32 a 34 °C) quanto a normotermia com prevenção ativa de febre (36 a 37,5 °C). Convulsões devem ser procuradas com EEG; o tratamento para suprimir mioclonia sem correlato eletroencefalográfico não é recomendado.

O prognóstico neurológico é multimodal e sem pressa: nenhum exame isolado fecha prognóstico, e a avaliação formal combina exame clínico, eletrofisiologia, biomarcadores e imagem, tipicamente a partir de 72 horas do retorno, livre de sedação e de hipotermia. A revisão de 2025 acrescentou preditores de desfecho favorável — um EEG contínuo com atividade de base nas primeiras 72 horas apoia prognóstico bom — e a cadeia leve de neurofilamento como biomarcador. Antes da alta, sobreviventes e cuidadores devem ser avaliados estruturadamente para sofrimento emocional.

Não iniciar e interromper: os limites do esforço

Não se inicia RCP em três situações: sinais de morte evidente (rigidez cadavérica, livores de hipóstase, decapitação, carbonização, segmentação do tronco); cena com risco evidente para a equipe; e diretiva antecipada de vontade válida recusando reanimação — manifestação registrada em prontuário ou em cartório por paciente capaz, que os familiares não podem contestar (Resolução CFM 1.995/2012).

Interromper é decisão médica construída, não um número mágico de minutos: pesa o ritmo (assistolia persistente confirmada pelo protocolo da linha reta), a exclusão das causas reversíveis, o tempo de parada sem RCP, a resposta às manobras e o contexto do paciente. No extra-hospitalar, a regra universal de término da ressuscitação — parada não presenciada pela equipe, nenhum choque indicado e nenhum retorno de circulação — foi validada para sistemas escalonados e incorporada em 2025. A capnografia entra como coadjuvante, nunca sozinha.

Enquanto o monitor mostrar FV ou AESP, os esforços continuam — a reanimação só se encerra em assistolia confirmada ou por futilidade fundamentada. E os cenários de exceção (hipotermia, afogamento, intoxicação) empurram a régua do tempo para cima.

04

O algoritmo por ritmo, passo a passo

O atendimento universal cabe em um fluxo único que se bifurca na leitura do monitor e volta a se encontrar a cada 2 minutos. As tabelas trazem as doses e as causas que resolvem a segunda metade das questões.

  1. 1Confirmar PCR (irresponsivo + sem respiração ou gasping + sem pulso em ate 10 s) → acionar ajuda e desfibrilador → iniciar compressões
  2. 2RCP 30:2 com trocas a cada 2 minutos ate o monitor/DEA chegar → analisar o ritmo
  3. 3Ritmo chocável (FV/TVSP): choque único na energia máxima do aparelho → RCP imediata por 2 minutos → nova análise
  4. 4Ritmo não chocável (assistolia/AESP): linha reta (cabos, ganho, derivação) se assistolia → RCP + adrenalina o mais cedo possível
  5. 5Adrenalina 1 mg a cada 3–5 min (no chocável, após falha das desfibrilações iniciais); via aérea avançada sem parar compressões; capnografia
  6. 6FV/TVSP persistente após 3 choques: amiodarona 300 mg (ou lidocaína) + procurar causa; em todo ciclo, revisar 5H e 5T
  7. 7RCE (ETCO2 sobe, pulso, pressão): ECG 12 derivações, metas de oxigenação/pressão, controle de temperatura, UTI
DrogaDose na PCRQuando entraObservações
Adrenalina1 mg IV/IO em bolus + flush de 20 mL e elevação do membro; repetir a cada 3–5 minAssistolia/AESP: o mais cedo possível. FV/TVSP: após falha das desfibrilações iniciaisPrimeira droga de qualquer ritmo; vasopressina saiu do algoritmo
Amiodarona300 mg IV/IO em bolus; 2ª dose de 150 mgFV/TVSP refratária a RCP + choque + vasopressor (na prática, após o 3º choque)Pós-RCE: manutenção 900 mg/24 h (360 mg/6 h + 540 mg/18 h)
Lidocaína1 a 1,5 mg/kg; 2ª dose 0,5 a 0,75 mg/kgAlternativa quando amiodarona indisponívelSobrevida equivalente à amiodarona na PCR extra-hospitalar
Sulfato de magnésio1 a 2 g IV/IO diluídosTorsades de pointes ou PCR por hipomagnesemiaNão usar de rotina na FV/TVSP
Atropina, bicarbonato, cálcioFora do algoritmo padrãoAtropina é droga de bradicardia com pulso; bicarbonato/cálcio só com indicação específica (hipercalemia, intoxicações)

5H e 5T: a causa escondida na vinheta

CausaPista clássica do enunciadoConduta que resolve
HipovolemiaTrauma, hemorragia digestiva, choque prévioCristaloide aquecido, hemoderivados, controle do sangramento
HipóxiaObstrução de via aérea, afogamento, asma quase fatalOxigenação e via aérea eficaz
Hidrogênio (acidose)Sepse arrastada, cetoacidose, choque prolongadoRCP eficaz; bicarbonato em cenários selecionados
Hipo/hipercalemiaDoença renal dialítica, ECG com QRS alargado antes do colapsoCálcio + bicarbonato + glicoinsulina na hipercalemia
HipotermiaExposição, afogamento em água friaReaquecimento; esforços prolongados
Trombose coronarianaDor torácica precedendo o colapso, FV inicialEstratégia invasiva após o RCE
Trombose pulmonar (TEP)TVP, pós-operatório, dispneia súbita e AESPConsiderar trombólise durante a reanimação
Tamponamento cardíacoPós-operatório cardíaco, dissecção, abafamento de bulhas e turgência antes da paradaPericardiocentese
Tensão no tórax (pneumotórax hipertensivo)Ventilação mecânica com pico de pressão, trauma torácico, MV abolido unilateralDescompressão imediata por agulha/toracostomia
TóxicosTricíclicos, cocaína, opioides, organofosforadosAntídoto específico; naloxona na parada respiratória por opioide

Metas do pós-RCE (revisão AHA 2025)

ParâmetroMetaNota
SpO290 a 98% (PaO2 60 a 105 mmHg)FiO2 100% até a SpO2 ser mensurável; evitar hipóxia E hiperóxia
PaCO235 a 45 mmHgNão hiperventilar
Pressão arterialPAM ≥ 65 mmHgEvitar ativamente hipotensão; sem vasopressor de escolha definido
Temperatura32 a 37,5 °C por pelo menos 36 hHipotérmico (32–34 °C) ou normotermia com prevenção de febre (36–37,5 °C), no paciente que não obedece comandos
ECG 12 derivaçõesImediatoSupra de ST: estratégia invasiva imediata; demais com suspeita cardíaca: angiografia antes da alta
Prognóstico neurológicoMultimodal, tipicamente a partir de 72 hNenhum exame isolado decide; EEG com atividade de base apoia desfecho favorável

Choque é sempre único, seguido de 2 minutos de RCP sem checagem imediata de pulso — a análise do ritmo acontece no fim do ciclo.

Energia: 360 J no monofásico; 120 a 200 J no bifásico conforme o fabricante; se desconhecida, 200 J.

Acesso vascular: tentar IV primeiro; IO se o IV falhar ou não for viável (atualização 2025).

Desfibrilação sequencial dupla e mudança de vetor na FV refratária: utilidade não estabelecida (2025) — o algoritmo clássico continua sendo a resposta.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Temperatura-alvo e duração do controle térmico pós-parada

SBC 2019 — hipotermia terapêutica 32–36 °C

Adultos comatosos após RCE de FV/TVSP extra-hospitalar devem ser resfriados a 32–36 °C por 12 a 24 horas (Classe I, Nível B), com prevenção ativa de febre por pelo menos 72 horas. O texto nomeia a estratégia de modulação terapêutica da temperatura e detalha indução com temperatura-alvo de 33 °C ou 36 °C.

Atualização da Diretriz de RCP e ACE da SBC, 2019

AHA 2025 — controle de temperatura 32–37,5 °C por ≥ 36 h

No paciente que não obedece comandos, iniciar o quanto antes estratégia deliberada de controle de temperatura com meta entre 32 e 37,5 °C, mantendo o controle por pelo menos 36 horas. O guarda-chuva inclui tanto o controle hipotérmico (32–34 °C) quanto a normotermia com prevenção de febre (36–37,5 °C), incorporando os ensaios que compararam hipotermia com normotermia controlada publicados depois do documento brasileiro.

Destaques das Diretrizes AHA 2025 para RCP e ACE

Na prova

O ano e o vocabulário do enunciado identificam o recorte: 'modulação terapêutica da temperatura' com alvo 32–36 °C por 12–24 horas é a régua SBC 2019; 'controle de temperatura' com teto de 37,5 °C e duração mínima de 36 horas é a régua americana de 2025. Alternativas que tratam 33 °C como obrigatório para todos estão fora das duas.

Momento da coronariografia no sobrevivente sem supradesnível de ST

SBC 2019 — cateterismo nas primeiras 2 horas

Considerando a incidência de doença coronariana nas séries de óbito súbito, recomenda obter cateterismo coronário diagnóstico nas 2 horas iniciais após o RCE, sem que a modulação de temperatura atrase o procedimento.

Atualização da Diretriz de RCP e ACE da SBC, 2019

AHA 2025 — angiografia antes da alta, guiada pela suspeita

A angiografia coronária é recomendada antes da alta hospitalar em sobreviventes com suspeita de etiologia cardíaca — especialmente ritmo inicial chocável, disfunção sistólica ventricular esquerda sem explicação ou evidência de isquemia grave. A revisão de 2025, posterior ao documento brasileiro, deslocou a exigência de imediatismo para os casos com indicação clara, mantendo o supradesnível de ST como gatilho de estratégia invasiva imediata.

Destaques das Diretrizes AHA 2025 para RCP e ACE

Na prova

Supra de ST no ECG pós-RCE leva a cateterismo imediato em qualquer recorte. A divergência aparece no paciente sem supra: enunciado que cobra janela de 2 horas ecoa o texto da SBC; enunciado que aceita estratificação e estudo antes da alta ecoa a revisão americana de 2025. O distrator anacrônico é levar todo sobrevivente à hemodinâmica de emergência independentemente do ECG.

Alvo de saturação de oxigênio após o retorno da circulação

Ministério da Saúde/SAMU 2016 — SpO2 ≥ 94%

O protocolo AC10 de cuidados pós-ressuscitação manda manter saturação de oxigênio maior ou igual a 94%, com 10 a 12 ventilações por minuto e sem hiperventilar — espelhando as diretrizes internacionais de 2015, vigentes quando o documento foi escrito.

Protocolos de Suporte Avançado de Vida — SAMU 192, Ministério da Saúde, 2016

AHA 2025 — SpO2 90 a 98%, com teto explícito

Titular a FiO2 para SpO2 entre 90 e 98% (PaO2 de 60 a 105 mmHg), tratando a hiperóxia como dano tão evitável quanto a hipóxia — a SBC 2019 já mandava evitar hiperóxia e ventilação excessiva, sem fixar a faixa numérica. A diferença é a idade dos documentos: o protocolo do MS reproduz a ciência de 2015 e não foi reeditado desde então.

Destaques das Diretrizes AHA 2025 para RCP e ACE

Na prova

Cenário SAMU/atendimento pré-hospitalar do SUS costuma cobrar o número do protocolo do MS (≥ 94%); cenário de UTI com gasometria e titulação de FiO2 costuma cobrar a faixa com teto (90–98%). Alternativa com 'O2 a 100% mantido para todos' está errada em qualquer recorte por causa da hiperóxia.

06

Caso resolvido

Mulher, 62 anos, hipertensa e diabética, iniciou dor torácica opressiva há 40 minutos. Na sala de emergência, durante a monitorização, torna-se subitamente irresponsiva. Você constata ausência de pulso carotídeo e respiração agônica em menos de 10 segundos. O monitor mostra ondas caóticas, irregulares, sem complexo QRS identificável. O desfibrilador bifásico da unidade recomenda 200 J.
achado
Irresponsividade + ausência de pulso + gasping = PCR. Monitor com atividade caótica sem QRS = fibrilação ventricular, ritmo chocável. Contexto de dor torácica aponta trombose coronariana como causa.
conduta imediata
Compressões de alta qualidade (100–120/min, 5–6 cm) enquanto o desfibrilador carrega; choque único de 200 J; retorno imediato às compressões por 2 minutos, sem checar pulso após o disparo.
ciclos seguintes
Nova análise a cada 2 minutos com troca de compressor. FV persistente: novo choque + adrenalina 1 mg IV (após falharem as desfibrilações iniciais), repetida a cada 3–5 minutos. Persistindo após o 3º choque: amiodarona 300 mg em bolus.
via aérea
Intubação sem interromper compressões, confirmada por capnografia; a partir daí compressões contínuas + 1 ventilação a cada 6 segundos. ETCO2 em 8 mmHg obriga a revisar a qualidade da compressão.
RCE
No 4º ciclo, o ETCO2 salta para 42 mmHg e surge pulso: retorno da circulação espontânea. ECG de 12 derivações imediato mostra supradesnível de ST em parede anterior — estratégia invasiva imediata.
pós-parada
Titulação de FiO2 para SpO2 90–98%, PaCO2 35–45 mmHg, PAM ≥ 65 mmHg; paciente não obedece comandos: controle de temperatura (32–37,5 °C) iniciado o quanto antes e mantido por pelo menos 36 horas; prognóstico neurológico só multimodal, a partir de 72 horas.
07

Agora feche você

Homem, 68 anos, em hemodiálise há 4 anos, perdeu duas sessões na semana. Chega ao pronto-socorro com fraqueza e, minutos depois, torna-se irresponsivo e sem pulso. O monitor mostra ritmo organizado, bradicárdico, com QRS muito alargado, sem pulso palpável. A equipe inicia RCP de alta qualidade e obtém acesso venoso periférico.
achado
Atividade elétrica organizada sem pulso = AESP, ritmo não chocável. Renal crônico faltoso à diálise + QRS alargado antes do colapso apontam a causa reversível.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Desfibrilar assistolia (ou aceitar a linha reta sem conferir) A alternativa atrai porque choque parece o gesto máximo de reanimação. Assistolia não é ritmo chocável — e antes de aceitá-la é obrigatório o protocolo da linha reta: cabos conectados, ganho aumentado, segunda derivação. O que parece assistolia pode ser FV fina (essa sim, chocável) ou eletrodo solto.
  2. 2Adrenalina antes do choque na FV presenciada A banca monta a sequência 'acesso venoso → adrenalina → desfibrilar' para parecer organizada. No ritmo chocável, a prioridade é o choque: droga entra depois que as desfibrilações iniciais falham. Inverter a ordem atrasa o único tratamento que reverte FV.
  3. 3Pausar compressões para intubar, puncionar ou 'ver o ritmo' Cada interrupção zera a pressão de perfusão coronariana que as compressões construíram. Via aérea e acesso se instalam com a massagem em curso; a análise de ritmo dura segundos e só acontece no fim de cada ciclo de 2 minutos; pausas de mais de 10 segundos são falha de qualidade.
  4. 4Hiperventilar depois da via aérea avançada 'Ventilar bastante' soa protetor, mas aumenta a pressão intratorácica, reduz retorno venoso e piora o débito das compressões. Com via aérea avançada: 1 ventilação a cada 6 segundos, compressões contínuas. No pós-RCE, o protocolo do SAMU repete: não hiperventilar.
  5. 5Tratar 33 °C decorado como resposta universal de temperatura A régua mudou com os anos: a SBC 2019 ensina 32–36 °C por 12–24 horas; a revisão americana de 2025 aceita 32–37,5 °C com controle por pelo menos 36 horas, incluindo normotermia com prevenção de febre. Alternativa que impõe hipotermia profunda obrigatória a todo comatoso erra nas duas réguas — e o ano do documento citado no enunciado decide o número.
  6. 6Atropina, bicarbonato ou cálcio 'de rotina' na parada Atropina é droga de bradicardia com pulso — não existe no algoritmo de PCR. Bicarbonato e cálcio só entram com indicação específica (hipercalemia, intoxicação por tricíclicos). O distrator veste a droga familiar no cenário errado.
  7. 7Encerrar esforços por um número isolado Nem ETCO2 < 10 mmHg, nem '20 minutos de RCP', nem idade decidem sozinhos. A interrupção combina assistolia confirmada, causas reversíveis afastadas e julgamento sobre o contexto — e hipotermia, afogamento e intoxicação mandam prolongar. Questão que encerra a reanimação por um critério único está errada.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Paciente em PCR com ritmo de QRS largo e rápido no monitor está em TV sem pulso, ritmo chocável, cuja conduta imediata é a desfibrilação, seguida de RCP de alta qualidade e adrenalina. Assistolia é ausência de atividade elétrica (não chocável). AESP tem atividade elétrica organizada sem pulso, mas não é o traçado descrito. Bradicardia com marcapasso não se aplica a paciente sem pulso.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

Sorteando as questões…

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Plano de revisão

em 7 dias

Refaça de memória o algoritmo bifurcado: chocável × não chocável, com os números — 100–120/min, 5–6 cm, pausas ≤ 10 s, choque único (360 J mono / 120–200 J bifásico), adrenalina 1 mg a cada 3–5 min (cedo no não chocável, pós-choques no chocável), amiodarona 300 → 150 mg após o 3º choque. Liste os 5H e 5T sem olhar e associe cada um a uma pista de vinheta.

em 30 dias

Monte uma tabela de metas pós-RCE (SpO2 90–98%, PaCO2 35–45, PAM ≥ 65, temperatura 32–37,5 °C por ≥ 36 h, ECG imediato, prognóstico multimodal ≥ 72 h) e, ao lado, os números da régua SBC 2019 (32–36 °C por 12–24 h; cateterismo em 2 h) — saber os dois conjuntos e datá-los é o que resolve as questões de divergência. Termine revisando o que NÃO se faz: vasopressina, atropina, choques empilhados, hiperventilação, encerrar por critério isolado.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Plantão na emergência: a enfermeira grita que o paciente do leito 3 — que internou por dor torácica — ficou irresponsivo. O monitor mostra um traçado caótico. O carrinho de parada está ao lado. Conduza o atendimento do primeiro segundo ao pós-parada. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Parada cardiorrespiratória e suporte avançado de vida – PCR e suporte avançado de vida (ACLS) — Preparatório para provas | OsceLabs