Clínica Médica › Medicina Intensiva e Emergências
PCR e suporte avançado de vida (ACLS)
Parada cardiorrespiratória e suporte avançado de vida (ACLS)
A prova cobra o algoritmo em decisões cronometradas: qual ritmo é chocável, quando entra cada droga, qual causa reversível a vinheta escondeu e quais metas guiam o pós-parada. Quem domina os números da RCP de qualidade resolve metade das questões.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Homem de 70 anos, com IAM prévio e disfunção ventricular, é trazido ao pronto-socorro após colapso. Está inconsciente, sem pulso central palpável e sem respiração espontânea. O monitor mostra ritmo regular de QRS largo, rápido, sem pulso. A equipe iniciou compressões torácicas. Considerando o algoritmo de parada cardiorrespiratória, qual é o ritmo e a conduta imediata mais apropriada, respectivamente?
Como esse tema cai
A parada cardiorrespiratória é o tema em que a banca menos tolera hesitação: cada questão simula um relógio correndo. O formato clássico entrega um colapso súbito, um ritmo no monitor e quatro ou cinco condutas — e a diferença entre a certa e as erradas é quase sempre de sequência, não de conteúdo. Desfibrilar antes de medicar, comprimir antes de intubar, adrenalina cedo no ritmo não chocável e depois da desfibrilação no chocável: a ordem é a resposta.
Três documentos regem o tema no Brasil. O Ministério da Saúde publica os Protocolos de Suporte Avançado de Vida do SAMU 192 (2016), que transcrevem o algoritmo para o atendimento pré-hospitalar; a Sociedade Brasileira de Cardiologia publicou em 2019 a Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar, o texto nacional mais completo; e a American Heart Association publicou em 2025 a revisão integral de suas diretrizes, que atualizou pontos de desfibrilação, acesso vascular e cuidados pós-parada. Onde os três coincidem — e coincidem em quase tudo — a questão é direta; onde a régua mudou com o tempo (temperatura-alvo, oxigenação pós-parada, momento do cateterismo), o ano do documento que a banca cita decide a alternativa.
Este capítulo cobre o adulto: reconhecimento e cadeia de sobrevivência, RCP de alta qualidade, ritmos e desfibrilação, fármacos, via aérea e capnografia, as causas reversíveis (5H e 5T), os cuidados pós-retorno da circulação espontânea e os critérios para não iniciar ou interromper a reanimação.
O que muda decisão
Reconhecer a parada e disparar a cadeia de sobrevivência
O diagnóstico de PCR é clínico e cabe em dez segundos: paciente irresponsivo, sem respiração ou com respiração agônica (gasping), sem pulso central palpável. O profissional de saúde checa pulso carotídeo e respiração simultaneamente, por no máximo 10 segundos — se houver dúvida, trata como parada. Gasping é parada: a respiração agônica está presente em boa parte dos colapsos súbitos e é o erro clássico da vinheta que descreve o paciente 'ainda respirando' para atrasar o início das compressões.
A sobrevida depende da cadeia de sobrevivência, e as cadeias intra e extra-hospitalar são diferentes. Fora do hospital, tudo depende de quem presencia: reconhecer e acionar o 192, iniciar compressões, desfibrilar com o DEA o mais cedo possível. Dentro do hospital, o elo inicial é a vigilância e prevenção — times de resposta rápida existem para tratar a deterioração antes da parada. Os números justificam a pressa: a cada minuto sem desfibrilação em uma fibrilação ventricular, a probabilidade de sobrevivência cai 7 a 10%, e 56 a 74% das paradas extra-hospitalares começam em FV. Mesmo com sistema organizado, a sobrevida até a alta é de cerca de 10% na parada extra-hospitalar e de 24% na intra-hospitalar — entre os que sobrevivem, cerca de 85% têm desfecho neurológico favorável.
A sequência de atendimento no adulto é C-A-B: compressões primeiro, depois via aérea, depois ventilação. Confirmada a parada, o profissional aciona ajuda e o desfibrilador e começa a comprimir; o socorrista leigo orientado por telefone faz compressões contínuas sem ventilação. A RCP nunca espera monitor, acesso venoso ou via aérea.
RCP de alta qualidade: os números que a banca pede
A RCP de alta qualidade tem parâmetros fixos, e eles caem literalmente: frequência de 100 a 120 compressões por minuto; profundidade mínima de 5 cm, sem exceder 6 cm; retorno completo do tórax após cada compressão, sem apoiar-se no tórax da vítima; interrupções mínimas — pausas de no máximo 10 segundos para aplicar duas ventilações; e revezamento do compressor a cada 2 minutos, junto da checagem de ritmo, porque a qualidade da compressão despenca com a fadiga antes de o socorrista percebê-la.
A fração de compressão torácica — a proporção do tempo de atendimento em que o tórax está de fato sendo comprimido — deve ser a maior possível, com objetivo mínimo de 60%. É esse conceito que sustenta as respostas 'não interrompa': não se pausa compressão para instalar acesso, administrar droga ou intubar; a checagem de ritmo dura segundos e acontece a cada 2 minutos, não a cada intervenção.
Sem via aérea avançada, a relação é 30 compressões para 2 ventilações, cada insuflação com 1 segundo de duração e volume suficiente para elevar visivelmente o tórax. Com via aérea avançada instalada, a lógica muda: compressões contínuas a 100–120 por minuto, sem pausa para ventilar, e 1 ventilação a cada 6 segundos (10 por minuto), não sincronizada. Hiperventilar é dano ativo — aumenta a pressão intratorácica, reduz o retorno venoso e o débito das compressões.
Ritmos de parada e desfibrilação
Todo algoritmo se bifurca na primeira leitura do monitor: ritmos chocáveis — fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso — e não chocáveis — assistolia e atividade elétrica sem pulso (AESP). No chocável, a prioridade absoluta é a desfibrilação precoce; no não chocável, é a RCP de qualidade com adrenalina o mais cedo possível e a caça à causa reversível.
A desfibrilação é um choque único, na dose máxima recomendada pelo fabricante: 360 J no desfibrilador monofásico e 120 a 200 J no bifásico — se a orientação do fabricante é desconhecida, 200 J. Após cada choque, reiniciam-se imediatamente 2 minutos de RCP começando pelas compressões, sem checar pulso ou ritmo logo após o disparo: o ciclo é choque, 2 minutos de massagem, e só então nova análise. A sequência de três choques empilhados morreu há décadas, mas segue viva nos distratores.
Assistolia exige o protocolo da linha reta antes de ser aceita: verificar a conexão de cabos e eletrodos, aumentar o ganho do monitor e checar o ritmo em uma segunda derivação — o objetivo é não confundir FV fina com assistolia, nem tratar cabo solto como parada. AESP é atividade elétrica organizada no monitor sem pulso palpável: o traçado pode ser quase normal, e é o ritmo que mais aponta para causa reversível.
Para a FV que persiste após 3 ou mais choques, a revisão americana de 2025 avaliou duas estratégias que a literatura recente popularizou — a desfibrilação sequencial dupla (dois desfibriladores) e a mudança de vetor (trocar a posição das pás para anteroposterior) — e concluiu que a utilidade de ambas não está estabelecida. Em prova, FV refratária resolve-se no algoritmo clássico: RCP de qualidade, adrenalina, antiarrítmico e busca de causa.

Fármacos e acesso vascular
A via de acesso mudou de hierarquia em 2025: recomenda-se tentar primeiro o acesso intravenoso; o intraósseo fica aceitável se as tentativas de IV falharem ou não forem viáveis — a revisão que embasou a mudança observou menor chance de retorno da circulação espontânea sustentado com a via intraóssea. No pré-hospitalar brasileiro, o protocolo do SAMU ensina o detalhe prático que a prova gosta: cada droga em bolus é seguida de 20 mL de solução salina e elevação do membro.
Adrenalina é a primeira droga de qualquer ritmo de parada: 1 mg IV/IO a cada 3 a 5 minutos — na prática, a cada dois ciclos de 2 minutos. O momento da primeira dose depende do ritmo: em assistolia e AESP, o mais rápido possível após obter acesso; em FV/TVSP, depois que as tentativas iniciais de desfibrilação falharam — a prioridade no chocável é o choque, e a diretriz americana de 2025 reafirmou essa ordem. A vasopressina saiu do algoritmo: isolada ou combinada, não oferece vantagem sobre a adrenalina.
O antiarrítmico entra na FV/TVSP que persiste apesar de RCP, desfibrilação e vasopressor — na prática, após o terceiro choque. Primeira escolha: amiodarona 300 mg IV/IO em bolus, com dose adicional de 150 mg intercalada com o vasopressor. Alternativa: lidocaína 1 a 1,5 mg/kg, com segunda dose de 0,5 a 0,75 mg/kg. O sulfato de magnésio (1 a 2 g diluídos) não é rotina: reserva-se à torsades de pointes e à parada associada a hipomagnesemia. Após o retorno da circulação em quem recebeu amiodarona, mantém-se infusão de 900 mg em 24 horas (360 mg em 6 horas, depois 540 mg em 18 horas).
O que não entra: atropina não faz parte do algoritmo de parada (é droga de bradicardia com pulso); bicarbonato e cálcio não são rotina, reservados a cenários específicos como hipercalemia e intoxicações; e a revisão de 2025 classificou como de benefício incerto os betabloqueadores, o bretílio, a procainamida e o sotalol na FV/TVSP refratária. A RCP com elevação da cabeça também não é recomendada fora de pesquisa.
Via aérea, ventilação e capnografia
A via aérea avançada não é urgência da parada — compressão e desfibrilação vêm antes. Quando instalada, a preferência do protocolo nacional é a intubação orotraqueal, com a máscara laríngea como alternativa para não atrasar as compressões em via aérea difícil; a instalação deve ocorrer sem interromper a massagem. Confirmada e fixada a via aérea, o time migra para compressões contínuas com 1 ventilação a cada 6 segundos.
A capnografia com forma de onda é o monitor da parada e serve a três decisões. Primeira: confirmar e vigiar o posicionamento do tubo endotraqueal. Segunda: medir a qualidade da RCP — PETCO2 abaixo de 10 mmHg indica pouca probabilidade de retorno da circulação e manda melhorar a compressão (profundidade, retorno, fração de compressão). Terceira: detectar o retorno da circulação espontânea — uma elevação súbita e sustentada do valor, tipicamente para a faixa de 35 a 45 mmHg, precede o pulso palpável e evita interrupções para checagens desnecessárias.
O valor persistentemente baixo tem peso prognóstico, mas não autonomia: PETCO2 abaixo de 10 mmHg por mais de 20 minutos de RCP adequada é uma das informações que entram na decisão de interromper os esforços — nunca um critério isolado.
Causas reversíveis: os 5H e os 5T
Toda parada em atividade elétrica sem pulso é uma pergunta: qual é a causa? O mnemônico nacional lista 5H — hipovolemia, hipóxia, hidrogênio (acidose), hipo/hipercalemia e hipotermia — e 5T — trombose coronariana (infarto), trombose pulmonar (TEP), tamponamento cardíaco, tensão no tórax (pneumotórax hipertensivo) e tóxicos. A investigação é ativa e simultânea à RCP: história dirigida com quem presenciou, exame do paciente e do cenário.
A vinheta entrega a causa por pistas: hemorragia digestiva ou trauma apontam hipovolemia (cristaloide e hemoderivados); doença renal crônica dialítica aponta hipercalemia (cálcio e bicarbonato); paciente em ventilação mecânica que degrada após pico de pressão aponta pneumotórax hipertensivo (descompressão imediata); pós-operatório de cirurgia cardíaca ou dissecção aponta tamponamento (pericardiocentese); TVP recente com parada em AESP aponta TEP; intoxicação por tricíclico ou cocaína pede antídoto e bicarbonato. Tratar a causa é o único caminho de saída da AESP — adrenalina e compressão apenas compram tempo.
A regra do tempo também muda com a causa: hipotermia, afogamento e intoxicações justificam esforços de reanimação mais prolongados do que o habitual, porque são os cenários com melhor potencial de recuperação tardia.
Cuidados pós-parada: as metas do retorno
O retorno da circulação espontânea abre a segunda metade da questão. A sequência imediata: capnografia e oximetria para titular suporte, ECG de 12 derivações à procura de supradesnível de ST, pressão arterial e exame neurológico. Supradesnível de ST no ECG pós-parada indica estratégia invasiva imediata; nos demais sobreviventes com suspeita de etiologia cardíaca — especialmente ritmo inicial chocável ou disfunção ventricular sem explicação — a angiografia coronária deve acontecer antes da alta hospitalar. A revisão de 2025 também considera aceitável a tomografia da cabeça à pelve para investigar etiologia e complicações da reanimação, e o ecocardiograma à beira do leito.
As metas hemodinâmicas e ventilatórias de 2025: manter FiO2 em 100% até a SpO2 ser mensurável com confiança e então titular para SpO2 de 90 a 98% (PaO2 de 60 a 105 mmHg) — hipóxia e hiperóxia fazem mal; PaCO2 de 35 a 45 mmHg; e pressão arterial média mínima de 65 mmHg, evitando ativamente a hipotensão. No pré-hospitalar, o protocolo do SAMU trata pressão sistólica abaixo de 90 mmHg com 1 a 2 litros de cristaloide e manda não hiperventilar (10 a 12 ventilações por minuto).
No paciente que não obedece comandos, inicia-se o quanto antes uma estratégia deliberada de controle de temperatura com meta entre 32 e 37,5 °C, mantida por pelo menos 36 horas — o intervalo comporta tanto o controle hipotérmico (32 a 34 °C) quanto a normotermia com prevenção ativa de febre (36 a 37,5 °C). Convulsões devem ser procuradas com EEG; o tratamento para suprimir mioclonia sem correlato eletroencefalográfico não é recomendado.
O prognóstico neurológico é multimodal e sem pressa: nenhum exame isolado fecha prognóstico, e a avaliação formal combina exame clínico, eletrofisiologia, biomarcadores e imagem, tipicamente a partir de 72 horas do retorno, livre de sedação e de hipotermia. A revisão de 2025 acrescentou preditores de desfecho favorável — um EEG contínuo com atividade de base nas primeiras 72 horas apoia prognóstico bom — e a cadeia leve de neurofilamento como biomarcador. Antes da alta, sobreviventes e cuidadores devem ser avaliados estruturadamente para sofrimento emocional.
Não iniciar e interromper: os limites do esforço
Não se inicia RCP em três situações: sinais de morte evidente (rigidez cadavérica, livores de hipóstase, decapitação, carbonização, segmentação do tronco); cena com risco evidente para a equipe; e diretiva antecipada de vontade válida recusando reanimação — manifestação registrada em prontuário ou em cartório por paciente capaz, que os familiares não podem contestar (Resolução CFM 1.995/2012).
Interromper é decisão médica construída, não um número mágico de minutos: pesa o ritmo (assistolia persistente confirmada pelo protocolo da linha reta), a exclusão das causas reversíveis, o tempo de parada sem RCP, a resposta às manobras e o contexto do paciente. No extra-hospitalar, a regra universal de término da ressuscitação — parada não presenciada pela equipe, nenhum choque indicado e nenhum retorno de circulação — foi validada para sistemas escalonados e incorporada em 2025. A capnografia entra como coadjuvante, nunca sozinha.
Enquanto o monitor mostrar FV ou AESP, os esforços continuam — a reanimação só se encerra em assistolia confirmada ou por futilidade fundamentada. E os cenários de exceção (hipotermia, afogamento, intoxicação) empurram a régua do tempo para cima.
O algoritmo por ritmo, passo a passo
O atendimento universal cabe em um fluxo único que se bifurca na leitura do monitor e volta a se encontrar a cada 2 minutos. As tabelas trazem as doses e as causas que resolvem a segunda metade das questões.
- 1Confirmar PCR (irresponsivo + sem respiração ou gasping + sem pulso em ate 10 s) → acionar ajuda e desfibrilador → iniciar compressões
- 2RCP 30:2 com trocas a cada 2 minutos ate o monitor/DEA chegar → analisar o ritmo
- 3Ritmo chocável (FV/TVSP): choque único na energia máxima do aparelho → RCP imediata por 2 minutos → nova análise
- 4Ritmo não chocável (assistolia/AESP): linha reta (cabos, ganho, derivação) se assistolia → RCP + adrenalina o mais cedo possível
- 5Adrenalina 1 mg a cada 3–5 min (no chocável, após falha das desfibrilações iniciais); via aérea avançada sem parar compressões; capnografia
- 6FV/TVSP persistente após 3 choques: amiodarona 300 mg (ou lidocaína) + procurar causa; em todo ciclo, revisar 5H e 5T
- 7RCE (ETCO2 sobe, pulso, pressão): ECG 12 derivações, metas de oxigenação/pressão, controle de temperatura, UTI
| Droga | Dose na PCR | Quando entra | Observações |
|---|---|---|---|
| Adrenalina | 1 mg IV/IO em bolus + flush de 20 mL e elevação do membro; repetir a cada 3–5 min | Assistolia/AESP: o mais cedo possível. FV/TVSP: após falha das desfibrilações iniciais | Primeira droga de qualquer ritmo; vasopressina saiu do algoritmo |
| Amiodarona | 300 mg IV/IO em bolus; 2ª dose de 150 mg | FV/TVSP refratária a RCP + choque + vasopressor (na prática, após o 3º choque) | Pós-RCE: manutenção 900 mg/24 h (360 mg/6 h + 540 mg/18 h) |
| Lidocaína | 1 a 1,5 mg/kg; 2ª dose 0,5 a 0,75 mg/kg | Alternativa quando amiodarona indisponível | Sobrevida equivalente à amiodarona na PCR extra-hospitalar |
| Sulfato de magnésio | 1 a 2 g IV/IO diluídos | Torsades de pointes ou PCR por hipomagnesemia | Não usar de rotina na FV/TVSP |
| Atropina, bicarbonato, cálcio | — | Fora do algoritmo padrão | Atropina é droga de bradicardia com pulso; bicarbonato/cálcio só com indicação específica (hipercalemia, intoxicações) |
5H e 5T: a causa escondida na vinheta
| Causa | Pista clássica do enunciado | Conduta que resolve |
|---|---|---|
| Hipovolemia | Trauma, hemorragia digestiva, choque prévio | Cristaloide aquecido, hemoderivados, controle do sangramento |
| Hipóxia | Obstrução de via aérea, afogamento, asma quase fatal | Oxigenação e via aérea eficaz |
| Hidrogênio (acidose) | Sepse arrastada, cetoacidose, choque prolongado | RCP eficaz; bicarbonato em cenários selecionados |
| Hipo/hipercalemia | Doença renal dialítica, ECG com QRS alargado antes do colapso | Cálcio + bicarbonato + glicoinsulina na hipercalemia |
| Hipotermia | Exposição, afogamento em água fria | Reaquecimento; esforços prolongados |
| Trombose coronariana | Dor torácica precedendo o colapso, FV inicial | Estratégia invasiva após o RCE |
| Trombose pulmonar (TEP) | TVP, pós-operatório, dispneia súbita e AESP | Considerar trombólise durante a reanimação |
| Tamponamento cardíaco | Pós-operatório cardíaco, dissecção, abafamento de bulhas e turgência antes da parada | Pericardiocentese |
| Tensão no tórax (pneumotórax hipertensivo) | Ventilação mecânica com pico de pressão, trauma torácico, MV abolido unilateral | Descompressão imediata por agulha/toracostomia |
| Tóxicos | Tricíclicos, cocaína, opioides, organofosforados | Antídoto específico; naloxona na parada respiratória por opioide |
Metas do pós-RCE (revisão AHA 2025)
| Parâmetro | Meta | Nota |
|---|---|---|
| SpO2 | 90 a 98% (PaO2 60 a 105 mmHg) | FiO2 100% até a SpO2 ser mensurável; evitar hipóxia E hiperóxia |
| PaCO2 | 35 a 45 mmHg | Não hiperventilar |
| Pressão arterial | PAM ≥ 65 mmHg | Evitar ativamente hipotensão; sem vasopressor de escolha definido |
| Temperatura | 32 a 37,5 °C por pelo menos 36 h | Hipotérmico (32–34 °C) ou normotermia com prevenção de febre (36–37,5 °C), no paciente que não obedece comandos |
| ECG 12 derivações | Imediato | Supra de ST: estratégia invasiva imediata; demais com suspeita cardíaca: angiografia antes da alta |
| Prognóstico neurológico | Multimodal, tipicamente a partir de 72 h | Nenhum exame isolado decide; EEG com atividade de base apoia desfecho favorável |
Choque é sempre único, seguido de 2 minutos de RCP sem checagem imediata de pulso — a análise do ritmo acontece no fim do ciclo.
Energia: 360 J no monofásico; 120 a 200 J no bifásico conforme o fabricante; se desconhecida, 200 J.
Acesso vascular: tentar IV primeiro; IO se o IV falhar ou não for viável (atualização 2025).
Desfibrilação sequencial dupla e mudança de vetor na FV refratária: utilidade não estabelecida (2025) — o algoritmo clássico continua sendo a resposta.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
SBC 2019 — hipotermia terapêutica 32–36 °C
Adultos comatosos após RCE de FV/TVSP extra-hospitalar devem ser resfriados a 32–36 °C por 12 a 24 horas (Classe I, Nível B), com prevenção ativa de febre por pelo menos 72 horas. O texto nomeia a estratégia de modulação terapêutica da temperatura e detalha indução com temperatura-alvo de 33 °C ou 36 °C.
Atualização da Diretriz de RCP e ACE da SBC, 2019
AHA 2025 — controle de temperatura 32–37,5 °C por ≥ 36 h
No paciente que não obedece comandos, iniciar o quanto antes estratégia deliberada de controle de temperatura com meta entre 32 e 37,5 °C, mantendo o controle por pelo menos 36 horas. O guarda-chuva inclui tanto o controle hipotérmico (32–34 °C) quanto a normotermia com prevenção de febre (36–37,5 °C), incorporando os ensaios que compararam hipotermia com normotermia controlada publicados depois do documento brasileiro.
Destaques das Diretrizes AHA 2025 para RCP e ACE
Na prova
O ano e o vocabulário do enunciado identificam o recorte: 'modulação terapêutica da temperatura' com alvo 32–36 °C por 12–24 horas é a régua SBC 2019; 'controle de temperatura' com teto de 37,5 °C e duração mínima de 36 horas é a régua americana de 2025. Alternativas que tratam 33 °C como obrigatório para todos estão fora das duas.
SBC 2019 — cateterismo nas primeiras 2 horas
Considerando a incidência de doença coronariana nas séries de óbito súbito, recomenda obter cateterismo coronário diagnóstico nas 2 horas iniciais após o RCE, sem que a modulação de temperatura atrase o procedimento.
Atualização da Diretriz de RCP e ACE da SBC, 2019
AHA 2025 — angiografia antes da alta, guiada pela suspeita
A angiografia coronária é recomendada antes da alta hospitalar em sobreviventes com suspeita de etiologia cardíaca — especialmente ritmo inicial chocável, disfunção sistólica ventricular esquerda sem explicação ou evidência de isquemia grave. A revisão de 2025, posterior ao documento brasileiro, deslocou a exigência de imediatismo para os casos com indicação clara, mantendo o supradesnível de ST como gatilho de estratégia invasiva imediata.
Destaques das Diretrizes AHA 2025 para RCP e ACE
Na prova
Supra de ST no ECG pós-RCE leva a cateterismo imediato em qualquer recorte. A divergência aparece no paciente sem supra: enunciado que cobra janela de 2 horas ecoa o texto da SBC; enunciado que aceita estratificação e estudo antes da alta ecoa a revisão americana de 2025. O distrator anacrônico é levar todo sobrevivente à hemodinâmica de emergência independentemente do ECG.
Ministério da Saúde/SAMU 2016 — SpO2 ≥ 94%
O protocolo AC10 de cuidados pós-ressuscitação manda manter saturação de oxigênio maior ou igual a 94%, com 10 a 12 ventilações por minuto e sem hiperventilar — espelhando as diretrizes internacionais de 2015, vigentes quando o documento foi escrito.
Protocolos de Suporte Avançado de Vida — SAMU 192, Ministério da Saúde, 2016
AHA 2025 — SpO2 90 a 98%, com teto explícito
Titular a FiO2 para SpO2 entre 90 e 98% (PaO2 de 60 a 105 mmHg), tratando a hiperóxia como dano tão evitável quanto a hipóxia — a SBC 2019 já mandava evitar hiperóxia e ventilação excessiva, sem fixar a faixa numérica. A diferença é a idade dos documentos: o protocolo do MS reproduz a ciência de 2015 e não foi reeditado desde então.
Destaques das Diretrizes AHA 2025 para RCP e ACE
Na prova
Cenário SAMU/atendimento pré-hospitalar do SUS costuma cobrar o número do protocolo do MS (≥ 94%); cenário de UTI com gasometria e titulação de FiO2 costuma cobrar a faixa com teto (90–98%). Alternativa com 'O2 a 100% mantido para todos' está errada em qualquer recorte por causa da hiperóxia.
Caso resolvido
- achado
- Irresponsividade + ausência de pulso + gasping = PCR. Monitor com atividade caótica sem QRS = fibrilação ventricular, ritmo chocável. Contexto de dor torácica aponta trombose coronariana como causa.
- conduta imediata
- Compressões de alta qualidade (100–120/min, 5–6 cm) enquanto o desfibrilador carrega; choque único de 200 J; retorno imediato às compressões por 2 minutos, sem checar pulso após o disparo.
- ciclos seguintes
- Nova análise a cada 2 minutos com troca de compressor. FV persistente: novo choque + adrenalina 1 mg IV (após falharem as desfibrilações iniciais), repetida a cada 3–5 minutos. Persistindo após o 3º choque: amiodarona 300 mg em bolus.
- via aérea
- Intubação sem interromper compressões, confirmada por capnografia; a partir daí compressões contínuas + 1 ventilação a cada 6 segundos. ETCO2 em 8 mmHg obriga a revisar a qualidade da compressão.
- RCE
- No 4º ciclo, o ETCO2 salta para 42 mmHg e surge pulso: retorno da circulação espontânea. ECG de 12 derivações imediato mostra supradesnível de ST em parede anterior — estratégia invasiva imediata.
- pós-parada
- Titulação de FiO2 para SpO2 90–98%, PaCO2 35–45 mmHg, PAM ≥ 65 mmHg; paciente não obedece comandos: controle de temperatura (32–37,5 °C) iniciado o quanto antes e mantido por pelo menos 36 horas; prognóstico neurológico só multimodal, a partir de 72 horas.
Agora feche você
- achado
- Atividade elétrica organizada sem pulso = AESP, ritmo não chocável. Renal crônico faltoso à diálise + QRS alargado antes do colapso apontam a causa reversível.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Desfibrilar assistolia (ou aceitar a linha reta sem conferir) A alternativa atrai porque choque parece o gesto máximo de reanimação. Assistolia não é ritmo chocável — e antes de aceitá-la é obrigatório o protocolo da linha reta: cabos conectados, ganho aumentado, segunda derivação. O que parece assistolia pode ser FV fina (essa sim, chocável) ou eletrodo solto.
- 2Adrenalina antes do choque na FV presenciada A banca monta a sequência 'acesso venoso → adrenalina → desfibrilar' para parecer organizada. No ritmo chocável, a prioridade é o choque: droga entra depois que as desfibrilações iniciais falham. Inverter a ordem atrasa o único tratamento que reverte FV.
- 3Pausar compressões para intubar, puncionar ou 'ver o ritmo' Cada interrupção zera a pressão de perfusão coronariana que as compressões construíram. Via aérea e acesso se instalam com a massagem em curso; a análise de ritmo dura segundos e só acontece no fim de cada ciclo de 2 minutos; pausas de mais de 10 segundos são falha de qualidade.
- 4Hiperventilar depois da via aérea avançada 'Ventilar bastante' soa protetor, mas aumenta a pressão intratorácica, reduz retorno venoso e piora o débito das compressões. Com via aérea avançada: 1 ventilação a cada 6 segundos, compressões contínuas. No pós-RCE, o protocolo do SAMU repete: não hiperventilar.
- 5Tratar 33 °C decorado como resposta universal de temperatura A régua mudou com os anos: a SBC 2019 ensina 32–36 °C por 12–24 horas; a revisão americana de 2025 aceita 32–37,5 °C com controle por pelo menos 36 horas, incluindo normotermia com prevenção de febre. Alternativa que impõe hipotermia profunda obrigatória a todo comatoso erra nas duas réguas — e o ano do documento citado no enunciado decide o número.
- 6Atropina, bicarbonato ou cálcio 'de rotina' na parada Atropina é droga de bradicardia com pulso — não existe no algoritmo de PCR. Bicarbonato e cálcio só entram com indicação específica (hipercalemia, intoxicação por tricíclicos). O distrator veste a droga familiar no cenário errado.
- 7Encerrar esforços por um número isolado Nem ETCO2 < 10 mmHg, nem '20 minutos de RCP', nem idade decidem sozinhos. A interrupção combina assistolia confirmada, causas reversíveis afastadas e julgamento sobre o contexto — e hipotermia, afogamento e intoxicação mandam prolongar. Questão que encerra a reanimação por um critério único está errada.
Paciente em PCR com ritmo de QRS largo e rápido no monitor está em TV sem pulso, ritmo chocável, cuja conduta imediata é a desfibrilação, seguida de RCP de alta qualidade e adrenalina. Assistolia é ausência de atividade elétrica (não chocável). AESP tem atividade elétrica organizada sem pulso, mas não é o traçado descrito. Bradicardia com marcapasso não se aplica a paciente sem pulso.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem, 58 anos, hipertenso, é admitido na emergência com dor torácica havia 40 minutos e evolui subitamente com perda de consciência. Ao monitor, identifica-se fibrilação ventricular. É iniciada RCP de alta qualidade e realizadas duas desfibrilações (bifásica, 200 J cada), intercaladas com ciclos de 2 minutos de compressões. Após a segunda desfibrilação, foi administrada adrenalina 1 mg IV e, no ciclo seguinte, mantém-se em FV refratária. Foi obtido acesso venoso e via aérea avançada. Qual é a conduta farmacológica mais apropriada neste momento, segundo o algoritmo de PCR em ritmo chocável?
Correta: Em FV/TV sem pulso refratária (persistente após a 2ª/3ª desfibrilação), o antiarrítmico de escolha é a amiodarona, com PRIMEIRA dose de 300 mg IV em bolus. A adrenalina 1 mg já foi feita e será repetida a cada 3–5 min, mas o próximo passo farmacológico que se soma é o antiarrítmico. 150 mg é a SEGUNDA dose de amiodarona (repetível), não a inicial — variação de dose que erra o momento. Lidocaína é alternativa à amiodarona, e a dose inicial é 1–1,5 mg/kg, não 0,5 mg/kg (esta é dose de manutenção/repetição) — fármaco de 2ª linha com dose incorreta. Magnésio só é indicado em FV/TV associada a torsades de pointes/QT longo, não descrito no caso. Não existe recomendação de adrenalina 3 mg em bolus na PCR do adulto (dose é 1 mg a cada 3–5 min) — exagero de dose.
Mulher, 62 anos, em pós-operatório de cirurgia abdominal, evolui com PCR presenciada. Ao monitor, o ritmo é uma atividade elétrica organizada, com QRS estreito e frequência em torno de 90/min, mas SEM pulso central palpável. RCP de alta qualidade é iniciada e adrenalina 1 mg IV é administrada. A equipe discute a causa reversível mais provável. Considerando o contexto pós-operatório com sangramento e a apresentação de atividade elétrica sem pulso com QRS estreito e taquicardia relativa, qual é a próxima medida mais adequada?
Correta: o ritmo descrito é AESP (atividade elétrica sem pulso), ritmo NÃO chocável. Em AESP a chave é identificar e tratar as causas reversíveis (5H e 5T). QRS estreito com taquicardia relativa e contexto pós-operatório com sangramento apontam para causa mecânica/obstrutiva ou hipovolêmica; a reposição volêmica é a conduta imediata mais adequada. Desfibrilação está indicada apenas em FV/TVSP — chocar AESP é erro grave (fármaco/conduta certa em contexto errado). Amiodarona não tem papel em AESP, é antiarrítmico para ritmo chocável refratário. Bicarbonato não é rotina na PCR, reservado a situações específicas (hipercalemia, intoxicação por tricíclicos, acidose grave prévia) — não descritas. Cardioversão sincronizada é para taquiarritmias COM pulso e instabilidade, não para PCR.
Estudante de medicina presencia um homem de 55 anos que subitamente cai inconsciente em um saguão. Ao se aproximar, verifica que a vítima não responde a estímulos, não respira e não apresenta pulso central após checagem de até 10 segundos. Um desfibrilador externo automático (DEA) está disponível na parede próxima. De acordo com as diretrizes de suporte básico de vida no adulto, qual deve ser a PRIMEIRA ação, além de acionar o serviço de emergência e pedir o DEA?
Correta: Em PCR do adulto presenciada, com ausência de responsividade, respiração e pulso, a sequência é C-A-B: iniciar IMEDIATAMENTE compressões torácicas de alta qualidade (100–120/min, profundidade 5–6 cm, retorno completo do tórax, mínimas interrupções), enquanto se aciona a emergência e busca o DEA. A sequência atual prioriza compressões antes das ventilações (C-A-B), não se inicia por ventilações de resgate. Posição de recuperação é para vítimas inconscientes que RESPIRAM — contraindicada em PCR. Nunca se deve aguardar o DEA para começar a RCP; compressões devem ser imediatas. Soco precordial não é recomendado no atendimento de rotina, tem eficácia mínima e não substitui compressões/desfibrilação.
Mulher, 55 anos, é admitida no pronto-socorro após síncope. Ao exame, encontra-se sonolenta, com má perfusão periférica (extremidades frias, enchimento capilar 4 s), PA 68/40 mmHg, FC 200 bpm, FR 24 ipm, SatO2 90%. O monitor mostra taquicardia de complexo largo. Um acesso venoso foi obtido e o paciente está monitorizado. Qual é a conduta imediata?
A paciente apresenta taquiarritmia com sinais claros de INSTABILIDADE hemodinâmica (hipotensão grave, rebaixamento do nível de consciência, má perfusão, síncope como sinal de baixo débito). Diante de qualquer taquiarritmia instável com pulso, a conduta imediata pelo ACLS é a cardioversão elétrica sincronizada, independentemente do mecanismo exato. Correta: Adenosina é para TSV estável, não resolve o quadro de instabilidade e atrasa o tratamento. Manobra vagal e reavaliação retardam a terapia definitiva em paciente que precisa de reversão urgente. Amiodarona é para TV estável, não para instabilidade hemodinâmica com pulso. Betabloqueador EV é contraindicado no choque/hipotensão e pode piorar a instabilidade.
Lactente de 8 meses, previamente hígido, é encontrado não responsivo pela mãe. Ao chegar ao pronto-socorro, socorristas relatam ausência de resposta a estímulos e respiração agônica (gasping). Um profissional de saúde verifica o pulso braquial por 10 segundos e não o palpa. Não há tônus muscular nem esforço respiratório efetivo. Qual é a conduta imediata mais apropriada?
Correta: Lactente não responsivo, com gasping (que NÃO conta como respiração efetiva) e pulso ausente após checagem ≤10 segundos configura parada cardiorrespiratória — inicia-se RCP imediatamente. Com socorrista único, a relação é 30:2; com dois socorristas, 15:2. As 5 ventilações de resgate iniciais pertencem ao protocolo de afogamento/parada por asfixia primária de algumas diretrizes de suporte básico leigo, não à sequência padrão do PALS diante de PCR confirmada com pulso ausente — a prioridade é a compressão. O pulso deve ser checado em no máximo 10 segundos; prolongar a checagem atrasa a RCP. Epinefrina em PCR é EV/IO na dose de 0,01 mg/kg — a via IM na coxa é da anafilaxia, não da parada. Decúbito lateral de segurança é para vítima inconsciente que respira; aqui há PCR e a conduta é RCP.
Menino de 3 anos dá entrada na emergência em parada cardiorrespiratória presenciada. A RCP de alta qualidade é iniciada e o monitor/desfibrilador é acoplado. O ritmo exibido é uma taquicardia ventricular sem pulso. Acesso intraósseo já está estabelecido. A criança pesa 15 kg. Qual é a sequência de conduta mais adequada neste momento?
Correta: TV sem pulso é ritmo chocável — desfibrilação IMEDIATA. A primeira carga no PALS é 2 J/kg (15 kg × 2 = 30 J), retomando-se RCP logo após o choque sem checar pulso. A epinefrina (0,01 mg/kg = 0,15 mg IO) é indicada em ritmos chocáveis após o segundo choque, mas está corretamente dosada e sequenciada no ciclo. Cardioversão SINCRONIZADA é para taquiarritmias COM pulso; em PCR (sem pulso) usa-se desfibrilação (não sincronizada). Amiodarona (5 mg/kg) só entra em FV/TVsp REFRATÁRIA a choques — nunca antes do primeiro choque. Adiar a desfibrilação em ritmo chocável reduz drasticamente a sobrevida; o choque não espera etiologia. A primeira carga é 2 J/kg (30 J), não 4 J/kg; e bicarbonato não é rotina na PCR, reservado a situações específicas (hipercalemia, intoxicação por tricíclicos).
Menina de 5 anos (18 kg) em parada cardiorrespiratória por afogamento. A RCP de alta qualidade está em curso há 12 minutos, com via aérea avançada instalada e ventilação assíncrona adequada. Foram administradas 3 doses de epinefrina. O ritmo, checado a cada 2 minutos, permanece em atividade elétrica sem pulso (AESP), com QRS estreito e frequência em torno de 40/min ao monitor. A gasometria mostra pH 7,10. A temperatura esofágica é de 33 °C. Além de manter a RCP de alta qualidade, qual é a conduta que mais provavelmente reverterá esta parada?
Correta: Em AESP/assistolia o pilar do tratamento — além de RCP e epinefrina — é identificar e corrigir causas reversíveis (Hs e Ts): hipóxia (afogamento), hipovolemia, hipo/hipercalemia, hipotermia, H+ (acidose), pneumotórax, tamponamento, toxinas, trombose. Aqui há hipóxia, hipotermia (33 °C) e acidose potencialmente tratáveis — e na hipotermia a reanimação deve ser prolongada e mantida com reaquecimento ativo antes de se considerar irreversibilidade. Amiodarona é para ritmos CHOCÁVEIS (FV/TVsp); AESP não é indicação, e não há dose diferenciada por QRS estreito. Dopamina/inotrópicos são para o pós-PCR ou choque com pulso, não durante a PCR — a epinefrina não deve ser suspensa. Em vítima hipotérmica a regra clássica é 'não está morto até estar quente e morto' — não se encerra a RCP a 33 °C sem reaquecer; interromper aqui é erro grave. A atropina não faz parte do algoritmo de AESP/assistolia do PALS (foi removida); reserva-se à bradicardia sintomática por tônus vagal aumentado ou bloqueio AV, com pulso presente.
Gestante de 29 anos, 37 semanas, cesariana em andamento, apresenta colapso cardiovascular súbito com hipóxia e, em seguida, parada cardiorrespiratória em atividade elétrica sem pulso (AESP). A equipe inicia imediatamente compressões torácicas de alta qualidade e ventilação. O útero encontra-se gravido e palpável acima da cicatriz umbilical, e o feto ainda não foi extraído no momento da parada. Além das manobras padrão de reanimação, qual intervenção deve ser realizada com o objetivo de otimizar a reanimação materna se não houver retorno da circulação espontânea?
Correta: Na PCR de gestante com útero acima da cicatriz umbilical (≈≥20 semanas), a cesariana perimortem/histerotomia de reanimação deve ser considerada precocemente — idealmente iniciada em torno de 4 minutos e feto extraído em ~5 minutos — pois esvaziar o útero remove a compressão aortocava, melhora o retorno venoso e a eficácia das compressões, beneficiando a MÃE (não é uma decisão sobre viabilidade fetal). Elevar MMII não corrige a compressão aortocava do útero gravídico e não é a medida definidora. Decúbito lateral completo compromete a qualidade das compressões; o correto é deslocamento uterino manual para a esquerda com a paciente em supino. Adiar a extração perpetua a compressão aortocava e piora a reanimação materna. Trombólise empírica não é a conduta indicada nem prioritária nesse contexto de PCR periparto.
Mulher, 62 anos, hipertensa e diabética, está monitorizada na sala de emergência por quadro de dor torácica. Subitamente, de forma presenciada, apresenta colapso, tornando-se irresponsiva, sem pulso central palpável e sem respiração espontânea. O monitor cardíaco exibe ritmo irregular, de amplitude e morfologia caóticas e variáveis, sem complexos QRS identificáveis, compatível com fibrilação ventricular. Um desfibrilador manual encontra-se imediatamente disponível ao lado do leito. Qual é a conduta imediata?
Fibrilação ventricular é ritmo chocável; em parada presenciada e monitorizada, com desfibrilador prontamente disponível, a conduta imediata é a desfibrilação com choque não sincronizado, a única intervenção capaz de reverter o ritmo (opção correta). Adrenalina só entra após o primeiro choque nos ritmos chocáveis, não como medida inicial. Amiodarona é antiarrítmico adjuvante, indicado após choques refratários, nunca antes da desfibrilação. A cardioversão sincronizada exige onda R para sincronizar e é usada em taquiarritmias com pulso — impossível e inadequada na FV. Priorizar ciclos de compressão antes do choque só se aplica quando o desfibrilador não está disponível; aqui ele está pronto, então o choque é imediato.
Homem, 55 anos, tabagista, sofreu parada cardiorrespiratória em fibrilação ventricular, revertida após desfibrilação, com retorno da circulação espontânea (RCE) ao fim de 12 minutos de reanimação. No pós-parada, encontra-se em ventilação mecânica, PA 112/68 mmHg com noradrenalina em dose baixa, FC 92 bpm, SatO2 96%. Sem sedação há 20 minutos, mantém-se comatoso, sem abertura ocular e sem resposta a comandos verbais. ECG de 12 derivações não evidencia supradesnivelamento do segmento ST. Qual medida está indicada para melhorar o prognóstico neurológico deste paciente?
O paciente teve RCE mas permanece comatoso (não responde a comandos), cenário em que o cuidado pós-parada com controle direcionado de temperatura (alvo 32–36 °C, mantido por ≥24 h) é a intervenção com benefício neurológico demonstrado (opção correta). A hiperventilação com hipocapnia causa vasoconstrição cerebral e piora a isquemia — deve-se manter normocapnia. A meta glicêmica de 200–250 mg/dL é inadequada; hiperglicemia sustentada piora o desfecho, buscando-se controle sem hipoglicemia. Corticoide de rotina não melhora prognóstico pós-parada. Manter febre/hipertermia (38 °C) é deletério ao cérebro pós-isquêmico — a conduta é justamente evitar a febre.
Homem, 58 anos, hipertenso, em atendimento no pronto-socorro por dor torácica, subitamente perde a consciência enquanto monitorizado. Ao exame: ausência de pulso central e de respiração espontânea. O monitor cardíaco, já conectado, mostra ritmo de complexos QRS bizarros, polimórficos, de amplitude e frequência irregulares, sem linha de base isoelétrica identificável — compatível com fibrilação ventricular. A equipe está ao lado do paciente com o desfibrilador bifásico imediatamente disponível. Qual é a intervenção prioritária neste momento?
Correta: Em parada cardiorrespiratória por ritmo chocável (FV/TV sem pulso) presenciada e monitorizada, com desfibrilador imediatamente disponível, a conduta prioritária é a desfibrilação precoce com choque NÃO sincronizado, pois é a única intervenção que reverte a arritmia — cada minuto de atraso reduz a sobrevida. A adrenalina entra apenas após o primeiro (ou segundo) choque em ritmo chocável, nunca como primeira medida. Cardioversão sincronizada exige onda R para sincronizar e é usada em taquiarritmias COM pulso; na FV não há complexo sincronizável e o choque deve ser não sincronizado. A amiodarona é antiarrítmico adjuvante para FV/TV refratária (após choques), não a primeira ação. Postergar o choque para dar RCP faz sentido em parada NÃO presenciada/desfibrilador indisponível; com o choque pronto e ritmo chocável monitorizado, desfibrilar primeiro.
Mulher, 72 anos, com história de vômitos e diarreia há 3 dias, é trazida por familiares após síncope em casa. À chegada, encontra-se em parada cardiorrespiratória. Iniciadas compressões torácicas de alta qualidade e ventilação. Na checagem de ritmo, o monitor exibe atividade elétrica organizada, com complexos QRS estreitos a uma frequência de 40/min, porém sem pulso central palpável. Glicemia capilar 96 mg/dL; extremidades frias, mucosas desidratadas. Além de manter a RCP, qual é a conduta mais apropriada?
Correta: o quadro é de atividade elétrica sem pulso (AESP) — ritmo organizado no monitor sem pulso — que é ritmo NÃO chocável. A conduta é RCP contínua, adrenalina 1 mg IV a cada 3–5 min e, decisivamente, buscar e tratar a causa reversível (5H/5T). A história de perdas gastrointestinais + mucosas secas + extremidades frias aponta hipovolemia, que se trata com reposição volêmica agressiva. Desfibrilação e cardioversão não têm papel em ritmo não chocável (AESP/assistolia) e só desperdiçam tempo de compressão. Amiodarona é indicada em FV/TV sem pulso refratária, não em AESP. Marca-passo transcutâneo não tem eficácia comprovada na AESP/assistolia da parada e não deve preceder RCP, adrenalina e correção da causa.
Homem, 64 anos, coronariopata, em parada cardiorrespiratória por fibrilação ventricular presenciada. Foram realizados três choques desfibrilatórios (200 J bifásico) intercalados com ciclos de 2 minutos de RCP de alta qualidade, além de uma dose de adrenalina 1 mg IV após o segundo choque. Apesar das medidas, o paciente permanece em fibrilação ventricular na checagem seguinte. Via de acesso venoso pérvia; capnografia com EtCO2 de 18 mmHg. Qual é o próximo fármaco e a dose corretos a serem administrados?
Correta: Na FV/TV sem pulso REFRATÁRIA (persistente após pelo menos 3 choques e adrenalina), o antiarrítmico de escolha é a amiodarona, na PRIMEIRA dose de 300 mg IV em bolus. Uma segunda dose, se necessária, é de 150 mg. 150 mg é a segunda dose de amiodarona, não a primeira. A lidocaína é alternativa aceitável à amiodarona, porém a dose inicial correta é 1–1,5 mg/kg (não 0,5 mg/kg, que é apenas dose de manutenção/repetição) — dose subterapêutica. A dose de adrenalina na parada é fixa em 1 mg a cada 3–5 min; 3 mg (altas doses) foi abandonada por não melhorar desfecho neurológico. Magnésio só é indicado em torsades de pointes/QT longo ou hipomagnesemia, não na FV refratária monomórfica de rotina.
Homem, 58 anos, hipertenso, apresenta colapso presenciado na sala de emergência. O monitor evidencia fibrilação ventricular. Iniciada RCP de alta qualidade, foram aplicados choques a cada ciclo de 2 minutos; após o segundo choque administrou-se adrenalina 1 mg IV e, após o terceiro choque, amiodarona 300 mg IV em bolus. Persistindo a fibrilação ventricular ao novo checar de ritmo (após o quarto choque e mais um ciclo de RCP), qual das condutas farmacológicas a seguir está indicada NESTE momento? Qual a conduta correta?
Correta: na FV/TV sem pulso refratária, a amiodarona é feita em duas doses — primeira dose 300 mg IV em bolus e, se o ritmo persistir, segunda dose de 150 mg IV. Como o paciente já recebeu os 300 mg iniciais e mantém FV, a conduta é a segunda dose de 150 mg. Erra: a posologia: não se repete a dose de ataque de 300 mg; a segunda dose padronizada é 150 mg. A dose de lidocaína está incorreta — a primeira dose é 1 a 1,5 mg/kg (não 3 mg/kg) e ela é uma alternativa à amiodarona, não indicada após já se ter iniciado amiodarona. A adrenalina no ACLS é 1 mg a cada 3–5 min; 3 mg em bolus não é a dose padrão e a próxima adrenalina só seria devida ao completar o intervalo. O magnésio só está indicado na FV/TV associada a torsades de pointes / QT longo / hipomagnesemia, o que não é o cenário apresentado.
Mulher, 24 anos, asmática, é admitida em crise grave e evolui com necessidade de intubação orotraqueal e ventilação mecânica. Poucos minutos depois torna-se subitamente sem pulso; o monitor mostra atividade elétrica sem pulso (ritmo organizado, sem pulso central). Ao exame durante a RCP: murmúrio vesicular abolido em hemitórax direito, hipertimpanismo à percussão à direita, desvio de traqueia para a esquerda e turgência jugular. PA impalpável. Qual a conduta imediata mais apropriada?
Correta: o quadro é de AESP por causa reversível — pneumotórax hipertensivo (um dos 5 T), altamente provável em asmático ventilado com MV abolido, hipertimpanismo, desvio contralateral de traqueia e turgência jugular. O tratamento é imediato: descompressão com agulha seguida de drenagem torácica, junto à RCP. AESP NÃO é ritmo chocável — desfibrilar é inútil e não corrige a causa. Bicarbonato não é rotina na PCR e não trata a obstrução mecânica ao retorno venoso. Trombolítico empírico se aplicaria à suspeita de TEP maciço, não ao pneumotórax hipertensivo com esses achados. Aumentar adrenalina acima de 1 mg não é padronizado e não reverte a causa mecânica — sem descomprimir o tórax, não há retorno de circulação.
Homem, 60 anos, internado em UTI coronariana no pós-infarto, sob monitorização contínua. Enquanto conversava com a equipe, apresenta subitamente perda de consciência; o monitor exibe fibrilação ventricular e há um desfibrilador imediatamente disponível ao lado do leito. Qual a conduta imediata?
Correta: em parada por FV/TV sem pulso presenciada e monitorizada, com desfibrilador imediatamente disponível, a prioridade absoluta é a desfibrilação precoce — é a intervenção que mais aumenta a sobrevida nesse ritmo chocável. A adrenalina em ritmo chocável só entra após o segundo choque, não como primeira medida. Retardar o choque para fazer 2 min de RCP se justifica quando a parada NÃO foi presenciada / o desfibrilador demora a chegar — não aqui, em que o aparelho está pronto. A amiodarona é antiarrítmico de refratariedade (após choques + adrenalina), nunca a primeira conduta. O soco precordial tem eficácia muito baixa e só é considerado em FV/TV monitorizada quando o desfibrilador ainda NÃO está disponível — não deve atrasar a desfibrilação, que aqui é imediata.
Homem, 58 anos, internado em UTI, submetido há cerca de 20 minutos à punção da veia subclávia direita para instalação de cateter venoso central. Evolui subitamente com dispneia intensa, agitação e hipotensão (PA 60x40 mmHg), seguidas de perda de consciência. Ao monitor cardíaco observa-se ritmo organizado, com complexos QRS estreitos a 40 bpm, porém sem pulso central palpável; iniciada RCP de alta qualidade. Ao exame: turgência jugular, desvio da traqueia para a esquerda, ausência de murmúrio vesicular e timpanismo à percussão no hemitórax direito. Qual é a conduta prioritária?
O quadro é uma parada cardiorrespiratória em atividade elétrica sem pulso (AESP): ritmo organizado no monitor, porém sem pulso. A chave do ACLS na AESP é tratar a causa reversível (Hs e Ts). A tríade turgência jugular + desvio contralateral de traqueia + abolição do murmúrio vesicular com timpanismo à percussão, logo após punção de subclávia, define pneumotórax hipertensivo — daí a conduta prioritária ser a descompressão torácica por agulha seguida de drenagem. Pericardiocentese trata tamponamento cardíaco, cujos achados seriam bulhas abafadas e pulso paradoxal, sem timpanismo nem desvio traqueal — os sinais aqui apontam para pneumotórax, não tamponamento. Amiodarona é antiarrítmico reservado a FV/TV sem pulso refratárias (ritmos chocáveis), não tem indicação na AESP. Choque é contraindicado na AESP, que é ritmo não chocável. Manter apenas RCP e adrenalina é insuficiente: sem drenar o pneumotórax hipertensivo, o retorno da circulação espontânea não ocorre, pois a causa mecânica persiste.
Menino, 4 anos, aproximadamente 15 kg, previamente hígido, apresenta colapso súbito presenciado em casa após engasgo com alimento. Levado ao pronto-socorro em parada cardiorrespiratória. O monitor evidencia fibrilação ventricular. Inicia-se RCP de alta qualidade e desfibrilação com 2 J/kg (30 J). Após 2 minutos de compressões, mantém fibrilação ventricular; recebe novo choque de 4 J/kg (60 J) seguido de epinefrina 0,15 mg (0,01 mg/kg) IV. Após mais 2 minutos de RCP, a checagem de ritmo revela persistência da fibrilação ventricular e um novo choque de 4 J/kg é aplicado. Qual a próxima medicação e a dose corretas a serem administradas?
Correta: Na FV/TV sem pulso refratária a choques na criança, o antiarrítmico de escolha é a amiodarona 5 mg/kg em bólus IV/IO (15 kg × 5 mg/kg = 75 mg), administrada após o 3º choque e podendo ser repetida até 2 vezes (PALS/AHA; SBP). A lidocaína é a alternativa aceitável à amiodarona, porém sua dose é 1 mg/kg (15 mg); 5 mg/kg (75 mg) é a dose da amiodarona, não da lidocaína — dose errada. 0,1 mg/kg de epinefrina (1,5 mg) é 10× a dose correta (0,01 mg/kg = 0,15 mg), erro clássico de diluição; além disso a epinefrina já havia sido feita e não é o próximo passo aqui. Adenosina trata taquicardia supraventricular, não FV. Sulfato de magnésio só é indicado em torsades de pointes ou hipomagnesemia, ausentes neste caso.
Mulher, 28 anos, primigesta, 35 semanas, evolui durante o trabalho de parto com dispneia subita, hipotensao refrataria e, em seguida, parada cardiorrespiratoria em atividade eletrica sem pulso, com quadro compativel com embolia por liquido amniotico. A equipe inicia imediatamente compressoes toracicas e ventilacao. O utero e palpavel acima da cicatriz umbilical. Considerando o manejo da PCR na gestante, qual conduta esta corretamente indicada?
Correta: na PCR de gestante com utero no nivel ou acima da cicatriz umbilical (aproximadamente >= 20 semanas), a histerotomia de reanimacao deve ser iniciada se nao houver retorno da circulacao espontanea em ate 4 minutos de RCP adequada, com meta de extracao fetal por volta de 5 minutos; isso descomprime a aorta/cava, melhora o retorno venoso e as chances de reanimacao materna. A energia de desfibrilacao NAO se altera na gestacao (usar as doses habituais). Para as compressoes a paciente deve permanecer em decubito dorsal, com deslocamento uterino manual para a esquerda; o decubito lateral compromete a qualidade das compressoes. As drogas do ACLS, incluindo adrenalina, sao mantidas nas doses e intervalos habituais. A gestante tem via aerea de alto risco e demanda intubacao precoce por profissional experiente, e nao adiamento do manejo avancado da via aerea.
Homem de 62 anos, tabagista e portador de DPOC, é trazido ao pronto-socorro de uma UPA após colapso súbito em casa. À chegada, encontra-se irresponsivo, sem pulso central palpável e sem respiração espontânea. A equipe inicia manobras de reanimação cardiopulmonar de alta qualidade e instala o monitor cardíaco, que evidencia um ritmo organizado, com complexos QRS estreitos e frequência de aproximadamente 70 bpm, porém sem pulso detectável em nenhum momento da avaliação. Não há sinais de circulação. Considerando o ritmo identificado, qual é a conduta imediata mais apropriada, respectivamente, quanto à desfibrilação e à terapia medicamentosa?
O quadro descreve atividade elétrica sem pulso (AESP): ritmo organizado no monitor sem pulso detectável — ritmo NÃO chocável. A conduta é RCP de alta qualidade + adrenalina 1 mg IV precoce e busca ativa das causas reversíveis (Hs e Ts), como no algoritmo de PCR do ACLS. Indicar desfibrilação erra: é reservada a FV/TV sem pulso (ritmos chocáveis); atropina não faz parte do algoritmo atual de PCR. Adenosina trata taquiarritmias com pulso, não a PCR.
Mulher de 55 anos, hipertensa, está em investigação de dor torácica intensa na sala de emergência quando subitamente perde a consciência, tornando-se irresponsiva, sem pulso central e sem respiração. A equipe inicia compressões torácicas e conecta o desfibrilador/monitor, que mostra um ritmo caótico, totalmente irregular, com ondas de amplitude e morfologia variáveis e sem complexos QRS identificáveis. O carrinho de emergência está disponível e o desfibrilador é bifásico. Diante do ritmo observado, qual é a conduta prioritária a ser adotada?
O ritmo caótico, irregular, sem QRS definido é fibrilação ventricular — ritmo chocável. Em PCR por FV/TV sem pulso a prioridade é a desfibrilação precoce (choque único), retomando compressões logo após. A adrenalina é adjuvante e não deve atrasar o choque (opção errada). Cardioversão sincronizada só se aplica a arritmias COM pulso — não há onda R para sincronizar na FV. Errada: a FV é justamente o ritmo chocável por excelência.
Homem de 48 anos, portador de doença renal crônica em programa de hemodiálise, faltou às duas últimas sessões. É levado ao pronto-socorro com mal-estar, náuseas e fraqueza muscular e, durante a avaliação inicial, evolui com parada cardiorrespiratória. Iniciada a RCP de alta qualidade, o monitor mostra um ritmo com complexos QRS progressivamente alargados que degenera para um ritmo sem pulso. Uma gasometria colhida momentos antes da parada revelava potássio sérico de 7,8 mEq/L. Além das manobras de RCP e da adrenalina, qual medicação deve ser administrada prioritariamente para tratar a causa reversível mais provável desta parada?
O contexto (renal crônico dialítico, faltas à diálise, QRS alargado, K+ 7,8 mEq/L) aponta hipercalemia como causa reversível da PCR (um dos Hs). A prioridade é o cálcio IV (gluconato ou cloreto), que estabiliza a membrana miocárdica de imediato; medidas para deslocar/remover potássio (insulina+glicose, bicarbonato, diálise) vêm em seguida. Magnésio trata torsades, não hipercalemia. Amiodarona não corrige o distúrbio de base. Glicose sem insulina não desloca potássio e ainda pode piorar a hiperosmolaridade.
Um homem de 25 anos é retirado do mar por banhistas em uma praia e trazido ao posto de atendimento pré-hospitalar. Testemunhas relatam que ele desapareceu na água por cerca de três minutos antes do resgate. À chegada da equipe, o paciente está inconsciente, não responsivo, sem movimentos respiratórios e com pulso central ausente após checagem de 10 segundos. Há grande quantidade de espuma na boca e nas narinas. Não há sinais de trauma cervical, e o mecanismo relatado não sugere queda ou mergulho em água rasa. A equipe dispõe de dispositivo bolsa-válvula-máscara com oxigênio e de um desfibrilador externo automático. Qual é a conduta inicial mais adequada nesse caso de afogamento?
O afogamento é a exceção clássica à sequência C-A-B: a parada cardiorrespiratória é de origem HIPÓXICA (asfixia), e não primariamente arrítmica, de modo que as diretrizes brasileiras (SOBRASA) e a AHA recomendam iniciar por 2 a 5 ventilações de resgate e manter RCP com ciclos 30:2 priorizando a oxigenação. Errada: a estratégia de compressões primeiro (ou só compressões) é apropriada para a parada de causa cardíaca presumida no adulto, não para a parada hipóxica do afogamento. Errada: a manobra de Heimlich está formalmente contraindicada na rotina do afogamento — não remove água do pulmão, atrasa a ventilação e aumenta o risco de regurgitação e broncoaspiração; só se cogita desobstrução se houver corpo estranho visível obstruindo a via aérea. Errada: a posição de recuperação é para vítima que respira espontaneamente; aqui, aguardar diante de apneia e ausência de pulso é conduta letal — a espuma é edema pulmonar e não deve retardar a ventilação.
Homem de 58 anos, tabagista e hipertenso, chega à UPA com dor torácica retroesternal iniciada há 40 minutos. Durante a monitorização, apresenta perda súbita da consciência, ausência de pulso central e respiração agônica. O monitor mostra ritmo caótico, de amplitude variável, sem complexos identificáveis. A equipe inicia compressões torácicas de alta qualidade e aplica um choque bifásico de 200 J, seguido de dois minutos de reanimação; o ritmo persiste. É obtido acesso venoso periférico, aplicado o segundo choque e administrada adrenalina 1 mg por via intravenosa. Após novo ciclo de dois minutos e a terceira desfibrilação, a checagem de ritmo mantém o mesmo traçado, sem pulso. Considerando a situação descrita, qual é a conduta a ser adotada neste momento?
O traçado descrito (ritmo caótico, sem complexos identificáveis, com ausência de pulso) é fibrilação ventricular, ritmo chocável. Nas diretrizes de suporte avançado de vida, após a terceira desfibrilação sem reversão (FV refratária), com adrenalina já administrada, o próximo passo é o antiarrítmico: amiodarona 300 mg IV em bolus (podendo ser repetida 150 mg), mantendo o ciclo RCP–checagem–choque a cada 2 minutos — alternativa correta. O sulfato de magnésio não é rotina na FV refratária: está reservado à torsades de pointes/QT longo, e reduzir a energia do choque é contrário à recomendação (manter ou escalonar a energia). O bicarbonato de sódio não é indicado de rotina na PCR (só em situações específicas, como hipercalemia ou intoxicação por tricíclicos), e a vasopressina foi retirada do algoritmo por não oferecer vantagem sobre a adrenalina. Marca-passo transcutâneo não tem qualquer papel em ritmo chocável e a suspensão dos choques removeria a única intervenção capaz de reverter a FV.
Mulher de 62 anos, com doença renal crônica em hemodiálise três vezes por semana, é levada ao pronto-socorro por fraqueza muscular progressiva e mal-estar. A acompanhante informa que a paciente faltou às duas últimas sessões de diálise. Ao exame: sonolenta, PA 100/60 mmHg, FC 48 bpm, força muscular globalmente reduzida em membros inferiores. O eletrocardiograma mostra ondas T apiculadas e simétricas nas precordiais, achatamento da onda P e alargamento do QRS. Enquanto se aguarda o resultado laboratorial, a paciente evolui com perda de consciência e ausência de pulso carotídeo; o monitor exibe ritmo organizado, com complexos alargados, a 30 bpm. Quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta imediata?
Há ritmo organizado no monitor sem pulso palpável: por definição, atividade elétrica sem pulso (AESP), ritmo não chocável. O contexto (diálise faltada, fraqueza muscular ascendente) somado ao ECG (T apiculada, achatamento de P, alargamento do QRS) identifica a hipercalemia como a causa reversível — um dos Hs do algoritmo. A conduta é RCP de alta qualidade com adrenalina e tratamento simultâneo da causa: gluconato de cálcio a 10% IV para estabilizar a membrana miocárdica (seguido das medidas de deslocamento intracelular, como insulina com glicose e bicarbonato) — alternativa correta. Desfibrilar é erro clássico em AESP: não há ritmo chocável, e o choque só interrompe as compressões. Atropina e marca-passo tratam bradiarritmia com pulso; a paciente está em PCR, e a atropina foi retirada do algoritmo de AESP. Priorizar a hemodiálise e postergar as drogas inverte a ordem: a diálise remove o potássio, mas leva tempo e não é aplicável durante a reanimação sem antes estabilizar a membrana.
Homem de 55 anos apresenta parada cardiorrespiratória presenciada em uma UPA. O ritmo inicial é fibrilação ventricular e, após 12 minutos de reanimação, com duas desfibrilações e adrenalina, obtém-se retorno da circulação espontânea. O paciente permanece intubado, em ventilação mecânica, sem sedação nos últimos minutos, com Escala de Coma de Glasgow 3, sem abertura ocular e sem resposta a comandos verbais. PA 100/60 mmHg, FC 92 bpm, SpO2 100% com FiO2 de 100%. A glicemia capilar é de 130 mg/dL e o eletrocardiograma pós-retorno da circulação não mostra supradesnivelamento do segmento ST. Está sendo providenciada a transferência para leito de terapia intensiva. Qual é a conduta adequada nos cuidados pós-parada?
Nos cuidados pós-parada, os pilares são otimizar oxigenação/ventilação, estabilizar a hemodinâmica, tratar a causa e proteger o encéfalo. Deve-se titular a FiO2 para SpO2 de 92%–98% (a hiperóxia associa-se a pior desfecho neurológico) e, em paciente comatoso, sem resposta a comandos após o retorno da circulação, indicar o controle direcionado de temperatura com alvo entre 32 °C e 36 °C, mantido por pelo menos 24 horas, em ambiente de terapia intensiva — alternativa correta. Manter FiO2 a 100% perpetua a hiperóxia, e a hiperventilação profilática é deletéria: reduz o fluxo sanguíneo cerebral por vasoconstrição (o alvo é a normocapnia, PaCO2 de 35–45 mmHg). Prognosticação neurológica não deve ser feita nas primeiras horas — recomenda-se aguardar pelo menos 72 horas após o retorno da circulação (ou após o reaquecimento), com o paciente livre de sedação e uso de multimodalidade; decidir suspensão de suporte com base em um Glasgow obtido logo após a parada é tecnicamente incorreto e eticamente inaceitável. Permitir/induzir temperatura acima de 37,5 °C contraria a recomendação de evitar ativamente a febre, e o bicarbonato não é indicado de rotina para a acidose pós-parada, que se corrige com ventilação e perfusão adequadas.
Uma gestante de 28 anos, com 36 semanas, dá entrada em uma UPA com dispneia súbita e cianose iniciadas há 10 minutos. Durante a avaliação, evolui para parada cardiorrespiratória com ritmo de atividade elétrica sem pulso. A equipe inicia compressões torácicas, obtém via aérea avançada e acesso venoso em membro superior. O fundo uterino está palpável cerca de 4 cm acima da cicatriz umbilical. Um obstetra e um neonatologista estão disponíveis na unidade, e há material cirúrgico no local. Após 4 minutos de manobras de ressuscitação bem conduzidas, a paciente permanece sem retorno da circulação espontânea.
Com útero acima da cicatriz umbilical (compressão aortocava significativa) e ausência de retorno da circulação espontânea após 4 minutos, a conduta é cesariana perimortem imediata no local da ressuscitação, com deslocamento uterino manual para a esquerda — o esvaziamento uterino restaura o retorno venoso e é medida de ressuscitação MATERNA, além de chance para o feto. Transportar a paciente interrompe compressões efetivas e desperdiça a janela de 5 minutos. O decúbito lateral a 30 graus compromete a qualidade das compressões e é inferior ao deslocamento uterino manual durante a parada. Fibrinolítico empírico não é a prioridade e agrava a coagulopatia.
Homem de 62 anos, tabagista e hipertenso, chega à UPA queixando-se de dor precordial em aperto iniciada há 40 minutos, com irradiação para o membro superior esquerdo e sudorese. Enquanto a equipe instala o monitor, ele apresenta perda súbita da consciência, sem pulso central palpável e sem respiração eficaz. O traçado do monitor/desfibrilador mostra fibrilação ventricular. A equipe inicia compressões torácicas de alta qualidade, providencia via aérea com bolsa-válvula-máscara e acesso venoso periférico. Foram aplicados três choques com desfibrilador bifásico (200 J cada), intercalados por ciclos de 2 minutos de reanimação cardiopulmonar, e já foi administrada adrenalina 1 mg por via intravenosa após o segundo choque. Ao final do ciclo seguinte, o ritmo permanece em fibrilação ventricular, sem pulso. Qual é a conduta a ser adotada neste momento?
Trata-se de fibrilação ventricular refratária (persistente após três choques e adrenalina). As diretrizes de suporte avançado de vida em cardiologia recomendam, nesse cenário, o antiarrítmico amiodarona 300 mg IV em bolus (podendo-se repetir 150 mg), mantendo o ciclo choque–RCP–droga, com mínima interrupção das compressões — daí a alternativa correta. Bicarbonato de sódio não é indicado de rotina na PCR (só em situações específicas, como hipercalemia ou intoxicação por tricíclicos) e não melhora a resposta ao choque. Cardioversão sincronizada é impossível e contraindicada na FV, que exige choque não sincronizado (desfibrilação); além disso, interromper compressões para isso é deletério. A intubação orotraqueal é medida de suporte e nunca deve ter prioridade sobre desfibrilação, compressões de qualidade e drogas nos ritmos chocáveis.
Mulher de 71 anos é encontrada inconsciente no corredor de uma unidade de pronto atendimento. A equipe constata ausência de resposta, respiração agônica e ausência de pulso carotídeo em até 10 segundos. Iniciam-se compressões torácicas e ventilações com bolsa-válvula-máscara na relação 30:2, obtém-se acesso venoso periférico e instala-se o desfibrilador manual com as pás no tórax. O traçado exibe uma linha praticamente reta. O médico confere o posicionamento dos eletrodos, o ganho do aparelho e checa o ritmo em outra derivação, confirmando ausência de atividade elétrica, compatível com assistolia. Qual é a conduta imediata correta?
A assistolia é ritmo NÃO chocável. Após o protocolo da linha reta (checar cabos/eletrodos, ganho e outra derivação), a conduta é retomar imediatamente RCP de alta qualidade e administrar adrenalina 1 mg IV o mais precocemente possível, repetindo a cada 3 a 5 minutos, enquanto se buscam causas reversíveis (5H e 5T) — por isso a primeira alternativa é a correta. Desfibrilar assistolia não tem benefício, aumenta o tempo sem compressões e pode piorar o prognóstico. Cardioversão sincronizada exige complexo QRS para sincronizar e é indicada em taquiarritmias com pulso, jamais em PCR. Marca-passo transcutâneo não está indicado na assistolia (não melhora sobrevida) e retardaria compressões e adrenalina, que são as medidas com impacto comprovado.
Homem de 48 anos, com doença renal crônica em hemodiálise três vezes por semana, faltou às duas últimas sessões. Foi levado ao pronto-socorro com fraqueza intensa e náuseas. Na admissão, apresentava-se sonolento, com pressão arterial de 100x60 mmHg; o ECG mostrava ondas T apiculadas e simétricas, com alargamento do QRS. Enquanto se aguardava o resultado laboratorial, evoluiu com perda da consciência e ausência de pulso. As compressões torácicas foram iniciadas e o monitor evidenciou ritmo organizado, com QRS largo, a 40 bpm, sem pulso palpável. Nesse momento, o laboratório informa potássio sérico de 7,9 mEq/L. Além de manter a reanimação cardiopulmonar e a adrenalina, qual é a conduta específica indicada?
O quadro é de atividade elétrica sem pulso (AESP) por hipercalemia grave — causa reversível clássica (um dos 5H), sugerida pela falta às sessões de diálise e pelo ECG com ondas T apiculadas e alargamento do QRS. O tratamento específico durante a RCP é o cálcio intravenoso (gluconato de cálcio a 10%), que estabiliza a membrana miocárdica, seguido de medidas que deslocam o potássio para o intracelular (insulina regular com glicose, com bicarbonato conforme o caso) e, definitivamente, hemodiálise após o RCE — por isso a última alternativa é a correta. Desfibrilar é inútil e prejudicial: AESP é ritmo não chocável, e o QRS largo aqui é metabólico, não taquiarritmia. O sulfato de magnésio é a droga da torsades de pointes e da eclâmpsia, não estabiliza a membrana na hipercalemia. Trombolítico só se consideraria diante de forte suspeita de TEP maciço, o que não se aplica quando há causa metabólica documentada e tratável.
Homem de 62 anos, portador de doença renal crônica em hemodialise três vezes por semana, é levado por familiares à unidade de pronto atendimento com queixa de fraqueza muscular progressiva e mal-estar. Refere ter faltado às duas últimas sessões de diálise por dificuldade de transporte. Ao exame: sonolento, descorado ++/4+, PA 100x60 mmHg, FC 44 bpm, FR 22 irpm, SatO2 95% em ar ambiente, extremidades frias. O eletrocardiograma mostra bradicardia com QRS alargado (0,16 s), ondas T apiculadas e simétricas e achatamento da onda P. Enquanto se obtém acesso venoso, o paciente torna-se irresponsivo, sem pulso central e sem respiração. O monitor exibe ritmo bradicárdico com complexos alargados, sem pulso palpável. Iniciam-se imediatamente compressões torácicas de alta qualidade e ventilação com bolsa-válvula-máscara.
O caso descreve parada cardiorrespiratória em atividade elétrica sem pulso (AESP) com causa reversível evidente: hipercalemia grave por perda de sessões de diálise, sugerida pelo quadro clínico e pelos achados eletrocardiográficos clássicos (T apiculada e simétrica, alargamento progressivo do QRS, achatamento/desaparecimento da onda P e bradicardia). Nas diretrizes de suporte avançado de vida, o tratamento da AESP consiste em RCP de alta qualidade + adrenalina + correção da causa (Hs e Ts); no distúrbio hidroeletrolítico hipercalêmico, o antagonista de membrana — gluconato de cálcio a 10% IV — é a medida específica e imediata, pois estabiliza o potencial de membrana do miócito e restaura a excitabilidade cardíaca, sendo depois complementada por medidas de deslocamento intracelular (insulina + glicose, bicarbonato) e diálise. CORRETA: Incorreta: AESP é ritmo NÃO chocável; o choque não está indicado e interrompe as compressões sem benefício. Incorreta: a amiodarona é reservada a fibrilação ventricular/taquicardia ventricular sem pulso refratárias ao terceiro choque, não à AESP. Incorreta: a atropina foi retirada do algoritmo de parada cardiorrespiratória e não tem papel na AESP; além disso não corrige a hipercalemia, que é a causa do quadro.
Gestante de 28 anos, com 37 semanas, sofre parada cardiorrespiratória em ritmo não chocável na sala de emergência de um hospital do SUS, após colapso súbito compatível com embolia de líquido amniótico. A equipe inicia manobras de reanimação cardiopulmonar. O útero é palpável acima da cicatriz umbilical. Além das compressões torácicas de alta qualidade e da ventilação, qual medida é fundamental para melhorar o retorno venoso durante a RCP nessa paciente?
A partir de aproximadamente 20 semanas (fundo uterino na cicatriz umbilical ou acima), o útero gravídico comprime a veia cava inferior e a aorta, reduzindo o retorno venoso e a eficácia da RCP. As diretrizes atuais recomendam o deslocamento uterino manual contínuo para a esquerda mantendo a paciente em decúbito dorsal, o que preserva a qualidade das compressões torácicas. A inclinação lateral do tronco foi abandonada como medida primária porque compromete a qualidade das compressões. Trendelenburg e elevação de membros não têm papel na PCR e não corrigem a compressão aortocaval.
Na mesma paciente de 37 semanas em parada cardiorrespiratória por provável embolia de líquido amniótico, a RCP de alta qualidade e o deslocamento uterino manual são mantidos, mas não há retorno da circulação espontânea após 4 minutos de manobras. O útero permanece acima da cicatriz umbilical e há equipe obstétrica e material cirúrgico disponíveis no local. Qual é a conduta indicada neste momento?
A cesárea perimortem (histerotomia de reanimação) está indicada quando não há retorno da circulação espontânea em torno de 4 minutos de PCR em gestante com fundo uterino na cicatriz umbilical ou acima (≈≥20 semanas), com o objetivo de completar a extração fetal em até 5 minutos do início da parada. Ela deve ser feita no próprio local da reanimação, pois o esvaziamento uterino alivia a compressão aortocaval e melhora o retorno venoso materno — é uma medida de reanimação da mãe, não apenas de salvamento fetal. Transferir a paciente ou aguardar mais 10 minutos desperdiça o intervalo crítico, e a ultrassonografia para avaliar vitalidade fetal atrasa uma intervenção cuja indicação independe do estado do feto.
Durante uma festa em chácara, uma menina de 6 anos é retirada do fundo da piscina após permanecer submersa por cerca de 3 minutos, tendo sido vista brincando sozinha na borda momentos antes. Um médico presente a posiciona em decúbito dorsal, à beira da piscina, sobre superfície rígida. À avaliação inicial: irresponsiva, sem movimentos respiratórios efetivos (apenas gasping ocasional), cianótica, com pulso central palpável e regular a 80 bpm. O serviço de emergência já foi acionado e um desfibrilador externo automático está a caminho. Assinale a conduta imediata mais adequada.
São dois passos: (1) reconhecer que há PARADA RESPIRATÓRIA com pulso presente (gasping não é respiração efetiva, mas o pulso central é palpável a 80 bpm — acima de 60, portanto sem indicação de compressões); (2) lembrar que o afogamento é uma parada de origem HIPÓXICA, em que a prioridade é a oxigenação (sequência A-B-C, com ventilações de resgate precoces). A conduta é abrir a via aérea e ventilar 1 vez a cada 2-3 segundos (20-30/min), reavaliando o pulso a cada 2 minutos — se cair abaixo de 60 bpm com sinais de má perfusão, iniciam-se as compressões. As compressões 30:2 em C-A-B estão erradas aqui porque há pulso adequado. Heimlich/compressão abdominal é formalmente contraindicado no afogamento: não retira água dos pulmões, atrasa a ventilação e aumenta o risco de regurgitação e broncoaspiração. Decúbito lateral e espera são inaceitáveis diante de apneia.
Gestante de 28 anos, 38 semanas, evolui durante cesariana com colapso cardiovascular súbito, hipoxemia e sangramento incoercível. Após 1 minuto sem pulso central palpável, é confirmada parada cardiorrespiratória em atividade elétrica sem pulso. A equipe inicia compressões torácicas de alta qualidade e ventilação. Sobre o manejo imediato dessa PCR na gestante a termo, além das medidas padrão do suporte avançado, a intervenção que mais reduz a mortalidade materna e deve ser priorizada é:
Na PCR de gestante com útero no nível ou acima da cicatriz umbilical (≈≥20 semanas), a cesariana perimortem deve ser iniciada por volta de 4 minutos de PCR sem retorno, visando o parto em ~5 minutos: esvazia o útero, alivia a compressão aortocava e melhora o retorno venoso e a reanimação materna. Não se adia o procedimento à espera de estabilização — a histerotomia É parte da reanimação. O decúbito lateral completo prejudica compressões eficazes; usa-se deslocamento uterino manual para a esquerda com a paciente supina. Trombolítico não é indicado empiricamente na ELA (agrava a coagulopatia).
Mulher, 74 anos, internada por pneumonia, é encontrada irresponsiva e sem pulso. Iniciada a RCP, o monitor mostra uma linha reta. Qual é a sequência correta de condutas?
Linha reta obriga o protocolo da linha reta antes de qualquer decisão: verificar conexões de cabos e eletrodos, aumentar o ganho do sinal e checar o ritmo em segunda derivação — para não tratar cabo solto como parada nem confundir FV fina com assistolia. Confirmada a assistolia, o tratamento é RCP de alta qualidade com adrenalina 1 mg o mais rápido possível, repetida a cada 3–5 minutos, e busca de causas reversíveis. Desfibrila sem confirmar o ritmo — assistolia não é chocável; Antecipa uma decisão de interrupção que exige causas afastadas e contexto; Ressuscita a atropina, que é droga de bradicardia com pulso e está fora do algoritmo de PCR; Marca-passo não tem papel na assistolia em parada.
Durante a reanimação de um paciente intubado, com capnografia de forma de onda instalada, o valor de PETCO2 mantém-se em 8 mmHg apesar de 10 minutos de manobras. Como interpretar e agir?
PETCO2 abaixo de 10 mmHg durante a RCP revela pouca probabilidade de retorno da circulação espontânea e funciona como alarme de qualidade: revisar profundidade, retorno do tórax, frequência e fração de compressão. O tubo em esôfago produz ausência de onda de capnografia, não um valor baixo sustentado com forma de onda presente; O valor baixo por mais de 20 minutos entra na decisão de interromper, mas nunca como critério isolado; RCP eficaz costuma sustentar valores acima de 10 mmHg; O RCE se anuncia pelo oposto — elevação súbita e sustentada do PETCO2, tipicamente para a faixa de 35 a 45 mmHg.
Homem, 45 anos, vítima de acidente motociclístico com trauma torácico, intubado e em ventilação mecânica na sala de emergência, evolui com pressões de pico crescentes no ventilador e, em seguida, parada cardiorrespiratória em atividade elétrica sem pulso. Ausculta: murmúrio vesicular abolido à direita, com hipertimpanismo à percussão e desvio de traqueia para a esquerda. Além das compressões e da adrenalina, qual conduta é prioritária?
AESP é o ritmo das causas reversíveis, e a vinheta monta o T de 'tensão no tórax': trauma torácico + ventilação mecânica + pico de pressão subindo + murmúrio abolido unilateral + hipertimpanismo + desvio de traqueia = pneumotórax hipertensivo. O tratamento que reverte a parada é a descompressão torácica imediata — sem ela, compressão e adrenalina apenas adiam o desfecho. AESP não é ritmo chocável, ainda que haja QRS no monitor; Tamponamento cursaria com bulhas abafadas e turgência, não com hipertimpanismo e murmúrio abolido; Não há elemento para TEP; Oxigênio e espera não tratam a causa mecânica que impede o retorno venoso.
Durante um atendimento de parada cardiorrespiratória no pronto-socorro, o médico que lidera a reanimação orienta a equipe sobre a técnica das compressões torácicas no adulto. Qual conjunto de parâmetros caracteriza a RCP de alta qualidade?
Os números da RCP de alta qualidade: 100 a 120 compressões/min, deprimindo o tórax no mínimo 5 cm sem exceder 6 cm, com retorno completo a cada compressão, interrupções mínimas (pausas de até 10 segundos para duas ventilações) e troca de compressor a cada 2 minutos. Usa frequência e profundidade insuficientes; Extrapola os tetos e atrasa o revezamento — a fadiga degrada a compressão antes de 5 minutos; Descreve o erro de apoiar-se no tórax, que impede o retorno e reduz o enchimento cardíaco; Inverte o conceito de fração de compressão, cujo objetivo é ser a MAIOR possível, com mínimo de 60%.
Paciente em parada cardiorrespiratória é intubado durante a reanimação, com posicionamento do tubo confirmado por capnografia. A partir desse momento, como devem ser conduzidas compressões e ventilações?
Com via aérea avançada instalada e confirmada, abandona-se o 30:2: as compressões passam a ser contínuas, a 100–120/min, e as ventilações correm em paralelo — 1 a cada 6 segundos (10/min), não sincronizadas, com checagem de ritmo mantida a cada 2 minutos. O 30:2 vale apenas ANTES da via aérea avançada; 20 ventilações/min é hiperventilação, que eleva a pressão intratorácica e reduz o débito das compressões; Checagem de pulso a cada minuto multiplica interrupções e destrói a fração de compressão; 15:2 é relação da RCP pediátrica com dois socorristas, não do adulto com via aérea avançada.
Homem, 58 anos, aguardava eletrocardiograma na sala de observação por dor torácica quando se tornou irresponsivo. A equipe constata ausência de pulso carotídeo e respiração agônica em menos de 10 segundos e inicia compressões torácicas. O monitor multiparamétrico, já conectado, mostra ondas caóticas e irregulares, sem complexos QRS identificáveis. O desfibrilador bifásico está carregado conforme a recomendação do fabricante (200 J). Qual é a conduta imediata?
Traçado caótico sem QRS em paciente sem pulso é fibrilação ventricular: ritmo chocável, e a prioridade absoluta é a desfibrilação precoce — choque único na energia recomendada pelo fabricante (200 J no bifásico), seguido de 2 minutos de RCP começando pelas compressões, sem checagem imediata de pulso. Adrenalina entra depois que as desfibrilações iniciais falham; amiodarona só na FV refratária a choque e vasopressor; choques empilhados saíram dos algoritmos há décadas porque cada segundo sem compressão custa perfusão; e a via aérea avançada nunca precede o choque no ritmo chocável.
Mulher, 66 anos, reanimada de parada cardiorrespiratória em fibrilação ventricular, com retorno da circulação espontânea há 30 minutos. Está intubada, não obedece comandos, PA 92/58 mmHg (PAM 69 mmHg), SpO2 99% com FiO2 100%. O ECG de 12 derivações não mostra supradesnível de ST. Segundo a revisão de 2025 das diretrizes americanas, qual conjunto de metas orienta o cuidado?
As metas de 2025 no pós-RCE: SpO2 de 90 a 98% (PaO2 60–105 mmHg) titulando a FiO2 — hiperóxia também lesa; PaCO2 de 35 a 45 mmHg; PAM mínima de 65 mmHg evitando ativamente hipotensão; e, no paciente que não obedece comandos, controle deliberado de temperatura com meta entre 32 e 37,5 °C iniciado o quanto antes e mantido por pelo menos 36 horas. Erra ao perpetuar FiO2 100%, exigir PAM ≥ 90 e impor 33 °C universal — o guarda-chuva atual inclui normotermia com prevenção de febre; Inventa faixa e conduta térmica — 38 °C é febre a ser prevenida; Hiperventilação e SpO2 100% são exatamente o que se evita; O prognóstico neurológico é multimodal e tipicamente a partir de 72 horas, livre de sedação.
Homem, 61 anos, em parada cardiorrespiratória por fibrilação ventricular, permanece no mesmo ritmo após três desfibrilações adequadas, compressões de alta qualidade e duas doses de adrenalina. Qual é o próximo fármaco e sua dose?
FV que persiste apesar de RCP, desfibrilação e vasopressor indica antiarrítmico: amiodarona 300 mg IV/IO em bolus, com dose adicional de 150 mg intercalada com o vasopressor — na prática, após o terceiro choque. O magnésio não é rotina; reserva-se à torsades de pointes e à hipomagnesemia; A vasopressina saiu do algoritmo por não oferecer vantagem sobre a adrenalina, isolada ou combinada; A lidocaína é alternativa legítima, mas na dose de 1 a 1,5 mg/kg, com segunda dose de 0,5 a 0,75 mg/kg — 3 mg/kg está errado; Bicarbonato não é droga de rotina na parada, ficando para hipercalemia e intoxicações específicas.
Homem de 58 anos em parada por fibrilação ventricular recebeu cinco desfibrilações, compressões com fração acima de 80%, três doses de adrenalina e amiodarona 300 mg seguida de 150 mg, e permanece em fibrilação ventricular. Um colega propõe conectar um segundo desfibrilador para choque sequencial duplo; outro propõe reposicionar as pás para a posição anteroposterior. Segundo a revisão de 2025 das diretrizes americanas, qual é a leitura correta?
A revisão americana de 2025 avaliou as duas estratégias que a literatura recente popularizou para a fibrilação ventricular que persiste após três ou mais choques — a desfibrilação sequencial dupla, com dois aparelhos, e a mudança de vetor, com as pás em posição anteroposterior — e concluiu que a utilidade de ambas não está estabelecida. Não há, portanto, recomendação a favor de nenhuma delas nem retirada por dano: o caminho continua sendo o algoritmo clássico, com compressões de qualidade, adrenalina, antiarrítmico e busca ativa de causa reversível. A mesma revisão classificou como de benefício incerto o betabloqueador, o bretílio, a procainamida e o sotalol nesse cenário, de modo que trocar o antiarrítmico por um deles não constitui resgate.
Durante a reanimação de uma mulher de 62 anos em atividade elétrica sem pulso, a equipe não consegue acesso venoso periférico após duas tentativas rápidas, e um socorrista já preparou a agulha intraóssea. Segundo a revisão de 2025 das diretrizes americanas e o protocolo brasileiro de suporte avançado, qual é a conduta?
A hierarquia do acesso mudou em 2025: recomenda-se tentar primeiro o acesso intravenoso, e o intraósseo fica aceitável quando as tentativas de veia falham ou não são viáveis — a revisão que embasou a mudança observou menor chance de retorno da circulação espontânea sustentado com a via intraóssea, o que derruba tanto a proposta de priorizá-la de saída quanto a de que ela teria saído do algoritmo. O protocolo brasileiro de suporte avançado acrescenta o detalhe prático: cada droga em bolus é seguida de 20 mL de solução salina e elevação do membro. Pausar compressões para puncionar acesso central contraria a regra de não interromper a massagem por procedimento, e a via traqueal deixou de ser caminho preferencial para as drogas da parada.
Equipe de suporte avançado do serviço pré-hospitalar atende homem de 74 anos encontrado sem pulso na via pública. A parada não foi presenciada pela equipe, o monitor mostrou assistolia desde a primeira análise e nenhum choque foi indicado; após 20 minutos de reanimação de qualidade e busca ativa de causas reversíveis, não houve retorno da circulação espontânea. A capnografia registra PETCO2 de 6 mmHg. Segundo a revisão de 2025 das diretrizes americanas, qual é a leitura correta?
Interromper é decisão médica construída, e no atendimento pré-hospitalar a regra universal de término da ressuscitação reúne três condições que aqui estão todas presentes: parada não presenciada pela equipe, nenhum choque indicado e nenhum retorno da circulação espontânea. Essa regra foi validada para sistemas escalonados e incorporada em 2025. A capnografia tem peso prognóstico — valor abaixo de 10 mmHg por mais de 20 minutos de reanimação adequada entra na conta —, mas nunca sozinha: ela é coadjuvante da decisão, e não critério isolado. Também não existe prazo fixo de 60 minutos, e a parada presenciada pela equipe é justamente o que impede a aplicação da regra, e não o que a autoriza. Enquanto o monitor mostrar fibrilação ventricular ou atividade elétrica sem pulso os esforços continuam; aqui o ritmo é assistolia confirmada.
Sobre a ventilação no período pós-parada, qual alvo é recomendado?
No pós-parada busca-se normocapnia e normoxemia, porque a hiperventilação reduz o fluxo sanguíneo cerebral por vasoconstrição e a hiperóxia aumenta a lesão por reperfusão mediada por radicais livres. Manter oxigênio a 100% engana quem acredita que mais oxigênio é sempre melhor após a isquemia, e é um dos ajustes mais frequentemente esquecidos logo após o retorno da circulação espontânea.
Sobre o uso do eletrocardiograma e do ecocardiograma no cuidado pós-ressuscitação, qual afirmação está correta?
O ecocardiograma precoce cumpre dois papéis: quantifica o atordoamento miocárdico, que orienta o suporte inotrópico, e busca causas reversíveis da parada. Assumir irreversibilidade da disfunção engana quem vê fração de ejeção muito reduzida nas primeiras horas, mas o atordoamento pós-parada costuma se recuperar substancialmente em dias, e essa expectativa é o que sustenta a decisão de manter o suporte.
Sobre o suporte com oxigenação por membrana extracorpórea durante a reanimação, qual afirmação é correta?
O suporte extracorpóreo na reanimação é uma estratégia de exceção, restrita a pacientes selecionados — idade e comorbidades favoráveis, parada presenciada, reanimação precoce e de qualidade, causa reversível — em serviços organizados para isso, com janela de tempo curta para a canulação. Estender a indicação a todos engana quem vê a tecnologia como solução universal e ignora que o benefício depende inteiramente da seleção.
Sobre a realização de coronariografia em paciente reanimado de parada extra-hospitalar sem supradesnivelamento de ST no eletrocardiograma pós-retorno da circulação, qual a conduta atual?
Em pacientes sem supradesnivelamento e hemodinamicamente estáveis, ensaios randomizados não mostraram benefício da estratégia invasiva imediata sobre a estratégia adiada, permitindo priorizar a estabilização e a investigação de causas não coronarianas, como embolia, distúrbio eletrolítico, intoxicação e hemorragia intracraniana. Levar todos ao cateterismo engana quem generaliza a indicação do supradesnivelamento e pode atrasar o diagnóstico da verdadeira causa.
Durante atendimento de parada cardiorrespiratória, o monitor mostra ritmo de fibrilação ventricular. Qual a conduta imediata?
A fibrilação ventricular é ritmo chocável e a prioridade é a desfibrilação precoce, com retorno imediato às compressões após o choque, sem checagem de pulso naquele instante. Tentar sincronizar engana quem transfere o raciocínio da cardioversão das taquiarritmias com pulso, mas na fibrilação não há onda R identificável para sincronizar e o aparelho não dispara. A atropina saiu do algoritmo da parada.
Paciente comatoso após parada cardíaca apresenta movimentos mioclônicos generalizados nas primeiras 24 horas. Qual a conduta?
A mioclonia precoce após parada pode representar estado de mal epiléptico mioclônico, com implicação terapêutica e prognóstica, e exige eletroencefalograma para caracterização. Assumir irrecuperabilidade com base apenas na mioclonia engana quem se apoia em dados de séries antigas: descreveram-se sobreviventes com bom desfecho neurológico, o que reforça a regra de não prognosticar por achado isolado e precoce. Bloquear a musculatura sem monitorizar mascara a atividade epiléptica.
Sobre a síndrome pós-parada cardíaca, quais são seus componentes principais?
A síndrome pós-parada tem quatro componentes que se somam e determinam o desfecho, e o cuidado precisa endereçar todos: proteger o cérebro, sustentar o miocárdio atordoado, tratar o estado inflamatório semelhante à sepse e corrigir a causa que provocou a parada. Reduzir o quadro à lesão neurológica engana quem foca apenas no desfecho mais visível e deixa sem tratamento a disfunção miocárdica e a causa de base, que é o que faz o paciente parar de novo.
Paciente em atividade elétrica sem pulso durante reanimação. Além das compressões e da adrenalina, qual conduta é essencial?
Na atividade elétrica sem pulso e na assistolia não há indicação de choque, e a chance de reversão depende de identificar e tratar a causa — hipovolemia, hipoxia, acidose, distúrbios do potássio, hipotermia, pneumotórax hipertensivo, tamponamento, toxinas, trombose coronariana e pulmonar. Desfibrilar engana quem quer aplicar o gesto mais lembrado da reanimação, mas o choque em ritmo não chocável apenas interrompe compressões sem benefício. O bicarbonato de rotina não é recomendado.
Sobre a comunicação com a família durante e após a reanimação, qual conduta é recomendada?
A presença familiar durante a reanimação, com um profissional dedicado a acompanhar e explicar, é recomendada por sociedades científicas e se associa a melhor elaboração do luto, sem prejuízo ao desempenho da equipe. Proibir por princípio engana quem teme interferência ou implicação legal, receios não confirmados na literatura. A comunicação do desfecho é responsabilidade médica, feita pessoalmente sempre que possível e sem adiamentos.
Paciente em pós-ressuscitação apresenta crises convulsivas confirmadas por eletroencefalograma. Qual a conduta?
As crises documentadas são tratadas, porque aumentam o consumo metabólico cerebral em um tecido já isquêmico, mas a profilaxia primária em quem nunca convulsionou não demonstrou benefício e acrescenta sedação e efeitos adversos. Usar bloqueador neuromuscular sozinho engana quem quer apenas cessar o movimento visível, e é um erro grave: a atividade elétrica continua lesando o cérebro enquanto o paciente parece calmo.
Paciente reanimado apresenta glicemia de 268 mg/dL nas primeiras horas pós-parada. Qual a conduta?
O alvo é moderado, porque tanto a hiperglicemia persistente quanto a hipoglicemia se associam a pior desfecho neurológico — e a hipoglicemia é particularmente perigosa no paciente sedado, em que ela é clinicamente silenciosa. O controle rigoroso engana quem lembra de estudos antigos de terapia intensiva, mas essa estratégia aumentou episódios de hipoglicemia grave sem benefício em mortalidade.
Após retorno da circulação espontânea, paciente apresenta pressão arterial média de 55 mmHg, lactato de 6 mmol/L e oligúria. Qual o alvo hemodinâmico recomendado no cuidado pós-ressuscitação?
A hipotensão no período pós-parada agrava a lesão cerebral secundária, e a recomendação é manter pressão arterial média acima de 65 mmHg, com alvos individualizados mais altos em alguns pacientes, usando volume e vasopressor. Tolerar pressões baixas engana quem quer poupar o miocárdio atordoado, mas o cérebro em fase de perda de autorregulação depende da pressão sistêmica para manter o fluxo.
Homem de 58 anos é reanimado após parada cardiorrespiratória em fibrilação ventricular fora do hospital, com retorno da circulação espontânea em 18 minutos. Permanece sem resposta a comandos, intubado. Segundo a AHA 2025, qual medida integra o cuidado pós-parada indicado?
A AHA 2025 recomenda estratégia deliberada e protocolizada de controle de temperatura nos adultos que não respondem a comandos após retorno da circulação espontânea, independentemente do ritmo inicial. A faixa recomendada é de 32 a 37,5 °C, e é razoável manter o controle por pelo menos 36 horas. Isso inclui prevenção ativa da febre e não implica obrigatoriedade de hipotermia profunda em todos os pacientes. A escolha da meta integra o cuidado pós-parada e não substitui correção de hipóxia, hipotensão ou investigação da causa.
Segundo o algoritmo de parada cardíaca do adulto da American Heart Association de 2025, qual afirmação sobre adrenalina está correta?
No algoritmo AHA de 2025, a adrenalina é administrada prontamente na assistolia/atividade elétrica sem pulso. Na fibrilação ventricular/taquicardia ventricular sem pulso, entra no ciclo de RCP após o segundo choque. A dose adulta é 1 mg IV/IO a cada 3–5 minutos. Ela não substitui compressões ou desfibrilação. A identificação da diretriz é necessária ao cobrar uma sequência específica de choques e fármacos. Referência: AHA, Adult Cardiac Arrest Algorithm (2025).
Durante o controle direcionado de temperatura, o paciente apresenta tremores intensos que elevam o consumo de oxigênio e dificultam a manutenção da meta térmica. Qual a conduta?
O tremor é a resposta fisiológica esperada, eleva consumo de oxigênio e produção de calor e compromete a meta térmica; o manejo é analgesia e sedação adequadas, com bloqueio neuromuscular quando necessário e monitorização eletroencefalográfica, já que o bloqueio mascara convulsões. Abandonar o protocolo engana quem interpreta o tremor como falha da estratégia, quando ele é um obstáculo previsto e manejável.
Sobre a avaliação prognóstica neurológica após parada cardiorrespiratória com controle de temperatura, qual afirmação está correta?
A prognosticação exige tempo e múltiplas fontes — exame neurológico, potenciais evocados somatossensitivos, eletroencefalograma, biomarcadores e imagem — e só se consolida após 72 horas de normotermia, com todos os fatores confundidores afastados, sobretudo sedativos residuais. Decidir precocemente por um único achado engana quem busca objetividade rápida e produz a profecia autorrealizável de limitar o suporte em pacientes que ainda poderiam recuperar.
Sobre a qualidade das compressões torácicas na reanimação do adulto, qual parâmetro está correto?
A qualidade das compressões é o principal determinante modificável do desfecho: frequência entre 100 e 120 por minuto, profundidade de 5 a 6 cm, retorno completo do tórax entre as compressões e fração de compressão elevada, com interrupções mínimas. Checar pulso a todo momento engana quem quer confirmar a eficácia, mas cada pausa derruba a pressão de perfusão coronariana, que leva vários ciclos para ser reconstruída.
Em paciente reanimado de parada cardiorrespiratória, o eletrocardiograma pós-retorno da circulação mostra supradesnivelamento de ST em parede inferior. Qual a conduta?
Supradesnivelamento de ST após o retorno da circulação indica coronariografia imediata, independentemente do estado neurológico — o coma não é motivo para adiar a reperfusão, e o benefício sobre a sobrevida é claro. Aguardar a recuperação da consciência engana quem quer avaliar o prognóstico antes de investir, mas essa avaliação não pode ser feita nas primeiras horas e a demora custa miocárdio.
Homem de 39 anos, após parada cardiorrespiratória prolongada, apresenta abalos mioclônicos generalizados sincrônicos desencadeados por estímulo, iniciados nas primeiras 24 horas. Qual a interpretação correta?
O estado mioclônico precoce após anóxia associa-se a mau desfecho, mas há relatos consistentes de recuperação — sobretudo quando o padrão corresponde à síndrome de Lance-Adams — e por isso ele entra como uma peça da avaliação multimodal feita após 72 horas, nunca como sentença isolada. Usar esse achado para decidir sozinho nas primeiras horas é a armadilha da questão. Mioclonia é movimento e, portanto, incompatível com morte encefálica. Chamar automaticamente de estado de mal epiléptico é impreciso: parte dos casos tem correlato eletrográfico e parte não, o que só o eletroencefalograma resolve.
Homem de 61 anos em fibrilação ventricular recebeu o terceiro choque sem reversão. Além de manter compressões e da adrenalina já administrada, qual droga está indicada neste momento?
Na fibrilação ventricular refratária a três choques, o antiarrítmico indicado é a amiodarona 300 mg em bolus, com possibilidade de segunda dose de 150 mg; a lidocaína é alternativa aceita. A atropina saiu do algoritmo de ritmos não chocáveis há mais de uma década e não tem papel na fibrilação ventricular — é o distrator que sobrevive de protocolos antigos. Bicarbonato e cálcio são reservados a situações específicas como hipercalemia e intoxicação, não uso rotineiro. O magnésio só entra na torsades de pointes, que tem morfologia própria e não é o caso descrito.
Após retorno da circulação espontânea em paciente comatoso, qual medida integra os cuidados pós-parada com maior impacto neurológico?
O controle direcionado de temperatura, com meta entre 32 e 36 °C e prevenção ativa da febre nas primeiras 72 horas, é a intervenção pós-parada com benefício neurológico consistente. As demais são armadilhas que pioram o cérebro já isquêmico: hiperóxia sustentada aumenta o estresse oxidativo e a titulação correta busca saturação de 92 a 98%; hiperventilação profilática produz vasoconstrição cerebral e reduz a perfusão de área em penumbra, e a PaCO2 deve ficar na faixa normal; hipoglicemia induzida é lesiva e a meta é evitar tanto hipo quanto hiperglicemia franca. Corticoide não tem indicação na encefalopatia anóxica.
Mulher de 44 anos foi ressuscitada de parada cardiorrespiratória e permanece comatosa em ventilação mecânica há 24 horas. A família pergunta sobre o prognóstico neurológico. Qual a conduta correta?
O prognóstico neurológico após parada cardíaca só é confiável 72 horas ou mais depois do retorno à normotermia, e deve ser multimodal: exame neurológico seriado, eletroencefalograma, potenciais evocados somatossensitivos, enolase neurônio-específica e imagem. Antes disso, sedação residual, hipotermia terapêutica e disfunção orgânica confundem o exame. Prognosticar cedo pelo exame motor é a profecia autorrealizável clássica — leva à limitação precoce de suporte em quem ainda poderia recuperar. Tomografia isolada e tempo de parada relatado são dados frágeis e nunca decidem sozinhos. Também vale lembrar que o intervalo mínimo de observação antes do protocolo de morte encefálica na encefalopatia hipóxico-isquêmica é maior justamente por isso.
Em qual situação a desfibrilação está indicada durante a parada cardiorrespiratória?
Apenas fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso são chocáveis na parada, porque há atividade elétrica caótica ou organizada demais para gerar débito, mas passível de reorganização pelo choque. Assistolia e atividade elétrica sem pulso não se beneficiam do choque, e insistir nisso engana quem quer usar o desfibrilador em toda parada. Situações com pulso podem exigir cardioversão sincronizada, que é procedimento diferente.
Sobre o uso da capnografia quantitativa em forma de onda durante a ressuscitação, assinale a alternativa correta.
O gás carbônico expirado depende do débito gerado pelas compressões, então valores persistentemente baixos após 20 minutos sinalizam má qualidade ou prognóstico ruim, enquanto um salto abrupto costuma marcar o retorno da circulação, evitando interrupção desnecessária para checar pulso. Reduzi-la à confirmação do tubo engana quem conhece só uma de suas funções e perde a única medida objetiva e contínua de eficácia da ressuscitação.
Sobre os alvos ventilatórios e de oxigenação no período pós-parada, assinale a alternativa correta.
Hiperóxia gera radicais livres e piora a lesão de reperfusão, enquanto hipocapnia produz vasoconstrição cerebral e reduz o fluxo justamente onde ele já está comprometido — por isso os alvos são saturação de 92 a 98% e normocapnia. Manter FiO2 máxima engana quem raciocina que mais oxigênio é sempre melhor após anóxia. Saturação de 85 a 88% é alvo de outro contexto, o retentor crônico de gás carbônico estável.
Qual achado nas primeiras horas após o retorno da circulação NÃO deve ser usado isoladamente para indicar mau prognóstico neurológico?
A resposta motora ausente nas primeiras horas é o achado menos confiável, porque sofre influência direta de sedativos, bloqueadores neuromusculares, hipotermia e disfunção orgânica — usá-la isoladamente e cedo é a principal causa de prognóstico falsamente pessimista. Os demais achados são marcadores robustos, desde que avaliados no tempo correto, sem sedação e em conjunto, nunca isolados.
Após retorno da circulação espontânea, o eletrocardiograma mostra supradesnivelamento do segmento ST em parede anterior. Qual a conduta?
Supradesnivelamento do ST após o retorno da circulação indica coronariografia com intervenção imediata, e o coma não é motivo para adiar — a causa mais frequente de parada extra-hospitalar é isquêmica, e reabrir a artéria é parte do tratamento da própria causa. Esperar o despertar engana quem quer prognóstico antes de agir, mas o prognóstico só se define depois de 72 horas, tempo incompatível com o miocárdio em risco.
Paciente em parada com atividade elétrica sem pulso apresenta antecedente de dispneia súbita, dor pleurítica e edema unilateral de membro inferior há 2 dias. Qual causa reversível deve ser considerada e qual a conduta específica?
Atividade elétrica sem pulso com história sugestiva de trombose venosa e dispneia súbita aponta embolia pulmonar maciça, e a trombólise durante a ressuscitação é opção, com prolongamento das manobras por 60 a 90 minutos após a droga. Trocar pneumotórax com pericardiocentese e tamponamento com toracostomia engana quem decorou os procedimentos sem parear com a causa: pneumotórax hipertensivo se resolve com descompressão torácica e tamponamento com pericardiocentese.
Homem de 58 anos entra em parada cardiorrespiratória presenciada no pronto-socorro. Monitor mostra fibrilação ventricular. Qual a primeira intervenção prioritária?
Fibrilação ventricular é ritmo chocável, e a desfibrilação precoce é a intervenção que mais aumenta sobrevida, retomando-se as compressões imediatamente após o choque sem checar pulso. Dar adrenalina ou amiodarona antes do choque engana quem decora a sequência de drogas e inverte a prioridade — nos ritmos chocáveis a droga vem depois do choque. Cardioversão sincronizada é impossível na fibrilação ventricular, pois não há onda R para sincronizar.
Durante atendimento de parada em assistolia, qual a sequência correta de condutas?
Assistolia não é ritmo chocável: o que muda desfecho são compressões de qualidade, adrenalina precoce a cada 3 a 5 minutos e a caça sistemática às causas reversíveis, os cinco Hs e cinco Ts. Desfibrilar engana quem quer fazer algo com o desfibrilador presente, mas o choque em assistolia não tem benefício e interrompe a compressão. Bicarbonato de rotina foi abandonado, ficando restrito a situações específicas como hipercalemia e intoxicação por tricíclicos.
Mulher de 62 anos recupera circulação espontânea após 14 minutos de ressuscitação por fibrilação ventricular. Permanece comatosa, sem resposta a comandos, com PA 96x58 mmHg e temperatura de 37,8 °C. Qual das medidas é recomendada no cuidado pós-parada, segundo a AHA 2025?
A AHA 2025 recomenda estratégia deliberada de controle da temperatura em adultos que não obedecem a comandos após retorno da circulação, com alvo entre 32 e 37,5 °C. É razoável mantê-la por pelo menos 36 horas. Não foi estabelecido que um alvo hipotérmico seja superior à normotermia controlada para todos. O cuidado inclui evitar febre, hipóxia, hiperóxia e hipotensão; manitol, corticoide e hiperventilação profunda não são medidas rotineiras de neuroproteção pós-parada.
Paciente em parada com atividade elétrica sem pulso, em hemodiálise, com potássio de 8,1 mEq/L colhido momentos antes. Qual a conduta específica adicional?
A hipercalemia é um dos Hs reversíveis, e o tratamento na parada começa pelo cálcio, que estabiliza a membrana do miócito, seguido das medidas que deslocam o potássio para dentro da célula, com a diálise como terapia definitiva depois. Manter só adrenalina engana quem segue o algoritmo sem tratar a causa: sem corrigir o potássio, o ritmo não se recupera de forma sustentada. Furosemida isolada é insuficiente e inútil no anúrico.
Sobre a qualidade das compressões torácicas no adulto, assinale a alternativa correta.
Os parâmetros de qualidade são frequência entre 100 e 120, profundidade entre 5 e 6 centímetros, retorno completo do tórax entre as compressões e fração de compressão alta, com pausas mínimas. Impedir o retorno do tórax engana quem acha que manter a pressão ajuda, mas é o relaxamento que permite o enchimento cardíaco e a perfusão coronariana. Frequências muito altas reduzem a profundidade efetiva e o volume ejetado.
Durante ressuscitação de paciente em fibrilação ventricular refratária, já com três choques e adrenalina administrada, qual antiarrítmico é indicado?
Na fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso refratárias, a amiodarona em bolus é o antiarrítmico de escolha, tendo a lidocaína como alternativa. A adenosina engana quem lembra dela como droga de arritmia, mas seu papel é na taquicardia supraventricular com paciente com pulso, e ela não tem função na parada. Verapamil e betabloqueador em bolus durante parada são inadequados pelo efeito inotrópico negativo.
Sobre a via aérea avançada durante a parada cardiorrespiratória, assinale a alternativa correta.
Com via aérea avançada, cessa a sincronização: comprime-se continuamente e ventila-se a cada 6 segundos, o que corresponde a 10 ventilações por minuto. Manter 30 para 2 engana quem repete a relação do suporte básico e desperdiça fração de compressão. Hiperventilar é prejudicial porque aumenta a pressão intratorácica e reduz o retorno venoso. A capnografia é ferramenta valiosa: confirma o tubo, mede a qualidade da compressão e sinaliza o retorno da circulação com salto abrupto.
Sobre o controle glicêmico e o manejo de convulsões no pós-parada, assinale a alternativa correta.
O cérebro pós-anóxico é vulnerável tanto à hipoglicemia quanto à hiperglicemia acentuada, e o alvo é a faixa intermediária sem controle excessivamente rígido. Convulsões são frequentes e devem ser tratadas quando ocorrem, mas a profilaxia universal não demonstrou benefício, o que engana quem quer prevenir tudo. Ignorar crises é erro grave, pois o estado de mal aumenta o consumo metabólico em tecido já isquêmico.
Sobre o alvo de pressão arterial média no período pós-parada, assinale a alternativa correta.
Após a parada, a autorregulação do fluxo cerebral fica prejudicada e a perfusão passa a depender diretamente da pressão sistêmica, de modo que episódios de hipotensão se traduzem em isquemia adicional; o piso habitual é 65 mmHg, individualizado conforme perfusão e comorbidades. Hipotensão permissiva engana quem transporta a conduta do trauma com sangramento ativo para um cérebro recém-reperfundido.
Sobre a prognosticação neurológica após parada cardiorrespiratória, assinale a alternativa correta.
A prognosticação exige tempo e múltiplas ferramentas — exame neurológico, reflexos de tronco, eletroencefalograma, potenciais evocados, enolase específica de neurônio e imagem — realizadas após pelo menos 72 horas, com o paciente livre de sedativos e normotérmico. Prognosticar cedo, sob sedação ou por um único achado, engana quem quer definir rapidamente a conduta e produz retirada precoce de suporte em pacientes que poderiam recuperar.
Sobre a adrenalina na parada cardiorrespiratória, assinale a alternativa correta.
A adrenalina é dada logo nos ritmos não chocáveis, em que não há choque a priorizar, e após o segundo choque nos chocáveis, sempre 1 mg a cada 3 a 5 minutos, por via endovenosa ou intraóssea. Doses altas foram estudadas e não melhoraram desfecho neurológico, o que engana quem raciocina que mais vasoconstrição é sempre melhor. A via intracardíaca foi abandonada pelo risco de laceração coronariana e pneumotórax.
Durante atendimento de parada cardíaca em ritmo de fibrilação ventricular, qual é a intervenção com maior impacto na sobrevida?
Em ritmo chocável, o que mais muda a sobrevida é desfibrilar cedo mantendo compressões de alta qualidade com o mínimo de interrupções, priorizando a fração de compressão torácica. Priorizar adrenalina engana quem memoriza a sequência de drogas, mas em ritmo chocável a droga vem depois do choque e das compressões. Intubar antes de comprimir atrasa o essencial, e a via aérea avançada pode ser postergada. Bicarbonato de rotina não é recomendado e se reserva a situações específicas como hipercalemia e intoxicação por tricíclico. Acesso central antes das compressões inverte prioridades.
Qual a conduta diante de parada cardiorrespiratória em atividade elétrica sem pulso, com ritmo organizado no monitor e ausência de pulso?
A atividade elétrica sem pulso é ritmo não chocável, e o que muda o desfecho é a combinação de compressões de qualidade, adrenalina precoce e identificação da causa, já que ela quase sempre tem um fator tratável por trás. Desfibrilar não organiza um ritmo que já é organizado, e a atropina foi retirada do algoritmo por ausência de benefício demonstrado nesse cenário.
Qual a dose e o intervalo recomendados de adrenalina durante a parada cardiorrespiratória em ritmo não chocável?
Em assistolia e atividade elétrica sem pulso a adrenalina deve ser administrada assim que possível, na dose de 1 mg a cada três a cinco minutos, porque a precocidade se associa a melhores desfechos nesses ritmos. Nos ritmos chocáveis ela entra após o segundo choque, já que a prioridade é a desfibrilação. A via intracardíaca foi abandonada, restando as vias endovenosa e intraóssea.
Qual conjunto resume as causas reversíveis a serem procuradas durante uma parada cardiorrespiratória?
A regra mnemônica dos H e dos T organiza a busca ativa por causas tratáveis durante a reanimação, e sua aplicação sistemática é o que diferencia uma reanimação de qualidade da simples execução de um algoritmo. A ultrassonografia à beira do leito ajuda a identificar rapidamente tamponamento, pneumotórax, hipovolemia e sobrecarga direita sugestiva de embolia, sem interromper as compressões.
Durante a reanimação de uma parada em fibrilação ventricular refratária, após o terceiro choque, qual antiarrítmico deve ser administrado?
Na fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso refratárias aos choques, a amiodarona é o antiarrítmico de escolha, com lidocaína como alternativa aceitável. Adenosina, verapamil e digoxina atuam sobre condução supraventricular e não têm papel no ritmo chocável refratário. Vale lembrar que nenhum antiarrítmico substitui a desfibrilação e as compressões de alta qualidade.
Qual causa reversível de parada cardíaca deve ser considerada em paciente jovem com histórico de vômitos e diarreia prolongados que apresenta parada em atividade elétrica sem pulso?
As causas reversíveis de parada incluem hipovolemia, hipóxia, acidose, distúrbios do potássio, hipotermia, pneumotórax hipertensivo, tamponamento, toxinas e tromboses, e um paciente com perdas digestivas prolongadas reúne hipovolemia e distúrbio eletrolítico. Estenose aórtica pode causar síncope e morte súbita, mas é doença degenerativa de idosos e não é causa reversível no atendimento da parada. Fibrose pulmonar não configura causa reversível nesse contexto. Doença neurodegenerativa avançada e osteoartrose não têm relação com o mecanismo da parada e servem apenas para testar o reconhecimento da lista de causas tratáveis.
Durante uma parada cardiorrespiratória em ritmo de torsades de pointes sem pulso, qual a conduta imediata?
Sem pulso, a torsades é tratada como qualquer ritmo chocável, com desfibrilação imediata, e o magnésio entra em seguida junto à correção dos precipitantes. A sincronização é tecnicamente inviável em um ritmo polimórfico, pois o aparelho não identifica ondas R consistentes — tentar sincronizar apenas atrasa o choque em uma arritmia que se resolve por energia liberada sem demora.
Qual o papel da capnografia quantitativa durante a reanimação cardiopulmonar?
A capnografia confirma a via aérea, reflete indiretamente o débito gerado pelas compressões, com valores persistentemente muito baixos sugerindo compressões inadequadas, e sinaliza retorno da circulação por elevação súbita do dióxido de carbono exalado, evitando interrupções para checagem de pulso. Ela não mede oxigenação nem substitui a leitura do ritmo no monitor.
Jogador de 19 anos recebe impacto de bola no precórdio durante partida e cai imediatamente inconsciente e sem pulso. Qual a hipótese e a conduta prioritária?
O impacto precordial em uma janela vulnerável do ciclo cardíaco desencadeia fibrilação ventricular em coração estruturalmente normal, e a sobrevida depende quase inteiramente da rapidez das compressões e da desfibrilação, o que justifica desfibriladores automáticos em ambientes esportivos. Tratar como convulsão ou síncope é o erro que consome os minutos em que a reversão ainda é possível.
Qual a primeira medida diante de uma vítima adulta que subitamente colapsa em via pública, na cadeia de sobrevivência extra-hospitalar?
A cadeia começa pelo reconhecimento e pelo acionamento precoce, seguidos de compressões imediatas e desfibrilação assim que o aparelho chegar. A checagem de pulso não deve exceder dez segundos e, para o socorrista leigo, é dispensável. Transportar sem reanimar ou perder tempo em verificações acessórias reduz drasticamente a chance de sobrevida, que cai a cada minuto sem desfibrilação.
Sobre a relação entre compressões e ventilações na reanimação de adulto com via aérea não avançada, qual é a recomendação?
Sem via aérea avançada, a relação é de 30 compressões para 2 ventilações no adulto, e após a intubação passa-se a compressões contínuas com uma ventilação a cada seis segundos. A relação de 15 para 2 pertence à reanimação pediátrica com dois socorristas. Hiperventilar é erro frequente e prejudicial, pois aumenta a pressão intratorácica e reduz o retorno venoso e a perfusão coronariana.
Sobre a qualidade das compressões torácicas na reanimação de adultos, qual parâmetro é correto?
A qualidade da compressão determina a perfusão coronariana e cerebral: frequência entre 100 e 120 por minuto, profundidade de 5 a 6 centímetros, retorno completo do tórax entre as compressões e fração de compressão elevada, com interrupções mínimas. Não permitir o retorno do tórax impede o enchimento e é um erro comum e silencioso, que anula parte do benefício de uma reanimação aparentemente bem executada.
Qual medida de cuidado pós-parada cardiorrespiratória tem indicação em paciente comatoso após retorno da circulação espontânea?
O cuidado pós-parada inclui controle direcionado da temperatura com prevenção rigorosa de febre, evitar hipóxia e hiperóxia, manter normocapnia, estabilizar a hemodinâmica e investigar a causa, com coronariografia quando há suspeita de origem isquêmica. O prognóstico neurológico não deve ser definido precocemente, e retirar suporte poucas horas após o evento é decisão sem base em quem foi submetido a sedação e controle térmico.
Qual é a diferença entre cardioversão sincronizada e desfibrilação?
A sincronização com a onda R evita que o choque caia no período vulnerável da repolarização, que corresponde à onda T e pode desencadear fibrilação ventricular. Por isso taquicardias organizadas com pulso são cardiovertidas de forma sincronizada, enquanto fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso, que não têm complexo organizado, recebem choque não sincronizado.
Durante um atendimento de parada cardiorrespiratória, o monitor mostra fibrilação ventricular. Qual a conduta imediata?
Fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso são ritmos chocáveis, e a desfibrilação precoce é a intervenção que mais aumenta a sobrevida, seguida imediatamente pelo retorno das compressões sem checar pulso. A sincronização é impossível na fibrilação ventricular, já que não há complexo organizado a sincronizar, o que torna a cardioversão sincronizada uma escolha inexequível nesse ritmo.
Após retorno da circulação espontânea em paciente que permanece comatoso, qual medida faz parte dos cuidados pós-parada?
O cuidado pós-parada inclui controle direcionado de temperatura com prevenção rigorosa de febre, alvos adequados de oxigenação e de dióxido de carbono, suporte hemodinâmico e busca ativa da causa, incluindo coronariografia quando indicada. Hiperventilação sustentada reduz o fluxo cerebral e piora a lesão. Manter hiperóxia prolongada aumenta o estresse oxidativo e associa-se a pior desfecho. Definir prognóstico neurológico nas primeiras horas é erro clássico, pois a avaliação exige tempo, exame seriado e exames complementares. Adiar a investigação etiológica perde a chance de tratar causa reversível.
Puérpera de 20 minutos apresenta dispneia súbita e hipotensão, seguida de parada cardiorrespiratória. A equipe inicia reanimação. Qual medida adicional deve ser considerada de imediato, considerando o período puerperal?
No puerpério imediato, a hemorragia pós-parto é a causa reversível mais frequente de colapso, e o sangramento pode ser intracavitário ou retroperitoneal, sem exteriorização proporcional. Por isso a avaliação do tônus uterino, os uterotônicos e a reposição volêmica e de hemocomponentes entram junto com as compressões. Adiar a avaliação uterina até o retorno da circulação abandona a causa. Cesariana perimortem não faz sentido depois do parto, já que a compressão aortocava não existe mais. Trombolítico universal é inadequado e perigoso em paciente que pode estar sangrando, e encerrar a reanimação em 10 minutos ignora que causas reversíveis podem ainda ser tratadas.
Durante reanimação de gestante em fibrilação ventricular, qual afirmativa sobre a desfibrilação está correta?
A desfibrilação na gestante segue as mesmas indicações e energias do suporte avançado geral, porque a corrente que atinge o feto é desprezível e o melhor tratamento para o feto é reanimar a mãe. A recomendação prática é remover monitores fetais internos antes do choque para evitar arco elétrico. Reduzir energia é o erro que compromete a chance de reversão por um risco inexistente. Substituir a desfibrilação por antiarrítmico em ritmo chocável contraria a base do algoritmo. Retirar o feto antes de desfibrilar inverte a prioridade, já que a cesariana perimortem entra depois de minutos de reanimação sem resposta, e não antes do primeiro choque.
Sobre as particularidades da via aérea na reanimação da gestante, qual afirmativa está correta?
A gestante tem capacidade residual funcional reduzida pela elevação diafragmática e consumo de oxigênio aumentado, o que a leva à dessaturação em segundos; soma-se o edema de mucosa de via aérea, que dificulta a laringoscopia e favorece sangramento. Por isso indica-se pré-oxigenação cuidadosa, profissional experiente e tubo de calibre menor que o habitual. Achar que a capacidade residual está aumentada inverte a fisiologia e leva a subestimar a urgência da via aérea. O esvaziamento gástrico é mais lento e o tônus do esfíncter inferior do esôfago é menor, o que aumenta, e não reduz, o risco de broncoaspiração.
Qual conjunto de causas reversíveis merece atenção especial na parada cardiorrespiratória da gestante, além dos H e T habituais?
Além dos H e T clássicos, a parada na gestante tem causas próprias que são lembradas por mnemônicos específicos: complicações anestésicas, sangramento, doenças cardíacas, embolia de líquido amniótico e trombótica, hipertensão e suas complicações, sepse e o próprio útero comprimindo a cava. Restringir a lista a hipovolemia e hipóxia é a simplificação que faz o time deixar de procurar a hemorragia oculta ou a complicação do bloqueio anestésico, que são justamente as causas mais frequentes e mais reversíveis nesse cenário. As demais alternativas isolam causas específicas e ignoram o espectro obstétrico que muda a conduta.
Gestante de 30 semanas em parada cardiorrespiratória não responde às manobras de reanimação. Qual o prazo recomendado para a cesariana perimortem e qual seu principal objetivo?
A cesariana perimortem deve ser iniciada por volta de 4 minutos de parada sem retorno da circulação espontânea, com extração fetal em cerca de 5 minutos, e é feita no próprio local da reanimação, sem transporte ao centro cirúrgico. O ponto que a questão cobra é a finalidade: o benefício primário é materno, porque esvaziar o útero elimina a compressão aortocava e melhora de forma imediata o retorno venoso e a eficácia das compressões. Condicionar o procedimento à ultrassonografia ou à chegada de equipe desperdiça a janela. Não é procedimento restrito a fetos viáveis, justamente porque a indicação principal é a mãe.
Qual das seguintes causas reversíveis de parada cardiorrespiratória é mais frequentemente associada a fibrilação ventricular refratária e deve ser ativamente pesquisada?
Distúrbios do potássio e do magnésio são arritmogênicos diretos e explicam boa parte das fibrilações que não cedem ao choque, sobretudo em usuários de diurético — corrigi-los faz parte do algoritmo. Hipovolemia, pneumotórax e tamponamento também são causas reversíveis, mas produzem tipicamente atividade elétrica sem pulso, e escolhê-las é o erro de quem decora a lista sem associar cada causa ao ritmo que ela costuma gerar.
Mulher de 45 anos recupera circulação após 18 minutos de reanimação por fibrilação ventricular. Permanece sem resposta a comandos, com pressão arterial média de 70 mmHg. Segundo a AHA 2025, qual conduta integra os cuidados pós-parada?
A AHA 2025 recomenda controle protocolizado de temperatura entre 32 e 37,5 °C em adultos que não respondem a comandos após retorno da circulação, sendo razoável mantê-lo por pelo menos 36 horas. Deve-se realizar ECG de 12 derivações e investigar a causa da parada. Após obter medida confiável, titula-se oxigênio para saturação de 90–98%, evitando hipóxia e hiperóxia. Não se recomenda hiperventilação deliberada. O prognóstico neurológico exige avaliação multimodal, tempo adequado após normotermia e exclusão de sedação e outros confundidores; não deve ser definido nas primeiras 12 horas.
Em paciente com cardiodesfibrilador implantável que entra em fibrilação ventricular e não responde às terapias do dispositivo, qual a conduta correta?
A presença do dispositivo não contraindica o choque externo: basta afastar as pás alguns centímetros do gerador, e a posição anteroposterior é uma boa opção. Recusar a desfibrilação para proteger o aparelho é a inversão de prioridades que a questão pune, porque perde-se o paciente para preservar o equipamento. Colocar as pás sobre o gerador desperdiça corrente e danifica o sistema, sem nenhum ganho de eficácia.
Paciente de 63 anos em parada, com fibrilação ventricular persistente após oito choques, adrenalina e amiodarona. A equipe considera desfibrilação em duplo sequencial. Qual afirmação melhor descreve essa estratégia?
A desfibrilação em duplo sequencial, ou a simples mudança do vetor para posição anteroposterior, é medida de resgate na fibrilação verdadeiramente refratária, e nunca dispensa compressões de qualidade, correção de causas reversíveis e drogas. Colocá-la como primeira linha é o exagero que a questão testa, já que a evidência ainda é limitada e ela não desloca o algoritmo padrão. Descrevê-la como dois choques do mesmo aparelho confunde o conceito, que exige dois desfibriladores e dois pares de pás.
Em uma parada cardiorrespiratória presenciada em ambiente hospitalar monitorizado, com fibrilação ventricular identificada no monitor e desfibrilador imediatamente disponível, qual a sequência correta?
Com a parada presenciada, o ritmo já visível e o desfibrilador ao lado, o choque é imediato: cada minuto de fibrilação sem desfibrilação reduz a sobrevida de forma acentuada, e não há motivo para adiar. Fazer dois minutos de compressões antes do choque vem de recomendações antigas para parada NÃO presenciada com atendimento tardio, cenário em que o miocárdio precisa ser perfundido antes de responder — situação diferente da descrita.
Paciente em fibrilação ventricular refratária, já com três choques, adrenalina e compressões de alta qualidade. Qual antiarrítmico e dose são recomendados?
Na fibrilação ventricular refratária a amiodarona entra em bolus de 300 mg, com segunda dose de 150 mg se necessário. A infusão lenta de 150 mg em dez minutos pertence ao tratamento da taquicardia ventricular COM pulso, e trocar as duas situações é o erro mais frequente da prova. O magnésio não é rotina: reserva-se à torsades de pointes ou à hipomagnesemia documentada. A lidocaína é a alternativa aceita quando não há amiodarona disponível.
Durante uma parada com ritmo chocável, a capnografia com onda mostra dióxido de carbono expirado persistentemente abaixo de 10 mmHg após 20 minutos de reanimação. Como interpretar esse achado?
O dióxido de carbono expirado reflete o débito cardíaco gerado pela massagem: valores persistentemente abaixo de 10 mmHg após 20 minutos apontam perfusão insuficiente e são marcador de mau prognóstico, mas antes de concluir isso é obrigatório revisar profundidade, frequência e retorno do tórax. Ler o valor baixo como sinal de retorno iminente é a inversão exata do significado — o que sugere retorno da circulação é a SUBIDA abrupta do valor.
Durante atendimento de parada, o desfibrilador bifásico está disponível. Qual a energia recomendada para o primeiro choque em fibrilação ventricular no adulto?
No aparelho bifásico segue-se a faixa indicada pelo fabricante, tipicamente de 120 a 200 J, e na dúvida usa-se a energia máxima disponível. O valor de 360 J pertence ao desfibrilador monofásico e sobrevive por hábito de serviço antigo. A dose de 2 J por quilo é pediátrica, e a energia baixa com escalonamento descreve cardioversão sincronizada de taquiarritmias com pulso, não desfibrilação.
Homem de 58 anos entra em colapso em via pública. O socorrista aplica o desfibrilador externo automático, que identifica ritmo chocável e libera o choque. Qual a conduta imediatamente após a descarga?
Após o choque o coração fica atordoado e a chance de pulso palpável imediato é baixa, enquanto a interrupção das compressões derruba a pressão de perfusão coronariana — por isso a recomendação é retomar a massagem por dois minutos e só então reavaliar. Checar pulso logo após a descarga é o reflexo mais comum e o que mais tempo desperdiça em parada. A adrenalina, no ritmo chocável, entra após o segundo choque, e a via aérea avançada não pode competir com as compressões.
Qual afirmativa sobre a monitorização com capnografia durante a reanimação cardiopulmonar é correta?
A capnografia quantitativa reflete o débito cardíaco gerado pelas compressões: valores muito baixos e persistentes apontam compressões ineficazes ou prognóstico desfavorável, e um salto súbito costuma marcar o retorno da circulação espontânea, permitindo reconhecer o evento sem interromper as compressões para checar pulso. Interpretar valor baixo como sinônimo de extubação é o erro que leva a manipular a via aérea sem necessidade, embora a posição do tubo deva sempre ser reavaliada. A confirmação da intubação é apenas um dos usos, e a monitorização deve permanecer ativa durante toda a reanimação.
Após retorno da circulação espontânea, o paciente apresenta convulsões clínicas. Qual é a conduta?
Crises e mioclonias são comuns após a lesão cerebral anóxica e devem ser tratadas com antiepiléptico, além de investigadas com eletroencefalograma, que pode revelar estado de mal não convulsivo. Interpretar mioclonia como sinal inequívoco de desfecho fatal é o erro mais grave, já que existem pacientes com mioclonias precoces e boa recuperação, o que reforça a necessidade de prognosticação multimodal e tardia. Profilaxia antiepiléptica universal não é recomendada, adiar o tratamento perpetua a lesão, e o reaquecimento não é medida terapêutica para crises.
Durante o controle direcionado de temperatura, qual complicação deve ser ativamente monitorada?
O resfriamento provoca bradicardia, desvio de potássio e magnésio para o intracelular com hipocalemia e hipomagnesemia, tremores que aumentam o consumo de oxigênio e precisam ser controlados, além de maior risco de infecção e alteração da farmacocinética das drogas. A hipercalemia é o distrator temporal: ela costuma aparecer no reaquecimento, quando o potássio retorna ao extracelular, o que exige reaquecimento lento e monitorização. Hipertermia maligna é reação a anestésicos halogenados e succinilcolina, e nem poliglobulia nem hipertensão refratária caracterizam o quadro.
Paciente pós-parada evolui com hipotensão, débito cardíaco reduzido e ecocardiograma com disfunção biventricular global, sem lesão coronariana obstrutiva na coronariografia. Qual é a explicação mais provável?
A síndrome pós-parada inclui atordoamento miocárdico global, com queda do débito e necessidade de suporte inotrópico e vasopressor, tipicamente reversível em um a três dias, o que justifica sustentar o paciente enquanto a função se recupera. Miocardiopatia crônica não explicaria início abrupto com coronárias livres e reversibilidade esperada. Tamponamento é complicação possível da reanimação e deve ser afastado, mas produziria sinais de restrição ao enchimento no ecocardiograma. Infarto foi excluído pela coronariografia, e a sepse costuma cursar com resistência vascular baixa, não com disfunção biventricular isolada.
Paciente em parada cardiorrespiratória com ritmo de atividade elétrica sem pulso está sendo reanimado. Além de compressões de alta qualidade e adrenalina, qual é a prioridade?
Atividade elétrica sem pulso e assistolia são ritmos não chocáveis, e o que muda o desfecho é a busca sistemática das causas reversíveis, tradicionalmente organizadas como hipovolemia, hipóxia, acidose, distúrbios do potássio, hipotermia, pneumotórax hipertensivo, tamponamento, toxinas e tromboses coronariana e pulmonar. Desfibrilar ritmo não chocável é erro conceitual frequente e interrompe compressões sem qualquer benefício. Antiarrítmico se aplica a fibrilação ventricular e taquicardia ventricular refratárias ao choque, marca-passo não trata parada, e bicarbonato de rotina não melhora desfecho.
Qual conduta é adequada em relação à ventilação e à oxigenação do paciente no período pós-parada cardíaca?
A meta é evitar tanto hipoxemia quanto hiperóxia, titulando o oxigênio para saturação em torno de 94 a 98 por cento, e manter normocapnia, já que a hipocapnia produz vasoconstrição cerebral e a hipercapnia importante aumenta o fluxo e a pressão intracraniana. Buscar oxigenação supranormal parece protetor e é justamente o erro associado a pior desfecho neurológico por estresse oxidativo. Hiperventilação de rotina não tem indicação. Acidose respiratória grave não é estratégia adequada nesse contexto, e extubar paciente comatoso sem proteção de via aérea é conduta inaceitável.
Em relação à prognosticação neurológica após parada cardíaca com controle de temperatura, qual conduta é correta?
A prognosticação exige tempo e múltiplas fontes de informação: sedação residual, hipotermia e disfunção orgânica confundem o exame, e por isso se recomenda esperar ao menos 72 horas após a normotermia, combinando exame clínico com reflexos de tronco, eletroencefalograma, potenciais evocados, biomarcadores e neuroimagem. Prognosticar precocemente pelo exame isolado é o erro que gera profecias autorrealizáveis, com retirada de suporte de pacientes que ainda poderiam recuperar. Tempo de reanimação e um único biomarcador têm valor limitado isoladamente e não devem sustentar decisão de limitação terapêutica.
Paciente em cuidados pós-parada apresenta eletrocardiograma com supradesnível de ST em parede inferior. Qual é a conduta?
Supradesnível de ST após retorno da circulação espontânea indica coronariografia imediata com intenção de revascularizar, e o coma não é contraindicação, pois a causa coronariana é frequente e o tratamento melhora o prognóstico global, incluindo o neurológico. Esperar a recuperação da consciência é o distrator que parece prudente e retira do paciente a única chance de reabrir a artéria em tempo hábil. Tratamento clínico isolado e exames funcionais não substituem a reperfusão em infarto com supradesnível. A trombólise fica reservada à indisponibilidade de hemodinâmica, com cautela após reanimação prolongada.
Qual é o alvo pressórico recomendado no período pós-parada cardíaca e a estratégia para atingi-lo?
A autorregulação cerebral está prejudicada após a parada, tornando a perfusão dependente da pressão sistêmica, e episódios de hipotensão associam-se a pior desfecho neurológico, de modo que se recomenda manter pressão arterial média de pelo menos 65 mmHg com volume e vasopressor. Supor autorregulação preservada é o erro conceitual que leva a tolerar hipotensão. Alvos muito baixos comprometem a perfusão de um cérebro já isquêmico, alvos exagerados aumentam o consumo miocárdico sem benefício demonstrado, e vasodilatador de rotina agrava a hipotensão característica da disfunção miocárdica pós-parada.
Homem de 58 anos teve parada cardiorrespiratória em fibrilação ventricular, com retorno da circulação espontânea após 12 minutos de reanimação. Está comatoso, sem resposta a comando, intubado, com PA 100x60 mmHg. Qual é a intervenção com maior impacto no desfecho neurológico?
No paciente comatoso após retorno da circulação espontânea, o controle direcionado de temperatura com alvo constante e prevenção ativa da febre é a intervenção de neuroproteção com melhor respaldo, qualquer que seja o ritmo inicial. Hiperventilação reduz o fluxo sanguíneo cerebral por vasoconstrição e agrava a isquemia, sendo o distrator que aplica um raciocínio de trauma craniano fora de contexto. Hiperóxia sustentada aumenta o dano por radicais livres, e o alvo é titular o oxigênio para saturação em torno de 94 a 98 por cento. Corticoide não tem indicação, e hipoglicemia induzida é francamente deletéria.
Em relação à ordem dos atos no atendimento à parada cardiorrespiratória extra-hospitalar por um socorrista leigo, qual é a sequência correta?
Para o socorrista leigo, a sequência é reconhecer a ausência de resposta e de respiração normal, acionar ajuda e o desfibrilador automático e iniciar compressões sem demora, sendo aceitável a reanimação somente com compressões. Checagens demoradas de pulso, ventilações prévias e varreduras digitais da boca atrasam o único fator que preserva a perfusão cerebral, que é o início precoce das compressões. Transportar a vítima antes de iniciar manobras é conduta especialmente prejudicial, pois o tempo sem fluxo é o principal determinante do desfecho neurológico.
Durante atendimento de parada cardiorrespiratória em adulto, qual é a característica de compressão torácica de alta qualidade?
A qualidade da compressão determina o fluxo gerado: profundidade de 5 a 6 cm, frequência entre 100 e 120 por minuto, retorno completo do tórax entre as compressões e interrupções mínimas, com troca do socorrista a cada dois minutos para evitar fadiga. Apoiar-se no tórax impede o retorno e reduz o enchimento cardíaco, erro comum e silencioso. Frequências muito altas comprometem a profundidade e o enchimento, e checagens frequentes de pulso aumentam o tempo sem fluxo, que é o principal determinante modificável do desfecho.
Qual é o papel da ultrassonografia à beira do leito durante a reanimação cardiopulmonar?
A ultrassonografia pode identificar tamponamento cardíaco, pneumotórax, sinais de sobrecarga direita sugestiva de embolia e hipovolemia grave, contribuindo para o tratamento de causas reversíveis, desde que realizada de forma protocolada durante as pausas já previstas, sem prolongá-las. Permitir que o exame aumente o tempo sem compressões é o erro mais comum e anula qualquer benefício. Ela não substitui a análise do ritmo, não define isoladamente a interrupção dos esforços e não diagnostica infarto durante a parada.
Paciente em parada cardiorrespiratória por hipercalemia grave confirmada por exame recente. Qual é a medida específica durante a reanimação?
Quando a hipercalemia é a causa reversível identificada, o tratamento específico deve ocorrer durante a reanimação, com sal de cálcio para estabilizar a membrana miocárdica e medidas para deslocar o potássio para o intracelular, além de considerar diálise após o retorno da circulação. Persistir apenas no algoritmo genérico sem tratar a causa é justamente o erro que a busca por causas reversíveis pretende evitar. Marca-passo não é útil na parada, e a atropina deixou de fazer parte do algoritmo de assistolia e atividade elétrica sem pulso.
Qual antiarrítmico está indicado na fibrilação ventricular refratária a desfibrilação e adrenalina?
Na fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso refratária ao choque e à adrenalina, a amiodarona é o antiarrítmico de escolha, com a lidocaína como alternativa aceitável. Adenosina é usada em taquicardias supraventriculares regulares com paciente com pulso e não tem papel na parada. Verapamil e metoprolol deprimem a contratilidade e não estão indicados na reanimação. Digoxina não trata arritmia ventricular. Escolher drogas de controle de frequência revela confusão entre o cenário com pulso e a parada cardiorrespiratória.
Durante a reanimação, qual é a orientação sobre ventilação após a instalação de via aérea avançada?
Com via aérea avançada, as compressões passam a ser contínuas e as ventilações são fornecidas a cada 6 segundos, sem sincronização, o que reduz interrupções e mantém melhor fluxo. A hiperventilação é um dos erros mais frequentes e mais nocivos, porque aumenta a pressão intratorácica, reduz o retorno venoso e o débito gerado pelas compressões, além de provocar vasoconstrição cerebral. Manter a relação de trinta para duas após a intubação desperdiça a vantagem da via aérea, e suspender totalmente as ventilações não é adequado nesse cenário.
Paciente em parada cardiorrespiratória apresenta ritmo de fibrilação ventricular no monitor. Qual é a sequência correta?
Em ritmo chocável, a desfibrilação é a intervenção que reverte a arritmia e deve ser aplicada assim que disponível, com retomada imediata das compressões por dois minutos antes da nova análise, já que o coração recém-desfibrilado raramente gera pulso palpável de imediato. Checar pulso logo após o choque é o erro que interrompe o fluxo justamente no momento mais crítico. A sequência de três choques empilhados foi abandonada, e adrenalina e amiodarona entram após choques, não antes do primeiro.
Em qual momento a adrenalina deve ser administrada durante a reanimação de ritmo não chocável?
Em assistolia e atividade elétrica sem pulso, a adrenalina deve ser administrada o mais cedo possível, pois a administração precoce se associa a maior chance de retorno da circulação espontânea nesses ritmos, ao contrário do que ocorre nos ritmos chocáveis, em que o choque tem prioridade e a droga entra depois. Aguardar tempos arbitrários ou a conversão de ritmo é o erro que desperdiça a janela útil. Bicarbonato não é droga de rotina na reanimação e não precede qualquer outra intervenção do algoritmo.
Qual parâmetro deve ser priorizado na avaliação da qualidade da reanimação em um serviço de emergência?
Os indicadores que se correlacionam com sobrevida são os que medem a qualidade das manobras e a rapidez da desfibrilação, entre eles a fração do tempo em que há compressões, a profundidade e a frequência adequadas, o retorno completo do tórax e o intervalo até o primeiro choque em ritmos chocáveis, além do uso de capnografia. Quantidade de drogas, duração total, número de pessoas e exames coletados não medem qualidade e podem até refletir desorganização e interrupções desnecessárias.
Após três choques, paciente com fibrilação ventricular refratária mantém o ritmo. A equipe cogita desfibrilação com dupla sequência. Qual afirmativa é a mais adequada?
A desfibrilação com dupla sequência e a mudança do vetor de choque foram estudadas na fibrilação ventricular refratária, com resultados promissores em cenários específicos, mas ainda dependem de protocolos e treinamento, não sendo prática universal desde o primeiro choque. Considerá-la proibida ignora a literatura recente, e aplicá-la de rotina extrapola a evidência. Em nenhum cenário ela substitui compressões de qualidade, e não faz sentido em ritmos não chocáveis, nos quais o choque é inútil.
Qual parâmetro pode ser monitorado durante a reanimação para avaliar a qualidade das compressões e sugerir retorno da circulação espontânea?
A capnografia reflete o débito cardíaco gerado pelas compressões: valores persistentemente muito baixos indicam compressões ineficazes, e a elevação abrupta durante a reanimação costuma anunciar o retorno da circulação espontânea antes mesmo da checagem de pulso. A oximetria periférica é inútil em baixo fluxo, e o monitor cardíaco mostra apenas atividade elétrica, que na atividade elétrica sem pulso está justamente dissociada da perfusão.
Paciente de 58 anos em parada cardiorrespiratória. O monitor mostra ritmo sinusal organizado com frequência de 40 bpm, mas não há pulso central palpável. Qual a conduta imediata?
Atividade elétrica sem pulso é ritmo não chocável, e o tratamento se apoia em compressões de alta qualidade, adrenalina precoce e busca sistemática das causas reversíveis — desfibrilar não tem qualquer efeito e apenas interrompe as compressões. Interpretar o traçado organizado como sinal de circulação é o erro conceitual central desse ritmo: o coração tem atividade elétrica, mas não gera débito.
Qual é o principal determinante da sobrevida em parada por ritmo chocável presenciada?
Em ritmos chocáveis, cada minuto sem desfibrilação reduz de forma expressiva a probabilidade de sobrevida, o que explica a ênfase em desfibriladores acessíveis e em equipes treinadas para chocar em segundos, com compressões de qualidade preenchendo os intervalos. Drogas melhoram a chance de retorno da circulação, mas não substituem o choque. Bicarbonato de rotina não é recomendado, a intubação precoce não demonstrou superioridade sobre ventilação com bolsa-máscara eficaz, e exames não alteram a conduta imediata.
Paciente em hemodiálise crônica apresenta parada por taquicardia ventricular sem pulso. Qual causa reversível deve ser priorizada na investigação e no tratamento simultâneo?
O paciente renal crônico em diálise tem risco elevado de hipercalemia, sobretudo se perdeu sessões, e o distúrbio pode desencadear arritmias ventriculares malignas, o que torna a administração de cálcio, insulina com glicose e a consideração de diálise parte do tratamento durante e após a reanimação. As demais causas reversíveis devem ser lembradas em todo paciente, mas o contexto clínico aponta com força para o distúrbio eletrolítico, e é a busca dirigida pela causa mais provável que muda o desfecho.
Qual é o intervalo recomendado para troca do socorrista que realiza compressões torácicas?
A qualidade das compressões cai de forma mensurável após poucos minutos, muitas vezes sem que o socorrista perceba, e a troca a cada dois minutos, coincidindo com a checagem de ritmo, mantém profundidade e frequência adequadas com interrupção mínima. Trocas muito frequentes aumentam o tempo sem compressão, e intervalos longos ou depender da percepção subjetiva de cansaço comprometem exatamente o parâmetro que mais influencia a perfusão coronariana e cerebral durante a reanimação.
Qual é a conduta em vítima inconsciente com respiração agônica, também chamada gasping?
A respiração agônica é um padrão irregular e ineficaz, comum nos primeiros minutos da parada, e deve ser interpretada como ausência de respiração normal, com início imediato das compressões. Confundi-la com respiração preservada é uma das principais causas de atraso no início da reanimação, tanto por leigos quanto por profissionais. Posição lateral de segurança se aplica a vítima inconsciente que respira normalmente, e oferecer apenas oxigênio ou ventilações sem compressões não restabelece circulação alguma.
Um adulto mantém taquicardia ventricular sem pulso refratária à desfibrilação, durante RCP de qualidade e uso de adrenalina conforme o algoritmo. A equipe indica antiarrítmico. Qual opção e dose inicial são adequadas segundo a AHA 2025?
Na FV ou TV sem pulso refratária à desfibrilação, amiodarona pode ser usada em dose inicial de 300 mg IV/IO, com segunda dose de 150 mg se indicada. Lidocaína é alternativa, inicialmente 1–1,5 mg/kg, e não 5 mg/kg em bolus único. O antiarrítmico não substitui nem deve atrasar RCP de qualidade, novos choques indicados e correção de causas reversíveis. Adenosina não trata esse ritmo sem pulso; magnésio não é administrado rotineiramente em toda TV.
Quais critérios apoiam a decisão de encerrar os esforços de reanimação em adulto no ambiente hospitalar?
A decisão de encerrar é clínica e multifatorial, integrando a causa provável, a qualidade e a duração da reanimação, o ritmo apresentado, a capnografia persistentemente muito baixa, que sinaliza fluxo insuficiente, e o esgotamento das causas reversíveis, com comunicação clara à equipe e à família. Limites fixos de tempo desconsideram situações como hipotermia e intoxicação, nas quais a reanimação prolongada é apropriada. Idade e um único exame não decidem isoladamente, e a discussão em equipe é parte do processo.
Qual é a conduta correta quanto às compressões torácicas no momento imediato após a aplicação do choque?
Mesmo quando o choque é eficaz, o coração recém-desfibrilado costuma levar tempo até gerar débito palpável, e retomar as compressões de imediato sustenta a perfusão nesse intervalo crítico, além de evitar pausas que reduzem a fração de compressão. Checar pulso logo após o choque é o erro clássico que prolonga o tempo sem fluxo. Administrar drogas e realizar procedimentos não justificam interromper as manobras, que só param nas análises de ritmo programadas.
Paciente monitorizado apresenta subitamente taquicardia ventricular a 220 bpm, torna-se irresponsivo e sem pulso central palpável. Qual é a conduta imediata?
Taquicardia ventricular sem pulso é tratada como fibrilação ventricular: choque não sincronizado imediato, seguido de compressões por dois minutos antes da nova análise de ritmo. Tentar sincronizar em paciente sem pulso é o erro que atrasa o choque, porque o aparelho pode não identificar o complexo e não disparar. Antiarrítmico entra após choques e adrenalina em ritmo refratário, adenosina não tem papel na parada, e marca-passo não trata arritmia ventricular sem pulso.
Durante a reanimação, um profissional sugere interromper as compressões para obter acesso venoso central. Qual é a conduta correta?
A fração de compressão, isto é, a proporção do tempo de reanimação em que as compressões estão sendo realizadas, é determinante do desfecho, e nenhum procedimento eletivo justifica interrompê-las: acesso periférico ou intraósseo é rápido, eficaz e obtido sem parar as manobras. Interromper para punção central é o erro que troca conforto técnico por perfusão. A via endotraqueal tem absorção errática e é opção de exceção, e adiar decisões à espera de especialista prolonga o tempo sem fluxo.
Qual é a recomendação sobre a qualidade das compressões torácicas no adulto?
As compressões eficazes seguem frequência de 100 a 120 por minuto, profundidade de 5 a 6 cm, permitem o retorno completo do tórax entre elas e sofrem o mínimo de interrupções — cada pausa derruba a pressão de perfusão coronariana, que leva tempo para ser reconstruída. Checar pulso com frequência é o erro que fragmenta as compressões e reduz a chance de sucesso da reanimação.
Paciente em atividade elétrica sem pulso, em hemodiálise crônica, com histórico de faltas às sessões. Eletrocardiograma prévio mostrava ondas T apiculadas e alargamento do QRS. Qual a causa reversível mais provável e a conduta?
Faltas à hemodiálise com ondas T apiculadas e QRS alargado apontam para hiperpotassemia grave como causa da parada, e o gluconato ou cloreto de cálcio é a primeira medida, por estabilizar a membrana do miócito, seguido de insulina com glicose e bicarbonato conforme o contexto, com diálise após a estabilização. Repor potássio nesse cenário seria inverter completamente o tratamento e agravar a causa da parada.
Qual é a dose e o intervalo de administração da adrenalina na parada cardiorrespiratória em ritmo não chocável?
Em ritmos não chocáveis, a adrenalina deve ser administrada o mais cedo possível, na dose de 1 mg a cada 3 a 5 minutos, porque a precocidade se associa a maior chance de retorno da circulação espontânea nesse subgrupo. Nos ritmos chocáveis, ao contrário, ela é administrada após a primeira ou segunda tentativa de desfibrilação — inverter essa ordem é um erro comum de quem memoriza um algoritmo único.
Qual é a conduta em relação à desfibrilação em paciente com marca-passo ou cardiodesfibrilador implantado?
A presença de dispositivo implantado não contraindica a desfibrilação, que é realizada com as pás afastadas do gerador para reduzir o risco de dano e de dissipação de energia, com posicionamento anteroposterior como alternativa, seguida de avaliação do dispositivo. Contraindicar o choque por causa do implante é o erro que deixa o paciente sem a única terapia eficaz. Reduzir a energia compromete a reversão, e aplicar o choque sobre o gerador aumenta o dano e desvia corrente do miocárdio.
Após retorno da circulação espontânea em ambiente extra-hospitalar, qual é a prioridade na transferência do paciente?
O cuidado pós-parada é organizado em rede, e o paciente deve seguir para um centro capaz de oferecer coronariografia, terapia intensiva com controle direcionado de temperatura e prognosticação multimodal, com monitorização contínua e manutenção de pressão e oxigenação durante o transporte. Levar ao serviço mais próximo sem essa capacidade adia o tratamento definitivo. Esperar recuperação de consciência ou retirar o suporte para avaliar neurologicamente compromete a estabilidade conquistada.
Qual é o papel do suporte circulatório extracorpóreo durante a reanimação em centros selecionados?
A reanimação com suporte extracorpóreo é estratégia de exceção, aplicada em centros preparados a pacientes selecionados, tipicamente jovens, com parada presenciada, ritmo inicial chocável ou causa reversível como intoxicação, hipotermia ou tromboembolismo, e reanimação de alta qualidade sem retorno da circulação. Aplicá-la indiscriminadamente ou tratá-la como substituto das manobras básicas inverte a lógica. As intoxicações estão entre suas melhores indicações, e não entre as contraindicações.
Em um shopping center, homem de 60 anos cai subitamente e não responde. Um socorrista leigo verifica ausência de respiração normal. Um desfibrilador automático externo está disponível. Qual é a sequência correta?
A cadeia de sobrevivência extra-hospitalar depende de reconhecimento imediato, acionamento do serviço de emergência, compressões precoces e desfibrilação rápida, e o desfibrilador automático foi projetado para uso por leigos, com instruções sonoras e análise automática do ritmo. Aguardar profissional ou o resgate desperdiça os minutos em que a chance de sobrevida é maior, já que ela cai a cada minuto sem desfibrilação. Transportar em veículo particular sem reanimação é conduta que praticamente elimina a chance de sobrevivência.
Quais são as causas reversíveis que devem ser sistematicamente investigadas na atividade elétrica sem pulso?
A mnemônica dos cinco agrupamentos iniciados por hipo e por t organiza a busca das causas reversíveis, e é justamente essa investigação que muda o desfecho na atividade elétrica sem pulso — sem identificar e tratar a causa, a taxa de retorno da circulação espontânea é baixa. Restringir a busca a duas ou três hipóteses é o erro que deixa passar tamponamento, pneumotórax hipertensivo e tromboembolismo, todos com tratamento específico e imediato.
Durante a análise de ritmo, o monitor mostra traçado compatível com fibrilação ventricular fina. Qual é a conduta?
A fibrilação ventricular fina é ritmo chocável e deve ser tratada com desfibrilação, com compressões de qualidade entre as análises, já que a amplitude tende a melhorar com a perfusão coronariana gerada pelas manobras. Confundi-la com assistolia é o erro que priva o paciente do choque, e por isso se recomenda confirmar assistolia checando conexões e derivações. Atropina não faz mais parte do algoritmo de ritmos não chocáveis, e marca-passo não tem indicação em parada.
Qual é a diferença fundamental entre assistolia e atividade elétrica sem pulso quanto à conduta?
Assistolia e atividade elétrica sem pulso compartilham o mesmo braço do algoritmo, com compressões de alta qualidade, adrenalina precoce e investigação das causas reversíveis — nenhum dos dois se beneficia de choque. Desfibrilar assistolia é o erro clássico, alimentado por representações televisivas, e além de inútil interrompe as compressões, que são a única intervenção que mantém alguma perfusão coronariana e cerebral.
Durante reanimação de paciente em atividade elétrica sem pulso, a ultrassonografia à beira do leito mostra derrame pericárdico volumoso com colapso de câmaras direitas. Qual a conduta?
Tamponamento cardíaco é uma das causas reversíveis mais dramáticas da atividade elétrica sem pulso, e a pericardiocentese pode restaurar o débito em minutos — o uso da ultrassonografia durante a reanimação existe exatamente para identificar esse tipo de causa tratável. Aumentar indefinidamente a adrenalina sem tratar a causa mecânica é o erro que mantém a reanimação sem qualquer chance de sucesso.
Paciente em atividade elétrica sem pulso após trauma torácico fechado, com ausência de murmúrio vesicular à direita, desvio de traqueia e distensão de jugulares. Qual a conduta imediata?
Pneumotórax hipertensivo é diagnóstico clínico e sua correção não espera imagem: a descompressão imediata pode restaurar o retorno venoso e reverter a parada em segundos. Solicitar radiografia antes de descomprimir é o erro que troca minutos vitais por confirmação desnecessária — nesse cenário, o exame de imagem serve para documentar o que já foi tratado, e não para autorizar o tratamento.
Após retorno da circulação espontânea em paciente comatoso, qual conduta faz parte dos cuidados pós-parada?
Os cuidados pós-parada incluem controle direcionado de temperatura em pacientes comatosos, alvos definidos de oxigenação e de gás carbônico, suporte hemodinâmico e investigação da causa, com cateterismo quando há suspeita de origem coronariana. Manter hiperóxia e hiperventilar são condutas associadas a pior desfecho neurológico, e representam os erros mais frequentes justamente nas primeiras horas após o retorno da circulação.
Qual é a importância do treinamento periódico das equipes em suporte básico e avançado de vida?
A retenção de habilidades de reanimação cai de forma significativa em poucos meses após o treinamento, o que justifica reciclagens frequentes, treinamento em equipe com simulação, feedback de desempenho e revisão de casos, medidas associadas a melhor qualidade das manobras e a melhores desfechos institucionais. Considerar as habilidades permanentes é contrariado pela evidência. A reanimação é trabalho de equipe multiprofissional, e a simulação demonstrou ganho consistente sobre o ensino exclusivamente teórico.
Homem de 62 anos em parada cardiorrespiratória na enfermaria. Monitor mostra fibrilação ventricular. Já foram administrados três choques bifásicos, adrenalina 1 mg e compressões de alta qualidade, mas o ritmo persiste como fibrilação ventricular na checagem seguinte. A droga antiarrítmica indicada neste momento é:
Fibrilação ventricular refratária — que persiste após desfibrilação e adrenalina — é a indicação clássica de antiarrítmico no ACLS: amiodarona 300 mg em bolus, com segunda dose de 150 mg se necessário; a lidocaína (1 a 1,5 mg/kg) é a alternativa aceita. O magnésio engana porque de fato é antiarrítmico em parada, mas seu lugar é restrito à torsades de pointes ou à hipomagnesemia documentada, e não à fibrilação ventricular comum. O bicarbonato não é rotina e só entra em cenários específicos (hipercalemia, intoxicação por tricíclicos, acidose grave prévia). A atropina saiu do algoritmo de parada desde 2010 e só serve para bradicardia com pulso. A adenosina é droga de taquicardia supraventricular com pulso, e administrá-la em parada não tem qualquer racional.
Durante ação comunitária, um homem de 60 anos cai subitamente, não responde ao chamado e não apresenta respiração normal. Há um agente comunitário de saúde e outros dois profissionais no local, além de um desfibrilador externo automático na unidade a poucos metros. O serviço de urgência foi acionado. Qual é a sequência correta de atendimento?
Diante de vítima irresponsiva e sem respiração normal, o atendimento começa por compressões torácicas de alta qualidade, com uso do desfibrilador automático assim que disponível, pois a desfibrilação precoce é o principal determinante de sobrevida na parada em fibrilação ventricular. Verificação prolongada de pulso atrasa a reanimação. Ventilações isoladas não geram fluxo sanguíneo. Elevar membros e oferecer líquidos são condutas inadequadas e perigosas em vítima inconsciente.
Homem de 58 anos, em consulta na Unidade Básica de Saúde, apresenta subitamente perda de consciência e cai da cadeira. A equipe verifica ausência de resposta, respiração agônica e ausência de pulso central em até dez segundos. A unidade dispõe de desfibrilador externo automático e material de via aérea. Há três profissionais disponíveis no local, e o serviço de urgência foi acionado imediatamente por um deles. O paciente está no chão, em superfície rígida, sem sinais de trauma cervical evidente. A conduta imediata correta é:
Ausência de resposta, respiração agônica e ausência de pulso definem parada cardiorrespiratória, cuja conduta imediata é iniciar compressões torácicas de alta qualidade e aplicar o desfibrilador externo automático assim que disponível, pois a desfibrilação precoce em ritmos chocáveis é o principal determinante de sobrevida. Ventilações isoladas não geram circulação. Aguardar o serviço de urgência elimina a chance de retorno da circulação espontânea. Adrenalina intramuscular não é a via nem a prioridade na parada, cuja sequência começa por compressões e desfibrilação.
Homem de 68 anos é levado ao pronto-socorro por familiares após ser encontrado caído em casa, inconsciente. A equipe constata ausência de resposta, respiração agônica e ausência de pulso central. Iniciadas manobras de reanimação cardiopulmonar de alta qualidade, o monitor evidencia fibrilação ventricular. O desfibrilador está disponível, com acesso venoso já obtido. A equipe é composta por quatro profissionais treinados, e o carrinho de emergência está completo, com fármacos e material de via aérea prontos para uso imediato. A conduta correta neste momento é:
Fibrilação ventricular é ritmo chocável, e a desfibrilação imediata seguida do retorno rápido às compressões, com mínima interrupção, é a intervenção que determina a sobrevida. Administrar adrenalina antes do choque atrasa a única medida capaz de reverter o ritmo. Intubação orotraqueal é secundária e não deve retardar a desfibrilação nem as compressões. Interromper compressões por dois minutos para checar pulso reduz a pressão de perfusão coronariana e piora as chances de retorno da circulação espontânea.
Homem de 57 anos, com hipertensão, é levado ao pronto-socorro por familiares após episódio de dor torácica intensa que evoluiu com perda de consciência em casa há 20 minutos. Na chegada, apresenta ausência de pulso central e respiração agônica. Iniciadas manobras de reanimação, o monitor evidencia atividade elétrica organizada sem pulso palpável. A equipe realiza compressões de alta qualidade e obtém acesso venoso. A ultrassonografia à beira do leito mostra derrame pericárdico volumoso com colapso de câmaras direitas. A conduta específica mais adequada neste momento é:
Atividade elétrica sem pulso exige busca ativa de causas reversíveis, e a identificação de derrame pericárdico volumoso com colapso de câmaras direitas indica tamponamento cardíaco, cuja pericardiocentese de emergência, junto à reanimação, pode restaurar a circulação. Interromper as manobras diante de causa reversível identificada é inaceitável. Adrenalina isolada, sem tratar a causa, não reverte o quadro. Atividade elétrica sem pulso não é ritmo chocável, e a desfibrilação não tem qualquer papel nessa situação.
Homem de 52 anos é levado ao pronto-socorro após colapso durante partida de futebol amador, com parada cardiorrespiratória revertida por reanimação e desfibrilação no local, realizadas por outro jogador com desfibrilador automático disponível na quadra. Ele chega consciente, com amnésia do evento. Ao exame: PA 118x74 mmHg, FC 82 bpm, ausculta cardiopulmonar normal, sem déficits neurológicos, saturação 97%. Eletrocardiograma pós-parada em ritmo sinusal sem supradesnivelamento. Exames: troponina elevada, eletrólitos normais, função renal normal, sem uso de drogas. A conduta correta é:
Parada cardiorrespiratória revertida fora do contexto de causa completamente reversível exige internação em unidade especializada para investigação etiológica, incluindo pesquisa de doença coronariana, cardiomiopatias e canalopatias, além de avaliação de cardiodesfibrilador para prevenção secundária, dado o alto risco de recorrência. Liberar o paciente após poucas horas é conduta inaceitável. Betabloqueador isolado com retorno tardio não protege contra novo evento. Restrição de atividade não substitui a investigação nem a proteção contra morte súbita.
Homem de 54 anos foi ressuscitado após parada cardiorrespiratória em fibrilação ventricular fora do hospital, com retorno da circulação espontânea em 14 minutos. Chega à terapia intensiva intubado, sem sedação recente, sem resposta a comandos e com escala de coma de Glasgow 5. Está hemodinamicamente estável com noradrenalina em dose baixa, sem sangramento ativo e sem coagulopatia. A temperatura central é de 37,9 °C e a glicemia está controlada. O eletrocardiograma pós-retorno não mostra supradesnivelamento de ST. Qual é a conduta adequada?
No cuidado pós-parada em paciente comatoso, o controle ativo de temperatura com prevenção rigorosa da febre é medida neuroprotetora recomendada, associada à otimização hemodinâmica, ventilatória e metabólica. Permitir hipertermia agrava a lesão cerebral secundária. A prognosticação neurológica é multimodal e deve ser adiada, em geral por pelo menos 72 horas após o retorno da circulação e sem efeito residual de sedativos, sendo precipitada nas primeiras horas. Extubar um paciente comatoso sem proteção de via aérea é inseguro e não substitui a avaliação neurológica estruturada.
Homem, 58 anos, cai inconsciente em via pública. Equipe encontra o paciente sem pulso e sem respiração; monitor mostra fibrilação ventricular. Compressões torácicas foram iniciadas de imediato e o primeiro choque foi aplicado. Após 2 minutos de reanimação de alta qualidade, mantém fibrilação ventricular. Acesso venoso periférico obtido; via aérea com bolsa-válvula-máscara adequada. Nova checagem confirma o mesmo ritmo. Qual a sequência de conduta correta neste momento?
Em ritmo chocável persistente, a sequência correta é desfibrilar assim que o ritmo é identificado e retomar compressões de imediato, administrando adrenalina 1 mg a cada 3 a 5 minutos após o segundo choque, sem interromper a massagem. Administrar adrenalina antes do choque com pausa nas compressões atrasa a desfibrilação, que é a intervenção que reverte o ritmo. A amiodarona entra tipicamente após o terceiro choque, na fibrilação ventricular refratária, e não substitui a desfibrilação. O bicarbonato empírico não é recomendado de rotina na parada, ficando restrito a hipercalemia ou intoxicação por antidepressivo tricíclico. A intubação imediata não tem prioridade sobre o choque quando a ventilação com bolsa-válvula-máscara é eficaz.
Mulher, 62 anos, teve retorno da circulação espontânea após 14 minutos de parada por fibrilação ventricular em via pública. Permanece comatosa, sem resposta a comando, intubada. PA 96/58 mmHg com noradrenalina em dose baixa, FC 92 bpm, T 36,8 °C. ECG pós-retorno sem supradesnivelamento de ST; lactato 5,2 mmol/L (VR < 2,0). Gasometria mostra pH 7,26 e PaCO2 38 mmHg com FiO2 de 100%. Qual medida deve ser adotada nas primeiras horas?
Nos cuidados pós-parada em paciente comatoso, o controle direcionado de temperatura associado à titulação da FiO2 para manter saturação entre 92% e 98% é a conduta recomendada, evitando tanto hipoxemia quanto hiperóxia, ambas associadas a pior desfecho neurológico. Manter FiO2 de 100% por 24 horas produz hiperóxia e aumenta a lesão de reperfusão. Hiperventilar até PaCO2 de 25 mmHg provoca vasoconstrição cerebral e reduz o fluxo sanguíneo encefálico. O corticoide em dose alta não tem benefício neuroprotetor demonstrado nesse cenário. Aguardar 72 horas para intervir desperdiça a janela em que as medidas de proteção neurológica são eficazes.
Equipe atende homem de 60 anos em parada cardiorrespiratória presenciada. Sem pulso e sem respiração. O monitor com pás mostra traçado com ondulações irregulares de amplitude variável, sem complexos QRS identificáveis, com frequência em torno de 250 por minuto. As compressões torácicas estão em curso e há desfibrilador imediatamente disponível. Qual a conduta imediata?
Ondulações irregulares sem complexos organizados em paciente sem pulso correspondem a fibrilação ventricular, ritmo chocável cuja terapia imediata é a desfibrilação, seguida da retomada instantânea das compressões. Administrar adrenalina antes do choque atrasa a única intervenção capaz de reverter o ritmo. Verificar cabos e ganho é conduta da suspeita de assistolia, para excluir fibrilação fina, e não se aplica a um traçado já claramente fibrilatório. O marca-passo transcutâneo trata bradiarritmias com pulso. A atropina não tem indicação em ritmo chocável e foi retirada dos algoritmos de parada em atividade elétrica sem pulso e assistolia.
Mulher, 42 anos, em pós-operatório de cirurgia ortopédica, apresenta parada cardiorrespiratória. Monitor mostra ritmo sinusal a 90 bpm sem pulso. Antes do evento, referia dispneia súbita com SatO2 de 84% e taquicardia. A reanimação foi iniciada. Ultrassonografia à beira do leito revela ventrículo direito dilatado com septo retificado e veia cava inferior distendida, sem derrame pericárdico. Qual a causa reversível mais provável?
Ventrículo direito dilatado com septo retificado e veia cava distendida, em paciente com dispneia súbita e hipoxemia no pós-operatório ortopédico, aponta tromboembolismo pulmonar maciço como causa da atividade elétrica sem pulso. A hipovolemia mostraria câmaras colapsadas e cava fina, o oposto do descrito. O pneumotórax hipertensivo cursaria com ausência de deslizamento pleural e desvio traqueal, sem essa configuração ecocardiográfica. O tamponamento exigiria derrame pericárdico com colapso de câmaras direitas, expressamente ausente. A hipercalemia grave produziria alargamento do QRS e ondas T apiculadas, sem dilatação aguda do ventrículo direito.
Homem, 55 anos, retorno de circulação espontânea após parada por fibrilação ventricular em ambiente extra-hospitalar, permanece comatoso, sem resposta a estímulo verbal, intubado. PA 108/68 mmHg com noradrenalina em dose baixa, FC 84 bpm, T 36,9 °C. Tomografia de crânio sem hemorragia. Não há sangramento ativo, coagulopatia grave ou instabilidade refratária. Qual a conduta indicada quanto ao controle de temperatura?
Paciente comatoso após parada com retorno de circulação espontânea tem indicação de controle direcionado de temperatura, com manutenção de alvo definido e prevenção ativa de febre por pelo menos 72 horas, medida associada a melhor desfecho neurológico. Aquecer até 38 °C induz febre, comprovadamente deletéria nessa fase. Não realizar controle nenhum abre mão da prevenção da hipertermia, que é parte central do cuidado. Resfriar até 28 °C corresponde a hipotermia profunda, com risco de arritmias e coagulopatia, fora de qualquer protocolo. Adiar por 48 horas perde a janela em que a intervenção é eficaz.
Equipe realiza reanimação cardiopulmonar em homem de 58 anos com parada em ambiente hospitalar. O ritmo é assistolia confirmada em duas derivações, com cabos e ganho verificados. As compressões estão em curso e a via aérea foi assegurada com tubo orotraqueal, mantendo-se ventilações assíncronas. Capnografia quantitativa mostra dióxido de carbono expirado de 6 mmHg de forma persistente após 10 minutos de reanimação. Qual a interpretação e a conduta mais adequadas?
Dióxido de carbono expirado persistentemente abaixo de 10 mmHg durante a reanimação indica débito cardíaco insuficiente gerado pelas compressões, exigindo revisão de profundidade, frequência, retorno completo do tórax e minimização de interrupções, além de sinalizar mau prognóstico. Retorno da circulação espontânea se manifestaria por elevação abrupta e sustentada do valor. Hiperventilação reduz o dióxido de carbono expirado, mas a correção seria ventilatória, não a redução das compressões. Ignorar a capnografia descarta o melhor indicador em tempo real da qualidade da reanimação. A assistolia não é ritmo chocável, de modo que a desfibrilação não está indicada.
Homem, 56 anos, sofreu parada cardiorrespiratória extra-hospitalar em fibrilação ventricular, com retorno de circulação espontânea após 12 minutos de reanimação. Permanece comatoso e intubado. PA 104/62 mmHg com noradrenalina em dose baixa, FC 88 bpm. ECG pós-retorno mostra supradesnivelamento de ST de 3 mm em parede inferior. Lactato 4,8 mmol/L; tomografia de crânio sem hemorragia. Qual a conduta mais adequada?
Supradesnivelamento de ST após retorno de circulação espontânea indica coronariografia imediata com angioplastia, associada ao pacote de cuidados pós-parada, incluindo controle de temperatura e ventilação protetora, independentemente do estado neurológico inicial. Aguardar 72 horas desperdiça a janela de reperfusão. Limitar-se ao tratamento clínico por presumir lesão neurológica é prognóstico precipitado, que só pode ser feito após período adequado. A trombólise é inferior à angioplastia primária e mais arriscada após reanimação prolongada. Suspender a noradrenalina em paciente dependente de suporte precipitaria colapso hemodinâmico.
Homem, 72 anos, com dor precordial há 2 horas, apresenta parada cardiorrespiratória em atividade elétrica sem pulso durante o atendimento. Reanimação foi iniciada de imediato, com compressões de alta qualidade e adrenalina. Ultrassonografia à beira do leito durante checagem de ritmo mostra contratilidade global muito reduzida, sem derrame pericárdico, sem dilatação de ventrículo direito e com cava não colapsável. Qual causa reversível é mais provável neste contexto?
Contratilidade global muito reduzida sem derrame, sem dilatação do ventrículo direito e com cava não colapsável, em paciente com dor precordial prévia, aponta isquemia coronariana aguda com falência de bomba como causa da parada, o que reforça a necessidade de reperfusão assim que houver retorno da circulação. A hipovolemia mostraria câmaras colapsadas e cava fina. O tamponamento exigiria derrame pericárdico. O pneumotórax hipertensivo apresentaria ausência de deslizamento pleural e desvio traqueal. O tromboembolismo maciço cursaria com ventrículo direito dilatado e septo retificado.
Homem, 52 anos, internado na UTI após ressuscitação de parada cardiorrespiratória por fibrilação ventricular extra-hospitalar, com retorno da circulação espontânea após 18 minutos. Permanece comatoso, sem resposta a comandos, em ventilação mecânica. Exame: PA 108/64 mmHg com noradrenalina em dose baixa, T 37,8 °C, pupilas isocóricas, sem crises convulsivas. Glicemia 168 mg/dL. ECG sem supradesnivelamento de ST. SatO2 100% com FiO2 de 100%. Qual conduta faz parte dos cuidados pós-parada?
Os cuidados pós-parada incluem controle direcionado da temperatura com prevenção ativa da febre e titulação da oxigenação para evitar hiperóxia, que aumenta a lesão por reperfusão, mantendo saturação em faixa-alvo. Manter FiO2 de 100% continuamente expõe o paciente à hiperóxia e à piora do desfecho neurológico. Induzir hipertermia é deletério, pois cada grau acima do normal agrava a lesão cerebral. Definir prognóstico neurológico nas primeiras horas é inadequado, pois a avaliação confiável exige tempo, ausência de sedação residual e múltiplas modalidades. Hipoglicemia induzida por controle glicêmico excessivamente rigoroso aumenta a mortalidade e é especialmente danosa ao cérebro pós-isquêmico.
Homem, 46 anos, internado na UTI, evolui com parada cardiorrespiratória. O monitor mostra ritmo organizado com complexos largos a 40 por minuto, sem pulso central palpável. As compressões torácicas foram iniciadas imediatamente e o acesso venoso está disponível. O paciente havia apresentado quadro de vômitos e diarreia intensos nos últimos 3 dias, com hipotensão progressiva antes da parada, e estava em investigação por hipovolemia. Qual a conduta correta durante a ressuscitação?
Ritmo organizado sem pulso caracteriza atividade elétrica sem pulso, ritmo não chocável, cujo manejo consiste em compressões de alta qualidade, adrenalina precocemente e busca ativa das causas reversíveis, aqui fortemente sugeridas pela hipovolemia por perdas gastrointestinais. Desfibrilar é indicado apenas em fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso. A atropina foi retirada do algoritmo de atividade elétrica sem pulso por ausência de benefício. Cardioversão sincronizada exige pulso e ritmo com instabilidade, não se aplica à parada. Suspender compressões para observar o ritmo interrompe a perfusão coronariana e cerebral, piorando o prognóstico.
Mulher, 58 anos, internada na UTI, evolui com fibrilação ventricular. As compressões torácicas foram iniciadas e o desfibrilador está disponível. Após a primeira desfibrilação e 2 minutos de compressões, a paciente permanece em fibrilação ventricular. O acesso venoso está disponível e a via aérea foi assegurada. A equipe pergunta qual a sequência farmacológica correta a partir deste ponto do atendimento da parada cardiorrespiratória. Qual a conduta correta?
Na fibrilação ventricular refratária, o algoritmo prevê desfibrilações sucessivas intercaladas com ciclos de compressões, adrenalina após o segundo choque e antiarrítmico, tipicamente amiodarona, na persistência do ritmo chocável. Administrar amiodarona antes de desfibrilar inverte a prioridade, pois o choque é a intervenção definitiva no ritmo chocável. A atropina não faz parte do algoritmo de ritmos chocáveis. O bicarbonato não é recomendado de rotina, ficando restrito a situações específicas como hipercalemia e intoxicação por tricíclicos. Interromper as compressões por 2 minutos elimina a perfusão coronariana e reduz drasticamente a chance de retorno da circulação espontânea.
Mulher, 70 anos, internada na UTI, apresenta parada cardiorrespiratória presenciada. O ritmo inicial é assistolia confirmada em duas derivações, com checagem de cabos e ganho do monitor. As compressões estão sendo realizadas com profundidade e frequência adequadas, a via aérea foi assegurada e o acesso venoso está disponível. A paciente havia apresentado hipotensão progressiva e vômitos persistentes nas últimas horas antes do evento. Qual a conduta correta?
A assistolia é ritmo não chocável, cujo manejo consiste em compressões de alta qualidade, adrenalina precoce e busca sistemática das causas reversíveis, aqui possivelmente hipovolemia e distúrbio eletrolítico pelos vômitos persistentes. Desfibrilar assistolia não tem benefício e interrompe as compressões. A atropina foi removida do algoritmo por ausência de eficácia. Cardioversão sincronizada exige ritmo organizado com pulso. Suspender a reanimação de imediato é inadequado, pois a decisão de encerrar depende do tempo de parada, das causas identificadas e da resposta às intervenções.
Mulher, 45 anos, internada na UTI, apresenta parada cardiorrespiratória e a equipe monitora a qualidade das compressões pela capnografia. Durante a reanimação, o dióxido de carbono expirado mantém-se em torno de 8 mmHg apesar das compressões. Após ajuste da técnica, com aumento da profundidade, redução das interrupções e troca do socorrista, o valor sobe para 22 mmHg. A via aérea está assegurada e o ritmo permanece não chocável durante os ciclos. Qual a interpretação correta?
Durante a parada cardiorrespiratória, o dióxido de carbono expirado reflete o fluxo sanguíneo pulmonar gerado pelas compressões, de modo que valores baixos sugerem compressões ineficazes e a elevação após ajuste da técnica indica melhora do débito cardíaco produzido. Valores baixos isolados não autorizam encerrar a reanimação de imediato, embora sejam marcador prognóstico desfavorável quando persistem apesar de técnica adequada. Afirmar ausência de utilidade contraria o papel consolidado da capnografia. Elevação abrupta e sustentada sugere retorno da circulação espontânea, e não intubação esofágica, que cursa com curva plana. Valores acima de 20 mmHg indicam boa qualidade e não motivo para reduzir a profundidade.
Homem, 70 anos, internado na UTI, apresenta parada cardiorrespiratória e a equipe discute o uso da ultrassonografia durante a reanimação. O ritmo é atividade elétrica sem pulso e as compressões estão em andamento. A equipe pretende usar o exame para identificar causas reversíveis sem prejudicar a qualidade da reanimação, aproveitando as pausas para checagem de ritmo e mantendo o tempo de interrupção o mais curto possível. Qual afirmação é correta sobre esse uso?
A ultrassonografia durante a parada deve ser realizada de forma protocolada nas pausas para checagem de ritmo, com duração mínima, permitindo identificar causas reversíveis como tamponamento, hipovolemia grave, pneumotórax e falência de ventrículo direito. Prolongar as pausas para completar o exame reduz a perfusão coronariana e piora o desfecho. O exame complementa, mas não substitui, a checagem de ritmo e a avaliação clínica. A ausência de contratilidade é marcador prognóstico desfavorável, mas não autoriza isoladamente encerrar a reanimação em todos os casos. Afirmar contraindicação absoluta desconsidera o benefício quando o exame é integrado sem prejuízo às compressões.
Mulher, 66 anos, em cirurgia abdominal sob anestesia geral, apresenta súbita ausência de pulso central. O monitor mostra fibrilação ventricular. Exame: sem pulso carotídeo ou femoral, capnografia com queda abrupta do dióxido de carbono exalado, campo cirúrgico sem sangramento maciço, via aérea assegurada por tubo orotraqueal bem posicionado e ventilação sem resistência aumentada. Qual a conduta imediata?
Em parada cardiorrespiratória com ritmo chocável, como fibrilação ventricular, a prioridade absoluta é iniciar compressões torácicas de alta qualidade e desfibrilar o mais precocemente possível, pois a chance de sucesso cai rapidamente a cada minuto, seguindo-se adrenalina e antiarrítmico conforme o algoritmo e a busca por causas reversíveis. Administrar adrenalina antes da desfibrilação em ritmo chocável inverte a prioridade estabelecida. Interromper manobras aguardando outro profissional é inaceitável. A amiodarona é indicada após choques e adrenalina em fibrilação refratária, jamais antes das compressões. Aguardar o término do procedimento cirúrgico para iniciar a reanimação é conduta absolutamente incompatível com o atendimento à parada.
Homem, 54 anos, em laparotomia por trauma, evolui com atividade elétrica sem pulso durante o procedimento. Exame: sem pulso central, ritmo organizado no monitor, ausência de sangramento maciço visível no campo, murmúrio abolido à direita com hipertimpanismo, aumento súbito das pressões de vias aéreas, turgência jugular visível, capnografia com queda importante do dióxido de carbono exalado. Qual causa reversível deve ser tratada imediatamente?
Murmúrio abolido com hipertimpanismo unilateral, aumento súbito das pressões de vias aéreas, turgência jugular e atividade elétrica sem pulso configuram pneumotórax hipertensivo, causa reversível clássica cujo tratamento é a descompressão torácica imediata, seguida de drenagem definitiva, realizada em paralelo às manobras de reanimação. A hipovolemia é causa frequente no trauma, mas o conjunto de achados aponta mecanismo obstrutivo, e transfundir sem descomprimir não restabelece o débito. A hipoglicemia não produz abolição unilateral do murmúrio com hipertimpanismo. A intoxicação por anestésico local cursaria com pródromos neurológicos e alterações de condução, sem achados torácicos unilaterais. A hipotermia grave teria evolução progressiva com temperatura muito baixa documentada.
Homem, 62 anos, foi ressuscitado após parada cardiorrespiratória extra-hospitalar com cerca de 18 minutos até o retorno da circulação espontânea. Está em ventilação mecânica, sem sedação há 20 horas. Exame no terceiro dia: sem abertura ocular, sem resposta motora ao estímulo doloroso, pupilas fotorreagentes, reflexo corneopalpebral presente, mioclonias multifocais intermitentes. Não está hipotérmico nem sob efeito residual de sedativos. Qual a conduta quanto ao prognóstico?
A definição prognóstica após parada cardiorrespiratória deve ser multimodal e não precoce, combinando exame neurológico seriado com eletroencefalograma, potenciais evocados somatossensitivos, biomarcadores e neuroimagem, além de garantir ausência de fatores de confusão como sedação e hipotermia. Concluir irreversibilidade no terceiro dia com base apenas no exame é o erro que leva a decisões precipitadas. Considerar prognóstico favorável garantido pela presença de reflexos de tronco é igualmente equivocado, pois a ausência de resposta motora e as mioclonias são sinais preocupantes. Iniciar protocolo de morte encefálica é incorreto, já que reflexos de tronco estão presentes. Dispensar exames complementares contraria a recomendação de avaliação multimodal.
Homem, 62 anos, cai subitamente no saguão do hospital. Um profissional confirma ausência de resposta e de respiração normal, sem pulso central em 10 segundos, e inicia compressões. O monitor mostra fibrilação ventricular. A equipe dispõe de desfibrilador manual, oxigênio e acesso venoso. Sobre a reanimação cardiopulmonar de alta qualidade no adulto, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação incorreta é a que propõe 60 a 80 compressões por minuto com retorno parcial do tórax: a frequência recomendada é de 100 a 120 por minuto e o retorno completo do tórax é essencial para permitir o enchimento cardíaco. É correto que a profundidade no adulto deve ficar entre 5 e 6 centímetros. Também é correto que a desfibrilação precoce é determinante na fibrilação ventricular, pois a chance de sucesso cai a cada minuto. Minimizar as interrupções mantém a pressão de perfusão coronariana. O revezamento a cada 2 minutos é recomendado justamente para preservar a qualidade das compressões.
Mulher, 54 anos, em hemodiálise, apresenta parada cardiorrespiratória na sala de espera. O monitor mostra atividade elétrica sem pulso, com complexos alargados e frequência de 40 por minuto. A última sessão de diálise foi há 4 dias, e a paciente relatava fraqueza e câimbras. Compressões foram iniciadas e há acesso venoso disponível. Além da adrenalina, qual a hipótese e a conduta específica mais provável?
A hipótese mais provável é hipercalemia, uma das causas reversíveis clássicas: paciente em hemodiálise com sessão atrasada, fraqueza e câimbras, evoluindo com atividade elétrica sem pulso de complexos alargados e bradicárdicos; a conduta específica inclui gluconato de cálcio para estabilizar a membrana, insulina com glicose e bicarbonato conforme o contexto, além de diálise após o retorno da circulação. A hipovolemia não é sugerida pelo contexto de sessão atrasada, em que há sobrecarga. O pneumotórax hipertensivo e o tamponamento exigiriam achados clínicos ou ultrassonográficos específicos. A trombose coronariana não explica o padrão eletrocardiográfico descrito nem o contexto dialítico.
Homem, 58 anos, teve retorno da circulação espontânea após 18 minutos de reanimação por fibrilação ventricular. Permanece comatoso, sem resposta a comandos, intubado e em ventilação mecânica. Exame: PA 118x70 mmHg com noradrenalina em dose baixa, SatO2 99% com FiO2 1,0, T 36,8 graus C. Eletrocardiograma sem supradesnivelamento de ST. Sobre os cuidados pós-parada, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação incorreta é a que preconiza FiO2 de 100% por 24 horas: após o retorno da circulação espontânea, a oferta de oxigênio deve ser titulada para evitar hiperóxia, que agrava a lesão de reperfusão, mantendo alvos de saturação em torno de 92 a 98%. É correto indicar o controle direcionado de temperatura em pacientes que permanecem comatosos. Também é correto evitar hipotensão, mantendo alvo pressórico que garanta perfusão cerebral e coronariana. A investigação da causa, incluindo avaliação coronariana conforme o caso, é conduta adequada. Por fim, é correto que a definição do prognóstico neurológico não deve ser feita nas primeiras horas.
A equipe confirma o traçado da figura em paciente sem pulso. Qual sequência é apropriada?

Assistolia não é indicação de choque. A prioridade é RCP com interrupções mínimas, adrenalina o quanto antes e identificação de causas reversíveis, com reavaliações periódicas do ritmo.
Durante atendimento de parada cardiorrespiratória, o monitor apresenta o padrão da figura. Cabos, contato dos eletrodos e ganho já foram conferidos, com persistência em outra derivação. Como classificar esse ritmo?

Não há complexos ou atividade ventricular organizada visíveis. Após excluir desconexão e confirmar em outra derivação, o padrão é assistolia e segue o ramo não chocável da reanimação.
Por que um ETCO2 baixo isolado não deve determinar interrupção da reanimação?

A interpretação deve considerar fatores modificadores e limites prognósticos.
Qual mudança ocorre entre os minutos 3 e 4?

O valor sobe de 13 para 35 mmHg.
Com ventilação inalterada, como integrar essa mudança durante compressões?

Aumento abrupto pode acompanhar retorno circulatório, mas exige confirmação clínica e do ritmo.
Qual ação mantém perfusão durante parada?

Compressões adequadas e poucas interrupções são fundamentais.
Qual gás a capnografia acompanha?

ETCO2 corresponde ao CO2 ao final da expiração.
Durante a avaliação do ritmo mostrado, o paciente perde a consciência e deixa de apresentar pulso. Qual mudança no tratamento elétrico decorre dessa nova condição? Imagem didática do acervo OsceLabs.

O traçado organizado pode corresponder a taquicardia ventricular sem pulso; a ausência de circulação muda a abordagem para desfibrilação e RCP.
Quer treinar mais nesse tema? Estas questões vêm do nosso banco — lá tem milhares, com simulado, maratona e estatística de acerto por área.
Criar conta grátis e continuar →Plano de revisão
em 7 dias
Refaça de memória o algoritmo bifurcado: chocável × não chocável, com os números — 100–120/min, 5–6 cm, pausas ≤ 10 s, choque único (360 J mono / 120–200 J bifásico), adrenalina 1 mg a cada 3–5 min (cedo no não chocável, pós-choques no chocável), amiodarona 300 → 150 mg após o 3º choque. Liste os 5H e 5T sem olhar e associe cada um a uma pista de vinheta.
em 30 dias
Monte uma tabela de metas pós-RCE (SpO2 90–98%, PaCO2 35–45, PAM ≥ 65, temperatura 32–37,5 °C por ≥ 36 h, ECG imediato, prognóstico multimodal ≥ 72 h) e, ao lado, os números da régua SBC 2019 (32–36 °C por 12–24 h; cateterismo em 2 h) — saber os dois conjuntos e datá-los é o que resolve as questões de divergência. Termine revisando o que NÃO se faz: vasopressina, atropina, choques empilhados, hiperventilação, encerrar por critério isolado.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Plantão na emergência: a enfermeira grita que o paciente do leito 3 — que internou por dor torácica — ficou irresponsivo. O monitor mostra um traçado caótico. O carrinho de parada está ao lado. Conduza o atendimento do primeiro segundo ao pós-parada. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
