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Clínica MédicaNefrologia

Síndrome nefrótica e síndrome nefrítica

A banca entrega urina, albumina e complemento e cobra a separação das duas síndromes, o protótipo mais provável para cada idade e a complicação que cada uma carrega.

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 25 anos apresenta, 10 dias após faringoamigdalite, urina escurecida ('cor de coca-cola'), edema periorbitário matinal e hipertensão. Exame: PA 160x100 mmHg, FC 78 bpm, edema de membros inferiores 1+/4+. Urina: hematúria com dismorfismo eritrocitário e cilindros hemáticos, proteinúria 1,2 g/24h. Qual é o diagnóstico mais provável?

02

Como esse tema cai

Doença glomerular é um território que parece infinito — dezenas de doenças, biópsia, imunofluorescência — mas a prova o percorre quase inteiro com uma única pergunta: o glomérulo está vazando ou está inflamado? Vazamento é síndrome nefrótica: proteinúria maciça, albumina baixa, edema, lipídios altos, urina espumosa e sedimento pobre. Inflamação é síndrome nefrítica: hematúria dismórfica, cilindros hemáticos, hipertensão, oligúria e uma proteinúria que existe, mas não domina a cena. Quem classifica certo a síndrome já elimina metade das alternativas; quem decora doença por doença sem essa grade se perde no segundo parágrafo da vinheta.

Este capítulo é a porta de entrada das glomerulopatias no adulto: define as duas síndromes com os números do PCDT e da SBN, distribui os protótipos por idade e contexto, percorre as complicações que decidem questão — trombose, infecção, dislipidemia de um lado; congestão, emergência hipertensiva e perda rápida de função do outro — e fecha com o tratamento que o SUS oferece para cada histologia. A glomerulonefrite pós-estreptocócica aparece aqui como protótipo da nefrítica, no nível que a comparação exige; seus detalhes pediátricos têm capítulo próprio. O mesmo vale para a nefropatia diabética e para a nefrite lúpica, que entram como causas secundárias a reconhecer, não como assunto central.

O que a banca cobra deste tema é notavelmente estável: classificar a síndrome a partir do laboratório, apontar o protótipo pela idade e pelo gatilho, decidir quando biopsiar — e a resposta muda conforme a idade —, reconhecer a trombose e a peritonite do nefrótico, ler o complemento na nefrítica e saber que perda de função em dias a semanas é a única urgência diagnóstica da nefrologia glomerular.

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O que muda decisão

As duas síndromes: o que cada uma exige para fechar

Síndrome nefrótica, pela definição do PCDT da Síndrome Nefrótica Primária em Adultos (Ministério da Saúde, 2021), é a tríade proteinúria maciça, hipoalbuminemia e edema — frequentemente acompanhada de hiperlipidemia e de um estado de hipercoagulabilidade. Os números: proteinúria acima de 3,0 a 3,5 g/1,73 m² por dia (na prática, acima de 3,0 g em urina de 24 horas) e albumina sérica abaixo de 3,0 g/dl. A relação proteína/creatinina em amostra isolada de urina igual ou maior que 3 identifica proteinúria nefrótica com sensibilidade próxima de 90% em qualquer nível de função renal, e o próprio PCDT autoriza usá-la no lugar da urina de 24 horas durante o acompanhamento — detalhe que as bancas adoram transformar em alternativa.

Síndrome nefrítica, pela diretriz de glomerulopatias da SBN, é o início súbito de hematúria com dismorfismo eritrocitário, proteinúria em geral abaixo de 3,0 g/dia, oligúria, hipertensão arterial e algum grau de queda da função renal. O achado que assina a origem glomerular do sangue é o sedimento: hemácias dismórficas e, sobretudo, cilindros hemáticos — um cilindro hemático encerra a discussão sobre hematúria urológica. Edema existe nas duas síndromes, mas o mecanismo muda: no nefrótico é a albumina baixa e o manejo renal ávido de sódio; no nefrítico é retenção de sódio e água por queda de filtração, o que explica a hipertensão e a congestão.

Nem todo caso fecha a síndrome completa, e o PCDT dá nome a isso: proteinúria nefrótica sem o quadro completo (albumina ainda normal, sem edema) já entra no protocolo como doença glomerular a investigar. No outro extremo, há quadros mistos — proteinúria maciça com hematúria e hipertensão — que apontam para as doenças de fronteira, como a glomerulonefrite membranoproliferativa. A grade das duas síndromes não é uma prisão: é o primeiro passo, que orienta qual lista de diagnósticos abrir.

Um lembrete de leitura de vinheta: urina espumosa é proteinúria; urina cor de refrigerante de cola com volume caindo é nefrítica até prova em contrário; edema que começa palpebral e matutino fala de rim, não de coração. A banca constrói o caso com esses sinais antes de dar qualquer número.

Glomérulo em corte dividido ao meio: à esquerda, barreira de filtração que deixa passar proteínas; à direita, tufo capilar inflamado deixando escapar hemácias.
As duas síndromes em um glomérulo: o lado que vaza proteína (nefrótica) e o lado que inflama e sangra (nefrítica). Toda a leitura do capítulo deriva desta divisão.

Síndrome nefrótica: protótipos por idade e a biópsia que muda com ela

A causa muda com a idade, e a prova cobra exatamente essa tabela mental. Na criança, a doença de lesões mínimas domina de tal forma que o tratamento começa sem biópsia — corticoide empírico, e a resposta é quase um teste diagnóstico. No adulto, a lógica inverte: nenhuma histologia domina o bastante para dispensar o fragmento. No registro brasileiro de biópsias citado pelo PCDT, as glomerulopatias primárias respondem por cerca de metade dos diagnósticos, e entre as primárias do adulto a glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF) é a mais frequente, com 24,6%. A membranosa cresce com a idade e é o protótipo do adulto mais velho; a de lesões mínimas persiste como causa possível também no adulto, tipicamente como nefrótica pura de instalação abrupta e proteinúria seletiva, sem hematúria nem hipertensão.

Antes de falar em biópsia, porém, o adulto nefrótico exige a pergunta anterior: isso é primário ou secundário? Diabetes de longa data é a maior causa de proteinúria maciça do mundo real e não pede biópsia quando a história é típica (retinopatia junto, evolução lenta). Lúpus, amiloidose, neoplasias e infecções fazem o resto da lista — e o PCDT, ao tratar da membranosa, nomeia as associações que a banca cobra: hepatite B, lúpus, neoplasias, artrite reumatoide, sífilis e malária. Anti-inflamatórios não esteroidais entram como causa medicamentosa clássica de lesões mínimas e de membranosa. O rastreio mínimo do nefrótico adulto, alinhado ao KDIGO 2021: glicemia, FAN, complemento, sorologias para hepatites B e C, HIV e sífilis, eletroforese de proteínas no mais velho — antes ou junto da biópsia, nunca depois.

A biópsia no adulto com síndrome nefrótica primária é a regra — o PCDT é explícito em que o exame histopatológico define o plano terapêutico, o diagnóstico etiológico e o prognóstico. As exceções também são dele: contraindicação absoluta (coagulopatia, anticoagulação plena que não se pode suspender) ou relativa (rim único, hipertensão resistente, gestação, infecção urinária persistente) autoriza tratar pelo quadro clínico-laboratorial, sem o fragmento. E há a exceção de urgência, que aparece adiante: a forma rapidamente progressiva entra no protocolo sem histologia, porque esperar seria perder o rim.

Na membranosa, um marcador mudou o jogo: o anticorpo contra o receptor da fosfolipase A2 (anti-PLA2R), positivo na maioria das formas primárias. O KDIGO 2021 o usa para firmar o diagnóstico, estratificar risco e monitorar resposta — o desaparecimento do anticorpo precede a remissão clínica. É vocabulário que já chegou às provas brasileiras, mesmo com disponibilidade irregular no SUS.

As complicações do nefrótico: trombose, infecção e a placa de lipídios

O nefrótico perde na urina mais do que albumina: perde antitrombina III e proteínas C e S, enquanto o fígado, tentando compensar, eleva fibrinogênio e fatores V e VIII. O resultado é um estado pró-coagulante real — e o PCDT localiza o maior perigo: os eventos tromboembólicos venosos são mais comuns na membranosa e na GESF, e em geral ocorrem com albumina abaixo de 2,5 g/dl. A trombose de veia renal é a assinatura do tema em prova: nefrótico (classicamente o membranoso) com dor lombar súbita, hematúria macroscópica e piora abrupta da proteinúria ou da função. Trombose venosa profunda de membros e tromboembolismo pulmonar completam o espectro. Evento confirmado, em qualquer território, pede anticoagulação plena — nisso PCDT e KDIGO dizem a mesma coisa.

A anticoagulação profilática — antes de qualquer evento — é decisão de risco, não reflexo. O PCDT reconhece a prática como controversa e não uniforme, e reserva a profilaxia para o nefrótico de maior risco: albumina abaixo de 2,0-2,5 g/dl com proteinúria persistente acima de 10 g/dia, pesando fatores como sexo masculino, hipovolemia e evento prévio. O anticoagulante preconizado é a varfarina, com INR alvo entre 2 e 3, mantida enquanto durar o estado nefrótico; para o paciente internado e acamado por intercorrência, heparina profilática subcutânea (5.000 U a cada 8-12 horas). O KDIGO desenha a mesma decisão para a membranosa com um refinamento de laboratório que virou pegadinha de prova: o limiar de albumina depende do método de dosagem — 2,5 g/dl quando dosada por verde de bromocresol, 2,0 g/dl por púrpura de bromocresol ou imunonefelometria.

Infecção é a segunda perda invisível: imunoglobulinas e fatores do complemento também vão embora pela urina, e o corticoide que trata a doença aprofunda o buraco. O germe clássico é o pneumococo — na criança, a peritonite bacteriana espontânea do nefrótico é figura carimbada; no adulto, celulite e sepse em internação. Daí as condutas que o KDIGO 2021 sistematiza e que valem pontos: vacinar contra pneumococo todo nefrótico, vacinar contra influenza paciente e contactantes domiciliares, rastrear tuberculose, hepatites B e C, HIV e sífilis antes de imunossuprimir, e considerar profilaxia com sulfametoxazol-trimetoprima em quem recebe corticoide em dose alta, ciclofosfamida ou rituximabe.

A dislipidemia do nefrótico não é detalhe cosmético: colesterol total e LDL sobem de forma expressiva enquanto durar a perda proteica, e o tratamento com estatina acompanha o estado nefrótico. Some-se a lesão renal aguda — por hipovolemia, por diurético agressivo, por trombose bilateral ou pela própria doença — e o quadro completo explica por que o nefrótico descompensado é paciente de acompanhamento próximo, não de retorno em três meses.

Tratar o nefrótico: o pacote de todos e o imunossupressor de cada um

Antes de qualquer imunossupressor existe o tratamento da síndrome, igual para todas as histologias. Sódio: 2 g por dia (3 a 3,5 g de sal de cozinha) — é a medida central do edema, porque o edema do nefrótico é balanço positivo de sódio. Dieta normoproteica de 0,8 a 1,0 g/kg/dia — dieta hiperproteica não sobe a albumina e não protege de nada. Diurético de alça para o edema, com prudência para não converter hipovolemia em lesão renal aguda. Inibidor da ECA ou BRA como antiproteinúrico, titulado pela pressão e pela proteinúria. Estatina para a dislipidemia. Evitar anti-inflamatórios e contraste iodado. Esse pacote, sozinho, resolve questão inteira de prova — sobretudo quando a alternativa errada oferece corticoide para um diabético com proteinúria maciça.

O imunossupressor é escolhido pela biópsia, e o PCDT define o arsenal disponível na rede pública: prednisona, ciclofosfamida e ciclosporina. Lesões mínimas do adulto: prednisona 1 mg/kg/dia (máximo 80 mg) por no mínimo 4 semanas — usualmente 8, até 16 —, com retirada escalonada ao longo de cerca de seis meses; recidiva esporádica repete o ciclo; recidivas frequentes ou dependência de corticoide chamam ciclofosfamida 2 mg/kg/dia por 12 semanas, e a ciclosporina 3 a 5 mg/kg/dia em duas tomadas fica para a resistência, para a intolerância ou para quem quer preservar fertilidade — a ciclofosfamida é gonadotóxica, e essa troca é pergunta de prova.

GESF: prednisona na mesma dose, mas com paciência maior — 16 semanas antes de declarar resistência. O KDIGO detalha o que o PCDT resume: quem vai responder costuma dar sinal em 4 a 8 semanas, o corticoide total (dose cheia mais desmame) dura cerca de 6 meses e a ciclosporina de segunda linha se mantém por 12 meses, com nível sérico alvo de 100 a 200 ng/ml; resistência à ciclosporina só se declara após 16 semanas com nível adequado.

Membranosa é o capítulo à parte, com duas regras que derrubam candidato. Primeira: corticoide em monoterapia não trata membranosa — o PCDT veta expressamente. Segunda: nem todo membranoso precisa de imunossupressor, porque um terço remite espontaneamente; o protocolo exige síndrome nefrótica vigente mais um destes critérios — proteinúria persistentemente acima de 4 g/dia sem queda apesar de 6 meses de terapia antiproteinúrica otimizada, sintomas graves ou incapacitantes, ou aumento de 30% da creatinina em 6 a 12 meses (desde que a filtração ainda esteja acima de 25-30 ml/min). Preenchido o critério, o esquema preconizado é o de Ponticelli: seis meses alternando pulso de metilprednisolona com corticoide oral nos meses ímpares e ciclofosfamida oral 2 mg/kg/dia nos meses pares, suspensa se os leucócitos caírem abaixo de 3.500/mm³. A alternativa é ciclosporina 3,5-5,0 mg/kg/dia com prednisona em dose baixa (0,15 mg/kg/dia) por seis meses. E vale esperar: a resposta pode demorar, e o protocolo manda aguardar mais seis meses após completar o esquema antes de declarar falha — desde que a função renal não esteja caindo.

Não imunossuprimir também é regra escrita: creatinina persistentemente acima de 3,5 mg/dl (ou filtração abaixo de 30) com rins reduzidos ao ultrassom é doença crônica avançada — imunossupressor ali só acrescenta risco. O alvo do tratamento tem nome e número no PCDT: remissão completa é proteinúria abaixo de 0,2 g/24 h (ou relação proteína/creatinina abaixo de 0,3) com albumina acima de 3,5 g/dl; remissão parcial é proteinúria entre 0,2 e 3,0 g/24 h. São os números que o acompanhamento persegue e que a prova pede na forma de 'qual o critério de resposta'.

Síndrome nefrítica: o protótipo pós-estreptocócico e a bifurcação do complemento

O protótipo da nefrítica é a glomerulonefrite pós-estreptocócica: infecção por cepa nefritogênica do estreptococo beta-hemolítico do grupo A, um intervalo livre — classicamente 1 a 3 semanas depois de faringite, 3 a 6 semanas depois de piodermite — e então hematúria escura, edema, hipertensão e oligúria. O intervalo é o detalhe que decide diagnóstico diferencial: hematúria macroscópica que aparece junto com a infecção de garganta, sem latência, fala de nefropatia por IgA, não de pós-estreptocócica. A sorologia (ASLO após faringite, anti-DNase B após piodermite) documenta a infecção; o complemento fecha o quadro: C3 e CH50 baixos com C4 tipicamente normal, porque a ativação é predominantemente pela via alternativa.

O curso esperado é de recuperação espontânea, e o tratamento é de suporte: restrição de sódio e água, diurético de alça para a congestão, anti-hipertensivo conforme a pressão. Antibiótico erradica o estreptococo remanescente e corta a cadeia de transmissão, mas não muda o curso da nefrite já instalada — alternativa clássica de pegadinha. Corticoide não tem papel na forma típica. O laboratório dita o acompanhamento: o C3 se recupera espontaneamente em semanas, e o KDIGO 2021 fixa a régua que a prova cobra — C3 persistentemente baixo além de 12 semanas indica biópsia para excluir glomerulopatia do C3, a doença que imita a pós-infecciosa e não melhora.

No adulto, a nefrítica exige lista mais longa, e o complemento é a bifurcação que a organiza. C3 baixo com C4 normal: pós-estreptocócica e glomerulopatia do C3 (via alternativa). C3 e C4 baixos: nefrite lúpica, crioglobulinemia, membranoproliferativa por imunocomplexos e a nefrite da endocardite (via clássica consumida). Complemento normal: nefropatia por IgA, vasculites associadas ao ANCA, doença por anticorpo antimembrana basal e as hereditárias como Alport. Essa tabela vale mais pontos por questão do que qualquer minúcia histológica — e é o motivo de FAN, anti-DNA, ANCA, anti-MBG, crioglobulinas e sorologias comporem o painel do nefrítico adulto.

A membranoproliferativa merece a nota de fronteira: é um padrão histológico, não uma doença única, e a classificação atual — que o PCDT adota — a divide pela imunofluorescência em formas por imunocomplexos (com imunoglobulinas, pedindo caça à causa: hepatites, infecções crônicas, gamopatias, autoimunidade) e formas por complemento (as glomerulopatias do C3). Clinicamente ela se apresenta dos dois lados da grade: nefrótica com hematúria, nefrítica franca, ou qualquer ponto entre os dois. Quando a vinheta insiste em misturar as duas síndromes num paciente só, é nela — e no lúpus — que o examinador está pensando.

A urgência da grade: perda de função em dias é biópsia, não observação

Dentro da síndrome nefrítica mora a única emergência diagnóstica das glomerulopatias: a forma rapidamente progressiva, definida pela perda de função renal em dias a semanas, no substrato histológico dos crescentes. A diretriz da SBN é direta — na suspeita, a biópsia é essencial e imediata, sem esperar confirmação sorológica; o PCDT abre a mesma porta ao incluir no protocolo, sem exigir histologia prévia, o paciente com forma rapidamente progressiva. As sorologias (ANCA, anti-MBG, FAN, complemento) correm em paralelo, nunca na frente. Cada semana de espera é néfron que não volta: a diferença entre biopsiar com creatinina 2 e com creatinina 6 costuma ser a diferença entre tratar e dialisar.

A leitura de prova: nefrítico cuja creatinina dobra em duas ou três semanas não é caso de 'repetir exames em 30 dias' — é caso de internar, biopsiar e, conforme a causa, imunossuprimir com urgência. O complemento ajuda a apostar na etiologia enquanto a biópsia não sai (normal aponta ANCA ou anti-MBG; baixo aponta lúpus, pós-infecciosa grave ou crio), mas não substitui o fragmento.

Fechando a grade completa do capítulo: proteinúria maciça com sedimento pobre é nefrótica — pense idade, causa secundária, biópsia no adulto, trombose e infecção como complicações. Hematúria dismórfica com hipertensão e oligúria é nefrítica — pense gatilho infeccioso e latência, leia o complemento, vigie a velocidade de perda de função. Quadro misto pede membranoproliferativa e lúpus. E função despencando é urgência, qualquer que seja o resto.

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Da urina à síndrome: o algoritmo do consultório

O caminho é sempre o mesmo, e a prova o percorre em qualquer direção: sedimento e quantificação de proteinúria definem a síndrome; albumina, lipídios e complemento refinam; sorologias e biópsia fecham. Os cards resumem os quatro desfechos possíveis da classificação; as tabelas trazem a comparação lado a lado, a bifurcação do complemento e o arsenal terapêutico do PCDT.

  1. 1Comece pelo EAS com análise do sedimento: hemácias dismórficas e cilindros hemáticos assinam origem glomerular; sedimento pobre com proteinúria fala de vazamento sem inflamação.
  2. 2Quantifique a proteinúria: relação proteína/creatinina em amostra isolada (≥3 indica faixa nefrótica, sensibilidade próxima de 90%) ou urina de 24 horas (>3,0-3,5 g/1,73 m²/dia). No acompanhamento, a relação em amostra substitui a coleta de 24 horas.
  3. 3Complete o retrato bioquímico: albumina sérica (abaixo de 3,0 g/dl fecha a definição nefrótica), perfil lipídico, creatinina e eletrólitos.
  4. 4Classifique a síndrome: nefrótica (proteinúria maciça + hipoalbuminemia + edema), nefrítica (hematúria dismórfica + hipertensão + oligúria + proteinúria subnefrótica), mista ou rapidamente progressiva (função caindo em dias a semanas).
  5. 5Na nefrótica do adulto: rastreie causa secundária (glicemia, FAN, sorologias para hepatites B e C, HIV e sífilis, eletroforese no idoso) e programe a biópsia — salvo diabetes típico ou contraindicação formal.
  6. 6Na nefrítica: dose C3 e C4 e deixe o perfil guiar a lista — via alternativa (C3 baixo, C4 normal), via clássica (ambos baixos) ou complemento normal; colha as sorologias do painel (ASLO, FAN, anti-DNA, ANCA, anti-MBG, crioglobulinas conforme o caso).
  7. 7Perda de função em dias a semanas, com qualquer perfil: biópsia em caráter de urgência, sorologias em paralelo — é a única etapa do fluxo que não espera.

Nefrótica pura

Proteinúria maciça, albumina baixa, sedimento pobre, pressão normal ou pouco alterada. No adulto: rastrear secundárias e biopsiar. Na criança: corticoide empírico — lesões mínimas até prova em contrário.

Nefrítica pura

Hematúria dismórfica com cilindros hemáticos, hipertensão, oligúria, proteinúria abaixo de 3 g/dia. Procurar o gatilho infeccioso e a latência; o complemento divide a lista de causas em três.

Quadro misto

Proteinúria nefrótica com hematúria e hipertensão no mesmo paciente. Pensar em membranoproliferativa e nefrite lúpica — as doenças que atravessam a grade — e baixar o limiar para biopsiar.

Rapidamente progressiva

Creatinina subindo em dias a semanas sobre sedimento nefrítico. Urgência diagnóstica: internação e biópsia imediata, sorologias em paralelo. Esperar resultado ambulatorial é perder néfron.

AspectoSíndrome nefróticaSíndrome nefrítica
MecanismoBarreira de filtração que vaza proteína (lesão podocitária)Inflamação do tufo capilar com ruptura da parede
Proteinúria>3,0-3,5 g/1,73 m²/dia; relação proteína/creatinina ≥3Presente, em geral <3,0 g/dia
SedimentoPobre; lipidúriaHemácias dismórficas e cilindros hemáticos
Albumina e lipídiosAlbumina <3,0 g/dl; colesterol e triglicerídeos altosAlbumina em geral preservada
Pressão e volumePA normal ou pouco alterada; anasarca por hipoalbuminemiaHipertensão, oligúria e congestão por retenção de sódio
ProtótiposCriança: lesões mínimas · adulto: GESF (24,6% das primárias) e membranosa · secundárias: diabetes, lúpus, amiloidosePós-estreptocócica · IgA · lúpus · vasculites e anti-MBG na forma rapidamente progressiva
Complicação que decide questãoTrombose (veia renal, TVP, TEP), infecção por pneumococo, dislipidemia, LRAEmergência hipertensiva, congestão, perda rápida de função (crescentes)
Primeiro movimentoRastrear secundárias; biópsia no adultoComplemento + sorologias; biópsia se atípica, grave ou rapidamente progressiva

A bifurcação do complemento na síndrome nefrítica

PerfilDoençasPista que acompanha
C3 baixo, C4 normal (via alternativa)Glomerulonefrite pós-estreptocócica; glomerulopatia do C3Latência pós-infecciosa e ASLO/anti-DNase B na primeira; C3 que não normaliza além de 12 semanas aponta a segunda
C3 e C4 baixos (via clássica)Nefrite lúpica; crioglobulinemia; membranoproliferativa por imunocomplexos; nefrite da endocarditeFAN e anti-DNA; hepatite C na crio; sopro e febre na endocardite
Complemento normalNefropatia por IgA; vasculites ANCA; doença anti-MBG; nefropatias hereditárias (Alport)Hematúria junto da infecção respiratória (sem latência) na IgA; pulmão-rim nas vasculites e na anti-MBG

Tratamento imunossupressor por histologia — o arsenal do PCDT (prednisona, ciclofosfamida, ciclosporina)

HistologiaPrimeira linhaAlternativas e regras do protocolo
Lesões mínimas (adulto)Prednisona 1 mg/kg/dia (máx. 80 mg) por 4-16 semanas, retirada em ~6 mesesRecidivas frequentes/corticodependência: ciclofosfamida 2 mg/kg/dia por 12 semanas · ciclosporina 3-5 mg/kg/dia para resistência, intolerância ou preservação de fertilidade
GESFPrednisona 1 mg/kg/dia (máx. 80 mg) por 16 semanasCiclosporina 3-5 mg/kg/dia (nível alvo 100-200 ng/ml); resistência à ciclosporina só após 16 semanas com nível adequado
MembranosaEsquema de Ponticelli: 6 meses alternando pulso de metilprednisolona + corticoide oral (meses 1, 3, 5) e ciclofosfamida oral 2 mg/kg/dia (meses 2, 4, 6)Ciclosporina 3,5-5,0 mg/kg/dia + prednisona 0,15 mg/kg/dia por 6 meses · corticoide isolado é vetado · só imunossuprimir com critério preenchido; aguardar 6 meses após o esquema antes de declarar falha
Pós-estreptocócicaSuporte: restrição hidrossalina, diurético de alça, anti-hipertensivoAntibiótico erradica o estreptococo sem mudar o curso renal · corticoide sem papel na forma típica

Remissão completa: proteinúria <0,2 g/24 h ou relação proteína/creatinina <0,3, com albumina >3,5 g/dl. Remissão parcial: proteinúria entre 0,2 e 3,0 g/24 h. São os alvos que o acompanhamento do PCDT persegue.

Não imunossuprimir doença crônica avançada: creatinina persistentemente >3,5 mg/dl (filtração <30 ml/min/1,73 m²) com rins reduzidos ao ultrassom indica dano irreversível — ali o imunossupressor só acrescenta risco.

Anticoagulação profilática do nefrótico de alto risco (albumina <2,0-2,5 g/dl + proteinúria >10 g/dia): varfarina com INR 2-3 enquanto durar o estado nefrótico; heparina 5.000 U SC a cada 8-12 h no acamado internado. Evento confirmado: anticoagulação plena.

O limiar de albumina para profilaxia na membranosa depende do método de dosagem (KDIGO 2021): 2,5 g/dl por verde de bromocresol equivale a cerca de 2,0 g/dl por púrpura de bromocresol ou imunonefelometria.

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Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Qual albumina fecha a definição de síndrome nefrótica: abaixo de 3,0 ou de 3,5 g/dl?

Abaixo de 3,0 g/dl — introdução do PCDT (2021) e diretriz da SBN (2005)

A definição de abertura do PCDT — proteinúria >3,0-3,5 g/1,73 m²/dia, hipoalbuminemia <3,0 g/dl e edema — repete o corte clássico da diretriz brasileira de glomerulopatias (albuminemia inferior a 3,0 g/dL com proteinúria superior a 3,0 g/24 h).

PCDT da Síndrome Nefrótica Primária em Adultos, Ministério da Saúde, 2021 (introdução e critérios de inclusão); Diretrizes de Glomerulopatias da SBN, J Bras Nefrol 2005.

Abaixo de 3,5 g/dl — seção de diagnóstico laboratorial do mesmo PCDT (2021)

No item de diagnóstico, o mesmo documento define hipoalbuminemia como albumina sérica abaixo de 3,5 g/dl — o número que também aparece no critério de remissão completa (albumina acima de 3,5). O corte mais alto amplia a sensibilidade da definição e captura o nefrótico em fase inicial de queda da albumina.

PCDT da Síndrome Nefrótica Primária em Adultos, Ministério da Saúde, 2021 (item de diagnóstico laboratorial).

Na prova

Vinheta com albumina entre 3,0 e 3,5 é teste de leitura do conjunto: o examinador quer o quadro completo (proteinúria maciça + edema + lipídios), não a memorização de um corte isolado. Enunciado que transcreve a definição introdutória do PCDT ou da SBN usa 3,0; alternativa que cite 3,5 costuma vir amarrada ao critério de remissão. Quando a diferença entre alternativas for só esse número, procure no enunciado qual documento a banca nomeou.

Terapia inicial da membranosa com indicação de imunossupressão: Ponticelli/ciclosporina ou rituximabe/tacrolimo por risco

Esquema de Ponticelli ou ciclosporina — PCDT/SUS (2021)

O protocolo nacional preconiza seis meses de Ponticelli (metilprednisolona alternada com ciclofosfamida oral) como terapia inicial, com ciclosporina associada a prednisona em dose baixa como alternativa. O arsenal do protocolo é prednisona, ciclofosfamida e ciclosporina — rituximabe e tacrolimo não fazem parte dos esquemas preconizados na rede pública. A diferença para a diretriz internacional é de disponibilidade de tecnologia no SUS, não de leitura distinta da doença.

PCDT da Síndrome Nefrótica Primária em Adultos, Ministério da Saúde, 2021.

Rituximabe, ciclofosfamida ou tacrolimo conforme o risco — KDIGO (2021)

A diretriz internacional estratifica o risco de progressão (proteinúria, filtração, anti-PLA2R) e oferece três portas de entrada: rituximabe, ciclofosfamida com corticoide alternado por 6 meses, ou esquema baseado em tacrolimo por pelo menos 6 meses — com o anti-PLA2R monitorando a resposta e guiando ajustes. Pacientes de baixo risco (proteinúria <3,5 g/dia, albumina >30 g/l, filtração >60) ficam só em suporte.

KDIGO 2021 Clinical Practice Guideline for the Management of Glomerular Diseases, Kidney Int 2021.

Na prova

O cenário denuncia o recorte: paciente da rede pública, menção nominal ao PCDT ou lista de alternativas restrita a prednisona/ciclofosfamida/ciclosporina apontam a régua nacional; vinheta que dosa anti-PLA2R, fala em estratificação de risco ou traz rituximabe entre as alternativas está no mundo KDIGO. Prova de instituição federal com cenário SUS tende à régua do protocolo; distrator com rituximabe num enunciado que cita o PCDT é justamente o teste de quem conhece o arsenal disponível.

Quando anticoagular profilaticamente o nefrótico que ainda não trombosou

Albumina <2,0-2,5 g/dl com proteinúria >10 g/dia — PCDT (2021)

O protocolo brasileiro trata a profilaxia como prática controversa e não uniforme, reservando-a ao maior risco — albumina abaixo de 2,0-2,5 g/dl com proteinúria persistente acima de 10 g/dia, pesando sexo masculino, hipovolemia e evento prévio — com varfarina (INR 2-3) enquanto durar o estado nefrótico.

PCDT da Síndrome Nefrótica Primária em Adultos, Ministério da Saúde, 2021.

Algoritmo por método de dosagem e risco de sangramento na membranosa — KDIGO (2021)

A diretriz internacional foca a membranosa — a histologia de maior risco — e condiciona a profilaxia ao balanço entre risco tromboembólico e risco de sangramento, com limiar de albumina que muda pelo método de dosagem: 2,5 g/dl por verde de bromocresol, 2,0 g/dl por púrpura de bromocresol ou imunonefelometria.

KDIGO 2021 Clinical Practice Guideline for the Management of Glomerular Diseases, Kidney Int 2021 (algoritmo de anticoagulação na membranosa).

Na prova

Os números das alternativas entregam o documento: 10 g/dia de proteinúria e INR 2-3 vêm do protocolo nacional; menção a método de dosagem da albumina ou a escore de risco de sangramento vem da KDIGO. Nos dois mundos, evento tromboembólico confirmado muda a pergunta — vira anticoagulação plena, sem controvérsia — e alternativa que anticoagula todo nefrótico indiscriminadamente está errada nas duas réguas.

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Caso resolvido

Homem, 52 anos, procura o ambulatório por edema progressivo de membros inferiores há seis semanas, agora com edema palpebral matutino e urina 'cheia de espuma'. Nega diabetes; sem medicações de uso contínuo. PA 132/84 mmHg. Exames: creatinina 1,1 mg/dl, albumina 1,8 g/dl, colesterol total 322 mg/dl, proteinúria de 24 h 11,4 g, EAS com raras hemácias isomórficas, sem cilindros. Glicemia de jejum 92 mg/dl, FAN não reagente, sorologias para hepatites B e C, HIV e sífilis não reagentes, eletroforese de proteínas sem pico monoclonal.
achado
Síndrome nefrótica completa do adulto: proteinúria de 11,4 g/24 h (muito acima de 3,0-3,5 g/1,73 m²/dia), albumina 1,8 g/dl, edema e dislipidemia — com sedimento pobre, sem marca nefrítica.
interpretação
Rastreio de causas secundárias negativo (sem diabetes, autoimunidade, hepatites virais, HIV, sífilis ou gamopatia): trata-se de provável glomerulopatia primária. Aos 52 anos, com nefrótica franca e sedimento pobre, a membranosa lidera a aposta — seguida da GESF, a primária mais frequente do adulto brasileiro.
conduta
Pacote do nefrótico desde a primeira consulta: sódio 2 g/dia, dieta normoproteica (0,8-1,0 g/kg/dia), furosemida para o edema, inibidor da ECA titulado como antiproteinúrico, estatina, suspensão de anti-inflamatórios e vacinação contra pneumococo e influenza.
decisão
Albumina de 1,8 g/dl (abaixo de 2,0) com proteinúria persistente acima de 10 g/dia coloca o paciente na faixa de maior risco tromboembólico do PCDT: indicada anticoagulação profilática com varfarina, INR alvo 2-3, mantida enquanto persistir o estado nefrótico — antes mesmo do resultado da biópsia.
conduta
Biópsia renal — no adulto ela define diagnóstico, plano e prognóstico, e não há contraindicação aqui (a varfarina é manejada peri-procedimento conforme o serviço). Resultado: glomerulopatia membranosa; a investigação de secundárias já feita a classifica como primária.
desfecho
Mantido o suporte antiproteinúrico otimizado, a proteinúria segue acima de 4 g/dia sem declínio após seis meses de observação — critério do PCDT preenchido. Iniciado esquema de Ponticelli (metilprednisolona alternada com ciclofosfamida 2 mg/kg/dia, seis meses), com hemograma quinzenal — suspensão se leucócitos <3.500/mm³ — e paciência protocolar: só se declara falha seis meses após o fim do esquema, se a função estiver estável.
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Agora feche você

Homem, 19 anos, chega à UPA com urina 'cor de refrigerante de cola' há dois dias, edema palpebral matutino e diminuição do volume urinário. Há três semanas teve amigdalite tratada apenas com analgésico. PA 158/96 mmHg. Exames: creatinina 1,6 mg/dl, EAS com hematúria dismórfica e cilindros hemáticos, proteinúria de 24 h 1,4 g, albumina 3,6 g/dl, C3 baixo, C4 normal, ASLO elevado.
achado
Síndrome nefrítica clássica: hematúria glomerular (dismorfismo + cilindros hemáticos), hipertensão, oligúria e proteinúria subnefrótica, com albumina preservada.
interpretação
Latência de três semanas após faringite, ASLO elevado e o perfil de complemento da via alternativa — C3 baixo com C4 normal — fecham o protótipo: glomerulonefrite pós-estreptocócica. A hematúria que surgisse junto da infecção, sem intervalo, apontaria nefropatia por IgA.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Tratar o adulto nefrótico sem biópsia — ou biopsiar a criança típica A lógica etária atrai o erro nos dois sentidos. Na criança, lesões mínimas domina e o corticoide empírico é a conduta; no adulto, nenhuma histologia domina e a biópsia define o tratamento — corticoide às cegas erra a membranosa (onde monoterapia é vetada) e atrasa o diagnóstico de amiloidose e GESF. As exceções do adulto são as escritas no PCDT: diabetes típico, contraindicação formal e a forma rapidamente progressiva, que entra no protocolo sem histologia.
  2. 2Corticoide isolado para glomerulopatia membranosa Atrai porque prednisona 1 mg/kg é a resposta certa para lesões mínimas e GESF — e o candidato generaliza. Na membranosa o protocolo veta expressamente a monoterapia com corticosteroide: o esquema é Ponticelli (corticoide alternado com ciclofosfamida) ou ciclosporina com prednisona em dose baixa, e só para quem preenche critério de imunossupressão.
  3. 3Confundir a hematúria da IgA com a pós-estreptocócica pela latência As duas seguem infecção respiratória; o que as separa é o relógio. Hematúria macroscópica junto com a faringite (um a três dias, sem intervalo livre) é nefropatia por IgA — complemento normal. Hematúria uma a três semanas depois, com C3 baixo e ASLO subindo, é pós-estreptocócica. A vinheta sempre dá o intervalo; o distrator conta com a pressa de quem lê 'faringite + hematúria' e para aí.
  4. 4Achar que complemento normal afasta glomerulonefrite grave O perfil normal de C3 e C4 é justamente o das causas mais agressivas de nefrítica rapidamente progressiva: vasculites ANCA e doença anti-MBG. Complemento normal não tranquiliza ninguém diante de creatinina subindo — redireciona a investigação para ANCA e anti-MBG e mantém a biópsia urgente.
  5. 5Anticoagular (ou deixar de anticoagular) o nefrótico pelo reflexo Dois erros espelhados. Profilaxia indiscriminada para todo nefrótico ignora que a prática é controversa e reservada ao alto risco (albumina <2,0-2,5 g/dl com proteinúria >10 g/dia). E tratar trombose de veia renal confirmada com 'observação' ou profilaxia ignora que evento confirmado pede anticoagulação plena. A questão quase sempre testa se o candidato distingue profilaxia de tratamento.
  6. 6Igualar proteinúria nefrótica a síndrome nefrótica Proteinúria acima de 3,5 g/dia com albumina normal e sem edema é proteinúria em faixa nefrótica — o PCDT a reconhece como porta de investigação, mas a síndrome exige o conjunto (hipoalbuminemia + edema). O distrator oferece a síndrome completa como diagnóstico para quem só tem o número da urina; a leitura inversa também cai: nefrítica com proteinúria de 2 g/dia não 'vira' nefrótica.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Hematúria com cilindros hemáticos, edema, hipertensão e proteinúria subnefrótica cerca de 10 dias após faringite caracterizam a síndrome nefrítica da glomerulonefrite pós-estreptocócica (período de latência de 1-3 semanas após infecção de orofaringe). A nefropatia por IgA cursa com hematúria concomitante ou em 1-3 dias após a infecção (sinfaringítica), sem latência longa. Nefrite lúpica costuma ter manifestações sistêmicas e sorologia positiva. GESF cursa tipicamente com síndrome nefrótica. Nefropatia diabética é crônica e progressiva, sem relação com faringite recente.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Os números que decidem questão, na ordem em que aparecem. Definições: nefrótica = proteinúria >3,0-3,5 g/1,73 m²/dia (relação proteína/creatinina ≥3, sensibilidade ~90%) + albumina <3,0 g/dl + edema, com dislipidemia; nefrítica = hematúria dismórfica com cilindros hemáticos + HAS + oligúria + proteinúria <3,0 g/dia. Complemento: C3 baixo/C4 normal = pós-estreptocócica e glomerulopatia do C3; ambos baixos = lúpus, crio, membranoproliferativa por imunocomplexos, endocardite; normal = IgA, ANCA, anti-MBG. Latências: 1-3 semanas pós-faringite, 3-6 pós-piodermite; hematúria sem latência = IgA. C3 baixo além de 12 semanas = biópsia. Tratamento: lesões mínimas e GESF = prednisona 1 mg/kg/dia (máx 80 mg), até 16 semanas; membranosa = Ponticelli ou ciclosporina + prednisona baixa, nunca corticoide isolado; pós-estreptocócica = suporte. Remissão completa <0,2 g/24 h com albumina >3,5; parcial 0,2-3,0. Anticoagulação profilática: albumina <2,0-2,5 + proteinúria >10 g/dia, varfarina INR 2-3; evento = plena.

em 30 dias

Reconte a grade sem olhar: quais três achados fecham cada síndrome, qual protótipo para criança, adulto jovem com hematúria sinfaringítica, homem de 50 anos com anasarca e idoso com pico monoclonal. Depois responda de memória: quando o adulto nefrótico escapa da biópsia? Quando a membranosa ganha imunossupressor — e qual? Que perfil de complemento tem cada nefrítica, e o que fazer com o C3 que não sobe em 12 semanas? Se travar em alguma, o capítulo indica a seção; se não travar, faça a bateria de novo cronometrando um minuto por questão.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Homem de 34 anos chega ao ambulatório com edema que começou nos tornozelos e em duas semanas subiu até as pálpebras, urina espumosa e 4 kg a mais na balança. O EAS, a albumina e a proteinúria de 24 horas estão na sua mão: caracterize a síndrome, decida o rastreio de causas secundárias e monte a conduta da primeira consulta. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Síndrome nefrótica e síndrome nefrítica — Preparatório para provas | OsceLabs