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Citrato de cafeína no pré-termo: o mesmo miligrama vale duas coisas
Vinte miligramas por quilo é ataque ou o dobro, conforme o rótulo diga citrato ou base — e o volume federal do prematuro não nomeia a droga.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Pré-termo de 26 semanas, 780 g, no 4º dia de vida, estabilizado em CPAP nasal com FiO₂ de 0,25, sem nenhum episódio de apneia registrado desde o nascimento. O plantonista pergunta se há indicação de iniciar citrato de cafeína agora. Segundo o guia do Ministério da Saúde, qual é a resposta correta?
Como esse tema cai
Este capítulo decide uma prescrição só: a metilxantina do recém-nascido pré-termo. Quatro perguntas, e todas elas têm resposta escrita em documento federal brasileiro — quanto se dá, e por que o mesmo numeral significa duas coisas conforme o rótulo diga citrato ou cafeína base; em que dia se começa, e se o gatilho é o peso, o relógio ou o episódio observado; em que dia se para, sabendo que a regra oficial oferece dois critérios alternativos que discordam nos dois sentidos; e o que a droga não resolve, porque a apneia do prematuro é, antes de tudo, um sinal que obriga a procurar outra coisa.
O que fica de fora, com dono próprio: a reanimação em sala de parto, com os passos iniciais e a ventilação com pressão positiva, tem capítulo próprio nesta apostila e é lá que mora a apneia dos primeiros minutos de vida; a doença da membrana hialina, o surfactante e a escada da pressão positiva contínua nasal têm outro; a sepse neonatal precoce e tardia, que é a causa secundária mais temida da pausa respiratória, tem o seu; e a classificação do pré-termo por idade gestacional e peso, com a retinopatia e a displasia broncopulmonar, pertence ao capítulo de prematuridade. Todos eles aparecem aqui apenas como fronteira, no ponto exato em que a decisão sobre a metilxantina depende deles.
Fica de fora também a vacinação do pré-termo, que tem regra própria e conhecida — a monitorização cardiorrespiratória depois da primeira dose no nascido antes das trinta e duas semanas. Ela entra em uma linha, porque é a única situação em que um guia federal brasileiro liga a palavra apneia à alta hospitalar do prematuro, e essa é uma informação sobre o silêncio dos documentos, não sobre o calendário vacinal.
O que muda decisão
O remédio que a unidade prescreve todo dia e o guia do prematuro não nomeia
A metilxantina é a droga mais prescrita de uma unidade neonatal que interne prematuros extremos. Dois terços dos nascidos abaixo de vinte e oito semanas apresentam apneia da prematuridade, segundo o próprio Ministério da Saúde, e praticamente todos eles recebem cafeína. Ainda assim, o volume da obra federal dedicado exatamente a esse bebê — o que se chama Cuidados com o recém-nascido pré-termo — não escreve a palavra cafeína uma única vez em cento e cinquenta e nove páginas. Escreve metilxantina uma vez, e é para listá-la entre os fatores de risco da enterocolite necrosante.
Isso não é esquecimento, e vale dizer com precisão o que é: os quatro volumes se dividem por compartimento, e a apneia da prematuridade cai na fronteira entre dois deles. O volume que trata dos problemas respiratórios traz a doença, a definição, a posologia completa e as regras de suspensão. O volume que trata do pré-termo traz o método canguru, a retinopatia, a doença metabólica óssea, a alta e o seguimento. O primeiro se organiza por aparelho; o segundo, por população. A apneia da prematuridade é definida pela interseção dos dois — é um problema respiratório que só existe naquela população — e cai exatamente onde nenhum dos dois a reivindica como decisão.
E não há remissão de um volume para o outro nesse ponto. O volume do pré-termo manda o leitor a capítulos do próprio volume nove vezes, sempre com a fórmula desta obra; nunca ao volume dos problemas respiratórios. E o volume dos problemas respiratórios não menciona o volume do pré-termo nenhuma vez. Não é uma cessão que o destino honra ou deixa de honrar: é ausência de ponte entre dois cômodos da mesma casa.
A consequência prática é a que interessa. Quem estuda o prematuro pelo material que leva o nome do prematuro nunca encontra a droga. Quem estuda a droga a encontra dentro de um capítulo sobre terapias auxiliares da insuficiência respiratória, ao lado de broncodilatador e corticoide, num contexto de desmame do respirador. Na beira do leito, porém, a pergunta é uma só, e é dela que sai a prescrição: este bebê deve começar cafeína hoje?
O que conta como apneia, e a faixa de segundos que a definição não nomeia
A definição federal tem duas metades. Apneia é a pausa respiratória superior a vinte segundos; ou a pausa entre dez e quinze segundos, quando acompanhada de bradicardia, cianose ou queda da saturação de oxigênio. As duas metades cobrem os extremos, e é fácil ler a frase inteira sem perceber que entre elas sobra uma faixa sem nome: a pausa de dezesseis, dezessete ou dezenove segundos, com bradicardia, não cabe na primeira metade nem na segunda, porque a segunda é um intervalo fechado.
É preciso fechar antes de acusar, e a explicação mais provável não é clínica, é de redação. A definição internacional dessa entidade diz pausa maior que vinte segundos, ou mais curta se acompanhada de bradicardia ou dessaturação. O texto brasileiro trocou o aberto mais curta por um intervalo fechado de dez a quinze, e ao fazer isso criou o vão sem querer. Quem entende o que a frase quis dizer não hesita diante do bebê. Mas quem aplica o texto ao pé da letra — e essa é a leitura que se cobra — fica sem regra numa faixa de cinco segundos que é justamente onde o monitor mais alarma.
A segunda metade do parágrafo agrava a confusão de outro jeito. Logo em seguida, o mesmo texto define respiração periódica como o padrão em que há períodos de dez a quinze segundos de movimentos respiratórios, intercalados por pausas de cinco a dez segundos cada, sem repercussão cardiovascular. O mesmo numeral de dez a quinze aparece duas vezes em três linhas medindo objetos diferentes: na apneia, mede a pausa; na respiração periódica, mede o período em que a criança respira. Ler rápido é trocar um pelo outro.
A separação clínica, essa, é limpa e não depende de nenhum dos dois numerais. Respiração periódica é padrão do pré-termo, cíclico e sem consequência: não há bradicardia, não há queda de saturação, não há necessidade de estímulo. Apneia tem repercussão. Quando existe repercussão, o cronômetro deixa de ser o critério e passa a ser apenas a descrição do episódio.

Antes de ser diagnóstico, a apneia é sintoma
O guia federal separa a pausa respiratória em duas populações por meio do relógio. Os episódios que ocorrem nas primeiras setenta e duas horas de vida, escreve o texto, geralmente resultam de asfixia perinatal, infecções, hemorragia intracraniana, hipotermia, obstrução das vias aéreas, convulsões e outras lesões do sistema nervoso central. E a apneia da prematuridade, continua, raramente se manifesta antes de quarenta e oito horas de vida.
As duas frases não se contradizem, mas descrevem objetos diferentes e deixam uma janela de vinte e quatro horas sem regra. A primeira fala da distribuição das causas em uma população de episódios; a segunda fala do começo de uma entidade. Entre quarenta e oito e setenta e duas horas, as duas afirmações valem ao mesmo tempo: já é possível que seja da prematuridade, e ainda é provável que seja de outra coisa. O texto não diz o que fazer nessa janela, e é nela que a maioria dos prematuros extremos apresenta o primeiro episódio.
A conduta que resolve o impasse não vem do relógio, vem da lista. Diante de uma pausa com repercussão, no primeiro dia ou no décimo, o gesto que precede a prescrição é procurar a causa secundária. Infecção é a primeira, e a apneia pode ser o único sinal de sepse tardia num prematuro que estava estável. Depois vêm a hipoglicemia, os distúrbios do cálcio e do magnésio, a anemia, a hipotermia e a hipertermia, o refluxo, a obstrução mecânica por posição do pescoço, a convulsão, a hemorragia peri-intraventricular e a enterocolite em fase inicial — que se anuncia justamente por letargia, apneia e acidose.
Há um sinal de alarme que vale memorizar porque inverte a lógica: a apneia que aparece de novo em quem já não tinha é, até prova em contrário, doença nova. O prematuro que vinha há dias sem episódios e volta a apresentá-los não precisa de mais cafeína; precisa de hemograma, hemocultura, glicemia e exame do abdome. Aumentar a dose de metilxantina nesse cenário é tratar o mostrador em vez do motor, e faz o diagnóstico chegar mais tarde.
No recém-nascido a termo, a apneia nunca é da prematuridade
A entidade tem prematuridade no nome porque depende de imaturidade do controle central da respiração, e a incidência acompanha a idade gestacional de forma direta: quanto menor, mais frequente. Num nascido a termo, portanto, a expressão apneia da prematuridade não descreve nada, e a pausa com repercussão passa a ser sinal de outra doença até que se prove o contrário.
A lista muda de peso nessa idade. Sepse continua no topo, e no termo entra com força a meningite. Vêm em seguida a encefalopatia hipóxico-isquêmica, quando houve evento perinatal; a crise convulsiva, que pode ter a apneia como manifestação isolada e não produzir movimento nenhum; a depressão do sistema nervoso central por droga materna, do sulfato de magnésio aos opioides; os erros inatos do metabolismo, que costumam abrir com recusa alimentar, letargia e pausa respiratória depois de um intervalo livre; e a obstrução alta, incluindo a atresia de coanas, que dá cianose que melhora ao choro.
Existe ainda um cenário em que a apneia é efeito conhecido do tratamento, e o guia federal o registra com a palavra atenção: a prostaglandina usada para manter o canal arterial aberto no bebê com cardiopatia dependente dele. O risco é descrito como elevado, sobretudo com doses mais altas, e o texto orienta que sempre que essa medicação for indicada se esteja preparado para intubar. Metilxantina não entra nesse caso: a pausa é efeito previsível da droga que se decidiu usar, e o que se prepara é a via aérea.
A regra de bolso que atravessa os dois cenários é simples de enunciar e difícil de cumprir na pressa: o adjetivo da prematuridade só se aplica depois que a idade gestacional o autoriza e depois que a busca por causa secundária voltou vazia. É diagnóstico de exclusão com dois filtros, e quem pula qualquer um deles acaba prescrevendo cafeína para uma criança que precisava de antibiótico, de glicose ou de uma radiografia de abdome.
O miligrama que muda de dono: citrato e base
A droga circula sob dois nomes que pesam diferente. O citrato de cafeína é um complexo em que metade da massa é cafeína e metade é ácido cítrico, e por isso a mesma prescrição vale o dobro ou a metade conforme o rótulo. O guia federal escreve a equivalência de forma explícita, e essa é a única passagem de documento brasileiro que a enuncia sem ambiguidade: a dose de ataque é de dez miligramas por quilo de cafeína, o que corresponde a vinte miligramas por quilo de citrato; a manutenção é de dois e meio a quatro miligramas por quilo por dia de cafeína, o que corresponde a cinco a oito miligramas por quilo por dia de citrato.
A razão é exatamente de um para dois, e é dela que nascem os dois erros simétricos. Quem lê o numeral maior e prescreve como base dá o dobro; quem lê o numeral menor e prescreve como citrato dá a metade. O primeiro erro leva ao território da taquicardia, da irritabilidade, dos tremores e, no extremo, da convulsão e da hiperglicemia. O segundo é mais silencioso e por isso mais frequente: a criança segue apresentando episódios, a equipe conclui que a droga falhou, e o que houve foi subdose desde o primeiro dia.
A dosagem sérica desfaz o nó, e é preciso saber sobre qual das duas moléculas ela é feita. O nível terapêutico se mede como cafeína, e a faixa que o guia dá vai de cinco a vinte e cinco microgramas por mililitro; abaixo dela, a orientação é aumentar a dose em um quarto; acima de quarenta a cinquenta, a orientação é suspender. Comparar um nível medido como base com uma dose escrita como citrato é a maneira mais direta de errar duas vezes na mesma conta.
Há uma consequência de escrita que vale adotar como hábito e não como preferência: o rótulo entra na prescrição junto do numeral. Escrever citrato de cafeína e o valor correspondente, ou cafeína base e o seu, remove a ambiguidade sem depender de quem lê. É a mesma disciplina que se usa para sais de ferro e para bicarbonato, e pela mesma razão — quando duas grandezas dividem um nome, o nome precisa ir junto do número.
Três graus de detalhe para a mesma decisão, dentro do mesmo guia
O mesmo volume federal trata da mesma prescrição em três lugares, com três níveis de especificidade, e nenhum deles remete aos outros. No fluxograma de preparo para a retirada do tubo, a instrução é de uma linha e nomeia apenas a classe: se o recém-nascido pesa menos de mil gramas, cafeína ou aminofilina. Não há dose, não há via, não há critério para escolher entre as duas.
No corpo do capítulo sobre desmame da ventilação, a instrução ganha número, mas continua incompleta de um jeito específico: manda usar citrato de cafeína entre cinco e oito miligramas por quilo por dia, por via oral ou endovenosa, para estimular o centro respiratório, aumentar a contratilidade da musculatura respiratória e diminuir o risco de displasia broncopulmonar, nos prematuros com peso de nascimento abaixo de mil gramas, logo após a estabilização cardiorrespiratória, entre o terceiro e o quinto dia de vida. É a dose de manutenção sem a dose de ataque.
No capítulo de terapias auxiliares, finalmente, aparece o esquema inteiro: ataque, equivalência entre as duas moléculas, manutenção começando vinte e quatro horas depois do ataque, dosagem sérica entre quarenta e oito e setenta e duas horas e depois semanal, faixa terapêutica, conduta na subdose e na intoxicação, e as duas regras de suspensão.
A diferença entre a segunda e a terceira passagem não é estilística, é farmacológica. A metilxantina tem meia-vida longa no prematuro, e é a dose de ataque que leva o nível sérico à faixa útil em poucas horas. Sem ela, começando direto pela manutenção, o organismo precisa de vários dias — na prática, de quatro a cinco meias-vidas — para acumular o mesmo nível. O bebê iniciado pela instrução do desmame passa esse intervalo subtratado. Não é contradição de números: os cinco a oito miligramas por quilo são citrato nas duas passagens, e nisso os textos concordam. É omissão de uma etapa — e quem prescreve dá o ataque de todo modo, porque é ele que põe a droga em nível útil já no primeiro dia.
O dia de começar: pelo peso, pelo relógio ou pelo episódio
Das três passagens saem dois gatilhos diferentes, e a distinção entre eles é a distinção clássica entre profilaxia e tratamento. O gatilho do capítulo de desmame é antropométrico e cronológico: peso de nascimento abaixo de mil gramas, entre o terceiro e o quinto dia de vida, logo após a estabilização — e note que a criança não precisa ter apresentado apneia nenhuma. O gatilho do capítulo de terapias auxiliares é clínico: a droga entra como estimulante do centro respiratório em quem apresenta episódios.
Quem os confunde erra nos dois sentidos. Esperar o primeiro episódio no prematuro de setecentos gramas contraria a instrução do próprio guia, que o quer medicado por critério de peso. E medicar por peso o prematuro tardio, que está fora da faixa e não teve pausa nenhuma, é expor a criança a taquicardia e irritabilidade sem indicação escrita em lugar algum.
A terceira indicação, presente no mesmo volume mas escrita em outro capítulo, é a peri-extubação. Entre as condições listadas para retirar o tubo com segurança, o guia coloca a metilxantina no prematuro de menos de mil gramas ao lado do controle das condições infecciosas, hemodinâmicas, metabólicas, hematológicas e neurológicas — e ao lado de uma instrução curiosa e cirúrgica, a de não fazer o teste de respiração espontânea com pressão positiva contínua pela cânula traqueal antes de extubar, mesmo por pouco tempo, especialmente no prematuro de muito baixo peso. A cânula estreita impõe resistência que a criança não terá depois de retirada, e o teste reprova quem passaria.
Existe ainda o benefício que o texto brasileiro atribui à droga além do controle da pausa, e ele explica por que a indicação é tão precoce: a diminuição do risco de displasia broncopulmonar. Esse efeito depende de a droga estar em nível terapêutico nos primeiros dias, e é o argumento mais forte a favor de começar cedo em vez de esperar. Quem entende isso deixa de tratar um evento e passa a tratar uma trajetória respiratória.
O dia de parar: duas regras que discordam nos dois sentidos
A frase de suspensão do guia federal oferece dois critérios ligados por uma conjunção alternativa: o tratamento com as metilxantinas deve ser mantido até que o recém-nascido complete trinta e quatro semanas de idade pós-concepcional, ou por dez a catorze dias após o último episódio de apneia. Escrito assim, qualquer um dos dois serve, e o texto não diz qual prevalece quando eles apontam datas diferentes. E eles apontam datas diferentes nos dois sentidos.
Tome o prematuro nascido com vinte e seis semanas, que começou cafeína no terceiro dia e cujo último episódio ocorreu quando tinha trinta semanas de idade corrigida. Pelo critério do intervalo livre, a droga sai entre trinta e um e meia e trinta e duas semanas. Pelo critério da idade, fica até trinta e quatro. A diferença é de duas a duas semanas e meia de droga a mais — e, nesse caso, o critério da idade é o mais conservador.
Agora inverta. O prematuro nascido com trinta e duas semanas, que apresentou um episódio quando tinha trinta e três semanas e seis dias de idade corrigida. Pelo critério da idade, a droga sairia no dia seguinte, um dia depois de um evento. Pelo critério do intervalo livre, sairia entre trinta e cinco e trinta e cinco semanas e meia. Aqui o critério da idade é o menos conservador, e segui-lo ao pé da letra significa suspender o estimulante respiratório no dia seguinte a uma pausa documentada.
A aritmética mostra qual leitura sobrevive: os dois critérios não são alternativos, são cumulativos na prática. O que a beira do leito faz — e o que a literatura da área recomenda — é exigir os dois: a criança precisa ter alcançado a maturidade que a idade representa e ter passado o intervalo livre de episódios. Ler a conjunção como escolha livre produz, num dos exemplos, semanas de droga desnecessária e, no outro, uma suspensão irresponsável. Quando duas réguas discordam em direções opostas conforme o caso, a régua correta costuma ser a interseção, não a união.
Pós-concepcional e pós-menstrual: duas semanas escondidas numa palavra
O guia escreve idade pós-concepcional, e essa escolha de palavra vale duas semanas. As duas contagens que se usam em neonatologia partem de marcos diferentes: a idade pós-menstrual conta desde o primeiro dia da última menstruação, que é a mesma origem da idade gestacional; a idade pós-concepcional, lida ao pé da letra, conta desde a concepção, que ocorre cerca de duas semanas depois. Trinta e quatro semanas pós-concepcionais equivalem, ao pé da letra, a trinta e seis semanas pós-menstruais.
O uso corrente resolveu o problema por abandono: a terminologia contemporânea recomenda a idade pós-menstrual e desaconselha a pós-concepcional exatamente porque ela era empregada como sinônimo da outra, sem que ninguém subtraísse as duas semanas. O texto federal é anterior a essa arrumação e usa a palavra antiga com o sentido da nova. É por isso que o mesmo documento diz, em outro volume, que a coordenação entre sugar, deglutir e respirar aparece habitualmente em torno das trinta e quatro semanas de idade pós-concepcional — um marco fisiológico que todo mundo reconhece como trinta e quatro semanas de idade pós-menstrual.
A consequência é dupla. Na leitura correta, que é a que a equipe faz, o alvo é a idade que aparece na papeleta como corrigida: soma-se à idade gestacional de nascimento o tempo de vida. Na leitura literal, o alvo passa a ser dois pontos adiante, e cada bebê carregaria a droga por mais duas semanas sem que ninguém tivesse decidido isso. A palavra, e não o numeral, é que estaria decidindo.
Vale notar como o mesmo número atravessa a obra federal mudando de assunto. Trinta e quatro semanas é o limite de suspensão da metilxantina no volume dos problemas respiratórios; é a idade em que o pool de sais biliares ainda é baixo e a absorção de gordura é difícil, no volume do pré-termo; e é a idade em que a criança costuma coordenar a mamada. Diante das três, quem escreve a data soma a idade gestacional ao tempo de vida e usa esse número.
Cafeína ou aminofilina: por que a escolha já vem feita
O guia apresenta as duas metilxantinas como opções e, no mesmo parágrafo, entrega o critério que encerra a escolha. A cafeína, escreve, apresenta vantagens sobre a aminofilina: efeitos colaterais de menor intensidade e maior distância entre os níveis terapêutico e tóxico. Quem lê a frase como preferência de autor perde o que ela tem de aritmético.
Os números do próprio documento mostram o tamanho da diferença. A faixa terapêutica da cafeína vai de cinco a vinte e cinco microgramas por mililitro, e a toxicidade começa entre quarenta e cinquenta: há uma folga larga entre o alvo e o perigo. A da aminofilina vai de sete a doze, e a toxicidade começa acima de vinte: a folga é estreita, e a faixa útil é curta. Uma droga cujo limite superior útil é metade do limite inferior tóxico exige vigilância que a outra dispensa.
A diferença de regime completa o quadro. A cafeína é dada uma vez a cada vinte e quatro horas, o que reduz manipulação, erro de horário e interrupção do sono do bebê; a aminofilina, a cada oito a doze horas, o que triplica ou dobra as oportunidades de erro. Some-se a isso que a lista de efeitos colaterais que o guia enumera — taquicardia, irritabilidade, hiperreflexia, tremores, convulsões, hiperglicemia, náuseas, vômitos e hematêmese — vale para a classe, e é a aminofilina que os produz com mais intensidade.
Fica um resíduo prático: a dosagem sérica que o guia pede entre quarenta e oito e setenta e duas horas, e depois semanalmente, não está disponível na maioria dos serviços do país. Onde ela não existe, a folga terapêutica larga da cafeína deixa de ser conveniência e passa a ser a razão pela qual a droga pode ser usada com segurança sem medir nada — e é mais um motivo para que a escolha entre as duas já venha feita antes da prescrição.
O que a metilxantina não resolve
A cafeína estimula o centro respiratório e melhora a contratilidade do diafragma; não abre via aérea, não trata infecção e não substitui pressão. O próprio guia define o ponto em que ela deixou de bastar, e é um critério numérico de falha da pressão positiva contínua nasal: dois ou mais episódios por hora que exijam ventilação com pressão positiva para serem revertidos. Diante disso, o caminho é subir no suporte, não na dose.
Há um efeito adverso da classe que o volume do pré-termo registra e que muda a leitura de um cenário frequente: as metilxantinas aparecem na lista de fatores de risco da enterocolite necrosante, ao lado da asfixia, da cateterização umbilical, do avanço rápido da dieta, da persistência do canal arterial, da cardiopatia congênita e da policitemia. É a única vez que a classe é nomeada naquele volume. Isso não contraindica a droga — o benefício respiratório é sólido e a associação é de risco, não de causa demonstrada — mas obriga a olhar o abdome antes de atribuir à imaturidade uma apneia nova em prematuro que estava bem.
Sobre a alta, o texto federal brasileiro é econômico de um jeito que vale reconhecer em vez de preencher. O intervalo de dez a catorze dias sem episódios existe como critério de suspensão da droga; nos volumes consultados não há período livre exigido para a alta como item separado, nem indicação de monitor domiciliar. A única vez em que apneia e alta hospitalar aparecem juntas é a recomendação de iniciar a vacinação ainda internado, sob monitorização, no nascido antes das trinta e duas semanas, porque pode haver pausa e bradicardia até quarenta e oito horas depois da dose.
O encerramento útil é o que devolve o problema ao lugar certo. A metilxantina não é o tratamento da apneia; é o que sustenta o controle respiratório enquanto o tronco encefálico amadurece, e o amadurecimento é que resolve. Por isso as duas regras de suspensão falam de tempo e não de resposta, por isso a droga sai e não volta, e por isso o gesto que mais protege esse bebê não é ajustar a dose: é, a cada episódio novo, tornar a perguntar o que mudou nele hoje.
Os números, documento por documento
As tabelas comparam o que os volumes federais escrevem sobre a mesma prescrição. A última coluna aplica a regra a um caso concreto: pré-termo de 27 semanas, 850 g ao nascer, estável em pressão positiva contínua nasal no 4º dia de vida, sem episódio de apneia registrado até agora.
Um numeral, duas massas
A barra da esquerda é o citrato; a da direita, a cafeína que ele carrega. A razão é de 2 para 1: 20 mg/kg de citrato entregam 10 mg/kg de cafeína. O nível sérico é medido na barra menor.
A faixa sem nome
Da esquerda para a direita, a duração da pausa. Os dois blocos escuros são o que a definição federal nomeia; o vão claro entre eles, de 16 a 20 segundos com repercussão, é a faixa que o texto deixa sem regra.
Duas regras, dois sentidos
A linha superior é o bebê de 26 semanas: o intervalo livre libera antes da idade. A inferior é o de 32 semanas: a idade libera antes do intervalo livre, um dia depois de um episódio. Exigir as duas é a leitura que sobrevive.
A mesma droga em três passagens do mesmo volume
| Onde está escrito | O que diz | O RN do exemplo |
|---|---|---|
| Fluxograma de preparo para extubação (Vol. III, cap. 23) | "Se RN < 1.000 gramas: - cafeína ou aminofilina". Sem dose, sem via, sem critério de escolha entre as duas | Entra pelo peso (850 g). Nenhuma orientação sobre quanto dar |
| Corpo do capítulo de desmame (Vol. III, cap. 23) | Citrato de cafeína 5 a 8 mg/kg/dia, VO ou EV, em RN < 1.000 g, logo após estabilização, entre o 3º e o 5º dia de vida. Finalidade declarada: estímulo do centro respiratório, contratilidade muscular e redução do risco de DBP | Indicado hoje (4º dia). 4,3 a 6,8 mg/dia de citrato. Sem ataque |
| Terapias auxiliares, item 23.10 (Vol. III) | Ataque 10 mg/kg de cafeína (= 20 mg/kg de citrato), VO ou EV; manutenção 2,5 a 4,0 mg/kg/dia de cafeína (= 5 a 8 mg/kg/dia de citrato) a cada 24 h, iniciada 24 h após o ataque | Ataque 17 mg de citrato hoje; manutenção 4,3 a 6,8 mg/dia a partir de amanhã |
| Volume IV — Cuidados com o recém-nascido pré-termo | "cafeína" 0 ocorrências; "citrato" 0; "aminofilina" 0; "metilxantina" 1, na lista de fatores de risco da enterocolite necrosante | Quem estudar só este volume não encontra a droga |
Citrato e base: o mesmo miligrama em duas contabilidades
| Etapa | Como cafeína (base) | Como citrato de cafeína | O que se mede no sangue |
|---|---|---|---|
| Ataque | 10 mg/kg | 20 mg/kg | — |
| Manutenção (a cada 24 h) | 2,5 a 4,0 mg/kg/dia | 5 a 8 mg/kg/dia | — |
| Nível terapêutico | 5 a 25 µg/mL | não se expressa assim | dosado como cafeína |
| Subterapêutico | aumentar a dose em 25% | aumentar a dose em 25% | colher entre 48 e 72 h e depois semanalmente |
| Nível tóxico | 40 a 50 µg/mL → suspender | não se expressa assim | dosado como cafeína |
Cafeína × aminofilina, pelos números do próprio guia
| Citrato de cafeína | Aminofilina | |
|---|---|---|
| Ataque | 20 mg/kg de citrato (= 10 mg/kg de cafeína), VO ou EV | 8 mg/kg EV em 30 minutos |
| Manutenção | 5 a 8 mg/kg/dia de citrato, a cada 24 h | 1,5 a 3 mg/kg/dose, a cada 8 a 12 h |
| Faixa terapêutica | 5 a 25 µg/mL | 7 a 12 µg/mL |
| Nível tóxico | 40 a 50 µg/mL | acima de 20 µg/mL |
| Folga entre alvo e toxicidade | ampla (25 → 40) | estreita (12 → 20) |
| Doses por dia | 1 | 2 a 3 |
Apneia, respiração periódica e a faixa que a definição não nomeia
| Duração da pausa | Com bradicardia, cianose ou queda de SatO₂ | Sem repercussão |
|---|---|---|
| 5 a 10 s, em ciclos | avaliar: fora da definição escrita | respiração periódica (padrão do pré-termo) |
| 10 a 15 s | APNEIA pela 2ª metade da definição | respiração periódica, se em padrão cíclico |
| 16 a 20 s | faixa sem nome no texto federal | sem classificação escrita |
| > 20 s | APNEIA pela 1ª metade da definição | APNEIA pela 1ª metade da definição |
As duas regras de suspensão, aplicadas a dois bebês
| Caso | Regra A: até 34 semanas de IPM | Regra B: 10 a 14 dias após o último episódio | Quem sai antes |
|---|---|---|---|
| Nascido de 26 sem; último episódio às 30 sem corrigidas | suspende às 34 sem | suspende entre 31+3 e 32 sem | Regra B, ~2 a 2,5 semanas antes |
| Nascido de 32 sem; episódio às 33 sem e 6 dias | suspende no dia seguinte ao evento | suspende entre 35+2 e 35+6 | Regra A, ~2 semanas antes — no dia seguinte a uma apneia |
As três passagens do Volume III não se contradizem no numeral da manutenção: 5 a 8 mg/kg/dia são citrato tanto no capítulo de desmame quanto no item 23.10. A divergência é a ausência da dose de ataque em uma delas — e, com meia-vida longa, isso significa vários dias em nível subterapêutico para quem seguir só aquele trecho.
IPM = idade pós-menstrual (idade gestacional ao nascer + tempo de vida). O guia escreve "idade pós-concepcional"; a terminologia atual desaconselha o termo justamente porque ele era usado como sinônimo de pós-menstrual, sem subtrair as 2 semanas. As tabelas aqui adotam a leitura de uso — 34 semanas de IPM.
O silêncio do Volume IV foi medido com controles nos dois extratores: no mesmo arquivo, "canguru" acende 63 vezes, "enterocolite" 29, "retinopatia" 26, "displasia broncopulmonar" 8 e "idade pós-concepcional" 6 — o contador funciona. Duas cadeias plantadas que não existem no arquivo devolveram 0, como esperado.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Até 34 semanas de idade pós-concepcional
O tratamento com as metilxantinas deve ser mantido até que o recém-nascido complete 34 semanas de idade pós-concepcional. Lido isoladamente, o critério é etário e independe de a criança ter apresentado episódio recente — o que, no pré-termo tardio, autoriza suspender a droga no dia seguinte a uma apneia documentada.
Ministério da Saúde. Atenção à Saúde do Recém-Nascido: guia para os profissionais de saúde, Volume III, item 23.10 (Estimulantes do centro respiratório).
Ou por 10 a 14 dias após o último episódio
A mesma frase oferece, ligado por "ou", um critério de intervalo livre: manter por 10 a 14 dias após o último episódio de apneia. Lido isoladamente, autoriza suspender antes das 34 semanas no prematuro extremo que ficou estável cedo — em um dos exemplos trabalhados, cerca de duas semanas e meia antes.
Ministério da Saúde. Atenção à Saúde do Recém-Nascido: guia para os profissionais de saúde, Volume III, item 23.10, mesma frase.
Na prova
O enunciado costuma dar a idade gestacional de nascimento, o dia de vida e a data do último episódio — os três dados de que a conta precisa. Quando os dois critérios apontam datas diferentes, a conduta que se sustenta exige ambos: maturidade alcançada E intervalo livre cumprido. Suspender a droga no dia seguinte a uma apneia, alegando 34 semanas, é aplicar a conjunção como escolha livre.
Pelo peso e pelo dia de vida, antes de qualquer episódio
Utilizar citrato de cafeína (5 a 8 mg/kg por dia, por via oral ou endovenosa) nos prematuros com peso ao nascer inferior a 1.000 g, logo após a estabilização das condições cardiorrespiratórias, entre o 3º e o 5º dia de vida — com a finalidade declarada de estimular o centro respiratório, aumentar a contratilidade da musculatura respiratória e diminuir o risco de displasia broncopulmonar. Não há exigência de apneia prévia, e não há dose de ataque.
Ministério da Saúde. Atenção à Saúde do Recém-Nascido, Volume III, capítulo 23 (preparo para a extubação traqueal).
Pelo episódio, com esquema completo
As metilxantinas são as drogas de escolha [para estimular o centro respiratório], pois regularizam o ritmo respiratório e melhoram a contratilidade do diafragma — seguido do esquema completo com ataque de 10 mg/kg de cafeína (20 mg/kg de citrato) e manutenção iniciada 24 horas depois. O contexto é o tratamento da insuficiência respiratória, não a profilaxia por peso.
Ministério da Saúde. Atenção à Saúde do Recém-Nascido, Volume III, item 23.10.
Só a classe, sem dose
"Se RN < 1.000 gramas: - cafeína ou aminofilina", como item da caixa de preparo para extubação no fluxograma de condução da ventilação. Sem dose, sem via e sem critério para escolher entre as duas drogas.
Ministério da Saúde. Atenção à Saúde do Recém-Nascido, Volume III, fluxograma do capítulo 23.
Na prova
O caso do prematuro extremo estável, sem apneia registrada, é onde as duas leituras se separam. Se o peso ao nascer está abaixo de 1.000 g e o bebê está entre o 3º e o 5º dia, iniciar a droga é conduta escrita — e a alternativa que manda "aguardar o primeiro episódio" contraria o guia. Já num pré-termo tardio sem episódio, iniciar por peso não tem respaldo em nenhuma das três passagens.
Caso resolvido
- primeiro, o gatilho
- Iniciar. O peso ao nascer é inferior a 1.000 g e estamos no 4º dia, dentro da janela de 3º a 5º dia que o guia federal define; a criança está estabilizada. A ausência de apneia registrada não adia nada: essa indicação é por peso e por dia de vida, e a finalidade escrita inclui reduzir o risco de displasia broncopulmonar. Esperar o primeiro episódio contraria a instrução.
- a respiração periódica não muda a decisão
- O que a enfermagem descreveu — ciclos sem dessaturação e sem bradicardia — é respiração periódica, padrão esperado do pré-termo, e não é apneia. Ela não indica a droga nem a contraindica; aqui a indicação vem do peso. Registrar a diferença no prontuário evita que, mais adiante, alguém conte esses ciclos como episódios ao aplicar a regra do intervalo livre.
- a dose, com o rótulo junto
- Ataque de 20 mg/kg de citrato de cafeína: 850 g × 20 = 17 mg, isto é, 0,85 mL da solução de 20 mg/mL, por via enteral ou endovenosa. Manutenção de 5 a 8 mg/kg/dia de citrato, ou seja, 4,3 a 6,8 mg/dia (0,21 a 0,34 mL), em dose única a cada 24 horas, iniciada 24 horas após o ataque. Se alguém escrever "10 mg/kg" sem rótulo, confirme antes de aviar: nesse numeral, é cafeína base.
- o que o trecho do desmame teria feito
- Se a prescrição seguisse apenas o capítulo de preparo para a extubação, começaria direto com 5 a 8 mg/kg/dia de citrato e não teria ataque. Com meia-vida longa, o nível útil demoraria dias a se formar. É a mesma droga e a mesma dose de manutenção; o que muda é a velocidade com que ela passa a funcionar.
- o que monitorar e o que não pedir
- Frequência cardíaca, tolerância alimentar e ganho de peso. A dosagem sérica que o guia sugere entre 48 e 72 horas, e depois semanalmente, não está disponível na maioria dos serviços, e a folga larga entre 25 e 40 µg/mL é o que torna a cafeína segura sem ela. Taquicardia persistente, tremores ou intolerância alimentar nova pedem reavaliação da dose — e, no caso da intolerância, exame do abdome antes de qualquer ajuste.
- a data de saída, calculada agora
- Nasceu com 27 semanas. O alvo etário é 34 semanas de idade pós-menstrual, isto é, 7 semanas a partir do nascimento. O alvo do intervalo livre depende do último episódio, que ainda não existe. Anote os dois no plano: a droga sai quando as duas condições estiverem cumpridas, não quando a primeira delas chegar.
Agora feche você
- 1
- Diga se, pelo critério etário do guia federal, este bebê teria a cafeína suspensa amanhã — e explique por que a leitura que aplica esse critério isoladamente é insustentável neste caso.
- 2
- Calcule a data de suspensão pelo critério do intervalo livre, contando a partir do episódio de hoje, e escreva as duas datas lado a lado.
- 3
- Liste, em ordem de prioridade, o que você investiga antes de tocar na dose — e justifique a ordem pelos achados do abdome.
- 4
- Explique por que aumentar a dose de metilxantina agora seria a conduta mais arriscada das disponíveis, citando o que o volume federal do pré-termo diz sobre essa classe.
- 5
- Escreva a prescrição da manutenção em citrato e em cafeína base, com o volume da solução de 20 mg/mL, para este peso.
Onde a banca derruba
- 1Prescrever 20 mg/kg como se fosse cafeína base Vinte miligramas por quilo é a dose de ataque expressa em citrato. Escrita como cafeína base, dobra a dose. O caminho inverso é mais comum e mais silencioso: escrever 10 mg/kg como citrato entrega metade do ataque, a criança segue apresentando episódios e a equipe conclui que a droga falhou. Regra de escrita: o rótulo — citrato ou base — vai na prescrição junto do numeral, sempre.
- 2Começar pela manutenção e esperar efeito em horas O trecho do preparo para extubação dá só a manutenção (5 a 8 mg/kg/dia de citrato). Com a meia-vida longa da cafeína no prematuro, sem dose de ataque o nível terapêutico leva vários dias para se formar. Quem inicia assim e reavalia em 24 horas conclui, erradamente, que a droga não funcionou nesse bebê.
- 3Aumentar a dose diante de apneia que voltou Pausa que reaparece em quem já estava sem episódios é doença nova até prova em contrário: sepse tardia, enterocolite em fase inicial, hemorragia peri-intraventricular, distúrbio metabólico, anemia. A conduta é investigar, não titular. Aumentar metilxantina nesse cenário atrasa o diagnóstico — e o próprio guia lista as metilxantinas entre os fatores de risco da enterocolite necrosante.
- 4Chamar de "apneia da prematuridade" a pausa do recém-nascido a termo O adjetivo depende de imaturidade do controle respiratório e não se aplica ao termo. No nascido a termo, a pausa com repercussão é sinal de sepse, meningite, crise convulsiva, encefalopatia hipóxico-isquêmica, depressão por droga materna, erro inato do metabolismo ou obstrução alta. Metilxantina não é a resposta, e prescrevê-la é fechar o caso antes de abri-lo.
- 5Confundir respiração periódica com apneia Respiração periódica é padrão do pré-termo: períodos de 10 a 15 segundos de movimentos respiratórios intercalados por pausas de 5 a 10 segundos, sem bradicardia, cianose ou queda de saturação. Não indica droga nem monitor adicional. O que separa não é o cronômetro, é a repercussão — e o mesmo intervalo de 10 a 15 segundos aparece na definição de apneia medindo outra coisa (a pausa, não o período de respiração).
- 6Subir a dose quando quem falhou foi a pressão Dois ou mais episódios por hora que exijam ventilação com pressão positiva para serem revertidos é, pelo guia federal, critério de falha da pressão positiva contínua nasal. A resposta é escalar o suporte ventilatório, não a metilxantina. A droga sustenta o controle respiratório; não abre via aérea, não trata infecção e não substitui pressão.
- 7Testar respiração espontânea pela cânula antes de extubar O guia é explícito: não realizar a triagem com pressão positiva contínua por cânula traqueal antes da extubação, mesmo por curto período, sobretudo no prematuro de muito baixo peso. A resistência do tubo estreito reprova crianças que respirariam bem sem ele. A preparação correta inclui a metilxantina no menor de 1.000 g e o controle das condições infecciosas, hemodinâmicas, metabólicas, hematológicas e neurológicas.
- 8Ler "34 semanas de idade pós-concepcional" ao pé da letra Lido literalmente, o termo conta a partir da concepção e equivale a 36 semanas de idade pós-menstrual — duas semanas a mais de droga para todo mundo. O uso, e o próprio guia em outro volume, empregam o termo com o sentido de idade pós-menstrual. Some a idade gestacional de nascimento ao tempo de vida e use esse número.
O guia federal dá dois gatilhos distintos, e este é o antropométrico-cronológico: citrato de cafeína nos prematuros com peso ao nascer inferior a 1.000 g, logo após a estabilização das condições cardiorrespiratórias, entre o 3º e o 5º dia de vida — sem exigir episódio prévio. A finalidade declarada não é só controlar a pausa: inclui aumentar a contratilidade da musculatura respiratória e diminuir o risco de displasia broncopulmonar, benefício que depende de a droga estar em nível útil já nos primeiros dias. O outro gatilho, clínico, é o tratamento de quem apresenta episódios. Esperar o primeiro evento neste bebê contraria a instrução escrita; e o inverso também vale — medicar por peso um pré-termo tardio, fora da faixa e sem pausa, não tem respaldo em nenhuma das passagens.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Pré-termo de 28 semanas, 8º dia de vida, em CPAP nasal com pressão de 6 cmH₂O e FiO₂ de 0,30, em uso de citrato de cafeína em dose de manutenção adequada. Nas últimas horas apresentou três episódios de apneia por hora, todos exigindo ventilação com pressão positiva com balão e máscara para serem revertidos. A gasometria mostra pH de 7,26 e PaCO₂ de 58 mmHg. Qual é a conduta indicada?
O guia federal define numericamente a falha da CPAP nasal: dois ou mais episódios de apneia por hora que necessitem de ventilação com pressão positiva para serem revertidos — e lista, ao lado, PaCO₂ acima de 65 mmHg, acidose com pH abaixo de 7,20 e hipoxemia em FiO₂ alta. Aqui o critério dos episódios já está preenchido com folga. A metilxantina estimula o centro respiratório e melhora a contratilidade do diafragma; não abre via aérea, não trata infecção e não substitui pressão. Quando o suporte falhou, sobe-se no suporte, não na dose. Associar aminofilina à cafeína soma toxicidade da mesma classe sem ganho, e reduzir a pressão piora o recrutamento.
Pré-termo de 27 semanas, 890 g, intubado desde o nascimento por doença da membrana hialina, hoje no 9º dia de vida. Está com parâmetros ventilatórios mínimos, hemodinamicamente estável, sem infecção ativa, com eletrólitos e glicemia normais. A equipe planeja a extubação. Qual conduta está de acordo com o guia do Ministério da Saúde?
O guia é explícito ao proibir o teste que a primeira opção descreve: não realizar a triagem com CPAP por cânula traqueal antes da extubação, mesmo por curto período, especialmente nos prematuros de muito baixo peso — a resistência do tubo estreito impõe um trabalho respiratório que a criança não terá depois de retirada, e o teste reprova quem passaria. O preparo correto inclui a metilxantina no menor de 1.000 g, ao lado do controle das condições infecciosas, hemodinâmicas, metabólicas, hematológicas e neurológicas, e a extubação se faz para CPAP nasal — que o próprio guia indica no pós-extubação de todo recém-nascido abaixo de 1.500 g. O corticoide não é rotina: está reservado a quem ficou intubado por mais de duas semanas ou já falhou em extubação prévia. E peso atual não é critério de extubação.
Em uma unidade neonatal sem disponibilidade de dosagem sérica de metilxantinas, discute-se padronizar a droga de escolha para o controle da apneia da prematuridade. Considerando as faixas que o guia do Ministério da Saúde atribui a cada uma, qual argumento sustenta a escolha do citrato de cafeína sobre a aminofilina?
O argumento é aritmético e está nos números do próprio guia: a cafeína tem faixa útil larga (5 a 25 µg/mL) com toxicidade só a partir de 40 a 50, enquanto a aminofilina tem faixa estreita (7 a 12) e toxicidade acima de 20 — nela, o limite superior útil é pouco mais da metade do limiar tóxico. Onde não há dosagem sérica, essa folga deixa de ser conveniência e passa a ser a razão de segurança. Soma-se o regime: cafeína em dose única a cada 24 horas contra aminofilina a cada 8 a 12 horas, o que dobra ou triplica as oportunidades de erro. O próprio texto federal enuncia a preferência — efeitos colaterais de menor intensidade e maior limiar entre os níveis terapêutico e tóxico. A cafeína tem meia-vida longa, não curta, e também exige dose de ataque.
Pré-termo de 27 semanas, 900 g ao nascer, no 4º dia de vida, estável em CPAP nasal, sem episódios de apneia registrados. A equipe decide iniciar metilxantina conforme o guia do Ministério da Saúde. A farmácia dispensa frasco rotulado "citrato de cafeína, solução 20 mg/mL". Qual prescrição corresponde à dose de ataque preconizada?
O ataque é de 10 mg/kg de cafeína base, que o próprio guia federal traduz como 20 mg/kg de citrato de cafeína — a razão de massa entre as duas é de 1 para 2. Para 900 g: 0,9 × 20 = 18 mg de citrato, ou 0,90 mL da solução de 20 mg/mL. A opção de 10 mg/kg de citrato é o erro mais comum e mais silencioso: entrega metade do ataque porque confunde o numeral da base com o do sal, e a criança segue apresentando episódios enquanto a equipe conclui que a droga falhou. A de 40 mg/kg dobra. E a manutenção existe, sim, mas começa 24 horas depois do ataque, entre 5 e 8 mg/kg/dia de citrato — sem o ataque, com a meia-vida longa da cafeína no pré-termo, o nível terapêutico levaria vários dias para se formar.
Pré-termo de 28 semanas, 1.150 g, com 16 dias de vida, em uso de citrato de cafeína desde o 4º dia, sem episódios de apneia há 10 dias e em dieta enteral plena. Nas últimas 12 horas apresentou dois episódios de apneia com bradicardia, resíduo gástrico esverdeado e distensão abdominal nova. Está afebril. Qual é a conduta inicial mais adequada?
Apneia que reaparece em quem já estava estável é doença nova até prova em contrário, e a tríade distensão abdominal, resíduo gástrico esverdeado e apneia depois de dias estáveis é o estágio de suspeita de enterocolite necrosante, exatamente como o guia federal a descreve (temperatura instável, apneia, bradicardia, letargia, resíduos pré-gavagem, distensão). Sepse tardia entra no mesmo movimento. Aumentar a metilxantina aqui atrasa o diagnóstico enquanto o quadro avança — e vale lembrar que o volume federal dedicado ao pré-termo cita as metilxantinas exatamente uma vez, e é para listá-las entre os fatores de risco da enterocolite necrosante. O aumento de 25% que o guia prevê é resposta a nível sérico subterapêutico dosado, não a episódio novo com abdome alterado.
Recém-nascido a termo, 39 semanas, 3.300 g, com 40 horas de vida, em alojamento conjunto. A mãe chama a equipe porque o bebê "parou de respirar" e ficou arroxeado; a enfermagem confirmou pausa de cerca de 25 segundos com queda da frequência cardíaca, revertida ao estímulo. O bebê está hipoativo e mamou pouco nas últimas mamadas. Qual é a conduta correta?
O adjetivo "da prematuridade" depende de imaturidade do controle central da respiração e não se aplica ao nascido a termo — nele, a pausa com repercussão é sinal de outra doença até prova em contrário. Somada a hipoatividade e à recusa alimentar, a hipótese que comanda é infecção: sepse e meningite. Entram na sequência a encefalopatia hipóxico-isquêmica quando houve evento perinatal, a crise convulsiva com apneia como manifestação isolada, a depressão do sistema nervoso central por droga materna, os erros inatos do metabolismo (que costumam abrir depois de um intervalo livre, como aqui) e a obstrução alta. Metilxantina não é resposta e prescrevê-la fecharia o caso antes de abri-lo.
Pré-termo de 29 semanas, 950 g, teve citrato de cafeína iniciado ontem diretamente com 6 mg/kg/dia, sem dose de ataque, seguindo o trecho do guia que trata do preparo para a extubação. Vinte e quatro horas depois, mantém episódios de apneia com bradicardia. A equipe cogita que a droga "não funcionou nesta criança". Qual é a explicação farmacológica mais provável?
Os 6 mg/kg/dia de citrato estão dentro da faixa de manutenção do guia (5 a 8 mg/kg/dia). O problema é a etapa que faltou: o trecho sobre preparo para a extubação prescreve apenas a manutenção, enquanto o item de terapias auxiliares traz o esquema completo, com ataque de 20 mg/kg de citrato e manutenção iniciada 24 horas depois. Com meia-vida longa, é o ataque que leva o nível sérico à faixa útil em poucas horas; começando direto pela manutenção, o acúmulo até o platô leva vários dias. Não é contradição de números entre as duas passagens — a manutenção é a mesma nas duas —, é omissão de uma etapa em uma delas. Concluir falha em 24 horas, nesse cenário, é julgar a droga antes de ela ter chegado.
Pré-termo de 31 semanas, 5º dia de vida, em ar ambiente. A enfermagem descreve ciclos em que o bebê respira por cerca de 12 segundos e faz pausas de 6 a 8 segundos, repetidamente, sem bradicardia, sem cianose e sem queda da saturação. O exame é normal e a criança ganha peso. Qual é a interpretação correta?
Respiração periódica é o padrão descrito pelo próprio guia: períodos de 10 a 15 segundos de movimentos respiratórios intercalados por pausas de 5 a 10 segundos, SEM repercussão cardiovascular. Não indica droga nem monitorização adicional. O que separa apneia de respiração periódica não é o cronômetro, é a repercussão — bradicardia, cianose ou queda de saturação. Atenção à armadilha do numeral: o intervalo "10 a 15 segundos" aparece duas vezes no mesmo trecho do guia medindo objetos diferentes — na definição de apneia mede a duração da PAUSA; na respiração periódica mede a duração do PERÍODO em que a criança respira.
Pré-termo nascido com 32 semanas, hoje com 33 semanas e 6 dias de idade pós-menstrual, em uso de citrato de cafeína há 9 dias. Ficou 8 dias sem episódios, mas na madrugada de hoje apresentou pausa de 25 segundos com bradicardia, revertida ao estímulo tátil. Está afebril, o abdome está normal e a dieta enteral vem sendo bem tolerada. O guia federal orienta manter a metilxantina "até que o RN complete 34 semanas de idade pós-concepcional ou por 10 a 14 dias após o último episódio de apneia". Qual conduta se sustenta?
A pausa de 25 segundos com bradicardia é clinicamente significativa e deve ser reavaliada, inclusive quanto a causas associadas, dose e condições respiratórias. Não justifica suspensão automática no dia seguinte nem aumento empírico obrigatório da dose. A redação do guia usa a conjunção “ou”; não é correto atribuir-lhe uma exigência formal de cumprir ambos os marcos. A decisão de retirada precisa considerar a evolução e o protocolo da unidade. Um único episódio também não demonstra que a cafeína perdeu toda a eficácia nem impõe troca por aminofilina.
Pré-termo nascido com 28 semanas de idade gestacional, hoje com 35 dias de vida, em uso de citrato de cafeína, sem episódios de apneia há 18 dias. A equipe discute se já se pode suspender a droga pelo critério etário do guia federal, que fala em "34 semanas de idade pós-concepcional". Qual é a leitura correta e a conclusão?
A idade a usar é a pós-menstrual: idade gestacional ao nascer somada ao tempo de vida — 28 semanas mais 5 semanas dão 33 semanas, ainda uma semana aquém do alvo. O guia escreve "pós-concepcional", termo que a terminologia atual desaconselha exatamente porque era empregado como sinônimo de pós-menstrual sem que ninguém subtraísse as duas semanas que separam a concepção da última menstruação; lido ao pé da letra, ele empurraria o alvo para 36 semanas pós-menstruais e daria duas semanas a mais de droga para todo bebê, sem que ninguém tivesse decidido isso. Que o sentido de uso é o pós-menstrual, o próprio guia mostra em outro volume, ao dizer que a coordenação entre sugar, deglutir e respirar aparece em torno das 34 semanas de idade pós-concepcional — marco que todos reconhecem como 34 semanas pós-menstruais. Note ainda que o intervalo livre de 18 dias já está cumprido; falta a maturidade, e as duas condições são exigidas.
Recém-nascido pré-termo em uso de citrato de cafeína apresenta taquicardia sustentada, irritabilidade e intolerância alimentar. Qual é a conduta inicial mais adequada?
Taquicardia, irritabilidade e intolerância alimentar são efeitos conhecidos e dose-dependentes, mas também podem ser as primeiras manifestações de sepse tardia ou de enterocolite, e por isso a conduta inicial é avaliar o conjunto e revisar a prescrição, não reagir de forma automática. Suspender em definitivo priva a criança do benefício, betabloqueador não tem indicação, aumentar a dose agrava e a teofilina causa mais efeitos adversos, não menos.
Quando o citrato de cafeína costuma ser suspenso no pré-termo em uso crônico?
A suspensão junta dois critérios: a maturidade do controle respiratório, alcançada por volta de 33 a 34 semanas de idade pós-menstrual, e um intervalo de vários dias sem apneia, bradicardia ou dessaturação. Sair do suporte, completar trinta dias de uso, esperar o dia da alta ou atingir determinado peso não são os parâmetros usados para essa decisão.
Pré-termo de 27 semanas, 850 g, no quarto dia de vida, estável em pressão positiva contínua nasal e sem nenhum episódio de apneia registrado. Qual é a conduta quanto ao citrato de cafeína?
Nesse grupo a medicação é profilática, e não reativa: o pré-termo abaixo de 1.250 g ou abaixo de 30 semanas se beneficia do início precoce, independentemente de já ter apresentado pausa respiratória. Esperar o primeiro evento, esperar a intubação ou esperar as 34 semanas inverte a lógica da prevenção, e a aminofilina tem janela terapêutica ESTREITA e mais efeitos adversos, tendo sido superada pela cafeína.
Qual é o mecanismo de ação do citrato de cafeína na apneia da prematuridade?
A cafeína age bloqueando os receptores de adenosina, o que aumenta a atividade do centro respiratório, melhora a resposta ventilatória ao dióxido de carbono e aumenta a contratilidade diafragmática. Bloqueio de canais de sódio, agonismo beta-adrenérgico, inibição da recaptação de serotonina e estímulo à produção de surfactante descrevem outras classes farmacológicas.
Qual definição corresponde à apneia da prematuridade?
A definição combina duração e repercussão: pausa acima de vinte segundos, ou pausa mais curta que venha acompanhada de queda da frequência cardíaca ou da saturação. Qualquer pausa sem esses critérios não define o quadro, a cianose não é obrigatória, a respiração periódica é fenômeno fisiológico do pré-termo e o evento não se restringe ao sono ativo.
Um pré-termo que já suspendeu a cafeína há duas semanas apresenta uma pausa respiratória nova. Qual é a conduta correta?
Uma nova apneia após período estável exige avaliar duração, repercussão e causas secundárias, sem excluir automaticamente recorrência relacionada à imaturidade. A necessidade de estimulação, suporte ventilatório ou intubação depende da gravidade. Investigar não significa adiar estabilização. Refluxo não deve ser presumido como causa apenas por coexistir com apneia, e estudos com monitorização não demonstraram associação temporal geral. A retomada de cafeína deve integrar a avaliação clínica, sem substituir a investigação indicada.
A farmácia dispensa a solução rotulada como citrato de cafeína. Que cuidado é essencial antes de liberar a administração?
A armadilha clássica é a conversão entre o sal e a base: uma mesma quantidade em miligramas significa metade do fármaco ativo quando expressa como citrato, e confundir os dois rótulos leva a subdosar ou a superdosar pela metade ou pelo dobro. Diluição em água destilada, troca de via, aquecimento e suspensão da dieta não são exigências dessa medicação.
Após a suspensão do citrato de cafeína, por quanto tempo a criança deve permanecer sob monitorização e por quê?
O fármaco continua circulando em concentração relevante por vários dias depois da última dose, de modo que uma criança que suspendeu hoje pode voltar a apresentar pausas somente na semana seguinte; por isso a vigilância se estende por cerca de cinco a sete dias. Encerrar a monitorização de imediato ou em vinte e quatro horas ignora essa farmacocinética, trinta dias é excessivo e esperar a recorrência é passivo demais.
Além da prevenção e do tratamento da apneia da prematuridade, qual é o outro benefício consagrado do citrato de cafeína no pré-termo?
O estímulo do centro respiratório e da contratilidade diafragmática torna o desmame do suporte mais viável, encurtando o tempo de ventilação e reduzindo a displasia broncopulmonar — motivo pelo qual a medicação é iniciada mesmo sem apneia. Não há efeito protetor demonstrado sobre enterocolite ou hemorragia intraventricular, o efeito sobre a retinopatia é indireto e o fármaco tende a aumentar o gasto energético, não a acelerar o ganho de peso.
Por que a dose de ataque do citrato de cafeína não pode ser omitida?
A eliminação da cafeína no pré-termo é muito lenta, com meia-vida de dias, e sem a dose inicial maior o nível terapêutico só seria alcançado após um período longo — exatamente o intervalo em que a criança está mais vulnerável às pausas respiratórias. A dose de ataque não tem propriedade especial de penetração, não previne taquicardia, não dispensa monitorização, e a manutenção isolada leva a subdose, não a acúmulo tóxico.
Sobre o momento de suspender a cafeína e liberar a alta de um prematuro com apneia, a orientação mais adequada é:
A meia-vida da cafeína no prematuro é longa, de dias, o que significa que o efeito protetor persiste depois da suspensão — dar alta imediatamente pode mascarar apneias que só reaparecerão em casa. Por isso observa-se um intervalo livre de eventos após a retirada. Usar o peso como critério isolado de alta ignora a maturidade do controle respiratório, que é o que determina o risco, e polissonografia não é exigida na rotina.
Prematuro de 29 semanas, com 5 dias de vida, apresenta pausas respiratórias de 25 segundos acompanhadas de bradicardia e dessaturação, várias vezes ao dia. Exames descartam sepse, hipoglicemia e hemorragia intracraniana. A conduta farmacológica de escolha é:
A cafeína é o tratamento de escolha da apneia da prematuridade: estimula centros respiratórios por antagonismo da adenosina, tem janela terapêutica ampla, meia-vida longa que permite dose única diária e dispensa monitorização de nível sérico de rotina. As metilxantinas antigas, como aminofilina e teofilina, têm mais taquicardia e intolerância alimentar e foram deslocadas. Fenobarbital deprime o centro respiratório e piora a apneia — é o erro mais perigoso da lista.
Prematuro de 30 semanas em uso de cafeína apresenta taquicardia sustentada de 200 bpm, agitação, intolerância alimentar e vômitos. A conduta mais adequada é:
Taquicardia, agitação e intolerância alimentar são as manifestações típicas de excesso de cafeína, e a resposta é ajustar a dose depois de excluir outras causas de taquicardia, como dor, febre, anemia e sepse. Aumentar a dose diante desses sinais é inverter a leitura clínica. Betabloqueador em prematuro traz risco de bradicardia e hipoglicemia sem tratar a causa, e fenobarbital pioraria a apneia por depressão do drive respiratório.
Além do controle da apneia, os benefícios demonstrados do citrato de cafeína em prematuros de muito baixo peso incluem:
A cafeína é uma das poucas intervenções neonatais com benefício demonstrado além do desfecho imediato: menos displasia broncopulmonar, menos tempo em ventilação e melhores desfechos de desenvolvimento no seguimento, especialmente quando iniciada precocemente. Supor efeito deletério sobre o neurodesenvolvimento inverte a evidência disponível e é justamente o receio que, no passado, retardava seu uso em prematuros extremos.
Sobre a dose do citrato de cafeína, é correto afirmar que:
O mesmo miligrama vale duas coisas conforme a forma referida: o citrato de cafeína contém aproximadamente metade de cafeína base, de modo que uma dose de ataque de 20 mg/kg de citrato equivale a 10 mg/kg de base. Prescrever sem especificar a forma é fonte real de erro grave, tanto por subdose quanto por superdose. A dose de manutenção é menor que a de ataque e se ajusta pelo peso, revisada com o crescimento.
Prematuro de 29 semanas em uso de cafeína. Qual o principal objetivo dessa medicação?
A cafeína estimula o centro respiratório e reduz os episódios de apneia central, permitindo desmame ventilatório mais precoce, e ensaios clínicos mostraram menor incidência de displasia broncopulmonar e melhores desfechos de neurodesenvolvimento nos pacientes tratados. Atribuir a ela o fechamento do canal é confusão frequente, porque o benefício respiratório se sobrepõe cronologicamente ao período em que o canal também é abordado.
Qual medicamento demonstrou reduzir a incidência de displasia broncopulmonar quando usado no prematuro, além de tratar a apneia da prematuridade?
A cafeína reduz apneia, encurta o tempo de ventilação e diminui a incidência de displasia broncopulmonar, com sinais de benefício também no neurodesenvolvimento, sendo hoje intervenção padrão em prematuros de risco. Corticoide sistêmico precoce em dose alta reduz a doença pulmonar, mas às custas de aumento de paralisia cerebral, o que restringiu drasticamente seu uso. Óxido nítrico de rotina no prematuro não demonstrou benefício para esse desfecho.
Recém-nascido prematuro de 29 semanas, com 1.100 g, encontra-se em unidade neonatal no quinto dia de vida, em ar ambiente, alimentando-se por sonda. A enfermagem registra, nas últimas 24 horas, seis episódios de pausa respiratória superior a 20 segundos, acompanhados de queda da saturação para 80% e bradicardia até 88 bpm, com recuperação após estímulo tátil. Está afebril, com exame abdominal normal, glicemia normal e sem sinais de infecção ou anemia significativa. A conduta mais adequada é:
A apneia da prematuridade é tratada com metilxantina, sendo o citrato de cafeína a droga de escolha por reduzir apneia, necessidade de ventilação e displasia broncopulmonar, mantendo-se a monitorização e a busca de causas secundárias como infecção, anemia e refluxo. Antibiótico não é indicado de rotina na apneia sem sinais de infecção. Suspender a dieta por tempo indeterminado prejudica o crescimento sem tratar o mecanismo respiratório. Intubação imediata é desproporcional para episódios que respondem ao estímulo tátil, sendo o suporte não invasivo a etapa seguinte quando necessário.
Prematuro de 30 semanas, com 5 dias de vida, em ar ambiente, apresenta pausas respiratórias de 22 segundos acompanhadas de bradicardia até 82 bpm e queda de saturação para 84%, três vezes nas últimas 12 horas. T 36,8 °C; glicemia 68 mg/dL (VR 45–100); hematócrito 42% (VR 45–65). Exame neurológico normal e hemograma sem alterações inflamatórias, com culturas em andamento. Qual o tratamento farmacológico indicado?
A apneia da prematuridade, com pausas maiores que 20 segundos ou associadas a bradicardia e dessaturação, tem no citrato de cafeína o tratamento de escolha, por estimular o centro respiratório com janela terapêutica ampla e ainda reduzir displasia broncopulmonar e paralisia cerebral. O fenobarbital é anticonvulsivante e deprime o centro respiratório, agravando as pausas. A aminofilina foi substituída pela cafeína por meia-vida curta e maior toxicidade cardíaca e gastrointestinal. A naloxona reverte depressão por opioide materno, situação não descrita. O midazolam é sedativo e piora a apneia central, sendo formalmente inadequado nesse contexto.
Prematuro de 30 semanas, com 5 dias de vida, apresenta episódios de pausa respiratória com duração superior a 20 segundos, acompanhados de bradicardia e dessaturação. FC basal de 148 bpm, com quedas para 88 bpm durante os episódios. Glicemia, temperatura e eletrólitos estão normais, não há sinais de infecção e a alimentação enteral vem sendo bem tolerada pelo recém-nascido. Qual a conduta indicada?
A apneia da prematuridade, após afastadas causas secundárias, é tratada com citrato de cafeína, que reduz a frequência dos episódios e a necessidade de suporte ventilatório, sob monitorização cardiorrespiratória contínua. O antibiótico empírico se justifica apenas quando há suspeita de infecção, afastada no caso. A intubação é reservada a apneias refratárias com repercussão importante. Suspender a alimentação enteral não trata a imaturidade do centro respiratório. O oxigênio em alta concentração contínua expõe o prematuro a retinopatia e lesão pulmonar.
Prematuro de 28 semanas, com 1.050 g e 2 dias de vida, encontra-se em pressão positiva contínua nasal, apresentando episódios de apneia da prematuridade. FC 148 bpm, FR 52 ipm, T 36,8 °C; glicemia e eletrólitos normais, sem sinais de infecção e com hemoculturas negativas. A equipe discute os benefícios do uso do citrato de cafeína nessa população específica. Assinale a alternativa que NÃO corresponde a um benefício associado ao seu uso.
O citrato de cafeína não aumenta a incidência de enterocolite necrosante, sendo essa afirmação contrária aos dados dos grandes ensaios clínicos, que mostraram segurança e benefício. A redução dos episódios de apneia é seu efeito primário, por estímulo do centro respiratório. A facilitação da extubação com redução do tempo de ventilação mecânica é benefício consistente. A redução da displasia broncopulmonar decorre do menor tempo de suporte invasivo. A melhora de desfechos de neurodesenvolvimento, incluindo menor taxa de paralisia cerebral, foi demonstrada em seguimento de longo prazo.
No monitor ilustrativo, azul representa respiração, verde saturação e amarelo frequência cardíaca; não há escala temporal. Qual evento distingue o registro superior do inferior?

As três curvas se alteram no registro superior; no inferior, as pausas não têm a mesma repercussão.
Considerando as curvas azul respiratória, verde de saturação e amarela cardíaca, qual dado não pode ser medido com segurança nesta figura sem escala numérica?

Não há calibração temporal que permita quantificá-la.
Um prematuro está monitorizado como no registro superior, com pausa, dessaturação e queda da frequência cardíaca. Qual conduta inicial é coerente com esse padrão, mantendo avaliação de causas secundárias?

Estimulação e suporte respiratório são definidos pela condição do bebê; o evento tem repercussão cardiorrespiratória.
Um prematuro recebeu teofilina antes da avaliação para iniciar cafeína. Por que essa informação é relevante para interpretar a concentração basal de cafeína?
A interconversão pode gerar cafeína circulante antes de uma dose direta e deve ser considerada no planejamento. Referência: DailyMed/FDA. Caffeine Citrate, farmacologia e precauções. https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5f38c395-0093-4afd-89ec-f96e5dc0934a
Durante uso de cafeína em um prematuro, qual alteração deve ser considerada entre seus possíveis efeitos estimulantes, especialmente diante de exposição excessiva?
A cafeína pode aumentar a frequência cardíaca; sua ocorrência exige avaliação clínica e da exposição. Referência: DailyMed/FDA. Caffeine Citrate, farmacologia e precauções. https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5f38c395-0093-4afd-89ec-f96e5dc0934a
Um prematuro passa a apresentar pausas respiratórias. Antes de atribuí-las apenas à imaturidade do controle ventilatório, qual princípio diagnóstico é necessário?
Apneia da prematuridade é diagnóstico de exclusão; outras causas podem exigir tratamento específico. Referência: DailyMed/FDA. Caffeine Citrate, farmacologia e precauções. https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5f38c395-0093-4afd-89ec-f96e5dc0934a
Quando o trato gastrointestinal está disponível e a administração enteral é apropriada, qual afirmação é correta sobre as formulações de citrato de cafeína para apneia da prematuridade?
A via enteral é uma possibilidade; deve-se verificar apresentação e equivalência da prescrição. Referência: DailyMed/FDA. Caffeine Citrate, farmacologia e precauções. https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5f38c395-0093-4afd-89ec-f96e5dc0934a
Na conferência de uma prescrição neonatal, estão registrados 20 mg de citrato de cafeína. A equipe precisa expressar a mesma dose como cafeína base. Qual é a quantidade equivalente?
A quantidade expressa como cafeína base é metade da quantidade de citrato; confundir as duas unidades pode duplicar a dose. Referência: DailyMed/FDA. Caffeine Citrate, farmacologia e precauções. https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5f38c395-0093-4afd-89ec-f96e5dc0934a
O citrato de cafeína pode estimular a ventilação no prematuro. Qual ação receptorial é associada a seus efeitos em concentrações terapêuticas?
O bloqueio de receptores A1 e A2 participa dos efeitos da cafeína, embora o mecanismo clínico completo seja multifatorial. Referência: DailyMed/FDA. Caffeine Citrate, farmacologia e precauções. https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5f38c395-0093-4afd-89ec-f96e5dc0934a
Por que a cafeína apresenta meia-vida muito mais longa em prematuros do que em adultos, exigindo atenção à exposição acumulada?
A depuração aumenta com a maturação; o prematuro pode eliminar cafeína lentamente. Referência: DailyMed/FDA. Caffeine Citrate, farmacologia e precauções. https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5f38c395-0093-4afd-89ec-f96e5dc0934a
Por que copiar o número em mg entre base e citrato pode causar erro?

A equivalência informada é de dois para um; omiti-la pode dobrar ou reduzir à metade a dose.
Qual dado converte dose por quilograma em dose individual?

Multiplicar dose por kg pelo peso fornece quantidade por dose.
Usando as unidades da tabela, qual volume corresponde à dose prescrita?

A dose é 6 mg de citrato, equivalente a 3 mg de base; dividindo por 10 mg/mL, obtêm-se 0,3 mL.
Se surgirem apneias novas com instabilidade térmica em prematuro antes estável, qual raciocínio evita aumentar cafeína sem investigar?

Mudança do padrão pode revelar nova doença; apneia da prematuridade é diagnóstico contextual.
Em prematuros, cafeína é usada para qual problema frequente?

Cafeína estimula o centro respiratório e integra tratamento da apneia da prematuridade.
Prematuro receberá dose de ataque de citrato de cafeína de 20 mg/kg, por via intravenosa, para apneia da prematuridade. A prescrição segue o esquema da bula, com apresentação apropriada para uso intravenoso. Como administrar essa dose?
Dose, concentração, via e tempo de infusão precisam constar da conferência da prescrição. A apresentação oral não deve ser usada por via intravenosa. Referências: DailyMed/NLM. Caffeine citrate: prescribing information, updated 2026 — https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=db4477a3-b291-4b77-9eca-b7ba8f66b2be
Prematuro em uso de cafeína apresenta taquicardia, tremores e hiperglicemia após um erro documentado que multiplicou a dose administrada. Está sob monitorização. Qual conduta é prioritária em relação ao medicamento?
A concentração sérica auxilia a avaliação, mas não deve atrasar estabilização e tratamento das complicações. Também é necessário corrigir a prescrição que originou o evento. Referências: DailyMed/NLM. Caffeine citrate: prescribing information, updated 2026 — https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=db4477a3-b291-4b77-9eca-b7ba8f66b2be
Prematuro pesa 1,2 kg e tem prescrição de manutenção de citrato de cafeína de 5 mg/kg por dose. A solução oral contém 20 mg de citrato de cafeína por mL. Sem converter para cafeína base, qual volume corresponde à dose prescrita?
Usam-se a mesma unidade química na prescrição e no rótulo e uma seringa capaz de medir o volume calculado. A conta é 1,2 × 5 ÷ 20. Referências: DailyMed/NLM. Caffeine citrate: prescribing information, updated 2026 — https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=db4477a3-b291-4b77-9eca-b7ba8f66b2be
Prematuro que recebe cafeína desenvolve lesão renal aguda. A equipe revisa os medicamentos e considera a eliminação lenta da cafeína nessa faixa etária. Qual abordagem é mais adequada?
A resposta clínica e a segurança devem ser avaliadas em conjunto. Não se deduz uma regra fixa de ajuste apenas de um valor isolado de creatinina. Referências: DailyMed/NLM. Caffeine citrate: prescribing information, updated 2026 — https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=db4477a3-b291-4b77-9eca-b7ba8f66b2be
Um prematuro recebeu a dose de ataque de citrato de cafeína às 10 horas de segunda-feira. A equipe adotou o esquema de bula com manutenção de 5 mg/kg uma vez ao dia. Em que momento deve ser programada a primeira manutenção?
A dose de ataque e a manutenção têm funções e horários diferentes. A programação deve seguir o esquema escolhido, evitando duplicação inicial. Referências: DailyMed/NLM. Caffeine citrate: prescribing information, updated 2026 — https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=db4477a3-b291-4b77-9eca-b7ba8f66b2be
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em 7 dias
Escreva de memória as duas colunas da equivalência — ataque e manutenção, em cafeína base e em citrato — e ao lado a faixa terapêutica e a faixa tóxica, dizendo sobre qual das duas moléculas o laboratório dosa. Depois enuncie em uma frase por que começar pela manutenção, sem ataque, deixa o bebê dias em nível insuficiente. Por fim, escreva a definição de apneia nas suas duas metades e aponte a faixa de segundos que sobra entre elas.
em 30 dias
Pegue dois prematuros: um de 26 semanas cujo último episódio foi às 30 semanas corrigidas, e um de 32 semanas que teve um episódio às 33 semanas e 6 dias. Aplique a eles as duas regras de suspensão, escreva as quatro datas e diga qual regra é a mais conservadora em cada caso — e por que a leitura que sobrevive é exigir as duas. Em seguida, monte a lista das causas secundárias de apneia que você investigaria antes de aumentar qualquer dose, separando o que muda entre o pré-termo e o nascido a termo.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Você é o plantonista da unidade neonatal. Pré-termo de 27 semanas, 850 g, no 4º dia de vida, estável em pressão positiva contínua nasal, sem apneia registrada. A enfermeira pergunta se inicia cafeína e a farmácia só dispensa a solução rotulada como citrato. Decida se indica, prescreva com o rótulo e o volume corretos, explique à equipe por que a dose de ataque não pode ser pulada e diga, em uma frase, o que fará se a criança apresentar uma pausa nova daqui a duas semanas. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
