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Prematuridade
A prova não pergunta o que é prematuro — pergunta em qual faixa ele cai e o que muda por causa disso. Idade gestacional, peso ao nascer e adequação peso/idade são três réguas independentes, e a régua brasileira da profilaxia do vírus sincicial respiratório mudou em 2026.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Recém-nascido do sexo masculino, nascido de parto vaginal com 34 semanas e 2 dias de idade gestacional (avaliada pelo método de Capurro), pesando 2.100 g ao nascimento. A mãe realizou pré-natal completo, sem intercorrências. O peso do recém-nascido situa-se entre os percentis 10 e 90 para a idade gestacional na curva de crescimento intrauterino. De acordo com a classificação do recém-nascido quanto à idade gestacional, este neonato é corretamente classificado como:
Como esse tema cai
Prematuro é o recém-nascido com menos de 37 semanas de idade gestacional — menos de 259 dias contados do primeiro dia da última menstruação. Peso não entra nessa definição. Um bebê de 2.100 g nascido com 38 semanas é um recém-nascido a termo pequeno para a idade gestacional; um bebê de 2.600 g nascido com 35 semanas é um pré-termo tardio com peso adequado. A prova adora montar a vinheta exatamente nesse cruzamento, porque quem decora "prematuro é o que nasce com menos de 2.500 g" erra as duas.
São três réguas, e elas não se substituem: a idade gestacional diz o grau de imaturidade; o peso ao nascer diz o tamanho absoluto e o risco de mortalidade; a adequação peso/idade gestacional (PIG, AIG, GIG) diz se aquele bebê cresceu bem para o tempo que teve dentro do útero. Cada uma abre uma porta diferente de complicação, e várias condutas brasileiras — triagem de retinopatia, vacina acelular pelo CRIE, dose de ferro na alta — são disparadas por uma delas especificamente, não por "ser prematuro".
O prematuro brasileiro típico não é o de 26 semanas da UTI neonatal. Num estudo de abrangência nacional realizado em 2011-2012, a prevalência de nascimentos pré-termo foi de 11,5%, distribuída em 1,8% abaixo de 32 semanas, 1,2% entre 32 e 33 semanas e 8,5% entre 34 e 36 semanas. Ou seja: três de cada quatro prematuros do país são pré-termos tardios, que saem da sala de parto parecendo recém-nascidos a termo e voltam ao pronto-socorro com icterícia, hipoglicemia ou dificuldade alimentar.
E há uma régua que acabou de mudar. A imunoprofilaxia do vírus sincicial respiratório no SUS deixou de ser um benefício restrito ao prematuro extremo e passou a alcançar todo nascido com menos de 37 semanas, com dose única e aplicação ainda na maternidade — mudança formalizada pelo Ministério da Saúde em 2026, com um período de convivência entre a regra velha e a nova.
O que muda decisão
Três réguas que não se substituem
A primeira régua é a idade gestacional ao nascer, e é ela que determina as subcategorias do prematuro. A nomenclatura adotada pela Sociedade Brasileira de Pediatria, seguindo a Organização Mundial da Saúde, é: pré-termo extremo, abaixo de 28 semanas; muito pré-termo, de 28 a menos de 32 semanas; pré-termo moderado, de 32 a menos de 37 semanas — categoria dentro da qual se destaca o pré-termo tardio, de 34 a menos de 37 semanas.
Repare que "moderado" e "tardio" se sobrepõem por construção: o tardio é uma subcategoria do moderado, e não uma faixa vizinha. Isso importa na leitura de enunciado, porque um recém-nascido de 33 semanas é pré-termo moderado e não é tardio, enquanto um de 35 semanas é as duas coisas ao mesmo tempo.
A segunda régua é o peso ao nascer, e ela é independente da idade gestacional. Baixo peso ao nascer é peso menor que 2.500 g — corte que nasceu da observação epidemiológica de que essas crianças têm risco de morrer cerca de vinte vezes maior que as de peso maior. Dentro dele, muito baixo peso é abaixo de 1.500 g (até 1.499 g) e extremo baixo peso é abaixo de 1.000 g (até 999 g). São faixas de peso, não de maturidade: um recém-nascido a termo com restrição de crescimento pode ter muito baixo peso sem ser prematuro.
A terceira régua cruza as duas anteriores: a adequação do peso à idade gestacional. Plotando o peso de nascimento na curva correspondente àquela idade gestacional, o bebê é pequeno para a idade gestacional (PIG) abaixo do percentil 10, adequado (AIG) entre os percentis 10 e 90, e grande (GIG) acima do percentil 90. É essa régua que separa o prematuro que simplesmente nasceu cedo daquele que nasceu cedo e mal nutrido — e o PIG carrega risco próprio de hipoglicemia, policitemia e falha de crescimento a longo prazo, somado a tudo que a prematuridade já traz.
Uma quarta faixa aparece cada vez mais nos enunciados e não é prematuridade: o termo precoce, de 37 a 38 semanas. Não é pré-termo — mas também não se comporta como o recém-nascido de 39 ou 40 semanas, e piora os resultados quando se analisa a população inteira de nascidos vivos.
De onde vem a idade gestacional
Toda a classificação depende de um número que muitas vezes é estimado mal. O critério mais recomendado para estimar a idade gestacional é a ultrassonografia precoce, realizada antes de completar 14 semanas de gestação. Quando existe uma data de última menstruação confiável, mantém-se a estimativa biológica se a discordância entre os dois critérios for de até três dias; acima disso, vale a datação do ultrassom precoce.
Na prática brasileira, esse ultrassom precoce raramente foi feito, e o pediatra recebe na sala de parto uma idade gestacional incerta. Daí o uso dos métodos pós-natais de estimativa — Capurro, New Ballard — que são aproximações somáticas e neurológicas, com margem de erro de uma a duas semanas e desempenho pior justamente nos extremos, que é onde a decisão mais pesa.
Isso tem consequência direta: a mesma criança pode ser classificada como muito pré-termo ou pré-termo moderado dependendo de qual estimativa se usa, e com ela mudam a curva de crescimento, a indicação de triagem oftalmológica e a escolha da vacina. Quando o enunciado dá a idade gestacional por ultrassom de primeiro trimestre, ele está dizendo que aquele número é para ser levado a sério.
O que se faz antes do parto ainda conta para o recém-nascido
Boa parte da gravidade que o pediatra encontra na sala de parto já foi decidida horas antes. O corticoide antenatal acelera a maturação pulmonar fetal, dá maior estabilidade vascular ao prematuro e reduz outras morbidades graves — hemorragia periventricular e enterocolite necrosante entre elas. O Ministério da Saúde recomenda betametasona 12 mg por via intramuscular a cada 24 horas por dois dias, ou dexametasona 6 mg por via intramuscular a cada 24 horas por dois dias, com uso estimulado entre 24 e 34 semanas de gestação.
A eficácia máxima aparece quando o parto ocorre de dois a sete dias após a primeira dose; depois de 24 horas já há algum efeito, abaixo disso o efeito é incompleto, e ele declina após sete dias. É por isso que a tocólise faz sentido: inibir o trabalho de parto por até 48 horas não reduz de forma significativa o parto pré-termo nem a mortalidade neonatal, mas compra o tempo do corticoide e permite transferir a gestante para uma instituição com mais recursos antes de o bebê nascer.
O sulfato de magnésio entra por outra razão: está recomendado como neuroprotetor conceptual quando o parto vai ocorrer antes de 32 semanas. Não é tocolítico nessa indicação — é redução de risco de paralisia cerebral no prematuro. Uma vinheta que descreve gestante em trabalho de parto com 29 semanas e pergunta a conduta obstétrica está cobrando os três: corticoide, tocólise de curto prazo e sulfato de magnésio.
O que falha primeiro: as complicações das primeiras horas
A lógica das complicações imediatas é simples e vale como método: o que ainda não amadureceu é o que falha. O pulmão que não produziu surfactante suficiente colaba nas expirações e gera a doença da membrana hialina, com desconforto respiratório progressivo desde os primeiros minutos, gemência, retrações e necessidade de pressão positiva ou surfactante exógeno. O centro respiratório imaturo gera a apneia da prematuridade, com pausas que aparecem tipicamente após as primeiras 24 horas e são mais frequentes quanto menor a idade gestacional.
A pele fina, a superfície corporal relativamente grande e a ausência de gordura marrom fazem o prematuro perder calor rápido — hipotermia é regra, não exceção, e piora tudo o mais: aumenta consumo de oxigênio, agrava a acidose e favorece a hipoglicemia. As reservas hepáticas de glicogênio são pequenas e se esgotam em horas, o que torna a hipoglicemia previsível e rastreável, não uma surpresa.
O canal arterial que deveria fechar com a queda da resistência pulmonar frequentemente permanece patente, e o shunt esquerda-direita sobrecarrega o pulmão que já está doente. A matriz germinativa subependimária, uma estrutura vascular frágil que involui ao longo do terceiro trimestre, é o sítio da hemorragia peri-intraventricular — motivo pelo qual esse risco se concentra nos abaixo de 32 semanas e praticamente desaparece no pré-termo tardio.
No trato gastrointestinal, a imaturidade da motilidade e da barreira mucosa se soma à colonização e à hipoperfusão para produzir a enterocolite necrosante, com distensão abdominal, resíduo gástrico, sangue nas fezes e pneumatose intestinal na radiografia. E a imaturidade da glicuroniltransferase hepática, associada ao aumento da circulação êntero-hepática, explica por que a icterícia do prematuro aparece mais cedo, sobe mais alto e dura mais que a do recém-nascido a termo — com limiares de fototerapia mais baixos exatamente por isso.
Sobre tudo isso corre o risco infeccioso: a barreira cutânea frágil, os acessos vasculares, a ventilação e a imaturidade imunológica fazem da sepse — precoce e tardia — a complicação que muda o prognóstico mais rápido.

As complicações que se instalam e vão embora com o bebê
Passadas as primeiras semanas, um segundo grupo de complicações se estabelece — e essas o pediatra vai encontrar no ambulatório, meses depois da alta. A displasia broncopulmonar, ou doença pulmonar crônica da prematuridade, é caracterizada pela dependência de oxigênio a partir dos 28 dias de vida associada a alterações radiográficas pulmonares típicas, ou pela necessidade de oxigenoterapia às 36 semanas de idade gestacional corrigida, especialmente nos prematuros extremos. Essa criança segue precisando de corticoide, diurético ou oxigênio bem além da alta.
A retinopatia da prematuridade é uma doença vasoproliferativa da retina que decorre da interrupção da vascularização retiniana normal pelo nascimento antecipado. O oxigênio suplementar gera hiperóxia retiniana, que causa vasoconstrição e obliteração vascular periférica; a isquemia resultante superproduz fator de crescimento do endotélio vascular, que estimula neovascularização desordenada, com fibrose e descolamento de retina como desfecho possível. Ciclos repetidos de hipóxia e hiperóxia favorecem a progressão — daí os alvos brasileiros de saturação, de 85% a 93% para prematuros com idade gestacional igual ou inferior a 32 semanas e de 85% a 95% acima disso.
A anemia da prematuridade decorre da menor massa eritrocitária inicial, da vida média encurtada das hemácias, do crescimento acelerado e das coletas repetidas de sangue, e é a razão de o ferro profilático do prematuro ser prescrito em dose maior e mais cedo que o do recém-nascido a termo. A doença metabólica óssea do prematuro nasce do déficit de aporte de cálcio e fósforo — o terceiro trimestre é justamente quando o feto acumula a maior parte desses minerais — e é rastreada durante a internação e reavaliada aos 6 meses de idade corrigida.
O desfecho de neurodesenvolvimento é o que mais pesa a longo prazo, e os fatores de risco biológicos são conhecidos: peso ao nascer abaixo de 1.500 g, idade gestacional abaixo de 32 semanas, displasia broncopulmonar, hemorragia peri-intraventricular grave, leucomalácia periventricular, restrição de crescimento intrauterino e perímetro cefálico anormal na alta. Nos primeiros dois anos predominam distonias transitórias, atraso de linguagem, deficiências sensoriais e paralisia cerebral; na idade escolar, pior desempenho em matemática, leitura e ortografia, hiperatividade e déficit de atenção. Cerca de um terço dos prematuros extremos chega aos 20 anos com pelo menos um problema crônico, contra um quinto dos nascidos a termo.
A ultrassonografia cerebral é o exame de rotina para leucomalácia periventricular; a ressonância magnética, quando disponível, é o padrão-ouro para o componente difuso da leucomalácia e é preconizada ao termo ou próximo dele — entre 37 e 40 semanas de idade pós-concepcional — em todo prematuro extremo, independentemente da clínica durante a internação.
O prematuro tardio: o que parece termo e não é
O pré-termo tardio, de 34 a menos de 37 semanas, é o grande volume da prematuridade brasileira: 8,5% de todos os nascimentos, contra 1,8% abaixo de 32 semanas. Ele nasce com peso próximo do normal, respira sozinho, vai para o alojamento conjunto e recebe alta em 48 horas como se fosse um recém-nascido a termo. É exatamente aí que a prova arma a vinheta.
As últimas semanas de gestação não são decorativas. Entre 34 e 40 semanas o feto acumula gordura, aumenta as reservas de glicogênio, amadurece a sucção-deglutição-respiração, completa a reabsorção do líquido pulmonar e ganha capacidade de conjugar bilirrubina. O pré-termo tardio pulou tudo isso. O resultado previsível é o pacote de hipotermia, hipoglicemia, dificuldade de pega e sucção, perda de peso além do esperado, taquipneia transitória por reabsorção incompleta do líquido pulmonar e icterícia mais precoce, mais alta e mais prolongada.
A consequência prática é a reinternação. O pré-termo tardio volta ao serviço nos primeiros dez dias com desidratação hipernatrêmica por falha de amamentação, com icterícia que já cruzou o limiar de fototerapia, ou com hipoglicemia sintomática. Por isso a alta dele não segue o roteiro do recém-nascido a termo: exige verificação de que a amamentação está efetiva, pesagem, dosagem de bilirrubina quando indicado e retorno precoce — em 48 a 72 horas — em vez do retorno padrão.
Do lado obstétrico, o dado da nota técnica da SBP é incômodo e explica parte do problema: no Brasil, um dos dois componentes principais do nascimento prematuro é composto de pré-termos tardios associados a cesarianas em mulheres de maior nível educacional. O outro, mais relevante em volume e gravidade, envolve todos os graus de prematuridade e está vinculado sobretudo à pobreza, tendo a ruptura prematura de membranas como principal fator associado.
Depois da alta: idade corrigida, curva, ferro e olho
A idade corrigida é o ajuste da idade cronológica pelo grau de prematuridade: subtrai-se da idade cronológica o número de semanas que faltaram para a idade gestacional atingir 40 semanas. Um recém-nascido de 32 semanas que recebe alta com três meses de vida (doze semanas) tem 44 semanas pós-concepcionais, ou um mês de idade corrigida. Não há consenso formal sobre por quanto tempo corrigir, mas a maior parte dos autores usa a idade corrigida nos primeiros dois anos de vida — e é ela, não a idade cronológica, que governa a leitura dos marcos do desenvolvimento e o momento da alimentação complementar, iniciada aos 6 meses de idade corrigida na criança em aleitamento materno exclusivo.
O crescimento é monitorado com peso obtido em balança de sensibilidade de 5 gramas, diariamente até a recuperação do peso de nascimento e duas vezes por semana até a alta, com comprimento e perímetro cefálico plotados semanalmente em curva até 50 a 64 semanas de idade gestacional corrigida. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda as curvas pós-natais do Intergrowth-21st até 64 semanas pós-concepcionais, quando o acompanhamento passa para as curvas da OMS adotadas pelo Ministério da Saúde.
Há uma regra pouco lembrada e muito cobrável para o prematuro abaixo de 32 semanas: o canal de crescimento a ser seguido não é definido pelo peso de nascimento, e sim pelo peso atingido quando o ganho recomeça, depois da perda inicial — perda que deve respeitar o limite fisiológico de no máximo 15% do peso de nascimento nos pré-termos extremos. Quem plota o canal pelo peso de nascimento acaba diagnosticando falha de crescimento onde há apenas a adaptação esperada das duas a três primeiras semanas.
A recuperação do crescimento não é imediata nem uniforme. O comprimento costuma atingir a normalidade por volta dos 2 anos e o peso por volta dos 3 anos de idade corrigida; nos nascidos com menos de 1.000 g ou menos de 28 semanas, o processo pode demorar mais. E o catch-up exagerado tem preço: as crianças que aceleram o peso ultrapassando o escore Z do comprimento e do perímetro cefálico têm risco maior de hipertensão, diabetes tipo 2 e doença cardiovascular na adolescência e no adulto jovem — motivo pelo qual se vigia a curva, a pressão arterial e o perfil metabólico, e não apenas se comemora o ganho de peso.
A suplementação de ferro do prematuro é maior que a do recém-nascido a termo e escalona pelo peso de nascimento: acima de 1.500 g, 2 mg/kg/dia a partir dos 30 dias de vida por um ano, seguidos de 1 mg/kg/dia por mais um ano; entre 1.000 g e 1.500 g, 3 mg/kg/dia por um ano e 1 mg/kg/dia entre 1 e 2 anos; abaixo de 1.000 g, 4 mg/kg/dia por um ano e 1 mg/kg/dia por mais um ano. Junto vai o polivitamínico com vitaminas A, C e D, com oferta de vitamina D de 400 UI/dia.
A triagem de retinopatia da prematuridade no Brasil alcança todo prematuro com peso de nascimento de 1.500 g ou menos e/ou idade gestacional igual ou menor que 32 semanas — o "e/ou" é literal: basta um dos dois critérios. O primeiro exame é feito entre a quarta e a sexta semana de vida, com dilatação pupilar e oftalmoscopia binocular indireta. Recém-nascidos maiores ou mais maduros podem ser incluídos por solicitação do neonatologista quando as condições clínicas os colocam em risco — sepse, transfusões, ventilação, uso de surfactante, displasia broncopulmonar.
Vacinar o prematuro e proteger do vírus sincicial respiratório
A regra de ouro está no manual do CRIE e é contraintuitiva: o prematuro é vacinado pela idade cronológica, nas mesmas doses e intervalos das demais crianças. Idade gestacional e peso de nascimento não são, isoladamente, indicativos de intolerância ou de resposta inadequada. Espera-se resposta menor abaixo de 1.500 g ou 29 semanas, mas a maioria dos prematuros produz resposta suficiente para proteção — e adiar vacina "até engordar" é o erro mais comum e mais caro.
As exceções são poucas e precisas. As vacinas de vírus vivo atenuado não são aplicadas na unidade neonatal, com destaque para a rotavírus. A BCG pode ser aplicada ao nascimento em todas as crianças com peso de nascimento igual ou maior que 2 kg — abaixo disso, aguarda-se atingir esse peso. E crianças nascidas com menos de 1.500 g ou menos de 33 semanas (até 32 semanas e 6 dias) recebem o componente pertussis acelular, nas apresentações Penta ou Hexa acelular disponíveis nos CRIE, a partir de 2 meses de idade, com mínimo de 1 mês e 15 dias — indicação que também vale para o bebê que ainda esteja internado na unidade neonatal na idade da vacinação. A razão é concreta: crianças abaixo de 1.000 g podem apresentar mais episódios de apneia após a vacina de células inteiras, e isso é menos frequente com o componente acelular.
A hepatite B guarda uma pegadinha que já foi resposta certa e hoje não é mais. Crianças nascidas com menos de 2.000 g ou 33 semanas precisam de pelo menos quatro doses de vacina hepatite B — mas o esquema vigente do Programa Nacional de Imunizações já contempla quatro doses para todas as crianças, uma monovalente ao nascer mais três nas vacinas combinadas. Não é preciso acrescentar dose alguma. Filho de mãe AgHBs positiva recebe, além da vacina, imunoglobulina humana anti-hepatite B 0,5 mL por via intramuscular no membro oposto, preferencialmente nas primeiras 12 a 24 horas de vida, independentemente do peso ou da idade gestacional.
Na exposição à varicela, a imunoglobulina humana antivaricela-zóster, 125 UI por via intramuscular, é indicada ao prematuro nascido entre 28 e 36 semanas quando a mãe tem história negativa para varicela, e ao nascido com menos de 28 semanas ou menos de 1.000 g independentemente da história materna.
A proteção contra o vírus sincicial respiratório é o ponto em que a régua brasileira mudou de patamar. Pelo protocolo do Ministério da Saúde, o nirsevimabe está indicado para toda criança nascida com idade gestacional inferior a 37 semanas, com qualquer peso corpóreo, independentemente de a mãe ter recebido a vacina contra o VSR na gestação. A aplicação é intramuscular, ainda na maternidade ou durante a internação neonatal, logo após o nascimento ou assim que o recém-nascido estiver clinicamente estável, em dose única por temporada: 50 mg para peso abaixo de 5 kg e 100 mg para peso igual ou acima de 5 kg.
Duas particularidades separam o prematuro da criança com comorbidade. Para os prematuros abaixo de 37 semanas, o nirsevimabe fica disponível durante o ano todo, independentemente da sazonalidade; para crianças de até 2 anos com comorbidades, a aplicação segue o período sazonal brasileiro de fevereiro a agosto, definido pelas semanas epidemiológicas 8 a 32, com dose de 200 mg em duas injeções de 100 mg na segunda temporada. E a segunda temporada é exclusiva das comorbidades listadas — cardiopatia congênita hemodinamicamente significativa, displasia broncopulmonar em tratamento de suporte, imunocomprometimento grave, síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular e anomalias congênitas das vias aéreas. Prematuridade isolada não dá direito à segunda temporada.
Classificar antes de conduzir
A classificação do prematuro não é rótulo acadêmico: cada faixa dispara uma conduta diferente. Antes de responder qualquer pergunta de manejo, o enunciado precisa ser lido nas três réguas — idade gestacional, peso ao nascer e adequação peso/idade gestacional — porque a triagem oftalmológica, a escolha da vacina, a dose de ferro e a curva de crescimento são acionadas por critérios distintos.
- 1Extraia a idade gestacional do enunciado e prefira a estimativa por ultrassonografia precoce, quando informada; classifique em extremo (<28), muito pré-termo (28 a <32), moderado (32 a <37) ou tardio (34 a <37).
- 2Leia o peso ao nascer como régua independente: baixo peso (<2.500 g), muito baixo peso (<1.500 g) ou extremo baixo peso (<1.000 g).
- 3Cruze as duas na curva de peso por idade gestacional e defina PIG (<p10), AIG (p10-p90) ou GIG (>p90).
- 4Dispare os gatilhos que dependem de cada régua: triagem de retinopatia se ≤1.500 g e/ou ≤32 semanas; pertussis acelular pelo CRIE se <1.500 g ou <33 semanas; BCG só com peso ≥2 kg; dose de ferro pela faixa de peso ao nascer.
- 5Verifique o que independe de faixa: nirsevimabe para todo nascido <37 semanas, ainda na maternidade, e vacinação pela idade cronológica sem adiamento.
Pré-termo extremo — menos de 28 semanas
Máxima imaturidade de todos os sistemas. Concentra doença da membrana hialina, apneia, hemorragia peri-intraventricular, enterocolite necrosante, displasia broncopulmonar e retinopatia. Costuma somar-se ao extremo baixo peso e é o grupo em que a ressonância magnética ao termo é preconizada mesmo sem clínica.
Muito pré-termo — 28 a menos de 32 semanas
Ainda dentro da janela de risco da matriz germinativa e da retina. Mantém indicação de triagem oftalmológica e de pertussis acelular, e é o limite abaixo do qual o sulfato de magnésio antenatal é recomendado como neuroprotetor. O canal de crescimento se define pelo peso após a perda inicial, não pelo peso de nascimento.
Pré-termo moderado — 32 a menos de 37 semanas
Faixa em que a triagem de retinopatia e a indicação de acelular deixam de valer pela idade gestacional isolada, e passam a depender do peso. Persistem os problemas de adaptação: termorregulação, glicemia, icterícia e coordenação alimentar. O pré-termo tardio é uma subcategoria dentro desta faixa.
Pré-termo tardio — 34 a menos de 37 semanas
Três de cada quatro prematuros brasileiros. Parece recém-nascido a termo e não é: hipotermia, hipoglicemia, taquipneia transitória, dificuldade de sucção e icterícia mais precoce e prolongada. A alta exige amamentação comprovadamente efetiva e retorno precoce, e continua com indicação de nirsevimabe por ser menor de 37 semanas.
| Faixa de idade gestacional | Definição | Frequência no Brasil | O que essa faixa dispara |
|---|---|---|---|
| Pré-termo extremo | Menos de 28 semanas | Dentro do 1,8% abaixo de 32 semanas | Ressonância ao termo mesmo sem clínica; risco máximo de hemorragia peri-intraventricular, enterocolite e displasia broncopulmonar |
| Muito pré-termo | 28 a menos de 32 semanas | 1,8% dos nascimentos (com os extremos) | Sulfato de magnésio antenatal como neuroprotetor; triagem de retinopatia; canal de crescimento definido após a perda inicial |
| Pré-termo moderado | 32 a menos de 37 semanas | 1,2% entre 32 e 33 semanas | Triagem de retinopatia e acelular passam a depender do peso; abaixo de 33 semanas ainda há indicação de pertussis acelular |
| Pré-termo tardio | 34 a menos de 37 semanas (subcategoria do moderado) | 8,5% dos nascimentos | Alta com amamentação verificada e retorno precoce; nirsevimabe por ser menor de 37 semanas |
| Termo precoce | 37 a 38 semanas | Fora das estatísticas de prematuridade | Não dispara nenhuma conduta de prematuro, mas tem desfechos piores que o termo pleno |
Classificação por peso ao nascer — régua independente da idade gestacional
| Categoria | Corte | Conduta que depende desse corte |
|---|---|---|
| Baixo peso ao nascer | Menos de 2.500 g | Risco de morrer cerca de vinte vezes maior que o das crianças de peso maior |
| Limiar da hepatite B | Menos de 2.000 g (ou 33 semanas) | Necessidade de pelo menos quatro doses de hepatite B — já contempladas pelo esquema atual do PNI, sem dose extra |
| Limiar da BCG | 2 kg | Com 2 kg ou mais, a BCG pode ser aplicada ao nascimento; abaixo disso, aguarda-se atingir esse peso |
| Muito baixo peso ao nascer | Menos de 1.500 g (até 1.499 g) | Triagem de retinopatia; pertussis acelular pelo CRIE; ferro 3 mg/kg/dia (1.000-1.500 g); risco alto de desfecho de neurodesenvolvimento |
| Extremo baixo peso ao nascer | Menos de 1.000 g (até 999 g) | Ferro 4 mg/kg/dia no primeiro ano; imunoglobulina antivaricela-zóster independentemente da história materna; perda de peso tolerada até 15% do peso de nascimento |
Adequação do peso à idade gestacional
| Classificação | Percentil de peso para a idade gestacional | Leitura clínica |
|---|---|---|
| PIG — pequeno para a idade gestacional | Abaixo do percentil 10 | Nasceu cedo e cresceu mal; soma risco de hipoglicemia, policitemia e falha de crescimento a longo prazo. Aos 3 anos, metade ainda tem peso abaixo da média |
| AIG — adequado para a idade gestacional | Entre os percentis 10 e 90 | Cresceu conforme o tempo que teve; o catch-up costuma ocorrer nos dois primeiros anos |
| GIG — grande para a idade gestacional | Acima do percentil 90 | Levanta a hipótese de filho de mãe com diabetes, com risco próprio de hipoglicemia neonatal |
Ferro profilático do prematuro pela faixa de peso ao nascer
| Peso ao nascer | Primeiro ano | Segundo ano |
|---|---|---|
| Acima de 1.500 g | 2 mg/kg/dia a partir dos 30 dias de vida | 1 mg/kg/dia |
| Entre 1.000 g e 1.500 g | 3 mg/kg/dia | 1 mg/kg/dia entre 1 e 2 anos |
| Abaixo de 1.000 g | 4 mg/kg/dia | 1 mg/kg/dia |
O "e/ou" da triagem de retinopatia é literal: peso de nascimento de 1.500 g ou menos e/ou idade gestacional igual ou menor que 32 semanas. Um bebê de 31 semanas com 1.700 g entra pela idade gestacional; um de 34 semanas com 1.400 g entra pelo peso.
Vacinação do prematuro segue a idade cronológica, não a corrigida. A idade corrigida governa marcos do desenvolvimento, curva de crescimento e alimentação complementar — nunca o calendário vacinal.
Idade corrigida = idade cronológica − (40 semanas − idade gestacional ao nascer). Usada nos primeiros dois anos de vida.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Palivizumabe restrito ao prematuro extremo e às comorbidades, em cinco doses mensais
Incorporado ao SUS em 2012, o palivizumabe cobria prematuros com idade gestacional menor ou igual a 28 semanas e menos de um ano de idade, além de crianças com menos de dois anos com doença pulmonar crônica da prematuridade, displasia broncopulmonar ou cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica demonstrada. Exige cálculo individual da dose pelo peso e cinco aplicações mensais dentro da mesma temporada. Continua em uso na transição: crianças que iniciaram o esquema na sazonalidade de 2025 concluem com o mesmo anticorpo na sazonalidade de 2026.
Ministério da Saúde, decisão de incorporação de 2012, descrita no Protocolo de Uso do Nirsevimabe (Portaria SCTIE/MS nº 14, de 7 de março de 2026)
Nirsevimabe para todo prematuro abaixo de 37 semanas, em dose única na maternidade
O protocolo aprovado em março de 2026 estende a imunoprofilaxia a toda criança nascida com menos de 37 semanas, com qualquer peso e independentemente da vacinação materna contra o VSR, em dose única por temporada — 50 mg abaixo de 5 kg e 100 mg de 5 kg em diante — aplicada ainda na maternidade assim que o recém-nascido esteja clinicamente estável. Para o prematuro, fica disponível o ano todo; para crianças de até 2 anos com comorbidades, dentro do período sazonal de fevereiro a agosto. Nascidos a partir de fevereiro de 2026 iniciam já com nirsevimabe, e o protocolo não admite trocar de anticorpo dentro da mesma temporada.
Ministério da Saúde, Portaria SCTIE/MS nº 14, de 7 de março de 2026 — Protocolo de Uso do Nirsevimabe, em vigor desde a publicação
Na prova
Duas redações convivem em 2026, e o que separa uma da outra é a data que o enunciado insere. Vinheta com criança que já recebeu doses mensais na temporada anterior está no mundo do palivizumabe; vinheta de recém-nascido na maternidade, com dose única e sem menção a sazonalidade, está no mundo do nirsevimabe. O distrator mais denunciador é o número de doses: cinco aplicações mensais só existem na régua antiga. Enunciado que descreve prematuro de 34 ou 35 semanas com indicação de imunoprofilaxia só faz sentido na régua de 2026, porque a antiga parava em 28 semanas. E a segunda temporada continua reservada às comorbidades: prematuridade isolada não entra nela em nenhuma das duas redações.
Rede mais larga no Brasil: 1.500 g ou menos e/ou 32 semanas ou menos
No Brasil ficou estabelecido que o exame de fundo de olho para detecção precoce de retinopatia é feito em todos os prematuros com peso de nascimento de 1.500 g ou menos e/ou idade gestacional igual ou menor que 32 semanas, com o primeiro exame entre a quarta e a sexta semana de vida, sob dilatação pupilar. Recém-nascidos maiores ou mais maduros podem ser incluídos por solicitação do neonatologista quando há fatores de risco clínicos. O corte mais alto acompanha o perfil epidemiológico de países de renda média, em que formas graves aparecem também em bebês mais maduros, por variação na qualidade do controle da oxigenoterapia entre serviços.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Manual de seguimento ambulatorial do prematuro de risco (2012), que reproduz o critério das diretrizes brasileiras de ROP formuladas com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica
Rede mais estreita nos Estados Unidos: 1.500 g ou menos, ou 30 semanas ou menos
A Academia Americana de Pediatria estabelece triagem para todos os recém-nascidos com peso de nascimento de 1.500 g ou menos ou idade gestacional de 30 semanas ou menos, além de casos selecionados entre 1.500 g e 2.000 g considerados de risco pelo neonatologista. O corte mais baixo de idade gestacional reflete uma população em que a retinopatia grave praticamente não ocorre acima de 30 semanas, o que só se sustenta com controle rigoroso e homogêneo da oxigenoterapia nas unidades neonatais.
American Academy of Pediatrics, Screening Examination of Premature Infants for Retinopathy of Prematurity (Pediatrics, 2018)
Na prova
O recorte se revela pelo cenário e pelo vocabulário. Enunciado ambientado em maternidade do SUS, rede de atenção perinatal ou programa de triagem neonatal trabalha com o corte de 32 semanas. Enunciado que cita a Academia Americana de Pediatria pelo nome, ou que descreve uma unidade com controle estrito de saturação, trabalha com o corte de 30 semanas. As alternativas costumam entregar o recorte sozinhas: quando aparecem 30 e 32 semanas na mesma lista, a questão está testando justamente qual documento o candidato tem na cabeça. Prova oficial do MEC tende a conduta SUS; nas demais bancas, o par de números nas alternativas é o melhor indício.
INTERGROWTH-21st até 64 semanas pós-concepcionais, na recomendação da SBP
O Departamento Científico de Neonatologia da SBP recomenda acompanhar os pré-termos com as curvas pós-natais do INTERGROWTH-21st, disponíveis em português para peso, comprimento e perímetro cefálico, até 64 semanas pós-concepcionais, quando o seguimento passa para as curvas da OMS adotadas pelo Ministério da Saúde. O argumento é metodológico: são curvas prescritivas — dizem como a criança deve crescer, e não apenas como um grupo cresceu —, multiétnicas, construídas com técnica antropométrica padronizada, com idade gestacional aferida por ultrassonografia precoce, e incluíram gestantes e recém-nascidos brasileiros.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Neonatologia, Monitoramento do crescimento de RN pré-termos, Documento Científico nº 1, fevereiro de 2017
Fenton 2013 como curva de referência de 24 a 50 semanas
As curvas de Fenton, construídas a partir de revisão sistemática e metanálise com dados de países desenvolvidos, cobrem de 24 semanas de idade gestacional até 50 semanas de idade corrigida, são específicas por sexo, fornecem medianas e desvios-padrão que permitem calcular escore Z e emendam na curva da OMS de 2006. Cobrem justamente a faixa em que o INTERGROWTH é frágil: a amostra prescritiva incluiu 201 pré-termos, dos quais apenas 28 abaixo de 34 semanas, e as curvas do INTERGROWTH são consideradas robustas a partir de 33 semanas.
Curvas de Fenton (2013), descritas e comparadas no mesmo Documento Científico nº 1 do Departamento de Neonatologia da SBP (2017)
Na prova
Aqui a divergência é de faixa etária, não de país. Vinheta de prematuro extremo, de 25 ou 27 semanas, dentro da UTI neonatal, está no terreno em que a curva de referência de 24 a 50 semanas tem cobertura e o padrão prescritivo não tem amostra. Vinheta de seguimento ambulatorial, com criança já em casa e idade corrigida acompanhada até por volta de um ano, está no terreno da curva recomendada pela SBP. Menção explícita ao escore Z calculado por programa próprio aponta para a primeira; menção a curva prescritiva, multiétnica ou a transição para a curva da OMS aponta para a segunda. Independentemente da curva escolhida, a regra do canal de crescimento definido pelo peso após a perda inicial vale para os abaixo de 32 semanas.
Caso resolvido
- classificação por idade gestacional
- 30 semanas e 4 dias coloca o recém-nascido na faixa de muito pré-termo (28 a menos de 32 semanas). Não é extremo, porque está acima de 28 semanas, e não é moderado nem tardio, porque está abaixo de 32.
- classificação por peso e adequação
- 1.180 g é muito baixo peso ao nascer (abaixo de 1.500 g) e não é extremo baixo peso (não está abaixo de 1.000 g). O percentil 35 o coloca como adequado para a idade gestacional. As três réguas dão respostas diferentes e todas são necessárias.
- achado
- O desconforto respiratório progressivo desde a primeira hora, com gemência e resposta ao surfactante, é doença da membrana hialina — a complicação esperada nessa faixa de imaturidade. O corticoide antenatal completo 48 horas antes do parto está dentro da janela de eficácia máxima, de dois a sete dias após a primeira dose, e explica parte da boa evolução.
- triagem oftalmológica
- Entra pelos dois critérios: 30 semanas é igual ou menor que 32, e 1.180 g é igual ou menor que 1.500 g. O primeiro exame de fundo de olho, com dilatação pupilar, deve ocorrer entre a quarta e a sexta semana de vida — ou seja, a janela já está aberta no 30º dia.
- vacinas
- Vacinação pela idade cronológica. A BCG aguarda o peso de 2 kg. As vacinas de vírus vivo atenuado, com destaque para a rotavírus, não são aplicadas na unidade neonatal. Por ter nascido com menos de 1.500 g e menos de 33 semanas, o componente pertussis deve ser o acelular, nas apresentações Penta ou Hexa disponíveis no CRIE, a partir dos 2 meses de idade cronológica.
- profilaxia do vírus sincicial respiratório
- Nascido com menos de 37 semanas, tem indicação de nirsevimabe em dose única, aplicada ainda durante a internação neonatal assim que estiver clinicamente estável, com 50 mg por pesar menos de 5 kg, e independentemente da época do ano.
- prescrição de alta e seguimento
- Ferro 3 mg/kg/dia no primeiro ano, por ter nascido entre 1.000 g e 1.500 g, com 1 mg/kg/dia entre 1 e 2 anos, além do polivitamínico com oferta de 400 UI/dia de vitamina D. Acompanhamento do crescimento por idade gestacional corrigida, com o canal definido pelo peso atingido quando o ganho recomeçou, e não pelos 1.180 g de nascimento.
Agora feche você
- classificação
- 35 semanas e 1 dia é pré-termo tardio, dentro da faixa de 34 a menos de 37 semanas, e também pré-termo moderado, já que o tardio é subcategoria do moderado. 2.380 g é baixo peso ao nascer, sem ser muito baixo peso. Adequada para a idade gestacional.
- achado
- O conjunto — temperatura no limite inferior, sonolência, pega superficial, mamadas curtas e glicemia baixa com perda de peso já em 7% em 30 horas — é o quadro clássico do pré-termo tardio: reservas pequenas de glicogênio e gordura, termorregulação imatura e coordenação sucção-deglutição-respiração ainda incompleta. Nada disso é comportamento esperado de recém-nascido a termo.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Chamar de prematuro o recém-nascido de baixo peso Atrai porque as duas categorias andam juntas na maioria dos casos e porque "baixo peso" soa como sinônimo de "nasceu cedo". Prematuridade é definida só por idade gestacional abaixo de 37 semanas. O recém-nascido a termo com restrição de crescimento pode ter muito baixo peso e não é prematuro — e o pré-termo tardio de 2.600 g é prematuro sem ter baixo peso.
- 2Tratar pré-termo moderado e pré-termo tardio como faixas vizinhas A intuição de que as categorias se sucedem sem sobreposição é forte, e a maioria das listas as escreve uma embaixo da outra. Mas o tardio, de 34 a menos de 37 semanas, está contido no moderado, de 32 a menos de 37. Um bebê de 33 semanas é moderado e não é tardio; um de 35 semanas é os dois.
- 3Adiar vacina do prematuro esperando ele engordar Parece cuidado e é dano. Idade gestacional e peso de nascimento não indicam, isoladamente, intolerância ou resposta inadequada, e a vacinação segue a idade cronológica nas mesmas doses e intervalos. As exceções são poucas: BCG espera o peso de 2 kg, vírus vivo atenuado não é aplicado na unidade neonatal, e abaixo de 1.500 g ou 33 semanas usa-se o componente pertussis acelular.
- 4Acrescentar uma quinta dose de hepatite B ao prematuro de menos de 2.000 g Foi resposta certa por muitos anos e sobreviveu em material antigo. A exigência de pelo menos quatro doses continua valendo para quem nasceu com menos de 2.000 g ou 33 semanas, mas o esquema vigente do Programa Nacional de Imunizações já entrega quatro doses a todas as crianças — uma monovalente ao nascer mais três nas combinadas. Nenhuma dose extra é necessária.
- 5Usar idade corrigida para o calendário vacinal Quem aprendeu que "no prematuro tudo é por idade corrigida" generaliza demais. A idade corrigida governa marcos do desenvolvimento, curva de crescimento e início da alimentação complementar. Vacina segue idade cronológica — usar a corrigida atrasaria o esquema em semanas ou meses justamente na criança mais vulnerável.
- 6Ler o "e/ou" da triagem de retinopatia como "e" Quem exige os dois critérios deixa de examinar metade da população de risco. Basta um: peso de nascimento de 1.500 g ou menos, ou idade gestacional igual ou menor que 32 semanas. O bebê de 31 semanas com 1.700 g entra pela idade gestacional, e o de 34 semanas com 1.400 g entra pelo peso.
- 7Definir o canal de crescimento do prematuro extremo pelo peso de nascimento É o reflexo automático de quem plota qualquer criança pelo primeiro ponto disponível. Nos abaixo de 32 semanas, o canal a seguir é o peso atingido quando o ganho recomeça, depois da perda inicial fisiológica de até 15% do peso de nascimento. Plotar pelo peso de nascimento produz diagnóstico falso de falha de crescimento nas primeiras semanas.
- 8Dar alta ao pré-termo tardio no roteiro do recém-nascido a termo Ele respira sozinho, tem peso próximo do normal e ocupa o alojamento conjunto — parece um bebê a termo pequeno. É o grupo que mais reinterna nos primeiros dez dias por icterícia, desidratação hipernatrêmica e hipoglicemia. Alta exige amamentação verificada, controle de peso, bilirrubina quando indicada e retorno em 48 a 72 horas.
Correta: a classificação da OMS por idade gestacional define prematuro como nascimento antes de 37 semanas completas. Dentro da prematuridade: prematuro extremo (< 28 semanas), muito prematuro (28 a < 32 semanas), prematuro moderado (32 a < 34 semanas) e prematuro tardio (34 a < 37 semanas). Com 34 semanas e 2 dias, o RN está na faixa de 34 a < 37 semanas, sendo classificado como prematuro tardio. Prematuro extremo seria < 28 semanas. Prematuro moderado seria 32 a < 34 semanas — o RN já ultrapassou 34 semanas. A termo exige 37 a 41 semanas e 6 dias. Pós-termo exige ≥ 42 semanas.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Recém-nascido do sexo feminino, nascido com 29 semanas de idade gestacional, pesando 1.150 g. Aos 20 minutos de vida evolui com taquipneia (FR 78 ipm), gemência expiratória, batimento de asa de nariz, retração intercostal e subcostal e cianose em ar ambiente (SatO2 82%). A radiografia de tórax evidencia infiltrado reticulogranular difuso (padrão em vidro fosco) com broncogramas aéreos e redução do volume pulmonar. O mecanismo fisiopatológico PRINCIPAL responsável pelo quadro apresentado é:
Correta: o quadro é a síndrome do desconforto respiratório (doença da membrana hialina), complicação clássica do prematuro. Decorre da deficiência de surfactante, produzido pelos pneumócitos tipo II, que amadurecem tardiamente (produção adequada em geral após 34–35 semanas). A deficiência causa colapso alveolar, atelectasia e o padrão radiológico reticulogranular com broncogramas aéreos e vidro fosco — exatamente o descrito. O retardo na reabsorção do líquido pulmonar é a taquipneia transitória, mais comum em RN a termo/cesárea eletiva, com radiografia mostrando congestão hilar e líquido cisural, não vidro fosco. Aspiração de mecônio ocorre em RN termo/pós-termo com líquido meconial, radiografia com infiltrados grosseiros e hiperinsuflação. Hipertensão pulmonar persistente cursa com labilidade de oxigenação e diferencial pré/pós-ductal, sem o padrão radiológico descrito. Pneumonia por GBS pode simular SDR, mas o padrão típico do prematuro com vidro fosco difuso aponta para deficiência de surfactante como mecanismo principal.
Recém-nascido do sexo masculino, nascido com 26 semanas de idade gestacional, peso de 780 g. Encontra-se em ventilação mecânica desde o nascimento por síndrome do desconforto respiratório, tendo recebido surfactante. No 8º dia de vida, evolui subitamente com apneia, palidez, hipotonia, abaulamento e tensão da fontanela anterior e queda de 4 pontos no hematócrito. A ultrassonografia transfontanela mostra sangue no sistema ventricular com dilatação ventricular associada. Assinale a alternativa que descreve corretamente a complicação apresentada e o principal fator predisponente relacionado à prematuridade:
Correta: a hemorragia peri-intraventricular (HPIV) é complicação neurológica típica do prematuro extremo/muito baixo peso, com incidência inversamente proporcional à idade gestacional. Origina-se na matriz germinativa subependimária, região ricamente vascularizada por capilares frágeis e imaturos, sensível a variações de fluxo/pressão. A classificação de Papile: grau I (restrita à matriz germinativa), grau II (extensão intraventricular sem dilatação), grau III (extensão intraventricular COM dilatação ventricular) e grau IV (extensão para o parênquima). O quadro descreve sangue no sistema ventricular COM dilatação = grau III. Grau I é restrito à matriz e não cursa com sangue intraventricular nem dilatação, como no caso. Leucomalácia periventricular é lesão isquêmica da substância branca, não hemorrágica, sem sangue ventricular à USG. Hemorragias subaracnóidea e subdural têm localização e mecanismo distintos (a subdural relaciona-se a trauma de parto, mais comum em termos), não correspondendo ao achado ultrassonográfico intraventricular descrito.
Recém-nascido pré-termo, 28 semanas, peso ao nascer 980 g, no 9º dia de vida em UTI neonatal, recebendo dieta enteral com fórmula em progressão. Nas últimas 12 horas apresenta distensão abdominal progressiva, resíduo gástrico bilioso, uma evacuação com sangue vivo e piora do estado geral, com letargia. Ao exame: T 36,2 °C, FC 178 bpm, FR 62 ipm, tempo de enchimento capilar 4 segundos, abdome distendido, tenso, com eritema de parede. Gasometria com pH 7,21 e lactato 4,8 mmol/L. A radiografia de abdome mostra alças intestinais com imagem de dupla parede (bolhas de gás intramural). Qual é a conduta MAIS apropriada neste momento?
Correta: o quadro (prematuro extremo, distensão, resíduo bilioso, sangue nas fezes e pneumatose intestinal na radiografia) fecha enterocolite necrosante (Bell ≥ II). O manejo inicial padrão é repouso intestinal (suspensão da dieta), descompressão gástrica com sonda aberta, antibioticoterapia de amplo espectro e nutrição parenteral, sempre com avaliação cirúrgica acompanhando pela gravidade. Errada: manter a dieta agrava a doença — repouso intestinal é obrigatório. Errada: sem pneumoperitônio ou refratariedade clínica não há indicação de cirurgia imediata; a laparotomia se reserva a perfuração/deterioração. Errada: manter dieta trófica é contraindicado em NEC estabelecida — precisa suspender TODA a dieta. Errada: trocar/reduzir a fórmula é medida de prevenção, não de tratamento de NEC já instalada.
Recém-nascido pré-termo, 26 semanas, peso 720 g, com 14 dias de vida, em tratamento clínico de enterocolite necrosante há 3 dias (dieta zero, sonda gástrica aberta, antibiótico de amplo espectro e nutrição parenteral). Evolui com piora súbita: apneia, hipotensão refratária a volume, palidez, distensão abdominal com parede endurecida e coloração azulada. Laboratório com plaquetas 42.000/mm³ (VR 150.000–450.000), pH 7,08 e lactato 7,2 mmol/L. A radiografia de abdome em decúbito lateral com raios horizontais evidencia ar livre delimitando o ligamento falciforme. Qual é a conduta indicada?
Correta: o achado de ar livre na cavidade (pneumoperitônio — aqui o sinal do ligamento falciforme delimitado por ar) indica perfuração intestinal (Bell III B), a indicação clássica e absoluta de intervenção cirúrgica na NEC, seja laparotomia ou drenagem peritoneal primária no RN de muito baixo peso instável. Errada: perfuração não se trata clinicamente — postergar aumenta a mortalidade. Errada: o pneumoperitônio já está documentado; a cirurgia não deve ser adiada por exame adicional. Errada: a plaquetopenia deve ser corrigida no contexto do preparo, mas não substitui a indicação cirúrgica diante de perfuração. Errada: reintroduzir dieta em NEC perfurada é gravemente contraindicado.
Recém-nascido pré-termo, 28 semanas de idade gestacional, 4 dias de vida, internado em UTI neonatal, apresenta episódios recorrentes de pausas respiratórias. Monitorização evidencia pausa de fluxo aéreo com duração de 22 segundos, acompanhada de queda da FC para 78 bpm e SatO2 de 82%. O prematuro está estável hemodinamicamente, sem sinais de sepse, glicemia 68 mg/dL (VR 45-100), sem distúrbios hidroeletrolíticos, e a investigação para causas secundárias foi negativa. Feito o diagnóstico de apneia da prematuridade, opta-se por iniciar terapia farmacológica de primeira linha. Qual o esquema correto para o fármaco de escolha?
Correta: a definição de apneia da prematuridade exige pausa respiratória ≥ 20 segundos — ou menor, se acompanhada de bradicardia abaixo de 100 bpm ou de dessaturação — e a vinheta traz pausa de 22 s com FC 78 bpm e SatO2 82%. O tratamento farmacológico de 1ª linha é o citrato de cafeína, pela maior janela terapêutica, meia-vida longa (dose única diária) e benefício comprovado, com redução de displasia broncopulmonar no estudo CAP. O esquema padrão é ataque de 20 mg/kg e manutenção de 5 mg/kg/dia. Dar 5 mg/kg de ataque e 20 mg/kg/dia de manutenção inverte as doses — essa manutenção é tóxica. O ataque de 10 mg/kg com 2,5 mg/kg a cada 8 horas usa doses subterapêuticas e fracionamento incorreto: a cafeína é de dose única diária. A aminofilina é 2ª linha, com janela terapêutica estreita e mais efeitos adversos (taquicardia, intolerância alimentar). O doxapram é opção de resgate na apneia refratária, com toxicidade relevante, e não primeira linha.
Recém-nascido pré-termo, sexo feminino, 26 semanas de idade gestacional ao nascer, peso de nascimento 780 g, permaneceu em ventilação mecânica com oxigenoterapia prolongada por displasia broncopulmonar. Evoluiu bem e recebeu alta com 38 semanas de idade pós-menstrual. A mãe questiona o pediatra sobre a necessidade de acompanhamento oftalmológico, pois a criança não apresenta nenhuma queixa visual. Qual é a conduta correta quanto ao rastreamento da retinopatia da prematuridade neste caso?
Correta: o rastreamento da retinopatia da prematuridade (ROP) é indicado a todo RN com peso de nascimento <=1500 g e/ou idade gestacional <=30-32 semanas (a paciente tem 780 g e 26 semanas - preenche amplamente), e também prematuros maiores com fatores de risco como O2 prolongado/DBP. O primeiro exame de fundo de olho com oftalmoscopia binocular indireta deve ocorrer entre a 4ª e 6ª semana de vida (idade cronológica). A ROP é assintomática nas fases iniciais e evolui silenciosamente para descolamento de retina/cegueira - a ausência de sintomas não exclui a doença, esse é justamente o motivo do rastreamento. O teste do reflexo vermelho não substitui o mapeamento de retina - a ROP periférica não altera o reflexo vermelho nas fases tratáveis. Esperar 6 meses perde a janela de tratamento (ROP plus/limiar exige intervenção precoce). Alta hospitalar não isenta o rastreamento, que deve continuar ambulatorialmente até a vascularização retiniana completa.
Durante uma aula sobre prematuridade, o preceptor discute a fisiopatologia e os fatores de risco da retinopatia da prematuridade (ROP), doença vasoproliferativa da retina que é uma das principais causas de cegueira infantil evitável. Além da prematuridade e do baixo peso ao nascer, qual dos fatores abaixo é o principal fator de risco modificável classicamente associado ao desenvolvimento da ROP?
Correta: a ROP resulta de alteração da vascularização da retina imatura. A hiperóxia (oxigenoterapia suplementar excessiva/não monitorada) é o principal fator de risco modificável: causa vasoconstrição e obliteração vascular (fase 1) e, posteriormente, neovascularização anômala (fase 2) mediada por VEGF. Por isso, o controle rigoroso da saturação de O2 é a principal medida preventiva. O aleitamento materno é fator protetor (aporte de antioxidantes e fatores de crescimento), não de risco. A icterícia fisiológica não está associada à ROP. A vacinação com BCG não guarda relação com ROP. A fototerapia trata a hiperbilirrubinemia e não é fator de risco estabelecido para ROP (protege-se os olhos com venda durante o procedimento por outra razão, não por causar ROP).
Recém-nascido a termo e recém-nascido pré-termo apresentam risco muito diferente de desenvolver doença da membrana hialina. A fisiopatologia central da doença é a deficiência de surfactante pulmonar, produzido pelos pneumócitos tipo II, cuja produção só se torna adequada nas últimas semanas de gestação. Qual é o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença da membrana hialina?
Correta: a doença da membrana hialina decorre da imaturidade pulmonar com deficiência de surfactante; quanto menor a idade gestacional, maior a incidência e a gravidade, sendo a prematuridade o principal fator de risco. A pós-maturidade não predispõe à DMH, pois o pulmão já está maduro. O corticoide antenatal é fator PROTETOR, pois acelera a maturação pulmonar e a síntese de surfactante. O sexo masculino, e não o feminino, associa-se a maior risco. O oligoâmnio relaciona-se a hipoplasia pulmonar, não sendo o fator determinante da deficiência de surfactante que caracteriza a membrana hialina.
Recém-nascido do sexo masculino, nascido de cesárea por trabalho de parto prematuro, idade gestacional 29 semanas, peso 1.180 g. A mãe não recebeu corticoide antenatal. Nos primeiros 30 minutos de vida evolui com desconforto respiratório progressivo: taquipneia (FR 78 ipm), gemência expiratória, batimento de asa nasal, retração intercostal e subcostal e cianose em ar ambiente (SatO2 82%). A radiografia de tórax mostra infiltrado reticulogranular difuso ("vidro fosco") com broncogramas aéreos e redução do volume pulmonar. O diagnóstico mais provável é:
A prematuridade extrema (29 semanas), a ausência de corticoide antenatal e o desconforto respiratório precoce com padrão radiológico reticulogranular em vidro fosco e broncogramas aéreos definem a doença da membrana hialina, por deficiência de surfactante (conduta: CPAP precoce e surfactante). A taquipneia transitória cursa com congestão peri-hilar e líquido cisural, é mais típica de RN a termo/pós-cesárea sem trabalho de parto e resolve em 24-72 h, sem vidro fosco com broncograma. A aspiração meconial ocorre em RN a termo/pós-termo com líquido meconial e RX com infiltrados grosseiros e hiperinsuflação. A pneumonia por GBS pode mimetizar a DMH, mas faltam fatores maternos (bolsa rota prolongada, febre) e o padrão clássico com prematuridade extrema sem corticoide favorece a DMH. A hérnia diafragmática apresenta abdome escavado, ruídos hidroaéreos no tórax e desvio de mediastino ao RX.
Recém-nascido do sexo feminino, idade gestacional 28 semanas, peso ao nascer 950 g, internado em UTI neonatal e submetido a oxigenoterapia por doença da membrana hialina. Encontra-se atualmente com 4 semanas de vida cronológica, estável. A equipe planeja o rastreamento de retinopatia da prematuridade. Segundo as diretrizes brasileiras, a conduta correta em relação ao primeiro exame oftalmológico é:
Todo RN com peso ao nascer ≤ 1.500 g e/ou idade gestacional ≤ 32 semanas tem indicação de rastreamento de retinopatia da prematuridade; o primeiro exame com oftalmoscopia binocular indireta deve ser feito entre a 4ª e a 6ª semana de vida cronológica (opção correta), com reavaliações seriadas conforme os achados. O rastreamento é obrigatório nesse grupo de risco e independe de sinais clínicos, que aparecem tardiamente; o reflexo vermelho não substitui o mapeamento de retina. Um exame único na alta não cumpre o seguimento seriado necessário para detectar formas tratáveis. O corte de peso é ≤ 1.500 g — os 950 g estão incluídos; a alternativa inverte o critério. As 45 semanas de idade pós-concepcional referem-se ao limite para encerrar o seguimento em retina madura sem doença, não ao início do rastreamento.
Recém-nascido do sexo feminino, parto vaginal, idade gestacional confirmada por ultrassonografia precoce de 38 semanas e 2 dias. Peso de nascimento 2.180 g, abaixo do percentil 10 para a idade gestacional na curva de referência; comprimento e perímetro cefálico também inferiores ao percentil 10. A mãe é hipertensa crônica em uso irregular de medicação. A classificação correta desse recém-nascido é:
A idade gestacional de 38 semanas e 2 dias situa-se na faixa de termo (37 semanas a 41 semanas e 6 dias), e o peso abaixo do percentil 10 para a idade gestacional define o RN como pequeno para a idade gestacional — logo, a termo e PIG, quadro compatível com insuficiência placentária pela hipertensão materna. Vale reforçar que baixo peso não é sinônimo de prematuridade. Classificar como pré-termo, ou pré-termo tardio, erra a idade gestacional: pré-termo exige IG inferior a 37 semanas. Classificar como adequado para a idade gestacional ignora o peso abaixo do percentil 10. E pós-termo exigiria IG de 42 semanas ou mais.
Recém-nascido pré-termo de 28 semanas, 1.100 g, nascido de parto vaginal cuja mãe chegou em trabalho de parto avançado, sem tempo hábil para corticoterapia antenatal. Aos 20 minutos de vida apresenta desconforto respiratório com gemência expiratória, batimento de asa nasal e retração intercostal. Encontra-se em CPAP nasal com PEEP de 6 cmH2O, necessitando FiO2 de 0,40 para manter SatO2 entre 90 e 94%; FR 78 ipm, FC 152 bpm, ausculta com murmúrio simétrico reduzido. A radiografia de tórax mostra infiltrado reticulogranular difuso em "vidro fosco", broncogramas aéreos e redução do volume pulmonar. Qual a conduta mais adequada neste momento?
Trata-se de doença da membrana hialina (DMH) em prematuro extremo sem corticoide antenatal, com quadro clínico e radiográfico clássicos. O ponto de decisão nuançado é o critério de falha de CPAP: pela literatura atual (Consenso Europeu de SDR e diretrizes da SBP), indica-se surfactante quando o RN em CPAP com PEEP >=6 cmH2O necessita FiO2 acima de 0,30 para manter a saturação-alvo. O caso preenche esse critério (FiO2 0,40 em CPAP de 6), sendo a administração precoce de surfactante, preferencialmente por técnica minimamente invasiva (LISA) ou INSURE, a conduta correta. Aumentar a PEEP para 10 cmH2O é excessivo e não trata o déficit de surfactante, com risco de barotrauma/pneumotórax. Intubar e ventilar com parâmetros elevados é mais agressivo do que o necessário e contraria a estratégia atual de proteção pulmonar, que prioriza suporte não invasivo + surfactante. Corticoide pós-natal não tem papel no tratamento agudo da DMH (usado para displasia broncopulmonar estabelecida, não na fase inicial). Retirar a CPAP e usar apenas Hood remove a pressão de distensão que mantém os alvéolos abertos, agravando o colapso alveolar.
Recém-nascido pré-termo de 31 semanas, pequeno para a idade gestacional, filho de mãe diabética com controle glicêmico inadequado, nascido de cesárea por sofrimento fetal, sem uso de corticoide antenatal. Logo após o nascimento inicia desconforto respiratório com gemência, batimento de asa nasal e retração subcostal, que PIORA progressivamente ao longo das primeiras horas de vida. Ao exame: FR 80 ipm, tiragem intercostal, cianose que melhora com oxigênio suplementar. A radiografia de tórax evidencia hipotransparência reticulogranular difusa e bilateral, broncogramas aéreos e redução do volume pulmonar. Qual o diagnóstico mais provável?
O raciocínio combina dois passos: (1) reconhecer os fatores de risco somados — prematuridade, ausência de corticoide antenatal e filho de mãe diabética (a hiperinsulinemia fetal atrasa a maturação do surfactante) — e (2) integrar a evolução clínica (desconforto precoce e PROGRESSIVAMENTE pior) ao padrão radiográfico clássico (reticulogranular difuso em vidro fosco, broncogramas aéreos e volume pulmonar reduzido). Esse conjunto define a doença da membrana hialina. A taquipneia transitória ocorre tipicamente em RN a termo/próximo do termo pós-cesárea sem trabalho de parto, é autolimitada e MELHORA em 24-72 h, com RX mostrando congestão peri-hilar e líquido nas cisuras, não vidro fosco. A aspiração meconial praticamente não ocorre em prematuros e cursa com infiltrados grosseiros/hiperinsuflação, não com pulmão de volume reduzido. A pneumonia por GBS pode mimetizar DMH no RX, mas costuma associar-se a fatores infecciosos maternos (bolsa rota prolongada, febre, colonização) e sinais de sepse, ausentes aqui. O pneumotórax hipertensivo produz assimetria de ausculta e hipertransparência unilateral com desvio de mediastino, não infiltrado reticulogranular bilateral.
Recém-nascido do sexo masculino, nascido de parto vaginal, filho de mãe com 22 anos, primigesta, após trabalho de parto prematuro deflagrado espontaneamente. A idade gestacional, confirmada por ultrassonografia do primeiro trimestre, é de 26 semanas. O peso ao nascer é de 780 g. Segundo a classificação da Organização Mundial da Saúde baseada na idade gestacional, este recém-nascido é adequadamente classificado como: Qual a classificação correta quanto à idade gestacional?
Correta: Pela classificação da OMS por idade gestacional, prematuro extremo é o nascido com menos de 28 semanas — o RN de 26 semanas se enquadra exatamente aí. Muito prematuro/grande prematuro: faixa de 28 a menos de 32 semanas, acima da idade do caso. Prematuro moderado: 32 a menos de 34 semanas. Prematuro tardio: 34 a menos de 37 semanas. A termo precoce: 37 a 38 semanas e 6 dias, corresponde a nascido de termo, não a prematuro. O peso de 780 g o classificaria adicionalmente como de extremo baixo peso (< 1.000 g), mas o comando pede a classificação por idade gestacional.
Recém-nascido pré-termo, sexo feminino, nascido com 30 semanas de idade gestacional e peso de 1.250 g, encontra-se no 10º dia de vida em unidade neonatal, recebendo dieta enteral por sonda gástrica em progressão. Passa a apresentar recusa alimentar, distensão abdominal progressiva, resíduo gástrico bilioso e evacuação com sangue vivo nas fraldas. Ao exame: FC 178 bpm, T 36,0 °C, letargia, abdome distendido e doloroso à palpação, com edema e eritema da parede abdominal. Hemograma com plaquetas 78.000/mm³ (VR 150.000–450.000). A radiografia de abdome evidencia alças intestinais distendidas e pneumatose intestinal. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: o quadro reúne o tripé da enterocolite necrosante em prematuro: intolerância alimentar (resíduo bilioso, distensão), sangramento retal e sinais sistêmicos (letargia, taquicardia, plaquetopenia), sendo a pneumatose intestinal na radiografia o achado praticamente patognomônico — gás na parede da alça por invasão bacteriana. Sepse tardia: pode coexistir e causar instabilidade, mas não explica a pneumatose intestinal nem os sinais localizados de necrose de parede, que definem a enterocolite. Íleo meconial: manifesta-se nas primeiras 24–48 h com obstrução distal e microcólon, não no 10º dia com dieta em curso, e cursa sem pneumatose. Doença hemorrágica: causa sangramento por coagulopatia (deficiência de vitamina K), sem distensão inflamatória, eritema de parede ou pneumatose. Volvo por má-rotação: dá abdome agudo com vômito bilioso, mas o marcador radiológico é a obstrução/sinal do redemoinho, não a pneumatose intestinal difusa característica da enterocolite.
Recém-nascido pré-termo, 30 semanas de idade gestacional, peso de nascimento 1200 g, encontra-se no 6º dia de vida em ar ambiente na unidade neonatal. A enfermagem relata episódios recorrentes de pausas respiratórias com duração superior a 20 segundos, acompanhados de bradicardia (FC 78 bpm) e queda de saturação (SatO2 82%), que respondem a estimulação tátil. O exame físico está normal, sem esforço respiratório entre as crises. Hemograma, proteína C-reativa e hemocultura resultaram sem alterações; glicemia capilar 68 mg/dL, cálcio e sódio dentro da normalidade. A radiografia de tórax é normal. Após afastar causas infecciosas e metabólicas, qual é a conduta farmacológica de primeira linha para o quadro?
O quadro é clássico de apneia da prematuridade: RN de 30 semanas, apneia >20s com bradicardia e dessaturação, exame e propedêutica normais após exclusão de sepse (hemograma/PCR/hemocultura negativos) e de distúrbios metabólicos (glicemia, cálcio e sódio normais). A conduta de primeira linha é o citrato de cafeína, a metilxantina de escolha por sua ampla janela terapêutica, meia-vida longa (dose única diária), dispensar monitorização de nível sérico de rotina e reduzir a incidência de displasia broncopulmonar. A teofilina/aminofilina é metilxantina eficaz, porém preterida pela cafeína por maior toxicidade e necessidade de monitorização sérica. O doxapram é reservado como terapia de segunda ou terceira linha, não como agente inicial. A antibioticoterapia empírica não se justifica, pois a sepse já foi ativamente descartada (fármaco certo em contexto errado). A intubação e ventilação mecânica são exageradas para apneia responsiva a estimulação tátil, reservadas a falha do tratamento farmacológico e do CPAP.
Uma menina nascida prematura, com 32 semanas de idade gestacional, comparece à consulta de puericultura na Unidade Básica de Saúde com idade cronológica de 4 meses. A mãe está preocupada porque, ao ser plotado na curva de peso para a idade da OMS considerando os 4 meses cronológicos, o ponto aparece abaixo do escore-z -2. Ao exame, a lactente encontra-se em bom estado geral, mama ao seio com boa pega, vem ganhando peso de forma consistente entre as consultas e não apresenta sinais de doença. Qual é a conduta correta quanto à avaliação antropométrica dessa criança nas curvas de crescimento?
Para o recém-nascido prematuro, a avaliação nas curvas de crescimento pós-natais deve usar a IDADE CORRIGIDA (idade cronológica menos as semanas que faltaram para 40 semanas) — no caso, 4 meses menos ~2 meses = cerca de 2 meses corrigidos —, prática recomendada em geral até os 2 anos. Manter a idade cronológica gera falso diagnóstico de baixo peso, exatamente o erro apontado no enunciado. Iniciar fórmula hipercalórica é conduta precipitada em criança que mama bem e ganha peso. Curvas intrauterinas servem à avaliação ao nascimento, não ao seguimento ambulatorial.
Um lactente do sexo masculino, com 8 meses de idade cronológica, nascido de parto prematuro com 30 semanas de idade gestacional e peso de 1.350 g, comparece à consulta de puericultura na Unidade Básica de Saúde. Teve internação neonatal de 5 semanas, sem hemorragia intracraniana, sem enterocolite e sem necessidade de ventilação mecânica prolongada. As triagens neonatal, auditiva e ocular foram normais. Está em aleitamento materno com introdução alimentar adequada e vacinação em dia. A mãe está angustiada porque "o filho do vizinho, da mesma idade, já senta sozinho". Ao exame, a criança senta com apoio, leva objetos à boca, vira a cabeça em direção a sons, sorri e vocaliza, mas não senta sem apoio e não faz pinça. Peso e comprimento adequados para a idade corrigida; exame neurológico sem alterações de tônus ou reflexos.
Em prematuros, a avaliação do crescimento e do desenvolvimento deve usar a IDADE CORRIGIDA, prática recomendada até os 2 anos de idade. Nascido com 30 semanas, o lactente tem 10 semanas (cerca de 2 meses e meio) de prematuridade: aos 8 meses cronológicos, a idade corrigida é de aproximadamente 5 meses e meio. Sentar com apoio, levar objetos à boca, virar-se para o som, sorrir e vocalizar são exatamente os marcos esperados por volta dos 6 meses — portanto o desenvolvimento é adequado, cabendo acolher a angústia materna, orientar estimulação e manter a puericultura, com vigilância reforçada por ser um recém-nascido de risco. Não há atraso quando se corrige a idade, e o exame neurológico é normal — encaminhar seria intervenção desnecessária. Não há sinal de alerta que justifique investigação laboratorial ou de imagem, ainda mais com triagem neonatal normal. A afirmação está incorreta: a correção não se limita aos 6 meses, sendo mantida até os 2 anos.
Em consulta de puericultura em uma Unidade Básica de Saúde, comparece lactente do sexo masculino com 8 meses de idade cronológica, acompanhado da mãe, que refere estar muito preocupada porque "ele ainda não senta sozinho". A criança nasceu de parto prematuro com 30 semanas de idade gestacional, pesando 1.350 g, permaneceu 5 semanas em unidade neonatal, sem intercorrências neurológicas, com ultrassonografia transfontanelar normal e triagens neonatais sem alterações. Está em aleitamento materno com introdução alimentar adequada e vacinas em dia. Ao exame: ativo, sorri e vocaliza, fixa e segue objetos, sustenta bem a cabeça, rola de decúbito dorsal para ventral, senta com apoio e transfere objetos de uma mão para a outra. Tônus, reflexos e perímetro cefálico adequados; curvas de crescimento em ascensão regular.
Correta: em prematuros, a avaliação dos marcos do desenvolvimento deve usar a IDADE CORRIGIDA até os 2 anos (Caderneta da Criança/Ministério da Saúde). Idade corrigida = 8 meses − 10 semanas de prematuridade ≈ 6 meses. Aos 6 meses espera-se sustentar a cabeça, rolar, sentar com apoio e transferir objetos — exatamente o observado. Conduta: tranquilizar e manter puericultura de rotina. Segunda opção: usar a idade cronológica gera falso diagnóstico de atraso; além disso não há sinais de alerta (tônus, reflexos e PC normais) que justifiquem encaminhamento. Terceira: exames de imagem/EEG não se indicam em criança com desenvolvimento adequado para a idade corrigida e USG transfontanelar normal. Quarta: o seguimento do prematuro (follow-up) deve ser mantido e a correção da idade se estende até os 2 anos, não até os 6 meses.
Em maternidade de referência do SUS, nasce recém-nascido de mãe de 27 anos, com idade gestacional de 31 semanas e 5 dias (DUM confiável, concordante com ultrassonografia de primeiro trimestre). O parto foi vaginal, por trabalho de parto prematuro, com ciclo completo de corticoide antenatal. Ao nascer: peso 1.420 g (percentil 55 da curva de Fenton), comprimento 40 cm, perímetro cefálico no percentil 50, Apgar 6/8. Encaminhado à unidade neonatal em bom estado geral. A classificação correta desse recém-nascido quanto à idade gestacional, ao peso de nascimento e à adequação peso/idade gestacional é:
As três classificações são independentes e não devem ser confundidas. (1) Idade gestacional: 31 semanas e 5 dias situa-se na faixa de 28 a 31 semanas e 6 dias = muito prematuro (prematuro moderado seria 32 a 33 semanas e 6 dias; tardio, 34 a 36 semanas e 6 dias; extremo, abaixo de 28 semanas). (2) Peso: 1.420 g está entre 1.000 g e 1.499 g = muito baixo peso ao nascer (baixo peso é abaixo de 2.500 g; extremo baixo peso, abaixo de 1.000 g). (3) Adequação: definida pelo percentil em curva de crescimento intrauterino (Fenton/Intergrowth-21st) — percentil 55 está entre os percentis 10 e 90, portanto adequado para a idade gestacional. A alternativa correta reúne os três critérios. A primeira erra a faixa de idade gestacional e o critério de peso, além de rotular como PIG um RN no percentil 55. A segunda classifica erroneamente como prematuro tardio. A quarta comete o erro clássico de tomar baixo peso como sinônimo de PIG: peso baixo decorre aqui da prematuridade, não de restrição de crescimento.
Em maternidade de referência, nasce recém-nascido masculino de 28 semanas, 1.050 g, por parto vaginal após trabalho de parto prematuro; a mãe não recebeu corticoide antenatal, bolsa rota há 2 horas, sem febre materna. Nos primeiros minutos de vida apresenta gemência expiratória, batimento de asa do nariz e retrações intercostais e subdiafragmáticas, sendo colocado em CPAP nasal, com necessidade progressiva de FiO2 até 0,45 na primeira hora. Radiografia de tórax evidencia infiltrado reticulogranular difuso e simétrico, com broncogramas aéreos e redução do volume pulmonar. A conduta indicada é:
O conjunto — prematuridade extrema, ausência de corticoide antenatal, desconforto respiratório precoce e progressivo e radiografia com padrão reticulogranular difuso, broncogramas aéreos e volume pulmonar reduzido — define síndrome do desconforto respiratório por deficiência de surfactante. A conduta preconizada é a administração precoce de surfactante exógeno por via traqueal (estratégia INSURE ou técnica minimamente invasiva) associada à manutenção do suporte ventilatório, indicada diante de falha do CPAP com FiO2 crescente. A primeira alternativa é incorreta: a taquipneia transitória ocorre tipicamente em RN a termo/prematuro tardio, sobretudo pós-cesárea, é autolimitada e mostra congestão peri-hilar e líquido cisural — retirar o CPAP agravaria o colapso alveolar. A terceira inverte a hierarquia terapêutica: a ventilação de alta frequência é resgate, não primeira medida, e não substitui o surfactante. A quarta é inadequada: a hipertensão pulmonar persistente cursa com hipoxemia desproporcional aos achados radiológicos e diferença de saturação pré e pós-ductal, ausentes aqui.
Em Unidade Básica de Saúde, na primeira consulta de puericultura, é atendido lactente nascido de parto vaginal com idade gestacional de 35 semanas e 2 dias, peso ao nascer de 2.350 g, sem intercorrências neonatais, recebendo aleitamento materno exclusivo e com boa curva ponderal. A mãe relata angústia e pergunta se o filho foi 'muito prematuro'. Considerando a classificação do recém-nascido quanto à idade gestacional ao nascimento, esse lactente é classificado como:
A classificação da prematuridade pela idade gestacional ao nascimento é: prematuro extremo (abaixo de 28 semanas), muito prematuro (28 a 31 semanas e 6 dias), prematuro moderado (32 a 33 semanas e 6 dias) e prematuro tardio (34 a 36 semanas e 6 dias). Com 35 semanas e 2 dias, o RN é prematuro tardio — grupo mais numeroso entre os prematuros e que, embora com melhor prognóstico, exige vigilância na APS para icterícia, hipoglicemia, dificuldade de sucção e ganho ponderal. As demais alternativas correspondem a faixas de idade gestacional inferiores, não compatíveis com 35 semanas e 2 dias. Observe ainda que o peso de 2.350 g caracteriza baixo peso ao nascer (abaixo de 2.500 g), classificação independente da idade gestacional e que não altera a resposta ao comando da questão.
Recém-nascido do sexo masculino, nascido de parto cesáreo indicado por pré-eclâmpsia grave, com idade gestacional de 34 semanas e 1 dia (ultrassonografia de primeiro trimestre), peso ao nascer de 1.380 g. Apresentou desconforto respiratório precoce, necessitando de CPAP nasal com oxigênio suplementar por seis dias, e recebeu duas hemotransfusões. Evolui em boas condições, em aleitamento materno com complemento, e a equipe programa a alta hospitalar para a quarta semana de vida. Sobre o rastreamento da retinopatia da prematuridade nesse paciente, assinale a conduta correta.
As diretrizes brasileiras (SBP/SBOP/Conselho Brasileiro de Oftalmologia) indicam rastreamento de retinopatia da prematuridade para todo RN com peso ao nascer ≤ 1.500 g E/OU idade gestacional ≤ 32 semanas — os critérios são alternativos, não cumulativos. O paciente tem 1.380 g, logo entra no rastreio independentemente das 34 semanas; o primeiro exame é entre a 4ª e a 6ª semana de vida (ou 30 a 32 semanas de idade pós-menstrual), antes da alta. Excluir pela idade gestacional acima de 32 semanas erra ao tornar a IG critério obrigatório — o peso isolado já indica. Deixar o exame para os seis meses posterga para além da janela de progressão da doença (o limiar costuma ocorrer por volta de 34 a 40 semanas pós-menstruais), com risco de descolamento de retina. O uso de oxigênio é fator de risco adicional, não critério de exclusão: sua ausência ou curta duração não dispensa o rastreio.
Recém-nascido do sexo feminino é admitido na unidade neonatal após parto vaginal. A mãe, 38 anos, hipertensa crônica, realizou pré-natal com ultrassonografia de primeiro trimestre que estimou a idade gestacional, sendo o nascimento com 32 semanas e 2 dias. O peso ao nascer é de 1.080 g, abaixo do percentil 3 na curva de Fenton; comprimento e perímetro cefálico situam-se no percentil 10. Ao exame, pele fina e enrugada, escassa gordura subcutânea e fácies de desnutrição intrauterina. Assinale a classificação correta desse recém-nascido.
Três eixos independentes de classificação: (1) idade gestacional — 32s2d cai na faixa de pré-termo moderado (32 a 33s6d); extremo é < 28 semanas, muito prematuro 28 a 31s6d, tardio 34 a 36s6d. (2) adequação peso/IG — peso < percentil 10 (aqui < p3) define pequeno para a idade gestacional. (3) peso absoluto — 1.080 g é muito baixo peso ao nascer (< 1.500 g); baixo peso é < 2.500 g e extremo baixo peso é < 1.000 g. Como o peso está desproporcionalmente comprometido em relação a comprimento e perímetro cefálico (p10), trata-se de restrição assimétrica, típica de insuficiência placentária por doença hipertensiva materna, com poupança cerebral. 32 semanas não é pré-termo extremo e 1.080 g não é extremo baixo peso. Classifica erroneamente como AIG um peso abaixo do p3. Erra: tanto a faixa de IG quanto a categoria de peso.
Recém-nascido de mãe hipertensa crônica, nascido de cesariana por restrição de crescimento fetal e diástole zero ao Doppler de artéria umbilical. Idade gestacional confirmada por ultrassonografia de primeiro trimestre: 34 semanas e 3 dias. Peso de nascimento 1.420 g (abaixo do percentil 3 na curva de Fenton), comprimento 40 cm, perímetro cefálico no percentil 10. Apgar 7/9. Assinale a classificação correta deste recém-nascido.
A classificação exige separar idade gestacional, peso absoluto e adequação peso/idade gestacional. Com 34 semanas e 3 dias, o RN é prematuro tardio (34 a 36 semanas e 6 dias) — muito prematuro corresponde a 28 a 31 semanas e 6 dias e moderado a 32 a 33 semanas e 6 dias. O peso de 1.420 g o enquadra como muito baixo peso ao nascer (menor que 1.500 g), e não apenas baixo peso (menor que 2.500 g). Como o peso está abaixo do percentil 10 para a idade gestacional, é pequeno para a idade gestacional, coerente com a restrição de crescimento por insuficiência placentária materna.
Recém-nascido de 28 semanas, peso 1.050 g, no 9º dia de vida, em progressão de dieta enteral com fórmula. Nas últimas 12 horas apresenta distensão abdominal progressiva, resíduo gástrico bilioso, instabilidade térmica e enterorragia. Exame: abdome distendido, alças visíveis, sem eritema de parede, sem massa palpável. Exames: leucócitos 4.200/mm³, plaquetas 78.000/mm³, PCR elevada, acidose metabólica leve. Radiografia de abdome: pneumatose intestinal em quadrante inferior direito, sem pneumoperitônio e sem gás em veia porta. Assinale a conduta adequada.
Pneumatose intestinal na radiografia em prematuro com sinais sistêmicos e enterorragia define enterocolite necrosante Bell IIA (doença comprovada, leve). O tratamento é clínico: jejum absoluto, descompressão gástrica com sonda aberta, antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro por 7 a 14 dias, nutrição parenteral e vigilância radiológica seriada para detectar perfuração. Manter qualquer aporte enteral, mesmo trófico ou com fórmula elementar, é contraindicado nessa fase, e o antibiótico não deve aguardar hemocultura em quadro já comprovado. A indicação cirúrgica é reservada a pneumoperitônio, alça fixa persistente ou deterioração clínica refratária — a pneumatose isolada não indica laparotomia.
Recém-nascido de 30 semanas, peso 1.300 g, parto prematuro por trabalho de parto espontâneo, sem tempo hábil para corticoide antenatal. Nasceu com esforço respiratório, sendo colocado em CPAP nasal ainda na sala de parto. Com 3 horas de vida mantém taquipneia, gemência, batimento de asa de nariz e tiragem intercostal e subdiafragmática, necessitando de FiO2 de 0,45 para manter saturação de 92%, em CPAP com PEEP de 6 cmH2O. Radiografia de tórax: infiltrado reticulogranular difuso e bilateral com broncogramas aéreos e redução do volume pulmonar. Assinale o próximo passo.
O quadro é síndrome do desconforto respiratório do prematuro por deficiência de surfactante, sustentado pela idade gestacional, ausência de corticoide antenatal e radiografia com padrão reticulogranular difuso e broncogramas aéreos. Em prematuro em CPAP que necessita FiO2 acima de 0,30 a 0,40 nas primeiras horas, está indicada a administração precoce de surfactante exógeno, preferencialmente por técnica minimamente invasiva ou INSURE, mantendo o CPAP e evitando ventilação mecânica invasiva. Retirar o CPAP para cateter nasal remove justamente a pressão que mantém o volume alveolar. O óxido nítrico se aplica à hipertensão pulmonar persistente, com hipoxemia desproporcional ao parênquima, e não tem benefício comprovado nessa faixa de idade gestacional. Conduta apenas expectante retarda o tratamento eficaz e aumenta o risco de escalonamento para ventilação invasiva.
Recém-nascido de 33 semanas, peso de nascimento 1.850 g, mãe com sorologia AgHBs negativa, recebeu a primeira dose de vacina hepatite B monovalente nas primeiras horas de vida e seguirá o calendário do Programa Nacional de Imunizações com as vacinas combinadas. A mãe pergunta quantas doses adicionais de hepatite B o filho precisará por ter nascido prematuro e com menos de 2.000 g. A resposta correta é:
Crianças nascidas com menos de 2.000 g ou 33 semanas realmente precisam de pelo menos quatro doses de vacina hepatite B, porque a resposta imune do prematuro a doses múltiplas pode ser menor. A pegadinha é que o esquema atualmente vigente do Programa Nacional de Imunizações já contempla quatro doses para todas as crianças — uma dose monovalente ao nascer mais três doses nas vacinas combinadas —, de modo que nenhuma dose extra precisa ser acrescentada. A quarta opção erra a justificativa: a exigência de quatro doses no prematuro independe da sorologia materna; o que muda no filho de mãe AgHBs positiva é a indicação adicional de imunoglobulina humana anti-hepatite B, 0,5 mL por via intramuscular no membro oposto, preferencialmente nas primeiras 12 a 24 horas de vida.
Recém-nascido de 32 semanas, peso de nascimento 1.480 g, permanece internado na unidade neonatal, clinicamente estável, pesando 1.700 g aos 2 meses de idade cronológica. A equipe revisa a conduta vacinal. Assinale a conduta correta segundo o Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais do Ministério da Saúde.
O prematuro é vacinado pela idade cronológica, nas mesmas doses e intervalos das demais crianças — idade gestacional e peso não indicam, isoladamente, intolerância ou resposta inadequada, e adiar o esquema é o erro mais comum. Como nasceu com menos de 1.500 g e menos de 33 semanas (até 32 semanas e 6 dias), há indicação de componente pertussis acelular, disponível nos CRIE como Penta ou Hexa acelular, a partir de 2 meses de idade. A vacina rotavírus é atenuada e não é aplicada enquanto o recém-nascido estiver na unidade neonatal. A BCG pode ser aplicada quando o peso for igual ou maior que 2 kg, o que ainda não ocorreu (1.700 g). Idade corrigida governa desenvolvimento, crescimento e alimentação complementar, nunca o calendário vacinal.
Recém-nascido nasce com 28 semanas e 5 dias de idade gestacional, pesando 940 g, com peso situado no percentil 30 da curva para a idade gestacional. Como esse recém-nascido é classificado quanto à idade gestacional e ao peso ao nascer?
A faixa de 28 a menos de 32 semanas define o muito pré-termo; o pré-termo extremo exige idade gestacional abaixo de 28 semanas, e 28 semanas e 5 dias já está acima desse corte, o que elimina a segunda e a quarta opções. Quanto ao peso, extremo baixo peso ao nascer é definido por peso abaixo de 1.000 g (até 999 g), faixa em que os 940 g se enquadram — a terceira opção erra ao negar que o critério de muito baixo peso, e por consequência o de extremo baixo peso, esteja preenchido. O percentil 30 classifica a criança como adequada para a idade gestacional e não altera nenhuma das duas categorias, que são réguas independentes entre si.
Lactente nascido com 30 semanas de idade gestacional comparece à consulta de seguimento com idade cronológica de 6 meses completos, ou seja, 24 semanas de vida. O pediatra vai avaliar os marcos do desenvolvimento e o crescimento. A idade corrigida desse lactente é de aproximadamente:
A idade corrigida é a idade cronológica menos as semanas que faltaram para a idade gestacional atingir 40 semanas. Faltaram 40 menos 30, ou seja, 10 semanas — cerca de 2 meses e 15 dias. Subtraindo das 24 semanas de vida, restam 14 semanas, aproximadamente 3 meses e 15 dias de idade corrigida. A correção se aplica a todo pré-termo, e não apenas aos nascidos abaixo de 28 semanas; a maior parte dos autores a utiliza nos primeiros dois anos de vida. É essa idade, e não a cronológica, que deve ser usada para ler os marcos do desenvolvimento, plotar a curva de crescimento e decidir o momento da alimentação complementar — mas nunca para o calendário vacinal, que segue a idade cronológica.
Em uma maternidade do SUS, o neonatologista organiza a triagem oftalmológica de quatro recém-nascidos internados na unidade neonatal: A) 31 semanas, 1.720 g; B) 34 semanas, 1.380 g; C) 33 semanas, 1.900 g, sem intercorrências; D) 29 semanas, 1.100 g. Conforme o critério brasileiro de triagem de retinopatia da prematuridade, devem ser rotineiramente examinados:
O critério brasileiro inclui todos os prematuros com peso de nascimento de 1.500 g ou menos E/OU idade gestacional igual ou menor que 32 semanas — basta preencher um dos dois. A entra pela idade gestacional (31 semanas), B entra pelo peso (1.380 g), e D entra pelos dois. C, com 33 semanas e 1.900 g, não preenche nenhum dos critérios de rotina, embora pudesse ser incluído por solicitação do neonatologista se houvesse fatores de risco clínicos, o que o enunciado exclui. A primeira e a segunda opções tratam o "e/ou" como "e" ou ignoram o critério de peso. A terceira estende a triagem a todo pré-termo, o que não corresponde ao critério. A última usa o corte de 30 semanas, que é o critério norte-americano da Academia Americana de Pediatria, não o brasileiro.
Recém-nascido de 35 semanas, 2.500 g, nasce em setembro em maternidade pública, sem comorbidades, evoluindo bem e com alta prevista para 48 horas. A mãe recebeu a vacina contra o vírus sincicial respiratório no terceiro trimestre. Segundo o protocolo do Ministério da Saúde para prevenção de infecção do trato respiratório inferior associada ao VSR, a conduta é:
O protocolo do Ministério da Saúde indica nirsevimabe para toda criança nascida com idade gestacional inferior a 37 semanas, com qualquer peso corpóreo e independentemente do histórico de vacinação materna contra o VSR — justamente porque o prematuro recebe menos anticorpos maternos por via transplacentária. A dose é única e definida pelo peso: 50 mg abaixo de 5 kg e 100 mg de 5 kg em diante, aplicada por via intramuscular ainda na maternidade ou durante a internação neonatal, assim que o recém-nascido esteja clinicamente estável. Para os prematuros, o medicamento fica disponível durante todo o ano; o período sazonal de fevereiro a agosto restringe apenas as crianças de até 2 anos com comorbidades. O palivizumabe, em cinco doses mensais, corresponde à régua anterior, restrita a prematuros com 28 semanas ou menos e a comorbidades específicas.
Recém-nascido do sexo feminino nasce de parto vaginal com idade gestacional de 34 semanas e 2 dias, estimada por ultrassonografia realizada com 12 semanas de gestação. O peso de nascimento é 2.180 g, situado no percentil 40 da curva de peso para a idade gestacional. A criança apresenta boa vitalidade ao nascer e é encaminhada ao alojamento conjunto. Com base nas classificações do recém-nascido, esse caso corresponde a:
34 semanas e 2 dias está na faixa de 34 a menos de 37 semanas, que define o pré-termo tardio (subcategoria do pré-termo moderado). O peso de 2.180 g é menor que 2.500 g, portanto baixo peso ao nascer, mas não é muito baixo peso (que exigiria menos de 1.500 g). A primeira opção erra porque, estando em 34 semanas, a criança preenche sim o critério de tardio, e porque 2.180 g não é muito baixo peso. Pré-termo extremo exige menos de 28 semanas, e muito pré-termo exige 28 a menos de 32 semanas. Termo precoce é a faixa de 37 a 38 semanas e não se aplica. Note que a adequação (percentil 40, portanto AIG) é uma terceira régua, independente das outras duas.
Durante a discussão de um protocolo de seguimento ambulatorial de prematuros, a equipe precisa definir como monitorar o crescimento pós-natal e por quanto tempo. Considerando a recomendação do Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria e as particularidades do prematuro abaixo de 32 semanas, a conduta correta é:
A SBP recomenda acompanhar os pré-termos com as curvas pós-natais do INTERGROWTH-21st — prescritivas, multiétnicas, com técnica antropométrica padronizada e com brasileiros na amostra — até 64 semanas pós-concepcionais, quando o seguimento passa para as curvas da OMS adotadas pelo Ministério da Saúde. Nos nascidos abaixo de 32 semanas há uma regra específica: o canal de crescimento a ser seguido é definido pelo peso atingido quando o ganho recomeça, após a perda inicial, e não pelo peso de nascimento — a perda fisiológica pode chegar a 15% do peso de nascimento nos pré-termos extremos. As curvas de Fenton cobrem de 24 a 50 semanas de idade corrigida e são curvas de referência, não o padrão recomendado pela SBP para o seguimento. As medidas devem ser plotadas semanalmente até 50 a 64 semanas de idade gestacional corrigida, e não semestralmente.
Prematuro de 28 semanas, com 6 dias de vida, em ventilação não invasiva com oxigênio suplementar. O monitor mostra saturação estável em 97%, sem episódios de queda nas últimas horas. A frequência cardíaca, a perfusão periférica e a pressão arterial estão adequadas. Qual a conduta?
Após estabilização, recomenda-se alvo de SpO2 de 91% a 95% para prematuros em cuidado respiratório especializado. Saturação persistente de 97% sob oxigênio suplementar excede essa faixa; deve-se reduzir gradualmente a FiO2, evitando tanto hiperóxia quanto oscilações abruptas. Ensaios que compararam alvo de 85%–89% com 91%–95% encontraram maior mortalidade no grupo de alvo inferior, razão pela qual a faixa antiga de 85%–93% não deve ser usada. Fontes: NICE NG124; BOOST II, N Engl J Med 2013.
Prematuro nascido com 26 semanas, hoje com 36 semanas de idade pós-menstrual, teve internação sem intercorrência neurológica: ultrassonografias cerebrais seriadas normais, sem hemorragia peri-intraventricular, sem convulsão e com exame neurológico atual sem alterações. A equipe programa a alta e discute a imagem do sistema nervoso central. Qual a conduta correta?
A ultrassonografia transfontanelar é a modalidade de rotina no prematuro. A ressonância detecta melhor determinadas lesões da substância branca, mas essa vantagem não cria obrigação de realizá-la em todo prematuro extremo com evolução e exames normais. Sua indicação ao termo deve considerar achados prévios, fatores de risco, estabilidade e utilidade clínica, conforme o protocolo adotado. Exames normais não garantem desenvolvimento normal nem dispensam seguimento. A idade calculada pela idade gestacional ao nascer mais o tempo desde o nascimento é a idade pós-menstrual.
Prematuro de 30 semanas, peso de nascimento 1.240 g, em aleitamento materno com leite da própria mãe, recebe alta da unidade neonatal com 45 dias de vida, clinicamente bem. Qual a prescrição correta de ferro profilático segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria?
A suplementação de ferro do prematuro é maior e mais precoce que a do recém-nascido a termo, e escalona pelo peso de nascimento: acima de 1.500 g são 2 mg/kg/dia a partir dos 30 dias por um ano, seguidos de 1 mg/kg/dia por mais um ano; entre 1.000 g e 1.500 g são 3 mg/kg/dia por um ano e 1 mg/kg/dia entre 1 e 2 anos; abaixo de 1.000 g são 4 mg/kg/dia por um ano e 1 mg/kg/dia por mais um ano. Com 1.240 g, este prematuro cai na faixa intermediária. A dose de 2 mg/kg/dia pertence à faixa acima de 1.500 g e a de 4 mg/kg/dia à faixa abaixo de 1.000 g — trocar a faixa é o erro que a questão testa. O esquema de 1 mg/kg/dia iniciado aos 6 meses é o do recém-nascido a termo e subestima em três vezes a necessidade de quem nasceu com menor massa eritrocitária, hemácias de vida média encurtada, crescimento acelerado e coletas repetidas de sangue. E dispensar a suplementação durante o aleitamento ignora que a anemia da prematuridade não depende da via de alimentação. Junto vai o polivitamínico com vitaminas A, C e D, com 400 UI diárias de vitamina D.
Gestante de 34 anos, assintomática, sem parto prematuro prévio, realiza ultrassonografia morfológica de segundo trimestre com 21 semanas, que revela comprimento cervical de 18 mm. Qual a conduta com melhor evidência?
Em gestação única com colo curto detectado incidentalmente no segundo trimestre e sem história de parto pré-termo espontâneo, a progesterona vaginal reduz parto prematuro e morbidade neonatal, sendo a intervenção de escolha. A cerclagem beneficia principalmente quem soma colo curto a parto pré-termo espontâneo prévio, ou apresenta dilatação com membranas expostas — por isso indicá-la a todas é o distrator clássico. Repouso no leito não previne prematuridade e aumenta tromboembolismo e perda muscular. O pessário tem resultados conflitantes. Corticoide não se antecipa por colo curto: é feito quando o parto se torna provável em até 7 dias.
Gestante de 29 anos, 30 semanas, com perda de líquido claro há 6 horas confirmada ao exame especular, sem contrações, afebril, com cardiotocografia tranquilizadora e sem sinais de infecção. Qual a conduta?
Na rotura prematura de membranas pré-termo sem infecção, sem sofrimento fetal e sem trabalho de parto, a conduta é expectante até cerca de 34 semanas, com corticoide, antibiótico de latência (classicamente ampicilina seguida de amoxicilina, associada a azitromicina) e vigilância clínica e laboratorial de corioamnionite. Interromper de imediato desperdiçaria semanas de maturação sem benefício. Toques repetidos são o erro prático mais caro: encurtam o período de latência e aumentam infecção, devendo-se preferir o exame especular. Tocólise prolongada não está indicada nesse cenário e a amnioinfusão não tem papel terapêutico de manutenção.
Gestante de 32 anos, com gestação única e dois partos prematuros espontâneos prévios, com 27 e 30 semanas, está agora com 14 semanas, assintomática, com colo uterino de 30 mm. Não há história de dilatação cervical indolor. Segundo a diretriz NICE NG25, atualizada em 2022, qual estratégia preventiva pode ser proposta?
Na referência especificada, o antecedente de parto prematuro espontâneo até 34 semanas permite considerar progesterona vaginal, mesmo sem colo curto demonstrado. Quando utilizada, deve ser iniciada entre 16 e 24 semanas e mantida até pelo menos 34 semanas. Se a ultrassonografia nessa janela mostrar colo de 25 mm ou menos, associado à história obstétrica, deve-se discutir progesterona ou cerclagem. Não há indicação automática de cerclagem apenas pelo número de partos descrito, nem benefício estabelecido de tocólise profilática contínua. A fonte é identificada porque as recomendações sobre progesterona com colo normal diferem entre diretrizes.
Recém-nascido com 33 semanas e 4 dias de idade gestacional e peso de 1.900 g. Como se classifica essa prematuridade?
A classificação usual separa o prematuro extremo (abaixo de 28 semanas), o muito prematuro (28 a 31 semanas e 6 dias), o prematuro moderado (32 a 33 semanas e 6 dias) e o prematuro tardio (34 a 36 semanas e 6 dias). Com 33 semanas e 4 dias, o recém-nascido é moderado. O rótulo de tardio é o mais escolhido por engano, porque muitos memorizam apenas a divisão entre abaixo e acima de 34 semanas. O termo precoce descreve nascimentos entre 37 e 38 semanas e 6 dias. A classificação é por idade gestacional, e não por peso: peso define pequeno, adequado ou grande para a idade gestacional.
Prematuro de 28 semanas, com 5 semanas de vida, apresenta Hb 7,2 g/dL, taquicardia persistente, aumento de episódios de apneia e bradicardia, e ganho ponderal insuficiente apesar de aporte calórico adequado. A conduta é:
Os gatilhos transfusionais em prematuros combinam o nível de hemoglobina com a repercussão clínica: aumento de apneias e bradicardias, taquicardia persistente e ganho ponderal insuficiente com aporte adequado são justamente os sinais que convertem uma anemia tolerável em anemia sintomática. Aguardar mais duas semanas nesse contexto perpetua a instabilidade respiratória. O ferro é essencial, mas leva semanas para agir e não resolve um quadro sintomático agudo.
Prematuro de 31 semanas recebe transfusão de concentrado de hemácias. Sobre os cuidados com o hemocomponente nessa população, é correto afirmar que:
Desleucocitação reduz reação febril e transmissão de citomegalovírus, e a irradiação previne doença do enxerto contra o hospedeiro em situações de risco, entre elas justamente a transfusão proveniente de familiares — que, ao contrário do senso comum, é mais arriscada e não mais segura. Volume e velocidade importam pelo risco de sobrecarga circulatória; infundir em bolus expõe o prematuro a insuficiência cardíaca e a hemorragia intraventricular por oscilação hemodinâmica.
Sobre estratégias para reduzir a anemia iatrogênica em unidades neonatais, a mais efetiva é:
Em recém-nascidos de muito baixo peso, o volume acumulado de coletas nas primeiras semanas pode se aproximar da volemia total, e é o principal determinante evitável de transfusão. Microtécnicas, agrupamento de exames e monitorização do volume retirado atacam a causa. Compensar com ferro não repõe volume nem hemácias perdidas no curto prazo, e coletar diariamente para antecipar decisões costuma gerar mais transfusões do que benefícios.
Sobre o mecanismo da anemia da prematuridade, é correto afirmar que:
O prematuro produz pouca eritropoetina para o grau de anemia porque a síntese ainda é predominantemente hepática, menos sensível à hipóxia que a renal. Somam-se a menor sobrevida das hemácias e as coletas repetidas, que em recém-nascidos de muito baixo peso podem representar volume expressivo da volemia — daí a importância de microcoletas. Atribuir a quadro hemolítico imune ou a falência medular leva a investigações desnecessárias em uma anemia esperada e autolimitada.
Segundo a SBP de junho de 2026, em recém-nascido com menos de 34 semanas, boa vitalidade e condições maternas que permitem aguardar, qual é a recomendação de clampeamento e seu benefício hematológico?
A boa vitalidade e a estabilidade materna permitem a transfusão placentária antes do clampeamento. O intervalo mínimo recomendado pela SBP em 2026 é 60 segundos. Durante a espera, deve-se manter proteção térmica e avaliar continuamente o recém-nascido. Necessidade de reanimação ou intercorrência materna exige conduta própria; o benefício hematológico não dispensa vigilância de icterícia e outras condições neonatais.
Prematuro de 30 semanas, atualmente com 6 semanas de vida, apresenta Hb 8,2 g/dL, reticulócitos 1,2%, sem sangramento, ganho de peso adequado, sem episódios de apneia e sem necessidade de oxigênio. A conduta mais adequada é:
A anemia da prematuridade é normocítica, hipoproliferativa e previsível: a produção de eritropoetina é baixa, a meia-vida das hemácias é curta e o crescimento rápido dilui a massa eritrocitária, com nadir entre 4 e 8 semanas. Em paciente assintomático, com bom ganho de peso e sem demanda respiratória, transfundir por um número isolado não traz benefício e expõe a risco. Suspender o ferro é o oposto do necessário, já que o estoque do prematuro é reduzido e a demanda é alta.
Sobre o uso de eritropoetina recombinante em prematuros, é correto afirmar que:
A eritropoetina tem efeito real, porém modesto, sobre o número de transfusões, e sua resposta depende de substrato: sem ferro suficiente, a medula estimulada não produz. O efeito leva dias a semanas, porque depende de maturação eritroide — esperar resposta em 48 horas é incompatível com a fisiologia. As estratégias com maior impacto sobre transfusões seguem sendo o clampeamento tardio, as microcoletas e protocolos transfusionais restritivos bem definidos.
Recém-nascido prematuro de 32 semanas, 3 dias de vida, apresenta queda de hematócrito de 45% para 28% em 24 horas, palidez, taquicardia e enchimento capilar lentificado, com abdome distendido e sangue nas fezes. A hipótese principal é:
Anemia de instalação AGUDA no prematuro não é anemia da prematuridade, cujo nadir ocorre entre 4 e 8 semanas e cuja instalação é lenta: queda rápida de hematócrito com repercussão hemodinâmica exige procurar sangramento, e distensão abdominal com sangue nas fezes aponta enterocolite necrosante. Hemorragia intraventricular e coleta excessiva são outras causas. Rotular como fisiológico é o erro que atrasa a suspensão da dieta, a descompressão e a antibioticoterapia.
Segundo as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria de 2026, qual é o esquema geral de profilaxia da deficiência de ferro em prematuros, sujeito a ajuste pela alimentação, transfusões e situação clínica?
A prematuridade reduz os estoques ao nascimento e aumenta a necessidade de prevenção. A recomendação distingue os períodos: dose de 2 a 4 mg/kg/dia no primeiro ano conforme a faixa de peso de nascimento e 1 mg/kg/dia no segundo ano. O aporte deve considerar a alimentação e situações como transfusões ou risco de sobrecarga. Esses valores são de profilaxia, não um esquema universal de tratamento da anemia. Hemoglobina normal, isoladamente, não significa que a prevenção já possa ser encerrada.
Sobre a definição de apneia da prematuridade, é correto afirmar que:
A definição combina duração e repercussão: pausas curtas com bradicardia ou dessaturação já contam, e essa é a parte que muda a conduta à beira do leito. A respiração periódica — ciclos de pausas de poucos segundos alternados com respiração normal, sem bradicardia nem dessaturação — é fenômeno benigno e frequentemente confundido com apneia, gerando tratamento desnecessário. O diagnóstico é clínico e monitorizado, não dependente de polissonografia.
Prematuro de 27 semanas em ventilação não invasiva mantém apneias frequentes apesar de cafeína em dose otimizada, sem causa secundária identificada. O passo seguinte mais adequado é:
Quando a cafeína otimizada não basta e causas secundárias foram afastadas, a resposta é subir o suporte ventilatório, não retirar o estimulante respiratório. Alvos de saturação muito altos aumentam o risco de retinopatia da prematuridade e não previnem apneia. Sedação deprime o drive respiratório e agrava o problema. Bolus enteral plena em prematuro instável favorece distensão, refluxo e mais eventos, além do risco de enterocolite.
Prematuro de 31 semanas, previamente estável e sem apneias há 2 semanas, apresenta subitamente episódios de apneia com bradicardia, instabilidade térmica e resíduo gástrico. A conduta inicial é:
Apneia que APARECE ou piora depois de um período de estabilidade não é apneia da prematuridade: é sinal de alarme para causa secundária, com sepse tardia e enterocolite necrosante encabeçando a lista, ao lado de anemia, refluxo, convulsão e hemorragia intracraniana. Atribuir à imaturidade e apenas ajustar cafeína é o raciocínio que atrasa antibiótico em um recém-nascido séptico. A associação com instabilidade térmica e resíduo gástrico reforça a suspeita infecciosa.
Sobre medidas não farmacológicas no manejo da apneia da prematuridade, é correto afirmar que:
A pressão positiva contínua mantém a faringe pérvia e melhora a oxigenação, agindo justamente sobre os componentes obstrutivo e misto que a cafeína isolada não resolve. Sob monitorização em unidade neonatal, o decúbito ventral pode ser usado com segurança e melhora a mecânica respiratória — o que não se aplica ao domicílio, onde a posição supina é a recomendada para prevenção de morte súbita. Hipertermia, ao contrário, aumenta os episódios de apneia.
Qual estrutura anatômica é a origem da hemorragia peri-intraventricular do prematuro e por que ela é vulnerável?
A matriz germinativa é um tecido transitório, rico em precursores neuronais e gliais, irrigado por capilares imaturos, sem membrana basal robusta nem pericitos suficientes; ela involui perto do termo, e é por isso que a hemorragia é doença do prematuro. A substância branca periventricular engana porque é a região lesada na leucomalácia periventricular — outra doença do prematuro, isquêmica, e frequentemente associada, mas não é o sítio do sangramento. O plexo coroide sangra sobretudo no recém-nascido a termo.
Recém-nascido de 27 semanas, 900 g, no terceiro dia de vida em ventilação mecânica, apresenta queda súbita do hematócrito, abaulamento de fontanela, hipotensão e crise convulsiva. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Prematuro extremo, primeiros dias de vida, com deterioração súbita, queda de hematócrito, fontanela tensa e convulsão é a apresentação catastrófica da hemorragia peri-intraventricular, originada na matriz germinativa. A encefalopatia hipóxico-isquêmica engana porque também dá convulsão neonatal, mas seu quadro se instala desde o nascimento em recém-nascido a termo com asfixia documentada, e não cursa com queda abrupta de hematócrito. Meningite raramente é tão fulminante no terceiro dia com esse padrão, e a hemorragia subgaleal aparece como massa flutuante no couro cabeludo.
Sobre o cuidado neuroprotetor do prematuro extremo nos primeiros dias de vida, qual conduta está adequada?
O pacote de neuroproteção baseia-se em estabilidade: cabeça centrada para não obstruir o retorno venoso jugular, agrupamento de manipulações, e controle rigoroso de pressão arterial e de dióxido de carbono, cujas variações abruptas alteram o fluxo cerebral em vasos sem autorregulação eficiente. Rodar a cabeça de hora em hora engana quem só memoriza a elevação da cabeceira e esquece que a rotação cervical é justamente o que compromete a drenagem jugular. Aspiração de rotina, hipercapnia permissiva extrema e banho precoce aumentam instabilidade.
Qual das medidas abaixo tem impacto comprovado na REDUÇÃO da incidência de hemorragia peri-intraventricular?
O corticoide antenatal amadurece o pulmão, reduz a doença da membrana hialina e a instabilidade hemodinâmica que precede o sangramento, além de efeito direto de maturação vascular — é a intervenção com melhor evidência. Bicarbonato em bolus e expansão rápida engana quem quer corrigir números de imediato, mas ambos provocam oscilações bruscas de osmolaridade e de fluxo cerebral, aumentando o risco. Hiperventilação extrema causa vasoconstrição e isquemia, e o clampeamento tardio ou a ordenha do cordão, e não o imediato, é que reduz a hemorragia.
Qual exame é o método de escolha para rastreamento e acompanhamento da hemorragia peri-intraventricular em prematuros?
A ultrassonografia transfontanelar é feita à beira do leito, sem radiação e sem transporte do prematuro instável, com boa sensibilidade para sangue intraventricular e para dilatação, permitindo repetições seriadas. A ressonância engana por ser mais sensível, sobretudo para lesão de substância branca, mas exige transporte e sedação, ficando reservada a momentos específicos, como a avaliação prognóstica próxima ao termo. A tomografia irradia sem ganho diagnóstico, e a punção lombar não é método de rastreamento.
Prematuro de 28 semanas com hemorragia peri-intraventricular grau III apresenta, três semanas depois, aumento progressivo do perímetro cefálico acima do canal, fontanela tensa e disjunção de suturas. A ultrassonografia mostra ventriculomegalia progressiva. Qual é a complicação e a conduta inicial?
A obstrução ao fluxo e à absorção do liquor pelos produtos de degradação do sangue leva à hidrocefalia pós-hemorrágica, cujo sinal é justamente o perímetro cefálico cruzando canais com ventriculomegalia progressiva e sinais de hipertensão; a conduta é aliviar a pressão por medidas temporárias, porque o prematuro pequeno e com liquor hiperproteico tolera mal a derivação definitiva imediata. A macrocefalia familiar benigna engana quem vê apenas a curva subindo, mas nela a fontanela é normotensa, não há disjunção de suturas e a ultrassonografia não mostra ventrículos dilatados progressivamente. Craniossinostose fecha suturas, não as separa.
Segundo a classificação de Papile, como se define a hemorragia peri-intraventricular de grau III?
Na classificação clássica, o grau I fica na matriz germinativa, o grau II atinge o ventrículo sem dilatá-lo, o grau III alcança o ventrículo com dilatação e o grau IV corresponde ao envolvimento do parênquima por infarto hemorrágico venoso. Confundir o grau III com o comprometimento parenquimatoso é o erro mais frequente, porque a lesão do parênquima é a de pior prognóstico e chama mais atenção. A hemorragia de fossa posterior não faz parte dessa classificação.
Prematuro de 26 semanas em ventilação mecânica apresenta pressão arterial média em queda e o plantonista prescreve expansão volêmica rápida com 20 mL/kg de soro fisiológico em bolus, repetida duas vezes. Qual é o principal risco dessa conduta nesse contexto?
O prematuro tem autorregulação cerebral pressão-passiva: quando a pressão sobe rápido, o fluxo cerebral sobe junto e os capilares frágeis da matriz germinativa se rompem — motivo pelo qual as expansões, quando necessárias, são feitas devagar e com volumes criteriosos. A hipernatremia engana por ser um risco real de infusões repetidas de salina, mas se instala mais lentamente e não é o desfecho temido nesse cenário imediato. Insuficiência renal, hipotermia e broncoespasmo não são as consequências centrais aqui.
Em que faixa temporal ocorre a maioria dos episódios de hemorragia peri-intraventricular no prematuro, orientando o momento do rastreamento ultrassonográfico?
Cerca de metade dos sangramentos ocorre nas primeiras 24 horas e a grande maioria até o terceiro dia, período em que a instabilidade hemodinâmica e respiratória é máxima; por isso o rastreamento habitual é feito nos primeiros dias, com repetições depois para detectar extensão e hidrocefalia. A segunda semana engana quem confunde o momento do sangramento com o momento em que a hidrocefalia pós-hemorrágica se manifesta, esse sim mais tardio. Sangramentos após a quarta semana são incomuns.
Qual achado se associa ao PIOR prognóstico neurológico em prematuro com hemorragia peri-intraventricular?
O comprometimento do parênquima representa infarto venoso da substância branca periventricular, atingindo o trajeto do trato corticoespinhal e produzindo altas taxas de paralisia cerebral, sobretudo hemiparesia, e de comprometimento cognitivo. As hemorragias limitadas à matriz germinativa ou ao ventrículo sem dilatação têm prognóstico muito melhor e enganam quem presume que qualquer sangramento intracraniano no prematuro condena o desenvolvimento. Cisto de plexo coroide é achado incidental e cefaloematoma é coleção extracraniana benigna.
Sobre a triagem de retinopatia da prematuridade, assinale a afirmativa correta.
A triagem alcança prematuros abaixo de 32 semanas ou com peso inferior a 1.500 g — além de maiores com fatores de risco — e começa entre a 4ª e a 6ª semana de vida pós-natal, porque a doença é assintomática justamente na fase em que o tratamento com laser ou antiangiogênico ainda evita o descolamento. Esperar sinais como leucocoria ou estrabismo é o erro que chega tarde demais, quando a retina já se descolou. Saturação alta não protege: hiperóxia é um dos fatores de risco, não de proteção.
Prematuro de 26 semanas, com 6 semanas de vida, permanece dependente de oxigênio suplementar com radiografia mostrando áreas de hiperinsuflação e opacidades irregulares. Qual o diagnóstico?
Dependência de oxigênio persistente em prematuro extremo, com alterações radiológicas crônicas, define displasia broncopulmonar — a avaliação formal se faz com 36 semanas de idade pós-menstrual, e a doença resulta da interação entre imaturidade pulmonar, ventilação mecânica, oxigênio e inflamação. Insistir em doença da membrana hialina é o erro cronológico: aquela é doença das primeiras horas a dias e se resolve com surfactante. A taquipneia transitória é autolimitada e some em 48 a 72 horas.
Recém-nascido de 27 semanas, peso de nascimento 850 g, permaneceu 30 dias em oxigenoterapia. Qual o momento correto para a primeira triagem oftalmológica para retinopatia da prematuridade?
A triagem é temporal e não depende de sintoma: o primeiro exame ocorre entre a 4ª e a 6ª semana de vida pós-natal ou entre 31 e 32 semanas de idade pós-concepcional, o que vier primeiro, porque a vascularização retiniana ainda está em curso e a doença evolui em janela previsível. Examinar nas primeiras 48 horas é inútil, pois a retinopatia ainda não se desenvolveu. Esperar a alta ou os 3 meses perde a janela de tratamento. Aguardar leucocoria significa diagnosticar quando já houve descolamento — cegueira instalada.
Qual estratégia de oxigenoterapia no prematuro extremo reduz a incidência de retinopatia grave?
A fisiopatologia tem duas fases: a hiperóxia inicial suprime o VEGF e interrompe a vascularização, e a hipóxia relativa subsequente dispara neovascularização desorganizada. Por isso o controle rigoroso dos alvos de saturação, com alarmes bem ajustados e evitando oscilações, é a principal medida preventiva. Manter saturação acima de 98% é justamente a conduta que produz a doença. Oxigênio a 100% rotineiro é danoso. Suspender o oxigênio por calendário ignora a necessidade clínica, e alternar hiperóxia com hipóxia é a receita fisiopatológica do dano.
Recém-nascido de 31 semanas, 1.400 g, com 6 horas de vida, apresenta desconforto respiratório progressivo, gemência e retração. A radiografia mostra infiltrado reticulogranular difuso com broncogramas aéreos. Qual a conduta?
O padrão reticulogranular com broncogramas em prematuro nas primeiras horas é doença da membrana hialina por deficiência de surfactante — o tratamento une suporte com pressão positiva e reposição de surfactante, quanto mais precoce melhor. Iniciar apenas antibiótico é incompleto: a sepse precoce entra no diagnóstico diferencial e a cobertura costuma ser feita, mas não corrige a deficiência de surfactante. Corticoide sistêmico tem papel antenatal, na mãe, e não como tratamento pós-natal desse quadro. Óxido nítrico se destina à hipertensão pulmonar persistente.
Quais são os dois principais fatores de risco para retinopatia da prematuridade?
Prematuridade e baixo peso são os determinantes centrais, porque interrompem a vascularização retiniana em fase incompleta; a hiperóxia, as oscilações de saturação, sepse, transfusões e instabilidade hemodinâmica funcionam como agravantes. Corticoide antenatal, na verdade, protege ao reduzir a gravidade da doença pulmonar e a necessidade de oxigênio. Aleitamento materno também tem efeito protetor documentado. Icterícia fisiológica e via de parto não guardam relação causal, e o clampeamento tardio é medida benéfica que reduz transfusões.
Qual das descrições corresponde ao estágio 2 da retinopatia da prematuridade?
O estágio 2 é a crista com volume, tridimensional, que sucede a linha plana de demarcação do estágio 1. A proliferação fibrovascular extrarretiniana define o estágio 3, o descolamento parcial corresponde ao estágio 4 e o descolamento total em funil, ao estágio 5. Confundir a linha plana com a crista muda a conduta: o estágio 1 é apenas observado, enquanto o estágio 3 com doença plus exige tratamento em até 72 horas. Saber a escala é o que permite ao pediatra ler o laudo do oftalmologista e dimensionar a urgência.
Qual sequela oftalmológica é mais frequente a longo prazo em prematuros que tiveram retinopatia da prematuridade, mesmo em formas regredidas espontaneamente?
A miopia, muitas vezes de alto grau, é a sequela mais frequente e ocorre mesmo em formas que regrediram sem tratamento, por alteração do desenvolvimento do segmento anterior e do comprimento axial; estrabismo, ambliopia e anisometropia também são comuns. Catarata e glaucoma podem aparecer como complicações em casos avançados ou pós-tratamento, mas não são o achado mais frequente. Retinoblastoma não guarda relação com prematuridade. Ceratocone é doença corneana sem vínculo com a retinopatia — a confusão custa uma criança sem correção óptica em fase crítica do desenvolvimento visual.
Sobre a classificação internacional da retinopatia da prematuridade, o que define a zona I?
A zona I é o círculo centrado no disco óptico cujo raio equivale a duas vezes a distância disco-mácula; é a região mais posterior e, por isso, doença em zona I tem o pior prognóstico e limiar de tratamento mais baixo. A zona II se estende da borda da zona I até a ora serrata nasal, e a zona III é o crescente temporal residual. Descrever a zona I como área macular exclusiva subestima sua extensão, e confundi-la com a periferia inverte completamente a gravidade — o erro tem consequência direta na indicação de tratamento.
Segundo a proposta de diretrizes brasileiras da SBP, CBO e SBOP publicada em 2007, quais recém-nascidos devem ser considerados para triagem de retinopatia da prematuridade?
O PDF da proposta conjunta de 2007 inclui peso de nascimento até 1.500 g e idade gestacional até 32 semanas, bastando um desses critérios. Portanto, o recém-nascido com exatamente 32 semanas não deve ser excluído pelo limite etário. A publicação também orienta considerar outros fatores de risco, como desconforto respiratório, sepse, transfusões e hemorragia intraventricular. Alteração do reflexo vermelho e ventilação prolongada não substituem os critérios de seleção e a avaliação oftalmológica apropriada.
Prematuro com 34 semanas de idade pós-concepcional apresenta, à fundoscopia, doença em zona II, estágio 3, com doença plus. Qual a conduta?
Doença plus — dilatação e tortuosidade dos vasos do polo posterior — associada a estágio 3 em zona II caracteriza doença limiar ou tipo 1, e o tratamento deve ocorrer em até 72 horas, com laser ou anti-VEGF intravítreo. A presença do plus é o que transforma um achado observável em urgência. Reavaliar em 4 semanas ou esperar a alta permite a progressão ao descolamento de retina. Suspender oxigênio não reverte doença já estabelecida, e corticoide sistêmico não tem papel terapêutico nessa retinopatia.
Prematuro de 30 semanas com primeira fundoscopia normal, retina imatura em zona II. Qual a conduta?
Retina imatura significa vascularização incompleta, ou seja, o risco ainda está aberto: o seguimento é seriado, a cada 1 a 2 semanas conforme a zona e o achado, até a vascularização atingir a zona III ou completar-se. Encerrar a triagem por um exame normal é o erro que devolve a criança meses depois com doença avançada. Reavaliar apenas aos 6 meses perde toda a janela terapêutica. Profilaxia com antiangiogênico não existe. Ultrassonografia ocular não substitui a fundoscopia indireta para estadiar a retinopatia.
Qual das medidas abaixo tem eficácia comprovada na prevenção da hemorragia peri-intraventricular do prematuro extremo?
O corticoide antenatal, aplicado à gestante entre 24 e 34 semanas com risco de parto prematuro, reduz de forma consistente doença da membrana hialina, enterocolite necrosante, hemorragia peri-intraventricular e mortalidade neonatal — é a intervenção com melhor relação custo-benefício da neonatologia. Fenobarbital profilático e plasma fresco foram testados e não reduziram hemorragia, acrescentando riscos. A prevenção pós-natal se apoia em manuseio mínimo, estabilidade hemodinâmica e evitar oscilações bruscas de pressão e de dióxido de carbono, e não em posição corporal.
Prematuro de 28 semanas tratado com bevacizumabe intravítreo por retinopatia grave. Qual orientação sobre o seguimento é correta?
O antiangiogênico intravítreo controla a doença mas permite reativação tardia, muitas vezes depois da idade em que o laser já teria encerrado o risco, o que obriga seguimento oftalmológico prolongado, por meses. Encerrar o acompanhamento em 2 semanas é o erro que devolve a criança com descolamento. Nenhum tratamento elimina completamente o risco. Além disso, o prematuro tratado tem alta prevalência de miopia, estrabismo e ambliopia, o que torna a avaliação refrativa e do desenvolvimento visual parte obrigatória do seguimento.
Lactente com displasia broncopulmonar grave apresenta piora progressiva da hipoxemia, hepatomegalia e segunda bulha hiperfonética. Qual complicação deve ser investigada?
Hipoxemia refratária, sinais de sobrecarga direita e segunda bulha acentuada compõem o quadro de hipertensão pulmonar, complicação frequente e de mau prognóstico na doença grave, cujo rastreio periódico com ecocardiograma faz parte do seguimento. Estenose subglótica se manifestaria com estridor e dificuldade inspiratória, e o refluxo com engasgos e piora pós-alimentar — ambos ocorrem nessa população, mas não explicam a hepatomegalia com hiperfonese. Corrigir hipoxemia é parte do tratamento da própria hipertensão pulmonar.
Qual complicação oftalmológica exige rastreamento sistemático em prematuros de muito baixo peso?
A retinopatia da prematuridade é doença vasoproliferativa relacionada à imaturidade retiniana e à exposição ao oxigênio, e o rastreio por oftalmologista segue cronograma baseado na idade gestacional e no peso ao nascer, porque o tratamento em janela adequada previne descolamento e cegueira. O teste do reflexo vermelho é obrigatório na maternidade, mas não substitui a fundoscopia com dilatação nesse grupo. As demais condições listadas não têm rastreio sistemático ligado à prematuridade.
Recém-nascido prematuro de 32 semanas, em nutrição parenteral prolongada, apresenta com 6 semanas de vida fraturas de costelas sem trauma, hipofosfatemia, fosfatase alcalina muito elevada e cálcio normal. Qual é o diagnóstico?
O prematuro perde o aporte intenso de cálcio e fósforo do terceiro trimestre e, sob nutrição parenteral prolongada, não recebe substrato suficiente para mineralizar o osso, resultando em fosfatase alcalina alta, fósforo baixo e fraturas espontâneas — condição prevenida com suplementação e fortificação do leite. Os maus-tratos precisam ser considerados diante de fraturas, mas o contexto de prematuridade extrema com o perfil bioquímico descrito explica o quadro. Na hipofosfatasia, a fosfatase alcalina está BAIXA, e não elevada.
Prematuro extremo em ventilação mecânica prolongada permanece dependente de oxigênio suplementar ao completar 36 semanas de idade pós-menstrual. Qual o diagnóstico?
A definição de displasia broncopulmonar se ancora na necessidade de oxigênio ou suporte ventilatório às 36 semanas de idade pós-menstrual em prematuros de menos de 32 semanas, refletindo a interrupção do desenvolvimento alveolar e vascular somada à lesão por ventilação e oxigênio. A taquipneia transitória é o oposto no tempo de evolução, pois se resolve em até 72 horas, e a doença da membrana hialina é fenômeno agudo dos primeiros dias.
Qual é o principal mecanismo fisiopatológico da forma atual, chamada 'nova', da displasia broncopulmonar?
Com corticoide antenatal, surfactante e ventilação gentil, o padrão histológico mudou: em vez da fibrose grosseira descrita nos anos setenta, a doença atual é uma parada do desenvolvimento pulmonar, com simplificação alveolar e vasculatura anormal, o que explica a associação com hipertensão pulmonar. O padrão fibroenfisematoso descrito no distrator corresponde à forma clássica, hoje incomum. Obliteração bronquiolar por granulação define a bronquiolite obliterante, outra doença.
Qual afirmação sobre o uso de diuréticos em lactentes com displasia broncopulmonar é mais adequada?
Diuréticos aliviam o componente de edema pulmonar e podem melhorar a complacência por dias, mas não alteram a história natural e trazem hipocalemia, alcalose, hipercalciúria com nefrocalcinose e desmineralização óssea, o que impõe uso criterioso e reavaliação frequente. Prescrever de rotina e manter indefinidamente é a prática que acumula esses efeitos sem ganho demonstrado. Eles jamais substituem a oxigenoterapia, que trata a hipoxemia.
Quais são os desfechos de neurodesenvolvimento esperados no seguimento de prematuros extremos com displasia broncopulmonar?
A displasia broncopulmonar é marcador de gravidade e se associa de forma independente a pior desempenho motor e cognitivo, o que torna obrigatório o acompanhamento em ambulatório de seguimento do prematuro, com avaliação seriada de marcos e encaminhamento precoce para intervenções. A correção da idade cronológica pela prematuridade é essencial nessa avaliação, sob pena de rotular como atraso o que é apenas idade corrigida menor. Retinopatia e perda auditiva são rastreios adicionais, não substitutos do neurológico.
Qual conduta é fundamental no domicílio de um lactente com displasia broncopulmonar dependente de oxigênio?
Proteger essa criança é sobretudo reduzir a exposição a vírus e a irritantes: casa sem fumaça, mãos lavadas, evitar aglomerações em época de circulação viral e vacinar quem convive com ela, formando o cerco de proteção. Suspender oxigênio à noite é justamente quando a hipoxemia é maior e piora a hipertensão pulmonar. Adiar vacinas é erro grave, porque o calendário segue a idade cronológica no prematuro, sem correção.
Lactente nascido com 26 semanas, hoje com 4 meses de idade cronológica, permanece dependente de oxigênio por cateter nasal em casa, com taquipneia e ganho de peso lento. Qual a definição que melhor se aplica ao quadro?
O critério que define a doença é a dependência de oxigênio na idade pós-menstrual de 36 semanas em prematuro nascido antes de 32 semanas, com graduação conforme a quantidade de suporte necessária. Asma do lactente não se aplica a essa história, e a bronquiolite obliterante seguiria uma infecção grave em criança previamente sem doença pulmonar. O diagnóstico correto muda todo o seguimento, que inclui nutrição hipercalórica, profilaxia de infecções e vigilância de hipertensão pulmonar.
Qual é a expectativa evolutiva da função pulmonar em uma criança com displasia broncopulmonar que sobrevive ao primeiro ano de vida?
O pulmão continua alveolizando nos primeiros anos, e a maioria das crianças melhora clinicamente e sai do oxigênio, mas estudos de seguimento mostram sibilância recorrente na infância e valores espirométricos menores na adolescência e na vida adulta, com risco de doença obstrutiva precoce. Prometer cura completa é a simplificação que retira essa população do seguimento respiratório de longo prazo. Piora inexorável descreve apenas os casos mais graves com hipertensão pulmonar estabelecida.
Qual estratégia nutricional é recomendada para lactentes com displasia broncopulmonar?
Esses lactentes gastam mais energia para respirar e crescem mal, o que exige densidade calórica maior; ao mesmo tempo, muitos têm tendência a retenção hídrica e não toleram volumes altos, daí a preferência por fórmulas ou leite materno fortificados em vez de simplesmente aumentar o volume. Restringir calorias ou proteínas é o oposto do necessário para o crescimento pulmonar. O leite materno permanece a base, fortificado quando indicado.
Prematuro de 26 semanas e 800 g. Além do canal arterial, qual rastreio oftalmológico deve ser programado durante a internação?
A retinopatia da prematuridade é rastreada em recém-nascidos com menos de 32 semanas ou com peso inferior a 1500 g, com o primeiro exame realizado por volta da quarta a sexta semana de vida cronológica, porque é nesse período que a vascularização anômala começa a se manifestar e ainda há janela para tratamento. Esperar sinais clínicos como leucocoria é o erro que permite chegar ao descolamento de retina, quando a cegueira já é irreversível.
Qual meta de saturação de oxigênio é geralmente recomendada no manejo domiciliar de um lactente com displasia broncopulmonar dependente de oxigênio?
Após a alta e com a retina já madura, a preocupação se inverte: hipoxemia crônica piora a hipertensão pulmonar, o ganho de peso e o neurodesenvolvimento, e por isso o alvo domiciliar é mais generoso do que o usado na unidade neonatal. Guiar-se pela cianose visível é inútil, porque ela só aparece em níveis muito baixos de saturação. Manter saturação máxima o tempo todo não traz benefício adicional e prolonga desnecessariamente a oxigenoterapia.
Ao avaliar o crescimento de um lactente nascido com 26 semanas, qual cuidado é necessário?
Plotar um prematuro extremo pela idade cronológica cria um falso diagnóstico de déficit de crescimento e de atraso do desenvolvimento; a correção pela prematuridade é feita até cerca de 2 anos para peso e desenvolvimento e um pouco além para estatura e perímetro cefálico, conforme a referência adotada. O calendário vacinal é a exceção que segue a idade cronológica. Não avaliar o crescimento é o oposto do necessário: é justamente esse grupo que mais precisa de vigilância nutricional.
Lactente de 3 meses de idade cronológica, nascido com 30 semanas e 1.250 g, em aleitamento materno exclusivo, comparece à primeira consulta ambulatorial após alta da UTI neonatal. Está sem qualquer suplemento desde a alta. Qual a conduta correta quanto à profilaxia de anemia ferropriva?
Recém-nascidos pré-termo esgotam o estoque de ferro acumulado no terceiro trimestre e precisam de profilaxia escalonada pelo peso de nascimento: 2 mg/kg/dia entre 1.500 e 2.500 g, 3 mg/kg/dia entre 1.000 e 1.500 g e 4 mg/kg/dia abaixo de 1.000 g, do primeiro mês até 1 ano, seguidos de 1 mg/kg/dia no segundo ano. A opção de aguardar o hemograma engana porque inverte a lógica: profilaxia é para evitar a anemia, não para tratá-la depois de instalada, e a ferropenia já compromete o neurodesenvolvimento antes de baixar a hemoglobina. Confiar no leite materno também falha: a biodisponibilidade é alta, mas o conteúdo absoluto é baixo demais para quem nasceu sem reserva.
Pré-termo de 28 semanas, hoje com 6 semanas de vida, em nutrição enteral plena com leite humano fortificado. Exames: cálcio 9,4 mg/dL, fósforo 3,1 mg/dL, fosfatase alcalina 980 UI/L. Qual a interpretação mais adequada?
Na doença metabólica óssea da prematuridade o cálcio sérico costuma ser o último a se alterar, porque a reabsorção óssea o mantém normal às custas do esqueleto. Quem decide são a fosfatase alcalina elevada (acima de 500-900 UI/L) e o fósforo baixo, que aparecem semanas antes de qualquer fratura ou alteração radiológica. Considerar o quadro normal por causa do cálcio é o erro clássico e justamente o motivo de o cálcio isolado não servir de triagem. O manejo é aumentar a oferta de cálcio e fósforo pela dieta, não megadose de vitamina D.
Prematuro de 32 semanas, 1.600 g, recebe alta com 36 semanas de idade pós-menstrual. A mãe pergunta sobre vitaminas. Qual orientação está correta?
A suplementação de vitamina D é universal para lactentes no primeiro ano, independentemente do tipo de aleitamento, e o prematuro é justamente quem mais precisa dela pela reserva menor e pela demanda de mineralização acelerada. O argumento da exposição solar engana porque a orientação atual desaconselha exposição direta antes dos 6 meses, e a dose de luz necessária é imprevisível em latitude, pele e vestuário. Adiar para os 6 meses também erra: é exatamente no primeiro semestre que a mineralização óssea é mais crítica.
Em consulta de puericultura de ex-prematuro de 32 semanas, hoje com 6 meses de idade cronológica, a mãe relata que ele ainda não senta sem apoio e questiona atraso. Qual a abordagem correta?
A idade corrigida é a cronológica menos o tempo que faltava para 40 semanas de gestação. O nascimento com 32 semanas implica subtrair oito semanas: aos seis meses cronológicos, são aproximadamente quatro meses corrigidos. A ausência isolada de sentar sem apoio nessa idade não demonstra atraso motor. É necessário avaliar os demais marcos e o exame neurológico e manter acompanhamento, sem dispensar vigilância nem indicar investigação urgente apenas por esse dado. A correção orienta a avaliação do desenvolvimento nos primeiros dois anos. Referência: American Academy of Pediatrics, Corrected Age for Preemies, HealthyChildren.org.
Lactente nascido com 27 semanas, hoje com 8 semanas de vida, apresenta hemoglobina 8,2 g/dL, reticulócitos baixos, boa aceitação alimentar, ganho ponderal adequado, sem taquicardia, sem apneia e sem necessidade de oxigênio. Qual a conduta mais apropriada?
A anemia da prematuridade é fisiológica e resulta da queda da eritropoetina somada à vida curta da hemácia fetal e às coletas repetidas; ela atinge o nadir entre 4 e 10 semanas e se resolve sozinha. A decisão de transfundir é clínica, não numérica: apneia, taquicardia persistente, má progressão de peso ou necessidade de oxigênio pesam mais do que o valor isolado de hemoglobina. Adotar um gatilho fixo é o erro mais comum e expõe a criança a risco transfusional desnecessário. Suspender o ferro é o oposto do indicado, já que ele sustenta a recuperação eritropoética que virá.
Prematuro de 31 semanas, 1.300 g, com 15 dias de vida, em dieta enteral plena com leite materno ordenhado. Qual intervenção nutricional é indicada nesse contexto?
O leite humano é o alimento de escolha e reduz enterocolite, mas sozinho não entrega proteína, cálcio e fósforo suficientes para a velocidade de crescimento de quem nasceu abaixo de 1.500 g ou de 34 semanas. Por isso a conduta é fortificá-lo, não trocá-lo. A ideia de que qualquer aditivo aumenta enterocolite engana porque confunde fortificante com fórmula: manter o leite materno como base é justamente o que preserva a proteção. Introduzir alimentação complementar por idade cronológica é outro erro frequente, já que no prematuro esse marco segue a idade corrigida.
Qual causa de hidrocefalia é mais característica no recém-nascido prematuro extremo?
A matriz germinativa do prematuro é ricamente vascularizada e frágil, e o sangramento com extensão intraventricular provoca aracnoidite e obstrução da circulação liquórica, tornando essa a causa mais típica de hidrocefalia nesse grupo. A estenose de aqueduto é a principal causa congênita não sindrômica e por isso é o distrator mais forte, mas independe da prematuridade. A malformação de Chiari tipo II acompanha a mielomeningocele e tem apresentação própria, o tumor de fossa posterior é doença do escolar, e a trombose venosa é causa incomum.
Ex-prematuro de 26 semanas, com displasia broncopulmonar em uso de oxigênio domiciliar, tem hoje 8 meses de idade cronológica. Estamos em março, início da sazonalidade de vírus sincicial respiratório. Qual medida está indicada?
A imunoprofilaxia com anticorpo monoclonal cobre prematuros abaixo de 29 semanas no primeiro ano e, até o segundo ano, crianças com displasia broncopulmonar em tratamento ou cardiopatia congênita com repercussão. O corte por idade cronológica isolada engana porque ignora justamente a comorbidade que define o risco: quem ainda depende de oxigênio segue elegível além dos 6 meses. Corticoide inalatório e antibiótico não previnem bronquiolite viral e apenas adicionam efeito adverso.
Mãe de prematuro de 29 semanas, hoje com 2 meses de idade cronológica (idade corrigida de 3 semanas), pergunta quando o filho deve receber as vacinas do calendário. Qual a orientação correta?
O calendário vacinal do prematuro segue a idade cronológica, com doses plenas, porque a resposta imune depende do tempo de vida pós-natal e porque esse é o grupo com maior risco de doença invasiva. As exceções são poucas e específicas: a BCG aguarda 2.000 g e a vacina de rotavírus respeita rigidamente a janela etária de início. Corrigir a idade é o erro mais comum e deixa a criança de maior risco desprotegida por semanas. Fracionar dose não tem qualquer respaldo e apenas reduz a imunogenicidade.
Recém-nascido de 30 semanas, 1.200 g, internado em UTI neonatal há 5 semanas. Qual exame de rastreamento é obrigatório nesse paciente e em que momento?
Todo recém-nascido com peso abaixo de 1.500 g ou idade gestacional inferior a 32 semanas deve ter fundo de olho examinado entre a 4ª e a 6ª semana de vida, com reavaliações seriadas, porque a retinopatia é tratável enquanto silenciosa e cega depois. A densitometria seduz por estar ligada ao osso, mas não é exame de triagem neonatal: quem rastreia doença metabólica óssea nessa idade é a fosfatase alcalina com o fósforo. Neuroimagem tem indicação, porém o exame de rotina no prematuro é a ultrassonografia transfontanelar seriada, não tomografia.
Sobre o prematuro tardio, qual afirmação é correta?
O prematuro tardio parece um recém-nascido a termo pequeno, e é exatamente essa aparência que produz o erro: ele tem menor reserva térmica e energética, coordenação de sucção imatura e maior imaturidade hepática, o que se traduz em mamadas ineficazes, perda de peso, icterícia mais intensa e reinternações. Por isso a alta exige critérios mais rigorosos e reavaliação precoce, e não antecipação.
Sobre a correção da idade cronológica no acompanhamento do prematuro, qual conduta é a correta?
Comparar um prematuro de 28 semanas com as curvas de uma criança nascida a termo, sem descontar as semanas que faltaram, gera diagnósticos falsos de déficit de crescimento e de atraso do desenvolvimento; por isso a correção é feita até aproximadamente os dois anos, quando as diferenças se atenuam. A exceção clássica é o calendário vacinal, que segue a idade cronológica, e inverter essas duas regras é o erro mais frequente na prática ambulatorial.
Qual estratégia de oxigenoterapia deve ser adotada no prematuro para equilibrar riscos?
O prematuro está espremido entre dois riscos: hipoxemia, que agrava hipertensão pulmonar e prejudica o neurodesenvolvimento, e hiperóxia, que alimenta a retinopatia da prematuridade e a lesão pulmonar oxidativa; a solução é a faixa-alvo com titulação contínua guiada pela oximetria. Saturações muito baixas foram associadas a aumento de mortalidade em ensaios clínicos, e por isso o alvo excessivamente restritivo foi abandonado. A reanimação do prematuro inicia com frações baixas de oxigênio, e não com oxigênio puro.
Prematuro de 27 semanas, no décimo dia de vida, em dieta enteral progressiva, apresenta distensão abdominal, resíduo gástrico bilioso, sangue nas fezes e instabilidade. Radiografia mostra pneumatose intestinal. Qual o diagnóstico e a conduta?
Pneumatose intestinal na radiografia de um prematuro com distensão, resíduo bilioso e sangue nas fezes fecha o diagnóstico de enterocolite necrosante, cuja conduta imediata é repouso intestinal, descompressão gástrica, antibiótico e vigilância para perfuração, sinalizada por pneumoperitônio. Manter a dieta ou tratar como refluxo é o erro que permite a progressão para necrose transmural. Leite materno e progressão cuidadosa da dieta são as principais medidas preventivas.
Prematuro de 27 semanas, no terceiro dia de vida, apresenta piora respiratória, sopro sistólico, pulsos amplos e precórdio hiperdinâmico, com pressão de pulso alargada. Qual a hipótese e o exame confirmatório?
Sopro sistólico, pulsos amplos, precórdio hiperdinâmico e pressão de pulso alargada em prematuro com piora respiratória apontam canal arterial com shunt esquerda-direita significativo, confirmado por ecocardiograma que avalia diâmetro, direção do fluxo e repercussão. Coarctação cursa com pulsos femorais diminuídos, o oposto do descrito. Sepse não produz esse conjunto hemodinâmico característico. Pneumotórax causa deterioração súbita com assimetria, e anemia da prematuridade tem instalação insidiosa.
Qual medida na sala de parto reduz a gravidade da doença respiratória e a mortalidade do prematuro extremo?
A hipotermia agrava acidose, consumo de oxigênio e mortalidade no prematuro, e o pacote térmico com saco plástico, touca e sala aquecida é intervenção de alto impacto e baixo custo. Banho imediato favorece hipotermia. Aspiração vigorosa provoca bradicardia reflexa e trauma. Oxigênio a 100% desde o início aumenta o estresse oxidativo, e o clampeamento tardio ou a ordenha do cordão, quando indicados, melhoram os estoques de ferro e reduzem transfusões e hemorragia intraventricular.
Qual complicação crônica está associada à ventilação mecânica prolongada e à oxigenoterapia no prematuro?
A displasia broncopulmonar resulta da interrupção do desenvolvimento alveolar e vascular somada à lesão por oxigênio, volume e inflamação, e é definida pela necessidade de oxigênio em idade pós-menstrual definida. Fibrose cística e discinesia ciliar primária são doenças genéticas, não consequências da prematuridade. Bronquiolite obliterante pós-adenovírus decorre de infecção viral grave em lactentes. Asma alérgica não se define no período neonatal, embora o prematuro tenha maior risco de sibilância recorrente na infância.
Qual complicação neurológica é característica do prematuro extremo nos primeiros dias de vida e deve ser rastreada por ultrassonografia transfontanelar?
A matriz germinativa é ricamente vascularizada e frágil, tornando o prematuro extremo suscetível a hemorragia intraventricular nos primeiros dias, motivo do rastreio ultrassonográfico seriado e das medidas de estabilidade hemodinâmica e manuseio mínimo. Estenose de aqueduto é malformação congênita, não complicação da prematuridade. Meningite tuberculosa tem curso arrastado e contexto epidemiológico próprio. Craniossinostose é alteração de sutura, e tumor de fossa posterior não é evento neonatal típico.
Qual achado radiológico sugere evolução para displasia broncopulmonar em prematuro previamente tratado por doença da membrana hialina?
A displasia broncopulmonar mostra padrão heterogêneo, com áreas de hiperinsuflação alternadas a atelectasias e trama grosseira, refletindo o remodelamento pulmonar após semanas de suporte. Vidro fosco homogêneo com volume reduzido é a doença da membrana hialina aguda. Infiltrado grosseiro assimétrico com aprisionamento remete à aspiração meconial. Opacificação completa de hemitórax sugere atelectasia total ou derrame, e trama aumentada com líquido em cisura é o achado da taquipneia transitória.
Qual afirmação sobre o alvo de saturação de oxigênio no prematuro é correta?
O prematuro fica entre dois riscos: a hiperóxia favorece retinopatia da prematuridade e displasia broncopulmonar, enquanto a hipóxia aumenta mortalidade e enterocolite — por isso os alvos são estreitos, com alarmes bem ajustados e atenção às oscilações, que são tão danosas quanto os valores médios inadequados. Saturação acima de 98% mantida é hiperóxia. Alvos de 70 a 80% são hipoxemia franca. E dispensar a monitorização ou fixar FiO2 alta contraria toda a prática neonatal atual.
Qual complicação neurológica deve ser rastreada por ultrassonografia transfontanelar em prematuros de muito baixo peso?
A matriz germinativa é uma região altamente vascularizada e frágil do cérebro imaturo, e oscilações de fluxo, hipercapnia, hipotensão e manipulação excessiva favorecem o sangramento, o que motiva rastreio ultrassonográfico seriado nos primeiros dias e semanas. A gravidade é graduada e orienta o prognóstico e o seguimento. As demais condições listadas não guardam relação com a prematuridade nem justificam rastreio sistemático.
Recém-nascido pequeno para a idade gestacional, a termo. Qual conjunto de complicações neonatais é mais esperado nas primeiras horas de vida?
O recém-nascido com restrição de crescimento tem reservas escassas de glicogênio e de gordura, o que explica a hipoglicemia precoce e a dificuldade em manter a temperatura, e a hipóxia crônica intrauterina estimula a eritropoetina e produz policitemia. Reconhecer esse trio permite antecipar a monitoração glicêmica, o controle térmico e a avaliação do hematócrito, em vez de reagir apenas quando os sintomas aparecem.
Recém-nascido com 35 semanas e 2 dias de idade gestacional e peso de 2.100 g. Como classificá-lo quanto à idade gestacional e ao peso?
A faixa entre 34 semanas e 36 semanas e 6 dias define o prematuro tardio, e o peso abaixo de 2.500 g define o baixo peso, com muito baixo peso abaixo de 1.500 g e extremo baixo peso abaixo de 1.000 g. Dominar essas categorias importa porque cada uma carrega riscos e rotinas distintas, e o prematuro tardio é frequentemente tratado como se fosse um recém-nascido a termo, o que explica boa parte das reinternações por icterícia e dificuldade alimentar.
Recém-nascido a termo, com 2.200 g e comprimento de 45 cm, nasce em maternidade do SUS. A mãe é hipertensa crônica e tabagista, e a ultrassonografia do terceiro trimestre já mostrava crescimento fetal abaixo do percentil 10. O recém-nascido está ativo, com boa sucção, glicemia capilar de 42 mg/dL na primeira hora e temperatura axilar de 36,2 °C. Assinale a classificação e o cuidado prioritário para esse recém-nascido.
Peso abaixo do percentil 10 para a idade gestacional em recém-nascido a termo define a condição de pequeno para a idade gestacional, cujos principais riscos imediatos são hipoglicemia, hipotermia e policitemia, exigindo monitorização glicêmica, controle térmico e apoio à amamentação precoce. Classificá-lo como prematuro contraria a idade gestacional a termo, e a nutrição parenteral não é a conduta inicial em recém-nascido com boa sucção. Grande para a idade gestacional implicaria peso acima do percentil 90. Considerar o peso adequado e dispensar monitorização expõe o recém-nascido a hipoglicemia não detectada.
Recém-nascido com 29 semanas de idade gestacional e peso de nascimento de 1.050 g encontra-se internado em unidade neonatal, tendo necessitado de oxigenoterapia por doença da membrana hialina nas primeiras semanas. Com quatro semanas de vida, evolui estável, em ar ambiente, com bom ganho ponderal. A equipe organiza a alta e revisa os exames de triagem previstos para o prematuro de muito baixo peso, incluindo a avaliação oftalmológica especializada. Sobre o rastreamento da retinopatia da prematuridade, é correto afirmar que:
A retinopatia da prematuridade é rastreada com oftalmoscopia binocular indireta sob dilatação em prematuros de baixo peso e baixa idade gestacional, com exames repetidos em intervalos definidos até a vascularização retiniana periférica se completar, porque a doença evolui em semanas e o tratamento tem janela estreita. O teste do reflexo vermelho detecta opacidades do eixo visual, mas não enxerga a periferia retiniana, onde a doença começa. Esperar alteração de acuidade visual é inviável no recém-nascido e tardio para qualquer tratamento. Exame único na alta não acompanha a progressão, que pode ocorrer após a saída da unidade neonatal.
Recém-nascido prematuro de 26 semanas, com 780 g, no terceiro dia de vida, apresenta deterioração súbita com queda do hematócrito, abaulamento da fontanela, hipotonia, crises convulsivas e episódios de bradicardia com dessaturação. Ao exame apresenta palidez importante, FC 108 bpm, PA 38x20 mmHg e tempo de enchimento capilar de 4 segundos. A ultrassonografia transfontanelar mostra sangramento na matriz germinativa com extensão ventricular e dilatação dos ventrículos laterais. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Deterioração súbita com queda do hematócrito, abaulamento da fontanela e convulsões nos primeiros dias de vida do prematuro extremo, com ultrassonografia mostrando sangramento na matriz germinativa com extensão ventricular, define hemorragia peri-intraventricular, complicação típica dessa população, cuja prevenção envolve estabilidade hemodinâmica, manuseio mínimo e corticoide antenatal. A meningite cursa com sinais infecciosos e alterações liquóricas. A encefalopatia hipóxico-isquêmica é entidade do recém-nascido a termo após asfixia perinatal. A trombose de seio venoso tem apresentação distinta e é confirmada por estudo venoso da imagem.
Recém-nascido prematuro de 27 semanas, atualmente com 38 semanas de idade pós-menstrual corrigida, permanece internado dependente de oxigênio suplementar por cateter nasal, com necessidade contínua desde o nascimento. Ao exame apresenta FR 62 ipm, tiragem intercostal leve, saturação de 93% com oxigênio suplementar, ausculta com estertores esparsos e ganho ponderal lento. A radiografia de tórax mostra padrão heterogêneo com áreas de hiperinsuflação e atelectasias. Não há sinais de infecção aguda no momento. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Dependência persistente de oxigênio em prematuro extremo até as 36 semanas de idade pós-menstrual, com padrão radiológico heterogêneo de hiperinsuflação e atelectasias, define displasia broncopulmonar, cujo manejo envolve suporte nutricional, oxigenoterapia otimizada e prevenção de infecções respiratórias. A doença da membrana hialina é quadro agudo das primeiras horas de vida, responsivo a surfactante. A taquipneia transitória resolve-se em até 72 horas. A pneumonia bacteriana recente cursaria com sinais infecciosos agudos e piora súbita, ausentes na descrição.
Recém-nascido prematuro de 28 semanas está internado em unidade neonatal recebendo oxigênio suplementar por pressão positiva contínua nasal. Durante a visita, a equipe discute o alvo de saturação de oxigênio a ser mantido pelos monitores, considerando os riscos associados tanto à hipóxia quanto à hiperóxia nessa população. O recém-nascido está estável, com boa perfusão, sem apneias nas últimas horas e com ganho ponderal adequado, e a unidade dispõe de oximetria contínua com alarmes ajustáveis. A conduta correta é:
No prematuro, tanto a hipóxia quanto a hiperóxia são deletérias, e a conduta correta é manter a saturação dentro de faixa-alvo restrita com alarmes ajustados, evitando picos de oxigênio que aumentam retinopatia da prematuridade e lesão pulmonar. Manter saturação acima de 98% expõe justamente à hiperóxia que se deseja evitar. Desligar alarmes elimina a segurança que permite o controle fino da oferta. Retirar o oxigênio com saturação de 85% deixa o recém-nascido abaixo da faixa segura, com risco de hipóxia tecidual e hipertensão pulmonar.
Recém-nascido prematuro de 31 semanas, com 1.400 g, encontra-se com 6 semanas de vida em unidade neonatal, em ar ambiente e ganhando peso. A enfermagem nota palidez progressiva, apneias mais frequentes e cansaço às mamadas. Ao exame apresenta FC 172 bpm, sopro sistólico suave e palidez de mucosas, sem hepatoesplenomegalia, sem icterícia e sem sangramentos. O hemograma mostra hemoglobina de 7,6 g/dL com reticulócitos baixos, sem esquizócitos, e o Coombs direto é negativo. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Anemia hipoproliferativa com reticulócitos baixos, Coombs direto negativo e sem sinais de hemólise ou sangramento, surgindo entre a terceira e a décima segunda semana de vida em prematuro, é anemia da prematuridade, decorrente da baixa produção de eritropoetina, das coletas repetidas e do crescimento rápido. A doença hemolítica por Rh se manifesta nos primeiros dias com Coombs positivo e icterícia. Hemorragia intracraniana ativa cursaria com deterioração neurológica aguda. Anemia ferropriva por baixa ingesta aparece mais tarde no lactente e não explica esse quadro em criança em suporte nutricional adequado na unidade.
Recém-nascido de 35 semanas e 4 dias, com 2.480 g, nasce de parto cesáreo eletivo por iteratividade, com boa vitalidade. A equipe discute a alta conjunta com a mãe em 48 horas, considerando que se trata de prematuro tardio, categoria frequentemente conduzida como se fosse recém-nascido a termo. O exame físico é normal, e a mãe é primípara, com dificuldade inicial de amamentação. A glicemia capilar de rotina está normal e não há icterícia visível no momento. A conduta mais adequada é:
O prematuro tardio tem risco aumentado de icterícia significativa, hipoglicemia, instabilidade térmica, dificuldade de sucção e reinternação, exigindo vigilância reforçada, apoio à amamentação, alta programada com critérios e retorno precoce na atenção primária. Conduzi-lo como recém-nascido a termo é justamente o erro que aumenta reinternações. Internação prolongada em terapia intensiva não é necessária para recém-nascido estável e com bom exame. Substituir o leite materno por fórmula de rotina retira o principal fator protetor sem indicação clínica.
Recém-nascido prematuro de 30 semanas, com 6 semanas de vida na unidade neonatal, apresenta queda progressiva da hemoglobina, atualmente em 8,0 g/dL, com reticulócitos baixos. Ele está clinicamente estável, em ar ambiente, ganhando peso adequadamente, sem episódios de apneia, sem taquicardia persistente e sem necessidade de suporte respiratório. Não há sangramentos e as coletas de sangue para exames foram reduzidas nas últimas semanas. A hipótese diagnóstica mais provável para a anemia é
A anemia da prematuridade decorre da baixa produção de eritropoetina, da meia-vida curta das hemácias fetais, do crescimento acelerado e das perdas por coletas, manifestando-se entre a quarta e a oitava semana de vida com reticulócitos baixos em recém-nascido estável, sendo manejada com suplementação de ferro e transfusão apenas quando sintomática. A anemia hemolítica cursaria com reticulocitose e icterícia. A ferropenia isolada não explica esse padrão nessa idade. Hemorragia intraventricular cursaria com sinais neurológicos e queda abrupta da hemoglobina.
Menino de 18 meses, ex-prematuro extremo com displasia broncobronquiolar e alta da unidade neonatal há um ano, é acompanhado na Unidade Básica de Saúde. A mãe relata duas internações por infecção respiratória no último inverno e cansaço para brincar. Ao exame apresenta FR 38 ipm, saturação de 94% em ar ambiente, tiragem leve, ausculta com estertores esparsos e peso no percentil 10, com calendário vacinal em dia e boa adesão às consultas agendadas. A conduta mais adequada no seguimento é:
A criança com displasia broncopulmonar exige seguimento longitudinal com atenção à nutrição, que é determinante do crescimento pulmonar, vacinação em dia, prevenção de infecções respiratórias, controle ambiental e avaliação respiratória periódica, com cuidado compartilhado entre atenção primária e serviço especializado. Encerrar o seguimento após a alta neonatal desprotege criança de alto risco. Corticoide oral contínuo não é recomendado como prevenção. Excluir a atenção primária rompe a coordenação do cuidado no território.
Recém-nascido com 35 semanas de idade gestacional, considerado prematuro tardio, recebe alta da maternidade com 2.350 g, em aleitamento materno com dificuldade de sucção mantida e mamadas prolongadas. A mãe é primípara e mora distante da unidade de saúde. Ao exame no dia da alta: ativo, com icterícia até o tronco, sem sinais de infecção, com temperatura axilar de 36,4 °C e perda de 7% do peso de nascimento. Qual é a conduta mais adequada quanto ao seguimento?
O prematuro tardio tem maior risco de icterícia significativa, hipotermia, hipoglicemia, dificuldades de amamentação e reinternação, exigindo reavaliação precoce, geralmente em até 48 horas após a alta, com atenção ao ganho de peso, à icterícia e ao suporte à amamentação. Postergar a consulta por 30 dias ignora o período de maior risco. Orientar retorno apenas diante de sintomas dispensa a vigilância ativa. Suspender o aleitamento não é a conduta, devendo-se apoiar a amamentação e complementar apenas se houver indicação clínica.
Recém-nascido prematuro de 29 semanas, com 8 semanas de vida, ainda internado, apresenta fratura de costela identificada incidentalmente em radiografia de tórax e dor à manipulação. Ele esteve em nutrição parenteral prolongada e recebeu diuréticos e corticoide. Ao exame, está estável, em ar ambiente, com ganho ponderal lento e sem sinais de infecção. Os exames mostram fosfatase alcalina muito elevada, fósforo sérico baixo e cálcio no limite inferior, com paratormônio elevado. A hipótese diagnóstica mais provável é
Fratura com fosfatase alcalina muito elevada, hipofosfatemia e paratormônio elevado em prematuro extremo com nutrição parenteral prolongada, uso de diuréticos e corticoide, caracteriza a doença metabólica óssea da prematuridade, prevenida e tratada com oferta adequada de cálcio, fósforo e vitamina D. A osteogênese imperfeita cursa com fraturas múltiplas, escleras azuladas e história familiar. Maus-tratos são improváveis em criança internada continuamente sob vigilância da equipe. O raquitismo carencial materno não explica esse perfil bioquímico típico do prematuro.
Gestante de 30 anos, com 27 semanas, é internada com trabalho de parto prematuro e recebe corticoterapia, tocólise e sulfato de magnésio. A equipe da neonatologia conversa com o casal sobre o prognóstico e os cuidados que serão oferecidos ao recém-nascido. Ela está estável, com cardiotocografia tranquilizadora e crescimento fetal adequado, e o serviço dispõe de unidade neonatal com capacidade para prematuros extremos. O casal demonstra medo e faz muitas perguntas sobre sequelas. A conduta correta da equipe é
O aconselhamento antenatal conjunto entre obstetrícia e neonatologia, com informação honesta sobre sobrevida e morbidade conforme a idade gestacional e a realidade do serviço, permite decisões compartilhadas e reduz o sofrimento pela incerteza. Fornecer apenas dados otimistas compromete o consentimento informado. Adiar a conversa para depois do nascimento retira a possibilidade de participação do casal no plano de cuidado. Materiais impressos são complementares, mas não substituem a conversa.
Gestante de 25 anos, com 24 semanas, é internada com trabalho de parto prematuro em maternidade de referência. A equipe conversa com o casal sobre os limites de viabilidade e as opções de cuidado ao nascimento, considerando a idade gestacional e as condições do serviço. Ela está estável, com cardiotocografia adequada para a idade gestacional, sem sinais de infecção e com peso fetal estimado de 620 g. O casal pergunta se o bebê será reanimado e o que acontecerá se ele nascer agora. A conduta correta é
Nas idades gestacionais na zona de incerteza prognóstica, a decisão sobre o plano de cuidado ao nascimento deve ser compartilhada com a família, considerando idade gestacional, peso estimado, presença de corticoterapia, condições do serviço e os valores do casal, com registro do plano acordado. Decidir isoladamente viola a autonomia. Garantir conduta única sem avaliação individual desconsidera a variabilidade prognóstica. Adiar a discussão para a sala de parto impede uma decisão refletida.
Recém-nascido é admitido em alojamento conjunto após parto vaginal, filho de mãe que não realizou pré-natal e não sabe informar a data da última menstruação, sem ultrassonografia disponível. O peso de nascimento é de 2.600 g e a equipe precisa estimar a idade gestacional para orientar a vigilância e os cuidados adequados. Ele está ativo, com boa sucção, sem desconforto respiratório e com exame físico sem malformações aparentes. A mãe está estável e deseja amamentar exclusivamente. A conduta correta é
Na ausência de datação confiável, a idade gestacional do recém-nascido é estimada por métodos clínicos padronizados que avaliam características físicas e neurológicas, permitindo classificar o recém-nascido quanto à idade gestacional e ao peso e orientar a vigilância adequada. O peso isolado não define idade gestacional, pois há recém-nascidos pequenos a termo e prematuros adequados. Presumir termo pela ausência de sintomas é impreciso. Exames de imagem não são o método indicado.
Recém-nascido de 34 semanas, com 1.800 g, está internado em unidade neonatal de hospital que possui norma de atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso. Encontra-se clinicamente estável, em ar ambiente, com boa termorregulação e recebendo leite materno ordenhado por sonda, com transição para sucção em curso. A mãe está presente diariamente e deseja participar dos cuidados, mas relata insegurança por achar que não pode tocar no filho. Qual é a conduta adequada?
O contato pele a pele na posição canguru, em recém-nascido estável, melhora a termorregulação, o ganho de peso, o vínculo e as taxas de aleitamento materno, sendo parte da atenção humanizada ao prematuro de baixo peso. Restringir o contato materno a horários de visita contraria a evidência e o direito de acompanhamento. Substituir o leite materno por fórmula em prematuro estável retira a proteção contra enterocolite necrosante e infecções. Adiar o contato até a alta desperdiça todo o benefício da intervenção durante a internação.
Serviço de neonatologia analisa os nascimentos prematuros do último semestre para planejar recursos assistenciais. São registrados nascimentos com 25, 30, 33 e 36 semanas, alguns após trabalho de parto espontâneo, outros após rotura prematura de membranas e outros por indicação médica em razão de pré-eclâmpsia e restrição de crescimento fetal com comprometimento do Doppler. Qual afirmação está correta sobre a classificação e as causas da prematuridade?
A afirmação correta é que a prematuridade se classifica em extrema, abaixo de 28 semanas, muito prematura, entre 28 e 31 semanas e 6 dias, moderada, entre 32 e 33 semanas e 6 dias, e tardia, entre 34 e 36 semanas e 6 dias, e que suas causas se dividem em trabalho de parto prematuro espontâneo, rotura prematura de membranas e nascimento por indicação médica. Chamar todos os nascimentos abaixo de 37 semanas de prematuridade extrema confunde as categorias. A prematuridade tardia tem morbidade relevante, com maior risco de desconforto respiratório, icterícia, hipoglicemia e dificuldade alimentar. A prematuridade por indicação médica é responsável por parcela expressiva dos casos e cresce com a vigilância obstétrica. A rotura de membranas responde por cerca de um terço, e não por mais de 80%.
Mulher, 28 anos, G1P0, com 23 semanas e 2 dias, é internada por trabalho de parto prematuro em franca evolução, com colo dilatado para 4 cm e bolsa íntegra. PA 116/72 mmHg, T 36,6 °C, sem sinais de infecção. O feto tem peso estimado de 560 g e boa vitalidade. A maternidade dispõe de unidade neonatal terciária. O casal pergunta o que será feito se o bebê nascer nas próximas horas. Qual conduta é a mais adequada?
O aconselhamento compartilhado com a equipe de neonatologia, apresentando de forma honesta o prognóstico de sobrevida e de sequelas nessa faixa de idade gestacional, discutindo opções de cuidado ativo ou de conforto e considerando corticoterapia antenatal e sulfato de magnésio conforme a decisão do casal e a política institucional, é a conduta mais adequada na zona cinzenta de viabilidade. Afirmar que nada será feito antes de 24 semanas ignora que muitos serviços oferecem cuidado ativo a partir de 22 a 23 semanas com consentimento informado. A cesariana imediata não melhora automaticamente o prognóstico e acrescenta morbidade materna, inclusive com risco de histerotomia corporal. A tocólise por tempo indeterminado com 4 cm de dilatação é ineficaz. Transferir sem qualquer intervenção prévia desassiste a paciente em trabalho de parto avançado.
Prematuro de 28 semanas, com 900 g ao nascer, encontra-se com 8 semanas de vida em nutrição enteral plena com leite materno sem aditivo. Apresenta redução do ganho ponderal e um episódio de fratura de costela detectado incidentalmente em radiografia. Exame: sem sinais de desconforto respiratório, com tônus adequado. Cálcio sérico normal, fósforo 3,0 mg/dL (VR 4,5–8,0 no prematuro), fosfatase alcalina 1.100 U/L (VR até 500) e paratormônio elevado. Qual o diagnóstico e a conduta?
Fósforo baixo com fosfatase alcalina muito elevada, paratormônio alto e fratura em prematuro extremo alimentado com leite materno sem aditivo caracterizam a doença metabólica óssea da prematuridade, decorrente da oferta insuficiente de cálcio e fósforo frente à alta demanda, tratada com aditivo de leite humano e suplementação mineral. A osteogênese imperfeita cursa com escleras azuladas e história familiar, sem esse perfil bioquímico. Maus-tratos devem ser considerados em fraturas inexplicadas, mas o contexto metabólico aqui é explicativo e o bebê está internado. O raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X manifesta-se após o início da deambulação, com paratormônio normal ou pouco elevado. O hiperparatireoidismo primário cursaria com hipercalcemia.
Prematuro de 31 semanas, com 1.400 g ao nascer, apresenta com 8 semanas de vida palidez progressiva, taquicardia e menor aceitação alimentar, sem sangramentos evidentes. Exame: criança ativa, com FC 175 bpm, sem sopro significativo, sem visceromegalias. Hb 8,4 g/dL (VR 9–13 nessa fase), reticulócitos baixos, ferritina normal, sem hemólise ao esfregaço. Recebeu múltiplas coletas de sangue para exames durante a internação. Qual o diagnóstico mais provável?
Anemia normocítica com reticulócitos baixos e ferritina normal em prematuro por volta de 6 a 10 semanas de vida, agravada por flebotomias repetidas, é a anemia da prematuridade, decorrente da queda fisiológica da eritropoetina somada à menor sobrevida das hemácias e ao rápido crescimento. A anemia ferropriva cursaria com ferritina baixa e microcitose. A anemia hemolítica autoimune apresentaria reticulocitose, icterícia e teste de Coombs positivo. A talassemia beta maior manifesta-se após o sexto mês, com microcitose acentuada e alterações eletroforéticas. A aplasia pura de série vermelha congênita é rara e cursa com anemia grave desde os primeiros meses, com dismorfias associadas em parte dos casos.
Recém-nascido com 35 semanas e 2 dias, com 2.450 g, nascido por cesariana eletiva sem indicação clínica documentada, apresenta nas primeiras 24 horas dificuldade de sucção, hipotermia, hipoglicemia e taquipneia transitória, necessitando de observação em unidade intermediária. A mãe tem 29 anos, sem comorbidades, e questiona por que o bebê apresenta problemas se nasceu quase no tempo certo. Qual explicação é a correta?
A explicação correta é que os prematuros tardios, nascidos entre 34 e 36 semanas e 6 dias, apresentam imaturidade dos mecanismos de termorregulação, de coordenação sucção-deglutição-respiração, do metabolismo da glicose e da bilirrubina e da reabsorção do líquido pulmonar, com morbidade significativamente maior que a dos nascidos a termo, o que reforça a recomendação de evitar cesariana eletiva sem indicação antes de 39 semanas. Afirmar morbidade equivalente à do termo contraria os dados. A cesariana eletiva sem trabalho de parto aumenta a morbidade respiratória por menor clearance do líquido pulmonar. A hipoglicemia nesse contexto decorre da imaturidade e das reservas reduzidas, não indicando necessariamente diabetes materno. A hipotermia decorre principalmente da imaturidade e da menor reserva de gordura.
Recém-nascido de mãe de 33 anos, hipertensa crônica, nasce por cesariana com 36 semanas e 4 dias de idade gestacional confirmada por ultrassonografia precoce. Peso de nascimento de 2.180 g e comprimento de 45 cm, com peso situado abaixo do percentil 3 da curva de referência para a idade gestacional e o sexo. Apgar 8 e 9. Como se classifica corretamente esse recém-nascido?
Nascimento entre 34 e 36 semanas e 6 dias define prematuro tardio; peso abaixo do percentil 10 define pequeno para a idade gestacional; e peso inferior a 2.500 g define baixo peso ao nascer, o que descreve com exatidão este recém-nascido. Chamá-lo de prematuro moderado é errado, pois essa faixa vai de 32 a 33 semanas e 6 dias, e adequado para a idade gestacional contraria o percentil informado. Classificar como termo precoce ignora que essa categoria começa em 37 semanas. Dizer adequado para a idade gestacional com muito baixo peso soma dois erros, já que muito baixo peso exige valor inferior a 1.500 g. Prematuro extremo aplica-se a menos de 28 semanas, e extremo baixo peso a menos de 1.000 g, ambos incompatíveis com o caso.
Prematuro de 30 semanas, com 4 semanas de vida, em ar ambiente e ganho ponderal adequado, apresenta palidez discreta em avaliação de rotina. Está sem episódios de apneia, sem taquicardia sustentada e mama por sonda com boa tolerância. Exame: FC 148 bpm, FR 46 ipm, SatO2 96%, T 36,6 °C, sem sopros. Hemoglobina 8,4 g/dL; reticulócitos 1,8%; ferritina 90 ng/mL; sem sinais de sangramento e sem necessidade de suporte ventilatório. Qual a conduta adequada?
A anemia da prematuridade em recém-nascido estável, sem apneia, taquicardia persistente, má progressão ponderal ou necessidade de oxigênio, não tem indicação de transfusão apenas pelo valor de hemoglobina, mantendo-se ferro profilático e observação clínica. Transfundir 15 mL/kg sem sintomas expõe o prematuro a riscos evitáveis, como aloimunização e sobrecarga. A eritropoetina tem uso restrito, benefício modesto e não é conduta de rotina. Suspender o ferro contraria a recomendação de suplementação nessa população, com reservas reduzidas. O mielograma é procedimento invasivo desnecessário diante de quadro previsível e fisiológico da prematuridade.
Prematuro nascido com 27 semanas e 890 g permaneceu 21 dias em ventilação mecânica com oxigenoterapia, apresentou sepse tardia e recebeu duas transfusões. Encontra-se com 5 semanas de vida, estável, em ar ambiente e ganhando peso. A equipe de neonatologia organiza o rastreamento oftalmológico da unidade e discute quais recém-nascidos devem ser examinados, em que momento iniciar o exame e com que periodicidade repeti-lo até a vascularização retiniana completa. Qual a conduta correta?
O rastreamento da retinopatia da prematuridade é feito por mapeamento de retina com oftalmoscopia indireta, iniciado entre a quarta e a sexta semana de vida, com reavaliações seriadas até a vascularização completa, o que permite tratamento oportuno das formas graves. Adiar o primeiro exame para os seis meses perde a janela em que o tratamento evita descolamento de retina e cegueira. Restringir o rastreio a menos de 1.000 g com oxigênio contínuo exclui prematuros elegíveis, pois os critérios habituais incluem peso até 1.500 g ou idade gestacional até 32 semanas. Afirmar regressão universal é falso, já que parte evolui para formas graves. O teste do reflexo vermelho não detecta a retinopatia em suas fases tratáveis.
Prematuro nascido com 26 semanas, atualmente com 36 semanas de idade pós-menstrual corrigida, permanece dependente de oxigênio suplementar por cânula nasal para manter saturação acima de 90%. Recebeu surfactante, permaneceu 18 dias em ventilação mecânica e teve dois episódios de sepse. A radiografia de tórax mostra padrão heterogêneo com áreas de hiperinsuflação e atelectasias. O ganho ponderal é lento e a frequência respiratória basal é de 62 ipm. Qual o diagnóstico e a orientação corretos?
A dependência de oxigênio com 36 semanas de idade pós-menstrual corrigida em prematuro extremo define displasia broncopulmonar, e o manejo envolve suporte nutricional otimizado, oxigenoterapia ajustada e prevenção de infecções respiratórias, incluindo imunização e profilaxia quando indicada. Diagnosticar asma do lactente é impróprio nessa idade e contexto, e o corticoide inalatório não é tratamento definitivo. A fibrose cística exigiria triagem alterada e manifestações digestivas, não descritas. Atribuir o quadro a cardiopatia congênita ignora o antecedente de prematuridade extrema e ventilação prolongada. Prolongar antibiótico por pneumonia persistente não encontra respaldo, pois não há sinais infecciosos ativos descritos.
Prematuro de 25 semanas, com 780 g e 3 dias de vida, apresenta queda súbita do hematócrito, abaulamento de fontanela, hipotensão e convulsões. A ultrassonografia transfontanelar mostra sangramento na matriz germinativa com extensão ventricular e dilatação ventricular importante, além de área hiperecogênica no parênquima adjacente. A equipe revisa os fatores de risco e as medidas preventivas adotadas na unidade para essa complicação em prematuros extremos. Assinale a alternativa correta.
A hemorragia peri-intraventricular do prematuro origina-se na matriz germinativa, estrutura ricamente vascularizada e frágil que involui com a idade gestacional, e o clampeamento tardio do cordão está entre as medidas que reduzem sua incidência. Situar a origem no plexo coroide e negar relação com a idade gestacional contraria a fisiopatologia. Apontar hipocapnia e oscilações de fluxo como protetoras inverte o papel desses fatores, que aumentam o risco. Afirmar que a corticoterapia antenatal eleva a incidência contraria um de seus benefícios mais consistentes. Considerar a ultrassonografia transfontanelar inadequada é incorreto, pois ela é o exame de escolha, à beira do leito e sem radiação.
Prematuro nascido com 30 semanas, atualmente com 6 semanas de vida e 1.700 g, apresenta palidez, ganho ponderal lento e episódios de apneia. A hemoglobina é de 8,0 g/dL, com reticulócitos baixos, sem sinais de hemólise e sem sangramento ativo. Recebeu diversas coletas de sangue para exames durante a internação. Está em dieta enteral plena com leite materno fortificado e não recebe qualquer suplementação de ferro no momento. Qual a conduta correta?
A anemia do prematuro decorre de menor produção de eritropoetina, reservas reduzidas de ferro, crescimento rápido e perdas por coletas repetidas, e o manejo inclui suplementação de ferro, redução de flebotomias e indicação de transfusão orientada por sintomas e limiares definidos. Transfundir todo prematuro com hemoglobina abaixo de 10 g/dL é conduta liberal e desnecessária. Suspender o leite materno fortificado prejudica a nutrição e não corrige a anemia. O corticoide não estimula a eritropoese e traz efeitos adversos relevantes. Afirmar que a anemia é sempre assintomática contraria a apneia e o ganho ponderal lento descritos.
Prematuro de 27 semanas, 890 g, no terceiro dia de vida em ventilação mecânica, apresenta queda súbita do hematócrito, abaulamento de fontanela e crises de apneia. FC 118 bpm, PA média 24 mmHg, T 36,8 °C. Hematócrito 28% (VR 45–65), prévio de 44%. A ultrassonografia transfontanelar mostra sangue no sistema ventricular com dilatação ventricular associada, sem envolvimento do parênquima cerebral. Qual a graduação da hemorragia segundo Papile?
Sangue no sistema ventricular acompanhado de dilatação ventricular, sem lesão do parênquima, corresponde ao grau III da classificação de Papile, situação de risco elevado para hidrocefalia pós-hemorrágica e sequela neurológica. O grau I limita-se à matriz germinativa subependimária, sem extensão ao ventrículo. O grau II tem sangue intraventricular ocupando menos da metade do ventrículo, porém sem dilatá-lo. O grau IV traduz infarto hemorrágico periventricular do parênquima, achado expressamente negado no exame. A ausência de hemorragia não descreve o caso, já que a ultrassonografia documentou sangue intraventricular com repercussão.
Prematuro de 28 semanas, nascido com 950 g, permaneceu 32 dias em oxigenoterapia e recebeu duas transfusões. Encontra-se com 34 semanas de idade pós-menstrual, em ar ambiente, FC 140 bpm, FR 44 ipm, ganhando peso adequadamente. A equipe questiona o momento adequado da avaliação oftalmológica de triagem para retinopatia. Qual a recomendação sobre o primeiro exame de fundo de olho?
A triagem para retinopatia da prematuridade é indicada para nascidos com menos de 32 semanas ou menos de 1.500 g, e o primeiro exame deve ocorrer entre a quarta e a sexta semana de vida, ou por volta das 31 semanas de idade pós-menstrual, o que vier primeiro. Deixar para a alta pode ultrapassar a janela de tratamento da doença limiar. Postergar para os doze meses ignora que a fase proliferativa e o descolamento ocorrem nos primeiros meses. Examinar no primeiro dia é inútil, pois a vascularização retiniana ainda não sofreu o insulto. Esperar leucocoria ou estrabismo significa diagnosticar apenas o estágio cicatricial irreversível.
Prematuro de 26 semanas, nascido com 780 g, recebeu surfactante e permaneceu em ventilação mecânica por 21 dias, seguindo em pressão positiva contínua nasal. Com 36 semanas de idade pós-menstrual, mantém necessidade de oxigênio suplementar a 30% para manter saturação acima de 90%. FR 62 ipm, com tiragem intercostal leve. Radiografia mostra padrão heterogêneo com áreas de hiperinsuflação e atelectasias. Qual o diagnóstico e a classificação de gravidade?
Prematuro abaixo de 32 semanas que permanece dependente de oxigênio aos 28 dias e, na avaliação das 36 semanas pós-menstruais, necessita de fração inspirada igual ou superior a 30% ou suporte pressórico, é classificado como displasia broncopulmonar grave. A forma leve corresponde a quem está em ar ambiente às 36 semanas, tendo usado oxigênio por pelo menos 28 dias. A forma moderada exige oxigênio abaixo de 30% nesse mesmo momento, valor inferior ao apresentado. A doença da membrana hialina é quadro agudo dos primeiros dias, por deficiência de surfactante, e não se prolonga por semanas. A pneumonia associada à ventilação teria curso febril e infiltrado consolidativo.
Recém-nascido nasce com 34 semanas e 2 dias de idade gestacional, calculada por ultrassonografia precoce, pesando 1.480 g, com peso situado no percentil 15 da curva de crescimento intrauterino de referência. FC 146 bpm, FR 52 ipm, T 36,7 °C, sem desconforto respiratório. A equipe registra a classificação do recém-nascido no prontuário conforme idade gestacional e peso. Qual a classificação correta?
Idade gestacional entre 32 e 34 semanas define prematuridade moderada, e peso entre os percentis 10 e 90 classifica o recém-nascido como adequado para a idade gestacional, o que se aplica ao percentil 15 descrito. A prematuridade extrema corresponde a menos de 28 semanas, e o percentil 15 não é pequeno para a idade gestacional, que exige valor abaixo do percentil 10. A prematuridade tardia abrange 34 semanas completas a 36 semanas e 6 dias, e grande para a idade gestacional exige percentil acima de 90. Recém-nascido a termo é aquele com 37 semanas ou mais, o que não corresponde às 34 semanas e 2 dias descritas.
Recém-nascido prematuro de 28 semanas, com 6 dias de vida, em ventilação mecânica, apresenta piora respiratória com aumento dos parâmetros ventilatórios. FC 172 bpm, PA 44x22 mmHg, com pressão de pulso ampla e pulsos periféricos amplos. Sopro sistólico contínuo em região infraclavicular esquerda e precórdio hiperdinâmico. Ecocardiograma com canal arterial de 3 mm e desvio esquerda-direita significativo. Qual a conduta?
A persistência do canal arterial hemodinamicamente significativa no prematuro, com pressão de pulso ampla, precórdio hiperdinâmico, sopro característico e piora ventilatória, é tratada com inibidor da ciclo-oxigenase, como ibuprofeno, ou com paracetamol, além de restrição hídrica cuidadosa. A prostaglandina mantém o canal aberto e é o oposto do necessário. Aumentar a oferta hídrica agrava o hiperfluxo pulmonar e a congestão. A dobutamina isolada não trata o desvio esquerda-direita. Afirmar que o canal sempre fecha sozinho é falso no prematuro extremo com repercussão hemodinâmica.
Prematuro de 29 semanas, com 6 semanas de vida, em ar ambiente e dieta enteral plena, apresenta palidez, ganho ponderal lento e episódios de taquicardia em repouso. FC 178 bpm, FR 52 ipm, T 36,8 °C, SatO2 96%. Hb 7,6 g/dL (VR 9–13 nesta idade); reticulócitos 1,2% (VR 2–6); ferritina 180 ng/mL (VR 40–200); bilirrubina normal e Coombs direto negativo. Qual o mecanismo principal dessa anemia?
A anemia da prematuridade decorre da produção insuficiente de eritropoetina pelo fígado imaturo, agravada pela vida curta das hemácias fetais, pelo crescimento rápido e pelas flebotomias repetidas, com reticulócitos baixos e ferritina normal, exatamente como descrito. A hemólise autoimune cursaria com Coombs positivo e hiperbilirrubinemia. A deficiência de ferro mostraria ferritina baixa e microcitose. Sangramento oculto elevaria os reticulócitos como resposta compensatória. A aplasia medular comprometeria também leucócitos e plaquetas, e não apenas a série vermelha, além de ser condição rara com outras estigmas.
Prematuro de 27 semanas, com 10 dias de vida, encontra-se em ventilação não invasiva com oxigênio suplementar. A equipe discute os alvos de saturação a serem mantidos no monitor, considerando o equilíbrio entre os riscos do excesso e da falta de oxigênio nessa população. FC 152 bpm, FR 54 ipm, T 36,8 °C, com boa perfusão periférica e sem episódios recentes de apneia. Qual a faixa de saturação-alvo recomendada?
A faixa de saturação recomendada para prematuros em oxigenoterapia situa-se entre 90% e 95%, equilibrando o risco de retinopatia e displasia broncopulmonar pela hiperóxia com o risco de mortalidade e enterocolite associado à hipóxia. Manter saturação de 100% expõe à toxicidade do oxigênio e à retinopatia grave. Alvos entre 75% e 82% configuram hipoxemia inaceitável fora de cardiopatias específicas. A faixa entre 85% e 88% mostrou maior mortalidade nos ensaios comparativos. Avaliar apenas a cor da pele é impreciso, pois a cianose só se torna visível com dessaturação já significativa.
Prematuro de 26 semanas, com 1.020 g ao nascer, encontra-se com 36 semanas de idade pós-menstrual em seguimento oftalmológico. FC 148 bpm, FR 46 ipm, em ar ambiente. O exame de fundo de olho mostra crista com proliferação fibrovascular extrarretiniana na zona II, acometendo 6 horas contínuas de retina, associada a dilatação e tortuosidade dos vasos do polo posterior em dois quadrantes. Qual a conduta indicada?
Proliferação fibrovascular extrarretiniana na zona II com extensão significativa e doença plus caracteriza retinopatia da prematuridade em estágio que exige tratamento, feito por fotocoagulação a laser da retina avascular ou por antiangiogênico intravítreo. Reavaliar em quatro semanas permite progressão para descolamento tracional. O corticoide sistêmico não tem eficácia nessa doença e traz risco neurológico. A vitrectomia é reservada aos estágios com descolamento já instalado. Suspender a oxigenoterapia abruptamente não trata a doença estabelecida e pode causar hipoxemia grave no prematuro.
Unidade neonatal recebe quatro recém-nascidos prematuros em um mesmo plantão, com idades gestacionais de 25, 29, 33 e 36 semanas, todos com peso adequado para a idade gestacional e sem malformações. Os sinais vitais são estáveis, com frequências cardíacas entre 140 e 158 bpm e temperaturas axilares entre 36,5 e 37,0 °C. A equipe organiza os cuidados conforme as categorias de prematuridade. Qual a classificação correta de um recém-nascido de 33 semanas?
A idade gestacional de 33 semanas situa o recém-nascido na categoria de prematuro moderado, definida entre 32 e menos de 34 semanas. O prematuro extremo tem menos de 28 semanas, faixa de maior morbimortalidade. O prematuro tardio abrange de 34 semanas a 36 semanas e 6 dias, grupo frequentemente subestimado quanto ao risco. O termo precoce refere-se a 37 e 38 semanas, categoria de nascidos a termo. A faixa entre 28 e menos de 32 semanas corresponde ao muito prematuro, ainda abaixo da idade gestacional descrita neste recém-nascido.
Prematuro de 26 semanas, atualmente com 38 semanas de idade pós-menstrual, permanece dependente de oxigênio suplementar por cateter nasal. Apresenta FR 58 ipm, FC 150 bpm, SatO2 92% com oxigênio, tiragem leve e ganho ponderal lento. A radiografia mostra opacidades heterogêneas com áreas de hiperinsuflação e o ecocardiograma evidencia sinais iniciais de hipertensão pulmonar. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
A necessidade de oxigênio suplementar às 36 semanas ou mais de idade pós-menstrual em prematuro extremo, com alterações radiológicas heterogêneas e hipertensão pulmonar incipiente, define displasia broncopulmonar. A pneumonia bacteriana tardia teria consolidação e febre com resposta a antibiótico. A cardiopatia cianótica não melhora com oxigênio e mostraria alterações estruturais ao ecocardiograma. A bronquiolite viral é aguda e autolimitada, incompatível com dependência prolongada de oxigênio. A fibrose cística exigiria teste do suor alterado e manifestações digestivas.
Lactente de 6 meses, com displasia broncopulmonar e oxigenoterapia domiciliar, apresenta ganho ponderal insuficiente apesar de aleitamento materno exclusivo em livre demanda. FR 48 ipm, FC 140 bpm, SatO2 93% com oxigênio. Está no percentil 3 de peso, com esforço respiratório leve e boa aceitação das mamadas, sem vômitos ou diarreia associados ao quadro. Qual a conduta mais adequada?
A criança com displasia broncopulmonar tem gasto energético aumentado pelo trabalho respiratório e frequentemente necessita de aporte calórico superior ao habitual, além de oferta adequada de oxigênio, pois a hipoxemia crônica compromete o crescimento. Restringir o volume das mamadas agrava o déficit calórico. Suspender o oxigênio piora a hipoxemia e o ganho ponderal. A dieta hipocalórica com restrição de gordura é o oposto do indicado. A fisioterapia isolada não corrige o déficit energético desse lactente.
Recém-nascido de 35 semanas e 4 dias, com 2.400 g, recebe alta da maternidade com 3 dias de vida, em aleitamento materno. Está ativo, com sucção ainda um pouco fraca e ganho de peso limítrofe. T 36,6 graus Celsius, FC 148 bpm, sem icterícia importante. Os pais questionam se os cuidados devem ser iguais aos de um recém-nascido a termo, já que a criança nasceu quase no tempo previsto. Qual a orientação correta?
O prematuro tardio apresenta maior risco de icterícia, hipoglicemia, instabilidade térmica, dificuldade alimentar e reinternação, exigindo seguimento mais próximo e retorno precoce após a alta. Tratá-lo como recém-nascido a termo é justamente o erro que leva a complicações evitáveis. Agendar retorno apenas com 30 dias é inadequado diante de sucção fraca e ganho limítrofe. A vitamina D não é contraindicada, e sim recomendada. Substituir o aleitamento por fórmula em todos os prematuros tardios é incorreto, pois o leite materno permanece o alimento preferencial, com apoio para o manejo das dificuldades.
Prematuro de 27 semanas, com 5 semanas de vida, em ar ambiente e dieta plena, apresenta hemoglobina de 8,0 g/dL (VR 9–13 nesta idade), sem taquicardia, sem apneias e com ganho ponderal adequado de 20 g por dia. FC 148 bpm, FR 48 ipm, T 36,8 °C; reticulócitos 2,8%; sem sinais de sangramento ativo e sem necessidade de suporte respiratório. Qual a conduta indicada?
A anemia da prematuridade em prematuro estável, sem sintomas, sem suporte respiratório e com bom ganho ponderal, é conduzida de forma expectante, com suplementação de ferro e vigilância, já que os limiares transfusionais restritivos mostraram segurança. Transfundir apenas pelo valor da hemoglobina expõe a riscos sem benefício demonstrado. A eritropoetina reduz discretamente as transfusões, mas não é tratamento de escolha rotineiro. A exsanguineotransfusão parcial trata policitemia, situação inversa. Suspender a dieta enteral não tem qualquer relação com o manejo da anemia e prejudica o crescimento.
Prematuro de 27 semanas, com 4 semanas de vida, realiza ultrassonografia transfontanelar de rotina que mostra áreas císticas na substância branca periventricular bilateral, sem hemorragia intraventricular associada. FC 148 bpm, FR 46 ipm, T 36,8 °C; clinicamente estável, em ar ambiente e com dieta plena. Houve corioamnionite materna e episódios de hipotensão nas primeiras semanas de internação. Qual a repercussão esperada desse achado?
A leucomalácia periventricular cística acomete a substância branca adjacente aos ventrículos, onde passam as fibras corticoespinhais dos membros inferiores, resultando em risco elevado de diplegia espástica, além de déficits visuais e cognitivos, exigindo seguimento e estimulação precoce. A hidrocefalia obstrutiva é complicação da hemorragia intraventricular, expressamente ausente. A recuperação completa sem sequelas não corresponde ao prognóstico da forma cística. A epilepsia refratária em todos os casos é afirmação absoluta sem respaldo. A microcefalia com calcificações sugere infecção congênita, não lesão hipóxico-isquêmica.
Prematuro de 28 semanas, com 1.100 g ao nascer, recebe alta hospitalar com 38 semanas de idade pós-menstrual, em aleitamento materno com fortificante e ganho ponderal adequado. FC 146 bpm, FR 46 ipm, T 36,8 °C; exame físico sem alterações agudas. A família recebe orientações sobre o acompanhamento ambulatorial multidisciplinar após a alta da unidade neonatal. Assinale a alternativa que NÃO integra o seguimento recomendado.
O uso rotineiro de antibiótico profilático após a alta não integra o seguimento do prematuro e favorece resistência e disbiose, sem qualquer benefício demonstrado. A avaliação oftalmológica seriada é obrigatória até a vascularização retiniana completa. A triagem auditiva com reavaliações permite detecção precoce de perdas, mais frequentes nessa população. A avaliação do neurodesenvolvimento com uso da idade corrigida evita interpretações equivocadas dos marcos. A suplementação de ferro e vitaminas corrige as reservas reduzidas e o crescimento acelerado do prematuro.
Recém-nascido do sexo masculino, nascido de parto vaginal, cuja mãe não realizou pré-natal e desconhece a data da última menstruação. Peso de nascimento 2.150 g, comprimento 45 cm, perímetro cefálico 31 cm. Ao exame nas primeiras 12 horas: pele com descamação superficial e poucas veias, lanugo escasso, sulcos plantares nos dois terços anteriores, aréola pontilhada com 3 mm, cartilagem auricular com recuo imediato e testículos em bolsa com rugosidade evidente. Qual a estimativa de idade gestacional?
A estimativa em torno de 36 semanas é a correta: sulcos plantares limitados aos dois terços anteriores, aréola pontilhada de 3 mm, lanugo escasso e cartilagem auricular com recuo pronto correspondem ao prematuro tardio pelo somatório da maturidade física do método de New Ballard. Vinte e oito semanas traria pele fina e gelatinosa, ausência de sulcos plantares e aréola apenas perceptível. Trinta e duas semanas mostraria sulco plantar apenas na porção anterior e pavilhão auricular com recuo lento. Quarenta semanas apresentaria sulcos por toda a planta e aréola elevada com 5 a 10 mm. O pós-termo cursa com pele apergaminhada, com fissuras profundas e ausência de lanugo e vérnix.
Prematuro de 27 semanas, atualmente com 8 semanas de vida, recebeu nutrição parenteral prolongada e usou furosemida por 3 semanas. Apresenta ganho ponderal lento e, ao exame, fratura de arco costal identificada em radiografia de rotina. FC 156 bpm, FR 58 ipm. Cálcio 9,0 mg/dL (VR 8,5 a 10,5); fósforo 2,8 mg/dL (VR 4,5 a 7,5); fosfatase alcalina 980 U/L (VR até 450); paratormônio elevado. Qual a conduta mais adequada?
Suplementar fósforo e cálcio e otimizar a vitamina D é a conduta correta na doença metabólica óssea da prematuridade, sugerida por fósforo baixo, fosfatase alcalina muito elevada, paratormônio alto e fratura em prematuro extremo com parenteral prolongada e uso de diurético de alça. O bisfosfonato não é terapia estabelecida nessa condição e pode prejudicar a mineralização em crescimento. Restringir cálcio agrava a doença, pois o problema é justamente o déficit de aporte mineral. Aumentar a furosemida piora a hipercalciúria e a perda mineral óssea. Suspender a suplementação e observar mantém o recém-nascido em risco de novas fraturas.
Prematuro nascido com 28 semanas e 950 g, atualmente com 3 semanas de vida cronológica, permanece internado em unidade neonatal, com uso prévio de oxigênio suplementar por 12 dias. Encontra-se estável, em ar ambiente, com FC 152 bpm, FR 48 ipm, SatO2 96%, ganhando peso. A equipe discute a triagem para retinopatia da prematuridade. Qual a orientação correta quanto ao momento do exame?
O primeiro exame entre a quarta e a sexta semana de vida cronológica, correspondendo a cerca de 31 a 33 semanas de idade pós-menstrual, é a recomendação para prematuros com menos de 32 semanas ou menos de 1.500 g, faixa em que este recém-nascido se enquadra. Deixar o exame para depois da alta arrisca perder a janela de tratamento da doença limiar. Aguardar leucocoria é tardio, pois esse sinal indica doença avançada com descolamento. Iniciar na 12ª semana ultrapassa o período crítico de progressão. Afirmar que não há indicação por peso acima de 900 g é falso, já que o critério inclui peso até 1.500 g e idade gestacional abaixo de 32 semanas.
Prematuro nascido com 30 semanas está com 36 semanas de idade pós-menstrual e 2.050 g. Encontra-se em ar ambiente há 10 dias, sem apneias há 8 dias, com controle térmico em berço comum, sugando todo o volume prescrito ao seio e ganhando 22 g por dia. FC 146 bpm, FR 46 ipm, T 36,8 °C. Triagens neonatais realizadas e primeira avaliação oftalmológica feita, com retorno agendado. Qual a conduta mais adequada?
Programar a alta com seguimento ambulatorial estruturado é a conduta correta, pois o prematuro preenche os critérios funcionais de alta: estabilidade térmica em berço comum, ausência de apneias por período adequado, alimentação por via oral plena com ganho ponderal consistente e triagens realizadas. Aguardar 40 semanas de idade pós-menstrual prolonga internação sem benefício e aumenta risco de infecção hospitalar. Exigir peso mínimo de 2.500 g é critério antigo, substituído pela avaliação funcional. Dar alta sem seguimento especializado ignora o risco de sequelas neurossensoriais e a necessidade de acompanhamento oftalmológico e auditivo. A monitorização domiciliar obrigatória não é indicada para todo prematuro assintomático.
Recém-nascido de mãe hipertensa, nascido com 35 semanas de idade gestacional confirmada por ultrassonografia precoce, apresenta peso de nascimento de 1.680 g, abaixo do percentil 3 para a idade gestacional. Comprimento e perímetro cefálico também abaixo do percentil 10, de forma proporcional. Temperatura axilar 36,4 °C, frequência cardíaca 148 bpm, glicemia capilar 42 mg/dL. Qual a classificação e o principal risco imediato?
Nascido com 35 semanas, o recém-nascido é prematuro tardio, e o peso abaixo do percentil 10 o classifica como pequeno para a idade gestacional; a hipoglicemia é o risco imediato mais relevante, já evidenciada pela glicemia de 42 mg/dL, por baixas reservas de glicogênio. Prematuro extremo corresponde a menos de 28 semanas, o que não se aplica. O recém-nascido não é a termo nem grande para a idade gestacional. Classificá-lo como adequado para a idade gestacional ignora o peso abaixo do percentil 3. Pós-termo corresponde a 42 semanas ou mais, incompatível com o caso.
Recém-nascido admitido em maternidade sem pré-natal e sem data confiável da última menstruação. Ao exame, apresenta pele fina com vasos visíveis, lanugem abundante, poucas pregas plantares, mamilos apenas puntiformes e orelha com pouca cartilagem. Peso 1.900 g, temperatura axilar 36,3 °C, frequência cardíaca 150 bpm. A equipe precisa estimar a idade gestacional para classificar o recém-nascido e planejar cuidados.
Na ausência de datação confiável, a idade gestacional é estimada por escalas padronizadas que combinam características somáticas e neurológicas, como o método de Capurro e o New Ballard, aplicados nas primeiras horas de vida. A ultrassonografia de terceiro trimestre tem grande margem de erro para datação, sendo precisa apenas no primeiro trimestre. O peso isolado não determina idade gestacional, tanto que recém-nascidos com o mesmo peso podem ser prematuros adequados ou termo pequenos para a idade gestacional. Presumir 40 semanas levaria a classificação e cuidados inadequados. A radiografia de ossos longos não é método padronizado para essa estimativa no período neonatal.
Lactente nascido com 30 semanas de idade gestacional e 1.250 g, agora com 6 semanas de vida, apresenta palidez, ganho ponderal lento e episódios de apneia. Está em aleitamento com leite materno fortificado, sem sangramentos e sem sinais de infecção. Exame: palidez, FC 168 bpm, sem visceromegalias, sem icterícia. Hemoglobina 7,6 g/dL (VR 9–13 nessa idade corrigida); reticulócitos 0,8%; VCM 92 fL; bilirrubinas normais; teste de antiglobulina direta negativo. Qual a explicação e a conduta?
A anemia da prematuridade decorre da produção insuficiente de eritropoetina, da meia-vida curta das hemácias fetais, do crescimento rápido e das coletas repetidas de sangue, atingindo nadir entre a quarta e a oitava semana de vida, com reticulócitos baixos e sem hemólise; a conduta combina suporte nutricional com ferro e transfusão orientada por sintomas como apneia e má progressão ponderal. A doença hemolítica cursaria com icterícia, reticulocitose e teste de antiglobulina positivo. A ferropenia pura é incomum nessa idade precoce e o volume corpuscular está normal. Sangramento oculto exigiria evidência clínica e endoscopia não é conduta inicial. A aplasia pura congênita é rara e cursa com macrocitose e outros estigmas.
Um lactente com antecedente de prematuridade e displasia broncopulmonar mantém dificuldade respiratória e é encaminhado para avaliação da circulação pulmonar. Qual complicação cardiovascular deve integrar essa avaliação?
A displasia broncopulmonar pode associar-se à elevação da pressão na circulação pulmonar. A avaliação de suas repercussões faz parte do cuidado de crianças com doença persistente. Referência: NHLBI/NIH. Newborn Breathing Conditions: Bronchopulmonary Dysplasia. https://www.nhlbi.nih.gov/health/bronchopulmonary-dysplasia
Um prematuro com doença respiratória prolongada recebe planejamento nutricional junto ao ajuste do suporte ventilatório. Qual justificativa conecta o cuidado nutricional à recuperação respiratória?
Nutrição integra o cuidado do prematuro e contribui para crescimento dos pulmões e do organismo. O plano deve considerar tolerância e condição clínica, sem reduzir o tratamento ao dispositivo respiratório. Referência: NHLBI/NIH. Newborn Breathing Conditions: Respiratory Distress Syndrome. https://www.nhlbi.nih.gov/health/respiratory-distress-syndrome
Na revisão de um caso de displasia broncopulmonar, a família pergunta se a doença pode ser atribuída a um único fator. Qual explicação é mais adequada?
A displasia broncopulmonar tem origem multifatorial, em um pulmão vulnerável e em desenvolvimento. Infecção, inflamação e lesão associada ao suporte podem contribuir, sem reduzir a doença a uma causa única. Referência: NHLBI/NIH. Newborn Breathing Conditions: Bronchopulmonary Dysplasia. https://www.nhlbi.nih.gov/health/bronchopulmonary-dysplasia
Qual abordagem integra vulnerabilidade térmica, metabólica e respiratória?

Problemas coexistentes exigem estabilização coordenada, evitando hipoxemia e hipoglicemia persistentes.
Qual fator favorece perda de calor no prematuro?

Características corporais e imaturidade dificultam manter temperatura.
Por que alimentação oral pode precisar ser adiada ou adaptada enquanto há desconforto importante?

Via e momento da nutrição devem considerar estabilidade, maturidade e risco de aspiração.
Qual alteração térmica está registrada?

35,4 °C é temperatura baixa para o recém-nascido.
Por que temperatura excessivamente alta também deve ser evitada durante reaquecimento?

Controle térmico busca faixa adequada, evitando extremos.
Por que o padrão de lesão periventricular mostrado justifica seguimento motor cuidadoso do prematuro? Ultrassonografias de referência: Ní Leidhin et al., Insights into Imaging 16, 158 (2025), figura 9, CC BY 4.0. Imagem original sem alteração.

A topografia tem valor prognóstico, mas não determina sozinha a evolução individual.
Observe a sequência publicada de ultrassonografias transfontanelares, de cima para baixo. Qual mudança aparece nos últimos painéis? Ultrassonografias de referência: Ní Leidhin et al., Insights into Imaging 16, 158 (2025), figura 9, CC BY 4.0. Imagem original sem alteração.

As cavidades se tornam visíveis após alterações ecogênicas nos exames anteriores.
Em um prematuro, qual diagnóstico é favorecido por essa evolução da substância branca? Ultrassonografias de referência: Ní Leidhin et al., Insights into Imaging 16, 158 (2025), figura 9, CC BY 4.0. Imagem original sem alteração.

A evolução para cavitações periventriculares é compatível com lesão da substância branca do prematuro.
Por que o primeiro exame isolado pode subestimar a extensão da lesão mostrada na sequência? Ultrassonografias de referência: Ní Leidhin et al., Insights into Imaging 16, 158 (2025), figura 9, CC BY 4.0. Imagem original sem alteração.

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em 7 dias
Reescreva de memória as três réguas: as quatro faixas de idade gestacional com os cortes exatos, as três faixas de peso ao nascer e os percentis de PIG, AIG e GIG. Depois responda sem consultar: quais condutas são disparadas por idade gestacional isolada, quais por peso isolado e quais pelo "e/ou" dos dois. Termine escrevendo a fórmula da idade corrigida e aplicando-a a um recém-nascido de 29 semanas com 5 meses de vida.
em 30 dias
Monte três vinhetas suas — uma de 26 semanas com 780 g, uma de 31 semanas com 1.700 g e uma de 35 semanas com 2.400 g — e, para cada uma, decida: entra na triagem de retinopatia e por qual critério; qual componente pertussis usar e por quê; qual dose de ferro; se tem indicação de nirsevimabe, em que dose e em que época do ano; e se tem direito à segunda temporada. Em seguida, reconstrua as três divergências do capítulo dizendo, para cada uma, qual documento sustenta cada posição e em que ano.
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Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
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