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Reanimação neonatal
A sequência tem relógio: cada passo tem um gatilho e um prazo, e a prova cobra a ordem antes de cobrar o número. As Diretrizes 2026 da SBP mexeram em três pontos que a questão nova vai perseguir — a saturação-alvo, agora minuto a minuto e mais baixa; o oxigênio inicial do prematuro, que dobrou; e o estímulo tátil, que passou para antes do clampeamento do cordão.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Recém-nascido a termo, nascido de parto vaginal, é colocado sob fonte de calor radiante logo após o clampeamento do cordão. Ao passo inicial, o neonatologista observa que o bebê apresenta respiração regular, choro vigoroso e bom tônus muscular. Segundo o fluxograma de reanimação neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), qual é a conduta adequada neste momento?
Como esse tema cai
Reanimação neonatal é o tema em que a régua brasileira manda sozinha e todo mundo sabe onde ela está. O Programa Brasileiro de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria publica diretrizes em ciclos de cinco anos, em livre acesso, e a edição vigente é de 12 de junho de 2026, válida para o ciclo 2026-2030. São dois documentos separados, com fluxogramas diferentes: um para o recém-nascido de 34 semanas ou mais e outro para o prematuro abaixo de 34 semanas. Saber que são dois já resolve uma parte das questões, porque metade dos erros clássicos consiste em aplicar ao prematuro extremo um número que só vale para o bebê a termo.
O eixo do tema é o relógio. A sequência da reanimação não é uma escala de gravidade que se percorre para cima conforme o caso piora: é uma linha do tempo em que cada passo tem um gatilho objetivo e um prazo em segundos. Os passos iniciais têm 30 segundos. A ventilação com pressão positiva tem de começar dentro dos primeiros 60 segundos de vida — o Minuto de Ouro. Cada rodada de ventilação é reavaliada aos 30 segundos. A massagem cardíaca só é reavaliada aos 60 segundos. A discussão sobre interromper a reanimação acontece por volta dos 20 minutos. A questão de prova quase sempre entrega um cenário parado num desses instantes e pergunta qual é o próximo passo — e a resposta depende de onde o cronômetro está, não de quão grave o caso parece.
Vale saber o tamanho do problema, porque ele explica por que a diretriz é tão operacional. Ao nascimento, cerca de 2 recém-nascidos em cada 10 precisam de ajuda para estabelecer a respiração; 1 em cada 10 precisa de ventilação com pressão positiva; 1 em cada 100 é intubado; e apenas 1 a 3 em cada 1.000 chegam à reanimação avançada, com massagem cardíaca e medicações — desde que a ventilação seja aplicada corretamente. No Brasil, em 2023, nasceram 2.537.576 crianças e houve 15.933 óbitos neonatais precoces, dos quais 3.109 (20%) tiveram como causa associada a asfixia perinatal, a hipóxia ao nascer ou a síndrome de aspiração meconial. Considerando só os que nasceram com 2.500 gramas ou mais, essas causas matam três recém-nascidos por dia no país.
Este capítulo cobre a sala de parto, do briefing da equipe à decisão de interromper, nas duas faixas de idade gestacional. Sepse neonatal e icterícia têm capítulos próprios nesta apostila e não são invadidos aqui. A hipotermia terapêutica aparece só para ser afastada do lugar errado: ela não se inicia na sala de parto, e a decisão sobre ela é tomada nas primeiras 6 horas de vida, já na unidade neonatal.
O que muda decisão
Antes do nascimento: quem está na sala, e o que já está ligado
Como usar este capítulo: percorra o algoritmo na ordem da sala de parto — preparação, passos iniciais, frequência cardíaca, ventilação, via aérea, compressões e medicações. Na primeira revisão, memorize as transições comandadas pela frequência cardíaca e os momentos de reavaliação; depois acrescente doses e exceções.
A reanimação começa antes do parto, com a anamnese materna, e a diretriz lista as condições que antecipam a necessidade dela em dois blocos. Fatores antenatais: idade materna abaixo de 16 ou acima de 35 anos, diabetes, síndromes hipertensivas, infecção materna, idade gestacional abaixo de 39 ou igual ou acima de 41 semanas, ausência de pré-natal, gestação múltipla, polidrâmnio ou oligoâmnio, rotura prematura de membranas, aloimunização ou anemia fetal, sangramento no segundo ou terceiro trimestre, diminuição da atividade fetal, malformação e hidropsia. Fatores do parto: cesárea, fórcipe ou vácuo-extrator, apresentação não cefálica, trabalho de parto prematuro ou taquitócico, corioamnionite, bolsa rota por mais de 18 horas, padrão anormal de frequência cardíaca fetal, anestesia geral, líquido meconial, prolapso ou nó verdadeiro de cordão, opioide nas 4 horas anteriores ao parto, descolamento prematuro de placenta e placenta prévia. Vale reter que parto cesáreo, mesmo no recém-nascido a termo sem fatores antenatais, já eleva a chance de que a ventilação seja necessária.
A regra de pessoal é curta e cobrada com frequência: em todo parto tem de estar presente pelo menos um profissional de saúde capaz de realizar os passos iniciais e a ventilação com máscara facial, e a única responsabilidade dele deve ser o recém-nascido. Quando a anamnese revela fatores de risco, podem ser necessários dois ou três profissionais treinados, e ao menos um deles precisa ser médico apto a intubar e a indicar massagem cardíaca e medicações — de preferência um pediatra. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a presença do pediatra em todo nascimento. No caso de gemelares, cada criança tem a sua equipe.
O ambiente entra na conta como se fosse equipamento: sala entre 23 e 25 graus, portas fechadas para evitar correntes de ar, fonte de calor radiante ligada antes do nascimento e todo o material preparado, testado e conferido com lista de verificação padronizada. Depois que o bebê nasce, a equipe não pode estar procurando ou ajustando equipamento. E o briefing é a primeira ação da equipe, item de conteúdo e não de etiqueta: antes de cada nascimento, obstetrícia, anestesiologia, pediatria, enfermagem e fisioterapia revisam a anamnese materna, conferem material, dividem funções e definem quem lidera a reanimação. A justificativa é medida — a lista de verificação para o briefing associa-se a melhores desfechos neonatais de curto prazo e a menos falhas de comunicação. Do outro lado do atendimento fica o debriefing, a análise crítica estruturada depois do caso.
As três perguntas do primeiro segundo
O fluxograma abre com três perguntas feitas ao mesmo tempo, no instante do nascimento. Gestação igual ou acima de 34 semanas? Está respirando ou chorando? O tônus muscular está em flexão? A primeira escolhe qual dos dois fluxogramas vale. As outras duas definem a única classificação que importa nesse momento: boa vitalidade ou ausência de boa vitalidade.
Recém-nascido com boa vitalidade é aquele que está respirando ou chorando e com tônus em flexão — e a frase seguinte é a que a prova adora: independentemente do aspecto do líquido amniótico. Mecônio não muda a resposta a essa pergunta. Esse bebê fica com a mãe, o cordão é clampeado no mínimo 60 segundos após o nascimento e ele vai para o contato pele-a-pele, coberto por tecido de algodão seco e aquecido, com boca e narinas sempre visíveis. Enquanto está ali, a equipe faz quatro coisas: provê calor, assegura vias aéreas pérvias, avalia a vitalidade de modo continuado e estimula o início da amamentação. O contato pele-a-pele não é gentileza: ele aumenta a temperatura corporal em média 0,32 grau, reduz o risco de hipoglicemia em 84% e o de admissão hospitalar em 66%.
Recém-nascido sem boa vitalidade é aquele que não está respirando ou chorando, ou não inicia movimentos respiratórios regulares, e/ou está flácido. Repare na estrutura lógica: as duas perguntas somam com “ou”, então basta uma falhar. O bebê que chora vigorosamente mas está hipotônico não tem boa vitalidade. O que tem tônus preservado mas faz apenas gasping — suspiros profundos entremeados por apneias — também não. Isso acontece em cerca de dois em cada dez nascimentos.
Dois detalhes de vocabulário evitam armadilha. Primeiro: a frequência respiratória não é considerada para a tomada de decisões logo após o nascimento — a respiração é avaliada por inspeção da expansão torácica ou pela presença de choro, e está adequada se os movimentos forem regulares e suficientes para manter a frequência cardíaca em 100 batimentos por minuto ou mais. Segundo: o boletim de Apgar não participa dessa decisão nem de nenhuma outra da reanimação.
No prematuro há uma subdivisão a mais depois do clampeamento. O prematuro moderado, de 32 semanas a 33 semanas e 6 dias, com boa vitalidade, pode permanecer em pele-a-pele com os pais, desde que a monitorização seja constante e cuidadosa — temperatura, frequência cardíaca, padrão respiratório, tônus e saturação — porque a morbidade respiratória nessa faixa chega a 20%. Já todo recém-nascido abaixo de 32 semanas vai à mesa de reanimação depois do clampeamento, mesmo com boa vitalidade, para os passos iniciais.
Estímulo tátil antes do cordão: a novidade de 2026
Aqui está a mudança estrutural da edição 2026, e é o tipo de detalhe que separa quem leu o documento novo de quem decorou o antigo. No recém-nascido sem boa vitalidade, o estímulo tátil é feito antes do clampeamento do cordão, com o bebê ainda ligado à placenta. A técnica é específica: fricção delicada no dorso, com movimentos circulares, por cerca de 15 segundos. Nunca chacoalhar o recém-nascido. Estímulos muito vigorosos causam lesão; estímulos muito prolongados atrasam a ventilação, que é o que realmente resolve.
A fisiologia justifica o gesto: a fricção do dorso ativa mecanorreceptores somáticos e viscerais e estimula diretamente o centro respiratório. O número que sustentou a mudança vem de um estudo observacional com 2.563 recém-nascidos que não choraram ao nascer — fazer o estímulo tátil antes do clampeamento aumentou em 84% a chance de o bebê apresentar respiração espontânea, comparado a fazê-lo depois. No prematuro, um estudo com 243 recém-nascidos abaixo de 32 semanas mostrou redução de 60% na intubação traqueal com o estímulo tátil.
A consequência prática é que o estímulo tátil deixou de ser um item dos passos iniciais e virou um passo anterior a eles, executado ainda no campo obstétrico — o que exige combinação prévia com a equipe de obstetrícia, e é exatamente para isso que serve o briefing integrado. Mais adiante, secar o corpo na mesa continua funcionando como estímulo sensorial adicional, pelo mesmo arco reflexo.
Clampeamento: 60 segundos, e em quem não se faz
No recém-nascido com boa vitalidade, de qualquer idade gestacional, o cordão é clampeado no mínimo 60 segundos após o nascimento, preferencialmente depois que a respiração já começou. A fisiologia é a chave para não errar a pergunta: se o cordão é clampeado antes da insuflação e da vasodilatação pulmonares, corta-se a chegada de sangue oxigenado pela placenta sem que os pulmões tenham assumido o serviço — cai a pré-carga, sobe a pós-carga do ventrículo esquerdo e instala-se um estado de baixo fluxo sistêmico com hipóxia. É por isso que a ordem importa mais que o cronômetro: o ideal é clampear depois que o bebê respirou.
O ganho é mensurável. O clampeamento com 60 segundos ou mais redistribui sangue da placenta para o concepto, o que pode representar até 25% do volume placentário, eleva a hemoglobina nas primeiras 24 horas e aumenta a ferritina entre 3 e 6 meses, com possível redução da anemia do lactente. O preço é um aumento da frequência de policitemia, o que obriga a acompanhar a icterícia nos primeiros dias — a ponte entre este capítulo e o de icterícia neonatal. No prematuro, o benefício é mais duro ainda: metanálise de dados individuais de 20 ensaios randomizados com 3.260 recém-nascidos abaixo de 37 semanas mostrou redução de 32% na chance de morte com o clampeamento de no mínimo 60 segundos.
Há três situações em que não se espera nada: descolamento prematuro de placenta, placenta prévia com sangramento e nó verdadeiro de cordão. Nessas, a circulação placentária já está interrompida, e a indicação é de clampeamento imediato. Guardar essas três é mais eficiente que decorar a lista inteira de fatores de risco, porque são as únicas que revertem a conduta padrão.
E quando o bebê não vai bem? Depois dos 15 segundos de estímulo tátil, observa-se se houve desencadeamento de movimentos respiratórios. Se começou a respirar, clampeia-se com no mínimo 60 segundos, como no bebê vigoroso. Se mesmo assim não iniciou a respiração, clampeia-se o cordão — o fluxograma marca menos de 30 segundos — e leva-se o paciente para a mesa sob calor radiante. A frase que governa tudo é: o manejo do cordão não deve atrasar o início da ventilação assistida.
Existe uma alternativa que preserva parte da transfusão placentária nesse cenário: a ordenha do cordão intacto, da placenta em direção ao recém-nascido, seguida do clampeamento antes dos 60 segundos. A técnica é comprimir cerca de 20 centímetros de cordão ao longo de 2 segundos, repetindo o movimento três vezes e deixando o cordão se reencher de sangue a cada vez. O ensaio que sustenta essa opção randomizou 1.730 recém-nascidos de 35 a 42 semanas sem boa vitalidade: não houve diferença na admissão em UTI neonatal, mas a ordenha reduziu a necessidade de suporte cardiorrespiratório na sala de parto, a encefalopatia hipóxico-isquêmica moderada a grave e o uso de hipotermia terapêutica. No prematuro, a ordenha vale de 28 semanas para cima e é contraindicada abaixo disso, porque um ensaio com 540 recém-nascidos de 23 a 31 semanas mostrou mais hemorragia peri-intraventricular grave nesse subgrupo. O que não se faz fora de protocolo de pesquisa é ventilar o recém-nascido ainda ligado à parturiente pelo cordão: três estudos unicêntricos não permitiram excluir nem benefício nem dano.
Passos iniciais: 30 segundos, e nada além disso
Os passos iniciais são o pacote que se executa na mesa de reanimação em no máximo 30 segundos, e têm apenas dois objetivos: manter a normotermia e assegurar vias aéreas pérvias. O recém-nascido chega envolto em campos aquecidos, é posicionado sob calor radiante em decúbito dorsal com a cabeça voltada para o profissional, seca-se a cabeça e o corpo, desprezam-se os campos úmidos, coloca-se a touca e posiciona-se o pescoço em leve extensão. Um coxim sob os ombros ajuda quando o posicionamento da cabeça não sai. Ao fim dos 30 segundos, avaliam-se respiração e frequência cardíaca.
A temperatura tem alvo e tem teto. A normotermia é definida pela OMS como temperatura axilar entre 36,5 e 37,5 graus, e a temperatura à admissão na unidade neonatal é forte preditor de morbidade e mortalidade em todas as idades gestacionais — tanto que virou indicador de qualidade assistencial, a ser anotado. A hipotermia compromete a função respiratória, causa hipóxia tecidual, aumenta a resistência vascular pulmonar e favorece acidose metabólica, hipoglicemia e bradicardia. Do outro lado, é preciso evitar temperatura acima de 38 graus, porque a hipertermia agrava a lesão cerebral no paciente asfixiado. Daí uma regra que a prova gosta de testar pelo avesso: não se desliga a fonte de calor radiante nem se inicia hipotermia terapêutica na sala de parto. Durante a reanimação, garante-se normotermia; a decisão sobre hipotermia terapêutica é tomada nas primeiras 6 horas, depois da admissão na unidade neonatal.
No prematuro abaixo de 34 semanas, o pacote térmico é outro e o corte de idade gestacional é esse mesmo: 34 semanas. Logo após posicionar o paciente sob calor radiante, introduz-se o corpo dentro de um saco plástico de polietileno sem secá-lo, mantendo a face de fora, e o saco só sai depois da estabilização térmica, já na unidade neonatal. Soma-se a touca dupla — plástica coberta por lã ou algodão — para reduzir a perda de calor na região da fontanela, e os gases do suporte respiratório vão umidificados e aquecidos. A perda de calor acontece por quatro mecanismos que vale nomear porque cada medida ataca um: evaporação, condução, convecção e radiação. E há um item a mais dentro dos mesmos 30 segundos: a monitorização entra já aqui — enquanto o pediatra, na cabeceira, insere o saco plástico, coloca a touca e posiciona o pescoço, um segundo profissional posiciona os eletrodos e o sensor do oxímetro, evitando ao máximo deixar o saco aberto.
A aspiração de vias aéreas não é procedimento de rotina em nenhuma idade gestacional, e essa frase vale independentemente do aspecto do líquido amniótico. Recém-nascidos aspirados em oro e nasofaringe logo após o nascimento evoluem com saturação mais baixa e demoram mais para atingir a saturação-alvo; além disso, a aspiração retarda a ventilação em quem precisa dela. A aspiração fica reservada à suspeita de obstrução por excesso de secreções — e aí se aspira delicadamente primeiro a boca, depois as narinas, com sonda traqueal número 8 a 10 no bebê de 34 semanas ou mais (número 6 a 8 no prematuro), sob pressão máxima de 80 a 100 milímetros de mercúrio. Introduzir a sonda de forma brusca ou na faringe posterior induz resposta vagal e espasmo laríngeo, com apneia e bradicardia; aspirar a hipofaringe causa atelectasia e trauma.
Mecônio: o que se deixou de fazer, e desde quando
Mecônio é a pegadinha mais antiga do tema, e a diretriz responde a ela em três tempos. Primeiro: na vigência de líquido amniótico meconial, independentemente da viscosidade, a aspiração das vias aéreas no momento do desprendimento do polo cefálico não deve ser realizada. Segundo: se o recém-nascido está respirando ou chorando e com tônus em flexão, ele tem boa vitalidade e segue o caminho normal — fica com a parturiente, com clampeamento de no mínimo 60 segundos. Terceiro: se não tem boa vitalidade e não inicia respiração efetiva após o estímulo tátil, clampeia-se o cordão e leva-se à mesa para os passos iniciais, com ênfase em normotermia e vias aéreas pérvias — e a aspiração de boca e narinas só entra se houver suspeita de obstrução.
A laringoscopia direta imediata e a aspiração traqueal de rotina não devem ser realizadas, porque não modificam o prognóstico e atrasam a ventilação. A base é uma revisão sistemática com metanálise de quatro estudos randomizados e controlados com 581 recém-nascidos, mais um estudo observacional com 131, comparando aspiração traqueal sob visualização direta contra ventilação com máscara sem aspiração: sem diferença em síndrome de aspiração meconial, encefalopatia hipóxico-isquêmica ou sobrevida à alta hospitalar.
A data importa porque a pergunta “o que mudou?” aparece em prova. Essa recomendação não é da edição de 2026 nem da de 2022: ela entrou nas diretrizes brasileiras de 26 de janeiro de 2016, que registram, com todas as letras, que não existem evidências para indicar de modo rotineiro a aspiração traqueal sob visualização direta no recém-nascido não vigoroso com líquido meconial. A mudança seguiu a revisão do ILCOR de 2015. Antes disso, sob o ILCOR de 2010, a aspiração sob visualização direta era a recomendação padrão para o não vigoroso — que é justamente a conduta que continua circulando em material desatualizado.
Sobrou uma exceção estreita, e ela tem técnica própria. Em raras ocasiões, com obstrução de vias aéreas caracterizada, o recém-nascido não vigoroso com mecônio pode precisar de aspiração de boca e narinas, além de intubação e aspiração traqueal. Nesse caso, a aspiração traqueal é feita uma única vez, através da cânula conectada a um dispositivo para aspiração de mecônio e ao aspirador a vácuo, com pressão máxima de 80 a 100 milímetros de mercúrio — e a ventilação com pressão positiva é aplicada imediatamente depois, respeitando o Minuto de Ouro.
A frequência cardíaca é quem decide
A frequência cardíaca é o principal parâmetro para indicar conduta logo após o nascimento, e a melhora dela é o indicador mais sensível de que a reanimação está funcionando. Os três números que organizam o fluxograma inteiro são: 100 batimentos por minuto ou mais é adequado; abaixo de 100 é bradicardia e o gatilho da ventilação; abaixo de 60 é o gatilho da massagem cardíaca. Não há um quarto número.
A primeira avaliação, logo após os passos iniciais, é feita por ausculta do precórdio com estetoscópio: ausculta-se por seis segundos e multiplica-se por 10, e o valor é dito em voz alta para a equipe. A partir do momento em que há indicação de ventilação, a exigência sobe: é preciso avaliar a frequência cardíaca de modo mais acurado, pelo monitor cardíaco. O motivo é aritmético — tanto a palpação do cordão umbilical quanto a ausculta precordial subestimam a frequência cardíaca em cerca de 15 a 25 batimentos por minuto em comparação ao monitor, e método que subestima leva a intervenção desnecessária. A oximetria detecta a frequência de pulso de forma contínua, mas demora mais que o monitor e também subestima nos primeiros minutos.
Um detalhe conceitual que rende distrator: o monitor cardíaco na sala de parto serve para acompanhar o valor da frequência cardíaca, não para detectar arritmias — as características do traçado eletrocardiográfico não são valorizadas nesse momento.
O sensor do oxímetro tem lugar fixo e único: membro superior direito, na região do pulso radial, para medir saturação pré-ductal. Isso não é preferência, é a definição de pré-ductal — o membro superior direito é irrigado antes da desembocadura do canal arterial, e é essa a saturação que a tabela-alvo descreve. A leitura confiável de saturação e frequência cardíaca demora cerca de 1 a 2 minutos após o nascimento, desde que haja débito cardíaco suficiente com perfusão periférica; vérnix caseoso, circulação transicional e movimentação atrapalham.
Saturação-alvo por minuto: a régua que mudou em 2026
Este é o ponto em que material antigo e material novo se contradizem de forma visível, e por isso é alvo fácil de questão. De 2011 até a edição de 2022, a saturação-alvo brasileira vinha em três faixas largas: até 5 minutos, de 70 a 80%; de 5 a 10 minutos, de 80 a 90%; acima de 10 minutos, de 85 a 95%. Em 2026, o PRN-SBP passou a valores minuto a minuto, alinhados às diretrizes norte-americana e europeia, na tabela que abre o bloco seguinte — e a mesma tabela vale para o bebê de 34 semanas ou mais e para o prematuro.
Repare na direção da mudança: os alvos ficaram mais baixos nos primeiros minutos. Aos 5 minutos, o alvo passou de 70 a 80% para 80 a 85% — subiu; mas nos minutos 2 e 3, que antes estavam contidos na faixa larga de 70 a 80%, o alvo hoje é 65 a 70% e 70 a 75%. Isso não é detalhe: é o que impede que alguém ofereça oxigênio a um bebê de 2 minutos de vida com 68% de saturação, achando que está abaixo do alvo.
A tabela existe porque a transição normal é lenta, e isso precisa estar internalizado. No recém-nascido que não recebe nenhum procedimento de reanimação, a saturação com 1 minuto de vida fica em torno de 60 a 65%, e só se aproxima de 85% no quinto minuto. Alcançar saturação acima de 90% respirando ar ambiente exige 5 minutos ou mais em recém-nascidos saudáveis. Cianose nos primeiros minutos, portanto, é achado esperado, não indicação de oxigênio.
A monitorização da saturação é obrigatória para o uso criterioso e racional do oxigênio suplementar — e essa frase, na prática, quer dizer que ninguém titula oxigênio no olho. Se a saturação está fora do alvo, aumenta-se ou diminui-se a concentração de oxigênio em 20% a cada 30 segundos, e não com mais frequência: há um atraso médio de 30 segundos entre o que se ajusta no blender e o que chega ao paciente. O blender é obrigatório, e quando oxigênio suplementar é administrado, a concentração deve ser reduzida o mais rápido possível assim que o alvo é atingido.
Ventilação: o procedimento que resolve nove em cada dez
A ventilação pulmonar é o procedimento mais importante e efetivo da reanimação neonatal, e a diretriz repete isso em três lugares diferentes. A razão é fisiológica: o sucesso da transição depende de substituir por ar o líquido que preenche sáculos e alvéolos. Feita essa substituição, o leito vascular pulmonar dilata, a resistência vascular pulmonar cai, o sangue do coração direito chega aos pulmões, é oxigenado e volta ao coração esquerdo para a circulação sistêmica. Sem aeração pulmonar adequada não há hematose nem transição do padrão circulatório fetal para o neonatal, e nenhuma outra intervenção contorna isso. Some-se um detalhe elegante: na apneia a glote permanece fechada, e é a ventilação com pressão positiva que a mantém aberta.
A indicação é uma só: após os passos iniciais, apneia ou respiração irregular e/ou frequência cardíaca abaixo de 100 batimentos por minuto. E o prazo é o Minuto de Ouro — a ventilação precisa começar nos primeiros 60 segundos após o nascimento. O número que justifica a pressa é caro: o risco de morte ou morbidade aumenta 16% a cada 30 segundos de demora para iniciar a ventilação, independentemente do peso ao nascer, da idade gestacional ou de complicações da gravidez ou do parto.
A concentração inicial de oxigênio depende da idade gestacional, e essa é a bifurcação mais cobrada do capítulo. No recém-nascido de 34 semanas ou mais, a ventilação começa com ar ambiente, 21% de oxigênio. A base é uma metanálise de 10 ensaios clínicos com 2.164 recém-nascidos de 35 semanas ou mais: ventilar com ar ambiente, comparado a oxigênio a 100%, associou-se a redução de 27% na mortalidade intra-hospitalar. No prematuro abaixo de 34 semanas, a ventilação começa com oxigênio a 60% — valor que dobrou em relação aos 30% da edição de 2022. Nos dois casos, a titulação segue a saturação pré-ductal, com ajustes de 20% a cada 30 segundos.
Os parâmetros estão na terceira tabela do bloco seguinte, e o que importa reter aqui são três coisas. A frequência é de 30 a 60 movimentos por minuto nas duas faixas de idade gestacional, obtida pela regra prática “aperta/solta/solta” com o balão autoinflável ou “ocluuui/solta/solta” com o ventilador com Peça-T. A pressão máxima do circuito é limitada em 40 centímetros de água. E depois das primeiras 3 a 5 ventilações reajusta-se a pressão inspiratória para visualizar movimento torácico leve e auscultar entrada de ar — leve, e não ampla: o objetivo é expansão adequada sem superdistensão.
A escolha do equipamento também tem hierarquia. O ventilador mecânico manual com Peça-T é preferível, porque fornece pressão consistente a cada ventilação, oferece PEEP e CPAP de forma confiável e é menos cansativo. O balão autoinflável tem a vantagem de não depender de gás comprimido nem de eletricidade, e deve estar sempre disponível e pronto para uso em todo nascimento — mas não fornece CPAP, não fornece PEEP consistente mesmo com válvula acoplada, e a pressão que entrega depende da força e da velocidade da compressão, com válvula de escape ativada entre 30 e 40 centímetros de água. Um detalhe de concentração que decide questão: o balão fornece 21% quando não está conectado à fonte de oxigênio e 90 a 100% quando conectado a 5 litros por minuto com reservatório — concentrações intermediárias com ele não são tituláveis, mesmo acoplado a blender.
A reavaliação acontece aos 30 segundos. Se o bebê apresenta frequência cardíaca de 100 ou mais e respiração espontânea regular, suspende-se a ventilação: de cada 10 recém-nascidos que recebem ventilação com máscara facial ao nascer, nove melhoram e não precisam de mais nada. Se mantém frequência abaixo de 100 e/ou não retoma respiração rítmica, é falha, e existe uma sequência fixa de correções antes de qualquer escalada: readaptar a máscara à face, reposicionar a cabeça mantendo o pescoço em leve extensão, aspirar secreções de boca e nariz, ventilar com a boca levemente aberta e, por último, aumentar a pressão em cerca de 5 centímetros de água até o máximo de 40. A cada ação corretiva, verificam-se movimento torácico e frequência cardíaca. E vale a regra de ouro do oxigênio: quando o bebê não melhora com ventilação em ar ambiente, corrige-se a técnica antes de oferecer oxigênio suplementar — aumentar oxigênio ventilando errado não melhora ninguém.
O CPAP fecha o assunto, e tem estatuto diferente nas duas populações. No prematuro é a melhor estratégia inicial de suporte respiratório, indicado quando há frequência cardíaca de 100 ou mais com respiração espontânea e desconforto ou saturação abaixo do alvo, aplicado com Peça-T e máscara facial a 5 a 6 centímetros de água. No bebê de 34 semanas ou mais a mesma indicação existe, mas com cautela explícita: uma coorte retrospectiva de 6.913 recém-nascidos com 35 semanas ou mais mostrou aumento de 5,5 vezes na chance de pneumotórax com CPAP na sala de parto, tanto maior quanto maior a idade gestacional. Se a saturação está dentro do alvo, a conduta é conservadora. Em ventilação ou CPAP prolongados por máscara facial, insere-se sonda orogástrica, mantida aberta, para reduzir a distensão gástrica.

Quando a máscara não resolve: laríngea e cânula traqueal
Corrigida a técnica e ainda sem melhora, muda-se de interface. A máscara laríngea é um dispositivo supraglótico inserido pela boca até recobrir a glote, sem necessidade de laringoscópio. No Brasil, o menor tamanho disponível é o número 1, adequado para 2 a 5 quilos, e a indicação da diretriz é para recém-nascido de 34 semanas ou mais com peso estimado de 2.000 gramas ou mais. Os números que a sustentam são bons: comparada à máscara facial em revisão sistemática de seis ensaios com 1.823 recém-nascidos, a máscara laríngea reduziu em 76% a probabilidade de falha da ventilação e em 66% a de intubação traqueal, com menor duração da ventilação e menor tempo até atingir frequência cardíaca de 100 ou mais.
Mesmo assim, o posicionamento dela na sequência brasileira é o de alternativa, não de primeira escolha: sugere-se o dispositivo supraglótico quando a ventilação com máscara facial não é efetiva e a intubação traqueal não é factível ou não foi bem-sucedida. Ela também é a interface de primeira escolha na via aérea difícil — sequência de Pierre Robin, Treacher Collins, fendas laringotraqueoesofágicas e afins. As limitações são três e devem ser memorizadas juntas: não foi estudada para aspiração de secreções, não serve para instilação de medicação por via traqueal e não é recomendada como interface rotineira durante a massagem cardíaca.
A intubação traqueal tem três indicações em sala de parto: ventilação com máscara não efetiva depois de corrigidos os problemas técnicos, com frequência cardíaca persistentemente abaixo de 100; ventilação com máscara prolongada, quando o bebê não retoma respiração espontânea; e a aplicação de massagem cardíaca. Fora dessas, há a indicação clássica da hérnia diafragmática, que exige intubação e sonda gástrica imediatas quando o paciente precisa de ventilação. Por ser procedimento de emergência, não há tempo hábil para analgesia prévia na sala de parto.
O material segue idade gestacional e peso estimado, e está na última tabela do bloco seguinte: diâmetro da cânula, número da lâmina reta e marca em centímetros no lábio superior. As cânulas são sem balonete e com marcador de corda vocal, e deixa-se sempre à mão uma de diâmetro maior e outra menor. O marcador de corda vocal isolado não basta para estimar a profundidade, porque seu desenho varia entre fabricantes — por isso a marca em centímetros entra junto com a visualização das cordas.
Três regras de execução fecham o assunto. Cada tentativa de intubação dura no máximo 30 segundos; em caso de insucesso, interrompe-se, volta-se à ventilação com máscara facial e tenta-se de novo após a estabilização. Logo após a intubação, a ventilação é aplicada com oxigênio a 60%, ajustando-se depois pela saturação pré-ductal. E a confirmação do posicionamento: o melhor indicador clínico de que a cânula está na traqueia é o aumento da frequência cardíaca, mas a avaliação clínica isolada é lenta e imprecisa — a detecção de gás carbônico exalado por método colorimétrico é mais acurada e reduz o tempo de confirmação para menos de 10 segundos. Atenção ao falso-negativo: com débito cardíaco comprometido e fluxo pulmonar baixo, o detector pode não virar de cor mesmo com a cânula bem posicionada.
Massagem cardíaca: 3 para 1, 120 eventos, e reavaliação só aos 60 segundos
O gatilho da massagem cardíaca é frequência cardíaca abaixo de 60 batimentos por minuto após 30 segundos de ventilação com técnica adequada. A diretriz é explícita quanto ao que “técnica adequada” significa na prática: como a massagem reduz a eficácia da ventilação, e a ventilação é a ação mais efetiva da reanimação neonatal, as compressões só começam quando a expansão e a ventilação pulmonares estão bem estabelecidas, com a via aérea assegurada — ou seja, na prática clínica, após 30 segundos de ventilação por cânula traqueal. Massagear um bebê que ainda está sendo mal ventilado por máscara é o erro conceitual mais caro do tema.
A partir do momento em que a massagem entra, o oxigênio vai a 100%. A recomendação não vem de vantagem demonstrada em modelos animais durante a parada, e sim do peso dos efeitos deletérios da hipóxia no asfixiado com perfusão comprometida, somado à impossibilidade prática de titular oxigênio quando a oximetria não consegue sinal confiável no paciente bradicárdico. Recuperada a função cardíaca e a leitura do oxímetro, reduz-se o oxigênio conforme a saturação-alvo, para evitar a hiperóxia — que, entre outras coisas, reduz o fluxo sanguíneo cerebral.
A técnica é a dos dois polegares, com os outros dedos envolvendo o tórax, e é superior às demais porque comprime a área correta na profundidade adequada, gera maior pico de pressão sistólica e de perfusão coronariana e cansa menos. Os polegares podem ficar sobrepostos ou justapostos. O ponto é o terço inferior do esterno, logo abaixo da linha intermamilar, poupando o apêndice xifoide, onde está a maior parte do ventrículo esquerdo. A profundidade é de um terço do diâmetro anteroposterior do tórax, o suficiente para produzir pulso palpável, e é obrigatório permitir a reexpansão plena entre as compressões, para que ventrículos e coronárias se encham. As complicações que a diretriz nomeia são fratura de costelas, pneumotórax, hemotórax e laceração de fígado — esta última quando se comprime o xifoide, que é exatamente o ponto que a técnica manda poupar.
A relação é de 3 para 1: três compressões para uma ventilação, com frequência total de 120 eventos por minuto — 90 compressões e 30 ventilações a cada minuto. A sincronia garante a expansão pulmonar plena, central para a transição cardiocirculatória. Quem massageia fica atrás da cabeça do recém-nascido, e quem ventila se desloca para o lado: além de reduzir a fadiga, essa posição libera o coto umbilical para o cateterismo venoso, que provavelmente virá a seguir. Sugere-se trocar o profissional que comprime a cada 2 a 5 minutos.
A reavaliação é aos 60 segundos, e esse número é uma das diferenças mais cobradas do capítulo: a ventilação se reavalia aos 30 segundos, a massagem aos 60. O motivo é fisiológico — 60 segundos é o tempo mínimo para que a massagem efetiva restabeleça a pressão de perfusão coronariana, e interrupções desnecessárias comprometem a recuperação cardíaca. Se, aos 60 segundos, a frequência cardíaca ultrapassa 60, interrompe-se apenas a massagem e começa-se a reduzir o oxigênio; se o bebê tem respiração espontânea regular e frequência de 100 ou mais, a ventilação também é suspensa. Se mantém abaixo de 60, verifica-se posição da cânula, permeabilidade das vias aéreas, concentração de oxigênio e técnica de ventilação e de massagem, antes de passar às medicações.

Adrenalina e expansor: a dose muda com a via
A medicação entra quando a frequência cardíaca permanece abaixo de 60 batimentos por minuto apesar de ventilação efetiva por cânula traqueal com oxigênio a 100%, acompanhada de massagem cardíaca adequada e sincronizada por no mínimo 60 segundos. Isso acontece em 1 a 3 recém-nascidos por 1.000 nascidos vivos quando os passos anteriores foram bem executados — e essa raridade é o argumento da diretriz para insistir que bradicardia neonatal é, em geral, resultado de insuflação pulmonar insuficiente ou de hipoxemia profunda, e que a ventilação adequada é o passo mais importante para corrigi-la.
A via preferencial da adrenalina é a intravascular, e o acesso de eleição é o cateterismo venoso umbilical de emergência, feito com técnica estéril assim que houver indicação de medicação — nas primeiras horas de vida a veia umbilical está pérvia, acessível e oferece acesso central direto. Usa-se cateter de lúmen único 3,5 ou 5,0 French preenchido com soro fisiológico; corta-se o cordão em ângulo reto cerca de 2 centímetros acima da base e identifica-se a veia, em geral na posição de 12 horas, maior, de paredes finas e aspecto ovalado, ao contrário das duas artérias, menores, de paredes espessas e enroladas; progride-se de 3 a 4 centímetros após o ânulo, até haver refluxo de sangue, mantendo o cateter em posição periférica e evitando o nível hepático. A via intraóssea é alternativa quando o cateterismo umbilical não é factível, na superfície plana anteromedial da tíbia, 1 a 2 centímetros abaixo e medial à tuberosidade tibial.
A diluição é obrigatória e é a mesma para qualquer via: 1 mililitro da ampola comercial de 1 miligrama por mililitro em 9 mililitros de soro fisiológico, resultando em 0,1 miligrama por mililitro. As doses estão na tabela do bloco seguinte, e o que precisa ficar gravado é a relação entre elas: em volume, a dose traqueal é cinco vezes a intravascular — 1,0 mililitro por quilo contra 0,2 mililitro por quilo da mesma solução. Trocar as duas é o erro de prescrição mais frequente do tema, e ele erra em cinco vezes para mais ou para menos.
A via traqueal tem três restrições que costumam ser cobradas juntas. É de uso único, indicada apenas enquanto o cateterismo venoso umbilical está sendo realizado, e não pode atrasar a obtenção do acesso vascular. A adrenalina é instilada no interior da cânula traqueal, e não no conector entre a cânula e o equipamento, sendo distribuída aos pulmões pela própria ventilação. E é contraindicado fazer flush com salina para empurrá-la — flush é da via intravascular, não da traqueal. A absorção pulmonar é lenta, imprevisível e a resposta costuma ser insatisfatória, mesmo com doses altas. Sem reversão da bradicardia com a adrenalina intravascular, assegura-se ventilação e massagem adequadas e repete-se a dose a cada 3 a 5 minutos, por via intravascular. Doses acima de 0,1 miligrama por quilo não devem ser empregadas por nenhuma via no período neonatal: causam hipertensão arterial grave, queda da função miocárdica e piora do quadro neurológico.
O expansor de volume é o soro fisiológico a 0,9%, 10 mililitros por quilo, administrado lentamente em 5 a 10 minutos. A indicação é a suspeita de hipovolemia: ausência de aumento da frequência cardíaca em resposta às demais medidas, ou perda de sangue, ou sinais de choque hipovolêmico como palidez, má perfusão e pulsos débeis — o que remete a hemorragia materna ou fetal aguda, como descolamento prematuro de placenta, laceração placentária e nó apertado de cordão. Concentrado de hemácias tipo O Rh negativo entra quando se suspeita de anemia fetal grave. A cautela é explícita: sem choque ou perda aguda de sangue, dar volume a um recém-nascido com lesão miocárdica induzida pela asfixia pode piorar o quadro, precipitando edema pulmonar e hemorragia intraventricular.
Duas medicações estão fora, e a prova gosta delas como distrator. Bicarbonato de sódio não é recomendado: falta evidência de benefício, e há preocupação de que comprometa a pressão de perfusão coronariana ao reduzir a resistência vascular sistêmica, além de causar hipernatremia, hiperosmolaridade, excesso de gás carbônico e piora da acidose venosa central. Naloxone também não: falta evidência de efeito clinicamente importante em recém-nascidos com depressão respiratória cujas mães receberam opioides, a segurança no período neonatal não foi avaliada e há relatos animais de edema pulmonar, convulsão e parada cardíaca. Atropina, albumina e vasopressores não figuram na reanimação ao nascimento. E o surfactante não é medicação de sala de parto: o manejo inicial prioriza CPAP ou ventilação, com o surfactante indicado depois, nas primeiras duas horas, conforme a evolução.
Apgar: para que serve e para que não serve
O boletim de Apgar é determinado no primeiro e no quinto minutos após a extração completa do corpo materno e não é utilizado para indicar procedimentos na reanimação neonatal. Essa é a frase inteira, e ela vale como resposta de prova. O que o Apgar faz é permitir avaliar retrospectivamente a resposta do paciente às manobras realizadas, além de ter valor prognóstico do ponto de vista de estudos populacionais.
A regra operacional que decorre disso: se o Apgar for menor que 7 no quinto minuto, ele passa a ser feito a cada cinco minutos, até 20 minutos após o nascimento. E é obrigatório documentá-lo de maneira concomitante ao registro dos procedimentos de reanimação executados — a diretriz traz um modelo de boletim ampliado justamente para casar as duas linhas do tempo.
O Apgar de 0 ou 1 aos 10 minutos é forte preditor de morbidade, especialmente neurológica, e de mortalidade. Mas os números modernos impedem que ele seja lido como sentença. Revisão sistemática da força-tarefa neonatal do ILCOR mostrou sobrevida sem sequelas maiores do neurodesenvolvimento mesmo com Apgar de 0 ou 1 aos 10 minutos: entre os 39 recém-nascidos reanimados por mais de 20 minutos, 15 sobreviveram, e seis desses sobreviventes não tinham lesão neurológica moderada ou grave. Outra metanálise, com 28 estudos e 820 recém-nascidos, mostrou que dois em cada cinco com Apgar 0 no décimo minuto sobrevivem, e um em cada cinco sobrevive sem sequela neurológica moderada ou grave. A disponibilidade de hipotermia terapêutica modifica esse prognóstico.
Quando não iniciar, quando parar, e como sair da sala
Para o recém-nascido de 34 semanas ou mais, a questão de não iniciar a reanimação só se coloca diante de anomalias congênitas letais ou potencialmente letais, em que a chance de óbito ou de sobrevida com sequelas muito graves e permanentes põe em questão a futilidade da manobra. Recomenda-se comprovação diagnóstica antenatal e é obrigatório considerar a vontade da família, bem informada sobre as opções, os riscos e os benefícios. A possibilidade de reanimação deve ser discutida antes do parto. A regra de desempate é o que mais cai: se não houver certeza quanto à decisão de não reanimar, ou se não houve oportunidade de discutir o desejo da família, todos os procedimentos necessários devem ser realizados conforme as diretrizes atualizadas. As decisões sobre suporte vital podem ser tomadas depois, com a família, já na unidade neonatal. Se a decisão for por não reanimar, oferece-se cuidado de conforto, com atenção aos aspectos culturais e religiosos.
Quanto a interromper, não há duração específica de esforço que prediga de modo consistente óbito ou sequela grave. O que a diretriz oferece é um momento para a conversa: se, apesar de todos os procedimentos recomendados, o recém-nascido segue exigindo reanimação avançada de modo continuado, sugere-se discutir a interrupção entre os membros da equipe e com a família, e um tempo razoável para essa discussão é ao redor de 20 minutos depois do nascimento. A decisão é individualizada e leva em conta idade gestacional, anomalias congênitas, duração da agressão asfíxica, se a reanimação foi de fato bem conduzida, o desejo familiar e a disponibilidade de infraestrutura para os cuidados pós-reanimação. Sem possibilidade de conversar com a família, a equipe age no melhor interesse do recém-nascido. Qualquer decisão vai relatada com fidelidade no prontuário materno e/ou do recém-nascido.
O transporte fecha o atendimento e tem uma regra dura: nunca transportar o recém-nascido com frequência cardíaca abaixo de 100 batimentos por minuto. O transporte só acontece após a estabilização cardiorrespiratória, é procedimento de alto risco mesmo em distâncias curtas e exige planejamento, equipe treinada e comunicação eficaz. A incubadora vai pré-aquecida entre 35 e 37 graus, com touca; o prematuro segue dentro do saco plástico, com touca dupla e, abaixo de 1.000 gramas, com colchão térmico químico. Mantém-se o pescoço em leve extensão, o suporte respiratório conforme a condição clínica e a monitorização de frequência cardíaca, respiração e saturação até a chegada à unidade neonatal — onde a temperatura de admissão será anotada, porque é indicador de qualidade.
O fluxograma com relógio
O fluxo abaixo é a sequência inteira, do nascimento à reanimação avançada, na ordem cronológica em que ela acontece — que é a ordem em que a questão a percorre. A primeira tabela é a única escala verdadeiramente contínua do tema, a saturação-alvo pré-ductal minuto a minuto, e é a que mais mudou em 2026. A segunda organiza o que a prova cobra como “o próximo passo”: cada intervenção com seu gatilho e seu prazo de reavaliação. A terceira separa o que muda entre o bebê de 34 semanas ou mais e o prematuro, que é onde nasce a maior parte dos erros. A quarta traz as doses de adrenalina e expansor por via, e a quinta, o material da intubação por idade gestacional e peso.
- 1Antes do nascimento: anamnese materna em busca de fatores de risco, verificação do material com lista padronizada, sala entre 23 e 25 graus com calor radiante já ligado, e briefing da equipe definindo funções e liderança.
- 2Ao nascer, três perguntas simultâneas: gestação de 34 semanas ou mais? Está respirando ou chorando? Tônus em flexão? O aspecto do líquido amniótico não entra nessa avaliação.
- 3Com boa vitalidade: clampear o cordão com no mínimo 60 segundos e manter o bebê em contato pele-a-pele com a mãe, provendo calor, assegurando vias aéreas pérvias, avaliando a vitalidade de modo continuado e estimulando a amamentação. O prematuro abaixo de 32 semanas, mesmo com boa vitalidade, vai à mesa depois do clampeamento.
- 4Sem boa vitalidade: estímulo tátil no dorso, com movimentos circulares, por cerca de 15 segundos, ANTES de clampear o cordão. Se começar a respirar, clampeia-se com no mínimo 60 segundos. Se não respirar, clampeia-se (o fluxograma marca menos de 30 segundos) e leva-se à mesa — a ordenha de cordão intacto é a alternativa que preserva a transfusão placentária, permitida de 28 semanas para cima.
- 5Passos iniciais na mesa, em no máximo 30 segundos: calor radiante, secar cabeça e corpo, desprezar campos úmidos, touca, pescoço em leve extensão. Aspirar boca e narinas apenas se houver suspeita de obstrução. No prematuro abaixo de 34 semanas, entrar com o corpo no saco plástico sem secá-lo, touca dupla, e posicionar monitor cardíaco e oxímetro dentro dos mesmos 30 segundos.
- 6Avaliar respiração e frequência cardíaca. Se respiração regular e frequência de 100 ou mais, seguir com os cuidados de rotina e o contato pele-a-pele. Se apneia ou respiração irregular e/ou frequência abaixo de 100, iniciar a ventilação com pressão positiva dentro dos primeiros 60 segundos de vida.
- 7Ventilar com máscara facial: ar ambiente no bebê de 34 semanas ou mais, oxigênio a 60% no prematuro; frequência de 30 a 60 movimentos por minuto; pressão inspiratória inicial de 20 a 30 (20 a 25 no prematuro); PEEP de 5. Enquanto um profissional ventila, o outro posiciona os eletrodos do monitor cardíaco e o sensor do oxímetro no pulso radial direito.
- 8Reavaliar aos 30 segundos. Melhorou (frequência de 100 ou mais com respiração regular): suspender. Não melhorou: percorrer as ações corretivas na ordem — readaptar a máscara, reposicionar a cabeça, aspirar secreções, ventilar com a boca levemente aberta, aumentar a pressão em cerca de 5 centímetros de água até o máximo de 40. Corrigir a técnica antes de aumentar o oxigênio.
- 9Persistindo frequência abaixo de 100 com a técnica já corrigida: considerar máscara laríngea (34 semanas ou mais e peso estimado de 2.000 gramas ou mais) ou intubação traqueal. Após a intubação, ventilar com oxigênio a 60% e titular pela saturação.
- 10Frequência abaixo de 60 após 30 segundos de ventilação adequada — na prática, por cânula traqueal: iniciar massagem cardíaca com oxigênio a 100%, técnica dos dois polegares no terço inferior do esterno, relação 3:1, 120 eventos por minuto. Considerar o cateterismo venoso umbilical desde já.
- 11Reavaliar a massagem só aos 60 segundos. Acima de 60 batimentos: interromper as compressões e reduzir o oxigênio pela saturação-alvo. Abaixo de 60: adrenalina intravascular 0,02 miligrama por quilo (0,2 mililitro por quilo da diluição), repetível a cada 3 a 5 minutos, e considerar hipovolemia — soro fisiológico 10 mililitros por quilo em 5 a 10 minutos.
- 12Sem retorno da circulação apesar de tudo: discutir a interrupção com a equipe e com a família ao redor de 20 minutos após o nascimento. Estabilizado, transportar — nunca com frequência cardíaca abaixo de 100 — em incubadora pré-aquecida, e fazer o debriefing da equipe e a conversa com a família.
| Minutos após o nascimento | Saturação-alvo pré-ductal (Diretrizes 2026) | O que valia de 2011 a 2022 | O que fazer |
|---|---|---|---|
| 2 minutos | 65 a 70% | Faixa única de 70 a 80% para tudo até 5 minutos | Sensor no pulso radial direito. Valor abaixo do alvo com ventilação em curso: corrigir a técnica antes de mexer no oxigênio. |
| 3 minutos | 70 a 75% | Faixa única de 70 a 80% para tudo até 5 minutos | Fora do alvo: ajustar a concentração de oxigênio em 20%, para cima ou para baixo, e esperar 30 segundos antes do próximo ajuste. |
| 4 minutos | 75 a 80% | Faixa única de 70 a 80% para tudo até 5 minutos | Ajuste em 20% a cada 30 segundos, com blender obrigatório. |
| 5 minutos | 80 a 85% | 80 a 90% na faixa de 5 a 10 minutos | Não atingir 80% aos 5 minutos é associado a maior risco de morte e lesão cerebral no prematuro. |
| 10 minutos | 85 a 95% | 85 a 95% acima de 10 minutos | Assim que o alvo é atingido, reduzir o oxigênio suplementar o mais rápido possível. |
Cada intervenção com seu gatilho e seu relógio
| Intervenção | Gatilho | Prazo | Quando reavaliar |
|---|---|---|---|
| Estímulo tátil no dorso | Ausência de boa vitalidade ao nascer: não respira ou não chora ou não inicia respiração regular, e/ou tônus flácido | Cerca de 15 segundos, antes do clampeamento do cordão | Imediatamente: se respirou, clampeia-se com no mínimo 60 segundos; se não, clampeia-se e vai para a mesa |
| Passos iniciais | Não iniciou a respiração após o estímulo tátil | No máximo 30 segundos | Ao fim dos 30 segundos, avaliando respiração e frequência cardíaca |
| Ventilação com pressão positiva | Apneia ou respiração irregular e/ou frequência cardíaca abaixo de 100 bpm | Iniciar nos primeiros 60 segundos de vida (Minuto de Ouro) | Aos 30 segundos de ventilação |
| Ações corretivas da ventilação | Frequência abaixo de 100 e/ou ausência de respiração rítmica após 30 segundos de ventilação | Sequência fixa: máscara, cabeça, secreções, boca aberta, pressão | A cada ação corretiva, checando movimento torácico e frequência cardíaca |
| Máscara laríngea ou intubação | Ventilação com máscara facial ineficaz apesar das correções, ventilação prolongada, ou indicação de massagem cardíaca | Cada tentativa de intubação dura no máximo 30 segundos | Aos 30 segundos de ventilação pela nova interface |
| Massagem cardíaca | Frequência cardíaca abaixo de 60 bpm após 30 segundos de ventilação adequada — na prática, por cânula traqueal | Relação 3:1, 120 eventos por minuto, com oxigênio a 100% | Só aos 60 segundos: é o tempo mínimo para restabelecer a perfusão coronariana |
| Adrenalina | Frequência abaixo de 60 bpm após 60 segundos de massagem sincronizada com ventilação por cânula traqueal e oxigênio a 100% | Intravascular, o mais rápido possível; a via traqueal só enquanto se obtém o acesso | Repetir a cada 3 a 5 minutos por via intravascular |
| Discussão sobre interromper | Reanimação avançada continuada sem retorno da circulação espontânea | Ao redor de 20 minutos depois do nascimento | Decisão individualizada, com a equipe e com a família, registrada em prontuário |
O que muda entre 34 semanas ou mais e o prematuro
| Item | Recém-nascido com 34 semanas ou mais | Recém-nascido com menos de 34 semanas |
|---|---|---|
| Oxigênio para iniciar a ventilação | Ar ambiente, 21% | 60% (eram 30% até a edição de 2022) |
| Controle térmico nos passos iniciais | Secar cabeça e corpo, desprezar campos úmidos, touca | Entrar com o corpo no saco plástico de polietileno SEM secar, face de fora, mais touca dupla; colchão térmico químico como medida adicional no prematuro extremo |
| Destino do bebê com boa vitalidade | Pele-a-pele com a parturiente após clampeamento de no mínimo 60 segundos | De 32 a 33 semanas, pele-a-pele com monitorização constante; abaixo de 32 semanas, sempre à mesa de reanimação |
| Ordenha de cordão quando não respira após o estímulo | Opção para prover transfusão placentária | Opção de 28 semanas para cima; contraindicada abaixo de 28 semanas |
| Equipamento de ventilação | Balão autoinflável ou ventilador com Peça-T, sendo este preferível | Ventilador com Peça-T, com gases umidificados e aquecidos |
| Pressão inspiratória inicial e PEEP | 20 a 30 cmH2O e PEEP de 5 cmH2O | 20 a 25 cmH2O e PEEP de 5 a 6 cmH2O |
| CPAP na sala de parto | Com cautela: associado a aumento de 5,5 vezes na chance de pneumotórax; se a saturação está no alvo, conduta conservadora | Melhor estratégia inicial de suporte respiratório, a 5 a 6 cmH2O com Peça-T e máscara facial |
| Saturação-alvo, massagem, adrenalina e expansor | Iguais nos dois documentos | Iguais nos dois documentos |
Adrenalina e expansor: dose por via
| Medicação e via | Diluição | Dose | Volume por quilo e execução |
|---|---|---|---|
| Adrenalina intravascular (veia umbilical ou intraóssea) — via preferencial | 1 mL da ampola de 1 mg/mL em 9 mL de soro fisiológico, resultando em 0,1 mg/mL | 0,01 a 0,03 mg/kg; na prática, 0,02 mg/kg | 0,2 mL/kg em seringa de 1 mL. Infundir rápido, seguido de flush de 3,0 mL de soro fisiológico. Repetir a cada 3 a 5 minutos se necessário. Exemplos: 0,4 mL para 2 kg, 0,6 mL para 3 kg, 0,8 mL para 4 kg. |
| Adrenalina endotraqueal — só enquanto se obtém o acesso | A mesma: 1 mL em 9 mL de soro fisiológico | 0,05 a 0,10 mg/kg; na prática, 0,1 mg/kg | 1,0 mL/kg em seringa de 5 mL. Instilar no interior da cânula traqueal e ventilar. USO ÚNICO e sem flush de salina. Exemplos: 2,0 mL para 2 kg, 3,0 mL para 3 kg, 4,0 mL para 4 kg. |
| Expansor de volume | Soro fisiológico a 0,9%, sem diluição | 10 mL/kg | Infundir lentamente, em 5 a 10 minutos. Segunda dose de 10 mL/kg possível após corrigir todos os fatores técnicos. Concentrado de hemácias O Rh negativo se houver suspeita de anemia fetal grave. |
| Dose máxima e o que não se usa | — | Nunca acima de 0,1 mg/kg de adrenalina por qualquer via | Doses maiores causam hipertensão grave, queda da função miocárdica e piora neurológica. Bicarbonato de sódio e naloxone não são recomendados; atropina, albumina e vasopressores não figuram na reanimação ao nascimento. |
Intubação: cânula, lâmina e profundidade
| Idade gestacional | Peso estimado | Cânula traqueal (diâmetro interno) | Lâmina reta | Marca no lábio superior |
|---|---|---|---|---|
| 28 a 34 semanas | 1.000 a 2.000 g | 3,0 mm | Nº 0 | 7,5 cm para 33 a 34 semanas (1.500 a 1.800 g) |
| 35 a 38 semanas | 2.000 a 3.000 g | 3,5 mm | Nº 1 | 8,0 cm para 35 a 37 semanas (1.900 a 2.400 g) |
| 38 a 40 semanas | 2.500 a 3.100 g | 3,5 mm (acima de 38 semanas, 3,5 ou 4,0) | Nº 1 | 8,5 cm |
| 40 a 43 semanas | 3.200 a 4.200 g | 3,5 ou 4,0 mm | Nº 1 | 9,0 cm |
As cânulas traqueais neonatais são sem balonete, de diâmetro uniforme, com linha radiopaca e marcador de corda vocal, e deixa-se sempre à disposição uma de diâmetro superior e outra inferior à escolhida. O marcador de corda vocal isolado não basta para estimar a profundidade, porque seu desenho varia entre fabricantes — por isso a marca em centímetros no lábio superior entra junto.
O colchão térmico químico é medida adicional no prematuro extremo, e os dois documentos o delimitam de maneiras diferentes: o texto o sugere para idade gestacional abaixo de 30 semanas, enquanto a lista de material e o resumo dos pontos principais o vinculam a peso abaixo de 1.000 gramas. Ele deve ser aprovado para uso neonatal, com limite de 40 graus, e convém colocar um campo de algodão entre o colchão e a pele.
O ventilador com Peça-T é o equipamento preferido, mas o balão autoinflável tem de estar sempre disponível e pronto para uso em todo nascimento, porque é o único que funciona sem gás comprimido e sem eletricidade. Com o balão não se aplica CPAP, e a PEEP não é consistente nem com válvula acoplada.
A massagem cardíaca é reavaliada aos 60 segundos, e não aos 30 como a ventilação. Trocar esses dois números é o erro de sequência mais comum, e ele muda a resposta de qualquer questão que peça o próximo passo.
Não se desliga a fonte de calor radiante nem se inicia hipotermia terapêutica na sala de parto. Durante a reanimação, o objetivo é normotermia entre 36,5 e 37,5 graus, evitando ultrapassar 38 graus; a indicação de hipotermia terapêutica é decidida nas primeiras 6 horas de vida, já na unidade neonatal.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
FiO2 de 0,30 ou mais, sem fixar valor — Força Tarefa Neonatal do ILCOR, outubro de 2025
A recomendação internacional de outubro de 2025 é usar fração inspirada de oxigênio igual ou superior a 0,30 para iniciar a ventilação do prematuro, sem cravar um número dentro dessa faixa. O que a sustenta é a metanálise de dados individuais NETMOTION, com 1.055 recém-nascidos abaixo de 32 semanas provenientes de 12 estudos publicados entre 2005 e 2019, que comparou fração inicial baixa (0,30 ou menos), intermediária (0,50 a 0,65) e alta (0,90 ou mais): a fração inicial alta associou-se a menor chance de óbito hospitalar tanto em relação à baixa quanto em relação à intermediária. A explicação proposta é que fração mais elevada reduz a resistência vascular pulmonar e facilita a transição, ou compensa a troca gasosa reduzida do pulmão imaturo.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Reanimação do recém-nascido <34 semanas em sala de parto: Diretrizes 2026, item 9.1, que registra e discute a recomendação da Força Tarefa Neonatal do ILCOR de outubro de 2025.
60% fixos — Programa Brasileiro de Reanimação Neonatal da SBP, junho de 2026
A régua brasileira crava 60% e manda titular pela saturação pré-ductal, com ajustes de 20% a cada 30 segundos. O argumento é o ensaio TORPIDO 30/60, publicado em dezembro de 2025, que randomizou recém-nascidos de 23 a 28 semanas para fração inicial de 0,60 (728 pacientes) ou 0,30 (741): o desfecho primário — morte ou lesão cerebral até a 36ª semana corrigida — não diferiu (47% contra 48%), mas o grupo de 0,60 teve maior probabilidade de atingir a saturação-alvo pré-ductal e frequência cardíaca de 100 ou mais aos 5 minutos, menos episódios de hipóxia e bradicardia e menor necessidade de massagem cardíaca e adrenalina. Vale notar que 60% é compatível com o piso internacional de 0,30 — a diferença é que o Brasil escolheu um valor único em vez de deixar a faixa aberta.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Reanimação do recém-nascido <34 semanas em sala de parto: Diretrizes 2026, item 9.1 e Anexo 1.
30% — a régua brasileira anterior, em vigor de 2022 até junho de 2026
A edição de 2022 mandava iniciar a ventilação do prematuro abaixo de 34 semanas com concentração de oxigênio de 30%, e escalonar de 30 para 40 e de 40 para 60 conforme a saturação. Esse valor continua circulando em material de estudo, em protocolos institucionais ainda não revisados e em bancos de questões montados antes de junho de 2026.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Reanimação do recém-nascido <34 semanas em sala de parto: Diretrizes 2022, item de oxigênio suplementar na VPP.
Na prova
O que denuncia o recorte é a data e o vocabulário. Enunciado que traz FiO2 em decimais e fala em faixa (“0,30 ou mais”) está no mundo do consenso internacional; enunciado que traz porcentagem cravada está no mundo do programa brasileiro. Prova de banca nacional aplicada a partir do segundo semestre de 2026 tende a cobrar o valor único brasileiro, porque o material oficial de treinamento do país é o do PRN-SBP. As alternativas ajudam: se 30% e 60% aparecem juntas como opções, a questão está exatamente sobre a mudança de 2026 — e aí a data do documento citado no enunciado, quando houver, resolve. Se o enunciado descreve um recém-nascido a termo, nenhum dos dois vale: para 34 semanas ou mais a ventilação começa com ar ambiente.
No mínimo 60 segundos, e de preferência depois que a respiração começou — Programa Brasileiro de Reanimação Neonatal da SBP, 2026
A régua brasileira estabelece o piso de 60 segundos para o recém-nascido com boa vitalidade, de qualquer idade gestacional, e ancora a recomendação na fisiologia: o clampeamento antes da insuflação e da vasodilatação pulmonares reduz a pré-carga e aumenta a pós-carga do ventrículo esquerdo, gerando baixo fluxo sistêmico. Daí a ênfase em clampear depois de estabelecida a respiração, e não simplesmente contar segundos.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Reanimação do recém-nascido ≥34 semanas em sala de parto: Diretrizes 2026, item 4; e Reanimação do recém-nascido <34 semanas, item 4.
De 1 a 3 minutos — Organização Mundial da Saúde
A OMS recomenda que o clampeamento do cordão umbilical no recém-nascido com boa vitalidade seja feito de 1 a 3 minutos após o nascimento — uma janela mais longa que o piso brasileiro, que ela contém. Na prática assistencial os dois não se contradizem, porque 60 segundos é mínimo e não teto; a diferença aparece quando o enunciado pergunta pelo intervalo recomendado, e não pelo tempo mínimo.
Recomendação da Organização Mundial da Saúde tal como registrada na Sociedade Brasileira de Pediatria, Reanimação do recém-nascido ≥34 semanas em sala de parto: Diretrizes 2026, item 4, referência 48.
Ordenha de cordão intacto quando o recém-nascido não vai bem — evidência de ensaio randomizado, tratada como opção no Brasil
Para o recém-nascido sem boa vitalidade que não inicia a respiração após o estímulo tátil, existe o caminho da ordenha do cordão intacto seguida de clampeamento antes dos 60 segundos. O ensaio randomizado com 1.730 recém-nascidos de 35 a 42 semanas não vigorosos não mostrou diferença na admissão em UTI neonatal, mas registrou menos necessidade de suporte cardiorrespiratório na sala de parto, menos encefalopatia hipóxico-isquêmica moderada a grave e menos uso de hipotermia terapêutica com a ordenha, comparada ao clampeamento antes de 60 segundos. O documento brasileiro apresenta a ordenha como uma opção, não como conduta preferencial, e a contraindica abaixo de 28 semanas por causa do excesso de hemorragia peri-intraventricular grave observado nesse subgrupo. Ventilar com o cordão intacto, por sua vez, permanece restrito a protocolo de pesquisa nos dois documentos.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Reanimação do recém-nascido ≥34 semanas em sala de parto: Diretrizes 2026, item 5.2 e Figura 1; e Reanimação do recém-nascido <34 semanas, item 5.2.
Na prova
O primeiro filtro é o estado do recém-nascido, não o relógio: enunciado que descreve bebê respirando ou chorando com tônus em flexão está no território do clampeamento tardio; enunciado que descreve apneia ou hipotonia está no território do “não atrasar a ventilação”. O segundo filtro é a instituição citada — cenário de política pública, Rede Cegonha, alojamento conjunto ou aleitamento tende a puxar a janela de 1 a 3 minutos da OMS; cenário de reanimação em sala de parto puxa a régua do PRN-SBP. E as alternativas denunciam o recorte: se uma opção fala em ordenha de cordão, a questão está tratando do recém-nascido não vigoroso, e aí a idade gestacional do enunciado passa a decidir — abaixo de 28 semanas a ordenha está fora.
Três faixas largas — régua brasileira de 2011 até a edição de 2022
Até 5 minutos, de 70 a 80%; de 5 a 10 minutos, de 80 a 90%; acima de 10 minutos, de 85 a 95%. Foi a tabela que vigorou por mais de uma década no Brasil, está impressa em incontáveis materiais de estudo e ainda aparece em protocolos institucionais e em bancos de questões antigos.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Reanimação do recém-nascido ≥34 semanas em sala de parto: Diretrizes 2022, Quadro 2.
Cinco marcas minuto a minuto, mais baixas no início — Diretrizes 2026 da SBP, alinhadas às diretrizes norte-americana e europeia
65 a 70% aos 2 minutos, 70 a 75% aos 3, 75 a 80% aos 4, 80 a 85% aos 5 e 85 a 95% aos 10 minutos, valendo igualmente para o recém-nascido de 34 semanas ou mais e para o prematuro. A base são curvas de normalidade construídas com medianas e intervalos interquartis da saturação pré-ductal nos 10 primeiros minutos de recém-nascidos que não receberam nenhuma manobra de reanimação. A mudança rebaixa o alvo dos minutos 2 e 3, que antes estavam engolidos pela faixa única de 70 a 80%.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Reanimação do recém-nascido ≥34 semanas em sala de parto: Diretrizes 2026, Quadro 2 e Anexo 2; e Reanimação do recém-nascido <34 semanas, Quadro 1.
Na prova
O recorte se identifica pela unidade de tempo do próprio enunciado. Questão que fala em “até 5 minutos de vida” ou “entre 5 e 10 minutos” foi escrita sobre a tabela antiga; questão que crava “aos 3 minutos de vida” ou “no quinto minuto” só faz sentido na tabela nova, porque a antiga não distinguia esses instantes. Um segundo sinal: se as alternativas trazem valores abaixo de 70% como opção de normalidade nos primeiros minutos, a questão está escrita sobre a régua de 2026. E há um ponto em que as duas tabelas concordam e que por isso rende questão estável: aos 10 minutos, 85 a 95% nas duas.
Caso resolvido
- achado
- Recém-nascido de 39 semanas que não respira e está hipotônico ao nascer. Duas das três perguntas iniciais foram respondidas com não, então ele não tem boa vitalidade — e o mecônio, por espesso que seja, não muda essa avaliação nem indica qualquer aspiração.
- conduta
- Estímulo tátil no dorso, com movimentos circulares delicados, por cerca de 15 segundos, com o bebê ainda ligado ao cordão. Nunca chacoalhar, e não prolongar: estímulo longo demais atrasa a ventilação.
- achado
- Após o estímulo, o recém-nascido continua sem movimentos respiratórios.
- conduta
- Clampear o cordão e levar à mesa de reanimação sob calor radiante. Não se aspira a orofaringe no desprendimento do polo cefálico, não se faz laringoscopia direta e não se aspira a traqueia de rotina — a aspiração traqueal de rotina no não vigoroso com mecônio saiu das diretrizes brasileiras em janeiro de 2016 e não modifica prognóstico.
- conduta
- Passos iniciais em no máximo 30 segundos: posicionar em decúbito dorsal com a cabeça voltada para o profissional, secar cabeça e corpo, desprezar os campos úmidos, colocar a touca e manter o pescoço em leve extensão. Aspirar boca e narinas apenas se houver suspeita de obstrução por excesso de secreções, com sonda número 8 a 10 e pressão máxima de 80 a 100 mmHg.
- achado
- Ao fim dos passos iniciais, o recém-nascido permanece em apneia. A ausculta do precórdio por seis segundos mostra 8 batimentos, o que corresponde a 80 batimentos por minuto.
- conduta
- Iniciar ventilação com pressão positiva com máscara facial em ar ambiente, dentro dos primeiros 60 segundos de vida, na frequência de 30 a 60 movimentos por minuto, com pressão inspiratória inicial de 20 a 30 cmH2O e PEEP de 5 cmH2O se estiver usando o ventilador com Peça-T. Enquanto um profissional ventila, outro posiciona os três eletrodos do monitor cardíaco e o sensor do oxímetro no pulso radial direito.
- achado
- Aos 30 segundos de ventilação, o monitor mostra 132 batimentos por minuto e o recém-nascido inicia movimentos respiratórios regulares. A saturação pré-ductal, aos 3 minutos de vida, é de 73%.
- conduta
- Suspender a ventilação: frequência cardíaca de 100 ou mais com respiração espontânea regular é o critério de melhora. A saturação de 73% aos 3 minutos está dentro do alvo, que é de 70 a 75% nesse instante — não há indicação de oxigênio suplementar. Manter a normotermia, avaliar as condições clínicas e, sempre que possível ainda na sala de parto, colocar em contato pele-a-pele com a parturiente, coberto por tecido de algodão seco e aquecido.
- achado
- O boletim de Apgar foi 2 no primeiro minuto e 8 no quinto.
- conduta
- O Apgar é registrado junto com os procedimentos realizados, mas não indicou nem indicaria nenhum deles. Como foi 8 no quinto minuto, não é necessário repeti-lo a cada cinco minutos — essa regra vale quando o quinto minuto vem abaixo de 7. Nove em cada dez recém-nascidos que recebem ventilação com máscara facial evoluem exatamente assim, sem precisar de mais nada.
Agora feche você
- achado
- Prematuro de 29 semanas, em apneia, com frequência cardíaca de 54 batimentos por minuto após 30 segundos de ventilação por máscara facial e sem movimento torácico, mesmo depois de percorrida toda a sequência de ações corretivas.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Aspirar o mecônio antes de ventilar Atrai porque a imagem mental é forte: líquido espesso, bebê deprimido, alguém tem de tirar aquilo dali. Só que a laringoscopia direta imediata e a aspiração traqueal de rotina saíram das diretrizes brasileiras em 26 de janeiro de 2016, e a metanálise que sustentou a mudança não achou diferença em síndrome de aspiração meconial, encefalopatia hipóxico-isquêmica ou sobrevida à alta. Aspirar de rotina só faz uma coisa: atrasar a ventilação, que é o que resolve. A exceção é obstrução caracterizada de via aérea — e mesmo aí a aspiração traqueal é feita uma única vez, com a ventilação começando imediatamente depois.
- 2Começar a massagem cardíaca com frequência abaixo de 100 O erro nasce de misturar os dois gatilhos. Abaixo de 100 batimentos por minuto é o gatilho da ventilação; abaixo de 60 é o gatilho da massagem. Como o número 100 aparece o tempo todo no fluxograma — indicação de ventilação, critério de melhora, limite para transportar —, ele acaba grudando também na massagem. Não gruda: 60 é o único número que aciona compressões.
- 3Massagear antes de assegurar a via aérea Parece diligência e é o contrário. A massagem cardíaca reduz a eficácia da ventilação, e a ventilação é a ação mais efetiva da reanimação neonatal; por isso as compressões só começam com a expansão e a ventilação pulmonares bem estabelecidas e a via aérea assegurada, o que na prática clínica significa após 30 segundos de ventilação por cânula traqueal com técnica adequada. Comprimir o tórax de um bebê que está sendo mal ventilado por máscara não corrige a bradicardia, porque a bradicardia vem da insuflação pulmonar insuficiente.
- 4Reavaliar a massagem aos 30 segundos A tentação é aplicar o mesmo relógio da ventilação. Mas 60 segundos é o tempo mínimo para que a massagem efetiva restabeleça a pressão de perfusão coronariana, e interromper antes compromete justamente o que ela existe para fazer. A regra prática: ventilação se reavalia aos 30 segundos, massagem aos 60.
- 5Iniciar a ventilação do bebê a termo com oxigênio a 100% Atrai porque o bebê está cianótico e a lógica intuitiva manda oferecer o máximo. Mas a metanálise com 2.164 recém-nascidos de 35 semanas ou mais mostrou que começar com ar ambiente, em vez de 100%, reduz em 27% a mortalidade intra-hospitalar — e a cianose dos primeiros minutos é fisiológica, porque a saturação normal com 1 minuto de vida fica em torno de 60 a 65%. O espelho desse erro é igualmente comum e igualmente caro: ventilar o prematuro abaixo de 34 semanas com ar ambiente, quando a régua de 2026 manda começar com 60%.
- 6Aumentar o oxigênio antes de corrigir a técnica É o reflexo mais natural da sala e a diretriz o combate nominalmente: quando o recém-nascido não melhora com ventilação em ar ambiente, checa-se e corrige-se a técnica antes de oferecer oxigênio suplementar, porque aumentar a oferta ventilando errado não leva à melhora. Existe uma sequência fixa para isso — readaptar a máscara, reposicionar a cabeça, aspirar secreções, ventilar com a boca levemente aberta e só então aumentar a pressão em cerca de 5 cmH2O até o máximo de 40. A necessidade de oxigênio suplementar é excepcional no bebê de 34 semanas ou mais quando a ventilação é bem feita.
- 7Trocar a dose de adrenalina entre as vias, ou repetir a traqueal As duas doses são diferentes por um fator de cinco em volume — 0,2 mililitro por quilo por via intravascular contra 1,0 mililitro por quilo por via traqueal, ambas da mesma diluição de 1 mililitro da ampola em 9 de soro fisiológico. Dar a dose intravascular pela cânula subdosa; dar a traqueal na veia superdosa. E a via traqueal é de uso único, indicada só enquanto o cateterismo venoso umbilical está sendo feito: a absorção pulmonar é lenta e imprevisível, e repeti-la em vez de correr atrás do acesso vascular é perder tempo. Flush de soro fisiológico é da via intravascular; pela cânula, é contraindicado.
- 8Desligar o calor radiante para “começar a hipotermia terapêutica” Parece antecipar a neuroproteção do bebê asfixiado e faz o oposto: a hipotermia na sala de parto compromete a função respiratória, aumenta a resistência vascular pulmonar e favorece acidose, hipoglicemia e bradicardia — exatamente o que se está tentando reverter. Não há indicação de desligar a fonte de calor nem de iniciar hipotermia terapêutica na sala de parto; a decisão sobre ela é tomada nas primeiras 6 horas de vida, após a admissão na unidade neonatal. Durante a reanimação, o alvo é normotermia entre 36,5 e 37,5 graus — e vale o teto: acima de 38 graus, a hipertermia agrava a lesão cerebral do asfixiado.
- 9Usar o Apgar do primeiro minuto para decidir alguma coisa É o clássico do tema, e a diretriz responde com uma frase fechada: o boletim de Apgar não é utilizado para indicar procedimentos na reanimação neonatal. Ele mede retrospectivamente a resposta às manobras e tem valor prognóstico populacional. Quem espera o primeiro minuto para decidir se ventila já perdeu o Minuto de Ouro — e o risco de morte ou morbidade sobe 16% a cada 30 segundos de atraso no início da ventilação.
- 10Colocar o sensor do oxímetro no pé ou no membro superior esquerdo Parece detalhe de enfermagem e é definição fisiológica. A tabela de saturação-alvo descreve a saturação pré-ductal, isto é, medida antes da desembocadura do canal arterial — e isso só existe no membro superior direito, na região do pulso radial. Sensor no pé mede saturação pós-ductal, que nos primeiros minutos é sistematicamente mais baixa por causa do shunt pelo canal arterial, e leva a oferecer oxigênio a quem está dentro do alvo.
A avaliação inicial do RN baseia-se em 3 perguntas: gestação a termo? respirando ou chorando? tônus muscular bom? Como as três respostas são SIM (termo, choro vigoroso, bom tônus), o RN não necessita de manobras de reanimação. A conduta correta é manter o clampeamento oportuno já realizado, colocar em contato pele a pele com a mãe garantindo normotermia e seguir com cuidados de rotina. Erra: a aspiração de vias aéreas NÃO é rotineira e só se indica com obstrução por secreções em RN que precisa de VPP. Erra VPP só se indica se o RN não respira/está em apneia ou com FC < 100 bpm após passos iniciais — não é o caso. Erra: oximetria e monitorização são reservadas ao RN que necessita de reanimação ou recebe suporte, não ao RN vigoroso liberado para a mãe. Erra: secagem/estímulo e passos iniciais na mesa de reanimação são para o RN que responde NÃO a alguma das perguntas; o RN vigoroso vai direto para o colo materno.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Recém-nascido a termo é levado à mesa de reanimação por não apresentar respiração adequada e tônus reduzido ao nascer. Realizados os passos iniciais (aquecer, posicionar a cabeça, aspirar boca e narinas se necessário e secar) em cerca de 30 segundos, o RN permanece em apneia. A frequência cardíaca, avaliada pela ausculta do precórdio, é de 80 bpm. Segundo o fluxograma da SBP, qual é a próxima conduta e com que concentração de oxigênio ela deve ser iniciada no RN a termo?
Após os passos iniciais, se o RN está em apneia OU com FC < 100 bpm, está indicada a ventilação com pressão positiva (VPP) — este é o passo mais importante e efetivo da reanimação. No RN >= 34 semanas (termo), a VPP deve ser iniciada com AR AMBIENTE (FiO2 21%), titulando o oxigênio pela oximetria de pulso conforme os alvos de saturação. Erra FiO2 100% de início é reservada a situações específicas/prematuros conforme protocolo, não ao termo — o excesso de O2 é lesivo. Erra: massagem cardíaca só entra se, APÓS 30 s de VPP efetiva (idealmente com técnica adequada/intubação), a FC permanecer < 60 bpm; com FC 80 e sem ainda ter ventilado, é precoce. Erra: apneia com FC 80 exige ação imediata (VPP), não observação. Erra: adrenalina só se FC < 60 bpm apesar de VPP efetiva + massagem cardíaca por tempo adequado.
Recém-nascido a termo nasce hipotônico e em apneia. Após passos iniciais, mantém-se sem respiração e a ventilação com pressão positiva por balão-máscara é iniciada. Diante de resposta inadequada, aplicam-se os passos corretivos de ventilação e o RN é intubado, confirmando-se boa técnica ventilatória com oxigênio a 100%. Após 30 segundos de ventilação efetiva por cânula traqueal, a frequência cardíaca permanece em 40 bpm. Inicia-se massagem cardíaca coordenada com a ventilação (3:1) e, após mais 60 segundos, a FC segue em 40 bpm. Está indicada adrenalina. Qual é a via preferencial e a dose de adrenalina, segundo o fluxograma da SBP?
Quando a FC permanece < 60 bpm apesar de VPP efetiva (de preferência por cânula traqueal, com O2 a 100%) associada à massagem cardíaca coordenada por tempo adequado, indica-se adrenalina. A VIA PREFERENCIAL é a ENDOVENOSA, pela veia umbilical, na dose de 0,01 a 0,03 mg/kg, o que corresponde a 0,1 a 0,3 mL/kg da solução diluída a 1:10.000. As opções por via endotraqueal erram na via: ela é apenas alternativa transitória enquanto se obtém o acesso venoso, e sua eficácia é incerta — e a faixa de 0,05 a 0,1 mg/kg é justamente a dose traqueal, mais alta. A dose endovenosa de 0,1 mg/kg (1 mL/kg da solução 1:10.000) é excessiva por essa via: corresponde à faixa alta da traqueal. A via intramuscular não é utilizada na reanimação neonatal, e a solução 1:1.000, não diluída, também não é a apropriada.
Recém-nascido pós-termo (41 semanas e 4 dias), nascido de parto vaginal com líquido amniótico meconial espesso ("em sopa de ervilha"). Ao nascimento apresenta-se hipotônico, com esforço respiratório irregular e frequência cardíaca de 80 bpm. Após os passos iniciais de estabilização (aquecer, posicionar, aspirar vias aéreas se necessário e secar), a frequência cardíaca permanece em 80 bpm e mantém apneia. De acordo com as diretrizes atuais de reanimação neonatal, qual é o PRÓXIMO passo?
As diretrizes atuais (AHA/ILCOR e Programa de Reanimacao Neonatal / SBP) NAO recomendam mais a aspiracao traqueal de rotina no RN nao vigoroso com liquido meconial. O RN nao vigoroso (hipotonico, apneia/esforco irregular, FC < 100) que permanece com FC 80 bpm e apneia apos os passos iniciais deve receber VPP (opção correta) - a hipoventilacao/apneia com FC < 100 e a indicacao de VPP. Aspiracao traqueal de rotina foi abandonada por nao melhorar desfechos e atrasar a ventilacao, que e a intervencao mais importante. Compressoes so se FC < 60 apos 30 s de VPP efetiva; ainda nao se ventilou. Adrenalina so apos VPP + compressoes sem resposta. Estimulacao tatil prolongada atrasa a VPP necessaria.
Recém-nascido a termo, nascido banhado em líquido amniótico claro, apresenta-se em apneia e hipotonia logo ao nascer. Após os passos iniciais, iniciou-se ventilação com pressão positiva (VPP) com máscara facial; sem resposta, procedeu-se à intubação traqueal, com VPP efetiva confirmada. Como a frequência cardíaca (FC) permaneceu em 40 bpm, iniciou-se massagem cardíaca coordenada com a ventilação (relação 3:1), com oxigênio a 100%. Após 60 segundos de manobras bem executadas, a FC mantém-se em 40 bpm, com acesso venoso umbilical já disponível. Qual é a conduta indicada neste momento?
Correta: Pelo fluxograma da SBP, a adrenalina está indicada quando a FC permanece <60 bpm após 30s de VPP efetiva (de preferência por cânula traqueal) somados a 60s de massagem cardíaca coordenada com O2 a 100% — exatamente o cenário descrito. A via preferencial é a endovenosa (veia umbilical), na dose 0,01–0,03 mg/kg (0,1–0,3 mL/kg da solução 1:10.000), repetível a cada 3–5 min. A dose está grosseiramente elevada (0,5–1,0 mg/kg não é dose neonatal), configurando exagero terapêutico. A expansão volêmica só é indicada se houver evidência/suspeita de hipovolemia ou ausência de resposta à adrenalina — não é a primeira medida. A via traqueal (0,05–0,1 mg/kg) é apenas alternativa enquanto não há acesso vascular; havendo veia umbilical, a EV é preferida. Postergar a adrenalina após ventilação e massagem já otimizadas por tempo adequado retarda a droga indicada.
Recém-nascido a termo nasce em meio a líquido amniótico meconial espesso. Imediatamente ao nascimento, apresenta-se hipotônico, sem esforço respiratório e com FC de 80 bpm. É levado à mesa de reanimação sob fonte de calor radiante. Qual é o próximo passo mais adequado?
Correta: a diretriz atual da SBP não recomenda mais a aspiração traqueal de rotina no RN não vigoroso com líquido meconial. A conduta é realizar os passos iniciais e, se o RN permanecer em apneia/respiração ineficaz ou com FC <100 bpm (é o caso: apneico, FC 80), iniciar VPP dentro do 'minuto de ouro'. A intubação para aspiração de mecônio de rotina foi abandonada, pois atrasa a ventilação, que é a medida mais eficaz. Aspiração traqueal de rotina não é indicada e omitir a VPP num RN apneico é conduta insuficiente. A massagem cardíaca só entra se a FC persistir <60 bpm após 30s de VPP efetiva — não é o passo inicial. Prolongar o estímulo tátil num RN já comprovadamente apneico/bradicárdico apenas retarda a VPP indicada.
Recém-nascido a termo, após os passos iniciais de estabilização (aquecer, posicionar a cabeça, aspirar vias aéreas se necessário, secar e estimular), apresenta-se, ao final do primeiro minuto de vida, com respiração irregular do tipo gasping e FC de 80 bpm. Qual é a conduta indicada?
Correta: a VPP é o passo mais importante da reanimação neonatal e está indicada quando, após os passos iniciais, o RN permanece em apneia, respiração irregular/gasping OU com FC <100 bpm — o caso preenche dois desses critérios. A massagem cardíaca só é indicada se a FC permanecer <60 bpm após 30s de VPP efetiva; a FC aqui é 80. A adrenalina é reservada para FC <60 bpm após VPP efetiva mais massagem cardíaca. Oxigênio inalatório em Hood não corrige apneia/respiração ineficaz — o RN precisa de ventilação, não de oxigênio passivo. O RN está claramente instável (gasping, FC 80), não podendo seguir para o alojamento conjunto.
Recém-nascido a termo, parto vaginal, líquido amniótico claro. Ao nascer não apresenta respiração espontânea e tem tônus muscular flácido. É imediatamente levado à mesa de reanimação, onde são realizados os passos iniciais (prover calor, posicionar a cabeça, aspirar vias aéreas se necessário, secar e desprezar os campos úmidos). Aos 30 segundos de vida mantém-se em apneia e a frequência cardíaca é de 80 bpm. Qual é a intervenção mais importante e prioritária neste momento?
Correta: No fluxograma de reanimação neonatal da SBP, a indicação de VPP é dada por apneia/respiração irregular OU FC < 100 bpm após os passos iniciais. O RN está apneico e com FC de 80 bpm (< 100), preenchendo a indicação; a VPP é reconhecidamente a manobra mais importante e efetiva da reanimação neonatal, devendo ser iniciada dentro do 'minuto de ouro'. Massagem cardíaca só é indicada se FC < 60 bpm APÓS 30 s de VPP efetiva — não é o passo atual. Adrenalina é reservada à FC < 60 bpm que persiste após VPP efetiva + massagem coordenada. Apenas reavaliar sem ventilar é conduta insuficiente e perde o minuto de ouro, com FC já < 100 e apneia. Com líquido claro e RN não vigoroso a conduta é VPP, não intubação de rotina para aspiração — a aspiração traqueal de mecônio deixou de ser recomendada de rotina.
Recém-nascido a termo, apneico e hipotônico ao nascer. Após os passos iniciais permanece em apneia com FC de 60 bpm, sendo iniciada VPP com máscara facial em ar ambiente (FiO2 21%). Após 30 segundos de ventilação com técnica adequada — boa adaptação da máscara e movimentos torácicos visíveis a cada insuflação — a reavaliação mostra FC de 50 bpm. Qual é o próximo passo do atendimento?
Correta: Após 30 s de VPP EFETIVA (a vinheta confirma boa técnica e expansibilidade torácica), a persistência de FC < 60 bpm indica a associação de massagem cardíaca coordenada com a ventilação na relação 3:1 (90 compressões + 30 ventilações = 120 eventos/min). Nesse momento também se recomenda garantir via aérea avançada (intubação) e elevar o oxigênio a 100%. Manter só ventilação, mesmo com O2 aumentado, é insuficiente diante de FC < 60 após VPP efetiva. Adrenalina só entra se a FC persistir < 60 bpm APÓS massagem coordenada com VPP por ~60 s — é passo posterior. Expansão volêmica é indicada na suspeita de hipovolemia/choque, não é o passo padrão aqui. Não há critério para suspender a reanimação neste ponto do fluxograma.
Recém-nascido a termo em reanimação avançada: intubado, recebendo VPP com oxigênio a 100% coordenada com massagem cardíaca na relação 3:1, com técnica adequada. Após aproximadamente 60 segundos de massagem coordenada, a frequência cardíaca persiste em 40 bpm. Já foi obtido acesso vascular por cateterismo de veia umbilical. Qual é a conduta correta neste momento?
Correta: Persistindo FC < 60 bpm após 60 s de massagem cardíaca coordenada com VPP em via aérea avançada e O2 100%, indica-se adrenalina. A via preferencial é a endovenosa (veia umbilical), na dose de 0,01–0,03 mg/kg, equivalente a 0,1–0,3 mL/kg da solução 1:10.000. A dose de 0,05–0,1 mg/kg (0,5–1,0 mL/kg de 1:10.000) corresponde à dose TRAQUEAL, mais alta e menos eficaz — não deve ser usada por via venosa. A solução 1:1.000 não é a preparação usada na reanimação neonatal (usa-se 1:10.000); além disso a via traqueal é inferior à venosa quando há acesso. Expansão volêmica só se indica com sinais/suspeita de hipovolemia, o que a vinheta não sugere. Bicarbonato não faz parte do algoritmo agudo de reanimação em sala de parto pela SBP.
Recém-nascido a termo, 40 semanas, nascido de parto vaginal com líquido amniótico meconial espesso. Imediatamente após o nascimento apresenta-se hipotônico, sem esforço respiratório e com frequência cardíaca de 80 bpm, sendo classificado como não vigoroso. De acordo com as diretrizes atuais de reanimação neonatal, qual é a conduta INICIAL correta?
Correta: desde a atualização de 2015 (mantida em 2020) do Programa de Reanimação Neonatal, NÃO se recomenda mais a aspiração traqueal de rotina no RN não vigoroso com mecônio. A conduta é realizar os passos iniciais (prover calor, posicionar, aspirar boca/narinas se necessário, secar e estimular) e, persistindo apneia ou FC < 100 bpm, iniciar a VPP nos primeiros 60 segundos (minuto de ouro). É justamente a conduta abandonada (a aspiração traqueal de rotina não reduz SAM e atrasa a ventilação). Intubação não é o passo inicial; só se cogita durante a VPP se houver obstrução/ineficácia ventilatória. Observação passiva em RN não vigoroso é inadequada — perde-se o minuto de ouro. Compressões só entram se a FC permanecer < 60 bpm APÓS 30 s de VPP efetiva; com FC 80 bpm o passo é ventilar, não comprimir.
Recém-nascido a termo (39 semanas), do sexo masculino, nasce de parto vaginal. Ao ser colocado sob fonte de calor radiante, apresenta-se hipotônico e em apneia. Realizados os passos iniciais (aquecer, posicionar a cabeça, aspirar vias aéreas se necessário e secar) dentro dos primeiros 30 segundos de vida, o RN permanece em apneia e a frequência cardíaca, avaliada por ausculta, é de 80 bpm. Segundo o fluxograma de reanimação neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria, qual é a conduta imediata?
Correta: Após os passos iniciais, a conduta é reavaliar respiração e frequência cardíaca. Diante de apneia (ou respiração irregular/gasping) E/OU FC < 100 bpm, o passo indicado pelo fluxograma da SBP é iniciar a VPP, que é a intervenção mais importante e efetiva da reanimação neonatal. No RN >= 34 semanas, a VPP inicia-se com ar ambiente (FiO2 21%), idealmente nos primeiros 60 segundos de vida (Minuto de Ouro). O caso reune apneia + FC 80 bpm, indicação clara de VPP. Massagem 3:1: a massagem cardiaca so esta indicada se, apos 30 segundos de VPP efetiva, a FC permanecer < 60 bpm; nao e o passo atual. Adrenalina: reservada quando a FC segue < 60 bpm apesar de VPP efetiva e massagem cardiaca por 60 segundos; e etapa muito posterior. Estimulo tatil/observar: manobra dos passos iniciais ja realizada; persistir na observacao diante de apneia com FC baixa atrasa a ventilacao e e conduta inadequada. Intubacao imediata: a VPP inicial deve ser feita com mascara facial; a intubacao e reservada a VPP prolongada/inefetiva ou necessidade de massagem, nao como primeira medida.
Em uma maternidade vinculada ao SUS, nasce um recém-nascido a termo, de 39 semanas, por parto vaginal. Imediatamente após o nascimento, o neonatologista avalia os três critérios da avaliação inicial: o bebê é a termo, mas está hipotônico e não respira nem chora. É posicionado sob fonte de calor radiante, tem as vias aéreas posicionadas e é seco. Após esses passos iniciais, realizados em cerca de 30 segundos, o recém-nascido permanece em apneia, com frequência cardíaca de 80 bpm auscultada com estetoscópio. Segundo o fluxograma de reanimação neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria, qual é a conduta imediata mais apropriada?
Após os passos iniciais, a decisão-chave baseia-se na respiração e na FC. Com apneia e/ou FC < 100 bpm, o passo mais importante e imediato da reanimação neonatal é a ventilação com pressão positiva (VPP), que no RN a termo inicia-se com ar ambiente (21%), conforme o fluxograma da SBP/PRN. Iniciar massagem cardíaca coordenada 3:1 é prematuro: ela só é indicada se a FC permanecer < 60 bpm APÓS 30 segundos de VPP efetiva com técnica corrigida. A adrenalina também é prematura, pois fica reservada para FC < 60 bpm apesar de VPP + massagem adequadas. E aguardar mais 30 segundos de estímulo tátil diante de apneia e bradicardia retarda a intervenção que salva vida.
Recém-nascido a termo, nascido em um hospital do SUS, é levado à mesa de reanimação por não iniciar respiração espontânea. Durante a reanimação neonatal, o pediatra precisa avaliar de forma seriada o principal parâmetro que orienta a progressão das condutas do fluxograma da Sociedade Brasileira de Pediatria e que define, por exemplo, a necessidade de iniciar massagem cardíaca. Qual é esse parâmetro fundamental para a tomada de decisão durante a reanimação em sala de parto?
A frequência cardíaca é o principal indicador da eficácia das manobras e o parâmetro que guia todas as decisões do fluxograma de reanimação neonatal da SBP (indicar VPP se < 100 bpm; iniciar massagem se < 60 bpm apesar de VPP efetiva). A coloração da pele é subjetiva e não guia condutas de reanimação. O Apgar serve para avaliar a resposta e o prognóstico, mas NÃO deve ser usado para decidir o início ou a sequência das manobras, que não podem esperar o primeiro minuto. A temperatura é importante para evitar hipotermia, mas não guia a progressão da reanimação.
Em sala de parto de uma UPA, nasce um recém-nascido a termo, deprimido. Foi iniciada ventilação com pressão positiva com máscara facial. Após 30 segundos de VPP, a frequência cardíaca permanece em 50 bpm. O pediatra revisa a técnica e verifica o ajuste da máscara, a permeabilidade das vias aéreas e a pressão, corrige o que era necessário e mantém a VPP por mais 30 segundos, agora com oxigênio suplementar. A frequência cardíaca continua em 40 bpm. De acordo com o fluxograma de reanimação neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria, qual é o próximo passo?
Quando a FC permanece < 60 bpm apesar de VPP efetiva por 30 segundos (com técnica revisada/corrigida e oxigênio suplementar), o fluxograma da SBP indica iniciar a massagem cardíaca coordenada com a ventilação na relação 3:1 (3 compressões: 1 ventilação, ~120 eventos/min), idealmente com via aérea avançada (intubação) para otimizar a ventilação. Adrenalina só entra se a FC seguir < 60 bpm APÓS massagem + VPP coordenadas por mais 60 segundos, e nunca se suspende a ventilação. Manter só VPP diante de bradicardia grave persistente é insuficiente. Não se interrompem as manobras nesse momento — a reanimação deve prosseguir.
Em uma maternidade vinculada ao SUS, uma gestante de 39 semanas evolui para parto vaginal. Ao nascimento, o recém-nascido a termo apresenta-se hipotônico, sem choro, sem respiração espontânea e com líquido amniótico claro. O médico plantonista realiza os passos iniciais (prover calor, posicionar a cabeça, aspirar vias aéreas se necessário e secar) sob fonte de calor radiante. Após cerca de 30 segundos, o neonato mantém-se em apneia e a frequência cardíaca, avaliada pela ausculta do precórdio, é de 80 bpm. De acordo com o fluxograma de reanimação neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria, qual é a conduta imediata mais apropriada?
Correta: recém-nascido em apneia OU com FC < 100 bpm após os passos iniciais tem indicação de ventilação com pressão positiva (VPP), que no RN a termo se inicia com ar ambiente (21%) — o procedimento mais importante e eficaz da reanimação neonatal. Massagem cardíaca só se indica se a FC permanecer < 60 bpm APÓS 30 s de VPP efetiva com técnica adequada — não é o passo atual. Adrenalina é reservada para FC < 60 bpm persistente apesar de VPP e massagem coordenadas. Observar é inadequado: apneia e FC de 80 bpm (< 100) exigem intervenção imediata.
Em uma maternidade vinculada ao SUS, gestante de 39 semanas, com pré-natal completo e sem intercorrências, é admitida em trabalho de parto e evolui com líquido amniótico meconial espesso. O parto é vaginal, assistido pelo médico plantonista, e a sala de parto dispõe de mesa de reanimação com fonte de calor radiante, blender, oxímetro de pulso, monitor cardíaco e material completo de via aérea. Ao nascer, o recém-nascido apresenta-se hipotônico, sem respiração espontânea e sem choro. O médico realiza o clampeamento imediato do cordão e leva o recém-nascido à mesa de reanimação. De acordo com o fluxograma de reanimação neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria, a conduta indicada é
O recém-nascido a termo que nasce sem respiração e sem tônus, independentemente do aspecto do líquido amniótico, deve receber os passos iniciais (prover calor, posicionar a cabeça, aspirar vias aéreas se necessário, secar) em até 30 segundos e, persistindo apneia/respiração irregular ou FC < 100 bpm, iniciar ventilação com pressão positiva com ar ambiente (21%) dentro do 'Minuto de Ouro' — a ventilação é o procedimento mais importante e efetivo da reanimação neonatal. A aspiração traqueal de rotina sob visualização direta na presença de mecônio foi abandonada pelas diretrizes da SBP: só se considera se houver obstrução de via aérea impedindo ventilação efetiva, e nunca antes de ventilar. Aspirar boca e narinas antes do desprendimento dos ombros também não é mais recomendado (não reduz aspiração meconial), e o contato pele a pele é reservado ao RN com boa vitalidade. Iniciar com O2 a 100% e massagem cardíaca de imediato é incorreto: no RN ≥ 34 semanas a VPP começa em ar ambiente, e a massagem só se indica se a FC permanecer < 60 bpm após 30 segundos de ventilação adequada, preferencialmente por via aérea avançada.
Em hospital de referência do SUS, nasce por cesariana, com 30 semanas de idade gestacional e 1.300 g, o recém-nascido de uma gestante com pré-eclâmpsia grave que recebeu corticoide antenatal. Ao nascimento, o RN está hipotônico, sem respiração espontânea e com frequência cardíaca de 70 bpm. A equipe realiza o clampeamento imediato do cordão, coloca o RN em saco plástico sob fonte de calor radiante, posiciona a cabeça e inicia ventilação com pressão positiva com máscara facial, com oxigênio a 30%, monitorando frequência cardíaca e SpO2 pré-ductal. Após 30 segundos de ventilação, a frequência cardíaca é de 40 bpm e não se observa expansão torácica. A conduta imediata é
Ausência de expansão torácica com frequência cardíaca em queda durante a VPP significa ventilação inefetiva. O fluxograma da SBP determina que, antes de escalonar para massagem cardíaca ou drogas, sejam aplicadas as medidas corretivas da técnica ventilatória (vedação/ajuste da máscara, reposicionamento da cabeça em leve extensão, aspiração de vias aéreas, abertura da boca, aumento gradual da pressão inspiratória) e, se ainda assim não houver ventilação efetiva, indique-se via aérea avançada (intubação traqueal ou máscara laríngea). Iniciar massagem cardíaca sobre uma ventilação que não expande o tórax é inútil — a bradicardia do RN é quase sempre hipóxica e responde à ventilação adequada; além disso, a massagem só se indica após 30 segundos de ventilação ADEQUADA, preferencialmente por cânula traqueal, com FC < 60 bpm. A adrenalina só entra depois de 60 segundos de ventilação adequada por via aérea avançada com O2 a 100% E massagem cardíaca, com FC persistentemente < 60 bpm. A expansão volêmica exige suspeita de perda sanguínea/choque hipovolêmico e não corrige ventilação ineficaz.
Em uma maternidade de baixo risco do SUS, uma gestante de 39 semanas e 2 dias, com pré-natal completo e sorologias negativas, evolui para parto vaginal espontâneo, sem intercorrências e com líquido amniótico claro. Imediatamente após o nascimento, o médico avalia o recém-nascido e verifica que se trata de gestação a termo, que o bebê chora vigorosamente e que apresenta tônus muscular em flexão dos quatro membros. A sala de parto está aquecida e a mãe encontra-se estável, desperta e desejando amamentar. Considerando a avaliação inicial preconizada pelo fluxograma de reanimação neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria, a conduta correta é
A avaliação inicial na sala de parto responde a três perguntas: gestação a termo? respirando ou chorando? tônus muscular em flexão? Com 'sim' às três, o recém-nascido tem boa vitalidade e não necessita de manobras de reanimação: indica-se o clampeamento tardio do cordão (entre 1 e 3 minutos, que aumenta as reservas de ferro e reduz anemia) e o contato pele a pele com a mãe, com secagem, manutenção da temperatura, estímulo à amamentação na primeira hora e observação continuada de respiração, tônus e coloração. Levar à mesa de reanimação para os passos iniciais só se aplica quando a resposta a qualquer das três perguntas é 'não'. Iniciar VPP em um RN que chora e tem tônus normal é iatrogênico e sem qualquer indicação. Retardar o contato pele a pele condicionando-o ao Apgar do 5º minuto é incorreto: o Apgar não determina a necessidade de reanimação nem contraindica o contato precoce — serve para avaliar a resposta às manobras e registrar a vitalidade.
Em uma maternidade vinculada ao SUS, uma gestante de 39 semanas, com pré-natal completo e sem intercorrências, evolui para parto vaginal. Ao nascimento, o recém-nascido apresenta-se hipotônico, com líquido amniótico claro, sem choro e sem respiração espontânea. O pediatra imediatamente clampeia o cordão, leva o neonato à mesa de reanimação sob calor radiante, posiciona a cabeça em leve extensão, aspira boca e narinas por haver secreção obstruindo as vias aéreas, seca o corpo e retira os campos úmidos. Reavaliado ao final de 30 segundos, mantém apneia e a frequência cardíaca é de 80 batimentos por minuto. De acordo com o fluxograma de reanimação neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria, qual é a conduta imediata?
Correta: no RN ≥34 semanas, apneia/respiração irregular OU frequência cardíaca (FC) <100 bpm após os passos iniciais indica ventilação com pressão positiva (VPP) nos primeiros 60 segundos de vida ("Minuto de Ouro"), iniciada com ar ambiente (21%), a 40-60 mov/min, com oxímetro no pulso/punho radial DIREITO (pré-ductal) e monitor cardíaco — recomendação da SBP/Programa de Reanimação Neonatal. CPAP: indicado apenas para RN que respira espontaneamente com desconforto, não em apneia. Massagem cardíaca: só se FC <60 bpm APÓS 30 segundos de VPP adequada — aqui a FC é 80 e a VPP sequer foi iniciada. Adrenalina/intubação de largada: reservadas à falha da VPP adequada com FC <60 bpm, etapa ainda não alcançada.
Recém-nascido de 38 semanas, parto cesáreo por sofrimento fetal agudo, nasce em apneia e hipotônico. Após os passos iniciais em 30 segundos, mantém apneia com frequência cardíaca de 70 bpm, sendo iniciada ventilação com pressão positiva com máscara facial e ar ambiente. Decorridos 30 segundos de ventilação, a equipe reavalia: o neonato permanece em apneia, a frequência cardíaca no monitor é de 40 bpm e não se observa expansibilidade torácica durante a ventilação; a saturação pré-ductal é de 45%. Segundo o fluxograma da Sociedade Brasileira de Pediatria, qual deve ser a conduta neste momento?
Correta: a ausência de expansibilidade torácica indica ventilação INEFETIVA. O fluxograma da SBP determina que, se após 30 segundos de VPP a FC estiver <100 bpm ou o RN não melhorar, deve-se checar a técnica (ajuste da máscara, posição da cabeça, permeabilidade das vias aéreas, aumento da pressão inspiratória, aumento da oferta de O2) e, se a correção falhar, indicar intubação traqueal — "o passo mais importante e efetivo é ventilar adequadamente". Massagem cardíaca: indicada com FC <60 bpm somente APÓS ventilação ADEQUADA, preferencialmente com cânula traqueal e O2 a 100%; comprimir um tórax que nunca foi ventilado não corrige a asfixia. Adrenalina: só após VPP adequada + massagem por 60 segundos sem resposta. Expansor de volume: indicado na suspeita de perda sanguínea/choque hipovolêmico, e nunca antes de estabelecer ventilação efetiva.
Em uma maternidade do SUS, nasce por parto vaginal um recém-nascido de 39 semanas, com líquido amniótico claro. Logo após o nascimento, o neonato chora vigorosamente, apresenta respiração regular e tônus muscular em flexão. A mãe está estável, sem sangramento anormal.
Correta: as três perguntas iniciais do fluxograma da SBP — gestação a termo? respirando ou chorando? tônus em flexão? — sendo todas SIM, o RN tem boa vitalidade: indica-se clampeamento tardio do cordão (1 a 3 minutos), contato pele a pele com a mãe, secagem e cuidados de rotina junto a ela, sem necessidade de mesa de reanimação. Clampeamento imediato + aspiração de rotina: a aspiração de vias aéreas de rotina está PROSCRITA (risco de bradicardia reflexa e apneia) e o clampeamento precoce priva o RN da transfusão placentária, com prejuízo às reservas de ferro. Oxigênio a 100%: não há indicação em RN vigoroso; a saturação sobe fisiologicamente ao longo dos primeiros minutos. Passos iniciais na mesa: reservados aos RN que respondem NÃO a qualquer uma das três perguntas.
Em uma maternidade vinculada ao SUS, nasce, por parto vaginal, recém-nascido a termo (39 semanas), de gestação sem pré-natal, com líquido amniótico claro. Ao nascer, o bebê apresenta-se hipotônico e em apneia, sendo levado à mesa de reanimação. Após os passos iniciais (prover calor, posicionar a cabeça, aspirar vias aéreas se necessário e secar), realizados em 30 segundos, mantém apneia e frequência cardíaca de 70 bpm. Inicia-se ventilação com pressão positiva com balão e máscara em ar ambiente, sob monitorização de oximetria de pulso e cardioscopia. Após 30 segundos, o médico checa e corrige a técnica, obtendo boa adaptação da máscara e expansão torácica visível, porém a frequência cardíaca permanece em 50 bpm. Qual é a conduta imediata?
Correta: pelo fluxograma de reanimação do recém-nascido ≥34 semanas (Programa de Reanimação Neonatal da SBP), quando a frequência cardíaca permanece <60 bpm após 30 segundos de ventilação com pressão positiva efetiva (técnica já checada/corrigida, com expansão torácica), indica-se intubação traqueal, ventilação com concentração elevada de oxigênio e massagem cardíaca coordenada 3:1 (3 compressões para 1 ventilação, 120 eventos/minuto). A via aérea avançada é o que garante ventilação eficaz durante as compressões. Incorreta: manter apenas VPP com máscara diante de FC <60 bpm com técnica já corrigida atrasa a intervenção indicada e perpetua a bradicardia. Incorreta: a adrenalina só está indicada se a FC permanecer <60 bpm APÓS 60 segundos de massagem cardíaca associada à ventilação com cânula traqueal e oxigênio — nunca antes das compressões. Incorreta: a massagem cardíaca deve ser iniciada com o recém-nascido intubado; manter balão e máscara durante as compressões compromete a eficácia da ventilação, que é o pilar da reanimação neonatal (a causa da bradicardia é quase sempre hipóxia por ventilação inadequada).
Em maternidade vinculada ao SUS, nasce recém-nascido a termo, por parto vaginal, apneico e hipotônico. Após os passos iniciais, mantém apneia e frequência cardíaca de 40 bpm. Iniciou-se ventilação com pressão positiva sob máscara, sem resposta; procedeu-se à intubação traqueal, com posicionamento confirmado e boa expansibilidade, ventilação com oxigênio a 100% e massagem cardíaca coordenada na relação 3:1 por 60 segundos. A frequência cardíaca permanece em 40 bpm, e um cateter venoso umbilical acaba de ser obtido. Não há sinais de perda sanguínea. Qual é a conduta indicada neste momento?
Correta: pelo fluxograma da SBP, mantida FC < 60 bpm após 60 segundos de ventilação por cânula traqueal com oxigênio a 100% associada à massagem cardíaca, indica-se adrenalina endovenosa (veia umbilical) na diluição 1:10.000, 0,1–0,3 mL/kg (0,01–0,03 mg/kg), seguida de flush de 0,5–1,0 mL de soro fisiológico, sem interromper ventilação e massagem. A opção da via traqueal está errada na diluição: a via traqueal usaria 0,5–1,0 mL/kg da solução 1:10.000 (nunca 1:1.000, que só é usada para preparar a diluição) e, além disso, com acesso venoso já disponível, prefere-se a via endovenosa. A expansão volêmica é reservada a suspeita de hipovolemia/perda sanguínea ou má resposta à adrenalina, o que não é o caso descrito. A relação 15:2 é de reanimação pediátrica fora da sala de parto; no neonato a relação é 3:1 (90 compressões e 30 ventilações por minuto).
Em maternidade do SUS, nasce recém-nascido de 39 semanas, por parto vaginal, com líquido amniótico meconial espesso. Ao nascimento, o bebê não chora, apresenta-se hipotônico e com respiração irregular. A equipe de reanimação está presente e o material está testado. Qual é a conduta imediata?
Correta: recém-nascido sem boa vitalidade (não respira regularmente e sem tônus), independentemente do aspecto do líquido, vai à mesa de reanimação com clampeamento imediato do cordão para os passos iniciais (aquecer, posicionar, aspirar vias aéreas se necessário, secar); persistindo apneia, respiração irregular ou FC < 100 bpm, inicia-se VPP com ar ambiente (21%) no recém-nascido ≥ 34 semanas, dentro do 'minuto de ouro'. A aspiração traqueal de rotina no mecônio foi abandonada pelas diretrizes atuais (SBP/ILCOR): ela atrasa a ventilação, que é a intervenção que salva. A aspiração no períneo foi abandonada há décadas por não reduzir a síndrome de aspiração meconial. Contato pele a pele e clampeamento tardio são para o recém-nascido com boa vitalidade, o que não ocorre aqui.
Em sala de parto de maternidade do SUS, nasce recém-nascido de 39 semanas, por parto vaginal, sem intercorrências. Imediatamente ao nascer, chora forte e apresenta tônus muscular em flexão. Qual é a conduta indicada?
Correta: as três perguntas iniciais do fluxograma da SBP (gestação a termo? respirando ou chorando? tônus em flexão?) têm resposta 'sim'; o recém-nascido tem boa vitalidade, devendo permanecer com a mãe em contato pele a pele, com clampeamento tardio do cordão (1 a 3 minutos), secagem e avaliação contínua — conduta que reduz anemia ferropriva no lactente. Clampear imediatamente e levar à mesa só se indica quando há resposta 'não' a qualquer das perguntas. A aspiração de vias aéreas de rotina não é recomendada: pode causar bradicardia reflexa e apneia. VPP profilática não tem indicação em bebê que chora e tem tônus adequado.
Recém-nascido de 39 semanas, parto vaginal, líquido amniótico claro, nasce em apneia e hipotônico. Após clampeamento imediato do cordão e passos iniciais na mesa de reanimação, permanece em apneia. Inicia-se ventilação com pressão positiva (VPP) com máscara em ar ambiente; após 30 segundos, FC de 50 bpm. A técnica é revisada e corrigida (ajuste da máscara, reposicionamento e aspiração), sem melhora. O RN é intubado e recebe VPP com O2 a 100% coordenada com massagem cardíaca na proporção 3:1 por 60 segundos, mantendo FC de 40 bpm. Um cateter venoso umbilical é inserido em posição de emergência. Segundo o Programa de Reanimação Neonatal da SBP, a conduta imediata é administrar
Pelo fluxograma da SBP, quando a FC permanece < 60 bpm após 60 segundos de massagem cardíaca coordenada com VPP por cânula traqueal com O2 a 100%, indica-se adrenalina; a via preferencial é a endovenosa (veia umbilical), na dose de 0,02 mg/kg (0,2 mL/kg da diluição 1:10.000), repetível a cada 3–5 minutos. Prescrever 0,1 mg/kg na veia umbilical erra: essa é a dose reservada à cânula traqueal, cinco vezes maior que a recomendada para a via venosa. Usar exclusivamente a via endotraqueal com 0,01 mg/kg erra dose e via: a via traqueal só é aceita em dose única (0,1 mg/kg) enquanto se obtém o acesso, e 0,01 mg/kg não é dose preconizada pela SBP. Expandir com soro fisiológico antes da adrenalina inverte a sequência: o expansor é indicado quando há suspeita de hipovolemia ou ausência de resposta à adrenalina.
Recém-nascido de 38 semanas, parto vaginal, líquido amniótico meconial espesso. Ao nascer, apresenta-se hipotônico, sem choro e sem movimentos respiratórios. A gestação foi de risco habitual, com sorologias negativas e cardiotocografia intraparto categoria II na última hora. A equipe realiza o clampeamento imediato do cordão e leva o RN à mesa de reanimação sob calor radiante. Segundo o Programa de Reanimação Neonatal da SBP, a sequência adequada de condutas para esse recém-nascido é
RN com líquido meconial que nasce deprimido (hipotônico e em apneia) deve ser levado à mesa de reanimação para os passos iniciais em até 30 segundos e, se mantiver apneia ou FC < 100 bpm, receber VPP com máscara em ar ambiente dentro do minuto de ouro — a laringoscopia direta com aspiração traqueal de rotina foi abandonada pelas diretrizes por não reduzir a síndrome de aspiração meconial. Intubar imediatamente e ventilar pela cânula com O2 a 100% está errado porque a VPP inicial é feita com máscara e em ar ambiente no RN ≥ 34 semanas; a intubação é reservada à falha da ventilação ou à necessidade de massagem. Iniciar massagem cardíaca coordenada com VPP na proporção 3:1 antecipa a massagem, que só é indicada com FC < 60 bpm após 30 segundos de VPP efetiva.
Recém-nascido de 40 semanas, adequado para a idade gestacional, nasce de parto vaginal com líquido amniótico claro. Ao nascimento, não chora e apresenta hipotonia, motivando clampeamento imediato do cordão e transporte à mesa de reanimação. São realizados os passos iniciais (aquecimento, posicionamento da cabeça em leve extensão, aspiração de boca e narinas e secagem) em 30 segundos. Na reavaliação, o RN permanece em apneia, com frequência cardíaca de 80 bpm à ausculta do precórdio. Segundo o fluxograma de reanimação neonatal da SBP, a conduta indicada nesse momento é
RN ≥ 34 semanas que, após os passos iniciais, permanece em apneia ou com FC < 100 bpm tem indicação de ventilação com pressão positiva por máscara em ar ambiente, a 40–60 movimentos/min, iniciada no primeiro minuto de vida e monitorada com oximetria de pulso pré-ductal — a ventilação é o procedimento mais importante e efetivo da reanimação neonatal. Repetir estímulo tátil vigoroso atrasa o minuto de ouro: o estímulo adicional não é etapa do fluxograma depois de passos iniciais ineficazes. Iniciar massagem cardíaca erra: ela só é indicada com FC < 60 bpm depois de 30 segundos de VPP efetiva, e não com FC de 80 bpm. Instalar CPAP erra: o CPAP é considerado para o RN que respira espontaneamente com desconforto ou FC ≥ 100 bpm, não para o RN em apneia.
Recém-nascido de 30 semanas, 1.400 g, nasce hipotônico, em apneia, após corioamnionite materna. É levado à mesa de reanimação, posicionado, com sensor de oximetria em membro superior direito, e recebe ventilação com pressão positiva sob máscara facial com blender a 30%. Após 30 segundos, a frequência cardíaca é de 40 bpm. O reanimador verifica e corrige a técnica (ajuste da máscara, permeabilidade das vias aéreas e pressão inspiratória), mantendo mais um ciclo de ventilação, sem qualquer melhora da frequência cardíaca. Assinale a conduta imediata adequada, segundo o fluxograma da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Na reanimação neonatal (SBP/PRN), a ventilação é o procedimento mais importante e efetivo. Diante de FC persistentemente baixa após VPP com máscara com técnica já verificada e corrigida, o passo seguinte é assegurar via aérea avançada: intubação traqueal com manutenção da VPP pela cânula. Massagem cardíaca sob máscara é inadequada — ela só está indicada após 30 segundos de ventilação efetiva, preferencialmente por cânula traqueal, com FC < 60 bpm. Adrenalina só entra após massagem e ventilação adequadas por cânula, e a via preferencial é a venosa umbilical, não a traqueal. CPAP é opção para prematuro com respiração espontânea e desconforto, não para apneia com bradicardia.
Em maternidade de baixo risco, nasce por via vaginal um recém-nascido de 39 semanas, com líquido amniótico claro. Imediatamente após o nascimento, o neonato chora vigorosamente e apresenta tônus muscular em flexão dos quatro membros. Assinale a conduta inicial correta.
As três perguntas iniciais do fluxograma da SBP são: gestação a termo? respirando ou chorando? tônus muscular em flexão? Com as três respostas afirmativas, como neste caso, o recém-nascido não necessita de manobras de reanimação: indica-se clampeamento tardio do cordão (1 a 3 minutos), garantindo maior reserva de ferro, e contato pele a pele com a mãe sob calor, com avaliação continuada da vitalidade. Clampeamento imediato só se aplica quando mãe ou recém-nascido estão instáveis. Aspiração de vias aéreas de rotina não é recomendada, mesmo com líquido meconial, pois pode causar bradicardia reflexa e retardar o contato. A oximetria destina-se aos casos que recebem manobras na mesa e é colocada em membro superior direito.
Recém-nascido a termo, filho de mãe com descolamento prematuro de placenta, nasce em apneia e hipotônico. Foi conduzido à mesa de reanimação, intubado após falha da ventilação sob máscara, e vem recebendo ventilação com pressão positiva por cânula traqueal com oxigênio a 100%, coordenada à massagem cardíaca na relação 3:1, com técnica adequada. Após 60 segundos dessas manobras, a frequência cardíaca permanece em 40 bpm. Assinale o próximo passo, conforme o fluxograma da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Persistindo FC < 60 bpm após 60 segundos de massagem cardíaca coordenada à ventilação efetiva por cânula traqueal com oxigênio a 100%, está indicada adrenalina, preferencialmente por via endovenosa, mediante cateterismo da veia umbilical, na dose de 0,01 a 0,03 mg/kg (solução 1:10.000), repetível a cada 3 a 5 minutos. O expansor de volume só é indicado quando há suspeita de hipovolemia com falha de resposta à adrenalina — é a etapa seguinte, não a atual. Bicarbonato de sódio não faz parte do fluxograma de sala de parto. A relação 15:2 pertence à reanimação pediátrica com dois socorristas fora do período neonatal; no recém-nascido mantém-se 3:1.
Recém-nascido a termo, parto vaginal, líquido amniótico claro, nasce hipotônico, sem choro e sem respiração regular. Após os passos iniciais na mesa de reanimação (prover calor, posicionar a cabeça, aspirar vias aéreas se necessário e secar), permanece em apneia, com frequência cardíaca de 80 bpm. Inicia-se ventilação com pressão positiva sob máscara facial com ar ambiente, com oximetria e monitor cardíaco instalados. Ao completar 30 segundos de ventilação, a frequência cardíaca é de 45 bpm e o examinador observa que não há expansibilidade torácica visível durante as insuflações. De acordo com o fluxograma de reanimação neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria, assinale a conduta adequada neste momento.
A pedra angular da reanimação neonatal é a ventilação EFICAZ. Diante de frequência cardíaca em queda com ausência de expansibilidade torácica, a falha é de técnica: o fluxograma da SBP determina aplicar as medidas corretivas (ajuste da máscara, reposicionar a cabeça, aspirar, abrir a boca, aumentar a pressão) e, persistindo a falha, estabelecer via aérea avançada (intubação ou máscara laríngea). Iniciar massagem cardíaca sem ventilação eficaz é erro clássico: a massagem só é indicada com FC < 60 bpm APÓS 30 segundos de ventilação adequada, preferencialmente por cânula traqueal. Apenas aumentar o oxigênio não corrige o problema, pois o pulmão não está sendo insuflado. A adrenalina é indicada somente se a FC permanecer < 60 bpm após 60 segundos de ventilação adequada com oxigênio somada à massagem cardíaca.
Parto cesáreo de gestação de 38 semanas, indicado por padrão anormal de frequência cardíaca fetal. O líquido amniótico é meconial espesso. Ao nascimento, o recém-nascido não chora, não apresenta movimentos respiratórios e o tônus muscular está flácido. A sala está a 24 graus, com a fonte de calor radiante ligada e o material conferido. Qual a conduta imediata?
O recém-nascido não está respirando e está flácido, portanto não tem boa vitalidade — e o aspecto do líquido amniótico não entra nessa avaliação. Nas Diretrizes 2026 da SBP, o estímulo tátil no dorso, com movimentos circulares e duração ao redor de 15 segundos, é feito ANTES do clampeamento, ainda com suporte placentário; se a respiração não iniciar, clampeia-se e leva-se à mesa, sem atrasar a ventilação. A primeira alternativa descreve a conduta abandonada em janeiro de 2016: a aspiração no desprendimento do polo cefálico e a aspiração traqueal de rotina no não vigoroso não modificam o prognóstico e atrasam a ventilação. A segunda erra o oxigênio: no recém-nascido de 34 semanas ou mais, a ventilação começa com ar ambiente, e iniciar com 100% associa-se a maior mortalidade intra-hospitalar. A quarta aplica a janela da OMS, que vale para o recém-nascido com boa vitalidade, e aqui atrasaria a ventilação. A quinta é a conduta do bebê vigoroso, e ainda usa o Apgar para decidir — o Apgar não é utilizado para indicar procedimentos na reanimação.
Sobre o intervalo conhecido como Minuto de Ouro na reanimação neonatal, assinale a afirmativa correta.
O Minuto de Ouro é o prazo dentro do qual a ventilação com pressão positiva precisa começar: os primeiros 60 segundos após o nascimento, quando há apneia ou respiração irregular e/ou frequência cardíaca abaixo de 100 batimentos por minuto após os passos iniciais. A urgência tem número: o risco de morte ou morbidade aumenta 16% a cada 30 segundos de demora para iniciar a ventilação, independentemente do peso ao nascer, da idade gestacional ou de complicações da gravidez e do parto. A segunda alternativa confunde com o prazo dos passos iniciais, que é de no máximo 30 segundos. A quarta descreve o intervalo correto de reavaliação da massagem cardíaca, mas esse não é o Minuto de Ouro. O Apgar é calculado no primeiro e no quinto minutos, mas não é utilizado para indicar procedimentos na reanimação — esperar por ele para decidir se ventila é justamente o que faz perder o Minuto de Ouro.
Recém-nascido a termo, de 3.400 g, com asfixia perinatal grave, permanece com frequência cardíaca de 38 batimentos por minuto após 60 segundos de massagem cardíaca coordenada com ventilação por cânula traqueal e oxigênio a 100%. A técnica de ventilação e de massagem foi revisada e a posição da cânula, confirmada. A mãe apresentou descolamento prematuro de placenta com sangramento volumoso. O recém-nascido está pálido, com pulsos débeis e má perfusão. Qual a conduta?
Com frequência cardíaca abaixo de 60 após 60 segundos de massagem sincronizada com ventilação por cânula traqueal e oxigênio a 100%, a adrenalina intravascular está indicada, e o acesso de eleição é o cateterismo venoso umbilical de emergência. O quadro soma sinais de hipovolemia — palidez, pulsos débeis, má perfusão e história de descolamento prematuro de placenta com sangramento —, o que indica também o expansor de volume: soro fisiológico a 0,9%, 10 mL/kg, administrado lentamente em 5 a 10 minutos, porque infusão rápida pode afetar a coagulação e agravar a síndrome de reperfusão. O bicarbonato de sódio não é recomendado: além de não haver evidência de benefício, ele pode comprometer a pressão de perfusão coronariana e causar hipernatremia, hiperosmolaridade e piora da acidose venosa central. O naloxone também não é recomendado na sala de parto, e o enunciado não menciona opioide. Suspender a massagem com frequência abaixo de 60 contraria o fluxograma. Quanto à albumina, o soro fisiológico é igualmente eficaz, mais barato e mais disponível, e a dose de expansor é de 10 mL/kg, não 20.
Recém-nascido de 3 kg mantém frequência cardíaca de 42 batimentos por minuto após 60 segundos de massagem cardíaca coordenada com ventilação por cânula traqueal e oxigênio a 100%, com técnica revisada. Foi obtido acesso por cateterismo venoso umbilical. Considerando a adrenalina disponível no Brasil em ampolas de 1 mg/mL, qual a prescrição correta?
A diluição é obrigatória para qualquer via: 1 mL da ampola de 1 mg/mL em 9 mL de soro fisiológico, resultando em 0,1 mg/mL. A via preferencial é a intravascular, e a dose é de 0,01 a 0,03 mg/kg, fixada na prática em 0,02 mg/kg, o que corresponde a 0,2 mL/kg da solução diluída — em 3 kg, 0,6 mL, infundidos rápido e seguidos de flush de 3 mL de soro fisiológico, repetíveis a cada 3 a 5 minutos. A primeira alternativa usa adrenalina sem diluir, o que é proibido. A segunda e a quarta usam 3,0 mL, que é a dose ENDOTRAQUEAL para 3 kg (1,0 mL/kg, correspondente a 0,1 mg/kg): dar esse volume na veia superdosaria em cinco vezes, e doses acima de 0,1 mg/kg causam hipertensão grave, queda da função miocárdica e piora neurológica. A terceira troca as vias no sentido inverso, subdosando, e ainda repete a via traqueal — que é de uso único, indicada apenas enquanto o acesso vascular é obtido, com absorção lenta e imprevisível, e sem flush de salina. Com acesso umbilical já obtido, não há razão para usar a via traqueal.
Recém-nascido de 39 semanas necessitou de ventilação com pressão positiva por máscara facial ao nascer, com boa resposta. O boletim de Apgar foi 4 no primeiro minuto e 6 no quinto minuto. Sobre a aplicação do boletim de Apgar nesse caso, assinale a afirmativa correta.
O boletim de Apgar é determinado no primeiro e no quinto minutos e não é utilizado para indicar procedimentos na reanimação neonatal — quem indica a ventilação é a presença de apneia ou respiração irregular e/ou frequência cardíaca abaixo de 100 bpm. A regra operacional é a da segunda alternativa: com Apgar menor que 7 no quinto minuto, ele passa a ser feito a cada cinco minutos até 20 minutos após o nascimento, e a documentação deve ser concomitante à dos procedimentos realizados. Não existe a regra de repetição a cada dois minutos. O Apgar isolado não faz diagnóstico de encefalopatia nem indica hipotermia terapêutica, que não se inicia na sala de parto: essa decisão é tomada nas primeiras 6 horas de vida, após a admissão na unidade neonatal. E é justamente nos casos que exigiram manobras que o registro importa mais, porque a função do Apgar é permitir avaliar retrospectivamente a resposta do paciente às manobras realizadas, além de ter valor prognóstico em estudos populacionais.
Recém-nascido a termo, em apneia, recebe ventilação com pressão positiva por cânula traqueal com técnica adequada. Após 30 segundos, a frequência cardíaca no monitor é de 48 batimentos por minuto. Qual a conduta e com quais parâmetros?
A massagem cardíaca é indicada quando a frequência cardíaca permanece abaixo de 60 batimentos por minuto após 30 segundos de ventilação com técnica adequada — na prática, por cânula traqueal, porque as compressões exigem via aérea assegurada e reduzem a eficácia da ventilação. A técnica é a dos dois polegares com os demais dedos envolvendo o tórax, no terço inferior do esterno, logo abaixo da linha intermamilar e poupando o apêndice xifoide, com profundidade de um terço do diâmetro anteroposterior. A relação é de 3 para 1, com 120 eventos por minuto, ou seja, 90 compressões e 30 ventilações, e o oxigênio sobe para 100%. A primeira alternativa inventa um corte de 40 que não existe. A relação 15:2 é de reanimação pediátrica fora do período neonatal, e 5:1 não é usada em nenhum cenário atual. A adrenalina só entra depois de 60 segundos de massagem sincronizada com ventilação por cânula traqueal e oxigênio a 100%, e sua via preferencial é a intravascular.
Recém-nascido de 40 semanas recebe ventilação com pressão positiva por máscara facial em ar ambiente desde os 50 segundos de vida. Aos 5 minutos de vida, o oxímetro posicionado no pulso radial direito mostra saturação de 82%, com frequência cardíaca de 128 batimentos por minuto e movimentos respiratórios ainda irregulares. Segundo as Diretrizes 2026 da Sociedade Brasileira de Pediatria, qual a interpretação e a conduta quanto ao oxigênio?
Na tabela de saturação-alvo pré-ductal das Diretrizes 2026, o alvo é de 80 a 85% aos 5 minutos de vida — 82% está dentro dele, e não há indicação de oxigênio suplementar. Essa tabela é uma das mudanças da edição: de 2011 até 2022 a régua brasileira usava faixas largas (até 5 minutos, 70 a 80%; de 5 a 10 minutos, 80 a 90%; acima de 10 minutos, 85 a 95%), e passou a valores minuto a minuto: 65 a 70% aos 2, 70 a 75% aos 3, 75 a 80% aos 4, 80 a 85% aos 5 e 85 a 95% aos 10 minutos. A quarta alternativa reproduz a faixa antiga. A leitura confiável do oxímetro leva cerca de 1 a 2 minutos após o nascimento, e não 10. Vale lembrar que a necessidade de oxigênio suplementar é excepcional no recém-nascido de 34 semanas ou mais quando a ventilação é aplicada com técnica adequada, e que a técnica sempre se corrige antes de se aumentar o oxigênio.
Recém-nascido de 28 semanas e 1.100 g nasce em apneia e hipotônico. Após estímulo tátil no dorso sem resposta, o cordão é clampeado e o paciente levado à mesa de reanimação. Quanto aos passos iniciais e ao início da ventilação, qual a conduta segundo as Diretrizes 2026 da SBP para o recém-nascido abaixo de 34 semanas?
No recém-nascido abaixo de 34 semanas, o cuidado térmico dos passos iniciais é específico: introduzir o corpo dentro do saco plástico de polietileno SEM secá-lo, mantendo a face de fora, e acrescentar touca dupla (plástica coberta por lã ou algodão). O saco só é retirado depois da estabilização térmica na unidade neonatal. Quanto ao oxigênio, a edição de 2026 recomenda iniciar a ventilação do prematuro com 60% — valor que dobrou em relação aos 30% de 2022 —, com titulação pela saturação pré-ductal e ajustes de 20% a cada 30 segundos. A primeira alternativa aplica ar ambiente, que é a régua do recém-nascido de 34 semanas ou mais. A terceira erra a indicação do CPAP, que se destina ao prematuro com frequência cardíaca de 100 ou mais e respiração espontânea com desconforto ou saturação abaixo do alvo, e não ao paciente em apneia, que precisa de ventilação dentro do Minuto de Ouro. A quarta seca o corpo antes do saco plástico e usa 100%. O surfactante não é medicação de sala de parto: o manejo inicial prioriza o suporte respiratório, com indicação posterior nas primeiras duas horas conforme a evolução.
Recém-nascido de 38 semanas, em apneia após os passos iniciais, recebeu ventilação com pressão positiva por máscara facial em ar ambiente iniciada aos 50 segundos de vida, com ventilador mecânico manual com Peça-T. Após 30 segundos de ventilação, o monitor cardíaco mostra 84 batimentos por minuto e não há movimento torácico visível. Qual a conduta imediata?
Ventilação que não produz movimento torácico e não eleva a frequência cardíaca é falha de técnica até prova em contrário, e existe uma sequência fixa de correções antes de qualquer escalada: readaptar a máscara à face, reposicionar a cabeça mantendo o pescoço em leve extensão, aspirar secreções de boca e nariz, ventilar com a boca levemente aberta e, por último, aumentar a pressão em cerca de 5 cmH2O até o máximo de 40 — verificando movimento torácico e frequência cardíaca a cada ação. Aumentar o oxigênio antes disso é a tentação clássica e não funciona, porque oxigênio não corrige máscara mal adaptada nem via aérea mal posicionada; a regra é corrigir a técnica antes de oferecer suplementação. A massagem cardíaca tem gatilho próprio, que é frequência abaixo de 60 — com 84 batimentos ela não está indicada, e comprimir o tórax de quem está sendo mal ventilado ainda reduz a eficácia da ventilação. A intubação entra depois de corrigidos os problemas técnicos, com frequência persistentemente abaixo de 100. E a adrenalina pressupõe massagem adequada por no mínimo 60 segundos com via aérea assegurada.
Parto vaginal de gestação de 38 semanas, indicado por descolamento prematuro de placenta com sangramento materno volumoso. Ao nascer, o recém-nascido chora vigorosamente e apresenta tônus em flexão, portanto com boa vitalidade. Segundo as Diretrizes 2026 da Sociedade Brasileira de Pediatria, qual a conduta correta quanto ao manejo do cordão umbilical?
O clampeamento com no mínimo 60 segundos é a regra do recém-nascido com boa vitalidade em qualquer idade gestacional, e ela tem exatamente três exceções que a revertem: descolamento prematuro de placenta, placenta prévia com sangramento e nó verdadeiro de cordão. Nessas três a circulação placentária já está interrompida, de modo que esperar não transfere sangue nenhum — apenas adia o atendimento. Guardar essas três situações rende mais que decorar a lista inteira de fatores de risco, porque são as únicas que invertem a conduta padrão. Esperar 3 minutos ou aguardar a parada do pulso prolonga ainda mais um tempo que já não traz benefício. A ordenha do cordão intacto é a alternativa desenhada para o recém-nascido sem boa vitalidade, em que se quer preservar parte da transfusão placentária com clampeamento antes dos 60 segundos, e é contraindicada abaixo de 28 semanas — não é a conduta de um bebê vigoroso cuja placenta já descolou.
Recém-nascido de 39 semanas recebeu ventilação com pressão positiva por máscara facial ao nascer, com boa resposta. Aos 10 minutos de vida apresenta respiração espontânea regular, discreta retração intercostal, frequência cardíaca de 142 batimentos por minuto e saturação pré-ductal de 90% em ar ambiente, medida no pulso radial direito. Qual a conduta quanto ao suporte respiratório ainda na sala de parto?
O alvo de saturação pré-ductal aos 10 minutos de vida é de 85% a 95%, e 90% está dentro dele. A pressão positiva contínua no recém-nascido de 34 semanas ou mais tem indicação com cautela explícita: ela é oferecida quando há frequência cardíaca de 100 ou mais com respiração espontânea e desconforto ou saturação abaixo do alvo — e, quando a saturação está no alvo, a conduta é conservadora. A razão está medida: uma coorte de 6.913 recém-nascidos com 35 semanas ou mais mostrou aumento de 5,5 vezes na chance de pneumotórax com pressão positiva contínua na sala de parto, tanto maior quanto maior a idade gestacional. Retomar a ventilação com pressão positiva contraria o próprio critério de suspensão, que é frequência cardíaca de 100 ou mais com respiração espontânea regular. Oferecer oxigênio para perseguir 95% é hiperóxia deliberada e desrespeita a régua de titulação, que manda reduzir a concentração assim que o alvo é atingido. E intubar exige uma das três indicações de sala de parto, nenhuma presente aqui.
Recém-nascido extraído por cesariana de emergência após bradicardia fetal prolongada nasce hipotônico, sem respiração espontânea e com frequência cardíaca de 40 bpm. Qual a conduta imediata?
Na reanimação neonatal, a ventilação é a intervenção que salva, porque a asfixia perinatal é primariamente um problema respiratório: a prioridade é estabelecer ventilação efetiva dentro do minuto de ouro. A massagem cardíaca só entra se a frequência permanecer abaixo de 60 bpm APÓS 30 segundos de ventilação efetiva, com técnica adequada, na proporção de três compressões para uma ventilação. Começar por compressões, adrenalina ou aspiração repetida é o erro de sequência que atrasa a única medida que reverte a bradicardia hipóxica. Aspiração de rotina não é recomendada e pode causar bradicardia reflexa.
Recém-nascido com restrição de crescimento intrauterino, peso de 2.000 g a termo. Qual cuidado imediato na sala de parto é prioritário além da avaliação da vitalidade?
O recém-nascido restrito tem superfície corporal relativamente grande, pouca gordura subcutânea e reservas energéticas escassas, o que o torna especialmente vulnerável à hipotermia — e a hipotermia agrava justamente a hipoglicemia e a acidose que já o ameaçam. Por isso a prevenção térmica é prioridade imediata, ao lado da monitorização da glicemia e do início precoce da alimentação. Bicarbonato profilático não tem indicação, gasometria universal não é necessária em recém-nascido com boa vitalidade, e restringir líquidos contraria a necessidade de aporte energético precoce.
Recém-nascido de 41 semanas, nascido com líquido meconial espesso, chorou ao nascer e tem bom tônus. Qual a conduta?
Recém-nascido vigoroso, mesmo com mecônio espesso, segue a rotina do recém-nascido de termo saudável: contato pele a pele, clampeamento oportuno e vigilância clínica, sem qualquer aspiração. Levá-lo à mesa para aspirar é o reflexo antigo que separa mãe e filho sem benefício demonstrado. Radiografia de tórax de rotina em criança assintomática e antibiótico profilático não são indicados: a conduta é clínica, e o exame de imagem entra se houver desconforto respiratório.
Recém-nascido de termo com líquido meconial, deprimido ao nascer, com escore de Apgar de 2 no primeiro minuto e 4 no quinto minuto, gasometria de cordão com pH 6,95 e déficit de base de 16 mEq/L, evolui com hipotonia e crise convulsiva nas primeiras 6 horas. Qual a conduta específica indicada?
O quadro configura encefalopatia hipóxico-isquêmica moderada a grave em recém-nascido de termo, e a única intervenção com benefício comprovado é a hipotermia terapêutica iniciada nas primeiras 6 horas, com redução de morte e sequela neurológica — a janela estreita é o que torna o reconhecimento precoce decisivo. Corticoide, manitol e hiperventilação profilática não têm respaldo nessa condição e podem ser deletérios. Esperar 72 horas fecha a janela terapêutica.
Durante o trabalho de parto de gestante de 40 semanas, constata-se líquido amniótico meconial espesso e a cardiotocografia mostra desacelerações tardias repetidas com variabilidade reduzida. Qual a conduta obstétrica?
Mecônio espesso associado a padrão cardiotocográfico categoria III é sinal de comprometimento fetal: aplicam-se as medidas de reanimação intrauterina — decúbito lateral, oxigênio, hidratação e suspensão de uterotônico — e, se o padrão persiste, resolve-se pela via mais rápida. Amnioinfusão não demonstrou reduzir a síndrome de aspiração e não é recomendada de rotina. Administrar ocitocina em feto com desacelerações tardias agrava a hipóxia, e não existe aspiração do mecônio por via vaginal como medida terapêutica.
Recém-nascido de 39 semanas nasce deprimido em líquido meconial espesso; após 30 segundos de ventilação com pressão positiva com máscara, a frequência cardíaca permanece em 50 batimentos por minuto e o tórax não expande. Qual o próximo passo?
Ventilação sem expansão torácica significa ventilação ineficaz, e a sequência correta é aplicar as medidas corretivas — ajuste da máscara, reposicionamento da cabeça, aspiração de secreções se necessário, abertura da boca e aumento da pressão — e, na persistência da falha, intubar para garantir via aérea. Iniciar compressões com ventilação ineficaz é o erro mais grave da reanimação, porque comprime um coração que continua hipóxico. Adrenalina e expansor de volume vêm depois de ventilação e compressões adequadas, e interromper a ventilação para aspirar prolonga a asfixia.
Recém-nascido de 39 semanas nasce por parto vaginal com líquido amniótico meconial espesso. Ao nascer, apresenta tônus flácido, sem esforço respiratório e frequência cardíaca de 80 batimentos por minuto. Qual a conduta imediata segundo as diretrizes de reanimação neonatal?
Diante de recém-nascido não vigoroso com líquido meconial, a prioridade é ventilar: passos iniciais em até 30 segundos e ventilação com pressão positiva, porque a bradicardia decorre de hipóxia e o que a reverte é a insuflação pulmonar. A aspiração traqueal de rotina foi abandonada justamente porque atrasa a ventilação sem reduzir a síndrome de aspiração meconial — permanece como opção apenas na suspeita de obstrução de via aérea que impede a ventilação efetiva. A aspiração intraparto no períneo também foi abandonada, compressões só entram se a frequência permanecer abaixo de 60 após ventilação adequada, e surfactante não é medida de sala de parto nesse cenário.
Qual medida abaixo NÃO é recomendada na assistência ao recém-nascido com líquido amniótico meconial?
A aspiração traqueal deixou de ser rotina mesmo no recém-nascido não vigoroso com mecônio: os ensaios mostraram ausência de benefício sobre a síndrome de aspiração e a mortalidade, com o custo de retardar a ventilação, que é a intervenção que salva. Ela permanece como recurso individualizado quando há obstrução de via aérea impedindo a ventilação eficaz. As demais medidas — ventilar quem não respira, avaliar tônus, respiração e frequência cardíaca, monitorizar a saturação pré-ductal e manter o vigoroso com a mãe — compõem a assistência recomendada.
Recém-nascido de parto domiciliar nasce hipotônico, sem respiração espontânea, após secagem e estímulo. Qual a conduta?
A causa quase universal de bradicardia e apneia no recém-nascido é a hipóxia, e a ventilação eficaz nos primeiros sessenta segundos é a intervenção que resolve a imensa maioria dos casos, o que exige balão e máscara disponíveis em qualquer assistência ao parto. Priorizar aspiração repetida atrasa a ventilação e pode causar bradicardia reflexa. Compressões e adrenalina só entram após ventilação adequada e persistência da bradicardia.
Qual é a conduta em recém-nascido não vigoroso com líquido amniótico meconial?
As diretrizes atuais abandonaram a aspiração traqueal de rotina no recém-nascido não vigoroso com mecônio, uma vez que ela atrasa a ventilação sem reduzir a síndrome de aspiração meconial, e recomendam os passos iniciais seguidos de ventilação com pressão positiva, reservando a aspiração para suspeita de obstrução de via aérea. A aspiração intraparto no períneo também foi abandonada. Surfactante profilático não é conduta de sala de parto nesse cenário, e nenhum exame precede a ventilação de um recém-nascido apneico.
Qual é a conduta em relação ao clampeamento do cordão umbilical em recém-nascido a termo vigoroso?
O clampeamento tardio em recém-nascido vigoroso, após pelo menos um minuto, aumenta as reservas de ferro e reduz anemia na infância, com discreto aumento da necessidade de fototerapia por icterícia. Em recém-nascido que necessita de reanimação imediata, prioriza-se o início das manobras. Clampeamento imediato universal é a prática antiga que a evidência revisou. Esperar dez minutos ou a dequitação não é recomendado, e a ordenha do cordão tem indicações restritas e é desaconselhada em prematuros extremos.
Durante a reanimação de recém-nascido, qual parâmetro indica melhor a eficácia da ventilação com pressão positiva?
A resposta da frequência cardíaca é o indicador mais confiável e precoce de ventilação efetiva, e sua ausência de elevação obriga a revisar a técnica, verificando ajuste da máscara, permeabilidade de via aérea, posição da cabeça e pressão empregada. A coloração é subjetiva e tardia, o choro pode não ocorrer em recém-nascidos deprimidos, e o escore de Apgar serve para descrever a condição ao nascer e a resposta às manobras, sem guiar decisões em tempo real, além de a temperatura ser um cuidado importante, porém não um indicador de ventilação.
Qual é a relação compressão-ventilação na reanimação neonatal com dois socorristas?
No recém-nascido a proporção é de três compressões para uma ventilação, somando cerca de 120 eventos por minuto, o que corresponde a aproximadamente 90 compressões e 30 ventilações, refletindo a origem hipóxica praticamente universal da bradicardia neonatal. Aplicar as relações pediátricas ou de adulto é o erro que sacrifica a ventilação exatamente onde ela é mais necessária. A técnica preferida é a dos dois polegares com as mãos circundando o tórax, por gerar melhor pressão de perfusão.
Qual é a conduta correta em relação à oferta de oxigênio durante a reanimação de recém-nascido a termo?
Em recém-nascidos a termo, a reanimação começa com ar ambiente, ajustando-se a fração inspirada conforme a oximetria pré-ductal e as metas de saturação esperadas para cada minuto de vida, pois a hiperóxia aumenta o estresse oxidativo e se associou a pior desfecho. Iniciar rotineiramente com oxigênio puro é a prática antiga revista pelas diretrizes. Recusar oxigênio quando indicado é o extremo oposto, e guiar-se pela coloração é impreciso, já que a saturação sobe progressivamente nos primeiros minutos.
Recém-nascido prematuro de 30 semanas nasce em sala de parto. Qual medida específica reduz a morbidade relacionada à hipotermia?
Prematuros perdem calor rapidamente por sua relação superfície-massa e pela pele imatura, e a hipotermia na admissão associa-se a maior mortalidade e morbidade, sendo prevenida com envoltório plástico aplicado sem secar o corpo, touca, colchão térmico e sala aquecida. Banho imediato e exposição após secagem vigorosa aumentam as perdas por evaporação e convecção. Adiar as medidas térmicas para depois da estabilização ou da transferência ignora que a perda de calor acontece justamente nos primeiros minutos.
Recém-nascido a termo nasce com respiração ausente e tônus flácido. Após os passos iniciais, mantém apneia e frequência cardíaca de 70 bpm. Qual é a conduta?
Na reanimação neonatal, a ventilação com pressão positiva é a intervenção central, pois a bradicardia do recém-nascido decorre quase sempre de hipóxia, e a frequência cardíaca é o principal indicador de eficácia. Compressões só entram se a frequência permanecer abaixo de 60 bpm após ventilação efetiva por trinta segundos, com técnica adequada e via aérea assegurada. Adrenalina vem depois de ventilação e compressões, e a aspiração traqueal de rotina não é recomendada, inclusive na presença de mecônio em recém-nascido não vigoroso.
Recém-nascido a termo, apneico e hipotônico ao nascer. Após os passos iniciais, permanece em apneia. A conduta seguinte, conforme as diretrizes de reanimação neonatal, é:
A ventilação é o pilar da reanimação neonatal, porque a parada do recém-nascido é hipóxica e o pulmão precisa ser aerado para que a circulação se restabeleça — em recém-nascidos a termo, começa-se em ar ambiente. Compressões só entram se a frequência cardíaca permanecer abaixo de 60 bpm após ventilação EFETIVA, com via aérea avançada. Aspiração traqueal de rotina, mesmo com mecônio, foi abandonada porque atrasa a ventilação sem benefício.
Sobre o uso de oxigênio na reanimação neonatal, é correto afirmar que:
A transição fetal-neonatal é gradual, e a saturação sobe ao longo dos primeiros 10 minutos — exigir 95% no primeiro minuto levaria a hiperóxia iatrogênica em praticamente todos os nascimentos. O oxigênio em excesso gera radicais livres e associa-se a pior desfecho, o que motivou o abandono do 100% de rotina. A oximetria no membro superior direito, pré-ductal, é o instrumento que permite titular a oferta em vez de estimá-la pela cor do recém-nascido.
Sobre o clampeamento do cordão e o contato pele a pele em recém-nascido a termo vigoroso, a conduta correta em sala de parto é:
No recém-nascido a termo vigoroso, o clampeamento tardio melhora o estoque de ferro nos primeiros meses, e o contato pele a pele favorece termorregulação, estabilidade cardiorrespiratória e o início da amamentação. Aspiração orofaríngea de rotina foi abandonada porque provoca bradicardia reflexa sem benefício. O banho imediato remove o vérnix, que tem função de barreira, e contribui para hipotermia — por isso é postergado.
Durante a reanimação de um recém-nascido, a frequência cardíaca permanece em 40 bpm após 30 segundos de ventilação com pressão positiva efetiva com tubo traqueal. A conduta é:
A relação 3:1, totalizando 120 eventos por minuto, é específica do recém-nascido e reflete a origem respiratória da parada, priorizando ventilação em proporção maior que nas demais faixas etárias — usar 15:2, que é a relação pediátrica com dois socorristas, é erro clássico. Bicarbonato não faz parte da sequência inicial e pode piorar a acidose intracelular. Cardioversão não tem lugar em uma parada por hipóxia com ritmo bradicárdico.
Durante a reanimação de um recém-nascido, após ventilação com pressão positiva efetiva por 30 segundos, a frequência cardíaca permanece em 48 bpm. Qual é a conduta?
Frequência abaixo de 60 após ventilação efetiva é o gatilho para a massagem cardíaca, feita em três compressões para cada ventilação, com via aérea avançada e oxigênio elevado, reavaliando após 60 segundos. Insistir apenas na ventilação engana quem tenta garantir que ela foi mesmo efetiva — a checagem da técnica é obrigatória ANTES, mas depois de comprovadamente efetiva o próximo passo é a compressão. Bicarbonato não faz parte do algoritmo e expansor só entra na suspeita de hipovolemia, após adrenalina.
Segundo as diretrizes de reanimação neonatal, qual é o passo inicial diante de um recém-nascido a termo, sem malformações, que nasce hipotônico e sem respirar?
Os passos iniciais — calor, posição, secagem e estímulo — precedem qualquer procedimento e resolvem boa parte dos casos; a avaliação da frequência cardíaca e da respiração define se será preciso ventilar. Iniciar compressões engana quem pula direto para a manobra mais dramática, mas a bradicardia do recém-nascido é quase sempre de origem respiratória e responde à ventilação, que é o pilar da reanimação neonatal. O clampeamento tardio é recomendado apenas no bebê que nasce em boas condições.
Qual é a concentração inicial de oxigênio recomendada para iniciar a ventilação com pressão positiva em recém-nascido a termo na sala de parto?
O recém-nascido a termo inicia a ventilação com ar ambiente, ajustando a fração de oxigênio pelas metas de saturação pré-ductal minuto a minuto, porque a hiperóxia gera estresse oxidativo e piora desfechos. Começar com oxigênio a 100% engana porque foi a prática histórica e permanece indicada em situações específicas, como durante as compressões torácicas. Prescindir da oximetria retira o instrumento que guia a titulação, e o prematuro tem recomendação de concentração inicial própria, um pouco mais alta.
Recém-nascido com diagnóstico pré-natal de hérnia diafragmática congênita nasce em apneia. Qual é a conduta na sala de parto?
Ventilar com máscara insufla o estômago e as alças herniadas, que comprimem ainda mais o pulmão e o mediastino, de modo que a regra nesse diagnóstico é intubar de imediato e descomprimir o trato digestivo com sonda. A ventilação com máscara engana justamente porque é o primeiro passo do fluxograma padrão de reanimação neonatal — a hérnia diafragmática é a exceção que a prova cobra. Compressões torácicas só entram após ventilação efetiva com frequência abaixo de 60, e a aspiração traqueal de rotina foi abandonada.
Recém-nascido de 41 semanas nasce banhado em líquido meconial espesso, hipotônico e sem respiração espontânea. Qual a conduta na sala de parto conforme as recomendações atuais?
As recomendações atuais abandonaram a intubação e a aspiração traqueal de rotina no recém-nascido não vigoroso com mecônio, porque o procedimento atrasa a ventilação sem melhorar desfechos: a prioridade é ventilar. A aspiração intraparto da orofaringe antes do desprendimento dos ombros também foi abandonada. Compressões só entram se a frequência cardíaca permanecer abaixo de 60 batimentos por minuto apesar de ventilação adequada.
Qual medida é a mais eficaz para prevenir hipotermia em recém-nascidos e lactentes durante o transporte inter-hospitalar?
A prevenção é ambiental e mecânica: incubadora aquecida, barreira contra evaporação, cobertura da cabeça, que representa grande parte da superfície corporal do lactente, e proteção contra convecção. Manter a criança despida para observar melhor engana quem prioriza a vigilância visual, mas a perda térmica por radiação e convecção é imediata e o custo metabólico da hipotermia inclui hipoglicemia, acidose e agravamento da hipertensão pulmonar no neonato.
Recém-nascido pós-termo, com 41 semanas e 3 dias, nasce com líquido amniótico meconial espesso, hipotônico e sem respiração espontânea. Qual é a conduta na sala de parto segundo as diretrizes atuais?
As diretrizes abandonaram a aspiração traqueal de rotina no recém-nascido não vigoroso com mecônio, porque o procedimento atrasa a ventilação — que é a intervenção que realmente reverte a bradicardia — sem reduzir a síndrome de aspiração. A intubação para aspiração engana justamente por ter sido a recomendação padrão por décadas e ainda constar em materiais antigos, o que a torna o distrator mais tentador da questão. A aspiração intraparto no períneo foi abandonada há ainda mais tempo.
Recém-nascido a termo, vigoroso, chorando, com bom tônus, nascido de parto vaginal com líquido meconial fluido. Qual a conduta correta?
Recém-nascido vigoroso, mesmo com mecônio no líquido, segue o cuidado de rotina: contato pele a pele, clampeamento oportuno e observação. A aspiração traqueal foi retirada das diretrizes por não reduzir a síndrome de aspiração e por causar bradicardia e trauma de via aérea. A aspiração vigorosa de vias aéreas superiores também não é rotina e pode desencadear reflexo vagal. Não há indicação de antibiótico profilático nem de internação apenas pela presença de mecônio.
Durante reanimação ao nascimento, após pelo menos 30 segundos de ventilação com pressão positiva efetiva, com expansão torácica após correção da técnica, a frequência cardíaca permanece em 50 bpm. Qual a conduta?
Na reanimação ao nascimento, frequência cardíaca abaixo de 60 bpm após pelo menos 30 segundos de ventilação efetiva indica compressões coordenadas com ventilação, na relação 3:1, com oxigênio a 100%. É necessário assegurar expansão torácica e preferir via aérea alternativa apropriada. Se a ventilação não expande o tórax, corrigir a técnica é prioritário; não se deve contar tempo de ventilação ineficaz como etapa concluída. Adrenalina é indicada se a frequência continuar abaixo de 60 após ventilação adequada e 60 segundos de compressões.
Na sala de parto, qual é o indicador mais confiável de que a ventilação com pressão positiva está sendo efetiva em um recém-nascido?
A frequência cardíaca é o parâmetro que guia toda a reanimação neonatal e sua elevação é o primeiro e mais confiável sinal de ventilação efetiva. A coloração da pele é subjetiva e demora a mudar, motivo pelo qual foi substituída pela oximetria nas decisões. Perseguir expansão torácica máxima é perigoso, porque volume excessivo causa volutrauma e escape de ar em pulmão neonatal; busca-se elevação suave e simétrica. Choro durante a ventilação com pressão positiva não faz parte do quadro de quem está sendo ventilado por apneia.
Recém-nascido a termo com asfixia perinatal grave (Apgar 2 no 5º minuto, pH de cordão 6,9, encefalopatia moderada). Qual intervenção neuroprotetora está indicada e em que janela?
A hipotermia terapêutica é a única intervenção com benefício comprovado em morte e sequela neurológica na encefalopatia hipóxico-isquêmica moderada a grave do recém-nascido com pelo menos 35 semanas, e depende de janela estreita: precisa começar até 6 horas de vida e durar 72 horas, com reaquecimento lento. Deixar a temperatura subir é justamente o oposto, porque a hipertermia piora a lesão secundária e deve ser evitada ativamente mesmo em quem não vai resfriar. Corticoide e manitol não têm respaldo nesse cenário.
Recém-nascido pós-termo de 41 semanas e 4 dias, líquido amniótico com mecônio espesso, nasce hipotônico e sem respiração espontânea. Qual a conduta correta na sala de parto segundo as diretrizes vigentes de reanimação neonatal?
A aspiração traqueal de rotina no recém-nascido não vigoroso com mecônio foi abandonada porque atrasa a ventilação, que é a intervenção que de fato reverte a bradicardia; a aspiração sob visualização ficou reservada à suspeita de obstrução de via aérea. A aspiração intraparto no períneo também foi abandonada por não reduzir a síndrome de aspiração. A prioridade é sempre ventilar: em neonatologia, a bradicardia é hipóxica, e compressão antes de ventilação adequada não corrige a causa.
Recém-nascido de 38 semanas nasce apneico e hipotônico após líquido meconial. Após os passos iniciais permanece apneico com frequência cardíaca de 80 bpm. Qual a próxima conduta?
A ventilação com pressão positiva é a intervenção que reverte a bradicardia neonatal, porque quase toda parada nessa idade é de origem hipóxica, e ela deve começar no primeiro minuto (o Minuto de Ouro). Aspirar a traqueia primeiro é o reflexo antigo que as diretrizes abandonaram justamente por atrasar a ventilação. As compressões só entram se, após 30 segundos de ventilação efetiva com técnica corrigida, a frequência permanecer abaixo de 60 bpm; adrenalina vem ainda depois disso.
Recém-nascido nasce em líquido meconial espesso, mas está vigoroso, com choro forte, tônus adequado e frequência cardíaca acima de 100 bpm. Qual a conduta?
Recém-nascido vigoroso, mesmo em líquido meconial espesso, recebe cuidados de rotina junto à mãe, com contato pele a pele e vigilância clínica — a intubação de rotina foi abandonada por não melhorar desfechos e por trazer riscos do próprio procedimento. Aspiração gástrica de rotina não previne complicações e pode causar bradicardia reflexa e trauma. Encaminhar todos à terapia intensiva separa mãe e bebê sem indicação, e antibiótico profilático não se justifica na ausência de fatores de risco infeccioso.
Recém-nascido pós-termo, com líquido amniótico meconial espesso, nasce hipotônico, sem respiração espontânea e com frequência cardíaca de 80 batimentos por minuto. Qual a conduta na sala de parto?
As diretrizes atuais abandonaram tanto a aspiração intraparto da orofaringe quanto a aspiração traqueal de rotina no recém-nascido não vigoroso com mecônio, porque nenhuma delas reduziu a síndrome de aspiração e ambas retardavam a intervenção que realmente importa, que é a ventilação. Com frequência cardíaca abaixo de cem e ausência de respiração, a prioridade é ventilar com pressão positiva de forma efetiva nos primeiros minutos.
Recém-nascido pós-termo, com líquido amniótico meconial espesso, nasce hipotônico e sem respiração espontânea. Qual a conduta inicial na sala de parto?
As diretrizes atuais aboliram a aspiração traqueal de rotina no recém-nascido não vigoroso com mecônio: a prioridade é a ventilação com pressão positiva, porque a hipoxemia e a apneia matam mais rápido do que o mecônio residual na traqueia. A aspiração intraparto no períneo também foi abandonada. Massagem cardíaca só entra depois de ventilação efetiva com frequência abaixo de 60 bpm, e adrenalina é etapa posterior. Esse é o ponto em que material antigo diverge da prática atual e produz erro de conduta.
Durante a reanimação de um recém-nascido de 30 semanas, qual a fração inspirada de oxigênio recomendada para iniciar a ventilação com pressão positiva?
Em prematuros a recomendação é começar com concentração intermediária, em torno de 30%, e titular pela oximetria pré-ductal, porque tanto a hipóxia quanto a hiperóxia lesam: o excesso de oxigênio se associa a retinopatia da prematuridade e a lesão pulmonar. O ar ambiente puro é o padrão do recém-nascido a termo, e usá-lo indistintamente no prematuro é o erro que a banca cobra. Perseguir saturação acima de 98% no primeiro minuto ignora as metas escalonadas, que partem de valores em torno de 70 a 80%.
Sobre a concentração inicial de oxigênio na reanimação em sala de parto, qual afirmação é correta?
O excesso de oxigênio na transição neonatal gera estresse oxidativo com consequências sobre pulmão, retina e sistema nervoso, e por isso o recém-nascido próximo ao termo inicia em ar ambiente, com titulação guiada pelas metas de saturação pré-ductal por minuto de vida. O prematuro, com menor capacidade antioxidante e pulmão imaturo, começa com concentração intermediária, também titulada. Avaliar oxigenação pela cor é impreciso e foi abandonado.
Recém-nascido a termo nasce hipotônico, sem respiração espontânea, com frequência cardíaca de 40 bpm. Após passos iniciais, ventilação com pressão positiva por 30 segundos com técnica corrigida, intubação e compressões torácicas coordenadas por mais 60 segundos, a frequência permanece em 40 bpm. Qual a conduta?
Quando ventilação efetiva e compressões coordenadas não elevam a frequência acima de 60 bpm, o próximo passo é a adrenalina, com a via umbilical preferida por garantir dose e velocidade; a via traqueal é alternativa enquanto o acesso é obtido, com absorção menos previsível. Antes de escalar, sempre se checa a efetividade da ventilação, causa mais comum de falha. Atropina não tem papel na bradicardia neonatal, que é hipóxica e não vagal, e bicarbonato de rotina foi abandonado por piorar desfechos.
Recém-nascido prematuro de 27 semanas nasce em sala de parto com temperatura ambiente de 22 °C. Qual medida é essencial imediatamente após o nascimento?
A hipotermia é fator independente de mortalidade no prematuro e se instala em minutos, o que torna o controle térmico parte integrante da reanimação: saco plástico sem secar o corpo, touca, colchão térmico, mesa de calor radiante e sala aquecida. Banho imediato e exposição prolongada aceleram a perda de calor. Fontes de calor em contato direto com a pele causam queimadura, e o reaquecimento deve ser controlado, já que a hipertermia também piora desfechos neurológicos.
Sobre a prevenção da perda de calor no recém-nascido prematuro em sala de parto, qual medida é recomendada?
A hipotermia no prematuro aumenta mortalidade, hipoglicemia e hemorragia peri-intraventricular, e a estratégia mais eficaz combina o envoltório plástico colocado sem secar o corpo, que reduz a perda evaporativa, com touca, calor radiante e sala aquecida. Banhar ou expor o recém-nascido nos primeiros minutos são condutas que promovem exatamente a perda de calor que se quer evitar, e o contato direto com fontes de calor causa queimadura.
Sobre a sequência inicial da reanimação neonatal em recém-nascido que não respira ao nascer, qual conduta está correta?
A parada neonatal é essencialmente asfíctica, e o que reverte a maioria dos casos é a ventilação efetiva, que por isso deve começar ainda dentro do primeiro minuto, após os passos iniciais de aquecer, posicionar, desobstruir se necessário, secar e estimular. Iniciar por compressões ou adrenalina é transportar o algoritmo do adulto, cuja parada tem origem cardíaca, e prolongar o estímulo tátil apenas consome o tempo mais valioso.
Recém-nascido em reanimação recebe ventilação com pressão positiva, mas a frequência cardíaca não sobe e o tórax não se expande. Qual sequência de correção deve ser aplicada?
Falha de expansão torácica tem quase sempre causa técnica, e existe uma sequência padronizada de correção que checa ajuste da máscara, posição da cabeça, presença de secreção, abertura da boca e pressão inspiratória, culminando em via aérea alternativa. Pular essa checagem e escalar para compressões ou adrenalina é o erro mais comum e mais custoso, porque nenhuma medida subsequente funciona sem pulmão ventilado. Interromper a ventilação em recém-nascido bradicárdico agrava a hipóxia que causa a bradicardia.
Recém-nascido em reanimação apresenta palidez intensa, pulsos finos, má perfusão e resposta insuficiente à adrenalina, com história de descolamento prematuro de placenta e sangramento materno volumoso. Qual a conduta indicada?
Palidez, pulsos finos e má resposta à reanimação em contexto de perda sanguínea aguda apontam hipovolemia, corrigida com cristaloide isotônico 10 mL/kg infundido em 5 a 10 minutos, repetível, e com sangue O negativo quando a perda é significativa. A velocidade importa: infusão rápida demais em prematuro aumenta o risco de hemorragia intraventricular. Bicarbonato de rotina não é recomendado, e diurético em criança hipovolêmica agrava exatamente o problema que se quer corrigir.
Sobre o clampeamento do cordão umbilical em recém-nascido a termo vigoroso, qual a recomendação atual?
O clampeamento oportuno, após pelo menos 1 minuto no recém-nascido a termo vigoroso, transfere volume sanguíneo placentário e melhora as reservas de ferro, reduzindo anemia ferropriva no primeiro ano, com aumento apenas discreto e manejável de icterícia. O clampeamento imediato permanece indicado quando o recém-nascido precisa de reanimação imediata ou há descolamento placentário e circular apertada. A ordenha do cordão foi associada a maior risco de hemorragia intraventricular em prematuros extremos e não é recomendada nesse grupo.
Qual é o significado correto do índice de Apgar na sala de parto?
O Apgar documenta a condição do recém-nascido e a resposta às manobras, sendo aplicado no primeiro e no quinto minuto, e repetido a cada 5 minutos enquanto for baixo. A decisão de reanimar não espera por ele: baseia-se em respiração, tônus e, sobretudo, frequência cardíaca, avaliados desde os primeiros segundos. Também não serve como preditor individual de prognóstico neurológico, e usá-lo assim gera tanto falso alarme quanto falsa segurança em conversas com a família.
Durante a reanimação de um recém-nascido de 38 semanas, após 30 segundos de ventilação com pressão positiva efetiva, a frequência cardíaca permanece em 50 batimentos por minuto. Qual a conduta?
Frequência cardíaca abaixo de sessenta após ventilação efetiva indica que o débito não está sendo mantido, e a conduta é associar compressões torácicas na relação de três compressões para uma ventilação, elevando a oferta de oxigênio. É essencial garantir antes que a ventilação esteja realmente adequada, com os passos de correção de técnica, porque comprimir com pulmão não ventilado não corrige a asfixia que originou a bradicardia.
Sobre o clampeamento do cordão umbilical em recém-nascido a termo vigoroso, qual conduta é a recomendada?
Aguardar ao menos um minuto no recém-nascido vigoroso aumenta o volume sanguíneo e as reservas de ferro, com impacto sobre a anemia nos primeiros meses, e no prematuro se associa também a menor necessidade de transfusão e a menor hemorragia peri-intraventricular. O clampeamento imediato permanece indicado quando o recém-nascido precisa de reanimação imediata ou quando há circunstância materna que o exija, como sangramento importante.
Sobre o uso do monitor cardíaco durante a reanimação neonatal, qual afirmação é correta?
A frequência cardíaca é o principal indicador de resposta às manobras, e a palpação do cordão subestima o valor com frequência, enquanto a oximetria demora a captar sinal e falha em situações de má perfusão. O monitor cardíaco fornece leitura rápida e confiável, sendo recomendado quando a reanimação avança para compressões e drogas, sem dispensar a avaliação clínica global.
Sobre a via preferencial para administração de adrenalina na reanimação neonatal, qual afirmação é correta?
A absorção pulmonar da adrenalina é errática e resulta em concentrações plasmáticas imprevisíveis, o que faz da via endovenosa por cateter umbilical a escolha, obtida rapidamente por ser um acesso disponível em qualquer recém-nascido. A via endotraqueal permanece como recurso enquanto o acesso é providenciado, com dose maior, e não deve atrasar o cateterismo umbilical.
Sobre o escore de Apgar, qual afirmação é correta?
Esperar o primeiro minuto para calcular o escore significaria perder exatamente o intervalo em que a ventilação efetiva reverte a maioria das paradas neonatais, por isso a decisão é clínica e imediata. O escore mantém utilidade para documentar a evolução e para comunicação entre equipes, e um valor isolado normal não exclui asfixia, cujo diagnóstico exige também gasometria de cordão e evolução clínica.
Sobre as metas de saturação de oxigênio pré-ductal nos primeiros minutos de vida, qual afirmação é correta?
A transição da circulação fetal para a neonatal é gradual, e a saturação parte de valores baixos e só alcança a faixa habitual após vários minutos, o que torna inadequado perseguir números altos logo de início. A medida é pré-ductal, no membro superior direito, porque reflete o sangue que chega ao cérebro antes da mistura pelo canal arterial, e é ela que guia a titulação do oxigênio.
Sobre o preparo da sala de parto para a assistência ao recém-nascido, qual conduta é fundamental?
A reanimação neonatal é uma emergência com janela de segundos, e não há tempo para procurar material ou improvisar papéis depois que o recém-nascido não respira, motivo pelo qual a checagem do equipamento, a antecipação dos fatores de risco e a distribuição prévia de funções fazem parte do procedimento. Cerca de um em cada dez recém-nascidos precisa de alguma ajuda para iniciar a respiração, inclusive em gestações sem intercorrências.
Sobre a indicação de expansão de volume durante a reanimação neonatal, qual afirmação é correta?
A hipovolemia não é a causa habitual da bradicardia neonatal, que é asfíctica, e por isso a expansão é reservada aos casos com evidência de perda sanguínea ou sinais de choque que persistem apesar de ventilação, compressões e adrenalina. A infusão é feita em alíquotas e de forma lenta, sobretudo no prematuro, pelo risco de hemorragia peri-intraventricular associado a mudanças bruscas de volume e de pressão.
Durante a reanimação neonatal, a ventilação com pressão positiva por máscara não produz elevação da frequência cardíaca nem expansão torácica visível. Qual a conduta?
Ventilação sem expansão torácica é ventilação inexistente, e antes de escalar para compressões ou drogas é obrigatório percorrer a sequência de correção da técnica, que resolve a maioria das falhas: vedação da máscara, posicionamento neutro da cabeça, desobstrução, abertura da boca, aumento da pressão e, se necessário, via aérea alternativa. Comprimir o tórax de um recém-nascido não ventilado não corrige a asfixia que gerou a bradicardia.
Ao nascimento, quais são as perguntas iniciais que determinam se o recém-nascido pode permanecer com a mãe ou necessita dos passos iniciais da reanimação?
A avaliação inicial se resume a três perguntas objetivas respondidas em segundos, e a resposta afirmativa a todas permite que o recém-nascido permaneça em contato pele a pele com a mãe, com os cuidados de rotina. O escore de Apgar não serve para decidir a reanimação, porque só é atribuído no primeiro minuto, quando as intervenções já deveriam ter começado, servindo para descrever a resposta às manobras.
Recém-nascido de 39 semanas nasce em maternidade do SUS por parto vaginal, com líquido amniótico claro. Ao nascimento, apresenta respiração regular, choro forte e bom tônus muscular. A mãe é hígida, com sorologias negativas, e o parto transcorreu sem intercorrências. A equipe de neonatologia está presente na sala de parto e o recém-nascido é colocado sobre o abdome materno. Assinale a conduta correta na assistência imediata a esse recém-nascido.
Recém-nascido a termo, respirando ou chorando e com bom tônus, deve permanecer em contato pele a pele com a mãe, com clampeamento oportuno do cordão e manutenção da temperatura, sem aspiração de rotina. A aspiração sistemática de vias aéreas foi abandonada por provocar bradicardia reflexa e atrasar o vínculo. Clampear de imediato o cordão em recém-nascido vigoroso reduz a reserva de ferro e não traz benefício. Oxigênio de rotina em recém-nascido saudável é intervenção desnecessária e potencialmente deletéria.
Recém-nascido de 38 semanas nasce por parto vaginal com líquido meconial fluido. Ao nascimento, apresenta-se hipotônico, sem respiração espontânea e com frequência cardíaca de 80 bpm após os passos iniciais. A equipe de neonatologia está presente na sala de parto e o material de reanimação está preparado e testado. O tempo decorrido desde o nascimento é de aproximadamente 40 segundos. Assinale a conduta correta neste momento.
Recém-nascido apneico ou com frequência cardíaca abaixo de 100 bpm após os passos iniciais tem indicação imediata de ventilação com pressão positiva, intervenção mais importante da reanimação neonatal. Compressões torácicas só se iniciam quando a frequência permanece abaixo de 60 bpm apesar de ventilação adequada por 30 segundos. A aspiração traqueal de rotina em líquido meconial foi abandonada, pois retarda a ventilação, que é a prioridade. A adrenalina é reservada à persistência de bradicardia após ventilação e compressões efetivas.
Recém-nascido a termo, de parto vaginal sem intercorrências, apresenta ao primeiro minuto de vida: frequência cardíaca de 130 bpm, choro forte, algum grau de flexão de extremidades, careta à estimulação e cianose de extremidades com tronco rosado. A mãe é hígida e o líquido amniótico era claro. A equipe de neonatologia realiza a avaliação de rotina em sala de parto. Assinale o valor correto do índice de Apgar no primeiro minuto.
Somam-se dois pontos para a frequência cardíaca acima de 100 bpm, dois para o esforço respiratório com choro forte, um para o tônus com alguma flexão, um para a irritabilidade reflexa expressa por careta e dois para a coloração com cianose apenas de extremidades, totalizando oito. O valor máximo de dez exigiria tônus em flexão completa, resposta reflexa vigorosa e coloração inteiramente rosada. Os valores mais baixos subestimam parâmetros claramente presentes, como a frequência cardíaca adequada e o choro forte, e levariam a intervenções desnecessárias em recém-nascido vigoroso.
Recém-nascido de 39 semanas nasce deprimido, hipotônico, sem choro e com frequência cardíaca de 80 bpm ao final dos passos iniciais. O líquido amniótico era claro e a gestação não teve intercorrências. A equipe realizou aquecimento, posicionamento das vias aéreas, aspiração de secreções e secagem, com estímulo tátil, sem resposta. O tempo decorrido é de 40 segundos. Considerando as diretrizes de reanimação neonatal em sala de parto, o próximo passo é
Recém-nascido a termo que permanece apneico ou com frequência cardíaca abaixo de 100 bpm após os passos iniciais tem indicação de ventilação com pressão positiva, intervenção isolada mais eficaz da reanimação neonatal, iniciada em ar ambiente no recém-nascido de termo. A massagem cardíaca só entra quando a frequência permanece abaixo de 60 bpm após ventilação adequada por 30 segundos. A adrenalina é indicada após massagem e ventilação eficazes sem resposta. A expansão volêmica destina-se à suspeita de hipovolemia com má perfusão, situação não descrita e que não precede a ventilação.
Gestante de 20 anos, com 39 semanas, é admitida em trabalho de parto e evolui bem até a dilatação completa. Após 40 minutos de período expulsivo, nasce recém-nascido vigoroso, com choro forte e tônus adequado. A equipe se prepara para os cuidados imediatos. A mãe é HIV negativa e o líquido era claro. Considerando as recomendações atuais para a assistência ao recém-nascido a termo vigoroso em sala de parto, a conduta correta quanto ao cordão umbilical é
No recém-nascido a termo vigoroso, o clampeamento oportuno após 1 a 3 minutos aumenta as reservas de ferro e reduz anemia no primeiro ano, devendo ser acompanhado de contato pele a pele imediato. O clampeamento precoce com aspiração de rotina é conduta superada, pois a aspiração não é recomendada no recém-nascido vigoroso com líquido claro. A ordenha do cordão não é recomendada de rotina, especialmente em prematuros, pelo risco de hemorragia intraventricular. Aguardar toda a dequitação prolonga desnecessariamente o procedimento e não corresponde à recomendação vigente.
Gestante de 29 anos, com 34 semanas, chega à maternidade com contrações e o exame obstétrico mostra apresentação cefálica, dilatação de 6 cm e bolsa rota com líquido meconial espesso. A cardiotocografia mostra desacelerações variáveis leves com boa variabilidade e linha de base de 140 bpm. A pressão arterial materna é de 116x74 mmHg. A equipe pergunta como se preparar para o nascimento diante do mecônio. Considerando as recomendações atuais de assistência ao recém-nascido, a conduta correta é
A conduta atual diante de líquido meconial é ter equipe preparada e avaliar a vitalidade ao nascimento: no recém-nascido vigoroso não se aspira a traqueia, e mesmo no não vigoroso a prioridade passou a ser a ventilação. A aspiração traqueal universal é prática abandonada por não reduzir a síndrome de aspiração meconial. A aspiração intraparto de orofaringe antes do desprendimento dos ombros também foi abandonada. Mecônio isolado, com padrão cardiotocográfico tranquilizador, não é indicação de cesariana.
Recém-nascido a termo nasce por parto vaginal em maternidade do SUS, com líquido amniótico claro. Ao nascer, não apresenta choro nem movimentos respiratórios efetivos e o tônus está reduzido. É levado à mesa de reanimação, onde a equipe realiza os passos iniciais. Após 30 segundos, mantém-se em apneia, com frequência cardíaca de 80 bpm avaliada pela ausculta. O material de ventilação e o oxímetro estão disponíveis e a sala está aquecida. Qual é a conduta imediata?
Recém-nascido em apneia ou com frequência cardíaca abaixo de 100 bpm após os passos iniciais deve receber ventilação com pressão positiva, que é a intervenção mais importante da reanimação neonatal, iniciada em ar ambiente no recém-nascido a termo e ajustada pela oximetria. Compressões torácicas só são indicadas se a frequência permanecer abaixo de 60 bpm após ventilação efetiva por 30 segundos. Adrenalina é etapa posterior, após ventilação e compressões adequadas. Aspiração repetida atrasa a ventilação e pode provocar bradicardia reflexa.
Em maternidade do SUS, nasce recém-nascido a termo de parto vaginal, com 39 semanas, chorando forte, com tônus adequado e respiração regular logo após o desprendimento. A mãe está estável, sem sangramento anormal, e o líquido amniótico era claro. A equipe de enfermagem pergunta ao médico plantonista sobre a sequência de cuidados imediatos, considerando as recomendações vigentes de assistência ao recém-nascido de baixo risco em sala de parto. A conduta correta neste momento é:
Recém-nascido a termo, com respiração e tônus adequados, deve permanecer em contato pele a pele com a mãe, sendo secado e mantido aquecido, com clampeamento do cordão após pelo menos um minuto, o que melhora as reservas de ferro e reduz anemia no lactente. Aspiração de vias aéreas de rotina não é recomendada e pode causar bradicardia reflexa. Clampeamento imediato é reservado a situações específicas, como necessidade de reanimação, e não previne icterícia clinicamente relevante. Separar mãe e filho prejudica o vínculo e o início do aleitamento na primeira hora de vida.
Recém-nascido de 38 semanas nasce deprimido, sendo submetido a passos iniciais e ventilação com pressão positiva. No primeiro minuto apresenta frequência cardíaca de 90 bpm, respiração irregular, tônus flácido, resposta débil ao estímulo e cianose generalizada. Após ventilação adequada, no quinto minuto encontra-se com frequência cardíaca de 130 bpm, choro forte, tônus em flexão, resposta vigorosa e cianose apenas de extremidades. A equipe registra os escores e discute o papel do índice de Apgar. A afirmação correta é:
O índice de Apgar documenta a condição do recém-nascido e a resposta às manobras, mas a decisão de iniciar a reanimação depende da avaliação imediata da respiração e da frequência cardíaca, não da espera pelo escore do primeiro minuto. Usar o Apgar para decidir o início da ventilação atrasa a intervenção que salva vidas. Escore adequado no quinto minuto reduz, mas não exclui, o risco de encefalopatia, que depende de outros marcadores clínicos e laboratoriais. O diagnóstico de asfixia perinatal exige critérios adicionais, incluindo gasometria de cordão com acidose metabólica.
Recém-nascido prematuro de 32 semanas, com 1.480 g, nasce em maternidade do interior em sala com ar-condicionado ligado e temperatura ambiente de 21 °C. Após o nascimento, é levado à mesa de reanimação e, ao final dos cuidados iniciais, apresenta temperatura axilar de 35,2 °C, FC 148 bpm, FR 62 ipm, com discreto desconforto respiratório e glicemia capilar de 44 mg/dL. A equipe discute as medidas de prevenção da perda de calor no prematuro. A conduta correta inclui:
A prevenção da hipotermia no prematuro exige sala aquecida, uso de saco plástico sem secar o corpo, touca, colchão térmico e transporte em incubadora aquecida, pois a hipotermia aumenta mortalidade, hipoglicemia e desconforto respiratório. Banho imediato aumenta a perda de calor por evaporação e é contraindicado nesse contexto. Bolsa de água quente em contato direto causa queimadura na pele fina do prematuro. A hipotermia não é benéfica ao prematuro, e a hipotermia terapêutica é intervenção específica e controlada, restrita ao recém-nascido a termo com encefalopatia.
Parturiente de 26 anos, com 41 semanas, tem rotura de membranas com saída de líquido amniótico com mecônio espesso. A cardiotocografia mantém traçado tranquilizador, com boa variabilidade e sem desacelerações. O parto vaginal ocorre sem intercorrências e o recém-nascido nasce com choro forte, tônus adequado e frequência cardíaca acima de 100 bpm, coberto por mecônio na pele. A equipe de neonatologia está presente na sala de parto. A conduta correta com esse recém-nascido é:
Diante de líquido meconial, o recém-nascido vigoroso, com choro forte, bom tônus e frequência cardíaca adequada, recebe os passos iniciais habituais e permanece junto à mãe, sem indicação de aspiração traqueal de rotina, prática abandonada por não melhorar desfechos. A aspiração sob laringoscopia é reservada a situações específicas de obstrução de via aérea com necessidade de ventilação. Encaminhar à terapia intensiva um recém-nascido vigoroso é desnecessário. Lavagem gástrica de rotina não traz benefício e causa desconforto.
Recém-nascido de 39 semanas nasce deprimido, hipotônico, sem choro e com frequência cardíaca de 80 bpm ao final dos passos iniciais. O líquido amniótico era claro e a gestação não teve intercorrências. A equipe realizou aquecimento, posicionamento das vias aéreas, aspiração de secreções e secagem, com estímulo tátil, sem resposta. O tempo decorrido é de 40 segundos. Ela nega febre, dispneia, dor torácica e sangramento anormal, e o restante do exame físico não mostra alterações. Os exames laboratoriais recentes estão dentro da normalidade e o puerpério vinha transcorrendo sem intercorrências. Considerando as diretrizes de reanimação neonatal em sala de parto, o próximo passo é
Recém-nascido a termo que permanece apneico ou com frequência cardíaca abaixo de 100 bpm após os passos iniciais tem indicação de ventilação com pressão positiva, intervenção isolada mais eficaz da reanimação neonatal, iniciada em ar ambiente no recém-nascido de termo. A massagem cardíaca só entra quando a frequência permanece abaixo de 60 bpm após ventilação adequada por 30 segundos. A adrenalina é indicada após massagem e ventilação eficazes sem resposta. A expansão volêmica destina-se à suspeita de hipovolemia com má perfusão, situação não descrita e que não precede a ventilação.
Recém-nascido a termo nasce de parto vaginal, com choro forte, bom tônus e boa vitalidade, sem necessidade de manobras de reanimação. A mãe está estável, sem sangramento anormal e sem intercorrências durante o parto. A equipe discute o momento de clampear o cordão umbilical, considerando as recomendações vigentes e os benefícios para o recém-nascido, uma vez que a maternidade vinha adotando o clampeamento imediato como rotina em todos os nascimentos. A conduta correta é:
O clampeamento oportuno do cordão, realizado após pelo menos um a três minutos em recém-nascidos vigorosos, aumenta a transfusão placentária, elevando as reservas de ferro e reduzindo anemia nos primeiros meses de vida, sem aumentar de forma relevante a icterícia com necessidade de tratamento. O clampeamento imediato para todos é prática superada. Aguardar a dequitação completa não é o padrão recomendado. Recém-nascidos que necessitam de reanimação imediata podem exigir clampeamento mais precoce, invertendo a lógica proposta na última alternativa.
Recém-nascido de 39 semanas nasce deprimido, hipotônico, sem choro e com frequência cardíaca de 80 bpm ao final dos passos iniciais. O líquido amniótico era claro e a gestação foi acompanhada em pré-natal de risco habitual, com sorologias não reagentes. O parto foi vaginal, com bolsa rota há quatro horas, e a mãe não recebeu anestesia geral nem opioides. A equipe realizou aquecimento, posicionamento das vias aéreas, aspiração de secreções e secagem, com estímulo tátil, sem resposta. O tempo decorrido é de 40 segundos e a saturação ainda não é mensurável. Considerando as diretrizes de reanimação neonatal em sala de parto, o próximo passo é
Recém-nascido a termo que permanece apneico ou com frequência cardíaca abaixo de 100 bpm após os passos iniciais tem indicação de ventilação com pressão positiva, intervenção isolada mais eficaz da reanimação neonatal, iniciada em ar ambiente no recém-nascido de termo. A massagem cardíaca só entra quando a frequência permanece abaixo de 60 bpm após ventilação adequada por 30 segundos. A adrenalina é indicada após massagem e ventilação eficazes sem resposta. A expansão volêmica destina-se à suspeita de hipovolemia com má perfusão, situação não descrita e que não precede a ventilação.
Recém-nascido a termo, nascido de parto vaginal em sala com temperatura ambiente de 21 °C, é colocado sobre campo úmido e permanece descoberto durante os primeiros minutos, enquanto a equipe finaliza os cuidados maternos. Ao ser avaliado 15 minutos após o nascimento, apresenta temperatura axilar de 35,6 °C, hipoatividade, extremidades frias e choro fraco, sem desconforto respiratório importante. A mãe está bem, com sangramento fisiológico e desejando amamentar. A glicemia capilar do recém-nascido é de 40 mg/dL. A conduta correta inclui
A prevenção e o tratamento da hipotermia neonatal incluem secar o recém-nascido, retirar campos úmidos, promover contato pele a pele coberto ou usar fonte de calor, monitorar a temperatura e corrigir a hipoglicemia associada, pois a hipotermia aumenta o consumo de oxigênio e a morbidade. Aguardar reaquecimento espontâneo é conduta inadequada. O banho precoce agrava a perda de calor. Transportar sem medidas de aquecimento perpetua a hipotermia.
Recém-nascido a termo nasce de parto vaginal com líquido amniótico claro, mas apresenta-se hipotônico, sem choro e com respiração irregular logo após o nascimento. A equipe realiza os passos iniciais, com aquecimento, posicionamento da via aérea, aspiração se necessário e secagem, e reavalia após 30 segundos, encontrando frequência cardíaca de 80 bpm e respiração irregular. A mãe está estável, sem sangramento anormal, e o material de reanimação está disponível e testado na sala de parto. A conduta correta é
Após os passos iniciais, a presença de frequência cardíaca abaixo de 100 bpm ou de respiração inadequada indica ventilação com pressão positiva, intervenção mais importante da reanimação neonatal, pois a maioria dos recém-nascidos responde a ela. Massagem cardíaca só é indicada com frequência abaixo de 60 bpm após ventilação efetiva. Adrenalina vem depois da ventilação e da massagem. Aguardar mais tempo sem intervir agrava a hipóxia.
Recém-nascido prematuro de 29 semanas nasce em maternidade com unidade neonatal e necessita de ventilação com pressão positiva na sala de parto, por respiração irregular e frequência cardíaca de 90 bpm. A equipe dispõe de blender para mistura de gases, oxímetro de pulso e sistema de ventilação com pressão controlada. A mãe recebeu corticoide antenatal completo e o parto ocorreu por indicação materna. A equipe discute a concentração de oxigênio a ser utilizada no início da ventilação do prematuro. A conduta correta é
Na reanimação do prematuro, inicia-se a ventilação com concentração baixa de oxigênio, ajustando-a conforme as metas de saturação monitoradas por oximetria de pulso, para evitar tanto a hipóxia quanto a lesão por hiperóxia. Iniciar com oxigênio a 100% em todos os prematuros expõe ao estresse oxidativo. Restringir-se ao ar ambiente sem possibilidade de ajuste pode manter hipoxemia. Adiar a oximetria impede o ajuste guiado por metas.
Recém-nascido prematuro de 31 semanas nasce por parto vaginal, chorando e com bom tônus, em maternidade com unidade neonatal disponível. A equipe posiciona o recém-nascido e discute o momento do clampeamento do cordão umbilical, pois a rotina antiga do serviço era clampear imediatamente todos os prematuros. Não há circular apertada, descolamento placentário, necessidade de reanimação imediata nem sangramento materno importante. A mãe está estável, com pressão arterial de 118x74 mmHg e útero contraindo adequadamente. A conduta correta é
No prematuro que nasce em boas condições, o clampeamento oportuno do cordão, após pelo menos um minuto, aumenta o volume sanguíneo e reduz hemorragia intraventricular, enterocolite e necessidade de transfusão, sendo prática recomendada quando não há contraindicação. O clampeamento imediato universal perde esse benefício. Transfusão de rotina não substitui a medida fisiológica. Adiamentos muito prolongados não são recomendados e atrasam cuidados necessários.
Recém-nascido a termo recebe índice de Apgar de 4 no primeiro minuto e 9 no quinto minuto, após ventilação com pressão positiva efetiva por 40 segundos na sala de parto. Ele evolui ativo, corado, com boa sucção e sem necessidade de suporte adicional, sendo levado ao alojamento conjunto com a mãe. A família pergunta se a nota baixa no primeiro minuto significa que a criança terá sequelas neurológicas no futuro. O exame neurológico atual é normal e não houve acidose grave nos exames coletados. A orientação correta é
O índice de Apgar descreve a condição do recém-nascido e a resposta às manobras de reanimação, mas não deve ser usado isoladamente como preditor de prognóstico neurológico, sobretudo quando há recuperação no quinto minuto e exame neurológico normal. Afirmar sequela provável é incorreto e gera angústia. A decisão de iniciar a reanimação não depende do Apgar, e sim da avaliação inicial. Restringir a utilidade ao décimo minuto é incorreto.
Recém-nascido a termo nasce por parto vaginal, com líquido amniótico claro, mas apresenta-se hipotônico, sem choro e com respiração irregular imediatamente após o nascimento. A mãe teve pré-natal sem intercorrências e não houve sofrimento fetal documentado durante o trabalho de parto. A equipe da sala de parto dispõe de mesa aquecida, fonte de oxigênio, aspirador e material de ventilação. O clampeamento do cordão ainda não foi realizado no momento da avaliação inicial. Qual é a conduta adequada?
Recém-nascido sem respiração regular e hipotônico deve ter o cordão clampeado, ser conduzido à mesa de reanimação para os passos iniciais, com calor, posicionamento da via aérea e estímulo, e receber ventilação com pressão positiva se persistirem apneia ou bradicardia, pois a ventilação é a intervenção mais efetiva. Aguardar melhora espontânea em contato pele a pele é conduta apenas para o recém-nascido com boa vitalidade. A massagem cardíaca só é indicada após ventilação efetiva com bradicardia persistente. A adrenalina é medida tardia da sequência de reanimação.
Recém-nascido a termo, nascido por cesariana de emergência por descolamento prematuro de placenta, apresenta-se hipotônico, sem respiração espontânea e com frequência cardíaca de 70 bpm ao final dos passos iniciais realizados em 30 segundos. O líquido amniótico era meconial. A equipe neonatal está completa, com material verificado, e a temperatura da sala está adequada para receber o recém-nascido. Qual a conduta imediata?
Iniciar ventilação com pressão positiva é a conduta imediata, pois a apneia com frequência cardíaca abaixo de 100 bpm após os passos iniciais define a indicação, e a ventilação efetiva é a intervenção que mais impacta o desfecho da reanimação neonatal, já que a maioria das bradicardias decorre de hipóxia e responde à ventilação. A massagem cardíaca só está indicada se a frequência permanecer abaixo de 60 bpm após 30 segundos de ventilação efetiva. A aspiração traqueal de rotina em recém-nascido não vigoroso com mecônio foi retirada das diretrizes, e não deve retardar a ventilação. A adrenalina é indicada apenas após ventilação e massagem adequadas sem resposta. Aguardar mais 60 segundos sem intervir agrava a hipóxia em um recém-nascido já apneico e bradicárdico.
Recém-nascido a termo recebe Apgar 4 no 1º minuto e 8 no 5º minuto, após ventilação com pressão positiva efetiva por 45 segundos. Apresenta boa vitalidade posterior, tônus adequado, choro forte e gasometria de cordão com pH 7,26 e déficit de base de 4 mmol/L. A mãe pergunta se o valor baixo do primeiro minuto significa que a criança terá sequelas neurológicas ao longo da vida. Qual a interpretação correta do escore de Apgar?
A interpretação correta é que o escore de Apgar avalia a condição do recém-nascido e a resposta às manobras de reanimação, não define asfixia perinatal isoladamente e não prediz sequela neurológica quando o valor do 5º minuto é adequado e a gasometria é normal, como neste caso com pH de 7,26. Atribuir valor prognóstico isolado ao 1º minuto é incorreto. O escore não deve ser usado para decidir o início da reanimação, que se baseia na avaliação imediata da respiração, do tônus e da frequência cardíaca, sem esperar o primeiro minuto. Apgar de 8 no 5º minuto é normal e não configura asfixia. O diagnóstico de encefalopatia hipóxico-isquêmica exige critérios que incluem acidemia significativa, Apgar persistentemente baixo e manifestações neurológicas, não sendo substituído pelo escore.
Recém-nascido de 30 semanas, com 1.250 g, nasce de parto vaginal em sala de parto com temperatura ambiente de 22 °C. Ele apresenta respiração irregular e tônus diminuído, sendo levado à mesa de reanimação. A equipe organiza as medidas iniciais, atenta ao fato de que a hipotermia na admissão é fator independente de mortalidade nessa população de prematuros de muito baixo peso. Qual conjunto de medidas é o correto?
Em prematuros com menos de 34 semanas, a recomendação é elevar a temperatura da sala, envolver o corpo em saco plástico sem secar, colocar touca e usar colchão térmico, mantendo a temperatura axilar entre 36,5 e 37,5 °C. Dar banho imediato aumenta a perda de calor por evaporação e é contraindicado na sala de parto. Manter o recém-nascido despido sob calor radiante por longos minutos favorece perda por convecção e radiação. Secar vigorosamente e transportar sem cobertura contraria as duas medidas centrais nesse grupo. Adiar o controle térmico até a estabilização respiratória inverte a prioridade, pois o cuidado térmico é simultâneo à reanimação e influencia seu sucesso.
Recém-nascido a termo nasce de parto vaginal, com líquido amniótico claro, mas não apresenta choro nem tônus adequados. Após os passos iniciais, permanece em apneia, com frequência cardíaca de 80 bpm ao final dos primeiros 60 segundos de vida. A equipe posiciona a via aérea e prepara o material disponível na sala de parto, com cronômetro acionado no momento do nascimento. Assinale a alternativa INCORRETA sobre a reanimação neonatal.
Indicar adrenalina como primeira medida é incorreto: a bradicardia neonatal decorre quase sempre de hipóxia, e a prioridade é a ventilação com pressão positiva efetiva, reservando-se a adrenalina à persistência de frequência abaixo de 60 bpm após ventilação adequada e massagem cardíaca. A ventilação com pressão positiva é de fato a intervenção mais importante da reanimação neonatal. A frequência cardíaca é o principal indicador de resposta às manobras. A massagem cardíaca é indicada quando a frequência permanece abaixo de 60 bpm apesar de ventilação adequada. Prover calor, posicionar a via aérea e aspirar apenas se necessário integram os passos iniciais.
Recém-nascido a termo nasce com líquido amniótico meconial espesso, apresentando-se hipotônico e sem respiração espontânea imediatamente após o nascimento. A equipe de neonatologia recebe o recém-nascido na mesa de reanimação, com fonte de calor radiante ligada e material completo disponível. O tempo decorrido desde o nascimento é de cerca de 20 segundos e o obstetra já realizou o clampeamento do cordão umbilical conforme protocolo. Qual a conduta correta em relação às vias aéreas?
A conduta atual em recém-nascido não vigoroso com mecônio dispensa a aspiração traqueal de rotina, priorizando o posicionamento da cabeça, a aspiração de boca e narinas apenas se houver obstrução evidente e o início precoce da ventilação com pressão positiva no primeiro minuto de vida. A aspiração traqueal sistemática sob laringoscopia foi abandonada por atrasar a ventilação sem benefício. Aspirar vigorosamente por tempo prolongado provoca bradicardia reflexa e retarda a reanimação. Limitar-se ao estímulo tátil é insuficiente em recém-nascido apneico e hipotônico. Iniciar compressões torácicas antes de ventilação eficaz inverte a prioridade da reanimação neonatal, cuja causa habitual da bradicardia é a hipóxia.
Prematuro de 30 semanas nasce hipotônico, com respiração irregular, e é levado à mesa de reanimação. A equipe posiciona o oxímetro no membro superior direito e inicia ventilação com pressão positiva com máscara facial. A frequência cardíaca é de 90 bpm no primeiro minuto e o serviço dispõe de blender para ajuste da fração inspirada de oxigênio. A sala de parto está aquecida e o recém-nascido foi envolvido em saco plástico. Qual a conduta correta quanto à oferta de oxigênio?
Em prematuros com menos de 34 semanas, recomenda-se iniciar a ventilação com concentração intermediária de oxigênio e titular pelo oxímetro, buscando as saturações-alvo esperadas para cada minuto de vida, o que reduz tanto a hipóxia quanto o dano oxidativo. Iniciar sempre com oxigênio a 100% expõe o prematuro a estresse oxidativo e associa-se a piores desfechos. Manter ar ambiente fixo sem ajuste ignora a necessidade de titulação nesse grupo. Buscar saturação acima de 95% no primeiro minuto contraria as metas progressivas, que partem de valores bem mais baixos. Dispensar a oximetria e confiar na coloração é impreciso e não permite titulação adequada.
Recém-nascido a termo, após 30 segundos de ventilação com pressão positiva efetiva, com expansão torácica visível e via aérea assegurada por cânula traqueal, mantém frequência cardíaca de 45 bpm. A equipe está completa, com três profissionais na mesa de reanimação, e o material de acesso vascular está disponível. A oximetria mostra saturação de 62% e a fração inspirada de oxigênio já foi ajustada conforme protocolo institucional. Qual a conduta correta neste momento?
Frequência cardíaca abaixo de 60 bpm após 30 segundos de ventilação efetiva com via aérea assegurada indica início das compressões torácicas coordenadas com a ventilação, na relação de três compressões para uma ventilação, totalizando cerca de 120 eventos por minuto. Manter apenas ventilação por mais dois minutos retarda a intervenção necessária. Administrar adrenalina antes das compressões inverte a sequência, pois o fármaco entra quando não há resposta às compressões associadas à ventilação. A relação de trinta para dois é a da reanimação de adultos e não se aplica ao neonato. Suspender a ventilação é o erro mais grave, pois a hipóxia é a causa da bradicardia no recém-nascido.
Recém-nascido a termo, em reanimação avançada, mantém frequência cardíaca de 40 bpm após 60 segundos de compressões torácicas coordenadas com ventilação por cânula traqueal, com oxigênio a 100% e boa expansão torácica. A equipe verifica que a técnica está adequada e que não há pneumotórax. O acesso venoso umbilical acaba de ser obtido e a via traqueal também está disponível para administração de medicamentos. Qual a conduta correta?
Persistindo bradicardia abaixo de 60 bpm apesar de ventilação e compressões adequadas, indica-se adrenalina, preferencialmente pela via venosa umbilical, que oferece absorção mais previsível do que a via traqueal. O bicarbonato não é medicação de primeira linha na reanimação neonatal e pode ser deletério. O expansor volumétrico é indicado apenas diante de sinais de hipovolemia ou perda sanguínea, e não de rotina. Suspender as compressões durante a administração compromete a perfusão coronariana e cerebral. Restringir a adrenalina à via traqueal é inadequado, pois a absorção é errática e pode retardar a resposta.
Recém-nascido a termo, após parto vaginal com desaceleração prolongada nos minutos finais, apresenta Apgar 3 no primeiro minuto e 5 no quinto minuto, exigindo ventilação com pressão positiva prolongada. A gasometria de cordão arterial mostra pH 7,05 e déficit de base de 13 mmol/L. O recém-nascido é encaminhado à unidade neonatal, e a família aguarda informações. A mãe está estável, consciente e pergunta repetidamente sobre o estado do bebê. Qual a conduta correta da equipe?
A conduta correta é manter a reanimação conforme o protocolo, registrar o Apgar em intervalos adicionais enquanto a nota permanecer abaixo de 7, e comunicar a família de forma honesta e compreensível sobre a situação e os próximos passos. Informar que o quadro é irreversível é incorreto, pois o Apgar isolado não define prognóstico neurológico. Omitir informações viola o direito à informação e agrava a angústia familiar. Suspender a reanimação no quinto minuto contraria os protocolos, que estabelecem critérios e tempos bem definidos. Registrar apenas os dois primeiros valores descumpre a recomendação de avaliações seriadas quando a nota permanece baixa.
Recém-nascido a termo, 39 semanas, nasce de parto vaginal chorando, com bom tônus e respiração regular, e é colocado sobre o abdome materno. FC estimada em 140 bpm ao ausculta, sem sinais de desconforto respiratório. A equipe discute o momento adequado do clampeamento do cordão umbilical, considerando as recomendações vigentes de assistência em sala de parto. Qual a conduta recomendada?
Em recém-nascido a termo com boa vitalidade, recomenda-se clampeamento tardio entre 1 e 3 minutos, mantendo o contato pele a pele, o que aumenta as reservas de ferro e reduz anemia no primeiro ano sem elevar de forma relevante a necessidade de fototerapia. O clampeamento imediato só se justifica quando o bebê precisa de reanimação ou há circunstâncias maternas como sangramento grave. A ordenha do cordão não é recomendada de rotina, sobretudo em prematuros extremos, pelo risco de hemorragia intraventricular. Aguardar a dequitação prolonga desnecessariamente o procedimento. Clampear em quinze segundos equivale ao clampeamento imediato e perde o benefício hematológico.
Recém-nascido de 36 semanas nasce de parto cesáreo, sem choro e com tônus flácido. Levado à mesa de reanimação, recebe passos iniciais e, após 30 segundos, mantém apneia e frequência cardíaca de 80 bpm, aferida por ausculta e confirmada por monitor. A equipe dispõe de ventilador manual em T, oxímetro e monitor cardíaco. A temperatura da sala está em 25 °C. Qual a conduta imediata?
Recém-nascido com apneia ou frequência cardíaca abaixo de 100 bpm após os passos iniciais tem indicação de ventilação com pressão positiva, que é a intervenção mais efetiva da reanimação neonatal, iniciada em ar ambiente no prematuro tardio e no termo. A massagem cardíaca só entra se a frequência permanecer abaixo de 60 bpm após ventilação adequada por trinta segundos. A adrenalina vem depois da massagem bem executada com via aérea avançada. A aspiração traqueal de rotina foi abandonada, inclusive na presença de mecônio. Repetir os passos iniciais retarda a única medida capaz de reverter a bradicardia por hipóxia.
Prematuro de 31 semanas, com 1.500 g, é admitido na unidade neonatal 20 minutos após o nascimento com temperatura axilar de 35,4 °C. FC 168 bpm, FR 60 ipm, SatO2 93% em ar ambiente; extremidades frias e acrocianose. Glicemia capilar 48 mg/dL (VR 45–100); pH 7,28 com déficit de base de 6 mmol/L. A sala de parto estava com temperatura ambiente de 22 °C. Qual o principal mecanismo de perda de calor envolvido?
Logo após o nascimento, com a pele molhada por líquido amniótico, a evaporação é o principal mecanismo de perda de calor, o que justifica secar o recém-nascido imediatamente e envolver os prematuros em saco plástico. A condução depende do contato com superfície fria, minimizada por campos aquecidos. A radiação ocorre por troca com superfícies distantes e é relevante depois, sobretudo em incubadoras próximas a janelas. A convecção decorre do movimento do ar frio ao redor do corpo. A termogênese sem tremor não é mecanismo de perda, e sim a forma de produção de calor pelo neonato a partir da gordura marrom.
Recém-nascido a termo, avaliado no primeiro minuto de vida, apresenta frequência cardíaca de 110 bpm, respiração irregular com choro fraco, alguma flexão de extremidades, careta à estimulação e corpo róseo com extremidades cianóticas. A sala de parto está aquecida e a equipe já realizou os passos iniciais, com o recém-nascido posicionado sob fonte de calor radiante. Qual a pontuação de Apgar no primeiro minuto?
Somam-se um ponto para frequência acima de 100 bpm, que vale dois, um ponto para respiração irregular, um para flexão parcial, um para careta e um para acrocianose, totalizando seis pontos; considerando a descrição, o valor recai na faixa de depressão moderada, entre 4 e 7, que exige atenção mas não configura asfixia grave. A pontuação de 3 corresponderia a bradicardia com apneia e flacidez. O valor 8 exigiria respiração regular e bom tônus. O valor 10 pressupõe corpo inteiramente róseo, incomum no primeiro minuto. A pontuação 1 descreve recém-nascido praticamente sem resposta, incompatível com o exame relatado.
Recém-nascido a termo, após ventilação com pressão positiva por 30 segundos com técnica corrigida e via aérea avançada, mantém frequência cardíaca de 48 bpm ao monitor, sem esforço respiratório. A equipe conta com oxigênio suplementar, monitor cardíaco e acesso disponível. Peso estimado de 3.000 g e temperatura axilar de 36,6 °C, com sala aquecida. Qual a conduta indicada neste momento?
Frequência cardíaca abaixo de 60 bpm após ventilação adequada com via aérea avançada por 30 segundos indica início da massagem cardíaca, coordenada com a ventilação na relação de três compressões para uma ventilação e com oxigênio a 100%. Manter apenas a ventilação perpetua a hipóxia miocárdica. A adrenalina só entra depois de 60 segundos de massagem bem executada sem resposta. A expansão volêmica é reservada à suspeita de hipovolemia com sinais de choque e má resposta às demais medidas. Suspender a reanimação em 30 segundos contraria qualquer protocolo, que prevê pelo menos 20 minutos de esforço adequado.
Recém-nascido a termo, 39 semanas, nasce de parto vaginal com boa vitalidade, chorando e com tônus adequado. A sala de parto está com temperatura de 25 °C e há fonte de calor radiante disponível. FC estimada em 145 bpm à ausculta e respiração regular, sem sinais de desconforto. A equipe define os cuidados imediatos a serem prestados a esse recém-nascido. Assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma conduta recomendada.
A aspiração de rotina de boca, orofaringe e narinas foi abandonada, pois provoca bradicardia reflexa, apneia e lesão de mucosa, ficando reservada à obstrução evidente de via aérea. O contato pele a pele imediato com secagem e cobertura favorece a termorregulação e o vínculo. O clampeamento tardio entre um e três minutos aumenta as reservas de ferro. O estímulo à amamentação na primeira hora eleva as taxas de aleitamento exclusivo. A prevenção da perda de calor com campos aquecidos e secagem completa é medida essencial contra a hipotermia neonatal.
Recém-nascido a termo, após ventilação com pressão positiva por cânula traqueal e 60 segundos de massagem cardíaca coordenada com oxigênio a 100%, mantém frequência cardíaca de 40 bpm ao monitor. Peso estimado de 3.000 g; sem sinais de perda sanguínea aguda e sem história de descolamento placentário. O cateterismo umbilical foi obtido pela equipe durante o procedimento. Qual a conduta indicada?
Frequência cardíaca persistentemente abaixo de 60 bpm após ventilação adequada por cânula traqueal e 60 segundos de massagem indica adrenalina, preferencialmente pela veia umbilical, repetida a cada 3 a 5 minutos enquanto a bradicardia persistir. Aumentar a frequência das compressões acima do preconizado reduz o tempo de enchimento e piora o débito. A expansão com hemácias é indicada na suspeita de hipovolemia por perda sanguínea, expressamente afastada. Suspender a massagem com frequência de 40 bpm é erro grave. O bicarbonato não é recomendado na reanimação neonatal de rotina.
Recém-nascido a termo, com 10 minutos de vida, encontra-se em boas condições após parto vaginal sem intercorrências. FC 148 bpm, FR 48 ipm, T 36,8 °C. Saturação de oxigênio pré-ductal de 88% em ar ambiente aos 5 minutos e de 93% aos 10 minutos, com bom tônus, choro forte e coloração melhorando progressivamente. Ausculta cardíaca sem sopros e pulsos femorais palpáveis e simétricos. Sobre a transição circulatória, assinale a alternativa correta.
A saturação de oxigênio do recém-nascido eleva-se progressivamente nos primeiros dez minutos de vida, e valores em torno de 85 a 90% aos cinco minutos são fisiológicos, refletindo a transição da circulação fetal para a neonatal. Exigir noventa e cinco por cento no primeiro minuto contraria as curvas de referência. A queda da resistência vascular pulmonar começa já nas primeiras respirações, e não após a primeira semana. O canal arterial fecha funcionalmente nas primeiras horas a dias. E a acrocianose nos primeiros minutos é achado comum e benigno.
Equipe de sala de parto prepara o material para o atendimento de um recém-nascido a termo com bolsa rota há 10 horas e líquido amniótico claro. A sala está com temperatura de 25 °C, com fonte de calor radiante ligada, campos aquecidos disponíveis e a equipe conferindo os equipamentos antes do nascimento, conforme a rotina institucional de checagem. Assinale a alternativa que NÃO integra o material essencial de reanimação neonatal.
O aspirador de mecônio não é material obrigatório em todos os nascimentos, pois a aspiração traqueal de rotina foi abandonada mesmo na presença de líquido meconial, sendo reservada à obstrução de via aérea. O ventilador manual em T ou balão autoinflável com máscaras é essencial, pois a ventilação é a intervenção mais efetiva. O oxímetro e o monitor cardíaco permitem avaliação objetiva da frequência e da saturação. O material de intubação deve estar disponível e testado. A adrenalina e o material para cateterismo umbilical são necessários para a reanimação avançada.
Recém-nascido de 34 semanas nasce hipotônico, sem choro, e é levado à mesa de reanimação. A equipe realiza os passos iniciais e precisa avaliar de forma rápida e confiável a frequência cardíaca para decidir a próxima intervenção. A sala dispõe de estetoscópio, oxímetro de pulso e monitor cardíaco com três eletrodos, todos testados antes do nascimento pela equipe. Qual o método mais confiável para essa avaliação durante a reanimação?
O monitor cardíaco com eletrodos é o método mais rápido e confiável para avaliar a frequência cardíaca durante a reanimação neonatal, superando a ausculta e o oxímetro, que sofrem atraso e podem subestimar a frequência em baixa perfusão. A palpação do cordão umbilical é imprecisa e frequentemente subestima o valor real. A palpação de pulsos periféricos é ainda menos confiável em recém-nascido hipotônico. A coloração da pele e o enchimento capilar avaliam perfusão, não a frequência. A ausculta por trinta segundos consome tempo excessivo em uma decisão que precisa ser rápida.
Prematuro de 28 semanas nasce com esforço respiratório irregular e necessita de ventilação com pressão positiva em sala de parto. FC 96 bpm ao monitor, T da sala em 25 °C; o oxímetro está posicionado no membro superior direito e a equipe dispõe de blender para titulação da fração inspirada de oxigênio. O recém-nascido foi envolvido em saco plástico logo após o nascimento. Qual a fração inspirada de oxigênio inicial recomendada?
Em prematuros abaixo de 34 semanas, a ventilação em sala de parto deve iniciar com fração inspirada de oxigênio em torno de 30%, titulada conforme a saturação-alvo por minuto de vida medida no membro superior direito, equilibrando hipóxia e estresse oxidativo. O ar ambiente é a escolha para recém-nascidos a termo e prematuros tardios. O oxigênio a 100% desde o início aumenta o dano oxidativo, a displasia broncopulmonar e a retinopatia. Uma concentração fixa de 60% durante toda a reanimação ignora a necessidade de titulação. Reservar oxigênio apenas para bradicardia atrasa a correção da hipoxemia.
Recém-nascido a termo em reanimação apresenta, aos 5 minutos de vida, saturação de oxigênio de 82% medida no membro superior direito, com frequência cardíaca de 140 bpm e esforço respiratório presente. A sala está aquecida, o recém-nascido foi secado e recebe ventilação com pressão positiva em ar ambiente, com boa expansibilidade torácica observada pela equipe. Qual a interpretação correta desse valor de saturação?
A saturação pré-ductal esperada aos 5 minutos de vida situa-se entre 80% e 85%, de modo que 82% está dentro da faixa fisiológica da transição cardiopulmonar, não exigindo aumento de oxigênio. Elevar a fração inspirada para 100% expõe a hiperóxia desnecessária. O valor não é elevado para esse momento, já que apenas por volta dos 10 minutos se espera algo entre 85% e 95%. Não há incompatibilidade com a vida nem falha de equipamento, pois o valor corresponde ao esperado. A suspeita de cardiopatia ducto-dependente exigiria diferença entre saturações pré e pós-ductais.
Recém-nascido a termo, com 2 horas de vida, encontra-se em choque com má perfusão e necessita de acesso vascular imediato para expansão volêmica e drogas. FC 190 bpm, PA média 22 mmHg, T 36,2 °C; duas tentativas de punção venosa periférica foram malsucedidas. O coto umbilical está íntegro, sem sinais de onfalite, e a equipe dispõe de material estéril para cateterismo. Qual o acesso indicado neste momento?
O cateterismo de veia umbilical é o acesso de escolha na emergência neonatal nas primeiras horas de vida, por ser rápido, seguro e permitir infusão de volume, glicose e drogas vasoativas. A punção de jugular interna é tecnicamente difícil e não é o primeiro recurso em recém-nascido em choque. A dissecção de safena consome tempo excessivo. A punção subclávia às cegas tem risco elevado de pneumotórax e lesão vascular nessa faixa etária. O cateter central de inserção periférica exige tempo e condições que não se aplicam a uma emergência com choque instalado.
Recém-nascido a termo, líquido amniótico claro, nasce hipotônico, sem choro e sem respiração espontânea. Após os passos iniciais de aquecimento, posicionamento e secagem, permanece em apneia aos 30 segundos de vida. Frequência cardíaca auscultada em 80 bpm. A equipe dispõe de ventilador manual em T e blender de oxigênio. Qual a conduta imediata segundo as diretrizes de reanimação neonatal?
A conduta imediata é ventilação com pressão positiva em ar ambiente, a 40 a 60 movimentos por minuto: no recém-nascido a termo, apneia ou frequência cardíaca abaixo de 100 bpm após os passos iniciais indica ventilação, que é a intervenção mais eficaz da reanimação neonatal. A massagem cardíaca só entra se a frequência permanecer abaixo de 60 bpm após 30 segundos de ventilação efetiva, e não com 80 bpm. A intubação para aspiração traqueal foi abandonada como rotina, inclusive no líquido meconial, e aqui o líquido é claro. A adrenalina pressupõe assistolia ou bradicardia refratária após ventilação e massagem adequadas. Aspirar e observar retarda a ventilação e prolonga a hipóxia, sem corrigir a apneia.
Recém-nascido a termo, de parto vaginal, com líquido amniótico claro, nasce chorando, com bom tônus e respiração regular. FC 148 bpm, T 36,8 °C na primeira avaliação. A mãe está estável, sem intercorrências no parto, e deseja amamentar. A equipe discute os cuidados imediatos na sala de parto. Qual a conduta mais adequada?
Colocar o recém-nascido em contato pele a pele com a mãe e apoiar o início precoce da amamentação é a conduta correta para o recém-nascido a termo que respira ou chora e tem bom tônus, medida que favorece a estabilidade térmica, a colonização por flora materna e a duração do aleitamento. Levar à mesa de reanimação para aspirar vias aéreas é desnecessário e prejudicial em recém-nascido vigoroso com líquido claro. O banho nos primeiros minutos favorece hipotermia e é postergado. Separar mãe e filho por 2 horas sem indicação clínica interrompe o vínculo e a primeira mamada. Ofertar fórmula de rotina não previne hipoglicemia em recém-nascido a termo sem fatores de risco e compromete o aleitamento.
Qual sinal é particularmente útil para avaliar resposta à ventilação no gráfico?

Elevação da frequência cardíaca é um importante indicador de resposta à ventilação neonatal.
Após a recuperação da frequência cardíaca mostrada, há diferença de saturação entre pé e mão direita. Qual medida deve orientar os alvos iniciais de oxigenação na transição neonatal?

Alvos de transição utilizam medida pré-ductal; a frequência cardíaca isolada não determina a necessidade de oxigênio.
Em qual ponto apresentado a frequência ultrapassa 100 pela primeira vez?

O primeiro valor acima de 100 é 115 bpm aos 45 segundos.
Qual é a tendência da frequência cardíaca durante a intervenção?

A frequência sobe de 55 para 140 bpm durante a ventilação.
Se aos 30 segundos há boa expansão torácica e frequência de 85, qual princípio orienta a próxima etapa?

Compressões são consideradas se frequência permanece abaixo de 60 após ventilação efetiva; resposta parcial ainda requer suporte ventilatório.
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em 7 dias
Os números, na ordem em que a questão os usa. As três perguntas do nascimento: 34 semanas ou mais? respirando ou chorando? tônus em flexão? Boa vitalidade exige as duas últimas, independentemente do líquido amniótico. Estímulo tátil: dorso, movimentos circulares, cerca de 15 segundos, ANTES do clampeamento. Clampeamento: no mínimo 60 segundos com boa vitalidade; imediato no descolamento prematuro de placenta, na placenta prévia com sangramento e no nó verdadeiro de cordão; se não respirou após o estímulo, clampear (fluxograma: menos de 30 segundos) e levar à mesa; ordenha de cordão como opção, contraindicada abaixo de 28 semanas. Passos iniciais: 30 segundos. Normotermia: 36,5 a 37,5 graus axilar, sala a 23 a 25 graus, evitar acima de 38. Saco plástico de polietileno sem secar o corpo: abaixo de 34 semanas; touca dupla; colchão térmico no prematuro extremo. Ventilação: apneia ou respiração irregular e/ou frequência abaixo de 100, iniciada nos primeiros 60 segundos (Minuto de Ouro); 30 a 60 movimentos por minuto; pressão inicial de 20 a 30 cmH2O (20 a 25 no prematuro); PEEP de 5 (5 a 6 no prematuro); fluxo de 10 litros por minuto; limite do circuito em 40. Oxigênio inicial: 21% em 34 semanas ou mais, 60% abaixo de 34 semanas, 60% logo após a intubação, 100% durante a massagem; ajuste de 20% a cada 30 segundos. Saturação-alvo pré-ductal: 65 a 70% aos 2 minutos, 70 a 75% aos 3, 75 a 80% aos 4, 80 a 85% aos 5, 85 a 95% aos 10; sensor no pulso radial direito. Frequência cardíaca: 100 ou mais é adequada, abaixo de 100 é bradicardia e indica ventilação, abaixo de 60 indica massagem; primeira avaliação por ausculta do precórdio em seis segundos multiplicados por 10; monitor cardíaco assim que se indica ventilação. Máscara laríngea: 34 semanas ou mais e 2.000 gramas ou mais, tamanho 1 no Brasil. Intubação: três indicações — máscara ineficaz, ventilação prolongada, massagem cardíaca; cânula 3,0 para 28 a 34 semanas, 3,5 para 35 a 38, 3,5 ou 4,0 acima de 38; marca no lábio de 7,5, 8,0, 8,5 e 9,0 centímetros; cada tentativa em até 30 segundos. Massagem: 3:1, 120 eventos por minuto (90 compressões e 30 ventilações), dois polegares, terço inferior do esterno abaixo da linha intermamilar poupando o xifoide, um terço do diâmetro anteroposterior, reavaliação aos 60 segundos, troca do profissional a cada 2 a 5 minutos. Adrenalina: diluição de 1 mililitro em 9 de soro fisiológico; intravascular 0,02 mg/kg, ou 0,2 mL/kg, com flush de 3 mL, repetível a cada 3 a 5 minutos; traqueal 0,1 mg/kg, ou 1,0 mL/kg, uso único e sem flush; nunca acima de 0,1 mg/kg por qualquer via. Expansor: soro fisiológico 10 mL/kg em 5 a 10 minutos. Apgar: primeiro e quinto minutos, não indica procedimento, repetir a cada 5 minutos até 20 se for menor que 7 no quinto. Interrupção: discussão ao redor de 20 minutos. Transporte: nunca com frequência abaixo de 100; incubadora a 35 a 37 graus.
em 30 dias
A lógica, para reconstruir o fluxograma sem decorá-lo. Tudo na reanimação neonatal existe para resolver um problema só: o pulmão está cheio de líquido e precisa se encher de ar. Enquanto isso não acontece, a resistência vascular pulmonar permanece alta, o sangue não chega aos pulmões, não há hematose e a circulação continua fetal. Daí decorre a hierarquia inteira. A ventilação é a intervenção mais importante porque é a única que ataca a causa — nove em cada dez bebês ventilados por máscara melhoram e param por aí. A massagem cardíaca não é uma intervenção mais forte, é uma intervenção diferente, que só faz sentido depois que a ventilação está garantida, porque ela existe para restaurar a perfusão coronariana de um coração que parou de responder por hipoxemia — e como ela atrapalha a ventilação, exige via aérea assegurada antes. A adrenalina vem por último porque a bradicardia neonatal é, em regra, insuflação pulmonar insuficiente, e não falta de catecolamina. Por isso os gatilhos são a frequência cardíaca e a respiração, nunca a cor, nunca a saturação isolada, nunca o Apgar: a frequência cardíaca é o indicador mais sensível de que a aeração pulmonar está acontecendo. E por isso os prazos são curtos e assimétricos — 30 segundos para reavaliar a ventilação porque a resposta é rápida quando o pulmão abre, 60 segundos para reavaliar a massagem porque perfusão coronariana leva mais tempo para se restabelecer. O cordão entra nessa mesma história: clampear antes da aeração pulmonar tira o suprimento placentário sem que o pulmão tenha assumido o serviço, e é isso que o piso de 60 segundos protege — mas nunca à custa de atrasar a ventilação, porque a ventilação resolve e o cordão apenas ajuda. O controle térmico não é conforto: hipotermia aumenta a resistência vascular pulmonar, ou seja, empurra na direção contrária de tudo o que se está tentando fazer. Guardado isso, a sequência se deduz, e cada número vira consequência de uma ideia em vez de item de lista.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Recém-nascido de 39 semanas, cesárea de urgência por padrão anormal de frequência cardíaca fetal e líquido amniótico meconial espesso, que ao nascer não chora, está flácido e permanece em apneia com frequência cardíaca de 80 batimentos por minuto após os passos iniciais — sala de parto — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
