Ginecologia e ObstetríciaParto e assistência ao nascimento

Cesariana e parto vaginal operatório

Quem tem indicação real de cesariana programada, quem pode tentar parto após cesárea — e as regras invioláveis do fórcipe e do vácuo, que a banca cobra uma a uma.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Primigesta de 20 anos, com 38 semanas, apresenta-se em trabalho de parto. Ao toque vaginal, o colo está com 4 cm de dilatação, esvaecido, e palpa-se como parte de apresentação as nádegas do feto, sem partes cefálicas na pelve. A ultrassonografia confirma apresentação pélvica completa. Qual é a via de parto recomendada de forma mais segura na maioria dos casos de apresentação pélvica a termo?

02

Como esse tema cai

Este tema aparece na prova em dois pacotes que se misturam numa mesma vinheta. O primeiro é a decisão pela cesariana: o que é indicação consolidada de cirurgia programada (placenta prévia centro-total, primeiro gemelar não cefálico, HIV com carga viral alta, herpes ativo), o que não indica cesariana rotineira (obesidade, feto pequeno, suspeita de macrossomia, prematuridade cefálica), quem pode tentar parto vaginal depois de uma cesárea — e a régua ética das 39 semanas para a cesariana a pedido.

O segundo pacote é o parto vaginal operatório. Aqui a banca cobra lista: os pré-requisitos (dilatação total, bolsa rota, cabeça insinuada, variedade de posição conhecida, bexiga vazia, analgesia), a classificação por altura (alívio, baixo, médio — e o fórcipe alto proscrito), a escolha do instrumento em cada cenário e as regras de parada. O erro clássico do aluno é decorar o fórcipe como vilão: nas fontes atuais, fórcipe e vácuo bem indicados são ferramentas de segurança que evitam cesarianas de segundo período e encurtam a exposição fetal à hipóxia.

Números que resolvem questão: versão cefálica externa a partir de 36 semanas; cesariana programada por apresentação pélvica a partir de 39; cesariana eletiva do HIV na 38ª semana quando a carga viral após a 34ª é maior que 1.000 cópias/mL ou desconhecida; sucesso de 72% a 80% na prova de trabalho de parto após uma cesárea, com rotura em 0,2% a 0,8%; vácuo proscrito antes de 32 semanas; três trações sem progressão encerram o fórcipe; três desprendimentos da campânula ou 20 minutos encerram o vácuo.

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O que muda decisão

O cenário brasileiro: taxas, Robson e o que conta como indicação

O Brasil realiza cerca de 1,6 milhão de cesarianas por ano e a operação virou o modo de nascimento mais comum do país: a taxa nacional citada pela diretriz do Ministério da Saúde está em torno de 56%, com um abismo entre o setor público (cerca de 40%) e o privado (cerca de 85%). A OMS sustenta, desde a Declaração de 2015, que taxas populacionais acima de 10% não se acompanham de redução adicional de mortalidade materna ou neonatal — e que o objetivo correto não é perseguir um número, e sim garantir que toda mulher que precisa da cirurgia a receba em tempo e com segurança.

A própria diretriz brasileira, porém, reconhece que taxa é medida de população, não de indivíduo, e que o perfil obstétrico local importa: aplicando a ferramenta de referência da OMS (o C-Model) aos dados da pesquisa Nascer no Brasil, chega-se a uma taxa de referência ajustada para a população brasileira entre 25% e 30%. Para comparar serviços e auditar taxas, o instrumento padronizado é a classificação de Robson, que distribui todas as parturientes em dez grupos mutuamente exclusivos a partir de cinco variáveis objetivas: paridade (com ou sem cesárea prévia), início do trabalho de parto (espontâneo, induzido ou cesárea antes do trabalho), apresentação, número de fetos e idade gestacional. O grupo 5 — multíparas com cesárea prévia, feto único cefálico a termo — é o que mais alimenta a taxa global no Brasil, o que explica por que a conduta na cesárea prévia é o coração deste capítulo.

Indicação de verdade é a que muda desfecho. A diretriz nacional é explícita em negar a cesariana como rotina em situações que a prática banalizou: trabalho de parto pré-termo com apresentação cefálica, feto pequeno para a idade gestacional, obesidade materna e suspeita de macrossomia em gestante de baixo risco não são, isoladamente, indicações de cirurgia programada. A pelvimetria clínica e os dados antropométricos maternos (altura, tamanho do pé) também não servem para prever falha de progressão — quem diagnostica desproporção é o trabalho de parto acompanhado, não a régua.

Cesariana programada: as indicações que as diretrizes sustentam

Placenta prévia centro-total ou centro-parcial indica cesariana programada. Na gestante com placenta prévia, a diretriz manda rastrear acretismo com ultrassonografia e Doppler entre 28 e 32 semanas; confirmada a suspeita de placenta increta ou percreta, a cirurgia é programada para 34 a 36 semanas, em serviço de referência, com dois obstetras experientes, anestesista, pediatra, tipagem e reserva de hemocomponentes. Acretismo é a situação em que antecipar o nascimento é regra, não exceção.

Na apresentação pélvica com feto único, o primeiro movimento não é agendar cirurgia: é oferecer versão cefálica externa a partir de 36 semanas, em ambiente hospitalar, por profissional experiente, com termo de consentimento. As contraindicações da manobra incluem trabalho de parto em curso, comprometimento fetal, sangramento vaginal, bolsa rota, obesidade materna e cesariana prévia. Se a versão for contraindicada, recusada ou falhar, recomenda-se cesariana programada — a partir de 39 semanas, idealmente aguardando o início do trabalho de parto. A mulher que, informada do maior risco perinatal, optar pelo parto pélvico vaginal tem esse direito reconhecido pela diretriz: a assistência deve ser feita por equipe experiente, com consentimento documentado.

Na gestação gemelar não complicada, a apresentação do primeiro feto decide: primeiro gemelar não cefálico indica cesariana; primeiro gemelar cefálico abre decisão individualizada, pesando corionicidade, preferências da mulher e o risco de uma cesariana de urgência sobre o segundo gemelar. Nas infecções, a régua é específica: herpes genital com infecção primária no terceiro trimestre ou com lesão ativa (primária ou recorrente) no momento do parto indica cesariana; hepatite B não indica; hepatite C isolada não indica — mas a coinfecção HIV/HCV indica cirurgia programada.

No HIV, o número que decide é a carga viral colhida após a 34ª semana: maior que 1.000 cópias/mL ou desconhecida, cesariana eletiva na 38ª semana — antes do trabalho de parto e da rotura de membranas, que são os eventos que elevam a transmissão. Gestante em terapia antirretroviral com supressão viral sustentada pode e deve ter parto vaginal, se não houver outra indicação de cirurgia. Se a paciente com cirurgia programada chega em trabalho de parto com dilatação menor que 4 cm, inicia-se zidovudina intravenosa e opera-se, se possível, após 3 horas de infusão, idealmente com parto empelicado (membranas íntegras até a extração) e clampeamento imediato do cordão — uma das poucas situações em que o clampeamento tardio é abolido.

Corte sagital da pelve materna com a campânula do vácuo-extrator aplicada sobre o ponto de flexão da cabeça fetal.
Ponto de flexão: o centro da campânula fica sobre a sutura sagital, cerca de 3 cm adiante do lambda — a borda posterior dista um dedo da pequena fontanela. Pega fora desse ponto deflete a cabeça e multiplica falhas e céfalo-hematomas.

Cesárea prévia: a prova de trabalho de parto é a regra, não o risco

Com uma cesariana prévia de incisão segmentar transversa e sem outra contraindicação, a diretriz nacional manda encorajar a tentativa de parto vaginal, com termo de consentimento. Os números que a banca espera: sucesso de 72% a 80% e rotura uterina em 0,2% a 0,8% das provas de trabalho de parto — risco real, porém baixo, e que deve ser informado, não usado como veto. A assistência exige monitorização materno-fetal e estrutura com acesso imediato à cesariana. Ultrassonografia de rotina da cicatriz e pelvimetria não são recomendadas para decidir a via.

A cicatriz manda na regra: incisão uterina longitudinal (corporal) contraindica o trabalho de parto. Com duas cesarianas prévias, a conduta é individualizada — a diretriz brasileira não proíbe a prova de trabalho de parto, mas exige pesar o risco aumentado de rotura, informar onde há equipe disposta a assisti-la e respeitar a autonomia de profissionais e instituições. Com três ou mais cesarianas, recomenda-se nova cesariana. Intervalo entre partos menor que 15 meses (ou intergestacional menor que 6) também pede conduta individualizada.

Indução com cicatriz uterina é o ponto mais cobrado: misoprostol é proscrito, independentemente do número de cesáreas. Quando há indicação de induzir, os métodos aceitos são o balão cervical e a ocitocina. A lógica vem dos dados: o risco de rotura é 3 a 5 vezes maior quando o trabalho de parto é induzido, e o pico de risco histórico pertence às prostaglandinas. Vale registrar o outro lado, que a diretriz também traz: a cesariana programada de repetição não é isenta — a mortalidade materna foi maior nas novas cesarianas programadas do que no parto vaginal planejado (RR próximo de 4 no dado citado pela diretriz), com mais taquipneia transitória neonatal e internação mais longa; a prova de trabalho de parto que falha, por sua vez, concentra a morbidade neonatal. É por isso que a decisão é compartilhada, com números na mesa.

Cesariana a pedido: a régua é ética, e o marco é 39 semanas

A diretriz assistencial do Ministério da Saúde (2016) deliberadamente não emitiu recomendação sobre a cesariana a pedido: após a consulta pública, o grupo elaborador retirou o tema do escopo. A régua que existe no Brasil é deontológica — a Resolução CFM nº 2.284/2020 (que revogou a nº 2.144/2016 mantendo sua essência): é direito da gestante, nas situações eletivas, optar pela cesariana, desde que tenha recebido informação pormenorizada sobre benefícios e riscos das duas vias, com decisão registrada em termo de consentimento livre e esclarecido.

O limite inegociável: em gestação de risco habitual, a cesariana a pedido só pode ser realizada a partir de 39 semanas completas (273 dias), com registro em prontuário. O racional é a morbidade respiratória do termo precoce — nascer eletivamente na 37ª ou 38ª semana aumenta desconforto respiratório, internação em UTI neonatal e a chamada prematuridade tardia iatrogênica, que a própria diretriz do MS aponta como produto de cesarianas peritermo desnecessárias. A resolução também protege o outro lado da relação: havendo discordância, o médico pode exercer sua autonomia, recusar o procedimento e encaminhar a gestante a outro colega.

Parto vaginal operatório: para quem, e sob quais pré-requisitos

As indicações do fórcipe e do vácuo se agrupam em três famílias. Fetais: sinais de hipóxia aguda no período expulsivo — para o feto que está sofrendo com a cabeça já baixa, abreviar o expulsivo por via vaginal costuma ser mais rápido e menos mórbido que uma cesariana com extração difícil, e reduz a exposição aos fatores intraparto da encefalopatia hipóxico-isquêmica. Dinâmicas: período expulsivo prolongado, parada de progressão, exaustão materna, prensa abdominal deficiente, assinclitismo persistente, distocia de rotação. Maternas: toda condição que contraindica o esforço expulsivo sustentado — cardiopatias, doenças respiratórias graves, acidente vascular cerebral e aneurismas, varizes esofágicas, trauma medular, miastenia gravis, retinopatia proliferativa. Há ainda usos específicos: prolapso de cordão com dilatação total e o fórcipe de Piper na cabeça derradeira do parto pélvico.

Os pré-requisitos são a lista mais cobrada do tema: consentimento informado; dilatação e apagamento completos; membranas rotas; cabeça insinuada (fórcipe alto, antes da insinuação, é proscrito); apresentação e variedade de posição conhecidas — na dúvida, ultrassonografia antes de instrumentar; pelve adequada e peso fetal estimado; bexiga esvaziada; analgesia satisfatória (bloqueio regional nas aplicações médias e rotacionais; pudendo ou perineal serve nas baixas e de alívio). Falhou um pré-requisito, não há instrumento: há cesariana.

Contraindicações absolutas: desproporção cefalopélvica, placenta prévia total ou parcial, situação córmica, apresentação de fronte (deflexão de 2º grau) e face com mento posterior — face só admite fórcipe se mento anterior. Relativas: suspeita de desmineralização óssea fetal (osteogênese imperfeita) e distúrbios hemorrágicos fetais (hemofilia, trombocitopenia aloimune), que contraindicam sobretudo o vácuo. O peso fetal modula a decisão: acima de 4.000 g estimados, instrumentar exige critério — e com a cabeça ainda na pelve média a cesariana passa a ser a via indicada; no expulsivo prolongado com feto acima de 4.500 g, a cesariana intraparto é preferível ao parto operatório justamente para não converter distocia de trajeto em distocia de ombro.

Fórcipe ou vácuo: escolha, técnica mínima e regras de parada

O fórcipe é mais resolutivo (falha menos) e domina as situações de urgência: na hipóxia aguda o vácuo é má escolha, porque sua extração é mais demorada. É também o único instrumento para a face mento anterior, para a cabeça derradeira (Piper) e para rotações amplas e correção de assinclitismo (Kielland, cuja articulação por deslizamento existe para isso). O preço do fórcipe são as lacerações maternas: mais lesões perineais de 3º e 4º graus, lacerações de trajeto e hematomas. A pega correta é a biparietomalomentoniana, verificada pelos critérios de Laufe, com tração axial ajudada pela manobra de Saxtorph-Pajot.

O vácuo-extrator quase não toca as paredes vaginais — menos analgesia, menos episiotomia, menos laceração — e permite autorrotação nas variedades oblíquas, mas transfere o risco para o couro cabeludo fetal: céfalo-hematoma (mais frequente quanto mais longa a extração e pior a pega), lacerações, hemorragia retiniana e a temida hemorragia subgaleal. É proscrito antes de 32 semanas e exige cautela entre 32 e 36 (o limite inferior de segurança não está estabelecido); não serve para face nem cabeça derradeira. A campânula é aplicada sobre a sutura sagital com o centro no ponto de flexão — 3 cm adiante do lambda —, com vácuo de no máximo 350 a 500 mmHg na tração. Campânulas flexíveis falham mais, porém machucam menos o couro cabeludo, e são preferíveis nos partos simples.

As regras de parada valem ouro em prova. Fórcipe: interromper se não houver progressão após três trações com pega correta e operador experiente. Vácuo: interromper se não houver descida progressiva, se a campânula se desprender em três ocasiões ou se a tração passar de 20 minutos (a extração habitual se completa em até três trações, admitindo-se mais três suaves para a deflexão final). O uso sequencial vácuo-depois-fórcipe aumenta hemorragia intracraniana, lesão de nervo facial e plexo braquial e laceração grave — não deve ser rotina; após falha do vácuo, pesa-se formalmente fórcipe versus cesariana. Já a falha do fórcipe encerra a via vaginal: tentar vácuo depois dele é contraindicado — o caminho é a cesariana, precedida do desimpactação do polo cefálico quando necessário.

Cuidados que cercam o procedimento: episiotomia não é rotina — quando individualmente indicada, é mediolateral e feita somente após a prova de tração bem-sucedida; dose única endovenosa de antibiótico está recomendada no parto operatório; o canal de parto é revisado sempre; a puérpera é reavaliada para tromboprofilaxia e vigiada para retenção urinária (sondagem por 24-48 h pode ser necessária); e o neonatologista deve ser informado do instrumento usado, para vigiar as complicações específicas do recém-nascido.

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Do plano de DeLee à escolha do instrumento

A decisão no período expulsivo segue uma escada fixa: confirmar pré-requisitos, classificar a altura da aplicação, escolher o instrumento pelo cenário e obedecer às regras de parada. A classificação por altura é a do ACOG (2015), endossada pelo RCOG (2020) e adotada pela FEBRASGO.

  1. 1Confirmar TODOS os pré-requisitos: dilatação total e apagamento completo, bolsa rota, cabeça insinuada, variedade conhecida (USG na dúvida), pelve e peso estimado avaliados, bexiga vazia, analgesia adequada, consentimento.
  2. 2Classificar a altura da aplicação: alívio, baixa ou média. Cabeça não insinuada = fórcipe alto = proscrito: a via é abdominal.
  3. 3Escolher o instrumento: urgência por hipóxia, rotação ampla, assinclitismo, face mento anterior ou cabeça derradeira pedem fórcipe; alívio ou baixa sem urgência admite vácuo (nunca antes de 32 semanas, com cautela até 36).
  4. 4Aplicar as regras de parada: fórcipe, 3 trações sem progressão; vácuo, 3 desprendimentos da campânula, ausência de descida ou 20 minutos. Falha do vácuo: pesar fórcipe versus cesariana. Falha do fórcipe: cesariana.
  5. 5Depois do parto: revisão do canal, antibiótico em dose única, vigilância de retenção urinária, reavaliação de tromboprofilaxia e aviso ao neonatologista sobre o instrumento usado.

Alívio

Couro cabeludo visível no introito sem afastar os pequenos lábios; crânio no assoalho pélvico; sutura sagital no anteroposterior ou oblíquo com rotação de até 45°. É a aplicação mais segura — e a única em que o vácuo rivaliza de igual com o fórcipe.

Baixo

Ponto mais baixo do crânio no plano +2 de DeLee ou abaixo, sem atingir o assoalho pélvico. Subdivide-se pela rotação necessária: até 45° ou mais de 45° (incluídas as variedades transversas).

Médio

Cabeça insinuada, porém acima do plano +2. É a aplicação mais exigente ainda aceita — reservada a operador experiente, em circunstância selecionada. Acima disso não existe instrumento: cabeça não insinuada é cesariana.

AspectoFórcipeVácuo-extrator
ResolutividadeMaior — falha menosMenor (campânula flexível falha mais que a rígida)
Trauma maternoMais lacerações perineais graves (3º/4º graus), hematomasMenos laceração, menos analgesia, menos episiotomia
Trauma neonatal típicoLacerações faciais, paralisia facial, fratura craniana (raras)Céfalo-hematoma, lacerações de couro cabeludo, hemorragias subgaleal e retiniana
Urgência por hipóxia agudaInstrumento de escolhaEvitar — extração mais lenta
PrematuroUtilizável (descrito até fetos de 1.000 g)Proscrito < 32 semanas; cautela entre 32 e 36
Face (mento anterior) e cabeça derradeiraSim (Piper na derradeira)Contraindicado
Rotação e assinclitismoSim — Kielland para rotações amplasApenas autorrotação; não roda ativamente

Os quatro fórcipes clássicos e o lugar de cada um

ModeloMarca registradaEmprego típico
SimpsonCurvaturas cefálica e pélvica proeminentes; articulação fixa por encaixeO mais difundido; variedades diretas e pequenas rotações (até 45°)
KiellandArticulação por DESLIZAMENTO; curvaturas discretasRotações amplas (> 45°), variedades transversas e correção de assinclitismo
PiperRamos longos com curvatura perinealCabeça derradeira no parto pélvico
MarelliColher sem curvatura pélvica ('em baioneta')Extração fetal DURANTE a cesariana

Fórcipe alto (antes da insinuação) é proscrito em qualquer cenário.

Episiotomia no parto operatório é seletiva, mediolateral e feita só após a prova de tração bem-sucedida.

Sequência vácuo→fórcipe: exceção justificada, nunca rotina. Sequência fórcipe→vácuo: contraindicada — falhou o fórcipe, a resposta é cesariana.

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Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Cesariana a pedido: quem dá a régua no Brasil

Diretriz CONITEC/MS (2016)

O documento assistencial nacional retirou deliberadamente a cesariana a pedido do seu escopo após a consulta pública e não traz recomendação sobre o tema — as suas recomendações tratam das indicações clínicas da cirurgia programada.

Diretrizes de Atenção à Gestante: a operação cesariana, CONITEC nº 179/2016

Resolução CFM nº 2.284/2020

Trata a escolha como direito da gestante nas situações eletivas: informação pormenorizada das duas vias, decisão registrada em TCLE e execução somente a partir de 39 semanas completas (273 dias) no risco habitual, preservada a autonomia do médico de recusar e encaminhar.

Resolução CFM nº 2.284/2020 (revoga a 2.144/2016)

Na prova

O enunciado denuncia o recorte: questão que nomeia a diretriz do Ministério/CONITEC cobra indicações clínicas e o que NÃO indica cesariana; questão de ética médica ou que cita o CFM cobra o trinômio autonomia-TCLE-39 semanas (273 dias). Alternativas com '37 ou 38 semanas' testam a confusão entre termo e termo pleno.

Taxa de cesariana de referência: 10% ou 25-30%?

OMS, Declaração de 2015

Em nível POPULACIONAL, taxas acima de 10% não se associam a redução adicional de mortalidade materna e neonatal; o foco deve ser garantir a cirurgia a quem dela precisa, não perseguir uma taxa.

Declaração da OMS sobre taxas de cesáreas (WHO/RHR/15.02, 2015), conforme reproduzida na diretriz CONITEC 2016

Diretriz CONITEC/MS (2016), com o C-Model

Aplicando a ferramenta de referência da OMS ajustada ao perfil obstétrico brasileiro (dados do Nascer no Brasil), a taxa de referência para o país fica entre 25% e 30% — reconhecendo que características da população deslocam o número factível.

Diretrizes de Atenção à Gestante: a operação cesariana, CONITEC nº 179/2016

Na prova

Cenário de saúde global ou comparação internacional usa a régua populacional dos 10%; cenário de auditoria de serviço brasileiro, sobretudo citando Robson ou o Nascer no Brasil, usa a referência ajustada de 25-30%. Distrator clássico: transformar taxa populacional em meta individual de maternidade ou em critério de decisão à beira do leito — nenhum dos documentos faz isso.

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Caso resolvido

Primigesta, 39 semanas, analgesia peridural, período expulsivo há 2 horas e 50 minutos. Está exausta, com puxos ineficazes. Dilatação total, bolsa rota, cabeça fetal em +3 de DeLee, variedade occipitopúbica, bexiga esvaziada há pouco pela enfermagem. Cardiotocografia categoria I. Peso fetal estimado 3.300 g.
achado
Expulsivo prolongado com exaustão materna e prensa abdominal deficiente; feto bem (categoria I); cabeça em +3, variedade conhecida (OP), sem necessidade de rotação.
checagem
Pré-requisitos um a um: dilatação total ✓, bolsa rota ✓, insinuação profunda ✓, variedade conhecida ✓, bexiga vazia ✓, analgesia regional em curso ✓, peso estimado compatível ✓. Nenhum impeditivo.
classificação
Cabeça em +3 sem rotação a fazer: aplicação BAIXA — e, se o couro cabeludo estiver visível no introito com o crânio no assoalho, de ALÍVIO. É o terreno mais seguro do parto operatório.
conduta
Parto vaginal operatório: fórcipe de Simpson ou vácuo-extrator (feto a termo, sem urgência hipóxica — os dois são legítimos; o vácuo exige menos analgesia e lacera menos; o fórcipe falha menos). Kristeller não é alternativa. Cesariana com cabeça em +3 seria a via mais mórbida: extração difícil, maior trauma.
depois
Prova de tração, tração axial durante as contrações, episiotomia só se necessário após a prova; revisão do canal, antibiótico em dose única, vigilância de retenção urinária e aviso ao pediatra sobre o instrumento.
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Agora feche você

G2P0C1 (cesariana segmentar transversa há 3 anos por apresentação pélvica), 40 semanas e 6 dias, feto único cefálico, 3.200 g estimados, cardiotocografia normal, colo com Bishop 3. Deseja fortemente o parto vaginal. A maternidade tem centro cirúrgico disponível em tempo integral.
achado
Uma cesárea prévia segmentar, sem contraindicação ao trabalho de parto; gestação chegando ao pós-datismo com colo desfavorável; estrutura com retaguarda cirúrgica imediata.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Induzir com misoprostol quem tem cicatriz uterina A questão mostra colo desfavorável e o hábito completa: 'amadurecer com misoprostol'. Com QUALQUER cesariana prévia ele é proscrito — indução já triplica o risco de rotura, e prostaglandina é o extremo. Os métodos aceitos são balão cervical e ocitocina.
  2. 2Aplicar fórcipe sem dilatação total ou sem insinuação Vinhetas com 9 cm de dilatação ou cabeça em -1 atraem quem decorou só a lista de indicações. Sem dilatação e apagamento completos, bolsa rota e cabeça insinuada, não existe parto operatório — 'fórcipe alto' é proscrito, e o caminho é a cesariana.
  3. 3Vácuo no prematuro e na urgência O vácuo parece o instrumento 'gentil' e a alternativa o oferece para um feto de 31 semanas ou para uma bradicardia sustentada. Está proscrito antes de 32 semanas (cautela até 36) e é má escolha na hipóxia aguda, porque a extração demora mais que a do fórcipe.
  4. 4Insistir além das regras de parada — ou sequenciar instrumentos Três trações de fórcipe sem progressão, três desprendimentos da campânula ou 20 minutos de vácuo encerram a tentativa. Emendar o fórcipe após o vácuo como rotina soma os traumas dos dois; e após falha do FÓRCIPE não há segunda tentativa com vácuo — há cesariana.
  5. 5Agendar cesariana a pedido às 38 semanas 'porque já é termo' Termo começa em 37 semanas, mas o marco da cesariana a pedido no risco habitual é outro: 39 semanas COMPLETAS (273 dias), pela Resolução CFM 2.284/2020. Nascer eletivamente em 37-38 semanas paga em morbidade respiratória neonatal e UTI.
  6. 6Confundir céfalo-hematoma com hemorragia subgaleal Os dois seguem o vácuo. Céfalo-hematoma é subperiosteal: NÃO cruza suturas e quase nunca compromete hemodinâmica. A coleção flutuante que CRUZA as suturas e vem com palidez, taquicardia e queda de hematócrito é hemorragia subgaleal — emergência que exige vigilância intensiva.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Para apresentação pélvica a termo, a cesariana eletiva é a via recomendada na maioria dos casos por reduzir a morbimortalidade perinatal. O fórcipe e o vácuo são instrumentos para apresentação cefálica. O parto vaginal pélvico só é considerado em condições muito selecionadas com equipe experiente. A versão cefálica externa deve ser tentada antes do trabalho de parto (36-37 semanas), não em fase ativa com 4 cm de dilatação.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Refaça de memória: (1) os oito pré-requisitos do parto operatório; (2) a classificação alívio/baixo/médio com os limites de DeLee e rotação; (3) as três regras de parada (3 trações; 3 desprendimentos; 20 minutos); (4) a régua do HIV (CV > 1.000 ou desconhecida após 34 semanas → cesariana na 38ª); (5) o marco de 39 semanas completas da CFM 2.284/2020. Depois confira no capítulo o que escapou.

em 30 dias

Monte uma tabela de dupla entrada: linhas = pélvico, gemelar, HIV, herpes, hepatites B/C, macrossomia suspeita, 1 cesárea prévia, 2 prévias, ≥ 3, incisão corporal; colunas = 'via recomendada' e 'número/condição que decide'. Em seguida, responda sem consultar: quando o vácuo é proscrito e qual complicação neonatal de cada instrumento a banca adora. Feche revendo as duas divergências (a pedido: MS × CFM; taxa: OMS × referência ajustada).

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Plantão obstétrico: primigesta de 39 semanas está no período expulsivo há quase 3 horas, exausta, com o feto em +3 e cardiotocografia tranquilizadora. A equipe de enfermagem pergunta se você vai 'levar para a cesárea'. Conduza a decisão. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Cesariana e parto vaginal operatório — Preparatório para provas | OsceLabs