Ginecologia e ObstetríciaParto e assistência ao nascimento

Gestação prolongada e indução do parto

De 40 semanas à falha de indução: a régua nacional, o índice de Bishop e os quatro métodos

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Gestante de 31 anos, 41 semanas e 3 dias de idade gestacional confirmada por ultrassom precoce, comparece ao pré-natal assintomática, com movimentos fetais presentes. Exame obstétrico sem alterações, colo posterior e impérvio, cardiotocografia reativa. Considerando a idade gestacional pós-termo, qual é a conduta mais adequada?

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Como esse tema cai

Este é um tema de duas perguntas encadeadas, e a questão quase sempre para na segunda. A primeira é quando interromper: a gestante chegou às 41 semanas e o relógio virou decisão. A segunda é como: o colo está fechado, e escolher entre balão, misoprostol e ocitocina depende de um número — o índice de Bishop — e de duas informações que a vinheta esconde no meio do enunciado, o estado das membranas e a existência de cicatriz uterina.

A régua nacional é o Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde, de 2022, que dedica um capítulo à gravidez prolongada e outro, inteiro, à indução do parto — com a tabela de Bishop, o fluxograma de decisão e os regimes de ocitocina. Onde este capítulo diz "o Manual", é dele que se trata. A Diretriz Nacional de Assistência ao Parto Normal, de 2017, que governa o parto de risco habitual, exclui este assunto do próprio escopo: entre as situações que declara não cobrir está, com essas palavras, "métodos e técnicas de indução do parto". Dela restam aqui duas obrigações laterais, e as duas caem em prova de comunicação — informar a mulher, antes do parto, sobre benefícios e riscos da indução, incluindo as indicações médicas e as eletivas; e tratar a indução do parto como um dos fatores que indicam planejar o nascimento em maternidade. Duas fontes complementam onde o Manual cala: as recomendações da Organização Mundial da Saúde de 2022, que discordam do Brasil na semana em que se induz, e os protocolos de maternidades federais publicados no gov.br, que definem taquissistolia e descrevem o manejo minuto a minuto.

O recorte aqui é a gestante de feto único, cefálico, vivo, com indicação de antecipar o parto. Ficam de fora, por terem capítulo próprio: a prova de trabalho de parto e a decisão de via em quem tem cesárea anterior, que é do capítulo de cesariana e parto vaginal operatório; a condução do trabalho de parto já instalado, o partograma e a falha de progresso, do capítulo de trabalho de parto e partograma; a rotura prematura de membranas no termo, com a janela de 24 horas, do capítulo de RPMO; a datação da gestação e a classificação do termo, do capítulo de diagnóstico de gravidez e idade gestacional; a vigilância anteparto na restrição de crescimento, do capítulo de vitalidade fetal; e o misoprostol do abortamento e do esvaziamento uterino, do capítulo de abortamento — cujas doses, muito maiores, são a armadilha mais frequente deste tema.

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O que muda decisão

Pós-termo é 42; a semana que muda a conduta no Brasil é 41

O Manual abre o capítulo de gravidez prolongada reclamando da própria nomenclatura: pós-datismo, pós-data, serotina, protraída, retardada, pós-termo e pós-maturidade circulam como sinônimos e produzem definições vagas. E então corta: o termo gravidez prolongada, ou pós-termo, deve ser reservado para as gestações que atingem ou ultrapassam as 42 semanas.

A classificação que ele adota a partir de 37 semanas tem quatro faixas e é a que a prova cobra por extenso: termo precoce, de 37 0/7 a 38 6/7 semanas; termo completo, de 39 0/7 a 40 6/7; termo tardio, de 41 0/7 a 41 6/7; e pós-termo, de 42 0/7 em diante. A duração média de uma gestação única é de 40 semanas, ou 280 dias, contados do primeiro dia da última menstruação.

Repare no que essa tabela faz com a gestante de 41 semanas: ela é termo tardio, não é pós-termo — e mesmo assim já dispara conduta. O mesmo Manual lista "idade gestacional de 41 semanas ou mais" entre as situações clínicas de urgência ou emergência obstétrica que devem ser avaliadas em contexto hospitalar. Ou seja: a paciente ainda não preenche a definição de gravidez prolongada e já não fica sendo acompanhada na unidade básica. Alternativa que chama de pós-termo uma gestante de 41 semanas e 3 dias está errada pela definição, mesmo quando acerta a conduta.

A incidência é reconhecidamente imprecisa. O Manual registra que a taxa de gestações que alcança pelo menos 42 semanas varia entre 0,5% e 10% — uma faixa de vinte vezes, que só existe porque depende inteiramente de como a idade gestacional foi estabelecida. Por isso o diagnóstico de gravidez prolongada só pode ser feito com datação confiável, e o método mais fidedigno é a ultrassonografia do início da gestação, idealmente entre 9 e 12 semanas. Ultrassonografia feita depois desse período não é precisa, embora possa ser considerada quando, no segundo trimestre, houver grande diferença entre a estimativa ecográfica e a última menstruação.

O risco que justifica intervir — e o que o Manual mede

O argumento inteiro da conduta ativa é o óbito fetal. O Manual quantifica: o risco de óbito fetal aumenta 1,48 vez com 41 semanas e 1,77 vez com 42 semanas, em comparação com o existente às 40 semanas. São razões, não risco absoluto — o documento não publica a taxa de base, e alternativa que ofereça "tantos óbitos por mil" está inventando um número que a fonte nacional não traz.

O gradiente não é o único motivo. As complicações maternas listadas são trabalho de parto prolongado, distocias, parto cesáreo, parto vaginal operatório, lacerações de trajeto, hemorragia pós-parto e endometrite puerperal. As perinatais são macrossomia, oligoâmnio, tocotraumatismo, síndrome de aspiração meconial, sofrimento fetal agudo, acidemia neonatal e baixo índice de Apgar. Note que a lista materna é quase inteiramente mecânica — feto maior num canal que não mudou — e a perinatal, quase inteiramente de reserva placentária esgotada.

Os fatores de risco para chegar lá são seis e caem em vinheta como pistas: idade materna maior que 40 anos, obesidade, nuliparidade, etnia caucasiana, feto masculino e antecedente de gravidez prolongada. A idade materna avançada ganha parágrafo próprio no Manual, que pede atenção particular às gestantes com mais de 40 anos pelo maior risco de óbito intrauterino nesse grupo, ainda que por razões não bem estabelecidas.

Do outro lado da balança está a cesárea. O Manual é explícito ao construir o debate: a conduta ativa impediria complicações, sobretudo o óbito fetal, mas existe a preocupação com a eventual elevação da taxa de cesárea — e recomenda incluir o casal na decisão, ponderando vantagens e desvantagens em conjunto. Essa frase é o que separa a alternativa correta da alternativa autoritária em questão de conduta.

Vigilância a partir das 40 semanas: o que entra e o que o Manual exclui

A vigilância começa antes da decisão de induzir. O Manual recomenda vigiar o bem-estar fetal a partir das 40 semanas por meio da contagem dos movimentos fetais — o mobilograma — e de avaliação fetal por propedêutica subsidiária a cada dois ou três dias.

O conteúdo mínimo dessa avaliação está escrito: deve incluir, pelo menos, a cardiotocografia e a avaliação do volume de líquido amniótico. A associação da cardiotocografia com o perfil biofísico fetal é a forma preferencial, principalmente após 41 semanas, justamente por incorporar a avaliação do volume de líquido amniótico. E o oligoâmnio é o parâmetro prognóstico que mais pesa, por sinalizar risco aumentado de asfixia perinatal e de síndrome de aspiração meconial.

Duas exclusões valem tanto ponto quanto as inclusões, porque são exames que o candidato tende a acrescentar por excesso de zelo. A dopplervelocimetria não tem mostrado benefício na avaliação fetal das gestações prolongadas e não é recomendada para essa indicação, pela pouca utilidade em predizer complicações — é uma exclusão específica desta situação clínica, e não uma opinião geral sobre o Doppler, que segue central na restrição de crescimento. A amnioscopia também não é recomendada: nenhuma associação foi demonstrada entre líquido amniótico colorido à amnioscopia e resultado neonatal desfavorável em gestações prolongadas.

Propor aos 41, recomendar aos 42 — e onde a OMS se afasta

A frase que decide o tema tem duas metades, com dois verbos diferentes, e a prova cobra exatamente a diferença entre eles. O Manual escreve que a indução do parto deve ser proposta para pacientes entre 41 0/7 e 41 6/7 semanas, e é recomendada a partir de 42 semanas de gestação, na gravidez de risco habitual.

Propor não é o mesmo que recomendar. Entre 41 0/7 e 41 6/7, a indução entra na mesa como opção a ser oferecida e discutida com o casal, e a conduta expectante vigiada continua legítima desde que a vigilância descrita na seção anterior esteja de pé. A partir de 42 0/7, a indução passa a ser a conduta recomendada. Os benefícios que o Manual lista para justificar a antecipação são redução do risco de morte fetal e de síndrome de aspiração de mecônio com suas consequências, além de um benefício não clínico que ele faz questão de registrar: permite que as mulheres se programem para o parto.

A Organização Mundial da Saúde, no documento de 2022 dedicado à indução no termo ou além dele, coloca o gatilho uma semana antes. Sua primeira recomendação é que a indução do parto seja recomendada para mulheres que se sabe com certeza terem alcançado 41 semanas — 41 semanas e 0/7 dias ou mais —, com evidência de certeza moderada. A segunda fecha o outro lado: a indução de rotina, para mulheres com gestações não complicadas, antes de 41 semanas, não é recomendada, com evidência de baixa certeza.

As duas recomendações da OMS vêm com uma ressalva que muda a leitura de qualquer vinheta: a datação acurada da gestação é crítica, e as recomendações se aplicam a mulheres com gestações não complicadas. Não são réguas para a gestante com pré-eclâmpsia, diabetes descompensado ou restrição de crescimento — nessas, a semana de resolução vem da doença, não do calendário.

Quando induzir por outra razão — e o que precisa estar no prontuário antes

A gravidez prolongada é apenas uma das portas. O princípio geral do Manual é que a indução está indicada quando dar continuidade à gravidez signifique risco para a mãe ou para o feto. A lista que ele apresenta, declaradamente não exaustiva, tem oito itens: doenças maternas descompensadas complicando a gravidez; rotura prematura de membranas na maturidade fetal; gestação com 41 semanas; corioamnionite; morte fetal; restrição de crescimento fetal na maturidade; comprometimento fetal, como aloimunização e malformações; e, por conveniência, após 39 semanas, quando houver história de partos rápidos e difícil acesso ao serviço de saúde ou condições psicossociais precárias.

Esse último item costuma ser lido como curiosidade e não é: ele autoriza indução por logística — partos rápidos somados a distância ou vulnerabilidade — desde que a gestação já tenha 39 semanas completas. É a única indicação da lista que não é clínica, e a idade gestacional mínima faz parte dela.

Antes de começar, quatro fatores não modificáveis reduzem a chance de sucesso e devem ser levantados na anamnese e no exame: índice de massa corporal materno acima de 40 kg/m², idade materna acima de 35 anos, peso fetal estimado maior que 4.000 g e diabetes mellitus. Nenhum deles contraindica — todos mudam a conversa sobre probabilidade.

E há uma lista de registro em prontuário que o Manual exige antes de iniciar, e que é o roteiro mental completo do tema: indicação da indução; ausência de contraindicação; adequação pélvica; condições cervicais pelo escore de Bishop; estado das membranas; atividade uterina; potenciais riscos identificados; confirmação da idade gestacional; confirmação da apresentação cefálica; batimentos cardíacos fetais e cardiotocografia, se disponível, quando o feto está vivo; e estimativa de peso fetal, se disponível. Quem responde a vinheta correndo direto para a droga esqueceu de conferir apresentação e membranas — que são, respectivamente, contraindicação absoluta e o dado que exclui um dos métodos.

Vale registrar o preço da intervenção, que o próprio Manual assume: comparada ao trabalho de parto de início espontâneo, a indução aumenta a incidência de corioamnionite e de cesárea. A taxa de cesárea é maior porque o útero está menos preparado, geralmente com colo desfavorável e miométrio menos sensível. É por isso que a maturação cervical existe como etapa separada — e é por isso que pular essa etapa é o erro mais caro do tema.

As contraindicações — e a linha que separa uma cesárea de duas

A lista de contraindicações absolutas do Manual é longa e vale ser lida por grupos, não decorada em fila. Do lado do útero: cicatriz segmentar transversa de repetição, isto é, duas ou mais; cicatriz uterina prévia longitudinal; miomectomia prévia com abertura da cavidade uterina ou cirurgia uterina anterior; e rotura uterina anterior. Do lado do canal: desproporção fetopélvica absoluta, tumor prévio ou obstrução do canal de parto, carcinoma invasivo de colo uterino e herpes genital ativo. Do lado da placenta e do sangramento: placenta prévia, vasa prévia e descolamento prematuro da placenta com feto vivo. Do lado do feto: depressão fetal aguda, apresentações anômalas — pélvica ou córmica —, tumores fetais de grande volume e gêmeos unidos. E duas que não se encaixam em nenhum grupo: infecção pelo HIV com risco de transmissão vertical e urgência na resolução da gestação.

Essa última merece um segundo de atenção porque é conceitual, não anatômica: se a resolução é urgente, não há tempo de induzir. Indução é procedimento de horas a dias; a vinheta que descreve deterioração materna ou fetal aguda e oferece "iniciar misoprostol" está oferecendo o método certo na hora errada.

As contraindicações relativas são nove: volume uterino excessivo; polidrâmnio; gestação múltipla; macrossomia fetal; cicatriz uterina prévia segmentar e transversa; grande multiparidade, definida como seis ou mais partos vaginais prévios; apresentação cefálica alta e móvel ou com deflexão; prematuridade extrema; e estado materno precário.

Compare as duas listas no ponto em que elas se tocam: uma cicatriz segmentar transversa é contraindicação relativa; duas ou mais são contraindicação absoluta. E cicatriz longitudinal — a clássica, corporal — é absoluta com uma só. O número de cesáreas e o tipo de incisão não são detalhe de história: são o que decide se a indução sequer entra na conversa. A decisão de via de parto em quem tem cesárea anterior, com os números da prova de trabalho de parto, é do capítulo de cesariana e parto vaginal operatório.

Bishop: treze pontos, cinco parâmetros e o corte que muda de documento

A principal condição para o sucesso do parto vaginal, escreve o Manual, é a maturação do colo — e o instrumento que a mede é o índice de Bishop, publicado em 1964 e reproduzido no Manual sem alteração. São cinco parâmetros: altura da apresentação em planos de De Lee, dilatação, esvaecimento, consistência e posição do colo.

Os três primeiros valem de 0 a 3 pontos; os dois últimos, de 0 a 2. O total máximo é 13. Altura: −3 vale 0; −2 vale 1; −1 ou 0 vale 2; +1 ou +2 vale 3. Dilatação: 0 cm vale 0; 1 a 2 cm vale 1; 3 a 4 cm vale 2; 5 cm ou mais vale 3. Esvaecimento: 0% a 30% vale 0; 40% a 50% vale 1; 60% a 70% vale 2; 80% ou mais vale 3. Consistência: firme vale 0; mediana vale 1; amolecida vale 2. Posição: posterior vale 0; centralizado vale 1; anterior vale 2.

O corte que o Manual usa é único e simples: índice de Bishop inferior a 6 significa colo não maduro, que necessita de preparo prévio antes da indução propriamente dita; com Bishop superior ou igual a 6, a conduta é iniciar diretamente a ocitocina intravenosa. Guarde a fronteira exata, porque é ali que a prova mora: o 6 pertence ao lado da ocitocina no documento nacional.

Outros documentos brasileiros põem a fronteira em outro lugar, e nenhum deles é o Ministério. As rotinas da Maternidade-Escola da UFRJ usam índice menor ou igual a 6 para maturação e maior que 6 para ocitocina — o 6 muda de lado. O protocolo do CAISM da Unicamp indica preparo cervical quando o índice é menor que 8. O protocolo da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, da UFC, trabalha com desfavorável abaixo de 7 e favorável acima de 7. Diante de enunciado que cita o Ministério da Saúde ou descreve serviço do SUS sem nomear protocolo local, o número é 6.

Duas notas de leitura da tabela. A primeira: as faixas de esvaecimento saltam de dezena em dezena e deixam buracos — 31% a 39%, 51% a 59% e 71% a 79% não têm categoria escrita. É um artefato da tabela original de 1964, e na prática o valor cai na faixa imediatamente inferior, mas o candidato que procurar a linha exata não vai encontrá-la. A segunda: reproduções da tabela que escrevem a dilatação de 3 pontos como "maior que 5", em vez de "5 ou mais", deixam exatamente 5 cm sem pontuação — o Manual e a tabela de Bishop escrevem "5 ou +".

Maturação cervical: os quatro caminhos com colo desfavorável

Antes dos métodos, uma exclusão que é pura pegadinha de prova: a amniotomia e a ocitocina não constituem métodos efetivos para a maturação cervical e não são indicados para essa finalidade. O Manual explica por que a ocitocina falha nesse papel — o preparo demandaria tempo prolongado, doses altas e teria alta taxa de insucesso. Ocitocina amadurece colo mal e caro; ela serve para contrair um útero cujo colo já está pronto.

O descolamento digital das membranas não é propriamente um método de maturação, mas desencadeia contrações sem elevar o índice de rotura prematura de membranas nem de infecção materno-fetal. A técnica é a separação das membranas corioamnióticas da decídua parietal no polo inferior, por toque vaginal, introduzindo o dedo indicador no canal cervical, ultrapassando o orifício interno, e realizando três rotações de 360 graus — o que estimula a produção local de prostaglandinas. O procedimento não reduz a taxa de cesáreas; é proposto como método complementar, em nulíparas ou entre 39 e 41 semanas, para reduzir o pós-datismo. Exige consentimento prévio, informando desconforto, dor e possibilidade de sangramento e contrações irregulares.

O balão cervical, ou sonda de Foley, é o método mecânico. A técnica descrita no Manual: introduzir a sonda estéril, com auxílio de pinça longa, por via endocervical, ultrapassando o orifício interno; usar sonda de calibre 16 ou 18; insuflar o balão com 60 mL de água destilada; fixar a sonda na face interna da coxa materna; tracionar gentilmente a cada 3 horas; retirar após 12 a 24 horas, caso não ocorra saída espontânea; e remover se houver ruptura de membranas. Um detalhe de eficiência que o Manual registra: a remoção após 12 horas com início da ocitocina nesse momento se associa a menor intervalo até o parto, em comparação com a remoção em 24 horas.

Três propriedades do balão explicam quando ele é escolhido. É considerado seguro no preparo de colo nos casos com cesárea anterior. Não é recomendado quando houver ruptura de membranas. E tem risco de hiperestimulação menor que o das prostaglandinas ou do misoprostol vaginal, com eficácia comparável à do misoprostol por via vaginal. A Organização Mundial da Saúde, no documento de 2022 sobre métodos mecânicos, recomenda o cateter-balão para indução do parto e recomenda também a combinação de cateter-balão com ocitocina, ambas com evidência de baixa certeza, e observa que o balão pode ser particularmente útil quando convém evitar hiperestimulação uterina ou quando as prostaglandinas estão contraindicadas.

O misoprostol é o análogo sintético da prostaglandina E1, disponível no Brasil em comprimidos de 25, 100 e 200 microgramas, estável em temperatura ambiente e de baixo custo. Comparado com outros métodos, reduz a taxa de cesáreas, o período de latência até o parto e a necessidade de ocitocina. É de uso restrito ao ambiente hospitalar — restrição que vem do controle especial da Portaria SVS/MS nº 344/1998, atualizada pela RDC nº 13/2010, as duas normas que o próprio protocolo do Ministério invoca. As contraindicações que o Manual lista são quatro: cesárea anterior, cirurgia uterina prévia, uso concomitante com ocitocina e placenta prévia.

Sobre a dose, o Manual é honesto ao registrar que não há consenso pleno a respeito do número de doses, do intervalo de aplicação nem da duração total do tratamento na indução com concepto vivo. E apresenta dois esquemas: algumas diretrizes recomendam 25 mcg a cada 6 horas, por via vaginal, até o índice de Bishop atingir 6, no máximo de 8 comprimidos durante 48 horas; a tendência atual é ministrá-lo na dose de 25 mcg a cada 4 horas, por no máximo 24 horas, num total de 6 comprimidos. As duas contas fecham: 48 horas divididas por 6 dão 8 doses, e 24 horas divididas por 4 dão 6. O uso deve ser interrompido diante de contrações uterinas que caracterizem trabalho de parto.

O método combinado — misoprostol associado à sonda de Foley — reduz o intervalo de tempo até o parto e reduz a hiperestimulação uterina em comparação com o misoprostol isolado, sem alterar a incidência de cesárea nem de corioamnionite. E há uma quarta droga, que existe mas raramente está disponível: a prostaglandina E2, dinoprostona, em pessário de 10 mg, usada em dose única, podendo permanecer na vagina por no máximo 24 horas; é de custo mais elevado e pode substituir o misoprostol na maturação do colo em gestações de termo, com membranas íntegras e na ausência de cicatriz uterina prévia.

Corte sagital do colo uterino no fim da gestação com uma sonda de Foley introduzida pelo canal cervical e o balão insuflado logo acima do orifício interno, apoiado contra o polo inferior das membranas, com a sonda saindo pela vagina e fixada na face medial da coxa.
O balão intracervical age por pressão mecânica: insuflado acima do orifício interno, descola as membranas do segmento inferior e estimula a liberação local de prostaglandinas, amadurecendo o colo sem estimular diretamente o miométrio — razão pela qual o risco de hiperestimulação é menor que o das prostaglandinas.

Ocitocina: a diluição, o teto e a dose em que ela vira veneno

Com colo maduro, o método é a ocitocina, e o Manual preconiza esquemas de baixa dose por via intravenosa, em acesso periférico, com bomba de infusão. A preparação é uma só e precisa ser sabida de cor: 5 UI de ocitocina diluídas em 500 mL de soro glicosado a 5% — ou soro fisiológico a 0,9% —, com infusão inicial de 2 mU por minuto, o que corresponde a 4 gotas por minuto ou 12 mL por hora. As três formas de dizer a mesma velocidade batem: a solução tem 10 mU por mililitro, de modo que 2 mU/min são 0,2 mL/min, isto é, 12 mL/h.

O regime de baixa dose parte de 0,5 a 2,0 mU/min, com incrementos de 1,0 a 2,0 mU/min a intervalos de 30 a 40 minutos, até a dose máxima de 20 a 30 mU/min — que equivale a 120 a 180 mL/h na mesma diluição. O regime de alta dose parte de 6,0 mU/min, ou 36 mL/h, com incrementos de 3,0 a 6,0 mU/min nos mesmos intervalos e o mesmo teto. Durante o uso, reavaliam-se a frequência cardíaca fetal e a dinâmica uterina a cada 30 minutos; quando a resposta não é satisfatória, aumenta-se 2 mU/min; quando é satisfatória, com relaxamento uterino completo entre as contrações, mantém-se a dose. Os incrementos não devem ser mais frequentes do que a cada 30 minutos. O volume infundido deve ser anotado e não deve exceder 3 litros em 12 horas.

Há uma dose específica que a prova gosta de cobrar pelo efeito adverso, e não pela eficácia. Por semelhança estrutural com o hormônio antidiurético, doses elevadas como 40 mU/min podem levar à intoxicação hídrica, com hipervolemia, edema agudo de pulmão e hiponatremia, com risco de convulsão materna e morte. Note a aritmética: 40 mU/min são 240 mL/h na diluição padrão — o dobro do teto inferior recomendado pelo Manual. Protocolos de serviço que titulam até 40 mU/min existem, e é exatamente esse o número que o documento nacional aponta como limiar de toxicidade.

Duas notas de contexto. A ocitocina tem meia-vida curta, de 1 a 6 minutos, e é rapidamente metabolizada pelo fígado e pelos rins — por isso a titulação é reversível em minutos, e a primeira medida diante de hiperatividade é simplesmente fechar a bomba. E a resposta uterina depende da idade gestacional: quanto maior a idade gestacional, menor a dose necessária para obter contrações eficientes. Em pacientes com cesárea anterior, o uso de ocitocina aumenta o risco relativo de ruptura uterina, mas o risco absoluto é pequeno e comparável ao observado em pacientes com cesárea prévia e trabalho de parto espontâneo. Para quem precisa de restrição de volume — cardiopatas, nefropatas —, a dose pode ser concentrada em menor volume de soro, com a velocidade ajustada.

Por fim, a amniotomia. Ela não é indicada como método isolado de indução: os principais efeitos adversos são aumento do risco de infecção amniótica e de acidente de cordão, e não há evidência de que a amniotomia precoce seja benéfica. O lugar dela no fluxograma nacional é outro — considerá-la nos casos em que se atingir a dose máxima de ocitocina.

Taquissistolia e hiperestimulação: o que definir e o que fazer nos primeiros minutos

O Manual cita taquissistolia e hiperestimulação uterina como riscos do misoprostol e da ocitocina, mas não as define numericamente. Quem define, num protocolo publicado no gov.br e em versão de dezembro de 2025, é a Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, da Universidade Federal do Ceará: taquissistolia é a presença de 6 ou mais contrações em 10 minutos, em dois períodos sucessivos de 10 minutos, ou em média durante um período de 30 minutos.

O mesmo protocolo separa taquissistolia de hiperestimulação uterina, e a distinção cai em prova. Taquissistolia é só a frequência, e pode ocorrer espontaneamente, com ou sem indução. Hiperestimulação uterina é um padrão anormal de atividade uterina, geralmente iatrogênico, caracterizado por contrações excessivamente frequentes, prolongadas ou com tônus basal elevado: reúne a taquissistolia, a hipertonia — contração única com duração superior a 2 minutos — e o aumento de tônus basal entre as contrações, frequentemente acima de 15 a 20 mmHg, sobretudo quando associado a alterações da frequência cardíaca fetal.

O manejo tem ordem, e a ordem é o que a questão testa. Primeiro, suspensão imediata do agente indutor — ocitocina, misoprostol ou o que estiver em curso. Depois, decúbito lateral e verificação de sinais vitais maternos, avaliando a necessidade de oxigênio suplementar ou reposição volêmica. Em seguida, monitorização contínua da vitalidade fetal e da atividade uterina por cardiotocografia até a resolução do quadro. Só então se avalia tocólise de resgate — terbutalina 0,25 mg por via subcutânea, especialmente se houver sinal de comprometimento fetal, com efeito entre 5 e 15 minutos. Se as medidas não forem eficazes e a taquissistolia persistir, resolve-se a gravidez por via abdominal, idealmente num tempo que não ultrapasse 30 minutos.

E há o desfecho que a maioria dos casos tem: taquissistolia sem comprometimento da vitalidade fetal, que cedeu com as medidas acima, permite retomar a indução de acordo com o índice de Bishop, se as condições maternas e fetais permitirem. Taquissistolia não é, por si, indicação de cesárea.

Quanto à vigilância de rotina durante o misoprostol, o Manual pede avaliação rotineira de pressão arterial, pulso e temperatura materna, observação da dinâmica uterina e atenção a sintomas gastrintestinais — náuseas, vômitos, dor abdominal e diarreia ocorrem em 10% a 30% dos casos, são dose-dependentes e mais frequentes com doses altas, intervalos curtos e vias oral ou sublingual. A avaliação fetal recomendada é cardiotocografia por 20 minutos antes da administração do misoprostol, 30 minutos após, antes da inserção do próximo comprimido, e por 60 minutos após qualquer taquissistolia.

Falha de indução: o que o Brasil não define, e o fluxograma que ele opera

O Manual é direto sobre o vazio: não existe, na atualidade, consenso que permita determinar a duração ideal da tentativa antes de indicar a cesárea por falha de indução. Reconhecido o vazio, ele publica um fluxograma operacional, o Quadro 7, que é a régua brasileira mais próxima de uma definição — e que separa duas populações pela cicatriz uterina.

Sem cesariana prévia, são quatro linhas. Bishop desfavorável com membranas rotas: misoprostol por 24 horas, no máximo de 6 comprimidos, a 48 horas, no máximo de 8 comprimidos. Bishop desfavorável com membranas íntegras: misoprostol por 24 horas, máximo de 6 comprimidos, ou 48 horas, máximo de 8. Bishop favorável: ocitocina por no máximo 24 horas. E o fecho: após 48 horas utilizando misoprostol, combinado ou não com a sonda de Foley, utilizar a ocitocina por no máximo 12 horas — e, após isso, se não evoluir para parto vaginal, considerar falha de indução.

Com cesariana prévia, são três linhas, e o misoprostol desaparece de todas. Bishop desfavorável com membranas rotas: ocitocina por no máximo 24 horas. Bishop desfavorável com membranas íntegras: sonda de Foley associada à ocitocina por no máximo 24 horas. Bishop favorável: ocitocina por no máximo 24 horas.

Repare no encaixe entre as duas linhas de membranas rotas com cicatriz uterina: o misoprostol está contraindicado pela cicatriz, e o balão não é recomendado com bolsa rota. Não sobra método de maturação — e é por isso que o fluxograma manda ocitocina mesmo com colo desfavorável, embora a ocitocina não amadureça colo. Não é contradição do documento; é o que resta quando as duas outras portas se fecham, e é a vinheta mais discriminativa que este tema oferece.

Duas regras atravessam o quadro inteiro e valem como asterisco. A ocitocina é sempre em baixa dose e só pode ser iniciada 6 horas após a última dose de misoprostol — o uso concomitante dos dois não é recomendado, porque eleva o risco de taquissistolia, de aumento da intensidade das contrações, de rotura uterina e de comprometimento da vitalidade fetal. E considera-se amniotomia nos casos em que se atingir a dose máxima de ocitocina.

04

Da 40ª semana à decisão de cesárea

Os cards leem o eixo do tempo, que é a única escala verdadeiramente ordinal do tema: cada faixa de idade gestacional dispara uma conduta diferente no Manual de Gestação de Alto Risco. O fluxo abaixo é a cascata nacional em ordem de execução, do primeiro toque à declaração de falha de indução. A primeira tabela é o índice de Bishop com os cinco parâmetros e a pontuação exata; a segunda reúne os métodos de maturação com técnica, tempo e restrição; a terceira traz as doses de misoprostol e de ocitocina lado a lado, com as contas que as amarram.

  1. 1Confirme a idade gestacional antes de qualquer decisão. O diagnóstico de gravidez prolongada só existe com datação confiável, e a referência é a ultrassonografia do início da gestação, idealmente entre 9 e 12 semanas.
  2. 2A partir de 40 semanas, vigie: mobilograma mais propedêutica subsidiária a cada dois ou três dias, incluindo pelo menos cardiotocografia e avaliação do volume de líquido amniótico. Após 41 semanas, prefira cardiotocografia associada a perfil biofísico fetal. Não peça Doppler nem amnioscopia por causa da idade gestacional.
  3. 3Entre 41 0/7 e 41 6/7 semanas, PROPONHA a indução ao casal, com as vantagens e desvantagens na mesa. A partir de 42 0/7, a indução é a conduta recomendada na gravidez de risco habitual.
  4. 4Antes de iniciar, cheque contraindicações absolutas e relativas e registre em prontuário: indicação, ausência de contraindicação, adequação pélvica, Bishop, estado das membranas, atividade uterina, riscos, idade gestacional confirmada, apresentação cefálica confirmada, batimentos e cardiotocografia se disponível, e peso fetal estimado se disponível.
  5. 5Toque vaginal e cálculo do índice de Bishop. Bishop inferior a 6: colo não maduro, precisa de preparo prévio. Bishop igual ou superior a 6: iniciar diretamente a ocitocina intravenosa.
  6. 6Com colo desfavorável e SEM cesárea anterior, escolha entre balão e misoprostol — ou combine os dois, o que reduz o intervalo até o parto e a hiperestimulação. Balão: sonda 16 ou 18, 60 mL de água destilada acima do orifício interno, fixado na coxa, tração gentil a cada 3 horas, retirado em 12 a 24 horas. Misoprostol: 25 mcg vaginais, 4/4 horas por até 24 horas (6 comprimidos) ou 6/6 horas por até 48 horas (8 comprimidos).
  7. 7Com colo desfavorável e COM cesárea anterior, o misoprostol está fora. Com membranas íntegras, sonda de Foley associada à ocitocina por no máximo 24 horas; com membranas rotas, o balão também sai — resta ocitocina por no máximo 24 horas.
  8. 8Interrompa o misoprostol assim que houver contrações que caracterizem trabalho de parto. Não inicie ocitocina antes de 6 horas da última dose de misoprostol, e nunca use os dois ao mesmo tempo.
  9. 9Ocitocina em baixa dose: 5 UI em 500 mL de soro glicosado a 5%, começando com 2 mU/min — 4 gotas por minuto ou 12 mL/h em bomba. Incrementos de 1 a 2 mU/min a cada 30 a 40 minutos, nunca mais frequentes que a cada 30 minutos, até o teto de 20 a 30 mU/min. Reavalie frequência cardíaca fetal e dinâmica uterina a cada 30 minutos e não ultrapasse 3 litros em 12 horas.
  10. 10Diante de taquissistolia — 6 ou mais contrações em 10 minutos em dois períodos sucessivos, ou em média em 30 minutos —, suspenda o agente indutor, lateralize a paciente, cheque sinais vitais, mantenha cardiotocografia contínua e considere terbutalina 0,25 mg subcutânea. Persistindo, resolva por via abdominal em até 30 minutos. Cedendo sem comprometimento fetal, retome a indução conforme o Bishop.
  11. 11Considere amniotomia quando se atingir a dose máxima de ocitocina. Após 48 horas de misoprostol, combinado ou não com balão, use ocitocina por no máximo 12 horas — e, se não evoluir para parto vaginal, considere falha de indução.

39 0/7 a 40 6/7 — termo completo

A faixa em que a gestação de risco habitual é apenas acompanhada. Indução de rotina antes de 41 semanas, em gestação não complicada, não é recomendada pela Organização Mundial da Saúde. A exceção que o Manual abre é a indicação por conveniência após 39 semanas — história de partos rápidos somada a difícil acesso ao serviço ou condições psicossociais precárias.

40 0/7 — começa a vigilância, a cada 2 ou 3 dias

A partir de 40 semanas, o Manual manda vigiar o bem-estar fetal com mobilograma e propedêutica subsidiária a cada dois ou três dias — cada ponto acima da faixa é uma dessas reavaliações. O conteúdo mínimo é cardiotocografia mais avaliação do volume de líquido amniótico. Dopplervelocimetria e amnioscopia não são recomendadas nesta indicação.

41 0/7 a 41 6/7 — termo tardio: indução PROPOSTA

Ainda não é pós-termo, e já não é observação de rotina. A indução deve ser PROPOSTA — oferecida e decidida com o casal —, com a conduta expectante vigiada seguindo legítima. Aqui a associação de cardiotocografia com perfil biofísico fetal passa a ser a forma preferencial de avaliação. O círculo vazado marca a oferta: 41 semanas ou mais também é, no mesmo Manual, situação que exige avaliação em contexto hospitalar.

42 0/7 em diante — pós-termo: indução RECOMENDADA

É aqui que a definição de gravidez prolongada se cumpre e o verbo muda: a indução é RECOMENDADA a partir de 42 semanas na gravidez de risco habitual. O risco de óbito fetal é 1,77 vez o das 40 semanas. O círculo cheio marca a recomendação. A Organização Mundial da Saúde já recomendava induzir uma semana antes, com 41 0/7 completas.

Parâmetro0 ponto1 ponto2 pontos3 pontos
Altura da apresentação (plano de De Lee)−3−2−1 ou 0+1 ou +2
Dilatação (cm)01 a 23 a 45 ou mais
Esvaecimento (%)0 a 3040 a 5060 a 7080 ou mais
Consistência do coloFirmeMedianaAmolecida
Posição do coloPosteriorCentralizadoAnterior

Métodos de maturação cervical: técnica, tempo e a restrição que elimina cada um

MétodoComo se fazTempoQuando NÃO usar
Descolamento digital das membranasDedo indicador no canal cervical ultrapassando o orifício interno, com três rotações de 360 graus, separando as membranas da decídua parietalProcedimento único, no toque; complementar aos demaisSem consentimento prévio — exige informar desconforto, dor, possibilidade de sangramento e contrações irregulares. Não reduz a taxa de cesáreas
Balão cervical (sonda de Foley)Sonda estéril nº 16 ou 18 por via endocervical, ultrapassando o orifício interno; balão insuflado com 60 mL de água destilada; fixado na face interna da coxa; tração gentil a cada 3 horas12 a 24 horas; retirar em 12 horas e iniciar ocitocina encurta o intervalo até o partoRuptura de membranas (e remover se romperem durante o uso). É o método SEGURO com cesárea anterior
Misoprostol vaginal25 mcg por comprimido, via vaginal: 25 mcg a cada 4 horas (até 6 comprimidos em 24 horas) ou 25 mcg a cada 6 horas (até 8 comprimidos em 48 horas)24 a 48 horas; interromper assim que houver contrações de trabalho de partoCesárea anterior, cirurgia uterina prévia, placenta prévia e uso concomitante com ocitocina. Asma NÃO é contraindicação no Manual de 2022
Método combinado (balão + misoprostol)Uso concomitante dos dois métodos anterioresReduz o intervalo até o parto e a hiperestimulação, sem alterar cesárea nem corioamnioniteHerda as restrições de cada componente — com cesárea anterior, o misoprostol sai e resta o balão
Dinoprostona (prostaglandina E2)Pessário de 10 mg, dose única, por via vaginalNo máximo 24 horas na vaginaCicatriz uterina prévia e membranas rotas; custo mais elevado limita a disponibilidade. Substitui o misoprostol na maturação no termo
Ocitocina e amniotomia como maturadoresNÃO são métodos efetivos de maturação cervical e não são indicados para essa finalidade. A ocitocina exigiria tempo prolongado, doses altas e teria alta taxa de insucesso

As doses que a questão cobra, com a conta que as amarra

Droga / esquemaNúmerosA conta que fecha
Misoprostol — esquema de 6/6 horas25 mcg por via vaginal a cada 6 horas, até o Bishop atingir 6, no máximo de 8 comprimidos em 48 horas48 horas ÷ 6 horas = 8 doses. Bate com o teto de comprimidos
Misoprostol — esquema de 4/4 horas (tendência atual)25 mcg por via vaginal a cada 4 horas, por no máximo 24 horas, num total de 6 comprimidos24 horas ÷ 4 horas = 6 doses. Bate com o teto de comprimidos
Intervalo entre misoprostol e ocitocinaA ocitocina só pode ser iniciada 6 horas após a última dose de misoprostol; o uso concomitante não é recomendadoO misoprostol vaginal mantém níveis plasmáticos detectáveis por pelo menos 6 horas — a janela é farmacocinética, não arbitrária
Ocitocina — diluição padrão5 UI em 500 mL de soro glicosado a 5% ou fisiológico a 0,9%5.000 mU ÷ 500 mL = 10 mU por mililitro
Ocitocina — dose inicial2 mU/min = 4 gotas/min = 12 mL/h em bomba de infusão2 mU/min ÷ 10 mU/mL = 0,2 mL/min = 12 mL/h; a 20 gotas por mililitro, 0,2 mL/min = 4 gotas/min
Ocitocina — incremento e tetoIncrementos de 1 a 2 mU/min a cada 30 a 40 minutos (nunca mais frequentes que 30 min); teto de 20 a 30 mU/min20 a 30 mU/min ÷ 10 mU/mL = 2 a 3 mL/min = 120 a 180 mL/h
Ocitocina — limite de volume e limiar de toxicidadeNão exceder 3 litros em 12 horas; 40 mU/min é a dose associada a intoxicação hídrica180 mL/h × 12 h = 2,16 L, dentro do teto. Já 40 mU/min são 240 mL/h — acima do teto recomendado
Taquissistolia6 ou mais contrações em 10 minutos, em dois períodos sucessivos de 10 minutos, ou em média durante 30 minutosHipertonia é outra coisa: contração única com duração superior a 2 minutos

O corte do Bishop muda com o documento e é a fonte mais comum de erro por leitura cruzada. O Manual de Gestação de Alto Risco de 2022 usa inferior a 6 para maturação e igual ou superior a 6 para ocitocina direta — o 6 fica do lado da ocitocina. As rotinas da Maternidade-Escola da UFRJ invertem o 6 (menor ou igual a 6 vai para maturação). O protocolo do CAISM da Unicamp indica preparo abaixo de 8. O da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand trabalha com 7. Enunciado que cita o Ministério da Saúde ou descreve serviço do SUS sem nomear protocolo local cobra o 6.

As faixas de esvaecimento da tabela de Bishop saltam de dezena em dezena e deixam 31% a 39%, 51% a 59% e 71% a 79% sem categoria escrita — artefato da tabela original de 1964, reproduzido tal e qual pelo Manual. Reproduções que trocam o "5 ou mais" da dilatação por "maior que 5" pioram o problema, deixando exatamente 5 cm sem pontuação. Total máximo do índice: 13 pontos (3 + 3 + 3 + 2 + 2).

Duas doses de misoprostol convivem em obstetrícia e não se misturam. Para INDUÇÃO com feto vivo, a dose é sempre de 25 mcg. As doses de 100, 200, 400 e 800 mcg pertencem ao esvaziamento uterino — abortamento e óbito fetal —, assunto de outro capítulo. E a orientação de "2 comprimidos de 25 mcg, sem passar de 50 mcg por vez", que circula colada à indução, está escrita no protocolo do Ministério dentro da seção de esvaziamento uterino do terceiro trimestre por óbito fetal; a seção de indução do parto com feto vivo, no mesmo documento, prescreve apenas 25 mcg a cada 6 horas.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Em que semana a indução deixa de ser oferta e passa a ser recomendação

Proposta de 41 0/7 a 41 6/7 e recomendada a partir de 42 — Ministério da Saúde, 2022

O texto é uma frase só, com dois verbos: as gestações no termo tardio e no pós-termo estão associadas a risco aumentado de morbidade e mortalidade perinatal, portanto a indução do parto deve ser proposta para pacientes entre 41 0/7 e 41 6/7 semanas, e é recomendada a partir de 42 semanas de gestação, na gravidez de risco habitual. O mesmo capítulo pede inclusão do casal na decisão, ponderando vantagens e desvantagens, e sustenta a espera com vigilância a partir das 40 semanas — mobilograma e propedêutica a cada dois ou três dias, com cardiotocografia e volume de líquido amniótico no mínimo.

Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco. Brasília, 2022, capítulo 9 (Gravidez prolongada), item 9.6.

Recomendada a partir de 41 0/7 — Organização Mundial da Saúde, 2022

A recomendação 1 afirma que a indução do parto é recomendada para mulheres que se sabe com certeza terem alcançado 41 semanas — 41 semanas e 0/7 dias ou mais — de gestação, com evidência de certeza moderada. A recomendação 2 completa pelo outro lado: a indução de rotina, para mulheres com gestações não complicadas, antes de 41 semanas, não é recomendada, com evidência de baixa certeza. As ressalvas que acompanham as duas insistem em dois pontos: a datação acurada da gestação é crítica, e as recomendações se aplicam a gestações não complicadas.

World Health Organization. WHO recommendations on induction of labour, at or beyond term. Genebra: OMS, 2022, recomendações 1 e 2.

Na prova

A diferença não é de evidência, é de verbo e de limiar: os dois documentos são de 2022 e leem a mesma revisão Cochrane, mas o brasileiro reserva a palavra "recomendada" para 42 semanas e usa "proposta" nas 41, enquanto a OMS já recomenda nas 41 completas. O enunciado costuma se entregar sozinho. Cenário de maternidade do SUS, menção ao Ministério da Saúde, ao Manual de Gestação de Alto Risco ou a pré-natal de alto risco puxa a régua brasileira, e a alternativa correta oferece a indução às 41 semanas em vez de impô-la, mantendo a expectante vigiada como opção legítima. Menção à Organização Mundial da Saúde, a recomendações internacionais ou a "41 semanas e 0/7 dias" escrito assim puxa a régua da OMS, e a alternativa correta indica a indução. Um distrator vale nos dois mundos: alternativa que induz de rotina uma gestação não complicada com 39 ou 40 semanas contraria explicitamente a OMS e não encontra apoio na lista brasileira de indicações — exceto na hipótese, muito específica, de conveniência após 39 semanas por partos rápidos somados a difícil acesso ao serviço ou condições psicossociais precárias.

Qual índice de Bishop separa o colo que precisa de preparo do colo que já aceita ocitocina

Corte em 6, com o 6 do lado da ocitocina — Ministério da Saúde, 2022

Quando a avaliação do colo indicar índice de Bishop inferior a 6, o colo não está maduro e necessita de preparo prévio antes da indução propriamente dita, com sonda de Foley ou misoprostol. Quando o colo estiver maduro, com Bishop superior ou igual a 6, a conduta é iniciar diretamente a ocitocina intravenosa. A partição é limpa: nenhum valor inteiro fica sem categoria.

Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco. Brasília, 2022, capítulo 75 (Indução do parto), item 75.3 e Tabela 1.

Corte em 6, com o 6 do lado da maturação — Maternidade-Escola da UFRJ

Índice menor ou igual a 6 indica amadurecimento cervical prévio à indução; índice maior que 6 indica indução com ocitocina; e índice maior que 8 significa probabilidade de parto vaginal semelhante à do trabalho de parto espontâneo. É o mesmo número do documento nacional com o 6 no lado oposto — a diferença só aparece na vinheta que traz exatamente Bishop 6.

Rotinas Assistenciais da Maternidade-Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro, protocolo de obstetrícia "Indução do parto".

Corte em 8 — CAISM da Unicamp; corte em 7 — Maternidade-Escola Assis Chateaubriand da UFC

O protocolo do CAISM indica preparo cervical quando o índice de Bishop é menor que 8, elevando bastante o número de gestantes que passam por maturação antes da ocitocina. O da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand categoriza o colo em desfavorável abaixo de 7 e favorável acima de 7 — e, ao descrever a inserção do balão intracervical, o mesmo documento escreve "Bishop < 6", de modo que o corte não é uniforme nem dentro dele.

Protocolo de preparo de colo e indução de parto do CAISM/Unicamp, atualização de setembro de 2020; protocolo PRO.UOBT-MEAC.032, versão 7, de dezembro de 2025, da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (UFC/Ebserh).

Na prova

A causa da divergência é de nível do documento, não de evidência: o Ministério publica um corte e cada maternidade escreve o seu, e todos circulam em apostila. Identifique o recorte pelo cenário. Enunciado que cita o Ministério da Saúde, o Manual de Gestação de Alto Risco, ou que descreve maternidade do SUS sem nomear protocolo local, cobra o corte de 6, com o 6 pertencendo ao lado da ocitocina. Enunciado que nomeia o serviço — CAISM, Maternidade-Escola, hospital universitário X — cobra o corte daquele serviço, e o número virá escrito no próprio enunciado. Existe um sinal de alerta que independe do corte adotado: alternativa que manda iniciar ocitocina com Bishop 3 ou 4, sem qualquer preparo cervical, está errada em todos os documentos, porque nenhum deles põe a fronteira abaixo de 6.

Asma é ou não é contraindicação ao misoprostol

Asma contraindica — Protocolo para Utilização de Misoprostol em Obstetrícia, Ministério da Saúde

A seção final do protocolo lista cinco contraindicações do uso de misoprostol: cesárea anterior, cirurgia uterina prévia, paciente asmática, uso concomitante com ocitocina e placenta prévia. É o mesmo documento que fixa, para a indução do parto com feto vivo, a dose de 25 mcg por via vaginal a cada 6 horas, com as tomadas durante o dia, às 7, 13 e 19 horas, repetindo no dia seguinte se não houver resultado.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolo para Utilização de Misoprostol em Obstetrícia. Brasília: Ministério da Saúde (edição de abril de 2014), seção de contraindicações.

Asma não contraindica — Manual de Gestação de Alto Risco, Ministério da Saúde, 2022

O Manual repete quatro das cinco contraindicações — cesárea anterior, cirurgia uterina prévia, uso concomitante com ocitocina e placenta prévia — e acrescenta a frase que resolve a quinta: o uso do misoprostol é permitido em pacientes asmáticas por ser análogo da prostaglandina E1.

Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco. Brasília, 2022, capítulo 75, item 75.4.3.

Asma não contraindica — protocolo da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (UFC/Ebserh), 2025

O protocolo abre a seção de misoprostol com a frase: não há evidência de contraindicação ao uso de prostaglandina E1 para mulheres com histórico de asma. Emitido em dezembro de 2025, é o mais recente dos três e converge com o Manual de 2022.

Protocolo PRO.UOBT-MEAC.032, versão 7, de 17 de dezembro de 2025, Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh, item 10.3.

Na prova

É uma divergência entre dois documentos do MESMO Ministério, separados por oito anos, e a alternativa errada é a que cita o mais antigo. O protocolo de misoprostol traz a asma numa lista de cinco contraindicações; o Manual de 2022 mantém quatro dessas cinco e retira exatamente a asma, com justificativa farmacológica escrita. Na prova: enunciado que descreva uma gestante asmática com indicação de indução e colo desfavorável está testando se o candidato sabe que o misoprostol continua na mesa — o distrator oferece balão "porque ela é asmática", quando o balão seria a escolha por outro motivo (cicatriz uterina) ou por preferência. Note também que a lista de contraindicações relativas do CAISM inclui asma, o que mostra que a versão antiga sobrevive em protocolos de serviço. Regra prática: com documento recente ou sem documento citado, asma não contraindica; com citação explícita ao protocolo de misoprostol do Ministério, a lista das cinco é a que vale.

06

Caso resolvido

Primigesta de 27 anos, sem comorbidades, pré-natal completo em unidade básica, com ultrassonografia de 10 semanas concordante com a data da última menstruação. Retorna com 41 semanas e 2 dias, assintomática, referindo movimentação fetal normal. PA 112 x 70 mmHg, altura uterina 36 cm, feto único, cefálico, dorso à esquerda, batimentos cardíacos fetais de 140 bpm, sem dinâmica uterina. Toque vaginal: colo posterior, firme, esvaecido em 30%, dilatação de 1 cm, apresentação em De Lee −2, bolsa íntegra. Peso fetal estimado de 3.400 g. Sem cirurgia uterina prévia. Cardiotocografia sem desacelerações e com boa variabilidade; índice de líquido amniótico normal.
achado
Datação confiável: ultrassonografia de 10 semanas, dentro da janela ideal de 9 a 12 semanas, concordante com a última menstruação. Sem isso, nada do que vem a seguir se sustenta — o Manual condiciona o diagnóstico de gravidez prolongada à datação confiável.
achado
41 semanas e 2 dias é termo TARDIO, não pós-termo. A definição de gravidez prolongada exige 42 semanas ou mais. Ainda assim, idade gestacional de 41 semanas ou mais é, no mesmo Manual, situação que deve ser avaliada em contexto hospitalar — a paciente não volta para casa com retorno em uma semana.
leitura
Índice de Bishop: posição posterior 0, consistência firme 0, esvaecimento 30% vale 0, dilatação 1 cm vale 1, De Lee −2 vale 1. Total de 2 pontos, em 13 possíveis. É colo francamente desfavorável, muito abaixo do corte nacional de 6 — não há como iniciar ocitocina agora.
conduta
Propor a indução ao casal, com vantagens e desvantagens na mesa: entre 41 0/7 e 41 6/7 semanas, o Manual manda propor, não impor, e a conduta expectante vigiada segue legítima se a mulher assim preferir, mantendo mobilograma e propedêutica a cada dois ou três dias, com cardiotocografia associada a perfil biofísico fetal como forma preferencial após 41 semanas.
conduta
Aceita a indução, o passo é maturação cervical, não ocitocina. Sem cesárea anterior e com membranas íntegras, valem o misoprostol vaginal de 25 mcg — 4/4 horas por até 24 horas, no total de 6 comprimidos, ou 6/6 horas por até 48 horas, no total de 8 —, a sonda de Foley nº 16 ou 18 com 60 mL, ou a combinação dos dois, que encurta o intervalo até o parto e reduz a hiperestimulação. Antes de começar, registrar em prontuário indicação, ausência de contraindicação, adequação pélvica, Bishop, estado das membranas, atividade uterina, idade gestacional e apresentação confirmadas, batimentos, cardiotocografia e peso fetal estimado.
conduta
Durante o misoprostol: pressão arterial, pulso e temperatura de rotina, observação da dinâmica uterina, atenção a náusea, vômito, dor abdominal e diarreia — que ocorrem em 10% a 30% —, e cardiotocografia por 20 minutos antes da dose, 30 minutos depois, antes do comprimido seguinte e por 60 minutos após qualquer taquissistolia. Interromper o misoprostol assim que houver contrações que caracterizem trabalho de parto. Alcançado o colo favorável, a ocitocina só entra 6 horas após a última dose.
armadilha
Nada aqui indica cesárea, e nada aqui pede Doppler. Alternativa que ofereça dopplervelocimetria ou amnioscopia "para avaliar a gestação prolongada" contraria duas exclusões explícitas do Manual. E alternativa que inicie ocitocina com Bishop 2, pulando a maturação, está errada em qualquer das réguas brasileiras — nenhuma delas põe a fronteira abaixo de 6.
07

Agora feche você

Secundigesta de 33 anos, uma cesariana segmentar transversa há quatro anos por apresentação pélvica, gestação atual sem intercorrências, datada por ultrassonografia de 11 semanas. Chega ao pronto-atendimento obstétrico com 41 semanas exatas relatando perda de líquido claro pela vagina há 3 horas, contínua, sem odor, e sem contrações. Ao exame especular, confirma-se saída de líquido amniótico claro pelo orifício externo. Temperatura axilar 36,4 °C, PA 118 x 76 mmHg, pulso 84 bpm, útero indolor, batimentos cardíacos fetais de 144 bpm, cardiotocografia sem desacelerações. Toque vaginal: colo posterior, amolecido, esvaecido em 40%, dilatação de 1 cm, apresentação cefálica em De Lee −2. A maternidade dispõe de misoprostol, sonda de Foley, ocitocina e centro cirúrgico em tempo integral.
achado
Índice de Bishop: posição posterior 0, consistência amolecida 2, esvaecimento 40% vale 1, dilatação 1 cm vale 1, De Lee −2 vale 1. Total de 5 pontos — abaixo do corte nacional de 6, portanto colo desfavorável, que exigiria preparo antes da indução propriamente dita.
achado
Dois dados do enunciado eliminam, cada um, um método diferente: a cesariana segmentar transversa prévia contraindica o misoprostol, e a rotura de membranas confirmada retira a sonda de Foley, que não é recomendada com bolsa rota.
conduta
08

Onde a banca derruba

  1. 1Chamar de pós-termo a gestante de 41 semanas Atrai porque 41 semanas já dispara conduta, e conduta parece implicar diagnóstico. Mas a classificação do Manual é explícita: 41 0/7 a 41 6/7 é termo tardio; pós-termo, e portanto gravidez prolongada, é 42 0/7 em diante. A gestante de 41 semanas e 3 dias tem indução PROPOSTA e é situação de avaliação hospitalar — sem preencher a definição de gravidez prolongada. Alternativa que junta o rótulo errado com a conduta certa continua errada.
  2. 2Usar misoprostol em quem tem cesárea anterior É o erro mais caro do tema, e o enunciado o prepara com capricho: colo desfavorável, Bishop baixo, indicação clara de induzir — e uma cesárea segmentar transversa mencionada de passagem na história obstétrica. O Manual lista cesárea anterior entre as contraindicações do misoprostol e, no fluxograma, retira o misoprostol das três linhas de quem tem cesariana prévia. Com membranas íntegras, o método é a sonda de Foley associada à ocitocina; com membranas rotas, resta a ocitocina. E cuidado com o degrau seguinte: duas ou mais cicatrizes segmentares transversas são contraindicação ABSOLUTA à indução, qualquer que seja o método.
  3. 3Colocar o balão em quem está com bolsa rota Atrai porque o balão é justamente o método seguro com cicatriz uterina, e a vinheta que reúne cesárea anterior e rotura de membranas parece pedi-lo. O Manual diz o contrário: a sonda de Foley é segura no preparo de colo nos casos com cesárea anterior, mas NÃO é recomendada quando houver ruptura de membranas — e deve ser removida se as membranas romperem durante o uso. Nessa combinação exata, não sobra método de maturação, e o fluxograma nacional manda ocitocina em baixa dose por no máximo 24 horas.
  4. 4Iniciar ocitocina logo depois do misoprostol, ou os dois juntos A pressa é compreensível — a paciente está internada há 24 horas e o colo finalmente amoleceu. A regra não cede: a ocitocina só pode ser iniciada 6 horas após a última dose de misoprostol, e o uso concomitante dos dois não é recomendado, porque eleva o risco de taquissistolia, de contrações mais intensas, de rotura uterina e de comprometimento da vitalidade fetal. O uso concomitante com ocitocina consta, aliás, como contraindicação formal do misoprostol na lista do Manual. A janela de 6 horas é farmacocinética: o misoprostol vaginal mantém níveis plasmáticos detectáveis por pelo menos 6 horas.
  5. 5Amadurecer o colo com ocitocina ou com amniotomia Soa razoável — os dois desencadeiam contrações, e contração dilata colo. O Manual fecha a porta com todas as letras: a amniotomia e a ocitocina não constituem métodos efetivos para a maturação cervical e não são indicados para essa finalidade; a infusão de ocitocina para preparo de colo tem efetividade limitada, exige tempo prolongado e doses altas e tem alta taxa de insucesso. A amniotomia também não se usa como método isolado de indução — seu lugar no fluxograma é ser considerada quando se atingiu a dose máxima de ocitocina.
  6. 6Contraindicar o misoprostol porque a paciente é asmática A alternativa soa erudita e vem de um documento real: o protocolo de misoprostol em obstetrícia do Ministério da Saúde lista "paciente asmática" entre as contraindicações. O Manual de Gestação de Alto Risco, de 2022, corrige a rota em uma frase: o uso do misoprostol é permitido em pacientes asmáticas, por ser análogo da prostaglandina E1 — a broncoconstrição é preocupação das prostaglandinas da série F, não da E1. Diante de vinheta que cita o documento mais recente ou não cita nenhum, asma não tira o misoprostol da mesa. As quatro contraindicações que ficam são cesárea anterior, cirurgia uterina prévia, uso concomitante com ocitocina e placenta prévia.
  7. 7Pedir Doppler ou amnioscopia por causa das 41 semanas Atrai porque o Doppler é o exame central da vigilância fetal em quase todo o resto da obstetrícia, e porque acrescentar exame parece cauteloso. Nesta indicação específica, o Manual exclui os dois: a dopplervelocimetria não mostra benefício na avaliação fetal das gestações prolongadas e não é recomendada, pela pouca utilidade em predizer complicações; e a amnioscopia não é recomendada, porque nenhuma associação foi demonstrada entre líquido amniótico colorido e resultado neonatal desfavorável nesse contexto. O que se pede é cardiotocografia com avaliação do volume de líquido amniótico — e, após 41 semanas, preferencialmente cardiotocografia associada a perfil biofísico fetal.
  8. 8Levar a dose do óbito fetal para a indução com feto vivo A confusão nasce da leitura corrida de um único documento. No protocolo do Ministério, a orientação de "se não houver resposta, 2 comprimidos de 25 mcg de 6 em 6 horas, até 4 doses, sem passar de 50 mcg por vez" está dentro da seção de esvaziamento uterino do terceiro trimestre por ÓBITO FETAL — e as três frases seguintes ainda pertencem a ela. A seção de indução do parto com feto vivo começa depois e prescreve apenas 25 mcg a cada 6 horas, preferencialmente durante o dia, repetindo no dia seguinte se não houver resultado. Na indução com feto vivo, a dose por vez é de 25 mcg em todos os documentos brasileiros — não existe escalonamento para 50 mcg.
  9. 9Indicar cesárea diante da primeira taquissistolia Parece a conduta segura, e a palavra hiperestimulação empurra nessa direção. A sequência padronizada vem antes: suspender o agente indutor, lateralizar a paciente, checar sinais vitais e avaliar oxigênio ou volume, manter cardiotocografia contínua e considerar terbutalina 0,25 mg subcutânea, cujo efeito ocorre em 5 a 15 minutos. Só se essas medidas não forem eficazes e a taquissistolia persistir é que se resolve a gravidez por via abdominal, idealmente em até 30 minutos. Taquissistolia que cede sem comprometimento fetal permite retomar a indução de acordo com o índice de Bishop.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Gestação que ultrapassa 41 semanas tem risco crescente de insuficiência placentária e óbito fetal; a conduta recomendada é a indução do trabalho de parto (correta). Aguardar mais 2 semanas expõe o feto a risco inaceitável. Cesariana eletiva não é indicada apenas pela idade gestacional, sem falha de indução ou contraindicação ao parto vaginal. Suspender o acompanhamento é inadequado em gestação de risco. Tocolítico prolongaria uma gestação que já deve ser resolvida.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Os números na ordem em que a questão os usa. Classificação: termo precoce 37 0/7 a 38 6/7; termo completo 39 0/7 a 40 6/7; termo tardio 41 0/7 a 41 6/7; pós-termo e gravidez prolongada a partir de 42 0/7. Incidência de gestações que chegam a 42 semanas: 0,5% a 10%. Óbito fetal: 1,48 vez às 41 semanas e 1,77 vez às 42, contra as 40. Vigilância a partir de 40 semanas, a cada 2 ou 3 dias, com mobilograma mais cardiotocografia e volume de líquido amniótico; cardiotocografia com perfil biofísico é a preferencial após 41 semanas; sem Doppler e sem amnioscopia. Indução PROPOSTA de 41 0/7 a 41 6/7 e RECOMENDADA a partir de 42 (Ministério da Saúde); recomendada já em 41 0/7 pela OMS. Bishop: 5 parâmetros, máximo de 13 pontos; menor que 6 pede maturação, 6 ou mais vai direto para ocitocina. Balão: sonda 16 ou 18, 60 mL, tração gentil a cada 3 horas, 12 a 24 horas; seguro com cesárea anterior, proibido com bolsa rota. Misoprostol: 25 mcg vaginais, 4/4 h até 6 comprimidos em 24 h ou 6/6 h até 8 comprimidos em 48 h; contraindicado com cesárea anterior, cirurgia uterina prévia, placenta prévia e uso junto com ocitocina; permitido em asmáticas. Ocitocina: 5 UI em 500 mL, início de 2 mU/min = 4 gotas/min = 12 mL/h, incrementos de 1 a 2 mU/min a cada 30 a 40 minutos, teto de 20 a 30 mU/min, máximo de 3 litros em 12 horas, e 40 mU/min é a dose de intoxicação hídrica. Intervalo mínimo entre o último misoprostol e a ocitocina: 6 horas. Taquissistolia: 6 ou mais contrações em 10 minutos, em dois períodos sucessivos ou em média em 30 minutos. Falha de indução: após 48 h de misoprostol, ocitocina por no máximo 12 horas.

em 30 dias

As decisões, não os números. Primeira: pós-termo é 42, mas a conduta muda em 41 — e o verbo muda junto, de propor para recomendar. Segunda: o índice de Bishop não escolhe se induzir, escolhe COMO induzir; abaixo de 6 a resposta nunca é ocitocina isolada. Terceira: duas informações escondidas na vinheta eliminam métodos inteiros — cicatriz uterina retira o misoprostol, bolsa rota retira o balão, e quem tem as duas fica só com a ocitocina, ainda que ela não amadureça colo. Quarta: a diferença entre relativo e absoluto nas contraindicações mora no número de cesáreas — uma cicatriz segmentar transversa é relativa, duas ou mais são absolutas, e a longitudinal é absoluta com uma só. Quinta: misoprostol e ocitocina nunca convivem, e entre o último comprimido e a bomba existem 6 horas de intervalo obrigatório. Sexta: diante de taquissistolia, a primeira medida é fechar a torneira, não abrir a barriga — a cesárea é o quinto passo, não o primeiro. Sétima: na indução com feto vivo a dose de misoprostol é sempre 25 mcg; qualquer número maior pertence a outro capítulo. Oitava: Doppler e amnioscopia são exclusões explícitas da gestação prolongada, e acrescentá-los por zelo é errar por excesso.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Primigesta de 29 anos, risco habitual, 41 semanas e 4 dias por ultrassonografia de primeiro trimestre, assintomática, com colo posterior, firme, 1 cm de dilatação e bolsa íntegra — ambulatório de pré-natal de uma maternidade do SUS, com a paciente decidindo entre induzir agora e esperar mais uma semana — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Gestação prolongada e indução do parto — Preparatório para provas | OsceLabs