Ginecologia e Obstetrícia › Parto e assistência ao nascimento
Trabalho de parto prematuro
A prova cobra quatro janelas de idade gestacional e uma escolha de droga: quem tocolisa, quem recebe corticoide, quem ganha sulfato de magnésio para neuroproteção e quem vai direto para a sala de parto.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Gestante de 25 anos, primigesta, com 33 semanas, é admitida na maternidade com contrações uterinas regulares há 3 horas (2 a 3 em 10 minutos, dolorosas). Ao exame: bom estado geral, PA normal, temperatura 36,7°C. Ao toque, colo com 2 cm de dilatação e 50% de apagamento, bolsa íntegra. Cardiotocografia com feto reativo, sem sinais de sofrimento. Ultrassonografia confirma feto único, apresentação cefálica, líquido normal. Não há sangramento nem perda de líquido. Diante do trabalho de parto prematuro em curso, além da tocólise, a medida mais importante para reduzir a morbimortalidade neonatal é:
Como esse tema cai
Prematuridade é tema de conduta cronometrada. A banca entrega uma gestante com contrações, informa a idade gestacional com precisão de dias — e é nela que mora a questão. Cada intervenção tem uma janela própria: tocólise e corticoide de 24 até 34 semanas, sulfato de magnésio para neuroproteção só até 31 semanas e 6 dias, e a partir de 34 semanas o certo passa a ser não inibir nada e assistir ao parto. Quem decora as quatro janelas resolve a maioria das questões antes de ler as alternativas.
O segundo alvo é a escolha da droga. Nifedipina por via oral é a primeira escolha nacional para tocólise, e as alternativas errarão de propósito na via (sublingual), na duração (manutenção além de 48 horas) e nas contraindicações (indometacina depois de 32 semanas, betamimético em cardiopata). O terceiro alvo é a prevenção: colo curto no ultrassom morfológico, progesterona vaginal, cerclagem — cada um com sua indicação, e a banca adora oferecer cerclagem para quem só tem indicação de progesterona.
Este capítulo cobre o trabalho de parto prematuro com bolsa íntegra. A rotura prematura de membranas tem capítulo próprio nesta apostila — aqui ela aparece apenas onde muda a decisão: bolsa rota afasta a elegibilidade para tocólise.
O que muda decisão
O problema e as três portas de entrada da prematuridade
Parto pré-termo é o que ocorre até 36 semanas e 6 dias, excluído o período de abortamento — na régua brasileira, a partir de 22 semanas. No Brasil, cerca de 11% dos nascimentos são prematuros, e as complicações da prematuridade são a maior causa de morte neonatal. O Manual de Gestação de Alto Risco (2022) divide o problema em três portas de entrada: o trabalho de parto prematuro espontâneo com bolsa íntegra, a rotura prematura pré-termo das membranas e a prematuridade terapêutica, quando uma doença materna ou fetal obriga a antecipar o parto (pré-eclâmpsia grave é o exemplo clássico). O protocolo da SES-DF atribui ao trabalho de parto prematuro 75% dos nascimentos antes de 37 semanas.
O fator de risco que mais pesa é o antecedente de parto pré-termo espontâneo — é a pergunta obrigatória do pré-natal. Ao redor dele orbitam intervalo entre partos menor que 18 meses, baixo índice de massa corporal, anemia, sangramento vaginal no início da gestação, polidrâmnio, gemelaridade, tabagismo, etilismo e outras substâncias, estresse e depressão, malformações uterinas, conização prévia, doença periodontal, vaginose bacteriana, bacteriúria assintomática e infecção urinária, incluindo pielonefrite. Note o padrão: boa parte é infecção tratável — é por isso que rastrear e tratar bacteriúria assintomática na gestação é conduta de prova.
O quadro sindrômico não tem causa única, e isso explica por que a tocólise não reduz a taxa de parto prematuro nem a mortalidade neonatal: ela não trata causa nenhuma. O que ela faz — e é assim que a prova cobra — é comprar 48 horas para o corticoide agir e para transferir a gestante a um serviço com UTI neonatal.
Prevenção: colo curto, progesterona e cerclagem
A ferramenta de predição consagrada é a medida do colo uterino por ultrassonografia transvaginal. Nas gestantes de maior risco (antecedente de parto pré-termo, principalmente), a medida pode começar já às 16 semanas e ser seriada até 24; nas demais, quando disponível, é feita entre 19 e 24 semanas, junto do morfológico de segundo trimestre. Colo de 25 mm ou menos indica risco aumentado — e quanto mais curto, maior o risco.
Encontrou colo curto: progesterona natural micronizada por via vaginal, 200 mg à noite, do diagnóstico até 36 semanas e 6 dias — é a conduta do Manual de Gestação de Alto Risco. Quem tem antecedente de parto pré-termo espontâneo começa progesterona mais cedo, a partir de 16 semanas, na mesma dose, independentemente da medida do colo. A cerclagem não é resposta para colo curto isolado: ela entra quando o quadro é de insuficiência istmocervical — tipicamente perdas de segundo trimestre indolores e repetidas, ou colo que dilata sem contração — a juízo da equipe que acompanha. O pessário não tem papel estabelecido, e repouso no leito não previne parto prematuro; só aumenta risco tromboembólico.
Duas condutas de pré-natal completam a prevenção: tratar as infecções que aparecerem (urinárias e genitais) e suspender o tabagismo. Fibronectina fetal não faz parte da rotina do SUS e não aparece nos documentos brasileiros como critério de conduta.

Diagnóstico: contrações persistentes com colo mudando
O diagnóstico é clínico e exige as duas pernas: contração e modificação cervical. O Manual de Gestação de Alto Risco define trabalho de parto prematuro como contrações uterinas associadas a modificação do colo — amolecimento, esvaecimento e dilatação — sem fixar número; o corte operacional que os protocolos brasileiros adotam, citando o ACOG, é o do protocolo da SES-DF: pelo menos 4 contrações em 20 minutos ou 8 em 60 minutos, com dilatação cervical de pelo menos 1 cm e esvaecimento presente. Contração sem colo mudando não fecha o diagnóstico: interne para observação, reavalie a queixa e repita o toque. O falso trabalho de parto prematuro existe, é frequente, e a paciente dispensada sai com orientação clara de quando voltar — tocolisar contração de Braxton Hicks é expor uma gestante a droga sem indicação.
Antes de inibir, pergunte por que o útero está contraindo. O descolamento prematuro de placenta em fase inicial pode se apresentar só com contrações, sem sangramento visível; a corioamnionite pode ser subclínica; apendicite, litíase urinária e pielonefrite doem em cólica e irritam o útero. Investigue também perda de líquido — parte dos casos é rotura prematura de membranas que chega rotulada de trabalho de parto. Avalie a vitalidade fetal (ausculta e, sempre que possível, cardiotocografia) e peça na entrada: hemograma, urina tipo 1 com urocultura, swab vaginal e retal para estreptococo do grupo B e ultrassonografia quando disponível.
O exame especular faz parte da entrada: procura perda de líquido, sangramento e vulvovaginite. É esse conjunto — e não um exame isolado — que separa quem recebe o pacote terapêutico de quem recebe observação.
Corticoterapia antenatal: a intervenção que muda desfecho
De tudo o que se faz no trabalho de parto prematuro, o corticoide é o que reduz morte: acelera a maturação pulmonar, reduz síndrome do desconforto respiratório, hemorragia peri-intraventricular e enterocolite necrosante. A janela brasileira de uso rotineiro vai de 24 a 34 semanas incompletas; fora dela, o Manual de Gestação de Alto Risco manda particularizar por serviço. O esquema consagrado é betametasona 12 mg intramuscular, 2 doses com intervalo de 24 horas. A alternativa é a dexametasona 6 mg intramuscular de 12 em 12 horas, 4 doses — esquema dos ensaios clínicos, da OMS e do protocolo da SES-DF; o quadro do manual do MS destoa nesse ponto, e a diferença está esmiuçada no bloco de divergências. Exigência comum a qualquer esquema: não pode haver evidência clínica de infecção intra-amniótica.
O tempo importa mais que a dose: o efeito máximo acontece quando o parto ocorre entre 2 e 7 dias depois da primeira dose; já há algum benefício após 24 horas, e o efeito declina passados 7 dias. Por isso o ciclo não se repete por rotina. Se o episódio foi inibido e semanas depois vem novo trabalho de parto prematuro, admite-se um único ciclo de resgate — desde que a idade gestacional continue abaixo de 34 semanas e a última dose tenha sido dada há mais de 7 a 14 dias. Ciclos adicionais trazem prejuízo ao concepto, e corticoide semanal profilático é erro clássico de alternativa.
A OMS, em 2022, acrescentou condições de bom senso que valem para prova discursiva: usar corticoide quando a idade gestacional é conhecida com confiança, o parto pré-termo é considerado iminente, não há infecção materna e existe cuidado neonatal minimamente adequado do outro lado.
Tocólise: comprar 48 horas, não tratar doença
A tocólise adia o parto por pelo menos 48 horas — possivelmente até 7 dias — e é só isso que ela faz: não reduz a taxa de parto pré-termo, a mortalidade nem a morbidade neonatal. Vale a pena porque 48 horas bastam para o corticoide agir e para transferir a gestante. É elegível quem tem bolsa íntegra, dilatação de até 4 a 5 cm e idade gestacional entre 24 e 34 semanas — com melhores resultados abaixo de 4 cm. É contraindicada quando manter a gestação é pior que o parto: morte fetal, anomalia fetal letal, vitalidade fetal alterada, pré-eclâmpsia com achados graves ou eclâmpsia, hemorragia com instabilidade hemodinâmica (descolamento prematuro de placenta, placenta prévia sangrante), corioamnionite e cardiopatia materna grave. O protocolo da SES-DF acrescenta à lista a rotura de membranas, o diabetes insulinodependente descompensado, o hipertireoidismo descompensado e a anemia falciforme.
Nifedipina é a primeira escolha — uso off label, por via oral, comprimido engolido inteiro, nunca sublingual. O Manual de Gestação de Alto Risco traz dois esquemas; o mais cobrado: ataque de 10 mg via oral, repetido a cada 20 minutos na primeira hora se as contrações persistirem (até 30 mg; o protocolo do DF admite ataque acumulado de 40 mg), seguido de manutenção de 20 mg de 8 em 8 horas por 48 horas. Efeitos comuns são rubor facial, cefaleia, náusea e hipotensão leve; evite em cardiopatas, hepatopatas e hipotensas, e redobre a vigilância em hipertensas já medicadas. Combinada ao sulfato de magnésio, pode potencializar bloqueio neuromuscular e hipotensão — a associação não é proibida, mas exige monitorização rigorosa.
As alternativas: atosibana, antagonista do receptor de ocitocina, é a droga de melhor tolerabilidade e dose mais bem padronizada — bolus intravenoso de 6,75 mg em 1 minuto, infusão de 18 mg/h por 3 horas e depois 6 mg/h por até 45 horas — mas o custo muito superior limita o uso no SUS. Indometacina (ataque de 50 mg via oral ou 100 mg retal, depois 25 mg de 4 em 4 a 6 em 6 horas, máximo de 48 horas) é opção apenas antes de 32 semanas: constringe o canal arterial e causa oligoâmnio, e fica proibida a partir de 32 semanas e em fetos com oligoâmnio ou restrição de crescimento. Terbutalina intravenosa, o betamimético clássico, é cada vez menos usada como primeira escolha pelos efeitos adversos — palpitação, tremor, hiperglicemia, hipopotassemia, taquiarritmia e até edema agudo de pulmão — e exige frequência cardíaca materna abaixo de 120 por minuto durante a infusão.
Três regras fecham o tema e derrubam candidato: falhou o ataque, troque de classe — nunca associe dois tocolíticos; não existe tocólise de manutenção depois das 48 horas, por nenhuma via; e episódio inibido não vira alta imediata — o protocolo do DF dá alta após 24 horas sem contrações com corticoterapia completa, com orientação de mobilograma e sinais de retorno.
Sulfato de magnésio para neuroproteção e profilaxia do estreptococo B
Abaixo de 32 semanas — na letra dos documentos brasileiros, até 31 semanas e 6 dias — o feto prestes a nascer deve receber sulfato de magnésio pela mãe: reduz paralisia cerebral. A indicação liga quando o parto é considerado de alta probabilidade nas próximas 24 horas (tocólise contraindicada, falha de inibição ou prematuridade terapêutica em preparação). O esquema é o mesmo Zuspan que o capítulo de eclâmpsia desta série usa: ataque de 4 g intravenosos em 20 a 30 minutos e manutenção de 1 g por hora até o parto ou por no máximo 24 horas — se o parto não vier em 24 horas, suspende-se. Na prematuridade terapêutica programada, inicia-se cerca de 4 horas antes do nascimento. O que muda em relação à eclâmpsia não é a dose, é a indicação e o teto de 24 horas. Vigilância: diurese, reflexo patelar, frequência respiratória e pressão arterial; miastenia gravis contraindica; gluconato de cálcio a 10% fica preparado para intoxicação.
A segunda profilaxia do parto prematuro é antibiótica, e o alvo é a sepse neonatal precoce por estreptococo do grupo B. Na entrada do trabalho de parto prematuro colhe-se o swab vaginal e retal e já se inicia o antibiótico enquanto se aguarda o resultado — prematuro com status desconhecido é indicação de profilaxia. Se o trabalho de parto evolui, o antibiótico vai até o nascimento; se a tocólise funciona ou a cultura vem negativa, suspende-se. Esquemas do protocolo da SES-DF: penicilina G cristalina 5 milhões de unidades intravenosas de ataque, depois 2,5 milhões de 4 em 4 horas; alternativa com ampicilina 2 g e depois 1 g de 6 em 6 horas; nas alérgicas, clindamicina 900 mg de 8 em 8 horas.
Atenção ao que o antibiótico não faz: com bolsa íntegra, ele não prolonga a gestação nem trata o trabalho de parto prematuro. Antibiótico aqui é profilaxia intraparto dirigida ao estreptococo B — não é tocolítico adjuvante.
O parto prematuro em si e a periviabilidade
Prematuridade, por si, não indica cesariana. Em apresentação cefálica fletida o parto vaginal está liberado, com vigilância contínua do bem-estar fetal, parcimônia com ocitocina e analgésicos sistêmicos, membranas preservadas o maior tempo possível, desprendimento lento e sem episiotomia de rotina. Fórcipe só a partir de 34 semanas, havendo indicação e experiência. A cesariana concentra-se nas apresentações anômalas — o protocolo do DF a indica em situação transversa, apresentação pélvica, cefálica defletida, peso fetal estimado abaixo de 1.500 g e síndromes hemorrágicas — e é tecnicamente mais difícil no pré-termo: o segmento inferior mal formado aumenta o risco de incisão vertical, com consequências para as gestações futuras.
Na sala: temperatura entre 23 e 26 °C, equipe neonatal presente e clampeamento tardio do cordão — pelo menos 1 a 3 minutos — se o recém-nascido estiver em boas condições.
Entre 22 e 23 semanas e 6 dias está a periviabilidade, onde a régua muda de natureza. O Manual de Gestação de Alto Risco manda individualizar e decidir junto com a família. O protocolo da SES-DF operacionaliza: interna e tenta tocólise nessa faixa, mas reserva corticoide, sulfato de magnésio e antibioticoprofilaxia para 24 semanas em diante, pelo mau prognóstico fetal abaixo disso. Questão que informa 23 semanas e pergunta por corticoide de rotina está testando exatamente essa fronteira.
A conduta pela idade gestacional
O manejo inteiro cabe em uma pergunta: quantas semanas? Quatro intervenções — tocólise, corticoide, sulfato de magnésio e profilaxia do estreptococo B — entram e saem de cena conforme a faixa. O fluxo dá a ordem dos passos; os cards, o pacote de cada faixa; as tabelas, as doses que a prova pede.
- 1Feche o diagnóstico: 4 contrações em 20 minutos (ou 8 em 60) com colo dilatado pelo menos 1 cm e esvaecendo. Colo sem mudança = observação e reexame, não tocólise.
- 2Pergunte por que o útero contrai: afaste descolamento de placenta, corioamnionite, pielonefrite e rotura de membranas antes de decidir segurar a gestação.
- 3Colha na entrada: hemograma, urina tipo 1 com urocultura, swab vaginal e retal para estreptococo do grupo B; cardiotocografia e ultrassonografia quando disponíveis.
- 4Cheque contraindicações à tocólise: vitalidade fetal alterada, pré-eclâmpsia com achados graves, sangramento com instabilidade, infecção intra-amniótica, bolsa rota, cardiopatia grave — nesses, conduza a causa e prepare o parto.
- 5Monte o pacote da faixa (cards): tocólise + corticoide de 24 a 33 semanas e 6 dias; sulfato de magnésio somente até 31 semanas e 6 dias; a partir de 34 semanas, assistência ao parto.
- 6Prescreveu nifedipina: reavalie na primeira hora; persistindo contrações após o ataque máximo, é falha — troque de classe, nunca associe. Limite de 48 horas, sem manutenção.
- 7Parto inevitável: penicilina cristalina correndo se cultura desconhecida ou positiva, sulfato de magnésio se abaixo de 32 semanas, equipe neonatal avisada, sala a 23–26 °C e clampeamento tardio se o recém-nascido nascer bem.
22 a 23 sem + 6 d — periviabilidade
Decisão compartilhada com a família. O protocolo do DF interna e tenta tocólise, mas corticoide, sulfato de magnésio e antibiótico ficam reservados para 24 semanas em diante, pelo prognóstico fetal reservado.
24 a 31 sem + 6 d — pacote completo
Internação, tocólise (nifedipina), corticoide (betametasona 12 mg IM, 2 doses), sulfato de magnésio se o parto ficar iminente e profilaxia do estreptococo B enquanto houver risco de nascimento.
32 a 33 sem + 6 d — sem o sulfato
Tocólise e corticoide seguem indicados; o sulfato de magnésio sai do pacote (janela de neuroproteção fechou em 31 semanas e 6 dias). Indometacina também já saiu: proibida a partir de 32 semanas.
34 sem ou mais — assistir ao parto
Tocólise contraindicada. Fase latente com bolsa íntegra pode receber alta orientada; fase ativa interna para assistência, com profilaxia do estreptococo B se status desconhecido ou positivo. Corticoide fora de rotina no SUS nessa faixa.
| Tocolítico | Esquema | O que trava o uso |
|---|---|---|
| Nifedipina — 1ª escolha (off label) | Ataque 10 mg VO; repetir a cada 20 min na 1ª hora se persistirem contrações (máx. 30 mg pelo MS; o DF admite 40 mg). Manutenção 20 mg VO 8/8 h por 48 h. Engolir inteiro; nunca sublingual. | Cardiopatia, disfunção hepática, hipotensão; vigiar de perto em hipertensas medicadas; com sulfato de magnésio, risco de bloqueio neuromuscular e hipotensão — monitorização rigorosa. |
| Atosibana (antagonista de ocitocina) | Bolus IV 6,75 mg em 1 min → 18 mg/h por 3 h → 6 mg/h por até 45 h. | Sem contraindicação própria além das gerais da tocólise; o custo muito superior restringe o uso no SUS. |
| Indometacina (inibidor de prostaglandina) | Ataque 50 mg VO ou 100 mg retal; depois 25 mg VO 4/4 a 6/6 h; máximo 48 h. | Proibida com 32 semanas ou mais, no oligoâmnio e na restrição de crescimento: constrição do canal arterial e oligoâmnio. |
| Terbutalina / salbutamol (betamimético IV) | Infusão contínua em bomba, titulada a cada 20–30 min até inibição; desmame após 12 h sem contrações; máximo 48 h. | Cardiopatia, taquiarritmia, hipertireoidismo e diabetes descompensados; FC materna deve ficar < 120 bpm; edema agudo de pulmão é o efeito temido. |
Corticoide e sulfato de magnésio — esquemas e janelas
| Intervenção | Esquema | Janela e regra |
|---|---|---|
| Betametasona (preferida) | 12 mg IM, 2 doses com intervalo de 24 h. | 24 a 34 semanas incompletas; sem infecção intra-amniótica; efeito máximo com parto 2 a 7 dias após a 1ª dose. |
| Dexametasona (alternativa) | 6 mg IM de 12/12 h, 4 doses — esquema dos ensaios, da OMS e da SES-DF (o quadro do manual do MS de 2022 imprime 6 mg a cada 24 h; ver divergências). | Mesma janela e mesmas condições da betametasona. |
| Ciclo de resgate | Repetir um único ciclo completo. | Só se idade gestacional ainda < 34 semanas e última dose há mais de 7 a 14 dias; nunca ciclos seriados. |
| Sulfato de magnésio (neuroproteção) | Ataque 4 g IV em 20–30 min; manutenção 1 g/h até o parto ou por no máximo 24 h. | Até 31 semanas e 6 dias, com parto de alta probabilidade em 24 h; monitorar diurese, reflexo patelar e frequência respiratória; contraindicado na miastenia gravis; gluconato de cálcio à mão. |
Falha do ataque tocolítico = trocar de classe. Associar tocolíticos soma efeito adverso, não eficácia.
Tocólise de manutenção após as 48 horas não melhora desfecho por nenhuma via — nem oral.
Bolsa rota tira a paciente da elegibilidade para tocólise; o manejo passa a ser o do capítulo de rotura prematura de membranas.
Antibiótico com bolsa íntegra não prolonga gestação: aqui ele é só profilaxia intraparto do estreptococo B.
Se a tocólise inibiu e a cultura veio negativa, o antibiótico é suspenso; alta após 24 horas sem contrações com corticoterapia completa.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
SMFM/ACOG (EUA, 2016–2021): ciclo único possível
Após o ensaio ALPS (2016), a SMFM (Consult Series nº 58, 2021) e o ACOG admitem um ciclo único de betametasona entre 34 e 36 semanas e 6 dias quando o parto é esperado em até 7 dias e não houve ciclo prévio — sem tocolisar para completar o esquema. O preço conhecido é mais hipoglicemia neonatal.
SMFM Consult Series nº 58, Am J Obstet Gynecol, 2021 (substitui a Statement nº 4); ensaio ALPS, 2016
OMS (2022): restringir a menos de 34 semanas
A diretriz de 2022 recomenda corticoide apenas antes de 34 semanas: acima disso o benefício respiratório é modesto e a hipoglicemia neonatal pesa contra, especialmente onde a vigilância glicêmica do recém-nascido não é garantida.
WHO recommendations on antenatal corticosteroids, 2022
Ministério da Saúde (2022): rotina até 34, fora disso cada serviço decide
O Manual de Gestação de Alto Risco estimula o uso entre 24 e 34 semanas e, fora dessa faixa, manda particularizar conforme as características de cada serviço — texto que acomoda tanto a leitura restritiva quanto a seleção de casos no pré-termo tardio.
Manual de Gestação de Alto Risco, MS, 2022, cap. 6
Na prova
O cenário denuncia o recorte: maternidade americana, enunciado citando ALPS ou SMFM e parto tardio iminente apontam para o mundo em que 34–36 semanas ainda recebe betametasona; UBS, SUS, enunciado citando OMS ou o manual do MS apontam para a janela fechando em 34. Distrator típico: oferecer corticoide de rotina a 35 semanas numa questão inteira ambientada no SUS — ou negá-lo taxativamente numa questão que nomeia a SMFM.
SES-DF (2018) e OMS/ensaios: 6 mg IM 12/12 h, 4 doses
O esquema testado nos ensaios que sustentam a corticoterapia antenatal soma 24 mg em 48 horas: 6 mg intramusculares de 12 em 12 horas, 4 doses. É o que consta no protocolo da SES-DF (dexametasona como segunda escolha) e nos documentos internacionais.
Protocolo SES-DF, Portaria nº 1.356/2018; WHO recommendations on antenatal corticosteroids, 2022
Quadro do manual do MS (2022): 6 mg IM a cada 24 h por 2 dias
O Quadro 1 do capítulo de prematuridade imprime, literalmente, dexametasona 6 mg IM a cada 24 horas por 2 dias — metade da dose total dos ensaios. A própria bibliografia do capítulo cita a revisão Cochrane cujos estudos usaram o esquema de 12 em 12 horas, o que sugere tratar-se de redação destoante do quadro, e não de uma recomendação deliberada de dose menor; o texto oficial, porém, é o que está impresso.
Manual de Gestação de Alto Risco, MS, 2022, cap. 6, Quadro 1
Na prova
Alternativa com dexametasona 6 mg de 12 em 12 horas em 4 doses reflete o esquema dos ensaios, da OMS e dos protocolos estaduais; um intervalo de 24 horas para a dexametasona só existe no quadro do manual federal de 2022. Como a betametasona 12 mg de 24 em 24 horas em 2 doses é idêntica em todos os documentos, ela costuma ser o terreno seguro que as bancas escolhem para cobrar esquema.
Ministério da Saúde (2022): 200 mg para todos os cenários, e começando cedo
Progesterona natural micronizada vaginal 200 mg à noite: no colo curto (≤ 25 mm), do diagnóstico até 36 semanas e 6 dias; no antecedente de parto pré-termo, desde 16 semanas, independentemente da medida do colo, com colo seriado de 16 a 24 semanas.
Manual de Gestação de Alto Risco, MS, 2022, cap. 6
SES-DF (2018): 100 mg no antecedente, e janela de 24 a 33+6
O protocolo distrital, anterior ao manual federal, prescreve 100 mg diários de 24 a 33 semanas e 6 dias para quem tem antecedente de parto prematuro, reservando 200 mg (mesma janela) para colo ≤ 25 mm medido entre 20 e 25 semanas. A diferença reflete a literatura da época da portaria; o documento federal é quatro anos mais novo e alinhado às recomendações internacionais de 2021.
Protocolo SES-DF, Portaria nº 1.356/2018
Na prova
Questão de prova nacional ambientada no pré-natal tende a seguir o documento federal vigente — 200 mg começando às 16 semanas no antecedente, ou ao diagnóstico do colo curto. Dose de 100 mg ou janela começando às 24 semanas nas alternativas identifica enunciado construído sobre protocolo local mais antigo; a menção nominal ao protocolo ou ao ano entrega qual régua a banca usou.
Caso resolvido
- diagnóstico
- Contrações persistentes (4 em 20 minutos) com colo modificado (2 cm, 80% de esvaecimento) fecham trabalho de parto prematuro verdadeiro em gestação de 29 semanas — dentro da faixa 24 a 31+6, a do pacote completo. Sem febre, sem sangramento, com CTG categoria I: nenhuma contraindicação à tocólise à vista.
- conduta imediata
- Internação. Nifedipina 10 mg via oral, repetível a cada 20 minutos na primeira hora se as contrações persistirem; betametasona 12 mg intramuscular agora e a segunda dose em 24 horas; swab vaginal e retal para estreptococo do grupo B colhido na entrada, com penicilina cristalina iniciada enquanto se aguarda o resultado, já que o parto pode evoluir.
- evolução
- Após 30 mg acumulados de nifedipina, mantém 4 contrações em 20 minutos e o colo vai a 4 cm: falha do ataque. Troca-se de classe (atosibana, se disponível; sem ela, betamimético IV se não houver contraindicação) — nunca se associa o segundo tocolítico ao primeiro.
- neuroproteção
- Com o parto agora provável nas próximas horas e idade gestacional abaixo de 32 semanas, inicia-se sulfato de magnésio: 4 g IV em 20 a 30 minutos e manutenção de 1 g/h até o parto (máximo 24 horas), monitorando reflexo patelar, diurese e frequência respiratória. A penicilina segue até o nascimento.
- desfecho
- Parto vaginal cefálico com equipe neonatal presente, sala aquecida a 23–26 °C e clampeamento do cordão após 1 a 3 minutos, com o recém-nascido em boas condições. O corticoide dado à admissão já tinha mais de 24 horas — tempo suficiente para algum benefício pulmonar.
Agora feche você
- achado
- Trabalho de parto em fase ativa (colo 5 cm, dinâmica ativa) em gestação de 35 semanas — pré-termo tardio, acima da janela de tocólise, com status desconhecido para estreptococo do grupo B.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Tocolisar depois das 34 semanas Atrai porque inibir parece sempre protetor. Mas a partir de 34 semanas a morbidade neonatal despenca e a tocólise vira risco sem benefício — os documentos brasileiros a contraindicam. A vinheta de 35 semanas com dinâmica ativa pede assistência ao parto, não nifedipina.
- 2Sulfato de magnésio até 34 semanas A cabeça funde as janelas do corticoide (até 34) e da neuroproteção (até 31 semanas e 6 dias). Com 32 ou 33 semanas há tocólise e corticoide — mas não sulfato. O contrário também cai: negar neuroproteção a um parto iminente de 28 semanas porque a paciente não tem pré-eclâmpsia.
- 3Manter tocólise além das 48 horas ou repetir corticoide toda semana As duas manutenções parecem zelo e são erro. Tocólise de manutenção não muda desfecho por nenhuma via; corticoide se repete uma única vez (resgate), só abaixo de 34 semanas e com mais de 7 a 14 dias da última dose — ciclos seriados prejudicam o concepto.
- 4Indometacina com 32 semanas ou mais O distrator explora quem decorou a droga mas não a trava: a partir de 32 semanas a constrição do canal arterial e o oligoâmnio proíbem o inibidor de prostaglandina. Oligoâmnio prévio e restrição de crescimento também o vetam, em qualquer idade gestacional.
- 5Nifedipina sublingual, ou sem olhar o resto da prescrição Sublingual despenca a pressão e está proscrita — o comprimido é engolido inteiro. E a nifedipina exige ler o contexto: cardiopatia, hepatopatia e hipotensão contraindicam; junto do sulfato de magnésio, o risco de bloqueio neuromuscular e hipotensão exige monitorização rigorosa.
- 6Inibir um útero que está avisando outra doença Contração é sintoma antes de ser diagnóstico: descolamento de placenta inicial pode não sangrar para fora, corioamnionite pode ser subclínica e pielonefrite irrita o útero. Tocolisar sem afastar as causas trata o alarme e deixa o incêndio — e é exatamente o cenário que a banca monta para punir a tocólise reflexa.
No trabalho de parto prematuro entre 24 e 34 semanas, a intervenção que mais reduz morbimortalidade neonatal (síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular, enterocolite) é a corticoterapia antenatal para maturação pulmonar. A tocólise apenas ganha tempo para o corticoide agir. A antibioticoprofilaxia para estreptococo do grupo B se dá no parto conforme protocolo, não como principal medida. A cesariana não está indicada com feto em bem-estar e cefálico. O sulfato de magnésio é usado para neuroproteção fetal (<32 semanas), não como tocolítico primário, e não substitui o corticoide.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Gestante de 26 semanas é admitida em trabalho de parto prematuro, com dilatação cervical de 3 cm e contrações regulares, sem sinais de corioamnionite ou sofrimento fetal. A tocólise é iniciada. O obstetra aciona a equipe de neonatologia para discutir medidas de redução da morbimortalidade respiratória do recém-nascido prematuro. Qual é a intervenção antenatal com maior impacto na prevenção da doença da membrana hialina neste caso?
Correta: o corticoide antenatal (betametasona ou dexametasona) administrado à gestante entre 24 e 34 semanas em risco de parto prematuro é a intervenção de maior impacto comprovado na redução da incidência e da gravidade da DMH, além de reduzir hemorragia intraventricular, enterocolite necrosante e mortalidade neonatal, por acelerar a maturação pulmonar e a produção de surfactante endógeno. Surfactante é terapia neonatal endotraqueal; não existe uso materno intravenoso. A profilaxia intraparto para GBS previne sepse/pneumonia neonatal precoce, não a DMH. O sulfato de magnésio tem indicação de neuroproteção fetal (reduz paralisia cerebral), sem efeito sobre a maturação pulmonar. A progesterona é usada na prevenção do parto prematuro em gestações selecionadas, mas não é a medida antenatal de maior impacto sobre a DMH neste cenário de trabalho de parto já instalado.
Gestante, 27 anos, G2P1, com 30 semanas de gestação por data da última menstruação confiável, procura a maternidade referindo contrações uterinas dolorosas e regulares há 3 horas. Ao exame: dinâmica uterina de 3 contrações em 10 minutos, colo com 2 cm de dilatação e 60% de esvaecimento. Batimentos cardíacos fetais 145 bpm. Não há sangramento nem perda de líquido. Ecografia recente confirma feto único, adequado para a idade gestacional, com bolsa íntegra. Além de iniciar tocólise, qual medida com maior impacto na redução da morbimortalidade neonatal deve ser instituída neste momento? Qual a conduta indicada?
Correta: em trabalho de parto prematuro entre 24 e 34 semanas, a corticoterapia antenatal (betametasona ou dexametasona) é a intervenção com maior impacto na redução da morbimortalidade neonatal, reduzindo síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante. A gestante de 30 semanas com TPP se enquadra perfeitamente. Erra: não há indicação de antibioticoprofilaxia empírica sem RPMO ou rastreio de estreptococo do grupo B positivo neste cenário (bolsa íntegra). Erra: a cesariana de urgência não está indicada — o objetivo é justamente prolongar a gestação para ganhar tempo do corticoide, não abreviar o parto. Erra: a amniocentese para maturidade pulmonar não altera a conduta e está em desuso; a decisão de corticoide não depende dela. Erra: transfusão intrauterina de imunoglobulina não tem qualquer papel no TPP.
Primigesta, 24 anos, com 29 semanas de gestação, chega ao pronto-socorro obstétrico com queixa de contrações há 2 horas. Ao toque: colo com 1 cm, esvaecimento de 40%, sem sangramento ou perda líquida. A cardiotocografia mostra padrão tranquilizador. A equipe deseja iniciar tocólise para permitir o ciclo completo de corticoterapia antenatal. A paciente tem antecedente de crise de asma há 1 mês, em uso irregular de broncodilatador, e refere palpitações frequentes. A pressão arterial é 108/70 mmHg e a frequência cardíaca materna é 104 bpm. Considerando o perfil de segurança materno, qual é o agente tocolítico de primeira escolha mais apropriado para esta paciente? Qual o tocolítico indicado?
Correta: o nifedipino (bloqueador de canal de cálcio) é tocolítico de primeira linha, com boa eficácia e melhor perfil de segurança materno, sendo especialmente preferível nesta paciente com taquicardia (FC 104 bpm), palpitações e asma — situações em que os beta-agonistas são desfavoráveis. A terbutalina e o salbutamol erram: são beta-agonistas que causam taquicardia, palpitações e podem agravar sintomas cardiovasculares; ademais, beta-agonistas em asmática com palpitações somam efeito adverso e o salbutamol EV contínuo tem perfil de segurança materno ruim (risco de edema pulmonar). Erra: o sulfato de magnésio, embora usado, não é o tocolítico de primeira escolha isolado — seu papel principal atual é a neuroproteção fetal abaixo de 32 semanas, não a tocólise primária. Erra: ocitocina é uterotônico (estimula contração), sendo o oposto do desejado. O dado da FC materna elevada + asma + palpitações é a chave para descartar beta-agonistas.
Gestante, 31 anos, G3P2, com 26 semanas e 3 dias de gestação, é admitida com trabalho de parto prematuro em franca evolução: dinâmica de 4 contrações em 10 minutos, colo com 4 cm de dilatação e 80% de esvaecimento, bolsa íntegra. O feto é único, com peso estimado adequado. A equipe já administrou a primeira dose de betametasona há 20 minutos e iniciou nifedipino. Diante da idade gestacional e da progressão do trabalho de parto, qual conduta adicional é a mais indicada neste momento, com o objetivo específico de reduzir a incidência e a gravidade de paralisia cerebral no recém-nascido?
Correta: em iminência de parto prematuro abaixo de 32 semanas (aqui 26 semanas com colo 4 cm/80% em franca evolução), o sulfato de magnésio endovenoso está indicado para NEUROPROTEÇÃO FETAL, reduzindo comprovadamente a incidência e a gravidade de paralisia cerebral no prematuro — exatamente o objetivo enunciado. Pode ser usado em conjunto com o corticoide. Erra: a indometacina é opção de tocólise, mas não tem papel em neuroproteção e é evitada acima de 32 semanas por risco de fechamento do ducto arterioso; trocar o tocolítico não atende ao objetivo de reduzir paralisia cerebral. Erra: o intervalo padrão da betametasona é 24 horas entre as duas doses; antecipar para 6 horas não é o esquema recomendado e não visa neuroproteção neurológica. Erra: surfactante é terapia neonatal pós-nascimento, não se administra ao feto por via transabdominal, e atua no pulmão, não no SNC. Erra com 4 cm de dilatação e trabalho de parto avançado, a cerclagem de emergência é contraindicada e não reduz paralisia cerebral. O detalhe que define a questão é reconhecer o alvo específico (paralisia cerebral) → sulfato de magnésio para neuroproteção abaixo de 32 semanas.
Mulher, 25 anos, primigesta, com idade gestacional de 28 semanas confirmada por ultrassonografia de primeiro trimestre, procura a maternidade com contrações uterinas dolorosas e regulares (3 em 10 minutos) há 4 horas. Ao toque, o colo apresenta 2 cm de dilatação e 50% de esvaecimento. Bolsa íntegra, sem sangramento e sem febre. Cardiotocografia com feto ativo e reativo. Firma-se o diagnóstico de trabalho de parto prematuro. Qual a conduta farmacológica para acelerar a maturidade pulmonar fetal?
Gabarito: Diante de trabalho de parto prematuro entre 24 e 34 semanas (aqui, 28 semanas) com risco de parto nos próximos 7 dias, a corticoterapia antenatal está indicada: betametasona 12 mg IM, 2 doses com intervalo de 24 horas (ou dexametasona 6 mg IM de 12/12 h, 4 doses). Reduz síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e mortalidade neonatal. Sulfato de magnésio tem papel de neuroproteção fetal, não de maturação pulmonar. Nifedipino é tocolítico, apenas ganha tempo para o corticoide agir, mas não amadurece o pulmão. Progesterona é usada na prevenção do parto prematuro em colo curto/antecedente, não no episódio agudo nem para maturação. Terbutalina é betamimético tocolítico, sem efeito de maturação pulmonar e com mais efeitos adversos maternos.
Mulher, 22 anos, gestante de 29 semanas, é admitida em trabalho de parto prematuro franco, com 4 cm de dilatação, contrações regulares e progressão da dilatação apesar das medidas iniciais. Bolsa íntegra, sem sinais de infecção. A equipe já administrou a primeira dose de betametasona e avalia que o parto é provável dentro das próximas 24 horas. Além do corticoide, qual medida adicional oferece benefício comprovado ao recém-nascido neste cenário?
Gabarito: Em idade gestacional abaixo de 32 semanas (aqui, 29) com parto iminente, o sulfato de magnésio está indicado para neuroproteção fetal, reduzindo a incidência e a gravidade de paralisia cerebral. Errado: não se repete o ciclo imediatamente; um ciclo de resgate só é considerado se o anterior foi há mais de 7 a 14 dias, ainda abaixo de 34 semanas e com novo risco iminente. Inadequado: com 4 cm de dilatação e progressão, a tocólise não sustentará a gestação até o termo; seu objetivo é apenas ganhar 48 horas para o corticoide/transferência. Incorreto: surfactante é terapia neonatal administrada ao recém-nascido, não à mãe por via endovenosa. AAS previne pré-eclâmpsia em população de risco, sem papel na neuroproteção do trabalho de parto prematuro.
Mulher, 31 anos, secundigesta, idade gestacional de 33 semanas e 2 dias, chega ao pronto-socorro obstétrico com contrações regulares e dolorosas há 3 horas. Ao exame: colo com 2 cm de dilatação e 40% de esvaecimento, bolsa íntegra, sem sangramento, sem febre, PA 118/76 mmHg, FC 88 bpm. Cardiotocografia tranquilizadora. Não há corioamnionite, sofrimento fetal ou contraindicação materna à inibição. A equipe decide realizar tocólise para permitir a corticoterapia antenatal. Qual o agente tocolítico mais adequado para esta paciente?
Gabarito: Com 33 semanas, sem contraindicações, o nifedipino (bloqueador de canal de cálcio) é tocolítico de primeira linha, com boa eficácia e perfil de segurança favorável. A pegadinha é a indometacina: só deve ser usada abaixo de 32 semanas, pois após essa idade gestacional aumenta o risco de constrição/fechamento precoce do canal arterial e de oligoâmnio — logo, está contraindicada nesta paciente de 33 semanas. Terbutalina/betamimético não é primeira escolha pelos efeitos adversos cardiovasculares e metabólicos maternos. Incorreto: o sulfato de magnésio não é tocolítico eficaz de primeira linha — seu papel atual é a neuroproteção fetal abaixo de 32 semanas. Repouso e hidratação não tem eficácia comprovada em inibir o trabalho de parto prematuro e não substitui a tocólise farmacológica quando ela está indicada.
Gestante, 26 anos, G2P1, com 29 semanas e 3 dias de gestação, admitida com contrações uterinas regulares (3 em 10 minutos) há 4 horas. Ao toque vaginal: colo com 3 cm de dilatação e 70% de esvaecimento. Bolsa íntegra, ausência de febre e de sangramento genital. Foram iniciadas corticoterapia antenatal e tocólise. Considerando a idade gestacional e o risco de parto iminente, qual medida ADICIONAL deve ser instituída para reduzir a morbidade neurológica do recém-nascido? Qual a conduta mais adequada?
Correta: Diante de trabalho de parto prematuro com parto iminente e idade gestacional abaixo de 32 semanas, indica-se sulfato de magnésio endovenoso para neuroproteção fetal, medida que reduz a incidência e a gravidade de paralisia cerebral no prematuro. A gestante de 29s3d preenche exatamente o critério. A profilaxia para GBS é legítima no trabalho de parto prematuro, mas previne sepse neonatal precoce, não a morbidade NEUROLÓGICA questionada. Ácido fólico atua na prevenção primária de defeitos de tubo neural no periconcepcional, sem papel na neuroproteção do prematuro em trabalho de parto. Fenobarbital materno não demonstrou benefício em reduzir hemorragia intracraniana e não é recomendado. Imunoglobulina anti-D é profilaxia de aloimunização Rh, sem relação com neuroproteção.
Gestante, 22 anos, com 31 semanas de gestação, procura a emergência com contrações uterinas e febre. Ao exame: PA 110×70 mmHg, FC 112 bpm, T 38,5 °C, útero doloroso à palpação e saída de secreção vaginal fétida pelo orifício cervical. Frequência cardíaca fetal 175 bpm. Hemograma: leucócitos 19.000/mm³ (VR 4.000–11.000). Qual a conduta mais adequada?
Correta: o quadro de febre materna, taquicardia materna e fetal, dor uterina, secreção fétida e leucocitose configura corioamnionite. A infecção intra-amniótica é contraindicação FORMAL à tocólise, pois prolongar a gestação agrava a sepse materno-fetal; a conduta é antibioticoterapia de amplo espectro e resolução da gestação (interrupção). Nifedipino é tocolítico de 1ª linha, mas está contraindicado na vigência de corioamnionite. Sulfato de magnésio teria papel de neuroproteção, porém a conduta expectante mantém o foco infeccioso e é inadequada. Atosibana também é tocolítico e igualmente contraindicado na infecção. Conduta expectante ambulatorial ignora uma infecção grave que ameaça mãe e feto.
Gestante, 28 anos, com 30 semanas de gestação, é internada por trabalho de parto prematuro. Qual medicamento deve ser administrado para acelerar a maturidade pulmonar fetal e reduzir a incidência de síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido?
Correta: o corticoide antenatal (betametasona IM ou dexametasona) entre 24 e 34 semanas acelera a maturação pulmonar fetal e reduz síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e mortalidade neonatal — é a medida de maior impacto no trabalho de parto prematuro. Terbutalina é agonista beta-adrenérgico usado como tocolítico (inibe contrações), sem efeito na maturidade pulmonar. Nifedipino é tocolítico, apenas ganha tempo para o corticoide agir, não amadurece o pulmão. Sulfato de magnésio faz neuroproteção fetal, não maturação pulmonar. Ampicilina é antibiótico (profilaxia de GBS/infecção), sem ação sobre o pulmão fetal.
Uma gestante de 27 anos, G2P1, com idade gestacional de 30 semanas confirmada por ultrassonografia do primeiro trimestre, procura a maternidade de referência do SUS queixando-se de contrações uterinas dolorosas há 3 horas. Ao exame, apresenta bom estado geral, PA de 118x74 mmHg, temperatura axilar de 36,6 °C, dinâmica uterina de 3 contrações em 10 minutos e colo com 2 cm de dilatação e 60% de esvaecimento. A bolsa está íntegra e o batimento cardíaco fetal é de 148 bpm. Ela nega perda de líquido ou sangramento. Além de iniciar a tocólise, qual conduta adicional é prioritária para reduzir a morbimortalidade neonatal neste momento?
Correta: entre 24 e 34 semanas com risco de parto prematuro nos próximos 7 dias, o corticoide antenatal (betametasona ou dexametasona) é a intervenção de maior impacto na redução de síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e mortalidade neonatal, e deve ser feito junto à tocólise, que apenas ganha tempo para a ação do corticoide e o transporte. Amniocentese para maturidade não é indicada nesse contexto e atrasa a conduta. Antibiótico de amplo espectro só é indicado com bolsa rota ou sinais de infecção, ausentes aqui (bolsa íntegra, afebril). Cesariana de urgência não tem indicação: o feto está estável e o objetivo é justamente inibir/postergar o parto.
Uma primigesta de 24 anos, com 31 semanas de gestação, é internada em UPA com trabalho de parto prematuro e recebe nifedipino para tocólise e a primeira dose de betametasona. É portadora de asma bem controlada e nega outras comorbidades. Após algumas horas, mantém-se estável, com contrações espaçadas. A equipe discute a associação de sulfato de magnésio. Considerando as recomendações atuais para essa idade gestacional, qual é a principal finalidade do uso do sulfato de magnésio nesse cenário?
Correta: em iminência de parto prematuro abaixo de 32 semanas, o sulfato de magnésio é indicado para neuroproteção fetal, reduzindo a incidência e a gravidade de paralisia cerebral. Ele não é usado como tocolítico de escolha para prolongar a gestação (e a associação com nifedipino ainda exige cautela por potencial hipotensão/bloqueio neuromuscular). Não substitui o corticoide, cujo papel é a maturação pulmonar. Como a gestante é normotensa, não há indicação de magnésio para hipertensão/eclâmpsia neste caso.
Uma gestante de 22 anos, G1P0, com 29 semanas de idade gestacional bem estabelecida, chega à maternidade do SUS com contrações uterinas regulares e dolorosas e dilatação cervical de 1 cm em progressão. A bolsa está íntegra, sem sinais de infecção, e o feto encontra-se com vitalidade preservada. Confirmado o diagnóstico de trabalho de parto prematuro, a equipe decide administrar corticoide antenatal. Qual é o objetivo principal da corticoterapia antenatal nesta situação?
Correta: o corticoide antenatal (betametasona ou dexametasona) entre 24 e 34 semanas acelera a maturação pulmonar fetal, reduzindo síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular, enterocolite necrosante e mortalidade neonatal. Ele não tem efeito tocolítico (quem inibe as contrações é o tocolítico). Não previne infecção por estreptococo do grupo B, que exige antibioticoprofilaxia intraparto. Não aumenta o peso fetal; sua ação é sobre a maturidade dos órgãos, sobretudo pulmonar.
Uma mulher de 24 anos, gesta 2 para 1, com idade gestacional de 31 semanas confirmada por ultrassonografia do primeiro trimestre, procura a unidade de pronto atendimento por contrações uterinas dolorosas há 5 horas. Nega perda de líquido, sangramento ou febre. Pré-natal sem intercorrências; nega comorbidades. Ao exame: bom estado geral, temperatura axilar de 36,5 °C, pressão arterial de 110 x 70 mmHg, dinâmica uterina de 3 contrações em 10 minutos. Ao toque, colo com 3 cm de dilatação, esvaecido em 70%, bolsa íntegra. Cardiotocografia com padrão de boa vitalidade fetal, sem desacelerações. Hemograma e exame de urina sem alterações. Diante desse quadro, qual é a conduta adequada?
Trata-se de trabalho de parto prematuro (contrações regulares com modificação cervical) entre 24 e 34 semanas, com bolsa íntegra e sem sinais de infecção ou sofrimento fetal — cenário clássico de indicação de corticoterapia antenatal associada à tocólise. O corticoide (betametasona 12 mg IM, 2 doses a cada 24 h, ou dexametasona 6 mg IM de 12/12 h, 4 doses) reduz síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular, enterocolite necrosante e mortalidade neonatal; a tocólise não prolonga a gestação de forma sustentada, mas garante as 48 horas necessárias para a ação do corticoide e para a transferência a serviço com retaguarda neonatal (protocolo do Ministério da Saúde/FEBRASGO). A primeira alternativa está errada porque repouso e hidratação não têm eficácia comprovada e postergar a conduta desperdiça a janela do corticoide. A segunda está errada: a prematuridade por si só não indica cesariana, e não há indicação obstétrica de urgência com feto em boa vitalidade. A quarta está errada porque, sem tocólise e sem transferência, perde-se o intervalo mínimo para a ação do corticoide e o nascimento ocorreria em serviço sem UTI neonatal.
Uma primigesta de 19 anos, com 29 semanas e 3 dias de idade gestacional, chega ao pronto-socorro obstétrico com contrações intensas há 6 horas. Nega perda de líquido, sangramento ou febre. Ao exame: temperatura axilar de 36,7 °C, pressão arterial de 112 x 74 mmHg, dinâmica uterina de 4 contrações em 10 minutos. Ao toque, colo com 6 cm de dilatação, totalmente esvaecido, bolsa íntegra, apresentação cefálica insinuada. Cardiotocografia com boa vitalidade fetal. Exames laboratoriais e urocultura sem alterações. A equipe avalia que o parto é iminente e não deve ser inibido. Além da corticoterapia antenatal, qual medida traz o maior benefício comprovado ao recém-nascido nesse cenário?
Diante de parto prematuro iminente ou inevitável antes de 32 semanas, o sulfato de magnésio administrado à mãe tem benefício comprovado de neuroproteção fetal, reduzindo a incidência de paralisia cerebral e de disfunção motora grosseira no prematuro — recomendação incorporada aos protocolos do Ministério da Saúde e da FEBRASGO, independentemente de a tocólise estar ou não indicada. A primeira alternativa está errada: com 6 cm de dilatação e trabalho de parto estabelecido a tocólise perde a eficácia e não é recomendada; além disso, tocolíticos nunca prolongam a gestação por 7 dias de forma confiável, seu objetivo é a janela de 48 horas. A segunda está errada porque, com bolsa íntegra e sem sinais de infecção, não há indicação de antibiótico de largo espectro — a profilaxia cabível seria a dirigida ao estreptococo do grupo B durante o parto, e não antibioticoterapia de amplo espectro. A terceira está errada: a via de parto na prematuridade com apresentação cefálica e boa vitalidade é a vaginal; a cesariana não reduz hemorragia intraventricular.
Uma gestante de 24 anos, com idade gestacional de 29 semanas e 3 dias (confirmada por ultrassonografia de primeiro trimestre), comparece à emergência obstétrica de um hospital do SUS queixando-se de contrações dolorosas há 4 horas. Nega perda de líquido, sangramento ou febre. Antecedentes: primigesta, pré-natal completo na unidade de saúde da família, sem intercorrências, sorologias negativas. Ao exame: bom estado geral, corada, afebril, PA de 118 x 74 mmHg, FC de 88 bpm. Dinâmica uterina de 3 contrações em 10 minutos, com 40 segundos de duração. Altura uterina de 27 cm, batimentos cardíacos fetais de 144 bpm. Ao toque vaginal, colo esvaecido em 70%, com 3 cm de dilatação e bolsa íntegra. A cardiotocografia é tranquilizadora e não há sinais de infecção.
Trata-se de trabalho de parto prematuro (contrações regulares com modificação cervical) entre 24 e 34 semanas, com bolsa íntegra e sem contraindicações. A conduta padronizada pelo Ministério da Saúde e pelas diretrizes brasileiras é a corticoterapia antenatal (betametasona 12 mg IM, 2 doses com intervalo de 24 horas, ou dexametasona 6 mg IM de 12/12 h em 4 doses) para acelerar a maturidade pulmonar fetal e reduzir síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular, enterocolite necrosante e mortalidade neonatal, associada à tocólise (nifedipino como primeira escolha) com o objetivo de prolongar a gestação por cerca de 48 horas, tempo necessário para o efeito do corticoide e eventual transferência para serviço com UTI neonatal. A alternativa da conduta expectante isolada é incorreta porque retarda o corticoide justamente na janela em que ele traz maior benefício, e aguardar dilatação avançada inviabiliza o intervalo de 48 horas. A indicação de cesariana de urgência é incorreta: a prematuridade por si só não define a via de parto, que segue as indicações obstétricas habituais, e o parto imediato desperdiça a oportunidade da corticoterapia num feto estável com cardiotocografia tranquilizadora. Por fim, o sulfato de magnésio não é o tocolítico de primeira escolha no Brasil — seu papel nessa idade gestacional é a neuroproteção fetal (abaixo de 32 semanas) —, e postergar o corticoide até 34 semanas contraria a janela recomendada de 24 a 34 semanas.
Mulher de 24 anos, G2P1, com 30 semanas de gestação confirmadas por ultrassonografia de primeiro trimestre, procura a maternidade de referência do município queixando-se de contrações dolorosas há 5 horas. Ao exame: PA 118x72 mmHg, FC 88 bpm, temperatura axilar 36,7 °C, dinâmica uterina de 3 contrações em 10 minutos, batimentos cardíacos fetais de 140 bpm. Ao toque, colo com 3 cm de dilatação e 70% de esvaecimento, bolsa íntegra. Pré-natal sem intercorrências. Considerando o diagnóstico de trabalho de parto prematuro, qual medida comprovadamente mais reduz a morbimortalidade neonatal nesse caso?
A corticoterapia antenatal (betametasona 12 mg IM, 2 doses com 24 h de intervalo, ou dexametasona 6 mg IM 12/12 h em 4 doses) entre 24 e 34 semanas é a intervenção com maior impacto comprovado na redução de síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular, enterocolite necrosante e mortalidade neonatal — está indicada aqui, com 30 semanas e trabalho de parto prematuro instalado. A antibioticoprofilaxia para EGB reduz sepse neonatal precoce, mas tem impacto muito menor sobre a morbimortalidade global e é feita no parto, não é a medida de maior benefício. A tocólise com nifedipina é adjuvante e útil apenas por até 48 horas, exatamente para permitir o corticoide e a transferência — não deve ser mantida até 34 semanas nem reduz desfechos neonatais por si só. A cesariana imediata não tem indicação: a via de parto é obstétrica e a prematuridade isolada não a justifica.
Mulher de 27 anos, G1P0, com 31 semanas de gestação, chega ao pronto-atendimento obstétrico com contrações há 8 horas. Refere perda de líquido vaginal amarelado e com odor fétido desde ontem. Ao exame: temperatura axilar 38,5 °C, FC 118 bpm, PA 110x70 mmHg, útero doloroso à palpação, dinâmica de 2 contrações em 10 minutos, batimentos cardíacos fetais de 175 bpm, saída de líquido purulento pelo orifício cervical. Ao toque, colo com 2 cm e 50% de esvaecimento. Qual é a conduta adequada?
O quadro é de corioamnionite (febre materna, taquicardia materna e fetal, útero doloroso e líquido amniótico purulento/fétido), que é contraindicação absoluta à tocólise: infecção intra-amniótica é indicação de resolução da gestação, independentemente da idade gestacional, com antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro imediata. Tocolisar com nifedipina e manter conduta expectante prolonga a exposição do feto e da mãe à infecção, com risco de sepse — erro grave. A indometacina, além de contraindicada na vigência de infecção, tem restrições próprias (fechamento do ducto arterial, oligoâmnio) e antibiótico oral é insuficiente para infecção intra-amniótica. A alta com azitromicina ignora uma emergência obstétrica com risco de morte materna e fetal.
Mulher de 31 anos, G3P2, com 28 semanas de gestação, é atendida em Unidade de Pronto Atendimento com contrações regulares e dolorosas há 4 horas. Ao exame: afebril, PA 120x76 mmHg, dinâmica de 4 contrações em 10 minutos, batimentos cardíacos fetais de 145 bpm, bolsa íntegra, sem sinais de infecção ou sangramento. Ao toque, colo com 4 cm e 80% de esvaecimento. A UPA não dispõe de leito de UTI neonatal; a maternidade de referência regional fica a 60 minutos. Qual conduta melhor contempla as prioridades desse caso?
Com 28 semanas, três medidas se somam: corticoterapia antenatal (betametasona), tocólise por até 48 horas com nifedipina (primeira linha no Brasil, oral e de baixo custo) para viabilizar o corticoide e o transporte, e sulfato de magnésio para NEUROPROTEÇÃO fetal, indicado abaixo de 32 semanas com parto prematuro iminente para reduzir paralisia cerebral. A transferência in utero para serviço com UTI neonatal é superior ao transporte do recém-nascido, e a regulação entre níveis de atenção é responsabilidade do serviço. Usar o sulfato de magnésio como tocolítico de primeira linha é a pegadinha: ele não tem esse papel — sua indicação aqui é neuroprotetora —, e essa conduta ainda mantém o parto em serviço sem UTIN. Administrar apenas betametasona e aguardar a evolução na UPA, acionando o transporte neonatal depois do nascimento, desperdiça a janela de transferência in utero e omite a neuroproteção. E a tocólise dupla com nifedipina associada a atosibana mantida até 34 semanas não tem respaldo: a associação de tocolíticos aumenta efeitos adversos e a tocólise não deve ultrapassar 48 horas.
Mulher de 28 anos, gestante, com idade gestacional de 33 semanas e 2 dias (calculada por ultrassonografia precoce), procura a maternidade de referência queixando-se de contrações regulares há 4 horas. Ao exame, apresenta colo uterino com 3 cm de dilatação e 60% de esvaecimento, bolsa amniótica íntegra, batimentos cardíacos fetais normais e ausência de febre, dor uterina à palpação ou secreção vaginal fétida. Diante do diagnóstico de trabalho de parto prematuro, qual é a conduta mais adequada?
A corticoterapia antenatal (betametasona) reduz morbimortalidade neonatal e é indicada entre 24 e 34 semanas; a tocólise é usada apenas para ganhar cerca de 48 horas e permitir a ação do corticoide/transferência, tornando correta a corticoterapia antenatal associada à tocólise. O sulfato de magnésio para neuroproteção fetal só está indicado abaixo de 32 semanas (até 31 semanas e 6 dias), portanto não se aplica a esta gestante de 33+2 (erro de B). Erra ao afirmar que o corticoide não beneficia após 32 semanas, quando o benefício se estende até 34 semanas. Inadequada: pois não há indicação de parto imediato em quadro sem sofrimento fetal ou infecção.
Gestante de 24 anos, com 31 semanas de idade gestacional, é internada em unidade de referência com diagnóstico de trabalho de parto prematuro, bolsa íntegra e sem sinais de infecção. A equipe decide instituir a corticoterapia antenatal para maturação pulmonar fetal. Qual é o esquema correto para a administração da betametasona?
O esquema padrão da corticoterapia antenatal com betametasona é de 12 mg por via intramuscular, em duas doses com intervalo de 24 horas; a alternativa com dexametasona seria 6 mg de 12/12h em quatro doses. A dose única de dexametasona 4 mg, o esquema de três doses de betametasona e a hidrocortisona intravenosa não correspondem aos regimes validados para maturação pulmonar fetal e reduzem indevidamente a eficácia comprovada do corticoide.
Gestante de 30 semanas de idade gestacional é internada em maternidade do SUS por trabalho de parto prematuro. Após avaliação, a equipe administra betametasona intramuscular. Qual é o principal benefício esperado dessa medida para o recém-nascido?
A corticoterapia antenatal acelera a maturação pulmonar fetal e seu principal benefício é a redução da síndrome do desconforto respiratório (doença da membrana hialina) do recém-nascido, além de diminuir hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante. O corticoide não inibe contrações (papel da tocólise, A), não trata infecção (C, que exigiria antibiótico) nem atua sobre o amadurecimento do colo.
Gestante de 28 anos, G2P1 (parto vaginal prévio), com idade gestacional de 30 semanas e 2 dias confirmada por ultrassonografia de primeiro trimestre, procura a maternidade queixando-se de contrações dolorosas há 4 horas. Ao exame: pressão arterial 110x70 mmHg, temperatura 36,8°C, dinâmica uterina de 3 contrações em 10 minutos, palpáveis e regulares. Ao toque vaginal, o colo encontra-se com 3 cm de dilatação, 70% de esvaecimento e bolsa íntegra. A cardiotocografia mostra batimentos cardíacos fetais tranquilizadores, sem sinais de sofrimento. Considerando o diagnóstico e a idade gestacional, qual a conduta mais adequada neste momento?
A paciente preenche critérios de trabalho de parto prematuro (contrações regulares + modificação cervical) com 30s2d. A conduta correta integra: tocólise (para ganhar 48h e permitir a ação do corticoide/transferência), corticoterapia antenatal (indicada de 24 a 34 semanas para maturação pulmonar) e sulfato de magnésio para neuroproteção fetal (indicado abaixo de 32 semanas). Conduzir o parto de imediato não se justifica: com bolsa íntegra e sem sofrimento fetal, há indicação de inibir e cortar o parto para dar tempo ao corticoide. Aplicar apenas o corticoide, sem tocólise, é errado: a tocólise é indicada justamente para viabilizá-lo, e o limite superior clássico é 34 semanas. A cesariana de urgência é inadequada: não há indicação de via alta, e a cesariana não trata a prematuridade.
Gestante de 24 anos, primigesta, com 29 semanas de idade gestacional, é internada por trabalho de parto prematuro e recebe tocólise com nifedipino e a primeira dose de betametasona intramuscular. Após 48 horas, a dinâmica uterina cessou completamente, o colo permanece com 2 cm sem progressão e ela recebeu o esquema completo de corticoide. Recebe alta e retorna ao ambulatório de alto risco. Com 33 semanas, apresenta novo episódio de contrações regulares e modificação cervical, caracterizando novo trabalho de parto prematuro. Sobre a corticoterapia antenatal neste segundo episódio, qual é a conduta correta?
Diante de novo risco iminente de parto prematuro, abaixo de 34 semanas, com o ciclo anterior realizado há mais de 7-14 dias, está indicada uma dose de resgate (ciclo de repetição) de corticoide, que reduz morbidade respiratória neonatal. Rejeita-se repetir integralmente o esquema completo de dois dias de betametasona a cada novo episódio, independentemente do intervalo, para limitar exposição fetal cumulativa. Também está errado não repetir o corticoide sob nenhuma hipótese: a dose de resgate tem benefício comprovado quando há intervalo e novo risco. E o surfactante materno por via intramuscular é conduta inexistente/absurda.
Gestante de 32 anos, G3P2, com 31 semanas de idade gestacional, dá entrada com trabalho de parto prematuro (contrações regulares e colo com 2 cm de dilatação, bolsa íntegra). Tem antecedente de asma bem controlada e diabetes mellitus gestacional em uso de insulina. Ao exame: PA 100x60 mmHg, FC materna 96 bpm, sem febre. Cardiotocografia tranquilizadora. Você opta por iniciar tocólise para viabilizar a corticoterapia antenatal e a neuroproteção. Considerando o perfil clínico desta paciente e o mecanismo de ação dos tocolíticos, qual é a escolha mais adequada e sua principal justificativa?
Nesta paciente com diabetes em insulinoterapia, o nifedipino (bloqueador de canal de cálcio) é a melhor escolha: eficácia comparável e melhor perfil metabólico, evitando o betamimético, que causa hiperglicemia e taquicardia, mal tolerados no diabetes/asma. Rejeita-se a terbutalina: o betamimético não é primeira linha e piora o controle glicêmico. A indometacina em uso prolongado também está errada: evita-se acima de 32 semanas (risco de fechamento do ducto arterioso), não deve ser usada por mais de 48-72h e não é a escolha aqui. Propor o sulfato de magnésio como tocolítico primário confunde papéis: ele é usado para neuroproteção (<32 sem), não como tocolítico.
Gestante de 24 anos, G2P1, com 30 semanas e 3 dias (idade gestacional confiável), procura a maternidade com contrações dolorosas há 5 horas. Nega perda de líquido, sangramento ou febre. Ao exame: afebril, PA 112x70 mmHg, dinâmica uterina de 3 contrações em 10 minutos com 40 segundos de duração, bolsa íntegra, colo centralizado com 2 cm de dilatação e 70% de esvaecimento, apresentação cefálica, altura −3 de De Lee. BCF 144 bpm, cardiotocografia categoria I. Ultrassonografia: peso fetal estimado no percentil 50, placenta normoinserida. Assinale a conduta adequada.
Há trabalho de parto prematuro estabelecido (contrações regulares com modificação cervical) em gestação de 30 semanas, sem contraindicação à inibição. A conduta padrão associa três medidas: tocólise (nifedipino é a primeira escolha no Brasil) para ganhar as 48 horas necessárias ao corticoide e à eventual transferência para serviço com UTI neonatal; corticoterapia antenatal com betametasona 12 mg IM a cada 24 horas, duas doses, entre 24 e 34 semanas; e sulfato de magnésio para neuroproteção fetal, indicado abaixo de 32 semanas para reduzir paralisia cerebral. Corticoide isolado desperdiça o benefício da tocólise, cujo objetivo justamente é permitir que o ciclo se complete. Tocólise de manutenção prolongada até o termo não tem eficácia comprovada e o repouso absoluto no leito é deletério (tromboembolismo, descondicionamento). A prematuridade em si não indica cesariana: com apresentação cefálica e vitalidade preservada, a via vaginal é adequada.
Gestante de 29 anos, G3P2, com 35 semanas e 2 dias, é admitida na maternidade com contrações intensas há 3 horas. Pré-natal sem intercorrências, bolsa íntegra até a admissão, rompendo espontaneamente durante o exame, com líquido claro. Ao exame: afebril, PA 120x76 mmHg, dinâmica uterina de 4 contrações em 10 minutos com 50 segundos, colo com 6 cm de dilatação, totalmente esvaecido, apresentação cefálica em De Lee 0. BCF 138 bpm, cardiotocografia categoria I. Ultrassonografia prévia com peso fetal estimado em 2.650 g. Assinale a conduta adequada.
A paciente está em fase ativa do trabalho de parto (6 cm de dilatação, colo totalmente esvaecido, bolsa rota) com 35 semanas — cenário em que a tocólise é ineficaz e formalmente não indicada: trabalho de parto avançado e bolsa rota são contraindicações, e acima de 34 semanas o balanço risco-benefício não favorece a inibição. A conduta é assistir ao parto com equipe apta ao atendimento do prematuro tardio. A corticoterapia antenatal no Ministério da Saúde tem indicação entre 24 e 34 semanas; além de a idade gestacional estar fora da faixa, o parto é iminente e não haveria tempo hábil para o efeito da betametasona. O sulfato de magnésio para neuroproteção fetal é indicado apenas abaixo de 32 semanas — não há benefício demonstrado em prematuro tardio. A cesariana não se justifica: apresentação cefálica, vitalidade preservada, multípara em franca evolução; prematuridade e bolsa rota não são, isoladamente, indicações de via alta.
Gestante de 35 semanas e 3 dias, pré-natal sem intercorrências e sem cultura para estreptococo do grupo B, chega em fase ativa do trabalho de parto: 3 contrações fortes em 10 minutos, colo 6 cm, esvaecido, bolsa íntegra, apresentação cefálica fletida, cardiotocografia categoria I. A conduta adequada, segundo os protocolos do SUS, é:
A partir de 34 semanas a tocólise está contraindicada — e com 6 cm em fase ativa seria também fútil. O corticoide após 34 semanas não é rotina no SUS (o manual do MS manda particularizar; a OMS restringe a menos de 34 pela hipoglicemia neonatal; a SMFM americana admite ciclo único no pré-termo tardio selecionado — recorte que a questão ambientada no SUS não adota). Prematuridade em cefálica fletida não indica cesariana: o parto vaginal é assistido com vigilância, membranas preservadas o máximo e clampeamento tardio se o recém-nascido nascer bem. Quanto ao estreptococo B, parto prematuro com status desconhecido é indicação de profilaxia empírica imediata — penicilina cristalina 5 milhões UI IV e 2,5 milhões de 4/4 h até o nascimento; esperar cultura deixaria o recém-nascido descoberto.
Gestante de 30 semanas e 2 dias em trabalho de parto prematuro apresentou falha da tocólise: colo agora com 6 cm e contrações fortes. A equipe considera o parto altamente provável nas próximas horas. Quanto à neuroproteção fetal, a conduta correta é:
Aos 30 semanas — abaixo do teto de 31 semanas e 6 dias — com parto de alta probabilidade nas próximas 24 horas, a neuroproteção fetal está indicada: ataque de 4 g IV em 20 a 30 minutos e manutenção de 1 g/h até o nascimento ou por no máximo 24 horas, com vigilância de reflexo patelar, diurese e frequência respiratória e gluconato de cálcio disponível. A janela não fecha em 28 semanas, e a indicação independe de pré-eclâmpsia — aqui o alvo é o cérebro fetal (redução de paralisia cerebral). O esquema de 6 g + 2 g/h não é o dos documentos brasileiros nem para eclâmpsia (Zuspan usa os mesmos 4 g + 1 g/h; o que muda é a indicação e o teto de 24 horas). A dose intramuscular glútea descrita remete ao esquema de Pritchard da eclâmpsia, não à neuroproteção.
Secundigesta de 26 anos, com antecedente de parto aos 33 semanas, chega à maternidade com 29 semanas e 5 dias referindo dores rítmicas há 5 horas. Dinâmica uterina: 4 contrações moderadas em 20 minutos. Toque: colo 2 cm, esvaecimento de 80%, bolsa íntegra, apresentação cefálica. Cardiotocografia categoria I, sem sangramento, afebril. Não há cultura para estreptococo do grupo B no cartão de pré-natal. Qual a conduta inicial mais adequada?
Contrações persistentes (4/20 min) com colo modificado (2 cm, 80%) fecham TPP verdadeiro aos 29 semanas — faixa do pacote completo: internação, nifedipina VO (primeira escolha nacional), corticoide imediato (betametasona 12 mg IM, 2 doses com intervalo de 24 h) e swab para estreptococo B com antibiótico enquanto se aguarda, pois o status é desconhecido e o parto pode evoluir. A alta com progesterona ignora que o trabalho de parto já está estabelecido — progesterona é prevenção, não tratamento. O sulfato entra apenas com parto iminente (e não haveria indicação de cesariana por prematuridade em cefálico). A terbutalina é cada vez menos usada como primeira escolha pelos efeitos adversos, e o esquema de dexametasona descrito está errado. A atosibana tem eficácia semelhante, mas o custo a afasta da primeira linha no SUS — e o corticoide não espera falha da tocólise: é indicado já.
Gestante de 30 semanas e 4 dias recebeu ciclo completo de betametasona há 12 dias, durante episódio de trabalho de parto prematuro inibido com sucesso. Retorna agora em novo trabalho de parto prematuro, com falha da tocólise e parto considerado iminente. Quanto à corticoterapia, a conduta correta é:
O resgate exige exatamente as duas condições da vinheta: idade gestacional ainda abaixo de 34 semanas e última dose há mais de 7 a 14 dias, com novo risco iminente de parto — e é um ciclo único. O benefício do corticoide é máximo quando o parto ocorre 2 a 7 dias após a dose e declina depois de 7 dias, por isso a proteção não é definitiva e a repetição pontual se justifica. Ciclos semanais seriados estão proscritos por prejuízo ao concepto (o manual do MS é explícito: outros ciclos além do resgate não são recomendados). Não existe esquema de dexametasona contínua diária, nem redução de dose pela metade — o que se limita é o número de ciclos, não a dose de cada um.
Sobre a corticoterapia antenatal no trabalho de parto prematuro, conforme o Manual de Gestação de Alto Risco (Ministério da Saúde, 2022), assinale a alternativa correta quanto à janela de uso rotineiro e ao esquema preferencial:
A janela brasileira de uso rotineiro é de 24 a 34 semanas incompletas, com betametasona 12 mg intramuscular em 2 doses separadas por 24 horas, exigindo ausência de infecção intra-amniótica clínica — e o efeito máximo ocorre quando o parto se dá 2 a 7 dias após a primeira dose. A repetição semanal está proscrita (admite-se um único resgate abaixo de 34 semanas, após 7 a 14 dias). Não existe esquema venoso de 10 mg nem administração oral — a via é intramuscular. E após 34 semanas o corticoide não é rotina no SUS; a hipoglicemia neonatal é justamente o argumento da OMS contra o uso tardio, não a favor.
Gestante de 31 semanas com diagnóstico de trabalho de parto prematuro, sem contraindicações à tocólise, será medicada com o tocolítico de primeira escolha dos protocolos brasileiros. A prescrição correta é:
O esquema do Manual de Gestação de Alto Risco é ataque de 10 mg via oral, repetível a cada 20 minutos na primeira hora se as contrações persistirem (até 30 mg; o protocolo do DF admite 40 mg), com manutenção de 20 mg de 8 em 8 horas por 48 horas — comprimido sempre engolido inteiro. A via sublingual é proscrita pelo risco de hipotensão abrupta com repercussão fetal. Não existe nifedipina venosa para tocólise. O uso é de fato off label, mas isso não a contraindica — é a primeira escolha nacional; terbutalina, além de segunda linha, é intravenosa e hospitalar nesse contexto. Manter tocolítico até 34 semanas é tocólise de manutenção, que não melhora desfecho por nenhuma via e está proscrita após as 48 horas.
Gestante de 33 semanas, hipertensa crônica em uso regular de anti-hipertensivo oral, com pressão arterial 110×70 mmHg na admissão, inicia trabalho de parto prematuro com bolsa íntegra e colo de 2 cm. A ultrassonografia mostra oligoâmnio. Não há sinais de infecção, sangramento nem alteração da vitalidade fetal. Considerando a necessidade de tocólise para corticoterapia, qual tocolítico apresenta o melhor perfil para esta paciente?
A atosibana é o tocolítico sem contraindicação própria além das gerais — perfil ideal quando as outras classes esbarram no terreno da paciente: a indometacina está vetada duas vezes (idade gestacional de 32 semanas ou mais e oligoâmnio, pelo risco de constrição do canal arterial e piora do oligoâmnio); a nifedipina em hipertensa já medicada com anti-hipertensivo traz risco de hipotensão importante com repercussão fetal — dose dobrada agravaria exatamente esse risco; a terbutalina carrega o pior perfil de efeitos adversos cardiovasculares (taquiarritmia, edema agudo de pulmão). O sulfato de magnésio não é tocolítico eficaz — nos documentos atuais ele fica reservado à neuroproteção fetal (e aos 33 semanas nem essa indicação existe mais). O limite real da atosibana no SUS é o custo, não a segurança.
Primigesta assintomática de 21 semanas realiza ultrassonografia morfológica de segundo trimestre com medida transvaginal do colo uterino de 18 mm. Não tem antecedente de parto prematuro nem de perdas gestacionais. Conforme o Manual de Gestação de Alto Risco (2022), a conduta indicada é:
Colo de 25 mm ou menos entre 19 e 24 semanas indica risco aumentado de parto pré-termo, e a conduta do manual federal é progesterona natural micronizada vaginal 200 mg à noite, do diagnóstico até 36 semanas e 6 dias, com vigilância de infecções — o protocolo da SES-DF, mais antigo, usa janela de 24 a 33+6, mas o documento federal vigente começa ao diagnóstico. Cerclagem não é resposta para colo curto isolado em quem não tem antecedente: ela pertence ao quadro de insuficiência istmocervical, a juízo da equipe. O pessário não tem papel estabelecido nos documentos brasileiros. Repouso no leito não previne parto prematuro e aumenta risco tromboembólico. E não existe tocólise profilática — nifedipina é tratamento do trabalho de parto instalado, por no máximo 48 horas.
Gestante de 24 anos, com 23 semanas e 2 dias por ultrassonografia precoce, chega à maternidade com 4 contrações em 20 minutos e colo com 1,5 cm de dilatação e esvaecimento de 60%. Bolsa íntegra, afebril, sem sangramento, batimentos fetais presentes, urina tipo 1 normal. O casal foi informado do prognóstico e deseja que tudo o que for possível seja tentado. Considerando a orientação ACOG/SMFM de 2021 sobre corticoide antenatal na periviabilidade, qual é a abordagem mais adequada?
A idade de 23 semanas e 2 dias não exclui, por si só, o uso de corticoide antenatal quando existe risco de nascimento e plano de reanimação neonatal após aconselhamento. A decisão precisa integrar prognóstico individual, recursos do serviço e preferências informadas da família. Isso não significa aplicar automaticamente a todas as pacientes o mesmo conjunto de medicações. Indicações de tocólise, neuroproteção e profilaxia intraparto devem ser avaliadas no plano obstétrico e neonatal, sem transformar 24 semanas em uma proibição universal de intervenções.
Gestante de 29 semanas e 4 dias em trabalho de parto prematuro, bolsa íntegra, 3 cm de dilatação, sem contraindicação à tocólise. Recebeu nifedipina 10 mg por via oral, com o comprimido engolido inteiro, repetida a cada 20 minutos na primeira hora até o total de 30 mg. Uma hora depois mantém 4 contrações em 20 minutos, pressão arterial de 104 por 62 mmHg, sem sangramento, sem febre e com cardiotocografia categoria I. Qual é a conduta?
Três regras fecham o tema da tocólise. A primeira: falhado o ataque, troca-se de classe, e nunca se associam dois tocolíticos, porque a associação soma efeito adverso, e não eficácia. A segunda: não existe tocólise de manutenção depois das 48 horas, por nenhuma via, de modo que prolongar a droga por dias não muda desfecho. A terceira: a nifedipina é engolida inteira, e a via sublingual está proscrita porque despenca a pressão arterial. Manter o mesmo esquema e só reavaliar em 48 horas ignora que o ataque máximo já foi atingido sem resposta. Vale lembrar por que o tempo importa: a tocólise não trata causa nenhuma — ela compra as 48 horas de que o corticoide precisa e o intervalo para transferir a gestante a um serviço com unidade neonatal.
Gestante de 32 anos, 30 semanas e 5 dias, sem antecedente de parto prematuro, procura a maternidade referindo dores rítmicas há 4 horas. Na observação registram-se 3 contrações em 20 minutos. Toque de admissão: colo posterior, grosso, fechado, sem esvaecimento; o toque repetido duas horas depois mostra exatamente o mesmo achado. Exame especular sem perda de líquido, sem sangramento e sem vulvovaginite. Afebril, urina tipo 1 normal, cardiotocografia categoria I. Qual é a conduta?
O diagnóstico de trabalho de parto prematuro exige as duas pernas: contração e modificação cervical. O corte operacional que os protocolos brasileiros adotam pede pelo menos 4 contrações em 20 minutos ou 8 em 60 minutos, com dilatação de pelo menos 1 cm e esvaecimento presente — e aqui não há nem a frequência nem o colo mudando em dois toques separados por duas horas. Contração sem colo modificado é observação e reexame, não tocólise: inibir contração de Braxton Hicks expõe a gestante a droga sem indicação. Pelo mesmo motivo não entram corticoide, sulfato de magnésio nem profilaxia intraparto, que pressupõem nascimento de alta probabilidade. O repouso no leito, por fim, não previne parto prematuro — só aumenta o risco tromboembólico. O falso trabalho de parto existe, é frequente, e a paciente dispensada sai com orientação clara de quando voltar.
Qual é o principal objetivo da tocólise no trabalho de parto prematuro?
A tocólise não muda a mortalidade perinatal por si; seu papel é abrir uma janela de aproximadamente 48 horas para o corticoide fazer efeito e para transferir a gestante a um serviço com suporte neonatal adequado. Esperar que ela leve a gestação ao termo é a expectativa equivocada que leva ao uso prolongado, com efeitos adversos maternos e sem benefício demonstrado.
Qual é o esquema de corticoide recomendado para maturação pulmonar fetal entre 24 e 34 semanas?
Betametasona ou dexametasona são os únicos corticoides que atravessam a placenta em quantidade suficiente e têm esquema validado, reduzindo síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante. Corticoides sistêmicos de uso clínico habitual, como prednisona e metilprednisolona, sofrem inativação placentária pela enzima 11-beta-hidroxiesteroide desidrogenase e não cumprem esse papel.
Gestante de 26 semanas com restrição de crescimento fetal grave e Doppler alterado será submetida a parto prematuro. Qual medida farmacológica está indicada especificamente para neuroproteção fetal?
O sulfato de magnésio administrado à gestante antes do parto prematuro, tipicamente abaixo de 32 semanas, reduz a incidência e a gravidade da paralisia cerebral no prematuro — é a intervenção com finalidade neuroprotetora específica. O corticoide antenatal é essencial, mas seu benefício central é a maturação pulmonar, com redução de síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e enterocolite; atribuir a ele o papel neuroprotetor é a troca mais comum entre as duas intervenções, que na prática são usadas juntas. Tocolíticos servem para ganhar tempo para o corticoide, não para proteger o cérebro.
Gestante de 29 semanas em trabalho de parto prematuro, com colo dilatado 3 cm e contrações regulares. Qual a indicação do sulfato de magnésio nesse contexto?
Antes de 32 semanas, o sulfato de magnésio é administrado para neuroproteção fetal, reduzindo paralisia cerebral e disfunção motora grosseira. Confundi-lo com tocolítico é o erro clássico: seu efeito uterolítico é fraco, e os agentes de escolha para inibir contrações são bloqueadores de canal de cálcio ou antagonistas de receptor de ocitocina. A maturação pulmonar cabe ao corticoide.
Gestante de 30 semanas apresenta contrações regulares, dolorosas, com modificação cervical progressiva e dilatação de 3 cm, bolsa íntegra, sem sinais de infecção. Qual a conduta?
O tratamento do trabalho de parto prematuro tem objetivo definido e limitado: ganhar cerca de 48 horas para que o corticoide antenatal exerça seu efeito máximo sobre a maturação pulmonar e para viabilizar a transferência a um serviço com unidade neonatal adequada. Abaixo de 32 semanas, acrescenta-se sulfato de magnésio para neuroproteção fetal, reduzindo paralisia cerebral. Manter tocólise indefinidamente não prolonga significativamente a gestação e expõe a paciente a efeitos adversos. Prematuridade, por si, não é indicação de cesariana, que segue critérios obstétricos.
Sobre os agentes tocolíticos, assinale a alternativa correta:
Entre os tocolíticos, o nifedipino e os antagonistas de receptor de ocitocina se firmaram pelo melhor perfil de segurança, enquanto os betamiméticos foram abandonados por taquicardia, arritmias, hiperglicemia e edema agudo de pulmão materno. O sulfato de magnésio, na obstetrícia atual, tem papel de NEUROPROTEÇÃO fetal e de prevenção de convulsão na pré-eclâmpsia, não de tocolítico de escolha. A indometacina é eficaz, mas restrita a idades gestacionais menores e a cursos curtos, pelo risco de fechamento do canal arterial e de oligoâmnio. Tocólise de manutenção não demonstrou benefício.
Sobre a corticoterapia antenatal para maturação pulmonar fetal, assinale a alternativa correta:
Corticoide antenatal reduz síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular, enterocolite necrosante e mortalidade neonatal. O maior benefício ocorre quando o nascimento se dá entre 24 horas e 7 dias após o início/primeira dose do curso; ainda assim, não se deve deixar de administrar quando o parto é provável em menos de 24 horas, pois pode haver benefício precoce. A redação anterior contava o intervalo a partir da última dose e deslocava a janela. Cursos semanais repetidos não são recomendados rotineiramente. Fontes: https://www.who.int/publications/i/item/9789240057296 ; https://www.acog.org/clinical/clinical-guidance/committee-opinion/articles/2017/08/antenatal-corticosteroid-therapy-for-fetal-maturation
Gestante de 29 semanas em uso de indometacina para tocólise apresenta redução do índice de líquido amniótico e, na ecocardiografia fetal, constrição do ducto arterioso. Qual o mecanismo envolvido?
A indometacina inibe a ciclo-oxigenase e reduz a síntese de prostaglandinas, das quais dependem tanto a manutenção do fluxo plasmático renal fetal quanto a patência do ducto arterioso: daí o oligoâmnio e a constrição ductal, efeitos que limitam o uso do fármaco a cursos curtos e antes de 32 semanas. Bloqueio de canais de cálcio corresponde ao nifedipino, e as demais explicações não correspondem à farmacologia do medicamento.
Gestante de 32 anos, com 22 semanas, gestação única, colo medindo 18 mm em ultrassonografia transvaginal, sem contrações e com membranas íntegras, tem antecedente de parto prematuro espontâneo em 30 semanas. Qual a conduta preventiva mais adequada?
Em gestação única com parto prematuro espontâneo prévio e colo uterino menor que 25 mm identificado antes de 24 semanas, deve-se oferecer cerclagem indicada por ultrassonografia. A progesterona vaginal pode ser discutida individualmente, mas não substitui a indicação claramente estabelecida de cerclagem neste cenário. Corticoide antenatal depende de risco de parto nos dias seguintes; tocólise profilática, repouso absoluto e cesariana programada não tratam o colo curto assintomático. A redação anterior, com diagnóstico apenas às 26 semanas, extrapolava a janela de evidência. Fonte: FIGO good practice recommendations on cervical cerclage, 2021, PMID 34520055.
Gestante de 27 semanas com rotura prematura de membranas e trabalho de parto prematuro em evolução, com parto previsto nas próximas horas. Além do corticoide antenatal, qual medida está indicada e com qual objetivo?
Diante de parto prematuro iminente abaixo de 32 semanas, o sulfato de magnésio é indicado para neuroproteção fetal, reduzindo paralisia cerebral e disfunção motora grave — indicação distinta de seu uso na pré-eclâmpsia e diferente de tocólise. Considerá-lo tocolítico de primeira linha engana porque ele de fato relaxa a musculatura uterina e já foi usado com essa finalidade, mas hoje a indicação obstétrica nesse cenário é neuroprotetora e os tocolíticos de escolha são outros. Fenobarbital, vitamina K materna e imunoglobulina não têm indicação nesse contexto.
Gestante de 31 semanas com diabetes tipo 1 recebe indicação de corticoterapia antenatal por risco de parto prematuro. Qual a repercussão esperada e a conduta?
O corticoide antenatal aumenta a resistência insulínica e a gliconeogênese, e o efeito hiperglicemiante é expressivo nas primeiras 24 a 72 horas, podendo desencadear cetoacidose em diabéticas tipo 1. A conduta correta não é abrir mão do benefício, que é a redução de mortalidade, desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e enterocolite no prematuro, mas antecipar o efeito: intensificar a monitorização glicêmica e aumentar temporariamente as doses de insulina, com retorno gradual às doses habituais. Contraindicar o corticoide é o erro mais custoso, porque troca um problema manejável por um desfecho neonatal grave. Dizer que não há repercussão desconhece a magnitude do efeito. Reduzir a insulina inverte a direção do ajuste e é a alternativa mais perigosa. E o sulfato de magnésio serve à neuroproteção fetal, não à maturação pulmonar, funções que não se substituem.
Sobre o sulfato de magnésio para neuroproteção fetal na iminência de parto prematuro, qual afirmativa está correta?
O sulfato de magnésio administrado antes do parto prematuro reduz paralisia cerebral e disfunção motora grosseira no seguimento, com benefício mais consistente abaixo de 32 semanas, e é usado quando o parto é considerado iminente. Seu efeito tocolítico é fraco e não é essa a indicação, o que engana quem o associa apenas à eclâmpsia e à inibição uterina. Ele complementa, e não substitui, o corticoide, e os dois são usados juntos. A vigilância inclui reflexos, diurese e frequência respiratória pelo risco de intoxicação.
Gestante de 32 semanas com trabalho de parto prematuro, hipertensa crônica em uso de metildopa e com frequência cardíaca de 96 bpm. Qual tocolítico apresenta melhor perfil nesse contexto?
O bloqueador de canal de cálcio é tocolítico de primeira linha em boa parte dos protocolos por eficácia comparável aos betamiméticos com menos efeitos adversos maternos, e em hipertensa soma o benefício de reduzir a pressão arterial. Os betamiméticos causam taquicardia, tremor, hiperglicemia e edema pulmonar, o que os torna má escolha aqui. A indometacina é evitada após 32 semanas pelo risco de fechamento do canal arterial e oligoâmnio. Metilergometrina e ocitocina são uterotônicos, e usá-los engana por inverter completamente o efeito desejado.
Gestante com antecedente de parto prematuro espontâneo com 31 semanas, atualmente com 16 semanas de gestação única. Qual a conduta profilática indicada?
Em gestação única com antecedente de parto prematuro espontâneo, recomenda-se acompanhar seriadamente o comprimento cervical por ultrassonografia transvaginal, em geral entre 16 e 24 semanas. Após a retirada do 17-OHPC, a ACOG não recomenda progesterona vaginal como prevenção universal na ausência de colo encurtado; ela pode ser oferecida quando se documenta colo curto. Cerclagem depende da história obstétrica e da medida cervical, não sendo automática para todas. Repouso, antibiótico e tocolítico profiláticos não previnem rotineiramente a recorrência. Fontes: https://www.acog.org/clinical/clinical-guidance/practice-advisory/articles/2023/04/updated-clinical-guidance-for-the-use-of-progestogen-supplementation-for-the-prevention-of-recurrent-preterm-birth ; https://publications.smfm.org/publications/507-smfm-statement-response-to-the-food-and-drug-administrations/
Gestante de 33 semanas em trabalho de parto prematuro, com rastreio para estreptococo do grupo B desconhecido. Qual a conduta quanto à profilaxia antibiótica intraparto?
Quando o rastreio para estreptococo do grupo B é desconhecido, a profilaxia intraparto é indicada empiricamente diante de fatores de risco: trabalho de parto antes de 37 semanas, rotura de membranas por mais de 18 horas, febre intraparto, bacteriúria pelo agente na gestação atual ou recém-nascido prévio com doença invasiva. A droga de escolha é a penicilina cristalina, alternativamente a ampicilina. Aguardar a cultura engana porque o resultado leva dias e o parto está em curso, perdendo-se a janela de proteção neonatal.
Gestante de 30 semanas com contrações regulares e dolorosas a cada 5 minutos e colo com 3 cm de dilatação. Qual conjunto terapêutico está indicado?
O objetivo da tocólise não é impedir o parto indefinidamente, e sim ganhar as 48 horas necessárias para o corticoide agir e, quando indicado, para transferir a gestante; abaixo de 32 semanas o sulfato de magnésio reduz paralisia cerebral. Cerclagem em trabalho de parto ativo é contraindicada. Ocitocina agrava a situação, e alta com repouso desperdiça intervenções que mudam o prognóstico neurológico do recém-nascido.
Qual método é considerado o mais acurado para a avaliação do comprimento cervical no rastreamento de risco de parto prematuro?
A via transvaginal com bexiga vazia e técnica padronizada é o padrão para medir o colo, por permitir visualização adequada do orifício interno e reprodutibilidade entre observadores. O toque digital avalia mal a porção supravaginal e tem baixa concordância. A via transabdominal com bexiga cheia engana por superestimar sistematicamente o comprimento, já que a bexiga distendida aproxima artificialmente as paredes cervicais, podendo mascarar um colo curto e afunilamento. Ressonância não é método de rastreio nesse contexto.
Qual das seguintes situações contraindica a tocólise em gestante com contrações prematuras?
A tocólise busca ganhar tempo para o corticoide, e esse tempo só faz sentido quando a permanência intrauterina é segura. Sangramento ativo por descolamento, corioamnionite, sofrimento fetal, pré-eclâmpsia grave, óbito fetal e malformação incompatível com a vida são contraindicações, porque prolongar a gestação nesses cenários agrava mãe ou feto. Considerar o antecedente de prematuridade ou uma idade gestacional específica como contraindicação engana quem confunde fator de risco para prematuridade com impedimento ao uso do tocolítico.
Gestante de 27 anos, 30 semanas, apresenta contrações uterinas regulares há 4 horas, com colo de 2 cm de dilatação e 60% de esvaecimento, bolsa íntegra, sem sangramento. Temperatura 36,5 °C, cardiotocografia sem alterações. Qual a conduta imediata?
Trabalho de parto prematuro entre 24 e 34 semanas exige corticoterapia antenatal, que reduz síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular, enterocolite necrosante e mortalidade neonatal. A tocólise não melhora desfechos por si, mas compra as 48 horas necessárias para o corticoide agir e para eventual transferência. Abaixo de 32 semanas, e em muitos protocolos até 34, acrescenta-se sulfato de magnésio para neuroproteção. Manter a tocólise até o termo engana quem imagina que segurar o parto é o objetivo, sem benefício e com efeitos adversos.
Qual é o fator de risco isolado mais fortemente associado à recorrência de parto prematuro espontâneo?
O antecedente de parto prematuro espontâneo é o preditor isolado mais forte de recorrência, com risco que cresce conforme o número de eventos prévios e quanto mais precoce foi o parto anterior; por isso essa história orienta o uso de progesterona e a vigilância do comprimento cervical. Outros fatores relevantes incluem gemelaridade, colo curto, infecções, tabagismo, intervalo interpartal curto e cirurgias cervicais prévias. Escolher variáveis neutras ou protetoras engana quem responde por eliminação sem hierarquizar magnitude de risco.
Qual esquema de corticoterapia antenatal está recomendado para maturação pulmonar fetal?
Os esquemas validados são betametasona em duas doses intramusculares de 12 mg com intervalo de 24 horas e dexametasona em quatro doses de 6 mg a cada 12 horas; ambos atravessam bem a placenta por não serem inativados pela enzima placentária, ao contrário da prednisona e da hidrocortisona, que são metabolizadas e por isso não servem para o efeito fetal. O benefício máximo ocorre entre 24 horas e 7 dias após a primeira dose. Repetições semanais indefinidas enganam e associam-se a menor crescimento fetal.
Gestante gemelar dicoriônica de 31 semanas apresenta trabalho de parto prematuro com colo de 3 cm e contrações regulares. Qual conjunto de medidas está indicado?
O objetivo da tocólise é ganhar até 48 horas para corticoterapia antenatal e, quando necessário, transferência para serviço com suporte neonatal, e não prolongar a gestação indefinidamente. Diante de parto prematuro iminente antes de 32 semanas, acrescenta-se sulfato de magnésio para neuroproteção fetal. Aos 31 semanas, a alternativa C reúne essas medidas. Fonte: WHO recommendations for care of the preterm or low-birth-weight infant, 2022.
Qual é o principal fator de risco isolado para parto prematuro espontâneo em uma gestação atual?
A recorrência é o preditor mais forte e organiza toda a estratégia preventiva, definindo quem recebe progesterona e quem tem indicação de vigilância do comprimento cervical. Idade em faixa intermediária, ganho ponderal adequado e suplementação são fatores neutros ou protetores. Primiparidade é fator de risco para outras condições obstétricas, mas não é o principal determinante de prematuridade espontânea.
Sobre a fisiopatologia do trabalho de parto prematuro, qual afirmativa está correta?
O parto prematuro é entendido como síndrome com vias finais comuns, ativadas por mecanismos distintos: infecção e inflamação intra-amniótica, sobretudo nas idades gestacionais mais precoces, isquemia uteroplacentária, sobredistensão como na gemelaridade e no polidrâmnio, doença cervical, hemorragia decidual e estresse com ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Reduzir tudo à infecção engana quem memoriza a causa mais estudada, e explica por que nenhuma intervenção isolada resolve todos os casos.
Gestante de 28 semanas recebeu ciclo completo de corticoide antenatal com 26 semanas. Agora retorna com trabalho de parto prematuro ativo. Qual a conduta quanto à corticoterapia?
O efeito máximo da corticoterapia ocorre entre 24 horas e 7 dias após a primeira dose e decai depois, o que justifica um ciclo de resgate quando o parto volta a se tornar iminente antes de 34 semanas e o ciclo anterior está distante. A repetição semanal sistemática foi abandonada por associar-se a menor peso, menor perímetro cefálico e possível repercussão neurocomportamental — é a armadilha de quem confunde resgate pontual com curso repetido. O sulfato de magnésio tem alvo neurológico e não substitui o efeito pulmonar.
Recém-nascido de 30 semanas apresenta desconforto respiratório progressivo nas primeiras horas de vida, com gemência, retrações e necessidade crescente de oxigênio. Radiografia de tórax mostra infiltrado reticulogranular difuso com broncogramas aéreos. Qual o diagnóstico e a medida que teria reduzido esse risco?
O padrão reticulogranular difuso com broncogramas aéreos em prematuro com desconforto progressivo é a doença da membrana hialina, decorrente da deficiência de surfactante, principal causa de morbimortalidade respiratória nessa idade gestacional. A corticoterapia antenatal acelera a maturação pulmonar e reduz a incidência e a gravidade do quadro, sendo essa a intervenção obstétrica de maior impacto. A taquipneia transitória engana por também cursar com desconforto precoce, mas é mais comum em termos, tem padrão radiológico de congestão e curso autolimitado.
Gestante de 24 semanas com colo uterino de 18 mm à ultrassonografia transvaginal, assintomática, sem antecedente de parto prematuro. Qual a conduta com maior evidência de benefício?
Em gestante assintomática, sem antecedente de prematuridade, o colo curto detectado no segundo trimestre tem na progesterona vaginal a intervenção de melhor evidência, reduzindo parto prematuro e morbidade neonatal. A cerclagem é indicada quando há antecedente de perdas com colo curto ou em situações de dilatação com membranas expostas, e não como resposta automática a uma medida isolada. Repouso no leito não reduz prematuridade e aumenta tromboembolismo, e tocolítico profilático crônico não tem eficácia demonstrada.
Gestante de 24 anos com 30 semanas, em trabalho de parto prematuro com dilatação de 6 cm e parto considerado iminente nas próximas horas. Além do corticoide, qual medida traz benefício neurológico ao recém-nascido?
O sulfato de magnésio administrado antes do parto abaixo de 32 semanas reduz paralisia cerebral e disfunção motora grosseira no sobrevivente, e essa é sua indicação neuroprotetora, distinta do uso na pré-eclâmpsia. A nifedipina é tocolítico e apenas ganha tempo para o corticoide, sem efeito neurológico próprio. Fenobarbital e vitamina K maternos foram testados para prevenir hemorragia intraventricular e não mostraram benefício consistente. A indometacina, além de tocolítica de uso restrito, associa-se a fechamento precoce do ducto arterial e oligoâmnio, e não protege a matriz germinativa.
Gestante de 27 anos, 28 semanas, com contrações irregulares e colo fechado ao toque. A ultrassonografia transvaginal mostra comprimento cervical de 32 mm. Qual a interpretação mais adequada?
O comprimento cervical tem alto valor preditivo negativo: acima de 25 a 30 mm em gestante sintomática, a chance de parto nos próximos 7 dias é baixa, o que evita internação, tocólise e corticoide desnecessários. Tratar como risco iminente é o erro de quem valoriza só a queixa de contrações irregulares. A progesterona vaginal profilática se apoia em colo curto, tipicamente abaixo de 25 mm no segundo trimestre, e não se aplica a 32 mm. Cerclagem de emergência pressupõe dilatação com membranas expostas. A via transvaginal é justamente o padrão, e a abdominal é menos acurada.
Gestante de 31 anos, 31 semanas, em trabalho de parto prematuro. Apresenta temperatura de 38,4 °C, taquicardia materna de 118 bpm, líquido amniótico com odor fétido e taquicardia fetal de 178 bpm. Qual a conduta quanto à tocólise?
Febre materna, taquicardia materna e fetal e líquido fétido configuram corioamnionite, situação em que prolongar a gestação aumenta sepse materna e neonatal; a conduta é antibioticoterapia de amplo espectro e resolução da gestação. Também contraindicam a tocólise o sofrimento fetal agudo, o descolamento prematuro, a hemorragia materna com instabilidade e o óbito fetal. A tentação de ganhar 48 horas para o corticoide é o erro típico: o corticoide pode ser feito, mas não se segura o parto sob infecção intramniótica. A escolha do agente tocolítico é irrelevante quando existe contraindicação absoluta, e a indometacina apenas mascara a febre.
Gestante de 26 anos, 30 semanas e 2 dias, procura a emergência com contrações dolorosas há 4 horas. Ao exame: 3 contrações em 10 minutos, colo com 3 cm de dilatação e 70% de esvaecimento, bolsa íntegra, batimentos cardiofetais normais. Qual o diagnóstico?
O diagnóstico de trabalho de parto prematuro exige as duas pernas: contratilidade regular entre 22 e 36 semanas e 6 dias somada a modificação cervical documentada — exatamente o que a vinheta traz. Chamar de falso trabalho é o erro de quem se apoia só na idade gestacional e ignora o colo modificado. O descolamento prematuro cursa com hipertonia, sangramento e sofrimento fetal, ausentes aqui. A incompetência istmocervical caracteriza-se por dilatação indolor e progressiva, sem contrações, o oposto do quadro. Abortamento, por definição, ocorre abaixo de 20 a 22 semanas.
Gestante de 25 anos, 33 semanas, em trabalho de parto prematuro franco, com dilatação de 5 cm e swab retovaginal para estreptococo do grupo B não realizado. Qual a conduta antibiótica?
Trabalho de parto prematuro com status desconhecido para estreptococo do grupo B é indicação de profilaxia intraparto, ao lado de bacteriúria pela bactéria na gestação atual, filho anterior com doença invasiva, rotura de membranas por mais de 18 horas e febre intraparto. A droga de escolha é a penicilina cristalina, com ampicilina como alternativa e, na alergia, cefazolina ou clindamicina conforme o teste de sensibilidade. Esperar o resultado do swab é o erro que custa a janela terapêutica, pois o efeito depende de pelo menos 4 horas antes do nascimento. O esquema de latência com ampicilina e azitromicina pertence à rotura prematura de membranas pré-termo, não à bolsa íntegra.
Gestante de 28 anos, 29 semanas, em trabalho de parto prematuro confirmado, com colo de 4 cm. Qual esquema de corticoterapia antenatal está indicado e qual seu principal benefício?
O esquema clássico é betametasona 12 mg intramuscular em duas doses com intervalo de 24 horas, ou dexametasona 6 mg a cada 12 horas em quatro doses, na janela de 24 a 34 semanas, com benefício máximo entre 24 horas e 7 dias após a primeira dose. O ganho vai além do pulmão: reduz desconforto respiratório, hemorragia intraventricular, enterocolite necrosante e mortalidade neonatal. Corticoides sem passagem placentária preservada, como prednisona e hidrocortisona, não servem, pois são largamente inativados pela 11-beta-hidroxiesteroide desidrogenase placentária. Dose única de dexametasona não completa o esquema.
Sobre a prevenção da doença da membrana hialina no prematuro, qual intervenção antenatal tem impacto comprovado?
O corticoide antenatal acelera a maturação pulmonar e reduz não apenas a doença da membrana hialina, mas também a hemorragia peri-intraventricular, a enterocolite necrosante e a mortalidade neonatal, sendo uma das intervenções de melhor custo-efetividade em perinatologia. O surfactante é eficaz, mas é administrado ao recém-nascido por via traqueal, e a tocólise apenas ganha tempo para o corticoide agir e para a transferência a centro adequado.
Gestante de 22 anos, com 29 semanas, chega à maternidade com contrações regulares há quatro horas, duas a cada dez minutos, dolorosas. Ao toque: colo com 3 cm de dilatação, 70% de esvaecimento, bolsa íntegra. Ausculta fetal de 142 bpm, sem sangramento nem febre. A ultrassonografia recente mostrava crescimento fetal adequado. Não há sinais de infecção nem de descolamento placentário. Assinale a conduta inicial mais apropriada nesse cenário.
Em trabalho de parto prematuro entre 24 e 34 semanas sem contraindicações, associa-se corticoterapia antenatal para maturação pulmonar, tocólise para ganhar o tempo necessário à ação do corticoide e transferência segura, e sulfato de magnésio para neuroproteção fetal abaixo de 32 semanas. A indicação sistemática de cesárea pela prematuridade não tem respaldo: a via de parto segue as indicações obstétricas habituais. Hidratação e repouso não demonstraram eficácia como tocolíticos em ensaios clínicos. A tocólise não é contraindicada abaixo de 32 semanas; ao contrário, é justamente nessa faixa que o ganho de tempo tem maior impacto neonatal.
Gestante de 26 anos, com 35 semanas e 4 dias, é internada com pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade e será submetida a resolução da gestação em 48 horas por piora dos níveis pressóricos. Ela não recebeu corticoide antenatal nesta gestação e a maturidade pulmonar fetal não foi avaliada. O feto tem crescimento adequado e boa vitalidade. A equipe discute a indicação de corticoterapia neste momento. Assinale a alternativa correta.
Ensaios clínicos mostraram que o corticoide antenatal administrado no período pré-termo tardio, entre 34 semanas e 36 semanas e 6 dias, reduz a morbidade respiratória neonatal quando o parto é previsto em até sete dias, de modo que a indicação pode ser considerada. Afirmar contraindicação formal após 34 semanas desconsidera essa evidência. Cursos semanais repetidos indiscriminadamente associam-se a menor peso e perímetro cefálico e não são recomendados. O benefício máximo ocorre entre 24 horas e sete dias após a primeira dose, e não com antecedência de duas semanas.
Gestante de 24 anos, com 27 semanas, está em trabalho de parto prematuro em franca evolução, com 8 cm de dilatação, e o nascimento é considerado iminente pela equipe da maternidade. Ela recebeu a primeira dose de corticoide há duas horas. A cardiotocografia é categoria I e não há sinais de infecção. A equipe discute medidas adicionais de proteção neonatal antes do parto. Assinale a intervenção indicada neste momento.
Diante de parto prematuro iminente abaixo de 32 semanas, o sulfato de magnésio administrado à gestante reduz de forma consistente a ocorrência de paralisia cerebral no recém-nascido, sendo intervenção de neuroproteção reconhecida. Manter tocólise com dilatação de 8 cm é ineficaz e apenas retarda o cuidado neonatal adequado. Antibiótico sem indicação infecciosa não tem efeito neuroprotetor. O surfactante é administrado ao recém-nascido por via traqueal, e não à mãe por via venosa.
Gestante de 22 anos, com 29 semanas e 4 dias, chega à maternidade de referência com contrações regulares há quatro horas e colo com 3 cm de dilatação e 70% de esvaecimento. A bolsa está íntegra, o cardiotocograma é tranquilizador e não há sinais de infecção. Foram indicadas corticoterapia antenatal com betametasona e tocólise com nifedipino. O plantonista pergunta se há outra medida farmacológica com benefício comprovado para o recém-nascido nessa idade gestacional. A intervenção adicional indicada é
Abaixo de 32 semanas, o sulfato de magnésio administrado à mãe antes do parto prematuro iminente reduz a incidência de paralisia cerebral e disfunção motora grosseira no recém-nascido, sendo indicação de neuroproteção independente do uso do corticoide. Antibiótico prolongado só tem benefício demonstrado na rotura prematura de membranas pré-termo, não no trabalho de parto prematuro com bolsa íntegra, onde pode aumentar desfechos adversos. A progesterona previne prematuridade em colo curto assintomático, mas não age como tocolítico no trabalho de parto já instalado. A imunoglobulina anti-D depende de mãe Rh negativa não sensibilizada, e não é medida de neuroproteção.
Gestante de 29 anos, com 34 semanas, comparece ao pré-natal e relata que sente contrações irregulares, indolores ou pouco dolorosas, que ocorrem algumas vezes ao dia e cessam com o repouso e a mudança de posição. Nega perda de líquido, sangramento ou redução da movimentação fetal. Ao exame, o colo está posterior, fechado e com comprimento preservado, o útero está normotônico entre as contrações e os batimentos cardiofetais estão em 140 bpm. A pressão arterial é de 112x70 mmHg. A conduta correta é
Contrações irregulares, indolores, que cedem com repouso, em colo fechado e sem esvaecimento, correspondem a contrações de Braxton Hicks, achado fisiológico que demanda orientação e educação sobre sinais de alarme, sem intervenção. Internar e tocolisar qualquer contratilidade gera medicalização desnecessária e exposição a efeitos adversos. Progesterona vaginal tem indicação na prevenção da prematuridade em colo curto ou antecedente de parto prematuro, o que não se aplica a colo com comprimento preservado. Repouso absoluto não previne prematuridade e aumenta o risco tromboembólico.
Gestante de 31 anos, com 36 semanas, chega ao pronto-atendimento obstétrico com dor lombar em faixa e contrações a cada cinco minutos há três horas. Ao exame, o colo está centralizado, com 3 cm de dilatação, 60% de esvaecimento e bolsa íntegra. Ela é reavaliada após duas horas e a dilatação passa a 4 cm, com esvaecimento de 80%. A cardiotocografia é tranquilizadora, a pressão arterial é de 116x72 mmHg e não há perda de líquido ou sangramento. A conduta obstétrica adequada é
Contrações regulares com modificação cervical documentada em duas avaliações caracterizam trabalho de parto prematuro instalado; a conduta é internação, corticoterapia antenatal, que mantém benefício no pré-termo tardio, e eventual tocólise para permitir a ação do corticoide ou a transferência a serviço com recursos neonatais. Liberar para casa desperdiça a janela de corticoterapia. Ocitocina acelera um parto que se deseja postergar. Cesariana pela prematuridade isolada não tem indicação e acrescenta morbidade materna sem benefício para o recém-nascido em apresentação cefálica.
Gestante de 32 anos, com 28 semanas, comparece à consulta e informa que sua última gestação terminou com parto prematuro de 30 semanas e que o bebê ficou internado por dois meses. Nesta gestação, ela usa progesterona vaginal desde 16 semanas, o colo mede 30 mm e não há contrações. Ela pergunta se pode continuar trabalhando como caixa de supermercado, permanecendo em pé oito horas por dia. Considerando as evidências sobre prevenção da prematuridade, a orientação correta é
Não há evidência de que repouso absoluto ou afastamento sistemático do trabalho previnam a prematuridade, e o repouso prolongado acarreta risco tromboembólico, perda muscular e prejuízo econômico; a orientação é adequar as condições ergonômicas e manter a vigilância. A progesterona vaginal é mantida conforme o protocolo do serviço, geralmente até cerca de 36 semanas, e não deve ser suspensa nesse momento. Cerclagem não se indica com colo de 30 mm e ausência de dilatação, sendo o procedimento reservado a colo curto significativo ou dilatação com membranas expostas.
Gestante de 21 anos, com 32 semanas, chega à maternidade referindo perda de líquido e contrações. Ao exame especular, observa-se saída de líquido claro e o colo apresenta 4 cm de dilatação. A cardiotocografia é tranquilizadora e ela está afebril. A maternidade local não dispõe de unidade de terapia intensiva neonatal e o serviço de referência fica a 80 km. A paciente está estável, com pressão arterial de 116x72 mmHg. Considerando a regionalização do cuidado perinatal, a conduta correta é
O transporte intrauterino é comprovadamente mais seguro que o transporte do recém-nascido prematuro, e a conduta é estabilizar, iniciar corticoterapia e utilizar tocólise para ganhar tempo, transferindo a gestante ao serviço com terapia intensiva neonatal. Assistir o parto no local e transportar o recém-nascido depois eleva morbidade e mortalidade neonatal. Manter internada sem transferência resulta em parto prematuro em serviço sem estrutura. Cesariana imediata não tem indicação obstétrica no caso e não resolve a ausência de retaguarda neonatal.
Gestante de 32 anos, com 28 semanas, é internada por trabalho de parto prematuro e recebe tocólise com nifedipino. Após duas horas, refere cefaleia, rubor facial e palpitações, e a pressão arterial cai de 118x74 para 88x52 mmHg, com frequência cardíaca de 122 bpm. A cardiotocografia mantém padrão tranquilizador e as contrações reduziram para uma em dez minutos. Ela não usa outros medicamentos e não recebeu sulfato de magnésio. A conduta correta é
Hipotensão sintomática com taquicardia reflexa é efeito adverso conhecido do nifedipino, e a conduta é suspender ou reduzir a dose, expandir volume e reavaliar a tocólise, eventualmente com outro agente. Associar sulfato de magnésio ao nifedipino potencializa a hipotensão e o bloqueio neuromuscular, sendo combinação a ser evitada. Aumentar a dose agrava a vasodilatação. Betabloqueador em paciente hipotensa reduz o débito cardíaco e a perfusão placentária, além de mascarar sinais de deterioração.
Gestante de 26 anos, com 28 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde relatando contrações uterinas dolorosas e regulares a cada dez minutos há duas horas, com sensação de pressão pélvica. Nega perda de líquido, sangramento ou febre. Ao exame: PA 112x70 mmHg, FC 92 bpm, útero com contrações palpáveis durante a avaliação, altura uterina compatível, batimentos cardiofetais de 146 bpm, sem sinais de infecção. É a primeira gestação, sem intercorrências prévias registradas no pré-natal. A conduta correta é:
Contrações regulares e dolorosas com 28 semanas configuram suspeita de trabalho de parto prematuro, situação em que o encaminhamento imediato para maternidade com retaguarda neonatal permite avaliação, eventual tocólise, corticoterapia para maturação pulmonar e neuroproteção, medidas que reduzem morbimortalidade neonatal. Repouso domiciliar e hidratação isolados retardam essas intervenções. Analgesia com consulta na semana seguinte ignora a urgência. Toques seriados na unidade não substituem a avaliação especializada e consomem tempo crítico para a corticoterapia.
Gestante de 26 anos, com 30 semanas, chega à maternidade com contrações uterinas regulares e dolorosas, três em dez minutos, e colo com 3 cm de dilatação e 70% de esvaecimento. Ao exame, pressão arterial de 118 x 72 mmHg, temperatura axilar de 36,7 °C, bolsa íntegra, batimentos cardiofetais de 148 bpm, sem sangramento vaginal e sem sinais de infecção. A ultrassonografia confirma feto único em apresentação cefálica, com peso estimado adequado. A conduta que mais reduz a morbimortalidade neonatal é:
O corticoide antenatal é a intervenção com maior impacto na redução de síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular, enterocolite necrosante e mortalidade neonatal na prematuridade, sendo prioridade absoluta nessa faixa de idade gestacional, com tocólise usada para permitir o ciclo e a transferência a serviço com estrutura neonatal adequada. Antibiótico isolado não altera a maturação pulmonar. Cesariana imediata não traz benefício e antecipa o nascimento prematuro. Repouso absoluto não previne parto prematuro.
Gestante de 24 anos, com 29 semanas, encontra-se em trabalho de parto prematuro com dilatação de 6 cm e progressão rápida, sem sinais de infecção nem de descolamento placentário. A pressão arterial é de 116 x 72 mmHg, sem proteinúria e sem sintomas de iminência de eclâmpsia. Já recebeu a primeira dose de corticoide antenatal e o parto é considerado iminente nas próximas horas. Os batimentos cardiofetais estão normais e o feto é único, em apresentação cefálica. A conduta adicional recomendada é:
Além do corticoide antenatal, o sulfato de magnésio administrado antes do parto muito prematuro reduz o risco de paralisia cerebral e de disfunção motora grave no recém-nascido, sendo indicado com finalidade de neuroproteção fetal quando o nascimento prematuro é iminente, independentemente da presença de pré-eclâmpsia. Restringir seu uso a crises hipertensivas confunde as duas indicações. Tocólise com dilatação avançada e parto iminente é ineficaz. Deixar de oferecer a neuroproteção perde uma intervenção com benefício comprovado.
Gestante de 33 anos, com 31 semanas, é internada com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e recebe corticoterapia antenatal com betametasona. Ela tem diabetes mellitus tipo 2 prévio, em uso de insulina, com controle glicêmico adequado antes da internação. Após a primeira dose do corticoide, as glicemias capilares sobem para valores entre 220 e 280 mg/dL. Ela está assintomática, sem cetonúria, com pressão arterial controlada e cardiotocografia tranquilizadora. A conduta correta é
O corticoide antenatal provoca hiperglicemia transitória, previsível e manejável, exigindo intensificação da monitorização e ajuste temporário das doses de insulina, sem que se abra mão do benefício comprovado sobre a morbimortalidade neonatal. Suspender a corticoterapia priva o feto de proteção relevante. Suspender a insulina em paciente com glicemias muito elevadas expõe a cetoacidose. Aguardar a normalização sem ajuste mantém a paciente em hiperglicemia significativa por dias.
Gestante de 30 anos, com 27 semanas, é internada com quadro de apendicite aguda confirmada e submetida a apendicectomia videolaparoscópica sem intercorrências. No pós-operatório imediato, a equipe discute a necessidade de tocólise profilática e de corticoterapia antenatal. Ela está estável, afebril, com dor controlada, útero normotônico, sem contrações e com cardiotocografia tranquilizadora. Não houve perfuração apendicular e não há sinais de peritonite ou de infecção residual. A conduta correta é
Após cirurgia não obstétrica na gestação, a tocólise profilática de rotina não demonstrou benefício e expõe a efeitos adversos, sendo a conduta a vigilância da contratilidade e o tratamento apenas se houver trabalho de parto prematuro, com corticoide reservado ao risco iminente de parto. Corticoterapia universal em toda cirurgia não é recomendada. Antecipar o parto no pós-operatório imediato de uma cirurgia bem-sucedida acrescenta prematuridade sem indicação obstétrica.
Gestante de 30 anos, com 27 semanas, é internada com quadro de apendicite aguda confirmada e submetida a apendicectomia videolaparoscópica sem intercorrências. No pós-operatório imediato, a equipe discute a necessidade de tocólise profilática e de corticoterapia antenatal. Ela está estável, afebril, com dor controlada, útero normotônico, sem contrações e com cardiotocografia tranquilizadora. Não houve perfuração apendicular e não há sinais de peritonite ou de infecção residual. Ela recebeu antibioticoprofilaxia perioperatória, mantém boa aceitação de dieta e deambula sem dificuldade no primeiro dia de pós-operatório. O peso fetal estimado é adequado e o líquido amniótico é normal à ultrassonografia. A conduta correta é
Após cirurgia não obstétrica na gestação, a tocólise profilática de rotina não demonstrou benefício e expõe a efeitos adversos, sendo a conduta a vigilância da contratilidade e o tratamento apenas se houver trabalho de parto prematuro, com corticoide reservado ao risco iminente de parto. Corticoterapia universal em toda cirurgia não é recomendada. Antecipar o parto no pós-operatório imediato de uma cirurgia bem-sucedida acrescenta prematuridade sem indicação obstétrica.
Gestante de 22 anos, com 25 semanas, é atendida na maternidade com contrações regulares e colo com 2 cm de dilatação e 50% de esvaecimento, com bolsa íntegra. Ela não tem sinais de infecção, a cardiotocografia é tranquilizadora e o crescimento fetal é adequado. A maternidade dispõe de unidade neonatal com capacidade para prematuros extremos. A paciente e o companheiro perguntam sobre as chances do bebê e sobre o que será feito. A conduta correta inclui
No trabalho de parto prematuro em idade gestacional viável, as intervenções que modificam o prognóstico são a corticoterapia antenatal, o sulfato de magnésio para neuroproteção abaixo de 32 semanas e a tocólise para permitir sua administração e a transferência intrauterina, com aconselhamento conjunto da neonatologia. Abster-se de intervir contraria os desfechos obtidos em serviços com estrutura adequada. Tocólise isolada desperdiça as intervenções de maior impacto. Cesariana imediata sem indicação obstétrica não melhora o desfecho.
Gestante de 29 anos, com 35 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta e relata que sente contrações dolorosas a cada dez minutos há duas horas, com dor lombar em faixa e perda de tampão mucoso. Ela está preocupada e pergunta se deve ir à maternidade agora. Ao exame, o útero apresenta contrações palpáveis, o colo está posterior, com 1 cm de dilatação e 30% de esvaecimento, e os batimentos cardiofetais estão em 142 bpm. Não há perda de líquido nem sangramento. A conduta correta é
Contrações regulares e dolorosas antes de 37 semanas, com modificação cervical incipiente, exigem avaliação em maternidade para confirmar ou afastar trabalho de parto prematuro e instituir corticoterapia e demais medidas quando indicado. Orientar repouso domiciliar retarda intervenções de impacto. Basear a tranquilização na perda do tampão mucoso é inadequado, pois ele não define o intervalo até o parto. Prescrever tocolítico em unidade básica sem avaliação obstétrica e sem monitorização não é conduta segura.
Gestante de 27 anos, com 31 semanas, é internada com diagnóstico de trabalho de parto prematuro e recebe corticoterapia antenatal com betametasona, completando o ciclo. Após 48 horas, o trabalho de parto cessa espontaneamente e ela recebe alta. Duas semanas depois, com 33 semanas, retorna com novas contrações regulares e modificação cervical, com bolsa íntegra e sem sinais de infecção. A cardiotocografia é tranquilizadora e o crescimento fetal é adequado. A equipe discute a repetição do corticoide. A conduta correta é
A dose de resgate de corticoide antenatal é considerada quando o ciclo inicial foi administrado há mais de uma a duas semanas, a idade gestacional permanece abaixo do limite recomendado e há risco iminente de parto nos próximos dias, com benefício sobre a morbidade respiratória neonatal. Ciclos semanais repetidos associam-se a redução do crescimento e do perímetro cefálico. Vedar qualquer repetição desconsidera a evidência da dose de resgate. Corticoide após 37 semanas não tem essa indicação.
Gestante de 32 anos, com 36 semanas e 4 dias, é internada com pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade e a equipe decide pela resolução da gestação. Ela pergunta se o bebê receberá corticoide antes do parto, pois uma amiga recebeu. Ela está estável, com pressão arterial controlada, exames laboratoriais normais e cardiotocografia reativa, com peso fetal estimado adequado para a idade gestacional. Não há sinais de sofrimento fetal nem de deterioração materna. A orientação correta quanto ao corticoide antenatal é
O maior benefício do corticoide antenatal ocorre abaixo de 34 semanas, com uso seletivo no pré-termo tardio conforme protocolo e sem adiar a resolução quando ela está indicada por condição materna ou fetal. Adiar a resolução por 48 horas em todos os casos pode expor a paciente a deterioração. Administrar corticoide até 40 semanas não tem respaldo. Negar qualquer benefício do corticoide antenatal contraria uma das intervenções mais bem documentadas da obstetrícia.
Gestante de 24 anos, com 31 semanas, procura a maternidade com contrações irregulares e desconforto abdominal há algumas horas. Nega perda de líquido, sangramento vaginal, febre e sintomas urinários. Ao exame, temperatura axilar de 36,7 °C, pressão arterial de 114 x 72 mmHg, dinâmica uterina de duas contrações em dez minutos, de fraca intensidade, colo posterior, com 1 cm de dilatação, 30% de esvaecimento e bolsa íntegra. Os batimentos cardiofetais estão normais e a ultrassonografia mostra comprimento cervical preservado. A conduta adequada é:
Contrações irregulares com colo pouco modificado e comprimento cervical preservado não confirmam trabalho de parto prematuro, sendo a conduta observar por período adequado, hidratar, investigar causas como infecção urinária e vaginal e reavaliar o colo, evitando intervenções desnecessárias. Iniciar tocólise e corticoide em todas as gestantes com contrações irregulares expõe a efeitos adversos sem benefício. Cesariana imediata é conduta inaceitável nesse contexto. Liberar sem reavaliação impede identificar a progressão de um trabalho de parto verdadeiro.
Gestante de 31 anos, com 34 semanas, é internada com trabalho de parto prematuro em maternidade sem unidade neonatal, sendo a referência regional a 100 km de distância. Ela está com 3 cm de dilatação, bolsa íntegra, cardiotocografia tranquilizadora e sem sinais de infecção. A pressão arterial é de 116x72 mmHg e ela está estável. A ambulância com equipe treinada está disponível e o trajeto leva cerca de 90 minutos, com condições adequadas de transporte. A conduta correta é
O transporte intrauterino é mais seguro que o transporte neonatal, e a conduta é iniciar corticoterapia, considerar tocólise para viabilizar o deslocamento e transferir a gestante estável para o serviço com unidade neonatal, com comunicação prévia. Assistir o parto no local e transferir o recém-nascido eleva a morbimortalidade. Manter internada sem transferência resulta em parto prematuro sem retaguarda neonatal. Cesariana imediata não tem indicação obstétrica e não resolve a ausência de estrutura neonatal.
Gestante de 35 anos, com 26 semanas, é internada com trabalho de parto prematuro e a equipe inicia tocólise. A paciente pergunta por quanto tempo o medicamento será mantido e se ele impedirá o parto até o termo. Ela está estável, com pressão arterial de 118x74 mmHg, cardiotocografia tranquilizadora, sem sinais de infecção e sem sangramento. O colo está com 3 cm de dilatação e 60% de esvaecimento, e o corticoide foi iniciado. A orientação correta sobre a tocólise é
A tocólise tem como objetivo prolongar a gestação por até 48 horas, tempo suficiente para a ação do corticoide antenatal e para a transferência a serviço com unidade neonatal, sem benefício demonstrado no uso prolongado ou de manutenção. Manter tocólise até o termo não é recomendado e expõe a efeitos adversos. A tocólise não elimina o risco de prematuridade. Ela não substitui a corticoterapia, que é a intervenção com maior impacto sobre a morbimortalidade neonatal.
Gestante de 22 anos, com 29 semanas, é internada com trabalho de parto prematuro e recebe nifedipino para tocólise. Ela tem antecedente de hipotensão e refere tontura ao levantar. Após a primeira dose, a pressão arterial cai de 108x66 para 86x54 mmHg, com frequência cardíaca de 118 bpm e queixa de cefaleia e rubor facial. A cardiotocografia mantém padrão tranquilizador e as contrações reduziram de quatro para duas em dez minutos. Ela está consciente e sem dispneia. A conduta correta é
Hipotensão sintomática com taquicardia reflexa é efeito adverso do nifedipino, e a conduta é reduzir ou suspender o fármaco, expandir volume e reavaliar, considerando outro tocolítico se a inibição das contrações ainda for necessária. Associar sulfato de magnésio potencializa a hipotensão e o bloqueio neuromuscular. Aumentar a dose agrava a vasodilatação. Betabloqueador em paciente hipotensa reduz o débito cardíaco e a perfusão uteroplacentária.
Gestante de 33 anos, com 30 semanas, é internada com trabalho de parto prematuro e a equipe discute o uso de sulfato de magnésio. Ela já recebeu corticoterapia e está com contrações regulares, dilatação de 4 cm e parto considerado iminente nas próximas horas. Ela está estável, com pressão arterial de 118x74 mmHg, reflexos presentes, frequência respiratória de 16 ipm e diurese adequada, sem sinais de infecção. A cardiotocografia é tranquilizadora e o feto tem crescimento adequado. A indicação correta do sulfato de magnésio nesse contexto é
Abaixo de 32 semanas, com parto prematuro iminente, o sulfato de magnésio é indicado para neuroproteção fetal, reduzindo a incidência de paralisia cerebral e de disfunção motora grosseira. Ele não é o tocolítico de primeira escolha e sua eficácia como tocolítico é limitada. A profilaxia de eclâmpsia aplica-se a pré-eclâmpsia com sinais de gravidade ou eclâmpsia, não a todas as internadas. Ele não promove maturação pulmonar nem substitui o corticoide antenatal.
Gestante de 27 anos, com 35 semanas, comparece à maternidade com queixa de contrações e o exame mostra colo com 2 cm de dilatação e 50% de esvaecimento, com bolsa íntegra. Após duas horas de observação, o exame permanece inalterado e as contrações tornaram-se irregulares. Ela está estável, com cardiotocografia tranquilizadora, sem sinais de infecção, sem sangramento e sem perda de líquido. A ultrassonografia transvaginal mostra colo de 30 mm e o teste de fibronectina fetal não está disponível no serviço. A conduta correta é
Contrações sem modificação cervical em observação seriada, com colo de comprimento preservado, tornam improvável o parto nos próximos dias, permitindo alta com orientação de sinais de alarme e retorno programado, evitando internações e intervenções desnecessárias. Tocolisar toda contratilidade antes do termo gera exposição desnecessária a efeitos adversos. Corticoide indiscriminado sem risco iminente de parto não é recomendado. Cesariana não é conduta para ameaça de parto prematuro.
Mulher, 27 anos, G2P1, com 30 semanas e 4 dias, interna com contrações regulares e dilatação de 2 cm, colo com 60% de esvaecimento e cervicometria de 18 mm. PA 112/70 mmHg, FC 90 bpm, T 36,5 °C. Feto único, cefálico, cardiotocografia categoria I. Nega perda de líquido ou sangramento e não apresenta sinais de infecção. Recebeu tocólise com nifedipino. Qual o esquema de corticoterapia antenatal indicado?
Betametasona 12 mg por via intramuscular a cada 24 horas, em duas doses, é o esquema padrão de corticoterapia antenatal, indicado entre 24 e 34 semanas quando há risco de parto prematuro nos próximos 7 dias, com benefício máximo entre 24 horas e 7 dias após a primeira dose; a alternativa aceita é dexametasona 6 mg a cada 12 horas em quatro doses. A dexametasona 4 mg a cada 8 horas em seis doses não corresponde ao esquema validado, com dose por administração insuficiente. A hidrocortisona é inativada pela 11-beta-hidroxiesteroide desidrogenase placentária e não atinge o feto em concentração eficaz. A prednisona também é largamente metabolizada pela placenta e não é usada para maturação pulmonar. A metilprednisolona em dose única não tem estudo que sustente indicação para essa finalidade.
Mulher, 31 anos, G1P0, com 29 semanas, em trabalho de parto prematuro franco, dilatação de 6 cm, com progressão apesar da tocólise. PA 118/72 mmHg, FC 92 bpm, reflexos patelares presentes, diurese adequada. Já recebeu a primeira dose de betametasona há 10 horas. Feto único, cefálico, peso estimado de 1.250 g, cardiotocografia categoria I. A equipe discute o uso de sulfato de magnésio. Qual a indicação correta nesse contexto?
O sulfato de magnésio está indicado para neuroproteção fetal, pois reduz a incidência de paralisia cerebral e de disfunção motora grosseira quando administrado a gestantes com parto prematuro iminente abaixo de 32 semanas, exatamente o cenário de 29 semanas com dilatação de 6 cm e progressão. Restringir seu uso à profilaxia de convulsão na pré-eclâmpsia ignora essa segunda indicação consolidada. Argumentar que a tocólise com magnésio é ineficaz confunde as finalidades: o objetivo aqui não é inibir o parto, e sim proteger o cérebro fetal. Condicionar o uso a sofrimento fetal agudo é incorreto, já que a indicação é a prematuridade extrema, e o traçado é normal. Administrar o sulfato ao recém-nascido após o nascimento não reproduz o efeito, que depende da exposição intraútero antes do parto.
Mulher, 24 anos, G2P1, com 28 semanas, apresenta contrações regulares há 4 horas, com 3 cm de dilatação e 70% de esvaecimento, bolsa íntegra. PA 96/58 mmHg, FC 104 bpm, T 36,5 °C. Cardiotocografia categoria I, sem sinais de infecção ou sangramento. É asmática, em uso de corticoide inalatório, e refere episódio recente de broncoespasmo. Recebeu a primeira dose de betametasona há 1 hora. Qual a melhor escolha de tocolítico neste caso?
O nifedipino por via oral é a melhor escolha, pois é tocolítico de primeira linha, tem boa eficácia em prolongar a gestação por 48 horas — tempo necessário para completar o corticoide antenatal —, e evita o agonista beta-adrenérgico em paciente com hipotensão limítrofe e taquicardia, exigindo apenas vigilância da pressão arterial. O salbutamol intravenoso agrava a taquicardia materna e associa-se a edema pulmonar, sendo desaconselhado apesar do efeito broncodilatador. A indometacina pode ser usada por curto período abaixo de 32 semanas, mas o esquema prolongado por 10 dias eleva o risco de fechamento do ducto arterial e oligoâmnio. A atosibana não é contraindicada nesta idade gestacional, e o sulfato de magnésio, nesse contexto, tem papel de neuroproteção, não de tocólise. Negar a tocólise é incorreto, pois abaixo de 34 semanas ela é justamente indicada para viabilizar a corticoterapia.
Mulher, 26 anos, G2P1, com 33 semanas e 2 dias, é internada por trabalho de parto prematuro com dilatação de 3 cm. Recebeu ciclo completo de betametasona com 27 semanas, durante episódio anterior que foi revertido. PA 116/72 mmHg, FC 88 bpm, T 36,6 °C, sem sinais de infecção. Cardiotocografia categoria I, feto com peso estimado de 1.950 g. Bolsa íntegra e boa dinâmica uterina. Qual a conduta correta quanto ao corticoide?
Administrar um ciclo de resgate é a conduta correta: quando o ciclo anterior foi feito há mais de 14 dias, o parto é iminente e a idade gestacional ainda é inferior a 34 semanas, um único ciclo adicional reduz a morbidade respiratória neonatal. Afirmar que o efeito é permanente é incorreto, pois o benefício máximo ocorre entre 24 horas e 7 dias após a aplicação e declina depois. Repetir ciclos semanais múltiplos é prática abandonada, associada a menor peso, menor perímetro cefálico e possíveis efeitos neurocomportamentais. A dexametasona oral em dose baixa por 10 dias não corresponde a esquema validado. Adiar até 8 cm de dilatação retiraria a janela mínima de ação do fármaco, que precisa de horas para produzir efeito.
Mulher, 30 anos, G3P2, com 15 semanas, teve dois partos prematuros espontâneos anteriores, com 32 e 34 semanas, ambos precedidos de contrações, sem rotura de membranas prévia. Está assintomática, PA 114/70 mmHg, cervicometria atual de 33 mm. Urocultura negativa e exame especular sem alterações. Pergunta o que pode ser feito para reduzir o risco de repetir a prematuridade nesta gestação. Qual a conduta indicada?
Progesterona para prevenção do parto prematuro recorrente, associada a cervicometria seriada a partir de 16 semanas para identificar encurtamento e considerar cerclagem se o colo ficar abaixo de 25 mm, é a conduta indicada em paciente com antecedente de prematuridade espontânea e colo atualmente normal. A cerclagem eletiva imediata não é indicada apenas pelo antecedente de parto prematuro com contrações, situação distinta da insuficiência istmocervical com perdas indolores de 2º trimestre. O repouso absoluto não previne prematuridade e aumenta o risco tromboembólico. A antibioticoterapia profilática mensal não reduz prematuridade em paciente sem infecção documentada e favorece resistência. A tocólise profilática contínua não é eficaz na prevenção primária e expõe a efeitos adversos sem benefício.
Mulher, 29 anos, G2P1, com 35 semanas e 2 dias, é internada por rotura prematura de membranas com líquido claro, sem contrações e sem sinais de infecção. T 36,5 °C, PA 116/72 mmHg, FC 84 bpm, cardiotocografia categoria I. Nunca recebeu corticoterapia antenatal nesta gestação. A equipe planeja a resolução em 24 a 48 horas e discute se há benefício em administrar corticoide nesta idade gestacional. Qual a conduta correta?
Considerar a corticoterapia antenatal é a conduta correta, pois há benefício demonstrado na redução de morbidade respiratória em prematuros tardios selecionados que não receberam ciclo prévio, sem que sua administração deva retardar a resolução quando esta estiver indicada. Adiar o parto por 7 dias com membranas rotas eleva de forma inaceitável o risco de corioamnionite. Prolongar a gestação até 39 semanas com bolsa rota é conduta inadequada, pois a resolução é recomendada a partir de 34 semanas nessa situação. Administrar dois ciclos completos não é indicado, pois ciclos múltiplos associam-se a redução do crescimento fetal. Indicar cesariana imediata é incorreto, já que a rotura de membranas não define a via de parto.
Mulher, 30 anos, G2P1, com 26 semanas, em trabalho de parto prematuro com 6 cm de dilatação, feto único em apresentação cefálica, peso estimado de 850 g, cardiotocografia categoria I, bolsa íntegra. Recebeu corticoterapia e sulfato de magnésio para neuroproteção. PA 118/74 mmHg, sem sinais de infecção. O serviço dispõe de unidade neonatal terciária e equipe presente na sala de parto. Qual a conduta correta quanto à via de parto?
O parto vaginal é a conduta correta, pois em feto prematuro em apresentação cefálica com vitalidade preservada a cesariana não demonstrou reduzir morbimortalidade neonatal, e a via alta nessa idade gestacional frequentemente exige histerotomia corporal, com repercussão importante para gestações futuras, devendo ser reservada a indicações obstétricas ou apresentações não cefálicas. Afirmar obrigatoriedade da cesariana em todo prematuro extremo não encontra respaldo. A monitorização fetal é possível no prematuro, ainda que a interpretação exija cautela pelas particularidades do traçado. Contraindicar o parto vaginal por risco de hemorragia intracraniana generaliza indevidamente uma preocupação que não se confirmou em apresentação cefálica. Prescindir da monitorização em feto viável de 26 semanas é inaceitável.
Quatro gestantes com 30 semanas apresentam contrações regulares e modificação cervical. A primeira tem corioamnionite clínica com febre e líquido fétido. A segunda tem descolamento prematuro de placenta com sangramento ativo. A terceira tem pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e plaquetopenia progressiva. A quarta está estável, sem sangramento, sem febre e com cardiotocografia categoria I e colo de 20 mm. Em qual paciente a tocólise está indicada?
A tocólise está indicada apenas na paciente estável, sem sinais de infecção, sangramento ou sofrimento fetal, com o objetivo de ganhar 48 horas para a corticoterapia antenatal e, quando necessário, para a transferência a serviço com unidade neonatal adequada. Na corioamnionite, prolongar a gestação mantém mãe e feto expostos à infecção e piora os desfechos. No descolamento prematuro de placenta com sangramento ativo, a tocólise mascara o quadro e retarda a resolução, além de não conter o sangramento. Na pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e deterioração laboratorial, a indicação é resolver a gestação, não prolongá-la. Afirmar que a prematuridade supera qualquer outro risco ignora que essas condições ameaçam a vida materna e fetal de forma mais imediata.
Mulher, 33 anos, com diabetes mellitus tipo 1 em uso de insulina, com 31 semanas, é internada por trabalho de parto prematuro e recebe indicação de corticoterapia antenatal. Glicemias domiciliares vinham dentro das metas. PA 118/74 mmHg, sem sinais de infecção, cardiotocografia categoria I. A equipe discute como conduzir o controle glicêmico durante e após a administração da betametasona nas próximas 48 horas. Qual conduta é a correta?
A conduta correta é administrar o corticoide, cujo benefício sobre a morbidade respiratória neonatal é claro, e intensificar a monitorização glicêmica com ajuste das doses de insulina, que costumam necessitar de aumento expressivo nas 24 a 72 horas seguintes, período em que o risco de hiperglicemia e de cetoacidose é maior. Contraindicar o corticoide em diabéticas priva o recém-nascido de benefício relevante, pois o risco metabólico é manejável. Suspender a insulina é erro grave, com risco de cetoacidose. Reduzir a dose de corticoide pela metade compromete a eficácia sem base em evidência. O sulfato de magnésio tem papel de neuroproteção fetal, e não de maturação pulmonar, não substituindo o corticoide.
Secretaria municipal de saúde busca reduzir a taxa de prematuridade, atualmente em 12%. A análise mostra alta proporção de gestantes com captação tardia, tabagismo, infecções urinárias não tratadas, curto intervalo interpartal, ausência de rastreio de colo curto e alta taxa de cesarianas eletivas antes de 39 semanas em gestações de risco habitual e sem indicação clínica documentada. Qual conjunto de medidas é o mais adequado?
O conjunto correto reúne captação precoce no pré-natal, apoio à cessação do tabagismo, rastreio e tratamento de bacteriúria assintomática, planejamento reprodutivo com intervalo interpartal adequado, rastreio de colo curto com uso de progesterona vaginal quando indicada e restrição de cesarianas eletivas antes de 39 semanas sem indicação clínica, medidas que atuam sobre as causas identificadas na análise local. Ampliar apenas leitos neonatais trata a consequência, não a causa. Aumentar cesarianas eletivas elevaria a prematuridade iatrogênica. Tocolítico profilático universal não previne prematuridade e expõe a efeitos adversos. Cerclagem profilática universal em nulíparas não tem indicação e pode ser deletéria.
Equipe revisa as indicações de corticoterapia antenatal e discute cinco cenários: trabalho de parto prematuro com 28 semanas; rotura prematura de membranas com 30 semanas sem infecção; cesariana eletiva programada para 38 semanas em gestante sem comorbidades; pré-eclâmpsia grave com 32 semanas e indicação de resolução em 48 horas; e gestante com 35 semanas e indicação de parto por restrição de crescimento, sem ciclo prévio. Assinale a alternativa em que a corticoterapia antenatal NÃO está indicada.
A corticoterapia antenatal não está indicada na cesariana eletiva programada para 38 semanas em gestante sem comorbidades, pois nessa idade gestacional o benefício respiratório não justifica a intervenção, sendo a conduta apropriada evitar a cesariana antes de 39 semanas sem indicação clínica. No trabalho de parto prematuro com 28 semanas a indicação é clássica. Na rotura prematura de membranas com 30 semanas sem infecção o corticoide reduz morbidade respiratória e hemorragia intraventricular. Na pré-eclâmpsia grave com 32 semanas e resolução programada em 48 horas há tempo hábil para o benefício. Na indicação de parto com 35 semanas sem ciclo prévio, o corticoide para prematuridade tardia pode ser considerado em pacientes selecionadas.
Mulher, 26 anos, com 29 semanas, é internada por trabalho de parto prematuro com 3 cm de dilatação, bolsa íntegra, sem sinais de infecção, com cardiotocografia normal. O plantonista prescreve tocólise com nifedipino, betametasona, sulfato de magnésio para neuroproteção, antibiótico de amplo espectro de rotina e repouso absoluto no leito por tempo indeterminado, além de manter a paciente em jejum prolongado. Assinale a alternativa que apresenta a conduta INADEQUADA nessa prescrição.
A conduta inadequada é a prescrição de antibiótico de amplo espectro de rotina associada a repouso absoluto no leito e jejum prolongado: o antibiótico não é indicado no trabalho de parto prematuro com membranas íntegras e sem infecção, podendo inclusive associar-se a piores desfechos, o repouso absoluto aumenta o risco tromboembólico sem prevenir o parto e o jejum prolongado não traz benefício. A tocólise com nifedipino é apropriada para ganhar 48 horas. A betametasona está indicada para maturação pulmonar antes de 34 semanas. O sulfato de magnésio para neuroproteção é recomendado abaixo de 32 semanas com parto iminente. A internação para vigilância materno-fetal é adequada nesse contexto.
Maternidade de baixa complexidade recebe gestante de 26 anos com 27 semanas, em trabalho de parto prematuro inicial com 2 cm de dilatação, bolsa íntegra, sem sinais de infecção e com cardiotocografia normal. O serviço não dispõe de unidade neonatal de terapia intensiva. Há vaga confirmada em hospital terciário a 90 minutos de distância e ambulância com equipe qualificada disponível no momento. Qual conduta é a correta?
A conduta correta é iniciar corticoterapia antenatal e tocólise, comunicar o serviço terciário e transferir a gestante ainda grávida, pois a transferência in utero se associa a melhores desfechos neonatais do que o transporte do recém-nascido prematuro após o nascimento, que envolve instabilidade térmica, hemodinâmica e respiratória. Aguardar o nascimento em serviço sem unidade neonatal e transportar depois piora o prognóstico. Improvisar suporte ventilatório local sem estrutura adequada é inaceitável. Realizar cesariana imediata impõe prematuridade e cirurgia sem indicação, além de não resolver a falta de estrutura. Transferir sem iniciar corticoide e tocólise desperdiça intervenções que podem ser feitas em paralelo ao preparo do transporte.
Mulher, 31 anos, com 30 semanas, recebe betametasona por ameaça de parto prematuro. Nas 48 horas seguintes, apresenta glicemias capilares elevadas, com valores de jejum em torno de 130 mg/dL, sem cetonúria, além de leucócitos de 15.800/mm³ (VR 4.000–11.000) sem desvio à esquerda e sensação de palpitações. Está afebril, PA 122/78 mmHg, sem dor, sem contrações e sem sinais de infecção. Qual a interpretação correta?
A interpretação correta é de efeitos esperados da corticoterapia antenatal, que causa hiperglicemia transitória com pico entre 12 e 48 horas após a aplicação, sobretudo em diabéticas, e leucocitose sem desvio à esquerda por desmarginação, exigindo monitorização glicêmica e ajuste de insulina quando necessário, sem configurar isoladamente infecção. Diagnosticar infecção bacteriana em paciente afebril, sem foco e com leucocitose sem desvio levaria a antibiótico desnecessário. Diagnosticar diabetes tipo 1 de início súbito não se sustenta em alteração transitória associada ao corticoide. A corioamnionite exigiria febre, taquicardia fetal e útero doloroso. Não há qualquer elemento sugestivo de reação alérgica ao corticoide.
Serviço de obstetrícia revisa seu protocolo de tocólise e compara nifedipino, atosibana, indometacina e agonistas beta-adrenérgicos quanto a eficácia em prolongar a gestação por 48 horas, perfil de efeitos adversos maternos e fetais, custo e disponibilidade, considerando gestantes entre 24 e 34 semanas com trabalho de parto prematuro e sem contraindicações à inibição das contrações. Qual afirmação é a correta?
A afirmação correta é que o nifedipino e a atosibana apresentam eficácia semelhante em prolongar a gestação por 48 horas, tempo suficiente para a corticoterapia antenatal e a transferência in utero, com perfil de efeitos adversos mais favorável que o dos agonistas beta-adrenérgicos, e que a indometacina é reservada a idades gestacionais abaixo de 32 semanas e por curto período. Os agonistas beta-adrenérgicos associam-se justamente a taquicardia, hipotensão, hiperglicemia e edema pulmonar, não sendo primeira escolha. A indometacina não pode ser usada livremente até 37 semanas, pelo risco de fechamento do ducto arterial e oligoâmnio. A atosibana não é muito superior ao nifedipino. Afirmar que nenhum tocolítico prolonga a gestação por 48 horas contraria a evidência disponível.
Mulher, 26 anos, com 30 semanas, apresenta trabalho de parto prematuro com polidrâmnio associado. A equipe considera a indometacina como tocolítico, tanto pelo efeito inibidor das contrações quanto pela redução do volume de líquido amniótico. A paciente não tem contraindicações gastrointestinais nem renais, PA 116/72 mmHg, sem sinais de infecção, com cardiotocografia normal e feto de crescimento adequado. Qual afirmação é a correta?
A afirmação correta é que a indometacina pode ser utilizada como tocolítico por curto período, geralmente até 48 a 72 horas, e preferencialmente abaixo de 32 semanas, com vigilância ecocardiográfica do ducto arterial e do volume de líquido amniótico, pois inibe a síntese de prostaglandinas e pode causar constrição ductal e oligoâmnio por redução do débito urinário fetal. Mantê-la por várias semanas sem risco fetal é falso. O uso após 32 semanas é justamente o período de maior risco de constrição ductal, devendo ser evitado. Reduzir os efeitos adversos à gastrite materna ignora os efeitos fetais relevantes. Afirmar que não interfere no volume de líquido amniótico contraria seu mecanismo, que inclusive é aproveitado no tratamento do polidrâmnio.
Serviço de obstetrícia revisa as indicações e os limites da tocólise em gestantes com trabalho de parto prematuro entre 24 e 34 semanas. A discussão contempla situações em que prolongar a gestação por 48 horas traz benefício claro e outras em que a manutenção da gravidez agrava o prognóstico materno ou fetal, exigindo a resolução em vez da inibição das contrações. Assinale a situação em que a tocólise NÃO deve ser realizada.
A tocólise não deve ser realizada na corioamnionite clínica, pois prolongar a gestação mantém mãe e feto expostos ao processo infeccioso, aumentando sepse materna, lesão inflamatória fetal e mortalidade neonatal. Colo com 3 cm de dilatação e traçado normal é justamente o cenário em que a inibição pode ganhar tempo. A necessidade de transferência para serviço terciário é uma das razões clássicas para inibir as contrações por 48 horas. A ausência de ciclo prévio de corticoterapia reforça a indicação, pois o objetivo é permitir a maturação pulmonar. A bolsa íntegra sem sangramento ou infecção compõe o quadro favorável à tocólise.
Mulher, 26 anos, com 30 semanas, procura a maternidade referindo contrações. A equipe precisa distinguir entre trabalho de parto prematuro estabelecido e contrações fisiológicas, revisando os critérios clínicos e ultrassonográficos que sustentam o diagnóstico e as condutas que dele decorrem, evitando tanto a internação desnecessária quanto a alta indevida da paciente. Assinale o achado que NÃO sustenta o diagnóstico de trabalho de parto prematuro.
Contrações irregulares que cedem com repouso e hidratação não sustentam o diagnóstico, correspondendo às contrações de Braxton Hicks, que não produzem modificação cervical progressiva. Contrações regulares e dolorosas a cada 5 minutos compõem o critério dinâmico do diagnóstico. A dilatação cervical de 3 cm ao toque caracteriza modificação cervical estabelecida. O esvaecimento superior a 80% também integra os critérios de modificação do colo. A cervicometria de 12 mm com afunilamento reforça o risco e ajuda a identificar as pacientes que realmente evoluirão para o parto.
Comissão de protocolos revisa as intervenções destinadas à prevenção do parto prematuro em gestantes de risco, separando as medidas com benefício demonstrado em ensaios clínicos daquelas que persistem na prática por tradição, apesar de ausência de eficácia ou de potencial dano, com o objetivo de atualizar as orientações fornecidas às gestantes do serviço. Assinale a medida que NÃO tem eficácia comprovada.
O repouso absoluto no leito não tem eficácia comprovada na prevenção do parto prematuro e ainda aumenta o risco de tromboembolismo, perda de massa muscular e impacto psicossocial e financeiro, devendo ser abandonado como prescrição rotineira. A progesterona vaginal reduz a prematuridade em colo curto assintomático. A cerclagem indicada por história em insuficiência istmocervical tem benefício demonstrado. O rastreio e o tratamento da bacteriúria assintomática reduzem pielonefrite e prematuridade. A corticoterapia antenatal antes de 34 semanas reduz morbidade e mortalidade neonatais de forma consistente.
Gestante de 28 anos, com 30 semanas, chega ao pronto-socorro com contrações irregulares há 6 horas, sem perda de líquido ou sangramento. Ao exame, colo com 1 cm de dilatação, 40% de esvaecimento e comprimento de 27 mm à ultrassonografia transvaginal. A cardiotocografia é categoria I e não há sinais de infecção. O serviço dispõe do teste de fibronectina fetal e a equipe discute seu papel na decisão de internar, iniciar tocólise e aplicar corticoide antenatal. Assinale a alternativa correta.
A fibronectina fetal tem alto valor preditivo negativo, de modo que o resultado negativo permite afastar com segurança o parto nas próximas duas semanas e evitar internações e tocólise desnecessárias, sendo esse seu papel clínico principal. Interpretar o resultado positivo como confirmatório superestima seu valor preditivo positivo, que é baixo. Colher a amostra logo após toque ou ultrassonografia transvaginal invalida o teste por contaminação, exigindo coleta antes desses procedimentos. Indicar corticoide diante de resultado negativo inverte a lógica, pois o negativo afasta o risco iminente. Considerar que o teste substitui a medida do colo é incorreto, já que os métodos são complementares e a combinação melhora a predição.
Gestante de 29 anos, com gestação gemelar dicoriônica diamniótica de 31 semanas, é internada por trabalho de parto prematuro com colo de 3 cm e contrações regulares. Ambos os fetos têm crescimento adequado e cardiotocografia categoria I. Não há sinais de corioamnionite, e a paciente não recebeu corticoide nesta gestação. A equipe discute a indicação, a dose e a possibilidade de ajuste do esquema de corticoterapia antenatal em razão da gemelaridade e do peso materno. Qual a conduta correta?
A corticoterapia antenatal em gestação gemelar segue o mesmo esquema da gestação única, pois não há evidência que sustente aumento de dose, e o benefício sobre desconforto respiratório e mortalidade neonatal se mantém. Dobrar a dose expõe mãe e fetos a efeitos adversos sem ganho demonstrado. Deixar de administrar por suposta ausência de benefício contraria as recomendações vigentes, que estendem a indicação às gestações múltiplas. Reduzir a dose pela metade compromete a eficácia sem base fisiológica. Adiar para 34 semanas perde a janela mais crítica, justamente quando o risco de desconforto respiratório é maior.
Gestante de 31 anos, com 30 semanas, relata episódios de endurecimento do abdome que ocorrem algumas vezes ao dia, indolores, com duração de cerca de 30 segundos, sem ritmo definido, mais frequentes ao final do dia e após atividade física. Nega dor lombar, sangramento ou perda de líquido. Ao exame, colo posterior, fechado, com comprimento de 38 mm à ultrassonografia transvaginal e cardiotocografia categoria I. Qual a interpretação e a conduta corretas?
Contrações irregulares, indolores e sem modificação cervical, com colo longo à ultrassonografia, caracterizam as contrações de Braxton-Hicks, fisiológicas, cuja conduta é orientação, hidratação e repouso relativo, sem tocólise. Diagnosticar trabalho de parto prematuro exige contrações regulares com modificação cervical, ausentes aqui. O descolamento prematuro cursa com dor, hipertonia e sangramento. A infecção intra-amniótica se manifesta com febre, taquicardia materna e fetal e sensibilidade uterina, e a amniocentese não é exame de rotina nesse contexto. Rotura uterina iminente é impossível em útero sem cicatriz, sem trabalho de parto e sem sinais clínicos de sofrimento.
Gestante de 30 semanas é internada com trabalho de parto prematuro em atividade e colo com 3 cm de dilatação. PA 118x74 mmHg, FC 88 bpm, T 36,6 °C; batimentos cardiofetais de 142 bpm. Não há corioamnionite, sangramento ou sofrimento fetal. A equipe discute as medidas antenatais capazes de reduzir a morbidade do recém-nascido prematuro que está por nascer. Qual a medida com maior impacto na redução da doença da membrana hialina?
A corticoterapia antenatal com betametasona em duas doses intramusculares separadas por 24 horas acelera a maturação pulmonar fetal e reduz de forma consistente a doença da membrana hialina, a hemorragia intraventricular, a enterocolite necrosante e a mortalidade neonatal. A antibioticoprofilaxia materna previne a infecção neonatal por estreptococo do grupo B, sem efeito sobre o surfactante. O sulfato de magnésio é neuroprotetor fetal, reduzindo paralisia cerebral, e não atua no pulmão. A progesterona vaginal previne o parto prematuro em colo curto, mas não tem papel com trabalho de parto já instalado. O repouso absoluto não demonstrou benefício.
Gestante de 28 semanas terá nascimento iminente e precisa de intervenção para reduzir dano neurológico associado à prematuridade, conforme protocolo. Qual medida corresponde ao objetivo explicitado?
A neuroproteção fetal é uma indicação de magnésio. Parto prematuro iminente em idade gestacional elegível pode indicar magnésio para neuroproteção, segundo protocolo. Referência: https://www.nice.org.uk/guidance/ng25
Gestante em idade elegível tem contrações e mudança cervical, sem infecção, hemorragia importante ou sofrimento fetal; busca-se pequeno intervalo para transferência. Qual medida corresponde ao objetivo explicitado?
Tocólise breve pode facilitar transferência segura e intervenções antenatais. Tocólise pode ganhar tempo para medidas benéficas ou transferência quando não há contraindicação materna ou fetal. Referência: https://www.nice.org.uk/guidance/ng25
Gestante de 26 semanas tem risco concreto de nascimento em breve. A prioridade perguntada é reduzir complicações respiratórias neonatais. Qual medida corresponde ao objetivo explicitado?
Corticoide antenatal é indicado quando critérios de elegibilidade são atendidos. Risco de parto prematuro na janela recomendada pode indicar corticoide antenatal para reduzir complicações neonatais, conforme contexto. Referência: https://www.nice.org.uk/guidance/ng25
Pessoa com prematuridade iminente às 30 semanas está dentro da janela do serviço para proteção neurológica fetal. Qual medida corresponde ao objetivo explicitado?
Sulfato de magnésio pode ser utilizado com esse objetivo. Parto prematuro iminente em idade gestacional elegível pode indicar magnésio para neuroproteção, segundo protocolo. Referência: https://www.nice.org.uk/guidance/ng25
Paciente com trabalho de parto prematuro e avaliação favorável à inibição temporária precisa de tempo para completar medidas antenatais benéficas. Qual medida corresponde ao objetivo explicitado?
Tocólise visa um intervalo curto, não prevenção indefinida do parto. Tocólise pode ganhar tempo para medidas benéficas ou transferência quando não há contraindicação materna ou fetal. Referência: https://www.nice.org.uk/guidance/ng25
Paciente em idade gestacional elegível tem parto prematuro previsto em breve; a questão solicita a intervenção de maturação pulmonar. Qual medida corresponde ao objetivo explicitado?
A finalidade corresponde ao corticoide antenatal. Risco de parto prematuro na janela recomendada pode indicar corticoide antenatal para reduzir complicações neonatais, conforme contexto. Referência: https://www.nice.org.uk/guidance/ng25
Paciente com 27 semanas está prestes a dar à luz. A equipe pergunta pelo fármaco de neuroproteção fetal, sem confundir com maturação pulmonar. Qual medida corresponde ao objetivo explicitado?
Magnésio tem finalidade neuroprotetora nesse contexto elegível. Parto prematuro iminente em idade gestacional elegível pode indicar magnésio para neuroproteção, segundo protocolo. Referência: https://www.nice.org.uk/guidance/ng25
Pessoa estável com trabalho de parto pré-termo tem indicação de inibir contrações por curto intervalo, sem contraindicação identificada. Qual medida corresponde ao objetivo explicitado?
A medida corresponde à tocólise temporária. Tocólise pode ganhar tempo para medidas benéficas ou transferência quando não há contraindicação materna ou fetal. Referência: https://www.nice.org.uk/guidance/ng25
Gestante de 31 semanas tem nascimento provavelmente próximo e ainda não recebeu intervenção indicada para maturação fetal. Qual medida corresponde ao objetivo explicitado?
Corticoide antenatal é a medida dirigida a esse objetivo. Risco de parto prematuro na janela recomendada pode indicar corticoide antenatal para reduzir complicações neonatais, conforme contexto. Referência: https://www.nice.org.uk/guidance/ng25
Gestante de 30 semanas está em trabalho de parto prematuro, sem contraindicações à inibição breve. A equipe precisa ganhar tempo para corticoide e transferência. Qual medida corresponde ao objetivo explicitado?
Tocólise de curta duração pode atender a esse objetivo. Tocólise pode ganhar tempo para medidas benéficas ou transferência quando não há contraindicação materna ou fetal. Referência: https://www.nice.org.uk/guidance/ng25
Pessoa com 29 semanas tem parto iminente e é elegível ao protocolo de proteção neurológica fetal. O objetivo é reduzir risco de paralisia cerebral. Qual medida corresponde ao objetivo explicitado?
Magnésio pode ser usado para neuroproteção nessa janela. Parto prematuro iminente em idade gestacional elegível pode indicar magnésio para neuroproteção, segundo protocolo. Referência: https://www.nice.org.uk/guidance/ng25
Gestante de 28 semanas tem alto risco de parto nos próximos dias. A pergunta é qual intervenção favorece maturação pulmonar fetal. Qual medida corresponde ao objetivo explicitado?
Corticoide antenatal atende ao objetivo de reduzir morbidade da prematuridade. Risco de parto prematuro na janela recomendada pode indicar corticoide antenatal para reduzir complicações neonatais, conforme contexto. Referência: https://www.nice.org.uk/guidance/ng25
Para acompanhar de forma comparável a tendência ilustrada, qual cuidado técnico é adequado?

Padronização reduz variações artificiais na medida.
Qual afirmação evita interpretação excessiva da curva em gestante sem contrações?

O diagnóstico clínico depende de sintomas e alterações cervicais apropriadas.
Qual tendência obstétrica relevante aparece na curva cervical?

A medida cai de 36 para 18 mm, indicando maior risco de parto prematuro conforme o contexto.
No ponto de 22 semanas, a gestante assintomática tem colo de 23 mm. Qual informação modifica decisivamente a escolha entre estratégias preventivas?

Antecedentes, gestação única ou múltipla e exame clínico influenciam a conduta.
Qual foi a redução percentual do comprimento cervical entre 16 e 24 semanas?

A redução foi (36−18)/36×100=50%.
Que dado não pode ser obtido com precisão das imagens cervicais apresentadas sem cálipers ou escala?

A comparação é morfológica, sem medida calibrada.
No par de imagens didáticas do colo, qual alteração aparece à direita em comparação com a esquerda?

O canal proximal apresenta configuração em funil.
Qual dado torna o risco de parto próximo mais consistente em A e influencia corticoide antenatal e transferência apropriada?

Progressão cervical apoia trabalho de parto; medidas dependem de probabilidade de parto, idade gestacional e condições de cuidado.
Com 29 semanas, a gestação é classificada como quê?

O nascimento antes de 37 semanas é pré-termo.
Qual finalidade da tocólise, quando indicada e sem contraindicações, é mais apropriada?

Tocólise tem objetivo temporal e exige seleção; não deve atrasar parto necessário por condição materna ou fetal.
Qual medida visa reduzir complicações respiratórias do prematuro quando há indicação antenatal?

Corticoide antenatal favorece maturação fetal em situações e idades gestacionais apropriadas.
Se A desenvolver febre, dor uterina e taquicardia fetal, como isso altera o raciocínio?

Suspeita de infecção muda prioridades; tratamento e resolução obstétrica não devem ser indevidamente adiados.
Gestante de 28 semanas e 4 dias, com suspeita de restrição de crescimento fetal, recebeu um curso de corticoide há duas semanas. Uma nova intercorrência torna o parto muito provável nas próximas 48 horas. Ao discutir um único curso de resgate segundo o NICE NG25, qual consideração adicional precisa entrar na decisão compartilhada?
O foco é a individualização da repetição. A presença de restrição não deve ser convertida nem em benefício garantido nem em proibição automática. Referências: NICE NG25. Preterm labour and birth — https://www.nice.org.uk/guidance/ng25/chapter/Recommendations
Gestante de 28 semanas recebe sulfato de magnésio para neuroproteção fetal. Durante a infusão, desenvolve oligúria persistente e elevação da creatinina, ainda sem depressão respiratória. Qual ajuste de segurança é mais apropriado?
O caso testa a resposta a uma mudança durante o tratamento. Oligúria é motivo para revisar prontamente o esquema, mesmo antes de toxicidade respiratória. Referências: NICE NG25. Preterm labour and birth — https://www.nice.org.uk/guidance/ng25/chapter/Recommendations
Gestante de 31 semanas, com contrações, membranas íntegras e sem sangramento, será avaliada com fibronectina fetal porque a cervicometria transvaginal não está disponível. Antes de iniciar o exame vaginal, qual sequência preserva melhor a interpretação do teste?
A questão avalia a sequência do procedimento: primeiro obter a amostra apropriada; depois realizar o toque, caso necessário. Referências: NICE HTG476. Biomarker tests to help diagnose preterm labour: clinical need and practice — https://www.nice.org.uk/guidance/htg476/chapter/2-Clinical-need-and-practice
Após resolução de um episódio de trabalho de parto prematuro, propõe-se alta com bomba subcutânea de terbutalina por várias semanas. A paciente pergunta se o ganho esperado compensa os riscos. Qual avaliação está de acordo com o alerta de segurança da FDA?
A questão diferencia uso agudo selecionado de manutenção durante semanas. Os riscos incluem eventos cardiovasculares maternos, tornando inadequada a proposta apresentada. Referências: FDA. Response to Citizen Petition on Terbutaline: prolonged maintenance tocolysis — https://www.fda.gov/media/80098/download
Gestante de 29 semanas completou 24 horas de infusão de sulfato de magnésio iniciada por risco de nascimento iminente. As contrações cessaram, não houve parto e a paciente está estável. Não há pré-eclâmpsia nem outra indicação materna. Segundo o esquema do NICE NG25, qual conduta é apropriada?
O limite da infusão deve ser respeitado e o risco obstétrico reavaliado. Não existe indicação materna adicional que justifique manter o medicamento neste caso. Referências: NICE NG25. Preterm labour and birth — https://www.nice.org.uk/guidance/ng25/chapter/Recommendations
Gestante de 32 semanas e 1 dia apresenta contrações e suspeita de trabalho de parto prematuro, com membranas íntegras. Não há sangramento, febre ou sofrimento fetal. A ultrassonografia transvaginal, realizada por profissional habilitado, mostra colo de 12 mm. Segundo a estratégia diagnóstica do NICE NG25, como interpretar o resultado?
O enunciado explicita a diretriz e a paciente sintomática. Esse uso da cervicometria é diferente do rastreamento de risco em gestante assintomática. Referências: NICE HTG476. Biomarker tests to help diagnose preterm labour: clinical need and practice — https://www.nice.org.uk/guidance/htg476/chapter/2-Clinical-need-and-practice
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Repasse as quatro janelas com dias: tocólise e corticoide de 24 a 33+6; sulfato de magnésio até 31+6; 34 em diante, parto assistido. Doses: nifedipina ataque 10 mg VO repetível a cada 20 min (máx. 30–40 mg) e manutenção 20 mg 8/8 h por 48 h; betametasona 12 mg IM 24/24 h, 2 doses; dexametasona 6 mg IM 12/12 h, 4 doses (quadro do MS 2022 imprime 24/24 h — saiba as duas versões); sulfato 4 g IV em 20–30 min + 1 g/h até o parto ou 24 h; penicilina cristalina 5 milhões UI + 2,5 milhões 4/4 h. Diagnóstico: 4 contrações/20 min + colo ≥ 1 cm esvaecendo. Prevenção: colo ≤ 25 mm entre 19 e 24 semanas → progesterona vaginal 200 mg/noite até 36+6; antecedente de parto pré-termo → desde 16 semanas.
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Monte de memória a conduta para três vinhetas: 29 semanas com colo 2 cm (pacote completo — e o que muda se o ataque de nifedipina falhar); 33 semanas asmática com oligoâmnio (quem tocolisa e quem está proibido); 35 semanas em fase ativa sem cultura de estreptococo B (o que entra e o que não entra). Depois responda: quando a dexametasona substitui a betametasona, quem pode receber ciclo de resgate, e por que antibiótico com bolsa íntegra não é tocolítico. Se travar em alguma janela, releia só os cards.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Secundigesta de 29 semanas com parto anterior prematuro chega com 4 contrações em 20 minutos e colo de 2 cm esvaecido, bolsa íntegra — maternidade com UTI neonatal. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
