Ginecologia e ObstetríciaParto e assistência ao nascimento

Trauma perineal: o vão dos cinquenta por cento e o ângulo que o próprio manual mede sem ninguém alcançar

Trauma perineal do parto: classificação das lacerações, reparo e prevenção

A laceração aparece em quarenta e três questões de prova desta coleção e não tem capítulo em nenhuma. O grau que decide a transferência tem um buraco exatamente na metade, muda de número entre duas edições do mesmo documento federal, e o corte que deveria evitá-lo carrega três valores de ângulo dentro do mesmo arquivo.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Após reparo de laceração perineal de quarto grau em maternidade de referência, a equipe discute a prescrição de alta. Um residente propõe supositório retal de anti-inflamatório não esteroide de rotina, citando as Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal. Qual é a avaliação correta dessa proposta?

02

Como esse tema cai

O trauma perineal é o desfecho mais comum do parto vaginal e o menos escrito dos capítulos desta apostila. Ele decide três coisas concretas: se a mulher é suturada onde está ou removida para hospital de referência, quem tem autorização para reparar, e o que se prescreve depois. As três dependem de um número — o grau — e o grau depende de uma régua federal que tem um buraco no meio.

Este capítulo trabalha o parto vaginal a termo, de risco habitual, com feto único e cefálico, e a lesão que aparece no momento do desprendimento. O recorte é a classificação do trauma, a transferência e o reparo conforme a diretriz federal brasileira, comparada com o protocolo de sociedade, com um protocolo distrital que copia a federal, e com a única medida brasileira publicada da concordância entre observadores.

Fica de fora, e onde está: a episiotomia como política de uso restritivo, com as taxas e as boas práticas do segundo período, é do capítulo de assistência ao parto normal; a laceração de trajeto como causa de sangramento, dentro do raciocínio dos quatro tês, é do capítulo de hemorragia pós-parto; os pré-requisitos e as complicações do fórcipe e do vácuo são do capítulo de cesariana e parto vaginal operatório. Aqui entra apenas a lesão em si — como se nomeia, quem repara e o que muda com o nome.

O aviso que organiza a leitura inteira: a diretriz federal brasileira publica duas classificações incompatíveis do mesmo trauma, em dois pontos do mesmo arquivo, e a diferença entre elas não é de redação. Uma tem três subgraus no terceiro grau; a outra tem dois. Quem estudou por uma responde errado a questão escrita pela outra.

03

O que muda decisão

O grau que decide a transferência, e o vão que fica exatamente na metade

A recomendação 178 da diretriz federal de 2017 define o trauma perineal ou genital como aquele provocado por episiotomia ou lacerações, e o divide em quatro graus. O primeiro é lesão apenas da pele e mucosas. O segundo é lesão dos músculos perineais sem atingir o esfíncter anal. O quarto envolve o complexo do esfíncter anal, interno e externo, e o epitélio anal.

O terceiro grau é o que carrega a decisão, e é o que tem o problema. A letra do documento subdivide assim: 3a, laceração de menos de cinquenta por cento da espessura do esfíncter anal; 3b, laceração de mais de cinquenta por cento da espessura do esfíncter anal; 3c, laceração do esfíncter anal interno.

Leia de novo os dois primeiros. Menos de cinquenta por cento é 3a. Mais de cinquenta por cento é 3b. Exatamente cinquenta por cento não pertence a nenhum. O vão não é curiosidade tipográfica: 3a e 3b têm o mesmo destino imediato nesta diretriz, mas a distinção entre eles é a que a literatura usa para prognóstico de continência, e é a que a banca escreve na alternativa quando quer separar quem leu do que decorou o rótulo.

Há um segundo silêncio na mesma linha. O documento diz cinquenta por cento da espessura do esfíncter anal, sem dizer qual — e o subgrau seguinte, o 3c, é justamente o interno. Por eliminação, 3a e 3b falam do externo; a recomendação nunca escreve a palavra externo. Quem monta a resposta pela recomendação sozinha não tem como saber qual músculo está sendo medido.

A mesma frase, dois números, e uma duplicata dentro de cada edição

A classificação aparece duas vezes em cada um dos dois arquivos oficiais, com números diferentes das duas vezes. Na edição de janeiro de 2016, submetida a consulta pública, ela é a recomendação 174 no bloco de recomendações e a recomendação 175 quando o mesmo arquivo a repete no corpo de evidências, cerca de duzentas e cinquenta páginas adiante.

Na edição aprovada em 2017, a mesma frase é a recomendação 178 no bloco e a recomendação 179 na repetição. Quatro números para uma frase só, em dois arquivos que o Ministério da Saúde publica como o mesmo documento.

O desvio entre as edições não é constante, e essa é a parte que engana. Medido em nove pontos do texto, ele vale quatro para tudo o que está a partir da metade do bloco: episiotomia de rotina passa de 143 para 147, massagem perineal de 138 para 142, sutura absorvível de 191 para 195, supositório retal de 193 para 197, terceiro período prolongado de 148 para 152. Mas na recomendação do partograma com linha de ação de quatro horas o desvio é um, de 96 para 97.

Ou seja: entre a recomendação 97 e a recomendação 142 a edição de 2017 inseriu três recomendações novas, e todo endereço decorado da versão antiga passa a apontar para o lugar errado a partir dali. Não existe soma fixa que converta uma numeração na outra. Enunciado que cita número de recomendação sem dizer a edição está pedindo uma resposta que depende de qual arquivo o examinador abriu.

Três grafias do órgão que separa o segundo grau do terceiro

A fronteira entre o segundo e o terceiro grau é uma única estrutura: o esfíncter anal. Se ele não foi atingido, é segundo grau; se foi, é terceiro. Nada no capítulo depende mais dessa palavra.

Na edição de 2016 ela aparece escrita de quatro maneiras. A forma correta, esfíncter, trinta e sete vezes. E três formas erradas: esfínciter, duas vezes, exatamente na linha que define o segundo grau; esfíncte, uma vez, na linha que define o 3c; e esfínceter, uma vez, dentro dos parênteses do quarto grau.

A edição de 2017 corrigiu uma das três. Sobraram esfínciter, duas vezes, e esfínceter, uma. A que foi consertada é a do 3c — a linha do subgrau que a outra versão do próprio documento nem tem. As duas edições também carregam, no corpo de evidências, a mesma palavra colada, provocado porepisiotomia, sem espaço, transportada de um arquivo para o outro sem revisão.

Isso não é implicância com revisão de texto. Uma busca por esfíncter no arquivo oficial não devolve a linha que define o segundo grau, porque naquela linha a palavra não está escrita assim. Quem monta resumo por busca automática perde justamente a fronteira.

O primeiro grau tem duas definições, e o terceiro grau tem duas classificações

A recomendação 178 diz: primeiro grau, lesão apenas da pele e mucosas. O corpo de evidências do mesmo arquivo, ao apresentar a definição de origem, diz: primeiro grau, lesão apenas na pele. Uma laceração restrita à mucosa vaginal, sem pele rompida, é trauma de primeiro grau por uma das frases e não é por outra.

Duas colunas de caixas empilhadas lado a lado: na da esquerda, a terceira caixa está dividida em três faixas; na da direita, a mesma caixa está dividida em duas faixas mais espessas; entre elas, um sinal de igualdade riscado.
O mesmo arquivo federal publica duas listas do trauma perineal: numa, o terceiro grau tem três subgraus; noutra, dois. A lesão do esfíncter interno muda de nome conforme a página.

A divergência maior está no terceiro grau. No bloco de recomendações há três subgraus: 3a, 3b e 3c, com o esfíncter interno isolado em 3c. No corpo de evidências há dois: 3a, lesão menor que cinquenta por cento da espessura do esfíncter anal externo; e 3b, lesão maior de cinquenta por cento da espessura do esfíncter anal externo com laceração do esfíncter anal interno.

As consequências são diretas. Pela recomendação, uma mulher com lesão do esfíncter interno é 3c. Pelo corpo do mesmo arquivo, é 3b — e só é 3b se o externo também estiver rompido em mais de metade, o que a recomendação não exige. E note que o corpo escreve externo, resolvendo a ambiguidade que a recomendação deixa aberta, sem que nenhuma das duas remeta à outra.

Para a prova, a regra prática é a que separa as duas fontes pelo enunciado: se a questão oferece 3c entre as alternativas, ela foi escrita a partir do bloco de recomendações. Se a questão descreve o esfíncter interno e não oferece 3c, foi escrita a partir da definição de origem.

O ângulo: uma faixa federal, um ponto da sociedade, e um instante que só um dos dois escreve

A episiotomia é, pela própria definição da diretriz, uma das duas causas de trauma perineal. A recomendação 148 fixa a técnica: médio-lateral, originando na fúrcula vaginal, direcionada para o lado direito, com um ângulo do eixo vertical entre quarenta e cinco e sessenta graus.

O protocolo da federação de sociedades não dá faixa, dá ponto, e acrescenta o instante que a diretriz omite: recomenda-se a técnica mediolateral, com atenção especial para garantir que o ângulo esteja a sessenta graus da linha média com o períneo distendido.

A diferença entre faixa e ponto é menor do que a diferença entre ter e não ter o instante. O ângulo de um corte no períneo muda conforme o períneo esteja relaxado ou distendido pelo polo cefálico coroando — e o mesmo gesto produz números diferentes nos dois momentos. A régua federal pede um ângulo e não diz quando medir; o mesmo corte satisfaz e não satisfaz a recomendação 148, dependendo do instante escolhido para conferir.

O protocolo de sociedade explicita a dificuldade em vez de escondê-la: garantir a precisão deste ângulo é difícil, pois no período expulsivo ocorre estiramento dos tecidos e dilatação do canal anal.

O próprio manual publica a medida de que ninguém alcança o ângulo que ele recomenda

No corpo de evidências, algumas centenas de páginas depois da recomendação 148, a mesma diretriz federal reproduz um estudo com uma frase que o bloco de recomendações não cita: nenhuma das enfermeiras obstétricas ou obstetrizes fez uma episiotomia adequada, e somente vinte e dois por cento dos médicos obstetras realizaram uma episiotomia médio-lateral adequada, com ângulo de pelo menos quarenta graus a partir da linha média.

Um transferidor com três aberturas radiais de tamanhos diferentes saindo do mesmo ponto, e uma quarta abertura tracejada e bem mais fechada abaixo delas, ao lado de duas silhuetas de períneo, uma relaxada e outra distendida.
Três ângulos convivem no mesmo arquivo federal, e um quarto vem da medida da cicatriz: a abertura que se pretende cortar não é a abertura que sobra depois do parto.

São, agora, três números para o mesmo ângulo dentro do mesmo arquivo. Quarenta graus é o limiar de adequação usado para medir quem acerta. Quarenta e cinco graus é o piso da recomendação. Sessenta graus é o teto. O documento nunca põe os três lado a lado, e nunca observa que o limiar com que ele reprova a prática é mais baixo do que o piso que ele recomenda.

O protocolo de sociedade fecha a conta com um quarto número, medido na cicatriz e não na intenção: quando a episiotomia médio-lateral é realizada com intenção de ângulo de mais de quarenta e cinco graus, a cicatriz apresenta ângulo resultante de cerca de vinte graus em relação à linha média do períneo. E conclui que a incisão com maior angulação, de sessenta graus, é necessária para que o ângulo resultante após o nascimento tenha os quarenta e cinco desejados.

A leitura combinada é obrigatória e nenhum dos dois documentos a faz, então ela vai declarada como conta de terceiro: se cortar com intenção acima de quarenta e cinco graus deixa uma cicatriz em torno de vinte, e se são precisos sessenta de incisão para chegar a quarenta e cinco de cicatriz, então o piso da faixa federal produz uma cicatriz abaixo do limiar em que a própria evidência mede menos lesão de terceiro e quarto graus. A faixa da recomendação 148 contém, no seu extremo inferior, exatamente o gesto que a evidência citada pelo mesmo sistema desaconselha — e a episiotomia mediana, o extremo do encurtamento angular, é descrita pelo protocolo de sociedade como forte fator de risco independente para lacerações de terceiro ou quarto grau.

Essa é a circularidade operacional deste capítulo, e ela se fecha dentro do documento federal: a diretriz define o trauma perineal como aquele provocado por episiotomia ou lacerações, recomenda a episiotomia seletiva, fixa o ângulo, e mede como trauma o corte que ela própria autoriza. A taxa de trauma perineal que o documento apura é, em parte, produzida pela recomendação que ele emite.

A pergunta que o documento formulou e não respondeu

As perguntas de revisão da seção de cuidados com o períneo estão escritas no arquivo, uma a uma. Entre elas, esta: deve haver antibiótico profilaxia para mulheres em que a episiotomia é realizada?

A resposta aparece dez páginas depois, no fecho da mesma seção: nenhuma das diretrizes consultadas apresentou evidências sobre em quais situações a episiotomia deve ser realizada ou sobre o uso de antibióticos profiláticos quando da sua realização.

E é só. No bloco de recomendações sobre cuidados com o períneo, treze mil e seiscentos caracteres da recomendação 142 à 197, a palavra antibiótico aparece zero vez. Também aparecem zero vezes profilaxia, laxante, seguimento e ambulatório.

Isso tem consequência de prova e de plantão. Não existe, na diretriz federal brasileira de assistência ao parto normal, recomendação de antibiótico após laceração de terceiro ou quarto grau — nem a favor, nem contra. Alternativa que atribua ao Ministério da Saúde uma conduta antibiótica para lesão de esfíncter está inventando fonte. E alternativa que afirme que o Ministério proíbe também: o documento declarou que não achou evidência e não emitiu recomendação, que é diferente de recomendar contra.

A ressalva que cobre uma linha e não cobre a de baixo

A última recomendação do bloco, a 197, é a única prescrição farmacológica da seção inteira: recomenda-se oferecer supositórios retais de anti-inflamatórios não esteroides rotineiramente após o reparo do trauma perineal de primeiro e de segundo grau, desde que esses medicamentos não sejam contraindicados.

A ressalva é cirúrgica e para exatamente onde deveria continuar. Primeiro e segundo grau, por definição da recomendação 178, são as lesões que não atingem o esfíncter anal. Terceiro e quarto grau são as que atingem — e o quarto grau inclui o epitélio anal, isto é, a superfície onde o supositório seria depositado.

O documento não escreve por que parou. Não diz que a via retal é indesejável no esfíncter recém-suturado, não diz que a evidência não cobria esses graus, não oferece alternativa analgésica para eles. Simplesmente lista duas categorias e cala sobre as outras duas, e a linha de baixo é a que dói mais.

A mesma seção tem outra assimetria do mesmo tipo, e essa é fácil de cobrar. A recomendação 196 manda realizar exame retal após a conclusão do reparo em casos de trauma de difícil abordagem ou de terceiro e quarto graus, para garantir que o material de sutura não foi acidentalmente inserido através da mucosa retal. Mas a recomendação 182 já mandara fazer exame retal antes, na suspeita de qualquer lesão da musculatura perineal, para verificar dano ao esfíncter externo e interno. O exame de antes tem gatilho amplo, qualquer suspeita muscular; o de depois tem gatilho estreito, difícil abordagem ou terceiro e quarto graus. Um segundo grau reparado sem intercorrência recebe exame retal antes e não recebe depois.

O que o protocolo distrital copia, e a palavra que ele troca

O protocolo assistencial de uma casa de parto do Distrito Federal, aprovado por portaria estadual em março de 2023, compartilha trinta trechos de sessenta caracteres com a diretriz federal de 2017 — e são trechos de prosa assistencial, não de bibliografia. A frase sobre massagem perineal no segundo período está transcrita palavra por palavra, e a frase sobre progresso do segundo período também.

Uma folha de documento grande ligada por uma seta de cópia a uma folha menor com as mesmas linhas, em que apenas uma linha aparece destacada em cor e espessura diferentes, com uma lupa sobre ela.
O protocolo distrital transcreve o texto federal e altera o verbo de uma única linha: onde o federal manda suspeitar, o distrital manda considerar falha.

A alteração está no verbo. A recomendação federal 131 manda, para as nulíparas, suspeitar de prolongamento se o progresso não for adequado após uma hora de segundo período ativo. O protocolo distrital reescreve: considerar para as nulíparas falha se o progresso não for adequado após uma hora de segundo período ativo. O número é o mesmo; o nome do que ele dispara não é.

Suspeita e falha não são sinônimos nesta diretriz. A suspeita abre investigação e amniotomia; a falha confirmada é o que leva o caso ao médico obstetra e à discussão de via de parto. O segundo período prolongado é um dos fatores de risco de lesão grave do esfíncter, de modo que a diferença de vocabulário entre os dois documentos altera o momento em que a mulher deixa de ser conduzida e passa a ser operada.

O mesmo protocolo distrital traz o gatilho de transferência escrito duas vezes, e as duas versões não coincidem. Na prosa: puérperas com lacerações importantes, como as que causam fístulas e ou comprometimento de esfíncter anal, devem ser removidas ao hospital de referência. Na lista de critérios de remoção: lacerações de terceiro e quarto graus. Um gatilho é adjetivo e sem definição, importantes; o outro é numérico. E nenhuma das duas versões escreve os subgraus: para a decisão de remover, o distrital usa um grau que o federal subdivide em três, e a subdivisão não muda nada do lado de cá.

A régua aplicada por quem não concorda sobre ela

Existe uma medida brasileira publicada de quanto essa classificação é reprodutível na prática, e o resultado é o dado mais desconfortável do capítulo. Um estudo conduzido em maternidade de São Paulo avaliou, de forma independente, o períneo de vinte e seis mulheres, comparando a classificação de uma pesquisadora com a de quatorze enfermeiras obstétricas.

Na primeira etapa, antes de qualquer treinamento, houve setenta e dois vírgula sete por cento de repetibilidade e concordância. Depois da apresentação do protocolo de pesquisa às enfermeiras, na segunda etapa, o número foi sessenta e seis vírgula sete por cento — e os autores registram que isso indica persistência do viés na classificação do grau de laceração perineal.

A intervenção destinada a melhorar a classificação foi seguida de concordância menor. O estudo é pequeno e não permite atribuir causa; permite dizer que, mesmo depois de o protocolo ser apresentado, uma em cada três avaliações discordava do grau. Guarde a ordem de grandeza junto com a régua: o grau que decide transferência, autorização e prescrição é atribuído por observadores que não convergem em um terço das vezes.

Isso reposiciona o vão dos cinquenta por cento. Discutir se exatamente metade da espessura é 3a ou 3b supõe que a espessura seja medida; na prática documentada, a discordância aparece já entre graus inteiros.

O manual do alto risco nomeia a laceração e nunca dá o grau

Falta o segundo documento federal, e ele é o contraponto mais eloquente. O manual de gestação de alto risco de 2022, seiscentas e noventa e quatro páginas, cita laceração seis vezes — densidade de zero vírgula zero três por mil palavras, contra zero vírgula seis três da diretriz de parto normal, uma razão de vinte e um para um.

As seis citações são todas de nomeação, nunca de conduta. No quadro de complicações potencialmente ameaçadoras da vida, a hemorragia pós-parto se abre em atonia, lacerações de trajeto, restos placentários e coagulopatia. No quadro dos quatro tês, trauma corresponde a lacerações, hematomas, inversão e rotura uterina. No quadro de fatores de risco, lacerações cervicais, vaginais, uretrais, parauretrais e perineais. Entre as complicações da gravidez prolongada, lacerações de trajeto. Entre as da macrossomia, lacerações perineais importantes.

Em nenhuma delas há grau, subgrau, técnica de reparo, material de sutura, analgesia, indicação de transferência ou seguimento. O manual federal que governa a gestação de alto risco escreve a laceração como palavra e nunca como número, ao lado de parâmetros que ele quantifica com precisão em todos os capítulos vizinhos.

Some isso ao que já foi visto: a régua com o vão está num documento; a decisão de transferir está em outro; a medida de que ninguém acerta o ângulo está no corpo de evidências do primeiro; e o manual que a maioria dos serviços de alto risco consulta não repete nenhuma das três. A prova cobra o conjunto; nenhum arquivo isolado o contém.

04

Os quatro graus, do que só atravessa a superfície ao que alcança o epitélio anal

Os cartões seguem a ordem crescente de profundidade: a cada grau, o desenho atravessa uma camada a mais, e o anel que representa o esfíncter aparece só a partir do terceiro. A letra reproduzida é a da recomendação 178 da diretriz federal de 2017; onde a versão do corpo de evidências diverge, isso vem escrito nas notas.

Primeiro grau — a camada mais superficial, com duas definições no mesmo arquivo

Lesão apenas da pele e mucosas, pela recomendação 178. O corpo de evidências do mesmo arquivo escreve lesão apenas na pele, sem as mucosas — e a diferença muda de lado a laceração restrita à mucosa vaginal. A recomendação 188 manda suturar, a menos que as bordas da pele estejam bem apostas.

Segundo grau — o músculo, e a palavra grafada errado justamente aqui

Lesão dos músculos perineais sem atingir o esfíncter anal. É nesta linha que as duas edições federais grafam esfínciter, com a letra a mais — busca automática pela forma correta não devolve a definição. A recomendação 189 manda suturar o músculo; a 192 dispensa a sutura da pele se as bordas se apõem depois.

Terceiro grau — o anel do esfíncter, e o vão da metade exata

Lesão do períneo envolvendo o complexo do esfíncter anal. Menos de cinquenta por cento da espessura é 3a; mais de cinquenta por cento é 3b; exatamente cinquenta por cento não pertence a nenhum. O 3c é a laceração do esfíncter anal interno na recomendação — e desaparece na versão do corpo de evidências, que funde o interno dentro do 3b.

Quarto grau — o epitélio anal, e o supositório que a recomendação não menciona

Lesão do períneo envolvendo o complexo do esfíncter anal, interno e externo, e o epitélio anal. A recomendação 197 oferece supositório retal de anti-inflamatório de rotina para primeiro e segundo graus e não escreve nada para este. A recomendação 196 exige exame retal depois do reparo aqui e no terceiro grau.

As duas classificações do mesmo arquivo diferem no número de subgraus do terceiro: três no bloco de recomendações, dois no corpo de evidências. Só a segunda escreve a palavra externo ao dizer de qual esfíncter se trata.

A recomendação 177 lista as lacerações de terceiro e quarto graus, ou outro trauma perineal complicado, entre as situações que exigem transferência ou chamada do médico obstetra — e é a única linha do bloco em que os dois graus altos aparecem juntos com consequência prática.

A recomendação 187 exige treinamento em avaliação e reparo tanto de enfermeiras obstétricas e obstetrizes quanto de médicos obstetras; a 196 devolve o trauma de difícil reparação ao médico experiente. A expressão difícil reparação não é definida em lugar nenhum do arquivo.

Analgesia do reparo, pela recomendação 190: infiltração de até vinte mililitros de lidocaína a um por cento, ou nova dose por cateter peridural já instalado, ou anestesia espinhal. Material, pela 195: sutura sintética absorvível. Técnica, pela 194: sutura contínua para parede vaginal e músculo.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Onde fica exatamente cinquenta por cento da espessura do esfíncter

Menos de cinquenta por cento da espessura do esfíncter anal é 3a; mais de cinquenta por cento é 3b; o valor de metade exata não recebe subgrau.

Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, versão de 2017, recomendação 178

Lesão menor que cinquenta por cento da espessura do esfíncter anal externo é 3a; lesão maior de cinquenta por cento do externo com laceração do interno é 3b; não há 3c.

Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, versão de 2017, corpo de evidências da seção 14.5

Na prova

Enunciado que descreva metade exata da espessura está pedindo o vão, e a alternativa correta costuma ser a que reconhece a lesão como de terceiro grau sem forçar o subgrau. Se a questão exigir o subgrau, o desempate prático é o destino: 3a e 3b têm a mesma consequência imediata nesta diretriz, que é transferência ou chamada do obstetra. Alternativa que atribua ao Ministério da Saúde uma regra explícita para o valor de metade está inventando linha.

Qual é o ângulo da episiotomia médio-lateral

Médio-lateral, originando na fúrcula vaginal, direcionada para o lado direito, com ângulo do eixo vertical entre quarenta e cinco e sessenta graus, sem indicar o instante de aferição.

Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, versão de 2017, recomendação 148

Mediolateral, com o ângulo a sessenta graus da linha média quando o períneo está distendido; sessenta de incisão são necessários para que a cicatriz fique com os quarenta e cinco desejados.

Recomendações Febrasgo, parte II, Episiotomia, seção de técnica

Adequação medida com limiar de pelo menos quarenta graus a partir da linha média, aplicado a profissionais em serviço.

Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, versão de 2017, corpo de evidências da seção 14.5

Na prova

Se o enunciado citar o Ministério da Saúde, a resposta é a faixa de quarenta e cinco a sessenta graus a partir do eixo vertical. Se citar sociedade de especialidade, a resposta é sessenta graus da linha média com o períneo distendido. Se o enunciado falar em cicatriz, e não em incisão, o número muda de novo: a cicatriz resultante de uma intenção acima de quarenta e cinco graus é medida em torno de vinte. Alternativa que apresente um único número como consenso brasileiro está errada em qualquer das leituras.

Antibiótico depois de laceração de terceiro ou quarto grau

A pergunta de revisão foi formulada explicitamente e a resposta registrada foi que nenhuma das diretrizes consultadas apresentou evidências sobre uso de antibióticos profiláticos.

Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, versão de 2017, seção 14.5, questões de revisão e síntese

No bloco de recomendações sobre cuidados com o períneo, das recomendações 142 a 197, a palavra antibiótico não aparece nenhuma vez.

Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, versão de 2017, bloco de recomendações

Na prova

Não há recomendação federal brasileira, nem a favor nem contra, e o próprio documento declara que não encontrou evidência. A alternativa correta em questão bem escrita é a que descreve reparo por profissional experiente, exame retal ao final e transferência quando indicada, sem prescrever antibiótico como se fosse conduta padronizada. Distrator clássico: atribuir ao Ministério da Saúde um esquema antibiótico de amplo espectro.

Quando a laceração obriga a remover a mulher para hospital de referência

Lacerações perineais de terceiro e quarto graus, ou outro trauma perineal complicado, entram na lista de situações que exigem transferência ou assistência de médico obstetra.

Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, versão de 2017, recomendação 177

Puérperas com lacerações importantes, como as que causam fístulas e ou comprometimento de esfíncter anal, devem ser removidas ao hospital de referência para avaliação médica.

Protocolo Assistencial da Casa de Parto de São Sebastião, Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, portaria de março de 2023, prosa da assistência ao terceiro período

Na lista objetiva de critérios de remoção do pós-parto, constam lacerações de terceiro e quarto graus, lacerações de colo e hematomas perineais grandes ou em crescimento.

Protocolo Assistencial da Casa de Parto de São Sebastião, Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, lista de critérios de remoção

Na prova

Enunciado ambientado em casa de parto ou centro de parto normal está cobrando o gatilho de transferência, não o reparo. Terceiro e quarto graus transferem em qualquer das fontes. A pegadinha mora no adjetivo: laceração importante com comprometimento de esfíncter é a redação distrital e não tem definição numérica, de modo que alternativa que exija subgrau para decidir a remoção está acrescentando exigência que nenhum documento faz.

Suspeita de prolongamento ou falha do segundo período, com o mesmo relógio

Para as nulíparas, suspeitar de prolongamento se o progresso não for adequado após uma hora de segundo período ativo; realizar amniotomia se as membranas estiverem intactas.

Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, versão de 2017, recomendação 131

Considerar para as nulíparas falha se o progresso não for adequado após uma hora de segundo período ativo; assim, deve-se realizar amniotomia se as membranas estiverem intactas.

Protocolo Assistencial da Casa de Parto de São Sebastião, Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, assistência ao segundo período

Na prova

O número é idêntico nos dois documentos, uma hora para nulíparas e trinta minutos para multíparas; o que muda é o nome do estado que ele instala. Se o enunciado usa a palavra falha e ambienta o caso no Distrito Federal ou numa casa de parto, a conduta cobrada é a de encaminhamento. Se usa a palavra suspeita e cita o Ministério da Saúde, a conduta cobrada é amniotomia e reavaliação antes de chamar o obstetra.

06

Caso resolvido

Primigesta de 23 anos, 39 semanas e 4 dias, parto vaginal espontâneo em casa de parto do Sistema Único de Saúde, assistido por enfermeira obstétrica. Segundo período de 1 hora e 40 minutos, sem analgesia regional, puxo espontâneo, sem episiotomia, recém-nascido de 3.480 g com boa vitalidade. Após o desprendimento, há sangramento moderado pelo trajeto, com útero contraído e globoso. Ao exame do períneo com boa iluminação e analgesia local, observa-se solução de continuidade que atravessa pele e musculatura perineal e alcança a borda do esfíncter anal, cuja espessura parece rompida em cerca de metade. O toque retal identifica dano ao esfíncter externo, sem lesão do interno e sem descontinuidade do epitélio anal.
O que a lesão é, e o que ela não é
A musculatura perineal está rompida e o esfíncter anal foi atingido: isso exclui segundo grau e coloca o caso no terceiro. O epitélio anal está íntegro, o que exclui o quarto. O esfíncter interno está preservado, o que exclui o 3c pela recomendação 178.
O subgrau, e por que ele não decide a próxima ação
Metade da espessura é exatamente o valor que a recomendação não cobre: 3a é menos de cinquenta por cento e 3b é mais. Registrar como terceiro grau com espessura estimada em torno de metade é a descrição honesta. O subgrau não muda o passo seguinte, porque 3a e 3b compartilham o mesmo destino imediato.
A decisão de lugar, que é a que importa agora
Trata-se de casa de parto. A recomendação 177 lista lacerações de terceiro e quarto graus entre as situações de transferência ou chamada de médico obstetra, e o protocolo distrital, na prosa e na lista, manda remover ao hospital de referência quando há comprometimento de esfíncter anal. A conduta é acionar a remoção, não reparar no local.
O que se faz enquanto a remoção se organiza
Analgesia efetiva e compressão para controle do sangramento; avaliação visual de toda a extensão, incluindo o ápice da lesão, conforme a recomendação 182; documentação do que foi visto e do toque retal; explicação à mulher do que está acontecendo e do porquê da transferência. Sutura definitiva do esfíncter não se inicia sem condições de anestesia e de profissional habilitado.
O que não entra na conduta, por ausência de fonte
Não há recomendação federal de antibiótico para este caso, e a diretriz declarou não ter encontrado evidência. Não há indicação escrita de supositório retal de anti-inflamatório, porque a recomendação 197 nomeia apenas primeiro e segundo graus. Prescrever qualquer dos dois como se fosse protocolo ministerial é ir além da letra.
O que se faz no hospital, e o registro que sobra
Reparo por profissional experiente sob anestesia adequada, sutura sintética absorvível, exame retal ao final para garantir que nenhum ponto atravessou a mucosa, cateter vesical de demora por 24 horas conforme os princípios da recomendação 196, e documentação detalhada da extensão, do método e dos materiais. A mulher recebe informação sobre dor, dieta, higiene e exercícios do assoalho pélvico.
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Agora feche você

Secundigesta de 31 anos, 40 semanas, admitida em maternidade de referência em trabalho de parto espontâneo, com analgesia peridural instalada na fase ativa. O segundo período ativo completa 45 minutos sem progressão da descida, e a equipe opta por parto vaginal operatório com vácuo-extrator, por indicação de exaustão materna com boa vitalidade fetal. Antes da extração, o médico realiza episiotomia médio-lateral. O recém-nascido pesa 3.910 g. Ao exame do períneo, a incisão está estendida por uma laceração que alcança o esfíncter anal externo e o rompe em mais de metade da espessura; o esfíncter interno está íntegro e o epitélio anal, preservado. A cicatriz, avaliada dias depois na consulta puerperal, forma com a linha média um ângulo visivelmente menor do que o que o cirurgião pretendeu.
Passo 1
Classifique a lesão pela recomendação 178 e pela definição do corpo de evidências do mesmo arquivo federal, e diga em qual das duas o resultado muda de nome. Depois explique por que a resposta muda se o enunciado descrever também lesão do esfíncter interno.
Passo 2
A episiotomia foi realizada com intenção de ângulo dentro da faixa federal. Explique, usando os quatro números do capítulo, por que a cicatriz observada no puerpério pode estar bem abaixo do valor pretendido, e diga qual dos quatro números é o único que descreve a cicatriz.
Passo 3
A equipe pergunta se deve prescrever antibiótico profilático e supositório retal de anti-inflamatório para esta mulher. Responda cada um separadamente, dizendo o que a diretriz federal escreve, o que ela declara não ter encontrado, e onde a recomendação 197 para.
Passo 4
O caso ocorreu em maternidade hospitalar, não em casa de parto. Diga o que muda e o que não muda em relação ao caso resolvido quanto a transferência, quanto a quem repara e quanto ao exame retal antes e depois do reparo.
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Onde a banca derruba

  1. 1Tratar 3a e 3b como decisões diferentes na sala de parto Na diretriz federal, os dois subgraus levam ao mesmo lugar imediato: transferência ou chamada do obstetra, exame retal ao final do reparo e reparo por profissional experiente. A distinção entre eles é prognóstica e de registro. Alternativa que faça a conduta imediata depender de qual metade do esfíncter foi atingida está criando um degrau que o documento não tem.
  2. 2Responder 3c numa questão escrita pela outra classificação do mesmo arquivo Se o enunciado descreve lesão do esfíncter anal interno e as alternativas oferecem apenas 3a e 3b, a questão foi montada pelo corpo de evidências, onde o interno está dentro do 3b. Procure o marcador: presença de 3c entre as alternativas indica o bloco de recomendações; ausência dele com esfíncter interno descrito indica a outra.
  3. 3Atribuir ao Ministério da Saúde um antibiótico para lesão de esfíncter O documento federal formulou a pergunta e registrou que não encontrou evidência, e não emitiu recomendação. Isso não equivale a recomendar contra. As duas alternativas erradas simétricas são a que prescreve esquema antibiótico como conduta ministerial e a que afirma que o Ministério contraindica a profilaxia.
  4. 4Estender o supositório retal de rotina ao terceiro e ao quarto grau A recomendação 197 nomeia primeiro e segundo graus e para ali. Justamente nos graus que envolvem o esfíncter e o epitélio anal não há prescrição escrita, e o documento não explica o silêncio. Alternativa que ofereça anti-inflamatório retal de rotina após reparo de esfíncter está indo além da letra.
  5. 5Decorar número de recomendação sem a edição A mesma classificação é a recomendação 174 na versão de 2016 e a 178 na de 2017, e o desvio entre as edições não é constante — vale um no partograma e quatro no bloco perineal. Guardar o conteúdo e a fonte é seguro; guardar o número solto não é.
  6. 6Buscar esfíncter no arquivo oficial e concluir que a definição não existe Na linha que define o segundo grau, as duas edições grafam a palavra com uma letra a mais. Uma busca literal pela forma correta pula exatamente a fronteira entre segundo e terceiro grau. Ao conferir fonte primária, sonde a raiz curta em vez da palavra inteira.
  7. 7Confundir o ângulo da incisão com o ângulo da cicatriz A faixa federal de quarenta e cinco a sessenta graus descreve a incisão. O número medido na cicatriz depois do parto é outro, em torno de vinte quando a intenção foi acima de quarenta e cinco. Enunciado que fale em cicatriz, aspecto final ou avaliação no puerpério não está pedindo a faixa da recomendação.
  8. 8Ler o manual de alto risco esperando encontrar o grau O manual federal de gestação de alto risco cita laceração seis vezes em quase setecentas páginas, sempre como item de lista de causas de hemorragia, nunca com grau nem com reparo. Questão que cite esse manual como fonte de classificação do trauma perineal está atribuindo a ele conteúdo que ele não tem.
  9. 9Supor concordância entre observadores para tratar o grau como dado duro A única medida brasileira publicada encontrou setenta e dois vírgula sete por cento de concordância antes e sessenta e seis vírgula sete depois de apresentar o protocolo. O grau é a melhor informação disponível e ainda assim é uma estimativa; em questão que ofereça reavaliação por profissional mais experiente diante de incerteza, essa alternativa costuma ser a correta, e a recomendação 185 a sustenta.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

A recomendação sobre supositório retal de anti-inflamatório não esteroide de rotina após o reparo nomeia, na sua própria letra, o trauma perineal de primeiro e de segundo grau, e acrescenta apenas a ressalva de que esses medicamentos não estejam contraindicados. Terceiro e quarto graus não aparecem nessa linha nem em nenhuma outra do bloco de cuidados com o períneo, e o documento não explica o silêncio: não veda a via retal, não oferece alternativa e não remete a outra fonte. A leitura correta é reconhecer o limite do texto. Estender a recomendação aos graus que envolvem o esfíncter é ir além da letra; afirmar que o documento proíbe é atribuir a ele uma vedação que ele não escreve. Trata-se, nesses casos, de decisão clínica assumida como tal, e não de protocolo ministerial.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Sem consultar nada, escreva os quatro graus do trauma perineal na letra da recomendação 178, em uma linha cada, e marque em qual delas mora o vão dos cinquenta por cento. Depois escreva a segunda classificação do mesmo arquivo, a do corpo de evidências, e aponte as duas diferenças: o número de subgraus do terceiro grau e a palavra que só uma das duas escreve ao dizer de qual esfíncter se trata. Por fim, liste os quatro números de ângulo do capítulo e diga qual deles descreve a cicatriz, e não a incisão.

em 30 dias

Pegue a paciente do caso resolvido, a primigesta com lesão de metade exata do esfíncter externo em casa de parto, e mude três coisas de uma vez: o parto passa a ser em maternidade hospitalar, o epitélio anal passa a estar rompido, e a mulher tem alergia declarada a anti-inflamatórios. Reescreva a classificação, a decisão de lugar, quem repara, o que se faz de exame retal antes e depois, e o que se prescreve ao final — dizendo, em cada linha, se a fonte é a recomendação federal, o protocolo de sociedade, o protocolo distrital, ou se não existe fonte e a conduta é decisão clínica assumida como tal.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Você é o plantonista chamado ao centro de parto normal de uma maternidade do Sistema Único de Saúde. A enfermeira obstétrica acaba de assistir um parto vaginal espontâneo de risco habitual e pede sua avaliação porque identificou trauma perineal que ultrapassa a musculatura. A mulher está estável, com útero contraído, e o sangramento é moderado. Conduza a avaliação sistemática do trauma, defina o grau com a letra do documento federal, decida quem repara e onde, e explique à mulher o que foi encontrado e o que vem a seguir. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Trauma perineal do parto – Trauma perineal: o vão dos cinquenta por cento e o ângulo que o próprio manual mede sem ninguém alcançar — Preparatório para provas | OsceLabs