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Tuberculose pulmonar
Aqui a prova não cobra fisiopatologia: cobra protocolo. Quem é sintomático respiratório, qual exame vem primeiro, quantos comprimidos por faixa de peso, o que se faz quando a baciloscopia do segundo mês ainda está positiva e quem tem indicação de tratar a infecção latente.
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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Homem de 38 anos procura atendimento com tosse há 5 semanas, sudorese noturna, febre vespertina e perda de 6 kg. É contactante domiciliar de irmão em tratamento para tuberculose. Exame: PA 116x74 mmHg, FC 88 bpm, FR 18 ipm, SatO2 96%, estertores em ápice direito. Radiografia mostra infiltrado com cavitação em lobo superior direito. Qual é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico e avaliar resistência a rifampicina simultaneamente?
Como esse tema cai
Tuberculose é o tema em que o documento brasileiro manda sem concorrência. Existe programa nacional, existe medicamento distribuído de graça, existe notificação compulsória e existe um manual do Ministério da Saúde que diz, comprimido a comprimido, o que fazer. Não é um tema em que a banca queira saber sua opinião clínica — ela quer saber se você conhece o protocolo do SUS. Por isso as questões quase sempre entregam um paciente com tosse arrastada e cobram um passo operacional: qual exame pedir primeiro, quantos comprimidos prescrever, o que fazer com uma baciloscopia que continua positiva, quem tem indicação de tratar a infecção latente.
Este capítulo trata da tuberculose pulmonar do adulto e do adolescente a partir de 10 anos, mais a infecção latente. Tuberculose na infância tem capítulo próprio e não é invadida aqui — o que muda lá é o suficiente para confundir quem misturar: o esquema pediátrico não leva etambutol, o diagnóstico se apoia num sistema de escores porque a criança quase não elimina bacilo, e desde 2024 há apresentações dispersíveis próprias. As formas extrapulmonares aparecem só onde mudam alguma decisão do paciente pulmonar, e a tuberculose resistente aparece apenas como destino: quem tem resistência à rifampicina sai da atenção primária.
Há dois documentos brasileiros vivos, e a diferença de data entre eles é fonte real de questão. O Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil está na 2ª edição atualizada, de 2019. O capítulo de tuberculose do Guia de Vigilância em Saúde está na 6ª edição revisada, de 2024. Os dois concordam em quase tudo — inclusive porque o Guia declara adaptar o Manual —, mas no tratamento da infecção latente eles apontam para esquemas diferentes, porque entre um e outro a rifapentina entrou no SUS. Quando este capítulo precisa escolher, escolhe o texto de 2024 e diz que escolheu.
O que muda decisão
Sintomático respiratório: três semanas é a régua, e ela tem exceções
Sintomático respiratório é a pessoa com tosse de três semanas ou mais. Esse é o corte da população geral, e é a frase que o Guia de Vigilância em Saúde de 2024 usa para dizer quem deve ser investigada para tuberculose por meio de exames bacteriológicos, acompanhada ou não de febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento e cansaço. Se a questão pedir a definição de sintomático respiratório, é esse o número.
O que o candidato costuma não saber é que a duração exigida muda conforme a população, e o próprio Manual de 2019 organiza isso num quadro. Para a população adscrita ao território da Estratégia Saúde da Família, rastreada nas visitas do agente comunitário, o corte é de três semanas. Para a população geral que procura espontaneamente uma unidade de saúde ou um hospital, o corte cai para duas semanas — a lógica é oportunista: a pessoa já está ali, e é mais barato investigar do que perdê-la. E há um grupo inteiro em que a tosse de qualquer duração já basta: contatos de tuberculose pulmonar ou laríngea, pessoas vivendo com HIV, população privada de liberdade, pessoas em situação de rua, indígenas e moradores de instituições de longa permanência.
Em pessoas vivendo com HIV o rastreamento nem depende só da tosse: investiga-se diante de tosse ou febre ou emagrecimento ou sudorese noturna, qualquer um deles isolado. E a busca ativa tem uma meta operacional que às vezes cai em questão de gestão: espera-se encontrar sintomáticos respiratórios em torno de 1% da população geral, e, a cada 100 sintomáticos respiratórios examinados, encontram-se em média três a quatro pessoas com baciloscopia positiva.
Dois termos que a prova usa como sinônimos e não são: busca ativa é ir atrás, com a equipe perguntando sobre tosse em visita domiciliar, na admissão hospitalar ou na entrada do sistema prisional; busca passiva é rastrear quem chegou ao serviço por conta própria. Só a primeira é atividade programática planejada com meta.
O que a vinheta descreve — e por que o exame físico não decide nada
A forma pulmonar é a mais frequente e a única que mantém a cadeia de transmissão, e é dela que a prova fala. Em adolescentes e adultos jovens o sintoma principal é a tosse, seca ou produtiva. Ao redor dela orbitam quatro achados que a banca usa como assinatura do tema: febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento e cansaço. Vale gravar um detalhe fino da febre — no texto do Manual ela é vespertina, sem calafrios, e não costuma ultrapassar 38,5 °C. Febre alta com calafrio franco puxa o raciocínio para outra coisa.
A apresentação clássica do adulto é a pós-primária, ou secundária, que pode ocorrer em qualquer idade e é mais comum no adolescente e no adulto jovem. A primária vem logo após o primeiro contato com o bacilo e é mais típica da criança, com quadro insidioso, irritabilidade, febre baixa e nem sempre tosse. A miliar é um padrão radiológico que pode acontecer nas duas, é forma grave e concentra-se em imunocomprometidos, sobretudo pessoas com HIV em imunossupressão avançada.
O exame físico do tórax é o achado menos útil do capítulo, e é exatamente por isso que ele cai. A ausculta pode mostrar diminuição do murmúrio vesicular, pode mostrar sopro anfórico sobre uma cavidade — e pode ser inteiramente normal. Pessoas em bom estado geral, sem perda de apetite, também têm tuberculose pulmonar. Nenhuma decisão deste capítulo depende do estetoscópio: ausculta limpa não afasta, e ausculta alterada não confirma. Quem decide é o escarro.
Uma nota de fronteira, porque a prova gosta de misturar: na tuberculose pleural, forma extrapulmonar mais comum em quem não tem HIV, a cultura do escarro induzido é positiva em até metade dos pacientes mesmo quando a radiografia só mostra o derrame. Ou seja, mesmo ali o escarro continua valendo a coleta.

O teste rápido molecular vem primeiro: uma amostra, duas horas e um dado a mais
Onde há teste rápido molecular para tuberculose disponível — o TRM-TB, o mesmo equipamento que a literatura internacional chama de Xpert MTB/RIF —, ele é o exame de entrada para o diagnóstico de caso novo de tuberculose pulmonar e laríngea em adultos e adolescentes. É uma reação em cadeia da polimerase em tempo real que detecta DNA do complexo M. tuberculosis, exige uma única amostra de escarro e devolve resultado em cerca de duas horas em ambiente laboratorial. A sensibilidade em escarro de adulto é de aproximadamente 90%, superior à da baciloscopia.
O dado a mais é a resistência. O mesmo teste faz a triagem de cepas resistentes à rifampicina, com sensibilidade em torno de 95% para essa detecção. Isso muda o desenho do serviço: resistência à rifampicina detectada significa encaminhamento imediato para referência terciária, sem esperar mais nenhum exame, e o serviço terciário deve avaliar e definir conduta em até sete dias.
Os resultados possíveis são cinco, e a prova gosta dos intermediários. MTB não detectado é negativo. MTB detectado com resistência à rifampicina não detectada é o resultado comum, que autoriza iniciar o esquema básico. MTB detectado com resistência detectada manda para a terciária. MTB detectado com resistência indeterminada e resultado inválido, sem resultado ou erro pedem repetição em nova amostra. O Guia de 2024 acrescenta uma leitura que não estava no Manual de 2019: o resultado MTB detectado em traços, em que o material genético é mínimo demais para avaliar resistência — nesse caso considera-se positivo apenas em pessoas vivendo com HIV, crianças e tuberculose extrapulmonar, e trata-se como tuberculose sensível, salvo contato conhecido com tuberculose multirresistente.
Dois limites do método valem mais pontos do que a sensibilidade. O primeiro: como a PCR identifica material genético de bacilo vivo ou morto, o teste rápido não serve para acompanhar o tratamento — para isso é baciloscopia mensal, e ponto. O segundo: pela mesma razão, o teste rápido não faz o diagnóstico nos casos de retratamento, isto é, recidiva e reingresso após abandono, porque um resultado positivo ali pode ser apenas o cadáver da infecção anterior. No retratamento, o diagnóstico se faz com baciloscopia e cultura, e o teste rápido entra só como triagem de resistência à rifampicina. Esse mesmo uso vale a qualquer momento diante de suspeita de falência ou de resistência.
Em amostras paucibacilares — as extrapulmonares, as de crianças, as de pessoas vivendo com HIV — um resultado negativo não exclui tuberculose, e a investigação segue com cultura. E uma tecnologia que só aparece no Guia de 2024 vale conhecer: o LF-LAM, teste imunocromatográfico de urina indicado para triagem de tuberculose em pessoas vivendo com HIV não internadas com CD4 abaixo de 100 células/mm³, ou internadas com CD4 abaixo de 200, independentemente de sintomas.
Baciloscopia: duas amostras onde não há teste rápido, e uma leitura em cruzes
A baciloscopia direta pelo método de Ziehl-Neelsen pesquisa bacilo álcool-ácido resistente e continua sendo o exame que sustenta o programa onde o teste rápido não chegou. É simples, barato e seguro. Sobre o quanto ela detecta, os dois lados brasileiros dão números diferentes: o Manual do Ministério da Saúde estima que a baciloscopia bem executada detecta de 60% a 80% dos casos pulmonares em adultos; o consenso de diagnóstico da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia estima sensibilidade média de 40% a 60%, caindo para faixa de 20% a 60% em pessoas vivendo com HIV. A consequência prática é a mesma nos dois textos, e é ela que a prova cobra: baciloscopia negativa não exclui tuberculose.
A coleta é onde estão os números que caem. Para diagnóstico com baciloscopia, são duas amostras de escarro: uma na primeira consulta ou visita domiciliar, no momento em que a pessoa é identificada, e outra na manhã do dia seguinte, de preferência ao despertar, independentemente do resultado da primeira. Com teste rápido molecular, é uma amostra só. Uma boa amostra vem da árvore brônquica após esforço de tosse, não da faringe nem de aspiração nasal, e o volume ideal é de 5 a 10 mL. Se as duas baciloscopias vierem negativas e persistirem indícios clínicos e radiológicos, podem ser pedidas amostras adicionais, com avaliação em referência secundária.
A leitura em cruzes é a única escala verdadeiramente ordinal do capítulo, e ela reaparece na definição de falência — por isso vale decorar. Nenhum bacilo em 100 campos é negativo. De 1 a 9 bacilos em 100 campos não é nem positivo nem negativo: relata-se a quantidade encontrada. De 10 a 99 bacilos em 100 campos é positivo com uma cruz. De 1 a 10 bacilos por campo, em 50 campos, é positivo com duas cruzes. Mais de 10 bacilos por campo em média, em 20 campos, é positivo com três cruzes. Em materiais que não o escarro a leitura é binária: qualquer bacilo encontrado é positivo.
Baciloscopia está indicada em três situações, e a terceira é a mais esquecida: no sintomático respiratório durante busca ativa; em qualquer suspeita clínica ou radiológica de tuberculose pulmonar, independentemente do tempo de tosse; e no acompanhamento mensal e na confirmação de cura dos casos pulmonares com confirmação laboratorial.
Cultura com teste de sensibilidade não é exame de exceção
Esta é provavelmente a regra mais cobrada e mais errada do tema. Nos locais com acesso ao teste rápido molecular, todo caso diagnosticado por ele deve fazer cultura e teste de sensibilidade — independentemente de apresentar ou não resistência à rifampicina. Não é só o suspeito de resistência: é todo mundo. E todo caso com suspeita de tuberculose que teve teste rápido negativo, mas cujo quadro clínico persiste, também vai para cultura e teste de sensibilidade.
Nos locais sem acesso ao teste rápido, a triagem se faz com as duas baciloscopias, e a cultura deve ser realizada para todos os suspeitos, independentemente do resultado da baciloscopia — em uma das amostras coletadas. O Guia de 2024 é ainda mais direto e diz que a cultura é recomendada para todos os casos, independentemente do resultado da baciloscopia. Além dessas, há três situações em que a cultura com teste de sensibilidade é obrigatória mesmo que já se saiba o diagnóstico: todos os casos de retratamento, os casos com baciloscopia positiva no segundo mês de tratamento e os casos com suspeita de falência.
A cultura é o exame de maior especificidade e sensibilidade do arsenal, aumenta em até 30% o diagnóstico bacteriológico nos pulmonares com baciloscopia negativa, e é ela que identifica a espécie — o teste rápido não distingue micobactérias não tuberculosas, e diante de suspeita delas é preciso pedir cultura com identificação de espécie. Os tempos explicam por que ninguém a espera: em meio sólido o crescimento leva de 14 a 30 dias, podendo chegar a oito semanas; em meio líquido automatizado, o positivo sai entre 5 e 12 dias e o negativo é liberado em 42 dias. Havendo oferta de meio líquido, ela deve ser priorizada.
O corolário clínico é simples e cai como pegadinha: ninguém espera a cultura para começar a tratar. Baciloscopia positiva com quadro compatível, ou teste rápido com MTB detectado sem resistência à rifampicina, já autorizam iniciar o esquema básico. A cultura corre em paralelo e serve para confirmar espécie e reavaliar o esquema quando o teste de sensibilidade chegar.
A radiografia entra em todo suspeito e não fecha o diagnóstico sozinha
A radiografia de tórax é o método de imagem de escolha na avaliação inicial e no acompanhamento, e deve ser solicitada para toda pessoa com suspeita clínica de tuberculose pulmonar. Junto dela sempre se pedem os exames laboratoriais — não existe imagem radiológica patognomônica de tuberculose, e o diagnóstico se define pela associação do quadro clínico ao laboratorial.
As lesões sugestivas localizam-se em geral nas partes altas e dorsais dos pulmões, com preferência pelo pulmão direito ou por ambos, e podem aparecer como opacidades, infiltrados, nódulos, cavidades, fibrose, retrações, calcificações, linfadenomegalia e o padrão miliar. Em casos raros a radiografia é normal apesar da doença, situação mais frequente em pessoas vivendo com HIV com CD4 abaixo de 200 células/mm³.
Num paciente que já tem bacteriologia positiva, a radiografia passa a servir a outras três funções: excluir doença pulmonar associada, avaliar a extensão do acometimento e acompanhar a evolução ao longo do tratamento, sobretudo em quem não responde. Para efeito de notificação, o achado é registrado como normal, suspeito ou sequela. E há um cenário em que a radiografia é explicitamente rebaixada, típico de questão sobre populações vulneráveis: na população indígena o diagnóstico de tuberculose pulmonar não deve se basear na imagem, pela maior ocorrência de micobactérias não tuberculosas e de fungos que produzem alterações semelhantes.
2RHZE/4RH: dois meses, quatro meses e a faixa de peso que escolhe o número de comprimidos
O tratamento é padronizado e tem duas fases. A intensiva, ou de ataque, dura dois meses e usa quatro fármacos com alto poder bactericida, para derrubar rapidamente a população bacilar e eliminar os bacilos naturalmente resistentes a algum medicamento — é a fase que corta a contagiosidade. A de manutenção dura quatro meses e usa dois fármacos com poder esterilizante, para eliminar bacilos persistentes e reduzir a chance de recidiva. Somando: seis meses. A notação que a prova usa é 2RHZE/4RH — dois meses de rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol, seguidos de quatro meses de rifampicina e isoniazida.
A apresentação é em comprimidos de dose fixa combinada, quatro em um na fase intensiva e dois em um na manutenção. O comprimido de RHZE tem 150 mg de rifampicina, 75 de isoniazida, 400 de pirazinamida e 275 de etambutol. O de Rh existe em 300/150 mg e em 150/75 mg. Não se prescreve miligrama por quilo no adulto: prescreve-se número de comprimidos por faixa de peso, e a tabela deste capítulo traz as quatro faixas. Um adulto de 62 kg toma quatro comprimidos de RHZE por dia durante dois meses e depois dois comprimidos de Rh 300/150 por dia durante quatro meses.
Duas variações do mesmo esquema básico precisam estar decoradas. A tuberculose meningoencefálica e a osteoarticular usam 2RHZE/10RH — mesma fase intensiva, manutenção de dez meses, total de doze. E na meningoencefálica associa-se corticosteroide: prednisona de 1 a 2 mg/kg/dia por quatro semanas ou, nos casos graves, dexametasona injetável de 0,3 a 0,4 mg/kg/dia por quatro a oito semanas, com redução gradual nas quatro semanas seguintes. Fisioterapia precoce entra para evitar sequela. Crianças abaixo de 10 anos usam 2RHZ/4RH, sem etambutol, com apresentações próprias — assunto do capítulo de pediatria.
Duas situações especiais rendem alternativa. Gestantes recebem o esquema básico nas doses habituais, com piridoxina 50 mg/dia associada, pelo risco de toxicidade neurológica no recém-nascido causada pela isoniazida. E em pessoas com diabetes, pela interação com hipoglicemiantes orais, pode-se considerar substituição por insulina durante o tratamento, mirando glicemia de jejum igual ou abaixo de 160 mg/dL.
Por fim, o tratamento diretamente observado. O Guia de 2024 define TDO como a ingestão diária dos medicamentos sob observação direta de profissional de saúde, a ser realizado diariamente, de segunda a sexta, ou, excepcionalmente, três vezes por semana, ao longo de todo o tratamento — o que totaliza 24 doses observadas na fase intensiva e 48 na de manutenção. Está recomendado para todas as pessoas com diagnóstico de tuberculose. Para efeito de registro no Sinan, só conta como TDO a observação feita por profissional de saúde ou por outro profissional capacitado sob supervisão de profissional de saúde: familiar e amigo, não.
O mês a mês: baciloscopia de controle, peso e a conduta do segundo mês
O acompanhamento é mensal e tem três componentes: clínico para todos, bacteriológico para os pulmonares, radiológico principalmente para quem usou imagem como parâmetro auxiliar de diagnóstico. Na consulta mensal se procuram sinais de evolução ou regressão, se monitora o peso — porque a dose depende da faixa de peso e o paciente que engorda pode precisar de mais um comprimido — e se rastreiam reações adversas. Função hepática, função renal e glicemia de jejum são recomendadas no início quando disponíveis, e passam a mandatórias em quem tem comorbidade. A oferta do teste para HIV é para toda pessoa com tuberculose, de preferência já no primeiro mês, com prioridade para o teste rápido.
A baciloscopia de controle é mensal em todos os casos pulmonares, do primeiro ao sexto mês. Espera-se negativação a partir do fim da segunda semana de tratamento, mas persistir positivo não significa automaticamente falha — o paciente ainda elimina bacilos mortos e material residual. Quem persiste positivo ao longo do tratamento, ou quem positiva depois de ter negativado, precisa ser avaliado quanto a adesão, falência e resistência.
A conduta diante da baciloscopia positiva ao final do segundo mês é um dos passos mais precisos do protocolo, e vale escrever inteiro: solicitar cultura para micobactéria com teste de sensibilidade, prolongar a fase de ataque com RHZE por mais 30 dias, e reavaliar o esquema quando o teste de sensibilidade chegar. Onde houver teste rápido molecular, ele também deve ser solicitado, além da cultura, para triagem de resistência à rifampicina — se a resistência aparecer, encaminhamento para referência terciária; se não aparecer, prolonga-se os mesmos 30 dias e se espera o teste de sensibilidade. Passados esses 30 dias, se o teste de sensibilidade mostrar sensibilidade às drogas de primeira linha ou ainda não tiver saído, e o paciente estiver evoluindo bem, inicia-se a fase de manutenção com Rh por mais quatro meses. Quem evolui mal vai para referência.
O controle radiológico pode ser feito após o segundo mês e, com evolução favorável, repetido apenas ao final. E o critério de cura tem número: duas baciloscopias negativas, uma em qualquer mês de acompanhamento e outra ao final do tratamento, no quinto ou no sexto mês. Quem completou o tratamento sem evidência de falência mas não conseguiu fazer baciloscopia recebe alta por cura com base em critérios clínicos e radiológicos.
Falência tem três definições — e nenhuma delas é "não melhorou"
Falência terapêutica é um rótulo com definição fechada, e ele existe porque dispara uma conduta específica: encaminhamento para referência secundária ou terciária, com investigação de resistência. As três situações, exatamente como estão nos dois documentos brasileiros, são: baciloscopia de escarro positiva ao final do tratamento; baciloscopia fortemente positiva no início — duas ou três cruzes — que se mantém assim até o quarto mês; e baciloscopia inicialmente positiva que negativou e voltou a ser positiva por dois meses consecutivos, a partir do quarto mês.
Repare no que fica de fora. Baciloscopia positiva no segundo mês não é falência — é a situação da seção anterior, que pede cultura, teste de sensibilidade e prolongamento da fase de ataque. Piora clínica isolada não é falência. Persistência de imagem radiológica não é falência. E o próprio Guia registra que a positividade da baciloscopia ao longo do tratamento, de forma isolada, não significa necessariamente falência.
Falência é também o gatilho para reordenar o cuidado. Casos que precisam de esquemas especiais por efeitos adversos maiores, por comorbidades — incluindo pessoas vivendo com HIV, hepatopatas e pacientes com insuficiência renal — ou por resistência, além dos casos com suspeita de falência, saem da atenção primária e vão para referência secundária ou terciária. Resistência à rifampicina confirmada por teste rápido vai direto para a terciária, sem esperar cultura.
Efeitos adversos: o que se resolve na UBS e o que suspende o esquema
Os documentos brasileiros dividem as reações em menores e maiores, e a divisão é operacional: as menores não mudam a composição do esquema e são manejadas na própria atenção primária; as maiores suspendem medicamento e costumam exigir referência. Entre as menores estão a intolerância gástrica com náusea e epigastralgia, que se resolve deslocando o horário para duas horas depois do café da manhã; a urina e o suor avermelhados pela rifampicina, que só pedem orientação; prurido e exantema leve, tratados com anti-histamínico; dor articular por isoniazida ou pirazinamida; hiperuricemia por pirazinamida e etambutol; e cefaleia, insônia e alterações leves de humor pela isoniazida. A neuropatia periférica merece destaque porque a conduta tem dose: é comum com isoniazida, incomum com etambutol, e se trata com piridoxina 50 mg/dia — no Brasil a piridoxina não é rotina no esquema básico do adulto, entra quando a neuropatia aparece e de forma preventiva na gestante.
As maiores são cinco blocos que vale saber por fármaco culpado. Exantema ou hipersensibilidade de moderada a grave, por etambutol, isoniazida ou rifampicina: suspender o tratamento; nos casos moderados, reintroduzir um a um após a resolução e substituir o alérgeno; nos graves, partir para esquema especial. Psicose, crise convulsiva, encefalopatia tóxica ou coma: é isoniazida, suspende-se a isoniazida e reinicia-se esquema sem ela. Neurite óptica: é etambutol, dose-dependente e reversível quando detectada cedo — suspende-se o etambutol. Trombocitopenia, leucopenia, anemia hemolítica, agranulocitose, vasculite e nefrite intersticial: é rifampicina, e ela sai. Hipoacusia, vertigem e nistagmo: estreptomicina, quando usada. Toda reação adversa deve ser notificada à Anvisa pelo VigiMed.
A hepatotoxicidade tem limiares numéricos, e é aí que a questão difícil mora. Elevação assintomática de transaminases nos dois primeiros meses acontece numa fração dos pacientes e não pede nada — costuma normalizar sozinha. O tratamento só é interrompido quando as enzimas atingem cinco vezes o valor normal em paciente sem sintomas digestivos, ou três vezes o valor normal acompanhadas de sintomas dispépticos, ou assim que a icterícia aparece. Interrompido, monitora-se a função hepática a cada três a sete dias até normalizar.
A reintrodução tem ordem, e a ordem cai: rifampicina com etambutol primeiro, depois isoniazida, e a pirazinamida por último, com intervalo de três a sete dias entre elas e função hepática avaliada antes de cada reintrodução. O tempo de tratamento passa a contar da data em que foi possível retomar o esquema completo. Se as enzimas não caírem abaixo de três vezes o limite superior da normalidade em quatro semanas, ou nos casos graves de tuberculose, disfunção hepática ou cirrose prévia, parte-se para esquema alternativo sem os hepatotóxicos.
Infecção latente: quem investigar, com que corte e com qual esquema
Infecção latente é a pessoa infectada pelo M. tuberculosis sem doença ativa. Tratá-la reduz o risco de adoecimento — o Ministério da Saúde estima essa redução em 60% a 90% — e é a estratégia central do plano nacional de eliminação. A regra número um, antes de qualquer coisa, é negativa: não se trata infecção latente sem antes afastar tuberculose ativa. Monoterapia em quem tem doença ativa fabrica resistência.
A investigação usa prova tuberculínica ou IGRA, e a leitura depende do grupo. Há um conjunto de situações em que nem se faz teste — trata-se direto: recém-nascido coabitante de caso-fonte confirmado laboratorialmente; pessoa vivendo com HIV que é contato de tuberculose pulmonar confirmada; pessoa vivendo com HIV com CD4 igual ou abaixo de 350 células/mm³; pessoa vivendo com HIV com registro documental de prova tuberculínica prévia igual ou maior que 5 mm sem tratamento na ocasião; e pessoa vivendo com HIV com cicatriz radiológica de tuberculose sem tratamento anterior.
O corte de 5 mm, ou IGRA positivo, indica tratamento em: contatos adultos e crianças, independentemente de vacinação prévia com BCG; pessoa vivendo com HIV com CD4 acima de 350 ou não realizado; alterações radiológicas fibróticas sugestivas de sequela; uso de inibidores de TNF-alfa ou de corticosteroide em dose equivalente a mais de 15 mg de prednisona por mais de um mês; e candidatos a transplante de órgãos que farão imunossupressão.
O corte de 10 mm, ou IGRA positivo, indica tratamento em oito situações que convém decorar em bloco, porque a prova troca uma por outra: silicose; neoplasia de cabeça e pescoço, linfomas e outras neoplasias hematológicas; neoplasia em terapia imunossupressora; insuficiência renal em diálise; diabetes mellitus; baixo peso, definido como menos de 85% do peso ideal; tabagismo acima de um maço por dia; e calcificação isolada, sem fibrose, na radiografia. E há uma quarta porta, a conversão: segunda prova tuberculínica com incremento de pelo menos 10 mm em relação à primeira, aplicada a contatos de tuberculose confirmada laboratorialmente, profissionais de saúde e trabalhadores de instituições de longa permanência.
Um ponto que gera erro por raciocínio de senso comum: BCG prévia não invalida a prova tuberculínica. O efeito da vacina sobre o resultado diminui com o tempo, e como no Brasil a esmagadora maioria é vacinada no primeiro ano de vida e não revacinada, uma prova tuberculínica igual ou maior que 5 mm deve ser interpretada como infecção, em adultos e em crianças. Quem já tem prova documentada igual ou maior que 5 mm não deve ser retestado.
Sobre os esquemas, o Guia de Vigilância em Saúde de 2024 é explícito: o preferencial é o 3HP — rifapentina associada à isoniazida, em 12 doses semanais ao longo de três meses. No adulto acima de 14 anos e com 30 kg ou mais, a dose é de 900 mg de isoniazida e 900 mg de rifapentina por semana, o que na apresentação em dose fixa combinada de rifapentina 300 mg com isoniazida 300 mg corresponde a três comprimidos, uma vez por semana, sempre no mesmo dia. O tratamento está completo com 12 doses tomadas em 12 semanas, prazo prorrogável até 15 semanas. Vale para todas as indicações de infecção latente, inclusive pessoas vivendo com HIV, com atenção às interações.
Os outros dois esquemas continuam existindo, com indicações delimitadas. Isoniazida, de 5 a 10 mg/kg/dia até o máximo de 300 mg/dia: 270 doses em 9 a 12 meses, ou 180 doses em 6 a 9 meses — e o texto brasileiro diz que 270 protege mais que 180, sendo o preferencial entre os dois. Rifampicina, 10 mg/kg/dia até o máximo de 600 mg/dia: 120 doses em quatro a seis meses, indicada em maiores de 50 anos, hepatopatas, contatos de monorresistente à isoniazida e intolerantes à isoniazida. Em todos eles o que conta é o número de doses tomadas, não apenas o tempo decorrido.
As contraindicações são curtas e caem. O 3HP não é indicado para gestantes — na gestante que precisa tratar, a preferência é rifampicina e a segunda opção é isoniazida; fora do HIV, o padrão é postergar para depois do parto, e na gestante com HIV, tratar após o terceiro mês. O 3HP também não serve para contatos de tuberculose monorresistente à isoniazida ou à rifampicina, nem para intolerantes à isoniazida. E há a régua de interação com antirretrovirais: 3HP não vai com inibidor de protease, nevirapina ou tenofovir alafenamida, mas convive sem ajuste com tenofovir, efavirenz, dolutegravir e raltegravir; rifampicina é contraindicada em pessoas vivendo com HIV em uso de inibidores de protease; e a isoniazida isolada é a saída quando as rifamicinas não cabem, por não ter interação relevante.
Dois detalhes de vigilância fecham o assunto. Infecção latente não é doença de notificação compulsória, mas todo caso deve ser registrado e encerrado no sistema IL-TB. E o abandono tem definição própria por esquema: mais de 90 dias de interrupção, consecutivos ou não, quando o tratamento é com isoniazida; mais de 60 dias quando é com rifampicina.
Notificação, contatos e o fechamento do caso
Tuberculose é doença de notificação compulsória em todo o território nacional, regulamentada pela Portaria nº 204, de 17 de fevereiro de 2016. Quem notifica é a unidade de saúde, pública ou privada, que identificou o caso; laboratórios também podem. A ficha de notificação e investigação alimenta o Sinan. E há uma frase que a prova adora inverter: notifica-se apenas o caso confirmado de tuberculose, por critério laboratorial ou clínico — caso suspeito não se notifica, investiga-se.
O tipo de entrada define o esquema e o algoritmo diagnóstico, então precisa estar claro. Caso novo é quem nunca usou medicamento antituberculose ou usou por menos de 30 dias. Recidiva é quem foi tratado antes e recebeu alta por cura ou por tratamento completo. Reingresso após abandono é quem tratou por mais de 30 dias e interrompeu por 30 dias consecutivos ou mais. Recidiva e reingresso após abandono são, juntos, o que se chama retratamento — e é neles que o teste rápido molecular perde a função diagnóstica.
O controle de contatos é atividade da atenção primária e vale para todo caso índice, com prioridade máxima para tuberculose pulmonar ou laríngea com exame de escarro positivo. Prioriza-se avaliar, dentro dos contatos: pessoas de qualquer idade com sintomas sugestivos, crianças menores de cinco anos, pessoas vivendo com HIV, imunocomprometidos e contatos de tuberculose multirresistente. A avaliação bifurca conforme sintoma: contato sintomático faz exame de escarro e radiografia; contato assintomático faz prova tuberculínica e/ou radiografia, e trata infecção latente quando indicado; contato assintomático vivendo com HIV trata infecção latente independentemente da prova tuberculínica. A todos se oferece testagem para HIV.
O encerramento tem prazo e critérios. Recomenda-se encerrar no Sinan em até nove meses os casos tratados com o esquema básico de seis meses, e em até 15 meses os de tuberculose meningoencefálica, cujo tratamento dura doze. Cura, como visto, exige duas baciloscopias negativas — uma em qualquer mês e outra no quinto ou sexto. Abandono é ter usado medicamento por 30 dias ou mais e interromper por 30 dias consecutivos ou mais; abandono primário é interromper com menos de 30 dias de uso, ou nem começar depois de diagnosticado. Óbito se divide entre óbito por tuberculose, quando ela é a causa básica, e óbito por outras causas, quando aparece apenas como causa associada.
Do sintomático respiratório ao sexto mês
O caminho inteiro, do primeiro pote de escarro até a alta por cura, está no fluxo abaixo. Os cards destrincham a única escala verdadeiramente ordinal do tema — a leitura da baciloscopia em cruzes, que reaparece na definição de falência e que a prova cobra pela nomenclatura, não pelo número de campos. A tabela fecha com o esquema básico do adulto, que é onde a faixa de peso vira número de comprimidos.
- 1Identifique o sintomático respiratório: tosse de três semanas ou mais na população geral; duas semanas em quem procura espontaneamente o serviço de saúde; tosse de qualquer duração em contato, pessoa vivendo com HIV, população privada de liberdade, pessoa em situação de rua, indígena e morador de instituição de longa permanência.
- 2Peça o exame bacteriológico. Onde há teste rápido molecular, uma amostra de escarro basta. Onde não há, duas amostras para baciloscopia: uma na identificação e outra na manhã seguinte, ao despertar. Radiografia de tórax para todo suspeito, junto — nunca no lugar do escarro.
- 3Some cultura com teste de sensibilidade. Nos locais com teste rápido, ela é obrigatória em todo caso diagnosticado por ele, com ou sem resistência à rifampicina, e também quando o teste rápido é negativo mas a clínica persiste. Nos locais sem teste rápido, cultura para todos os suspeitos, independentemente da baciloscopia.
- 4Leia o teste rápido. MTB detectado com resistência à rifampicina não detectada: inicie o esquema básico. MTB detectado com resistência detectada: encaminhe imediatamente para referência terciária, sem esperar outros exames. Resistência indeterminada, inválido, erro ou sem resultado: repita em nova amostra.
- 5Inicie 2RHZE/4RH pela faixa de peso, com dose fixa combinada. Ofereça teste para HIV já no primeiro mês, notifique o caso confirmado no Sinan e organize o tratamento diretamente observado — diariamente de segunda a sexta ou, excepcionalmente, três vezes por semana.
- 6Avalie os contatos do caso índice. Sintomático faz escarro e radiografia; assintomático faz prova tuberculínica e/ou radiografia e trata infecção latente quando indicado; assintomático vivendo com HIV trata infecção latente independentemente da prova tuberculínica.
- 7Acompanhe todo mês: consulta, peso para eventual ajuste de comprimidos, checagem de adesão e reações adversas, e baciloscopia de controle em todo caso pulmonar. Teste rápido molecular não serve para controle de tratamento.
- 8Se a baciloscopia estiver positiva ao final do segundo mês: solicite cultura com teste de sensibilidade — e teste rápido, onde houver, para triar resistência à rifampicina — e prolongue a fase de ataque com RHZE por mais 30 dias. Sensível ou ainda sem resultado, com boa evolução, siga para RH por mais quatro meses.
- 9Diante de reação adversa maior, suspenda e reordene: hepatotoxicidade com transaminases cinco vezes o normal sem sintomas, três vezes com sintomas, ou icterícia, interrompe o tratamento; a reintrodução é rifampicina com etambutol, depois isoniazida, e pirazinamida por último, com três a sete dias entre cada uma.
- 10Encerre pelos critérios: cura com duas baciloscopias negativas, uma em qualquer mês e outra no quinto ou sexto; falência nas três situações definidas, que mandam o caso para referência; abandono com 30 dias consecutivos de interrupção. Encerramento no Sinan em até nove meses para o esquema de seis.
Negativo
Nenhum bacilo álcool-ácido resistente encontrado em 100 campos observados. Não exclui tuberculose: em locais sem teste rápido molecular, a cultura corre para todos os suspeitos justamente por causa disso, e persistindo indício clínico e radiológico com duas amostras negativas, pedem-se amostras adicionais e avaliação em referência secundária.
1 a 9 bacilos em 100 campos
Não se dá cruz nem se chama de negativo: relata-se a quantidade de bacilos encontrada. É o degrau que a prova esquece que existe, e ele importa porque um achado escasso pede correlação clínica e cultura, não decisão automática num sentido ou no outro.
Positivo +
De 10 a 99 bacilos em 100 campos observados. Baciloscopia positiva com quadro clínico compatível fecha o diagnóstico e autoriza iniciar o esquema básico de imediato — sem esperar a cultura, que segue correndo para identificar a espécie e testar sensibilidade.
Positivo ++
De 1 a 10 bacilos por campo, em 50 campos observados. Junto com o +++, é o que o protocolo chama de fortemente positiva — e é essa expressão que aparece no segundo critério de falência: fortemente positiva no início que se mantém assim até o quarto mês.
Positivo +++
Em média mais de 10 bacilos por campo, em 20 campos observados. É a carga bacilar do paciente que sustenta a transmissão na comunidade — e a razão de a fase intensiva existir: quatro fármacos por dois meses para derrubar essa população rápido e cortar a contagiosidade.
| Faixa de peso | Fase intensiva — 2 meses de RHZE 150/75/400/275 mg | Fase de manutenção — 4 meses de RH | O detalhe que a questão testa |
|---|---|---|---|
| 20 a 35 kg | 2 comprimidos por dia | 1 comprimido de 300/150 mg ou 2 comprimidos de 150/75 mg | Adulto e adolescente a partir de 10 anos com baixo peso continuam no esquema com etambutol — quem perde o etambutol é a criança abaixo de 10 anos, que usa 2RHZ/4RH. |
| 36 a 50 kg | 3 comprimidos por dia | 1 comprimido de 300/150 mg mais 1 de 150/75 mg, ou 3 comprimidos de 150/75 mg | É a faixa em que a apresentação de RH escolhida muda a contagem de comprimidos. A dose total é a mesma; o que varia é a aritmética das duas apresentações disponíveis. |
| 51 a 70 kg | 4 comprimidos por dia | 2 comprimidos de 300/150 mg ou 4 comprimidos de 150/75 mg | Faixa mais comum nas vinhetas de adulto. Como o peso é monitorado mensalmente, o paciente que engorda ou emagrece pode mudar de faixa no meio do tratamento. |
| Acima de 70 kg | 5 comprimidos por dia | 2 comprimidos de 300/150 mg mais 1 de 150/75 mg, ou 5 comprimidos de 150/75 mg | Não existe teto acima de 5 comprimidos na fase intensiva: a tabela do Ministério da Saúde termina aqui, e não se calcula miligrama por quilo no adulto. |
A mesma tabela de fase intensiva vale para a tuberculose meningoencefálica e para a osteoarticular — o que muda é só a manutenção, que passa de 4 para 10 meses, totalizando 2RHZE/10RH. Na meningoencefálica associa-se corticosteroide: prednisona 1 a 2 mg/kg/dia por quatro semanas, ou dexametasona 0,3 a 0,4 mg/kg/dia por quatro a oito semanas nos casos graves, com desmame nas quatro semanas seguintes.
O tratamento diretamente observado tem contagem própria e ela cai: 24 doses observadas na fase intensiva e 48 na fase de manutenção, num tratamento padronizado de seis meses. Para efeito de registro no Sinan, só conta como observação feita por profissional de saúde ou por outro profissional capacitado sob supervisão de profissional de saúde.
Gestante recebe o esquema básico nas doses habituais, com piridoxina 50 mg/dia associada pelo risco de toxicidade neurológica no recém-nascido causada pela isoniazida. Fora da gestação, no Brasil a piridoxina não é rotina — entra em dose de 50 mg/dia quando a neuropatia periférica aparece.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Isoniazida, com 270 doses tomadas em 9 a 12 meses — Manual de Recomendações do Ministério da Saúde, 2ª edição atualizada, de 2019
O manual afirma que a isoniazida deve ser o esquema preferencial para tratamento da infecção latente, justificando pela longa experiência de uso no país, e reserva a rifampicina por quatro meses para hepatopatas, crianças abaixo de 10 anos, pessoas acima de 50 anos e intolerantes à isoniazida. Recomenda 270 doses, tomadas em 9 a 12 meses, com a observação de que 270 protege mais que 180. A rifapentina não aparece no texto de 2019 porque ainda não estava disponível no SUS quando ele foi escrito.
Ministério da Saúde, Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, 2ª edição atualizada, 2019, item 8.6 — regimes terapêuticos e tempo de tratamento da infecção latente.
3HP, rifapentina com isoniazida em 12 doses semanais por três meses — Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, 6ª edição revisada, de 2024, e Nota Informativa nº 15/2024
O capítulo de tuberculose do Guia de 2024 registra que o tratamento da infecção latente é realizado preferencialmente com rifapentina associada à isoniazida, no esquema 3HP, e o quadro de esquemas terapêuticos traz o 3HP com a indicação literal de esquema preferencial, deixando isoniazida isolada e rifampicina para indicações específicas. No adulto acima de 14 anos e com 30 kg ou mais são 900 mg de isoniazida e 900 mg de rifapentina por semana, 12 doses em 12 semanas, prorrogáveis a 15. A rifapentina foi incorporada ao SUS em setembro de 2021, entre a publicação de um documento e a do outro.
Ministério da Saúde, Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição revisada, 2024, capítulo Tuberculose, seção Tratamento da ILTB e Quadro 13; e Nota Informativa nº 15/2024-CGTM/DATHI/SVSA/MS, Quadro 2.
Na prova
A divergência é de data, e o recorte se identifica primeiro pelas alternativas. Se alguma opção traz rifapentina, dose semanal, 12 doses ou a sigla 3HP, a questão foi escrita depois da incorporação e opera no mapa de 2021 em diante. Se as alternativas só oferecem isoniazida e rifampicina em regimes diários, a questão foi montada sobre o manual de 2019 e a rifapentina sequer é um mundo possível ali. O segundo sinal é o enunciado nomear o documento: banca que cita o Manual de Recomendações, 2ª edição, está lendo o texto de 2019; banca que cita o Guia de Vigilância em Saúde ou uma nota informativa da CGTM está no texto atual. Há ainda um sinal de cenário: questão que descreve tratamento diretamente observado semanal ou fala em comodidade posológica e adesão está descrevendo a lógica do esquema semanal, porque é ela que justifica a mudança. E vale lembrar a régua geral: prova oficial do MEC tende a cobrar a conduta como o SUS a organiza hoje; nas demais bancas, o que revela o recorte são as próprias alternativas.
Seis meses, no esquema 2RHZE/4RH — Ministério da Saúde nos documentos de 2019 e de 2024, e recomendação forte da própria Organização Mundial da Saúde
O esquema brasileiro é de dois meses de rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol, seguidos de quatro meses de rifampicina e isoniazida, em doses fixas combinadas, para todas as formas pulmonares e extrapulmonares exceto a meningoencefálica e a osteoarticular. Não é apenas a posição nacional: nas diretrizes consolidadas da OMS, o regime de seis meses contendo rifampicina permanece como recomendação forte, com certeza alta de evidência, para pacientes novos com tuberculose pulmonar.
Ministério da Saúde, Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição revisada, 2024, capítulo Tuberculose, Quadro 4; Manual de Recomendações, 2ª edição atualizada, 2019, Quadro 20; e OMS, WHO consolidated guidelines on tuberculosis, module 4: drug-susceptible TB treatment, 2022.
Quatro meses, no esquema 2HPMZ/2HPM, com rifapentina e moxifloxacino diários — Organização Mundial da Saúde, módulo 4 das diretrizes consolidadas, de 2022, como recomendação condicional
Em 2022 a OMS passou a admitir, para pessoas de 12 anos ou mais com tuberculose pulmonar sensível, um regime de quatro meses com isoniazida, rifapentina, moxifloxacino e pirazinamida por dois meses, seguidos de isoniazida, rifapentina e moxifloxacino por mais dois. Foi o braço com rifapentina e moxifloxacino que demonstrou não inferioridade frente ao regime padrão de seis meses. A recomendação é condicional, com certeza moderada de evidência — categoria mais fraca que a do esquema de seis meses.
OMS, WHO consolidated guidelines on tuberculosis, module 4: treatment — drug-susceptible tuberculosis treatment, Genebra, 2022, e comunicado oficial da OMS de 24 de maio de 2022.
Na prova
O Brasil não adotou o regime de quatro meses, e a causa tem nome: disponibilidade, somada ao peso da própria recomendação. A rifapentina entrou no SUS por decisão da Conitec para tratamento das formas não ativas — isto é, para infecção latente —, na apresentação usada no esquema semanal; o regime curto de doença ativa exige rifapentina em uso diário e moxifloxacino associado, que não integram a padronização nacional para tuberculose sensível. Some-se que a recomendação da OMS é condicional, com certeza moderada, enquanto o esquema de seis meses segue como forte, com certeza alta — um documento nacional tem pouco incentivo para trocar o padrão forte por um condicional que ainda dependeria de nova incorporação. Para identificar o recorte: enunciado ambientado em UBS, programa nacional, dispensação pelo SUS ou que cite o Ministério da Saúde está no mundo dos seis meses; enunciado que nomeia a OMS, descreve ensaio clínico ou traz nas alternativas rifapentina diária com moxifloxacino está no mundo internacional. A presença de moxifloxacino em qualquer alternativa é o distrator que denuncia o recorte, porque quinolona não faz parte do esquema básico brasileiro.
Três semanas ou mais — definição do sintomático respiratório na população geral, no corpo do texto do Guia de Vigilância em Saúde de 2024 e do Manual de 2019
É a definição escrita como tal nos dois documentos: pessoa com tosse por período igual ou maior que três semanas deve ser investigada para tuberculose por meio de exames bacteriológicos. É também o número que a página de tuberculose do Ministério da Saúde apresenta ao público. Quando a questão pede a definição de sintomático respiratório sem qualificar cenário, é este o corte.
Ministério da Saúde, Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição revisada, 2024, capítulo Tuberculose, seção Manifestações clínicas; e Manual de Recomendações, 2ª edição atualizada, 2019, item 3.1.2.
Duas semanas para quem procura espontaneamente o serviço de saúde — quadro de estratégias de busca ativa do Manual de 2019
O mesmo manual que define três semanas no corpo do texto traz um quadro operacional em que a população geral que procura o serviço de saúde, seja unidade básica ou hospital, é rastreada com corte de duas semanas de tosse, em todas as visitas do usuário ao serviço. A lógica é aproveitar o contato: a pessoa já está no serviço, e privilegia-se a oportunidade de examinar em vez do tempo de tosse.
Ministério da Saúde, Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, 2ª edição atualizada, 2019, Quadro 48 — estratégia de busca ativa do sintomático respiratório nas diferentes populações.
Tosse de qualquer duração em populações de maior risco — mesmo quadro do Manual de 2019
Para contatos de tuberculose pulmonar ou laríngea, pessoas vivendo com HIV, população privada de liberdade, pessoas em situação de rua, indígenas e moradores de albergues, comunidades terapêuticas e instituições de longa permanência, qualquer duração de tosse já indica investigação. Em pessoas vivendo com HIV o rastreamento se amplia para quatro sintomas isolados: tosse ou febre ou emagrecimento ou sudorese noturna.
Ministério da Saúde, Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, 2ª edição atualizada, 2019, Quadro 48 e capítulo de detecção de casos.
Na prova
Aqui as três posições saem do mesmo corpo documental brasileiro — não é conflito entre instituições, é diferença entre a definição conceitual e a régua operacional por cenário, e a banca explora exatamente essa costura. O recorte se lê no enunciado. Pergunta que diz literalmente defina sintomático respiratório, ou que descreve busca ativa na comunidade pelo agente comunitário, está no corte de três semanas. Vinheta em que o paciente chega por conta própria à unidade ou ao pronto-socorro com duas a três semanas de tosse está construída sobre o quadro operacional, e a chave costuma ser que já se investiga. Vinheta que nomeia pessoa privada de liberdade, pessoa em situação de rua, indígena, contato domiciliar ou pessoa vivendo com HIV está no mundo do qualquer duração — e nesses casos o distrator típico é justamente a alternativa que manda aguardar completar três semanas de tosse.
Caso resolvido
- achado
- Tosse de sete semanas em adulto — muito acima de qualquer um dos cortes brasileiros de sintomático respiratório. Isso, por si, já obrigava a investigação bacteriológica, independentemente do restante do quadro.
- achado
- Febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento de 8 kg completam a assinatura clássica. A febre vespertina do texto brasileiro não costuma ultrapassar 38,5 °C e não vem com calafrio franco — quando vem, o raciocínio deve se abrir para outras causas.
- achado
- Ausculta com redução discreta do murmúrio em ápice direito. Achado compatível, mas irrelevante para a decisão: a ausculta na tuberculose pode ser normal, e nenhuma conduta deste caso muda por causa dela.
- achado
- Cavitação em lobo superior direito é a topografia típica da forma pós-primária — partes altas e dorsais, com preferência pelo pulmão direito. A imagem sustenta a suspeita, mas não fecha nada: não existe achado radiológico patognomônico de tuberculose.
- achado
- Teste rápido molecular com MTB detectado e resistência à rifampicina não detectada. Uma amostra bastou. Este é o resultado que autoriza tratar como tuberculose sensível na atenção primária, sem encaminhamento.
- raciocínio
- Caso novo de tuberculose pulmonar em adulto, sem resistência à rifampicina, com 62 kg. Cai na faixa de peso de 51 a 70 kg. O que resta é executar o pacote inteiro do programa — e é aí que as questões costumam derrubar quem só lembra do comprimido.
- conduta
- Iniciar o esquema básico 2RHZE/4RH: 4 comprimidos por dia de RHZE 150/75/400/275 mg durante dois meses, seguidos de 4 meses de RH — 2 comprimidos por dia de 300/150 mg, ou 4 comprimidos de 150/75 mg.
- conduta
- Solicitar cultura para micobactéria com teste de sensibilidade, mesmo sem resistência à rifampicina detectada. Nos locais com teste rápido, todo caso diagnosticado por ele faz cultura e teste de sensibilidade — não é exceção, é regra.
- conduta
- Oferecer teste para HIV já neste primeiro mês, com prioridade para teste rápido. Se positivo, encaminhar ao serviço de atenção especializada mantendo o tratamento da tuberculose.
- conduta
- Notificar o caso confirmado no Sinan, preenchendo a ficha de notificação e investigação, e registrar o tipo de entrada como caso novo — nunca tratou por 30 dias ou mais.
- conduta
- Organizar o tratamento diretamente observado, diariamente de segunda a sexta ou, excepcionalmente, três vezes por semana, totalizando 24 doses observadas na fase intensiva e 48 na de manutenção.
- conduta
- Avaliar os contatos domiciliares: esposa e os dois filhos. Sintomáticos fazem exame de escarro e radiografia; assintomáticos fazem prova tuberculínica e/ou radiografia, com tratamento da infecção latente quando indicado. A criança de 4 anos entra na priorização por ser menor de cinco. A todos se oferece testagem para HIV.
- conduta
- Programar o seguimento: consulta mensal com pesagem — a faixa de peso pode mudar com a recuperação nutricional — e baciloscopia de controle mensal do primeiro ao sexto mês. Teste rápido molecular não entra no controle de tratamento.
Agora feche você
- achado
- Baciloscopia de controle positiva ao final do segundo mês de tratamento, em paciente que iniciou com duas cruzes e agora está com uma cruz.
- achado
- Evolução clínica favorável e concordante: tosse muito reduzida, febre cessada na terceira semana, ganho de 3 kg e infiltrado radiológico em regressão.
- achado
- Adesão documentada como boa em todas as semanas, sob tratamento diretamente observado — o que afasta a irregularidade de uso como primeira explicação.
- achado
- Estamos no segundo mês, não no quarto nem ao final do tratamento; a baciloscopia nunca chegou a negativar antes de voltar a positivar.
- achado
- Unidade sem acesso a teste rápido molecular; peso atual de 47 kg, ainda na faixa de 36 a 50 kg; função hepática normal e sem sinais de toxicidade.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Chamar de falência a baciloscopia ainda positiva no segundo mês Atrai porque parece lógico: dois meses de quatro drogas e o escarro continua positivo. Mas falência tem três definições fechadas, e nenhuma delas menciona o segundo mês. A conduta correta é cultura com teste de sensibilidade e prolongamento da fase de ataque por mais 30 dias — não troca de esquema, não rótulo de falência.
- 2Usar o teste rápido molecular para acompanhar o tratamento A tentação é grande porque o teste é mais sensível e sai em duas horas. Só que a PCR detecta material genético de bacilo vivo ou morto: um paciente em boa resposta continuaria dando positivo por meses. O controle é baciloscopia mensal, e o teste rápido só volta a entrar para triar resistência à rifampicina diante de suspeita de falência ou de resistência.
- 3Deixar de pedir cultura porque o teste rápido não mostrou resistência É o erro mais cobrado do capítulo. Nos locais com teste rápido, todo caso diagnosticado por ele faz cultura e teste de sensibilidade, com ou sem resistência à rifampicina. O teste rápido só rastreia a rifampicina — a resistência à isoniazida e às demais drogas passa batido, e é a cultura que a revela.
- 4Diagnosticar retratamento com teste rápido molecular Parece o exame mais moderno e mais rápido, então parece a resposta. Mas em recidiva e reingresso após abandono um resultado positivo pode ser resíduo genético da infecção anterior. Nesses casos o diagnóstico é feito com baciloscopia e cultura, e o teste rápido fica restrito à triagem de resistência à rifampicina.
- 5Tratar infecção latente sem afastar tuberculose ativa Atrai em vinhetas de contato ou de pessoa vivendo com HIV, em que a indicação de tratar parece imediata. Mas isoniazida isolada, ou o esquema semanal, em quem tem doença ativa é monoterapia funcional — e monoterapia fabrica resistência. Afastar tuberculose ativa é passo obrigatório, com avaliação clínica, exame bacteriológico quando indicado e radiografia.
- 6Descontar a BCG na leitura da prova tuberculínica O raciocínio de que o vacinado tem PPD falsamente positivo é intuitivo e errado no contexto brasileiro. O efeito da BCG diminui com o tempo, e como a vacinação aqui é feita no primeiro ano de vida sem revacinação, uma prova tuberculínica igual ou maior que 5 mm é interpretada como infecção, em adulto e em criança. Quem já tem prova documentada igual ou maior que 5 mm não é retestado.
- 7Aplicar o corte de 5 mm a todo mundo É a simplificação mais comum. Diabetes mellitus, silicose, insuficiência renal em diálise, neoplasias hematológicas, baixo peso, tabagismo acima de um maço por dia e calcificação isolada na radiografia exigem 10 mm, não 5. Uma vinheta de diabético com prova tuberculínica de 8 mm e radiografia normal não tem indicação de tratamento por esse critério.
- 8Suspender o esquema por qualquer elevação de transaminases A elevação assintomática nos primeiros dois meses é comum e costuma normalizar sozinha. Os gatilhos de suspensão são específicos: cinco vezes o valor normal sem sintomas digestivos, três vezes com sintomas dispépticos, ou o aparecimento de icterícia. Suspender antes disso interrompe um tratamento que não precisava parar.
- 9Errar a ordem de reintrodução depois da hepatotoxicidade A sequência é contraintuitiva e por isso cai: rifampicina com etambutol primeiro, depois isoniazida, e a pirazinamida por último, com três a sete dias entre cada etapa e função hepática avaliada antes de cada uma. Quem reintroduz na ordem da sigla RHZE erra a alternativa.
- 10Notificar caso suspeito de tuberculose Soa como boa prática de vigilância, e é justamente o contrário do que o protocolo diz: notifica-se apenas o caso confirmado, por critério laboratorial ou clínico. O caso suspeito é investigado; se descartado, não se notifica. O registro do suspeito acontece no livro do sintomático respiratório, não na ficha do Sinan.
- 11Prescrever piridoxina de rotina para todo paciente em uso de isoniazida É a conduta de algumas referências estrangeiras, e por isso aparece como alternativa plausível. No protocolo brasileiro a piridoxina 50 mg/dia entra em duas situações: associada de rotina na gestante em esquema básico, pelo risco de toxicidade neurológica no recém-nascido, e como tratamento quando a neuropatia periférica se manifesta.
- 12Dar alta por cura sem as duas baciloscopias negativas Completar seis meses de medicação não é, sozinho, critério de cura em caso pulmonar com confirmação laboratorial. São necessárias duas baciloscopias negativas — uma em qualquer mês de acompanhamento e outra ao final, no quinto ou sexto mês. A alta clínica e radiológica existe, mas é a exceção para quem não conseguiu fazer os exames.
- 13Esquecer que a dose acompanha o peso ao longo do tratamento A vinheta dá o peso inicial e o candidato calcula uma vez. Mas o paciente com tuberculose costuma recuperar peso, e o protocolo prevê pesagem mensal justamente para ajuste posológico. Um paciente que sai de 49 kg e chega a 53 kg mudou de faixa e passa de 3 para 4 comprimidos de RHZE.
O teste rápido molecular (TRM-TB/GeneXpert) é o exame inicial preconizado pelo Ministério da Saúde: detecta DNA do M. tuberculosis e resistência à rifampicina em poucas horas. A baciloscopia detecta bacilos, mas não avalia resistência e tem menor sensibilidade. A cultura é padrão-ouro e permite teste de sensibilidade completo, porém é lenta (semanas). PPD e IGRA indicam infecção latente, não doença ativa, e não avaliam resistência.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem de 28 anos procura a UBS com queixa de tosse produtiva há 4 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso de 5 kg. Reside em área de alta incidência de tuberculose. Segundo as recomendações do Ministério da Saúde para investigação de tuberculose pulmonar em sintomáticos respiratórios na Atenção Primária, qual é o exame de escolha inicial atualmente recomendado, quando disponível?
O teste rápido molecular (TRM-TB / GeneXpert) é o exame inicial de escolha para diagnóstico de TB pulmonar, por detectar o DNA do bacilo e a resistência à rifampicina com rapidez. A cultura é complementar, mais lenta, usada para casos específicos e teste de sensibilidade ampliado. A radiografia auxilia, mas não confirma o diagnóstico bacteriológico. O PPD avalia infecção latente, não doença ativa. A sorologia não é recomendada para diagnóstico de tuberculose.
Mulher de 28 anos, hígida, procura a Unidade Básica de Saúde relatando tosse produtiva há 3 semanas, sudorese noturna e perda de 3 kg. Reside em área de alta incidência de tuberculose. Ausência de febre no momento; ausculta pulmonar normal. Considerando o fluxo de investigação da tuberculose pulmonar na atenção primária de um sintomático respiratório, qual é a conduta inicial mais adequada?
Diante de sintomático respiratório, a investigação inicial é bacteriológica: teste rápido molecular (TRM-TB) e/ou baciloscopia de escarro (correta). Iniciar RIPE empírico sem confirmação não é a conduta padrão na APS com acesso a diagnóstico. Tomografia não é o primeiro exame. Antibiótico inespecífico atrasa o diagnóstico de um caso suspeito. O PPD indica infecção/contato, não distingue doença ativa e não substitui a investigação bacteriológica.
Mulher de 35 anos apresenta febre de 38°C há 3 semanas, sudorese noturna, perda de 6 kg e tosse produtiva ocasional com raias de sangue. É contactante domiciliar de paciente com tuberculose. Radiografia de tórax mostra infiltrado com cavitação em ápice do pulmão direito. Qual é o exame de escolha para confirmação diagnóstica e detecção de resistência à rifampicina?
O teste rápido molecular (TRM-TB/GeneXpert) é o exame de escolha inicial no Brasil, detectando o DNA do M. tuberculosis e a resistência à rifampicina em poucas horas. O PPD indica infecção latente/contato, não doença ativa nem resistência. A baciloscopia detecta bacilos, mas não avalia resistência e tem menor sensibilidade. A cultura confirma e permite teste de sensibilidade completo, mas é demorada (semanas) e não é o teste inicial rápido para rifampicina. O IGRA, como o PPD, avalia infecção latente e não distingue doença ativa.
Homem de 41 anos, tabagista, com tosse produtiva, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg em 2 meses. Baciloscopia de escarro positiva confirma tuberculose pulmonar. Inicia esquema RIPE (rifampicina, isoniazida, pirazinamida, etambutol). Na 3ª semana, retorna com icterícia, náuseas e AST/ALT 8 vezes o limite superior da normalidade, com bilirrubina total 4,2 mg/dL. Qual é a conduta correta?
Hepatotoxicidade significativa (transaminases >5x o LSN com sintomas, ou >3x com icterícia) obriga a suspender todas as drogas hepatotóxicas do RIPE; após normalização das enzimas, reintroduz-se escalonadamente para identificar o agente responsável. Manter o esquema é perigoso e pode evoluir para hepatite fulminante. Suspender só o etambutol não resolve, pois ele é o menos hepatotóxico — os culpados são pirazinamida, isoniazida e rifampicina. Fluoroquinolona isolada não trata TB adequadamente. Reduzir dose pela metade não é conduta padronizada e mantém a exposição hepática.
Homem de 45 anos procura atendimento por tosse seca há 3 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 4 kg. Nega comorbidades. Ao exame: PA 120x75 mmHg, FC 92 bpm, FR 18 ipm, SatO2 96%, T 37,9 °C. A radiografia de tórax mostra opacidade no ápice do pulmão direito com aparente escavação. Qual é o exame inicial de escolha para investigar a hipótese diagnóstica principal?
O quadro é altamente sugestivo de tuberculose pulmonar; a investigação inicial recomendada é a pesquisa no escarro com teste molecular rápido (GeneXpert), que detecta o M. tuberculosis e resistência à rifampicina, associado à baciloscopia. A broncoscopia fica reservada para casos com escarro negativo/impossível. A sorologia para HIV deve ser solicitada, mas não é o exame que confirma a TB. A TC não é inicial para diagnóstico. O PPD isolado não confirma doença ativa, apenas contato/infecção.
Uma equipe de Saúde da Família identifica um paciente com quadro sugestivo de tuberculose pulmonar bacilífera. Além de iniciar a investigação e o tratamento, a equipe deve comunicar o caso ao sistema de vigilância. A tuberculose é um exemplo de doença de:
A tuberculose integra a lista de doenças de notificação compulsória, devendo ser informada ao SINAN. 'Notificação facultativa' não existe como categoria para TB. 'Registro apenas em prontuário' descumpre a obrigação legal de notificação. 'Investigação exclusiva hospitalar' é incorreto, pois a APS notifica e acompanha. 'Confidencialidade que dispensa notificação' é errado: o sigilo não elimina o dever sanitário de notificar.
Homem de 60 anos, diabético, retorna 6 semanas após início de tratamento diretamente observado para tuberculose pulmonar (esquema RIPE). Queixa-se de dormência e formigamento simétrico em pés (parestesias). Exame neurológico com hipoestesia em bota. Qual fármaco do esquema é o responsável mais provável e qual a conduta?
A neuropatia periférica (parestesias em bota) é efeito adverso clássico da isoniazida, por interferência no metabolismo da piridoxina, mais frequente em diabéticos, etilistas e desnutridos. A conduta é a reposição de piridoxina (vitamina B6), não a suspensão do esquema. Rifampicina causa hepatotoxicidade e interações, não neuropatia. Pirazinamida causa hiperuricemia/hepatotoxicidade. Etambutol causa neurite óptica (alteração visual), não neuropatia em bota.
Homem de 45 anos procura a UBS com tosse produtiva há mais de três semanas, sudorese noturna, febre vespertina e perda de peso. Reside em área de alta incidência da doença. Qual o exame inicial mais adequado para investigação diagnóstica na APS?
Tosse por mais de três semanas com sintomas consumptivos (febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento) em área endêmica é caso de tuberculose pulmonar (sintomático respiratório). Correta: a investigação inicial na APS é a baciloscopia de escarro ou o teste rápido molecular (TRM-TB), disponíveis na rede SUS. A TC não é exame de primeira linha para diagnóstico de TB. A broncoscopia é reservada a casos sem confirmação por métodos menos invasivos. O teste de HIV deve ser oferecido a todo paciente com TB, mas não substitui a confirmação bacteriológica da tuberculose.
Paciente de 40 anos em tratamento de tuberculose pulmonar na APS retorna à UBS no segundo mês do esquema básico (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol) queixando-se de icterícia, náuseas e dor abdominal. As transaminases estão cinco vezes acima do limite superior da normalidade. Qual a conduta mais adequada?
Hepatotoxicidade é reação adversa conhecida dos tuberculostáticos (isoniazida, pirazinamida e rifampicina). Com icterícia, sintomas e transaminases acima de três a cinco vezes o normal (com sintomas), há indicação de suspensão. Correta: suspender o esquema e reintroduzir gradualmente após normalização clínica e laboratorial. Manter o esquema diante de hepatite medicamentosa sintomática é conduta perigosa. Não há critério de resistência; trocar para esquema de TB-MDR é inadequado. O paracetamol é hepatotóxico e agravaria o quadro; não resolve a causa.
Homem de 50 anos, sem comorbidades, é atendido na UBS com quadro de tosse seca, febre baixa e dispneia leve. Foi confirmado diagnóstico de tuberculose pulmonar bacilífera (baciloscopia positiva). Além de iniciar o tratamento, qual medida de saúde coletiva é obrigatória neste caso?
A tuberculose é doença de notificação compulsória no Brasil, e o rastreio de contatos é medida essencial de controle. Correta: notificar o caso ao sistema de vigilância e investigar os contatos domiciliares para detecção precoce de novos casos e de infecção latente. O isolamento é apenas nas primeiras semanas de tratamento bacilífero, não durante todo o período, e nem sempre hospitalar. A TB é curável com tratamento adequado; afastamento definitivo é incorreto. A notificação é obrigatória ao diagnóstico, independentemente de desfecho.
Mulher de 34 anos comparece à UBS com tosse há 3 semanas, sudorese noturna e perda de 4 kg. É contactante domiciliar de irmão em tratamento de tuberculose pulmonar. A radiografia de tórax mostra infiltrado no ápice do pulmão direito. Foi solicitado teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB) do escarro. Qual é a conduta imediata mais adequada na Atenção Primária?
Diante de quadro clínico-radiológico compatível com TB, contactante de caso confirmado e TRM-TB solicitado, a conduta é iniciar o esquema básico RIPE e notificar (tuberculose é doença de notificação compulsória) — o tratamento na APS não deve ser retardado em caso fortemente sugestivo. Tratar como pneumonia atrasa o diagnóstico. Apenas aguardar exames não se justifica com quadro tão sugestivo e vínculo epidemiológico. Encaminhar sem iniciar contraria a organização do SUS, que preconiza diagnóstico e tratamento da TB não complicada na própria APS.
Uma mulher de 34 anos, sem comorbidades, procura a UBS relatando tosse produtiva há 3 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso. Reside em domicílio com aglomeração. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, afebril no momento, com murmúrio vesicular diminuído em ápice direito. Segundo o protocolo do Ministério da Saúde para APS, qual é a conduta inicial mais adequada?
Diante de sintomático respiratório (tosse ≥ 3 semanas) com sintomas constitucionais, a investigação diagnóstica de tuberculose na APS começa pela pesquisa do bacilo: teste rápido molecular (TRM-TB), preferencial pelo MS, ou baciloscopia de escarro (duas amostras). Iniciar RIPE empírico sem confirmação Inadequado: quando há como confirmar. Encaminhar antes de investigar contraria o papel resolutivo da APS, que diagnostica e trata TB pulmonar. Azitromicina trata pneumonia bacteriana e não a suspeita clínica predominante aqui.
Um homem de 45 anos, tabagista, comparece à UBS com tosse produtiva há 4 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso. Reside em comunidade com casos de tuberculose. Qual o exame inicial mais adequado para investigação diagnóstica na APS, segundo o Programa Nacional de Controle da Tuberculose?
O teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB/GeneXpert) é o exame inicial preconizado pelo Ministério da Saúde para diagnóstico de TB pulmonar em sintomático respiratório, detectando o DNA do bacilo e resistência à rifampicina com rapidez (opção correta). O PPD avalia infecção latente, não doença ativa (opção errada). A cultura é complementar e demorada, não é o teste inicial de escolha (opção errada). A TC não é o exame inicial para diagnóstico de TB na APS (opção errada).
Homem de 52 anos, pedreiro, procura a UBS com tosse produtiva há três semanas, sudorese noturna e perda de 4 kg. Reside em domicílio com mais quatro pessoas. O médico solicita baciloscopia de escarro, que resulta positiva. Considerando as diretrizes do Programa Nacional de Controle da Tuberculose, qual é a conduta correta em relação aos comunicantes e à notificação?
A tuberculose é doença de notificação compulsória, e a confirmação por baciloscopia positiva já basta para iniciar tratamento na própria APS e notificar. Além disso, é obrigatória a investigação dos contatos domiciliares (avaliação clínica e, quando indicado, prova tuberculínica/IGRA e radiografia). A notificação não depende de cultura, e a quimioprofilaxia não é indicada indiscriminadamente — só após avaliar cada contato. Não se aguarda o TRM para notificar. A tuberculose pulmonar não complicada é manejada na APS, não exigindo encaminhamento terciário.
Homem de 30 anos chega à UBS relatando tosse produtiva há 4 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso. Vive em região com alta incidência de tuberculose. Qual é o próximo passo diagnóstico prioritário na APS?
Tosse por ≥3 semanas com sintomas constitucionais em sintomático respiratório indica investigação de tuberculose; o teste diagnóstico prioritário é o TRM-TB (Xpert MTB/RIF), com baciloscopia de escarro como alternativa/complemento, disponíveis na rede. Iniciar RIPE sem confirmação não é a rotina padrão. Antibiótico de amplo espectro por 3 meses atrasa o diagnóstico. Biópsia cirúrgica não é o passo inicial na abordagem do sintomático respiratório.
Mulher de 28 anos procura a UBS com quadro de tosse produtiva há 3 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso. Reside em comunidade com casos de tuberculose. Qual é a conduta inicial mais adequada na APS?
Sintomático respiratório (tosse ≥3 semanas) com sintomas sistêmicos exige investigação diagnóstica na APS com TRM-TB (preferencial pelo SUS) ou baciloscopia e radiografia de tórax. Antibiótico para pneumonia comunitária não é apropriado frente ao quadro clássico de TB. Encaminhar sem investigar sobrecarrega a rede e atrasa o diagnóstico, que é atribuição da APS. Iniciar RIPE empírico sem confirmação é incorreto; o tratamento se inicia após diagnóstico.
Homem de 45 anos é atendido na UBS com tosse produtiva há 4 semanas, sudorese noturna, emagrecimento e febre vespertina. Reside em comunidade com alta prevalência de tuberculose. O médico de família solicita baciloscopia/teste rápido molecular (TRM-TB) e a radiografia sugere cavitação em ápice. O TRM-TB detecta M. tuberculosis, sensível à rifampicina. Sobre o manejo na APS e as ações de saúde coletiva, qual conduta é a mais adequada?
A tuberculose pulmonar sensível é manejada na APS: iniciar o esquema básico RHZE, notificar (doença de notificação compulsória), garantir tratamento diretamente observado e investigar contatos domiciliares (correta). Encaminhar à referência não é obrigatório em caso sensível não complicado — sobrecarregaria a rede e atrasaria o início. Aguardar cultura/sensibilidade retardaria o tratamento indevidamente, pois o TRM já mostrou sensibilidade à rifampicina e permite início imediato. Isolamento por 6 meses é desnecessário (a transmissibilidade cai em ~15 dias de tratamento efetivo) e dispensar o rastreamento de contatos contraria a estratégia de controle da doença.
Homem de 45 anos procura a UBS com tosse produtiva há 4 semanas, sudorese noturna, febre vespertina e perda de peso. Reside em área de alta incidência de tuberculose. Qual é o exame inicial mais indicado na APS para investigação diagnóstica?
Tosse por 3 semanas ou mais com sintomas constitucionais em área endêmica é sintomático respiratório; o SUS preconiza o teste rápido molecular (TRM-TB) ou a baciloscopia do escarro como investigação inicial na APS. TC de tórax não é o exame inicial na suspeita de TB pulmonar. Broncoscopia é reservada a casos sem diagnóstico pelo escarro. Beta-D-glucana é marcador de infecção fúngica invasiva, sem papel no diagnóstico de tuberculose.
Mulher de 48 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar há 20 dias com esquema básico (RHZE) na UBS, retorna com náuseas, icterícia e elevação importante das transaminases (acima de 5 vezes o limite superior). Nega dor abdominal. Qual é a conduta mais adequada?
Elevação de transaminases acima de 5 vezes (ou 3 vezes com sintomas) caracteriza hepatotoxicidade significativa pelos tuberculostáticos; a conduta é suspender o esquema, aguardar a melhora e reintroduzir de forma escalonada/monitorada, com apoio de referência. Manter o RHZE pode evoluir para hepatite grave. Corticoide isolado não trata a tuberculose nem a hepatotoxicidade. Reduzir doses sem reavaliação é subterapêutico e arriscado, favorecendo resistência e não corrigindo a lesão hepática.
Homem de 28 anos comparece à UBS com quadro de tosse produtiva há três semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 4 kg. Reside em situação de aglomeração. A médica solicita baciloscopia e teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB), que confirma M. tuberculosis sensível à rifampicina. Além de iniciar o esquema básico, qual medida de saúde coletiva é obrigatória neste momento?
Tuberculose é doença de notificação compulsória (SINAN) e a investigação de contatos é obrigatória para bloquear a cadeia de transmissão. Casos pulmonares não complicados não exigem internação; o tratamento é ambulatorial na APS (B, D errados). A notificação é imediata ao diagnóstico, não se aguarda cultura.
Um homem de 40 anos procura a UBS com tosse produtiva há 4 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso. Reside em comunidade com aglomeração. A equipe suspeita de tuberculose pulmonar. Qual é a conduta inicial mais adequada na APS para investigação e controle?
Diante de sintomático respiratório (tosse ≥3 semanas) com sintomas clássicos, a APS deve iniciar a investigação com teste rápido molecular para TB (TRM-TB, preferencial no SUS) ou baciloscopia de escarro, além de orientar medidas de controle respiratório e investigar contatos. O diagnóstico e o início do tratamento da TB são atribuições da APS. Encaminhar sem investigar sobrecarrega a rede e atrasa. Antibiótico de amplo espectro empírico mascara o quadro e retarda o diagnóstico. TC de tórax não é o exame inicial de escolha — a confirmação é bacteriológica/molecular.
Homem de 34 anos procura a UBS relatando tosse produtiva há 4 semanas, sudorese noturna e perda de peso. Reside em domicílio com 5 pessoas. O médico coleta duas amostras de escarro para pesquisa de BAAR/teste rápido molecular e confirma tuberculose pulmonar sensível à rifampicina. Além de iniciar o esquema básico (RIPE) e notificar o caso, qual é a conduta correta em relação aos contatos domiciliares assintomáticos?
O manejo de contatos de TB no SUS inclui triagem de sintomáticos e investigação de infecção latente (PT ou IGRA + radiografia), tratando os elegíveis (ex.: isoniazida ou rifampicina/rifapentina) para prevenir adoecimento. Tratar todos com RIPE Errado: e tóxico. Só radiografia sem seguimento ignora a ILTB. Não investigar contraria a rotina de controle de contatos, que reduz transmissão e adoecimento.
Homem de 52 anos, tabagista, é atendido na UBS com tosse produtiva há 4 semanas, sudorese noturna e perda de 4 kg. A radiografia mostra infiltrado em ápice pulmonar direito. O médico coleta escarro para pesquisa de BAAR e teste rápido molecular (TRM-TB). Enquanto aguarda o resultado, qual é a conduta correta quanto à notificação e ao vínculo do caso na APS?
A tuberculose é doença cuja investigação e tratamento são atribuições centrais da APS. Diante de caso suspeito, orienta-se etiqueta respiratória e conduz-se a investigação (TRM-TB/baciloscopia); a notificação compulsória é feita ao se confirmar o diagnóstico. Iniciar tuberculostático empírico sem exame não é a rotina quando o TRM-TB está disponível e rápido. Deixar o paciente sem orientações ignora o controle de transmissão. Encaminhar ao terciário contraria o modelo do SUS: TB é tratada na APS, com referência apenas em situações especiais (resistência, comorbidades complexas).
Durante uma consulta na UBS, um homem de 45 anos, pedreiro, relata há 3 semanas tosse produtiva, sudorese noturna e perda ponderal. A baciloscopia de escarro (2 amostras) resulta positiva e ele inicia o esquema básico para tuberculose. O paciente pergunta sobre a família: mora com a esposa e dois filhos (8 e 12 anos), todos assintomáticos. Qual é a conduta correta em relação aos contatos, segundo o Programa Nacional de Controle da Tuberculose?
A conduta correta é convocar e avaliar todos os contatos: investigar sintomas, realizar prova tuberculínica (ou IGRA) e radiografia de tórax; excluída doença ativa, os contatos com infecção latente (ex.: PT ≥ 5 mm, especialmente crianças) recebem tratamento da ILTB (correta). Tratar doença ativa em todos é erro grave, pois expõe assintomáticos sem doença a esquema completo. Solicitar apenas baciloscopia é insuficiente, pois contatos costumam ser assintomáticos e a investigação de ILTB depende de PT/IGRA e radiografia. Aguardar sintomas contraria a busca ativa de contatos, essencial ao controle da transmissão.
Homem de 45 anos procura a UBS com tosse produtiva há 4 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg no período. Fumante, mora em habitação com pouca ventilação e refere contato com irmão em tratamento de tuberculose. Ao exame: emagrecido, temperatura 37,9 °C, estertores em ápice pulmonar direito. Raio X de tórax mostra infiltrado com cavitação em lobo superior direito. Considerando o quadro clínico-radiológico compatível com tuberculose pulmonar, qual é o exame de escolha para confirmação diagnóstica e início do tratamento no SUS?
Em sintomático respiratório com quadro clínico-radiológico típico, o exame de escolha recomendado pelo Ministério da Saúde para diagnóstico é o teste rápido molecular (TRM-TB/GeneXpert) no escarro, que detecta o M. tuberculosis e resistência à rifampicina. O PPD indica infecção latente, não doença ativa. Sorologia não é recomendada para diagnóstico de TB pulmonar. A tomografia é complementar, mas não confirma etiologia nem substitui a pesquisa bacteriológica/molecular.
Um homem de 39 anos, morador de comunidade de baixa renda, procura a UBS com tosse produtiva há cerca de 5 semanas, com escarro esbranquiçado ocasionalmente com raias de sangue, associada a febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg no período. É tabagista e nega comorbidades. Ao exame apresenta-se emagrecido, febril (37,9 °C), com estertores em ápice do pulmão direito. A radiografia de tórax mostra infiltrado com cavitação em lobo superior direito. Não há teste rápido molecular disponível na unidade no momento. Considerando a principal hipótese, a conduta inicial mais adequada é:
Tosse por mais de 3 semanas, hemoptoicos, febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento e cavitação em ápice em paciente de contexto epidemiológico de risco caracterizam tuberculose pulmonar. A conduta correta é a investigação de escarro (baciloscopia/teste rápido molecular - TRM-TB) e notificação compulsória. O quadro é subagudo/crônico, não pneumonia bacteriana típica, e antibiótico empírico atrasaria o diagnóstico. A investigação de escarro é o primeiro passo, acessível e prioritário, sem necessidade de TC ou especialista antes. Não há dados que sugiram doença intersticial, e corticoide isolado seria prejudicial em TB.
Mulher de 28 anos procura a UBS com tosse produtiva há 5 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg. Nega comorbidades e é HIV negativo. Ao exame: emagrecida, estertores em ápice de pulmão direito. Radiografia de tórax mostra infiltrado com cavitação em lobo superior direito. Foram solicitadas duas amostras de escarro para pesquisa de BAAR e teste rápido molecular (TRM-TB). Sobre a conduta diagnóstica e terapêutica inicial recomendada pelo Ministério da Saúde, assinale a alternativa correta.
Quadro clássico de tuberculose pulmonar cavitária. Com TRM-TB/baciloscopia positiva, inicia-se o esquema básico RIPE (2 meses RIPE + 4 meses RI), com notificação compulsória. Não se aguarda cultura para começar quando há confirmação por baciloscopia/TRM. O esquema apenas com RI (sem fase intensiva) não é o padrão. Tratar como pneumonia bacteriana retarda o diagnóstico de TB, cujo quadro subagudo com cavitação apical é típico.
Homem de 60 anos, diabético, procura a UBS com tosse e febre há 3 semanas, sudorese noturna e perda ponderal. Radiografia sugere tuberculose e o TRM-TB confirma M. tuberculosis com detecção de RESISTÊNCIA à rifampicina. O paciente nunca tratou tuberculose antes. Ao exame está estável, sem insuficiência respiratória. Sobre a interpretação do exame e a conduta, assinale a alternativa correta.
O TRM-TB detecta simultaneamente M. tuberculosis e resistência à rifampicina; resultado com resistência indica provável TB resistente, exigindo encaminhamento à referência para esquema específico após cultura e teste de sensibilidade, sem iniciar o RIPE padrão. Afirmar que o TRM não avalia resistência é falso. Dobrar rifampicina não vence resistência genotípica. Apenas repetir baciloscopia atrasa o manejo de um caso confirmado.
Homem de 42 anos procura a UBS com tosse produtiva há 4 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg. É tabagista e reside com a companheira e dois filhos. Nega comorbidades. Ao exame: emagrecido, temperatura 37,8°C, estertores em ápice pulmonar direito. Realizada radiografia de tórax que mostra infiltrado com cavitação no lobo superior direito. Coletadas duas amostras de escarro para baciloscopia, ambas positivas. Sorologia anti-HIV negativa. Considerando o diagnóstico e a conduta terapêutica inicial recomendada pelo Ministério da Saúde, respectivamente, assinale a alternativa correta.
Tosse por mais de 3 semanas, sintomas consumptivos, cavitação apical e baciloscopia de escarro positiva confirmam tuberculose pulmonar. O esquema básico preconizado pelo Ministério da Saúde para adultos é RHZE (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol) na fase intensiva por 2 meses, seguido de RH por 4 meses (total 6 meses). A opção de RH por 6 meses sem fase intensiva está incorreta — a fase intensiva com quatro fármacos é obrigatória. Pneumonia bacteriana comunitária não cursa com evolução subaguda de semanas, sintomas consumptivos e baciloscopia positiva. Câncer de pulmão é diferencial de cavitação, mas a baciloscopia positiva estabelece o diagnóstico de tuberculose e impõe início imediato do tratamento e notificação, sem postergar por investigação oncológica.
Um homem de 29 anos procura a UBS com tosse produtiva há 4 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento de 6 kg. É morador de rua e faz uso regular de álcool. Ao exame: emagrecido, murmúrio vesicular diminuído em ápice direito. Radiografia de tórax mostra infiltrado com cavitação em lobo superior direito. Foi coletado escarro para baciloscopia e teste rápido molecular. Enquanto aguarda o resultado, sobre a conduta diagnóstica e o esquema terapêutico, assinale a alternativa correta.
O quadro clássico (tosse >3 semanas, febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento, cavitação apical) em população vulnerável indica tuberculose pulmonar. O teste rápido molecular (TRM-TB/GeneXpert) é o exame de escolha inicial no SUS, detectando M. tuberculosis e resistência à rifampicina. O tratamento é o esquema básico RIPE por 2 meses (fase intensiva) seguido de rifampicina+isoniazida por 4 meses (fase de manutenção). A cultura é importante mas não é o único exame que permite iniciar tratamento. O PPD não faz diagnóstico de doença ativa. Baciloscopia negativa não exclui TB (pode ser paucibacilar), especialmente com quadro e imagem sugestivos.
Uma mulher de 55 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema RIPE há 20 dias, retorna à UBS relatando náuseas, dor no hipocôndrio direito e urina escura. Nega febre. Ao exame: discreta icterícia de escleras, fígado levemente doloroso à palpação. Exames: AST 320 U/L, ALT 410 U/L (valores prévios normais), bilirrubina total 3,2 mg/dL. Considerando a principal complicação e a conduta correta, assinale a alternativa adequada.
Elevação importante de transaminases (mais de 5 vezes o limite, ou mais de 3 vezes com sintomas) associada a icterícia em paciente em uso de RIPE caracteriza hepatotoxicidade medicamentosa, complicação relevante da isoniazida, rifampicina e pirazinamida. A conduta é suspender o esquema (pelo menos as drogas hepatotóxicas) e reavaliar a reintrodução escalonada após normalização/queda das enzimas. Manter o esquema diante de hepatotoxicidade sintomática é inadequado e perigoso. Não há dados que sustentem colelitíase como causa (padrão hepatocelular, sem cólica biliar típica). Não é reação esperada aceitável — exige investigação e suspensão.
Durante o atendimento na Unidade Básica de Saúde, um médico recebe um paciente de 35 anos com diagnóstico confirmado de tuberculose pulmonar bacilífera (baciloscopia de escarro positiva). O paciente reside com a esposa e dois filhos pequenos. Além de iniciar o esquema básico de tratamento com rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol, o médico deve adotar medidas de vigilância. A tuberculose é uma doença de notificação compulsória no Brasil. Considerando as ações de vigilância epidemiológica preconizadas pelo Ministério da Saúde diante de um novo caso confirmado, qual conduta é correta?
A tuberculose é doença de notificação compulsória: todo caso confirmado deve ser notificado no SINAN, e os contatos domiciliares devem ser investigados/rastreados (sintomáticos avaliados; assintomáticos avaliados para infecção latente), medida-chave de controle da transmissão (correta). A notificação não depende de gravidade ou resistência — todo caso é notificável. Não se preconiza isolamento domiciliar de seis meses sem investigação de contatos; a transmissibilidade cai após início efetivo do tratamento. O tratamento e a notificação são iniciados com a confirmação (baciloscopia positiva), sem aguardar a cultura.
Um homem de 45 anos, pedreiro, procura a UBS por tosse produtiva há 4 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 5 kg. Reside em domicílio com aglomeração e um familiar tratou tuberculose há um ano. Nega comorbidades, HIV desconhecido. Ao exame: emagrecido, FR 18 irpm, SpO2 96%, ausculta com estertores em ápice direito. Radiografia de tórax: infiltrado com cavitação em lobo superior direito. Considerando a principal hipótese e a investigação preconizada pelo Ministério da Saúde na APS, qual a conduta diagnóstica de escolha e o exame a ser oferecido concomitantemente?
O quadro (tosse >3 semanas, sintomas consumptivos, contato e cavitação apical) é clássico de tuberculose pulmonar. O Ministério da Saúde preconiza o teste rápido molecular (TRM-TB / GeneXpert) como exame de escolha para diagnóstico, com detecção de resistência à rifampicina; e a oferta do teste anti-HIV é rotineira em todo caso de TB (coinfecção muda o manejo). Tratar como pneumonia atrasa o diagnóstico. Broncoscopia de imediato não é primeira linha na APS quando há escarro. Baciloscopia única tem menor sensibilidade e não é a estratégia preferencial atual — o TRM é o padrão inicial.
Homem de 30 anos comparece à UBS relatando tosse produtiva há 4 semanas, febre vespertina, sudorese noturna, perda de 5 kg e inapetência. É morador de área urbana com condições precárias de moradia e contato domiciliar com pessoa que teve tuberculose. Ao exame, apresenta estertores em ápice pulmonar direito. Nega comorbidades e uso de drogas injetáveis. Considerando a principal hipótese diagnóstica e a conduta inicial na APS, qual é a orientação mais adequada?
Tosse por 3 semanas ou mais com febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento e história de contato caracteriza sintomático respiratório com suspeita de tuberculose pulmonar. A conduta na APS é solicitar teste rápido molecular para tuberculose (ou baciloscopia de escarro), notificar o caso, que é de notificação compulsória, e iniciar tratamento conforme confirmação. Solicitar apenas radiografia e iniciar antibiótico de amplo espectro trata o quadro como pneumonia comum e ignora a tuberculose. Prescrever antitussígeno e reavaliar em 30 dias classifica erroneamente a tosse como aguda, quando já são quatro semanas, e retarda o diagnóstico. Encaminhar para biópsia pulmonar é invasivo e desnecessário como primeiro passo, pois o diagnóstico é feito pelo escarro.
Homem, 34 anos, morador de situação de rua, procura a UBS com tosse produtiva há 5 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda ponderal de 6 kg no período. Ao exame, encontra-se emagrecido, afebril no momento, com estertores em ápice pulmonar direito. Radiografia de tórax evidencia infiltrado com cavitação em lobo superior direito. Sorologia anti-HIV negativa. Qual é o exame inicial de escolha para confirmação diagnóstica, segundo o Programa Nacional de Controle da Tuberculose?
Correta: Em paciente sintomático respiratório (tosse ≥ 3 semanas) com quadro clínico-radiológico sugestivo, o Ministério da Saúde recomenda o teste rápido molecular para TB (TRM-TB/GeneXpert) em amostra de escarro como método diagnóstico inicial de escolha, por detectar o DNA do M. tuberculosis e a resistência à rifampicina em poucas horas. A cultura é fundamental, mas complementar — indicada para casos com TRM-TB negativo e forte suspeita, teste de sensibilidade e populações vulneráveis; não é o exame inicial. O PPD avalia infecção latente, não doença ativa, e não confirma TB pulmonar. A broncoscopia é reservada a casos com escarro repetidamente negativo e impossibilidade de coleta, não sendo a primeira linha. A ADA é útil no líquido pleural na TB pleural, não no diagnóstico da forma pulmonar em escarro.
Homem, 45 anos, com diagnóstico de tuberculose pulmonar bacilífera, iniciou o esquema básico há 2 meses e completou a fase intensiva (RIPE). Na baciloscopia de controle do 2º mês, mantém pesquisa de BAAR positiva (+/++++), embora com melhora clínica (ganho de peso, redução da tosse e da febre). Realizou o tratamento de forma supervisionada, com boa adesão confirmada. Qual é a conduta correta neste momento?
Correta: a baciloscopia ainda positiva ao final do 2º mês, sobretudo com melhora clínica e boa adesão, NÃO caracteriza falência (esta é definida por baciloscopia positiva ao final do tratamento, ou positividade persistente com +2/+3 até o 4º mês, ou reaparecimento após negativação). Nesse cenário, deve-se solicitar cultura com teste de sensibilidade para investigar resistência e prosseguir normalmente para a fase de manutenção (rifampicina + isoniazida por 4 meses), mantendo controle bacteriológico mensal. Não há falência para justificar reinício. O prolongamento rotineiro da fase intensiva não é conduta padronizada apenas por baciloscopia do 2º mês positiva com melhora. A troca para esquema de TB-MDR exige confirmação de resistência, ainda não disponível. Suspender o tratamento é inadequado e arriscado, favorecendo resistência e transmissão.
Homem, 38 anos, motorista, procura a UBS por tosse produtiva ha 4 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 5 kg. Nega comorbidades e uso de imunossupressores. Ao exame: emagrecido, FR 18 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, estertores no apice direito. Radiografia de torax mostra infiltrado com cavitacao no lobo superior direito. Foi coletado escarro para pesquisa rapida molecular (TRM-TB / GeneXpert), que resultou: MTB detectado, sem resistencia a rifampicina. Considerando o fluxograma diagnostico do Ministerio da Saude, qual e a conduta mais adequada?
Correta: o TRM-TB (GeneXpert) com "MTB detectado, sensivel a rifampicina" em paciente com quadro clinico-radiologico compativel confirma tuberculose pulmonar e autoriza inicio imediato do esquema basico RIPE; a cultura com TS deve ser solicitada em paralelo (nao se espera o resultado para tratar). Erra: aguardar a cultura atrasaria o tratamento indevidamente, ja que o resultado molecular + clinica ja confirmam o diagnostico. Erra PPD e tratamento com isoniazida por 6 meses referem-se a infeccao latente (ILTB), inaplicavel a doenca ativa confirmada. Erra: nao ha recomendacao de repetir o TRM-TB positivo com sensibilidade a rifampicina para iniciar tratamento. Erra: estreptomicina nao compoe o esquema basico de primeira linha; o RIPE (rifampicina, isoniazida, pirazinamida, etambutol) e o esquema padrao independentemente da cavitacao.
Mulher, 45 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar ha 30 dias com esquema basico RIPE (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol). Retorna a consulta referindo nauseas, dor abdominal e coluria ha 5 dias. Ao exame: ictericia de escleras (+/4+), sem encefalopatia. Exames: AST 320 U/L (VR ate 40), ALT 410 U/L (VR ate 40), bilirrubina total 4,2 mg/dL (VR ate 1,2) com predominio de bilirrubina direta, fosfatase alcalina levemente elevada. Considerando a conduta preconizada diante de hepatotoxicidade por tuberculostaticos, qual e o proximo passo mais adequado?
Correta: ha hepatotoxicidade significativa (transaminases > 3x o limite superior com sintomas e ictericia / hiperbilirrubinemia). A conduta preconizada e SUSPENDER todo o esquema e, apos normalizacao ou queda acentuada das enzimas (< 2x o LSN) e melhora dos sintomas, reintroduzir as drogas de forma escalonada (habitualmente R+E, depois I, depois Z) monitorando a funcao hepatica. Erra com transaminases muito elevadas, sintomas e ictericia nao se deve manter o esquema, pelo risco de hepatite fulminante. Erra: o etambutol e justamente a droga MENOS hepatotoxica (toxicidade principal e ocular/neurite optica); os hepatotoxicos sao pirazinamida, isoniazida e rifampicina. Erra: trocar por esquema alternativo de forma automatica, sem tentar reintroduzir o esquema basico apos recuperacao, nao e a conduta de primeira linha. Erra: nao se maneja hepatotoxicidade grave apenas reduzindo doses; a recomendacao e suspender e reintroduzir escalonadamente.
Homem, 29 anos, assintomatico, e contato domiciliar de paciente com tuberculose pulmonar bacilifera. Na investigacao: assintomatico, radiografia de torax normal, sem sinais de doenca ativa. Foi solicitado teste tuberculinico (PPD), com resultado de 8 mm. Ele nao tem HIV nem outras imunossupressoes e nunca tratou tuberculose. Considerando a abordagem da infeccao latente pela tuberculose (ILTB), qual e a conduta correta?
Correta: contato domiciliar de bacilifero, assintomatico e com radiografia normal (doenca ativa excluida) e PPD reator tem indicacao de tratar a ILTB. Para contatos, o ponto de corte e >= 5 mm, portanto 8 mm ja indica tratamento. Os esquemas recomendados incluem isoniazida (270 doses / 6-9 meses) ou rifampicina (120 doses / 4 meses, preferida em maiores de 50 anos, hepatopatas e criancas). Erra: o corte de 10 mm nao se aplica a contatos de bacilifero, cujo corte e 5 mm; 8 mm ja e reator neste cenario. Erra RIPE e tratamento de doenca ATIVA; o paciente esta assintomatico com radiografia normal (infeccao latente, nao doenca). Erra: observacao isolada sem tratamento nao e adequada quando ha indicacao formal de tratar a ILTB. Erra: repetir o PPD para buscar viragem aplica-se a situacoes de PPD inicial nao reator; aqui ja ha reator com indicacao de tratamento.
Mulher de 47 anos com artrite reumatoide em uso de metotrexato inicia adalimumabe (anti-TNF) após rastreio negativo para tuberculose latente (PPD e IGRA). Dois meses depois, apresenta febre vespertina, tosse seca, perda de 4 kg e sudorese noturna; radiografia de tórax mostra infiltrado no lobo superior direito com cavitação. Considerando o mecanismo da imunodeficiência secundária induzida por essa terapia, qual é a infecção oportunista mais fortemente associada a esse quadro?
Correta: o TNF-alfa é essencial para a formação e manutenção do granuloma que contém o Mycobacterium tuberculosis. Os inibidores de TNF (adalimumabe, infliximabe, etanercepte) desestruturam o granuloma e permitem reativação de TB latente — o risco é clássico e o motivo do rastreio obrigatório antes do início. O quadro clínico-radiológico (febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento, cavitação em ápice) é típico de TB, e o rastreio negativo NÃO exclui (falsos-negativos, sobretudo sob imunossupressão por metotrexato). Pneumocystis associa-se sobretudo a imunossupressão de células T profunda (HIV com CD4 baixo, corticoide alta dose, quimioterapia), não é a associação característica dos anti-TNF. Criptococose ocorre em imunodeficiência de células T avançada, associação menos específica com anti-TNF que a TB. CMV disseminado é típico de transplantados e imunossupressão intensa, não do anti-TNF isolado. Neisseria relaciona-se a deficiências de complemento terminal e uso de eculizumabe, não a bloqueio de TNF.
Homem, 34 anos, ajudante de pedreiro, procura a UBS com tosse produtiva há 4 semanas, acompanhada de febre vespertina, sudorese noturna e perda de 5 kg no período. Nega comorbidades e uso de medicações. Ao exame: emagrecido, corado, FR 18 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, murmúrio vesicular diminuído em ápice direito com estertores localizados. Radiografia de tórax evidencia infiltrado com cavitação em lobo superior direito. O serviço dispõe de teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB / GeneXpert MTB/RIF). Qual é o exame de escolha para confirmação diagnóstica inicial neste paciente?
Correta: pelo Ministério da Saúde/PNCT, o TRM-TB (GeneXpert MTB/RIF) é o exame de escolha para o diagnóstico inicial da tuberculose pulmonar em adultos sintomáticos respiratórios quando disponível, pois detecta o M. tuberculosis e triagem de resistência à rifampicina em cerca de 2 horas, com maior sensibilidade que a baciloscopia. O quadro (tosse >3 semanas, febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento, cavitação apical) é clássico. A baciloscopia ainda é válida onde não há TRM-TB, mas tem menor sensibilidade e não é o método de escolha quando o molecular está disponível, como no caso. A cultura é indicada para complementar/confirmar e para teste de sensibilidade, especialmente em casos paucibacilares ou de resistência, mas é lenta (semanas) e não é o exame inicial de escolha. O PPD avalia infecção latente, não faz diagnóstico de doença ativa. A TC de alta resolução ajuda em casos duvidosos, mas não confirma diagnóstico microbiológico nem é o primeiro passo diante de escarro disponível.
Mulher, 28 anos, previamente hígida, em investigação de tosse crônica, tem diagnóstico de tuberculose pulmonar confirmado por TRM-TB, sendo classificada como caso novo. Pesa 52 kg. Antes de iniciar o esquema básico (RHZE — rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol), o médico solicita exames de base e orienta sobre monitorização de eventos adversos. A paciente pergunta especificamente quais controles laboratoriais e clínicos deverá realizar ao longo do tratamento. Além da avaliação clínica mensal, qual monitorização está MAIS diretamente relacionada à toxicidade específica de dois fármacos do esquema básico?
Correta: no esquema básico RHZE, a hepatotoxicidade é efeito adverso importante e compartilhado por rifampicina, isoniazida e pirazinamida — justificando controle de transaminases (especialmente em sintomáticos ou grupos de risco). O etambutol tem como toxicidade característica a neurite óptica, que exige monitorização da acuidade visual e da discriminação de cores (vermelho-verde); por isso, avaliação visual e enzimas hepáticas são os controles diretamente ligados a fármacos do esquema. Nefrotoxicidade e distúrbio de potássio remetem a aminoglicosídeos/injetáveis usados em esquemas de resistência, não ao RHZE. Ototoxicidade e QT associam-se a estreptomicina, aminoglicosídeos e fluoroquinolonas/bedaquilina de esquemas especiais, não ao básico. Alteração glicêmica não é toxicidade característica do RHZE. Não há corticoterapia rotineira no esquema básico da TB pulmonar, tornando a densitometria irrelevante aqui.
Homem, 45 anos, motorista, iniciou há 20 dias esquema básico (RHZE) para tuberculose pulmonar bacilífera, com boa adesão. Retorna referindo náuseas, hiporexia, dor em hipocôndrio direito e urina escurecida há 3 dias, sem febre. Ao exame: ictérico (+/4+), hepatimetria normal, sem sinais de encefalopatia. Exames: AST 320 U/L (VR até 40), ALT 410 U/L (VR até 40), bilirrubina total 3,8 mg/dL (VR até 1,2) com predomínio direta, fosfatase alcalina discretamente elevada. Sorologias virais negativas; nega etilismo e outras medicações. Qual é a conduta MAIS adequada neste momento?
Correta: o paciente apresenta hepatotoxicidade medicamentosa significativa — transaminases acima de 3x o limite superior COM sintomas (náusea, dor em HD, icterícia) e hiperbilirrubinemia. A conduta preconizada pelo Ministério da Saúde é suspender todo o esquema hepatotóxico (RHZE) até melhora clínica e queda das enzimas (em geral < 3x LSN e resolução dos sintomas/icterícia), reintroduzindo os fármacos de forma escalonada (tipicamente R+E, depois isoniazida, por último pirazinamida), monitorizando a função hepática a cada passo. Manter o esquema diante de transaminases >5x LSN com icterícia é inadequado e arriscado (falência hepática). Retirar isoladamente a pirazinamida não é a conduta padrão na hepatite medicamentosa com icterícia — suspende-se todo o esquema e reintroduz-se de forma controlada. Trocar para esquema de segunda linha/injetável não está indicado apenas por hepatotoxicidade do esquema básico; só se define necessidade após tentativa de reintrodução. Reduzir doses pela metade não é conduta preconizada e mantém fármacos hepatotóxicos ativos frente a hepatite estabelecida.
Homem, 38 anos, pedreiro, procura a Unidade Básica de Saúde com tosse produtiva há 4 semanas, associada a febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg no período. Refere um episódio de escarro com raias de sangue. Nega tratamento prévio para tuberculose e é HIV negativo. Ao exame: emagrecido, FR 18 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, T 37,8 °C, com estertores em ápice do hemitórax direito. A radiografia de tórax evidencia infiltrado com imagem de cavitação em lobo superior direito. Qual é o método diagnóstico inicial de escolha recomendado pelo Ministério da Saúde para confirmar a tuberculose pulmonar neste paciente?
Correta: Desde a incorporação pelo Ministério da Saúde, o teste rápido molecular (TRM-TB/GeneXpert MTB/RIF) é o exame de escolha para o diagnóstico inicial da TB pulmonar em adultos e adolescentes sintomáticos respiratórios — detecta o M. tuberculosis e a resistência à rifampicina em cerca de 2 horas, com sensibilidade em torno de 90% no escarro. O quadro (tosse >3 semanas, febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento, hemoptoicos e cavitação apical) é clássico. A baciloscopia era o método inicial no passado, mas foi substituída pelo TRM-TB como teste de entrada (segue útil no controle de tratamento onde não há TRM). A cultura é indicada em situações específicas (falência, suspeita de resistência, populações vulneráveis) e como complemento, não como método inicial de rotina — além de demorar semanas. O PPD avalia infecção latente, não doença ativa. O IGRA também é marcador de infecção latente e não confirma doença ativa.
Mulher, 29 anos, sem comorbidades, HIV negativo, com diagnóstico recente de tuberculose pulmonar confirmado por TRM-TB positivo e SENSÍVEL à rifampicina. Trata-se de um caso novo (nunca tratou tuberculose), pesando 62 kg. A paciente será acompanhada na Atenção Primária. Qual é o esquema de tratamento indicado?
Correta: como o TRM-TB mostrou sensibilidade à rifampicina em caso novo, está indicado o esquema básico do Ministério da Saúde: fase intensiva de 2 meses com RHZE (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol) seguida de fase de manutenção de 4 meses com RH (rifampicina e isoniazida), totalizando 6 meses. Manter os quatro fármacos por 6 meses contínuos não corresponde ao esquema recomendado — a fase intensiva com quatro drogas dura apenas 2 meses. Começar com RH e acrescentar pirazinamida e etambutol depois inverte as fases: esses dois pertencem à fase intensiva. Fazer 2 meses de RHZ e 7 meses de RH retira precocemente o etambutol e prolonga o tratamento sem indicação. Nove meses de RHE, sem pirazinamida, não é o esquema de primeira linha para tuberculose pulmonar sensível.
Homem, 52 anos, etilista crônico, em tratamento de tuberculose pulmonar com o esquema básico (RHZE) há 3 semanas. Retorna referindo náuseas, vômitos, icterícia e urina escura iniciados há 4 dias. Ao exame: ictérico (+2/+4), sem encefalopatia, FC 84 bpm, PA 128 x 78 mmHg. Exames: AST 320 U/L (VR até 40), ALT 380 U/L (VR até 40), bilirrubina total 4,2 mg/dL (VR até 1,2) com predomínio de direta, fosfatase alcalina discretamente elevada. Qual é a conduta mais adequada?
Correta: Há hepatotoxicidade medicamentosa clinicamente significativa: paciente sintomático (vômitos e icterícia) com transaminases acima de 3x o limite superior — critério para suspender TODOS os fármacos hepatotóxicos (o Ministério da Saúde recomenda suspensão quando transaminases ≥3x o LSN com sintomas, ou ≥5x mesmo sem sintomas). Aguarda-se a normalização/queda expressiva das enzimas e da bilirrubina e reintroduzem-se os fármacos de forma escalonada (habitualmente rifampicina + etambutol, depois isoniazida e, por último, a pirazinamida), monitorando a função hepática. Manter o esquema diante de hepatite sintomática pode levar a insuficiência hepática grave. Retirar só a pirazinamida não é adequado quando o critério de suspensão total já está preenchido; a decisão de qual fármaco excluir é feita na reintrodução. Não há qualquer evidência de resistência — o problema é toxicidade, não falha terapêutica. Reduzir doses pela metade não corrige a toxicidade e mantém a exposição hepática, além de subdosar o tratamento.
Homem, 45 anos, pedreiro, procura a Unidade Básica de Saúde com tosse produtiva há 5 semanas, associada a febre vespertina, sudorese noturna e perda ponderal de 4 kg. Nega comorbidades ou uso de medicações. Ao exame: bom estado geral, PA 120x80 mmHg, FC 84 bpm, T 37,8 °C, murmúrio vesicular reduzido em ápice direito. Radiografia de tórax evidencia infiltrado com cavitação em lobo superior direito. Considerando o quadro de sintomático respiratório e as recomendações do Programa Nacional de Controle da Tuberculose, qual exame diagnóstico deve ser solicitado INICIALMENTE?
Correta: no Brasil, o TRM-TB é o exame de escolha para diagnóstico inicial do sintomático respiratório, pois detecta o DNA do M. tuberculosis e ainda rastreia resistência à rifampicina em poucas horas, com maior sensibilidade que a baciloscopia. A baciloscopia é método mais antigo e menos sensível, hoje reservada sobretudo ao controle de tratamento onde não há TRM-TB disponível. A cultura é complementar (confirma casos com TRM negativo, define sensibilidade), mas é lenta (semanas) e não é o teste inicial. PPD e IGRA avaliam infecção latente e NÃO diferenciam doença ativa de infecção prévia, sendo inadequados para diagnosticar TB pulmonar ativa.
Mulher, 34 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol) há 6 semanas. Retorna relatando, nas últimas duas semanas, embaçamento visual progressivo e dificuldade para distinguir as cores verde e vermelho. À avaliação, acuidade visual reduzida bilateralmente e discromatopsia; fundoscopia sem alterações agudas e restante do exame neurológico normal. Qual a conduta mais adequada?
Correta: neurite óptica com queda de acuidade visual e discromatopsia (verde-vermelho) é a toxicidade clássica do etambutol; a conduta é suspender o etambutol, pois o dano pode ser irreversível se mantido. A isoniazida causa neuropatia periférica (prevenida/tratada com B6), não alteração visual das cores. A rifampicina dá coloração alaranjada a urina e secreções, efeito benigno, mas não explica perda visual. A pirazinamida causa hiperuricemia e artralgia, não sintomas oculares. Suspender todo o esquema é excessivo e desnecessário aqui, pois o fármaco culpado é identificável (etambutol) e o restante do esquema pode ser mantido.
Homem, 52 anos, etilista crônico, em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico (RHZE) há 20 dias. Retorna com náuseas, vômitos, icterícia e dor em hipocôndrio direito iniciados há 3 dias. Exame: ictérico (+/4+), hepatimetria normal, sem encefalopatia. Laboratório: AST 320 U/L (VR até 40), ALT 380 U/L (VR até 41), bilirrubina total 3,8 mg/dL (VR até 1,2), com predomínio de direta. Nega uso de outros hepatotóxicos. Qual a conduta mais adequada?
Correta: há hepatotoxicidade medicamentosa significativa (transaminases ~8x o limite superior COM sintomas e icterícia); o critério do Ministério da Saúde manda suspender TODO o esquema quando transaminases superam 3x o VR com sintomas (ou 5x sem sintomas), aguardar a normalização (queda para <2x o VR e melhora clínica) e reintroduzir os fármacos de forma escalonada. Manter o esquema diante de hepatite sintomática grave arrisca hepatite fulminante. Retirar só a pirazinamida é insuficiente, pois isoniazida e rifampicina também são hepatotóxicas e o quadro é grave. Esquema alternativo sem hepatotóxicos pode ser usado como ponte se houver necessidade de tratar, mas não como troca definitiva sem antes tentar a reintrodução do esquema básico. Reduzir doses pela metade não é conduta recomendada e mantém a exposição aos hepatotóxicos.
Homem, 42 anos, etilista, procura atendimento por tosse produtiva há 5 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg no período. Ao exame: emagrecido, murmúrio vesicular reduzido em ápice direito. Radiografia de tórax evidencia cavitação em lobo superior direito. Coletado escarro para teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB), com o seguinte resultado: "MTB detectado; resistência à rifampicina DETECTADA". Qual a conduta mais adequada?
A detecção de resistência à rifampicina pelo TRM-TB é o marcador que praticamente define tuberculose multirresistente (a rifampicina isolada raramente é resistente). Diante desse resultado NÃO se inicia o esquema básico RIPE: deve-se coletar cultura com teste de sensibilidade (TSA) para confirmar o perfil e definir o esquema, e encaminhar o paciente a um serviço de referência para TB drogarresistente (opção correta). Mantêm a rifampicina, à qual o bacilo é resistente, e adiam a conduta correta. Montar esquema retirando apenas a rifampicina é inadequado e arrisca amplificar resistência; o manejo é padronizado em referência com base no TSA. O TRM-TB tem boa acurácia para resistência à rifampicina; o resultado deve ser confirmado por cultura/TSA sem atrasar o encaminhamento, e não presumido falso-positivo.
Mulher, 55 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico (RIPE) há 3 semanas, retorna à unidade queixando-se de náuseas, vômitos, hiporexia e coloração amarelada dos olhos. Nega uso de álcool ou outros medicamentos. Ao exame apresenta icterícia de escleras (+/4+). Exames: AST 210 U/L (VR até 40), ALT 245 U/L (VR até 40), bilirrubina total 3,2 mg/dL (VR até 1,2), com predomínio de direta. Qual a conduta correta?
Trata-se de hepatotoxicidade medicamentosa: há icterícia e sintomas com transaminases elevadas (critério de suspensão: AST/ALT > 3x o limite superior com sintomas/icterícia, ou > 5x sem sintomas). A conduta é suspender TODO o esquema e aguardar a normalização (ou queda das transaminases a < 2x o valor de referência) para então reintroduzir as drogas de forma escalonada/sequencial, monitorando a função hepática (opção correta). Manter o esquema frente a icterícia e enzimas elevadas é perigoso e pode evoluir para hepatite grave. Suspender só a pirazinamida sem retirar as demais hepatotóxicas (rifampicina/isoniazida) não protege o fígado na vigência de hepatotoxicidade estabelecida. Reduzir doses não é conduta padronizada e mantém a exposição às drogas agressoras. Trocar de imediato por esquema alternativo, antes de suspender e reavaliar, não é o passo indicado neste momento.
Homem, 30 anos, assintomático, comparece à unidade para investigação por ser contato domiciliar do irmão, recém-diagnosticado com tuberculose pulmonar bacilífera. Nega tosse, febre ou emagrecimento. Exame físico sem alterações; radiografia de tórax normal. Sorologia anti-HIV negativa. Realizada prova tuberculínica (PPD), com resultado de 8 mm. Qual a conduta mais adequada?
Contato assintomático, com radiografia normal — tuberculose ativa está afastada, e o quadro é de infecção latente pelo M. tuberculosis (ILTB). Em contatos, o ponto de corte atual da prova tuberculínica para indicar tratamento de ILTB é ≥ 5 mm; portanto 8 mm indica tratar. As opções terapêuticas são isoniazida (270 doses, ~9 meses) ou rifampicina (120 doses, ~4 meses, com melhor adesão e menos hepatotoxicidade). O esquema básico RIPE trata doença ativa, não ILTB — o paciente é assintomático e com RX normal. Apenas repetir o PPD em 8 semanas é conduta para contato inicialmente não reator (< 5 mm) aguardando viragem; aqui o resultado já indica tratamento. Considerar o paciente não reator por estar abaixo de 10 mm usa um corte desatualizado — em contatos vale ≥ 5 mm. E o TRM-TB pesquisa doença ativa em material respiratório; sem tosse e com RX normal não há indicação, e ele não altera a conduta de tratar a ILTB.
Homem, 48 anos, pedreiro, etilista pesado, em tratamento de tuberculose pulmonar há 3 semanas com o esquema básico (RHZE, dose fixa combinada). Retorna referindo náuseas, vômitos, anorexia e, no exame, apresenta icterícia de escleróticas. Nega uso de outros medicamentos ou drogas. Exames: TGO 340 U/L (VR até 40), TGP 395 U/L (VR até 40), bilirrubina total 3,8 mg/dL (VR até 1,2), fosfatase alcalina normal. Qual é a conduta mais adequada?
Correta: o Manual de Recomendações para o Controle da TB (MS) indica interromper o tratamento quando as transaminases atingem ≥3× o limite superior com sintomas OU ≥5× mesmo sem sintomas, ou na vigência de icterícia/hepatite clínica. O paciente tem TGO/TGP ~8-10× o VR + icterícia e sintomas, portanto suspende-se TODO o esquema; após queda das transaminases (<2× VR) e melhora clínica, reintroduz-se de forma sequencial (RE → H → Z), monitorando. Manter fármaco hepatotóxico diante de hepatite instalada agrava o dano. A hepatotoxicidade é atribuível principalmente a Z, H e R — retirar só a Z é insuficiente e mantém drogas hepatotóxicas. Redução de dose empírica não é conduta recomendada e mantém a agressão hepática. Esquema especial com fármacos menos hepatotóxicos só é considerado se houver recorrência/intolerância na reintrodução, não como primeira medida.
Mulher, 34 anos, professora, com tosse produtiva há 5 semanas, sudorese noturna e emagrecimento. Nega tratamento prévio para tuberculose. Colhida amostra de escarro para teste rápido molecular (TRM-TB), cujo resultado é: 'Mycobacterium tuberculosis DETECTADO; resistência à rifampicina DETECTADA'. Qual é a conduta inicial mais apropriada?
Correta: Resistência à rifampicina no TRM-TB é forte marcador de TB multirresistente (MDR); a conduta é confirmar com cultura + teste de sensibilidade (TSA) e encaminhar a unidade de referência, onde será definido o esquema para TB drogarresistente. Iniciar o esquema básico expõe a paciente a um esquema provavelmente ineficaz (a R é a droga-chave) e amplia resistência. Repetir o TRM só atrasa a assistência de um caso já detectado. Monoterapia com isoniazida é errada em TB doença (seleciona resistência) e não trata. Montar esquema de resistência de forma improvisada em nível básico contraria a diretriz, que exige manejo em referência.
Homem, 27 anos, sem comorbidades, com tosse há 4 semanas, febre vespertina e perda ponderal. TRM-TB do escarro: 'M. tuberculosis detectado, sensível à rifampicina'. Trata-se de caso novo de tuberculose pulmonar. Qual é o esquema de tratamento indicado para este adulto?
Correta: o esquema básico para adultos e adolescentes (10 anos ou mais) é 2RHZE + 4RH — fase intensiva de 2 meses com os quatro fármacos (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol) e fase de manutenção de 4 meses com rifampicina e isoniazida, totalizando 6 meses. Manter os quatro fármacos por 6 meses contínuos aumenta a toxicidade sem benefício. Omitir o etambutol na fase intensiva não corresponde ao esquema vigente — ele foi incorporado justamente para reduzir resistência. A divisão em 3 meses mais 3 meses não é a preconizada. Começar com rifampicina e isoniazida e deixar pirazinamida e etambutol para a segunda fase inverte as fases.
Homem, 42 anos, motorista, em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema RIPE (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol) há 3 semanas. Retorna referindo náuseas, vômitos, dor em hipocôndrio direito e urina escura iniciados há 4 dias. Ao exame: ictérico (+/4+), afebril, PA 124/78 mmHg, FC 82 bpm. Nega uso de álcool ou outros medicamentos. Exames: TGO/AST 340 U/L (VR até 40), TGP/ALT 395 U/L (VR até 40), bilirrubina total 4,2 mg/dL (VR até 1,2), com predomínio de direta. Sorologias para hepatites virais negativas. Qual a conduta mais adequada?
O paciente apresenta hepatotoxicidade medicamentosa clinicamente significativa: transaminases acima de 3x o limite superior da normalidade ACOMPANHADAS de sintomas (náuseas, vômitos) e icterícia. Pelo Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose (Brasil), nessa situação (>3x LSN com sintomas/icterícia, ou >5x LSN mesmo assintomático) suspende-se TODO o esquema, aguarda-se a normalização/queda das enzimas e então reintroduzem-se os fármacos de forma escalonada (habitualmente R+E, depois isoniazida, por último pirazinamida). Manter o RIPE diante de hepatite sintomática com icterícia é conduta insegura, com risco de hepatite fulminante. A troca para esquema alternativo com drogas menos hepatotóxicas só é considerada se o quadro não normaliza após a suspensão ou em hepatopatia grave — é passo posterior, não a conduta inicial. A suspensão seletiva apenas da pirazinamida não é recomendada nesse grau de hepatotoxicidade: suspende-se o esquema completo. Reduzir doses pela metade não é estratégia validada e mantém a exposição hepatotóxica.
Mulher, 30 anos, professora, assintomática, procura a unidade após diagnóstico de tuberculose pulmonar bacilífera no marido, com quem convive no mesmo domicílio há anos. Nega tosse, febre, sudorese ou emagrecimento. Exame físico sem alterações; radiografia de tórax normal. Anti-HIV não reagente. Realizada prova tuberculínica (PPD), com leitura de 8 mm em 72 horas. Qual a conduta mais adequada?
Trata-se de contato domiciliar de caso bacilífero, assintomática, com radiografia normal — ou seja, TB ativa afastada. Para contatos, o ponto de corte do PPD que indica infecção latente (ILTB) é ≥ 5 mm; portanto, 8 mm é POSITIVO nesse contexto. Excluída doença ativa, está indicado o tratamento da ILTB, sendo as opções recomendadas no Brasil a rifampicina por 4 meses (preferencial pela melhor adesão) ou a isoniazida por 9 meses. O corte de 10 mm não se aplica a contatos; considerar negativo perderia a indicação de tratar. TRM-TB/cultura de escarro se aplicam à investigação de TB ATIVA em sintomático respiratório; a paciente é assintomática e sem escarro, e a radiografia é normal. Repetir o PPD para pesquisar viragem é conduta para contato inicialmente não reator (< 5 mm); aqui o PPD já é reator, não há por que postergar. O esquema RIPE completo trata doença ativa, que foi afastada — expor a paciente a 4 drogas seria inadequado.
Homem, 30 anos, com diagnóstico recente de doença de Crohn ileocolônica de atividade moderada a grave, sem resposta adequada a corticoide, tem indicação de início de terapia biológica com anti-TNF (infliximabe). Nega comorbidades; vacinação incompleta. Antes de iniciar o imunobiológico, o médico deve garantir a triagem de infecções que podem reativar durante a imunossupressão. Qual exame é indispensável antes de iniciar a terapia anti-TNF?
Correta: Anti-TNF aumentam o risco de reativação de tuberculose latente; antes do início é obrigatório o rastreio com PPD ou IGRA e radiografia de tórax (além de sorologias para hepatite B, C e HIV), tratando a TB latente antes da imunossupressão. Calprotectina é útil para monitorar atividade/resposta, mas não condiciona o início do biológico. A atividade já está estabelecida clinicamente; nova colonoscopia não é pré-requisito do anti-TNF. A TC de abdome só é indicada se houver suspeita clínica de abscesso/complicação, não como rastreio universal. A pesquisa de C. difficile é feita diante de piora/diarreia aguda, não como triagem pré-biológico de rotina.
Homem, 42 anos, pedreiro, procura a UBS com tosse produtiva há 5 semanas, sudorese noturna, febre vespertina e perda de 6 kg no período. Nega comorbidades, tabagismo ou uso de drogas. Ao exame: emagrecido, T 37,9 °C, FR 18 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, com estertores finos em ápice pulmonar direito. Radiografia de tórax evidencia infiltrado com cavitação em lobo superior direito. Foi coletado teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB) no escarro, que detectou M. tuberculosis SENSÍVEL à rifampicina. Qual a conduta mais adequada neste momento?
Gabarito: o TRM-TB (Xpert MTB/RIF) é o teste inicial recomendado no Brasil para o sintomático respiratório e, quando detecta M. tuberculosis sensível à rifampicina, confirma o diagnóstico e autoriza o início imediato do esquema básico (RHZE por 2 meses + RH por 4 meses). Em todo caso novo tratado a partir do TRM-TB deve-se solicitar cultura com teste de sensibilidade, sobretudo em cavitário/bacilífero, para monitorar resistência. Erra: retardar o tratamento de um paciente cavitário e bacilífero aumenta transmissão e morbidade — não se espera cultura para iniciar. Erra: o teste indicou sensibilidade à rifampicina, não há critério para esquema de multirresistência. Erra: um TRM-TB positivo com sensibilidade não precisa ser repetido para confirmar. Erra com TRM-TB positivo não é necessário aguardar baciloscopia seriada para iniciar — o diagnóstico molecular já está estabelecido.
Mulher, 35 anos, professora, em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico (RHZE, doses em combinação fixa ajustadas ao peso) há 3 semanas. Retorna referindo náuseas, vômitos e escurecimento da urina, associados a icterícia de escleras. Nega etilismo e uso de outros fármacos hepatotóxicos. Exames: AST 320 U/L (VR até 40), ALT 385 U/L (VR até 40), bilirrubina total 3,2 mg/dL (VR até 1,2), fosfatase alcalina discretamente elevada. Qual a conduta correta?
Gabarito: a paciente tem hepatotoxicidade medicamentosa com icterícia e transaminases acima de 3x o VR em vigência de sintomas — critério para suspender TODO o esquema (a conduta do Ministério da Saúde é interromper quando as transaminases atingem ≥3x o VR com sintomas/icterícia, ou ≥5x mesmo sem sintomas). Aguarda-se a normalização (transaminases < 2x VR e resolução da icterícia) e reintroduz-se de forma sequencial e escalonada (tipicamente R+E, depois H e por último Z), monitorando enzimas a cada etapa. Erra: manter drogas hepatotóxicas diante de hepatite sintomática com icterícia é conduta insegura. Erra: não se suspende seletivamente a pirazinamida no evento agudo — todo o esquema é interrompido até a melhora; a retirada seletiva só se define na reintrodução se houver recidiva. Erra: reduzir dose não é o manejo da hepatotoxicidade — subdose favorece resistência e não protege o fígado. Erra: a troca para esquema alternativo com estreptomicina não é a conduta padrão inicial e não deve ser definitiva; a maioria dos pacientes tolera a reintrodução do próprio esquema básico após a recuperação hepática.
Um homem de 34 anos, morador de área periférica, é atendido em serviço de referência após diagnóstico recente de infecção pelo HIV. Relata tosse produtiva há seis semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 8 kg. A baciloscopia de escarro foi positiva (BAAR +++) e o teste rápido molecular confirmou tuberculose pulmonar sensível à rifampicina, tendo sido iniciado o esquema RIPE (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol). A contagem de linfócitos T CD4+ é de 42 células/mm³ e a carga viral é elevada. O paciente ainda não está em terapia antirretroviral. Considerando o protocolo do Ministério da Saúde para coinfecção TB-HIV, qual é a conduta correta quanto ao início da terapia antirretroviral (TARV)?
Na coinfecção TB-HIV, o tratamento da tuberculose é sempre iniciado primeiro; a TARV é introduzida em seguida, com o momento definido pela contagem de CD4. Com CD4 < 50 células/mm³ (aqui, 42), o benefício de reduzir a mortalidade supera o risco de IRIS, e a TARV deve ser iniciada precocemente, nas primeiras 2 semanas (correta). Início simultâneo no mesmo dia não é recomendado (sobreposição de toxicidade e risco aumentado de IRIS/reações). Esperar 8-12 semanas seria a janela para CD4 ≥ 50, não para este paciente. Adiar até o fim do tratamento da TB é inaceitável diante de imunossupressão grave, pelo alto risco de outras infecções oportunistas e óbito. Observação: a exceção é a TB meníngea, em que se posterga a TARV.
Um homem de 42 anos, pedreiro, procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de tosse produtiva há cerca de quatro semanas, associada a febre baixa vespertina, sudorese noturna e perda de aproximadamente 5 kg no período. Nega tabagismo e comorbidades. Ao exame, encontra-se emagrecido, afebril no momento, com estertores em ápice do pulmão direito. Não há hemoptise. A radiografia de tórax mostra infiltrado com pequena cavitação no lobo superior direito. Diante da suspeita de tuberculose pulmonar, o médico deve solicitar o exame recomendado pelo Ministério da Saúde como método inicial para confirmação diagnóstica. Qual é esse exame?
O TRM-TB (Xpert MTB/RIF) é o método inicial recomendado pelo Ministério da Saúde para o diagnóstico de tuberculose pulmonar em adultos, pois detecta o DNA do M. tuberculosis em poucas horas e ainda identifica resistência à rifampicina. O PPD e o IGRA indicam infecção latente, não distinguem doença ativa. A cultura é importante como complemento e para teste de sensibilidade, mas não é o teste inicial de escolha por demorar semanas.
Uma mulher de 29 anos, sem comorbidades e sem tratamento prévio para tuberculose, é atendida na Unidade Básica de Saúde com tosse há mais de três semanas, febre e emagrecimento. O teste rápido molecular em escarro detectou M. tuberculosis sensível à rifampicina, e a radiografia confirma acometimento pulmonar. O teste anti-HIV foi negativo. Trata-se, portanto, de um caso novo de tuberculose pulmonar em adulto, com indicação de iniciar o esquema básico preconizado pelo Programa Nacional de Controle da Tuberculose. Qual é o esquema e a duração corretos para essa paciente?
O esquema básico para tuberculose em adultos e adolescentes (caso novo) é o 2RHZE/4RH: fase intensiva de 2 meses com rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol, seguida de fase de manutenção de 4 meses com rifampicina e isoniazida, totalizando 6 meses. Prescrever rifampicina com isoniazida por 6 meses omite a fase intensiva com quatro fármacos. A isoniazida isolada é usada no tratamento da infecção latente, não da doença ativa. E o esquema de 2 meses de rifampicina e isoniazida seguidos de 7 meses de etambutol e pirazinamida não corresponde, em composição nem em duração, a nenhum esquema preconizado.
Um homem de 35 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com tosse há um mês, sudorese noturna e perda ponderal. Ainda sem qualquer tratamento antituberculose, coletou escarro para teste rápido molecular, cujo resultado foi: "M. tuberculosis detectado; resistência à rifampicina detectada". A radiografia de tórax evidencia cavitação em lobo superior. O paciente encontra-se clinicamente estável e retorna para receber orientação sobre a conduta. Considerando o resultado do exame e as recomendações do Ministério da Saúde, qual é a conduta mais adequada neste momento?
A detecção de resistência à rifampicina pelo TRM-TB é um marcador de possível tuberculose multirresistente e exige encaminhamento a serviço de referência, com coleta de cultura e teste de sensibilidade para definir o esquema especial. Iniciar o esquema básico 2RHZE/4RH na própria UBS seria inadequado, pois a rifampicina é droga-chave e sua resistência compromete o tratamento. Repetir o teste rápido molecular e tratar como tuberculose sensível ignora o achado de resistência. E a isoniazida em monoterapia trata infecção latente e favoreceria amplificação de resistência.
Homem de 42 anos procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de tosse produtiva há 5 semanas, associada a febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg no período. É tabagista (20 maços-ano) e nega comorbidades; sorologia para HIV negativa. Ao exame, encontra-se emagrecido, com estertores em ápice do hemitórax direito. A radiografia de tórax evidencia infiltrado com imagem cavitária no lobo superior direito. Colhida amostra de escarro, o Teste Rápido Molecular para Tuberculose (TRM-TB) resulta "Mycobacterium tuberculosis detectado, sensível à rifampicina". Considerando os protocolos do Ministério da Saúde, qual é a conduta mais adequada neste momento?
O TRM-TB detectando M. tuberculosis sensível à rifampicina confirma tuberculose e permite iniciar imediatamente o esquema básico (RIPE: rifampicina + isoniazida + pirazinamida + etambutol, 2RHZE/4RH), sem necessidade de aguardar cultura. A tuberculose é doença de notificação compulsória. Aguardar cultura atrasa o tratamento indevidamente. Encaminhar à referência só se houver resistência à rifampicina detectada. Antibiótico comum para pneumonia bacteriana Inadequado: diante de quadro clássico e TRM-TB positivo.
Mulher de 29 anos comparece à Unidade de Saúde da Família porque seu irmão, com quem reside, foi diagnosticado há duas semanas com tuberculose pulmonar bacilífera. Ela está assintomática, sem tosse, febre ou emagrecimento. Nega comorbidades e não usa medicações; sorologia para HIV negativa. O exame físico é inteiramente normal. Solicitada radiografia de tórax, esta não mostra alterações. A prova tuberculínica (PPD) realizada resulta em 10 mm de enduração. Diante desse contexto de investigação de contatos, qual é a conduta correta segundo o Ministério da Saúde?
Contato assintomático, com radiografia de tórax normal, tem tuberculose ativa afastada; a prova tuberculínica ≥ 5 mm em contato indica infecção latente (ILTB), com indicação de tratamento (isoniazida por 270 doses, ou rifampicina, ou isoniazida+rifapentina). Iniciar RIPE é erro, pois não há doença ativa. Liberar sem tratar desperdiça a oportunidade de prevenir adoecimento. Repetir PPD é desnecessário: 10 mm já é reator e conduz à conduta, sem "resultado indeterminado".
Homem de 35 anos, sem comorbidades e com sorologia negativa para HIV, recebe diagnóstico de tuberculose pulmonar em Unidade Básica de Saúde e será tratado pela primeira vez. O médico da equipe vai prescrever o esquema básico preconizado pelo Ministério da Saúde para adultos. Sobre a composição e a duração desse tratamento, assinale a alternativa correta.
O esquema básico para adultos (2RHZE/4RH) tem fase intensiva de dois meses com as quatro drogas — rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol (RIPE) — seguida de fase de manutenção de quatro meses com rifampicina e isoniazida, totalizando seis meses. As demais alternativas invertem a ordem das fases, omitem drogas essenciais da fase intensiva ou propõem combinação inexistente e ineficaz.
Um homem de 34 anos, pedreiro, procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de tosse produtiva há cerca de quatro semanas, inicialmente seca e agora com escarro amarelado, ocasionalmente com raias de sangue. Refere febre baixa no fim da tarde, sudorese noturna que molha a roupa de cama e perda de 5 kg no último mês. Nega tabagismo e comorbidades. Ao exame, está emagrecido, afebril no momento, com estertores em ápice pulmonar direito. A radiografia de tórax mostra infiltrado com cavitação em lobo superior direito. Diante da suspeita de tuberculose pulmonar, qual é o exame de escolha, disponibilizado pelo SUS, para a confirmação diagnóstica inicial?
O Ministério da Saúde recomenda o TRM-TB como exame de primeira linha para o diagnóstico da tuberculose pulmonar: detecta o DNA do M. tuberculosis e a resistência à rifampicina em poucas horas, com boa sensibilidade em casos com escarro. A prova tuberculínica indica apenas infecção/contato, não diferencia doença ativa de infecção latente. A sorologia não é recomendada para o diagnóstico de TB ativa (baixa acurácia). O ADA é útil em derrames cavitários (pleura, líquor), não no rastreio pulmonar por escarro.
Uma mulher de 29 anos, sem comorbidades e com sorologia anti-HIV negativa, é atendida na Unidade Básica de Saúde com tosse crônica, febre vespertina e emagrecimento. Coletado escarro, o teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB) resulta em: 'MTB detectado; resistência à rifampicina detectada'. A paciente nunca tratou tuberculose previamente e não relata contatos com casos resistentes conhecidos. Ela retorna à consulta para receber a conduta. Considerando o resultado do exame e a organização da rede de atenção à tuberculose no SUS, qual é a conduta mais apropriada neste momento?
A detecção de resistência à rifampicina pelo TRM-TB é um marcador de provável tuberculose multirresistente e contraindica o esquema básico (RHZE), que tem a rifampicina como pilar. A conduta correta é encaminhar à referência em TB-DR e solicitar cultura com teste de sensibilidade para confirmar e orientar o esquema especial. Iniciar RHZE seria tratar de forma inadequada. Isoniazida isolada trata infecção latente, não doença ativa. Adiar 30 dias apenas atrasa o tratamento de uma forma potencialmente resistente e transmissível.
Um homem de 46 anos, com história de etilismo pesado, está em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico (RHZE) há 40 dias, sob tratamento diretamente observado. Retorna à unidade referindo náuseas persistentes, hiporexia e icterícia iniciada há três dias. Ao exame, apresenta escleras ictéricas e dor discreta em hipocôndrio direito, sem encefalopatia. Os exames mostram AST de 320 U/L e ALT de 350 U/L (cerca de 8 vezes o limite superior da normalidade) e bilirrubina total de 4,2 mg/dL, com predomínio de bilirrubina direta. Considerando a hepatotoxicidade medicamentosa, qual é a conduta correta em relação ao esquema antituberculose?
Há hepatotoxicidade significativa: transaminases 8x o limite superior (critério de suspensão é ≥5x, ou ≥3x com sintomas/icterícia) associadas a icterícia e sintomas. A conduta preconizada pelo Ministério da Saúde é suspender todo o esquema (RHZE) e, após a normalização/queda das transaminases (em geral <2x o limite), reintroduzir os fármacos de forma escalonada, monitorando a função hepática. Manter o esquema é perigoso frente à hepatite estabelecida. Retirar só a pirazinamida não corrige o quadro quando o dano já é grave. Trocar às cegas por estreptomicina, sem reavaliar a função hepática nem investigar, é inadequado.
Um homem de 42 anos procura a unidade básica de saúde queixando-se de tosse produtiva há cinco semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg no período. Relata ter cumprido pena em regime fechado até o ano anterior e nega tratamento prévio para tuberculose. Ao exame: emagrecido, corado, afebril no momento, frequência respiratória de 20 irpm, saturação de 96% em ar ambiente, estertores crepitantes em ápice direito. A radiografia de tórax mostra infiltrado com escavação em lobo superior direito. Foi coletado escarro para teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB), cujo resultado é: Mycobacterium tuberculosis DETECTADO; resistência à rifampicina DETECTADA. Qual é a conduta adequada nesse momento?
Correta: pelo Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde, TRM-TB com resistência à rifampicina detectada contraindica o esquema básico (a rifampicina é o fármaco central e a resistência a ela costuma sinalizar multirresistência). A conduta é solicitar cultura com identificação e teste de sensibilidade e encaminhar a um serviço de referência (secundário/terciário), que definirá o esquema para TB drogarresistente. A primeira alternativa é incorreta porque tratar com esquema básico um bacilo resistente à rifampicina amplifica resistência e leva a falência. A segunda é incorreta: prolongar a fase intensiva não vence resistência à rifampicina e não há indicação de esquema básico nesse cenário. A quarta é incorreta porque o TRM-TB tem alta acurácia para resistência à rifampicina e não requer repetição de rotina; além disso, esquemas para TB resistente não são conduzidos na atenção primária nem se constroem acrescentando um único fármaco.
Uma mulher de 35 anos, auxiliar de cozinha, comparece à unidade básica de saúde referindo tosse com expectoração amarelada há quatro semanas, sudorese noturna, inapetência e perda de 4 kg. Conta que o cunhado, que morava na mesma casa, tratou tuberculose pulmonar há oito meses. Nega tabagismo, comorbidades e uso de medicações. Ao exame físico: regular estado geral, corada, temperatura axilar de 37,8 °C, frequência cardíaca de 88 bpm, frequência respiratória de 18 irpm, saturação de 97% em ar ambiente, murmúrio vesicular diminuído em ápice esquerdo. De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde, qual é a conduta diagnóstica inicial mais apropriada?
Correta: trata-se de sintomático respiratório (tosse por três semanas ou mais) com sintomas consumptivos e contato domiciliar recente. O Ministério da Saúde recomenda, como exame inicial para diagnóstico de tuberculose pulmonar, o teste rápido molecular (TRM-TB) em amostra de escarro, que detecta o complexo M. tuberculosis e a resistência à rifampicina, complementado pela radiografia de tórax. A prova tuberculínica avalia infecção latente e não diagnostica doença ativa. Tomografia de alta resolução não é exame de primeira linha na atenção primária, e não existe sorologia validada para diagnóstico de tuberculose. Tratar empiricamente como pneumonia bacteriana e adiar a investigação retarda o diagnóstico e mantém a transmissão na comunidade.
Um homem de 29 anos, em tratamento na unidade básica de saúde por tuberculose pulmonar bacilífera (baciloscopia inicial +++, TRM-TB sem resistência à rifampicina, teste anti-HIV não reagente), está em uso supervisionado de rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol há dois meses. Refere desaparecimento da febre e da sudorese noturna, redução importante da tosse e ganho de 3 kg. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, afebril, eupneico. A baciloscopia de controle do segundo mês resulta positiva (+). Não houve falhas de adesão registradas no tratamento diretamente observado. Considerando as recomendações brasileiras, quais são, respectivamente, a interpretação e a conduta corretas?
Correta: baciloscopia positiva ao final do segundo mês, em paciente com nítida melhora clínica e boa adesão, é achado relativamente frequente (pode refletir bacilos mortos ou inviáveis) e não caracteriza falência. O Ministério da Saúde orienta solicitar cultura com identificação e teste de sensibilidade e seguir para a fase de manutenção com rifampicina e isoniazida por quatro meses, mantendo o controle mensal de baciloscopia. Falência é definida por baciloscopia positiva ao final do tratamento, por positividade inicial ++ ou +++ que se mantém até o quarto mês, ou por negativação seguida de nova positividade por dois meses consecutivos a partir do quarto mês — nada disso ocorre aqui, portanto não se muda para esquema de multirresistência. Prolongar a fase intensiva por 30 dias não é mais recomendado nessa situação. Reiniciar o tratamento é indevido, já que a adesão está documentada pelo tratamento diretamente observado.
Um homem de 42 anos, pedreiro, procura a Unidade Básica de Saúde de seu território queixando-se de tosse produtiva com expectoração amarelada há cerca de cinco semanas, associada a febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg no período. Nega tabagismo e uso de drogas ilícitas. Relata que um colega de trabalho foi internado recentemente por "problema no pulmão". Ao exame físico, apresenta-se emagrecido, corado, afebril no momento, com frequência respiratória de 18 irpm, saturação de oxigênio de 96% em ar ambiente e murmúrio vesicular reduzido em ápice direito, sem ruídos adventícios. A radiografia de tórax mostra infiltrado heterogêneo com pequena área de escavação em lobo superior direito. Considerando as recomendações do Ministério da Saúde, qual é o exame indicado para a investigação diagnóstica inicial desse paciente?
O paciente é um sintomático respiratório (tosse ≥ 3 semanas) com quadro clássico de tuberculose pulmonar. O Ministério da Saúde recomenda o teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB/Xpert MTB/RIF) como exame inicial de escolha para o diagnóstico, pois detecta o DNA do M. tuberculosis em cerca de 2 horas e identifica simultaneamente resistência à rifampicina, com sensibilidade superior à baciloscopia. A prova tuberculínica não diagnostica tuberculose ativa — indica apenas infecção (latente ou não) e pode ser negativa em doença ativa. A broncoscopia é reservada a casos sem escarro ou com investigação inicial negativa e alta suspeição, não sendo a etapa inicial em paciente que expectora. A sorologia não é recomendada pela OMS nem pelo Ministério da Saúde para o diagnóstico de tuberculose, por baixa acurácia.
Uma mulher de 29 anos, sem comorbidades, é atendida na Unidade Básica de Saúde após confirmação de tuberculose pulmonar por teste rápido molecular positivo para M. tuberculosis, sem detecção de resistência à rifampicina. Trata-se do primeiro episódio da doença, sem tratamento prévio. Ela pesa 58 kg, nega uso de medicações contínuas, tem sorologia anti-HIV não reagente e provas de função hepática dentro da normalidade. Não há sinais de acometimento extrapulmonar, e o exame neurológico é normal. A radiografia de tórax evidencia infiltrado em lobo superior esquerdo. A paciente é orientada quanto ao tratamento diretamente observado e à notificação compulsória do caso. Qual é o esquema terapêutico indicado, conforme o Ministério da Saúde?
Trata-se de caso novo de tuberculose pulmonar em adulta sem resistência à rifampicina. O esquema básico preconizado pelo Ministério da Saúde é o RIPE: fase intensiva de 2 meses com rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol, seguida de fase de manutenção de 4 meses com rifampicina e isoniazida — total de 6 meses. Manter os quatro fármacos por 6 meses expõe desnecessariamente a paciente à toxicidade de pirazinamida e etambutol, sem benefício. A fase de manutenção prolongada para 10 meses (total de 12) é indicada apenas nas formas meningoencefálica e osteoarticular, ausentes neste caso. O esquema tríplice sem etambutol foi abandonado no Brasil desde 2009, quando o etambutol foi incorporado à fase intensiva para adultos e adolescentes por causa das taxas de resistência primária à isoniazida.
Um homem de 35 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para avaliação, pois sua esposa iniciou há três semanas tratamento para tuberculose pulmonar bacilífera, e ambos residem na mesma casa. Ele está assintomático: nega tosse, febre, sudorese noturna ou perda de peso. Não é tabagista, não tem comorbidades e a sorologia anti-HIV é não reagente. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, eupneico, com ausculta pulmonar sem alterações. A radiografia de tórax não evidencia alterações pleuropulmonares. A prova tuberculínica realizada resultou em 12 mm. Considerando as recomendações do Ministério da Saúde para o manejo de contatos, qual é a conduta correta para esse paciente?
Contato domiciliar de caso bacilífero, assintomático e com radiografia de tórax normal, mas com prova tuberculínica de 12 mm (acima do ponto de corte de 5 mm adotado para contatos), configura infecção latente da tuberculose (ILTB) — não doença ativa. A conduta preconizada pelo Ministério da Saúde é tratar a ILTB, sendo as opções isoniazida por 270 doses (9 a 12 meses) ou rifampicina por 120 doses (4 a 6 meses), esta última com melhor adesão e menor hepatotoxicidade. O esquema RIPE está indicado apenas para tuberculose ativa, que foi afastada pela ausência de sintomas e pela radiografia normal; usá-lo aqui representaria monoterapia funcional inadequada e risco de resistência. Repetir a prova tuberculínica em 8 semanas só faria sentido se o primeiro resultado fosse negativo (< 5 mm), para pesquisar viragem. A mera observação clínica deixa de oferecer a quimioprofilaxia secundária que reduz de forma comprovada o risco de adoecimento.
Homem de 43 anos, pedreiro, procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de tosse produtiva há cerca de seis semanas, com escarro amarelado e raias de sangue nas últimas duas semanas. Refere febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg no período. Nega comorbidades e uso de medicamentos. Ao exame físico: regular estado geral, IMC 19 kg/m², temperatura axilar de 37,9 °C, murmúrio vesicular diminuído em ápice direito, com estertores finos nessa topografia. A radiografia de tórax mostra infiltrado heterogêneo com imagem cavitária no lobo superior direito. Foi coletada amostra de escarro, e o teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB) resultou: "Mycobacterium tuberculosis detectado; resistência à rifampicina não detectada". Diante desse resultado, a conduta adequada é
O TRM-TB é o exame de escolha para diagnóstico de tuberculose pulmonar em maiores de 10 anos no SUS: resultado "MTB detectado / resistência à rifampicina não detectada" em caso novo confirma o diagnóstico e autoriza o início imediato do esquema básico 2RHZE/4RH, associado à notificação compulsória, à oferta de teste anti-HIV e à investigação de contatos. A alternativa da baciloscopia está incorreta porque o TRM-TB substitui a baciloscopia como método diagnóstico (a baciloscopia fica para o controle mensal de tratamento) e é mais sensível. Aguardar cultura está incorreto: a cultura com TSA é recomendada em situações específicas (retratamento, HIV, populações vulneráveis, suspeita de resistência) e nunca deve retardar o início do tratamento. Tratar como pneumonia é inadequado diante de quadro consumptivo de seis semanas, cavitação apical e confirmação molecular — retarda o tratamento e mantém a transmissão.
Mulher de 29 anos, moradora de comunidade com alta incidência de tuberculose, é atendida na Unidade Básica de Saúde com tosse há dois meses, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 8 kg. Relata ter feito tratamento completo para tuberculose pulmonar há três anos, com alta por cura, e nega uso de drogas ilícitas. Ao exame: 51 kg, frequência respiratória de 20 irpm, estertores em ápice esquerdo. A radiografia de tórax evidencia cavitação apical esquerda com infiltrado adjacente. O teste rápido molecular no escarro resultou: "M. tuberculosis detectado; resistência à rifampicina detectada". Teste rápido anti-HIV não reagente. A conduta correta neste momento é
A detecção de resistência à rifampicina pelo TRM-TB é marcador de provável tuberculose multirresistente e contraindica o esquema básico. A conduta preconizada pelo Ministério da Saúde é notificar, coletar amostra para cultura com identificação e teste de sensibilidade e encaminhar prontamente à unidade de referência (terciária), onde o esquema será definido conforme o TSA. Iniciar RHZE expõe a paciente a tratamento inefetivo e amplia a resistência. Substituir a rifampicina por estreptomicina é composição de esquema inexistente nas diretrizes e não pode ser conduzida na atenção primária. Repetir o exame é incorreto: embora o TRM-TB possa detectar DNA de bacilos inviáveis em pessoas com tratamento prévio — motivo pelo qual a cultura é sempre solicitada nesses casos —, a paciente tem quadro clínico-radiológico ativo, e a informação de resistência não deve ser ignorada nem o encaminhamento adiado.
Homem de 56 anos, etilista crônico, em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol) há 25 dias, retorna à Unidade Básica de Saúde com náuseas, vômitos, hiporexia e dor em hipocôndrio direito, além de icterícia percebida há três dias. Nega febre e confusão mental. Ao exame: ictérico (++/4+), fígado palpável a 2 cm do rebordo costal direito, doloroso, sem ascite, sem flapping. Exames: TGO 210 U/L (referência até 40), TGP 265 U/L (referência até 41), bilirrubina total 4,2 mg/dL (direta 3,0 mg/dL), fosfatase alcalina discretamente elevada, INR 1,1. Sorologias para hepatites virais não reagentes. A conduta adequada é
Há hepatotoxicidade medicamentosa clinicamente manifesta (icterícia, vômitos, dor em hipocôndrio direito) com transaminases acima de cinco vezes o limite superior da normalidade e hepatites virais excluídas. Nessa situação, a recomendação do Ministério da Saúde é interromper todo o esquema e reintroduzir os fármacos escalonadamente (habitualmente rifampicina + etambutol, depois isoniazida e por último pirazinamida, com controle laboratorial) quando os sintomas cederem e as transaminases caírem abaixo de três vezes o limite; se não houver normalização em quatro semanas, ou diante de doença grave/insuficiência hepática, indica-se esquema sem fármacos hepatotóxicos em serviço de referência. Manter o esquema é incorreto: a elevação assintomática e leve pode ser tolerada, mas não na vigência de icterícia e sintomas. Suspender isoladamente a pirazinamida não é conduta preconizada, pois rifampicina e isoniazida também são hepatotóxicas e o fármaco causador não está definido. Reduzir doses é inadequado — favorece subdosagem, falência e resistência, sem proteger o fígado.
Um homem de 62 anos comparece à Unidade Básica de Saúde convocado pela equipe de saúde da família para avaliação de contatos. Sua esposa, de 58 anos, iniciou há três semanas tratamento para tuberculose pulmonar com baciloscopia de escarro positiva (++). O paciente está assintomático: nega tosse, febre, sudorese noturna, inapetência ou perda de peso. É hipertenso em uso regular de losartana e refere etilismo social. Ao exame físico apresenta bom estado geral, eupneico, afebril, murmúrio vesicular fisiológico e sem adenomegalias. A radiografia de tórax em incidências póstero-anterior e perfil não mostra alterações. A prova tuberculínica resultou em 12 mm. A sorologia anti-HIV é não reagente e as transaminases estão dentro da normalidade. Nunca tratou tuberculose. De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde, a conduta indicada é
O raciocínio tem dois passos. Primeiro, afastar tuberculose ativa: contato de caso bacilífero, assintomático, com exame físico e radiografia de tórax normais — não há doença ativa, portanto não se trata com o esquema básico de rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol por seis meses (tratar ILTB como se fosse doença ativa não se aplica, e tratar doença ativa com monoterapia induziria resistência). Segundo, definir o regime da infecção latente tuberculosa (ILTB): prova tuberculínica ≥ 5 mm em contato domiciliar de caso bacilífero confirma indicação de tratamento. O Ministério da Saúde/PNCT recomenda preferencialmente RIFAMPICINA 120 doses (cerca de quatro meses) em pessoas com mais de 50 anos, hepatopatas, crianças menores de 10 anos, contatos de monorresistentes à isoniazida e casos de intolerância à isoniazida — pela menor hepatotoxicidade e maior adesão; é essa a conduta indicada aqui. A isoniazida 270 doses (cerca de nove meses) é regime válido de ILTB, mas não é a melhor escolha neste paciente de 62 anos e etilista, pelo risco hepático e pela adesão inferior. Manter apenas acompanhamento clínico e repetir a prova tuberculínica em oito semanas é conduta reservada a contatos com PT inicial < 5 mm (para detectar viragem tuberculínica); com PT de 12 mm a indicação já está estabelecida e postergar expõe o paciente a adoecimento.
Uma mulher de 34 anos, cozinheira, procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de tosse produtiva há dois meses, com expectoração amarelada, associada a febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg no período. Nega comorbidades, tabagismo, uso de drogas ilícitas e tratamento prévio para tuberculose. Ao exame físico: regular estado geral, emagrecida, corada, temperatura axilar de 37,8 °C, frequência respiratória de 20 irpm, saturação de 96% em ar ambiente e estertores crepitantes em ápice do pulmão direito. A radiografia de tórax evidencia infiltrado heterogêneo com cavitação em lobo superior direito. O teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB) no escarro detectou Mycobacterium tuberculosis, sem resistência à rifampicina. Sorologia anti-HIV não reagente. Peso: 52 kg. O esquema de tratamento indicado para essa paciente é
Trata-se de tuberculose pulmonar com confirmação laboratorial (TRM-TB detectado, sensível à rifampicina) em adulto virgem de tratamento e sem HIV. O Ministério da Saúde preconiza o Esquema Básico (RIPE): fase intensiva de 2 meses com rifampicina + isoniazida + pirazinamida + etambutol (RHZE, em comprimido de dose fixa combinada, 4 comprimidos/dia para 51–70 kg) seguida de fase de manutenção de 4 meses com rifampicina + isoniazida (RH) — total de 6 meses (opção correta). Manter RHZE pelos seis meses expõe desnecessariamente à pirazinamida e ao etambutol, aumentando hepatotoxicidade e risco de neurite óptica (opção incorreta). Inverter as fases não tem respaldo: a fase intensiva com quatro fármacos é que reduz rapidamente a população bacilar e previne resistência (opção incorreta). O prolongamento da fase de manutenção para 10 meses (total de 12 meses) é reservado às formas meningoencefálica e osteoarticular, que não é o caso desta paciente com doença exclusivamente pulmonar (opção incorreta). Complementa a conduta a notificação compulsória, o tratamento diretamente observado e a investigação dos contatos.
Um homem de 34 anos, pedreiro, procura a unidade básica de saúde referindo tosse produtiva há cerca de dois meses, com expectoração amarelada e raias de sangue nas últimas duas semanas. Relata febre vespertina, sudorese noturna e perda de 7 kg no período. Nega comorbidades e uso de drogas ilícitas; refere que um tio, com quem morou, tratou tuberculose há três anos e abandonou a medicação por duas vezes. Ao exame: emagrecido, corado, afebril no momento, frequência respiratória de 20 irpm, saturação de 96% em ar ambiente, estertores em ápice direito. A radiografia de tórax mostra infiltrado heterogêneo com cavitação em lobo superior direito. O teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB) no escarro detecta Mycobacterium tuberculosis com resistência à rifampicina. A sorologia para HIV é não reagente.
O TRM-TB detecta simultaneamente o M. tuberculosis e a resistência à rifampicina. Conforme o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil (Ministério da Saúde), diante de TRM-TB com resistência à rifampicina o esquema básico NÃO deve ser iniciado: o caso é notificado, solicita-se cultura com teste de sensibilidade (para caracterizar o perfil completo, inclusive isoniazida) e o paciente é encaminhado à referência terciária, que instituirá esquema especial — conduta reforçada pelo antecedente de contato com caso de abandono repetido, fator de risco para resistência. Errada porque tratar com esquema básico um bacilo resistente à rifampicina equivale à monoterapia funcional e amplia a resistência. Erra ao propor substituição de fármaco na atenção primária: o esquema para TB drogarresistente é atribuição da referência, e a repetição do TRM não é necessária para a decisão. Erra porque o prolongamento da fase de manutenção para nove meses aplica-se a formas como a meningoencefálica/osteoarticular sensíveis, e não corrige a resistência à rifampicina.
Homem de 42 anos, pedreiro, procura a Unidade Básica de Saúde referindo tosse produtiva há cerca de dois meses, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg no período. Nega tabagismo e comorbidades. Ao exame: emagrecido, temperatura axilar de 37,9 °C, frequência respiratória de 20 irpm, saturação de oxigênio de 96% em ar ambiente e estertores em ápice direito. Reside em domicílio com mais cinco pessoas e não há registro de tratamento prévio para tuberculose. Qual é a conduta inicial mais adequada para a investigação diagnóstica nesse nível de atenção?
Trata-se de sintomático respiratório (tosse por três semanas ou mais) com quadro consumptivo clássico. O Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil define o TRM-TB (Xpert MTB/RIF) como exame inicial de escolha para o diagnóstico em maiores de 10 anos, disponível na rede SUS: detecta o complexo M. tuberculosis em cerca de duas horas e ainda informa a resistência à rifampicina, permitindo início rápido e correto do tratamento na própria APS. A radiografia é complementar e inespecífica — cavitação não confirma etiologia (micoses, abscesso, neoplasia) e não autoriza tratamento empírico quando há teste confirmatório disponível. A cultura com teste de sensibilidade é solicitada em conjunto (sobretudo em populações vulneráveis e retratamentos), mas leva semanas e não pode ser a única estratégia inicial. A prova tuberculínica avalia infecção latente e não distingue doença ativa, não servindo para diagnosticar TB pulmonar.
Mulher de 29 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde por tosse há 40 dias, escarro hemoptoico, febre e perda de 5 kg. Nunca tratou tuberculose. O teste rápido molecular em escarro resulta: "Mycobacterium tuberculosis detectado; resistência à rifampicina detectada". A radiografia de tórax evidencia infiltrado com cavitação em lobo superior esquerdo. A paciente encontra-se em bom estado geral, eupneica, com saturação de 97% em ar ambiente. Qual é a conduta mais adequada?
Resistência à rifampicina detectada pelo TRM-TB é marcador de provável tuberculose multirresistente (MDR) e configura, pelo Manual de Recomendações do Ministério da Saúde, encaminhamento obrigatório a serviço de referência terciária, com coleta de cultura e teste de sensibilidade para desenhar o esquema individualizado. Iniciar o esquema básico é erro: sem rifampicina eficaz, a paciente receberia monoterapia funcional, com falência e ampliação da resistência. Trocar a rifampicina por estreptomicina cria um esquema improvisado, não previsto em diretriz, e o manejo da TB resistente não é atribuição da APS — que segue responsável pelo vínculo, busca de contatos e notificação. Repetir o teste apenas atrasa o encaminhamento, e isoniazida isolada é monoterapia formal, proscrita na doença ativa.
Homem de 55 anos, ex-etilista, está em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol) há 25 dias, acompanhado na Unidade Básica de Saúde em tratamento diretamente observado. Retorna para reavaliação assintomático, com melhora da tosse, sem náuseas, dor abdominal ou icterícia. Os exames de controle solicitados na admissão mostram: TGO 210 U/L e TGP 260 U/L (limite superior da normalidade de 40 U/L), bilirrubinas e função renal normais. Qual é a conduta?
As transaminases estão cerca de 5 a 6,5 vezes acima do limite superior da normalidade. O critério do Ministério da Saúde para interromper o esquema básico por hepatotoxicidade é elevação maior ou igual a três vezes o LSN acompanhada de sintomas ou icterícia, OU maior ou igual a cinco vezes o LSN mesmo em paciente assintomático — este último é exatamente o caso. Suspende-se todo o esquema, repete-se a dosagem e, com valores abaixo de duas vezes o LSN (e resolução dos sintomas), reintroduz-se escalonadamente (habitualmente rifampicina com etambutol, depois isoniazida e por fim pirazinamida), monitorando enzimas a cada reintrodução. Manter o esquema por ausência de sintomas ignora o ponto de corte de cinco vezes e arrisca hepatite fulminante. Suspender só a pirazinamida presume o culpado sem prova — isoniazida e rifampicina também são hepatotóxicas e a conduta padronizada é a suspensão completa com reintrodução testada. Trocar direto para esquema alternativo sem hepatotoxicidade grave ou intolerância comprovada retira precocemente as drogas mais eficazes; esse esquema fica reservado a casos de lesão hepática grave ou recidiva na reintrodução, e a decisão cabe à referência.
Homem de 42 anos procura a Unidade Básica de Saúde referindo tosse produtiva há 4 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 5 kg no período. Nega tratamento prévio para tuberculose e nega comorbidades. Ao exame: regular estado geral, temperatura axilar de 37,9 °C, frequência respiratória de 20 irpm, saturação de O2 de 96% em ar ambiente, estertores em ápice direito. Não há isolamento respiratório disponível na unidade, mas há coleta de escarro. Qual é o exame a ser solicitado inicialmente para investigação diagnóstica?
Sintomático respiratório (tosse ≥ 3 semanas) deve ser investigado na APS com TRM-TB em escarro, teste inicial recomendado pelo Ministério da Saúde por detectar o DNA do M. tuberculosis e a resistência à rifampicina em cerca de 2 horas, com sensibilidade superior à da baciloscopia. A prova tuberculínica avalia infecção latente e não distingue doença ativa — não serve para diagnóstico de TB pulmonar em sintomático. A tomografia não é o exame inicial na APS: é inespecífica, cara e não fornece confirmação bacteriológica. A sorologia para tuberculose tem desempenho ruim e é formalmente desaconselhada pela OMS e pelo Ministério da Saúde.
Mulher de 34 anos comparece à Unidade Básica de Saúde após o marido iniciar tratamento para tuberculose pulmonar com baciloscopia positiva há 15 dias. Ela é assintomática: nega tosse, febre, sudorese noturna ou emagrecimento. Exame físico sem alterações. Radiografia de tórax sem alterações. Prova tuberculínica com enduração de 8 mm. Sorologia anti-HIV não reagente. Qual é a conduta adequada?
Trata-se de contato domiciliar adulto de caso bacilífero, assintomática e com radiografia normal — tuberculose ativa está excluída, e a prova tuberculínica de 8 mm (contatos: corte ≥ 5 mm) confirma infecção latente, com indicação formal de tratamento da ILTB: isoniazida 270 doses (6 a 9 meses) — alternativas aceitas são rifampicina 120 doses ou o esquema 3HP. O esquema RIPE trata doença ativa e está errado aqui: monoterapia funcional não é o risco, mas expor a paciente a 4 fármacos sem doença é iatrogenia. Repetir a prova tuberculínica só se aplica ao contato com primeiro resultado < 5 mm (conversão). Apenas vigilância desperdiça a janela de prevenção: o risco de adoecimento é máximo nos 2 primeiros anos após a infecção.
Homem de 51 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol) há 7 semanas, retorna à Unidade Básica de Saúde queixando-se de embaçamento visual progressivo bilateral e dificuldade para distinguir as cores verde e vermelha, iniciados há 10 dias. Nega dor ocular, febre ou icterícia. Exame físico geral sem alterações; escleras anictéricas. Transaminases e bilirrubinas normais. Qual é a conduta imediata?
O quadro é neurite óptica retrobulbar — redução da acuidade visual com discromatopsia para verde/vermelho —, efeito adverso maior clássico e dose-dependente do etambutol, que ocorre tipicamente após semanas de uso. A conduta é a suspensão imediata e definitiva do etambutol, com encaminhamento oftalmológico, pois a lesão pode ser irreversível se o fármaco for mantido; os demais fármacos são mantidos e o caso é referenciado à unidade de referência. Suspender todo o esquema é desnecessário e arrisca falência/resistência: o fármaco causador é identificável pela clínica. A isoniazida causa neuropatia periférica (corrigida com piridoxina), não neurite óptica com discromatopsia. Manter o esquema perpetua a exposição ao agente e pode levar à perda visual permanente.
Um homem de 38 anos, pedreiro, procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de tosse produtiva há cerca de 4 semanas, com escarro amarelado, associada a febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg no período. Nega tabagismo e comorbidades. Ao exame, encontra-se emagrecido, afebril no momento, com estertores em ápice pulmonar direito. Considerando a apresentação clínica e a realidade epidemiológica brasileira, qual é o exame que deve ser solicitado inicialmente, por ser o método preferencial de diagnóstico e triagem para tuberculose pulmonar preconizado pelo Ministério da Saúde?
Correta: o TRM-TB (GeneXpert) é hoje o método de escolha para o diagnóstico inicial da TB pulmonar no SUS, pois em cerca de 2 horas confirma M. tuberculosis e ainda detecta resistência à rifampicina. Radiografia é complementar e inespecífica. Baciloscopia foi o método clássico, mas hoje é preterida em relação ao TRM onde este está disponível. Cultura é padrão-ouro e obrigatória em casos especiais, mas é lenta (semanas) e não é o exame de triagem inicial.
Mulher de 29 anos, previamente hígida, com tosse seca há 5 semanas, febre baixa e emagrecimento, foi atendida na UBS. A radiografia de tórax mostrou infiltrado no lobo superior direito com pequena cavitação. O teste rápido molecular (TRM-TB) do escarro resultou POSITIVO para M. tuberculosis, com sensibilidade à rifampicina PRESERVADA. A paciente nunca tratou tuberculose e o teste de gravidez é negativo. Qual a conduta correta em relação ao esquema terapêutico e à necessidade de exames adicionais?
Correta: com TRM positivo e rifampicina sensível, inicia-se de imediato o esquema básico RIPE (2RIPE/4RI) — 2 meses de fase intensiva com 4 fármacos e 4 meses de manutenção com RI. Mesmo com TRM confirmando o diagnóstico, a cultura com TSA deve ser solicitada para detectar resistência a outros fármacos e permitir ajuste. Não se deve postergar o tratamento aguardando cultura, pois a TB é doença transmissível e tratável empiricamente. O esquema sem etambutol não corresponde ao esquema básico atual (o etambutol foi incorporado à fase intensiva desde 2009). Repetir o TRM é desnecessário diante de resultado positivo com clínica compatível.
Homem de 52 anos, etilista, em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico (RIPE) há 20 dias, retorna ao ambulatório com náuseas, dor abdominal e icterícia. Exames: AST 320 U/L (VR até 40), ALT 380 U/L (VR até 40), bilirrubina total 4,2 mg/dL (predomínio de direta). Sorologias virais negativas. O paciente nega uso de outras medicações ou aumento da ingesta alcoólica recente. Diante da hepatotoxicidade medicamentosa, qual é a conduta mais adequada segundo as recomendações do Ministério da Saúde?
Correta: há hepatotoxicidade significativa (transaminases > 3x o VR com sintomas/icterícia). A conduta preconizada é suspender TODO o esquema (RIPE) e, após a normalização clínica e queda das transaminases para menos de 2x o VR, reintroduzir os fármacos de forma sequencial e monitorada (habitualmente R+E, depois I, por último Z), identificando o agente causador. Manter o esquema Inadequado: diante de hepatite medicamentosa sintomática. Suspender só parte dos fármacos de início não segue o protocolo de reintrodução escalonada após suspensão total. Migrar direto para esquema alternativo sem tentar reintrodução só se aplica quando há recorrência da toxicidade ou impossibilidade de reintroduzir o esquema básico.
Homem de 42 anos, tabagista, procura a UPA com tosse produtiva há cinco semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg. Ao exame, está emagrecido, com estertores no ápice direito. A radiografia de tórax mostra infiltrado com escavação no lobo superior direito. Colhe-se escarro para teste rápido molecular (TRM-TB), que resulta: "Complexo M. tuberculosis detectado; resistência à rifampicina detectada". Assinale a conduta adequada.
O TRM-TB detecta o complexo M. tuberculosis e triagem de resistência à rifampicina; quando há resistência detectada, o Ministério da Saúde recomenda solicitar cultura com teste de sensibilidade (TSA) e encaminhar o paciente ao serviço de referência para TB drogarresistente, onde se define o esquema (correta). Iniciar RIPE Inadequado: pois a rifampicina é a droga cuja resistência foi sinalizada e é marcador de possível multirresistência. Repetir o TRM-TB não é o passo padronizado — a confirmação/caracterização se faz por cultura e TSA. Manejar TB resistente na UPA com esquema improvisado é inapropriado; o cuidado é centralizado na referência.
Mulher de 56 anos, hipertensa, em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico (RIPE) há três semanas, retorna ao ambulatório com náuseas, vômitos, dor em hipocôndrio direito e icterícia. Nega uso de álcool. Exames laboratoriais: TGO 320 U/L e TGP 290 U/L (referência até 40 U/L) e bilirrubina total 3,8 mg/dL. Considerando o quadro de hepatotoxicidade medicamentosa, assinale a conduta correta.
Há hepatotoxicidade grave (transaminases muito acima de 5x o limite com icterícia e sintomas); a orientação do Ministério da Saúde é suspender todo o esquema hepatotóxico e, após a normalização das enzimas, reintroduzir os fármacos de forma escalonada, monitorando (correta). Manter o RIPE com hepatoprotetor mantém a agressão hepática. Retirar só a pirazinamida é uma etapa considerada apenas em situações específicas e após reavaliação, não a conduta inicial diante de hepatotoxicidade grave com o esquema ainda em curso. Reduzir doses pela metade é subdose, ineficaz e não corrige a toxicidade.
Homem de 34 anos, assintomático, é avaliado por ser contato domiciliar do irmão, que tem tuberculose pulmonar bacilífera. Nega tosse, febre ou emagrecimento. A radiografia de tórax é normal e a prova tuberculínica (PPD) resulta em 11 mm. Sorologia anti-HIV não reagente. Após excluir tuberculose ativa, assinale a conduta mais apropriada para este paciente.
Contato domiciliar de caso bacilífero, com PPD reator (≥5 mm neste contexto) e TB ativa afastada, tem infecção latente (ILTB) com indicação de tratamento; as opções recomendadas no Brasil são isoniazida (esquema de ~9 meses / 270 doses) ou rifampicina (4 meses / 120 doses), esta preferida em maiores de 50 anos e hepatopatas (correta). Não tratar desperdiça a prevenção de adoecimento em contato de alto risco. RIPE trata doença ativa, que foi excluída — usá-lo na ILTB é excessivo e indutor de resistência. Escarro/TRM-TB investiga doença ativa, e o paciente é assintomático com radiografia normal, sendo o passo já resolvido pela exclusão clínica.
Homem de 39 anos, pedreiro, procura a UBS da Estratégia Saúde da Família com tosse produtiva há 5 semanas, sudorese noturna, febre vespertina e perda de 4 kg no período. Nega tabagismo relevante, uso de drogas e comorbidades. Ao exame, encontra-se emagrecido, afebril no momento, com estertores finos em ápice pulmonar direito. A radiografia de tórax evidencia infiltrado com cavitação em lobo superior direito. Considerando as recomendações atuais do Ministério da Saúde para a investigação de tuberculose pulmonar no sintomático respiratório, assinale o exame indicado como método inicial de diagnóstico.
O Ministério da Saúde recomenda o TRM-TB (Xpert MTB/RIF) como teste inicial no diagnóstico de TB pulmonar do sintomático respiratório onde disponível, pois detecta o complexo M. tuberculosis e faz triagem de resistência à rifampicina em ~2 horas (correta). A baciloscopia seriada permanece como alternativa apenas onde o TRM-TB não está disponível, tendo menor sensibilidade. A cultura com TSA é complementar (indicada em populações especiais, retratamento e para monitorar resistência), não o teste inicial. O PPD avalia infecção (incluindo a latente), não distingue doença ativa e não confirma TB pulmonar.
Mulher de 48 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol) há 25 dias, retorna ao serviço queixando-se de náuseas, vômitos, dor em hipocôndrio direito e icterícia. Nega etilismo e uso de outros hepatotóxicos. Os exames mostram AST 320 U/L (VR até 40), ALT 410 U/L (VR até 40) e bilirrubina total 4,2 mg/dL, com predomínio de bilirrubina direta. Assinale a conduta mais adequada.
Há hepatotoxicidade com icterícia e transaminases acima de 5x o limite superior (ou acima de 3x com sintomas): a conduta é suspender todo o esquema até normalização (< 2x) e resolução dos sintomas, com reintrodução escalonada dos fármacos, monitorando as enzimas (correta). Manter o esquema com esse grau de lesão hepática é inadequado e arriscado. Suspender só a pirazinamida não cobre o quadro, pois rifampicina e isoniazida também são hepatotóxicas. Trocar imediatamente por esquema alternativo sem interrupção não segue a recomendação de suspender e reintroduzir de forma escalonada.
Homem de 41 anos, pedreiro, procura a UBS com tosse produtiva há 10 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 8 kg. Refere que há três anos fez tratamento completo para tuberculose pulmonar, com alta por cura. Nega uso de drogas ilícitas; sorologia anti-HIV não reagente há 2 meses. Ao exame: emagrecido, eupneico, estertores em ápice direito. Radiografia de tórax mostra infiltrado heterogêneo com cavitação em lobo superior direito. O teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB) no escarro resulta: MTB detectado, sensível à rifampicina. Assinale a conduta adequada.
Trata-se de retratamento (recidiva após cura) com TRM-TB detectável e sensível à rifampicina: o Ministério da Saúde recomenda iniciar imediatamente o esquema básico 2RHZE/4RH e, por ser caso de retratamento, solicitar obrigatoriamente cultura com teste de sensibilidade (TSA), já que o TRM-TB só informa resistência à rifampicina. Baciloscopia seriada é desnecessária — o TRM-TB já confirmou o diagnóstico com maior sensibilidade. Esquema para multirresistência não se justifica sem resistência documentada e é decisão de referência terciária. Repetir o TRM-TB para controle é erro clássico: o teste detecta DNA de bacilos mortos e não serve para monitorar resposta, que se faz com baciloscopia mensal.
Mulher de 68 anos, hipertensa, comparece à UBS por ser contato intradomiciliar do filho, diagnosticado há 3 semanas com tuberculose pulmonar bacilífera. Está assintomática, nega tosse, febre ou emagrecimento. Exame físico sem alterações; IMC 26 kg/m². Sorologia anti-HIV não reagente. Radiografia de tórax sem alterações parenquimatosas. Prova tuberculínica (PPD) com enduração de 10 mm. Transaminases e bilirrubinas normais; nega etilismo e hepatopatia. Assinale a conduta adequada para esta paciente.
Contato intradomiciliar assintomático, com radiografia normal e PT ≥ 5 mm, tem infecção latente (ILTB) — tuberculose ativa foi afastada, e o tratamento está indicado. Entre os esquemas, o Ministério da Saúde recomenda preferencialmente a rifampicina por 4 meses (120 doses) em pessoas com mais de 50 anos, crianças menores de 10 anos, hepatopatas e nos casos de intolerância ou contato com monorresistente à isoniazida — pelo menor risco de hepatotoxicidade e melhor adesão. A isoniazida por 270 doses é esquema válido em geral, mas não é o preferencial nesta faixa etária. RHZE trata doença ativa, que a paciente não tem. Repetir o PPD é inútil: já está reator e a indicação está firmada.
Homem de 45 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico (RHZE) há 40 dias, retorna à UBS com náuseas, vômitos, dor em hipocôndrio direito, colúria e icterícia iniciadas há 5 dias. Nega etilismo, uso de outros medicamentos ou sintomas prévios. Ao exame: ictérico (2+/4+), fígado palpável a 2 cm do rebordo costal, doloroso. Exames: AST 380 U/L (VR até 40), ALT 425 U/L (VR até 41), bilirrubina total 4,2 mg/dL com predomínio de direta, fosfatase alcalina discretamente elevada, sorologias para hepatites virais não reagentes. Assinale a conduta correta.
Há hepatotoxicidade maior induzida por drogas: transaminases acima de 5 vezes o limite superior da normalidade E icterícia com sintomas, após exclusão de hepatites virais. A conduta preconizada é suspender TODO o esquema e aguardar a queda das transaminases para menos de 3 vezes o valor de referência com resolução dos sintomas/icterícia, reintroduzindo então as drogas escalonadamente (rifampicina + etambutol, depois isoniazida, por último pirazinamida), com controle enzimático a cada reintrodução. Manter o esquema com sintomas e icterícia expõe o paciente a hepatite fulminante. Suspender apenas a pirazinamida presume o culpado sem base — isoniazida e rifampicina também são hepatotóxicas. Trocar definitivamente por esquema alternativo só se as reações se repetirem na reintrodução ou se a hepatopatia for grave/persistente.
Homem de 46 anos, morador de área urbana e ex-presidiário, procura a UBS com tosse produtiva há 8 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 7 kg. Nega tratamento prévio para tuberculose. Ao exame: emagrecido, eupneico, estertores em ápice direito. Radiografia de tórax mostra infiltrado com cavitação em lobo superior direito. O teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB) em escarro resultou: MTB detectado, com resistência à rifampicina detectada. Assinale a conduta adequada neste momento.
Resistência à rifampicina detectada pelo TRM-TB é marcador de tuberculose drogarresistente (proxy de multirresistência): o Manual de Recomendações do Ministério da Saúde determina coleta de cultura com teste de sensibilidade e encaminhamento a serviço de referência terciária, onde o esquema será individualizado. Mantêm rifampicina em cepa resistente, favorecendo ampliação da resistência e falência; Esquema para TB-DR não se monta trocando uma droga isolada nem se conduz na APS; Atrasar conduta em caso confirmado por biologia molecular, em paciente bacilífero cavitário, é inaceitável — a notificação é compulsória e imediata.
Mulher de 32 anos, 65 kg, sem comorbidades e sem tratamento prévio para tuberculose, apresenta tosse há 5 semanas e febre baixa. Baciloscopia de escarro positiva (++) e TRM-TB com MTB detectado, sensível à rifampicina. Radiografia com infiltrado apical esquerdo. Sorologia anti-HIV não reagente; função hepática e renal normais. Assinale o esquema de tratamento indicado.
Caso novo de tuberculose pulmonar em adulto, sem resistência: esquema básico 2RHZE/4RH (dose fixa combinada, 4 comprimidos/dia para 65 kg). Retirou o etambutol e prolongou sem indicação — esquema antigo, abandonado desde 2009 no Brasil. Fase de manutenção de 10 meses com etambutol é o padrão da forma meningoencefálica/osteoarticular (2RHZE/10RH), não da pulmonar. Estreptomicina não compõe mais o esquema de primeira linha.
Quatro pessoas assintomáticas, com radiografia de tórax normal e tuberculose ativa afastada, são avaliadas quanto à indicação de tratamento da infecção latente. Em qual delas o tratamento está indicado, segundo os critérios do Ministério da Saúde?
Os cortes da prova tuberculínica variam conforme o grupo, e essa é a pegadinha mais frequente do tema. O corte de 5 mm ou IGRA positivo vale para contatos adultos e crianças, independentemente de vacinação prévia com BCG, além de alterações radiológicas fibróticas sugestivas de sequela, uso de inibidores de TNF-alfa ou de corticosteroide equivalente a mais de 15 mg de prednisona por mais de um mês, pré-transplante de órgãos e pessoas vivendo com HIV com CD4 acima de 350. O contato domiciliar com 6 mm ultrapassa esse corte e tem indicação de tratamento. Já diabetes mellitus, tabagismo acima de um maço por dia, insuficiência renal em diálise e calcificação isolada sem fibrose na radiografia pertencem ao grupo cujo corte é de 10 mm — nenhum dos quatro valores apresentados alcança esse patamar. Além disso, o tabagista da segunda alternativa fuma 15 cigarros por dia, abaixo do maço diário exigido pelo critério, o que o desqualificaria mesmo com prova maior.
Considerando os critérios de falência terapêutica adotados pelo Ministério da Saúde para a tuberculose, qual das situações abaixo caracteriza falência?
Falência terapêutica tem três definições fechadas nos documentos brasileiros: baciloscopia de escarro positiva ao final do tratamento; baciloscopia fortemente positiva no início, isto é, com duas ou três cruzes, que se mantém assim até o quarto mês; e baciloscopia inicialmente positiva que negativou e voltou a ser positiva por dois meses consecutivos, a partir do quarto mês. A alternativa correta descreve exatamente a segunda situação. Baciloscopia positiva no segundo mês com boa evolução não é falência — pede cultura, teste de sensibilidade e prolongamento da fase de ataque por 30 dias. Persistência de sintoma ou de imagem, com bacteriologia negativa, também não é falência, e o próprio Guia registra que a positividade isolada ao longo do tratamento não significa necessariamente falência. Abandono com retomada é reingresso após abandono, um tipo de entrada, não um desfecho de falência. E teste rápido molecular positivo durante o tratamento não caracteriza nada, porque a PCR detecta material genético de bacilo morto e por isso o teste não serve para acompanhamento.
Homem de 38 anos, motorista, procura a unidade básica de saúde referindo tosse há cerca de cinco semanas, inicialmente seca e agora com expectoração mucoide. Relata febre no fim da tarde, sudorese noturna e perda de 6 kg no período. Nega tratamento prévio para tuberculose e nega internações. Ao exame: bom estado geral, 71 kg, afebril, ausculta pulmonar sem alterações. A unidade dispõe de teste rápido molecular para tuberculose. Qual a conduta diagnóstica inicial mais adequada?
Tosse de cinco semanas em adulto configura sintomático respiratório em qualquer dos cortes brasileiros — três semanas na população geral, duas semanas em quem procura espontaneamente o serviço. Onde há teste rápido molecular disponível, ele é o exame de entrada para caso novo de tuberculose pulmonar em adultos e adolescentes, exige uma única amostra de escarro e devolve resultado em cerca de duas horas, com sensibilidade em torno de 90%, superior à da baciloscopia. A radiografia de tórax deve ser solicitada para toda pessoa com suspeita clínica, sempre acompanhada dos exames laboratoriais. E a cultura com teste de sensibilidade é obrigatória em todo caso diagnosticado por teste rápido, independentemente de haver ou não resistência à rifampicina — por isso a alternativa correta a inclui. A primeira alternativa descreve o algoritmo dos locais sem teste rápido e ainda erra ao reservar a cultura, que nesses locais também deve ser feita para todos os suspeitos, independentemente do resultado da baciloscopia. A prova tuberculínica diagnostica infecção latente, não doença ativa, e não tem papel na investigação do sintomático respiratório. Prova terapêutica sem bacteriologia contraria o protocolo e impede o teste de sensibilidade. E o método de imagem de escolha na avaliação inicial é a radiografia simples, não a tomografia.
Mulher de 29 anos recebe diagnóstico de tuberculose pulmonar em unidade básica de saúde, com teste rápido molecular mostrando MTB detectado e resistência à rifampicina não detectada. Nunca tratou tuberculose. Pesa 54 kg. Qual a prescrição correta do esquema básico?
O esquema básico do adulto e do adolescente a partir de 10 anos é 2RHZE/4RH, prescrito por faixa de peso e não por miligrama por quilo. Com 54 kg a paciente está na faixa de 51 a 70 kg, que corresponde a 4 comprimidos de RHZE 150/75/400/275 mg por dia durante os dois meses da fase intensiva. Na fase de manutenção, a mesma faixa recebe 2 comprimidos de RH 300/150 mg por dia, ou alternativamente 4 comprimidos de 150/75 mg, por quatro meses — as duas apresentações entregam a mesma dose total, e é essa aritmética que a questão testa. A primeira alternativa aplica a faixa de 36 a 50 kg. A segunda troca a apresentação de manutenção e dobra a dose. A terceira usa a faixa acima de 70 kg na fase intensiva. A última descreve o esquema pediátrico, sem etambutol, e ainda com a duração de manutenção da forma meningoencefálica, que é de dez meses.
Homem de 30 anos, contato domiciliar de caso de tuberculose pulmonar confirmada laboratorialmente, assintomático, com radiografia de tórax normal, tuberculose ativa afastada e prova tuberculínica de 12 mm. Pesa 74 kg, não é gestante nem vive com HIV, não tem hepatopatia e o caso índice é sensível a todos os fármacos de primeira linha. Segundo o documento brasileiro vigente, qual é o esquema preferencial e como se prescreve?
O capítulo de tuberculose do Guia de Vigilância em Saúde de 2024 afirma que o tratamento da infecção latente é realizado preferencialmente com rifapentina associada à isoniazida, no esquema 3HP, e o traz com a marcação de esquema preferencial. No adulto acima de 14 anos e com 30 kg ou mais, a dose é de 900 mg de isoniazida e 900 mg de rifapentina por semana, em tomada única semanal, sempre no mesmo dia; o tratamento está completo com 12 doses em 12 semanas, prazo prorrogável até 15. A isoniazida em 270 doses era o esquema preferencial no Manual de 2019, anterior à incorporação da rifapentina ao SUS, e hoje é opção quando o 3HP não cabe. A rifampicina em 120 doses é reservada a maiores de 50 anos, hepatopatas, contatos de monorresistente à isoniazida e intolerantes à isoniazida. O esquema com rifampicina e isoniazida em 90 doses diárias é a apresentação dispersível destinada a crianças menores de 10 anos com 4 a 25 kg. E tratar contato assintomático com esquema de doença ativa é erro grave: infecção latente não é tuberculose ativa.
Homem de 45 anos completa o segundo mês de tratamento de tuberculose pulmonar iniciado após baciloscopia positiva com duas cruzes. Está sob tratamento diretamente observado com adesão registrada como regular em todas as semanas, refere melhora importante da tosse, ficou afebril na terceira semana e ganhou 4 kg. A baciloscopia de controle do segundo mês vem positiva com uma cruz. A unidade dispõe de teste rápido molecular. Qual a conduta?
Baciloscopia positiva ao final do segundo mês tem conduta escrita no protocolo brasileiro e ela é tríplice: solicitar cultura para micobactéria com teste de sensibilidade, prolongar a fase de ataque com RHZE por mais 30 dias e reavaliar o esquema com o resultado do teste de sensibilidade. Onde houver teste rápido molecular disponível, ele deve ser solicitado além da cultura, para rastrear resistência à rifampicina — se detectada, encaminha-se para referência terciária; se não detectada, mantém-se o prolongamento de 30 dias. Esse quadro não é falência: os três critérios de falência são baciloscopia positiva ao final do tratamento, baciloscopia fortemente positiva no início mantida até o quarto mês, e negativação seguida de nova positividade por dois meses consecutivos a partir do quarto mês — nenhum se aplica ao segundo mês. Passar direto à manutenção ignora o passo obrigatório. Reiniciar o esquema não tem respaldo, e acrescentar estreptomicina é montar esquema especial sem indicação nem teste de sensibilidade.
Homem de 52 anos, em uso do esquema básico há 40 dias, comparece à consulta mensal referindo náuseas e dor epigástrica há uma semana, sem icterícia. Exames: TGO 190 U/L e TGP 210 U/L, ambas com limite superior da normalidade de 40 U/L; bilirrubinas normais. Nega etilismo e não tem hepatopatia prévia. Qual a conduta?
Os limiares brasileiros de suspensão por hepatotoxicidade são três e precisam ser lidos junto com a presença de sintomas: cinco vezes o valor normal em paciente sem sintomas digestivos, três vezes o valor normal acompanhadas de sintomas dispépticos, ou o aparecimento de icterícia. Aqui as transaminases estão em cerca de cinco vezes o limite superior e há sintomas dispépticos, portanto o gatilho de três vezes com sintomas está claramente ultrapassado e o tratamento deve ser interrompido, com monitorização da função hepática a cada três a sete dias até normalizar. A reintrodução tem ordem fixa e contraintuitiva: rifampicina com etambutol primeiro, depois a isoniazida e por último a pirazinamida, com intervalo de três a sete dias entre elas e avaliação da função hepática antes de cada etapa. Manter o esquema seria correto apenas na elevação assintomática abaixo do limiar. O ajuste de horário resolve intolerância gástrica sem alteração enzimática relevante, não este caso. Suspender só a pirazinamida presume o culpado sem reintrodução escalonada. E partir direto para esquema alternativo é reservado a quem não normaliza em quatro semanas, tem tuberculose grave, disfunção hepática ou cirrose prévia.
Mulher de 47 anos, tratada para tuberculose pulmonar há três anos com alta por cura comprovada, retorna com tosse produtiva há seis semanas, febre vespertina e emagrecimento. A unidade dispõe de teste rápido molecular, baciloscopia e cultura. Qual a conduta diagnóstica correta neste caso?
Paciente tratada anteriormente com alta por cura e que volta com doença ativa é caso de recidiva, portanto retratamento. Nessa condição o teste rápido molecular não faz o diagnóstico, porque a reação em cadeia da polimerase detecta material genético de bacilos vivos ou mortos e um resultado positivo pode representar apenas resíduo do episódio anterior. O diagnóstico se faz com baciloscopia e cultura para micobactérias, com teste de sensibilidade, e o teste rápido entra como triagem de resistência à rifampicina — utilidade real, já que resistência detectada encaminha imediatamente à referência terciária. Cultura com teste de sensibilidade é obrigatória em todos os casos de retratamento, e o material deve ser coletado antes da reintrodução do esquema. Prova tuberculínica não diagnostica doença ativa. Iniciar esquema para tuberculose multirresistente sem teste de sensibilidade não tem respaldo: antecedente de tratamento é fator de risco, não diagnóstico de resistência. E encerrar a investigação com duas baciloscopias negativas contraria o protocolo, que manda seguir com cultura e considerar amostras adicionais quando persistem indícios clínicos e radiológicos.
Homem de 44 anos procura espontaneamente uma unidade de pronto atendimento por tosse produtiva há 16 dias, sem febre e sem emagrecimento. Não é contato de caso, não vive com HIV, não está privado de liberdade nem em situação de rua, não é indígena e não mora em instituição de longa permanência. A unidade dispõe de teste rápido molecular. Qual é a conduta correta?
A duração de tosse que define o sintomático respiratório muda conforme a porta de entrada: três semanas para a população acompanhada no território pela equipe de saúde da família, duas semanas para quem procura espontaneamente uma unidade de saúde ou um hospital, e tosse de qualquer duração em contatos, pessoas vivendo com HIV, população privada de liberdade, pessoas em situação de rua, indígenas e moradores de instituição de longa permanência. Com 16 dias e procura espontânea, a investigação bacteriológica começa hoje. Mandar o paciente voltar às três semanas aplica a régua da busca ativa a quem já está dentro do serviço. Deixar a bacteriologia depender da radiografia inverte a hierarquia, porque não existe imagem que confirme o diagnóstico sozinha. A prova tuberculínica investiga infecção, não doença ativa, e não serve de filtro. E tratar como pneumonia sem colher escarro desperdiça a oportunidade que a procura espontânea criou.
Mulher de 58 anos, em hemodiálise há dois anos, assintomática, tem radiografia de tórax normal e tuberculose ativa afastada. Nunca tratou tuberculose nem infecção latente e não é contato de caso conhecido. A prova tuberculínica realizada agora mediu 12 mm. Foi vacinada com BCG na infância. Qual é a conduta correta?
A leitura da prova tuberculínica depende do grupo. O corte de 5 mm indica tratamento em contatos, em pessoas vivendo com HIV com linfócitos acima de 350, diante de alterações fibróticas sugestivas de sequela, em uso de inibidores de fator de necrose tumoral alfa ou de corticoide em dose alta prolongada, e em candidatos a transplante. O corte de 10 mm cobre silicose, neoplasia de cabeça e pescoço, neoplasias hematológicas, neoplasia em terapia imunossupressora, insuficiência renal em diálise, diabetes, baixo peso, tabagismo acima de um maço por dia e calcificação isolada sem fibrose. Com 12 mm em paciente dialítica e tuberculose ativa afastada, o tratamento da infecção latente está indicado. A vacinação prévia com BCG não invalida o resultado, porque o efeito da vacina decai com o tempo. Restringir a indicação a contatos apaga as demais portas. A conversão com incremento de 10 mm entre duas provas é uma quarta porta, não um pré-requisito. E o esquema com quatro fármacos trataria doença ativa, que aqui não existe.
Homem de 39 anos está no terceiro mês de tratamento de tuberculose pulmonar com o esquema básico, iniciado após teste rápido molecular com bacilo detectado e resistência à rifampicina não detectada. Evolui bem, ganhou peso e a baciloscopia do segundo mês foi negativa. O médico assistente quer repetir o teste rápido molecular para comprovar a resposta ao tratamento. Qual é a orientação correta?
O teste rápido molecular identifica material genético de bacilo vivo ou morto, e por isso não serve para acompanhar o tratamento: um resultado positivo no terceiro mês pode ser apenas o resíduo da infecção que já está sendo tratada. O acompanhamento bacteriológico dos casos pulmonares é baciloscopia mensal, do primeiro ao sexto mês, e o critério de cura exige duas baciloscopias negativas, uma em qualquer mês e outra ao final. Chamar o teste rápido de mais sensível no acompanhamento confunde desempenho diagnóstico com utilidade de seguimento. Repeti-lo em paralelo à baciloscopia gasta insumo sem mudar conduta nenhuma. Trocar a baciloscopia por cultura mensal não é o que o protocolo prevê, e a cultura leva semanas para crescer. E abandonar o controle bacteriológico por causa da boa evolução clínica retira justamente o exame que reconhece falência.
Homem de 31 anos com HIV, CD4 de 90 células/mm3, com tosse e febre há um mês. Escarro coletado para teste rápido molecular detecta Mycobacterium tuberculosis com resistência à rifampicina. Qual a conduta correta?
A detecção molecular de resistência à rifampicina é marcador substituto de multirresistência e muda o esquema imediatamente: o paciente vai para serviço de referência, inicia regime específico e tem cultura com teste de sensibilidade solicitados. Manter o esquema básico à espera de nova amostra engana quem desconfia do resultado molecular isolado, mas em paciente com HIV e imunossupressão avançada o tempo perdido em esquema ineficaz custa vida e amplia a resistência. A rifabutina compartilha resistência cruzada com a rifampicina na maioria das mutações.
Paciente de 47 anos com HIV e tuberculose pleural inicia tratamento. Sobre a notificação e o acompanhamento, qual afirmação está correta?
A tuberculose é agravo de notificação compulsória em todas as formas, pulmonares e extrapulmonares, e a notificação é feita ao diagnóstico, não ao final do tratamento — é ela que dispara a investigação de contatos e o acompanhamento pela vigilância. Restringir a notificação às formas bacilíferas engana quem confunde o critério de transmissibilidade com o critério de notificação: mesmo as formas não transmissíveis entram no sistema, porque a vigilância mede a doença na população, não apenas a cadeia de transmissão.
Paciente de 50 anos com HIV e tuberculose pulmonar em tratamento há 4 semanas apresenta náuseas, icterícia e alanina aminotransferase 8 vezes o limite superior. Qual a conduta imediata?
Elevação de transaminases acima de 5 vezes o limite, ou acima de 3 vezes com sintomas e icterícia, caracteriza hepatotoxicidade que obriga a suspensão da isoniazida, rifampicina e pirazinamida, com esquema alternativo não hepatotóxico se o paciente for grave, e reintrodução escalonada droga a droga após normalização. Suspender só o etambutol engana quem lembra do fármaco como o mais frequentemente retirado do esquema — mas o etambutol é justamente o de menor hepatotoxicidade, sendo sua toxicidade principal a neurite óptica.
Mulher de 29 anos com HIV, CD4 de 380 células/mm3, em uso regular de terapia antirretroviral e carga viral indetectável, assintomática, realiza prova tuberculínica que resulta em 7 mm. Radiografia de tórax normal. Qual a conduta?
Em pessoas vivendo com HIV, o ponto de corte da prova tuberculínica é 5 mm — bem abaixo do usado na população geral —, porque a imunossupressão reduz a resposta cutânea. Com 7 mm, radiografia normal e ausência de sintomas, o diagnóstico é infecção latente e a indicação é quimioprofilaxia após exclusão de doença ativa. Considerar o resultado negativo por não atingir 10 mm engana quem aplica o corte da população imunocompetente e deixa de prevenir a principal causa de morte por doença infecciosa nesse grupo.
Homem de 35 anos, recém-diagnosticado com HIV, CD4 de 60 células/mm3, apresenta tosse produtiva há 6 semanas, febre vespertina e emagrecimento de 8 kg. Radiografia de tórax mostra infiltrado difuso em lobos inferiores, sem cavitação, com linfonodomegalia hilar. Qual a interpretação correta desse padrão radiológico?
Com CD4 baixo a resposta granulomatosa se perde, e a tuberculose deixa de cavitar: predominam infiltrados em campos inferiores, padrão miliar, linfonodomegalia mediastinal e formas extrapulmonares. Exigir cavitação em ápice é o erro clássico de quem memorizou a apresentação do imunocompetente. A pneumocistose entra no diferencial pelo CD4, mas costuma cursar com infiltrado intersticial difuso, dispneia progressiva, ausculta pobre e desproporção entre hipoxemia e achados radiológicos, sem linfonodomegalia.
Sobre o acompanhamento do tratamento da tuberculose pulmonar bacilífera, qual exame é utilizado para monitorar a resposta?
O controle do tratamento é feito pela baciloscopia mensal de escarro, que documenta a negativação e identifica precocemente a falência, complementada pela avaliação clínica. A radiografia engana quem espera acompanhar a melhora pela imagem, mas as alterações radiológicas regridem lentamente e podem deixar sequelas permanentes, não servindo como parâmetro de resposta. A prova tuberculínica não monitora tratamento.
Sobre a tuberculose pulmonar, qual esquema básico é preconizado no Brasil para o adulto em tratamento inicial?
O esquema básico combina quatro drogas na fase intensiva de dois meses, para reduzir rapidamente a carga bacilar e prevenir resistência, seguida de quatro meses com duas drogas na fase de manutenção, que elimina os bacilos persistentes. Usar esquemas com menos drogas na fase inicial engana quem simplifica o tratamento, e é o caminho da falência e da seleção de resistência.
Homem de 48 anos, HIV positivo com CD4 de 90 células/mm³, apresenta febre há 4 semanas, tosse seca e radiografia de tórax com padrão micronodular difuso. Qual a principal hipótese?
Padrão micronodular difuso, do tipo miliar, com febre prolongada em paciente com imunossupressão avançada é tuberculose disseminada até prova em contrário, e a investigação deve ser ampla porque o acometimento é multissistêmico: escarro ou lavado com pesquisa molecular e cultura, hemocultura para micobactéria, além de biópsia de medula ou hepática quando necessário. Pneumonia bacteriana produziria consolidação lobar com evolução aguda. Sarcoidose é diagnóstico de exclusão e improvável nesse contexto. Edema cardiogênico daria padrão perihilar com cardiomegalia e derrame, sem febre prolongada.
Homem de 45 anos apresenta insuficiência hepática aguda após início de tratamento para tuberculose há 6 semanas. Qual fármaco é o mais provavelmente implicado?
Entre os fármacos do esquema básico, a isoniazida é a que mais se associa a hepatotoxicidade grave, seguida da pirazinamida e da rifampicina, com risco aumentado por idade avançada, etilismo, hepatopatia prévia e uso concomitante de outras drogas. O etambutol tem como principal toxicidade a neurite óptica. Diante de transaminases muito elevadas ou de icterícia, o esquema deve ser suspenso e reintroduzido de forma escalonada após a normalização.
No tratamento da meningite tuberculosa, qual medida adjuvante é recomendada?
O corticoide adjuvante reduz mortalidade e sequelas na meningite tuberculosa por atenuar a inflamação das meninges basais, que causa vasculite, infarto e hidrocefalia. Reduzir o número de drogas do esquema é o erro que favorece resistência e falha, e o tratamento é prolongado, com fase de manutenção estendida em comparação à tuberculose pulmonar. Corticoide isolado, sem tuberculostático, seria catastrófico. A adesão prolongada e a vigilância de hidrocefalia fazem parte do acompanhamento.
Qual efeito adverso deve ser monitorado no paciente em uso de etambutol?
O etambutol pode causar neurite óptica, dose-dependente e geralmente reversível com a suspensão precoce, o que exige orientar o paciente a relatar qualquer alteração visual e avaliar acuidade e visão de cores no seguimento. A neuropatia periférica é efeito da isoniazida, prevenida com piridoxina em pacientes de risco, e a ototoxicidade pertence aos aminoglicosídeos — associar cada droga ao seu efeito característico é o que a questão avalia.
Qual exame deve ser solicitado prioritariamente para diagnóstico de tuberculose pulmonar em paciente com tosse por mais de 3 semanas e hemoptise?
O teste rápido molecular em escarro é o exame de escolha para diagnóstico da tuberculose pulmonar: detecta o material genético do bacilo em cerca de duas horas e informa simultaneamente a resistência à rifampicina, o que orienta o esquema desde o início. A cultura permanece indicada para teste de sensibilidade completo. A prova tuberculínica indica infecção latente e não faz diagnóstico de doença ativa. Sorologia para tuberculose é desaconselhada por baixa acurácia, e a adenosina deaminase tem utilidade em líquidos de serosas, não no sangue.
Qual é o esquema básico de tratamento da tuberculose pulmonar em adultos no Brasil?
O esquema básico compreende dois meses de fase intensiva com rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol, seguidos de quatro meses de manutenção com rifampicina e isoniazida. Reduzir o número de drogas na fase inicial favorece a seleção de resistência, e encurtar o tratamento leva a recidiva — dois erros que a questão contrasta. O tratamento é gratuito e disponível na rede pública, a doença é de notificação compulsória, o tratamento diretamente observado melhora a adesão e a investigação de contatos e a testagem para HIV são obrigatórias.
Segundo o PCDT brasileiro de HIV, módulo 2 de 2024, quando iniciar TARV em adulto recém-diagnosticado com HIV e tuberculose ativa, ainda sem nenhum dos tratamentos e sem evidência de meningite tuberculosa?
O PCDT brasileiro de HIV, módulo 2 de 2024, orienta iniciar o tratamento da tuberculose imediatamente e introduzir TARV em até sete dias, independentemente do CD4, quando não há meningite tuberculosa. Na meningite, o início é preferencialmente entre a quarta e a sexta semana, com individualização conforme avaliação especializada. Devem ser avaliadas interações entre antirretrovirais e rifamicinas. Adiar TARV até concluir todo o tratamento da tuberculose não é recomendado; o receio de síndrome de reconstituição imune não justifica atraso indiscriminado.
Homem de 44 anos com HIV, CD4 de 90 células/mm3, apresenta tosse há 6 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso. Radiografia com infiltrado em lobo inferior e adenomegalia hilar. Qual a conduta diagnóstica?
O teste molecular rápido é o exame de escolha para diagnóstico inicial da tuberculose, com resultado em horas e informação simultânea sobre resistência à rifampicina, sempre acompanhado de cultura com teste de sensibilidade nessa população. A apresentação atípica com acometimento de lobos inferiores e adenomegalia é característica da imunodepressão avançada, e a prova tuberculínica não serve para diagnóstico de doença ativa, ainda menos em quem tem imunidade celular comprometida.
Qual interação medicamentosa relevante ocorre entre rifampicina e antirretrovirais?
A rifampicina é potente indutora do citocromo P450 e da glicoproteína P, reduzindo a concentração de inibidores de protease e de inibidores de integrase, o que exige ajuste de dose de dolutegravir, substituição por rifabutina em alguns esquemas ou escolha de combinações compatíveis. Ignorar essa interação leva a falha virológica e a seleção de resistência, e é uma das armadilhas farmacológicas mais cobradas na coinfecção.
Qual é o esquema básico de tratamento da tuberculose pulmonar no adulto no Brasil?
O esquema básico combina quatro drogas na fase intensiva de dois meses e duas na fase de manutenção de quatro meses, arranjo que reduz a carga bacilar rapidamente e previne a seleção de resistência. Isoniazida isolada por período prolongado é tratamento da infecção latente e nunca de doença ativa — usá-la em doença ativa é o caminho mais direto para criar resistência, e essa distinção entre tratar infecção latente e doença é o cerne da questão.
Paciente em tratamento de tuberculose apresenta, na quarta semana, icterícia e transaminases dez vezes acima do limite superior. Qual a conduta?
Hepatotoxicidade com icterícia ou com transaminases acima de cinco vezes o limite — ou de três vezes com sintomas — obriga a suspender o esquema, aguardar a normalização e reintroduzir as drogas de forma escalonada, monitorando a resposta, com esquemas alternativos quando a droga culpada é identificada. Isoniazida, rifampicina e pirazinamida são as hepatotóxicas; o etambutol tem como toxicidade característica a neurite óptica, com alteração da visão de cores. Manter o esquema diante de icterícia é conduta que pode evoluir para insuficiência hepática aguda.
Homem de 44 anos, etilista, procura a unidade com tosse produtiva há 6 semanas, sudorese noturna e perda de 6 kg. Radiografia mostra infiltrado em lobo superior direito com cavitação. Qual exame deve ser solicitado prioritariamente para diagnóstico e definição terapêutica?
Diante de quadro consuntivo com cavitação em ápice, a suspeita é tuberculose pulmonar, e o exame de escolha no Brasil para caso novo com escarro disponível é o teste rápido molecular: detecta o complexo M. tuberculosis e informa resistência à rifampicina na mesma amostra, orientando de imediato se o esquema básico serve. A baciloscopia isolada engana por ser tradicional, mas tem sensibilidade menor e não avalia resistência. Prova tuberculínica e IGRA medem infecção latente, não doença ativa, e podem estar positivos em milhões de pessoas sem tuberculose. Sorologia não é recomendada para diagnóstico de tuberculose.
Homem de 48 anos, morador de rua, com tosse há 2 meses, escarro hemoptoico e emagrecimento. Teste rápido molecular no escarro detecta M. tuberculosis com resistência à rifampicina. Qual a conduta?
A detecção de resistência à rifampicina pelo teste rápido molecular é sinal de alerta para multirresistência, porque essa resistência raramente é isolada e costuma acompanhar resistência à isoniazida. A conduta é encaminhar a referência, coletar cultura com teste de sensibilidade e iniciar esquema apropriado, sem perder tempo. Iniciar o esquema básico engana quem trata todo caso novo pelo protocolo padrão: com rifampicina inativa, o paciente recebe na prática um esquema enfraquecido, o que amplia resistência. Isoniazida isolada é monoterapia, o erro clássico que fabrica resistência. Esperar dois meses sem tratar mantém a transmissão ativa.
Homem de 40 anos, contactante domiciliar de caso índice de tuberculose pulmonar bacilífera, assintomático, com radiografia de tórax normal e prova tuberculínica de 12 mm. Qual a conduta?
Contactante assintomático, com radiografia normal e prova tuberculínica reatora, tem infecção latente, não doença ativa: a conduta é quimioprofilaxia, com isoniazida por 6 a 9 meses ou rifampicina por 4 meses, esta última com menor hepatotoxicidade e melhor adesão. Iniciar o esquema com quatro drogas engana quem não separa infecção de doença e expõe o paciente a toxicidade desnecessária, além de arriscar monoterapia funcional se houver doença oculta não investigada. Repetir a prova só faz sentido quando a primeira foi não reatora, para pegar viragem tuberculínica. Não tratar deixa passar a janela de maior risco de adoecimento.
Paciente com tuberculose pulmonar em uso de esquema básico há 20 dias procura a emergência com redução da acuidade visual e dificuldade de distinguir as cores verde e vermelha. Qual droga é a responsável e qual a conduta?
Neurite óptica com perda de acuidade e discromatopsia para verde e vermelho é o efeito adverso característico do etambutol, dose-dependente e potencialmente irreversível se a droga não for retirada — por isso a suspensão é imediata, com avaliação oftalmológica. A isoniazida causa neuropatia periférica, prevenida com piridoxina, e não neurite óptica. A rifampicina tinge secreções de laranja, o que engana quem confunde alteração de cor da urina com alteração da visão de cores. A pirazinamida associa-se a hepatotoxicidade e hiperuricemia. Reconhecer o efeito de cada droga é o que separa a conduta correta do dano permanente.
Sobre o rastreamento de tuberculose na atenção básica, qual paciente deve ser abordado como sintomático respiratório e ter escarro coletado?
Sintomático respiratório na população geral é definido por tosse com três semanas ou mais, e esse é o gatilho para coleta de escarro — corte pensado para captar precocemente a fonte de transmissão. Em populações de maior risco, como privados de liberdade, pessoas vivendo com HIV, moradores de rua e profissionais de saúde, o corte é menor, com busca ativa a cada contato. Exigir oito semanas engana quem transporta a definição de tosse crônica para dentro do rastreio de tuberculose: são conceitos diferentes e o atraso favorece a transmissão. Restringir a quem tem hemoptise ou imagem alterada perde os casos iniciais, que são justamente os que se busca detectar.
Paciente de 35 anos com tuberculose pulmonar confirmada iniciou esquema básico com rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol. No 25º dia, retorna com náuseas, icterícia e ALT/AST cinco vezes o limite superior da normalidade. Qual a conduta correta?
Hepatotoxicidade com icterícia ou transaminases acima de três vezes o limite acompanhadas de sintomas obriga a suspender o esquema inteiro, porque três das quatro drogas são hepatotóxicas e não há como saber de imediato qual é a responsável. Após a normalização clínica e laboratorial, faz-se reintrodução escalonada, uma droga por vez, com controle de enzimas. Retirar só a pirazinamida engana quem lembra que ela é a mais hepatotóxica, mas mantém isoniazida e rifampicina, que sozinhas podem sustentar a lesão. Manter o esquema com hepatoprotetor não tem respaldo e expõe o paciente a hepatite fulminante.
Sobre o tratamento diretamente observado na tuberculose, qual afirmativa está correta?
O tratamento diretamente observado consiste em acompanhar a ingestão das doses ao longo do tratamento, e seu objetivo é sustentar a adesão em um esquema longo, com muitos comprimidos e efeitos adversos — abandono é a principal porta de entrada para resistência adquirida. É recomendado amplamente, com prioridade para populações vulneráveis, e não substitui os controles bacteriológicos mensais. Restringi-lo à multirresistência engana, porque nesse ponto o dano já ocorreu: a estratégia existe justamente para impedir que o caso sensível se torne resistente.
Pessoa vivendo com HIV, assintomática, com CD4 de 320 células/mm³, prova tuberculínica de 8 mm e radiografia de tórax normal, sem contato recente conhecido. Qual a conduta?
Em pessoas vivendo com HIV, o ponto de corte da prova tuberculínica é reduzido para 5 mm, porque a imunossupressão diminui a resposta e o risco de adoecimento é muito maior. Com 8 mm, radiografia normal e ausência de sintomas, o diagnóstico é infecção latente e a conduta é quimioprofilaxia, que reduz de forma expressiva o adoecimento nesse grupo. Aplicar o corte de 10 mm engana quem usa a régua da população geral e deixa de tratar quem mais se beneficia. Iniciar esquema com quatro drogas trataria doença ativa, que aqui foi afastada.
Sobre a solicitação de teste anti-HIV em paciente com diagnóstico de tuberculose, qual afirmativa está correta?
A recomendação é oferecer testagem para HIV a todo paciente com tuberculose, independentemente de fatores de risco declarados, porque a coinfecção é frequente, muda a conduta — início de antirretroviral, atenção a interações, vigilância de reconstituição imune — e altera o prognóstico. Restringir a quem relata comportamento de risco engana e deixa passar diagnósticos, já que a percepção de risco é falha e o estigma reduz o relato. Esperar o fim do tratamento retarda o antirretroviral em quem mais precisa dele, com aumento de mortalidade.
Homem de 50 anos, diabético, com tuberculose pulmonar em tratamento há 3 meses. Sobre o impacto do diabetes na tuberculose, qual afirmativa está correta?
Diabetes triplica aproximadamente o risco de adoecer por tuberculose e piora o desfecho: maior carga bacilar, negativação mais lenta do escarro e mais recidiva, o que torna o controle glicêmico parte do tratamento. Há ainda interação relevante no sentido oposto ao descrito em um dos distratores: a rifampicina induz o metabolismo das sulfonilureias e reduz seu efeito, podendo exigir aumento de dose ou ajuste do esquema — inverter essa direção engana e leva a hiperglicemia descontrolada. Encurtar o tratamento em diabéticos não tem respaldo e favorece recidiva.
Paciente em tratamento de tuberculose apresenta, na quarta semana, náuseas, icterícia e ALT de 380 U/L com bilirrubina total de 4,2 mg/dL. Qual a conduta?
Elevação de transaminases acima de três vezes o limite com sintomas, ou acima de cinco vezes sem sintomas, com icterícia, obriga a suspender o esquema; após normalização, reintroduz-se droga a droga, sob vigilância, e se a toxicidade retornar, monta-se esquema alternativo sem a droga responsável. Suspender só o etambutol engana quem não sabe qual droga é hepatotóxica — o etambutol é justamente o de menor risco hepático, e seu efeito característico é a neurite óptica.
Sobre a tuberculose miliar, qual conjunto de achados é característico?
A forma miliar decorre da disseminação hematogênica do bacilo e se apresenta com febre prolongada, emagrecimento e padrão micronodular difuso, com nódulos de tamanho semelhante distribuídos por ambos os campos pulmonares, podendo comprometer fígado, baço, medula óssea, meninges e outros órgãos. Cavitação apical é a forma pós-primária clássica e não representa disseminação hematogênica — é o distrator que engana quem agrupa todas as formas graves. Nódulo calcificado solitário costuma ser sequela, e consolidação lobar com resposta a betalactâmico sugere pneumonia bacteriana.
Paciente em tratamento para tuberculose multirresistente com esquema contendo bedaquilina e fluoroquinolona. Qual monitorização é essencial?
Bedaquilina e fluoroquinolonas prolongam o intervalo QT, e a combinação aumenta o risco de arritmia ventricular, incluindo torsades de pointes: por isso o eletrocardiograma seriado é monitorização obrigatória, com atenção também a distúrbios eletrolíticos que potencializam o efeito, como hipocalemia e hipomagnesemia. Escolher densitometria ou espirometria engana quem não associa cada droga ao seu efeito adverso característico. Vale lembrar que a fundoscopia periódica é relevante quando o esquema contém etambutol ou linezolida, mas não em periodicidade diária.
Sobre o esquema básico de tratamento da tuberculose pulmonar no adulto no Brasil, assinale a alternativa correta.
O esquema básico é a fase intensiva de dois meses com quatro drogas seguida de quatro meses com rifampicina e isoniazida, totalizando seis meses. Retirar a pirazinamida e o etambutol da fase inicial engana quem lembra apenas das duas drogas principais, mas a combinação inicial é o que reduz a carga bacilar e previne resistência. Formas meningoencefálica e osteoarticular exigem tratamento prolongado, com fase de manutenção estendida.
Sobre a duração do tratamento da tuberculose em pessoas vivendo com HIV, qual afirmativa está correta?
O esquema e a duração são os mesmos da população geral: seis meses para a forma pulmonar, com fase intensiva de dois meses e manutenção de quatro, prolongando para doze meses nas formas meníngea e osteoarticular. O que muda na coinfecção é o cuidado com interações, o momento de iniciar o antirretroviral e a vigilância para reconstituição imune. Estender sistematicamente para doze meses engana quem associa imunossupressão a tratamento mais longo, aumenta toxicidade e abandono sem ganho comprovado, e o CD4 não define o tempo de tratamento.
Qual a duração recomendada do tratamento da tuberculose osteoarticular e da forma meníngea?
As formas meníngea e osteoarticular exigem tratamento prolongado, de doze meses, com dois meses de fase intensiva e dez de manutenção, pela penetração limitada das drogas e pela dificuldade de esterilizar esses sítios. Aplicar os seis meses da forma pulmonar engana quem generaliza o esquema básico e resulta em recidiva, com sequelas neurológicas ou deformidade. Na meningite, soma-se o corticoide adjuvante, que reduz mortalidade. Reduzir para quatro meses inverte completamente o raciocínio de penetração tecidual nesses compartimentos.
Sobre o controle de tratamento da tuberculose pulmonar bacilífera, qual conduta é correta?
O acompanhamento bacteriológico é feito com baciloscopia mensal, e os marcos do segundo, quarto e sexto meses orientam decisões: persistência de positividade no segundo mês indica avaliar adesão e prolongar a fase intensiva conforme protocolo, e no quarto mês configura suspeita de falência com necessidade de cultura e teste de sensibilidade. A radiografia melhora lentamente e não serve como parâmetro principal, o que engana quem persegue a imagem. O teste molecular detecta material genético de bacilos mortos e não deve ser usado para controle de tratamento.
Sobre o tratamento da tuberculose multirresistente, qual princípio é correto?
O tratamento da multirresistência exige combinação de várias drogas comprovadamente ativas, escolhidas pelo teste de sensibilidade, com duração prolongada, gestão de efeitos adversos frequentes e acompanhamento em serviço de referência, com apoio à adesão. Reduzir o esquema a duas drogas ou aumentar doses do esquema básico engana quem busca simplificação e leva a falência e amplificação de resistência. Acrescentar uma droga por vez a um esquema falho é o erro histórico que criou a multirresistência, e interromper com a negativação da baciloscopia garante recidiva.
Sobre a apresentação da tuberculose em pessoas vivendo com HIV e imunossupressão avançada, qual afirmativa está correta?
Com CD4 baixo, falta a resposta granulomatosa que produz a cavitação apical clássica: predominam formas disseminadas e extrapulmonares, com radiografia atípica, acometimento de lobos inferiores, adenomegalias mediastinais e derrame, e até radiografia normal. A baciloscopia tende a ser menos sensível e a prova tuberculínica frequentemente não reatora por anergia — achados que enganam quem espera o padrão do imunocompetente e afasta o diagnóstico com exames negativos. É por isso que o teste rápido molecular e a cultura ganham peso nesse grupo.
Homem de 45 anos com tosse há 4 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso. Baciloscopia de escarro negativa em duas amostras. Qual a conduta mais adequada?
Baciloscopia negativa não exclui tuberculose, e o teste rápido molecular tem sensibilidade superior além de detectar resistência à rifampicina, sendo hoje o exame de entrada preconizado; a cultura complementa com o perfil de sensibilidade completo. Descartar pela baciloscopia engana quem trata um exame de baixa sensibilidade como definitivo, e é assim que casos paucibacilares seguem transmitindo.
Paciente com tuberculose pulmonar bacilífera internado em enfermaria. Quais medidas de controle de infecção são adequadas?
A transmissão da tuberculose ocorre por núcleos de gotícula que permanecem suspensos no ar, o que exige precaução para aerossóis: quarto com pressão negativa e trocas de ar adequadas quando disponível, respirador N95 para quem entra e máscara cirúrgica no paciente sempre que ele precisar circular. Precaução por gotículas com máscara cirúrgica engana quem confunde com influenza e não protege adequadamente. Pressão positiva é o oposto do necessário, pois empurra o ar contaminado para fora do quarto, e é usada para proteger pacientes imunossuprimidos.
Homem de 45 anos, contactante de caso de tuberculose multirresistente, assintomático, com radiografia normal e prova tuberculínica reatora. Qual a conduta?
O tratamento da infecção latente pressupõe que o bacilo transmitido seja sensível às drogas usadas; diante de caso índice multirresistente, isoniazida ou rifampicina isoladas podem não proteger, e a conduta é avaliação individualizada em serviço de referência, considerando o perfil de sensibilidade do caso índice e a vigilância clínica prolongada. Aplicar o protocolo padrão engana quem automatiza a quimioprofilaxia sem olhar de quem o contato se infectou. Tratar como doença ativa não se justifica em assintomático com radiografia normal, e não fazer nada abandona um contactante de alto risco.
Sobre a definição de tuberculose multirresistente, qual afirmativa está correta?
Multirresistência é definida pela resistência simultânea às duas drogas mais potentes do esquema básico, isoniazida e rifampicina, independentemente de haver resistência a outras. Quando se soma resistência a fluoroquinolona e a pelo menos uma droga injetável de segunda linha ou outro agente do grupo A, fala-se em formas extensivamente resistentes ou pré-extensivas, conforme a classificação vigente. Chamar de multirresistente a resistência a uma única droga engana e desorganiza a conduta, porque monorresistência à isoniazida tem esquema específico, diferente do regime para multirresistência.
Paciente em tratamento de tuberculose pulmonar mantém baciloscopia positiva no quarto mês de tratamento, com boa adesão supervisionada documentada. Qual a conduta?
Baciloscopia persistentemente positiva no quarto mês, com adesão comprovada, caracteriza falência terapêutica e exige cultura com teste de sensibilidade e encaminhamento à referência, para definir o esquema conforme o perfil de resistência. Prolongar ou reiniciar o mesmo esquema engana quem interpreta a falha como tempo insuficiente. O erro mais grave da lista é acrescentar uma única droga a um esquema que já falhou, o que equivale a monoterapia funcional e amplifica a resistência — princípio que vale para qualquer situação de falência no tratamento da tuberculose.
Paciente em tratamento de tuberculose desenvolve icterícia com transaminases cinco vezes acima do limite superior e sintomas. Qual a conduta?
Hepatotoxicidade com sintomas ou com transaminases acima de três a cinco vezes o limite obriga a suspender as drogas hepatotóxicas, aguardar a normalização e reintroduzir de forma escalonada para identificar a responsável. O etambutol é o menos hepatotóxico do esquema e não é o alvo da suspensão — sua toxicidade característica é a neurite óptica, com alteração da visão de cores.
Sobre a apresentação clínica que deve levantar suspeita de tuberculose pulmonar em pessoa idosa, qual afirmativa está correta?
No idoso, a tuberculose costuma se apresentar de forma frustra: emagrecimento, astenia, anorexia, declínio funcional e até confusão mental, muitas vezes sem febre e sem o padrão radiológico clássico, o que retarda o diagnóstico e aumenta a mortalidade. A resposta tuberculínica pode estar reduzida pela imunossenescência, o que engana quem espera um teste fortemente reator para levantar a hipótese. Essa faixa etária tem incidência relevante, com reativação de infecção antiga, e o tratamento segue indicado, com atenção às interações e à toxicidade.
Paciente em uso do esquema básico há 3 semanas queixa-se de dor e edema em primeiro pododáctilo, com ácido úrico de 11,2 mg/dL. Qual droga é a responsável e qual a conduta?
A pirazinamida e seu metabólito reduzem a excreção renal de ácido úrico, e a hiperuricemia é achado quase esperado durante o tratamento, às vezes com artralgia e, mais raramente, com crise gotosa. A conduta habitual é manter o esquema e tratar os sintomas, suspendendo a droga apenas em quadros refratários ou graves. Suspender de imediato engana quem trata o valor laboratorial e encurta um esquema eficaz. A isoniazida associa-se à neuropatia prevenida com piridoxina, e o etambutol, à neurite óptica, cada droga com seu efeito característico.
Homem de 58 anos, com sequela de tuberculose tratada há 15 anos, apresenta hemoptise recorrente. Tomografia mostra massa arredondada móvel dentro de cavidade em lobo superior direito, com sinal do crescente aéreo. Qual o diagnóstico?
Massa móvel dentro de cavidade preexistente, com o ar em crescente ao redor, em paciente com sequela cavitária de tuberculose e hemoptise recorrente, é o aspergiloma, colonização saprofítica da cavidade por Aspergillus. O manejo depende da gravidade do sangramento, podendo envolver embolização arterial brônquica e ressecção cirúrgica em casos selecionados. Recidiva de tuberculose engana pelo antecedente, mas não produz massa móvel intracavitária e viria com sintomas consuntivos e baciloscopia positiva. A sorologia para Aspergillus apoia o diagnóstico.
Trabalhador de pedreira há 20 anos, com exposição a sílica, apresenta tosse e emagrecimento. Sobre a relação entre silicose e tuberculose, qual afirmativa está correta?
A sílica prejudica a função dos macrófagos alveolares, justamente as células responsáveis por conter o bacilo, e a silicose multiplica de forma expressiva o risco de tuberculose ativa — associação tão relevante que a silicotuberculose é entidade reconhecida, com investigação sistemática e indicação ampliada de tratamento de infecção latente nesse grupo. Imaginar proteção pela fibrose engana quem raciocina em termos mecânicos e ignora o defeito imunológico local. O tratamento da doença ativa nesses pacientes segue os esquemas usuais, com atenção à resposta.
Paciente com tuberculose pulmonar apresenta, no segundo mês, baciloscopia ainda positiva, com boa adesão documentada e melhora clínica evidente. Qual a conduta?
Baciloscopia positiva no segundo mês, com boa adesão e melhora clínica, não configura falência: pode refletir carga bacilar inicial elevada, doença cavitária extensa ou eliminação de bacilos não viáveis. A conduta é solicitar cultura com teste de sensibilidade e avaliar prolongar a fase intensiva, mantendo o controle mensal — a falência se define pela persistência ao quarto mês ou pela reversão da negativação. Adicionar uma única droga engana e é o erro que gera resistência, e encerrar como cura contraria o critério bacteriológico.
Sobre a diferença entre a prova tuberculínica e o ensaio de liberação de interferon-gama, qual afirmativa está correta?
As duas ferramentas medem resposta imune ao bacilo e apontam infecção, sem separar latente de ativa — essa distinção depende de clínica, imagem e bacteriologia. A vantagem do ensaio de liberação de interferon-gama é usar antígenos ausentes na BCG, evitando falso-positivo por vacinação, e resolver-se em uma coleta, sem a segunda visita para leitura. Usá-lo para diagnosticar doença ativa engana e é erro frequente, já que ele não substitui escarro, teste molecular e cultura. Ambos costumam permanecer positivos após o tratamento da infecção latente.
Sobre o efeito da rifampicina em outras medicações de uso crônico, qual conjunto de interações é corretamente descrito?
A rifampicina é uma das indutoras enzimáticas mais potentes da prática clínica e derruba a concentração de várias classes: anticoagulantes orais, antirretrovirais, imunossupressores como tacrolimo e ciclosporina, anticonvulsivantes, corticoides, contraceptivos, antifúngicos azólicos e hipoglicemiantes orais. Em transplantados, a queda do imunossupressor pode levar a rejeição, motivo pelo qual a coadministração exige monitorização de níveis séricos. Inverter o sentido da interação engana e produz ajustes de dose no rumo errado, com consequências graves.
Sobre a transmissibilidade da tuberculose pulmonar durante o tratamento, qual afirmativa está correta?
Com esquema eficaz em bacilo sensível, a carga bacilar e a tosse caem rapidamente, e a transmissibilidade se reduz de forma expressiva nas primeiras semanas, o que permite retomar convívio e atividades conforme a evolução clínica e bacteriológica. Afirmar que o risco cessa na primeira dose engana e leva a suspender precocemente as precauções, enquanto imaginar transmissão por seis meses estigmatiza e afasta o paciente sem necessidade. A máscara cirúrgica no paciente reduz a emissão de aerossóis e é medida útil enquanto ele ainda é bacilífero.
Sobre a apresentação radiológica da tuberculose pulmonar pós-primária no adulto imunocompetente, qual achado é mais característico?
A doença pós-primária tem tropismo pelas regiões de maior tensão de oxigênio e menor drenagem linfática, produzindo infiltrado com cavitação nos segmentos apical e posterior dos lobos superiores e no segmento superior dos lobos inferiores. Consolidação lobar com broncograma aponta pneumonia bacteriana, e vidro fosco difuso sugere pneumocistose ou processo intersticial — padrões que enganam quem lê a imagem sem cruzar com a evolução clínica. Nódulo com calcificação em pipoca é característico de hamartoma, lesão benigna.
Paciente com hemoptise volumosa, estimada em 500 mL nas últimas 6 horas, com dessaturação e sangramento ativo. Qual a conduta prioritária?
Na hemoptise maciça a morte vem por asfixia, não por perda volêmica: a prioridade é proteger a via aérea, com intubação seletiva se necessário, e posicionar o pulmão sangrante para baixo, evitando que o sangue inunde o pulmão sadio. Em seguida vêm broncoscopia para localizar e tratar, e embolização das artérias brônquicas, principal fonte do sangramento. Deitar sobre o lado sadio engana quem pensa em drenagem postural e é justamente o oposto do necessário. Anticoagulação em sangramento ativo é conduta contraindicada.
Sobre a notificação e a vigilância na tuberculose, qual afirmativa está correta?
Todo caso de tuberculose é de notificação compulsória, o que sustenta a vigilância epidemiológica e o acesso ao tratamento, e a avaliação dos contatos é parte inseparável da conduta: identifica casos ativos não diagnosticados e permite tratar infecção latente em quem se beneficia. Restringir a notificação aos casos resistentes ou confirmados por cultura engana e desmonta a vigilância, já que grande parte dos casos é diagnosticada por critério clínico e molecular. A avaliação de contatos combina anamnese, exame clínico, prova tuberculínica ou IGRA e radiografia quando indicada.
Homem de 45 anos com silicose apresenta piora da tosse, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 8 kg. Radiografia mostra cavitação em lobo superior. Qual a conduta inicial?
Sintomas consumptivos com cavitação em silicótico obrigam a investigar tuberculose com teste molecular rápido e baciloscopia, pela alta prevalência nessa população. Iniciar corticoide sem afastar tuberculose é conduta perigosa. Tratar como pneumonia comunitária e apenas observar é o erro que atrasa o diagnóstico e mantém a transmissão na comunidade e no ambiente de trabalho.
Qual exame de baixo custo e alta especificidade pode auxiliar no diagnóstico da tuberculose miliar por meio de achado extrapulmonar?
Tubérculos coroides são lesões amareladas na coroide, visíveis à fundoscopia, e representam disseminação hematogênica: quando presentes, apoiam fortemente o diagnóstico de tuberculose miliar e podem ser encontrados à beira do leito, sem custo nem invasividade. Por isso a fundoscopia integra a investigação da doença disseminada, ao lado de hemocultura para micobactéria, exame de escarro e biópsias de medula e fígado. Os demais exames não têm papel diagnóstico nessa condição e engana quem os escolhe por serem exames comuns na avaliação geral do paciente febril.
Qual é a duração recomendada do tratamento da tuberculose pulmonar em paciente com silicose?
A silicose associa-se a maior taxa de recidiva e falha, e as recomendações preveem prolongamento da fase de manutenção, comumente totalizando 9 meses. Manter o esquema padrão de 6 meses é o distrator mais escolhido por reproduzir a regra geral sem considerar a condição que a modifica. Reduzir esquemas ou usar menos fármacos favorece resistência.
Mulher de 41 anos, com HIV e CD4 de 90 células/mm³, apresenta febre há 5 semanas, emagrecimento de 9 kg e dispneia progressiva. Tomografia de tórax mostra micronódulos difusos de distribuição randômica, com tamanho uniforme, em ambos os pulmões. Qual a hipótese principal?
Micronódulos difusos, uniformes e de distribuição randômica em paciente com imunossupressão avançada e quadro consuntivo de semanas é o padrão da tuberculose miliar, resultado de disseminação hematogênica. A pneumocistose engana pela imunossupressão semelhante, mas produz opacidades em vidro fosco difusas com predomínio peri-hilar, não micronódulos randômicos, e cursa com hipoxemia desproporcional ao exame e desidrogenase láctica elevada. Sarcoidose tem distribuição perilinfática com adenopatia hilar simétrica, e carcinomatose linfangítica segue os septos interlobulares.
Paciente com tuberculose pulmonar e desnutrição grave, índice de massa corporal de 15 kg/m². Sobre o cuidado nutricional, qual afirmativa está correta?
Desnutrição e tuberculose se retroalimentam: a doença consome e a desnutrição prejudica a resposta imune, associando-se a maior mortalidade e recidiva, de modo que o suporte nutricional integra o tratamento. A realimentação, porém, precisa ser gradual, com reposição de fósforo, potássio, magnésio e tiamina e monitorização, pelo risco de síndrome de realimentação, que pode causar arritmia e morte. Ofertar aporte calórico máximo de imediato engana quem quer recuperar o peso rapidamente e é justamente o gatilho dessa complicação.
Sobre o encerramento do caso de tuberculose, qual situação caracteriza cura no paciente com forma pulmonar bacilífera?
O encerramento como cura no caso bacilífero exige a conclusão do tratamento associada a baciloscopias negativas, uma durante o acompanhamento e outra ao final — é um critério bacteriológico, não clínico nem radiológico. A imagem melhora lentamente e pode permanecer alterada por sequela fibrótica, de modo que persegui-la engana e prolonga tratamentos desnecessariamente. Interromper o esquema pela melhora sintomática aos dois meses é o erro que produz recidiva e resistência, já que os bacilos persistentes exigem a fase de manutenção completa.
Paciente em tratamento de tuberculose com o esquema básico RIPE apresenta prurido leve e poucas lesões cutâneas localizadas, sem progressão. Está bem, sem febre, lesões de mucosa ou alterações laboratoriais. Após avaliação, a reação foi classificada como leve. Qual é a conduta inicial segundo o manual do Ministério da Saúde de 2019?
O manual brasileiro de tuberculose distingue prurido ou exantema leve, manejáveis com anti-histamínico e acompanhamento, de exantema ou hipersensibilidade moderada a grave, que exigem suspensão do esquema e avaliação. A vinheta descreve uma reação avaliada como leve, permitindo manter os medicamentos inicialmente. Piora, disseminação importante, lesão de mucosa, febre ou repercussão sistêmica exigem reavaliação imediata. Quando houver indicação de suspensão, a eventual reintrodução depende da gravidade e do agente suspeito; não se deve reexpor a medicamento causador de reação cutânea grave.
Sobre a composição e a fase do esquema básico para tuberculose no adulto, qual afirmativa está correta?
O esquema básico tem fase intensiva de dois meses com quatro drogas, cuja função é reduzir rapidamente a população bacilar e prevenir seleção de resistentes, seguida de fase de manutenção de quatro meses com rifampicina e isoniazida, voltada a eliminar bacilos persistentes e evitar recidiva. Inverter as fases engana quem memoriza as drogas sem entender a lógica: usar duas drogas na fase de maior carga bacilar favorece resistência, e manter quatro drogas por seis meses aumenta toxicidade sem ganho de cura.
Sobre a tuberculose primária, qual apresentação é característica?
Na primoinfecção, o bacilo drena para os linfonodos regionais e produz adenomegalia hilar ou mediastinal, com ou sem foco parenquimatoso, formando o complexo primário; em crianças, o linfonodo aumentado pode comprimir o brônquio e causar atelectasia. A cavitação apical pertence à forma pós-primária do adulto e é o distrator que engana quem trata todas as apresentações como iguais. Nódulo espiculado sugere neoplasia, o padrão em favo de mel aponta fibrose pulmonar avançada, e derrame pericárdico é apresentação extrapulmonar específica.
Sobre a coleta de escarro para diagnóstico de tuberculose, qual orientação é correta?
A amostra deve vir das vias aéreas inferiores, obtida com tosse profunda ao despertar, quando as secreções acumuladas durante a noite aumentam o rendimento, em ambiente arejado ou externo para reduzir a exposição de terceiros aos aerossóis. Quando não processada de imediato, é conservada refrigerada. Aceitar saliva engana quem confunde volume com qualidade e produz resultado falsamente negativo. Coletar em sala fechada com outras pessoas transforma o procedimento em risco de transmissão, e o calor degrada a amostra.
Paciente com suspeita de tuberculose miliar tem baciloscopia de escarro negativa em três amostras. Qual conduta amplia o rendimento diagnóstico?
Na forma miliar a carga bacilar no escarro costuma ser baixa e a baciloscopia frequentemente negativa, de modo que o rendimento vem de outros compartimentos: hemocultura para micobactérias, especialmente em imunossuprimidos, biópsia de medula óssea ou hepática com histopatológico e cultura, e material de lavado broncoalveolar. Repetir indefinidamente o escarro engana quem insiste no mesmo exame de baixo rendimento e consome dias preciosos numa doença de alta letalidade. Sorologia não é recomendada, e a prova tuberculínica pode ser não reatora por anergia.
Sobre o esquema básico de tratamento da tuberculose pulmonar em adultos no Brasil, qual a composição da fase intensiva?
O esquema básico usa quatro drogas por dois meses na fase intensiva, seguidas de rifampicina e isoniazida por quatro meses na fase de manutenção, em apresentação de dose fixa combinada. Esquemas com quinolona e injetável pertencem ao tratamento da tuberculose resistente e são o distrator de quem confunde primeira linha com resgate. Formas meníngea e osteoarticular prolongam a fase de manutenção.
Sobre a associação entre tabagismo e tuberculose, qual afirmativa está correta?
O tabaco compromete o clearance mucociliar e a função dos macrófagos alveolares, aumentando risco de infecção, de progressão para doença, de recidiva e de mortalidade, além de piorar a função pulmonar residual após a cura. Por isso o tratamento da tuberculose é uma oportunidade privilegiada para abordar a cessação, com o paciente em contato frequente com o serviço. Adiar a abordagem engana quem teme sobrecarregar o paciente e perde o momento de maior vínculo, quando a motivação para mudança costuma estar mais alta.
Sobre as sequelas pulmonares da tuberculose tratada, qual afirmativa está correta?
A tuberculose curada deixa marcas estruturais: bronquiectasias de tração, fibrose com retração e desvio de estruturas, cavidades residuais e distúrbio ventilatório obstrutivo, restritivo ou misto, com impacto real na qualidade de vida. O desafio prático é distinguir sequela de recidiva quando surgem novos sintomas, e a resposta vem da bacteriologia, não da imagem isolada — tratar toda alteração residual como doença ativa engana e expõe o paciente a esquemas repetidos e desnecessários. Bronquiectasia residual não caracteriza falência do tratamento.
Homem de 42 anos, com hepatopatia crônica compensada por hepatite C, recebe diagnóstico de tuberculose pulmonar. Qual a conduta em relação ao esquema?
Hepatopatia prévia aumenta o risco de hepatotoxicidade, mas não contraindica o tratamento: a tuberculose não tratada é mais letal que o risco medicamentoso. A conduta é iniciar com monitorização laboratorial mais frequente e, diante de disfunção significativa ou cirrose descompensada, montar esquema com menos drogas hepatotóxicas, em serviço de referência. Não tratar engana quem prioriza a proteção hepática sobre a doença infecciosa ativa e transmissível. Monoterapia com isoniazida seria, além de insuficiente, especialmente arriscada no hepatopata.
Sobre o momento de iniciar o tratamento na suspeita de tuberculose miliar em paciente grave, qual conduta é correta?
A tuberculose miliar tem alta letalidade e diagnóstico microbiológico frequentemente demorado ou negativo: a conduta é coletar as amostras disponíveis e iniciar o tratamento empírico sem esperar confirmação, ajustando conforme os resultados chegarem. Aguardar a cultura engana quem exige prova antes de tratar, e o tempo médio até o crescimento em meio sólido inviabiliza essa espera em paciente grave. Corticoide isolado sem antibacilar pode acelerar a disseminação, e postergar por procedimento eletivo desperdiça a janela terapêutica.
Paciente com HIV, CD4 de 25 células/mm³, febre e infiltrado micronodular difuso. Sobre a estratégia diagnóstica com teste rápido molecular, qual afirmativa está correta?
O teste molecular é aplicável a escarro, lavado broncoalveolar e a determinados materiais extrapulmonares, com alta especificidade, mas sensibilidade reduzida quando a carga bacilar é baixa, como ocorre na doença disseminada em imunossuprimidos. Por isso, resultado negativo não exclui e a cultura permanece indispensável, tanto para confirmação quanto para o teste de sensibilidade ampliado — o molecular informa resistência à rifampicina apenas. Assumir que o negativo afasta a doença engana e adia o tratamento justamente em quem tem maior mortalidade.
Sobre a tuberculose disseminada em paciente em uso de inibidor do fator de necrose tumoral alfa, qual medida preventiva é fundamental antes de iniciar o imunobiológico?
O fator de necrose tumoral mantém a integridade do granuloma, e seu bloqueio favorece reativação de infecção latente, com apresentações frequentemente disseminadas e extrapulmonares. Por isso o rastreio prévio com prova tuberculínica ou ensaio de liberação de interferon-gama e radiografia é obrigatório, tratando a infecção latente antes de liberar o imunobiológico. Vacinar com BCG é contraindicado em imunossuprimidos, por se tratar de vacina de agente vivo — erro que engana quem pensa em proteção sem considerar o estado imune. Tratar todos com esquema completo é desnecessário e tóxico.
Paciente com tuberculose disseminada apresenta, após 3 semanas de tratamento, febre recorrente e piora de adenomegalias, com boa adesão, sem HIV e com culturas em negativação. Qual a hipótese?
A reação paradoxal ocorre também em pacientes sem HIV: com a morte bacilar, a liberação de antígenos desencadeia resposta inflamatória que pode aumentar linfonodos, reabrir febre e piorar imagens, apesar da resposta microbiológica adequada. O manejo é manter o esquema, excluir outras causas e usar anti-inflamatório ou corticoide nos casos sintomáticos. Interpretar como falência engana quem reage à piora clínica trocando o esquema, o que expõe o paciente a drogas de segunda linha sem necessidade — a chave é a boa adesão com culturas em negativação.
Sobre a relação entre imunossupressão e tuberculose miliar, qual afirmativa está correta?
A disseminação hematogênica depende de falha na contenção granulomatosa, e por isso concentra-se nos extremos de idade e nos estados de imunossupressão: infecção pelo HIV com CD4 baixo, corticoterapia, inibidores do fator de necrose tumoral, diabetes descompensado, doença renal crônica dialítica, neoplasias e desnutrição. Os bloqueadores de TNF merecem destaque porque essa citocina é essencial na manutenção do granuloma, e é por isso que se rastreia infecção latente antes de iniciá-los — detalhe que engana quem considera esses medicamentos neutros para tuberculose.
Paciente com tuberculose pulmonar abandonou o tratamento no terceiro mês e retorna após 60 dias sem medicação, com sintomas e baciloscopia positiva. Qual a conduta?
Retorno após abandono com doença ativa exige reiniciar o esquema e, obrigatoriamente, solicitar cultura com teste de sensibilidade, porque a exposição prévia interrompida seleciona resistência e o resultado pode mudar o esquema. Igualmente essencial é investigar por que houve abandono e organizar apoio à adesão, com tratamento diretamente observado. Retomar do ponto em que parou engana quem contabiliza doses sem considerar a repopulação bacilar. Iniciar direto esquema para multirresistência sem teste de sensibilidade expõe a toxicidade elevada sem comprovação de resistência.
Sobre a evolução laboratorial na tuberculose miliar, qual conjunto de alterações é frequentemente encontrado?
O acometimento hepático granulomatoso eleva fosfatase alcalina e gama-GT com transaminases pouco alteradas, e a anemia de doença crônica é quase constante, somando-se hiponatremia por secreção inapropriada de hormônio antidiurético e provas inflamatórias elevadas. Esperar leucocitose intensa engana quem raciocina como em infecção bacteriana aguda: na miliar, o hemograma costuma mostrar leucócitos normais ou baixos, e pode haver pancitopenia por acometimento medular. Eosinofilia e poliglobulia não fazem parte do quadro.
Gestante de 20 semanas com tuberculose pulmonar confirmada. Qual a conduta em relação ao tratamento?
O esquema básico é considerado seguro na gestação, e a tuberculose não tratada é muito mais perigosa para mãe e feto do que as drogas: por isso o tratamento é iniciado imediatamente, com piridoxina associada para prevenir neuropatia pela isoniazida. A droga que deve ser evitada é a estreptomicina, pelo risco de ototoxicidade fetal — escolhê-la engana quem procura alternativa supostamente mais segura. Adiar o tratamento aumenta prematuridade, baixo peso e transmissão perinatal, e monoterapia é inaceitável em qualquer cenário de doença ativa.
Sobre a interação entre rifampicina e contraceptivos hormonais, qual orientação deve ser dada à paciente em idade fértil?
A indução enzimática pela rifampicina reduz a exposição a alguns contraceptivos sistêmicos, incluindo pílulas combinadas, pílulas de progestagênio e implantes. O efeito não é igual para todos: DIU de cobre, DIU com levonorgestrel e injetável trimestral de medroxiprogesterona não apresentam a mesma redução de eficácia. A orientação deve considerar o método, a duração do tratamento e a persistência da indução após sua suspensão. Não se deve deixar a paciente sem contracepção nem recomendar aumento empírico de dose como solução universal. Preservativos também contribuem para prevenção de ISTs.
Paciente com tuberculose disseminada e doença renal crônica em hemodiálise. Qual ajuste é necessário no esquema básico?
Rifampicina e isoniazida têm metabolismo predominantemente hepático e não exigem ajuste relevante na insuficiência renal, enquanto etambutol e pirazinamida, com eliminação renal, acumulam e demandam espaçamento das doses, administradas preferencialmente após a hemodiálise para evitar remoção do fármaco. Ajustar a rifampicina engana quem generaliza a redução de dose para toda droga na doença renal. Suspender a isoniazida retiraria uma das drogas mais importantes, e trocar todo o esquema por segunda linha expõe a maior toxicidade sem necessidade.
Paciente diagnosticado com meningite tuberculosa. Sobre a fase inicial do tratamento, qual afirmativa está correta?
A fase intensiva emprega as mesmas quatro drogas do esquema básico, e a duração total é de doze meses. A penetração liquórica varia: isoniazida e pirazinamida atravessam bem a barreira, a rifampicina penetra parcialmente e é mais eficiente na presença de inflamação meníngea, e o etambutol tem penetração limitada, o que engana quem o elege como droga central do esquema. Reduzir o número de drogas na fase inicial favorece resistência, e tratar por seis meses, como na forma pulmonar, associa-se a recidiva com sequela neurológica.
Homem de 52 anos, tabagista, com tosse há 4 meses, expectoração hemoptoica ocasional, sudorese noturna e perda de 6 kg. Qual a conduta prioritária?
Tosse com hemoptise, sintomas constitucionais e perda ponderal em tabagista exige investigação imediata de tuberculose e de neoplasia, com imagem e pesquisa do bacilo, sendo o teste molecular rápido o método preferencial por informar também resistência à rifampicina. Tratar empiricamente refluxo ou gotejamento pós-nasal nesse cenário é ignorar bandeiras vermelhas evidentes.
Pessoa em situação de rua com diagnóstico de tuberculose pulmonar bacilífera inicia tratamento. Qual estratégia é a mais indicada para garantir a adesão nesse contexto?
O tratamento diretamente observado é a estratégia recomendada para populações vulneráveis, e ganha eficácia quando somado a incentivos como alimentação e transporte e ao vínculo do Consultório na Rua. Entregar o mês inteiro é o distrator prático que parece resolver o acesso, mas produz abandono e resistência. A internação prolongada não é obrigatória — o isolamento se justifica por período limitado em situações específicas — e adiar o tratamento por falta de endereço mantém a transmissão e nega o direito ao cuidado.
Paciente em tratamento para tuberculose apresenta, na quarta semana, icterícia e transaminases dez vezes acima do limite superior. Qual a conduta imediata?
Hepatotoxicidade significativa, definida por transaminases muito elevadas ou por icterícia com sintomas, exige suspensão dos fármacos hepatotóxicos — isoniazida, rifampicina e pirazinamida — com reintrodução escalonada depois da normalização, e esquema alternativo com fármacos não hepatotóxicos quando a interrupção precisa ser prolongada. Suspender o etambutol é o erro que retira justamente o fármaco de menor toxicidade hepática, cujo efeito adverso característico é a neurite óptica.
Homem de 45 anos, com tosse produtiva há três semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso. Teste molecular rápido para tuberculose detectável, sem resistência à rifampicina. Qual a conduta?
O teste molecular rápido detectável sem resistência à rifampicina autoriza o início imediato do esquema com quatro fármacos, e a tuberculose é doença de notificação compulsória — a cultura segue em andamento para o teste de sensibilidade completo, sem retardar o tratamento. Esperar a cultura, que leva semanas, é o erro que mantém a transmissão ativa na comunidade e piora o prognóstico individual.
Homem de 38 anos com tuberculose ganglionar recém-diagnosticada. Qual conduta é obrigatória além do tratamento?
Toda tuberculose, em qualquer localização, é de notificação compulsória, e a testagem para HIV é obrigatória pela forte associação entre as duas infecções, sobretudo nas formas extrapulmonares. A forma ganglionar isolada não transmite pelo ar, o que dispensa isolamento respiratório — mas a avaliação de contatos permanece relevante, porque a fonte da infecção pode ser um caso pulmonar bacilífero ainda não diagnosticado no convívio.
Qual é o esquema e a duração do tratamento da tuberculose ganglionar em adulto sem comorbidades?
A tuberculose ganglionar segue o mesmo esquema básico da forma pulmonar, com fase intensiva de dois meses com quatro fármacos e fase de manutenção de quatro meses com dois — a extensão para nove ou doze meses fica reservada às formas meníngea e osteoarticular. A cirurgia é diagnóstica ou de drenagem em situações específicas, jamais o tratamento principal.
Qual profilaxia deve ser instituída em pessoa vivendo com HIV com prova tuberculínica igual ou superior a 5 mm ou ensaio de liberação de interferon gama positivo, após exclusão de tuberculose ativa?
Em pessoas vivendo com HIV o ponto de corte da prova tuberculínica é 5 mm, e a positividade, uma vez afastada a doença ativa, indica tratamento da infecção latente — intervenção que reduz de forma significativa a progressão para tuberculose e a mortalidade. Confundir tratamento de infecção latente com esquema de doença ativa é o erro que expõe o paciente a quatro fármacos sem necessidade, e o BCG é contraindicado em imunossupressão avançada.
Paciente em tratamento de tuberculose ganglionar apresenta, no segundo mês, aumento paradoxal dos linfonodos e surgimento de novos gânglios, sem febre e com boa adesão. Qual a interpretação e a conduta?
O aumento paradoxal dos gânglios durante o tratamento adequado é fenômeno imunológico bem descrito na tuberculose ganglionar, decorrente da resposta inflamatória à liberação de antígenos bacilares, e não indica falha — o esquema é mantido, com corticoide reservado aos casos sintomáticos ou com compressão de estruturas. Trocar o esquema nessa situação é o erro que expõe o paciente a fármacos de segunda linha desnecessariamente.
Qual característica histopatológica é típica da tuberculose ganglionar?
A necrose caseosa central com células gigantes de Langhans é o padrão histológico característico da tuberculose, ainda que não seja exclusivo — outras infecções granulomatosas podem produzi-lo, o que reforça a necessidade de cultura e teste molecular. Granuloma sem necrose sugere sarcoidose, as células de Reed-Sternberg pertencem ao linfoma de Hodgkin, e a proliferação vascular com coloração de Warthin-Starry aponta para angiomatose bacilar.
Qual exame molecular pode ser aplicado a amostras de linfonodo e fornece, em poucas horas, informação sobre a presença de Mycobacterium tuberculosis e sobre resistência à rifampicina?
O teste rápido molecular identifica o complexo Mycobacterium tuberculosis e detecta mutações associadas à resistência à rifampicina em poucas horas, sendo aplicável a amostras extrapulmonares como tecido ganglionar. A cultura permanece indispensável para o teste de sensibilidade completo, mas demora semanas. A prova tuberculínica apenas indica contato prévio com o bacilo e não distingue infecção latente de doença ativa.
Homem de 40 anos com HIV, CD4 de 150/mm³, apresenta tosse produtiva há um mês, febre vespertina e emagrecimento. Radiografia de tórax com infiltrado em lobo inferior e adenomegalia hilar, sem cavitação. Qual a interpretação?
Quanto menor o CD4, mais a tuberculose se afasta do padrão clássico de cavitação apical e assume formas atípicas, com infiltrados em lobos inferiores, adenomegalias e apresentações disseminadas, além de baciloscopia mais frequentemente negativa. Usar a ausência de cavitação para excluir tuberculose é o erro mais perigoso nesse cenário, porque a tuberculose é a principal causa de morte entre pessoas vivendo com HIV no mundo.
Qual afirmação sobre a transmissibilidade da tuberculose está correta?
Apenas as formas pulmonar e laríngea com eliminação de bacilos transmitem pelo ar, e a infectividade cai de forma acentuada após duas a três semanas de tratamento eficaz, o que permite o retorno gradual às atividades. Considerar todas as formas igualmente transmissíveis é o erro que gera isolamento desnecessário em casos ganglionares, pleurais e osteoarticulares, com prejuízo social e estigma sem benefício sanitário.
Sobre a notificacao de tuberculose e o encerramento do caso, e correto afirmar:
A tuberculose e de notificacao semanal e exige acompanhamento com registro do desfecho, porque os indicadores do programa — taxa de cura e de abandono — dependem desse encerramento e orientam a resposta local. Notificar sem acompanhar engana quem cumpre a etapa inicial e considera a tarefa concluida. Casos com baciloscopia negativa e formas extrapulmonares tambem sao notificados e tratados.
Sobre a conduta diante de uveíte em paciente com tuberculose latente que necessitará de imunossupressão, é correto afirmar:
Antes de imunossuprimir, especialmente com anti-TNF, é obrigatório rastrear tuberculose latente com prova tuberculínica ou ensaio de liberação de interferon-gama e imagem de tórax, tratando a infecção latente antes ou concomitantemente, porque a reativação sob bloqueio do fator de necrose tumoral é grave e frequentemente disseminada. Restringir o rastreio a sintomáticos respiratórios ignora a definição de latência, e negar o risco dos anti-TNF contraria alerta de bula e literatura consolidada. No Brasil, país de alta prevalência, essa etapa é ainda mais crítica na avaliação do paciente com uveíte.
Gestante de 31 anos, com 20 semanas, é diagnosticada com tuberculose pulmonar bacilífera na Unidade Básica de Saúde, após baciloscopia de escarro positiva e teste rápido molecular confirmando Mycobacterium tuberculosis sensível à rifampicina. Está com tosse há seis semanas, emagrecimento e sudorese noturna. Não tem HIV e nega tratamento prévio. A gestação evolui sem intercorrências obstétricas. Assinale a conduta terapêutica adequada.
O esquema básico de quatro drogas é seguro na gestação e deve ser iniciado sem demora, associando-se piridoxina para prevenir neuropatia periférica pela isoniazida. Adiar o tratamento mantém a transmissão e agrava desfechos maternos e perinatais, sem respaldo teratogênico que o justifique. Monoterapia com isoniazida seleciona resistência e não trata a doença ativa. A estreptomicina é justamente o tuberculostático contraindicado na gestação por ototoxicidade fetal.
Homem de 40 anos, morador de rua, é diagnosticado com tuberculose pulmonar bacilífera em unidade de saúde de referência para população em situação de rua. Tem histórico de abandono de tratamento anterior e uso de álcool. Está clinicamente estável, sem indicação de internação. Qual é a estratégia prioritária para garantir a adesão ao esquema básico?
O tratamento diretamente observado é a estratégia recomendada pelo Programa Nacional de Controle da Tuberculose para pacientes com risco elevado de abandono, e a articulação com equipes de consultório na rua e o uso de incentivos aumentam a adesão. A internação compulsória não é a regra e se reserva a situações clínicas graves ou risco sanitário não contornável. A entrega mensal sem supervisão reproduz o cenário que levou ao abandono anterior. Trocar para esquema de multirresistência sem teste de sensibilidade que o justifique é inadequado, pois abandono prévio não equivale a resistência comprovada.
Homem de 42 anos é atendido na UPA com quadro de tosse produtiva há 4 semanas, febre vespertina e emagrecimento. É morador de albergue. A radiografia mostra infiltrado em ápice direito com cavitação. Enquanto se aguarda a baciloscopia, qual é a medida de controle de infecção mais adequada no serviço?
A tuberculose pulmonar bacilífera é transmitida por aerossóis, exigindo isolamento respiratório com máscara de proteção respiratória para profissionais, máscara cirúrgica para o paciente e ambiente com ventilação adequada. Precaução de contato aplica-se a patógenos transmitidos por superfícies e mãos. Precaução para gotículas com máscara cirúrgica é insuficiente para partículas que permanecem suspensas no ar. Afirmar transmissão digestiva é incorreto para a forma pulmonar.
O médico de família é chamado para discutir com a equipe a conduta em relação a paciente que faltou a três consultas e não retirou medicação para tuberculose. O agente comunitário informa que o paciente mudou de endereço dentro do território. Qual é a ação imediata prioritária da equipe?
A busca ativa é atribuição central da equipe diante de faltas em tratamento de tuberculose, doença de transmissão respiratória, e permite reinserir o paciente antes que o abandono se consolide. Encerrar como abandono e aguardar procura espontânea mantém a transmissão e aumenta risco de resistência. Acionar o Ministério Público como primeira medida é desproporcional e não substitui a abordagem sanitária. Trocar o esquema sem avaliação clínica e sem teste de sensibilidade é conduta inadequada.
Homem de 35 anos, contato domiciliar de caso de tuberculose pulmonar bacilífera, comparece à Unidade Básica de Saúde. Está assintomático, sem tosse, febre ou perda de peso. Radiografia de tórax normal. Prova tuberculínica com 12 mm. HIV negativo, sem outras imunossupressões. Não há relato de tratamento prévio para tuberculose. Qual é a conduta correta?
Contato domiciliar assintomático, com radiografia normal e prova tuberculínica reatora, tem infecção latente e indicação de tratamento preventivo com isoniazida ou rifampicina, após exclusão de doença ativa. O esquema com quatro fármacos trata doença ativa, não infecção latente. Repetir a prova tuberculínica é conduta para contato inicialmente não reator, o que não é o caso. Apenas observar deixa de aproveitar a intervenção que reduz de forma expressiva o risco de adoecimento.
Homem de 45 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar há dois meses, faltou às últimas três dispensações na Unidade Básica de Saúde. Mora sozinho, trabalha em horário incompatível com o funcionamento da unidade e refere melhora dos sintomas. A equipe está preocupada com a interrupção do esquema. Qual é a estratégia mais adequada para garantir a conclusão do tratamento?
O tratamento diretamente observado, adaptado à rotina do usuário e apoiado por busca ativa e visita domiciliar, é a estratégia recomendada para prevenir abandono e resistência, sendo atribuição da equipe de saúde da família. Regime autoadministrado em quem já falta amplia o risco de abandono. Suspender e reiniciar promove resistência e mantém a transmissão. Sanção administrativa não é instrumento de adesão e rompe o vínculo terapêutico.
Mulher de 62 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico há 4 semanas, procura a Unidade Básica de Saúde com náuseas, icterícia e colúria. Exames: ALT 480 U/L, AST 390 U/L, bilirrubina total 4,8 mg/dL com predomínio direto. Sorologias virais negativas; ultrassonografia de abdome normal. Nega uso de álcool. Qual é a conduta adequada?
Hepatotoxicidade com transaminases acima de três vezes o limite superior associada a icterícia exige suspensão do esquema e reintrodução escalonada após normalização, conforme protocolo do Ministério da Saúde, com esquema alternativo se houver recidiva. Manter o esquema com hepatoprotetor não interrompe a agressão hepática e pode evoluir para falência. Monoterapia com quinolona induz resistência e é inadequada para tratar tuberculose. Reduzir doses pela metade compromete a eficácia e não elimina a toxicidade.
Homem de 34 anos, contato domiciliar de caso de tuberculose pulmonar bacilífera, comparece à Unidade Básica de Saúde. Está assintomático, sem tosse, febre ou perda de peso. A radiografia de tórax é normal e a prova tuberculínica resultou em 12 mm. Teste rápido para HIV não reagente. Qual é a conduta adequada?
Contato de caso bacilífero, assintomático, com radiografia normal e prova tuberculínica reatora, tem infecção latente e deve receber tratamento preventivo, com isoniazida ou rifapentina associada a isoniazida, após exclusão de doença ativa. O esquema básico com quatro fármacos trata doença ativa, ausente no caso. Repetir a prova sem tratar desperdiça a oportunidade de prevenir o adoecimento em contato recente. Solicitar escarro em paciente sem tosse e com radiografia normal não é o passo indicado e adia a proteção.
Homem de 28 anos procura a Unidade Básica de Saúde com dor torácica pleurítica à direita, febre vespertina e emagrecimento há 5 semanas. Radiografia de tórax mostra derrame pleural unilateral de moderado volume. A toracocentese revela líquido com predomínio linfocitário, proteína elevada, glicose baixa, adenosina deaminase de 68 U/L e ausência de células neoplásicas. Teste rápido para HIV não reagente. Qual é o diagnóstico e a conduta?
Derrame pleural exsudativo linfocitário com adenosina deaminase elevada, em quadro subagudo com febre vespertina e emagrecimento, é altamente sugestivo de tuberculose pleural, que se trata com o esquema básico e exige notificação compulsória. O empiema cursa com líquido purulento, predomínio de neutrófilos e pH baixo, exigindo drenagem. O derrame neoplásico costuma ter citologia positiva e adenosina deaminase baixa. O derrame parapneumônico simples é neutrofílico e acompanha pneumonia aguda, com quadro de dias, não de semanas.
Homem de 46 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar, falta a várias tomadas supervisionadas e abandona o tratamento no terceiro mês, retornando à Unidade Básica de Saúde 2 meses depois com tosse produtiva e emagrecimento. A baciloscopia é novamente positiva. Qual é a conduta adequada?
Retratamento após abandono exige cultura com teste de sensibilidade, pois há risco aumentado de resistência, e a retomada deve vir acompanhada de tratamento diretamente observado e abordagem das barreiras sociais que levaram ao abandono. Reiniciar sem investigar resistência pode manter esquema ineficaz e ampliar a resistência. Iniciar empiricamente esquema para multirresistência antes do teste expõe a fármacos tóxicos sem confirmação. Suspender o tratamento em paciente bacilífero mantém a transmissão e agrava o prognóstico individual.
Equipe de saúde da família identifica, em 3 meses, cinco casos de tuberculose pulmonar bacilífera em uma mesma comunidade com moradias aglomeradas e baixa renda. A cobertura de exame de contatos é baixa e há dois casos de abandono no ano anterior. Qual é a estratégia prioritária de vigilância a ser adotada?
O controle da tuberculose depende da identificação precoce de casos por busca ativa de sintomáticos respiratórios, da avaliação sistemática dos contatos e da adesão garantida pelo tratamento diretamente observado, especialmente em comunidade com aglomeração e histórico de abandono. Internar toda a população é inviável e não corresponde ao manejo da doença, cujo tratamento é ambulatorial. Radiografia anual populacional não é estratégia recomendada e tem baixo rendimento. Limitar-se à dispensação de medicamentos abandona a busca de contatos, principal fonte de novos casos.
Mulher de 32 anos procura a Unidade Básica de Saúde com dor torácica ventilatório-dependente e febre vespertina há três semanas, com emagrecimento. Radiografia de tórax mostra derrame pleural unilateral de moderado volume, sem consolidação. Toracocentese revela líquido exsudativo com predomínio linfocitário, glicose baixa e adenosina deaminase elevada. Baciloscopia do líquido negativa. Qual é a conduta?
Exsudato linfocitário com adenosina deaminase elevada em jovem com febre e emagrecimento tem alta probabilidade de tuberculose pleural, cuja baciloscopia do líquido é habitualmente negativa; inicia-se o esquema básico e notifica-se o caso. Aguardar cultura por semanas retarda o tratamento de doença transmissível e tratável. Empiema cursa com líquido purulento e neutrofílico, exigindo drenagem, o que não corresponde ao achado. Derrame neoplásico não apresenta esse perfil bioquímico e não justifica pleurodese sem diagnóstico.
Mulher de 29 anos, gestante de 14 semanas, é diagnosticada com tuberculose pulmonar confirmada por teste rápido molecular, com sensibilidade à rifampicina. Está clinicamente estável, sem outras comorbidades. Qual é a conduta correta?
A tuberculose na gestação deve ser tratada imediatamente com o esquema básico, que é seguro na gravidez, associando piridoxina para prevenir neuropatia pela isoniazida, pois a doença não tratada traz risco muito maior à mãe e ao feto. Adiar o tratamento permite progressão da doença e transmissão. Monoterapia com isoniazida induz resistência e não trata doença ativa. Não há indicação legal nem clínica de interromper a gestação por tuberculose, que é tratável com o esquema habitual.
Mulher de 27 anos apresenta aumento indolor de linfonodos cervicais à direita há 2 meses, com massa endurecida e coalescente, além de febre baixa e sudorese noturna. Não há tosse. A radiografia de tórax é normal. A punção aspirativa mostra material caseoso, e a pesquisa molecular detecta Mycobacterium tuberculosis. Qual é a conduta adequada?
A tuberculose ganglionar, forma extrapulmonar mais comum, é tratada com o esquema básico, com duração definida em protocolo, e a notificação é compulsória. A exérese cirúrgica isolada não trata a infecção sistêmica e pode gerar fístulas. Cefalexina cobre germes piogênicos, sem ação sobre micobactérias. Aguardar regressão espontânea permite progressão local, fistulização e disseminação, além de manter o caso fora do sistema de vigilância.
Equipe da Unidade Básica de Saúde recebe um paciente com tosse produtiva há 4 semanas, morador do território, que veio buscar atestado para o trabalho. A unidade tem alta demanda e o médico dispõe de pouco tempo de consulta. Qual é a conduta correta em relação à vigilância da tuberculose?
Tosse por 3 semanas ou mais define sintomático respiratório, e a busca ativa com coleta de escarro para teste rápido molecular ou baciloscopia na própria unidade é a base do diagnóstico precoce da tuberculose no SUS. Adiar por mais 2 meses mantém a transmissão na comunidade. Antibiótico empírico sem coleta pode mascarar o quadro e retardar o diagnóstico. Encaminhar ao serviço de referência sem coletar transfere uma tarefa que a atenção primária deve executar e aumenta a chance de perda de seguimento.
Homem de 30 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com resultado de prova tuberculínica de 7 mm, realizada por ser profissional de saúde recém-admitido em hospital. Está assintomático, com radiografia de tórax normal e sem contato conhecido com caso de tuberculose. Não vive com HIV nem usa imunossupressores. Qual é a conduta correta?
Em profissional de saúde assintomático, sem imunossupressão e sem contato conhecido, o resultado inicial serve como valor basal, e o seguimento com repetição periódica permite identificar conversão, definida por aumento significativo em relação ao valor anterior, que então indicaria tratamento da infecção latente. Tratar imediatamente sem esse critério expõe a hepatotoxicidade sem indicação clara. O esquema básico trata doença ativa, ausente. Afastar o profissional por 6 meses não tem respaldo, pois infecção latente não é transmissível.
Gestante de 23 anos, com 8 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde e relata que tem tuberculose pulmonar diagnosticada há um mês, em uso do esquema básico com rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol. Ela leu na bula que os medicamentos podem prejudicar o bebê e parou de tomá-los há cinco dias por conta própria. Está com tosse persistente e perda de peso, afebril, com saturação de 96%. A baciloscopia inicial era positiva. A orientação correta é
O esquema básico para tuberculose é seguro na gestação e deve ser mantido sem interrupção, pois a doença ativa não tratada acarreta risco muito maior para mãe e feto do que os fármacos; associa-se piridoxina para prevenir a neuropatia periférica pela isoniazida. Suspender até o segundo trimestre permite progressão da doença e transmissão comunitária. A estreptomicina é justamente o antituberculoso contraindicado na gestação, por ototoxicidade fetal. Monoterapia com rifampicina induz resistência e é erro grave de manejo em tuberculose.
Médica residente de 28 anos, que atua em enfermaria de pneumologia, procura o serviço de saúde ocupacional após um paciente sob seus cuidados ter recebido diagnóstico de tuberculose pulmonar bacilífera. O contato ocorreu por vários dias sem uso adequado de máscara de proteção respiratória. Ela está assintomática, sem tosse, febre, sudorese noturna ou perda de peso. Não é imunossuprimida e nunca realizou prova tuberculínica. Exame físico normal, com saturação de 98% em ar ambiente. A conduta correta é:
Após contato com caso bacilífero, o passo é excluir doença ativa pela clínica e, quando indicado, por radiografia, e então investigar infecção latente com prova tuberculínica ou teste de liberação de interferon-gama, tratando a infecção latente conforme o resultado — medida especialmente relevante em profissionais de saúde, população de alto risco. Iniciar esquema para tuberculose ativa em pessoa assintomática e sem confirmação é inadequado e favorece resistência. A BCG não é indicada como reforço em adultos e não protege contra a forma pulmonar do adulto. Deixar de investigar contraria as diretrizes de controle da tuberculose e a proteção do trabalhador de saúde.
Homem de 42 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico há 25 dias, retorna à Unidade Básica de Saúde referindo náuseas, vômitos, anorexia intensa e urina escura há cinco dias. Nega febre, dor abdominal intensa ou uso de álcool. Ao exame: ictérico, abdome doloroso em hipocôndrio direito, fígado palpável a 2 cm do rebordo costal, sem ascite ou sinais de encefalopatia. Exames: AST 480 U/L, ALT 520 U/L, bilirrubina total 4,2 mg/dL, INR 1,1. A conduta correta é:
Hepatotoxicidade com transaminases acima de cinco vezes o limite superior, ou acima de três vezes com sintomas e icterícia, obriga a suspensão de todo o esquema e o encaminhamento para serviço de referência, com reintrodução escalonada e monitorada após normalização. Manter o esquema com esse grau de lesão hepática arrisca insuficiência hepática aguda. Suspender apenas a pirazinamida sem monitorização é insuficiente diante de quadro já sintomático e ictérico, pois isoniazida e rifampicina também são hepatotóxicas. Substituir por antibiótico de amplo espectro não trata tuberculose e favorece resistência e recidiva.
Homem de 36 anos, em situação de rua há três anos, é atendido por equipe de Consultório na Rua e encaminhado à Unidade Básica de Saúde com tosse produtiva há dois meses, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 9 kg. Refere uso de álcool e crack, sem tratamento prévio para tuberculose. Ao exame: emagrecido, temperatura 37,9 °C, FR 22 ipm, saturação 95%, ausculta com estertores em ápice direito, sem adenomegalias periféricas. Baciloscopia de escarro positiva. A conduta que melhor garante o cuidado e o controle da doença é:
Pessoa em situação de rua é população prioritária no controle da tuberculose, com alto risco de abandono; a conduta correta associa início imediato do esquema básico, tratamento diretamente observado adaptado ao contexto, oferta de testagem para HIV, dada a alta coinfecção, e articulação intersetorial com assistência social e redução de danos. Dispensação mensal com retorno em 60 dias praticamente assegura abandono e resistência. Internação compulsória não é a medida prevista e viola direitos, além de não sustentar a adesão após a alta. Condicionar o tratamento à abstinência de substâncias nega cuidado a quem mais precisa e mantém a transmissão ativa.
Gestante de 26 anos, com 34 semanas, é atendida na Unidade Básica de Saúde e informa que trabalha como manicure e que sua irmã foi diagnosticada com tuberculose pulmonar bacilífera, com quem convive na mesma casa. Ela está assintomática, sem tosse, febre, sudorese noturna ou emagrecimento, com pressão arterial de 112x70 mmHg e exame físico normal. A radiografia de tórax com proteção abdominal é normal e a prova tuberculínica resulta em 12 mm. Considerando o manejo do contato de tuberculose na gestação, a conduta correta é
Contato domiciliar de caso bacilífero, assintomático, com radiografia normal e prova tuberculínica reatora, tem infecção latente e indicação de tratamento com isoniazida associada a piridoxina, que pode ser conduzido na gestação, com monitorização de hepatotoxicidade. Adiar sistematicamente para o puerpério deixa a gestante sob risco de adoecimento. Esquema completo para doença ativa exige evidência clínica ou radiológica de doença, ausente aqui. Atribuir a reatividade apenas ao BCG é incorreto nesse contexto de contato recente com caso bacilífero e com induração de 12 mm.
Mulher de 67 anos com artrite reumatoide de difícil controle é avaliada em ambulatório de referência para início de terapia com agente biológico antifator de necrose tumoral, após falha do metotrexato em dose otimizada. Ela é natural de região com alta incidência de tuberculose e teve contato domiciliar com caso bacilífero na juventude. Está assintomática do ponto de vista respiratório, sem tosse, febre ou emagrecimento. Qual é a investigação obrigatória antes do início dessa terapia?
Agentes antifator de necrose tumoral aumentam substancialmente o risco de reativação de tuberculose, e por isso o rastreio de infecção latente com prova tuberculínica ou teste de interferon-gama associado à radiografia de tórax é obrigatório antes do início, com tratamento da forma latente quando indicado. Ecocardiograma transesofágico não faz parte da avaliação pré-biológico em paciente sem suspeita de endocardite. Colonoscopia é exame de rastreio oncológico com indicação própria, não vinculado a essa terapia. Dosagem de ácido úrico não tem qualquer relação com a segurança do imunobiológico.
Homem de 52 anos, com artrite reumatoide de difícil controle, tem indicação de iniciar terapia com inibidor do fator de necrose tumoral. Ele é assintomático do ponto de vista respiratório, tem radiografia de tórax normal e nega contato conhecido com tuberculose. Reside em área de alta incidência da doença e trabalha em presídio. A prova tuberculínica resulta em 8 mm de induração. A função hepática é normal e ele não usa outros imunossupressores além de metotrexato. A conduta correta antes de iniciar o imunobiológico é
Candidatos a inibidores do fator de necrose tumoral devem ser rastreados para infecção latente por tuberculose, e o ponto de corte de reatividade é mais baixo nesse grupo, de modo que a induração descrita indica tratamento da infecção latente antes do início do imunobiológico. Radiografia normal não exclui infecção latente, que é justamente o alvo do rastreio. Repetir o exame em seis meses adia o tratamento da artrite sem necessidade. Esquema para doença ativa exige evidência clínica ou radiológica de tuberculose, ausente aqui.
Homem de 51 anos, com esquizofrenia estabilizada e acompanhado no centro de atenção psicossocial, comparece à Unidade Básica de Saúde trazido pela irmã por tosse produtiva há três semanas, febre vespertina e perda de 6 kg. Ele apresenta dificuldade em relatar os sintomas de forma organizada. Ao exame: emagrecido, temperatura 37,8 °C, FR 20 ipm, saturação 96%, ausculta com estertores em ápice direito, sem adenomegalias. A equipe discute como conduzir a investigação respeitando as necessidades específicas desse usuário. A conduta correta é:
Tosse por mais de três semanas com febre vespertina e perda ponderal define sintomático respiratório e obriga investigação de tuberculose com baciloscopia e teste molecular rápido, com adaptação da comunicação e do fluxo às necessidades da pessoa com transtorno mental grave, população com maior risco e maior barreira de acesso, articulando o cuidado com a saúde mental. Adiar a investigação mantém transmissão ativa. Antipsicóticos não causam esse quadro, e suspendê-los arrisca recaída. Delegar integralmente ao serviço de saúde mental reproduz a exclusão do cuidado clínico.
Mulher de 62 anos, com diabetes tipo 2 e hipertensão, comparece à Unidade Básica de Saúde referindo tosse seca persistente há três semanas, febre vespertina e sudorese noturna, com perda de 4 kg. Nega contato conhecido com pessoa doente. Ao exame: emagrecida, temperatura 37,7 °C, FR 20 ipm, saturação 96%, ausculta com estertores em ápice esquerdo, sem adenomegalias periféricas. A unidade dispõe de coleta de escarro e teste molecular rápido. A conduta correta é:
Tosse por três semanas ou mais com febre vespertina, sudorese noturna e perda ponderal define sintomático respiratório, exigindo coleta de escarro para teste molecular rápido e baciloscopia, radiografia de tórax, oferta de testagem para HIV e notificação quando confirmado, pois o diabetes aumenta o risco de tuberculose. Antibiótico empírico atrasa o diagnóstico e mascara o quadro. Radiografia normal não exclui tuberculose e não dispensa a coleta. Esperar mais quatro semanas mantém a transmissão ativa e agrava o quadro.
Homem de 37 anos, contato domiciliar de caso de tuberculose pulmonar bacilífera diagnosticado há duas semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde para avaliação. Está assintomático, sem tosse, febre, sudorese noturna ou perda de peso. Ao exame: bom estado geral, ausculta pulmonar limpa, sem adenomegalias, IMC 24 kg/m2. Radiografia de tórax sem alterações e teste para infecção latente resultou positivo. Testagem para HIV não reagente e função hepática normal. A conduta correta é:
Contato domiciliar de caso bacilífero, assintomático, com radiografia normal e teste positivo para infecção latente, tem indicação de tratamento da infecção latente após afastar doença ativa, medida que reduz de forma expressiva a progressão para tuberculose doença, com acompanhamento da adesão e dos efeitos adversos. Tratar como doença ativa expõe a esquema desnecessário. Não intervir desperdiça a principal estratégia preventiva em contatos. Repetir o teste por anos sem tratar mantém o risco de adoecimento sem qualquer benefício.
Uma comissão de controle de infecção hospitalar orienta as equipes sobre precauções para pacientes internados. Chega à enfermaria um paciente de 34 anos com suspeita de tuberculose pulmonar bacilífera, com tosse há dois meses, emagrecimento e radiografia com cavitação em ápice direito. O hospital dispõe de quartos com pressão negativa e de máscaras de proteção respiratória. A equipe pergunta qual tipo de precaução deve ser instituído além das precauções padrão. Qual é a orientação correta?
A tuberculose pulmonar bacilífera exige precaução para aerossóis, com internação em quarto isolado, preferencialmente com pressão negativa, porta fechada e uso de máscara de proteção respiratória pelos profissionais, além de máscara cirúrgica no paciente durante deslocamentos. Precaução para gotículas com máscara cirúrgica e quarto compartilhado é insuficiente para partículas que permanecem suspensas no ar. Precaução de contato se aplica a agentes transmitidos por contato direto ou indireto, como germes multirresistentes. Manter apenas precauções padrão expõe profissionais e outros pacientes.
Homem de 41 anos é contato domiciliar de caso de tuberculose pulmonar bacilífera confirmada em seu irmão, com quem divide o mesmo quarto. Está assintomático, sem tosse, febre, sudorese noturna ou emagrecimento, e nega comorbidades. Ao exame: bom estado geral, ausculta pulmonar normal, sem adenomegalias. A radiografia de tórax é normal e a prova tuberculínica resulta em 12 mm de enduração. A testagem para HIV é não reagente. Qual é a conduta correta?
Contato domiciliar de caso bacilífero, assintomático, com radiografia normal e prova tuberculínica reatora, tem infecção latente e deve receber tratamento preventivo, que reduz de forma significativa o risco de adoecimento. Iniciar esquema completo para doença ativa expõe a toxicidade desnecessária, pois não há doença. Apenas orientar retorno desperdiça a principal oportunidade de prevenção nesse grupo prioritário. Repetir a prova tuberculínica em seis meses adia o tratamento de uma infecção já documentada em contato de alto risco.
Homem de 48 anos está em tratamento de tuberculose pulmonar há dois meses, com esquema básico, e mantém baciloscopias positivas ao final do segundo mês, com persistência de tosse produtiva e emagrecimento. Relata ter interrompido o tratamento por três semanas por dificuldade de acesso à unidade e retomado por conta própria. Ao exame: emagrecido, com estertores em ápice direito. A radiografia mostra cavitação persistente. A equipe discute a conduta e a possibilidade de resistência. Qual é a conduta mais adequada?
Persistência de baciloscopia positiva ao final do segundo mês, sobretudo com histórico de irregularidade, obriga a investigar resistência com cultura e teste de sensibilidade e a encaminhar para serviço de referência, reforçando o tratamento diretamente observado e a busca de barreiras de acesso. Trocar fármacos empiricamente sem teste de sensibilidade favorece a amplificação da resistência. Interromper o tratamento mantém o paciente doente e transmitindo. Repetir o mesmo esquema sem investigar pode significar tratar com fármacos aos quais o bacilo já é resistente.
Homem de 52 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar há três semanas com esquema básico, procura a Unidade Básica de Saúde com náuseas, vômitos, dor em hipocôndrio direito e icterícia progressiva. Nega uso de álcool e de outros medicamentos. Ao exame: ictérico, com dor à palpação do hipocôndrio direito, sem ascite, sem encefalopatia e sem sinais de descompensação. Exames: transaminases cerca de oito vezes acima do limite superior da normalidade e bilirrubina total elevada com predomínio direto. Qual é a conduta correta?
Hepatotoxicidade com transaminases muito elevadas e icterícia durante o tratamento da tuberculose exige suspensão do esquema e acompanhamento em serviço de referência, com reintrodução escalonada dos fármacos após a normalização laboratorial, identificando o agente responsável. Manter o esquema com hepatoprotetor pode evoluir para insuficiência hepática grave. Reduzir doses pela metade não elimina a toxicidade e compromete a eficácia, favorecendo resistência. Substituir por antibióticos de amplo espectro não trata a tuberculose e não resolve a lesão hepática.
Adolescente de 13 anos é levada ao pronto-socorro após apresentar expectoração com sangue vivo em duas ocasiões no mesmo dia, em pequena quantidade misturada ao escarro. Refere tosse produtiva há três semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 4 kg. Ao exame apresenta temperatura axilar 37,8 °C, FR 22 ipm, saturação de 96% em ar ambiente, ausculta com estertores em ápice direito e magreza. A radiografia mostra infiltrado com cavitação em ápice direito e há contato domiciliar com tosse crônica. A conduta mais adequada é:
Hemoptise em adolescente com tosse arrastada, sintomas consumptivos, cavitação apical e contato domiciliar aponta fortemente para tuberculose pulmonar, cuja investigação inicial é a baciloscopia e o teste rápido molecular no escarro, com medidas de controle de transmissão e início do tratamento conforme os critérios do programa. Antitussígeno com reavaliação tardia mantém a transmissão ativa. Tratar como pneumonia bacteriana comum retarda o diagnóstico. Broncoscopia é reservada a casos sem confirmação por métodos menos invasivos.
Gestante de 24 anos, com 18 semanas, procura a Unidade Básica de Saúde com tosse produtiva há mais de três semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso. Reside em domicílio com pessoa em tratamento para tuberculose pulmonar. Ao exame, temperatura axilar de 37,9 °C, emagrecimento, estertores em ápice pulmonar direito e saturação de 96% em ar ambiente. Baciloscopia de escarro positiva e radiografia com infiltrado cavitário em ápice direito, com proteção abdominal. A conduta correta é:
A tuberculose não tratada na gestação associa-se a prematuridade, baixo peso, tuberculose congênita e maior mortalidade materna, e o esquema básico é considerado seguro na gravidez, devendo ser iniciado prontamente, com notificação compulsória, investigação de contatos e suplementação de piridoxina quando indicada. Adiar o tratamento coloca mãe e feto em risco. Tratar apenas com sintomáticos mantém a transmissão e a progressão da doença. Interromper a gestação não é condição nem tratamento para tuberculose.
Gestante de 30 anos, com 24 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde e relata contato domiciliar com pessoa diagnosticada com tuberculose pulmonar bacilífera há dois meses. Ela está assintomática, sem tosse, febre, sudorese noturna ou emagrecimento, e o pré-natal transcorre sem intercorrências. Ao exame, está bem, com ausculta pulmonar normal e pressão arterial de 110x68 mmHg. A radiografia de tórax com proteção abdominal é normal e a prova tuberculínica resulta em 12 mm de induração. A conduta correta é
Contactante de caso bacilífero, assintomática, com radiografia normal e prova tuberculínica reatora, tem infecção latente com indicação de tratamento, que pode ser conduzido na gestação com isoniazida associada a piridoxina e monitorização de hepatotoxicidade. Adiar sistematicamente para o puerpério deixa a gestante sob risco de adoecimento. Esquema para doença ativa exige evidência clínica ou radiológica. A radiografia normal é justamente o que caracteriza a infecção latente, e não motivo para dispensar o tratamento.
Homem de 54 anos, diabético com controle inadequado, é diagnosticado com tuberculose pulmonar confirmada por baciloscopia e inicia o esquema básico na Unidade Básica de Saúde. Ele mora sozinho, trabalha como autônomo e relata dificuldade para comparecer diariamente à unidade. A equipe está preocupada com o risco de abandono, pois o município tem histórico elevado de tratamentos incompletos. Ao exame: emagrecido, com tosse produtiva, sem sinais de gravidade e sem indicação de internação. Qual é a estratégia mais adequada?
O tratamento diretamente observado é estratégia central do controle da tuberculose, devendo ser organizado de forma flexível e centrada nas necessidades do paciente, com apoio da equipe, incentivos previstos e busca ativa diante de faltas, o que reduz abandono e resistência. Entregar toda a medicação sem acompanhamento aumenta o risco de abandono. Internação prolongada apenas para garantir adesão é desproporcional e não é a estratégia recomendada. Reduzir o número de fármacos gera resistência e falência terapêutica.
Homem de 52 anos, com tosse produtiva há três meses, sudorese noturna, febre vespertina e perda de 8 kg, procura a Unidade Básica de Saúde. É diabético e não tem história de tratamento prévio para tuberculose. Ao exame: emagrecido, com estertores em ápice direito, sem adenomegalias periféricas. O serviço dispõe de teste rápido molecular para tuberculose e a radiografia mostra infiltrado com cavitação em ápice direito. Qual é a conduta diagnóstica mais adequada neste momento?
O teste rápido molecular é o exame de escolha para o diagnóstico inicial da tuberculose pulmonar em sintomáticos respiratórios, por detectar o material genético do bacilo com rapidez e identificar resistência à rifampicina, devendo ser complementado por cultura e teste de sensibilidade em situações específicas, como diabetes, retratamento e populações vulneráveis. A prova tuberculínica indica infecção, não doença ativa. Iniciar tratamento apenas pela imagem dispensa a confirmação disponível. Sorologias não são recomendadas para o diagnóstico de tuberculose.
Homem de 33 anos inicia tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico e retorna à unidade após duas semanas relatando urina de coloração alaranjada, o que o assustou muito, e formigamento nos pés que começou nos últimos dias. Nega náuseas, vômitos, icterícia e dor abdominal. Ao exame: bom estado geral, sem icterícia, sem hepatomegalia, com discreta hipoestesia em extremidades e reflexos preservados. As transaminases estão normais. Qual é a orientação correta?
A coloração alaranjada de urina, suor e lágrimas é efeito esperado da rifampicina e não indica toxicidade, devendo ser antecipada na orientação para evitar abandono, enquanto a neuropatia periférica relacionada à isoniazida é prevenida e tratada com piridoxina, especialmente em grupos de risco como etilistas, desnutridos, gestantes, diabéticos e pessoas com HIV. Suspender o esquema por esse motivo é erro que compromete o tratamento. Trocar para segunda linha sem indicação favorece resistência. Ignorar a neuropatia permite sua progressão.
Homem de 45 anos, que abandonou o tratamento de tuberculose há dois anos após dois meses de uso irregular da medicação, retorna à Unidade Básica de Saúde com tosse produtiva há quatro meses, emagrecimento e sudorese noturna. Ao exame: emagrecido, com estertores em ápice direito. A baciloscopia de escarro é positiva e a radiografia mostra cavitação apical direita. O serviço dispõe de teste rápido molecular e de acesso à cultura com teste de sensibilidade. Qual é a conduta correta?
Pacientes com tratamento prévio, sobretudo com abandono, têm risco aumentado de resistência, o que torna obrigatória a realização de teste rápido molecular com pesquisa de resistência à rifampicina e de cultura com teste de sensibilidade, com início do tratamento conforme protocolo e ajuste posterior. Reiniciar o esquema básico sem avaliar resistência pode amplificar a resistência existente. Tratar com dois fármacos favorece falência e resistência. Aguardar meses pela cultura mantém o paciente transmitindo e adoecendo.
Mulher de 27 anos, gestante de 18 semanas, é diagnosticada com tuberculose pulmonar com baciloscopia positiva. Está preocupada com o efeito dos medicamentos sobre o feto e pergunta se pode adiar o tratamento para depois do parto. Ao exame: emagrecida, com tosse produtiva, estertores em ápice direito, sem sinais de gravidade, com altura uterina compatível e batimentos cardiofetais normais. Não há relato de alergia a medicamentos e a função hepática está normal. Qual é a conduta correta?
A tuberculose não tratada na gestação traz risco muito maior para a mãe e para o feto do que os fármacos do esquema básico, que são considerados seguros nesse período, devendo o tratamento ser iniciado imediatamente, com associação de piridoxina e manutenção do pré-natal e do aleitamento após o parto. Adiar o tratamento expõe mãe e feto à progressão da doença e à transmissão. Monoterapia gera resistência e falência. Interromper a gestação não tem qualquer indicação nesse contexto.
Uma equipe de saúde da família revisa suas ações de controle da tuberculose no território e discute como aumentar a detecção de casos, pois o município tem incidência elevada e diagnóstico tardio frequente. A equipe atende população em situação de rua, pessoas privadas de liberdade em regime aberto e moradores de comunidade com alta densidade habitacional. Um profissional pergunta qual definição deve orientar a busca ativa nas visitas domiciliares e nos atendimentos. Qual é a definição correta de sintomático respiratório?
O sintomático respiratório é definido como a pessoa com tosse por três semanas ou mais na população geral, com prazos menores em populações de maior vulnerabilidade, como pessoas vivendo com HIV, privadas de liberdade, em situação de rua e indígenas, sendo essa definição a base da busca ativa e da coleta de escarro. Exigir febre alta e dois meses de tosse retarda muito o diagnóstico. Restringir à hemoptise deixa de identificar a maioria dos casos. Condicionar à radiografia alterada inverte a lógica da busca ativa, que começa pelo sintoma.
Homem de 52 anos, com diabetes tipo 2 mal controlado, é atendido em ambulatório com tosse produtiva há dois meses, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 7 kg. Ele já foi tratado para tuberculose há cinco anos, com abandono após três meses de tratamento. Ao exame: emagrecido, temperatura 37,9 °C, FR 22 ipm, saturação 94%, ausculta com estertores em ápice direito. Radiografia mostra cavitação em lobo superior direito. Baciloscopia de escarro positiva e teste molecular rápido detecta resistência à rifampicina. A conduta correta é:
Detecção de resistência à rifampicina pelo teste molecular rápido, em paciente com antecedente de abandono, indica tuberculose resistente, exigindo encaminhamento a serviço de referência, esquema específico conforme protocolo, notificação e tratamento diretamente observado, dada a complexidade e a duração do tratamento. O esquema básico é ineficaz diante de resistência à rifampicina. Monoterapia amplifica a resistência. Aguardar seis meses mantém transmissão ativa e agrava o quadro clínico e a disseminação comunitária.
Homem de 58 anos, com diabetes tipo 2, é atendido em ambulatório com tosse produtiva, febre vespertina e perda de 9 kg há dois meses. Ao exame: emagrecido, temperatura 37,8 °C, FR 20 ipm, saturação 95%, ausculta com estertores em ápice esquerdo, sem adenomegalias periféricas. Radiografia mostra infiltrado em ápice esquerdo com cavitação. Baciloscopia de escarro positiva e teste molecular rápido sensível à rifampicina. Exames: hemoglobina glicada 10,2%, creatinina 1,0 mg/dL, transaminases normais, testagem para HIV não reagente. A conduta correta é:
Tuberculose pulmonar confirmada exige início imediato do esquema básico, notificação e tratamento diretamente observado, e no diabético mal controlado é fundamental intensificar o controle glicêmico, pois a hiperglicemia associa-se a pior resposta terapêutica, maior risco de recidiva e maior gravidade. Ignorar o controle glicêmico compromete o desfecho. Adiar o tratamento mantém a transmissão e agrava a doença. Monoterapia com isoniazida gera resistência e é formalmente contraindicada na tuberculose doença.
Homem de 62 anos, com tuberculose pulmonar em tratamento com esquema básico há dois meses, retorna ao ambulatório para reavaliação. Ele refere melhora dos sintomas, ganho de peso e desaparecimento da febre. Ao exame: bom estado geral, temperatura 36,6 °C, FR 18 ipm, saturação 96%, ausculta pulmonar com discretos estertores residuais em ápice. Baciloscopia de controle do segundo mês negativa. Exames: transaminases normais, hemograma sem alterações, função renal preservada. Ele pergunta se pode interromper o tratamento, já que está se sentindo bem e sem sintomas. A orientação correta é:
A melhora clínica e a negativação da baciloscopia ocorrem precocemente e não indicam cura, sendo a interrupção antes do tempo total preconizado a principal causa de recidiva e de seleção de cepas resistentes; a conduta é manter o esquema completo com tratamento observado. Interromper com baciloscopia negativa é erro frequente e grave. Reduzir para monoterapia amplifica a resistência. Substituir por vitaminas abandona o tratamento específico de uma doença infecciosa transmissível e curável.
Mulher de 49 anos, com doença renal crônica em hemodiálise, é atendida em ambulatório com tosse crônica e dispneia progressiva há três meses, além de febre baixa vespertina. Ela é contato domiciliar de caso de tuberculose tratado há um ano. Ao exame: emagrecida, temperatura 37,6 °C, FR 20 ipm, saturação 94%, ausculta com estertores em ápice direito, sem adenomegalias periféricas. Radiografia mostra infiltrado apical direito. Baciloscopias de escarro negativas em duas amostras e teste molecular rápido detecta Mycobacterium tuberculosis sem resistência à rifampicina. A conduta correta é:
O teste molecular rápido positivo confirma tuberculose mesmo com baciloscopias negativas, e o tratamento deve ser iniciado com ajuste de doses e horários conforme a função renal e as sessões de diálise, com notificação e tratamento diretamente observado. Descartar a doença pela baciloscopia negativa desconsidera a menor sensibilidade desse exame. Prescrever sem ajuste renal aumenta a toxicidade de fármacos de excreção renal. Antibiótico bacteriano não trata tuberculose e atrasa o tratamento específico já indicado.
Mulher de 63 anos, com tuberculose pulmonar em tratamento há três semanas, retorna ao ambulatório referindo formigamento e queimação em pés e mãos, com piora progressiva. Ela é diabética, etilista e desnutrida. Ao exame: emagrecida, temperatura 36,5 °C, FR 18 ipm, saturação 96%, redução da sensibilidade tátil e dolorosa em extremidades, reflexos aquileus reduzidos, força preservada, ausculta com estertores em ápice. Exames: hemoglobina glicada 9,4%, transaminases normais, função renal preservada, vitamina B12 normal. Ela usa o esquema básico antituberculose sem outros medicamentos associados. A conduta correta é:
A isoniazida interfere no metabolismo da piridoxina e causa neuropatia periférica, risco aumentado em diabéticos, etilistas e desnutridos, sendo a conduta iniciar piridoxina e manter o esquema, otimizando também o controle glicêmico. Suspender todo o esquema é desproporcional e arrisca falha terapêutica e resistência. Trocar por fármaco de segunda linha sem tentar a reposição vitamínica é conduta precipitada. Atribuir tudo ao diabetes ignora a contribuição medicamentosa e deixa o paciente sem a intervenção simples e eficaz.
Mulher de 54 anos, com artrite reumatoide em uso de imunobiológico inibidor do fator de necrose tumoral, é encaminhada ao ambulatório antes do início do tratamento para avaliação de risco infeccioso. Ela é assintomática do ponto de vista respiratório, sem tosse, febre ou perda ponderal. Ao exame: FR 16 ipm, saturação 97%, ausculta pulmonar limpa, sem adenomegalias, sem lesões cutâneas. Radiografia de tórax sem alterações. Teste para infecção latente da tuberculose resulta positivo, e a testagem para HIV é não reagente, com função hepática normal. A conduta correta é:
Inibidores do fator de necrose tumoral aumentam de forma expressiva o risco de reativação da tuberculose, de modo que a infecção latente identificada deve ser tratada antes ou concomitantemente ao início do imunobiológico, conforme protocolo, sempre após afastar doença ativa. Iniciar o imunobiológico sem tratar a infecção latente arrisca reativação grave e disseminada. Tratar como doença ativa sem evidência expõe a esquema desnecessário. Contraindicar definitivamente a terapia priva a paciente de tratamento eficaz para a doença de base.
Homem de 39 anos é atendido em ambulatório com tosse produtiva há três semanas, febre baixa e sudorese noturna. Ele é agente penitenciário e trabalha em unidade com alta prevalência de tuberculose. Ao exame: emagrecido, temperatura 37,6 °C, FR 18 ipm, saturação 96%, ausculta com estertores em ápice direito, sem adenomegalias. Radiografia mostra infiltrado apical direito. Baciloscopia positiva e teste molecular rápido confirma tuberculose sensível à rifampicina. Exames: testagem para HIV não reagente, glicemia normal, função hepática normal. Ele reside com esposa e dois filhos pequenos em casa pequena. A conduta correta é:
Tuberculose pulmonar bacilífera confirmada exige início imediato do esquema básico com tratamento diretamente observado, notificação, avaliação de todos os contatos domiciliares, incluindo crianças, e comunicação à vigilância do ambiente de trabalho, que é de alto risco. Ignorar a avaliação de contatos perde a oportunidade de diagnóstico precoce e de tratamento da infecção latente. Aguardar cultura retarda o tratamento. Afastar sem tratar mantém a transmissão e agrava a doença.
Homem de 48 anos, em situação de rua, é atendido na Unidade Básica de Saúde com tosse há dois meses, emagrecimento e sudorese noturna. Ele relata dificuldade para guardar medicamentos, não tem documentos e já abandonou tratamento de tuberculose anteriormente por não conseguir comparecer diariamente à unidade. Ao exame: emagrecido, com estertores em ápice direito, higiene precária e sem sinais de gravidade imediata. A baciloscopia é positiva e o teste molecular não mostra resistência à rifampicina. Qual é a conduta mais adequada?
O cuidado da tuberculose em populações vulneráveis exige adaptação da estratégia de tratamento diretamente observado, com horários e locais flexíveis, articulação com equipes de consultório na rua, assistência social e serviços de acolhimento, uso de incentivos e busca ativa, o que reduz abandono e resistência. Exigir documentos cria barreira ilegal ao cuidado. Adiar o tratamento mantém a transmissão e agrava o adoecimento. Entregar toda a medicação sem acompanhamento repete o padrão de abandono já ocorrido.
Mulher de 39 anos, profissional de limpeza em hospital, procura a Unidade Básica de Saúde com diagnóstico recente de tuberculose pulmonar bacilífera. Ela pergunta quando poderá voltar ao trabalho e se colocará em risco os pacientes e os colegas. Está em tratamento há duas semanas, com melhora clínica evidente, sem tosse produtiva significativa e com boa adesão. Ao exame: afebril, com ganho de peso, ausculta pulmonar com estertores discretos residuais e bom estado geral. Qual é a orientação correta?
A decisão sobre o retorno ao trabalho de pessoa com tuberculose considera a melhora clínica, o tempo de tratamento efetivo, a redução da transmissibilidade e, em ambientes de saúde, a avaliação bacteriológica e o tipo de atividade, com articulação com a saúde do trabalhador e atenção ao sigilo. Afastar por todo o tratamento sem reavaliação é desnecessário e gera prejuízo social. Liberar no primeiro dia ignora o período de transmissibilidade inicial. Afastamento definitivo da função é medida discriminatória e sem respaldo.
Homem de 43 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para acompanhamento de tuberculose pulmonar, no quinto mês de tratamento, com boa adesão e melhora clínica importante, ganho de peso e ausência de tosse. A baciloscopia do quinto mês é negativa e a radiografia mostra melhora das lesões, com sequelas fibróticas. Ele pergunta se pode interromper a medicação agora, já que se sente completamente bem e não tem mais sintomas há meses. Qual é a orientação correta?
A duração do tratamento da tuberculose é definida para eliminar as populações bacilares de multiplicação lenta e intermitente, de modo que a interrupção precoce, mesmo com melhora clínica e baciloscopia negativa, favorece recidiva e seleção de resistência, sendo essencial completar o esquema e a fase de manutenção. Interromper pela negativação é erro frequente e grave. Reduzir doses gera concentrações subterapêuticas e resistência. Alterar o esquema para dose única semanal não corresponde a nenhum protocolo vigente para essa fase.
Mulher de 35 anos, profissional de saúde, comparece à Unidade Básica de Saúde para avaliação após teste tuberculínico realizado em exame periódico, com resultado de 12 mm, sendo que o exame do ano anterior havia mostrado 3 mm. Ela está assintomática, sem tosse, febre ou emagrecimento, e a radiografia de tórax é normal. Ao exame: bom estado geral, ausculta pulmonar normal e sem adenomegalias. A testagem para HIV é não reagente e ela não tem comorbidades. Qual é a interpretação e a conduta correta?
O aumento significativo da enduração entre dois testes tuberculínicos caracteriza conversão, indicando infecção recente, situação de maior risco de adoecimento, com indicação de tratamento da infecção latente após exclusão de doença ativa por avaliação clínica e radiológica. Atribuir o resultado à vacinação prévia não explica a variação entre exames sucessivos. Radiografia normal e ausência de sintomas afastam doença ativa, tornando incorreto o esquema completo. A comparação seriada é justamente o que dá sentido ao exame em profissionais de saúde.
Homem de 55 anos é atendido em ambulatório com tosse produtiva e dispneia há oito meses, além de perda ponderal. Ele vive com HIV, com contagem de linfócitos T CD4 de 180 células/mm3, e tem má adesão à terapia antirretroviral. Ao exame: emagrecido, temperatura 37,7 °C, FR 22 ipm, saturação 92%, ausculta com estertores difusos, sem adenomegalias periféricas volumosas. Radiografia mostra infiltrado intersticial difuso sem cavitações. Baciloscopias de escarro negativas em duas amostras, e o teste molecular rápido detecta Mycobacterium tuberculosis sem resistência à rifampicina. A conduta correta é:
O teste molecular positivo confirma tuberculose mesmo com baciloscopias negativas, situação frequente na imunossupressão, exigindo início do esquema básico, notificação e articulação do início ou da otimização da terapia antirretroviral no momento adequado, com atenção às interações, sobretudo da rifampicina. Descartar pela baciloscopia negativa retarda o tratamento. Ignorar as interações compromete a eficácia dos antirretrovirais. Adiar o tratamento antituberculose aumenta mortalidade e mantém a transmissão.
Homem de 32 anos é atendido em ambulatório com tosse produtiva, febre baixa e emagrecimento há dois meses. Ele é morador de área urbana periférica e refere contato próximo com irmão em tratamento de tuberculose. Ao exame: emagrecido, temperatura 37,6 °C, FR 20 ipm, saturação 95%, ausculta com estertores em ápice direito, adenomegalia cervical de 3 cm, endurecida e aderida, com sinais de flutuação. Radiografia mostra infiltrado apical direito. Baciloscopia de escarro positiva. Ele nega comorbidades e a testagem para HIV é não reagente. A conduta correta é:
Tuberculose pulmonar confirmada com adenomegalia cervical endurecida e flutuante em contato domiciliar de caso indica acometimento ganglionar concomitante, tratado com o mesmo esquema básico, associado à notificação e ao tratamento diretamente observado. Encaminhar a adenomegalia isoladamente para biópsia atrasa o tratamento já indicado. Antibiótico bacteriano não trata tuberculose e adiar o esquema mantém a transmissão. Drenagem cirúrgica não é conduta prioritária e pode resultar em fístula crônica sem o tratamento específico.
Homem de 42 anos é atendido em ambulatório com tosse produtiva e febre baixa há três semanas, associadas a dor torácica. Ele é morador de rua e tem uso problemático de álcool e crack, sem acompanhamento de saúde regular. Ao exame: emagrecido, temperatura 37,8 °C, FR 20 ipm, saturação 94%, ausculta com estertores em ápice direito, má higiene bucal, sem adenomegalias. Radiografia mostra infiltrado apical direito com cavitação. Baciloscopia de escarro positiva e teste molecular rápido confirma tuberculose sensível. A equipe discute como garantir a adesão ao tratamento nesse contexto de vulnerabilidade. A conduta mais adequada é:
Pessoas em situação de rua têm risco elevado de abandono, e a estratégia recomendada é iniciar imediatamente o tratamento com esquema diretamente observado adaptado ao contexto, articulando a rede intersetorial, oferecendo apoio social e incentivos que favoreçam a adesão. Dispensação mensal com retorno tardio praticamente assegura abandono e resistência. Condicionar o tratamento à abstinência nega cuidado e mantém a transmissão. Internação compulsória prolongada viola direitos e não sustenta a adesão após a alta.
Uma equipe de saúde prisional identifica alta incidência de tuberculose em unidade prisional superlotada, com celas mal ventiladas, demora no diagnóstico e interrupção frequente de tratamentos por transferências entre unidades. A equipe discute com a gestão estadual estratégias para o controle da doença nesse ambiente, considerando que a população privada de liberdade apresenta risco muito superior ao da população geral e integra grupo prioritário nas políticas de controle da tuberculose. A estratégia mais adequada é:
O controle da tuberculose em unidades prisionais exige busca ativa sistemática de sintomáticos respiratórios, acesso rápido ao diagnóstico com teste molecular, tratamento supervisionado, continuidade do cuidado em caso de transferência e melhoria das condições de habitação, ventilação e ocupação. Aguardar demanda espontânea perde a maioria dos casos. Isolamento indiscriminado sem diagnóstico é ineficaz e viola direitos. Transferir casos diagnosticados dissemina a doença e interrompe tratamentos.
Uma equipe de saúde da família acompanha um paciente de 46 anos em tratamento para tuberculose pulmonar bacilífera que, após dois meses de uso irregular da medicação, abandonou o tratamento e retornou à unidade com tosse produtiva persistente e emagrecimento. Ele mora com esposa e três filhos pequenos em casa com pouca ventilação, trabalha informalmente e relata dificuldade de comparecer à unidade nos horários disponíveis para retirada dos medicamentos e consultas. A conduta mais adequada inclui:
Diante de abandono do tratamento da tuberculose, a conduta é reavaliar o caso, reiniciar o esquema conforme avaliação clínica e laboratorial, instituir tratamento diretamente observado com flexibilização de horários, apoio social e vínculo, além de investigar sistematicamente os contatos domiciliares, especialmente crianças. Repetir o esquema sem abordar as barreiras de adesão leva a novo abandono e resistência. Encerrar o caso mantém a transmissão ativa. Internação compulsória é medida excepcional e não substitui as estratégias de adesão.
Uma equipe de saúde da família realiza busca ativa de sintomáticos respiratórios no território e identifica um homem de 38 anos com tosse há quatro semanas, febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento. A unidade dispõe de coleta de escarro e acesso a teste rápido molecular por meio da rede laboratorial municipal, com resultado disponível em poucos dias. O paciente nunca tratou tuberculose e não tem antecedente de contato conhecido com pessoa em tratamento da doença. A conduta diagnóstica inicial correta é:
O teste rápido molecular no escarro é o exame inicial recomendado para o diagnóstico de tuberculose pulmonar no Brasil, por detectar o material genético do bacilo e identificar resistência à rifampicina em poucas horas, orientando o tratamento. Radiografia isolada não confirma o diagnóstico nem avalia resistência. A prova tuberculínica avalia infecção latente e não distingue doença ativa. Aguardar dois meses mantém a transmissão e agrava o quadro clínico do paciente.
Um homem de 38 anos completa o segundo mês de tratamento para tuberculose pulmonar com esquema básico, com boa adesão supervisionada, ganho de 4 kg e desaparecimento da tosse. A baciloscopia de controle do segundo mês é negativa e a radiografia mostra melhora das lesões. Ele pergunta se pode interromper a medicação, já que está bem e sem sintomas. O peso subiu de 58 para 62 kg, a radiografia de controle mostra redução das cavitações e ele mantém acompanhamento com tratamento diretamente observado na unidade. Qual é a conduta correta?
A negativação da baciloscopia ao segundo mês indica boa resposta, mas o esquema básico exige seis meses de duração, com fase de manutenção e baciloscopias de controle, sendo a interrupção precoce a principal causa de recidiva e de resistência adquirida. Considerar cura bacteriológica pela baciloscopia negativa confunde resposta com término do tratamento. Prolongar a fase intensiva sem indicação aumenta a toxicidade. Trocar por esquema de segunda linha só se justifica diante de falência ou resistência comprovada.
Homem, 36 anos, procura a UBS por tosse produtiva há 4 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg. Reside em casa com 4 pessoas, uma delas com tratamento de tuberculose concluído há 1 ano. Exame: emagrecido, T 37,8 °C, estertores em ápice direito. Radiografia de tórax com cavitação apical direita. Teste rápido molecular para tuberculose detecta Mycobacterium tuberculosis, sem resistência à rifampicina. HIV não reagente. Qual a conduta correta?
Teste rápido molecular detectando Mycobacterium tuberculosis sem resistência à rifampicina, em quadro clínico e radiológico compatível, autoriza o início imediato do esquema básico com quatro fármacos na fase intensiva, e a investigação de contatos domiciliares é obrigatória por se tratar de caso bacilífero. Aguardar cultura retarda desnecessariamente o tratamento e mantém a transmissão, pois o teste molecular já afastou a resistência à rifampicina. Usar apenas rifampicina e isoniazida na fase intensiva favorece seleção de resistência, já que a fase inicial exige quatro fármacos. Tratar como infecção latente é erro grave em paciente com doença ativa comprovada, e a isoniazida isolada geraria monorresistência. Encaminhar sem tratar não se justifica, pois o caso é pulmonar sensível e o tratamento é atribuição da atenção primária.
Mulher, 29 anos, G2P1, com 19 semanas, apresenta tosse produtiva há 6 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 5 kg. T 37,9 °C, FR 20 ipm, SatO2 96%, PA 108/68 mmHg. Radiografia de tórax com proteção abdominal mostra infiltrado em lobo superior direito com cavitação. Baciloscopia de escarro positiva em duas amostras. Teste rápido molecular detecta complexo Mycobacterium tuberculosis sensível à rifampicina. Qual a conduta correta?
Iniciar o esquema básico com rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol, associando piridoxina para prevenir a neuropatia induzida pela isoniazida, é a conduta correta, pois esses fármacos são seguros na gestação e a tuberculose não tratada acarreta risco muito maior para mãe e feto. Adiar o tratamento para o puerpério mantém a doença ativa e a transmissão. A isoniazida isolada é esquema de tratamento da infecção latente, e não da doença ativa, além de induzir resistência se usada em monoterapia em doença bacilífera. A estreptomicina é justamente o tuberculostático contraindicado na gestação, por ototoxicidade fetal. A interrupção da gestação não é indicada, pois a doença é tratável com esquema compatível com a gravidez.
Menina, 12 anos, apresenta há 3 semanas febre vespertina, tosse produtiva, sudorese noturna e emagrecimento de 4 kg. Não tem contato conhecido com tuberculose. T 37,8 °C, FC 96 bpm, FR 22 ipm. Radiografia de tórax: infiltrado em lobo superior direito com cavitação de 2 cm. A pesquisa de bacilo álcool-ácido resistente no escarro é positiva em duas amostras. Sorologia para HIV negativa. Qual o esquema terapêutico indicado?
Tuberculose pulmonar bacilífera em adolescente é tratada com o esquema básico contendo rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol na fase intensiva, seguido de manutenção com rifampicina e isoniazida. A isoniazida isolada por seis meses é o tratamento da infecção latente, e usá-la em doença ativa gera resistência. A rifampicina isolada por quatro meses também é esquema de infecção latente, inadequado para doença bacilífera. Ciprofloxacino com azitromicina trata pneumonias bacterianas comuns e atípicas, sem eficácia curativa contra a tuberculose. Isolamento respiratório é medida complementar de controle de transmissão, jamais substituindo o tratamento farmacológico.
Homem, 45 anos, é atendido na UBS por queixa de tosse com expectoração hemoptoica há 3 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento de 5 kg. Reside em situação de rua há 2 anos e faz uso abusivo de álcool. Radiografia de tórax com infiltrado em lobo superior direito e cavitação. Teste rápido molecular detecta Mycobacterium tuberculosis com resistência à rifampicina. HIV não reagente. Nunca tratou tuberculose previamente. Qual a conduta correta?
A detecção de resistência à rifampicina pelo teste molecular indica provável tuberculose multirresistente, situação que exige encaminhamento a serviço de referência para tratamento com esquema específico, orientado por cultura e teste de sensibilidade, além de vigilância reforçada por se tratar de população vulnerável. Iniciar o esquema básico com rifampicina inclui um fármaco ao qual o bacilo já é resistente, o que amplia a amplificação de resistência. Isoniazida e etambutol em dose dobrada não compõem esquema válido e favorecem falência. Aguardar a cultura sem tratar mantém a transmissão por semanas em paciente bacilífero. Associar levofloxacino empiricamente ao esquema básico, fora de serviço de referência, é conduta inadequada, pois esquemas para resistência exigem composição padronizada e monitorização de toxicidade.
Uma unidade de saúde recebe paciente de 28 anos com diagnóstico de tuberculose pulmonar bacilífera, residente em domicílio com cinco pessoas, entre elas uma criança de 2 anos e um adulto vivendo com HIV. A equipe organiza as ações de controle no território, com apoio do agente comunitário de saúde e articulação com a vigilância epidemiológica do município. Qual a ação prioritária além do tratamento do caso índice?
O controle da tuberculose exige investigação de todos os contatos domiciliares, com avaliação clínica, radiografia e prova tuberculínica ou ensaio de liberação de interferon-gama conforme protocolo, identificando doença ativa e infecção latente, com atenção especial a crianças pequenas e pessoas vivendo com HIV. O isolamento hospitalar prolongado é desnecessário, pois após o início do tratamento a transmissibilidade cai rapidamente. Tratar todos os contatos sem avaliação expõe a toxicidade desnecessária e pode mascarar doença ativa. A BCG não é indicada para adultos contatos. Restringir a investigação a sintomáticos deixa de identificar infecção latente e doença assintomática nos grupos de maior risco.
Uma equipe recebe da vigilância a lista de usuários do território com diagnóstico de tuberculose em tratamento. Um deles, homem de 38 anos em situação de rua, está no segundo mês de esquema básico e faltou às últimas duas dispensações. A equipe consegue localizá-lo e ele afirma que quer continuar o tratamento, mas tem dificuldade de comparecer diariamente à unidade e de guardar os medicamentos. Qual estratégia é a mais adequada?
O tratamento diretamente observado, adaptado ao contexto de vida do usuário e articulado com equipes de consultório na rua e com dispositivos do território, é a estratégia recomendada para populações vulneráveis, pois aumenta a adesão e reduz abandono e resistência. Suspender o tratamento até haver moradia fixa mantém a transmissão e favorece resistência. Dispensar todos os comprimidos de uma vez a quem já falta e não tem onde guardar a medicação aumenta o risco de abandono e perda. Internação compulsória prolongada é medida de exceção, restrita a situações específicas, e não a estratégia de primeira escolha. Não existe esquema básico em dose única semanal para tuberculose ativa, e improvisar posologia comprometeria a eficácia e induziria resistência.
Uma paciente de 30 anos, gestante de 28 semanas, é diagnosticada com tuberculose pulmonar bacilífera. Está sintomática, com tosse produtiva e febre, e reside com o companheiro e uma criança de 3 anos. A equipe precisa definir a conduta terapêutica e as medidas de proteção familiar, considerando a segurança dos fármacos na gestação e a necessidade de investigação dos contatos domiciliares identificados no território. Qual a conduta correta?
O esquema básico para tuberculose é considerado seguro na gestação e deve ser iniciado imediatamente, pois a doença não tratada representa risco muito maior para a mãe e para o feto, devendo-se ainda investigar todos os contatos domiciliares, com atenção especial à criança pequena. Adiar o tratamento até o parto expõe mãe e feto a complicações graves e mantém a transmissão. A isoniazida isolada em doença ativa gera resistência. A interrupção da gestação não tem qualquer indicação clínica nesse contexto. Tratar apenas os contatos e deixar a fonte bacilífera sem tratamento é conduta epidemiologicamente equivocada e clinicamente inaceitável.
Uma unidade de saúde recebe usuário de 62 anos com tuberculose pulmonar em tratamento, que abandonou o esquema duas vezes por dificuldade de comparecer diariamente à unidade e por efeitos adversos não manejados. Reside sozinho, tem uso prejudicial de álcool e baixa renda. A equipe deseja aumentar a chance de conclusão do tratamento e reduzir o risco de resistência e de transmissão no território. Qual estratégia é mais adequada?
O tratamento diretamente observado, associado a apoio social, manejo ativo dos efeitos adversos e fortalecimento do vínculo, é a estratégia recomendada para pacientes com risco de abandono, aumentando as taxas de cura e reduzindo resistência e transmissão. Suspender o tratamento até a abstinência alcoólica mantém a doença ativa e a transmissão. A retirada mensal sem supervisão repete o modelo que já falhou duas vezes. A internação compulsória por todo o tratamento é medida excepcional, não aplicável como estratégia de adesão. Reduzir a duração do esquema pela metade provoca falência terapêutica e seleção de cepas resistentes.
Uma equipe de saúde realiza busca ativa de sintomáticos respiratórios em uma comunidade com alta incidência de tuberculose. Em três meses, examinou 400 pessoas com tosse por mais de três semanas e identificou 12 casos novos, todos encaminhados para tratamento. O gestor pergunta como interpretar esse resultado e se a estratégia deve ser mantida, considerando o custo operacional e o tempo dedicado pela equipe à atividade. Qual a interpretação mais adequada?
A busca ativa de sintomáticos respiratórios é estratégia central do controle da tuberculose, pois identifica precocemente casos bacilíferos que não procurariam o serviço espontaneamente, interrompendo a cadeia de transmissão, e uma proporção de 12 casos em 400 examinados é resultado relevante. Abandonar a estratégia porque a maioria não tem a doença desconhece a lógica da busca ativa. Não há indício de erro na definição, que segue o critério de tosse por três semanas ou mais. Exigir mais de 50% de positividade é critério irreal para qualquer estratégia de detecção. Depender apenas da demanda espontânea perpetua o diagnóstico tardio e a transmissão comunitária.
Homem, 47 anos, apresenta tosse produtiva com escarro hemoptoico, febre vespertina e emagrecimento há 2 meses. A radiografia mostra cavidade em lobo superior direito com infiltrado adjacente. A pesquisa de bacilo álcool-ácido resistente é positiva em duas amostras de escarro, e o teste rápido molecular confirma Mycobacterium tuberculosis sensível à rifampicina. Não há comorbidades e o estado geral é razoável, com peso estável nas últimas semanas. Qual a conduta indicada?
Tuberculose pulmonar bacilífera com sensibilidade à rifampicina confirmada é tratada com o esquema básico, associada à notificação compulsória, isolamento respiratório inicial e investigação de contatos. A ressecção pulmonar é reservada a complicações como hemoptise maciça refratária, sequelas cavitárias infectadas ou doença resistente selecionada, e nunca é tratamento inicial. O isolamento sem tratamento não cura o paciente nem interrompe a transmissão de forma duradoura. Aguardar cultura por 60 dias retarda o tratamento de doença transmissível já confirmada. Antibiótico de amplo espectro para pneumonia não trata micobactéria e atrasa a terapia adequada.
Menino, 12 anos, apresenta há 3 semanas febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento e tosse produtiva. Reside em domicílio com adulto em tratamento irregular para tuberculose. A radiografia mostra infiltrado em lobo superior direito com escavação. Está desnutrido, com índice de massa corporal abaixo do percentil esperado. A baciloscopia é positiva no escarro. A sorologia para HIV foi solicitada e o resultado ainda não está disponível. Qual a conduta indicada?
Tuberculose pulmonar bacilífera confirmada exige início imediato do esquema básico, notificação compulsória e investigação de contatos, sem aguardar o resultado da sorologia para HIV, que orientará ajustes posteriores no manejo e no seguimento. Aguardar o resultado do HIV retarda o tratamento de doença transmissível e potencialmente fatal. A isoniazida isolada trata infecção latente e geraria resistência em doença ativa. Tratar como pneumonia bacteriana ignora a baciloscopia positiva. Internar em isolamento sem tratamento não cura o paciente e apenas adia o controle da transmissão, que ocorre rapidamente com a terapia adequada.
Homem, 42 anos, com artrite reumatoide, iniciará terapia com inibidor de fator de necrose tumoral. PA 122/76 mmHg, FC 78 bpm, sem sintomas respiratórios, febre ou perda ponderal. Radiografia de tórax sem alterações. Teste tuberculínico com 12 mm de enduração, sem histórico de tratamento prévio para tuberculose e sem contato conhecido recente com caso bacilífero. Qual a conduta mais adequada antes de iniciar o imunobiológico?
O rastreamento e o tratamento da infecção latente por tuberculose são obrigatórios antes do uso de inibidores de fator de necrose tumoral, que aumentam substancialmente o risco de reativação. Iniciar o imunobiológico sem qualquer medida expõe a tuberculose ativa, muitas vezes disseminada. Aguardar conversão do teste em nova avaliação desconsidera um resultado já positivo. Contraindicar definitivamente o imunobiológico priva o paciente de tratamento eficaz, pois a infecção latente é tratável. O esquema completo para tuberculose ativa não se aplica sem doença ativa documentada.
Gestante de 27 anos, com 16 semanas, é contato domiciliar de caso de tuberculose pulmonar bacilífera diagnosticado há um mês. Está assintomática, sem tosse, febre ou emagrecimento. Radiografia de tórax com proteção abdominal é normal, e a prova tuberculínica mostra enduração de 12 mm. Qual a conduta correta?
Contato domiciliar recente com prova tuberculínica de 12 mm e radiografia normal define infecção latente com indicação de tratamento, sendo a isoniazida associada à piridoxina a opção adequada, e a gestação não é motivo para postergar em contatos recentes de bacilífero. Adiar para o puerpério deixa a gestante sob risco de adoecimento, e a hepatotoxicidade é manejável com monitorização. Iniciar esquema quádruplo é erro grave de classificação, pois não há doença ativa: a paciente é assintomática e a radiografia é normal. Repetir a prova tuberculínica não faz sentido diante de resultado já positivo com ponto de corte alcançado. Afirmar falso-positivo universal na gestação é incorreto, pois a gravidez não invalida o teste.
Um município avalia seu programa de controle da tuberculose. No último ano, foram notificados 120 casos novos pulmonares com confirmação laboratorial. Destes, 82 evoluíram para cura, 18 abandonaram o tratamento, 6 foram a óbito, 4 foram transferidos e 10 permanecem em tratamento. O gestor precisa comparar esses resultados com as metas preconizadas para o programa nacional. Como interpretar esses indicadores?
A interpretação correta é que a taxa de cura está abaixo da meta e o abandono supera o percentual recomendado: a cura fica próxima de 68% dos casos notificados, aquém dos 85% preconizados, e o abandono, em torno de 15%, ultrapassa amplamente o limite de 5%. Dizer que a cura supera a meta contraria o cálculo. Considerar ambos os indicadores adequados ignora os dois desvios. Afirmar que o abandono é irrelevante desconhece seu papel na manutenção da transmissão e na indução de resistência. Reduzir a avaliação à taxa de óbito descarta os principais indicadores de desfecho do tratamento.
Mulher, 29 anos, enfermeira, assintomática, será submetida a tratamento com infliximabe por artrite reumatoide refratária. Nega febre, tosse, sudorese noturna ou perda ponderal. Exame físico sem alterações; SatO2 98% em ar ambiente e T 36,4 °C. Radiografia de tórax sem alterações pleuroparenquimatosas. Prova tuberculínica com 9 mm de enduração; sorologia para HIV não reagente. Não há relato de contato recente com caso de tuberculose ativa. Qual a conduta correta antes de iniciar o imunobiológico?
Em candidatos a inibidor de TNF-alfa, o ponto de corte da prova tuberculínica para definir infecção latente é de 5 mm, e não 10 mm; com 9 mm, radiografia normal e ausência de sintomas, a paciente tem infecção latente e deve receber isoniazida por seis a nove meses, iniciando o imunobiológico após pelo menos quatro semanas de tratamento. O esquema RIPE trata doença ativa, que foi afastada por clínica e radiografia normais. Repetir a prova tuberculínica em oito semanas aplica-se ao efeito booster em profissionais de saúde com resultado inicialmente negativo, e não a resultado já reator. Liberar o imunobiológico por considerar 10 mm o corte aplica o critério errado ao grupo de risco e expõe a reativação grave. Baciloscopia de escarro em paciente assintomática e sem expectoração não tem rendimento nem substitui o tratamento da latência.
Homem, 38 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico há 6 meses, mantém tosse produtiva e baciloscopia de escarro positiva com duas cruzes no quinto e no sexto mês. Refere uso irregular das medicações por efeitos adversos. Exame: T 37,5 °C, IMC 18,2 kg/m², FR 20 ipm, estertores em ápice direito. O teste rápido molecular realizado no início do tratamento já detectara resistência à rifampicina, achado não valorizado à época. Qual a conduta correta?
Baciloscopia positiva ao final do quinto e sexto meses caracteriza falência de tratamento, e a detecção prévia de resistência à rifampicina pelo teste rápido molecular obriga a manejar o caso como tuberculose multirresistente, com encaminhamento a serviço de referência terciária para esquema específico guiado por teste de sensibilidade. Repetir o esquema básico expõe a bacilos comprovadamente resistentes e amplifica a resistência. Prolongar a fase de manutenção não corrige a ineficácia do esquema em cepa resistente à rifampicina. Associar uma quinolona a um esquema falho equivale a monoterapia funcional, prática que gera resistência adicional à droga acrescentada. Suspender o tratamento por 30 dias mantém paciente bacilífero transmitindo na comunidade e não é aceitável em saúde pública.
Mulher, 46 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico há 25 dias, refere náuseas, anorexia e icterícia há 4 dias. Nega uso de álcool ou outros medicamentos. Exame: T 36,7 °C, icterícia de escleras, fígado não palpável, sem encefalopatia e sem ascite. TGO 420 U/L e TGP 510 U/L (VR até 40); bilirrubina total 4,8 mg/dL (VR até 1,2); RNI 1,1. Sorologias para hepatites virais não reagentes. Qual a conduta correta?
Transaminases acima de cinco vezes o limite superior da normalidade, ou acima de três vezes com sintomas e icterícia, caracterizam hepatotoxicidade significativa pelo esquema antituberculose, e a conduta é suspender todas as drogas hepatotóxicas, aguardar normalização das enzimas e da bilirrubina e reintroduzi-las de forma escalonada, monitorando a resposta enzimática a cada etapa. Manter o esquema com hepatoprotetor expõe a insuficiência hepática aguda, e não há hepatoprotetor de eficácia comprovada nesse contexto. Suspender isoladamente a pirazinamida ignora que isoniazida e rifampicina também são hepatotóxicas e impede identificar o agente responsável. Reduzir doses pela metade compromete a eficácia e mantém a agressão hepática. Trocar de imediato para esquema alternativo sem tentar reintrodução priva a paciente do regime mais eficaz, quando na maioria dos casos a reintrodução é bem-sucedida.
Homem, 52 anos, diabético, em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico há 3 meses, queixa-se de dificuldade progressiva para distinguir cores e embaçamento visual bilateral há 2 semanas. Exame oftalmológico revela redução da acuidade visual para 20/60 em ambos os olhos e discromatopsia para o verde e o vermelho, com fundo de olho sem alterações. Glicemia de jejum de 118 mg/dL; função renal normal; não faz uso de outros medicamentos. Qual fármaco é o responsável mais provável e qual a conduta?
A neurite óptica com redução de acuidade e discromatopsia para verde e vermelho é o efeito adverso característico do etambutol, dose-dependente e potencialmente irreversível se o fármaco não for suspenso de imediato; a conduta é retirá-lo e reavaliar o esquema com o serviço de referência. A isoniazida causa neuropatia periférica sensitiva, prevenida com piridoxina, e não altera a visão de cores. A rifampicina provoca coloração alaranjada de secreções, hepatotoxicidade e reações imunoalérgicas, sem neurite óptica. A pirazinamida associa-se a hiperuricemia, artralgia e hepatotoxicidade. A estreptomicina causa ototoxicidade vestibular e coclear e nefrotoxicidade, e sequer integra o esquema básico atual.
Equipe de atenção primária discute o manejo de um homem de 41 anos, em situação de rua e com uso nocivo de álcool, que iniciou tratamento para tuberculose pulmonar bacilífera há 2 semanas. Ele já abandonou tratamento anterior no ano passado. Exame: IMC 17,4 kg/m², T 37,4 °C, tosse produtiva persistente. Baciloscopia inicial com três cruzes. A equipe planeja estratégias para garantir a adesão e reduzir a transmissão na comunidade. Sobre o manejo desse caso, assinale a alternativa INCORRETA.
É incorreta — e por isso é a resposta — a afirmação de que o abandono prévio contraindica a repetição do esquema básico: o retratamento após abandono é feito com o mesmo esquema básico, e a decisão por regime distinto depende de teste de sensibilidade que demonstre resistência, e não da história de abandono em si. A priorização do tratamento diretamente observado em pessoa em situação de rua com abandono anterior é exatamente a recomendação para garantir adesão. A avaliação de contatos próximos para doença ativa e infecção latente é obrigatória em caso bacilífero. A notificação compulsória da tuberculose ao sistema de vigilância é dever legal do profissional. O uso de incentivos como alimentação, transporte e apoio social é estratégia reconhecida para melhorar desfechos em populações vulneráveis.
Mulher, 28 anos, gestante de 18 semanas, com tosse produtiva há 6 semanas, febre vespertina e emagrecimento. Exame: T 37,9 °C, FR 20 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, estertores em ápice direito. Baciloscopia de escarro com duas cruzes em duas amostras. Radiografia com proteção abdominal mostra infiltrado cavitário apical direito. Função hepática normal; sorologia para HIV não reagente. Qual a conduta correta?
A tuberculose ativa na gestação deve ser tratada imediatamente, pois a doença não tratada traz risco muito maior à mãe e ao feto do que os fármacos; o esquema básico com rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol é seguro na gestação, recomendando-se suplementação de piridoxina para prevenir neuropatia pela isoniazida. Adiar até o fim do primeiro trimestre mantém doença bacilífera ativa sem benefício. Tratar somente após o parto é conduta inaceitável em paciente bacilífera. A estreptomicina é justamente o fármaco contraindicado na gestação, por ototoxicidade fetal, e a pirazinamida é utilizada nos esquemas nacionais. A interrupção da gestação não tem qualquer indicação, já que a doença é tratável com segurança.
Homem, 40 anos, assintomático, é contato domiciliar de irmão com tuberculose pulmonar bacilífera diagnosticada há 2 semanas. Exame físico normal: T 36,5 °C, FR 16 ipm, SatO2 98% em ar ambiente. Nega tosse, febre, sudorese noturna ou perda de peso. Radiografia de tórax sem alterações. Prova tuberculínica com 11 mm de enduração; sorologia para HIV não reagente. Qual a conduta correta?
Contato domiciliar assintomático, com radiografia normal e prova tuberculínica reatora, tem infecção latente e deve receber tratamento preventivo, com isoniazida por seis a nove meses ou rifampicina por quatro meses, esquemas que reduzem substancialmente o risco de adoecimento. O esquema básico completo trata doença ativa, afastada pela ausência de sintomas e pela radiografia normal, e sua prescrição indevida expõe a toxicidade e favorece resistência. Repetir radiografia em seis meses sem tratar desperdiça a oportunidade de prevenção em contato de bacilífero. A tomografia não é necessária diante de radiografia normal e ausência de sintomas. Liberar sem seguimento nem tratamento contraria a diretriz de controle da tuberculose.
Hospital geral recebe paciente de 36 anos com tosse há 8 semanas, febre e emagrecimento, com radiografia mostrando cavitação apical direita. A baciloscopia de escarro resulta positiva com três cruzes. Exame: T 38,0 °C, FR 20 ipm, SatO2 95% em ar ambiente. A comissão de controle de infecção revisa as medidas a serem adotadas na enfermaria e no pronto atendimento da unidade. Sobre o controle de infecção nesse caso, assinale a alternativa INCORRETA.
É incorreta — e por isso é a resposta — a afirmação de que a máscara cirúrgica no profissional substitui a proteção respiratória: para tuberculose bacilífera, a transmissão é por aerossóis, e o profissional necessita de respirador com filtragem, tipo N95 ou equivalente, enquanto a máscara cirúrgica é usada pelo paciente para conter a emissão de partículas. A indicação de quarto com pressão negativa, quando disponível, está correta. O uso de N95 pelos profissionais é a recomendação padrão. O uso de máscara cirúrgica pelo paciente ao circular fora do quarto é medida correta de controle da fonte. A orientação de visitantes quanto às precauções para aerossóis também integra o protocolo institucional.
Mulher, 45 anos, com tosse há 5 semanas, febre e emagrecimento, realiza teste rápido molecular em amostra de escarro, com resultado detectável para Mycobacterium tuberculosis e sensível à rifampicina. Exame: T 37,7 °C, FR 20 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, estertores em ápice esquerdo. Radiografia mostra infiltrado com cavitação apical esquerda. Sem tratamento prévio para tuberculose; HIV não reagente. Qual a conduta correta?
O teste rápido molecular detecta o complexo Mycobacterium tuberculosis e a resistência à rifampicina em poucas horas, e resultado detectável com sensibilidade preservada autoriza iniciar imediatamente o esquema básico, enviando-se amostra para cultura e teste de sensibilidade completo, que orientará ajustes posteriores. Aguardar a cultura significa retardar semanas o tratamento de doença transmissível. Repetir o teste em nova amostra é desnecessário diante de resultado detectável com quadro clínico e radiológico compatíveis. Iniciar esquema para multirresistência sem evidência de resistência expõe a fármacos mais tóxicos e menos eficazes. A tomografia não altera a conduta terapêutica em caso já confirmado por método molecular.
Mulher, 32 anos, iniciou tratamento para tuberculose pulmonar com esquema básico há 3 semanas. Faz uso de contraceptivo oral combinado e é acompanhada por epilepsia em uso de carbamazepina. Exame: T 36,8 °C, FR 18 ipm, SatO2 97% em ar ambiente, sem alterações relevantes. Refere que suas secreções ficaram alaranjadas e pergunta se pode manter os demais medicamentos como antes. Qual orientação é correta?
A rifampicina é potente indutora do citocromo P450, acelerando o metabolismo de diversos fármacos, entre eles os contraceptivos hormonais, que perdem eficácia e exigem método adicional ou alternativo durante todo o tratamento e por algumas semanas após o término. A coloração alaranjada de urina, suor e lágrimas é efeito esperado e inofensivo, não indicando toxicidade nem suspensão. A carbamazepina não precisa ser suspensa, mas seus níveis podem cair pela indução enzimática, exigindo monitorização e eventual ajuste, e a interação principal é com a rifampicina, não com a isoniazida. O etambutol não causa coloração de secreções, e sim neurite óptica. Afirmar que a rifampicina inibe enzimas hepáticas inverte o mecanismo, que é de indução.
Homem, 54 anos, com cirrose por álcool Child-Pugh C e ascite, recebe diagnóstico de tuberculose pulmonar bacilífera. Exame: icterícia, ascite volumosa, encefalopatia grau 1, FR 20 ipm, SatO2 95% em ar ambiente. Bilirrubina total de 4,2 mg/dL, TGP de 96 U/L, RNI de 1,8 e albumina de 2,4 g/dL. Baciloscopia com três cruzes; teste molecular sensível à rifampicina. Qual a conduta terapêutica mais adequada?
Em hepatopatia grave, com Child-Pugh C, o esquema básico convencional apresenta risco elevado de descompensação e insuficiência hepática, e a recomendação é adotar esquema com menor carga hepatotóxica, tipicamente combinando etambutol, uma quinolona e um aminoglicosídeo, com ou sem manutenção de um único fármaco hepatotóxico, sempre em serviço de referência com monitorização estreita. Manter o esquema básico integral em doses habituais nesse cenário é temerário. Adiar o tratamento em paciente bacilífero mantém transmissão e risco de morte pela própria tuberculose. Reduzir todas as doses pela metade compromete a eficácia e favorece resistência. A monoterapia com etambutol é inaceitável, pois monoterapia funcional seleciona cepas resistentes.
Homem, 58 anos, em hemodiálise três vezes por semana, recebe diagnóstico de tuberculose pulmonar. Exame: T 37,5 °C, FR 20 ipm, SatO2 95% em ar ambiente, fístula arteriovenosa em membro superior esquerdo. Creatinina pré-dialítica de 8,2 mg/dL; clearance estimado inferior a 15 mL/min. Baciloscopia positiva; teste molecular detectável e sensível à rifampicina. Função hepática normal e sem uso de outros fármacos nefrotóxicos. Qual o ajuste correto do esquema básico?
Rifampicina e isoniazida têm eliminação predominantemente hepática e dispensam ajuste na doença renal, enquanto etambutol e pirazinamida, com seus metabólitos de excreção renal, devem ter a frequência espaçada, tipicamente três vezes por semana, e ser administrados após a sessão de hemodiálise para evitar remoção do fármaco e acúmulo tóxico. Reduzir pela metade rifampicina e isoniazida compromete a eficácia sem necessidade farmacocinética. Suspender definitivamente etambutol e pirazinamida enfraquece o esquema, quando basta ajustar o intervalo. Substituir por estreptomicina é justamente o oposto do recomendado, pois o aminoglicosídeo é nefrotóxico e ototóxico. Manter todas as doses diárias sem ajuste expõe a neurite óptica e a hiperuricemia grave por acúmulo.
Mulher, 42 anos, com tosse produtiva e febre baixa há 5 semanas, realiza tomografia de alta resolução que mostra nódulos centrolobulares com ramificações lineares conectadas, formando padrão descrito como árvore em brotamento, de predomínio em lobo superior direito, associados a pequena cavitação. Exame: T 37,6 °C, FR 20 ipm, SatO2 95% em ar ambiente, estertores em ápice direito. Qual a interpretação mais provável desse padrão?
O padrão de árvore em brotamento representa impactação de bronquíolos terminais por secreção, pus ou material inflamatório, indicando disseminação broncogênica de processo infeccioso, sendo a tuberculose em atividade uma das causas mais típicas quando há predomínio apical com cavitação, ao lado de micobacterioses não tuberculosas, aspiração e bronquiolites infecciosas. A disseminação hematogênica produz micronódulos aleatórios sem ramificações lineares conectadas, como no padrão miliar. A doença intersticial fibrosante exibe reticulado subpleural com faveolamento basal. O enfisema parasseptal corresponde a áreas de hipoatenuação subpleurais. A carcinomatose linfática cursa com espessamento nodular de septos interlobulares e do interstício peribroncovascular, e não com nódulos centrolobulares ramificados.
Unidade de atenção primária revisa o fluxo diagnóstico da tuberculose pulmonar em adultos sintomáticos respiratórios. Os profissionais discutem o papel da baciloscopia, da cultura com teste de sensibilidade, do teste rápido molecular, da radiografia de tórax e da prova tuberculínica, considerando as diferenças entre diagnóstico de doença ativa e de infecção latente no contexto do programa nacional. Sobre esses métodos, assinale a alternativa INCORRETA.
É incorreta — e por isso é a resposta — a afirmação de que a prova tuberculínica é o exame de escolha para doença ativa: ela indica contato prévio com o bacilo e serve ao diagnóstico de infecção latente, podendo ser positiva sem doença ou negativa em formas graves e em imunodeprimidos. A capacidade do teste rápido molecular de detectar o complexo Mycobacterium tuberculosis e a resistência à rifampicina em poucas horas está corretamente enunciada. A superioridade da cultura em sensibilidade, com a vantagem de permitir teste de sensibilidade, é correta. A descrição da baciloscopia como método rápido, barato e menos sensível também está correta. O papel auxiliar e não confirmatório da radiografia é igualmente correto.
Enfermeira de 34 anos, que atua em enfermaria de pneumologia, realiza exame periódico. Está assintomática, sem tosse, febre ou perda ponderal. Exame físico normal: T 36,4 °C, FR 16 ipm, SatO2 98% em ar ambiente. Prova tuberculínica realizada há 2 anos apresentava 4 mm de enduração; a atual mostra 14 mm. Radiografia de tórax normal; sorologia para HIV não reagente; nega uso de imunossupressor. Qual a conduta correta?
Aumento de pelo menos 10 mm entre duas provas tuberculínicas caracteriza viragem, indicando infecção recente, situação de maior risco de adoecimento e com indicação formal de tratamento da infecção latente após afastar doença ativa, o que foi feito pela ausência de sintomas e pela radiografia normal. Não tratar desperdiça a oportunidade de prevenção em profissional com infecção recente comprovada. O esquema básico completo trata doença ativa, não caracterizada neste caso. Repetir a prova para avaliar efeito booster aplica-se a resultados iniciais negativos em avaliação basal, e não a viragem já documentada entre dois exames. Tomografia e broncoscopia são desnecessárias em paciente assintomática com radiografia normal.
Homem, 54 anos, com diabetes tipo 2 descompensado, hemoglobina glicada de 10,8%, recebe diagnóstico de tuberculose pulmonar cavitária. Exame: IMC 21 kg/m², T 37,8 °C, FR 20 ipm, SatO2 95% em ar ambiente, estertores em ápice direito. Baciloscopia com três cruzes; teste molecular detectável e sensível à rifampicina. Função hepática e renal normais; não usa insulina, apenas metformina em dose máxima. Qual a conduta mais adequada?
Diabetes descompensado piora a resposta ao tratamento da tuberculose, com maior risco de falência, recidiva e mortalidade, e a tuberculose por sua vez agrava o controle glicêmico; a conduta é iniciar imediatamente o esquema antituberculose e intensificar o controle glicêmico, frequentemente com insulina, monitorando interações. Adiar o tratamento em paciente bacilífero mantém transmissão e agrava o prognóstico. Reduzir doses dos tuberculostáticos compromete a eficácia, e o risco relevante não é hipoglicemia, mas descontrole hiperglicêmico. Manter apenas metformina ignora que a rifampicina induz o metabolismo de várias medicações e que o controle exigirá reforço terapêutico. Suspender definitivamente a metformina não é necessário, cabendo ajuste conforme o controle glicêmico.
Mulher, 41 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar com esquema básico, encontra-se no segundo mês de tratamento, com melhora clínica importante, ganho de 3 kg e redução da tosse. Exame: T 36,6 °C, FR 16 ipm, SatO2 97% em ar ambiente, ausculta com estertores discretos em ápice esquerdo. Baciloscopia de controle do segundo mês resulta positiva com uma cruz, tendo sido três cruzes no diagnóstico. Qual a conduta correta?
Baciloscopia ainda positiva com carga bacilar francamente reduzida ao final do segundo mês, em paciente com nítida melhora clínica e ganho de peso, não caracteriza falência, que se define pela persistência de positividade ao quinto e sexto meses ou pela positividade após negativação; a conduta é manter o esquema, prosseguir com controle mensal, reforçar a adesão e considerar cultura com teste de sensibilidade. Declarar falência nesse momento é precipitado. Suspender o tratamento interrompe a resposta em curso e favorece resistência. Iniciar esquema de multirresistência sem evidência laboratorial expõe a fármacos mais tóxicos. Prolongar automaticamente a fase intensiva não é conduta padrão sem avaliação individualizada.
Homem, 47 anos, com tuberculose pulmonar bacilífera, apresenta IMC de 16,4 kg/m² e perda de 14 kg em 4 meses. Exame: T 37,6 °C, FR 20 ipm, SatO2 94% em ar ambiente, atrofia muscular difusa, albumina de 2,6 g/dL (VR 3,5–5,0). Reside sozinho, com renda muito baixa e insegurança alimentar relatada. Baciloscopia com três cruzes; teste molecular sensível à rifampicina. Qual a conduta mais adequada?
A desnutrição grave piora o prognóstico da tuberculose, aumenta a mortalidade e o risco de recidiva, e a insegurança alimentar é fator conhecido de abandono; a conduta é iniciar imediatamente o esquema básico com doses ajustadas ao peso e articular suporte nutricional e social, incluindo benefícios e tratamento diretamente observado. Iniciar apenas o esquema, sem abordar nutrição e vulnerabilidade, ignora determinantes decisivos do desfecho. Adiar o tratamento em paciente bacilífero mantém transmissão e agrava a desnutrição, que é consequência da própria doença. Reduzir doses pela metade compromete a eficácia, sendo o correto ajustar as faixas de dose ao peso conforme o protocolo. O suplemento vitamínico isolado não corrige o déficit calórico-proteico nem trata a infecção.
Homem, 38 anos, completou 6 meses de tratamento para tuberculose pulmonar com esquema básico, com boa adesão comprovada por tratamento diretamente observado. Exame: assintomático, ganho de 8 kg, T 36,4 °C, FR 16 ipm, SatO2 97% em ar ambiente, ausculta pulmonar sem alterações. Baciloscopias de controle negativas no quarto, quinto e sexto meses. Radiografia com sequela fibrótica apical estável. Qual a conduta correta?
O critério de cura na tuberculose pulmonar é a conclusão do tratamento com baciloscopias negativas ao final, associada a melhora clínica, sendo a sequela radiológica fibrótica achado esperado e estável que não indica atividade nem prolongamento da terapia. Prolongar o tratamento pela imagem residual é erro clássico, pois a radiografia não mede atividade bacteriológica. Manter isoniazida profilática após cura não é recomendado em imunocompetente. Repetir o esquema completo expõe a toxicidade sem qualquer indicação. Tomografia e broncoscopia não são exigidas para alta em paciente assintomático com controle bacteriológico negativo, ficando reservadas a suspeita de recidiva ou de outra doença associada.
Homem, 52 anos, com silicose diagnosticada há 8 anos, apresenta piora da tosse, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 7 kg há 2 meses. Exame: T 37,9 °C, IMC 19,4 kg/m², FR 20 ipm, SatO2 92% em ar ambiente, estertores em ápices. Radiografia mostra, além dos micronódulos conhecidos, nova escavação em ápice direito. Prova tuberculínica com 15 mm; baciloscopia de escarro positiva com duas cruzes. Qual a conduta correta?
A silicose aumenta substancialmente o risco de tuberculose, e o surgimento de cavitação nova com sintomas consumptivos e baciloscopia positiva define silicotuberculose, tratada com o esquema básico, porém com vigilância reforçada pela maior taxa de falha e recidiva nesses pacientes, podendo exigir prolongamento conforme evolução. Tratar apenas a silicose ignora infecção ativa comprovada e bacilífera. A isoniazida isolada trata infecção latente e configuraria monoterapia diante de doença ativa, gerando resistência. O antibiótico de amplo espectro não cobre micobactéria. A biópsia cirúrgica é desnecessária diante de baciloscopia positiva e quadro clínico-radiológico compatível, atrasando o tratamento.
Homem de 32 anos é diagnosticado com tuberculose pulmonar bacilífera e reside com esposa, dois filhos de 3 e 8 anos e a avó de 70 anos. A equipe de saúde da família organiza a investigação dos contatos domiciliares para identificar casos de doença ativa e de infecção latente, além de orientar sobre transmissão, adesão ao tratamento e medidas de controle no domicílio. Assinale a alternativa INCORRETA sobre a investigação dos contatos.
Restringir a investigação apenas a quem tem tosse prolongada é incorreto, pois todos os contatos domiciliares devem ser avaliados, inclusive os assintomáticos, que podem apresentar infecção latente com indicação de tratamento preventivo. A avaliação clínica de todos os contatos é a base do rastreamento. Contatos sintomáticos precisam ter doença ativa afastada antes do tratamento preventivo, para evitar monoterapia e resistência. Crianças menores de cinco anos são prioritárias pelo risco de formas graves. A radiografia integra a avaliação conforme idade e achados.
Homem, 35 anos, com retocolite ulcerativa moderada, iniciará azatioprina associada a anti-TNF alfa. PA 122x76 mmHg, FC 74 bpm, T 36,7 °C, IMC 24 kg/m². Hemograma normal; enzimas hepáticas normais. Vive em área com alta prevalência de tuberculose latente e teve contato domiciliar com caso de tuberculose pulmonar na adolescência, sem tratamento documentado na ocasião. Qual investigação é obrigatória antes de iniciar a terapia?
Antes de iniciar anti-TNF alfa é obrigatório rastrear tuberculose latente com prova tuberculínica ou teste de liberação de interferon-gama, associado a radiografia de tórax e avaliação de contato, tratando-se a infecção latente antes da imunossupressão. A tomografia de alta resolução com contraste não é o exame de triagem. A broncoscopia com lavado é invasiva e reservada a suspeita de doença ativa com escarro negativo. A cultura de escarro em paciente assintomático tem rendimento muito baixo. A sorologia para tuberculose não é recomendada por baixa acurácia e não deve ser utilizada.
Mulher, 54 anos, iniciou tratamento para tuberculose pulmonar há 5 semanas com esquema básico e apresenta náuseas, icterícia e colúria há 6 dias. PA 118x74 mmHg, FC 82 bpm, T 36,8 °C; sem encefalopatia. ALT 620 U/L (VR até 40); AST 540 U/L (VR até 40); bilirrubina total 5,2 mg/dL (VR até 1,2); INR 1,2. Sorologias virais negativas e ultrassonografia sem obstrução biliar. Qual a conduta indicada?
Hepatotoxicidade pelo esquema antituberculoso, definida por aminotransferases acima de três vezes o limite com sintomas ou acima de cinco vezes sem sintomas, exige suspensão dos fármacos hepatotóxicos e reintrodução escalonada após normalização, com esquema alternativo se houver recorrência. Manter o esquema completo arrisca insuficiência hepática. Trocar imediatamente sem suspender não permite identificar o agente responsável. O corticoide não trata a hepatotoxicidade nem protege o fígado. O ácido ursodesoxicólico não reverte a lesão hepatocelular e manter o esquema perpetua a agressão.
Homem, 52 anos, com artrite reumatoide em uso de metotrexato 25 mg por semana há 6 meses, mantém oito articulações dolorosas e seis edemaciadas, com proteína C reativa 28 mg/L (VR abaixo de 5). Considerou-se a introdução de adalimumabe. PA 130x84 mmHg, FC 78 bpm, T 36,6 °C. Radiografia de tórax sem alterações. Prova tuberculínica com 12 mm de enduração. Nega contato conhecido com tuberculose e nunca tratou infecção latente. Qual a conduta correta antes de iniciar o biológico?
Prova tuberculínica com enduração igual ou superior a 5 mm em candidato a inibidor de fator de necrose tumoral define infecção latente, e a conduta é tratar com isoniazida, iniciando o biológico após pelo menos um mês de tratamento preventivo, mantida a profilaxia até completar o esquema. Iniciar o biológico confiando apenas na radiografia normal é o erro que produz reativação, já que a infecção latente é por definição radiologicamente silenciosa. Repetir a prova em três meses adia sem propósito, pois o resultado atual já é diagnóstico. Tratamento com quatro fármacos é para doença ativa, não documentada aqui, sem sintomas nem alteração de imagem. O rituximabe tem risco tuberculoso menor, porém não dispensa a triagem, e trocar de alvo por comodidade não corrige a necessidade de profilaxia.
Homem, 34 anos, com cefaleia progressiva há 3 semanas, febre vespertina, sonolência e paresia do sexto nervo craniano à direita. PA 118x72 mmHg, FC 88 bpm, T 38,0 °C. Rigidez de nuca presente. Líquor com 180 células/mm³ (85% linfócitos), proteína 220 mg/dL (VR 15-45), glicose 22 mg/dL com glicemia de 96 mg/dL, e adenosina desaminase elevada. Tomografia mostra realce meníngeo basal e hidrocefalia comunicante. Qual a conduta?
Líquor com pleocitose linfocítica, hiperproteinorraquia acentuada de 220 mg/dL, hipoglicorraquia e adenosina desaminase elevada, com realce meníngeo basal e paralisia de nervo craniano, define meningite tuberculosa, tratada com esquema de quatro fármacos por 12 meses e corticoide, que reduz mortalidade e sequelas. O aciclovir trata encefalite herpética, que cursa com alteração temporal à imagem e proteína menos elevada. Ceftriaxona com vancomicina trata meningite bacteriana piogênica, de predomínio neutrofílico e evolução aguda. A anfotericina trata criptococose, cujo diagnóstico exigiria tinta da China ou antígeno criptocócico positivos. Sulfadiazina com pirimetamina trata neurotoxoplasmose, que se apresenta com lesões expansivas com realce anelar.
Homem, 27 anos, com dor torácica pleurítica à direita, febre vespertina e emagrecimento de 5 kg em 2 meses. PA 118x74 mmHg, FC 92 bpm, FR 22 ipm, T 38,1 °C. Murmúrio vesicular abolido em dois terços inferiores do hemitórax direito. Toracocentese: exsudato com 2.400 células/mm³ (92% linfócitos), proteína pleural/sérica 0,7, adenosina desaminase 68 U/L (VR < 40), glicose 62 mg/dL, ausência de células neoplásicas. Baciloscopia do líquido negativa. Qual a conduta?
Exsudato linfocítico com adenosina desaminase de 68 U/L em jovem com febre vespertina e emagrecimento tem altíssimo valor preditivo para tuberculose pleural, permitindo iniciar o esquema com quatro fármacos por seis meses sem aguardar cultura, cuja positividade é baixa nesse material. Esperar 60 dias pela cultura retarda o tratamento de doença transmissível e progressiva. A decorticação é indicada em empiema organizado com encarceramento pulmonar, não em derrame tuberculoso não complicado. O derrame parapneumônico teria predomínio de neutrófilos, glicose baixa e evolução aguda, incompatíveis com o perfil apresentado. Tomografia por emissão de pósitrons e biópsia a céu aberto são desnecessárias diante de um perfil bioquímico tão característico.
Mulher, 58 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar há 5 semanas com rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol. Refere náuseas, anorexia e icterícia iniciadas há 4 dias. Nega uso de álcool. PA 124x78 mmHg, FC 84 bpm, T 36,8 °C. AST 620 U/L (VR até 40); ALT 780 U/L (VR até 41); bilirrubina total 4,6 mg/dL (VR até 1,2); INR 1,2 (VR até 1,2). Sorologias para hepatites A, B e C negativas. Qual a conduta imediata mais adequada?
Suspender todo o esquema é a conduta correta, pois há icterícia com transaminases acima de cinco vezes o limite superior e sintomas dispépticos, critérios de hepatotoxicidade que impõem interrupção, seguida de reintrodução escalonada após normalização de enzimas e bilirrubinas. Manter o esquema com essa alteração arrisca insuficiência hepática fulminante. Trocar apenas o etambutol não faz sentido, pois este é o fármaco do esquema com menor hepatotoxicidade, enquanto isoniazida e pirazinamida são os principais responsáveis. Reduzir doses pela metade não é conduta reconhecida e mantém a exposição hepática. Hepatoprotetores como silimarina não têm eficácia comprovada e não substituem a suspensão.
Mulher, 26 anos, apresenta massa cervical direita de crescimento lento há 3 meses, indolor, com pele suprajacente eritematosa e fistulização recente com drenagem de material caseoso. Nega febre alta. PA 116x72 mmHg, FC 82 bpm, T 37,4 °C. Linfonodos cervicais coalescentes, aderidos e amolecidos. Teste rápido para o vírus da imunodeficiência humana não reagente. Radiografia de tórax sem alterações. Qual o diagnóstico e a conduta?
Massa cervical de evolução arrastada, indolor, com coalescência, amolecimento e fistulização com material caseoso é a escrófula, apresentação clássica da tuberculose ganglionar; o diagnóstico se faz por punção ou biópsia com baciloscopia, cultura e teste molecular, e o tratamento é o esquema básico por seis meses. O linfoma de Hodgkin cursa com linfonodos elásticos e móveis, sem fistulização caseosa, e com sintomas B. A doença da arranhadura do gato tem história de contato com felino e curso autolimitado em semanas. A adenite estafilocócica é aguda, muito dolorosa e febril, com evolução em dias. A sarcoidose acomete predominantemente linfonodos hilares e não produz fistulização cutânea caseosa.
Homem, 58 anos, em uso crônico de corticoide por doença autoimune, apresenta febre há 5 semanas, emagrecimento de 9 kg, tosse seca e dispneia progressiva. PA 108x66 mmHg, FC 108 bpm, FR 26 ipm, SatO2 91% em ar ambiente, T 38,4 °C. Hepatoesplenomegalia discreta. Radiografia mostra padrão micronodular difuso e simétrico em ambos os pulmões. Fundoscopia com tubérculos coroideos. Pancitopenia leve ao hemograma. Qual a hipótese e a conduta?
Febre prolongada, emagrecimento, padrão micronodular difuso e simétrico, tubérculos coroideos à fundoscopia e imunossupressão por corticoide compõem o quadro de tuberculose miliar, que exige esquema com quatro fármacos e investigação de acometimento meníngeo, frequente nessa forma disseminada. A carcinomatose linfática produz espessamento de septos e linhas B, não micronódulos difusos uniformes com tubérculos coroideos. A silicose exige exposição ocupacional a sílica e tem curso crônico sem febre e emagrecimento. A pneumocistose cursa com infiltrado intersticial em vidro fosco, e não com padrão miliar típico nem hepatoesplenomegalia. A histiocitose acomete adultos jovens tabagistas, com nódulos e cistos de predomínio nos lobos superiores.
Homem, 47 anos, etilista, no 25º dia de tratamento de tuberculose pulmonar com rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol, apresenta náuseas, icterícia e colúria. PA 118x74 mmHg, FC 86 bpm, T 36,8 °C. TGO 420 U/L e TGP 560 U/L (VR até 40); bilirrubina total 4,8 mg/dL (VR até 1,2) com direta 3,6 mg/dL; RNI 1,2. Sorologias virais negativas. Qual a conduta?
Transaminases acima de cinco vezes o limite superior, ou acima de três vezes com sintomas e icterícia, indicam suspensão do esquema antituberculose, com monitorização das enzimas e reintrodução escalonada dos fármacos após normalização, exatamente o caso deste paciente com TGP de 560 U/L e bilirrubina de 4,8 mg/dL. Manter o esquema com hepatoprotetor arrisca hepatite fulminante. Trocar somente a rifampicina não resolve, pois isoniazida e pirazinamida são as principais responsáveis pela hepatotoxicidade. Reduzir doses pela metade compromete a eficácia e não elimina o risco hepático. O corticoide não é tratamento da hepatite medicamentosa por antituberculosos.
Gestante de 16 semanas, 24 anos, com tosse há 8 semanas, febre vespertina e emagrecimento. PA 108x68 mmHg, FC 96 bpm, T 37,9 °C. Radiografia de tórax com proteção abdominal mostra infiltrado em lobo superior direito com cavitação. Baciloscopia de escarro positiva com duas cruzes e teste molecular rápido detectando complexo Mycobacterium tuberculosis sensível à rifampicina. Sobre o tratamento nesse contexto, assinale a alternativa correta.
O esquema básico com rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol é considerado seguro na gestação e deve ser iniciado imediatamente, associando-se piridoxina para prevenir neuropatia periférica pela isoniazida. Adiar o tratamento expõe mãe e feto à progressão da doença e à transmissão. A estreptomicina é justamente o antituberculoso contraindicado na gestação, por ototoxicidade fetal. O aleitamento é permitido e incentivado, com uso de máscara pela mãe enquanto bacilífera. A pirazinamida é utilizada no esquema básico da gestante nas recomendações brasileiras, não sendo formalmente contraindicada.
Homem, 39 anos, em retratamento de tuberculose após dois abandonos, mantém baciloscopia positiva no 5º mês de esquema básico. PA 112x70 mmHg, FC 92 bpm, T 37,8 °C, índice de massa corporal 17 kg/m². Teste de sensibilidade mostra resistência à rifampicina e à isoniazida, com sensibilidade preservada a fluoroquinolonas. Teste rápido para o vírus da imunodeficiência humana não reagente. Qual a conduta correta?
Resistência simultânea a rifampicina e isoniazida define tuberculose multirresistente, cujo manejo exige esquema individualizado em serviço de referência terciária, com notificação e acompanhamento especializado, além de tratamento diretamente observado. Reiniciar o esquema básico com fármacos aos quais o bacilo é resistente conduz a falência e amplificação da resistência. Acrescentar estreptomicina a um esquema falho equivale a monoterapia funcional. Levofloxacino em monoterapia gera rapidamente resistência à classe e é conduta proscrita. Suspender o tratamento por três meses mantém o paciente bacilífero e transmissor, com progressão da doença.
Uma unidade básica de saúde revisa suas estratégias para melhorar desfechos do tratamento da tuberculose, após identificar taxa de abandono de 18% no último ano, acima da meta pactuada. A equipe discute o tratamento diretamente observado e as ações de vínculo com os pacientes em situação de vulnerabilidade social. Sobre essa estratégia, assinale a alternativa correta.
O tratamento diretamente observado é recomendado para todos os casos de tuberculose, com observação da ingestão dos comprimidos por profissional treinado, e associa-se a menor abandono, menor falência e menor emergência de resistência. Restringi-lo à multirresistência perde o efeito preventivo sobre a própria resistência. A observação deve abranger tanto a fase intensiva quanto a de manutenção. Entregar medicação mensal e conferir cartelas não configura observação da tomada, e sim autoadministração. Pessoas em situação de rua são justamente população prioritária, com estratégias adaptadas de busca ativa e incentivos.
Uma equipe de saúde da família planeja intensificar a detecção precoce de casos de tuberculose em seu território, com alta incidência da doença e presença de comunidade com aglomeração domiciliar. A coordenação orienta a organização da busca ativa e a definição operacional a ser adotada pelos agentes comunitários. Sobre a busca ativa de sintomáticos respiratórios, assinale a alternativa correta.
Na população geral, define-se sintomático respiratório como a pessoa com tosse por três semanas ou mais, critério operacional que orienta a busca ativa; em populações especiais, como privados de liberdade e pessoas vivendo com o vírus da imunodeficiência humana, o critério é mais sensível. Restringir a busca a contatos de casos conhecidos deixa de detectar transmissão comunitária. O exame indicado é o teste rápido molecular ou a baciloscopia de escarro, sendo a radiografia complementar. A prova tuberculínica identifica infecção latente e não distingue doença ativa. Exigir hemoptise e emagrecimento para investigar retarda o diagnóstico e mantém a transmissão.
Mulher, 41 anos, com artrite reumatoide refratária, iniciará terapia com inibidor do fator de necrose tumoral. Assintomática do ponto de vista respiratório. PA 118x74 mmHg, FC 78 bpm, T 36,6 °C. Radiografia de tórax normal. Prova tuberculínica com 8 mm de enduração. Sem contato conhecido com caso de tuberculose. Qual a conduta antes do início do imunobiológico?
Em candidatos a inibidores do fator de necrose tumoral, o ponto de corte da prova tuberculínica é reduzido, de modo que enduração igual ou superior a 5 mm indica infecção latente e tratamento antes do início do imunobiológico, situação desta paciente com 8 mm e radiografia normal. Considerar 10 mm como limite universal ignora a estratificação por risco. Esquema completo para doença ativa não se aplica, pois não há evidência de tuberculose ativa. Repetir a prova em 12 meses sem intervenção expõe a paciente à reativação sob bloqueio do fator de necrose tumoral. Baciloscopia de escarro em paciente assintomática com radiografia normal não avalia infecção latente.
Homem, 39 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar há 3 meses com esquema contendo isoniazida, rifampicina, pirazinamida e etambutol, refere há 5 semanas parestesias e queimação em pés, com progressão para tornozelos. É etilista e desnutrido. Exame: hipoestesia simétrica distal em membros inferiores, reflexos aquileus reduzidos, força preservada, acuidade visual e discriminação de cores normais. Glicemia de jejum 92 mg/dL (VR 70–99); vitamina B12 normal; TSH normal. Qual a conduta?
A isoniazida interfere no metabolismo da piridoxina e causa neuropatia periférica sensitiva, risco aumentado em etilistas, desnutridos, gestantes e portadores de insuficiência renal; a conduta é repor piridoxina, que também é usada de forma profilática nesses grupos, mantendo o tratamento antituberculoso. O etambutol causa neurite óptica com perda de acuidade e discriminação de cores, achados expressamente normais. Suspender todo o esquema expõe o paciente a falha terapêutica e resistência sem necessidade. O corticoide não trata a neuropatia por deficiência vitamínica. A rifampicina não é causa habitual de neuropatia periférica, associando-se mais a hepatotoxicidade e a interações medicamentosas.
Gestante de 16 semanas, 24 anos, com tosse há 8 semanas, febre vespertina e emagrecimento. PA 108x68 mmHg, FC 96 bpm, T 37,9 °C. Radiografia de tórax com proteção abdominal mostra infiltrado em lobo superior direito com cavitação. Baciloscopia de escarro positiva com duas cruzes e teste molecular rápido detectando complexo Mycobacterium tuberculosis sensível à rifampicina. Sobre o tratamento nesse contexto, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmativa incorreta é a que indica estreptomicina na gestante: esse é justamente o antituberculoso contraindicado na gestação, por ototoxicidade fetal, não devendo substituir o etambutol. A segurança do esquema básico com quatro fármacos e a necessidade de início imediato estão corretas nesta gestante com baciloscopia positiva. A associação de piridoxina para prevenir neuropatia pela isoniazida é recomendação adequada. A permissão do aleitamento com uso de máscara enquanto bacilífera é correta. Adiar o tratamento realmente expõe mãe e feto à progressão da doença e à transmissão.
Uma unidade básica de saúde revisa suas estratégias para melhorar desfechos do tratamento da tuberculose, após identificar taxa de abandono de 18% no último ano, acima da meta pactuada. A equipe discute o tratamento diretamente observado e as ações de vínculo com os pacientes em situação de vulnerabilidade social. Sobre essa estratégia, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmativa incorreta é a que restringe o tratamento diretamente observado à multirresistência confirmada: a estratégia é recomendada a todos os casos e é justamente uma das ferramentas para prevenir o surgimento de resistência. A recomendação universal com redução de abandono e falência está corretamente enunciada e responde à taxa de abandono de 18% do serviço. A observação nas duas fases do tratamento é correta. As pessoas em situação de rua são de fato população prioritária. Entregar medicação mensal e conferir cartelas realmente não caracteriza observação da tomada.
Homem, 48 anos, tabagista, apresenta rouquidão progressiva há 8 semanas, odinofagia intensa e tosse produtiva, com emagrecimento de 7 kg. PA 120x76 mmHg, FC 88 bpm, T 37,8 °C. Laringoscopia mostra lesão ulcerovegetante em prega vocal direita com edema difuso. Radiografia de tórax com infiltrado cavitário em ápice direito. Baciloscopia de escarro positiva com três cruzes. Qual o diagnóstico e a conduta?
Rouquidão com lesão ulcerovegetante laríngea em paciente com cavitação apical e baciloscopia fortemente positiva indica tuberculose laríngea associada à forma pulmonar, uma das apresentações mais transmissíveis da doença, exigindo esquema básico e isolamento respiratório. O carcinoma de laringe é diferencial obrigatório em tabagista, mas a baciloscopia com três cruzes e o infiltrado cavitário definem a conduta inicial, com biópsia reservada aos casos sem resposta. A laringite por refluxo não produz lesão ulcerovegetante com cavitação pulmonar. A papilomatose gera lesões verrucosas múltiplas sem sintomas constitucionais. A paracoccidioidomicose acomete mucosa oral e laríngea, mas com estomatite moriforme e sem esse achado bacteriológico.
Homem de 35 anos apresenta tosse há seis semanas, perda de peso e sudorese noturna. O laudo descreve cavidade apical; o teste molecular do escarro detecta Mycobacterium tuberculosis, sem resistência à rifampicina detectada. Qual é o diagnóstico mais provável?
Sintomas prolongados e detecção molecular do bacilo em amostra respiratória sustentam doença ativa. Referência: https://www.cdc.gov/tb/hcp/testing-diagnosis/clinical-and-laboratory-diagnosis.html
Homem de 35 anos apresenta tosse há seis semanas, perda de peso e sudorese noturna. O laudo descreve cavidade apical; o teste molecular do escarro detecta Mycobacterium tuberculosis, sem resistência à rifampicina detectada. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
A interação entre o bacilo e a resposta imune pode produzir cavitações e transmissão respiratória. Referência: https://www.cdc.gov/tb/hcp/testing-diagnosis/clinical-and-laboratory-diagnosis.html
Homem de 35 anos apresenta tosse há seis semanas, perda de peso e sudorese noturna. O laudo descreve cavidade apical; o teste molecular do escarro detecta Mycobacterium tuberculosis, sem resistência à rifampicina detectada. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
O teste molecular apoia diagnóstico rápido e informa parte do perfil de resistência; cultura complementa a investigação. Referência: https://www.cdc.gov/tb/hcp/testing-diagnosis/clinical-and-laboratory-diagnosis.html
Homem de 35 anos apresenta tosse há seis semanas, perda de peso e sudorese noturna. O laudo descreve cavidade apical; o teste molecular do escarro detecta Mycobacterium tuberculosis, sem resistência à rifampicina detectada. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
A combinação de fármacos trata a doença e reduz seleção de resistência; medidas de saúde pública são indispensáveis. Referência: https://www.cdc.gov/tb/hcp/testing-diagnosis/clinical-and-laboratory-diagnosis.html
Profissional de saúde com contato domiciliar infectante evolui com tosse persistente e teste molecular respiratório positivo para tuberculose. Qual diagnóstico é mais provável?
O teste identifica doença ativa no contexto sintomático. Sintomas persistentes, exposição e identificação de Mycobacterium tuberculosis sustentam tuberculose; teste molecular auxilia diagnóstico e resistência. Referência: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/tuberculosis
Homem com tosse há um mês, emagrecimento e sudorese noturna tem teste molecular de escarro positivo para M. tuberculosis. Qual diagnóstico é mais provável?
A identificação do agente confirma a hipótese clínica. Sintomas persistentes, exposição e identificação de Mycobacterium tuberculosis sustentam tuberculose; teste molecular auxilia diagnóstico e resistência. Referência: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/tuberculosis
Paciente com tosse prolongada apresenta baciloscopia positiva e teste molecular que identifica M. tuberculosis, sem evidência de micobactéria não tuberculosa. Qual diagnóstico é mais provável?
A identificação específica distingue tuberculose de outras micobacterioses. Sintomas persistentes, exposição e identificação de Mycobacterium tuberculosis sustentam tuberculose; teste molecular auxilia diagnóstico e resistência. Referência: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/tuberculosis
Pessoa vivendo em abrigo tem hemoptise discreta e cavidade apical; cultura de escarro identifica complexo M. tuberculosis. Qual diagnóstico é mais provável?
Cavitação e confirmação microbiológica sustentam tuberculose. Sintomas persistentes, exposição e identificação de Mycobacterium tuberculosis sustentam tuberculose; teste molecular auxilia diagnóstico e resistência. Referência: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/tuberculosis
Paciente imunossuprimido com febre prolongada e emagrecimento apresenta esta radiografia. Qual padrão de disseminação deve ser considerado?

Os pequenos nódulos disseminados bilateralmente sugerem padrão miliar; TB é hipótese relevante, sem especificidade etiológica isolada.
Qual dado adicional de imagem reforçaria que a estrutura arredondada vista dentro da cavidade corresponde a conteúdo livre intracavitário?

Uma bola fúngica pode mover-se dentro da cavidade conforme a gravidade, reforçando a interpretação de conteúdo livre; ausência de mobilidade não exclui todos os casos.
Pessoa com cavidade residual após tuberculose apresenta hemoptise recorrente. Qual hipótese é favorecida pelas radiografias?

A massa arredondada dentro da cavidade, separada da parede por ar, no contexto de sequela cavitária, favorece bola fúngica.
Na pessoa com a pneumoconiose sugerida pela radiografia, surgem febre, emagrecimento e tosse persistente. Qual infecção merece investigação prioritária pela associação com essa exposição?

Exposição à sílica e silicose elevam o risco de tuberculose. Sintomas novos exigem investigação microbiológica, sem atribuir tudo à fibrose já existente.
Qual inferência é correta sobre o padrão ramificado que acompanha a cavidade nesta TC?

Árvore em brotamento é compatível com disseminação broncogênica e pode ocorrer em TB, outras infecções e aspiração; microbiologia e contexto definem a causa.
Qual afirmação sobre o valor diagnóstico da radiografia apresentada é correta?

Infecções fúngicas e disseminação neoplásica, entre outras condições, podem produzir micronódulos difusos. Contexto, TC e amostras orientam a etiologia.
Paciente com tosse há seis semanas, sudorese noturna e perda ponderal apresenta a radiografia mostrada. Qual hipótese e medida inicial se ajustam melhor?

Cavitação e opacidades predominantes nos campos superiores, com sintomas crônicos, exigem investigação de TB e medidas para reduzir transmissão.
Na TC de pessoa com tosse crônica, qual padrão acompanha a cavidade do pulmão direito?

As opacidades ramificadas periféricas refletem comprometimento de pequenas vias aéreas; no contexto, sugerem disseminação broncogênica infecciosa.
Diante do padrão cavitário apresentado, qual resultado pode confirmar Mycobacterium tuberculosis e fornecer informação inicial sobre resistência à rifampicina?

O teste molecular pode detectar o complexo M. tuberculosis e resistência à rifampicina. Cultura e teste de sensibilidade têm papel complementar conforme o cenário.
Como interpretar a baciloscopia negativa frente ao conjunto?

Sensibilidade da baciloscopia é limitada; probabilidade clínica e exames complementares importam.
Qual via é central na transmissão de tuberculose pulmonar?

Partículas respiratórias suspensas podem transmitir a infecção.
Se o teste molecular detectar resistência à rifampicina, qual conduta de raciocínio é apropriada?

Resistência molecular modifica estratégia e requer confirmação e manejo conforme protocolo.
Qual sintoma constitucional consta do quadro?

Emagrecimento e sudorese podem acompanhar tuberculose ativa.
Por que teste de infecção latente positivo não resolve sozinho este caso sintomático?

Testes imunológicos indicam sensibilização; doença ativa exige avaliação própria.
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em 7 dias
As réguas numéricas, na ordem em que a questão as usa. Sintomático respiratório: tosse de três semanas ou mais na população geral, duas semanas em quem procura espontaneamente o serviço, qualquer duração em contato, pessoa vivendo com HIV, população privada de liberdade, pessoa em situação de rua, indígena e instituição de longa permanência. Diagnóstico: teste rápido molecular em uma amostra, sensibilidade em torno de 90% e 95% para detectar resistência à rifampicina; baciloscopia em duas amostras, uma na identificação e outra ao despertar do dia seguinte; cultura com teste de sensibilidade em todo caso diagnosticado por teste rápido, em todo suspeito onde não há teste rápido, em todo retratamento, em toda baciloscopia positiva no segundo mês e em toda suspeita de falência. Leitura em cruzes: negativo sem bacilo em 100 campos; 1 a 9 relata a quantidade; 10 a 99 em 100 campos é uma cruz; 1 a 10 por campo em 50 campos é duas cruzes; mais de 10 por campo em 20 campos é três cruzes. Tratamento: 2RHZE/4RH, com RHZE 150/75/400/275 mg em 2, 3, 4 ou 5 comprimidos para as faixas de 20 a 35, 36 a 50, 51 a 70 e acima de 70 kg; meningoencefálica e osteoarticular em 2RHZE/10RH, com prednisona 1 a 2 mg/kg/dia por quatro semanas. Seguimento: consulta e baciloscopia mensais, teste para HIV no primeiro mês, cura com duas baciloscopias negativas sendo uma no quinto ou sexto mês. Hepatotoxicidade: suspender com cinco vezes o normal sem sintomas, três vezes com sintomas, ou icterícia; reintroduzir rifampicina com etambutol, depois isoniazida, depois pirazinamida, com três a sete dias entre cada.
em 30 dias
As três divergências e o que fazer com cada uma. A do esquema da infecção latente, que é de data: isoniazida em 270 doses no Manual de 2019; 3HP com rifapentina e isoniazida em 12 doses semanais no Guia de Vigilância em Saúde de 2024, que o registra como preferencial — o divisor é a incorporação da rifapentina ao SUS, em setembro de 2021, e as alternativas denunciam de que lado a questão está. A da duração do tratamento, que é de disponibilidade: seis meses no Brasil, com 2RHZE/4RH, alinhado à recomendação forte da OMS; quatro meses no regime 2HPMZ/2HPM da OMS de 2022, recomendação condicional, que exige rifapentina diária e moxifloxacino — a rifapentina foi incorporada aqui apenas para as formas não ativas, e moxifloxacino em qualquer alternativa é sinal de recorte internacional. A das semanas de tosse, que é de cenário e sai do mesmo corpo documental: três semanas para a definição e para a busca ativa na comunidade, duas semanas para a demanda espontânea no serviço, qualquer duração nas populações de maior risco. Ao lado delas, os três critérios de falência, que precisam sair inteiros: baciloscopia positiva ao final do tratamento; baciloscopia fortemente positiva no início mantida até o quarto mês; e negativação seguida de nova positividade por dois meses consecutivos a partir do quarto mês. E os cortes da infecção latente: sem teste em recém-nascido coabitante e nas quatro situações de pessoa vivendo com HIV; 5 mm em contato, alteração fibrótica, inibidor de TNF-alfa, corticoide acima de 15 mg de prednisona por mais de um mês e pré-transplante; 10 mm em silicose, neoplasias de cabeça e pescoço e hematológicas, neoplasia em imunossupressão, diálise, diabetes, baixo peso, tabagismo acima de um maço e calcificação isolada; conversão com incremento de 10 mm em contato confirmado laboratorialmente, profissional de saúde e trabalhador de instituição de longa permanência.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Homem de 41 anos com tosse produtiva há sete semanas, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 8 kg; radiografia com cavitação em lobo superior direito e teste rápido molecular com MTB detectado sem resistência à rifampicina — unidade básica de saúde — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
