Ginecologia e ObstetríciaPré-natal, rastreios e intercorrências clínicas da gestação

Estratificação de risco gestacional e encaminhamento ao pré-natal de alto risco

Estratificação de risco gestacional e critérios de encaminhamento ao pré-natal de alto risco

A prova raramente pede a lista inteira de fatores de risco. Ela pede uma decisão: esta gestante fica na UBS, vai para o pré-natal de alto risco ou vai agora para a emergência obstétrica — e quem continua responsável por ela depois disso.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Uma mulher de 32 anos, G3P2 (dois partos cesáreos anteriores), comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal com idade gestacional de 10 semanas, confirmada por ultrassonografia. Refere hipertensão arterial diagnosticada há três anos, em uso regular de metildopa 250 mg de 8/8 horas. Nega outras comorbidades. Ao exame: bom estado geral, IMC 34 kg/m², pressão arterial de 140x90 mmHg, restante sem alterações. Traz exames prévios sem lesão de órgão-alvo. A equipe da Estratégia Saúde da Família discute a conduta mais adequada quanto ao seguimento desta gestante. Qual é a conduta correta?

02

Como esse tema cai

Estratificar risco gestacional não é preencher formulário: é decidir onde a gestante será cuidada e por quem. O Ministério da Saúde estima que a maioria das gestações transcorra em risco habitual, e a organização do SUS parte disso — a atenção primária acompanha quase todo mundo, e o pré-natal de alto risco é um recurso escasso que precisa chegar a quem tem probabilidade real de desfecho grave. Errar para mais entope a fila e atrasa quem precisa; errar para menos deixa a gestante certa longe do serviço certo.

A prova cobra isso de três formas. A primeira é a decisão de destino: diante de uma vinheta, a gestante fica na UBS, é encaminhada ao ambulatório de alto risco ou vai agora para a emergência obstétrica? A segunda é o princípio de responsabilidade: encaminhar não é dar alta — a APS continua no caso, e a estratificação é contínua e absoluta. A terceira é a lista propriamente dita, e é aí que o candidato se perde, porque os documentos brasileiros não trazem exatamente a mesma lista.

O núcleo deste capítulo é o Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde, de 2022 — é o documento federal e é dele que saem os enunciados de banca com recorte SUS. Os protocolos de regulação do TelessaúdeRS-UFRGS (4ª edição, 2024) e o instrumento de estratificação da SES de Santa Catarina (3ª edição, 2025) entram porque mostram como estados operacionalizam a mesma régua, e porque discordam do federal em pontos que a prova adora: o estrato intermediário, a idade materna isolada e a gemelaridade dicoriônica.

03

O que muda decisão

Três estratos, três lugares — e a APS não sai do caso

O Manual de Gestação de Alto Risco (MS, 2022) organiza a assistência em três estratos. Risco habitual: pré-natal na Atenção Primária à Saúde. Médio risco (ou risco intermediário): pré-natal na APS, com apoio de equipe multiprofissional ou de ambulatório de pré-natal de alto risco. Alto risco: acompanhamento em ambulatório de pré-natal de alto risco ou ambulatório especializado — compartilhado, não transferido.

O primeiro dos dez pontos do manual é o que mais cai e o que menos se lê: não há alta da gestante da Atenção Primária à Saúde. Independentemente do perfil de risco, a gestante segue vinculada à equipe do território — agente comunitário, técnico, enfermeiro e médico. Encaminhar ao alto risco é ampliar o cuidado, não transferir a responsabilidade. Alternativa de prova que diz 'encaminhar ao pré-natal de alto risco e dar alta da unidade básica' está errada por esse motivo, e não por causa da lista de fatores de risco.

O segundo princípio é que a estratificação é contínua: refeita em todas as consultas, desde a primeira, porque fator de risco novo aparece a qualquer momento. E o compartilhamento do cuidado pode ser solicitado em qualquer momento do pré-natal — não existe 'já está com 34 semanas, não vale mais a pena encaminhar'.

O terceiro é o mais contraintuitivo: a estratificação é absoluta. Predomina o critério de maior risco, e uma vez classificada como de alto risco, a gestante não volta a ser de risco habitual naquela gestação. Se a anemia grave foi corrigida ou a pré-eclâmpsia foi descartada, o cuidado pode ser desintensificado na prática clínica, mas o estrato não é rebaixado. Esse ponto aparece literalmente igual no manual federal de 2022 e no instrumento catarinense de 2025.

O quarto princípio explica por que a lista não é uma soma simples: quanto maior o número de fatores de risco, maior o risco individualizado, porque há sinergia entre eles. Duas condições intermediárias combinadas podem justificar a mesma vigilância que uma condição de alto risco isolada — e é por isso que alguns estados adotaram escore de pontos, enquanto o federal manteve lista de condições.

Ilustração de três serviços de saúde ligados por uma linha contínua — unidade básica, ambulatório especializado e hospital — com a gestante sobre a linha, mais próxima da unidade básica.
A estratificação muda quantos serviços cuidam da gestante, não quem responde por ela: o vínculo com a atenção primária é a linha que não se rompe.

As quatro categorias de fatores de risco

Tanto o manual federal quanto os instrumentos estaduais agrupam os fatores em quatro blocos, e saber o bloco ajuda a não esquecer metade da lista na hora da prova: características individuais e condições sociodemográficas; história reprodutiva anterior; condições clínicas prévias à gestação; e intercorrências clínicas ou obstétricas da gestação atual.

Características individuais e sociodemográficas quase nunca, sozinhas, levam ao ambulatório de alto risco. No Quadro 4 do manual de 2022, idade menor que 15 ou maior que 35 anos, baixa escolaridade, condições de trabalho desfavoráveis, insegurança conjugal, situação de rua, gestante negra, IMC entre 30 e 39 kg/m², tabagismo com baixo grau de dependência e uso ocasional de drogas ficam no risco intermediário — APS com apoio. Sobem para alto risco quando o grau muda: IMC igual ou maior que 40 kg/m², desnutrição, transtornos alimentares, dependência de álcool, tabaco ou outras drogas. O instrumento catarinense diz isso de forma explícita: a soma dos pontos dessa categoria não configura encaminhamento direto ao ambulatório de alto risco, com a única exceção da obesidade grau 3.

História reprodutiva anterior é a categoria que mais gera encaminhamento silencioso — a gestante está bem hoje, mas o antecedente decide. São critérios de alto risco no manual de 2022: abortamento habitual ou recorrente, aborto tardio ou morte perinatal explicada ou inexplicada, prematuridade anterior, isoimunização Rh em gestação anterior, acretismo placentário, pré-eclâmpsia grave ou síndrome HELLP e cesariana prévia com incisão clássica (corporal/longitudinal). Ficam no intermediário: até dois abortos precoces consecutivos, insuficiência istmo-cervical, restrição de crescimento fetal ou macrossomia prévias, malformação fetal, nuliparidade ou multiparidade de cinco ou mais partos, duas ou mais cesáreas prévias, intervalo interpartal menor que dois anos, diabetes gestacional anterior e infertilidade.

Condições clínicas prévias à gestação são o bloco mais denso de alto risco, e a lógica é simples: doença crônica que a gestação descompensa ou cujo tratamento a gestação complica. Hipertensão arterial crônica, diabetes mellitus tipo 1 ou 2, cardiopatias, tireoidopatias clínicas (hipotireoidismo em uso de medicamento e hipertireoidismo), nefropatias e pneumopatias graves, doenças hematológicas (doença falciforme — exceto traço —, PTI, talassemias, coagulopatias), doenças neurológicas, doenças autoimunes, antecedente de tromboembolismo, transtorno psiquiátrico grave, neoplasia, transplante, cirurgia bariátrica, HIV, ginecopatias como malformação uterina e miomas grandes ou múltiplos. No intermediário sobram poucas: depressão e ansiedade leves sem tratamento medicamentoso, asma controlada sem medicação contínua e hipotireoidismo subclínico diagnosticado na gestação.

Intercorrências da gestação atual são as que mudam o estrato no meio do caminho. Alto risco: restrição de crescimento fetal confirmada, desvios de líquido amniótico, infecção urinária de repetição (três ou mais episódios baixos ou dois ou mais de pielonefrite), sífilis terciária, resistente ao tratamento com penicilina benzatina ou com achados ecográficos sugestivos de sífilis congênita, toxoplasmose aguda com suspeita de repercussão fetal, rubéola, citomegalovírus e diagnóstico de HIV na gestação. Intermediário: gestação resultante de estupro, gemelar dicoriônica-diamniótica, diabetes gestacional controlada sem medicação e sem repercussão fetal, hipertensão gestacional ou pré-eclâmpsia sem sinal de gravidade, até dois episódios de infecção urinária ou um de pielonefrite, ganho de peso inadequado, anemia com hemoglobina entre 9 e 11 g/dL, RCF apenas suspeita e feto acima do percentil 90.

Alto risco não é sinônimo de emergência — e a prova vive dessa confusão

A vinheta mais frequente não pergunta o estrato: pergunta se dá para agendar. O Quadro 2 do manual de 2022 lista as situações que exigem avaliação hospitalar imediata, e nenhuma delas se resolve com pedido de consulta ambulatorial. São elas: vômitos incoercíveis não responsivos ao tratamento; anemia grave com hemoglobina igual ou menor que 7 g/dL; cefaleia intensa e súbita, sinais neurológicos, crise aguda de asma ou edema agudo de pulmão; crise hipertensiva com PA igual ou maior que 160×110 mmHg; sinais premonitórios de eclâmpsia (escotomas cintilantes, cefaleia occipital típica, epigastralgia ou dor intensa no hipocôndrio direito, com ou sem hipertensão grave e proteinúria); eclâmpsia ou convulsões; hipertermia com temperatura axilar igual ou maior que 37,8 °C sem sinais de infecção de vias aéreas superiores; suspeita de trombose venosa profunda; suspeita ou diagnóstico de abdome agudo; suspeita ou diagnóstico de pielonefrite, infecção ovular ou outra infecção com indicação de internação; prurido gestacional ou icterícia; hemorragias da gestação, incluindo descolamento prematuro de placenta e placenta prévia; e idade gestacional de 41 semanas ou mais.

Repare em dois itens que passam despercebidos porque parecem 'ambulatoriais'. Idade gestacional de 41 semanas ou mais é encaminhamento hospitalar, não consulta marcada: a partir daí a conduta é de avaliação de vitalidade e decisão sobre indução, e isso não espera fila. Prurido gestacional com icterícia também é hospitalar — a hipótese é colestase intra-hepática da gestação, que tem risco fetal e não se investiga com retorno em quinze dias.

O protocolo do TelessaúdeRS-UFRGS opera com a mesma lógica em cada condição: para hipertensão, por exemplo, suspeita de pré-eclâmpsia e crise hipertensiva (PA sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg) vão para centro obstétrico ou emergência ginecológica; o ambulatório de alto risco fica com a hipertensão crônica qualificada e com a hipertensão gestacional já sem suspeita de pré-eclâmpsia. É a mesma pergunta em outra roupa: emergência agora, ambulatório depois, ou APS mesmo.

Vale registrar que os cortes de urgência variam entre documentos brasileiros. Para hipertermia, o manual federal de 2022 usa temperatura axilar ≥ 37,8 °C e o instrumento catarinense de 2025 usa ≥ 38 °C. Para anemia, o federal manda ao hospital com Hb ≤ 7 g/dL, enquanto o catarinense reserva a emergência para Hb < 6 g/dL ou anemia sintomática — e trata Hb < 8 g/dL como critério de alto risco ambulatorial. Em prova com recorte federal, o número a usar é o do manual do Ministério da Saúde: 37,8 °C e 7 g/dL.

Do reconhecimento ao encaminhamento: o que o pedido precisa conter

Identificar o risco resolve metade do problema; a outra metade é o encaminhamento chegar regulado e legível. Os protocolos de regulação ambulatorial do TelessaúdeRS-UFRGS existem justamente para isso e definem, condição por condição, um conteúdo descritivo mínimo. Em todos eles repetem-se: idade gestacional (pela data da última menstruação ou por ecografia precoce), a condição clínica materna ou fetal que motiva o encaminhamento, os exames já realizados com data, o laudo da ecografia obstétrica quando houver e o número da teleconsultoria, se o caso já foi discutido.

Nos protocolos específicos, o conteúdo mínimo muda de acordo com o que o regulador precisa para priorizar. Em hipertensão: diagnóstico prévio ou não à gestação, duas medidas de pressão arterial com data, resultado de proteinúria (de 24 horas ou relação proteinúria/creatininúria em amostra), medicamentos em uso e antecedentes obstétricos relevantes. Em isoimunização Rh: tipagem sanguínea e fator Rh, Coombs indireto com data e título, e ecografia. O documento é explícito ao dizer que a falta de um exame não impede a solicitação de consulta especializada em locais sem o recurso — o que não pode faltar é a descrição clínica.

A regulação não trabalha com 'encaminhado ou não': trabalha com fila priorizada. O instrumento catarinense de 2025 descreve três níveis de prioridade usados pelo médico regulador (verde, amarelo e vermelho) e alerta que a combinação de fatores de risco não coloca automaticamente a gestante na prioridade mais alta — quem sobe na fila é quem tem história clínica mais provável de descompensar em curto prazo. O protocolo gaúcho faz o mesmo por outro caminho, nomeando as condições que devem ter preferência no encaminhamento: suspeita de acretismo placentário, tromboembolismo prévio, hipertireoidismo, anemia grave, diabetes prévio à gestação, pré-eclâmpsia atual ou em gestação anterior, incompetência istmo-cervical e outras comorbidades maternas graves.

Duas condições saem do fluxo obstétrico e vão para outra porta. Doença psiquiátrica grave — psicose, depressão grave, transtorno bipolar — é encaminhamento para serviço especializado em saúde mental, não para o ambulatório de alto risco (embora a gestante siga também como alto risco obstétrico). E condições clínicas com indicação de especialista focal por outro protocolo devem ser acompanhadas nos dois lugares: pré-natal de alto risco e a especialidade correspondente.

A rede que recebe: de AGAR a AGPAR, e a Rede Alyne

O nome do serviço que recebe a gestante mudou, e a nomenclatura do enunciado denuncia de qual documento a questão saiu. A 3ª edição dos protocolos do TelessaúdeRS-UFRGS, de 2023, dividia o destino em Ambulatório de Gestação de Alto Risco tipo I e tipo II (AGAR-I e AGAR-II), conforme a resolução CIB/RS 203/2012 — o tipo I recebia, por exemplo, gemelaridade dicoriônica e três ou mais cesarianas prévias; o tipo II, cardiopatias graves, doenças autoimunes e nefropatias. A 4ª edição, de junho de 2024, extinguiu a divisão: passou a haver um único destino, 'ambulatório de gestação de alto risco', e a própria seção de mudanças registra a unificação das condições 'sem diferenciação de acordo com a complexidade dos casos'.

No plano federal, a Portaria GM/MS nº 5.349, de 12 de setembro de 2024, alterou a Portaria de Consolidação GM/MS nº 6/2017 para dispor sobre o financiamento da Rede Alyne, e nomeia entre os componentes financiados o Ambulatório de Gestação e Puerpério de Alto Risco (AGPAR), os leitos de gestação de alto risco, o Centro de Parto Normal e a Casa da Gestante, Bebê e Puérpera. A mesma portaria dá prazo de transição de 180 dias aos estabelecimentos habilitados pela antiga Rede Cegonha — ou seja, a Rede Cegonha não desapareceu do dia para a noite, foi absorvida.

Para a prova, o que interessa é a tradução: 'AGAR-I/AGAR-II' é vocabulário de documento estadual gaúcho até 2023; 'AAE/PNAR' é vocabulário catarinense; 'AGPAR' e 'Rede Alyne' são vocabulário federal a partir de setembro de 2024; 'Rede Cegonha' é vocabulário anterior a essa data. Enunciado que ainda fala em Rede Cegonha está ancorado em material antigo — o que não o torna errado no mérito clínico, mas indica que a resposta esperada segue a organização anterior.

04

As três saídas da consulta de pré-natal

Toda consulta de pré-natal termina em uma de três saídas. A pergunta não é 'quantos fatores de risco ela tem', e sim 'onde ela é cuidada a partir de agora'. A ordem de checagem importa: emergência primeiro, porque é a única que não espera; depois o estrato; e só então a lista de fatores.

  1. 1Há alguma situação do quadro de urgência/emergência obstétrica agora? Se sim, estabilize na UBS e transfira para o hospital ou centro obstétrico, com contato prévio ao serviço de referência e acionamento do SAMU quando indicado — não agende consulta.
  2. 2Não sendo emergência, procure condição de alto risco nas quatro categorias: características individuais, história reprodutiva anterior, condições clínicas prévias e intercorrências da gestação atual.
  3. 3Havendo condição de alto risco, encaminhe ao ambulatório de pré-natal de alto risco pela regulação, com o conteúdo descritivo mínimo, e mantenha o pré-natal também na APS — o cuidado é compartilhado.
  4. 4Não havendo condição de alto risco, verifique fatores de risco intermediário: o pré-natal segue na APS, com apoio da equipe multiprofissional, matriciamento ou teleconsultoria.
  5. 5Sem fatores de risco relevantes, pré-natal de risco habitual na APS, com estratificação refeita a cada consulta.
  6. 6Em qualquer cenário, registre o estrato e lembre que ele não retrocede: identificado o alto risco, a gestante não volta a risco habitual nesta gestação.

Risco habitual — pré-natal na APS

Idade entre 16 e 34 anos, gestação aceita, sem intercorrências clínicas ou obstétricas prévias e atuais. Acompanhamento pela equipe da unidade básica, com estratificação refeita a cada consulta.

Risco intermediário — APS com apoio

Idade menor que 15 ou maior que 35 anos, IMC de 30 a 39 kg/m², vulnerabilidade social, até dois abortos precoces consecutivos, diabetes gestacional sem medicação, anemia com Hb entre 9 e 11 g/dL. Pré-natal segue na APS, com equipe multiprofissional, matriciamento ou teleconsultoria.

Alto risco — cuidado compartilhado

Hipertensão crônica, diabetes prévio, cardiopatia, doença autoimune, IMC igual ou maior que 40 kg/m², prematuridade ou pré-eclâmpsia grave anteriores, RCF confirmada, HIV diagnosticado na gestação. Ambulatório de alto risco pela regulação, sem alta da APS.

EstratoOnde faz o pré-natalExemplos que definem o estrato
Risco habitualAtenção Primária à SaúdeIdade de 16 a 34 anos; aceitação da gestação; sem intercorrências clínicas ou obstétricas anteriores e atuais
Médio risco / intermediárioAPS com apoio de equipe multiprofissional ou de ambulatório de alto riscoIdade < 15 ou > 35 anos; IMC 30–39 kg/m²; baixa escolaridade; violência doméstica; situação de rua; até 2 abortos precoces consecutivos; 2 ou mais cesáreas prévias; intervalo interpartal < 2 anos; DMG sem medicação e sem repercussão fetal; anemia com Hb 9–11 g/dL; até 2 ITUs ou 1 pielonefrite; gestação gemelar dicoriônica-diamniótica; asma controlada sem medicação contínua
Alto riscoAmbulatório de pré-natal de alto risco ou especializado, compartilhado com a APSIMC ≥ 40 kg/m²; dependência de álcool, tabaco ou drogas; abortamento recorrente (≥ 3); prematuridade anterior; pré-eclâmpsia grave ou HELLP prévias; acretismo; isoimunização Rh; cesariana prévia com incisão clássica; HAS crônica; DM prévio; cardiopatia; nefropatia, pneumopatia e doença autoimune; doença falciforme; neoplasia; transplante; HIV; RCF confirmada; ITU de repetição (≥ 3 baixas ou ≥ 2 pielonefrites)
Urgência/emergência obstétricaHospital ou centro obstétrico, imediatamentePA ≥ 160×110 mmHg; sinais premonitórios de eclâmpsia; eclâmpsia; hemorragia; abdome agudo; pielonefrite; suspeita de TVP; prurido/icterícia; Hb ≤ 7 g/dL; temperatura axilar ≥ 37,8 °C sem foco em vias aéreas; vômitos incoercíveis refratários; idade gestacional ≥ 41 semanas

Escore por pontos do instrumento catarinense (SES/SC, 3ª ed., 2025) — exemplos de peso por fator

Fator de riscoPontos
Idade menor que 15 anos ou maior que 40 anos2
Sobrepeso (IMC 25–29,9 kg/m²)1
Obesidade (IMC 30–39,9 kg/m²)4
Obesidade grau 3 (IMC ≥ 40 kg/m²)10
Abortamento espontâneo de repetição (2 ou mais perdas precoces consecutivas)2
Parto pré-termo após 34 semanas em gestação anterior2
Parto pré-termo até 34 semanas em gestação anterior10
Isoimunização Rh identificada em gestação anterior5
Óbito fetal de causa não identificada; incompetência istmo-cervical; DPP prévio10
Pré-eclâmpsia ou doença hipertensiva na gestação atual; DMG em insulina; RCF; gemelaridade10
HAS ou diabetes descompensados; cardiopatia com repercussão hemodinâmica; doença autoimune; transplante10

Faixas de pontuação e destino do pré-natal (SES/SC, 3ª ed., 2025)

Soma dos pontosEstratoOnde faz o pré-natal
Até 4 pontosRisco habitual (baixo)Equipe da APS
Entre 5 e 9 pontosRisco intermediárioEquipe da APS, com apoio da equipe do ambulatório especializado quando necessário
10 pontos ou maisAlto riscoCompartilhado entre a equipe da APS e o ambulatório de atenção especializada (AAE/PNAR)

A ordem de checagem é emergência → alto risco → intermediário → habitual, e não o contrário: começar pela lista de fatores é o que faz o candidato agendar consulta para quem precisava de hospital.

Um único fator de alto risco basta — a estratificação é absoluta e não se compensa com a ausência dos outros.

Nas faixas de pontuação catarinenses, o texto de apresentação do próprio instrumento traz 'entre 4 e 9' e 'acima de 10 pontos', o que se sobrepõe à faixa habitual em 4 e deixa o valor 10 fora de qualquer estrato. O Quadro 2 e o Fluxograma 1 do mesmo documento trazem as faixas corretas e concordantes entre si — até 4; entre 5 e 9; 10 ou mais — e são elas que valem.

Doença psiquiátrica grave gera encaminhamento a serviço especializado em saúde mental, além do acompanhamento obstétrico; condição com especialista focal em outro protocolo é acompanhada nos dois serviços.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Existe estrato intermediário?

Três estratos, com risco intermediário acompanhado na APS com apoio

O manual federal define risco habitual, médio risco (intermediário) e alto risco, e reserva ao intermediário o acompanhamento na APS com equipe multiprofissional ou apoio do ambulatório de alto risco. O estrato existe para que condições de menor potencial de complicação não ocupem vaga de especializada nem fiquem sem retaguarda.

Manual de Gestação de Alto Risco (MS, 2022), Quadros 3 e 4.

Dois destinos, sem estrato intermediário formal

Os protocolos de regulação gaúchos não estratificam a gestante: listam, condição por condição, o que vai para emergência obstétrica e o que vai para o ambulatório de alto risco — todo o resto permanece na APS. A 4ª edição, de 2024, foi além e eliminou também a divisão interna do ambulatório em tipos I e II, que a 3ª edição, de 2023, ainda usava. A causa é operacional: o documento é instrumento de regulação de vaga, e vaga é binária.

Protocolos de Regulação Ambulatorial: Obstetrícia (Pré-Natal de Alto Risco), TelessaúdeRS-UFRGS/SES-RS, 4ª ed., 2024, seção 'Mudanças da nova versão'.

Na prova

O vocabulário do enunciado entrega o recorte. 'Risco intermediário', 'médio risco' e 'apoio de equipe multiprofissional' são termos do manual federal de 2022 e de instrumentos estaduais derivados dele. 'AGAR-I e AGAR-II' é vocabulário gaúcho até 2023; 'ambulatório de gestação de alto risco' sem tipo, em enunciado que fala em regulação e conteúdo descritivo mínimo, aponta para a edição de 2024. Cenário de UBS com pergunta sobre onde acompanhar tende ao corpo federal; cenário de central de regulação tende ao corpo estadual.

Idade materna isolada muda o destino do pré-natal?

Idade extrema é fator de risco intermediário; acima de 40 anos entra entre as condições de maior risco

O Quadro 4 do manual federal coloca idade menor que 15 ou maior que 35 anos no médio risco, com pré-natal na APS. Já o Quadro 1 do mesmo manual, que lista condições de identificação de maior risco na gestação atual, traz idade menor que 15 e maior que 40 anos. Os dois quadros são compatíveis se lidos como uma escala — 35 a 40 anos no intermediário, acima de 40 no alto risco —, mas o manual não afirma isso em nenhum lugar.

Manual de Gestação de Alto Risco (MS, 2022), Quadro 1 e Quadro 4.

Idade não é motivo de encaminhamento: é modificador de outra condição

Nos protocolos gaúchos, idade não aparece como critério isolado em nenhum dos quinze protocolos. Idade materna igual ou maior que 40 anos aparece uma única vez, como uma das qualificações que transformam hipertensão crônica em motivo de encaminhamento ao ambulatório de alto risco. O instrumento catarinense atribui 2 pontos à idade maior que 40 anos e declara que a soma dessa categoria não gera encaminhamento por si só — com exceção da obesidade grau 3.

TelessaúdeRS-UFRGS/SES-RS, 4ª ed., 2024, Protocolo 1; Instrumento de Estratificação de Risco Gestacional, SES/SC, 3ª ed., 2025, Tabela A.

Na prova

Distrator clássico: gestante de 38 ou 41 anos, hígida, sem qualquer outra condição, com alternativa 'encaminhar ao pré-natal de alto risco pela idade'. Se o enunciado não oferece nenhuma comorbidade, o recorte é o de instrumento de regulação, e idade sozinha não move a gestante da UBS. Quando a banca quer a leitura federal, costuma nomear o manual do Ministério da Saúde ou usar 'risco intermediário' entre as alternativas.

Gestação gemelar dicoriônica-diamniótica: intermediário ou alto risco?

Intermediário — APS com apoio

O Quadro 4 do manual federal classifica a gestação gemelar dicoriônica-diamniótica entre as intercorrências de médio risco da gestação atual, com pré-natal na APS apoiada por equipe multiprofissional ou pelo ambulatório de alto risco.

Manual de Gestação de Alto Risco (MS, 2022), Quadro 4.

Alto risco — encaminhamento ao ambulatório especializado

O protocolo gaúcho de 2024 lista gemelaridade dicoriônica/diamniótica e gemelaridade monocoriônica e/ou monoamniótica lado a lado, ambas com indicação de encaminhamento ao ambulatório de gestação de alto risco; na edição de 2023 elas estavam separadas em AGAR-I e AGAR-II. O instrumento catarinense atribui 10 pontos a 'gemelaridade', sem distinguir corionicidade, o que sozinho já classifica como alto risco.

TelessaúdeRS-UFRGS/SES-RS, 4ª ed., 2024, Protocolo 13; SES/SC, 3ª ed., 2025, Tabela C.

Na prova

Quando a vinheta faz questão de informar a corionicidade, o recorte é de documento que a usa para decidir — e aí a leitura federal separa dicoriônica (intermediário) de monocoriônica (alto risco). Quando o enunciado só diz 'gestação gemelar', sem corionicidade, a questão está construída sobre documentos que não distinguem, e o destino é o ambulatório de alto risco. Prova com cenário de regulação de vaga tende à segunda leitura.

Abortamento de repetição: duas ou três perdas?

Três ou mais perdas consecutivas define abortamento habitual e alto risco

O manual federal usa 'abortamento habitual/recorrente (ocorrência de três ou mais abortamentos consecutivos)' como critério de alto risco, e mantém 'abortos precoces até 12 semanas, até dois consecutivos' no médio risco. O Quadro 1 do mesmo manual repete o corte de três ou mais em sequência.

Manual de Gestação de Alto Risco (MS, 2022), Quadros 1 e 4.

Duas ou mais perdas precoces consecutivas já contam como abortamento de repetição

O instrumento catarinense define abortamento espontâneo de repetição como duas ou mais perdas precoces consecutivas, e atribui 2 pontos — peso que, isolado, mantém a gestante em risco habitual. A definição mais frouxa vem acompanhada de peso menor, de modo que o destino final coincide com o federal na maioria dos casos; o que muda é o rótulo aplicado à história.

Instrumento de Estratificação de Risco Gestacional, SES/SC, 3ª ed., 2025, Tabela B.

Na prova

O número de perdas costuma vir explícito justamente porque é o gancho. Com duas perdas precoces e nada mais, a gestante permanece com pré-natal na APS pelas duas leituras — muda apenas o nome que se dá à condição. Com três ou mais, os documentos convergem no encaminhamento. Alternativa que trata duas perdas como indicação automática de ambulatório de alto risco não encontra respaldo em nenhum dos dois.

Lista de condições ou escore de pontos?

Lista de condições, com predomínio do critério de maior risco

O manual federal não pontua nada: apresenta listas por categoria e afirma que a estratificação é absoluta — predomina o critério de maior risco. Uma única condição de alto risco basta, e a ausência das demais não compensa. O manual reconhece a sinergia entre fatores como razão para maior vigilância, mas não a converte em soma.

Manual de Gestação de Alto Risco (MS, 2022), Quadro 3, itens 4 e 7.

Escore por pontos, com faixas de corte definidas

O instrumento catarinense soma pontos de quatro tabelas e classifica em até 4 pontos (risco habitual), 5 a 9 (intermediário) e 10 ou mais (alto risco). Como quase toda condição de alto risco vale 10 pontos, o escore reproduz na prática a regra do critério predominante; a diferença aparece na faixa intermediária, onde vários fatores de 2 pontos podem se somar e mudar o seguimento. A causa da escolha é operacional: pontuação padroniza a decisão entre equipes e alimenta a priorização na regulação.

Instrumento de Estratificação de Risco Gestacional, SES/SC, 3ª ed., 2025, Quadro 2 e Tabelas A a D.

Na prova

Questão que pede soma de pontos só é respondível se o enunciado nomear o instrumento estadual ou fornecer a tabela — se ela não vier, o recorte é federal e a decisão sai da condição de maior risco presente. Enunciado que descreve vários fatores leves e nenhum grave, pedindo classificação, está testando a existência do estrato intermediário e não a aritmética.

06

Caso resolvido

Primeira consulta de pré-natal na UBS. Mulher de 38 anos, G3P2A0, 11 semanas por ecografia precoce. Hipertensa há seis anos, em uso de metildopa 750 mg/dia e nifedipino de liberação prolongada; PA de 148×94 mmHg e, na repetição, 144×92 mmHg. IMC de 33 kg/m². Na segunda gestação teve pré-eclâmpsia com parto a termo e boa evolução materna e neonatal. Nega cefaleia, escotomas, epigastralgia, sangramento ou perda de líquido. Exame obstétrico sem alterações.
Primeiro filtro: é emergência agora?
Não. A pressão está abaixo de 160×110 mmHg, não há sinais premonitórios de eclâmpsia, sangramento, dor abdominal, febre, icterícia nem prurido. Nenhum item do quadro de urgência/emergência obstétrica está presente — logo, a decisão é ambulatorial e pode ser regulada.
Segundo filtro: há condição de alto risco?
Sim, e por mais de um caminho. Hipertensão arterial crônica é condição clínica prévia à gestação listada como alto risco no manual de 2022. Pelo protocolo gaúcho de 2024, hipertensão crônica com uso de dois ou mais anti-hipertensivos e com idade materna a caminho dos 40 anos já qualifica o encaminhamento. E o antecedente de pré-eclâmpsia em gestação anterior está entre as condições com preferência na fila.
Terceiro filtro: o que o encaminhamento precisa levar
Idade gestacional pela ecografia precoce; diagnóstico de hipertensão prévio à gestação e se há lesão de órgão-alvo; duas medidas de pressão arterial com data; proteinúria de 24 horas ou relação proteinúria/creatininúria em amostra; os anti-hipertensivos em uso; e a descrição do antecedente de pré-eclâmpsia.
Quarto filtro: quem continua responsável
A APS. Encaminhar ao ambulatório de alto risco não dá alta da unidade básica: as consultas seguem intercaladas, a caderneta continua sendo preenchida na UBS, e as ações de vacinação, suplementação, saúde bucal e visita domiciliar permanecem no território.
Conduta
Manter o pré-natal na APS e encaminhar simultaneamente ao ambulatório de pré-natal de alto risco pela regulação, com prioridade justificada pelo antecedente de pré-eclâmpsia. Revisar a segurança dos anti-hipertensivos em uso, iniciar as medidas de prevenção de pré-eclâmpsia indicadas para gestante de risco e reestratificar a cada consulta — o estrato de alto risco permanece nesta gestação, mesmo que a pressão se normalize.
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Agora feche você

Consulta de pré-natal na UBS, gestante de 24 anos, G1P0, 33 semanas, previamente hígida, pré-natal sem intercorrências até aqui e classificada como risco habitual em todas as consultas. Chega referindo, há seis horas, cefaleia occipital contínua e 'luzes piscando' na visão, sem febre e sem sangramento. PA de 152×98 mmHg em duas medidas, com quinze minutos de intervalo. Fita de proteinúria com uma cruz. Altura uterina compatível, batimentos cardíacos fetais de 142 bpm, movimentação fetal presente.
achado
Cefaleia occipital e escotomas cintilantes em gestante de 33 semanas com PA de 152×98 mmHg e proteinúria de fita positiva: sinais premonitórios de eclâmpsia em provável pré-eclâmpsia de início recente.
armadilha
A pressão está abaixo de 160×110 mmHg e o pré-natal era de risco habitual — o que tenta o candidato a classificar como intercorrência de médio risco e agendar avaliação.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Encaminhar ao alto risco e dar alta da unidade básica Atrai porque imita a lógica de outras especialidades, em que encaminhar é transferir. Na atenção materno-infantil o manual federal abre a lista de princípios com o oposto: não há alta da gestante da APS, qualquer que seja o estrato. Alternativa com 'encaminhar e desligar do pré-natal da UBS' está errada mesmo quando o encaminhamento em si é correto.
  2. 2Agendar consulta especializada para quem precisa de hospital A vinheta descreve uma gestante estável no exame e o candidato pula direto para a lista de fatores de risco. Sinais premonitórios de eclâmpsia, suspeita de TVP, abdome agudo, prurido com icterícia, pielonefrite, hemorragia e gestação com 41 semanas ou mais são encaminhamento hospitalar imediato, não vaga regulada.
  3. 3Tratar idade materna avançada como passaporte para o alto risco Parece seguro porque idade é fator de risco reconhecido. Só que, isolada, ela não move a gestante da APS: no manual federal fica no estrato intermediário, e nos protocolos de regulação aparece apenas como qualificador de outra condição — hipertensão crônica em gestante com 40 anos ou mais, por exemplo.
  4. 4Rebaixar o estrato quando a condição melhora Faz sentido clínico e é errado pela regra: a estratificação é absoluta. Corrigida a anemia grave ou controlada a pressão, a gestante segue como alto risco naquela gestação. O que muda é a intensidade prática do acompanhamento, não a classificação.
  5. 5Achar que estratificação é tarefa da primeira consulta O erro nasce da própria palavra 'estratificar', que soa como ato único. Ela é contínua e refeita em todas as consultas, e o compartilhamento do cuidado pode ser solicitado em qualquer idade gestacional — inclusive perto do termo.
  6. 6Somar pontos sem que o enunciado dê a tabela Escore de pontos é instrumento estadual, não regra federal. Se a questão não nomeia o instrumento nem fornece a pontuação, a decisão sai da condição de maior risco presente, e não de aritmética.
  7. 7Mandar doença psiquiátrica grave só para o obstetra Psicose, depressão grave e transtorno bipolar geram encaminhamento a serviço especializado em saúde mental, somado ao acompanhamento obstétrico. O mesmo vale para condições com especialista focal previsto em outro protocolo: os dois serviços, não um deles.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

A hipertensão arterial crônica prévia à gestação é critério clássico de encaminhamento ao pré-natal de alto risco pelo Ministério da Saúde, pelo risco de pré-eclâmpsia sobreposta, restrição de crescimento fetal e complicações maternas — sem, contudo, romper o vínculo com a APS (acompanhamento compartilhado). Incorreta: intensificar consultas na UBS não substitui a avaliação especializada exigida por uma condição de alto risco. Suspender a metildopa é perigoso: retirar anti-hipertensivo em gestante hipertensa não é conduta adequada e atrasa o cuidado. Encaminhar à maternidade é desproporcional: paciente estável e assintomática não tem indicação de internação, apenas de seguimento ambulatorial de alto risco.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Reconstitua a ordem de checagem — emergência, alto risco, intermediário, habitual — e escreva de memória os quatro grupos de fatores de risco (individuais/sociodemográficos, história reprodutiva anterior, condições clínicas prévias, intercorrências atuais) com três exemplos de cada. Depois, liste cinco itens do quadro de urgência obstétrica que não parecem urgentes à primeira vista.

em 30 dias

Pegue cinco vinhetas de pré-natal e, para cada uma, responda apenas três coisas: onde ela é cuidada agora, quem continua responsável e o que precisa constar no encaminhamento. Em seguida, marque em quais delas a resposta mudaria se o enunciado citasse o manual federal de 2022 em vez de um protocolo estadual de regulação.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Gestante de 36 anos, G4P2A1, 16 semanas, chega à UBS para a primeira consulta de pré-natal. Refere hipertensão descoberta 'na gravidez passada', não sabe dizer se persistiu depois do parto, e usa um comprimido para pressão que trouxe na bolsa. Teve um parto prematuro com 32 semanas e uma perda precoce. IMC de 34 kg/m². Pressão hoje de 146×92 mmHg, assintomática. Conduza a consulta, estratifique o risco e defina o destino do pré-natal. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.