Ginecologia e Obstetrícia › Pré-natal, rastreios e intercorrências clínicas da gestação
Rotina do pré-natal de risco habitual
Rotina do pré-natal de baixo risco e número de consultas (SUS/APS)
A prova cobra o calendário: quando captar, quantas consultas, com que intervalo e o que se mede em cada uma. O piso mínimo de consultas mudou em 2024 e os documentos brasileiros ainda não convergiram.
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Gestante de 28 anos, na 12ª semana de gestação (primeira consulta de pré-natal), sem comorbidades. Segundo o Ministério da Saúde, qual é o número mínimo recomendado de consultas de pré-natal em uma gestação de baixo risco?
Como esse tema cai
Este é o capítulo do calendário. O que a prova cobra aqui não é qual sorologia se pede em que trimestre, e sim a arquitetura do acompanhamento: quando a gestante deve ser captada, quantas consultas fazem um pré-natal completo, de quanto em quanto tempo ela volta, o que se mede em toda consulta e quem pode conduzi-la. É o conteúdo que aparece em questão de medicina de família, de saúde coletiva e de obstetrícia básica, e é também o que mais gera confusão, porque o número mínimo de consultas mudou em 2024 e os documentos brasileiros em circulação ainda não dizem a mesma coisa.
A referência de conduta continua sendo o Caderno de Atenção Básica nº 32, de 2012, que fixou o piso de seis consultas e o intervalo mensal/quinzenal/semanal. Esse esqueleto foi reproduzido sem alteração pelos guias de atenção primária publicados em 2024 e 2025. Em setembro de 2024, porém, a Portaria GM/MS nº 5.350 instituiu a Rede Alyne no lugar da Rede Cegonha e escreveu, no componente pré-natal, um piso diferente: no mínimo sete consultas intercaladas entre enfermeiro e médico, com captação oportuna até 12 semanas. E a Organização Mundial da Saúde trabalha, desde 2016, com oito contatos. São três números vivos ao mesmo tempo, cada um sustentado por um documento com data.
Duas regras estruturais atravessam todo o capítulo e valem mais que qualquer número. A primeira: o pré-natal começa no dia do diagnóstico da gravidez, na própria unidade básica, sem agendamento e sem esperar exame. A segunda: não existe alta do pré-natal. A gestante que passa a ser de alto risco não deixa a atenção primária — ganha um serviço a mais, e a unidade básica segue coordenando o cuidado até o puerpério.
O que muda decisão
Onde o pré-natal começa e em que dia
A porta é a unidade básica de saúde. A mulher com atraso menstrual deve ser atendida em qualquer horário e dia da semana, sem agendamento prévio e sem que a testagem seja adiada. O diagnóstico se faz com teste imunológico de gravidez em amostra de urina ou pela ausculta dos batimentos cardiofetais no exame físico — e, confirmada a gestação por qualquer um dos dois, a orientação é iniciar o primeiro atendimento de pré-natal no mesmo dia, não em outra data.
Isso tem consequência prática que a prova adora testar: não se manda a paciente embora para voltar com beta-hCG sérico, não se espera a ultrassonografia para "datar melhor" e não se agenda a abertura do pré-natal para depois da 12ª semana. Na mesma consulta se colhe a história, se calcula a idade gestacional, se afere pressão e peso e se fazem os testes rápidos de sífilis, HIV e hepatites B e C.
Captação oportuna significa primeira consulta até a 12ª semana. Esse prazo não é retórica: é indicador de qualidade do cuidado e é critério do financiamento federal da atenção primária, cujo indicador de pré-natal exige pelo menos seis consultas com a primeira até a 12ª semana — regra que, em 2022, substituiu a exigência anterior de primeira consulta até a 20ª semana. A Portaria da Rede Alyne, em 2024, manteve as 12 semanas como marco de captação. Vale a distinção fina: "primeiro trimestre" e "até 12 semanas" não são sinônimos — uma gestante captada com 13 semanas e 2 dias ainda está no primeiro trimestre e já está fora do prazo.
Quem conduz é a equipe, não um profissional isolado. As consultas subsequentes devem ser intercaladas entre enfermeiro e médico; a consulta de pré-natal de risco habitual feita por enfermeiro é norma, não improviso de unidade desfalcada. Agente comunitário de saúde e técnico de enfermagem entram na busca ativa das faltosas e na visita domiciliar, principalmente no último mês de gestação.
Quem faz o quê dentro da equipe
A palavra que os documentos usam para descrever a divisão do trabalho é intercaladas — e ela aparece tanto no Caderno de Atenção Básica quanto na Portaria da Rede Alyne, de 2024. Consulta intercalada significa que enfermeiro e médico se alternam no acompanhamento da mesma gestante, cada um com consulta completa e registrada, e não que o enfermeiro faça uma triagem antes da consulta médica. Alternativa que descreve o enfermeiro apenas aferindo pressão e peso para o médico depois atender está descrevendo outra coisa.
O que desloca a gestante da alternância é o risco, não a hierarquia: identificado fator de risco, o caso é discutido e a consulta seguinte passa a ser médica, com compartilhamento do cuidado com o serviço especializado assim que houver indicação. Fora disso, a gestação de risco habitual segue alternando, e é justamente essa alternância que torna viável o piso de sete consultas em unidades com agenda médica apertada.
O agente comunitário de saúde tem duas funções que caem em prova de medicina de família: a busca ativa de gestantes que faltaram à consulta, com registro do motivo da ausência, e a visita domiciliar, intensificada no último mês de gestação e retomada logo após a alta da maternidade. Falta repetida ao pré-natal não é apenas problema de adesão — está listada entre os sinais de alerta para violência contra a mulher na gestação, ao lado do início tardio do acompanhamento e da procura frequente ao serviço com queixas difusas.
A saúde bucal integra o pacote. A consulta odontológica é agendada já na primeira consulta de pré-natal, e não fica condicionada a queixa. É um dos pontos em que a prova separa quem entendeu o pré-natal como programa de acompanhamento multiprofissional de quem o entendeu como sequência de consultas médicas.
Quantas consultas: seis, sete ou oito
O número clássico brasileiro é seis, e ele vem do Caderno de Atenção Básica nº 32, de 2012, com a distribuição que os manuais repetem desde então: uma consulta no primeiro trimestre, duas no segundo e três no terceiro. Esse piso continua reproduzido literalmente nos guias de atenção primária publicados em 2024 pelo Rio Grande do Sul e em 2025 pelo município do Rio de Janeiro, ambos escrevendo que o Ministério da Saúde recomenda um mínimo de seis consultas de pré-natal.
O piso de seis também é o que está amarrado ao dinheiro. O indicador de pagamento por desempenho da atenção primária mede a proporção de gestantes com pelo menos seis consultas realizadas, sendo a primeira até a 12ª semana. Enquanto o repasse federal contar seis, seis é o número que os sistemas de informação municipais perseguem — e é por isso que o número antigo tem sobrevida bem maior que a data do documento que o criou.
Em 12 de setembro de 2024, a Portaria GM/MS nº 5.350 instituiu a Rede Alyne, sucessora da Rede Cegonha, e escreveu outro piso. No componente pré-natal, a portaria determina a realização do pré-natal na unidade básica com captação oportuna até 12 semanas e, no mínimo, sete consultas intercaladas entre enfermeiros e médicos. Para a gestante de alto risco, o ambulatório especializado deve garantir no mínimo doze consultas por equipe especialista e multiprofissional, distribuídas ao longo dos trimestres. São números novos, de norma federal vigente, e ainda não incorporados aos guias assistenciais de atenção primária que circulam nas unidades.
A Organização Mundial da Saúde trabalha com oito contatos desde 2016, quando abandonou o modelo de quatro visitas do pré-natal focalizado. O esquema da OMS é explícito quanto às idades gestacionais: o primeiro contato até 12 semanas e os demais em 20, 26, 30, 34, 36, 38 e 40 semanas — cinco deles no terceiro trimestre. A justificativa que a OMS apresenta é de desfecho: oito ou mais contatos reduzem a mortalidade perinatal em até 8 mortes por 1.000 nascimentos em comparação com quatro visitas. Note que a OMS trocou a palavra "visita" por "contato", justamente para incluir encontros que não são a consulta médica tradicional.
A mudança de número veio junto com uma mudança de política: a Rede Alyne sucedeu a Rede Cegonha, criada em 2011, e o Caderno de Atenção Básica nº 32 era justamente o componente pré-natal daquela rede antiga. Ou seja, o piso de seis e o piso de sete não são duas leituras da mesma norma — são normas de gerações diferentes, e a de 2024 é a vigente. O que ainda não aconteceu é a atualização dos manuais assistenciais que as equipes usam no dia a dia, e é essa defasagem, e não uma controvérsia clínica, que mantém os dois números circulando.
Para a prova, a consequência prática é direta: o número não se decora sozinho, decora-se colado ao documento. Questão que fala em Rede Alyne, cita a portaria de 2024 ou usa a expressão captação oportuna trabalha com sete; questão que fala em indicador de desempenho, financiamento da atenção primária ou Caderno de Atenção Básica trabalha com seis; questão que fala em contatos e lista idades gestacionais trabalha com oito.
Os dois guias brasileiros de 2024 e 2025 fazem questão de acrescentar a mesma ressalva, e ela é conteúdo de prova: o número de consultas isoladamente não garante a qualidade do pré-natal. Mais consultas aumentam a satisfação da gestante, mas não necessariamente melhoram desfechos — o que muda desfecho é o que se faz dentro da consulta e o quão cedo a gestante entrou no acompanhamento. Por isso a captação até a 12ª semana é cobrada com mais peso que a contagem final: entrar cedo permite datar a gestação com precisão, rastrear sífilis e HIV a tempo de tratar, iniciar suplementação e identificar o risco antes que ele vire evento.
O intervalo entre as consultas
O intervalo é o mesmo em todos os documentos brasileiros e não mudou com a Rede Alyne: consultas mensais até a 28ª semana, quinzenais da 28ª à 36ª semana e semanais da 36ª semana até o parto. Quem decora só o piso de consultas e não o intervalo erra a questão mais fácil do tema, porque a banca costuma dar uma idade gestacional e pedir a data do retorno.
A lógica do encurtamento é a distribuição temporal do risco. O terceiro trimestre concentra pré-eclâmpsia, restrição de crescimento fetal, prematuridade tardia e gestação prolongada — condições que se manifestam em dias, não em meses, e que são detectadas por medidas simples repetidas com frequência. É por isso que o modelo da OMS coloca cinco dos oito contatos depois da 30ª semana.
O intervalo é um piso ajustável para baixo, nunca para cima: ele deve ser reduzido em função do risco reavaliado a cada atendimento. Gestante com diabetes gestacional controlado apenas com alimentação e exercício, por exemplo, passa a consultas a cada quinze dias já a partir do segundo trimestre, e semanais a partir da 30ª semana. Qualquer intercorrência — sangramento, perda de líquido, contração, cefaleia persistente, redução de movimentos fetais — traz a gestante à unidade fora do calendário, independentemente da data marcada.
Cada faixa do calendário carrega tarefas próprias, e é isso que impede que as consultas virem repetição. Até a 20ª semana, o eixo é a confirmação da datação, a chegada dos exames do primeiro trimestre e o início da suplementação. Entre a 21ª e a 28ª semana, repetem-se os testes rápidos de sífilis, HIV e hepatites e entra o rastreamento do diabetes gestacional. Da 28ª à 36ª, entram a imunização com dTpa, a profilaxia anti-D quando indicada, os exames do terceiro trimestre e a construção do plano de parto. Da 36ª em diante, a consulta ganha a avaliação da apresentação fetal e a orientação sobre sinais de trabalho de parto, sinais de alerta e quando ir à maternidade.
O calendário tem um fim definido. A gestação que atinge 41 semanas sem trabalho de parto deixa de ser assunto da unidade básica: pelo guia carioca de 2025, idade gestacional igual ou maior que 41 semanas e 3 dias é critério de encaminhamento à maternidade, para avaliação de vitalidade e decisão sobre indução. No último trimestre, além do calendário, entram duas tarefas que a prova cobra como boas práticas: a construção do plano de parto e a visita antecipada à maternidade de referência, para que a gestante conheça o serviço onde vai parir antes de chegar nele em trabalho de parto.
A primeira consulta: o que só se faz uma vez
A primeira consulta é a mais longa porque carrega tudo o que não se repete. A anamnese cobre data da última menstruação e regularidade dos ciclos, antecedentes clínicos, ginecológicos e obstétricos, história de aleitamento, doença mental prévia e tratamento psiquiátrico, uso de álcool, tabaco e outras substâncias, ocupação e exposições de risco, vulnerabilidade socioeconômica, rede de apoio familiar e rastreio de violência. Início tardio do pré-natal e faltas repetidas às consultas estão entre os sinais de alerta para violência contra a mulher na gestação.
No exame físico entram altura, peso e cálculo do índice de massa corporal, aferição de pressão arterial, medida da altura uterina e avaliação de edema de membros inferiores, com registro nas curvas de altura uterina e de IMC do cartão da gestante. Calculam-se a idade gestacional e a data provável do parto. Verifica-se o estado vacinal. Agenda-se a consulta de saúde bucal — o pré-natal odontológico é parte do pacote, não um extra.
A datação merece cuidado porque tem regra fixa: a idade gestacional calculada pela data da última menstruação confiável prevalece se a diferença para a ultrassonografia estiver dentro da margem esperada, que no primeiro trimestre é de três a sete dias; fora dessa margem, adota-se a ultrassonografia. Definida a idade gestacional, ela não se recalcula com exames posteriores. Quanto mais avançada a gestação, maior o erro da datação ultrassonográfica — o desvio esperado gira em torno de 8% em relação à data da última menstruação.
É também na primeira consulta que se faz a primeira estratificação de risco — a que define se a gestação abre como risco habitual ou já entra referenciada. Ela não depende só de doença: altura menor que 1,45 m, índice de massa corporal abaixo de 18,5 ou acima de 30, intervalo maior que dez anos desde a última gestação, situação familiar insegura, exposições ocupacionais e vulnerabilidade socioeconômica entram na conta ao lado de hipertensão, diabetes, tireoidopatia e antecedentes obstétricos desfavoráveis. Idade materna, isoladamente, é fator de contexto e não define alto risco por si só.
A caderneta da gestante é aberta nessa consulta e o registro nela é obrigatório, junto com o prontuário. Não é burocracia: é a caderneta que a gestante leva para a maternidade e que garante a continuidade do cuidado quando ela é atendida fora da sua unidade. Registro incompleto de pressão arterial, altura uterina e batimentos cardiofetais é falha de qualidade assistencial identificável em auditoria.
As cinco medidas de toda consulta subsequente
Toda consulta de retorno, da segunda até a última, repete o mesmo bloco de medidas: pressão arterial, peso com registro na curva de IMC, altura uterina com registro na sua curva, ausculta dos batimentos cardiofetais e pesquisa de movimentos fetais. A esse bloco se somam a avaliação de edema, as queixas novas, a revisão dos exames solicitados, a checagem de adesão aos tratamentos e suplementos e a reestratificação do risco.
A pressão arterial é a medida com maior poder de mudar a conduta. Valor sistólico igual ou maior que 140 mmHg ou diastólico igual ou maior que 90 mmHg, confirmado em duas ocasiões com intervalo mínimo de 4 horas e máximo de 7 dias, define hipertensão na gestação. Elevação tensional acompanhada de ganho de peso acima de um quilo por semana, edema de mãos e face, cefaleia persistente, escotomas ou epigastralgia não espera a segunda aferição do consultório: essa gestante vai para a emergência obstétrica investigar pré-eclâmpsia.
A ausculta dos batimentos cardiofetais é possível com sonar Doppler a partir da 12ª semana, e a frequência esperada é de 110 a 160 batimentos por minuto. Os movimentos fetais começam a ser percebidos pela gestante entre 18 e 20 semanas, e a partir daí passam a ser perguntados em toda consulta — queixa de ausência de movimentos por mais de 12 horas em gestação acima de 26 semanas é encaminhamento imediato à maternidade, não é retorno agendado.
A altura uterina é medida com fita métrica da borda superior da sínfise púbica ao fundo uterino e plotada na curva do cartão. O valor isolado importa pouco; o que orienta é a posição na curva e a trajetória entre consultas. Medida abaixo da curva levanta restrição de crescimento fetal, oligoâmnio ou erro de datação; medida acima levanta polidrâmnio, macrossomia, gestação múltipla ou, de novo, erro de datação. É por isso que a curva só funciona em quem tem idade gestacional bem estabelecida na primeira consulta.
O peso segue a mesma lógica de trajetória. O ganho ponderal é avaliado na curva construída a partir do índice de massa corporal pré-gestacional, e não contra um valor único: quem entrou na gestação com baixo peso tem faixa de ganho maior, quem entrou com obesidade tem faixa menor. Ganho inadequado — para mais ou para menos — é fator de risco por si só e entra na lista de critérios de encaminhamento. O achado que muda a conduta na hora, porém, é o ganho abrupto acima de um quilo por semana associado a edema de mãos e face: aí a leitura deixa de ser nutricional e passa a ser retenção hídrica de pré-eclâmpsia.
Vale entender por que essas cinco medidas e não outras. Todas são baratas, repetíveis em qualquer unidade, independem de equipamento indisponível e detectam justamente as três causas que mais matam gestante e feto no Brasil: doença hipertensiva, restrição de crescimento e prematuridade. Nenhuma delas precisa de laboratório ou de imagem. Um pré-natal com muitos exames e sem esse bloco medido e registrado a cada consulta é, para os documentos brasileiros, um pré-natal incompleto.

Risco, encaminhamento e a regra de não haver alta
A classificação de risco gestacional é contínua: começa no diagnóstico da gravidez e é refeita em cada consulta. Uma gestação que abriu como risco habitual pode virar alto risco em qualquer idade gestacional, e o compartilhamento do cuidado com o serviço especializado se faz assim que o risco é identificado, sem esperar marco de trimestre.
A regra que a prova mais cobra é a da direção única: uma vez classificada como alto risco, a gestante não volta a ser de risco habitual. Controle glicêmico obtido só com dieta, pressão que normalizou, exame que veio bom — nada disso rebaixa a classificação. O que muda é a intensidade do acompanhamento, não o rótulo.
E, mesmo referenciada, a gestante permanece em acompanhamento pela atenção primária, que é a responsável pela coordenação do cuidado e pelo monitoramento da efetiva realização do pré-natal no ambulatório de gestação de alto risco. Não existe alta do pré-natal, nem no risco habitual nem no alto risco. A resposta "transferir integralmente o cuidado ao especialista" é errada por definição, qualquer que seja a condição clínica.
A contrapartida da regra de não haver alta é a busca ativa. Gestante que falta à consulta não sai da lista: a equipe vai atrás, pelo agente comunitário ou por visita domiciliar, registra o motivo e reagenda. É a mesma lógica que sustenta o acompanhamento de quem tem plano de saúde e faz pré-natal fora da rede pública — a unidade básica continua responsável pelo território, ainda que o acompanhamento clínico esteja em outro serviço.
O acompanhamento se fecha no puerpério, e não no parto. Após a alta hospitalar, a equipe realiza visita domiciliar e agenda a primeira consulta puerperal junto com o primeiro atendimento do recém-nascido, ainda na primeira semana — período em que se concentra a maior parte das situações de morbidade e mortalidade materna. Na consulta se examina a puérpera, se avaliam sinais de alerta e complicações de laceração, episiotomia ou ferida operatória, se apoia o aleitamento e se oferece contracepção, com prazo máximo de 30 dias para a disponibilização do método escolhido.
Calendário do pré-natal de risco habitual
O calendário é a espinha do capítulo: um marco de entrada (até 12 semanas), três faixas de intervalo e um fim definido. As tabelas abaixo separam o que muda de documento para documento (o piso de consultas) do que não muda em nenhum deles (o intervalo e as medidas de cada consulta).
- 1Atender a mulher com suspeita de gravidez no mesmo dia, sem agendamento, e confirmar por teste imunológico de urina ou ausculta de batimentos cardiofetais
- 2Abrir o pré-natal na mesma consulta do diagnóstico, idealmente até a 12ª semana, com testes rápidos de sífilis, HIV e hepatites B e C
- 3Calcular idade gestacional e data provável do parto e registrar na caderneta — não recalcular depois
- 4Estratificar o risco e repetir a estratificação em toda consulta, compartilhando o cuidado assim que o risco for identificado
- 5Seguir o calendário: mensal até a 28ª semana, quinzenal até a 36ª, semanal até o parto, encurtando conforme o risco
- 6Buscar ativamente quem falta e manter o acompanhamento até o puerpério — não há alta do pré-natal
| Momento | Intervalo | O que não pode faltar |
|---|---|---|
| Diagnóstico de gravidez | No mesmo dia, sem agendamento | Teste imunológico de urina ou ausculta de BCF; testes rápidos de sífilis, HIV e hepatites B e C; abertura da caderneta |
| 1ª consulta — até a 12ª semana | — | História completa, DUM, idade gestacional e DPP, altura/peso/IMC, pressão arterial, altura uterina, exames de rotina, suplementação, estado vacinal, saúde bucal, estratificação de risco |
| Até a 28ª semana | Mensal | Pressão arterial, peso, altura uterina, batimentos cardiofetais, movimentos fetais, edema, adesão e revisão de exames |
| Da 28ª à 36ª semana | Quinzenal | As mesmas medidas, mais vacinação em dia, plano de parto e visita antecipada à maternidade de referência |
| Da 36ª semana ao parto | Semanal | As mesmas medidas, mais apresentação fetal e orientação sobre sinais de trabalho de parto e de alerta |
| 41 semanas sem parto | — | Encaminhamento à maternidade de referência para avaliação de vitalidade fetal e decisão sobre indução |
| Puerpério | Primeira semana; segunda consulta em até 30 dias | Visita domiciliar, exame da puérpera e do recém-nascido, apoio ao aleitamento, contracepção |
Os pisos de número de consultas, por documento
| Documento (ano) | Piso | Como o número é contado |
|---|---|---|
| Caderno de Atenção Básica nº 32 (2012), reproduzido nos guias de APS de 2024 e 2025 | 6 consultas | 1 no primeiro trimestre, 2 no segundo e 3 no terceiro |
| Indicador de pagamento por desempenho da APS (regra vigente desde 2022) | 6 consultas | Pelo menos 6 consultas registradas, com a primeira até a 12ª semana (antes de 2022 o corte era 20ª semana) |
| Portaria GM/MS nº 5.350/2024 — Rede Alyne | 7 consultas | Intercaladas entre enfermeiro e médico, com captação oportuna até 12 semanas; no alto risco, mínimo de 12 consultas no ambulatório especializado |
| OMS (2016) | 8 contatos | Primeiro até 12 semanas; depois 20, 26, 30, 34, 36, 38 e 40 semanas |
As cinco medidas de toda consulta subsequente
| Medida | Referência | O que tira do calendário |
|---|---|---|
| Pressão arterial | Abaixo de 140/90 mmHg | PA ≥ 140/90 em duas ocasiões com intervalo de 4 horas a 7 dias define hipertensão na gestação; com sintomas de iminência, vai à emergência sem esperar a segunda aferição |
| Peso e IMC | Curva do cartão, traçada a partir do IMC pré-gestacional | Ganho acima de 1 kg por semana, sobretudo com edema de mãos e face, investiga pré-eclâmpsia |
| Altura uterina | Curva do cartão para a idade gestacional | Abaixo da curva: restrição de crescimento, oligoâmnio ou erro de datação. Acima: polidrâmnio, macrossomia ou gestação múltipla |
| Batimentos cardiofetais | 110 a 160 bpm; audíveis ao sonar a partir da 12ª semana | Ausência de BCF em idade gestacional em que já deveriam ser audíveis exige ultrassonografia |
| Movimentos fetais | Percebidos pela gestante entre 18 e 20 semanas | Ausência por mais de 12 horas acima de 26 semanas é encaminhamento imediato à maternidade |
O intervalo entre consultas é piso ajustável para baixo. Diabetes gestacional em controle apenas dietético, por exemplo, já pede consultas quinzenais até a 30ª semana e semanais daí em diante.
Captação até 12 semanas não é o mesmo que captação no primeiro trimestre: 13 semanas e 2 dias ainda é primeiro trimestre e já está fora do prazo que os documentos e o indicador de financiamento medem.
Encaminhar ao alto risco não retira a gestante da unidade básica. A atenção primária continua consultando, coordenando e monitorando se o acompanhamento especializado está de fato acontecendo.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Seis consultas — Caderno de Atenção Básica nº 32 e os guias de APS que o seguem
Piso de seis consultas, distribuídas em uma no primeiro trimestre, duas no segundo e três no terceiro. É o número que os guias estaduais e municipais de 2024 e 2025 continuam reproduzindo como recomendação do Ministério da Saúde, e é também o número embutido no indicador de pagamento por desempenho da atenção primária, que exige seis consultas com a primeira até a 12ª semana.
Ministério da Saúde, Caderno de Atenção Básica nº 32 (2012); Guia do Pré-natal e Puerpério na APS, SES-RS (2024); Guia Rápido Pré-Natal, SMS Rio de Janeiro (2025); notas técnicas dos indicadores da APS (regra vigente desde 2022)
Sete consultas — Portaria GM/MS nº 5.350/2024, que instituiu a Rede Alyne
O componente pré-natal da Rede Alyne determina pré-natal na unidade básica com captação oportuna até 12 semanas e, no mínimo, sete consultas intercaladas entre enfermeiros e médicos. Para a gestante de alto risco, o ambulatório especializado deve garantir no mínimo doze consultas por equipe especialista e multiprofissional, distribuídas pelos trimestres. É norma federal de 2024, posterior aos guias assistenciais em uso.
Portaria GM/MS nº 5.350, de 12 de setembro de 2024 (Rede Alyne), componente pré-natal
Oito contatos — Organização Mundial da Saúde, 2016
A OMS abandonou o modelo de quatro visitas do pré-natal focalizado e passou a recomendar no mínimo oito contatos: o primeiro até 12 semanas e os demais em 20, 26, 30, 34, 36, 38 e 40 semanas. O argumento é de desfecho: oito ou mais contatos reduzem a mortalidade perinatal em até 8 mortes por 1.000 nascimentos frente ao modelo de quatro visitas.
World Health Organization, WHO recommendations on antenatal care for a positive pregnancy experience (2016)
Na prova
A distância entre os três números é de natureza econômica e operacional, não científica: o piso de seis é o que está amarrado ao repasse federal e aos sistemas de informação municipais desde 2012, e por isso sobreviveu à norma de 2024 que escreveu sete. Para identificar o recorte da questão: enunciado que cita nominalmente a Rede Alyne, a Portaria GM/MS nº 5.350 ou o ano de 2024 pede o piso de sete; enunciado que cita a OMS, usa a palavra "contatos" em vez de "consultas" ou lista idades gestacionais (20, 26, 30, 34, 36, 38, 40) pede oito; enunciado genérico sobre rotina do pré-natal na UBS, indicador de desempenho, Previne Brasil ou Caderno de Atenção Básica trabalha com seis. As próprias alternativas denunciam o mundo da questão — a presença de "doze consultas" entre as opções indica que a banca leu a Rede Alyne, porque doze é o piso do alto risco nessa portaria e não existe nos outros documentos. Prova oficial do MEC tende a conduta e indicadores do SUS; outras bancas dependem do documento que o enunciado nomeia.
Entre o terceiro e o quinto dia após o parto — Guia do Pré-natal e Puerpério na APS, SES-RS (2024)
O guia gaúcho fixa a janela de terceiro a quinto dia e justifica pela concentração de morbidade e mortalidade materna na primeira semana pós-parto. A janela estreita alinha a consulta da puérpera ao primeiro atendimento do recém-nascido, que também acontece nesses dias.
Guia do Pré-natal e Puerpério na Atenção Primária à Saúde, SES-RS/TelessaúdeRS-UFRGS, 2. ed. (2024)
Duas consultas, uma até o sétimo dia e outra até o trigésimo — Guia Rápido Pré-Natal, SMS Rio de Janeiro (2025)
O guia carioca estrutura o puerpério em dois momentos programados: a primeira consulta até o sétimo dia, que cobre as complicações precoces, e a segunda até o trigésimo dia, que cobre aleitamento, saúde mental e contracepção. A janela mais larga da primeira consulta acomoda a alta hospitalar em dias variáveis.
Guia Rápido Pré-Natal, Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, 4. ed. (2025)
Na prova
Os dois documentos são brasileiros, ambos derivados das mesmas normas federais, e diferem por um ano de publicação e pela escolha de operacionalizar a mesma ideia — cuidado na primeira semana — como janela estreita ou como prazo-limite. Questão que pede uma data exata costuma nomear o documento ou o programa municipal; questão que não nomeia costuma cobrar o conceito, e aí o que está em jogo é a primeira semana pós-parto como período de maior risco e a visita domiciliar após a alta hospitalar, não o dia calendário.
Caso resolvido
- achado
- Atraso menstrual com teste de gravidez reagente em mulher que procurou a unidade espontaneamente. Idade gestacional de 9 semanas e 3 dias por data da última menstruação confiável — dentro da janela de captação oportuna.
- conduta
- Iniciar o pré-natal no mesmo dia. Anamnese completa com antecedentes clínicos, obstétricos, ginecológicos, saúde mental, hábitos, ocupação, rede de apoio e rastreio de violência.
- conduta
- Exame físico com peso, altura, IMC (22,1 kg/m²), pressão arterial e avaliação de edema. Altura uterina ainda não mensurável nessa idade gestacional; ausculta de batimentos cardiofetais com sonar torna-se possível a partir da 12ª semana.
- conduta
- Calcular idade gestacional e data provável do parto pela data da última menstruação e registrar na caderneta da gestante, aberta nesta consulta. A idade gestacional definida agora não será recalculada por ultrassonografias posteriores.
- conduta
- Realizar testes rápidos de sífilis, HIV e hepatites B e C na mesma consulta, solicitar os exames de rotina do primeiro trimestre, iniciar suplementação, verificar estado vacinal e agendar consulta de saúde bucal.
- conduta
- Estratificar o risco — nesta consulta, risco habitual — e agendar retorno em 4 semanas, mantendo consultas mensais até a 28ª semana, intercaladas entre enfermeiro e médico.
- conduta
- Registrar a captação: primeira consulta com 9 semanas e 3 dias cumpre o critério de captação oportuna até a 12ª semana, exigido tanto pela Portaria da Rede Alyne quanto pelo indicador de desempenho da atenção primária.
Agora feche você
- achado
- Gestação de risco habitual com 32 semanas, todas as medidas dentro do esperado e movimentos fetais presentes.
- achado
- Falta ao retorno da 30ª semana e intervalo de 4 semanas entre consultas — fora do calendário para a idade gestacional atual.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Adiar a abertura do pré-natal para esperar exame Pedir beta-hCG sérico ou ultrassonografia "para confirmar e datar" e mandar a paciente voltar depois parece cuidadoso, mas é o erro mais penalizado do tema: teste de urina reagente ou ausculta de batimentos já confirmam a gravidez, e a orientação é iniciar o pré-natal no mesmo dia. Cada semana de atraso empurra a gestante para fora da janela de captação até a 12ª semana.
- 2Tratar o piso de consultas como meta de qualidade Seis, sete ou oito são números mínimos, não alvos. Os documentos brasileiros são explícitos: o número de consultas isoladamente não determina a qualidade do pré-natal, e mais consultas aumentam a satisfação sem necessariamente melhorar desfechos. A questão que pergunta "o que caracteriza pré-natal adequado" raramente aceita como resposta apenas a contagem de consultas.
- 3Achar que o encaminhamento ao alto risco encerra o pré-natal na unidade básica É a alternativa mais atraente porque imita a lógica de referência de outras especialidades. Não existe alta do pré-natal: a atenção primária segue consultando, coordenando o cuidado e monitorando se o acompanhamento no ambulatório especializado está acontecendo de fato.
- 4Rebaixar a gestante de alto risco para risco habitual quando a condição se controla Controle glicêmico obtido só com dieta, pressão que normalizou, exame que veio bom — nada disso devolve a classificação anterior. A estratificação de risco é absoluta nessa direção: uma vez alto risco, não se volta a risco habitual. O que se ajusta é a intensidade do acompanhamento.
- 5Confundir "primeiro trimestre" com "até 12 semanas" A captação oportuna é contada em semanas, não em trimestre. Uma gestante que abre o pré-natal com 13 semanas ainda está no primeiro trimestre e já está fora do prazo que a Rede Alyne e o indicador de desempenho da atenção primária medem — e essa diferença de dias é exatamente o que a banca usa para separar quem decorou do que entendeu.
- 6Recalcular a idade gestacional com ultrassonografia tardia Uma vez definida a idade gestacional na primeira consulta, ela não muda. Refazer a conta com um exame do segundo ou terceiro trimestre desloca a data provável do parto, invalida as curvas de altura uterina e de ganho de peso e cria diagnósticos falsos de restrição de crescimento ou de gestação prolongada. O desvio da datação ultrassonográfica cresce com a idade gestacional.
O Ministério da Saúde recomenda no mínimo 6 consultas de pré-natal em gestação de baixo risco (idealmente 1 no 1º trimestre, 2 no 2º e 3 no 3º). Três e quatro consultas ficam abaixo do preconizado. Dez e doze consultas não constituem o mínimo recomendado, embora mais consultas sejam desejáveis; o número mínimo estabelecido é seis.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Mulher de 32 anos, gestante de 12 semanas, procura a unidade básica para início do pré-natal. Nega comorbidades. Sobre a suplementação recomendada de rotina no pré-natal para prevenção de defeitos do tubo neural, qual substância deve ser prescrita, idealmente iniciada antes da concepção? Assinale a alternativa correta.
O ácido fólico é a suplementação recomendada para a prevenção de defeitos de fechamento do tubo neural, idealmente iniciada no período periconcepcional (pelo menos um mês antes da concepção) e mantida no primeiro trimestre. A vitamina C não previne defeitos do tubo neural. A vitamina K está relacionada à coagulação (uso no recém-nascido). O cálcio é indicado para prevenção de pré-eclâmpsia em populações de baixa ingestão, não para defeitos do tubo neural. A vitamina D em altas doses não tem essa indicação.
Gestante de 22 anos, com 12 semanas, sem comorbidades, comparece à primeira consulta de pré-natal. Deseja saber quais suplementos deve utilizar. Considerando as recomendações de rotina do pré-natal de baixo risco no Brasil, qual conduta de suplementação é a mais adequada?
No pré-natal de rotina recomenda-se ácido fólico (idealmente pré-concepcional e no 1º trimestre, prevenindo defeitos de fechamento do tubo neural) e sulfato ferroso (profilaxia da anemia ferropriva) (correta). Vitamina A em altas doses é teratogênica no início da gestação. Cálcio/vitamina D universais desde o 1º trimestre não são rotina para baixo risco. Iodo em dose mensal não é o esquema padrão. Afirmar que nenhuma suplementação é recomendada contraria as diretrizes.
Uma gestante de 26 anos, na 8ª semana, comparece à unidade básica para primeira consulta de pré-natal de risco habitual. Segundo as recomendações atuais do Ministério da Saúde para o pré-natal de baixo risco na APS, qual é o número MÍNIMO de consultas de pré-natal preconizado ao longo da gestação?
O Ministério da Saúde preconiza no mínimo 6 consultas de pré-natal (idealmente uma no 1º trimestre, duas no 2º e três no 3º). Quatro consultas é o antigo mínimo da OMS, superado pela recomendação de 8 contatos, mas não é o mínimo adotado no protocolo brasileiro. Oito contatos é a recomendação da OMS de 2016, não o mínimo formal do MS. Dez consultas não é o mínimo preconizado. Três consultas está muito abaixo do recomendado e associa-se a piores desfechos.
Uma gestante de 24 anos, na primeira consulta de pré-natal em uma Unidade Básica de Saúde, com idade gestacional de 10 semanas, pergunta sobre suplementação de vitaminas. Ela não tem comorbidades e a gestação foi planejada. Segundo as recomendações do Ministério da Saúde, qual suplementação está indicada de rotina para prevenção de anemia e de defeitos do tubo neural?
A suplementação de rotina no pré-natal do SUS inclui ácido fólico (prevenção de defeitos do tubo neural, idealmente iniciada no período periconcepcional) e sulfato ferroso (prevenção/tratamento de anemia ferropriva). Vitamina D e cálcio não são suplementados de rotina em gestante sem fatores de risco. Vitamina A e zinco não fazem parte da suplementação universal de pré-natal. Complexo B e vitamina C não são recomendados de rotina para essas finalidades.
Gestante de 26 anos, primigesta, comparece à UBS na 12ª semana de gestação para primeira consulta de pré-natal. Traz exames solicitados na captação e não relata queixas. De acordo com a Rede Cegonha e o protocolo de pré-natal de risco habitual do Ministério da Saúde, qual é a periodicidade mínima recomendada das consultas de pré-natal para essa gestante?
O protocolo de pré-natal de risco habitual do MS recomenda no mínimo 6 consultas, com periodicidade mensal até a 36ª semana, quinzenal entre 36 e 40 semanas e semanal após 40 semanas, garantindo vigilância mais próxima no fim da gestação. A opção de consultas trimestrais (3 no total) é insuficiente e não corresponde ao protocolo. Consultas semanais desde a captação são excessivas e não recomendadas em risco habitual. O esquema bimestral/mensal não segue a periodicidade preconizada e reduz a vigilância no período de maior risco.
Uma mulher de 28 anos procura a UBS para iniciar acompanhamento pré-natal após atraso menstrual e teste de gravidez positivo. Segundo as recomendações do Ministério da Saúde para o pré-natal de risco habitual na APS, qual é o número mínimo de consultas de pré-natal preconizado?
O Ministério da Saúde preconiza o mínimo de 6 consultas de pré-natal para gestação de risco habitual, idealmente uma no primeiro trimestre, duas no segundo e três no terceiro. Duas consultas são insuficientes. Doze consultas excede o mínimo preconizado (embora consultas adicionais possam ocorrer conforme necessidade). Uma única consulta é claramente inadequada para o seguimento gestacional.
Mulher de 22 anos procura a UBS relatando atraso menstrual de 6 semanas e teste de farmácia positivo. Deseja confirmar a gestação e iniciar o pré-natal. Segundo a rotina do SUS, qual conduta inicial é a mais adequada nesta consulta?
Na APS, confirmada a gravidez, calcula-se a idade gestacional pela data da última menstruação, inicia-se o pré-natal de risco habitual e solicitam-se os exames de rotina do 1º trimestre. Tomografia de abdome é contraindicada e não data gestação (usa-se USG). Encaminhamento ao alto risco só se houver fator de risco, ausente aqui. Misoprostol para 'regularizar ciclo' em gestante desejada é conduta inadequada e perigosa.
Uma gestante de 26 anos, na 12ª semana, comparece à primeira consulta de pré-natal na UBS. Refere náuseas discretas e nega comorbidades. Traz exames sem alterações. Ao final da consulta, o médico deve orientar sobre a suplementação profilática recomendada de rotina no pré-natal de baixo risco pelo Ministério da Saúde. Qual conduta é adequada quanto à suplementação a partir deste momento?
O protocolo do Ministério da Saúde recomenda suplementação profilática de ferro elementar (em geral 40-60 mg/dia) a partir da confirmação da gestação/2º trimestre e manutenção do ácido fólico, pela alta prevalência de anemia ferropriva e do papel do folato na prevenção de defeitos do tubo neural. A alternativa que mantém só folato ignora o ferro profilático. Suspender o folato é incorreto — mantém-se por rotina. Polivitamínico com megadoses de cálcio/vitamina D não é recomendado universalmente e pode ser deletério.
Gestante de 22 anos, na 10ª semana, inicia o pré-natal na UBS. Entre os exames solicitados na primeira consulta, o médico prescreve suplementação profilática de rotina para prevenção de defeitos do tubo neural e de anemia. Qual das seguintes suplementações está indicada de rotina para toda gestante conforme protocolo do Ministério da Saúde?
O protocolo de pré-natal do Ministério da Saúde recomenda de rotina ácido fólico (prevenção de defeitos do tubo neural) e sulfato ferroso (prevenção de anemia gestacional) (opção correta). Vitamina D/cálcio, vitamina A/zinco e ômega-3/vitamina C não são suplementações universais de rotina no pré-natal de baixo risco.
Uma gestante de 22 anos, na 12ª semana, chega à UBS para primeira consulta de pré-natal. Assintomática, sem comorbidades. A médica solicita os exames do primeiro trimestre e reforça a rede de atenção. Sobre a organização do cuidado no SUS, o pré-natal de risco habitual deve ser conduzido preferencialmente:
O pré-natal de risco habitual é responsabilidade da APS, coordenadora do cuidado, encaminhando ao alto risco só se houver intercorrência. A maternidade/hospital atende alto risco e parto, não o seguimento habitual. O SUS garante pré-natal integral e gratuito (opção errado).
Gestante de 26 anos, G2P1A0, comparece à UBS para primeira consulta de pré-natal com idade gestacional de 10 semanas (DUM confiável e compatível com USG). Refere gestação anterior sem intercorrências, parto vaginal a termo. Nega comorbidades ou uso de medicamentos. Exame físico sem alterações; PA 110x70 mmHg. Traz exames laboratoriais: tipagem sanguínea O positivo, hemoglobina 12,1 g/dL, glicemia de jejum 88 mg/dL, sorologias para HIV, sífilis (VDRL) e hepatite B não reagentes, urocultura negativa. A paciente questiona sobre suplementação. Considerando as recomendações do Ministério da Saúde para o pré-natal de baixo risco, qual a conduta de suplementação e a periodicidade mínima de consultas indicadas, respectivamente?
O MS recomenda ácido fólico (idealmente periconcepcional/1º trimestre para prevenção de defeitos do tubo neural) e sulfato ferroso (profilaxia de anemia, mantido ao longo da gestação e puerpério), com mínimo de seis consultas de pré-natal (uma no 1º trimestre, duas no 2º e três no 3º). Erra ao dispensar o ácido fólico e reduzir para quatro consultas. A C prescreve polivitamínico/cálcio/vitamina D de rotina em baixo risco (não recomendado universalmente) e consultas quinzenais desde o início (excessivo). A D omite o ferro e nega o número mínimo de consultas preconizado.
Uma gestante de 22 anos, primigesta, comparece à primeira consulta de pré-natal na UBS com 9 semanas de idade gestacional pela DUM. Assintomática, sem comorbidades. Ao exame: PA 110/70 mmHg, IMC pré-gestacional 23, exame físico e obstétrico sem alterações. O médico inicia o pré-natal de risco habitual e solicita a rotina laboratorial. A paciente pergunta quais suplementos deve tomar. Considerando as recomendações do Ministério da Saúde para o pré-natal de risco habitual, qual é a conduta correta quanto à suplementação e ao rastreamento inicial?
No pré-natal de risco habitual, o Ministério da Saúde recomenda suplementação de ácido fólico (idealmente periconcepcional/primeiro trimestre para prevenção de defeitos de tubo neural) e sulfato ferroso, além da rotina laboratorial da primeira consulta: tipagem sanguínea, hemograma, glicemia de jejum, sorologias para HIV, sífilis (VDRL) e hepatite B (HBsAg), urina/urocultura, entre outros. Suplementar só cálcio e dispensar sorologias omite condutas essenciais. Adiar exames ao terceiro trimestre impede diagnóstico e tratamento precoces. Ferro terapêutico alto sem anemia e sem folato é inadequado.
Uma gestante de 26 anos, primigesta, comparece à Unidade Básica de Saúde para primeira consulta de pré-natal, referindo atraso menstrual de 8 semanas. Nega comorbidades, tabagismo ou uso de medicamentos. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, pressão arterial de 110x70 mmHg, útero não palpável no abdome. A equipe confirma a gravidez por teste imunológico positivo. Considerando as diretrizes do Ministério da Saúde para o pré-natal de baixo risco na atenção primária, qual é a conduta correta em relação à suplementação medicamentosa de rotina para esta gestante?
O protocolo do Ministério da Saúde recomenda suplementação rotineira de ácido fólico (prevenção de defeitos do tubo neural) e sulfato ferroso (prevenção de anemia ferropriva) no pré-natal de baixo risco. Cálcio em altas doses não é rotina universal; é indicado em populações de baixa ingesta para prevenção de pré-eclâmpsia, não como única suplementação. A dieta isolada não garante o aporte de folato necessário. Vitamina A em megadose no primeiro trimestre é teratogênica e contraindicada.
Uma gestante de 24 anos, com idade gestacional de 32 semanas, comparece à consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde. Está assintomática. Como parte da rotina, o médico realiza a aferição da pressão arterial, que é de 120x75 mmHg, e a medida da altura uterina, obtendo 31 cm. A ausculta dos batimentos cardiofetais é normal. Considerando a curva de altura uterina utilizada no pré-natal do Ministério da Saúde, o valor encontrado nesta gestante deve ser interpretado como:
A altura uterina aproximadamente equivalente à idade gestacional em semanas (com faixa de normalidade entre os percentis 10 e 90 da curva) indica crescimento fetal adequado; 31 cm às 32 semanas está dentro do esperado. Restrição de crescimento seria suspeitada se a altura estivesse abaixo do percentil 10. Polidrâmnio e gemelaridade cursam com altura uterina acima do esperado para a idade gestacional. O achado, portanto, é compatível e não exige investigação adicional imediata.
Mulher de 24 anos, G2P1A0, comparece a Unidade Basica de Saude para consulta de pre-natal. Encontra-se na 26a semana de gestacao, com idade gestacional confirmada por ultrassonografia de primeiro trimestre. Refere gestacao sem intercorrencias, nega comorbidades, tabagismo ou uso de medicacoes. Ao exame: pressao arterial de 110x70 mmHg, altura uterina compativel com a idade gestacional, batimentos cardiofetais de 144 bpm e movimentacao fetal presente. Exames laboratoriais da rotina do pre-natal sem alteracoes. A gestante, classificada como de baixo risco, pergunta a medica quando devera retornar para a proxima consulta. De acordo com o calendario preconizado pelo Ministerio da Saude, qual e a orientacao correta?
No pré-natal de baixo risco o Ministério da Saúde recomenda consultas mensais até a 28ª semana, quinzenais entre 28 e 36 semanas e semanais da 36ª semana até o parto. Às 26 semanas, a conduta é retorno mensal, em cerca de 4 semanas. Os intervalos de 2 semanas e de 1 semana antecipam periodicidades que só se aplicam após 28 e 36 semanas, respectivamente. Espaçar o acompanhamento condicionando-o a queixas contraria o princípio de vigilância contínua do pré-natal.
Mulher de 22 anos, com teste de gravidez positivo, comparece a Unidade Basica de Saude para iniciar o acompanhamento pre-natal. Encontra-se na 9a semana de gestacao, assintomatica, sem antecedentes patologicos e com gestacao classificada como de baixo risco apos a avaliacao inicial. A equipe da Estrategia Saude da Familia organiza o calendario de consultas e orienta a gestante sobre a importancia da regularidade do acompanhamento. Segundo o preconizado pelo Ministerio da Saude para o pre-natal de baixo risco, qual e o numero minimo de consultas recomendado ao longo da gestacao?
O Ministério da Saúde preconiza um mínimo de 6 consultas de pré-natal para gestação de baixo risco, idealmente distribuídas como 1 no primeiro trimestre, 2 no segundo e 3 no terceiro, além da consulta puerperal. Números menores, de 3 ou de 4 consultas, são insuficientes para a vigilância adequada. As 8 consultas correspondem à recomendação de contatos da OMS (2016), mas o parâmetro mínimo adotado pelo SUS permanece 6.
Uma gestante de 24 anos, na 20ª semana de gestação, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de pré-natal de rotina. Está assintomática, sem queixas, com exame físico sem alterações. Os exames laboratoriais recentes mostram hemograma normal, com hemoglobina de 12,5 g/dL, descartando anemia. A gestação transcorre sem intercorrências. Considerando as recomendações do Ministério da Saúde para a suplementação profilática na gestação de risco habitual, mesmo na ausência de anemia, qual é a conduta correta em relação à suplementação de ferro?
Correta: o Ministério da Saúde recomenda a suplementação profilática de ferro (sulfato ferroso) de rotina para toda gestante de risco habitual, mesmo sem anemia, dada a alta demanda de ferro na gravidez, mantida ao longo da gestação (e frequentemente no puerpério). Portanto, hemoglobina normal não afasta a indicação profilática — a suplementação apenas terapêutica em caso de anemia está incorreta. Ferro endovenoso é reservado a situações específicas (intolerância/anemia grave), não profilaxia de rotina. Orientação dietética é complementar, mas não substitui a suplementação medicamentosa recomendada.
Uma gestante de 24 anos, primigesta, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de pré-natal. Está na 26ª semana de gestação, sem intercorrências. Nega comorbidades, tabagismo ou uso de medicamentos. Os exames do primeiro e do segundo trimestres estão dentro da normalidade, a pressão arterial é 110/70 mmHg, a altura uterina é compatível com a idade gestacional e a ausculta dos batimentos cardíacos fetais é normal. A gestante pergunta com que frequência deverá retornar às consultas nas próximas semanas. Considerando a classificação de risco habitual e as recomendações do Ministério da Saúde, qual é a periodicidade adequada das consultas de pré-natal para esta paciente?
O Ministério da Saúde preconiza, na gestação de risco habitual, consultas mensais até a 28ª semana, quinzenais entre a 28ª e a 36ª semana e semanais a partir da 36ª semana até o parto, intensificando o acompanhamento na proximidade do termo. Manter consultas quinzenais durante todo o terceiro trimestre e semanais apenas após a 40ª semana ignora as consultas mensais iniciais e posterga indevidamente a intensificação. Manter intervalo mensal até o parto é insuficiente no terceiro trimestre, quando aumentam os riscos de intercorrências (pré-eclâmpsia, restrição de crescimento). E antecipar consultas semanais já a partir da 28ª semana não tem justificativa, sobrecarregando o serviço sem benefício para uma gestação de baixo risco.
Uma mulher de 31 anos comparece à unidade de saúde da família para consulta pré-concepcional, relatando desejo de engravidar nos próximos meses. É G2P1; seu primeiro filho, hoje com 3 anos, nasceu com mielomeningocele lombar e é acompanhado em serviço de referência. Nega comorbidades e uso de medicamentos, inclusive anticonvulsivantes; nega tabagismo e etilismo. Índice de massa corporal de 24 kg/m². Ao exame, pressão arterial de 112x74 mmHg, sem outras alterações. Traz hemograma sem alterações e glicemia de jejum de 88 mg/dL. Pergunta se deve tomar alguma vitamina antes de engravidar, pois uma vizinha lhe disse que 'a farmácia vende um comprimido igual para todas as grávidas'. Qual é a orientação correta quanto à suplementação de ácido fólico?
Correta: antecedente de gestação com defeito de fechamento do tubo neural coloca a mulher em alto risco de recorrência, e as diretrizes brasileiras recomendam dose elevada de ácido fólico (4 a 5 mg ao dia), iniciada no mínimo 30 dias antes da concepção e mantida até completar 12 semanas — o mesmo se aplica a usuárias de anticonvulsivantes, diabéticas e portadoras de obesidade grave. Primeiro distrator: o fechamento do tubo neural ocorre até a 4ª semana pós-concepção, antes mesmo de a maioria das mulheres saber que está grávida; começar após o teste positivo perde a janela de prevenção. Segundo distrator: 0,4 mg é a dose profilática para gestantes de risco habitual e é insuficiente diante de antecedente de mielomeningocele. Terceiro distrator: a fortificação de farinhas é medida populacional e não substitui a suplementação individual, muito menos em alto risco.
Uma mulher de 24 anos, gesta 2 para 1, comparece à consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde com idade gestacional de 33 semanas, calculada por ultrassonografia do primeiro trimestre. Refere movimentação fetal presente, nega perdas vaginais, contrações, cefaleia ou escotomas. Ao exame: bom estado geral, pressão arterial de 112 x 70 mmHg, ganho ponderal total de 9 kg, altura uterina de 32 cm (entre os percentis 10 e 90 para a idade gestacional), batimentos cardiofetais de 144 bpm, apresentação cefálica, edema discreto de tornozelos. Exames de rotina do segundo trimestre sem alterações, incluindo teste de tolerância à glicose normal e sorologias não reagentes. A gestante é classificada como de risco habitual e questiona quando deve retornar à unidade. Qual é a conduta correta quanto ao seguimento?
Correta: no pré-natal de risco habitual, o Ministério da Saúde preconiza consultas mensais até a 28ª semana, quinzenais da 28ª à 36ª semana e semanais da 36ª até a 41ª semana. Com 33 semanas e avaliação inteiramente normal, o retorno é quinzenal, passando a semanal após 36 semanas. A primeira opção inverte os intervalos (mensal até 36 e quinzenal depois), reduzindo indevidamente a vigilância no período de maior risco de intercorrências (pré-eclâmpsia, restrição de crescimento). A segunda deixa a gestante três semanas sem avaliação num intervalo em que se recomenda retorno quinzenal. A quarta é incorreta: idade gestacional avançada não é, por si só, critério de encaminhamento ao alto risco — a gestante não apresenta nenhum fator de risco, e o seguimento permanece na Atenção Primária.
Uma mulher de 19 anos, primigesta, procura a Unidade Básica de Saúde referindo atraso menstrual e teste rápido de gravidez positivo realizado na própria unidade. Nunca fez consulta de pré-natal. A data da última menstruação é confiável e corresponde a 20 semanas de idade gestacional, compatível com altura uterina de 19 cm e batimentos cardiofetais de 148 bpm. Nega comorbidades, uso de medicamentos ou intercorrências; pressão arterial de 110 x 68 mmHg, índice de massa corporal de 23 kg/m². Relata que demorou a procurar o serviço por medo da reação da família. A médica abre a Caderneta da Gestante e planeja o seguimento. Qual é a conduta adequada nesse momento?
Correta: a captação tardia não contraindica nem posterga o pré-natal — a primeira consulta deve ocorrer no primeiro contato, com solicitação dos exames de rotina (hemograma, tipagem sanguínea e fator Rh, glicemia, sorologias para sífilis, HIV, hepatites B e C, toxoplasmose, urina tipo I e urocultura), preenchimento da Caderneta e programação do calendário para assegurar o mínimo de seis consultas preconizado pelo Ministério da Saúde. A segunda opção é incorreta: início tardio é fator para intensificar a captação e a busca ativa, não critério de alto risco em gestante hígida, sem comorbidades e com exame normal. A terceira erra ao dispensar os exames de rotina: sorologias e rastreamentos não realizados devem ser solicitados assim que a gestante é captada, pois orientam condutas (por exemplo, tratamento de sífilis e profilaxia de transmissão vertical do HIV). A quarta adia o cuidado sem qualquer respaldo — o calendário quinzenal a partir de 28 semanas pressupõe pré-natal já iniciado.
Durante reunião de equipe em uma Unidade de Saúde da Família, a enfermeira apresenta o caso de uma gestante de 27 anos, com 10 semanas de idade gestacional, risco habitual, que iniciou o pré-natal na semana anterior. Ela pergunta ao médico qual é o número mínimo de consultas de pré-natal recomendado pelo Ministério da Saúde e como devem ser distribuídas ao longo da gestação, para que a equipe organize a agenda e realize busca ativa das faltosas do território. Qual é a resposta correta?
Correta: o Ministério da Saúde preconiza, para o pré-natal de risco habitual, no mínimo seis consultas, distribuídas preferencialmente como uma no primeiro trimestre, duas no segundo e três no terceiro — concentração progressiva que acompanha o aumento do risco de intercorrências no fim da gestação. A primeira opção subestima o mínimo (quatro consultas não atende à recomendação nacional). A segunda confunde o mínimo obrigatório com a periodicidade: consultas mensais são recomendadas apenas até a 28ª semana, tornando-se quinzenais e depois semanais, e não existe exigência de dez consultas. A terceira inverte a distribuição, concentrando as consultas no primeiro trimestre e deixando apenas uma no terceiro, quando a vigilância deve ser mais intensa. Vale lembrar que não há alta do pré-natal: o acompanhamento segue até o parto, com busca ativa das faltosas pela equipe.
Uma mulher de 27 anos, gesta 2 para 1, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de pré-natal de risco habitual. Trata-se da quinta consulta, e a gestação transcorre sem intercorrências. A idade gestacional, calculada pela data da última menstruação confiável e confirmada por ultrassonografia de primeiro trimestre, é de 33 semanas. Ao exame: pressão arterial 110 x 70 mmHg, altura uterina 32 cm, batimentos cardíacos fetais 144 bpm, movimentação fetal presente. Os exames do terceiro trimestre não mostram alterações. Qual é a conduta adequada quanto ao seguimento dessa gestante?
Correta: no pré-natal de risco habitual, o Ministério da Saúde preconiza consultas mensais até 28 semanas, quinzenais entre 28 e 36 semanas e semanais a partir de 36 semanas até o parto; com 33 semanas e quadro normal, o retorno é em 15 dias, na própria UBS. A primeira alternativa inverte os intervalos (mensal até 36 semanas), retardando a vigilância justamente no período de maior risco de pré-eclâmpsia e restrição de crescimento. O encaminhamento ao alto risco não se justifica: idade gestacional avançada não é critério de risco, que depende de comorbidades ou intercorrências ausentes no caso. A alta do pré-natal é inadequada porque o acompanhamento não se encerra antes do parto, sendo o terceiro trimestre o período de consultas mais frequentes.
Durante reunião de equipe em uma Unidade Básica de Saúde, a enfermeira apresenta os indicadores de pré-natal do território e observa que parte das gestantes concluiu a gestação com número insuficiente de consultas. Para pactuar metas de melhoria da qualidade da assistência, a equipe precisa retomar o parâmetro oficial do Ministério da Saúde. Qual é o número mínimo de consultas de pré-natal recomendado para a gestante de risco habitual e sua distribuição ao longo da gestação?
Correta: o Ministério da Saúde estabelece como mínimo seis consultas de pré-natal para a gestante de risco habitual, distribuídas de forma crescente — uma no primeiro trimestre, duas no segundo e três no terceiro —, refletindo a maior necessidade de vigilância no final da gestação; a consulta puerperal é adicional e não compõe esse mínimo. Quatro consultas correspondem ao antigo parâmetro focalizado da OMS, abaixo do recomendado no Brasil. A distribuição de duas por trimestre soma seis, mas não atende à concentração exigida no terceiro trimestre. Doze consultas mensais com início obrigatório antes de 8 semanas não é parâmetro mínimo, embora a captação precoce (até 12 semanas) seja meta de qualidade.
Uma mulher de 22 anos, primigesta, comparece pela primeira vez à Unidade Básica de Saúde referindo amenorreia e aumento do volume abdominal. Não realizou nenhuma consulta de pré-natal até o momento. Traz ultrassonografia feita ontem, que mostra gestação tópica única, com idade gestacional de 30 semanas. Está assintomática, pressão arterial 112 x 72 mmHg, altura uterina compatível, batimentos cardíacos fetais de 140 bpm. Nega comorbidades, uso de medicamentos ou intercorrências. Qual é a conduta na atenção primária?
Correta: na captação tardia, o pré-natal deve ser iniciado imediatamente na atenção primária, com solicitação de toda a rotina da primeira consulta (hemograma, tipagem sanguínea e fator Rh, glicemia, testes rápidos/sorologias para HIV e sífilis, HBsAg, toxoplasmose, urina tipo 1 e urocultura), acrescida do rastreamento de diabetes, e com concentração de consultas para recuperar o número mínimo até o parto. Captação tardia isoladamente não é critério de alto risco — a gestante não apresenta comorbidade ou intercorrência que justifique encaminhamento. Solicitar apenas ultrassonografia e pesquisa de estreptococo do grupo B (indicada entre 35 e 37 semanas) deixaria de rastrear infecções com transmissão vertical evitável. Os exames da primeira consulta não perdem validade: eles nunca foram feitos e são justamente o que permite intervenções ainda oportunas, como o tratamento da sífilis materna.
Mulher de 30 anos procura a Unidade Básica de Saúde para consulta de planejamento reprodutivo. Deseja engravidar nos próximos meses. Nega comorbidades, uso de medicamentos e antecedente pessoal ou familiar de malformações. Exame físico sem alterações. Além das orientações gerais, qual é a recomendação correta quanto à suplementação de ácido fólico para essa mulher?
Para mulheres de risco habitual, recomenda-se ácido fólico 0,4 mg/dia iniciado no mínimo 30 dias antes da concepção e mantido até o fim do primeiro trimestre, período de fechamento do tubo neural. A dose de 5 mg/dia é reservada a situações de alto risco (antecedente de feto com defeito de tubo neural, uso de anticonvulsivantes, diabetes, obesidade grave) e, iniciada só após o teste positivo, perderia a janela crítica. Começar na 20ª semana não previne defeito de tubo neural, já fechado por volta da 4ª semana. A fortificação das farinhas reduz, mas não elimina o risco, e não substitui a suplementação periconcepcional.
Uma gestante de 26 anos, G2P1A0, com pré-natal de baixo risco acompanhado na Unidade Básica de Saúde, comparece à consulta com 30 semanas de idade gestacional. Não há intercorrências: pressão arterial normal, ganho ponderal adequado, altura uterina compatível e batimentos cardiofetais presentes. Ao final do atendimento, a médica precisa orientar quando deve ser o próximo retorno. De acordo com a rotina de pré-natal do Ministério da Saúde, qual é a periodicidade adequada das consultas nesse momento da gestação?
A rotina do Ministério da Saúde escalona a periodicidade conforme a idade gestacional: consultas mensais (a cada 4 semanas) até 28 semanas, quinzenais (a cada 2 semanas) entre 28 e 36 semanas e semanais a partir de 36 semanas até o parto. Com 30 semanas, a gestante está na faixa de retornos quinzenais, passando a semanais após 36 semanas (alternativa correta). Manter mensal até 36 semanas subestima o intervalo preconizado na fase intermediária. Iniciar retornos semanais aos 30 semanas antecipa indevidamente a fase final. Manter consultas mensais até o parto contraria o escalonamento, mesmo em gestação de baixo risco.
Durante uma capacitação da equipe de Saúde da Família sobre a assistência pré-natal na Atenção Primária, discute-se a meta mínima de consultas para uma gestação de baixo risco no SUS. Segundo a recomendação do Ministério da Saúde, qual é o número mínimo de consultas de pré-natal que deve ser garantido ao longo da gestação?
O Ministério da Saúde preconiza um mínimo de 6 consultas de pré-natal, idealmente distribuídas como 1 no primeiro trimestre, 2 no segundo e 3 no terceiro, com início precoce (preferencialmente antes de 12 semanas). Três consultas ficam abaixo do mínimo e caracterizam pré-natal inadequado. Quatro consultas correspondem a um parâmetro antigo/insuficiente e não é a meta atual do SUS. Doze consultas não são exigidas como mínimo; representam número acima do preconizado, embora possa ocorrer conforme o escalonamento até o termo.
Mulher de 26 anos comparece à Unidade Básica de Saúde relatando desejo de engravidar nos próximos meses. Nega comorbidades, uso de medicações e antecedente pessoal ou familiar de malformações do tubo neural. Ciclos menstruais regulares, exame físico sem alterações. Diante do planejamento reprodutivo, qual é a conduta adequada quanto à suplementação de ácido fólico?
A prevenção de defeitos do tubo neural exige ácido fólico iniciado ANTES da concepção (idealmente 30 dias antes) e mantido no primeiro trimestre, período de fechamento do tubo neural. Para gestante de baixo risco a dose é 0,4 mg/dia (correta). A dose de 4 mg/dia é reservada a alto risco (NTD prévio, uso de anticonvulsivantes, diabetes) — não é o caso. Aguardar a confirmação da gravidez ou o fim do primeiro trimestre perde a janela de proteção, e omitir a suplementação contraria a recomendação universal no planejamento reprodutivo.
Primigesta de 24 anos, com gestação de 36 semanas confirmada por ultrassonografia de primeiro trimestre, realiza pré-natal de baixo risco em Unidade Básica de Saúde, com consultas quinzenais desde a 28ª semana. Está assintomática, nega perdas vaginais e refere boa movimentação fetal. Ao exame: PA 110 × 70 mmHg, altura uterina de 33 cm, BCF 140 bpm, apresentação cefálica, sem edema. Os exames do terceiro trimestre estão normais. Sobre a continuidade da assistência pré-natal dessa gestante, segundo as recomendações do Ministério da Saúde, assinale a conduta adequada.
Pelo calendário do Ministério da Saúde (Caderno de Atenção Básica nº 32), as consultas são mensais até a 28ª semana, quinzenais da 28ª à 36ª e SEMANAIS da 36ª semana até o parto — e não existe 'alta' do pré-natal: o acompanhamento segue até 41 semanas, quando a gestante deve ser encaminhada para avaliação de vitalidade fetal e programação do parto. Erra: a periodicidade (deveria ser semanal após 36 semanas) e propõe alta indevida às 40 semanas. O mínimo de 6 consultas é piso, não teto — completá-lo não autoriza interromper o seguimento. Idade gestacional de 36 semanas em gestação de baixo risco não é critério de encaminhamento ao alto risco nem exige cardiotocografia de rotina.
Durante reunião de planejamento das ações de saúde da mulher em uma Unidade Básica de Saúde, a equipe revisa os indicadores do pré-natal do território. Segundo o Ministério da Saúde, o número mínimo de consultas de pré-natal preconizado para a gestante de baixo risco e sua distribuição ao longo da gestação correspondem a:
O Ministério da Saúde (Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento e Caderno de Atenção Básica nº 32) preconiza o MÍNIMO de seis consultas de pré-natal, preferencialmente distribuídas em uma no primeiro trimestre, duas no segundo e três no terceiro — concentrando consultas no final da gestação, período de maior risco materno-fetal. Oito contatos é a recomendação da OMS (2016), não a do MS, e a distribuição não é igualitária. A distribuição 2-2-2 contraria a lógica de intensificar o acompanhamento no terceiro trimestre. Dez consultas mensais não corresponde a nenhuma norma — a periodicidade recomendada é mensal até 28 semanas, quinzenal até 36 e semanal até o parto.
Gestante de 28 anos, G2P1, com 22 semanas de gestação de baixo risco, comparece à consulta de pré-natal agendada com a enfermeira de sua equipe de Saúde da Família. A paciente questiona a recepção, dizendo que 'pré-natal tem que ser com médico' e que se recusa a ser atendida pela enfermeira. A gestante está assintomática, com exames do segundo trimestre pendentes de solicitação. Diante da situação, considerando a organização da assistência pré-natal na Atenção Primária à Saúde preconizada pelo Ministério da Saúde, assinale a orientação correta.
O Ministério da Saúde (Caderno de Atenção Básica nº 32) recomenda que, no pré-natal de baixo risco, as consultas sejam INTERCALADAS entre médico e enfermeiro; a Lei do Exercício Profissional da Enfermagem (Lei nº 7.498/1986) autoriza o enfermeiro a acompanhar integralmente a gestante de baixo risco, realizando consulta, solicitando exames de rotina e prescrevendo medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública e protocolos institucionais. Cabe à equipe acolher a dúvida da gestante e esclarecer essa organização do cuidado. Falso: a consulta de pré-natal de baixo risco não é privativa do médico. A atuação do enfermeiro conforme protocolo dispensa assinatura ou supervisão médica em cada ato. Os exames de rotina do pré-natal podem ser solicitados pelo enfermeiro, conforme respaldo legal e normativo do SUS.
Primigesta de 23 anos, sem comorbidades, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal com idade gestacional de 10 semanas, calculada por DUM confiável e confirmada por ultrassonografia. Exame físico sem alterações: PA 110 x 70 mmHg, IMC 23 kg/m², altura uterina compatível. Sorologias e demais exames da rotina inicial foram solicitados. A gestante é classificada como pré-natal de risco habitual e pergunta quantas vezes precisará retornar à unidade e com que frequência. De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde para o pré-natal de risco habitual, a resposta correta é:
O Ministério da Saúde estabelece, para o pré-natal de risco habitual, um número mínimo de seis consultas, distribuídas como uma no primeiro trimestre, duas no segundo e três no terceiro, com início preferencialmente até a 12ª semana; o calendário de retornos é mensal até a 28ª semana, quinzenal entre 28 e 36 semanas e semanal da 36ª semana até o parto — exatamente o descrito na alternativa correta. O mínimo de quatro consultas corresponde à recomendação antiga da OMS, superada e nunca adotada como padrão brasileiro atual. Oito contatos é a recomendação da OMS de 2016, mas nunca com início obrigatório no segundo trimestre nem intervalos fixos de quatro semanas. Por fim, não existe alta do pré-natal na 38ª semana: o acompanhamento se mantém até o parto.
Secundigesta de 29 anas, com pré-natal de risco habitual realizado na Estratégia Saúde da Família, comparece à consulta com 40 semanas e 3 dias de idade gestacional, confirmada por ultrassonografia do primeiro trimestre. Refere movimentação fetal presente e ausência de contrações, perda de líquido ou sangramento. Ao exame: PA 112 x 74 mmHg, altura uterina 35 cm, BCF 140 bpm, apresentação cefálica, colo posterior e impérvio. Todos os exames da rotina do terceiro trimestre estão normais. A conduta adequada da equipe de atenção primária neste momento é:
A alternativa correta reproduz a rotina preconizada pelo Ministério da Saúde: o pré-natal não é encerrado antes do parto, os retornos permanecem semanais a partir da 36ª semana e, a partir de 41 semanas, indica-se avaliação seriada da vitalidade fetal (cardiotocografia e/ou perfil biofísico/ILA) com encaminhamento para resolução em serviço de referência se a gestação não se resolver até 41 semanas e 6 dias, pelo aumento progressivo do risco de morbimortalidade perinatal. Dar alta do pré-natal no termo é erro clássico — a alta ocorre apenas na consulta puerperal. Idade gestacional de 40 semanas isoladamente não reclassifica a gestação como de alto risco; é a gestação prolongada, a partir de 41-42 semanas, que exige avaliação especializada. Espaçar o retorno para 21 dias e aguardar 42 semanas para avaliar vitalidade contraria o calendário semanal do termo e retarda a identificação de sofrimento fetal.
Uma mulher de 31 anos comparece à consulta pré-concepcional na Estratégia Saúde da Família manifestando desejo de engravidar nos próximos meses. É hígida, não usa medicações e não tem antecedente de epilepsia, diabetes ou cirurgia bariátrica. Refere que o primeiro filho, hoje com 5 anos, nasceu com mielomeningocele lombar e é acompanhado em serviço de neurocirurgia pediátrica. O exame físico e a pressão arterial são normais e o IMC é de 24 kg/m². Assinale a orientação correta quanto à suplementação de ácido fólico para esta mulher.
Correta: antecedente de filho com defeito do fechamento do tubo neural caracteriza alto risco de recorrência e indica dose elevada de ácido fólico — 4 a 5 mg/dia —, iniciada no período pré-concepcional (pelo menos 30 dias, idealmente 1 a 3 meses antes) e mantida até completar a 12ª semana, quando o tubo neural já está fechado. A dose de 0,4 mg/dia é a profilaxia da população de risco habitual e é insuficiente diante desse antecedente. Iniciar a suplementação só após o teste de gravidez positivo perde a janela crítica, pois o tubo neural se fecha por volta da 4ª semana de gestação, em geral antes do diagnóstico. Manter 5 mg por toda a gestação não traz benefício adicional para esse desfecho e não é a recomendação padrão.
Uma mulher de 23 anos, G2P1A0, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal com idade gestacional de 10 semanas, confirmada por ultrassonografia. Nega comorbidades, tabagismo ou uso de medicamentos, e refere que a gestação anterior evoluiu sem intercorrências, com parto vaginal a termo. Ao exame: PA 110x70 mmHg, IMC 23 kg/m², altura uterina compatível com a idade gestacional e batimentos cardiofetais audíveis ao sonar. Os exames da rotina inicial não apresentam alterações, e a gestação é classificada como de risco habitual. Assinale a alternativa que apresenta corretamente o número mínimo de consultas e o cronograma de retornos preconizados pelo Ministério da Saúde.
O Ministério da Saúde preconiza no mínimo seis consultas de pré-natal para a gestação de risco habitual, distribuídas em uma no primeiro trimestre, duas no segundo e três no terceiro, com periodicidade mensal até 28 semanas, quinzenal de 28 a 36 semanas e semanal de 36 semanas até o parto — exatamente o descrito na alternativa correta. Manter todos os retornos mensais até o parto descuida da vigilância do terceiro trimestre, período de maior incidência de pré-eclâmpsia e alterações do crescimento fetal. Oito consultas com retornos quinzenais desde o início não corresponde à rotina do risco habitual no SUS. Concentrar três consultas no primeiro trimestre e apenas uma no terceiro inverte a lógica da vigilância, e não existe 'alta do pré-natal' na 40ª semana — o acompanhamento se mantém até o parto.
Puérpera de 21 anos recebe alta da maternidade no segundo dia após parto vaginal sem intercorrências, com recém-nascido a termo e em aleitamento materno exclusivo. Ela é cadastrada na unidade básica de saúde do território. Qual é a conduta esperada da equipe de atenção primária?
Após a alta hospitalar, a atenção primária realiza visita domiciliar e agenda a primeira consulta puerperal junto com o primeiro atendimento do recém-nascido, ainda na primeira semana — período em que se concentra a maior parte das situações de morbidade e mortalidade materna. Esperar procura espontânea ou adiar a revisão para 42 dias deixa sem cobertura exatamente a janela de maior risco de hemorragia tardia, infecção puerperal, complicações de laceração ou de ferida operatória e dificuldades de amamentação. O acompanhamento é da própria unidade básica, e o encaminhamento ao serviço especializado só entra se houver complicação que exija outro nível assistencial. A contracepção é oferecida na consulta puerperal, não é o gatilho dela.
Mulher de 23 anos procura a unidade básica de saúde numa quinta-feira à tarde, sem consulta agendada, referindo atraso menstrual de seis semanas e náuseas matinais. Nunca engravidou. O teste imunológico de gravidez realizado na própria unidade é reagente. Ela pergunta quando deve voltar para iniciar o pré-natal. Qual é a conduta correta da equipe?
O teste imunológico de urina reagente já confirma a gestação, e a orientação dos guias de atenção primária é iniciar o primeiro atendimento de pré-natal no mesmo dia do diagnóstico — inclusive com os testes rápidos de sífilis, HIV e hepatites B e C. As alternativas 1, 2 e 4 empurram a abertura do pré-natal para depois e ameaçam a captação oportuna até a 12ª semana, que é indicador de qualidade e critério do financiamento federal da APS; nenhuma delas acrescenta informação que mude a conduta desta consulta. A alternativa 5 está errada porque primeira gestação sem fatores de risco é pré-natal de risco habitual, conduzido na própria unidade básica, com consultas intercaladas entre enfermeiro e médico.
Gestante de 34 anos, acompanhada na unidade básica de saúde desde a 9ª semana, recebe na 26ª semana o diagnóstico de diabetes mellitus gestacional e é encaminhada ao ambulatório de gestação de alto risco. Duas semanas depois, retorna com glicemias adequadas apenas com orientação alimentar e atividade física. Qual é a conduta da equipe de atenção primária?
Não existe alta do pré-natal, nem no risco habitual nem no alto risco: a gestante encaminhada ao ambulatório especializado permanece em acompanhamento pela atenção primária, que é responsável pela coordenação do cuidado e pelo monitoramento de que o pré-natal de alto risco está de fato sendo realizado. A alternativa mais atraente é a de reclassificação, mas a estratificação de risco é absoluta nessa direção — controle obtido só com dieta não devolve a gestante ao risco habitual; o que se ajusta é a intensidade do acompanhamento, e diabetes gestacional em controle dietético já pede consultas quinzenais até a 30ª semana e semanais depois. Não há indicação de internação nem de suspender consultas enquanto se espera relatório.
Gestante de 32 anos, segunda gestação, risco habitual, comparece à consulta de pré-natal com 30 semanas. Está assintomática, pressão arterial 116/74 mmHg, altura uterina e ganho de peso dentro das curvas, batimentos cardiofetais 140 bpm, movimentos fetais presentes. Segundo o calendário adotado pela atenção primária brasileira, em quanto tempo deve ser o retorno?
O calendário brasileiro é mensal até a 28ª semana, quinzenal da 28ª à 36ª e semanal da 36ª até o parto. Com 30 semanas a gestante já está na faixa quinzenal, de modo que o retorno é em duas semanas. Retorno em quatro semanas manteria o intervalo do segundo trimestre e deixaria a gestante sem avaliação de pressão arterial, altura uterina e batimentos cardiofetais justamente no período em que pré-eclâmpsia e restrição de crescimento mais aparecem. Retorno semanal só passa a valer da 36ª semana em diante, ou antes disso se houver fator de risco que justifique encurtar o intervalo.
Gestante de 27 anos, risco habitual, com 24 semanas, comparece à consulta de rotina na unidade básica de saúde. Não tem queixas. Além da avaliação de queixas, da revisão de exames e da checagem de adesão aos suplementos, o registro mínimo dessa consulta deve conter:
Toda consulta subsequente repete o mesmo bloco: pressão arterial, peso com registro na curva de IMC, altura uterina com registro na sua curva, ausculta dos batimentos cardiofetais e pesquisa de movimentos fetais, além da avaliação de edema. A ausência de registro de pressão arterial, altura uterina e batimentos cardiofetais é falha de qualidade assistencial identificável em auditoria. Toque vaginal de rotina não faz parte da consulta de pré-natal de risco habitual fora do trabalho de parto. Cardiotocografia e ultrassonografia não são exames de repetição a cada consulta, e sim solicitados por indicação. A citologia oncótica pode ser colhida na gestação, mas segue a periodicidade do rastreamento do câncer do colo do útero, não o calendário do pré-natal.
Em 2016 a Organização Mundial da Saúde publicou novas recomendações de assistência pré-natal e substituiu o modelo anterior, de quatro visitas do pré-natal focalizado. O número mínimo de contatos passou a ser:
A OMS passou de quatro visitas para um mínimo de oito contatos: o primeiro até 12 semanas e os demais em 20, 26, 30, 34, 36, 38 e 40 semanas — ou seja, cinco deles no terceiro trimestre, período em que se concentram pré-eclâmpsia, restrição de crescimento e gestação prolongada. A justificativa apresentada é de desfecho: oito ou mais contatos reduzem a mortalidade perinatal em até 8 mortes por 1.000 nascimentos frente ao modelo de quatro visitas. A troca da palavra visita por contato foi deliberada, para incluir encontros que não são a consulta médica tradicional. Seis e sete correspondem aos pisos brasileiros — o do Caderno de Atenção Básica nº 32 e o da Portaria da Rede Alyne, respectivamente.
Gestante de 19 anos comparece à primeira consulta de pré-natal com 13 semanas por data da última menstruação confiável. Durante o exame físico, a enfermeira ausculta os batimentos cardiofetais com sonar Doppler, a 148 bpm. Sobre esses achados, é correto afirmar que:
A faixa esperada dos batimentos cardiofetais é de 110 a 160 bpm, e 148 bpm está dentro dela. A ausculta com sonar Doppler é possível a partir da 12ª semana, e é justamente por isso que o registro de batimentos cardiofetais passa a ser exigido nas consultas a partir dessa idade gestacional — inclusive como forma de confirmar a gravidez quando a paciente chega com data da última menstruação acima de 12 semanas. O estetoscópio de Pinard depende de transmissão sonora direta e só se torna útil bem mais adiante na gestação, de modo que não substitui o sonar nesse momento. Vale notar que a gestante foi captada com 13 semanas: ainda no primeiro trimestre, porém já fora do prazo de captação oportuna até a 12ª semana.
A Portaria GM/MS nº 5.350, de 12 de setembro de 2024, que dispõe sobre a Rede Alyne, definiu as ações do componente pré-natal na atenção primária. Segundo esse documento, o pré-natal realizado na unidade básica de saúde deve contar com captação oportuna e, no mínimo:
O componente pré-natal da Rede Alyne determina a realização do pré-natal na UBS com captação oportuna até 12 semanas e, no mínimo, sete consultas intercaladas entre enfermeiros e médicos — número maior que o piso de seis do Caderno de Atenção Básica nº 32, de 2012, que segue reproduzido nos guias assistenciais de atenção primária. A alternativa com doze consultas por equipe especialista e multiprofissional descreve o piso que a mesma portaria estabelece para o ambulatório de gestação de alto risco, não para a unidade básica. O esquema de oito contatos com as idades gestacionais listadas é o da Organização Mundial da Saúde, de 2016. A primeira consulta até a 20ª semana era o corte antigo do indicador de desempenho da APS, substituído em 2022 pelo corte de 12 semanas.
Gestante de 27 anos, com 31 semanas, telefona para a unidade básica relatando que não percebe movimentos fetais desde a noite anterior, há cerca de 16 horas. Não tem contrações, sangramento ou perda de líquido, e a última consulta, há dez dias, foi inteiramente normal. Qual é a conduta da equipe?
Ausência de movimentos fetais por mais de 12 horas em gestação acima de 26 semanas é encaminhamento imediato à maternidade, não retorno agendado. Os movimentos passam a ser percebidos entre 18 e 20 semanas e são perguntados em toda consulta justamente porque a queixa de redução ou ausência é uma das poucas informações que a própria gestante traz e que muda conduta na hora. Marcar consulta para 48 horas, antecipar o retorno para a semana seguinte ou pedir imagem ambulatorial introduzem demora num quadro em que o que se avalia é a vitalidade fetal agora. Orientar repouso e nova contagem após a alimentação é medida razoável para dúvida de percepção em quem ainda sente o feto, e não para uma ausência já estabelecida por dezesseis horas — usá-la aqui adia a avaliação que a queixa exige.
Gestante de 29 anos, risco habitual, com 33 semanas, comparece à consulta de rotina assintomática, sem cefaleia, sem alteração visual e sem epigastralgia. A pressão arterial aferida com técnica adequada é de 142 por 92 mmHg e, repetida após vinte minutos, de 144 por 90 mmHg. Ganho de peso dentro da curva, sem edema de mãos e face. Qual é a conduta?
Valor sistólico igual ou maior que 140 mmHg ou diastólico igual ou maior que 90 mmHg define hipertensão na gestação quando confirmado em duas ocasiões com intervalo mínimo de 4 horas e máximo de 7 dias — duas medidas separadas por vinte ou trinta minutos, na mesma consulta, não cumprem esse intervalo e não fecham o diagnóstico. O que dispensa a segunda ocasião é outro conjunto: elevação tensional acompanhada de ganho de peso acima de um quilo por semana, edema de mãos e face, cefaleia persistente, escotomas ou epigastralgia manda a gestante para a emergência obstétrica investigar pré-eclâmpsia, e nada disso está presente. Encaminhar à emergência apenas pelo número, sem sinal de gravidade e sem crise hipertensiva, sobrecarrega o serviço sem mudar a investigação. Iniciar anti-hipertensivo antes de firmar o diagnóstico trata um achado ainda não confirmado. E manter o calendário sem nova aferição é o erro oposto: a pressão é a medida da consulta com maior poder de mudar conduta, e um valor alterado nunca fica sem seguimento.
Numa reunião de equipe discute-se a organização das consultas de pré-natal de risco habitual da unidade. Um profissional propõe que o enfermeiro afira pressão e peso antes de toda consulta médica, e chama isso de consulta intercalada. Segundo os documentos brasileiros, qual afirmação descreve corretamente esse modelo?
Consulta intercalada significa que enfermeiro e médico se alternam no acompanhamento da mesma gestante, cada um com consulta completa e registrada, e não que o enfermeiro faça uma aferição prévia para o médico atender depois — descrever o modelo como triagem descaracteriza a alternância que a norma prevê. A consulta de pré-natal de risco habitual conduzida por enfermeiro é norma, não improviso de unidade sem médico, e é justamente essa alternância que torna viável o piso de consultas em agendas apertadas. Dizer que o enfermeiro conduz tudo sozinho suprime a metade médica da alternância. O que desloca a gestante desse modelo é o risco, não a hierarquia: identificado fator de risco, o caso é discutido e a consulta seguinte passa a ser médica, com compartilhamento do cuidado com o serviço especializado assim que houver indicação. E a alternância é regra do risco habitual na atenção primária, não organização exclusiva do pré-natal de alto risco.
Casal em consulta pré-concepcional. Mulher de 27 anos, hígida, ciclos regulares, sem antecedentes. Qual conjunto de exames é apropriado solicitar nessa avaliação?
A consulta pré-concepcional de risco habitual é rastreio simples: identificar anemia, disglicemia, status Rh (que define a necessidade de profilaxia anti-D), infecções transmissíveis verticalmente e lacunas vacinais. Painel de trombofilia e cariótipo entram apenas diante de perdas gestacionais de repetição ou história familiar sugestiva — pedi-los de rotina gera achados de significado incerto e ansiedade. Avaliação de reserva ovariana e espermograma pertencem à propedêutica de infertilidade, ou seja, depois de um ano de tentativas (ou seis meses, se a mulher tiver mais de 35 anos). Repetir sorologia de toxoplasmose antes de engravidar não muda conduta alguma: o que importa é conhecer o status de suscetibilidade e orientar prevenção.
Mulher de 30 anos, tabagista de 10 cigarros/dia e consumidora de duas doses de destilado nos fins de semana, informa que pretende engravidar. Qual orientação está correta?
O etanol é teratogênico em qualquer quantidade e em qualquer trimestre, com espectro que vai de alterações neurocomportamentais sutis à síndrome alcoólica fetal — daí a recomendação de abstinência total, sem limiar tolerado. O tabagismo dose-dependente associa-se a restrição de crescimento, descolamento prematuro de placenta, placenta prévia e prematuridade, e a janela pré-concepcional é o melhor momento para a cessação. Liberar consumo no segundo trimestre é a resposta que mais engana, por transportar a lógica da organogênese para um agente cujo alvo principal é o sistema nervoso central, que se desenvolve durante toda a gestação. Cigarro eletrônico não é terapia de cessação validada e mantém a exposição à nicotina, que é vasoconstritora placentária.
Gestante de 9 semanas, primeira consulta de pré-natal de risco habitual. Qual conjunto de exames deve ser solicitado nesta etapa?
A rotina inicial do pré-natal de risco habitual busca condições em que o diagnóstico precoce muda o desfecho: anemia e hemoglobinopatias pelo hemograma, aloimunização pela tipagem com fator Rh e pesquisa de anticorpos irregulares quando negativo, diabetes prévio ou gestacional pela glicemia de jejum, sífilis, HIV, hepatites e toxoplasmose pelas sorologias, e bacteriúria assintomática pela urocultura, cujo tratamento previne pielonefrite e prematuridade. Adiar sorologias para o terceiro trimestre é o erro mais grave, porque perde a janela de tratamento da sífilis e da profilaxia da transmissão vertical do HIV. O teste de tolerância à glicose com 75 g é feito entre 24 e 28 semanas, e não na primeira consulta, exceto se a glicemia de jejum inicial for indeterminada nessa faixa. Morfológica e cariótipo por amniocentese não são rotina de risco habitual. E esperar queixa clínica contraria a própria natureza do rastreio.
Gestante de 26 semanas, com pré-natal de risco habitual, apresenta hemoglobina de 9,6 g/dL, volume corpuscular médio de 72 fL e ferritina de 8 ng/mL. Qual a conduta?
A hemodiluição da gestação reduz a hemoglobina e explica valores próximos de 11 g/dL sem doença, mas microcitose com ferritina de 8 ng/mL não é fisiológica: define deficiência de ferro, e o tratamento é dose terapêutica de sulfato ferroso, em jejum com vitamina C, seguida de manutenção profilática após a correção, com reavaliação do hemograma em cerca de 30 dias. Enquadrar como anemia fisiológica é o erro mais frequente e deixa a gestante anêmica no parto, com menor reserva para a perda sanguínea e maior risco de transfusão. Eletroforese de hemoglobina é útil quando a microcitose persiste apesar do ferro adequado ou quando há suspeita de talassemia, mas não deve retardar o tratamento. Transfusão não se decide por número isolado, e sim por repercussão clínica ou anemia grave próxima ao parto. E ferritina baixa é o marcador mais específico de depleção de estoque, não artefato de diluição.
Sobre o início, a periodicidade e a avaliação clínica no pré-natal de risco habitual, qual afirmação está correta?
O Ministério da Saúde orienta captação preferencial até a 12ª semana e seguimento regular, usualmente mensal até 28 semanas, quinzenal até 36 e semanal no termo. Achados de risco podem exigir outra frequência ou encaminhamento. Pressão arterial e peso integram a avaliação, enquanto altura uterina, batimentos e movimentos fetais devem ser interpretados conforme a idade gestacional e a possibilidade de detecção. Não é correto exigir percepção de movimentos fetais desde o início nem manter intervalos mensais até o parto. O cuidado não se encerra ao atingir um número mínimo de consultas.
Gestante de 32 semanas, em situação de rua, comparece pela primeira vez a uma unidade básica. Não trouxe nenhum exame e não sabe o resultado de nenhum teste. Qual a conduta na primeira consulta?
Na captação tardia, tudo o que for possível resolver no mesmo encontro deve ser resolvido: quem vive na rua pode não voltar, e os testes rápidos entregam resultado na hora com conduta imediata (penicilina benzatina, antirretroviral, profilaxia neonatal). Adiar as sorologias sob o argumento de que já não mudariam a conduta é o erro mais tentador e o mais grave: tratar sífilis materna mesmo perto do termo reduz desfechos neonatais, e a profilaxia da transmissão vertical do HIV tem eficácia até o intraparto. Priorizar apenas o vínculo neste contato sacrifica a única oportunidade certa que se tem.
Mulher de 19 anos, gestante, não sabe informar a data da última menstruação e tem ciclos irregulares. Realiza ultrassonografia com 12 semanas estimadas. Qual parâmetro estabelece a idade gestacional com maior fidedignidade nesse momento?
Entre 7 e 13 semanas e 6 dias, o comprimento cabeça-nádega data a gestação com erro de cerca de cinco dias, o menor de toda a gravidez, porque nessa fase o crescimento embrionário ainda não sofre influência de fatores constitucionais ou de restrição. O diâmetro biparietal engana porque é o parâmetro clássico da biometria, mas só assume o papel de datação depois desse limite e com margem de erro maior, que cresce a cada trimestre. A altura uterina é grosseira e serve para acompanhar crescimento, jamais para datar.
Uma equipe revisa o Caderno de Atenção Básica nº 32 — Atenção ao Pré-Natal de Baixo Risco, do Ministério da Saúde, edição de 2012. Qual alternativa reproduz o número mínimo de consultas e o calendário descritos nesse documento?
O Caderno de Atenção Básica 32, publicado pelo Ministério da Saúde em 2012, estabelece pelo menos seis consultas e início precoce. Seu calendário prevê consultas mensais até 28 semanas, quinzenais de 28 a 36 e semanais de 36 a 41 semanas. Seis é um mínimo nessa edição, não um limite de atendimento nem autorização para encerrar o pré-natal. Riscos e necessidades individuais exigem ajustes. A questão cobra explicitamente um documento de 2012; não deve ser interpretada como rejeição de recomendações posteriores ou do modelo de oito contatos da OMS.
Gestante de 12 semanas, primigesta, tipagem sanguínea O negativo, parceiro A positivo, Coombs indireto negativo. Qual a conduta de seguimento imunohematológico?
Na gestante Rh negativo não sensibilizada, o seguimento se faz com dosagens seriadas do Coombs indireto a intervalos de quatro semanas a partir da 24ª semana, momento em que a aloimunização passa a ser detectável com relevância clínica. Dosar apenas no fim engana quem pensa que o risco só existe no termo, mas a titulação crescente muda a conduta antes disso. O Doppler da cerebral média só entra em cena depois de documentada a sensibilização, e a simples incompatibilidade Rh sem anticorpos não caracteriza por si só alto risco.
Mulher de 33 anos, gestante de 12 semanas, relata consumo de duas doses de destilado por dia. Qual a orientação correta quanto ao consumo de álcool na gestação?
Nenhum limiar seguro de consumo alcoólico na gestação foi estabelecido, e a recomendação é abstinência completa em todo o período, porque o álcool atravessa a placenta e é a principal causa evitável de deficiência intelectual. A síndrome alcoólica fetal reúne restrição de crescimento, dismorfismos faciais e comprometimento do neurodesenvolvimento. A ideia de que o risco se restringe ao primeiro trimestre engana quem pensa apenas em malformação estrutural: o desenvolvimento do sistema nervoso segue por toda a gestação, e a troca de bebida não muda o agente.
Gestante com feto único e índice de massa corporal pré-gestacional de 33 kg/m². Segundo a tabela de ganho de peso da Caderneta Brasileira da Gestante do Ministério da Saúde de 2026, qual é a faixa recomendada de ganho acumulado até 40 semanas?
O IMC pré-gestacional de 33 kg/m² situa a paciente na categoria de obesidade. Na referência brasileira indicada, a faixa de ganho acumulado até 40 semanas é de 5 a 7,2 kg. A interpretação deve considerar a idade gestacional e o acompanhamento da trajetória de peso, do estado nutricional e do crescimento fetal. A faixa de 5 a 9 kg pertence a outra referência e não reproduz a tabela solicitada.
Segundo a Caderneta Brasileira da Gestante do Ministério da Saúde, edição de 2026, qual é o número mínimo de consultas de pré-natal e a periodicidade recomendada na gestação de risco habitual?
A edição de 2026 da Caderneta Brasileira da Gestante recomenda no mínimo sete consultas de pré-natal, intercaladas entre médica(o) e enfermeira(o), além de pelo menos uma consulta odontológica. A periodicidade é mensal até 28 semanas, quinzenal entre 28 e 36 semanas e semanal a partir de 36 semanas. Atingir o mínimo não encerra o acompanhamento, que deve continuar até o parto e no puerpério. O número de seis consultas aparece em referências anteriores, mas não é o mínimo da edição explicitada no enunciado. Referência: Ministério da Saúde, Caderneta Brasileira da Gestante (2026), p. 35.
Qual exame compõe a rotina do pré-natal de risco habitual no primeiro trimestre?
A rotina inicial é ampla e dirigida a condições cujo diagnóstico precoce muda desfechos: tipagem e fator Rh para profilaxia da aloimunização, sorologias para infecções de transmissão vertical, rastreamento de diabetes e de bacteriúria assintomática, cujo tratamento reduz pielonefrite e parto prematuro. Reduzir o pré-natal a um exame de imagem é o erro que troca prevenção efetiva pela impressão de acompanhamento.
Em uma Unidade Básica de Saúde, a equipe discute o calendário mínimo de consultas do pré-natal de risco habitual preconizado pelo Ministério da Saúde. A enfermeira questiona a periodicidade e o número mínimo de consultas, bem como a possibilidade de intercalar atendimentos médicos e de enfermagem. A gestante em discussão iniciou o acompanhamento com 10 semanas e evolui sem intercorrências. Assinale a alternativa que descreve corretamente a organização preconizada do pré-natal de risco habitual.
O Ministério da Saúde preconiza no mínimo seis consultas de pré-natal de risco habitual, com intervalos mensais até a 28ª semana, quinzenais entre 28 e 36 semanas e semanais a partir de 36 semanas até o parto, admitindo-se intercalar consultas médicas e de enfermagem na Atenção Primária. A proposta de quatro consultas exclusivamente médicas com alta na 38ª semana contraria tanto o número mínimo quanto a regra de que o pré-natal só se encerra após a consulta puerperal. Consultas quinzenais desde a captação não correspondem ao calendário oficial. Exigir seguimento em serviço especializado transfere para o nível secundário um cuidado que é atribuição da Atenção Primária no risco habitual.
Gestante de 25 anos comparece pela primeira vez à Unidade Básica de Saúde com 34 semanas, sem nenhum acompanhamento pré-natal prévio. É moradora de rua, faz uso de crack e não tem documentos. Ela aceita ser atendida, mas diz que não pretende voltar sempre. O exame obstétrico mostra altura uterina de 30 cm e batimentos cardíacos fetais presentes. Assinale a conduta correta da equipe neste primeiro contato.
Diante de gestante em situação de rua e uso de substâncias, com captação tardia, a conduta é iniciar o pré-natal no mesmo atendimento, realizar testes rápidos e solicitar exames sem exigir contrapartidas, além de acionar o consultório na rua e a rede intersetorial, aproveitando cada contato como oportunidade única. Exigir documentos e comprovante de residência é barreira ilegal de acesso ao SUS, cujo princípio é a universalidade. Encaminhar apenas à maternidade rompe o vínculo com a Atenção Primária, que coordena o cuidado. Adiar exames por 30 dias com 34 semanas desperdiça o pouco tempo disponível.
Gestante de 22 anos, com 30 semanas, mora em área rural distante e comparece à Unidade Básica de Saúde para a quarta consulta de pré-natal. Ela trouxe todos os exames, que estão normais, e a gestação evolui bem. A equipe discute como registrar as informações e garantir a continuidade do cuidado, incluindo a maternidade de referência. A gestante às vezes esquece o cartão em casa. Assinale a conduta correta em relação ao registro das informações do pré-natal.
O registro deve ser duplo: em prontuário do serviço e na caderneta da gestante, documento que permanece com ela e assegura a continuidade do cuidado em qualquer ponto da rede, inclusive na maternidade e em situações de urgência. Registrar apenas no prontuário local impede que outros serviços conheçam a história, sobretudo em regiões com sistemas não integrados. Preencher a caderneta apenas no fim da gestação anula sua função ao longo do acompanhamento. Manter o documento arquivado na unidade retira da gestante o instrumento que lhe pertence.
Mulher de 36 anos, sem comorbidades, procura a Unidade Básica de Saúde com atraso menstrual e teste de gravidez de farmácia positivo. Ela informa que a gestação não foi planejada, mas deseja mantê-la, e pergunta o que deve fazer agora. Última menstruação há 7 semanas. Qual é a conduta correta da equipe?
O pré-natal de risco habitual deve ser iniciado o mais precocemente possível na atenção primária, com solicitação dos exames do primeiro trimestre, orientação nutricional e suplementação, o que reduz desfechos adversos maternos e perinatais. A idade de 36 anos isoladamente não define alto risco e não justifica encaminhamento imediato ao nível especializado. Esperar a 12ª semana perde intervenções críticas do início da gestação. Solicitar apenas ultrassonografia e adiar o retorno fragmenta o cuidado e desperdiça a janela do primeiro trimestre.
Gestante de 21 anos, com 26 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde para a quarta consulta de pré-natal. A caderneta mostra que ela realizou consultas com 10, 16 e 21 semanas, todas com exames em dia e sem intercorrências. Ela é primigesta, tem risco habitual, é normotensa e o crescimento uterino está adequado. Ela pergunta quantas consultas ainda precisará fazer e com que frequência. Considerando a rotina preconizada pelo Ministério da Saúde para o pré-natal de risco habitual, a orientação correta é
O pré-natal de risco habitual prevê intervalos progressivamente menores conforme a idade gestacional avança, com no mínimo seis consultas, e o seguimento se mantém até o parto, inclusive após 40 semanas. Considerar quatro consultas suficientes contraria o parâmetro mínimo adotado como indicador de qualidade. Consultas semanais desde 26 semanas em risco habitual sobrecarregam o serviço sem benefício demonstrado. Encerrar o pré-natal com 36 semanas justamente na fase de maior vigilância deixa de detectar hipertensão de início tardio, alterações do crescimento e do bem-estar fetal.
Equipe de Saúde da Família avalia os indicadores do território e observa que, entre as 320 gestantes acompanhadas no último ano, apenas 58% iniciaram o pré-natal no primeiro trimestre e 44% realizaram sete ou mais consultas. A taxa de sífilis congênita subiu. Em reunião de equipe, discute-se como reorganizar o cuidado para melhorar esses indicadores, considerando que muitas mulheres descobrem a gestação tardiamente e há dificuldade de acesso ao teste rápido em horário de trabalho. A intervenção mais efetiva é:
Os indicadores apontam falha de captação e de acesso, e a resposta efetiva é oferecer teste rápido de gravidez e de sífilis em qualquer contato com o serviço, realizar busca ativa das faltosas pelo cadastro territorial e ampliar horários, medidas que antecipam o início do pré-natal e reduzem sífilis congênita. Aumentar ultrassonografias não melhora captação nem número de consultas. Encaminhar todas ao alto risco desorganiza a rede, sobrecarrega o nível secundário e contraria a lógica de risco. Retirar as consultas de enfermagem reduz a oferta total e piora justamente o indicador de número de consultas.
Gestante de 27 anos, com 34 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta e relata que a caderneta da gestante está sempre com ela, mas que na última consulta em uma unidade de pronto atendimento ninguém a olhou nem registrou nada. A equipe discute a importância do documento na continuidade do cuidado. A gestante está bem, normotensa e com crescimento fetal adequado. Considerando as funções da caderneta da gestante no Sistema Único de Saúde, a afirmação correta é
A caderneta da gestante concentra registros clínicos, resultados de exames, vacinação, orientações e o plano de parto, funcionando como instrumento de continuidade e comunicação entre a Atenção Primária, a urgência e a maternidade, além de empoderar a mulher sobre o próprio cuidado. Reduzi-la a material educativo desvaloriza sua função assistencial. Ela não substitui o prontuário, que segue obrigatório. Mantê-la arquivada na unidade contraria sua finalidade, pois ela deve acompanhar a gestante em todos os atendimentos.
Gestante de 26 anos, com 29 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina do pré-natal, acompanhada da mãe. É a segunda gestação e a primeira terminou em parto vaginal a termo, sem intercorrências. Ela refere apenas azia ocasional e movimentação fetal presente e frequente. Está normotensa, com pressão arterial de 110x68 mmHg, ganho ponderal de 8 kg e altura uterina de 28 cm. Os exames do segundo trimestre mostram hemoglobina de 11,4 g/dL, glicemia de jejum de 86 mg/dL, VDRL não reagente, teste rápido para HIV não reagente e exame de urina normal. Quanto à periodicidade das próximas consultas, a orientação correta é
O calendário do pré-natal de risco habitual prevê consultas mensais até 28 semanas, quinzenais entre 28 e 36 semanas e semanais a partir de 36 semanas até o parto, com o objetivo de detectar precocemente hipertensão de início tardio, alterações do crescimento e do bem-estar fetal. Retornar apenas com 36 semanas deixa uma janela de sete semanas sem vigilância. Manter intervalo mensal contraria a progressão recomendada. Consultas semanais desde 29 semanas em risco habitual sobrecarregam a agenda sem benefício demonstrado e reduzem o acesso de outras gestantes.
Equipe de saúde da família analisa os indicadores do território e identifica que, apesar de a cobertura de pré-natal ser alta, muitas gestantes iniciam o acompanhamento após 20 semanas e poucas realizam a consulta puerperal na primeira semana. A coordenação quer melhorar esses indicadores e propõe uma discussão com a equipe. O território tem alta rotatividade populacional e parte das gestantes trabalha em horário comercial, com dificuldade de comparecer nos horários ofertados. A ação prioritária é
A melhoria dos indicadores de captação precoce e de consulta puerperal depende da reorganização do processo de trabalho, com captação precoce por testes rápidos e acolhimento, busca ativa pelos agentes comunitários, ampliação de horários compatíveis com o trabalho e agendamento da consulta puerperal ainda na maternidade. Aumentar exames não corrige o acesso. Condicionar a caderneta cria barreira punitiva. Transferir ao alto risco sem critério clínico sobrecarrega o nível especializado.
Gestante de 28 anos, com 36 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina e a equipe afere a pressão arterial em 118x76 mmHg. Ela relata cefaleia leve ocasional, que melhora com analgésico, sem alterações visuais, sem epigastralgia e sem edema importante. A proteinúria de fita é negativa, o exame obstétrico é normal e o crescimento fetal está adequado, com movimentação fetal presente. Ela pergunta quais sinais devem fazê-la procurar atendimento imediatamente. A orientação correta inclui
A orientação de sinais de alarme no pré-natal deve incluir cefaleia intensa e persistente, alterações visuais, epigastralgia, edema súbito de face e mãos, redução da movimentação fetal, sangramento vaginal, perda de líquido, contrações regulares antes do termo e febre, permitindo a procura oportuna por atendimento. Restringir a orientação a sangramento e perda de líquido omite os sinais de pré-eclâmpsia grave. Limitar a contrações ou a febre deixa de fora manifestações associadas às principais causas de morte materna.
Gestante de 25 anos, com 28 semanas, reside em área rural distante 90 km da maternidade de referência e comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta. Ela tem pré-natal de risco habitual, sem intercorrências, e relata dificuldade de deslocamento e ausência de transporte próprio. O município dispõe de transporte sanitário e de casa de apoio para gestantes junto à maternidade. Ela apresenta pressão arterial de 112x70 mmHg, altura uterina compatível e batimentos cardiofetais normais, com movimentação fetal presente. A conduta correta inclui
A vinculação à maternidade de referência e o planejamento antecipado do transporte sanitário e da permanência em casa de apoio próximo ao serviço reduzem o risco de parto em trânsito e de desfechos desfavoráveis em gestantes com dificuldade de acesso. Orientar a procura apenas em trabalho de parto avançado aumenta esse risco. Distância isolada não é critério para pré-natal de alto risco. Parto domiciliar assistido por equipe sem estrutura e sem retaguarda não é conduta recomendada.
Gestante de 27 anos, com 16 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde e relata consumo diário de cerca de seis xícaras de café, além de refrigerantes à base de cola e chá preto ao longo do dia. Ela refere insônia e palpitações ocasionais e pergunta se precisa parar completamente com o café. Está bem, com pressão arterial de 112x70 mmHg, sem sinais de alarme e com exame obstétrico compatível com a idade gestacional. Os exames laboratoriais do primeiro trimestre são normais. A orientação correta é
A recomendação na gestação é limitar o consumo total de cafeína, considerando todas as fontes, como café, chá, refrigerantes à base de cola e chocolate, sem exigir abstinência absoluta, orientando a redução gradual quando o consumo está acima do limite. Impor abstinência total não tem respaldo e reduz a adesão. Negar qualquer relação com desfechos contraria as recomendações vigentes. Bebidas energéticas têm alto teor de cafeína e outros componentes indesejáveis.
Gestante de 26 anos, com 24 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde e, ao final da consulta, pergunta com constrangimento se pode manter relações sexuais durante a gestação, pois recebeu orientações contraditórias de familiares. A gestação é de risco habitual, sem sangramento, sem perda de líquido, sem contrações e sem antecedente de prematuridade ou de placenta prévia. Ela está com pressão arterial de 110x68 mmHg, exame obstétrico normal e crescimento fetal adequado. A parceria é estável e sem infecções sexualmente transmissíveis conhecidas. A orientação correta é
Na gestação de risco habitual, a atividade sexual é permitida e não aumenta o risco de prematuridade ou de rotura de membranas, devendo-se orientar prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e procura da unidade diante de sangramento, dor ou contrações. As restrições se aplicam a situações específicas, como placenta prévia e risco de prematuridade. Proibições generalizadas ou limitadas a um trimestre não têm respaldo e geram culpa desnecessária.
Gestante de 26 anos, com 30 semanas, comparece à consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde e a equipe realiza a ausculta dos batimentos cardiofetais com sonar Doppler, encontrando frequência de 145 batimentos por minuto. A estudante pergunta sobre a técnica e o momento adequados da ausculta e sobre o significado do achado. A gestante está com pressão arterial de 110x70 mmHg, altura uterina compatível e refere movimentação fetal presente e habitual. Não há contrações nem queixas no momento. A orientação correta é
A ausculta dos batimentos cardiofetais deve ser orientada pela localização do dorso fetal identificada nas manobras de palpação, e a frequência entre 110 e 160 batimentos por minuto é considerada normal, sendo o valor encontrado esperado. Interpretar 145 batimentos como sofrimento é incorreto. Auscultar sempre na região suprapúbica ignora a estática fetal. A ausculta complementa, mas não substitui, a avaliação da movimentação fetal referida.
Equipe de saúde ribeirinha atende gestante de 24 anos, com 30 semanas, que reside em comunidade acessível apenas por transporte fluvial, com viagem de seis horas até a sede do município. Ela tem gestação de risco habitual, com pré-natal iniciado tardiamente e três consultas realizadas até o momento. Está com pressão arterial de 112x70 mmHg, altura uterina compatível e batimentos cardiofetais normais. A equipe planeja o acompanhamento e a organização do parto considerando a realidade do território. A conduta correta inclui
Em territórios com barreiras geográficas, a organização do cuidado exige adaptação do calendário de consultas à viabilidade do deslocamento, uso de equipes itinerantes e telessaúde quando disponíveis, vinculação à maternidade e planejamento antecipado do transporte e da permanência próximo ao serviço no fim da gestação. Manter o calendário padrão sem adaptação gera abandono. Orientar procura apenas em trabalho de parto avançado aumenta o risco de parto sem assistência.
Casal comparece à consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde na 24ª semana de gestação e pergunta, com constrangimento, se pode manter relações sexuais até o fim da gravidez. A gestante está assintomática, sem sangramento vaginal, perda de líquido, contrações ou dor, e não tem placenta prévia, insuficiência istmocervical, trabalho de parto prematuro atual ou rotura de membranas. O pré-natal transcorre sem intercorrências e a ultrassonografia é normal. Qual é a orientação correta?
Na gestação de baixo risco, sem sangramento, placenta prévia, rotura de membranas, insuficiência istmocervical ou risco de parto prematuro, a atividade sexual pode ser mantida com segurança, e a orientação deve acolher a dúvida sem julgamento. Contraindicações generalizadas a partir do segundo trimestre não têm respaldo. Estabelecer limite arbitrário na 20ª semana também não corresponde a qualquer evidência. Impor abstinência prolongada sem indicação clínica interfere indevidamente na vida do casal.
Acerca de exposições comuns durante a gestação e das orientações baseadas em evidência que devem ser fornecidas no pré-natal de rotina a gestantes de baixo risco e sem intercorrências clínicas, considerando o consumo de cafeína, o uso de adoçantes não calóricos aprovados, a aplicação de tinturas de cabelo, a manutenção da atividade sexual e a exposição a sauna e a banhos muito quentes, assinale a alternativa correta.
A orientação correta é limitar o consumo de cafeína a cerca de 200 mg por dia, equivalente a aproximadamente duas xícaras de café, quantidade associada a menor risco de abortamento e de baixo peso ao nascer. A atividade sexual não precisa ser proibida em gestação de baixo risco, sendo restrita apenas em situações como placenta prévia, sangramento ativo ou risco de parto prematuro. As tinturas de cabelo têm absorção sistêmica mínima e não há evidência de teratogenicidade, recomendando-se apenas boa ventilação. Adoçantes não calóricos aprovados podem ser usados com moderação. O uso prolongado de sauna e a hipertermia materna devem ser evitados, sobretudo no 1º trimestre, pela associação com defeitos de fechamento do tubo neural.
Unidade básica de saúde analisa seus indicadores de pré-natal e verifica que apenas 48% das gestantes iniciam o acompanhamento no 1º trimestre e que a média de consultas por gestante é de 4. A equipe discute metas de qualidade da assistência pré-natal, considerando as recomendações do Ministério da Saúde quanto ao início do acompanhamento e ao número mínimo de consultas ao longo da gestação. Qual afirmação está correta?
A afirmação correta é que o pré-natal deve iniciar preferencialmente até a 12ª semana de gestação e contar com no mínimo seis consultas, distribuídas em uma no 1º trimestre, duas no 2º e três no 3º trimestre, com intervalos que se reduzem conforme a gestação avança. Iniciar apenas no 2º trimestre com três consultas contraria a recomendação e perde intervenções dependentes do tempo, como o rastreio de sífilis e HIV e a profilaxia de pré-eclâmpsia. Afirmar que o número de consultas não influencia desfechos contraria a associação consistente entre pré-natal inadequado e mortalidade materna e perinatal. Exigir doze consultas obrigatórias não corresponde ao preconizado para o risco habitual. A captação precoce é igualmente relevante em multíparas, pois muitos rastreios têm janela definida.
Mulher, 24 anos, G1P0, com 11 semanas, comparece à unidade básica e a enfermeira não consegue auscultar os batimentos cardíacos fetais com o sonar Doppler. A gestante fica muito angustiada, temendo perda gestacional. Ela nega sangramento, dor ou perda de líquido. PA 110/70 mmHg, útero pouco palpável acima da sínfise púbica. O último ultrassom, com 8 semanas, mostrava embrião vivo com batimentos presentes. Qual a conduta correta?
A conduta correta é explicar que a ausculta com sonar Doppler torna-se possível em torno de 10 a 12 semanas, nem sempre sendo obtida nessa faixa, sobretudo com útero ainda pouco elevado, e solicitar ultrassonografia para esclarecimento, evitando tanto o alarme desnecessário quanto a falsa tranquilização. Diagnosticar óbito embrionário apenas pela ausência de ausculta é erro grave. Repetir tentativas diárias por uma semana prolonga a angústia sem definir o quadro. Afirmar que o estetoscópio de Pinard detectaria batimentos nessa idade gestacional é incorreto, pois ele só é eficaz a partir de cerca de 18 a 20 semanas. Encaminhar à emergência para internação é desproporcional em gestante assintomática, estável e sem sangramento.
Uma paciente de 34 anos, gestante de 12 semanas, comparece à primeira consulta de pré-natal em unidade básica. Nega comorbidades, não usa medicamentos e não tem antecedentes obstétricos desfavoráveis. A equipe organiza a solicitação de exames e as orientações iniciais, considerando as recomendações do Ministério da Saúde para o pré-natal de risco habitual e a periodicidade de consultas prevista. Qual conjunto de ações está corretamente indicado nessa consulta?
O pré-natal de risco habitual inclui a solicitação de sorologias para sífilis, HIV, hepatites e toxoplasmose, hemograma, glicemia, tipagem sanguínea com fator Rh e exame de urina, além de suplementação com ácido fólico e ferro conforme protocolo e agendamento de consultas periódicas. Solicitar apenas ultrassonografia e retornar no terceiro trimestre abandona o acompanhamento essencial. Idade de 34 anos, isoladamente, não caracteriza alto risco. A suplementação de ferro é profilática e não deve aguardar anemia instalada. A testagem de sífilis e HIV é universal no pré-natal, e restringi-la a relato de comportamento de risco perpetua transmissão vertical evitável.
Acerca de exposições comuns durante a gestação e das orientações baseadas em evidência que devem ser fornecidas no pré-natal de rotina a gestantes de baixo risco e sem intercorrências clínicas, considerando o consumo de cafeína, o uso de adoçantes não calóricos aprovados, a aplicação de tinturas de cabelo, a manutenção da atividade sexual e a exposição a sauna e a banhos muito quentes, assinale a alternativa correta. Qual a orientação correta?
A orientação correta é limitar o consumo de cafeína a cerca de 200 mg por dia, equivalente a aproximadamente duas xícaras de café, quantidade associada a menor risco de abortamento e de baixo peso ao nascer. A atividade sexual não precisa ser proibida em gestação de baixo risco, sendo restrita apenas em situações como placenta prévia, sangramento ativo ou risco de parto prematuro. As tinturas de cabelo têm absorção sistêmica mínima e não há evidência de teratogenicidade, recomendando-se apenas boa ventilação. Adoçantes não calóricos aprovados podem ser usados com moderação. O uso prolongado de sauna e a hipertermia materna devem ser evitados, sobretudo no 1º trimestre, pela associação com defeitos de fechamento do tubo neural.
Casal em consulta de pré-natal com 24 semanas pergunta se pode manter relações sexuais. A gestação é de risco habitual, sem sangramento, sem contrações, com colo de 36 mm à cervicometria e placenta de inserção fúndica. PA 116/72 mmHg, feto com crescimento adequado. Eles relatam ter ouvido que o ato sexual poderia provocar trabalho de parto prematuro ou machucar o bebê e estão evitando a intimidade por medo. Qual orientação está correta?
A orientação correta é que a atividade sexual é segura na gestação de risco habitual, não causando dano ao feto, que está protegido pelas membranas e pelo líquido amniótico, sendo contraindicada em situações específicas como placenta prévia, sangramento ativo, rotura de membranas, risco de trabalho de parto prematuro e colo curto com indicação de repouso pélvico. Suspender a atividade sexual em todas as gestações a partir do 2º trimestre não tem respaldo. O ato sexual não rompe a bolsa amniótica em gestação normal. Não há competição de fluxo capaz de causar restrição de crescimento. O orgasmo pode desencadear contrações uterinas transitórias, sem provocar sofrimento fetal em gestações de risco habitual.
Um serviço identifica que gestantes adolescentes do território apresentam início tardio do pré-natal, com média de 22 semanas na primeira consulta, e menor número total de consultas em comparação às demais gestantes. Em escuta qualificada, relatam medo de julgamento, dificuldade de conciliar com a escola e desconhecimento sobre a gratuidade e a disponibilidade dos serviços oferecidos na unidade de saúde do território. Qual estratégia é mais adequada para melhorar esse indicador?
As barreiras relatadas são de acolhimento, acesso e informação, e a resposta adequada combina atendimento sem julgamento, busca ativa das faltosas, flexibilização de horários e articulação com a escola, ampliando a captação precoce. Encaminhar todas ao pré-natal de alto risco medicaliza a adolescência sem critério clínico e reduz o acesso à atenção primária. Exigir responsável legal cria barreira e contraria o direito ao atendimento da adolescente. Reduzir o número de consultas piora justamente o indicador que se pretende melhorar. Ações educativas em massa isoladas não removem as barreiras organizacionais identificadas pela própria escuta das usuárias.
Serviço de atenção primária em região com dificuldade de acesso implanta consultas de pré-natal por telessaúde intercaladas com consultas presenciais, para gestantes de risco habitual. A equipe define quais consultas podem ser remotas, quais exames e medidas exigem presença física e como monitorar sinais de alarme entre as consultas, considerando as recomendações vigentes e a segurança da assistência. Qual afirmação é a correta?
A afirmação correta é que a telessaúde pode complementar o pré-natal presencial em gestantes de risco habitual, ampliando o acesso e o vínculo, sem substituir as consultas em que são indispensáveis o exame físico, a aferição da pressão arterial, a medida da altura uterina, a ausculta dos batimentos fetais e a realização de exames, além de exigir orientação clara sobre sinais de alarme e vias de contato. Substituir integralmente todas as consultas presenciais comprometeria a detecção de pré-eclâmpsia e de restrição de crescimento. Vedar a telessaúde em qualquer situação desconsidera seu papel em regiões de difícil acesso. Dispensar a ausculta fetal e a aferição pressórica é inaceitável. A vinculação à maternidade permanece necessária em qualquer modelo.
Gestante de 22 anos, primigesta, com 14 semanas, inicia o pré-natal em unidade básica de saúde. É classificada como risco habitual após avaliação clínica e revisão de exames, todos dentro da normalidade. PA 108x66 mmHg, IMC de 23 kg/m², altura uterina compatível com a idade gestacional e ausculta fetal presente. Ela trabalha em turno comercial e pergunta com que frequência precisará retornar à unidade ao longo da gestação para as consultas subsequentes. Qual a orientação correta?
O calendário recomendado prevê consultas mensais até 28 semanas, quinzenais entre 28 e 36 semanas e semanais a partir de 36 semanas até o parto, totalizando no mínimo seis consultas, o que concentra a vigilância no período de maior risco de complicações. Consultas semanais desde o início sobrecarregam o serviço sem ganho de desfecho. Reduzir a três consultas trimestrais fica abaixo do mínimo recomendado e compromete a detecção de doença hipertensiva e restrição de crescimento. Manter periodicidade mensal até o termo desconsidera a necessidade de vigilância mais estreita no fim da gestação. Atender apenas por demanda espontânea anula a lógica preventiva do pré-natal.
Gestante de 24 anos, com 11 semanas, comparece à primeira consulta de pré-natal muito ansiosa, pois uma amiga disse que já era possível ouvir o coração do bebê com o estetoscópio de Pinard. Ao exame, o útero é palpável logo acima da sínfise púbica e a tentativa de ausculta com o sonar Doppler identifica batimentos de 158 bpm. A paciente está assintomática, sem sangramento ou dor, com PA 106x64 mmHg. Assinale a alternativa correta sobre a ausculta fetal.
O sonar Doppler permite identificar os batimentos fetais por volta de 10 a 12 semanas, enquanto o estetoscópio de Pinard, que depende da transmissão direta do som, só se torna útil a partir de cerca de 20 semanas. Afirmar que o Pinard detecta antes do sonar inverte a sensibilidade dos métodos. Concluir por óbito embrionário pela ausência de ausculta ao Pinard com 11 semanas é erro grave, pois o método não é aplicável nessa fase. Considerar 158 bpm anormal é incorreto, já que a frequência fetal nesse período é fisiologicamente mais elevada. Dizer que a ausculta só é possível após 24 semanas contraria a prática cotidiana do pré-natal.
Equipe de uma unidade básica revisa a rotina do pré-natal de risco habitual após auditoria que identificou toques vaginais realizados em todas as consultas, desde a primeira, independentemente de queixas. A revisão busca alinhar a prática às recomendações vigentes, definindo em que situações o exame está indicado e em quais ele deve ser evitado por não agregar informação e por causar desconforto desnecessário à gestante. Assinale a situação em que o toque vaginal NÃO está indicado.
O toque vaginal de rotina em todas as consultas de pré-natal, em gestante assintomática, não está indicado, pois não prediz prematuridade nem melhora desfechos e causa desconforto e constrangimento. A suspeita de trabalho de parto com contrações regulares justifica o exame para avaliar dilatação e esvaecimento. A avaliação da progressão em parturiente internada é indicação clássica, respeitando-se o intervalo recomendado. A investigação de perda de líquido pode exigir toque após o exame especular, quando a conduta depender das condições do colo. A avaliação do índice de Bishop antes da indução exige toque, pois seus componentes dependem do exame.
Equipe de enfermagem de uma unidade básica prepara material educativo para as gestantes acompanhadas no serviço, listando situações em que devem procurar imediatamente o pronto atendimento obstétrico. O objetivo é reduzir o tempo entre o início dos sintomas e o atendimento, especialmente em quadros como pré-eclâmpsia, descolamento placentário e sofrimento fetal, sem gerar procura desnecessária por queixas comuns e esperadas da gestação. Assinale a queixa que NÃO configura sinal de alarme obstétrico.
A pirose relacionada a refeições volumosas, que melhora com medidas posturais, é queixa comum e esperada da gestação, decorrente do relaxamento do esfíncter esofágico inferior, e não configura sinal de alarme. O sangramento vermelho-vivo no terceiro trimestre pode indicar placenta prévia ou descolamento e exige avaliação imediata. Cefaleia intensa com escotomas e epigastralgia compõe o quadro premonitório de eclâmpsia. A redução de movimentos fetais é sinal de alerta associado a desfechos adversos e demanda avaliação. A perda de líquido em grande quantidade antes de 37 semanas sugere rotura prematura de membranas pré-termo, com risco infeccioso e de prematuridade.
Uma gestante de 22 anos, na décima semana, inicia o pré-natal em unidade básica de saúde. A equipe discute a organização da linha de cuidado materno-infantil no município, incluindo vinculação à maternidade de referência, número mínimo de consultas, exames de rotina e transporte garantido para o parto, além da classificação do risco gestacional ao longo do acompanhamento. Sobre a organização do cuidado à gestante, assinale a alternativa INCORRETA.
Afirmar que o pré-natal de risco habitual deve ser exclusivamente especializado é o erro pedido: esse acompanhamento é atribuição da atenção primária, com encaminhamento apenas nas situações de risco. É verdadeiro que a vinculação prévia à maternidade de referência integra a organização do cuidado. É correto que existe número mínimo de consultas previsto ao longo da gestação. É correto que a classificação de risco é dinâmica e pode mudar durante o acompanhamento. Também é correto que a gestante tem direito garantido em lei a acompanhante de sua escolha durante o trabalho de parto.
Unidade básica de saúde avalia estratégias para aumentar a participação dos parceiros no pré-natal, após constatar que menos de um terço comparece às consultas. A equipe discute o horário de funcionamento, a oferta de exames ao parceiro, o acolhimento nas atividades educativas e a informação sobre direitos trabalhistas, buscando ampliar o envolvimento paterno no cuidado com a gestante e com o recém-nascido desde o início da gestação. Qual conjunto de medidas é o mais adequado?
A ampliação da participação paterna passa por ofertar testagem e vacinação ao parceiro, adequar horários de funcionamento e incluí-lo nas consultas e atividades educativas, o que também contribui para a prevenção da transmissão vertical de infecções. Restringir a presença às atividades coletivas exclui o parceiro do momento clínico mais relevante. Convidá-lo apenas no terceiro trimestre desperdiça a maior parte do acompanhamento. Encaminhá-lo a outro serviço para exames cria barreira de acesso e reduz a adesão. Exigir documento de união estável é condição sem amparo e afasta as famílias do serviço.
Município identifica que gestantes chegam às maternidades sem informações do pré-natal, o que gera repetição de exames, atraso em condutas e falhas de profilaxia, como a ausência de antibiótico intraparto em colonizadas por estreptococo do grupo B. A coordenação de atenção primária e a maternidade de referência planejam medidas para qualificar a transição do cuidado entre os serviços e reduzir esses eventos evitáveis na assistência. Qual conjunto de medidas é o mais adequado?
A qualificação da transição de cuidado passa por garantir o preenchimento completo do cartão da gestante, a vinculação prévia à maternidade de referência e, quando possível, a visita ao serviço onde ocorrerá o parto, o que reduz repetição de exames e falhas de profilaxia. Restringir o acesso da gestante à maternidade condiciona a assistência a um trâmite administrativo e é inadmissível. Orientar a memorização dos resultados é inseguro e transfere à paciente a responsabilidade do registro. Transferir todo o pré-natal para a maternidade sobrecarrega o nível terciário e afasta o cuidado do território. Manter o fluxo atual e repetir exames não corrige a causa das falhas.
Por que não redatar automaticamente a gestação pelo exame tardio menor?

Biometria tardia avalia crescimento e tem menor precisão para datação; discrepância exige investigação.
Qual informação menstrual limita datação pela história?

Incerteza menstrual reduz confiabilidade do cálculo pela última menstruação.
Por que registrar a origem da data provável do parto melhora segurança?

Datação consistente é base para avaliar trajetória e planejar intervenções.
Qual exame costuma oferecer melhor precisão para datação no cenário?

Datação precoce por medida embriofetal é mais precisa quando a menstruação é incerta.
Se o exame inicial indicava 12 semanas há quatro semanas, qual idade orienta a consulta, sem outra correção justificada?

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Calendário: captação até a 12ª semana; consultas mensais até a 28ª, quinzenais até a 36ª, semanais até o parto. Piso de consultas: 6 no Caderno de Atenção Básica nº 32 e no indicador de financiamento da APS, 7 na Portaria GM/MS nº 5.350/2024 da Rede Alyne, 8 contatos na OMS de 2016. Cinco medidas de toda consulta: pressão arterial, peso/IMC, altura uterina, batimentos cardiofetais (110-160 bpm, sonar a partir de 12 semanas) e movimentos fetais (18-20 semanas).
em 30 dias
Regras estruturais: pré-natal aberto no mesmo dia do diagnóstico, sem agendamento; consultas intercaladas entre enfermeiro e médico; estratificação de risco contínua e sem retorno ao risco habitual; não existe alta do pré-natal, nem após encaminhamento ao alto risco; 41 semanas sem parto vai para a maternidade; puerpério com visita domiciliar e consulta na primeira semana. Idade gestacional definida na primeira consulta não se recalcula.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Mulher de 26 anos chega à unidade básica de saúde sem consulta agendada, com atraso menstrual de 10 semanas e teste de gravidez de farmácia positivo. É a primeira gestação, não sabe informar com precisão o dia da última menstruação e pergunta quais exames precisa trazer antes de começar o pré-natal. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
