Ginecologia e ObstetríciaPré-natal, rastreios e intercorrências clínicas da gestação

Suplementação e vacinação na gestação

Suplementação de ácido fólico, ferro e vacinação na gestação (dTpa, hepatite B, influenza)

Dois blocos que a prova cobra por número: o que se suplementa e o que se vacina. Aqui a armadilha não é conceito, é unidade — dose de sal contra dose de ferro elementar — e semana de calendário. Este capítulo fixa os dois.

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Uma mulher de 29 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de planejamento reprodutivo, pois pretende engravidar nos próximos meses. Ela relata que, na primeira gestação, o feto foi diagnosticado com anencefalia por ultrassonografia, sendo essa a única intercorrência obstétrica. Nega comorbidades, uso de anticonvulsivantes ou etilismo. O exame físico é normal e o IMC é de 24 kg/m². Diante do antecedente de feto com defeito de fechamento do tubo neural, considerando a conduta preventiva recomendada pelo Ministério da Saúde, qual é a orientação mais adequada quanto à suplementação de ácido fólico para esta paciente?

02

Como esse tema cai

Este é o capítulo dos números. As duas listas que o pré-natal entrega à gestante — o que ela toma todo dia e o que ela recebe na sala de vacina — são cobradas por dose, por semana e por unidade, e quase nunca por conceito. A questão não pergunta se ácido fólico previne defeito do tubo neural; pergunta quantos miligramas, começando quando, e o que muda se a mulher usa anticonvulsivante.

O eixo de erro do bloco da suplementação é um só: sal contra ferro elementar. Sulfato ferroso tem cerca de 20% de ferro em massa, de modo que 200 mg do sal carregam 40 mg de ferro. Um fator 5 separa os dois números, e a prova monta alternativa com o par trocado. Pior: documento oficial brasileiro já trocou os dois — este capítulo mostra onde, com a conta feita.

O eixo de erro do bloco das vacinas é a semana. dTpa a partir da 20ª, vírus sincicial respiratório a partir da 28ª, influenza e covid-19 em qualquer fase, hepatite B em qualquer fase, e uma janela de resgate no puerpério que vale 45 dias para tudo. Trocar 20 por 28, ou aplicar dTpa uma vez na vida em vez de uma vez por gestação, é o distrator padrão.

Fica fora daqui, porque já está escrito: o cálcio para prevenção de pré-eclâmpsia, cuja recomendação brasileira mudou em 2026 e é tratada no capítulo 'Hipertensão crônica e hipertensão gestacional' — consulte lá antes de responder qualquer questão que ofereça carbonato de cálcio como profilaxia. Fica fora também o calendário vacinal completo do adulto, que está no capítulo 'Calendário vacinal do adolescente ao idoso e da gestante', e a rotina de consultas e exames, que está em 'Rotina do pré-natal de risco habitual' e 'Exames do pré-natal'. Aqui só entra o que a gestante engole e o que ela recebe na agulha.

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O que muda decisão

Ácido fólico: a dose padrão e a data que já passou

A dose padrão é 400 µg por dia, que é o mesmo que 0,4 mg por dia. Os Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres escrevem os dois formatos lado a lado justamente porque a troca de casa decimal é o erro frequente — 0,4 mg, não 4 mg, não 0,04 mg. É essa a dose do Programa Nacional de Suplementação de Ferro, que entrega ferro e ácido fólico juntos à gestante.

A janela de início é a parte que decide a questão. O protocolo manda começar pelo menos 30 dias antes da concepção; o Manual de Gestação de Alto Risco diz 'pelo menos um mês antes'. A razão é embriológica e não negociável: o tubo neural se fecha por volta do 28º dia após a fecundação, o que corresponde a cerca de 6 semanas contadas pela data da última menstruação. Uma mulher com ciclo regular que faz o teste no primeiro dia de atraso está em 4 semanas de idade gestacional; se ela começar a suplementação nesse dia, sobram duas semanas de janela e o fechamento já está em curso. Por isso a orientação 'tome ácido fólico assim que descobrir a gravidez' chega tarde por construção, e por isso a suplementação é uma conduta da consulta pré-concepcional, não da primeira consulta de pré-natal.

A janela de término tem duas leituras nos documentos brasileiros, e as duas são defensáveis. O Quadro 9 dos Protocolos da Atenção Básica registra, para a finalidade 'prevenção de defeitos do tubo neural', o período 'pelo menos 30 dias antes da data em que se planeja engravidar até o final da gestação'. O quadro de condutas do mesmo documento diz 'utilizar no período pré-gestacional até o final da gestação'. O Manual de Gestação de Alto Risco diz que a dose de 0,4 a 0,8 mg/dia 'mantida durante toda a gestação' é suficiente para prevenir a deficiência materna de folato. Ou seja: começa antes da concepção e vai até o parto — o benefício sobre o tubo neural termina no primeiro trimestre, mas a suplementação não é suspensa por causa disso, porque a demanda de folato da gestação continua.

O que exatamente se previne também é cobrado. Ácido fólico periconcepcional previne defeitos de fechamento do tubo neural — anencefalia, meningomielocele, encefalocele. Não previne fenda labiopalatina, não previne cardiopatia congênita, não previne trissomia. O Manual de Gestação de Alto Risco lista a carência de ácido fólico entre os fatores de risco para anomalia congênita ao lado de idade materna avançada, hipertermia, obesidade, consanguinidade, diabetes materno não controlado e exposição a antagonistas do ácido fólico e a determinados anticonvulsivantes — mas o desfecho com evidência de prevenção pela suplementação é o do tubo neural.

A dose alta: quem sai de 0,4 mg e vai para 4 ou 5 mg

Cinco situações tiram a mulher da dose padrão e a colocam na dose alta. Os documentos brasileiros escrevem '4 mg', '4 a 5 mg' ou '5 mg' conforme o capítulo, e a prova aceita a faixa; o que ela cobra é quem entra nela.

Antecedente de defeito de fechamento do tubo neural. Os Protocolos da Atenção Básica são explícitos no fluxograma de planejamento da gravidez: 'mulheres com história de distúrbio de tubo neural devem usar dose diária de 4 mg, iniciadas pelo menos 30 dias antes da concepção'. É a indicação mais cobrada e a mais fácil de reconhecer na vinheta — filho anterior com mielomeningocele, gestação anterior interrompida por anencefalia.

Uso de anticonvulsivante. O Manual de Gestação de Alto Risco recomenda, no pré-natal da mulher com epilepsia, ácido fólico 4 a 5 mg/dia, pelo menos três meses antes da concepção, mantido durante toda a gravidez. Repare no detalhe que distingue esta indicação de todas as outras: aqui a antecedência não é de 30 dias, é de três meses. É o número que a questão usa para separar quem leu do que decorou 'um mês antes'.

Diabetes prévio à gestação. O mesmo manual inclui ácido fólico 4 mg/dia no pacote pré-concepcional da mulher com diabetes, junto com o alcance das metas glicêmicas antes de engravidar. Vale para diabetes tipo 1 e tipo 2 diagnosticados antes da gravidez — não para diabetes mellitus gestacional, que por definição só aparece depois da concepção e portanto não tem como mudar a dose periconcepcional.

Obesidade. No capítulo de gestação após cirurgia bariátrica, o manual estabelece a régua com clareza: para a maioria das mulheres operadas, 400 a 800 µg/dia no período pré-concepcional; 'para as mulheres que apresentam obesidade ou diabetes, a dose de suplementação de ácido fólico é de 4 ou 5 mg/d para o período periconcepcional e ao longo do primeiro trimestre'. Note que aqui a dose alta é declarada com prazo — periconcepcional mais primeiro trimestre —, diferente da epilepsia e da doença falciforme, em que ela atravessa toda a gestação.

Doença falciforme. É a indicação com a redação mais categórica de todo o manual: 'todas as gestantes devem receber, durante toda a gestação, ácido fólico na dose de 4-5 mg/dia'. E vem acompanhada do contrapeso que a prova adora, porque contraria o reflexo: na doença falciforme, ferro não é rotina. 'Apenas porção muito pequena das gestantes com doença falciforme poderá receber suplementação de ferro, e essa só deve ser prescrita em casos selecionados e baseada na cinética de ferro.' A hemólise crônica e as transfusões repetidas produzem sobrecarga, não carência.

Há ainda um sexto uso do ácido fólico que não é prevenção e por isso costuma entrar como distrator: o tratamento da anemia megaloblástica por deficiência de folato, que o Manual de Gestação de Alto Risco fixa em 1,0 mg/dia até a normalização dos exames. É dose de tratamento hematológico, não de profilaxia de malformação, e o gatilho é VCM acima de 100 fL com dosagem de folato baixa.

O comprimido da rede: por que 40 mg não é 40 mg de sal

Este é o parágrafo que resolve metade das questões de suplementação. Sulfato ferroso é um sal: cada molécula carrega ferro mais sulfato mais água de hidratação, e o ferro responde por cerca de 20% da massa. Logo, 200 mg de sulfato ferroso contêm cerca de 40 mg de ferro elementar. O fator entre os dois números é 5.

O Manual de Gestação de Alto Risco publica a tabela de equivalências e ela pode ser conferida aritmeticamente: 'a dose de 30 mg de ferro elementar, em geral, é disponibilizada em 150 mg de sulfato ferroso, 90 mg de fumarato ferroso e 250 mg de gluconato ferroso'. Faça as contas — 30/150 dá 20% para o sulfato, 30/90 dá 33% para o fumarato, 30/250 dá 12% para o gluconato. As três frações batem com o teor de ferro de cada sal, o que confirma a tabela e dá o fator de conversão de cada apresentação: divida por 5 no sulfato, por 3 no fumarato, por 8 no gluconato.

A Rename 2024 resolve o problema pela raiz: ela não descreve o comprimido pela massa do sal. O que consta na lista do Componente Básico é 'sulfato ferroso — equivalente a 40 mg de ferro elementar — comprimido', além de 'equivalente a 25 mg/mL de ferro elementar — solução oral' e 'equivalente a 5 mg/mL de ferro elementar — xarope'. Ou seja: quando a receita da unidade básica diz 'sulfato ferroso 40 mg', o 40 é ferro elementar, e aquele comprimido é o mesmo objeto que outra fonte chamaria de 'sulfato ferroso 200 mg'. São dois nomes para o mesmo comprimido, e a alternativa que oferece 'sulfato ferroso 40 mg do sal' descreve um comprimido que não existe na rede.

Guarde a equivalência operacional em uma linha, porque é ela que a questão testa: 1 comprimido da rede = 40 mg de ferro elementar = 200 mg de sulfato ferroso.

Ferro profilático: quem toma, quando começa, quando para

A profilaxia é universal e não depende de hemograma. O Programa Nacional de Suplementação de Ferro, instituído em 2005 e atualizado em 2014, entrega 40 mg de ferro elementar por dia a toda gestante — um comprimido — junto com os 400 µg de ácido fólico. O Manual de Gestação de Alto Risco escreve a mesma conduta com uma faixa um pouco mais larga: 'a suplementação rotineira de ferro elementar na dose de 30-40 mg/dia é recomendada para praticamente todas as gestantes'.

O início é a partir do conhecimento da gravidez, e não antes: diferentemente do ácido fólico, o ferro não tem indicação pré-concepcional de rotina, porque o que ele previne — anemia ferropriva materna — se instala com a expansão do volume plasmático e com a demanda fetal, ambas fenômenos da gestação em curso. Essa assimetria de datas entre os dois suplementos do mesmo programa é distrator recorrente: ácido fólico começa antes de engravidar; ferro começa quando se descobre a gravidez.

O término é o terceiro mês após o parto, e o mesmo prazo vale para o pós-aborto. Os Protocolos da Atenção Básica repetem isso em dois lugares — no fluxograma da anemia ('indicada suplementação diária a partir do conhecimento da gravidez até o terceiro mês após parto') e no plano de cuidado do puerpério ('prescrição de sulfato ferroso 40 mg de ferro elementar, comprimido de 200 mg, 30 minutos antes do almoço, de preferência com suco de frutas cítricas, até três meses após o parto'). Repare que a segunda passagem escreve as duas unidades juntas e correm sem contradição — é a redação-modelo.

Some as duas pontas e a profilaxia dura, em média, cerca de onze meses: aproximadamente 34 semanas de gestação a partir da captação em torno da 6ª semana, mais 13 semanas de puerpério. Em comprimidos, algo próximo de 330 unidades por gestante — número que explica por que a apresentação é um comprimido único diário e por que a adesão é o principal determinante do resultado.

Existe uma exceção que a prova cobra pelo avesso. O Manual de Gestação de Alto Risco exclui da suplementação rotineira 'aquelas com doenças caracterizadas por sobrecarga de ferro, por exemplo, anemias hemolíticas e hemocromatose' — e a doença falciforme, tratada em capítulo próprio do mesmo manual, entra nessa lógica: ácido fólico em dose alta sim, ferro só com cinética de ferro comprovando carência.

Duas situações elevam a dose profilática sem que haja anemia. Na gestação gemelar, o manual manda iniciar 40 mg/dia no primeiro trimestre e aumentar para 80 mg/dia a partir do segundo trimestre. Após cirurgia bariátrica, a recomendação é de 60 a 100 mg/dia de ferro elementar, ajustados pela ferritina — porque o procedimento reduz a absorção, mais ainda no bypass gástrico.

A orientação de tomada é curta e vale ponto em questão de conduta: longe das refeições — o protocolo diz uma hora antes, o manual diz no intervalo entre refeições ou antes de dormir —, de preferência com suco cítrico, e sem polivitamínico junto, porque zinco, cobre e manganês competem com o ferro pelo mesmo transportador intestinal e reduzem a absorção. Cálcio, café e chá na mesma refeição também derrubam a biodisponibilidade.

Anemia na gestação: o corte que define e o corte que decide

O corte por trimestre existe e vem da Organização Mundial da Saúde, cuja diretriz de 2024 fixa, em g/L: < 110 no primeiro trimestre, < 105 no segundo, < 110 no terceiro. Em g/dL, que é como o laboratório brasileiro reporta: 11,0 — 10,5 — 11,0. A queda do segundo trimestre não é doença: é a hemodiluição fisiológica, com o volume plasmático crescendo mais depressa que a massa eritrocitária.

O Manual de Gestação de Alto Risco reproduz exatamente esses cortes e acrescenta o hematócrito — abaixo de 33% no primeiro e no terceiro trimestres, abaixo de 32% no segundo. E então faz uma escolha prática que a prova brasileira segue: 'do ponto de vista prático, pode-se considerar anemia materna níveis de hemoglobina inferiores a 11,0 g/dL em qualquer idade gestacional'. Os Protocolos da Atenção Básica adotam esse atalho sem ressalva: o fluxograma da anemia gestacional abre com 'gestante apresentando quadro de anemia (hemoglobina < 11 g/dL)', sem separar trimestre.

Na prática de prova, portanto, funcione assim: o corte operacional é 11,0 g/dL em qualquer idade gestacional; o corte de 10,5 g/dL do segundo trimestre é a resposta certa quando o enunciado pede a definição por trimestre ou cita a OMS. Uma gestante de 22 semanas com hemoglobina de 10,8 g/dL não é anêmica pelo critério estrito do segundo trimestre, mas cai dentro da faixa em que o manual brasileiro prescreve tratamento oral — e essa sobreposição é da fonte, não sua.

O diagnóstico se completa com os índices. Ferropriva costuma dar VCM abaixo de 80 fL e HCM abaixo de 26 pg, embora nas fases iniciais possa ser normocítica e normocrômica. A ferritina só é justificada quando a etiologia não está clara: abaixo de 30 µg/L indica reserva baixa e abaixo de 12 µg/L é compatível com anemia ferropriva instalada. Saturação de transferrina abaixo de 15% também sustenta o diagnóstico. E há uma conduta associada que sai em questão de saúde coletiva: diante de anemia ferropriva na gestação, pedir parasitológico de fezes, porque parasitose com perda crônica de sangue é causa evitável.

VCM acima de 100 fL muda o caminho: é anemia macrocítica, e o diferencial se faz dosando folato e vitamina B12. Deficiência de folato é a causa mais comum de macrocitose na gravidez; a de B12 pesa mais em operadas de bariátrica, em doença de Crohn e em usuárias crônicas de inibidor de bomba de prótons.

Tratamento: cinco comprimidos, e o que se espera deles

A dose de tratamento é cinco vezes a dose profilática, e é aí que a unidade cobra o preço. Os Protocolos da Atenção Básica prescrevem 'quatro a seis comprimidos' e detalham o esquema no fluxograma: dois comprimidos antes do café, dois antes do almoço e um antes do jantar — cinco comprimidos por dia, uma hora antes das refeições, com suco de frutas cítricas. Cinco comprimidos de 40 mg de ferro elementar cada dão 200 mg de ferro elementar por dia, o que equivale a 1.000 mg do sal.

O Manual de Gestação de Alto Risco chega ao mesmo lugar por outro caminho e confirma a conta: para hemoglobina entre 9,0 e 11,0 g/dL, o tratamento oral é a primeira escolha e 'a dose de ferro elementar a ser alcançada deve ser de 160 a 200 mg/dia', com aumento gradual para reduzir efeito colateral. Cento e sessenta são quatro comprimidos; duzentos são cinco. Os 'quatro a seis comprimidos' do protocolo e os '160 a 200 mg/dia' do manual são a mesma prescrição.

O que se espera do tratamento também é numérico e cobrado. O manual estabelece ganho de cerca de 1 g/dL de hemoglobina a cada 4 semanas nessa dose, e recomenda avaliar a resposta já em 2 a 3 semanas, para identificar cedo quem não responde. Os Protocolos da Atenção Básica trabalham com prazo mais longo na atenção básica: repetir a hemoglobina em 60 dias. Faça a projeção antes de responder: uma gestante que entra com 9,0 g/dL precisa de cerca de oito semanas de dose plena para cruzar os 11,0 g/dL.

A desescalada tem número próprio. Segundo o manual, uma vez ultrapassados 10,5 g/dL, a dose pode cair para 60 a 80 mg/dia de ferro elementar como manutenção, mantida até o puerpério. O protocolo da atenção básica diz a mesma coisa com outra régua: manter o tratamento até hemoglobina acima de 11 g/dL e então voltar à dose profilática. As duas redações convivem — a do manual desce a dose antes, a do protocolo desce depois.

A falha do tratamento oral tem dois gatilhos. O do manual: não alcançar hemoglobina acima de 10,0 g/dL após pelo menos duas semanas de dose terapêutica obriga a rever a investigação etiológica e a adesão antes de culpar o ferro; confirmada a ferropriva, avalia-se ferro endovenoso. O do protocolo: anemia não responsiva a 30 a 60 dias de tratamento com sulfato ferroso é critério de encaminhamento. Antes de trocar a via, verifique o óbvio — se a gestante toma o comprimido junto com o café, com leite ou com polivitamínico, o problema não é refratariedade.

O ferro endovenoso tem indicação e tem trava. O manual o prefere para hemoglobina abaixo de 9,0 g/dL com idade gestacional igual ou maior que 14 semanas, e proíbe o parenteral no primeiro trimestre por ausência de estudos de segurança. A dose de sacarato de hidróxido férrico sai de uma fórmula que aparece em prova de residência: peso em quilos × 2,3 × (hemoglobina-alvo menos hemoglobina encontrada), somando-se 15 mg de ferro por quilo para repor estoque. O total se fraciona em doses de 200 mg — duas ampolas de 100 mg em 200 mL de soro fisiológico, em 30 a 60 minutos —, duas a três vezes por semana, em ambiente hospitalar pelo risco de reação anafilactoide. Transfusão fica reservada a anemia grave por perda aguda ou a anemia grave com parto iminente; não é terapêutica habitual de anemia ferropriva.

As quatro de rotina e a quinta que entrou

O calendário da gestante no SUS de 2026 tem quatro vacinas de rotina — hepatite B, dTpa, influenza e covid-19 — mais a vacina contra o vírus sincicial respiratório, incorporada recentemente e já presente tanto na Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026 quanto na tabela da Caderneta Brasileira da Gestante. Duas delas têm semana; três não têm.

Hepatite B não tem semana. A Instrução Normativa é explícita: 'para gestante em qualquer faixa etária e idade gestacional'. Se o esquema básico de três doses não está completo, programa-se a vacinação de modo que a atualização seja feita preferencialmente ainda durante a gestação e, na impossibilidade, concluída após o parto, até 45 dias do puerpério. E a regra que decide questão: não reiniciar o esquema, qualquer que seja o intervalo decorrido — completa-se o que falta. O esquema padrão é 0, 1 e 6 meses; havendo atraso, admite-se o acelerado, com mínimo de 1 mês entre a 1ª e a 2ª dose, 2 meses entre a 2ª e a 3ª e 4 meses entre a 1ª e a 3ª.

Há um cenário de hepatite B que sai como pegadinha: a gestante exposta ao vírus — por relação sexual ou acidente com material biológico, em qualquer trimestre — recebe vacina mais imunoglobulina anti-hepatite B. Só a vacina não fecha a conduta.

Influenza não tem semana: uma dose por temporada, a cada gestação, em qualquer fase. Gestantes e puérperas compõem grupo de risco para casos graves e são prioritárias. Se não foi possível vacinar na gestação, aplica-se no pós-parto até 45 dias.

Covid-19 não tem semana: uma dose a cada gestação, em qualquer idade e em qualquer fase gestacional, respeitando intervalo mínimo de 6 meses após a última dose recebida. Esse intervalo é o detalhe que separa a alternativa certa da quase certa.

dTpa tem semana: a partir da 20ª. Vírus sincicial respiratório tem semana: a partir da 28ª, em dose única a cada gestação. As duas podem ser aplicadas juntas, e a Instrução Normativa recomenda expressamente a administração concomitante para não perder a oportunidade, desde que em sítios diferentes. A orientação é vacinar o mais precocemente possível dentro de cada janela, porque o que se busca é tempo para a mãe produzir anticorpo e transferi-lo pela placenta. Contada até o termo, a janela da dTpa dura cerca de 20 semanas e a do VSR, cerca de 12.

A febre amarela aparece na tabela da Caderneta como situação específica — só para quem reside ou vai viajar a área de risco, com avaliação individual —, e a raiva pré-exposição, também como situação específica, para grupos orientados pela equipe. Nenhuma das duas é rotina do pré-natal.

A lógica que unifica tudo é a mesma e vale dizer em voz alta na prova oral: vacina-se a gestante para proteger duas pessoas. A dTpa e a vacina contra o VSR existem no calendário sobretudo para o lactente, que nasce sem esquema próprio e que concentra a morbimortalidade da coqueluche e da bronquiolite nos primeiros meses. A hepatite B, a influenza e a covid-19 protegem prioritariamente a gestante — e, por transferência transplacentária e pelo leite, também o bebê.

Linha do tempo da gestação de 0 a 40 semanas com as faixas de cada vacina: hepatite B, influenza e covid-19 cobrindo toda a gestação; dTpa começando na 20ª semana; VSR começando na 28ª semana; e um bloco de puerpério de até 45 dias como janela de resgate. Abaixo, faixa cinza das vacinas vivas contraindicadas, liberadas após o parto.
Três das cinco vacinas de rotina não têm semana — hepatite B, influenza e covid-19 entram em qualquer idade gestacional. As duas que têm semana são as que existem para o bebê: dTpa a partir da 20ª e vírus sincicial respiratório a partir da 28ª, aplicáveis juntas em sítios diferentes. Tudo o que não coube na gestação tem 45 dias de puerpério para ser resgatado.

dTpa: a dose que se repete e o esquema que se completa

A dTpa da gestante é uma dose por gravidez, a partir da 20ª semana, e se repete mesmo que a mulher a tenha recebido na gestação anterior. A Caderneta Brasileira da Gestante diz isso na coluna de observações com todas as letras: 'mesmo que tenha tomado em gravidez anterior, precisa repetir'. O motivo é imunológico e não administrativo: o que protege o recém-nascido é o anticorpo materno transferido naquela gestação, e o título decai. Uma dose na vida não cobre o segundo filho.

A dose é de 0,5 mL, por via intramuscular, preferencialmente no deltoide. O intervalo recomendado em relação a outras vacinas que contenham toxoide diftérico e tetânico é de 60 dias, com mínimo de 30 dias em situação excepcional.

A parte que decide questão é a gestante com esquema básico incompleto, porque a dTpa acumula duas funções — ela pode ser reforço ou pode ser uma das três doses do esquema básico. A Instrução Normativa organiza por histórico. Com esquema completo (três ou mais doses com toxoide diftérico e tetânico): uma dose de dTpa a partir da 20ª semana, em cada gravidez. Com duas doses prévias: uma dose de dTpa a partir da 20ª semana, e ela fecha o esquema. Com uma dose prévia: uma dose de dT mais uma dose de dTpa a partir da 20ª semana. Sem histórico ou sem nenhuma dose: três doses no total, sendo duas de dT e uma de dTpa a partir da 20ª semana.

E a regra de ordem, que é o distrator mais elegante do tema: se a gestante chega ao serviço já com 20 semanas ou mais e com esquema incompleto, aplica-se a dTpa primeiro e completa-se depois com dT, preferencialmente ainda durante a gestação. Não se 'guarda' a dTpa para o fim do esquema. Não sendo possível concluir na gestação, agenda-se para o puerpério até 45 dias.

Existe um cruzamento com a profissional de saúde que aparece em prova de saúde coletiva e vale registrar aqui porque a vinheta às vezes é a mesma pessoa: a profissional de saúde que esteve gestante nos últimos dez anos e tomou dTpa na gestação só volta a tomar após dez anos — antecipado para cinco em caso de exposição a risco de difteria ou tétano — ou antes disso, se engravidar de novo, porque a dose da gestação se repete a cada gravidez.

As contraindicadas, a aplicação inadvertida e a nutriz

A regra geral é curta: vacina viva atenuada não se aplica na gestação. Isso alcança a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), a varicela, a dengue atenuada e a febre amarela. A Instrução Normativa é honesta quanto à natureza dessa contraindicação — no verbete da tríplice viral ela registra que 'os estudos de acompanhamento de vacinação inadvertida em gestantes não demonstraram risco aumentado de complicações' e que a contraindicação é precaução por se tratar de vírus vivo atenuado.

Daí decorre a conduta que a prova mais cobra e que quase todo aluno erra por excesso: gestante vacinada inadvertidamente com vacina viva não interrompe a gravidez. A Instrução Normativa escreve a frase para a tríplice viral e repete para a varicela — 'não interromper a gravidez'. O que se faz é acompanhar no pré-natal e notificar como evento supostamente atribuível à vacinação ou imunização. A alternativa que oferece interrupção da gestação, ou que oferece imunoglobulina de rotina, está errada.

A febre amarela tem exceção formal: em caso de residente ou viajante para área de risco epidemiológico, na impossibilidade de adiamento, vacina-se mediante avaliação do serviço sobre o risco-benefício. O manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais reproduzido na Instrução Normativa é ainda mais direto na tabela de condições clínicas: gestantes, 'vacinar em qualquer período gestacional, se alto risco de exposição ao vírus da febre amarela'.

O HPV não é vacina viva, mas também não se aplica na gestação. A conduta diante da aplicação inadvertida é mais simples: nenhuma intervenção adicional além do acompanhamento do pré-natal; se houver doses subsequentes previstas, elas são suspensas e o esquema se completa no pós-parto.

O puerpério até 45 dias funciona como janela dupla. Primeiro, resgata o que não foi feito no pré-natal: dTpa, hepatite B, influenza, covid-19. Segundo, libera o que era proibido: tríplice viral, varicela e HPV podem ser aplicadas no puerpério. É a resposta padrão para a vinheta 'puérpera no 20º dia, não vacinada na gestação, o que fazer'.

A nutriz tem duas restrições específicas, e as duas são cobradas pelo número de dias de suspensão do aleitamento. Febre amarela: se a lactante amamenta criança menor de 6 meses e precisa ser vacinada por alto risco de exposição, suspende-se o aleitamento por 10 dias após a vacinação. Dengue atenuada: a vacina é contraindicada a lactantes; em caso de aplicação inadvertida em mulher que amamenta criança de até 6 meses, o aleitamento é suspenso por 15 dias, com acompanhamento do banco de leite de referência. Dez para febre amarela, quinze para dengue — não troque.

A Caderneta: o que ela registra e o que ela não diz

A Caderneta Brasileira da Gestante da edição vigente tem 108 páginas e existe em papel e em versão digital dentro do Meu SUS Digital. Ela mesma lista o que carrega: gestações anteriores, consultas de pré-natal, exames e resultados, pressão arterial, vacinas, saúde bucal, sinais e sintomas, plano de parto, registro do parto, acompanhamento no pós-parto e cuidados com o bebê. É um documento da gestante — quem o preenche é a equipe, mas quem o guarda é ela, e é por isso que ele é a fonte da vinheta quando o enunciado diz 'traz a caderneta' ou 'não traz a caderneta'.

Do ponto de vista da vacinação, a Caderneta faz duas coisas úteis para a prova. Primeiro, ela traz no item 4.3 uma tabela de sete linhas com as vacinas do pré-natal — hepatite B, dTpa, covid-19, dT, influenza, febre amarela em situações específicas, vírus sincicial respiratório e raiva pré-exposição em situações específicas — com as mesmas datas da Instrução Normativa. Segundo, ela fecha a tabela com a nota que resolve metade das questões de janela: 'caso alguma vacina não possa ser aplicada durante a gestação, ela será oferecida após o parto'.

Do ponto de vista da suplementação, é preciso dizer o que a Caderneta não faz, e dizer com o endereço certo: a edição vigente não traz tabela de dose de ferro nem de ácido fólico. O que consta é um item da lista do que a equipe faz na consulta — 'orientar sobre o uso de vitaminas, ferro e outros medicamentos, quando necessário'. Quem governa a dose, portanto, não é a Caderneta: são o Programa Nacional de Suplementação de Ferro, os Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres e, no alto risco, o Manual de Gestação de Alto Risco. Se a questão citar 'conforme a Caderneta da Gestante' para justificar um número de miligramas, o número vem de outro documento.

A primeira consulta tem uma tarefa que a Instrução Normativa atribui nominalmente e que a Caderneta repete: analisar o cartão de vacinas na primeira consulta de pré-natal, iniciar a atualização em caso de atraso e agendar as demais vacinas. É por isso que o cenário clássico da prova — gestante de 8 semanas, cartão com duas doses de dT — se resolve na primeira consulta, com o agendamento da dTpa para a 20ª semana, e não na consulta em que ela completa 20 semanas.

04

Régua da dose, da unidade e da semana

Três perguntas resolvem qualquer questão do tema, sempre nesta ordem: a unidade está em sal ou em ferro elementar? A gestante está na faixa da profilaxia ou na do tratamento? E a vacina que a alternativa oferece tem semana ou não tem? O que segue é o caminho pronto para percorrer em prova.

  1. 1Leia a dose e pergunte de que ela é. Se o enunciado diz 'sulfato ferroso 40 mg', o 40 é ferro elementar — é como a Rename descreve o comprimido da rede. Se diz 'sulfato ferroso 200 mg', é o mesmo comprimido, descrito pela massa do sal. Um comprimido = 40 mg de ferro elementar = 200 mg de sulfato ferroso.
  2. 2Converta antes de comparar. Sulfato ferroso: divida por 5 para chegar ao ferro elementar. Fumarato ferroso: divida por 3. Gluconato ferroso: divida por 8. As três frações saem da tabela de equivalências do Manual de Gestação de Alto Risco e podem ser conferidas.
  3. 3Separe profilaxia de tratamento pelo hemograma, não pelo trimestre. Sem anemia: 40 mg de ferro elementar por dia, um comprimido. Com anemia: 160 a 200 mg de ferro elementar por dia, quatro a seis comprimidos, cinco no esquema detalhado do protocolo.
  4. 4Fixe as datas do ferro. Começa ao se conhecer a gravidez — não antes. Termina no terceiro mês após o parto, e o mesmo prazo vale para o pós-aborto.
  5. 5Fixe as datas do ácido fólico. Começa pelo menos 30 dias antes da concepção — três meses antes, se a mulher usa anticonvulsivante. Vai até o final da gestação. A dose padrão é 400 µg, ou 0,4 mg.
  6. 6Procure o gatilho da dose alta. Antecedente de defeito do tubo neural, uso de anticonvulsivante, diabetes prévio à gestação, obesidade e doença falciforme levam a 4 a 5 mg/dia. Diabetes gestacional não entra: ele aparece depois da janela periconcepcional.
  7. 7Na doença falciforme, inverta o reflexo. Ácido fólico em dose alta durante toda a gestação, sim. Ferro de rotina, não — só em caso selecionado e guiado pela cinética de ferro, porque a sobrecarga é o risco.
  8. 8Diante de hemoglobina baixa, use 11,0 g/dL como corte operacional em qualquer idade gestacional. Só desça para 10,5 g/dL se o enunciado pedir a definição por trimestre ou citar a OMS.
  9. 9Se houver anemia, cheque o VCM antes de prescrever ferro. Abaixo de 80 fL, ferropriva. Acima de 100 fL, macrocítica — dose folato e B12; a resposta pode ser 1,0 mg/dia de ácido fólico, não cinco comprimidos de ferro.
  10. 10Decida a via do ferro pela hemoglobina e pela idade gestacional. Entre 9,0 e 11,0 g/dL, oral. Abaixo de 9,0 g/dL com 14 semanas ou mais, endovenoso é preferível. No primeiro trimestre, parenteral não entra.
  11. 11Antes de chamar de refratária, cheque a tomada. Comprimido com leite, café, chá, cálcio ou polivitamínico junto reduz a absorção. Longe das refeições e com suco cítrico é parte da prescrição, não um adorno.
  12. 12Vá para o bloco das vacinas e pergunte se a vacina tem semana. Hepatite B, influenza e covid-19 não têm — entram em qualquer idade gestacional. dTpa tem: 20 semanas. Vírus sincicial respiratório tem: 28 semanas.
  13. 13Na dTpa, verifique quantas doses com toxoide a gestante já tem. Esquema completo ou duas doses prévias: só dTpa. Uma dose prévia: dT mais dTpa. Nenhuma: duas de dT mais a dTpa.
  14. 14Se ela já passou da 20ª semana com esquema incompleto, aplique a dTpa primeiro e complete com dT depois. A ordem é essa, e é aí que mora o distrator.
  15. 15Se a alternativa oferece vacina viva na gestação, ela está errada — salvo febre amarela em área de risco com impossibilidade de adiamento. E se a vinheta diz que a viva já foi aplicada, a conduta é acompanhar o pré-natal e notificar. Nunca interromper a gestação.
  16. 16Se nada coube na gestação, use o puerpério. Quarenta e cinco dias resgatam dTpa, hepatite B, influenza e covid-19, e liberam tríplice viral, varicela e HPV.
1 COMPRIMIDO200 mgsulfato ferroso (sal)a parte escura = 20%40 mg de ferro×5TRATAMENTO5 cp/dia2 + 2 + 1200 mg de ferro= 1.000 mg do salProfilaxia 1 cp = 40 mg de ferro elementarTratamento 4 a 6 cp = 160 a 240 mg de ferro elementar

O fator 5 — sal contra ferro elementar

Sulfato ferroso tem cerca de 20% de ferro em massa. Por isso 200 mg do sal carregam 40 mg de ferro elementar, e a dose de tratamento de 200 mg de ferro elementar corresponde a 1.000 mg do sal — cinco comprimidos. Toda vez que dois números do enunciado estiverem separados por um fator próximo de 5, é este par.

01220 sem28 sem40HEPATITE B · INFLUENZA · COVID-19 — qualquer idade gestacionaldTpa — 1 dose a CADA gestaçãoVSR — dose únicapuerpério45 dias

As duas semanas que a prova troca

Só duas vacinas do calendário da gestante têm semana de início, e são exatamente as que existem para proteger o recém-nascido. dTpa a partir da 20ª semana; vírus sincicial respiratório a partir da 28ª. Podem ser aplicadas no mesmo dia, em sítios diferentes. As outras três — hepatite B, influenza e covid-19 — entram em qualquer idade gestacional.

0,4 mgPADRÃO30 dias antes4 a 5 mgDOSE ALTA≈10× a padrãotubo neural anterioranticonvulsivante (3 meses antes)diabetes prévioobesidadedoença falciformeNa farmácia pública: 5 mg comprimido ou 0,2 mg/mL solução (0,4 mg = 2 mL = 40 gotas)

Ácido fólico: 0,4 mg é a regra, 4 a 5 mg é a exceção nomeada

A dose alta não é para quem 'tem risco': é para cinco situações nomeadas — antecedente de defeito do tubo neural, uso de anticonvulsivante, diabetes prévio à gestação, obesidade e doença falciforme. Fora delas, 400 µg. E há uma antecedência que foge do padrão: no uso de anticonvulsivante, começa três meses antes da concepção, não trinta dias.

Ácido fólico — dose, antecedência e duração por situação

SituaçãoDose diáriaQuando começarAté quandoFonte
Gestação e planejamento sem fator de risco400 µg (0,4 mg)Pelo menos 30 dias antes da concepçãoFinal da gestaçãoPAB Saúde das Mulheres, p. 66 e 117
Antecedente de defeito de fechamento do tubo neural4 mgPelo menos 30 dias antes da concepçãoNão declarado; por analogia, todo o período periconcepcional e o 1º trimestrePAB Saúde das Mulheres, Fluxograma 3, p. 157
Uso de anticonvulsivante (epilepsia)4 a 5 mgPelo menos TRÊS MESES antes da concepçãoToda a gravidezManual de Gestação de Alto Risco, p. 475
Diabetes prévio à gestação4 mgAntes da concepção, junto com o alcance das metas glicêmicasNão declarado no trecho pré-concepcionalManual de Gestação de Alto Risco, p. 452
Obesidade (inclusive após cirurgia bariátrica)4 ou 5 mgPeríodo periconcepcionalAo longo do 1º trimestreManual de Gestação de Alto Risco, p. 530
Após cirurgia bariátrica, sem obesidade nem diabetes400 a 800 µgPeríodo pré-concepcionalNão declaradoManual de Gestação de Alto Risco, p. 530
Doença falciforme4 a 5 mgAo planejar a gestação (5 mg/dia)Toda a gestaçãoManual de Gestação de Alto Risco, p. 407
Anemia megaloblástica por deficiência de folato1,0 mg (tratamento, não profilaxia)Ao diagnósticoAté a normalização dos examesManual de Gestação de Alto Risco, p. 405

Ferro — profilaxia contra tratamento, em ferro elementar e em comprimidos

ProfilaxiaTratamento da anemiaManutenção pós-resposta
Dose em ferro elementar40 mg/dia (30 a 40 mg/dia no Manual de Alto Risco)160 a 200 mg/dia60 a 80 mg/dia
Equivalente em sulfato ferroso (sal)200 mg/dia800 a 1.000 mg/dia300 a 400 mg/dia
Comprimidos da rede (40 mg de ferro cada)1 por dia4 a 6 por dia — o protocolo detalha 5 (2 + 2 + 1)1 e meio a 2 por dia
Quando começaAo se conhecer a gravidezAo diagnóstico de hemoglobina < 11 g/dLApós ultrapassar 10,5 g/dL
Quando termina3º mês pós-parto ou pós-abortoAté hemoglobina > 11 g/dLAté o puerpério
ReavaliaçãoHemograma de rotina do pré-natalHemoglobina em 60 dias (protocolo); resposta já em 2 a 3 semanas (manual)Hemograma de rotina
Ganho esperado de hemoglobinaCerca de 1 g/dL a cada 4 semanas

Calendário da gestante — Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026

VacinaQuandoQuantasSe não deu tempo
Hepatite B (recombinante)Qualquer faixa etária e qualquer idade gestacionalCompletar as 3 doses (0-1-6); não reiniciar o esquemaConcluir até 45 dias do puerpério
dTpaA partir da 20ª semana1 dose a CADA gestaçãoPuerpério até 45 dias
InfluenzaQualquer fase da gestação1 dose por temporada, a cada gestaçãoPós-parto até 45 dias
Covid-19Qualquer idade e qualquer fase gestacional1 dose por gestação, intervalo mínimo de 6 meses da última dosePuerpério até 45 dias
Vírus sincicial respiratório (recombinante A e B)A partir da 28ª semanaDose única a cada gestaçãoNão há resgate puerperal: a proteção é transplacentária
Febre amarela (atenuada)Só em residente ou viajante para área de risco, com impossibilidade de adiamentoConforme avaliação de risco-benefício do serviçoAdiar para o pós-parto sempre que possível
Tríplice viral, varicela, dengueContraindicadas na gestaçãoAplicar no puerpério

dTpa por histórico vacinal da gestante

Doses prévias com toxoide diftérico e tetânicoO que aplicarObservação de ordem
3 ou mais (esquema básico completo)1 dose de dTpa a partir da 20ª semanaRepete-se a cada gravidez, mesmo com dTpa na gestação anterior
2 doses1 dose de dTpa a partir da 20ª semanaEssa dose fecha o esquema básico
1 dose1 dose de dT + 1 dose de dTpa a partir da 20ª semanaSe já passou da 20ª semana, dTpa primeiro e dT em seguida
Nenhuma ou histórico desconhecido2 doses de dT + 1 dose de dTpa a partir da 20ª semanaSe já passou da 20ª semana, dTpa como 1ª dose e dT depois, ainda na gestação
Intervalo entre as doses60 dias recomendados; mínimo de 30 dias em situação excepcionalVale para qualquer combinação de dT e dTpa

Erro de unidade na fonte, com a conta feita. O Fluxograma 6 dos Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres (p. 109) rotula o tratamento como '200 mg/dia de sulfato ferroso' e, na mesma caixa, prescreve 'dois comprimidos antes do café, dois antes do almoço e um antes do jantar'. São cinco comprimidos. Se cada comprimido tivesse 200 mg do sal, a dose diária seria 1.000 mg do sal, não 200. O número 200 só fecha lido como ferro elementar — cinco vezes os 40 mg de ferro de cada comprimido —, e é assim que o Manual de Gestação de Alto Risco escreve a mesma dose ('160 a 200 mg/dia' de ferro elementar). O rótulo trocou sal por ferro elementar; o fator é 5. Responda pelo ferro elementar.

Segundo erro na mesma página. A legenda do fluxograma diz 'sulfato ferroso: um comprimido de 200 mg de Fe = 40 mg de ferro elementar'. 'Fe' é o símbolo do ferro, de modo que a igualdade, como escrita, afirma que 200 mg de ferro são 40 mg de ferro. Os 200 mg são do sal. A redação correta do mesmo documento está na p. 135, no plano de cuidado do puerpério: 'sulfato ferroso 40 mg de ferro elementar (comprimido de 200 mg)'.

Terceiro erro, no Quadro 9 do mesmo protocolo (p. 120). A linha 'Ferro elementar' registra posologia de '200 mg, dose única (a partir do conhecimento da gravidez até 3º mês pós-parto)' — isto é, junta a dose de TRATAMENTO com a janela da PROFILAXIA. A dose profilática é 40 mg, um comprimido, como o próprio documento diz na p. 66 e na p. 109. Lido ao pé da letra, o quadro prescreveria cinco comprimidos por dia a toda gestante durante onze meses.

Erro de unidade no Manual de Gestação de Alto Risco (p. 402): 'ferro sérico abaixo de 60 mg/mL' entre os achados compatíveis com anemia ferropriva. Ferro sérico se expressa em µg/dL; 60 mg/mL equivaleriam a 60.000 µg/mL, valor sem sentido biológico. A ordem de grandeza pretendida é 60 µg/dL. Os demais números do mesmo parágrafo — ferritina abaixo de 30 e de 12 µg/L, saturação de transferrina abaixo de 15% — estão corretos.

A apresentação que o protocolo assume não existe mais na farmácia pública. O Quadro 9 (p. 117) descreve o ácido fólico como 'cápsula gelatinosa mole (400 µg ou 0,4 mg)'. A Rename 2024 lista, no Componente Básico, apenas ácido fólico 5 mg comprimido e 0,2 mg/mL solução oral. A dose de 400 µg, na rede, sai da solução: 0,4 mg dividido por 0,2 mg/mL dá 2 mL por dia, o que corresponde a 40 gotas na conta usual de 20 gotas por mililitro.

O mesmo problema aparece na ponta oposta da dose. A indicação escrita é de 4 mg/dia para antecedente de defeito do tubo neural e de 4 a 5 mg/dia nas demais situações, mas o comprimido da rede é de 5 mg. Na prática, a dose alta é um comprimido de 5 mg ao dia. A prova aceita a faixa '4 a 5 mg'; desconfie da alternativa que exige exatamente 4 mg como única correta.

Definição contra faixa de tratamento, dentro do mesmo capítulo. O Manual de Gestação de Alto Risco define anemia no segundo trimestre como hemoglobina abaixo de 10,5 g/dL (p. 401) e, três páginas adiante, prescreve tratamento oral para a faixa de 9,0 a 11,0 g/dL sem separar trimestre. Uma gestante de 22 semanas com 10,8 g/dL fica fora da definição e dentro da faixa de tratamento. O próprio manual resolve a ambiguidade ao autorizar, 'do ponto de vista prático', o corte único de 11,0 g/dL em qualquer idade gestacional — é o que o protocolo da atenção básica adota.

Faixa sem conduta declarada. O manual manda reduzir a dose para manutenção quando a hemoglobina ultrapassa 10,5 g/dL, e manda reavaliar etiologia e adesão quando ela não ultrapassa 10,0 g/dL após duas semanas. Entre 10,0 e 10,5 g/dL, nenhuma das duas regras dispara. A leitura segura é manter a dose plena até cruzar 10,5 g/dL, mas o vão é da fonte.

O que a Caderneta Brasileira da Gestante da edição vigente não traz: tabela de dose de ferro ou de ácido fólico. A suplementação aparece só como item da consulta ('orientar sobre o uso de vitaminas, ferro e outros medicamentos, quando necessário'). A régua da dose está no Programa Nacional de Suplementação de Ferro e nos Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres; no alto risco, no Manual de Gestação de Alto Risco. A Caderneta é a régua das vacinas e do registro, não da posologia.

Duração e volume da profilaxia, calculados. Da captação em torno da 6ª semana até o parto são cerca de 34 semanas; somados os três meses de puerpério, cerca de 47 semanas, algo próximo de onze meses e de 330 comprimidos por gestante. O tratamento de 60 dias com cinco comprimidos ao dia consome 300 comprimidos — quase o mesmo volume em um sexto do tempo.

Janelas em semanas, calculadas. Da 20ª semana ao termo, a dTpa tem cerca de 20 semanas de janela; da 28ª ao termo, a vacina contra o vírus sincicial respiratório tem cerca de 12. O puerpério acrescenta 45 dias — pouco mais de seis semanas — para tudo o que não coube, exceto a vacina do VSR, cuja proteção depende da transferência placentária e por isso não tem resgate depois do parto.

Projeção da resposta ao ferro. Com ganho esperado de cerca de 1 g/dL a cada 4 semanas, uma gestante que entra em tratamento com 9,0 g/dL leva por volta de oito semanas para cruzar 11,0 g/dL. Isso explica por que o protocolo repete a hemoglobina em 60 dias e por que 'não melhorou em duas semanas' não é, sozinho, sinônimo de refratariedade.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

A partir de que hemoglobina a gestante deixa a unidade básica?

Abaixo de 8 g/dL — Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres

O Fluxograma 6 classifica como anemia grave a hemoglobina abaixo de 8 g/dL e manda encaminhar ao pré-natal de alto risco. Entre 8 e 11 g/dL, anemia leve a moderada, tratada na própria unidade com quatro a seis comprimidos e hemoglobina repetida em 60 dias. O documento acrescenta um segundo critério de encaminhamento, independente do valor: anemia não responsiva a 30 a 60 dias de tratamento com sulfato ferroso.

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres, 2016, Fluxograma 6, p. 109, e critérios de encaminhamento, p. 88.

Abaixo de 9 g/dL — Manual de Gestação de Alto Risco

A lista de condições que caracterizam gestação de alto risco inclui 'anemia grave (hemoglobina < 9 g/dL) ou anemia refratária a tratamento'. E o capítulo de anemias reserva o tratamento oral para a faixa de 9,0 a 11,0 g/dL, preferindo ferro endovenoso abaixo de 9,0 g/dL a partir das 14 semanas — o que empurra essa gestante para um serviço com estrutura de infusão.

BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de gestação de alto risco, 2022, p. 21 e p. 403-404.

Na prova

Identifique o documento que a vinheta invoca. Se o cenário é unidade básica de saúde e o enunciado fala em protocolo da atenção básica, o corte é 8 g/dL. Se o enunciado fala em estratificação de risco gestacional ou cita o manual de alto risco, o corte é 9 g/dL. Uma gestante com 8,5 g/dL é a paciente que separa as duas réguas — e é exatamente a que a banca escolhe quando quer distinguir os documentos.

Quando reduzir a dose depois que a hemoglobina responde?

Acima de 10,5 g/dL, já se reduz — Manual de Gestação de Alto Risco

Ultrapassados 10,5 g/dL, a dose de ferro elementar pode cair para 60 a 80 mg/dia como terapia de manutenção, mantida até o puerpério. É uma desescalada precoce, pensada para preservar adesão diante dos efeitos gastrointestinais da dose plena.

BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de gestação de alto risco, 2022, p. 403.

Só acima de 11 g/dL, e volta direto à profilaxia — Protocolos da Atenção Básica

O fluxograma manda manter o tratamento até hemoglobina acima de 11 g/dL e, depois, manter a dose profilática — isto é, um comprimido. Não há passo intermediário de manutenção.

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres, 2016, Fluxograma 6, p. 109.

Na prova

As duas condutas são defensáveis e nenhuma anula a outra. Responda pela que o enunciado cita; na ausência de citação, o caminho da atenção básica — tratar até 11 g/dL e voltar à profilaxia — é o mais cobrado, porque é o do documento de menor complexidade e maior alcance.

Qual é a dose profilática de ferro: 40 mg ou uma faixa?

40 mg de ferro elementar, dose fixa — Programa Nacional de Suplementação de Ferro e protocolo da atenção básica

O programa nacional entrega dose fixa: 40 mg de ferro elementar por dia, um comprimido, do conhecimento da gravidez até o terceiro mês pós-parto ou pós-aborto, junto com 400 µg de ácido fólico. É a dose que corresponde exatamente à apresentação disponível na Rename, o que explica a escolha do número.

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres, 2016, p. 66 e 109; Rename 2024, p. 39.

30 a 40 mg de ferro elementar — Manual de Gestação de Alto Risco

O manual escreve a profilaxia como faixa, 'praticamente todas as gestantes', e ressalva as portadoras de doenças com sobrecarga de ferro. A faixa incorpora apresentações estrangeiras e outros sais, cuja equivalência o próprio manual tabula (30 mg de ferro elementar em 150 mg de sulfato ferroso, 90 mg de fumarato ou 250 mg de gluconato).

BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de gestação de alto risco, 2022, p. 403.

Na prova

Não há conflito real: 40 mg está dentro de 30 a 40 mg. Se a alternativa oferecer '30 mg/dia' e outra oferecer '40 mg/dia', marque 40 — é a dose do programa nacional e a que corresponde ao comprimido da rede. A faixa só é a resposta certa quando o enunciado pergunta pela recomendação do manual de alto risco.

Ácido fólico até quando?

Até o final da gestação — protocolo da atenção básica e manual de alto risco

O Quadro 9 registra, para a prevenção de defeitos do tubo neural, 'pelo menos 30 dias antes da data em que se planeja engravidar até o final da gestação'. O manual diz que a dose de 0,4 a 0,8 mg/dia mantida durante toda a gestação é suficiente para prevenir a deficiência materna de folato.

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres, 2016, p. 117; Manual de gestação de alto risco, 2022, p. 405.

Só até o fechamento do tubo neural, se o desfecho for esse

Do ponto de vista do desfecho que dá nome à indicação, o benefício se esgota no primeiro trimestre: depois do fechamento, não há mais o que prevenir. É por isso que, na gestação após cirurgia bariátrica com obesidade ou diabetes, o manual delimita a dose alta ao 'período periconcepcional e ao longo do primeiro trimestre', e não a toda a gravidez.

BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de gestação de alto risco, 2022, p. 530.

Na prova

Separe o desfecho da conduta. A prevenção do defeito do tubo neural termina no primeiro trimestre; a suplementação, não — ela segue até o parto porque a demanda de folato da gestação continua. Se a alternativa disser 'suspender o ácido fólico ao final do primeiro trimestre', está errada. Se disser 'a proteção contra o defeito do tubo neural se esgota no primeiro trimestre', está certa.

Cálcio para prevenir pré-eclâmpsia entra nesta lista?

Mantido — Manual de Gestação de Alto Risco e Organização Mundial da Saúde

Os documentos do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde que sustentaram a prática por anos mantêm a suplementação de cálcio entre as medidas capazes de reduzir intercorrências da gestação. É a régua que a maioria das bancas ainda usa.

Ver o capítulo 'Hipertensão crônica e hipertensão gestacional' desta apostila, onde o assunto é tratado por inteiro com as fontes.

Deixou de ser recomendado — posição brasileira de 2026

A recomendação brasileira mudou em 2026 e o cálcio deixou de ser indicado para prevenção de pré-eclâmpsia, com base em revisão sistemática recente. A mudança é posterior ao Manual de Gestação de Alto Risco e não alcança os documentos da atenção básica.

Ver o capítulo 'Hipertensão crônica e hipertensão gestacional' desta apostila, onde a mudança está datada e referenciada.

Na prova

Se a questão for de suplementação e oferecer cálcio como profilaxia de pré-eclâmpsia, ela não é uma questão deste capítulo — vá pelo capítulo de hipertensão. O que este capítulo cobre é o cálcio como micronutriente da alimentação, cuja ingestão na mesma refeição do ferro reduz a absorção do ferro. São dois assuntos com o mesmo nome.

06

Caso resolvido

Mulher de 27 anos, secundigesta, comparece à unidade básica para a primeira consulta de pré-natal com 22 semanas de idade gestacional, calculadas por ultrassonografia do primeiro trimestre. Refere que a gestação anterior, há três anos, transcorreu sem intercorrências e que naquela ocasião tomou 'a vacina da coqueluche' no fim da gravidez. Traz o cartão de vacinas, em que constam duas doses de dupla adulto aplicadas na adolescência, uma dose de dTpa na gestação anterior e o esquema de hepatite B com apenas a primeira dose, aplicada há cinco anos. Nega comorbidades, nega uso de medicamentos, nega cirurgias. Não vinha usando nenhum suplemento. O hemograma colhido na semana anterior mostra hemoglobina de 9,3 g/dL, hematócrito de 29%, volume corpuscular médio de 74 fL e hemoglobina corpuscular média de 24 pg. Plaquetas e leucograma normais.
unidade
Antes de qualquer conduta, decida em que unidade você vai raciocinar. Toda dose de ferro deste caso será escrita em ferro elementar, porque é assim que a Rename descreve o comprimido da rede — 'equivalente a 40 mg de ferro elementar'. Se em algum momento aparecer o número 200, ele pode ser o sal de um comprimido ou o ferro elementar de cinco. Aqui será ferro elementar.
classifique a anemia
Hemoglobina de 9,3 g/dL está abaixo de 11,0 g/dL, o corte operacional em qualquer idade gestacional. Volume corpuscular médio de 74 fL e hemoglobina corpuscular média de 24 pg configuram microcitose e hipocromia — o padrão da ferropriva. Não é caso de dosar ferritina: a etiologia está clara. É caso de solicitar parasitológico de fezes, porque parasitose com perda crônica de sangue é a causa evitável que o protocolo manda procurar.
escolha a faixa e a via
Nove vírgula três está entre 9,0 e 11,0 g/dL: tratamento oral é a primeira escolha, e nenhum critério empurra esta gestante para o alto risco. Pelo protocolo da atenção básica, ela não é anemia grave, que começaria abaixo de 8 g/dL; pelo manual de alto risco, ela está acima do corte de 9 g/dL da estratificação e acima do limiar de preferência pelo ferro endovenoso. Fica na unidade básica.
prescreva o ferro
Dose de tratamento: 160 a 200 mg de ferro elementar por dia. Na apresentação da rede, quatro a seis comprimidos; o esquema detalhado do protocolo é de cinco — dois antes do café, dois antes do almoço e um antes do jantar —, uma hora antes das refeições, de preferência com suco de frutas cítricas. Oriente explicitamente contra a tomada junto com leite, café, chá ou polivitamínico.
programe a reavaliação
Repita a hemoglobina em 60 dias, como manda o protocolo. Faça a projeção agora, porque ela orienta a conversa: com ganho esperado de cerca de 1 g/dL a cada 4 semanas, a expectativa é chegar perto de 11,3 g/dL nesse intervalo. Alcançados os 11 g/dL, o tratamento cede lugar à dose profilática de um comprimido ao dia.
não esqueça o ácido fólico
A janela de prevenção do defeito do tubo neural já passou — com 22 semanas, o tubo fechou há muito. Ainda assim, o ácido fólico do Programa Nacional de Suplementação de Ferro é prescrito na dose de 400 µg ao dia até o final da gestação, porque a demanda de folato da gravidez continua. Na farmácia pública, isso sai da solução oral de 0,2 mg/mL: 2 mL por dia, cerca de 40 gotas.
dTpa — a dose se repete
Ela tomou dTpa na gestação anterior e isso não a dispensa. A regra é uma dose a cada gravidez, a partir da 20ª semana. Ela está com 22 semanas: a dTpa pode ser aplicada hoje, 0,5 mL por via intramuscular no deltoide. Conte o histórico de toxoide: duas doses de dT na adolescência mais a dTpa da gestação anterior já somam três, esquema básico completo — logo, esta dose é reforço, não complemento de esquema, e não há dT a acrescentar.
hepatite B — complete, não recomece
Uma dose aplicada há cinco anos. Não se reinicia o esquema: aplicam-se as duas doses que faltam, programadas para que a atualização se conclua preferencialmente ainda na gestação. Com 22 semanas restam cerca de 18 semanas até o termo, o que comporta o esquema acelerado — mínimo de 1 mês entre a segunda e a terceira, respeitados os 4 meses mínimos entre a primeira e a terceira, já cumpridos com folga. Não sendo possível concluir, o resgate vai até 45 dias de puerpério.
vírus sincicial respiratório — agende
Com 22 semanas, ela ainda não alcançou a janela. Agende a dose única para a 28ª semana e registre o agendamento. Se ela tivesse chegado com 28 semanas ou mais, dTpa e vacina contra o VSR poderiam ser aplicadas no mesmo dia, em sítios diferentes — a Instrução Normativa recomenda expressamente a aplicação concomitante para não perder a oportunidade.
influenza e covid-19
Nenhuma das duas tem semana. Influenza: uma dose por temporada, se ainda não recebida na temporada vigente. Covid-19: uma dose nesta gestação, desde que hajam decorrido pelo menos 6 meses da última dose recebida. As duas podem ser aplicadas hoje, junto com a dTpa, em sítios diferentes.
registre
Tudo o que foi aplicado e tudo o que foi agendado vai para o cartão de vacinas e para a Caderneta Brasileira da Gestante, que é o documento que a gestante carrega e que a maternidade vai consultar. A análise do cartão na primeira consulta é tarefa nominada pela Instrução Normativa — e aqui ela produziu três condutas que teriam passado despercebidas.
o que não fazer
Não prescreva ferro endovenoso: a hemoglobina está acima de 9,0 g/dL e a via oral é a primeira escolha. Não reinicie a hepatite B. Não dispense a dTpa por causa da dose da gestação anterior. E não use a Caderneta como fonte da posologia do ferro — ela não a traz.
07

Agora feche você

Mulher de 31 anos, com epilepsia em uso de carbamazepina há oito anos e sem crises há três, procura a unidade básica para consulta pré-concepcional. Diz que pretende engravidar 'nos próximos meses' e que uma amiga lhe falou que precisaria tomar ácido fólico. Tem índice de massa corporal de 33 kg/m², não é diabética, nunca engravidou e não tem antecedente familiar de malformação. Traz hemograma normal e cartão de vacinas com esquema básico de toxoide diftérico e tetânico completo, tríplice viral com duas doses e hepatite B com as três doses. Na farmácia da unidade há ácido fólico em comprimidos de 5 mg e solução oral de 0,2 mg/mL, e sulfato ferroso em comprimidos.
pergunta 1
Qual dose de ácido fólico esta mulher deve receber e por quais gatilhos — e com quanta antecedência em relação à concepção?
pergunta 2
Qual apresentação da farmácia da unidade atende à dose, e por que a prescrição escrita no protocolo não coincide exatamente com o que existe na prateleira?
pergunta 3
Ela deve iniciar sulfato ferroso agora, na consulta pré-concepcional? Justifique pela finalidade de cada suplemento.
pergunta 4
Que vacinas fazem sentido antes da concepção e quais delas ficariam proibidas depois que ela engravidar? Há alguma que só possa ser feita agora?
pergunta 5
Se ela engravidar e comparecer à primeira consulta de pré-natal com 24 semanas, qual será a conduta vacinal daquele dia?
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Onde a banca derruba

  1. 1Ler '40 mg' como massa do sal Atrai porque a receita da unidade básica diz 'sulfato ferroso 40 mg' e o cérebro completa 'de sulfato ferroso'. A Rename descreve o mesmo item como 'sulfato ferroso — equivalente a 40 mg de ferro elementar — comprimido'. Um comprimido de 40 mg do sal teria 8 mg de ferro e seria inútil como profilaxia. Sempre que o número aparecer sem a palavra que o qualifica, assuma ferro elementar quando o contexto for a rede pública.
  2. 2Prescrever um comprimido para tratar anemia É o erro simétrico do anterior. Um comprimido é profilaxia — 40 mg de ferro elementar. Tratamento é quatro a seis comprimidos, 160 a 200 mg de ferro elementar por dia. A alternativa que oferece 'sulfato ferroso 40 mg/dia' para uma gestante com hemoglobina de 9,4 g/dL está oferecendo a dose de quem não tem anemia.
  3. 3Começar ácido fólico ao descobrir a gravidez Parece diligente e é tarde. O tubo neural se fecha por volta do 28º dia após a fecundação, cerca de 6 semanas de idade gestacional pela última menstruação. Quem começa no dia do teste positivo, em torno de 4 a 5 semanas, chega com a obra em andamento. A conduta certa é pré-concepcional: pelo menos 30 dias antes de engravidar. Isso não significa suspender o suplemento de quem começou tarde — significa que a questão está testando a data, não a droga.
  4. 4Estender a dose alta de ácido fólico a quem tem diabetes gestacional O gatilho nomeado é diabetes prévio à gestação. Diabetes mellitus gestacional é diagnosticado a partir da segunda metade do segundo trimestre, quando a janela periconcepcional já se fechou e o tubo neural já está formado. Aumentar a dose ali não previne nada. A vinheta costuma dizer 'diagnóstico de diabetes na 26ª semana' justamente para provocar o reflexo.
  5. 5Dar ferro de rotina à gestante com doença falciforme É o reflexo mais forte do tema: anemia crônica, portanto ferro. O Manual de Gestação de Alto Risco diz o contrário — na doença falciforme, ácido fólico 4 a 5 mg/dia durante toda a gestação, e ferro apenas em casos selecionados, guiado pela cinética de ferro. A hemólise e as transfusões produzem sobrecarga. A mesma lógica exclui da profilaxia rotineira as demais anemias hemolíticas e a hemocromatose.
  6. 6Aplicar a dTpa uma vez na vida Vem da lógica do reforço decenal do adulto. Na gestante, a dTpa não é reforço de calendário: é dose de proteção do recém-nascido daquela gestação. Repete-se a cada gravidez, a partir da 20ª semana, mesmo que a mulher a tenha recebido meses antes na gestação anterior. A Caderneta da Gestante escreve isso na coluna de observações.
  7. 7Guardar a dTpa para o fim do esquema em quem chega tarde Gestante com 24 semanas e nenhuma dose de toxoide: o reflexo é começar pelo esquema básico com dT e deixar a dTpa por último. A Instrução Normativa determina o contrário — aplica-se a dTpa primeiro, porque a janela de transferência de anticorpo para o bebê é curta, e completa-se com dT em seguida, preferencialmente ainda na gestação.
  8. 8Trocar a semana da dTpa pela do vírus sincicial respiratório São 20 e 28, nessa ordem, e a confusão é fácil porque as duas vacinas têm o mesmo propósito e podem ser aplicadas no mesmo dia. Guarde pelo alvo: a dTpa protege contra coqueluche, que mata no primeiro mês, e por isso começa antes; a do VSR protege contra bronquiolite e entra mais perto do parto, para que o pico de anticorpo pegue o nascimento.
  9. 9Reiniciar o esquema de hepatite B por causa do atraso A Instrução Normativa repete em dois lugares: 'não reiniciar o esquema'. Gestante com uma dose tomada há quatro anos recebe as duas que faltam, não três. E se houver exposição ao vírus na gestação — sexual ou acidente com material biológico —, a conduta não é só vacinar: é vacina mais imunoglobulina anti-hepatite B.
  10. 10Indicar interrupção da gestação após vacina viva inadvertida Nenhum documento brasileiro autoriza isso, e a Instrução Normativa diz literalmente 'não interromper a gravidez' para tríplice viral e para varicela, acrescentando que os estudos de acompanhamento não demonstraram risco aumentado e que a contraindicação é precaução. A conduta é acompanhar o pré-natal e notificar o evento. A alternativa que oferece interrupção, ou imunoglobulina de rotina, é distrator.
  11. 11Confundir os dias de suspensão do aleitamento São dois números e eles não se misturam: febre amarela em nutriz de criança menor de 6 meses suspende o aleitamento por 10 dias; dengue atenuada aplicada inadvertidamente em nutriz de criança de até 6 meses suspende por 15 dias, com acompanhamento do banco de leite. Dez para febre amarela, quinze para dengue.
  12. 12Chamar de refratária a anemia de quem toma o comprimido errado Antes de escalar para ferro endovenoso, cheque a prescrição de tomada. Ferro junto com leite, café, chá, cálcio ou polivitamínico tem absorção reduzida — zinco, cobre e manganês competem pelo mesmo transportador. E cheque o prazo: com ganho esperado de 1 g/dL a cada 4 semanas, duas semanas sem mudança expressiva não configuram falha. O protocolo da atenção básica só fala em não resposta após 30 a 60 dias.
  13. 13Usar ferro endovenoso no primeiro trimestre O manual é explícito: o ferro parenteral deve ser evitado no primeiro trimestre por ausência de estudos de segurança nessa fase. A indicação de via endovenosa começa em hemoglobina abaixo de 9,0 g/dL com idade gestacional de 14 semanas ou mais. Antes disso, a resposta é ferro oral e investigação da causa.
  14. 14Justificar uma dose citando a Caderneta da Gestante A edição vigente da Caderneta traz a tabela das vacinas do pré-natal, mas não traz posologia de ferro nem de ácido fólico — apenas o item genérico 'orientar sobre o uso de vitaminas, ferro e outros medicamentos, quando necessário'. Enunciado que atribui um número de miligramas à Caderneta está atribuindo ao documento errado: a régua da dose é o Programa Nacional de Suplementação de Ferro, o protocolo da atenção básica e, no alto risco, o manual.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Correta: antecedente de feto com defeito de fechamento do tubo neural (como anencefalia) classifica a paciente como alto risco de recorrência, indicando dose alta de ácido fólico (4 a 5 mg/dia), iniciada no periodo pré-concepcional (idealmente 1 a 3 meses antes) e mantida no primeiro trimestre, período de fechamento do tubo neural (até ~28 dias/12 semanas). A dose padrão de 0,4 mg é para gestantes de risco habitual, insuficiente aqui. Iniciar apenas após teste positivo ou na 12ª semana é tardio, pois o tubo neural já se fechou. Afirmar que não há indicação contraria a diretriz de prevenção da recorrência.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Os números, na ordem em que a prova os pede. Ácido fólico padrão: 400 µg, ou 0,4 mg, ao dia, começando pelo menos 30 dias antes da concepção e indo até o final da gestação. Dose alta: 4 a 5 mg, em cinco situações — antecedente de defeito do tubo neural, uso de anticonvulsivante (aqui, três meses antes da concepção), diabetes prévio à gestação, obesidade e doença falciforme. Ferro profilático: 40 mg de ferro elementar ao dia, um comprimido, do conhecimento da gravidez até o terceiro mês pós-parto ou pós-aborto. Um comprimido da rede é 40 mg de ferro elementar e 200 mg de sulfato ferroso — fator 5. Anemia: hemoglobina abaixo de 11,0 g/dL em qualquer idade gestacional, ou 10,5 g/dL no segundo trimestre pelo critério por trimestre. Tratamento: 160 a 200 mg de ferro elementar ao dia, quatro a seis comprimidos, cinco no esquema 2 + 2 + 1; hemoglobina em 60 dias; ganho esperado de 1 g/dL a cada 4 semanas. Ferro endovenoso: hemoglobina abaixo de 9,0 g/dL com 14 semanas ou mais, e nunca no primeiro trimestre. Vacinas: hepatite B, influenza e covid-19 em qualquer idade gestacional; dTpa a partir da 20ª semana, a cada gestação; vírus sincicial respiratório a partir da 28ª, dose única. Puerpério: 45 dias para resgatar tudo e para liberar as vivas. Suspensão do aleitamento: 10 dias na febre amarela, 15 na dengue.

em 30 dias

Os porquês, que é o que sobra quando os números escapam. Por que o ácido fólico é pré-concepcional e o ferro não: um previne um evento que acontece por volta do 28º dia após a fecundação, o outro previne uma carência que se instala com a gestação em curso. Por que a dTpa se repete a cada gravidez: o que protege o recém-nascido é o anticorpo materno transferido naquela gestação, e o título decai — não é reforço de calendário, é dose para o bebê. Por que a dTpa vem antes da dT em quem chega tarde: a janela de transferência placentária é curta, e completar esquema pode esperar. Por que a doença falciforme recebe folato alto e não recebe ferro: hemólise crônica e transfusões produzem sobrecarga, não carência. Por que se pede parasitológico de fezes na anemia ferropriva da gestante: perda crônica de sangue por parasitose é a causa evitável. Por que a vacina viva inadvertida não interrompe gestação: a contraindicação é precaução teórica, e os estudos de acompanhamento não mostraram risco aumentado. E por que a unidade importa mais que a memória: sulfato ferroso tem cerca de 20% de ferro em massa, de modo que qualquer par de números separados por um fator próximo de 5 é o mesmo comprimido descrito de dois jeitos — e um documento oficial brasileiro já trocou os dois.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Gestante de 23 anos, primigesta, comparece à unidade básica de saúde para a primeira consulta de pré-natal com 21 semanas de idade gestacional. Traz o cartão de vacinas com apenas uma dose de dupla adulto, aplicada há seis anos, e nenhuma dose de hepatite B. Não usa suplemento algum. Conduza a consulta: analise o cartão, defina o que se aplica hoje e em que ordem, o que se agenda, e prescreva a suplementação com a dose escrita na unidade correta. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Suplementação de ácido fólico, ferro e vacinação na gestação – Suplementação e vacinação na gestação — Preparatório para provas | OsceLabs