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Clínica MédicaReumatologia

Espondiloartrites: dois protocolos federais para a mesma coluna

Espondiloartrites e artrite psoriásica

Lombalgia inflamatória, critérios de Nova Iorque e CASPAR, índices de atividade e a escada terapêutica das formas axial e psoriásica.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 26 anos queixa-se de lombalgia crônica há mais de 6 meses, de caráter inflamatório: piora com repouso, melhora com atividade física e associa-se a rigidez matinal de mais de 1 hora e despertar na segunda metade da noite. Ao exame: PA 122x76 mmHg, FC 72 bpm; teste de Schober reduzido e limitação da expansibilidade torácica. HLA-B27 positivo; radiografia de bacia com sacroileíte bilateral. Qual é o diagnóstico mais provável?

02

Como esse tema cai

Espondiloartrite é o assunto em que a banca brasileira quase nunca pede o diagnóstico. A vinheta entrega tudo: homem jovem, dor lombar de meses, rigidez matinal longa, melhora com atividade e piora no repouso, despertar na segunda metade da noite. Quem chegou até aqui reconhece o padrão inflamatório em duas linhas e sabe que o antígeno HLA-B27 vem positivo. Essa metade não separa candidato nenhum.

O que separa é a régua. Depois da vinheta vêm as perguntas de número: quantos meses de dor entram no critério, qual plano de movimento cada manobra mede, qual grau de sacroiliíte radiográfica classifica, a partir de que valor de BASDAI a doença é ativa, quantos pontos de CASPAR são precisos e — a mais cobrada de todas — quanto tempo de anti-inflamatório precede o biológico. Nenhuma dessas respostas está no exame físico; todas estão em documento publicado no Diário Oficial.

E aqui o terreno é peculiar, porque não há um documento, há dois, e eles discordam. A forma axial responde ao Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Espondilite Ancilosante, aprovado pela Portaria Conjunta nº 25, de 22 de outubro de 2018. A forma psoriásica responde ao Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Artrite Psoriásica, aprovado pela Portaria Conjunta nº 37, de 21 de janeiro de 2026. Os dois são federais, os dois estão em vigor, os dois cobrem coluna inflamatória — e o primeiro exige três meses de anti-inflamatório onde o segundo exige quatro semanas.

Três vizinhos já ocupam parte do terreno e ficam de fora daqui. A psoríase cutânea, com o sinal de Auspitz, o fenômeno de Koebner e a escala de gravidade que abre o degrau sistêmico, é do capítulo de psoríase e dermatite atópica. A artrite idiopática juvenil, inclusive a forma relacionada a entesite, é do capítulo próprio na imunologia pediátrica. A monoartrite aguda com derrame, que obriga a artrocentese antes de qualquer rótulo inflamatório crônico, é do capítulo de monoartrite e artrite séptica desta mesma apostila.

Fica dentro o que nenhum deles cobre: os critérios de classificação com seus pontos e centímetros, a graduação radiográfica da sacroiliíte, os índices de atividade com seus cortes, a escada de medicamentos dos dois protocolos com as doses escritas, e os pontos em que o texto federal contradiz a própria tabela. É pergunta de número, e é nos vãos entre os números que a questão nasce.

03

O que muda decisão

As duas portas de entrada, e por que a prova escolhe uma delas

As espondiloartrites são um grupo, não uma doença. Compartilham o esqueleto axial, a entesite, a associação com o antígeno HLA-B27, o fator reumatoide negativo e um conjunto de manifestações extra-articulares que se repetem — uveíte anterior, psoríase, doença inflamatória intestinal. A prova brasileira entra nesse grupo por duas portas, e cada porta tem documento próprio.

A primeira porta é a forma axial: o adulto jovem com lombalgia inflamatória arrastada, que acaba com sacroiliíte na radiografia. É a espondilite ancilosante clássica, e o documento que a governa é a Portaria Conjunta nº 25, de 22 de outubro de 2018, com dezessete páginas. A segunda é a artrite psoriásica: o paciente que já tem psoríase, ou tem história familiar dela, e desenvolve artrite periférica assimétrica, dactilite ou entesite. Seu documento é a Portaria Conjunta nº 37, de 21 de janeiro de 2026.

A separação parece limpa, e não é. A artrite psoriásica tem forma axial, e o protocolo de 2026 manda medi-la com o mesmo índice ASDAS que o protocolo da espondilite usa. Existe, portanto, um paciente real e comum cuja coluna inflamada pode ser encaminhada por qualquer um dos dois documentos, com regras de acesso diferentes.

Vale registrar uma frase do protocolo de 2018 que muda o modo de responder, e que a maioria dos candidatos nunca leu. Na seção de diagnóstico ele afirma que inexistem critérios diagnósticos para a espondilite ancilosante: o que existe são critérios de classificação, criados para selecionar pacientes homogêneos em estudo, e que apenas facilitam a identificação das características mais importantes. O diagnóstico permanece clínico. Quando o enunciado pergunta se determinado paciente pode ser diagnosticado apesar de não fechar Nova Iorque, a resposta que o documento sustenta é sim.

Lombalgia inflamatória: cinco atributos e o corte dos 40 anos

Todo o edifício começa aqui, e o protocolo de 2018 define lombalgia inflamatória em nota de rodapé do próprio quadro de critérios, com cinco atributos: dor lombar que melhora com exercícios, que não melhora com repouso, que ocorre predominantemente à noite, de início insidioso e com começo antes dos 40 anos.

Três desses atributos a vinheta sempre entrega, e dois ela costuma esconder. Melhora com exercício e piora com repouso é a assinatura que separa da lombalgia mecânica, em que a relação se inverte. O predomínio noturno vem na forma do despertar na segunda metade da noite. O início insidioso e o corte etário ficam implícitos, e é neles que a banca mexe para aumentar a dificuldade.

O corte de 40 anos merece atenção porque é idade de início dos sintomas, não idade do paciente na consulta. Um homem de 52 anos cuja dor começou aos 29 preenche o atributo; um homem de 33 cuja dor começou há seis meses, aos 32, também. A pegadinha é oferecer, num paciente de 48 anos com dor iniciada aos 46, o rótulo de espondiloartrite — e ali o atributo etário não está preenchido, ainda que os outros quatro estejam.

O outro número da definição é a duração mínima de três meses, que aparece no critério clínico propriamente dito: lombalgia inflamatória por três meses ou mais. Vinheta com seis semanas de dor não fecha o critério de Nova Iorque, por mais inflamatório que seja o padrão. Esse é um dos vãos que a prova explora com frequência, porque o candidato lê os cinco atributos, reconhece o padrão e esquece o relógio.

O protocolo ainda declara preferência pelos critérios da ASAS — a sociedade internacional de avaliação das espondiloartrites — sobre os de Nova Iorque, porque os primeiros incluem pacientes ainda sem dano estrutural e são mais úteis na doença inicial. Quem responde por Nova Iorque num enunciado de doença precoce, com radiografia normal, usa a régua que o próprio documento reserva à fase avançada.

Nova Iorque modificado: a célula que troca os planos de movimento

Os critérios modificados de Nova Iorque estão no Quadro 2 do protocolo de 2018, página 2, e se dividem em clínicos e radiográficos. Os clínicos são três: lombalgia inflamatória por três meses ou mais; limitação dos movimentos da coluna lombar; e expansibilidade torácica diminuída, definida como variação inferior a 2,5 cm da circunferência torácica inframamária entre inspiração e expiração máximas. Os radiográficos são dois: sacroiliíte bilateral graus 2 a 4 ou sacroiliíte unilateral graus 3 ou 4.

É no critério clínico do meio que o documento se contradiz. A célula da tabela diz, literalmente, que há limitação dos movimentos da coluna lombar nos planos sagital — dando como exemplo a média da variação bilateral dedo-chão inferior a 10 cm — e frontal, dando como exemplo o teste de Schober inferior a 5 cm.

Os dois exemplos estão trocados de plano, e quem prova isso é o próprio documento, duas notas de rodapé abaixo. A nota que define a manobra dedo-chão descreve medir a distância entre o terceiro quirodáctilo de cada mão e o chão, na posição ereta e em flexão lateral máxima para cada lado, calculando a média das variações. Flexão lateral é movimento do plano frontal. A nota que define o teste de Schober descreve a variação da distância mediana de 10 cm acima da quinta vértebra lombar à flexão do tronco com os membros inferiores estendidos. Flexão anterior do tronco é movimento do plano sagital.

Ou seja: o texto afirma duas vezes, nas suas próprias definições, exatamente o contrário do que a célula da tabela rotula. Os números estão certos e casados com as manobras certas — Schober abaixo de 5 cm e dedo-chão abaixo de 10 cm são os cortes consagrados. O que está invertido são apenas os nomes dos planos. E a inversão não é deslize de uma edição: ela aparece igual na edição de 2017, na de 2018 e no rascunho submetido a consulta pública em 2025.

Para a prova, isso se traduz numa regra prática simples e segura: Schober mede sagital, porque mede flexão para a frente; dedo-chão bilateral mede frontal, porque mede inclinação para os lados. Se o enunciado perguntar qual manobra avalia o plano sagital, a resposta clínica é Schober, e ela coincide com o que as notas de rodapé do protocolo descrevem — mesmo que a célula da tabela do mesmo protocolo diga outra coisa.

Falta a regra de aplicação, que quase ninguém decora: os critérios modificados de Nova Iorque exigem o critério radiográfico somado a pelo menos um critério clínico. Não bastam os três clínicos sem radiografia, e não basta a radiografia sozinha. Vinheta com sacroiliíte bilateral grau 2 e nenhum dado clínico não classifica.

A graduação da sacroiliíte, grau a grau

A nota de rodapé do quadro de critérios traz a escala completa de sacroiliíte na radiografia simples das articulações sacroilíacas, e ela é cobrada literalmente. Grau 0 é normal. Grau 1 são alterações suspeitas. Grau 2 são alterações mínimas: áreas localizadas e pequenas com erosão ou esclerose, sem alteração na largura da linha articular. Grau 3 são alterações inequívocas — sacroiliíte moderada ou avançada, com erosões, esclerose, alargamento, estreitamento ou anquilose parcial. Grau 4 é anquilose total.

O detalhe que decide questão está no grau 2: ele exige erosão ou esclerose sem modificação da largura do espaço articular. No momento em que a linha articular alarga ou estreita, o achado já é grau 3. Essa fronteira é o que separa um lado do outro na regra de classificação, e a regra é assimétrica de propósito.

Repare na assimetria: bilateral vale a partir do grau 2, unilateral só vale a partir do grau 3. A lógica é estatística, não anatômica — achado discreto e unilateral é frequente demais em população sem doença para carregar peso classificatório sozinho, enquanto o mesmo achado discreto, quando simétrico nas duas articulações, ganha especificidade. Uma sacroiliíte unilateral grau 2 não preenche critério radiográfico nenhum, e é exatamente esse o distrator que aparece nas questões de imagem.

Vale um alerta de calibração: essa escala é de radiografia simples. A ressonância magnética, que detecta edema ósseo subcondral antes de qualquer erosão, entra pelos critérios da ASAS, feitos para capturar a fase não radiográfica. Aplicar graus de 0 a 4 a um laudo de ressonância é erro de instrumento.

O 4 do BASDAI, o 2,1 do ASDAS e o paciente que fica fora dos dois ramos

Medida a doença, é preciso dizer se ela está ativa. O protocolo de 2018 oferece dois instrumentos. O BASDAI é um questionário de seis perguntas numa escala de 0 a 10, e o texto afirma que escore igual ou superior a 4 indica doença ativa. O ASDAS combina itens clínicos com proteína C reativa ou velocidade de hemossedimentação, precisa de calculadora e tem três cortes que separam os estados: 1,3, 2,1 e 3,5.

Para resposta terapêutica, o documento fixa números distintos e é importante não misturá-los. No BASDAI, considera-se resposta a redução de pelo menos 50% ou de 2 pontos absolutos, num período mínimo de 12 semanas. No ASDAS, redução de pelo menos 1,1 ponto representa melhora clinicamente relevante e redução de pelo menos 2 pontos, melhora significativa.

Agora o vão. A cascata de tratamento, na seção 7.4, manda decidir assim: se o escore ASDAS for menor que 2,1 ou o BASDAI menor que 4, tratamento sintomático com anti-inflamatório e medidas não medicamentosas; se o ASDAS for maior que 2,1 ou o BASDAI maior que 4, prescrever anti-inflamatório conforme os esquemas. Os dois ramos usam desigualdade estrita. O paciente cujo BASDAI dá exatamente 4, ou cujo ASDAS dá exatamente 2,1, não está em nenhum dos dois.

E o mesmo documento já havia dito, páginas antes, que escore igual ou superior a 4 indica doença ativa. Quer dizer: o texto declara ativo justamente o paciente que a cascata deixa sem ramo. Não é ambiguidade teórica — BASDAI 4 exato é resultado comum, porque o índice é média de valores inteiros e meios. A leitura que sobrevive à contradição é a do parágrafo de definição: BASDAI 4 é doença ativa, e doença ativa recebe anti-inflamatório.

Há um segundo vão, menos visível, na definição de falha. No fluxo da doença axial, a nota de rodapé define falha como ausência de redução de pelo menos 1,1 ponto no ASDAS ou ausência de redução de pelo menos 50% ou 2 pontos absolutos no BASDAI. No fluxo da doença periférica, uma página adiante, a nota correspondente define falha apenas como ausência de redução de pelo menos 1,1 ponto no ASDAS — o BASDAI desapareceu. O mesmo documento, a mesma palavra, duas definições, e a versão periférica exclui o instrumento mais usado na prática assistencial brasileira.

Os três meses de anti-inflamatório, e a conta que não fecha em nenhuma ponta

Esta é a passagem mais cobrada do protocolo, e a que mais rende erro. Para a lombalgia inflamatória e a entesite, a sequência de 2018 é: implementar medidas não medicamentosas; prescrever anti-inflamatório; se houver falha com um anti-inflamatório em dose adequada por 1 mês, substituí-lo por outro; e se houver falha com dois anti-inflamatórios diferentes em doses adequadas por 3 meses no total (1 a 2 meses com o primeiro e 1 a 2 meses com o segundo), considerar anti-TNF.

Leia a aritmética do parêntese. Se cada anti-inflamatório dura de 1 a 2 meses, o total possível vai de 2 meses (1 mais 1) a 4 meses (2 mais 2). O documento declara o total como 3 meses. A conta só fecha na combinação do meio — 1 mais 2, ou 2 mais 1. Ela falha nas duas pontas do próprio intervalo que o documento acabou de escrever, o que é raro: normalmente esse tipo de erro fecha em uma ponta e não na outra.

Há ainda um segundo choque, na mesma página. O item anterior diz que a substituição se faz após falha por 1 mês com o primeiro anti-inflamatório. O parêntese diz 1 a 2 meses com o primeiro. São duas regras para o mesmo fármaco no mesmo fluxo, separadas por três linhas de texto.

Nada disso é deslize de uma edição descuidada. A frase inteira — o total de três meses e o parêntese com as duas janelas de 1 a 2 meses — atravessou palavra por palavra da Portaria Conjunta nº 7, de 2017, para a Portaria Conjunta nº 25, de 2018, e aparece três vezes dentro do documento de 2018: uma no fluxo axial e duas no fluxo periférico. É texto que foi lido, aprovado e republicado por duas administrações.

Para a prova, o número exigível é o do documento em vigor: três meses no total, com dois anti-inflamatórios diferentes, antes do anti-TNF na doença axial. A recomendação internacional da ASAS trabalha com quatro semanas de dois anti-inflamatórios, e esse é o ponto em que a régua nacional e a internacional se afastam mais nesta doença. Enunciado que cita o protocolo brasileiro, ou que descreve paciente do Sistema Único de Saúde pedindo autorização de biológico, cobra os três meses.

O fluxo da doença periférica é mais longo e tem um degrau a mais. Começa com medidas não medicamentosas e infiltração intra-articular de glicocorticoide, considerada sempre; se houver falha da infiltração, anti-inflamatório; se persistir a falha com anti-inflamatório por 1 mês, trocar de anti-inflamatório; se persistir com dois anti-inflamatórios pelos mesmos três meses no total, entra sulfassalazina — com metotrexato reservado à contraindicação da sulfassalazina, e não como alternativa de primeira escolha. Só depois de 6 meses de sulfassalazina ou metotrexato em dose adequada é que se considera anti-TNF. Somando: a doença periférica exige cerca de nove meses de escada antes do biológico, contra três da doença axial.

Quatro barras horizontais, cada uma somando dois anti-inflamatórios de 1 ou 2 meses, medidas contra uma linha vertical no mês 3, o total declarado pelo protocolo. A barra de 1 mais 1 termina em 2 meses, aquém da linha; as de 1 mais 2 e de 2 mais 1 terminam exatamente sobre ela; a de 2 mais 2 termina em 4 meses, além dela. Uma marca no mês 1 registra a outra regra do mesmo fluxo, que manda trocar de anti-inflamatório após falha de 1 mês, e um triângulo no mesmo ponto marca as quatro semanas da régua internacional.
As duas janelas de 1 a 2 meses que o protocolo escreve produzem totais de 2 a 4 meses, e o total de 3 meses que ele declara só fecha nas combinações do meio: falha nas duas pontas do próprio intervalo.

CASPAR: por que psoríase atual, sozinha, não classifica ninguém

O protocolo da artrite psoriásica adota os critérios CASPAR como critério de inclusão, e a estrutura é de duas camadas. Primeiro, uma exigência de porta: o paciente precisa ter doença inflamatória articular — periférica, axial ou entesítica. Depois, e somando-se a essa exigência, precisa alcançar três ou mais pontos nas categorias do Quadro 1.

As categorias e seus pesos: psoríase atual vale 2 pontos, avaliada por reumatologista ou dermatologista; história pessoal de psoríase, 1; história familiar de psoríase em parente de primeiro ou segundo grau, 1; distrofia ungueal psoriásica típica observada no exame físico atual, 1; fator reumatoide negativo, 1; história de dactilite ou dactilite atual registrada por reumatologista, 1; e formação óssea justa-articular à radiografia simples de mãos ou pés, 1. O total máximo é 8.

Daí sai o erro mais caro do tema. Psoríase atual pontua 2, e 2 é menos que 3. O paciente com placas psoriásicas evidentes e artrite não classifica pelo CASPAR — falta-lhe um ponto. Precisa de mais alguma coisa: fator reumatoide negativo, uma unha com distrofia, um dedo em salsicha, um parente com psoríase, uma neoformação óssea na radiografia. Na prática o ponto quase sempre aparece, porque o fator reumatoide negativo é regra no grupo. Mas a questão que descreve psoríase e artrite e pergunta se está classificado, sem dar mais nada, tem resposta negativa.

Repare que psoríase atual e história pessoal de psoríase não somam: são categorias alternativas para o mesmo fato, e quem tem lesão hoje pontua 2, não 3. Repare também que a história familiar exige parentesco de primeiro ou segundo grau — primo não conta — e que a dactilite pode ser atual ou histórica, desde que registrada por reumatologista.

Sobre a acurácia, o documento repete em todas as três edições a mesma linha: sensibilidade variando de 98,2% a 99,7% e especificidade de 99,1%, com fonte adaptada de Taylor e colaboradores, de 2006. É número que atravessou 2018, 2020 e 2026 sem uma vírgula de diferença. Vale saber que critérios de classificação, por construção, são desenhados para privilegiar especificidade sobre sensibilidade — selecionam pacientes homogêneos, não rastreiam população —, e que uma sensibilidade acima da especificidade é leitura incomum para esse tipo de instrumento.

O protocolo de 2026 troca também os instrumentos de atividade, e isso é novidade cobrável. Passa a preconizar DAPSA para a artrite periférica, ASDAS para a artrite axial, LEI para entesites, PASI para o componente cutâneo e MDA como alvo terapêutico a ser atingido. E muda a grafia do nome: as edições de 2018 e 2020 dizem artrite psoríaca; a de 2026 diz artrite psoriásica.

Dois protocolos, uma coluna: três meses contra quatro semanas

Junte agora as duas réguas. Para chegar ao biológico na doença axial governada pelo protocolo da espondilite ancilosante, o paciente precisa falhar a dois anti-inflamatórios ao longo de três meses no total. Para chegar ao biológico de primeira linha no protocolo da artrite psoriásica, o texto de 2026 exige anti-inflamatório e, se necessário, o seu uso por pelo menos quatro semanas.

São duas normas federais, ambas em vigor, ambas assinadas em portaria conjunta, ambas cobrindo inflamação axial — e o intervalo exigido difere por um fator próximo de três. O paciente com componente axial de artrite psoriásica alcança o biológico em um mês; o paciente com o mesmo fenótipo axial rotulado como espondilite ancilosante espera três.

Não se trata de duas doenças com biologia distinta o bastante para justificar a diferença: o próprio protocolo de 2026 usa o ASDAS, índice nascido na espondilite ancilosante, para medir o componente axial da artrite psoriásica. O que difere é a data em que cada documento foi escrito e a literatura que cada um incorporou — 2018 de um lado, 2026 do outro.

Para responder questão, identifique qual protocolo o enunciado invoca. Vinheta com psoríase, dactilite ou distrofia ungueal cai na régua de 2026, e o número é quatro semanas. Vinheta com lombalgia inflamatória, sacroiliíte radiográfica e HLA-B27, sem pele, cai na de 2018, e o número é três meses. Enunciado que diz apenas espondiloartrite axial, sem nomear norma, é ambíguo por construção.

A escada de medicamentos da artrite psoriásica também é mais rica. Além dos sintéticos — metotrexato, sulfassalazina e leflunomida — e dos anti-TNF de primeira linha, o protocolo de 2026 organiza uma segunda linha com certolizumabe pegol, secuquinumabe, ixequizumabe e tofacitinibe, este último um inibidor de Janus quinases de uso oral, que dispensa refrigeração. O protocolo da espondilite, de 2018, não conhece tofacitinibe nem ixequizumabe: sua única saída além dos anti-TNF é o secuquinumabe, após falha ou hipersensibilidade a anti-TNF em dose adequada por 6 meses.

Prevalência: o número brasileiro que perdeu o denominador

A epidemiologia dessas doenças rende questão de saúde coletiva, e rende também um exercício de leitura crítica que vale por si. O protocolo da artrite psoriásica de 2026 diz, em sequência, três coisas. Que a prevalência global da doença atinge de 0,3% a 1,0% da população. Que entre pessoas com psoríase a prevalência sobe, variando de 6% a 41%. E que estudos brasileiros apontam a artrite psoriásica como a segunda espondiloartrite mais frequente no País, com uma prevalência de 13,7%, sendo superior a 33% na população previamente acometida com psoríase.

A terceira afirmação não sobrevive à segunda. Se a prevalência global é de 0,3% a 1,0% da população, uma prevalência brasileira de 13,7% da população seria de 14 a 46 vezes o valor mundial. Aplicando o número ao censo de 2022, com 203.080.756 habitantes, 13,7% dariam cerca de 27,8 milhões de brasileiros com artrite psoriásica. Pela faixa que o próprio documento declara duas frases antes, seriam de 609 mil a 2,03 milhões.

O que aconteceu é uma troca de denominador na cópia. Os 13,7% são a fatia da artrite psoriásica entre os casos de espondiloartrite registrados em coorte brasileira — daí a frase começar dizendo que ela é a segunda espondiloartrite mais frequente. Ao ser transportada para o texto, a porcentagem manteve-se e o denominador virou o País.

O contraste é instrutivo, porque o número vizinho resiste. Os mais de 33% entre pessoas com psoríase caem confortavelmente dentro da faixa de 6% a 41% que a frase anterior declara. Um dos dois números brasileiros está calibrado com o resto do parágrafo, e o outro não. Quem lê os dois juntos identifica qual é qual sem precisar de fonte externa.

O rascunho de 2025 da espondiloartrite axial faz coisa parecida em escala menor, e com honestidade maior. Abre dizendo que a doença acomete de 0,1% a 1,5% da população, e depois traz revisão sistemática de 36 estudos com prevalência média de 23,8 por 10 mil e estimativas ponderadas de 18,6 para a Europa, 18,0 para a Ásia e 12,2 por 10 mil para a América Latina. Convertendo: a média global é 0,238% e a latino-americana, 0,122% — o teto de 1,5% da abertura é cerca de doze vezes a estimativa da própria região do leitor. A faixa cabe porque é larga demais para não caber. Aplicado ao censo de 2022, o número latino-americano corresponde a cerca de 248 mil brasileiros, e a estimativa sul-americana de 0,14% que o mesmo documento cita, a cerca de 284 mil — ordens de grandeza compatíveis entre si e muito abaixo do teto declarado.

O que muda no rascunho de 2025 — e o que ainda não mudou

Em fevereiro de 2025 a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias submeteu a consulta pública, sob o número 13, um relatório preliminar de 82 páginas que reescreve o protocolo da espondilite ancilosante. A primeira mudança está no nome: o documento passa a chamar-se Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Espondiloartrite Axial, abandonando o rótulo que privilegiava a fase com dano radiográfico já estabelecido.

A segunda mudança é a que interessa à conduta. Onde o texto de 2018 exigia três meses no total com dois anti-inflamatórios, o rascunho de 2025 passa a exigir dois anti-inflamatórios diferentes em doses adequadas por pelo menos quatro semanas. A alteração aparece em todos os pontos do fluxo — na indicação de anti-TNF na doença axial, na entrada de sulfassalazina e metotrexato, e na doença periférica. É o alinhamento tanto com a recomendação internacional quanto com a régua que o protocolo da artrite psoriásica já usava.

O rascunho também amplia a caixa de instrumentos — BASDAI, BASFI, ASDAS, Schober modificado, occipúcio-parede, rotação cervical e expansibilidade torácica — e incorpora ixequizumabe e tofacitinibe, que o texto de 2018 desconhecia.

O que não mudou é o que importa para responder prova hoje. Enquanto não houver portaria conjunta aprovando o novo protocolo, a norma exigível continua sendo a Portaria Conjunta nº 25, de 22 de outubro de 2018, com seus três meses. O próprio rodapé do relatório declara que se trata de versão preliminar, sujeita a alteração após a consulta pública. Banca que cita protocolo do Ministério da Saúde em prova aplicada antes da publicação da nova portaria está cobrando o documento de 2018.

Um último cuidado, sobre reproduções estaduais. A versão do protocolo de 2018 publicada por secretaria estadual de saúde renumera os apêndices em relação ao arquivo federal — o que o texto federal chama de Apêndice 2, a reprodução chama de Apêndice 3, e vice-versa — e, no fluxo da doença periférica, empilha duas regras contraditórias: mantém a linha da edição revogada de 2017, segundo a qual a falha ao anti-TNF em 6 meses leva à substituição por outro anti-TNF, e acrescenta logo abaixo a linha de 2018, segundo a qual a falha ou hipersensibilidade ao anti-TNF em 6 meses leva à substituição por outro anti-TNF ou secuquinumabe. Quem lê o documento estadual em ordem para na regra antiga, que é a mais restritiva, e perde o secuquinumabe. O arquivo federal traz apenas a segunda.

Vale registrar, em favor dos dois documentos, que eles declaram os próprios limites onde muitos calam. O rascunho de 2025 afirma que as estimativas brasileiras de prevalência da doença são limitadas e classifica como de certeza baixa a evidência apoiada apenas em estudos observacionais. O protocolo da artrite psoriásica de 2026 registra, duas vezes, que ainda há poucas evidências do benefício do tofacitinibe para pacientes com a forma axial — sobre um fármaco que ele mesmo lista e financia. E o protocolo de 2018 reproduz meta-análise em que o infliximabe biossimilar não mostrou diferença estatisticamente significativa de eficácia ou segurança frente a adalimumabe, etanercepte, golimumabe e infliximabe de referência: resultado nulo publicado dentro da norma, sem maquiagem.

04

As réguas, lado a lado

Quatro tabelas com o que cada documento federal imprime: os critérios de classificação com seus centímetros e graus, os índices de atividade com seus cortes, a escada de medicamentos com as doses, e o confronto direto entre os dois protocolos em vigor.

  1. 1Reconhecer o padrão inflamatório: dor lombar que melhora com exercício, não melhora com repouso, predomina à noite, de início insidioso, começada antes dos 40 anos, com três meses ou mais de duração.
  2. 2Escolher o critério: doença inicial sem dano radiográfico pede critérios da ASAS; doença com alteração radiográfica já estabelecida admite Nova Iorque modificado. O protocolo declara preferência atual pelos da ASAS.
  3. 3Aplicar Nova Iorque, quando for o caso: critério radiográfico obrigatório (sacroiliíte bilateral graus 2 a 4, ou unilateral graus 3 ou 4) somado a pelo menos um critério clínico.
  4. 4Se há psoríase, história pessoal ou familiar dela, dactilite ou distrofia ungueal, testar CASPAR: doença inflamatória articular mais três ou mais pontos. Psoríase atual sozinha dá 2 e não fecha.
  5. 5Medir atividade: BASDAI igual ou superior a 4 numa escala de 0 a 10 indica doença ativa; ASDAS separa estados nos cortes 1,3, 2,1 e 3,5.
  6. 6Tratar pela cascata do protocolo correspondente: doença axial pela Portaria Conjunta nº 25 de 2018 (três meses de anti-inflamatório antes do anti-TNF); artrite psoriásica pela Portaria Conjunta nº 37 de 2026 (quatro semanas antes do biológico de primeira linha).
  7. 7Antes de qualquer anti-TNF: investigar tuberculose latente com teste tuberculínico e radiografia de tórax, hepatites B e C e infecção pelo vírus da imunodeficiência humana. Vacinas de vírus vivos ficam contraindicadas durante o uso.
  8. 8Reavaliar resposta: no BASDAI, redução de pelo menos 50% ou 2 pontos absolutos, em período mínimo de 12 semanas; no ASDAS, redução de pelo menos 1,1 ponto. Monitorização laboratorial trimestral com hemograma, plaquetas e transaminases.

Critérios modificados de Nova Iorque, como o protocolo de 2018 os imprime

GrupoCritérioNúmero exigidoObservação
ClínicoLombalgia inflamatória3 meses ou mais de duraçãoMelhora com exercício, não com repouso; predomínio noturno; início insidioso; antes dos 40 anos
ClínicoLimitação da coluna lombar no plano sagitalTeste de Schober inferior a 5 cmA tabela do protocolo rotula esta manobra como frontal; a nota de rodapé a define como flexão do tronco, que é sagital
ClínicoLimitação da coluna lombar no plano frontalMédia da variação bilateral dedo-chão inferior a 10 cmA tabela do protocolo rotula esta manobra como sagital; a nota de rodapé a define como flexão lateral máxima, que é frontal
ClínicoExpansibilidade torácica diminuídaInferior a 2,5 cmVariação da circunferência inframamária entre inspiração e expiração máximas
RadiográficoSacroiliíte bilateralGraus 2 a 4Grau 2 é erosão ou esclerose sem alteração da largura da linha articular
RadiográficoSacroiliíte unilateralGraus 3 ou 4Unilateral grau 2 não preenche critério radiográfico
Regra de aplicaçãoCombinação exigidaCritério radiográfico mais pelo menos um clínicoClínicos isolados não classificam; radiografia isolada tampouco

Índices de atividade e de resposta na doença axial

ÍndiceCorte de doença ativaResposta ao tratamentoPrazo mínimo
BASDAI (0 a 10)Igual ou superior a 4Redução de pelo menos 50% ou de 2 pontos absolutos12 semanas
ASDASCortes de estado em 1,3, 2,1 e 3,5Redução de pelo menos 1,1 ponto é melhora relevante; 2 pontos, melhora significativaNão fixado no texto
Cascata da seção 7.4Ramo sintomático: ASDAS menor que 2,1 ou BASDAI menor que 4Ramo com anti-inflamatório: ASDAS maior que 2,1 ou BASDAI maior que 4BASDAI exatamente 4 e ASDAS exatamente 2,1 não estão em nenhum dos dois ramos
Definição de falha, fluxo axialAusência de redução de 1,1 ponto no ASDAS ou de 50% ou 2 pontos no BASDAIContempla os dois instrumentosNota de rodapé do fluxo axial
Definição de falha, fluxo periféricoAusência de redução de 1,1 ponto no ASDAS apenasO BASDAI não apareceNota de rodapé do fluxo periférico, uma página adiante

CASPAR: doença inflamatória articular mais três ou mais pontos

CategoriaPontuaçãoDetalhe que a prova cobra
Psoríase atual2Avaliada por reumatologista ou dermatologista; sozinha não fecha, porque 2 é menos que 3
História pessoal de psoríase1Alternativa à anterior, não soma com ela
História familiar de psoríase1Parente de primeiro ou segundo grau
Distrofia ungueal psoriásica típica1Observada no exame físico atual
Fator reumatoide negativo1É o ponto que na prática completa o escore da maioria
História de dactilite ou dactilite atual1Registrada por reumatologista; vale a histórica
Formação óssea justa-articular1Radiografia simples de mãos ou pés
Total possível8Ponto de corte em 3, somado à exigência de porta

Os dois protocolos federais em vigor, confrontados

ItemEspondilite ancilosante (PC nº 25, de 2018)Artrite psoriásica (PC nº 37, de 2026)
Critério de inclusãoNova Iorque modificado ou critérios da ASAS, com doença em atividadeCASPAR
Índice da forma axialBASDAI ou ASDASASDAS
Índice da forma periféricaNão especifica índice próprioDAPSA
EntesiteAvaliada clinicamente e por imagemLeeds Enthesitis Index
Anti-inflamatório antes do biológicoDois, por 3 meses no totalPelo menos 4 semanas
Sintéticos disponíveisSulfassalazina; metotrexato na contraindicação delaMetotrexato, sulfassalazina, leflunomida
Biológicos de primeira linhaAdalimumabe, etanercepte, infliximabe, golimumabe, certolizumabeAdalimumabe, etanercepte, golimumabe, infliximabe
Alternativa após falha de anti-TNFOutro anti-TNF ou secuquinumabeOutro anti-TNF de primeira linha, ou certolizumabe, secuquinumabe, ixequizumabe ou tofacitinibe
Inibidor de Janus quinasesNão previstoTofacitinibe, por via oral, sem necessidade de refrigeração

Esquemas de administração dos biológicos na espondilite ancilosante

FármacoDose e viaIntervalo
Adalimumabe40 mg, subcutâneoA cada 2 semanas
Etanercepte50 mg, subcutâneoA cada semana
Infliximabe5 mg/kg, intravenosoSemanas 0, 2 e 6; depois a cada 8 semanas
Golimumabe50 mg, subcutâneoA cada 4 semanas; aprovado apenas para adultos
Certolizumabe pegolIndução de 400 mg (duas aplicações de 200 mg) nas semanas 0, 2 e 4Depois 200 mg a cada 2 semanas ou 400 mg a cada 4 semanas
Secuquinumabe150 mg, subcutâneo, nas semanas 0, 1, 2, 3 e 4Manutenção a cada 4 semanas; aprovado apenas para adultos

O critério radiográfico de Nova Iorque é obrigatório: sem sacroiliíte na radiografia simples não há classificação por esse conjunto, por mais completo que esteja o quadro clínico. Para o paciente sem dano radiográfico existem os critérios da ASAS, que o próprio protocolo declara preferíveis na doença inicial.

A assimetria entre bilateral grau 2 e unilateral grau 3 é intencional. Achado discreto e unilateral é frequente demais em população sem doença; o mesmo achado, simétrico, ganha especificidade.

Os graus de sacroiliíte valem para radiografia simples. Ressonância magnética com edema ósseo subcondral não se gradua nessa escala: ela entra pelos critérios da ASAS.

Na doença periférica da espondilite, a sulfassalazina é a escolha preferencial e o metotrexato é reservado à contraindicação dela. Inverter essa ordem é erro clássico de conduta em prova de perfil do Sistema Único de Saúde.

Antes do primeiro anti-TNF, investigar tuberculose latente com teste tuberculínico e radiografia de tórax, hepatites virais B e C e infecção pelo vírus da imunodeficiência humana. Não há necessidade de repetir o HLA-B27 durante o acompanhamento.

A monitorização laboratorial trimestral prevista no protocolo de 2018 inclui hemograma, contagem de plaquetas e transaminases, colhidos também antes do início do tratamento.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Quanto tempo de anti-inflamatório precede o anti-TNF na espondiloartrite axial?

Três meses no total, com dois anti-inflamatórios diferentes

O fluxo da lombalgia inflamatória e da entesite manda considerar anti-TNF após falha com dois anti-inflamatórios diferentes em doses adequadas por três meses no total, detalhando entre parênteses de um a dois meses com o primeiro e de um a dois meses com o segundo. A mesma redação aparece três vezes no documento e veio inalterada da edição anterior.

Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Espondilite Ancilosante, Portaria Conjunta nº 25, de 22 de outubro de 2018, seção 7.4 (páginas 5 e 6). Redação idêntica na Portaria Conjunta nº 7, de 17 de julho de 2017.

Pelo menos quatro semanas

O relatório preliminar submetido a consulta pública substitui o intervalo de três meses por dois anti-inflamatórios diferentes em doses adequadas por pelo menos quatro semanas, e aplica a mesma janela à entrada de sulfassalazina, de metotrexato e ao fluxo da doença periférica. O protocolo da artrite psoriásica já trabalhava com quatro semanas antes disso.

Relatório preliminar do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Espondiloartrite Axial, Consulta Pública nº 13, fevereiro de 2025, páginas 11, 20 e 22; e Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Artrite Psoriásica, Portaria Conjunta nº 37, de 21 de janeiro de 2026.

Na prova

O desempate é a data e o documento. Enquanto não houver portaria conjunta publicando o novo protocolo, a norma exigível é a de 2018, e enunciado que invoque protocolo do Ministério da Saúde para espondilite ancilosante cobra os três meses. Se o comando citar a artrite psoriásica, ou descrever paciente com psoríase e dactilite, a janela é de quatro semanas — e aí três meses vira o distrator. Enunciado que fale apenas em espondiloartrite axial, sem nomear norma nem trazer pele, é ambíguo por construção: procure no comando a citação do documento.

Qual manobra avalia o plano sagital da coluna lombar?

Schober — é flexão anterior do tronco

A nota de rodapé que define o teste descreve a variação da distância mediana de 10 cm acima da quinta vértebra lombar à flexão do tronco com os membros inferiores estendidos. Flexão anterior do tronco ocorre no plano sagital. Pela mesma lógica, a manobra dedo-chão bilateral, definida como flexão lateral máxima para cada lado, mede o plano frontal.

Notas de rodapé b e c do Quadro 2 do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Espondilite Ancilosante, Portaria Conjunta nº 25, de 22 de outubro de 2018, página 2.

Dedo-chão — é o que a célula da tabela rotula como sagital

A célula do critério clínico afirma limitação dos movimentos da coluna lombar nos planos sagital, exemplificando com média da variação bilateral dedo-chão inferior a 10 cm, e frontal, exemplificando com teste de Schober inferior a 5 cm. Essa atribuição atravessou as edições de 2017 e de 2018 e o rascunho de 2025 sem correção.

Quadro 2 do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Espondilite Ancilosante, Portaria Conjunta nº 25, de 22 de outubro de 2018, página 2; texto idêntico na Portaria Conjunta nº 7, de 2017, e no relatório preliminar de fevereiro de 2025.

Na prova

Aqui as duas posições estão dentro do mesmo documento, e a nota de rodapé descreve o movimento enquanto a célula apenas o rotula. Questão de semiologia que pergunte qual manobra mede flexão anterior tem resposta única, e é Schober. O risco aparece quando o enunciado transcreve a tabela literalmente: nesse caso o comando está reproduzindo o rótulo, não a manobra, e convém ler se a pergunta é sobre o texto da norma ou sobre o movimento avaliado.

O paciente com BASDAI exatamente 4 tem doença ativa?

Sim — o texto define ativo como igual ou superior a 4

A seção que apresenta o índice afirma que escore igual ou superior a 4, numa escala de 0 a 10, indica doença ativa. É a definição explícita do documento, e inclui o valor 4.

Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Espondilite Ancilosante, Portaria Conjunta nº 25, de 22 de outubro de 2018, seção de avaliação de atividade, página 3.

A cascata de tratamento não o contempla

O fluxo terapêutico usa desigualdades estritas nos dois ramos: escore ASDAS menor que 2,1 ou BASDAI menor que 4 leva ao tratamento sintomático; ASDAS maior que 2,1 ou BASDAI maior que 4 leva ao anti-inflamatório. O valor 4 exato, e o valor 2,1 exato, não estão em nenhum dos dois ramos.

Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Espondilite Ancilosante, Portaria Conjunta nº 25, de 22 de outubro de 2018, seção 7.4, página 5.

Na prova

A leitura que sobrevive é a da definição, porque ela é afirmativa e a cascata é apenas operacional: BASDAI 4 é doença ativa e recebe anti-inflamatório. Em prova, o corte cobrado é sempre o da definição — igual ou superior a 4. Distrator frequente é oferecer 6 como limiar de atividade, confundindo com escalas de outras doenças, ou oferecer o corte de resposta (redução de 50% ou 2 pontos) como se fosse corte de atividade.

Após falha de anti-TNF na artrite periférica da espondilite, cabe secuquinumabe?

Sim — o arquivo federal prevê outro anti-TNF ou secuquinumabe

O texto federal encerra o fluxo da doença periférica dizendo que, havendo falha ou hipersensibilidade a anti-TNF em dose adequada por seis meses, deve-se considerar a substituição por outro anti-TNF ou por secuquinumabe. A mesma regra encerra o fluxo axial.

Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Espondilite Ancilosante, Portaria Conjunta nº 25, de 22 de outubro de 2018, seção 7.4, página 6, arquivo publicado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias.

A reprodução estadual mantém antes a regra de 2017, que prevê só outro anti-TNF

A versão do mesmo ato publicada por secretaria estadual empilha duas linhas no fluxo periférico: primeiro a redação da edição revogada, segundo a qual a falha ao anti-TNF em seis meses leva à substituição por outro anti-TNF, e só depois a redação de 2018 com a hipersensibilidade e o secuquinumabe. Quem lê em ordem para na primeira, que é a mais restritiva.

Reprodução da Portaria Conjunta nº 25, de 2018, publicada pela Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul, página 8; a redação isolada corresponde à Portaria Conjunta nº 7, de 17 de julho de 2017, reproduzida pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, página 7.

Na prova

A norma é federal e o texto que vale é o do ato publicado pela União: cabe secuquinumabe, tanto na forma axial quanto na periférica, após falha ou hipersensibilidade a anti-TNF por seis meses. Quando o enunciado citar documento de secretaria estadual, vale conferir se a alternativa restritiva não está copiando redação revogada. E note que a hipersensibilidade, e não apenas a falha, autoriza a troca — distrator comum é exigir falha comprovada por índice quando o paciente teve reação ao fármaco.

06

Caso resolvido

Homem de 28 anos, motorista de aplicativo, procura a unidade básica de saúde por dor lombar baixa e glútea alternante há dois anos. Descreve rigidez matinal de noventa minutos, despertar na segunda metade da noite pela dor, melhora clara quando começa a se movimentar e piora quando passa o dia sentado. Já teve um episódio de olho vermelho doloroso e fotofobia, tratado por oftalmologista, há três anos. Nega psoríase, nega diarreia crônica e nega história familiar de doença articular. Ao exame, expansibilidade torácica de 3 cm, teste de Schober com variação de 3,5 cm e média da variação bilateral dedo-chão de 12 cm. Traz radiografia de sacroilíacas com erosões e esclerose bilaterais, sem alargamento nem estreitamento da linha articular. Fator reumatoide negativo, proteína C reativa elevada, HLA-B27 positivo. Já usou ibuprofeno em dose plena por seis semanas, sem melhora sustentada.
Confirmar o padrão inflamatório antes de qualquer critério
A dor melhora com movimento e piora com repouso, predomina à noite, teve início insidioso e começou aos 26 anos — antes dos 40. Dura dois anos, muito acima dos três meses exigidos. Os cinco atributos e a duração estão preenchidos, e a uveíte anterior prévia é manifestação extra-articular do grupo, reforçando a hipótese.
Ler o exame físico pelo plano certo, não pelo rótulo da tabela
Schober de 3,5 cm está abaixo do corte de 5 cm: há limitação da flexão anterior, isto é, do plano sagital. A média dedo-chão de 12 cm está acima do corte de 10 cm, ou seja, o plano frontal não mostra limitação por esse parâmetro. A expansibilidade de 3 cm está acima do corte de 2,5 cm e, portanto, esse critério clínico não está preenchido.
Graduar a sacroiliíte e decidir o critério radiográfico
Erosões e esclerose bilaterais sem alteração da largura da linha articular correspondem a grau 2. Bilateral grau 2 satisfaz o critério radiográfico, que exige graus 2 a 4 quando bilateral. Se o mesmo achado fosse unilateral, não satisfaria — unilateral só a partir do grau 3.
Aplicar a regra de combinação de Nova Iorque
O critério radiográfico está presente e há pelo menos um critério clínico — a lombalgia inflamatória com três meses ou mais, e também a limitação da mobilidade lombar. A combinação exigida é radiográfico mais pelo menos um clínico, e ela está satisfeita. O paciente classifica como espondilite ancilosante.
Medir atividade antes de decidir conduta
Classificar não basta: o protocolo inclui quem tem doença axial ou periférica em atividade, e a atividade deve ser estabelecida preferencialmente por um dos índices. Com dor diária, rigidez de noventa minutos e proteína C reativa elevada, o BASDAI virá igual ou superior a 4, o que o próprio documento define como doença ativa. Registrar o índice é o que sustenta o pedido posterior de biológico.
Situar o paciente na cascata e não pular degrau
Ele usou um anti-inflamatório por seis semanas sem resposta. O protocolo manda substituir por outro anti-inflamatório após falha de um mês com o primeiro, e só considera anti-TNF após falha com dois fármacos diferentes por três meses no total. A conduta correta agora é trocar o ibuprofeno por outro anti-inflamatório, em dose adequada, e completar o tempo — não solicitar biológico.
Preparar o terreno para o degrau seguinte
Como o anti-TNF é o desfecho provável, o rastreio pode ser antecipado: teste tuberculínico e radiografia de tórax para tuberculose latente, sorologias para hepatites B e C e para o vírus da imunodeficiência humana. Somar exercício supervisionado e cessação de tabagismo, que é fator de mau prognóstico listado no documento, junto com acometimento de quadril, início jovem e provas inflamatórias persistentemente elevadas.
07

Agora feche você

Mulher de 42 anos, com psoríase em placas em cotovelos e couro cabeludo há dez anos, acompanhada em dermatologia, queixa-se de dor e edema no segundo e no terceiro dedos da mão direita há seis meses. Ao exame, os dois dedos estão difusamente edemaciados, do metacarpo à ponta, sem delimitação por articulação. As unhas das mãos mostram depressões puntiformes. Não há acometimento de interfalângicas proximais das outras mãos nem simetria. Fator reumatoide negativo. Radiografia de mãos sem neoformação óssea justa-articular. A paciente nunca usou medicação sistêmica para a pele e nunca tomou anti-inflamatório por período contínuo.
Nomear o achado dos dedos e dizer por que ele é decisivo
Complete: como se chama o edema difuso de todo o dedo, sem delimitação articular, e a qual grupo de doenças ele aponta? Em seguida, diga quantos pontos ele acrescenta no escore de classificação usado por este protocolo.
Somar o escore categoria por categoria
Complete a soma: psoríase atual, avaliada por especialista, vale quanto? A distrofia ungueal observada hoje vale quanto? O fator reumatoide negativo vale quanto? A dactilite vale quanto? A radiografia sem neoformação óssea contribui com quanto? Qual é o total e qual é o ponto de corte?
Verificar a exigência de porta, que não é pontuada
Complete: antes de somar pontos, o critério exige uma condição de entrada. Qual é ela, e esta paciente a preenche? Diga também por que psoríase atual e história pessoal de psoríase não podem ser somadas nesta vinheta.
Escolher o índice de atividade certo para este componente
Complete: o protocolo de 2026 preconiza instrumentos distintos por componente predominante. Qual índice se usa para a artrite periférica, qual para o componente axial, qual para entesites e qual para a pele? E qual é o alvo terapêutico declarado?
Definir o tempo de anti-inflamatório antes do biológico
Complete: por quanto tempo esta paciente precisa usar anti-inflamatório antes que o protocolo autorize o biológico de primeira linha? Compare esse prazo com o exigido pelo protocolo da espondilite ancilosante e diga por que os dois números diferem.
Prever o distrator que a banca vai oferecer
Complete: se a vinheta fosse idêntica mas sem a dactilite e sem a distrofia ungueal, o escore fecharia? Diga o total nesse cenário e qual seria a conduta correta em vez de rotular a paciente.
08

Onde a banca derruba

  1. 1Fechar CASPAR só com psoríase e artrite Vinheta: mulher de 42 anos com psoríase em placas há dez anos apresenta dor e edema no segundo e terceiro dedos da mão direita, com aspecto de dedo em salsicha. O aluno soma psoríase atual e conclui que o paciente está classificado. Psoríase atual vale 2 pontos, e o corte é 3. O que fecha o escore nessa vinheta é a dactilite, que acrescenta o terceiro ponto — e, na prática, o fator reumatoide negativo acrescentaria outro. O erro que o aluno marca é a alternativa que diz que a psoríase, por si, satisfaz o critério de inclusão.
  2. 2Aplicar a régua de quatro semanas ao paciente sem psoríase Vinheta: homem de 26 anos, entregador, com lombalgia inflamatória há oito meses, rigidez matinal de noventa minutos, HLA-B27 positivo e sacroiliíte bilateral grau 2, em uso de naproxeno há cinco semanas sem melhora. Pergunta-se a conduta. Quem responde pela literatura internacional autoriza o anti-TNF agora. O protocolo federal em vigor para essa apresentação exige dois anti-inflamatórios diferentes por três meses no total: falta trocar de anti-inflamatório e completar o tempo. O erro que o aluno marca é solicitar o biológico com cinco semanas de um único fármaco.
  3. 3Trocar metotrexato por sulfassalazina na artrite periférica da espondilite Vinheta: homem de 33 anos com espondilite ancilosante e oligoartrite de joelhos e tornozelos persistente após infiltração e dois anti-inflamatórios pelo tempo previsto. O reflexo trazido da artrite reumatoide é prescrever metotrexato. No protocolo da espondilite, a escolha preferencial na doença periférica é a sulfassalazina, e o metotrexato entra apenas quando há contraindicação a ela. O erro que o aluno marca é o metotrexato como primeira opção sintética.
  4. 4Classificar por sacroiliíte unilateral grau 2 Vinheta: radiografia de sacroilíacas descrita como erosão localizada à direita, sem alteração da largura da linha articular, articulação esquerda normal. O aluno vê erosão e conclui pelo critério radiográfico. Unilateral só vale a partir do grau 3; grau 2 vale apenas se bilateral. Um achado como esse não preenche critério radiográfico e, sem ele, Nova Iorque não classifica. O erro que o aluno marca é afirmar que o critério radiográfico está satisfeito.
  5. 5Graduar sacroiliíte de ressonância na escala de 0 a 4 Vinheta: mulher de 29 anos com lombalgia inflamatória de dois anos, radiografia de sacroilíacas normal e ressonância com edema ósseo subcondral bilateral. O aluno tenta enquadrar como grau 2. A escala de 0 a 4 é de radiografia simples; a ressonância dá entrada pelos critérios da ASAS, criados para a fase sem dano estrutural. O erro que o aluno marca é dizer que o quadro não é espondiloartrite por ter radiografia normal.
  6. 6Ler o corte etário como idade na consulta Vinheta: homem de 52 anos com dor lombar inflamatória iniciada aos 29, procura por piora recente. O aluno descarta o atributo etário porque o paciente tem 52 anos. O corte de 40 anos é de idade de início dos sintomas, não de idade atual. O erro que o aluno marca é afirmar que a lombalgia não preenche o padrão inflamatório por causa da idade do paciente.
  7. 7Confundir corte de atividade com corte de resposta Vinheta: paciente com BASDAI inicial de 7,2 cai para 4,8 após doze semanas de anti-inflamatório. Pergunta-se se houve resposta. O aluno olha o valor final, vê que ainda está acima de 4 e conclui que não houve. A régua de resposta é relativa: redução de pelo menos 50% ou de 2 pontos absolutos. Caiu 2,4 pontos, logo houve resposta, ainda que a doença permaneça ativa. O erro que o aluno marca é indicar anti-TNF por falha.
  8. 8Esquecer o rastreio antes do primeiro anti-TNF Vinheta: paciente com indicação formal de anti-TNF, escada cumprida, pergunta-se a conduta imediata. O aluno prescreve o adalimumabe. Antes do primeiro anti-TNF o protocolo exige investigar tuberculose latente com teste tuberculínico e radiografia de tórax, além de hepatites B e C e infecção pelo vírus da imunodeficiência humana. O erro que o aluno marca é iniciar o biológico sem o rastreio, ou repetir o HLA-B27, que o documento diz expressamente não ser necessário repetir.
  9. 9Somar psoríase atual e história pessoal de psoríase no CASPAR Vinheta: paciente com placas psoriásicas atuais e relato de psoríase desde a adolescência, com artrite de joelho. O aluno soma 2 mais 1 e chega a 3. As duas categorias são alternativas para o mesmo fato: quem tem lesão hoje pontua 2, e a história pessoal serve a quem não tem lesão no momento do exame. O erro que o aluno marca é dar o escore como fechado sem procurar um segundo achado independente.
  10. 10Aplicar Nova Iorque como se fosse critério diagnóstico Vinheta: paciente com quadro clínico típico, HLA-B27 positivo, radiografia normal, e o comando pergunta se é possível diagnosticar espondiloartrite. O aluno responde que não, porque não fecha Nova Iorque. O próprio protocolo afirma que inexistem critérios diagnósticos para a doença: o que existe são critérios de classificação, e o diagnóstico permanece clínico. O erro que o aluno marca é negar o diagnóstico por ausência de critério de classificação.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Lombalgia inflamatória em homem jovem, rigidez matinal prolongada, HLA-B27 positivo, Schober reduzido e sacroileíte bilateral definem espondilite anquilosante (correta). Hérnia de disco causa dor mecânica/radicular que piora com atividade, sem sacroileíte. Osteoporose com fratura é incomum nessa idade e gera dor mecânica aguda. Fibromialgia cursa com dor difusa e pontos dolorosos, sem sinais inflamatórios ou radiográficos. Espondilodiscite infecciosa teria febre, elevação intensa de provas inflamatórias e curso agudo/subagudo focal.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

Sorteando as questões…

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Plano de revisão

em 7 dias

Recite sem consultar: os cinco atributos da lombalgia inflamatória e o corte etário; a duração mínima de dor que entra no critério; a combinação exigida por Nova Iorque modificado; os graus de sacroiliíte que valem bilateral e unilateral; o corte de expansibilidade torácica; o corte de doença ativa no BASDAI e a régua de resposta; e o tempo de anti-inflamatório exigido antes do anti-TNF na espondilite ancilosante.

em 30 dias

Explique por que a célula do Quadro 2 do protocolo de 2018 rotula o teste de Schober como plano frontal enquanto a nota de rodapé do mesmo quadro o define como flexão do tronco. Depois, refaça a conta do parêntese dos três meses e diga em quais combinações de duração ela fecha. Por fim, diga qual dos dois números brasileiros de prevalência da artrite psoriásica é compatível com a faixa global declarada duas frases antes, e qual perdeu o denominador.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Ambulatório de clínica médica, consulta de retorno. Homem de 28 anos, motorista de aplicativo, volta com o resultado da radiografia de sacroilíacas e do HLA-B27, depois de seis semanas de anti-inflamatório sem melhora sustentada. Chega convencido de que tem hérnia de disco e de que vai precisar de cirurgia, porque foi o que leu na internet, e quer saber se pode continuar dirigindo. Explique o que a radiografia mostrou, por que o tratamento começa por outro anti-inflamatório e por exercício em vez de biológico, quanto tempo essa etapa costuma levar e por que parar de fumar entra na receita. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Espondiloartrites e artrite psoriásica – Espondiloartrites: dois protocolos federais para a mesma coluna — Preparatório para provas | OsceLabs