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Vasculites sistêmicas: o protocolo cobre duas, a prova cobra o resto
Reconhecer o fenótipo, confirmar com ANCA e biópsia quando possível, estratificar gravidade e induzir remissão sem atrasar o tratamento.
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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Mulher de 58 anos apresenta há 3 semanas cefaleia temporal nova, dor à palpação do couro cabeludo, claudicação de mandíbula e episódio de amaurose transitória no olho direito. Ao exame: PA 134x82 mmHg, FC 80 bpm; artéria temporal direita endurecida e dolorosa. Exames: VHS 92 mm/h, PCR muito elevada. Além de solicitar biópsia de artéria temporal, qual é a conduta imediata mais adequada?
Como esse tema cai
Vasculite é a palavra que a prova usa para separar quem estudou por doença de quem estudou por síndrome. O enunciado clássico entrega um paciente de meia-idade com sintomas constitucionais que duram semanas, alguma queixa de via aérea superior que já passou por dois otorrinolaringologistas, e um exame de urina que ninguém tinha pedido. Quando a creatinina aparece subindo e o sedimento vem ativo, a questão deixa de ser sobre sinusite e passa a ser sobre qual órgão está sendo perdido enquanto o candidato pensa.
Este capítulo trabalha o grupo que o Brasil regulamentou por escrito e as vizinhanças que a prova cobra junto. O eixo é a vasculite associada aos anticorpos anticitoplasma de neutrófilos, com as duas doenças que o protocolo federal cobre — granulomatose com poliangiite e poliangiite microscópica —, mais a terceira que a mesma norma nomeia na abertura e exclui na página seguinte. Em volta ficam as vasculites que aparecem nas alternativas de todo enunciado do tema: poliarterite nodosa, arterite de células gigantes, arterite de Takayasu e as crioglobulinêmicas.
O que se desenvolve aqui é o que separa uma da outra e o que cada documento manda fazer: o calibre do vaso, o padrão de acometimento por órgão, a sorologia que dá nome ao grupo, a biópsia que confirma, os dois escores que medem coisas diferentes com o mesmo intervalo de tempo, e a indução de remissão como está escrita na norma nacional e como está escrita na recomendação da sociedade de especialidade.
Fica de fora, com dono declarado nesta coleção. A vasculite por imunoglobulina A da criança, com a púrpura palpável de nádegas e a dor abdominal em cólica, é do capítulo de púrpura de Henoch-Schönlein da apostila de Hematologia Pediátrica, e é de lá que vêm os critérios formais e a escada terapêutica pediátrica. A doença de Kawasaki é da apostila de Infectologia Pediátrica. A arterite de células gigantes como cefaleia de alarme do paciente acima de cinquenta anos já é ensinada no capítulo de cefaleias secundárias da apostila de Neurologia, e aqui ela entra apenas onde muda a classificação por calibre de vaso.
Fica de fora também, com número devolvido ao vizinho. A investigação da síndrome nefrítica rapidamente progressiva pertence ao capítulo de síndrome nefrótica e síndrome nefrítica da apostila de Nefrologia, que já ensina o essencial — complemento normal aponta vasculite associada ao ANCA ou doença por anticorpo antimembrana basal, e a biópsia continua urgente. O que faltava lá e entra aqui é o desfecho: a doença renal terminal alcança cerca de 30% desses pacientes em cinco anos, mesmo com o tratamento moderno, e a positividade da biópsia depende de qual tecido foi puncionado.
O que muda decisão
A clínica: uma desce pelo ar, a outra sobe pelo rim
A granulomatose com poliangiite se apresenta de cima para baixo. O nariz produz crostas, rinorreia e epistaxe, e evolui para perfuração de septo e para o nariz em sela; some o olfato. Os seios da face inflamam e o osso erode. A boca traz úlceras e a gengiva em morango. O ouvido faz otite serosa ou purulenta e granuloma de ouvido médio, com perda auditiva neurossensorial. A região subglótica estenosa. A órbita ganha massa retro-orbitária, com proptose, diplopia, esclerite necrotizante e, no extremo, isquemia do nervo óptico.
Descendo, o pulmão dessa doença faz nódulos múltiplos e bilaterais que cavitam, infiltrados e hemorragia alveolar — e a norma registra o dado que muda a conduta de rastreio: um terço dos pacientes com acometimento pulmonar é assintomático. O rim faz glomerulonefrite necrosante segmentar e focal, extracapilar, pauci-imune. Completam o quadro artralgia e artrite, febre e perda de peso, neuropatia periférica ou craniana, paquimeningite hipertrófica, púrpura palpável com necrose digital, e miocardite ou pericardite.
A poliangiite microscópica se apresenta de dentro do rim para fora. O rim é o órgão mais acometido e a glomerulonefrite necrosante segmentar e focal costuma vir acompanhada. O pulmão participa de duas maneiras opostas: capilarite com hemorragia alveolar, que é aguda e mata, ou doença pulmonar intersticial, que é arrastada e cujo padrão mais comum é o de pneumonia intersticial usual. O trato gastrointestinal faz vasculite com dor, sangramento, angina mesentérica e perfuração. A pele faz púrpura palpável, nódulos, úlceras e livedo reticular. O nervo faz mononeurite múltipla e polineuropatia.
A frase que o avaliador gosta de cobrar por escrito está na norma: a poliangiite microscópica é a principal causa de síndrome pulmão-rim. Diante de hemoptise com creatinina subindo, ela abre a lista do grupo, seguida pela granulomatose — e o diferencial que não pode faltar é a doença por anticorpo antimembrana basal glomerular, ao lado de lúpus, síndrome antifosfolípide e leptospirose.
O anticorpo que dá nome à doença e que a norma diz não ter
A classificação sorológica separa os que reagem contra a proteinase 3 dos que reagem contra a mieloperoxidase. Na prática de prova, a primeira especificidade acompanha a granulomatose e a segunda acompanha a poliangiite microscópica, com sobreposição suficiente para que nenhuma das duas feche diagnóstico sozinha. A norma reconhece que a apresentação clínica típica de vasculite de pequenos vasos somada a essa sorologia pode apoiar o diagnóstico mesmo sem histologia — e, na frase seguinte, diz que esses exames não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde e não são preconizados por ela.
A mesma norma volta ao assunto na seção de monitoramento, com o veredito invertido. Ali, a pesquisa por imunofluorescência indireta ou por ensaio de fase sólida é descrita como útil para estimar risco de recidiva quando o anticorpo persiste positivo ao fim da indução, quando volta a positivar, ou quando o título dobra. E fecha, de novo, dizendo que esses exames não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde. O mesmo teste é rejeitado numa seção e recomendado na outra, com a mesma justificativa de indisponibilidade nas duas.
O calendário explica o desencontro e vale como aula sobre o sistema. O teste para proteinase 3 tem registro na Anvisa desde 16 de janeiro de 2023; o de mieloperoxidase, desde 5 de agosto de 2024 — 567 dias depois. O protocolo foi assinado em 1º de julho de 2025, quase onze meses após o segundo registro, e ainda assim declarou os dois indisponíveis. Em outubro de 2025 o comitê competente da Conitec recomendou por unanimidade a incorporação dos dois ensaios, a pedido da própria secretaria do ministério e em razão da atualização do protocolo.
A lição transferível é que registro sanitário não é incorporação: aprovação da agência significa que o produto pode ser vendido no país, não que o sistema público o oferece. E o relatório que recomendou a incorporação registra, com honestidade que a prova raramente reproduz, que nenhum estudo comparou os ensaios com a biópsia renal ou pulmonar — o que existe é desempenho medido em pacientes já diagnosticados, com especificidade acima de 95%.
Duas armadilhas sorológicas fecham a seção, e ambas estão escritas na norma. A endocardite bacteriana subaguda simula vasculite associada ao ANCA, inclusive com sorologia falso-positiva — tratar essa como aquela é imunossuprimir quem tem bacteriemia. E o usuário de cocaína adulterada com levamisol faz lesões de linha média e púrpura retiforme, com falso-positivo para o anticorpo e para as duas especificidades.
A biópsia é padrão-ouro e é o que muitos pacientes não podem fazer
Os critérios de inclusão do protocolo pedem diagnóstico clínico e histopatológico — a conjunção é aditiva, não alternativa. Na seção diagnóstica, a positividade da biópsia do órgão acometido é descrita como altamente indicativa e tratada como critério padrão-ouro, com a biópsia renal cumprindo ainda o papel de separar atividade de dano permanente e de estimar prognóstico, pela classificação de Berden e pelo escore de risco renal.
Duas páginas depois, a mesma norma desmonta a exigência que acabou de fazer. Reconhece que a biópsia pode não ser viável quando o tecido é inacessível, como na massa retro-orbitária, ou quando o procedimento é arriscado, como no paciente anticoagulado. E publica os números que decidem: a biópsia de via aérea superior tem 30% de positividade e a transbrônquica, 12%. Recalculando pelo complemento, isso significa que a via aérea superior devolve resultado negativo em 70% das vezes e a transbrônquica em 88% — em pacientes que têm a doença.
A norma fecha as duas portas de confirmação e mantém aberta apenas a mais invasiva — e é por isso que a frase de salvação, também dela, precisa ser decorada: o início do tratamento não deve ser adiado pela espera do resultado histológico. Fica registrado o que não reconcilia: não há, no texto federal, regra que resolva o caso do paciente sem biópsia possível e sem sorologia disponível. Quem tenta harmonizar as duas frases inventa uma regra que a norma não escreveu; o que se pode afirmar é o que está nas duas — trate, e continue perseguindo a confirmação.
Vale separar o que a imagem faz e o que não faz. Tomografia e ressonância de tórax avaliam extensão, e a norma é explícita ao dizer que não confirmam nem afastam o diagnóstico; já a suspeita de glomerulonefrite se sustenta em hematúria dismórfica e cilindros hemáticos no sedimento, e a mononeurite múltipla exige confirmação eletrofisiológica.
Instrumentos de medida: dois escores e uma estratificação
A atividade é medida pela terceira versão do Birmingham Vasculitis Activity Score. O instrumento avalia manifestações de nove órgãos ou sistemas, com pontuação de 0 a 64. Remissão é definida como pontuação zero, e atividade como pontuação de um ou mais. Só entram itens atribuíveis à vasculite ativa: dano permanente e infecção ativa ficam de fora, o que impede que a sequela de ontem seja contada como doença de hoje. A norma manda aplicá-lo em todas as consultas, e registra que a pontuação depende de dois exames: urina I e creatinina sérica.
A janela temporal do escore tem dois valores, e é aqui que a leitura descuidada erra. Item novo ou item que piorou conta se estiver presente nas últimas quatro semanas. Item de atividade persistente conta com janela de três meses. Não são dois escores: é o mesmo escore com dois relógios, e o relógio depende de o achado ser novidade ou continuação.
O dano acumulado é medido por outro instrumento, o Vasculitis Damage Index. Ele é cumulativo — só sobe, nunca desce — e soma um ponto a cada novo item que dure três meses ou mais. Note a coincidência que a prova explora: três meses é, ao mesmo tempo, a janela em que um achado ainda conta como atividade persistente no primeiro escore e o prazo a partir do qual o mesmo achado passa a contar como dano permanente no segundo.
A consequência clínica é fina e cobrável. O mesmo achado, no mesmo paciente, pode ser lido como doença em atividade que pede intensificar imunossupressão ou como sequela que pede parar de intensificar, e o que decide não é a natureza do achado: é há quanto tempo ele está lá e se ele apareceu ou piorou. O escore de atividade governa a decisão de tratar; o escore de dano governa a conversa sobre prognóstico. Trocar um pelo outro é imunossuprimir sequela — o erro mais caro do acompanhamento dessas doenças.
A mesma norma estratifica a extensão em cinco degraus vindos do European Vasculitis Study — localizada, sistêmica não crítica, generalizada, grave e refratária —, e só os dois do meio têm âncora laboratorial. A âncora é uma conversão: quinhentos micromoles por litro de creatinina divididos por 88,4 dão 5,656 mg/dL, que arredonda para 5,7 e trunca para 5,6. O protocolo federal e a tabela de estratificação da recomendação brasileira escrevem 5,6; a tabela de redução de dose da ciclofosfamida, na mesma publicação da sociedade, escreve a faixa de 300 a 500 micromoles como 3,4 a 5,7 mg/dL — e 300 dividido por 88,4 dá 3,394, que arredonda para 3,4 sem discussão.
Os dois valores designam o mesmo limiar, e a diferença de 0,1 mg/dL não muda conduta em nenhum paciente real — muda o que o candidato reconhece como número correto quando a alternativa traz um e o enunciado citou o outro. Saber a conversão dispensa decorar qual versão a banca copiou.
Indução: quem recebe o biológico, e por que o critério não é clínico
A indução preconizada tem glicocorticoide — prednisona oral ou metilprednisolona intravenosa — mais ciclofosfamida ou rituximabe, ambos intravenosos. E a norma avisa, numa linha fácil de perder, que não inclui o tratamento de manutenção.
O acesso ao rituximabe é a parte cobrável, e ele não foi desenhado pela gravidade. A Portaria nº 44, de 27 de julho de 2023, incorporou o medicamento para duas situações, e o protocolo apenas as reproduz: paciente com 18 anos ou mais e diagnóstico recente em idade fértil com indicação de indução, ou diagnóstico de recidiva de doença ativa e grave. A ordem cronológica explica a rigidez — o medicamento foi incorporado antes de existir protocolo, e a elaboração correu em caráter emergencial justamente por causa disso, sem espaço para avaliar outras tecnologias.
Na consulta pública, alguém pediu exatamente o que a clínica pede: estender o biológico de primeira linha a pacientes fora da idade fértil, com forma grave e risco à vida ou à função de dois órgãos. A resposta foi recusa, com fundamento formal — a indicação incorporada é a da portaria. Fica então o condicional invertido que o capítulo precisa nomear: idade fértil não é critério de gravidade nem de resposta ao medicamento; é critério de preservação da fertilidade, porque a ciclofosfamida é gonadotóxica e categoria X na gestação. Quem tem fertilidade a perder ganha o biológico primeiro; quem já não tem recebe o alquilante e só alcança o biológico depois de falhar com ele.
A reedição pós-publicação acrescentou um deslocamento de sentido que muda quem entra: recidiva passou a ser considerada a refratariedade ao tratamento com ciclofosfamida. Clinicamente, recidivar é voltar a adoecer após remissão e ser refratário é nunca ter remitido — estados opostos que a norma igualou numa porta de entrada só.
As doses do alquilante são objetivas: 15 mg/kg por via intravenosa, três aplicações no primeiro mês com intervalo de duas semanas, depois a cada três semanas, por três a seis meses ou até a remissão, com ajuste pela contagem de linfócitos mantida em torno de 1.000 células por milímetro cúbico, e infusão de 60 a 120 minutos com antiemético profilático. A recomendação da sociedade ajusta por outro eixo — reduz 2,5 mg/kg por pulso entre 60 e 70 anos e 5,0 mg/kg acima de 70 anos, e reduz 2,5 mg/kg quando a creatinina está entre 3,4 e 5,7 mg/dL. Sobre 15 mg/kg, essas reduções valem 16,7% e 33,3% da dose; nenhuma delas está no texto federal.
Corticoide e rituximabe: tetos que aparecem numa página e somem na outra
A seção de esquemas do protocolo prescreve prednisona a 1 mg/kg/dia, sem teto. Páginas adiante, o parágrafo que descreve o uso combinado com o biológico prescreve a mesma prednisona a 1 mg/kg/dia sem exceder 80 mg/dia, com retirada tão rápida quanto a clínica permitir. A recomendação da sociedade brasileira escreve a faixa completa: 0,5 a 1,0 mg/kg/dia, máximo de 80 mg/dia, por uma a quatro semanas, antes da redução.
O teto de 80 mg não é detalhe cosmético: ele converte a regra em outra regra acima de certo peso. Um paciente de 100 kg recebe 0,8 mg/kg; um de 120 kg recebe 0,67 mg/kg — ambos dentro da faixa da sociedade e abaixo do valor pontual que o próprio protocolo escreve. A dose por quilo deixa de valer aos 80 kg, e o documento diz isso num parágrafo e não diz no outro.
A pulsoterapia repete o padrão. O protocolo prescreve metilprednisolona 1 g por dia, por até três dias, o que autoriza 3 g cumulativos; as duas coortes que ele cita como evidência usaram dose média de 1,5 g e regime de 5 a 10 mg/kg por três dias, ou seja, 1,05 a 2,1 g num adulto de 70 kg. O teto autorizado fica 43% acima do topo do regime estudado — e a norma reconhece, em voz alta, que não existe evidência robusta sobre via e dose inicial ótimas.
A recomendação da sociedade tem uma faixa que atravessa o próprio teto, e ela é o exemplo mais limpo do capítulo. O texto prescreve pulso de 15 mg/kg/dia ou 0,5 a 1,0 g/dia por um a três dias, e declara, na revisão que sustenta a recomendação, dose máxima por pulso de 1 g. Quinze miligramas por quilo alcançam 1.000 mg aos 66,7 kg. Para qualquer adulto acima desse peso, a regra por quilo ultrapassa o limite escrito no mesmo parágrafo — e o limite é que vale.
O rituximabe tem dois esquemas e um prazo que só serve a um deles. O principal é 375 mg/m² por semana durante quatro semanas; o opcional são duas infusões de 1.000 mg, no primeiro e no décimo quinto dia — quatorze dias de intervalo, exatamente as duas semanas que a recomendação da sociedade descreve. Para 1,73 m² de superfície corpórea, o semanal entrega cerca de 2.595 mg e o opcional entrega 2.000 mg, 23% menos; e o critério de interrupção fixa tempo de tratamento de quatro semanas, prazo que o esquema opcional cumpre em duas.
A infusão tem aritmética própria, útil na enfermaria e ausente das provas. Começa a 50 mg por hora e sobe 50 mg por hora a cada 30 minutos, até o máximo de 400 mg por hora — sete degraus, três horas e meia só para chegar à velocidade máxima. Nesse período são infundidos 700 mg; os 300 mg restantes de uma dose de 1.000 mg levam mais 45 minutos. Uma infusão de 1.000 mg leva cerca de quatro horas e quinze minutos quando nada dá errado.
Plasmaférese: o mesmo 5,8 mg/dL, dois vereditos
A recomendação da Sociedade Brasileira de Reumatologia, de 2017, indica plasmaférese com grau A para o paciente com glomerulonefrite rapidamente progressiva e creatinina acima de 5,8 mg/dL, porque o procedimento melhora a sobrevida renal quando associado a glicocorticoide e ciclofosfamida. Ela detalha o esquema: sete sessões em dias alternados, troca de 60 mL/kg por sessão, reposição com albumina a 5% e, ocasionalmente, plasma fresco congelado ao final para repor fatores de coagulação. E marca com grau D o vão honesto: para hemorragia alveolar, as evidências ainda não bastam.
O protocolo federal de 2025 cita a mesma metanálise, com o mesmo 5,8 mg/dL e o mesmo achado de benefício renal, e cita também o ensaio clínico randomizado que comparou plasmaférese inicial contra nenhuma plasmaférese, com todos recebendo ciclofosfamida ou rituximabe, e que não encontrou redução de morte nem de doença renal terminal. A conclusão que ele extrai é oposta: a plasmaférese não é recomendada como terapia de indução, nem no recém-diagnosticado nem na recaída.
O número sobreviveu inteiro e o veredito virou. O que mudou entre 2017 e 2025 não foi o limiar de creatinina: foi a entrada do ensaio randomizado, que testou o desfecho duro em vez do desfecho renal isolado. Quando a metanálise de estudos observacionais e o ensaio randomizado discordam, o documento mais recente escolheu o ensaio — e é essa a hierarquia que a prova cobra quando cita as duas fontes lado a lado.
Confira a conversão que aproxima os dois limiares sem igualá-los: 5,8 mg/dL correspondem a 512,7 micromoles por litro, 12,7 acima dos 500 que definem o degrau grave. Não são o mesmo corte e não vieram do mesmo lugar — um é definição de extensão, o outro é população de metanálise.
Antes de imunossuprimir, e a janela cega do acompanhamento
O protocolo é minucioso com o que vem antes da primeira dose, e essa minúcia cai em prova. Sorologias para vírus da imunodeficiência humana, hepatite B, hepatite C e sífilis; nos portadores crônicos dos dois primeiros, o biológico só com antiviral concomitante e parecer de infectologia. Vacinação preferencialmente antes da infusão, com ênfase em influenza anual, pneumococo e hepatite B. Imunoglobulinas séricas e contagem de linfócitos B antes e logo depois da administração.
A tuberculose tem roteiro próprio: radiografia de tórax para todos, independentemente de sintomas, para afastar doença ativa, e prova tuberculínica ou ensaio de liberação de interferona-gama para a forma latente. Tratamento da forma latente com prova tuberculínica de 5 mm ou mais, ou com ensaio reagente — e também diante de alteração radiográfica compatível com doença prévia não tratada ou contato próximo nos últimos dois anos, sem precisar de prova nenhuma. O biológico começa quatro semanas depois de iniciado esse tratamento, e quem já tratou a forma latente em qualquer momento da vida não repete, salvo nova exposição.
Uma parasitose fecha a lista, e é a mais esquecida. Doentes reumáticos sob imunossupressão adoecem gravemente de estrongiloidíase, que dissemina para fora do trato gastrointestinal — a norma manda avaliar e tratar helmintíases e protozooses antes de iniciar terapia imunossupressora ou biológica.
O acompanhamento tem uma janela cega entre aferições obrigatórias, e ela é aritmética. Em atividade, o paciente é avaliado mensalmente; nas fases iniciais de remissão, a cada dois a três meses; depois de dois anos em remissão, a cada três a seis meses. A imunoglobulina G, que identifica a hipogamaglobulinemia secundária ao rituximabe, é dosada antes da infusão e novamente após quatro a seis meses de cada dose. Um paciente em remissão pode, portanto, comparecer a duas ou três consultas regulares no intervalo em que sua imunoglobulina não é medida, e adoecer de infecção justamente ali.
O limiar dessa dosagem aparece duas vezes no mesmo parágrafo e em unidades diferentes. Primeiro como hipogamaglobulinemia grave com imunoglobulina G abaixo de 500 mg/L; três linhas depois, como persistência de níveis abaixo de 500 mg/dL. As duas escritas diferem por um fator de dez: 500 mg/dL equivalem a 5 g/L, que é o corte clínico habitual, enquanto 500 mg/L equivalem a 0,5 g/L, valor de agamaglobulinemia profunda. Não há como reconciliar as duas frases pelo texto — a unidade correta se reconhece pela clínica, não pela norma. Fica registrado como está: o mesmo número, com duas naturezas, na mesma página.
O que fica fora do protocolo e continua caindo
A granulomatose eosinofílica com poliangiite é a ausência mais cobrada: pertence ao grupo pela definição internacional, abre a norma e está excluída dos critérios de inclusão por decisão expressa — e o pedido de incorporar mepolizumabe para ela, feito na consulta pública, não foi acatado. Para a prova, o que a identifica é a tríade de asma, eosinofilia e vasculite, com anticorpo positivo numa minoria dos pacientes: sorologia negativa não a exclui.
A poliarterite nodosa é a vizinha de calibre. É vasculite de vasos de médio calibre, não faz glomerulonefrite e não tem o anticorpo; sua marca de prova é o aneurisma sacular na angiografia e a associação com hepatite B, que já é ensinada nos capítulos de hepatite B desta coleção. A norma a nomeia entre os diagnósticos diferenciais obrigatórios, ao lado da forma eosinofílica e da policondrite recidivante.
Os grandes vasos completam o mapa por calibre. A arterite de Takayasu atinge mulheres jovens, com assimetria de pulsos e de pressão entre os membros e sopros arteriais. A arterite de células gigantes atinge quem passou dos 50 anos, com cefaleia temporal nova, claudicação de mandíbula e risco de perda visual — eixo que já tem dono nesta coleção, no capítulo de cefaleias secundárias da apostila de Neurologia.
Fecham a lista as vasculites de pequenos vasos por imunocomplexos, que se separam do grupo pauci-imune exatamente pelo depósito: a vasculite por imunoglobulina A, com dono pediátrico nesta coleção, e a crioglobulinêmica, que anda com a hepatite C — cujo capítulo já registra a vasculite sistêmica entre as manifestações extra-hepáticas que qualificam para tratamento. Fecha o círculo: no grupo pauci-imune o alvo é a imunossupressão; na crioglobulinêmica associada a vírus, o alvo é o vírus.
A sigla promete três doenças, o protocolo entrega duas
A Conferência de Consenso de Chapel Hill, de 1994 e revista em 2013, é a régua internacional que organiza o grupo. Ela reúne sob o rótulo de vasculite associada ao ANCA a granulomatose com poliangiite, antes chamada doença de Wegener, a poliangiite microscópica e a granulomatose eosinofílica com poliangiite, antes chamada síndrome de Churg-Strauss, mais as formas restritas a um órgão, como a vasculite renal limitada. São doenças de vasos de pequeno calibre, com inflamação e necrose da parede e sem depósito significativo de imunocomplexos — daí o adjetivo que a histologia usa, pauci-imune.
O protocolo federal brasileiro abre citando exatamente essa lista de três, e depois estreita três vezes seguidas, em direções que não coincidem. A seção de códigos lista dois: granulomatose de Wegener e poliangeíte microscópica. Os critérios de inclusão listam três entidades: as duas anteriores mais a vasculite renal limitada. A elegibilidade ao biológico volta a duas, granulomatose com poliangiite e poliangiite microscópica. E uma nota fecha a porta da terceira doença de Chapel Hill com uma frase só: pacientes com granulomatose eosinofílica com poliangiite não estão incluídos, porque a fisiopatologia e o tratamento são distintos.
O resultado prático é uma itemização que não fecha com a manchete. O paciente com vasculite renal limitada satisfaz o critério de inclusão e não tem, na própria norma, código sob o qual ser registrado; o paciente com a forma eosinofílica carrega o anticorpo que dá nome ao grupo, está na definição internacional que a norma reproduz no primeiro parágrafo, e está fora do documento inteiro.

O mesmo parágrafo da norma publica dois conjuntos de números. Da Argentina vêm incidências de 14 e 9 por milhão para poliangiite microscópica e granulomatose com poliangiite, e prevalências de 5,2 e 7,4 por cem mil. Da literatura internacional vêm incidências de 13,07 a 18,3 por milhão na Espanha, 19,8 no Reino Unido, 13,7 na Austrália e 20,9 na Suécia, e uma estimativa de prevalência entre 200 e 400 casos por milhão.
As prevalências estão em denominadores diferentes, e converter é obrigatório antes de comparar. Cinco vírgula dois por cem mil equivalem a 52 por milhão; sete vírgula quatro por cem mil equivalem a 74 por milhão. Somadas, as duas doenças argentinas dão 126 por milhão. O piso da estimativa internacional impressa quatro linhas abaixo é 200 por milhão. A série latino-americana fica, portanto, 37% abaixo do menor valor com que o próprio texto a coloca lado a lado. Uma segunda conta explica o desencontro: incidência anual somada de 23 por milhão contra prevalência somada de 126 implica duração média de doença de cinco anos e meio, curta demais para essas doenças sob tratamento moderno. A leitura honesta é a que a norma quase escreve — os dados vieram de prontuários de centros de referência, e prevalência levantada em centro de referência subestima, porque só enxerga quem chegou lá.
Para a prova, o que sobrevive é o intervalo internacional de 200 a 400 por milhão e a faixa etária de 50 a 70 anos. O que a comparação ensina, e vale mais que o número, é que prevalência de doença rara medida em serviço terciário não é prevalência populacional.
As réguas, lado a lado
Três tabelas resolvem quase toda questão do tema: quem o protocolo federal cobre, como a extensão é estratificada e o que cada documento prescreve na indução. A quarta coluna da primeira tabela é a que mais derruba candidato, porque a elegibilidade ao biológico é mais estreita que a entrada no protocolo.
- 1Reconheça o padrão: sintomas constitucionais arrastados mais um órgão que não fecha com infecção — via aérea superior que não cicatriza, nódulo pulmonar que cavita, sedimento urinário ativo, mononeurite múltipla, púrpura palpável.
- 2Peça o exame de urina e a creatinina antes de qualquer sorologia: são eles que definem se o caso é urgente, e são eles que o escore de atividade exige para ser pontuado.
- 3Separe por calibre antes de separar por anticorpo: pequeno vaso pauci-imune é o grupo do protocolo; médio calibre sem glomerulonefrite aponta poliarterite nodosa; grandes vasos apontam Takayasu ou arterite de células gigantes.
- 4Procure a biópsia do órgão mais acessível e mais rendoso, sabendo o rendimento de cada tecido — e não adie o tratamento esperando o resultado.
- 5Estratifique pela extensão europeia e defina se há risco à vida ou à função de órgão; é essa resposta, e não o subtipo, que decide a agressividade da indução.
- 6Monte a indução com glicocorticoide mais um dos dois: ciclofosfamida intravenosa, ou rituximabe se o paciente cumprir o critério de idade fértil ao diagnóstico recente, ou de recidiva com refratariedade à ciclofosfamida.
- 7Antes da primeira dose: sorologias virais e para sífilis, rastreio de tuberculose ativa e latente, tratamento de parasitoses, vacinação e dosagem basal de imunoglobulinas.
- 8No seguimento, pontue atividade em toda consulta e some dano separadamente — e não confunda um instrumento com o outro.
Três escopos numa norma só
| Entidade | Tem código listado na norma | Entra nos critérios de inclusão | Elegível a rituximabe pelo SUS |
|---|---|---|---|
| Granulomatose com poliangiite | Sim (M31.3, sob o nome antigo) | Sim | Sim, se diagnóstico recente em idade fértil ou recidiva grave |
| Poliangiite microscópica | Sim (M31.7) | Sim | Sim, nas mesmas duas situações |
| Vasculite renal limitada | Não consta | Sim | Não mencionada |
| Granulomatose eosinofílica com poliangiite | Não consta | Excluída por nota expressa | Não |
Extensão pela estratificação europeia, e onde a creatinina entra
| Degrau | Definição | Âncora laboratorial |
|---|---|---|
| Localizada | Restrita aos tratos respiratórios, sem envolvimento sistêmico nem sintomas constitucionais | Nenhuma |
| Sistêmica não crítica | Órgão acometido, sem risco iminente de dano irreversível nem de morte | Nenhuma |
| Generalizada | Risco iminente à função renal ou de outro órgão | Creatinina abaixo de 500 µmol/L, escrita como 5,6 mg/dL |
| Grave | Insuficiência renal aguda ou disfunção de outro órgão | Creatinina acima de 500 µmol/L, escrita como 5,6 mg/dL |
| Refratária | Progressão apesar de glicocorticoide e ciclofosfamida | Nenhuma |
Indução: o que cada documento prescreve
| Item | Protocolo federal, 2025 | Recomendação da sociedade, 2017 |
|---|---|---|
| Prednisona | 1 mg/kg/dia; teto de 80 mg/dia aparece só no parágrafo do biológico | 0,5 a 1,0 mg/kg/dia, máximo 80 mg/dia, por 1 a 4 semanas |
| Metilprednisolona | 1 g/dia por até 3 dias | 15 mg/kg/dia ou 0,5 a 1,0 g/dia por 1 a 3 dias, máximo de 1 g por pulso |
| Ciclofosfamida | 15 mg/kg IV, 3 doses no 1º mês a cada 2 semanas, depois a cada 3 semanas por 3 a 6 meses; ajuste por linfócitos | Reduzir 2,5 mg/kg dos 60 aos 70 anos, 5,0 mg/kg acima de 70, e 2,5 mg/kg se creatinina de 3,4 a 5,7 mg/dL |
| Rituximabe, esquema | 375 mg/m² por semana por 4 semanas, ou 1.000 mg no 1º e no 15º dia | 375 mg/m² por semana por 4 semanas, ou 1 g em duas infusões com 2 semanas de intervalo |
| Rituximabe, quem recebe | Diagnóstico recente em idade fértil, ou recidiva definida como refratariedade à ciclofosfamida | Alternativa à ciclofosfamida na forma generalizada, sobretudo se há contraindicação, dose cumulativa alta, jovem em idade fértil sem prole estabelecida ou doença recorrente |
| Plasmaférese | Não recomendada na indução | Indicada com grau A na glomerulonefrite rapidamente progressiva com creatinina acima de 5,8 mg/dL; 7 sessões em dias alternados, 60 mL/kg, albumina a 5% |
| Manutenção | Fora do escopo do documento | Fora do escopo destas recomendações, que tratam de indução |
As conversões conferidas: 500 µmol/L de creatinina equivalem a 5,656 mg/dL, o que arredonda para 5,7 e trunca para 5,6 — as duas grafias circulam nos documentos e designam o mesmo limiar. E 300 µmol/L equivalem a 3,394 mg/dL, escritos como 3,4 sem controvérsia.
O limiar de 5,8 mg/dL da plasmaférese equivale a 512,7 µmol/L e não é o mesmo corte dos 500 µmol/L da estratificação: um veio da população de uma metanálise, o outro da definição de extensão.
As reduções de ciclofosfamida da sociedade, aplicadas sobre os 15 mg/kg do protocolo, valem 16,7% da dose entre 60 e 70 anos e 33,3% acima de 70 anos.
Os dois esquemas de rituximabe não entregam a mesma quantidade: para superfície corpórea de 1,73 m², o semanal soma cerca de 2.595 mg e o de duas infusões soma 2.000 mg, 23% a menos.
A rampa de infusão do rituximabe, de 50 mg/h subindo 50 mg/h a cada 30 minutos até 400 mg/h, leva três horas e meia para atingir a velocidade máxima e entrega 700 mg nesse período; uma dose de 1.000 mg termina em cerca de quatro horas e quinze minutos.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Não recomendada na indução
O ensaio clínico randomizado que comparou plasmaférese inicial contra nenhuma plasmaférese, com todos recebendo ciclofosfamida ou rituximabe, não mostrou redução de morte nem de doença renal em estágio terminal. Por isso o procedimento não é recomendado como terapia de indução de remissão, nem no recém-diagnosticado nem na recaída com doença ativa e grave.
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Vasculite Associada aos Anticorpos Anti-citoplasma de Neutrófilos, Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 5, de 1º de julho de 2025, item de tratamento não medicamentoso.
Indicada com grau A acima de 5,8 mg/dL
A metanálise de sete estudos mostrou melhora na sobrevida renal em pacientes com glomerulonefrite rapidamente progressiva e creatinina sérica acima de 5,8 mg/dL, quando a plasmaférese é associada a glicocorticoide e ciclofosfamida. O esquema é de sete sessões em dias alternados, com troca de 60 mL/kg e reposição com albumina a 5%. Para hemorragia alveolar, a mesma recomendação marca grau D e reconhece que a evidência ainda não basta.
Recomendações da Sociedade Brasileira de Reumatologia para a terapia de indução para vasculite associada a ANCA, Revista Brasileira de Reumatologia, 2017, recomendação 9.
Na prova
As duas posições citam o mesmo limiar de 5,8 mg/dL, então o número não distingue o recorte — a âncora do enunciado distingue. Quando aparecem as palavras protocolo, diretriz terapêutica, Ministério da Saúde ou Sistema Único de Saúde, o avaliador está cobrando o texto federal, e a resposta é que a plasmaférese não é recomendada na indução. Quando o enunciado descreve por extenso o quadro renal, cita creatinina acima de 5,8 mg/dL e menciona sobrevida renal sem invocar norma nenhuma, ele está cobrando a régua da sociedade de especialidade, e a resposta é que o procedimento está indicado com o esquema de sete sessões. O que decide não é a gravidade do paciente descrito: é se o enunciado invocou uma norma.
Idade fértil ao diagnóstico, ou recidiva
O medicamento foi incorporado para indução em paciente com 18 anos ou mais e diagnóstico recente em idade fértil, ou com diagnóstico de recidiva de doença ativa e grave, entendida após a reedição como refratariedade ao tratamento com ciclofosfamida. Na consulta pública, o pedido de estender a indicação a pacientes fora da idade fértil com risco à vida ou à função de dois órgãos foi recusado, porque a indicação incorporada é a da portaria.
Portaria SECTICS/MS nº 44, de 27 de julho de 2023, reproduzida nos critérios de inclusão do Protocolo de 2025; resposta à Consulta Pública nº 05/2024 no Relatório de Recomendação nº 895/2024.
Alternativa à ciclofosfamida por não inferioridade
O biológico é opção à ciclofosfamida na indução das formas generalizadas, com grau A, sobretudo em quem tem risco de dano permanente a órgão ou risco de vida. Está indicado quando há contraindicação ao alquilante, dose cumulativa alta acumulada, paciente jovem em idade fértil sem prole estabelecida, ou doença recorrente. A idade fértil aparece como uma entre quatro situações, e acompanhada da condição de não ter prole estabelecida.
Recomendações da Sociedade Brasileira de Reumatologia para a terapia de indução para vasculite associada a ANCA, Revista Brasileira de Reumatologia, 2017, recomendação 7.
Na prova
Este é o ponto em que a régua de financiamento e a régua clínica se separam de forma limpa, e o avaliador escolhe um lado de propósito. Se o enunciado disser que o paciente será tratado na rede pública, ou citar o protocolo, a portaria de incorporação ou o componente especializado, a resposta é o par restrito: diagnóstico recente em idade fértil, ou recidiva entendida como refratariedade à ciclofosfamida. Se o enunciado apenas descrever um paciente com forma generalizada, risco de dano permanente e contraindicação à ciclofosfamida, sem invocar norma, a resposta é a régua clínica, em que o biológico é alternativa ao alquilante por não inferioridade. Reconheça o recorte pela âncora, não pela gravidade descrita.
Valor pontual, com teto em um só parágrafo
A seção de esquemas prescreve prednisona a 1 mg/kg/dia conforme a manifestação, sem teto declarado. O parágrafo que descreve a combinação com o biológico prescreve a mesma dose sem exceder 80 mg/dia, com retirada tão rápida quanto a clínica permitir.
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Vasculite Associada aos Anticorpos Anti-citoplasma de Neutrófilos, 2025, esquemas de administração.
Faixa com piso, teto e duração
Prednisona ou prednisolona em dose diária inicial de 0,5 a 1,0 mg/kg/dia, com máximo de 80 mg/dia, por uma a quatro semanas, seguida de redução gradual. A terapia com glicocorticoide precisa estar associada a um imunossupressor ou a um agente biológico em todo paciente com doença ativa.
Recomendações da Sociedade Brasileira de Reumatologia para a terapia de indução para vasculite associada a ANCA, Revista Brasileira de Reumatologia, 2017, recomendações 1 e 3.
Na prova
Aqui a divergência é de forma, não de substância, e o avaliador cobra a forma. Enunciado ancorado no protocolo federal pede o valor pontual de 1 mg/kg/dia; enunciado que descreve conduta ambulatorial sem citar norma aceita a faixa de 0,5 a 1,0 mg/kg/dia. O teto de 80 mg/dia é a peça que raramente aparece na alternativa e sempre aparece no comentário: saber que ele existe evita marcar dose por quilo em paciente obeso. Quando o enunciado trouxer peso acima de 80 kg, a conta muda de regra, e é isso que está sendo testado.
Só a histologia, dentro do sistema público
Os critérios de inclusão exigem diagnóstico clínico e histopatológico. A positividade da biópsia do órgão acometido é o critério padrão-ouro, ainda que a biópsia de via aérea superior renda 30% e a transbrônquica renda 12% de positividade. A sorologia específica para proteinase 3 e para mieloperoxidase pode apoiar o diagnóstico, mas não está disponível no Sistema Único de Saúde e não é preconizada pelo protocolo.
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Vasculite Associada aos Anticorpos Anti-citoplasma de Neutrófilos, 2025, seções de diagnóstico e de critérios de inclusão.
O ensaio sorológico como complemento, recomendado para incorporação
O comitê competente recomendou por unanimidade, em outubro de 2025, a incorporação dos ensaios para mieloperoxidase e para proteinase 3, apontando a necessidade do teste para pacientes que não possam realizar biópsia. O relatório registra especificidade acima de 95% para confirmar quando o resultado é positivo, e registra também que nenhum estudo comparou os ensaios com a biópsia renal ou pulmonar. A consulta pública correu de 4 a 24 de novembro de 2025.
Relatório para Sociedade nº 585 da Conitec, outubro de 2025, sobre testes de ELISA para (MPO)-ANCA e (PR3)-ANCA.
Na prova
O enunciado que cita o protocolo, o Sistema Único de Saúde ou a rede pública cobra a resposta de 2025: a confirmação é histológica, a sorologia específica não é preconizada, e o tratamento não espera o resultado. O enunciado que descreve o caso por extenso, com sedimento ativo e sorologia positiva, e não invoca norma, cobra a régua clínica, em que a sorologia apoia o diagnóstico na ausência de histologia. Atenção à data embutida: qualquer enunciado que trate o ensaio sorológico como exame de rotina do sistema público está lendo um cenário posterior à recomendação de incorporação, e não o texto do protocolo.
Caso resolvido
- Qual é a síndrome, antes de qualquer sorologia?
- Síndrome pulmão-rim: hemorragia alveolar com glomerulonefrite. O sedimento com hematúria dismórfica e cilindros hemáticos, mais creatinina que triplicou em seis meses, define o componente renal; a hemoptise com vidro fosco difuso e queda da hemoglobina define o componente pulmonar. A partir daí a lista curta é vasculite associada ao anticorpo anticitoplasma de neutrófilos, doença por anticorpo antimembrana basal glomerular, lúpus, síndrome antifosfolípide e leptospirose.
- O que o acometimento de via aérea superior acrescenta?
- Desloca a aposta dentro do grupo. Crostas nasais, epistaxe de repetição e depressão do dorso nasal — o nariz em sela — compõem o padrão da granulomatose com poliangiite, que se apresenta de cima para baixo. Nódulos múltiplos e bilaterais que cavitam reforçam a mesma direção. A poliangiite microscópica, que é a principal causa de síndrome pulmão-rim, não faz o quadro nasal destrutivo nem os nódulos cavitados.
- Por que as hemoculturas mudam a conduta imediata?
- Porque a endocardite bacteriana subaguda simula este quadro por inteiro, inclusive com resultado falso-positivo do anticorpo — a norma diz isso com todas as letras. Antes de imunossuprimir alguém com febre arrastada, púrpura e glomerulonefrite, é preciso ter descartado bacteriemia. A ausência de sopro reduz a probabilidade, mas não a zera, e o custo do erro é alto nas duas direções.
- Qual é o degrau de extensão e o que ele decide?
- Creatinina de 3,1 mg/dL fica abaixo dos 500 micromoles por litro, isto é, abaixo dos 5,6 mg/dL que separam o degrau grave. Com risco iminente à função renal, o caso é doença generalizada. É esse degrau, e não o subtipo da doença, que indica indução agressiva com risco à vida e à função de órgão — e é ele que a norma manda avaliar tanto ao diagnóstico quanto a cada recidiva.
- A biópsia atrasa o tratamento?
- Não deve. A norma exige histologia para a entrada no protocolo e, na mesma seção, determina que o início do tratamento não seja adiado pela espera do resultado. A biópsia mais rendosa aqui é a renal, que além de confirmar separa atividade de dano e informa prognóstico; a biópsia de via aérea superior seria mais acessível e renderia 30% de positividade, e a transbrônquica, 12%.
- Qual é a indução, e ele tem acesso ao biológico?
- Glicocorticoide mais ciclofosfamida intravenosa a 15 mg/kg, três doses no primeiro mês com intervalo de duas semanas e depois a cada três semanas, com ajuste pela contagem de linfócitos. O rituximabe, no sistema público, exige diagnóstico recente em idade fértil ou recidiva entendida como refratariedade ao alquilante — este paciente, aos 58 anos e sem tratamento prévio, não cumpre nenhum dos dois. Antes da primeira dose: sorologias virais e para sífilis, radiografia de tórax e prova tuberculínica ou ensaio de interferona-gama, tratamento de parasitoses e vacinação.
- E a plasmaférese, com hemorragia alveolar?
- Pelo protocolo federal, não está recomendada como terapia de indução. A recomendação da sociedade brasileira a indica com grau A apenas na glomerulonefrite rapidamente progressiva com creatinina acima de 5,8 mg/dL — patamar que este paciente não alcança — e, para hemorragia alveolar especificamente, marca grau D, reconhecendo que a evidência não basta. Nas duas réguas, portanto, ela não é a resposta aqui.
Agora feche você
- Ela cumpre o critério de acesso ao biológico?
- Verifique as duas portas do texto federal antes de responder, e note que elas não dependem da gravidade. A primeira é diagnóstico recente em idade fértil com indicação de indução. A segunda é recidiva, que a reedição do protocolo definiu como refratariedade ao tratamento com ciclofosfamida. Pergunte-se qual das duas se aplica a uma mulher de 31 anos, em primeiro tratamento, e o que isso diz sobre a natureza do critério.
- Qual dose de prednisona ela recebe, com 96 kg?
- Comece pelo valor por quilo que o protocolo escreve e depois procure o teto. Multiplique 1 mg/kg por 96 kg e compare o resultado com o limite de 80 mg/dia que aparece no parágrafo do biológico e na recomendação da sociedade. Depois calcule quanto isso representa em miligramas por quilo de fato administrados, e diga se o valor resultante ainda cabe na faixa que a sociedade recomenda.
- O que precisa estar feito antes da primeira dose do biológico?
- Monte a lista em três blocos: sorologias, rastreio de tuberculose e preparo imunológico. Lembre que o rastreio de tuberculose inclui radiografia de tórax para todos, independentemente de sintomas, que o corte da prova tuberculínica é o mesmo do imunossuprimido, e que existe um intervalo obrigatório entre o início do tratamento da forma latente e a primeira infusão. Não esqueça a parasitose que dissemina sob imunossupressão.
- Que exame de seguimento vigia o efeito adverso mais silencioso?
- Pense em qual classe de células o biológico depleta e qual proteína desaparece do soro como consequência tardia. Depois localize, no calendário do protocolo, quando essa proteína é dosada em relação à infusão, e compare esse intervalo com a frequência das consultas de quem está em remissão inicial. A diferença entre os dois intervalos é a resposta.
Onde a banca derruba
- 1Tratar sorologia negativa como exclusão do grupo A vinheta entrega quadro de pequenos vasos com sorologia negativa e a alternativa tentadora manda abandonar a hipótese. Erro: a forma eosinofílica tem anticorpo positivo numa minoria dos pacientes, e a própria norma reconhece que a apresentação clínica típica sustenta o diagnóstico quando a histologia não é viável. O que exclui é o padrão de acometimento, não o resultado do exame.
- 2Imunossuprimir endocardite achando que é vasculite Febre arrastada, perda de peso, púrpura, glomerulonefrite e anticorpo positivo formam um quadro perfeito de vasculite — e são também o retrato da endocardite bacteriana subaguda, que produz falso-positivo do anticorpo. A hemocultura vem antes da imunossupressão, sempre. A mesma armadilha vale para o usuário de cocaína adulterada com levamisol, com lesão de linha média e púrpura retiforme.
- 3Adiar o tratamento esperando o resultado da biópsia A norma exige histologia para a entrada no protocolo e, na mesma seção, manda não adiar o início do tratamento pela espera do resultado. Quem lê só a primeira frase deixa o paciente com creatinina subindo esperando uma biópsia que pode nem ser viável. Diante de risco à função de órgão, trata-se e persegue-se a confirmação em paralelo.
- 4Contar sequela como atividade no escore O escore de atividade pontua apenas o que é atribuível à vasculite ativa, e exclui explicitamente dano permanente e infecção ativa. Contar a insuficiência renal estabelecida ou a surdez residual como pontuação de atividade transforma sequela em indicação de imunossupressão. Dano tem instrumento próprio, cumulativo, que soma um ponto por item com três meses ou mais de duração.
- 5Confundir recidiva clínica com a recidiva do protocolo Depois de publicada, a norma foi reeditada para esclarecer que recidiva é considerada refratariedade ao tratamento com ciclofosfamida. Clinicamente, recidivar é voltar a adoecer após remissão e ser refratário é nunca ter remitido — estados opostos. Para efeito de elegibilidade ao biológico no sistema público, a norma os igualou, e a alternativa que separa os dois conceitos com rigor clínico pode estar errada dentro do recorte federal.
- 6Aplicar dose por quilo em paciente pesado Prednisona a 1 mg/kg/dia parece inequívoca até o paciente ter 110 kg. O teto de 80 mg/dia, que aparece num parágrafo do protocolo e na recomendação da sociedade, faz a regra por quilo deixar de valer acima de 80 kg. O mesmo raciocínio vale para o pulso: 15 mg/kg ultrapassa o limite de 1 g por pulso a partir de 66,7 kg, e é o limite que prevalece.
- 7Achar que a norma cobre a manutenção O protocolo declara, em uma linha, que não inclui o tratamento de manutenção — e na consulta pública o pedido de acrescentá-la foi recusado, porque a elaboração nasceu limitada ao escopo da portaria que incorporou o biológico. Enunciado que pergunte o que fazer depois da remissão citando o protocolo está pedindo justamente o reconhecimento desse limite.
- 8Esquecer a estrongiloidíase e a tuberculose latente antes da primeira dose Antes de qualquer imunossupressor ou biológico, a norma manda avaliar e tratar helmintíases e protozooses, porque a estrongiloidíase dissemina sob imunossupressão. E manda radiografia de tórax para todos, independentemente de sintomas, mais prova tuberculínica ou ensaio de interferona-gama, com tratamento da forma latente a partir de 5 mm ou de ensaio reagente, e início do biológico quatro semanas depois.
O quadro é arterite de células gigantes com sintomas visuais (amaurose) — emergência que exige corticoide em altas doses IMEDIATO para prevenir cegueira irreversível, sem aguardar a biópsia (correta), pois a biópsia permanece positiva por dias após o início do corticoide. Aguardar a biópsia atrasa o tratamento e arrisca perda visual. AINE é insuficiente para vasculite de grande vaso. Anticoagulação não é o tratamento de base. AAS pode ser adjuvante, mas não substitui a corticoterapia urgente.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem de 68 anos, com diagnóstico de arterite de células gigantes (arterite temporal), é atendido em centro de referência com cefaleia temporal e claudicação de mandíbula há duas semanas. Hoje relata amaurose fugaz transitória no olho direito. VHS de 92 mm/h. Qual é a conduta imediata mais apropriada?
A arterite de células gigantes com sintomas visuais (amaurose fugaz) é emergência: o risco é cegueira permanente por neuropatia óptica isquêmica. A corticoterapia em altas doses deve ser iniciada IMEDIATAMENTE ao suspeitar, sem aguardar a biópsia — a biópsia permanece positiva por 1-2 semanas após início do corticoide, então não se atrasa o tratamento. AAS isolado não previne a perda visual iminente. Metotrexato é poupador de corticoide adjuvante, não substitui a terapia de urgência com glicocorticoide.
Uma mulher de 58 anos procura o ambulatório por dor e rigidez em cinturas escapular e pélvica há dois meses, com dificuldade para pentear os cabelos e levantar-se de cadeira, além de rigidez matinal de cerca de uma hora. Nega fraqueza muscular objetiva à força, febre alta ou cefaleia. Ao exame: dor à mobilização de ombros e quadris, força muscular preservada. Exames: VHS 78 mm/h e PCR elevada, CPK normal, FAN e fator reumatoide negativos. Considerando o diagnóstico mais provável e o tratamento inicial, qual é a conduta adequada?
Dor e rigidez de cinturas escapular e pélvica em mulher acima de 50 anos, rigidez matinal, VHS/PCR muito elevados, força e CPK normais, sem autoanticorpos, definem polimialgia reumática; o tratamento é corticoide em dose baixa a moderada, com resposta rápida e marcante que reforça o diagnóstico. Polimiosite cursa com fraqueza objetiva e CPK elevada. Fibromialgia não eleva provas inflamatórias. Hipotireoidismo pode dar mialgia, mas não explica a VHS de 78 mm/h nem o padrão de cinturas.
Uma mulher de 70 anos procura o pronto-socorro por cefaleia temporal recente e intensa, dor à mastigação (claudicação de mandíbula) e sensibilidade no couro cabeludo há duas semanas. Refere ainda dor e rigidez em cinturas. Relata, hoje, episódio de turvação visual transitória em um olho. Ao exame: artéria temporal endurecida e dolorosa à palpação, sem sopros carotídeos. Exames: VHS 95 mm/h, PCR muito elevada. Diante da suspeita diagnóstica e do risco de perda visual, qual é a conduta imediata mais adequada?
Idosa com cefaleia temporal, claudicação de mandíbula, sensibilidade no couro cabeludo, sintomas de polimialgia, artéria temporal alterada, VHS/PCR muito elevados e amaurose transitória caracterizam arterite de células gigantes, com risco iminente de cegueira; a conduta é iniciar corticoide em dose alta imediatamente, sem aguardar a biópsia (que pode ser feita depois, pois permanece positiva por alguns dias). Enxaqueca e neuralgia do trigêmeo não elevam VHS nem ameaçam a visão. Postergar o corticoide pela biópsia pode custar a visão do paciente.
Homem, 68 anos, procura pronto-socorro por cefaleia temporal esquerda de início há 3 semanas, de forte intensidade, associada a dor à mastigação (claudicação de mandíbula) e sensibilidade no couro cabeludo ao pentear os cabelos. Refere ainda mal-estar, febrícula e perda de peso. Ao exame, artéria temporal esquerda endurecida, tortuosa e dolorosa à palpação, com pulso reduzido. Nega alterações visuais no momento. Exames: VHS 92 mm/1ª h (VR até 20), PCR 68 mg/L (VR < 5). Qual o diagnóstico mais provável?
Correta: Idade > 50 anos, cefaleia temporal de início recente, claudicação de mandíbula, hipersensibilidade do couro cabeludo, artéria temporal endurecida/dolorosa e VHS/PCR muito elevados compõem o quadro classico de arterite de células gigantes (critérios ACR). É emergência pelo risco de perda visual (NOIA). Neuralgia do trigêmeo causa dor paroxística em choque no território trigeminal, sem sintomas sistêmicos nem VHS elevado. Poliarterite nodosa é vasculite de médios vasos, poupa pulmão e classicamente não causa arterite temporal, cursando com mononeurite, HAS e envolvimento renal/mesentérico. Takayasu acomete grandes vasos, mas em mulheres jovens (< 40 anos), com claudicação de membros e ausência de pulsos. Cefaleia em salvas ocorre em jovens, com dor periorbitária e sinais autonômicos, sem elevação de provas inflamatórias.
Mulher, 42 anos, com histórico de asma de difícil controle e rinossinusite crônica com polipose nasal, evolui em 2 meses com parestesias e déficit motor em pé direito (padrão de mononeurite múltipla), lesões purpúricas em membros inferiores e febre. Exames: eosinofilia de 4.800/mm³ (VR até 500), IgE elevada, p-ANCA (anti-MPO) positivo. Radiografia de tórax com infiltrados pulmonares migratórios. Qual o diagnóstico mais provável?
Correta: a tríade asma + eosinofilia acentuada + vasculite (mononeurite múltipla, púrpura, infiltrados migratórios) com ANCA anti-MPO define granulomatose eosinofílica com poliangeíte (EGPA/Churg-Strauss). A granulomatose com poliangeíte cursa com acometimento de vias aéreas superiores destrutivo, nódulos/cavitações pulmonares e glomerulonefrite, tipicamente c-ANCA/anti-PR3, sem asma nem eosinofilia marcante. A poliangeíte microscópica causa glomerulonefrite e capilarite pulmonar com anti-MPO, mas sem asma, granulomas ou eosinofilia proeminente. A síndrome hipereosinofílica tem eosinofilia sustentada com lesão de órgão, porém sem asma/ANCA e sem vasculite necrotizante. A aspergilose broncopulmonar alérgica cursa com asma e eosinofilia, mas com IgE anti-Aspergillus, bronquiectasias centrais e sem vasculite sistêmica ou neuropatia.
Homem, 55 anos, é admitido com 3 semanas de tosse, hemoptise, sinusite com secreção sanguinolenta e crostas nasais, além de artralgias. Nos últimos dias evoluiu com edema e oligúria. Exames: creatinina 3,8 mg/dL (VR 0,7–1,3), ureia 140 mg/dL; urina com hematúria dismórfica e cilindros hemáticos; c-ANCA (anti-PR3) positivo. TC de tórax com nódulos cavitados bilaterais. Biópsia renal mostra glomerulonefrite necrosante pauci-imune com crescentes. Além de pulsoterapia com corticoide, qual a conduta de indução de remissão mais apropriada para esta doença grave com acometimento renal e pulmonar?
Correta: Trata-se de granulomatose com poliangeíte (Wegener) com doença órgão-ameaçadora (glomerulonefrite rapidamente progressiva pauci-imune + hemorragia/nódulos pulmonares, anti-PR3). A indução de remissão nas vasculites ANCA graves é corticoide em altas doses associado a rituximabe OU ciclofosfamida (diretrizes ACR/EULAR); rituximabe é preferencial em muitos cenários. Azatioprina é droga de manutenção, não de indução na doença grave. Metotrexato só é aceitável para indução em doença não grave/sem acometimento renal significativo, contraindicado nesta creatinina elevada. Colchicina não tem papel em vasculite ANCA. A imunoglobulina IV é terapia adjuvante/de resgate, não agente único de indução padrão.
Mulher, 72 anos, hipertensa, queixa-se de cefaleia holocraniana com predomínio temporal direito, iniciada há cerca de 3 semanas, de intensidade progressiva. Relata dor à mastigação (claudicação de mandíbula) e sensibilidade do couro cabeludo ao pentear os cabelos. Ontem apresentou episódio de turvação visual transitória no olho direito. Ao exame: artéria temporal direita endurecida, tortuosa e dolorosa à palpação, com pulso reduzido. Exames: VHS 82 mm/h (VR até 20) e PCR 9,4 mg/dL (VR < 0,5). Qual é a conduta imediata mais apropriada?
Correta: o quadro é típico de arterite de células gigantes (arterite temporal): idade > 50 anos, cefaleia temporal nova, claudicação de mandíbula, sensibilidade do couro cabeludo, artéria temporal anormal e provas inflamatórias muito elevadas (VHS/PCR). A amaurose transitória sinaliza risco iminente de perda visual permanente por neuropatia óptica isquêmica — por isso a corticoterapia em altas doses deve ser iniciada IMEDIATAMENTE, sem aguardar a biópsia. A biópsia confirma o diagnóstico, mas permanece positiva por 1–2 semanas após início do corticoide; adiar o tratamento arrisca cegueira irreversível. Sumatriptano: trata enxaqueca/cluster, não vasculite — e triptanos são contraindicados em idosa com doença vascular. AINE + reavaliar em 30 dias: subtratamento de uma emergência oftalmológica. Adiar para RM: a imagem não substitui o tratamento urgente diante de sintoma visual.
Mulher, 72 anos, procura o pronto-socorro com cefaleia temporal direita há 3 semanas, dor à mastigação (claudicação de mandíbula) e um episódio de perda visual monocular transitória no olho direito há 2 horas. Ao exame: artéria temporal direita endurecida e dolorosa à palpação, sem sopros carotídeos; acuidade visual atualmente preservada. Exames: VHS 92 mm/1ª h (VR < 30) e PCR 14 mg/dL (VR < 0,5). A tomografia de crânio é normal. Qual é a conduta imediata mais apropriada?
O quadro é arterite de células gigantes (arterite temporal) com sintoma isquêmico ocular (amaurose fugaz) — uma emergência, pois a perda visual pode tornar-se irreversível e bilateral em horas a dias. Na presença de acometimento visual, recomenda-se pulsoterapia IV com metilprednisolona (0,5–1 g/dia por 3 dias); a biópsia não deve atrasar o tratamento, pois permanece positiva por 1–2 semanas de corticoide. Correta por isso. Errada: postergar o corticoide para aguardar biópsia arrisca cegueira irreversível — o corticoide vem primeiro. Errada: AAS é adjuvante, não substitui corticoide na doença com isquemia ocular. Errada: dose baixa/oral é insuficiente diante de sintoma visual, que exige pulso IV. Errada: tocilizumabe é poupador de corticoide/para recidiva, nunca indução isolada sem corticoide.
Mulher, 28 anos, previamente hígida, com quadro de 4 meses de fadiga, tontura ao esforço e dor nos braços ao elevá-los (claudicação de membros superiores). Ao exame: PA em membro superior direito 150/92 mmHg e em membro superior esquerdo 98/60 mmHg; pulso radial esquerdo reduzido; sopro em região supraclavicular esquerda e sopro abdominal. FC 84 bpm, ausculta cardiopulmonar sem outras alterações. Exames: VHS 68 mm/1ª h (VR < 20), PCR elevada; ANCA e FAN negativos. Qual é o diagnóstico mais provável?
Vasculite de grandes vasos (aorta e ramos) em mulher jovem (< 40 anos), com assimetria pressórica > 10 mmHg entre os braços, diminuição de pulso, sopros arteriais e provas inflamatórias elevadas — quadro clássico de arterite de Takayasu. Correta: Errada: arterite de células gigantes acomete pacientes > 50 anos, tipicamente artérias temporais/craniais, não a apresentação de 'doença sem pulso' em jovem. Errada: poliarterite nodosa afeta artérias de médio calibre (rins, mesentério, nervos), cursa com microaneurismas e não produz assimetria de pulso em grandes vasos nem VHS tão marcante como padrão dominante. Errada: granulomatose com poliangiite acomete via aérea superior/inferior e rim, é ANCA-positiva (c-ANCA/PR3), aqui negativo. Errada: displasia fibromuscular causa estenose renal/carotídea e HAS, mas é não inflamatória (VHS/PCR normais).
Mulher de 68 anos procura a unidade básica de saúde por cefaleia de início há cerca de cinco semanas, contínua, localizada na região temporal direita, de intensidade progressiva, que piora ao pentear os cabelos. Refere ainda dor na mandíbula ao mastigar, que a obriga a interromper as refeições, cansaço, febre baixa e perda de 3 kg. Há dois dias apresentou episódio de perda visual transitória no olho direito, com duração de poucos minutos. Ao exame: artéria temporal direita endurecida, dolorosa e com pulso reduzido. Exames: velocidade de hemossedimentação de 92 mm/h e proteína C reativa elevada. Diante desse quadro, a conduta imediata é
O caso preenche o padrão de arterite de células gigantes (arterite temporal): cefaleia nova após os 50 anos, temporal, com hipersensibilidade do couro cabeludo, claudicação de mandíbula (o sinal de maior razão de verossimilhança), sintomas constitucionais, artéria temporal alterada ao exame e VHS muito elevada. A amaurose fugaz indica isquemia do nervo óptico iminente. Correta: iniciar corticoide sistêmico IMEDIATAMENTE, sem aguardar a biópsia — a perda visual, uma vez instalada, é irreversível, e a biópsia permanece positiva por 1 a 2 semanas após o início do corticoide. AINE não previne a cegueira e postergar o corticoide até a confirmação histológica é erro grave. Amitriptilina para cefaleia tensional ignora todos os sinais de alarme (idade > 50 anos, cefaleia nova e progressiva, sintomas sistêmicos). Solicitar RM e adiar o tratamento também retarda a única medida que protege a visão; a neuroimagem não faz o diagnóstico de arterite temporal.
Uma mulher de 68 anos, hipertensa em uso de losartana, procura a Unidade Básica de Saúde relatando dor e rigidez intensas em ombros, região cervical e quadris, iniciadas de forma relativamente abrupta há sete semanas. Descreve rigidez matinal de aproximadamente duas horas, com grande dificuldade para pentear os cabelos e para levantar-se da cadeira pela manhã. Refere ainda astenia, febrícula vespertina e perda de 3 kg no período. Ao exame: dor à mobilização ativa dos ombros com limitação antálgica, ausência de sinovite periférica, força muscular preservada quando vencida a dor, sem atrofias musculares. Exames: hemoglobina 10,8 g/dL (normocítica), VHS 82 mm/h, PCR 6,4 mg/dL, CPK normal, FAN não reagente. Quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta?
Correta: mulher acima de 50 anos com dor e rigidez matinal prolongada em cinturas escapular e pélvica, sintomas constitucionais e VHS/PCR muito elevadas configura polimialgia reumática. O tratamento é prednisona em dose baixa (12,5–25 mg/dia, tipicamente 15 mg/dia), com resposta clínica dramática em poucos dias — resposta que funciona como apoio diagnóstico —, sempre acompanhada de vigilância para arterite de células gigantes, que coexiste em parcela dos casos e ameaça a visão. Polimiosite cursa com fraqueza muscular proximal objetiva e CPK elevada, ausentes aqui (força preservada, CPK normal), e não justificaria dose imunossupressora plena. Osteoartrite não provoca VHS de 82 mm/h, anemia inflamatória, febrícula nem rigidez matinal de duas horas. Fibromialgia é o principal diferencial de dor musculoesquelética crônica, mas cursa com provas inflamatórias NORMAIS e instalação insidiosa, sem perda ponderal ou anemia — a VHS elevada é o dado que a exclui.
Mulher de 71 anos comparece à unidade básica de saúde queixando-se de cefaleia contínua, de predomínio temporal direito, iniciada há três semanas e com intensidade progressiva. Refere que nunca teve dores de cabeça ao longo da vida. Associa dor na mandíbula ao mastigar, que a obriga a interromper as refeições, além de perda de 3 kg, febre baixa vespertina e rigidez matinal nas cinturas escapular e pélvica. Nega trauma craniano, náuseas ou vômitos. Ao exame físico: PA 130x80 mmHg, temperatura axilar 37,6 °C, artéria temporal direita endurecida, dolorosa e com pulso reduzido à palpação; exame neurológico sem déficits focais; fundoscopia normal. Exames complementares: VHS 96 mm na 1ª hora e proteína C reativa elevada. Nesse caso, o diagnóstico e a conduta são, respectivamente,
A vinheta reúne sinais de alarme (red flags) de cefaleia secundária: início após os 50 anos, cefaleia nova em paciente sem história prévia, progressiva, com sintomas sistêmicos (febre, perda ponderal) e VHS muito elevada. A associação de claudicação mandibular, artéria temporal endurecida e dolorosa, polimialgia reumática e VHS > 50 mm/1ª hora configura arterite de células gigantes. Por ser a principal causa evitável de amaurose irreversível, a corticoterapia sistêmica em dose alta deve ser iniciada IMEDIATAMENTE, sem aguardar a biópsia da artéria temporal (que permanece positiva por até 2 semanas após o início do corticoide) — daí a alternativa correta. A cefaleia tensional não cursa com febre, emagrecimento, VHS de 96 mm nem alteração da artéria temporal, e postergar 30 dias arriscaria a visão da paciente. A neuralgia do trigêmeo produz dor paroxística, em choque, de segundos, desencadeada por gatilhos cutâneos — e não dor contínua de três semanas com claudicação mandibular durante a mastigação (isquemia do masseter, não dor neuropática). A hemorragia subaracnóidea manifesta-se como cefaleia súbita, em trovoada, com pico em segundos e frequentemente rigidez de nuca, o que não corresponde ao quadro subagudo e progressivo descrito.
Mulher de 72 anos comparece à UBS com cefaleia temporal contínua há 3 semanas, de piora progressiva. Relata dor ao mastigar que a obriga a interromper as refeições (claudicação de mandíbula) e dor no couro cabeludo ao pentear os cabelos. Na véspera, teve um episódio de escurecimento visual transitório no olho direito. Ao exame, a artéria temporal direita está endurecida e dolorosa. VHS de 88 mm/h. Qual a conduta imediata mais apropriada?
Cefaleia nova em paciente acima de 50 anos com claudicação de mandíbula, dor no couro cabeludo, amaurose fugaz e VHS muito elevado configura arterite de células gigantes (temporal), red flag com risco iminente de cegueira irreversível. A corticoterapia deve ser iniciada IMEDIATAMENTE, sem aguardar a biópsia (que segue positiva por dias após o corticóide) — por isso esperar a biópsia está errado. AINE não previne a neuropatia óptica isquêmica, e tratar como cefaleia primária com triptano/propranolol ignora a emergência.
Mulher de 72 anos comparece ao ambulatório com cefaleia temporal esquerda contínua, de moderada a forte intensidade, há três semanas, sem resposta a dipirona e paracetamol. Relata dor na mandíbula ao mastigar carne, que a obriga a interromper a refeição, dor ao pentear os cabelos, febre baixa vespertina e perda de 4 kg em dois meses. Ontem apresentou episódio autolimitado de perda visual monocular à esquerda com duração de 10 minutos. Exame: artéria temporal esquerda endurecida, dolorosa e com pulso reduzido. Exames: VHS 96 mm/h, PCR 12 mg/dL, hemoglobina 10,2 g/dL. Assinale a conduta imediata mais adequada.
Idade acima de 50 anos, cefaleia temporal de início recente, claudicação de mandíbula, hipersensibilidade do couro cabeludo, sintomas constitucionais, artéria temporal anormal ao exame e provas inflamatórias muito elevadas configuram arterite de células gigantes (critérios do ACR) — e a amaurose fugaz sinaliza neuropatia óptica isquêmica iminente, com risco de cegueira irreversível e bilateralização em dias. A conduta é iniciar corticoide em dose alta (pulsoterapia com metilprednisolona diante de sintoma visual) IMEDIATAMENTE, sem esperar exame algum. Aguardar a biópsia é erro clássico: o corticoide não negativa o achado histológico por pelo menos 1 a 2 semanas, de modo que a biópsia permanece útil depois, mas a visão perdida não retorna. AAS isolado é apenas adjuvante, não controla a arterite. Solicitar RM e adiar a terapia repete o mesmo erro de atrasar o corticoide diante de red flag visual.
Mulher de 72 anos procura a unidade de pronto atendimento com cefaleia temporal direita contínua, de início há cinco semanas, descrita como nova e diferente de qualquer dor prévia. Relata dor na mandíbula ao mastigar, que a obriga a interromper as refeições, e desconforto ao pentear os cabelos. Nas últimas 24 horas apresentou dois episódios de perda visual transitória à direita. Ao exame: artéria temporal direita endurecida e dolorosa à palpação. Exames: velocidade de hemossedimentação de 92 mm/h e proteína C reativa elevada. Assinale a conduta inicial mais adequada.
Cefaleia nova após os 50 anos, claudicação de mandíbula, hipersensibilidade do couro cabeludo, artéria temporal endurecida, provas inflamatórias muito elevadas e amaurose fugaz configuram arterite de células gigantes com ameaça visual: a corticoterapia sistêmica em dose alta deve ser iniciada imediatamente, pois a cegueira é irreversível e a biópsia permanece informativa por cerca de duas semanas após o início do corticoide. Aguardar a biópsia antes de tratar expõe a paciente à perda visual definitiva. Anti-inflamatório não esteroidal com reavaliação tardia não controla a vasculite nem previne a cegueira. Adiar o tratamento à espera de ressonância é conduta inaceitável diante de sinal de alarme visual.
De acordo com os critérios de inclusão do PCDT do Ministério da Saúde de 2025 para vasculites associadas a ANCA, em quais situações uma pessoa adulta com poliangiite microscópica ativa e grave pode receber rituximabe para indução de remissão pelo protocolo?
O PCDT citado exige idade de pelo menos 18 anos e contempla diagnóstico recente em idade fértil com indicação de indução, ou recidiva de doença ativa e grave, descrita no texto como refratariedade à ciclofosfamida. A elegibilidade federal não deve ser substituída por uma indicação clínica mais ampla sem identificar a fonte. O protocolo não exige falha prévia de dois imunossupressores nem estabelece o ponto de corte de atividade proposto no distrator. O estado reprodutivo precisa ser avaliado; a idade cronológica isolada não o define.
Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas vigente, qual é o esquema de ciclofosfamida preconizado para indução de remissão na vasculite associada ao ANCA?
O protocolo prescreve 15 mg/kg por via intravenosa, três aplicações no primeiro mês com intervalo de duas semanas e depois a cada três semanas, por até três a seis meses ou até a remissão, com ajuste pela contagem de linfócitos mantida em torno de mil células por milímetro cúbico e infusão de sessenta a cento e vinte minutos. O esquema oral contínuo por doze meses sem ajuste contraria o próprio texto, que registra maior dose cumulativa e mais eventos adversos por essa via. A dose por metro quadrado a cada quatro semanas pertence a protocolos oncológicos, não a este. Ajuste apenas pela creatinina é o eixo da recomendação da sociedade de especialidade, que reduz por idade e por função renal — o texto federal ajusta por linfócitos. E dose única não corresponde a nenhuma das duas réguas.
Paciente de 47 anos com granulomatose com poliangiite e glomerulonefrite rapidamente progressiva apresenta creatinina de 6,4 mg/dL, sem hemorragia alveolar. A equipe discute plasmaférese. Considerando o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas vigente do Ministério da Saúde, qual é a conduta que corresponde ao documento?
O protocolo cita o ensaio clínico randomizado que não encontrou redução de morte nem de doença renal terminal com plasmaférese e conclui que o procedimento não é recomendado como terapia de indução, no recém-diagnosticado ou na recaída. Marcar o procedimento pelo limiar de 5,8 mg/dL responde pela recomendação da sociedade de especialidade, de 2017, que o indica com grau A — é a régua correta em outro recorte, e é por isso que o enunciado ancorou no protocolo. Condicionar à hemorragia alveolar contraria a própria recomendação da sociedade, que marca grau D e evidência insuficiente para essa situação. O esquema descrito é de sete sessões em dias alternados, não diárias consecutivas. E em nenhuma das duas réguas a plasmaférese substitui o imunossupressor: quando usada, é adicional.
Homem de 66 anos, febril há dois meses, com perda ponderal, púrpura em membros inferiores, creatinina de 2,2 mg/dL e sedimento urinário ativo, tem pesquisa de anticorpo anticitoplasma de neutrófilos positiva. Qual conduta deve preceder o início da imunossupressão?
A endocardite bacteriana subaguda reproduz o quadro por inteiro — febre arrastada, perda de peso, púrpura e glomerulonefrite — e o protocolo registra que ela pode cursar com resultado falso-positivo do anticorpo. Imunossuprimir quem tem bacteriemia é o erro mais caro dessa vinheta, e a mesma armadilha vale para o usuário de cocaína adulterada com levamisol. A ressonância de tórax não confirma nem afasta o diagnóstico: a norma diz explicitamente que os exames de imagem apenas avaliam a extensão da doença. Tratar a sorologia positiva como confirmação ignora justamente o falso-positivo em questão. As crioglobulinas investigam outro grupo de vasculite, por imunocomplexos, e não confirmam a forma pauci-imune. Repetir a sorologia em quatro semanas adia a decisão num paciente com creatinina subindo.
Sobre os instrumentos de avaliação de pacientes com vasculite associada ao ANCA, assinale a afirmativa correta.
A terceira versão do escore de atividade avalia nove órgãos ou sistemas, varia de 0 a 64 pontos, define remissão como pontuação zero e atividade a partir de um ponto, com janela de quatro semanas para item novo ou que piorou e de três meses para atividade persistente. Incluir dano permanente na pontuação de atividade é exatamente o que o instrumento proíbe, ao lado de infecção ativa — contar sequela como atividade leva a imunossuprimir quem não tem doença ativa. O índice de dano é cumulativo e só sobe: ele não regride com a remissão. Três órgãos e vinte pontos não correspondem a nenhum dos dois instrumentos. E o prazo do índice de dano é de três meses, não de quatro semanas, coincidindo com a janela da atividade persistente.
Qual das entidades abaixo está expressamente excluída dos critérios de inclusão do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Vasculite Associada aos Anticorpos Anti-citoplasma de Neutrófilos?
Uma nota do protocolo exclui expressamente a forma eosinofílica, justificando que a fisiopatologia e o tratamento são distintos — e, na consulta pública, o pedido de incorporar mepolizumabe para ela também foi recusado. Isso produz o desencontro que a prova explora: a doença consta da definição internacional reproduzida na abertura da norma e está fora do documento inteiro. A granulomatose com poliangiite e a poliangiite microscópica são exatamente as que o protocolo cobre e as únicas com código listado. A vasculite renal limitada está incluída nos critérios de inclusão, embora não tenha código próprio na norma nem menção na elegibilidade ao biológico. Glomerulonefrite necrosante pauci-imune é a lesão histológica dessas doenças, não uma entidade excluída.
Antes da primeira infusão de rituximabe em paciente com vasculite associada ao ANCA, qual conjunto de medidas o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas determina?
A norma determina sorologias para vírus da imunodeficiência humana, hepatite B, hepatite C e sífilis; radiografia de tórax para todos, independentemente de sinais e sintomas, mais prova tuberculínica ou ensaio de liberação de interferona-gama, com tratamento da infecção latente a partir de cinco milímetros ou de ensaio reagente e início do biológico quatro semanas depois; avaliação e tratamento de helmintíases e protozooses, com atenção à estrongiloidíase; e dosagem basal de imunoglobulinas séricas com contagem de linfócitos B. Restringir a hemograma e creatinina confunde os exames que pontuam atividade com os que autorizam imunossupressão. Dispensar a radiografia em assintomáticos contraria a frase expressa do texto. Ecocardiograma transesofágico e densitometria não constam desse preparo. E a vacinação deve preceder a infusão sempre que possível, não coincidir com ela.
Homem de 62 anos apresenta, há três meses, crostas nasais, epistaxe de repetição e obstrução nasal refratária a dois cursos de antibiótico, associados a perda de 8 kg e artralgia. Nas últimas duas semanas, surgiram tosse com raias de sangue e edema de membros inferiores. Exames: creatinina 2,8 mg/dL (0,8 mg/dL há um ano), urina I com hematúria dismórfica e cilindros hemáticos; tomografia de tórax com nódulos bilaterais, alguns cavitados. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
A combinação de doença destrutiva de via aérea superior, nódulos pulmonares cavitados e glomerulonefrite com sedimento ativo é o retrato da granulomatose com poliangiite, que se apresenta de cima para baixo e faz glomerulonefrite necrosante segmentar e focal pauci-imune. Atribuir o quadro a tuberculose com amiloidose não explica a evolução renal em um ano nem a epistaxe destrutiva. Poliarterite nodosa é vasculite de médio calibre e, por definição, não faz glomerulonefrite — faz aneurismas e hipertensão renovascular. A arterite de células gigantes acomete grandes vasos em pacientes acima de cinquenta anos, com cefaleia e claudicação de mandíbula, sem nódulos cavitados nem sedimento ativo. Sarcoidose pode acometer nariz e rim, mas não cursa com nódulos cavitados nem com cilindros hemáticos.
Paciente de 39 anos com poliangiite microscópica pesa 105 kg e receberá prednisona oral na indução, conforme o teto explicitado tanto no protocolo federal quanto nas recomendações da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Qual dose diária ele deve receber, e a quanto ela corresponde por quilograma?
Um miligrama por quilo em 105 kg daria 105 mg, acima do teto de 80 mg/dia; aplicado o teto, a dose administrada é 80 mg, o que equivale a 0,76 mg/kg/dia — valor que ainda cabe na faixa de 0,5 a 1,0 mg/kg/dia da recomendação da sociedade. É esse o ponto: acima de 80 kg a regra por quilo deixa de valer, e o teto governa. Prescrever 105 mg ignora o limite que os dois documentos escrevem. Descer a 52,5 mg aplica o piso da faixa sem justificativa clínica no enunciado. Sessenta miligramas não corresponde a nenhum dos dois cálculos. E 120 mg ultrapassa o teto em vez de respeitá-lo.
Uma banca cita o Relatório para Sociedade da Conitec de outubro de 2025 sobre os ensaios de ELISA para mieloperoxidase e para proteinase 3 na vasculite associada ao ANCA. Qual afirmativa corresponde ao que o documento registra?
O comitê recomendou preliminarmente, por unanimidade, a incorporação dos dois ensaios, apontando a necessidade do exame para pacientes que não possam realizar biópsia, e o relatório registra com clareza que nenhum estudo comparou as tecnologias avaliadas com a biópsia renal ou pulmonar — o que existe é desempenho em pacientes já diagnosticados, com especificidade acima de noventa e cinco por cento. Afirmar equivalência comprovada por comparação direta é exatamente o que o documento nega. Confundir registro sanitário com incorporação é o erro conceitual central: os dois ensaios tinham registro na agência desde 2023 e 2024, e o protocolo de 2025 ainda os declarava indisponíveis no sistema público. Não houve recomendação de não incorporação. E os ensaios foram avaliados para as duas formas cobertas pelo protocolo, não para a forma eosinofílica, que está fora dele.
Homem de 48 anos apresenta há dois meses febre, perda de 9 kg, mialgia intensa e hipertensão arterial de início recente. Evoluiu com pé caído à direita e, semanas depois, com fraqueza de punho à esquerda. Refere dor abdominal após as refeições. Creatinina 1,0 mg/dL, sedimento urinário sem hematúria dismórfica e sem cilindros; pesquisa de anticorpo anticitoplasma de neutrófilos negativa; HBsAg reagente. A angiografia mesentérica mostra microaneurismas saculares. Qual é o diagnóstico?
A poliarterite nodosa é vasculite de vasos de médio calibre: cursa com sintomas constitucionais, mononeurite múltipla, hipertensão de início recente e angina abdominal, não faz glomerulonefrite e não tem o anticorpo anticitoplasma de neutrófilos. Suas marcas são o microaneurisma sacular à angiografia e a associação com hepatite B, e o caso traz as duas. As duas formas pauci-imunes típicas — a que combina vias aéreas superiores com glomerulonefrite e a que sobe pelo rim — exigiriam sedimento urinário ativo, ausente aqui, e costumam ter sorologia positiva. A forma eosinofílica pede asma e eosinofilia, que o caso não descreve. E a vasculite crioglobulinêmica anda com hepatite C, e não com hepatite B.
Homem de 45 anos apresenta hipertensão de início recente, mononeurite múltipla, dor abdominal, perda de peso e livedo reticular. Angiografia mostra microaneurismas em artérias renais e mesentéricas. Anticorpo anticitoplasma de neutrófilo negativo. Qual o diagnóstico?
Vasculite de médios vasos com microaneurismas viscerais, mononeurite múltipla, hipertensão renovascular e ausência de anticorpo anticitoplasma de neutrófilo é poliarterite nodosa, que caracteristicamente poupa os capilares pulmonares e os glomérulos. A poliangiite microscópica engana pelo quadro sistêmico semelhante, mas ela é uma vasculite de pequenos vasos, com anticorpo geralmente positivo, glomerulonefrite e hemorragia alveolar — manifestações ausentes aqui.
Mulher de 56 anos com hepatite C crônica apresenta púrpura palpável em membros inferiores, artralgias e parestesias distais. Exames: complemento C4 muito reduzido, fator reumatoide positivo, crioglobulinas séricas presentes. Qual o diagnóstico?
A tríade de púrpura, artralgia e fraqueza, somada a neuropatia periférica, consumo desproporcional de C4 e fator reumatoide positivo em portador de hepatite C, é a assinatura da crioglobulinemia mista — o vírus dirige a proliferação de clones de linfócitos B produtores dos crioprecipitados. A púrpura trombocitopênica engana quem vê lesão purpúrica, mas ali a lesão é plana e não palpável, e não há artralgia, neuropatia nem consumo de complemento.
Paciente com crioglobulinemia mista associada à hepatite C apresenta apenas púrpura cutânea e artralgias leves, sem acometimento renal ou neurológico grave. Qual a conduta terapêutica prioritária?
Nas manifestações leves a moderadas, tratar a causa é a estratégia principal: os antivirais de ação direta alcançam altas taxas de resposta virológica sustentada e frequentemente levam à remissão da vasculite, por retirarem o estímulo antigênico que sustenta o clone de linfócitos B. Iniciar imunossupressão pesada engana quem trata a vasculite como doença autoimune primária, e nesse cenário ela é reservada às formas graves com acometimento renal, neurológico ou isquêmico.
Paciente de 60 anos com crioglobulinemia associada à hepatite C evolui com creatinina de 3,0 mg/dL, proteinúria nefrótica, hematúria dismórfica e hipertensão. Biópsia renal mostra glomerulonefrite membranoproliferativa com trombos hialinos intracapilares. Qual a conduta inicial?
O acometimento renal grave exige controle rápido da vasculite, e o anticorpo anti-CD20 depleta os clones de linfócitos B produtores das crioglobulinas, associado a corticoide e, nos casos mais graves, à plasmaférese. O antiviral entra para eliminar o gatilho, mas isoladamente é lento demais para um rim que está perdendo função em semanas. Confiar apenas no antiviral engana quem aplica a lógica das formas leves ao paciente com órgão nobre em risco.
Sobre a crioglobulinemia, qual cuidado laboratorial é essencial para não gerar resultado falsamente negativo?
As crioglobulinas precipitam no frio, e se a amostra esfriar antes da separação do soro elas ficam retidas no coágulo, produzindo resultado falso-negativo — por isso a coleta e o transporte devem ser feitos com o material aquecido a 37 °C. Refrigerar a amostra engana quem aplica a rotina de conservação de outros exames e é justamente o erro pré-analítico que mais atrapalha esse diagnóstico na prática.
Qual exame laboratorial e usado para monitorar atividade inflamatoria na arterite de Takayasu, com a ressalva de que pode ser normal em doenca ativa?
Velocidade de hemossedimentacao e proteina C reativa sao os marcadores usados no seguimento, mas ha uma armadilha importante: parte dos pacientes mantem progressao vascular com provas inflamatorias normais, de modo que o monitoramento exige tambem avaliacao clinica seriada de pulsos, pressao nos quatro membros, sopros e imagem periodica. Anticorpo antinuclear e fator reumatoide nao sao marcadores dessa vasculite. Complemento se consome em lupus e crioglobulinemia. O anticorpo anticitoplasma de neutrofilo caracteriza vasculites de pequenos vasos e e negativo aqui, sendo sua solicitacao util apenas para o diagnostico diferencial e nao para seguimento.
Qual criterio epidemiologico ajuda a diferenciar arterite de Takayasu de arterite de celulas gigantes, ja que ambas acometem grandes vasos?
As duas sao vasculites granulomatosas de grandes vasos com histologia semelhante, e a idade e o principal separador epidemiologico: Takayasu se manifesta tipicamente antes dos 40 anos, com forte predominio em mulheres, enquanto a arterite de celulas gigantes praticamente nao ocorre antes dos 50 anos. Ambas predominam em mulheres, o que torna falsa a afirmacao sobre homens. Febre e provas inflamatorias elevadas ocorrem nas duas. Ambas respondem bem ao corticoide, e essa resposta rapida e caracteristica sobretudo na arterite de celulas gigantes, onde a ausencia de melhora em poucos dias deve fazer rever o diagnostico.
Qual exame e o mais adequado para avaliar a extensao do acometimento vascular na arterite de Takayasu?
A avaliacao da arterite de Takayasu exige imagem de todo o territorio de grandes vasos, e angiotomografia ou angiorressonancia demonstram espessamento parietal, estenoses, oclusoes e dilatacoes aneurismaticas, com a tomografia por emissao de positrons ajudando a estimar atividade inflamatoria quando ha duvida. Ultrassonografia de arterias temporais e ferramenta da arterite de celulas gigantes. O cateterismo cardiaco avalia coronarias e nao mapeia o arco aortico e seus ramos de forma adequada. A radiografia de torax pode mostrar alargamento mediastinal, mas nao caracteriza a doenca. A cintilografia com pirofosfato investiga amiloidose cardiaca por transtirretina, contexto totalmente distinto.
Mulher de 55 anos apresenta múltiplas úlceras dolorosas em membros inferiores com púrpura palpável ao redor, associadas a artralgia e febre. Qual investigação é prioritária?
Úlceras múltiplas com púrpura palpável e sintomas sistêmicos apontam vasculite, e a investigação inclui provas inflamatórias, autoanticorpos e biópsia de pele que alcance a derme profunda, indispensável para caracterizar o acometimento vascular. Tratar como úlcera venosa engana porque a localização em pernas é a mesma e a compressão é a resposta automática, mas a púrpura palpável e o quadro sistêmico não pertencem à insuficiência venosa. O tratamento aqui é imunossupressor, não vascular nem de compressão.
Qual vasculite acomete preferencialmente vasos de pequeno calibre e cursa com glomerulonefrite e hemorragia alveolar, com anticorpo anticitoplasma de neutrofilo positivo?
A granulomatose com poliangiite acomete pequenos vasos, cursa com sindrome pulmao-rim, envolvimento de vias aereas superiores com sinusite destrutiva e nodulos pulmonares cavitados, e se associa a anticorpo anticitoplasma de neutrofilo com padrao citoplasmatico e especificidade antiproteinase 3. Arterite de celulas gigantes e Takayasu acometem grandes vasos e sao negativas para esse anticorpo. A poliarterite nodosa acomete vasos de medio calibre, poupa o glomerulo, associa-se a hepatite B e tambem e negativa para esse anticorpo, sendo o distrator mais dificil. A doenca de Behcet cursa com aftas orais e genitais, uveite e trombose venosa, com acometimento de vasos de qualquer calibre.
Qual vasculite deve ser suspeitada em jovem com aftas orais e genitais recorrentes, uveite e teste de patergia positivo?
Aftas orais recorrentes associadas a ulceras genitais, uveite, lesoes cutaneas pseudofoliculares e patergia positiva definem a doenca de Behcet, que se distingue por acometer vasos de qualquer calibre e por sua tendencia a trombose venosa e a aneurismas de arteria pulmonar, com prevalencia maior ao longo da antiga rota da seda. O lupus pode cursar com aftas, tipicamente indolores e palatinas, mas nao com ulceras genitais dolorosas e patergia. A sindrome de Sjogren cursa com secura ocular e oral. A artrite reativa reune uretrite, conjuntivite e artrite, sem ulceras genitais dolorosas recorrentes. A sarcoidose cursa com adenopatia hilar e granulomas nao caseosos.
Mulher de 27 anos apresenta claudicacao de membro superior esquerdo, tontura ao levantar e pulso radial esquerdo ausente. A pressao arterial e 142x88 mmHg no braco direito e nao mensuravel a esquerda. Ha sopro em regiao supraclavicular e velocidade de hemossedimentacao elevada. Qual a hipotese?
Mulher jovem com assimetria de pulsos e de pressao arterial, claudicacao de membro superior, sopros em grandes vasos e provas inflamatorias elevadas configura arterite de Takayasu, vasculite granulomatosa de grandes vasos que estenosa aorta e seus ramos principais, conhecida como doenca sem pulso. A arterite de celulas gigantes e a outra vasculite de grandes vasos, porem acomete pacientes acima de 50 anos e cursa com cefaleia temporal e polimialgia. Sindrome do desfiladeiro produz sintomas posicionais sem elevacao de provas inflamatorias. Disseccao traumatica exigiria historia de trauma. Aterosclerose precoce cursaria com dislipidemia grave, xantomas e acometimento coronariano, sem sinais inflamatorios sistemicos.
Qual e o tratamento inicial da arterite de Takayasu em atividade?
O tratamento comeca por controlar a inflamacao com corticoide em dose alta, associando desde cedo um poupador de corticoide, como metotrexato, azatioprina, micofenolato ou biologicos anti-TNF e anti-interleucina 6, dada a natureza cronica e recidivante da doenca. Intervir sobre as estenoses antes do controle inflamatorio e o erro classico, porque as taxas de reestenose e de complicacoes sao muito maiores com vasculite ativa, ficando a revascularizacao reservada a isquemia critica e feita idealmente em remissao. Anticoagulacao e antiagregacao isoladas nao tratam a inflamacao da parede. Nao se trata de doenca infecciosa, e o antibiotico nao tem papel.
Paciente com arterite de Takayasu em remissao clinica e laboratorial apresenta estenose critica sintomatica de arteria carotida. Qual a conduta?
A revascularizacao deve ocorrer com a doenca em remissao, porque intervir na fase inflamatoria aumenta reestenose, trombose e complicacoes de anastomose; em lesoes extensas a cirurgia com bypass costuma ter melhores resultados que a angioplastia, e a imunossupressao e mantida no periodo perioperatorio. Intervir em atividade e o erro central da questao. Manter apenas tratamento clinico diante de estenose carotidea critica e sintomatica expoe a acidente vascular cerebral. Suspender a imunossupressao antes do procedimento pode reativar a vasculite justamente quando o vaso e manipulado. Anticoagulacao nao resolve estenose fixa por fibrose de parede.
Paciente com arterite de Takayasu apresenta hipertensao arterial de dificil controle. Qual causa deve ser investigada prioritariamente?
A hipertensao na arterite de Takayasu decorre frequentemente de estenose de arteria renal com hiperaldosteronismo secundario, e sua investigacao e obrigatoria porque muda a conduta, podendo indicar revascularizacao em doenca controlada. Vale ainda um cuidado pratico: a aferição da pressao em membro com estenose subclavia subestima os valores reais, e por isso deve-se medir nos quatro membros e usar o de maior valor como referencia, erro que leva a subtratamento perigoso. Feocromocitoma, hiperaldosteronismo primario e sindrome de Cushing sao causas secundarias possiveis, mas sem relacao com a vasculite. Coarctacao e congenita e cursa com gradiente entre membros superiores e inferiores desde a infancia.
Qual conjunto de manifestacoes caracteriza a fase sistemica inicial da arterite de Takayasu, frequentemente confundida com outras doencas?
A doenca tem uma fase pre-estenotica com sintomas inespecificos, febre, perda de peso, artralgia, mialgia e provas inflamatorias elevadas, que costuma ser rotulada como febre de origem indeterminada ou doenca reumatologica indefinida, atrasando o diagnostico por meses a anos ate surgirem claudicacao, sopros e assimetria de pulsos. Hipertensao isolada pode ocorrer, mas raramente e o unico achado. Deficit neurologico focal ocorre em parte dos casos por acometimento carotideo, nao em todos e nem sempre como primeira manifestacao. Poliuria e polidipsia nao integram o quadro. Purpura palpavel e manifestacao de vasculite de pequenos vasos, e nao de grandes vasos.
Homem de 45 anos com hepatite B cronica apresenta hipertensao de inicio recente, mononeurite multiplex, dor abdominal pos-prandial, livedo e nodulos subcutaneos. O anticorpo anticitoplasma de neutrofilo e negativo e a angiografia mostra microaneurismas em arterias renais e mesentericas. Qual o diagnostico?
Vasculite de vasos de medio calibre com mononeurite multiplex, hipertensao, isquemia mesenterica, livedo e microaneurismas a angiografia, anticorpo anticitoplasma de neutrofilo negativo e associacao com hepatite B define poliarterite nodosa; nela o glomerulo e poupado, ocorrendo isquemia renal por acometimento de arterias interlobulares, e o tratamento inclui antiviral quando ha hepatite B associada. Granulomatose com poliangiite e poliangiite microscopica acometem pequenos vasos, cursam com glomerulonefrite e sao habitualmente positivas para esse anticorpo. Takayasu acomete grandes vasos em mulheres jovens. A granulomatose eosinofilica com poliangiite cursa com asma, eosinofilia e polipose nasal.
Paciente com doenca de Behcet apresenta perda visual subita, com panuveite e vasculite retiniana ao exame de fundo. Qual a conduta?
O acometimento ocular posterior e uma das manifestacoes mais graves da doenca, com risco de cegueira em poucos episodios - exige corticoide sistemico associado desde o inicio a imunossupressor poupador, e os agentes anti-TNF sao usados nos casos graves ou refratarios. Corticoide topico engana porque resolve uveite anterior isolada, mas nao alcanca o segmento posterior. A colchicina tem papel nas manifestacoes mucocutaneas e articulares, nao nas oculares graves.
Paciente com manifestacoes exclusivamente mucocutaneas e articulares da doenca de Behcet, sem acometimento ocular, vascular ou neurologico. Qual o tratamento inicial mais apropriado?
A colchicina e a droga de escolha para aftose oral e genital recorrente, eritema nodoso e artrite da doenca, com boa tolerancia; corticoide topico ajuda nas lesoes mucosas e a apremilaste e alternativa para aftose refratária. Escalar para ciclofosfamida ou anti-TNF engana porque essas drogas sao decisivas nas formas graves de orgao - ocular, neurologica e vascular -, mas expor a essa toxicidade quem tem doenca mucocutanea e desproporcional. Ignorar as lesoes tambem e erro: elas afetam bastante a qualidade de vida.
Sobre o teste de patergia na doenca de Behcet, qual afirmacao esta correta?
A patergia traduz a hiperreatividade cutanea ao trauma minimo, com leitura de 24 a 48 horas apos a puncao: quando positiva, ajuda muito, mas sua sensibilidade e baixa e varia geograficamente, sendo bem menor em pacientes ocidentais que na chamada rota da seda. Usar a negatividade para excluir engana quem trata o teste como se fosse sorologia - a doenca nao tem marcador laboratorial especifico e o diagnostico permanece clinico.
Homem de 55 anos com sinusite cronica, nodulos pulmonares cavitados, hematuria com cilindros hematicos e ANCA anti-proteinase 3 positivo. Qual o diagnostico?
A triade de acometimento de vias aereas superiores, pulmao com nodulos cavitados e glomerulonefrite, com ANCA anti-proteinase 3 positivo, e o retrato da granulomatose com poliangeite - vasculite de pequenos vasos. A granulomatose eosinofilica com poliangeite engana por tambem ser vasculite ANCA-associada com acometimento respiratorio, mas cursa com asma, eosinofilia acentuada e ANCA anti-mieloperoxidase. A poliarterite nodosa poupa glomerulos e nao se associa a ANCA, e o Behcet nao cursa com esse padrao renal.
Sobre a classificacao das vasculites sistemicas pelo calibre do vaso acometido, qual associacao esta correta?
A organizacao por calibre orienta a suspeita clinica: grandes vasos dao claudicacao de membros, assimetria de pulsos e sopros; medios dao infarto de orgao, mononeurite multipla e microaneurismas; pequenos dao purpura palpavel, glomerulonefrite e hemorragia alveolar. Inverter Takayasu e poliarterite nodosa engana quem decora nomes sem associar a apresentacao. A doenca de Behcet e a excecao interessante: acomete vasos de TODOS os calibres, arteriais e venosos.
Homem de 28 anos, com afta oral recorrente ha 3 anos (mais de 3 episodios por ano), ulceras genitais dolorosas recidivantes, lesoes papulopustulosas cutaneas e episodio atual de uveite. Qual o diagnostico mais provavel?
Aftose oral recorrente e criterio obrigatorio nos criterios classicos, e a associacao com ulceras genitais recidivantes, lesoes cutaneas e acometimento ocular fecha o diagnostico de doenca de Behcet, uma vasculite que acomete vasos de todos os calibres, arteriais e venosos. O herpes engana porque tambem produz ulceras orais e genitais recorrentes, mas as lesoes sao vesiculosas agrupadas, com pródromo, e nao cursam com uveite posterior nem com patergia. A sifilis costuma dar ulcera genital indolor na fase primaria.
Paciente com doenca de Behcet apresenta cefaleia, febre, hemiparesia e lesao inflamatoria em tronco encefalico na ressonancia magnetica. Qual a conduta?
O neuro-Behcet parenquimatoso acomete preferencialmente o tronco encefalico e os nucleos da base, tem alta morbidade e exige corticoide em pulso seguido de imunossupressor de manutencao. Anticoagular isoladamente engana porque a forma NAO parenquimatosa, com trombose de seio venoso cerebral, tambem existe e ai a anticoagulacao tem papel - mas a lesao parenquimatosa descrita e inflamatoria, e o tratamento e imunossupressor. A colchicina nao alcanca manifestacoes graves de orgao.
Paciente com doenca de Behcet apresenta trombose venosa profunda extensa em membro inferior. Qual a conduta?
A trombose do Behcet e inflamatoria: o trombo adere a parede vasculitica, o risco de embolizacao e menor e a recorrencia se previne com imunossupressao, e nao apenas com anticoagulante. O reflexo de anticoagular isoladamente engana porque e a conduta correta em quase toda trombose venosa, mas aqui e insuficiente e traz um risco especifico - se houver aneurisma de arteria pulmonar, complicacao caracteristica da doenca, a anticoagulacao pode precipitar hemorragia fatal. Por isso a pesquisa de aneurismas precede a decisao.
Mulher de 34 anos com hepatite C crônica apresenta púrpura palpável, artralgia, neuropatia periférica e glomerulonefrite com consumo de C4 muito acentuado. Qual o diagnóstico?
Púrpura palpável, artralgia e neuropatia com glomerulonefrite e consumo desproporcional de C4 formam a apresentação da crioglobulinemia mista, quase sempre ligada à hepatite C — o padrão histológico habitual é membranoproliferativo. O tratamento passa pela terapia antiviral de ação direta, com rituximabe e plasmaférese nos casos graves ou com rápida perda de função. Reconhecer a associação é decisivo: tratar apenas com imunossupressão sem erradicar o vírus perpetua o estímulo antigênico e a doença renal. Fator reumatoide positivo com crioglobulinas séricas completa o quadro laboratorial.
Homem de 45 anos com lúpus apresenta parestesias e fraqueza em pé direito com incapacidade de dorsiflexão, e semanas depois quadro semelhante no membro superior esquerdo, em territórios de nervos distintos. Qual o diagnóstico?
O acometimento sequencial de nervos periféricos individuais em territórios não contíguos caracteriza a mononeurite múltipla, que em doença autoimune traduz vasculite dos vasa nervorum e exige imunossupressão. A polineuropatia diabética é o distrator mais comum na prática, mas seu padrão é simétrico, distal e ascendente, em bota e luva, e não salta de um nervo isolado para outro. Guillain-Barré cursa com fraqueza ascendente simétrica e arreflexia em dias. A miopatia por corticoide é proximal e sem alteração sensitiva.
Paciente com glomerulonefrite rapidamente progressiva pauci-imune e ANCA anti-PR3 positivo, com creatinina de 5,0 mg/dL. Qual o tratamento de indução?
A indução da vasculite associada ao ANCA com acometimento renal grave combina pulso de metilprednisolona com ciclofosfamida ou rituximabe, este último com eficácia equivalente e melhor perfil de toxicidade gonadal e vesical. Após a indução vem a manutenção, geralmente com rituximabe ou azatioprina, por período prolongado. Azatioprina não serve para induzir remissão, apenas para mantê-la — trocar as fases do tratamento é o erro que a questão testa. A profilaxia de pneumocistose com sulfametoxazol-trimetoprima é parte obrigatória do esquema, e o suporte isolado condena o rim.
Homem de 62 anos em tratamento de indução para vasculite ANCA com ciclofosfamida apresenta hematúria macroscópica sem outros achados. Qual a complicação mais provável?
A acroleína, metabólito da ciclofosfamida excretado na urina, é urotóxica e causa cistite hemorrágica, além de aumentar o risco de carcinoma de bexiga a longo prazo — a prevenção se faz com hidratação abundante e uso de mesna. A pista que separa da recidiva renal é o sedimento: aqui a hematúria é de origem urológica, sem dismorfismo eritrocitário nem cilindros hemáticos, e sem piora da função renal. Reconhecer a toxicidade da droga evita intensificar a imunossupressão em quem, na verdade, precisa de proteção vesical e eventual investigação cistoscópica.
Qual perfil de complemento sérico é esperado na glomerulonefrite rapidamente progressiva pauci-imune associada ao ANCA?
As vasculites associadas ao ANCA cursam tipicamente com complemento normal, o que ajuda a separá-las das glomerulonefrites por imunocomplexos. O padrão do complemento é uma ferramenta prática de raciocínio: consumo de C3 e C4 sugere lúpus e crioglobulinemia; consumo predominante de C3 com C4 normal aponta glomerulonefrite pós-infecciosa e glomerulopatia por C3; complemento normal acompanha nefropatia por IgA, doença antimembrana basal e vasculites ANCA. Esperar consumo de complemento numa doença ativa e grave é o reflexo intuitivo que a questão desmonta.
Homem de 47 anos apresenta sinusite crônica destrutiva, nódulos pulmonares cavitados e glomerulonefrite. ANCA com padrão citoplasmático e anti-PR3 positivo. Qual o diagnóstico?
O acometimento simultâneo de via aérea superior com destruição, pulmão com nódulos cavitados e rim, na presença de ANCA citoplasmático com especificidade anti-PR3, caracteriza a granulomatose com poliangeíte. A poliangeíte microscópica é o diferencial mais próximo, mas não tem granulomas nem acometimento destrutivo de via aérea superior, e associa-se mais ao padrão perinuclear anti-MPO. A forma eosinofílica cursa com asma, eosinofilia e polineuropatia. A poliarterite nodosa acomete vasos de médio calibre, poupa glomérulos e é ANCA negativa — distinção clássica de prova.
Qual profilaxia é obrigatória em paciente sob imunossupressão intensa para vasculite associada ao ANCA?
A combinação de corticoide em dose alta com ciclofosfamida ou rituximabe produz linfopenia importante e risco elevado de pneumonia por Pneumocystis jirovecii, infecção oportunista de alta letalidade nesse grupo — por isso a profilaxia com sulfametoxazol-trimetoprima é padrão durante a indução e enquanto persistir a imunossupressão intensa. Além dela, rastreiam-se hepatite B, tuberculose latente e estrongiloidíase antes de iniciar o tratamento, tratando quando indicado. Profilaxia antifúngica sistêmica e vancomicina não têm papel de rotina nesse cenário.
Mulher de 32 anos apresenta claudicação de membros superiores, assimetria de pulsos radiais, sopro em artéria subclávia e diferença de pressão arterial de 30 mmHg entre os braços. Qual o diagnóstico?
Mulher jovem com claudicação de membros superiores, assimetria de pulsos, sopros vasculares e diferença pressórica entre os braços caracteriza a arterite de Takayasu, vasculite de grandes vasos que acomete a aorta e seus ramos e é conhecida como doença sem pulso. A arterite de células gigantes é o diferencial de grandes vasos, mas acomete pacientes acima de 50 anos, com cefaleia temporal e claudicação de mandíbula — a idade é o discriminador prático. As demais são vasculites de pequenos vasos, com apresentação renal, pulmonar e cutânea.
Criança de 7 anos apresenta púrpura palpável em membros inferiores e nádegas, dor abdominal, artralgia e hematúria. Qual o diagnóstico?
Púrpura palpável em membros inferiores e nádegas com dor abdominal, artralgia e acometimento renal em criança é a vasculite por IgA, antiga púrpura de Henoch-Schönlein, mediada por imunocomplexos de IgA — a mesma imunoglobulina da nefropatia por IgA, que é sua contraparte renal isolada. A contagem de plaquetas é normal, o que a separa da púrpura trombocitopênica, cuja lesão é não palpável. Meningococcemia cursa com toxemia e choque de instalação rápida. O curso costuma ser autolimitado, mas o seguimento renal por meses é obrigatório.
Paciente com granulomatose com poliangeíte em remissão após indução com rituximabe. Qual a conduta de manutenção?
A vasculite associada ao ANCA recidiva com frequência, especialmente nos pacientes anti-PR3 e nos que tiveram acometimento de via aérea superior, e por isso a manutenção é prolongada — geralmente por pelo menos 18 a 24 meses após a remissão — com rituximabe ou azatioprina, associada à redução progressiva do corticoide. Suspender tudo ao alcançar a remissão é o erro que produz recidivas com nova perda de função renal. Corticoide isolado em dose alta indefinida acumula toxicidade sem controlar a doença, e repetir indução sem atividade expõe à toxicidade cumulativa da ciclofosfamida.
Homem de 38 anos, usuário de cocaína, apresenta lesões destrutivas de septo nasal, púrpura em pavilhão auricular, neutropenia e ANCA positivo com dupla especificidade anti-PR3 e anti-MPO. Qual a hipótese?
O levamisol, usado como adulterante da cocaína, produz um quadro que imita a granulomatose com poliangiite: lesões nasais destrutivas, púrpura retiforme com predileção por pavilhão auricular, neutropenia e ANCA frequentemente com dupla positividade anti-PR3 e anti-MPO, achado raríssimo na vasculite verdadeira. Reconhecer essa associação evita imunossuprimir por anos um paciente cuja doença regride com a suspensão da droga. O linfoma nasal é o outro grande diferencial das lesões destrutivas da linha média e exige biópsia com imuno-histoquímica.
Qual manifestação oftalmológica é característica da granulomatose com poliangeíte?
O acometimento ocular ocorre em parcela relevante dos pacientes e inclui pseudotumor orbitário com proptose e diplopia, esclerite necrosante, episclerite e ceratite ulcerativa periférica — manifestações que podem levar à perda visual e que às vezes abrem o quadro, antes do acometimento renal. Catarata e glaucoma podem aparecer, mas como complicações do corticoide, e não da doença em si, o que é uma distinção prática relevante no seguimento. Retinopatia diabética e degeneração macular não guardam relação com a vasculite.
Qual parâmetro é mais útil para monitorar atividade de doença em paciente com vasculite associada ao ANCA em seguimento?
O seguimento se apoia na avaliação clínica dirigida a cada órgão, no sedimento urinário — que denuncia recidiva renal antes da creatinina subir —, na função renal e nas provas inflamatórias. O título de ANCA sobe em parte das recidivas, mas também sobe sem doença ativa e permanece positivo em remissão, de modo que tratar apenas pela sorologia leva a imunossuprimir quem não precisa e a tranquilizar quem está recidivando. O complemento é normal nessas vasculites e não serve para monitorização, ao contrário do que ocorre no lúpus.
Qual exame complementar é característico da poliarterite nodosa e ajuda a diferenciá-la das vasculites de pequenos vasos?
A arteriografia com microaneurismas em rosário nos territórios renal e mesentérico é achado característico da poliarterite nodosa, que acomete vasos de médio calibre e por isso produz isquemia visceral, infartos renais e hipertensão renovascular, sem glomerulonefrite. O ANCA é negativo, o que a separa das vasculites de pequenos vasos — buscar ANCA e biópsia glomerular nesse paciente leva a resultados normais e a diagnóstico perdido. Vale lembrar da associação histórica com a hepatite B, que deve ser rastreada e tratada quando presente.
Segundo a classificação de Chapel Hill, qual vasculite acomete predominantemente vasos de médio calibre?
A poliarterite nodosa é a vasculite de vasos de médio calibre por excelência, ao lado da doença de Kawasaki, e sua característica prática é poupar os glomérulos — o rim é acometido por isquemia e microaneurismas, não por glomerulonefrite, e o ANCA é negativo. Granulomatose com poliangiite, vasculite por IgA e crioglobulinemia acometem pequenos vasos, e Takayasu compromete a aorta e seus ramos principais. Classificar pelo calibre do vaso é o atalho que organiza o raciocínio: ele prevê quais órgãos são atingidos e quais exames fazem sentido pedir.
Paciente com granulomatose com poliangeíte apresenta rouquidão progressiva e estridor. Qual a complicação a ser investigada?
A estenose subglótica é complicação característica da granulomatose com poliangeíte, decorrente da inflamação e da fibrose da via aérea, e merece atenção especial porque pode progredir para obstrução com risco de vida e nem sempre acompanha a atividade sistêmica da doença — o tratamento frequentemente exige abordagem local, com dilatação ou injeção intralesional, além da imunossupressão. Estridor com rouquidão em portador dessa vasculite obriga avaliação endoscópica da via aérea. Os demais diagnósticos são possíveis em qualquer paciente, mas não têm a associação específica.
Qual deformidade estrutural é característica da granulomatose com poliangeíte de longa evolução?
A inflamação granulomatosa destrói o septo nasal cartilaginoso e produz o nariz em sela, deformidade característica e por vezes o único sinal residual de doença prévia. É preciso lembrar dos diferenciais dessa deformidade: policondrite recidivante, sífilis congênita, hanseníase e uso crônico de cocaína, este último especialmente relevante porque a cocaína adulterada com levamisol pode cursar com ANCA positivo e lesões nasais destrutivas, simulando a vasculite. Pescoço de cisne e botoeira são deformidades da artrite reumatoide, sem relação com esse quadro.
Qual padrão de ANCA é mais frequentemente associado à granulomatose com poliangeíte?
A granulomatose com poliangeíte se associa predominantemente ao ANCA citoplasmático com especificidade contra a proteinase 3, enquanto a poliangeíte microscópica se liga mais ao padrão perinuclear anti-mieloperoxidase — associação que não é absoluta, mas tem valor diagnóstico e prognóstico, já que os pacientes anti-PR3 recidivam com mais frequência. A imunofluorescência deve sempre ser complementada pelo ensaio de especificidade antigênica. Uma parcela pequena dos pacientes é ANCA negativa, sobretudo nas formas limitadas, o que não exclui o diagnóstico.
Paciente com granulomatose com poliangeíte em uso de rituximabe apresenta, após 8 meses, novas lesões nasais, elevação de proteína C reativa e reaparecimento de hematúria dismórfica. Qual a conduta?
Retorno de sintomas com sedimento urinário ativo e provas inflamatórias em elevação levanta recidiva, que é frequente nessa vasculite — mas infecção precisa ser afastada em paralelo, porque o paciente está imunossuprimido e uma infecção pode tanto simular quanto desencadear a recidiva. Confirmada a atividade, o esquema é reavaliado, com nova indução conforme a gravidade. Suspender a imunossupressão diante de doença ativa é o oposto do indicado, e aumentar corticoide sem investigar pode mascarar um foco infeccioso em curso.
Mulher de 51 anos apresenta rinorreia purulenta persistente com crostas nasais, epistaxes de repetição, otite média serosa refratária, nódulos pulmonares cavitados e creatinina de 2,4 mg/dL com hematúria dismórfica. Qual a hipótese diagnóstica?
O acometimento simultâneo de via aérea superior com destruição, pulmão com nódulos cavitados e rim com sedimento nefrítico é a tríade que define a granulomatose com poliangeíte, e a persistência de sintomas nasais refratários a antibiótico é frequentemente o primeiro sinal, meses antes do quadro renal. Tuberculose é o diferencial obrigatório pelas cavitações e precisa ser afastada antes de imunossuprimir. Sarcoidose não destrói cartilagem nasal nem cursa com glomerulonefrite necrosante. Tratar como sinusite bacteriana é o que retarda o diagnóstico por meses nesses pacientes.
Qual achado histológico é característico da granulomatose com poliangeíte em biópsia pulmonar?
A combinação de inflamação granulomatosa com necrose geográfica e vasculite de pequenos vasos é a assinatura histológica da granulomatose com poliangeíte, e o rim costuma mostrar glomerulonefrite necrosante pauci-imune, sem granulomas. Granulomas não caseosos bem formados sugerem sarcoidose. Infiltrado eosinofílico com asma aponta a granulomatose eosinofílica com poliangeíte. Material proteináceo intra-alveolar caracteriza proteinose alveolar. É importante lembrar que a biópsia de mucosa nasal tem rendimento baixo, e o tecido renal ou pulmonar costuma ser mais informativo.
Qual achado sugere doença limitada, sem risco imediato de órgão, na granulomatose com poliangeíte?
A forma limitada acomete predominantemente via aérea superior e pulmão sem ameaça imediata a órgão, e admite indução menos agressiva, com metotrexato ou micofenolato associados ao corticoide, em vez de ciclofosfamida. Já a doença com glomerulonefrite, hemorragia alveolar, mononeurite múltipla progressiva ou isquemia visceral é grave e exige indução plena — classificar corretamente a gravidade define a intensidade do tratamento e o risco aceito. Vale ressaltar que a forma limitada pode progredir, o que exige vigilância mesmo em pacientes aparentemente estáveis.
Mulher de 62 anos com granulomatose com poliangiite em uso de ciclofosfamida e corticoide apresenta febre, dispneia progressiva, hipoxemia e infiltrado intersticial bilateral com lavado broncoalveolar positivo para Pneumocystis. Qual falha ocorreu no manejo?
Pacientes sob corticoide em dose alta associado a ciclofosfamida ou rituximabe têm risco elevado de pneumonia por Pneumocystis jirovecii, e a profilaxia com sulfametoxazol-trimetoprima é padrão durante a indução — sua omissão é falha evitável com desfecho potencialmente fatal. A infecção é, ao lado da própria atividade da vasculite, a principal causa de morte no primeiro ano de tratamento. As demais alternativas apontam ajustes terapêuticos que não guardam relação com a complicação apresentada, e aumentar a imunossupressão nesse momento seria agravar o quadro.
Antes de iniciar imunossupressão intensa em paciente com granulomatose com poliangeíte, qual rastreamento é obrigatório?
Antes de corticoide em dose alta associado a ciclofosfamida ou rituximabe, é obrigatório rastrear hepatite B — pelo risco de reativação, especialmente com rituximabe —, hepatite C, tuberculose latente e estrongiloidíase, esta última pelo risco de síndrome de hiperinfecção com o corticoide. A vacinação deve ser atualizada antes do início, e a profilaxia para pneumocistose entra durante o tratamento. Limitar-se a hemograma e função renal deixa o paciente exposto a complicações infecciosas evitáveis, que competem com a própria vasculite como causa de morte.
Homem de 44 anos com asma de difícil controle, rinossinusite com polipose, eosinofilia de 22%, infiltrados pulmonares migratórios e mononeurite múltipla. Qual o diagnóstico?
Asma de difícil controle com rinossinusite, eosinofilia marcante, infiltrados migratórios e mononeurite múltipla caracteriza a granulomatose eosinofílica com poliangiite, cujo ANCA — quando positivo, em menos da metade dos casos — costuma ser anti-mieloperoxidase, e cujos pacientes ANCA positivos têm mais acometimento renal. A granulomatose com poliangiite não cursa com asma e eosinofilia dessa magnitude, e é justamente essa a diferença que a questão testa. Aspergilose alérgica cursa com IgE muito elevada e sensibilização específica, sem vasculite sistêmica nem neuropatia.
Paciente com granulomatose com poliangiite apresenta hemoptise volumosa, queda de hemoglobina de 3 g/dL em 24 horas e infiltrado alveolar bilateral. Qual o diagnóstico e a conduta?
Hemoptise com infiltrado alveolar bilateral e queda de hemoglobina em portador de vasculite ANCA é hemorragia alveolar difusa, manifestação de risco imediato que exige pulso de corticoide com ciclofosfamida ou rituximabe, suporte ventilatório e discussão de plasmaférese nos casos graves, cujo papel foi restringido mas não abolido pelos ensaios recentes. Anticoagular esse paciente é o erro mais perigoso da lista, porque agrava o sangramento alveolar. Vale lembrar que a hemoptise pode estar ausente em parte dos casos, e a queda da hemoglobina com hipoxemia é o que denuncia.
Qual manifestação neurológica é característica das vasculites sistêmicas e traduz isquemia de vasa nervorum?
A mononeurite múltipla — déficit sensitivo e motor assimétrico em territórios de nervos individuais, instalado de forma sequencial — decorre da isquemia dos vasa nervorum e é altamente sugestiva de vasculite, aparecendo na poliarterite nodosa, na granulomatose eosinofílica com poliangiite e nas demais vasculites ANCA. A polineuropatia simétrica distal é o padrão do diabetes e das causas tóxico-metabólicas. Reconhecer esse achado tem peso prático: ele classifica a doença como grave, com ameaça a órgão, e indica indução plena em vez de esquema poupador.
Qual mecanismo é responsável pela hemorragia alveolar difusa nas vasculites associadas ao ANCA?
Nas vasculites associadas ao ANCA e na doença antimembrana basal glomerular, o mecanismo é a capilarite: inflamação com necrose fibrinoide dos capilares alveolares e infiltrado neutrofílico, que rompe a barreira alveolocapilar. Esse mecanismo diferencia das hemorragias por elevação da pressão hidrostática, como na estenose mitral, e das formas brandas por coagulopatia ou drogas — e a distinção importa porque só a capilarite responde a imunossupressão intensa. Reconhecer a categoria orienta desde a biópsia até a decisão sobre plasmaférese.
Qual o tratamento inicial da hemorragia alveolar difusa por capilarite em vasculite sistêmica?
A hemorragia alveolar por capilarite é emergência imunológica e o tratamento é pulso de metilprednisolona associado a ciclofosfamida ou rituximabe, com suporte ventilatório e discussão de plasmaférese nos casos graves e na doença antimembrana basal glomerular. Anticoagular é o erro mais perigoso da lista, já que agrava diretamente o sangramento — e vale lembrar que o paciente pode chegar anticoagulado por outro motivo, situação em que a reversão faz parte do manejo. Antibiótico costuma ser mantido empiricamente até afastar infecção, mas não trata a causa.
Homem de 24 anos com hemorragia alveolar difusa e glomerulonefrite rapidamente progressiva. Qual investigação sorológica é prioritária?
A síndrome pulmão-rim tem como principais causas a doença antimembrana basal glomerular e as vasculites associadas ao ANCA, além do lúpus — e a investigação prioritária é justamente a pesquisa desses anticorpos, colhida em paralelo à biópsia renal e ao início do tratamento nos casos graves. Uma parcela dos pacientes é duplamente positiva, para anti-membrana basal e ANCA, com implicação terapêutica e prognóstica própria. Os demais anticorpos listados investigam artrite reumatoide, doença celíaca e colangite biliar primária, sem relação com a síndrome.
Criança de 3 anos apresenta febre há 6 dias, conjuntivite bilateral não exsudativa, lábios fissurados com língua em framboesa, exantema polimorfo, edema de mãos e pés e linfonodo cervical de 2 cm. Qual o diagnóstico e a conduta?
Febre por cinco dias ou mais somada a conjuntivite não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfonodomegalia cervical define doença de Kawasaki, vasculite de médios vasos cuja gravidade está no risco de aneurisma coronariano. O tratamento com imunoglobulina endovenosa, idealmente nos primeiros dez dias, reduz drasticamente esse risco, e o ecocardiograma faz parte da avaliação. Tratar como escarlatina engana pela língua em framboesa, mas nela a conjuntivite e o edema de extremidades não fazem parte do quadro.
Sobre os anticorpos anticitoplasma de neutrófilos na investigação de vasculites, qual associação está correta?
O padrão citoplasmático corresponde tipicamente ao anticorpo antiproteinase 3 e predomina na granulomatose com poliangiite, enquanto o perinuclear corresponde à antimieloperoxidase e é mais frequente na poliangiite microscópica e na forma associada à eosinofilia. Trocar as associações engana quem memoriza os padrões sem ancorá-los nas doenças. Vale lembrar que existem vasculites ANCA-negativas, que o teste pode positivar em outras condições, e que o título isolado não deve guiar sozinho a decisão terapêutica.
Homem de 62 anos com cefaleia progressiva, déficits neurológicos focais recorrentes e alterações cognitivas, com ressonância mostrando múltiplos infartos em territórios distintos e líquor com discreta pleocitose. Investigação sistêmica de vasculite negativa. Qual hipótese deve ser considerada?
Cefaleia, déficits focais recorrentes e declínio cognitivo, com múltiplos infartos em territórios diferentes e alteração liquórica inflamatória, sem doença sistêmica, levantam angiite primária do sistema nervoso central. O diagnóstico é desafiador: a angiografia pode mostrar estenoses segmentares em rosário, mas é pouco específica, e a biópsia leptomeníngea e cortical permanece o padrão em casos selecionados. Atribuir a doença degenerativa engana e é o erro que retarda uma imunossupressão potencialmente eficaz.
Paciente com vasculite associada a ANCA, hemorragia alveolar grave e creatinina de 4,5 mg/dL em ascensão. Qual o esquema de indução de remissão?
Doença ANCA grave, com hemorragia alveolar e lesão renal rapidamente progressiva, exige indução com corticoide em dose alta somado a ciclofosfamida ou rituximabe, ambos com eficácia comparável, sendo o rituximabe preferido em jovens com preocupação de fertilidade e em recidivas. A plasmaférese, que já foi rotina, hoje é considerada em cenários selecionados de doença muito grave. Corticoide isolado ou metotrexato engana quem subestima a gravidade: metotrexato tem lugar apenas em doença não grave e sem acometimento de órgão vital.
Sobre a granulomatose eosinofílica com poliangiite, qual conjunto de achados é característico?
A forma eosinofílica se anuncia por asma frequentemente grave e de início tardio, rinossinusite com pólipos, eosinofilia periférica marcante e acometimento neurológico periférico na forma de mononeurite múltipla, com risco cardíaco relevante. O nariz em sela com nódulos cavitados pertence à granulomatose com poliangiite, e é o distrator que engana quem agrupa as duas doenças pela positividade do ANCA. Aneurismas renais com hepatite B apontam poliarterite nodosa, e os dois últimos descrevem vasculites de grandes vasos.
Homem de 56 anos apresenta hemoptise, dispneia progressiva e queda de hemoglobina de 12,8 para 8,4 g/dL em 5 dias. Tomografia mostra opacidades em vidro fosco difusas bilaterais. Creatinina de 3,2 mg/dL com hematúria dismórfica e cilindros hemáticos. Qual a hipótese principal?
A combinação de hemorragia alveolar — hemoptise, infiltrado difuso e queda de hemoglobina — com glomerulonefrite evidenciada por hematúria dismórfica e cilindros hemáticos define síndrome pulmão-rim, cujas causas principais são as vasculites associadas a ANCA e a doença anti-membrana basal glomerular. Pneumonia com lesão pré-renal engana quem separa os dois órgãos e trata como coincidência, mas o sedimento urinário ativo denuncia doença glomerular. O reconhecimento rápido importa porque a janela para preservar a função renal é curta.
Paciente com granulomatose com poliangiite apresenta dispneia progressiva, estridor inspiratório e tosse rouca, com curva fluxo-volume mostrando achatamento inspiratório e expiratório. Qual a complicação?
Estridor com achatamento das alças inspiratória e expiratória na curva fluxo-volume indica obstrução fixa de via aérea central, e na granulomatose com poliangiite a estenose subglótica é complicação característica, podendo evoluir de forma independente da atividade sistêmica e exigir intervenção local, como dilatação ou injeção de corticoide. Interpretar como asma engana quem ouve sibilo ou estridor e prescreve broncodilatador, sem valorizar a localização do ruído e o padrão da curva — o atraso pode levar à obstrução crítica.
Paciente com granulomatose com poliangiite em remissão apresenta elevação isolada do título de ANCA, sem sintomas, sem alteração do sedimento urinário e sem novos achados de imagem. Qual a conduta?
A elevação isolada do título de ANCA aumenta a probabilidade de recidiva futura, mas não a define: tratar com base apenas no número expõe o paciente a imunossupressão intensa sem doença ativa, e por isso a conduta é intensificar o seguimento clínico, o sedimento urinário e a imagem, agindo quando aparecerem sinais de atividade. Reiniciar indução pelo título engana quem transforma marcador em diagnóstico, enquanto suspender a manutenção nesse momento vai no sentido oposto e favorece a recidiva.
Sobre o diagnóstico histopatológico da granulomatose com poliangiite, qual achado é característico na biópsia pulmonar?
A histologia clássica reúne três elementos: necrose geográfica, inflamação granulomatosa e vasculite acometendo pequenos e médios vasos, o que a distingue de outras causas de nódulo cavitado. Granuloma não caseoso bem formado, sem vasculite, é o padrão da sarcoidose, e necrose caseosa com bacilos aponta tuberculose — confundi-los engana e leva a tratamentos opostos, já que um exige imunossupressão e o outro, antibacilares. Vale lembrar que a biópsia de vias aéreas superiores tem rendimento inferior ao da amostra pulmonar.
Paciente com nódulos pulmonares cavitados e suspeita de vasculite ANCA. Antes de iniciar imunossupressão intensa, qual conduta é obrigatória?
Nódulo cavitado tem infecção entre os principais diferenciais em país de alta prevalência de tuberculose, e imunossuprimir um paciente infectado pode ser catastrófico: por isso a investigação microbiológica é obrigatória antes da indução, junto com a confirmação sorológica e, quando factível, a histopatologia. Correr para a ciclofosfamida engana quem se convence pelo quadro clínico sugestivo e ignora que a mesma imagem tem duas explicações com tratamentos opostos. Em doença grave, essas etapas correm em paralelo, sem atrasar a terapia.
Sobre as manifestações vasculares da doença de Behçet, qual afirmativa está correta?
O Behçet produz trombose venosa por inflamação da parede, e não por trombofilia clássica, e pode gerar aneurismas arteriais, sendo os de artéria pulmonar particularmente perigosos por hemoptise maciça. A consequência prática é decisiva: o tratamento central é imunossupressor, e anticoagular um paciente com aneurisma pulmonar pode ser fatal. Tratar a trombose apenas com anticoagulante engana quem transporta o manejo do tromboembolismo comum e ignora que aqui o trombo é aderente e o problema é inflamatório.
Sobre o uso de sulfametoxazol-trimetoprima em pacientes com granulomatose com poliangiite, qual afirmativa está correta?
A associação tem dois papéis distintos nessa doença: profilaxia de Pneumocystis em pacientes sob corticoide em dose alta com ciclofosfamida ou rituximabe, e redução de recidivas em doença limitada às vias aéreas superiores, provavelmente por controlar a colonização nasal por estafilococo. Tratá-la como substituto da imunossupressão engana quem generaliza esse segundo efeito para a doença sistêmica grave, cenário em que a omissão da imunossupressão custa função renal e vida.
Sobre a prevenção de complicações da corticoterapia prolongada em pacientes com vasculite, qual conjunto de medidas é adequado?
A corticoterapia prolongada em idosos cobra caro, e a prevenção é parte do tratamento: avaliação de risco de fratura com reposição de cálcio e vitamina D e antirreabsortivo quando indicado, vigilância de glicemia e pressão, rastreio de catarata e glaucoma, e profilaxia de pneumocistose conforme dose e imunossupressor associado. Restringir cálcio engana quem teme litíase e agrava a perda óssea. Suspender abruptamente após semanas de uso expõe a insuficiência adrenal e a recidiva da vasculite.
Diante de paciente com vasculite cutânea confirmada por biópsia, qual investigação mínima deve ser realizada para avaliar acometimento sistêmico?
A vasculite pode ser limitada à pele ou ser a primeira manifestação de doença sistêmica, e a investigação mínima busca justamente separar as duas situações: sedimento urinário e função renal para detectar glomerulonefrite silenciosa, hemograma, provas inflamatórias, função hepática e pesquisa dirigida de sintomas pulmonares, neurológicos e gastrointestinais. Assumir que a doença é apenas cutânea engana e deixa passar acometimento renal assintomático, que é o que muda prognóstico e tratamento.
Homem de 52 anos com púrpura palpável recorrente em membros inferiores, artralgia, neuropatia periférica e proteinúria. Complemento C4 muito baixo, fator reumatoide positivo e sorologia positiva para hepatite C. Qual o diagnóstico?
Púrpura recorrente, artralgia, neuropatia e glomerulonefrite, com consumo desproporcional de C4, fator reumatoide positivo e hepatite C, compõem a vasculite crioglobulinêmica mista, em que imunocomplexos contendo o vírus se depositam nos pequenos vasos. O tratamento passa pela terapia antiviral, com imunossupressão nos casos graves. Lúpus engana pela positividade do fator reumatoide e pelo consumo de complemento, mas o padrão de consumo desproporcional de C4 com hepatite C é característico das crioglobulinas mistas.
Homem de 45 anos apresenta lesões purpúricas palpáveis em membros inferiores, simétricas, com predomínio distal, surgidas 10 dias após início de antibiótico. Sem febre, sem acometimento renal ou articular. Qual o diagnóstico e a conduta inicial?
Púrpura palpável em membros inferiores, simétrica e com predomínio em áreas dependentes, surgida na janela de uma a três semanas após início de medicamento, é a apresentação típica da vasculite leucocitoclástica cutânea de causa medicamentosa. A conduta é retirar o agente, oferecer suporte e vigiar acometimento sistêmico com exame de urina e função renal. Púrpura trombocitopênica engana quem vê lesão purpúrica sem checar a palpabilidade e a contagem plaquetária: nela as lesões são planas e as plaquetas estão baixas.
Mulher de 29 anos apresenta claudicação de membros superiores, assimetria de pressão arterial entre os braços de 30 mmHg, sopro em artéria subclávia e provas inflamatórias elevadas. Angiotomografia mostra espessamento e estenose de aorta e ramos. Qual o diagnóstico?
Mulher jovem com claudicação de membros superiores, assimetria pressórica significativa, sopros arteriais e comprometimento inflamatório da aorta e de seus ramos preenche o quadro da arterite de Takayasu, chamada doença sem pulso. A arterite de células gigantes acomete o mesmo território de grandes vasos, mas em idosos, com cefaleia temporal e claudicação de mandíbula — a idade é o divisor que engana quem só olha o padrão angiográfico. Displasia fibromuscular acomete tipicamente artérias renais e carótidas, sem atividade inflamatória sistêmica.
Paciente usuário de cocaína apresenta lesões purpúricas retiformes com necrose em orelhas e face, neutropenia e ANCA positivo em títulos altos com dupla positividade para PR3 e MPO. Qual a hipótese?
Necrose purpúrica retiforme em orelhas e face, neutropenia e ANCA com dupla positividade, em usuário de cocaína, apontam vasculopatia associada ao levamisol, adulterante frequente da droga. Reconhecer é essencial porque o tratamento central é a suspensão da exposição, e não a imunossupressão prolongada. Diagnosticar granulomatose com poliangiite engana quem valoriza apenas o ANCA positivo e leva a imunossupressão intensa e desnecessária, com risco elevado num paciente que já está neutropênico.
Sobre as principais causas de vasculite de pequenos vasos cutânea no adulto, qual conjunto é corretamente descrito?
A vasculite cutânea é uma reação a estímulos variados: medicamentos, sobretudo antibióticos e anti-inflamatórios; infecções, com destaque para estreptococo e hepatites virais; doenças autoimunes como lúpus, artrite reumatoide e Sjögren; neoplasias, especialmente hematológicas; e vasculites sistêmicas primárias. Uma parcela relevante permanece sem causa identificada mesmo após investigação adequada. Restringir a uma única categoria engana e estreita a anamnese, que é justamente onde a causa costuma aparecer.
Sobre a mononeurite múltipla como manifestação de vasculite, qual afirmativa está correta?
A mononeurite múltipla resulta da oclusão dos pequenos vasos que nutrem os nervos, produzindo déficits assimétricos, de instalação aguda e sequencial em troncos nervosos distintos, como um pé caído seguido de mão caída. Na vasculite, esse achado sinaliza atividade sistêmica e é indicação de imunossupressão sem demora, porque a lesão axonal isquêmica pode ser irreversível. Confundir com a polineuropatia simétrica distal engana quem não observa o padrão de distribuição, que é justamente o dado que aponta o mecanismo isquêmico.
Homem de 30 anos, de ascendência do Oriente Médio, apresenta úlceras orais dolorosas recorrentes há anos, úlceras genitais, lesões pseudofoliculares e uveíte posterior recorrente. Qual o diagnóstico?
Úlceras orais recorrentes associadas a úlceras genitais, lesões cutâneas pseudofoliculares e uveíte é a combinação que define a doença de Behçet, vasculite peculiar por acometer vasos de todos os calibres e tanto o território arterial quanto o venoso. A uveíte posterior é a manifestação que ameaça a visão e exige imunossupressão. Herpes recorrente engana quem foca apenas nas úlceras orais, mas não explica a uveíte nem as lesões cutâneas, e as úlceras do Behçet costumam ser mais profundas e recorrentes em surtos.
Paciente em remissão de vasculite associada a ANCA após indução com rituximabe. Qual a estratégia de manutenção e o cuidado profilático essencial?
As vasculites ANCA recidivam com frequência, e por isso a remissão é seguida de terapia de manutenção prolongada, com rituximabe, azatioprina ou metotrexato conforme o caso. Igualmente essencial é a prevenção das complicações da imunossupressão: profilaxia para Pneumocystis, rastreio de hepatite B pelo risco de reativação com rituximabe, vacinação e cuidado com a toxicidade cumulativa do corticoide. Suspender tudo após a remissão engana quem interpreta a melhora como cura e é a principal causa de recidiva grave.
Paciente com arterite de Takayasu em uso de corticoide apresenta provas inflamatórias normalizadas, mas nova imagem mostra progressão de estenose arterial. Qual a interpretação e a conduta?
Na arterite de Takayasu, a dissociação entre marcadores laboratoriais e atividade da doença é bem descrita: pacientes com hemossedimentação e proteína C reativa normais podem apresentar progressão de lesões vasculares, o que torna a imagem seriada indispensável no seguimento. A conduta é intensificar a imunossupressão, frequentemente com metotrexato, azatioprina ou biológicos como poupadores de corticoide, e reservar a revascularização para lesões críticas, preferencialmente com a doença inativa. Suspender o tratamento pelos exames normais engana e permite estenoses irreversíveis.
Sobre o papel dos exames de imagem no diagnóstico das vasculites de grandes vasos, qual afirmativa está correta?
A imagem ganhou espaço nas vasculites de grandes vasos: a ultrassonografia com sinal do halo, correspondente ao espessamento inflamatório da parede, apoia o diagnóstico da arterite de células gigantes de forma não invasiva, e imagem seccional com contraste ou PET mapeia aorta e ramos, detectando doença extracraniana e orientando seguimento. Esses achados regridem com corticoide, o que torna o exame mais rentável quando feito precocemente — adiá-lo engana quem pensa que a imagem pode esperar o tratamento estabilizar.
Sobre a monitorização do paciente em uso de ciclofosfamida para vasculite grave, qual cuidado é essencial?
A ciclofosfamida exige vigilância hematológica pela mielossupressão, e seu metabólito acroleína lesa o urotélio, causando cistite hemorrágica e aumentando o risco de neoplasia vesical a longo prazo — daí a hidratação vigorosa e o uso de mesna nos esquemas endovenosos em dose alta. Também são relevantes a infertilidade e o risco infeccioso. Escolher exames tireoidianos ou oftalmológicos engana quem não associa cada droga ao seu perfil de toxicidade, e o resultado é vigiar o que não importa e deixar passar o que adoece.
Paciente com asma grave, rinossinusite crônica com pólipos, eosinofilia de 18%, mononeurite múltipla e infiltrados pulmonares. ANCA positivo com padrão perinuclear. Qual o diagnóstico?
Asma de difícil controle, rinossinusite com pólipos, eosinofilia importante, mononeurite múltipla e ANCA perinuclear compõem a granulomatose eosinofílica com poliangeíte, antiga síndrome de Churg-Strauss. A granulomatose com poliangeíte engana quem só considera a positividade do ANCA, mas nela o padrão é citoplasmático, a eosinofilia é discreta e o acometimento característico é de vias aéreas superiores com destruição e glomerulonefrite.
Homem de 34 anos, tabagista pesado, apresenta claudicação de pés e mãos, fenômeno de Raynaud, tromboflebite superficial migratória e úlceras digitais isquêmicas. Angiografia mostra oclusões segmentares de artérias distais com colaterais em saca-rolhas. Qual o diagnóstico e a medida terapêutica fundamental?
Homem jovem, tabagista pesado, com isquemia distal de membros superiores e inferiores, tromboflebite migratória e colaterais em saca-rolhas na angiografia, tem tromboangeíte obliterante. O ponto que decide o prognóstico é comportamental e não farmacológico: a cessação completa do tabaco, incluindo qualquer forma de nicotina, interrompe a progressão e reduz amputações, enquanto a manutenção do hábito leva à perda de dedos e membros. Focar apenas em drogas engana e desloca a atenção da única medida com impacto comprovado.
Paciente com púrpura palpável e lesões que evoluem com necrose e úlceras profundas em membros inferiores, associadas a livedo reticular, mononeurite múltipla e hipertensão de início recente. Qual hipótese deve ser considerada?
Livedo reticular, nódulos, úlceras profundas com necrose, mononeurite múltipla e hipertensão de início recente apontam acometimento de vasos de médio calibre, como na poliarterite nodosa, que compromete artérias musculares e pode gerar isquemia visceral, aneurismas e infartos renais. A investigação inclui pesquisa de hepatite B, angiografia e biópsia de sítio acometido, com tratamento imunossupressor. Tratar como vasculite cutânea limitada engana quem se apoia apenas na púrpura e ignora os achados que denunciam calibre maior e risco sistêmico.
Homem de 48 anos com obstrução nasal crônica, crostas hemorrágicas, epistaxe recorrente e deformidade em sela do dorso nasal, associado a tosse, hemoptise e nódulos pulmonares cavitados. Creatinina de 2,1 mg/dL com hematúria dismórfica. Qual a hipótese principal?
A tríade de acometimento de vias aéreas superiores, doença pulmonar com nódulos cavitados e glomerulonefrite é a assinatura da granulomatose com poliangiite, e o nariz em sela resulta da destruição da cartilagem septal. A confirmação vem da pesquisa de ANCA, tipicamente com padrão citoplasmático e antiproteinase 3, e da biópsia com inflamação granulomatosa necrosante. Tuberculose e micoses profundas engana quem vê nódulo cavitado e conclui por infecção, e por isso a investigação microbiológica deve correr em paralelo, antes de imunossuprimir.
Na investigação de vasculite cutânea, qual é o momento ideal para realizar a biópsia e qual exame complementar do tecido é essencial?
O achado de leucocitoclasia com infiltrado neutrofílico e necrose fibrinoide é transitório, e a biópsia rende mais em lesões recentes, com menos de 48 horas; em lesões antigas, o infiltrado já se tornou linfocítico e o diagnóstico pode escapar. A imunofluorescência direta é essencial porque depósitos de IgA na parede vascular identificam a vasculite por IgA, com implicações renais e prognósticas distintas. Escolher lesão antiga engana quem prefere biopsiar a lesão mais evidente e resulta em exame inconclusivo.
Sobre o prognóstico renal na vasculite associada a ANCA com glomerulonefrite, qual afirmativa está correta?
A glomerulonefrite crescêntica destrói glomérulos em dias a semanas, e o que separa a recuperação da dependência de diálise é a rapidez do diagnóstico e do início da imunossupressão — a creatinina na apresentação e a proporção de glomérulos esclerosados na biópsia são preditores consistentes. Acreditar que o tempo não importa engana e é a razão pela qual pacientes chegam à referência já sem função recuperável. O título de ANCA isolado não prediz desfecho renal com essa força.
Homem de 46 anos com hipertensão de início recente, dor abdominal pós-prandial, perda ponderal, mononeurite múltipla e nódulos subcutâneos. Sorologia positiva para hepatite B. Angiografia mostra microaneurismas em artérias renais e mesentéricas. Qual o diagnóstico?
Vasculite de médios vasos com hipertensão renovascular, isquemia mesentérica, mononeurite múltipla, nódulos cutâneos e microaneurismas na angiografia, associada à hepatite B, caracteriza a poliarterite nodosa clássica. Um traço distintivo é a ausência de glomerulonefrite e de acometimento pulmonar significativo, porque a doença poupa capilares — confundir com poliangiite microscópica engana quem agrupa as duas pela sobreposição clínica, mas nesta há glomerulonefrite, capilarite pulmonar e positividade do ANCA, ausentes na forma clássica.
Sobre a classificação das vasculites conforme o calibre do vaso predominantemente acometido, qual associação está correta?
A classificação por calibre organiza o raciocínio clínico: grandes vasos comprometem aorta e ramos principais, produzindo claudicação de membros, assimetria de pulsos e sopros; médios vasos acometem artérias viscerais, gerando aneurismas, infartos e mononeurite; pequenos vasos atingem capilares e vênulas, com púrpura palpável, glomerulonefrite e hemorragia alveolar. Inverter os grupos engana quem decora nomes sem associá-los às manifestações, e é justamente o calibre que prediz o quadro clínico e orienta o exame a solicitar.
Sobre o tratamento da vasculite leucocitoclástica cutânea limitada à pele, sem acometimento sistêmico e com causa identificada e removida, qual a conduta?
Quando a vasculite é limitada à pele e o gatilho foi removido, o curso costuma ser autolimitado, com resolução em semanas, e o tratamento é de suporte, reservando corticoide sistêmico em curso curto para lesões extensas, ulceradas ou muito sintomáticas. Recorrer a imunossupressão intensa engana quem trata a palavra vasculite em vez de tratar a extensão da doença, e expõe o paciente a toxicidade grave sem necessidade. A imunossupressão pesada é para vasculites com risco de órgão ou de vida.
Homem de 48 anos apresenta febre, perda de 10 kg, mialgia intensa, hipertensão de início recente, dor abdominal pós-prandial e mononeurite múltipla com pé caído. ANCA negativo. Sorologia positiva para hepatite B com carga viral detectável. Qual o diagnóstico?
Vasculite sistêmica de médios vasos, com hipertensão renovascular, angina mesentérica, mononeurite múltipla, ANCA negativo e associação com hepatite B, é poliarterite nodosa. A poliangeíte microscópica engana quem agrupa as vasculites necrosantes, mas ela acomete pequenos vasos, é ANCA positiva e cursa com glomerulonefrite e capilarite pulmonar, ausentes na poliarterite clássica, que caracteristicamente poupa o glomérulo.
Qual achado histológico renal é esperado na glomerulonefrite associada ao ANCA?
A lesão típica é a glomerulonefrite necrosante com formação de crescentes e escassez de depósitos imunes, o chamado padrão pauci-imune. Depósitos lineares de IgG apontam doença anti-membrana basal glomerular, que também produz síndrome pulmão-rim e engana quem para no quadro clínico sem olhar a imunofluorescência; depósitos granulares de IgA correspondem à nefropatia por IgA, de curso bem distinto.
Paciente em uso de ciclofosfamida para vasculite apresenta hematúria macroscópica sem infecção urinária. Qual a complicação e a prevenção?
A acroleína, metabólito da ciclofosfamida, agride o urotélio e causa cistite hemorrágica, prevenida com hidratação abundante, esvaziamento vesical frequente e mesna. Atribuir a nefrite intersticial engana quem associa qualquer lesão urinária medicamentosa a mecanismo alérgico. Vale lembrar que a exposição cumulativa à droga aumenta o risco de câncer de bexiga a longo prazo, exigindo vigilância.
Sobre a diferenciação entre poliangeíte microscópica e granulomatose com poliangeíte, assinale a alternativa correta.
A granulomatose com poliangeíte se distingue pelo acometimento de vias aéreas superiores com destruição do septo e nariz em sela, inflamação granulomatosa e associação com ANCA anti-proteinase 3, de padrão citoplasmático; a poliangeíte microscópica não forma granulomas e associa-se mais ao anti-mieloperoxidase. Trocar as duas é o erro mais comum, e muda o rastreio de manifestações e a expectativa de recidiva.
Sobre a arterite de Takayasu, assinale a alternativa correta.
A arterite de Takayasu é vasculite de grandes vasos que acomete a aorta e seus ramos em mulheres jovens, produzindo assimetria de pulsos e de pressão, sopros e claudicação de membros superiores — daí o apelido de doença sem pulso. Descrevê-la em homens idosos engana quem confunde com a arterite de células gigantes, que também é de grandes vasos, mas com epidemiologia oposta.
Sobre a mononeurite múltipla nas vasculites, assinale a alternativa correta.
A vasculite dos vasa nervorum produz infarto de nervos individuais, gerando déficits assimétricos e sequenciais em territórios distintos, como pé caído de um lado e mão caída do outro. O padrão simétrico em bota e luva corresponde à polineuropatia distal, típica do diabetes, o que engana quem não diferencia os dois padrões — e essa distinção semiológica é justamente o que levanta a suspeita de vasculite.
Sobre a hemorragia alveolar difusa, assinale a alternativa correta.
A hemorragia alveolar pode ocorrer sem hemoptise, porque o sangue fica retido nos alvéolos, e a pista é a queda da hemoglobina com infiltrado difuso e hipoxemia; o lavado broncoalveolar torna-se progressivamente mais hemorrágico nas alíquotas sucessivas, o que confirma o diagnóstico à beira do leito. Exigir hemoptise engana quem espera o sintoma mais chamativo e perde o diagnóstico em pacientes graves.
Sobre o tratamento da poliarterite nodosa associada à hepatite B, assinale a alternativa correta.
Quando há hepatite B associada, a estratégia difere da forma idiopática: corticoide por período curto para controlar a inflamação, antiviral para suprimir a replicação viral e plasmaférese em casos selecionados, evitando imunossupressão prolongada que favoreceria a replicação. Tratar como vasculite idiopática engana quem ignora o gatilho viral e piora a hepatopatia.
Sobre a púrpura de Henoch-Schönlein, ou vasculite por IgA, assinale a alternativa correta.
A tétrade de púrpura palpável em regiões declives, artralgia, dor abdominal e nefrite com depósitos mesangiais de IgA define a vasculite por IgA, mais comum em crianças mas possível e frequentemente mais grave no adulto. Esperar plaquetopenia engana quem associa púrpura a distúrbio plaquetário: aqui a contagem é normal, e a púrpura é palpável justamente por ser inflamatória, não hemorrágica por falta de plaquetas.
Sobre a terapia de manutenção após indução em vasculite associada ao ANCA, assinale a alternativa correta.
A recidiva é frequente e por isso a manutenção se estende por anos, com azatioprina, metotrexato ou rituximabe, e não com ciclofosfamida, cuja toxicidade cumulativa a torna inadequada para uso prolongado. Suspender tudo após a indução engana quem interpreta a remissão como cura, e a recidiva costuma vir com nova perda de função renal, muitas vezes irreversível.
Paciente com vasculite em uso de corticoide e ciclofosfamida apresenta dispneia e infiltrado difuso. Além da atividade da doença, qual complicação infecciosa deve ser considerada?
Durante a indução com corticoide em dose alta associado a ciclofosfamida ou rituximabe, a profilaxia para pneumocistose é recomendada, e o infiltrado difuso obriga a considerar essa infecção ao lado da atividade da vasculite — distinguir as duas muda radicalmente a conduta, entre intensificar ou reduzir a imunossupressão. Assumir sempre atividade da doença engana quem escala o imunossupressor sobre uma infecção oportunista.
Mulher de 72 anos apresenta cefaleia temporal nova, claudicação de mandíbula, sensibilidade do couro cabeludo e VHS de 98 mm/h, com amaurose fugaz à direita. Qual a conduta imediata?
Na arterite de células gigantes com sintoma visual, o corticoide começa imediatamente porque a perda visual é irreversível e pode se completar em horas; a biópsia mantém rendimento por alguns dias após o início do tratamento. Esperar o exame engana quem busca confirmação antes de tratar e é a sequência que produz cegueira definitiva, o desfecho que a conduta pretende evitar.
Sobre a crioglobulinemia mista, assinale a alternativa correta.
A crioglobulinemia mista tem forte associação com a hepatite C e se manifesta pela tríade de púrpura, artralgia e fraqueza, com neuropatia periférica e glomerulonefrite membranoproliferativa, tipicamente com consumo de complemento e fator reumatoide positivo. Esperar complemento elevado engana quem não considera o consumo por imunocomplexos, e o tratamento passa pelo antiviral da hepatite C.
Qual achado angiográfico é característico da poliarterite nodosa?
Múltiplos microaneurismas alternando com áreas de estenose em artérias viscerais compõem o padrão angiográfico clássico, e a arteriografia pode substituir a biópsia quando esta não é factível. Estenose lisa e longa de subclávia engana quem pensa em arterite de Takayasu, que acomete grandes vasos e produz outro padrão, com sopros e assimetria de pulsos em paciente jovem.
Homem de 57 anos apresenta astenia, perda ponderal, hemoptise e creatinina que subiu de 1,0 para 4,2 mg/dL em 3 semanas, com hematúria dismórfica e proteinúria de 2 g/dia. ANCA positivo com padrão perinuclear e anti-mieloperoxidase positivo. Qual o diagnóstico e a conduta?
Perda rápida de função renal com sedimento nefrítico, hemorragia alveolar e ANCA anti-mieloperoxidase configuram poliangeíte microscópica com síndrome pulmão-rim, e a indução com corticoide associado a ciclofosfamida ou rituximabe deve começar imediatamente, com plasmaférese em casos selecionados. Aguardar como se fosse nefropatia por IgA engana quem vê hematúria e proteinúria e ignora a velocidade da perda de função.
Sobre a biópsia na suspeita de poliarterite nodosa, assinale a alternativa correta.
A biópsia rende quando dirigida a tecido acometido — nervo sural com alteração eletroneuromiográfica, músculo doloroso, lesão cutânea nodular — enquanto biópsias às cegas de órgãos assintomáticos têm baixo rendimento e risco desnecessário. A biópsia renal, em particular, é evitada pelo risco de sangramento em vasos com microaneurismas, o que engana quem transporta a rotina das glomerulopatias.
Sobre a doença de Behçet, assinale a alternativa correta.
Behçet reúne aftas orais recorrentes, úlceras genitais, uveíte e lesões cutâneas, com teste de patergia positivo em parte dos pacientes, e é a vasculite que pode acometer artérias e veias de qualquer calibre, incluindo trombose venosa e aneurismas de artéria pulmonar. Buscar ANCA engana quem tenta enquadrar todas as vasculites por autoanticorpo, quando o diagnóstico aqui é clínico.
Sobre o papel da plasmaférese nas vasculites associadas ao ANCA, assinale a alternativa correta.
A plasmaférese tem uso restrito a cenários selecionados, com evidência que se tornou mais restritiva ao longo do tempo, e nunca substitui a imunossupressão, que é o que controla a produção do autoanticorpo. Indicá-la a todos engana quem generaliza a partir de casos graves. Ela também é conduta clássica na doença anti-membrana basal glomerular, situação em que o benefício é mais claro.
Sobre a vasculite urticariforme, qual característica a diferencia da urticária comum?
Urticas que persistem mais de 24 horas em um mesmo local, com ardor predominante e resíduo purpúrico ou pigmentado, sugerem vasculite urticariforme, cuja confirmação é histológica e cuja investigação inclui lúpus, doença do soro, infecções e a forma hipocomplementêmica com anticorpo anti-C1q. Tratar como urticária comum e esperar resposta a anti-histamínico é o erro que atrasa a identificação de doença sistêmica. Ao contrário do que se afirma na última alternativa, a associação com doenças sistêmicas é justamente o que importa reconhecer.
Paciente com púrpura palpável recém-diagnosticada. Qual conjunto de exames é apropriado para avaliar acometimento sistêmico?
A pele é frequentemente a janela de uma doença sistêmica, e a avaliação mínima precisa incluir rim, com sedimento urinário e função renal, além de hemograma, provas hepáticas, marcadores inflamatórios, complemento, crioglobulinas, sorologias virais e autoanticorpos conforme o contexto, para separar vasculite cutânea isolada de vasculite sistêmica. Restringir a investigação a hemograma e velocidade de hemossedimentação é o erro que perde glomerulonefrite silenciosa, cujo tratamento é urgente e distinto.
Diante de púrpura palpável, qual exame estabelece o diagnóstico histológico e em que janela de tempo a biópsia deve ser feita?
A biópsia deve ser colhida de lesão recente, idealmente com menos de 48 horas, porque a leucocitoclasia e os depósitos imunes são fugazes, e a imunofluorescência direta acrescenta informação decisiva, como o depósito de imunoglobulina A que caracteriza a vasculite por IgA. Biopsiar lesão antiga é o erro que devolve laudo inespecífico e obriga repetir o procedimento. Hemograma e autoanticorpos compõem a investigação etiológica, mas não substituem a confirmação histológica.
Paciente com vasculite cutânea de pequenos vasos limitada à pele, sem acometimento sistêmico, após uso de fármaco já suspenso. Qual é a conduta inicial?
A vasculite cutânea isolada desencadeada por fármaco ou infecção tende a resolver em semanas após a remoção do gatilho, e a conduta inicial é conservadora, com repouso, elevação dos membros, compressão elástica e sintomáticos, reservando colchicina, dapsona ou corticoide em curso curto para casos persistentes, ulcerados ou muito sintomáticos. Iniciar imunossupressão pesada em doença limitada à pele é o erro que expõe a toxicidade grave sem indicação. Ciclofosfamida, rituximabe e plasmaférese pertencem às vasculites sistêmicas graves.
Mulher de 45 anos apresenta há 6 dias lesões purpúricas palpáveis simétricas em pernas e dorso dos pés, algumas com vesiculação, surgidas 10 dias após uso de amoxicilina para sinusite. Refere artralgia leve, sem hematúria. Qual é o diagnóstico mais provável?
Púrpura palpável simétrica em áreas dependentes, surgindo dias após exposição a fármaco ou infecção, é a apresentação típica da vasculite cutânea de pequenos vasos, cujo substrato é a vasculite leucocitoclástica das vênulas pós-capilares. A púrpura trombocitopênica imune produz púrpura plana, não palpável, com plaquetopenia, e essa palpabilidade é o achado que separa vasculite de distúrbio plaquetário. Eritema nodoso dá nódulos subcutâneos dolorosos em pernas, sem púrpura.
Paciente de 52 anos com púrpura palpável recorrente em membros inferiores, artralgia e parestesias, com sorologia positiva para hepatite C, consumo de C4 e crioglobulinas detectáveis. Qual é o tratamento fundamental?
A vasculite crioglobulinêmica associada à hepatite C tem como tratamento essencial a erradicação viral com antivirais de ação direta, reservando corticoide, rituximabe e plasmaférese aos casos com nefrite, neuropatia grave ou vasculite ameaçadora. Tratar apenas os sintomas cutâneos é o erro que mantém a causa em atividade e permite progressão renal e neurológica. Anticoagulação não trata vasculite, e colchicina isolada tem papel apenas em formas cutâneas leves e recorrentes.
Qual achado clínico deve levantar suspeita de vasculite de vasos de calibre maior, e não apenas de pequenos vasos cutâneos?
Nódulos subcutâneos dolorosos, livedo racemoso, úlceras profundas, necrose digital e neuropatia periférica indicam comprometimento de vasos de médio calibre, como na poliarterite nodosa e na vasculite reumatoide, o que exige biópsia mais profunda, incluindo tecido celular subcutâneo, e investigação sistêmica mais ampla. Púrpura palpável restrita às pernas é a expressão típica do pequeno vaso, e não distingue calibre maior. As demais lesões pertencem a outros grupos de dermatoses e não sugerem vasculite.
Qual é o achado histopatológico que define a vasculite leucocitoclástica?
O diagnóstico histológico exige lesão da parede vascular, com infiltrado neutrofílico, necrose fibrinoide, extravasamento de hemácias e restos nucleares de neutrófilos degenerados, o que caracteriza a leucocitoclasia nas vênulas pós-capilares. Infiltrado linfocitário perivascular sem dano de parede corresponde a dermatoses reativas e é o laudo que frequentemente vem quando se biopsia lesão antiga. Trombos sem inflamação sugerem vasculopatia oclusiva, como na síndrome antifosfolipídica, cujo tratamento é totalmente distinto.
Paciente com púrpura palpável evolui com lesões necróticas, bolhas hemorrágicas e úlceras em membros inferiores, além de febre e elevação de creatinina. Qual é a conduta?
Necrose, bolhas hemorrágicas, ulceração e disfunção renal indicam vasculite grave com acometimento sistêmico, situação em que a internação, a investigação dirigida com autoanticorpos, complemento, crioglobulinas e sorologias e o início de corticoide com eventual imunossupressor mudam o prognóstico renal. Manter conduta conservadora nesse cenário é o erro que custa função renal. Antibiótico isolado presumindo celulite ignora a distribuição simétrica e a púrpura, e desbridamento amplo precede o controle da inflamação sem benefício.
Homem de 54 anos apresenta, ao longo de 6 semanas, comprometimento sucessivo do nervo fibular direito, do ulnar esquerdo e do radial direito, com dor, febre, perda de peso, purpura palpavel em membros inferiores e proteinuria. Qual a hipotese principal?
Comprometimento sequencial de troncos nervosos em semanas, com sintomas sistemicos, purpura palpavel e proteinuria, aponta para vasculite sistemica com neuropatia vasculitica, quadro grave que exige investigacao imediata, biopsia de nervo ou de outro orgao acometido e imunossupressao. A hanseniase engana porque tambem produz mononeuropatia multipla e e a principal causa infecciosa desse padrao no Brasil, mas sua evolucao e insidiosa, ao longo de meses a anos, com lesoes cutaneas anestesicas e sem febre, purpura ou acometimento renal. Neuropatia diabetica e alcoolica sao simetricas e distais.
Homem de 32 anos apresenta uveíte recorrente com hipópio, úlceras orais dolorosas recorrentes, úlceras genitais e lesões cutâneas pseudofoliculares. O diagnóstico mais provável é:
Úlceras orais recorrentes somadas a úlceras genitais, lesões cutâneas e uveíte com hipópio compõem a doença de Behçet, cuja uveíte é frequentemente pan-uveíte com vasculite retiniana oclusiva e prognóstico visual reservado, exigindo imunossupressão precoce e agressiva. A espondilite dá uveíte anterior aguda sem esse conjunto mucocutâneo. A sarcoidose costuma cursar com uveíte granulomatosa, adenopatia hilar e alterações pulmonares. Vogt-Koyanagi-Harada apresenta pan-uveíte bilateral com descolamentos serosos, sintomas auditivos e meníngeos e alterações de pele e cabelos, sem as úlceras genitais.
Adolescente com claudicação de membros superiores, assimetria de pulsos radiais, diferença de pressão arterial entre os braços e sopro sobre a artéria subclávia, além de febre baixa e elevação de marcadores inflamatórios. Qual a hipótese?
O acometimento de grandes vasos, com estenoses da aorta e de seus ramos principais, explica a assimetria de pulsos e de pressão, os sopros e a claudicação, muitas vezes precedidos por uma fase sistêmica inespecífica com febre e emagrecimento, que retarda o diagnóstico. A poliarterite envolve vasos de médio calibre e não produz esse padrão de pulsos ausentes, e a angiotomografia ou angiorressonância confirmam o comprometimento das grandes artérias.
Sobre a granulomatose com poliangiite na criança, qual conjunto de manifestações é característico?
A tríade que caracteriza a doença combina via aérea superior, pulmão e rim, com sinusite crônica destrutiva, nódulos pulmonares cavitados e glomerulonefrite rapidamente progressiva, acompanhada tipicamente do ANCA com padrão citoplasmático. As demais alternativas descrevem, respectivamente, poliarterite cutânea, doença de Kawasaki, vasculite por IgA e doença de Behçet, cada uma com território vascular e assinatura clínica próprios.
Criança com poliarterite nodosa restrita à pele, com nódulos dolorosos, livedo e mialgia, sem acometimento visceral, apresentando recorrências após quadros de faringoamigdalite. Qual conduta complementar deve ser considerada?
A forma cutânea da poliarterite tem forte associação com infecção estreptocócica na infância, e as recorrências frequentemente acompanham novos episódios de faringoamigdalite, o que torna a identificação e o tratamento dessa infecção parte do manejo, com profilaxia discutida nos casos recorrentes. Iniciar imunossupressão pesada como a ciclofosfamida em doença restrita à pele é excesso, reservado às formas sistêmicas graves.
Sobre a mononeurite múltipla observada em vasculites de médio calibre, qual é o mecanismo?
A vasculite oclui os pequenos vasos que irrigam os troncos nervosos, causando infartos nervosos isolados que se manifestam como déficits motores e sensitivos assimétricos, por exemplo um pé caído súbito seguido, semanas depois, de acometimento de outro nervo. Esse padrão assimétrico e aditivo é o que separa do Guillain-Barré, cuja fraqueza é simétrica e ascendente, e reconhecê-lo pode ser a pista que revela a vasculite sistêmica.
Sobre o exame que apoia o diagnóstico de poliarterite nodosa, qual achado é característico?
A arteriografia demonstra microaneurismas alternados com estenoses nos ramos renais e mesentéricos, achado bastante sugestivo quando somado ao quadro clínico, e a biópsia de tecido acometido, como músculo, pele profunda ou nervo, confirma a vasculite necrosante. O anti-DNA de dupla hélice pertence ao lúpus e é o distrator mais tentador, porque o lúpus também cursa com febre, perda de peso e acometimento multissistêmico.
Menino de 10 anos com febre prolongada, perda de 6 kg, mialgia intensa, livedo reticular, nódulos subcutâneos dolorosos em membros inferiores, hipertensão arterial e dor abdominal pós-prandial. ANCA negativo. Qual a hipótese?
A poliarterite nodosa acomete vasos de médio calibre e produz isquemia em múltiplos territórios, o que explica a combinação de manifestações constitucionais, lesões cutâneas como livedo e nódulos, hipertensão de origem renovascular e angina abdominal. A negatividade do ANCA é um dado que orienta, porque as vasculites com esse anticorpo, como a granulomatose com poliangiite, acometem vasos de pequeno calibre e cursam com glomerulonefrite e acometimento de via aérea.
Sobre o tratamento da poliarterite nodosa sistêmica grave na criança, qual esquema é o mais apropriado?
As formas sistêmicas com acometimento de órgãos nobres exigem indução agressiva, combinando corticoide em dose alta com um imunossupressor potente para controlar rapidamente a inflamação vascular e evitar infarto de território renal, mesentérico ou neurológico, seguida de terapia de manutenção menos tóxica. A imunoglobulina em dose única é o tratamento da doença de Kawasaki e não tem esse papel aqui, sendo a confusão mais frequente entre as vasculites pediátricas.
Homem de 42 anos, tabagista de 25 cigarros por dia desde os 16 anos, é atendido no ambulatório com dor em repouso no antepé esquerdo e úlcera dolorosa na ponta do segundo pododáctilo, associada a claudicação plantar. Refere episódios prévios de flebite superficial migratória em membros inferiores. Ao exame, há pulsos femorais e poplíteos presentes e pulsos distais ausentes bilateralmente, com teste de Allen alterado nas mãos. Não tem diabetes, dislipidemia ou hipertensão, e é normotenso. A hipótese diagnóstica mais provável é
Homem jovem, tabagista pesado, com isquemia distal de membros inferiores e superiores, flebite superficial migratória e ausência de fatores de risco clássicos para aterosclerose, configura tromboangeíte obliterante, doença inflamatória segmentar de artérias de médio e pequeno calibre cujo tratamento essencial é a cessação absoluta do tabagismo. A aterosclerose acomete tipicamente vasos proximais em pacientes mais velhos com fatores de risco metabólicos. A arterite de Takayasu acomete aorta e seus ramos principais, sobretudo em mulheres jovens. A embolia cursa com início súbito e fonte cardíaca identificável.
Mulher de 29 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com queixa de cansaço nos braços ao pentear o cabelo, tontura e claudicação de membros superiores há seis meses, associada a febre baixa intermitente e perda de 5 kg. Ao exame, os pulsos radiais são assimétricos, com diferença pressórica de 30 mmHg entre os braços, e há sopro sobre a artéria subclávia esquerda. A velocidade de hemossedimentação está elevada e a proteína C reativa também. Ela não é tabagista e não tem dislipidemia. O diagnóstico mais provável é
Mulher jovem com claudicação de membros superiores, assimetria de pulsos e de pressão, sopros arteriais, sintomas constitucionais e marcadores inflamatórios elevados preenche o quadro de arterite de Takayasu, vasculite de grandes vasos tratada com corticoide e imunossupressor. A aterosclerose de arco aórtico ocorre em pacientes mais velhos com fatores de risco e sem atividade inflamatória sistêmica. A síndrome do desfiladeiro é posicional e unilateral, sem sintomas constitucionais. A displasia fibromuscular acomete predominantemente artérias renais e carótidas, sem elevação de provas inflamatórias.
Homem de 34 anos procura ambulatório com úlceras orais dolorosas recorrentes, cerca de cinco episódios por ano, associadas a úlceras genitais escrotais que deixam cicatriz. Refere ainda episódio de olho vermelho com dor e turvação visual, além de lesões cutâneas semelhantes a espinhas no tronco. Ao exame: aftas orais múltiplas, cicatrizes escrotais, pseudofoliculite e reação positiva de hiperreatividade cutânea no local de punção venosa realizada no dia anterior. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Aftas orais recorrentes associadas a úlceras genitais cicatriciais, uveíte, lesões papulopustulosas e patergia cutânea positiva compõem os critérios da doença de Behçet, vasculite com risco de perda visual e de acometimento neurológico e vascular. O herpes simples produz vesículas agrupadas de curta duração, sem patergia e sem uveíte desse padrão. A sífilis secundária cursa com exantema palmoplantar e condiloma plano, com sorologia reagente. O pênfigo vulgar apresenta bolhas flácidas com sinal de Nikolsky, com acometimento mucoso extenso e curso distinto.
Homem de 62 anos procura a Unidade de Pronto Atendimento com quadro de sinusite de repetição há três meses, obstrução nasal com crostas hemorrágicas e episódios de epistaxe. Nas últimas semanas apresentou tosse com hemoptoicos e edema nos membros inferiores. Ao exame: crostas nasais com perfuração do septo, estertores pulmonares e edema. Exames: creatinina 2,8 mg/dL, urina com hematúria dismórfica e cilindros hemáticos, radiografia com nódulos pulmonares cavitados e anticorpo anticitoplasma de neutrófilo com padrão citoplasmático positivo. Qual é o diagnóstico mais provável?
A tríade de acometimento de vias aéreas superiores com destruição septal, nódulos pulmonares cavitados e glomerulonefrite rapidamente progressiva, com anticorpo anticitoplasma de neutrófilo de padrão citoplasmático positivo, caracteriza a granulomatose com poliangiite, que exige imunossupressão urgente para preservar a função renal. A tuberculose pode cavitar, mas não produz perfuração septal com esse perfil sorológico nem sedimento urinário nefrítico. Neoplasia de nasofaringe não cursa com cilindros hemáticos e autoanticorpo específico. A endocardite pode dar embolia pulmonar séptica e hematúria, porém traria febre com sopro novo e hemoculturas positivas.
Homem de 49 anos procura ambulatório com emagrecimento de 10 kg, febre, mialgias intensas e dor abdominal pós-prandial há dois meses. Refere ainda dormência e queda do pé direito de instalação súbita. Ao exame: hipertensão arterial com 178x104 mmHg, livedo reticular em membros inferiores, nódulos subcutâneos dolorosos ao longo de trajetos arteriais e mononeurite múltipla. Exames: provas inflamatórias muito elevadas, sorologia positiva para hepatite B com carga viral detectável e anticorpo anticitoplasma de neutrófilo negativo. Qual é o diagnóstico mais provável?
Vasculite de médios vasos com mononeurite múltipla, livedo, nódulos ao longo de artérias, hipertensão, dor abdominal isquêmica e associação com hepatite B, sem anticorpo anticitoplasma de neutrófilo, caracteriza a poliarterite nodosa, cujo tratamento combina imunossupressão com terapia antiviral. A granulomatose com poliangiite acomete pequenos vasos com via aérea, pulmão e rim, e habitualmente tem autoanticorpo positivo. O lúpus traria manifestações cutâneas fotossensíveis, serosite e autoanticorpos específicos. A endocardite provocaria febre com sopro novo e hemoculturas positivas, com fenômenos embólicos distintos.
Mulher de 44 anos procura a unidade de pronto atendimento por manchas avermelhadas nas pernas surgidas há 5 dias, que não desaparecem à digitopressão, acompanhadas de artralgia e dor abdominal leve. Iniciou antibiótico para infecção urinária há dez dias. Ao exame apresenta PA 124x78 mmHg, temperatura axilar 37,4 °C, lesões purpúricas palpáveis e simétricas nos membros inferiores, algumas confluentes, sem bolhas ou necrose. A urina tipo I mostra proteinúria e hematúria microscópica, com creatinina de 1,3 mg/dL. A conduta mais adequada é:
Púrpura palpável simétrica em membros inferiores após introdução de fármaco, com artralgia e alterações urinárias, sugere vasculite leucocitoclástica com possível acometimento renal, exigindo suspensão do agente suspeito, avaliação sistêmica e biópsia quando necessário. Anti-histamínico com alta ignora a proteinúria e a hematúria, que indicam envolvimento de órgão. Meningococcemia cursa com quadro fulminante, febre alta, toxemia e púrpura rapidamente progressiva, incompatível com evolução de cinco dias em paciente estável. Compressas frias com reavaliação tardia deixam a doença renal evoluir sem controle.
Homem de 47 anos é atendido em ambulatório com dispneia, tosse e sibilância recorrentes há um ano, além de rinite e episódios de dor abdominal. Ao exame: FR 20 ipm, saturação 94%, ausculta com sibilos difusos, lesões purpúricas em membros inferiores, hipoestesia em pé direito com pé caído. Exames: eosinófilos sanguíneos de 4.200/mm3, proteína C reativa elevada, anticorpo anticitoplasma de neutrófilo positivo, tomografia com infiltrados pulmonares migratórios. Ele foi tratado como asma de difícil controle nos últimos meses, sem melhora consistente com corticoide inalatório em dose alta. A hipótese mais provável é:
Asma de difícil controle com eosinofilia acentuada, infiltrados pulmonares migratórios, púrpura cutânea, mononeurite múltipla com pé caído e anticorpo anticitoplasma de neutrófilo positivo caracteriza vasculite sistêmica com acometimento pulmonar, exigindo tratamento imunossupressor e avaliação especializada urgente pelo risco de dano orgânico irreversível. Asma isolada não causa púrpura nem neuropatia. Tuberculose não cursa com esse perfil imunológico. Doença obstrutiva crônica não produz vasculite nem mononeurite múltipla.
Homem de 63 anos é atendido no pronto-socorro com oligúria, hemoptise e dispneia há cinco dias. Ao exame: PA 156x94 mmHg, FC 102 bpm, FR 26 ipm, saturação 90% em ar ambiente, estertores difusos, edema discreto, sem lesões cutâneas. Exames: creatinina 4,8 mg/dL, previamente 1,1 mg/dL, urina tipo I com hematúria dismórfica e cilindros hemáticos, proteinúria de 2,0 g em 24 horas, hemoglobina 8,8 g/dL, anticorpo anticitoplasma de neutrófilo positivo, complemento normal. Radiografia mostra infiltrados alveolares bilaterais compatíveis com hemorragia alveolar. A conduta correta é:
Glomerulonefrite rapidamente progressiva com hemorragia alveolar e anticorpo anticitoplasma de neutrófilo positivo caracteriza síndrome pulmão-rim por vasculite, emergência em que a imunossupressão de indução deve ser iniciada com urgência, considerando-se plasmaférese conforme a gravidade, pois o atraso resulta em perda irreversível da função renal e óbito. Aguardar duas semanas pela biópsia é inaceitável. Antibiótico isolado não trata vasculite. Diurético e anti-hipertensivo não abordam o processo imunológico em curso.
Gestante de 26 anos, com 22 semanas, é internada com quadro de dispneia, hemoptise e edema, associado a creatinina de 2,4 mg/dL, hematúria dismórfica e proteinúria, com anticorpos anticitoplasma de neutrófilos positivos. Ela apresenta pressão arterial de 148x92 mmHg, saturação de 92% e crepitações pulmonares difusas. Não há proteinúria prévia registrada no início do pré-natal e os exames anteriores eram normais. A cardiotocografia mostra traçado tranquilizador e o crescimento fetal é adequado. A conduta correta é
A vasculite associada a anticorpos anticitoplasma de neutrófilos com hemorragia alveolar e glomerulonefrite é emergência que exige imunossupressão de indução com corticoide em dose alta e agente compatível com a gestação, discutindo-se a resolução conforme a evolução. Tratar como pré-eclâmpsia ignora as manifestações pulmonares e o padrão urinário. Adiar a imunossupressão arrisca morte materna. A ciclofosfamida é teratogênica e reservada a situações excepcionais no segundo trimestre.
Mulher de 29 anos é atendida no ambulatório com úlceras genitais dolorosas recorrentes há dois anos, que curam deixando cicatrizes, associadas a aftas orais frequentes, cerca de cinco episódios por ano. Refere ainda episódios de olho vermelho doloroso com fotofobia e lesões papulopustulosas em tronco. Os testes para sífilis, HIV e herpes são repetidamente negativos, e a paciente não tem imunossupressão conhecida. Refere ainda cansaço e dor articular ocasional, sem febre no momento, e o exame ginecológico não mostra corrimento nem massas pélvicas. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
A associação de aftas orais recorrentes, úlceras genitais cicatriciais, uveíte e lesões cutâneas papulopustulosas define a doença de Behçet, vasculite sistêmica que exige encaminhamento reumatológico e tratamento imunossupressor. O herpes recorrente costuma cursar com vesículas agrupadas e não explica a uveíte e as lesões cutâneas sistêmicas. A síndrome de Stevens-Johnson é reação aguda grave a fármacos, com acometimento mucocutâneo extenso e não recorrente nesse padrão. O líquen plano erosivo cursa com lesões reticuladas esbranquiçadas e sinéquias, sem uveíte e pústulas.
Homem de 48 anos é internado com dispneia progressiva e hemoptise há cinco dias, precedidas por dois meses de obstrução nasal com crostas hemáticas, sinusite refratária e artralgias. Ao exame: taquipneico, saturação de 88% em ar ambiente, estertores difusos bilaterais. Exames: hemoglobina em queda de 12,4 para 8,6 g/dL sem sangramento externo, creatinina de 2,4 mg/dL e urina com hematúria dismórfica e cilindros hemáticos. A tomografia mostra opacidades em vidro fosco difusas e bilaterais. Qual é a hipótese e a conduta?
Hemoptise com queda de hemoglobina, infiltrado alveolar difuso e glomerulonefrite com hematúria dismórfica e cilindros hemáticos, precedidos de acometimento de vias aéreas superiores, caracterizam síndrome pulmão-rim por vasculite associada a ANCA, que exige sorologia específica e imunossupressão precoce, com corticoide e ciclofosfamida ou rituximabe. Pneumonia bacteriana não explica a glomerulonefrite nem o quadro nasal arrastado. Tuberculose cursa com evolução mais lenta e padrão cavitário, sem síndrome nefrítica. O edema cardiogênico não provoca hematúria dismórfica nem lesão de vias aéreas superiores.
Mulher, 27 anos, apresenta há 2 anos úlceras orais dolorosas recorrentes, três a quatro vezes ao ano, e há 6 meses passou a ter úlceras genitais dolorosas em grandes lábios, que cicatrizam deixando áreas atróficas. Refere ainda dois episódios de olho vermelho doloroso com fotofobia. Sorologias para sífilis, HIV e herpes negativas. Teste de patergia positivo no antebraço após 48 horas. Qual a principal hipótese diagnóstica?
A associação de aftose oral recorrente, úlceras genitais cicatriciais, uveíte e teste de patergia positivo é altamente característica da doença de Behçet, uma vasculite sistêmica de diagnóstico clínico. O herpes genital recidivante produz vesículas agrupadas com sorologia habitualmente positiva e não explica uveíte nem patergia. A sífilis secundária cursa com placas mucosas indolores, exantema palmoplantar e sorologia reagente, afastada pelos exames. O pênfigo vulgar provoca bolhas flácidas com sinal de Nikolsky e acometimento cutâneo extenso, ausentes no caso. O lúpus pode ulcerar mucosas, mas tipicamente de forma indolor e acompanhado de outros critérios como artrite, rash malar e alterações laboratoriais, não descritos aqui.
Homem, 42 anos, apresenta há 3 semanas lesões purpúricas palpáveis em membros inferiores, simétricas, que não desaparecem à digitopressão, algumas com pequenas bolhas hemorrágicas. Refere infecção de vias aéreas superiores há 1 mês e uso de amoxicilina. Queixa artralgia de tornozelos e dor abdominal em cólica. Urina tipo I: hematúria dismórfica e proteinúria de 1+. Plaquetas 280.000/mm³ (VR 150.000–400.000) e coagulograma normal. Qual a conduta diagnóstica mais adequada?
Púrpura palpável com plaquetas normais indica vasculite de pequenos vasos, e a biópsia de pele com imunofluorescência direta caracteriza a vasculite leucocitoclástica e identifica depósito de IgA, que apontaria vasculite por IgA — hipótese reforçada pela artralgia, dor abdominal e acometimento renal. Observar sem investigação é inaceitável diante de hematúria dismórfica e proteinúria, sinais de comprometimento renal. Transfusão de plaquetas não tem indicação com contagem normal, pois o mecanismo é inflamatório e não trombocitopênico. Anticoagulação plena é equivocada e agravaria o sangramento cutâneo. Hemograma seriado isolado não elucida a vasculite nem monitora adequadamente o comprometimento renal.
Mulher, 34 anos, com claudicação de membros superiores, febre baixa, mal-estar e perda de peso há 6 meses. PA 148/88 mmHg no membro superior direito e 108/64 mmHg no esquerdo, FC 84 bpm. Pulso radial esquerdo reduzido, com sopro sobre a artéria subclávia esquerda. VHS 78 mm/h (VR < 20) e PCR elevada; angiotomografia mostra espessamento parietal concêntrico da subclávia e da aorta torácica. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Mulher jovem com claudicação de membros superiores, assimetria pressórica, sopro subclávio, marcadores inflamatórios elevados e espessamento parietal concêntrico de grandes vasos preenche o quadro típico da arterite de Takayasu. A aterosclerose de subclávia ocorre em pacientes mais velhos com fatores de risco e sem elevação marcante de provas inflamatórias. A dissecção aórtica crônica mostraria flap intimal e não espessamento parietal concêntrico inflamatório. A coarctação produziria hipertensão em membros superiores com pulsos femorais reduzidos, sem sinais inflamatórios. A displasia fibromuscular acomete tipicamente artérias renais e carótidas, com padrão em colar de contas.
Homem, 34 anos, tabagista de 20 cigarros por dia desde a adolescência, apresenta dor em repouso nos dedos das mãos e dos pés, com úlceras digitais dolorosas e episódios prévios de tromboflebite superficial migratória. PA 124/78 mmHg, FC 76 bpm. Pulsos radiais e pediosos ausentes bilateralmente, com pulsos proximais normais. Sem diabetes, dislipidemia ou doença autoimune identificada. Qual a medida terapêutica mais importante?
Na tromboangeíte obliterante, a cessação completa e definitiva do tabagismo é a única medida capaz de deter a progressão da doença e evitar amputações, sendo o pilar do tratamento. A anticoagulação permanente não altera o curso da doença. A corticoterapia não demonstrou benefício nessa vasculite. A revascularização cirúrgica costuma ser inviável pelo acometimento distal e difuso, sendo reservada a casos selecionados. O antibiótico contínuo não trata a doença, ficando restrito ao manejo de infecções secundárias das úlceras.
Menina, 5 anos, apresenta há 3 semanas febre intermitente, perda de peso e lesões cutâneas nodulares dolorosas em membros inferiores, além de hipertensão arterial e dor abdominal pós-prandial. PA 142/94 mmHg. Provas inflamatórias muito elevadas, com VHS de 92 mm/h e PCR de 160 mg/L. A angiografia mostra microaneurismas em artérias renais e mesentéricas, sem acometimento de grandes vasos e sem envolvimento pulmonar identificado. Qual o diagnóstico mais provável?
Microaneurismas em artérias de médio calibre renais e mesentéricas, com nódulos cutâneos dolorosos, hipertensão, dor abdominal pós-prandial e inflamação sistêmica, definem poliarterite nodosa. A vasculite por IgA acomete pequenos vasos, com púrpura palpável e depósitos de IgA. A doença de Kawasaki acomete artérias coronárias em crianças menores, com febre por cinco dias e critérios mucocutâneos característicos. A arterite de Takayasu compromete grandes vasos, sobretudo a aorta e seus ramos principais, com sopros e assimetria de pulsos. A granulomatose com poliangiite acomete via aérea superior, pulmões e rins, com anticorpos anticitoplasma de neutrófilos positivos.
Homem, 48 anos, com hipertensão de início recente, dor abdominal pós-prandial, mononeurite múltipla e perda de 8 kg em 3 meses. PA 168/98 mmHg, FC 88 bpm, com livedo reticular em membros. Creatinina 1,8 mg/dL (VR 0,7–1,3), PCR elevada e sorologia para hepatite B reagente. Arteriografia mostra microaneurismas e irregularidades em artérias renais e mesentéricas de médio calibre. Qual o diagnóstico mais provável?
Microaneurismas em artérias de médio calibre, mononeurite múltipla, hipertensão, dor abdominal, livedo e associação com hepatite B compõem o quadro clássico da poliarterite nodosa. A arterite de Takayasu acomete grandes vasos, com claudicação de membros e assimetria de pulsos em mulheres jovens. A granulomatose com poliangiite cursa com acometimento de vias aéreas superiores, pulmão e rim, com anticorpo anticitoplasma de neutrófilo positivo. A doença de Buerger acomete artérias distais de tabagistas jovens, sem microaneurismas viscerais. A displasia fibromuscular produz padrão em colar de contas, sobretudo renal, sem manifestações sistêmicas inflamatórias.
Homem, 36 anos, tabagista intenso, apresenta episódios recorrentes de cordões venosos dolorosos e eritematosos em membros inferiores, além de dor em repouso nos dedos dos pés e uma úlcera digital. PA 122/76 mmHg, FC 76 bpm, pulsos pediosos ausentes bilateralmente com pulsos femorais amplos. Rastreamento oncológico negativo; sorologias e provas inflamatórias sistêmicas sem alterações importantes. Qual o diagnóstico mais provável?
Tromboflebite migratória associada a isquemia distal em tabagista jovem, com pulsos proximais preservados e sem marcadores inflamatórios ou neoplasia, caracteriza a tromboangeíte obliterante, cujo tratamento depende da cessação absoluta do tabagismo. A síndrome de Trousseau foi afastada pelo rastreamento oncológico negativo e é mais típica em pacientes mais velhos com adenocarcinoma. A poliarterite nodosa cursaria com manifestações sistêmicas, microaneurismas e provas inflamatórias elevadas. A aterosclerose precoce seria improvável nessa idade sem outros fatores de risco e não explica a tromboflebite migratória. A síndrome antifosfolipídeo produziria tromboses arteriais e venosas com anticorpos específicos positivos.
Mulher, 44 anos, apresenta lesões urticariformes que persistem por mais de 48 horas, dolorosas e com sensação de queimação, deixando hiperpigmentação residual. T 37,8 °C, PA 122/78 mmHg, FC 84 bpm, com artralgias em mãos e joelhos. VHS de 68 mm/h (VR < 20), complemento C3 e C4 reduzidos e anticorpo antinuclear positivo em título baixo. Qual a conduta diagnóstica mais adequada?
Lesões urticariformes com duração superior a 24 a 48 horas, dolorosas, com hiperpigmentação residual, associadas a artralgias, elevação de provas inflamatórias e consumo de complemento, sugerem vasculite urticariforme, cujo diagnóstico exige biópsia cutânea. Apenas anti-histamínico com reavaliação tardia retarda o diagnóstico de doença sistêmica. O teste de provocação alimentar não tem papel nesse quadro. A IgE total isolada é inespecífica. Iniciar corticoide sem investigação impede a confirmação histológica e a busca de doença de base, como lúpus.
Homem, 48 anos, com vasculite associada a anticorpo anticitoplasma de neutrófilo, inicia pulsoterapia com ciclofosfamida e corticoide em dose alta. PA 132/80 mmHg, FC 82 bpm, sem infecções ativas. Contagem de linfócitos em queda e previsão de imunossupressão prolongada por vários meses, com sorologia para HIV negativa e função renal moderadamente comprometida pela doença de base. Qual profilaxia deve ser instituída?
Pacientes em imunossupressão intensa com ciclofosfamida e corticoide em dose alta têm risco elevado de pneumonia por Pneumocystis jirovecii, sendo indicada profilaxia com sulfametoxazol-trimetoprima ajustada à função renal. A anfotericina B é terapia de infecções fúngicas invasivas, e não profilaxia de rotina. A cefalosporina de terceira geração não é profilaxia adequada nesse contexto. O oseltamivir contínuo não é estratégia profilática de rotina. Não instituir profilaxia alguma deixa o paciente exposto a infecção oportunista de alta letalidade.
Mulher, 46 anos, com asma de início tardio e rinossinusite com polipose, apresenta parestesias assimétricas em membros, exantema purpúrico e dor abdominal. PA 128/82 mmHg, FC 92 bpm. Eosinófilos de 4.800/mm³ (VR até 500), anticorpo anticitoplasma de neutrófilo perinuclear positivo e biópsia cutânea com vasculite necrosante e infiltrado eosinofílico. Qual o diagnóstico mais provável?
Asma de início tardio, rinossinusite com polipose, eosinofilia acentuada, mononeurite múltipla, púrpura e vasculite necrosante com infiltrado eosinofílico caracterizam a granulomatose eosinofílica com poliangiite. A aspergilose broncopulmonar alérgica cursa com bronquiectasias centrais e sensibilização a Aspergillus, sem vasculite. A síndrome hipereosinofílica idiopática não cursa com vasculite necrosante nem com anticorpo anticitoplasma positivo. A poliarterite nodosa clássica não se associa a asma e eosinofilia proeminente, com microaneurismas viscerais. A granulomatose com poliangiite cursa com granulomas necrosantes de vias aéreas e padrão citoplasmático do anticorpo, sem eosinofilia marcante.
Homem, 42 anos, iniciou antibiótico há 10 dias e apresenta lesões purpúricas palpáveis em membros inferiores, simétricas, algumas com bolhas, sem acometimento visceral aparente. T 37,6 °C, PA 124/78 mmHg, FC 84 bpm. Urina sem hematúria ou proteinúria, função renal normal e ausência de dor abdominal ou artrite. Biópsia cutânea mostra vasculite leucocitoclástica de pequenos vasos. Qual a conduta inicial mais adequada?
A vasculite leucocitoclástica cutânea induzida por fármaco costuma resolver-se com a suspensão do agente, mantendo-se observação e avaliação de acometimento sistêmico, sobretudo renal. A imunossupressão intensiva com ciclofosfamida é reservada a vasculites sistêmicas com acometimento de órgãos vitais. Manter o antibiótico perpetua o gatilho, e o anti-histamínico não trata vasculite. A plasmaférese não tem indicação nessa forma cutânea limitada. Acrescentar outro antibiótico não trata o mecanismo imunomediado e amplia a exposição a novos fármacos.
Homem, 52 anos, com hepatite C crônica, apresenta púrpura palpável em membros inferiores, artralgias, fraqueza e parestesias distais. PA 132/84 mmHg, FC 82 bpm. Complemento C4 muito reduzido com C3 pouco alterado, fator reumatoide positivo e crioglobulinas séricas detectáveis. Urina com hematúria dismórfica e proteinúria, com creatinina discretamente elevada em relação ao basal. Qual a conduta terapêutica principal?
A crioglobulinemia mista associada à hepatite C tem no tratamento antiviral de ação direta a terapia principal, eliminando o estímulo antigênico, com imunossupressão como rituximabe e plasmaférese reservada a manifestações graves. O anti-histamínico não trata vasculite crioglobulinêmica. A esplenectomia não tem papel nessa condição. O antibiótico de amplo espectro não tem alvo. Apenas observar permite progressão do acometimento renal e neurológico.
Gestante de 27 anos, com doença de Behçet, encontra-se com 14 semanas. Apresenta úlceras orais recorrentes e uma úlcera genital dolorosa, sem acometimento ocular ou neurológico. Está em uso de colchicina. Refere episódio prévio de trombose venosa profunda em membro inferior há dois anos, tratado por seis meses. Exames atuais sem alterações hematológicas relevantes. Qual a conduta correta?
A conduta correta associa a manutenção da colchicina, com bom perfil de segurança gestacional, ao tratamento tópico das lesões e à avaliação de tromboprofilaxia, dado o antecedente de trombose venosa e o estado de hipercoagulabilidade da gravidez. Suspender a colchicina por presumida teratogenicidade não corresponde às evidências disponíveis. Iniciar talidomida é erro grave, por ser um dos teratógenos mais conhecidos da história da medicina. Restringir a avaliação de anticoagulação ao puerpério deixa a paciente desprotegida justamente no período de maior risco progressivo. Contraindicar a gestação é desproporcional, pois a doença costuma ser manejável e não apresenta letalidade materna que justifique tal orientação.
Adolescente de 15 anos apresenta febre intermitente, perda de 7 kg e claudicação de membros superiores há 6 meses. PA 158x96 mmHg no membro superior direito e 104x62 mmHg no esquerdo. FC 96 bpm, T 37,8 °C. Ao exame, pulso radial esquerdo diminuído e sopro em região cervical à esquerda. Velocidade de hemossedimentação 78 mm/h (VR até 20). A angiotomografia mostra espessamento parietal e estenose da artéria subclávia esquerda e da aorta descendente. Qual o diagnóstico?
A arterite de Takayasu juvenil é o diagnóstico: sintomas constitucionais, claudicação de membros superiores, assimetria pressórica entre os braços, sopro cervical e espessamento com estenose de grandes vasos à angiotomografia, somados a provas inflamatórias muito elevadas, compõem o quadro. A poliarterite nodosa acomete artérias de médio calibre, com microaneurismas e sem estenose de grandes troncos. A doença de Kawasaki afeta coronárias em crianças menores e tem curso agudo. A coarctação congênita não cursa com febre nem elevação de provas inflamatórias. A vasculite por imunoglobulina A acomete pequenos vasos, com púrpura palpável.
Homem, 44 anos, com obstrução nasal, epistaxe recorrente e crostas nasais há 5 meses, evolui com hemoptise e artralgias. Exame: T 37,8 °C, PA 148x92 mmHg, FR 22 ipm, SatO2 93% em ar ambiente, deformidade em sela do dorso nasal. Creatinina 2,6 mg/dL (VR 0,7–1,3); urina com hematúria dismórfica e proteinúria. Tomografia de tórax mostra três nódulos escavados de 2 a 4 cm em ambos os pulmões. Anticorpo anticitoplasma de neutrófilo com padrão citoplasmático positivo, anti-PR3 reagente. Qual a principal hipótese diagnóstica?
A tríade de acometimento de vias aéreas superiores com deformidade nasal em sela, nódulos pulmonares escavados e glomerulonefrite com hematúria dismórfica, somada a anticorpo anticitoplasma de neutrófilo de padrão citoplasmático com especificidade anti-PR3, é característica da granulomatose com poliangiite. A tuberculose cavitária não produz destruição de septo nasal com anti-PR3 positivo nem glomerulonefrite proliferativa. A poliangiite microscópica cursa com anti-MPO e capilarite alveolar difusa, sem lesões granulomatosas destrutivas de vias aéreas superiores nem nódulos escavados. Metástases pulmonares podem escavar, mas não explicam sinusopatia destrutiva, glomerulonefrite e sorologia positiva. A endocardite com embolização séptica cursaria com febre alta, sopro novo e hemoculturas positivas, dados ausentes na vinheta.
Homem, 45 anos, com asma de início tardio e rinossinusite com pólipos há 4 anos, evolui com parestesia e pé caído à direita, além de lesões purpúricas em membros inferiores há 3 semanas. Exame: T 37,6 °C, FR 20 ipm, SatO2 94% em ar ambiente, sibilos difusos, força reduzida na dorsiflexão direita. Eosinófilos 4.800/mm³ (VR 50–500). Tomografia com infiltrados pulmonares migratórios. Anticorpo anticitoplasma de neutrófilo com padrão perinuclear e anti-MPO positivo. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Asma de início tardio, rinossinusite com polipose, eosinofilia acentuada, infiltrados pulmonares migratórios, mononeurite múltipla com pé caído, púrpura palpável e anti-MPO positivo compõem os critérios da granulomatose eosinofílica com poliangiite, que exige corticoide sistêmico e imunossupressor pela presença de fatores de mau prognóstico. A aspergilose broncopulmonar alérgica cursa com IgE muito elevada, sensibilização a Aspergillus e bronquiectasias centrais, sem vasculite nem neuropatia. A síndrome hipereosinofílica idiopática não se associa a anticorpo anticitoplasma de neutrófilo nem a asma e polipose como pródromo. A poliarterite nodosa poupa caracteristicamente os pulmões, é anticorpo-negativa e associa-se a hepatite B. A granulomatose com poliangiite cursa com anti-PR3, nódulos escavados e destruição de vias aéreas superiores, sem eosinofilia dessa magnitude.
Homem, 54 anos, com perda de força em pé direito há 6 semanas e, há 2 semanas, punho esquerdo caído. Refere febre baixa, perda de 7 kg e púrpura palpável em membros inferiores. PA 158x96 mmHg, FC 88 bpm, T 37,6 °C. Déficit de dorsiflexão do pé direito e de extensão do punho esquerdo, assimétricos e sequenciais. Exames: proteína C reativa elevada; creatinina 1,8 mg/dL; sorologia para hepatite B reagente. Qual a hipótese diagnóstica?
A poliarterite nodosa é a hipótese, pois há mononeurite múltipla com acometimento assimétrico e sequencial de nervos, associada a sintomas constitucionais, púrpura palpável, hipertensão, injúria renal e sorologia reagente para hepatite B, associação clássica dessa vasculite. A polineuropatia diabética é simétrica, distal e de progressão lenta. A radiculopatia lombar não explicaria o punho caído contralateral nem os achados sistêmicos. A amiotrofia neurálgica acomete o plexo braquial após dor intensa em ombro, sem envolvimento de membro inferior. A neuropatia alcoólica é simétrica e carencial, sem púrpura ou febre.
Homem, 62 anos, com tosse, hemoptise e mal-estar há três semanas. PA 152/92 mmHg, FC 88 bpm, SatO2 92%. Creatinina subiu de 1,1 para 4,6 mg/dL (VR 0,7–1,3) em duas semanas. Urina com hematúria dismórfica, cilindros hemáticos e proteinúria de 2,1 g em 24 horas. Complemento normal, anticorpo anticitoplasma de neutrófilo com padrão perinuclear positivo e antimieloperoxidase reagente. Qual a conduta indicada?
O quadro é de vasculite associada a anticorpo anticitoplasma de neutrófilo com síndrome pulmão-rim e glomerulonefrite rapidamente progressiva, exigindo imunossupressão de indução imediata com corticoide em pulso associado a ciclofosfamida ou rituximabe, com plasmaférese considerada na hemorragia alveolar ou creatinina muito elevada. Antibiótico empírico não trata a vasculite e permite a perda irreversível da função renal. O bloqueio do sistema renina-angiotensina isolado não interrompe a inflamação glomerular. Diálise isolada não trata a doença de base. Corticoide oral em dose baixa é claramente insuficiente.
Mulher, 24 anos, com claudicação de membros superiores, febre baixa e perda ponderal há seis meses. PA 178/104 mmHg no membro superior direito e não mensurável à esquerda, FC 82 bpm, com sopro em região cervical e assimetria de pulsos radiais. Creatinina de 1,3 mg/dL (VR 0,5–0,9), velocidade de hemossedimentação de 78 mm na primeira hora e proteína C reativa elevada. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Mulher jovem com sintomas constitucionais, elevação de marcadores inflamatórios, assimetria de pulsos e pressões entre os membros superiores, sopros vasculares e hipertensão caracteriza arterite de Takayasu, com estenose de grandes vasos e possível envolvimento renovascular. A displasia fibromuscular não cursa com febre, perda ponderal e provas inflamatórias elevadas. A aterosclerose precoce apresentaria estigmas de dislipidemia grave. A coartação de aorta gera gradiente entre membros superiores e inferiores, e não entre os dois braços com atividade inflamatória. A poliarterite nodosa acomete vasos de médio calibre, com microaneurismas viscerais.
Mulher, 58 anos, com hemoptise, dispneia e injúria renal rapidamente progressiva. PA 142/88 mmHg, FC 104 bpm, SatO2 89%. Creatinina de 4,8 mg/dL (VR 0,6–1,1), hematúria dismórfica com cilindros hemáticos e proteinúria de 1,6 g em 24 horas. Tanto o anticorpo antimembrana basal glomerular quanto o anticorpo anticitoplasma de neutrófilo com padrão perinuclear são positivos. Qual a conduta indicada?
A doença duplamente positiva, com anticorpos antimembrana basal glomerular e anticitoplasma de neutrófilo, comporta-se de forma agressiva e deve ser tratada como doença antimembrana basal, com plasmaférese associada a corticoide e imunossupressor, mantendo terapia de manutenção pelo componente vasculítico. Tratar apenas como vasculite dispensando a plasmaférese subestima o componente anticorpo-mediado. Aguardar a biópsia atrasa terapia em quadro que perde função rapidamente. Corticoide oral em dose baixa é insuficiente. Diálise isolada não altera o curso imunológico da doença.
Homem, 62 anos, com dispneia, hemoptise e queda da hemoglobina de 12,8 para 8,9 g/dL em 5 dias. Exame: FR 30 ipm, SatO2 86% em ar ambiente, estertores difusos, sem lesões de vias aéreas superiores e sem deformidade nasal. Creatinina de 3,8 mg/dL com hematúria dismórfica e cilindros hemáticos. Tomografia com vidro fosco difuso bilateral. Anticorpo anticitoplasma de neutrófilo perinuclear positivo, com anti-MPO reagente. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Síndrome pulmão-rim com hemorragia alveolar difusa, glomerulonefrite rapidamente progressiva e anticorpo anticitoplasma de neutrófilo de padrão perinuclear com especificidade anti-MPO, sem acometimento destrutivo de vias aéreas superiores, caracteriza poliangiite microscópica, tratada com corticoide e ciclofosfamida ou rituximabe, com plasmaférese em casos selecionados. A granulomatose com poliangiite cursa com anti-PR3, nódulos escavados e sinusopatia destrutiva com deformidade nasal, expressamente ausentes. A doença anti-membrana basal glomerular exigiria anticorpo específico positivo, não relatado. O lúpus apresentaria outros critérios classificatórios, anti-DNA e consumo de complemento. A endocardite cursaria com febre prolongada, sopro novo e hemoculturas positivas.
Homem, 29 anos, com úlceras orais dolorosas recorrentes há 3 anos, mais de seis episódios por ano, associadas a úlceras genitais e lesões cutâneas pustulosas. Exame: duas úlceras aftosas em mucosa oral, cicatrizes em bolsa escrotal, lesões papulopustulosas em tronco, hiperemia conjuntival com dor ocular. Teste de patergia positivo; avaliação oftalmológica confirma uveíte posterior com vasculite retiniana ativa. Qual a conduta terapêutica mais adequada?
Úlceras orais recorrentes com úlceras genitais, lesões papulopustulosas, patergia positiva e uveíte posterior com vasculite retiniana caracterizam doença de Behçet com acometimento ocular grave, que ameaça a visão e exige imunossupressão sistêmica, com corticoide associado a azatioprina, ciclosporina ou agentes anti-TNF conforme a gravidade. O corticoide tópico isolado trata apenas as aftas e não protege a retina. O antibiótico prolongado não trata doença inflamatória de mecanismo imunomediado. O antiviral seria adequado a herpes recorrente, que não produz úlceras genitais cicatriciais com patergia positiva e vasculite retiniana. Aguardar remissão espontânea em uveíte posterior ativa resulta em perda visual irreversível.
Mulher, 38 anos, iniciou antibiótico há 10 dias e apresenta há 3 dias lesões cutâneas em membros inferiores. Exame: T 37,2 °C, púrpura palpável simétrica em pernas e dorso dos pés, sem acometimento de tronco, sem artrite, sem dor abdominal, sem hematúria. Creatinina normal; urina tipo I sem alterações; plaquetas normais; complemento normal. Biópsia de pele mostra vasculite leucocitoclástica de pequenos vasos. Qual a conduta mais adequada?
Púrpura palpável restrita à pele, surgindo após introdução de fármaco, com biópsia mostrando vasculite leucocitoclástica e sem evidência de acometimento renal, articular, gastrointestinal ou pulmonar, caracteriza vasculite cutânea de pequenos vasos por hipersensibilidade, cujo manejo é a suspensão do agente desencadeante, repouso relativo, elevação dos membros e sintomáticos, com corticoide reservado a casos extensos ou ulcerados e vigilância para acometimento sistêmico. A ciclofosfamida é terapia de vasculites sistêmicas graves com risco de órgão. Introduzir novo antibiótico pode agravar o quadro e não trata o mecanismo. A plasmaférese não tem indicação em vasculite cutânea isolada. Manter o fármaco suspeito perpetua o estímulo antigênico.
Mulher, 26 anos, com claudicação de membros superiores, tontura aos esforços e mal-estar há 8 meses. Exame: PA 148x92 mmHg no braço direito e 96x60 mmHg no esquerdo, pulso radial esquerdo reduzido, sopro em região supraclavicular esquerda e em trajeto de carótida esquerda. Velocidade de hemossedimentação de 68 mm na primeira hora; angiotomografia mostra espessamento parietal e estenoses em artérias subclávia e carótida esquerdas. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Mulher jovem com claudicação de membros superiores, assimetria pressórica significativa entre os braços, redução de pulso, sopros vasculares, provas inflamatórias elevadas e espessamento parietal com estenoses de grandes vasos à angiotomografia apresenta arterite de Takayasu, vasculite granulomatosa de grandes vasos tratada com corticoide e imunossupressor. A aterosclerose precoce seria improvável nessa idade sem fatores de risco e não cursa com elevação expressiva de provas inflamatórias e espessamento parietal inflamatório. A displasia fibromuscular produz padrão em colar de contas, sem inflamação sistêmica. A síndrome do desfiladeiro torácico causa sintomas posicionais sem espessamento parietal inflamatório. A coarctação de aorta gera diferença entre membros superiores e inferiores, com achados radiológicos próprios.
Homem, 55 anos, com hepatite C crônica não tratada, apresenta artralgias em mãos e joelhos, púrpura palpável em pernas e parestesias em pés há 5 meses. PA 142x88 mmHg, FC 80 bpm, T 36,9 °C. Exames: fator reumatoide 210 UI/mL (VR abaixo de 20); anti-CCP negativo; C4 3 mg/dL (VR 10–40); C3 88 mg/dL (VR 90–180); creatinina 1,4 mg/dL (VR 0,6–1,2); urina I com proteinúria e hematúria dismórfica. Qual a principal hipótese diagnóstica?
A crioglobulinemia mista é a hipótese que reúne todos os elementos: hepatite C crônica, fator reumatoide em título muito alto por atividade crioglobulínica, consumo desproporcional de C4 com C3 quase normal, púrpura palpável, neuropatia periférica e glomerulonefrite. A artrite reumatoide não consome complemento, não produz púrpura palpável como manifestação inicial e teria anti-CCP habitualmente positivo em doença tão sorologicamente exuberante. A granulomatose com poliangiite cursa com acometimento de vias aéreas superiores e ANCA anti-PR3, sem o padrão de C4 baixo isolado. O lúpus consumiria C3 e C4 de forma proporcional e teria FAN e anti-DNA como marcadores, não fator reumatoide isolado. A púrpura trombocitopênica imune produz petéquias não palpáveis por plaquetopenia, sem neuropatia nem hematúria dismórfica.
Homem, 48 anos, refere obstrução nasal com crostas hemorrágicas há 5 meses, otite média recorrente e, há 3 semanas, hemoptise e edema. PA 156x96 mmHg, FC 88 bpm, FR 22 ipm, SatO2 93% em ar ambiente, T 37,6 °C. Exames: creatinina 2,8 mg/dL (VR 0,6–1,2); urina I com hematúria dismórfica e cilindros hemáticos; ANCA com padrão citoplasmático e anti-PR3 positivo; tomografia de tórax com nódulos cavitados bilaterais. Qual o diagnóstico mais provável?
A tríade de acometimento de vias aéreas superiores com crostas e otite, nódulos pulmonares cavitados e glomerulonefrite rapidamente progressiva, somada ao ANCA citoplasmático com anti-PR3, define granulomatose com poliangiite. A poliangiite microscópica cursa com anti-MPO e caracteristicamente poupa as vias aéreas superiores, além de não formar granulomas nem nódulos cavitados. A granulomatose eosinofílica com poliangiite exige asma e eosinofilia marcante, ausentes no caso. A poliarterite nodosa acomete artérias de médio calibre, produz microaneurismas e não causa glomerulonefrite nem é ANCA positiva. A tuberculose não explicaria o ANCA anti-PR3 nem a hematúria dismórfica com cilindros hemáticos em cinco meses de evolução.
Mulher, 56 anos, com vasculite associada a ANCA anti-MPO, apresenta creatinina de 3,6 mg/dL (VR 0,6–1,2), em ascensão nas últimas duas semanas, e hemoptise com queda de hemoglobina de 12,0 para 8,4 g/dL. PA 148x90 mmHg, FC 100 bpm, FR 26 ipm, SatO2 90% em ar ambiente, T 37,8 °C. Tomografia com vidro fosco difuso bilateral. Biópsia renal com glomerulonefrite necrosante pauci-imune e crescentes em 60% dos glomérulos. Qual o esquema de indução mais adequado?
A indução de remissão em vasculite ANCA com doença grave, definida por glomerulonefrite rapidamente progressiva e hemorragia alveolar, combina corticoide em dose alta com rituximabe ou ciclofosfamida, avaliando-se plasmaférese em casos de hemorragia alveolar com hipoxemia ou creatinina muito elevada. Corticoide isolado em dose baixa com espera de quatro semanas é inaceitável diante de crescentes em sessenta por cento dos glomérulos. O metotrexato só cabe em doença limitada, sem acometimento renal significativo, e é contraindicado com creatinina de 3,6 mg/dL. A azatioprina é droga de manutenção, não de indução. Sulfametoxazol-trimetoprima tem papel na prevenção de pneumocistose e na redução de recaídas em doença localizada de vias aéreas, jamais como indução isolada.
Homem, 42 anos, com asma de difícil controle há 6 anos e rinossinusite com pólipos, refere há 2 meses parestesias e queda do pé direito, além de lesões purpúricas em pernas. PA 130x82 mmHg, FC 90 bpm, T 37,3 °C. Exames: eosinófilos 4.800/mm³ (VR até 500); IgE total elevada; ANCA perinuclear com anti-MPO positivo; troponina 0,08 ng/mL (VR até 0,04); tomografia de tórax com infiltrados migratórios. Qual o diagnóstico mais provável?
Asma de difícil controle com polipose nasal, eosinofilia acima de 1.500 por milímetro cúbico, mononeurite múltipla manifesta como pé caído, púrpura, infiltrados pulmonares migratórios e ANCA anti-MPO configuram granulomatose eosinofílica com poliangiite, e a troponina discretamente elevada sinaliza acometimento cardíaco, principal determinante de prognóstico. A aspergilose broncopulmonar alérgica não causa mononeurite múltipla nem púrpura vasculítica. A síndrome hipereosinofílica idiopática não cursa com ANCA positivo nem com asma prévia como marca. A estrongiloidíase produz eosinofilia, mas não explica ANCA anti-MPO nem a asma de longa data. A poliangiite microscópica caracteriza-se justamente pela ausência de asma e de eosinofilia.
Homem, 45 anos, refere febre, perda de 10 kg, dor abdominal pós-prandial e parestesias assimétricas em membros há 3 meses. PA 176x108 mmHg, FC 96 bpm, T 38,1 °C. Exame: livedo reticular em coxas e queda do pé esquerdo. Exames: HBsAg reagente com carga viral elevada; ANCA negativo; creatinina 1,5 mg/dL (VR 0,6–1,2); urina I sem hematúria dismórfica; arteriografia mesentérica com múltiplos microaneurismas. Qual a conduta terapêutica mais adequada?
A poliarterite nodosa associada ao vírus da hepatite B se trata com curso curto de corticoide para controlar a inflamação, antiviral para suprimir a replicação viral e plasmaférese nos casos graves, estratégia que evita a imunossupressão prolongada capaz de amplificar a replicação. Ciclofosfamida prolongada sem antiviral favorece a replicação viral e a progressão da hepatopatia. O rituximabe não é a terapia de escolha nessa forma e, além disso, exige atenção especial ao risco de reativação do vírus B. Excluir totalmente o corticoide é equivocado, pois ele é necessário no controle inicial, desde que acompanhado de antiviral. Anti-inflamatório com observação é insuficiente em doença com mononeurite múltipla, hipertensão grave e microaneurismas mesentéricos.
Mulher, 28 anos, refere claudicação de membros superiores e tontura ao levantar os braços há 8 meses, com febre baixa intermitente. PA 148x88 mmHg no membro superior direito e 96x60 mmHg no esquerdo; FC 84 bpm; T 37,3 °C. Exame: sopro em região supraclavicular esquerda, pulso radial esquerdo reduzido. Exames: velocidade de hemossedimentação 58 mm na primeira hora (VR até 20); proteína C reativa 32 mg/L (VR abaixo de 5); angiotomografia com espessamento parietal e estenose de subclávia esquerda. Qual a conduta mais adequada neste momento?
A arterite de Takayasu em atividade, evidenciada por sintomas isquêmicos, assimetria pressórica, sopro, provas de fase aguda elevadas e espessamento parietal à angiotomografia, trata-se com corticoide associado a imunossupressor poupador como metotrexato, azatioprina ou inibidor de fator de necrose tumoral, reservando revascularização para a doença controlada. Intervir sobre vaso inflamado eleva de modo importante a taxa de reestenose e complicações. Anticoagulação isolada não trata o processo inflamatório parietal. A febre e as provas elevadas aqui se explicam pela vasculite, e não há foco infeccioso que justifique antibiótico prolongado. Betabloqueador não corrige a estenose nem a inflamação, e a aferição pressórica no membro acometido é enganosa.
Homem, 27 anos, de origem turca, refere úlceras orais dolorosas recorrentes há 3 anos, com pelo menos seis episódios anuais, além de úlceras escrotais cicatrizadas e dois episódios de olho vermelho doloroso com perda visual transitória. PA 124x78 mmHg, FC 76 bpm, T 36,8 °C. Exame: pústula estéril no local de punção venosa realizada no dia anterior. Exames: velocidade de hemossedimentação 34 mm na primeira hora (VR até 15); FAN negativo; sorologia para herpes negativa. Qual achado descrito corresponde ao teste da patergia?
A patergia é a hiper-reatividade cutânea a trauma mínimo, manifestada como pápula ou pústula estéril que surge em vinte e quatro a quarenta e oito horas no local de punção, exatamente o achado descrito, e integra os critérios classificatórios da doença de Behçet, com maior positividade em populações do Mediterrâneo e da Ásia. A recorrência de úlceras orais é critério obrigatório, mas corresponde a outro item. A úlcera genital cicatrizada é critério maior independente, sem relação com o fenômeno de patergia. A elevação da velocidade de hemossedimentação é inespecífica e não integra critérios. A uveíte é manifestação ocular grave e também critério, porém distinta do teste cutâneo.
Homem, 29 anos, turco, com aftas orais dolorosas recorrentes há 4 anos, úlceras genitais cicatriciais e episódios de uveíte anterior. Há 3 meses apresenta dor em fossa ilíaca direita e diarreia com sangue. PA 122x76 mmHg, FC 88 bpm, T 37,4 °C. Proteína C reativa 62 mg/L (VR até 5). Colonoscopia revela úlceras profundas, ovais e isoladas na região ileocecal, com mucosa intermediária normal. Teste de patergia positivo. Qual a principal hipótese diagnóstica?
A doença de Behçet intestinal é a hipótese principal: aftas orais recorrentes, úlceras genitais, uveíte e patergia positiva compõem os critérios clínicos, e o padrão endoscópico típico são úlceras profundas, ovais e em pequeno número na região ileocecal com mucosa vizinha preservada. A doença de Crohn produz úlceras longitudinais serpiginosas com aspecto em pedra de calçamento e acometimento salteado, além de não explicar uveíte com úlceras genitais e patergia. A tuberculose intestinal caracteriza-se por úlceras transversais circunferenciais e granulomas caseosos. O linfoma de células T associado a enteropatia surge em doença celíaca refratária, com massa ou perfuração. A colite amebiana afeta predominantemente o ceco com úlceras em botão de camisa, mas não cursa com uveíte e patergia.
Mulher, 55 anos, com hepatite C crônica não tratada, apresenta há 5 meses púrpura palpável em membros inferiores que piora no frio, artralgias e parestesias em pés. Exame: púrpura palpável em pernas, hipoestesia distal assimétrica, PA 138/84 mmHg. Creatinina 1,5 mg/dL (VR 0,6–1,1); proteinúria de 1,8 g em 24 horas; hematúria dismórfica; complemento C4 muito reduzido com C3 normal; fator reumatoide positivo em título alto; crioglobulinas detectáveis no soro. Qual o diagnóstico?
Púrpura palpável agravada pelo frio, artralgias, neuropatia periférica, glomerulonefrite com hematúria dismórfica, fator reumatoide positivo, consumo desproporcional de C4 com C3 normal e crioglobulinas detectáveis em portadora de hepatite C definem vasculite crioglobulinêmica mista. A granulomatose com poliangiite cursa com acometimento de vias aéreas superiores e anticorpo anti-PR3, sem consumo desse padrão de complemento. O lúpus consome C3 e C4 e exige autoanticorpos específicos. A púrpura de Henoch-Schönlein cursa com depósito de IgA, complemento normal e é mais comum na infância. A poliarterite nodosa poupa o glomérulo, ao contrário do quadro descrito com hematúria dismórfica e proteinúria.
Qual descrição corresponde às alterações da mucosa oral mostrada? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Há perda focal de mucosa, recoberta por material fibrinoso.
Lesões dolorosas como as da fotografia reaparecem periodicamente e cicatrizam completamente em cerca de dez dias. Não há manifestações fora da boca. Qual hipótese é mais provável? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

A morfologia e a evolução episódica autolimitada sustentam essa hipótese.
Um adulto apresenta episódios recorrentes das lesões orais ilustradas, além de úlceras genitais e uveíte. Qual doença reúne melhor as manifestações? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

O conjunto de ulceração mucosa recorrente e inflamação ocular exige investigar essa vasculite.
Qual doença melhor integra idade, claudicação mandibular e achado arterial mostrado? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

A combinação de manifestações cranianas e parede arterial inflamada é característica.
A mesma pessoa relata episódios de perda visual monocular. A biópsia só poderá ocorrer na semana seguinte. Qual conduta é adequada? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

A ameaça isquêmica ocular torna perigoso retardar glicocorticoide e avaliação especializada.
Pessoa de 72 anos tem cefaleia nova e claudicação mandibular. Qual sinal ultrassonográfico é sugerido pela faixa hipoecoica ao redor da luz arterial? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

No contexto clínico, esse achado favorece arterite de células gigantes.
Um ultrassom negativo é obtido após vários dias de glicocorticoide, apesar de forte suspeita clínica. Qual interpretação é mais adequada? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

A sensibilidade depende do momento, técnica e vasos examinados; negativo não exclui automaticamente.
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em 7 dias
Sete dias depois, recupere de memória oito coisas. As três doenças que a definição internacional reúne sob o anticorpo, e quais duas o protocolo federal efetivamente cobre. O órgão que abre cada uma das duas — via aérea superior numa, rim na outra — e a frase de que a poliangiite microscópica é a principal causa de síndrome pulmão-rim. As duas positividades de biópsia que a norma publica, de via aérea superior e transbrônquica, e o que sobra de negativos em cada uma. Os cinco degraus da estratificação europeia e o único ponto em que a creatinina entra, com a conversão dos 500 micromoles. As duas janelas do escore de atividade, de quatro semanas e de três meses, e o prazo de três meses do escore de dano. As duas situações que dão acesso ao biológico no sistema público e por que a primeira delas não é um critério de gravidade. A dose da ciclofosfamida e o parâmetro laboratorial pelo qual o protocolo a ajusta. E o que precisa estar feito antes da primeira dose de imunossupressor.
em 30 dias
Trinta dias depois, refaça as contas em voz alta, sem consultar. Converta 500 micromoles por litro de creatinina para miligramas por decilitro e diga por que a mesma norma escreve 5,6 numa tabela e 5,7 na seguinte. Converta as prevalências latino-americanas de por cem mil para por milhão e compare com a estimativa internacional impressa ao lado. Calcule quanto rituximabe cada um dos dois esquemas entrega para 1,73 metro quadrado de superfície corpórea e qual a diferença percentual. Diga a partir de que peso a regra de 15 miligramas por quilo ultrapassa o limite de um grama por pulso. Calcule a dose de prednisona por quilo que um paciente de 100 kg efetivamente recebe sob o teto de 80 miligramas. E explique, em duas frases, por que o mesmo achado pode contar como atividade num instrumento e como dano no outro sem que nada tenha mudado no paciente.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Num ambulatório de doenças autoimunes, treine a sequência que os documentos desenham e que a pressa atropela. Diante de sintomas constitucionais arrastados, peça o exame de urina antes da sorologia: é o sedimento que decide se o caso é ambulatorial ou urgente, e é ele que o escore de atividade exige para ser pontuado. Classifique por calibre de vaso em voz alta antes de nomear a doença, porque é o calibre que separa a poliarterite nodosa do grupo pauci-imune e as arterites de grandes vasos das duas. Ao indicar biópsia, diga qual tecido e qual rendimento você espera dele, e diga na mesma frase que o tratamento não vai esperar o resultado. Ao prescrever corticoide por quilo, calcule a dose e depois confira o teto, sempre nessa ordem. E, antes de assinar a primeira dose de imunossupressor, percorra em voz alta a lista de rastreios: sorologias, radiografia de tórax, prova tuberculínica ou ensaio de interferona-gama, parasitoses e vacinas. É a lista que o paciente não percebe e que decide se ele vai adoecer de infecção nos próximos meses. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
