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Osteoartrite
A prova cobra três coisas: fechar o diagnóstico sem imagem, subir a escada analgésica que o SUS de fato banca, e reconhecer as quatro intervenções populares que a régua brasileira recomenda NÃO fazer.
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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Uma mulher de 62 anos, diarista, comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de dor no joelho direito há cerca de 2 anos, de piora progressiva. Relata que a dor aumenta ao final do dia e ao subir escadas, melhora com repouso e vem acompanhada de rigidez matinal de curta duração (cerca de 10 minutos). Nega febre, emagrecimento ou dor em outras articulações. Ao exame: IMC 33 kg/m2, joelho direito com crepitação à mobilização, discreto aumento de volume ósseo nas margens articulares e ausência de calor ou eritema. A radiografia mostra redução do espaço articular medial, osteófitos e esclerose subcondral. Qual é o diagnóstico mais provável?
Como esse tema cai
Osteoartrite é a doença articular mais comum e a que mais aparece disfarçada na prova: o enunciado descreve um joelho que dói ao subir escada, entrega uma radiografia cheia de osteófitos e pergunta a conduta. O erro mais caro não é diagnóstico — é achar que a radiografia decide alguma coisa e que a conduta começa no consultório do ortopedista.
No Brasil a régua vigente é o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dor Crônica, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SAPS/sectics nº 1, de 22 de agosto de 2024, que incorporou o conteúdo das duas Diretrizes Brasileiras para o Tratamento Não Cirúrgico da Osteoartrite (joelho, Relatório de Recomendação nº 340/2018; quadril, nº 341/2018). Quem escreve a alternativa correta de uma banca brasileira está lendo esses três documentos, e não o guideline americano.
O recorte tem quatro eixos. Primeiro, o diagnóstico é clínico e a imagem só colabora — ressonância está fora, e exame laboratorial serve ao diferencial. Segundo, o tratamento que muda desfecho é exercício e perda de peso, prescritos com a mesma seriedade de um comprimido. Terceiro, a escada medicamentosa do SUS tem doses escritas, um teto de 4 g de paracetamol e uma regra de gastroproteção com prazo. Quarto — e é onde a prova separa quem leu o documento — há quatro intervenções populares que a régua brasileira recomenda não fazer: condroitina/glucosamina, infiltração de corticoide, ácido hialurônico e artroscopia de limpeza.
Este capítulo trata da osteoartrite de joelho, quadril e mão do adulto. A monoartrite aguda com derrame e a artrite por cristais têm capítulos próprios nesta apostila — e são justamente os diagnósticos que o bloco de sinais de alerta manda procurar antes de assinar osteoartrite.
O que muda decisão
Não é desgaste: é falência da articulação como órgão
A definição do documento brasileiro é explícita: a osteoartrite é doença de caráter inflamatório e degenerativo que ocorre por insuficiência da cartilagem, resultado de desequilíbrio entre destruição e ressíntese dos seus elementos, associada a sobrecarga mecânica, fatores genéticos e alterações bioquímicas da cartilagem e da membrana sinovial. A palavra que a prova cobra é insuficiência, não desgaste.
A diretriz do joelho descreve duas condições que produzem a doença: ou as propriedades biológicas da cartilagem e do osso subcondral estão normais e a carga aplicada é excessiva, ou a carga é razoável e as propriedades do material estão alteradas. Isso explica por que um jovem que agacha o dia inteiro no trabalho e uma idosa obesa chegam ao mesmo lugar por caminhos opostos, e por que a atividade ocupacional agachada aparece como fator de risco no próprio documento.
Embora a lesão fundamental seja a perda progressiva de cartilagem, o texto insiste que o processo não é doença de um tecido só: envolve osso subcondral, sinóvia, disco intra-articular, ligamentos e estruturas neuromusculares de sustentação. Daí a consequência clínica que a banca adora — a cartilagem não tem inervação, então a dor não vem dela; vem do osso subcondral, da cápsula, da sinóvia e do periósteo. É esse descolamento entre lesão e sintoma que sustenta todo o resto do capítulo.
Alguns fatores de risco são reversíveis (obesidade, fraqueza muscular) e outros são evitáveis (trauma articular por exigência ocupacional ou recreativa). Essa frase do documento não é decorativa: é a base pela qual exercício e perda de peso entram como recomendação forte, e não como conselho de estilo de vida.
O tamanho do problema em números brasileiros: a osteoartrite alcança de 6% a 12% da população adulta e mais de um terço das pessoas acima de 65 anos; a projeção da OMS usada na diretriz do quadril estima cerca de 10% dos homens e 18% das mulheres com doença sintomática a partir dos 60 anos. Do lado do sistema, o DATASUS registrou 35.679 artroplastias de joelho com AIH aprovada entre 2010 e 2014 — cerca de 7.100 por ano no país inteiro. Para comparação, a prevalência estimada de artroplastia de joelho nos Estados Unidos em 2010 era de 1,52% da população, chegando a 10,38% acima dos 80 anos e caindo a 0,08% abaixo dos 50: um gradiente de cerca de 130 vezes entre as duas faixas etárias.
E o custo em trabalho: entre 2009 e 2013, 3.723 trabalhadores foram afastados com CID M17 (gonartrose) em todo o território nacional, 0,10% dos afastamentos do período — algo como 745 por ano. O número parece pequeno porque a osteoartrite adoece devagar e aposenta por outras portas; a incapacidade que ela produz raramente chega ao registro com o próprio nome.
O diagnóstico é clínico — e a primeira recomendação do documento diz isso
A recomendação nº 1 da diretriz do joelho, com força forte, manda diagnosticar osteoartrite de joelho clinicamente, por anamnese e exame físico, quando o paciente tem dor relacionada à atividade habitual e/ou rigidez no joelho. A recomendação nº 1 da diretriz do quadril, também forte, manda coletar histórico e fazer exame físico com ênfase no exame musculoesquelético em todos que relatem dor e/ou rigidez matinal do quadril. Nenhuma das duas exige imagem para fechar o diagnóstico.
O padrão de dor é mecânico: piora com a atividade e alivia com repouso; conforme a doença avança, passa a doer em repouso e à noite. A rigidez matinal existe, mas é curta — o documento do joelho escreve que ela dura normalmente menos de 30 minutos. Esse é o número que separa osteoartrite de artrite inflamatória na primeira linha do enunciado, e é o mesmo número que aparece no critério clínico do Quadro 9 dos protocolos de encaminhamento.
No exame físico, os achados que o documento lista como mais comuns são dor, deformidade, movimentos dolorosos restritos e derrames ocasionais. A crepitação à mobilização ativa é o sinal que entra como critério; o alargamento ósseo (hipertrofia óssea da articulação) é o que o formulário de encaminhamento pede que o médico descreva explicitamente. Calor local palpável não faz parte do quadro — quando aparece, muda o problema.
Os protocolos de encaminhamento reproduzem, no Quadro 9, os critérios clínicos do American College of Rheumatology para as três topografias. Joelho, por critério clínico e radiológico: dor no joelho com osteófitos nas margens articulares na radiografia, mais um critério clínico entre idade superior a 40 anos, rigidez matinal com duração inferior a 30 minutos e crepitação à mobilização ativa. Quadril, por critério clínico, radiológico e laboratorial: dor no quadril mais 2 de 3 — VHS menor que 20 mm/h, osteófito femoral ou acetabular na radiografia, e diminuição do espaço interarticular (superior, axial e/ou medial).
A mão tem o critério mais detalhado e o mais esquecido: dor ou rigidez das mãos mais 3 dos 4 critérios — alargamento ósseo de duas ou mais das articulações definidas; alargamento ósseo de duas ou mais interfalangeanas distais; menos de três metacarpofalangeanas com edema; e deformidade de pelo menos uma das dez articulações definidas. As dez articulações definidas são a 2ª e a 3ª interfalangeanas distais, a 2ª e a 3ª interfalangeanas proximais e a 1ª carpometacarpal, de ambas as mãos — cinco de cada lado, dez no total. O critério que carrega o diferencial é o terceiro: menos de três metacarpofalangeanas edemaciadas. Metacarpofalangeana inchada é território de artrite reumatoide, não de osteoartrite.

Os sinais de alerta que tiram o caso da osteoartrite
A diretriz do joelho traz uma lista nominal de sinais de alerta, e ela é o gabarito de todo enunciado que parece osteoartrite mas não é. São eles: trauma local; dor progressiva e bem localizada, que não varia com a atividade; dor que piora durante o repouso; rigidez articular prolongada, com duração maior que duas horas; febre recorrente; rubor, edema e calor local; doença ou infecção intestinal; diarreias; psoríase; poliartralgia; infecção geniturinária; erupções cutâneas; fraqueza; parestesias; perda de reflexos ou pulsos locais; aumento de volume ou massa articular; imunossupressão; tosse crônica ou contato com pessoa com tuberculose; e diagnóstico de HIV, câncer, doença renal, prostática ou de tireoide.
O documento também nomeia o que esses sinais indicam: infecção, câncer, fratura, doença inflamatória articular (gota e artrite reumatoide), tuberculose óssea, além de complicações vasculares ou neurológicas periarticulares. Repare no desenho do bloco — psoríase, diarreia e infecção geniturinária estão ali porque apontam para espondiloartrites; imunossupressão e febre apontam para artrite séptica; parestesia e perda de pulso apontam para fora da articulação.
Dois números merecem atenção porque a prova gosta de trocá-los. A rigidez matinal da osteoartrite dura menos de 30 minutos; a rigidez que vira sinal de alerta é a que passa de duas horas. O intervalo entre 30 minutos e duas horas não é o nada de ninguém: é o território da doença inflamatória de baixo grau, e é ele que justifica a primeira condição de encaminhamento à reumatologia, que é suspeita de doença articular inflamatória como artrite reumatoide ou artrite psoriásica.
A dor que piora em repouso e a dor noturna que não cede aparecem duas vezes na lista, e é isso que as torna gancho de enunciado. Osteoartrite avançada dói em repouso — o próprio documento diz. O que vira alerta é a dor que não varia com a atividade, ou seja, a dor que perdeu o caráter mecânico: essa é dor de tumor, de infecção e de fratura, não de sobrecarga.
A radiografia colabora, a ressonância fica de fora
A recomendação nº 2 do documento do joelho, força forte, indica radiografia em AP e perfil em apoio bipodal para colaborar no diagnóstico. O verbo é intencional: colaborar, não confirmar. O documento do quadril usa formulação mais forte na recomendação (radiografia AP para confirmar o diagnóstico clínico) mas, no corpo do texto, escreve que o diagnóstico do quadril deve estar baseado principalmente nas queixas clínicas e que a radiografia apenas colabora. O PCDT de 2024 unificou os dois numa frase só: sugere-se radiografia ântero-posterior e perfil em apoio bipodal para auxiliar o diagnóstico de osteoartrite de joelho e de quadril.
As alterações que a radiografia mostra são quatro, e o documento do quadril as nomeia em bloco: estreitamento do espaço intra-articular, osteofitose, esclerose e cistos subcondrais. A graduação usada nos estudos que sustentam a recomendação é a de Kellgren & Lawrence. Vale gravar o contraste com a artrite inflamatória: na osteoartrite a redução do espaço articular é assimétrica, acompanhada de osteófito e esclerose; na artrite reumatoide ela é simétrica, com osteopenia periarticular e erosão marginal, e sem osteófito.
O motivo de a radiografia só colaborar está nos números que a própria diretriz reproduz. Nos dois estudos de acurácia usados pelo NICE, avaliação clínica somada à radiológica teve sensibilidade variando de 46% a 84% e especificidade de 72,8% a 94% no primeiro; sensibilidade de 59,1% a 77,4% e especificidade de 37,1% a 76,6% no segundo. Uma especificidade que desce a 37,1% significa que achado radiográfico sozinho rotula como doente muita gente sem sintoma.
No quadril o argumento é ainda mais direto: a associação entre estreitamento do espaço intra-articular e a avaliação clínica de dor e disfunção articular teve variância explicada de 0,4%, com P = 0,44. Menos de meio por cento da dor do paciente é explicada pelo quanto o espaço articular fechou. É esse número que autoriza a frase que a prova quer ver — a gravidade radiográfica não governa a conduta.
A ressonância magnética tem recomendação explícita contra como ferramenta de diagnóstico, de confirmação ou de gerenciamento do tratamento, tanto no joelho quanto no quadril, e o PCDT de 2024 repete a proibição. O estudo que fundamenta a decisão acompanhou 205 pacientes (42 homens e 163 mulheres) com osteoartrite sintomática: das anormalidades de ressonância, só duas se associaram à clínica — derrame articular volumoso com dor (OR 9,99; IC 99% 1,28 a 149) e rigidez (OR 4,67; IC 99% 1,26 a 26,1), e osteófito no compartimento patelofemoral com dor (OR 2,25; IC 99% 1,06 a 4,77). Anormalidade de cartilagem, cisto subcondral, edema de medula óssea, subluxação meniscal e cisto de Baker não se associaram a sintoma nenhum. Repare na largura do intervalo do derrame, de 1,28 a 149: é uma associação real e ao mesmo tempo imprecisa demais para virar critério.
A diretriz do quadril acrescenta uma recusa que não existe no documento do joelho: ultrassonografia não é recomendada para diagnóstico, confirmação de diagnóstico ou manejo do tratamento da osteoartrite de quadril, com força forte. Guarde a assimetria — a mesma ultrassonografia reaparece, do lado do tratamento, como ultrassom terapêutico de fisioterapia para o joelho, com força fraca.
Laboratório serve ao diferencial — e o VHS entra por uma porta específica
A recomendação é de não usar rotineiramente exames laboratoriais nem análise do líquido sinovial para diagnosticar osteoartrite. O documento explica o porquê: sangue, urina e líquido sinovial ajudam a confirmar ou afastar doenças inflamatórias coexistentes e outras condições, mas há pouca evidência de benefício para a confirmação do diagnóstico de osteoartrite em si.
O mesmo documento define quando pedir: exames laboratoriais podem ser solicitados para diagnóstico diferencial ou adicional quando o paciente apresenta rápida piora da dor e da rigidez articular junto com os sinais de alerta. É uma indicação condicionada, e ela é a resposta certa quando o enunciado põe febre, perda de peso ou psoríase no meio do caso.
Há, porém, um lugar em que o laboratório entra no próprio critério: o critério ACR do quadril reproduzido no Quadro 9 exige VHS menor que 20 mm/h como um dos três itens, dos quais dois bastam. O papel do VHS ali é justamente excluir inflamação — não é marcador de osteoartrite, é o marcador cuja normalidade sustenta a hipótese. Confira a unidade: milímetros por hora.
E há um lugar em que o VHS é obrigatório mesmo sem critério: o formulário de encaminhamento do Ministério da Saúde exige, no conteúdo descritivo mínimo, o resultado de velocidade de hemossedimentação com data, junto do resultado de exame de imagem com data e do índice de massa corporal. Encaminhamento sem VHS, sem imagem e sem IMC é encaminhamento devolvido pela regulação — e isso já foi enunciado de prova de saúde coletiva.
Exercício e perda de peso são a prescrição, não o conselho
Nas duas diretrizes brasileiras, exercício e perda de peso não estão na periferia. A recomendação nº 8 do joelho, força forte, manda que os profissionais ofereçam informação focada em exercício físico e em intervenções para alcançar perda de peso caso o paciente esteja com sobrepeso ou obesidade. A nº 9, também forte, manda que o ortopedista priorize as alternativas não cirúrgicas antes da cirurgia. A nº 12 manda encaminhar à fisioterapia tão logo se estabeleça o diagnóstico, como parte do manejo conservador.
O PCDT de 2024 traz a dose de atividade física que serve de referência: pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana para adultos, incluindo ao menos duas vezes por semana alguma atividade de fortalecimento muscular e ósseo; para idosos, o mesmo, somando exercícios de equilíbrio para prevenção de quedas. O documento também orienta evitar repouso absoluto, a menos que estritamente necessário.
A modalidade não tem hierarquia definida: exercício terapêutico em solo sob supervisão, de alta ou de baixa intensidade, hidroterapia quando disponível na rede local, terapia manual pelo fisioterapeuta. A força atribuída a cada uma difere entre os dois documentos — no do joelho as três saem com força fraca (recomendações nº 14, 15 e 16); no do quadril, o exercício em solo sob supervisão (nº 17) e a terapia manual (nº 15) sobem para força forte, e só a hidroterapia (nº 16) fica fraca. O que não muda é o essencial: a escolha entre elas é de disponibilidade e preferência, e não de superioridade demonstrada.
Para a perda de peso, o guideline americano de 2019 fornece o número que a diretriz brasileira não escreve: perda de pelo menos 5% do peso corporal já se associa a mudança clínica, e o benefício continua aumentando nas faixas de 5% a 10%, 10% a 20% e acima de 20%. Traduzindo para a consulta: num paciente de 92 kg, os primeiros 5% são 4,6 kg — meta que cabe em três meses e que já muda sintoma. É esse cálculo que transforma orientar perda de peso em prescrever perda de peso.
Dois recursos de apoio aparecem com força fraca e costumam ser distratores: TENS como apoio ao tratamento principal, e dispositivos auxiliares como bengala para quem tem problema específico em atividade de vida diária. Acupuntura não é recomendada por evidência insuficiente nas duas diretrizes brasileiras.
A escada analgésica do SUS, com as doses que o PCDT escreve
O PCDT da Dor Crônica escreve a escada da osteoartrite de joelho e de quadril com dose, intervalo e teto. Primeira linha: paracetamol 500 mg, um a dois comprimidos, de três a quatro vezes ao dia, sem exceder 4 g de paracetamol diariamente. Alternativa de primeira linha, conforme resposta e preferência: dipirona 500 mg, um a dois comprimidos, até quatro vezes ao dia.
Faça a conta que a prova não faz por você: o esquema máximo do paracetamol — dois comprimidos de 500 mg, quatro vezes — dá exatamente 8 comprimidos e 4.000 mg, ou seja, encosta no teto sem margem nenhuma. Qualquer formulação combinada que o paciente use por fora (antigripal, analgésico com cafeína, associação com opioide) estoura o limite sem que ninguém tenha prescrito uma dose a mais. É por isso que a recomendação nº 24 do joelho, além de fixar os 4 g, acrescenta que a interação medicamentosa deve ser lembrada na dose diária.
Segundo degrau: substituir ou associar ibuprofeno 400 mg a cada 6 a 8 horas quando paracetamol ou dipirona forem ineficazes ou insuficientes — o que dá 1.600 mg/dia no intervalo de 6 horas e 1.200 mg/dia no de 8 horas. Se o paciente apresentar risco de evento cardiovascular, o anti-inflamatório indicado é naproxeno 250 a 500 mg duas vezes ao dia, no máximo 1.000 mg/dia. Naproxeno como o AINE de quem tem risco cardiovascular é o detalhe mais cobrado desta seção.
O naproxeno tem porta estreita no SUS, e o PCDT diz isso em duas frases. Pela Portaria SCTIE/MS nº 53, de 23 de novembro de 2017, o naproxeno teve uso ampliado para osteoartrite de quadril e de joelho no âmbito do SUS, e o Protocolo preconiza o medicamento apenas para essas condições. No critério de inclusão, a frase é ainda mais direta: especificamente para o uso de naproxeno, os pacientes devem possuir diagnóstico de osteoartrite de joelho ou de quadril. Os CID que abrem essa porta são os das famílias M16 (coxartrose) e M17 (gonartrose).
Gastroproteção tem gatilho, e os três documentos o escrevem com conectivos diferentes — vale prestar atenção. O PCDT de 2024 exige as duas condições juntas: caso o uso se prolongue por mais de cinco dias em pessoas com história pregressa de eventos gastrointestinais, sugere-se omeprazol concomitante, cápsula de 10 mg ou 20 mg em jejum. A recomendação nº 27 da diretriz do joelho é mais larga e basta uma: mais de cinco dias ou risco de evento adverso do trato gastrointestinal superior. A do quadril repete a conjunção do PCDT. Em qualquer leitura, quem tem os dois gatilhos recebe omeprazol — e, sempre, menor dose individual efetiva pelo menor tempo possível.
E a exceção que decide caso de prova: em quem faz uso contínuo de ácido acetilsalicílico em baixas doses, recomenda-se paracetamol ou dipirona e evita-se anti-inflamatório, seletivo ou não seletivo. O documento fixa a regra sem detalhar o mecanismo; ele é duplo, e conhecê-lo ajuda a não errar a alternativa: soma de risco gastrointestinal, de um lado, e competição do ibuprofeno com o AAS pelo sítio da ciclo-oxigenase plaquetária, de outro, o que reduz o efeito antiagregante. Paciente pós-infarto com gonartrose não recebe ibuprofeno.
Sobre a dipirona, que a prova brasileira cobra e o guideline americano ignora: a diretriz do joelho dedica páginas à segurança e conclui pela recomendação forte. Os números que ela reproduz — agranulocitose definida como neutrófilos abaixo de 500/µL, incidência global estimada de 1,1 a 4,9 casos por milhão de indivíduos por ano, mortalidade de 6% a 10%; no Brasil, estudo em sete centros de hematologia estimou 0,5 caso de agranulocitose por milhão de habitantes por ano (IC 0,0 a 1,1) e 2,7 casos de anemia aplástica por milhão por ano (IC 1,1 a 7,1). O risco atribuível à dipirona no estudo de Boston foi de 1,1 caso por milhão de pessoas expostas.
Os quatro nãos e as três portas do encaminhamento
Quatro intervenções populares têm recomendação contra nas diretrizes brasileiras, três delas com força forte, e o PCDT de 2024 repete todas. Sulfato de condroitina, glucosamina ou qualquer combinação dos dois: não recomendados para tratar dor ou melhorar função. Injeções intra-articulares de corticoide: não recomendadas para alívio da dor. Injeções intra-articulares de ácido hialurônico: não recomendadas. E artroscopia, lavagem artroscópica ou desbridamento: não recomendados como parte do tratamento, com uma única exceção nominal — bloqueio mecânico por corpo livre ou lesão meniscal traumática.
Some a isso os anti-inflamatórios tópicos, que não foram incorporados ao SUS para dor crônica musculoesquelética ou por osteoartrite (Portaria SCTIE/MS nº 48, de 20 de julho de 2021), e o diclofenaco oral, também não incorporado para dor crônica musculoesquelética (Portaria SCTIE/MS nº 45, de 20 de julho de 2021). Numa questão que pergunte o que oferecer a um paciente do SUS, gel de diclofenaco e diclofenaco oral são alternativas erradas por decisão administrativa, não por falta de efeito.
Cirurgia entra por indicação clínica, e não por grau radiográfico. A diretriz do joelho sugere encaminhar para artroplastia quem tem sintomas com impacto substancial na qualidade de vida e não se beneficiou das terapias não cirúrgicas, antes que se estabeleça limitação funcional prolongada ou dor severa. E diz o oposto do senso comum sobre triagem: fatores prognósticos como idade, sexo, obesidade e comorbidades não devem ser obstáculos ao encaminhamento à artroplastia.
Os protocolos de encaminhamento do Ministério da Saúde separam três portas, e a prova de saúde coletiva testa exatamente essa separação. Reumatologia: suspeita de doença articular inflamatória (artrite reumatoide, artrite psoriásica); ou dor por osteoartrite sem melhora após tratamento clínico otimizado por 6 meses, quando não há serviço especializado em dor crônica disponível. Ortopedia: osteoartrite de quadril, joelho ou ombro com potencial indicação cirúrgica — dor refratária ao tratamento otimizado por 6 meses ou importante prejuízo das atividades de vida diária; ou osteoartrite em mãos com deformidades que comprometam a função da mão. Serviço especializado em dor crônica (fisiatria, acupuntura, equipe de dor): dor sem melhora após 6 meses de tratamento otimizado, sem indicação ou condição clínica para cirurgia.
O documento define o que conta como tratamento clínico otimizado, e a definição é o pulo do gato: tratamento medicamentoso, exercícios E acompanhamento fisioterápico, adaptados às condições do paciente. Paciente que tomou analgésico por seis meses e nunca fez fisioterapia não completou os seis meses — não tem critério de encaminhamento, tem critério de otimizar o tratamento.
O acompanhamento tem periodicidade sugerida: no mínimo duas consultas anuais para quem apresenta dor intensa, mais de uma articulação sintomática, mais de uma comorbidade ou uso de medicamento regular para osteoartrite. É uma recomendação de força fraca, mas é a única cifra de seguimento que os documentos oferecem.
Diagnosticar, tratar e encaminhar
O diagnóstico se fecha na anamnese e no exame físico; a imagem entra para colaborar e para o diferencial; a escada medicamentosa tem doses escritas no PCDT vigente; e o encaminhamento tem prazo de 6 meses e três destinos distintos.
- 1Dor articular de padrão mecânico (piora com atividade, alivia com repouso) com rigidez matinal menor que 30 minutos: pensar osteoartrite pela clínica, sem esperar imagem.
- 2Varrer os sinais de alerta antes de assinar o diagnóstico — rigidez maior que duas horas, febre recorrente, dor que não varia com a atividade, calor e rubor local, psoríase, imunossupressão, massa articular, parestesia ou perda de pulso.
- 3Radiografia em AP e perfil em apoio bipodal para colaborar (estreitamento assimétrico, osteófito, esclerose e cisto subcondral). Ressonância magnética e ultrassonografia ficam fora do diagnóstico.
- 4Exame laboratorial só para diferencial ou condição adicional, quando há piora rápida da dor e da rigidez junto com sinal de alerta. No critério do quadril, o VHS entra abaixo de 20 mm/h como item excludente de inflamação.
- 5Prescrever o que muda desfecho: exercício regular (mínimo 150 minutos de atividade moderada por semana, com fortalecimento 2 vezes por semana), perda de peso a partir de 5% se sobrepeso ou obesidade, e encaminhamento à fisioterapia já no diagnóstico.
- 6Primeira linha medicamentosa: paracetamol 500 mg, 1 a 2 comprimidos, 3 a 4 vezes ao dia, teto de 4 g/dia; ou dipirona 500 mg, 1 a 2 comprimidos, até 4 vezes ao dia.
- 7Segunda linha: ibuprofeno 400 mg a cada 6 a 8 horas; se houver risco de evento cardiovascular, naproxeno 250 a 500 mg 2 vezes ao dia. Em uso contínuo de AAS em dose baixa, manter paracetamol ou dipirona e evitar AINE.
- 8AINE oral por mais de 5 dias em pessoa com história pregressa de evento gastrointestinal (gatilho do PCDT) — ou, pela redação mais larga da diretriz do joelho, mais de 5 dias OU risco de evento adverso do trato gastrointestinal superior: associar omeprazol 10 ou 20 mg em jejum, na menor dose efetiva e pelo menor tempo possível.
- 9Não oferecer condroitina, glucosamina, infiltração de corticoide, ácido hialurônico nem artroscopia de limpeza (exceto bloqueio mecânico por corpo livre ou lesão meniscal traumática).
- 10Sem melhora após 6 meses de tratamento clínico otimizado (medicamento + exercícios + fisioterapia): ortopedia se há potencial indicação cirúrgica ou prejuízo importante de AVD; serviço de dor crônica se não há; reumatologia se a suspeita virou doença inflamatória.
Padrão mecânico
Dor que aparece com a carga e a atividade e alivia no repouso, rigidez matinal abaixo de 30 minutos, crepitação à mobilização ativa, alargamento ósseo sem calor palpável. É o padrão que autoriza fechar osteoartrite pela clínica.
Padrão inflamatório
Rigidez matinal que ultrapassa 30 minutos e melhora com o movimento, metacarpofalangeanas edemaciadas, calor local. Sai da osteoartrite e entra na primeira condição de encaminhamento à reumatologia: suspeita de artrite reumatoide ou psoriásica.
Sinal de alerta
Rigidez acima de duas horas, febre recorrente, dor progressiva e bem localizada que não varia com a atividade, massa articular, imunossupressão, parestesia ou perda de pulso. Aqui o laboratório e a imagem passam a servir ao diferencial: infecção, câncer, fratura, tuberculose óssea.
Critérios clínicos por topografia (Quadro 9 dos protocolos de encaminhamento do MS)
| Articulação | O que a regra exige | Itens |
|---|---|---|
| Joelho (clínico e radiológico) | Dor no joelho + osteófitos nas margens articulares na radiografia + 1 critério clínico | Idade superior a 40 anos; rigidez matinal com duração inferior a 30 minutos; crepitação à mobilização ativa da articulação |
| Quadril (clínico, radiológico e laboratorial) | Dor no quadril + 2 dos 3 critérios | VHS menor que 20 mm/h; osteófito femoral ou acetabular na radiografia; diminuição do espaço interarticular (superior, axial e/ou medial) na radiografia |
| Mão (clínico) | Dor ou rigidez das mãos + 3 dos 4 critérios | Alargamento ósseo de 2 ou mais das 10 articulações definidas; alargamento ósseo de 2 ou mais interfalangeanas distais; MENOS de 3 metacarpofalangeanas com edema; deformidade de pelo menos 1 das 10 articulações definidas |
| As 10 articulações definidas (mão) | Cinco de cada lado | 2ª e 3ª interfalangeanas distais; 2ª e 3ª interfalangeanas proximais; 1ª carpometacarpal — de ambas as mãos |
A escada medicamentosa do PCDT da Dor Crônica (2024) para osteoartrite de joelho e de quadril
| Degrau | Dose escrita no documento | Detalhe que a prova cobra |
|---|---|---|
| Paracetamol (1ª linha) | 500 mg, 1 a 2 comprimidos, 3 a 4 vezes ao dia | Teto de 4 g/dia — o esquema máximo (8 comprimidos de 500 mg) encosta no teto sem margem; somar o que vem em antigripal e associação |
| Dipirona (alternativa de 1ª linha) | 500 mg, 1 a 2 comprimidos, até 4 vezes ao dia | Escolha por resposta terapêutica e preferência do paciente; a diretriz sustenta a recomendação FORTE com dados brasileiros de segurança hematológica |
| Ibuprofeno (2ª linha) | 400 mg a cada 6 a 8 horas | 1.600 mg/dia no intervalo de 6 h e 1.200 mg/dia no de 8 h; substitui OU associa ao analgésico simples |
| Naproxeno (2ª linha, risco cardiovascular) | 250 a 500 mg 2 vezes ao dia | Máximo 1.000 mg/dia; no SUS o naproxeno só é preconizado para osteoartrite de joelho ou de quadril (Portaria SCTIE/MS nº 53/2017) |
| Omeprazol (gastroproteção) | Cápsula de 10 mg ou 20 mg em jejum | Gatilho no PCDT: AINE oral por mais de 5 dias EM pessoa com história pregressa de evento gastrointestinal; a diretriz do joelho (nº 27) amplia para mais de 5 dias OU risco gastrointestinal alto |
| Em uso contínuo de AAS em dose baixa | Manter paracetamol ou dipirona | Evitar AINE seletivo e não seletivo — soma de risco gastrointestinal e perda do efeito antiagregante do AAS |
O que a régua brasileira recomenda NÃO fazer
| Intervenção | Recomendação e força | Onde está |
|---|---|---|
| Sulfato de condroitina, glucosamina ou a combinação | CONTRA, força FORTE | Diretriz do joelho, recomendação nº 32; repetida no PCDT da Dor Crônica (2024) |
| Injeção intra-articular de corticoide | CONTRA, força FORTE (joelho e quadril) | Diretriz do joelho nº 33; diretriz do quadril nº 30; repetida no PCDT (2024) |
| Injeção intra-articular de ácido hialurônico | CONTRA, força FORTE (joelho e quadril) | Diretriz do joelho nº 34; diretriz do quadril nº 31; repetida no PCDT (2024) |
| Artroscopia, lavagem artroscópica ou desbridamento | CONTRA — no joelho, força fraca, com a única exceção nominal de bloqueio mecânico por corpo livre ou lesão meniscal traumática; no quadril, CONTRA sem exceção escrita | Diretriz do joelho, recomendação nº 41; diretriz do quadril, recomendação nº 41 |
| Ressonância magnética para diagnóstico ou manejo | CONTRA (joelho e quadril) | Diretriz do joelho nº 4; diretriz do quadril nº 4; repetida no PCDT (2024) |
| Ultrassonografia para diagnóstico do quadril | CONTRA, força FORTE | Diretriz do quadril, recomendação nº 3 — não há item equivalente no documento do joelho |
| AINE tópico e diclofenaco oral para dor crônica musculoesquelética | Não incorporados ao SUS | Portarias SCTIE/MS nº 48 e nº 45, de 20 de julho de 2021, listadas no PCDT (2024) |
| Acupuntura | Evidência insuficiente para recomendar | Diretriz do joelho nº 17; diretriz do quadril nº 18 |
As três portas do encaminhamento (protocolos MS/UFRGS, v. 3)
| Destino | Condição que abre a porta | Prazo e pré-requisito |
|---|---|---|
| Reumatologia | Suspeita de doença articular inflamatória (artrite reumatoide, artrite psoriásica); ou dor por osteoartrite sem melhora, quando não há serviço de dor crônica na rede | 6 meses de tratamento clínico otimizado (a suspeita de inflamatória dispensa o prazo) |
| Ortopedia | Osteoartrite de quadril, joelho ou ombro com potencial indicação cirúrgica — dor refratária OU importante prejuízo das AVD; ou osteoartrite em mãos com deformidade que compromete a função | 6 meses de tratamento clínico otimizado, ou prejuízo funcional importante |
| Serviço de dor crônica (fisiatria, acupuntura, equipe de dor) | Dor por osteoartrite sem melhora, sem indicação ou condição clínica para cirurgia | 6 meses de tratamento clínico otimizado |
| Tratamento clínico otimizado (definição) | Tratamento medicamentoso + exercícios + acompanhamento fisioterápico, adaptados às condições do paciente | Faltando qualquer um dos três, o prazo de 6 meses não começou a contar |
| Conteúdo mínimo do encaminhamento | Articulações acometidas, hipertrofia óssea, duração da rigidez matinal, crepitação no joelho, restrição de movimento | Resultado de imagem com data, VHS com data, IMC, tratamentos já usados com dose e resposta, comorbidades |
As duas diretrizes brasileiras nasceram no mesmo mês e divergem em detalhes de redação que a prova pode explorar. O intervalo da dipirona é de 4 a 6 horas no documento do joelho e de 6 horas no do quadril; o PCDT de 2024 encerrou a questão escrevendo 500 mg, um a dois comprimidos até quatro vezes ao dia, conforme a bula — o que fixa o teto diário em 4 g. Em prova, vale o PCDT vigente.
A mesma frase sobre acupuntura (a evidência é insuficiente para recomendar) recebeu força FRACA no documento do joelho e força FORTE no do quadril. O conteúdo é idêntico nas duas; o que muda é o rótulo GRADE. A conduta que se cobra é a mesma: acupuntura não entra como recomendação para osteoartrite nesses documentos.
Radiografia com osteófito não é diagnóstico de doença sintomática. A diretriz do quadril mostra que o estreitamento do espaço articular explica 0,4% da variância da dor (P = 0,44), e a do joelho registra especificidade caindo a 37,1% em um dos estudos. Gravidade radiográfica não indica cirurgia — impacto funcional indica.
A recomendação nº 22 do documento do joelho afirma que não existe evidência suficiente para recomendar AINE tópico em pacientes com alto risco gastrointestinal, e leva rótulo de força FORTE, o que é incomum para uma afirmação de insuficiência de evidência. O que decide a conduta no SUS, de todo modo, é administrativo: os AINE tópicos não foram incorporados (Portaria SCTIE/MS nº 48/2021).
As duas diretrizes de 2018 recomendam opioide fraco (força FORTE) para dor persistente de moderada a intensa com resposta inadequada ou contraindicação aos AINE, por curto período. O PCDT de 2024 registra que opioides fracos (codeína e tramadol) e morfina em baixa dose NÃO foram incorporados para dor crônica (Portaria SCTIE/MS nº 59/2021), pede parcimônia com opioides na dor crônica não oncológica, e na sua própria seção de osteoartrite encerra a escada em AINE mais omeprazol.
Osteoartrose, artrose e osteoartrite são a mesma doença. O documento brasileiro registra que a denominação mais aceita internacionalmente é osteoartrite, embora artrose siga muito usada no Brasil — e as duas aparecem no mesmo enunciado sem que isso signifique nada.
O gatilho da gastroproteção muda de conectivo conforme o documento. O PCDT de 2024 e a diretriz do quadril (nº 27) exigem as duas condições juntas: AINE oral por mais de cinco dias EM pessoa com história pregressa de evento gastrointestinal. A diretriz do joelho (nº 27) exige apenas uma: mais de cinco dias OU risco de evento adverso do trato gastrointestinal superior. Enunciado que traz os dois gatilhos é seguro sob qualquer leitura; enunciado que traz só um está testando qual documento o candidato leu.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Brasil: não recomendamos, com força FORTE
A recomendação nº 33 da diretriz do joelho e a nº 30 da diretriz do quadril recusam a administração de injeções intra-articulares de corticosteroides para alívio da dor ou melhora da função, ambas com força FORTE. O PCDT da Dor Crônica de 2024 repete a recusa na seção de osteoartrite de joelho e de quadril, ao lado do ácido hialurônico.
Brasil. Ministério da Saúde; Conitec. Diretriz Brasileira para o Tratamento Não Cirúrgico da Osteoartrite de Joelho (Relatório nº 340/2018), recomendação nº 33; Diretriz de Quadril (Relatório nº 341/2018), recomendação nº 30; PCDT da Dor Crônica, item 6.2.1.1 (Portaria Conjunta nº 1, de 22/08/2024).
American College of Rheumatology 2019: fortemente recomendada
O guideline de 2019 do ACR com a Arthritis Foundation recomenda FORTEMENTE a favor das injeções intra-articulares de glicocorticoide em pacientes com osteoartrite de joelho e/ou quadril, com base em eficácia demonstrada a curto prazo, e recomenda fortemente o uso de guia ultrassonográfico para a injeção no quadril. Para a mão, a recomendação é apenas condicional.
Kolasinski SL et al. 2019 ACR/Arthritis Foundation Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee. Arthritis Care Res. 2020;72(2):149-62.
Na prova
O recorte vem no cenário. Enunciado que fala em unidade básica, SUS, PCDT, regulação ou protocolo do Ministério da Saúde está pedindo a régua brasileira: infiltração de corticoide é alternativa errada. Enunciado que cita explicitamente o ACR, a Arthritis Foundation ou pede a conduta segundo diretriz internacional está pedindo a outra. O sinal mais confiável é a expressão no âmbito do SUS ou a menção a um documento nacional no enunciado.
ACR 2019: fortemente recomendado, e antes do AINE oral
O ACR recomenda fortemente AINE tópico para pacientes com osteoartrite de joelho e registra que o tópico deve ser considerado ANTES do uso do AINE oral. Para a mão, a recomendação cai para condicional, por considerações práticas como a lavagem frequente das mãos.
Kolasinski SL et al. 2019 ACR/Arthritis Foundation Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee. Arthritis Care Res. 2020;72(2):149-62.
Brasil: tecnologia não incorporada ao SUS
O PCDT da Dor Crônica lista, entre os medicamentos que não são recomendados por decisão de não incorporação, os anti-inflamatórios não esteroides tópicos para dor crônica musculoesquelética ou por osteoartrite (Portaria SCTIE/MS nº 48, de 20 de julho de 2021). A diretriz do joelho, em 2018, já registrava que a evidência era insuficiente para recomendá-los a pacientes com alto risco gastrointestinal.
Brasil. Ministério da Saúde. PCDT da Dor Crônica, item 6.2 (Portaria Conjunta SAES/SAPS/SECTICS nº 1, de 22/08/2024); Diretriz Brasileira de Osteoartrite de Joelho (Relatório nº 340/2018), recomendação nº 22.
Na prova
Quando a alternativa oferece gel de diclofenaco ou AINE tópico como primeira escolha, olhe o cenário. Em questão ancorada no SUS, na atenção primária ou no PCDT, a alternativa é incorreta porque a tecnologia não foi incorporada — não porque seja ineficaz. A pegadinha inversa também existe: questão de prova que reproduz literatura internacional pode ter o tópico como gabarito, e aí o marcador é a citação explícita do guideline estrangeiro.
Brasil: primeira linha, força FORTE
A recomendação nº 21 da diretriz do joelho e a nº 19 da de quadril prescrevem paracetamol em doses regulares como primeira linha de tratamento da dor, ambas com força FORTE, com teto de 4 g diários. O PCDT de 2024 mantém o paracetamol (ou a dipirona) como o degrau inicial da osteoartrite de joelho e de quadril.
Brasil. Ministério da Saúde; Conitec. Diretriz de Osteoartrite de Joelho (Relatório nº 340/2018), recomendações nº 21, 23 e 24; Diretriz de Quadril (Relatório nº 341/2018), recomendações nº 19, 20 e 21; PCDT da Dor Crônica, item 6.2.1.1.
ACR 2019: recomendação apenas condicional, com efeito muito pequeno
O ACR recomenda o paracetamol de forma condicional para joelho, quadril e/ou mão, registrando que os tamanhos de efeito em ensaios clínicos são muito pequenos, que a metanálise sugere que o uso em monoterapia pode ser inefetivo e que o tratamento de longo prazo não supera o placebo na maioria dos indivíduos. Reserva-o sobretudo a quem tem opções limitadas por intolerância ou contraindicação aos AINE.
Kolasinski SL et al. 2019 ACR/Arthritis Foundation Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee. Arthritis Care Res. 2020;72(2):149-62.
Na prova
A dipirona é o marcador mais rápido de qual régua a banca está usando: ela só existe como alternativa de primeira linha em documento brasileiro. Se dipirona aparece entre as opções ao lado de paracetamol, a questão está ancorada no PCDT, e paracetamol ou dipirona é o degrau inicial. Se a questão traduz o guideline americano, o degrau inicial muda de peso e o paracetamol vira coadjuvante.
Diretrizes de 2018: prescrever opioide fraco, força FORTE
A recomendação nº 31 da diretriz do joelho indica opioide fraco como alternativa ou adjuvante analgésico, por curto período, para dor persistente de moderada a severa com resposta inadequada, contraindicação ou eventos adversos intoleráveis aos AINE. A nº 29 da diretriz do quadril traz a mesma indicação. Ambas com força FORTE.
Brasil. Ministério da Saúde; Conitec. Diretriz de Osteoartrite de Joelho (Relatório nº 340/2018), recomendação nº 31; Diretriz de Quadril (Relatório nº 341/2018), recomendação nº 29.
PCDT da Dor Crônica de 2024: tecnologia não incorporada e uso com parcimônia
O PCDT registra que opioides fracos (codeína e tramadol) e morfina em baixa dose para o tratamento da dor crônica não foram incorporados ao SUS (Portaria SCTIE/MS nº 59, de 20 de julho de 2021), afirma que opioides como codeína, morfina e metadona devem ser usados com parcimônia na dor crônica não oncológica, e encerra a sua própria seção de osteoartrite de joelho e de quadril no AINE oral com omeprazol, sem citar opioide.
Brasil. Ministério da Saúde. PCDT da Dor Crônica, itens 6.2, 6.2.1 e 6.2.1.1 (Portaria Conjunta SAES/SAPS/SECTICS nº 1, de 22 de agosto de 2024).
Na prova
Questão datada ou baseada nas diretrizes de 2018 pode ter opioide fraco como resposta para o paciente que não tolera AINE. Questão que cite o PCDT da Dor Crônica ou o ano de 2024 pede o inverso: a escada da osteoartrite termina em AINE com gastroproteção, e o passo seguinte é encaminhar (ortopedia, serviço de dor ou reumatologia), não subir para opioide. O identificador é a citação do documento e do ano no enunciado.
Caso resolvido
- achado
- Dor articular de padrão mecânico em joelhos, rigidez matinal de cerca de 15 minutos, crepitação à mobilização ativa, alargamento ósseo, sem calor local e sem sinal de alerta. O quadro preenche a recomendação nº 1 da diretriz do joelho: diagnóstico clínico, por anamnese e exame físico.
- critério
- Pelo Quadro 9 dos protocolos de encaminhamento, o critério clínico e radiológico do joelho pede dor no joelho com osteófitos nas margens articulares mais um critério clínico. Ela tem três dos três disponíveis: idade acima de 40 anos, rigidez matinal abaixo de 30 minutos e crepitação. O diagnóstico está fechado.
- imagem
- A radiografia que ela trouxe mostra o que se espera, mas foi feita em decúbito. O documento pede AP e perfil em APOIO BIPODAL, porque a carga é o que revela o estreitamento real do espaço articular. Ainda assim, refazer a radiografia não muda a conduta de hoje — a imagem colabora, não decide. Ressonância magnética não está indicada: recomendação nº 4, contra o uso para diagnóstico, confirmação ou gerenciamento do tratamento.
- laboratório
- Não há piora rápida da dor nem sinal de alerta, então exame laboratorial não entra para diagnosticar. Se e quando ela for encaminhada, o formulário do Ministério da Saúde exige VHS com data, imagem com data e IMC no conteúdo descritivo mínimo — o VHS é colhido pelo encaminhamento, não pelo diagnóstico.
- não medicamentoso
- Aqui está o tratamento que muda desfecho, e ele é prescrito por escrito: exercício regular com meta de pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada e fortalecimento duas vezes por semana; encaminhamento à fisioterapia já no diagnóstico (recomendação nº 12); e meta inicial de perda de 5% do peso. Com 34 de IMC e, digamos, 88 kg, os primeiros 5% são 4,4 kg — meta concreta, com data de reavaliação.
- medicamento
- O AAS 100 mg/dia decide a prescrição. A regra do PCDT é explícita: em uso contínuo de ácido acetilsalicílico em baixa dose, prescrever paracetamol ou dipirona e EVITAR anti-inflamatório, seletivo ou não seletivo. Fica paracetamol 500 mg, um a dois comprimidos até quatro vezes ao dia, sem passar de 4 g/dia, com a advertência de somar qualquer antigripal ou associação que ela use por fora. Dipirona 500 mg até quatro vezes ao dia é a alternativa equivalente.
- o que não oferecer
- Ela vai perguntar por glucosamina, por infiltração e por gel. Nenhum dos três entra: condroitina e glucosamina têm recomendação contra com força forte; infiltração de corticoide e ácido hialurônico também; e o AINE tópico não foi incorporado ao SUS (Portaria SCTIE/MS nº 48/2021). Dizer isso na consulta, com o nome do documento, é parte da conduta.
- seguimento
- Retorno programado, com pelo menos duas consultas anuais, porque ela tem mais de uma articulação sintomática, comorbidades e medicação regular. O relógio de seis meses de tratamento clínico otimizado só começa a contar com os três componentes rodando: medicamento, exercícios e acompanhamento fisioterápico.
Agora feche você
- achado
- Dor mecânica de quadril com rigidez matinal de 20 minutos, rotação interna dolorosa e limitada, sem calor e sem sinal de alerta. Pelo critério do Quadro 9, ele preenche os três itens do quadril — VHS de 12 mm/h (abaixo de 20), osteófito acetabular e redução do espaço articular superior — e bastavam dois. Diagnóstico de coxartrose fechado.
- raciocínio
- Duas perguntas se cruzam. A primeira: ele completou seis meses de tratamento clínico otimizado? A segunda: o naproxeno do parente é uma opção legítima para ele, e por quê? A resposta de uma depende do que o documento define; a da outra, de quem tem indicação e de qual é o critério de inclusão do medicamento no SUS.
- armadilha
- O enunciado empurra para o encaminhamento à ortopedia — dois anos de dor, claudicação, radiografia alterada e um vizinho falando em prótese. Antes de aceitar, confira se o pré-requisito do encaminhamento existe: o documento define tratamento clínico otimizado como medicamento MAIS exercícios MAIS acompanhamento fisioterápico.
Onde a banca derruba
- 1Pedir ressonância magnética para confirmar osteoartrite As duas diretrizes brasileiras e o PCDT de 2024 recomendam CONTRA o uso da ressonância para diagnóstico, confirmação de diagnóstico ou gerenciamento do tratamento. No estudo que fundamenta a recusa, com 205 pacientes, anormalidade de cartilagem, cisto subcondral, edema de medula óssea, subluxação meniscal e cisto de Baker não se associaram a nenhum sintoma.
- 2Deixar a gravidade da radiografia decidir a conduta No quadril, o estreitamento do espaço intra-articular explicou 0,4% da variância da dor e da disfunção (P = 0,44). No joelho, um dos estudos de acurácia mostrou especificidade caindo a 37,1%. Quem indica cirurgia é o impacto funcional e a falha do tratamento conservador, não o grau de Kellgren & Lawrence.
- 3Oferecer infiltração de corticoide como próximo passo do paciente do SUS Injeção intra-articular de corticoide tem recomendação CONTRA com força FORTE nas duas diretrizes brasileiras e no PCDT de 2024, tanto para joelho quanto para quadril. Vale notar que o guideline do ACR de 2019 recomenda fortemente A FAVOR no joelho e no quadril — a alternativa só é correta em questão que se ancore explicitamente na literatura internacional.
- 4Prescrever ibuprofeno a quem toma AAS em dose baixa A regra do PCDT é nominal: em uso contínuo de ácido acetilsalicílico em baixas doses, prescrever paracetamol ou dipirona e evitar AINE seletivo e não seletivo. Além da soma de risco gastrointestinal, o ibuprofeno compete com o AAS pelo sítio da ciclo-oxigenase plaquetária e reduz o efeito antiagregante — em paciente pós-infarto, isso é dano cardiovascular.
- 5Confundir o AINE de escolha de quem tem risco cardiovascular O PCDT e as duas diretrizes escolhem NAPROXENO, 250 a 500 mg duas vezes ao dia, para o paciente com risco de evento cardiovascular que não respondeu a paracetamol ou dipirona. Diclofenaco oral, além de não ser a escolha nesse cenário, não foi incorporado ao SUS para dor crônica musculoesquelética (Portaria SCTIE/MS nº 45/2021).
- 6Esquecer o teto de 4 g e o que o paciente toma por fora O esquema máximo do PCDT (paracetamol 500 mg, dois comprimidos, quatro vezes ao dia) já é exatamente 4 g e não sobra margem. Antigripal, associação com cafeína e associação com opioide carregam paracetamol; o documento inclusive registra que, entre pacientes com falência hepática aguda não intencional, 38% usavam simultaneamente mais de uma formulação contendo paracetamol.
- 7Encaminhar aos seis meses sem que os seis meses tenham começado Tratamento clínico otimizado, na definição do documento, é tratamento medicamentoso MAIS exercícios MAIS acompanhamento fisioterápico, adaptados ao paciente. Analgésico sozinho por seis meses não preenche o pré-requisito — a conduta é otimizar, não encaminhar. É o erro mais comum em questão de regulação e de saúde coletiva.
- 8Tratar rigidez matinal prolongada como osteoartrite mais grave A rigidez da osteoartrite dura menos de 30 minutos. Rigidez articular prolongada acima de duas horas está na lista nominal de sinais de alerta da diretriz do joelho, e aponta para infecção, câncer, fratura, doença inflamatória articular ou tuberculose óssea. Na mão, o critério que sustenta o mesmo raciocínio é ter MENOS de três metacarpofalangeanas edemaciadas: MCF inchada é território de artrite reumatoide.
O quadro é clássico de osteoartrite (osteoartrose): dor mecânica (piora ao esforço/final do dia, melhora com repouso), rigidez matinal breve (<30 min), crepitação, aumento ósseo das margens e achados radiográficos típicos (redução do espaço, osteófitos, esclerose subcondral), em paciente com fatores de risco (idade, obesidade, sobrecarga ocupacional). Artrite reumatoide cursa com rigidez matinal prolongada (>1 h), poliartrite simétrica de pequenas articulações e sinais inflamatórios/sistêmicos. Gota aguda dá monoartrite de início súbito com intenso calor, rubor e dor (tipicamente 1a metatarsofalângica). Artrite séptica cursa com sinais flogísticos exuberantes, febre e comprometimento agudo, ausentes aqui.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Um homem de 68 anos, aposentado, procura a Unidade Básica de Saúde relatando dor crônica no joelho esquerdo, de caráter mecânico, com piora aos esforços e melhora ao repouso, sem sinais inflamatórios. Foi diagnosticado com osteoartrite de joelho, confirmada clínica e radiologicamente. Ele é hipertenso controlado, tem doença renal crônica leve e história de úlcera péptica. Nega alergias. Considerando o manejo inicial recomendado no SUS, qual é a medida terapêutica de primeira linha para esse paciente?
As diretrizes recomendam como base do tratamento da osteoartrite as medidas não farmacológicas: exercícios (fortalecimento e aeróbicos), perda de peso e educação/autocuidado, aplicáveis a todos os pacientes e sempre de primeira linha. AINE oral contínuo é especialmente contraindicado neste caso (idoso com doença renal crônica, hipertensão e história de úlcera péptica). Artroplastia é reservada para osteoartrite avançada refratária ao tratamento conservador, não como conduta inicial. A infiltração de corticoide pode ser adjuvante em surtos de dor, mas não substitui as medidas não farmacológicas de base.
Uma mulher de 58 anos, costureira, comparece à Unidade Básica de Saúde com queixa de dor e deformidades nas mãos há alguns anos. Refere dor de padrão mecânico e nódulos duros e indolores nas articulações interfalângicas distais e proximais dos dedos, além de dor na base do polegar. Nega rigidez matinal prolongada, febre ou fadiga. Ao exame, observam-se aumento ósseo nas interfalângicas distais e proximais, sem calor, rubor ou sinovite evidente; as metacarpofalângicas e os punhos estão preservados. Os exames de VHS, PCR e fator reumatoide vêm normais/negativos. Qual é a explicação mais adequada para os nódulos descritos nas interfalângicas distais dessa paciente?
O aumento ósseo nas interfalângicas distais na osteoartrite de mãos corresponde aos nódulos de Heberden (nas proximais, chamam-se nódulos de Bouchard). O acometimento de interfalângicas distais/proximais e da base do polegar (rizartrose), com poupança de metacarpofalângicas e punhos, provas inflamatórias normais e fator reumatoide negativo, define osteoartrite. Nódulos reumatoides são subcutâneos periarticulares e a artrite reumatoide tipicamente poupa as interfalângicas distais, acometendo metacarpofalângicas/punhos com FR e provas inflamatórias alteradas. Tofos gotosos surgem em contexto de hiperuricemia/gota. Nódulos de Osler são lesões dolorosas em polpas digitais na endocardite, sem relação com o quadro.
Uma mulher de 68 anos, obesa (IMC 34 kg/m²), comparece à UPA queixando-se de aumento de volume e dor no joelho direito há cinco dias, iniciados após caminhada prolongada. Refere que há três anos apresenta dor nesse joelho, de caráter mecânico, que piora ao subir escadas e ao fim do dia e melhora com repouso, acompanhada de rigidez matinal de cerca de 15 minutos. Nega febre, calafrios, trauma ou episódios de dor podálica noturna. Ao exame: temperatura axilar de 36,4 °C, joelho direito com derrame moderado, sem hiperemia, crepitação à mobilização passiva e limitação da flexão; demais articulações normais. Realizada artrocentese diagnóstica: líquido amarelo-claro, límpido, viscoso, com 900 leucócitos/mm³ (25% de polimorfonucleares), pesquisa de cristais negativa e bacterioscopia sem microrganismos. Com base no quadro, quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta inicial mais adequados?
O padrão é mecânico (piora com uso, melhora com repouso), com rigidez matinal breve (<30 minutos), crepitação e evolução crônica em paciente idosa e obesa — critérios clínicos de osteoartrite de joelho. O líquido sinovial confirma: aspecto límpido/viscoso e contagem <2.000 leucócitos/mm³ caracterizam derrame NÃO inflamatório, típico da osteoartrite. A conduta inicial de primeira linha, segundo as diretrizes, é não farmacológica (perda de peso e exercícios de fortalecimento, com destaque para o quadríceps) associada a analgésico simples. Artrite séptica exigiria febre, sinais flogísticos exuberantes e líquido purulento com >50.000 leucócitos e predomínio de polimorfonucleares — o oposto do encontrado. Artrite reumatoide cursa com poliartrite simétrica de pequenas articulações, rigidez matinal >1 hora e líquido inflamatório. Gota é excluída pela pesquisa de cristais negativa e pelo líquido não inflamatório.
Uma mulher de 60 anos, costureira, procura a unidade básica de saúde por dor e deformidade nas mãos há cerca de dois anos, de instalação lenta e progressiva. Relata que a dor piora ao longo do dia com as atividades manuais e melhora com o repouso, e refere rigidez matinal de aproximadamente 10 minutos. Nega febre, emagrecimento, úlceras orais, fotossensibilidade ou fenômeno de Raynaud. Informa que a mãe apresentava quadro semelhante nas mãos. Ao exame físico: aumento de volume ósseo, endurecido e indolor, nas articulações interfalangianas distais e proximais de vários dedos, com discreto desvio lateral; ausência de sinovite, calor ou rubor; punhos e articulações metacarpofalangianas sem alterações. Exames: VHS e proteína C reativa normais; fator reumatoide negativo. Qual é o diagnóstico mais provável?
O quadro é clássico de osteoartrite primária de mãos: mulher na sexta década, história familiar positiva, dor mecânica (piora com uso, melhora com repouso), rigidez matinal curta e, sobretudo, aumento de volume ÓSSEO (duro), e não sinovial, nas interfalangianas distais (nódulos de Heberden) e proximais (nódulos de Bouchard), com provas inflamatórias normais. Artrite reumatoide, mesmo soronegativa, poupa caracteristicamente as interfalangianas distais, acomete punhos e metacarpofalangianas com sinovite (aumento de volume mole e doloroso), cursa com rigidez matinal prolongada e elevação de VHS/PCR. A artrite psoriásica acomete interfalangianas distais, mas com dactilite, lesões cutâneas/ungueais e sinais inflamatórios — ausentes aqui. Na artropatia de Jaccoud do lúpus as deformidades são redutíveis, não há nódulos ósseos e há manifestações sistêmicas associadas.
Um homem de 72 anos, hipertenso, diabético tipo 2 e com doença renal crônica estágio 3b (TFGe de 35 mL/min/1,73 m²), comparece à unidade de saúde da família queixando-se de dor na região inguinal direita há um ano, com irradiação para a face anterior da coxa até o joelho. A dor surge após caminhar dois quarteirões, piora ao levantar-se da cadeira e melhora com o repouso; nega dor noturna em repouso, febre, trauma ou perda de peso. Faz uso de enalapril, hidroclorotiazida e metformina. Ao exame: marcha antálgica, dor e importante limitação à rotação interna e à abdução do quadril direito; joelho direito sem derrame, sem dor à palpação e com mobilidade preservada; ausência de sinais flogísticos. Radiografia de bacia: redução do espaço articular coxofemoral direita, osteófitos e esclerose subcondral. Qual é a conduta inicial mais adequada?
O quadro é de osteoartrite de quadril: dor inguinal mecânica, limitação da rotação interna (achado mais precoce e sensível) e radiografia com a tríade redução do espaço articular, osteófitos e esclerose subcondral. A dor referida no joelho é típica da coxartrose (inervação compartilhada pelo nervo obturatório), e o joelho está normal ao exame — não há indicação de investigar o joelho. O manejo inicial é não farmacológico (educação, perda de peso, exercícios e fisioterapia), com paracetamol como analgésico de escolha nesse paciente. O anti-inflamatório não esteroidal sistêmico contínuo é a pior opção neste caso: com DRC estágio 3b, hipertensão em uso de IECA e diurético, há alto risco de lesão renal aguda e descompensação pressórica. A artroplastia é reservada a pacientes com dor refratária e incapacidade funcional após falha do tratamento conservador — a decisão é clínica, não radiográfica.
Uma mulher de 64 anos, aposentada, IMC 33 kg/m², comparece à unidade básica de saúde queixando-se de dor no joelho direito há cerca de dois anos, de piora progressiva. Refere que a dor aumenta ao subir escadas e ao final do dia, melhora com repouso e vem acompanhada de rigidez matinal de aproximadamente 10 minutos. Nega febre, emagrecimento ou acometimento de outras articulações. É hipertensa em uso de losartana. Ao exame, apresenta joelho direito com aumento de volume ósseo nas margens articulares, crepitação à mobilização passiva, discreto derrame articular, sem calor ou eritema, e amplitude de movimento levemente reduzida. Não há sinais inflamatórios em outras articulações. A radiografia do joelho em ortostase mostra redução do espaço articular no compartimento femorotibial medial, esclerose subcondral e osteófitos marginais.
O quadro é típico de osteoartrite (OA) de joelho: dor mecânica (piora ao uso, melhora com repouso), rigidez matinal curta (<30 minutos), crepitação, osteófitos palpáveis e fatores de risco (idade, obesidade, sexo feminino), com radiografia mostrando a tríade clássica — redução do espaço articular, esclerose subcondral e osteófitos. Pelas diretrizes brasileiras e do Ministério da Saúde, o tratamento de primeira linha na atenção primária é NÃO farmacológico: educação, perda de peso e exercícios de fortalecimento (especialmente quadríceps), com analgesia adjuvante por paracetamol ou AINE tópico — este último preferido em idosos, hipertensos e nefropatas. Levantar artrite reumatoide de início tardio, com fator reumatoide/anti-CCP e metotrexato, não se sustenta: ela cursa com rigidez matinal prolongada (>1 hora), poliartrite simétrica de pequenas articulações e sinais inflamatórios, ausentes aqui. Artrite séptica de joelho, que levaria a artrocentese e antibioticoterapia endovenosa, é monoartrite aguda, muito dolorosa, com calor, eritema e febre — incompatível com evolução de dois anos e ausência de sinais flogísticos. Já encaminhar imediatamente para artroplastia total, embora o diagnóstico esteja correto, é inadequado: a prótese só é indicada após falha do tratamento conservador otimizado em pacientes com dor refratária e incapacidade funcional importante.
Mulher de 62 anos comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de dor progressiva nos joelhos há cerca de dois anos, que piora ao caminhar e ao subir escadas e melhora com o repouso. Refere rigidez matinal de aproximadamente 15 minutos. Ao exame, apresenta crepitação à mobilização dos joelhos e aumento ósseo indolor das articulações interfalangianas distais das mãos, sem sinais flogísticos. Provas inflamatórias (VHS e PCR) estão normais. Qual é o diagnóstico mais provável?
O quadro é típico de osteoartrite: dor mecânica (piora com uso, melhora com repouso), rigidez matinal breve (<30 min), crepitação, nódulos de Heberden (interfalangianas distais) e provas inflamatórias normais. Artrite reumatoide cursa com rigidez matinal prolongada (>1h), acometimento simétrico de pequenas articulações e provas inflamatórias elevadas. Gota apresenta crises agudas mono/oligoarticulares com sinais flogísticos intensos. Artrite séptica é aguda, com dor intensa, febre e sinais inflamatórios exuberantes.
Homem de 66 anos, com IMC de 32 kg/m², é atendido na UBS com diagnóstico clínico de osteoartrite de joelhos confirmado por quadro típico e radiografia com redução do espaço articular e osteófitos. A dor é leve a moderada e limita caminhadas longas, sem derrame articular. Ele nunca fez tratamento estruturado. Considerando as diretrizes de manejo na Atenção Primária, qual é a conduta inicial mais apropriada?
O tratamento de primeira linha da osteoartrite combina medidas não farmacológicas (exercícios de fortalecimento e aeróbicos, perda de peso) com analgesia simples (paracetamol ou AINE), manejável na Atenção Primária. A artroplastia é reservada para doença avançada refratária ao tratamento clínico, não como conduta inicial. Metotrexato é indicado em artrites inflamatórias (ex.: artrite reumatoide), não na osteoartrite, que é degenerativa. Corticoide oral contínuo não tem indicação na osteoartrite e traz riscos relevantes sem benefício comprovado.
Homem de 63 anos, pedreiro aposentado, IMC 31 kg/m², procura a UBS por dor no joelho direito há cerca de 2 anos, de início insidioso e piora progressiva. Refere que a dor aumenta ao subir escadas e ao final do dia de atividade e alivia com o repouso. Relata rigidez do joelho ao levantar pela manhã, com duração aproximada de 10 minutos. Ao exame: crepitação à mobilização, aumento de volume de consistência óssea na interlinha medial, sem calor, rubor ou derrame significativo. VHS e PCR normais. Radiografia em ortostase: redução assimétrica do espaço articular femorotibial medial, osteófitos marginais e esclerose subcondral. Assinale o diagnóstico mais provável.
O quadro reúne os critérios clássicos de osteoartrite (OA) de joelho: idade >50 anos, fatores de risco (obesidade, sobrecarga mecânica ocupacional), dor mecânica (piora com uso, alivia com repouso), rigidez matinal curta (<30 minutos), crepitação e alargamento ósseo ao exame, provas inflamatórias normais e a tétrade radiográfica de redução ASSIMÉTRICA do espaço articular, osteófitos, esclerose subcondral e (eventualmente) cistos. Artrite reumatoide: cursa com rigidez matinal >1 hora, padrão poliarticular simétrico de pequenas articulações, VHS/PCR elevados e erosões marginais com redução SIMÉTRICA do espaço — nada disso está presente. Artrite gotosa crônica: exige história de crises agudas monoarticulares autolimitadas, tofos e erosões em "saca-bocado" com bordas em aba, além de acometer preferencialmente a 1ª metatarsofalangiana. Espondiloartrite periférica: caracteriza-se por dor inflamatória (piora no repouso, melhora com atividade), entesite, dactilite e acometimento axial, o oposto do padrão mecânico descrito.
Mulher de 58 anos, na pós-menopausa, queixa-se de dor e aumento de volume nas mãos há 3 anos, com surtos de dor acompanhados de calor e vermelhidão local que duram algumas semanas e cedem espontaneamente. Ao exame: nodulações endurecidas nas interfalangianas distais e proximais, com desvio angular de alguns dedos; metacarpofalangianas e punhos poupados. Rigidez matinal de 20 minutos. Fator reumatoide e anti-CCP negativos; PCR discretamente elevada. Radiografia das mãos: osteófitos, esclerose e erosões CENTRAIS nas interfalangianas distais, com aspecto em "asa de gaivota". Assinale o diagnóstico mais provável.
A osteoartrite erosiva das mãos é o subtipo inflamatório da OA, típico de mulheres na pós-menopausa: acomete IFDs e IFPs (nódulos de Heberden e Bouchard) POUPANDO metacarpofalangianas e punhos, cursa com surtos inflamatórios autolimitados, sorologias negativas e, na radiografia, o achado patognomônico de erosão CENTRAL da superfície articular associada a osteófitos marginais — a imagem em "asa de gaivota" (gull wing). Artrite reumatoide soronegativa: acometeria punhos e MCFs com padrão simétrico, rigidez matinal >1 hora e erosões MARGINAIS (não centrais), sem osteófitos. Artrite psoriásica: pode acometer IFDs, mas exige lesões cutâneas/ungueais, dactilite e a imagem de "lápis no copo" (pencil-in-cup), ausentes aqui. Artropatia por pirofosfato: predomina em joelhos e punhos com condrocalcinose radiográfica (calcificação da fibrocartilagem), não descrita.
Mulher de 74 anos com osteoartrite de joelhos há 8 anos, em acompanhamento no ambulatório. Comorbidades: hipertensão, insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (em uso de furosemida e enalapril) e doença renal crônica estágio 3b (TFGe 34 mL/min/1,73m²). Já realiza programa supervisionado de exercícios e perdeu 6 kg no último ano, mantém uso de paracetamol regular, mas evoluiu com piora da dor no joelho direito (EVA 8/10) nas últimas 3 semanas, com derrame articular discreto e sem sinais de artrite séptica. Radiografia: Kellgren-Lawrence grau 3. Assinale a conduta farmacológica mais adequada neste momento.
Trata-se de OA de joelho sintomática, com surto doloroso e derrame, em paciente que já otimizou as medidas não farmacológicas (exercício e perda de peso, os pilares do tratamento) e falhou com paracetamol. Nesse cenário, com insuficiência cardíaca com FE reduzida e DRC 3b, os AINEs sistêmicos estão contraindicados (risco de descompensação da IC, retenção hidrossalina, antagonismo do diurético/IECA e piora aguda da função renal) — isso exclui o celecoxibe (o inibidor seletivo da COX-2 mantém o risco cardiorrenal e não é uma alternativa segura aqui). A infiltração intra-articular de glicocorticoide tem recomendação FORTE a favor pelo ACR/Arthritis Foundation para OA de joelho, é a opção de escolha justamente por ser eficaz no surto com derrame e ter mínima exposição sistêmica, sendo especialmente útil quando os AINEs orais são proibidos. A viscossuplementação com ácido hialurônico recebe recomendação CONDICIONAL CONTRA para o joelho (benefício não superior ao placebo nos ensaios de melhor qualidade). Glicosamina e condroitina têm recomendação FORTE CONTRA, por ausência de eficácia demonstrada. A artroplastia não se coloca neste momento: KL 3, sem esgotamento pleno das opções clínicas.
Mulher de 63 anos, IMC 33 kg/m², sedentária, refere dor nos joelhos há 3 anos, que piora ao subir escadas e ao final do dia e melhora com repouso. Relata rigidez matinal de cerca de 10 minutos. Exame: crepitação à mobilização, aumento do volume ósseo dos joelhos, sem calor ou derrame, com discreto genu varo. Radiografia: redução assimétrica do espaço articular medial, esclerose subcondral e osteófitos. VHS e PCR normais. Assinale a conduta inicial mais adequada.
O quadro é osteoartrite primária de joelho (dor mecânica, rigidez matinal breve, crepitação, provas inflamatórias normais e tríade radiográfica). Todas as diretrizes colocam exercício e controle de peso como intervenção de primeira linha, com maior efeito sobre dor e função. O corticoide intra-articular é resgate para surtos de dor, com número limitado de aplicações — série mensal prolongada acelera a perda cartilaginosa. A viscossuplementação tem benefício incerto e não precede as medidas não farmacológicas. A artroplastia é reservada a doença avançada refratária ao tratamento conservador otimizado.
Mulher de 66 anos, costureira aposentada, queixa-se de dor e deformidade progressiva nas mãos há 5 anos, com piora após atividades manuais e rigidez matinal de poucos minutos. Ao exame, apresenta aumento de volume ósseo, duro e indolor, nas articulações interfalangianas distais e proximais de vários dedos, além de aumento da base do polegar direito; as metacarpofalangianas e os punhos estão preservados, sem sinovite. Fator reumatoide não reagente e PCR normal. Assinale o diagnóstico mais provável.
Aumento ósseo duro em interfalangianas distais (Heberden) e proximais (Bouchard), acometimento da trapeziometacarpiana (rizartrose), poupando metacarpofalangianas e punhos, sem sinovite e com provas inflamatórias normais, é o padrão clássico da osteoartrite nodal das mãos. A artrite reumatoide poupa as interfalangianas distais e acomete punhos e metacarpofalangianas com sinovite e rigidez matinal maior que 1 hora. A artrite psoriásica pode acometer interfalangianas distais, mas cursa com dactilite, alterações ungueais e lesões cutâneas, ausentes aqui. Os tofos são nódulos moles, amarelados, com possível drenagem de material esbranquiçado, e há história prévia de crises agudas.
Mulher de 71 anos com coxartrose sintomática iniciará ibuprofeno 400 mg a cada 8 horas. Tem antecedente de úlcera gástrica tratada há seis anos e o médico prevê uso por cerca de três semanas. Qual medida a Diretriz Brasileira e o PCDT preveem para este caso?
O fármaco escrito nos documentos brasileiros é o omeprazol, cápsula de 10 mg ou 20 mg em jejum, concomitante ao AINE oral. O PCDT de 2024 aciona a gastroproteção quando o uso passa de cinco dias em pessoa com história pregressa de evento gastrointestinal — as duas condições estão presentes aqui —, e a recomendação nº 27 da diretriz do joelho é ainda mais larga, bastando um dos dois gatilhos. O coxibe erra por dois motivos: não é o que o PCDT preconiza para osteoartrite no SUS, e reduzir o risco gastrointestinal não é eliminá-lo em quem já ulcerou. Sucralfato e misoprostol não são os fármacos escritos nos documentos brasileiros para esta indicação. Dispensar a gastroproteção erra porque a história pregressa de evento gastrointestinal é, por si só, um dos gatilhos nominais, e o uso previsto de três semanas já ultrapassa os cinco dias.
Um médico de família discute com residentes o papel da imagem na osteoartrite. Considerando as Diretrizes Brasileiras para o tratamento não cirúrgico da osteoartrite de joelho e de quadril, qual afirmativa está correta?
A recomendação nº 2 da diretriz do joelho indica radiografia em AP e perfil em apoio bipodal para COLABORAR no diagnóstico, e a recomendação nº 3 da diretriz do quadril recusa a ultrassonografia para diagnóstico, confirmação de diagnóstico ou manejo do tratamento, com força forte. Dizer que a radiografia é suficiente e dispensa o exame físico erra porque a primeira recomendação de ambos os documentos é diagnosticar clinicamente, e achado radiográfico isolado teve especificidade caindo a 37,1% em um dos estudos citados. A ressonância erra porque tem recomendação contra para diagnóstico, confirmação ou manejo, sustentada por estudo em que anormalidades de cartilagem, cistos subcondrais e edema de medula óssea não se associaram a sintoma nenhum. Trocar a radiografia por ultrassonografia no quadril contradiz diretamente a recomendação nº 3. E Kellgren & Lawrence não define indicação cirúrgica: a artroplastia depende do impacto na qualidade de vida e da falha do tratamento não cirúrgico — no quadril, o estreitamento do espaço articular explicou apenas 0,4% da variância da dor (P = 0,44).
Homem de 66 anos com gonartrose bilateral vem em acompanhamento na atenção primária. Nos últimos oito meses recebeu dipirona regular e realizou fisioterapia e programa de exercícios orientado, sem melhora relevante da dor, que hoje limita a caminhada até a padaria e a subida de escada em casa. Não há sinal de alerta. A rede do município tem serviço de fisiatria com equipe de dor crônica. Qual é o encaminhamento previsto nos protocolos do Ministério da Saúde?
Os protocolos MS/UFRGS separam três portas. A da ortopedia abre para osteoartrite de quadril, joelho ou ombro com potencial indicação de cirurgia, definida como sintomas de dor refratários ao tratamento clínico otimizado por 6 meses OU importante prejuízo para as atividades de vida diária — os dois estão presentes, e o tratamento otimizado se completou, porque houve medicamento, exercícios e fisioterapia. A reumatologia erra porque entra por suspeita de doença articular inflamatória, ou por dor refratária quando NÃO há serviço de dor crônica na rede, o que não é o caso. O serviço de dor crônica erra porque é a porta de quem não tem indicação ou condição clínica para cirurgia; aqui há prejuízo funcional importante, que é justamente o gatilho da avaliação cirúrgica. Manter o tratamento erra porque o prazo já foi cumprido com os três componentes. E a cirurgia vascular não tem sustentação no caso: não há claudicação de padrão vascular nem perda de pulso descrita.
Durante uma consulta de rotina, um paciente de 62 anos com gonartrose relata que assistiu a um vídeo sobre tratamentos para artrose e pergunta sobre cinco condutas. Considerando as Diretrizes Brasileiras e o PCDT da Dor Crônica, qual delas é a única que pode ser oferecida a ele no SUS?
Oferecer informação focada em exercício físico e em intervenções para perda de peso a quem tem sobrepeso ou obesidade é a recomendação nº 8 da diretriz do joelho, com força FORTE, e o encaminhamento à fisioterapia deve ocorrer assim que o diagnóstico é estabelecido (recomendação nº 12). As outras quatro alternativas têm recomendação CONTRA. Ácido hialurônico intra-articular: recomendação nº 34 do joelho e nº 31 do quadril, força forte. Condroitina e glucosamina, isolados ou combinados: recomendação nº 32 do joelho, força forte. Artroscopia, lavagem ou desbridamento: recomendação nº 41, com uma única exceção nominal, que é bloqueio mecânico por corpo livre ou lesão meniscal traumática — situação não descrita aqui. Infiltração de corticoide: recomendação nº 33 do joelho e nº 30 do quadril, força forte. Vale notar que o guideline do ACR de 2019 recomenda fortemente A FAVOR da infiltração de corticoide no joelho e no quadril: a alternativa só seria correta numa questão explicitamente ancorada na literatura internacional.
Mulher de 57 anos vem à consulta com dor no joelho direito há cinco meses. Relata rigidez matinal que dura cerca de três horas, dor que não muda com repouso ou atividade e acorda à noite, além de dois episódios de febre no último mês. Ao exame, o joelho está com rubor, calor e edema. Qual é a interpretação correta?
A Diretriz Brasileira do joelho lista nominalmente como sinais de alerta, entre outros, a rigidez articular prolongada com duração maior que duas horas, a dor progressiva que não sofre variação com a atividade, a dor que piora durante o repouso, a febre recorrente e o rubor, edema e calor local. O próprio documento diz o que esses achados podem indicar: infecção, câncer, fratura, doença inflamatória articular (gota e artrite reumatoide), tuberculose óssea, além de complicações vasculares ou neurológicas periarticulares. As duas primeiras alternativas erram no mesmo ponto: a rigidez da osteoartrite dura MENOS de 30 minutos, e rigidez acima de duas horas é sinal de alerta, não marcador de gravidade da artrose. A ressonância erra porque tem recomendação contra e porque, diante de sinal de alerta, o que o documento indica é exame laboratorial para diagnóstico diferencial. E encaminhar para artroplastia um joelho quente e febril sem investigação pode mandar à cirurgia uma artrite séptica.
Homem de 59 anos com osteoartrite de joelho documentada mantém dor apesar de paracetamol em dose plena, exercício supervisionado e fisioterapia. Tem hipertensão, diabetes tipo 2 e escore de risco cardiovascular alto, sem uso de antiagregante. Não tem história de sangramento digestivo. Segundo o PCDT da Dor Crônica, qual é a prescrição mais adequada?
O PCDT da Dor Crônica é explícito: quando paracetamol ou dipirona são insuficientes e o paciente apresenta risco de evento cardiovascular, aconselha-se naproxeno 250 a 500 mg duas vezes ao dia — o AINE escolhido justamente pelo perfil cardiovascular. No SUS o naproxeno é preconizado exatamente para osteoartrite de joelho ou de quadril (Portaria SCTIE/MS nº 53/2017), e esse é o critério de inclusão escrito no Protocolo. O diclofenaco oral erra porque não foi incorporado ao SUS para dor crônica musculoesquelética (Portaria SCTIE/MS nº 45/2021) e não é a escolha em alto risco cardiovascular. O gel de diclofenaco erra porque os AINE tópicos também não foram incorporados (Portaria SCTIE/MS nº 48/2021). A codeína erra porque opioides fracos não foram incorporados para dor crônica (Portaria SCTIE/MS nº 59/2021) e a seção de osteoartrite do PCDT encerra a escada no AINE com gastroproteção. A infiltração de triancinolona erra porque a injeção intra-articular de corticoide tem recomendação contra com força forte nas duas diretrizes brasileiras e no PCDT.
Mulher de 63 anos, IMC 33, procura a unidade básica de saúde com dor nos joelhos há três anos, que piora ao subir escada e ao levantar da cadeira e alivia com o repouso. Refere rigidez matinal de aproximadamente 15 minutos. Nega febre, perda de peso, lesões cutâneas e trauma. Ao exame, há crepitação grossa à mobilização ativa e alargamento ósseo das margens articulares, sem calor local e sem derrame tenso. Faz uso contínuo de ácido acetilsalicílico 100 mg/dia por doença coronariana. Qual é a conduta mais adequada segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dor Crônica do Ministério da Saúde?
O diagnóstico de osteoartrite de joelho é clínico: a recomendação nº 1 da Diretriz Brasileira (Relatório nº 340/2018), com força forte, manda diagnosticar por anamnese e exame físico quando há dor relacionada à atividade habitual e/ou rigidez. O quadro é mecânico, a rigidez tem menos de 30 minutos e não há sinal de alerta. O tratamento que muda desfecho é exercício e perda de peso, com encaminhamento à fisioterapia já no diagnóstico, e o degrau medicamentoso inicial é paracetamol 500 mg (1 a 2 comprimidos, 3 a 4 vezes ao dia, até 4 g) ou dipirona 500 mg até 4 vezes ao dia. A alternativa 1 erra porque a ressonância tem recomendação explícita CONTRA para diagnóstico, confirmação ou manejo do tratamento. A alternativa 3 erra duas vezes: o AINE é segunda linha, e em quem usa AAS em dose baixa o PCDT manda manter paracetamol ou dipirona e evitar AINE seletivo ou não seletivo. A alternativa 4 erra porque o encaminhamento à ortopedia exige seis meses de tratamento clínico otimizado (medicamento, exercícios e fisioterapia) ou prejuízo importante das AVD — nada disso foi tentado. A alternativa 5 erra porque condroitina e glucosamina têm recomendação contra com força forte.
Mulher de 68 anos refere dor e rigidez nas mãos. Ao exame há alargamento ósseo firme das interfalangeanas distais do 2º e 3º dedos das duas mãos, alargamento da base do polegar direito e deformidade em desvio do 2º dedo esquerdo; as metacarpofalangeanas estão sem edema. Considerando o Quadro 9 dos protocolos de encaminhamento do Ministério da Saúde, qual afirmativa está correta?
O critério clínico de osteoartrite de mão reproduzido no Quadro 9 exige dor ou rigidez das mãos mais 3 dos 4 critérios: alargamento ósseo de duas ou mais das dez articulações definidas (2ª e 3ª interfalangeanas distais, 2ª e 3ª interfalangeanas proximais e 1ª carpometacarpal de ambas as mãos); alargamento ósseo de duas ou mais interfalangeanas distais; menos de três metacarpofalangeanas com edema; e deformidade de pelo menos uma das dez articulações definidas. A paciente cumpre os quatro. Exigir radiografia erra porque o critério de mão é exclusivamente clínico — diferente do critério de joelho, que é clínico e radiológico, e do de quadril, que é clínico, radiológico e laboratorial. Chamar a ausência de edema das metacarpofalangeanas de irrelevante erra porque ela é um dos quatro itens, e é justamente o que separa osteoartrite de artrite reumatoide. Exigir VHS confunde com o critério de quadril, o único em que o exame entra. E dizer que a deformidade exclui osteoartrite inverte o critério: deformidade em articulação definida é um dos itens positivos.
Mulher de 64 anos com osteoartrite de joelho firmada pela clínica e por radiografia em apoio bipodal mantém dor de padrão mecânico. Não há bloqueio articular, falseio, trauma recente nem sinal de alerta. Ela leu que a ressonância magnética veria a cartilagem e pede o exame. Considerando as diretrizes brasileiras e o protocolo nacional de 2024, qual é a resposta correta?
As duas diretrizes brasileiras e o protocolo nacional recomendam contra a ressonância magnética para diagnóstico, confirmação de diagnóstico e manejo do tratamento da osteoartrite de joelho e de quadril. O estudo que fundamenta a recusa acompanhou 205 pacientes e mostrou que anormalidade de cartilagem, cisto subcondral, edema de medula óssea, subluxação meniscal e cisto de Baker não se associaram a sintoma nenhum. Por isso o exame não guia ajuste de tratamento, não vira condição de tempo e não gradua doença para encaminhamento — quem indica cirurgia é o impacto funcional somado à falha do tratamento conservador. A ultrassonografia também tem recomendação contra no quadril e não substitui a avaliação clínica.
Homem de 61 anos com coxartrose vem à consulta pedindo encaminhamento ao ortopedista. Nos últimos sete meses recebeu dipirona e depois ibuprofeno em dose plena, mas nunca fez fisioterapia nem programa de exercícios, porque a unidade não conseguiu a vaga. Não há sinal de alerta e a dor limita subir escada. Segundo os protocolos nacionais de encaminhamento, qual é a conduta?
Os protocolos definem tratamento clínico otimizado como o conjunto de tratamento medicamentoso, exercícios e acompanhamento fisioterápico, adaptados às condições do paciente. Quem só tomou analgésico por seis meses não completou o período exigido: tem critério para otimizar o tratamento, não para ser encaminhado. As três portas — ortopedia por potencial indicação cirúrgica, reumatologia por suspeita de doença inflamatória ou por dor refratária sem serviço de dor disponível, e serviço especializado em dor crônica — partem todas do mesmo pressuposto de tratamento completo. Suspeitar de doença inflamatória exigiria sinal de alerta, que o caso não traz. E a ressonância tem recomendação contra e não decide encaminhamento.
Homem de 67 anos com gonartrose bilateral documentada teve infarto agudo do miocárdio há dois anos e usa ácido acetilsalicílico 100 mg/dia de forma contínua. Mantém dor apesar de exercício supervisionado e fisioterapia. Não tem história de sangramento digestivo nem doença renal. Segundo o protocolo nacional da dor crônica, qual é a prescrição analgésica adequada?
A regra do protocolo é nominal: em uso contínuo de ácido acetilsalicílico em baixas doses, prescreve-se paracetamol ou dipirona e evita-se anti-inflamatório, seletivo e não seletivo. O motivo é duplo — soma de risco gastrointestinal e competição do anti-inflamatório com o antiagregante pelo sítio da ciclo-oxigenase plaquetária, o que reduz o efeito de proteção cardiovascular. Ibuprofeno com gastroproteção não desfaz a competição nesse sítio. O naproxeno é a escolha de quem tem risco cardiovascular e não usa antiagregante, o que não é o caso aqui. O inibidor seletivo tampouco escapa da regra, que exclui as duas famílias. E o diclofenaco oral não foi incorporado ao Sistema Único de Saúde para dor crônica musculoesquelética.
Sobre o tratamento medicamentoso da osteoartrite erosiva de mãos, assinale a alternativa correta.
Nas mãos, o anti-inflamatório tópico se beneficia da articulação superficial e entrega alívio com absorção sistêmica pequena, sendo recomendado antes das opções orais. O metotrexato engana quem transporta a lógica das drogas modificadoras da artrite reumatoide para uma doença degenerativa: os estudos na artrose erosiva foram no máximo modestos e não sustentam uso de primeira linha. Corticoide sistêmico contínuo e opioide forte acrescentam risco desproporcional ao benefício.
Paciente de 72 anos com osteoartrite de joelho apresenta, subitamente, joelho quente, edemaciado, com derrame volumoso e dor incapacitante, febre de 38,2 °C. Qual a conduta imediata?
Monoartrite aguda com febre e derrame em articulação previamente artrósica é artrite séptica até prova em contrário, e a artrocentese com análise completa do líquido é obrigatória antes de qualquer terapia intra-articular. Infiltrar corticoide engana quem interpreta o quadro como agudização da artrose — injetar corticoide numa articulação infectada é catastrófico. A ressonância não substitui a punção e só atrasa a decisão que muda o desfecho.
Sobre a análise do líquido sinovial na osteoartrite, qual o padrão esperado?
Na osteoartrite o líquido é não inflamatório: transparente, viscoso, com contagem baixa e predomínio de mononucleares — o processo é degenerativo, com componente inflamatório discreto. Contagem acima de 50.000 com neutrofilia engana quem esquece de estratificar o líquido: esse padrão aponta artrite séptica. A faixa intermediária corresponde a artrites inflamatórias, incluindo as microcristalinas e a artrite reumatoide.
Homem de 74 anos com osteoartrite de quadril, dor em virilha ao caminhar mais de 100 metros, dor noturna e limitação para calçar meias, com radiografia mostrando espaço articular praticamente ausente. Já fez fisioterapia e analgesia otimizada por 12 meses sem melhora. Qual a conduta?
Dor refratária ao tratamento conservador otimizado, com perda funcional relevante e destruição radiográfica avançada, é a indicação clássica de artroplastia — o procedimento tem excelente resultado em dor e função no quadril. Repetir fisioterapia sem articulação preservada engana quem posterga indefinidamente a cirurgia e deixa o paciente perder condicionamento e massa muscular. Artroscopia com lavagem foi demonstrada como ineficaz na artrose, e metotrexato não tem papel em doença degenerativa.
Qual achado radiográfico é característico da osteoartrite de joelho?
Estreitamento assimétrico do espaço, osteófitos, esclerose subcondral e cistos subcondrais são a assinatura radiográfica da osteoartrite, refletindo perda focal de cartilagem no compartimento mais sobrecarregado. Erosões marginais com osteopenia periarticular enganam quem não separa doença degenerativa de doença inflamatória — esse padrão é da artrite reumatoide, onde o osso é reabsorvido, não produzido. Na osteoartrite o osso responde formando, e por isso surge osteófito.
Sobre a diferenciação entre dor articular mecânica e inflamatória, assinale a alternativa correta.
O padrão inflamatório piora com a inatividade, produz rigidez matinal longa e melhora conforme o paciente se movimenta; o mecânico faz o oposto, piorando com uso e carga e melhorando com repouso, com rigidez breve de poucos minutos. Confundir os dois é o erro que mais desvia a investigação inicial, porque define se o raciocínio segue para doença degenerativa ou para doença sistêmica com prova de fase aguda e sorologia.
Qual medida não farmacológica tem melhor evidência para osteoartrite de mãos?
A órtese da base do polegar tem boa evidência de alívio de dor na rizartrose, e as diretrizes recomendam associá-la a exercícios e à educação sobre proteção articular, adaptando pegadas e ferramentas. Imobilização rígida generalizada ou repouso absoluto engana quem acha que poupar cura: o resultado é rigidez, atrofia e perda funcional. Bengala é medida para articulações de carga em membros inferiores, sem sentido nas mãos.
Sobre o nódulo de Heberden na osteoartrite, assinale a alternativa correta.
Heberden é o nódulo ósseo das interfalangeanas distais, e Bouchard o das proximais — ambos representam osteófitos, não sinovite. Trocar pelas metacarpofalangeanas engana quem confunde com a artrite reumatoide, que poupa as interfalangeanas distais e acomete justamente as metacarpofalangeanas e as proximais. Tofo gotoso é depósito de urato, com aspecto e localização distintos.
Mulher de 63 anos, IMC 32, refere dor em joelhos há 3 anos, pior ao subir escadas e ao final do dia, com rigidez matinal de 10 minutos e crepitação à mobilização. Sem edema quente nem sinais sistêmicos. VHS e PCR normais. Qual o diagnóstico mais provável?
Dor mecânica que piora com uso e melhora com repouso, rigidez matinal breve, crepitação e provas inflamatórias normais compõem o quadro típico de osteoartrite. A artrite reumatoide engana quem só ouve dor articular em mulher de meia-idade, mas nela a rigidez matinal ultrapassa uma hora, o padrão é inflamatório e simétrico em pequenas articulações, com provas de fase aguda elevadas. Polimialgia reumática cursa com dor em cinturas e VHS caracteristicamente alta.
Mulher de 59 anos apresenta dor e deformidade em interfalangeanas distais e proximais das mãos, com episódios de dor intensa, calor e edema local, e radiografia mostrando erosões centrais com aspecto de asa de gaivota. Fator reumatoide negativo e PCR discretamente elevada. Qual o diagnóstico mais provável?
Erosões centrais com o clássico aspecto de asa de gaivota nas interfalangeanas, num quadro de dor inflamatória sobreposta a deformidade nodular, definem a osteoartrite erosiva, subtipo mais inflamatório e mais incapacitante da artrose de mãos. A artrite reumatoide engana pelo componente inflamatório, mas suas erosões são marginais, poupam as interfalangeanas distais e acometem metacarpofalangeanas e punhos. A artropatia de Jaccoud é redutível e não erosiva.
Paciente de 55 anos com dor na base do polegar direito ao pinçar objetos e abrir potes, com dor à manobra de compressão axial e rotação da primeira carpometacarpiana. Qual o diagnóstico e a conduta inicial?
Dor na base do polegar à preensão com teste de compressão e rotação positivo é rizartrose, artrose da primeira carpometacarpiana, e o tratamento inicial combina órtese, analgesia e mudança de padrão de uso. A tenossinovite de De Quervain engana pela topografia próxima, mas sua dor se reproduz no teste de Finkelstein, sobre os tendões do primeiro compartimento, e não à compressão axial da articulação. Túnel do carpo cursa com parestesias no território mediano, não com dor articular à pinça.
Qual intervenção tem o maior impacto sobre dor e função na osteoartrite de joelho em paciente com sobrepeso?
Exercício com fortalecimento do quadríceps e perda de peso são as intervenções com maior evidência e maior efeito sobre dor e função, e são a base de todas as diretrizes. Repouso prolongado engana quem raciocina que poupar a articulação a protege: a atrofia muscular acelera a progressão e piora a dor. Glucosamina tem evidência fraca e inconsistente, e infiltração repetida de corticoide em alta frequência pode acelerar a perda de cartilagem.
Sobre a infiltração intra-articular de corticoide no joelho artrósico, assinale a alternativa correta.
A infiltração de corticoide alivia dor por poucas semanas a poucos meses e serve bem em exacerbação, respeitando espaçamento e número limitado de aplicações anuais. Atribuir efeito modificador de doença engana quem confunde alívio sintomático com proteção estrutural — não há prevenção de artroplastia, e aplicações muito frequentes podem acelerar perda de cartilagem. Diante de suspeita de infecção, infiltrar é formalmente contraindicado.
Homem de 68 anos com osteoartrite de joelho, hipertenso, com doença renal crônica estágio 3b (TFG 38 mL/min) e antecedente de úlcera péptica. Dor moderada, sem melhora com medidas não farmacológicas. Qual a analgesia inicial mais segura?
Com filtração glomerular reduzida e história de úlcera, o anti-inflamatório sistêmico é a pior escolha, e a combinação de analgésico simples com anti-inflamatório tópico entrega alívio com absorção sistêmica mínima. Associar protetor gástrico ao anti-inflamatório oral engana quem só pensa no risco digestivo e esquece o renal e o cardiovascular, que o inibidor de bomba não protege. Corticoide sistêmico contínuo não tem papel na osteoartrite e acrescenta osteoporose e hiperglicemia.
Mulher de 58 anos com osteoartrite de joelhos usa naproxeno diariamente há 8 meses. Retorna com PA de 158x96 mmHg (previamente controlada com 130x80), edema de membros inferiores e creatinina que subiu de 0,8 para 1,4 mg/dL. Qual o mecanismo mais provável?
Os anti-inflamatórios bloqueiam prostaglandinas vasodilatadoras da arteríola aferente, reduzindo a filtração e promovendo retenção de sódio e água — daí a tríade de perda de controle pressórico, edema e elevação da creatinina. A nefrite intersticial também ocorre com essa classe, mas é menos comum, costuma vir com sedimento ativo e não depende da dose, o que engana quem associa qualquer lesão renal medicamentosa a mecanismo alérgico. A conduta é suspender a droga e revisar a analgesia.
Homem de 68 anos, com queixa de dor no joelho aos esforços há 3 anos, rigidez matinal de 10 minutos, crepitação e osteófitos na radiografia. Qual é a intervenção com melhor evidência de benefício sintomático e funcional a longo prazo?
Exercício e controle de peso são as únicas medidas que reúnem benefício consistente em dor e função na osteoartrite de joelho, e por isso encabeçam todas as diretrizes. A artroscopia de lavagem é o distrator histórico: ensaios randomizados mostraram resultado equivalente ao placebo cirúrgico na artrose sem bloqueio mecânico, e mesmo assim ainda é indicada na prática. Corticoide oral contínuo não tem indicação e acumula efeitos adversos.
Qual afirmativa sobre a bengala no tratamento da osteoartrite de quadril está correta?
A bengala do lado oposto ao quadril doente amplia a base de apoio e reduz a demanda sobre a musculatura abdutora, diminuindo de forma significativa a força de reação articular — usá-la do mesmo lado não produz esse efeito e é o erro mais comum. O uso adequado alivia dor e melhora a marcha, sem contraindicação por descondicionamento, e a afirmação de que serve apenas para equilíbrio subestima seu efeito biomecânico sobre a carga.
Sobre a infiltração intra-articular de corticoide na osteoartrite de joelho, qual afirmativa é correta?
A infiltração de corticoide alivia a dor por algumas semanas e é útil em períodos de exacerbação, mas o efeito é transitório e a repetição frequente se associa a perda de cartilagem, o que limita o intervalo entre aplicações. Tratá-la como solução definitiva semanal é o abuso mais comum na prática. Ela não regenera cartilagem — nenhuma intervenção disponível faz isso — e não substitui exercício e perda de peso, que continuam sendo a primeira linha.
Homem de 70 anos com osteoartrite de joelho e dor moderada. Tem hipertensão, doença renal crônica estágio 3 e antecedente de úlcera péptica. Qual a escolha analgésica mais adequada?
O perfil desse paciente — hipertensão, doença renal e úlcera prévia — praticamente exclui o anti-inflamatório sistêmico, e a escolha recai sobre paracetamol e formulação tópica, que oferece alívio local com absorção sistêmica baixa. Prescrever o anti-inflamatório oral por ser o mais eficaz é o erro que precipita lesão renal e sangramento digestivo. Corticoide contínuo não trata osteoartrite, opioide forte de entrada expõe a queda e dependência, e associar dois anti-inflamatórios apenas multiplica a toxicidade.
Mulher de 72 anos com osteoartrite de joelho avançada, dor em repouso e à noite, limitação importante da marcha, sem resposta a tratamento conservador otimizado por dois anos. Radiografia com obliteração do espaço articular e deformidade em varo. Qual a conduta?
Doença avançada com dor em repouso, incapacidade funcional e falha de tratamento conservador bem conduzido é a indicação consagrada de substituição articular, que devolve função e alívio da dor. A artroscopia com lavagem e desbridamento na osteoartrite foi desacreditada por ensaios que não mostraram benefício sobre o tratamento conservador. Infiltrações quinzenais agravam o dano condral, a osteotomia é opção para pacientes mais jovens com doença unicompartimental, e adiar mais um ano prolonga o sofrimento sem ganho.
Qual achado clínico ajuda a diferenciar a osteoartrite de joelho de uma artrite inflamatória?
A rigidez curta e a dor que piora com o uso e alivia com repouso são a assinatura mecânica da osteoartrite, e é esse par que a separa das artrites inflamatórias. Rigidez matinal prolongada com melhora ao movimento, febre com calor articular, sinovite simétrica de pequenas articulações e marcadores inflamatórios muito elevados apontam para doença inflamatória, e reconhecê-los muda completamente a investigação e o tratamento — confundi-los é o erro que atrasa o diagnóstico de artrite reumatoide.
Mulher de 58 anos com osteoartrite de joelho e sobrepeso pergunta qual exercício deve fazer, temendo piorar a articulação. Qual a orientação correta?
O exercício é a intervenção com melhor relação entre benefício e risco na osteoartrite: fortalecimento e atividade aeróbica de baixo impacto reduzem dor, melhoram função e ajudam no controle de peso, sem acelerar a degeneração. O medo de que o movimento gaste a articulação é a crença que mais afasta o paciente do tratamento eficaz, e cabe desfazê-la explicitamente. Alto impacto não é necessário para obter benefício, e adiar o exercício para depois de uma cirurgia inverte completamente a ordem do cuidado.
Qual afirmativa sobre a correlação entre achados radiográficos e sintomas na osteoartrite de joelho está correta?
A dissociação entre imagem e sintomas é bem documentada na osteoartrite, e é por isso que a indicação cirúrgica se apoia na dor, na limitação funcional e na falha do tratamento conservador, e não apenas no grau radiográfico. Supor proporcionalidade direta leva a operar quem tem imagem ruim mas função preservada. Radiografia normal não exclui doença inicial, e a ressonância de rotina revela achados incidentais sem alterar a conduta na maioria dos casos.
Sobre a osteoartrite secundária do quadril, qual condição é causa reconhecida em adultos jovens?
Displasia não tratada e impacto femoroacetabular alteram a distribuição de carga e o contato entre cabeça e acetábulo, levando à degeneração articular precoce — são as causas estruturais mais lembradas de artrose do quadril no adulto jovem, ao lado de necrose avascular e sequela de trauma. As demais condições listadas são doenças comuns sem qualquer relação causal com a degeneração da articulação coxofemoral, e sua presença na lista testa se o candidato reconhece a origem mecânica do problema.
Homem de 68 anos com dor inguinal progressiva há três anos, com limitação para calçar meias e cortar as unhas dos pés. Exame: rotação interna do quadril limitada a 5 graus e dolorosa, marcha claudicante. Radiografia com redução do espaço articular coxofemoral, osteófitos e esclerose subcondral. Qual o diagnóstico?
Dor inguinal com perda da rotação interna e dificuldade para calçar meias — gestos que exigem flexão com rotação — somada às alterações radiográficas clássicas define a osteoartrite do quadril. Bursite trocantérica dói lateralmente à palpação e não limita a rotação interna. Hérnia inguinal produz abaulamento sem restrição articular, radiculopatia L4 traz dor na face anterior da coxa com alteração do reflexo patelar, e a necrose em fase inicial cursa com radiografia normal.
Homem de 55 anos com osteoartrite unicompartimental medial do joelho, deformidade em varo, dor localizada no compartimento medial, boa amplitude de movimento e ligamentos íntegros. Qual opção cirúrgica preserva a articulação?
Em paciente relativamente jovem, com doença restrita ao compartimento medial, ligamentos íntegros e boa mobilidade, a osteotomia realinha o eixo e transfere a carga para o compartimento ainda saudável, adiando a substituição articular. A artroplastia total é a resposta para doença difusa ou paciente mais velho. Artrodese elimina o movimento e é recurso excepcional, meniscectomia total agrava a sobrecarga do compartimento doente, e sinovectomia não corrige o desalinhamento que causa a dor.
Mulher de 64 anos, com índice de massa corporal de 33 kg/m², refere dor no joelho direito há dois anos, que piora ao subir escadas e ao final do dia e melhora com repouso, com rigidez matinal de 10 minutos. Exame: crepitação, discreto derrame, sem calor. Radiografia com redução do espaço articular medial e osteófitos. Qual o tratamento de primeira linha?
A base do tratamento da osteoartrite de joelho é não farmacológica: exercício com fortalecimento do quadríceps, redução de peso e educação, medidas que melhoram dor e função com risco mínimo e que precedem qualquer fármaco ou procedimento. A artroplastia entra apenas em doença avançada refratária. Anti-inflamatório contínuo por um ano acumula risco gastrointestinal, renal e cardiovascular, viscossuplementação indefinida tem benefício controverso, e restringir a marcha acelera a atrofia muscular e piora a dor.
Homem de 74 anos com osteoartrite de quadril avançada, dor em repouso e noturna, marcha limitada a 50 metros, sem resposta ao tratamento conservador otimizado. Qual a conduta?
Dor em repouso e à noite com limitação grave da marcha após tratamento conservador adequado é a indicação clássica de substituição articular, um dos procedimentos com melhor relação entre custo e ganho de qualidade de vida na medicina. Artroscopia não tem papel na artrose avançada do quadril, infiltrações semanais são inviáveis e danosas, a osteotomia pélvica se destina a displasia em pacientes jovens com cartilagem preservada, e prolongar a fisioterapia por dois anos apenas adia o alívio.
Qual manobra e achado do exame físico melhor caracterizam o comprometimento intra-articular do quadril na osteoartrite?
A rotação interna com o quadril fletido é o movimento que mais estressa a articulação coxofemoral, e sua limitação dolorosa é o achado mais sensível de doença intra-articular, aparecendo antes de outras restrições. Dor à palpação do trocanter maior indica sofrimento das partes moles laterais, extra-articular. Percussão lombar dolorosa e Lasègue apontam para a coluna, e o sinal de Trendelenburg isolado reflete insuficiência da musculatura abdutora, podendo ocorrer em várias condições.
Sobre o uso de suplementos como glucosamina e condroitina na osteoartrite de joelho, qual afirmativa reflete a evidência atual?
Os ensaios com glucosamina e condroitina produziram resultados heterogêneos, com efeito no máximo pequeno, o que impede que substituam as intervenções de eficácia comprovada — exercício, controle de peso e analgesia bem conduzida. A ideia de que regeneram cartilagem é marketing sem sustentação. Também não superam o exercício terapêutico nem justificam prescrição universal, e o perfil de segurança é razoavelmente favorável, o que torna a afirmação sobre dano renal grave igualmente incorreta.
Sobre a relação entre osteoartrite e dor no quadril em idosos, é correto afirmar:
A osteoartrite de quadril dói na virilha, tem rigidez matinal curta, tipicamente inferior a 30 minutos, e vai consumindo a rotação interna. O tratamento começa por exercício supervisionado, controle de peso e analgesia escalonada, com artroplastia indicada por dor e limitação refratárias, e não pelo achado radiográfico isolado — indicar cirurgia pela radiografia em paciente pouco sintomático é o erro que a questão testa. Rigidez matinal prolongada aponta para doença inflamatória, e desestimular exercício contraria a evidência mais consistente do tratamento conservador da artrose.
Mulher de 63 anos, IMC 32 kg/m², procura a Unidade Básica de Saúde com dor no joelho direito há dois anos, pior ao subir escadas e após caminhadas longas, com rigidez matinal de cerca de dez minutos. Ao exame: crepitação à mobilização, discreto aumento de volume ósseo nas margens articulares, sem calor nem derrame. Radiografia mostra redução do espaço articular medial e osteófitos. Qual é a conduta inicial mais adequada?
O tratamento de base da osteoartrite de joelho é não farmacológico: exercício terapêutico com fortalecimento, controle de peso e educação, com analgesia simples de apoio, tudo executável na atenção primária. A infiltração de corticoide fica reservada a surtos inflamatórios refratários, não sendo primeira medida. O encaminhamento para artroplastia pressupõe dor incapacitante refratária ao tratamento conservador otimizado. Uso contínuo prolongado de anti-inflamatório em idosa acrescenta risco gastrointestinal, renal e cardiovascular sem alterar a evolução.
Mulher de 62 anos, com índice de massa corporal de 33 kg/m², procura a Unidade Básica de Saúde com dor nos joelhos há dois anos, pior ao subir escadas e ao fim do dia, com rigidez matinal de cerca de dez minutos. Nega febre, edema volumoso, vermelhidão e sintomas sistêmicos. Ao exame, crepitação à mobilização dos joelhos, discreto alargamento ósseo das interlinhas, sem calor ou derrame significativo; marcha antálgica. Radiografia mostra redução do espaço articular e osteófitos marginais. A conduta inicial mais adequada é:
Na osteoartrite de joelho, as intervenções com melhor evidência e menor risco são exercício terapêutico com fortalecimento, controle de peso e educação, acompanhadas de analgesia conforme necessidade. Repouso prolongado agrava a fraqueza muscular e a dor, e anti-inflamatório contínuo por meses expõe a riscos gastrointestinais, renais e cardiovasculares, sobretudo em idosos. Artroplastia é reservada a doença avançada com dor refratária e perda funcional importante após tratamento conservador bem conduzido. Infiltrações mensais e indefinidas de corticoide não são recomendadas pelo risco de dano condral.
Mulher de 52 anos, obesa, procura a Unidade Básica de Saúde com dor no joelho direito há dois anos, que piora ao subir e descer escadas e ao final do dia, com rigidez matinal de cerca de dez minutos. Ao exame: crepitação à mobilização, discreto aumento de volume sem calor ou rubor, deformidade em varo e limitação leve da flexão. A radiografia mostra redução do espaço articular medial, esclerose subcondral e osteófitos. Ela pergunta qual tratamento traz mais benefício a longo prazo. Qual é a orientação correta?
Na osteoartrite de joelho o tratamento com maior evidência de benefício sustentado é não farmacológico, apoiado em exercícios de fortalecimento do quadríceps, condicionamento aeróbico e redução de peso, com analgésicos usados de forma pontual. Repouso prolongado provoca atrofia muscular e piora a dor e a função. Anti-inflamatório contínuo em paciente de meia-idade e com comorbidades traz risco gastrointestinal, renal e cardiovascular sem modificar a evolução. A artroplastia é reservada a doença avançada com dor refratária e perda funcional importante, não ao estágio descrito.
Mulher de 61 anos procura a Unidade Básica de Saúde por deformidade e dor nas mãos há alguns anos, com dificuldade para abrir potes e girar chaves. A dor piora com o uso e melhora com repouso, e a rigidez matinal dura menos de quinze minutos. Ao exame: aumento de volume ósseo e endurecido nas articulações interfalângicas distais e proximais, com desvio dos dedos, sem calor, rubor ou sinovite mole, e sem acometimento das metacarpofalângicas. Fator reumatoide negativo e provas inflamatórias normais. Qual é o diagnóstico mais provável?
Aumento ósseo endurecido nas interfalângicas distais e proximais, poupando metacarpofalângicas, com rigidez matinal curta, dor mecânica e provas inflamatórias normais, é a apresentação típica da osteoartrite de mãos, cujos nódulos recebem os nomes clássicos conforme a articulação acometida. A artrite reumatoide acomete preferencialmente punhos e metacarpofalângicas, com sinovite mole e rigidez matinal prolongada. A artrite psoriásica pode envolver interfalângicas distais, mas costuma vir com dactilite, lesões cutâneas e alterações ungueais. A gota crônica produz tofos com sinais inflamatórios e história de crises agudas prévias.
Homem de 77 anos, com osteoartrite de joelhos e coluna, procura a Unidade Básica de Saúde com dor há anos, que limita caminhadas e o sono. Já usa paracetamol em dose regular, com alívio parcial. Tem doença renal crônica estágio 3 e hipertensão. A filha comprou anti-inflamatório na farmácia e pergunta se ele pode usar continuamente. Ao exame, dor à mobilização dos joelhos com crepitação, sem sinais inflamatórios agudos, marcha antálgica e pressão arterial de 146 x 88 mmHg. A conduta mais adequada é:
Anti-inflamatórios não esteroidais sistêmicos de uso contínuo são potencialmente inapropriados no idoso, sobretudo com doença renal crônica e hipertensão, pelo risco de lesão renal, sangramento digestivo e descompensação pressórica; a conduta é analgesia multimodal, com paracetamol, opções tópicas, adjuvantes conforme o caso, e ênfase em exercício, fisioterapia e controle de peso. Opioide potente em dose alta como primeira escolha não é indicado na dor crônica não oncológica. Repouso prolongado agrava rigidez, fraqueza e incapacidade, piorando a dor a médio prazo.
Mulher de 63 anos, com hipertensão e artrose, comparece à Unidade Básica de Saúde referindo dor no joelho direito há dois anos, que piora ao subir escadas e ao final do dia e melhora com repouso, com rigidez matinal de cerca de dez minutos. Nega edema importante, febre ou sintomas sistêmicos. Ao exame: crepitação à mobilização do joelho, dor à palpação da interlinha medial, discreta limitação da flexão, sem derrame articular volumoso, sem calor ou eritema, IMC 32 kg/m2, força de quadríceps reduzida. A conduta inicial mais adequada é:
Osteoartrite de joelho tem como base do tratamento o exercício, com fortalecimento do quadríceps, associado à perda de peso e à analgesia escalonada, medidas com maior evidência de benefício funcional e sobre a dor, reservando a cirurgia para falha do tratamento conservador otimizado. Artroplastia imediata é desproporcional. Anti-inflamatório oral contínuo por tempo indeterminado acarreta risco renal, gastrintestinal e cardiovascular, especialmente em hipertensa. Repouso prolongado e uso de cadeira de rodas aceleram a atrofia muscular e pioram a dor e a função.
Mulher, 62 anos, com osteoartrite de joelhos, é atendida na UBS com dor de intensidade 6/10 que piora ao subir escadas e após caminhar, com rigidez matinal de 10 minutos. IMC 34 kg/m². Exame: crepitação à mobilização, discreto derrame no joelho direito, sem calor ou eritema, sem instabilidade ligamentar. Radiografia com redução do espaço articular medial e osteófitos. VHS 12 mm/h; PCR 3 mg/L. Já usa paracetamol com alívio parcial. Qual a intervenção com maior impacto no desfecho a longo prazo?
Exercício estruturado de fortalecimento e perda ponderal são as intervenções com maior evidência de melhora sustentada da dor e da função na osteoartrite de joelho, atuando sobre sobrecarga mecânica e estabilidade articular. A infiltração de corticoide oferece alívio de curta duração e o uso repetido indefinidamente associa-se a perda de cartilagem, não sendo estratégia de longo prazo. Anti-inflamatório contínuo por tempo indeterminado acumula risco gastrointestinal, renal e cardiovascular, sobretudo em pessoa dessa faixa etária. Condroitina e glicosamina não demonstraram efeito modificador de estrutura de forma consistente. A artroplastia é indicada após falha do tratamento conservador otimizado, com dor refratária e limitação funcional importante, não como primeira medida.
Mulher, 62 anos, é atendida na UBS com queixa de dor e rigidez em joelhos, além de dor em mãos com nódulos nas articulações dos dedos, há 6 anos. Exame: nódulos endurecidos em interfalangianas distais e proximais, crepitação em joelhos, rigidez matinal de 15 minutos, sem calor ou eritema articular. VHS 14 mm/h; PCR 3 mg/L; fator reumatoide negativo. Radiografia de mãos com osteófitos e redução do espaço articular interfalangiano. Qual o diagnóstico e a conduta?
Nódulos duros em interfalangianas distais e proximais, correspondendo aos nódulos de Heberden e Bouchard, com rigidez matinal curta, ausência de sinais inflamatórios e provas inflamatórias normais, além de osteófitos radiológicos, define osteoartrite primária, tratada com analgesia, exercícios, perda de peso e proteção articular. Artrite reumatoide cursa com rigidez matinal prolongada, sinovite e elevação de provas inflamatórias, poupando interfalangianas distais. Gota tofácea produz tofos de conteúdo esbranquiçado com crises inflamatórias prévias e hiperuricemia. Artrite psoriásica exigiria psoríase, dactilite ou onicopatia, não descritas. Lúpus não produz nódulos ósseos nem esse padrão radiológico degenerativo.
Mulher, 64 anos, obesa, com dor em ambos os joelhos há 3 anos, que piora ao subir escadas e ao final do dia e melhora com repouso, associada a rigidez matinal de 10 minutos. Exame: IMC 33 kg/m², crepitação à mobilização, aumento de volume ósseo dos joelhos, sem calor ou eritema, sem derrame significativo. Radiografia mostra redução do espaço articular medial, osteófitos e esclerose subcondral. Qual a conduta inicial mais adequada?
Dor mecânica que piora com atividade, rigidez matinal breve, crepitação, aumento ósseo e achados radiográficos de redução do espaço articular, osteófitos e esclerose subcondral definem osteoartrite; o tratamento inicial é não farmacológico e farmacológico combinado, com exercício de fortalecimento e aeróbico, perda de peso, educação e analgesia com paracetamol ou anti-inflamatório tópico, reservando-se opções adicionais conforme a resposta. O corticoide oral contínuo não é indicado na osteoartrite e acarreta toxicidade cumulativa. O metotrexato é terapia de doenças inflamatórias autoimunes, não da osteoartrite. O antibiótico não tem qualquer papel sem sinais de infecção. A artroplastia é reservada a doença avançada com falha do tratamento conservador e limitação funcional importante.
Mulher, 63 anos, com índice de massa corporal de 33 kg/m2, refere dor no joelho direito há 3 anos, que piora ao subir escadas e melhora com repouso, com rigidez matinal de 10 minutos. Exame: crepitação à mobilização, discreto derrame, sem calor local, varo discreto. Radiografia com carga mostra redução do espaço articular medial, osteófitos e esclerose subcondral. Sobre o tratamento inicial da osteoartrite de joelho, assinale a alternativa correta.
A alternativa correta aponta exercício terapêutico e perda de peso como primeira linha: são as medidas com melhor evidência de redução da dor e melhora funcional na osteoartrite de joelho, especialmente em paciente com sobrepeso. Indicar artroplastia ao diagnóstico radiográfico ignora que a cirurgia se reserva à dor refratária com perda funcional após falha do tratamento conservador. Infiltrações mensais indefinidas com corticoide aceleram a degeneração cartilaginosa e não são recomendadas. O anti-inflamatório contínuo é justamente mais arriscado em pacientes com comorbidades, pelos efeitos renais, gástricos e cardiovasculares. A artroscopia com lavagem articular não demonstrou benefício na osteoartrite degenerativa e é desencorajada.
Homem, 69 anos, refere dor inguinal direita há 5 anos, hoje presente em repouso e à noite, com dificuldade para calçar meias e caminhar mais de duas quadras. Exame: rotação interna do quadril de 5 graus e dolorosa, flexão limitada a 90 graus, marcha claudicante com Trendelenburg positivo. Radiografia mostra desaparecimento do espaço articular coxofemoral, osteófitos, cistos subcondrais e esclerose. Falhou o tratamento com analgesia e fisioterapia por 12 meses. Qual a conduta?
A conduta é a artroplastia total do quadril: coxartrose avançada com dor em repouso, limitação importante da rotação interna e da flexão, incapacidade nas atividades diárias e falha de 12 meses de tratamento conservador preenchem os critérios de indicação, com excelentes resultados funcionais. A osteotomia periacetabular é procedimento de preservação articular para displasia em jovens com cartilagem ainda viável. A artrodese coxofemoral é reservada a situações excepcionais em jovens de alta demanda, com grande impacto funcional. O ácido hialurônico não tem eficácia estabelecida no quadril e não é tratamento definitivo. Prolongar a fisioterapia por mais dois anos mantém o paciente incapacitado sem perspectiva de melhora.
Mulher, 63 anos, refere dor em dedos das mãos há 3 anos, com piora ao uso e rigidez matinal de 15 minutos. PA 130x82 mmHg, FC 74 bpm, IMC 30 kg/m², T 36,4 °C. Exame: aumento de volume duro em interfalangianas distais e proximais, sem calor local, com desvio lateral do segundo quirodáctilo direito. Exames: velocidade de hemossedimentação 14 mm na primeira hora (VR até 20); fator reumatoide negativo; radiografia com redução de espaço articular e osteófitos. Qual a conduta inicial mais adequada?
O tratamento inicial da osteoartrite de mãos combina educação, exercícios de fortalecimento e mobilidade, órteses, controle de peso e analgesia com anti-inflamatório tópico ou analgésico oral conforme a dor. O metotrexato não tem eficácia demonstrada na osteoartrite, que não é doença inflamatória sistêmica, o que fica claro pela rigidez matinal curta e velocidade de hemossedimentação normal. Corticoide oral contínuo não reverte osteófitos e acumula toxicidade. A ressonância é desnecessária diante de quadro clínico e radiográfico típicos, com nódulos de Heberden e Bouchard. A artroplastia é medida excepcional e tardia, jamais primeira escolha nessas articulações.
Homem, 68 anos, refere dor inguinal à direita há 4 anos, com limitação progressiva e claudicação. Já usou analgésicos e realizou fisioterapia por 12 meses, mantendo dor em repouso e noturna. PA 138x84 mmHg, FC 76 bpm, IMC 28 kg/m², T 36,5 °C. Exame: rotação interna do quadril direito limitada a 5 graus e dolorosa. Radiografia: redução acentuada do espaço articular, esclerose subcondral, cistos e osteófitos. Qual a conduta mais adequada neste momento?
A osteoartrite de quadril com dor em repouso e noturna, limitação funcional importante e falha do tratamento conservador otimizado por período prolongado tem indicação de artroplastia total, procedimento com excelente desfecho em dor e função. Infiltrações mensais indefinidas de corticoide aceleram a perda de cartilagem e aumentam o risco de infecção em futura prótese. Glicosamina e condroitina não regeneram cartilagem e têm efeito no máximo marginal sobre sintomas. A artroscopia com desbridamento não mostrou benefício na osteoartrite avançada e foi abandonada para essa indicação. Opioide forte contínuo em idoso acarreta quedas, confusão e dependência, sem resolver a causa mecânica.
Mulher, 64 anos, com osteoartrite de joelho direito, apresenta exacerbação da dor com derrame articular há 2 semanas, sem melhora com analgésico e fisioterapia. PA 132x82 mmHg, FC 74 bpm, T 36,4 °C. Exame: derrame moderado, sem calor exuberante, sem lesões cutâneas sobre a articulação. Glicemia de jejum 96 mg/dL (VR 70–99). Considera-se infiltração intra-articular de corticoide. Qual situação constitui contraindicação a esse procedimento?
Infecção cutânea sobre o sítio de punção, bacteriemia e artrite séptica são contraindicações à infiltração intra-articular, pelo risco de inocular microrganismos na articulação. A idade avançada não contraindica o procedimento nem anula seu efeito analgésico. O derrame volumoso, longe de ser contraindicação, costuma ser aspirado no mesmo tempo do procedimento, o que alivia a dor e melhora a distribuição do fármaco. Analgésicos simples não interferem na ação do corticoide injetado. A osteoartrite é justamente uma das indicações da infiltração para exacerbações inflamatórias, respeitado o intervalo mínimo entre aplicações na mesma articulação.
Mulher, 61 anos, refere dor na base do polegar direito há 2 anos, com piora ao abrir potes e girar chaves. PA 128x80 mmHg, FC 72 bpm, T 36,4 °C. Exame: dor à palpação da articulação trapeziometacarpiana, dor e crepitação ao teste de compressão axial com rotação do polegar, aumento de volume ósseo local com aspecto quadrangular da base do polegar. Radiografia: redução do espaço trapeziometacarpiano com osteófitos e esclerose subcondral. Qual a conduta inicial mais adequada?
A rizartrose, ou osteoartrite trapeziometacarpiana, tem manejo inicial conservador com órtese de repouso do polegar, exercícios de estabilização, adaptação de atividades e analgesia, incluindo anti-inflamatório tópico. A artrodese e outras cirurgias, como a trapeziectomia, ficam reservadas a casos refratários com dor incapacitante. Infiltrações semanais por doze semanas ultrapassam qualquer recomendação de intervalo e dose acumulada de corticoide. A hidroxicloroquina é droga imunomoduladora sem eficácia na osteoartrite e incapaz de restaurar espaço articular perdido. A ressonância é desnecessária diante de quadro clínico típico com radiografia já demonstrando as alterações degenerativas.
Homem, 81 anos, com osteoartrite de joelhos e coluna, refere dor diária de intensidade moderada, limitando caminhadas e o sono. Tem doença renal crônica estágio 3, hipertensão e antecedente de úlcera péptica. PA 142x82 mmHg, FC 74 bpm, T 36,4 °C. Exames: creatinina 1,6 mg/dL, clearance estimado 42 mL/min; hemoglobina 12,4 g/dL; potássio 4,8 mEq/L. Qual a estratégia analgésica inicial mais adequada?
No idoso com dor crônica osteoarticular e comorbidades renal e gastrointestinal, a estratégia inicial combina paracetamol em dose ajustada, anti-inflamatório tópico sobre as articulações acessíveis e medidas não farmacológicas, com destaque para exercício supervisionado, controle de peso e fisioterapia. O anti-inflamatório sistêmico contínuo é desaconselhado por risco de lesão renal, sangramento digestivo e descompensação pressórica. Opioide forte de horário desde o início expõe a quedas, constipação e confusão, ficando reservado a casos selecionados e refratários. Corticoide oral contínuo não é analgésico adequado para osteoartrite e acarreta toxicidade cumulativa. O repouso prolongado agrava o descondicionamento e a dor.
Mulher de 69 anos apresenta dor nos joelhos ao caminhar, com alívio em repouso e rigidez de menos de dez minutos ao despertar. Há crepitação e aumento ósseo, sem calor importante. O laudo descreve osteófitos e redução assimétrica do espaço articular. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
Fortalecimento e redução de sobrecarga melhoram função; imunossupressão modificadora de artrite reumatoide não é indicada. Referência: https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoarthritis
Mulher de 69 anos apresenta dor nos joelhos ao caminhar, com alívio em repouso e rigidez de menos de dez minutos ao despertar. Há crepitação e aumento ósseo, sem calor importante. O laudo descreve osteófitos e redução assimétrica do espaço articular. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
O padrão radiográfico, associado à clínica, é característico do processo degenerativo. Referência: https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoarthritis
Mulher de 69 anos apresenta dor nos joelhos ao caminhar, com alívio em repouso e rigidez de menos de dez minutos ao despertar. Há crepitação e aumento ósseo, sem calor importante. O laudo descreve osteófitos e redução assimétrica do espaço articular. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
O processo envolve cartilagem, osso subcondral e outros tecidos; não é sinovite autoimune erosiva primária. Referência: https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoarthritis
Mulher de 69 anos apresenta dor nos joelhos ao caminhar, com alívio em repouso e rigidez de menos de dez minutos ao despertar. Há crepitação e aumento ósseo, sem calor importante. O laudo descreve osteófitos e redução assimétrica do espaço articular. Qual é o diagnóstico mais provável?
Dor mecânica, rigidez breve e alterações ósseas degenerativas favorecem osteoartrite. Referência: https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoarthritis
Nódulos palpáveis nas articulações distais alteradas correspondem a qual denominação clínica?

Associam-se às interfalângicas distais; Bouchard denomina os proximais.
Qual distribuição de alterações nas mãos favorece osteoartrite?

O padrão de estreitamento e proliferação óssea nesses locais é degenerativo.
Usando os marcadores R e L, onde há maior estreitamento do compartimento medial?

O marcador R identifica o lado com perda medial mais intensa do espaço.
Qual combinação radiográfica predomina nos joelhos?

O padrão degenerativo é mais acentuado no compartimento medial do joelho direito.
Qual achado diferencia visualmente os nódulos à esquerda do edema à direita?

O painel esquerdo destaca aumento ósseo nodal, diferente da distribuição inflamatória contralateral.
Os nódulos nas articulações mais próximas das unhas à esquerda acometem quais articulações?

São as articulações imediatamente proximais às falanges ungueais.
Uma pessoa tem rigidez matinal de 90 minutos e sinovite simétrica nas articulações destacadas à direita. Qual achado contraria atribuir o quadro apenas à osteoartrite nodal da esquerda?

Distribuição e rigidez prolongada favorecem artrite inflamatória, exigindo investigação.
Ao descrever alterações estruturais da osteoartrite, é importante distinguir osteófitos de erosões e de calcificações. O que são osteófitos?
Osteófitos são crescimentos ósseos marginais associados à remodelação da articulação; não correspondem a fragmentos livres ou simples depósitos de cálcio. Referência: NIAMS/NIH. Osteoarthritis (2023). https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoarthritis
A compreensão atual da osteoartrite ultrapassa a ideia de desgaste passivo da cartilagem pela idade. Qual descrição representa melhor o processo patológico?
A osteoartrite compromete a articulação como órgão, incluindo cartilagem, osso, sinóvia e estruturas periarticulares. A carga mecânica interage com respostas biológicas dos tecidos. Referência: NIAMS/NIH. Osteoarthritis (2023). https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoarthritis
A artroplastia pode integrar o tratamento de articulações muito comprometidas pela osteoartrite. Qual descrição corresponde ao princípio de uma artroplastia de substituição?
A artroplastia de substituição utiliza componentes como metal, polietileno e cerâmica para reconstruir superfícies e recuperar função. Sua indicação exige avaliação clínica individual. Referência: NIAMS/NIH. Osteoarthritis: Diagnosis, Treatment, and Steps to Take (2023). https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoarthritis/diagnosis-treatment-and-steps-to-take
A localização relatada da dor nem sempre identifica a articulação que a origina. Qual associação de dor referida pode ocorrer na osteoartrite do quadril?
A dor da osteoartrite coxofemoral pode irradiar para a coxa e o joelho. Essa possibilidade justifica examinar o quadril ao investigar dor no joelho sem explicação local satisfatória. Referência: NIAMS/NIH. Osteoarthritis (2023). https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoarthritis
Na avaliação de sintomas compatíveis com osteoartrite em fase inicial, uma radiografia sem alterações relevantes deve ser interpretada de que maneira?
A radiografia demonstra consequências estruturais, como estreitamento do espaço e osteófitos. Alterações iniciais podem não ser visíveis; a interpretação depende da clínica e dos diagnósticos diferenciais. Referência: NIAMS/NIH. Osteoarthritis: Diagnosis, Treatment, and Steps to Take (2023). https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoarthritis/diagnosis-treatment-and-steps-to-take
Na osteoartrite de joelho, o descondicionamento pode participar de um ciclo de piora funcional. Qual sequência explica essa interação?
A redução da atividade por dor pode enfraquecer músculos que dão suporte articular, ampliando limitações. Isso fundamenta estratégias de reabilitação adaptadas à capacidade e aos sintomas. Referência: NIAMS/NIH. Osteoarthritis (2023). https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoarthritis
Na investigação de uma articulação dolorosa com hipótese de osteoartrite, qual é uma finalidade apropriada da análise do líquido sinovial quando a punção está indicada?
A análise sinovial pode esclarecer diagnósticos diferenciais relevantes. Não existe um marcador sinovial isolado que confirme universalmente a osteoartrite. Referência: NIAMS/NIH. Osteoarthritis: Diagnosis, Treatment, and Steps to Take (2023). https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoarthritis/diagnosis-treatment-and-steps-to-take
Qual conjunto de alterações nos joelhos favorece osteoartrite? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

São alterações estruturais típicas, interpretadas com sintomas e exame físico.
Qual padrão de sintomas combina melhor com as alterações mostradas? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

É um padrão frequente de osteoartrite, embora possa haver exacerbações inflamatórias.
A radiografia parece avançada, mas a pessoa tem sintomas leves e boa função. Qual interpretação sobre artroplastia é correta? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Gravidade radiológica e impacto clínico podem divergir.
O paciente apresenta sobrepeso e dificuldade para caminhar, sem contraindicação ao exercício. Qual plano aborda função e fatores modificáveis? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

O tratamento deve priorizar capacidade funcional e participação, ajustado ao paciente.
Homem de 67 anos tem gonartrose dolorosa, sem lesão traumática recente nem bloqueio mecânico verdadeiro. Foi oferecida artroscopia para lavagem e desbridamento exclusivamente como tratamento da osteoartrite. Segundo a NG226, qual orientação é adequada?
Uma indicação cirúrgica diferente deve ser avaliada por seus próprios critérios. O caso se restringe ao procedimento proposto para a osteoartrite. Referências: NICE NG226. Osteoarthritis in over 16s: diagnosis and management — https://www.nice.org.uk/guidance/ng226/chapter/recommendations
Mulher de 68 anos com osteoartrite de joelho apresenta dor que limita o exercício. Outras opções farmacológicas foram insuficientes, e não há suspeita de infecção. Considera-se infiltração de corticoide. Segundo a NG226, qual expectativa deve ser explicada?
A intervenção pode ajudar em um período de maior limitação. O benefício esperado deve ser apresentado sem prometer modificação permanente da articulação. Referências: NICE NG226. Osteoarthritis in over 16s: diagnosis and management — https://www.nice.org.uk/guidance/ng226/chapter/recommendations
Paciente com osteoartrite de joelho pergunta sobre infiltração de ácido hialurônico. A equipe está utilizando especificamente a recomendação NICE NG226 para orientar as opções. Qual afirmação corresponde a essa diretriz?
O enunciado delimita a diretriz adotada. A escolha de uma intervenção deve considerar evidência de benefício e o contexto do paciente. Referências: NICE NG226. Osteoarthritis in over 16s: diagnosis and management — https://www.nice.org.uk/guidance/ng226/chapter/recommendations
Mulher de 65 anos com osteoartrite de joelho tem dor e função estáveis em tratamento não cirúrgico. Não houve trauma, novo derrame importante, bloqueio verdadeiro ou sinal de outro diagnóstico. Propõe-se radiografia mensal apenas para decidir os exercícios. Segundo a NG226, qual conduta é adequada?
Exames devem responder a uma dúvida que possa modificar a conduta. A estabilidade clínica sem sinais novos não justifica esse calendário de imagens. Referências: NICE NG226. Osteoarthritis in over 16s: diagnosis and management — https://www.nice.org.uk/guidance/ng226/chapter/recommendations
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Refaça de memória: os três critérios clínicos do joelho no Quadro 9 e o número que separa a rigidez da osteoartrite da rigidez de alerta (30 minutos contra duas horas); os quatro achados radiográficos da osteoartrite e por que a ressonância está fora; a escada do PCDT com dose e teto (paracetamol 500 mg 1 a 2 comprimidos 3 a 4 vezes ao dia até 4 g; dipirona 500 mg até 4 vezes; ibuprofeno 400 mg a cada 6 a 8 h; naproxeno 250 a 500 mg 2 vezes ao dia se risco cardiovascular; omeprazol 10 ou 20 mg acima de 5 dias de AINE); e a exceção do AAS em dose baixa.
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Reconstrua sem consultar: os quatro nãos com a exceção do bloqueio mecânico; as três portas do encaminhamento com a definição de tratamento clínico otimizado; os três critérios do quadril (dor + 2 de 3, com VHS abaixo de 20 mm/h) e os quatro da mão (dor ou rigidez + 3 de 4, com menos de 3 MCF edemaciadas e as 10 articulações definidas); a lista de sinais de alerta com pelo menos oito itens; e as quatro divergências com o guideline do ACR de 2019 — corticoide intra-articular, AINE tópico, peso do paracetamol e opioide fraco — dizendo, em cada uma, qual documento vale numa questão ancorada no SUS.
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Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Mulher de 67 anos chega à unidade básica com dor nos joelhos que piora ao subir escada e alivia sentada, há cerca de quatro anos. Diz que trava um pouco de manhã e melhora rápido. Está acima do peso, faz uso de ácido acetilsalicílico 100 mg/dia após um infarto e traz uma radiografia de joelho pedida por outro serviço. Chega convencida de que precisa de infiltração e de glucosamina, porque uma amiga fez e melhorou. Conduza a consulta: caracterize a dor, varra os sinais de alerta, examine, decida o que a imagem acrescenta, prescreva o tratamento não medicamentoso com meta, escolha o analgésico levando o AAS em conta, e explique por que a infiltração e a glucosamina não entram. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
