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Clínica MédicaReumatologia

Osteoartrite

A prova cobra três coisas: fechar o diagnóstico sem imagem, subir a escada analgésica que o SUS de fato banca, e reconhecer as quatro intervenções populares que a régua brasileira recomenda NÃO fazer.

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Uma mulher de 62 anos, diarista, comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de dor no joelho direito há cerca de 2 anos, de piora progressiva. Relata que a dor aumenta ao final do dia e ao subir escadas, melhora com repouso e vem acompanhada de rigidez matinal de curta duração (cerca de 10 minutos). Nega febre, emagrecimento ou dor em outras articulações. Ao exame: IMC 33 kg/m2, joelho direito com crepitação à mobilização, discreto aumento de volume ósseo nas margens articulares e ausência de calor ou eritema. A radiografia mostra redução do espaço articular medial, osteófitos e esclerose subcondral. Qual é o diagnóstico mais provável?

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Como esse tema cai

Osteoartrite é a doença articular mais comum e a que mais aparece disfarçada na prova: o enunciado descreve um joelho que dói ao subir escada, entrega uma radiografia cheia de osteófitos e pergunta a conduta. O erro mais caro não é diagnóstico — é achar que a radiografia decide alguma coisa e que a conduta começa no consultório do ortopedista.

No Brasil a régua vigente é o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dor Crônica, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SAPS/sectics nº 1, de 22 de agosto de 2024, que incorporou o conteúdo das duas Diretrizes Brasileiras para o Tratamento Não Cirúrgico da Osteoartrite (joelho, Relatório de Recomendação nº 340/2018; quadril, nº 341/2018). Quem escreve a alternativa correta de uma banca brasileira está lendo esses três documentos, e não o guideline americano.

O recorte tem quatro eixos. Primeiro, o diagnóstico é clínico e a imagem só colabora — ressonância está fora, e exame laboratorial serve ao diferencial. Segundo, o tratamento que muda desfecho é exercício e perda de peso, prescritos com a mesma seriedade de um comprimido. Terceiro, a escada medicamentosa do SUS tem doses escritas, um teto de 4 g de paracetamol e uma regra de gastroproteção com prazo. Quarto — e é onde a prova separa quem leu o documento — há quatro intervenções populares que a régua brasileira recomenda não fazer: condroitina/glucosamina, infiltração de corticoide, ácido hialurônico e artroscopia de limpeza.

Este capítulo trata da osteoartrite de joelho, quadril e mão do adulto. A monoartrite aguda com derrame e a artrite por cristais têm capítulos próprios nesta apostila — e são justamente os diagnósticos que o bloco de sinais de alerta manda procurar antes de assinar osteoartrite.

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O que muda decisão

Não é desgaste: é falência da articulação como órgão

A definição do documento brasileiro é explícita: a osteoartrite é doença de caráter inflamatório e degenerativo que ocorre por insuficiência da cartilagem, resultado de desequilíbrio entre destruição e ressíntese dos seus elementos, associada a sobrecarga mecânica, fatores genéticos e alterações bioquímicas da cartilagem e da membrana sinovial. A palavra que a prova cobra é insuficiência, não desgaste.

A diretriz do joelho descreve duas condições que produzem a doença: ou as propriedades biológicas da cartilagem e do osso subcondral estão normais e a carga aplicada é excessiva, ou a carga é razoável e as propriedades do material estão alteradas. Isso explica por que um jovem que agacha o dia inteiro no trabalho e uma idosa obesa chegam ao mesmo lugar por caminhos opostos, e por que a atividade ocupacional agachada aparece como fator de risco no próprio documento.

Embora a lesão fundamental seja a perda progressiva de cartilagem, o texto insiste que o processo não é doença de um tecido só: envolve osso subcondral, sinóvia, disco intra-articular, ligamentos e estruturas neuromusculares de sustentação. Daí a consequência clínica que a banca adora — a cartilagem não tem inervação, então a dor não vem dela; vem do osso subcondral, da cápsula, da sinóvia e do periósteo. É esse descolamento entre lesão e sintoma que sustenta todo o resto do capítulo.

Alguns fatores de risco são reversíveis (obesidade, fraqueza muscular) e outros são evitáveis (trauma articular por exigência ocupacional ou recreativa). Essa frase do documento não é decorativa: é a base pela qual exercício e perda de peso entram como recomendação forte, e não como conselho de estilo de vida.

O tamanho do problema em números brasileiros: a osteoartrite alcança de 6% a 12% da população adulta e mais de um terço das pessoas acima de 65 anos; a projeção da OMS usada na diretriz do quadril estima cerca de 10% dos homens e 18% das mulheres com doença sintomática a partir dos 60 anos. Do lado do sistema, o DATASUS registrou 35.679 artroplastias de joelho com AIH aprovada entre 2010 e 2014 — cerca de 7.100 por ano no país inteiro. Para comparação, a prevalência estimada de artroplastia de joelho nos Estados Unidos em 2010 era de 1,52% da população, chegando a 10,38% acima dos 80 anos e caindo a 0,08% abaixo dos 50: um gradiente de cerca de 130 vezes entre as duas faixas etárias.

E o custo em trabalho: entre 2009 e 2013, 3.723 trabalhadores foram afastados com CID M17 (gonartrose) em todo o território nacional, 0,10% dos afastamentos do período — algo como 745 por ano. O número parece pequeno porque a osteoartrite adoece devagar e aposenta por outras portas; a incapacidade que ela produz raramente chega ao registro com o próprio nome.

O diagnóstico é clínico — e a primeira recomendação do documento diz isso

A recomendação nº 1 da diretriz do joelho, com força forte, manda diagnosticar osteoartrite de joelho clinicamente, por anamnese e exame físico, quando o paciente tem dor relacionada à atividade habitual e/ou rigidez no joelho. A recomendação nº 1 da diretriz do quadril, também forte, manda coletar histórico e fazer exame físico com ênfase no exame musculoesquelético em todos que relatem dor e/ou rigidez matinal do quadril. Nenhuma das duas exige imagem para fechar o diagnóstico.

O padrão de dor é mecânico: piora com a atividade e alivia com repouso; conforme a doença avança, passa a doer em repouso e à noite. A rigidez matinal existe, mas é curta — o documento do joelho escreve que ela dura normalmente menos de 30 minutos. Esse é o número que separa osteoartrite de artrite inflamatória na primeira linha do enunciado, e é o mesmo número que aparece no critério clínico do Quadro 9 dos protocolos de encaminhamento.

No exame físico, os achados que o documento lista como mais comuns são dor, deformidade, movimentos dolorosos restritos e derrames ocasionais. A crepitação à mobilização ativa é o sinal que entra como critério; o alargamento ósseo (hipertrofia óssea da articulação) é o que o formulário de encaminhamento pede que o médico descreva explicitamente. Calor local palpável não faz parte do quadro — quando aparece, muda o problema.

Os protocolos de encaminhamento reproduzem, no Quadro 9, os critérios clínicos do American College of Rheumatology para as três topografias. Joelho, por critério clínico e radiológico: dor no joelho com osteófitos nas margens articulares na radiografia, mais um critério clínico entre idade superior a 40 anos, rigidez matinal com duração inferior a 30 minutos e crepitação à mobilização ativa. Quadril, por critério clínico, radiológico e laboratorial: dor no quadril mais 2 de 3 — VHS menor que 20 mm/h, osteófito femoral ou acetabular na radiografia, e diminuição do espaço interarticular (superior, axial e/ou medial).

A mão tem o critério mais detalhado e o mais esquecido: dor ou rigidez das mãos mais 3 dos 4 critérios — alargamento ósseo de duas ou mais das articulações definidas; alargamento ósseo de duas ou mais interfalangeanas distais; menos de três metacarpofalangeanas com edema; e deformidade de pelo menos uma das dez articulações definidas. As dez articulações definidas são a 2ª e a 3ª interfalangeanas distais, a 2ª e a 3ª interfalangeanas proximais e a 1ª carpometacarpal, de ambas as mãos — cinco de cada lado, dez no total. O critério que carrega o diferencial é o terceiro: menos de três metacarpofalangeanas edemaciadas. Metacarpofalangeana inchada é território de artrite reumatoide, não de osteoartrite.

Comparação do dorso de duas mãos: à esquerda, alargamento ósseo das interfalangeanas distais e proximais e da base do polegar, com metacarpofalangeanas normais; à direita, metacarpofalangeanas e punho edemaciados com interfalangeanas distais poupadas.
A topografia decide antes do exame: osteoartrite engrossa interfalangeanas e a base do polegar e poupa as metacarpofalangeanas — por isso o critério do Quadro 9 exige MENOS de três metacarpofalangeanas com edema.

Os sinais de alerta que tiram o caso da osteoartrite

A diretriz do joelho traz uma lista nominal de sinais de alerta, e ela é o gabarito de todo enunciado que parece osteoartrite mas não é. São eles: trauma local; dor progressiva e bem localizada, que não varia com a atividade; dor que piora durante o repouso; rigidez articular prolongada, com duração maior que duas horas; febre recorrente; rubor, edema e calor local; doença ou infecção intestinal; diarreias; psoríase; poliartralgia; infecção geniturinária; erupções cutâneas; fraqueza; parestesias; perda de reflexos ou pulsos locais; aumento de volume ou massa articular; imunossupressão; tosse crônica ou contato com pessoa com tuberculose; e diagnóstico de HIV, câncer, doença renal, prostática ou de tireoide.

O documento também nomeia o que esses sinais indicam: infecção, câncer, fratura, doença inflamatória articular (gota e artrite reumatoide), tuberculose óssea, além de complicações vasculares ou neurológicas periarticulares. Repare no desenho do bloco — psoríase, diarreia e infecção geniturinária estão ali porque apontam para espondiloartrites; imunossupressão e febre apontam para artrite séptica; parestesia e perda de pulso apontam para fora da articulação.

Dois números merecem atenção porque a prova gosta de trocá-los. A rigidez matinal da osteoartrite dura menos de 30 minutos; a rigidez que vira sinal de alerta é a que passa de duas horas. O intervalo entre 30 minutos e duas horas não é o nada de ninguém: é o território da doença inflamatória de baixo grau, e é ele que justifica a primeira condição de encaminhamento à reumatologia, que é suspeita de doença articular inflamatória como artrite reumatoide ou artrite psoriásica.

A dor que piora em repouso e a dor noturna que não cede aparecem duas vezes na lista, e é isso que as torna gancho de enunciado. Osteoartrite avançada dói em repouso — o próprio documento diz. O que vira alerta é a dor que não varia com a atividade, ou seja, a dor que perdeu o caráter mecânico: essa é dor de tumor, de infecção e de fratura, não de sobrecarga.

A radiografia colabora, a ressonância fica de fora

A recomendação nº 2 do documento do joelho, força forte, indica radiografia em AP e perfil em apoio bipodal para colaborar no diagnóstico. O verbo é intencional: colaborar, não confirmar. O documento do quadril usa formulação mais forte na recomendação (radiografia AP para confirmar o diagnóstico clínico) mas, no corpo do texto, escreve que o diagnóstico do quadril deve estar baseado principalmente nas queixas clínicas e que a radiografia apenas colabora. O PCDT de 2024 unificou os dois numa frase só: sugere-se radiografia ântero-posterior e perfil em apoio bipodal para auxiliar o diagnóstico de osteoartrite de joelho e de quadril.

As alterações que a radiografia mostra são quatro, e o documento do quadril as nomeia em bloco: estreitamento do espaço intra-articular, osteofitose, esclerose e cistos subcondrais. A graduação usada nos estudos que sustentam a recomendação é a de Kellgren & Lawrence. Vale gravar o contraste com a artrite inflamatória: na osteoartrite a redução do espaço articular é assimétrica, acompanhada de osteófito e esclerose; na artrite reumatoide ela é simétrica, com osteopenia periarticular e erosão marginal, e sem osteófito.

O motivo de a radiografia só colaborar está nos números que a própria diretriz reproduz. Nos dois estudos de acurácia usados pelo NICE, avaliação clínica somada à radiológica teve sensibilidade variando de 46% a 84% e especificidade de 72,8% a 94% no primeiro; sensibilidade de 59,1% a 77,4% e especificidade de 37,1% a 76,6% no segundo. Uma especificidade que desce a 37,1% significa que achado radiográfico sozinho rotula como doente muita gente sem sintoma.

No quadril o argumento é ainda mais direto: a associação entre estreitamento do espaço intra-articular e a avaliação clínica de dor e disfunção articular teve variância explicada de 0,4%, com P = 0,44. Menos de meio por cento da dor do paciente é explicada pelo quanto o espaço articular fechou. É esse número que autoriza a frase que a prova quer ver — a gravidade radiográfica não governa a conduta.

A ressonância magnética tem recomendação explícita contra como ferramenta de diagnóstico, de confirmação ou de gerenciamento do tratamento, tanto no joelho quanto no quadril, e o PCDT de 2024 repete a proibição. O estudo que fundamenta a decisão acompanhou 205 pacientes (42 homens e 163 mulheres) com osteoartrite sintomática: das anormalidades de ressonância, só duas se associaram à clínica — derrame articular volumoso com dor (OR 9,99; IC 99% 1,28 a 149) e rigidez (OR 4,67; IC 99% 1,26 a 26,1), e osteófito no compartimento patelofemoral com dor (OR 2,25; IC 99% 1,06 a 4,77). Anormalidade de cartilagem, cisto subcondral, edema de medula óssea, subluxação meniscal e cisto de Baker não se associaram a sintoma nenhum. Repare na largura do intervalo do derrame, de 1,28 a 149: é uma associação real e ao mesmo tempo imprecisa demais para virar critério.

A diretriz do quadril acrescenta uma recusa que não existe no documento do joelho: ultrassonografia não é recomendada para diagnóstico, confirmação de diagnóstico ou manejo do tratamento da osteoartrite de quadril, com força forte. Guarde a assimetria — a mesma ultrassonografia reaparece, do lado do tratamento, como ultrassom terapêutico de fisioterapia para o joelho, com força fraca.

Laboratório serve ao diferencial — e o VHS entra por uma porta específica

A recomendação é de não usar rotineiramente exames laboratoriais nem análise do líquido sinovial para diagnosticar osteoartrite. O documento explica o porquê: sangue, urina e líquido sinovial ajudam a confirmar ou afastar doenças inflamatórias coexistentes e outras condições, mas há pouca evidência de benefício para a confirmação do diagnóstico de osteoartrite em si.

O mesmo documento define quando pedir: exames laboratoriais podem ser solicitados para diagnóstico diferencial ou adicional quando o paciente apresenta rápida piora da dor e da rigidez articular junto com os sinais de alerta. É uma indicação condicionada, e ela é a resposta certa quando o enunciado põe febre, perda de peso ou psoríase no meio do caso.

Há, porém, um lugar em que o laboratório entra no próprio critério: o critério ACR do quadril reproduzido no Quadro 9 exige VHS menor que 20 mm/h como um dos três itens, dos quais dois bastam. O papel do VHS ali é justamente excluir inflamação — não é marcador de osteoartrite, é o marcador cuja normalidade sustenta a hipótese. Confira a unidade: milímetros por hora.

E há um lugar em que o VHS é obrigatório mesmo sem critério: o formulário de encaminhamento do Ministério da Saúde exige, no conteúdo descritivo mínimo, o resultado de velocidade de hemossedimentação com data, junto do resultado de exame de imagem com data e do índice de massa corporal. Encaminhamento sem VHS, sem imagem e sem IMC é encaminhamento devolvido pela regulação — e isso já foi enunciado de prova de saúde coletiva.

Exercício e perda de peso são a prescrição, não o conselho

Nas duas diretrizes brasileiras, exercício e perda de peso não estão na periferia. A recomendação nº 8 do joelho, força forte, manda que os profissionais ofereçam informação focada em exercício físico e em intervenções para alcançar perda de peso caso o paciente esteja com sobrepeso ou obesidade. A nº 9, também forte, manda que o ortopedista priorize as alternativas não cirúrgicas antes da cirurgia. A nº 12 manda encaminhar à fisioterapia tão logo se estabeleça o diagnóstico, como parte do manejo conservador.

O PCDT de 2024 traz a dose de atividade física que serve de referência: pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana para adultos, incluindo ao menos duas vezes por semana alguma atividade de fortalecimento muscular e ósseo; para idosos, o mesmo, somando exercícios de equilíbrio para prevenção de quedas. O documento também orienta evitar repouso absoluto, a menos que estritamente necessário.

A modalidade não tem hierarquia definida: exercício terapêutico em solo sob supervisão, de alta ou de baixa intensidade, hidroterapia quando disponível na rede local, terapia manual pelo fisioterapeuta. A força atribuída a cada uma difere entre os dois documentos — no do joelho as três saem com força fraca (recomendações nº 14, 15 e 16); no do quadril, o exercício em solo sob supervisão (nº 17) e a terapia manual (nº 15) sobem para força forte, e só a hidroterapia (nº 16) fica fraca. O que não muda é o essencial: a escolha entre elas é de disponibilidade e preferência, e não de superioridade demonstrada.

Para a perda de peso, o guideline americano de 2019 fornece o número que a diretriz brasileira não escreve: perda de pelo menos 5% do peso corporal já se associa a mudança clínica, e o benefício continua aumentando nas faixas de 5% a 10%, 10% a 20% e acima de 20%. Traduzindo para a consulta: num paciente de 92 kg, os primeiros 5% são 4,6 kg — meta que cabe em três meses e que já muda sintoma. É esse cálculo que transforma orientar perda de peso em prescrever perda de peso.

Dois recursos de apoio aparecem com força fraca e costumam ser distratores: TENS como apoio ao tratamento principal, e dispositivos auxiliares como bengala para quem tem problema específico em atividade de vida diária. Acupuntura não é recomendada por evidência insuficiente nas duas diretrizes brasileiras.

A escada analgésica do SUS, com as doses que o PCDT escreve

O PCDT da Dor Crônica escreve a escada da osteoartrite de joelho e de quadril com dose, intervalo e teto. Primeira linha: paracetamol 500 mg, um a dois comprimidos, de três a quatro vezes ao dia, sem exceder 4 g de paracetamol diariamente. Alternativa de primeira linha, conforme resposta e preferência: dipirona 500 mg, um a dois comprimidos, até quatro vezes ao dia.

Faça a conta que a prova não faz por você: o esquema máximo do paracetamol — dois comprimidos de 500 mg, quatro vezes — dá exatamente 8 comprimidos e 4.000 mg, ou seja, encosta no teto sem margem nenhuma. Qualquer formulação combinada que o paciente use por fora (antigripal, analgésico com cafeína, associação com opioide) estoura o limite sem que ninguém tenha prescrito uma dose a mais. É por isso que a recomendação nº 24 do joelho, além de fixar os 4 g, acrescenta que a interação medicamentosa deve ser lembrada na dose diária.

Segundo degrau: substituir ou associar ibuprofeno 400 mg a cada 6 a 8 horas quando paracetamol ou dipirona forem ineficazes ou insuficientes — o que dá 1.600 mg/dia no intervalo de 6 horas e 1.200 mg/dia no de 8 horas. Se o paciente apresentar risco de evento cardiovascular, o anti-inflamatório indicado é naproxeno 250 a 500 mg duas vezes ao dia, no máximo 1.000 mg/dia. Naproxeno como o AINE de quem tem risco cardiovascular é o detalhe mais cobrado desta seção.

O naproxeno tem porta estreita no SUS, e o PCDT diz isso em duas frases. Pela Portaria SCTIE/MS nº 53, de 23 de novembro de 2017, o naproxeno teve uso ampliado para osteoartrite de quadril e de joelho no âmbito do SUS, e o Protocolo preconiza o medicamento apenas para essas condições. No critério de inclusão, a frase é ainda mais direta: especificamente para o uso de naproxeno, os pacientes devem possuir diagnóstico de osteoartrite de joelho ou de quadril. Os CID que abrem essa porta são os das famílias M16 (coxartrose) e M17 (gonartrose).

Gastroproteção tem gatilho, e os três documentos o escrevem com conectivos diferentes — vale prestar atenção. O PCDT de 2024 exige as duas condições juntas: caso o uso se prolongue por mais de cinco dias em pessoas com história pregressa de eventos gastrointestinais, sugere-se omeprazol concomitante, cápsula de 10 mg ou 20 mg em jejum. A recomendação nº 27 da diretriz do joelho é mais larga e basta uma: mais de cinco dias ou risco de evento adverso do trato gastrointestinal superior. A do quadril repete a conjunção do PCDT. Em qualquer leitura, quem tem os dois gatilhos recebe omeprazol — e, sempre, menor dose individual efetiva pelo menor tempo possível.

E a exceção que decide caso de prova: em quem faz uso contínuo de ácido acetilsalicílico em baixas doses, recomenda-se paracetamol ou dipirona e evita-se anti-inflamatório, seletivo ou não seletivo. O documento fixa a regra sem detalhar o mecanismo; ele é duplo, e conhecê-lo ajuda a não errar a alternativa: soma de risco gastrointestinal, de um lado, e competição do ibuprofeno com o AAS pelo sítio da ciclo-oxigenase plaquetária, de outro, o que reduz o efeito antiagregante. Paciente pós-infarto com gonartrose não recebe ibuprofeno.

Sobre a dipirona, que a prova brasileira cobra e o guideline americano ignora: a diretriz do joelho dedica páginas à segurança e conclui pela recomendação forte. Os números que ela reproduz — agranulocitose definida como neutrófilos abaixo de 500/µL, incidência global estimada de 1,1 a 4,9 casos por milhão de indivíduos por ano, mortalidade de 6% a 10%; no Brasil, estudo em sete centros de hematologia estimou 0,5 caso de agranulocitose por milhão de habitantes por ano (IC 0,0 a 1,1) e 2,7 casos de anemia aplástica por milhão por ano (IC 1,1 a 7,1). O risco atribuível à dipirona no estudo de Boston foi de 1,1 caso por milhão de pessoas expostas.

Os quatro nãos e as três portas do encaminhamento

Quatro intervenções populares têm recomendação contra nas diretrizes brasileiras, três delas com força forte, e o PCDT de 2024 repete todas. Sulfato de condroitina, glucosamina ou qualquer combinação dos dois: não recomendados para tratar dor ou melhorar função. Injeções intra-articulares de corticoide: não recomendadas para alívio da dor. Injeções intra-articulares de ácido hialurônico: não recomendadas. E artroscopia, lavagem artroscópica ou desbridamento: não recomendados como parte do tratamento, com uma única exceção nominal — bloqueio mecânico por corpo livre ou lesão meniscal traumática.

Some a isso os anti-inflamatórios tópicos, que não foram incorporados ao SUS para dor crônica musculoesquelética ou por osteoartrite (Portaria SCTIE/MS nº 48, de 20 de julho de 2021), e o diclofenaco oral, também não incorporado para dor crônica musculoesquelética (Portaria SCTIE/MS nº 45, de 20 de julho de 2021). Numa questão que pergunte o que oferecer a um paciente do SUS, gel de diclofenaco e diclofenaco oral são alternativas erradas por decisão administrativa, não por falta de efeito.

Cirurgia entra por indicação clínica, e não por grau radiográfico. A diretriz do joelho sugere encaminhar para artroplastia quem tem sintomas com impacto substancial na qualidade de vida e não se beneficiou das terapias não cirúrgicas, antes que se estabeleça limitação funcional prolongada ou dor severa. E diz o oposto do senso comum sobre triagem: fatores prognósticos como idade, sexo, obesidade e comorbidades não devem ser obstáculos ao encaminhamento à artroplastia.

Os protocolos de encaminhamento do Ministério da Saúde separam três portas, e a prova de saúde coletiva testa exatamente essa separação. Reumatologia: suspeita de doença articular inflamatória (artrite reumatoide, artrite psoriásica); ou dor por osteoartrite sem melhora após tratamento clínico otimizado por 6 meses, quando não há serviço especializado em dor crônica disponível. Ortopedia: osteoartrite de quadril, joelho ou ombro com potencial indicação cirúrgica — dor refratária ao tratamento otimizado por 6 meses ou importante prejuízo das atividades de vida diária; ou osteoartrite em mãos com deformidades que comprometam a função da mão. Serviço especializado em dor crônica (fisiatria, acupuntura, equipe de dor): dor sem melhora após 6 meses de tratamento otimizado, sem indicação ou condição clínica para cirurgia.

O documento define o que conta como tratamento clínico otimizado, e a definição é o pulo do gato: tratamento medicamentoso, exercícios E acompanhamento fisioterápico, adaptados às condições do paciente. Paciente que tomou analgésico por seis meses e nunca fez fisioterapia não completou os seis meses — não tem critério de encaminhamento, tem critério de otimizar o tratamento.

O acompanhamento tem periodicidade sugerida: no mínimo duas consultas anuais para quem apresenta dor intensa, mais de uma articulação sintomática, mais de uma comorbidade ou uso de medicamento regular para osteoartrite. É uma recomendação de força fraca, mas é a única cifra de seguimento que os documentos oferecem.

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Diagnosticar, tratar e encaminhar

O diagnóstico se fecha na anamnese e no exame físico; a imagem entra para colaborar e para o diferencial; a escada medicamentosa tem doses escritas no PCDT vigente; e o encaminhamento tem prazo de 6 meses e três destinos distintos.

  1. 1Dor articular de padrão mecânico (piora com atividade, alivia com repouso) com rigidez matinal menor que 30 minutos: pensar osteoartrite pela clínica, sem esperar imagem.
  2. 2Varrer os sinais de alerta antes de assinar o diagnóstico — rigidez maior que duas horas, febre recorrente, dor que não varia com a atividade, calor e rubor local, psoríase, imunossupressão, massa articular, parestesia ou perda de pulso.
  3. 3Radiografia em AP e perfil em apoio bipodal para colaborar (estreitamento assimétrico, osteófito, esclerose e cisto subcondral). Ressonância magnética e ultrassonografia ficam fora do diagnóstico.
  4. 4Exame laboratorial só para diferencial ou condição adicional, quando há piora rápida da dor e da rigidez junto com sinal de alerta. No critério do quadril, o VHS entra abaixo de 20 mm/h como item excludente de inflamação.
  5. 5Prescrever o que muda desfecho: exercício regular (mínimo 150 minutos de atividade moderada por semana, com fortalecimento 2 vezes por semana), perda de peso a partir de 5% se sobrepeso ou obesidade, e encaminhamento à fisioterapia já no diagnóstico.
  6. 6Primeira linha medicamentosa: paracetamol 500 mg, 1 a 2 comprimidos, 3 a 4 vezes ao dia, teto de 4 g/dia; ou dipirona 500 mg, 1 a 2 comprimidos, até 4 vezes ao dia.
  7. 7Segunda linha: ibuprofeno 400 mg a cada 6 a 8 horas; se houver risco de evento cardiovascular, naproxeno 250 a 500 mg 2 vezes ao dia. Em uso contínuo de AAS em dose baixa, manter paracetamol ou dipirona e evitar AINE.
  8. 8AINE oral por mais de 5 dias em pessoa com história pregressa de evento gastrointestinal (gatilho do PCDT) — ou, pela redação mais larga da diretriz do joelho, mais de 5 dias OU risco de evento adverso do trato gastrointestinal superior: associar omeprazol 10 ou 20 mg em jejum, na menor dose efetiva e pelo menor tempo possível.
  9. 9Não oferecer condroitina, glucosamina, infiltração de corticoide, ácido hialurônico nem artroscopia de limpeza (exceto bloqueio mecânico por corpo livre ou lesão meniscal traumática).
  10. 10Sem melhora após 6 meses de tratamento clínico otimizado (medicamento + exercícios + fisioterapia): ortopedia se há potencial indicação cirúrgica ou prejuízo importante de AVD; serviço de dor crônica se não há; reumatologia se a suspeita virou doença inflamatória.

Padrão mecânico

Dor que aparece com a carga e a atividade e alivia no repouso, rigidez matinal abaixo de 30 minutos, crepitação à mobilização ativa, alargamento ósseo sem calor palpável. É o padrão que autoriza fechar osteoartrite pela clínica.

Padrão inflamatório

Rigidez matinal que ultrapassa 30 minutos e melhora com o movimento, metacarpofalangeanas edemaciadas, calor local. Sai da osteoartrite e entra na primeira condição de encaminhamento à reumatologia: suspeita de artrite reumatoide ou psoriásica.

Sinal de alerta

Rigidez acima de duas horas, febre recorrente, dor progressiva e bem localizada que não varia com a atividade, massa articular, imunossupressão, parestesia ou perda de pulso. Aqui o laboratório e a imagem passam a servir ao diferencial: infecção, câncer, fratura, tuberculose óssea.

Critérios clínicos por topografia (Quadro 9 dos protocolos de encaminhamento do MS)

ArticulaçãoO que a regra exigeItens
Joelho (clínico e radiológico)Dor no joelho + osteófitos nas margens articulares na radiografia + 1 critério clínicoIdade superior a 40 anos; rigidez matinal com duração inferior a 30 minutos; crepitação à mobilização ativa da articulação
Quadril (clínico, radiológico e laboratorial)Dor no quadril + 2 dos 3 critériosVHS menor que 20 mm/h; osteófito femoral ou acetabular na radiografia; diminuição do espaço interarticular (superior, axial e/ou medial) na radiografia
Mão (clínico)Dor ou rigidez das mãos + 3 dos 4 critériosAlargamento ósseo de 2 ou mais das 10 articulações definidas; alargamento ósseo de 2 ou mais interfalangeanas distais; MENOS de 3 metacarpofalangeanas com edema; deformidade de pelo menos 1 das 10 articulações definidas
As 10 articulações definidas (mão)Cinco de cada lado2ª e 3ª interfalangeanas distais; 2ª e 3ª interfalangeanas proximais; 1ª carpometacarpal — de ambas as mãos

A escada medicamentosa do PCDT da Dor Crônica (2024) para osteoartrite de joelho e de quadril

DegrauDose escrita no documentoDetalhe que a prova cobra
Paracetamol (1ª linha)500 mg, 1 a 2 comprimidos, 3 a 4 vezes ao diaTeto de 4 g/dia — o esquema máximo (8 comprimidos de 500 mg) encosta no teto sem margem; somar o que vem em antigripal e associação
Dipirona (alternativa de 1ª linha)500 mg, 1 a 2 comprimidos, até 4 vezes ao diaEscolha por resposta terapêutica e preferência do paciente; a diretriz sustenta a recomendação FORTE com dados brasileiros de segurança hematológica
Ibuprofeno (2ª linha)400 mg a cada 6 a 8 horas1.600 mg/dia no intervalo de 6 h e 1.200 mg/dia no de 8 h; substitui OU associa ao analgésico simples
Naproxeno (2ª linha, risco cardiovascular)250 a 500 mg 2 vezes ao diaMáximo 1.000 mg/dia; no SUS o naproxeno só é preconizado para osteoartrite de joelho ou de quadril (Portaria SCTIE/MS nº 53/2017)
Omeprazol (gastroproteção)Cápsula de 10 mg ou 20 mg em jejumGatilho no PCDT: AINE oral por mais de 5 dias EM pessoa com história pregressa de evento gastrointestinal; a diretriz do joelho (nº 27) amplia para mais de 5 dias OU risco gastrointestinal alto
Em uso contínuo de AAS em dose baixaManter paracetamol ou dipironaEvitar AINE seletivo e não seletivo — soma de risco gastrointestinal e perda do efeito antiagregante do AAS

O que a régua brasileira recomenda NÃO fazer

IntervençãoRecomendação e forçaOnde está
Sulfato de condroitina, glucosamina ou a combinaçãoCONTRA, força FORTEDiretriz do joelho, recomendação nº 32; repetida no PCDT da Dor Crônica (2024)
Injeção intra-articular de corticoideCONTRA, força FORTE (joelho e quadril)Diretriz do joelho nº 33; diretriz do quadril nº 30; repetida no PCDT (2024)
Injeção intra-articular de ácido hialurônicoCONTRA, força FORTE (joelho e quadril)Diretriz do joelho nº 34; diretriz do quadril nº 31; repetida no PCDT (2024)
Artroscopia, lavagem artroscópica ou desbridamentoCONTRA — no joelho, força fraca, com a única exceção nominal de bloqueio mecânico por corpo livre ou lesão meniscal traumática; no quadril, CONTRA sem exceção escritaDiretriz do joelho, recomendação nº 41; diretriz do quadril, recomendação nº 41
Ressonância magnética para diagnóstico ou manejoCONTRA (joelho e quadril)Diretriz do joelho nº 4; diretriz do quadril nº 4; repetida no PCDT (2024)
Ultrassonografia para diagnóstico do quadrilCONTRA, força FORTEDiretriz do quadril, recomendação nº 3 — não há item equivalente no documento do joelho
AINE tópico e diclofenaco oral para dor crônica musculoesqueléticaNão incorporados ao SUSPortarias SCTIE/MS nº 48 e nº 45, de 20 de julho de 2021, listadas no PCDT (2024)
AcupunturaEvidência insuficiente para recomendarDiretriz do joelho nº 17; diretriz do quadril nº 18

As três portas do encaminhamento (protocolos MS/UFRGS, v. 3)

DestinoCondição que abre a portaPrazo e pré-requisito
ReumatologiaSuspeita de doença articular inflamatória (artrite reumatoide, artrite psoriásica); ou dor por osteoartrite sem melhora, quando não há serviço de dor crônica na rede6 meses de tratamento clínico otimizado (a suspeita de inflamatória dispensa o prazo)
OrtopediaOsteoartrite de quadril, joelho ou ombro com potencial indicação cirúrgica — dor refratária OU importante prejuízo das AVD; ou osteoartrite em mãos com deformidade que compromete a função6 meses de tratamento clínico otimizado, ou prejuízo funcional importante
Serviço de dor crônica (fisiatria, acupuntura, equipe de dor)Dor por osteoartrite sem melhora, sem indicação ou condição clínica para cirurgia6 meses de tratamento clínico otimizado
Tratamento clínico otimizado (definição)Tratamento medicamentoso + exercícios + acompanhamento fisioterápico, adaptados às condições do pacienteFaltando qualquer um dos três, o prazo de 6 meses não começou a contar
Conteúdo mínimo do encaminhamentoArticulações acometidas, hipertrofia óssea, duração da rigidez matinal, crepitação no joelho, restrição de movimentoResultado de imagem com data, VHS com data, IMC, tratamentos já usados com dose e resposta, comorbidades

As duas diretrizes brasileiras nasceram no mesmo mês e divergem em detalhes de redação que a prova pode explorar. O intervalo da dipirona é de 4 a 6 horas no documento do joelho e de 6 horas no do quadril; o PCDT de 2024 encerrou a questão escrevendo 500 mg, um a dois comprimidos até quatro vezes ao dia, conforme a bula — o que fixa o teto diário em 4 g. Em prova, vale o PCDT vigente.

A mesma frase sobre acupuntura (a evidência é insuficiente para recomendar) recebeu força FRACA no documento do joelho e força FORTE no do quadril. O conteúdo é idêntico nas duas; o que muda é o rótulo GRADE. A conduta que se cobra é a mesma: acupuntura não entra como recomendação para osteoartrite nesses documentos.

Radiografia com osteófito não é diagnóstico de doença sintomática. A diretriz do quadril mostra que o estreitamento do espaço articular explica 0,4% da variância da dor (P = 0,44), e a do joelho registra especificidade caindo a 37,1% em um dos estudos. Gravidade radiográfica não indica cirurgia — impacto funcional indica.

A recomendação nº 22 do documento do joelho afirma que não existe evidência suficiente para recomendar AINE tópico em pacientes com alto risco gastrointestinal, e leva rótulo de força FORTE, o que é incomum para uma afirmação de insuficiência de evidência. O que decide a conduta no SUS, de todo modo, é administrativo: os AINE tópicos não foram incorporados (Portaria SCTIE/MS nº 48/2021).

As duas diretrizes de 2018 recomendam opioide fraco (força FORTE) para dor persistente de moderada a intensa com resposta inadequada ou contraindicação aos AINE, por curto período. O PCDT de 2024 registra que opioides fracos (codeína e tramadol) e morfina em baixa dose NÃO foram incorporados para dor crônica (Portaria SCTIE/MS nº 59/2021), pede parcimônia com opioides na dor crônica não oncológica, e na sua própria seção de osteoartrite encerra a escada em AINE mais omeprazol.

Osteoartrose, artrose e osteoartrite são a mesma doença. O documento brasileiro registra que a denominação mais aceita internacionalmente é osteoartrite, embora artrose siga muito usada no Brasil — e as duas aparecem no mesmo enunciado sem que isso signifique nada.

O gatilho da gastroproteção muda de conectivo conforme o documento. O PCDT de 2024 e a diretriz do quadril (nº 27) exigem as duas condições juntas: AINE oral por mais de cinco dias EM pessoa com história pregressa de evento gastrointestinal. A diretriz do joelho (nº 27) exige apenas uma: mais de cinco dias OU risco de evento adverso do trato gastrointestinal superior. Enunciado que traz os dois gatilhos é seguro sob qualquer leitura; enunciado que traz só um está testando qual documento o candidato leu.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Infiltração intra-articular de corticoide no joelho e no quadril: proibida no documento brasileiro, fortemente recomendada no americano

Brasil: não recomendamos, com força FORTE

A recomendação nº 33 da diretriz do joelho e a nº 30 da diretriz do quadril recusam a administração de injeções intra-articulares de corticosteroides para alívio da dor ou melhora da função, ambas com força FORTE. O PCDT da Dor Crônica de 2024 repete a recusa na seção de osteoartrite de joelho e de quadril, ao lado do ácido hialurônico.

Brasil. Ministério da Saúde; Conitec. Diretriz Brasileira para o Tratamento Não Cirúrgico da Osteoartrite de Joelho (Relatório nº 340/2018), recomendação nº 33; Diretriz de Quadril (Relatório nº 341/2018), recomendação nº 30; PCDT da Dor Crônica, item 6.2.1.1 (Portaria Conjunta nº 1, de 22/08/2024).

American College of Rheumatology 2019: fortemente recomendada

O guideline de 2019 do ACR com a Arthritis Foundation recomenda FORTEMENTE a favor das injeções intra-articulares de glicocorticoide em pacientes com osteoartrite de joelho e/ou quadril, com base em eficácia demonstrada a curto prazo, e recomenda fortemente o uso de guia ultrassonográfico para a injeção no quadril. Para a mão, a recomendação é apenas condicional.

Kolasinski SL et al. 2019 ACR/Arthritis Foundation Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee. Arthritis Care Res. 2020;72(2):149-62.

Na prova

O recorte vem no cenário. Enunciado que fala em unidade básica, SUS, PCDT, regulação ou protocolo do Ministério da Saúde está pedindo a régua brasileira: infiltração de corticoide é alternativa errada. Enunciado que cita explicitamente o ACR, a Arthritis Foundation ou pede a conduta segundo diretriz internacional está pedindo a outra. O sinal mais confiável é a expressão no âmbito do SUS ou a menção a um documento nacional no enunciado.

Anti-inflamatório tópico: primeira escolha lá fora, fora da lista aqui

ACR 2019: fortemente recomendado, e antes do AINE oral

O ACR recomenda fortemente AINE tópico para pacientes com osteoartrite de joelho e registra que o tópico deve ser considerado ANTES do uso do AINE oral. Para a mão, a recomendação cai para condicional, por considerações práticas como a lavagem frequente das mãos.

Kolasinski SL et al. 2019 ACR/Arthritis Foundation Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee. Arthritis Care Res. 2020;72(2):149-62.

Brasil: tecnologia não incorporada ao SUS

O PCDT da Dor Crônica lista, entre os medicamentos que não são recomendados por decisão de não incorporação, os anti-inflamatórios não esteroides tópicos para dor crônica musculoesquelética ou por osteoartrite (Portaria SCTIE/MS nº 48, de 20 de julho de 2021). A diretriz do joelho, em 2018, já registrava que a evidência era insuficiente para recomendá-los a pacientes com alto risco gastrointestinal.

Brasil. Ministério da Saúde. PCDT da Dor Crônica, item 6.2 (Portaria Conjunta SAES/SAPS/SECTICS nº 1, de 22/08/2024); Diretriz Brasileira de Osteoartrite de Joelho (Relatório nº 340/2018), recomendação nº 22.

Na prova

Quando a alternativa oferece gel de diclofenaco ou AINE tópico como primeira escolha, olhe o cenário. Em questão ancorada no SUS, na atenção primária ou no PCDT, a alternativa é incorreta porque a tecnologia não foi incorporada — não porque seja ineficaz. A pegadinha inversa também existe: questão de prova que reproduz literatura internacional pode ter o tópico como gabarito, e aí o marcador é a citação explícita do guideline estrangeiro.

Paracetamol como primeira linha: recomendação forte no Brasil, condicional no ACR

Brasil: primeira linha, força FORTE

A recomendação nº 21 da diretriz do joelho e a nº 19 da de quadril prescrevem paracetamol em doses regulares como primeira linha de tratamento da dor, ambas com força FORTE, com teto de 4 g diários. O PCDT de 2024 mantém o paracetamol (ou a dipirona) como o degrau inicial da osteoartrite de joelho e de quadril.

Brasil. Ministério da Saúde; Conitec. Diretriz de Osteoartrite de Joelho (Relatório nº 340/2018), recomendações nº 21, 23 e 24; Diretriz de Quadril (Relatório nº 341/2018), recomendações nº 19, 20 e 21; PCDT da Dor Crônica, item 6.2.1.1.

ACR 2019: recomendação apenas condicional, com efeito muito pequeno

O ACR recomenda o paracetamol de forma condicional para joelho, quadril e/ou mão, registrando que os tamanhos de efeito em ensaios clínicos são muito pequenos, que a metanálise sugere que o uso em monoterapia pode ser inefetivo e que o tratamento de longo prazo não supera o placebo na maioria dos indivíduos. Reserva-o sobretudo a quem tem opções limitadas por intolerância ou contraindicação aos AINE.

Kolasinski SL et al. 2019 ACR/Arthritis Foundation Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee. Arthritis Care Res. 2020;72(2):149-62.

Na prova

A dipirona é o marcador mais rápido de qual régua a banca está usando: ela só existe como alternativa de primeira linha em documento brasileiro. Se dipirona aparece entre as opções ao lado de paracetamol, a questão está ancorada no PCDT, e paracetamol ou dipirona é o degrau inicial. Se a questão traduz o guideline americano, o degrau inicial muda de peso e o paracetamol vira coadjuvante.

Opioide fraco na osteoartrite: recomendado nas diretrizes de 2018, ausente da escada do PCDT de 2024

Diretrizes de 2018: prescrever opioide fraco, força FORTE

A recomendação nº 31 da diretriz do joelho indica opioide fraco como alternativa ou adjuvante analgésico, por curto período, para dor persistente de moderada a severa com resposta inadequada, contraindicação ou eventos adversos intoleráveis aos AINE. A nº 29 da diretriz do quadril traz a mesma indicação. Ambas com força FORTE.

Brasil. Ministério da Saúde; Conitec. Diretriz de Osteoartrite de Joelho (Relatório nº 340/2018), recomendação nº 31; Diretriz de Quadril (Relatório nº 341/2018), recomendação nº 29.

PCDT da Dor Crônica de 2024: tecnologia não incorporada e uso com parcimônia

O PCDT registra que opioides fracos (codeína e tramadol) e morfina em baixa dose para o tratamento da dor crônica não foram incorporados ao SUS (Portaria SCTIE/MS nº 59, de 20 de julho de 2021), afirma que opioides como codeína, morfina e metadona devem ser usados com parcimônia na dor crônica não oncológica, e encerra a sua própria seção de osteoartrite de joelho e de quadril no AINE oral com omeprazol, sem citar opioide.

Brasil. Ministério da Saúde. PCDT da Dor Crônica, itens 6.2, 6.2.1 e 6.2.1.1 (Portaria Conjunta SAES/SAPS/SECTICS nº 1, de 22 de agosto de 2024).

Na prova

Questão datada ou baseada nas diretrizes de 2018 pode ter opioide fraco como resposta para o paciente que não tolera AINE. Questão que cite o PCDT da Dor Crônica ou o ano de 2024 pede o inverso: a escada da osteoartrite termina em AINE com gastroproteção, e o passo seguinte é encaminhar (ortopedia, serviço de dor ou reumatologia), não subir para opioide. O identificador é a citação do documento e do ano no enunciado.

06

Caso resolvido

Mulher de 64 anos, IMC 34, chega à unidade básica com dor nos dois joelhos há cerca de três anos, pior à direita. A dor aparece ao subir e descer escada e ao levantar da cadeira, alivia quando ela senta, e há uns seis meses vem incomodando também no fim do dia. Refere sensação de travamento matinal que passa em uns 15 minutos. Nega febre, perda de peso, lesão de pele e trauma. Faz uso de ácido acetilsalicílico 100 mg/dia desde um infarto há dois anos, além de losartana e sinvastatina. Ao exame, joelho direito com alargamento ósseo das margens articulares, crepitação grossa à flexo-extensão ativa, sem calor palpável, sem derrame tenso; marcha antálgica. Traz radiografia feita por conta própria, em decúbito, com estreitamento do compartimento medial e osteófitos.
achado
Dor articular de padrão mecânico em joelhos, rigidez matinal de cerca de 15 minutos, crepitação à mobilização ativa, alargamento ósseo, sem calor local e sem sinal de alerta. O quadro preenche a recomendação nº 1 da diretriz do joelho: diagnóstico clínico, por anamnese e exame físico.
critério
Pelo Quadro 9 dos protocolos de encaminhamento, o critério clínico e radiológico do joelho pede dor no joelho com osteófitos nas margens articulares mais um critério clínico. Ela tem três dos três disponíveis: idade acima de 40 anos, rigidez matinal abaixo de 30 minutos e crepitação. O diagnóstico está fechado.
imagem
A radiografia que ela trouxe mostra o que se espera, mas foi feita em decúbito. O documento pede AP e perfil em APOIO BIPODAL, porque a carga é o que revela o estreitamento real do espaço articular. Ainda assim, refazer a radiografia não muda a conduta de hoje — a imagem colabora, não decide. Ressonância magnética não está indicada: recomendação nº 4, contra o uso para diagnóstico, confirmação ou gerenciamento do tratamento.
laboratório
Não há piora rápida da dor nem sinal de alerta, então exame laboratorial não entra para diagnosticar. Se e quando ela for encaminhada, o formulário do Ministério da Saúde exige VHS com data, imagem com data e IMC no conteúdo descritivo mínimo — o VHS é colhido pelo encaminhamento, não pelo diagnóstico.
não medicamentoso
Aqui está o tratamento que muda desfecho, e ele é prescrito por escrito: exercício regular com meta de pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada e fortalecimento duas vezes por semana; encaminhamento à fisioterapia já no diagnóstico (recomendação nº 12); e meta inicial de perda de 5% do peso. Com 34 de IMC e, digamos, 88 kg, os primeiros 5% são 4,4 kg — meta concreta, com data de reavaliação.
medicamento
O AAS 100 mg/dia decide a prescrição. A regra do PCDT é explícita: em uso contínuo de ácido acetilsalicílico em baixa dose, prescrever paracetamol ou dipirona e EVITAR anti-inflamatório, seletivo ou não seletivo. Fica paracetamol 500 mg, um a dois comprimidos até quatro vezes ao dia, sem passar de 4 g/dia, com a advertência de somar qualquer antigripal ou associação que ela use por fora. Dipirona 500 mg até quatro vezes ao dia é a alternativa equivalente.
o que não oferecer
Ela vai perguntar por glucosamina, por infiltração e por gel. Nenhum dos três entra: condroitina e glucosamina têm recomendação contra com força forte; infiltração de corticoide e ácido hialurônico também; e o AINE tópico não foi incorporado ao SUS (Portaria SCTIE/MS nº 48/2021). Dizer isso na consulta, com o nome do documento, é parte da conduta.
seguimento
Retorno programado, com pelo menos duas consultas anuais, porque ela tem mais de uma articulação sintomática, comorbidades e medicação regular. O relógio de seis meses de tratamento clínico otimizado só começa a contar com os três componentes rodando: medicamento, exercícios e acompanhamento fisioterápico.
07

Agora feche você

Homem de 58 anos, pedreiro, procura a unidade com dor no quadril esquerdo há dois anos, que piora ao caminhar e ao levantar de assento baixo e alivia sentado. Rigidez pela manhã de cerca de 20 minutos. Nos últimos oito meses fez uso irregular de dipirona e recebeu ibuprofeno em duas ocasiões; nunca fez fisioterapia e não recebeu orientação de exercício. Nega febre, lesão de pele, diarreia e uretrite. Exame: rotação interna do quadril esquerdo dolorosa e limitada, marcha claudicante, sem calor local. Radiografia AP de bacia com osteófito acetabular e redução do espaço articular superior. VHS 12 mm/h. Ele chega dizendo que já ouviu de um vizinho que precisa de prótese, e pergunta se pode tomar naproxeno, que sobrou de um parente.
achado
Dor mecânica de quadril com rigidez matinal de 20 minutos, rotação interna dolorosa e limitada, sem calor e sem sinal de alerta. Pelo critério do Quadro 9, ele preenche os três itens do quadril — VHS de 12 mm/h (abaixo de 20), osteófito acetabular e redução do espaço articular superior — e bastavam dois. Diagnóstico de coxartrose fechado.
raciocínio
Duas perguntas se cruzam. A primeira: ele completou seis meses de tratamento clínico otimizado? A segunda: o naproxeno do parente é uma opção legítima para ele, e por quê? A resposta de uma depende do que o documento define; a da outra, de quem tem indicação e de qual é o critério de inclusão do medicamento no SUS.
armadilha
O enunciado empurra para o encaminhamento à ortopedia — dois anos de dor, claudicação, radiografia alterada e um vizinho falando em prótese. Antes de aceitar, confira se o pré-requisito do encaminhamento existe: o documento define tratamento clínico otimizado como medicamento MAIS exercícios MAIS acompanhamento fisioterápico.
08

Onde a banca derruba

  1. 1Pedir ressonância magnética para confirmar osteoartrite As duas diretrizes brasileiras e o PCDT de 2024 recomendam CONTRA o uso da ressonância para diagnóstico, confirmação de diagnóstico ou gerenciamento do tratamento. No estudo que fundamenta a recusa, com 205 pacientes, anormalidade de cartilagem, cisto subcondral, edema de medula óssea, subluxação meniscal e cisto de Baker não se associaram a nenhum sintoma.
  2. 2Deixar a gravidade da radiografia decidir a conduta No quadril, o estreitamento do espaço intra-articular explicou 0,4% da variância da dor e da disfunção (P = 0,44). No joelho, um dos estudos de acurácia mostrou especificidade caindo a 37,1%. Quem indica cirurgia é o impacto funcional e a falha do tratamento conservador, não o grau de Kellgren & Lawrence.
  3. 3Oferecer infiltração de corticoide como próximo passo do paciente do SUS Injeção intra-articular de corticoide tem recomendação CONTRA com força FORTE nas duas diretrizes brasileiras e no PCDT de 2024, tanto para joelho quanto para quadril. Vale notar que o guideline do ACR de 2019 recomenda fortemente A FAVOR no joelho e no quadril — a alternativa só é correta em questão que se ancore explicitamente na literatura internacional.
  4. 4Prescrever ibuprofeno a quem toma AAS em dose baixa A regra do PCDT é nominal: em uso contínuo de ácido acetilsalicílico em baixas doses, prescrever paracetamol ou dipirona e evitar AINE seletivo e não seletivo. Além da soma de risco gastrointestinal, o ibuprofeno compete com o AAS pelo sítio da ciclo-oxigenase plaquetária e reduz o efeito antiagregante — em paciente pós-infarto, isso é dano cardiovascular.
  5. 5Confundir o AINE de escolha de quem tem risco cardiovascular O PCDT e as duas diretrizes escolhem NAPROXENO, 250 a 500 mg duas vezes ao dia, para o paciente com risco de evento cardiovascular que não respondeu a paracetamol ou dipirona. Diclofenaco oral, além de não ser a escolha nesse cenário, não foi incorporado ao SUS para dor crônica musculoesquelética (Portaria SCTIE/MS nº 45/2021).
  6. 6Esquecer o teto de 4 g e o que o paciente toma por fora O esquema máximo do PCDT (paracetamol 500 mg, dois comprimidos, quatro vezes ao dia) já é exatamente 4 g e não sobra margem. Antigripal, associação com cafeína e associação com opioide carregam paracetamol; o documento inclusive registra que, entre pacientes com falência hepática aguda não intencional, 38% usavam simultaneamente mais de uma formulação contendo paracetamol.
  7. 7Encaminhar aos seis meses sem que os seis meses tenham começado Tratamento clínico otimizado, na definição do documento, é tratamento medicamentoso MAIS exercícios MAIS acompanhamento fisioterápico, adaptados ao paciente. Analgésico sozinho por seis meses não preenche o pré-requisito — a conduta é otimizar, não encaminhar. É o erro mais comum em questão de regulação e de saúde coletiva.
  8. 8Tratar rigidez matinal prolongada como osteoartrite mais grave A rigidez da osteoartrite dura menos de 30 minutos. Rigidez articular prolongada acima de duas horas está na lista nominal de sinais de alerta da diretriz do joelho, e aponta para infecção, câncer, fratura, doença inflamatória articular ou tuberculose óssea. Na mão, o critério que sustenta o mesmo raciocínio é ter MENOS de três metacarpofalangeanas edemaciadas: MCF inchada é território de artrite reumatoide.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

O quadro é clássico de osteoartrite (osteoartrose): dor mecânica (piora ao esforço/final do dia, melhora com repouso), rigidez matinal breve (<30 min), crepitação, aumento ósseo das margens e achados radiográficos típicos (redução do espaço, osteófitos, esclerose subcondral), em paciente com fatores de risco (idade, obesidade, sobrecarga ocupacional). Artrite reumatoide cursa com rigidez matinal prolongada (>1 h), poliartrite simétrica de pequenas articulações e sinais inflamatórios/sistêmicos. Gota aguda dá monoartrite de início súbito com intenso calor, rubor e dor (tipicamente 1a metatarsofalângica). Artrite séptica cursa com sinais flogísticos exuberantes, febre e comprometimento agudo, ausentes aqui.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

Sorteando as questões…

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Plano de revisão

em 7 dias

Refaça de memória: os três critérios clínicos do joelho no Quadro 9 e o número que separa a rigidez da osteoartrite da rigidez de alerta (30 minutos contra duas horas); os quatro achados radiográficos da osteoartrite e por que a ressonância está fora; a escada do PCDT com dose e teto (paracetamol 500 mg 1 a 2 comprimidos 3 a 4 vezes ao dia até 4 g; dipirona 500 mg até 4 vezes; ibuprofeno 400 mg a cada 6 a 8 h; naproxeno 250 a 500 mg 2 vezes ao dia se risco cardiovascular; omeprazol 10 ou 20 mg acima de 5 dias de AINE); e a exceção do AAS em dose baixa.

em 30 dias

Reconstrua sem consultar: os quatro nãos com a exceção do bloqueio mecânico; as três portas do encaminhamento com a definição de tratamento clínico otimizado; os três critérios do quadril (dor + 2 de 3, com VHS abaixo de 20 mm/h) e os quatro da mão (dor ou rigidez + 3 de 4, com menos de 3 MCF edemaciadas e as 10 articulações definidas); a lista de sinais de alerta com pelo menos oito itens; e as quatro divergências com o guideline do ACR de 2019 — corticoide intra-articular, AINE tópico, peso do paracetamol e opioide fraco — dizendo, em cada uma, qual documento vale numa questão ancorada no SUS.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Mulher de 67 anos chega à unidade básica com dor nos joelhos que piora ao subir escada e alivia sentada, há cerca de quatro anos. Diz que trava um pouco de manhã e melhora rápido. Está acima do peso, faz uso de ácido acetilsalicílico 100 mg/dia após um infarto e traz uma radiografia de joelho pedida por outro serviço. Chega convencida de que precisa de infiltração e de glucosamina, porque uma amiga fez e melhorou. Conduza a consulta: caracterize a dor, varra os sinais de alerta, examine, decida o que a imagem acrescenta, prescreva o tratamento não medicamentoso com meta, escolha o analgésico levando o AAS em conta, e explique por que a infiltração e a glucosamina não entram. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

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