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Clínica MédicaReumatologia

Polimialgia reumática e arterite de células gigantes: a dose separa as duas

Dor de cinturas no idoso e cefaleia temporal com claudicação de mandíbula: qual degrau de corticoide, e por que a biópsia vem depois

Distinguir polimialgia de arterite de células gigantes, escolher a dose de corticoide e tratar a ameaça visual antes de confirmar.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Mulher de sessenta e oito anos comparece à unidade básica com dor e rigidez em ombros, região cervical e quadris, iniciadas de forma abrupta há sete semanas, com rigidez matinal de cerca de duas horas e dificuldade para pentear os cabelos e levantar-se da cadeira. Nega cefaleia, dor ao mastigar e alteração visual. Ao exame, a mobilização é dolorosa, a força contra resistência está preservada e as artérias temporais estão normais. A velocidade de hemossedimentação está muito elevada. Qual é a conduta?

02

Como esse tema cai

Entra o adulto acima de cinquenta anos com dor e rigidez de cinturas escapular e pélvica, ou com cefaleia nova de localização temporal, ou com as duas coisas: escolher o degrau de corticoide, decidir a ordem entre tratar e biopsiar, e abrir a proteção que o corticoide prolongado exige.

Fica de fora o que já tem dono em outro capítulo: as vasculites associadas a anticorpos anticitoplasma de neutrófilo e a arterite de Takayasu pertencem ao capítulo de vasculites sistêmicas; a cefaleia como sinal de alarme, com as réguas de idade que competem entre si, pertence ao capítulo de cefaleias secundárias; e a dor difusa da adulta jovem pertence ao capítulo de fibromialgia, de onde vem o distrator mais frequente deste tema.

Também fica de fora a conduta de segunda linha. Poupadores de corticoide e agentes biológicos aparecem na literatura recente do par, mas não são o que a prova brasileira cobra: das treze questões de clínica médica medidas no acervo que citam o assunto, três mencionam terapia de segunda linha e em nenhuma delas ela é a resposta correta — aparece só como distrator.

03

O que muda decisão

Uma doença em duas pontas, e a ponta que a prova prefere

A dor de cinturas do idoso e a cefaleia temporal do idoso são, na maior parte das vezes, a mesma inflamação vista de dois lugares. A polimialgia reumática trava ombros e quadris; a arterite de células gigantes inflama a parede de artérias de grande e médio calibre, entre elas a temporal. Uma coorte de acesso rápido publicada em dois mil e vinte e cinco encontrou sinais de arterite ao ultrassom em catorze de oitenta e quatro doentes com polimialgia recém-diagnosticada, sem que nenhum deles tivesse sintoma craniano no dia da consulta.

Essa proporção, dezessete em cada cem, é o motivo pelo qual as duas não podem ser estudadas separadamente. O doente que chega com dor de ombros pode estar carregando uma artéria inflamada silenciosa, e o doente que chega com cefaleia costuma relatar, quando perguntado, que também não consegue pentear o cabelo nem levantar da cadeira. A pergunta clínica não é qual das duas doenças é esta, e sim quanto de artéria existe neste doente de cinturas doloridas.

A consequência prática é aritmética. As duas pontas do mesmo espectro recebem o mesmo fármaco, prednisona, em doses que diferem por um fator de três a cinco, e a dose errada custa caro nos dois sentidos: dose de arterite em quem tem só polimialgia entrega fratura e hiperglicemia sem necessidade; dose de polimialgia em quem tem arterite entrega perda visual irreversível. A escolha do número é a decisão inteira.

O avaliador brasileiro conhece esse desenho e o usa. Nas questões de prova que citam o par, a vinheta quase sempre entrega os dois conjuntos de achados e obriga a separar quem manda: cinturas isoladas, ou cinturas com artéria endurecida e turvação visual. A leitura correta da vinheta determina o degrau da dose, e o degrau da dose determina a alternativa.

Convém dizer desde já o que o material brasileiro sobre o assunto tem de peculiar. A atualização de reumatologia publicada em revista nacional que trata da arterite temporal ao lado da arterite de Takayasu ocupa quatro páginas, cita polimialgia exatamente uma vez — e é para registrar que os dados de um dos estudos reunidos não estavam mais disponíveis para análise — e, em dezoito mil quatrocentas e cinquenta e quatro letras de texto, as palavras cegueira, visual e amaurose somam zero ocorrência. O desfecho que define a urgência da doença não é nomeado no texto.

A cintura que dói: o quadro que a atenção primária vê primeiro

O quadro típico começa depois dos cinquenta anos, de forma relativamente abrupta, com dor e rigidez em cinturas escapular e pélvica. A rigidez matinal é longa, medida em dezenas de minutos ou em horas, e o que o doente descreve não é fraqueza, e sim dificuldade: não consegue pentear o cabelo, não consegue levantar-se da cadeira sem apoio, não consegue vestir o casaco. As provas inflamatórias estão altas.

A distinção que mais rende em prova está aqui, e é semiológica. Na polimialgia a força objetiva é normal quando examinada contra resistência; o que limita é a dor. Na polimiosite a força objetiva está reduzida, e as enzimas musculares sobem. Essa é a razão de a polimiosite aparecer como distrator ao lado da polimialgia em enunciados que descrevem cintura dolorida: os dois quadros ocupam a mesma região do corpo e pedem doses de corticoide opostas.

O segundo distrator recorrente é a fibromialgia, e ele funciona pela idade e pelo laboratório. A vinheta de fibromialgia entrega mulher de quarenta e poucos anos, dor difusa por todo o corpo, sono não reparador, dificuldade de concentração e provas inflamatórias normais. A vinheta de polimialgia entrega idade acima de cinquenta, dor limitada às cinturas, instalação em semanas e provas inflamatórias altas. Quando a alternativa oferece polimialgia para a doente de quarenta e um anos, ela é o erro.

Vale registrar o quanto essa separação erra na vida real. Na coorte de acesso rápido, cento e setenta e dois doentes foram encaminhados pela atenção primária com suspeita de polimialgia ao longo de doze meses; sessenta e sete deles, trinta e nove em cada cem, tinham outro diagnóstico para o qual o esquema de corticoide da polimialgia era inadequado. Mais de metade desses outros diagnósticos eram doenças inflamatórias que exigiam seguimento próprio.

Silhueta humana com as cinturas escapular e pélvica destacadas e setas indicando a elevação dos braços e o ato de levantar-se da cadeira.
As duas cinturas concentram a dor e a rigidez que limitam pentear os cabelos e levantar-se da cadeira.

A artéria que dói: o quadro que não pode esperar consulta

A arterite de células gigantes entra pela idade e pelo relógio. Cefaleia nova e persistente em quem passou dos cinquenta anos, dor à palpação do couro cabeludo, artéria temporal endurecida, dolorosa ou sem pulso, e claudicação de mandíbula, que é dor ao mastigar por isquemia do masseter. Somam-se a esses achados sintomas sistêmicos discretos, febrícula e perda de peso, que a vinheta costuma incluir de propósito para puxar o raciocínio para infecção ou neoplasia.

O achado que muda o horário da conduta é o visual. Turvação transitória, amaurose fugaz ou perda monocular recente colocam o doente na janela em que a lesão ainda é reversível. A ameaça é a neuropatia óptica isquêmica, e o comportamento clássico dela é bilateralizar em dias quando a inflamação não é tratada. É por isso que este é um dos poucos diagnósticos reumatológicos em que a conduta antecede a confirmação.

A claudicação de mandíbula merece atenção porque é o achado que o doente quase nunca traz espontaneamente. Ele relata cefaleia; a dor ao mastigar aparece só quando perguntada. Na série de biópsias de artéria temporal analisada aqui, dezenove de sessenta e quatro doentes tinham claudicação de mandíbula na apresentação, contra cinquenta e quatro com queixa visual e quarenta e nove com cefaleia ou dor facial. É o menos frequente dos três e o mais específico.

A artéria temporal deve ser palpada. São cinco segundos de exame, com dois dedos à frente do trago, procurando espessamento, endurecimento, dor ou ausência de pulso. O enunciado que descreve esse achado está entregando o diagnóstico; o enunciado que não o descreve pode estar apenas omitindo um exame que ninguém fez. Nenhum achado isolado fecha o caso, mas a soma deles muda a probabilidade o suficiente para agir.

Doze e meio, vinte e cinco, quarenta, sessenta: os degraus da dose

O esquema que a coorte de acesso rápido declara ter seguido, citando a recomendação europeia, começa a prednisolona entre doze vírgula cinco e vinte e cinco miligramas por dia na polimialgia, com redução programada até dez miligramas por dia entre a quarta e a oitava semana. É um degrau baixo, e a resposta esperada é rápida: melhora substancial em dias. Ausência de resposta a esse degrau é motivo para rever o diagnóstico, não para subir a dose.

Na arterite sem sintoma visual o degrau é alto, na faixa que a prova brasileira escreve como quarenta a sessenta miligramas de prednisona por dia. Com sintoma visual, a conduta que as alternativas corretas dos enunciados nacionais descrevem é pulsoterapia venosa com metilprednisolona, seguida do corticoide oral em dose alta. Entre os três degraus não há sobreposição, e é essa ausência de sobreposição que transforma a dose em resposta de prova.

O erro simétrico existe e é cobrado. A alternativa que oferece prednisona um miligrama por quilo por dia diante de cinturas doloridas está descrevendo o tratamento da polimiosite, não o da polimialgia. A alternativa que oferece prednisona vinte miligramas por dia com encaminhamento ambulatorial diante de perda visual monocular está aplicando o degrau da polimialgia a uma artéria em vias de fechar. Ambas aparecem redigidas com plausibilidade.

Há ainda o degrau que existe no espectro e quase não aparece no enunciado: a polimialgia com arterite subclínica ao ultrassom. Os catorze doentes dessa condição na coorte não tinham sintoma craniano, e a literatura os trata como mais próximos da arterite do que da polimialgia. A prova brasileira ainda não cobra esse degrau; conhecê-lo serve para não descartar a hipótese de arterite só porque a cabeça não dói.

Por que o corticoide não espera a biópsia

A regra que a prova cobra é curta: diante de suspeita de arterite com achado visual, começa-se o corticoide imediatamente e programa-se a biópsia depois. Cinco das treze questões brasileiras medidas descrevem esse cenário, e em quatro delas a alternativa que manda aguardar o resultado histológico antes de qualquer tratamento está oferecida entre as erradas. Ela é atraente porque parece rigorosa, e é a que custa o olho.

A prática hospitalar contemporânea faz exatamente isso, e o número é grande. Numa série de sessenta e quatro biópsias de artéria temporal realizadas entre dois mil e quinze e dois mil e vinte e quatro num centro terciário, sessenta e dois doentes, noventa e seis vírgula nove em cada cem, já estavam em corticoide em dose alta quando a artéria foi retirada. A mediana entre o pedido de parecer e o procedimento foi de dois dias, e a mediana de dias de corticoide na hora da biópsia também foi dois.

A biópsia continuou informando. Naquele material, treze peças mostraram fibroplasia intimal, seis confirmaram arterite, duas ficaram limítrofes, três foram lidas como arterite possivelmente cicatrizada e duas mostraram esclerose de Mönckeberg. O resultado mudou conduta: dos dezoito doentes que saíram do hospital com plano de redução do corticoide, doze já tinham recebido histologia negativa antes da alta e seis a receberam depois.

O tamanho da evidência que sustenta a regra, porém, é pequeno. O próprio artigo apoia a afirmação de que a biópsia sobrevive ao corticoide citando um estudo comparativo prospectivo de onze doentes que preenchiam os critérios de classificação de mil novecentos e noventa, no qual não houve diferença na taxa de resultado positivo entre biopsiar dentro de duas semanas e biopsiar entre a quarta e a sexta semana de corticoide.

Na atualização EULAR de imagem, a ultrassonografia das artérias temporais e axilares passou a ser o exame de primeira linha quando há experiência e acesso oportuno. Biópsia temporal, ressonância ou PET/TC permanecem alternativas conforme o fenótipo e a disponibilidade. Nenhum desses exames deve atrasar o corticoide quando há ameaça visual.

O corticoide que se abre e a proteção que se esquece

Aberto o corticoide, começa o segundo problema, e ele é medido. Numa análise de base de dados britânica de atenção primária com quarenta e três mil e noventa e um doentes de polimialgia com cinquenta anos ou mais, sessenta e sete vírgula dois em cada cem receberam bisfosfonato junto com a prednisolona e setenta e oito vírgula seis receberam inibidor de bomba de prótons ou bloqueador de receptor de histamina.

A coorte descritiva fecha por cinco caminhos independentes: dezesseis mil quinhentos e sessenta e cinco homens mais vinte e seis mil quinhentas e vinte e seis mulheres; quarenta mil quatrocentos e dois com dose sustentada mais dois mil seiscentos e oitenta e nove sem; três mil oitocentos e dezesseis com fratura prévia mais trinta e nove mil duzentos e setenta e cinco sem; trezentos e vinte e três com sangramento prévio mais quarenta e dois mil setecentos e sessenta e oito sem; oito mil trezentos e oitenta e cinco em uso de fármaco de risco mais trinta e quatro mil setecentos e seis sem. Todos devolvem o mesmo total.

O benefício do bisfosfonato foi convertido em pessoas pelos próprios autores: um vírgula quarenta em cada cem tratados por doze meses fraturaram, contra dois vírgula trinta e dois em cada cem não tratados, e o número necessário para tratar impresso é cento e nove. A recíproca da diferença de zero vírgula noventa e dois pontos percentuais devolve cento e oito vírgula sete, que arredonda para cento e nove: a conta fecha sobre essa diferença.

A gastroproteção, ao contrário, não mostrou associação com redução de úlcera ou sangramento graves. E o cenário brasileiro provável é pior que o britânico: na coorte de acesso rápido, dos trinta e nove doentes que chegaram já em corticoide vindo da atenção primária, apenas oito, vinte em cada cem, tinham alguma proteção óssea. Setenta e cinco em cada cem dos doentes com polimialgia tiveram evento adverso do corticoide em doze meses.

Há uma assimetria de tamanho que vale enunciar, porque contraria a intuição. O número maior desse capítulo, quarenta e três mil e noventa e um doentes, decide algo de baixo impacto individual: se vale a pena acrescentar um comprimido de bisfosfonato, com uma fratura evitada a cada cento e nove pessoas tratadas por um ano. O número menor, onze doentes, decide a conduta de maior consequência do tema: se o corticoide pode começar antes da biópsia. O maior número é o que menos decide.

A conta da série de biópsias, célula a célula

Vale recalcular a tabela inteira antes de apontar qualquer coisa, porque a maior parte dela fecha. Sobre o total declarado de sessenta e quatro doentes: quarenta mulheres devolvem sessenta e dois vírgula cinco; sessenta e dois em corticoide devolvem noventa e seis vírgula nove; cinquenta e quatro com queixa visual devolvem oitenta e quatro vírgula quatro; quarenta e nove com cefaleia devolvem setenta e seis vírgula seis; dezenove com claudicação devolvem vinte e nove vírgula sete; treze com fibroplasia devolvem vinte vírgula três.

A segunda tabela também fecha, e por dois caminhos independentes. Os três planos de alta somam o total: três suspenderam, quarenta e três mantiveram até o retorno e dezoito entraram em redução, e três mais quarenta e três mais dezoito devolvem sessenta e quatro. Dentro do grupo do desmame, doze e seis somam dezoito, e devolvem sessenta e seis vírgula seis e trinta e três vírgula três. O escore de classificação igual ou maior que três em trinta e quatro doentes devolve cinquenta e três vírgula um.

Uma célula não fecha: a que interessa. A linha da arterite confirmada traz seis casos e imprime nove vírgula sete. Seis sobre sessenta e quatro devolve nove vírgula três sete cinco, que arredonda para nove vírgula quatro. Para imprimir nove vírgula sete, o denominador teria de estar no intervalo aberto entre sessenta e um vírgula cinco e sessenta e dois vírgula dois, ou seja, teria de ser exatamente sessenta e dois.

Sessenta e dois é o número de doentes que já estavam em corticoide. O resumo e a discussão do mesmo artigo arredondam essa proporção para dez em cada cem, duas vezes. A rigor, portanto, a mesma quantidade aparece impressa de três formas no mesmo texto, e a única que fecha sobre o total declarado no cabeçalho da tabela é a que não foi impressa. Não muda a conclusão clínica; muda o crédito que se dá ao número exato.

Duas semelhanças desse mesmo material parecem significar algo e não significam, e vale desarmá-las. A mediana da velocidade de hemossedimentação da série é sessenta e quatro, valor idêntico ao número de doentes estudados: são dois números iguais sem qualquer relação entre si. E a mediana do escore de classificação é três, exatamente o ponto de corte do escore, o que sugere uma régua onde há apenas uma distribuição estreita: a amplitude interquartílica é um, e cinquenta e três em cada cem doentes atingiram o corte.

Duas réguas federais de encaminhamento, e a palavra que falta nas duas

A porta de entrada do reumatologista no Sistema Único de Saúde é descrita por protocolos de encaminhamento. O volume três da série do Ministério da Saúde com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, de dois mil e dezesseis, cobre reumatologia e ortopedia do adulto em quarenta e sete páginas. Ele organiza o encaminhamento por condição, com critérios e com a lista de informações obrigatórias que a atenção primária precisa mandar junto.

Nas oitenta e seis mil e duzentas e doze letras de texto desse documento, a palavra polimialgia aparece zero vez. A palavra arterite aparece zero vez. A expressão células gigantes aparece zero vez. A palavra prednisona aparece zero vez. A palavra vasculite aparece uma única vez, no plural e em uma lista de condições que devem ter preferência no encaminhamento ao reumatologista.

As seções numeradas do capítulo de reumatologia do documento são artrite reumatoide, artrite psoriásica, lúpus, dor lombar com alterações de imagem, artrite por deposição de cristais, osteoartrite, fibromialgia, bursite e tendinite, e dor miofascial. A doença que se apresenta como dor de cinturas no idoso não tem seção própria, e a doença que cega em dias não tem seção própria. O que existe é o rótulo coletivo da lista de prioridade.

Isso tem consequência de leitura, não de clínica. Quem estuda pelo documento federal de encaminhamento não encontra o par; quem estuda pelas recomendações de sociedade encontra doses e prazos. O aluno de prova brasileira precisa saber que a régua com número, nesse assunto, é de sociedade e de literatura, e que o texto federal de acesso trata o tema por dentro do rótulo de vasculites sistêmicas.

A edição seguinte, testada na mesma palavra

A pergunta natural é se a edição posterior corrigiu isso. O protocolo de regulação ambulatorial de reumatologia do adulto do TelessaúdeRS, cuja capa se anuncia como versão digital de dois mil e vinte e dois e cujo arquivo traz carimbo interno de criação em outubro de dois mil e vinte e três, tem trinta e cinco páginas e oitenta e cinco mil e setecentas e seis letras de texto, volume praticamente igual ao da edição anterior.

As contagens repetem-se. Polimialgia: zero. Arterite: zero. Células gigantes: zero. Prednisona: zero. Vasculite continua aparecendo, agora três vezes, e nenhuma delas nomeia a doença de grandes vasos do idoso: uma está na lista de prioridade de encaminhamento, e as outras duas estão dentro dos critérios de lúpus, como causa alternativa de úlcera oral e de mononeuropatia.

A palavra temporal sobrevive exatamente uma vez nas trinta e cinco páginas, e não como recomendação: é o rótulo da linha curso temporal de qualquer episódio, dentro dos critérios de classificação da gota. A raiz que na primeira leitura parece indicar a artéria pertence, ali, a uma escala de artrite por cristais. Contar a raiz sem inspecionar o trecho produziria a afirmação oposta à verdadeira.

A comparação célula a célula das listas de prioridade mostra o que mudou de fato entre as duas edições. Duas entradas sobrevivem com a mesma redação: miopatias inflamatórias e vasculites sistêmicas. Uma foi renomeada: esclerodermia sistêmica virou esclerose sistêmica. Duas foram estreitadas: lúpus passou a exigir nefrite ou acometimento do sistema nervoso central, e artrite reumatoide passou a exigir início recente. Quatro saíram: artrite psoriásica, síndrome do anticorpo antifosfolípide, espondilite anquilosante e síndrome de Sjögren.

Os limiares de idade que os dois documentos imprimem

Como a idade é o primeiro filtro clínico desse par, vale ver quais limiares etários os dois protocolos de fato imprimem. Na edição de dois mil e dezesseis são quatro: oitenta anos, como fator de risco para artrite séptica; setenta e vinte anos, como sinal de alerta na dor lombar; e quarenta anos, duas vezes, no início da dor lombar inflamatória e num critério clínico de osteoartrite de joelho.

Na edição posterior são três: setenta e vinte anos, no mesmo alerta de dor lombar; quarenta anos, no início da dor lombar inflamatória; e quarenta e cinco anos, para suspeitar de apresentação atípica de gota em quem é jovem e não teve trauma articular. Os dois documentos, somados, imprimem cinco limiares distintos de idade: vinte, quarenta, quarenta e cinco, setenta e oitenta.

Nenhum deles é cinquenta. O limiar que a literatura usa como porta de entrada tanto da polimialgia quanto da arterite não aparece em nenhuma das duas edições, em nenhum contexto. E o único alerta puramente etário que existe nos dois textos, setenta anos, pertence à dor lombar e serve para levantar suspeita de neoplasia e de fratura, não de artéria inflamada.

A leitura correta disso não é que o documento erra. Ele regula encaminhamento ambulatorial, e a arterite com sintoma visual não é caso de fila: é caso de corticoide agora e serviço de referência. A régua federal de acesso trata o assunto como urgência que não passa por regulação, e por isso não lhe dá seção nem limiar. Saber disso evita procurar no lugar errado o número que a prova cobra.

O que este assunto cobra, medido questão a questão

Vale dimensionar o assunto no acervo de provas. Vinte e sete questões de trilha de prova citam polimialgia reumática, arterite temporal, arterite de células gigantes ou claudicação de mandíbula em algum ponto do enunciado, das alternativas ou do comentário. Treze delas pertencem à clínica médica. Em quatro, o nome de uma das duas doenças está dentro da alternativa correta; incluindo a biópsia da artéria temporal na régua, são cinco.

A repartição interna é instrutiva. Das quatro corretas que trazem o nome da doença, duas são a arterite e duas são a polimialgia, e a quinta correta descreve pulsoterapia seguida de biópsia programada. Cinco das treze descrevem sintoma visual, e em quatro delas a alternativa que manda aguardar o resultado da biópsia está oferecida como distrator. Terapia de segunda linha aparece em três questões e em nenhuma delas é a resposta.

Há ainda dois papéis que não são a resposta. Em três questões a polimialgia é o distrator elegante de um enunciado de fibromialgia, e em duas ela aparece no enunciado fora da reumatologia, apenas como a razão de o doente estar em corticoide crônico: insuficiência adrenal secundária após suspensão abrupta da prednisona, e profilaxia de estrongiloidíase antes de abrir corticoide em morador de área endêmica. Nessas, o par não é o assunto, e sim o motivo da imunossupressão.

O mesmo papel de moldura aparece nos capítulos já escritos do acervo. Em novecentos e quarenta e dois capítulos publicados ou em rascunho, a palavra polimialgia ocorre quatro vezes, em quatro capítulos distintos, e nenhuma delas ensina a doença: nas quatro, ela é a comorbidade que explica por que o doente da vinheta usa prednisona há meses — na lombalgia, no olho vermelho, na dor abdominal do pronto-socorro e na profilaxia de tétano em ferimento.

Reunindo as três funções, o par ocupa um espaço maior do que sugere a contagem direta: ora é a resposta, ora é o distrator que separa quem sabe a idade e o laboratório, ora é a moldura que explica por que o doente da questão de outra área está em prednisona. Estudar o assunto pelas três funções rende mais do que decorar critérios de classificação.

Convém fechar com a régua de leitura que este capítulo usou o tempo todo, porque ela vale para qualquer assunto. Antes de afirmar que um documento não trata de algo, conte a palavra em várias grafias e inspecione cada ocorrência sobrevivente. Foi assim que a única aparição da raiz temporal no protocolo de dois mil e vinte e dois se revelou o rótulo de uma linha do escore de gota, e não a artéria: contar sem olhar teria produzido a afirmação exatamente oposta à verdadeira.

04

Da cintura dolorida à dose certa: cinco degraus, na ordem em que a vinheta os embaralha

A vinheta desse par costuma entregar idade, tempo de instalação, região da dor, rigidez matinal, provas inflamatórias e, quando quer cobrar a urgência, um achado visual escondido no meio da frase. As alternativas oferecem quase sempre a doença certa com a dose errada, ou a dose certa com a ordem errada entre tratar e biopsiar. Os cinco degraus abaixo separam o que decide do que apenas acompanha.

  1. 1Confirme a idade antes de qualquer outra coisa. Abaixo de cinquenta anos, nenhuma das duas hipóteses se sustenta bem, e o enunciado que descreve mulher de quarenta e poucos anos com dor difusa está oferecendo fibromialgia. A idade é o filtro de maior rendimento, e é o único que a vinheta nunca omite.
  2. 2Separe dor de fraqueza no exame. Na polimialgia a força contra resistência é normal e o que limita é a dor; na polimiosite a força cai e as enzimas musculares sobem. Essa distinção é a que decide entre prednisona em dose baixa e prednisona em dose de imunossupressão.
  3. 3Procure ativamente a artéria e a mandíbula. Pergunte por dor ao mastigar e por dor ao pentear o cabelo, e palpe as duas temporais à frente do trago. Claudicação de mandíbula é o achado que o doente não relata sozinho e o que mais move a probabilidade para arterite.
  4. 4Pergunte por sintoma visual e trate o horário de acordo. Turvação transitória, amaurose fugaz ou perda monocular recente transformam o caso em urgência: corticoide em dose alta imediatamente, pulsoterapia venosa quando há perda visual, e biópsia programada em seguida.
  5. 5Escolha a dose e abra a proteção no mesmo ato. Cinturas isoladas pedem o degrau baixo; artéria pede o degrau alto; olho pede pulso venoso. Em qualquer dos três, corticoide prolongado em idoso pede avaliação de proteção óssea junto da prescrição, e não numa consulta futura.

Primeiro degrau: a idade, antes do laboratório

Abaixo de cinquenta anos o par praticamente não existe, e a vinheta de dor difusa em adulta jovem pede fibromialgia. Os dois protocolos federais de encaminhamento imprimem cinco limiares etários somados, e nenhum deles é cinquenta.

Segundo degrau: dor que limita não é força que falta

Força normal contra resistência com dor que impede pentear o cabelo aponta polimialgia; força objetivamente reduzida com enzimas musculares altas aponta polimiosite. A diferença separa dose baixa de dose de imunossupressão.

Terceiro degrau: pergunte pela mandíbula e palpe a artéria

Claudicação de mandíbula é o achado mais específico e o menos espontâneo. Na série de biópsias, dezenove de sessenta e quatro doentes a tinham, contra cinquenta e quatro com queixa visual e quarenta e nove com cefaleia.

Quarto degrau: o olho define o horário, não o diagnóstico

Sintoma visual muda a conduta para agora. Naquela série, noventa e seis vírgula nove em cada cem já estavam em corticoide quando a artéria foi retirada, e a histologia ainda mudou o plano de alta de dezoito doentes.

Cinturas, artéria e olho: o que a vinheta entrega e o degrau que ela pede

O que a vinheta descreveDegrau esperadoDistrator mais frequente
Dor e rigidez de cinturas, idoso, provas altasPrednisona em dose baixa, resposta em diasPrednisona um miligrama por quilo, que é dose de polimiosite
Dor difusa, quarenta e poucos anos, provas normaisNenhum corticoide: o quadro é de fibromialgiaPolimialgia com prednisona quinze miligramas por dia
Cefaleia nova e artéria temporal endurecida, sem sintoma visualCorticoide oral em dose alta, biópsia programada depoisAguardar a histologia antes de qualquer tratamento
Cefaleia, claudicação de mandíbula e turvação visualPulsoterapia venosa e biópsia programada em seguidaCorticoide oral em dose baixa com encaminhamento ambulatorial
Cinturas doloridas em doente já em corticoide crônicoPense no que a imunossupressão causa, não na doença de baseSubir a dose por suposta recidiva da doença reumatológica

As duas réguas federais de encaminhamento, contadas palavra a palavra

O que se contouEdição de dois mil e dezesseisEdição digital de dois mil e vinte e dois
Páginas do arquivo e letras de texto extraídoQuarenta e sete páginas, oitenta e seis mil duzentas e doze letrasTrinta e cinco páginas, oitenta e cinco mil setecentas e seis letras
A palavra polimialgiaZero ocorrênciaZero ocorrência
As palavras arterite e células gigantesZero ocorrênciaZero ocorrência
A palavra vasculiteUma vez, na lista de prioridade de encaminhamentoTrês vezes: prioridade, úlcera oral e mononeuropatia
Limiares de idade impressos no documentoVinte, quarenta, setenta e oitenta anosVinte, quarenta, quarenta e cinco e setenta anos

A ordem entre tratar e biopsiar é o item mais cobrado do tema, e a alternativa que manda aguardar a histologia é a errada mais oferecida justamente porque soa rigorosa.

Provas inflamatórias muito altas sustentam a hipótese, mas valor normal não a afasta em quem tem quadro clínico completo, e o enunciado às vezes usa esse detalhe como armadilha.

Quando a vinheta descreve doente já em corticoide crônico por polimialgia, o assunto cobrado quase nunca é reumatológico: costuma ser insuficiência adrenal, infecção oportunista ou profilaxia antes de imunossuprimir.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Se o corticoide iniciado antes da biópsia apaga o diagnóstico histológico

A prática mede que não apaga, em série grande e recente

Na série de sessenta e quatro biópsias de artéria temporal de um centro terciário, sessenta e dois doentes já estavam em corticoide em dose alta no momento do procedimento, com mediana de dois dias de tratamento, e ainda assim seis peças confirmaram arterite e treze mostraram fibroplasia intimal. Os autores concluem que retardar o corticoide para preservar a biópsia não é razoável.

Analysis of an acute care surgery service performing temporal artery biopsy for suspected giant cell arteritis. Surgery Open Science, dois mil e vinte e seis, seção de resultados e discussão.

A base comparativa citada tem onze doentes

A afirmação de que o rendimento não cai é apoiada, no próprio artigo, por um estudo comparativo prospectivo com onze doentes que preenchiam os critérios de classificação de mil novecentos e noventa, no qual não houve diferença de resultado positivo entre biopsiar dentro de duas semanas e biopsiar entre a quarta e a sexta semana de corticoide.

Mesmo artigo, seção de discussão, ao citar o estudo comparativo de Ray-Chaudhuri.

Na prova

O avaliador brasileiro cobra a direção, nunca o tamanho da evidência: alternativa que mande aguardar o resultado da biópsia antes de iniciar corticoide diante de suspeita de arterite com sintoma visual está errada, e essa é a eliminação que resolve a maioria das questões do tema.

Qual diferença de risco sustenta o número necessário para tratar do bisfosfonato

Zero vírgula noventa e dois pontos, no resumo

O resumo declara um vírgula quarenta em cada cem entre os tratados por doze meses contra dois vírgula trinta e dois em cada cem entre os não tratados, diferença de zero vírgula noventa e dois pontos percentuais, e número necessário para tratar de cento e nove. A recíproca dessa diferença devolve cento e oito vírgula sete.

Prescribing of Medication to Prevent Glucocorticoid Harms in Patients With Polymyalgia Rheumatica. Arthritis and Rheumatology, dois mil e vinte e seis, resumo.

Um vírgula vinte e seis pontos, no corpo do texto

A seção de resultados do mesmo artigo declara efeito médio de tratamento de um vírgula vinte e seis pontos percentuais e, na frase seguinte, atribui a esse efeito o mesmo número necessário para tratar de cento e nove. A recíproca de um vírgula vinte e seis devolve setenta e nove, e a discussão fala em cerca de um ponto, cuja recíproca devolve cem.

Mesmo artigo, seção de resultados do ensaio-alvo dos bisfosfonatos e seção de discussão.

Na prova

Nenhuma prova brasileira cobra esse número, e ele não deve ser decorado. O que se leva daqui é a leitura: quando um artigo imprime três diferenças de risco e um só número necessário para tratar, verifique qual delas fecha antes de citar o valor como se fosse único.

A quem pertencem os dezessete em cada cem com arterite subclínica ao ultrassom

Aos doentes com polimialgia recém-diagnosticada

O resumo afirma que dezessete em cada cem dos doentes com polimialgia nova tinham achados de arterite ao ultrassom, e a seção de resultados dá o numerador: catorze de oitenta e quatro doentes com diagnóstico de polimialgia, nenhum deles com sintoma craniano no momento do exame.

Real-world outcomes of a dedicated fast-track polymyalgia rheumatica clinic. Rheumatology, dois mil e vinte e cinco, resumo e seção de achados de ultrassom.

Aos doentes que já vinham em corticoide antes do encaminhamento

A subseção de ultrassom do mesmo artigo atribui a mesma proporção de dezessete em cada cem aos doentes que estavam em corticoide por quatro semanas antes do encaminhamento. Duas frases depois, o texto afirma que nenhum desses doentes pré-tratados teve arterite subclínica identificada ao ultrassom, provavelmente pela duração da exposição.

Mesmo artigo, subseção de achados de ultrassom, parágrafos consecutivos.

Na prova

A proporção não é cobrada em prova brasileira; o conceito é. Reconheça que polimialgia sem sintoma craniano pode ter artéria inflamada, e que corticoide prévio reduz o achado de imagem — que é a mesma razão pela qual não se adia o tratamento para esperar exame.

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Caso resolvido

Mulher de sessenta e oito anos, hipertensa em uso de losartana, procura a unidade básica relatando dor e rigidez intensas em ombros, região cervical e quadris, iniciadas de forma relativamente abrupta há sete semanas. Descreve rigidez matinal de cerca de duas horas, com grande dificuldade para pentear os cabelos e para levantar-se da cadeira. Nega cefaleia, dor ao mastigar e alteração visual. Ao exame, a mobilização de ombros e quadris é dolorosa, a força contra resistência está preservada e as artérias temporais são palpáveis, macias e com pulso simétrico. A velocidade de hemossedimentação está muito elevada.
passo 1
Passo um. Confirme a idade e o padrão da dor antes de qualquer exame. Sessenta e oito anos, instalação em semanas, dor restrita às cinturas escapular e pélvica, rigidez matinal longa e prova inflamatória alta compõem o quadro típico. Nenhum desses elementos, sozinho, decide; a soma deles, na faixa etária certa, decide.
passo 2
Passo dois. Separe dor de fraqueza no exame físico. A força contra resistência está preservada e o que limita é a dor. Isso afasta polimiosite, que é o distrator que ocupa a mesma região do corpo e que pediria dose de imunossupressão em vez de dose baixa.
passo 3
Passo três. Procure ativamente a outra ponta do espectro. Pergunte por cefaleia nova, dor ao pentear o cabelo, dor ao mastigar e qualquer alteração visual, e palpe as duas artérias temporais. Aqui todas as respostas são negativas e as artérias estão normais, o que mantém o caso na ponta da polimialgia.
passo 4
Passo quatro. Escolha o degrau baixo. Prednisona em dose baixa, na faixa que a recomendação europeia escreve entre doze e meio e vinte e cinco miligramas por dia, com reavaliação precoce da resposta. Melhora substancial em poucos dias é esperada e confirma o diagnóstico; ausência de resposta manda rever a hipótese, não subir a dose.
passo 5
Passo cinco. Abra a proteção no mesmo ato e combine a vigilância. Avalie risco de fratura e proteção óssea junto da prescrição, porque o corticoide será prolongado, e oriente a doente a procurar atendimento imediato se surgirem cefaleia nova, dor ao mastigar ou qualquer alteração visual, que são os sinais da outra ponta do espectro.
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Agora feche você

Mulher de setenta e dois anos procura o pronto-socorro com cefaleia temporal à direita há três semanas, de forte intensidade, associada a dor à mastigação e a sensibilidade do couro cabeludo ao pentear os cabelos. Há duas horas apresentou um episódio de perda visual monocular à direita, com duração de poucos minutos e recuperação completa. Refere ainda mal-estar, febrícula e perda de peso nas últimas semanas, e dor em cinturas escapular e pélvica com rigidez matinal. Ao exame, a artéria temporal direita está endurecida e dolorosa à palpação, não há sopro carotídeo e a acuidade visual está preservada no momento. A velocidade de hemossedimentação está muito elevada.
passo 1
Passo um. Comece pelo que está presente e pelo que está ausente. Estão presentes idade acima de cinquenta anos, cefaleia nova e persistente, sensibilidade do couro cabeludo, claudicação de mandíbula, artéria temporal endurecida e dolorosa, sintomas sistêmicos e prova inflamatória muito alta. Está ausente déficit visual no momento do exame, e essa ausência é temporária, não tranquilizadora.
passo 2
Passo dois. Reconheça que as duas pontas do espectro estão na mesma vinheta. A dor de cinturas com rigidez matinal é a face de polimialgia; a cefaleia com claudicação de mandíbula e perda visual transitória é a face de arterite. Quando as duas aparecem juntas, quem manda na conduta é a artéria, sempre.
passo 3
Passo três. Defina o horário antes de definir o exame. O episódio de perda visual monocular transitória coloca o caso na janela em que a lesão ainda é reversível e em que o olho contralateral está sob risco em dias. A conduta não pode ser agendada, e nenhum resultado precisa chegar antes dela.
passo 4
Passo quatro. Escolha o degrau mais alto e a via mais rápida. Com perda visual, a conduta descrita nas alternativas corretas das provas nacionais é pulsoterapia venosa com metilprednisolona, seguida de corticoide oral em dose alta. Prednisona vinte miligramas por dia com encaminhamento ambulatorial é o degrau da polimialgia aplicado à doença errada.
passo 5
Passo cinco. Programe a biópsia depois, e não antes. A artéria retirada continua informando por um período após o início do corticoide, e a série medida mostra que quase todos os doentes biopsiados já estavam tratados. Programe também a proteção óssea e o controle glicêmico, porque o corticoide em dose alta começa hoje e vai durar meses.
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Onde a banca derruba

  1. 1Aguardar a biópsia para começar o corticoide É o erro mais rentável da banca nesse tema, e sai caro porque a janela de reversibilidade da perda visual é de dias. A alternativa é redigida com aparência de rigor diagnóstico, e o candidato que valoriza confirmação histológica cai nela. A biópsia continua informando depois do corticoide, e a série medida mostra noventa e seis vírgula nove em cada cem já tratados na hora do procedimento.
  2. 2Dar dose de imunossupressão a quem tem só cinturas doloridas Prednisona um miligrama por quilo por dia diante de dor de cinturas com força preservada é o tratamento da polimiosite, não o da polimialgia. O degrau da polimialgia é baixo, e a resposta a ele é rápida. Subir a dose porque o doente é idoso e a dor é intensa entrega fratura, hiperglicemia e catarata sem ganho.
  3. 3Ler dor difusa em adulta jovem como polimialgia A vinheta de fibromialgia entrega mulher na casa dos quarenta, dor por todo o corpo, sono não reparador, dificuldade de concentração e provas inflamatórias normais. A alternativa que oferece polimialgia com prednisona em dose baixa é o distrator mais elegante do assunto, e três questões medidas no acervo o usam exatamente assim.
  4. 4Achar que prova inflamatória normal afasta arterite Velocidade de hemossedimentação e proteína C reativa costumam estar muito altas, e a vinheta quase sempre as entrega elevadas para facilitar. Valor normal, porém, não afasta o diagnóstico em quem tem cefaleia nova, artéria endurecida e claudicação de mandíbula. Quem trata o exame como porta de entrada perde a questão que testa justamente essa exceção.
  5. 5Abrir corticoide prolongado sem tocar em proteção óssea É o erro que a prova cobra por dentro de outra pergunta, e o que a vida real comete mais. Na coorte de acesso rápido, apenas oito de trinta e nove doentes que chegaram já em corticoide tinham alguma proteção óssea. A prescrição do corticoide e a avaliação de risco de fratura pertencem ao mesmo ato, não a consultas diferentes.
  6. 6Tratar o doente em corticoide crônico como recidiva reumatológica Quando a vinheta diz que o doente usa prednisona há meses por polimialgia e chega com hipotensão, náusea e fadiga após interromper por conta própria, o assunto é insuficiência adrenal secundária. Quando ele mora em área endêmica e vai abrir corticoide, o assunto é profilaxia de estrongiloidíase. A doença de base é a moldura, não a resposta.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Idade acima de cinquenta anos, instalação em semanas, dor restrita às cinturas escapular e pélvica, rigidez matinal longa e prova inflamatória muito alta compõem o quadro típico de polimialgia reumática, e o degrau terapêutico dela é baixo: prednisona ou prednisolona na faixa de doze e meio a vinte e cinco miligramas por dia, com melhora substancial esperada em poucos dias. O achado que exclui polimiosite está no exame: a força contra resistência está preservada e o que limita é a dor, ao passo que na polimiosite a força cai objetivamente e as enzimas musculares sobem — por isso a dose de imunossupressão não cabe aqui. Osteoartrite não produz rigidez matinal de duas horas nem prova inflamatória muito alta. Fibromialgia ocorre em faixa etária mais jovem, com dor difusa por todo o corpo e provas inflamatórias normais. Hipotireoidismo não explica a instalação abrupta com inflamação sistêmica.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Recite, sem olhar, os três degraus de dose e o que cada um trata: cinturas doloridas com força preservada pedem qual degrau, artéria temporal inflamada sem sintoma visual pede qual degrau, e perda visual recente pede qual via de administração. Em seguida, diga em voz alta a ordem entre tratar e biopsiar na suspeita de arterite, e nomeie o achado de anamnese que o doente não relata espontaneamente e que mais move a probabilidade para a artéria.

em 30 dias

Monte de memória a tabela de três colunas que liga o que a vinheta descreve ao degrau esperado e ao distrator oferecido, com as cinco linhas: cinturas no idoso, dor difusa na adulta jovem, cefaleia com artéria endurecida, cefaleia com turvação visual, e cinturas em doente já corticoide-dependente. Depois reconstrua as três funções que o par exerce nas provas medidas: resposta correta, distrator do enunciado de fibromialgia, e moldura que explica por que o doente de outra área está imunossuprimido.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Idoso que chega à unidade com dor e rigidez de ombros e quadris instaladas em poucas semanas, com dificuldade para pentear o cabelo e para levantar da cadeira. Pergunte a idade, o tempo de instalação, quanto dura a rigidez pela manhã e se a limitação é por dor ou por falta de força. Depois vá atrás da outra ponta do espectro, que o doente não traz sozinho: cefaleia nova, dor ao encostar no couro cabeludo, dor ao mastigar e qualquer episódio de vista turva ou escurecida, ainda que passageiro. No exame, teste a força contra resistência antes de concluir que há fraqueza, e palpe as duas artérias temporais à frente do trago procurando espessamento, dor ou ausência de pulso. Antes de prescrever, diga em voz alta qual degrau de dose o quadro pede e por quê, e combine com o doente quais sintomas o fazem voltar no mesmo dia. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Dor de cinturas no idoso e cefaleia temporal com claudicação de mandíbula – Polimialgia reumática e arterite de células gigantes: a dose separa as duas — Preparatório para provas | OsceLabs