Ginecologia e Obstetrícia › Síndromes Hipertensivas da Gestação
Pré-eclâmpsia
A prova entrega uma gestante com pressão alta depois das 20 semanas e cobra três decisões em sequência: isso é pré-eclâmpsia, tem sinal de gravidade, e a gestação termina hoje ou espera. O erro clássico é exigir proteinúria para fechar o diagnóstico e usar o grau dela para decidir o parto.
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Gestante de 22 anos, com 34 semanas, chega ao pronto-atendimento com cefaleia. Pressão arterial de 160x110 mmHg em duas aferições com intervalo de 4 horas e proteinúria de fita ++. Antes da gestação era normotensa. Qual é o diagnóstico mais provável? Assinale a alternativa correta.
Como esse tema cai
A pré-eclâmpsia contribui com cerca de um quarto de todos os óbitos maternos registrados no Brasil e é a principal causa de morte materna do país. Não é uma doença de pressão alta: é uma doença sistêmica de origem placentária que se manifesta pela pressão, e essa distinção é exatamente o que a prova cobra. Quem trata o número e ignora o resto perde o rim, o fígado, a plaqueta e o cérebro que já estavam avisando.
Este capítulo resolve quatro perguntas e só elas: o que fecha o diagnóstico, o que muda quando existe sinal de gravidade, quando a pressão precisa ser tratada, e — a parte que é deste capítulo e de mais nenhum — quando e por qual via a gestação termina. O parto é a única conduta que cura, e decidir a hora dele é a decisão central do tema.
O que fica de fora, de propósito, porque tem capítulo próprio nesta apostila: o esquema completo do sulfato de magnésio, com dose de ataque, manutenção, sinais de intoxicação e antídoto, está no capítulo de eclâmpsia — aqui só se diz quando indicar. As drogas anti-hipertensivas, com dose, via e o que é proscrito na gestação, estão no capítulo de anti-hipertensivos — aqui só se diz quando começar e até onde baixar. A síndrome HELLP aparece como complicação a reconhecer e como gatilho de parto, sem os critérios laboratoriais destrinchados. A hipertensão arterial crônica e a hipertensão gestacional têm capítulo próprio, e aqui entram apenas na fronteira do diagnóstico diferencial. A prevenção com ácido acetilsalicílico existe, funciona e tem capítulo próprio — o de Hipertensão crônica e hipertensão gestacional, que traz o esquema e também a situação do cálcio, que a RBEHG e a FEBRASGO deixaram de recomendar em março de 2026.
O que muda decisão
O que é, e a partir de quando se chama assim
Pré-eclâmpsia é hipertensão arterial identificada a partir da 20ª semana de gestação, em gestante previamente normotensa, acompanhada de proteinúria significativa e/ou de disfunção de órgãos-alvo e/ou de sinais de comprometimento placentário. Os três caminhos são alternativos, não cumulativos: basta a hipertensão mais um deles.
A marca das 20 semanas é o que separa a pré-eclâmpsia da hipertensão arterial crônica. Pressão alta referida pela gestante antes de engravidar ou identificada antes da 20ª semana é hipertensão crônica — e a queda fisiológica da pressão no primeiro e no segundo trimestre mascara uma parte dessas mulheres, que só aparecem como hipertensas depois. Por isso a hipertensão que surge na segunda metade e não some até 12 semanas de puerpério é reclassificada como crônica, retroativamente.
Pré-eclâmpsia antes da 20ª semana é rara e não deve ser aceita sem investigação: o quadro obriga a pensar em doença trofoblástica gestacional (mola hidatiforme) e em síndrome dos anticorpos antifosfolípides. Não é uma variante precoce da doença — é outra coisa até prova em contrário.
Há um segundo momento em que a doença aparece pela primeira vez, e ele engana mais gente: o puerpério. A pré-eclâmpsia e suas complicações, inclusive a eclâmpsia, podem se manifestar de novo pela primeira vez depois do parto, o que é motivo suficiente para medir e controlar a pressão de toda puérpera. Uma mulher que teve pré-natal normal e nasce com pressão de 165/108 no quarto dia de puerpério tem pré-eclâmpsia até que se prove o contrário.
A magnitude ajuda a calibrar a atenção. A incidência mundial fica entre 1,2% e 4,2%, e um estudo nacional com mais de mil nulíparas em cinco maternidades encontrou 7,5%. Entre 10% e 15% das mortes maternas diretas no mundo se associam à pré-eclâmpsia e à eclâmpsia, e 99% dessas mortes ocorrem em países de renda baixa e média. No Brasil, a eclâmpsia incide em 5,2 casos por mil nascidos vivos, variando de 2,2 por mil nas áreas de maior renda a 8,3 por mil nas de menor renda — a mesma doença, resultados diferentes conforme o acesso.
A hipertensão que conta: o número e a técnica
Hipertensão na gravidez é pressão sistólica maior ou igual a 140 mmHg e/ou diastólica maior ou igual a 90 mmHg, confirmada em duas medidas com pelo menos quatro horas de intervalo. A exceção é a pressão de faixa grave: sistólica de 160 mmHg ou mais e/ou diastólica de 110 mmHg ou mais são confirmadas em 15 minutos, justamente para não atrasar o tratamento.
A técnica não é detalhe de prova prática — é parte do critério diagnóstico. A aferição é feita com a gestante sentada, pés apoiados no chão, costas apoiadas, braço na altura do coração, depois de repouso. O decúbito lateral esquerdo serve para repouso, não para medir: nessa posição as leituras são as mais baixas, e o valor real é o da posição sentada. Pernas cruzadas elevam a pressão em 2 a 8 mmHg, e conversar durante a medida também eleva.
A diastólica é o quinto ruído de Korotkoff, o desaparecimento da bulha. Quando as bulhas persistem até o fim da desinsuflação, usa-se o abafamento.
O manguito é a fonte de erro mais barata de corrigir. O padrão é o de 13 cm; em braço com circunferência acima de 30 cm e sem manguito adequado disponível, aplica-se a tabela de correção. A correção não é simbólica: com braço de 46 cm, subtraem-se 16 mmHg da sistólica e 11 mmHg da diastólica, e uma leitura de 140 por 90 vira 124 por 79 — hipertensão que não existe. No sentido inverso, braço fino subestimado transforma pré-eclâmpsia em pré-natal de rotina.
Proteinúria: três métodos, três cortes, e o que ela não serve para decidir
Proteinúria significativa tem três formas de ser medida, e qualquer uma delas basta. A primeira é a concentração de pelo menos 300 mg em urina de 24 horas — o método clássico, dependente de coleta bem feita e incômodo para a paciente. A segunda é a relação proteína/creatinina em amostra isolada, alterada quando é maior ou igual a 0,3 com ambas as dosagens em mg/dL: é a de melhor sensibilidade, mais barata e mais rápida, e virou o exame preferido na prática. A terceira é a fita reagente em amostra isolada, reservada para quando não há método quantitativo disponível.
A fita é onde os documentos divergem, e a divergência é registrada no bloco próprio: o Manual do Ministério da Saúde e o protocolo Febrasgo de 2018 consideram positiva a partir de uma cruz (cerca de 30 mg/dL), enquanto o protocolo da RBEHG de 2025 e o ACOG exigem pelo menos duas cruzes. O que os dois lados dizem igual é que a fita tem taxa alta de falso-negativo, porque detecta apenas albumina e não pega proteínas de cadeia leve — fita negativa não afasta proteinúria.
Confirmada a proteinúria, ela não se repete. Isso vale nos documentos brasileiros, no ACOG e na ISSHP, e a razão é a mesma nos três: a proteinúria representa o diagnóstico, não o prognóstico. Ela aumenta com o tempo em qualquer conduta expectante, e esse aumento não prevê desfecho perinatal.
A consequência prática é a mais cobrada do tema: não se antecipa o parto pelo grau de proteinúria. O ACOG retirou o critério de proteinúria maciça (acima de 5 g em 24 horas) da lista de gravidade em 2013, e a ISSHP recomenda de forma explícita que a decisão de parto não se baseie apenas no grau de proteinúria nem na hiperuricemia. O protocolo Febrasgo faz uma ressalva de bom senso: valores muito altos, a partir de 10 g em 24 horas, não devem ser ignorados — mas lidos junto da clínica materna e da vitalidade fetal, nunca como critério isolado. A única exceção em que se repete a proteinúria é o edema generalizado ou o edema pulmonar.
Sem proteinúria: a lista que fecha o diagnóstico assim mesmo
Esta é a mudança conceitual que mais aparece em prova. A proteinúria deixou de ser obrigatória: na ausência dela, hipertensão nova depois de 20 semanas fecha pré-eclâmpsia quando acompanhada de comprometimento sistêmico ou disfunção de órgão-alvo. A doença é heterogênea, e há mulheres que morrem de pré-eclâmpsia com urina limpa.
Pelo documento brasileiro, os critérios alternativos são estes, item por item. Hematológico: trombocitopenia, com plaquetas abaixo de 100.000/mm³ — o consumo de plaquetas é a alteração laboratorial mais precoce e mais confiável do espectro. Renal: insuficiência renal aguda, definida por creatinina sérica maior ou igual a 1,2 mg/dL, ou duplicação do valor basal; a oligúria, com diurese abaixo de 500 mL em 24 horas, entra junto, com a ressalva de que ela pode refletir extravasamento para o terceiro espaço (anasarca) e não perda de função. Hepático: transaminases (TGO/AST e TGP/ALT) acima de duas vezes o limite superior da normalidade, com ou sem dor em epigástrio ou hipocôndrio direito.
Neurológico: cefaleia recente, intensa e persistente, sem resposta a analgésico e não explicada por outro diagnóstico; sintomas visuais como escotomas cintilantes, fosfenas, fotofobia e visão borrada; hiper-reflexia; e, no extremo, a própria eclâmpsia. Vale insistir: o sintoma neurológico é critério diagnóstico por si, e não é preciso esperar a convulsão para chamar de pré-eclâmpsia. Pulmonar: edema agudo de pulmão, expressão do comprometimento endotelial pulmonar, com ou sem insuficiência cardíaca associada.
Útero-placentário: restrição de crescimento fetal, alterações dopplervelocimétricas, descolamento prematuro de placenta e óbito fetal. Este é o eixo que o documento brasileiro e a ISSHP aceitam como critério diagnóstico e que o ACOG não inclui na sua lista — a divergência está registrada no bloco próprio, com os anos.
Repare no que a lista faz com a vinheta de prova. Uma gestante de 31 semanas com pressão de 148/96, urina sem proteína, plaquetas de 92.000 e TGO de 96 tem pré-eclâmpsia, e não hipertensão gestacional. Uma gestante de 28 semanas com 150/98, proteinúria negativa e feto no percentil 3 com Doppler de artéria umbilical alterado tem pré-eclâmpsia pelo critério brasileiro e pela ISSHP.

As vizinhas: hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia sobreposta
Hipertensão gestacional é hipertensão que aparece na segunda metade da gestação, em gestante previamente normotensa, sem proteinúria e sem qualquer outro sinal ou sintoma relacionado à pré-eclâmpsia. É um diagnóstico provisório, por definição: descreve quem ainda não preenche os critérios de pré-eclâmpsia.
Provisório porque uma parte substancial converte. O Manual do Ministério da Saúde estima evolução para pré-eclâmpsia em 10% a 50% dos casos; o protocolo da RBEHG e o Febrasgo trabalham com até 25%, e a rede acrescenta que cerca de um quarto das mulheres com hipertensão gestacional antes de 34 semanas progride. Chamar de hipertensão gestacional, portanto, não é dar alta do problema: é marcar uma vigilância.
Há uma armadilha de nomenclatura que a prova explora. Hipertensão gestacional que atinge faixa grave — sistólica de 160 mmHg ou mais, ou diastólica de 110 mmHg ou mais — deve ser classificada, pelo ACOG, como pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, mesmo sem proteinúria e sem alteração laboratorial. A pressão de faixa grave, sozinha, já é sinal de gravidade.
Pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão arterial crônica é o diagnóstico mais difícil de todos, porque a paciente já era hipertensa e já podia ter proteinúria. Fecha-se em três situações: aparecimento de proteinúria depois das 20 semanas em quem não tinha, ou piora expressiva da que já existia (a RBEHG sugere o marco de aumento superior a três vezes o valor inicial); necessidade de associar anti-hipertensivos ou de aumentar as doses iniciais; e ocorrência de disfunção de órgão-alvo. O protocolo da rede acrescenta a disfunção útero-placentária. A ISSHP, no seu documento de 2021, diz o inverso em um ponto importante: a elevação da pressão, sozinha, não deveria ser usada para diagnosticar sobreposição. Hipertensão crônica é agravada por pré-eclâmpsia em 13% a 40% dos casos, o que faz dessas gestantes um grupo de vigilância permanente.
Precoce e tardia: por que 34 semanas separa duas doenças
A pré-eclâmpsia é subclassificada por idade gestacional de duas maneiras que convivem. Pela manifestação: precoce, antes de 34 semanas, e tardia, a partir de 34 semanas. Pelo momento do parto: pré-termo, antes de 37 semanas, e de termo, a partir de 37. O corte que carrega significado biológico é o de 34.
Na forma precoce, o substrato é a placentação defeituosa, com invasão trofoblástica insuficiente das artérias espiraladas e isquemia placentária. Por isso ela cursa com Doppler de artérias uterinas alterado, restrição de crescimento fetal frequente e piores desfechos maternos e perinatais. É a forma que produz as decisões difíceis de parto no pré-termo extremo.
Na forma tardia, o desenvolvimento placentário inicial é normal e o estresse oxidativo do trofoblasto se instala no fim da gravidez, seja por compressão das vilosidades numa placenta madura, seja por senescência placentária. Associa-se com frequência a síndrome metabólica, obesidade, inflamação e comprometimento endotelial crônicos, e o compartimento útero-placentário costuma estar normal ou pouco alterado.
A distinção importa por três razões concretas. Primeira: o desfecho é diferente, e a forma tardia tende a evoluir melhor por estar mais perto do termo — o que não autoriza vigilância menor, porque eclâmpsia e HELLP acontecem nos dois grupos. Segunda: as estratégias de rastreio combinado do primeiro trimestre são boas para prever a pré-eclâmpsia pré-termo e ruins para prever a de termo, de modo que rastreio negativo não dá alta a ninguém. Terceira: os biomarcadores angiogênicos usam cortes diferentes conforme a idade gestacional — a razão sFlt-1/PlGF acima de 85 chama atenção antes de 34 semanas, e acima de 110 depois disso, enquanto valores abaixo de 38 afastam o diagnóstico por cerca de uma semana. No Brasil, a forma precoce chega a 40% dos casos atendidos em centros terciários, o que não é a proporção da população geral e sim o retrato de quem chega ao serviço terciário.
Sinais de gravidade: a lista com os números
A classificação em pré-eclâmpsia leve e grave foi abandonada, e a substituição não é cosmética. Os documentos passaram a falar em pré-eclâmpsia sem ou com sinais de gravidade — a RBEHG usa a expressão sinais e sintomas de deterioração clínica e laboratorial, o ACOG usa severe features, e a ISSHP recomenda de forma expressa que o termo pré-eclâmpsia grave não seja usado na prática clínica. O motivo é duplo: o rótulo leve fabrica falsa segurança em quem pode piorar em horas, e o rótulo grave produz antecipação de parto por reflexo, às vezes iatrogênica.
São sinais de gravidade, pelo Manual do Ministério da Saúde e pelo protocolo Febrasgo: estado hipertensivo com sistólica maior ou igual a 160 mmHg e/ou diastólica maior ou igual a 110 mmHg, confirmada em intervalo de 15 minutos com técnica adequada (a associação com sintomas configura emergência hipertensiva); síndrome HELLP; sinais de iminência de eclâmpsia; eclâmpsia; edema agudo de pulmão; dor torácica, com ou sem alteração respiratória; e insuficiência renal, identificada pela elevação progressiva de creatinina — a partir de 1,2 mg/dL — e ureia, além da progressão para oligúria, com diurese abaixo de 500 mL em 24 horas.
Iminência de eclâmpsia merece detalhe porque é a pergunta clássica. São sintomas de comprometimento vascular do sistema nervoso — cefaleia, fotofobia, fosfenas, escotomas — somados à hiper-reflexia periférica; e sintomas de comprometimento hepático — náuseas, vômitos e dor no andar superior do abdome, em epigástrio ou hipocôndrio direito. A dor em hipocôndrio direito é a que mais se desvaloriza e a que mais frequentemente anuncia HELLP.
O protocolo Febrasgo acrescenta os cortes laboratoriais que fecham o quadro de deterioração: plaquetopenia abaixo de 100.000/mm³, transaminases acima de duas vezes o valor de normalidade, e os marcadores de hemólise da síndrome HELLP — esquizócitos e equinócitos no sangue periférico, DHL acima de 600 UI/L, bilirrubina indireta acima de 1,2 mg/dL. A RBEHG usa, na prática do seguimento, TGO acima de 70 UI/L como gatilho de repetição em 24 a 48 horas.
Dois sinais que a lista brasileira registra e que costumam ser subestimados na vinheta: dor torácica e dispneia. Ambos entram no modelo fullPIERS como preditores de desfecho materno adverso, junto da saturação de oxigênio — um dado que custa um oxímetro e muda a estimativa de risco. E a queixa de dor torácica em gestante hipertensa pode ser vasculopatia cardíaca ou pulmonar, não ansiedade.
Tratar a pressão: quando começar e até onde baixar
O anti-hipertensivo na pré-eclâmpsia não trata a doença e não prolonga a gestação. Ele protege a mãe de acidente vascular encefálico e de infarto — é essa a justificativa, e é por isso que o alvo não é a normalização.
Quando começar: o protocolo da RBEHG indica iniciar quando a maioria dos valores pressóricos ultrapassa 140 ou 90 mmHg, e o Manual do Ministério da Saúde usa formulação equivalente no capítulo de hipertensão crônica, com mais de 50% das medidas acima de 140 e/ou 90. A ISSHP é mais direta: toda hipertensão na gravidez deve ser tratada, qualquer que seja o distúrbio hipertensivo de base.
Até onde baixar: os documentos brasileiros trabalham com duas formulações que dão no mesmo lugar. O Manual manda manter a pressão entre 110 a 140 por 85 mmHg na pré-eclâmpsia e na hipertensão gestacional, e fixa a meta de diastólica em 85 mmHg nas pacientes medicadas. A RBEHG orienta manter abaixo de 140 por 90 na maioria das aferições. A ISSHP fixa a diastólica de 85 mmHg como alvo, independentemente da sistólica, e o NICE usa 135/85. As diferenças e o que as sustenta estão no bloco de divergências.
O piso importa tanto quanto o teto. Queda abrupta e excessiva expõe a mãe a acidente vascular encefálico, infarto e insuficiência renal aguda, e reduz a perfusão útero-placentária, com hipóxia fetal. Na crise hipertensiva, a meta é reduzir 15% a 25% na primeira hora, mirando sistólica até 140 mmHg e diastólica até 90 mmHg — não mais que isso, e não mais rápido que isso.
Crise hipertensiva é sistólica maior ou igual a 160 mmHg ou diastólica maior ou igual a 110 mmHg, e justifica intervenção medicamentosa imediata. Obtida a redução desejada, inicia-se ou otimiza-se o anti-hipertensivo de manutenção por via oral. Quais drogas, em que dose e por que via, e quais classes são proscritas na gestação — isso é do capítulo de anti-hipertensivos na gestação.
Sulfato de magnésio: só quando indicar
O sulfato de magnésio é o anticonvulsivante de escolha e a indicação dele é uma decisão deste capítulo; o esquema é do capítulo de eclâmpsia.
Indica-se profilaxia de eclâmpsia quando a gestante com pré-eclâmpsia confirmada ou suspeita apresenta pressão sistólica maior ou igual a 160 mmHg e/ou diastólica maior ou igual a 110 mmHg, mesmo assintomática; e nos quadros de iminência de eclâmpsia, eclâmpsia, síndrome HELLP, deterioração clínica ou laboratorial e hipertensão de difícil controle. A ISSHP formula de modo próximo: pré-eclâmpsia com proteinúria e hipertensão grave, ou hipertensão com sinais ou sintomas neurológicos.
Três detalhes operacionais que a prova cobra e que são deste capítulo. Sulfato de magnésio e hipotensor de ação rápida têm indicações paralelas e é administrado no local do evento, sem esperar transferência — transferir paciente instável é o erro. Usar ou reutilizar o sulfato não indica, por si, a realização do parto: são decisões separadas. E há uma segunda indicação, com outra finalidade, na neuroproteção fetal entre 23 e 32 semanas quando o parto pré-termo é previsto.
Dose de ataque, manutenção, esquemas de Zuspan e Pritchard, vigilância de reflexo patelar, frequência respiratória e diurese, sinais de intoxicação e gluconato de cálcio: tudo isso está no capítulo de eclâmpsia.
O parto é o tratamento: quando resolver a gestação
A única cura da pré-eclâmpsia é a resolução da gestação. Toda a discussão de conduta se resume a comparar dois riscos que crescem em direções opostas: o risco materno de continuar grávida e o risco neonatal de nascer cedo.
Sem sinais de gravidade, com a gestante bem controlada, a resolução ocorre com 37 semanas, e a indução pode ser proposta. O número é o mesmo no Manual do Ministério da Saúde, no protocolo da RBEHG, no ACOG (37 semanas e 0 dias), no NICE e na ISSHP, e o que o sustenta é o hypitat. Antes de 37 semanas e sem sinais de gravidade, a conduta é expectante com vigilância — e o parto não se antecipa por proteinúria nem por ácido úrico.
Com sinais de gravidade, a idade gestacional divide a decisão em quatro faixas. Antes da viabilidade — algo entre 23 e 26 semanas, conforme a infraestrutura do serviço — a conduta é individualizada e compartilhada com o casal: a expectante cursa com mortalidade perinatal acima de 80% e complicação materna em 27% a 71% dos casos. Da viabilidade até 34 semanas, o ônus da prematuridade é alto e tenta-se avançar, mas só com clínica estável, êxito no controle farmacológico da pressão, exames laboratoriais adequados e vitalidade fetal preservada; qualquer um desses pilares que caia encerra a expectante. Entre 34 e 37 semanas, o ACOG indica o parto quando o quadro com sinais de gravidade é diagnosticado a partir de 34 semanas e 0 dias, após estabilização materna; os documentos brasileiros admitem, quando houve melhora clínica e laboratorial, aproximar-se da 37ª semana, sempre em ambiente hospitalar capaz de promover o parto de imediato. A partir de 37 semanas não há discussão: resolve-se.
Existe uma lista que atropela toda essa aritmética. Independentemente da idade gestacional, indicam o término da gravidez: síndrome HELLP; eclâmpsia; edema agudo de pulmão ou descompensação cardíaca; alterações laboratoriais progressivas — plaquetopenia, elevação de transaminases, elevação de desidrogenase láctica; insuficiência renal progressiva, com elevação de ureia e creatinina, anasarca ou oligúria; descolamento prematuro de placenta; hipertensão refratária ao tratamento com três anti-hipertensivos; e alterações na vitalidade fetal. O ACOG acrescenta, na lista de condições que impedem a expectante, a cefaleia persistente refratária ao tratamento, a dor em epigástrio ou hipocôndrio direito que não responde a analgésico repetido, e distúrbio visual, déficit motor ou alteração do sensório.
A palavra progressiva faz trabalho pesado nessa lista. Um sinal de gravidade isolado que estabiliza depois de tratado — uma crise hipertensiva assintomática que cede, uma alteração laboratorial que se mantém sem piorar — não é a mesma coisa que uma sequência de exames piorando a cada 24 horas. É por isso que a vigilância seriada vale mais que qualquer valor absoluto, e é por isso que o fullPIERS se lê como tendência na mesma paciente, e não como ponto de corte.
Conduta expectante no pré-termo: o que se vigia e o que a interrompe
A conduta expectante com sinais de gravidade não é observar: é internar em serviço com terapia intensiva materna, unidade neonatal e banco de sangue, e vigiar de perto. Quando o serviço não tem isso, a decisão certa é transferir com a paciente estável, não esperar no lugar errado.
Vigilância materna clínica: pressão a cada quatro horas na vigília, sem acordar a gestante durante a madrugada se estiver controlada. Balanço hídrico com controle do débito urinário, e reavaliação da função renal diante de oligúria abaixo de 500 mL em 24 horas. Rastreio diário de sinais de gravidade — cefaleia, alterações visuais, dor epigástrica ou abdominal, redução da movimentação fetal e sangramento vaginal.
Vigilância materna laboratorial: hemograma com atenção a hematócrito, hemoglobina e plaquetas; desidrogenase láctica; bilirrubinas totais ou haptoglobina; creatinina; e transaminase oxalacética. A frequência é de uma a duas vezes por semana, conforme a evolução e o índice de fullPIERS. Alguns exames saem da rotina de propósito: a proteinúria não se repete; a ureia só se dosa diante de comprometimento renal nítido ou suspeita de síndrome hemolítico-urêmica; o ácido úrico se correlaciona com desfecho adverso mas não decide sozinho; e exames de coagulação só se pedem se houver plaquetopenia. Diante de TGO acima de 70 UI/L, plaquetas abaixo de 100.000/mm³ ou creatinina acima de 1,1 mg/dL, os exames são repetidos em 24 a 48 horas.
Vigilância fetal: combinação de avaliação biofísica, sobretudo a cardiotocografia, com avaliação hemodinâmica pela dopplervelocimetria, além do acompanhamento do crescimento por ultrassonografia. A ISSHP sugere ultrassom a cada duas semanas para crescimento, líquido amniótico e Doppler de artéria umbilical, e recomenda o Doppler de ducto venoso antes de 34 semanas quando há restrição de crescimento. Vitalidade alterada, para efeito de decisão, é diástole zero ou reversa na artéria umbilical, ducto venoso com índice de pulsatilidade acima do percentil 95 para a idade gestacional, ou cardiotocografia anormal.
O corticoide antenatal entra aqui, com janela estreita. A indicação é a mesma de qualquer risco de parto pré-termo: antes de 34 semanas, quando existe risco de nascimento nos próximos sete dias — a RBEHG é mais restritiva e liga o gatilho ao risco de indicar a resolução nas próximas 48 horas, porque o uso muito precoce perde benefício se o nascimento acontecer depois de sete dias da primeira dose. O fármaco de escolha é a betametasona, 12 mg por via intramuscular a cada 24 horas por 48 horas; a dexametasona, 6 mg por via intramuscular a cada 12 horas por 48 horas, é a alternativa quando não há betametasona. Duas ressalvas de prova: quando há indicação de parto imediato, o parto não se atrasa para completar o ciclo — deterioração materna ou fetal pode impedir a segunda dose, e tudo bem; e corticoide não é tratamento da síndrome HELLP, a ISSHP recomenda expressamente contra usá-lo para acelerar a resolução dela (no Brasil, a dexametasona é usada para resgatar contagem plaquetária antes de cesárea, melhorando as condições anestésicas, sem alterar mortalidade materna ou perinatal).
Sobre a via de parto, a regra é curta: a indicação é obstétrica, e a via vaginal é preferível — inclusive com sinais de gravidade, desde que a vitalidade fetal esteja preservada e a situação materna permita. Evita-se agregar risco cirúrgico a uma paciente que pode estar consumindo plaquetas. No termo e sem deterioração, com colo desfavorável, faz-se preparo de colo com sonda de Foley e/ou misoprostol, com cautela em feto com restrição de crescimento, Doppler alterado ou cicatriz uterina prévia. A cesárea se justifica diante de vitalidade fetal alterada, ou de colo desfavorável em paciente com deterioração clínica e laboratorial, quando não é seguro aguardar. A idade gestacional pesa: a probabilidade de cesárea antes de 28 semanas pode chegar a 97%, o que é consequência do quadro e não indicação em si.
Puerpério: o risco não sai com a placenta
O parto cura a pré-eclâmpsia, mas não imediatamente, e o intervalo entre uma coisa e outra é onde acontece boa parte das mortes maternas evitáveis.
A pressão piora antes de melhorar. Os documentos brasileiros descrevem piora dos níveis pressóricos do terceiro ao sexto dia após o parto, secundária à redistribuição do líquido extravascular; a ISSHP situa o pico entre os dias 3 e 7. O problema é de logística tanto quanto de fisiologia: os valores mais altos costumam ocorrer depois que a mulher deixou o ambiente monitorado, e a hipertensão pós-parto é uma das causas mais comuns de reinternação puerperal.
Eclâmpsia e HELLP podem aparecer no puerpério, e a maior parte do risco está na primeira semana. O sulfato de magnésio, quando estava em curso no parto, é mantido por 24 horas depois dele — ou 24 horas após a última convulsão, o que vier depois — e pode ser reintroduzido se necessário. Uma ressalva diagnóstica do ACOG: convulsão nova que surge depois de 48 a 72 horas do parto aumenta a chance de causas alternativas, e merece investigação de imagem.
Controle pressórico no puerpério: manter abaixo de 140 por 90 mmHg, reduzindo ou retirando a medicação quando a pressão cair abaixo de 110 e/ou 70 mmHg. O NICE detalha a frequência — pelo menos quatro vezes ao dia enquanto internada, e a cada um a dois dias por até duas semanas depois da transferência para o cuidado da comunidade — e manda dosar plaquetas, transaminases e creatinina 48 a 72 horas após o parto, sem repetir se estiverem normais. A ISSHP vai adiante e sugere considerar tratamento para qualquer hipertensão diagnosticada antes do sexto dia de puerpério, mantendo o alvo de diastólica de 85 mmHg.
Há uma lista de iatrogenias específicas do puerpério da hipertensa, e ela cai em prova. Anti-inflamatórios não esteroides elevam a pressão por retenção de sódio e perda de vasodilatação — o Manual brasileiro orienta evitá-los no controle da dor, enquanto o ACOG considera que os dados apoiam o uso seguro e prefere manter o anti-inflamatório à alternativa opioide, com monitorização reforçada; a ISSHP admite usá-los quando outros analgésicos falham e não há lesão renal aguda. Agentes ergotamínicos, usados para hemorragia pós-parto por atonia, elevam a pressão. Bromocriptina e cabergolina, usadas para inibir lactação, além de elevar a pressão, associam-se a hemorragia intracerebral e infarto agudo do miocárdio. Nada disso é proibição absoluta, mas nenhuma dessas prescrições passa despercebida numa puérpera com pré-eclâmpsia.
Nos casos com sinais de gravidade, o protocolo da RBEHG registra que a furosemida por via oral, 20 mg ao dia, iniciada no dia do nascimento e mantida por três a cinco dias, reduz a prevalência de hipertensão persistente e a necessidade de hipotensores. E a alta hospitalar precisa sair com relatório detalhado e orientação escrita sobre os sinais de alarme que exigem retorno imediato — cefaleia intensa, alterações visuais, dor epigástrica, falta de ar.
Depois: o que a pré-eclâmpsia deixa para a vida inteira
Durante décadas a pré-eclâmpsia foi ensinada como doença específica da gravidez, curada pelo parto. Desde os anos 1990 acumulam-se evidências do contrário: quem teve pré-eclâmpsia carrega risco cardiovascular aumentado pelo resto da vida.
O tamanho do risco: metanálises associam a pré-eclâmpsia a cerca do dobro do risco de doença cardiovascular — hipertensão, infarto, insuficiência cardíaca —, de acidente vascular cerebral, de doença arterial periférica e de mortalidade cardiovascular. Há gradiente com a gravidade, e o risco é ainda maior, de quatro a oito vezes, em mulheres com pré-eclâmpsia recorrente ou com pré-eclâmpsia precoce que exigiu parto pré-termo. O Manual brasileiro acrescenta a esse rol os eventos renais e os fenômenos tromboembólicos, e orienta que o aconselhamento sobre isso faça parte da alta hospitalar dos casos que cursaram com sinais de gravidade.
O que fazer com essa informação, em datas. O protocolo da RBEHG recomenda uma avaliação precoce entre 7 e 10 dias de pós-parto, e não apenas a consulta habitual de 6 a 8 semanas; nessa consulta de retorno, reavaliam-se a pressão e a medicação, repetem-se os exames que estavam alterados — transaminases, ácido úrico, plaquetas, microalbuminúria, proteinúria, creatinina —, procuram-se fatores de risco cardiovascular modificáveis, e acolhem-se as questões de saúde mental, incluindo estresse pós-traumático, que são frequentes depois de uma internação dessas. Persistência de proteinúria ou albuminúria, sedimento urinário ativo, queda de filtração glomerular ou pressão de difícil controle motivam encaminhamento ao nefrologista.
A ISSHP estende o calendário: revisão aos 3 meses para confirmar que pressão, urina e alterações laboratoriais normalizaram, com encaminhamento se persistirem; revisão aos 6 meses, quando pressão de 120/80 mmHg ou mais já motiva conversa sobre estilo de vida; revisão médica anual nos primeiros 5 a 10 anos de puerpério; e cálculo de escore de risco cardiovascular de vida inteira, e não de 10 anos, porque o escore de 10 anos subestima o risco de mulheres jovens.
Duas informações práticas para o aconselhamento. Sobre contracepção: recomenda-se método eficaz e seguro para hipertensas, evitando estrogênio nas mulheres que permanecem hipertensas após o parto. Sobre gestações futuras: a ISSHP orienta informar risco de pelo menos 4% de hipertensão gestacional e de pelo menos 15% de pré-eclâmpsia numa próxima gravidez — número que justifica a prevenção com ácido acetilsalicílico na gestação seguinte, cujo esquema — e a situação do cálcio, que a RBEHG e a FEBRASGO deixaram de recomendar em março de 2026 — está no capítulo de Hipertensão crônica e hipertensão gestacional.
Da suspeita ao parto
O caminho inteiro está no fluxo. Os cards destrincham a única escala genuinamente ordinal do tema — a gradação de hipertensão gestacional até eclâmpsia e HELLP, em que cada degrau muda a conduta. A primeira tabela reúne os critérios que fecham o diagnóstico, com os cortes de cada método; a segunda traz os sinais de gravidade com os números que os definem; a terceira responde à pergunta que a vinheta sempre faz no fim, que é quando a gestação termina.
- 1Confirme a hipertensão com técnica correta: gestante sentada, pés no chão, braço na altura do coração, quinto ruído de Korotkoff, manguito adequado ou tabela de correção. Duas medidas com pelo menos quatro horas de intervalo para 140 por 90 mmHg; intervalo de 15 minutos quando a pressão já está em 160 por 110 mmHg.
- 2Situe no tempo. Antes de 20 semanas é hipertensão crônica — e pré-eclâmpsia antes de 20 semanas obriga a investigar doença trofoblástica gestacional e síndrome dos anticorpos antifosfolípides. A partir de 20 semanas, siga adiante.
- 3Procure a segunda coisa. Proteinúria por qualquer um dos três métodos, ou disfunção de órgão-alvo (plaquetas, creatinina, transaminases, edema pulmonar, sintoma neurológico ou visual), ou comprometimento placentário (restrição de crescimento, Doppler alterado). Nenhuma delas: hipertensão gestacional, que é diagnóstico provisório e exige vigilância. Qualquer uma delas: pré-eclâmpsia.
- 4Interne para a avaliação inicial, mesmo sem sinais de gravidade, e classifique: com ou sem sinais de gravidade. Exames mínimos: hemograma com plaquetas, desidrogenase láctica, bilirrubinas totais, creatinina e transaminase oxalacética. Vitalidade fetal e crescimento por cardiotocografia e dopplervelocimetria.
- 5Trate a pressão quando a maioria das medidas ultrapassar 140 ou 90 mmHg, mirando manter abaixo de 140 por 90 (o Manual brasileiro escreve a faixa de 110 a 140 por 85 mmHg). Na crise hipertensiva, reduza 15% a 25% na primeira hora — nunca de forma abrupta.
- 6Indique sulfato de magnésio diante de eclâmpsia, iminência de eclâmpsia, HELLP ou pré-eclâmpsia com alto risco convulsivo conforme o protocolo. Se houver pressão persistente em faixa grave, inicie simultaneamente o anti-hipertensivo de ação rápida: uma intervenção não deve atrasar a outra, e nenhuma delas isoladamente determina a via de parto.
- 7Decida o parto pela idade gestacional e pela presença de sinais de gravidade (terceira tabela). Antes disso, verifique a lista que atropela tudo: HELLP, eclâmpsia, edema agudo de pulmão, descolamento prematuro de placenta, hipertensão refratária a três drogas, alterações laboratoriais progressivas, insuficiência renal progressiva e alteração da vitalidade fetal indicam o parto agora, em qualquer idade gestacional.
- 8Se a expectante for possível antes de 34 semanas, faça corticoide quando o nascimento for provável em até sete dias, mantenha a paciente internada em serviço com terapia intensiva e unidade neonatal, e repita os exames de uma a duas vezes por semana, ou em 24 a 48 horas diante de alteração.
- 9Escolha a via pela indicação obstétrica: vaginal sempre que a vitalidade fetal e a condição materna permitirem, inclusive com sinais de gravidade; cesárea diante de vitalidade alterada ou de colo desfavorável em paciente que se deteriora.
- 10Vigie o puerpério como parte do tratamento: pico pressórico entre o terceiro e o sétimo dia, sulfato mantido por 24 horas, alvo abaixo de 140 por 90, retorno em 7 a 10 dias e seguimento cardiovascular de longo prazo.
Hipertensão gestacional
Hipertensão nova a partir de 20 semanas, sem proteinúria e sem qualquer outro sinal ou sintoma de pré-eclâmpsia. Diagnóstico provisório: de 10% a 50% evoluem para pré-eclâmpsia, e cerca de um quarto das que abrem o quadro antes de 34 semanas progridem. Conduta: controle pressórico, vigilância materno-fetal e busca ativa dos critérios que a reclassificariam. Se a pressão não normalizar até 12 semanas de puerpério, o diagnóstico vira hipertensão arterial crônica que estava mascarada.
Pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade
Hipertensão a partir de 20 semanas mais proteinúria significativa e/ou disfunção de órgão-alvo e/ou comprometimento placentário, sem nenhum sinal de gravidade. Interna-se para a avaliação inicial; o seguimento ambulatorial depois disso exige gestante orientada, moradia perto do hospital, acompanhante disponível, aferição diária de pressão e consulta semanal. Vigilância laboratorial e fetal seriada, e resolução da gestação com 37 semanas.
Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade
Pressão de 160 por 110 mmHg confirmada em 15 minutos, ou iminência de eclâmpsia, ou edema agudo de pulmão, ou dor torácica, ou insuficiência renal com creatinina a partir de 1,2 mg/dL e oligúria abaixo de 500 mL em 24 horas, ou plaquetas abaixo de 100.000/mm³, ou transaminases acima de duas vezes o normal. Internação obrigatória, sulfato de magnésio, controle pressórico e decisão de parto por idade gestacional: a partir de 34 semanas a resolução é a regra; antes disso, expectante só com clínica estável, pressão controlada, exames adequados e vitalidade preservada.
Eclâmpsia e síndrome HELLP
O extremo do espectro e a fronteira deste capítulo. Eclâmpsia é convulsão tônico-clônica generalizada ou coma em gestante ou puérpera com distúrbio hipertensivo, sem outra causa; ocorre em 2% a 3% das pré-eclâmpsias com sinais de gravidade sem profilaxia, e em 0,6% das classificadas inicialmente sem sinais de gravidade. A HELLP é o comprometimento hepato-hematológico da doença e aparece em 10% a 20% dos quadros graves. As duas indicam o parto em qualquer idade gestacional, depois de estabilizada a mãe. O manejo detalhado de cada uma está nos capítulos próprios.
| Eixo | O que fecha o diagnóstico | O corte |
|---|---|---|
| Pressão arterial — obrigatória | Hipertensão nova a partir da 20ª semana em gestante previamente normotensa | Sistólica ≥140 e/ou diastólica ≥90 mmHg, em duas medidas com pelo menos 4 horas de intervalo (15 minutos quando já está em faixa grave) |
| Proteinúria — urina de 24 horas | Método clássico; depende de coleta sem perdas | ≥300 mg em 24 horas |
| Proteinúria — amostra isolada | Melhor sensibilidade, menor custo, é o método preferido na prática | Relação proteína/creatinina ≥0,3, ambas em mg/dL |
| Proteinúria — fita reagente | Só na indisponibilidade dos métodos quantitativos; detecta apenas albumina, então negativa não afasta | Pelo menos 1 cruz (≈30 mg/dL) no Manual do Ministério da Saúde e no protocolo Febrasgo de 2018; pelo menos 2 cruzes no protocolo da RBEHG de 2025 e no ACOG |
| Sem proteinúria — hematológico | Consumo de plaquetas; é a alteração laboratorial mais precoce do espectro | Plaquetas <100.000/mm³ |
| Sem proteinúria — renal | Perda de função renal nova | Creatinina ≥1,2 mg/dL ou duplicação do valor basal; oligúria <500 mL/24 h |
| Sem proteinúria — hepático | Vasoespasmo hepático e necrose periportal | TGO/AST ou TGP/ALT acima de duas vezes o limite superior da normalidade, com ou sem dor em epigástrio ou hipocôndrio direito |
| Sem proteinúria — neurológico | O sintoma vale como critério; não se espera a convulsão | Cefaleia recente e persistente sem resposta a analgésico, escotomas, fosfenas, fotofobia, visão borrada, hiper-reflexia, eclâmpsia |
| Sem proteinúria — pulmonar | Comprometimento endotelial pulmonar | Edema agudo de pulmão |
| Sem proteinúria — útero-placentário | Aceito como critério no documento brasileiro e pela ISSHP; ausente da lista do ACOG | Restrição de crescimento fetal, alterações dopplervelocimétricas, descolamento prematuro de placenta, óbito fetal |
Sinais de gravidade: o número que define cada um e o que ele muda
| Sinal | O número | O que muda na conduta |
|---|---|---|
| Crise hipertensiva | Sistólica ≥160 e/ou diastólica ≥110 mmHg, confirmada em intervalo de 15 minutos | Hipotensor de ação rápida imediato, com redução de 15% a 25% na primeira hora, e sulfato de magnésio mesmo se assintomática. Com sintomas, é emergência hipertensiva |
| Iminência de eclâmpsia | Cefaleia, fotofobia, fosfenas, escotomas, hiper-reflexia, náuseas, vômitos, dor em epigástrio ou hipocôndrio direito | Sulfato de magnésio, internação e reavaliação da indicação de parto |
| Eclâmpsia | Convulsão tônico-clônica generalizada ou coma, sem outra causa | Parto em qualquer idade gestacional após estabilização materna; não há espera mínima fixa de 4 a 6 horas |
| Síndrome HELLP | Hemólise (DHL >600 UI/L, bilirrubina indireta >1,2 mg/dL, esquizócitos), transaminases elevadas e plaquetas <100.000/mm³ | Parto em qualquer idade gestacional, salvo condição excepcional |
| Plaquetopenia | Plaquetas <100.000/mm³ | Repetir em 24 a 48 horas; queda progressiva indica o parto |
| Comprometimento hepático | Transaminases acima de duas vezes o normal; a RBEHG usa TGO >70 UI/L como gatilho | Repetir em 24 a 48 horas; elevação progressiva indica o parto |
| Insuficiência renal | Creatinina ≥1,2 mg/dL em elevação progressiva; diurese <500 mL/24 h | Reavaliar função renal, ajustar a dose de sulfato de magnésio; progressão indica o parto |
| Edema agudo de pulmão | Diagnóstico clínico | Parto em qualquer idade gestacional; furosemida é o diurético eleito |
| Dor torácica ou dispneia | Queixa clínica, com ou sem alteração respiratória | Não desvalorizar: pode ser vasculopatia cardíaca ou pulmonar e entra no modelo fullPIERS junto da saturação de oxigênio |
| Hipertensão refratária | Sem controle com três anti-hipertensivos | Parto em qualquer idade gestacional |
Momento do parto por idade gestacional
| Idade gestacional | Sem sinais de gravidade | Com sinais de gravidade |
|---|---|---|
| Abaixo do limite de viabilidade (23 a 26 semanas, conforme a infraestrutura do serviço) | Situação praticamente inexistente nessa faixa; pré-eclâmpsia antes de 20 semanas obriga a investigar doença trofoblástica e síndrome dos anticorpos antifosfolípides | Decisão individualizada e compartilhada com o casal: a conduta expectante cursa com mortalidade perinatal acima de 80% e complicação materna em 27% a 71%. Mesmo interrompendo, o cuidado materno continua |
| Da viabilidade até 34 semanas | Conduta expectante com vigilância; o parto não se antecipa por proteinúria nem por ácido úrico | Tentar avançar até 34 semanas, mas só com clínica estável, pressão controlada com medicação, exames adequados e vitalidade fetal preservada. Internada, em serviço com terapia intensiva e unidade neonatal. Corticoide quando o nascimento for provável em até 7 dias |
| Entre 34 e 37 semanas | Conduta expectante até 37 semanas | O ACOG indica o parto a partir de 34 semanas e 0 dias, após estabilização materna. Os documentos brasileiros admitem, com melhora clínica e laboratorial, aproximar-se de 37 semanas — sempre internada, em serviço capaz de promover o parto de imediato. Deterioração encerra a espera |
| A partir de 37 semanas | Resolver a gestação; a indução pode ser proposta | Resolver a gestação após estabilização materna |
| Qualquer idade gestacional | — | HELLP, eclâmpsia, edema agudo de pulmão ou descompensação cardíaca, descolamento prematuro de placenta, hipertensão refratária a três drogas, alterações laboratoriais progressivas, insuficiência renal progressiva e alteração da vitalidade fetal indicam o parto agora |
A palavra que governa a decisão de parto no pré-termo é progressiva. Um sinal de gravidade isolado que estabiliza depois de tratado não equivale a uma sequência de exames piorando a cada 24 horas — e é por isso que o fullPIERS se lê como tendência na mesma paciente, sem ponto de corte fixo. Duas validações brasileiras encontraram desempenho melhor em 2,15% e em 1,7%, o que confirma que o número absoluto varia por serviço.
Confirmada a proteinúria, ela não se repete e não decide parto. Quem repete proteinúria para acompanhar gravidade está medindo o que não muda a conduta e deixando de medir o que muda: plaquetas, transaminases e creatinina.
Corticoide não atrasa parto indicado. Quando há indicação de resolução imediata, o ciclo pode ficar incompleto — e isso é aceitável. Corticoide também não é tratamento de síndrome HELLP; a dexametasona usada no Brasil antes de cesárea serve para melhorar a contagem plaquetária e as condições anestésicas, sem alterar mortalidade materna ou perinatal.
Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade não é indicação de cesárea. A via é obstétrica, e o parto vaginal é preferível também aqui, com indução quando a vitalidade fetal está preservada e a mãe permite — a alta taxa de cesárea antes de 28 semanas é consequência da situação, não regra.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Manual de Gestação de Alto Risco (2022) e Protocolo Febrasgo n. 8 (2018): pelo menos uma cruz
Os dois documentos brasileiros mais antigos da linhagem escrevem que, na impossibilidade da urina de 24 horas e da relação proteína/creatinina, a avaliação qualitativa em fita é considerada positiva com a presença de pelo menos uma cruz, identificação compatível com cerca de 30 mg/dL. A lógica é de sensibilidade num sistema em que o método quantitativo pode simplesmente não estar disponível na unidade: numa doença cuja principal causa de morte é o diagnóstico tardio, um limiar mais baixo erra para o lado de investigar. Os dois cortes de referência quantitativos são idênticos aos internacionais — 300 mg em 24 horas e relação de 0,3 — e a divergência existe apenas no método de triagem.
Brasil, Ministério da Saúde, Manual de gestação de alto risco, 2022, item 11.3; e PERAÇOLI, J. C. et al., Pré-eclâmpsia/eclâmpsia, Protocolo Febrasgo – Obstetrícia n. 8, 2018
Protocolo da RBEHG (2025) e ACOG Practice Bulletin n. 222 (2020): pelo menos duas cruzes
O protocolo brasileiro mais recente e o americano adotam o limiar de duas cruzes, e o americano explicita o dado que sustenta a escolha: comparada com o padrão de 300 mg em urina de 24 horas, a leitura de uma cruz é falso-positiva em 71% dos casos, enquanto o uso de duas cruzes como valor discriminante melhora a acurácia global. Ambos mantêm a fita como recurso de exceção, para quando não há método quantitativo, e ambos alertam que a taxa de falso-negativo permanece alta em qualquer limiar, porque a fita detecta apenas albumina e não capta proteínas de cadeia leve.
Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão na Gravidez, Protocolo Pré-eclâmpsia, 2025; e ACOG Practice Bulletin n. 222, Obstetrics & Gynecology, 2020
Na prova
O recorte se identifica por três pistas. Primeira, a menção nominal: enunciado que cita o Manual de Gestação de Alto Risco ou o protocolo Febrasgo de 2018 está no mundo da uma cruz; enunciado que cita o ACOG ou o protocolo da rede brasileira de 2025 está no mundo das duas cruzes. Segunda, o cenário: unidade básica, pré-natal de rotina e ausência de laboratório empurram para o corte mais sensível, porque é o corte pensado para triagem sem exame quantitativo. Terceira, e a mais útil, as próprias alternativas: se uma opção oferece a relação proteína/creatinina ou a urina de 24 horas, a questão em geral não está cobrando o corte da fita e sim se o candidato sabe qual método pedir — e aí a fita é a última escolha nos dois mundos. Vale lembrar que, com fita de uma cruz e clínica sugestiva, nenhum dos dois lados manda mandar a gestante para casa: manda quantificar.
ACOG Practice Bulletin n. 222 (2020): lista só materna, com plaquetas abaixo de 100.000 e creatinina acima de 1,1 mg/dL
Na ausência de proteinúria, o americano fecha o diagnóstico com plaquetas abaixo de 100.000 por microlitro, creatinina sérica acima de 1,1 mg/dL ou duplicação do valor na ausência de outra doença renal, transaminases elevadas a mais de duas vezes o valor normal, edema pulmonar, e cefaleia de início recente sem resposta a medicação e não explicada por outro diagnóstico, ou sintomas visuais. A lista é inteiramente materna: restrição de crescimento fetal e alterações de Doppler não entram como critério diagnóstico de pré-eclâmpsia, e o documento registra que a restrição de crescimento também deixou de ser, isoladamente, indicação de parto quando os demais parâmetros fetais estão normais.
ACOG Practice Bulletin n. 222, Quadros 2 e 3, Obstetrics & Gynecology, v. 135, n. 6, 2020
ISSHP (2021): cortes mais baixos e a disfunção útero-placentária como critério
A sociedade internacional usa limiares mais sensíveis — plaquetas abaixo de 150.000 por microlitro, coagulação intravascular disseminada ou hemólise; lesão renal aguda com creatinina de pelo menos 90 µmol/L, o equivalente a cerca de 1,0 mg/dL; e envolvimento hepático com ALT ou AST acima de 40 UI/L — e inclui um quarto eixo que os demais eixos maternos não cobrem: disfunção útero-placentária, definida por descolamento prematuro de placenta, desequilíbrio angiogênico, restrição de crescimento fetal, Doppler de artéria umbilical anormal ou óbito fetal intrauterino. O documento também determina que o termo pré-eclâmpsia grave não seja usado na prática clínica, porque toda paciente com a doença está sob risco de desenvolver formas graves.
MAGEE, L. A. et al., The 2021 ISSHP classification, diagnosis & management recommendations for international practice, Tabela 1, Pregnancy Hypertension, v. 27, 2022
Documento brasileiro (Manual do Ministério da Saúde, 2022; Febrasgo, 2018; RBEHG, 2025): plaquetas abaixo de 100.000, creatinina de 1,2 mg/dL, e o comprometimento placentário conta
A régua nacional fica entre as duas. Adota os limiares hematológico e hepático próximos do americano — plaquetas abaixo de 100.000/mm³ e transaminases acima de duas vezes o normal — mas trabalha com creatinina de pelo menos 1,2 mg/dL para insuficiência renal aguda, valor um pouco mais alto que o do ACOG e bastante mais alto que o da ISSHP, e acrescenta a oligúria abaixo de 500 mL em 24 horas. Acompanha a ISSHP no ponto que mais muda o diagnóstico na prática: sinais de comprometimento placentário — restrição de crescimento fetal e alterações dopplervelocimétricas — fecham pré-eclâmpsia mesmo sem proteinúria. No seguimento, o protocolo de 2025 usa creatinina acima de 1,1 mg/dL como gatilho para repetir o exame em 24 a 48 horas.
Brasil, Ministério da Saúde, Manual de gestação de alto risco, 2022, item 11.3; Protocolo Febrasgo – Obstetrícia n. 8, 2018; Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão na Gravidez, Protocolo Pré-eclâmpsia, 2025
Na prova
O que denuncia o recorte é o vocabulário e o desenho da vinheta. Enunciado que usa a expressão severe features, ou que separa a doença em com e sem características graves, está no corpo americano — e nele um feto com restrição de crescimento e mãe hipertensa sem outro achado não fecha pré-eclâmpsia. Enunciado que usa iminência de eclâmpsia, sinais de gravidade, deterioração clínica e laboratorial, ou que cita o Manual do Ministério da Saúde, está na régua brasileira, e aí o Doppler alterado entra na conta. Um distrator que oferece plaquetas de 130.000 como suficiente para fechar o diagnóstico só faz sentido no mundo da ISSHP, e a presença dele no rol de alternativas costuma ser o sinal de que a questão está construída sobre o documento internacional. Cuidado com o valor de creatinina: 1,15 mg/dL cruza o limiar americano e não cruza o brasileiro, e uma questão que escolhe esse número está cobrando exatamente a diferença.
Parto a partir de 37 semanas na pré-eclâmpsia, com base no HYPITAT (2009) — posição comum ao Manual do Ministério da Saúde (2022), à RBEHG (2025), ao ACOG (2020), ao NICE (NG133) e à ISSHP (2021)
No ensaio HYPITAT, mulheres com hipertensão gestacional ou pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade após 36 semanas foram alocadas para conduta expectante ou indução do parto; a indução associou-se a redução significativa de um desfecho materno adverso composto, que incluía pré-eclâmpsia com sinais de gravidade de início novo, HELLP, eclâmpsia, edema pulmonar e descolamento de placenta (risco relativo de 0,71; intervalo de confiança de 95% entre 0,59 e 0,86), sem diferença nas taxas de complicação neonatal nem de cesárea. Antes de 37 semanas, a expectante se justifica porque os riscos de progressão são pequenos e ficam contrabalançados pelo excesso de internação em unidade neonatal, complicação respiratória e morte neonatal que o parto mais precoce produziria.
KOOPMANS, C. M. et al., HYPITAT, The Lancet, v. 374, 2009, conforme descrito no ACOG Practice Bulletin n. 222 (2020) e no documento da ISSHP (2021); Manual de gestação de alto risco, 2022, item 11.4; RBEHG, Protocolo Pré-eclâmpsia, 2025; NICE NG133
Hipertensão gestacional pode esperar além de 37 semanas — Manual do Ministério da Saúde (2022) e ISSHP (2021)
A divergência viva não é sobre a pré-eclâmpsia e sim sobre a vizinha. O Manual brasileiro orienta postergar a resolução da hipertensão gestacional até 39 semanas e 6 dias, desde que a pressão esteja controlada, o bem-estar fetal preservado e não haja evolução para pré-eclâmpsia. A ISSHP registra o motivo do desconforto com o número de 37: no HYPITAT, os dois terços de participantes que tinham hipertensão gestacional no termo não experimentaram redução significativa de desfecho materno desfavorável (odds ratio de 0,81; intervalo entre 0,63 e 1,03), o que põe em dúvida se esse subgrupo se beneficia do parto programado; com base em dados observacionais, a sociedade sugere 38 a 39 semanas e 6 dias para hipertensão gestacional pré-termo e para hipertensão crônica, e há ensaio em andamento. O protocolo da RBEHG de 2025 reconhece a falta de consenso e resolve oferecendo o parto a partir de 37 semanas depois de explicar riscos e benefícios à gestante.
Brasil, Ministério da Saúde, Manual de gestação de alto risco, 2022, item 11.3; MAGEE, L. A. et al., ISSHP 2021, seção de momento do parto, Pregnancy Hypertension, v. 27, 2022; RBEHG, Protocolo Pré-eclâmpsia, 2025
Na prova
A pista mais confiável é o diagnóstico escrito na vinheta. Se o enunciado diz pré-eclâmpsia — com proteinúria, com disfunção de órgão-alvo ou com comprometimento placentário — os cinco documentos convergem no termo, e o número 37 é o que todos escrevem. Se o enunciado diz hipertensão gestacional, sem proteinúria e sem qualquer outro achado, a controvérsia é real e o recorte se identifica pelo cenário: prova oficial de âmbito nacional e conduta de sistema público tendem à régua do Manual brasileiro, que autoriza chegar a 39 semanas e 6 dias com pressão controlada; enunciado que cita sociedade internacional ou que se apoia em decisão compartilhada tende à faixa de 38 a 39 semanas e 6 dias. Um detalhe que costuma decidir a questão: uma gestante com hipertensão gestacional que desenvolve proteinúria ou qualquer sinal de disfunção deixa de ser hipertensão gestacional naquele momento, e o relógio dela passa a ser o de 37 semanas.
Expectante admitida com critérios estritos — ACOG (2020), ISSHP (2021), Manual do Ministério da Saúde (2022) e RBEHG (2025)
Os quatro documentos aceitam prolongar a gestação antes de 34 semanas quando as condições materna e fetal estão estáveis. O ACOG apoia a posição em dois ensaios randomizados e numa revisão sistemática Cochrane que mostraram idade gestacional maior ao nascimento e melhores desfechos neonatais com a expectante, além de evidência observacional de prolongamento de uma a duas semanas com baixo risco materno. A ISSHP registra que, da viabilidade até 33 semanas e 6 dias, a evidência limitada favorece a expectante quando não há indicação clara de parto: numa revisão sistemática de seis ensaios com 748 mulheres, a conduta intervencionista antecipou o nascimento em cerca de dez dias, com desfechos maternos semelhantes e mais morbidade neonatal — hemorragia intraventricular, doença da membrana hialina e necessidade de ventilação. O documento brasileiro chega ao mesmo destino exigindo quatro premissas simultâneas: clínica estável, êxito no controle farmacológico da hipertensão, exames laboratoriais adequados e vitalidade fetal preservada. O prolongamento médio observado é de 15,4 dias, variando de 4 a 36 — o que significa muito numa gestação de 26 semanas e pouco numa de 35.
ACOG Practice Bulletin n. 222, 2020; MAGEE, L. A. et al., ISSHP 2021, Pregnancy Hypertension, v. 27, 2022; Brasil, Ministério da Saúde, Manual de gestação de alto risco, 2022, item 11.5.2; RBEHG, Protocolo Pré-eclâmpsia, 2025
O benefício neonatal depende do recurso disponível — ensaio multicêntrico latino-americano citado pelo ACOG (2020)
Um ensaio randomizado multicêntrico realizado na América Latina não encontrou benefício neonatal na conduta expectante da pré-eclâmpsia com sinais de gravidade entre 28 e 34 semanas, resultado oposto ao dos ensaios que sustentam a recomendação geral. O próprio ACOG atribui a diferença às limitações de terapia intensiva neonatal em ambientes de menor recurso — ou seja, o que muda o resultado não é a fisiologia da doença, é a capacidade da unidade neonatal de transformar dias extras de gestação em sobrevida. A consequência prática está escrita nos documentos: a expectante é oferecida por interesse fetal ao preço de risco materno, e não se justifica quando a sobrevida neonatal não é esperada; ela exige serviço com terapia intensiva materna, unidade neonatal e banco de sangue, e a paciente estável deve ser transferida quando o serviço não tem essa estrutura.
Ensaio multicêntrico latino-americano de 28 a 34 semanas, conforme descrito e discutido no ACOG Practice Bulletin n. 222, 2020; RBEHG, Protocolo Pré-eclâmpsia, 2025 (condições de estrutura e transferência)
Na prova
O cenário da vinheta é o que resolve. Descrição de centro terciário, unidade de terapia intensiva neonatal disponível, equipe multiprofissional e paciente internada aponta para a expectante com vigilância intensiva. Descrição de maternidade sem unidade neonatal, sem banco de sangue ou de gestante que chegou pela primeira vez ao serviço aponta para estabilizar, sulfatar e transferir — nunca observar no lugar sem estrutura. Preste atenção também na idade gestacional exata: abaixo do limite de viabilidade a discussão muda de natureza e passa a ser individualizada com o casal, porque a expectante nessa faixa cursa com mortalidade perinatal acima de 80% e complicação materna em 27% a 71%. E, em qualquer faixa, um distrator que ofereça manter a expectante diante de plaquetopenia que cai, transaminases que sobem ou diástole reversa está fora dos dois mundos: essa lista interrompe a espera em todos os documentos.
Diastólica de 85 mmHg, independentemente da sistólica — ISSHP (2021), Manual do Ministério da Saúde (2022) e Febrasgo (2018), com base no CHIPS (2015)
A ISSHP fixa como alvo a pressão diastólica de 85 mmHg, qualquer que seja o valor da sistólica, e classifica a recomendação como forte. O Manual brasileiro chega ao mesmo número por dois caminhos: no capítulo de hipertensão crônica escreve que a meta das pacientes medicadas é manter a diastólica em 85 mmHg, e no capítulo de síndromes hipertensivas orienta manter a pressão entre 110 a 140 por 85 mmHg na hipertensão gestacional e na pré-eclâmpsia. O protocolo Febrasgo de 2018 registra a mesma meta. O ensaio que sustenta o número é o CHIPS, de 2015, que comparou controle menos rígido (diastólica alvo de 100 mmHg) com controle rígido (diastólica alvo de 85 mmHg): não houve diferença em perda gestacional, necessidade de cuidado neonatal de alto nível ou complicações maternas globais, mas o braço menos rígido teve frequência significativamente maior de hipertensão grave — e hipertensão grave é o que produz acidente vascular encefálico.
MAGEE, L. A. et al., ISSHP 2021, recomendação 24, Pregnancy Hypertension, v. 27, 2022; Brasil, Ministério da Saúde, Manual de gestação de alto risco, 2022, itens 11.3 e 43.7; Protocolo Febrasgo n. 8, 2018; ensaio CHIPS, New England Journal of Medicine, 2015
Alvo escrito como valor de par — 135/85 mmHg no NICE (NG133) e abaixo de 140 por 90 mmHg na RBEHG (2025), com base no CHAP (2022)
O NICE escreve o alvo como par de valores, 135 por 85 mmHg, tanto na hipertensão gestacional quanto na pré-eclâmpsia. O protocolo brasileiro de 2025 orienta iniciar a medicação quando a maioria dos valores ultrapassar 140 ou 90 mmHg e ajustar as doses visando manter a pressão abaixo de 140 por 90 na maioria das aferições, e cita explicitamente o CHAP, de 2022, ao lado do CHIPS. No CHAP, tratar a hipertensão crônica leve a partir do limiar de 140 por 90 mmHg reduziu o desfecho composto de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, parto pré-termo indicado antes de 35 semanas, descolamento de placenta e morte fetal ou neonatal, de 37,0% para 30,2% (risco relativo ajustado de 0,82), sem aumentar a incidência de recém-nascidos abaixo do percentil 10 — o argumento que por anos sustentou o tratamento conservador. O próprio protocolo da rede ressalva que nem o CHIPS nem o CHAP incluíram especificamente gestantes com pré-eclâmpsia, e que o conceito é assumido por extensão.
NICE guideline NG133, Hypertension in pregnancy, 2019 (atualizada em 2023); RBEHG, Protocolo Pré-eclâmpsia, 2025; ensaios CHIPS (2015) e CHAP (2022), New England Journal of Medicine, citados nesse protocolo
Na prova
As duas formulações são clinicamente muito próximas, e a questão raramente pede o número do alvo isolado; ela costuma pedir o limiar de início e o comportamento na crise. Três âncoras resolvem quase tudo. Primeira: a faixa grave — 160 por 110 mmHg — é idêntica em todos os documentos e sempre exige tratamento imediato. Segunda: a redução na crise hipertensiva é de 15% a 25% na primeira hora, e qualquer alternativa que proponha normalizar a pressão rapidamente está errada nos dois mundos, pelo risco materno de acidente vascular encefálico e infarto e pela hipoperfusão útero-placentária. Terceira: enunciado que cita o NICE traz o par 135 por 85; enunciado que cita a ISSHP ou o Manual brasileiro traz a diastólica de 85 como referência. Se a alternativa oferece manter a diastólica em torno de 100 mmHg, ela está reproduzindo o braço menos rígido do CHIPS, que foi o braço com mais hipertensão grave.
Caso resolvido
- achado
- Hipertensão nova a partir das 20 semanas em gestante previamente normotensa, com relação proteína/creatinina de 1,8. Diagnóstico fechado: pré-eclâmpsia. A proteinúria já está confirmada e não será repetida — nem para acompanhar, nem para decidir parto.
- achado
- Pressão de 168/112 mmHg confirmada em intervalo de 15 minutos é crise hipertensiva, e por si só classifica como pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. Somam-se dois sinais de iminência de eclâmpsia: cefaleia persistente sem resposta a analgésico e dor epigástrica com náusea. A associação de pressão em faixa grave com sintomas configura emergência hipertensiva.
- achado
- Os exames ainda não mostram deterioração estabelecida: plaquetas de 128.000/mm³ (acima do corte de 100.000), TGO de 48 UI/L (abaixo de 70 e de duas vezes o limite superior), creatinina de 0,9 mg/dL, DHL de 310 UI/L e bilirrubinas normais afastam síndrome HELLP no momento. O feto está no percentil 22, com líquido e Doppler normais e cardiotocografia reativa.
- conduta
- Internação imediata, em serviço com terapia intensiva materna e unidade neonatal — que é o caso. Sulfato de magnésio antes do hipotensor de ação rápida, indicado tanto pela crise hipertensiva quanto pela iminência de eclâmpsia; esquema, monitorização e antídoto estão no capítulo de eclâmpsia. Em seguida, hipotensor de ação rápida com meta de reduzir 15% a 25% na primeira hora, mirando sistólica até 140 e diastólica até 90 mmHg; estabilizada, inicia-se o anti-hipertensivo oral de manutenção, cujo detalhamento é do capítulo de anti-hipertensivos.
- conduta
- A idade gestacional é de 33 semanas e 2 dias, e não há nenhum item da lista que indica parto imediato em qualquer idade gestacional. Com clínica que estabiliza, pressão controlada com medicação, exames laboratoriais adequados e vitalidade fetal preservada, as quatro premissas da conduta expectante estão preenchidas: tenta-se avançar até 34 semanas. Ciclo de corticoide para maturação pulmonar — betametasona 12 mg por via intramuscular a cada 24 horas por 48 horas — porque há risco concreto de indicar a resolução em poucos dias.
- conduta
- Vigilância intensiva: pressão a cada quatro horas na vigília, sem acordar a paciente à noite se estiver controlada; balanço hídrico com débito urinário; pesquisa diária de cefaleia, alterações visuais, dor epigástrica, sangramento e redução de movimentos fetais; hemograma com plaquetas, creatinina, TGO e desidrogenase láctica repetidos, com fullPIERS acompanhado como tendência; cardiotocografia e dopplervelocimetria seriadas.
- evolução
- No quinto dia de internação, com 34 semanas exatas, a paciente está assintomática e com pressão de 138/86 mmHg em uso de anti-hipertensivo oral. Os exames de controle, porém, mostram plaquetas de 84.000/mm³, TGO de 130 UI/L, desidrogenase láctica de 690 UI/L e bilirrubina indireta de 1,4 mg/dL. Creatinina de 1,0 mg/dL. Cardiotocografia reativa.
- conduta
- A tendência mudou tudo, embora a paciente esteja mais confortável do que na admissão. Plaquetopenia abaixo de 100.000/mm³ com queda progressiva, transaminases em elevação, desidrogenase láctica acima de 600 UI/L e bilirrubina indireta acima de 1,2 mg/dL configuram síndrome HELLP — que indica o parto em qualquer idade gestacional, e aqui a idade gestacional já é de 34 semanas. Alterações laboratoriais progressivas encerram a conduta expectante mesmo com a mãe assintomática e a pressão controlada.
- conduta
- Resolução da gestação com sulfato de magnésio em curso e mantido por 24 horas após o parto. A via é obstétrica: com vitalidade fetal preservada, o parto vaginal é preferível, e a indução pode ser feita — a cesárea entraria se a vitalidade se alterasse, se o colo estivesse desfavorável em paciente em deterioração rápida ou por outra indicação obstétrica. Puerpério com pressão medida ao menos quatro vezes ao dia, atenção ao pico esperado entre o terceiro e o sétimo dia, exames de controle, e alta com relatório e orientação escrita sobre sinais de alarme, retorno em 7 a 10 dias e aconselhamento sobre risco cardiovascular de longo prazo.
Agora feche você
- achado
- Hipertensão nova a partir das 20 semanas em gestante previamente normotensa (146/94 e 148/96 mmHg, com mais de quatro horas entre as medidas), somada a relação proteína/creatinina de 0,42, que ultrapassa o corte de 0,3.
- achado
- Nenhum sinal de gravidade: pressão fora da faixa de 160/110 mmHg, ausência de sintoma neurológico, visual, epigástrico ou respiratório, plaquetas, creatinina, transaminases e desidrogenase láctica normais, vitalidade e crescimento fetais preservados. Idade gestacional de 37 semanas e 2 dias, com colo desfavorável.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Exigir proteinúria para fechar o diagnóstico Atrai porque foi assim que a doença foi ensinada por décadas e porque a tríade clássica ainda circula em resumo antigo. Só que a proteinúria deixou de ser obrigatória: hipertensão nova depois de 20 semanas com plaquetas abaixo de 100.000/mm³, ou creatinina de 1,2 mg/dL, ou transaminases dobradas, ou edema pulmonar, ou cefaleia refratária, ou restrição de crescimento com Doppler alterado já é pré-eclâmpsia. Chamar de hipertensão gestacional uma paciente com urina limpa e plaquetas caindo é a forma mais comum de perder tempo.
- 2Usar o grau da proteinúria como termômetro de gravidade Parece razoável — mais proteína, mais doença — e é justamente o contrário do que os documentos determinam. Confirmada, a proteinúria não se repete: ela aumenta com o tempo em qualquer conduta expectante e esse aumento não prevê desfecho perinatal. O ACOG retirou o corte de 5 g em 24 horas da lista de gravidade em 2013, e a ISSHP determina que a decisão de parto não se baseie apenas no grau de proteinúria nem na hiperuricemia. Quem quantifica proteinúria para decidir parto está medindo a variável errada.
- 3Chamar de leve e mandar para casa sem a avaliação inicial A expressão pré-eclâmpsia leve saiu dos documentos exatamente porque produzia essa conduta. No momento do diagnóstico, mesmo sem sinais de gravidade, a gestante é internada para aprofundar a avaliação e ter certeza de que nenhum sinal ou alteração laboratorial reclassifica o caso. Só depois disso o seguimento ambulatorial é uma opção — e ele tem pré-requisitos: gestante orientada e capaz de reconhecer sinais de agravamento, moradia próxima ao hospital, acompanhante disponível o tempo todo, aferição diária de pressão e consulta semanal.
- 4Esperar o sintoma para indicar o sulfato de magnésio A eclâmpsia pode acontecer sem qualquer aviso, e a crise hipertensiva é a janela de oportunidade para preveni-la. Pressão de 160/110 mmHg em gestante com pré-eclâmpsia confirmada ou suspeita indica sulfato de magnésio mesmo se ela estiver assintomática. Dois erros de sequência acompanham essa armadilha: dar o hipotensor antes do sulfato, e transferir a paciente para dar o sulfato no destino — sulfato de magnésio e hipotensor de ação rápida têm indicações paralelas e é feito no local do evento.
- 5Confundir dar sulfato com indicar parto A associação é automática na cabeça de quem estudou pela metade, e o Manual do Ministério da Saúde frisa o contrário: usar ou reutilizar o sulfato de magnésio não indica, necessariamente, a realização do parto. São duas decisões independentes, tomadas por critérios diferentes. Uma paciente de 29 semanas pode receber sulfato por crise hipertensiva, estabilizar e seguir em conduta expectante por mais duas semanas.
- 6Atrasar o parto indicado para completar o ciclo de corticoide Parece cuidado com o prematuro e é troca de risco na direção errada. Quando existe indicação de resolução imediata — HELLP, eclâmpsia, edema agudo de pulmão, descolamento, hipertensão refratária, exames em piora progressiva, vitalidade alterada — o parto não espera. A deterioração materna ou fetal pode impedir a segunda dose, e isso é aceitável. Corticoide se dá quando há risco de nascimento nos próximos dias e a espera é segura, não como condição para nascer.
- 7Indicar cesárea automática por pré-eclâmpsia com sinais de gravidade Atrai porque a situação é grave e a cesárea parece mais rápida e mais controlada. Os documentos dizem o oposto: a via é obstétrica e o parto vaginal é preferível também com sinais de gravidade, para não somar risco cirúrgico e sangramento a uma paciente que pode estar consumindo plaquetas. A indução se faz com vitalidade fetal preservada e situação materna que permita. A cesárea entra por vitalidade alterada, colo desfavorável em paciente que se deteriora, ou outra indicação obstétrica.
- 8Achar que o parto encerra o risco É a armadilha que mais mata fora da prova. A pressão piora entre o terceiro e o sétimo dia de puerpério por redistribuição de líquido, e o pico costuma acontecer depois da alta; eclâmpsia e HELLP ocorrem no puerpério, com maior risco na primeira semana; e a pré-eclâmpsia pode aparecer pela primeira vez depois do parto, em mulher que teve pré-natal impecável. Some a isso as prescrições que elevam a pressão nesse período — anti-inflamatórios, ergotamínicos, bromocriptina e cabergolina — e está montado o cenário de reinternação.
- 9Aferir a pressão em decúbito lateral esquerdo Cai em prova de OSCE e acontece todo dia na enfermaria. O decúbito lateral esquerdo é posição de repouso, não de medida: nele as leituras são as mais baixas, seguidas da supina e da semi-Fowler, e o valor real é o da posição sentada, com pés apoiados, costas apoiadas e braço na altura do coração. Somada ao manguito inadequado em braço obeso, essa combinação transforma uma pré-eclâmpsia com sinais de gravidade em pré-natal tranquilo.
A elevação da pressão arterial (≥140x90 mmHg) após 20 semanas de gestação em paciente previamente normotensa, associada a proteinúria, caracteriza a pré-eclâmpsia; com PA ≥160x110 mmHg é classificada como pré-eclâmpsia grave. A hipertensão crônica é aquela presente antes da gestação ou diagnosticada antes de 20 semanas. A hipertensão gestacional cursa com elevação pressórica após 20 semanas, porém SEM proteinúria. A síndrome do jaleco branco não explica proteinúria e PA persistentemente elevada em duas aferições. O feocromocitoma é raro e não é a primeira hipótese nesse contexto.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Primigesta de 28 anos, com 34 semanas de gestação, comparece à emergência referindo cefaleia occipital e escotomas cintilantes há 3 horas. Nega perda de líquido ou sangramento. Ao exame: PA 165/110 mmHg (repetida após 15 minutos: 168/112 mmHg), FC 92 bpm, reflexos patelares vivos, edema de membros inferiores 2+/4+. Exames: proteinúria de fita 3+; plaquetas 180.000/mm³; AST 30 U/L; creatinina 0,8 mg/dL. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: PA ≥160/110 mmHg associada a proteinúria após 20 semanas, com sintomas neurológicos (cefaleia e escotomas), caracteriza pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. Hipertensão gestacional exclui proteinúria/lesão de órgão-alvo. HAC seria diagnosticada antes de 20 semanas. Pré-eclâmpsia sem gravidade não teria PA nesse nível nem sintomas neurológicos. HELLP exige hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia, ausentes aqui.
Primigesta de 29 anos, com 32 semanas de gestação, comparece à consulta de pré-natal. É assintomática. A pressão arterial, aferida em duas ocasiões com 4 horas de intervalo, está em 150/98 mmHg e 148/96 mmHg. Antes da gestação e até 20 semanas, a PA era normal. Proteinúria de fita: negativa. Exames laboratoriais (hemograma, plaquetas, transaminases, creatinina) sem alterações. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: hipertensão gestacional — PA >=140/90 mmHg surgindo após 20 semanas, sem proteinúria e sem disfunção de órgão-alvo. Pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade exigiria proteinúria ou disfunção orgânica, ausentes aqui. Hipertensão crônica surge antes de 20 semanas ou pré-gestacional, o que foi descartado. Pré-eclâmpsia sobreposta requer hipertensão crônica prévia. Hipertensão do avental branco é diagnóstico de exclusão que exige MAPA/aferição domiciliar normais, não confirmado nesta vinheta com PA consistentemente elevada.
Gestante de 31 anos, com 37 semanas, apresenta na consulta pré-natal PA de 158x102 mmHg em duas medidas com intervalo de 4 horas. Nega cefaleia, escotomas ou dor epigástrica. Proteinúria de fita: negativa. Exames laboratoriais (hemograma, transaminases, creatinina) normais. Não havia hipertensão prévia à gestação. Qual é o diagnóstico?
Hipertensão (≥ 140x90) surgindo após 20 semanas, sem proteinúria e sem disfunção de órgão-alvo/sinais de gravidade, define hipertensão gestacional (correta). Pré-eclâmpsia requer proteinúria OU disfunção orgânica/sinais de gravidade, ausentes aqui. Hipertensão crônica exigiria HAS antes de 20 semanas/pré-gestacional, negada. Jaleco branco implicaria PA normal fora do consultório, mas os valores estão claramente elevados em medidas repetidas, configurando hipertensão real da gestação.
Primigesta de 29 anos, com 33 semanas de gestação, comparece à consulta de rotina assintomática. A pressão arterial é 152/98 mmHg, confirmada após 15 minutos de repouso; em consultas anteriores mantinha-se em torno de 118/74 mmHg. O exame de fita urinária mostra proteinúria 1+. Refere leve edema de tornozelos. FC 84 bpm, sem cefaleia, escotomas ou dor epigástrica. Ausculta cardiopulmonar normal e movimentos fetais presentes. Diante desse quadro, a conduta imediata mais apropriada é:
Trata-se de pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade (PA ≥140/90 após a 20ª semana com proteinúria) — a conduta é confirmar e quantificar a proteinúria, avaliar lesão de órgão-alvo (função renal, hepática, plaquetas) e iniciar anti-hipertensivo, com acompanhamento e programação de parto por volta de 37 semanas. Interromper por cesariana de imediato é injustificado sem gravidade e com 33 semanas. Sulfato de magnésio é para prevenção de convulsão nas formas graves/eclâmpsia, não domiciliar. Repouso e reavaliar em 4 semanas subestima o risco. Corticoide com indução em 24h não se aplica a caso estável sem gravidade.
Primigesta de 22 anos, com 30 semanas de gestação, comparece à consulta de pré-natal referindo boa movimentação fetal. Aferição da pressão arterial: 148/96 mmHg, confirmada em segunda medida. Exame de urina sem proteinúria. Nega cefaleia, alterações visuais ou dor epigástrica. Qual é o diagnóstico mais provável?
Hipertensão diagnosticada após a 20ª semana (aqui, 30 semanas) em gestante previamente normotensa, sem proteinúria e sem sinais de gravidade, caracteriza hipertensão gestacional. Pré-eclâmpsia exige proteinúria ou disfunção de órgão-alvo, ausentes. Hipertensão crônica é aquela presente antes da gestação ou detectada antes de 20 semanas. Eclâmpsia iminente implicaria sinais de gravidade (cefaleia, alterações visuais, dor epigástrica), que a paciente nega. O acompanhamento pode ser feito na APS com vigilância para evolução para pré-eclâmpsia.
Uma gestante de 29 anos, com 34 semanas, comparece à UBS para consulta de pré-natal. A aferição da pressão arterial mostra 150/100 mmHg em duas medidas com intervalo adequado. Ela nega cefaleia, alterações visuais e dor abdominal, e o exame de urina não mostra proteinúria. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Hipertensão de início após 20 semanas, sem proteinúria e sem sinais de gravidade, caracteriza hipertensão gestacional. A pré-eclâmpsia exige proteinúria ou sinais de disfunção orgânica, ausentes aqui. A eclâmpsia envolve convulsões, não relatadas. A síndrome HELLP cursa com hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia, não descritas no caso.
Uma gestante de 31 anos, com 33 semanas, é atendida na UPA com pressão arterial de 160/110 mmHg, cefaleia intensa e escotomas visuais. O exame de urina mostra proteinúria significativa. Ela está estável, sem convulsões. Além de iniciar anti-hipertensivo, qual é a conduta prioritária para prevenção de eclâmpsia antes da transferência para o centro de referência?
Em pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (PA muito elevada, cefaleia e alterações visuais), o sulfato de magnésio é o fármaco de escolha para prevenção e tratamento da eclâmpsia, devendo ser iniciado antes/junto à estabilização e transferência ao centro de referência. O diazepam não é o agente de escolha para profilaxia de eclâmpsia. A cesariana de urgência requer estrutura adequada e é decisão do centro de referência após estabilização. O AAS tem papel na prevenção precoce da pré-eclâmpsia, não no manejo agudo da crise.
Gestante de 30 anos, com 34 semanas, chega à UPA com cefaleia e escotomas. PA de 165x110 mmHg em duas medidas com 15 minutos de intervalo. Proteinúria de fita ++. Reflexos vivos, sem outras queixas. Qual a conduta inicial mais adequada?
Quadro de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (PA ≥160x110 e sintomas de iminência de eclâmpsia). A conduta é iniciar sulfato de magnésio (profilaxia de convulsão) e anti-hipertensivo de ação rápida, estabilizando antes de transferir para maternidade com condições de resolver a gestação. Liberar para casa é inseguro diante da gravidade. Cesariana na UPA Inadequada: a UPA não tem estrutura obstétrica/neonatal; estabiliza-se e transfere. Aguardar 1 hora atrasa a proteção neurológica materna já indicada.
Gestante de 33 anos, com 30 semanas, comparece à UBS para consulta de pré-natal. Está assintomática. A aferição da pressão arterial revela 150x100 mmHg, confirmada em nova medida após repouso. O exame de urina não mostra proteinúria e ela nega cefaleia, epigastralgia ou alterações visuais. Não havia registro de hipertensão prévia à gestação. Qual é o diagnóstico mais provável?
Hipertensão que surge após 20 semanas, sem proteinúria e sem sinais de gravidade/disfunção de órgão-alvo, caracteriza hipertensão gestacional. A pré-eclâmpsia exige proteinúria ou disfunção orgânica, ausentes aqui. Hipertensão crônica é definida por HAS anterior à gestação ou antes de 20 semanas, o que não se aplica (surgiu com 30 semanas, sem registro prévio). Eclâmpsia iminente pressupõe sinais de iminência (cefaleia, alterações visuais, epigastralgia), ausentes.
Primigesta de 31 anos, com 35 semanas de gestação, comparece à UBS para consulta de rotina. Está assintomática. A aferição da pressão arterial mostra 150 x 100 mmHg, confirmada após repouso. A fita reagente de urina revela proteinúria 2+. Não apresentava hipertensão antes da gestação e as pressões anteriores estavam normais. Qual é o diagnóstico e a conduta mais apropriada?
Hipertensão de início após 20 semanas (PA ≥140x90) associada a proteinúria caracteriza pré-eclâmpsia. Por se tratar de gestação de alto risco com potencial de gravidade, deve ser referenciada a serviço de referência. Não é apenas hipertensão gestacional (que ocorre sem proteinúria/disfunção orgânica) e não cabe só manter na UBS. Não é hipertensão crônica, pois surgiu na segunda metade da gestação. Proteinúria significativa nunca é considerada fisiológica.
Gestante de 24 anos, 34 semanas, chega à UPA com cefaleia intensa e visão turva. PA de 165/110 mmHg confirmada em duas medidas. Proteinúria de fita ++. Encontra-se lúcida, sem sinais de trabalho de parto. Além de iniciar anti-hipertensivo, qual é a medida farmacológica prioritária para essa paciente antes da transferência ao serviço de referência?
O quadro é de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (PA ≥160/110 com sintomas neurológicos). A prioridade, junto ao controle pressórico, é o sulfato de magnésio para prevenção de eclâmpsia (crise convulsiva). Diuréticos não são indicados de rotina, pois a gestante já tem redução do volume intravascular efetivo. Corticoide de depósito (betametasona) tem papel na maturação pulmonar fetal, não no controle pressórico. A heparina não tem indicação nesse contexto agudo.
Uma gestante de 32 anos, com 34 semanas, comparece à UBS para consulta de pré-natal. Assintomática, apresenta pressão arterial de 158x102 mmHg em duas aferições com intervalo de 4 horas, sem edema ou cefaleia. A proteinúria em fita é 2+. Não há sinais de gravidade. Após confirmar o quadro, qual é a conduta mais apropriada nesse nível de atenção?
PA ≥140x90 mmHg após 20 semanas associada a proteinúria caracteriza pré-eclâmpsia; níveis ≥160x110 configuram gravidade e a gestante deve ser referenciada ao serviço de alto risco/maternidade. Manter na UBS com retorno em 30 dias é inseguro. Sulfato de magnésio é para eclâmpsia/pré-eclâmpsia grave e não se dá alta domiciliar após. Diurético tiazídico não é anti-hipertensivo de escolha na gestação e não substitui a referência.
Gestante de 29 anos, com 32 semanas, é atendida na UBS em consulta de pré-natal de rotina. Está assintomática. A pressão arterial é de 150x100 mmHg em duas aferições com intervalo de 4 horas. A fita reagente de urina mostra proteinúria 2+. Nega cefaleia, alterações visuais ou dor epigástrica. Exame físico sem outras alterações. Qual a conduta mais adequada?
PA >= 140x90 mmHg após 20 semanas associada a proteinuria caracteriza pre-eclampsia, condicao de alto risco que exige avaliacao em servico de referencia (proteinuria significativa, risco de progressao para forma grave e comprometimento fetal). A quantificacao complementar e a decisao terapeutica devem ocorrer no nivel de maior complexidade. Prescrever anti-hipertensivo com repouso domiciliar e reavaliacao em 7 dias subestima o risco. Sulfato de magnesio e reservado a pre-eclampsia grave/eclampsia e nao se inicia para liberar a paciente. Manter conduta ambulatorial expectante sem encaminhamento Inadequado: diante de pre-eclampsia estabelecida.
Gestante de 32 anos, na 30ª semana, comparece à consulta de pré-natal na UBS assintomática. A aferição da pressão arterial revela 150x100 mmHg em duas medidas com intervalo adequado. Não havia hipertensão prévia à gestação e o EAS não mostra proteinúria. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Hipertensão que surge após a 20ª semana (aqui, 30 semanas), em gestante previamente normotensa, SEM proteinúria e sem sinais de disfunção de órgão-alvo, caracteriza hipertensão gestacional. A pré-eclâmpsia requer hipertensão após 20 semanas ASSOCIADA a proteinúria ou sinais de gravidade/disfunção orgânica — ausentes aqui. Hipertensão crônica é aquela presente antes da gestação ou diagnosticada antes de 20 semanas. Eclâmpsia é a ocorrência de convulsões, não presentes. A gestante deve ser monitorada de perto, pois pode evoluir para pré-eclâmpsia.
Gestante de 29 anos, na 34ª semana, comparece à consulta de pré-natal na UBS assintomática. A aferição da pressão arterial mostra 150/100 mmHg, confirmada em nova medida. A fita urinária evidencia proteinúria (2+). Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
PA maior ou igual a 140/90 mmHg após a 20ª semana associada a proteinúria caracteriza pré-eclâmpsia. Hipotensão é o oposto do achado. Diabetes gestacional é diagnosticado por glicemia/TOTG, não por PA e proteinúria. Infecção urinária não explica hipertensão com proteinúria neste contexto.
Primigesta de 22 anos, com 38 semanas, comparece à UPA com cefaleia frontal e visão turva. PA 160/110 mmHg em duas aferições com 15 minutos de intervalo. Proteinúria de fita ++. Reflexos vivos. Qual a conduta imediata mais adequada?
Quadro de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (PA ≥160/110, cefaleia e alterações visuais) em gestação a termo. A conduta é iniciar sulfato de magnésio para profilaxia/tratamento de eclâmpsia, controlar a PA com anti-hipertensivo (hidralazina/nifedipino) e resolver a gestação — a termo, a interrupção é indicada. Liberar com retorno em 48h é perigoso. Diuréticos não são a primeira linha e podem reduzir a volemia já comprometida. Apenas repouso/reavaliar em 1h negligencia risco iminente de eclâmpsia.
Gestante de 25 anos, com 38 semanas, comparece à UBS para consulta de rotina, assintomática. A pressão arterial é 150/100 mmHg em duas medidas, confirmada após repouso. A proteinúria de fita é negativa e não há sintomas de iminência de eclâmpsia. Não tinha hipertensão prévia. Qual é a classificação e a conduta inicial mais adequada?
Hipertensão iniciada após 20 semanas, sem proteinúria e sem outros critérios de gravidade, em gestante previamente normotensa, define hipertensão gestacional. A termo (38 semanas), a conduta é encaminhar à maternidade para avaliação e resolução da gestação. Pré-eclâmpsia grave (distrator) exige critérios ausentes (proteinúria significativa, disfunção de órgão ou sinais de gravidade), não justificando sulfato de magnésio aqui. Hipertensão crônica (distrator) requer diagnóstico antes de 20 semanas, não é o caso. Efeito do avental branco (distrator) é afastado por medidas confirmadas em repouso; e a termo não se deve postergar a avaliação.
Mulher de 32 anos, G2P1, na 34ª semana, procura a UPA com cefaleia occipital e escotomas há 3 horas. PA de 160×110 mmHg confirmada em duas aferições. Exame de urina com proteinúria em fita 3+. Reflexos vivos, sem alterações neurológicas focais. Além do controle da crise hipertensiva, qual medicação deve ser iniciada prioritariamente para prevenção da complicação mais temida deste quadro?
O quadro é de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade/iminência de eclâmpsia (cefaleia, escotomas, PA ≥160×110, proteinúria). O sulfato de magnésio é a droga de escolha para prevenção e tratamento da eclâmpsia (convulsão), a complicação mais temida. Furosemida não é usada de rotina e pode piorar a hipovolemia relativa. Diazepam não previne a convulsão eclâmptica e é inferior ao magnésio. Corticoide seria para maturação pulmonar fetal antes de 34 semanas, não é a prioridade preventiva aqui.
Gestante de 30 anos, 37 semanas, comparece à UBS com PA de 158x102 mmHg em duas medidas. Refere cefaleia. Exame de urina de fita: proteinúria 2+. Reflexos normais, sem escotomas. A maternidade de referência fica a 40 minutos. Qual a conduta imediata mais adequada na APS?
PA ≥140x90 com proteinúria a termo caracteriza pré-eclâmpsia; com PA ≥160x110 é grave (o nível de 158x102, associado a cefaleia e proteinúria significativa, exige manejo de urgência). A termo (37 semanas) a resolução da gestação está indicada — a conduta na APS é referenciar imediatamente à maternidade, mantendo vigilância até o transporte. Agendar retorno em uma semana ignora a gravidade. Sulfato de magnésio deve ser iniciado, mas não para liberação domiciliar. MAPA é inapropriado no cenário agudo — o diagnóstico já está feito e há sinais de alerta.
Gestante de 28 anos, com 37 semanas, comparece à UBS para consulta de pré-natal. Assintomática. Afere-se PA de 150/100 mmHg em duas medidas com intervalo de 15 minutos. A proteinúria de fita é negativa e ela nega cefaleia, escotomas ou epigastralgia. Não tinha hipertensão prévia. Qual a interpretação e conduta mais adequadas?
Hipertensão de início após 20 semanas sem proteinúria caracteriza hipertensão gestacional; níveis de 150/100 mmHg exigem encaminhamento à referência obstétrica para investigar pré-eclâmpsia (que pode ocorrer sem proteinúria, com critérios laboratoriais/sinais de gravidade) e definir manejo/antecipação do parto próximo do termo. Não há critérios de pré-eclâmpsia grave definidos que justifiquem iniciar sulfato de magnésio na UBS. Também não é hipertensão crônica tratada com metildopa e seguimento apenas na UBS, pois a hipertensão surgiu na gestação. E considerar o achado sem relevância clínica pela ausência de proteinúria é erro — a proteinúria não é obrigatória para o diagnóstico atual de pré-eclâmpsia.
Uma mulher de 28 anos, gestante de 34 semanas, procura a emergência obstétrica com cefaleia intensa e escotomas visuais há algumas horas. Nega sangramento ou perda de líquido. Pré-natal com pressões prévias normais. Ao exame: pressão arterial de 160x110 mmHg confirmada em duas aferições com intervalo de 15 minutos, edema de membros inferiores 2+/4+, reflexos vivos, altura uterina compatível, batimentos cardiofetais de 144 bpm. Exame de urina revela proteinúria de fita 3+. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Pré-eclâmpsia é definida por hipertensão (PA ≥ 140x90) após 20 semanas associada a proteinúria ou disfunção orgânica. Aqui há PA ≥ 160x110 com proteinúria e sintomas de iminência de eclâmpsia (cefaleia, escotomas), caracterizando pré-eclâmpsia com sinais de gravidade — alternativa correta. Hipertensão gestacional leve não cursa com proteinúria nem PA nesse patamar. Hipertensão crônica surgiria antes de 20 semanas e as pressões prévias eram normais. Cefaleia tensional não explica PA elevada com proteinúria e não pode ser assumida em gestante hipertensa sintomática.
Gestante de 28 anos, primigesta, com idade gestacional de 34 semanas, comparece à UBS para consulta de pré-natal. Relata cefaleia frontal há dois dias e edema progressivo em membros inferiores e face. Nega sangramentos ou perda de líquido. Ao exame: PA de 160x110 mmHg (confirmada após repouso), edema 2+/4+ em membros inferiores, reflexos vivos, altura uterina compatível, batimentos cardíacos fetais de 140 bpm. A fita reagente de urina mostra proteinúria 2+. Exames prévios na 20ª semana registravam PA de 110x70 mmHg. Traz hemograma sem alterações e transaminases normais. Com base no quadro, o diagnóstico e a conduta inicial mais adequada são, respectivamente:
Hipertensão surgida após 20 semanas (PA prévia normal) associada a proteinúria define pré-eclâmpsia; níveis pressóricos ≥160x110 mmHg e cefaleia caracterizam sinais de gravidade. A conduta é sulfato de magnésio (prevenção de eclâmpsia), anti-hipertensivo para crise e encaminhamento hospitalar. Hipertensão gestacional leve exclui proteinúria e níveis graves. Hipertensão crônica exigiria PA elevada antes das 20 semanas, o que não ocorreu. Classificar como sem sinais de gravidade e manter em casa é conduta perigosa diante de PA ≥160x110 e cefaleia.
Primigesta de 22 anos, com 34 semanas de gestação, comparece ao pronto-socorro com cefaleia intensa e escotomas visuais há 6 horas. Fazia pré-natal regular sem intercorrências até a última consulta. Ao exame: PA 165x110 mmHg, edema de membros inferiores 2+/4+, reflexos vivos, sem clônus. Ausculta fetal com BCF 140 bpm. Exames: proteinúria em fita 3+, plaquetas 180.000/mm³, TGO 30 U/L, creatinina 0,8 mg/dL. Iniciada monitorização. Considerando o diagnóstico mais provável, qual a conduta medicamentosa imediata mais adequada para a prevenção de eclâmpsia e o controle pressórico, respectivamente?
Trata-se de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (PA ≥160x110 e sintomas neurológicos/iminência de eclâmpsia). A prevenção de convulsão é feita com sulfato de magnésio (esquema de Pritchard ou Zuspan), e o controle pressórico agudo com anti-hipertensivo como hidralazina IV (ou nifedipino oral/labetalol). A fenitoína e o diazepam são inferiores ao magnésio na profilaxia da eclâmpsia; captopril é IECA, contraindicado na gestação. Nifedipino sublingual causa hipotensão abrupta perigosa. Furosemida não é anti-hipertensivo de escolha e a diurese está reservada a situações específicas (edema agudo de pulmão).
Uma gestante de 28 anos, secundigesta, com idade gestacional de 34 semanas confirmada por ultrassonografia precoce, comparece à UBS para consulta de pré-natal. Refere-se assintomática. Ao exame: PA de 158 x 102 mmHg, confirmada em segunda aferição após repouso; altura uterina de 32 cm; batimentos cardíacos fetais de 142 bpm; ausência de edema significativo. Nega cefaleia, epigastralgia ou alterações visuais. A proteinúria de fita mostra ++ e o exame de urina de rotina confirma proteinúria significativa. Os demais exames (hemograma, plaquetas, transaminases e creatinina) estão normais. Diante do quadro, assinale a hipótese diagnóstica e a conduta inicial mais adequada, respectivamente.
A associação de hipertensão (PA >= 140x90) surgida após 20 semanas com proteinúria significativa define pré-eclâmpsia. Ausência de PA >= 160x110 sustentada em critério de gravidade, de sintomas de iminência de eclâmpsia ou de alterações laboratoriais caracteriza forma SEM sinais de gravidade; ainda assim, PA de 158x102 e o diagnóstico recente exigem avaliação hospitalar, controle pressórico e vigilância materno-fetal. Rotular o quadro como hipertensão gestacional e manter acompanhamento ambulatorial sem medicação ignora a proteinúria. Classificar como pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e interromper a gestação imediatamente por cesárea está incorreto: não há critério de gravidade que imponha interrupção imediata a 34 semanas, além de a via não ser obrigatoriamente cesárea. E o diagnóstico de hipertensão arterial crônica com captopril erra duplamente: a hipertensão surgiu após 20 semanas, não é crônica, e o captopril é contraindicado na gestação (IECA).
Gestante de 26 anos, primigesta, com idade gestacional de 30 semanas confirmada por ultrassonografia do primeiro trimestre, comparece à UBS para consulta de pré-natal de rotina. Refere-se assintomática. Nega cefaleia, alterações visuais ou dor epigástrica. Na consulta anterior, há três semanas, apresentava pressão arterial de 110x70 mmHg. Ao exame de hoje: bom estado geral, pressão arterial de 150x100 mmHg em duas aferições com intervalo de 20 minutos, edema de membros inferiores 2+/4+. Altura uterina compatível com a idade gestacional, batimentos cardíacos fetais de 140 bpm. A fita reagente de urina revela proteinúria de 1+. Diante do quadro, o diagnóstico e a conduta inicial mais adequada são, respectivamente:
Hipertensão de início após 20 semanas (era normotensa até 30 semanas) associada a proteinúria configura pré-eclâmpsia. A conduta na gestante estável, sem sinais de gravidade, é encaminhar ao pré-natal de alto risco, iniciar anti-hipertensivo oral (ex.: metildopa) e vigilância materno-fetal. Errada porque sulfato de magnésio e interrupção imediata reservam-se à eclâmpsia/pré-eclâmpsia grave, ausentes aqui. Erra ao ignorar a proteinúria, que descarta hipertensão gestacional isolada. Erra porque hipertensão crônica exige PA elevada antes de 20 semanas, o que não ocorreu.
Uma gestante de 27 anos, secundigesta, com idade gestacional de 32 semanas confirmada por ultrassonografia de primeiro trimestre, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina de pré-natal. Refere-se assintomática. Nega cefaleia, escotomas ou dor epigástrica. Ao exame, apresenta pressão arterial de 155 x 100 mmHg, confirmada após repouso de 15 minutos e nova aferição. A altura uterina e os batimentos cardíacos fetais estão adequados para a idade gestacional. Não há edema significativo. A fita de urina realizada na unidade não detecta proteinúria. Não há antecedente de hipertensão prévia à gestação. Considerando o quadro apresentado, o diagnóstico mais provável e a conduta inicial, respectivamente, são:
Hipertensão que surge após 20 semanas em gestante previamente normotensa, sem proteinúria e sem sinais de gravidade, define hipertensão gestacional. Com PA ≥150x100 mmHg está indicado iniciar anti-hipertensivo (metildopa/nifedipino) e manter vigilância ambulatorial. Não é pré-eclâmpsia porque não há proteinúria nem disfunção de órgão-alvo, o que descarta os dois diagnósticos de pré-eclâmpsia (além de que interrupção imediata e sulfato de magnésio não se justificam em quadro sem gravidade). Não é hipertensão crônica porque a paciente era normotensa antes da gestação, e suspender medicação seria inadequado diante de PA elevada.
Uma gestante de 33 anos, na 34ª semana de gestação, comparece à consulta de pré-natal referindo cefaleia e comparece com queixa de inchaço nas pernas. Ao exame, apresenta pressão arterial de 150x100 mmHg, confirmada em duas medidas com intervalo de 4 horas. Não tinha hipertensão antes da gestação e as pressões prévias no pré-natal eram normais. O exame de urina revela proteinúria de fita positiva. A paciente está lúcida, sem dor epigástrica ou alterações visuais. Com base no quadro clínico apresentado, qual é o diagnóstico mais provável?
Pressão arterial maior ou igual a 140x90 mmHg após a 20ª semana em gestante previamente normotensa, associada a proteinúria, define pré-eclâmpsia. A hipertensão crônica antecede a gestação ou surge antes de 20 semanas, o que não é o caso. A eclâmpsia exige convulsões, ausentes nesta paciente lúcida. A hipertensão gestacional isolada cursa com PA elevada sem proteinúria; aqui há proteinúria, o que caracteriza pré-eclâmpsia.
Primigesta, 28 anos, com 34 semanas de gestação, é internada com PA de 168 x 112 mmHg em duas aferições com 15 minutos de intervalo. Refere cefaleia occipital intensa há 6 horas e escotomas cintilantes. Ao exame: reflexos patelares vivos (3+), sem clônus, sem dor abdominal. Exames: plaquetas 118.000/mm³ (VR 150.000–400.000), creatinina 0,9 mg/dL (VR 0,6–1,1), TGO 32 U/L (VR até 40), proteinúria de 24h 2,8 g. Ausência de trabalho de parto; cardiotocografia categoria I. Iniciado sulfato de magnésio e anti-hipertensivo. Qual a conduta mais adequada quanto ao momento e à via de resolução da gestação?
Trata-se de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (PA >= 160 x 110 mmHg e sintomas neurológicos/visuais persistentes) a partir de 34 semanas. A recomendação (FEBRASGO/ACOG) para pré-eclâmpsia grave com >= 34 semanas é a resolução da gestação após estabilização materna, pois o benefício fetal da prematuridade tardia não supera o risco materno; a via depende das condições obstétricas (colo, apresentação, bem-estar fetal), não sendo a cesariana obrigatória — por isso B é correta. Conduta expectante até 37 semanas só é aceitável em pré-eclâmpsia SEM sinais de gravidade e com < 34 semanas estáveis; aqui há gravidade e >= 34 sem. A via vaginal NÃO é contraindicada; a cesariana é indicada por razões obstétricas, não pela doença em si. Com >= 34 semanas e sinais de gravidade não se protela 48h só para corticoide — a resolução não deve ser adiada, e o corticoide de rotina não é indicado nessa idade gestacional. Contagem plaquetária e creatinina normais não afastam gravidade, que já está definida pelos níveis pressóricos e sintomas.
Secundigesta, 31 anos, com 32 semanas, comparece à emergência com PA de 150 x 98 mmHg. Nega cefaleia, alterações visuais ou dor epigástrica. Exame físico sem particularidades, com edema de membros inferiores 1+/4+. Traz exames: proteinúria de fita ausente (negativa), relação proteína/creatinina urinária normal. Solicitados exames laboratoriais complementares, que evidenciam: plaquetas 96.000/mm³ (VR 150.000–400.000), creatinina 1,4 mg/dL (VR 0,6–1,1), TGO 68 U/L (VR até 40). Considerando os critérios diagnósticos atuais, qual a melhor interpretação do quadro?
Desde a atualização dos critérios (ACOG/FEBRASGO), a pré-eclâmpsia pode ser diagnosticada MESMO sem proteinúria quando há hipertensão de início após 20 semanas associada a disfunção de órgão-alvo: plaquetopenia < 100.000, creatinina > 1,1 (ou dobro do basal), transaminases elevadas (>= 2x), edema pulmonar ou sintomas neurológicos/visuais. A paciente tem PA elevada + plaquetopenia + creatinina alta + TGO elevada — logo B é correta. Erram por considerar a proteinúria obrigatória, o que não é mais verdade. Hipertensão crônica é aquela diagnosticada antes de 20 semanas ou pré-gestacional; não há esse dado, e a disfunção multissistêmica aguda aponta pré-eclâmpsia. Síndrome HELLP exige hemólise (LDH elevado, esquizócitos, bilirrubina), ausente aqui — há plaquetopenia e transaminases, mas sem critério de hemólise, então não é HELLP completa.
Primigesta, 24 anos, previamente hígida e normotensa, com 30 semanas de gestação, comparece à consulta de pré-natal. Assintomática. Verifica-se PA de 148 x 96 mmHg, confirmada em nova aferição após repouso. A proteinúria de 24 horas resulta em 0,4 g. Qual é o diagnóstico mais provável?
Paciente normotensa antes da gestação que desenvolve, após 20 semanas, PA >= 140 x 90 mmHg (aqui 148 x 96) COM proteinúria significativa (>= 0,3 g em 24 horas; aqui 0,4 g) preenche o critério clássico de pré-eclâmpsia — por isso C é correta. Hipertensão gestacional seria o diagnóstico se houvesse hipertensão após 20 semanas SEM proteinúria e sem disfunção de órgão; a proteinúria de 0,4 g afasta essa opção. Hipertensão crônica exige PA elevada antes de 20 semanas ou pré-gestacional, o que não ocorre. Avental branco é excluída, pois a PA foi confirmada em nova aferição e há proteinúria/lesão associada. Sobreposta exige hipertensão crônica prévia, ausente no caso.
Primigesta, 33 anos, com hipertensão arterial crônica em uso de metildopa 750 mg/dia, chega ao pré-natal na 12ª semana de gestação. Refere bom controle pressórico domiciliar. No consultório: PA 128/82 mmHg, FC 76 bpm. Exame de urina I sem proteinúria; proteinúria de 24h de 90 mg (VR < 300 mg). Nega cefaleia, epigastralgia ou escotomas. Você conversa com a paciente sobre estratégias para reduzir o risco de complicações associadas à sua condição. Qual das medidas abaixo tem a MELHOR evidência para reduzir a incidência de pré-eclâmpsia sobreposta nesta paciente?
Correta: HAS crônica é fator de alto risco isolado para pré-eclâmpsia; a profilaxia com AAS em baixa dose (100-150 mg/dia, à noite) iniciada entre 12 e 16 semanas e mantida até ~36 semanas reduz significativamente a pré-eclâmpsia (especialmente a de início precoce/grave), sendo a intervenção de melhor evidência. Erra: losartana (ARA-II) é contraindicada na gestação (fetotoxicidade, oligoâmnio, malformações) — jamais substituir por ela. Erra: cálcio 1-2 g/dia reduz pré-eclâmpsia sobretudo em populações com BAIXA ingestão de cálcio, não quando a ingestão já é adequada. Erra: repouso e restrição de sódio não têm evidência de reduzir pré-eclâmpsia e podem trazer riscos. Erra: adiar a profilaxia para após 20 semanas perde a janela ideal (12-16 semanas) de maior eficácia do AAS.
Secundigesta, 29 anos, sem comorbidades prévias e com pré-natal sem intercorrências, comparece à consulta na 34ª semana. Traz aferições domiciliares recentes de PA em torno de 145/95 mmHg. No consultório, após repouso, PA 148/96 mmHg confirmada em duas medidas com 4 horas de intervalo. Exame de urina com fita: proteína negativa. Proteinúria de 24h: 120 mg (VR < 300 mg). Plaquetas 220.000/mm³ (VR 150.000-450.000), TGO 22 U/L (VR < 40), creatinina 0,7 mg/dL (VR 0,6-1,1). Sem cefaleia, sem alterações visuais, sem dor epigástrica. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: hipertensão gestacional é a HAS (PA ≥ 140/90 mmHg em duas medidas) que surge APÓS a 20ª semana em gestante previamente normotensa, SEM proteinúria significativa e SEM critérios de gravidade/disfunção de órgão-alvo — exatamente o quadro (34 semanas, sem HAS prévia, proteinúria 120 mg/24h, plaquetas/enzimas/creatinina normais). Erra: pré-eclâmpsia exige proteinúria significativa (≥ 300 mg/24h ou relação P/C ≥ 0,3) OU disfunção de órgão-alvo — ambas ausentes aqui. Erra HAS crônica é a diagnosticada antes da gravidez ou antes de 20 semanas; aqui a PA elevada apareceu no 3º trimestre. Erra: exige hipertensão crônica de base, que a paciente não tem. Erra: avental branco implica PA normal fora do consultório, mas as medidas domiciliares também estão elevadas.
Mulher, 29 anos, primigesta, 35 semanas de gestação, comparece à emergência com cefaleia leve. Nega comorbidades e era normotensa em todo o pré-natal. PA 150/98 mmHg, confirmada em duas medidas com 4 horas de intervalo. Ao exame, sem edema importante e reflexos normais. Proteinúria de fita: negativa. Exames: plaquetas 88.000/mm³ (VR 150.000–450.000), creatinina 0,8 mg/dL (VR 0,6–1,1), TGO 28 U/L (VR até 35), relação proteína/creatinina urinária 0,2 (VR < 0,3). Qual o diagnóstico mais provável?
Correta: Hipertensão de início novo após 20 semanas (PA ≥140/90) em gestante previamente normotensa caracteriza pré-eclâmpsia mesmo SEM proteinúria, desde que haja algum critério sistêmico. A plaquetopenia < 100.000/mm³ é um sinal de gravidade, o que fecha o diagnóstico de pré-eclâmpsia COM sinais de gravidade. Hipertensão gestacional exige ausência de proteinúria E de critérios de comprometimento de órgão-alvo — aqui há plaquetopenia grave. Pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade estaria correta se as plaquetas fossem normais; 88.000 já é critério de gravidade. Hipertensão crônica requer PA elevada antes de 20 semanas ou pré-existente, o que não ocorreu (era normotensa). Jaleco branco não cursa com plaquetopenia nem com PA sustentada confirmada em duas aferições.
Mulher, 28 anos, primigesta, 34 semanas de gestação, normotensa antes da gravidez e com pressão arterial normal até a 20ª semana. Comparece à consulta assintomática (sem cefaleia, escotomas ou dor epigástrica), com PA 150/95 mmHg confirmada em duas aferições com 4 horas de intervalo. Exames: proteinúria de fita negativa; relação proteína/creatinina urinária 0,15 (VR < 0,3); plaquetas 88.000/mm³ (VR 150.000–400.000); creatinina 0,7 mg/dL (VR 0,5–0,9); AST 28 U/L (VR < 35); ALT 25 U/L (VR < 35); sem esquizócitos e LDH normal. Qual o diagnóstico mais provável?
Correta: Pela definição atual (FEBRASGO/ACOG), pré-eclâmpsia é hipertensão após 20 semanas em gestante previamente normotensa associada a proteinúria OU, na ausência desta, a disfunção de órgão-alvo. Aqui há PA ≥ 140/90 nova, sem proteinúria, mas com plaquetopenia < 100.000/mm³ — critério de disfunção que fecha o diagnóstico mesmo sem proteinúria. Hipertensão gestacional exige hipertensão isolada, sem proteinúria E sem qualquer sinal de disfunção de órgão — a plaquetopenia a exclui. Hipertensão crônica pressupõe PA elevada antes de 20 semanas ou pré-gestacional, o que não ocorre. PTI cursa com plaquetopenia, mas não explica a hipertensão nova de início gestacional. HELLP requer a tríade hemólise + enzimas hepáticas elevadas + plaquetopenia; há apenas plaquetopenia, com LDH normal, sem esquizócitos e transaminases normais.
Mulher, 25 anos, primigesta, 32 semanas, com diagnóstico recente de pré-eclâmpsia (PA 148/96 mmHg e relação proteína/creatinina urinária 0,45). Encontra-se assintomática, sem cefaleia, alterações visuais ou dor em hipocôndrio direito. Aguarda os resultados laboratoriais para estratificação do risco. Qual dos achados abaixo, se presente, classificaria o quadro como pré-eclâmpsia COM sinais de gravidade?
Correta: São critérios de gravidade: PA ≥ 160/110 mmHg; plaquetopenia < 100.000/mm³; creatinina > 1,1 mg/dL (ou o dobro do basal) sem nefropatia prévia; transaminases ≥ 2x o limite superior (ou dor persistente em hipocôndrio direito/epigástrio); edema agudo de pulmão; e sintomas cerebrais/visuais. Creatinina 1,3 mg/dL ultrapassa 1,1 e caracteriza gravidade. A magnitude da proteinúria deixou de ser critério de gravidade — proteinúria maciça, isoladamente, não classifica. 150/100 mmHg não atinge o limiar de 160/110. Plaquetas de 130.000/mm³ estão acima do corte de 100.000. AST de 45 U/L não alcança 2x o limite superior (que seria ≥ 70 U/L) e a paciente está sem dor abdominal.
Mulher, 32 anos, primigesta, comparece à consulta de pré-natal com 26 semanas de idade gestacional. Refere aferições domiciliares recentes de PA elevada, mas nega cefaleia, escotomas ou epigastralgia. Antes da gestação tinha níveis pressóricos normais e a PA aferida na primeira consulta (10 semanas) foi 118/76 mmHg. No exame atual: PA 148/96 mmHg, confirmada após repouso (146/94 mmHg). Proteinúria de fita negativa; proteinúria de 24 horas 180 mg (VR < 300 mg); hemograma, transaminases e creatinina normais. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: Hipertensão detectada pela primeira vez APÓS 20 semanas (PA normal a 10 semanas e ≥140/90 mmHg confirmada a 26 semanas), SEM proteinúria significativa (24h < 300 mg) e SEM disfunção de órgão-alvo, define hipertensão gestacional. Errada: HAS crônica exige PA elevada antes de 20 semanas ou prévia à gestação — aqui a PA era 118/76 a 10 semanas. Erradas: pré-eclâmpsia (sobreposta ou não) exige proteinúria ≥300 mg/24h ou sinais de gravidade/disfunção de órgão, ausentes neste caso. Errada: as aferições estão elevadas tanto em domicílio quanto no consultório, o oposto do padrão de avental branco.
Mulher, 38 anos, terceira gestação, portadora de hipertensão arterial crônica em uso de metildopa 750 mg/dia, vinha com PA controlada (em torno de 130/85 mmHg) ao longo de todo o pré-natal. Com 32 semanas, retorna referindo cefaleia. PA de 168/110 mmHg, mantida após repouso. Proteinúria de fita 3+ (ausente em exames anteriores). Laboratório: plaquetas 180.000/mm³, AST 30 U/L (VR < 35), creatinina 0,8 mg/dL (VR 0,6–1,1). Qual é o diagnóstico?
Correta: Gestante com HAS crônica que, após 20 semanas, apresenta piora pressórica com surgimento de proteinúria nova (3+, antes ausente) e sinal de gravidade (cefaleia + PA ≥160/110) caracteriza pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica. Errada: hipertensão gestacional é diagnóstico sem proteinúria e em paciente sem HAS prévia — ambos ausentes aqui. Errada: a paciente já é hipertensa crônica prévia, logo a pré-eclâmpsia é 'sobreposta', não isolada. Errada: a nova proteinúria e o quadro clínico não se explicam por simples descontrole/má adesão. Errada: HELLP exige hemólise, plaquetopenia (<100.000) e elevação de transaminases — plaquetas e AST estão normais.
Primigesta de 28 anos, previamente hígida, com 35 semanas de gestação, comparece ao pré-natal assintomática. Nega hipertensão antes da gravidez, e as aferições de pressão arterial realizadas antes da 20ª semana eram normais. Ao exame: PA 150/100 mmHg, confirmada após 15 minutos de repouso; FC 82 bpm; sem edema significativo. Proteinúria de fita ++ e relação proteína/creatinina urinária de 0,4 mg/mg (VR < 0,3 mg/mg). Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: há hipertensão de início após a 20ª semana (PA ≥ 140/90 mmHg em gestante antes normotensa) ASSOCIADA a proteinúria significativa (relação proteína/creatinina ≥ 0,3 mg/mg) — a definição clássica de pré-eclâmpsia (FEBRASGO/Ministério da Saúde). Hipertensão gestacional exige hipertensão após 20 semanas SEM proteinúria nem disfunção de órgão-alvo — aqui há proteinúria, o que exclui. Hipertensão crônica requer PA elevada antes da gravidez ou antes de 20 semanas, o que a paciente não apresenta. A forma sobreposta pressupõe hipertensão crônica de base, ausente no caso. Avental branco não cursa com proteinúria e não explica lesão renal.
Secundigesta de 32 anos, com 33 semanas de gestação e diagnóstico prévio de pré-eclâmpsia, procura a emergência com cefaleia holocraniana intensa e escotomas cintilantes há cerca de 3 horas. PA 168/112 mmHg, FC 90 bpm, referindo dor em epigástrio. Reflexos profundos exaltados. Exames: plaquetas 88.000/mm³ (VR 150.000–400.000), TGO 130 U/L (VR < 35), creatinina 1,3 mg/dL (VR 0,5–0,9). Além do controle pressórico com anti-hipertensivo de ação rápida, qual é a conduta prioritária neste momento?
Correta: a paciente apresenta pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (PA ≥ 160/110 mmHg, sintomas neurológicos, epigastralgia, plaquetopenia e elevação de transaminases — quadro compatível com HELLP). A prioridade, junto ao controle pressórico, é o sulfato de magnésio para prevenção da eclâmpsia, que reduz comprovadamente o risco de convulsão. O diazepam não é a droga de escolha para profilaxia/tratamento da eclâmpsia e traz risco de depressão respiratória materno-fetal. A fenitoína é inferior ao sulfato de magnésio na prevenção de convulsões na pré-eclâmpsia. Conduta expectante sem magnésio nem estabilização é inaceitável diante de sinais de gravidade. Corticoide isolado com alta ignora o risco iminente de eclâmpsia e HELLP.
Gestante de 24 anos, com 30 semanas de gestação, é internada por pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (PA de entrada 170/115 mmHg e cefaleia). Após hidralazina e sulfato de magnésio, evolui assintomática, com PA estabilizada em 140/90 mmHg. Reavaliação: plaquetas 190.000/mm³, TGO/TGP normais, creatinina 0,8 mg/dL, sem sintomas neurológicos; perfil biofísico fetal e dopplervelocimetria dentro da normalidade. Considerando a idade gestacional e a estabilidade materno-fetal, qual é a conduta mais adequada?
Correta: em pré-eclâmpsia com sinais de gravidade abaixo de 34 semanas, com quadro materno estabilizado e boa vitalidade fetal, as diretrizes brasileiras (FEBRASGO) recomendam conduta expectante monitorizada em ambiente hospitalar, com corticoterapia para maturação pulmonar, adiando o parto para ganhar benefício fetal e programando a interrupção em torno de 34 semanas (ou antes, se houver deterioração). Interrupção imediata só se impõe diante de instabilidade materna/fetal (eclâmpsia, HELLP progressivo, edema pulmonar, sofrimento fetal), ausente aqui. Prolongar até 37 semanas é impróprio na forma grave — o limite é 34 semanas. Indução imediata equivale a antecipar o parto sem indicação atual e sem colher o benefício do corticoide. Alta ambulatorial é inadequada na pré-eclâmpsia grave, que exige vigilância hospitalar estreita.
Primigesta, 28 anos, sem comorbidades e com pressao arterial sempre normal em consultas previas ao ciclo gravidico atual, comparece a consulta de pre-natal com 34 semanas de idade gestacional. Refere-se assintomatica, sem cefaleia, escotomas ou epigastralgia. Ao exame: PA 150/98 mmHg, confirmada apos repouso em nova afericao com intervalo de 4 horas (148/96 mmHg). Altura uterina compativel com a idade gestacional e batimentos cardiofetais presentes. Proteinuria de fita: negativa. Exames laboratoriais (hemograma, plaquetas, transaminases e creatinina) dentro dos limites de normalidade. Assinale o diagnostico mais provavel.
Correta:Hipertensao gestacional: e definida como PA >=140/90 mmHg identificada APOS a 20a semana, em gestante previamente normotensa, na AUSENCIA de proteinuria e de sinais/sintomas de disfuncao de orgao-alvo. A paciente tinha PA normal antes da gravidez, apresenta hipertensao aos 34 semanas, proteinuria negativa e exames laboratoriais normais — quadro tipico. Hipertensao arterial cronica: exigiria PA elevada ANTES da gestacao ou antes de 20 semanas; a paciente tinha PA sempre normal, o que a exclui. Pre-eclampsia sem sinais de gravidade: requer proteinuria OU disfuncao de orgao-alvo apos 20 semanas — aqui a proteinuria e negativa e os exames sao normais, nao preenchendo criterio. Pre-eclampsia com sinais de gravidade: exigiria PA >=160/110 mmHg ou sintomas (cefaleia, escotomas, epigastralgia) ou alteracoes laboratoriais (plaquetopenia, elevacao de transaminases/creatinina), todos ausentes. Hipertensao do avental branco: seria PA elevada apenas no consultorio com medidas domiciliares/MAPA normais — a hipertensao foi confirmada em duas afericoes e nao ha registro ambulatorial normal que sustente essa hipotese.
Uma gestante de 29 anos, primigesta, com 34 semanas de idade gestacional, comparece à UPA queixando-se de cefaleia intensa e escotomas visuais há 3 horas. Nega antecedentes de hipertensão prévia à gestação. Ao exame: PA de 165 x 110 mmHg (confirmada em nova aferição após 15 minutos), reflexos tendinosos exaltados, edema de membros inferiores 2+/4+ e dor em epigástrio à palpação. O exame de fita urinária evidencia proteinúria 3+. Os batimentos cardíacos fetais estão presentes e regulares. Considerando o quadro apresentado, qual é a conduta imediata mais adequada?
Trata-se de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (PA ≥ 160 x 110 mmHg, cefaleia, escotomas, dor epigástrica), com risco iminente de eclâmpsia. A conduta é sulfato de magnésio (neuroproteção/prevenção de convulsão) + anti-hipertensivo (hidralazina ou nifedipino) para controle da crise, com plano de interrupção da gestação, pois a cura é a resolução da gravidez. Prescrever metildopa oral com repouso domiciliar e retorno em 48 horas subtrata um quadro grave; iniciar corticoterapia para maturação pulmonar e liberar a paciente posterga o tratamento em plena emergência; e apenas monitorizar a pressão arterial por 24 horas ignora os sinais de gravidade e a necessidade de sulfato de magnésio e controle pressórico imediato.
Uma gestante de 26 anos, secundigesta, com 30 semanas de gestação, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de pré-natal de rotina. Encontra-se assintomática. A aferição da pressão arterial revela 145 x 95 mmHg, confirmada em segunda medida com intervalo de 4 horas. Ela não apresentava hipertensão antes da gestação nem em consultas prévias deste pré-natal. O exame de urina evidencia proteinúria significativa. Não há cefaleia, alterações visuais, dor abdominal ou outros sintomas. Qual é o diagnóstico mais provável?
Hipertensão (PA ≥ 140 x 90 mmHg) surgida após 20 semanas em gestante previamente normotensa, associada a proteinúria, define pré-eclâmpsia; como não há critérios de gravidade (PA < 160 x 110, ausência de sintomas de iminência de eclâmpsia ou disfunção orgânica), é pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade. A hipertensão crônica precederia a 20ª semana; a hipertensão gestacional cursa sem proteinúria/disfunção; a eclâmpsia exige crise convulsiva, ausente aqui.
Uma gestante de 29 anos, primigesta, com idade gestacional de 36 semanas, comparece à consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde. Nega cefaleia, alterações visuais, dor epigástrica ou edema importante. Até a 20ª semana, todas as aferições de pressão arterial haviam sido normais. Na consulta atual, apresenta pressão arterial de 150/100 mmHg, confirmada em nova medida após repouso de 15 minutos. O exame de urina de rotina (proteinúria em fita) é negativo, e os exames laboratoriais (hemograma, contagem de plaquetas, transaminases e creatinina) encontram-se dentro da normalidade. Considerando o quadro apresentado, qual é o diagnóstico mais provável?
Hipertensão gestacional é definida por PA >= 140/90 mmHg surgida APÓS a 20ª semana, em gestante previamente normotensa, SEM proteinúria e sem sinais de disfunção de órgão-alvo (plaquetas, transaminases e creatinina normais) - exatamente o caso. Hipertensão arterial crônica exigiria PA elevada antes da 20ª semana ou pré-gestacional, o que foi afastado pelas aferições normais até a 20ª semana. Pré-eclâmpsia requer proteinúria ou disfunção de órgão-alvo, ambos ausentes. Hipertensão do avental branco é elevação apenas no consultório com PA domiciliar normal, o que não se aplica a uma elevação confirmada e persistente no terceiro trimestre.
Uma gestante de 34 anos, com diagnóstico de hipertensão arterial crônica há 5 anos e em uso de metildopa, realiza acompanhamento em pré-natal de alto risco. Até a 24ª semana, mantinha níveis pressóricos controlados e pesquisa de proteinúria negativa. Com 32 semanas, retorna referindo cefaleia persistente. Ao exame, apresenta pressão arterial de 160/110 mmHg. A pesquisa de proteinúria, antes negativa, mostra-se agora positiva, com relação proteína/creatinina urinária elevada, e a contagem de plaquetas encontra-se em 90.000/mm³. As transaminases estão normais e não há evidência de hemólise. Diante da nova apresentação clínica e laboratorial, qual é o diagnóstico mais provável?
Trata-se de hipertensão crônica que, após a 20ª semana, evolui com proteinúria NOVA associada a critério de gravidade (plaquetopenia < 100.000/mm³) - definição de pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica, situação de alto risco materno-fetal. Hipertensão gestacional é diagnóstico de gestante previamente normotensa, o que não é o caso. Descontrole isolado da hipertensão crônica não explicaria o surgimento de proteinúria e plaquetopenia. Síndrome HELLP exigiria a tríade hemólise + elevação de transaminases + plaquetopenia; aqui há apenas plaquetopenia, com transaminases normais e sem hemólise, portanto o quadro é pré-eclâmpsia sobreposta com critério de gravidade, não HELLP completa.
Uma mulher de 32 anos, primigesta, comparece à Unidade Básica de Saúde para primeira consulta de pré-natal com 11 semanas de idade gestacional. Refere hipertensão arterial crônica diagnosticada há 3 anos, em uso de metildopa. Ao exame: PA 138x86 mmHg, IMC 34 kg/m². Traz exames sem proteinúria. A médica da equipe de saúde da família reconhece que a gestante possui fatores de risco para pré-eclâmpsia e decide iniciar profilaxia medicamentosa. Considerando as recomendações vigentes, qual conduta profilática está corretamente indicada e em que momento deve ser instituída?
Correta: gestante de alto risco (HAS crônica e obesidade) tem indicação de AAS em baixa dose (100-150 mg/dia), iniciado entre 12-16 semanas e mantido até ~36 semanas, com melhor eficácia quando tomado à noite; em populações com baixa ingestão de cálcio, associa-se cálcio. AAS 500 mg/dia é dose analgésica/anti-inflamatória, não profilática, e iniciar só no 3º trimestre perde a janela de eficácia (implantação/placentação). Sulfato de magnésio previne convulsão na pré-eclâmpsia grave/eclâmpsia, não é profilaxia primária. Vitaminas C e E não demonstraram benefício em ensaios clínicos.
Uma gestante de 28 anos, com 14 semanas de idade gestacional e antecedente de pré-eclâmpsia grave na gravidez anterior, é acompanhada em Unidade Básica de Saúde. A equipe deseja instituir a profilaxia farmacológica recomendada para reduzir o risco de recorrência de pré-eclâmpsia. Qual é o medicamento de escolha para essa profilaxia?
Correta: o antecedente de pré-eclâmpsia em gestação prévia é fator de alto risco e indica profilaxia com AAS em baixa dose (100-150 mg/dia), iniciada até 16 semanas. Heparina não é indicada para profilaxia de pré-eclâmpsia (reservada a trombofilias/tromboprofilaxia). Nifedipino é anti-hipertensivo para tratar hipertensão instalada, não previne pré-eclâmpsia. Betametasona é usada para maturação pulmonar fetal em risco de parto prematuro, sem papel profilático aqui.
Uma mulher de 24 anos, primigesta, gestação gemelar dicoriônica, comparece à UBS com 13 semanas para acompanhamento pré-natal. Reside em área de baixa renda e relata dieta pobre em laticínios, com ingestão diária de cálcio estimada em cerca de 400 mg. PA 122x78 mmHg, sem proteinúria. Além de identificar a gestação múltipla como fator de risco para pré-eclâmpsia, o médico avalia o benefício da suplementação de cálcio nessa paciente. Qual é a conduta mais adequada em relação ao cálcio e à profilaxia?
Correta: em gestantes com baixa ingestão de cálcio, a suplementação (1,5-2 g/dia) reduz o risco de pré-eclâmpsia; e a gestação gemelar é fator de alto risco que justifica AAS em baixa dose. As duas estratégias são complementares, não substitutas. Cálcio não é tratamento de pré-eclâmpsia estabelecida, e sim prevenção. 4 g/dia é dose excessiva e o cálcio não substitui o AAS. Aumentar sódio é contraproducente e não previne pré-eclâmpsia.
Uma gestante de 29 anos, primigesta, com 34 semanas de idade gestacional, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de pré-natal de rotina. Relata cefaleia frontal leve há dois dias. Trazia exames prévios com pressão arterial sempre normal e sem proteinúria. Ao exame, apresenta pressão arterial de 152 x 98 mmHg confirmada em nova aferição após quatro horas, sem déficits neurológicos. Foram solicitados exames, que evidenciaram: plaquetas de 185.000/mm³, creatinina 0,7 mg/dL, transaminases normais e relação proteína/creatinina urinária de 0,5 mg/mg. Com base nesses achados, qual é o diagnóstico mais provável?
A relação proteína/creatinina urinária de 0,5 mg/mg (ponto de corte para proteinúria significativa ≥ 0,3 mg/mg) associada à hipertensão de início após 20 semanas, em gestante previamente normotensa e sem proteinúria, define pré-eclâmpsia. Hipertensão gestacional exige AUSÊNCIA de proteinúria e de disfunção de órgão-alvo. Hipertensão crônica é aquela detectada antes de 20 semanas ou pré-gestacional (aqui os exames prévios eram normais). Síndrome HELLP exige hemólise, plaquetopenia (< 100.000) e elevação de transaminases, ausentes neste caso.
Uma mulher de 31 anos, G3P2, com 34 semanas de gestação, comparece à Unidade Básica de Saúde fora da data agendada, queixando-se de cefaleia frontal contínua há dois dias, que não melhorou com dipirona, e de dor no epigástrio desde ontem. Refere ainda "pontinhos brilhantes" na visão. Vinha em pré-natal de risco habitual, com pressões arteriais anteriores em torno de 110 x 70 mmHg. Ao exame: consciente, orientada, edema de membros inferiores 2+/4+ e de mãos, pressão arterial 168 x 112 mmHg confirmada após 15 minutos de repouso, altura uterina 30 cm, batimentos cardiofetais 140 bpm, sem contrações e sem perdas vaginais. A fita reagente de urina mostra proteinúria 3+. Qual é a conduta imediata?
O quadro é de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (PA ≥160 x 110 mmHg confirmada, cefaleia refratária, escotomas e dor epigástrica — sinais de iminência de eclâmpsia), situação de emergência obstétrica: a conduta é estabilização com sulfato de magnésio para profilaxia de convulsão, anti-hipertensivo para crise hipertensiva e transferência imediata e acompanhada à maternidade de referência, conforme o Manual de Gestação de Alto Risco do MS. A primeira alternativa trata como encaminhamento ambulatorial eletivo e usa metildopa, que não controla crise hipertensiva, expondo a paciente a eclâmpsia, AVC e descolamento prematuro de placenta. A segunda posterga a conduta para aguardar proteinúria de 24 horas, exame desnecessário diante de fita 3+ com sinais de gravidade. A terceira mantém uma emergência obstétrica em unidade sem retaguarda e cogita alta domiciliar, o que é inaceitável — a melhora pressórica transitória não afasta a gravidade do quadro.
Uma mulher de 26 anos, primigesta, com 34 semanas de gestação e pré-natal sem intercorrências até então, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. Refere apenas cansaço nos últimos dias, nega cefaleia, alterações visuais ou dor abdominal. Ao exame, apresenta pressão arterial de 150 x 96 mmHg, confirmada em nova aferição após quatro horas (152 x 98 mmHg); altura uterina de 31 cm, batimentos cardíacos fetais de 144 bpm, edema de membros inferiores 1+/4+, ausência de dor à palpação abdominal. Traz exames colhidos há dois dias: proteinúria de fita negativa, hemoglobina 11,4 g/dL, plaquetas 92.000/mm³, AST 118 U/L, ALT 104 U/L, creatinina 0,8 mg/dL, LDH 380 U/L.
Correta: desde as diretrizes atuais (Ministério da Saúde/FEBRASGO, alinhadas ao ACOG), a proteinúria NÃO é obrigatória para o diagnóstico de pré-eclâmpsia: hipertensão de início após 20 semanas associada a disfunção de órgão-alvo já fecha o diagnóstico. Aqui há plaquetopenia (<100.000/mm³) e elevação de transaminases (>2x o valor normal) — dois critérios de gravidade que, somados à hemólise incipiente sugerida pelo LDH, apontam espectro HELLP. A conduta é internação em referência, sulfato de magnésio para neuroprofilaxia, controle pressórico e resolução da gestação após estabilização (com 34 semanas não se justifica conduta expectante prolongada). Incorreta: a ausência de proteinúria não afasta pré-eclâmpsia quando há lesão de órgão-alvo; manter em UBS expõe a risco de eclâmpsia. Incorreta: há critérios de gravidade laboratoriais — conduta expectante ambulatorial e espera até 37 semanas são inadequadas. Incorreta: na esteatose hepática aguda esperam-se hipoglicemia, coagulopatia, icterícia e náuseas/vômitos importantes, ausentes no caso.
Uma mulher de 31 anos, com 32 semanas de gestação, é levada à Unidade de Pronto Atendimento por cefaleia occipital intensa e contínua há seis horas, associada a escotomas cintilantes e dor epigástrica em barra. Fez apenas três consultas de pré-natal. Ao exame, encontra-se lúcida e orientada, pressão arterial de 172 x 116 mmHg, frequência cardíaca de 92 bpm, reflexos patelares exaltados sem clônus, altura uterina de 29 cm, batimentos cardíacos fetais de 140 bpm, sem contrações e sem perdas vaginais. Proteinúria de fita 3+. A UPA não dispõe de leito obstétrico e a maternidade de referência fica a 40 minutos de transporte.
Correta: quadro de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade em iminência de eclâmpsia (cefaleia persistente, escotomas, epigastralgia, hiper-reflexia, PA ≥160x110 mmHg). O protocolo do Ministério da Saúde determina duas ações imediatas e simultâneas, antes/durante a transferência: sulfato de magnésio (ataque + manutenção) para prevenir a convulsão e anti-hipertensivo de ação rápida (hidralazina EV ou nifedipina VO) para crise hipertensiva. A transferência para serviço com recurso obstétrico e neonatal deve ocorrer com a medicação em curso. Incorreta: inibidores da ECA são contraindicados na gestação (fetotoxicidade) e não tratam a iminência de eclâmpsia. Incorreta: o corticoide é útil aos 32 semanas, mas jamais substitui ou precede a neuroprofilaxia e o controle pressórico — transferir sem sulfato de magnésio é a conduta de maior risco. Incorreta: a resolução é necessária, mas deve ocorrer em serviço adequado e após estabilização clínica; cesariana em UPA sem retaguarda obstétrica/neonatal é inapropriada.
Uma mulher de 24 anos, primigesta, com 37 semanas e 2 dias de gestação, comparece à consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde. Está assintomática: nega cefaleia, alterações visuais, dor epigástrica e perdas vaginais. Suas pressões arteriais eram normais até as 30 semanas. Hoje, apresenta pressão arterial de 148 x 94 mmHg, repetida após quatro horas com 150 x 92 mmHg. Ao exame: altura uterina de 34 cm, batimentos cardíacos fetais de 148 bpm, edema 1+/4+ em membros inferiores, reflexos normais. Exames: proteinúria de 24 horas de 620 mg, plaquetas 210.000/mm³, creatinina 0,7 mg/dL, AST 24 U/L, ALT 21 U/L.
Correta: hipertensão de início após 20 semanas (PA ≥140x90 mmHg em duas aferições com pelo menos 4 horas de intervalo) associada a proteinúria ≥300 mg/24 h define pré-eclâmpsia. Não há critérios de gravidade (PA <160x110 mmHg, sem sintomas neurológicos/epigastralgia, plaquetas, transaminases e creatinina normais). Com idade gestacional ≥37 semanas, a conduta recomendada pelo Ministério da Saúde/FEBRASGO é a resolução da gestação, preferencialmente por indução do parto — a via de parto é obstétrica. Incorreta: a proteinúria significativa exclui hipertensão gestacional e aguardar 40 semanas aumenta o risco de progressão para gravidade. Incorreta: não há nenhum critério de gravidade; sulfato de magnésio e cesariana de urgência não estão indicados. Incorreta: a hipertensão surgiu após 20 semanas, com PA prévia normal, o que afasta HAS crônica.
Uma mulher de 26 anos, primigesta, com idade gestacional de 32 semanas e 3 dias confirmada por ultrassonografia de primeiro trimestre, comparece à consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde. Refere-se assintomática, nega cefaleia, escotomas, epigastralgia ou edema de instalação súbita. Traz o cartão de pré-natal com registros de pressão arterial de 108/70 mmHg na primeira consulta (10 semanas) e valores entre 105/65 mmHg e 115/75 mmHg nas consultas subsequentes até 28 semanas. Hoje, a aferição mostra 148/94 mmHg, repetida após quatro horas de repouso, com 150/96 mmHg. O exame físico é normal, com altura uterina compatível e batimentos cardíacos fetais de 142 bpm. A proteinúria de fita realizada na unidade é negativa, e os exames laboratoriais (hemograma, plaquetas, transaminases, creatinina e ácido úrico) estão dentro da normalidade. Qual é o diagnóstico desse caso?
Correta: hipertensão gestacional. Pelo Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde e pelas diretrizes brasileiras, define-se hipertensão gestacional como PA sistólica ≥ 140 mmHg e/ou diastólica ≥ 90 mmHg identificada APÓS a 20ª semana, em gestante previamente normotensa, SEM proteinúria e SEM critérios de gravidade ou disfunção de órgão-alvo — exatamente o quadro descrito (PA normal até 28 semanas, elevação isolada a 148/94 mmHg às 32 semanas, proteinúria negativa e laboratório normal). Hipertensão arterial crônica está incorreta porque exige hipertensão prévia à gestação ou detectada antes de 20 semanas, e o cartão documenta PA normal às 10 semanas. Pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade está incorreta porque requer proteinúria significativa ou, na sua ausência, sinal de comprometimento de órgão-alvo (plaquetopenia, elevação de transaminases, disfunção renal, sintomas neurológicos/visuais, edema agudo de pulmão) — todos ausentes aqui. Pré-eclâmpsia sobreposta está incorreta por depender de hipertensão crônica de base, que não existe neste caso.
Uma mulher de 34 anos, primigesta, é atendida na Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal com 11 semanas de idade gestacional. É portadora de hipertensão arterial crônica há quatro anos, em uso de metildopa 750 mg/dia desde o diagnóstico da gravidez, com pressão arterial hoje de 128/80 mmHg. Nega tabagismo; o IMC é de 27 kg/m². Refere que a mãe teve "pressão alta e convulsão" no fim da gestação. Ao exame físico, não há alterações; a ultrassonografia confirma gestação única e tópica. Exames iniciais: hemograma normal, creatinina de 0,7 mg/dL, relação proteína/creatinina urinária normal, transaminases normais. A paciente pergunta se há algo que possa fazer para reduzir o risco de complicações no fim da gestação. Além do controle pressórico, qual medida farmacológica de prevenção deve ser prescrita?
Correta: ácido acetilsalicílico (AAS) em dose baixa (100 a 150 mg/dia), iniciado idealmente entre 12 e 16 semanas — e antes de 20 semanas — e mantido até cerca de 36 semanas ou o parto, associado à suplementação de cálcio em populações com baixa ingesta. A paciente é de ALTO RISCO para pré-eclâmpsia por critério isolado suficiente: hipertensão arterial crônica (soma-se ainda primiparidade, idade ≥ 35 anos e história familiar materna), e as diretrizes brasileiras/Ministério da Saúde recomendam a profilaxia com AAS nessas gestantes por reduzir pré-eclâmpsia precoce e suas complicações. Sulfato de magnésio está incorreto: sua indicação é o tratamento e a prevenção de convulsões na pré-eclâmpsia com sinais de gravidade/eclâmpsia já instaladas, jamais como profilaxia de rotina em gestante assintomática. Heparina de baixo peso molecular está incorreta: destina-se à profilaxia/tratamento de tromboembolismo (por exemplo, trombofilias, SAF), não à prevenção primária de pré-eclâmpsia neste contexto. "Nenhuma medida farmacológica" está incorreta: repouso e restrição de sódio não previnem pré-eclâmpsia e deixariam de oferecer intervenção de eficácia comprovada.
Uma mulher de 38 anos, G2P1 (parto anterior a termo, sem intercorrências), comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal com idade gestacional de 13 semanas confirmada por ultrassonografia do primeiro trimestre. Refere hipertensão arterial crônica diagnosticada há três anos, em uso de metildopa 750 mg/dia, e índice de massa corporal de 33 kg/m². Nega tabagismo. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 128 x 80 mmHg, frequência cardíaca de 78 bpm, altura uterina compatível e ausência de edema. Exames laboratoriais iniciais sem alterações, com proteinúria de fita negativa. A gestante relata baixo consumo de leite e derivados. Considerando o risco de pré-eclâmpsia, qual é a conduta preventiva farmacológica mais adequada neste momento?
A gestante reúne fatores de alto risco para pré-eclâmpsia (hipertensão arterial crônica, idade ≥ 35 anos, obesidade), o que indica profilaxia com AAS em dose baixa (75-150 mg/dia, habitualmente 100 mg à noite) iniciada entre 12 e 16 semanas e mantida até por volta de 36 semanas, conforme o Ministério da Saúde/Febrasgo e a OMS. Como há baixa ingestão dietética de cálcio, associa-se cálcio 1 a 2 g/dia, recomendação da OMS para populações com baixo consumo. A alternativa que oferece só cálcio é incompleta: a proteinúria já caracterizaria doença instalada, e a prevenção precisa começar antes da placentação estar consolidada. Esperar 20 semanas perde a janela de eficácia do AAS, e o sulfato de magnésio é profilaxia de convulsão em pré-eclâmpsia já diagnosticada, não prevenção primária. Enalapril é contraindicado na gestação (fetotoxicidade), e a dose de 300 mg/dia de AAS não tem respaldo para essa indicação.
Uma mulher de 29 anos, G2P1, comparece à consulta de pré-natal na Unidade de Saúde da Família com 12 semanas de idade gestacional. Na primeira gestação, evoluiu com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade às 33 semanas, necessitando de interrupção prematura da gravidez. Atualmente está assintomática, com pressão arterial de 110 x 70 mmHg, índice de massa corporal de 24 kg/m² e exames laboratoriais de rotina normais. A médica da equipe decide iniciar a profilaxia medicamentosa da pré-eclâmpsia com ácido acetilsalicílico em dose baixa. De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde, qual é o período recomendado para iniciar essa profilaxia?
O antecedente de pré-eclâmpsia em gestação anterior é fator isolado de alto risco e indica AAS em dose baixa, que deve ser iniciado entre 12 e 16 semanas (idealmente antes de 16 semanas, aceitando-se até 20 semanas) e mantido até cerca de 36 semanas, conforme o Ministério da Saúde, a Febrasgo e a OMS. O benefício depende de atuar sobre a segunda onda de invasão trofoblástica, que ocorre nesse intervalo. Iniciar a partir de 24 semanas ou no terceiro trimestre é tardio: a placentação já se completou e o efeito preventivo praticamente desaparece. Iniciar antes de 8 semanas não tem respaldo em ensaios clínicos nem se mostra necessário, além de expor o embrião a um fármaco no período de organogênese sem benefício demonstrado.
Uma mulher de 41 anos, primigesta, com gestação obtida por fertilização in vitro (gemelar dicoriônica), chega à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal. Nunca fez acompanhamento e traz uma ultrassonografia realizada há cinco dias que estima idade gestacional de 26 semanas. Nega comorbidades e uso de medicações. Ao exame, apresenta pressão arterial de 118 x 74 mmHg em duas aferições, altura uterina de 30 cm, batimentos cardíacos fetais audíveis e ausência de proteinúria na fita reagente. Relata que quase não consome leite, queijos ou iogurtes. Diante do perfil de alto risco para pré-eclâmpsia e da idade gestacional atual, qual é a conduta preventiva mais apropriada?
A gestante tem múltiplos fatores de alto risco (idade ≥ 35 anos, nuliparidade, gestação gemelar, técnica de reprodução assistida), mas já está com 26 semanas: a janela de eficácia do AAS é entre 12 e 16 semanas, admitindo-se até 20 semanas, porque o mecanismo depende da segunda onda de invasão trofoblástica, já concluída. Iniciar agora não traz benefício comprovado — por isso a afirmação de eficácia em qualquer momento está errada. A suplementação de cálcio (1 a 2 g/dia), recomendada pela OMS e pelo Ministério da Saúde em populações com baixa ingestão dietética, mantém benefício quando iniciada mais tardiamente e é a medida cabível, somada à vigilância pressórica e de proteinúria e ao pré-natal de alto risco. Sulfato de magnésio é para prevenção de eclâmpsia em pré-eclâmpsia já instalada, não profilaxia primária, e não há indicação de internação numa paciente normotensa e assintomática. Anti-hipertensivo profilático em normotensa não previne pré-eclâmpsia, e a restrição rigorosa de sal não é recomendada na gestação.
Uma mulher de 28 anos, primigesta, com 33 semanas de gestação, comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de cefaleia occipital intensa há 6 horas, associada a escotomas cintilantes e dor epigástrica. Fazia pré-natal regular, sem intercorrências até a consulta anterior, quando a pressão arterial era 118/76 mmHg. Nega comorbidades prévias e uso de medicações. Ao exame: regular estado geral, lúcida, pressão arterial de 172/114 mmHg confirmada após 15 minutos de repouso, frequência cardíaca de 92 bpm, edema de face e de membros inferiores (++/4+), reflexos patelares vivos. Altura uterina de 30 cm, batimentos cardiofetais de 140 bpm. Fita reagente de urina revela proteinúria de 3+. A unidade dispõe de medicações injetáveis e de transporte para a maternidade de referência.
O quadro é de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade em emergência hipertensiva (PA ≥ 160/110 mmHg com sintomas de iminência de eclâmpsia). O protocolo do Ministério da Saúde/FEBRASGO determina anti-hipertensivo de ação rápida — hidralazina EV (alternativas: nifedipino VO ou labetalol EV) — visando PA-alvo em torno de 140-150/90-100 mmHg, associado a sulfato de magnésio para profilaxia de eclâmpsia, e transferência para serviço de referência. A alternativa com captopril está errada: inibidores da ECA são proscritos na gestação (fetotoxicidade renal, oligoâmnio); furosemida não tem papel, pois há depleção do volume plasmático, salvo edema agudo de pulmão. A metildopa tem início de ação lento (várias horas) e não serve para emergência hipertensiva, além de ser inaceitável manejar caso grave sem transporte assistido. O nitroprussiato é reservado a casos refratários e por curto período, pelo risco de intoxicação fetal por cianeto, e a redução abrupta/completa da PA compromete a perfusão placentária.
Uma primigesta de 19 anos, com 35 semanas de gestação por ultrassonografia precoce, comparece à unidade de saúde da família para consulta de pré-natal referindo cefaleia frontal há dois dias, que melhora parcialmente com dipirona. Nega epigastralgia, escotomas ou redução da movimentação fetal. Realizou pré-natal regular, com sete consultas prévias, todas com pressão arterial abaixo de 130/80 mmHg e sem proteinúria. Ao exame: bom estado geral, lúcida, PA de 148/96 mmHg em duas aferições com intervalo de quatro horas, edema de tornozelos ++/4+, reflexos patelares normais. Altura uterina de 32 cm, batimentos cardiofetais de 144 bpm, ausência de dinâmica uterina. Exames colhidos no mesmo dia: proteinúria em amostra isolada com relação proteína/creatinina de 0,18 mg/mg; hemoglobina 12,4 g/dL; plaquetas 190.000/mm³; creatinina 0,7 mg/dL; AST 26 U/L; ALT 22 U/L; desidrogenase láctica 300 U/L.
Correta: há hipertensão de início após 20 semanas (PA ≥140/90 em duas medidas com pelo menos 4 h de intervalo) em gestante previamente normotensa, mas SEM proteinúria significativa (relação proteína/creatinina 0,18 mg/mg, abaixo do ponto de corte de 0,3) e SEM qualquer critério de disfunção de órgão-alvo (plaquetas normais, creatinina normal, transaminases normais, sem edema agudo de pulmão). Pelos critérios do Ministério da Saúde/FEBRASGO e ACOG, isso configura hipertensão gestacional, cuja conduta é expectante com vigilância materno-fetal intensificada, pois até um terço evolui para pré-eclâmpsia. Errada: cefaleia isolada não substitui proteinúria nem caracteriza pré-eclâmpsia — os sintomas cerebrais só têm valor diagnóstico como critério de gravidade quando persistentes, refratários e sem outra causa, e a paciente teve melhora com analgésico comum; além disso, com 35 semanas e quadro estável, não se indica resolução. Errada: não há critérios de gravidade (PA <160/110, sem plaquetopenia, sem alteração hepática/renal, sem sintomas refratários), portanto não se justifica sulfato de magnésio nem cesariana — que, ademais, não é a via obrigatória mesmo na pré-eclâmpsia grave. Errada: hipertensão crônica exige PA elevada antes de 20 semanas ou anterior à gestação, e esta gestante tinha sete consultas com PA normal; ausência de proteinúria não exclui doença hipertensiva da gravidez, apenas afasta, neste momento, o diagnóstico de pré-eclâmpsia.
Mulher de 26 anos, primigesta, com 32 semanas de idade gestacional, comparece à consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde. Refere-se assintomática. Era normotensa nas consultas anteriores e não tem comorbidades. Ao exame: pressão arterial de 150/100 mmHg, confirmada em nova aferição após quatro horas de repouso; edema discreto de tornozelos; altura uterina compatível; batimentos cardíacos fetais de 140 bpm. Proteinúria em fita reagente: 2+. Não apresenta cefaleia, alterações visuais nem dor epigástrica. O diagnóstico mais provável é:
Correta: pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade. O diagnóstico exige hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg em duas aferições) de início após a 20ª semana em gestante previamente normotensa, associada a proteinúria — aqui documentada pela fita (2+, equivalente a ≥ 300 mg/24 h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3). A ausência de PA ≥ 160/110 mmHg, de sintomas de iminência de eclâmpsia e de disfunção orgânica define o quadro como sem sinais de gravidade (Ministério da Saúde / FEBRASGO). Hipertensão gestacional está errada porque, por definição, cursa SEM proteinúria e sem disfunção orgânica. Hipertensão arterial crônica está errada porque exige hipertensão prévia à gestação ou detectada antes da 20ª semana, e a paciente era normotensa nas consultas anteriores. Hipertensão crônica com pré-eclâmpsia sobreposta está errada porque pressupõe hipertensão crônica de base, ausente neste caso.
Mulher de 34 anos, secundigesta, com 35 semanas de gestação, é atendida em Unidade de Pronto Atendimento com cefaleia holocraniana persistente e escotomas cintilantes há seis horas. Pré-natal sem intercorrências até a 30ª semana. Exame: PA 160/110 mmHg em duas aferições, reflexos vivos, dor à palpação do hipocôndrio direito. Feto com batimentos de 148 bpm. Proteinúria em fita: negativa. Exames: plaquetas 88.000/mm³, AST 130 U/L, ALT 118 U/L, creatinina 0,8 mg/dL. A conduta correta é:
Correta: a proteinúria deixou de ser obrigatória para o diagnóstico. Na ausência dela, pré-eclâmpsia se define por hipertensão de início após a 20ª semana associada a disfunção de órgão-alvo — aqui há plaquetopenia (< 100.000/mm³), elevação de transaminases (> 2× o normal), sintomas neurológicos e dor em hipocôndrio direito, configurando pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (espectro HELLP). A conduta imediata é sulfato de magnésio para profilaxia de eclâmpsia, anti-hipertensivo parenteral (hidralazina ou nifedipino) para PA ≥ 160/110 mmHg e transferência regulada para serviço de referência com resolução da gestação. Aguardar proteinúria de 24 horas é errado: retarda o tratamento de um quadro já diagnosticado por critérios de disfunção orgânica. Hipertensão gestacional é errada: a definição exclui disfunção orgânica, e a alta ambulatorial diante de PA em nível grave e plaquetopenia seria negligência. Investigar púrpura primeiro é errado: a plaquetopenia no contexto de hipertensão grave, hepatopatia e gestação avançada é da própria doença, e postergar o manejo obstétrico agrava o risco materno-fetal.
Mulher de 29 anos, com 27 semanas de gestação, é internada em maternidade de referência com PA 168/112 mmHg e proteinúria de 1,9 g/24 h. Recebeu hidralazina endovenosa, com queda para 140/88 mmHg, e sulfato de magnésio. Após 24 horas, permanece assintomática, PA controlada com nifedipino oral, sem cefaleia, escotomas ou epigastralgia. Plaquetas 210.000/mm³, transaminases e creatinina normais, ausência de sinais de HELLP. Ultrassonografia: crescimento fetal no percentil 40, líquido normal, dopplervelocimetria e cardiotocografia sem alterações. A conduta indicada neste momento é:
Correta: conduta expectante hospitalar. Em pré-eclâmpsia com sinais de gravidade abaixo de 34 semanas, com quadro materno estabilizado (PA controlada, ausência de sintomas de iminência de eclâmpsia, sem disfunção orgânica) e vitalidade fetal preservada, o benefício do ganho de maturidade pulmonar supera o risco, desde que em hospital de referência com vigilância diária — betametasona 12 mg IM 24/24 h (2 doses) e monitorização materno-fetal (FEBRASGO/Ministério da Saúde). Resolver imediatamente é errado: a interrupção independentemente da idade gestacional só se impõe a partir de 34 semanas ou diante de deterioração materna (HELLP, eclâmpsia, PA refratária, insuficiência renal, DPP) ou fetal — nada disso está presente. Manter sulfato de magnésio por semanas é errado: ele é indicado para profilaxia no episódio agudo e no periparto (mantido até 24 h após), não em infusão prolongada, pelo risco de toxicidade materna e efeitos fetais. Alta ambulatorial é errada: pré-eclâmpsia com sinais de gravidade prematura exige internação — a estabilidade atual não prediz a evolução, que pode ser abrupta.
Primigesta de 28 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal, com idade gestacional de 13 semanas confirmada por ultrassonografia. Refere que sua mãe teve pré-eclâmpsia. Nega comorbidades e uso de medicamentos. Ao exame: IMC 34 kg/m², pressão arterial 118/74 mmHg, ausculta cardíaca e respiratória sem alterações. Exames de rotina do primeiro trimestre sem anormalidades; proteinúria de fita negativa. Qual é a conduta adequada nesse momento?
A gestante reúne três fatores de risco moderados para pré-eclâmpsia (nuliparidade, IMC > 30 kg/m² e história familiar em parente de primeiro grau), o que indica profilaxia com AAS em dose baixa (75–150 mg/dia) iniciada entre 12 e 16 semanas e mantida até cerca de 36 semanas, associada a carbonato de cálcio em população com baixa ingestão — tudo executável na APS, pois fatores de risco isolados para pré-eclâmpsia, sem hipertensão ou doença estabelecida, não configuram, por si, critério de encaminhamento ao alto risco. Obesidade e história familiar são fatores de risco a serem manejados na APS, não critérios de encaminhamento na ausência de doença instalada. Iniciar após 20 semanas ou já com hipertensão perde a janela de eficácia da profilaxia, que depende do início precoce (12–16 semanas). Metildopa é tratamento de hipertensão, não profilaxia, e a dopplerfluxometria de artérias uterinas não é rastreamento de rotina disponível na APS nem muda a indicação de AAS neste caso.
Mulher de 26 anos, primigesta, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal com idade gestacional de 13 semanas. Está assintomática. Ao exame, pressão arterial de 150/98 mmHg, confirmada em nova aferição após repouso. Nega doenças prévias, mas relata nunca ter medido a pressão anteriormente. Exame de urina sem proteinúria. Qual é o diagnóstico mais provável?
Hipertensão arterial crônica é aquela identificada antes das 20 semanas de gestação (ou já pré-existente) — é o caso, com PA elevada persistente a 13 semanas. Hipertensão gestacional, por definição, só se caracteriza após 20 semanas. Pré-eclâmpsia exige proteinúria ou disfunção de órgão-alvo após 20 semanas, ausentes aqui. Hipertensão do avental branco é diagnóstico de exclusão que depende de confirmação por MAPA, não a hipótese mais provável diante de PA elevada confirmada em consultório.
Gestante de 29 anos com diagnóstico de hipertensão arterial crônica realiza consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde com idade gestacional de 12 semanas. A pressão arterial está controlada com nifedipina. Além do acompanhamento pressórico, qual medida está indicada para reduzir o risco de pré-eclâmpsia?
Gestantes com hipertensão arterial crônica são de alto risco para pré-eclâmpsia, e a profilaxia com AAS em baixa dose (75–150 mg/dia), iniciada idealmente entre 12 e 16 semanas, reduz esse risco (associada à suplementação de cálcio em populações de baixa ingesta). Sulfato de magnésio destina-se à prevenção e ao tratamento da eclâmpsia, não à profilaxia primária da pré-eclâmpsia. Corticoide antenatal é indicado para maturação pulmonar em risco de prematuridade, sem relação com o cenário. Restrição de sal e repouso absoluto não previnem pré-eclâmpsia, e o repouso no leito ainda aumenta o risco tromboembólico.
Uma gestante de 32 anos, com antecedente de pré-eclâmpsia grave na gestação anterior, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal com 13 semanas. Pressão arterial 118 x 76 mmHg, sem edema ou proteinúria. Qual a conduta profilática mais adequada para reduzir o risco de pré-eclâmpsia nesta gestação?
Gestante com pré-eclâmpsia prévia é fator de ALTO risco e tem indicação formal de AAS em baixa dose (100–150 mg/dia), idealmente iniciado entre 12 e 16 semanas e mantido até ~36 semanas — reduz a incidência de pré-eclâmpsia (correta). Sulfato de magnésio é para prevenção/tratamento de eclâmpsia (crises convulsivas), não para prevenir a doença. Metildopa trata hipertensão já estabelecida, não é profilaxia em normotensa. Heparina só se indicada por trombofilia/SAF, não como profilaxia rotineira de pré-eclâmpsia.
Primigesta de 41 anos, IMC de 37 kg/m², comparece à UBS para pré-natal com 14 semanas de idade gestacional. Pressão arterial 122 x 80 mmHg, exames iniciais sem alterações. Relata dieta pobre em laticínios. Diante do perfil de risco para pré-eclâmpsia, qual é a conduta preventiva mais apropriada neste momento?
A gestante soma múltiplos fatores de risco moderados (primiparidade, idade ≥40 anos, IMC ≥35) — a associação de dois ou mais desses fatores indica AAS em baixa dose iniciado antes de 16 semanas; a baixa ingesta de cálcio justifica também a suplementação de cálcio, ambas medidas iniciáveis na APS (correta). Esperar surgir hipertensão/proteinúria perde a janela profilática. Anti-hipertensivo não previne pré-eclâmpsia em normotensa e não há alvo de tratar PA normal. O encaminhamento não substitui o início oportuno da profilaxia, que deve ser feito na própria UBS.
Gestante de 29 anos, portadora de hipertensão arterial crônica, inicia o pré-natal tardiamente em uma UPA e é orientada a procurar a UBS, onde é avaliada com 25 semanas de idade gestacional. Refere dieta pobre em cálcio e não fez uso de nenhuma medicação profilática até então. Considerando as evidências sobre prevenção de pré-eclâmpsia, qual a conduta mais adequada neste momento?
O maior benefício do AAS depende do início precoce (antes de 16 semanas, e com pouca vantagem após ~20 semanas); com 25 semanas essa janela já passou. Já a suplementação de cálcio em gestante com baixa ingesta reduz o risco de pré-eclâmpsia e ainda é útil neste ponto — é a medida indicada (correta). Afirmar que o AAS beneficia independentemente do tempo é incorreto. Dizer que nada pode ser feito ignora o papel do cálcio. Sulfato de magnésio previne convulsão na pré-eclâmpsia/eclâmpsia instalada, não previne o surgimento da doença.
Gestante de 33 anos, com 35 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de pré-natal. Está assintomática. A pressão arterial é de 150/98 mmHg, confirmada em duas aferições com intervalo de 4 horas. A proteinúria de fita é negativa. Os exames laboratoriais mostram: plaquetas 88.000/mm³, creatinina 1,3 mg/dL, TGO e TGP normais, bilirrubinas normais. Diante desse quadro, qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: Pré-eclâmpsia. Hipertensão (PA >=140/90) após 20 semanas associada a disfunção de órgão-alvo (plaquetopenia <100.000 e creatinina >1,1 mg/dL) fecha o diagnóstico mesmo SEM proteinúria, segundo os critérios atuais da FEBRASGO/Ministério da Saúde. Hipertensão gestacional exige ausência de proteinúria E de disfunção orgânica (aqui há plaquetopenia e lesão renal). HAS crônica é a hipertensão diagnosticada antes de 20 semanas, o que não é o caso. Síndrome HELLP requer hemólise e elevação de transaminases, ambas ausentes (TGO/TGP e bilirrubinas normais).
Gestante de 28 anos, com 34 semanas, é levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com pressão arterial de 170/115 mmHg, cefaleia holocraniana intensa e escotomas cintilantes. A proteinúria é significativa e ela já tinha diagnóstico prévio de pré-eclâmpsia. Qual é a conduta imediata mais adequada?
Correta: iniciar sulfato de magnésio e anti-hipertensivo. Trata-se de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (PA >=160/110, cefaleia e alterações visuais). O sulfato de magnésio previne a eclâmpsia (iminência de convulsão) e a PA >=160/110 exige anti-hipertensivo de ação rápida (hidralazina ou nifedipina). Repouso e reavaliação tardia é conduta inaceitável diante de iminência de eclâmpsia. Diurético é contraindicado na pré-eclâmpsia (piora a hipovolemia relativa), reservado a edema agudo de pulmão. Corticoide (para maturação pulmonar fetal) não trata a emergência hipertensiva nem previne convulsão, e liberar a paciente é inadmissível.
Gestante de 30 anos, com 38 semanas, em acompanhamento por pré-eclâmpsia SEM sinais de gravidade. A pressão arterial está controlada com metildopa (140/90 mmHg), os exames laboratoriais (plaquetas, função hepática e renal) são normais e a vitalidade fetal está preservada. Qual é a conduta obstétrica indicada?
Correta: resolução da gestação (indução do parto). Na pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade, o tratamento definitivo é a interrupção da gestação a partir de 37 semanas completas, pois o único tratamento curativo é a retirada da placenta e prolongar a gestação aumenta o risco materno-fetal. A conduta expectante até 40 semanas está indicada apenas em gestações de baixo risco, não na pré-eclâmpsia a termo. Cesárea de emergência não se justifica com PA controlada e vitalidade fetal preservada; a via de parto segue indicação obstétrica, preferindo-se a indução. Suspender o anti-hipertensivo e adiar o retorno expõe a paciente a piora e progressão para formas graves.
Primigesta de 22 anos, 35 semanas de gestação, comparece à consulta de pré-natal na UBS sem queixas. Nega hipertensão prévia e as pressões arteriais foram normais em todas as consultas anteriores. Ao exame: PA de 146 × 94 mmHg, confirmada após 4 horas de repouso (148 × 96 mmHg); edema de membros inferiores +/4+; altura uterina compatível com a idade gestacional; batimentos cardiofetais de 140 bpm. Exames: relação proteína/creatinina urinária de 0,45; hemograma, creatinina, transaminases, bilirrubinas e DHL normais. Assinale o diagnóstico mais provável.
Hipertensão de início após a 20ª semana (PA ≥ 140 × 90 mmHg em duas medidas) em gestante previamente normotensa, associada a proteinúria significativa (relação proteína/creatinina ≥ 0,3), define pré-eclâmpsia; como a PA é < 160 × 110 mmHg, não há sintomas premonitórios e os exames de disfunção de órgão-alvo são normais, classifica-se como sem sinais de gravidade. Hipertensão gestacional exigiria proteinúria ausente e demais critérios negativos. Hipertensão crônica exigiria PA elevada antes de 20 semanas ou prévia à gestação — a paciente era normotensa. Pré-eclâmpsia sobreposta pressupõe hipertensão crônica de base, inexistente aqui.
Secundigesta de 29 anos, 36 semanas de gestação, procura a maternidade com cefaleia frontal intensa há 12 horas, refratária à dipirona, associada a escotomas cintilantes. Pré-natal sem intercorrências, normotensa até então. Ao exame: PA de 154 × 102 mmHg, confirmada após 15 minutos; reflexos profundos ++/4+, sem clônus; dinâmica uterina ausente; BCF de 144 bpm. Exames: relação proteína/creatinina urinária de 0,2; creatinina sérica de 1,3 mg/dL (basal de 0,6 mg/dL no 1º trimestre); plaquetas 210.000/mm³; AST 28 U/L; DHL e bilirrubinas normais. Assinale o diagnóstico correto.
Pelos critérios atuais (ACOG/FEBRASGO), a proteinúria NÃO é obrigatória: hipertensão de início após 20 semanas acompanhada de disfunção de órgão-alvo fecha pré-eclâmpsia — aqui há injúria renal (creatinina > 1,1 mg/dL e mais que o dobro do basal) e sintomas neurológicos/visuais refratários, que são, por si, critérios de gravidade. Hipertensão gestacional está errada porque ignora a disfunção de órgão-alvo, que reclassifica o quadro. 'Sem sinais de gravidade' contraria a creatinina elevada e a cefaleia refratária com escotomas. HELLP exige hemólise, transaminases ≥ 2× o limite e plaquetas < 100.000/mm³ — todos ausentes.
Uma mulher de 29 anos, G2P1 (parto vaginal prematuro na gestação anterior), comparece à primeira consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde com idade gestacional de 11 semanas e 3 dias, confirmada por ultrassonografia de primeiro trimestre. Relata que, na gestação anterior, evoluiu com eclâmpsia às 33 semanas, necessitando de internação em UTI e parto de urgência. No momento encontra-se assintomática, com PA de 118 x 74 mmHg. Ao exame: IMC 27 kg/m², sem edema. Traz exames: Hb 11,2 g/dL, proteinúria de fita negativa e glicemia de jejum 84 mg/dL. Assinale a conduta mais adequada.
Antecedente de eclâmpsia é fator que indica encaminhamento ao pré-natal de alto risco, e a paciente tem alto risco de pré-eclâmpsia recorrente: a prevenção baseada em evidência é AAS 100–150 mg/dia iniciado antes de 16 semanas (idealmente 12–16) associado a cálcio quando a ingesta é baixa. O AAS é profilático e deve começar agora, não após a hipertensão instalada. O antecedente de eclâmpsia exige encaminhamento. Metildopa só se houver hipertensão — a paciente está normotensa.
Primigesta de 32 anos, com 35 semanas e 2 dias, comparece à consulta de pré-natal na UBS, assintomática. Na primeira consulta, com 9 semanas, a pressão arterial era 110/70 mmHg, mantendo-se normal até a consulta anterior. Hoje, após 15 minutos de repouso, apresenta PA de 152/98 mmHg, confirmada em nova aferição 4 horas depois. Ao exame, sem edema patológico e com reflexos normais. Exames: relação proteína/creatinina em amostra isolada de urina 0,14; plaquetas 236.000/mm³; creatinina 0,7 mg/dL; AST 22 U/L; ALT 19 U/L. Assinale o diagnóstico mais provável.
Hipertensão gestacional é definida por PA ≥ 140/90 mmHg em duas aferições com pelo menos 4 horas de intervalo, surgida APÓS 20 semanas em gestante previamente normotensa, SEM proteinúria e SEM critérios de gravidade ou disfunção de órgão-alvo — exatamente o quadro descrito (PA normal com 9 semanas, hipertensão com 35 semanas, relação proteína/creatinina 0,14 [normal < 0,3], plaquetas, creatinina e transaminases normais). Hipertensão crônica exigiria PA elevada antes de 20 semanas ou pré-gestacional, o que a aferição de 110/70 mmHg com 9 semanas afasta. Pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade exigiria proteinúria significativa (relação proteína/creatinina ≥ 0,3, proteinúria ≥ 300 mg/24h ou fita ≥ 1+) ou, na sua ausência, disfunção de órgão-alvo (plaquetopenia, elevação de transaminases, creatinina ≥ 1,1 mg/dL, edema agudo de pulmão, sintomas neurológicos) — nada disso está presente. Hipertensão do avental branco é diagnóstico de exclusão, feito por MAPA/PA domiciliar normal, e não se aplica a cifras confirmadas em ambiente controlado com repouso adequado. Vale lembrar: cerca de 15-25% das hipertensões gestacionais evoluem para pré-eclâmpsia, o que torna a vigilância semanal obrigatória.
Gestante de 28 anos, com 36 semanas e 2 dias, em acompanhamento ambulatorial por hipertensão gestacional diagnosticada há três semanas. Usa metildopa 750 mg/dia, com PA domiciliar entre 130/84 e 138/88 mmHg. Está assintomática, sem cefaleia, escotomas ou epigastralgia. Exames semanais: plaquetas 210.000/mm³, creatinina 0,6 mg/dL, transaminases normais e relação proteína/creatinina 0,15. Ultrassonografia com feto em crescimento adequado para a idade gestacional, líquido amniótico normal e Doppler de artéria umbilical normal; cardiotocografia reativa. Assinale a conduta adequada.
Trata-se de hipertensão gestacional SEM sinais de gravidade, com PA controlada, exames laboratoriais seriados normais e vitalidade fetal preservada. A conduta padrão (FEBRASGO/ACOG, apoiada no estudo HYPITAT) é manter o seguimento expectante com vigilância materna e fetal e programar a resolução da gestação a partir de 37 semanas completas — a interrupção no termo precoce reduz desfechos maternos adversos (progressão para pré-eclâmpsia grave, crise hipertensiva) sem aumentar a morbidade neonatal. Corticoide com 36 semanas e resolução em 48 horas não se justifica: não há indicação de antecipação e o benefício da corticoterapia no termo precoce não se aplica a esse cenário. Suspender o anti-hipertensivo porque a PA está controlada inverte a lógica — a PA está controlada porque a droga está em uso — e aguardar até 41 semanas expõe a gestante ao risco de progressão. Aguardar 40 semanas também posterga desnecessariamente a resolução, contrariando a recomendação de termo precoce (37 semanas).
Primigesta de 39 anos comparece à primeira consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde com idade gestacional de 13 semanas, confirmada por ultrassonografia do primeiro trimestre. Antecedentes: obesidade (IMC 33 kg/m²), sem hipertensão, diabetes, nefropatia ou doença autoimune. Relata que sua mãe apresentou eclâmpsia na segunda gestação. Refere intolerância a laticínios, com ingestão diária estimada de cálcio de aproximadamente 400 mg. Ao exame: PA 118x74 mmHg, altura uterina compatível. Exames iniciais do pré-natal sem alterações, incluindo ausência de proteinúria. Assinale a conduta profilática adequada para essa gestante.
A paciente reúne três fatores de risco MODERADO para pré-eclâmpsia (nuliparidade, IMC > 30 kg/m² e história familiar de pré-eclâmpsia/eclâmpsia em parente de primeiro grau). A regra brasileira (FEBRASGO/Ministério da Saúde, alinhada à USPSTF/ACOG) indica AAS na presença de ≥ 1 fator de ALTO risco ou ≥ 2 fatores MODERADOS, na dose de 100–150 mg/dia, à noite, com início entre 12 e 16 semanas e manutenção até 36 semanas. Como a ingestão de cálcio é baixa (< 600 mg/dia), associa-se cálcio elementar 1,5–2 g/dia — daí a conduta correta ser AAS 150 mg/dia à noite, com início imediato, associado ao carbonato de cálcio. Afirmar que nenhum fator presente é de alto risco e dispensar a profilaxia medicamentosa erra ao ignorar o somatório de fatores moderados. Prescrever restrição de sódio e repouso em decúbito lateral esquerdo propõe medidas sem eficácia comprovada e formalmente desaconselhadas. Postergar o AAS para depois das 20 semanas inverte a lógica fisiopatológica: o benefício depende do início PRECOCE (antes de 16 semanas), pois atua modulando a segunda onda de invasão trofoblástica.
Gestante de 29 anos, nulípara, 15 semanas, comparece ao pré-natal de risco habitual. Nega hipertensão, diabetes, nefropatia, trombofilia e doenças autoimunes; não houve gestações prévias. IMC 23 kg/m², idade materna sem particularidades, sem história familiar de pré-eclâmpsia, gestação espontânea e única. Portadora de intolerância à lactose grave, não consome leite nem derivados; inquérito alimentar estima ingestão de cálcio em torno de 300 mg/dia. PA 110x70 mmHg, exames do primeiro trimestre normais. Assinale a conduta correta quanto à prevenção de pré-eclâmpsia nesse caso.
São duas decisões independentes. (1) AAS: a paciente tem apenas UM fator de risco moderado (nuliparidade), sem qualquer fator de alto risco — logo, não preenche o critério (≥ 1 alto risco ou ≥ 2 moderados) e o AAS não está indicado, o que elimina a proposta de associar AAS ao carbonato de cálcio. (2) Cálcio: a ingestão estimada (~300 mg/dia) está muito abaixo do recomendado (< 600 mg/dia), e a OMS/FEBRASGO recomendam suplementação de 1,5–2 g/dia de cálcio elementar a partir do segundo trimestre até o parto em populações/gestantes com baixa ingestão, com redução comprovada de pré-eclâmpsia — alternativa correta. Restrição de sal e redução da atividade física não têm eficácia e são desaconselhadas. Dispensar qualquer intervenção nega um benefício bem estabelecido justamente no subgrupo de baixa ingestão, que é onde o efeito é maior.
Secundigesta de 33 anos, 19 semanas por ultrassonografia precoce, inicia pré-natal tardiamente após mudança de município. Antecedente de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade na primeira gestação, com parto a termo por indicação materna; atualmente normotensa, sem uso de anti-hipertensivo. IMC 31 kg/m². Nega diabetes, nefropatia, lúpus, síndrome antifosfolípide ou trombose prévia. Ingestão de cálcio estimada em 500 mg/dia. PA 116x72 mmHg, proteinúria de fita negativa, exames laboratoriais normais. Assinale a conduta profilática mais adequada neste momento.
Ter apresentado pré-eclâmpsia com sinais de gravidade na gestação anterior é fator de ALTO risco isolado, o que basta para indicar AAS 100–150 mg/dia. O ponto nuançado é o momento: o benefício máximo ocorre com início entre 12 e 16 semanas, mas a recomendação (FEBRASGO/ACOG) é iniciar mesmo assim quando a gestante chega tardiamente — o AAS pode ser iniciado depois das 16 semanas (ACOG admite até 28 semanas), pois o benefício residual supera o risco. Mantém-se até 36 semanas e associa-se cálcio elementar 1,5–2 g/dia, já que a ingestão é inferior a 600 mg/dia. Abrir mão do AAS por já se ter passado das 16 semanas transforma a preferência por início precoce em contraindicação absoluta, o que é incorreto. Acrescentar enoxaparina é conduta reservada à síndrome antifosfolípide ou trombofilia com critérios definidos — ausentes aqui. Suspender o AAS em 28 semanas também é errado: nas doses profiláticas ele não fecha o ducto arterioso e não contraindica bloqueio neuroaxial, devendo ser mantido até ~36 semanas.
Primigesta de 32 anos, 35 semanas e 2 dias, comparece à consulta de pré-natal na UBS assintomática. Nega cefaleia, alterações visuais ou epigastralgia. Até a 20ª semana apresentava pressão arterial em torno de 110/70 mmHg. Hoje, a aferição mostra 152/98 mmHg, confirmada por nova medida após quatro horas de repouso (150/96 mmHg). Exames colhidos no mesmo dia: proteinúria em fita negativa e relação proteína/creatinina urinária 0,15 (referência < 0,3); plaquetas 92.000/mm³ (150.000–450.000); AST 34 U/L (< 40); creatinina 0,8 mg/dL; DHL 210 U/L (< 480); esfregaço sem esquizócitos. Assinale o diagnóstico correto.
Desde a revisão de critérios adotada pelas diretrizes brasileiras (MS/Febrasgo, alinhadas à ISSHP/ACOG), a proteinúria deixou de ser obrigatória: hipertensão de novo após 20 semanas associada a disfunção de órgão-alvo já define pré-eclâmpsia. A plaquetopenia < 100.000/mm³ é, por si só, critério de gravidade — por isso o quadro é de pré-eclâmpsia com critério de gravidade, mesmo sem proteinúria. O diagnóstico de hipertensão gestacional exigiria ausência de proteinúria E de qualquer disfunção orgânica, o que não ocorre aqui. Pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade está errada porque a plaquetopenia já classifica o quadro como grave. HELLP requer a tríade hemólise (DHL elevado/esquizócitos/queda de haptoglobina) + elevação de transaminases + plaquetopenia, e a paciente tem AST e DHL normais, sem esquizócitos.
Secundigesta de 34 anos, 30 semanas, portadora de hipertensão arterial crônica há seis anos, em uso de metildopa 750 mg/dia desde antes da concepção. No primeiro trimestre apresentava PA em torno de 130/80 mmHg e relação proteína/creatinina urinária de 0,08, colhida no rastreamento inicial. Retorna hoje referindo edema progressivo de mãos e face nas últimas duas semanas. PA 160/105 mmHg em duas aferições. Exames: relação proteína/creatinina urinária 0,62; plaquetas 220.000/mm³; AST 30 U/L; creatinina 0,8 mg/dL; sem sintomas neurológicos ou epigastralgia. Assinale o diagnóstico mais provável.
O diagnóstico exige dois passos: reconhecer a hipertensão como pré-gestacional (crônica, diagnosticada há seis anos) e identificar o surgimento de proteinúria significativa (relação proteína/creatinina ≥ 0,3) após 20 semanas em paciente que tinha 0,08 no primeiro trimestre — exatamente a definição de pré-eclâmpsia sobreposta. A piora pressórica associada reforça o quadro. Hipertensão gestacional é diagnóstico reservado a hipertensão de novo após 20 semanas SEM hipertensão prévia e sem proteinúria/disfunção orgânica. Atribuir tudo ao mau controle da hipertensão crônica ignora a proteinúria de novo, que é o achado definidor e muda radicalmente a vigilância materno-fetal. Pré-eclâmpsia 'em gestante previamente normotensa' está descartada pela hipertensão crônica documentada.
Mulher de 31 anos, G2P1A0, com 12 semanas e 3 dias, inicia o pré-natal na unidade básica. Na gestação anterior desenvolveu pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, sendo submetida a cesariana com 33 semanas; o recém-nascido pesou 1.450 g e permaneceu internado. Após o puerpério, a pressão arterial normalizou e não faz uso de medicações. Nega tabagismo. Atualmente: PA 112 x 70 mmHg, IMC 24 kg/m², exame obstétrico compatível com a idade gestacional, proteinúria de fita negativa. Além do encaminhamento ao pré-natal de alto risco, assinale a conduta profilática adequada.
Pré-eclâmpsia prévia de início precoce e com sinais de gravidade é fator de alto risco isolado: indica profilaxia com AAS em dose baixa (100 a 150 mg/dia), idealmente iniciada entre 12 e 16 semanas (antes de 20 semanas) e mantida até 36 semanas ou o parto, associada a suplementação de cálcio (1 a 2 g/dia) em populações com baixa ingestão, como a brasileira. Iniciar o AAS apenas após 20 semanas perde a janela de eficácia, pois a partir daí o benefício cai substancialmente; aguardar o Doppler condiciona indevidamente a profilaxia a um exame realizado após a janela útil; e a dose de 300 mg com suspensão em 28 semanas erra tanto a dose recomendada quanto o momento da suspensão.
Primigesta de 24 anos, com 32 semanas de gestação e pré-natal sem intercorrências até então, comparece à emergência obstétrica referindo dor epigástrica em barra há 12 horas. Nega cefaleia ou alterações visuais. Antecedentes: hígida, sem hipertensão prévia; PA habitual 110/70 mmHg. Ao exame: PA 158/102 mmHg, repetida após 20 minutos com 160/104 mmHg; edema de membros inferiores 2+/4+; altura uterina compatível; BCF 142 bpm. Exames: hemoglobina 10,4 g/dL, plaquetas 82.000/mm³, AST 130 U/L, ALT 118 U/L, creatinina 0,8 mg/dL, LDH 640 U/L, relação proteína/creatinina urinária 0,18. Assinale o diagnóstico mais provável.
Desde as diretrizes do ACOG incorporadas pela Febrasgo/Ministério da Saúde, a proteinúria deixou de ser obrigatória: hipertensão de início recente após 20 semanas (PA ≥140x90 mmHg em duas aferições) associada a disfunção de órgão-alvo já define pré-eclâmpsia. Aqui há três marcadores de gravidade — plaquetas <100.000/mm³, transaminases ao menos duas vezes o limite superior e dor epigástrica persistente —, configurando pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (espectro HELLP). Hipertensão gestacional exige ausência de proteinúria E de disfunção orgânica, o que não ocorre. Pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade está excluída pelos próprios critérios de gravidade presentes: plaquetas abaixo de 100.000/mm³ e transaminases elevadas não são explicadas por hemodiluição. Esteatose hepática aguda tipicamente cursa com hipoglicemia, coagulopatia, hiperbilirrubinemia e elevação de creatinina, ausentes no caso.
Secundigesta de 31 anos, com 36 semanas e 2 dias, é levada à emergência de hospital terciário com cefaleia holocraniana intensa e escotomas cintilantes há duas horas. Vinha em acompanhamento por pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade diagnosticada há 10 dias, em uso de metildopa 750 mg/dia. Ao exame: consciente, orientada, PA 172/116 mmHg confirmada em nova aferição após 15 minutos, reflexos patelares exaltados, sem clônus, edema 3+/4+. Proteinúria de fita 3+. Cardiotocografia categoria I; feto único, cefálico, colo impérvio. Assinale a conduta inicial adequada.
Trata-se de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (PA ≥160x110 mmHg e sintomas de iminência de eclâmpsia: cefaleia intensa e escotomas). A conduta preconizada pelo Ministério da Saúde e pela Febrasgo é sulfato de magnésio para profilaxia de eclâmpsia (Pritchard ou Zuspan), anti-hipertensivo de ação rápida para crise hipertensiva (hidralazina EV, nifedipino VO ou labetalol) e resolução da gestação, que é o único tratamento definitivo — com 36 semanas não há benefício em prolongar. Corticoide não está indicado com 36 semanas e 2 dias, e postergar 48 horas diante de iminência de eclâmpsia é inaceitável. Inibidores da ECA, como o captopril, são contraindicados na gestação por fetotoxicidade. Furosemida não é anti-hipertensivo de escolha na pré-eclâmpsia, pois a paciente já cursa com hipovolemia intravascular; reserva-se ao edema agudo de pulmão.
Primigesta de 19 anos, com 30 semanas e 3 dias, internada há 24 horas em hospital terciário com diagnóstico de pré-eclâmpsia com sinal de gravidade definido por PA de 164/112 mmHg à admissão. Após introdução de anti-hipertensivo, mantém PA entre 138/86 e 146/92 mmHg, assintomática, sem cefaleia, alterações visuais ou dor epigástrica. Exames atuais: plaquetas 214.000/mm³, AST 26 U/L, creatinina 0,7 mg/dL, sem hemólise. Ultrassonografia com feto no percentil 42 de peso, líquido amniótico normal e Doppler de artéria umbilical normal; cardiotocografia categoria I. Assinale a conduta adequada.
Em gestação abaixo de 34 semanas com pré-eclâmpsia grave definida apenas por níveis pressóricos que responderam ao tratamento, com mãe assintomática, exames laboratoriais normais e vitalidade fetal preservada, Febrasgo e Ministério da Saúde recomendam conduta expectante em serviço terciário, com corticoterapia antenatal para maturação pulmonar, controle pressórico e vigilância materno-fetal seriada, resolvendo a gestação diante de deterioração ou ao alcançar 34 semanas. Resolução imediata por cesariana ou indução não se justifica e expõe o concepto à prematuridade evitável — além de a via de parto ser obstétrica, não automaticamente abdominal. Alta hospitalar é inadequada porque a paciente teve critério de gravidade e exige monitorização contínua.
Gestante de 27 anos, G2P1, comparece à consulta de pré-natal na UBS com 33 semanas e 2 dias de idade gestacional, assintomática. Antecedentes: primeira gestação sem intercorrências; nega hipertensão prévia, e a pressão arterial aferida na primeira consulta (10 semanas) era 112/70 mmHg. Ao exame: PA 152/98 mmHg, repetida após 15 minutos de repouso, 150/96 mmHg; altura uterina 32 cm; BCF 142 bpm; sem cefaleia, escotomas, dor epigástrica ou edema patológico. Exames: proteinúria de fita negativa, relação proteína/creatinina urinária 0,15; plaquetas 232.000/mm³; creatinina 0,7 mg/dL; TGO 24 U/L; LDH 190 U/L. Assinale o diagnóstico mais provável.
Hipertensão identificada pela primeira vez APÓS a 20ª semana (aqui, 33 semanas), em gestante previamente normotensa, SEM proteinúria e SEM critérios de gravidade ou disfunção de órgão-alvo, define hipertensão gestacional (FEBRASGO/Ministério da Saúde). Pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade exigiria proteinúria (fita ≥1+, relação P/C ≥0,3 ou proteinúria de 24 h ≥300 mg) ou, na ausência dela, disfunção de órgão-alvo — plaquetas, creatinina, transaminases e sintomas estão normais. Hipertensão arterial crônica exigiria hipertensão prévia à gestação ou detectada antes de 20 semanas, o que é afastado pela PA de 112/70 mmHg com 10 semanas. Hipertensão do avental branco é diagnóstico de exclusão, feito por MAPA/MRPA com níveis normais fora do consultório, e não pode ser assumido diante de duas medidas elevadas em nível de hipertensão grave-limítrofe sem confirmação ambulatorial.
Gestante de 31 anos, G2P1, com 13 semanas de idade gestacional confirmada por ultrassonografia de primeiro trimestre, em primeira consulta de pré-natal. Antecedentes: pré-eclâmpsia com sinais de gravidade na gestação anterior, com parto por cesariana às 33 semanas; hipertensão arterial crônica desde então, em uso de metildopa 750 mg/dia. Inquérito alimentar estima ingestão de cálcio de cerca de 500 mg/dia. Exame: PA 126/80 mmHg, IMC 27 kg/m², sem proteinúria, creatinina 0,8 mg/dL, plaquetas normais. Assinale o esquema profilático adequado para esta paciente.
A paciente reúne dois fatores de ALTO risco (pré-eclâmpsia prévia de início precoce e hipertensão arterial crônica) e tem baixa ingestão de cálcio, com indicação inequívoca de dupla profilaxia. As diretrizes brasileiras (FEBRASGO/Ministério da Saúde) e a OMS recomendam AAS em baixa dose (100–150 mg/dia), preferencialmente à noite, iniciado entre 12 e 16 semanas — antes da 16ª, quando o efeito sobre a placentação é maior — e mantido até cerca de 36 semanas, somado a 1,5–2 g/dia de cálcio elementar em populações com ingestão baixa. Iniciar o AAS só após 20 semanas desperdiça a janela de maior benefício, e 500 mg/dia de cálcio é dose insuficiente para a profilaxia. AAS 500 mg/dia é dose analgésica/anti-inflamatória, não antiagregante seletiva, com risco hemorrágico e de fechamento do ducto arterial, e o polivitamínico não substitui a dose profilática de cálcio. Cálcio isolado é insuficiente diante de fatores de alto risco, e a profilaxia não pode ser condicionada ao doppler de artérias uterinas, que não é pré-requisito e só seria realizado quando a janela ideal já passou.
Primigesta de 40 anos comparece à primeira consulta de pré-natal com 12 semanas de idade gestacional. Gestação obtida por fertilização in vitro após 3 anos de infertilidade. IMC 34 kg/m². Refere que sua mãe teve "pressão alta na gravidez com internação". Nega hipertensão, diabetes, doença renal ou autoimune. Exame: PA 118/74 mmHg, sem edema, sumário de urina normal. Assinale a conduta correta quanto à prevenção de pré-eclâmpsia.
A paciente não tem fator de alto risco isolado, mas acumula quatro fatores de risco MODERADOS — nulipariedade, idade ≥40 anos, obesidade (IMC >30 kg/m²), gestação por técnica de reprodução assistida e história familiar de pré-eclâmpsia em parente de primeiro grau. A presença de dois ou mais fatores moderados indica profilaxia com AAS em baixa dose, iniciada idealmente antes da 16ª semana, exatamente como se faz diante de um fator de alto risco. Afirmar que não há indicação ignora a regra de soma de fatores moderados. Condicionar o início ao doppler de artérias uterinas é inadequado: o exame não é pré-requisito para a profilaxia e, entre 20 e 24 semanas, a janela de maior benefício do AAS já foi perdida. Medidas dietéticas isoladas não previnem pré-eclâmpsia e, ao adiar a conduta farmacológica, desperdiçam a única intervenção com benefício comprovado.
Secundigesta de 31 anos, 38 semanas e 1 dia, em acompanhamento por pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade diagnosticada há dez dias, com pressão controlada em uso de anti-hipertensivo oral, assintomática, exames laboratoriais seriados normais e vitalidade fetal preservada. Ao toque, colo posterior e impérvio, com índice de Bishop de 3. Qual a conduta?
A partir de 37 semanas, e sempre que a pré-eclâmpsia for diagnosticada no termo, a resolução da gestação é a conduta — o ensaio HYPITAT mostrou redução do desfecho materno adverso composto com a indução, sem aumento de complicação neonatal nem de cesárea. Manter a expectante até 39 semanas e 6 dias é a orientação para hipertensão gestacional pura no Manual do Ministério da Saúde, e não para pré-eclâmpsia, que é o diagnóstico desta paciente. Colo desfavorável não indica cesárea: faz-se preparo de colo com sonda de Foley e/ou misoprostol, porque a via vaginal é preferível. Repetir proteinúria é erro conceitual duplo, já que confirmada ela não se repete e o corte de 5 g em 24 horas foi retirado dos critérios de gravidade pelo ACOG em 2013. E não há indicação de sulfato de magnésio: não há crise hipertensiva, iminência de eclâmpsia, síndrome HELLP nem deterioração clínica ou laboratorial.
Gestante de 35 anos, 31 semanas, internada há oito dias por pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, mantém-se assintomática, com pressão de 134/84 mmHg em uso de dois anti-hipertensivos orais. Ciclo de corticoide completo há seis dias. Exames de hoje, comparados aos de 48 horas atrás: plaquetas de 76.000/mm³ (eram 118.000), TGO de 156 UI/L (era 62), creatinina de 1,1 mg/dL (era 0,9), desidrogenase láctica de 720 UI/L (era 320). Cardiotocografia reativa e Doppler de artéria umbilical com diástole presente. Qual a conduta?
A palavra que governa a decisão é progressiva. Plaquetas caindo de 118.000 para 76.000, TGO subindo de 62 para 156 UI/L e desidrogenase láctica de 320 para 720 UI/L em 48 horas configuram síndrome HELLP e alterações laboratoriais progressivas, que indicam o término da gravidez em qualquer idade gestacional — mesmo com a mãe assintomática e a pressão bem controlada, que é justamente a armadilha da vinheta. Manter a expectante ignora que a quantidade de sinais não conta tanto quanto a tendência deles. Repetir corticoide e esperar mais 48 horas troca risco materno grave por benefício neonatal marginal, e o corticoide não trata HELLP: a ISSHP recomenda expressamente contra usá-lo para acelerar a resolução da síndrome. Aguardar 34 semanas contraria a lista que atropela a idade gestacional. A resolução se faz com sulfato de magnésio em curso, e a via segue indicação obstétrica, com o parto vaginal preferível quando a vitalidade fetal e a situação materna permitem.
Sobre os métodos de avaliação da proteinúria no diagnóstico da pré-eclâmpsia e o papel dela no seguimento, qual afirmativa está correta?
Os três métodos são alternativos e qualquer um deles fecha o critério: pelo menos 300 mg em urina de 24 horas, relação proteína/creatinina maior ou igual a 0,3 com ambas as dosagens em mg/dL, ou fita reagente na indisponibilidade dos quantitativos. Confirmada, a proteinúria não se repete — ela representa o diagnóstico e não o prognóstico, aumenta com o tempo em qualquer conduta expectante e esse aumento não prevê desfecho perinatal; a única exceção citada é o edema generalizado ou pulmonar. A ISSHP recomenda que a decisão de parto não se baseie apenas no grau de proteinúria nem na hiperuricemia, e o ACOG retirou o corte de 5 g em 24 horas dos critérios de gravidade em 2013. A relação alterada é 0,3, não 3,0 — um erro de vírgula que muda tudo. E fita negativa não afasta proteinúria: ela detecta apenas albumina e não capta proteínas de cadeia leve, com taxa alta de falso-negativo.
Gestante de 22 anos, 29 semanas, com pré-eclâmpsia diagnosticada há três dias, chega à emergência com pressão de 172/116 mmHg, confirmada em 15 minutos com 168/114 mmHg. Está assintomática: nega cefaleia, escotomas, dor epigástrica e dispneia. Reflexos patelares normais. Cardiotocografia reativa. O serviço é uma maternidade de referência com unidade de terapia intensiva materna e neonatal. Qual a sequência correta de condutas?
Crise hipertensiva em gestante com pré-eclâmpsia confirmada ou suspeita indica sulfato de magnésio mesmo na ausência de sintomas, porque a eclâmpsia pode ocorrer sem qualquer pródromo e a crise é a janela de prevenção; o Manual do Ministério da Saúde é explícito em que o sulfato precede o hipotensor de ação rápida e é feito no local do evento, sem transferir paciente instável. O alvo do hipotensor é reduzir 15% a 25% na primeira hora, mirando sistólica até 140 e diastólica até 90 mmHg — normalizar rápido expõe a mãe a acidente vascular encefálico, infarto e insuficiência renal aguda, e o feto à hipóxia por queda da perfusão útero-placentária. Hidratação e repouso não tratam faixa grave. Deixar de dar o sulfato por ausência de sintoma é o erro central da questão. E crise hipertensiva isolada que responde ao tratamento não indica parto imediato aos 29 semanas: a decisão de parto se toma pela lista de deterioração e pela vitalidade fetal, e o corticoide entra se o nascimento se tornar provável em até sete dias.
Gestante de 24 anos, 34 semanas e 3 dias, chega a uma maternidade de referência com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade caracterizada por pressão de 166/110 mmHg confirmada em 15 minutos e cefaleia persistente. Após sulfato de magnésio e hipotensor de ação rápida, fica assintomática, com pressão de 138/88 mmHg. Exames: plaquetas de 184.000/mm³, creatinina de 0,8 mg/dL, TGO de 30 UI/L, desidrogenase láctica de 260 UI/L. Cardiotocografia reativa, peso fetal no percentil 35, líquido normal e Doppler de artéria umbilical normal. Sobre a conduta a partir daqui, qual afirmativa está correta?
Esta faixa entre 34 e 37 semanas é exatamente onde os documentos divergem, e a questão cobra saber disso. O ACOG indica o parto quando a pré-eclâmpsia com sinais de gravidade é diagnosticada a partir de 34 semanas e 0 dias, após estabilização materna. O Manual do Ministério da Saúde e o protocolo da RBEHG admitem, nos casos em que houve melhora dos parâmetros clínicos e laboratoriais, prolongar a gestação aproximando-se de 37 semanas para atenuar as complicações da prematuridade — com a ressalva de que isso exige monitorização contínua em ambiente hospitalar capaz de promover o parto de imediato. Dizer que a expectante está contraindicada em todos os documentos ignora a régua brasileira, e a cesariana não é indicação automática, já que a via é obstétrica e o vaginal é preferível. Adiar até 37 semanas em todos os documentos ignora a régua americana. Novo ciclo de corticoide não é obrigatório e, sobretudo, o parto indicado não se atrasa para completar corticoide. Alta hospitalar está fora de questão: pré-eclâmpsia com sinais de gravidade exige internação para acompanhamento.
Puérpera de 26 anos, quinto dia após parto vaginal a termo, procura a emergência por cefaleia intensa e visão embaçada há doze horas. O pré-natal transcorreu sem intercorrências e todas as aferições de pressão, inclusive as do parto e da alta, estiveram abaixo de 130/80 mmHg. À admissão: pressão de 176/112 mmHg, confirmada em 15 minutos; reflexos patelares exaltados; sem déficit focal. Plaquetas de 132.000/mm³, creatinina de 0,9 mg/dL, TGO de 58 UI/L. Qual a interpretação e a conduta?
A pré-eclâmpsia e suas complicações, inclusive a eclâmpsia, podem se manifestar pela primeira vez no puerpério, em mulher com pré-natal impecável — a ISSHP registra isso e sugere considerar tratamento para qualquer hipertensão diagnosticada antes do sexto dia após o parto, e o pico pressórico fisiológico ocorre entre o terceiro e o sétimo dia, por redistribuição do líquido extravascular. Pressão de 176/112 mmHg confirmada em 15 minutos com cefaleia intensa, sintoma visual e hiper-reflexia é crise hipertensiva com iminência de eclâmpsia: interna, sulfata e reduz a pressão em 15% a 25% na primeira hora. Tratar como cefaleia pós-punção com anti-inflamatório é duplamente errado, porque anti-inflamatórios elevam a pressão por retenção de sódio e perda de vasodilatação. Chamar de hipertensão crônica mascarada não se sustenta com pressão normal durante toda a gestação e no parto, e a reclassificação só se faz se a hipertensão persistir além de 12 semanas. Dizer que o quadro é incompatível por a placenta ter saído é o próprio equívoco que a questão testa — investigar imagem se impõe apenas diante de déficit neurológico, coma, convulsão de difícil controle ou alteração visual persistente após o tratamento. Triptano em puérpera hipertensa grave é vasoconstritor no cenário errado.
Primigesta de 27 anos, 32 semanas e 4 dias, previamente hígida e normotensa, comparece à emergência obstétrica por edema de mãos e face há uma semana. Nega cefaleia, alterações visuais, dor abdominal ou dispneia; movimentação fetal presente. Pressão de 148/96 mmHg, confirmada em nova medida quatro horas depois, com 150/94 mmHg, aferida sentada, com manguito adequado. Exames: relação proteína/creatinina urinária de 0,12; plaquetas de 89.000/mm³; creatinina de 0,8 mg/dL; TGO de 34 UI/L; desidrogenase láctica de 280 UI/L; bilirrubinas normais. Cardiotocografia reativa, peso fetal no percentil 40 e Doppler de artéria umbilical normal. Segundo os critérios do ACOG, qual o diagnóstico e a conduta imediata?
Hipertensão após vinte semanas associada a plaquetas de 89.000/mm³ permite diagnosticar pré-eclâmpsia mesmo sem proteinúria. A plaquetopenia abaixo de 100.000/mm³ também é sinal de gravidade pelo ACOG, e não apenas substituto diagnóstico da proteinúria. Há indicação de assistência hospitalar e profilaxia de convulsões. Antes de 34 semanas, conduta expectante só pode ser considerada em pacientes selecionadas, estáveis e sob vigilância rigorosa em centro adequado; deterioração indica parto após estabilização, sem aguardar obrigatoriamente corticoide. Os dados não preenchem HELLP completo. Referência: ACOG Practice Bulletin 222 (2020), quadros 2–4 e manejo de pré-eclâmpsia com gravidade.
Gestante de 19 anos, 27 semanas, é atendida numa maternidade do interior sem unidade de terapia intensiva neonatal e sem banco de sangue. Diagnóstico de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade: pressão de 170/112 mmHg confirmada em 15 minutos, cefaleia e escotomas. Plaquetas de 142.000/mm³, creatinina de 1,0 mg/dL, TGO de 44 UI/L. Cardiotocografia reativa e Doppler de artéria umbilical com diástole presente. Após sulfato de magnésio e hipotensor, a pressão cai para 142/90 mmHg e os sintomas cedem. Qual a conduta mais adequada?
A conduta expectante antes de 34 semanas é oferecida por interesse fetal ao preço de risco materno, e por isso exige estrutura: serviço com terapia intensiva materna, unidade neonatal e banco de sangue. Quando o serviço não tem isso, a decisão é estabilizar e transferir, e a transferência se faz com a paciente clinicamente estável — nunca observar no lugar sem recurso, nem transportar instável. O corticoide se inicia porque há risco concreto de nascimento nos próximos dias, e o sulfato de magnésio é mantido, também servindo à neuroproteção fetal nessa faixa de idade gestacional. Manter a expectante no serviço sem estrutura é a armadilha da questão, e vale lembrar que um ensaio latino-americano não encontrou benefício neonatal na expectante entre 28 e 34 semanas, resultado atribuído às limitações de terapia intensiva neonatal em ambientes de menor recurso. Indicar cesariana imediata troca um problema de logística por prematuridade extrema evitável, além de ignorar que a via é obstétrica. Suspender o sulfato porque os sintomas cederam e dar alta contraria a indicação de internação de todo quadro com sinais de gravidade.
Duas gestantes recebem diagnóstico de pré-eclâmpsia: uma com 30 semanas, com Doppler de artérias uterinas alterado e feto no percentil 5 de peso; outra com 38 semanas, com obesidade, feto no percentil 55 e compartimento útero-placentário sem alterações. Qual afirmativa descreve corretamente a diferença entre as duas formas?
O corte de 34 semanas separa duas doenças com substratos distintos. Na forma precoce, o problema é a placentação: invasão trofoblástica insuficiente das artérias espiraladas e isquemia placentária, o que explica o Doppler de artérias uterinas alterado, a restrição de crescimento frequente e os piores desfechos maternos e perinatais. Na forma tardia, o desenvolvimento placentário inicial é normal e o estresse oxidativo do trofoblasto se instala no fim da gravidez, por compressão das vilosidades numa placenta madura ou por senescência placentária, associando-se com frequência a obesidade, síndrome metabólica e inflamação crônica, com o compartimento útero-placentário normal ou pouco alterado. Inverter os dois substratos troca as doenças de lugar. A forma tardia tende a evoluir melhor por estar perto do termo, mas isso não autoriza vigilância menor, porque eclâmpsia e síndrome HELLP acontecem nos dois grupos. O rastreio combinado do primeiro trimestre é bom para prever a forma pré-termo e ruim para a de termo, de modo que resultado negativo não dá alta a ninguém. E a razão entre os fatores angiogênicos usa cortes diferentes conforme a idade gestacional, mais altos depois de 34 semanas.
Gestante de 30 semanas, internada com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e mantida em conduta expectante, está assintomática e com pressão controlada. Os exames de hoje mostram aspartato aminotransferase de 84 UI/L, plaquetas de 138.000/mm³ e creatinina de 0,7 mg/dL. Qual é a conduta correta com o seguimento laboratorial?
Na conduta expectante a vigilância laboratorial é seriada, de uma a duas vezes por semana conforme a evolução, mas existe um conjunto de gatilhos que encurta o intervalo: transaminase oxalacética acima de 70 UI/L, plaquetas abaixo de 100.000/mm³ ou creatinina acima de 1,1 mg/dL mandam repetir os exames em 24 a 48 horas. O valor de 84 UI/L aciona esse gatilho, e o que decide adiante é a tendência da mesma paciente, não o número isolado. A proteinúria confirmada não se repete, porque representa o diagnóstico e não o prognóstico, e o parto não se antecipa pelo grau dela. Manter o intervalo semanal ignora o gatilho já acionado. Indicar a resolução agora confunde alteração isolada com deterioração progressiva — é a sequência de exames piorando a cada 24 horas que encerra a expectante, e ela ainda não existe. E exames de coagulação só se pedem diante de plaquetopenia, enquanto o ácido úrico se correlaciona com desfecho adverso mas não decide sozinho.
Puérpera de 33 anos teve pré-eclâmpsia com sinais de gravidade que exigiu parto com 31 semanas. Recebe alta com pressão controlada em uso de anti-hipertensivo oral, assintomática e com exames em normalização. Qual orientação de seguimento tem melhor respaldo?
O protocolo RBEHG 2025 recomenda reavaliação precoce em 7–10 dias de pós-parto, além da consulta de 6–8 semanas, para acompanhar pressão, medicação e alterações laboratoriais. A programação deve ser individualizada, com avaliação mais precoce quando a gravidade ou sintomas exigirem. O antecedente de pré-eclâmpsia aumenta o risco cardiovascular futuro, justificando controle longitudinal dos fatores modificáveis. Escores de curto prazo podem subestimar o risco em mulheres jovens. Encaminhamento ao nefrologista depende de alterações persistentes ou de difícil controle, como proteinúria, sedimento ativo ou redução da função renal, e não é obrigatório para todas. O planejamento de nova gestação deve considerar o alto risco de recorrência e a profilaxia indicada.
Mulher de 34 anos, gestante de 33 semanas, apresenta pressão arterial de 172x114 mmHg, cefaleia, escotomas visuais e proteinúria. Qual o tratamento anti-hipertensivo endovenoso adequado e qual a medida adicional obrigatória?
A pré-eclâmpsia com hipertensão grave e sintomas neurológicos exige controle pressórico rápido e sulfato de magnésio para prevenir eclâmpsia. A hidralazina pode ser administrada por via intravenosa; o nifedipino de liberação imediata é uma alternativa por via oral, não intravenosa. O magnésio é anticonvulsivante, não substitui o anti-hipertensivo. Inibidores da ECA e bloqueadores de angiotensina não são apropriados na gestação. Referências: ACOG, Committee Opinion 767; OMS, Pre-eclampsia.
Gestante com fatores de risco para pré-eclâmpsia é avaliada no primeiro trimestre. Qual medida profilática está indicada?
O ácido acetilsalicílico em dose baixa reduz de forma consistente a incidência de pré-eclâmpsia precoce quando iniciado antes de 16 semanas em gestantes de risco — janela relacionada ao período de remodelação das artérias espiraladas, o que explica por que o início tardio perde eficácia. Suplementação de cálcio agrega benefício em populações com baixa ingesta. Repouso no leito e restrição de sódio foram abandonados por ausência de benefício, e o repouso ainda acrescenta risco tromboembólico. Heparina não é profilaxia de pré-eclâmpsia, tendo indicações trombofílicas próprias.
Gestante de 30 semanas com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, estável após controle pressórico e em uso de sulfato de magnésio, tem feto com Doppler normal e cardiotocografia reativa. Qual a conduta?
Entre 24 e 34 semanas, na pré-eclâmpsia com sinais de gravidade mas com mãe estabilizada e feto com vitalidade preservada, é aceitável a conduta expectante monitorizada em centro terciário, ganhando tempo para o corticoide e para a maturidade fetal, com interrupção diante de qualquer deterioração. Interromper de imediato toda paciente com sinais de gravidade é a conduta que gera prematuridade evitável quando o quadro está controlado. Alta hospitalar é inadmissível com sinais de gravidade. Suspender o magnésio na fase aguda retira a profilaxia de convulsão, e com 30 semanas o corticoide traz benefício neonatal claro e não deve ser dispensado.
Qual conjunto de critérios caracteriza pré-eclâmpsia com sinais de gravidade?
Os sinais de gravidade englobam níveis pressóricos de 160 por 110 mmHg ou mais, plaquetas abaixo de 100.000/mm3, transaminases elevadas com dor em hipocôndrio direito, creatinina elevada ou dobrada, edema agudo de pulmão e sintomas neurológicos ou visuais persistentes. A proteinúria maciça saiu dos critérios de gravidade nas classificações atuais, o que a torna o distrator mais atual e mais cobrado, porque o grau de proteinúria não prediz bem o desfecho. Edema e ganho de peso foram abandonados como critérios diagnósticos. Pressão de 95 mmHg com proteinúria de 300 mg define pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade, e a restrição de crescimento isolada não basta para o rótulo de gravidade materna.
Após um episódio de eclâmpsia, qual orientação de longo prazo deve ser dada à paciente?
A pré-eclâmpsia e a eclâmpsia são hoje reconhecidas como marcadores de risco cardiovascular ao longo da vida, com maior incidência futura de hipertensão crônica, doença isquêmica do coração, acidente vascular cerebral e doença renal crônica. Por isso o seguimento deve incluir controle pressórico, peso, perfil lipídico e glicêmico, além de orientação de estilo de vida. Achar que tudo se encerra com a normalização da pressão no puerpério é a leitura mais comum e faz perder uma janela de prevenção de décadas. Não há contraindicação definitiva a gestar, ainda que haja risco de recorrência e indicação de ácido acetilsalicílico profilático, e nem toda paciente ficará em uso contínuo de anti-hipertensivo.
Gestante de 36 semanas com pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade, com boa vitalidade fetal e sem alterações laboratoriais. Qual a conduta quanto ao momento do parto?
Na pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade, com vitalidade fetal preservada e sem alterações laboratoriais, a conduta é vigilância com resolução programada a partir de 37 semanas, momento em que o benefício de terminar a gestação supera o de prolongá-la. Interromper no diagnóstico, em qualquer idade gestacional, gera prematuridade evitável. Levar até 41 semanas expõe a paciente à progressão da doença, que é imprevisível. O grau de proteinúria não é gatilho para interrupção nas classificações atuais, e a cesariana eletiva de rotina não previne eclâmpsia nem substitui o controle clínico e a profilaxia com magnésio quando indicada.
Sobre a prevenção da pré-eclâmpsia em gestante de alto risco, qual medida tem eficácia comprovada?
O ácido acetilsalicílico em dose baixa reduz de forma consistente a incidência de pré-eclâmpsia em gestantes de alto risco, com maior benefício quando iniciado antes de 16 semanas, período em que ainda se completa a segunda onda de invasão trofoblástica. Cálcio é recomendado em populações com baixa ingestão. Repouso e restrição de sódio são recomendações tradicionais que os estudos não sustentaram e permanecem como distratores porque continuam sendo repetidas na prática. As vitaminas C e E foram testadas em ensaios grandes e falharam, e o diurético profilático não previne a doença e ainda reduz um volume plasmático já contraído.
Gestante de 33 anos, 30 semanas, com restrição de crescimento fetal precoce e Doppler umbilical alterado, apresenta pressão arterial de 168/112 mmHg, proteinúria de 3,2 g em 24 horas, cefaleia e plaquetas de 92.000/mm³. Qual a conduta?
O quadro é pré-eclâmpsia com critérios de gravidade — pressão em nível de emergência, cefaleia e plaquetopenia — somada a restrição de crescimento com Doppler alterado, e a conduta é tratar a mãe imediatamente com sulfato de magnésio e anti-hipertensivo de ação rápida, aplicar corticoide e programar o parto em curto prazo, sem prolongar a gestação. Conduta expectante até 37 semanas engana quem se apoia apenas na prematuridade, mas sinais de gravidade e sofrimento fetal retiram essa opção. Plaquetopenia moderada não contraindica sulfato de magnésio, cuja indicação é justamente prevenir eclâmpsia.
Adolescente de 14 anos, 31 semanas, comparece com pressão arterial de 152/102 mmHg em duas medidas, proteinúria de fita com duas cruzes, cefaleia occipital e escotomas. Plaquetas de 118.000/mm³. Qual a conduta imediata?
Hipertensão com proteinúria acompanhada de cefaleia e alterações visuais configura pré-eclâmpsia com sinais de deterioração, e a conduta é internação com sulfato de magnésio para prevenir eclâmpsia, controle pressórico e avaliação materna e fetal antes de decidir o momento e a via do parto. Manejo ambulatorial diante de sintomas de iminência é o erro que precede a convulsão. Corticoide e resolução da gestação entram no plano, mas nunca antes da estabilização, e jamais com alta hospitalar.
Gestante de 30 anos com gemelar dicoriônica, primeira consulta com 11 semanas, sem outros fatores de risco. Qual medida preventiva tem indicação estabelecida?
A gestação múltipla é fator de alto risco isolado para pré-eclâmpsia, o que sustenta a profilaxia com ácido acetilsalicílico em dose baixa iniciada no primeiro trimestre, idealmente antes de 16 semanas. Cerclagem profilática em gemelar sem colo curto não reduz prematuridade e pode piorar o desfecho, sendo o distrator mais perigoso. Progesterona vaginal se considera em colo curto documentado, não universalmente, e anticoagulação profilática exige indicação própria, que a gemelaridade isolada não fornece.
Gestante de 29 anos com diabetes tipo 1 e nefropatia diabética, com relação albumina-creatinina de 480 mg/g e creatinina de 1,3 mg/dL, está na 12ª semana. Qual o principal risco obstétrico e a medida preventiva indicada?
Nefropatia diabética estabelecida coloca a gestante em risco elevado de pré-eclâmpsia, com incidência que pode chegar a algo entre 40 e 50 por cento, e de restrição de crescimento fetal por comprometimento vascular, além de prematuridade e piora da função renal. A medida preventiva com melhor evidência é o ácido acetilsalicílico em dose baixa, iniciado idealmente entre 12 e 16 semanas, somado a controle pressórico com fármacos seguros, controle glicêmico, avaliação seriada do crescimento fetal e vigilância de proteinúria e de função renal. Esperar macrossomia como desfecho dominante é o erro do raciocínio que só associa diabetes a feto grande, e restrição calórica materna não é conduta. Considerar a nefropatia irrelevante subestima gravemente o risco. Heparina em dose plena é para tromboembolismo ou síndrome antifosfolipídica, não para prevenção de pré-eclâmpsia. E diálise profilática não existe como indicação.
Gestante de 35 semanas, primigesta, apresenta PA 162/112 mmHg em duas medidas, proteinúria de 2,1 g em 24 horas, cefaleia persistente, escotomas e epigastralgia. Plaquetas de 92.000/mm³ e transaminases duas vezes acima do limite. Qual a conduta?
Cefaleia persistente, alterações visuais, epigastralgia, plaquetopenia e elevação de transaminases somadas a níveis pressóricos altos definem pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, e a resposta tem três pilares: sulfato de magnésio para prevenção de eclâmpsia, anti-hipertensivo de ação rápida como hidralazina, nifedipino ou labetalol para a emergência hipertensiva, e resolução da gestação, que com 35 semanas e sinais de gravidade não deve ser postergada. Classificar como quadro leve e manejar ambulatorialmente é o erro mais perigoso, pois esses sintomas anunciam eclâmpsia e síndrome HELLP. Iniciar magnésio e ainda assim manter expectância até 39 semanas é incoerente, já que o magnésio não trata a doença, apenas previne a convulsão. E inibidores da enzima conversora de angiotensina são contraindicados na gestação, por oligoâmnio, insuficiência renal fetal e morte fetal.
Sobre a prevenção farmacológica da pré-eclâmpsia em gestante de alto risco, qual afirmativa está correta?
A profilaxia com ácido acetilsalicílico em dose baixa reduz a incidência de pré-eclâmpsia, sobretudo a precoce e grave, quando iniciada em janela adequada, idealmente entre 12 e 16 semanas, e mantida até próximo ao termo, em gestantes de alto risco: pré-eclâmpsia em gestação anterior, hipertensão crônica, diabetes pré-gestacional, doença renal, doença autoimune como lúpus e síndrome antifosfolipídica, e gestação múltipla. Iniciar após o diagnóstico é o erro conceitual central, pois o ácido acetilsalicílico é prevenção e não tratamento, e o tratamento da pré-eclâmpsia estabelecida é controle pressórico, sulfato de magnésio e resolução da gestação. A suplementação de cálcio tem papel em populações com baixa ingestão, complementando e não substituindo. Repouso no leito não previne pré-eclâmpsia e aumenta risco tromboembólico. E diuréticos não têm indicação profilática, podendo agravar a hipovolemia relativa característica da doença.
Gestante em uso de sulfato de magnésio por pré-eclâmpsia com sinais de gravidade apresenta abolição do reflexo patelar, frequência respiratória de 10 incursões por minuto e sonolência. Qual a conduta imediata?
A vigilância do sulfato de magnésio se apoia em três parâmetros clínicos, e eles se alteram em sequência previsível: primeiro desaparece o reflexo patelar, depois vem a depressão respiratória e, por último, a parada cardíaca; acrescenta-se o controle da diurese, pois o magnésio é excretado pelos rins e a oligúria favorece o acúmulo. Diante de abolição do reflexo com frequência respiratória de 10, a conduta é suspender a infusão e administrar o antídoto, que é o gluconato de cálcio intravenoso, com suporte ventilatório se necessário. Apenas reduzir a dose e manter a droga é o distrator mais tentador, e ele mantém a paciente em progressão para parada respiratória. Naloxona reverte opioide, não magnésio. Furosemida não é antídoto e usá-la mantendo a infusão é conduta insegura. E considerar os achados esperados e inócuos é justamente o erro que a monitorização existe para evitar.
Gestante de 27 anos, 30 semanas, com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, controlada com anti-hipertensivo e sulfato de magnésio, feto com Doppler normal, sem HELLP, sem eclâmpsia e sem sinais de deterioração materna. Qual a conduta?
Antes de 34 semanas, com quadro estabilizado e sem os marcadores de deterioração, a conduta expectante em ambiente hospitalar terciário permite ganhar dias preciosos de maturidade fetal sob vigilância contínua, aplicando corticoide. Indicar resolução imediata em todos os casos é o erro de tratar a rotulagem 'com sinais de gravidade' como sentença: o que obriga a interromper é a presença de eclâmpsia, HELLP, edema agudo de pulmão, descolamento, hipertensão refratária ou comprometimento fetal — nenhum deles presente. Alta hospitalar aqui é inaceitável.
Gestante de 36 anos, 31 semanas, PA 172x116 mmHg com cefaleia. Iniciado sulfato de magnésio. Qual anti-hipertensivo é adequado para o controle agudo da emergência hipertensiva na gestação?
O controle agudo se faz com hidralazina endovenosa, nifedipino oral de ação rápida ou labetalol, escolhidos por eficácia e segurança fetal. Os inibidores da enzima conversora e os bloqueadores do receptor da angiotensina estão contraindicados por fetotoxicidade, com oligoâmnio, insuficiência renal e hipoplasia de calota craniana. O nitroprussiato engana por ser potente em emergência hipertensiva fora da gestação, mas acumula tiocianato e cianeto no feto, ficando como último recurso. O atenolol associa-se a restrição de crescimento.
Qual das medidas abaixo é recomendada para PREVENÇÃO de pré-eclâmpsia em gestante de alto risco?
O ácido acetilsalicílico em dose baixa, iniciado idealmente entre 12 e 16 semanas e mantido até próximo ao termo, reduz a incidência de pré-eclâmpsia precoce em gestantes de alto risco — hipertensão crônica, doença renal, diabetes, síndrome antifosfolípide, gestação múltipla ou pré-eclâmpsia em gestação anterior —, e a suplementação de cálcio agrega em populações com baixa ingesta. Restrição de sódio e repouso são condutas tradicionais já abandonadas por ausência de benefício; as vitaminas antioxidantes foram testadas e falharam.
Gestante de 34 anos, 33 semanas, com síndrome HELLP, apresenta crise convulsiva tônico-clônica generalizada. Qual a sequência correta de condutas?
A prioridade é a mãe: proteger via aérea, posicionar em decúbito lateral, ofertar oxigênio e administrar sulfato de magnésio, que é ao mesmo tempo tratamento e prevenção de recorrência; só depois de estabilizada se resolve a gestação. Correr para a cesariana durante a convulsão é o erro que compromete as duas vidas, porque a bradicardia fetal durante a crise costuma ser transitória e se recupera com a estabilização materna. A imagem de crânio fica reservada a déficit focal, coma prolongado ou convulsão refratária ao magnésio.
Paciente em uso de sulfato de magnésio apresenta abolição do reflexo patelar, frequência respiratória de 10 irpm e sonolência. Qual a conduta imediata?
A sequência de toxicidade do magnésio é previsível — primeiro se perde o reflexo patelar, depois vem a depressão respiratória e por fim a parada cardíaca — e por isso os reflexos são monitorizados. O antídoto é o gluconato de cálcio, que antagoniza o efeito na junção neuromuscular, junto com a suspensão imediata da infusão. Naloxona e flumazenil revertem opioide e benzodiazepínico, e escolhê-los é confundir o rebaixamento por magnésio com sedação farmacológica de outra classe. Diálise fica para insuficiência renal com níveis muito altos e refratariedade.
Gestante de 32 anos, 34 semanas, com pré-eclâmpsia, apresenta subitamente dor abdominal intensa e contínua, sangramento vaginal escuro de pequena monta, útero hipertônico e cardiotocografia com desacelerações tardias repetidas. Qual o diagnóstico e a conduta?
Dor contínua, hipertonia uterina, sangramento escuro desproporcionalmente pequeno para a gravidade e sofrimento fetal em gestante com pré-eclâmpsia formam o quadro do descolamento prematuro, cuja conduta é a resolução imediata pela via mais rápida. A placenta prévia é o distrator obrigatório do sangramento no terceiro trimestre, mas nela o sangramento é vermelho-vivo, indolor, com útero de tônus normal e sem sofrimento fetal inicial. Tocolisar é contraindicado, pois mascara e agrava.
Gestante de 26 anos, 36 semanas, PA 168x112 mmHg, cefaleia occipital e escotomas. Proteinúria positiva. Qual a conduta imediata para a prevenção da eclâmpsia?
O sulfato de magnésio é o anticonvulsivante de escolha para prevenir e tratar a eclâmpsia, superior à fenitoína e ao diazepam em ensaios diretos, e sua indicação não depende de a paciente já ter convulsionado — sinais de iminência como cefaleia, escotomas e dor epigástrica bastam. A fenitoína é o distrator que vem do reflexo neurológico geral, mas nesse contexto específico é menos eficaz. O nifedipino sublingual não deve ser usado pelo risco de queda pressórica abrupta com hipoperfusão placentária.
Gestante de 30 anos, 26 semanas, com PA de 150x96 mmHg, sem proteinúria. Exames: plaquetas 92.000/mm³, AST 118 U/L, sem sintomas. Como classificar o quadro?
Desde a revisão dos critérios, a proteinúria deixou de ser obrigatória: hipertensão após 20 semanas somada a plaquetopenia, elevação de transaminases, creatinina elevada, edema agudo de pulmão ou sintomas neurovisuais já define pré-eclâmpsia. Exigir a proteinúria é o erro que retarda o diagnóstico justamente nas formas que evoluem para a síndrome HELLP, e é a pegadinha mais cobrada nesse tema. Hipertensão crônica exigiria início antes de 20 semanas, o que não é o caso.
Puérpera de 27 anos, 5 dias após parto vaginal sem intercorrências e com pressão arterial normal durante todo o pré-natal, retorna ao pronto-socorro com cefaleia intensa e pressão arterial de 172 x 110 mmHg, proteinúria em amostra isolada com relação proteína-creatinina de 0,6. Qual o diagnóstico?
A pré-eclâmpsia pode se manifestar pela primeira vez após o parto, geralmente nas primeiras 48 horas, mas com casos descritos até 6 semanas de puerpério, e o diagnóstico segue os mesmos critérios de hipertensão com proteinúria ou disfunção de órgão-alvo. A cefaleia pós-punção é o diferencial mais lembrado, porém é tipicamente postural, melhora ao deitar e não cursa com hipertensão grave. Hipertensão crônica exigiria níveis elevados antes de 20 semanas, e o pré-natal era normal. A trombose venosa cerebral entra no diferencial de cefaleia puerperal e deve ser considerada se houver déficit focal ou crise convulsiva sem outra explicação.
Gestante com pré-eclâmpsia grave evolui com dispneia intensa, estertores crepitantes bilaterais, saturação de 86% e pressão arterial de 180 x 120 mmHg. Qual a conduta?
O edema agudo de pulmão é critério de gravidade e indica resolução da gestação; o manejo imediato reúne oxigênio, posição sentada, restrição hídrica, diurético de alça e controle pressórico. Aqui está a exceção do tema: a furosemida, que não é anti-hipertensivo de escolha na pré-eclâmpsia, torna-se apropriada diante de edema pulmonar. Expandir volume é o erro que agrava o quadro, num contexto de permeabilidade capilar aumentada e pressão coloidosmótica reduzida. Sulfato de magnésio previne convulsão, não trata congestão, e corticoide em dose alta não tem papel nesse edema.
Gestante de 31 anos, 35 semanas, com pré-eclâmpsia grave estabilizada após sulfato de magnésio e anti-hipertensivo, feto com vitalidade preservada. Qual a conduta quanto ao momento do parto?
O tratamento definitivo da pré-eclâmpsia é o parto, e a partir de 34 semanas com sinais de gravidade a resolução é indicada após estabilização materna, pois prolongar não traz benefício neonatal que compense o risco de eclâmpsia, síndrome HELLP, descolamento e acidente vascular cerebral. A conduta expectante fica restrita a casos selecionados abaixo de 34 semanas, em serviço com estrutura, e com interrupção imediata diante de qualquer sinal de deterioração. Aguardar 37 ou 39 semanas transporta para a forma grave a regra da pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade. O corticoide é feito quando cabe, mas não adia o parto na paciente instável.
Qual conduta é indicada na puérpera com pré-eclâmpsia de início pós-parto e sinais de gravidade?
A pré-eclâmpsia puerperal com sinais de gravidade é tratada como a forma anteparto: internação, controle pressórico com drogas compatíveis com a amamentação e sulfato de magnésio para prevenir convulsão. A ideia de que o parto resolve automaticamente o quadro é o erro mais perigoso do tema, porque uma parcela relevante das eclâmpsias ocorre justamente no puerpério, algumas dias após a alta. Curetagem não é tratamento da doença, cuja fisiopatologia é endotelial e sistêmica, e não depende de restos placentários. O aleitamento pode e deve ser mantido, com escolha adequada dos anti-hipertensivos.
Qual das alterações a seguir, isoladamente, permite o diagnóstico de pré-eclâmpsia em gestante ou puérpera com hipertensão, mesmo sem proteinúria?
Desde a revisão dos critérios, a proteinúria deixou de ser obrigatória: hipertensão após 20 semanas somada a qualquer disfunção de órgão-alvo — plaquetas abaixo de 100.000/mm3, transaminases elevadas ao dobro do normal, creatinina acima de 1,1 mg/dL ou o dobro do basal, edema pulmonar, sintomas visuais ou cefaleia persistente e refratária — já fecha o diagnóstico. Edema e ganho de peso saíram dos critérios por serem inespecíficos e frequentes na gestação normal, embora sigam sendo os achados que mais atraem quem estudou por material antigo. Náuseas isoladas não caracterizam disfunção de órgão.
Gestante de 26 anos, primigesta, 12 semanas, com hipertensão crônica e obesidade. Qual medida profilática está indicada?
O ácido acetilsalicílico em dose baixa, iniciado entre 12 e 16 semanas em mulheres com fatores de risco — hipertensão crônica, doença renal, diabetes, doença autoimune, pré-eclâmpsia prévia, gestação múltipla, ou combinações de fatores moderados como obesidade, nuliparidade e idade acima de 35 anos — reduz a incidência de pré-eclâmpsia precoce. A suplementação de cálcio agrega em populações com baixa ingestão. Restrição de sódio, repouso no leito e antioxidantes em altas doses foram testados e não demonstraram benefício, permanecendo como distratores tradicionais que sobrevivem à evidência.
Gestante com pré-eclâmpsia grave, 33 semanas, apresenta pressão arterial de 175 x 115 mmHg. Qual a conduta anti-hipertensiva de urgência?
Na crise hipertensiva da gestação, as opções de primeira linha são hidralazina intravenosa, nifedipina de ação rápida por via oral e labetalol intravenoso, com meta de redução gradual para cerca de 140 a 150 por 90 a 100 mmHg. Normalizar a pressão é o erro que compromete a perfusão uteroplacentária, já reduzida na doença, podendo precipitar sofrimento fetal. Inibidores da enzima conversora de angiotensina são contraindicados na gestação por fetotoxicidade. O nitroprussiato fica como último recurso pelo risco de intoxicação fetal por cianeto. Diuréticos não são anti-hipertensivos de escolha e agravam a hipovolemia relativa.
Gestante de 29 anos, 34 semanas, com pressão arterial de 168 x 112 mmHg, cefaleia occipital intensa, escotomas cintilantes e dor em barra no epigástrio. Proteinúria de 24 horas de 2,8 g. Qual o diagnóstico?
Pressão sistólica igual ou superior a 160 mmHg ou diastólica igual ou superior a 110 mmHg, somada a sintomas neurológicos e dor epigástrica, caracteriza pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. Os demais critérios de gravidade incluem plaquetas abaixo de 100.000/mm3, transaminases elevadas ao dobro do normal, creatinina acima de 1,1 mg/dL ou o dobro do basal, e edema agudo de pulmão. A hipertensão gestacional exclui proteinúria e disfunção de órgão-alvo. Pré-eclâmpsia sobreposta exigiria hipertensão prévia a 20 semanas, não informada. O grau de proteinúria, isoladamente, deixou de ser critério de gravidade.
Gestante de 30 anos, 32 semanas, com pré-eclâmpsia grave, apresenta dor epigástrica, náuseas, plaquetas de 78.000/mm3, aspartato aminotransferase de 320 U/L e desidrogenase láctica de 900 U/L, com esquizócitos no sangue periférico. Qual o diagnóstico e a conduta?
A tríade de hemólise com esquizócitos e desidrogenase láctica elevada, enzimas hepáticas aumentadas e plaquetopenia abaixo de 100.000/mm3 define a síndrome HELLP, forma grave da pré-eclâmpsia cujo tratamento é a resolução da gestação após estabilização, com sulfato de magnésio e controle pressórico. A esteatose hepática aguda é o diferencial mais difícil, mas cursa com hipoglicemia, coagulopatia importante e disfunção hepática franca. A púrpura trombocitopênica trombótica traz febre e alterações neurológicas com plaquetopenia mais profunda. Colestase apresenta prurido e ácidos biliares elevados, sem hemólise.
Quais critérios estabelecem o diagnóstico de pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade?
O diagnóstico exige hipertensão a partir de 140 x 90 mmHg confirmada em duas medidas separadas por pelo menos 4 horas, após 20 semanas de gestação, somada a proteinúria significativa — 300 mg ou mais em 24 horas, relação proteína-creatinina igual ou superior a 0,3 ou uma cruz na fita quando os métodos quantitativos não estão disponíveis — ou, na ausência de proteinúria, a disfunção de órgão-alvo. Valores de 160 x 110 mmHg já caracterizam gravidade. Edema e ganho de peso foram retirados dos critérios por inespecificidade. Proteinúria isolada sem hipertensão não define a doença, e hipertensão antes de 20 semanas indica doença crônica.
Gestante de 32 semanas com síndrome HELLP recebe corticoide. Qual o objetivo dessa prescrição?
Na síndrome HELLP, o corticoide é prescrito pela indicação obstétrica habitual, a maturação pulmonar fetal em idade gestacional pré-termo. O uso de corticoide em doses altas com objetivo materno pode elevar transitoriamente a contagem de plaquetas, mas não reduz morbidade nem mortalidade maternas e não muda o curso da doença — essa é a armadilha mais comum do tema. O tratamento definitivo continua sendo a resolução da gestação, com sulfato de magnésio para profilaxia de eclâmpsia, controle pressórico e suporte transfusional quando indicado.
Gestante com pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade, 32 semanas, estável, com bom acesso ao serviço e boa adesão. Qual conduta de acompanhamento é aceitável?
A forma sem sinais de gravidade pode ser conduzida ambulatorialmente em pacientes selecionadas — estáveis, aderentes, com acesso ao serviço — desde que com controles frequentes de pressão, laboratório seriado com hemograma, plaquetas, transaminases e creatinina, avaliação da vitalidade e do crescimento fetal e orientação explícita sobre sinais de alarme. Internar todas seria desproporcional e ocuparia leitos sem benefício demonstrado. Consulta mensal é intervalo de gestação de baixo risco e não detecta a progressão da doença, que pode ocorrer em dias. Ausência de exame presencial não permite aferição confiável nem avaliação fetal.
Gestante de 24 semanas realiza Doppler de artérias uterinas com índice de pulsatilidade acima do percentil 95 e incisura protodiastólica bilateral. Qual o significado desse achado?
A persistência de alta resistência nas artérias uterinas no segundo trimestre traduz a invasão trofoblástica incompleta e identifica gestantes com risco aumentado de pré-eclâmpsia e de restrição de crescimento, orientando vigilância mais próxima; combinado a fatores maternos, pressão arterial média e marcadores bioquímicos, integra os modelos de rastreamento de primeiro trimestre que selecionam quem se beneficia do ácido acetilsalicílico. É rastreamento, não diagnóstico: a doença se define por hipertensão com proteinúria ou disfunção de órgão-alvo. A incisura protodiastólica pode ser fisiológica no primeiro trimestre, mas não é esperada bilateralmente com 24 semanas.
Gestante com hipertensão gestacional diagnosticada com 30 semanas, sem proteinúria, mantém acompanhamento. Qual a evolução mais importante a ser vigiada?
A hipertensão gestacional é um diagnóstico em trânsito: aproximadamente 25% dessas pacientes desenvolvem pré-eclâmpsia, proporção que aumenta quando a hipertensão aparece antes de 32 semanas, o que justifica vigilância de sintomas, proteinúria e laboratório, além de acompanhamento do crescimento fetal. Tratá-la como quadro benigno que apenas regride é o erro que retarda o diagnóstico da forma completa. A reclassificação como hipertensão crônica só ocorre se a pressão persistir elevada após 12 semanas do parto. Nem diabetes gestacional nem polidrâmnio são desfechos característicos dessa evolução.
Gestante de 29 anos, 22 semanas, apresenta pressão arterial de 145 x 92 mmHg em duas aferições, sem proteinúria, sem sintomas e com exames laboratoriais normais. Era normotensa antes da gestação e no primeiro trimestre. Qual o diagnóstico?
Hipertensão que surge após 20 semanas, sem proteinúria e sem disfunção de órgão-alvo, em paciente previamente normotensa, define hipertensão gestacional. O rótulo é provisório: cerca de 25% dessas pacientes evoluem para pré-eclâmpsia, proporção maior quando o diagnóstico ocorre antes de 32 semanas, o que justifica vigilância próxima em vez de alta. Pré-eclâmpsia exigiria proteinúria ou disfunção orgânica. Hipertensão crônica pressupõe níveis elevados antes de 20 semanas ou anteriores à gestação. A forma sobreposta depende de hipertensão prévia, ausente aqui.
Quais achados, durante o acompanhamento de pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade, indicam internação e reavaliação imediata da conduta?
Os gatilhos de reavaliação são os sintomas premonitórios de eclâmpsia — cefaleia refratária, alterações visuais, dor epigástrica ou em hipocôndrio direito — e os marcadores objetivos de progressão: pressão em níveis graves, queda de plaquetas, elevação de transaminases, aumento de creatinina, edema pulmonar e alteração da vitalidade fetal. Edema, ganho ponderal, náuseas e taquicardia leve são inespecíficos e comuns na gestação normal, e valorizá-los produz internações desnecessárias enquanto desvia a atenção dos sinais que realmente antecedem a complicação.
Gestante com pré-eclâmpsia e restrição de crescimento fetal apresenta Doppler de artéria umbilical com aumento do índice de pulsatilidade e diástole presente. Qual a conduta?
O aumento isolado do índice de pulsatilidade com diástole ainda presente é o primeiro degrau da deterioração placentária e indica vigilância mais frequente, não interrupção imediata; os gatilhos de resolução mais urgentes são a diástole zero e a reversa na umbilical e as alterações do ducto venoso. Interromper no primeiro sinal produziria prematuridade desnecessária, e ignorar o achado deixaria a paciente sem seguimento em uma doença que progride. Expansão volêmica não corrige a resistência placentária e pode precipitar edema pulmonar na pré-eclâmpsia. A sildenafila foi testada e associou-se a dano neonatal.
Gestante de 26 semanas com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, estabilizada, mãe sem disfunção orgânica progressiva e feto com vitalidade preservada, em hospital terciário. Qual a conduta possível?
Abaixo de 34 semanas, em serviço terciário e com mãe estabilizada sem disfunção progressiva e feto em boas condições, admite-se conduta expectante para ganhar maturidade fetal, sempre hospitalar, com corticoide, controle pressórico, avaliação laboratorial seriada e vigilância fetal — e com interrupção imediata diante de eclâmpsia, HELLP em evolução, edema pulmonar, descolamento, hipertensão incontrolável ou sofrimento fetal. Tratar toda forma grave como interrupção imediata gera prematuridade extrema evitável em casos selecionados. Manejo domiciliar ou ambulatorial na forma grave é inaceitável, e aguardar rigidamente 34 semanas ignora os gatilhos de interrupção.
Gestante de 36 semanas com pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade evolui com plaquetas de 88.000/mm3 em exame de controle, permanecendo assintomática e com pressão de 148 x 94 mmHg. Qual a conduta?
Plaquetas abaixo de 100.000/mm3 configuram critério de gravidade por si, independentemente de sintomas e do nível pressórico, e reclassificam o caso, indicando resolução da gestação — que, com 36 semanas, é ainda mais direta. Aguardar sintomas é o erro que ignora a natureza laboratorial de vários critérios de gravidade. Repetir em 2 semanas expõe a paciente à progressão para síndrome HELLP. Transfusão de plaquetas se reserva a sangramento ativo ou preparo cirúrgico com contagens muito baixas, e o corticoide não muda o desfecho materno nem autoriza prolongar a gestação nesse contexto.
Qual avaliação fetal deve ser realizada de forma seriada na gestante com pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade em conduta expectante?
A pré-eclâmpsia é doença placentária, e o feto sofre pela mesma insuficiência que adoece a mãe: por isso a vigilância inclui biometria seriada para detectar restrição de crescimento, Doppler das artérias umbilical e cerebral média e avaliação da vitalidade por cardiotocografia e perfil biofísico, com periodicidade ajustada à gravidade. Confiar apenas na ausculta deixa passar a restrição de crescimento, que é assintomática. Amniocentese para maturidade pulmonar caiu em desuso, a cordocentese é invasiva e sem indicação seriada, e a ressonância fetal não tem papel na vigilância de rotina.
Qual método é aceitável para quantificar a proteinúria no diagnóstico de pré-eclâmpsia quando não é possível a coleta de 24 horas?
A relação proteína-creatinina em amostra isolada, com corte igual ou superior a 0,3, tem boa correlação com a coleta de 24 horas e é aceita para o diagnóstico, com a vantagem prática de resultado rápido e sem depender da coleta completa, notoriamente sujeita a erros. A fita reagente com uma cruz é aceitável apenas quando os métodos quantitativos não estão disponíveis, por sua baixa acurácia. Densidade urinária e leucocitúria não medem proteína. A microalbuminúria é ferramenta de nefropatia diabética, com corte diferente, e proteínas séricas não substituem a avaliação urinária.
Paciente com antecedente de pré-eclâmpsia grave com parto em 30 semanas na primeira gestação pergunta sobre o risco em nova gestação. Qual orientação é correta?
Pré-eclâmpsia prévia é um dos fatores de risco mais fortes para recorrência, e o risco cresce quanto mais precoce e mais grave foi o quadro anterior, chegando a taxas elevadas quando o parto ocorreu antes de 34 semanas — o que indica ácido acetilsalicílico em dose baixa iniciado entre 12 e 16 semanas e pré-natal de alto risco. Dizer que a doença é exclusiva de primigestas é meia verdade: a nuliparidade é fator de risco, mas não protege quem já teve a doença. A exposição a novo parceiro modula o risco pela hipótese imunológica, porém não é o determinante que dispensa a profilaxia.
Gestante de 22 anos, 30 semanas, com pré-eclâmpsia, apresenta dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal escuro, útero lenhoso e cardiotocografia com desacelerações tardias. Qual a complicação mais provável?
Dor abdominal intensa, hipertonia uterina descrita como útero lenhoso, sangramento escuro e sofrimento fetal caracterizam o descolamento prematuro de placenta, cuja principal condição predisponente é justamente a doença hipertensiva. Vale lembrar que o sangramento pode ser oculto, retido atrás da placenta, e que a extensão do descolamento não se mede pelo volume exteriorizado. A placenta prévia dá sangramento vivo e indolor com útero de tônus normal. A rotura de vasa prévia cursa com sangue fetal e deterioração desproporcional. Rotura uterina espontânea em útero sem cicatriz e fora do trabalho de parto é rara.
Qual é o defeito fisiopatológico central que origina a pré-eclâmpsia?
A doença começa na placentação: a segunda onda de invasão trofoblástica falha e as artérias espiraladas não perdem a camada musculoelástica, mantendo alta resistência e baixo fluxo. A isquemia placentária resultante libera fatores antiangiogênicos, com destaque para a tirosina quinase solúvel semelhante a fms, que sequestra o fator de crescimento placentário e o fator de crescimento endotelial vascular, produzindo a disfunção endotelial sistêmica que explica hipertensão, proteinúria, edema e as lesões de órgão-alvo. Os demais mecanismos descrevem alterações que não correspondem à cascata estabelecida da doença.
Gestante de 31 anos com hipertensão crônica em uso de metildopa evolui, com 28 semanas, com elevação da pressão para 165 x 108 mmHg, proteinúria de 3,5 g em 24 horas (antes ausente) e plaquetas de 92.000/mm3. Qual o diagnóstico?
Em hipertensa crônica, a pré-eclâmpsia sobreposta se diagnostica pelo agravamento súbito da pressão somado ao surgimento de proteinúria antes ausente ou ao aparecimento de disfunção de órgão-alvo — aqui, proteinúria nova e plaquetopenia, que também definem gravidade. Chamar de simples descompensação ignora justamente os marcadores de doença placentária. Hipertensão gestacional exige paciente previamente normotensa. Nefropatia crônica cursaria com proteinúria prévia e não explicaria a plaquetopenia. Essas pacientes têm risco elevado de sobreposição e devem receber ácido acetilsalicílico profilático desde o primeiro trimestre.
Gestante de 30 anos, 34 semanas, com pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade, pressão de 146 x 92 mmHg, assintomática, laboratório normal e feto com crescimento adequado. Qual a conduta quanto ao momento do parto?
Na forma sem sinais de gravidade, o parto é indicado a partir de 37 semanas: antes disso, o risco de prematuridade supera o benefício, e depois disso a manutenção da gestação passa a aumentar a chance de progressão para a forma grave, eclâmpsia e descolamento. Interromper de imediato produziria prematuridade evitável. Prolongar até 41 semanas transporta indevidamente a lógica da gestação de baixo risco. O grau de proteinúria não é mais critério de gravidade nem de momento do parto, e aguardar uma crise hipertensiva significa esperar a complicação que se quer prevenir.
Adolescente gestante de 16 anos apresenta, com 34 semanas, pressão arterial de 150 x 100 mmHg em duas medidas, proteinúria positiva e cefaleia. Qual a conduta?
Hipertensão com proteinúria após 20 semanas define pré-eclâmpsia, e a cefaleia é sinal de iminência de eclâmpsia — a conduta é encaminhamento imediato ao serviço de referência, e não manejo ambulatorial. Prescrever repouso e dieta hipossódica é a conduta antiga e sem eficácia que atrasa o encaminhamento. Reagendar em duas semanas numa gestante com sinais de gravidade é o erro com maior potencial de desfecho catastrófico.
Primigesta de 20 anos, com 34 semanas, chega à Unidade de Pronto Atendimento com cefaleia frontal há um dia. Pressão arterial de 152 x 98 mmHg em duas medidas com intervalo de quatro horas; antes da gravidez e nas consultas anteriores a pressão era normal. Exame de urina com proteinúria de uma cruz na fita; edema de membros inferiores. Não há dor epigástrica, escotomas ou alteração de exames laboratoriais. Assinale o diagnóstico mais provável e a conduta inicial.
Hipertensão de início após 20 semanas associada a proteinúria, em gestante previamente normotensa, define pré-eclâmpsia; a ausência de níveis pressóricos acima de 160 x 110 mmHg, de sintomas de iminência de eclâmpsia e de alterações laboratoriais afasta, por ora, os sinais de gravidade, e a conduta é a referência para confirmação da proteinúria e vigilância. Chamar de hipertensão gestacional ignora a proteinúria presente. Tratar como forma grave, com sulfato de magnésio e cesárea de urgência, expõe a gestante e o prematuro a intervenções sem os critérios que as justificam. Hipertensão crônica exigiria níveis elevados antes de 20 semanas, o que o cartão de pré-natal exclui.
Gestante de 36 anos, com 33 semanas, é admitida em maternidade de referência com pressão arterial de 172 x 112 mmHg, cefaleia intensa, escotomas cintilantes e dor no hipocôndrio direito. Exames: plaquetas 88.000/mm³, aspartato aminotransferase 210 U/L, creatinina 1,3 mg/dL e proteinúria de 24 horas de 3,8 g. O feto tem peso estimado no percentil 30, com Doppler de artéria umbilical normal. Assinale a conduta correta neste momento.
O quadro reúne critérios de gravidade — hipertensão em nível de emergência, sintomas de iminência de eclâmpsia, plaquetopenia e elevação de transaminases compatíveis com síndrome HELLP —, o que impõe sulfato de magnésio para profilaxia de convulsão, controle da crise hipertensiva e resolução da gestação após estabilização, independentemente da idade gestacional. Manter conduta expectante até o termo diante de disfunção orgânica materna coloca a mãe em risco, ainda que o feto esteja bem. Tratar ambulatorialmente com anti-hipertensivo oral é incompatível com emergência hipertensiva e disfunção laboratorial. Aguardar o trabalho de parto espontâneo prolonga uma situação em que a única terapia definitiva é o parto.
Gestante de 35 anos, com 13 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde. É primigesta, obesa, com índice de massa corporal de 34 kg/m², tem hipertensão arterial crônica e história familiar de pré-eclâmpsia na mãe. A pressão arterial hoje é de 128 x 82 mmHg em uso de metildopa. Os exames do primeiro trimestre são normais e a gestação é única. Assinale a intervenção preventiva com melhor evidência a ser instituída neste momento.
Gestantes de alto risco, como as portadoras de hipertensão crônica, obesidade e primiparidade com história familiar, beneficiam-se do ácido acetilsalicílico em dose baixa iniciado idealmente entre 12 e 16 semanas, medida que reduz de forma consistente a incidência de pré-eclâmpsia precoce. A restrição rigorosa de sódio e o repouso não demonstraram efeito preventivo e podem trazer prejuízos. As vitaminas antioxidantes foram testadas em grandes ensaios e não reduziram a doença. O sulfato de magnésio previne convulsão em quem já tem pré-eclâmpsia grave, não a ocorrência da doença.
Puérpera de 30 anos retorna à Unidade de Pronto Atendimento no oitavo dia após parto vaginal com cefaleia intensa e visão turva. A pressão arterial é de 168 x 108 mmHg em duas medidas. Durante a gestação era normotensa e não houve proteinúria no pré-natal. Ao exame: consciente, sem déficits focais, reflexos exaltados, edema de membros inferiores. Exames laboratoriais mostram plaquetas de 140.000/mm³ e transaminases normais. Assinale a conduta correta.
A pré-eclâmpsia pode manifestar-se pela primeira vez no puerpério, geralmente nas primeiras semanas, e a presença de níveis pressóricos em faixa de emergência com cefaleia e alterações visuais exige internação, controle da crise e sulfato de magnésio para prevenção de eclâmpsia. Afirmar que a doença não ocorre após o parto é justamente o erro que retarda diagnósticos e contribui para óbitos maternos tardios. Tratar como cefaleia tensional ignora sintomas de iminência de eclâmpsia. Endometrite não provoca hipertensão e o quadro descrito não tem febre nem útero doloroso.
Gestante de 34 semanas, previamente normotensa, comparece à consulta de rotina na Unidade Básica de Saúde referindo cefaleia occipital há um dia. PA 158x102 mmHg em duas medidas com intervalo de 15 minutos. Edema de membros inferiores 2+/4+. Fita urinária com proteinúria 2+. Sem dor epigástrica, escotomas ou reflexos exaltados. Movimentos fetais presentes; batimentos cardíacos fetais 140 bpm. Qual é a conduta imediata?
Hipertensão de início tardio com proteinúria e sintoma neurológico em gestante caracteriza pré-eclâmpsia e exige encaminhamento imediato, com transporte adequado, à maternidade de referência para avaliação materno-fetal e definição de conduta. Prescrever anti-hipertensivo com retorno tardio na unidade subestima o risco de eclâmpsia. Aguardar proteinúria de 24 horas atrasa uma decisão que já está definida clinicamente. Repouso e dieta não tratam a condição nem substituem a avaliação hospitalar.
Gestante de 33 anos, com 34 semanas e 2 dias, é internada com pressão arterial de 160x108 mmHg em duas aferições e proteinúria de fita três cruzes. Nega cefaleia, escotomas ou epigastralgia. Os exames mostram plaquetas de 210.000/mm³, creatinina de 0,8 mg/dL, transaminases normais e desidrogenase láctica normal. O cardiotocograma é categoria I e a ultrassonografia mostra crescimento fetal no percentil 40 com líquido amniótico normal. Foram iniciados anti-hipertensivo e sulfato de magnésio. Quanto ao momento da resolução da gestação, a conduta adequada é
Na pré-eclâmpsia com sinais de gravidade apenas pelo nível pressórico, controlada com anti-hipertensivo, sem repercussão laboratorial, sem sintomas de iminência de eclâmpsia e com vitalidade fetal preservada, a conduta expectante entre 34 e 37 semanas em serviço com vigilância adequada reduz morbidade neonatal, com corticoide se indicado. Cesariana de emergência não é obrigatória apenas pelo valor pressórico quando há resposta ao tratamento e bem-estar fetal. Resolver em 24 horas antecipa desnecessariamente a prematuridade. Aguardar 40 semanas é inaceitável, pois a pré-eclâmpsia com sinais de gravidade não deve ultrapassar 37 semanas pelo risco de deterioração súbita.
Puérpera de 25 anos, no quinto dia após parto vaginal, é levada à Unidade de Pronto Atendimento com cefaleia intensa, escotomas cintilantes e pressão arterial de 168x112 mmHg em duas aferições. Não apresentou hipertensão durante a gestação nem no parto. Está lúcida, com reflexos exaltados, sem déficits focais. As plaquetas estão em 180.000/mm³, as transaminases estão discretamente elevadas e a proteinúria de fita mostra duas cruzes. A conduta correta é
A pré-eclâmpsia pode manifestar-se pela primeira vez até seis semanas após o parto, e a associação de hipertensão grave, sintomas de iminência de eclâmpsia e proteinúria exige internação, controle pressórico e profilaxia da convulsão com sulfato de magnésio. Afirmar que a doença não ocorre no puerpério é erro conceitual que já resultou em eclâmpsia domiciliar. Cefaleia pós-punção é postural e não cursa com hipertensão grave, escotomas e proteinúria. Alta ambulatorial com sintomas de iminência de eclâmpsia é conduta de risco elevado de convulsão nas horas seguintes.
Gestante de 30 anos, com 27 semanas, é encaminhada ao serviço de referência por hipertensão arterial crônica em uso de metildopa 1.500 mg ao dia, com pressões domiciliares em torno de 130x82 mmHg. Ela tem diabetes tipo 2 associado e antecedente de pré-eclâmpsia em gestação anterior. Não iniciou nenhuma medida preventiva nesta gestação porque só começou o pré-natal com 24 semanas. A proteinúria de 24 horas atual é de 180 mg e a função renal é normal. Quanto à prevenção da pré-eclâmpsia, a conduta correta é
O ácido acetilsalicílico em dose baixa é a principal medida de prevenção da pré-eclâmpsia em gestantes de alto risco, com maior benefício quando iniciado antes de 16 semanas, mas ainda recomendado quando o risco é identificado tardiamente; a suplementação de cálcio complementa em populações com baixa ingesta. Deixar de iniciar por perda da janela ideal priva a paciente de benefício residual em perfil de risco muito elevado. A heparina previne eventos tromboembólicos e complicações da síndrome antifosfolípide, não a pré-eclâmpsia em geral. Suspender o anti-hipertensivo expõe a paciente a emergência hipertensiva e não tem qualquer justificativa diagnóstica.
Gestante de 32 anos, com 30 semanas, é internada por pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade, com pressões em torno de 145x92 mmHg e proteinúria de 500 mg em 24 horas. Os exames laboratoriais estão normais, a cardiotocografia é reativa e o crescimento fetal está no percentil 35. A equipe discute a introdução de anti-hipertensivo e a idade gestacional de resolução. A paciente está assintomática, sem cefaleia ou alterações visuais. A conduta correta quanto ao seguimento é
Na pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade, a conduta é expectante com vigilância intensiva, controle pressórico e resolução programada em torno de 37 semanas, momento em que o benefício de encerrar a gestação supera o risco da prematuridade tardia. Resolver em 48 horas com 30 semanas impõe prematuridade importante sem indicação. Deixar de tratar a hipertensão para não mascarar a progressão é raciocínio equivocado, pois o diagnóstico já está estabelecido e o controle pressórico previne acidente vascular encefálico materno. Prolongar até 41 semanas expõe a evolução para formas graves e óbito fetal.
Gestante de 19 anos, com 30 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de pré-natal de rotina, assintomática. Refere apenas edema discreto de tornozelos ao fim do dia. Ao exame: PA 152x98 mmHg em duas medidas com intervalo de 20 minutos, com técnica adequada; altura uterina compatível; batimentos cardiofetais de 140 bpm; ausência de cefaleia, escotomas, epigastralgia ou dor em hipocôndrio direito; reflexos normais. Proteinúria de fita: uma cruz. Pressões anteriores do pré-natal sempre normais. A conduta correta é:
Hipertensão de início após 20 semanas com proteinúria em gestante previamente normotensa configura pré-eclâmpsia, condição de risco materno e fetal que exige avaliação em serviço de referência, mesmo sem sinais de gravidade, para estratificação, exames e definição de conduta. Prescrever anti-hipertensivo e reavaliar em duas semanas na unidade retarda a avaliação de um quadro que pode evoluir rapidamente. Repouso e dieta hipossódica não tratam pré-eclâmpsia e criam falsa segurança. Aguardar proteinúria de 24 horas ambulatorial atrasa o encaminhamento, pois o diagnóstico já está suficientemente sustentado para acionar a referência.
Gestante de 37 anos, com 29 semanas, é internada com hipertensão de 150x95 mmHg e proteinúria de 400 mg em 24 horas, sem sintomas e com exames laboratoriais normais. Ela tem hipertensão crônica prévia em uso de metildopa desde antes da gestação, com pressões previamente controladas em torno de 130x82 mmHg. A creatinina é de 0,7 mg/dL, as plaquetas são normais e o crescimento fetal está no percentil 25. Considerando a classificação das síndromes hipertensivas, o diagnóstico mais provável é
Surgimento de proteinúria significativa após 20 semanas em mulher com hipertensão crônica prévia, acompanhado de piora do controle pressórico, define pré-eclâmpsia sobreposta, condição de maior risco materno e fetal que exige vigilância intensificada. Hipertensão gestacional pressupõe ausência de hipertensão antes de 20 semanas, o que não se aplica. Sinais de gravidade exigiriam pressão igual ou superior a 160x110 mmHg, sintomas de iminência de eclâmpsia ou repercussão laboratorial, ausentes. Hipertensão crônica isolada não cursa com proteinúria de início recente nesse padrão.
Gestante de 36 anos, com 30 semanas, chega ao pronto-atendimento com cefaleia holocraniana intensa, de início súbito há duas horas, associada a vômitos e turvação visual. A pressão arterial é de 186x120 mmHg, com reflexos exaltados e clônus. Não há déficits focais nem alteração do nível de consciência. A proteinúria de fita mostra três cruzes e as plaquetas estão em 112.000/mm³. A cardiotocografia é reativa. A prioridade terapêutica imediata, antes mesmo de definir a via de parto, é
Na emergência hipertensiva com sinais de iminência de eclâmpsia, a prioridade é reduzir a pressão arterial com fármaco endovenoso para prevenir acidente vascular encefálico e iniciar sulfato de magnésio para profilaxia da convulsão, medidas que precedem a decisão sobre a via de parto. Corticoide é importante, mas não é a prioridade imediata em quadro de iminência. Tomografia não deve retardar o tratamento em quadro clínico típico e sem déficit focal. Operar sem controle pressórico e sem magnésio expõe a paciente a convulsão e hemorragia cerebral durante o procedimento.
Gestante de 27 anos, com 31 semanas, é encaminhada da Unidade Básica de Saúde à maternidade por pressão arterial de 152x98 mmHg em três aferições e proteinúria de fita duas cruzes, sem sintomas. Na admissão, os exames mostram plaquetas de 190.000/mm³, creatinina de 0,8 mg/dL, transaminases normais e proteinúria de 24 horas de 1,8 g. A cardiotocografia é reativa e o crescimento fetal está no percentil 30. Foi iniciado anti-hipertensivo oral. Quanto ao uso do sulfato de magnésio nesse caso, a conduta correta é
O sulfato de magnésio é indicado na eclâmpsia e na pré-eclâmpsia com sinais de gravidade ou iminência de eclâmpsia, não sendo rotina na pré-eclâmpsia sem esses critérios, como neste caso de pressão abaixo de 160x110 mmHg, sem sintomas e sem repercussão laboratorial. Indicá-lo a todas as pré-eclâmpsias expõe a efeitos adversos sem benefício proporcional. O valor da proteinúria deixou de ser critério de gravidade nas classificações atuais. O sulfato de magnésio é anticonvulsivante e não substitui o anti-hipertensivo no controle pressórico.
Gestante de 30 anos, com 28 semanas, é internada em maternidade de referência por pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, com pressão arterial de 168x112 mmHg controlada após hidralazina, sulfato de magnésio em curso e exames laboratoriais normais. O feto tem peso estimado no percentil 15, Doppler umbilical com índice de pulsatilidade elevado e diástole presente, e a cardiotocografia é reativa. A equipe inicia corticoterapia antenatal. A paciente pergunta quanto tempo poderá manter a gestação. A orientação correta quanto à conduta expectante nesse cenário é
Abaixo de 34 semanas, a pré-eclâmpsia com sinais de gravidade controlada, com exames normais e vitalidade fetal preservada, admite conduta expectante em serviço terciário com vigilância diária, ganhando maturidade fetal até que surja indicação de interrupção. Interromper obrigatoriamente após 48 horas do corticoide desconsidera o benefício de prolongar em casos estáveis. Proibir a conduta expectante abaixo de 34 semanas é incorreto e levaria a prematuridade extrema desnecessária. Prolongar diante de deterioração laboratorial materna é o erro oposto e coloca a vida da mãe em risco.
Gestante de 28 anos, com 34 semanas, chega à Unidade de Pronto Atendimento com cefaleia intensa, escotomas e dor em epigástrio há seis horas. Ao exame, pressão arterial de 172 x 112 mmHg em duas medidas, edema de membros inferiores, reflexos vivos e batimentos cardiofetais de 142 bpm. Proteinúria de fita com três cruzes, plaquetas de 118.000/mm³ e transaminases discretamente elevadas. Não há atividade uterina regular nem sangramento vaginal. A conduta imediata é:
Pressão arterial em níveis graves associada a sintomas neurológicos e epigastralgia, com alterações laboratoriais, caracteriza pré-eclâmpsia com sinais de gravidade; a conduta é internação, sulfato de magnésio para prevenir eclâmpsia, tratamento da crise hipertensiva, corticoide antenatal quando indicado pela idade gestacional e planejamento do parto. Tratamento ambulatorial é inadequado diante do risco iminente. Corticoide isolado com alta ignora a gravidade materna. Induzir o parto sem magnésio e sem controle pressórico expõe a convulsão e a acidente vascular encefálico.
Gestante de 35 anos, com 12 semanas, comparece à primeira consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde. Tem hipertensão arterial crônica em uso de metildopa, índice de massa corporal de 33 kg/m² e antecedente de pré-eclâmpsia com parto prematuro na gestação anterior. Ao exame, pressão arterial de 132 x 84 mmHg, altura uterina compatível e batimentos cardiofetais presentes. Exames iniciais sem alterações relevantes. A conduta preventiva mais adequada é:
Gestantes de alto risco, como as que têm hipertensão crônica, pré-eclâmpsia prévia, obesidade e idade avançada, beneficiam-se do ácido acetilsalicílico em dose baixa iniciado preferencialmente antes de 16 semanas, com redução significativa da incidência de pré-eclâmpsia, além da suplementação de cálcio em populações com baixa ingesta. Afirmar que não há prevenção contraria a evidência atual. Repouso absoluto não previne a doença e aumenta risco tromboembólico. Sulfato de magnésio é tratamento da forma grave, não profilaxia no pré-natal.
Puérpera de 25 anos, no quinto dia após parto vaginal, é levada à Unidade de Pronto Atendimento com cefaleia intensa, escotomas cintilantes e pressão arterial de 168x112 mmHg em duas aferições. Não apresentou hipertensão durante a gestação nem no parto. Está lúcida, com reflexos exaltados, sem déficits focais. As plaquetas estão em 180.000/mm³, as transaminases estão discretamente elevadas e a proteinúria de fita mostra duas cruzes. Ela nega febre, dispneia, dor torácica e sangramento anormal, e o restante do exame físico não mostra alterações. Os exames laboratoriais recentes estão dentro da normalidade e o puerpério vinha transcorrendo sem intercorrências. A conduta correta é
A pré-eclâmpsia pode manifestar-se pela primeira vez até seis semanas após o parto, e a associação de hipertensão grave, sintomas de iminência de eclâmpsia e proteinúria exige internação, controle pressórico e profilaxia da convulsão com sulfato de magnésio. Afirmar que a doença não ocorre no puerpério é erro conceitual que já resultou em eclâmpsia domiciliar. Cefaleia pós-punção é postural e não cursa com hipertensão grave, escotomas e proteinúria. Alta ambulatorial com sintomas de iminência de eclâmpsia é conduta de risco elevado de convulsão nas horas seguintes.
Gestante de 33 anos, com 12 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde e informa que fez uma gestação anterior com pré-eclâmpsia grave que exigiu resolução com 30 semanas, além de restrição de crescimento fetal. Ela tem hipertensão crônica leve controlada com metildopa e índice de massa corporal de 33 kg/m². Ao exame, a pressão arterial é de 128x80 mmHg, sem proteinúria, e o exame físico é normal. Ela pergunta o que pode ser feito para reduzir o risco de repetir o quadro. A conduta preventiva correta é
O ácido acetilsalicílico em dose baixa iniciado antes de 16 semanas reduz de forma significativa a incidência de pré-eclâmpsia em gestantes de alto risco, como as com antecedente de pré-eclâmpsia grave, hipertensão crônica e obesidade, sendo complementado por suplementação de cálcio em populações com baixa ingesta. A heparina não previne pré-eclâmpsia em geral. Repouso no leito não previne a doença e aumenta o risco tromboembólico. Restrição rigorosa de sal não demonstrou reduzir a incidência de pré-eclâmpsia.
Gestante de 33 anos, com 29 semanas, é internada com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e evolui, no segundo dia, com redução da diurese para 20 mL por hora nas últimas quatro horas, apesar de balanço hídrico equilibrado. Ela está em uso de sulfato de magnésio e anti-hipertensivo, com pressão arterial de 148x94 mmHg. Os exames mostram creatinina de 1,4 mg/dL, plaquetas de 130.000/mm³ e transaminases normais, sem sinais de hemólise. O reflexo patelar está presente e a frequência respiratória é de 16 ipm. A conduta correta é
A oligúria na pré-eclâmpsia grave decorre de vasoconstrição e da própria fisiopatologia da doença, e a expansão volêmica agressiva é a principal causa de edema pulmonar nessas pacientes, devendo-se reavaliar o balanço com cautela, monitorar a função renal e os níveis de magnésio, cuja eliminação é renal. Bolus de grande volume é justamente a conduta a evitar. Suspender o sulfato apenas pela oligúria, com reflexos presentes e sem depressão respiratória, retira a profilaxia da eclâmpsia. Diálise não se indica com creatinina de 1,4 mg/dL.
Gestante de 27 anos, com 32 semanas, é internada com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e evolui com dispneia progressiva, ortopneia e saturação de 90% em ar ambiente. Ela recebeu hidratação venosa e sulfato de magnésio. Ao exame, apresenta estertores crepitantes bibasais, frequência respiratória de 30 ipm, pressão arterial de 162x104 mmHg e turgência jugular. A radiografia de tórax mostra congestão pulmonar e o ecocardiograma revela função sistólica preservada com disfunção diastólica. A conduta correta é
O edema agudo de pulmão na pré-eclâmpsia decorre de sobrecarga volêmica somada à disfunção endotelial e à disfunção diastólica, sendo tratado com diurético de alça, restrição hídrica, oxigenoterapia e controle pressórico, com manutenção do sulfato de magnésio sob monitorização. Expansão volêmica agrava a congestão. Suspender o anti-hipertensivo mantém a pós-carga elevada e piora a congestão. Aguardar a resolução da gestação sem tratar a insuficiência respiratória expõe a paciente a deterioração rápida.
Gestante de 31 anos, com 26 semanas, é atendida na Unidade Básica de Saúde e traz resultado de ultrassonografia com Doppler de artérias uterinas mostrando índice de pulsatilidade normal e ausência de incisura bilateral. Ela tem antecedente de hipertensão gestacional em gestação anterior, é normotensa nesta gestação e usa ácido acetilsalicílico desde 12 semanas. Ao exame, a pressão arterial é de 112x70 mmHg, sem proteinúria, com crescimento fetal adequado. Ela pergunta se pode suspender o ácido acetilsalicílico diante do resultado normal. A orientação correta é
O Doppler de artérias uterinas normal reduz a probabilidade de pré-eclâmpsia, mas não a exclui, e a profilaxia com ácido acetilsalicílico iniciada com base em critérios clínicos deve ser mantida até a idade gestacional recomendada pelo protocolo. Suspender a profilaxia por um exame de rastreio negativo retira uma intervenção com benefício demonstrado. Iniciar anti-hipertensivo em paciente normotensa não previne pré-eclâmpsia. Dobrar a dose não aumenta o benefício e eleva o risco hemorrágico.
Gestante de 36 anos, com 12 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde e informa que teve pré-eclâmpsia grave com resolução em 28 semanas na primeira gestação e óbito neonatal. Ela está muito angustiada e pergunta se o risco vai se repetir. Atualmente é normotensa, com índice de massa corporal de 26 kg/m², sem diabetes e sem doença renal. Ao exame, está bem, com pressão arterial de 118x74 mmHg e exame físico normal. A orientação correta quanto ao risco e à prevenção é
O antecedente de pré-eclâmpsia de início precoce com desfecho grave eleva substancialmente o risco de recorrência, indicando profilaxia com ácido acetilsalicílico iniciada antes de 16 semanas, acompanhamento em pré-natal de alto risco e vigilância intensificada. Afirmar risco desprezível é incorreto e retira a profilaxia. Anti-hipertensivo em normotensa não previne pré-eclâmpsia. Programar resolução com 34 semanas desde o primeiro trimestre impõe prematuridade sem indicação clínica atual.
Puérpera de 33 anos, com antecedente de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade na gestação que acabou de terminar, comparece à Unidade Básica de Saúde na sexta semana pós-parto para consulta de revisão. Ela está normotensa sem medicação, assintomática, amamentando exclusivamente, com índice de massa corporal de 28 kg/m². Ao exame, não há edema, a pressão arterial é de 124x78 mmHg e o exame físico é normal. Ela pergunta se precisa de algum cuidado no futuro. A orientação correta é
O antecedente de pré-eclâmpsia é marcador de risco cardiovascular futuro, associando-se a maior incidência de hipertensão crônica, doença coronariana, acidente vascular encefálico e doença renal, indicando orientação sobre estilo de vida e rastreamento periódico de fatores de risco. Afirmar retorno ao risco populacional é incorreto. Anti-hipertensivo contínuo em normotensa não é indicado. Dispensar o seguimento perde a oportunidade de prevenção cardiovascular em população identificada como de risco.
Gestante de 29 anos, com 37 semanas e 2 dias, é internada com diagnóstico de pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade. Está assintomática, sem cefaleia, alterações visuais ou epigastralgia. Ao exame, pressão arterial de 148 x 94 mmHg em medidas repetidas, edema de membros inferiores, reflexos normais e batimentos cardiofetais normais, com boa movimentação fetal. Os exames laboratoriais estão dentro da normalidade e a avaliação do bem-estar fetal é tranquilizadora. A conduta mais adequada é:
Na pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade a partir de 37 semanas, a resolução da gestação reduz complicações maternas, como progressão para formas graves, sem aumento relevante da morbidade neonatal, sendo essa a conduta recomendada. Manter conduta expectante até 41 semanas expõe a gestante a agravamento. O sulfato de magnésio é indicado nas formas com sinais de gravidade ou na eclâmpsia, não como profilaxia universal com prolongamento da gestação. Acompanhamento ambulatorial sem programar a resolução posterga uma decisão já indicada nessa idade gestacional.
Puérpera de 25 anos, no quinto dia após parto vaginal, é levada à Unidade de Pronto Atendimento com cefaleia intensa, escotomas cintilantes e pressão arterial de 168x112 mmHg em duas aferições. Não apresentou hipertensão durante a gestação nem no parto. Está lúcida, com reflexos exaltados, sem déficits focais. As plaquetas estão em 180.000/mm³, as transaminases estão discretamente elevadas e a proteinúria de fita mostra duas cruzes. Ela teve alta no segundo dia pós-parto com pressão arterial de 128x82 mmHg e sem prescrição de anti-hipertensivo. O recém-nascido está bem, em aleitamento materno, e ela não usa outros medicamentos além de analgésico simples. A conduta correta é
A pré-eclâmpsia pode manifestar-se pela primeira vez até seis semanas após o parto, e a associação de hipertensão grave, sintomas de iminência de eclâmpsia e proteinúria exige internação, controle pressórico e profilaxia da convulsão com sulfato de magnésio. Afirmar que a doença não ocorre no puerpério é erro conceitual que já resultou em eclâmpsia domiciliar. Cefaleia pós-punção é postural e não cursa com hipertensão grave, escotomas e proteinúria. Alta ambulatorial com sintomas de iminência de eclâmpsia é conduta de risco elevado de convulsão nas horas seguintes.
Gestante de 31 anos, com 33 semanas, é internada com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e apresenta cefaleia intensa, escotomas e epigastralgia, com pressão arterial de 172x112 mmHg. A equipe inicia sulfato de magnésio e anti-hipertensivo endovenoso, com melhora dos sintomas e da pressão. A cardiotocografia é reativa, o crescimento fetal está no percentil 30 e os exames laboratoriais mostram plaquetas de 145.000/mm³ e transaminases normais. A conduta correta quanto ao momento da resolução é
Sintomas de iminência de eclâmpsia caracterizam pré-eclâmpsia com sinais de gravidade que não admite conduta expectante, indicando resolução da gestação após a estabilização materna, com corticoide administrado se houver tempo hábil, sem adiar o parto. Conduta expectante até 37 semanas expõe a eclâmpsia e a complicações graves. Aguardar 72 horas para dois ciclos de corticoide não é conduta recomendada. Alta ambulatorial após melhora sintomática é conduta de altíssimo risco.
Mulher de 34 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de revisão seis meses após parto prematuro de 34 semanas por pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. A pressão arterial hoje é de 128x82 mmHg, o índice de massa corporal é de 28 kg/m² e a proteinúria normalizou. Ela está assintomática, amamentando, e pergunta se precisa de algum acompanhamento especial daqui para frente, já que a gestação terminou sem outras complicações. Qual é a orientação correta?
A pré-eclâmpsia identifica mulheres com risco aumentado de hipertensão crônica, doença coronariana, acidente vascular cerebral e doença renal ao longo da vida, e o seguimento na atenção primária deve incluir controle pressórico, avaliação metabólica e orientação de estilo de vida. Considerar o episódio sem repercussão futura desperdiça uma oportunidade de prevenção. O ecocardiograma isolado não substitui o acompanhamento clínico dos fatores de risco. Contraindicar novas gestações é incorreto, pois há profilaxia e vigilância específicas para gestações futuras.
Mulher, 27 anos, primigesta, com 35 semanas, previamente normotensa, apresenta PA de 156/98 mmHg em duas medidas com 4 horas de intervalo. Refere cefaleia occipital há 1 dia. Proteinúria de fita negativa e relação proteína/creatinina urinária de 0,2 (VR < 0,3). Plaquetas 92.000/mm³ (VR 150.000–450.000), creatinina 0,8 mg/dL (VR 0,6–1,1), AST 30 U/L (VR até 40). FC 86 bpm, reflexos normais. Qual o diagnóstico correto?
Trata-se de pré-eclâmpsia com sinal de gravidade: desde a revisão dos critérios, a proteinúria deixou de ser obrigatória, e hipertensão de início após 20 semanas associada a plaquetas abaixo de 100.000/mm³ já fecha o diagnóstico, sendo a plaquetopenia, por si só, critério de gravidade. Classificar como hipertensão gestacional isolada aplica o conceito antigo que exigia proteinúria. Hipertensão crônica exigiria níveis elevados antes de 20 semanas, e a paciente era normotensa. A púrpura trombocitopênica imune não explica a hipertensão de início recente nem a cefaleia no contexto gestacional. A síndrome HELLP requer a tríade hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia, e aqui a AST está normal e não há hemólise documentada.
Mulher, 38 anos, G2P1, com 11 semanas, comparece à primeira consulta. Antecedente de pré-eclâmpsia com resolução às 33 semanas na gestação anterior. IMC 33 kg/m², hipertensão crônica em uso de metildopa, dieta pobre em laticínios. PA 132/84 mmHg, FC 80 bpm. Proteinúria negativa, creatinina 0,7 mg/dL (VR 0,6–1,1), plaquetas normais. Pergunta se existe algo que reduza o risco de repetir o quadro. Qual a conduta preventiva correta?
Ácido acetilsalicílico em baixa dose, entre 100 e 150 mg/dia, iniciado idealmente entre 12 e 16 semanas e mantido até próximo do termo, associado à suplementação de cálcio em populações com baixa ingesta, é a estratégia preventiva de eficácia demonstrada, e a paciente reúne múltiplos fatores de alto risco: pré-eclâmpsia prévia, hipertensão crônica, obesidade e idade avançada. Iniciar o ácido acetilsalicílico após 24 semanas perde a janela de remodelamento das artérias espiraladas, e a dose de 300 mg não acrescenta benefício. A heparina profilática previne eventos tromboembólicos, mas não reduz a incidência de pré-eclâmpsia. Restrição de sódio e repouso não têm eficácia comprovada e podem ser deletérios. As vitaminas C e E foram testadas em ensaios amplos e não reduziram a ocorrência da doença.
Mulher, 31 anos, com 34 semanas de gestação, comparece à UBS para consulta de rotina. Refere cefaleia occipital há 1 dia e edema em membros inferiores. PA 158/104 mmHg em duas aferições com intervalo de 20 minutos, após repouso. Nega escotomas, epigastralgia ou redução de movimentos fetais. Proteinúria de fita 2+. Exame: reflexos normoativos, altura uterina 32 cm, batimentos cardíacos fetais 142 bpm. Plaquetas 210.000/mm³; AST 28 U/L; creatinina 0,8 mg/dL. Qual a conduta correta?
Pressão arterial igual ou superior a 160 por 110 mmHg em gestante configura hipertensão grave, e a associação com proteinúria e cefaleia caracteriza pré-eclâmpsia com sinal de iminência de eclâmpsia, exigindo encaminhamento imediato a serviço de referência para estabilização, avaliação de gravidade e decisão sobre o parto. Iniciar metildopa com retorno em uma semana subestima o risco de eclâmpsia e de descolamento prematuro de placenta. Aguardar proteinúria de 24 horas retarda a conduta, e o diagnóstico de gravidade já está estabelecido pelo nível pressórico e pelo sintoma neurológico. Repouso e restrição de sal não têm eficácia demonstrada e não substituem a avaliação hospitalar. Prescrever anti-hipertensivo de manutenção com retorno em 48 horas mantém a gestante fora do serviço adequado em situação de risco iminente para ela e para o feto.
Mulher, 28 anos, primigesta, com 29 semanas, internada há 4 dias por pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, em uso de metildopa e nifedipino. Hoje mantém PA de 150/95 mmHg, sem cefaleia ou epigastralgia. Plaquetas 180.000/mm³ (VR 150.000–450.000), AST 26 U/L (VR até 40), creatinina 0,8 mg/dL (VR 0,6–1,1), proteinúria de 3,8 g em 24 horas. Doppler de artéria umbilical normal, cardiotocografia categoria I, corticoide completo. Qual a conduta correta?
Manter conduta expectante com vigilância materna e fetal rigorosa, buscando alcançar 34 semanas, é a conduta correta: a paciente está estável, com pressão controlada, sem sintomas de iminência de eclâmpsia, sem disfunção de órgão-alvo e com vitalidade fetal preservada, e o prolongamento da gestação nesse cenário reduz a morbidade neonatal. A magnitude da proteinúria deixou de ser critério de gravidade e não indica, por si só, a resolução. Suspender os anti-hipertensivos expõe a paciente a crise hipertensiva e acidente vascular cerebral, principal causa de morte na pré-eclâmpsia. A expansão com albumina não corrige a lesão endotelial e aumenta o risco de edema agudo de pulmão. Programar cesariana em 48 horas ignora que a via de parto e o momento devem seguir a evolução clínica, e que o parto vaginal é possível em muitos casos.
Mulher, 35 anos, G2P1, com 33 semanas e pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, em uso de sulfato de magnésio e após receber 2.500 mL de cristaloide nas últimas 6 horas, evolui com dispneia súbita e ortopneia. PA 168/108 mmHg, FC 122 bpm, FR 34 ipm, SatO2 85% em ar ambiente. Ausculta com estertores crepitantes até os ápices. Radiografia com infiltrado bilateral em asa de borboleta. Diurese de 20 mL/h. Qual a conduta imediata?
Oxigenoterapia com suporte ventilatório conforme a necessidade, furosemida intravenosa, controle rigoroso da pressão arterial e resolução da gestação após a estabilização é a conduta correta no edema agudo de pulmão da pré-eclâmpsia, cuja fisiopatologia combina lesão endotelial com aumento da permeabilidade capilar, disfunção diastólica e sobrecarga iatrogênica de volume, exatamente como sugerido pela infusão de 2.500 mL. Expandir mais volume agrava a congestão e é o erro que precipitou o quadro. Suspender o magnésio e dar gluconato de cálcio trata intoxicação, que cursaria com arreflexia e bradipneia, não com estertores difusos e hipertensão. O antibiótico não trata edema hidrostático e inflamatório sem febre nem foco. A toracocentese destina-se a derrame pleural volumoso, e o achado descrito é de edema alveolar difuso.
Mulher, 24 anos, primigesta, com 36 semanas e pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, apresenta perda visual bilateral súbita e cefaleia intensa. PA 182/118 mmHg, FC 88 bpm. Ao exame, não percebe luz, mas os reflexos fotomotores estão preservados e a fundoscopia é normal. Não há déficit motor. Ressonância de crânio mostra hipersinal em T2 e FLAIR na substância branca parieto-occipital bilateral, sem restrição à difusão. Qual o diagnóstico e o prognóstico?
Trata-se de síndrome da encefalopatia posterior reversível: reflexos fotomotores preservados com fundoscopia normal caracterizam cegueira cortical, e o hipersinal parieto-occipital bilateral em T2 e FLAIR sem restrição à difusão corresponde a edema vasogênico reversível, com recuperação visual esperada após controle pressórico, uso de sulfato de magnésio e resolução da gestação. O descolamento de retina alteraria a fundoscopia e não produziria lesões simétricas na substância branca occipital. O acidente vascular isquêmico mostraria restrição à difusão e deixaria sequela, o que a imagem afasta. A neurite óptica cursaria com alteração do reflexo fotomotor aferente e acometimento do nervo, não da substância branca occipital. A hemorragia subaracnóidea apresentaria sangue nos espaços liquóricos e rigidez de nuca.
Mulher, 34 anos, primigesta, com 12 semanas, realiza rastreamento combinado para pré-eclâmpsia. PA média de 92 mmHg, IMC 31 kg/m², Doppler das artérias uterinas com índice de pulsatilidade médio no percentil 95 e fator de crescimento placentário reduzido. O algoritmo calcula risco de 1:20 para pré-eclâmpsia pré-termo. Assintomática, exames de função renal e hepática normais, sem proteinúria. Qual a conduta indicada?
Iniciar ácido acetilsalicílico em baixa dose, preferencialmente à noite e antes de 16 semanas, mantendo até próximo de 36 semanas, é a conduta indicada para gestante identificada como de alto risco pelo rastreamento combinado, estratégia que reduz de forma expressiva a incidência de pré-eclâmpsia pré-termo. Iniciar anti-hipertensivo em normotensa não previne a doença, que decorre de placentação anômala e disfunção endotelial. Repetir o Doppler sem intervenção desperdiça a única janela terapêutica preventiva eficaz. Internar a partir de 20 semanas é desproporcional em paciente assintomática e sem doença instalada. O sulfato de magnésio previne convulsão em pacientes com pré-eclâmpsia já diagnosticada, e não tem papel profilático primário.
Mulher, 22 anos, primigesta, com 33 semanas, desenvolve pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e restrição de crescimento fetal com peso no percentil 3. O Doppler de artérias uterinas mostra alta resistência com incisura bilateral, e a placenta, após o parto, apresenta múltiplos infartos e aterose aguda. PA 168/110 mmHg, proteinúria de 4 g em 24 horas, plaquetas 92.000/mm³ (VR 150.000–450.000). Qual mecanismo fisiopatológico explica esses achados?
A invasão trofoblástica deficiente das artérias espiraladas, que permanecem com alta resistência e não sofrem remodelamento, é o evento inicial: dela decorre isquemia placentária, com liberação de fatores antiangiogênicos como o sFlt-1 e a endoglina solúvel, que antagonizam o fator de crescimento placentário e o VEGF, causando disfunção endotelial sistêmica, hipertensão, proteinúria, plaquetopenia e restrição de crescimento. Hiperfluxo por vasodilatação das espiraladas é o oposto do observado no Doppler com incisura bilateral. O aumento primário do débito cardíaco não explica a lesão placentária nem os fatores antiangiogênicos. A deposição de imunocomplexos glomerulares caracteriza glomerulonefrites, e a lesão renal aqui é a endoteliose capilar. A trombose venosa placentária não é o evento primário, embora infartos possam ocorrer como consequência.
Mulher, 34 anos, com antecedente de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e parto prematuro às 32 semanas há 2 anos, comparece à consulta de revisão. Atualmente normotensa, PA 122/78 mmHg, IMC 28 kg/m², glicemia de jejum 96 mg/dL (VR < 92), perfil lipídico com LDL discretamente elevado. Nega tabagismo. Pergunta se a doença que teve na gestação tem alguma consequência para sua saúde no futuro. Qual a orientação correta?
A orientação correta é que a pré-eclâmpsia é reconhecida como marcador de risco cardiovascular ao longo da vida, associando-se a hipertensão crônica, doença coronariana, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e doença renal crônica, o que indica seguimento com controle de pressão, peso, glicemia e lipídios, ainda mais nesta paciente com sobrepeso, glicemia limítrofe e dislipidemia. Afirmar que a doença se encerra com o parto contraria essa evidência consolidada. Restringir o risco à recorrência obstétrica é incompleto, embora a recorrência também exista. A pré-eclâmpsia não causa infertilidade secundária. Condicionar o risco à persistência da hipertensão nos primeiros meses é incorreto, pois ele existe mesmo em mulheres que normalizam a pressão após o puerpério.
Acerca da suplementação de micronutrientes durante a gestação e de seu impacto sobre desfechos obstétricos maternos e perinatais, considerando as recomendações vigentes para populações com baixa ingesta dietética, para gestantes de alto risco para síndromes hipertensivas e para a prevenção de defeitos de fechamento do tubo neural, bem como as intervenções que foram testadas em ensaios clínicos amplos e não demonstraram benefício, assinale a alternativa correta.
A suplementação de cálcio reduz o risco de pré-eclâmpsia em populações com ingesta dietética baixa, sendo recomendada como medida preventiva ao lado do ácido acetilsalicílico nas gestantes de alto risco. A vitamina E em altas doses foi testada em ensaios amplos e não reduziu a incidência da doença, podendo inclusive ser deletéria. O sulfato ferroso previne e trata anemia, mas não tem efeito preventivo sobre pré-eclâmpsia ou restrição de crescimento. O zinco não demonstrou impacto relevante sobre prematuridade em populações gerais. O ácido fólico previne defeitos de fechamento do tubo neural, mas não reduz a ocorrência de pré-eclâmpsia.
Mulher, 29 anos, com 33 semanas e pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, internada em uso de sulfato de magnésio e anti-hipertensivo, apresenta diurese de 25 mL/h nas últimas 3 horas. PA 152/96 mmHg, FC 92 bpm, FR 18 ipm, SatO2 97%, ausculta pulmonar limpa. Creatinina 0,9 mg/dL (VR 0,6–1,1), sódio e potássio normais, sem sangramento. O plantonista propõe expansão volêmica agressiva com 2.000 mL de cristaloide em 2 horas. Qual a avaliação correta dessa proposta?
A proposta é inadequada porque o manejo hídrico na pré-eclâmpsia grave deve ser restritivo, em geral em torno de 80 mL/h de aporte total, com balanço rigoroso, pois a lesão endotelial com aumento da permeabilidade capilar e a redução da pressão coloidosmótica tornam essas pacientes especialmente suscetíveis ao edema agudo de pulmão, principal causa de morte relacionada a sobrecarga iatrogênica nesse contexto. Considerar que toda oligúria indica hipovolemia ignora a vasoconstrição renal característica da doença. Associar furosemida em bolus não corrige o problema e pode agravar a hipoperfusão. Infundir volume ainda maior amplifica o risco. Exigir diurese acima de 100 mL/h é meta irreal e perigosa nessas pacientes, sendo tolerada oligúria transitória com função renal preservada.
Mulher, 31 anos, G2P1, com 23 semanas, apresenta PA 176/114 mmHg refratária a três anti-hipertensivos, proteinúria de 6 g em 24 horas, plaquetas 74.000/mm³ (VR 150.000–450.000), AST 180 U/L (VR até 40) e creatinina 1,7 mg/dL (VR 0,6–1,1). Refere cefaleia e epigastralgia. Ultrassom com peso fetal abaixo do percentil 3 e diástole reversa na artéria umbilical. Sem sinais de trabalho de parto. Qual a conduta correta?
Estabilizar a paciente com sulfato de magnésio e controle pressórico e resolver a gestação, com aconselhamento franco sobre o prognóstico fetal muito reservado nessa idade gestacional, é a conduta correta, pois há pré-eclâmpsia com múltiplas disfunções de órgão-alvo refratária ao tratamento, situação em que a manutenção da gestação ameaça a vida materna. A conduta expectante até 28 semanas é inaceitável diante de plaquetopenia, disfunção hepática e renal e hipertensão refratária, e ciclos semanais de corticoide não são recomendados. Aguardar 48 horas a qualquer custo desconsidera que a deterioração materna tem prioridade sobre o benefício fetal. A plasmaférese para remoção de fatores antiangiogênicos é experimental. A sildenafila foi abandonada após ensaio interrompido por dano neonatal.
Gestante de 36 semanas, 34 anos, com pré-eclâmpsia, apresenta dispneia intensa e ortopneia. PA 186/118 mmHg, FC 118 bpm, FR 34 ipm, SatO2 86% em ar ambiente. Ausculta com estertores até ápices e turgência jugular. Cardiotocografia com padrão categoria II. Plaquetas 108.000/mm³, AST 120 U/L (VR até 34) e proteinúria significativa em amostra isolada. Qual a conduta mais adequada?
Edema agudo de pulmão em pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e sofrimento fetal potencial exige estabilização materna com oxigênio, ventilação não invasiva, anti-hipertensivo adequado à gestação, sulfato de magnésio e resolução da gestação, que é o tratamento definitivo. Aguardar 48 horas sem tratar coloca mãe e feto em risco. Diurético isolado com conduta expectante por 1 semana ignora a gravidade do quadro. Monitorizar apenas o feto sem tratar a mãe inverte prioridades em uma emergência materna. Inibidores da enzima conversora são contraindicados na gestação por fetotoxicidade.
Acerca da suplementação de micronutrientes durante a gestação e de seu impacto sobre desfechos obstétricos maternos e perinatais, considerando as recomendações vigentes para populações com baixa ingesta dietética, para gestantes de alto risco para síndromes hipertensivas e para a prevenção de defeitos de fechamento do tubo neural, bem como as intervenções que foram testadas em ensaios clínicos amplos e não demonstraram benefício, assinale a alternativa correta. Qual a orientação correta?
A suplementação de cálcio reduz o risco de pré-eclâmpsia em populações com ingesta dietética baixa, sendo recomendada como medida preventiva ao lado do ácido acetilsalicílico nas gestantes de alto risco. A vitamina E em altas doses foi testada em ensaios amplos e não reduziu a incidência da doença, podendo inclusive ser deletéria. O sulfato ferroso previne e trata anemia, mas não tem efeito preventivo sobre pré-eclâmpsia ou restrição de crescimento. O zinco não demonstrou impacto relevante sobre prematuridade em populações gerais. O ácido fólico previne defeitos de fechamento do tubo neural, mas não reduz a ocorrência de pré-eclâmpsia.
Mulher, 30 anos, G1P0, com 31 semanas, apresenta cefaleia e PA de 148/94 mmHg, sem proteinúria, com plaquetas, transaminases e creatinina normais. Há dúvida diagnóstica entre hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia em evolução. O serviço dispõe da dosagem da relação entre tirosina quinase solúvel semelhante ao fms tipo 1 e fator de crescimento placentário, e a equipe discute como interpretar e usar o resultado desse exame. Qual afirmação está correta?
A afirmação correta é que a relação entre sFlt-1 e PlGF tem elevado valor preditivo negativo, de modo que um valor baixo permite afastar com boa segurança o desenvolvimento de pré-eclâmpsia nas semanas seguintes, auxiliando a decidir entre internação e acompanhamento ambulatorial em casos de dúvida diagnóstica. Afirmar que a relação elevada confirma a doença e substitui os critérios clínicos é incorreto, pois o diagnóstico permanece clínico e laboratorial. O exame não é recomendado como rastreio universal no 3º trimestre, sendo usado em situações de dúvida. A relação baixa aponta justamente para menor risco, não para resolução imediata. O exame complementa, mas não substitui, a avaliação da vitalidade fetal e o controle pressórico.
Mulher, 28 anos, com 34 semanas e diagnóstico de pré-eclâmpsia, é reavaliada. Apresenta PA 152/96 mmHg, sem cefaleia, sem alterações visuais e sem epigastralgia. Plaquetas 220.000/mm³ (VR 150.000–450.000), AST 24 U/L (VR até 40), creatinina 0,7 mg/dL (VR 0,6–1,1), proteinúria de 2,6 g em 24 horas, sem edema pulmonar. Cardiotocografia categoria I e feto com crescimento adequado ao ultrassom. Qual achado configuraria sinal de gravidade nesta paciente?
O surgimento de cefaleia persistente e refratária a analgésico configuraria sinal de gravidade, ao lado de pressão sistólica igual ou superior a 160 mmHg ou diastólica igual ou superior a 110 mmHg, plaquetas abaixo de 100.000/mm³, transaminases elevadas com dor em hipocôndrio direito, creatinina acima de 1,1 mg/dL ou o dobro do basal, edema pulmonar e alterações visuais. A magnitude da proteinúria deixou de ser critério de gravidade. A pressão de 152/96 mmHg está abaixo dos limiares de gravidade. Plaquetas de 220.000/mm³ e creatinina de 0,7 mg/dL são valores normais e não indicam disfunção de órgão-alvo.
Mulher, 31 anos, com 33 semanas, apresenta hipertensão de início recente e proteinúria, e a equipe discute o diagnóstico diferencial com nefropatia prévia e com microangiopatias trombóticas, revisando quais achados laboratoriais e clínicos são compatíveis com pré-eclâmpsia e quais apontam para outra causa, orientando exames complementares e conduta específica para cada hipótese. Assinale o achado que NÃO é esperado na pré-eclâmpsia.
O consumo de complemento associado a anti-DNA de dupla hélice elevado não é esperado na pré-eclâmpsia e aponta para reativação de nefrite lúpica, diagnóstico diferencial importante nessa apresentação. A elevação do ácido úrico é achado clássico na pré-eclâmpsia, por redução da excreção tubular. A plaquetopenia com elevação de transaminases caracteriza o espectro da síndrome HELLP. A proteinúria acima de 300 mg em 24 horas integra os critérios diagnósticos clássicos. A restrição de crescimento fetal com Doppler alterado reflete a mesma placentação deficiente que origina a doença materna.
Gestante de 27 anos, com 35 semanas, apresenta PA 146x92 mmHg em duas aferições e fita urinária com uma cruz de proteína. Nega sintomas. A equipe deseja confirmar a presença de proteinúria significativa para definir o diagnóstico. Não há coleta de urina de 24 horas disponível no serviço em tempo hábil. Qual método e qual ponto de corte devem ser utilizados?
A relação proteína/creatinina em amostra isolada com valor igual ou superior a 0,3 mg/mg é o método validado e ágil para caracterizar proteinúria significativa na suspeita de pré-eclâmpsia. Adotar corte de 0,1 mg/mg geraria excesso de diagnósticos, pois esse valor está dentro da faixa fisiológica da gravidez. Confiar na fita com uma cruz é insuficiente, dada a baixa acurácia do método, sujeito a variação de densidade urinária e a falsos-positivos. Usar 150 mg em 24 horas transporta o corte da população não gestante, sendo o valor de referência obstétrico de 300 mg. A microalbuminúria não é o exame indicado para esse diagnóstico, pois foi validada para nefropatia incipiente e não para a definição de pré-eclâmpsia.
Gestante de 31 anos, com 35 semanas e 2 dias, tem diagnóstico de pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade há uma semana. Mantém PA entre 140x90 e 148x94 mmHg, sem sintomas. Plaquetas 210.000/mm³, creatinina 0,6 mg/dL, transaminases normais, relação proteína/creatinina de 0,8. Crescimento fetal no percentil 45, líquido normal e Doppler normal. Qual a conduta quanto ao momento do parto?
Na pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade, com vitalidade e crescimento fetais preservados e sem instabilidade materna, a conduta expectante monitorizada até 37 semanas é a recomendada, pois reduz morbidade neonatal sem aumentar risco materno relevante. Resolver de imediato com 35 semanas expõe o recém-nascido à prematuridade tardia sem indicação materna que a justifique. Aguardar até 40 semanas contraria o benefício demonstrado da resolução no termo precoce nessa doença. Indicar cesariana eletiva sem tentativa de indução não se sustenta, pois a via vaginal é preferencial quando não há contraindicação obstétrica. Antecipar o parto apenas para completar corticoide não é conduta correta, já que o corticoide não é a indicação do parto nem o define.
Gestante de 33 anos, com 32 semanas e pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, apresenta diurese de 0,3 mL/kg/h nas últimas seis horas. PA 164x104 mmHg, FC 96 bpm, ausculta pulmonar limpa, SatO2 97%. Creatinina de 1,6 mg/dL (VR 0,4 a 0,8 na gestação), ureia 62 mg/dL, sódio urinário 12 mEq/L, plaquetas 118.000/mm³ e desidrogenase láctica 380 U/L. Qual a conduta inicial mais apropriada?
O sódio urinário baixo indica componente pré-renal por vasoconstrição e depleção intravascular relativa, de modo que uma prova de volume criteriosa, com balanço rigoroso, é o passo inicial adequado, mantendo o sulfato de magnésio com dose ajustada e monitorização clínica. Administrar furosemida em paciente hipovolêmica agrava a lesão renal e não previne necrose tubular. Suspender o sulfato de magnésio priva a paciente da profilaxia de eclâmpsia, e diálise não se indica apenas pelo valor de creatinina, sem acidose, hipercalemia ou uremia refratárias. Manter restrição hídrica absoluta ignora o componente pré-renal e pode consolidar a lesão. Dopamina em dose renal é conduta abandonada, sem benefício comprovado e com risco de arritmia.
Gestante de 25 anos, com 34 semanas, é admitida com PA 180x118 mmHg, cefaleia e perda visual bilateral quase completa instalada há duas horas. Pupilas fotorreagentes, fundoscopia sem descolamento evidente e sem hemorragias. Plaquetas 140.000/mm³, AST 88 U/L, creatinina 0,9 mg/dL, relação proteína/creatinina de 2,1. Qual a principal explicação para a perda visual e a conduta correspondente?
A amaurose com pupilas reagentes e fundoscopia preservada aponta para causa cortical, típica da síndrome de encefalopatia posterior reversível associada à pré-eclâmpsia grave, cujo tratamento é controle pressórico, sulfato de magnésio e resolução da gestação. O descolamento de retina seroso pode ocorrer nessa doença, mas seria visível à fundoscopia e não indica cirurgia de urgência, resolvendo-se com o controle da doença de base. Neurite óptica cursa com dor à movimentação ocular e defeito pupilar aferente, ausentes aqui, e a pulsoterapia não tem lugar neste contexto. A oclusão da artéria central produz palidez retiniana com mancha vermelho-cereja e defeito pupilar, o que não se observa. O glaucoma agudo cursa com dor ocular intensa, olho vermelho e pupila em midríase média fixa, quadro incompatível com o descrito.
Mulher de 32 anos procura consulta pré-concepcional. Na primeira gestação, teve pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e parto com 31 semanas. Atualmente tem PA 118x76 mmHg fora da gestação, IMC de 27 kg/m², creatinina 0,7 mg/dL e glicemia de jejum 88 mg/dL. Ela pergunta sobre risco de repetição e prevenção. Qual a orientação correta?
Pré-eclâmpsia prévia com parto pré-termo é fator de alto risco isolado para recorrência, e a profilaxia com ácido acetilsalicílico em dose baixa iniciada no primeiro trimestre é a medida com melhor evidência, associada à suplementação de cálcio em populações com baixa ingestão. Afirmar risco desprezível pela normalização pressórica é falso, pois a recorrência mantém-se elevada mesmo em normotensas fora da gestação. Indicar heparina de baixo peso molecular universalmente não tem respaldo, ficando reservada a trombofilias e indicações tromboembólicas. Programar cesariana não previne pré-eclâmpsia e não substitui profilaxia farmacológica. Contraindicar nova gestação de forma definitiva é conduta desproporcional diante de mulher atualmente hígida e com risco manejável.
Gestante de 28 anos, com 27 semanas, apresenta pré-eclâmpsia com sinais de gravidade em hospital de pequeno porte, sem unidade neonatal. PA 172x112 mmHg, cefaleia e plaquetas de 92.000/mm³. A cardiotocografia é categoria II e o Doppler mostra diástole zero em artéria umbilical. A maternidade de referência fica a 90 minutos de distância e aceita a transferência. Qual a conduta correta antes e durante o transporte?
A regra do transporte da gestante grave é estabilizar antes de deslocar: iniciar sulfato de magnésio para profilaxia de eclâmpsia, controlar a pressão arterial e só então transportar com equipe e monitorização adequadas, sendo o transporte intraútero preferível ao neonatal nessa idade gestacional. Transportar sem medicação expõe a paciente a eclâmpsia e acidente vascular cerebral durante a viagem. Realizar cesariana em serviço sem suporte neonatal com 27 semanas piora o prognóstico do recém-nascido. Aguardar 24 horas de observação retarda o cuidado definitivo em quadro com critérios de gravidade. Administrar diurético não é o tratamento da hipertensão da pré-eclâmpsia e agrava a depleção intravascular.
Mulher de 42 anos, com falência ovariana precoce, engravida por fertilização in vitro com oócitos doados, encontrando-se com 11 semanas. Não tem hipertensão, diabetes ou doença renal, e o IMC é de 24 kg/m². A pressão arterial atual é de 112x70 mmHg e os exames iniciais são normais. Ela pergunta se essa forma de concepção implica algum risco adicional e se deve tomar alguma medida preventiva específica nesta gestação. Qual a orientação correta?
Gestações obtidas com oócitos doados apresentam risco aumentado de doença hipertensiva, atribuído em parte à maior disparidade imunológica entre mãe e concepto, o que somado à idade materna avançada indica profilaxia com ácido acetilsalicílico em dose baixa iniciada no primeiro trimestre. Afirmar risco igual ao de gestações espontâneas desconsidera essa associação bem documentada. Dizer que a doação reduz o risco inverte o achado. Prescrever corticoide contínuo não tem respaldo como profilaxia de pré-eclâmpsia e acrescenta efeitos adversos. Indicar anticoagulação plena para todas essas gestações é conduta desproporcional, reservada a indicações tromboembólicas específicas.
Mulher, 31 anos, gestante de 34 semanas, com cefaleia e escotomas. PA 168/112 mmHg em duas medidas, FC 92 bpm, edema de membros e reflexos exaltados. Proteinúria de 3,2 g em 24 horas, creatinina de 1,3 mg/dL (VR 0,5–0,9), plaquetas de 92.000/mm3 (VR 150.000–450.000), desidrogenase láctica elevada e transaminases duas vezes acima do limite superior. Qual a conduta indicada?
Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e critérios de síndrome HELLP em gestação de 34 semanas exige sulfato de magnésio para profilaxia de eclâmpsia, controle pressórico com anti-hipertensivo endovenoso e resolução da gestação, que é o tratamento definitivo. Manter conduta ambulatorial com anti-hipertensivo oral é inaceitável diante de plaquetopenia e alteração hepática. A conduta expectante por quatro semanas expõe mãe e feto a risco elevado. Diuréticos agravam a hipovolemia intravascular característica da doença. A plasmaférese não é o tratamento inicial nesse contexto obstétrico.
Gestante de 33 anos, com 34 semanas, procura o pronto-socorro com cefaleia holocraniana intensa iniciada há 6 horas, associada a escotomas cintilantes, náusea e dor epigástrica. Nega cefaleia prévia semelhante. Exame: PA 168/112 mmHg em duas aferições com intervalo de 15 minutos, edema de mãos e face, hiper-reflexia patelar com clônus esgotável. Proteinúria de fita com três cruzes; plaquetas 92.000/mm³ (VR 150.000–450.000); transaminases elevadas em três vezes. Qual a conduta?
Cefaleia nova e intensa no terceiro trimestre com hipertensão grave, sintomas visuais, dor epigástrica, plaquetopenia e elevação de transaminases caracteriza pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e risco iminente de eclâmpsia; a conduta é iniciar sulfato de magnésio e anti-hipertensivo, além de planejar a resolução da gestação. Tratar como cefaleia tensional com analgésico ignora sinais de alarme evidentes. A tomografia pode ser necessária em casos selecionados, mas não deve atrasar o tratamento de uma emergência obstétrica identificada. A sumatriptana não trata a causa e é inadequada nesse contexto. A punção lombar de urgência não é a prioridade e é arriscada com plaquetas de 92.000/mm³.
Gestante previamente normotensa, com 35 semanas, apresenta PA persistente de 170/112 mmHg, cefaleia e escotomas. Há proteinúria e plaquetas de 135 mil/mm³, sem hemólise ou elevação de transaminases. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
Aos 35 semanas com gravidade, a proteção materna e a resolução da gestação são prioridades. Referência: https://www.nichd.nih.gov/health/topics/preeclampsia/conditioninfo
Gestante previamente normotensa, com 35 semanas, apresenta PA persistente de 170/112 mmHg, cefaleia e escotomas. Há proteinúria e plaquetas de 135 mil/mm³, sem hemólise ou elevação de transaminases. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
A alteração endotelial contribui para hipertensão e comprometimento de múltiplos órgãos. Referência: https://www.nichd.nih.gov/health/topics/preeclampsia/conditioninfo
Gestante previamente normotensa, com 35 semanas, apresenta PA persistente de 170/112 mmHg, cefaleia e escotomas. Há proteinúria e plaquetas de 135 mil/mm³, sem hemólise ou elevação de transaminases. Qual é o diagnóstico mais provável?
Hipertensão após 20 semanas com proteinúria e sintomas neurológicos indica pré-eclâmpsia grave. Referência: https://www.nichd.nih.gov/health/topics/preeclampsia/conditioninfo
Gestante previamente normotensa, com 35 semanas, apresenta PA persistente de 170/112 mmHg, cefaleia e escotomas. Há proteinúria e plaquetas de 135 mil/mm³, sem hemólise ou elevação de transaminases. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
O achado apoia pré-eclâmpsia; proteinúria não é obrigatória quando há disfunção orgânica compatível. Referência: https://www.nichd.nih.gov/health/topics/preeclampsia/conditioninfo
Paciente no início do segundo trimestre teve pré-eclâmpsia grave precoce em gestação anterior e não tem contraindicação à profilaxia. A prioridade é reduzir recorrência. Qual intervenção atende à prioridade explicitada?
História de alto risco pode indicar aspirina preventiva. Gestantes com fatores de alto risco podem beneficiar-se de aspirina preventiva iniciada no período recomendado, após avaliação de contraindicações. Referência: https://www.nice.org.uk/guidance/ng133
Pessoa com antecedente de pré-eclâmpsia e fatores de alto risco inicia pré-natal em tempo oportuno para prevenção farmacológica, sem contraindicação. Qual intervenção atende à prioridade explicitada?
Profilaxia com aspirina deve ser considerada conforme critérios de risco. Gestantes com fatores de alto risco podem beneficiar-se de aspirina preventiva iniciada no período recomendado, após avaliação de contraindicações. Referência: https://www.nice.org.uk/guidance/ng133
Gestante de alto risco por hipertensão crônica está na janela apropriada de início de profilaxia, sem sangramento ou alergia relevante. Qual intervenção atende à prioridade explicitada?
Aspirina em baixa dose pode reduzir risco de pré-eclâmpsia. Gestantes com fatores de alto risco podem beneficiar-se de aspirina preventiva iniciada no período recomendado, após avaliação de contraindicações. Referência: https://www.nice.org.uk/guidance/ng133
Gestante com risco elevado de pré-eclâmpsia, avaliada no primeiro trimestre, pergunta sobre medida preventiva medicamentosa para início na janela recomendada. Qual intervenção atende à prioridade explicitada?
Aspirina em baixa dose é opção preventiva quando critérios e segurança permitem. Gestantes com fatores de alto risco podem beneficiar-se de aspirina preventiva iniciada no período recomendado, após avaliação de contraindicações. Referência: https://www.nice.org.uk/guidance/ng133
Paciente tem hipertensão gestacional recente e edema pulmonar atribuído à doença hipertensiva, sem convulsão ou tríade de HELLP. Qual diagnóstico descreve melhor a apresentação?
Disfunção orgânica grave caracteriza pré-eclâmpsia mesmo sem proteinúria. Hipertensão após 20 semanas associada a proteinúria ou disfunção orgânica compatível caracteriza pré-eclâmpsia; ausência de proteinúria não exclui o diagnóstico. Referência: https://www.rcog.org.uk/for-the-public/browse-our-patient-information/pre-eclampsia/
Gestante com hipertensão nova apresenta proteinúria e cefaleia persistente atribuída ao quadro, sem crise convulsiva. Qual diagnóstico descreve melhor a apresentação?
A combinação favorece pré-eclâmpsia. Hipertensão após 20 semanas associada a proteinúria ou disfunção orgânica compatível caracteriza pré-eclâmpsia; ausência de proteinúria não exclui o diagnóstico. Referência: https://www.rcog.org.uk/for-the-public/browse-our-patient-information/pre-eclampsia/
Pessoa com hipertensão nova no terceiro trimestre desenvolve disfunção renal atribuída à doença gestacional, mesmo sem proteinúria. Qual diagnóstico descreve melhor a apresentação?
Disfunção orgânica pode estabelecer pré-eclâmpsia sem proteinúria. Hipertensão após 20 semanas associada a proteinúria ou disfunção orgânica compatível caracteriza pré-eclâmpsia; ausência de proteinúria não exclui o diagnóstico. Referência: https://www.rcog.org.uk/for-the-public/browse-our-patient-information/pre-eclampsia/
Gestante após 28 semanas desenvolve hipertensão e proteinúria significativa, sem convulsão ou tríade de HELLP. Qual diagnóstico descreve melhor a apresentação?
A associação caracteriza pré-eclâmpsia. Hipertensão após 20 semanas associada a proteinúria ou disfunção orgânica compatível caracteriza pré-eclâmpsia; ausência de proteinúria não exclui o diagnóstico. Referência: https://www.rcog.org.uk/for-the-public/browse-our-patient-information/pre-eclampsia/
Gestante previamente normotensa, com 30 semanas, apresenta PA persistentemente elevada, plaquetas de 82.000/mm³ e elevação importante de transaminases. A pesquisa de proteinúria é negativa. Não há outra causa identificada para as alterações. Qual conclusão é adequada?
Hipertensão após 20 semanas associada a disfunção orgânica compatível pode estabelecer o quadro mesmo sem proteinúria; os achados exigem avaliação obstétrica urgente. Referência: ACOG. Preeclampsia and High Blood Pressure During Pregnancy. https://www.acog.org/womens-health/faqs/preeclampsia-and-high-blood-pressure-during-pregnancy
Diante do caráter multissistêmico ilustrado, qual afirmação diagnóstica é correta para hipertensão nova após 20 semanas?

A avaliação não se limita à excreção urinária de proteínas.
Qual processo vascular sistêmico conecta as manifestações renais, hepáticas, hematológicas e neurológicas no esquema de pré-eclâmpsia?

A doença envolve alterações vasculares e lesão de órgãos, além da pressão arterial.
Qual é a razão entre a relação proteína/creatinina final e o limiar de 0,3 mg/mg fornecido?

0,6/0,3=2. O valor corresponde ao dobro do limiar numérico.
As pressões são confirmadas em medidas adequadas. Qual interpretação melhor integra o ponto de 32 semanas e a relação proteína/creatinina? Considere proteinúria significativa ≥ 0,3 mg/mg.

Há hipertensão após 20 semanas, proteinúria e PA ≥ 160/110.
Qual dado da trajetória torna menos provável classificar o quadro como hipertensão crônica já documentada no início da gestação?

A elevação registrada surge depois de 20 semanas.
No ponto de 28 semanas, com exames de órgãos-alvo normais e sem outros critérios, qual classificação provisória é compatível com os dados mostrados?

A pressão está elevada após 20 semanas sem proteinúria significativa naquele ponto.
Qual prioridade clínica decorre das pressões confirmadas do último ponto?

A faixa grave eleva risco materno, incluindo evento cerebrovascular.
Qual alteração laboratorial de B é relevante para gravidade?

Plaquetas de 82.000/mm³ indicam trombocitopenia importante no contexto.
Por que tratar apenas a pressão, liberando B sem avaliação hospitalar, seria insuficiente?

Manejo inclui mais que um número pressórico; gravidade clínica e órgãos acometidos determinam o cuidado.
Escotomas são alterações relacionadas a qual função?

Escotomas são áreas de alteração do campo visual e podem ser sinal neurológico de alarme.
Qual gestante apresenta pressão em faixa grave?

Pressão sistólica de 168 ou diastólica de 112 mmHg está em faixa grave.
A ausência de proteinúria permite afastar pré-eclâmpsia em B?

Plaquetopenia e sintomas neurológicos são sinais de gravidade; proteinúria não é obrigatória quando há critérios de disfunção orgânica.
Qual avaliação laboratorial se relaciona diretamente ao órgão renal destacado? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Ajudam a avaliar repercussão renal no contexto clínico.
No puerpério imediato, uma mulher apresenta hipertensão grave, cefaleia e alterações visuais. A placenta já foi retirada. Como o esquema deve ser aplicado? Imagem didática do acervo OsceLabs.

O parto não elimina instantaneamente o risco de pré-eclâmpsia ou eclâmpsia.
Gestante com a síndrome multissistêmica ilustrada apresenta dispneia e crepitações, apesar de edema periférico. Por que expansão volêmica indiscriminada pode ser perigosa? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Edema periférico não justifica automaticamente grandes volumes intravenosos.
Qual sintoma se relaciona ao componente neurológico da figura e merece atenção na gestante hipertensa? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Podem indicar comprometimento neurológico e gravidade.
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Os números, na ordem em que a questão os usa. Diagnóstico: hipertensão a partir de 20 semanas, sistólica ≥140 e/ou diastólica ≥90 mmHg, duas medidas com pelo menos 4 horas de intervalo — 15 minutos quando já está em 160/110. Proteinúria: ≥300 mg em 24 horas, ou relação proteína/creatinina ≥0,3, ou fita com pelo menos 1 cruz no Manual do Ministério da Saúde e no Febrasgo de 2018 (2 cruzes na RBEHG de 2025 e no ACOG). Sem proteinúria, fecham o diagnóstico: plaquetas <100.000/mm³; creatinina ≥1,2 mg/dL ou duplicação; transaminases acima de 2 vezes o normal; edema agudo de pulmão; cefaleia refratária, escotomas, fosfenas, fotofobia, hiper-reflexia; e comprometimento placentário (restrição de crescimento, Doppler alterado, descolamento, óbito fetal). Precoce é antes de 34 semanas, tardia a partir de 34; pré-termo antes de 37, de termo a partir de 37. Sinais de gravidade: 160/110 mmHg confirmada em 15 minutos, iminência de eclâmpsia, eclâmpsia, HELLP, edema agudo de pulmão, dor torácica, creatinina ≥1,2 mg/dL progressiva e oligúria <500 mL/24 h. Tratamento: iniciar quando a maioria das medidas passar de 140 ou 90; alvo abaixo de 140 por 90 (Manual brasileiro: 110 a 140 por 85; ISSHP: diastólica de 85; NICE: 135/85); na crise, reduzir 15% a 25% na primeira hora. Sulfato de magnésio: 160/110 mmHg mesmo sem sintoma, iminência, eclâmpsia, HELLP, deterioração, hipertensão de difícil controle; mantido 24 horas após o parto. Parto: 37 semanas sem sinais de gravidade; a partir de 34 com sinais de gravidade pelo ACOG, com os documentos brasileiros admitindo aproximar-se de 37 se houve melhora; da viabilidade a 34, expectante com as quatro premissas; abaixo da viabilidade, individualizar. Corticoide: antes de 34 semanas, com parto provável em 7 dias — betametasona 12 mg IM a cada 24 h por 48 h, ou dexametasona 6 mg IM a cada 12 h por 48 h. Puerpério: pico pressórico entre o 3º e o 7º dia; hipertensão gestacional deve sumir em 12 semanas.
em 30 dias
As decisões, não os números. Primeira: a pergunta do diagnóstico não é se há proteinúria, é se há uma segunda coisa qualquer além da pressão — rim, fígado, plaqueta, cérebro, pulmão ou placenta. Segunda: confirmada, a proteinúria sai do jogo; quem acompanha gravidade acompanha plaquetas, transaminases e creatinina, e o que decide não é o valor absoluto e sim a tendência. Terceira: sinal de gravidade muda o lugar do cuidado antes de mudar o desfecho — interna, sulfata, controla a pressão e reavalia; sinal isolado que estabiliza não é a mesma coisa que sequência que piora. Quarta: o parto é o único tratamento, e o relógio dele tem duas marcações — 37 semanas sem sinais de gravidade, 34 semanas com sinais de gravidade — mais uma lista que atropela as duas em qualquer idade gestacional: HELLP, eclâmpsia, edema agudo de pulmão, descolamento, hipertensão refratária a três drogas, exames em piora progressiva, insuficiência renal progressiva e vitalidade fetal alterada. Quinta: a via é obstétrica e o vaginal é preferível até com sinais de gravidade. Sexta: o puerpério é parte da doença, não o fim dela — o pico de pressão vem depois da alta e a pré-eclâmpsia pode estrear no puerpério. Sétima: quem teve pré-eclâmpsia sai da maternidade com risco cardiovascular dobrado para a vida inteira, e isso pertence ao relatório de alta tanto quanto a receita.
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Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Primigesta de 24 anos com 33 semanas, cefaleia que não cede com analgésico e dor epigástrica, pressão de 168/112 mmHg confirmada em 15 minutos, relação proteína/creatinina de 1,8 e plaquetas de 128.000/mm³ — emergência obstétrica de maternidade terciária — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
