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Cirurgia GeralTrauma

Trauma abdominal fechado: FAST, TC e a decisão de operar

A prova quase nunca pergunta o grau da lesão. Pergunta se o doente está estável — porque é a hemodinâmica que decide a porta (tomógrafo ou centro cirúrgico), e é o grau que decide o cuidado depois.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 30 anos, vítima de ferimento por arma branca em hipocôndrio esquerdo. À admissão: PA 80x50 mmHg, FC 130 bpm, palidez e sudorese. Recebe reposição volêmica inicial sem resposta sustentada da pressão. Abdome distendido e doloroso difusamente, com FAST positivo para líquido livre. Qual é a conduta indicada?

02

Como esse tema cai

Trauma abdominal fechado é um dos poucos temas em que a prova cobra duas decisões e nada mais: quem vai para a sala de cirurgia agora e quem pode ficar sem operar. As duas se decidem pelo mesmo eixo — a hemodinâmica —, e não pelo órgão lesado nem pelo grau que a tomografia mostra.

O erro que mais custa ponto vem de uma régua antiga: a de que grau alto na escala da AAST significa cirurgia. Desde que o tratamento não operatório virou padrão para o doente estável, o grau deixou de ser indicação cirúrgica e passou a ser medida de risco de falha. A revisão de 2018 da escala afastou ainda mais as duas coisas: ela incorporou ao grau achados vasculares vistos na tomografia (pseudoaneurisma, fístula arteriovenosa, sangramento ativo), de modo que um doente estável pode subir para grau IV sem que isso mude a via — muda a vigilância e a indicação de embolização.

A régua brasileira aqui não é um protocolo clínico. O trauma abdominal fechado não tem PCDT: o que o Ministério da Saúde normatiza é a rede — a Linha de Cuidado ao Trauma, de 2013, organiza o atendimento por serviços habilitados e por fluxo de referência. Isso não é detalhe burocrático, e sim o que torna o tratamento não operatório possível ou impossível: sem tomógrafo, cirurgião de plantão, banco de sangue e terapia intensiva, observar uma lesão esplênica não é conduta conservadora, é conduta sem retaguarda. A régua clínica nacional vem da literatura do Colégio Brasileiro de Cirurgiões; a internacional, do ATLS e das diretrizes da World Society of Emergency Surgery.

O capítulo percorre, nesta ordem: o que define instabilidade, o que o FAST responde e o que ele não responde, quando a tomografia entra, como se lê a escala de 2018, quem pode ficar sem operar e o que ainda é laparotomia obrigatória.

03

O que muda decisão

A hemodinâmica é o primeiro eixo — o exame de imagem é o segundo

Instabilidade hemodinâmica tem definição escrita. As diretrizes da WSES a definem no adulto como pressão sistólica de admissão abaixo de 90 mmHg com sinais de vasoconstrição cutânea (pele fria e pegajosa, enchimento capilar lentificado), rebaixamento de consciência e/ou dispneia; ou pressão acima de 90 mmHg que só se mantém às custas de bolus de volume, transfusão ou droga vasoativa; ou déficit de base de admissão maior que 5 mmol/L; ou índice de choque acima de 1. O documento do fígado acrescenta a esse conjunto a necessidade de mais de quatro concentrados de hemácias nas primeiras oito horas.

Índice de choque é frequência cardíaca dividida pela pressão sistólica. Acima de 1 ele identifica choque em doente cuja pressão ainda não caiu — é o parâmetro que pega o jovem que compensa. Vale decorar porque aparece em enunciado como número solto: 130 bpm com sistólica de 110 mmHg já é índice de choque de 1,18.

Classificar a resposta à reposição é o que traduz a definição em conduta. O que responde e mantém a resposta tem tempo: vai para a tomografia. O que responde e recai (respondedor transitório) está sangrando agora, e o que não responde está sangrando muito — os dois vão para a sala se a fonte for abdominal. Repetir o volume no respondedor transitório na esperança de que ele estabilize é o modo mais comum de perder tempo no trauma abdominal.

Na 11ª edição do ATLS, lançada em setembro de 2025, o mnemônico da avaliação primária deixou de ser ABCDE e passou a ser xABCDE: o x antecede a via aérea e representa o controle imediato da hemorragia externa exsanguinante, porque em parte dos doentes esse é o gesto que salva antes de qualquer outro. Para o trauma abdominal fechado a mudança é menos de conteúdo e mais de prioridade — a hemorragia continua sendo o que se persegue do primeiro ao último minuto.

Na criança o parâmetro é outro, e enunciado pediátrico costuma cobrar exatamente isso. A WSES define estabilidade pediátrica como pressão sistólica de 90 mmHg somada ao dobro da idade em anos, com limite inferior de 70 mmHg mais o dobro da idade — e alguns estudos usam 50 mmHg como piso. Aplicar a régua do adulto (sistólica de 90 mmHg) a uma criança de oito anos é aceitar como normal uma pressão que já é de choque para ela.

FAST: uma pergunta, uma resposta

O FAST é um ultrassom de sala, feito com o doente onde ele está, e responde a uma única pergunta: há líquido livre? São quatro janelas — subxifoide (saco pericárdico), hipocôndrio direito (recesso hepatorrenal, o espaço de Morison), hipocôndrio esquerdo (recesso esplenorrenal) e supra-púbica (escavação pélvica). O E-FAST acrescenta as janelas torácicas anteriores para pneumotórax e as bases para hemotórax. As duas diretrizes da WSES o classificam como método rápido e eficaz para detectar líquido livre intra-abdominal, com o maior grau de recomendação.

O que o FAST não faz é a metade que decide questão de prova. Ele não vê retroperitônio — e é lá que estão o rim, o duodeno, o pâncreas e boa parte do sangramento de fratura de bacia. Ele não diagnostica lesão de víscera oca, não vê lesão diafragmática, não gradua nada e não distingue sangue de urina, bile ou ascite prévia. Volumes pequenos de líquido escapam, o obeso e o enfisema subcutâneo degradam a imagem, e o resultado depende do operador.

A consequência prática é assimétrica. FAST positivo em doente instável fecha a decisão: a fonte é abdominal e o destino é o centro cirúrgico. FAST negativo não fecha nada — apenas move a busca. Numa série brasileira de 5.536 vítimas de trauma fechado, foi o conjunto que permitiu descartar lesão: entre os doentes com estabilidade hemodinâmica, exame neurológico, torácico, abdominal e pélvico normais, apenas 0,1% tinha lesão intra-abdominal; e nos 693 desse grupo que ainda tinham ultrassom abdominal total normal, nenhuma lesão intra-abdominal foi identificada. Note o que sustenta a conclusão: exame físico normal mais ultrassom normal, não o ultrassom sozinho.

Por isso, em doente estável com mecanismo importante ou exame abdominal suspeito, FAST negativo não encerra a investigação — encaminha para a tomografia.

Na criança o método perde ainda mais terreno: a própria diretriz da WSES registra que o papel do E-FAST no diagnóstico de lesão esplênica pediátrica permanece incerto, e mantém a tomografia com contraste como padrão-ouro no trauma esplênico da criança. Isso não autoriza tomografar toda criança traumatizada — a exposição à radiação é um custo real —, mas impede descartar lesão apoiado apenas em um ultrassom negativo.

Torso de adulto em decúbito dorsal com as quatro posições do transdutor no FAST: subxifoide, hipocôndrio direito, hipocôndrio esquerdo e supra-púbica.
As quatro janelas do FAST. A extensão do exame (E-FAST) acrescenta as janelas torácicas anteriores, para pneumotórax e hemotórax.

Tomografia com contraste: o exame que gradua — e que só serve para quem pode esperar

Tanto o documento do baço quanto o do fígado dizem a mesma frase, no grau máximo de recomendação: a tomografia com contraste endovenoso é o padrão-ouro no doente hemodinamicamente estável ou estabilizado. As duas condições da frase importam. É padrão-ouro porque só ela gradua a lesão, mostra lesões associadas e identifica sangramento ativo; e é para o estável porque o corredor até o tomógrafo é onde o instável para de ser monitorado.

A revisão de 2018 da escala da AAST recomenda aquisição em duas fases — arterial e portal — para o diagnóstico correto de lesão vascular do baço, do fígado e do rim. Sem a fase tardia não se separa uma coisa da outra, e a diferença é exatamente o que muda o grau: lesão vascular (pseudoaneurisma ou fístula arteriovenosa) aparece como coleção focal de contraste que perde atenuação na fase tardia; sangramento ativo aparece como contraste, focal ou difuso, que aumenta de tamanho ou de atenuação na fase tardia. Os tomógrafos atuais não distinguem pseudoaneurisma de fístula arteriovenosa — por isso a escala usa o termo genérico lesão vascular, e a arteriografia continua sendo o exame de referência.

Vale definir 'estabilizado', porque é a palavra que autoriza o transporte. Estabilizado é o doente que respondeu à reposição e mantém a resposta sem novos bolus, sem transfusão contínua e sem droga vasoativa. Quem só mantém a sistólica acima de 90 mmHg às custas de infusão repetida não está estabilizado — está, pela definição da WSES, instável. A diferença entre as duas leituras é a diferença entre uma tomografia útil e uma parada cardíaca no corredor.

Há um achado tomográfico que muda de assunto: líquido livre sem lesão de órgão sólido. Em trauma fechado, esse é o padrão da lesão de víscera oca ou de mesentério até prova em contrário, e a ausência de pneumoperitônio não afasta a hipótese. Vale mais que o grau da tomografia, porque é a lesão que não sangra na primeira hora e mata na segunda madrugada.

AAST-OIS 2018: o que mudou e por que isso desloca o tratamento não operatório

A escala de lesão de órgãos da AAST nasceu em 1989, foi atualizada para baço e fígado em 1994 e revista em 2018. A revisão de 2018 tem três regras de leitura que valem para os dois órgãos. Primeira: o grau final é o mais alto entre três conjuntos de critérios — imagem, achado operatório e exame patológico. Segunda: havendo mais de uma lesão de grau I ou II, sobe-se um grau, até o limite do grau III. Terceira, e a mudança de fundo: achados vasculares vistos na tomografia entraram na escala.

No baço, a incorporação foi agressiva. Qualquer lesão na presença de lesão vascular esplênica ou de sangramento ativo contido dentro da cápsula é grau IV — mesmo que a laceração, sozinha, fosse grau II. Se o sangramento ativo ultrapassa o baço e alcança o peritônio, ou se o baço está estilhaçado, é grau V. O motivo declarado pelos autores é que a presença de lesão vascular se associa a maior taxa de falha do tratamento não operatório.

No fígado a régua é outra, e essa assimetria é armadilha clássica de prova: qualquer lesão com lesão vascular hepática ou sangramento ativo contido dentro do parênquima é grau III (e não IV). Só quando o sangramento ativo se estende além do parênquima para o peritônio é que se chega ao grau IV. O grau V hepático é reservado à destruição de mais de 75% de um lobo e à lesão venosa justa-hepática — veia cava retro-hepática e veias hepáticas centrais.

Vale saber como a população se distribui, porque isso explica por que o tratamento não operatório funciona na maior parte das vezes. Na casuística revisada pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões, a frequência das lesões esplênicas de grau I a V foi, respectivamente, de 8% a 13%, 22% a 37%, 25% a 39%, 16% a 25% e 6% a 9%. Ou seja: a maioria dos baços traumatizados é de grau intermediário, e a lesão que realmente desafia a conduta conservadora — o grau V — é minoria.

O que a revisão explicitamente não faz é indicar tratamento. Os próprios autores registram que um grau mais alto pode motivar uma intervenção como a angioembolização, mas que a revisão não trata de estratégia terapêutica. Traduzindo para a prova: grau é medida de gravidade anatômica e de risco de falha, nunca indicação cirúrgica isolada. E há uma sutileza que a escala assume: como o grau final é o mais alto entre imagem, achado operatório e exame patológico, o mesmo doente pode ser reclassificado para cima na sala de cirurgia — o que muda o registro e a comparação entre serviços, não a decisão que já foi tomada.

Tratamento não operatório: quem pode, onde pode e como se vigia

A recomendação da WSES para o baço é direta: doentes com estabilidade hemodinâmica e sem outras lesões abdominais que exijam cirurgia devem receber uma tentativa inicial de tratamento não operatório, independentemente do grau da lesão. Para o fígado, a formulação é equivalente: o tratamento não operatório é a escolha para todas as lesões menores, moderadas e graves hemodinamicamente estáveis, na ausência de outras lesões internas que indiquem cirurgia.

O 'onde' é a parte brasileira da equação. A revisão do Colégio Brasileiro de Cirurgiões é explícita ao dizer que o tratamento não operatório é viável em serviços com cirurgião em tempo integral, banco de sangue, acesso fácil a métodos de imagem — sobretudo tomografia — e serviço de terapia intensiva. Onde falta qualquer um desses itens, a decisão correta não é observar: é estabilizar e transferir para um serviço que tenha a estrutura.

Os números de falha explicam a vigilância. A taxa global de falha hoje é inferior a 10%, mas chega a 75% no trauma esplênico grau V. O risco de ressangramento fica abaixo de 20% nos graus I e II e acima de 20% nos graus III, IV e V, alcançando 50% quando há extravasamento de contraste e até 70% diante de hemoperitônio volumoso. O tempo também é conhecido: 85% a 95% das falhas ocorrem nos três primeiros dias de observação, 88% nos cinco primeiros e 93% na primeira semana. São esses dados que sustentam internação com reavaliação seriada, e não repouso domiciliar.

Idade igual ou superior a 40 anos, idade acima de 55 anos como preditor independente, ISS igual ou maior que 25 e necessidade de mais de um concentrado de hemácias aumentam a chance de falha. Nenhum deles, isoladamente, contraindica a tentativa — eles calibram a intensidade da vigilância e o limiar para embolizar.

A angioembolização é o braço que sustenta o tratamento não operatório nos graus altos. No baço, a WSES recomenda considerá-la em todos os doentes estáveis de classe III (AAST IV–V), independentemente da presença de extravasamento na tomografia, e desaconselha o uso de rotina na classe II (AAST III) sem extravasamento. No fígado, a formulação é mais restrita: a embolização pode ser considerada como intervenção de primeira linha no doente estável com extravasamento arterial na tomografia. O procedimento não é inócuo — infarto esplênico, abscesso, hipertermia e hiperalgesia ocorrem em até 47% dos casos na casuística revisada pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

Quanto tempo observar é pergunta com resposta empírica. Como quase toda falha acontece nos primeiros dias, o ganho de prolongar a internação é decrescente: na revisão brasileira, estender o monitoramento por mais dois dias permitiu diagnosticar 1,5% a mais de falhas do tratamento não operatório. É pouco em termos absolutos e muito quando se trata de um doente que voltaria para casa sangrando — e é por isso que a decisão de alta se ancora em evolução clínica e hematimétrica, não em um número fixo de dias de repouso.

Preservar o baço tem uma razão que a prova cobra: a sepse fulminante pós-esplenectomia ocorre em cerca de 2% dos asplênicos, mas carrega mortalidade de 70%. Do outro lado da conta, complicações tromboembólicas em doentes com lesão de órgão sólido chegam a 4,5% — o tratamento não operatório não dispensa profilaxia de tromboembolismo, apenas exige o momento certo para iniciá-la. Quem opta por observar assume, portanto, dois riscos simultâneos e opostos: o de ressangrar e o de trombosar. É essa tensão que a vigilância seriada administra.

As indicações que não se discutem: quando é laparotomia

A diretriz do baço lista as contraindicações ao tratamento não operatório em uma frase só: instabilidade hemodinâmica não responsiva, ou qualquer outra indicação de laparotomia — peritonite, lesão de víscera oca, evisceração, empalamento. A do fígado repete a lógica: o doente instável e não respondedor é operado, qualquer que seja o grau anatômico.

Na prática de prova, o conjunto de indicações absolutas de laparotomia no trauma fechado é este: instabilidade que não responde à reposição com fonte abdominal identificada; sinais de irritação peritoneal difusa; pneumoperitônio; ruptura diafragmática; evisceração; e falha documentada do tratamento não operatório (queda de hemoglobina com necessidade transfusional crescente, aparecimento de peritonite, instabilidade tardia).

Repare no que não está na lista: grau IV ou V, hemoperitônio volumoso, extravasamento de contraste. Todos os três são preditores de falha, e é por isso que existem — mas o doente estável com qualquer um deles ainda entra em tentativa de tratamento não operatório, agora com embolização e vigilância apertada. Trocar preditor de falha por indicação cirúrgica é o erro que a banca desenha de propósito.

O caso do cinto de segurança merece frase própria. Equimose linear na parede abdominal somada a líquido livre sem lesão de órgão sólido indica exploração — laparotomia ou laparoscopia diagnóstica —, ainda que o doente esteja estável e sem pneumoperitônio. A perfuração com extravasamento de conteúdo é rara no trauma abdominal fechado, com incidência em torno de 0,3%, mas o preço do diagnóstico tardio é alto o bastante para justificar a exploração.

A lesão de víscera oca também é o motivo pelo qual o tratamento não operatório nunca é uma decisão de imagem apenas. Lesões associadas ocorrem em 36% dos doentes com trauma esplênico contuso, e 9,6% delas são de víscera oca. Traduzindo: a cada dez baços lesados que se decide observar, existe uma parcela que carrega uma segunda lesão que a tomografia inicial pode não caracterizar. O exame físico seriado — dor que muda de padrão, defesa que aparece, febre no segundo dia — é o que a apanha, e é por isso que a observação exige cirurgião reavaliando, e não apenas monitor e hemograma.

Onde não há ultrassom nem tomógrafo

Boa parte das portas de urgência do país não tem ultrassom disponível 24 horas e nem toda tem tomógrafo. É aí que sobrevive o lavado peritoneal diagnóstico, hoje relegado a exceção nos serviços estruturados: no doente instável, com abdome não avaliável e sem ultrassom, a aspiração de sangue vivo ou de conteúdo entérico pela sonda peritoneal indica laparotomia sem mais exames. É um método invasivo, muito sensível para hemoperitônio e pouco específico quanto à origem — e sua limitação prática é que ele pode indicar cirurgia em lesão que se resolveria sozinha.

A decisão que a rede brasileira impõe, e que a prova cobra de forma envergonhada em enunciados de UPA e hospital de pequeno porte, é a de transferência. Um doente estável com lesão de órgão sólido documentada em serviço sem cirurgião de plantão, sem banco de sangue ou sem terapia intensiva não é candidato a tratamento não operatório naquele serviço. A conduta é estabilizar, comunicar a regulação e transferir — e é essa a razão de a Linha de Cuidado ao Trauma organizar o atendimento por serviços habilitados e fluxo de referência, e não por um protocolo de conduta que valeria igual em qualquer lugar.

Há ainda o serviço que tem tomógrafo mas não tem radiologia intervencionista — situação comum. Repare que a lista brasileira de estrutura mínima para o tratamento não operatório (cirurgião em tempo integral, banco de sangue, acesso fácil à imagem e terapia intensiva) não inclui hemodinâmica. Onde ela falta, a recomendação de embolizar toda lesão esplênica de classe III simplesmente não é executável, e a decisão real passa a ser outra: observar com limiar mais baixo para operar, ou transferir para um serviço que possa embolizar. Enunciados que descrevem o hospital em detalhe estão quase sempre cobrando essa leitura.

A laparoscopia diagnóstica ocupa um espaço intermediário e crescente: no doente estável com suspeita de lesão diafragmática ou de víscera oca, ela responde à pergunta sem o custo de uma laparotomia branca. Não substitui a tomografia no estadiamento das lesões de órgão sólido nem tem lugar no instável.

04

Da porta à decisão: a via que o doente toma

O fluxo abaixo é o que a maioria dos enunciados percorre. Ele tem um só ponto de bifurcação real — responde ou não responde à reposição — e todo o resto é consequência.

  1. 1Controle a hemorragia externa exsanguinante e complete a avaliação primária; na 11ª edição do ATLS (2025) esse passo ganhou a letra x antes do A.
  2. 2Reponha volume e classifique a resposta: responde e mantém, responde e recai, não responde.
  3. 3Faça o E-FAST na própria sala, sem deslocar o doente.
  4. 4Não respondedor ou respondedor transitório com FAST positivo: centro cirúrgico. Nenhum exame a mais.
  5. 5Instável com FAST negativo: procure a fonte fora do peritônio — tórax, pelve, retroperitônio, ossos longos, hemorragia externa —, com radiografia de tórax e de bacia à beira do leito.
  6. 6Estável ou estabilizado: tomografia de abdome com contraste, em fases arterial e portal.
  7. 7Com a tomografia, gradue pela AAST-OIS 2018 e classifique pela WSES; a conduta sai da combinação grau, hemodinâmica e estrutura disponível.
  8. 8Sem tomógrafo, cirurgião 24 horas, banco de sangue e terapia intensiva, a decisão é transferir — não observar sem retaguarda.

Baço grau I

Hematoma subcapsular abaixo de 10% da superfície, laceração de parênquima com menos de 1 cm de profundidade, ou laceração capsular.

Baço grau II

Hematoma subcapsular de 10% a 50% da superfície, hematoma intraparenquimatoso menor que 5 cm, ou laceração de 1 a 3 cm.

Baço grau III

Hematoma subcapsular acima de 50% da superfície, hematoma roto (subcapsular ou intraparenquimatoso) de 5 cm ou mais, ou laceração com mais de 3 cm de profundidade.

Baço grau IV

Qualquer lesão na presença de lesão vascular esplênica ou de sangramento ativo contido dentro da cápsula; ou laceração que atinge vasos segmentares ou hilares com mais de 25% de desvascularização.

Baço grau V

Qualquer lesão com lesão vascular esplênica e sangramento ativo que se estende além do baço para o peritônio; ou baço estilhaçado; ou lesão vascular hilar que desvasculariza o órgão.

Grau AAST (baço, 2018)HematomaLaceraçãoVascular / desvascularização
ISubcapsular < 10% da superfície< 1 cm de profundidade, ou laceração capsular
IISubcapsular 10–50% da superfície; intraparenquimatoso < 5 cm1–3 cm
IIISubcapsular > 50% da superfície; roto (subcapsular ou intraparenquimatoso) ≥ 5 cm> 3 cm de profundidade
IVEnvolvendo vasos segmentares ou hilares com > 25% de desvascularizaçãoQualquer lesão com lesão vascular esplênica ou sangramento ativo contido na cápsula
VBaço estilhaçadoLesão vascular com sangramento ativo além do baço, no peritônio; ou lesão hilar que desvasculariza o baço

Escala de lesão hepática — AAST-OIS, revisão de 2018 (critérios de imagem)

GrauHematomaLaceraçãoVascular / sangramento ativo
ISubcapsular < 10% da superfície< 1 cm de profundidade
IISubcapsular 10–50% da superfície; intraparenquimatoso < 10 cm de diâmetro1–3 cm de profundidade e ≤ 10 cm de extensão
IIISubcapsular > 50% da superfície; hematoma roto; intraparenquimatoso > 10 cm> 3 cm de profundidadeQualquer lesão com lesão vascular hepática ou sangramento ativo contido no parênquima
IVDestruição de parênquima de 25% a 75% de um lobo hepáticoSangramento ativo que se estende além do parênquima, para o peritônio
VDestruição de parênquima > 75% de um lobo hepáticoLesão venosa justa-hepática: veia cava retro-hepática e veias hepáticas centrais

Classificação WSES e conduta de primeira linha (adulto)

Classe WSESAAST-OISHemodinâmicaBaçoFígado
I — menorI–IIEstávelTratamento não operatório com reavaliação seriadaTratamento não operatório
II — moderadaIIIEstávelTratamento não operatório; embolização não é rotina quando não há extravasamentoTratamento não operatório
III — graveIV–VEstávelTratamento não operatório com angioembolização, mesmo sem extravasamento na tomografiaTratamento não operatório; embolização de primeira linha quando há extravasamento arterial
IV — graveQualquer grauInstávelCirurgiaCirurgia

As quatro combinações de FAST e hemodinâmica

FASTHemodinâmicaConduta
PositivoInstável ou respondedor transitórioLaparotomia imediata; a tomografia não entra
PositivoEstável ou estabilizadoTomografia com contraste para graduar e decidir tratamento não operatório
NegativoInstável ou respondedor transitórioBuscar a fonte fora do peritônio (tórax, pelve, retroperitônio, ossos longos, sangramento externo); persistindo sem explicação, lavado peritoneal diagnóstico ou laparotomia exploradora
NegativoEstávelTomografia quando mecanismo ou exame mantêm a suspeita; observação com reavaliação seriada quando exame físico e ultrassom abdominal completo são normais

Líquido livre na tomografia sem lesão de órgão sólido é achado de alarme para lesão de víscera oca ou de mesentério — e a ausência de pneumoperitônio não o afasta.

Havendo mais de uma lesão de grau I ou II no mesmo órgão, sobe-se um grau, até o limite do grau III.

O grau final da AAST é o mais alto entre os critérios de imagem, de achado operatório e de exame patológico.

Só a aquisição em duas fases (arterial e portal) separa lesão vascular de sangramento ativo: a primeira perde atenuação na fase tardia, o segundo ganha.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Angioembolização no doente estável com lesão esplênica de alto grau sem extravasamento de contraste

Embolização em toda classe III, independentemente de extravasamento

Nas lesões esplênicas de classe WSES III (AAST IV–V) em doente hemodinamicamente estável, a angioembolização deve ser considerada em todos os casos, haja ou não extravasamento de contraste na tomografia; na classe II sem extravasamento, a embolização de rotina é desaconselhada.

Splenic trauma: WSES classification and guidelines for adult and pediatric patients. World J Emerg Surg. 2017;12:40.

Embolização guiada pelo extravasamento arterial

No fígado, o mesmo grupo formula de modo mais restrito: a angioembolização pode ser considerada como intervenção de primeira linha nos doentes estáveis com extravasamento arterial na tomografia — o gatilho é o achado vascular, não o grau.

Liver trauma: WSES 2020 guidelines. World J Emerg Surg. 2020;15:24.

Seleção condicionada à estrutura e ao risco do procedimento

A literatura brasileira registra ausência de uniformidade entre protocolos e obriga individualizar: a embolização esplênica não é isenta, com infarto, abscesso, hipertermia e hiperalgesia em até 47% dos casos, e depende de hemodinâmica intervencionista disponível 24 horas — recurso concentrado nos serviços de maior porte da rede.

Meira Júnior JD, et al. Non-operative management of blunt splenic trauma. Rev Col Bras Cir. 2021;48:e20202777.

Na prova

O recorte se denuncia pelo vocabulário e pelo cenário. Enunciado que cita nominalmente a WSES e descreve baço grau IV ou V em doente estável está no eixo anatômico da diretriz de 2017. Enunciado que descreve 'extravasamento de contraste' ou 'blush arterial' como achado central, ou que fala de fígado, está no eixo do achado vascular. Cenário de hospital sem serviço de hemodinâmica, ou alternativa que inclui transferência, indica que a questão cobra a viabilidade do recurso, e não a diretriz. O afastamento brasileiro aqui tem causa nomeada: disponibilidade de angiografia 24 horas fora dos centros de maior porte, somada ao perfil de complicações do procedimento.

Tomografia de controle programada durante o tratamento não operatório

Vigilância por imagem programada

Pseudoaneurismas aparecem em tomografia de controle feita entre o primeiro e o oitavo dia em 15% dos casos, inclusive em lesões de graus II e III — lesões que a primeira tomografia não mostrava e que sustentam reimagear por protocolo.

Meira Júnior JD, et al. Rev Col Bras Cir. 2021;48:e20202777.

Imagem guiada pela evolução clínica

Na mesma revisão, entre os exames de controle avaliados, 96,4% não trouxeram novo achado significativo, e cerca de metade dos pseudoaneurismas identificados evoluiu com oclusão espontânea — o que sustenta reservar a nova tomografia para quem muda clinicamente ou hematimetricamente.

Meira Júnior JD, et al. Rev Col Bras Cir. 2021;48:e20202777.

Na prova

Enunciado que descreve doente estável, sem queda de hemoglobina e sem dor nova, e oferece 'repetir tomografia' entre as alternativas está testando o eixo clínico. Enunciado que menciona grau alto, extravasamento inicial ou programa institucional de reimagem está no eixo do protocolo. O detalhe que costuma decidir é o intervalo citado: quando o enunciado dá o dia do trauma entre o primeiro e o oitavo, a questão está falando de pseudoaneurisma.

Prioridade da avaliação primária: ABCDE e xABCDE

xABCDE — 11ª edição do ATLS, 2025

O American College of Surgeons acrescentou a letra x ao início do mnemônico, representando o controle imediato da hemorragia externa exsanguinante antes da via aérea, por ser, em parte dos doentes, o gesto que salva antes de qualquer outro.

American College of Surgeons, comunicado de lançamento do ATLS 11ª edição, 16 de setembro de 2025.

ABCDE — 10ª edição do ATLS, 2018

A sequência clássica inicia pela via aérea com proteção da coluna cervical, e o controle da hemorragia externa é tratado dentro da etapa de circulação.

Advanced Trauma Life Support, 10ª edição (2018), sequência de avaliação primária consolidada na literatura de trauma.

Na prova

A pista é a sigla escrita no enunciado e o ano do documento citado. Provas construídas sobre material anterior a 2025 usam ABCDE; enunciado que traz xABCDE ou que descreve torniquete e compressão como primeiro gesto está apoiado na 11ª edição. Para o trauma abdominal fechado o desfecho da questão raramente muda, porque a hemorragia é o alvo nos dois textos — o que muda é a ordem em que a alternativa descreve os passos.

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Caso resolvido

Homem de 33 anos, colisão de motocicleta a 60 km/h. Admitido com PA 96/60 mmHg, FC 118 bpm, FR 24 irpm, Glasgow 15, dor em hipocôndrio esquerdo com escoriação sobre o rebordo costal. Recebe 500 mL de cristaloide e mantém PA 118/72 mmHg e FC 92 bpm nas duas horas seguintes, sem nova reposição. E-FAST com líquido livre em recesso esplenorrenal e pelve, sem derrame pericárdico e sem hemotórax. Tomografia com contraste em fases arterial e portal: laceração esplênica de 2 cm com coleção focal de contraste intraparenquimatosa que perde atenuação na fase tardia; sem contraste na cavidade; fígado, rins e alças sem alterações; sem líquido livre em outra topografia além do hemoperitônio esplênico. Hospital com cirurgião de plantão, banco de sangue, terapia intensiva e hemodinâmica 24 horas.
achado
Doente que respondeu à reposição e manteve a resposta: entra na categoria de estabilizado, e é por isso que a tomografia foi legítima. O FAST positivo apenas indicou de onde vinha o líquido — não graduou nada.
leitura da tomografia
Coleção focal de contraste que perde atenuação na fase tardia é lesão vascular (pseudoaneurisma ou fístula arteriovenosa), não sangramento ativo. Como está contida na cápsula, a lesão é grau IV pela AAST-OIS 2018 — apesar de a laceração, sozinha, ser grau II.
classificação
Grau IV com estabilidade hemodinâmica é classe WSES III. Classe III não é indicação de esplenectomia: é indicação de tentativa de tratamento não operatório.
conduta
Tratamento não operatório com angioembolização esplênica — recomendada em toda classe III estável, independentemente de extravasamento — e internação com reavaliação clínica e hematimétrica seriada. A observação hospitalar se sustenta ao menos pelos primeiros dias, quando ocorre a grande maioria das falhas.
o que mudaria a via
Se ele voltasse a hipotensão a cada infusão, ou desenvolvesse irritação peritoneal difusa, a decisão migraria para laparotomia — não por causa do grau IV, mas por causa da hemodinâmica e do exame físico.
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Agora feche você

Mulher de 47 anos, motorista, colisão frontal com cinto de três pontos, airbag acionado. Admitida consciente, PA 126/78 mmHg, FC 94 bpm, saturação 97% em ar ambiente, mantidas estáveis por três horas. Ao exame, equimose linear transversa no hipogástrio e dor difusa à palpação do abdome inferior, com descompressão dolorosa duvidosa. E-FAST com discreto líquido livre em pelve. Tomografia de abdome com contraste em duas fases: líquido livre em goteira parietocólica direita e pelve, densificação da gordura mesentérica em segmento de íleo, sem lesão de fígado, baço, rins ou pâncreas e sem pneumoperitônio. Hemoglobina estável em duas dosagens.
achado
Sinal do cinto de segurança na parede abdominal, líquido livre sem lesão de órgão sólido e densificação mesentérica — o trio que descreve lesão de mesentério ou de víscera oca no trauma fechado.
armadilha do enunciado
Estabilidade hemodinâmica, hemoglobina estável e ausência de pneumoperitônio empurram para a observação. Nenhum dos três afasta perfuração: a fuga de conteúdo entérico no trauma fechado é rara, com incidência em torno de 0,3%, e frequentemente ocorre sem gás livre visível.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Tratar o grau da tomografia como indicação cirúrgica Atrai porque a escala vai de I a V e parece uma escada de gravidade que termina em cirurgia. A própria revisão de 2018 registra que a escala não trata de estratégia terapêutica. Doente estável com baço grau IV ou V entra em tratamento não operatório; doente instável vai para a sala mesmo com grau II.
  2. 2Aceitar FAST negativo como abdome normal Atrai porque o exame é rápido e o resultado é binário. Ele não vê retroperitônio, não diagnostica lesão de víscera oca nem lesão diafragmática e perde volumes pequenos. Em doente estável com mecanismo importante, FAST negativo indica tomografia; em doente instável, indica procurar a fonte em outro compartimento.
  3. 3Levar o instável ao tomógrafo Atrai porque a tomografia é o padrão-ouro — e a frase da diretriz é lida pela metade. O padrão-ouro é 'no doente hemodinamicamente estável ou estabilizado'. O respondedor transitório com FAST positivo é o caso em que o corredor até o tomógrafo custa a vida.
  4. 4Ignorar líquido livre sem lesão de órgão sólido Atrai porque o doente está estável e a tomografia 'não mostrou lesão'. É justamente o padrão da lesão de mesentério e de víscera oca. Ausência de pneumoperitônio não afasta a hipótese, e esperar o pneumoperitônio aparecer é esperar a peritonite.
  5. 5Confundir lesão vascular com sangramento ativo na tomografia Atrai porque os dois são 'contraste onde não devia haver'. Lesão vascular perde atenuação na fase tardia; sangramento ativo aumenta de tamanho ou de atenuação. A distinção só existe com aquisição em duas fases, e é ela que separa graus no fígado.
  6. 6Indicar tratamento não operatório onde não há retaguarda Atrai porque a diretriz diz 'tentativa inicial de tratamento não operatório independentemente do grau' e a frase é lida sem o resto. O resto é a estrutura: cirurgião em tempo integral, banco de sangue, tomografia acessível e terapia intensiva. Faltando isso, a conduta é estabilizar e transferir.
  7. 7Esquecer que preditor de falha não é contraindicação Atrai porque hemoperitônio volumoso, extravasamento de contraste e idade avançada aparecem nas listas de risco. Eles aumentam a chance de falha e justificam embolizar e vigiar de perto — não indicam laparotomia por si sós. Contraindicação é instabilidade não responsiva, peritonite, lesão de víscera oca, evisceração e empalamento.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Trauma abdominal penetrante com instabilidade hemodinâmica que não responde à reposição volêmica e FAST positivo indica laparotomia exploradora de urgência. Tomografia só é apropriada em pacientes estáveis. Observação e conduta expectante são inadequadas na instabilidade com evidência de sangramento. O lavado peritoneal foi amplamente substituído pelo FAST e, com FAST já positivo e paciente instável, não muda a conduta cirúrgica imediata. Alta é claramente inapropriada.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Refaça de cabeça as quatro combinações de FAST e hemodinâmica e diga, em voz alta, o que muda em cada uma. Depois recite a definição de instabilidade da WSES (sistólica abaixo de 90 com vasoconstrição, ou acima de 90 dependente de bolus, transfusão ou vasopressor, ou déficit de base acima de 5 mmol/L, ou índice de choque acima de 1) e a lista de contraindicações ao tratamento não operatório.

em 30 dias

Reconstrua as duas escalas de 2018 sem olhar, prestando atenção ao ponto de assimetria: no baço, lesão vascular ou sangramento contido na cápsula já é grau IV; no fígado, lesão vascular ou sangramento contido no parênquima é grau III, e só o sangramento além do parênquima chega ao grau IV. Em seguida, associe cada faixa da WSES à conduta de primeira linha e verbalize por que o grau nunca decide sozinho a via.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Homem de 29 anos chega ao pronto-socorro após queda de motocicleta com impacto do guidão no flanco esquerdo. Está pálido, sudoreico, com PA 88/54 mmHg e FC 126 bpm, referindo dor intensa em hipocôndrio esquerdo com irradiação para o ombro do mesmo lado. Após 1.000 mL de cristaloide a pressão sobe para 104/66 mmHg e cai de novo para 86/50 mmHg em dez minutos. Conduza o atendimento: reanimação, avaliação primária, decisão sobre imagem e destino do doente. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Trauma abdominal fechado: FAST, TC e a decisão de operar — Preparatório para provas | OsceLabs