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Apendicite aguda
A banca raramente pergunta se é apendicite. Pergunta qual imagem pedir em quem, o que fazer com o escore que você somou, quanto tempo o paciente pode esperar pela sala — e, cada vez mais, quando o antibiótico pode substituir o bisturi.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Homem, 28 anos, previamente hígido, procura pronto-socorro com dor abdominal iniciada há 36 horas, inicialmente periumbilical, que migrou para a fossa ilíaca direita há cerca de 20 horas. Refere anorexia, náuseas e dois episódios de vômito. Nega diarreia. Ao exame: regular estado geral, corado, hidratado; PA 118/76 mmHg, FC 102 bpm, FR 18 ipm, T axilar 38,2 °C. Abdome plano, com dor intensa à palpação da fossa ilíaca direita, descompressão brusca positiva no ponto de McBurney e defesa muscular localizada; ruídos hidroaéreos diminuídos. Toque retal sem alterações. Exames laboratoriais: leucócitos 16.400/mm³ (VR 4.000–10.000) com 82% de neutrófilos e 8% de bastões; PCR 98 mg/L (VR < 5); Hb 14,8 g/dL; creatinina 0,9 mg/dL; urina tipo I sem alterações; β-hCG não se aplica. O paciente está estável, sem comorbidades e com tempo de jejum adequado. Qual é a conduta mais apropriada neste momento?
Como esse tema cai
Apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico, e a série brasileira de referência dá a dimensão: de 1048 internações por abdome agudo num pronto-socorro de Juiz de Fora, 638 eram apendicite — 60,88%. Idade média de 32 anos, 65,2% homens, com o adulto jovem concentrando 60% dos casos.
O diagnóstico é clínico, e por isso a prova quase nunca pergunta se é apendicite: pergunta o que fazer com o escore que você somou, qual imagem pedir em quem, quanto o paciente pode esperar pela sala e por quantos dias o antibiótico continua depois da cirurgia. O capítulo percorre essa sequência — migração da dor, sinais semiológicos, os escores de estratificação de risco (o AIR, o AAS e, na criança, o PAS, que a edição de 2025 nomeia, e o Alvarado, que ela não cita e a banca brasileira continua cobrando), a escada de imagem, a linha entre doença não complicada e complicada, e as condutas que dependem dela.
A apendicite não tem protocolo do Ministério da Saúde: a régua é a diretriz de Jerusalém, da World Society of Emergency Surgery, cuja edição vigente é a de 2025, publicada no JAMA Surgery em 2026. Como boa parte do material de cursinho ainda descreve a edição de 2020, o capítulo mostra as duas sempre que elas divergem. Fora do recorte: tumores do apêndice, mucocele e apendicite crônica.
O que muda decisão
A dor que muda de lugar — e por que isso vale ponto
Tudo começa com obstrução da luz apendicular: hiperplasia linfoide nos menores de 20 anos, fecalito no adulto e no idoso. O apêndice é longo e estreito e obstrui em alça fechada — a mucosa distal segue secretando contra um lúmen bloqueado, a parede distende, a pressão sobe.
A distensão estimula fibras aferentes viscerais que entram na medula em T10, e dor visceral não se localiza: o paciente aponta o umbigo com a mão espalmada e sente náusea. Quando a inflamação atravessa a parede e alcança o peritônio parietal, a inervação passa a somática — dor contínua, apontável com um dedo na fossa ilíaca direita. Essa migração é o achado clínico de maior peso do tema.
A ordem dos sintomas também é informação: dor, depois anorexia e náusea, depois vômito, febre por último. Vômito que precede a dor é a ordem da gastroenterite. O intervalo importa igualmente — perfuração é rara antes de 24 horas de sintomas e comum depois de 48 a 72 horas. A mortalidade geral fica abaixo de 1%, sobe para cerca de 3% na perfuração e chega a 15% quando o perfurado é idoso.

Os sinais com nome próprio (e o que cada um está testando)
O ponto de McBurney fica na união do terço lateral com os dois terços mediais da linha traçada da espinha ilíaca anterossuperior direita até a cicatriz umbilical. Dor à palpação desse ponto é o achado isolado mais valioso do exame — e um dos dois únicos itens do Alvarado que valem dois pontos.
O sinal de Blumberg é a descompressão brusca dolorosa localizada, e testa irritação do peritônio parietal naquele ponto. O de Rovsing é a dor referida na fossa ilíaca direita ao se comprimir a esquerda, pelo deslocamento de gás no cólon. O de Dunphy é a dor provocada pela tosse. O de Lenander é a temperatura retal excedendo a axilar em pelo menos um grau — pouco usado hoje, mas ainda cobrado por nome em prova brasileira.
Dois sinais localizam o apêndice, e é aí que o exame explica por que dois pacientes com a mesma doença parecem diferentes. O sinal do psoas — dor à extensão passiva da coxa direita, ou à flexão do quadril contra resistência — aponta apêndice retrocecal, apoiado sobre o psoas ilíaco e escondido atrás do ceco, que funciona como anteparo: dá dor no flanco e na região lombar, palpação anterior pobre e pouca defesa. O sinal do obturador, dor à rotação interna do quadril direito fletido, aponta apêndice pélvico, que irrita bexiga e reto e produz disúria, tenesmo e dor ao toque. Exame frustro não exclui apendicite — obriga a procurar a posição atípica.
Defesa involuntária e rigidez de parede saem do território da apendicite simples e entram no da perfuração com peritonite: é a diferença entre um abdome que dói e um que se protege.
Nenhum sinal confirma sozinho — eles somam, e é por isso que existem escores. Um passo, porém, vem antes de tudo na mulher em idade fértil: beta-hCG. Gravidez ectópica rota se apresenta como dor em fossa ilíaca com defesa e mata rápido; doença inflamatória pélvica, torção e ruptura de cisto ovariano completam os diferenciais que mais custam ponto. Em criança, adenite mesentérica após infecção de vias aéreas; em qualquer idade, divertículo de Meckel, ileíte terminal da doença de Crohn, diverticulite de cólon direito e cólica nefrética à direita.

Laboratório: o que ele decide e o que ele não decide
Leucocitose com neutrofilia e proteína C reativa elevada são marcadores de inflamação, não de apendicite. Entram nos escores porque somam, não porque decidam. Leucograma normal nas primeiras horas não exclui nada — a proteína C reativa sobe ainda mais tarde —, e leucocitose isolada sem quadro compatível não indica cirurgia.
Beta-hCG em toda mulher em idade fértil, antes da imagem: o resultado muda qual exame você pede e qual diagnóstico você persegue. Pedir tomografia antes do beta-hCG é o tipo de erro que a prova adora, porque parece diligência.
O sumário de urina merece cuidado. Leucocitúria e hematúria discretas são frequentes na apendicite, sobretudo quando o apêndice é pélvico e irrita ureter ou bexiga. Trocar o diagnóstico por infecção urinária por causa disso é armadilha clássica: piúria franca com bacteriúria é uma coisa; alterações discretas em quadro de dor migratória são outra.
Imagem: a escada que a edição de 2025 redesenhou
A edição de 2025 inverteu a ordem de preferência no adulto. Onde há tomografia disponível, a tomografia com protocolo de baixa dose — abaixo de 2 a 3 mSv — passa a ser a modalidade de imagem preferida. Combinar escore de risco (AIR ou AAS) com ultrassonografia deixa de ser o primeiro passo obrigatório e vira alternativa, indicada onde a tomografia não está prontamente disponível ou quando minimizar a exposição à radiação é prioridade. É uma sugestão condicional, com certeza moderada — condicional porque depende do recurso local, não porque a evidência seja frouxa.
Os achados ultrassonográficos que interessam seguem os mesmos: apêndice não compressível, diâmetro maior que 6 milímetros, dor à compressão com o transdutor, apendicolito e líquido ou borramento da gordura periapendicular.
Aqui mora uma armadilha que custa questão: apêndice não visualizado é exame inconclusivo, não exame negativo. A ultrassonografia é operador-dependente. Com suspeita clínica intermediária ou alta e apêndice não visualizado, o passo seguinte é tomografia de baixa dose ou observação com reavaliação — nunca alta.
As populações têm regras próprias, todas formuladas como sugestões condicionais. Na criança e no adolescente, ultrassonografia como exame de primeira linha, reservando a tomografia de baixa dose para quando ela é não diagnóstica ou a suspeita clínica permanece alta (certeza moderada). No adulto com obesidade, tomografia — de preferência em protocolo de baixa dose — em vez de ultrassonografia como exame primário (certeza baixa). No idoso, a mesma orientação, com certeza muito baixa. Na gestante, ressonância magnética sempre que a ultrassonografia inicial for negativa ou inconclusiva e a suspeita clínica persistir (certeza moderada).
Duas coisas que a edição de 2020 dizia e não sobrevivem na atual: a ultrassonografia como primeira linha obrigatória no adulto e o atalho de dispensar a imagem para ir direto à laparoscopia em paciente de alto risco pelo escore com menos de 40 anos. A diretriz de 2025 não repete nenhum dos dois, e o corte etário que ela usa para decidir CONDUTA — 35 anos — está no capítulo do abscesso, não no da imagem (a diretriz também define idoso como 65 anos ou mais e obesidade como IMC de 30 ou mais, mas para escolher o exame, não a operação). O ganho de acurácia de somar escore e ultrassonografia continua real: a edição de 2020 citava 1,6% de exploração negativa com a estratégia de escore contra 3,2% sem ela. E, em apresentação pouco clara, a diretriz atual mantém a tomografia como padrão diagnóstico, pela sensibilidade maior.
Não complicada e complicada: a linha que decide tudo
A classificação de gravidade usada na prática e cobrada em prova é de autoria brasileira: Carlos Augusto Gomes, da Universidade Federal de Juiz de Fora, publicada no World Journal of Emergency Surgery em 2015, combinando achados clínicos, de imagem e de laparoscopia. Vale registrar o limite: a edição de 2025 da diretriz de Jerusalém não reproduz essa graduação de 0 a 4 — ela trabalha com a divisão binária da sua Tabela 1, em que não complicada é o apêndice inflamado, com hiperemia e/ou fleimão, e complicada é gangrena extensa, perfuração, abscesso ou peritonite difusa. A graduação de Gomes detalha o que a diretriz resolve em duas categorias.
Do lado não complicado ficam o grau 0, apêndice macroscopicamente normal, e o grau 1, apêndice inflamado — hiperemia, edema, eventualmente fibrina, com pouco ou nenhum líquido pericólico. Do lado complicado: grau 2A é necrose segmentar e 2B é necrose da base, na inserção cecal, que exige sutura ou grampeador e muda a técnica na hora. O grau 3 é a doença bloqueada — 3A é o fleimão ou plastrão, massa inflamatória sem abscesso; 3B é abscesso menor que 5 centímetros; 3C é abscesso de 5 centímetros ou mais. O grau 4 é a perfuração com peritonite difusa.
Essa linha determina quatro decisões: se o tratamento não operatório pode sequer ser discutido, se o paciente precisa de drenagem antes ou em vez da cirurgia, por quantos dias o antibiótico continua depois, e que experiência cirúrgica a operação vai exigir. Quando a prova entrega o achado intraoperatório ou o laudo da tomografia, é essa classificação que ela está pedindo — mesmo sem nomeá-la. E ela tem consequência mensurável: na série brasileira de 638 casos, a internação média foi de 7 dias no conjunto e de 12,4 dias em quem chegou já perfurado.
Operar: via, janela e antibiótico
A via laparoscópica está tão assentada que a edição de 2025 nem a submete a uma pergunta própria: ela aparece embutida no texto das recomendações, que falam sempre em apendicectomia laparoscópica. A preferência sobre a cirurgia aberta — menos dor, menos infecção de sítio cirúrgico, internação mais curta, retorno ao trabalho mais rápido — vinha da edição de 2020 como recomendação forte, e a de 2025 não a contradiz. O mesmo vale para os detalhes técnicos que a banca gosta de cobrar e que a diretriz atual não reexamina: técnica convencional de três portais em vez de portal único, ligadura simples do coto em vez de invaginação — com endoloop, fio ou clipe polimérico — e protetor plástico de ferida na cirurgia aberta. Continue respondendo por eles em prova; apenas não os apresente como recomendação da edição de 2025.
A janela ficou mais simples e mais firme. A diretriz recomenda apendicectomia laparoscópica dentro de 24 horas da admissão hospitalar no adulto com apendicite não complicada selecionado para tratamento cirúrgico — recomendação forte, certeza moderada — e repete a mesma regra, com a mesma força e a mesma certeza, para a criança. O relógio corre da admissão, não do início dos sintomas, e 24 horas é teto, não meta: um atraso curto no paciente estável com doença não complicada é seguro, o que libera o serviço de operar de madrugada com equipe reduzida.
O antibiótico é onde a edição de 2025 mais separa os dois mundos, e a separação é exatamente a linha entre doença não complicada e complicada. Na não complicada do adulto: dose única de antibiótico profilático no pré-operatório, para reduzir infecção de sítio cirúrgico e abscesso intra-abdominal pós-operatório — recomendação forte, certeza moderada. E, dentro da mesma recomendação, uma sugestão contra manter antibiótico enquanto o paciente aguarda a cirurgia além dessa dose única, porque não se demonstrou benefício adicional em reduzir perfuração ou infecção de sítio cirúrgico quando a apendicectomia sai dentro de 24 horas. Na criança, a mesma dose única, aqui como sugestão condicional de certeza baixa. Depois da operação, no adulto não complicado, sugestão condicional contra manter antibiótico, com certeza baixa; na criança, a diretriz não faz recomendação, por certeza muito baixa da evidência.
Na complicada, a lógica se inverte — e é aqui que está a recomendação mais bem sustentada de toda a diretriz. No adulto: profilaxia pré-operatória e antibiótico terapêutico enquanto se aguarda a apendicectomia, ainda mais quando a cirurgia imediata não é factível — recomendação forte, com certeza alta, a única desse patamar no documento. Na criança, a mesma conduta, como recomendação forte de certeza moderada. No pós-operatório do adulto complicado, manter o antibiótico é recomendação forte de certeza moderada; na criança, sugestão condicional de certeza baixa. E a duração encolheu: curso curto de 2 a 3 dias em vez de curso longo de 5 a 7 dias após controle adequado do foco, como sugestão condicional de certeza moderada, valendo para adulto e para criança. Quem responder “de 3 a 5 dias”, número da edição anterior, erra a atual.
Os dois gestos intraoperatórios que a prova cobra continuam os mesmos, mas com a força rebaixada — e o rebaixamento é ele próprio cobrável. Aspiração isolada do líquido contaminado em vez de lavagem mais aspiração da cavidade, na apendicite complicada: era recomendação forte em 2020, hoje é sugestão condicional com certeza moderada, no adulto e na criança. Evitar o uso rotineiro de dreno abdominal: também era recomendação forte, hoje é sugestão condicional com certeza baixa no adulto e certeza muito baixa na criança. A conduta não mudou; mudou o quanto a diretriz se compromete com ela.
Nas populações especiais, a apendicectomia segue preferida, mas com evidência frágil. Na gestante com doença não complicada, apendicectomia laparoscópica como tratamento preferido — sugestão condicional de certeza muito baixa —, admitindo o manejo não operatório com antibiótico como alternativa quando a cirurgia traz risco aumentado ou não está imediatamente disponível, com a ressalva explícita de que a evidência que sustenta essa alternativa é muito incerta. No idoso, apendicectomia também preferida como sugestão condicional de certeza muito baixa, com o manejo não operatório reservado a quem tem comorbidade significativa e alto risco cirúrgico. E, se a laparoscopia diagnóstica encontrar apêndice macroscopicamente normal sem outra doença intra-abdominal que explique o quadro, a sugestão é retirar o apêndice mesmo assim — sugestão condicional, certeza muito baixa.
Plastrão e abscesso: onde a idade passou a decidir
Um subgrupo chega tarde, com cinco a sete dias de dor, febre e massa palpável e dolorosa na fossa ilíaca direita: o organismo bloqueou a perfuração com epíplon e alças, formando fleimão ou abscesso. Até a edição de 2020, a resposta era uniforme — tratar clinicamente e não operar agora, porque abordar um plastrão maduro na fase aguda aumenta muito a chance de terminar em ressecção ileocecal. A edição de 2025 partiu esse subgrupo em dois pela idade, e o corte é 35 anos.
Abaixo de 35 anos, a sugestão é apendicectomia laparoscópica precoce — sugestão condicional, certeza moderada. O manejo não operatório seguido de apendicectomia de intervalo entre 6 e 12 semanas continua aceitável, mas passa a ser exatamente isso: a alternativa para serviços sem expertise laparoscópica adequada ou sem recurso para a operação de urgência. Na criança, a orientação é a mesma, com a mesma força e a mesma certeza.
De 35 anos para cima, a diretriz sugere contra a apendicectomia na fase aguda, e o motivo não é técnico, é oncológico: nessa faixa, a taxa de detecção de neoplasia apendicular subjacente chega a 14,3%. Também é sugestão condicional, certeza moderada.
E é aqui que a inversão se completa. No adulto de 35 anos ou mais com abscesso periapendicular tratado inicialmente sem cirurgia, a apendicectomia de intervalo entre 6 e 12 semanas passa a ser recomendação forte, com certeza moderada, precisamente para reduzir o risco de deixar passar a neoplasia apendicular. Antes dessa operação de intervalo, a avaliação deve incluir tomografia para conferir a resolução do abscesso e colonoscopia para descartar neoplasia de cólon direito, sobretudo nesses 35 anos ou mais. Na criança, o oposto: sugestão condicional contra a apendicectomia de intervalo de rotina, com certeza baixa — a incidência de neoplasia é de 0,5% e o dano da operação provavelmente supera o benefício.
Guarde a inversão, porque é o ponto mais cobrável do tema hoje. A edição de 2020 trazia recomendação forte contra a apendicectomia de intervalo de rotina em adultos com menos de 40 anos e em crianças, e reservava aos 40 anos ou mais a investigação com colonoscopia e tomografia — investigar, não operar. A edição de 2025 mudou o corte para 35 anos e, acima dele, transformou o operar de intervalo em recomendação forte. Em criança, as duas edições concordam: sem intervalo de rotina. Abaixo dos 35 anos a frase “investigar não é operar” continua válida; acima deles, na diretriz atual, investigar e operar deixaram de ser alternativas e viraram sequência.
Escore de Alvarado: o que ele decide e o que ele não decide
O Alvarado, ou MANTRELS, é a régua ordinal que as bancas brasileiras mais cobram pelo nome — e segue cobrada, ainda que a edição de 2025 da diretriz de Jerusalém sequer o mencione: os escores que ela nomeia são o AIR, o AAS e, na criança e no adolescente, o PAS. Ele é bom para excluir e ruim para confirmar. Saber somar não basta: o que a prova testa é a faixa.
- 1Some os oito itens: máximo de 10 pontos, com dois itens valendo 2 — dor à palpação da fossa ilíaca direita e leucocitose — e os outros seis valendo 1.
- 2Abaixo de 5 pontos: sensibilidade de cerca de 99% para excluir, número que a edição de 2020 da diretriz citava. É o uso legítimo do escore — liberar com segurança e orientação de retorno.
- 3De 5 a 6 pontos: o escore não decide. É a faixa da imagem e da observação com reavaliação seriada.
- 4De 7 para cima no homem e de 9 para cima na mulher, a razão de verossimilhança positiva é comparável à da tomografia. O corte é mais alto na mulher porque os diferenciais ginecológicos inflam a pontuação.
- 5A edição de 2025 não cita o Alvarado. Ela sugere usar escores de estratificação de risco baseados em achados clínicos e laboratoriais — o AIR, o AAS e, na criança, o PAS — para conduzir a investigação inicial na dor em fossa ilíaca direita: afastar apendicite no paciente de baixo risco e identificar o de risco intermediário, que precisa de imagem para o diagnóstico ou de observação ativa. É sugestão condicional de certeza moderada; a formulação paralela, voltada a identificar quem tem baixa probabilidade, é sugestão condicional de certeza baixa. Em apresentação pouco clara, a tomografia segue como padrão diagnóstico, pela sensibilidade maior. Ou seja: o escore tria, a imagem confirma — o que continua valendo contra qualquer alternativa que diga que um escore, qualquer que seja, confirma o diagnóstico.
0 a 4
Improvável. Alta com orientação de retorno, sem imagem obrigatória.
5 a 6
Possível. É a faixa da imagem — tomografia de baixa dose onde disponível, ultrassonografia como alternativa — e da observação com reavaliação seriada.
7 a 8
Provável no homem; na mulher ainda pede imagem.
9 a 10
Muito provável. Ainda assim, a diretriz de 2025 não autoriza dispensar a imagem pelo escore.
| Item (MANTRELS) | O que conta | Pontos |
|---|---|---|
| M — Migração da dor | Dor que começou periumbilical e migrou para a fossa ilíaca direita | 1 |
| A — Anorexia | Perda de apetite desde o início do quadro | 1 |
| N — Náusea ou vômito | Presente, e depois da dor | 1 |
| T — Dor à palpação da fossa ilíaca direita | Sensibilidade localizada no quadrante inferior direito | 2 |
| R — Descompressão dolorosa | Sinal de Blumberg presente | 1 |
| E — Elevação da temperatura | Febre — o limiar da descrição original é 37,3 °C | 1 |
| L — Leucocitose | Leucócitos acima de 10.000/mm³ | 2 |
| S — Desvio à esquerda | Neutrófilos acima de 75% | 1 |
| Total | Dois itens valem 2, seis valem 1 | 10 |
O AIR, primeiro escore nomeado pela diretriz, vai de 0 a 12 e pesa a intensidade dos achados em vez de tratá-los como sim ou não: vômito 1; dor em fossa ilíaca direita 1; defesa ou descompressão dolorosa leve 1, média 2, forte 3; temperatura de 38,5 °C ou mais 1; neutrófilos de 70 a 84% valem 1 e 85% ou mais valem 2; leucócitos de 10,0 a 14,9 mil valem 1 e 15,0 mil ou mais valem 2; proteína C reativa de 10 a 49 mg/L vale 1 e 50 mg/L ou mais vale 2. Faixas: 0 a 4 baixa probabilidade, 5 a 8 indeterminada, 9 a 12 alta. A edição de 2020 registrava sensibilidade de 92% e especificidade de 63%.
O AAS, Adult Appendicitis Score, é o outro escore nomeado para o adulto: abaixo de 11 pontos, baixa probabilidade; 16 pontos ou mais, alta probabilidade, com 93% de especificidade no número citado pela edição de 2020. Na criança e no adolescente, o escore que a edição de 2025 nomeia é o PAS, Pediatric Appendicitis Score.
Por que o Alvarado sobrevive na prova brasileira mesmo sem aparecer na diretriz atual: comparações diretas favorecem o AIR (área sob a curva de 0,901 contra 0,821), mas o Alvarado é o único dos três que dispensa proteína C reativa, o que o mantém aplicável na primeira hora e em serviço sem laboratório completo. Ele segue cobrado em prova brasileira, então saiba somá-lo — só não aceite alternativa dizendo que ele confirma o diagnóstico, nem alternativa que o apresente como escore recomendado pela edição de 2025.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
A diretriz internacional admite a conversa
A edição de 2025 sugere o antibiótico como alternativa à apendicectomia na apendicite não complicada, no adulto e na criança, desde que haja monitorização clínica apropriada e decisão compartilhada — sugestão condicional, certeza moderada nas duas populações. Ela vai adiante e sugere oferecer até o manejo ambulatorial com antibiótico como opção, desde que haja seguimento adequado e acesso a serviço médico em caso de piora — também sugestão condicional de certeza moderada. Tratado sem cirurgia e sem sintoma persistente ou recorrente, o adulto não precisa de apendicectomia de intervalo de rotina (sugestão condicional, certeza baixa) nem de seguimento de rotina além de 30 dias (sugestão condicional, certeza muito baixa). O que sustenta a conversa: o CODA, maior ensaio do tema, randomizou 1552 adultos em 25 centros dos Estados Unidos e mostrou não inferioridade do antibiótico no estado geral de saúde em 30 dias; ainda assim, 29% do braço antibiótico tinha sido operado em 90 dias. O APPAC, com 530 finlandeses e tomografia confirmando doença não complicada, chegou a 39,1% de recorrência em cinco anos e, aos dez anos, a 44,3% de apendicectomia acumulada — com bem menos complicações no braço antibiótico, 8,5% contra 27,4%.
WSES 2025, recomendações 5.1 e 5.2 (sugestão condicional, certeza moderada), 6 (sugestão condicional, certeza moderada), 7.1 (sugestão condicional, certeza muito baixa) e 8 (sugestão condicional, certeza baixa); CODA Collaborative, N Engl J Med 2020;383:1907-1919; Salminen et al., JAMA 2018;320:1259-1265 e JAMA 2026;335(12):1041-1049
A prova brasileira ainda espera cirurgia
A apendicectomia segue como conduta padrão nas bancas nacionais e no pronto-socorro brasileiro, e isso não é atraso: a própria diretriz formula a orientação como sugestão condicional de oferecer a opção, com decisão compartilhada, não como substituição da cirurgia — e mantém a apendicectomia como tratamento preferido na gestante e no idoso, ainda que com certeza muito baixa. O tratamento não operatório tem pré-requisitos que não se podem presumir em qualquer serviço: imagem confirmando doença não complicada, ausência de apendicolito, monitorização clínica e garantia de reavaliação. A literatura brasileira trata a apendicectomia como tratamento de escolha porque, além de resolver a doença, ela dá o diagnóstico definitivo.
Lima AP et al., Rev Col Bras Cir 2016;43(4):248-253, que descreve a apendicectomia como tratamento de escolha; e a própria WSES 2025, cujas recomendações 5.1 e 5.2 são sugestões condicionais de oferecer a alternativa, não de substituir a cirurgia
Na prova
O tratamento não operatório só entra em cena quando o enunciado constrói o cenário completo dos ensaios: imagem confirmando apendicite não complicada, ausência de apendicolito, paciente estável e, em geral, menção explícita ao CODA, ao APPAC ou à ideia de tratamento conservador — sinais de que a questão está no corpo internacional, que mesmo assim formula a recomendação como sugestão condicional, condicionada a monitorização clínica adequada e decisão compartilhada, não como substituição da cirurgia. Enunciado seco de pronto-socorro, sem esse recorte, vive no padrão nacional, em que a apendicectomia segue como conduta de referência — e a distância não é atraso: o manejo com antibiótico pressupõe imagem disponível e reavaliação garantida, condições que não se podem presumir em qualquer serviço brasileiro, além de a cirurgia entregar o diagnóstico definitivo.Alternativa de antibiótico isolado num enunciado que nem descreveu a imagem é distrator em qualquer dos mundos. Um detalhe da edição atual que a banca ainda não cobra e já pode aparecer: tratado sem cirurgia e sem sintoma persistente, esse paciente não precisa de apendicectomia de intervalo de rotina nem de seguimento de rotina além de 30 dias.
A diretriz permite esperar até 24 horas
A diretriz recomenda realizar a apendicectomia laparoscópica dentro de 24 horas da admissão hospitalar no adulto com apendicite não complicada selecionado para cirurgia — recomendação forte, certeza moderada — e diz o mesmo, com a mesma força e certeza, para a criança. O raciocínio: atraso hospitalar curto, no paciente estável com doença não complicada, não aumenta desfecho adverso — ultrapassar as 24 horas aumenta. Na prática, isso libera o serviço de operar de madrugada com equipe reduzida. E, porque a janela é de 24 horas, a mesma diretriz sugere contra manter antibiótico durante a espera na doença não complicada, além da dose única profilática.
WSES 2025, recomendações 9.1 (adulto) e 9.2 (criança), ambas recomendação forte com certeza moderada; e recomendação 15.1 quanto ao antibiótico durante a espera
O ensino cirúrgico clássico trata como urgência imediata
A tradição cirúrgica brasileira ensina apendicectomia precoce como regra, apoiada na progressão da doença: a operação é tecnicamente fácil nas primeiras 24 horas, torna-se mais complexa sobretudo depois das 48 horas, e a partir do terceiro dia a frequência de complicações muda a própria forma de tratar — de apendicectomia simples para drenagens percutâneas e, no extremo, ressecção do cólon direito.
Freitas RG et al., Apendicite aguda, Rev HUPE (UERJ) 2009;8(1):38-51
Na prova
As duas posições convergem no essencial — 24 horas é teto, não meta, e o relógio corre desde a admissão —, então a divergência real é de ênfase, e o enunciado revela qual ênfase está sendo cobrada. Paciente estável sob analgesia, doença não complicada, discussão de logística de centro cirúrgico: é a diretriz internacional, que respalda operar dentro de 24 horas da admissão como recomendação forte de certeza moderada. Enunciado que enfatiza a progressão da doença — operação tecnicamente fácil nas primeiras 24 horas, mais complexa após 48, complicações mudando a própria forma de tratar a partir do terceiro dia — fala a língua do ensino cirúrgico clássico brasileiro, da urgência imediata. Uma pegadinha nova: como a cirurgia sai dentro de 24 horas, a diretriz de 2025 sugere contra manter antibiótico durante essa espera na doença não complicada — na complicada, ao contrário, o antibiótico terapêutico começa já na espera. Perfuração, peritonite difusa ou instabilidade encerram a divergência nos dois corpos: cirurgia imediata.
A edição de 2025 partiu o grupo aos 35 anos
Abaixo de 35 anos, apendicectomia laparoscópica precoce é a sugestão — condicional, certeza moderada —, ficando o manejo não operatório seguido de apendicectomia de intervalo em 6 a 12 semanas como alternativa para serviços sem expertise ou recurso laparoscópico para a urgência; na criança vale o mesmo. De 35 anos para cima, a diretriz sugere contra operar na fase aguda, também como sugestão condicional de certeza moderada, por conta de neoplasia apendicular subjacente em até 14,3%. E, tratado sem cirurgia, esse adulto de 35 anos ou mais tem indicação de apendicectomia de intervalo entre 6 e 12 semanas como recomendação forte de certeza moderada, precedida de tomografia para conferir a resolução do abscesso e colonoscopia para descartar neoplasia de cólon direito. Na criança, sugestão condicional contra o intervalo de rotina, certeza baixa, com neoplasia em 0,5%.
WSES 2025, recomendações 13.1 e 13.2 (sugestão condicional, certeza moderada), 14.1 (recomendação forte, certeza moderada) e 14.2 (sugestão condicional, certeza baixa)
A prova brasileira ainda descreve a edição de 2020
A edição de 2020 tratava o abscesso periapendicular como caso de não operar na fase aguda, com antibiótico e, quando disponível, drenagem percutânea; trazia recomendação forte contra a apendicectomia de intervalo de rotina em adultos com menos de 40 anos e em crianças, reservando a apendicectomia a quem voltava a ter sintomas; e sugeria, dos 40 anos para cima, colonoscopia e tomografia de intervalo com contraste em dose plena, porque neoplasia de ceco ou de apêndice se apresenta exatamente assim. Investigar não era operar. É essa versão que a maioria das apostilas e das questões antigas reproduz, e ela continua sendo a resposta esperada em enunciado que cita explicitamente a edição de 2020 ou o corte de 40 anos.
Di Saverio S, Podda M, De Simone B, et al. Diagnosis and treatment of acute appendicitis: 2020 update of the WSES Jerusalem guidelines. World J Emerg Surg. 2020;15:27 — edição anterior, ainda reproduzida em material de cursinho
Na prova
Este é o ponto em que a edição de 2025 mais se afasta do que a maioria do material brasileiro ensina, e por isso é o que mais tende a aparecer em questão nova. O gatilho no enunciado é sempre o mesmo: cinco a sete dias de dor, massa palpável, coleção organizada na tomografia, sem peritonite difusa e sem instabilidade. O que decide a resposta é a idade que o enunciado escolheu dar ao paciente. Enunciado com paciente jovem e coleção bloqueada: pela diretriz atual, apendicectomia laparoscópica precoce; pelo padrão antigo, tratamento não operatório. Enunciado com paciente de 40, 55, 63 anos: a diretriz atual manda não operar agora e operar de intervalo depois, enquanto o padrão antigo mandava não operar nem agora nem depois, apenas investigar. Enquanto a banca não migrar, leia o vocabulário: alternativa que fala em “não realizar apendicectomia de intervalo de rotina” com corte de 40 anos está citando a edição de 2020; alternativa que fala em 35 anos, em 6 a 12 semanas ou em risco de neoplasia apendicular está citando a de 2025. Em criança as duas edições concordam — nada de intervalo de rotina —, e esse é o cenário seguro de responder em qualquer banca.
Caso resolvido
- achado
- A dor migrou — periumbilical primeiro, fossa ilíaca direita depois. É a transição da dor visceral para a somática, e o achado de maior peso do tema. Repare também que o vômito veio DEPOIS da dor: o inverso puxaria para gastroenterite.
- escore
- Alvarado: migração 1, anorexia 1, náusea e vômito 1, dor em fossa ilíaca direita 2, descompressão dolorosa 1, febre 1, leucocitose 2, desvio à esquerda 1. Total de 10 — probabilidade altíssima. O Alvarado não é o escore que a edição de 2025 nomeia (lá são o AIR e o AAS no adulto), mas é o que a banca brasileira soma.
- imagem
- A ultrassonografia já resolveu: apêndice não compressível de 9 mm com líquido periapendicular, sem coleção nem plastrão. É apendicite não complicada. A edição de 2025 prefere a tomografia de baixa dose no adulto onde ela está disponível, mas essa preferência existe para resolver dúvida — com ultrassonografia conclusiva e quadro compatível, acrescentar radiação não muda a conduta. O que não existe mais é o atalho da edição de 2020 de pular a imagem por escore alto abaixo dos 40 anos.
- conduta
- Apendicectomia laparoscópica dentro de 24 horas da admissão — recomendação forte, certeza moderada —, com dose única de antibiótico profilático na indução anestésica, também recomendação forte de certeza moderada. E nada de antibiótico enquanto ele aguarda a sala: como a cirurgia sai dentro de 24 horas, a diretriz sugere contra manter antibiótico além dessa dose única.
- pós-operatório
- Nenhum antibiótico depois: na apendicite não complicada do adulto a edição de 2025 sugere contra mantê-lo — sugestão condicional, certeza baixa. É a alternativa que mais gente marca errado no tema. Na criança, repare, a diretriz simplesmente não faz recomendação, por certeza muito baixa da evidência.
Agora feche você
- achado
- Seis dias de evolução, massa palpável e coleção organizada de 6 cm. O quadro está bloqueado — não é apendicite aguda simples que chegou cedo.
- exame
- Sem peritonite difusa e sem instabilidade hemodinâmica. O bloqueio funcionou, e é isso que abre a porta para não operar agora.
- classificação
- …
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Pedir imagem antes do beta-hCG na mulher em idade fértil Gravidez ectópica rota se apresenta como dor em fossa ilíaca com defesa e mata rápido. O beta-hCG vem antes da tomografia, sempre — e o resultado muda qual exame de imagem você pede.
- 2Ler apêndice não visualizado como ultrassonografia negativa É exame INCONCLUSIVO, não exame negativo. A ultrassonografia é operador-dependente. Com suspeita clínica intermediária ou alta, o passo seguinte é tomografia de baixa dose ou observação com reavaliação — nunca alta.
- 3Manter antibiótico no pós-operatório da apendicite não complicada A diretriz de 2025 sugere contra, como sugestão condicional de certeza baixa. Dose única profilática na indução e acabou — e nem antibiótico enquanto o paciente aguarda a sala, desde que a cirurgia saia dentro de 24 horas. Na complicada é o contrário: antibiótico terapêutico já na espera, mantido no pós-operatório, e agora por 2 a 3 dias em vez de 5 a 7 após controle adequado do foco. Quem responde “de 3 a 5 dias” está na edição de 2020.
- 4Descartar apendicite no idoso porque o abdome está pouco doloroso O idoso tem apresentação frustra e chega mais tarde. A mortalidade da perfuração no idoso chega a 15%, contra menos de 1% no quadro geral. Abdome pobre em paciente idoso com febre e leucocitose pede mais investigação, não menos.
- 5Pedir tomografia na gestante com ultrassonografia inconclusiva A escada na gestante é ultrassonografia e, quando ela é negativa ou inconclusiva com suspeita persistente, ressonância magnética — sugestão condicional de certeza moderada. E cuidado com o segundo passo dessa questão: a edição de 2020 desaconselhava o tratamento não operatório na gestação, enquanto a de 2025 prefere a apendicectomia laparoscópica — sugestão condicional de certeza muito baixa — e admite o antibiótico isolado como alternativa quando a cirurgia traz risco aumentado ou não está imediatamente disponível, deixando explícito que a evidência desse caminho é muito incerta.
- 6Colocar dreno e lavar a cavidade na apendicite complicada do adulto As duas condutas continuam desaconselhadas, mas a força caiu: na edição de 2025 são sugestões condicionais — aspiração isolada em vez de lavagem mais aspiração, com certeza moderada; evitar dreno de rotina, com certeza baixa no adulto e muito baixa na criança. O distrator parece cuidadoso e continua errado, mas quem cita “recomendação forte” está descrevendo a edição de 2020.
- 7Aceitar vômito que precede a dor como apendicite Na apendicite a dor vem primeiro, e o vômito depois. Quando o enunciado inverte a ordem de propósito, ele está sinalizando outro diagnóstico — na maioria das vezes, gastroenterite.
O quadro é clássico de apendicite aguda não complicada: dor migratória para fossa ilíaca direita, anorexia, febre, taquicardia, sinais peritoneais localizados (McBurney com descompressão positiva) e leucocitose com desvio + PCR elevada. O escore de Alvarado é ≥ 7, o que, aliado ao quadro clínico típico em homem jovem, dispensa exame de imagem para confirmação — a conduta padrão é apendicectomia (via laparoscópica preferencialmente, conforme WSES 2020 e EAES) com antibioticoprofilaxia perioperatória de dose única. Errada: TC não é obrigatória em homens jovens com quadro clínico típico e alto escore preditivo; indica-se imagem em casos duvidosos, mulheres em idade fértil, idosos ou suspeita de complicação. Errada: o tratamento antibiótico exclusivo é uma alternativa possível em casos selecionados de apendicite não complicada, mas NÃO é o padrão-ouro; a cirurgia continua sendo o tratamento de escolha, com menor taxa de recorrência. Errada: postergar a cirurgia até peritonite difusa aumenta morbimortalidade; a indicação já está estabelecida. Errada: colonoscopia não faz parte da propedêutica da apendicite aguda e é contraindicada na vigência de abdome agudo inflamatório.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem de 22 anos com dor abdominal iniciada em região periumbilical há 18 horas, que migrou e se localizou em fossa ilíaca direita, acompanhada de anorexia, náuseas e febre baixa. Exame: PA 120x76 mmHg, FC 92 bpm, T 37,9 °C, com dor à palpação e descompressão brusca dolorosa no ponto de McBurney. Qual é o diagnóstico mais provável?
Dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, anorexia, náuseas, febre baixa e dor no ponto de McBurney com descompressão positiva é a apresentação clássica de apendicite aguda. Diverticulite acomete tipicamente idosos com dor em fossa ilíaca esquerda. Colecistite cursa com dor em hipocôndrio direito e Murphy positivo. Pancreatite dá dor epigástrica em faixa com irradiação dorsal. Úlcera perfurada gera dor súbita intensa com abdome em tábua e pneumoperitônio.
Homem de 24 anos procura o pronto-socorro com dor abdominal iniciada há 18 horas, inicialmente periumbilical e agora localizada em fossa ilíaca direita, acompanhada de anorexia e um episódio de vômito. Ao exame: PA 122x78 mmHg, FC 96 bpm, T 37,9 °C. Abdome com dor à palpação profunda no ponto de McBurney, descompressão brusca dolorosa (Blumberg) e dor em fossa ilíaca direita à palpação da fossa ilíaca esquerda. Leucograma 14.500/mm³ (VR 4.000–10.000). Qual é o sinal semiológico descrito por dor à direita quando se palpa a fossa ilíaca esquerda?
A dor referida em fossa ilíaca direita ao palpar a fossa ilíaca esquerda é o sinal de Rovsing, clássico da apendicite aguda. Sinal de Murphy é a interrupção da inspiração à palpação do hipocôndrio direito (colecistite). Sinal do psoas é dor à extensão da coxa direita (apêndice retrocecal). Sinal de Cullen é equimose periumbilical (hemoperitônio/pancreatite grave). Sinal de Courvoisier é vesícula palpável indolor associada a icterícia (obstrução maligna).
Mulher de 30 anos, previamente hígida, com dor em fossa ilíaca direita há 20 horas, anorexia e febre baixa. PA 120x76 mmHg, FC 94 bpm, T 37,8 °C. Beta-hCG negativo. Exame com dor e defesa em fossa ilíaca direita. A ultrassonografia é inconclusiva e persiste a dúvida diagnóstica com o quadro clínico. Qual exame de imagem oferece maior acurácia para confirmar apendicite aguda nesta paciente?
Diante de ultrassonografia inconclusiva em adulto não gestante, a tomografia de abdome e pelve é o exame de maior acurácia para confirmar apendicite. A radiografia simples é inespecífica. A RM de crânio é irrelevante ao quadro (na gestante, seria RM de abdome). Cintilografia com hemácias marcadas investiga sangramento digestivo, não apendicite. Trânsito contrastado não é indicado no abdome agudo inflamatório.
Mulher de 34 anos procura o pronto-socorro com dor em fossa ilíaca direita há 18 horas, anorexia e um episódio de vômito. Ao exame: PA 118x76 mmHg, FC 92 bpm, T 37,8 °C, dor à palpação em ponto de McBurney com descompressão dolorosa localizada. Beta-hCG negativo. Leucograma 13.500/mm³. A ultrassonografia foi inconclusiva por interposição gasosa. Considerando o cenário, qual é o próximo passo mais adequado?
Com US inconclusiva em adulta não gestante e quadro provável mas não definitivo, a TC com contraste é o exame de escolha para confirmar apendicite e avaliar complicações. Embora o Alvarado seja sugestivo, a US foi inconclusiva e a TC reduz apendicectomias negativas em quadros dúbios. Alta é insegura com leucocitose e sinais peritoneais. RM é reservada a gestantes ou quando se evita radiação, não é primeira escolha aqui. Preparo com laxante é contraindicado na suspeita de apendicite (risco de perfuração).
Homem de 22 anos procura a UPA com dor abdominal iniciada há 18 horas na região periumbilical, que migrou para a fossa ilíaca direita, associada a náuseas, anorexia e febre baixa. Ao exame: dor à palpação em ponto de McBurney com descompressão brusca dolorosa localizada. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, com anorexia, náuseas e sinais de irritação peritoneal em ponto de McBurney, é o quadro clássico de apendicite aguda. Diverticulite acomete tipicamente idosos com dor em fossa ilíaca esquerda. Colecistite cursa com dor em hipocôndrio direito e sinal de Murphy. Pancreatite dá dor epigástrica em faixa irradiada ao dorso, com elevação de amilase/lipase. O padrão de migração e a localização apontam para apendicite.
Mulher de 30 anos, previamente hígida, é atendida na UPA com quadro clássico de apendicite aguda não complicada (dor migratória para fossa ilíaca direita, McBurney positivo, febre baixa, sem sinais de peritonite difusa ou massa palpável). A UPA não dispõe de centro cirúrgico nem retaguarda de internação. Qual é a conduta mais adequada dentro da lógica de níveis de atenção do SUS?
Apendicite aguda é indicação de tratamento cirúrgico (apendicectomia) e demanda estrutura hospitalar. Sem centro cirúrgico na UPA, a conduta correta é estabilizar o paciente (analgesia, jejum, hidratação) e referenciar/transferir para hospital com retaguarda cirúrgica — aplicação prática da regulação e da hierarquização dos níveis de atenção do SUS. Antibiótico oral com alta domiciliar não trata definitivamente e arrisca perfuração. Operar sem estrutura adequada é inseguro. Postergar o encaminhamento por 72 horas aumenta o risco de complicações.
Homem de 32 anos procura a UPA com dor abdominal iniciada há 18 horas na região periumbilical, que migrou para a fossa ilíaca direita, acompanhada de náuseas, anorexia e febre de 37,9 °C. Ao exame, apresenta dor à palpação profunda no ponto de McBurney, com descompressão brusca dolorosa localizada. Hemograma mostra leucócitos de 14.000/mm³ com desvio à esquerda. Não há sinais de irritação peritoneal difusa. Qual a conduta mais adequada neste nível de atenção?
Quadro clássico de apendicite aguda (dor migratória, McBurney positivo, descompressão dolorosa, leucocitose com desvio) — o tratamento é cirúrgico, e a UPA deve referenciar para serviço com suporte cirúrgico/apendicectomia. Analgesia isolada e alta retarda o tratamento de abdome agudo inflamatório e é conduta insegura. Antibiótico oral ambulatorial não substitui a abordagem cirúrgica no cenário típico e arrisca perfuração. Colonoscopia é contraindicada na suspeita de abdome agudo inflamatório/apendicite pelo risco de perfuração e não altera a conduta.
Um homem de 42 anos procura a UPA com dor abdominal iniciada há 12 horas na região periumbilical, que migrou para a fossa ilíaca direita, acompanhada de anorexia e náuseas. Ao exame: Tax 37,9°C, dor à palpação profunda em ponto de McBurney com descompressão brusca dolorosa localizada. Hemograma com 13.500 leucócitos. Não há sinais de peritonite difusa. Qual a conduta mais adequada nesse serviço?
Quadro clássico de apendicite aguda (dor migratória, McBurney, descompressão positiva, leucocitose). A conduta correta é confirmar/estratificar com imagem e garantir avaliação cirúrgica, encaminhando para serviço com retaguarda cirúrgica, pois o tratamento é a apendicectomia. Liberar com sintomáticos é grave por risco de perfuração. Antibiótico ambulatorial isolado não substitui a avaliação cirúrgica na apendicite não complicada em serviço sem cirurgia. Lavagem intestinal é contraindicada e sem base.
Homem de 22 anos chega ao pronto-atendimento com dor abdominal iniciada há 18 horas na região periumbilical, que migrou e se localizou na fossa ilíaca direita, acompanhada de anorexia, náuseas e febre baixa. Ao exame, apresenta dor à descompressão no ponto de McBurney. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
A sequência clássica de dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, com anorexia, náuseas e sinal de Blumberg no ponto de McBurney, caracteriza apendicite aguda. Diverticulite costuma cursar com dor em fossa ilíaca esquerda em pacientes mais idosos. Colecistite dá dor em hipocôndrio direito com sinal de Murphy. Pancreatite causa dor epigástrica em faixa com irradiação dorsal, geralmente associada a álcool ou litíase biliar.
Mulher de 34 anos é atendida na UBS com dor em fossa ilíaca direita há 24 horas, náuseas e febre de 37,9°C. Está no 2º trimestre de gestação. Ao exame apresenta dor à palpação em flanco/FID mais alta que o habitual, com defesa localizada. Considerando o contexto e a disponibilidade da rede, qual a conduta mais adequada?
Suspeita de apendicite aguda em gestante é emergência cirúrgica potencial e exige referência a serviço com retaguarda cirúrgica/obstétrica; o deslocamento cranial do ponto de dor é esperado pela topografia uterina. Antibiótico oral ambulatorial com reavaliação tardia retarda perigosamente o diagnóstico e aumenta risco de perfuração e perda fetal. TC com contraste iodado não é feita na UBS e, na gestante, a ultrassonografia é o exame inicial preferencial. Atribuir a dor à gestação e liberar é conduta insegura diante de defesa localizada e febre.
Mulher de 30 anos, gestante de 20 semanas, chega à UPA com dor abdominal iniciada em região periumbilical que migrou para o flanco direito, com anorexia, náuseas e febre baixa. Exame com dor à palpação em flanco/quadrante direito. Considerando a gestação, qual a afirmativa CORRETA sobre a investigação e a conduta na suspeita de apendicite aguda?
A apendicite aguda é a emergência cirúrgica não obstétrica mais frequente na gestação; a ultrassonografia é o exame de imagem inicial por ausência de radiação (RM como segunda linha se disponível). O tratamento permanece cirúrgico (apendicectomia), pois a perfuração eleva a morbimortalidade materno-fetal — conduta expectante é inadequada. A TC não é primeira linha por envolver radiação ionizante. Com o útero gravídico, o apêndice pode ser deslocado cranialmente, alterando a localização da dor (flanco/quadrante superior direito conforme a idade gestacional), o que dificulta o diagnóstico.
Um homem de 24 anos procura a unidade de pronto-socorro com dor abdominal iniciada há cerca de 20 horas. Relata que a dor começou na região periumbilical, em cólica, e nas últimas horas migrou para a fossa ilíaca direita, tornando-se contínua e mais intensa. Refere náuseas, um episódio de vômito e hiporexia. Nega comorbidades. Ao exame: temperatura axilar de 37,9°C, frequência cardíaca de 92 bpm. Abdome com dor à palpação profunda no ponto de McBurney, com descompressão brusca dolorosa localizada (Blumberg positivo em fossa ilíaca direita) e defesa involuntária localizada. Ruídos hidroaéreos presentes. Diante do quadro descrito, qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
A tríade clássica de dor periumbilical que migra para fossa ilíaca direita, anorexia e febre baixa, com Blumberg positivo no ponto de McBurney, é altamente sugestiva de apendicite aguda, o diagnóstico mais provável nesse jovem. Diverticulite aguda tipicamente acomete idosos e se manifesta em fossa ilíaca esquerda (doença diverticular do sigmoide). Cólica nefrética cursa com dor lombar em cólica irradiada para o flanco/genitália, agitação e sem sinais de irritação peritoneal localizada. Gastroenterite cursa com diarreia proeminente, dor difusa e ausência de defesa/descompressão localizada.
Mulher de 28 anos chega ao pronto-socorro com dor abdominal iniciada há 24 horas na região periumbilical, que migrou para a fossa ilíaca direita, associada a náuseas, anorexia e febre de 37,8°C. Nega atraso menstrual. Ao exame: dor à palpação profunda no ponto de McBurney, descompressão brusca dolorosa localizada e Blumberg positivo. Leucograma com 14.500 leucócitos/mm³ com desvio à esquerda. O beta-hCG é negativo e a ultrassonografia mostra estrutura tubular não compressível de 9 mm em fossa ilíaca direita. Assinale a conduta mais adequada.
Trata-se de apendicite aguda não complicada (dor migratória para FID, McBurney/Blumberg positivos, leucocitose com desvio, USG com apêndice >6 mm não compressível, beta-hCG excluindo gravidez ectópica). A conduta padrão é apendicectomia com hidratação e antibioticoprofilaxia. Observação prolongada retarda o tratamento e aumenta risco de perfuração. Colonoscopia de urgência é contraindicada na suspeita de apendicite. Antibiótico isolado ambulatorial não é o padrão consagrado no SUS para apendicite com achados clássicos e sinais de irritação peritoneal.
Homem de 58 anos comparece ao pronto-socorro com dor abdominal difusa há 8 horas, inicialmente periumbilical e agora localizada em fossa ilíaca direita, acompanhada de náuseas e um episódio de vômito. Refere anorexia e febre não aferida. Nega comorbidades. Ao exame: temperatura axilar de 38,1°C, frequência cardíaca de 96 bpm, PA de 130/80 mmHg. Abdome com dor à palpação profunda em fossa ilíaca direita, descompressão brusca dolorosa localizada (Blumberg positivo) e dor à palpação da fossa ilíaca direita quando se comprime a esquerda. Laboratório: leucócitos 14.800/mm³ com desvio à esquerda, PCR elevada. Ultrassonografia abdominal evidencia estrutura tubular não compressível de 9 mm em fossa ilíaca direita, com líquido periapendicular. Assinale a hipótese diagnóstica e a conduta, respectivamente.
O quadro de dor migratória periumbilical para fossa ilíaca direita, anorexia, febre baixa, leucocitose com desvio, Blumberg e sinal de Rovsing positivos, somados à USG com apêndice não compressível > 6 mm e líquido periapendicular, é típico de apendicite aguda não complicada — a conduta é apendicectomia (idealmente videolaparoscópica) com antibioticoprofilaxia. Diverticulite de Meckel é rara e não explica a evolução clássica nem os achados de USG apendicular. Adenite mesentérica ocorre sobretudo em crianças/jovens com quadro viral e não justifica apêndice espessado. Doença de Crohn cursa com sintomas crônicos/subagudos e não é diagnóstico de abdome agudo cirúrgico neste contexto agudo.
Menino de 5 anos é levado ao pronto-socorro com dor abdominal iniciada há 24 horas, inicialmente periumbilical e vaga, que migrou nas últimas horas para a fossa ilíaca direita, tornando-se contínua e intensa. Apresenta febre de 38,2 °C, anorexia e um episódio de vômito. A mãe relata que a criança prefere ficar imóvel, pois o movimento piora a dor. Ao exame: fácies de dor, dor à palpação profunda na fossa ilíaca direita com descompressão brusca dolorosa (Blumberg) e dor à percussão. Hemograma com leucocitose de 15.000/mm³ e desvio à esquerda. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta indicada, respectivamente?
Dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, tornando-se contínua, com febre, anorexia, vômito, sinais de irritação peritoneal (Blumberg positivo) e leucocitose com desvio, configura apendicite aguda, cuja conduta é avaliação cirúrgica para apendicectomia. Adenite mesentérica pode simular apendicite, mas costuma cursar com quadro viral prévio, sem sinais francos de peritonite, e é diagnóstico de exclusão. Gastroenterite cursa com diarreia e dor difusa em cólica, sem migração nem Blumberg. Constipação não causa febre, leucocitose nem irritação peritoneal, e o quadro agudo com defesa localizada não corresponde.
Homem, 34 anos, é admitido com dor abdominal há 5 dias, inicialmente periumbilical e depois localizada em fossa ilíaca direita, associada a febre. Ao exame: T 38,4 °C, FC 104 bpm, PA 120/78 mmHg. Palpa-se massa dolorosa em fossa ilíaca direita, sem sinais de irritação peritoneal difusa. Tomografia de abdome evidencia coleção de 5 cm com paredes espessas e realce periférico adjacente ao ceco, compatível com abscesso apendicular (apendicite complicada com plastrão). Paciente estável hemodinamicamente. Qual a conduta inicial mais adequada?
A alternativa correta é A. Na apendicite complicada com abscesso/plastrão bem definido em paciente estável, a conduta inicial recomendada é conservadora: antibioticoterapia EV e drenagem percutânea do abscesso quando acessível (≥3–5 cm), evitando cirurgia no meio inflamatório agudo, que aumenta a morbidade e o risco de ressecções ampliadas. A apendicectomia de intervalo pode ser considerada depois (individualizada). Cirurgia de urgência em plastrão organizado tem maior morbidade e risco de lesão intestinal — não é a primeira escolha em paciente estável com abscesso drenável. Hemicolectomia não é conduta inicial; investigação de neoplasia (colonoscopia) é feita eletivamente em subgrupos, não cirurgia radical de urgência. Abscesso de 5 cm com febre exige tratamento EV/drenagem, não apenas antibiótico oral domiciliar. Laparoscopia diagnóstica é desnecessária diante de TC já diagnóstica e desloca a conduta para cirurgia no momento inflamatório desfavorável.
Homem, 22 anos, procura o pronto-socorro com dor abdominal há cerca de 24 horas. Relata que a dor começou ao redor do umbigo e depois se deslocou para a região inferior direita do abdome. Apresenta anorexia e náuseas. Ao exame físico: T 37,8 °C, dor à palpação do ponto de McBurney com descompressão brusca dolorosa localizada. Qual é o diagnóstico mais provável?
O quadro é o clássico da apendicite aguda: dor periumbilical (visceral) que migra para a fossa ilíaca direita (somática) após algumas horas, associada a anorexia, náusea, febre baixa e dor no ponto de McBurney com descompressão positiva — a sequência de Murphy da apendicite. A diverticulite de sigmoide dá dor em fossa ilíaca ESQUERDA e é típica de pacientes mais velhos. A cólica nefrética causa dor em cólica lombar irradiando para a virilha/genitália, com paciente agitado e sem irritação peritoneal localizada em McBurney. A colecistite cursa com dor em hipocôndrio direito e sinal de Murphy (respiratório), não em fossa ilíaca direita. E a úlcera péptica perfurada provoca dor súbita e intensa em andar superior do abdome com abdome em tábua/peritonite difusa, distinta da dor migratória localizada descrita.
Mulher, 34 anos, submetida a apendicectomia por apendicite aguda perfurada há 7 dias, retorna com febre persistente (38,8 °C), dor em baixo ventre e disúria. Ao toque retal há abaulamento doloroso e flutuação da parede anterior do reto. Exames: leucócitos 16.400/mm³ (VR 4.000–11.000) com desvio à esquerda, PCR 180 mg/L (VR < 5). A tomografia de abdome e pelve com contraste evidencia coleção líquida organizada de 6 cm com realce periférico em fundo de saco de Douglas, sem sinais de perfuração de alça. Qual é a conduta inicial mais adequada?
Correta: Abscesso intra-abdominal organizado e acessível (≥ 3–4 cm, sem sepse não controlada nem perfuração de alça) tem como conduta de escolha a drenagem percutânea guiada por imagem (TC/US) associada a antibioticoterapia — abordagem menos invasiva e com boa resolução. Laparotomia fica reservada para falha da drenagem, coleção inacessível, múltiplos abscessos ou instabilidade/peritonite difusa — não é a 1ª escolha aqui. Antibiótico isolado (sobretudo VO ambulatorial) é insuficiente para coleção organizada de 6 cm drenável. Não há evidência de reperfuração apendicular ou apêndice residual — reabordagem cirúrgica ampla não está indicada de início. Observar sem antibiótico numa coleção com resposta inflamatória sistêmica é conduta inaceitável.
Homem, 26 anos, previamente hígido, procura o pronto-socorro com dor abdominal há 16 horas, iniciada na região periumbilical e agora localizada na fossa ilíaca direita (FID). Refere anorexia e náuseas, nega vômitos e nega febre aferida. Ao exame: bom estado geral, afebril (T 36,9 °C), FC 82 bpm, PA 124/78 mmHg; abdome flácido, com dor à palpação profunda na FID, SEM descompressão brusca dolorosa (Blumberg negativo). Hemograma: leucócitos 9.200/mm³ (VR 4.000–11.000), sem desvio à esquerda. Considerando a escala de Alvarado, qual é a conduta mais apropriada?
Escala de Alvarado do caso: migração da dor para FID (1) + anorexia (1) + náuseas (1) + dor à palpação em FID (2) = 5 pontos; sem descompressão dolorosa (0), afebril (0), leucócitos normais (0) e sem desvio à esquerda (0). Escore 5–6 é a faixa intermediária/equívoca, na qual a conduta recomendada é a investigação por imagem (TC de abdome, ou US em jovens magros) antes de decidir por cirurgia — por isso Correta: Apendicectomia imediata é indicada para escores altos (7–10) com quadro típico, não para escore intermediário. Escore 5 NÃO exclui apendicite (baixa probabilidade só em ≤4, e ainda assim exige seguimento). Antibiótico ambulatorial sem diagnóstico definido é inadequado e arriscado. Não há sinais de peritonite difusa (Blumberg negativo, paciente estável), não justificando laparotomia.
Homem, 19 anos, dá entrada com dor abdominal há 24 horas que começou ao redor do umbigo e depois se fixou na fossa ilíaca direita, acompanhada de anorexia, náuseas e febre de 38 °C. Ao exame físico apresenta dor à descompressão brusca no ponto de McBurney (Blumberg positivo) e dor referida na fossa ilíaca direita quando se palpa a fossa ilíaca esquerda (sinal de Rovsing). Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
O quadro é o mais clássico de apendicite aguda: dor periumbilical que migra e se localiza na FID, anorexia, náuseas, febre baixa e sinais peritoneais localizados (Blumberg no ponto de McBurney e Rovsing). Diverticulite de sigmoide cursa com dor na fossa ilíaca ESQUERDA. Colecistite dá dor em hipocôndrio direito com sinal de Murphy, não em FID. Cólica nefrética provoca dor em flanco/lombar com irradiação para genitália, tipicamente sem sinais de irritação peritoneal e com exame abdominal inocente. Gastroenterite cursa com diarreia e dor difusa em cólica, sem peritonismo localizado.
Homem, 34 anos, com dor em fossa ilíaca direita há 6 dias, inicialmente periumbilical, associada a febre. Ao exame: T 37,8 °C, abdome com massa palpável, dolorosa e mal delimitada na FID, SEM sinais de peritonite difusa e sem descompressão em outros quadrantes. TC de abdome: coleção líquida de ~4 cm com realce parietal adjacente ao ceco/apêndice, compatível com abscesso/plastrão apendicular, sem pneumoperitônio nem sinais de perfuração livre. Qual é a conduta inicial mais adequada?
Trata-se de apendicite complicada por abscesso/plastrão apendicular (apresentação tardia >5 dias, massa palpável bloqueada e coleção >3–4 cm na TC, sem peritonite difusa). A conduta consagrada é o manejo NÃO operatório inicial: antibioticoterapia venosa associada a drenagem percutânea guiada por imagem do abscesso, reservando a apendicectomia de intervalo (6–8 semanas). A apendicectomia de urgência num processo bloqueado tem maior morbidade (dissecção difícil, risco de fístula/lesão de alças) e é evitada quando há bloqueio bem formado. Hemicolectomia não é indicada nesse cenário agudo benigno. Colonoscopia é contraindicada na fase aguda com abscesso (risco de perfuração); a investigação de neoplasia é eletiva após resolução, sobretudo em >40 anos. Alta com antibiótico oral é insuficiente diante de abscesso drenável e febre.
Homem, 30 anos, previamente hígido, procura o pronto-socorro com dor abdominal iniciada há cerca de 18 horas na região periumbilical, que posteriormente migrou para a fossa ilíaca direita. Refere perda de apetite, mas nega náuseas ou vômitos. Ao exame: bom estado geral, afebril (T 37,0 °C), abdome com dor à palpação profunda em fossa ilíaca direita, sem descompressão brusca dolorosa (Blumberg negativo). Exames: leucócitos 9.500/mm³ (VR 4.000–10.000) com 78% de neutrófilos. Considerando a escala de Alvarado, qual é a conduta mais apropriada?
O escore de Alvarado soma: dor migratória (1) + anorexia (1) + dor à palpação em fossa ilíaca direita (2) + desvio para a esquerda com neutrofilia ≥ 75% (1) = 5 pontos. Não pontuam náusea e vômito (ausentes), descompressão (Blumberg negativo), febre (T abaixo de 37,3 °C) nem leucocitose (leucócitos abaixo de 10.000). Um Alvarado de 5 a 6 — probabilidade intermediária — NÃO justifica cirurgia imediata nem alta: a conduta correta é exame de imagem, sendo a tomografia de abdome o padrão em homem adulto para confirmar ou afastar apendicite. Indicar laparotomia ou apendicectomia direto significa operar sem confirmação num escore intermediário, expondo o paciente a uma apendicectomia branca. Dar alta com sintomáticos subestima o quadro: há dor migratória e localizada em fossa ilíaca direita, que exige esclarecimento. Antibiótico ambulatorial sem diagnóstico definido é inadequado e retarda o esclarecimento.
Homem, 22 anos, estudante, com dor abdominal há 24 horas que começou ao redor do umbigo e depois se localizou na fossa ilíaca direita. Apresenta náuseas, dois episódios de vômito e febre de 38,0 °C. Ao exame: dor intensa à palpação no ponto de McBurney, com descompressão brusca dolorosa (Blumberg positivo) e sinal de Rovsing presente. Leucócitos 15.000/mm³ (VR 4.000–10.000) com desvio à esquerda. Qual é o diagnóstico mais provável?
O quadro é o clássico de apendicite aguda: dor migratória periumbilical para FID, anorexia/vômitos, febre, McBurney doloroso com Blumberg e Rovsing positivos e leucocitose com desvio à esquerda — Alvarado elevado (≥8). Adenite mesentérica ocorre tipicamente em crianças, após quadro viral, sem irritação peritoneal franca. Divertículo de Meckel é raro e clinicamente indistinguível, geralmente achado intraoperatório, não a hipótese mais provável diante de apresentação tão típica. Cólica nefrética cursa com dor em cólica lombar irradiada para região inguinal, agitação e hematúria, sem irritação peritoneal. Gastroenterite cursa com diarreia e dor difusa em cólica, sem sinais peritoneais localizados em FID.
Mulher, 38 anos, com dor em fossa ilíaca direita há 6 dias, de início periumbilical, associada a febre baixa e hiporexia. Ao exame apresenta massa dolorosa palpável em fossa ilíaca direita, sem defesa abdominal generalizada. Tomografia de abdome evidencia coleção líquida organizada de 5 cm com realce periférico adjacente ao ceco, compatível com abscesso apendicular, sem sinais de peritonite difusa. Encontra-se hemodinamicamente estável. Qual é a conduta inicial mais adequada?
Trata-se de apendicite complicada com abscesso/plastrão apendicular (evolução >5 dias, massa palpável e coleção organizada à TC) em paciente estável, sem peritonite difusa. A conduta consagrada é o manejo conservador: antibioticoterapia venosa associada à drenagem percutânea guiada por imagem das coleções acessíveis, reservando a apendicectomia de intervalo em 6–8 semanas. Operar de imediato o plastrão inflamado tem alta morbidade (lesões de alças, fístulas, ressecções ampliadas), por isso Inadequadas: na ausência de peritonite/instabilidade. Antibiótico oral ambulatorial é insuficiente para abscesso de 5 cm, que requer terapia venosa e drenagem. Colonoscopia não é o passo inicial na fase aguda; a investigação de neoplasia, quando indicada (idade ≥40 anos), é feita eletivamente após a resolução do quadro.
Homem, 22 anos, estudante, procura o pronto-socorro com dor abdominal iniciada há cerca de 18 horas. Refere que a dor começou ao redor do umbigo, em cólica, e nas últimas horas migrou e se localizou na fossa ilíaca direita, tornando-se contínua. Associadamente apresenta anorexia, náuseas e um episódio de vômito. Ao exame: PA 122x76 mmHg, FC 92 bpm, FR 18 ipm, T 37,9 °C. Abdome com dor à palpação profunda no ponto de McBurney, descompressão brusca dolorosa (Blumberg) positiva na fossa ilíaca direita e defesa muscular localizada. Sem cicatrizes cirúrgicas. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: o quadro é o padrão clássico de apendicite aguda — dor visceral periumbilical que MIGRA e se localiza na fossa ilíaca direita (irritação peritoneal parietal), acompanhada de anorexia, náusea/vômito, febre baixa e sinais de irritação peritoneal (McBurney doloroso, Blumberg+, defesa). Diverticulite de sigmoide causa dor em fossa ilíaca ESQUERDA e é típica de pacientes mais velhos, não desse padrão migratório em jovem. A cólica nefrética é uma dor em cólica lombar com irradiação para a genitália, tipicamente com o paciente agitado e SEM sinais de irritação peritoneal. A gastroenterite cursa com diarreia e dor difusa em cólica, sem localização em FID nem Blumberg. A cistite dá disúria/polaciúria e dor suprapúbica, sem peritonismo em FID.
Homem, 48 anos, comparece ao ambulatório de cirurgia com história de dor em fossa ilíaca direita que se iniciou há 6 dias, acompanhada de febre nos primeiros dias, hoje em melhora. Ao exame: bom estado geral, T 37,2 °C, abdome com massa palpável, dolorosa e de limites imprecisos em FID, sem sinais de peritonite difusa. Tomografia de abdome evidencia coleção inflamatória peri-apendicular organizada (plastrão/fleimão apendicular) de aproximadamente 4 cm, sem abscesso volumoso drenável e sem líquido livre difuso. Sinais vitais estáveis, leucócitos 12.000/mm³ (VR 4.000–11.000). Qual é a conduta inicial MAIS adequada?
Correta: Na apendicite complicada por plastrão/fleimão apendicular (massa inflamatória organizada, evolução arrastada >5 dias, sem abscesso drenável e sem peritonite difusa), a conduta inicial preconizada é conservadora — antibioticoterapia, repouso e observação —, pois a cirurgia imediata nesse tecido inflamado e aderido eleva o risco de lesão de alças e conversões/ressecções ampliadas. A apendicectomia de intervalo (6–8 semanas) fica reservada a casos selecionados, e no adulto >40 anos investiga-se o cólon (colonoscopia) para excluir neoplasia antes dela. Operar de urgência sobre um plastrão organizado sem peritonite é justamente o que se evita, pelo risco cirúrgico aumentado. Hemicolectomia imediata é conduta desproporcional; a investigação de neoplasia é eletiva e por colonoscopia, não ressecção às cegas. Alta sem antibiótico ignora o processo infeccioso ativo e arrisca abscesso/sepse.
Homem, 22 anos, estudante, previamente hígido, procura o pronto-socorro com dor abdominal iniciada há cerca de 18 horas. Refere que a dor começou ao redor do umbigo, em cólica, e nas últimas horas migrou e se fixou na fossa ilíaca direita, tornando-se contínua. Associadamente apresenta anorexia, náuseas e um episódio de vômito. Ao exame: T 37,9 °C, FC 92 bpm, PA 124x76 mmHg. Abdome com dor à palpação profunda no ponto de McBurney, com descompressão brusca dolorosa localizada (Blumberg positivo) e defesa voluntária na fossa ilíaca direita. Hemograma com 13.800 leucócitos/mm³, com desvio à esquerda. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: o quadro é o padrão clássico de apendicite aguda — dor periumbilical (visceral) que migra e se fixa na fossa ilíaca direita (somática), acompanhada de anorexia, náuseas/vômito, febre baixa e sinais de irritação peritoneal localizada (McBurney doloroso, Blumberg positivo) com leucocitose e desvio à esquerda. Gastroenterite cursa com diarreia proeminente e dor difusa em cólica, sem peritonismo localizado. Diverticulite típica acomete o sigmoide e causa dor na fossa ilíaca ESQUERDA, em pacientes geralmente acima dos 50 anos. Cólica nefrética dá dor em flanco/lombar irradiada para a genitália, tipicamente com hematúria e sem sinais de irritação peritoneal. Adenite mesentérica ocorre mais em crianças, costuma seguir quadro de vias aéreas superiores e não apresenta o peritonismo bem localizado desta apresentação.
Mulher, 28 anos, sem comorbidades, com dor em fossa ilíaca direita há cerca de 24 horas. Relata migração da dor a partir da região periumbilical e anorexia, mas nega vômitos. Ao exame: T 37,0 °C, FC 84 bpm, abdome doloroso à palpação da fossa ilíaca direita, SEM descompressão brusca dolorosa. Hemograma com 11.500 leucócitos/mm³, sem desvio à esquerda. Data da última menstruação há 2 semanas, sem sangramento ou corrimento vaginal. Considerando os achados, o escore de Alvarado calculado é 6 (probabilidade intermediária). Qual é a conduta mais apropriada neste momento?
Correta: Com escore de Alvarado intermediário (5–6), a probabilidade de apendicite não é alta o suficiente para indicar cirurgia direta nem baixa o bastante para dar alta; a recomendação é lançar mão de exame de imagem. Em mulher jovem em idade fértil, a ultrassonografia é o primeiro método de escolha (evita radiação e ainda avalia causas ginecológicas, como cisto ovariano roto e gravidez ectópica); se inconclusiva, prossegue-se para tomografia. Apendicectomia imediata é indicada nos escores altos (7–10) ou peritonite evidente — aqui seria intervenção precoce demais para risco intermediário. A alta é conduta de baixo risco (Alvarado 0–4) e, com escore 6, expõe a paciente a perfuração não diagnosticada. Antibiótico ambulatorial isolado não é conduta padrão para caso indiferenciado e retarda o diagnóstico. Antiespasmódico e preparo intestinal não têm papel na investigação de abdome agudo apendicular e podem mascarar/piorar o quadro.
Mulher, 32 anos, submetida a apendicectomia por apendicite aguda complicada (perfurada com peritonite localizada) há 6 dias. Evolui com persistência de febre (38,6 °C), dor e sensação de peso em região pélvica, além de disúria e tenesmo. Exame: abdome flácido, doloroso à palpação profunda em hipogástrio, sem sinais de irritação peritoneal difusa. Leucócitos 16.500/mm³ (VR 4.000–11.000) com desvio à esquerda. Tomografia de abdome e pelve com contraste: coleção pélvica organizada de 6 cm, com parede espessa e captante, e conteúdo com nível hidroaéreo, sem pneumoperitônio livre. Qual a conduta mais adequada?
Correta: Trata-se de abscesso intra-abdominal (pélvico) pós-operatório — complicação típica da apendicite perfurada. Para abscesso bem organizado, unilocular, > 3–4 cm e acessível por via percutânea, a conduta padrão-ouro é a drenagem percutânea guiada por imagem (TC/US) somada a antibioticoterapia, evitando a reabordagem cirúrgica. A laparotomia imediata é reservada a peritonite difusa, falha da drenagem ou coleções múltiplas/inacessíveis — não é a 1ª linha para abscesso único drenável. Antibiótico isolado tende a falhar em coleção organizada > 4 cm, que exige controle do foco (drenagem). Manter foco infeccioso não controlado com alta é inseguro e favorece sepse. A colonoscopia não tem papel no manejo agudo do abscesso e é contraindicada na fase inflamatória aguda pelo risco de perfuração.
Menino de 9 anos é levado pela mãe à emergência com dor abdominal difusa há 3 dias, que hoje se tornou intensa e generalizada. Ao exame: temperatura axilar de 39,2 °C, FC 130 bpm, abdome distendido, rígido, com dor difusa à palpação e descompressão brusca dolorosa em todo o abdome, além de ruídos hidroaéreos diminuídos. Leucograma com 19.000 leucócitos/mm³. A mãe relata que a dor teria começado 'perto do umbigo'. Qual é a interpretação mais provável do quadro e a conduta adequada?
A evolução de dor periumbilical que progride, após alguns dias, para dor difusa com abdome rígido, descompressão dolorosa generalizada, febre alta, taquicardia e leucocitose acentuada caracteriza apendicite complicada (perfuração) com peritonite difusa. A conduta é internação com ressuscitação volêmica, antibioticoterapia de amplo espectro e cirurgia de urgência. Gastroenterite e adenite mesentérica não cursam com abdome rígido e sinais peritoneais difusos, e a demora seria fatal. Apendicite não complicada com alta e antibiótico oral contradiz os claros sinais de peritonite, que exigem manejo hospitalar imediato.
Um homem de 24 anos procura a UPA com dor abdominal iniciada há cerca de 24 horas. Relata que a dor começou na região periumbilical, em cólica, e nas últimas horas migrou e se fixou na fossa ilíaca direita, tornando-se contínua. Refere náuseas, um episódio de vômito e hiporexia. Nega diarreia ou disúria. Ao exame: temperatura axilar de 37,9 °C, dor à palpação profunda da fossa ilíaca direita com descompressão brusca dolorosa nesse ponto e defesa muscular localizada. O restante do abdome é depressível. O leucograma mostra 14.200 leucócitos/mm³ com desvio à esquerda. Considerando o quadro clínico, qual é o diagnóstico mais provável e o achado semiológico que corresponde à dor à descompressão brusca na fossa ilíaca direita?
A cronologia clássica (dor periumbilical que migra e se fixa na fossa ilíaca direita), anorexia, febre baixa, leucocitose com desvio e irritação peritoneal localizada configuram apendicite aguda. A dor à descompressão brusca na fossa ilíaca direita é o sinal de Blumberg (irritação peritoneal localizada). Rovsing é dor na FID à compressão da fossa ilíaca esquerda, não descompressão local. Murphy é interrupção da inspiração à palpação do hipocôndrio direito (colecistite). Giordano é a punho-percussão lombar dolorosa (pielonefrite), incompatível com o quadro peritoneal descrito.
Um adolescente de 16 anos chega à unidade de pronto atendimento com dor em fossa ilíaca direita há 12 horas, anorexia e uma temperatura axilar de 37,7 °C. Ao exame, o médico observa que, ao comprimir a fossa ilíaca esquerda de forma profunda, o paciente refere dor na fossa ilíaca direita. Há também dor à palpação da fossa ilíaca direita, sem descompressão brusca evidente. O leucograma mostra 11.500 leucócitos/mm³. O achado provocado pela compressão da fossa ilíaca esquerda que desperta dor no lado direito corresponde a qual sinal semiológico, e o que ele sugere?
A dor referida na fossa ilíaca direita provocada pela compressão da fossa ilíaca esquerda é o sinal de Rovsing, que reforça a hipótese de apendicite aguda. Blumberg é a dor à descompressão brusca (não à compressão contralateral). O sinal do psoas é a dor à extensão da coxa direita, sugestiva de apêndice retrocecal, mas não é a manobra descrita. O sinal de Cullen (equimose periumbilical) associa-se a pancreatite hemorrágica/hemoperitônio e não tem relação com a manobra apresentada.
Homem de 22 anos procura unidade de pronto atendimento com dor abdominal iniciada há cerca de 20 horas na região periumbilical, que migrou para a fossa ilíaca direita nas últimas 8 horas. Refere anorexia e dois episódios de náusea, sem vômitos. Nega comorbidades, cirurgias prévias e uso de medicamentos. Ao exame: regular estado geral, temperatura axilar de 37,9 °C, frequência cardíaca de 96 bpm, pressão arterial de 120x76 mmHg. Abdome plano, doloroso à palpação da fossa ilíaca direita, com descompressão brusca dolorosa nesse ponto; ruídos hidroaéreos presentes; sem massas palpáveis. Hemograma: leucócitos 14.200/mm³ com 78% de neutrófilos. Considerando a pontuação obtida por esse paciente na escala de Alvarado, a conduta indicada é
O paciente soma 10 pontos na escala de Alvarado: dor migratória (1), anorexia (1), náusea (1), dor à palpação em fossa ilíaca direita (2), descompressão brusca dolorosa (1), temperatura ≥ 37,3 °C (1), leucocitose > 10.000/mm³ (2) e desvio à esquerda > 75% (1). Escores de 9 a 10 indicam alta probabilidade de apendicite aguda e, em quadro clínico típico como esse, justificam indicação cirúrgica sem necessidade de imagem adicional. Observação com reavaliação é conduta para escores intermediários (5-6) e não para alta probabilidade, com risco de perfuração pela demora. Tomografia é útil quando há dúvida diagnóstica ou apresentação atípica (extremos de idade, mulher em idade fértil), não sendo obrigatória em homem jovem com quadro clássico e Alvarado alto. Antibiótico isolado ambulatorial não é o padrão no SUS para apendicite não complicada, cujo tratamento definitivo é a apendicectomia.
Homem de 38 anos, previamente hígido, comparece ao pronto-socorro com dor em fossa ilíaca direita há 6 dias, contínua, associada a febre diária (até 38,5 °C) e hiporexia; não procurou atendimento antes e vinha usando dipirona por conta própria. Ao exame: estado geral preservado, corado, hidratado; temperatura axilar 38,2 °C; frequência cardíaca 92 bpm; pressão arterial 124x80 mmHg; abdome com massa dolorosa palpável em fossa ilíaca direita, sem sinais de irritação peritoneal difusa; ruídos hidroaéreos presentes. Hemograma: leucócitos 16.800/mm³ com desvio à esquerda; proteína C reativa elevada. Tomografia de abdome mostra coleção líquida organizada de 6 cm em fossa ilíaca direita, com apêndice espessado, sem pneumoperitônio nem peritonite difusa. A conduta inicial indicada é
Trata-se de apendicite aguda complicada com abscesso periapendicular (evolução arrastada, massa palpável e coleção organizada > 3-4 cm à tomografia), em paciente estável e sem peritonite difusa. A conduta inicial recomendada é o tratamento não operatório: internação, antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro cobrindo Gram-negativos e anaeróbios, associada à drenagem percutânea guiada por imagem da coleção; a apendicectomia, quando indicada, é realizada de forma postergada ("de intervalo") ou reservada para falha do tratamento conservador. A cirurgia imediata nesse cenário ocorre em plano inflamatório hostil e associa-se a maior taxa de complicações, fístulas e necessidade de ressecções ampliadas. Hemicolectomia direita não é a operação de escolha e não se indica de rotina apenas pelo tempo de evolução. Alta com antibiótico oral é insegura: há abscesso de 6 cm, febre e leucocitose, exigindo drenagem e monitorização hospitalar.
Homem de 22 anos, previamente hígido, procura a unidade de pronto atendimento com dor abdominal iniciada há 18 horas na região periumbilical, que migrou nas últimas 8 horas para a fossa ilíaca direita. Refere náuseas, dois episódios de vômitos e inapetência importante. Nega diarreia, disúria ou hematúria. Ao exame físico: regular estado geral, temperatura axilar de 37,9 °C, frequência cardíaca de 96 bpm, pressão arterial de 120x76 mmHg. Abdome plano, sem cicatrizes, doloroso à palpação profunda da fossa ilíaca direita, com descompressão brusca dolorosa nesse ponto e defesa muscular localizada. Hemograma com 14.500 leucócitos/mm³, neutrófilos 70%, sem desvio à esquerda. O escore de Alvarado foi calculado em 9 pontos. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Correta: escore de Alvarado de 7 a 10 indica alta probabilidade de apendicite aguda; em homem jovem com quadro clássico (dor migratória, Blumberg positivo, febre, leucocitose), o diagnóstico é clínico e a conduta é apendicectomia, sem necessidade de exame de imagem confirmatório — a conduta do generalista é acionar a cirurgia. A tomografia está reservada a casos de dúvida diagnóstica (escore intermediário, mulheres em idade fértil, extremos de idade) e retardá-la aumenta o risco de perfuração. Antibiótico oral ambulatorial não trata apendicite aguda não complicada em pronto atendimento do SUS e expõe o paciente a perfuração e peritonite. Observação seriada é a conduta para escores intermediários (5–6), não para 9 pontos.
Homem de 34 anos é atendido na unidade de pronto atendimento com dor abdominal há 7 dias, inicialmente periumbilical e depois fixa na fossa ilíaca direita, associada a febre diária de até 38,3 °C e inapetência. Não procurou atendimento antes e fez uso de analgésico comum em casa. Ao exame: bom estado geral, corado, hidratado, temperatura axilar de 38,0 °C, frequência cardíaca de 92 bpm, pressão arterial de 118x74 mmHg. Abdome com massa dolorosa, mal delimitada, palpável na fossa ilíaca direita, sem descompressão brusca dolorosa nos demais quadrantes e sem sinais de peritonite difusa. Leucócitos de 16.000/mm³. Tomografia de abdome evidencia plastrão apendicular com coleção organizada de 4 cm na fossa ilíaca direita, sem pneumoperitônio. Qual é a conduta mais adequada?
Correta: na apendicite complicada por abscesso/plastrão em paciente estável e sem peritonite difusa, a conduta recomendada é o tratamento não operatório inicial — internação, antibiótico endovenoso de amplo espectro cobrindo Gram-negativos e anaeróbios e drenagem percutânea guiada por imagem das coleções acessíveis (geralmente ≥ 3–4 cm), deixando a apendicectomia de intervalo para depois. Cirurgia imediata sobre o plastrão é tecnicamente difícil e associada a maior morbidade (fístula, necessidade de ressecção ileocecal), estando indicada apenas se houver peritonite difusa, sepse ou falha do tratamento clínico. Hemicolectomia de urgência por suspeita de neoplasia não se justifica em homem de 34 anos com quadro infeccioso agudo; a investigação de cólon, quando indicada, é eletiva. Alta com antibiótico oral é insegura diante de abscesso, febre e leucocitose de 16.000/mm³.
Um homem de 24 anos, previamente hígido, é atendido no pronto-socorro de um hospital geral com dor abdominal há 30 horas. A dor começou difusa, em região periumbilical, e há cerca de 20 horas concentrou-se na fossa ilíaca direita, tornando-se contínua e piorando à deambulação. Refere anorexia importante, náuseas e dois episódios de vômito. Ao exame físico: temperatura axilar de 38,1 °C, frequência cardíaca de 102 bpm, pressão arterial de 120 x 76 mmHg. Abdome plano, com dor intensa à palpação do ponto de McBurney e descompressão brusca dolorosa nesse ponto, sem sinais de irritação peritoneal difusa. Hemograma: leucócitos de 15.200/mm³ com 84% de neutrófilos. O serviço dispõe de equipe cirúrgica e centro cirúrgico disponíveis. A conduta indicada é
O paciente soma pontuação máxima ou próxima disso no escore de Alvarado (migração da dor, anorexia, náuseas/vômitos, dor em fossa ilíaca direita, descompressão brusca dolorosa, temperatura ≥ 37,3 °C, leucocitose > 10.000/mm³ e desvio à esquerda com neutrófilos > 75%), o que corresponde a alta probabilidade de apendicite aguda: em homem jovem com quadro clássico e escore alto, a conduta é a apendicectomia, sem necessidade de imagem confirmatória, que apenas retardaria o tratamento e aumentaria o risco de perfuração. A observação por 12 horas está indicada em escores intermediários/quadros duvidosos, não em quadro típico com 30 horas de evolução. A tomografia não é obrigatória: seu papel é dirimir dúvida diagnóstica (escore intermediário, extremos de idade, mulheres em idade fértil), e não confirmar o óbvio. O tratamento exclusivo com antibiótico não é a primeira linha no Brasil: a apendicectomia permanece o padrão, ficando o manejo não operatório restrito a situações selecionadas ou à indisponibilidade cirúrgica.
Homem de 24 anos procura a Unidade de Pronto Atendimento com dor abdominal iniciada há 18 horas na região periumbilical, que migrou para a fossa ilíaca direita. Refere anorexia, náuseas e um episódio de vômito. Ao exame: temperatura axilar 37,9 °C, FC 96 bpm, PA 120x76 mmHg, dor à palpação da fossa ilíaca direita com descompressão brusca dolorosa e defesa localizada. Hemograma: leucócitos 15.200/mm³ com 82% de neutrófilos. A UPA dispõe de referência cirúrgica pactuada na rede. Qual é a conduta mais adequada?
O escore de Alvarado soma 10 pontos: migração da dor (1), anorexia (1), náusea/vômito (1), dor à palpação em fossa ilíaca direita (2), descompressão brusca dolorosa (1), temperatura ≥ 37,3 °C (1), leucocitose > 10.000/mm³ (2) e desvio à esquerda > 75% (1). Escore ≥ 7 em homem jovem com quadro típico tem alta probabilidade de apendicite aguda e indica encaminhamento cirúrgico direto — correta. Tomografia: dispensável quando o escore é alto e o quadro é típico; atrasa a cirurgia e não muda a conduta. Antibiótico isolado com reavaliação: o tratamento não operatório não é o padrão no SUS para apendicite não complicada com indicação cirúrgica disponível, e retardar aumenta o risco de perfuração. Analgesia e alta: conduta insegura, ignora abdome agudo inflamatório com peritonite localizada.
Adolescente de 15 anos é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde por dor abdominal há 24 horas, que começou ao redor do umbigo e depois se localizou na fossa ilíaca direita. Perdeu o apetite e teve náuseas, sem diarreia, disúria ou hematúria. Ao exame: temperatura axilar 37,6 °C, dor à palpação do ponto de McBurney com descompressão brusca dolorosa e defesa localizada; restante do abdome sem alterações. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, anorexia, náusea, febre baixa e irritação peritoneal localizada no ponto de McBurney formam a apresentação clássica da apendicite aguda — correta; o caso deve ser referenciado da APS para avaliação cirúrgica. Gastroenterite: cursa com diarreia e dor difusa em cólica, sem defesa nem descompressão dolorosa localizada. Infecção do trato urinário: esperaria disúria, polaciúria ou dor lombar, ausentes aqui. Cólica nefrética: dor em cólica de forte intensidade com irradiação para a região inguinal, tipicamente com hematúria e sem sinais de peritonite.
Homem de 32 anos chega ao pronto-atendimento hospitalar com dor em fossa ilíaca direita há 6 dias e febre diária, com melhora parcial da dor nas últimas 48 horas. Ao exame: estável hemodinamicamente, temperatura axilar 38,2 °C, massa palpável dolorosa em fossa ilíaca direita, sem sinais de peritonite difusa. Leucócitos 16.000/mm³. Tomografia de abdome: coleção periapendicular bloqueada de 5 cm, sem pneumoperitônio e sem líquido livre difuso. Qual é a conduta inicial mais adequada?
Trata-se de apendicite complicada com abscesso periapendicular bloqueado (plastrão) em paciente estável e sem peritonite difusa: a conduta inicial recomendada é o tratamento não operatório — antibioticoterapia endovenosa com drenagem percutânea guiada por imagem das coleções acessíveis (> 3–4 cm) —, com reavaliação e eventual apendicectomia de intervalo — correta. Laparotomia de urgência: reservada a peritonite difusa, sepse ou falha do tratamento não operatório; nesse cenário a cirurgia precoce em campo inflamado aumenta morbidade e risco de ressecções ampliadas. Apendicectomia videolaparoscópica imediata: a premissa é falsa, pois o abscesso bloqueado é justamente a indicação clássica de manejo não operatório inicial. Alta com antibiótico oral: inadequada em paciente febril, com leucocitose e abscesso de 5 cm, que exige internação e drenagem.
Mulher de 26 anos procura a UPA com dor abdominal iniciada há 24 horas na região epigástrica, que migrou para a fossa ilíaca direita. Refere anorexia e uma náusea. Ao exame: bom estado geral, temperatura axilar de 37,0 °C, dor à palpação da fossa ilíaca direita, sem descompressão brusca dolorosa. Hemograma com 9.000 leucócitos/mm³, sem desvio à esquerda. A paciente nega atraso menstrual e o teste de gravidez é negativo. Considerando o escore de Alvarado e o contexto clínico, qual é a conduta mais adequada?
O escore de Alvarado soma 5 pontos (migração da dor 1 + anorexia 1 + náusea 1 + dor em FID 2 = 5), faixa intermediária (5-6), que não confirma nem exclui apendicite; a conduta recomendada é imagem (ultrassonografia como primeiro método em mulher jovem, útil também para diferenciais ginecológicos) e observação seriada. Apendicectomia imediata está indicada apenas em escores altos (7-10) ou diagnóstico firmado. Antibiótico isolado sem confirmação e sem definição de manejo não é apropriado nesta fase. Liberar como baixa probabilidade é incorreto, pois escore 5 é intermediário e não permite excluir o diagnóstico.
Homem de 22 anos é atendido em Unidade Básica de Saúde com dor há 18 horas que começou ao redor do umbigo e localizou-se na fossa ilíaca direita, associada a anorexia, vômitos e febre de 38 °C. Ao exame apresenta dor intensa à palpação da fossa ilíaca direita com descompressão brusca dolorosa e defesa localizada. A UBS não dispõe de recursos de imagem nem de laboratório de urgência. Qual é a conduta mais adequada nesse nível de atenção?
O quadro é altamente sugestivo de apendicite aguda com sinais de irritação peritoneal (dor migratória, Blumberg positivo, defesa, febre) — situação cirúrgica que exige avaliação e provável apendicectomia em tempo hábil. Na APS sem recursos, a conduta correta é o encaminhamento imediato entre níveis de atenção para serviço com retaguarda cirúrgica. Aguardar ultrassonografia ambulatorial em 48 horas atrasa o tratamento e eleva o risco de perfuração. Antibiótico oral domiciliar não substitui a avaliação cirúrgica de urgência. Colonoscopia é contraindicada no abdome agudo inflamatório e sem qualquer papel neste cenário.
Homem de 19 anos chega à UPA com dor abdominal que começou há 12 horas em região periumbilical e depois se deslocou para a fossa ilíaca direita, acompanhada de anorexia, náusea e febre baixa. Ao exame físico apresenta dor à palpação no ponto de McBurney, com descompressão brusca dolorosa (sinal de Blumberg positivo). Qual é o diagnóstico mais provável?
A dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, associada a anorexia, náusea, febre e dor no ponto de McBurney com Blumberg positivo, é o quadro clássico de apendicite aguda. A colecistite cursa com dor em hipocôndrio direito e sinal de Murphy. A diverticulite típica acomete a fossa ilíaca esquerda em pacientes mais velhos. A pielonefrite manifesta-se com dor lombar, disúria e sinal de Giordano positivo, não com irritação peritoneal em fossa ilíaca direita.
Mulher de 24 anos procura a Unidade Básica de Saúde (UBS) com dor abdominal iniciada há cerca de 24 horas na região periumbilical, que posteriormente migrou para a fossa ilíaca direita, associada a náuseas, anorexia e febre baixa. Ao exame físico, apresenta dor à palpação no ponto de McBurney, com descompressão brusca dolorosa (sinal de Blumberg positivo) nesse local. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
A dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, somada a anorexia, náuseas, febre e dor com descompressão no ponto de McBurney, é o quadro clássico de apendicite aguda, um abdome agudo inflamatório. A colecistite cursa com dor em hipocôndrio direito e sinal de Murphy. A diverticulite tipicamente dá dor em fossa ilíaca esquerda em pacientes mais velhos. A pancreatite causa dor em faixa no andar superior do abdome, irradiada ao dorso, e não localizada na fossa ilíaca direita.
Homem de 24 anos procura a UPA com dor abdominal iniciada há cerca de 18 horas na região periumbilical, que migrou para a fossa ilíaca direita (FID), associada a anorexia, náuseas e febre de 37,9°C. Ao exame, apresenta dor à palpação da FID com descompressão brusca dolorosa (Blumberg positivo); sinais vitais estáveis. Hemograma com 13.800 leucócitos/mm³. Qual o diagnóstico mais provável e a conduta apropriada quanto ao nível de atenção?
A dor migratória periumbilical→FID com anorexia, febre, Blumberg positivo e leucocitose é o quadro clássico de apendicite aguda, cujo tratamento é cirúrgico — logo, a conduta correta na UPA é estabilizar e encaminhar para serviço com retaguarda cirúrgica. Gastroenterite cursa com diarreia e não justifica peritonismo localizado. Cólica nefrética dá dor lombar em cólica com irradiação para região inguinal, sem sinal de irritação peritoneal em FID. Constipação não explica febre, leucocitose nem descompressão dolorosa, e retardaria um diagnóstico cirúrgico.
Mulher de 28 anos é atendida na UBS com dor em fossa ilíaca direita (FID) há 14 horas. Relata que a dor migrou do epigástrio, com anorexia e náuseas. Ao exame: dor à palpação da FID, SEM descompressão brusca dolorosa; temperatura axilar de 37,1°C. Hemograma: 9.400 leucócitos/mm³, sem desvio à esquerda. Aplicando o escore de Alvarado, a paciente soma 5 pontos (probabilidade intermediária). Qual a conduta mais adequada?
Com Alvarado 5 (faixa intermediária, 5–6), a probabilidade não é alta o bastante para indicar cirurgia imediata nem baixa o suficiente para alta: recomenda-se observação seriada e imagem (ultrassonografia como primeira linha, sobretudo em mulher em idade fértil). Apendicectomia de urgência sem confirmação se reserva a escores altos (7–8) ou quadro inequívoco. Alta simples é inadequada, pois escore 5 não afasta apendicite (baixa probabilidade seria <4). Antibiótico ambulatorial não é conduta padrão no SUS para suspeita ainda não confirmada e sem estratificação por imagem.
Homem de 40 anos chega à UPA com dor em fossa ilíaca direita há 6 dias, inicialmente periumbilical, evoluindo com febre e, agora, massa palpável e dolorosa em FID. Encontra-se em bom estado geral, sem sinais de peritonite difusa ou sepse. A ultrassonografia evidencia coleção organizada compatível com plastrão apendicular bloqueado, sem líquido livre volumoso. Qual a conduta inicial mais apropriada?
O plastrão/abscesso apendicular bloqueado, em paciente estável e sem peritonite difusa, é manejado inicialmente de forma conservadora — antibioticoterapia (e drenagem percutânea se abscesso organizado) — evitando cirurgia de urgência num campo inflamatório hostil, com apendicectomia de intervalo programada depois. Cirurgia aberta de urgência aumenta morbidade nesse cenário bloqueado. Alta apenas com sintomáticos ignora o processo infeccioso ativo. Colonoscopia imediata não é o passo inicial na fase aguda; a investigação de neoplasia, quando indicada, é feita eletivamente após a resolução do quadro.
Mulher de 24 anos procura a UPA com dor abdominal há 24 horas, iniciada em região periumbilical e que migrou para a fossa ilíaca direita, acompanhada de náuseas discretas. Nega anorexia, vômitos ou disúria; ciclos menstruais regulares, última menstruação há 10 dias. Ao exame: temperatura axilar 37,5 °C, abdome flácido, com dor à palpação da fossa ilíaca direita, sem descompressão brusca dolorosa. Exames: leucócitos 11.200/mm³ (segmentados 70%), β-hCG negativo, urina tipo I sem alterações. Considerando o escore de Alvarado aplicado ao caso, assinale a conduta mais adequada.
Somando o Alvarado da vinheta — migração da dor (1), náuseas (1), dor à palpação da FID (2), temperatura ≥37,3 °C (1) e leucocitose >10.000 (1), sem anorexia, sem descompressão dolorosa e sem desvio >75% — obtém-se escore 6, faixa intermediária (5–6), em que a recomendação é complementar a investigação com imagem (USG ou TC), sobretudo em mulher em idade fértil, cujo diferencial ginecológico é amplo; por isso a alternativa correta é a de imagem. A apendicectomia imediata sem imagem seria defensável em escore alto (≥7) com quadro típico, não no escore intermediário. A alta com analgesia ignora probabilidade intermediária de apendicite e risco de perfuração. A laparoscopia diagnóstica de entrada é invasiva e só se justifica quando a imagem é inconclusiva ou indisponível com forte suspeita.
Homem de 22 anos, previamente hígido, é atendido no pronto-socorro com dor abdominal há 36 horas, iniciada em região periumbilical e que migrou para a fossa ilíaca direita, acompanhada de anorexia, náuseas e um episódio de vômito. Nega diarreia ou sintomas urinários. Ao exame: temperatura axilar 38,1 °C, FC 98 bpm, dor intensa à palpação do ponto de McBurney, com descompressão brusca dolorosa (sinal de Blumberg) e dor na fossa ilíaca direita à compressão da fossa ilíaca esquerda (sinal de Rovsing). Leucograma: 14.800/mm³ com desvio à esquerda. Assinale o diagnóstico mais provável.
A vinheta é a apresentação clássica da apendicite aguda: dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita (cronologia de Murphy), anorexia, febre, sinais de Blumberg e Rovsing e leucocitose com desvio — nesse cenário o diagnóstico é clínico e dispensa dúvida. Linfadenite mesentérica é diferencial sobretudo em crianças, geralmente após infecção respiratória e sem Blumberg franco. A cólica ureteral produz dor lombar em cólica irradiada para região inguinal, sem peritonismo, e o paciente nega sintomas urinários. A ileíte de Crohn costuma ter história arrastada de diarreia, perda ponderal e sintomas prévios, não um quadro agudo típico de 36 horas com migração da dor.
Homem de 58 anos procura o pronto-socorro com dor na fossa ilíaca direita há 8 dias, com piora progressiva, febre vespertina e hiporexia; vinha se automedicando com analgésicos. Ao exame: regular estado geral, hemodinamicamente estável, temperatura 38 °C, massa dolorosa palpável na fossa ilíaca direita, sem sinais de peritonite difusa. Exames: leucócitos 16.500/mm³, proteína C reativa elevada. Tomografia de abdome com contraste: coleção líquida periapendicular com parede espessa e realce, medindo 5 cm, com apendicolito no interior, sem pneumoperitônio ou líquido livre difuso. Assinale a conduta inicial mais adequada.
Trata-se de apendicite complicada de apresentação tardia (>5 dias) com abscesso periapendicular ≥4–5 cm em paciente estável e sem peritonite difusa: a conduta preferencial é o tratamento não operatório com antibioticoterapia endovenosa e drenagem percutânea guiada por imagem, reservando-se a discussão de apendicectomia de intervalo e, por ter mais de 40 anos, colonoscopia eletiva após a resolução do quadro para excluir neoplasia. A cirurgia aberta de urgência no plastrão/abscesso tardio tem maior morbidade (fístula, ileocolectomia desnecessária) e só se impõe se houver peritonite difusa ou falha do tratamento conservador. Alta com antibiótico oral é insuficiente para coleção de 5 cm com sinais sistêmicos. A colonoscopia é pertinente, porém eletiva, após a fase aguda — realizá-la imediatamente sobre um abscesso é contraindicado pelo risco de perfuração.
Homem de 19 anos comparece ao pronto-socorro com dor abdominal iniciada há cerca de 18 horas. Refere que a dor começou em região periumbilical, em cólica, e nas últimas 6 horas migrou para a fossa ilíaca direita, tornando-se contínua e de forte intensidade, piorando ao caminhar e ao tossir. Associa anorexia importante, náuseas e dois episódios de vômito. Nega diarreia, disúria ou episódios semelhantes prévios. Ao exame: regular estado geral, Tax 37,8 °C, FC 96 bpm, PA 120x74 mmHg. Abdome com dor à palpação profunda no ponto de McBurney e descompressão brusca dolorosa localizada. Hemograma: leucócitos 14.200/mm³ com 82% de neutrófilos. Assinale o diagnóstico mais provável.
O quadro reúne os elementos clássicos do escore de Alvarado: dor migratória periumbilical para a fossa ilíaca direita, anorexia, náusea/vômito, dor à palpação em FID, descompressão dolorosa, febre ≥ 37,3 °C, leucocitose > 10.000 e desvio à esquerda — pontuação alta, com probabilidade muito elevada de apendicite aguda. Adenite mesentérica é diagnóstico de crianças/adolescentes, geralmente após infecção de vias aéreas, sem migração clássica da dor nem sinais de irritação peritoneal localizada. Cólica nefrética produz dor lombar em cólica com irradiação para a região inguinal, agitação psicomotora, hematúria e ausência de irritação peritoneal ou anorexia marcante. Ileíte por Yersinia pode mimetizar apendicite, mas cursa com diarreia e, na maioria das vezes, é diagnóstico intraoperatório ou de exclusão — não é o "mais provável" diante de vinheta clássica.
Homem de 32 anos procura a UPA com dor abdominal há 20 horas, inicialmente periumbilical e agora localizada em fossa ilíaca direita. Refere anorexia e uma náusea persistente, sem vômitos. Nega comorbidades e cirurgias prévias. Ao exame: bom estado geral, Tax 36,9 °C, FC 84 bpm, PA 126x78 mmHg. Abdome flácido, doloroso à palpação da fossa ilíaca direita, SEM descompressão brusca dolorosa e sem massas. Hemograma: leucócitos 9.200/mm³ (VR 4.000–11.000), neutrófilos 68% (VR até 75%). Urina tipo 1 sem alterações. Considerando o escore de Alvarado calculado para este paciente, assinale a conduta mais adequada neste momento.
O escore de Alvarado soma 5 pontos: dor migratória (1) + anorexia (1) + náusea (1) + dor à palpação em FID (2); não pontuam descompressão dolorosa (ausente), temperatura ≥ 37,3 °C (Tax 36,9), leucocitose > 10.000 (9.200) nem neutrofilia > 75% (68%). Faixa de 5 a 6 = probabilidade INTERMEDIÁRIA ("apendicite possível"), na qual as diretrizes (WSES/Jerusalém) recomendam propedêutica de imagem antes de decidir, sendo a TC de abdome com contraste o exame de maior acurácia em homem adulto. Apendicectomia imediata está reservada para escores altos (≥ 7–9) ou imagem confirmatória — operar com Alvarado 5 eleva a taxa de apendicectomia branca. Alta simples é insegura, pois escore intermediário não afasta apendicite em evolução. Antibiótico ambulatorial isolado não é tratamento validado sem diagnóstico confirmado de apendicite não complicada e sem seguimento hospitalar.
Mulher de 41 anos, previamente hígida, é internada com dor em fossa ilíaca direita há 6 dias, de início periumbilical, associada a febre aferida de até 38,5 °C, anorexia e queda do estado geral. Ao exame: Tax 38,1 °C, FC 98 bpm, PA 118x70 mmHg, abdome doloroso à palpação da fossa ilíaca direita, onde se palpa massa endurecida e mal delimitada, sem sinais de peritonite difusa. Leucócitos 17.400/mm³. Tomografia de abdome com contraste: coleção líquida organizada, com parede definida e realce periférico, de 6,5 cm em fossa ilíaca direita, adjacente ao ceco, sem pneumoperitônio. Assinale a conduta inicial mais adequada.
Trata-se de apendicite aguda complicada por abscesso periapendicular organizado (> 4–5 cm, com parede definida à TC) em paciente estável e sem peritonite difusa. As diretrizes brasileiras e da WSES recomendam manejo inicial NÃO operatório: antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro associada à drenagem percutânea guiada por imagem, reservando-se a apendicectomia de intervalo (ou colonoscopia/TC de seguimento em maiores de 40 anos, para afastar neoplasia) para um segundo tempo. Apendicectomia laparoscópica de urgência em plastrão/abscesso maduro cursa com maior morbidade, maior taxa de conversão, lesão de alças e fístula estercoral. Hemicolectomia direita não se justifica sem doença neoplásica ou necrose extensa do ceco. Antibiótico endovenoso isolado é aceitável apenas em coleções pequenas (< 4 cm) ou em plastrão sem abscesso drenável — com 6,5 cm a drenagem aumenta a taxa de sucesso do tratamento conservador.
Homem de 22 anos, previamente hígido, comparece à unidade de pronto atendimento relatando dor abdominal iniciada há cerca de 24 horas, inicialmente periumbilical, vaga e contínua, que nas últimas horas se localizou na fossa ilíaca direita, tornando-se mais intensa. Refere anorexia, náuseas e um episódio de vômito. Nega diarreia, disúria ou trauma. Ao exame: bom estado geral, PA 122/76 mmHg, FC 96 bpm, Tax 37,9 °C. Abdome plano, ruídos hidroaéreos presentes, doloroso à palpação da fossa ilíaca direita, com descompressão brusca dolorosa localizada nesse ponto e defesa voluntária. Exames: leucócitos 15.200/mm³ com desvio à esquerda; urina tipo I sem alterações. Assinale o diagnóstico mais provável.
A tríade clássica está presente: dor periumbilical que MIGRA para a fossa ilíaca direita (sinal de maior valor preditivo), anorexia com náuseas/vômitos e febre baixa, somada a leucocitose com desvio e irritação peritoneal localizada em FID — apendicite aguda (abdome agudo inflamatório), o diagnóstico mais comum nessa faixa etária. A úlcera perfurada cursa com dor súbita em facada, abdome em tábua e pneumoperitônio, e não com dor progressiva e migratória. A diverticulite acomete tipicamente pacientes acima dos 50 anos e dói na fossa ilíaca ESQUERDA. A obstrução por bridas exige cirurgia abdominal prévia (o paciente é hígido) e cursa com dor em cólica, distensão, vômitos e parada de eliminação de gases e fezes.
Mulher de 34 anos procura a UPA com dor abdominal há 24 horas, inicialmente periumbilical e que migrou para a fossa ilíaca direita, acompanhada de anorexia e náuseas. Nega vômitos, alterações urinárias e atraso menstrual (usa contraceptivo oral em uso regular). Ao exame: BEG, corada, afebril (Tax 37,2 °C), abdome com dor à palpação profunda em fossa ilíaca direita, sem descompressão brusca dolorosa e sem massas. Hemograma com 9.800 leucócitos/mm³, sem desvio à esquerda. Considerando a pontuação de Alvarado e a apresentação clínica, qual é a conduta mais adequada neste momento?
A paciente soma escore de Alvarado intermediário (migração 1 + anorexia 1 + náusea 1 + dor em FID 2 = ~5, sem febre, sem leucocitose >10.000, sem descompressão), o que NÃO autoriza indicação cirúrgica direta nem alta segura. Em mulher em idade fértil, com escore intermediário, a diretriz recomenda imagem (US ou TC) para confirmar apendicite e afastar causas ginecológicas/urinárias — daí a indicação de solicitar ultrassonografia ou tomografia de abdome. A apendicectomia de urgência imediata e a laparoscopia diagnóstica sem exames adicionais são precipitadas para escore intermediário; a alta com sintomáticos arrisca evolução para perfuração.
Homem de 22 anos, previamente hígido, chega ao pronto-socorro com dor abdominal há cerca de 24 horas que começou ao redor do umbigo e depois se localizou na fossa ilíaca direita. Refere anorexia, náuseas e um episódio de vômito. Ao exame apresenta febrícula (37,8 °C), dor à palpação no ponto de McBurney com descompressão brusca dolorosa (Blumberg positivo) em fossa ilíaca direita. Hemograma mostra 13.500 leucócitos/mm³ com desvio à esquerda. Qual é o diagnóstico mais provável?
O quadro é o padrão clássico da apendicite aguda: dor periumbilical que migra para a FID, anorexia, náusea/vômito, febrícula, dor em McBurney com Blumberg positivo e leucocitose com desvio à esquerda (Alvarado alto). A diverticulite é típica de idosos e acomete tipicamente a fossa ilíaca esquerda; a adenite mesentérica ocorre mais em crianças, após quadro viral, sem sinais de irritação peritoneal francos; a cólica nefrética cursa com dor em cólica lombar irradiada para a genitália e hematúria, sem febre/leucocitose relevante.
Homem de 40 anos comparece ao ambulatório de cirurgia com dor em fossa ilíaca direita que se iniciou há 6 dias. Relata que nos primeiros dias houve febre e anorexia, com melhora parcial dos sintomas nas últimas 48 horas. Ao exame encontra-se em bom estado geral, febril baixo (37,6 °C), e à palpação da fossa ilíaca direita percebe-se massa dolorosa, endurecida e mal delimitada, sem sinais de peritonite difusa. A tomografia de abdome evidencia apêndice espessado com coleção inflamatória bloqueada por alças e omento (plastrão apendicular), sem abscesso drenável significativo. Qual é a conduta inicial mais adequada?
Diante de plastrão/fleimão apendicular (quadro com >5 dias de evolução, massa bloqueada e sem abscesso drenável ou peritonite difusa), a conduta consagrada é conservadora: antibioticoterapia e suporte, reservando a apendicectomia de intervalo (6–8 semanas depois). A cirurgia de urgência sobre o plastrão é tecnicamente difícil e aumenta o risco de lesão de alças e complicações, sendo evitada nesse cenário; a hemicolectomia é desproporcional. A colonoscopia não é de urgência, embora a investigação de neoplasia possa ser feita eletivamente após a resolução, sobretudo em pacientes mais velhos.
Homem de 24 anos procura a unidade de pronto atendimento com dor abdominal iniciada há cerca de 18 horas na região periumbilical, que migrou para a fossa ilíaca direita nas últimas 8 horas. Refere anorexia importante desde o início do quadro, duas náuseas e um episódio de vômito. Nega comorbidades, cirurgias prévias ou uso de medicações. Ao exame: regular estado geral, temperatura axilar 37,9 °C, FC 96 bpm, PA 124x76 mmHg. Abdome plano, doloroso à palpação profunda em fossa ilíaca direita, com descompressão brusca dolorosa nesse ponto e defesa voluntária. Hemograma: leucócitos 13.500/mm³ com 78% de neutrófilos, hemoglobina 14,6 g/dL. Assinale a alternativa que apresenta corretamente a pontuação na escala de Alvarado e a conduta adequada para este paciente.
O paciente soma 10 pontos no Alvarado: migração da dor (1), anorexia (1), náusea/vômito (1), dor à palpação em FID (2), descompressão brusca dolorosa (1), temperatura ≥ 37,3 °C (1), leucocitose > 10.000 (2) e desvio à esquerda > 75% (1). Escore ≥ 9 tem valor preditivo positivo muito alto em homem jovem com quadro clássico, e a conduta é apendicectomia sem imagem adicional. Errada a opção de 5 pontos (subestima o escore e adia o tratamento de um quadro já definido); a de 7 pontos erra o cálculo e torna a TC obrigatória, o que só se justifica em escore intermediário (5–6) ou apresentação atípica; a de 8 pontos além de errar o escore propõe tratamento exclusivamente clínico com alta precoce, não recomendado como padrão fora de protocolos selecionados de apendicite não complicada com seguimento hospitalar.
Adolescente de 19 anos, sexo masculino, previamente hígido, é atendido na UPA com dor abdominal há 22 horas. Relata que a dor começou difusa, em torno do umbigo, em cólica, e há cerca de 10 horas se localizou no quadrante inferior direito, tornando-se contínua e piorando com a movimentação e com a tosse. Apresentou perda completa do apetite e um episódio de vômito. Nega diarreia, disúria, hematúria ou trauma. Ao exame físico: temperatura axilar 37,8 °C, FC 92 bpm, PA 118x72 mmHg. Abdome com dor à palpação do ponto de McBurney, descompressão brusca dolorosa nesse ponto e dor em fossa ilíaca direita à palpação profunda da fossa ilíaca esquerda. Hemograma com 14.200 leucócitos/mm³ e neutrofilia. Assinale o diagnóstico mais provável.
O quadro é o clássico da apendicite aguda: dor visceral periumbilical que migra e se torna somática em fossa ilíaca direita, anorexia, febre baixa, dor no ponto de McBurney, Blumberg positivo e sinal de Rovsing, com leucocitose e neutrofilia. Diverticulite de sigmoide cursa com dor em fossa ilíaca esquerda e é doença de faixa etária mais avançada. Cólica nefrética dá dor em cólica lombar com irradiação para região inguinal, sem irritação peritoneal e frequentemente com hematúria. Úlcera perfurada abre com dor epigástrica súbita e abdome em tábua, não com migração progressiva ao longo de horas.
Gestante de 27 anos, na 22ª semana de gestação, chega ao pronto-socorro obstétrico com dor abdominal há 14 horas, inicialmente periumbilical e agora localizada em flanco e quadrante inferior direitos, associada a náuseas e inapetência. Ao exame: temperatura axilar 37,6 °C, FC 100 bpm, PA 110x70 mmHg, útero com altura correspondente à idade gestacional, dor à palpação do quadrante inferior direito com discreta defesa, sem sinais de trabalho de parto; batimentos cardíacos fetais presentes e normais. Laboratório: leucócitos 15.100/mm³ com neutrofilia, PCR elevada, urina tipo I sem alterações. A ultrassonografia abdominal com compressão gradual não visualizou o apêndice e foi laudada como inconclusiva. Assinale o próximo passo mais adequado.
Na gestante com suspeita de apendicite e ultrassonografia inconclusiva, o exame de escolha é a ressonância magnética sem gadolínio, por não usar radiação ionizante e ter alta acurácia para o apêndice no 2º e 3º trimestres — a leucocitose isolada não decide, pois há leucocitose fisiológica na gestação. A TC expõe o feto à radiação e fica reservada quando a RM é indisponível e o quadro é urgente. Laparotomia imediata sem confirmação eleva a taxa de apendicectomia branca, que também traz risco obstétrico. Observação de 48 horas retarda o diagnóstico e aumenta o risco de perfuração, principal determinante de perda fetal.
Homem de 23 anos, previamente hígido, chega ao pronto-socorro com dor abdominal iniciada há 20 horas. A dor começou ao redor do umbigo, em cólica e mal localizada, e nas últimas 8 horas fixou-se na fossa ilíaca direita, tornando-se contínua. Refere perda de apetite desde o início e dois episódios de vômito, que começaram depois da dor. Ao exame: temperatura axilar 37,8 °C, PA 126 × 78 mmHg, FC 94 bpm; dor à palpação do ponto de McBurney, descompressão brusca dolorosa localizada e sinal de Rovsing positivo, sem defesa involuntária e sem irritação peritoneal difusa. Leucócitos 14.800/mm³ com 84% de neutrófilos. Ultrassonografia de abdome: apêndice não compressível medindo 9 mm, com líquido periapendicular discreto e sem coleções organizadas. Qual a conduta?
O quadro é típico e a ultrassonografia já fechou apendicite NÃO complicada: apêndice não compressível de 9 mm com líquido periapendicular e sem coleção. A conduta é apendicectomia laparoscópica, via preferida pela WSES 2025 (forte, 1A), programada para a próxima lista disponível dentro de 24 horas, com dose ÚNICA pré-operatória de antibiótico de amplo espectro (forte, 1A). A alternativa que acrescenta 5 dias de antibiótico no pós-operatório é a que mais atrai e erra no ponto que a diretriz destaca: em apendicite não complicada há recomendação CONTRA antibiótico pós-operatório (forte, 1A). A tomografia nada acrescenta com ultrassonografia já diagnóstica. O tratamento não operatório exigiria tomografia confirmando doença não complicada e ausência de apendicolito, e não é a conduta esperada. Alta é insegura: 20 horas de evolução é a janela em que a perfuração começa a entrar em cena.
Idoso de 81 anos com febre, leucocitose e dor abdominal pouco intensa, com exame abdominal pobre, é avaliado por suspeita de apendicite. Sobre a apendicite nessa faixa etária, é correto afirmar:
O idoso perfura mais e avisa menos. A mortalidade geral da apendicite fica abaixo de 1%, sobe para cerca de 3% na perfuração e chega a 15% quando o perfurado é idoso. Descartar apendicite porque o abdome está pouco doloroso é a armadilha: nessa faixa, o exame pobre é motivo para investigar mais, não menos.
Paciente submetido a apendicectomia laparoscópica por apendicite aguda NÃO complicada, com dose única de antibiótico profilático na indução anestésica. Segundo a diretriz de Jerusalém da WSES em sua edição de 2025, a conduta quanto ao antibiótico no pós-operatório é:
Na apendicite não complicada do adulto, a edição de 2025 sugere contra manter antibiótico no pós-operatório (sugestão condicional, certeza baixa): dose única profilática na indução e acabou. É a alternativa que mais gente marca errado no tema. Na criança a diretriz simplesmente não faz recomendação, por certeza muito baixa da evidência.
Sobre o tempo até a cirurgia e os cuidados intraoperatórios na apendicite aguda, segundo a WSES 2025, assinale a alternativa correta:
O teto de 24 horas da admissão até a cirurgia é recomendação forte. Na complicada, lavagem e dreno continuam desaconselhados, mas a força caiu na edição de 2025: aspiração isolada em vez de lavagem mais aspiração (sugestão condicional, certeza moderada) e evitar dreno de rotina (certeza baixa no adulto, muito baixa na criança). Quem cita 'recomendação forte' para isso está descrevendo a edição de 2020.
Gestante de 22 semanas com dor em fossa ilíaca direita e suspeita clínica intermediária de apendicite. A ultrassonografia não visualizou o apêndice. O próximo exame de imagem indicado é:
A escada na gestante é ultrassonografia e, quando ela é negativa ou inconclusiva com suspeita persistente, ressonância magnética (sugestão condicional, certeza moderada) — não tomografia. E lembre o segundo passo da questão: a edição de 2025 prefere a apendicectomia laparoscópica na gestante, admitindo o antibiótico isolado como alternativa só quando a cirurgia traz risco aumentado ou não está disponível.
Homem de 35 anos, estável, com apendicite aguda NÃO complicada confirmada por tomografia, sem apendicolito, em serviço com monitorização clínica adequada. Após decisão compartilhada, optou-se por tratamento com antibiótico isolado, com boa resposta e sem recorrência dos sintomas. Segundo a WSES 2025, o seguimento desse paciente deve incluir:
O antibiótico como alternativa à cirurgia na não complicada é sugestão condicional (certeza moderada), e só entra em cena com o cenário completo dos ensaios: imagem confirmando apendicite não complicada, sem apendicolito, paciente estável e decisão compartilhada. Tratado assim e sem sintoma persistente ou recorrente, o adulto não precisa de apendicectomia de intervalo de rotina nem de seguimento além de 30 dias. Em enunciado seco de pronto-socorro, sem imagem, a apendicectomia segue como conduta de referência.
Homem de 30 anos com escore de Alvarado de 6. A ultrassonografia de abdome laudou 'apêndice não visualizado, sem coleções'. A interpretação e a conduta corretas são:
Apêndice não visualizado é exame INCONCLUSIVO, não negativo — a ultrassonografia é operador-dependente. Com suspeita intermediária ou alta, o passo seguinte é tomografia de baixa dose (abaixo de 2 a 3 mSv, modalidade preferida no adulto onde disponível) ou observação com reexame; alta não é opção nessa faixa.
Após apendicectomia por apendicite COMPLICADA (perfurada, com controle adequado do foco), a duração do antibiótico terapêutico no pós-operatório recomendada pela WSES 2025 é de:
Na complicada, o antibiótico terapêutico começa já na espera pela cirurgia (recomendação forte, a de evidência mais sólida do documento) e segue por 2 a 3 dias no pós-operatório após controle adequado do foco — em vez dos 5 a 7 da edição anterior. Quem responde '3 a 5 dias' está na edição de 2020.
Homem de 24 anos com dor periumbilical que migrou para a fossa ilíaca direita, anorexia, dois vômitos após a dor, temperatura de 37,8 °C, dor à palpação do ponto de McBurney com descompressão dolorosa, leucócitos de 14.800/mm³ com 84% de neutrófilos. Sobre o escore de Alvarado desse paciente, é correto afirmar:
MANTRELS: Migração 1, Anorexia 1, Náusea/vômito 1, dor à palpação da fossa ilíaca direita (Tenderness) 2, Rebound 1, Elevação da temperatura 1, Leucocitose 2, desvio à esquerda (Shift) 1 — total 10. O Alvarado dispensa proteína C reativa (por isso sobrevive na primeira hora e na prova brasileira) e é bom para excluir abaixo de 5, não para confirmar.
Mulher de 26 anos com dor em fossa ilíaca direita, defesa localizada e atraso menstrual de 10 dias. Antes de solicitar qualquer exame de imagem, o exame indispensável é:
Gravidez ectópica rota se apresenta como dor em fossa ilíaca com defesa e mata rápido. O beta-hCG vem antes da tomografia, sempre — e o resultado muda qual exame de imagem você pede (ultrassonografia e ressonância na gestante, tomografia fora da gestação). Pedir imagem antes do beta-hCG é a armadilha clássica do tema.
Mulher de 63 anos, diabética, com dor em fossa ilíaca direita há 6 dias, febre de 38,5 °C e massa palpável, sem irritação peritoneal difusa e hemodinamicamente estável. Tomografia: coleção organizada de 6 cm adjacente a apêndice espessado, sem pneumoperitônio. Pela WSES 2025, a conduta mais adequada é:
Abscesso apendicular (grau 3C de Gomes) em paciente com 35 anos ou mais: a edição de 2025 sugere contra operar na fase aguda, porque a detecção de neoplasia apendicular chega a 14,3%. Trata-se com antibiótico (recomendação forte) e drenagem percutânea quando acessível, e depois entra a recomendação forte de apendicectomia de intervalo entre 6 e 12 semanas, com tomografia de controle e colonoscopia antes. Abaixo dos 35 anos a virada é para o outro lado: apendicectomia laparoscópica precoce.
Gestante de 30 anos, 28 semanas, com suspeita clínica forte de apendicite. A ultrassonografia abdominal foi realizada e não visualizou o apêndice, sem outras alterações. A paciente mantém dor e defesa. Qual é o exame de imagem a ser solicitado na sequência?
Quando a ultrassonografia é inconclusiva na gestante — o que acontece na maioria dos casos após 20 semanas, porque o útero desloca as alças e impede a compressão graduada — o exame seguinte é a ressonância sem gadolínio, que tem sensibilidade e especificidade acima de 90% para apendicite e não usa radiação ionizante. O gadolínio é evitado porque atravessa a placenta. A tomografia é o distrator forte: ela resolve o diagnóstico, mas expõe o feto a radiação e só entra quando a ressonância não está disponível e o quadro não permite espera. Repetir a ultrassonografia em 12 horas em paciente com defesa é ganhar perfuração, não ganhar diagnóstico.
Sobre o prognóstico fetal na apendicite aguda durante a gestação, qual afirmativa está correta?
O número que decide a conduta é este: perfuração multiplica a perda fetal por mais de dez vezes, de cerca de 2% para 30% ou mais, e a peritonite é o que mata o feto, não o bisturi. É por isso que se aceita uma taxa maior de apendicectomia negativa na gestante do que na população geral. Ainda assim, apendicectomia negativa não é inócua — associa-se a mais perda fetal e parto prematuro do que a ausência de cirurgia, o que justifica investir em ressonância antes de indicar. A laparoscopia, em mãos treinadas, é pelo menos tão segura quanto a laparotomia, e o risco de prematuridade é maior no terceiro trimestre.
Gestante de 19 semanas com apendicite aguda não complicada confirmada por ressonância. Está estável, afebril após analgesia, com leucócitos de 15.000/mm3. Qual é a conduta?
Apendicite confirmada na gestante é indicação de apendicectomia imediata, em qualquer idade gestacional, e a via laparoscópica é segura e preferida até o terceiro trimestre em serviços habituados. O risco de perda fetal salta de cerca de 2% na apendicite não complicada para mais de 30% quando há perfuração — ou seja, esperar é o que mata o feto, não operar. O tratamento antibiótico isolado é o distrator sedutor porque existe evidência dele em não gestantes selecionadas, mas a taxa de falha e recorrência não é aceitável quando a complicação custa a gestação. Interromper a gestação ou associar cesárea em feto de 19 semanas não tem qualquer racional.
Homem de 30 anos com dor abdominal há 6 dias apresenta massa palpável em fossa ilíaca direita. A tomografia mostra plastrão apendicular com abscesso de 6 cm. Está estável, sem peritonite difusa. Qual é a conduta inicial?
Diante de plastrão com abscesso em paciente estável, operar de imediato encontra um bloco inflamatório aderido em que a dissecção é difícil, com risco elevado de lesão de alça, ceco e íleo e de conversão para ressecção maior. A abordagem que reduz morbidade é drenar por via percutânea, tratar com antibiótico e reavaliar; a apendicectomia de intervalo é seletiva, discutida caso a caso, e no paciente acima de 40 anos é obrigatório investigar o cólon depois, pela chance de neoplasia oculta. Hemicolectomia de urgência num quadro inflamatório é desproporcional, e antibiótico oral isolado subtrata uma coleção de 6 cm.
Gestante de 34 semanas apresenta dor abdominal em hipocôndrio direito e febre. A equipe discute a topografia da dor na apendicite ao longo da gestação. Qual afirmativa descreve corretamente esse deslocamento?
O útero gravídico empurra o ceco e o apêndice para cima e para fora, e a partir do terceiro trimestre a dor da apendicite pode se localizar em flanco ou hipocôndrio direito. Essa é a razão de a apendicite na gestante ser diagnosticada mais tarde e perfurar mais. Achar que o ponto de McBurney vale em qualquer idade gestacional é o erro que mais atrasa a cirurgia — o ponto anatômico só é confiável no primeiro trimestre. Também é falso esperar dor à esquerda ou suprapúbica: o deslocamento é cranial e lateral, sempre à direita.
Gestante de 26 anos, 22 semanas, com dor periumbilical há 14 horas que migrou para o flanco direito, náuseas e anorexia. Temperatura 37,9 °C, dor à palpação profunda do flanco direito com defesa involuntária. Leucócitos 16.400/mm3 com 12% de bastões. Qual é a causa não obstétrica mais provável desse abdome agudo?
A apendicite é a emergência cirúrgica não obstétrica mais frequente na gestação (cerca de 1 em 1.500 gestações) e a história aqui é a clássica: dor visceral periumbilical que migra, anorexia e defesa localizada. Com o útero gravídico o ceco é deslocado para cima e lateralmente, então dor em flanco direito no segundo trimestre não afasta o diagnóstico — reforça. A pielonefrite é o distrator que mais engana porque também dá febre e dor em flanco, mas cursa com disúria, punho-percussão lombar francamente positiva e piúria com bacteriúria, sem migração da dor nem anorexia. Descolamento prematuro de placenta dá hipertonia uterina e sangramento, não defesa em flanco.
O sinal semiológico que consiste em dor na fossa ilíaca direita provocada pela palpação profunda da fossa ilíaca esquerda é denominado:
A dor referida à direita quando se comprime a fossa ilíaca esquerda é o sinal de Rovsing, atribuído ao deslocamento de gás e à distensão do ceco. Já a dor à extensão da coxa direita sugere apêndice retrocecal e a dor à rotação interna da coxa fletida sugere apêndice pélvico — ambas frequentemente confundidas com o anterior. A descompressão dolorosa em McBurney e a dor que piora com a tosse recebem outros epônimos e testam irritação peritoneal, não a manobra descrita.
Homem de 39 anos, hemodinamicamente estável após ressuscitação, com peritonite difusa por apendicite perfurada e abdome moderadamente distendido. Sobre a via de acesso cirúrgica, é correto afirmar:
Em paciente estável e com equipe habilitada, a laparoscopia permite inventariar toda a cavidade, tratar o foco e aspirar as coleções sob visão, com menos infecção de ferida do que a via aberta. A obrigatoriedade da via mediana engana por tradição, mas hoje se reserva à instabilidade, à distensão que impede o pneumoperitônio ou à falta de condições técnicas. A incisão em fossa ilíaca direita é justamente a pior escolha diante de peritonite difusa, por não dar acesso aos demais quadrantes, e o abdome aberto é medida de exceção na síndrome compartimental ou no controle de danos.
Idoso submetido a apendicectomia por quadro inflamatório em fossa ilíaca direita, com boa recuperação e anatomopatológico mostrando apendicite aguda supurada sem neoplasia. Qual conduta complementar está indicada?
Apendicite em idoso pode ser a manifestação de obstrução da luz apendicular por neoplasia de ceco ou de cólon ascendente, e a investigação endoscópica após a recuperação é o exame que responde a essa pergunta. Confiar apenas no anatomopatológico do apêndice engana, porque a peça mostra a consequência e não necessariamente a causa situada no cólon adjacente. O marcador tumoral isolado não serve para rastreamento e a ressecção complementar sem diagnóstico não se justifica.
Qual achado do exame de urina é comum na apendicite retrocecal e frequentemente induz ao diagnóstico equivocado de infecção urinária?
O apêndice retrocecal inflamado pode encostar no ureter direito e na bexiga, provocando leucocitúria e hematúria microscópica sem infecção verdadeira — daí a armadilha de rotular o quadro como infecção urinária e mandar o paciente para casa com antibiótico. Nitrito positivo com urocultura francamente positiva aponta para infecção urinária real, o que muda o raciocínio. Cilindros hemáticos e proteinúria nefrótica indicam doença glomerular, estranha ao contexto.
Homem de 46 anos teve dor inicialmente periumbilical há quatro dias, que migrou para a fossa ilíaca direita e hoje se tornou difusa e intensa. Temperatura 38,8 °C, FC 122 bpm, PA 96/58 mmHg e FR 26 irpm. Há defesa involuntária generalizada e descompressão dolorosa em todos os quadrantes. Lactato 3,4 mmol/L. Qual interpretação integra melhor a evolução descrita?
Defesa involuntária e descompressão dolorosa generalizadas indicam irritação peritoneal difusa. A sequência de dor periumbilical, depois em fossa ilíaca direita e finalmente generalizada, com febre e deterioração clínica, favorece apendicite complicada por perfuração. Hipotensão, taquipneia e lactato elevado sinalizam gravidade e possível hipoperfusão, exigindo avaliação urgente, ressuscitação e controle do foco. A confirmação etiológica depende da investigação e avaliação cirúrgica. Obstrução com estrangulamento e isquemia intestinal avançada também podem causar peritonite; não devem ser excluídas pela presença de defesa abdominal.
Paciente previamente hígido, sem uso recente de antibiótico, com peritonite secundária de origem apendicular adquirida na comunidade. Qual o esquema empírico mais apropriado?
Peritonite secundária comunitária de baixo risco exige cobertura de entéricos gram-negativos e de anaeróbios, e a associação de cefalosporina de terceira geração com metronidazol cumpre exatamente isso. O esquema com carbapenêmico e glicopeptídeo engana quem confunde gravidade clínica com risco de germe resistente: o espectro ampliado se reserva a infecção associada a cuidados de saúde, uso prévio de antimicrobiano ou colonização conhecida. Cobertura antifúngica não é rotina na peritonite comunitária e a ampicilina isolada deixa descobertos gram-negativos e anaeróbios.
Mulher de 27 anos, não gestante, com dor em fossa ilíaca direita há 12 horas e quadro clínico duvidoso. Qual a estratégia de imagem inicial mais adequada?
Em mulher jovem em idade fértil, a ultrassonografia com compressão gradual é o passo inicial porque evita radiação e avalia simultaneamente as causas ginecológicas que competem no diagnóstico diferencial; a tomografia entra quando o ultrassom não visualiza o apêndice ou permanece indeterminado. Partir direto para a tomografia engana porque é de fato o exame mais acurado, mas expõe desnecessariamente à radiação uma população em que o estudo escalonado resolve a maioria dos casos. A ressonância fica reservada sobretudo à gestante, e a radiografia simples não tem papel diagnóstico.
Durante apendicectomia em paciente com plastrão apendicular denso e base apendicular friável e comprometida, com dificuldade de identificar planos, qual a conduta mais segura?
Quando a base apendicular e o ceco estão comprometidos, sepultar o coto em tecido friável cria risco elevado de fístula estercoral, e a ileocecectomia com anastomose em tecido saudável é a saída tecnicamente segura. Fechar sobre tecido inflamado é justamente o erro que produz a fístula, e a drenagem ampla não compensa uma sutura destinada a soltar. Deixar base comprometida no lugar mantém foco de perfuração e infecção persistente.
Após tratamento não operatório bem-sucedido de abscesso apendicular em paciente de 33 anos, qual a orientação atual quanto à apendicectomia de intervalo?
A conduta atual é individualizar: parte relevante dos pacientes tratados sem operação nunca recidiva, e a decisão pesa idade, sintomas residuais, presença de apendicolito e necessidade de excluir neoplasia. Considerar a operação obrigatória para todos é a regra antiga, sustentada por décadas mas questionada pelos dados de recidiva relativamente baixa. Operar ainda na mesma internação contraria justamente o objetivo do tratamento não operatório, que é deixar o processo inflamatório esfriar.
Homem de 24 anos com dor abdominal há 18 horas que começou periumbilical e migrou para a fossa ilíaca direita, acompanhada de anorexia e um episódio de vômito. Temperatura 37,9 °C, dor à descompressão em ponto de McBurney, leucócitos 14.500/mm³ com desvio à esquerda. Considerando o escore de Alvarado, qual a conduta mais apropriada?
O somatório de dor migratória, anorexia, náusea, dor e descompressão dolorosa em fossa ilíaca direita, febre e leucocitose com desvio coloca o escore de Alvarado na faixa alta, na qual a probabilidade de apendicite é suficiente para indicar a operação em homem jovem com quadro típico, sem depender de imagem. A observação prolongada engana quem quer confirmação absoluta e custa perfuração, já que o risco cresce com o tempo de evolução. A apendicectomia de intervalo após antibiótico é estratégia de plastrão apendicular, não de apendicite aguda simples com poucas horas de evolução.
Paciente de 30 anos com apendicite aguda não complicada confirmada. Qual a conduta padrão?
A apendicectomia videolaparoscópica de urgência é o padrão na apendicite não complicada, com menos infecção de ferida, menos dor e retorno mais rápido às atividades do que a via aberta. O tratamento exclusivamente antibiótico engana porque tem respaldo em ensaios recentes, mas como estratégia seletiva e com recidiva relevante em vários anos de seguimento — não como conduta oferecida a todos. Drenagem percutânea se aplica a abscesso já formado, não ao apêndice inflamado sem coleção.
Sobre o tratamento não operatório da apendicite aguda com antibióticos, qual situação melhor caracteriza o candidato adequado?
A estratégia não operatória se aplica à apendicite não complicada, e a presença de apendicolito é justamente o fator que mais eleva a taxa de falha e de complicação, excluindo o paciente dessa via. Escolher o caso com apendicolito engana quem lembra apenas do rótulo não complicada e ignora esse critério de exclusão consagrado. Abscesso e pneumoperitônio configuram doença complicada, e idade avançada não é passe livre para evitar a operação — no idoso a apresentação atípica e o risco de perfuração pesam a favor de resolver o foco.
Durante apendicectomia por peritonite difusa, qual das condutas intraoperatórias deve ser evitada?
O dreno colocado por rotina após a limpeza em peritonite difusa não reduz abscesso residual, funciona como corpo estranho, obstrui rapidamente e pode favorecer fístula — deve ser evitado, ficando reservado a situações específicas como cavidade abscedada com parede definida. Aspirar coleções, remover fibrina acessível e inspecionar os recessos onde o pus decanta são etapas legítimas do controle do foco. A irrigação com soro aquecido é aceitável, desde que o líquido seja integralmente aspirado.
Paciente submetido a apendicectomia por apendicite perfurada com peritonite, com controle adequado do foco, apirético e com trânsito intestinal recuperado no quarto dia. Qual a duração recomendada da antibioticoterapia pós-operatória?
Depois de controle adequado do foco, um curso curto de aproximadamente quatro dias mostrou desfechos equivalentes a esquemas prolongados na infecção intra-abdominal complicada, e essa é a referência atual. Estender para duas semanas engana quem associa a palavra complicada a tratamento longo, mas apenas amplia resistência e efeitos adversos. Suspender no ato operatório é o extremo oposto e desconsidera que houve contaminação difusa já estabelecida, diferente da apendicite não complicada em que só há profilaxia.
Qual fator se associa a maior risco de perfuração na apendicite aguda?
O determinante mais consistente da perfuração é o atraso pré-hospitalar, ou seja, o tempo entre o início dos sintomas e a chegada ao serviço, o que explica taxas maiores em extremos de idade e em apresentações atípicas. Atribuir o risco ao analgésico opioide é a persistência do mito de que a analgesia mascara o quadro e retarda o diagnóstico, algo que os estudos não sustentam. A tomografia bem indicada tampouco aumenta perfuração, pois reduz operações desnecessárias sem atrasar de forma relevante o tratamento.
Homem de 41 anos, 10 dias após início de dor em fossa ilíaca direita tratada como lombalgia, apresenta febre, claudicação antálgica e dor à extensão do quadril direito. Tomografia mostra coleção no interior do músculo psoas direito contígua a apêndice perfurado. A conduta é:
O abscesso de psoas secundário a apendicite perfurada exige drenagem da coleção e tratamento do foco de origem, além do antibiótico — sem controlar o foco, a coleção recidiva. O antibiótico isolado engana porque coleções pequenas eventualmente respondem, mas em abscesso secundário estabelecido a drenagem é o que resolve. Abordar apenas o apêndice deixa para trás a coleção que sustenta a febre, e a articulação do quadril não está envolvida nesse cenário.
Por que a apendicite retrocecal costuma cursar com exame abdominal anterior pobre, sem defesa e sem descompressão dolorosa evidente?
Com o apêndice atrás do ceco, é a alça cheia de gás que fica entre o foco inflamatório e a parede abdominal anterior, de modo que o peritônio parietal anterior é pouco estimulado e a defesa não aparece — a irritação se manifesta contra o psoas, produzindo o sinal correspondente. Afirmar que não há inflamação transmural inverte a fisiopatologia, pois o processo evolui igual e por isso mesmo perfura com frequência. A obstrução luminal por fecalito ocorre independentemente da posição anatômica do órgão.
Homem de 29 anos com dor lombar direita e em flanco há 4 dias, febre baixa, disúria discreta e duas evacuações amolecidas por dia. Abdome pouco doloroso à palpação em fossa ilíaca direita, sem descompressão dolorosa, mas com dor à extensão passiva da coxa direita. Leucócitos 15.100/mm³. Urina com leucocitúria discreta e sem nitrito. A hipótese mais provável é:
Dor lombar e em flanco com exame abdominal anterior pobre, sinal do psoas positivo, febre e leucocitose, além de leucocitúria discreta sem nitrito por contiguidade com o ureter, compõem o retrato da apendicite retrocecal. A pielonefrite é o distrator mais frequente e responde por boa parte dos diagnósticos tardios, mas costuma cursar com urina francamente infectada e sem sinal do psoas. A cólica nefrética produz dor em cólica com irradiação para a genitália e sem febre nem leucocitose de padrão inflamatório.
Paciente com suspeita de apendicite retrocecal e ultrassonografia que não visualizou o apêndice. Qual o próximo exame indicado?
A não visualização do apêndice ao ultrassom é achado frequente na posição retrocecal, pela interposição de gás, e não afasta o diagnóstico — a tomografia com contraste é o exame que resolve, com alta sensibilidade também para as complicações. Repetir o ultrassom apenas consome tempo em uma situação em que o atraso é o principal fator de perfuração. Métodos como urografia e cintilografia não têm papel na investigação aguda do abdome agudo inflamatório.
Paciente de 52 anos tratado com sucesso de apendicite complicada com abscesso, sem colonoscopia recente. Qual conduta está indicada após a resolução?
Apendicite complicada em paciente acima de 40 anos, especialmente quando se apresenta como massa ou abscesso, pode ter neoplasia de ceco obstruindo a luz apendicular, e a investigação endoscópica após a resolução responde a essa pergunta. Confiar na tomografia da fase aguda engana, pois o intenso processo inflamatório mascara lesão parietal subjacente. Marcador tumoral isolado não rastreia, e ressecção profilática sem diagnóstico é desproporcional.
Homem de 35 anos com 6 dias de dor em fossa ilíaca direita, febre e massa palpável dolorosa nessa topografia, hemodinamicamente estável. Tomografia mostra plastrão inflamatório periapendicular com coleção organizada de 6 cm. A conduta inicial mais adequada é:
Diante de plastrão apendicular com abscesso organizado em paciente estável, a estratégia é o tratamento não operatório: antibiótico associado a drenagem percutânea da coleção acessível, porque operar um bloqueio inflamatório maduro tem alto risco de lesão de alças e de fístula estercoral. A apendicectomia imediata é o distrator que atrai quem aplica automaticamente a regra da apendicite aguda simples. A investigação endoscópica é pertinente, porém depois da resolução do processo agudo, e não como conduta inicial.
Paciente com plastrão apendicular evolui, após 48 horas de antibiótico, com febre persistente e piora da dor. Nova tomografia mostra coleção de 7 cm com paredes definidas, acessível por via percutânea. A conduta é:
Abscesso apendicular formado e acessível é indicação clássica de drenagem percutânea, que controla o foco sem a agressão de operar um campo inflamado e aderido. Manter apenas antibiótico engana porque coleção com parede não é penetrada adequadamente e o paciente continua séptico. Cirurgia nessa fase costuma exigir ressecções ampliadas por dificuldade de dissecção.
Homem de 34 anos com dor em fossa ilíaca direita há 6 dias, febre e anorexia. Ao exame: massa palpável dolorosa em fossa ilíaca direita, sem peritonite difusa, estável. Tomografia mostra apêndice espessado envolto por gordura inflamada e alças aderidas, formando bloqueio inflamatório, sem coleção drenável. A conduta inicial mais adequada é:
O plastrão é um bloqueio que o próprio organismo construiu, e dissecá-lo na fase aguda expõe a lesão de alças, fístulas e necessidade de ressecções maiores. Com antibiótico e observação a maioria evolui bem. Indicar apendicectomia imediata engana quem aplica o algoritmo da apendicite não complicada, no qual operar cedo é o correto. Drenagem se reserva a abscesso formado e acessível, ausente aqui.
Sobre o tratamento não operatório da apendicite aguda não complicada com antibiótico, é correto afirmar que:
Os ensaios mostraram que boa parte dos pacientes evita a cirurgia inicialmente, mas uma parcela relevante retorna com novo episódio, e a presença de fecalito é preditor consistente de falha e de complicação. Apresentar as duas estratégias como equivalentes engana o paciente na hora do consentimento. A abordagem não operatória é opção informada, não conduta padrão universal.
Homem de 22 anos com dor periumbilical que migrou para a fossa ilíaca direita há 14 horas, anorexia, náusea e febre de 37,9 °C. Ao exame, dor à palpação no ponto de McBurney com defesa localizada. Leucócitos 14.200/mm³ com desvio à esquerda. A conduta mais adequada é:
Homem jovem com história migratória clássica, sinais localizados e leucocitose tem probabilidade muito alta de apendicite, e o tratamento padrão continua sendo a apendicectomia, com vantagem da via laparoscópica em dor, infecção de ferida e retorno às atividades. Exigir tomografia em quadro típico engana por atrasar o tratamento e expor a radiação sem mudar conduta — a imagem é mais útil quando o quadro é atípico, em mulheres em idade fértil e em idosos.
Durante apendicectomia por suspeita de apendicite, encontra-se apêndice de aspecto normal e íleo terminal espessado, hiperemiado, com linfonodos mesentéricos aumentados. A conduta mais adequada é:
Ileíte encontrada no intraoperatório pode ser infecciosa ou primeira manifestação de doença inflamatória intestinal, e a conduta é conservadora: procurar outras causas, retirar o apêndice quando a base está sadia — para evitar dúvida diagnóstica futura — e investigar depois. Ressecar o íleo inflamado engana quem quer tratar o achado, mas expõe a fístulas e a ressecções desnecessárias em doença que responde a tratamento clínico.
Sobre os escores clínicos utilizados no diagnóstico da apendicite aguda, como o escore de Alvarado, é correto afirmar que:
Os escores organizam dados clínicos e laboratoriais em faixas de probabilidade e ajudam a evitar tanto cirurgia branca quanto alta indevida, mas têm desempenho variável conforme sexo, idade e prevalência local. Tratá-los como prova diagnóstica engana e substitui o exame físico repetido, que continua sendo a ferramenta mais valiosa em casos duvidosos.
Sobre a apendicectomia de intervalo após tratamento conservador bem-sucedido de plastrão ou abscesso apendicular, a orientação atual é:
A taxa de recorrência é relativamente baixa e a cirurgia de intervalo deixou de ser rotina, mas a preocupação central mudou: em pacientes mais velhos, um tumor de ceco ou do próprio apêndice pode se apresentar exatamente assim, e a investigação por colonoscopia ou a ressecção passa a ser indicada. Operar todos engana por expor pacientes a cirurgia desnecessária, e não operar ninguém arrisca deixar uma neoplasia sem diagnóstico.
Sobre a apendicite aguda em idosos, é correto afirmar que:
Resposta inflamatória atenuada, comorbidades e sintomas frustros retardam o diagnóstico, e a perfuração é bem mais frequente nessa faixa; além disso, tumores de ceco e do apêndice podem se manifestar como quadro apendicular. Supor apresentação exuberante engana e produz alta indevida de um paciente com abdome agudo em curso.
Mulher de 22 anos com dor em fossa ilíaca direita há 24 horas, febre de 38,3°C, anorexia, náuseas, leucocitose de 15.000/mm³ com desvio, beta-hCG negativo e dor à descompressão no ponto de McBurney. Ultrassonografia inconclusiva para os anexos. Qual a hipótese principal?
Dor que migra, anorexia, febre, leucocitose com desvio e sinal localizado no ponto de McBurney compõem a apresentação típica da apendicite — o diferencial ginecológico existe, mas nenhuma das causas anexiais explica bem a anorexia e a febre com desvio à esquerda em 24 horas. O cisto roto é o distrator que mais engana em mulher jovem, porém ele cursa com dor de início súbito, sem febre e sem leucocitose expressiva; a ectópica está afastada pelo beta-hCG negativo.
Gestante de 23 anos, com 24 semanas, chega ao pronto-atendimento com dor abdominal iniciada em região periumbilical e migrada para o flanco direito, associada a náuseas, anorexia e febre de 37,9 °C. Ao exame: dor à palpação do flanco direito com defesa, sinal de Blumberg duvidoso, útero gravídico. Leucócitos de 16.000/mm³. A ultrassonografia é inconclusiva por interposição do útero. Assinale a conduta apropriada.
Na suspeita de apendicite durante a gestação, quando a ultrassonografia é inconclusiva, a ressonância magnética sem contraste é o exame de escolha por não empregar radiação ionizante, e a apendicectomia não deve ser adiada, pois a perfuração eleva a morbimortalidade materna e fetal. Manter conduta expectante até o parto expõe a gestante a peritonite e perda fetal. A tomografia é alternativa quando a ressonância não está disponível, mas não é a primeira escolha por envolver radiação. Deslocamento cranial e lateral do apêndice pelo útero gravídico explica a localização atípica da dor, que não afasta o diagnóstico.
Mulher de 29 anos, na 22ª semana de gestação, chega ao pronto-socorro com dor abdominal iniciada em região periumbilical, migrando para o flanco direito, há 14 horas, com náuseas, anorexia e febre de 37,9 °C. Exame com dor à palpação em flanco direito e defesa localizada. Leucocitose de 16.000/mm³. Qual é a conduta diagnóstica mais adequada?
Na gestante com suspeita de apendicite, a ultrassonografia é o primeiro exame por ausência de radiação e, quando inconclusiva, a ressonância magnética é a alternativa segura e acurada. A tomografia expõe o feto à radiação ionizante e é reservada a situações em que os demais métodos não estão disponíveis e o risco de atraso supera o do exame. Observar por 72 horas aumenta o risco de perfuração, que eleva a morbidade materna e fetal. Laparotomia sem investigação em quadro potencialmente esclarecível por imagem é conduta desproporcional.
Homem de 50 anos, com quadro de dor abdominal e febre, é submetido a tomografia que evidencia apendicite aguda com plastrão inflamatório e abscesso de 5 cm em fossa ilíaca direita, com sintomas há 6 dias. Está estável, sem peritonite difusa. Qual é a conduta inicial mais adequada?
Apendicite bloqueada com abscesso em paciente estável é manejada inicialmente com antibiótico e drenagem percutânea, reduzindo a morbidade em comparação à cirurgia na fase inflamatória aguda. Apendicectomia imediata em plastrão organizado aumenta risco de lesão de estruturas adjacentes e de ressecções ampliadas. Alta com antibiótico oral não trata coleção volumosa. Colectomia direita de urgência é conduta desproporcional para doença inflamatória bloqueada.
Homem de 24 anos, com diagnóstico de apendicite aguda não complicada em tomografia, é avaliado no pronto-socorro. Está estável, com sintomas há 20 horas, sem apendicolito, sem abscesso e sem sinais de perfuração. O hospital dispõe de centro cirúrgico. Qual é o tratamento de escolha nesse cenário?
A apendicectomia permanece o tratamento padrão da apendicite aguda não complicada, com preferência pela via laparoscópica quando disponível, por menor dor e recuperação mais rápida. Antibiótico exclusivo é alternativa em casos selecionados e com maior taxa de falha e recidiva, não sendo o padrão. Drenagem percutânea trata abscesso, ausente neste caso. Observação sem tratamento expõe o paciente a perfuração e peritonite.
Homem de 22 anos chega à Unidade Básica de Saúde com dor abdominal iniciada há 14 horas em região periumbilical e agora localizada em fossa ilíaca direita, com náuseas, anorexia e febre de 37,9 °C. Ao exame: dor à descompressão brusca em fossa ilíaca direita e defesa localizada. Deambula com dificuldade por dor. Sem diarreia. Qual é a conduta correta?
Migração da dor para fossa ilíaca direita com anorexia, febre e sinais de irritação peritoneal caracteriza quadro de abdome agudo inflamatório com alta probabilidade de apendicite, exigindo encaminhamento imediato para avaliação cirúrgica. Analgesia com reavaliação tardia atrasa a cirurgia e favorece perfuração. Exame ambulatorial com retorno em dias é incompatível com a evolução do quadro. Antibiótico oral em domicílio não substitui a avaliação cirúrgica de urgência.
Criança de 5 anos é atendida na Unidade de Pronto Atendimento com febre e dor abdominal em fossa ilíaca direita há 24 horas, com anorexia e um episódio de vômito. Ao exame, há dor à descompressão brusca em fossa ilíaca direita, temperatura de 38,2 graus Celsius e leucocitose de 15.000 por milímetro cúbico com desvio à esquerda. Qual é a conduta?
Dor em fossa ilíaca direita com sinais de irritação peritoneal, febre e leucocitose com desvio configura suspeita de apendicite aguda, exigindo avaliação cirúrgica com jejum, hidratação e analgesia. O tratamento oral domiciliar retarda a cirurgia e aumenta o risco de perfuração. O antiespasmódico com alta pode mascarar a evolução. O exame parasitológico não responde à suspeita de abdome agudo cirúrgico.
Menino de 4 anos é levado ao pronto-socorro por dor abdominal difusa há 3 dias, com febre, vômitos e recusa alimentar, tendo sido medicado com sintomáticos em duas consultas anteriores por suspeita de virose. Ao exame apresenta-se prostrado, com temperatura axilar 39,2 °C, FC 156 bpm, PA 92x56 mmHg, abdome distendido, doloroso difusamente, com defesa involuntária e descompressão brusca dolorosa em todos os quadrantes. Leucócitos de 22.400/mm³ com desvio à esquerda e proteína C reativa muito elevada. A hipótese e a conduta corretas são:
Na criança pequena a apendicite tem apresentação inespecífica e evolui rapidamente para perfuração, de modo que dor difusa há três dias com febre alta, peritonite e leucocitose importante indica apendicite perfurada, cujo tratamento é ressuscitação volêmica, antibiótico de amplo espectro e abordagem cirúrgica. Gastroenterite viral não produz defesa involuntária e descompressão dolorosa generalizada. Adenite mesentérica é diagnóstico de exclusão e não cursa com peritonite difusa. Constipação funcional não explica febre alta, prostração e resposta inflamatória desse porte.
Menino de 7 anos é internado com dor abdominal há 6 dias, febre e vômitos, tendo procurado atendimento tardiamente. Ao exame apresenta temperatura axilar 38,4 °C, FC 118 bpm, PA 100x62 mmHg, abdome com massa dolorosa palpável em fossa ilíaca direita, sem defesa difusa nem sinais de peritonite generalizada. A tomografia de abdome mostra coleção organizada de 5 cm em fossa ilíaca direita com apêndice espessado, sem pneumoperitônio e sem líquido livre difuso. Está hemodinamicamente estável e tolera hidratação venosa. A conduta inicial mais adequada é:
O abscesso apendicular bloqueado em criança estável é conduzido inicialmente de forma não operatória, com antibiótico intravenoso e drenagem percutânea quando a coleção é acessível, pois a abordagem cirúrgica imediata do plastrão aumenta a morbidade e o risco de lesão intestinal. A apendicectomia imediata com dissecção do bloqueio é justamente a conduta associada a mais complicações nesse cenário. Alta com antibiótico oral é insegura diante de coleção organizada e febre. Colectomia direita é procedimento desproporcional para doença inflamatória apendicular.
Gestante de 29 anos, com 33 semanas, é internada com dor abdominal em fossa ilíaca direita há 18 horas, associada a náuseas, anorexia e febre de 38,2 °C. A dor migrou da região periumbilical. Ao exame, há dor à palpação profunda no flanco direito, com defesa localizada, e a descompressão brusca é duvidosa pela distensão do útero gravídico. Os leucócitos estão em 16.500/mm³ com desvio à esquerda, a proteína C reativa está elevada e o exame de urina é normal. A ultrassonografia foi inconclusiva. A conduta correta é
Diante de ultrassonografia inconclusiva na gestante com suspeita de apendicite, a ressonância magnética sem contraste é o exame de escolha por não usar radiação ionizante, e a apendicectomia não deve ser adiada, pois a perfuração eleva a mortalidade materna e a perda fetal. Observação prolongada com antibiótico exclusivo aumenta o risco de perfuração. A tomografia com contraste envolve radiação e é reservada a situações em que a ressonância não está disponível e a urgência é maior. Antecipar o parto não trata o foco infeccioso e acrescenta prematuridade.
Menina de 3 anos é levada ao pronto-socorro com dor abdominal há dois dias, febre, vômitos e recusa alimentar. A mãe relata que a criança melhorou brevemente ontem à tarde e depois piorou muito. Ao exame: prostrada, temperatura axilar 39 °C, taquicárdica, abdome distendido, doloroso difusamente, com defesa involuntária generalizada e descompressão brusca dolorosa, ruídos hidroaéreos diminuídos. Exames: leucocitose com desvio à esquerda e proteína C reativa muito elevada. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Em pré-escolares a apendicite costuma ser diagnosticada tardiamente por sintomas inespecíficos, e a melhora transitória da dor seguida de piora com peritonite difusa é o padrão que sugere perfuração, exigindo antibiótico e abordagem cirúrgica. Gastroenterite viral não produz defesa involuntária generalizada com descompressão dolorosa e provas inflamatórias nesse patamar. A invaginação cursa com dor em crises, massa palpável e fezes com sangue, sem peritonite difusa nessa apresentação. Constipação funcional não provoca febre alta, toxemia e sinais de irritação peritoneal.
Homem de 21 anos procura a Unidade de Pronto Atendimento com dor abdominal iniciada há 18 horas na região periumbilical, que migrou para a fossa ilíaca direita e se tornou contínua. Refere náuseas, um episódio de vômito e inapetência. Ao exame, temperatura axilar de 37,9 °C, frequência cardíaca de 96 bpm, dor à palpação profunda na fossa ilíaca direita com descompressão dolorosa localizada e defesa voluntária. Leucócitos de 14.500/mm³ com desvio à esquerda. A conduta mais adequada é:
Dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, anorexia, náuseas, febre baixa, dor à descompressão localizada e leucocitose com desvio compõem quadro clássico de apendicite aguda, com indicação de avaliação cirúrgica e apendicectomia, reservando exames de imagem para casos duvidosos, extremos de idade ou gestantes. Analgesia com alta ambulatorial arrisca perfuração e peritonite. Antibiótico domiciliar sem avaliação cirúrgica não é conduta segura nesse cenário. Colonoscopia é contraindicada em abdome agudo inflamatório pelo risco de perfuração.
Mulher de 34 anos chega ao pronto-socorro com dor em fossa ilíaca direita há sete dias, febre e massa palpável dolorosa na região. Ao exame, temperatura axilar de 38,3 °C, frequência cardíaca de 102 bpm, pressão arterial de 118 x 74 mmHg, abdome doloroso em quadrante inferior direito com massa palpável, sem sinais de peritonite difusa. A tomografia mostra coleção organizada de 6 cm em fossa ilíaca direita, com apêndice não individualizado e sem pneumoperitônio. A conduta inicial mais adequada é:
Em apendicite complicada com abscesso organizado e sem peritonite difusa, a estratégia inicial é antibioticoterapia com drenagem percutânea guiada por imagem, permitindo resolução do processo inflamatório e reduzindo a morbidade em relação à cirurgia imediata em meio a plastrão; a apendicectomia pode ser realizada posteriormente, conforme avaliação individual. Operar imediatamente em bloco inflamatório aumenta o risco de lesão de alças e fístulas. Alta com antibiótico oral e retorno em trinta dias ignora uma coleção significativa. Colectomia direita é procedimento desproporcional para essa apresentação.
Gestante de 26 anos, com 24 semanas, procura o pronto-socorro com dor abdominal há 20 horas, iniciada em região periumbilical e agora localizada no flanco direito, associada a náuseas e febre baixa. Ao exame, temperatura axilar de 37,8 °C, frequência cardíaca de 104 bpm, dor à palpação do flanco e quadrante superior direito, sem sinais de irritação peritoneal difusa, útero compatível com a idade gestacional e batimentos cardiofetais normais. Leucócitos de 15.000/mm³. Não há sintomas urinários e o exame de urina é normal. A conduta mais adequada é:
A apendicite é a causa não obstétrica mais frequente de abdome agudo cirúrgico na gestação, e o deslocamento cranial do apêndice pelo útero gravídico explica a dor em flanco e quadrante superior direito; a investigação inicial é ultrassonográfica e, quando inconclusiva, ressonância magnética, evitando radiação, sempre com avaliação cirúrgica ativa pelo risco de perfuração. Descartar pela localização atípica é erro clássico. Antibiótico para infecção urinária com exame normal não se justifica. Tomografia com radiação não é o primeiro exame em gestantes quando há alternativas.
Menina de 7 anos é levada ao pronto-atendimento com dor abdominal iniciada na região periumbilical há 20 horas, que migrou para a fossa ilíaca direita, associada a náuseas, um episódio de vômito e febre baixa. Ela recusa alimentos e caminha curvada, com dor ao subir na maca. Ao exame, apresenta temperatura de 37,9 °C, dor à palpação com defesa em fossa ilíaca direita, descompressão brusca dolorosa e dor à percussão. Os leucócitos estão em 15.400/mm³ com desvio à esquerda e o exame de urina é normal. A conduta correta é
Dor migratória para fossa ilíaca direita com sinais de irritação peritoneal, febre e leucocitose configura apendicite aguda com indicação cirúrgica, mantendo-se jejum, hidratação, analgesia e antibioticoterapia conforme protocolo. Antiespasmódico com alta domiciliar retarda o diagnóstico e favorece a perfuração. Exame de imagem ambulatorial com reavaliação em dois dias é incompatível com a evolução da doença. Antibiótico oral domiciliar não é o manejo de apendicite com peritonite localizada em criança.
Menino de 9 anos é levado ao pronto-atendimento com dor abdominal difusa e intensa há quatro dias, febre alta, vômitos e prostração, com piora progressiva. A dor iniciou em fossa ilíaca direita e melhorou por algumas horas antes de se tornar difusa. Ao exame, está toxemiado, taquicárdico, com abdome distendido, rígido, doloroso à palpação difusa e com descompressão brusca dolorosa generalizada, além de ruídos hidroaéreos ausentes. Os leucócitos estão em 22.000/mm³ com desvio e há acidose metabólica leve. A conduta correta é
Dor que melhora transitoriamente e depois se torna difusa, com abdome rígido, ruídos ausentes e toxemia, indica apendicite perfurada com peritonite, exigindo estabilização, antibioticoterapia endovenosa e abordagem cirúrgica de urgência. Observação com analgesia e reavaliação em 24 horas permite progressão para sepse. Exame ambulatorial é incompatível com a gravidade. Tratamento antibiótico exclusivo pode ser considerado em abscesso bloqueado selecionado, mas não em peritonite difusa com instabilidade.
Mulher de 26 anos chega ao pronto-socorro com dor abdominal em fossa ilíaca direita há 1 dia, náuseas e febre baixa. Ao exame apresenta temperatura axilar 37,8 °C, FC 96 bpm, PA 118x72 mmHg, dor à palpação em fossa ilíaca direita com descompressão dolorosa discreta, sem massas palpáveis, e o teste de gravidez é negativo. Os exames mostram leucocitose de 13.500/mm³ e a equipe discute qual exame de imagem solicitar antes de definir a conduta cirúrgica nessa paciente jovem. A conduta mais adequada é:
Em mulher jovem com suspeita de apendicite, a ultrassonografia é o exame inicial de escolha por ausência de radiação, boa disponibilidade e capacidade de avaliar também causas ginecológicas, reservando-se a tomografia para casos inconclusivos. Tomografia de primeira linha em todas as jovens expõe desnecessariamente à radiação. Operar sem imagem em quadro duvidoso aumenta apendicectomias negativas. Ressonância é alternativa útil em gestantes ou em casos selecionados, mas não é exame inicial de rotina na rede.
Homem de 26 anos chega ao pronto-socorro com dor abdominal difusa, náuseas e três episódios de diarreia há 1 dia, tendo sido classificado inicialmente como gastroenterite. Após 12 horas de observação, a dor concentrou-se em fossa ilíaca direita, com piora progressiva. Ao exame apresenta temperatura axilar 38,1 °C, FC 108 bpm, PA 118x72 mmHg, dor à palpação em fossa ilíaca direita com defesa e descompressão brusca dolorosa, e os exames mostram leucocitose de 16.400/mm³ com desvio à esquerda. A conduta mais adequada é:
A dor abdominal que migra e se localiza em fossa ilíaca direita, com defesa, descompressão dolorosa, febre e leucocitose, exige revisão do diagnóstico inicial e avaliação cirúrgica para apendicite, lembrando que diarreia pode ocorrer na apendicite pélvica e induzir a erro. Manter o rótulo de gastroenterite e liberar é a armadilha clássica que leva à perfuração. Antidiarreicos e antiespasmódicos mascaram a evolução. Aguardar coprocultura retarda a conduta em quadro com sinais peritoneais já presentes.
Homem de 34 anos chega ao pronto-socorro com dor em fossa ilíaca direita há 14 horas, febre baixa e anorexia. Ao exame apresenta temperatura axilar 37,8 °C, FC 96 bpm, PA 122x76 mmHg, dor à palpação em fossa ilíaca direita com descompressão dolorosa localizada, sem massas. Os exames mostram leucocitose de 14.800/mm³ e a tomografia evidencia apêndice espessado com densificação da gordura, sem abscesso, sem apendicolito e sem perfuração. A conduta mais adequada no contexto do serviço público brasileiro é:
A apendicectomia permanece o tratamento padrão da apendicite aguda não complicada, com baixa morbidade e resolução definitiva, embora o tratamento antibiótico exclusivo seja alternativa estudada em casos muito selecionados, com taxa relevante de recorrência e necessidade de seguimento estruturado. Tratar todos ambulatorialmente com antibiótico não é a conduta padrão. Observação sem tratamento permite perfuração. Colectomia direita é procedimento desproporcional, reservado a achados intraoperatórios específicos.
Homem de 48 anos chega ao pronto-socorro com dor abdominal em fossa ilíaca direita há 6 dias, febre e massa palpável, tendo procurado atendimento tardiamente. Ao exame apresenta temperatura axilar 38,4 °C, FC 108 bpm, PA 114x70 mmHg, massa dolorosa em fossa ilíaca direita, sem peritonite difusa e sem instabilidade hemodinâmica. A tomografia mostra coleção organizada de 7 cm com apêndice espessado, sem pneumoperitônio, e o paciente tolera hidratação venosa e antibiótico iniciado na admissão. A conduta inicial mais adequada é:
O abscesso apendicular bloqueado em paciente estável é conduzido inicialmente com antibioticoterapia e drenagem percutânea quando a coleção é acessível, adiando-se a apendicectomia, pois a abordagem imediata do plastrão aumenta a morbidade e o risco de lesão intestinal. Apendicectomia imediata nesse cenário é justamente a conduta associada a mais complicações. Alta com antibiótico oral é insegura diante de coleção volumosa e febre. Colectomia direita é desproporcional para doença inflamatória apendicular.
Homem de 52 anos é internado com quadro de apendicite aguda de evolução arrastada, com sete dias de sintomas. Ao exame: febril, com dor e massa palpável em fossa ilíaca direita, defesa localizada, sem sinais de peritonite difusa, e estabilidade hemodinâmica. A tomografia mostra coleção organizada de 6 cm em fossa ilíaca direita, com apêndice não individualizado, sem pneumoperitônio e sem sinais de perfuração livre. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
O abscesso apendicular organizado, em paciente estável e sem peritonite difusa, é habitualmente manejado com antibioticoterapia e drenagem percutânea guiada por imagem, com avaliação posterior sobre a necessidade de apendicectomia de intervalo, estratégia que reduz complicações em relação à cirurgia imediata sobre plastrão inflamatório. Cirurgia de urgência nesse cenário aumenta o risco de lesão intestinal e ressecções ampliadas. Antibiótico oral com alta é insuficiente. Não tratar mantém o foco séptico.
Gestante de 25 anos, com 21 semanas, é internada com dor abdominal difusa, náuseas e vômitos há um dia, com piora progressiva e localização em flanco direito. Ao exame, apresenta temperatura de 38 °C, dor à palpação em flanco e fossa ilíaca direita com defesa localizada, frequência cardíaca de 110 bpm e pressão arterial de 110x68 mmHg. Os leucócitos estão em 17.000/mm³ com desvio e o exame de urina é normal. A ultrassonografia é inconclusiva pela interposição de alças e pelo útero gravídico. A conduta correta é
Com ultrassonografia inconclusiva e suspeita clínica de apendicite na gestação, a ressonância magnética sem contraste é o exame de escolha por não usar radiação ionizante, e confirmada a apendicite a cirurgia não deve ser retardada, pois a perfuração eleva a perda fetal e a morbidade materna. Observação prolongada com antibiótico exclusivo aumenta o risco de perfuração. Tomografia com contraste é alternativa quando a ressonância não está disponível. Tratar como infecção urinária com exame de urina normal atrasa o diagnóstico.
Menino de 5 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com dor abdominal periumbilical iniciada há 12 horas, que migrou para a fossa ilíaca direita, associada a febre baixa, náuseas e anorexia. Ao exame: temperatura axilar 37,9 °C, dor à palpação da fossa ilíaca direita com descompressão brusca dolorosa localizada e defesa, sem sinais de peritonite difusa, com ruídos hidroaéreos presentes e desidratação leve. Exames: leucocitose com desvio à esquerda e proteína C reativa elevada. Qual é a conduta correta?
Dor abdominal com migração para a fossa ilíaca direita, anorexia, febre e sinais de irritação peritoneal localizada, com leucocitose, caracteriza apendicite aguda, que exige avaliação cirúrgica urgente, jejum, hidratação e analgesia, pois o retardo aumenta a taxa de perfuração, sobretudo em crianças pequenas. Antibiótico ambulatorial com reavaliação tardia permite a progressão para peritonite. Antiespasmódico mascara o quadro. Parasitológico não é prioridade diante de suspeita de abdome agudo cirúrgico.
Menina de 6 anos é levada ao pronto-socorro com febre alta, dor abdominal difusa e vômitos há três dias, com piora progressiva. A dor começou na região periumbilical e migrou para a fossa ilíaca direita, com melhora transitória ontem seguida de piora intensa. Ao exame: toxemiada, febril, taquicárdica, com abdome distendido, doloroso difusamente, com defesa involuntária generalizada e descompressão brusca dolorosa, ruídos hidroaéreos diminuídos e desidratação. Qual é a hipótese e a conduta?
Melhora transitória da dor seguida de piora com peritonite difusa, toxemia e sinais de desidratação em criança com quadro sugestivo de apendicite indica perfuração, exigindo estabilização hemodinâmica, antibiótico endovenoso de amplo espectro e abordagem cirúrgica. Gastroenterite viral não produz defesa involuntária generalizada com descompressão dolorosa. Constipação com fecaloma não cursa com febre alta e toxemia. Pielonefrite cursa com dor lombar e alterações urinárias, sem peritonite.
Homem de 24 anos é atendido no pronto-socorro com dor abdominal iniciada há 20 horas em região periumbilical, com migração para fossa ilíaca direita, associada a náuseas, anorexia e febre baixa. Ao exame: temperatura 37,9 °C, PA 122x76 mmHg, FC 96 bpm, dor à palpação em fossa ilíaca direita com descompressão dolorosa localizada, defesa voluntária, sem massa palpável, ruídos hidroaéreos presentes. Exames: leucócitos 15.400/mm3 com neutrofilia, proteína C reativa elevada, urina tipo I sem alterações. A conduta correta é:
Dor periumbilical com migração para fossa ilíaca direita, anorexia, febre baixa, descompressão dolorosa localizada e leucocitose com neutrofilia compõem quadro típico de apendicite aguda, cuja conduta é a apendicectomia, com antibioticoterapia perioperatória. Tratamento oral ambulatorial arrisca perfuração e peritonite. Colonoscopia é contraindicada na suspeita de apendicite aguda pelo risco de perfuração. Observação prolongada com analgesia isolada retarda o tratamento de uma condição com risco de complicação.
Mulher de 42 anos é atendida no pronto-socorro com dor abdominal em fossa ilíaca direita há seis dias, com febre e massa palpável. Ao exame: temperatura 38,2 °C, PA 118x74 mmHg, FC 98 bpm, massa dolorosa em fossa ilíaca direita, sem sinais de peritonite difusa, ruídos hidroaéreos presentes, abdome sem distensão importante. Exames: leucócitos 16.800/mm3, proteína C reativa muito elevada. Tomografia mostra plastrão apendicular com coleção organizada de 5 cm, sem pneumoperitônio e sem líquido livre difuso na cavidade abdominal. A conduta mais adequada é:
Plastrão apendicular com abscesso organizado e sem peritonite difusa é manejado inicialmente de forma conservadora, com antibioticoterapia e drenagem percutânea da coleção quando acessível, discutindo-se apendicectomia de intervalo conforme a evolução, pois a cirurgia imediata nesse cenário associa-se a maior morbidade. Laparotomia imediata em todos os casos aumenta complicações. Alta com analgesia arrisca sepse. Colonoscopia na fase aguda é contraindicada pelo risco de perfuração.
Mulher de 29 anos, gestante de 22 semanas, é atendida no pronto-socorro com dor abdominal iniciada há 18 horas em região periumbilical, migrando para o flanco direito, com náuseas e febre baixa. Ao exame: temperatura 37,8 °C, PA 110x68 mmHg, FC 100 bpm, dor à palpação em flanco direito com descompressão dolorosa, útero compatível com a idade gestacional, batimentos cardiofetais normais. Exames: leucócitos 16.200/mm3, proteína C reativa elevada, urina tipo I sem alterações. Ultrassonografia com apêndice espessado e não compressível. A conduta correta é:
Apendicite aguda na gestação exige apendicectomia, pois o retardo aumenta o risco de perfuração, peritonite, trabalho de parto prematuro e perda fetal, sendo a cirurgia segura quando indicada. Adiar até o pós-parto com antibiótico isolado é conduta de altíssimo risco. Tomografia não é obrigatória quando a ultrassonografia já é diagnóstica, evitando radiação. Observação prolongada com analgesia permite evolução para perfuração e complicações maternas e fetais graves.
Mulher de 36 anos é atendida no pronto-socorro com dor abdominal intensa em fossa ilíaca direita há 12 horas, com náuseas. Ela está no primeiro dia do ciclo menstrual e usa contraceptivo hormonal. Ao exame: temperatura 37,2 °C, PA 118x74 mmHg, FC 92 bpm, dor à palpação em fossa ilíaca direita com descompressão dolorosa discreta, toque vaginal com dor à mobilização do colo e à palpação anexial direita, sem massas volumosas. Exames: leucócitos 11.200/mm3, teste de gravidez negativo, urina tipo I sem alterações. Ultrassonografia pélvica mostra pequena quantidade de líquido livre e apêndice não visualizado. A conduta mais adequada é:
Dor em fossa ilíaca direita em mulher em idade fértil tem amplo diagnóstico diferencial entre causas ginecológicas e apendicite, e com apêndice não visualizado e achados inespecíficos a conduta é observação com reavaliações clínicas seriadas e complementação da investigação por imagem. Apendicectomia imediata sem definição aumenta cirurgias desnecessárias. Alta sem reavaliação arrisca perfuração. Tratar como doença inflamatória pélvica e encerrar a investigação pode mascarar apendicite em evolução.
Homem de 22 anos é atendido em unidade de pronto-atendimento com dor abdominal difusa iniciada há 24 horas, que migrou para a fossa ilíaca direita, com anorexia, náuseas e febre baixa. Ao exame: temperatura 37,9 °C, PA 120x74 mmHg, FC 100 bpm, dor à palpação em fossa ilíaca direita com descompressão dolorosa e defesa localizada, ruídos hidroaéreos presentes. Exames: leucócitos 15.400/mm3 com desvio à esquerda, proteína C reativa elevada, urina tipo I sem alterações significativas. A unidade não dispõe de serviço cirúrgico nem de leito de internação disponível no momento. A conduta correta é:
Quadro típico de apendicite aguda em unidade sem retaguarda cirúrgica exige suporte inicial com hidratação, analgesia e antibiótico conforme protocolo e acionamento imediato da regulação para transferência urgente, pois o retardo aumenta o risco de perfuração e peritonite. Liberar para retorno tardio é conduta grave. Antibiótico domiciliar sem avaliação cirúrgica é inadequado. Aguardar tomografia indisponível na unidade apenas retarda a transferência necessária.
Mulher de 26 anos chega à Unidade de Pronto Atendimento com dor abdominal iniciada há 18 horas na região periumbilical, que migrou para a fossa ilíaca direita, associada a anorexia, náuseas e um pico febril de 38,1 °C. Ao exame, há dor à descompressão em ponto de McBurney, sem dor à mobilização do colo uterino e sem corrimento. O teste de gravidez é negativo, os leucócitos estão em 15.400/mm³ e o exame de urina é normal. A ultrassonografia mostra anexos normais. Qual é a hipótese mais provável?
A migração da dor periumbilical para a fossa ilíaca direita com anorexia, febre, leucocitose e descompressão dolorosa localizada, com anexos normais e sem dor à mobilização do colo, é o quadro típico de apendicite aguda. A doença inflamatória pélvica cursa com dor à mobilização do colo e corrimento, ausentes no caso. A torção anexial provoca dor súbita e intensa, com anexo aumentado à imagem, o que não se observa. O cisto hemorrágico roto cursaria com dor súbita e líquido livre, sem a evolução migratória e o padrão inflamatório progressivo descrito.
Uma mulher de 34 anos, obesa, com apendicite aguda não complicada confirmada por tomografia, será operada em hospital que dispõe de equipe e material para videolaparoscopia. Ela está estável, sem sinais de peritonite difusa, com leucometria de 14.000 e temperatura de 37,8 °C. A equipe discute a via de acesso mais adequada, considerando o índice de massa corporal de 36 kg/m² e a incerteza diagnóstica em mulheres em idade fértil. Qual é a conduta mais adequada?
A via laparoscópica é preferencial na apendicite, especialmente em mulheres em idade fértil, nas quais permite avaliar causas ginecológicas, e em pacientes obesos, nos quais reduz infecção de ferida operatória, dor e tempo de recuperação. A incisão de McBurney em obesa oferece exposição limitada e maior taxa de infecção. Laparotomia mediana ampla é desproporcional para apendicite não complicada. Tratamento apenas antibiótico é alternativa em casos selecionados, mas não se impõe como conduta em serviço com recursos cirúrgicos disponíveis.
Um homem de 28 anos foi tratado com antibioticoterapia exclusiva por apendicite aguda não complicada há sete meses, com boa resposta inicial e alta em 48 horas. Ele retorna ao pronto-socorro com dor em fossa ilíaca direita, febre de 38 °C, náuseas e leucocitose de 15.000. A tomografia mostra apêndice espessado com apendicolito, sem abscesso ou perfuração, e ele está hemodinamicamente estável e sem comorbidades. Qual é a conduta mais adequada?
A recorrência da apendicite após tratamento antibiótico exclusivo, sobretudo na presença de apendicolito, é indicação de apendicectomia, pois o apendicolito é preditor consistente de falha do tratamento clínico e de complicação. Repetir o antibiótico com a mesma expectativa ignora esse fator preditivo. Drenagem percutânea se aplica a abscesso periapendicular, inexistente no caso. Observação sem antibiótico em paciente febril com apendicite confirmada expõe a perfuração e peritonite.
Mulher, 27 anos, G1P0, com 26 semanas, apresenta dor abdominal iniciada em região periumbilical há 20 horas, migrando para o flanco direito, com náuseas, vômitos e anorexia. T 38,0 °C, PA 112/70 mmHg, FC 108 bpm. Abdome doloroso à palpação do flanco direito, com defesa involuntária. Leucócitos 17.000/mm³ (VR 4.000–11.000) com desvio à esquerda. Urina tipo 1 sem alterações. Ultrassom inconclusivo pela interposição gasosa e pelo útero gravídico. Qual a conduta mais adequada?
Ressonância magnética de abdome sem contraste, seguida de apendicectomia se confirmada a apendicite, é a conduta correta: a ressonância tem alta acurácia, não usa radiação ionizante e é o exame de segunda linha quando o ultrassom é inconclusivo na gestante, e o tratamento definitivo continua sendo cirúrgico, pois a apendicite é a causa mais comum de abdome agudo não obstétrico na gestação e a perfuração eleva muito a perda fetal. O tratamento antibiótico isolado tem alta taxa de falha e recidiva, sendo inadequado como estratégia padrão na gestante com defesa abdominal. A tomografia expõe o feto a radiação ionizante e é reservada à indisponibilidade da ressonância. Repetir o ultrassom em 24 horas retarda o diagnóstico em quadro já com sinais de irritação peritoneal e febre. A laparotomia imediata sem imagem eleva a taxa de cirurgia branca, sendo a via laparoscópica preferível quando indicada.
Mulher, 26 anos, com dor em fossa ilíaca direita há 5 dias, febre e massa palpável dolorosa nessa topografia. PA 116/72 mmHg, FC 96 bpm, T 38,0 °C. Leucócitos 15.400/mm³ (VR 4.000–11.000). Tomografia: coleção de 6 cm em fossa ilíaca direita, com apêndice espessado em seu interior, sem pneumoperitônio nem sinais de peritonite difusa. Qual a conduta inicial mais adequada?
Na apendicite complicada por abscesso organizado (plastrão apendicular) sem peritonite difusa, a drenagem percutânea guiada por imagem com antibioticoterapia venosa é a conduta inicial, permitindo resfriar o processo e evitar dissecção em tecido friável. A apendicectomia de urgência nesse cenário aumenta a taxa de lesão de ceco e íleo terminal e de conversão para ressecções maiores. A colectomia direita é conduta desproporcional, reservada a suspeita de neoplasia ou a lesão extensa do ceco. A antibioticoterapia oral ambulatorial é insuficiente diante de coleção de 6 cm com febre e leucocitose. A laparotomia com ileostomia não tem papel na abordagem inicial do abscesso apendicular bloqueado, sendo medida de exceção em peritonite fecal grave.
Homem, 30 anos, previamente hígido, com dor periumbilical há 18 horas que migrou para a fossa ilíaca direita, associada a náuseas e anorexia. PA 124/78 mmHg, FC 92 bpm, T 37,9 °C. Abdome com dor à palpação no ponto de McBurney, descompressão dolorosa localizada e Blumberg positivo. Leucócitos 14.200/mm³ (VR 4.000–11.000) com desvio à esquerda. Escore de Alvarado calculado em 9 pontos. Qual a conduta mais adequada?
Homem jovem com migração clássica da dor, Blumberg positivo, leucocitose com desvio e escore de Alvarado de 9 tem probabilidade muito alta de apendicite, e a conduta é a apendicectomia sem necessidade de exame de imagem confirmatório, que apenas retardaria o tratamento. A tomografia é útil em quadros duvidosos, em mulheres em idade fértil e em idosos, cenários diferentes do descrito. A antibioticoterapia exclusiva é alternativa estudada em apendicite não complicada selecionada, mas apresenta recidiva expressiva e não é o padrão de tratamento. A ultrassonografia seriada é ferramenta para dúvida diagnóstica, sobretudo em crianças e gestantes. Observar por 24 horas eleva o risco de perfuração em quadro já com irritação peritoneal estabelecida.
Mulher, 29 anos, gestante de 22 semanas, com dor em fossa ilíaca direita há 12 horas, náuseas e febre. PA 112/70 mmHg, FC 104 bpm, T 37,9 °C. Dor à palpação em flanco direito com defesa localizada. Leucócitos 15.000/mm³ (VR 4.000–11.000); exame de urina sem alterações. Ultrassonografia abdominal inconclusiva pela interposição do útero gravídico. Qual o próximo exame de imagem mais adequado?
Na gestante com suspeita de apendicite e ultrassonografia inconclusiva, a ressonância magnética sem contraste é o exame de escolha, por acurácia elevada e ausência de radiação ionizante, sendo segura no segundo trimestre. A tomografia com contraste expõe o feto a radiação e deve ser reservada a situações em que a ressonância não esteja disponível e o benefício supere o risco. A radiografia simples tem baixíssima acurácia para apendicite e ainda irradia o feto. A cintilografia com leucócitos marcados também envolve radionuclídeo, tem demora de horas e não é usada nesse contexto agudo. Observar por 24 horas antes de repetir o ultrassom eleva o risco de perfuração, que na gestante se associa a perda fetal significativa.
Mulher, 36 anos, com quadro de dor abdominal aguda em fossa ilíaca direita, é submetida a videolaparoscopia diagnóstica por suspeita de apendicite. No intraoperatório, o apêndice apresenta-se normal, sem inflamação, e identifica-se área de ileíte terminal com linfonodos mesentéricos aumentados, sem perfuração e sem líquido purulento. O ceco e a base apendicular estão normais. Qual a conduta intraoperatória mais adequada?
Diante de apêndice macroscopicamente normal com ileíte terminal e base apendicular e ceco saudáveis, recomenda-se realizar a apendicectomia — evitando dúvida diagnóstica futura em quadros semelhantes — e investigar a ileíte no pós-operatório, cujas causas incluem doença de Crohn e infecções como Yersinia. Ressecar o íleo em quadro inflamatório de etiologia indefinida é agressivo e desnecessário. A colectomia direita não se justifica por linfonodomegalia reacional. Encerrar sem apendicectomia e sem investigação deixa o paciente sem diagnóstico e mantém a dúvida em episódios futuros. A ileostomia de proteção acrescenta morbidade sem qualquer indicação em ileíte sem perfuração nem obstrução.
Menino, 9 anos, apresenta há 30 horas dor abdominal que se iniciou em região periumbilical e migrou para a fossa ilíaca direita, associada a anorexia, náuseas e um episódio de vômito. T 37,9 °C, FC 104 bpm. Exame: dor à palpação no ponto de McBurney com descompressão dolorosa localizada e defesa voluntária. Leucócitos 15.600/mm³ (VR 4.000–11.000) com desvio à esquerda; PCR 62 mg/L (VR até 5). Ultrassonografia: apêndice com 9 mm, não compressível. Qual a conduta?
O quadro é de apendicite aguda não complicada, com história típica de migração da dor, sinais localizados, leucocitose e apêndice espessado e não compressível à ultrassonografia: a conduta é a apendicectomia com antibioticoprofilaxia perioperatória. O tratamento antibiótico isolado ambulatorial não é o padrão em crianças fora de protocolos selecionados e com seguimento rigoroso. A tomografia acrescenta radiação sem mudar a conduta quando a ultrassonografia já é diagnóstica em criança com quadro clássico. Observar por mais 48 horas aumenta o risco de perfuração. A drenagem percutânea é conduta de abscesso apendicular já formado, situação diferente da apendicite aguda não complicada.
Menina, 7 anos, apresenta dor abdominal há 6 dias, com febre persistente e piora progressiva, tratada inicialmente como virose. T 38,6 °C, FC 118 bpm. Exame: massa dolorosa palpável em fossa ilíaca direita, com defesa localizada, sem sinais de peritonite difusa. Leucócitos 19.200/mm³ (VR 4.000–11.000). Tomografia de abdome: coleção organizada de 6 cm em fossa ilíaca direita, com realce periférico, sem pneumoperitônio e sem líquido livre difuso. Qual a conduta inicial mais adequada?
Abscesso apendicular organizado, sem peritonite difusa, é manejado inicialmente de forma não operatória, com antibioticoterapia endovenosa associada à drenagem percutânea guiada por imagem quando a coleção é acessível, reservando-se a apendicectomia para um segundo tempo ou para falha do tratamento. A cirurgia imediata em plastrão inflamatório tem maior morbidade, com risco de lesão de alças e de ressecções ampliadas. Alta com antibiótico oral é inadequada em criança febril e taquicárdica com abscesso de 6 cm. Lavagem exclusiva sem drenagem adequada não resolve a coleção. Observar sem antibiótico é inaceitável em infecção intra-abdominal estabelecida.
Menino, 7 anos, apresenta há 3 dias febre, dor abdominal e vômitos, com evolução para dor localizada em fossa ilíaca direita. Foi submetido a apendicectomia, encontrando-se apêndice perfurado com peritonite localizada. No quinto dia de pós-operatório, mantém febre de 38,7 °C, dor abdominal e leucocitose de 19.000/mm³ (VR 5.000–15.000). A tomografia revela coleção pélvica de 5 cm com realce periférico e conteúdo heterogêneo, sem alças interpostas na janela de acesso. Qual a conduta indicada?
Abscesso intracavitário pós-apendicectomia, bem delimitado e com janela segura de acesso, é tratado por drenagem percutânea guiada por imagem associada a antibioticoterapia venosa, com menor morbidade que a reabordagem cirúrgica. A laparotomia ampla é reservada a coleções múltiplas inacessíveis, peritonite difusa ou falha da drenagem. Manter apenas antibiótico por seis semanas sem drenar mantém o foco sob pressão e prolonga a febre e a internação. Observar sem antibiótico é conduta inaceitável em criança febril com coleção formada. A colostomia derivativa não tem qualquer papel no tratamento de abscesso pélvico pós-apendicectomia.
Mulher, 29 anos, com 24 semanas, apresenta dor abdominal em quadrante inferior direito há 18 horas, com náuseas, anorexia e febre de 38,2 °C. FC 108 bpm, PA 112/70 mmHg. Ao exame, há dor à palpação com defesa localizada acima do ponto de McBurney habitual. Leucócitos 16.800/mm³ (VR 4.000–11.000), urina tipo 1 sem alterações, ultrassom inconclusivo, útero sem contrações e colo sem modificações. Qual hipótese é a mais provável e a conduta?
A hipótese mais provável é apendicite aguda, sugerida por dor migratória com defesa localizada, febre, anorexia e leucocitose, com o ponto de maior dor deslocado cranialmente pelo crescimento uterino, e a conduta é confirmar com ressonância magnética diante de ultrassom inconclusivo e proceder à apendicectomia, preferencialmente por via laparoscópica. O trabalho de parto prematuro cursaria com contrações e modificação cervical, ausentes. A cólica nefrética teria dor em cólica com irradiação lombar e alterações urinárias. O descolamento prematuro apresentaria hipertonia uterina e sangramento. A torção de mioma exigiria mioma pediculado conhecido e não explicaria a migração da dor com defesa em fossa ilíaca direita.
Lactente, 18 meses, apresenta há 3 dias febre, irritabilidade, vômitos e recusa alimentar, com distensão abdominal progressiva. Foi tratado como gastroenterite. Exame: criança toxemiada, com FC 180 bpm, abdome distendido, doloroso difusamente e com defesa involuntária. Leucócitos 23.000/mm³ (VR 6.000–17.500), PCR 190 mg/L (VR até 5). Ultrassonografia: líquido livre com debris em toda a cavidade e alças com paredes espessadas, sem apêndice individualizado. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Apendicite em lactentes é de diagnóstico tardio e frequentemente se apresenta já perfurada com peritonite difusa, como neste caso — criança toxemiada, com defesa involuntária, provas inflamatórias muito elevadas e líquido livre com debris, sem apêndice identificável à ultrassonografia. A gastroenterite não produz defesa involuntária, líquido livre com debris e PCR nessa magnitude. A invaginação cursa com dor em cólica intermitente e massa em salsicha, com imagem em alvo. A adenite mesentérica é autolimitada, com linfonodos aumentados e apêndice normal, sem peritonite. A constipação com fecaloma cursa com fezes palpáveis e ampola cheia, sem toxemia e sem líquido livre.
Menino, 5 anos, apresenta há 3 dias dor abdominal em fossa ilíaca direita, febre de 38,4 °C e vômitos. Foi submetido a apendicectomia videolaparoscópica, com achado de apêndice de aspecto normal. Durante o inventário da cavidade, observa-se conteúdo purulento em pelve e alças de íleo terminal espessadas em segmento de 20 cm, com linfonodos mesentéricos aumentados e serosa hiperemiada, sem perfuração e sem estenose. Qual a conduta intraoperatória mais adequada?
Diante de ileíte terminal encontrada em cirurgia por suspeita de apendicite, a conduta é realizar a apendicectomia — evitando dúvida diagnóstica futura na mesma fossa — coletar material para cultura e não ressecar o segmento acometido, já que a causa costuma ser infecciosa, como Yersinia, ou início de doença de Crohn, ambas de tratamento clínico. Ressecar o íleo inflamado sem obstrução ou perfuração expõe a fístulas e a perda intestinal desnecessária. A ileostomia derivativa é desproporcional. A colectomia direita ampliada é ainda mais agressiva e injustificada. Fechar sem apendicectomia e sem coleta perde a oportunidade diagnóstica e mantém a dúvida em episódios futuros.
Menino, 8 anos, com apendicite perfurada operada há 6 dias, mantém febre em picos, dor em hipogástrio, tenesmo e diarreia mucosa. Exame: T 38,7 °C, abdome doloroso em hipogástrio, sem rigidez; ao toque retal, abaulamento doloroso e flutuante na parede anterior do reto. Leucócitos 17.800/mm³ (VR 4.500–13.500). Tomografia: coleção pélvica de 5 cm com realce periférico, sem outras coleções abdominais. Qual a conduta?
Abscesso pélvico pós-apendicectomia, com coleção organizada de 5 cm e sintomas de irritação retal, deve ser drenado, preferencialmente por via transretal quando abaulado e acessível, ou por punção guiada por imagem, associando-se antibioticoterapia. A laparotomia ampla é mais mórbida e reservada a falha das opções menos invasivas ou a coleções múltiplas inacessíveis. Manter apenas antibiótico por mais 14 dias mantém a coleção não drenada e o quadro febril. Alta com antibiótico oral é inaceitável em criança febril com abscesso documentado. O enema evacuatório trata constipação e nada resolve na coleção purulenta.
Mulher, 31 anos, apresenta dor abdominal aguda em fossa ilíaca direita, com náuseas e febre baixa há 10 horas. É gestante de 8 semanas. PA 112/70 mmHg, FC 100 bpm, T 37,7 °C. Ao exame, há dor à palpação em fossa ilíaca direita com defesa localizada. Leucócitos 15.800/mm³ (VR 4.000–11.000). A ultrassonografia mostra estrutura tubular não compressível de 9 mm em fossa ilíaca direita, com líquido periapendicular e gestação tópica viável. Qual a conduta indicada?
Apendicite aguda diagnosticada na gestação exige apendicectomia sem demora, podendo ser realizada por videolaparoscopia com segurança, associada a monitorização obstétrica e cuidados anestésicos específicos, pois a perfuração eleva substancialmente o risco de perda fetal. O tratamento conservador com antibiótico até o segundo trimestre expõe a gestante e o feto ao risco de perfuração e peritonite. A interrupção da gestação não tem qualquer indicação e não é necessária para o tratamento. Observar por 48 horas em quadro já caracterizado favorece a perfuração. A cesariana com 8 semanas de gestação é inconcebível, pois o feto não é viável e a gestação não deve ser interrompida.
Menina, 9 anos, apresenta há 4 dias febre, dor abdominal e vômitos, com diagnóstico inicial de gastroenterite. Evolui com piora da dor em quadrante inferior direito, febre persistente e distensão. T 38,9 °C, FC 132 bpm, PA 98/58 mmHg. O abdome apresenta defesa e descompressão dolorosa difusa. Leucócitos 22.000/mm³ (VR 5.000–15.000); PCR 210 mg/L (VR < 5). A tomografia mostra apêndice perfurado com líquido livre difuso e ar extraluminal. Qual a conduta indicada?
Apendicite perfurada com peritonite difusa em criança exige ressuscitação volêmica, antibiótico de amplo espectro e apendicectomia com lavagem da cavidade para controle do foco. A antibioticoterapia isolada é opção apenas em abscesso bloqueado sem peritonite difusa, e não neste cenário. A drenagem percutânea se aplica a coleções organizadas, não a líquido livre difuso com contaminação generalizada. Observar por mais 24 horas em criança com peritonite e resposta inflamatória intensa aumenta a morbidade e o risco de sepse. A colectomia direita não é o procedimento indicado para apendicite perfurada, sendo reservada a suspeita de neoplasia ou lesão extensa do ceco.
Mulher, 37 anos, apresenta há 6 horas dor abdominal intensa em quadrante inferior direito, com náuseas. PA 116/72 mmHg, FC 98 bpm, T 37,4 °C. O exame mostra dor à palpação em fossa ilíaca direita com defesa localizada. Beta-hCG negativo. Leucócitos 13.400/mm³ (VR 4.000–11.000). A ultrassonografia é inconclusiva pela interposição gasosa, e a paciente mantém a dor apesar da analgesia administrada na admissão. Qual o próximo passo mais adequado?
Em mulher em idade fértil com dor em fossa ilíaca direita, beta-hCG negativo e ultrassonografia inconclusiva, a tomografia de abdome com contraste tem alta acurácia para apendicite e para os diferenciais ginecológicos e urológicos, orientando a decisão cirúrgica e reduzindo apendicectomias negativas. A laparotomia imediata sem exame em quadro duvidoso aumenta cirurgias desnecessárias. A alta hospitalar com dor persistente e leucocitose é insegura. Repetir a ultrassonografia por três dias retarda o diagnóstico e favorece a perfuração. O antibiótico empírico prolongado sem diagnóstico mascara a evolução e não substitui a investigação.
Menina, 7 anos, apresenta há 4 dias febre e dor abdominal, com vômitos. Ao exame, apresenta dor difusa com defesa em quadrante inferior direito e sinal de Blumberg positivo. T 38,6 °C, FC 130 bpm. Leucócitos 18.600/mm³ (VR 5.000–15.000). A ultrassonografia mostra apêndice espessado com 9 mm, líquido periapendicular e ausência de coleções organizadas. A criança está hidratada e não apresenta instabilidade hemodinâmica. Qual a conduta indicada?
Apendicite aguda com irritação peritoneal e achados ultrassonográficos compatíveis é tratada com apendicectomia associada a antibioticoterapia perioperatória, que é o padrão de cuidado na criança. A antibioticoterapia exclusiva é estratégia estudada em casos não complicados selecionados, mas apresenta recidiva relevante e não é o padrão. A drenagem percutânea se aplica a abscesso organizado, expressamente ausente. Observar por mais 48 horas eleva o risco de perfuração e de complicações. A colectomia direita não é o procedimento indicado para apendicite, sendo reservada a achados de neoplasia ou lesão extensa do ceco.
Homem, 29 anos, é atendido no pronto-socorro com dor em fossa ilíaca direita, náuseas e febre baixa há 12 horas, com piora progressiva. Exame: T 37,8 °C, dor à palpação em fossa ilíaca direita com descompressão dolorosa, Blumberg positivo, sem massa palpável. Leucócitos 15.400/mm³; urina I com discreta hematúria e leucocitúria, sem nitrito. Ultrassonografia sem hidronefrose e com achado inconclusivo em fossa ilíaca direita, sem cálculos visualizados. Qual a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta?
Dor em fossa ilíaca direita com irritação peritoneal, febre e leucocitose aponta para apendicite aguda, e a discreta hematúria e leucocitúria podem ser reacionais pela proximidade do apêndice inflamado com o ureter e a bexiga, não devendo desviar o raciocínio. Cólica renal cursa com dor em cólica irradiada para a região inguinal, sem irritação peritoneal, e a ultrassonografia não mostrou hidronefrose. Pielonefrite cursaria com punho-percussão lombar dolorosa e nitrito positivo, sem Blumberg. Torção testicular exigiria dor escrotal, não descrita. Prostatite cursaria com sintomas miccionais e próstata dolorosa ao toque retal.
Homem, 29 anos, sem comorbidades, apresenta dor em fossa ilíaca direita há 20 horas, com náuseas. PA 124x76 mmHg, FC 88 bpm, T 37,6 °C. Abdome doloroso em fossa ilíaca direita, sem peritonismo. Leucócitos 13.100/mm³ (VR 4.000–11.000); proteína C-reativa 42 mg/L (VR abaixo de 5). Tomografia mostra apêndice de 9 mm, sem apendicolito, sem coleção, sem ar extraluminal e sem sinais de perfuração. Sobre o tratamento antibiótico exclusivo nessa situação, é correto afirmar que:
É correto afirmar que o tratamento antibiótico exclusivo é opção aceitável na apendicite não complicada, com parcela relevante de pacientes necessitando de apendicectomia no seguimento. Dizer que substitui a cirurgia sem chance de recidiva ignora as taxas de recorrência observadas em ensaios randomizados. Indicar o antibiótico exclusivo justamente quando há apendicolito contraria a evidência, pois esse achado é preditor de falha. Afirmar contraindicação absoluta em apendicite não complicada nega a literatura que sustenta a estratégia. Atribuir mortalidade maior ao tratamento clínico não corresponde aos resultados dos estudos comparativos.
Mulher, 44 anos, tratada há 8 semanas com drenagem percutânea e antibiótico por abscesso apendicular, encontra-se assintomática, com dreno já retirado. PA 122x76 mmHg, FC 72 bpm, T 36,4 °C, exame abdominal normal. Leucócitos 7.400/mm³ (VR 4.000–11.000). A tomografia de controle mostra resolução completa da coleção, sem massa residual, mas há espessamento focal do ceco adjacente ao apêndice. Qual a conduta indicada?
A colonoscopia para investigar o espessamento cecal, com programação da apendicectomia, é a conduta indicada: após abscesso apendicular tratado de forma conservadora em adulto, é obrigatório excluir neoplasia do ceco ou do apêndice antes de considerar o episódio encerrado. Repetir a drenagem sem coleção não tem alvo. Prolongar o antibiótico por trinta dias não investiga nem trata a alteração encontrada. A hemicolectomia direita imediata é agressiva sem diagnóstico histológico. A alta sem seguimento é justamente a conduta que deixa passar neoplasias diagnosticadas nesse contexto.
Menino, 8 anos, apresenta dor abdominal difusa há 2 dias, com predomínio em fossa ilíaca direita, precedida de quadro de faringite há 1 semana. Mantém apetite preservado. FC 96 bpm, T 37,7 °C. Abdome doloroso à palpação, sem defesa involuntária, com dor que muda de local a cada exame. Leucócitos 11.800/mm³ (VR 4.000–11.000). A ultrassonografia mostra apêndice de 5 mm compressível e múltiplos linfonodos mesentéricos aumentados. Qual a conduta indicada?
A observação clínica com analgesia e reavaliações seriadas é a conduta indicada: apêndice compressível e de calibre normal, linfonodos mesentéricos aumentados, apetite preservado e antecedente de infecção de vias aéreas apontam adenite mesentérica, quadro autolimitado. A apendicectomia imediata operaria um apêndice normal. A laparotomia exploradora é ainda mais agressiva e sem indicação. O antibiótico de amplo espectro por dez dias não trata uma condição habitualmente viral. A colonoscopia investiga doença inflamatória intestinal, hipótese sem sustentação em quadro agudo com esse padrão ultrassonográfico.
Menino, 10 anos, apresenta dor abdominal periumbilical há 24 horas, que migrou para fossa ilíaca direita, com náuseas, um episódio de vômito e febre. Exame: T 38,2 °C, FC 108 bpm, dor à palpação em ponto de McBurney com descompressão dolorosa, marcha antálgica. Leucócitos 16.000/mm³ com desvio à esquerda; PCR 60 mg/L (VR menor que 5); ultrassonografia com apêndice de 9 mm, não compressível. Assinale a alternativa INCORRETA sobre este caso.
Evitar analgesia até a definição cirúrgica é conduta incorreta e ultrapassada: a analgesia adequada não prejudica a acurácia do exame abdominal e é dever assistencial. A migração da dor periumbilical para a fossa ilíaca direita é o dado semiológico clássico da apendicite. A leucocitose com desvio à esquerda apoia o diagnóstico em contexto clínico compatível. A apendicectomia com antibiótico perioperatório é o tratamento habitual na criança. O achado ultrassonográfico de apêndice espessado e não compressível corrobora o diagnóstico, sobretudo quando associado a dor à compressão pelo transdutor.
Gestante de 28 anos, com 33 semanas, apresenta dor abdominal em flanco direito há 12 horas, com piora progressiva, náuseas e um episódio de vômito. T 38,0 °C, PA 118x72 mmHg, FC 108 bpm. O abdome é doloroso à palpação em flanco e hipocôndrio direitos, com defesa localizada. Leucócitos de 17.500/mm³ com desvio à esquerda e proteína C reativa elevada. O útero é indolor e a cardiotocografia é categoria I. Qual a alternativa correta sobre a avaliação dessa paciente?
O crescimento uterino desloca o apêndice cranial e lateralmente, o que altera a localização clássica da dor e retarda o diagnóstico da apendicite na gestante, sendo essa a informação correta e clinicamente decisiva. Considerar a leucocitose de 17.500/mm³ apenas fisiológica é perigoso, pois, embora a gestação eleve a contagem, o desvio à esquerda com defesa e febre aponta para processo infeccioso. Usar a ausência de dor uterina para excluir causa cirúrgica é erro de raciocínio. Afirmar que o abdome agudo cirúrgico é raro na gestação subestima a apendicite, que é a causa cirúrgica não obstétrica mais frequente. Atribuir o quadro ao trabalho de parto prematuro ignora a defesa localizada e a febre.
Gestante de 26 anos, com 27 semanas, apresenta dor abdominal em fossa ilíaca direita há 14 horas, com febre de 37,9 °C, náuseas e leucocitose de 16.200/mm³. A ultrassonografia abdominal não conseguiu visualizar o apêndice cecal devido à interposição gasosa e ao útero gravídico. A paciente permanece com dor localizada e defesa, sem sinais de peritonite difusa, e a equipe discute qual exame complementar solicitar para esclarecer o diagnóstico. Qual a conduta correta?
Quando a ultrassonografia é inconclusiva na suspeita de apendicite em gestante, a ressonância magnética sem contraste é o exame de escolha, por não usar radiação ionizante e ter boa acurácia. A tomografia com contraste fica reservada à indisponibilidade da ressonância ou à instabilidade clínica, pela exposição à radiação. Repetir a ultrassonografia diariamente retarda o diagnóstico sem aumentar a chance de visualização. Indicar laparotomia imediata sem exame complementar aumenta a taxa de cirurgias brancas em quadro sem peritonite difusa. Aguardar 48 horas eleva o risco de perfuração, que piora os desfechos maternos e fetais.
Homem, 22 anos, com dor periumbilical iniciada há 20 horas que migrou para a fossa ilíaca direita, acompanhada de anorexia, náuseas e um episódio de vômito. PA 122x76 mmHg, FC 98 bpm, T 37,9 °C. Há dor à palpação no ponto de McBurney com descompressão brusca dolorosa. Leucócitos 15.200/mm³ (VR 4.000–11.000) com 84% de neutrófilos; PCR 62 mg/L (VR até 5). Qual a conduta indicada?
Migração da dor, anorexia, defesa em fossa ilíaca direita, febre e leucocitose com neutrofilia compõem quadro clássico de apendicite aguda não complicada, com pontuação alta de Alvarado, o que dispensa imagem e indica apendicectomia, de preferência videolaparoscópica. O tratamento antibiótico isolado tem taxa relevante de recorrência e é opção apenas em contextos selecionados com consentimento informado. A tomografia é útil em apresentações atípicas, mulheres em idade fértil e idosos, não em quadro típico de homem jovem. A drenagem percutânea trata abscesso apendicular já formado, não a apendicite em fase inicial. Observar 48 horas eleva o risco de perfuração e peritonite.
Mulher, 34 anos, com dor em fossa ilíaca direita há 7 dias, febre e massa palpável dolorosa na região. PA 118x72 mmHg, FC 96 bpm, T 38,2 °C; abdome sem peritonite difusa. Leucócitos 17.800/mm³ (VR 4.000–11.000); PCR 140 mg/L (VR até 5). Tomografia mostra coleção de 6 cm em fossa ilíaca direita, com plastrão inflamatório, sem pneumoperitônio nem líquido livre difuso. Qual a conduta inicial indicada?
Apendicite complicada com abscesso organizado e plastrão, sem peritonite difusa, é manejada inicialmente de forma conservadora, com antibioticoterapia e drenagem percutânea guiada por imagem, evitando cirurgia em campo inflamatório hostil. A apendicectomia imediata nesse cenário associa-se a maior taxa de lesão de alças e de conversão para ressecções extensas. A hemicolectomia direita é indicada apenas quando há suspeita de neoplasia ou impossibilidade de identificar planos. A ileostomia derivativa não trata a coleção e acrescenta morbidade. Alta com antibiótico oral é inadequada diante de coleção volumosa, febre e provas inflamatórias muito elevadas.
Menino, 6 anos, com dor abdominal difusa há 36 horas, vômitos e febre, apresentando piora progressiva. FC 138 bpm, FR 30 ipm, T 38,8 °C; abdome difusamente doloroso com defesa involuntária e descompressão dolorosa em fossa ilíaca direita. Leucócitos 19.400/mm³ (VR 5.000–15.000) com desvio à esquerda; PCR 180 mg/L (VR até 5). A ultrassonografia mostra líquido livre e apêndice não visualizado. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Evolução prolongada, febre alta, defesa involuntária difusa, provas inflamatórias muito elevadas e líquido livre com apêndice não visualizado indicam apendicite complicada com perfuração e peritonite, cenário mais frequente em crianças pequenas pelo diagnóstico tardio e pelo omento pouco desenvolvido. A adenite mesentérica cursa com dor menos intensa, sem defesa involuntária, e linfonodos aumentados à ultrassonografia. A gastroenterite bacteriana provoca diarreia proeminente sem peritonismo. A invaginação apresenta crises de dor com imagem em alvo. A púrpura de Henoch-Schönlein exige lesões purpúricas em membros inferiores, não relatadas.
Mulher, 28 anos, com dor abdominal iniciada em região periumbilical há 18 horas, que migrou para a fossa ilíaca direita, acompanhada de anorexia e náuseas, sem vômitos. PA 118x74 mmHg, FC 92 bpm, T 37,4 °C; dor à palpação em fossa ilíaca direita com descompressão dolorosa. Leucócitos 13.800/mm³ (VR 4.000–11.000) com 78% de neutrófilos. Beta-HCG sérico negativo. Assinale a alternativa que NÃO integra o escore de Alvarado.
A presença de massa abdominal palpável não faz parte do escore de Alvarado, que reúne migração da dor, anorexia, náuseas ou vômitos, dor em fossa ilíaca direita, descompressão dolorosa, febre, leucocitose e desvio à esquerda. A migração da dor é um dos itens de maior peso do escore. A descompressão brusca dolorosa também integra os sinais avaliados. A leucocitose acima de 10.000 é um dos dois itens laboratoriais, ao lado do desvio à esquerda. A temperatura elevada é o critério térmico do escore, com ponto de corte próximo de 37,3 graus.
Gestante de 24 semanas, 30 anos, com dor abdominal no flanco direito há 20 horas, náuseas e febre. PA 116x72 mmHg, FC 104 bpm, T 38,0 °C; dor à palpação do flanco direito, acima da crista ilíaca, com defesa localizada. Leucócitos 16.000/mm³ (VR 5.000–15.000 na gestação) com desvio à esquerda; exame de urina sem alterações. Batimentos cardiofetais de 148 bpm e sem contrações. Qual o exame de imagem inicial indicado?
Na suspeita de apendicite durante a gestação, a ultrassonografia com compressão gradual é o exame inicial por ausência de radiação e boa disponibilidade, reservando-se a ressonância magnética sem contraste para casos inconclusivos. A tomografia expõe o feto à radiação ionizante e é opção apenas quando as demais falham e a decisão é urgente. A radiografia simples tem baixo rendimento diagnóstico e também irradia. A ressonância é excelente, mas nem sempre disponível, não sendo o primeiro exame em qualquer serviço. A cintilografia com leucócitos marcados é lenta, irradia e não tem lugar nessa investigação.
Mulher, 24 anos, com dor em fossa ilíaca direita há 12 horas, náuseas e febre baixa. PA 116x72 mmHg, FC 92 bpm, T 37,6 °C; dor à palpação com descompressão duvidosa. Beta-HCG negativo; leucócitos 12.400/mm³ (VR 4.000–11.000); urina com poucos leucócitos e sem nitrito. A ultrassonografia mostra apêndice não visualizado e ovários de aspecto normal, sem líquido livre significativo. Assinale a alternativa que NÃO é diagnóstico diferencial pertinente nesse caso.
A colecistite aguda produz dor em hipocôndrio direito com irradiação escapular e sinal de Murphy, topografia incompatível com dor em fossa ilíaca direita, não sendo diferencial pertinente nessa apresentação. A doença inflamatória pélvica é diferencial obrigatório em mulher em idade fértil com dor em quadrante inferior. A adenite mesentérica frequentemente simula apendicite em jovens após quadro viral. A diverticulite de ceco, embora rara, ocorre na mesma topografia. A ileíte terminal por doença de Crohn pode se apresentar de forma aguda e ser confundida com apendicite.
Homem, 78 anos, com dor abdominal difusa há 3 dias, anorexia e mal-estar, sem febre alta. PA 118x72 mmHg, FC 96 bpm, T 37,3 °C; abdome doloroso em quadrante inferior direito com defesa discreta. Leucócitos 13.200/mm³ (VR 4.000–11.000); PCR 140 mg/L (VR até 5). A tomografia mostra apêndice espessado com borramento da gordura, coleção de 3 cm adjacente e espessamento cecal focal. Qual conduta complementar é obrigatória após a resolução?
Apendicite em idoso, sobretudo com espessamento cecal associado, exige colonoscopia após a resolução do quadro agudo, pois neoplasia de ceco pode obstruir a base apendicular e simular apendicite. Repetir tomografias mensalmente expõe a radiação sem responder à pergunta oncológica. A cintilografia com leucócitos marcados não tem papel nessa investigação. O enema opaco foi superado pela colonoscopia, que permite biópsia. Considerar o caso encerrado após o tratamento da apendicite deixa escapar um tumor potencialmente curável em faixa etária de alto risco.
Homem, 30 anos, submetido a apendicectomia videolaparoscópica por apendicite aguda não complicada, com apêndice hiperemiado e sem perfuração ou coleção. PA 124x78 mmHg, FC 78 bpm, T 36,8 °C no pós-operatório imediato; boa evolução clínica, aceitando dieta. Leucócitos 11.800/mm³ (VR 4.000–11.000) no pré-operatório e sem comorbidades relevantes. Qual a conduta antimicrobiana indicada?
Na apendicite aguda não complicada, o antibiótico tem papel apenas profilático, administrado no pré-operatório, devendo ser suspenso após a cirurgia, pois a manutenção não reduz infecção de sítio cirúrgico e favorece resistência e colite por Clostridioides difficile. Manter sete dias de antibiótico intravenoso é conduta de apendicite complicada com peritonite ou abscesso. O antibiótico oral prolongado após a alta também não tem respaldo. Guiar a duração pela contagem de leucócitos não é critério válido. Associar dois antibióticos amplia o espectro sem benefício em quadro não complicado.
Homem, 23 anos, com dor abdominal iniciada em região periumbilical há 20 horas, migrando para fossa ilíaca direita, associada a anorexia, náuseas e um episódio de vômito. Exame: T 37,9 °C, FC 96 bpm, PA 122x76 mmHg, dor à palpação em ponto de McBurney com descompressão dolorosa localizada, sinal de Blumberg positivo. Leucócitos de 14.800/mm³ com desvio à esquerda. Qual a conduta mais adequada?
Dor migratória periumbilical para fossa ilíaca direita, anorexia, náuseas, febre baixa, sinais de irritação peritoneal localizados e leucocitose com desvio compõem quadro típico de apendicite aguda em homem jovem, com alta probabilidade clínica que dispensa exames adicionais e indica apendicectomia. A tomografia é útil em casos duvidosos, sobretudo em mulheres em idade fértil, idosos e obesos, mas não é obrigatória diante de quadro característico. Antibiótico com alta ambulatorial não é conduta segura nessa apresentação, e o tratamento não operatório exige seleção criteriosa e imagem. Observar por 72 horas eleva o risco de perfuração. A colonoscopia é contraindicada na suspeita de abdome agudo inflamatório com possível perfuração.
Mulher, 34 anos, com dor em fossa ilíaca direita há 7 dias, febre e massa palpável dolorosa nessa região. Exame: T 38,3 °C, FC 100 bpm, PA 118x74 mmHg, massa dolorosa em fossa ilíaca direita, sem irritação peritoneal difusa, sem instabilidade. Leucócitos de 16.200/mm³. Tomografia mostra abscesso periapendicular de 7 cm bem delimitado, com janela para acesso percutâneo e sem pneumoperitônio. Qual a conduta mais adequada?
Abscesso periapendicular bem delimitado em paciente estável, sem peritonite difusa, é mais bem tratado com drenagem percutânea guiada por imagem associada a antibioticoterapia, estratégia que reduz complicações em relação à cirurgia imediata em campo inflamado, discutindo-se posteriormente a apendicectomia de intervalo e a investigação colônica em pacientes selecionados. A apendicectomia imediata em bloqueio inflamatório apresenta maior risco de lesão de estruturas adjacentes e de ressecções ampliadas. O antibiótico isolado, sem drenar coleção de sete centímetros, tem alta taxa de falha. A hemicolectomia de urgência é desproporcional. A colonoscopia na fase aguda é contraindicada pelo risco de perfuração, sendo considerada semanas depois em pacientes com fatores de risco para neoplasia.
Mulher, 27 anos, gestante de 22 semanas, com dor abdominal em flanco direito há 18 horas, náuseas e febre baixa. Exame: T 37,8 °C, FC 104 bpm, PA 112x70 mmHg, dor à palpação em flanco e hipocôndrio direitos, com defesa localizada, útero compatível com a idade gestacional, batimentos fetais normais. Leucócitos de 16.400/mm³. Ultrassonografia inconclusiva pela interposição uterina e gasosa. Qual a conduta mais adequada?
A apendicite é a causa cirúrgica não obstétrica mais frequente de abdome agudo na gestação, e o deslocamento cranial do apêndice pelo útero altera a topografia da dor; quando a ultrassonografia é inconclusiva, a ressonância magnética sem contraste é o exame de escolha por não usar radiação ionizante, mantendo-se vigilância clínica estreita. Aguardar o parto expõe mãe e feto a perfuração e peritonite, com risco elevado de perda fetal. A tomografia é alternativa quando a ressonância não está disponível, mas não é a primeira escolha na gestação. Antibiótico com alta ambulatorial é inseguro diante de defesa localizada e leucocitose. A laparotomia imediata sem investigação é desproporcional quando há método diagnóstico seguro disponível.
Menino, 6 anos, com dor abdominal há 30 horas, vômitos e recusa alimentar, levado ao pronto-socorro. Exame: T 38,6 °C, FC 138 bpm, PA 96x58 mmHg, abdome difusamente doloroso com defesa e descompressão dolorosa em fossa ilíaca direita e hipogástrio, ruídos hidroaéreos reduzidos, criança prostrada. Leucócitos de 19.600/mm³ com desvio à esquerda; ultrassonografia mostra líquido livre e apêndice não visualizado. Qual a conduta mais adequada?
Criança com mais de 24 horas de evolução, febre alta, prostração, sinais de irritação peritoneal difusa, leucocitose importante e líquido livre à ultrassonografia apresenta apendicite provavelmente complicada com perfuração, e a conduta é ressuscitação volêmica, antibioticoterapia de amplo espectro e abordagem cirúrgica, com drenagem percutânea considerada em abscessos bem delimitados em casos selecionados. O manejo ambulatorial com antibiótico oral é inaceitável nesse quadro. Observar por 72 horas sem intervenção permite progressão para sepse. A colonoscopia é contraindicada na fase aguda com suspeita de perfuração. O enema opaco trataria invaginação intestinal, que ocorre em faixa etária menor e cursa com dor em cólica intermitente, massa palpável e fezes em geleia de framboesa.
Homem, 28 anos, com apendicite aguda não complicada confirmada por tomografia, sem apendicolito, sem coleção e sem perfuração. PA 122x76 mmHg, FC 88 bpm, T 37,6 °C; dor localizada sem peritonite. Leucócitos 13.200/mm³ (VR 4.000–11.000). Ele questiona a possibilidade de tratamento sem cirurgia, referindo receio do procedimento e boa disponibilidade para acompanhamento próximo. Qual a informação correta a ser fornecida?
O tratamento antibiótico da apendicite não complicada é possível em pacientes selecionados, sem apendicolito, com consentimento informado, mas cerca de um quarto a um terço dos pacientes necessita de apendicectomia em um ano, o que deve ser explicitado. Afirmar eficácia próxima de cem por cento é incorreto. Considerar o tratamento contraindicado em qualquer situação ignora os ensaios que o validaram em cenários específicos. A presença de apendicolito é justamente fator de falha, e não requisito de sucesso. O seguimento clínico é obrigatório, pela possibilidade de recorrência e de neoplasia oculta.
Gestante de 20 semanas, 28 anos, com apendicite aguda confirmada por ultrassonografia, apresenta dor em fossa ilíaca direita, febre e vômitos. PA 112x70 mmHg, FC 104 bpm, T 38,0 °C; batimentos cardiofetais de 150 bpm, sem contrações uterinas. Leucócitos 17.400/mm³ (VR 5.000–15.000 na gestação). Não há sinais de peritonite difusa nem instabilidade hemodinâmica materna. Qual a conduta indicada?
Apendicite aguda na gestação exige apendicectomia, pois a perfuração aumenta muito a perda fetal, sendo a via videolaparoscópica segura e preferida, especialmente no segundo trimestre. O tratamento antibiótico isolado até o termo tem alta taxa de falha e de complicações. A interrupção da gestação não é necessária e é inaceitável como conduta para permitir a cirurgia. Observar por 48 horas eleva o risco de perfuração e de perda fetal. A cesárea de urgência não se justifica em gestação de 20 semanas e apenas acrescenta morbidade materna e fetal.
Mulher, 34 anos, é submetida a colecistectomia videolaparoscópica eletiva por colelitíase sintomática. PA 118x74 mmHg, FC 74 bpm no intraoperatório; o procedimento transcorre sem intercorrências. Durante a inspeção da cavidade, o apêndice cecal é visualizado com aspecto normal, sem sinais inflamatórios, aderências ou alterações macroscópicas, e a paciente não tem antecedente de dor em fossa ilíaca direita. Qual a conduta indicada quanto ao apêndice?
A apendicectomia incidental em apêndice de aspecto normal durante outra cirurgia não é recomendada de rotina, pois acrescenta tempo cirúrgico, risco de contaminação e de complicações sem benefício demonstrado. Realizar em todas as pacientes de determinada faixa etária não encontra respaldo. Condicionar à idade acima de cinquenta anos também não é critério aceito. Biopsiar de rotina um órgão macroscopicamente normal é injustificado. Evitar dúvida diagnóstica futura não compensa os riscos imediatos, embora situações específicas possam ser individualizadas com o paciente.
Mulher, 27 anos, gestante de 22 semanas, com dor abdominal há 18 horas iniciada em região periumbilical e migrada para o flanco direito, associada a náuseas e anorexia. Nega perdas vaginais. PA 118x72 mmHg, FC 104 bpm, T 38,1 °C. Abdome doloroso à palpação profunda em flanco direito, sem descompressão dolorosa evidente. Leucócitos 15.400/mm³ (VR 4.000-11.000) com 82% de neutrófilos; PCR 68 mg/L (VR < 5). Ultrassonografia abdominal inconclusiva pela interposição uterina. Qual a conduta mais adequada?
A ressonância magnética sem contraste é o exame de escolha quando a ultrassonografia é inconclusiva na gestante: define o apêndice sem radiação ionizante, essencial nesta paciente com dor migratória, temperatura de 38,1 °C e leucocitose de 15.400/mm³. A tomografia com contraste iodado expõe o feto à radiação e fica reservada à indisponibilidade da ressonância. A observação por 48 horas aumenta o risco de perfuração, que multiplica a perda fetal. A antibioticoterapia isolada é opção discutível apenas em apendicite não complicada confirmada em adultos selecionados, não em gestante sem diagnóstico definido. A laparotomia imediata é desnecessária e a videolaparoscopia é segura em qualquer trimestre.
Homem, 34 anos, com dor em fossa ilíaca direita há 8 dias, febre diária e melhora parcial após automedicação com amoxicilina. PA 122x78 mmHg, FC 96 bpm, T 37,9 °C. Palpa-se massa dolorosa e mal delimitada em fossa ilíaca direita, sem sinais de peritonite difusa. Leucócitos 14.200/mm³ (VR 4.000-11.000). Tomografia de abdome mostra coleção organizada de 6 cm adjacente ao ceco, com apêndice espessado e sem pneumoperitônio. Qual a conduta inicial mais apropriada?
O tratamento inicial do abscesso periapendicular organizado, como esta coleção de 6 cm com 8 dias de evolução e sem peritonite, é a drenagem percutânea guiada por imagem associada a antibiótico, deixando a apendicectomia de intervalo para 6 a 8 semanas. A apendicectomia aberta com ileocolectomia ampliada impõe ressecção desnecessária em campo inflamado, com alto risco de fístula. A colonoscopia de urgência é contraindicada na fase aguda por risco de perfuração, embora seja indicada no seguimento de pacientes acima de 40 anos. A abordagem videolaparoscópica imediata em plastrão maduro eleva a taxa de lesão intestinal e conversão. A antibioticoterapia isolada sem drenagem falha em coleções acima de 4 a 5 cm.
Menino, 8 anos, com dor abdominal em fossa ilíaca direita há 2 dias, precedida por quadro de faringite com odinofagia há 5 dias. PA 100x62 mmHg, FC 96 bpm, T 37,8 °C. Abdome doloroso à palpação em fossa ilíaca direita, com dor que muda de local ao mudar o decúbito, sem defesa. Leucócitos 12.000/mm³ (VR 4.000-11.000); PCR 22 mg/L (VR < 5). Ultrassonografia mostra linfonodos mesentéricos aumentados e apêndice de 5 mm, compressível. Qual o diagnóstico mais provável?
Infecção de vias aéreas superiores recente, linfonodomegalia mesentérica ao ultrassom, apêndice compressível de 5 mm e dor que se desloca com o decúbito compõem o quadro de adenite mesentérica, de curso autolimitado e sem indicação cirúrgica. A apendicite fleimonosa mostraria apêndice não compressível acima de 6 mm com borramento da gordura, o oposto do descrito, e não há relato de obesidade. A invaginação intestinal ocorre tipicamente abaixo dos 2 anos, com dor em crises e imagem em alvo à ultrassonografia. O divertículo de Meckel inflamado não explicaria a linfonodomegalia difusa nem o pródromo faríngeo. A púrpura de Henoch-Schönlein exigiria púrpura palpável em membros inferiores e artralgia, ausentes no caso.
Menino, 2 anos, com febre há 3 dias, vômitos e recusa alimentar. PA 92x54 mmHg, FC 156 bpm, T 39,0 °C, tempo de enchimento capilar 3 segundos. Abdome distendido, difusamente doloroso, com defesa involuntária. Leucócitos 24.000/mm³ (VR 5.000-15.000); PCR 180 mg/L (VR < 5). Ultrassonografia mostra líquido livre com debris em quatro quadrantes e alças espessadas, sem visualização do apêndice. Sobre a apendicite nessa faixa etária, assinale a alternativa correta.
Abaixo de 3 anos a apendicite tem apresentação inespecífica, com febre, vômitos e irritabilidade, o que atrasa o diagnóstico e leva a taxas de perfuração muito altas, como sugere este quadro com peritonite difusa e PCR de 180 mg/L. O epíplon do lactente é pouco desenvolvido e não bloqueia eficazmente a perfuração, o que explica justamente a peritonite difusa. A escala de Alvarado foi desenvolvida e validada em adultos, com desempenho ruim em pré-escolares. A dor migratória bem localizada é padrão do escolar e do adulto, não dessa faixa etária. O tratamento de escolha na apendicite complicada da criança pequena não é antibiótico isolado, e a apendicectomia permanece indicada na maioria dos casos.
Mulher, 24 anos, com dor periumbilical migrada para fossa ilíaca direita há 14 horas, náuseas e anorexia. PA 118x74 mmHg, FC 96 bpm, T 37,8 °C. Exame: dor à descompressão em fossa ilíaca direita, Blumberg positivo. Leucócitos 14.200/mm3 (VR 4.000 a 11.000); beta-hCG negativo. IMC 22 kg/m2. A ultrassonografia de abdome não visualizou o apêndice e descreveu líquido livre em pequena quantidade. Qual o próximo passo mais adequado?
A tomografia de abdome com contraste endovenoso é o próximo passo adequado quando a ultrassonografia é inconclusiva em paciente não gestante com quadro clínico sugestivo, pois tem alta acurácia e reduz apendicectomias negativas sem retardar o tratamento. A laparotomia mediana exploradora imediata é agressiva e desnecessária diante de método diagnóstico disponível, além de a via de acesso preferencial ser a videolaparoscópica. Repetir a ultrassonografia após 24 horas de observação aumenta o risco de perfuração em quadro com sinais peritoneais e leucocitose. A ressonância é reservada a gestantes e crianças, por custo e disponibilidade. Alta com antibiótico oral sem diagnóstico definido é conduta insegura.
Mulher, 32 anos, obesa, com diagnóstico de apendicite aguda não complicada confirmado por tomografia. PA 122x76 mmHg, FC 94 bpm, T 37,7 °C. Leucócitos 15.000/mm3 (VR 4.000 a 11.000). Encontra-se estável, sem comorbidades descompensadas e sem cirurgias abdominais prévias. A equipe discute a via de acesso cirúrgico a ser empregada. Acerca da via videolaparoscópica nesse contexto, assinale a alternativa INCORRETA.
Afirmar que a via videolaparoscópica está contraindicada de forma absoluta em obesos é incorreto e corresponde à assertiva pedida: a obesidade é justamente uma das situações em que a laparoscopia mais se beneficia, com menor morbidade de ferida e melhor exposição do que incisões amplas. A menor taxa de infecção de ferida operatória é vantagem consistentemente demonstrada. O inventário da cavidade é útil sobretudo em mulheres em idade fértil, com diferenciais ginecológicos. O retorno mais precoce às atividades é benefício reconhecido. A conversão para via aberta permanece sempre possível conforme os achados intraoperatórios e não representa falha técnica.
Homem, 44 anos, tratado há 8 semanas por apendicite aguda complicada com abscesso periapendicular, manejado com antibiótico e drenagem percutânea, com boa resposta clínica. Encontra-se assintomático, PA 126x78 mmHg, FC 74 bpm, T 36,6 °C. Tomografia de controle mostra resolução completa da coleção. Colonoscopia realizada após o episódio não evidenciou neoplasia no ceco nem em outros segmentos do cólon. Qual a conduta mais adequada?
Discutir a apendicectomia de intervalo, individualizando a decisão e reservando-a sobretudo para pacientes com recorrência de sintomas ou achados suspeitos, é a conduta atual após tratamento bem-sucedido de abscesso periapendicular, uma vez que a colonoscopia já afastou neoplasia. A colectomia direita oncológica não se justifica sem evidência de neoplasia. Manter antibiótico oral por 6 meses não previne recorrência e favorece resistência. Repetir drenagem percutânea como profilaxia não faz sentido sem coleção. Colonoscopias trimestrais por 2 anos são excessivas após um exame recente e normal.
Homem de 21 anos tem dor iniciada na região periumbilical e migrada para a fossa ilíaca direita há 18 horas, anorexia e febre de 38 °C. Apresenta defesa localizada, sem choque. A tomografia confirma processo inflamatório apendicular sem abscesso ou perfuração e com apendicolito. Qual estratégia é a mais apropriada para este paciente?
No paciente operável com apendicolito, a cirurgia é favorecida; antibiótico isolado exige seleção e discussão cuidadosas. Referência: WSES Jerusalem Guidelines, 2020. https://doi.org/10.1186/s13017-020-00306-3
Homem de 21 anos tem dor iniciada na região periumbilical e migrada para a fossa ilíaca direita há 18 horas, anorexia e febre de 38 °C. Apresenta defesa localizada, sem choque. A tomografia confirma processo inflamatório apendicular sem abscesso ou perfuração e com apendicolito. Qual achado, se identificado, reforçaria especificamente a hipótese principal?
Esse conjunto ultrassonográfico apoia apendicite; diâmetro isolado deve ser interpretado com os demais achados. Referência: WSES Jerusalem Guidelines, 2020. https://doi.org/10.1186/s13017-020-00306-3
Homem de 21 anos tem dor iniciada na região periumbilical e migrada para a fossa ilíaca direita há 18 horas, anorexia e febre de 38 °C. Apresenta defesa localizada, sem choque. A tomografia confirma processo inflamatório apendicular sem abscesso ou perfuração e com apendicolito. Qual mecanismo explica melhor esse quadro?
A obstrução pode elevar a pressão e favorecer comprometimento vascular e inflamação da parede apendicular. Referência: WSES Jerusalem Guidelines, 2020. https://doi.org/10.1186/s13017-020-00306-3
Homem de 21 anos tem dor iniciada na região periumbilical e migrada para a fossa ilíaca direita há 18 horas, anorexia e febre de 38 °C. Apresenta defesa localizada, sem choque. A tomografia confirma processo inflamatório apendicular sem abscesso ou perfuração e com apendicolito. Qual é o diagnóstico mais provável?
A migração da dor e a confirmação tomográfica localizam o processo no apêndice; apendicolito aumenta a chance de falha do tratamento não operatório. Referência: WSES Jerusalem Guidelines, 2020. https://doi.org/10.1186/s13017-020-00306-3
Idosa apresenta dor abdominal pouco localizada e febre discreta. TC esclarece processo inflamatório centrado no apêndice com apendicolito. Qual diagnóstico é mais provável?
Apresentações atípicas são possíveis em idosos. Dor migratória e inflamação apendicular em imagem apoiam apendicite; apresentações variam com posição anatômica e condições do paciente. Referência: https://doi.org/10.1186/s13017-020-00306-3
Jovem tem dor inicialmente periumbilical que migrou para fossa ilíaca direita, anorexia e defesa localizada. TC mostra apêndice dilatado e gordura adjacente inflamada. Qual diagnóstico é mais provável?
A migração da dor e a inflamação apendicular convergem para apendicite. Dor migratória e inflamação apendicular em imagem apoiam apendicite; apresentações variam com posição anatômica e condições do paciente. Referência: https://doi.org/10.1186/s13017-020-00306-3
Paciente apresenta dor suprapúbica, sintomas urinários leves e febre; TC identifica apêndice pélvico inflamado, sem alterações urinárias estruturais. Qual diagnóstico é mais provável?
A posição pélvica pode modificar a apresentação da apendicite. Dor migratória e inflamação apendicular em imagem apoiam apendicite; apresentações variam com posição anatômica e condições do paciente. Referência: https://doi.org/10.1186/s13017-020-00306-3
Pessoa com dor em flanco direito tem pouca defesa anterior; TC mostra apêndice retrocecal espessado e inflamação local. Qual diagnóstico é mais provável?
A posição retrocecal explica sintomas menos típicos. Dor migratória e inflamação apendicular em imagem apoiam apendicite; apresentações variam com posição anatômica e condições do paciente. Referência: https://doi.org/10.1186/s13017-020-00306-3
Qual achado visível impede tratar este exame como apendicite simples sem complicação local?

A área delimitada adjacente indica complicação local a ser considerada no planejamento.
Idoso com dor na fossa ilíaca direita e febre tem o corte mostrado. Qual conjunto favorece apendicite complicada?

A alteração inflamatória e a coleção exigem avaliação do estudo completo e abordagem cirúrgica individualizada.
Qual propriedade da estrutura está alterada no exame?

Ausência de compressibilidade é um achado de apoio à inflamação apendicular.
Qual achado aumenta suspeita de apendicite complicada e muda o planejamento?

Coleção pode representar abscesso localizado; extensão, acesso e condição clínica orientam tratamento.
Qual estrutura é sugerida pela origem cecal e fundo cego?

O apêndice é uma estrutura tubular de fundo cego originada no ceco.
Se evolui para peritonite difusa e instabilidade, qual mudança é prioritária?

Deterioração e peritonite exigem manejo urgente, independentemente da apresentação localizada inicial.
Qual dado clínico indica estabilidade atual, sem dispensar acompanhamento?

Estabilidade permite planejar, mas não elimina risco nem substitui reavaliação.
Em outro atendimento, o apêndice não é visualizado no ultrassom, mas há dor progressiva, defesa localizada e alta suspeita clínica. Qual decisão é adequada? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Não visualização não equivale a apêndice normal nem encerra a investigação.
Um adulto estável pergunta sobre tratamento apenas com antibiótico. Qual aspecto da imagem deve entrar na decisão compartilhada? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

A decisão não deve tratar todas as apendicites não complicadas como um grupo homogêneo.
O foco brilhante com sombra dentro da estrutura inflamada é compatível com qual achado? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Material calcificado no lúmen apendicular pode produzir sombra acústica.
Dor migratória para a fossa ilíaca direita acompanha o exame. A estrutura tubular é não compressível durante a avaliação. Qual hipótese é favorecida? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Estrutura apendicular alterada e não compressível, com contexto clínico compatível, sustenta a hipótese.
Uma pessoa de 67 anos apresentou febre e dor na fossa ilíaca direita, com a TC mostrada. Após tratamento inicial não operatório bem-sucedido, está assintomática. Qual associação entre a complicação documentada e o seguimento é apropriada? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

Há processo inflamatório na região cecal, foco calcificado e coleção adjacente, compatíveis com apendicite complicada. Após manejo não operatório em pessoa idosa, deve-se planejar investigação de neoplasia e seguimento cirúrgico; imagem de controle, avaliação colônica e indicação de cirurgia de intervalo integram a decisão especializada.
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Os oito itens do Alvarado com os pesos certos — dor em fossa ilíaca direita e leucocitose valem 2, os outros seis valem 1 — e as faixas: abaixo de 5 exclui, 5 a 6 pede imagem, 7 no homem e 9 na mulher se aproximam do valor da tomografia. Ele não aparece na edição de 2025, que nomeia o AIR, o AAS e, na criança, o PAS — mas segue cobrado em prova brasileira. Junto, a escada de imagem redesenhada: no adulto, tomografia de baixa dose, abaixo de 2 a 3 mSv, como modalidade preferida onde disponível, e escore mais ultrassonografia como alternativa; ultrassonografia primeiro na criança; tomografia de baixa dose no obeso e no idoso; ressonância na gestante com ultrassonografia negativa ou inconclusiva.
em 30 dias
O corte de 35 anos no abscesso periapendicular, que é a virada da edição de 2025: abaixo dele, apendicectomia laparoscópica precoce como sugestão condicional; de 35 anos para cima, sugestão condicional contra operar na fase aguda (neoplasia apendicular em até 14,3%) e, depois do tratamento não operatório, apendicectomia de intervalo em 6 a 12 semanas como recomendação forte. Em criança, sem intervalo de rotina. Junto, o antibiótico dos dois lados da linha — dose única profilática sem manutenção na não complicada, antibiótico terapêutico já na espera e 2 a 3 dias no pós-operatório da complicada, em vez de 5 a 7 — e o teto de 24 horas da admissão até a cirurgia, recomendação forte.
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