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Trauma geniturinário: a uretra antes da sonda, o peritônio antes da bexiga
Trauma urogenital (rim, bexiga, uretra)
Sangue no meato, hematoma perineal e próstata elevada retiram a permissão de sondar, e é essa a primeira decisão do atendimento. Este capítulo põe as três estruturas na ordem em que elas cobram conduta — provar a uretra antes de aliviar a bexiga, localizar o extravasamento vesical em relação ao peritônio antes de escolher entre sonda e mesa, e graduar o rim sabendo que quem marca a laparotomia é a hemodinâmica.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Homem de 24 anos vítima de trauma perineal por queda a cavaleiro sobre uma barra metálica. Apresenta uretrorragia (sangue no meato uretral), hematoma perineal e dificuldade para urinar. PA 120x75 mmHg, FC 88 bpm. Qual é a conduta correta antes de qualquer tentativa de esvaziamento vesical?
Como esse tema cai
Este capítulo trata da lesão traumática do rim, da bexiga e da uretra no adulto, e da ordem em que essas três estruturas cobram decisão. A cena típica é conhecida: um motociclista ou um homem que caiu a cavaleiro chega com dor pélvica, vontade de urinar e sangue no meato. O que separa uma conduta correta de um estrago iatrogênico não é o diagnóstico final, e sim a sequência — provar a uretra antes de aliviar a bexiga, localizar o extravasamento vesical em relação ao peritônio antes de escolher entre sonda e mesa, e graduar o rim sabendo que quem decide a laparotomia é a hemodinâmica, não o grau.
Ficam de fora os assuntos que já têm capítulo próprio nesta coleção e que a vinheta costuma trazer junto: o controle da hemorragia por fratura de pelve, a decisão de operar o abdome fechado ou penetrante, o escroto agudo não traumático, a litíase e a investigação da hematúria de causa neoplásica. O trauma renal aparece aqui pelo que ele exige de conduta urológica, não pelo que ele acrescenta ao atendimento inicial ao politraumatizado.
A régua deste capítulo é bibliográfica e vem de séries e revisões brasileiras publicadas em periódico indexado. Os documentos federais de urgência pré-hospitalar consultados não sustentam nenhuma das decisões aqui, e a seção final mostra a medida exata dessa lacuna — o que muda a forma de estudar: o aluno não vai achar essa régua num protocolo do Ministério, vai achá-la na literatura de sociedade e de serviço.
O que muda decisão
O sinal que fecha a porta da sonda
Há um gesto quase automático no pronto-socorro diante de quem não consegue urinar: passar a sonda. Em quase todo paciente esse gesto alivia. No traumatizado de pelve ou de períneo ele pode transformar uma lesão parcial da uretra em secção completa, porque a sonda avança pelo trajeto errado e disseca o que ainda estava unido. Por isso a primeira pergunta do atendimento geniturinário não é qual é o diagnóstico, e sim se existe permissão para sondar.
O sinal mais importante é sangue no meato uretral após trauma pélvico ou genital, indicação formal de uretrografia retrógrada antes da sondagem. Incapacidade de urinar, bexiga palpável, hematoma perineal ou escrotal e mecanismo compatível também elevam a suspeita. A próstata “elevada” ao toque retal é um sinal clássico, mas pouco confiável e não deve, isoladamente, autorizar nem proibir cateterização; o toque é mais útil para procurar sangue e lesão retal associada.
Se houver sangue no meato ou suspeita clínica relevante, não se passa sonda às cegas: realiza-se uretrografia retrógrada. Uretra íntegra permite cateterização. Havendo lesão, a prioridade é drenagem urinária; cistostomia suprapúbica é uma opção segura, enquanto uma tentativa cuidadosa de realinhamento ou cateterização guiada pode ser feita por equipe experiente em situações selecionadas. Extravasamento não significa automaticamente que toda reconstrução definitiva ocorrerá naquele momento.
A sequência depende principalmente de inspecionar o meato e o períneo, perguntar sobre micção e reconhecer o mecanismo. O toque retal continua importante para lesões associadas, mas a altura aparente da próstata tem baixa acurácia para diagnosticar lesão uretral. A mensagem prática é manter disciplina antes de instrumentar: suspeita relevante pede demonstração do trajeto uretral ou passagem guiada por profissional habilitado.
Um esclarecimento evita mal-entendido: a proibição é de sondar às cegas, não de esvaziar a bexiga. Quando a distensão é sintomática e o exame contrastado vai demorar, a drenagem existe e se faz por cima do púbis, longe do trajeto lesado. E a interdição também não é permanente — ela vale até que alguém possa afirmar por onde a sonda vai passar, seja pela imagem, seja pela visão direta durante a operação.
Hematúria não gradua lesão, e a falta dela não exclui
A revisão brasileira mais citada sobre o assunto afirma que a hematúria está presente em noventa por cento dos pacientes com trauma renal, e imediatamente acrescenta a frase que muda a leitura: sua intensidade não se relaciona diretamente com a gravidade da lesão. Uma série paranaense de trinta e três politraumatizados repete a mesma ideia com a mesma ordem de grandeza, falando em hematúria presente em até noventa por cento e insistindo que a intensidade não se correlaciona com o grau.
O erro que essa frase previne é intuitivo e comum: tratar urina muito vermelha como sinal de rim muito destruído. Não é. A cor mede quanto sangue alcançou a via urinária, e uma laceração cortical pequena que rompe o sistema coletor pode sangrar mais visivelmente do que uma lesão grave que não o rompeu.
O outro lado é mais perigoso. A mesma revisão registra que a falta de hematúria pode ocorrer, por exemplo, na avulsão do ureter ou em extensas lesões do parênquima ou do pedículo renal — situações em que, nas palavras do texto, nem urina nem sangue alcançam a bexiga. Ou seja: as duas lesões mais graves do espectro são justamente as que podem cursar com urina limpa. Quem usa a hematúria como triagem para pedir imagem perde exatamente o paciente que mais precisa dela.
Um relato mineiro de ruptura isolada da pelve renal ilustra o vão e ainda entrega uma divergência interna útil. O corpo do artigo, em português, afirma que a presença de hematúria não é frequente nessa lesão; o resumo em inglês do mesmo artigo afirma que a hematúria está ausente em um terço dos casos. As duas frases descrevem o mesmo achado na mesma lesão e apontam para lados opostos — a primeira sugere minoria, a segunda sugere dois terços. Vale ler as duas e ficar com o que sobrevive a ambas: hematúria ausente não autoriza parar a investigação quando o mecanismo foi de desaceleração.
Antes de tratar essa divergência como erro, convém comparar o que ela compara. As duas revisões falam de trauma renal em geral, e o relato fala de uma lesão específica e rara do sistema coletor, sem laceração do parênquima — populações diferentes podem legitimamente ter frequências diferentes do mesmo sinal. A contradição que resta é interna: é dentro de um mesmo artigo, entre o corpo em português e o resumo em inglês, que a mesma lesão recebe duas leituras opostas.
O mecanismo pesa mais do que o sintoma
Se a hematúria não gradua, o que orienta a suspeita é o mecanismo. O rim está fixo no retroperitônio apenas pelo pedículo vascular e pelo ureter, solto num leito gorduroso contido pela fáscia de Gerota. Essa liberdade é o que o protege de pancadas diretas e o que o expõe a acelerações e frenagens violentas, capazes de produzir avulsão do sistema coletor ou lesão do pedículo. Desaceleração, portanto, é a palavra que deve acender o alerta mesmo com abdome pouco alterado.
A revisão descreve três mecanismos: trauma contuso, trauma penetrante e desaceleração em alta velocidade, e situa a maioria esmagadora das lesões renais no contuso, numa faixa de oitenta a noventa por cento. Acrescenta que ferimentos por arma branca têm baixo risco de lesão renal, enquanto os por arma de fogo merecem atenção especial pela maior dissipação de energia cinética, que pode levar a necrose tecidual tardia — um lembrete de que a lesão por projétil não termina de acontecer no momento do disparo.
O exame físico do trauma renal é pobre e vale pelo que localiza, não pelo que gradua. A revisão lista o que procurar: orifícios de entrada e saída, equimose em região lombar, fraturas de costelas e massa palpável no flanco. A série paranaense reforça que dor não é fidedigna, porque o retroperitônio dá pouca ou nenhuma irritação peritoneal, e que massa palpável em flanco raramente está presente. No relato de ruptura da pelve renal, o único achado de exame era dor no flanco e na região lombar, e o paciente só procurou assistência trinta horas depois da queda de moto.
Há ainda um grupo que se lesa com pouco impacto: rins com doença prévia. A revisão registra que rins policísticos, com tumores ou com hidronefrose secundária a estenose da junção ureteropiélica são mais suscetíveis, inclusive a traumas menores, e que nesses casos a nefrectomia é necessária em um terço deles. É a mesma lógica do relato de pelve renal, que descreve a ruptura isolada como excepcional se não houver variação anatômica, anomalia ou doença associada do sistema coletor.
A régua do rim tem cinco graus e não decide sozinha
A classificação em uso é a escala de lesão de órgão da associação americana de cirurgia do trauma, e a revisão brasileira reproduz os cinco graus numa tabela curta. Grau um reúne contusões e hematomas subcapsulares. Grau dois, lacerações corticais com hematoma perirrenal. Grau três, lacerações que envolvem a junção corticomedular ou trombose arterial segmentar sem laceração. Grau quatro, lacerações que atingem o sistema coletor, ou lesões de artéria segmentar com área desvascularizada, ou lesão do pedículo principal com hemorragia contida. Grau cinco, avulsão do hilo, trombose da artéria renal ou fragmentação múltipla do órgão.
A tentação é ler essa escala como um algoritmo de conduta, e o próprio texto que a publica desmente isso na frase seguinte: a classificação, baseada na avaliação radiológica, não é indicador principal da necessidade de tratamento cirúrgico. O que decide é a estabilidade hemodinâmica, e a graduação entra como um dos fatores adjuvantes, ao lado do tipo de trauma, da necessidade de transfusão e das escórias renais.
A série paranaense mede o quanto isso é verdade. Entre as lesões menores, doze de quinze foram tratadas de modo conservador; entre as maiores, sete de dezesseis. O grau muda a probabilidade de precisar operar, mas não a determina: quase metade das lesões graves passou sem cirurgia. O texto conclui com a frase que resume o papel do estadiamento — ele não indica a intervenção por si só, permite estimar a chance de falha e programar melhor a intervenção, quando ela for necessária.
Duas leituras práticas saem daí. A primeira é que um grau alto num paciente estável não é ordem de laparotomia. A segunda é que um grau baixo não protege: a decisão volta a ser da hemodinâmica assim que ela mudar, e a revisão é explícita ao dizer que o aparecimento de instabilidade em quem estava sendo conduzido de modo conservador é indicação de exploração cirúrgica imediata.
Quando o rim vai para a mesa, e o que o cirurgião faz antes de abrir a fáscia
A revisão separa indicações absolutas de relativas com uma clareza que vale decorar pela estrutura, não pela lista. São absolutas quatro situações: hematoma retroperitoneal em expansão, hematoma retroperitoneal pulsátil, instabilidade hemodinâmica refratária e trauma renal associado a lesão de outras vísceras. Repare que três das quatro descrevem sangramento que não parou, e a quarta descreve o paciente que já vai ser aberto de qualquer forma.
As relativas são três e têm natureza diferente: grandes extravasamentos de urina, presença de tecido renal não viável e trombose arterial instalada há mais de quatro horas. A primeira vem com um número que desarma a pressa — a resolução espontânea ocorre em setenta e seis a oitenta e sete por cento dos casos. Ou seja, urina extravasando, por si só, é motivo para observar melhor, não para operar já.
O tratamento conservador tem uma lista de suporte que o aluno raramente vê escrita: repouso no leito até a resolução da hematúria macroscópica, hematócrito seriado, monitoração intensiva, antibiótico com cobertura para gram-negativos e enterococos quando houver indicação clínica, transfusão quando necessária, tomografia em intervalos regulares e, detalhe que costuma cair como alternativa de alta, evitar exercício físico intenso por seis semanas. O controle por imagem das lesões graves conduzidas conservadoramente é recomendado, com nova tomografia contrastada trinta e seis a quarenta e oito horas depois da primeira nos graus quatro e cinco.
Quando se opera, há uma escolha técnica com efeito medido. A abordagem transperitoneal com controle precoce do pedículo vascular, antes de abrir a fáscia perinefrética, é creditada por reduzir o índice de nefrectomias de cinquenta e seis para dezoito por cento. O número explica o gesto: aberto o hematoma contido sem controle prévio, a hemorragia que aparece força a retirada do rim; controlado antes, sobra tempo para reconstruir. E há por que reconstruir — os índices de nefrectomia são de cerca de quatro por cento no trauma contuso e vinte e um por cento no penetrante.
A bexiga: o peritônio separa duas doenças com o mesmo nome
Ruptura de bexiga é um nome só para dois problemas distintos, e o que os separa é uma membrana. A cúpula vesical é a única porção recoberta por peritônio, e é o ponto mais frágil quando a pressão intravesical sobe. Uma rotura ali despeja urina na cavidade peritoneal; uma rotura na porção extraperitoneal, típica da fratura de pelve, despeja urina no espaço perivesical.
A consequência prática é direta. A lesão intraperitoneal é cirúrgica: desbridamento, rafia da perfuração e lavagem da cavidade. A lesão extraperitoneal, em quem não vai ser operado por outro motivo, costuma resolver com drenagem vesical por sonda e antibiótico. Duas condutas opostas para o mesmo diagnóstico verbal — e o exame que decide não é a tomografia comum, é a cistografia, que enche a bexiga com contraste e mostra para onde ele escapa.
O relato de Juiz de Fora sobre ruptura espontânea de bexiga entrega esse ponto com um caso que dá errado. Mulher de setenta e nove anos, diabética, com infecção urinária de repetição e incontinência, chega com dor hipogástrica e febre. A tomografia de abdome não evidenciou líquido livre peritoneal nem outras alterações significativas. Ela piorou, foi levada à laparotomia com suspeita de isquemia mesentérica, e o que se encontrou foi peritonite com necrose e ruptura da cúpula vesical bloqueada pelas alças de íleo.
O mesmo artigo diz que a acurácia da cistografia é próxima de cem por cento e, na mesma frase, que algumas lesões podem passar despercebidas se houver bloqueio da perfuração pelas alças de intestino delgado. É raro ver um número e o seu contraexemplo tão juntos, e o caso relatado é justamente o contraexemplo. A lição que fica não é desconfiar do exame, é entender que o bloqueio por alça explica ao mesmo tempo o líquido que não apareceu na imagem e a evolução arrastada — um mecanismo, dois achados.
Convém separar dois cenários que a prova gosta de sobrepor. A rotura traumática da cúpula pede bexiga cheia no momento do impacto, e por isso a anamnese que pergunta se a pessoa estava com vontade de urinar antes do acidente não é preciosismo. Já a rotura espontânea, como no relato acima, dispensa impacto e aparece em quem tem retenção crônica, sensibilidade vesical diminuída, infecção urinária de repetição ou parede irradiada. O gatilho muda, o compartimento e a conduta não.

A ureia que sobe é o peritônio dialisando ao contrário
Há um achado laboratorial que quase ninguém associa a trauma de bexiga e que costuma ser o primeiro sinal de que urina está livre no abdome. Quando a urina cai na cavidade peritoneal, a membrana que normalmente absorve água e solutos passa a reabsorver o que deveria ter sido eliminado. Ureia e creatinina sobem no sangue sem que o rim tenha adoecido.
O relato de Juiz de Fora quantifica: ureia e creatinina estão aumentadas em quarenta e cinco por cento dos casos já nas primeiras vinte e quatro horas, e em praticamente cem por cento após vinte e quatro horas da ruptura, com maior aumento da ureia pela sua maior absorção peritoneal. A assimetria entre as duas moléculas é a assinatura do fenômeno, e é ela que diferencia essa elevação de uma lesão renal verdadeira.
O quadro clínico que acompanha é igualmente característico: dor abdominal difusa, mais intensa no andar inferior do abdome, ascite urinária, distensão abdominal, retenção urinária e oligúria ou anúria após cateterismo vesical. Esse achado merece leitura devagar. O paciente foi sondado, a sonda está no lugar e mesmo assim quase não sai urina — porque a urina está saindo pela perfuração antes de chegar ao balão. Sonda sem débito num abdome que distende é um dado positivo, não uma falha técnica.
No caso relatado, a paciente chegou com ureia de cinquenta e quatro e creatinina de um vírgula três, valores discretos para uma perfuração já instalada. A explicação está no próprio caso: a perfuração estava bloqueada pelas alças, e o que limitou a superfície de reabsorção é o mesmo que escondeu o líquido na tomografia. O número baixo, aqui, confirma o mecanismo em vez de contrariá-lo — mas só depois que se sabe do bloqueio, o que só a laparotomia mostrou.
A uretra do homem tem duas metades e dois mecanismos
A uretra masculina se comporta como duas estruturas diferentes diante do trauma. A porção posterior, membranosa e prostática, está ancorada à pelve óssea; quando o anel pélvico se rompe e se desloca, ela é cisalhada. Por isso lesão de uretra posterior é doença de fratura de pelve, e é nela que aparece a próstata elevada ao toque retal — o coto prostático subiu junto com o fragmento ósseo.
A porção anterior, bulbar e peniana, não está presa ao osso; ela se lesa por esmagamento contra o ramo púbico. É o mecanismo da queda a cavaleiro, quando o períneo bate numa barra, numa viga ou no quadro da bicicleta. O hematoma que se forma respeita os limites da fáscia perineal e desenha a figura que a literatura chama de asa de borboleta. Duas cenas, dois compartimentos, e a mesma proibição de sondar às cegas.
Há um terceiro caminho, menos lembrado, que chega pela genitália externa. Um relato paraibano descreve fratura de pênis com lesão uretral associada: homem de vinte e nove anos que, durante relação sexual, ouviu um estalido, teve dor e perda imediata da ereção, e chegou com hematoma peniano volumoso e uretrorragia havia cerca de uma hora. O artigo situa o envolvimento uretral em dez a vinte por cento das fraturas penianas, e explica o motivo anatômico: a lesão só alcança a uretra quando a ruptura ultrapassa a túnica albugínea e atinge o corpo esponjoso.
A conduta desse caso segue a mesma ordem geral e ilustra bem o ponto. Antes de qualquer manipulação, ultrassonografia peniana e uretrografia retrógrada, que mostraram ruptura bilateral da túnica albugínea e extravasamento de contraste na uretra peniana proximal. Só depois o paciente foi ao centro cirúrgico, e a sonda de Foley entrou ao final, sob visão direta, depois de reparados os corpos cavernosos. A sondagem não foi proibida para sempre — foi adiada até que alguém pudesse garantir por onde ela passaria.
Quatro séries, quatro campeões: a porta seleciona o paciente
Quem estuda por números de série precisa saber que o número descreve a porta de entrada antes de descrever a doença. O trauma geniturinário é um bom exemplo, e o mais didático é que as duas séries mais discordantes são da mesma cidade.
Um hospital universitário de Curitiba estudou trinta e oito vítimas de trauma renal entre dois mil e onze e dois mil e catorze e encontrou sessenta vírgula cinco por cento de mecanismo fechado, sobretudo acidentes com motocicleta. Outro serviço universitário da mesma Curitiba, publicando no ano anterior sobre trinta e três pacientes, encontrou oitenta e quatro vírgula oito por cento de mecanismo penetrante — quase o retrato invertido. O primeiro trabalho cita o segundo e comenta que os valores estão bem acima da média nacional, atribuindo a diferença ao perfil populacional que cada hospital atende.
A revisão de Belo Horizonte, olhando a literatura internacional, fixa oitenta a noventa por cento de mecanismo contuso, e o trabalho curitibano acrescenta que em outras cidades os ferimentos penetrantes representaram entre dez e vinte por cento das causas. Quatro fontes, quatro proporções, e nenhuma delas errada — cada uma mede o que passou pela sua porta.
O mesmo vale para lesões associadas. O serviço de trinta e oito pacientes achou setenta e oito vírgula nove por cento com alguma lesão associada, valor que ele mesmo compara com setenta e oito vírgula oito por cento em Sorocaba e sessenta e cinco vírgula um por cento em Coimbra, e contrasta com autores que referem índices entre treze e trinta e quatro por cento. A distância entre treze e setenta e nove por cento não é ruído estatístico: é a diferença entre um serviço que recebe politrauma de alta energia e outro que recebe lesão isolada. Na prova, a consequência é simples — enunciado que oferece percentual de mecanismo raramente está cobrando o percentual; está montando o cenário.
Ler série exige ainda um cuidado com denominador. No trabalho de trinta e oito pacientes, os percentuais de estadiamento não usam os trinta e oito como base, e sim os trinta e um que puderam ser graduados, porque parte das lesões foi descoberta durante a laparotomia sem classificação registrada. Quem transporta o percentual sem transportar o denominador acaba comparando coisas diferentes — e é esse tipo de deslize que faz um mesmo dado parecer discordante entre dois artigos que, na verdade, contam populações distintas.
O que o protocolo federal não diz, e por que isso muda o modo de estudar
Boa parte das réguas que este capítulo usa tem origem em sociedade científica e em série de serviço, não em norma nacional. Isso não é um detalhe de rodapé: muda onde o aluno deve procurar e o quanto ele pode contar com uma fonte única.
Protocolos gerais de atendimento ao trauma nem sempre detalham as decisões urológicas que seguem a avaliação primária. Por isso, critérios como uretrografia diante de sangue no meato, classificação do trauma renal e manejo distinto das roturas vesicais devem ser conferidos em diretrizes específicas de urotrauma, mantendo o ABCDE e a estabilidade hemodinâmica como prioridades.
Para o estudo, a consequência é simples: memorize a sequência consensual, não uma “tríade” rígida. Sangue no meato é o gatilho mais forte para uretrografia; incapacidade de urinar e hematoma perineal reforçam suspeita; próstata alta é achado histórico e pouco confiável. Na bexiga, a relação do extravasamento com o peritônio decide entre reparo e drenagem; no rim, a hemodinâmica continua acima do grau anatômico.
Há um efeito colateral útil disso. Quando a régua não é federal, o enunciado de prova tende a apoiar-se no que é consensual entre fontes — a sequência de decisão — e a evitar o que varia entre elas — percentuais, prazos exatos e detalhe técnico. Reconhecer onde a literatura converge e onde ela diverge, portanto, é uma forma direta de prever o que a banca pode cobrar sem se expor a contestação.
Quatro perguntas, na ordem em que o trato urinário as cobra
A ordem abaixo é a ordem da decisão, e ela não coincide com a ordem em que a informação chega. A tomografia costuma chegar antes do toque retal e a hematúria costuma ser comentada antes de alguém olhar o meato — mas quem manda no primeiro gesto é o exame físico do períneo, e ele é gratuito.
Há sangue no meato ou suspeita clínica de lesão uretral
Sangue no meato é o gatilho mais forte e formal para uretrografia antes da sondagem. Incapacidade de urinar com bexiga palpável, hematoma perineal/escrotal e mecanismo pélvico compatível também sustentam suspeita. Próstata elevada é descrita classicamente, mas tem baixa confiabilidade e não deve ser usada sozinha. Enquanto houver suspeita relevante, evite instrumentação às cegas; obtenha uretrografia ou passagem guiada, e use drenagem suprapúbica quando o esvaziamento não puder esperar.
A uretra foi provada íntegra antes de qualquer cateter
A prova é a uretrografia retrógrada, que injeta contraste pelo meato e verifica se ele alcança a bexiga. Vale distinguir esse exame da uretrocistografia miccional, que tem nome parecido, se faz com a bexiga cheia e serve para investigar refluxo vesicoureteral na criança — outro exame, outra doença, outra idade. Com o trajeto documentado, a sondagem deixa de ser risco e passa a ser conduta; sem ele, adiar o alívio custa desconforto, e insistir custa a uretra.
O extravasamento vesical está dentro ou fora do peritônio
A bexiga só é recoberta por peritônio na cúpula, e é ali que ela rompe quando a pressão interna sobe. Extravasamento intraperitoneal leva à mesa, para desbridamento, rafia e lavagem da cavidade. Extravasamento extraperitoneal, típico da fratura de pelve, costuma ser tratado com drenagem por sonda. Quem responde a essa pergunta é a cistografia, com a ressalva registrada pela própria literatura: perfuração bloqueada por alça de delgado pode não aparecer.
O rim está graduado, e a hemodinâmica é que marca a mesa
A escala vai de contusão e hematoma subcapsular até avulsão do hilo, e serve para estimar risco de falha e programar a intervenção. Ela não é o indicador principal da necessidade de cirurgia. Hematoma retroperitoneal em expansão ou pulsátil, instabilidade refratária e lesão associada de outras vísceras são as indicações absolutas; extravasamento urinário volumoso é relativa, porque a maioria se resolve sozinha.
A sequência vale para o paciente que chega estável o bastante para ser examinado. Instabilidade refratária inverte tudo: o abdome é aberto por hemorragia, e o rim, a bexiga e a uretra passam a ser avaliados dentro da cavidade e no pós-operatório.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Maioria contuso, na faixa de oitenta a noventa por cento
É o valor de literatura internacional reproduzido pela revisão brasileira, e é o que a série de trinta e oito pacientes usa como referência ao comparar os próprios sessenta vírgula cinco por cento de mecanismo fechado.
Rev Col Bras Cir. 2009;36(6):519-24, seção de mecanismo do trauma; e Rev Col Bras Cir. 2016;43(5):341-7, discussão.
Maioria penetrante, oitenta e quatro vírgula oito por cento
É o achado de um serviço universitário da mesma cidade, em série de trinta e três pacientes do ano anterior, e o próprio artigo que o cita registra que o valor está bem acima da média nacional.
Rev Col Bras Cir. 2015;42(6):382-5, resumo; citado como referência dezessete em Rev Col Bras Cir. 2016;43(5):341-7.
Na prova
Enunciado que abre citando percentual de mecanismo quase sempre está montando a cena e vai cobrar outra coisa adiante — que exame pedir, quando operar. Trate o percentual como cenário, não como pergunta, e leia adiante procurando o verbo da decisão.
Presente em noventa por cento, sem correlação com a gravidade
Duas revisões brasileiras registram a mesma ordem de grandeza e a mesma ressalva, e uma delas nomeia as situações de urina limpa: avulsão de ureter e lesão extensa de parênquima ou de pedículo.
Rev Col Bras Cir. 2009;36(6):519-24, avaliação inicial; e Rev Col Bras Cir. 2015;42(6):382-5, introdução.
Pouco frequente em lesões isoladas do sistema coletor
Um relato de ruptura isolada da pelve renal descreve a hematúria como pouco frequente no corpo do texto em português e como ausente em um terço dos casos no resumo em inglês do mesmo artigo.
Rev Col Bras Cir. 2007;34(3):208-9, discussão e resumo em inglês.
Na prova
Vinheta que descreve urina muito vermelha depois de trauma quer saber se o candidato pede imagem, não se ele estima o grau. E vinheta com urina limpa e mecanismo de desaceleração está testando exatamente a exceção — não deixe a urina clara encerrar a investigação.
A escala orienta a conduta e o grau alto puxa para a cirurgia
Uma série brasileira mostra a associação: entre lesões maiores, nove de dezesseis foram operadas, contra três de quinze entre as menores, e a discussão afirma que quanto maior o grau maior a chance de intervenção.
Rev Col Bras Cir. 2016;43(5):341-7, resultados e discussão.
A escala não é o indicador principal da necessidade de operar
A revisão afirma isso com todas as letras e desloca a decisão para a instabilidade hemodinâmica, o tipo de trauma, a necessidade de transfusão e as escórias renais, com o grau como fator adjuvante.
Rev Col Bras Cir. 2009;36(6):519-24, conduta nos pacientes com trauma renal.
Na prova
O enunciado que descreve grau alto num paciente estável está testando se o candidato troca a hemodinâmica pelo laudo. Procure no texto os sinais vitais e a resposta à reposição antes de olhar o número do grau.
Caso resolvido
- primeiro, reconhecer que a pergunta já veio respondida
- Sangue no meato, hematoma perineal em asa de borboleta e próstata elevada compõem a tríade que interdita a sondagem. Qualquer um deles bastaria; os três juntos tornam a suspeita de lesão de uretra posterior quase obrigatória, ainda mais com fratura de pelve sugerida pela instabilidade à compressão. A vontade miccional preservada com bexiga palpável completa o quadro: o canal foi interrompido e a urina está represada.
- segundo, separar o que é urgente do que é urgente agora
- O paciente está estável, e isso muda a ordem. Não havendo instabilidade refratária nem indicação de laparotomia por outro motivo, não há razão para abrir o abdome, e a bexiga cheia é desconforto, não ameaça imediata. A hemorragia pélvica, essa sim, corre em paralelo e segue o protocolo de fratura de pelve, independentemente do que se decida sobre a uretra.
- terceiro, provar o trajeto antes de usá-lo
- A conduta correta é a uretrografia retrógrada antes de qualquer tentativa de sondagem. O contraste entra pelo meato e o exame mostra se ele alcança a bexiga ou escapa para o tecido periuretral. É um exame rápido, disponível em serviço de emergência e que responde exatamente à pergunta que suspendeu o procedimento.
- quarto, escolher a via conforme o resultado
- Se o trajeto estiver íntegro, a sonda uretral passa a ser permitida e o alívio é imediato. Se houver extravasamento, a bexiga é drenada por punção suprapúbica ou cistostomia, e a reconstrução do canal fica para um segundo tempo, com o paciente estabilizado e a fratura tratada.
- quinto, não esquecer a bexiga sob a mesma pelve
- Fratura de pelve é o mecanismo clássico da rotura vesical extraperitoneal, e a lesão de uretra não dispensa a investigação da bexiga. Uma vez garantida a via, a cistografia mostra se há extravasamento e, sobretudo, de que lado do peritônio ele está — porque a resposta separa drenagem por sonda de exploração cirúrgica.
- sexto, registrar o que foi visto antes de qualquer manobra
- O achado de próstata elevada e de hematoma perineal deixa de ser observável depois que o paciente é manipulado, sedado ou operado. Descrever o exame perineal e o toque retal no prontuário protege a decisão de não sondar e orienta quem receber o paciente depois, inclusive se a sonda vier a ser passada em outro serviço.
Agora feche você
- Passo 1
- Por que a falta de sangue no meato, de hematoma perineal e de próstata elevada muda a primeira decisão deste atendimento em relação ao caso anterior, e o que ela autoriza fazer?
- Passo 2
- A sonda está bem posicionada e mesmo assim sai pouca urina enquanto o abdome distende. Que explicação fisiopatológica liga esses dois fatos, e por que isso é um dado positivo em vez de uma falha técnica?
- Passo 3
- A ureia subiu proporcionalmente mais do que a creatinina. Que mecanismo produz essa assimetria quando há urina livre na cavidade, e por que ela ajuda a diferenciar essa elevação de uma lesão renal verdadeira?
- Passo 4
- O contraste escapa para entre as alças intestinais. Em qual dos dois compartimentos está a rotura, que porção da bexiga costuma romper nesse padrão e qual é a conduta que decorre disso?
- Passo 5
- Se o mesmo paciente tivesse fratura de pelve e o contraste ficasse contido no espaço perivesical, o que mudaria no tratamento, e por que a mesma lesão de nome recebe condutas opostas?
- Passo 6
- A literatura atribui à cistografia acurácia próxima de cem por cento e, na mesma frase, admite que perfurações bloqueadas por alça de delgado podem passar despercebidas. Como essa ressalva deve mudar a sua conduta diante de um estudo vesical normal em paciente que continua piorando?
Onde a banca derruba
- 1Passar a sonda para aliviar a bexiga antes de olhar o meato O erro é instrumentar às cegas um traumatizado com suspeita de lesão uretral. Sangue no meato exige uretrografia retrógrada; retenção, globo e hematoma perineal reforçam a suspeita. A próstata “alta” é um achado clássico, mas pouco confiável e não deve ser o único critério. Quando a bexiga precisa ser drenada antes da definição do trajeto, a via suprapúbica é segura; cateterização ou realinhamento devem ser guiados por equipe experiente.
- 2Ler a intensidade da hematúria como medida da gravidade A cor da urina informa que sangue alcançou a via urinária, e nada além disso. A literatura brasileira registra hematúria em cerca de noventa por cento dos traumas renais e, na mesma frase, nega correlação entre intensidade e gravidade. Urina francamente vermelha com paciente estável não muda a conduta; urina limpa com mecanismo de desaceleração não a autoriza a parar.
- 3Achar que urina limpa exclui lesão renal grave As duas lesões mais graves do espectro são as que podem cursar sem hematúria: avulsão do ureter e lesão extensa de parênquima ou de pedículo, porque nem urina nem sangue chegam à bexiga. Quem usa a hematúria como filtro para pedir tomografia perde exatamente esses casos. O filtro correto é o mecanismo, e desaceleração em alta velocidade pede imagem mesmo com abdome pobre.
- 4Tratar toda ruptura de bexiga com a mesma conduta O nome é um só e as doenças são duas. A rotura da cúpula joga urina na cavidade peritoneal e é cirúrgica; a rotura extraperitoneal, companheira habitual da fratura de pelve, costuma resolver com sonda e antibiótico. Quem separa as duas é a cistografia, não a tomografia simples, e a distinção precisa ser feita antes de escolher entre chamar o centro cirúrgico e prescrever drenagem.
- 5Confundir uretrografia retrógrada com uretrocistografia miccional Os nomes são vizinhos e os exames são opostos. A retrógrada injeta contraste pelo meato, contra o fluxo, para provar a integridade do canal antes de sondar o traumatizado. A miccional enche a bexiga e observa a micção, e existe para procurar refluxo vesicoureteral na criança com infecção urinária. Pedir a errada custa tempo e não responde à pergunta que interditou a sonda.
- 6Usar o grau da lesão renal como indicação isolada de laparotomia A escala de cinco graus foi feita para descrever a anatomia da lesão, e o texto que a difunde no Brasil diz explicitamente que ela não é o indicador principal da necessidade de cirurgia. Numa série nacional, quase metade das lesões maiores foi conduzida sem operação. Grau alto em paciente estável autoriza vigilância; instabilidade que não responde à reposição autoriza a mesa, independentemente do laudo.
Uretrorragia após trauma perineal em cavaleiro sugere lesão de uretra anterior/bulbar. Antes de qualquer sondagem, deve-se realizar URETROCISTOGRAFIA RETRÓGRADA para avaliar a integridade uretral. A passagem cega de sonda uretral é contraindicada — pode transformar lesão parcial em completa e criar falso trajeto. Cistostomia é uma opção terapêutica, mas o passo diagnóstico inicial é a uretrografia. TC de crânio e alta não têm relação com o quadro urológico apresentado.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem de 24 anos sofreu queda a cavaleiro (trauma perineal). Chega ao pronto-socorro com uretrorragia (sangue no meato uretral), hematoma perineal 'em asa de borboleta' e globo vesical, referindo impossibilidade de urinar. Antes de qualquer tentativa de sondagem vesical, qual exame deve ser realizado para avaliar a integridade da uretra?
Uretrorragia, hematoma perineal em asa de borboleta e retenção após trauma perineal sugerem lesão de uretra anterior/bulbar. A sondagem vesical às cegas está CONTRAINDICADA (pode converter lesão parcial em completa). O exame indicado é a uretrocistografia retrógrada, que define presença e extensão da lesão. USG isolada não avalia a uretra. TC de crânio é irrelevante ao quadro. Cistoscopia não é o primeiro passo diante de suspeita de lesão uretral com uretrorragia.
Homem de 35 anos chega ao pronto-socorro após queda a cavaleiro (trauma perineal). Apresenta uretrorragia (sangue no meato uretral), hematoma perineal 'em asa de borboleta' e bexiga palpável, referindo desejo miccional mas incapacidade de urinar. Qual a conduta correta antes de qualquer tentativa de esvaziamento vesical?
A tríade uretrorragia + hematoma perineal em asa de borboleta + retenção urinária após trauma perineal sugere lesão de uretra anterior/posterior. A passagem cega de sonda uretral é contraindicada, pois pode converter uma lesão parcial em completa e criar falso trajeto. A conduta é uretrografia retrógrada para documentar a lesão antes de qualquer cateterismo; confirmada a lesão, a derivação é por cistostomia suprapúbica (guiada, não às cegas). Diurético agrava a distensão sem resolver a obstrução.
Homem de 27 anos é atendido no pronto-socorro após trauma perineal por queda a cavaleiro sobre a barra da bicicleta. Apresenta uretrorragia (sangue no meato uretral), hematoma perineal e globo vesical, sem conseguir urinar. Sinais vitais estáveis. Qual a conduta mais adequada?
Uretrorragia, hematoma perineal e retenção após trauma perineal contuso indicam lesão de uretra anterior (bulbar). A passagem de sonda uretral às cegas é contraindicada, pois pode converter uma laceração parcial em completa. A conduta é uretrocistografia retrógrada para caracterizar a lesão e, para alívio da retenção, cistostomia suprapúbica. Exploração escrotal não trata lesão uretral. Diurético é inútil em obstrução mecânica e pioraria o globo.
Homem, 32 anos, pedreiro, sofre queda a cavaleiro (straddle) sobre uma viga metálica. Chega ao pronto-socorro queixando-se de dor perineal intensa e incapacidade de urinar apesar de vontade miccional. Ao exame: sangue no meato uretral, equimose perineal em 'asa de borboleta' e bexiga palpável/globosa em hipogástrio. Sinais vitais estáveis. Antes de qualquer tentativa de sondagem vesical, qual é o exame de imagem mais apropriado para elucidar o diagnóstico? Qual o próximo passo?
A tríade sangue no meato uretral + retenção urinária + equimose perineal em asa de borboleta após trauma perineal a cavaleiro é clássica de lesão de uretra anterior (bulbar). Diante da suspeita de lesão uretral, é CONTRAINDICADO tentar passar sonda vesical às cegas, pois pode converter lesão parcial em completa. O exame de escolha para confirmar e localizar a lesão é a uretrocistografia retrógrada. TC avalia bem lesões renais/vesicais e órgãos sólidos, mas não define a lesão uretral. Cistografia avalia a bexiga e pressupõe acesso vesical já estabelecido — não é o passo inicial nem o exame da uretra. US escrotal investiga trauma testicular, não a uretra. Urografia excretora avalia trato urinário superior/função excretora, sem detalhar a uretra.
Homem, 28 anos, sofreu queda de altura (~4 metros) sobre estrutura metálica. Chega estável (PA 118/76 mmHg, FC 96 bpm), com dor pélvica intensa. Ao exame, observa-se sangue no meato uretral, hematoma escrotal volumoso e, ao toque retal, próstata elevada ("flutuante"). A radiografia confirma fratura de ramos púbicos. A equipe de enfermagem solicita autorização para passar sonda vesical de demora. Qual é a conduta correta antes de qualquer tentativa de cateterismo vesical?
Correta: sangue no meato, hematoma perineal/escrotal e próstata elevada compõem a tríade clássica de lesão de uretra posterior associada à fratura pélvica; antes de qualquer cateterismo deve-se documentar a integridade uretral pela uretrocistografia retrógrada, para não converter lesão parcial em completa. Passar Foley às cegas é justamente o que está contraindicado — risco de agravar a laceração uretral. Cistostomia suprapúbica pode ser a via de drenagem definitiva, mas só APÓS confirmar a lesão uretral pelo exame de imagem, não como primeiro passo. A TC com contraste venoso não avalia adequadamente a uretra (fase de eliminação tardia não é o exame de escolha para trauma uretral). A cistografia avalia a bexiga, não a uretra, e exige acesso vesical ainda não estabelecido — a lesão a esclarecer primeiro é a uretral.
Homem, 27 anos, motociclista, vítima de colisão em alta velocidade há 40 minutos. Chega ao pronto-socorro consciente, queixando-se de dor pélvica intensa e incapacidade de urinar. PA 110/70 mmHg, FC 98 bpm, FR 18 ipm, SatO2 98%, T 36,5 °C. Ao exame: dor à compressão da pelve com instabilidade, sangue no meato uretral, hematoma perineal em asa de borboleta e, ao toque retal, próstata elevada e de difícil delimitação ("flutuante"). A radiografia de pelve mostra fratura de ramos ísquio-púbicos bilateral. Qual é a conduta INICIAL mais adequada?
A tríade sangue no meato uretral + hematoma perineal (asa de borboleta) + próstata elevada ao toque, no contexto de fratura pélvica, caracteriza lesão de uretra posterior. A conduta padrão é a uretrocistografia retrógrada, que confirma e localiza a lesão ANTES de qualquer instrumentação uretral. Erra: e é a pegadinha clássica: passar sonda de Foley às cegas na suspeita de lesão uretral pode converter lesão parcial em completa e criar falso trajeto — está contraindicado até o exame de imagem. Cistostomia pode ser o desvio urinário definitivo, mas é feita após a confirmação diagnóstica, não como primeiro passo cego. TC com fase excretora avalia bem rim/bexiga, mas não é o exame de escolha para a uretra e não deve preceder a uretrografia neste quadro. Laparotomia imediata não se justifica em paciente hemodinamicamente estável, sem sinais de lesão intraperitoneal, antes de definir a lesão urológica.
Homem, 34 anos, vítima de trauma abdominal fechado por queda de altura há 2 horas. Referia bexiga cheia no momento do acidente. Chega estável: PA 118/76 mmHg, FC 92 bpm, FR 18 ipm, SatO2 99%. Apresenta dor abdominal difusa com hematúria macroscópica franca à sondagem. A cistografia por TC evidencia extravasamento de contraste para a cavidade peritoneal, delineando alças intestinais e acumulando-se nas goteiras parietocólicas e no fundo de saco. Não há lesão de outros órgãos abdominais nem instabilidade hemodinâmica. Qual a conduta mais apropriada?
O padrão do extravasamento (contraste delineando alças e acumulando nas goteiras parietocólicas / fundo de saco) define ruptura vesical INTRAPERITONEAL, típica de trauma com bexiga cheia — a cúpula, ponto mais fraco, se rompe. A conduta é sempre cirúrgica: exploração e reparo primário em duas camadas com drenagem vesical, pois a urina em livre peritônio causa peritonite química/urinária e não cicatriza espontaneamente. A armadilha é o manejo conservador com sonda por 10–14 dias: é o tratamento da ruptura EXTRAperitoneal isolada e não-complicada — errado aqui, pois o extravasamento é intraperitoneal. Observação é inadequada e perigosa diante de uroperitônio. Drenagem percutânea não trata a solução de continuidade da parede vesical. Duplo J desvia via ureteral e não repara a bexiga, sendo irrelevante para lesão vesical.
Homem que estava com a bexiga cheia sofre trauma abdominal fechado. Chega estável, com dor no andar inferior do abdome e distensão progressiva. O estudo vesical por enchimento retrógrado mostra contraste escapando para entre as alças intestinais. Qual é a conduta adequada?
Contraste que escapa para entre as alças caracteriza extravasamento intraperitoneal, próprio da rotura da cúpula vesical, que é a única porção recoberta por peritônio. Essa lesão é cirúrgica: desbridamento, rafia da perfuração e lavagem da cavidade. A drenagem apenas por sonda é a conduta da rotura extraperitoneal, não desta; desvio ureteral não resolve uma perfuração da própria bexiga; observar é ignorar urina livre na cavidade; e a drenagem percutânea trata coleção, não a solução de continuidade.
Homem vítima de desaceleração em alta velocidade chega estável, com dor lombar persistente. O exame de urina não mostra hematúria. A equipe considera afastada a lesão renal e planeja alta após observação curta. Qual é o problema desse plano?
A revisão brasileira registra que a hematúria pode faltar justamente nas lesões mais graves do espectro, como a avulsão do ureter e as lesões extensas de parênquima ou de pedículo, porque nessas situações nem urina nem sangue alcançam a bexiga. Usar a urina limpa como filtro para dispensar imagem perde exatamente o paciente que mais precisa dela; o que orienta a suspeita é o mecanismo, e desaceleração em alta velocidade pede investigação por imagem. A urina limpa não aponta para a bexiga nem depende do método de coleta para ter esse valor.
Homem vítima de trauma abdominal fechado por queda de moto, estável, apresenta hematúria macroscópica intensa. O médico assistente considera que a intensidade da hematúria indica lesão renal de alto grau e propõe exploração cirúrgica imediata. Qual é a avaliação correta desse raciocínio?
A literatura brasileira registra hematúria em cerca de noventa por cento dos traumas renais e, na mesma passagem, nega correlação entre a intensidade e a gravidade da lesão: a cor mede quanto sangue alcançou a via urinária, não quanto parênquima foi destruído. Por isso não cabe deduzir grau nem indicar cirurgia a partir do aspecto da urina. Também não é verdade que a hematúria macroscópica seja indicação absoluta de exploração, nem que ela localize a lesão no trato baixo — a quem decide a mesa é a instabilidade hemodinâmica.
Paciente com rotura intraperitoneal de bexiga, ainda sem diagnóstico, é sondado e drena pouca urina, enquanto o abdome distende e a ureia sobe proporcionalmente mais do que a creatinina. Qual mecanismo explica esse conjunto de achados?
Urina livre na cavidade é reabsorvida pelo peritônio, e essa reabsorção é mais eficiente para a ureia do que para a creatinina, o que produz a elevação assimétrica descrita. O relato brasileiro registra elevação em quase metade dos casos nas primeiras vinte e quatro horas e em praticamente todos depois desse prazo. O baixo débito pela sonda é parte do mesmo quadro: a urina escapa pela perfuração antes de alcançar o cateter. Isquemia tubular, obstrução do cateter e lesão muscular difusa não produzem a dissociação entre os dois marcadores nem explicam a distensão progressiva.
Durante laparotomia por trauma abdominal fechado, o cirurgião encontra hematoma retroperitoneal em região perirrenal que aumenta de volume durante a inspeção. Qual é a leitura correta desse achado?
Hematoma retroperitoneal em expansão, hematoma pulsátil, instabilidade hemodinâmica refratária e trauma renal associado a lesão de outras vísceras compõem as indicações absolutas de exploração. Três delas descrevem sangramento que não cessou, e é esse o caso aqui. O grau radiológico não sobrepõe esse achado, já que a própria literatura afirma que a classificação não é o indicador principal da necessidade de cirurgia. Observar um hematoma que cresce é adiar hemorragia ativa, e retirar o rim sem controle prévio do pedículo é justamente o que aumenta a taxa de nefrectomia.
Homem com fratura de anel pélvico, estável, é submetido a estudo vesical contrastado que mostra extravasamento contido no espaço perivesical, sem contraste entre as alças intestinais. Não há indicação de laparotomia por outro motivo. Qual é a conduta esperada?
O extravasamento contido no espaço perivesical caracteriza rotura extraperitoneal, a que acompanha tipicamente a fratura de pelve, e ela costuma cicatrizar com drenagem vesical e antibiótico em quem não vai ser aberto por outra razão. A exploração com rafia é a conduta da rotura intraperitoneal, do outro lado do peritônio. Abandonar a via uretral não se justifica quando o canal está íntegro, e desviar o fluxo a partir dos rins é desproporcional a uma perfuração baixa que fecha sozinha.
Diante de suspeita de lesão uretral em traumatizado adulto, o residente solicita uma uretrocistografia miccional. O preceptor corrige o pedido. Qual é a justificativa da correção?
São exames de nomes vizinhos e finalidades opostas. O estudo retrógrado injeta contraste pelo meato, contra o fluxo, e serve para provar a integridade do canal antes de sondar o traumatizado. O estudo miccional enche a bexiga e observa a micção, e existe sobretudo para investigar refluxo vesicoureteral na criança com infecção urinária. Condicionar o exame à passagem prévia de sonda inverte a lógica da suspeita, a tomografia não substitui o estudo do canal, e a avaliação prostática não é o objetivo de nenhum dos dois.
Homem adulto sofre queda a cavaleiro sobre uma barra metálica e chega com dor perineal intensa, sangue no meato uretral, equimose perineal e bexiga palpável, referindo vontade de urinar sem conseguir. Qual segmento da uretra é o mais provavelmente lesado e por qual mecanismo?
A queda a cavaleiro comprime o períneo contra o arco ósseo e lesa o segmento anterior, bulbar, que não está ancorado ao esqueleto; o hematoma resultante respeita os limites da fáscia perineal e desenha a figura de asa de borboleta. O segmento posterior se lesa por cisalhamento quando o anel pélvico se rompe e se desloca, mecanismo que não corresponde a esta cena e que costuma vir com próstata elevada ao toque. Tração ligamentar isolada e lesão térmica não descrevem a fisiopatologia deste trauma.
Homem jovem, motociclista, chega ao pronto-socorro consciente e estável cerca de meia hora após colisão em alta velocidade, com dor pélvica intensa e vontade de urinar sem conseguir. Ao exame há dor à compressão da pelve, sangue no meato uretral, hematoma perineal em asa de borboleta e bexiga palpável em hipogástrio; o toque retal encontra próstata elevada e de difícil delimitação. Qual é a conduta adequada neste momento?
A tríade de sangue no meato, hematoma perineal em asa de borboleta e próstata elevada ao toque retal caracteriza suspeita de lesão de uretra posterior e interdita a passagem de cateter: a sonda pode converter uma laceração parcial em secção completa. O estudo contrastado retrógrado é o que documenta o trajeto e libera, ou não, a sondagem. Aliviar a bexiga por sonda uretral, ainda que com técnica cuidadosa, é justamente o gesto proibido; abrir o abdome não se justifica em paciente estável sem indicação; a tomografia avalia rim e bexiga, não o canal uretral; e a punção suprapúbica só entra depois de documentada a lesão do canal.
Paciente com trauma renal por mecanismo contuso apresenta laceração que envolve o sistema coletor, com extravasamento urinário volumoso demonstrado na tomografia. Permanece estável, sem sinais de sangramento ativo e sem outras lesões viscerais. Qual conduta a literatura sustenta?
Extravasamento urinário volumoso figura entre as indicações relativas, não absolutas, de exploração renal, e a razão está no número que a acompanha: a resolução espontânea ocorre na grande maioria dos casos, em faixa de setenta e seis a oitenta e sete por cento. Em paciente estável a conduta é vigilância com repouso, hematócrito seriado e controle por imagem. Retirar o rim contraria a tendência de preservação; explorar de imediato confunde indicação relativa com absoluta; e a descompressão percutânea não é o passo inicial nessa situação.
Homem de 28 anos com trauma renal contuso de grau 4 à esquerda, com laceração que atinge o sistema coletor e extravasamento urinário, mantém-se hemodinamicamente estável, sem necessidade de transfusão e sem outras lesões viscerais. Está em tratamento não operatório há 24 horas. Qual conjunto de medidas a literatura sustenta para as horas e as semanas seguintes?
Grau alto não é ordem de laparotomia: quem decide é a estabilidade hemodinâmica, e este paciente está estável e sem necessidade de transfusão. O tratamento não operatório tem lista de suporte própria — repouso no leito até a resolução da hematúria macroscópica, hematócrito seriado, monitoração intensiva, antibiótico quando houver indicação clínica, transfusão se necessária e nova tomografia contrastada 36 a 48 horas depois da primeira nos graus quatro e cinco —, somada à orientação de evitar exercício físico intenso por seis semanas. Alta em 48 horas com liberação imediata abandona esse controle, e condicionar a tomografia à queda do hematócrito perde a reavaliação programada da lesão. Laparotomia em 72 horas contraria o dado de que o extravasamento urinário se resolve espontaneamente em 76% a 87% dos casos. E nefrostomia de rotina não faz parte do manejo inicial deste cenário, que segue conservador enquanto a hemodinâmica se mantiver.
Homem de 32 anos chega ao pronto-socorro após relação sexual em que ouviu um estalido durante a penetração, com dor súbita, detumescência imediata e hematoma extenso da haste peniana, que assumiu aspecto em berinjela. Qual a conduta?
Estalido durante a relação, detumescência imediata e hematoma em berinjela definem a ruptura da túnica albugínea, cuja conduta é exploração e sutura precoce — o reparo tardio aumenta a chance de curvatura fibrótica e disfunção erétil, ou seja, gera exatamente a doença crônica que motiva esta lista. Tratar conservadoramente é a armadilha mais custosa. Fenilefrina intracavernosa serve para priapismo isquêmico, quadro de ereção mantida e dolorosa, o oposto da detumescência aqui descrita.
Homem de 40 anos com fratura de pelve apresenta sangue no meato uretral, hematoma perineal e próstata não palpável ao toque retal. A conduta correta em relação à drenagem urinária é:
Uretrorragia, hematoma perineal e próstata elevada ou impalpável formam a tríade de suspeita de lesão uretral, e a sondagem às cegas pode converter uma laceração parcial em transecção completa. O exame que decide é a uretrocistografia retrógrada. Tentar sondar com cuidado ou com calibre fino é o erro mais frequente, porque parece uma solução intermediária prudente — não é: qualquer passagem de sonda está proscrita até que a uretra seja documentada.
Durante laparotomia por trauma abdominal, identifica-se secção completa do ureter médio, com paciente estável e sem contaminação importante. Qual a melhor conduta?
Lesão de ureter médio em paciente estável tem reparo primário como melhor opção, com anastomose espatulada, sem tensão, com boa vascularização e protegida por cateter interno e dreno. Fazer reimplante direto engana quem se lembra da técnica usada nas lesões distais, mas o ureter médio não alcança a bexiga sem manobras adicionais de mobilização. Nefrectomia sacrifica um rim funcionante quando havia alternativa reconstrutiva.
Qual achado clínico é o mais associado a lesão uretral e deve ser pesquisado antes da sondagem vesical no politraumatizado?
Sangue no meato é o sinal mais direto de lesão uretral e sua presença muda a sequência do atendimento, obrigando ao estudo contrastado antes de qualquer sonda. A hematúria microscópica engana porque também traduz lesão do trato urinário, mas isolada e sem instabilidade tem baixo rendimento diagnóstico e não contraindica a sondagem. Equimose perineal e próstata elevada completam os achados de alerta.
Homem de 26 anos, vítima de acidente motociclístico com fratura de ramos púbicos, apresenta próstata não palpável em posição elevada ao toque retal, uretrorragia e globo vesical. Qual a lesão mais provável?
A fratura pélvica desloca a próstata e rompe a uretra membranosa, e a próstata alta ou não palpável com uretrorragia e retenção compõe o quadro típico, cuja conduta inicial é derivação suprapúbica com reconstrução tardia. A lesão bulbar engana porque também cursa com uretrorragia, mas resulta de trauma perineal direto com equimose em borboleta e não se associa a fratura pélvica nem a deslocamento prostático.
Paciente politraumatizado com fratura de pelve apresenta hematúria macroscópica. A cistografia mostra extravasamento de contraste delimitando as alças intestinais e ocupando as goteiras parietocólicas. Qual o diagnóstico e o tratamento?
O contraste que contorna alças e se distribui pelas goteiras indica que a urina caiu na cavidade peritoneal, e a lesão intraperitoneal exige reparo cirúrgico pelo risco de peritonite química e de urossepse. A lesão extraperitoneal engana porque também surge em fratura de pelve e cursa com hematúria, mas seu extravasamento é confinado ao espaço perivesical em padrão de chama, e a maioria dos casos fecha apenas com drenagem vesical.
Paciente com trauma renal fechado é internado para tratamento conservador. No 5º dia, apresenta febre, dor lombar e piora do estado geral. A tomografia mostra coleção perirrenal volumosa com gás. Qual a conduta?
Coleção perirrenal infectada é problema de controle de foco: drenar, preferencialmente por via percutânea, e tratar com antibiótico guiado por cultura preserva o rim na maioria dos casos. Indicar nefrectomia de imediato engana quem lê gás na coleção como necessidade de ressecção, mas a nefrectomia fica reservada à falha da drenagem ou à destruição renal extensa. Repetir a imagem em uma semana ignora a sepse em curso.
Paciente com trauma renal fechado grau IV, estável hemodinamicamente, com extravasamento urinário perirrenal e sem lesão de pedículo. Qual a conduta inicial?
O rim tolera bem o manejo conservador quando o paciente está estável, e a maioria dos extravasamentos se resolve espontaneamente, reservando-se a drenagem ou a colocação de cateter ureteral para o urinoma que persiste ou infecta. Explorar cirurgicamente pelo grau tomográfico engana quem decide pela imagem, mas a abertura do retroperitônio frequentemente descomprime o tamponamento e termina em nefrectomia que poderia ter sido evitada.
Homem de 30 anos, vítima de queda a cavalo com trauma perineal, apresenta uretrorragia, retenção urinária e hematoma perineal. Qual a conduta imediata?
Sangue no meato, retenção urinária e hematoma perineal formam a tríade que contraindica a sondagem às cegas, porque a sonda pode converter uma laceração parcial em secção completa da uretra. O estudo contrastado retrógrado é o exame que define se há extravasamento e onde. Passar a sonda para aliviar a retenção engana porque a bexiga cheia é o sintoma mais evidente, mas a derivação, quando necessária, é feita por via suprapúbica.
Qual é o exame de escolha para avaliar lesão renal em paciente estável com trauma abdominal fechado e hematúria macroscópica?
A fase excretora é indispensável porque é ela que demonstra extravasamento urinário e lesão do sistema coletor, informação que muda a conduta e que se perde quando o exame é feito apenas nas fases arterial e portal. A ultrassonografia engana por estar disponível e ser rápida, mas subestima lesões parenquimatosas e não avalia a excreção. A arteriografia é terapêutica, reservada ao sangramento ativo passível de embolização.
Sobre a lesão extraperitoneal de bexiga associada a fratura de pelve, qual é o tratamento habitual?
A maioria das lesões extraperitoneais cicatriza com a bexiga drenada e vazia, e a cistografia de controle confirma o fechamento antes da retirada da sonda; a cirurgia entra quando há fragmento ósseo na parede, lesão do colo vesical ou necessidade de laparotomia por outro motivo. Indicar reparo cirúrgico para todos engana quem generaliza a conduta da lesão intraperitoneal, na qual a operação é a regra.
Homem de 34 anos, vítima de queda de altura, apresenta hematúria macroscópica e dor em flanco esquerdo. Está estável e a tomografia mostra laceração renal com hematoma perirrenal contido, sem extravasamento de contraste na fase arterial e sem lesão do pedículo. Qual é a conduta?
A grande maioria das lesões renais do trauma fechado, mesmo de graus mais altos, é conduzida sem cirurgia quando o paciente está estável e não há extravasamento arterial ativo nem lesão do pedículo, estratégia que preserva parênquima e evita a nefrectomia que quase sempre resulta da exploração. Explorar o hematoma perirrenal é justamente o que se evita, porque a abertura da fáscia de Gerota libera o tamponamento e frequentemente termina em nefrectomia. A angioembolização é reservada ao sangramento arterial ativo, e o cateter duplo J trata lesão de via urinária com urinoma significativo.
Politraumatizado com fratura de pelve apresenta uretrorragia, hematoma perineal e, ao toque retal, próstata em posição elevada. Qual é a conduta?
Uretrorragia, hematoma perineal e próstata elevada são a tríade que sinaliza lesão de uretra posterior no trauma pélvico, e a regra é não instrumentar às cegas: o cateterismo pode converter uma lesão parcial em completa e criar falso trajeto. A uretrografia retrógrada define a lesão e orienta se cabe cateterismo cuidadoso ou derivação suprapúbica. Passar a sonda com delicadeza é a tentação prática e continua sendo erro. A cistostomia pode ser necessária, mas depois da avaliação, e a exploração perineal imediata não é conduta inicial nesse contexto.
Qual é a conduta correta diante de lesão renal grau III em motociclista estável, sem extravasamento urinário significativo e sem sangramento ativo?
A maioria das lesões renais no trauma fechado é conduzida de forma não operatória, inclusive em graus intermediários, quando o paciente está estável, sem sangramento ativo e sem extravasamento urinário significativo, com repouso, monitorização e controle laboratorial. Nefrectomia imediata sacrifica um rim que poderia ser preservado. Exploração para inventário frequentemente resulta em nefrectomia por perda do tamponamento do hematoma retroperitoneal. Cateter duplo J é reservado a extravasamento urinário persistente. Alta imediata não permite a vigilância necessária nas primeiras horas.
Qual achado no exame inicial obriga a suspeitar de lesão uretral antes da passagem da sonda vesical em vítima de trauma?
Sangue no meato uretral, hematoma perineal e próstata deslocada ao toque retal são sinais que indicam possível lesão uretral e contraindicam a sondagem às cegas, exigindo uretrografia retrógrada antes de qualquer tentativa. Diurese espontânea clara sugere trato urinário íntegro, e ausência de dor suprapúbica, reflexo cremastérico presente e abdome flácido não são sinais de alerta para lesão uretral. Reconhecer esses achados evita transformar uma lesão parcial em completa, complicação evitável e de consequências funcionais duradouras.
Qual é o tratamento da ruptura intraperitoneal de bexiga?
A ruptura intraperitoneal exige reparo cirúrgico, porque a urina extravasa livremente na cavidade, produzindo peritonite química, reabsorção de ureia e creatinina e infecção, além de não fechar espontaneamente. Apenas sondar é o tratamento da forma extraperitoneal não complicada, e aplicá-lo aqui é o erro central da questão. Observação isolada mantém o extravasamento. Cistostomia sem reparo não fecha a solução de continuidade na cúpula. E diurético aumenta a produção de urina, agravando o extravasamento, além de não tratar a lesão anatômica.
Qual achado deve levantar suspeita de lesão vesical em paciente com fratura de ramos púbicos?
A associação de fratura de pelve com hematúria macroscópica é a combinação que mais fortemente indica lesão vesical e obriga a realizar cistografia ou cistotomografia antes de assumir que a hematúria decorre apenas do trauma ósseo. Ausência de dor pélvica torna a lesão improvável naquele contexto. Diurese clara sem sedimento aponta para trato urinário íntegro. Pulsos simétricos avaliam perfusão dos membros. Reflexos preservados avaliam integridade neurológica. Nenhum desses últimos achados se relaciona à suspeita de lesão da bexiga.
Qual é o mecanismo típico da lesão de uretra anterior e seu achado característico?
A uretra anterior, na porção bulbar, é comprimida contra o ramo púbico inferior no trauma em cavaleiro, produzindo lesão com hematoma perineal que se distribui em asa de borboleta, limitado pelas fáscias do períneo. Disjunção púbica com próstata elevada descreve a lesão posterior. O aumento da pressão intravesical com bexiga cheia produz ruptura vesical. Desaceleração com avulsão do pedículo renal é lesão renal grave. E compressão do epigástrio contra o guidão está associada a lesões de pâncreas e duodeno, sem relação com a uretra.
Qual estrutura anatômica explica por que a ruptura da cúpula vesical resulta em extravasamento intraperitoneal?
O peritônio recobre apenas a cúpula da bexiga, de modo que uma ruptura nessa topografia comunica diretamente a luz vesical com a cavidade peritoneal, explicando o extravasamento intraperitoneal e a peritonite química. A cúpula não é a região mais espessa da parede, sendo justamente a mais distensível e vulnerável ao aumento súbito de pressão. A irrigação vesical provém de ramos da ilíaca interna. O ligamento inguinal pertence à parede abdominal, e não à fixação vesical. E o trígono situa-se na base da bexiga, não na cúpula.
Homem de 30 anos, vítima de colisão com impacto suprapúbico após ingestão de grande volume de líquidos, apresenta dor abdominal difusa, hematúria macroscópica e incapacidade de urinar. Tomografia mostra líquido livre intraperitoneal. Qual a lesão mais provável?
Impacto suprapúbico com bexiga cheia produz aumento súbito da pressão intravesical e ruptura da cúpula, que é a porção recoberta por peritônio, extravasando urina para a cavidade e explicando a dor difusa e o líquido livre intraperitoneal. A ruptura extraperitoneal se associa tipicamente a fraturas de pelve e o extravasamento fica confinado ao espaço perivesical. Lesão de uretra anterior ocorre por trauma em cavaleiro, com sangue no meato. Lesão de ureter distal é rara no trauma fechado. Lesão renal grau I não produz líquido livre intraperitoneal volumoso.
Qual é a conduta habitual na ruptura extraperitoneal de bexiga associada a fratura de pelve, sem outras indicações cirúrgicas?
A ruptura extraperitoneal costuma cicatrizar com drenagem vesical adequada, mantida por período determinado e confirmada por cistografia de controle antes da retirada da sonda, reservando-se a cirurgia para lesões complexas, presença de fragmentos ósseos na parede, comprometimento do colo vesical ou necessidade de fixação interna da pelve. Reparar todos acrescenta cirurgia desnecessária. Nefrostomia bilateral não trata lesão vesical. Cistectomia parcial é desproporcional. E antibiótico sem drenagem deixa a bexiga distendida e mantém o extravasamento.
Paciente com trauma pélvico apresenta sangue no meato uretral e próstata deslocada ao toque retal. Qual a conduta antes de qualquer tentativa de sondagem?
Sangue no meato e próstata deslocada indicam possível lesão uretral, e a uretrografia retrógrada deve preceder qualquer tentativa de sondagem, pois a passagem da sonda pode converter uma lesão parcial em completa e agravar estenoses e disfunção futuras. Tentar sonda de menor calibre ou com fio guia mantém o mesmo risco. Cistostomia pode ser necessária, mas depois de esclarecer a lesão, e não como substituto da investigação. Repetir o toque retal não acrescenta informação nem resolve a necessidade de drenagem urinária.
Homem de 30 anos, vítima de fratura de bacia em acidente automobilístico, apresenta sangue no meato uretral, hematoma perineal e incapacidade de urinar. Qual a conduta?
Sangue no meato, hematoma perineal e retenção após fratura de bacia são sinais de lesão uretral, e a regra é avaliar a uretra antes de qualquer sonda: passar o cateter pode converter uma lesão parcial em completa e comprometer o resultado funcional definitivo. A sequência correta é uretrografia retrógrada e, confirmada a lesão, drenagem por cistostomia suprapúbica, com reconstrução programada. A avaliação da bexiga por cistografia vem depois de afastada a lesão uretral, obedecendo à máxima de que a uretra vem antes da sonda e o peritônio antes da bexiga.
Qual exame deve ser realizado antes de qualquer tentativa de sondagem nesse paciente?
A uretrografia retrógrada define a integridade da uretra, mostrando se a lesão é parcial ou completa e qual o nível, e precisa preceder qualquer sondagem, já que a passagem da sonda pode converter uma lesão parcial em completa e agravar as sequelas. Cistografia por sonda já posicionada pressupõe justamente a sondagem que se quer evitar. Urografia excretora avalia o trato superior. Ultrassonografia de bexiga mostra repleção, mas não a uretra. E ressonância de pelve não é o exame de escolha na fase aguda, pela logística e pelo tempo de aquisição.
Qual é o momento habitual da uretroplastia definitiva após lesão completa de uretra posterior tratada inicialmente com derivação?
A reconstrução definitiva é habitualmente realizada após alguns meses, quando o hematoma pélvico se reabsorve, o processo cicatricial se estabiliza e a extensão da estenose pode ser bem definida por estudos combinados, o que melhora os resultados da uretroplastia. Fazer na urgência, em tecido edemaciado e com hematoma, compromete o resultado. Esperar obrigatoriamente dois anos prolonga o uso da derivação sem necessidade. Realizar na mesma anestesia da cistostomia contraria a lógica do tratamento em etapas. E aguardar incontinência como gatilho ignora a obstrução que já existe.
Qual conduta deve ser EVITADA no paciente com suspeita de lesão de uretra posterior?
Tentativas repetidas de sondagem em uretra lesada podem transformar uma lesão parcial em completa, criar falsos trajetos, aumentar o hematoma e piorar a estenose futura, sendo o erro mais consequente desse cenário. As demais condutas compõem o manejo correto: uretrografia retrógrada para definir a lesão, toque retal como parte da avaliação, cistostomia suprapúbica como derivação segura e estabilização pélvica com cinta quando há instabilidade. A regra prática é simples: diante de sangue no meato, o próximo passo é imagem, e não sonda.
Qual é a conduta diante de hematoma retroperitoneal lateral, perirrenal, não expansivo e não pulsátil, encontrado durante laparotomia por trauma fechado?
No trauma fechado, o hematoma perirrenal contido, não expansivo e não pulsátil deve ser deixado intacto, porque a abertura descomprime o tamponamento natural e frequentemente leva à nefrectomia de um rim que se recuperaria. Explorar para inventário é o comportamento que produz perda renal evitável. Nefrectomia profilática é injustificável. Drenagem ampla da loja não é indicada nesse cenário. Ligar a artéria renal condena o rim. A conduta muda no trauma penetrante e diante de hematoma pulsátil ou em expansão, situações em que a exploração passa a ser necessária.
Confirmada lesão completa de uretra posterior em paciente politraumatizado instável, qual é a conduta inicial mais aceita para derivação urinária?
No paciente instável ou com múltiplas lesões, a conduta inicial mais aceita é a derivação por cistostomia suprapúbica, deixando a reconstrução uretral para um segundo tempo, quando o hematoma pélvico se reabsorve e as condições permitem uretroplastia em serviço especializado; o realinhamento endoscópico precoce é alternativa em casos selecionados. Uretroplastia na urgência, em campo hematoma e com paciente instável, tem resultados ruins. Sondagem forçada agrava a lesão. Nefrostomia bilateral é desnecessária quando a bexiga pode ser drenada. E não derivar leva a retenção e extravasamento urinário.
Qual é o sinal clínico mais associado a lesão do trato urinário no trauma?
Hematúria macroscópica é o marcador clínico que orienta a investigação do trato urinário no trauma, embora seu grau nem sempre se correlacione à gravidade da lesão, já que lesões graves como avulsão de pedículo renal podem cursar com hematúria discreta ou ausente. Icterícia aponta para vias biliares e fígado. Distensão gástrica é achado inespecífico e frequentemente iatrogênico. Melena indica sangramento digestivo alto. Sudorese noturna é sintoma constitucional de doenças crônicas. A conduta prática é interpretar a hematúria junto do mecanismo e da estabilidade hemodinâmica.
Por que o paciente com ruptura intraperitoneal de bexiga não diagnosticada pode apresentar elevação de ureia e creatinina?
O peritônio é uma superfície de troca ampla, e a urina livre na cavidade tem seus solutos reabsorvidos para a circulação, elevando ureia e creatinina em um quadro que simula lesão renal aguda, fenômeno que já foi descrito como pseudoinsuficiência renal e que se corrige com a drenagem e o reparo. Não há necrose tubular imediata pela lesão vesical. Obstrução ureteral bilateral não é consequência obrigatória. A bexiga não produz ureia. E a hematúria não destrói néfrons. Reconhecer esse mecanismo evita a busca de causas renais inexistentes.
Qual exame confirma o diagnóstico de lesão vesical e diferencia a forma intraperitoneal da extraperitoneal?
A cistografia retrógrada, com enchimento adequado da bexiga e imagem após o esvaziamento, ou a cistotomografia, demonstra o padrão de extravasamento e permite distinguir a forma intraperitoneal, com contraste delineando alças, da extraperitoneal, com extravasamento confinado ao espaço perivesical. Enchimento insuficiente é causa clássica de exame falso-negativo. A ultrassonografia é pouco sensível para essa distinção. Urografia excretora avalia sobretudo o trato superior. Cintilografia renal mede função. E amilase urinária não tem qualquer papel diagnóstico nessa lesão.
Homem de 38 anos, vítima de queda de altura, apresenta fratura instável de pelve, sangue no meato uretral, hematoma perineal e não consegue urinar. Ao toque retal, a próstata está deslocada superiormente. Qual a hipótese?
Fratura instável de pelve com sangue no meato, hematoma perineal, retenção urinária e próstata deslocada superiormente ao toque retal caracteriza lesão da uretra posterior, produzida pelo cisalhamento entre a próstata e o diafragma urogenital durante a disjunção pélvica. Lesão de uretra anterior decorre de trauma perineal em cavaleiro, com hematoma em asa de borboleta e sem alteração da posição prostática. Ruptura vesical intraperitoneal cursa com líquido livre e dor difusa. Lesão de ureter proximal é rara no trauma fechado. Lesão renal grau V envolve pedículo vascular e cursa com instabilidade.
Quais são as complicações tardias mais relevantes da lesão de uretra posterior?
As sequelas características são a estenose uretral, decorrente da cicatrização no local da lesão, a disfunção erétil, por lesão dos nervos cavernosos que correm próximos à uretra membranosa, e a incontinência urinária, por comprometimento do esfíncter, o que justifica seguimento urológico prolongado. Insuficiência renal crônica em todos não é desfecho esperado quando a drenagem é adequada. Estenose ureteral bilateral não decorre dessa lesão. Fístula gastrocutânea pertence ao trato digestivo. E hipertensão portal não guarda qualquer relação com o trauma uretral.
Qual afirmação sobre o toque retal no trauma pélvico e urogenital está correta?
O toque retal fornece informações que mudam a conduta: posição da próstata, presença de sangue sugerindo lesão retal associada, palpação de fragmentos ósseos e avaliação do tônus esfincteriano, sendo parte da avaliação nesse contexto. A tomografia não substitui esse exame na definição imediata da conduta na sala. Ele não agrava a fratura quando realizado com cuidado. Não substitui a uretrografia, que continua necessária diante de suspeita de lesão uretral. E o exame tem valor em ambos os sexos, com atenção adicional ao exame vaginal na mulher com fratura pélvica.
Qual princípio deve orientar a exploração cirúrgica do rim traumatizado quando ela for necessária?
Quando a exploração é necessária, obter controle vascular do pedículo antes de abrir a fáscia de Gerota permite trabalhar sem hemorragia incontrolável e aumenta a chance de reparo com preservação renal, em vez de nefrectomia forçada pelo sangramento. Abrir sem controle prévio libera o tamponamento e frequentemente termina em nefrectomia. Hematoma perirrenal contido no trauma fechado sequer deve ser aberto. Ligar o ureter condena o rim. E o parênquima renal cicatriza bem, tanto que a maioria das lesões evolui sem operação.
Paciente com lesão renal em manejo não operatório evolui com febre, dor em flanco e coleção perirrenal crescente na tomografia. Qual a hipótese e a conduta?
Coleção perirrenal crescente com febre e dor em flanco após lesão do sistema coletor sugere urinoma, possivelmente infectado, e o tratamento envolve drenagem percutânea e derivação urinária com cateter ureteral, reduzindo a pressão no sistema e permitindo o fechamento da fístula. Hematoma em reabsorção tende a diminuir e não cursa com febre progressiva. Abscesso hepático tem outra topografia. Pancreatite não explica coleção perirrenal com esse contexto. E pielonefrite enfisematosa apresenta gás no parênquima, com conduta escalonada e nem sempre nefrectomia.
Qual fase do estudo tomográfico é indispensável para identificar extravasamento urinário no trauma renal?
O extravasamento urinário só é demonstrado quando o contraste já foi excretado e preenche o sistema coletor, o que exige aquisição em fase tardia; um exame feito apenas nas fases arterial e venosa pode mostrar a laceração do parênquima e não revelar a lesão do sistema coletor. Fase sem contraste identifica cálculos e hematomas hiperdensos. Fase arterial mostra sangramento ativo e lesões vasculares. Fase venosa avalia o parênquima. Dispensar a fase tardia é o erro que faz perder urinomas e lesões da via excretora.
Paciente vítima de trauma abdominal fechado é levado à laparotomia por instabilidade e encontra-se, na exploração, hematoma retroperitoneal em zona 2 (perirrenal) não pulsátil e não expansivo. Qual a conduta com esse hematoma?
No trauma fechado, hematoma perirrenal contido, sem pulsação e sem expansão, não se abre: a exploração desfaz o tamponamento e frequentemente termina em nefrectomia de um rim que se recuperaria. A regra difere no trauma penetrante, em que a zona 2 costuma ser explorada, e difere na zona 1 central, que é explorada sempre. Abrir sistematicamente engana quem memoriza uma regra só sem separar mecanismo e zona. Ligar a artéria renal às cegas mata o rim, e packing programado não substitui a decisão de simplesmente deixar o hematoma intacto.
Qual é a indicação clássica de investigação por imagem do trato urinário no paciente adulto vítima de trauma fechado?
A investigação por imagem se justifica diante de hematúria macroscópica, de hematúria microscópica em paciente que apresentou choque e de mecanismos de desaceleração importante, que podem produzir lesões da junção ureteropélvica e do pedículo renal mesmo com hematúria discreta. Dor lombar leve isolada e fratura de costela sem outros achados não indicam por si. Anúria é achado tardio e inespecífico. E hematúria microscópica isolada em adulto estável, sem mecanismo de risco, tem baixo rendimento diagnóstico e não indica investigação em todos os casos.
Homem de 22 anos sofre trauma escrotal direto em jogo de futebol e apresenta dor intensa, hematoma escrotal e ultrassonografia sugerindo descontinuidade da túnica albugínea testicular. Qual a conduta?
A ruptura testicular com descontinuidade da albugínea deve ser explorada precocemente, com reparo e desbridamento do tecido inviável, o que aumenta muito a taxa de preservação do testículo em comparação com o tratamento conservador. Repouso e analgesia se aplicam a contusões sem ruptura. Orquiectomia imediata sacrifica órgão frequentemente recuperável. Punção do hematoma não trata a ruptura e arrisca infecção. E antibiótico com reavaliação tardia perde a janela em que a exploração oferece melhor resultado funcional.
Homem de 28 anos relata estalido durante relação sexual, seguido de dor intensa, detumescência imediata, edema e equimose peniana com desvio do pênis. Qual o diagnóstico e a conduta?
Estalido audível, dor, detumescência imediata e hematoma com desvio caracterizam a fratura peniana, ruptura da túnica albugínea dos corpos cavernosos, cujo tratamento é a exploração e o reparo precoce, o que reduz curvatura residual e disfunção erétil. Priapismo cursa com ereção mantida e dolorosa, sem trauma agudo. Balanopostite é inflamação da glande e do prepúcio. Doença de Peyronie é crônica, com placa fibrosa e curvatura progressiva. E trombose da veia dorsal produz cordão endurecido, sem hematoma extenso nem detumescência súbita.
Homem de 29 anos, queda de moto com impacto em flanco direito, hemodinamicamente estável. Apresenta hematúria macroscópica e dor lombar. Qual o exame de escolha para avaliar o trauma renal?
A tomografia com contraste e fase excretora tardia é o exame que estadia o trauma renal: mostra a laceração, o hematoma perirrenal, a viabilidade do parênquima e, na fase tardia, se há extravasamento urinário por lesão do sistema coletor — informação que a fase arterial ou venosa isolada não fornece. A ultrassonografia engana por ser acessível e é útil para triagem, mas não gradua a lesão nem avalia função. A urografia excretora foi superada, a arteriografia é reservada a indicação terapêutica de embolização, e a cistografia avalia a bexiga, outro órgão.
Homem de 41 anos com fratura de ramos púbicos apresenta uretrorragia, hematoma perineal em asa de borboleta e retenção urinária. Qual a conduta correta?
Uretrorragia, hematoma em asa de borboleta e próstata deslocada compõem a tríade que obriga a estudar a uretra antes de instrumentá-la: a uretrocistografia retrógrada mostra se há lesão e evita transformar uma laceração parcial em secção completa. Sondar com delicadeza engana porque a suavidade da técnica não protege de criar falso trajeto, e uma vez feito o dano a reconstrução fica mais difícil. Cistostomia é a saída quando a uretra está de fato lesada, mas não se pula o diagnóstico. A fase excretora tomográfica avalia rim e ureter, não a uretra, e esperar diurese em paciente com retenção só distende a bexiga.
Homem de 45 anos com trauma renal grau IV em tratamento conservador apresenta, no quinto dia, febre de 38,8 °C, dor lombar crescente e leucocitose. Tomografia mostra coleção líquida perirrenal com realce periférico. Qual a conduta inicial?
Urinoma infectado ou abscesso perirrenal após trauma renal se trata como qualquer coleção acessível: drenagem percutânea guiada por imagem, antibiótico e, quando há fístula urinária persistente, derivação com cateter duplo J para reduzir a pressão do sistema coletor. Antibiótico isolado engana porque a coleção é foco não drenado e a resposta é parcial, com recidiva. Nefrectomia e exploração aberta são desproporcionais para uma complicação que a via percutânea resolve, e assumir reabsorção espontânea diante de febre e leucocitose ignora o dado que mudou.
Ao decidir sobre exploração cirúrgica de um trauma renal, qual informação é indispensável obter antes da nefrectomia, sempre que a condição do paciente permitir?
Antes de retirar um rim é preciso saber se existe outro e se ele funciona: a informação vem da própria tomografia com contraste, que mostra os dois rins captando, ou da palpação e inspeção intraoperatória quando o paciente foi direto para a sala. Retirar o único rim funcionante condena o paciente à diálise. Tipagem sanguínea é rotina de qualquer cirurgia de urgência mas não decide a nefrectomia, e creatinina de admissão reflete a função prévia global, não a distribuição entre os dois rins, podendo estar normal com rim contralateral ausente.
Homem de 30 anos sofre desaceleração brusca em queda de altura. Apresenta hematúria discreta, e a tomografia mostra rim com realce ausente e ausência de excreção do contraste, sem laceração evidente. Qual a hipótese?
Rim que não realça nem excreta contraste após desaceleração brusca indica interrupção do fluxo arterial, tipicamente por trombose ou avulsão da artéria renal, lesão em que a hematúria pode ser discreta ou ausente justamente porque não há fluxo, e cuja viabilidade depende de reconhecimento muito precoce. Contusão simples mantém realce e excreção. Cálculo obstrutivo dilata o sistema coletor com retardo da excreção, sem abolir o realce parenquimatoso. Pielonefrite cursa com febre e realce heterogêneo. E rim policístico apresenta múltiplos cistos característicos.
Qual é a conduta na maioria das lesões renais no trauma fechado em paciente estável?
A grande maioria das lesões renais no trauma fechado é conduzida sem operação em pacientes estáveis, com repouso, monitorização, controle de hemoglobina e reavaliação, reservando-se intervenções para sangramento persistente, urinoma sintomático ou infectado e lesões de pedículo. Nefrectomia precoce sacrifica rins recuperáveis. Explorar para inventário resulta frequentemente em nefrectomia por perda do tamponamento retroperitoneal. Nefrostomia bilateral não é conduta de rotina. E embolização é indicada de forma seletiva, diante de sangramento ativo demonstrado.
Qual afirmação sobre a correlação entre hematúria e gravidade da lesão renal está correta?
A intensidade da hematúria é um mau marcador de gravidade: lesões do pedículo renal, entre as mais graves, podem cursar com hematúria discreta ou ausente porque não há fluxo para o parênquima, enquanto contusões simples podem produzir hematúria intensa. Por isso a decisão de investigar considera também o mecanismo e a estabilidade. Ausência de hematúria não exclui lesão. Hematúria microscópica não define grau. E nenhuma nefrectomia se indica pela hematúria isolada, mas pela instabilidade e pelos achados anatômicos.
Vítima de queda de altura com desaceleração brusca apresenta dor em flanco esquerdo e ausência total de hematúria. Tomografia com contraste mostra ausência de realce do rim esquerdo, sem laceração evidente. Qual o diagnóstico mais provável?
Rim sem realce após desaceleração é infarto por lesão da íntima da artéria renal, que trombosa: e o dado mais traiçoeiro é justamente a ausência de hematúria, porque sem fluxo não há sangue chegando à via urinária, o que faz muitos afastarem lesão renal. A janela para revascularização é curta, de poucas horas, e o prognóstico é ruim. Pensar em laceração subestimada engana porque laceração produz realce heterogêneo e hematoma, não ausência global de captação, e a ruptura da junção ureteropélvica cursa com extravasamento na fase excretora, com rim que ainda capta.
Paciente de 35 anos com trauma renal fechado, estável, tem tomografia com laceração renal de 2 cm sem extensão ao sistema coletor e hematoma perirrenal contido, sem extravasamento de contraste. Qual a conduta?
A grande maioria dos traumas renais fechados, mesmo com hematoma perirrenal, é tratada sem cirurgia quando o paciente está estável: o rim tem cápsula e a fáscia de Gerota contém o sangramento, e a conduta é observação com controles seriados. Abrir o hematoma perirrenal engana porque parece ser a maneira de ver a lesão, mas perde-se o tamponamento natural e a taxa de nefrectomia sobe muito. Nefrectomia parcial de urgência trata uma lesão que se resolveria sozinha, e derivação urinária só entra em cena quando há extravasamento urinário significativo ou urinoma sintomático.
Homem de 38 anos com trauma renal grau IV e extravasamento ativo de contraste em fase arterial na tomografia, hemodinamicamente estável após reposição. Qual a conduta de escolha?
Extravasamento ativo de contraste arterial em paciente estável é a indicação clássica de embolização seletiva: controla o sangramento por via endovascular e poupa o máximo de parênquima, evitando a nefrectomia que a exploração aberta do rim traumatizado frequentemente acaba produzindo. Observar e repetir a imagem engana porque a estabilidade atual convive com sangramento em curso, e o paciente pode descompensar. Nefrostomia atua na via urinária, não no sangramento arterial, e nefrectomia imediata em paciente estável sacrifica um rim que poderia ser preservado.
Paciente de 22 anos, trauma fechado de flanco em atropelamento, estável, apresenta hematúria microscópica isolada (25 hemácias por campo), sem hipotensão em qualquer momento e sem outros achados. Qual a conduta?
No adulto com trauma fechado, hematúria microscópica sem hipotensão em nenhum momento e sem mecanismo de desaceleração importante tem probabilidade muito baixa de lesão renal relevante, e a imagem não é obrigatória — os critérios de imagem são hematúria macroscópica, ou microscópica com hipotensão, ou mecanismo de alta energia com desaceleração. Tomografar todos engana pelo apelo de segurança e é a resposta reflexa, mas expõe a radiação sem mudar conduta. Vale a ressalva de que em criança o limiar é mais baixo, e arteriografia ou cirurgia aqui não têm qualquer indicação.
Sobre a classificação do trauma renal, qual achado tomográfico caracteriza a lesão de grau mais alto, com maior indicação de exploração cirúrgica?
A avulsão do pedículo com rim desvascularizado é a lesão de maior gravidade na escala, e é a que mais frequentemente exige abordagem cirúrgica, sobretudo quando associada a instabilidade. As demais descrições correspondem a graus baixos, com excelente resposta ao tratamento conservador. O hematoma perirrenal contido engana quem associa a palavra hematoma a gravidade, mas contenção pela fáscia de Gerota é exatamente o achado que permite observar; o que assusta na tomografia é o extravasamento ativo de contraste arterial, que indica embolização, e não o volume do hematoma em si.
Qual é a principal causa de lesão ureteral e o achado que deve levantar a suspeita?
O ureter é protegido no retroperitônio e raramente é lesado por trauma fechado, sendo a lesão iatrogênica em cirurgias ginecológicas, colorretais e vasculares a causa mais frequente; a suspeita nasce de urinoma, febre, dor em flanco e drenagem de líquido com creatinina muito superior à sérica. O trauma fechado responde por parcela pequena, e a hematúria pode estar ausente. Litíase, infecção de repetição e uso de anticoagulante não causam solução de continuidade do ureter, sendo apenas distratores de contextos urológicos diferentes.
Mulher de 26 anos com trauma renal e lesão do sistema coletor evolui, na segunda semana, com drenagem de líquido claro pelo dreno abdominal em volume crescente. A creatinina do líquido é 18 mg/dL, enquanto a sérica é 1,0 mg/dL. Qual o diagnóstico e a conduta?
Creatinina do líquido muitas vezes maior que a sérica é o exame que fecha o diagnóstico de fístula urinária: o líquido é urina. O tratamento é reduzir a pressão do sistema coletor com cateter duplo J, manter drenagem e esvaziar a bexiga, e a maioria fecha sem cirurgia. Pensar em fístula pancreática engana porque o cenário de pós-operatório abdominal com drenagem clara é o mesmo, mas ali o marcador é amilase alta, não creatinina. Reoperar de imediato não é necessário na ausência de sepse, e as demais hipóteses têm marcadores bioquímicos próprios.
Homem de 33 anos, ferimento por arma branca em flanco esquerdo, chega com PA 70x40 mmHg refratária a 2 litros de cristaloide e distensão abdominal. É levado à laparotomia. Encontra-se hematoma retroperitoneal em zona 2 pulsátil e em expansão. Qual a conduta?
Hematoma perirrenal pulsátil e em expansão, ou de mecanismo penetrante, é indicação de exploração, e ela se faz com controle vascular prévio no hilo ou na aorta antes de abrir a fáscia de Gerota, justamente porque a descompressão pode desencadear hemorragia incontrolável. Aplicar de forma cega a máxima de não explorar hematoma perirrenal engana quem decorou a conduta do trauma fechado com hematoma contido, sem separar mecanismo e comportamento do hematoma. Packing isolado não controla sangramento arterial renal, e nenhum exame de imagem cabe em um paciente já aberto e exsanguinando.
Sobre a lesão de ureter no trauma, qual afirmativa é correta?
O ureter é protegido pela sua posição e pequeno calibre, e por isso a lesão traumática externa é incomum; quando ocorre, escapa facilmente da avaliação inicial. A ausência de hematúria é a armadilha característica: ela falta em parte relevante dos casos e sua ausência não afasta a lesão. O diagnóstico se faz por tomografia com fase excretora ou por inspeção direta, e o reconhecimento tardio leva a urinoma, sepse e perda funcional da unidade renal. Nefrectomia não é o tratamento padrão: reimplante, anastomose ou derivação preservam o rim.
Quais são as indicações absolutas de exploração cirúrgica no trauma renal?
O que leva o rim traumatizado à cirurgia é sangramento que ameaça a vida ou lesão vascular maior: instabilidade atribuível ao rim, hematoma pulsátil ou expansivo e avulsão do pedículo. Extravasamento urinário isolado engana porque assusta na imagem, mas a maioria resolve espontaneamente ou com cateter duplo J, sem abordagem aberta. Hematúria macroscópica persistente em paciente estável é indicação de embolização quando há foco arterial, não de cirurgia por si só, e o tamanho da laceração em paciente estável não define conduta. Rim único, ao contrário, é motivo para tentar preservar ainda mais.
Homem de 50 anos, vítima de acidente automobilístico, apresenta hematúria macroscópica, dor suprapúbica e incapacidade de urinar. A cistografia retrógrada mostra contraste livre na cavidade peritoneal, delineando alças intestinais. Qual é a conduta para a lesão vesical?
Contraste contornando alças indica ruptura intraperitoneal, que no trauma contuso requer reparo cirúrgico. A via depende do contexto; casos isolados selecionados podem ser tratados por laparoscopia. A lesão extraperitoneal apresenta extravasamento perivesical em chama e, quando não complicada, costuma admitir drenagem por cateter. Lesões extraperitoneais complexas também podem exigir cirurgia.
Durante exploração renal por trauma penetrante, qual manobra permite o controle vascular precoce do pedículo antes de abrir a fáscia de Gerota?
O controle vascular precoce se obtém abordando a aorta na raiz do mesentério, medialmente à veia mesentérica inferior, expondo os vasos renais antes de qualquer abertura do hematoma: com os vasos alçados, a exploração deixa de ser um salto no escuro. Abrir a fáscia de Gerota antes disso engana quem quer ver a lesão primeiro, e é exatamente a sequência que transforma exploração em nefrectomia de urgência. Clampear às cegas dentro do hematoma pode lesar veia renal, cava ou artéria mesentérica, e a manobra de Kocher expõe o duodeno e a cava, não os vasos renais esquerdos.
Homem de 40 anos submetido a nefrectomia de urgência por trauma. No pós-operatório imediato, qual cuidado é essencial?
Com um rim a menos, a reserva funcional caiu pela metade e o cuidado central é proteger o remanescente: manter perfusão, evitar contraste desnecessário, aminoglicosídeos e anti-inflamatórios, e acompanhar creatinina e débito urinário. Restringir volume engana quem teme sobrecarga, mas hipovolemia é justamente o insulto que provoca necrose tubular no rim único. Diálise profilática não tem indicação, prescrever aminoglicosídeo é o oposto do recomendado, e suspender analgesia é desumano e sem qualquer respaldo.
No quinto dia de pós-operatório de histerectomia total abdominal, paciente de 48 anos apresenta dor lombar à direita, febre, íleo prolongado, distensão abdominal e elevação da creatinina de 0,8 para 1,9 mg/dL. A ultrassonografia mostra líquido livre abdominal e hidronefrose à direita. Qual exame confirma a hipótese principal?
Ascite urinosa por lesão ureteral se confirma quando a creatinina do líquido da cavidade é muito superior à sérica — o urinoma reabsorve ureia e creatinina pelo peritônio, o que também explica a elevação sérica sem oligúria verdadeira. Atribuir o quadro a íleo pós-operatório e pedir radiografia é o erro mais comum e mais custoso, porque o íleo aqui é consequência da irritação peritoneal pela urina, não a doença de base. A tomografia com fase excretora completa a investigação.
Paciente vítima de trauma pélvico apresenta uretrorragia, hematoma perineal e globo vesical, com impossibilidade de urinar. Qual a conduta correta?
Uretrorragia, hematoma perineal e retenção urinária após trauma pélvico indicam lesão uretral, e a regra é a uretra antes da sonda: a sondagem às cegas pode transformar uma lesão parcial em completa e criar falso trajeto. A uretrocistografia retrógrada define a lesão e orienta entre sondagem cuidadosa e cistostomia. Passar Foley para aliviar o globo é o reflexo mais natural e o erro mais caro nesse cenário.
Durante laparoscopia ginecológica, o cirurgião suspeita de lesão térmica parcial do ureter esquerdo, sem secção completa e sem extravasamento evidente. Qual a conduta mais adequada?
O dano térmico pode progredir e a ausência inicial de extravasamento não assegura viabilidade do ureter. É necessário avaliar o segmento afetado durante a operação. Drenagem por cateter pode ser suficiente em lesões selecionadas, mas não resolve toda queimadura ureteral; tecido inviável pode exigir reconstrução conforme localização e extensão. O seguimento procura obstrução, extravasamento ou estenose tardia. Nem reimplante para todos, nem simples observação sem avaliação são soluções universais.
Sobre a cateterização ureteral profilática antes de cirurgias pélvicas complexas, qual afirmação está correta?
Os cateteres ajudam a palpar e a reconhecer o trajeto e a flagrar a lesão ainda no ato, mas as séries não mostram redução da incidência — a prevenção real vem da dissecção cuidadosa e da identificação direta do ureter. Tratar o cateter como escudo é o erro conceitual que a questão cobra, e ele carrega custo, tempo cirúrgico e risco de hematúria e edema do meato. Nenhum dispositivo substitui a anatomia vista.
Paciente com trauma abdominal fechado apresenta hematúria macroscópica. A tomografia com fase cistográfica mostra extravasamento de contraste delimitado ao espaço perivesical, sem contraste entre alças intestinais. Qual a conduta?
O extravasamento confinado ao espaço perivesical caracteriza a lesão extraperitoneal, que cicatriza com drenagem vesical prolongada e controle cistográfico antes de retirar a sonda. A conduta cirúrgica é reservada à lesão intraperitoneal, em que o contraste desenha alças e recessos peritoneais — distinguir os dois padrões na tomografia é exatamente o que a questão testa, e tratar toda rotura vesical como cirúrgica é o erro decorrente de não fazer essa leitura.
Identificada lesão ureteral completa no terço distal, a 3 cm da junção ureterovesical, durante cirurgia ginecológica. Qual a reconstrução mais adequada?
Lesões do terço distal têm vascularização precária no coto e são reimplantadas na bexiga; quando falta comprimento, o psoas hitch fixa a bexiga ao músculo psoas e encurta a distância a ser vencida. Fazer anastomose término-terminal sob tensão em ureter distal é o erro técnico que leva a estenose e fístula — essa técnica cabe em lesões do terço médio e superior, sem tensão. Ligar o ureter condena o rim ipsilateral.
Durante histerectomia abdominal por miomatose volumosa, qual é o local anatômico de maior risco de lesão ureteral?
O ponto crítico é onde o ureter passa por baixo da artéria uterina, próximo ao colo — a chamada relação 'água sob a ponte' —, exatamente onde se liga o pedículo uterino; a segunda área de risco é o ligamento infundibulopélvico, na ligadura dos vasos ovarianos. Apontar a junção ureteropiélica é o erro anatômico que ignora que a cirurgia ginecológica trabalha na pelve, e não no retroperitônio alto.
Politraumatizado com fratura pélvica, sangramento uretral e próstata não palpável ao toque retal. Qual a conduta quanto à drenagem urinária?
Uretrorragia, hematoma perineal ou próstata deslocada indicam possível lesão uretral, e a sondagem às cegas pode converter uma lesão parcial em completa, com estenose e disfunção erétil como sequelas. O caminho é documentar com uretrocistografia retrógrada e drenar por via suprapúbica quando necessário. Tentar sonda fina ou usar fio-guia sem imagem mantém exatamente o risco que se quer evitar, e não drenar de forma alguma expõe a retenção e a rotura vesical.
Homem de 28 anos é atendido no pronto-socorro após acidente motociclístico com trauma pélvico. Refere dor perineal intensa e impossibilidade de urinar desde o acidente. Ao exame: hematoma perineal em asa de borboleta, sangue no meato uretral, globo vesical palpável e dor à palpação da pelve. Ao toque retal, a próstata está deslocada superiormente e não é bem palpável. A radiografia de bacia evidencia fratura de ramos púbicos bilaterais. O interno prepara a sonda vesical de demora. Qual é a conduta correta?
Uretrorragia, hematoma perineal em asa de borboleta e próstata deslocada em paciente com fratura pélvica indicam lesão de uretra posterior, situação em que a passagem de sonda uretral pode converter lesão parcial em completa, devendo-se documentar a lesão por uretrocistografia e derivar a urina por cistostomia suprapúbica. Tentar cateterismo com sonda fina ou calibrosa mantém o mesmo risco de agravamento da lesão. Aguardar micção espontânea com bexiga distendida pode levar a ruptura vesical e extravasamento urinário.
Homem de 41 anos é levado à Unidade de Pronto Atendimento após ouvir um estalido durante relação sexual, seguido de dor intensa, perda imediata da ereção e rápido aumento de volume do pênis. Ao exame: pênis edemaciado, com equimose extensa em berinjela, desvio do eixo peniano para a esquerda, sem uretrorragia e com micção espontânea preservada. Não há outras lesões perineais. O paciente está estável, muito ansioso e com dor intensa, e pergunta se o problema resolve com repouso e gelo. Qual é a conduta correta?
O estalido durante o coito seguido de detumescência imediata, dor, equimose peniana extensa e desvio do eixo caracteriza fratura peniana, com ruptura da túnica albugínea, cujo tratamento é a exploração cirúrgica precoce, que reduz disfunção erétil e curvatura residual. O tratamento conservador com repouso e gelo associa-se a piores desfechos funcionais. A sondagem vesical não trata a ruptura e só se aplica quando há lesão uretral associada. Adiar a cirurgia por exames desnecessários piora o resultado funcional.
Homem de 27 anos é atendido no pronto-socorro após queda de moto com trauma em flanco esquerdo. Chega consciente, referindo dor lombar esquerda e hematúria macroscópica. Ao exame: estável, pressão arterial 124x76 mmHg, frequência cardíaca 92 bpm, escoriações e dor à palpação do flanco esquerdo, sem sinais de peritonite e sem outras lesões. A tomografia com contraste mostra laceração renal esquerda de cerca de 2 cm em córtex, sem extravasamento de contraste do sistema coletor e sem lesão vascular, com hematoma perirrenal contido. Qual é a conduta indicada?
A maioria dos traumas renais fechados em pacientes hemodinamicamente estáveis, mesmo com laceração e hematoma perirrenal contido, é tratada de forma conservadora, com repouso, monitorização de sinais vitais e hematócrito e reavaliação por imagem quando necessário, preservando a função renal. A nefrectomia é reservada a lesões graves com instabilidade ou lesão vascular. A exploração cirúrgica sistemática de toda laceração aumenta a taxa de nefrectomia sem benefício. Nefrostomia de rotina não tem indicação na ausência de extravasamento urinário significativo.
Homem de 44 anos é atendido no pronto-socorro após acidente automobilístico com trauma abdominal por cinto de segurança. Refere dor hipogástrica intensa e incapacidade de urinar. Ao exame: abdome distendido, doloroso difusamente, com descompressão brusca dolorosa e macicez móvel; não há uretrorragia e a próstata está tópica ao toque retal. A cistografia mostra extravasamento de contraste com desenho de alças intestinais e contraste em recessos peritoneais, e a creatinina está elevada. Qual é a conduta correta?
A ruptura vesical intraperitoneal, sugerida pelo extravasamento de contraste delineando alças e recessos peritoneais com ascite urinária e elevação da creatinina por reabsorção peritoneal, tem indicação de reparo cirúrgico, pois não cicatriza adequadamente com drenagem isolada. O tratamento conservador com sonda de demora é a conduta das lesões extraperitoneais não complicadas. A elevação da creatinina decorre da reabsorção de urina, e a diálise não substitui o reparo da lesão. Observação sem drenagem leva a peritonite química e sepse.
Homem de 25 anos é atendido no pronto-socorro após levar um chute no escroto durante partida de futebol, há duas horas. Refere dor intensa e náuseas, com aumento rápido do volume escrotal. Ao exame: hemiescroto esquerdo muito aumentado, equimótico e extremamente doloroso, sem transiluminação, com dificuldade de delimitar o testículo à palpação. A ultrassonografia com Doppler mostra descontinuidade da túnica albugínea com extrusão de parênquima testicular e hematocele volumosa, com fluxo reduzido. Qual é a conduta mais adequada?
Ruptura testicular confirmada por descontinuidade da túnica albugínea e extrusão de parênquima tem indicação de exploração cirúrgica precoce, com desbridamento econômico, reparo da túnica e drenagem, o que aumenta a taxa de preservação da gônada quando realizada nas primeiras horas. O tratamento conservador em ruptura confirmada leva a maior taxa de perda testicular e infecção. Punção isolada do hematoma não corrige a lesão da túnica. Orquiectomia radical é conduta oncológica e não deve ser a primeira opção diante da possibilidade de preservação.
Homem de 29 anos é admitido após queda de altura com impacto no flanco direito. Refere dor lombar e notou urina avermelhada. Ao exame apresenta PA 118x74 mmHg, FC 96 bpm, Glasgow 15, dor à palpação da loja renal direita com equimose local e abdome sem irritação peritoneal. A urina mostra hematúria macroscópica. A tomografia com contraste evidencia laceração renal direita com hematoma perirrenal contido, sem extravasamento urinário e sem lesão de pedículo vascular, mantendo-se estável após observação inicial. A conduta mais adequada é:
O trauma renal em paciente hemodinamicamente estável, com hematoma contido e sem lesão de pedículo ou extravasamento urinário significativo, é conduzido de forma conservadora, com repouso, monitorização e reavaliações, estratégia que preserva a função renal na grande maioria dos casos. Nefrectomia imediata em paciente estável remove desnecessariamente uma unidade renal. Exploração cirúrgica de rotina para toda hematúria macroscópica é conduta ultrapassada. Alta imediata impede a detecção de sangramento tardio e de urinoma.
Homem de 38 anos é admitido após acidente automobilístico com fratura de pelve. Refere dor suprapúbica intensa e incapacidade de urinar. Ao exame apresenta PA 116x72 mmHg, FC 98 bpm, Glasgow 15, dor à palpação suprapúbica e distensão vesical, sem sangue no meato uretral, com próstata em posição normal ao toque retal. A cistografia mostra extravasamento de contraste delimitado ao espaço perivesical, sem contraste entre alças intestinais e sem sinais de irritação peritoneal difusa. A conduta mais adequada é:
O extravasamento perivesical delimitado, sem contraste entre alças, caracteriza lesão vesical extraperitoneal, tratada conservadoramente com drenagem vesical prolongada e controle por cistografia antes da retirada do cateter. Laparotomia imediata para todos os casos é indicada nas lesões intraperitoneais, com extravasamento contornando alças e irritação peritoneal. Retirar o cateter impede a cicatrização da parede vesical. Cistostomia definitiva sem reavaliação é desproporcional para lesão com alta taxa de resolução espontânea sob drenagem.
Homem de 42 anos é admitido após queda a cavaleiro sobre estrutura metálica, com trauma perineal. Refere incapacidade de urinar e dor intensa. Ao exame apresenta PA 122x76 mmHg, FC 94 bpm, Glasgow 15, sangue no meato uretral, hematoma perineal em asa de borboleta, distensão vesical à palpação suprapúbica e, ao toque retal, próstata deslocada superiormente. A equipe de enfermagem prepara material para sondagem vesical de alívio devido à retenção urinária. A conduta correta é:
Sangue no meato uretral, hematoma perineal em asa de borboleta e próstata deslocada indicam lesão de uretra posterior, situação em que a sondagem uretral é contraindicada por poder converter lesão parcial em completa; a conduta é uretrografia retrógrada e derivação por cistostomia suprapúbica. Sondagem de demora imediata é exatamente a manobra proscrita. Usar cateter de maior calibre agrava a lesão. Aguardar micção espontânea mantém a retenção, com risco de rotura vesical e infecção.
Homem de 27 anos é admitido após trauma direto na região escrotal durante partida de futebol, há 3 horas. Refere dor intensa e aumento de volume local. Ao exame apresenta PA 124x76 mmHg, FC 96 bpm, Glasgow 15, bolsa escrotal com hematoma volumoso, dor intensa à palpação e dificuldade de definir os contornos testiculares. A ultrassonografia com Doppler mostra descontinuidade da túnica albugínea à direita, com extrusão de conteúdo tubular e redução do fluxo nesse testículo. A conduta mais adequada é:
A ruptura testicular com descontinuidade da túnica albugínea à ultrassonografia tem indicação de exploração cirúrgica precoce, que permite reparo e preservação da gônada na maioria dos casos quando realizada nas primeiras horas. Tratamento conservador com reavaliação em duas semanas leva a atrofia, infecção e perda testicular. Orquiectomia imediata é desnecessária em testículo potencialmente viável. Punção aspirativa do hematoma não corrige a ruptura e aumenta o risco de infecção.
Homem de 36 anos é admitido após colisão automobilística com impacto abdominal, referindo dor suprapúbica intensa e hematúria macroscópica. Estava com a bexiga cheia no momento do acidente. Ao exame apresenta PA 108x66 mmHg, FC 108 bpm, Glasgow 15, abdome distendido com dor difusa, defesa involuntária e descompressão brusca dolorosa, sem sangue no meato uretral e com próstata em posição normal ao toque. A cistografia mostra extravasamento de contraste contornando alças intestinais na cavidade peritoneal. A conduta mais adequada é:
O extravasamento de contraste contornando alças caracteriza lesão vesical intraperitoneal, que exige reparo cirúrgico com drenagem vesical, pois a urina na cavidade peritoneal causa peritonite química e sepse. O manejo apenas com cateter é a conduta das lesões extraperitoneais, com extravasamento delimitado ao espaço perivesical. Cistostomia isolada com alta precoce não corrige a comunicação com a cavidade peritoneal. Esperar cicatrização espontânea em lesão intraperitoneal contraria a indicação cirúrgica consagrada.
Homem de 29 anos sofreu queda de altura com trauma em flanco esquerdo. Chega estável, com dor lombar à esquerda e hematúria macroscópica. Ao exame, pressão arterial de 124 x 76 mmHg, frequência cardíaca de 88 bpm, dor à palpação do flanco esquerdo, sem massa palpável, sem sinais de peritonite e com boa perfusão periférica. A tomografia com contraste mostra laceração renal esquerda com hematoma perirrenal contido, sem extravasamento ativo de contraste e sem lesão de pedículo vascular. A conduta adequada é:
A maioria das lesões renais traumáticas em pacientes hemodinamicamente estáveis, sem extravasamento ativo de contraste e sem lesão de pedículo, é tratada de forma conservadora, com repouso, monitorização e acompanhamento da hematúria, preservando o parênquima renal. Nefrectomia de urgência é reservada a instabilidade com sangramento incontrolável. Explorar o retroperitônio sem indicação frequentemente resulta em nefrectomia por perda do tamponamento natural do hematoma. Nefrostomia de rotina não é indicada e adiciona risco sem benefício.
Homem de 32 anos chega ao pronto-socorro após ouvir um estalo durante relação sexual, seguido de dor intensa, detumescência imediata e aparecimento de hematoma peniano volumoso. Ao exame apresenta PA 128x80 mmHg, FC 92 bpm, pênis com edema, equimose extensa e desvio da haste, sem sangue no meato uretral e com micção espontânea preservada, referindo dor intensa à palpação da região de provável rotura da túnica albugínea. A conduta mais adequada é:
A fratura peniana, caracterizada por estalo audível, detumescência imediata, dor e hematoma, é emergência cirúrgica cujo reparo precoce da túnica albugínea reduz complicações como curvatura, disfunção erétil e dor crônica. Tratamento conservador isolado associa-se a piores resultados funcionais. Drenagem percutânea do hematoma não corrige a rotura da túnica. Sondagem vesical prolongada seria pertinente apenas diante de lesão uretral associada, ausente aqui, e não substitui o reparo cirúrgico.
Mulher, 44 anos, é levada ao pronto-socorro após acidente automobilístico com trauma abdominal fechado. Está estável, com PA 124/78 mmHg e FC 88 bpm. A tomografia mostra laceração renal esquerda grau II, sem extravasamento de contraste, e pequena quantidade de líquido livre periesplênico, sem lesão esplênica identificada. Hemoglobina estável em duas dosagens; exame abdominal seriado sem piora e sem sinais peritoneais. Qual a conduta indicada?
Lesão renal de baixo grau sem extravasamento de contraste em paciente estável, com hemoglobina estável e sem sinais peritoneais, é conduzida de forma não operatória com observação hospitalar e exames seriados. A laparotomia baseada apenas na presença de pequena quantidade de líquido livre resultaria em cirurgia não terapêutica em paciente estável. A nefrectomia sacrifica um rim funcionante sem indicação. A alta imediata é inadequada, pois a deterioração pode ocorrer nas primeiras horas e o líquido livre exige vigilância para lesão de víscera oca. A angioembolização profilática não está indicada sem sangramento ativo ou pseudoaneurisma demonstrado.
Menino, 8 anos, sofreu trauma lombar direito em queda de altura há 4 horas, evoluindo com hematúria macroscópica e dor em flanco. PA 106 x 68 mmHg, FC 96 bpm, estável desde a admissão. Exame: dor e equimose em flanco direito, sem sinais de peritonite. Hb 11,2 g/dL (VR 11,5–15,5). Tomografia com contraste em fase excretora: laceração renal direita com hematoma perirrenal contido, sem extravasamento de urina e sem lesão do pedículo vascular. Qual a conduta?
A maioria das lesões renais por trauma fechado em crianças hemodinamicamente estáveis, com hematoma contido e sem extravasamento urinário ou lesão do pedículo, é tratada de forma conservadora, com repouso, hidratação, monitorização e controle laboratorial e de imagem. A nefrectomia imediata sacrifica um rim recuperável. A exploração cirúrgica renal em trauma fechado tem alta taxa de nefrectomia e é reservada à instabilidade ou lesão vascular. O cateter duplo J é indicado no extravasamento urinário significativo, ausente. Dar alta imediata impede a vigilância de sangramento tardio e da evolução da hematúria.
Homem, 24 anos, é atendido no pronto-socorro com dor peniana intensa e deformidade após trauma durante relação sexual, com estalido audível seguido de detumescência imediata. Exame: pênis edemaciado, equimose extensa com aspecto de berinjela, desvio para a direita, sem uretrorragia. Consegue urinar espontaneamente, com jato normal e sem hematúria. Sem outras lesões associadas e sem instabilidade hemodinâmica ao exame inicial realizado na admissão. Qual a conduta correta?
Estalido audível com detumescência imediata, equimose em berinjela e desvio peniano caracterizam fratura peniana, cujo tratamento é a exploração cirúrgica precoce com reparo da túnica albugínea, o que reduz disfunção erétil, curvatura residual e dor. Tratamento conservador associa-se a maior taxa de complicações a longo prazo. Sondagem com observação não trata a rotura da albugínea. Aspiração do hematoma não corrige a lesão estrutural. Cistostomia se justificaria em lesão uretral com retenção, e aqui a micção está preservada sem uretrorragia, além de não substituir o reparo peniano.
Homem, 34 anos, é atendido no pronto-socorro após acidente de moto com trauma pélvico. Exame: PA 108/64 mmHg, FC 108 bpm, uretrorragia, hematoma perineal em borboleta, próstata elevada e não palpável ao toque retal, bexiga palpável e globosa com desejo miccional intenso, sem conseguir urinar. Radiografia de pelve com fratura de ramos púbicos bilaterais. Sem instabilidade hemodinâmica grave no momento da avaliação inicial. Qual a conduta correta?
Uretrorragia, hematoma perineal em borboleta e próstata elevada indicam lesão de uretra posterior, situação em que a sondagem uretral é contraindicada por poder converter uma lesão parcial em completa, sendo a conduta a derivação por cistostomia suprapúbica e a documentação da lesão por uretrocistografia retrógrada. Sondagem de demora é justamente o erro clássico. Cateterismo intermitente pela uretra repete o mesmo risco. Reconstrução primária de urgência não é a conduta padrão, com reparo diferido na maioria dos casos. Manter o paciente sem drenagem com bexiga globosa por 24 horas causa distensão vesical e extravasamento urinário.
Homem, 46 anos, é atendido no pronto-socorro após queda de altura com trauma em flanco direito. Exame: PA 118/72 mmHg, FC 96 bpm, estável após reposição inicial, dor e equimose em flanco direito, hematúria macroscópica. Tomografia com contraste mostra laceração renal direita de 2 cm de profundidade no córtex, sem extensão ao sistema coletor, sem extravasamento de contraste e com hematoma perirrenal contido, sem lesão vascular do pedículo renal. Qual a conduta correta?
Lesão renal de baixo grau, sem acometimento do sistema coletor, sem extravasamento urinário e sem lesão vascular, em paciente hemodinamicamente estável, é tratada de forma conservadora, com repouso, monitorização e reavaliação seriada, estratégia que preserva a função renal na grande maioria dos casos. Nefrectomia total é reservada a lesões graves com instabilidade e impossibilidade de reconstrução. Explorar todo hematoma perirrenal leva a nefrectomias evitáveis pela perda do tamponamento. Angioembolização é indicada em sangramento arterial ativo, ausente. Nefrostomia se justifica em extravasamento urinário significativo ou obstrução, também ausentes.
Homem, 55 anos, é atendido no pronto-socorro com trauma abdominal fechado por acidente automobilístico. Está estável após reposição inicial. Tomografia com contraste em fase excretora mostra laceração renal esquerda com extravasamento de contraste urinário e urinoma perirrenal de 5 cm, sem lesão vascular do pedículo e sem sangramento arterial ativo. Exame: PA 118/74 mmHg, FC 92 bpm, hematúria macroscópica, abdome doloroso em flanco esquerdo sem peritonismo. Qual a conduta inicial mais adequada?
Em paciente hemodinamicamente estável com lesão renal e extravasamento urinário sem lesão vascular, o manejo inicial é conservador, com observação clínica e de imagem, reservando a derivação urinária por cateter duplo J ou a drenagem percutânea para urinoma persistente, crescente ou infectado. Nefrectomia total por extravasamento urinário em paciente estável é conduta excessiva e leva à perda evitável do rim. Explorar cirurgicamente todo extravasamento resulta em nefrectomias desnecessárias. Angioembolização é indicada em sangramento arterial ativo, ausente. Drenagem cirúrgica aberta como primeira medida é mais invasiva que as alternativas minimamente invasivas disponíveis.
Homem, 32 anos, é atendido no pronto-socorro após acidente automobilístico com fratura de pelve. Refere incapacidade de urinar e dor suprapúbica. Exame: PA 112/70 mmHg, FC 104 bpm, abdome doloroso em região suprapúbica, sem uretrorragia, próstata em posição normal ao toque retal. Cistografia retrógrada mostra extravasamento de contraste com padrão em chama de vela, contido na pelve, sem contraste entre alças intestinais ou nas goteiras parietocólicas. Qual o diagnóstico e a conduta?
O extravasamento contido na pelve com padrão em chama de vela, sem contraste intraperitoneal, caracteriza rotura vesical extraperitoneal, geralmente associada a fratura de pelve, cujo manejo é conservador com sondagem vesical de demora por período prolongado, antibioticoterapia e cistografia de controle antes da retirada. A rotura intraperitoneal mostraria contraste delineando alças e goteiras, exigindo reparo cirúrgico. Lesão de uretra posterior cursaria com uretrorragia e próstata elevada, ausentes. Lesão renal não produz extravasamento pélvico com esse padrão. Contusão vesical simples não produz extravasamento de contraste e liberar sem sondagem seria inadequado diante da lesão documentada.
Mulher, 47 anos, é submetida a histerectomia abdominal por miomatose e, no segundo dia de pós-operatório, apresenta dor lombar direita, febre baixa e elevação da creatinina de 0,8 para 1,6 mg/dL. Exame: PA 128/78 mmHg, punho-percussão lombar direita dolorosa, abdome com dor difusa compatível com o pós-operatório, drenos com débito seroso aumentado. Ultrassonografia com hidronefrose direita moderada e ureter dilatado até a pelve, com rim esquerdo normal. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta?
Hidronefrose unilateral com dilatação ureteral e piora da função renal logo após histerectomia levanta a suspeita de lesão ureteral iatrogênica, exigindo confirmação por exame contrastado e derivação urinária com cateter duplo J ou nefrostomia, ou reparo cirúrgico conforme o tipo e o momento do diagnóstico. Pielonefrite não explicaria a dilatação obstrutiva unilateral com essa relação temporal. Lesão pré-renal não causa hidronefrose. Fístula vesicovaginal cursaria com perda urinária contínua pela vagina, não com obstrução. Retenção urinária cursaria com globo vesical e hidronefrose bilateral, não com dilatação unilateral até a pelve.
Homem, 26 anos, é atendido no pronto-socorro com dor e edema escrotal após trauma direto durante partida de futebol há 3 horas. Exame: hematoma escrotal extenso, dor intensa à palpação, dificuldade para delimitar o testículo direito. Ultrassonografia com Doppler mostra descontinuidade da túnica albugínea direita, heterogeneidade do parênquima com extrusão de conteúdo testicular e hematocele associada, com fluxo reduzido no testículo acometido. Qual a conduta correta?
A rotura testicular, evidenciada por descontinuidade da túnica albugínea com extrusão de parênquima, exige exploração cirúrgica precoce com desbridamento e reparo da albugínea, o que aumenta significativamente a taxa de preservação do testículo em comparação ao manejo conservador. Gelo, elevação e analgesia são adequados apenas em contusões sem rotura. Aspiração da hematocele não corrige a lesão da albugínea e mantém o parênquima exposto. Orquiectomia imediata é reservada a lesões irreparáveis, não devendo ser a conduta universal. Antibiótico isolado com reavaliação tardia permite necrose e perda da gônada.
Homem, 24 anos, é atendido no pronto-socorro após queda a cavaleiro sobre estrutura metálica. Exame: uretrorragia, hematoma perineal restrito, dor local, PA 124/78 mmHg, próstata em posição normal ao toque retal, sem fratura pélvica na radiografia. Consegue urinar com dor, jato reduzido, com hematúria inicial. Uretrocistografia retrógrada mostra extravasamento de contraste na uretra bulbar, com passagem de parte do contraste para a bexiga. Qual a conduta correta?
O trauma a cavaleiro tipicamente lesa a uretra bulbar, e a passagem parcial de contraste para a bexiga indica lesão parcial, cuja conduta é derivação urinária com sonda vesical cuidadosa por profissional experiente ou, preferencialmente em muitos serviços, cistostomia suprapúbica, com seguimento para detectar estenose. Uretroplastia primária de urgência não é a conduta padrão nas lesões agudas, com reparo diferido na maioria dos casos. Manter observação sem derivação favorece extravasamento urinário, infecção e fibrose. Cistectomia é conduta absurda em lesão uretral. Dilatações na fase aguda agravam a lesão e a fibrose subsequente.
Homem, 60 anos, é submetido a ressecção transuretral de bexiga por tumor. No pós-operatório imediato, apresenta dor abdominal difusa, distensão, náuseas e oligúria, com irrigação vesical apresentando retorno reduzido em relação ao infundido. Exame: PA 104/62 mmHg, FC 112 bpm, abdome distendido e doloroso com descompressão dolorosa, ruídos hidroaéreos reduzidos. Creatinina 2,2 mg/dL, com potássio 5,2 mEq/L e leucócitos 16.000/mm³. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta?
Dor abdominal com irritação peritoneal, distensão, oligúria e retorno reduzido da irrigação após ressecção transuretral de bexiga indica perfuração vesical intraperitoneal, com extravasamento do líquido para a cavidade e absorção peritoneal, exigindo interrupção da irrigação e exploração cirúrgica com reparo. Aumentar a irrigação agrava o extravasamento. Antibiótico isolado não trata a perfuração. Considerar íleo fisiológico e aguardar 72 horas permite peritonite e deterioração. Expandir com grandes volumes não corrige a causa e pode agravar a distensão abdominal e a absorção de fluido.
Homem, 29 anos, vítima de queda de altura, chega com PA 104x66 mmHg, FC 108 bpm, Glasgow 15 e dor suprapúbica. Apresenta hematúria macroscópica e fratura de ramos púbicos na radiografia de pelve. A cistografia retrógrada mostra extravasamento de contraste com aspecto em chama de vela, confinado ao espaço perivesical, sem contraste entre alças intestinais. Qual a conduta indicada?
A sondagem vesical de demora com cistografia de controle é a conduta indicada: o extravasamento em chama de vela confinado ao espaço perivesical caracteriza lesão extraperitoneal, que cicatriza com drenagem urinária contínua na maioria dos casos. A rafia vesical por laparotomia é reservada à lesão intraperitoneal, em que o contraste delineia alças, ou a lesões extraperitoneais complicadas por fragmento ósseo e colo vesical. A cistostomia cirúrgica não oferece vantagem sobre a sonda uretral nesse contexto. A nefrostomia bilateral é desproporcional. A abordagem endoscópica não trata a laceração da parede.
Homem, 36 anos, vítima de atropelamento, chega com dor pélvica intensa. PA 100x62 mmHg, FC 116 bpm, Glasgow 15. Ao exame, há sangue no meato uretral, hematoma perineal em asa de borboleta e próstata elevada ao toque retal. A radiografia de pelve mostra fratura em livro aberto. A equipe de enfermagem solicita autorização para sondagem vesical de alívio. Qual a conduta correta antes de qualquer derivação urinária?
Realizar uretrocistografia retrógrada é a conduta correta: sangue no meato, hematoma perineal em asa de borboleta e próstata elevada compõem a tríade de lesão uretral posterior, e a cateterização às cegas pode converter uma laceração parcial em completa. Passar sonda de Foley mais fina mantém exatamente esse risco. A ultrassonografia com resíduo não caracteriza o trajeto uretral nem a extensão da lesão. Indicar cistostomia sem imagem pode ser necessário depois, mas o exame é que define a lesão e orienta a reconstrução. Antibiótico e observação da diurese não resolvem a retenção nem esclarecem o diagnóstico.
Durante histerectomia abdominal por miomatose com aderências densas de cesarianas prévias, o cirurgião observa saída de líquido claro no campo operatório após dissecção do espaço vesicouterino. A instilação de azul de metileno pela sonda vesical revela extravasamento por solução de continuidade de cerca de 1 cm na cúpula vesical, distante dos meatos ureterais. A paciente está estável, com PA 118/74 mmHg e sangramento cirúrgico habitual. Qual a conduta intraoperatória adequada?
A lesão vesical reconhecida no intraoperatório, localizada na cúpula e distante dos meatos ureterais, deve ser reparada de imediato em dois planos com fio absorvível, seguida de drenagem vesical contínua por alguns dias e confirmação da estanqueidade — conduta com excelente prognóstico. Confiar apenas na sondagem sem sutura é aceitável em lesões puntiformes muito pequenas, mas não em solução de continuidade de 1 cm. A cistectomia parcial ampla com reimplante ureteral bilateral é desproporcional para lesão distante dos meatos. Encerrar a cirurgia e programar reparo eletivo permite extravasamento urinário, urinoma e infecção. A derivação por nefrostomia bilateral é medida extrema, sem qualquer indicação neste cenário.
Homem, 25 anos, queda de moto com impacto em flanco direito há cinco horas. Está estável, PA 124/76 mmHg, FC 88 bpm, com hematúria macroscópica. Tomografia com fase excretora mostra laceração renal direita de 2 cm em polo inferior, hematoma perirrenal contido, sem extravasamento de contraste urinário e sem lesão de pedículo vascular. Hb 12,8 g/dL (VR 13–17). Qual a conduta indicada?
Lesão renal grau II em paciente estável, sem extravasamento urinário nem lesão vascular, tem indicação de tratamento conservador com repouso, hidratação e acompanhamento da hematúria, com preservação da unidade renal em mais de 90 por cento dos casos. A nefrectomia é reservada a lesões inviáveis com sangramento incontrolável. O cateter duplo J trata extravasamento urinário persistente, que a fase excretora afastou. A embolização se aplica a sangramento arterial ativo demonstrado por blush. A exploração cirúrgica abre o hematoma contido e frequentemente termina em nefrectomia desnecessária.
Homem, 34 anos, motociclista, admitido há uma hora após colisão com fratura de ramos púbicos bilaterais. Está estável, PA 122/76 mmHg, FC 96 bpm. Refere desejo miccional intenso sem conseguir urinar. Ao exame há sangue no meato uretral, equimose perineal em asa de borboleta e próstata elevada e móvel ao toque retal. A bexiga é palpável 4 cm acima da sínfise púbica. Qual a conduta correta?
Sangue no meato, equimose perineal e próstata elevada são sinais de lesão de uretra posterior, e a sondagem uretral está contraindicada antes de documentar o trajeto por uretrocistografia retrógrada, exame que define a conduta. Tentar passar sonda de pequeno calibre pode converter lesão parcial em transecção completa. A cistostomia suprapúbica é frequentemente necessária, mas indicá-la sem imagem prévia dispensa a informação que orienta o reparo. A uretroplastia primária de urgência tem pior resultado funcional que o reparo diferido. A manobra de Credé é ineficaz e perigosa diante de possível rotura vesical associada.
Mulher, 28 anos, envolvida em colisão frontal há três horas, com cinto de segurança abdominal. Apresenta dor hipogástrica, PA 118/74 mmHg, FC 100 bpm e hematúria macroscópica pela sonda vesical. Creatinina sérica de 1,8 mg/dL (VR 0,6–1,1) sem doença renal prévia. Cistografia retrógrada com 350 mL de contraste mostra extravasamento que contorna alças intestinais e se acumula em goteiras parietocólicas. Qual a conduta indicada?
O contraste contornando alças e ocupando as goteiras caracteriza rotura vesical intraperitoneal, cujo tratamento é o reparo cirúrgico em dois planos com drenagem urinária, pois a urina em contato com o peritônio causa peritonite química e reabsorção com pseudoinsuficiência renal, que explica a creatinina elevada. Sondagem prolongada é o tratamento das roturas extraperitoneais não complicadas. Observação domiciliar com antibiótico ignora a peritonite em curso. Nefrostomia bilateral desvia urina do trato superior sem resolver o defeito vesical. O cateter duplo J trata lesão ureteral, situação diferente da descrita.
Homem, 26 anos, submetido a laparotomia por ferimento por projétil em flanco esquerdo há três dias. Evolui com febre de 38,6 °C, dor lombar esquerda e débito claro e abundante pelo dreno abdominal, cerca de 700 mL em 24 horas. Creatinina sérica 1,1 mg/dL (VR 0,7–1,3) e creatinina dosada no líquido do dreno de 46 mg/dL. Tomografia mostra coleção retroperitoneal esquerda de 8 cm. Qual o diagnóstico e a conduta inicial?
Creatinina no líquido do dreno muitas vezes superior à sérica confirma que o débito é urina, caracterizando fístula por lesão ureteral não reconhecida, e a derivação com cateter duplo J associada à drenagem da coleção é a abordagem inicial de escolha. Fístula pancreática cursaria com amilase elevada no dreno, não creatinina. Fístula entérica produz débito entérico com resíduos e odor característico. Abscesso retroperitoneal isolado não explica débito claro de 700 mL diários. Linforragia produz líquido leitoso rico em triglicerídeos e é típica de lesão torácica, não de ferimento em flanco.
Homem, 23 anos, trauma direto em região escrotal durante partida de futebol há quatro horas. Refere dor intensa e náuseas. Ao exame há hematoma escrotal volumoso à direita, com testículo de difícil delimitação à palpação. PA 128/78 mmHg, FC 96 bpm, T 36,8 °C. Ultrassonografia com Doppler mostra perda do contorno da túnica albugínea direita, heterogeneidade do parênquima e fluxo testicular reduzido. Qual a conduta indicada?
A perda do contorno da túnica albugínea com heterogeneidade parenquimatosa caracteriza rotura testicular, e a exploração cirúrgica precoce, idealmente nas primeiras 72 horas, permite salvar o testículo em cerca de 90 por cento dos casos. Tratamento conservador com repouso e gelo aplica-se a hematoma escrotal sem rotura da albugínea. A punção do hematoma não repara a lesão e introduz risco infeccioso. Antibiótico com reavaliação tardia desperdiça a janela de salvamento do órgão. A orquidopexia previne torção e não tem relação com o manejo da rotura traumática.
Homem, 41 anos, com fratura de ramos isquiopúbicos após atropelamento há quatro horas. Está estável, PA 126/80 mmHg, FC 92 bpm, com hematúria macroscópica. A uretrocistografia retrógrada demonstra extravasamento de contraste em chama de vela, restrito ao espaço perivesical, sem contorno de alças intestinais. Não há sinais de peritonite ao exame abdominal e não há indicação de laparotomia por outra causa. Qual a conduta indicada?
A rotura vesical extraperitoneal isolada, com extravasamento restrito ao espaço perivesical, é tratada de forma conservadora com sondagem vesical de demora por dez a quatorze dias e cistografia de controle antes da retirada. O reparo cirúrgico é reservado às lesões intraperitoneais ou quando o paciente já será operado por outra indicação. A cistostomia suprapúbica não é necessária quando a sonda uretral drena adequadamente. Observar sem drenagem mantém urina em contato com o hematoma pélvico e favorece infecção. A nefrostomia bilateral é conduta desproporcional para lesão vesical isolada.
Menino, 6 anos, atropelado há três horas, com dor hipogástrica e incapacidade de urinar. Está estável, PA 100/62 mmHg, FC 108 bpm. Não há sangue no meato uretral nem equimose perineal. A tomografia com fase cistográfica mostra extravasamento de contraste contornando alças intestinais e acumulado em fundo de saco. Não há fratura de pelve na radiografia realizada na admissão do paciente. Qual a conduta indicada?
O extravasamento de contraste contornando alças e ocupando o fundo de saco caracteriza rotura vesical intraperitoneal, cujo tratamento é cirúrgico, com reparo da parede e drenagem urinária, tanto em crianças quanto em adultos. A sondagem prolongada é conduta das lesões extraperitoneais. Observação com hidratação não trata a peritonite química causada pela urina. A cistostomia isolada por seis semanas mantém a comunicação com a cavidade peritoneal. A nefrostomia bilateral desvia urina do trato superior, mas não fecha o defeito vesical nem resolve o extravasamento intraperitoneal.
Homem, 28 anos, queda de altura com desaceleração há duas horas. Está com PA 106/66 mmHg, FC 112 bpm, sem hematúria. Tomografia com contraste mostra ausência completa de captação pelo rim esquerdo, com afilamento abrupto da artéria renal a 2 cm de sua origem e hematoma perirrenal moderado. O rim direito é normal e não há outras lesões abdominais identificadas no exame. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta mais adequada?
A ausência de captação com afilamento abrupto da artéria renal em mecanismo de desaceleração caracteriza trombose traumática do pedículo, e a revascularização só tem sentido dentro de uma janela isquêmica curta, geralmente inferior a seis horas, sendo frequente a conduta expectante quando esse tempo é ultrapassado. A ausência de hematúria é típica e não afasta a lesão. Laceração grau II mostraria captação preservada. Lesão de junção ureteropélvica cursa com extravasamento na fase excretora e rim que capta contraste. Fístula arteriovenosa apresentaria enchimento venoso precoce, não ausência de perfusão.
Homem, 26 anos, sofreu queda de moto com impacto em flanco direito há 4 horas. Está estável: PA 122x76 mmHg, FC 88 bpm, FR 18 ipm. Refere dor lombar direita e apresenta hematúria macroscópica. A tomografia com contraste em fase excretora mostra laceração renal direita de 2 cm de profundidade, sem extravasamento urinário, sem lesão vascular e com hematoma perirrenal contido. Não há outras lesões associadas. Qual a conduta indicada?
O tratamento não operatório com repouso, analgesia e monitorização é a conduta na lesão renal de baixo grau em doente estável, sem extravasamento urinário nem lesão vascular. A nefrectomia de urgência é inaceitável, pois a hematúria macroscópica isolada não indica cirurgia. A exploração com abertura do hematoma perirrenal costuma resultar em nefrectomia por perda do tamponamento. O cateter duplo J trataria extravasamento urinário, que a tomografia em fase excretora afastou. A angioembolização é reservada a sangramento arterial ativo ou pseudoaneurisma, achados ausentes.
Homem, 34 anos, vítima de queda a cavaleiro sobre barra metálica há 2 horas, apresenta dor perineal, incapacidade de urinar e globo vesical palpável. PA 128x78 mmHg, FC 96 bpm. Há sangue no meato uretral, equimose perineal em asa de borboleta e, ao toque retal, próstata em posição elevada e mal delimitada. A radiografia de bacia não mostra fraturas. Qual a conduta correta?
A uretrografia retrógrada antes de qualquer tentativa de cateterismo é a conduta correta, pois sangue no meato, equimose perineal em asa de borboleta e próstata elevada indicam lesão uretral, e a passagem de sonda pode transformar lesão parcial em completa. O cateterismo imediato é justamente a manobra proscrita nesse cenário. A cistostomia pode ser necessária, mas idealmente após a confirmação diagnóstica e, quando percutânea, guiada por imagem. Adiar a avaliação urológica por 24 horas mantém a retenção e o risco de lesão renal. A passagem às cegas com fio-guia acrescenta risco de trajeto falso e estenose.
Homem, 35 anos, submetido a laparotomia por trauma com ressecção de sigmoide há dois dias. Evolui com dor lombar esquerda, febre de 38,2 °C e distensão abdominal. Creatinina sérica de 1,9 mg/dL (VR 0,7–1,3), em ascensão. Tomografia com fase excretora mostra hidronefrose esquerda com interrupção abrupta do ureter na altura do cruzamento com os vasos ilíacos, sem extravasamento livre de contraste. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Hidronefrose com interrupção abrupta do ureter exatamente na altura do cruzamento com os vasos ilíacos, após ressecção de sigmoide, aponta ligadura inadvertida do ureter, complicação clássica dessa cirurgia. A trombose de veia renal cursaria com aumento do rim e alteração de fluxo venoso, sem parada de contraste no ureter. A necrose tubular aguda não produz hidronefrose nem interrupção ureteral focal. A litíase mostraria cálculo radiopaco no ponto de obstrução. A estenose congênita se localiza na junção ureteropélvica, e não no trajeto pélvico do ureter.
Homem, 38 anos, com fratura de pelve e trauma abdominal, submetido a laparotomia por hemoperitônio. Durante o inventário identifica-se laceração de 3 cm na cúpula vesical com extravasamento urinário para a cavidade peritoneal, além de laceração hepática já controlada. Está estável, PA 118/74 mmHg, FC 92 bpm, sem hipotermia e sem coagulopatia significativa no momento. Qual a conduta indicada para a lesão vesical?
Lesão vesical intraperitoneal identificada durante laparotomia deve ser reparada em dois planos com fio absorvível, mantendo sonda vesical de demora para drenagem no pós-operatório. Deixar apenas a sonda sem reparar a cúpula mantém o extravasamento para a cavidade peritoneal. A cistostomia exclusiva sem reparo não fecha a comunicação com o peritônio. A ampliação vesical com segmento intestinal é procedimento reconstrutivo eletivo, sem qualquer indicação no trauma agudo. Drenar a cavidade sem reparar a bexiga mantém a peritonite química e o risco infeccioso.
Homem, 28 anos, ferimento por arma branca em região dorsal esquerda, na altura de T10, há uma hora. Está estável, PA 122/78 mmHg, FC 92 bpm, sem déficit neurológico. A tomografia com triplo contraste mostra trajeto que atinge o retroperitônio esquerdo, com hematoma perirrenal pequeno, rim captando contraste de forma homogênea e sem extravasamento urinário na fase excretora. Qual a conduta indicada?
Lesão renal de baixo grau, com rim captando contraste homogeneamente, sem extravasamento urinário e paciente estável, é conduzida de forma conservadora com observação, repouso e controle laboratorial. A nefrectomia de princípio sacrifica órgão funcionante. A exploração com abertura da fáscia de Gerota descomprime o hematoma contido e frequentemente termina em nefrectomia evitável. O cateter duplo J trata extravasamento urinário, que a fase excretora afastou. A embolização requer extravasamento arterial ativo, ausente no exame.
Homem, 52 anos, com fratura de pelve instável e lesão vesical extraperitoneal, será submetido a fixação interna do anel pélvico com placa na sínfise púbica. Está estável, PA 122/76 mmHg, FC 88 bpm, com sonda vesical drenando urina hematúrica. A equipe de ortopedia questiona se a lesão vesical modifica a conduta quanto ao reparo cirúrgico durante o mesmo tempo operatório. Qual a orientação correta?
Quando se implanta material de síntese na pelve, o extravasamento urinário aumenta muito o risco de infecção do implante, de modo que a lesão vesical extraperitoneal, habitualmente tratada com sonda, passa a ter indicação de reparo cirúrgico no mesmo tempo. Manter conduta conservadora com placa exposta à urina favorece osteomielite e infecção do material. Contraindicar a fixação interna deixaria o anel pélvico instável. A cistostomia isolada não fecha o extravasamento junto ao implante. Adiar o reparo por seis semanas mantém a contaminação durante todo o período crítico.
Homem, 45 anos, vítima de trauma pélvico com fratura de ramos púbicos há 4 horas, apresenta hematúria macroscópica e dor suprapúbica. PA 122x76 mmHg, FC 98 bpm. O abdome é doloroso em hipogástrio, sem irritação peritoneal difusa. A cistografia retrógrada mostra extravasamento de contraste limitado ao espaço perivesical, em chama de vela, sem contraste entre alças intestinais. Qual a conduta indicada?
O tratamento conservador com sondagem vesical de demora e antibiótico é indicado na lesão vesical extraperitoneal, caracterizada pelo extravasamento limitado ao espaço perivesical em chama de vela, que cicatriza com drenagem adequada. A laparotomia com rafia é indicada nas lesões intraperitoneais, com contraste delineando alças. A cistostomia suprapúbica não é necessária quando a sondagem uretral é possível. Retirar a sonda precocemente impede a cicatrização e mantém o extravasamento. A nefrostomia bilateral é desproporcional e não trata a lesão vesical.
Homem, 33 anos, procura o pronto-socorro após trauma peniano durante relação sexual há 3 horas, relatando estalido audível seguido de dor intensa e detumescência imediata. Ao exame há edema, equimose peniana extensa com aspecto em berinjela e desvio do pênis. Não há sangramento uretral, retenção urinária ou hematúria. PA 128x78 mmHg, FC 92 bpm, T 36,5 graus Celsius. Qual a conduta indicada?
A exploração cirúrgica precoce com reparo da túnica albugínea é a conduta na fratura peniana, sugerida por estalido, detumescência imediata e equimose em berinjela, pois o reparo precoce reduz disfunção erétil e deformidade. O tratamento conservador associa-se a maior taxa de curvatura e disfunção. A sondagem isolada não trata a ruptura da albugínea. A uretrocistografia é indicada quando há sangue no meato ou dificuldade miccional, ausentes aqui, e a conduta expectante não corrige a lesão. A aspiração do hematoma não repara a estrutura rota.
Homem, 25 anos, sofreu trauma escrotal direto durante partida de futebol há 2 horas, com dor intensa e aumento de volume escrotal. PA 126x78 mmHg, FC 100 bpm, T 36,7 graus Celsius. O escroto está edemaciado e equimótico, com palpação muito dolorosa que impede a definição dos contornos testiculares. O ultrassom com Doppler mostra descontinuidade da túnica albugínea direita com extrusão de parênquima testicular. Qual a conduta indicada?
A exploração cirúrgica com reparo testicular precoce é a conduta na ruptura testicular, identificada pela descontinuidade da túnica albugínea com extrusão de parênquima, pois a abordagem nas primeiras horas eleva muito a taxa de preservação da gônada. A observação com analgesia leva à perda testicular por necrose e infecção. O antibiótico isolado não trata a lesão estrutural. A punção escrotal não repara a albugínea e acrescenta risco de infecção. A orquiectomia radical é conduta oncológica, desproporcional em trauma com testículo potencialmente recuperável.
Mulher, 48 anos, no terceiro dia de pós-operatório de histerectomia total abdominal, apresenta dor em flanco esquerdo, febre e saída de líquido claro pela ferida. T 38,3 graus Celsius, PA 118x74 mmHg, FC 102 bpm. Creatinina 1,6 mg/dL, previamente 0,8 mg/dL (VR 0,6-1,3). A dosagem de creatinina no líquido drenado é muito superior à sérica. A tomografia mostra hidronefrose esquerda e coleção pélvica. Qual o diagnóstico e a conduta inicial?
A lesão ureteral é o diagnóstico, indicada pela drenagem de líquido com creatinina muito superior à sérica, hidronefrose e coleção pélvica após histerectomia, sendo a conduta inicial a derivação urinária com cateter ou nefrostomia e reparo conforme a extensão e o momento do diagnóstico. A fístula vesicovaginal cursa com perda urinária vaginal contínua, sem hidronefrose. A infecção de sítio cirúrgico não explica o urinoma nem a elevação da creatinina. A linfocele apresenta líquido com creatinina semelhante à sérica. A insuficiência pré-renal não produz coleção com urina extravasada.
Mulher, 49 anos, no segundo dia após histerectomia total abdominal por miomatose volumosa com aderências, apresenta dor em flanco esquerdo, febre e saída de líquido claro pela vagina. Exame: T 38,2 °C, PA 118x74 mmHg, FC 98 bpm, dor à punho-percussão lombar esquerda. Creatinina de 1,6 mg/dL. Tomografia com contraste mostra hidronefrose à esquerda e extravasamento de contraste em pelve na fase excretora. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Dor em flanco, febre, hidronefrose e extravasamento de contraste na fase excretora, com perda de líquido claro por via vaginal após histerectomia com aderências, caracterizam lesão ureteral iatrogênica, complicação clássica desse procedimento pela proximidade do ureter com a artéria uterina, exigindo derivação urinária e reparo. A infecção urinária complicada não produz extravasamento de contraste. A fístula vesicovaginal também cursa com perda de urina pela vagina, mas não causa hidronefrose nem extravasamento na topografia ureteral. A retenção urinária com transbordamento apresentaria globo vesical e resolveria com sondagem. O abscesso pélvico drenado apresentaria conteúdo purulento, e não urina com extravasamento de contraste na urografia tomográfica.
Mulher, 59 anos, no segundo dia após retossigmoidectomia laparoscópica por endometriose profunda com acometimento intestinal, evolui com dor lombar esquerda, febre e distensão. PA 118x72 mmHg, FC 104 bpm, T 38,2 °C. Creatinina 1,6 mg/dL, com valor prévio de 0,8 mg/dL. Débito do dreno abdominal de 600 mL de líquido claro nas últimas 24 horas, com creatinina no líquido de 18 mg/dL. Tomografia mostra coleção pélvica e hidronefrose à esquerda. Qual a principal hipótese diagnóstica?
A lesão de ureter esquerdo com urinoma é a hipótese principal: creatinina no líquido do dreno muito superior à sérica confirma que o débito é urina, e a hidronefrose ipsilateral com elevação da creatinina plasmática completa o quadro após cirurgia pélvica por endometriose, situação de alto risco por aderências e distorção anatômica. A fístula da anastomose drenaria conteúdo entérico e não líquido claro com creatinina elevada. A lesão de bexiga poderia produzir extravasamento urinário, mas não causaria hidronefrose unilateral com dor lombar. A linfocele tem líquido com creatinina semelhante à sérica. A necrose tubular aguda não produz coleção com creatinina de 18 mg/dL no dreno.
Paciente estável após trauma apresenta hematoma perineal e sangue no meato. A próxima decisão envolve avaliar a uretra antes de sondagem cega. Qual conduta é mais apropriada?
Uretrografia retrógrada é investigação direcionada nesse contexto. Sinais de lesão uretral após trauma exigem avaliação direcionada; sondagem cega pode agravar uma lesão. Referência: https://uroweb.org/guidelines/urological-trauma/chapter/urogenital-trauma-guidelines
Após fratura pélvica, paciente estável apresenta sangue no meato uretral. A equipe considera passar sonda às cegas. Qual conduta é mais apropriada?
O sinal de lesão uretral indica avaliação antes da instrumentação. Sinais de lesão uretral após trauma exigem avaliação direcionada; sondagem cega pode agravar uma lesão. Referência: https://uroweb.org/guidelines/urological-trauma/chapter/urogenital-trauma-guidelines
Vítima de trauma perineal apresenta sangue no meato e dificuldade miccional. Está estável para investigação da uretra. Qual conduta é mais apropriada?
Uretrografia pode definir a lesão antes da passagem cega de sonda. Sinais de lesão uretral após trauma exigem avaliação direcionada; sondagem cega pode agravar uma lesão. Referência: https://uroweb.org/guidelines/urological-trauma/chapter/urogenital-trauma-guidelines
Após colisão, paciente com fratura de pelve e uretrorragia precisa definir integridade uretral antes de instrumentação. Qual conduta é mais apropriada?
Sangue no meato exige investigação de possível ruptura uretral. Sinais de lesão uretral após trauma exigem avaliação direcionada; sondagem cega pode agravar uma lesão. Referência: https://uroweb.org/guidelines/urological-trauma/chapter/urogenital-trauma-guidelines
Após desaceleração de alta energia, um paciente tem dor em flanco e suspeita de lesão vascular renal. A urina não apresenta hematúria. Qual interpretação é adequada?
Lesões do pedículo renal ou da junção ureteropélvica podem ocorrer sem hematúria; mecanismo e achados clínicos orientam a investigação. Referência: WSES-AAST. Kidney and uro-trauma guidelines (2019). https://doi.org/10.1186/s13017-019-0274-x
Após fratura de pelve, um paciente estável tem ruptura vesical extraperitoneal. A investigação demonstra fragmento ósseo projetado para o interior da bexiga e lesão do colo vesical. Qual característica diferencia esse caso de uma ruptura extraperitoneal simples que poderia ser tratada apenas com drenagem?
Nem toda ruptura extraperitoneal é simples. Fragmentos ósseos intravesicais e lesão do colo são fatores que favorecem reparo, pelo risco de persistência do vazamento e outras complicações. Referência: WSES-AAST. Kidney and uro-trauma guidelines (2019). https://doi.org/10.1186/s13017-019-0274-x
Uma tomografia inicial após trauma mostra líquido retroperitoneal junto ao ureter, sem esclarecer se corresponde a urina. O paciente está estável. Qual complemento do estudo pode demonstrar extravasamento do sistema coletor?
Após excreção renal do contraste, imagens tardias podem evidenciar vazamento de urina contrastada. Referência: WSES-AAST. Kidney and uro-trauma guidelines (2019). https://doi.org/10.1186/s13017-019-0274-x
Um homem com fratura pélvica apresenta sangue no meato uretral e dificuldade para urinar. Está estabilizado, e a equipe planeja drenagem urinária. Qual avaliação deve preceder uma tentativa rotineira de sondagem transuretral às cegas?
Uretrorragia após trauma pélvico levanta suspeita de lesão; a avaliação apropriada evita instrumentação cega de uma uretra potencialmente rompida. Referência: WSES-AAST. Kidney and uro-trauma guidelines (2019). https://doi.org/10.1186/s13017-019-0274-x
A tomografia identifica lesão renal de alto grau após trauma fechado. O paciente está hemodinamicamente estável, sem outra indicação de laparotomia, em centro com monitoramento e radiologia intervencionista. Qual princípio é correto?
Estabilidade, lesões associadas e recursos permitem considerar tratamento não operatório em pacientes selecionados, inclusive com lesões de alto grau. Referência: WSES-AAST. Kidney and uro-trauma guidelines (2019). https://doi.org/10.1186/s13017-019-0274-x
Qual é a finalidade principal da fase tardia indicada neste estudo de trauma renal?

A excreção do contraste opacifica a via urinária e ajuda a detectar lesões coletoras.
Paciente com a lesão renal mostrada está estável, sem sangramento ativo importante no estudo completo. Qual princípio é adequado?

Estabilidade e caracterização da lesão permitem preservar o rim em muitos traumas.
Qual conclusão não é sustentada por três cortes isolados desta TC?

O grau depende de extensão, vasos e sistema coletor, avaliados no conjunto.
Após trauma, a TC mostra alteração parenquimatosa e coleção junto a qual órgão?

O marcador R identifica o lado direito do paciente; a lesão está no rim contralateral, à direita da figura.
Qual exame confirma e distingue os padrões de rotura vesical ilustrados, quando o paciente está estável?

Distensão vesical e distribuição do contraste definem o compartimento de extravasamento.
Na rotura traumática que comunica a cúpula com a cavidade peritoneal, qual manejo costuma ser necessário?

Rotura intraperitoneal traumática geralmente requer fechamento para evitar extravasamento persistente e peritonite.
Qual via de extravasamento no desenho corresponde a rotura intraperitoneal da bexiga?

A cúpula é recoberta por peritônio e comunica com a cavidade quando rompe.
Qual porção da bexiga está junto ao peritônio no desenho?

A cúpula vesical se relaciona com o revestimento peritoneal.
Se há sangue no meato após fratura pélvica, qual avaliação deve anteceder tentativa cega de sondagem uretral?

Sangue no meato sugere lesão uretral; instrumentação cega pode agravar o dano.
Em suspeita de ruptura vesical, por que uma TC comum com contraste intravenoso pode não excluir a lesão?

Avaliação da integridade vesical depende de técnica e enchimento adequados; estudo não dedicado pode falhar.
O vazamento inferior indicado fica em qual compartimento?

A seta inferior mostra extravasamento em tecidos fora da cavidade peritoneal.
Após trauma, a cistografia mostra contraste envolvendo alças intestinais, como a seta superior. Qual tipo de lesão e conduta geral se associam?

Extravasamento intraperitoneal por ruptura vesical costuma exigir reparo; lesões extraperitoneais simples podem ter estratégia distinta.
Qual região da bexiga participa do trajeto superior de extravasamento? Imagem didática do acervo OsceLabs.

A superfície superior pode romper para a cavidade peritoneal.
Qual trajeto do extravasamento permanece nos tecidos ao redor da bexiga, sem se espalhar entre as alças? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Ele se distribui nos tecidos perivesicais abaixo da reflexão peritoneal.
Trauma fechado produz apenas a lesão extraperitoneal simples mostrada, sem lesão do colo, fragmento ósseo intravesical ou lesões associadas que exijam reparo. Qual manejo costuma ser possível? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Lesões extraperitoneais não complicadas podem ser tratadas sem reparo imediato.
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Sangue no meato após trauma pélvico ou genital indica uretrografia retrógrada antes da sondagem. Incapacidade de urinar, globo e hematoma perineal aumentam a suspeita; próstata elevada é sinal clássico, porém pouco confiável, e não deve ser usada isoladamente. Hematúria não gradua trauma renal e pode faltar em lesão de pedículo ou ureter. Rotura vesical intraperitoneal, geralmente da cúpula, exige reparo e lavagem; a extraperitoneal não complicada costuma ser tratada com drenagem por sonda, enquanto fragmento ósseo intravesical, lesão do colo ou lesões associadas podem exigir operação. A cistografia separa os compartimentos, e a estabilidade hemodinâmica governa o trauma renal.
em 30 dias
O que sobrevive a um mês são as estruturas, não os percentuais. Primeira: a ordem de decisão é uretra, depois bexiga, depois rim, e ela é ditada pelo exame físico do períneo, que não custa nada e não espera exame nenhum. Segunda: as indicações absolutas de exploração renal descrevem sangramento que não parou — hematoma retroperitoneal em expansão, hematoma pulsátil, instabilidade refratária — mais o paciente que já vai ser aberto por lesão de outras vísceras; extravasamento urinário é indicação relativa justamente porque a maioria se resolve sozinha. Terceira: a diferença entre séries mede a porta de entrada, não a doença, e dois hospitais da mesma cidade chegaram a proporções de mecanismo quase invertidas. Quarta: esta é uma régua de literatura cirúrgica e urológica, não de norma federal — os protocolos nacionais de urgência pré-hospitalar consultados não nomeiam a uretra em mais de mil páginas, e é na literatura de sociedade e de serviço que o assunto se sustenta.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Este capítulo se aprende de verdade num atendimento em que o paciente chega com dor pélvica e vontade de urinar, e a decisão de não passar a sonda precisa ser tomada com o que o exame do períneo e o toque retal já entregaram — e em que perguntar pelo mecanismo, pela cor da urina e pela última micção, sem exame nenhum, já separa quem pode ser sondado de quem precisa do estudo contrastado antes. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
