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Escroto agudo: torção x epididimite
A prova quase nunca pergunta o diagnóstico — pergunta o que você faz com o relógio. O erro cobrado é pedir imagem quando a suspeita já basta para abrir o escroto.
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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Homem de 30 anos procura o pronto-socorro com dor escrotal esquerda de início súbito há 3 horas, intensa, associada a náuseas. Ao exame: testículo esquerdo elevado, horizontalizado e muito doloroso, com ausência do reflexo cremastérico do lado afetado. PA 130x80 mmHg, FC 98 bpm, afebril. Qual é o diagnóstico mais provável?
Como esse tema cai
Escroto agudo é dor testicular de instalação recente, e o único desfecho que interessa é se o testículo fica ou sai. A prova sabe disso: a vinheta descreve um adolescente com dor há poucas horas, coloca o ultrassom com Doppler entre as alternativas e observa quem cede à tentação de confirmar antes de operar. O diagnóstico diferencial é curto — torção do cordão espermático, torção de apêndice testicular e epididimite ou orquite respondem pela imensa maioria dos casos —, e é justamente por ser curto que a questão se desloca do 'o que é' para o 'o que se faz agora'.
O número brasileiro que organiza o capítulo veio de uma série estadual do centro-oeste com 505 pacientes operados entre 2012 e 2018: o testículo foi salvo em 46,1% dos casos. Menos da metade. O atraso mediano até o primeiro atendimento foi de 8,7 horas, 31,7% receberam outro diagnóstico na primeira avaliação, e quem foi rotulado de epididimite levou 23,4 horas até a transferência, contra 2,8 horas de quem saiu com a hipótese certa. A epididimite não é o diagnóstico inocente que parece — é o rótulo com que se perde testículo no Brasil.
Duas frentes concentram quase tudo que se cobra. A primeira é o tempo e o que ele autoriza: quando explorar sem imagem, até quando ainda vale explorar de urgência, e o que se faz com o testículo já inviável. A segunda é a epididimite tratada como o que ela é na maior parte dos casos — uma infecção sexualmente transmissível, com esquema, testagem e parceria a convocar, e não um antibiótico genérico com retorno em uma semana.
O que muda decisão
Por que o relógio é o exame mais importante
A torção do cordão espermático estrangula primeiro o retorno venoso e só depois a chegada arterial. Isso explica a sequência clínica: o testículo incha e endurece antes de morrer, e explica também por que o Doppler pode enganar — nas primeiras horas ainda há fluxo arterial detectável num testículo que já está se perdendo por congestão.
A forma que interessa ao pronto-socorro é a torção intravaginal, típica do período puberal. Ela acontece porque faltam as aderências normais entre o testículo e a túnica vaginal: o testículo fica solto dentro da vaginal e gira como badalo de sino. Como é uma variação anatômica de quem nasceu assim, ela é bilateral por definição — e é por isso que o testículo contralateral se fixa na mesma cirurgia, mesmo sem nunca ter doído.
A outra forma, a extravaginal, é do recém-nascido: gira todo o conjunto, ainda durante o descenso testicular. Quando ocorre ainda no período pré-natal, o testículo já nasce atrofiado — é uma das causas de testículo ausente ao nascimento. O acesso cirúrgico da torção neonatal é inguinal, pela possibilidade de hérnia associada.
Sobre a janela: a literatura brasileira de urgência urológica situa em torno de seis horas o ponto a partir do qual crescem as chances de dano irreversível, primeiro da linhagem germinativa e depois da produção hormonal. A diretriz europeia de urologia pediátrica de 2026 usa a mesma janela crítica de quatro a seis horas, mas acrescenta o dado que muda conduta: torções incompletas, de 180 a 360 graus, podem não atrofiar mesmo entre 4 e 12 horas, enquanto acima de 24 horas com torção maior que 360 graus a atrofia é universal. A leitura prática é direta — até 24 horas de dor a exploração é urgente; acima disso ela deixa de ser corrida contra o relógio, mas continua indicada, para retirar o que não é mais viável e fixar o lado bom.

Quem torce, e quando
A dor testicular aguda responde por cerca de 0,5% dos atendimentos de urgência, mas concentra desfecho grave. Entre as causas de escroto agudo, a torção do cordão responde por 25% a 30% dos casos na infância e chega a 60% na adolescência — quanto mais perto da puberdade, maior a probabilidade a priori de que a dor seja torção.
A Sociedade Brasileira de Urologia situa o pico de incidência entre 12 e 25 anos, com dois outros momentos de risco: o período pré-natal e o neonatal. A série brasileira do centro-oeste confirma o alvo com idade mediana de 16,1 anos entre os operados. Torção em homem de 40 anos existe e é descrita — só é menos frequente, e o preço de descartá-la por idade é alto.
Duas armadilhas etárias importam. No recém-nascido a dor pode simplesmente não existir: o achado é uma massa escrotal endurecida, com pele arroxeada e sem reflexos, às vezes já presente ao nascimento. E no menino pré-púbere os sintomas costumam ser inespecíficos — dor abdominal, dor suprapúbica, náusea e vômito, sem queixa localizada. Criança com dor abdominal que não se explica precisa ter a bolsa escrotal examinada, e essa é a frase que a prova de pediatria e a de cirurgia cobram do mesmo jeito.
O exame que separa torção de epididimite
A instalação já separa boa parte: a torção começa de repente, sem gatilho, e a dor sobe rápido — muitas vezes acorda o paciente. Náusea e vômito acompanham. Febre é rara. A epididimite se instala em horas a dias, costuma vir com disúria, corrimento uretral ou sintomas urinários, e febre é frequente.
No exame, quatro achados carregam o peso. O testículo torcido está alto e retraído, muitas vezes em posição horizontal, e endurecido à palpação — pode-se palpar um nódulo no trajeto do cordão, que são os elementos torcidos. O reflexo cremastérico costuma estar abolido do lado da torção; quando presente, torna o diagnóstico praticamente improvável, com a ressalva de que em crianças pequenas ele pode ser fisiologicamente ausente ou difícil de pesquisar. O sinal de Prehn testa o alívio com a elevação do testículo: alivia na epididimite, não alivia na torção. Ele é sugestivo, não decisório — nenhuma conduta deveria depender só dele.
A torção de apêndice testicular é o terceiro personagem e tem cara própria. É mais comum dos 7 aos 12 anos, a dor é menos intensa e mais localizada, não há febre, e o achado é um nódulo doloroso restrito ao polo superior do testículo, às vezes com o clássico ponto azulado visível através da pele escrotal. O restante do testículo é indolor e o reflexo cremastérico está preservado. O tratamento é repouso e analgesia com anti-inflamatório; a exploração cirúrgica fica para quando o quadro é refratário ou quando não se consegue afastar torção do cordão — e nesse último caso ela deixa de ser opção e vira obrigação.
Um detalhe da bolsa escrotal com pele muito edemaciada: quando o edema impede um exame confiável, o exame não 'deu negativo'. Exame não confiável em quadro compatível conta a favor de explorar, não contra.
Doppler: quando ajuda e quando custa testículo
O ultrassom com Doppler de bolsa escrotal é bom exame. A diretriz europeia de 2026 registra sensibilidade entre 63,6% e 100% e especificidade entre 97% e 100% — o que significa que um exame alterado praticamente fecha o diagnóstico. O problema está no outro lado: no material analisado por essa mesma diretriz, 24% dos testículos comprovadamente torcidos apresentavam vascularização normal ou até aumentada ao exame. Um Doppler normal em quadro clínico convincente não desfaz a suspeita.
No Brasil há um segundo custo, e ele é de tempo, não de acurácia. Na série estadual do centro-oeste, entre os pacientes que chegaram com menos de três horas de dor e já com o diagnóstico correto de torção, o testículo foi salvo em 22,2% dos casos quando se pediu o Doppler, contra 54,2% quando não se pediu. O exame não danifica o testículo — o que danifica é o que ele arrasta atrás de si: fila, aparelho indisponível na madrugada, radiologista de plantão à distância, transferência.
É por isso que a Sociedade Brasileira de Urologia formula a orientação sem meio-termo: a cirurgia não deve ser adiada para a realização de exames de imagem, e na forte suspeita clínica opera-se imediatamente. A mesma série mostra que a estrutura pesa mais do que se imagina — entre os que chegaram com menos de seis horas de dor, o salvamento foi de 94,6% em serviço terciário, 76,3% em secundário e 61,5% em primário.
A regra operacional que fecha a seção: suspeita forte vai para a sala, não para a sala de exame. Doppler serve para a dúvida real — o menino pré-púbere com dor arrastada há três dias, febre e disúria, ou o quadro que não fecha com nada — e serve com uma condição: só se estiver disponível de imediato. Se pedir o exame significa esperar ou transferir, o exame virou atraso.
A cirurgia: o que se faz na sala
A distorção manual pode ser tentada enquanto a sala é preparada, e o alívio imediato da dor sugere que deu certo. A manobra clássica é girar o testículo como quem abre um livro, de medial para lateral, em incrementos de meia volta. Parte das torções gira no sentido oposto: se a dor piorar, o giro é o contrário. Nada disso substitui a cirurgia — mesmo com a distorção bem-sucedida o paciente vai ser operado, porque a variação anatômica que permitiu a torção continua lá.
Na exploração, expõe-se o cordão, desfaz-se a torção e observa-se a recuperação do testículo com repouso em soro morno por 10 a 30 minutos. Se a perfusão volta, preserva-se o testículo com pontos de fixação — orquidopexia. Se não volta, faz-se a orquiectomia. Nos dois desfechos fixa-se o testículo contralateral no mesmo tempo cirúrgico, porque a predisposição anatômica é bilateral.
Duas particularidades de acesso: na torção extravaginal do recém-nascido a via é inguinal, pela possibilidade de hérnia inguinal associada; e sempre que houver suspeita de tumor testicular — massa endurecida, evolução insidiosa, dor que não bate com o quadro — o acesso é inguinal com clampeamento precoce do cordão, nunca a via escrotal.
O que se documenta no prontuário importa mais nesse diagnóstico do que na média: hora de início da dor referida pelo paciente, hora do primeiro atendimento, hora da indicação cirúrgica e hora da incisão. Esses quatro horários são o que sustenta a decisão depois — e são exatamente os dados cuja ausência inviabiliza discutir por que o salvamento nacional está abaixo de 50%.
Epididimite e orquite: infecção sexualmente transmissível ou bacteriúria
A epididimite costuma evoluir para orquiepididimite e tem duas origens principais, que pedem antibióticos diferentes. Em homens mais jovens e sexualmente ativos, os agentes são Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae — é uma infecção sexualmente transmissível e se trata como tal. Em homens mais velhos, sobretudo com obstrução urinária por hiperplasia prostática ou após manipulação urológica, os agentes são bacilos gram-negativos entéricos, e o quadro é uma extensão de infecção urinária. Há ainda a epididimite congestiva após vasectomia, herniorrafia, orquidopexia ou trauma do cordão, que não é infecciosa.
Os esquemas do PCDT IST de 2022 são três, escolhidos pela etiologia provável: para clamídia e gonococo, ceftriaxona 500 mg intramuscular em dose única associada a doxiciclina 100 mg por via oral de 12 em 12 horas por 10 dias; para agentes entéricos, levofloxacino 500 mg por via oral uma vez ao dia por 10 dias; e quando as duas hipóteses coexistem, ceftriaxona 500 mg intramuscular em dose única associada a levofloxacino 500 mg uma vez ao dia por 10 dias. A esses acrescente-se o que resolve sintoma: repouso, elevação escrotal e anti-inflamatório.
Tratar epididimite de provável etiologia sexualmente transmissível apenas com o antibiótico é tratamento pela metade. O manejo completo inclui oferecer testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C, e convocar as parcerias sexuais para avaliação e tratamento. Uma armadilha frequente de prova: quinolona isolada não é conduta adequada quando há risco de gonococo, porque a sensibilidade do gonococo às quinolonas caiu — é por isso que os esquemas de cobertura gonocócica se apoiam na ceftriaxona.
A orquite isolada é outra história: em criança, aparece durante quadro agudo de caxumba, e repouso com analgesia costuma resolver. Em crianças pequenas, epididimite bacteriana é incomum o suficiente para pedir investigação de malformação do trato urinário — estreitamento uretral, ureter ectópico, disfunção esfincteriana — e o exame de urina, que pode mostrar piúria, é o primeiro passo dessa investigação.
O resto da bolsa aguda
Trauma escrotal é mais comum em crianças e costuma se resolver com repouso e anti-inflamatório; o ultrassom define a extensão da lesão, e apenas hematoceles volumosas ou suspeita de rotura testicular exigem exploração.
Hérnia inguinal encarcerada entra no diferencial da bolsa aguda, sobretudo no primeiro ano de vida. Tenta-se a redução manual, se necessário com sedação; conseguida a redução, opera-se de forma eletiva 24 a 48 horas depois, quando o risco cirúrgico é menor. Sem redução, ou com suspeita de sofrimento do conteúdo encarcerado, a cirurgia é de urgência.
Púrpura de Henoch-Schönlein pode acometer o escroto com dor e edema, em criança geralmente abaixo de dez anos, acompanhada de púrpura em nádegas e membros inferiores, artralgia, dor abdominal e envolvimento renal — evolução autolimitada. O edema escrotal idiopático dá espessamento e hiperemia apenas da pele, sem acometer estruturas profundas, e regride sozinho.
Dois quadros insidiosos que aparecem disfarçados de agudo: varicocele que surge de forma abrupta e volumosa obriga a investigar a cavidade abdominal, para afastar massa que comprima a drenagem venosa; e tumor testicular, que raramente dói, mas pode se associar a torção e se apresentar como escroto agudo — em criança, o tumor de saco vitelino é o tipo mais comum.
TWIST à beira do leito e a decisão sobre imagem
O TWIST — Testicular Workup for Ischemia and Suspected Torsion — é o escore mais usado para dizer, ainda no corredor, quanto vale a suspeita. São cinco achados de exame, sete pontos possíveis, nenhum exame complementar. Ele não dá diagnóstico e não deve ser usado isoladamente, conforme a diretriz europeia de urologia pediátrica de 2026: serve para decidir quem vai direto para a sala e quem ainda comporta um exame de imagem.
- 1Cronometrar: perguntar e registrar a hora exata em que a dor começou. É o dado que governa todo o resto da decisão.
- 2Examinar de pé e deitado: altura e eixo do testículo, consistência, nódulo no trajeto do cordão, reflexo cremastérico, sinal de Prehn, ponto azulado no polo superior.
- 3Somar o TWIST à beira do leito, antes de pedir qualquer coisa.
- 4TWIST de 5 a 7, ou suspeita clínica forte com exame não confiável: acionar centro cirúrgico e urologista. A imagem não entra no caminho.
- 5TWIST de 3 a 4 ou quadro genuinamente ambíguo: Doppler de bolsa escrotal, com uma condição — disponível de imediato. Se implica espera ou transferência, explorar.
- 6TWIST de 0 a 2 com febre, disúria, corrimento ou piúria: conduzir como epididimite ou orquite, com exame de urina e antibiótico conforme a etiologia provável.
- 7Enquanto se prepara a sala, tentar a distorção manual de medial para lateral; alívio imediato sugere sucesso e não cancela a cirurgia.
- 8Na exploração: desfazer a torção, aquecer e reavaliar por 10 a 30 minutos. Viável, orquidopexia; inviável, orquiectomia. Em qualquer desfecho, fixar o contralateral.
TWIST 0 a 2 — risco baixo
Testículo em altura e eixo normais, consistência preservada, reflexo cremastérico presente. Nessa faixa a sensibilidade do escore chega a 98%: é a faixa em que investigar epididimite, orquite ou torção de apêndice testicular faz sentido, e em que a imagem cabe sem culpa.
TWIST 3 a 4 — risco intermediário
Um ou dois achados presentes, quadro que não fecha para nenhum lado. É a única faixa em que o Doppler realmente muda conduta — e mesmo assim só se ele estiver disponível de imediato, sem espera nem transferência.
TWIST 5 a 7 — risco alto
Aumento de volume e endurecimento somados a testículo alto, cremastérico abolido ou vômito. Especificidade em torno de 97% nessa faixa: é o cenário em que a sala de cirurgia é o próximo destino e o pedido de imagem só consome tempo.
| Achado de exame | Pontos |
|---|---|
| Aumento de volume testicular | 2 |
| Testículo endurecido à palpação | 2 |
| Testículo alto ou retraído | 1 |
| Reflexo cremastérico ausente | 1 |
| Náusea ou vômito | 1 |
| Total possível | 7 |
As três causas que a prova precisa ver separadas
| Torção do cordão espermático | Torção de apêndice testicular | Epididimite / orquiepididimite | |
|---|---|---|---|
| Instalação | Súbita, sem gatilho, dor intensa e progressiva | Gradual, dor moderada | Horas a dias, dor progressiva |
| Idade típica | Pico de 12 a 25 anos; também neonatal e pré-natal | 7 a 12 anos | Adolescentes e adultos |
| Febre e sintomas urinários | Habitualmente ausentes | Ausentes | Frequentes: febre, disúria, corrimento |
| Náusea e vômito | Frequentes | Incomuns | Incomuns |
| Exame do testículo | Alto, horizontalizado, endurecido; nódulo no cordão | Nódulo doloroso só no polo superior, ponto azulado | Epidídimo espessado e doloroso, escroto quente |
| Reflexo cremastérico | Abolido; se presente, torna a torção improvável | Preservado | Preservado |
| Sinal de Prehn | Elevar não alivia | Sem alívio consistente | Elevar alivia |
| Doppler | Fluxo reduzido ou ausente; pode estar normal em parte dos casos | Testículo e epidídimo com fluxo preservado | Fluxo normal ou aumentado — exclui torção |
| Conduta | Exploração cirúrgica de urgência | Repouso e anti-inflamatório; explorar se não afastar torção | Antibiótico conforme etiologia, repouso e elevação escrotal |
Epididimite: esquema empírico por etiologia provável (PCDT IST, Ministério da Saúde, 2022)
| Cenário | Esquema | Duração |
|---|---|---|
| Provável clamídia ou gonococo: homem jovem, sexualmente ativo, disúria ou corrimento | Ceftriaxona 500 mg IM dose única + doxiciclina 100 mg VO 12/12h | 10 dias de doxiciclina |
| Prováveis agentes entéricos: homem mais velho, obstrução urinária ou manipulação urológica recente | Levofloxacino 500 mg VO 1x/dia | 10 dias |
| As duas hipóteses coexistem | Ceftriaxona 500 mg IM dose única + levofloxacino 500 mg VO 1x/dia | 10 dias de levofloxacino |
| Em todos os casos | Repouso, elevação escrotal e anti-inflamatório; nas de etiologia sexualmente transmissível, testar HIV, sífilis e hepatites B e C e convocar as parcerias sexuais | — |
Reflexo cremastérico presente torna a torção improvável, mas em crianças pequenas ele pode ser fisiologicamente ausente ou de difícil pesquisa — nessa faixa o achado perde força nos dois sentidos.
Menino pré-púbere com dor abdominal ou suprapúbica sem explicação precisa ter a bolsa escrotal examinada: os sintomas locais podem ser silenciosos justamente nessa faixa.
Escroto com edema intenso que impede um exame confiável não produz exame negativo. Quadro compatível com exame não confiável conta a favor de explorar.
No recém-nascido a torção é extravaginal e o acesso cirúrgico é inguinal, pela possibilidade de hérnia associada.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Suspeita clínica forte dispensa a imagem
A cirurgia não deve ser adiada para a realização de exames de imagem como o ultrassom com Doppler; na forte suspeita clínica, opera-se imediatamente.
Sociedade Brasileira de Urologia, material da campanha Novembrinho Azul, 2024
O Doppler tem alta especificidade e falha em parte das torções
Sensibilidade de 63,6% a 100% e especificidade de 97% a 100%, mas 24% dos testículos comprovadamente torcidos apresentavam vascularização normal ou aumentada ao exame — o Doppler apoia a decisão e não a substitui.
EAU Guidelines on Paediatric Urology, edição 2026, capítulo Acute Scrotum
No serviço brasileiro o custo do exame é medido em testículo
Entre os que chegaram com menos de três horas de dor e diagnóstico correto de torção, o salvamento foi de 22,2% quando se pediu Doppler contra 54,2% quando não se pediu; o tempo mediano até a transferência subiu de 2,8 horas com hipótese correta para 23,4 horas quando a hipótese inicial foi epididimite.
Dias Filho AC et al., Int Braz J Urol, 2020;46(6), série estadual com 505 pacientes
Na prova
A causa da distância entre os documentos não é discordância sobre a acurácia do exame, e sim disponibilidade: onde o Doppler está no corredor e sai em minutos, ele custa pouco; onde exige aguardar plantão ou transferir o paciente, o exame vira atraso e o dado brasileiro mostra o tamanho do prejuízo. O recorte do avaliador aparece no cenário e nas alternativas. Vinheta em serviço sem urologista, hospital de interior, exame disponível só pela manhã ou necessidade de transferência puxa para o corpo brasileiro e para o tempo. Vinheta em centro terciário, com criança pré-púbere, dor arrastada de dias, febre e disúria, puxa para a probabilidade intermediária, em que a imagem tem papel. Alternativa que oferece cintilografia com tecnécio é sinalizador de questão antiga ou de distrator: o método existe e leva cerca de trinta minutos, o que já o exclui da urgência real.
Seis horas como divisor
Geralmente após seis horas do quadro agudo sem correção aumentam as chances de comprometimento irreversível, primeiro da linhagem germinativa e depois da produção hormonal.
Halmenschlager LHA et al., revisão brasileira de urgências urológicas depositada na BVS
Janela crítica de quatro a seis horas, exploração urgente até vinte e quatro
Torções incompletas de 180 a 360 graus podem não evoluir com atrofia mesmo entre 4 e 12 horas, enquanto acima de 24 horas com torção maior que 360 graus a atrofia ocorre em todos os casos; a exploração é urgente até 24 horas e semieletiva acima disso.
EAU Guidelines on Paediatric Urology, edição 2026
No Brasil a maioria chega fora da janela clássica
Atraso mediano de 8,7 horas até o primeiro atendimento, 59% acima de seis horas e salvamento global de 46,1%; entre os que chegaram com menos de seis horas, o salvamento foi de 94,6% em serviço terciário, 76,3% em secundário e 61,5% em primário.
Dias Filho AC et al., Int Braz J Urol, 2020;46(6)
Na prova
As seis horas descrevem quando o dano começa a se instalar, não quando a cirurgia deixa de ser indicada — são coisas diferentes, e a questão costuma explorar exatamente essa confusão. Vinheta com dor de dez a vinte horas está testando se o candidato sabe que ainda se explora de urgência; vinheta com dor de três a quatro horas está testando a corrida contra o relógio; vinheta acima de vinte e quatro horas está testando se o candidato sabe que a exploração continua indicada, agora para retirar o inviável e fixar o contralateral. Alternativa que propõe alta com analgésico e retorno ambulatorial em quadro compatível denuncia que a questão gira em torno da janela.
Ceftriaxona 500 mg IM em dose única com doxiciclina
Ceftriaxona 500 mg intramuscular em dose única associada a doxiciclina 100 mg por via oral de 12 em 12 horas por 10 dias.
PCDT IST, Ministério da Saúde, 2022, conforme reproduzido pela teleconsultoria do TelessaúdeRS-UFRGS
Ceftriaxona 250 mg IM em dose única com doxiciclina
Ceftriaxona 250 mg intramuscular em dose única associada a doxiciclina 100 mg de 12 em 12 horas por 10 dias, ou ofloxacino como alternativa isolada.
Revisão brasileira de urgências urológicas depositada na BVS, com referências até 2008
Na prova
A distância entre os dois números é de data, não de conteúdo clínico: a dose de ceftriaxona para gonococo foi escalada mundialmente à medida que a sensibilidade do agente caiu, e o documento brasileiro atual acompanhou essa escalada. Material didático anterior a essa atualização ainda circula com 250 mg. Enunciado que cita o PCDT, o SUS, a unidade básica ou o Ministério da Saúde está ancorado no documento de 2022. Alternativa que oferece quinolona isolada em homem jovem com risco de gonococo revela que a questão gira em torno da cobertura antigonocócica, e não da dose.
Caso resolvido
- cronômetro
- Dor iniciada por volta de 1h, atendimento às 3h — cerca de duas horas de isquemia. É a faixa em que o salvamento ainda é alto e em que qualquer hora perdida pesa.
- TWIST
- Aumento de volume, 2 pontos; testículo endurecido, 2 pontos; testículo alto, 1 ponto; reflexo cremastérico ausente, 1 ponto; vômito, 1 ponto. Total 7 — teto do escore, faixa de risco alto.
- leitura do exame
- Ausência de febre, disúria e corrimento afasta epididimite; posição horizontal, endurecimento e cremastérico abolido são o retrato da torção; Prehn sem alívio reforça, sem decidir sozinho.
- decisão sobre imagem
- Nenhum exame de imagem. Aguardar as 7h ou transferir para fazer Doppler custaria de quatro a mais horas de isquemia — exatamente a diferença entre 54,2% e 22,2% de salvamento na série brasileira.
- conduta imediata
- Analgesia, jejum, acionamento da equipe cirúrgica disponível e contato com o urologista de referência. Enquanto a sala é preparada, tentativa de distorção manual de medial para lateral; se a dor piorar, girar no sentido contrário.
- cirurgia
- Exploração escrotal: cordão torcido, distorção, repouso do testículo em soro morno por 10 a 30 minutos. Perfusão recuperada — orquidopexia do lado esquerdo e fixação do testículo direito no mesmo tempo cirúrgico.
- o que se registra
- Hora de início da dor, hora do atendimento, hora da indicação e hora da incisão. Sem esses quatro horários não se discute o desfecho depois.
Agora feche você
- achado
- Instalação em dois dias, febre, disúria e corrimento uretral, epidídimo espessado, testículo normal em posição e consistência, cremastérico presente e Prehn com alívio. TWIST igual a zero.
- diagnóstico
- Epididimite aguda de provável etiologia sexualmente transmissível — o conjunto afasta torção do cordão com margem confortável.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Pedir Doppler antes de indicar a cirurgia num quadro que já fecha Atrai porque parece prudente e porque o exame é bom — especificidade de 97% a 100%. O que se esquece é o custo do tempo: na série brasileira, entre quem chegou com menos de três horas e diagnóstico correto, pedir Doppler derrubou o salvamento de 54,2% para 22,2%. Suspeita forte vai para a sala; o exame é para a dúvida real e só se estiver disponível de imediato.
- 2Descartar torção porque o Doppler mostrou fluxo Atrai porque a lógica do exame sugere que ausência de fluxo é o achado. Só que 24% dos testículos comprovadamente torcidos tinham vascularização normal ou aumentada ao Doppler. Exame normal em quadro clínico convincente não desfaz suspeita — ele apenas não confirmou.
- 3Achar que passadas seis horas não vale mais operar Atrai porque a regra das seis horas é decorada como prazo de validade da cirurgia. Ela descreve quando o dano começa a se instalar, não quando a indicação acaba: até 24 horas a exploração é urgente, e acima disso continua indicada para retirar o inviável e fixar o contralateral.
- 4Fixar só o lado que torceu Atrai porque o outro testículo está assintomático. A torção intravaginal decorre de uma variação anatômica de nascença — falta de aderência do testículo à túnica vaginal — e essa variação é bilateral. O contralateral se fixa no mesmo tempo cirúrgico, inclusive quando o lado doente foi retirado.
- 5Descartar torção pela idade Atrai porque o pico é dos 12 aos 25 anos e a idade mediana na série brasileira foi de 16,1 anos. Mas torção ocorre em qualquer idade, inclusive no recém-nascido, em quem a dor pode simplesmente não existir — o achado é massa escrotal endurecida com pele arroxeada.
- 6Tratar epididimite com quinolona isolada em homem jovem Atrai por hábito de tratar como infecção urinária. Em jovem sexualmente ativo os agentes são clamídia e gonococo, e a sensibilidade do gonococo às quinolonas caiu — por isso a cobertura se apoia na ceftriaxona. Levofloxacino isolado é o esquema do homem mais velho com obstrução urinária ou manipulação urológica.
- 7Encerrar a epididimite por IST no antibiótico Atrai porque o sintoma melhora e a consulta acaba. Falta o resto: testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C, e convocação das parcerias sexuais. Sem isso, o paciente volta reinfectado e a cadeia de transmissão segue intacta.
- 8Não examinar a bolsa escrotal do menino com dor abdominal Atrai porque a criança pré-púbere localiza mal a dor e reclama de barriga, de dor suprapúbica, de enjoo. É justamente nessa faixa que a torção se apresenta sem queixa escrotal — e o exame que a encontra leva trinta segundos.
Dor escrotal súbita e intensa em jovem, com testículo elevado/horizontalizado e ABSÊNCIA do reflexo cremastérico, é torção testicular até prova em contrário — emergência cirúrgica. Orquiepididimite tem início mais insidioso, febre, sinal de Prehn positivo (alívio com elevação) e reflexo cremastérico preservado. Hidrocele é indolor e transiluminável. Hérnia encarcerada teria massa inguinal irredutível e sintomas obstrutivos. Varicocele é indolor, com 'saco de vermes' que piora em pé.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem de 28 anos procura o pronto-socorro com dor testicular esquerda intensa e súbita, iniciada há 3 horas ao acordar, associada a náuseas e um episódio de vômito. Nega febre, disúria ou trauma. Ao exame: PA 130x80 mmHg, FC 98 bpm, T 36,8 °C; testículo esquerdo elevado, horizontalizado, muito doloroso, com ausência do reflexo cremastérico ipsilateral. O sinal de Prehn é negativo. Qual é a conduta imediata mais apropriada?
O quadro é clássico de torção testicular (dor súbita, testículo alto e horizontalizado, ausência do cremastérico, Prehn negativo) num paciente jovem; a viabilidade do testículo cai drasticamente após 6 horas, então a conduta é exploração cirúrgica imediata com detorção e orquipexia bilateral, sem atrasar por imagem quando a suspeita é forte. Doppler pode ter falso-negativo/positivo e não deve postergar a cirurgia em quadro típico. Antibiótico e AINE tratam orquiepididimite (Prehn positivo, febre/disúria), diagnóstico diferencial aqui afastado. Marcadores tumorais são para massa testicular, não para dor aguda.
Homem de 25 anos é levado ao pronto-socorro com dor testicular esquerda de início súbito há 3 horas, intensa, associada a náuseas. Ao exame, testículo esquerdo elevado, horizontalizado e muito doloroso, com ausência do reflexo cremastérico ipsilateral e sem melhora da dor à elevação do testículo. Qual é o diagnóstico mais provável?
Dor súbita intensa, testículo alto e horizontalizado, ausência do reflexo cremastérico e sinal de Prehn negativo (dor não melhora com elevação) em jovem = torção testicular, emergência cirúrgica. Na orquiepididimite a dor é mais gradual, há febre/disúria e o Prehn costuma ser positivo (alívio à elevação). Hidrocele e varicocele são indolores. Hérnia encarcerada teria abaulamento inguinal e sinais obstrutivos.
Homem de 24 anos é levado ao pronto-socorro 2 horas após início súbito de dor intensa em testículo esquerdo, com náuseas. Ao exame: testículo elevado, horizontalizado, muito doloroso à palpação, com ausência do reflexo cremastérico ipsilateral. PA 128x80 mmHg, FC 96 bpm, T 36,7°C. Não há febre nem disúria. O Doppler não está prontamente disponível na unidade. Qual a conduta correta?
O quadro é torção testicular clássica (dor súbita, testículo horizontalizado/elevado, cremastérico abolido) em janela de salvamento — a viabilidade cai drasticamente após 6 horas, portanto a exploração cirúrgica imediata com detorção e orquipexia bilateral não deve ser adiada por imagem quando o quadro clínico é típico e o Doppler não está disponível. Tratar como epididimite atrasa o resgate do testículo. Aguardar Doppler quando ele não está disponível prontamente desperdiça a janela isquêmica. Conduta conservadora ambulatorial é inadequada para emergência cirúrgica. Punção do testículo não tem papel e agrava a lesão.
Homem de 30 anos procura a UPA com dor escrotal intensa de início súbito há 3 horas, associada a náuseas. Ao exame, o testículo direito está elevado, horizontalizado e muito doloroso à palpação, com reflexo cremastérico ausente. Qual o diagnóstico mais provável?
Dor escrotal súbita e intensa em jovem, com testículo elevado e horizontalizado, ausência do reflexo cremastérico e náuseas, é o quadro clássico de torção testicular, emergência urológica (janela de ~6 horas para salvamento). A orquiepididimite tem início mais gradual, febre, sintomas urinários e alívio da dor à elevação do testículo (Prehn positivo), com cremastérico geralmente presente. A hérnia encarcerada apresenta abaulamento inguinoescrotal e sintomas obstrutivos. A varicocele é indolor, com sensação de 'saco de vermes' e sem instalação aguda.
Homem de 24 anos chega à UPA com dor escrotal intensa à esquerda, de início súbito há 3 horas, associada a náuseas. Ao exame, testículo esquerdo elevado, horizontalizado, muito doloroso à palpação, com ausência do reflexo cremastérico. Não há febre nem disúria. Qual a conduta imediata?
O quadro é clássico de torção testicular: dor súbita e intensa, testículo elevado/horizontalizado e reflexo cremastérico abolido em adulto jovem. É emergência cirúrgica tempo-dependente — a viabilidade gonadal cai drasticamente após 6 horas de isquemia. A conduta é exploração cirúrgica imediata (com detorção e orquidopexia bilateral), sem atrasar por exames. Antibiótico/AINE seria conduta de epididimite (que cursa com reflexo cremastérico presente, sinal de Prehn positivo, disúria/febre). Solicitar urina/urocultura ou liberar para casa retardam a intervenção e comprometem o testículo.
Adolescente de 15 anos é levado à UPA com dor escrotal esquerda de início súbito há 3 horas, intensa, associada a náuseas. Ao exame, testículo esquerdo elevado, horizontalizado, muito doloroso, com ausência de reflexo cremastérico ipsilateral. Qual é a conduta prioritária?
Dor escrotal súbita e intensa em adolescente, com testículo elevado/horizontalizado e ausência de reflexo cremastérico, é torção do cordão espermático — emergência urológica em que a viabilidade gonadal depende do tempo (janela de poucas horas). A conduta é exploração cirúrgica de urgência (a imagem não deve atrasar a cirurgia quando a suspeita é alta). AINE e reavaliação tardia perdem a janela de salvamento. Antibiótico trata epididimite, que tem início mais insidioso, febre e reflexo cremastérico preservado. Compressa quente e alta são inadequadas e perigosas.
Homem de 24 anos é levado ao pronto-atendimento com dor escrotal esquerda de início súbito há 3 horas, intensa, com náuseas. Ao exame, testículo esquerdo elevado, horizontalizado, muito doloroso, com reflexo cremastérico ausente. Sem febre nem sintomas urinários. Qual a conduta imediata mais adequada?
O quadro é típico de torção testicular: dor súbita, testículo elevado/horizontalizado e reflexo cremastérico ausente. É emergência cirúrgica com janela de viabilidade de cerca de 6 horas — a exploração/detorção com orquipexia não deve ser postergada por exames. O Doppler pode ajudar se disponível de imediato e não atrasar, mas a suspeita clínica forte já indica cirurgia. Tratar como epididimite (antibiótico e observação) levaria à perda do testículo. As demais condutas retardam a intervenção.
Homem de 45 anos procura a UPA com dor escrotal esquerda de instalação gradual há 3 dias, edema e calor local, febre baixa e disúria. Ao exame, epidídimo esquerdo espessado e doloroso; a elevação do testículo alivia a dor. Reflexo cremastérico presente. Urina I com piúria. Qual a conduta terapêutica mais adequada?
O quadro é de epididimite: dor gradual, epidídimo espessado, sinal de Prehn positivo (alívio à elevação), cremastérico presente e piúria — distinto da torção (dor súbita, cremastérico ausente, Prehn negativo). O tratamento é clínico com antibiótico (dirigido à faixa etária/agente provável), AINE, repouso e suporte escrotal. Não há indicação de cirurgia de urgência nem de orquiectomia. Alta com apenas analgésico não trata a infecção subjacente.
Um adolescente de 15 anos é trazido ao pronto-socorro com dor escrotal esquerda de início súbito há 3 horas, muito intensa, associada a náuseas e um episódio de vômito. Nega febre, disúria ou corrimento uretral. Ao exame: testículo esquerdo elevado (posição horizontalizada), muito doloroso à palpação, com edema e hiperemia da bolsa escrotal; o reflexo cremastérico está ausente à esquerda e a elevação do testículo não alivia a dor (sinal de Prehn negativo). O testículo contralateral é normal. Diante da forte suspeita clínica, qual é a conduta mais apropriada?
O quadro é típico de torção testicular: dor súbita e intensa, testículo elevado e horizontalizado, ausência do reflexo cremastérico e sinal de Prehn negativo, em adolescente. É uma emergência urológica — a viabilidade testicular depende do tempo (janela de ~6 horas), portanto a exploração cirúrgica de urgência (com detorção e orquidopexia) está indicada mesmo antes de exames complementares diante de forte suspeita clínica. Antibiótico/analgesia isolados são condutas para orquiepididimite (Prehn positivo, febre, disúria). Aguardar Doppler eletivo retarda a cirurgia e compromete o testículo.
Adolescente de 15 anos é levado ao pronto-socorro pela mãe com dor testicular esquerda de início súbito há 3 horas, muito intensa, acompanhada de náuseas e um episódio de vômito. Nega trauma, disúria ou febre. Ao exame, encontra-se com fácies de dor; a bolsa escrotal esquerda apresenta-se edemaciada e hiperemiada, o testículo esquerdo está elevado (alto) e horizontalizado, extremamente doloroso à palpação, com ausência de reflexo cremastérico ipsilateral. A elevação do testículo não alivia a dor. Urina tipo 1 sem alterações. Considerando a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta imediata, respectivamente, assinale a alternativa correta.
Dor testicular súbita e intensa em adolescente, com testículo elevado e horizontalizado, ausência de reflexo cremastérico e sinal de Prehn negativo (elevação não alivia) é o quadro clássico de torção do cordão espermático — emergência cirúrgica. A viabilidade gonadal cai drasticamente após 6 horas, por isso a conduta é exploração cirúrgica imediata (não se deve retardar aguardando Doppler se a suspeita é forte). Orquiepididimite costuma ter início mais gradual, febre/disúria, reflexo cremastérico presente e Prehn positivo (alívio à elevação). Torção de apêndice testicular dá dor mais localizada com 'ponto azul' e não justifica só expectância diante de dúvida. Hérnia encarcerada apresenta massa inguinoescrotal redutível/irredutível e sintomas obstrutivos, não este quadro.
Adolescente, 15 anos, é levado ao pronto-socorro com dor testicular esquerda de início súbito há 4 horas, acordando-o do sono, associada a náuseas e vômitos. Ao exame: testículo esquerdo elevado e horizontalizado, muito doloroso à palpação, com ausência do reflexo cremastérico ipsilateral; a elevação manual do testículo não alivia a dor. É realizado ultrassom com Doppler colorido, que evidencia redução do fluxo arterial intratesticular à esquerda. A equipe cirúrgica é acionada. Além da exploração cirúrgica com destorção, qual é a conduta INTRAOPERATÓRIA correta em relação ao testículo contralateral assintomático?
Correta: a torção testicular geralmente decorre de uma anomalia anatômica congênita e bilateral (deformidade em 'badalo de sino'), de modo que o testículo contralateral tem risco elevado de torção metácrona; a conduta padrão é a orquidopexia BILATERAL no mesmo tempo cirúrgico (fixar o afetado, se viável após destorção, e o contralateral). O quadro clínico (dor súbita, teste de Prehn negativo — elevação não alivia, ausência de reflexo cremastérico, testículo horizontalizado) e o Doppler com fluxo reduzido confirmam torção. Erra: postergar a fixação do contralateral o expõe à torção metácrona, que é justamente o que se quer prevenir. Erra: mesmo após destorção manual, a fixação cirúrgica é obrigatória para prevenir recorrência. Erra: orquiectomia profilática de um testículo viável e assintomático é injustificável e mutilante. Erra: a deformidade em badalo de sino é bilateral e presumida; não se biopsia testículo para decidir fixação, e a orquidopexia contralateral é indicada de rotina.
Homem, 32 anos, sexualmente ativo, procura o pronto-atendimento com dor e aumento de volume do testículo direito que se instalaram gradualmente ao longo de 3 dias, acompanhados de disúria e secreção uretral discreta. Refere febre de 38,2 °C. Ao exame: epidídimo direito espessado e doloroso, testículo em posição anatômica normal, reflexo cremastérico presente, e a elevação do testículo alivia a dor. O ultrassom com Doppler mostra fluxo sanguíneo aumentado no epidídimo e testículo à direita. Considerando o diagnóstico mais provável e a faixa etária/perfil do paciente, qual é a conduta antibiótica empírica mais adequada?
Correta: o quadro (início gradual, dor que alivia com elevação — Prehn positivo, epidídimo espessado, cremastérico presente, Doppler com hiperfluxo, disúria/secreção uretral) é típico de epididimite aguda. Em homem jovem sexualmente ativo (<35 anos), a etiologia predominante é sexualmente transmissível (Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis), e o tratamento empírico recomendado cobre ambos: ceftriaxona IM em dose única (gonococo) + doxiciclina 100 mg 12/12h por 10 dias (clamídia). Erra: fluoroquinolona isolada cobre enterobactérias/organismos entéricos (padrão de homens mais velhos ou prática anal insertiva), não é primeira linha para etiologia sexual e não cobre bem o gonococo. O SMX-TMP e a nitrofurantoína erram: têm cobertura inadequada para gonococo/clamídia e esquema/duração insuficientes para epididimite. Erra: epididimite bacteriana exige antibiótico; medidas de suporte são adjuvantes, não substituem o tratamento.
Menino, 13 anos, é trazido pela mãe ao pronto-socorro com dor intensa e súbita no testículo esquerdo há cerca de 2 horas, iniciada durante atividade física, acompanhada de um episódio de vômito. Ao exame físico, o testículo esquerdo encontra-se elevado, endurecido e extremamente doloroso, com ausência do reflexo cremastérico do lado afetado. A suspeita clínica de torção testicular é imediata. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Correta: diante de quadro clínico altamente sugestivo de torção testicular (dor súbita e intensa, vômito, testículo elevado e endurecido, ausência do reflexo cremastérico) em criança/adolescente, o diagnóstico é clínico e a exploração cirúrgica de urgência não deve ser postergada — a viabilidade testicular cai drasticamente após ~6 horas de isquemia. Erra: aguardar cintilografia (exame demorado e pouco disponível) atrasa a cirurgia e compromete o salvamento do testículo; quando a suspeita é clara, não se espera imagem. Erra: torção não responde a antibiótico/anti-inflamatório e o atraso leva à perda do órgão. Erra: compressa quente e liberação são inaceitáveis frente a uma emergência cirúrgica com janela isquêmica curta. Erra: investigar infecção urinária desvia o raciocínio para epididimite e retarda a conduta salvadora; a prioridade é a exploração cirúrgica.
Adolescente de 16 anos é levado ao ambulatório com queixa de dor escrotal súbita e intensa iniciada há 3 horas, acompanhada de náuseas. Ao exame, o testículo esquerdo encontra-se elevado (horizontalizado), muito doloroso à palpação, e o reflexo cremastérico está ausente à esquerda. Não há febre. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Correta: Dor escrotal súbita e intensa em adolescente, com testículo elevado/horizontalizado, náuseas e ausência do reflexo cremastérico é o quadro clássico de torção testicular — emergência urológica com janela de ~6 horas para salvamento da gônada. Tumor tipicamente cursa com massa indolor de instalação insidiosa, não dor súbita. Orquiepididimite costuma ter início gradual, febre, disúria e melhora da dor com elevação do testículo (Prehn positivo), com reflexo cremastérico usualmente presente. Hidrocele é indolor e transilumina. Varicocele dá sensação de peso/"saco de vermes", é indolor ou leve, sem quadro agudo. O comando pede a hipótese mais provável, sem pegadinha: o conjunto de sinais aponta diretamente para torção.
Menino de 14 anos é levado ao pronto-socorro com dor escrotal esquerda de início súbito há 4 horas, acompanhada de náuseas e um episódio de vômito. Ao exame: testículo esquerdo elevado, horizontalizado e muito doloroso, reflexo cremastérico ausente e sinal de Prehn negativo. Diante de alta suspeição de torção testicular (escore TWIST elevado), o paciente é encaminhado diretamente à exploração cirúrgica de urgência, sem aguardar exames de imagem. No intraoperatório, após a destorção, o testículo recupera coloração e sangramento adequados, mostrando-se viável. Qual é a conduta cirúrgica complementar mais adequada?
Correta: na torção testicular a anomalia anatômica predisponente (deformidade em badalo de sino / túnica vaginal de inserção alta) é tipicamente BILATERAL. Por isso, após a destorção de um testículo viável, faz-se orquidopexia do testículo afetado E fixação profilática do contralateral no mesmo tempo cirúrgico, prevenindo torção futura do lado sadio. Erra por deixar o contralateral desprotegido, expondo-o a torção subsequente. Errada: o testículo estava viável (recuperou perfusão) — não há indicação de orquiectomia; prótese só entra quando há necrose/perda testicular. Erra ao não fixar o testículo que acabou de torcer, que pode re-torcer. Erra porque não fixar significa deixar a anatomia predisponente intacta, com alto risco de recidiva.
Homem de 25 anos, sexualmente ativo, procura atendimento com dor escrotal direita de instalação gradual há 3 dias, associada a disúria e secreção uretral. Refere febre aferida de 38,2 °C. Ao exame: epidídimo direito espessado e doloroso, escroto edemaciado e hiperemiado, alívio da dor com a elevação testicular (sinal de Prehn positivo), reflexo cremastérico preservado. USG com Doppler mostra fluxo sanguíneo AUMENTADO no epidídimo e testículo. Qual é a conduta terapêutica mais adequada?
Correta: o quadro é de epididimite aguda de provável etiologia sexualmente transmissível (homem <35 anos, sexualmente ativo, disúria e secreção uretral — Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae). O tratamento empírico recomendado cobre ambos os agentes: ceftriaxona IM (gonococo) + doxiciclina por 10 dias (clamídia). O fluxo aumentado ao Doppler e o Prehn positivo afastam torção. A exploração cirúrgica é o tratamento da torção testicular, diagnóstico afastado pelo quadro subagudo, Prehn positivo, cremastérico preservado e hiperfluxo ao Doppler. Levofloxacino em monoterapia é a escolha quando se suspeita de organismos entéricos (homens que praticam sexo anal insertivo ou >35 anos), não cobrindo adequadamente o cenário de IST deste paciente jovem. Erra ao omitir antibiótico numa epididimite infecciosa. O esquema em dose única é inadequado — dose única não trata epididimite, que exige curso de 10 dias.
Adolescente de 13 anos é trazido pela mãe com dor escrotal esquerda intensa de início súbito há 2 horas, que o despertou do sono, acompanhada de um episódio de vômito. Ao exame físico: testículo esquerdo elevado e horizontalizado, extremamente doloroso à palpação, reflexo cremastérico ausente e ausência de alívio da dor à elevação do testículo (sinal de Prehn negativo). Qual é a conduta imediata mais adequada?
Correta: o quadro é clássico de torção testicular — dor súbita e intensa em adolescente, testículo alto e horizontalizado, reflexo cremastérico ausente e Prehn negativo. É emergência cirúrgica: a viabilidade testicular depende do tempo de isquemia (salvamento próximo de 90–100% se abordado em até 6 horas, caindo drasticamente após). Diante de alta suspeição clínica, indica-se exploração cirúrgica imediata, sem atrasar por exames. Erra: gravemente: postergar imagem e reavaliação por 24h condena o testículo à necrose. A antibioticoterapia com suspensório trata epididimite, diagnóstico incompatível com o quadro hiperagudo e o Prehn negativo. Observar, dar alta ou aguardar exame adiam a única conduta que salva o testículo, sendo inaceitáveis diante da suspeita de torção.
Adolescente, 14 anos, é levado ao pronto-socorro com dor escrotal esquerda de início súbito há 3 horas, intensa, acompanhada de náuseas e um episódio de vômito. Nega disúria, febre ou corrimento uretral. Ao exame físico: testículo esquerdo elevado, com orientação horizontalizada e muito doloroso à palpação; reflexo cremastérico ausente à esquerda; a elevação manual do testículo não alivia a dor (sinal de Prehn negativo). PA 118/72 mmHg, FC 98 bpm, T 36,5 °C. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: a tríade de dor escrotal SÚBITA e intensa com náuseas/vômitos, testículo elevado e horizontalizado, reflexo cremastérico ABSENTE e sinal de Prehn negativo é o quadro clássico de torção testicular no adolescente — emergência cirúrgica (janela de salvamento). Epididimite: tem instalação gradual, febre, disúria, Prehn positivo (alívio à elevação) e cremastérico presente — ausentes aqui. Orquite por caxumba: cursa com parotidite, febre e acometimento testicular difuso, não súbito com testículo horizontalizado. Torção de apêndice testicular: dor mais localizada no polo superior com o clássico 'blue dot sign', menos intensa e sem vômitos, com cremastérico geralmente preservado. Hérnia encarcerada: massa inguinoescrotal palpável, sinais obstrutivos e ausência de horizontalização testicular.
Homem, 24 anos, sexualmente ativo com nova parceira, procura o pronto-atendimento por dor escrotal direita de instalação gradual há 2 dias, associada a disúria e discreto corrimento uretral. Refere febre aferida de 38,2 °C. Ao exame: hemiescroto direito edemaciado e hiperemiado, epidídimo espessado e doloroso à palpação; a elevação do testículo alivia a dor (Prehn positivo) e o reflexo cremastérico está presente. Ultrassonografia com Doppler: fluxo sanguíneo aumentado no epidídimo direito, sem sinais de torção. Qual é a conduta terapêutica empírica mais adequada?
Correta: o quadro é de epididimite aguda (Prehn positivo, cremastérico presente, Doppler com fluxo aumentado, febre e sintomas uretrais). Em homem jovem (<35 anos) sexualmente ativo, a etiologia mais provável é sexualmente transmissível (N. gonorrhoeae e C. trachomatis), exigindo cobertura dupla: ceftriaxona (gonococo) + doxiciclina (clamídia). Ciprofloxacino/fluoroquinolona em monoterapia: regime voltado para enterobactérias, indicado em >35 anos ou prática de sexo anal insertivo, não cobre adequadamente o gonococo/clamídia neste perfil. Exploração cirúrgica: reservada à torção testicular, afastada pelo Doppler e pelo exame; a cirurgia seria deletéria em epididimite. Amoxicilina e sulfametoxazol-trimetoprim: não cobrem os patógenos-alvo da epididimite sexualmente transmissível e têm resistência elevada.
Adolescente de 15 anos, com torção testicular esquerda confirmada e cerca de 5 horas de evolução, é levado imediatamente à exploração escrotal cirúrgica. No intraoperatório observa-se torção do cordão espermático esquerdo; realizada a distorção, o testículo recupera coloração e apresenta sinais de viabilidade. Nota-se ainda que o testículo não possui fixação posterior adequada à túnica vaginal, configurando a deformidade em 'badalo de sino' (bell-clapper). Além da orquidopexia do testículo esquerdo, qual conduta adicional é mandatória neste procedimento?
Correta: a deformidade em 'badalo de sino' (ausência de fixação posterior do testículo à túnica vaginal) é o substrato anatômico da torção e é, na grande maioria dos casos, BILATERAL. Por isso, a orquidopexia contralateral (fixação do testículo direito) no mesmo tempo cirúrgico é mandatória para prevenir torção futura do testículo remanescente. Orquiectomia: indicada apenas quando o testículo é inviável/necrótico após a distorção — aqui recuperou viabilidade, devendo ser preservado; não há relação causal direta com malignização que justifique retirada profilática. Biópsia bilateral: não faz parte do manejo e agride tecido viável. Antibiótico prolongado: torção é evento isquêmico, não infeccioso; não há indicação de antibioticoprofilaxia estendida. Apenas seguimento: deixaria o testículo contralateral desprotegido, com risco significativo de torção metácrona.
Adolescente de 14 anos é levado ao pronto-socorro com dor testicular esquerda de início súbito há 2 horas, intensa, acompanhada de náuseas e um episódio de vômito. Nega febre, disúria ou corrimento uretral. Ao exame: testículo esquerdo elevado, horizontalizado e extremamente doloroso à palpação; reflexo cremastérico ausente à esquerda; elevação do escroto não alivia a dor. Sinais vitais: PA 118x70 mmHg, FC 96 bpm, T 36,7 °C. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: o quadro é o clássico da torção testicular: adolescente com dor escrotal de início SÚBITO e intenso, náuseas/vômitos, testículo alto e horizontalizado, reflexo cremastérico AUSENTE e sinal de Prehn negativo (elevação não alivia). É emergência cirúrgica (janela de ~6h para viabilidade) — exploração imediata, sem esperar imagem quando o quadro é típico. Epididimite tem início mais insidioso, com febre, disúria/corrimento e alívio à elevação do escroto (Prehn positivo) e cremastérico preservado — ausentes aqui. Orquite por parotidite acompanha parotidite/febre e é rara em vacinados; não explica o início hiperagudo com testículo horizontalizado. Torção de apêndice testicular dá dor localizada no polo superior ('blue dot'), com eixo testicular normal e cremastérico presente — quadro menos dramático. Hérnia encarcerada cursa com massa inguinoescrotal irredutível e sintomas obstrutivos, não o testículo alto e isoladamente doloroso descrito.
Um adolescente de 14 anos é levado pela mãe à Unidade de Pronto Atendimento com dor intensa e súbita no testículo esquerdo, iniciada há cerca de 3 horas enquanto dormia. Refere náuseas e um episódio de vômito. Nega febre, disúria ou corrimento uretral. Ao exame, apresenta-se agitado pela dor; o testículo esquerdo encontra-se elevado, horizontalizado e muito doloroso à palpação, com ausência do reflexo cremastérico ipsilateral. O testículo direito é normal. Considerando o quadro clínico descrito, qual é o diagnóstico mais provável?
Dor testicular súbita e intensa em adolescente, com testículo elevado/horizontalizado, náuseas/vômitos e reflexo cremastérico ausente é o quadro clássico de torção testicular, uma emergência cirúrgica. A epididimite cursa com início mais gradual, febre e sintomas urinários, e o reflexo cremastérico costuma estar preservado. A orquite por caxumba geralmente segue parotidite e é menos abrupta. A hidrocele não causa dor aguda intensa nem abolição do reflexo cremastérico.
Um homem de 32 anos procura a Unidade Básica de Saúde com dor e aumento progressivo do escroto direito há 2 dias, associados a febre de 38,2 °C, disúria e aumento da frequência urinária. Relata vida sexual ativa com parceria eventual sem uso de preservativo. Ao exame, o epidídimo direito está espessado e doloroso, e a dor melhora parcialmente com a elevação do testículo (sinal de Prehn positivo). O reflexo cremastérico está presente. Considerando a faixa etária e o contexto epidemiológico, qual é a conduta mais adequada quanto ao tratamento antimicrobiano empírico?
Em homem jovem sexualmente ativo, a epididimite aguda é predominantemente de transmissão sexual, causada por N. gonorrhoeae e C. trachomatis; o tratamento empírico recomendado pelo Ministério da Saúde é ceftriaxona IM + doxiciclina VO. Ciprofloxacino isolado cobre enterobactérias e é reservado a homens acima de ~35 anos ou com prática anal insertiva (agentes entéricos). Fluconazol não tem papel na epididimite bacteriana. A abstenção de antibiótico é inadequada por se tratar de infecção bacteriana com risco de complicações.
Um menino de 12 anos chega ao pronto-socorro com dor escrotal à direita iniciada há 5 horas, náuseas e recusa a deambular. Ao exame, o testículo direito está elevado, endurecido e extremamente doloroso, com reflexo cremastérico abolido. O médico plantonista suspeita fortemente de torção testicular. Não há ultrassonografia com Doppler disponível no momento e o cirurgião está a caminho. Considerando o tempo de isquemia e a janela de viabilidade gonadal, qual é a conduta mais adequada neste momento?
A torção testicular é diagnóstico clínico e emergência cirúrgica; com quadro típico e alta suspeição, a exploração cirúrgica imediata NÃO deve ser postergada por exame de imagem, pois a viabilidade gonadal cai drasticamente após 6 horas de isquemia. Aguardar a US com Doppler consome tempo precioso quando a clínica já é típica. Antibiótico com observação trataria epididimite, retardando a distorção. Conduta ambulatorial com AINE é inadequada e leva à perda testicular.
Adolescente de 14 anos é levado pela mãe à unidade de pronto atendimento com dor intensa em bolsa escrotal à esquerda, de início súbito há 4 horas, enquanto dormia. Refere dois episódios semelhantes nos últimos meses, ambos com resolução espontânea em minutos. Nega disúria, corrimento uretral, febre ou trauma. Apresentou dois episódios de vômito. Ao exame: bom estado geral, afebril, abdome flácido e indolor; hemiescroto esquerdo com edema e hiperemia, testículo esquerdo doloroso à palpação, elevado e horizontalizado em relação ao contralateral, com reflexo cremastérico ausente à esquerda e presente à direita. A elevação manual do testículo não alivia a dor. O serviço dispõe de ultrassonografia com Doppler, porém o aparelho está em manutenção, com previsão de retorno em 6 horas.
O quadro é típico de torção do cordão espermático: dor súbita, início noturno, vômitos, episódios prévios autolimitados (torção intermitente), testículo elevado e horizontalizado, reflexo cremastérico ausente e sinal de Prehn negativo. Torção é diagnóstico clínico e emergência cirúrgica: a janela de salvamento gonadal é de até ~6 horas, e a exploração escrotal com distorção e orquidopexia bilateral não deve ser retardada. A distorção manual é medida temporária aceitável enquanto se prepara a cirurgia. Errada porque exame de imagem indisponível ou demorado jamais deve postergar a exploração diante de alta suspeição clínica — Doppler negativo não exclui torção. A conduta de orquiepididimite é incompatível com ausência de febre/disúria, Prehn negativo e cremastérico abolido. Incorreta: na torção de apêndice testicular a dor é mais insidiosa, o cremastérico está preservado e pode haver o sinal do ponto azul, sem horizontalização testicular.
Menino de 13 anos chega ao pronto-socorro de um hospital geral do SUS acompanhado do pai, com dor de forte intensidade em testículo direito iniciada há 2 horas, de forma abrupta, durante partida de futebol, sem trauma referido. Está com náuseas. Ao exame físico: afebril, hemiescroto direito hiperemiado e edemaciado, testículo direito muito doloroso à palpação, retraído em direção ao canal inguinal, com reflexo cremastérico abolido do mesmo lado. Não há corrimento uretral, disúria ou secreção. O exame de urina tipo 1 é normal.
Dor escrotal de início súbito em adolescente, com náuseas, testículo elevado/retraído, doloroso e reflexo cremastérico ausente, sem febre e com urina normal, é o quadro clássico de torção do cordão espermático — a causa mais importante de escroto agudo nessa faixa etária, com pico na adolescência. A epididimite é improvável: tem instalação gradual, cursa frequentemente com febre, sintomas urinários e/ou piúria, e mantém o reflexo cremastérico. Incorreta: na hérnia encarcerada palpa-se massa que se estende pelo canal inguinal, com sinais obstrutivos intestinais, e o testículo em si costuma ser normal. Incorreta: a orquite por caxumba surge dias após parotidite, com febre e evolução mais lenta, sem abolição do cremastérico.
Homem de 26 anos procura a unidade básica de saúde queixando-se de dor em bolsa escrotal esquerda, de início gradual há 3 dias, com piora progressiva. Relata disúria e discreta secreção uretral clara há uma semana, além de febre não aferida. É sexualmente ativo com múltiplas parceiras e refere uso irregular de preservativo. Ao exame: temperatura axilar de 38 °C; hemiescroto esquerdo edemaciado e hiperemiado; à palpação, dor localizada predominantemente na região póstero-superior do testículo, que se apresenta em situação anatômica normal, com reflexo cremastérico preservado e alívio da dor à elevação escrotal. Urina tipo 1 com leucocitúria e ausência de nitrito.
Sinal de Prehn positivo (alívio à elevação), dor póstero-superior (epidídimo), cremastérico preservado, início gradual, febre e leucocitúria configuram epididimite aguda. Em homem sexualmente ativo com menos de 35 anos, uretrite e secreção, os agentes esperados são Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae — o Ministério da Saúde recomenda cobertura dupla com ceftriaxona intramuscular associada a doxiciclina, além de manejo das parcerias e oferta de testagem para HIV, sífilis e hepatites. O ciprofloxacino seria a escolha em homens acima de 35 anos, com anormalidade urológica ou prática de sexo anal insertivo, quando predominam enterobactérias — não é o perfil aqui, e ignorar as parcerias perpetua a cadeia de transmissão. Incorreta: a torção tem início súbito, Prehn negativo, cremastérico abolido e não cursa com uretrite. Incorreta: a orquite viral acomete o testículo difusamente e segue quadro de parotidite.
Um adolescente de 14 anos é levado pela mãe à UPA de um município do interior, com dor intensa em bolsa escrotal direita iniciada de forma súbita há cerca de 3 horas, durante o sono, associada a dois episódios de vômito. Nega disúria, corrimento uretral, febre ou trauma. Sem antecedentes patológicos e com calendário vacinal completo. Ao exame: taquicárdico, afebril, hemiescroto direito hiperemiado e edemaciado, testículo direito doloroso, elevado e com orientação horizontalizada, reflexo cremastérico ausente à direita e elevação do testículo não alivia a dor. A unidade não dispõe de ultrassonografia com Doppler no momento, e o hospital de referência com serviço de urologia fica a 40 minutos. Qual é a conduta mais adequada?
O quadro é típico de torção testicular: dor súbita e intensa, náuseas/vômitos, testículo elevado e horizontalizado, reflexo cremastérico ausente e sinal de Prehn negativo. A torção é diagnóstico eminentemente clínico e emergência cirúrgica dependente de tempo — a taxa de salvamento gonadal cai drasticamente após 6 horas de isquemia —, de modo que a conduta correta é o encaminhamento imediato para exploração cirúrgica com orquidopexia bilateral, sem retardo por exames. A alternativa do ciprofloxacino trata epididimite, hipótese afastada pela ausência de disúria/febre, pelo início súbito e pelo Prehn negativo, e o atraso custaria o testículo. Aguardar o Doppler é errado porque o exame não está disponível e a suspeita clínica alta já indica cirurgia — o Doppler só é útil quando não retarda a conduta e o quadro é duvidoso. A distorção manual é apenas medida temporizadora até a cirurgia, jamais tratamento definitivo, pois não corrige a anomalia em badalo de sino nem previne a retorção; dar alta após a manobra é inadequado.
Um homem de 32 anos procura a unidade básica de saúde queixando-se de dor progressiva na bolsa escrotal esquerda há 4 dias, que se iniciou de forma insidiosa e foi piorando. Refere ardência ao urinar e saída de secreção uretral amarelada há cerca de uma semana. Relata febre aferida de 38 °C em casa e informa ter tido nova parceria sexual há um mês, sem uso de preservativo. Ao exame físico: temperatura axilar de 37,9 °C, hemiescroto esquerdo hiperemiado, epidídimo esquerdo espessado e muito doloroso à palpação, testículo em posição normal, reflexo cremastérico presente e alívio da dor com a elevação do escroto. Qual é, respectivamente, o diagnóstico e a conduta?
O caso reúne os achados clássicos de epididimite aguda: início insidioso e progressivo, febre, sintomas uretrais (disúria e corrimento), epidídimo espessado e doloroso com testículo em posição normal, reflexo cremastérico preservado e sinal de Prehn positivo (alívio à elevação do escroto). Em homem sexualmente ativo com menos de 35 anos e corrimento uretral, a etiologia presumida é Chlamydia trachomatis e/ou Neisseria gonorrhoeae, e o PCDT de IST do Ministério da Saúde recomenda ceftriaxona 500 mg IM em dose única associada a doxiciclina 100 mg VO 12/12 h por 10 dias, com tratamento das parcerias sexuais e oferta de testagem para HIV, sífilis e hepatites. A torção testicular é afastada pelo início insidioso, pelo Prehn positivo, pelo reflexo cremastérico presente e pela posição normal do testículo. A caxumba cursa com orquite, tipicamente após parotidite, e não explica o corrimento uretral. A torção de apêndice testicular ocorre sobretudo em pré-púberes, com dor localizada no polo superior e sinal do ponto azul, sem febre ou corrimento.
Adolescente de 14 anos é levado à Unidade de Pronto Atendimento com dor escrotal esquerda de início súbito há 3 horas, acompanhada de náuseas e um episódio de vômito. Nega disúria, corrimento uretral ou febre. Ao exame: PA 110x70 mmHg, FC 96 bpm, temperatura axilar 36,7 °C; testículo esquerdo elevado, horizontalizado e muito doloroso à palpação, reflexo cremastérico ausente à esquerda e elevação do escroto não alivia a dor. A unidade não dispõe de ultrassonografia com Doppler, disponível apenas no hospital de referência. Qual é a conduta adequada?
O quadro é típico de torção testicular (dor súbita, náuseas, testículo alto e horizontalizado, cremastérico abolido, sinal de Prehn negativo), e o diagnóstico é clínico. A viabilidade gonadal cai rapidamente após 6 horas de isquemia, de modo que a exploração cirúrgica de urgência (com detorção e orquidopexia bilateral) não deve ser postergada — o encaminhamento imediato ao nível de maior complexidade é a conduta correta. A opção de aguardar o Doppler é inadequada: o exame é complementar e nunca deve retardar a cirurgia quando a suspeita clínica é alta (exame negativo não exclui torção). Anti-inflamatório com reavaliação em 24 horas condena o testículo à necrose. O esquema ceftriaxona + doxiciclina trata epididimite por IST, hipótese afastada aqui pela ausência de disúria/corrimento, pelo início súbito e pelo cremastérico ausente.
Adolescente de 15 anos comparece ao pronto-atendimento acompanhado da mãe, relatando que acordou há 2 horas com dor intensa e súbita no testículo direito, associada a náuseas. Nega trauma, disúria, corrimento uretral, febre ou relação sexual prévia. Ao exame físico: temperatura axilar 36,5 °C; hemiescroto direito hiperemiado e edemaciado, testículo direito elevado e com orientação horizontal, extremamente doloroso à palpação, com reflexo cremastérico ausente do lado acometido. Qual é o diagnóstico mais provável?
A tríade dor escrotal de início súbito com náuseas, testículo alto e horizontalizado e reflexo cremastérico ausente caracteriza a torção do cordão espermático, emergência cirúrgica do adolescente. A orquite por caxumba cursa com parotidite prévia, febre e instalação mais gradual, com testículo em posição normal. A epididimite por clamídia ocorre em jovens sexualmente ativos, tem início insidioso, associa-se a disúria/corrimento e mantém o reflexo cremastérico presente. A torção de apêndice testicular provoca dor mais localizada no polo superior do testículo, com o clássico 'ponto azul', cremastérico preservado e ausência de sintomas sistêmicos.
Homem de 26 anos procura a Unidade Básica de Saúde com dor escrotal esquerda de instalação progressiva há 4 dias, associada a disúria e corrimento uretral. Refere múltiplas parcerias sexuais e uso inconsistente de preservativo. Ao exame: temperatura axilar 38 °C; epidídimo esquerdo espessado, endurecido e doloroso, testículo em posição normal, reflexo cremastérico presente e alívio da dor com a elevação do escroto. Qual é a conduta terapêutica adequada neste caso?
Trata-se de epididimite aguda em homem jovem sexualmente ativo (início insidioso, disúria e corrimento, epidídimo doloroso, testículo em posição normal, cremastérico presente e sinal de Prehn positivo), cujos agentes prováveis são Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. O PCDT de IST do Ministério da Saúde recomenda ceftriaxona 500 mg IM em dose única associada a doxiciclina 100 mg VO 12/12h por 10 a 14 dias, com convocação e tratamento das parcerias, oferta de testagem para HIV/sífilis/hepatites e notificação. A monoterapia com ciprofloxacino não cobre adequadamente o gonococo (resistência crescente) nem a clamídia, sendo reservada, junto a outras quinolonas, ao contexto de enterobactérias em homens acima de 35 anos ou com uropatia. Sintomáticos isolados não tratam a infecção nem interrompem a cadeia de transmissão. A exploração cirúrgica está indicada na torção, afastada pelo quadro clínico descrito.
Adolescente de 14 anos é levado ao pronto-socorro pela mãe com dor intensa em bolsa escrotal esquerda, de início súbito há 3 horas, enquanto assistia televisão, acompanhada de dois episódios de vômito. Nega disúria, corrimento uretral, febre ou trauma. Ao exame: hemiescroto esquerdo edemaciado e hiperemiado, testículo esquerdo elevado e com orientação horizontalizada, extremamente doloroso à palpação, reflexo cremastérico ausente à esquerda e presente à direita. A elevação do escroto não alivia a dor. O ultrassom com Doppler do serviço está indisponível no momento, com previsão de retorno em 4 horas. Assinale a conduta adequada.
A tríade dor súbita intensa, testículo elevado/horizontalizado e reflexo cremastérico ausente (o sinal de maior valor preditivo), com Prehn negativo, configura torção do cordão espermático de alta probabilidade. Torção é diagnóstico clínico e emergência tempo-dependente: a viabilidade cai acentuadamente após 6 horas, e quando a suspeita é alta a exploração cirúrgica imediata está indicada sem exames de imagem — daí a correta ser a exploração com detorção e orquidopexia bilateral (o defeito anatômico em badalo de sino é geralmente bilateral). Aguardar o Doppler é errado porque o exame não deve retardar a cirurgia em suspeita clínica alta, além de ter falso-negativo em torções incompletas. Ceftriaxona com doxiciclina trata epididimite por Chlamydia/gonococo, incompatível com início súbito, ausência de sintomas urinários e cremastérico abolido. AINE e suspensório são medidas de torção de apêndice testicular ou epididimite, e o atraso condenaria a gônada.
Homem de 26 anos, sexualmente ativo com múltiplas parceiras e uso inconsistente de preservativo, procura a UPA com dor em bolsa escrotal direita de início gradual há 3 dias, progressivamente pior, associada a disúria e discreta secreção uretral. Refere febre de 38 °C na véspera. Ao exame: hemiescroto direito edemaciado e quente, com dor localizada à palpação da região póstero-superior do testículo, que se encontra em posição vertical habitual; reflexo cremastérico presente; a elevação do escroto alivia a dor. Ultrassonografia com Doppler mostra epidídimo aumentado com hiperfluxo e fluxo testicular preservado. Assinale o diagnóstico mais provável.
O quadro é típico de epididimite aguda: instalação insidiosa em dias, febre, sintomas uretrais em jovem sexualmente ativo (Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae são os agentes esperados abaixo dos 35 anos), dor localizada no epidídimo, sinal de Prehn positivo, reflexo cremastérico preservado e Doppler com hiperemia epididimária e fluxo testicular mantido. Torção do cordão cursa com dor súbita, testículo elevado e horizontalizado, cremastérico ausente e ausência de fluxo ao Doppler. Torção de apêndice testicular ocorre tipicamente em pré-púberes, com dor focal no polo superior e sinal do ponto azul, sem febre ou uretrite. Tumor germinativo se manifesta como massa testicular endurecida e habitualmente indolor, de evolução arrastada, sem febre nem hiperfluxo epididimário.
Menino de 9 anos é levado à emergência com dor em bolsa escrotal esquerda iniciada há cerca de 8 horas, de intensidade moderada, sem vômitos, febre, disúria ou trauma. Ao exame: discreto edema do hemiescroto esquerdo, testículo esquerdo em posição vertical normal, de consistência e volume preservados e indolor à palpação difusa; dor exquisita bem localizada em um nódulo endurecido no polo superior do testículo, onde se observa, através da pele, uma pequena área arroxeada. Reflexo cremastérico presente bilateralmente. Ultrassonografia com Doppler evidencia fluxo testicular simétrico e preservado. Assinale a conduta adequada.
Dor focal em nódulo do polo superior do testículo com o clássico sinal do ponto azul (blue dot), testículo em si indolor e de posição normal, cremastérico presente e Doppler com fluxo testicular preservado definem torção de apêndice testicular (hidátide de Morgagni), a causa mais comum de escroto agudo no pré-púbere. É condição autolimitada, com necrose e reabsorção do apêndice em poucos dias: o tratamento é conservador, com AINE, repouso e suspensório. A exploração de urgência com orquidopexia é a conduta da torção do cordão, afastada aqui pelo fluxo preservado e pelo exame físico. Ceftriaxona com doxiciclina trata epididimite por infecção sexualmente transmissível, incompatível com a idade e com a ausência de sintomas urinários ou uretrais. Antibiótico endovenoso com drenagem se aplicaria a abscesso escrotal, que cursaria com febre, flutuação e toxemia.
Um adolescente de 16 anos é levado ao pronto-socorro com dor intensa em bolsa escrotal esquerda iniciada há cerca de 22 horas, associada a náuseas e um episódio de vômito. Relata episódios prévios autolimitados de dor escrotal nos últimos meses. Ao exame: testículo esquerdo aumentado, endurecido, horizontalizado e elevado, com pele escrotal edemaciada e eritematosa; reflexo cremastérico ausente à esquerda e presente à direita; sinal de Prehn negativo. O USG com Doppler colorido evidencia ausência completa de fluxo arterial no testículo esquerdo. Encaminhado ao centro cirúrgico, a exploração revela testículo esquerdo francamente necrótico e inviável. Qual é a conduta cirúrgica mais adequada neste momento?
A torção resulta da deformidade em 'badalo de sino' (bell-clapper), tipicamente BILATERAL; por isso, diante de testículo necrótico, faz-se orquiectomia do lado inviável E orquidopexia profilática do testículo contralateral no mesmo ato, para prevenir torção metacrônica (é essa a conduta correta). Tentar preservar a gônada necrótica é inviável: não se recupera com distorção nem se fixa. A orquiectomia isolada erra ao não fixar o contralateral, que permanece em risco. Fechar sem fixação contralateral adia indevidamente a fixação profilática, deixando o testículo remanescente vulnerável.
Um homem de 24 anos, sexualmente ativo com múltiplas parceiras e sem uso regular de preservativo, procura a UPA com dor escrotal direita de início gradual há 3 dias, agora acompanhada de disúria e discreto corrimento uretral. Ao exame: temperatura axilar 37,9°C; epidídimo direito espessado e doloroso à palpação, com melhora da dor ao elevar o testículo; reflexo cremastérico presente bilateralmente; testículo em posição e eixo normais. O USG com Doppler mostra aumento do fluxo sanguíneo no epidídimo direito. Considerando a etiologia mais provável para a faixa etária e o perfil de risco, qual é a conduta terapêutica inicial mais adequada?
O quadro é de epididimite (dor gradual, Prehn positivo/melhora à elevação, cremastérico presente, fluxo aumentado ao Doppler) — descartando torção. Em homem jovem sexualmente ativo, os agentes prováveis são Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, cujo tratamento empírico é ceftriaxona IM + doxiciclina (é essa a conduta correta). Fluoroquinolona ou SMX-TMP em monoterapia cobrem enterobactérias, apropriadas em homens mais velhos/uropatia, não a etiologia sexualmente transmissível deste caso. A exploração cirúrgica trata torção, já excluída pelo quadro.
Um menino de 13 anos é trazido ao pronto-socorro pela mãe com dor escrotal esquerda de início súbito há 2 horas, de forte intensidade, associada a náuseas. Não há febre nem sintomas urinários. Ao exame físico: testículo esquerdo elevado, horizontalizado e muito doloroso à palpação, com reflexo cremastérico ausente do lado acometido. Qual é o diagnóstico mais provável?
Dor súbita e intensa, náuseas, testículo elevado/horizontalizado e reflexo cremastérico ausente em adolescente formam a tríade clássica de torção do cordão espermático — emergência cirúrgica. A epididimite aguda bacteriana tem início gradual, febre/sintomas urinários e cremastérico preservado. A orquite viral por caxumba cursa com parotidite e é rara antes da puberdade. E a torção de apêndice testicular dá dor mais localizada no polo superior, com 'blue dot sign' e cremastérico habitualmente presente.
Adolescente de 13 anos é levado ao pronto-socorro pela mãe com dor intensa em bolsa escrotal à esquerda, de início súbito há cerca de 5 horas, ao acordar, associada a dois episódios de vômito. Nega disúria, corrimento uretral, febre ou trauma. Refere episódios prévios semelhantes, de menor intensidade e resolução espontânea. Ao exame: fácies de dor, afebril, escroto esquerdo edemaciado e hiperemiado, testículo esquerdo elevado e horizontalizado, extremamente doloroso à palpação, reflexo cremastérico ausente à esquerda e presente à direita; a elevação do testículo não alivia a dor. Ultrassonografia com Doppler realizada na urgência descreve fluxo arterial intratesticular esquerdo presente, porém reduzido em relação ao contralateral. Assinale a conduta adequada.
Correta: quadro clássico de torção do cordão espermático (dor súbita, vômitos, testículo alto e horizontalizado, cremastérico abolido, Prehn negativo) com história prévia de torção intermitente. Fluxo presente ao Doppler NÃO exclui torção — pode haver torção incompleta, distorção espontânea parcial ou fluxo capsular preservado; a suspeita clínica forte impõe exploração cirúrgica imediata (janela de salvamento < 6h), com orquidopexia bilateral se viável ou orquiectomia + fixação contralateral se necrótico. Analgesia e Doppler seriado desperdiçam a janela isquêmica. A cintilografia tem baixa disponibilidade e atrasa a cirurgia — nenhum exame de imagem deve retardar a exploração quando a clínica é típica. A distorção manual é apenas medida de ponte para ganhar tempo, nunca substitui a exploração e a fixação, que devem ser feitas na mesma internação.
Homem de 28 anos, sexualmente ativo com múltiplas parceiras e uso inconsistente de preservativo, procura a UPA com dor escrotal à direita de instalação progressiva há 3 dias, associada a disúria e discreto corrimento uretral. Ao exame: temperatura axilar de 37,9 °C, escroto direito hiperemiado, com espessamento e dor localizada predominantemente no polo posterossuperior do testículo, reflexo cremastérico presente e alívio da dor com a elevação do testículo. Assinale a opção que apresenta o diagnóstico e o tratamento empírico adequados para o caso.
Correta: dor de instalação insidiosa, febre baixa, sintomas uretrais, dor no epidídimo (polo posterossuperior), cremastérico presente e sinal de Prehn positivo caracterizam epididimite aguda; em homem sexualmente ativo com menos de 35 anos, os agentes prováveis são Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, e o PCDT de IST orienta ceftriaxona 500 mg IM dose única + doxiciclina 100 mg VO 12/12 h por 10 a 14 dias, com tratamento das parcerias. Esquema com quinolona isolada cobre enterobactérias (perfil de homens > 35 anos, obstrução infravesical ou pós-instrumentação) e deixa descoberta a etiologia sexualmente transmissível, além de omitir o manejo das parcerias. Torção do cordão cursa com dor súbita, cremastérico abolido e Prehn negativo, sem corrimento — e não é hipótese aqui. Orquiepididimite da caxumba segue parotidite, acomete o testículo (não o epidídimo isoladamente) e não cursa com corrimento uretral.
Adolescente de 15 anos é levado ao pronto-socorro pela mãe com dor intensa em bolsa escrotal à esquerda, de início súbito há cerca de três horas, enquanto jogava futebol, acompanhada de náuseas e um episódio de vômito. Nega disúria, febre, corrimento uretral e atividade sexual. Ao exame: afebril, fácies de dor, abdome sem alterações. O testículo esquerdo encontra-se elevado, horizontalizado e muito doloroso à palpação, com edema e hiperemia da bolsa escrotal; o reflexo cremastérico está ausente à esquerda e presente à direita, e a elevação do testículo não alivia a dor. O exame do testículo direito é normal. Assinale o diagnóstico e a conduta corretos.
Correta: dor escrotal de início súbito em adolescente, com náuseas e vômitos, testículo elevado e horizontalizado, ausência do reflexo cremastérico e sinal de Prehn negativo compõem o quadro clássico de torção do cordão espermático — emergência cirúrgica cuja janela de viabilidade gonadal é de aproximadamente 6 horas, não se devendo aguardar exame de imagem quando a clínica é típica. A epididimite tem instalação insidiosa, febre, sintomas urinários e alívio da dor à elevação testicular (Prehn positivo), com reflexo cremastérico preservado. Na torção de apêndice testicular a dor é mais localizada no polo superior, com o clássico ponto azulado, e o reflexo cremastérico se mantém. A orquite por caxumba cursa com parotidite e febre, geralmente sem abolição do reflexo cremastérico.
Recém-nascido de 3 dias de vida é avaliado na maternidade por alteração notada pela equipe de enfermagem: hemiescroto direito aumentado, com massa endurecida, pele arroxeada e ausência de reflexos locais. O bebê não apresenta irritabilidade desproporcional, recusa alimentar ou febre. Sobre este quadro, qual afirmativa está correta?
A torção perinatal é geralmente extravaginal e pode aparecer como massa escrotal endurecida, arroxeada e pouco dolorosa. Suspeita de evento pós-natal exige exploração urgente; recomenda-se fixar o testículo contralateral, pois torção bilateral assincrônica pode ser catastrófica. A escolha entre acesso escrotal e inguinal depende do momento, anatomia e preferência técnica; a via inguinal não é obrigatória em todos os recém-nascidos apenas por possível hérnia. Ausência de dor não exclui torção neonatal e não justifica observação prolongada. Fontes: https://uroweb.org/guidelines/paediatric-urology/chapter/the-guideline ; https://spuonline.org/Dialogue/1-2_neonatal_torsion.cgi
Adolescente de 15 anos é atendido às 3h da manhã em hospital municipal de pequeno porte com dor escrotal esquerda de início súbito, iniciada por volta de 1h, acompanhada de um episódio de vômito. Nega febre, disúria e corrimento uretral. Ao exame físico: hemiescroto esquerdo aumentado de volume, testículo esquerdo elevado, em posição horizontal e de consistência endurecida, intensamente doloroso à palpação; reflexo cremastérico ausente à esquerda e presente à direita; a elevação do testículo não alivia a dor. O aparelho de ultrassonografia do serviço só é operado a partir das 7h, e o hospital de referência com urologista de plantão fica a duas horas de ambulância. Qual a conduta mais adequada?
O quadro é de torção do cordão espermático com probabilidade altíssima: início súbito, vômito, ausência de febre e sintomas urinários, testículo alto, horizontalizado e endurecido, reflexo cremastérico abolido e sinal de Prehn sem alívio. O TWIST soma 7 pontos, o teto do escore. Nessa faixa a exploração é o próximo passo e a imagem só consome tempo — a Sociedade Brasileira de Urologia formula a orientação diretamente: a cirurgia não deve ser adiada para exames de imagem, e na forte suspeita clínica opera-se imediatamente. A conduta correta ainda incorpora a distorção manual, que pode ser tentada enquanto a sala é preparada e não substitui a cirurgia. Aguardar o serviço de imagem abrir, ou transferir só para fazer o Doppler, erram pelo mesmo motivo, e o dado brasileiro mede o preço: na série estadual do centro-oeste com 505 pacientes, entre os que chegaram com menos de três horas de dor e diagnóstico correto, o salvamento foi de 22,2% quando se pediu Doppler contra 54,2% quando não se pediu. Tratar como epididimite com ceftriaxona e doxiciclina adota hipótese incompatível com um quadro sem febre, sem disúria e com cremastérico abolido — e foi sob esse rótulo que a mesma série registrou tempo mediano de transferência de 23,4 horas, contra 2,8 horas de quem recebeu a hipótese correta. E a cintilografia leva cerca de trinta minutos apenas para ser realizada, incompatível com a urgência.
Homem de 62 anos, submetido a ressecção transuretral de próstata há três semanas, procura o pronto-socorro com dor escrotal esquerda iniciada há dois dias, febre de 38,3 graus, disúria e polaciúria. Ao exame: epidídimo esquerdo espessado e doloroso, escroto quente e hiperemiado, testículo em posição e consistência normais, reflexo cremastérico presente, alívio da dor à elevação do testículo. Exame de urina com piúria e nitrito positivo. Qual o esquema empírico mais adequado?
O cenário aponta para agentes entéricos, e não para infecção sexualmente transmissível: homem de 62 anos, manipulação urológica recente, sintomas urinários baixos com piúria e nitrito positivo. Nessa faixa e nesse contexto, a epididimite é extensão de infecção urinária por bacilos gram-negativos, frequentemente ligada a obstrução urinária por hiperplasia prostática ou a procedimento urológico. O esquema previsto pelo PCDT IST de 2022 para esse cenário é levofloxacino 500 mg por via oral uma vez ao dia por 10 dias. A ceftriaxona isolada e a doxiciclina isolada trazem componentes do esquema voltado a clamídia e gonococo, que aqui não são os agentes esperados — e nenhum deles sozinho constitui esquema completo nem para aquele cenário. Azitromicina com metronidazol não cobre os agentes em questão. A nitrofurantoína não atinge concentrações teciduais adequadas em próstata e epidídimo, o que a torna inadequada para infecção do trato genital masculino, ainda que seja opção em cistite não complicada. Vale a ressalva de que, quando as duas hipóteses coexistem, o protocolo prevê ceftriaxona 500 mg intramuscular em dose única associada ao levofloxacino por 10 dias.
Menino de 9 anos é levado ao pronto-socorro com dor escrotal direita de intensidade moderada, iniciada há dois dias e de piora gradual. Sem febre, sem vômitos, sem disúria. Ao exame: testículo direito em posição e consistência normais, indolor na maior parte de sua superfície, com nódulo doloroso palpável restrito ao polo superior e uma pequena área azulada visível através da pele escrotal; reflexo cremastérico presente bilateralmente. Ultrassonografia com Doppler realizada de imediato mostra testículo e epidídimo com fluxo preservado. Qual o diagnóstico e a conduta?
O conjunto é característico de torção de apêndice testicular, remanescente embrionário do ducto mülleriano: faixa etária de 7 a 12 anos, dor de intensidade moderada e instalação gradual, ausência de febre, nódulo doloroso restrito ao polo superior com o clássico ponto azulado visível através da pele, testículo indolor no restante da superfície, reflexo cremastérico preservado e exame de imagem com fluxo mantido no testículo e no epidídimo. O tratamento é conservador — repouso e analgesia com anti-inflamatório —, reservando-se a remoção cirúrgica do apêndice torcido para casos refratários ou quando não se consegue afastar torção do cordão, situação em que a exploração deixa de ser opção. A torção do cordão é incompatível com cremastérico presente, testículo de consistência normal e fluxo preservado. A epididimite bacteriana não se sustenta sem febre, disúria ou espessamento do epidídimo, e o esquema com ceftriaxona e doxiciclina é o de etiologia sexualmente transmissível, sem cabimento nessa idade e nesse contexto. A orquite por caxumba exigiria parotidite associada. E a hérnia encarcerada descreve outro quadro, com massa redutível e conteúdo herniário, ausentes aqui.
Adolescente de 14 anos com dor escrotal esquerda de início súbito há 5 horas, um episódio de vômito, testículo esquerdo elevado e endurecido e reflexo cremastérico ausente à esquerda. O ultrassom com Doppler, realizado imediatamente por estar disponível no próprio pronto-socorro, é laudado como fluxo intratesticular preservado bilateralmente. Qual a interpretação e a conduta?
A questão testa a assimetria de desempenho do Doppler. A diretriz europeia de urologia pediátrica de 2026 registra especificidade de 97% a 100% — um exame alterado praticamente fecha o diagnóstico — mas sensibilidade que varia de 63,6% a 100%, e, sobretudo, que 24% dos testículos comprovadamente torcidos apresentavam vascularização normal ou até aumentada ao exame. A explicação é fisiopatológica: a torção estrangula primeiro o retorno venoso, de modo que ainda pode haver fluxo arterial detectável num testículo que já está se perdendo por congestão. O quadro clínico aqui é convincente — início súbito, vômito, testículo alto e endurecido, cremastérico abolido, TWIST na faixa alta —, e um exame normal nesse contexto não desfaz a suspeita: ele apenas não confirmou. Conduzir como epididimite, ou como torção de apêndice testicular, usa o exame para fechar diagnósticos que o quadro clínico não sustenta. Repetir a ultrassonografia em 6 horas gasta mais seis horas de isquemia esperando o exame mudar. E a cintilografia acrescenta um método que leva cerca de trinta minutos apenas para ser realizado, incompatível com a urgência.
Durante o exame físico de um adolescente com dor escrotal aguda, qual achado, quando presente, torna a hipótese de torção do cordão espermático substancialmente improvável?
O reflexo cremastérico está habitualmente abolido do lado da torção, e sua presença torna o diagnóstico praticamente improvável — é o achado de exame com maior capacidade de afastar a hipótese à beira do leito. A ressalva vale para crianças pequenas, em quem o reflexo pode ser fisiologicamente ausente ou de difícil pesquisa, o que reduz o valor do achado nos dois sentidos. As demais alternativas apontam na direção contrária: ausência de febre e de sintomas urinários, posição horizontalizada do testículo, náusea e vômito e aumento de volume do hemiescroto são todos compatíveis com torção. Três deles inclusive pontuam no escore TWIST — aumento de volume vale 2 pontos, náusea ou vômito vale 1 ponto, e o testículo alto vale 1 ponto —, e o reflexo cremastérico entra no escore justamente pela ausência, valendo 1 ponto quando abolido.
Adolescente de 17 anos chega ao pronto-socorro de hospital terciário com dor escrotal esquerda intensa, de início súbito, que começou há aproximadamente 18 horas. Ao exame: testículo esquerdo alto, endurecido, reflexo cremastérico ausente, escroto edemaciado e hiperemiado. Qual a conduta?
A regra das seis horas descreve o momento a partir do qual o dano começa a se instalar, e não um prazo de validade da indicação cirúrgica — essa confusão é justamente o que a questão explora. A diretriz europeia de urologia pediátrica de 2026 detalha o comportamento por grau de torção: torções incompletas, de 180 a 360 graus, podem não evoluir com atrofia mesmo entre 4 e 12 horas, e a atrofia universal aparece acima de 24 horas com torção superior a 360 graus; a exploração é urgente até 24 horas e semieletiva acima disso. Com 18 horas de dor, portanto, a exploração continua sendo de urgência. Indicar orquiectomia direta pula a etapa que define a conduta: na sala se desfaz a torção e se observa a recuperação da perfusão com repouso em soro morno por 10 a 30 minutos, e só o testículo comprovadamente inviável é retirado. Condicionar a cirurgia ao Doppler apoia-se num exame que pode falhar, já que 24% das torções comprovadas apresentam vascularização normal ou aumentada. E tanto o manejo ambulatorial quanto o antibiótico com reavaliação em 24 horas abandonam o testículo. Em qualquer desfecho, viável ou não, o contralateral é fixado no mesmo tempo cirúrgico, porque a predisposição anatômica é bilateral.
Homem de 24 anos, sexualmente ativo com parceria nova, procura a unidade básica de saúde com dor escrotal direita iniciada há dois dias, em piora progressiva, associada a disúria e secreção uretral clara. Temperatura axilar de 38,1 graus. Ao exame: epidídimo direito espessado e doloroso, testículo em posição e consistência normais, reflexo cremastérico presente e alívio da dor à elevação do testículo. Exame de urina com piúria. Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para atenção integral às pessoas com IST do Ministério da Saúde, qual o esquema empírico adequado?
O quadro é de epididimite de provável etiologia sexualmente transmissível: homem jovem, sexualmente ativo, com disúria e corrimento uretral, e os agentes esperados são Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. O esquema do PCDT IST de 2022 para esse cenário é ceftriaxona 500 mg intramuscular em dose única associada a doxiciclina 100 mg por via oral de 12 em 12 horas por 10 dias. As alternativas com quinolona isolada — ciprofloxacino e levofloxacino — falham na cobertura do gonococo, cuja sensibilidade às quinolonas caiu, motivo pelo qual a cobertura antigonocócica se apoia na ceftriaxona; o levofloxacino isolado é o esquema reservado ao cenário de agentes entéricos, típico do homem mais velho com obstrução urinária ou manipulação urológica recente. Azitromicina em dose única isolada não é o esquema previsto para epididimite, e sulfametoxazol-trimetoprima não cobre os agentes esperados. Vale registrar que o tratamento não termina no antibiótico: cabe oferecer testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C e convocar as parcerias sexuais.
Adolescente de 14 anos chega com quadro típico de torção do cordão espermático à esquerda, com duas horas de dor, testículo alto e endurecido e reflexo cremastérico abolido. A equipe cirúrgica foi acionada e a sala está sendo preparada. O plantonista decide tentar a distorção manual enquanto aguarda. Sobre a manobra, qual é a orientação correta?
A distorção manual pode ser tentada enquanto a sala é preparada e se faz girando o testículo de medial para lateral, como quem abre um livro, em incrementos de meia volta; parte das torções gira no sentido oposto, e por isso a piora da dor é o sinal de inverter o giro — mantê-lo aprofunda a torção. O alívio imediato sugere que a manobra deu certo, mas não dispensa a cirurgia: a variação anatômica que permitiu a torção continua lá, e o testículo contralateral precisa ser fixado no mesmo tempo cirúrgico. Condicionar a manobra ao ultrassom com Doppler contraria a orientação de não adiar a conduta para exame de imagem diante de suspeita clínica forte, e o custo desse atraso está medido na série brasileira. E o bloqueio anestésico do cordão não é requisito: a manobra se faz com analgesia, sem retardar a ida à sala.
Menino de 4 anos é atendido com dor e aumento do hemiescroto esquerdo há três dias, febre de 38 °C, epidídimo espessado e doloroso, testículo em posição e consistência normais e reflexo cremastérico presente bilateralmente. O exame de urina mostra piúria e a urocultura isola Escherichia coli. Além do antibiótico dirigido, qual conduta a faixa etária impõe?
Epididimite bacteriana é incomum no menino pré-púbere, e essa raridade é justamente o que transforma o episódio em indicação de investigar o trato urinário: estreitamento uretral, ureter ectópico e disfunção esfincteriana são as causas procuradas, e o exame de urina, que já mostrou piúria, é o primeiro passo dessa investigação. Testar para gonococo e clamídia pertence ao homem sexualmente ativo, não a esta idade. Fixar o testículo contralateral é conduta da torção do cordão espermático, e o quadro descrito — cremastérico presente, testículo normal em posição e consistência, febre e piúria — aponta para o outro diagnóstico. Seis semanas de antibiótico confundem o esquema da prostatite crônica do adulto com o da epididimite. E encerrar tudo na urocultura deixa a causa de base no lugar, o que expõe a criança a novos episódios.
Menino de 11 anos sofreu trauma escrotal direto durante jogo de futebol há seis horas. Chega com dor moderada e aumento discreto do hemiescroto direito, sem febre, com testículo palpável e de contorno preservado. A ultrassonografia mostra pequena hematocele, parênquima testicular homogêneo, túnica albugínea íntegra e fluxo preservado. Qual é a conduta?
O trauma escrotal fechado costuma se resolver com repouso e anti-inflamatório, e o ultrassom é o exame que define a extensão da lesão. Aqui ele mostra túnica albugínea íntegra, parênquima homogêneo, fluxo preservado e hematocele pequena — o conjunto que autoriza o manejo conservador. A exploração cirúrgica fica reservada às hematoceles volumosas e à suspeita de rotura testicular, nenhuma das duas presente, de modo que indicar sala de cirurgia por qualquer hematocele, ou por receio de atrofia, trata o que a imagem já afastou. Ceftriaxona com doxiciclina é esquema de epididimite de etiologia sexualmente transmissível, sem cabimento em trauma nessa idade. E fixar os dois testículos é conduta da torção do cordão espermático, não profilaxia de trauma.
Adolescente de 16 anos com dor escrotal súbita e intensa há 4 horas, testículo elevado e horizontalizado, com ausência do reflexo cremastérico. Qual o diagnóstico e a conduta?
Dor escrotal súbita e intensa com testículo elevado e horizontalizado e ausência do reflexo cremastérico é torção testicular, emergência cirúrgica cujo prognóstico depende do tempo até a exploração, que não deve ser adiada por exames. Rotular o quadro como epididimite é o erro que consome a janela de viabilidade gonadal, pois a infecção tende a instalação mais gradual e com sintomas urinários. Tumor testicular se apresenta como massa indolor, e não como dor súbita.
Qual é a manobra de destorção manual que pode ser tentada enquanto se prepara a cirurgia, e qual sua limitação?
A destorção manual costuma ser tentada girando o testículo no sentido lateral, movimento comparado ao de abrir um livro, com alívio da dor sugerindo sucesso; ainda assim, ela é medida temporária, pois a torção pode ser parcial ou no sentido oposto e a fixação cirúrgica permanece necessária para evitar recidiva. Descrever a manobra como tratamento definitivo é o erro central. Tração vigorosa não desfaz a torção do cordão. Compressão do escroto agrava a isquemia e a dor. Calor local não restabelece fluxo em cordão torcido.
Homem de 26 anos apresenta dor escrotal de instalação progressiva há dois dias, com febre, disúria e secreção uretral. Ao exame, epidídimo aumentado e doloroso, com alívio à elevação escrotal. Qual o tratamento?
Em homem jovem sexualmente ativo, com dor progressiva, febre, disúria e secreção uretral, o quadro é de epididimite de transmissão sexual, tratada com antibiótico dirigido aos agentes habituais, analgesia e suporte escrotal, com rastreamento e tratamento das parcerias. Exploração cirúrgica de urgência é conduta da torção, aqui afastada pela evolução e pelos achados. Orquiectomia não tem indicação. Anti-inflamatório isolado deixa a infecção sem tratamento e favorece abscesso e infertilidade. Quimioterapia trata neoplasia, hipótese incompatível com o quadro infeccioso descrito.
Recém-nascido apresenta aumento indolor do volume escrotal, com massa endurecida e pele escrotal com coloração alterada, notado desde o nascimento. Qual a consideração correta?
A torção perinatal costuma ser extravaginal, ocorre antes ou logo após o nascimento e se manifesta como aumento escrotal indolor com massa endurecida e alteração da coloração da pele, exigindo avaliação urológica, com decisão individualizada sobre exploração e sobre a fixação do testículo contralateral. Assumir hidrocele fisiológica sem examinar é o erro que perde o diagnóstico. Tumor testicular no recém-nascido é raro e não se trata com quimioterapia imediata sem investigação. Hérnia inguinal na infância é corrigida assim que diagnosticada. Epididimite neonatal é incomum e não explica esses achados.
Menino de 11 anos apresenta dor escrotal de início gradual, moderada, com ponto doloroso no polo superior do testículo e pequena área azulada visível através da pele escrotal. Testículo de posição e mobilidade normais, reflexo cremastérico presente. Qual o diagnóstico?
Dor de início gradual, localizada no polo superior, com o sinal do ponto azul visível pela pele e reflexo cremastérico preservado, caracteriza a torção do apêndice testicular, condição benigna tratada com analgesia e repouso. A torção testicular completa tem dor súbita e intensa, testículo elevado e reflexo cremastérico ausente. Orquiepididimite cursa com febre, disúria e sinais inflamatórios, mais comum em adolescentes com atividade sexual e em adultos. Hérnia encarcerada apresenta massa inguinoescrotal irredutível com sinais obstrutivos. Tumor testicular é massa endurecida e indolor de crescimento progressivo.
Qual afirmação sobre a ultrassonografia com Doppler no escroto agudo está correta?
O Doppler ajuda em apresentações atípicas ou duvidosas, mas é operador-dependente e pode mostrar fluxo em torções parciais ou intermitentes, de modo que um exame aparentemente normal não afasta o diagnóstico quando a clínica é típica. Considerar o exame normal como exclusão definitiva é o erro que resulta em perda testicular com laudo tranquilizador em mãos. Tornar o exame obrigatório antes de toda exploração institucionaliza o atraso. Nenhum exame substitui o exame físico nessa condição. E não há contraindicação em crianças, que são justamente a população mais afetada.
Qual é a consequência mais relevante do atraso no tratamento da torção testicular, além da perda da gônada?
Além da perda do testículo isquemiado, o atraso se associa a comprometimento da fertilidade, com discussão sobre lesão mediada por mecanismos imunes e alterações no testículo contralateral, o que reforça a urgência do tratamento em pacientes jovens. Torção não causa obrigatoriamente câncer testicular, embora criptorquidia e outras condições aumentem esse risco por mecanismos próprios. Insuficiência renal crônica e hipertensão secundária não decorrem da torção. Priapismo recorrente relaciona-se a doenças hematológicas e a drogas, sem qualquer ligação com a isquemia testicular.
Qual achado semiológico ajuda a diferenciar epididimite de torção testicular?
O alívio da dor à elevação do escroto, conhecido como sinal de Prehn positivo, aponta para epididimite, enquanto na torção a dor não melhora com a manobra. Ausência do reflexo cremastérico, início súbito, testículo elevado e horizontalizado e sintomas vegetativos como náusea e vômitos são características da torção, e atribuí-las à epididimite inverte todo o raciocínio. Vale a ressalva prática de que esses sinais têm acurácia imperfeita e nenhum deles isoladamente descarta a torção, de modo que na dúvida a exploração cirúrgica continua sendo a conduta mais segura.
Durante exploração por torção testicular com testículo viável após destorção, qual procedimento adicional é obrigatório?
A predisposição anatômica que permite a torção, com fixação inadequada da túnica vaginal, costuma ser bilateral, e por isso a fixação do testículo contralateral no mesmo tempo cirúrgico é obrigatória para prevenir torção do lado remanescente. Fixar apenas o lado acometido deixa o paciente sob risco de perder o outro testículo. Orquiectomia profilática contralateral é conduta absurda em gônada sadia. Vasectomia não guarda relação com o problema e comprometeria a fertilidade. Não realizar nenhum procedimento adicional ignora a bilateralidade da anomalia predisponente.
Qual é a janela de tempo em que a exploração cirúrgica oferece as maiores taxas de salvamento testicular na torção?
As melhores taxas de salvamento ocorrem quando a destorção é feita nas primeiras seis horas, com queda progressiva da viabilidade a partir daí e perda quase certa após 24 horas de isquemia completa. Dizer que há tempo até 48 horas leva à demora que resulta em orquiectomia. A ideia de que o resultado melhora com o passar das horas é fisiologicamente falsa. Negar a relação entre tempo e viabilidade contraria o próprio conceito de isquemia. E esperar a redução do edema é raciocínio de doença inflamatória, não de gônada isquêmica com relógio correndo.
Adolescente de 14 anos acorda com dor escrotal esquerda de início súbito há três horas, náusea e vômitos. Ao exame, testículo esquerdo elevado, horizontalizado, muito doloroso, com ausência do reflexo cremastérico. Qual a conduta?
Dor súbita, testículo elevado e horizontalizado com ausência do reflexo cremastérico em adolescente configura torção testicular, e a exploração cirúrgica não deve ser adiada, pois a viabilidade cai rapidamente após seis horas de isquemia. Aguardar exame de imagem que demore é o erro que custa o testículo: o Doppler ajuda em casos duvidosos, mas nunca deve atrasar a cirurgia diante de quadro típico. Antibiótico com reavaliação em 24 horas trata epididimite, diagnóstico diferente. Analgesia domiciliar e espera por urocultura desperdiçam a janela de salvamento da gônada.
Qual complicação pode ocorrer após torção testicular tratada tardiamente, mesmo com preservação do testículo contralateral?
Mesmo quando o testículo é preservado numa destorção tardia, a isquemia prolongada frequentemente resulta em atrofia progressiva ao longo dos meses, com prejuízo da função exócrina; por isso o seguimento clínico e ultrassonográfico faz parte do cuidado. Há também a discussão sobre eventual impacto na fertilidade global, envolvendo tanto a perda de parênquima quanto mecanismos imunológicos. A função endócrina costuma ser mantida pelo testículo contralateral, o que explica a ausência de sintomas hormonais, e as demais alternativas descrevem quadros sem qualquer relação fisiopatológica com o evento isquêmico gonadal.
Paciente com torção testicular explorado após 20 horas apresenta testículo escurecido, sem retorno de coloração após destorção e sem sangramento ao corte da albugínea. Qual a conduta?
Testículo sem retorno de perfusão após destorção e sem sangramento ao teste da albugínea está inviável, e mantê-lo significa deixar tecido necrótico, com risco de infecção e, segundo hipótese clássica, de resposta imune contra o testículo remanescente. Retira-se a gônada necrótica e fixa-se a contralateral no mesmo tempo cirúrgico, protegendo a única gônada restante. Postergar a decisão não recupera tecido necrosado. A retirada bilateral é inaceitável, pois condena o paciente à anorquia com um testículo sadio ao lado.
Adolescente de 14 anos apresenta dor testicular esquerda de início súbito há 3 horas, intensa, com náuseas e vômitos. Ao exame, testículo elevado, horizontalizado, muito doloroso, com reflexo cremastérico ausente. Qual a conduta?
A torção testicular é diagnóstico clínico e emergência com relógio: a taxa de salvamento é alta nas primeiras seis horas e cai drasticamente depois, de modo que, diante de quadro típico, a exploração não deve ser adiada por exame de imagem. Elevação e horizontalização do testículo e ausência do reflexo cremastérico são achados de alto valor. O ultrassom com Doppler é útil nos casos duvidosos, mas um exame com fluxo presente não afasta torção intermitente ou parcial. Tratar como orquiepididimite e reavaliar no dia seguinte é justamente o erro que resulta em perda gonadal.
Menino de 11 anos apresenta dor escrotal moderada de instalação subaguda, com ponto doloroso localizado no polo superior do testículo e mancha azulada visível através da pele escrotal, com testículo de consistência e posição normais. Qual o diagnóstico?
O ponto doloroso restrito ao polo superior e o sinal do ponto azul, que é a apêndice infartada vista por transparência, caracterizam a torção do apêndice testicular, causa muito frequente de dor escrotal na infância e de evolução benigna, tratada com analgesia, repouso e anti-inflamatório. O testículo em si permanece com posição, tamanho e consistência normais, o que a diferencia da torção do cordão. A dificuldade prática é que a distinção nem sempre é clara, e diante de qualquer dúvida a exploração cirúrgica é a decisão segura, porque o preço do erro é a perda do testículo.
Durante exploração escrotal por torção testicular, o testículo é destorcido e apresenta melhora parcial da coloração. Qual conduta complementa o procedimento?
A predisposição anatômica clássica é a deformidade em badalo de sino, na qual a túnica vaginal envolve o testículo de forma anômala e permite a rotação; essa alteração é habitualmente bilateral, o que torna a fixação do lado contralateral parte obrigatória da operação, inclusive quando o testículo torcido precisa ser retirado por necrose. Fixar apenas o lado acometido deixa o paciente exposto a uma segunda torção, agora com risco de anorquia. Biópsias de rotina não têm indicação, e a retirada profilática de gônada viável é conduta inaceitável.
Homem de 55 anos, com sonda vesical de demora prolongada, apresenta dor escrotal, febre e aumento do epidídimo. Qual o agente mais provável e a implicação terapêutica?
A etiologia da orquiepididimite muda com o perfil do paciente: em homens jovens sexualmente ativos predominam clamídia e gonococo, e o tratamento cobre ambos; em homens mais velhos, com cateter, obstrução infravesical ou manipulação urológica, o agente é entérico, especialmente Escherichia coli, e o esquema deve ser dirigido a esses germes, além da revisão da indicação e do manejo do cateter. Aplicar o esquema de infecção sexualmente transmissível nesse cenário é o erro que deixa o agente real sem cobertura, e a fonte do problema, que é a estase urinária e o dispositivo, sem abordagem.
Homem de 28 anos apresenta dor escrotal de instalação gradual há 4 dias, com febre, disúria e melhora da dor à elevação do testículo. Ao exame, epidídimo espessado e doloroso, reflexo cremastérico presente. Qual o diagnóstico e o tratamento?
Início gradual, febre, sintomas urinários e alívio da dor com a elevação escrotal, o chamado sinal de Prehn positivo, com reflexo cremastérico preservado, apontam para processo inflamatório e não isquêmico. O tratamento é antimicrobiano orientado pela epidemiologia: em jovens sexualmente ativos cobre-se clamídia e gonococo, e em homens mais velhos ou com fatores urológicos cobrem-se enterobactérias. Vale a ressalva de que o sinal de Prehn não é confiável isoladamente para excluir torção, e é a soma de dados, e não um sinal único, que sustenta o diagnóstico.
Qual é o achado ultrassonográfico esperado na torção testicular?
A torção interrompe o fluxo, e o Doppler mostra ausência ou redução importante da vascularização no testículo acometido em comparação ao contralateral, podendo evidenciar o cordão espermático torcido em espiral. Já a orquiepididimite cursa com hiperemia, isto é, aumento do fluxo, o que inverte o achado. Um cuidado essencial: exame com fluxo aparentemente presente não exclui torção parcial ou intermitente, e a decisão em quadro clínico típico deve permanecer cirúrgica, sob pena de o exame dar falsa segurança e consumir a janela de salvamento da gônada.
Sobre a torção testicular no período neonatal, qual afirmação é correta?
No recém-nascido a torção costuma ser extravaginal, isto é, todo o conjunto de túnicas gira porque a fixação ao escroto ainda não está estabelecida, diferentemente da torção intravaginal do adolescente, favorecida pela deformidade em badalo de sino. Quando o evento ocorreu antes do nascimento, o testículo geralmente já está inviável e a apresentação é de massa endurecida e indolor com alterações de cor. Ainda assim, a exploração é considerada, tanto pela possibilidade de torção pós-natal quanto pela fixação do lado contralateral, dado o risco de perda bilateral.
Adolescente de 15 anos chega com dor escrotal súbita e intensa há 4 horas, náuseas, testículo elevado e horizontalizado, com reflexo cremastérico ausente. Qual a conduta?
Torção testicular é diagnóstico clínico e emergência cirúrgica: a viabilidade cai rapidamente após 6 horas, e a exploração não deve ser adiada por exames quando o quadro é típico, com dor súbita, testículo elevado e horizontalizado e reflexo cremastérico abolido. Fixa-se também o testículo contralateral, pela deformidade anatômica em badalo de sino, que costuma ser bilateral. Esperar o Doppler engana porque o exame é útil quando há dúvida, mas ele não pode custar o órgão, e tratar como orquiepididimite é o erro clássico nessa faixa etária.
Sobre a orquite pela caxumba, assinale a alternativa correta quanto ao prognóstico e às complicações.
A orquite acomete principalmente pós-púberes, é unilateral na maioria das vezes e, embora possa deixar atrofia, raramente resulta em infertilidade definitiva — informação essencial para acalmar o adolescente e a família. Afirmar esterilidade quase certa é o mito mais difundido sobre a doença. Como se trata de infecção viral, antibiótico não tem qualquer papel no tratamento.
Adolescente de 16 anos, sexualmente ativo, com dor escrotal de instalação gradual há 3 dias, disúria, febre e alívio da dor ao elevar o testículo. Qual a hipótese e a conduta?
Instalação gradual, sintomas urinários e alívio ao elevar o testículo — o sinal de Prehn positivo — apontam para epididimite, e no adolescente sexualmente ativo a cobertura precisa alcançar gonococo e clamídia. O sinal de Prehn é sugestivo, jamais definitivo: torção sempre precisa ser afastada quando a dor é súbita e intensa, o que não corresponde ao curso descrito aqui.
Na avaliação do escroto agudo em criança, qual exame de imagem é o mais indicado quando existe dúvida diagnóstica e o quadro clínico não é típico de torção?
O Doppler avalia o fluxo arterial testicular e é o exame de escolha quando o quadro é atípico, com a ressalva de que resultado normal não exclui torção intermitente e de que o exame nunca deve atrasar a cirurgia num caso clinicamente típico. Tomografia e ressonância não têm papel na urgência escrotal e expõem a criança a radiação ou a sedação sem ganho diagnóstico.
Adolescente com orquite por caxumba, com dor intensa e edema escrotal importante. Qual o tratamento indicado?
O tratamento é inteiramente sintomático, com medidas locais e analgesia, já que se trata de infecção viral autolimitada. Corticoide alivia a dor mas não previne a atrofia testicular, e essa expectativa equivocada é frequente. Aciclovir não tem atividade contra o vírus da caxumba, e cirurgia só entraria se houvesse dúvida diagnóstica real com torção.
Menino de 11 anos com dor escrotal moderada há 2 dias e, ao exame, ponto doloroso localizado no polo superior do testículo, com nódulo azulado visível através da pele escrotal e testículo de consistência e posição normais. Qual a hipótese?
O sinal do ponto azul no polo superior com dor localizada e testículo de posição preservada caracteriza a torção do apêndice testicular, condição autolimitada tratada com analgesia e repouso. É importante conhecê-la porque evita cirurgia desnecessária — mas o raciocínio só se aplica quando a torção do cordão foi razoavelmente afastada pelo exame e, quando necessário, pela imagem.
Menino de 14 anos submetido a orquidopexia por torção testicular à direita. Qual conduta em relação ao testículo contralateral?
A deformidade em badalo de sino, que predispõe à torção, costuma ser bilateral, e por isso a fixação do lado oposto é feita no mesmo tempo cirúrgico para evitar a perda do testículo remanescente. Esperar por um segundo episódio é aposta de altíssimo risco, já que o paciente pode perder a única gônada restante. Biópsia contralateral não faz parte da conduta.
Menino de 13 anos com dor escrotal esquerda de início súbito há 3 horas, náuseas, testículo elevado e horizontalizado, com ausência do reflexo cremastérico. Qual a conduta?
Dor súbita, ausência do reflexo cremastérico e testículo alto e horizontalizado configuram torção com alta probabilidade, e a janela de salvamento gonadal é de aproximadamente seis horas — nesse cenário a imagem só atrasa. Aguardar Doppler é o distrator mais tentador porque parece cauteloso, mas o exame tem falso-negativo e o custo do atraso é a perda do testículo. Antibiótico trata epididimite, diagnóstico que aqui não se sustenta.
Adolescente de 15 anos apresenta há 5 dias aumento doloroso bilateral da região parotídea, febre e trismo. Hoje refere dor testicular direita intensa com aumento do volume escrotal. Qual a hipótese mais provável?
Aumento parotídeo bilateral com febre seguido, alguns dias depois, de orquite unilateral é o encadeamento clássico da caxumba — a orquite costuma surgir entre o quarto e o oitavo dia do quadro parotídeo. A torção é o diferencial que não pode ser esquecido em qualquer dor testicular aguda, mas ela é súbita, sem pródromo infeccioso e sem parotidite antecedente.
Adolescente de 15 anos, não vacinado, com parotidite bilateral evolui, no sétimo dia, com dor e aumento testicular unilateral e febre. Qual a complicação e a orientação prognóstica?
A orquite é a complicação mais frequente da caxumba em pós-púberes, surge cerca de uma semana após a parotidite e é habitualmente unilateral, com tratamento sintomático; pode deixar atrofia, mas a infertilidade completa é rara, sobretudo quando um testículo é poupado. Outras complicações incluem meningite asséptica, pancreatite e surdez neurossensorial. A torção testicular é o diferencial que sempre precisa ser afastado por ser cirúrgico, mas tem início súbito, sem pródromo de parotidite bilateral.
Adolescente de 15 anos chega ao pronto-socorro com dor escrotal intensa de início súbito há 3 horas, náuseas e vômitos. Ao exame, o testículo direito está elevado, horizontalizado e muito doloroso, com ausência do reflexo cremastérico. Qual é a conduta adequada?
Dor escrotal súbita com testículo elevado, horizontalizado e ausência de reflexo cremastérico caracteriza torção testicular, emergência cirúrgica cuja janela para salvamento gonadal é de poucas horas. Tratar como epididimite e reavaliar em 48 horas leva à perda do testículo. Agendar exame eletivo é incompatível com a urgência. Alta com analgesia ignora o risco de necrose e infertilidade.
Adolescente de 16 anos apresenta dor e edema testicular à direita há 3 dias, com febre e disúria. Refere relação sexual desprotegida recente. Ao exame, há dor à palpação do epidídimo, com melhora à elevação do testículo, e reflexo cremastérico presente. A ultrassonografia mostra fluxo preservado. Qual é o diagnóstico e a conduta?
Dor de instalação gradual, melhora com elevação do testículo, reflexo cremastérico presente e fluxo preservado apontam para epididimite, que em adolescente sexualmente ativo deve ser tratada com cobertura para gonococo e clamídia. A torção testicular tem início súbito, reflexo cremastérico ausente e fluxo reduzido, exigindo cirurgia. A orquite por caxumba costuma seguir parotidite e não cursa com disúria e contexto de exposição sexual. A hérnia encarcerada apresenta massa inguinal irredutível e sinais obstrutivos.
Adolescente de 14 anos chega à unidade de pronto atendimento com dor intensa em bolsa escrotal esquerda, de início súbito há 3 horas, ao acordar, acompanhada de náuseas e um episódio de vômito. Nega febre, disúria, corrimento uretral ou trauma. Ao exame apresenta temperatura axilar 36,5 °C, testículo esquerdo elevado e horizontalizado, muito doloroso à palpação, com ausência do reflexo cremastérico desse lado e sem melhora da dor à elevação do testículo. A conduta mais adequada é:
Dor escrotal súbita com testículo elevado e horizontalizado, ausência do reflexo cremastérico e sinal de Prehn negativo é torção testicular, e a viabilidade da gônada cai drasticamente após seis horas; o diagnóstico é clínico e indica exploração cirúrgica imediata. Antibiótico para orquiepididimite se aplicaria a quadro febril com disúria e alívio à elevação testicular, ausentes aqui. Anti-inflamatório com reavaliação em 48 horas garante a perda do testículo. Aguardar ultrassonografia para o dia seguinte extrapola a janela de salvamento, e a imagem só se justifica quando disponível de imediato e sem atrasar a cirurgia.
Menino de 10 anos é levado à Unidade Básica de Saúde por dor escrotal à direita de início gradual há 2 dias, de intensidade leve a moderada, que não o impede de brincar. Nega febre, disúria, náuseas ou trauma. Ao exame apresenta bom estado geral, temperatura axilar 36,7 °C, testículo direito em posição normal, móvel e de consistência preservada, com dor localizada e bem delimitada no polo superior, onde se observa um pequeno ponto azulado sob a pele. O reflexo cremastérico está presente bilateralmente. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Dor escrotal de instalação gradual, bem localizada no polo superior do testículo, com o sinal do ponto azul e reflexo cremastérico preservado, caracteriza torção do apêndice testicular, condição benigna tratada com analgesia e repouso. A torção do cordão espermático é de início súbito e intenso, com testículo elevado, horizontalizado e sem reflexo cremastérico. A orquiepididimite cursa com febre, disúria e alívio à elevação do testículo. A hérnia encarcerada apresenta massa inguinoescrotal irredutível, com sinais obstrutivos, não descritos no caso.
Adolescente de 16 anos procura a unidade de pronto atendimento com dor escrotal à direita de início gradual há 3 dias, associada a disúria e febre baixa. Refere início da vida sexual há seis meses, sem uso regular de preservativo. Ao exame apresenta temperatura axilar 37,9 °C, testículo direito em posição normal, epidídimo espessado e muito doloroso à palpação, hiperemia e edema da bolsa escrotal, reflexo cremastérico presente e alívio da dor à elevação do testículo. A urina tipo I mostra piúria. A conduta mais adequada é:
Dor escrotal de instalação gradual com febre, disúria, epidídimo espessado, reflexo cremastérico presente e alívio à elevação do testículo caracteriza orquiepididimite, que no adolescente sexualmente ativo deve receber cobertura para clamídia e gonococo, além de rastreamento e tratamento das parcerias. A torção do cordão é de início súbito, com testículo elevado e horizontalizado e reflexo cremastérico ausente. Anti-inflamatório isolado deixa a infecção sem tratamento e favorece abscesso. Neoplasia testicular apresenta-se como massa endurecida indolor, sem febre nem piúria.
Adolescente de 14 anos chega ao pronto-socorro com dor intensa em bolsa escrotal esquerda iniciada subitamente há 3 horas, acompanhada de náuseas e um episódio de vômito. Nega disúria, febre ou corrimento uretral. Ao exame: testículo esquerdo elevado, horizontalizado e muito doloroso à palpação, com ausência do reflexo cremastérico ipsilateral e sem alívio da dor à elevação do escroto. O testículo direito é normal. Não há hiperemia importante nem sinais sistêmicos. Qual é a conduta correta?
Dor escrotal súbita com testículo elevado e horizontalizado, ausência do reflexo cremastérico e sinal de Prehn negativo caracterizam torção testicular, emergência cujo prognóstico de viabilidade gonadal depende do tempo, indicando exploração cirúrgica imediata sem aguardar imagem quando a suspeita é alta. Tratar como infecção retarda a cirurgia e leva à perda do testículo. Solicitar ultrassonografia e liberar o paciente desperdiça a janela terapêutica. Analgesia domiciliar deixa a gônada isquêmica evoluir para necrose.
Adolescente de 15 anos é levado pelo pai à Unidade Básica de Saúde por dor testicular esquerda de início súbito há três horas, muito intensa, associada a náuseas e vômitos. Nega trauma, febre, disúria ou corrimento uretral. Ao exame: testículo esquerdo elevado, horizontalizado, muito doloroso à palpação, com ausência do reflexo cremastérico ipsilateral; sem melhora da dor com a elevação do testículo; bolsa escrotal com edema e eritema, sem transiluminação. Temperatura 36,7 °C. A conduta correta é:
Dor testicular súbita e intensa, testículo elevado e horizontalizado, ausência do reflexo cremastérico e ausência de alívio com a elevação escrotal caracterizam torção testicular, emergência cirúrgica cuja viabilidade gonadal depende do tempo até a destorção, motivo pelo qual não se deve aguardar exame de imagem quando a suspeita clínica é alta. Orquiepididimite cursa com início gradual, febre, sintomas urinários e alívio com elevação escrotal. Aguardar ultrassonografia eletiva consome as horas decisivas. Conduta domiciliar expectante praticamente assegura a perda do testículo.
Recém-nascido de 8 dias é levado ao pronto-socorro pela mãe por aumento de volume e endurecimento da bolsa escrotal direita, percebido durante o banho. A gestação e o parto foram sem intercorrências e a criança mama bem, sem vômitos, febre ou irritabilidade importante. Ao exame: hemiescroto direito endurecido, aumentado, com coloração azulada da pele, sem transiluminação, indolor à palpação e sem reflexo cremastérico. O testículo esquerdo é normal e o abdome está flácido. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Aumento escrotal endurecido, com pele azulada, ausência de transiluminação e sem reflexo cremastérico em recém-nascido caracteriza torção testicular neonatal, que frequentemente é extravaginal e ocorre no período perinatal, exigindo avaliação urológica urgente e atenção ao testículo contralateral. A hidrocele é indolor, mole e transilumina. A hérnia encarcerada cursa com massa que se estende ao canal inguinal, com vômitos, distensão abdominal e irritabilidade. A orquite viral é excepcional nessa idade e não produz esse aspecto de necrose escrotal.
Menino de 11 anos é levado à Unidade de Pronto Atendimento com dor escrotal esquerda de início gradual há cerca de 18 horas, sem febre, sem disúria e sem náuseas ou vômitos. Continua andando normalmente e conseguiu ir à escola pela manhã. Ao exame: testículo esquerdo em posição normal, de consistência habitual e móvel, com reflexo cremastérico presente, e dor bem localizada no polo superior do testículo, onde se observa pequeno ponto azulado sob a pele escrotal fina. O restante do exame é normal. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Dor de início gradual bem localizada no polo superior do testículo, com reflexo cremastérico preservado, testículo em posição e consistência normais e ponto azulado visível sob a pele escrotal, caracteriza a torção de apêndice testicular, condição benigna tratada com analgesia e repouso. A torção do cordão espermático provoca dor súbita e intensa, testículo elevado e horizontalizado e ausência do reflexo cremastérico. A orquiepididimite cursa com febre, disúria e edema difuso doloroso do epidídimo. A hérnia encarcerada apresenta massa inguinoescrotal irredutível com sintomas obstrutivos.
Homem de 52 anos procura a Unidade Básica de Saúde com dor e aumento de volume no escroto direito há cinco dias, associados a disúria, jato urinário fraco e febre baixa. É casado, com relação estável e sem novas parcerias sexuais, e refere sintomas urinários obstrutivos há dois anos. Ao exame: epidídimo direito espessado e muito doloroso, com alívio parcial da dor à elevação do escroto, reflexo cremastérico presente, temperatura axilar 37,9 °C. A urina de rotina mostra piúria e a urocultura foi coletada. Qual é a conduta terapêutica mais adequada?
Em homens acima de 35 anos, com sintomas obstrutivos e sem exposição sexual de risco, a epididimite costuma decorrer de bacilos entéricos por refluxo urinário, sendo o tratamento antibiótico dirigido a esses agentes, associado a analgesia, suporte escrotal e investigação de fator obstrutivo. A cobertura exclusiva para agentes de transmissão sexual é a escolha em homens jovens sexualmente ativos, perfil distinto. A exploração cirúrgica de urgência é conduta da torção, que cursa com dor súbita, ausência do reflexo cremastérico e sem piúria. Deixar sem antibiótico permite evolução para abscesso e infarto testicular.
Menino de 13 anos é levado ao pronto-atendimento com dor escrotal intensa à esquerda, de início súbito há três horas, associada a náuseas e vômitos. Ele nega trauma, disúria ou febre. Ao exame, o testículo esquerdo está elevado, horizontalizado e muito doloroso, com reflexo cremastérico ausente à esquerda e presente à direita. Não há sinais inflamatórios cutâneos importantes e a elevação do testículo não alivia a dor. A temperatura é normal e o exame de urina é normal. A conduta correta é
Dor escrotal súbita com testículo elevado e horizontalizado, ausência do reflexo cremastérico e ausência de alívio à elevação caracteriza torção testicular, emergência cirúrgica cuja janela de salvamento gonadal é de poucas horas, não devendo o exame de imagem retardar a exploração quando a suspeita é alta. Tratar como orquiepididimite e reavaliar em dois dias resulta em perda do testículo. Liberar aguardando exame ambulatorial é igualmente inaceitável. Repouso e reavaliação em uma semana equivale a abandonar a gônada.
Adolescente de 15 anos, sexualmente ativo, é levado ao pronto-socorro com dor escrotal esquerda de início gradual há dois dias, associada a disúria e corrimento uretral, sem trauma e sem esforço físico recente. Ele nega uso de preservativo com a parceria atual. Ao exame: temperatura axilar 37,8 °C, epidídimo esquerdo espessado e doloroso, com alívio parcial da dor à elevação do escroto, reflexo cremastérico presente, testículo em posição normal e secreção uretral mucopurulenta à expressão. Qual é a hipótese diagnóstica e a conduta?
Dor escrotal de início gradual com epidídimo espessado e doloroso, alívio à elevação do escroto, reflexo cremastérico presente e corrimento uretral em adolescente sexualmente ativo indica epididimite de transmissão sexual, tratada empiricamente para gonococo e clamídia, com manejo das parcerias e testagem ampliada. A torção cursa com dor súbita, testículo elevado e ausência do reflexo cremastérico. A orquite por parotidite segue quadro de parotidite, sem corrimento. Tumor testicular é massa endurecida indolor.
Adolescente, 14 anos, chega ao pronto-socorro com dor escrotal esquerda de início súbito há 3 horas, intensa, associada a náuseas e um episódio de vômito. Nega disúria, febre e corrimento uretral. Exame: testículo esquerdo elevado e horizontalizado, muito doloroso, com reflexo cremastérico ausente e sem alívio da dor à elevação do testículo. Ultrassonografia com Doppler não disponível no serviço no momento. Qual a conduta?
O quadro clínico é de torção testicular, com dor súbita intensa, testículo elevado e horizontalizado, reflexo cremastérico ausente e sinal de Prehn negativo: a conduta é a exploração cirúrgica imediata com distorção e orquidopexia bilateral, pois a viabilidade cai drasticamente após 6 horas. Aguardar exame de imagem indisponível consome a janela de salvamento, e o diagnóstico é clínico. Tratar como orquiepididimite ignora a ausência de sintomas urinários e o exame característico. Analgesia com reavaliação em 12 horas condena a gônada à necrose. A distorção manual pode ser tentada como medida temporária, mas nunca substitui a exploração cirúrgica com fixação.
Menino, 11 anos, apresenta dor escrotal direita há 2 dias, de início gradual e intensidade moderada, sem náuseas ou vômitos. Nega disúria e febre. Exame: testículo em posição normal, com reflexo cremastérico presente; dor localizada no polo superior do testículo, onde se observa pequeno nódulo azulado através da pele escrotal. Ultrassonografia com Doppler: fluxo testicular preservado e imagem nodular paratesticular hipoecoica no polo superior. Qual o diagnóstico e a conduta?
Dor escrotal de início gradual com reflexo cremastérico presente, ponto doloroso no polo superior e sinal do ponto azul, com fluxo testicular preservado ao Doppler, caracteriza torção de apêndice testicular, condição benigna tratada com analgesia e repouso. A torção testicular apresentaria ausência de fluxo ao Doppler e reflexo cremastérico abolido. A orquiepididimite cursaria com disúria, febre e aumento do fluxo ao Doppler no epidídimo. A hérnia encarcerada mostraria massa inguinoescrotal irredutível com sinais obstrutivos. O tumor testicular manifesta-se como massa testicular indolor e endurecida, não como dor aguda com nódulo paratesticular azulado.
Homem, 25 anos, é atendido na UBS com queixa de dor testicular esquerda de início súbito há 4 horas, muito intensa, associada a náuseas e vômitos. Nega disúria, secreção uretral ou febre. Exame: testículo esquerdo elevado e horizontalizado, muito doloroso à palpação, com reflexo cremastérico ausente; elevação do testículo não alivia a dor. Sem sinais flogísticos escrotais evidentes. Urina I sem alterações. Sem trauma prévio. Qual a conduta correta?
Dor testicular súbita e intensa com testículo elevado e horizontalizado, reflexo cremastérico ausente e sinal de Prehn negativo caracteriza torção testicular, emergência cirúrgica cuja viabilidade gonadal depende de destorção em até 6 horas, impondo encaminhamento imediato sem aguardar exames. Tratar como epididimite ignora a ausência de sintomas urinários e os sinais semiológicos típicos de torção. Aguardar ultrassonografia com Doppler pode consumir a janela de salvamento, e o exame não deve retardar a exploração quando a suspeita clínica é alta. Analgesia com reavaliação em 24 horas condena o testículo à necrose. Repouso e elevação escrotal com retorno em 48 horas é conduta de epididimite leve e seria desastrosa nesse quadro.
Recém-nascido a termo apresenta ao exame da maternidade aumento de volume e endurecimento do hemiescroto esquerdo, indolor à manipulação, com coloração azulada e pele aderida ao testículo. Não há sinais inflamatórios sistêmicos e a criança está em bom estado geral, sem febre, mamando bem. Ultrassonografia com Doppler: testículo esquerdo heterogêneo, aumentado, sem fluxo detectável; testículo direito normal, com fluxo preservado. Qual a conduta adequada?
A torção testicular neonatal, geralmente extravaginal e ocorrida no período perinatal, raramente permite salvar a gônada acometida, mas a exploração escrotal é recomendada para confirmar o diagnóstico, ressecar tecido inviável e, sobretudo, fixar o testículo contralateral, protegendo a única gônada funcionante. Observar sem explorar deixa o testículo contralateral desprotegido. A orquiepididimite neonatal é rara e cursaria com sinais infecciosos e fluxo aumentado ao Doppler. A aspiração escrotal não trata torção e arrisca lesar estruturas. A orquiectomia bilateral profilática removeria a gônada sadia, conduta inaceitável.
Adolescente do sexo masculino, 13 anos, apresenta dor testicular esquerda de início súbito há 4 horas, com náuseas e vômitos, sem febre ou sintomas urinários. FC 104 bpm, PA 112/70 mmHg. Ao exame, testículo esquerdo elevado e horizontalizado, muito doloroso, com ausência do reflexo cremastérico ipsilateral e sem alívio à elevação do escroto. Qual a conduta mais adequada?
A torção testicular, sugerida por dor súbita, testículo elevado e horizontalizado, ausência do reflexo cremastérico e sinal de Prehn negativo, exige exploração cirúrgica de urgência, pois a viabilidade depende do tempo de isquemia. Aguardar imagem que atrase a cirurgia em quadro clínico típico reduz a chance de salvar a gônada. O antibiótico trata epididimite, cujo quadro é mais insidioso, com febre e alívio à elevação escrotal. Analgesia com reavaliação em 24 horas garante a perda do testículo. Repouso e suspensório são medidas de suporte inadequadas como conduta isolada.
Homem, 29 anos, é atendido no pronto-socorro com dor escrotal direita de início gradual há 3 dias, com febre baixa, disúria e secreção uretral. Exame: T 37,8 °C, epidídimo direito aumentado e doloroso, testículo de consistência normal, reflexo cremastérico presente, elevação do escroto alivia a dor. Urina I com piúria; teste para gonococo e clamídia solicitado. Ultrassonografia com aumento do epidídimo e fluxo aumentado ao Doppler, sem torção. Qual o diagnóstico e a conduta?
Dor escrotal de início gradual com epidídimo aumentado e doloroso, reflexo cremastérico presente, sinal de Prehn positivo e fluxo aumentado ao Doppler caracteriza epididimite aguda, e em homem jovem sexualmente ativo com secreção uretral a etiologia provável é sexualmente transmissível, exigindo antibioticoterapia dirigida e tratamento do parceiro. Torção testicular cursa com dor súbita, reflexo cremastérico ausente e fluxo reduzido ao Doppler. Tumor testicular é indolor e de consistência endurecida. Hidrocele infectada mostraria coleção anecoica com sinais inflamatórios distintos. Hérnia encarcerada cursaria com massa inguinoescrotal irredutível e sintomas obstrutivos.
Menino, 8 anos, é levado ao pronto-socorro com dor escrotal esquerda de início súbito há 12 horas, associada a náuseas. Exame: testículo esquerdo elevado, com orientação horizontal, muito doloroso, reflexo cremastérico ausente, elevação do escroto não alivia a dor, sem sinais flogísticos importantes. Urina I sem alterações, sem febre. A ultrassonografia com Doppler não está disponível no momento e o centro cirúrgico está livre para atendimento imediato. Qual a conduta correta?
Dor escrotal súbita com testículo elevado e horizontalizado, reflexo cremastérico ausente e sinal de Prehn negativo caracteriza torção testicular, cuja conduta é exploração cirúrgica imediata com destorção e orquidopexia bilateral, sem aguardar exames que atrasem a intervenção, pois a viabilidade gonadal decresce rapidamente. Aguardar ultrassonografia indisponível consome tempo crítico. Tratar como epididimite ignora os sinais semiológicos típicos de torção. A destorção manual pode ser tentada como medida temporária, mas nunca substitui a fixação cirúrgica nem autoriza alta. Observar por mais 12 horas condena o testículo à necrose.
Menino, 9 anos, apresenta dor escrotal esquerda de instalação gradual há 2 dias, de intensidade moderada, sem náuseas ou vômitos. T 36,8 °C, PA 100/62 mmHg, FC 88 bpm. Ao exame, dor localizada no polo superior do testículo, com pequeno ponto azulado visível através da pele escrotal, reflexo cremastérico preservado e testículo em posição e orientação normais. Qual o diagnóstico mais provável e a conduta?
Dor gradual localizada no polo superior do testículo com o sinal do ponto azul e reflexo cremastérico preservado caracteriza torção de apêndice testicular, condição benigna tratada de forma conservadora com analgesia e repouso. A torção testicular cursa com dor súbita intensa, testículo elevado e horizontalizado e ausência do reflexo cremastérico. A orquiepididimite apresentaria febre, disúria e alívio à elevação escrotal. A hérnia encarcerada mostraria massa inguinoescrotal irredutível com sintomas obstrutivos. O tumor testicular cursa com massa indolor de crescimento progressivo.
Homem, 30 anos, é atendido no pronto-socorro com dor escrotal esquerda de início súbito há 8 horas, moderada, sem febre ou sintomas urinários. Exame: testículo esquerdo em posição normal, com ponto de dor localizado no polo superior, onde se observa nódulo azulado sob a pele, reflexo cremastérico presente, sem edema escrotal difuso. Ultrassonografia com Doppler mostra fluxo testicular preservado e pequena estrutura hipoecoica avascular no polo superior. Qual o diagnóstico e a conduta?
Dor localizada no polo superior do testículo com nódulo azulado visível sob a pele, o chamado sinal do ponto azul, com reflexo cremastérico presente e fluxo testicular preservado ao Doppler, caracteriza torção de apêndice testicular, condição autolimitada tratada com analgesia, repouso e observação. Torção testicular cursaria com dor intensa, testículo elevado e horizontalizado, reflexo ausente e fluxo reduzido. Epididimite cursaria com epidídimo aumentado e doloroso e frequentemente com sintomas urinários. Tumor testicular é indolor e sólido ao exame. Trauma com hematoma exigiria história de trauma e alteração do parênquima à ultrassonografia.
Homem, 26 anos, é atendido no pronto-socorro com dor e edema escrotal bilateral, febre alta e mal-estar há 3 dias. Refere quadro de parotidite bilateral há 8 dias, com febre e dor ao mastigar. Exame: T 38,9 °C, testículos aumentados, dolorosos, com hidrocele reacional, sem alterações do epidídimo predominantes. Urina I sem alterações, urocultura negativa, sem secreção uretral. Ultrassonografia com aumento difuso dos testículos e fluxo aumentado bilateralmente. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta?
Orquite bilateral após parotidite recente, com urina normal e sem secreção uretral, é característica da orquite por caxumba, cujo tratamento é de suporte com analgesia, repouso e elevação escrotal, informando-se o risco de atrofia testicular e de comprometimento da fertilidade. Torção bilateral simultânea é excepcional e cursaria com fluxo reduzido, não aumentado. Epididimite bacteriana cursaria com acometimento predominante do epidídimo e frequentemente com sintomas urinários ou uretrais. Tumor testicular bilateral seria indolor e sem febre. Abscesso escrotal apresentaria coleção com sinais flogísticos localizados e flutuação.
Menino, 12 anos, é levado ao ambulatório com dor escrotal esquerda intermitente há 6 meses, com episódios de dor intensa que duram cerca de 1 hora e cedem espontaneamente, alguns acompanhados de náuseas. Exame atual: testículos tópicos, de volume simétrico, sem dor à palpação, reflexo cremastérico presente. Ultrassonografia com Doppler realizada fora da crise é normal, sem alterações do fluxo e sem massas ou coleções identificadas. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta?
Episódios recorrentes de dor escrotal intensa e autolimitada, com exame e Doppler normais fora da crise, caracterizam torção testicular intermitente, situação em que a orquidopexia bilateral profilática deve ser considerada, pois um episódio pode evoluir para torção completa com perda do testículo. Epididimite crônica é rara nessa idade e não cursa com crises autolimitadas de curta duração. Varicocele produz dor em peso ao final do dia com veias dilatadas palpáveis, ausentes. Hérnia inguinal cursaria com abaulamento redutível. Tranquilizar sem encaminhar ignora um padrão clássico com risco de perda gonadal.
Adolescente de 13 anos apresenta dor escrotal esquerda de início súbito há 4 horas, acordando-o durante a noite, com náuseas e um episódio de vômito. Nega disúria, febre ou corrimento uretral. Exame: testículo esquerdo elevado e horizontalizado, muito doloroso, reflexo cremastérico ausente à esquerda, sem melhora da dor com elevação do escroto, T 36,6 °C, sem hiperemia importante. Qual a conduta indicada?
Dor escrotal súbita com testículo elevado e horizontalizado, reflexo cremastérico ausente e sinal de Prehn negativo caracteriza torção testicular, cuja conduta é exploração cirúrgica de urgência, pois a viabilidade cai muito após seis horas de isquemia. Antibiótico com reavaliação tardia corresponde ao tratamento da orquiepididimite, que cursa com febre, disúria e alívio à elevação escrotal. Anti-inflamatório e suspensório apenas mascaram a dor enquanto a gônada necrosa. A ultrassonografia eletiva atrasa a cirurgia e não deve retardar a exploração quando a suspeita é clínica e evidente. A punção escrotal não tem indicação diagnóstica nesse contexto.
Menino, 11 anos, apresenta dor escrotal esquerda de início gradual há 2 dias, de intensidade moderada, sem febre e sem sintomas urinários. Exame: testículo esquerdo em posição normal, com dor localizada no polo superior, ponto azulado visível através da pele nessa região, reflexo cremastérico presente, sem edema difuso importante. Ultrassonografia com fluxo testicular preservado e nódulo hipoecoico junto ao polo superior. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Dor localizada no polo superior do testículo, ponto azulado visível, reflexo cremastérico preservado e fluxo testicular normal ao Doppler caracterizam torção de apêndice testicular, de tratamento conservador com analgesia e repouso. A torção completa do testículo cursa com dor súbita intensa, ausência de reflexo cremastérico e fluxo reduzido. A orquiepididimite apresenta febre, disúria e alívio com elevação escrotal, com fluxo aumentado ao Doppler. A hérnia encarcerada produz massa inguinoescrotal irredutível com sinais obstrutivos. O tumor testicular cursa com massa endurecida indolor, sem dor aguda e sem ponto azulado.
Adolescente de 14 anos é levado ao pronto-socorro por dor escrotal esquerda de início súbito há 3 horas, acompanhada de náuseas e um episódio de vômito. Nega disúria, corrimento uretral e febre. Ao exame: PA 118x72 mmHg, FC 96 bpm, T 36,7 graus Celsius. Testículo esquerdo elevado, horizontalizado e muito doloroso; reflexo cremastérico ausente à esquerda; a elevação do escroto não alivia a dor. Urina tipo I sem alterações. Qual a conduta indicada?
A exploração cirúrgica escrotal imediata com orquidopexia é a conduta na torção testicular, sustentada por dor súbita, testículo elevado e horizontalizado, ausência do reflexo cremastérico e sinal de Prehn negativo, com janela de viabilidade de aproximadamente 6 horas. O esquema com ceftriaxona e doxiciclina trataria orquiepididimite, que cursa com febre, disúria e alívio à elevação escrotal. Aguardar ultrassom com Doppler eletivo consome o tempo de isquemia e não é necessário quando o quadro clínico é típico. Analgesia com repouso domiciliar leva à perda da gônada. A punção aspirativa não tem papel diagnóstico e acrescenta risco de lesão testicular.
Adolescente do sexo masculino, 14 anos, com dor escrotal intensa de início súbito há 3 horas, acompanhada de náuseas, sem febre e sem sintomas urinários. Exame: testículo direito elevado e horizontalizado, muito doloroso à palpação, com ausência do reflexo cremastérico ipsilateral, e a elevação do testículo não alivia a dor. Testículo esquerdo normal. Urina tipo I sem alterações; sem secreção uretral. Qual a conduta mais adequada?
Dor escrotal súbita e intensa com testículo elevado e horizontalizado, ausência do reflexo cremastérico e sinal de Prehn negativo caracteriza torção testicular, emergência cirúrgica cuja janela de salvamento gonadal é de aproximadamente seis horas; a conduta é exploração escrotal imediata com detorção e orquidopexia bilateral, pois a predisposição anatômica costuma ser bilateral. Tratar como epididimite retarda a cirurgia e resulta em perda testicular. Aguardar ultrassonografia com Doppler que demore horas é inaceitável, pois o diagnóstico é clínico e o exame não deve atrasar a exploração. Observar por 24 horas garante necrose gonadal. Compressa fria e elevação escrotal são medidas sintomáticas que não tratam a torção do cordão espermático.
Menino, 11 anos, com dor testicular esquerda há 30 horas, de início gradual, sem náuseas ou vômitos. PA 108x66 mmHg, FC 88 bpm, T 36,8 °C. Testículo esquerdo em posição normal, com reflexo cremastérico presente, dor localizada no polo superior e ponto azulado visível através da pele escrotal. Ultrassonografia com Doppler mostra fluxo testicular preservado e nódulo hipoecoico paratesticular hipervascularizado na periferia. Qual o diagnóstico e a conduta?
O ponto azulado no polo superior, reflexo cremastérico presente, dor de início gradual e Doppler com fluxo testicular preservado caracterizam torção de apêndice testicular, condição autolimitada tratada com analgesia, repouso e observação. A torção do cordão espermático cursaria com dor súbita intensa, testículo elevado e horizontalizado, reflexo cremastérico abolido e ausência de fluxo ao Doppler. A orquiepididimite é rara nessa faixa etária sem atividade sexual ou malformação urinária e cursa com epidídimo espessado e hiperemia difusa. A hérnia encarcerada apresentaria massa inguinoescrotal irredutível com sintomas obstrutivos. O tumor testicular é massa sólida intratesticular indolor, incompatível com o nódulo paratesticular descrito.
Recém-nascido de 3 dias de vida apresenta aumento de volume da bolsa escrotal à direita, notado desde o nascimento. Ao exame, testículo direito endurecido, indolor, com pele escrotal arroxeada e sem transiluminação. Temperatura axilar 36,8 °C, frequência cardíaca 140 bpm, sem sinais de sepse. Ultrassonografia com Doppler mostra ausência completa de fluxo no testículo direito, com aspecto heterogêneo do parênquima. Qual a alternativa correta?
A torção testicular perinatal é tipicamente extravaginal, ocorre no período pré-natal ou perinatal e se apresenta como massa escrotal endurecida, indolor, com pele arroxeada e ausência de fluxo ao Doppler, indicando exploração cirúrgica para avaliação e fixação do testículo contralateral. A hidrocele comunicante é cística, transilumina e não abole o fluxo testicular. A punção escrotal não tem papel e pode lesar o testículo. A orquite bacteriana neonatal é rara e cursa com sinais inflamatórios sistêmicos, ausentes aqui. Afirmar que a ausência de dor exclui torção é erro grave: no neonato o quadro é caracteristicamente indolor.
Homem, 24 anos, sexualmente ativo, apresenta dor escrotal esquerda de instalação gradual há 3 dias, com edema e febre baixa. PA 122x76 mmHg, FC 88 bpm, T 37,8 °C. Epidídimo esquerdo espessado e doloroso, com alívio da dor à elevação do testículo. Reflexo cremastérico presente. Ultrassonografia com Doppler mostra hiperfluxo epididimário e testículo com fluxo preservado. Refere disúria leve. Qual a conduta?
Em homem jovem sexualmente ativo, a epididimite é geralmente causada por Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, sendo o tratamento ceftriaxona intramuscular associada a doxiciclina, com orientação e tratamento das parcerias. A exploração cirúrgica de urgência trataria torção, afastada pelo início gradual, sinal de Prehn positivo, reflexo cremastérico presente e fluxo testicular preservado. Ciprofloxacino isolado por três dias não cobre adequadamente clamídia nem tem duração suficiente. Analgesia isolada deixa infecção sexualmente transmissível sem tratamento, com risco de abscesso e infertilidade. A orquiectomia é conduta mutiladora e injustificável.
Adolescente de 15 anos acorda com dor escrotal unilateral intensa e náuseas. O testículo está elevado e horizontalizado, com reflexo cremastérico ausente do lado doloroso. Não há disúria nem febre; o quadro começou há duas horas. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
A preservação depende do tempo; analgesia ou antibiótico isolados não corrigem o pedículo torcido. Referência: https://medlineplus.gov/ency/article/000517.htm
Adolescente de 15 anos acorda com dor escrotal unilateral intensa e náuseas. O testículo está elevado e horizontalizado, com reflexo cremastérico ausente do lado doloroso. Não há disúria nem febre; o quadro começou há duas horas. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
A drenagem venosa e o fluxo arterial ficam ameaçados, podendo ocorrer perda do testículo. Referência: https://medlineplus.gov/ency/article/000517.htm
Adolescente de 15 anos acorda com dor escrotal unilateral intensa e náuseas. O testículo está elevado e horizontalizado, com reflexo cremastérico ausente do lado doloroso. Não há disúria nem febre; o quadro começou há duas horas. Qual é o diagnóstico mais provável?
Início abrupto, posição anormal e reflexo ausente exigem presumir torção até avaliação definitiva. Referência: https://medlineplus.gov/ency/article/000517.htm
Homem de 24 anos apresenta dor escrotal de instalação gradual, disúria e corrimento uretral após nova parceria. Há epidídimo doloroso e hiperemiado ao Doppler, com fluxo testicular preservado e torção afastada clinicamente. Teste molecular detecta clamídia. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
O esquema deve cobrir gonococo quando ainda não excluído e clamídia, associado a suporte sintomático. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/epididymitis.htm
Homem de 24 anos apresenta dor escrotal de instalação gradual, disúria e corrimento uretral após nova parceria. Há epidídimo doloroso e hiperemiado ao Doppler, com fluxo testicular preservado e torção afastada clinicamente. Teste molecular detecta clamídia. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
A pesquisa etiológica direciona tratamento e manejo das parcerias; excluir torção continua essencial. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/epididymitis.htm
Homem de 24 anos apresenta dor escrotal de instalação gradual, disúria e corrimento uretral após nova parceria. Há epidídimo doloroso e hiperemiado ao Doppler, com fluxo testicular preservado e torção afastada clinicamente. Teste molecular detecta clamídia. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
Agentes uretrais podem alcançar o epidídimo e provocar dor e edema. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/epididymitis.htm
Homem de 24 anos apresenta dor escrotal de instalação gradual, disúria e corrimento uretral após nova parceria. Há epidídimo doloroso e hiperemiado ao Doppler, com fluxo testicular preservado e torção afastada clinicamente. Teste molecular detecta clamídia. Qual é o diagnóstico mais provável?
Sintomas uretrais, evolução gradual e identificação de clamídia apoiam causa infecciosa. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/epididymitis.htm
Adolescente de 15 anos acorda com dor escrotal unilateral intensa e náuseas. O testículo está elevado e horizontalizado, com reflexo cremastérico ausente do lado doloroso. Não há disúria nem febre; o quadro começou há duas horas. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
O Doppler pode apoiar o diagnóstico, mas não deve atrasar exploração em suspeita clínica elevada. Referência: https://medlineplus.gov/ency/article/000517.htm
Adolescente apresenta dor escrotal súbita, náuseas, testículo elevado e horizontalizado e reflexo cremastérico ausente, sem sintomas urinários. Qual diagnóstico é mais provável?
O conjunto indica forte suspeita de torção, uma urgência cirúrgica. Dor escrotal súbita e achados compatíveis exigem avaliação cirúrgica urgente; testes não devem atrasar exploração quando a suspeita é alta. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/epididymitis.htm
Pessoa com disúria e dor escrotal apresenta epidídimo aumentado e hiperemiado ao ultrassom, em contexto clínico infeccioso. Qual diagnóstico é mais provável?
Hiperemia epididimária apoia epididimite. Inflamação epididimária causa dor e edema, frequentemente com sinais urinários ou uretrais; torção deve ser excluída. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/epididymitis.htm
Jovem com dor testicular súbita tem redução importante do fluxo na gônada e achados clínicos concordantes, sem evidência de trauma. Qual diagnóstico é mais provável?
Comprometimento vascular agudo sustenta torção testicular. Dor escrotal súbita e achados compatíveis exigem avaliação cirúrgica urgente; testes não devem atrasar exploração quando a suspeita é alta. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/epididymitis.htm
Adulto mais velho com fatores de risco urinários apresenta dor gradual no epidídimo e cultura compatível com bactéria entérica; torção foi afastada. Qual diagnóstico é mais provável?
Patógenos urinários também podem causar epididimite. Inflamação epididimária causa dor e edema, frequentemente com sinais urinários ou uretrais; torção deve ser excluída. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/epididymitis.htm
Adolescente apresenta dor escrotal há poucas horas, sem piúria, com testículo alto e doloroso. O exame é fortemente sugestivo de torção. Qual diagnóstico é mais provável?
Ausência de sintomas infecciosos e posição anormal reforçam a suspeita. Dor escrotal súbita e achados compatíveis exigem avaliação cirúrgica urgente; testes não devem atrasar exploração quando a suspeita é alta. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/epididymitis.htm
Homem apresenta dor e aumento de volume epididimário, com teste positivo para agente sexualmente transmissível e fluxo testicular preservado. Qual diagnóstico é mais provável?
A etiologia infecciosa e a localização apoiam epididimite. Inflamação epididimária causa dor e edema, frequentemente com sinais urinários ou uretrais; torção deve ser excluída. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/epididymitis.htm
Jovem acorda com dor intensa em um testículo e vômitos. Há posição anormal da gônada e forte suspeita clínica de interrupção vascular. Qual diagnóstico é mais provável?
A apresentação abrupta exige considerar torção imediatamente. Dor escrotal súbita e achados compatíveis exigem avaliação cirúrgica urgente; testes não devem atrasar exploração quando a suspeita é alta. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/epididymitis.htm
Adulto tem dor escrotal de instalação gradual, disúria e secreção uretral; exame localiza dor no epidídimo e avaliação exclui torção. Qual diagnóstico é mais provável?
Sinais uretrais e inflamação epididimária favorecem epididimite. Inflamação epididimária causa dor e edema, frequentemente com sinais urinários ou uretrais; torção deve ser excluída. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/epididymitis.htm
Paciente com escroto agudo apresenta achados clínicos e Doppler compatíveis com torção recente, com cirurgia disponível. Qual conduta é mais apropriada?
Exploração urgente é necessária para tentar preservar o testículo. Torção testicular é urgência dependente do tempo; forte suspeita clínica não deve aguardar exames que atrasem tratamento. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/epididymitis.htm
Adolescente tem torção fortemente suspeita e equipe cirúrgica pronta, mas ainda não realizou exames laboratoriais sem impacto imediato. Qual conduta é mais apropriada?
Exames que não mudam a urgência não devem atrasar exploração. Torção testicular é urgência dependente do tempo; forte suspeita clínica não deve aguardar exames que atrasem tratamento. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/epididymitis.htm
Jovem tem início súbito de dor escrotal e alta probabilidade clínica de torção. A transferência para ultrassom atrasaria a cirurgia disponível. Qual conduta é mais apropriada?
A prioridade é a exploração cirúrgica oportuna. Torção testicular é urgência dependente do tempo; forte suspeita clínica não deve aguardar exames que atrasem tratamento. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/epididymitis.htm
Adolescente tem dor testicular abrupta, posição anormal da gônada e forte suspeita de torção. Um exame de imagem só estará disponível após demora relevante. Qual conduta é mais apropriada?
A suspeita elevada exige exploração sem atraso prejudicial. Torção testicular é urgência dependente do tempo; forte suspeita clínica não deve aguardar exames que atrasem tratamento. Referência: https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/epididymitis.htm
O painel direito representa qual causa de escroto agudo?

O cordão está enrolado, com testículo horizontalizado e alteração de cor.
Em adolescente com dor súbita e alta suspeita clínica do mecanismo à direita, qual conduta evita atraso prejudicial?

A viabilidade testicular é tempo-dependente; imagem não deve atrasar abordagem de alta suspeita.
Ao corrigir a alteração do painel direito, por que se considera fixação do testículo contralateral?

A orquidopexia contralateral previne torção futura em anatomia predisponente.
Se o Doppler mostra algum fluxo, mas clínica e torção do cordão são fortemente suspeitas, qual interpretação é mais segura?

Torções incompletas ou intermitentes podem preservar fluxo; sinais e contexto devem ser integrados.
Qual mudança de posição é desenhada no testículo da direita?

O esquema mostra eixo mais horizontal e posição alterada à direita.
A dor desaparece espontaneamente antes do exame, mas houve episódios semelhantes com posição anormal transitória. Qual hipótese mantém relevância?

Destorção espontânea pode aliviar sintomas sem eliminar risco de novo episódio; exige avaliação urológica.
Qual estrutura está torcida no painel direito?

A torção do cordão compromete vasos e perfusão testicular.
Adolescente com dor súbita, vômitos e posição do painel direito tem forte suspeita clínica de torção. O Doppler só estará disponível horas depois. Qual prioridade é adequada?

Torção ameaça viabilidade; alta suspeita não deve ter exploração retardada por indisponibilidade de imagem.
Dor escrotal progressiva e febre acompanham o Doppler. Qual achado favorece processo inflamatório? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Hiperemia, no contexto clínico, favorece orquite ou epididimo-orquite.
Durante avaliação cirúrgica, um Doppler anterior mostra algum fluxo arterial apesar do redemoinho. Qual interpretação é correta? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

A análise do cordão e da clínica evita falso descarte baseado apenas no Doppler.
Adolescente tem seis horas de dor, testículo elevado e o achado mostrado. A tomografia só estará disponível em duas horas. Qual conduta é adequada? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

O quadro indica emergência; a TC não deve retardar o tratamento.
O Doppler mostra hiperemia difusa, sem massa focal definida. Qual hipótese é mais coerente com febre e disúria? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Sintomas urinários, inflamação e hiperemia sustentam essa hipótese.
Dor escrotal abrupta e vômitos acompanham redução de perfusão e cordão em redemoinho. Qual diagnóstico deve ser priorizado? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Rotação do cordão com comprometimento perfusional é altamente sugestiva nesse contexto.
O quadro é tratado como epididimo-orquite, mas persistem febre e dor, com piora em 72 horas. Qual reavaliação é mais apropriada? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Falta de resposta exige revisar etiologia e complicações.
Dor inicialmente súbita cessa antes do exame; surge hiperemia no Doppler. Qual limitação deve ser lembrada? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

A história e a avaliação do cordão continuam essenciais.
Qual componente anatômico produz o sinal em redemoinho? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

A rotação dos elementos do cordão cria o padrão espiralado.
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em 7 dias
Reconstrua de memória: as cinco linhas do TWIST com seus pontos e as três faixas de risco; os quatro achados que separam torção de epididimite (posição e consistência do testículo, reflexo cremastérico, sinal de Prehn, febre e sintomas urinários); e os três esquemas de epididimite do PCDT IST de 2022 com dose e duração. Depois responda em uma frase: em que situação exata o Doppler entra na decisão?
em 30 dias
Refaça as duas vinhetas do capítulo trocando um dado de cada vez e diga o que muda na conduta: o adolescente com dor há 20 horas em vez de 2; o mesmo adolescente com Doppler mostrando fluxo preservado; o homem de 24 anos com dor de início súbito há 3 horas em vez de arrastada há 2 dias; e um homem de 62 anos após ressecção transuretral de próstata com o mesmo quadro do jovem. Depois recite os números brasileiros: salvamento global, atraso mediano, proporção de diagnóstico inicial errado e o contraste 22,2% contra 54,2%.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Adolescente de 15 anos, trazido pela mãe à emergência de madrugada com dor escrotal esquerda súbita iniciada há duas horas, acompanhada de um episódio de vômito. Sem febre, sem disúria. Ao exame o testículo esquerdo está alto, horizontalizado e endurecido, com reflexo cremastérico ausente. O ultrassom do serviço só funciona pela manhã. Conduza o atendimento e decida o destino do paciente. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
