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Cirurgia GeralUrologia

Infecção urinária complicada e prostatite

Infecção urinária complicada, pielonefrite e prostatite

Este capítulo começa onde a receita de cinco dias falha: rim obstruído não esteriliza com droga nenhuma, coleção grande não se penetra e próstata inflamada barra a difusão. A prova cobra o relógio das 48 a 72 horas, o tamanho que troca a veia pela agulha e a duração que ninguém decora.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 38 anos, previamente hígido, comparece à UPA com febre de 38,8 °C, calafrios, dor perineal e na base do pênis, disúria intensa e jato urinário fraco há dois dias. Nega corrimento uretral. Ao toque retal, a próstata encontra-se aumentada, muito dolorosa, quente e amolecida. Exame de urina com leucocitúria e bacteriúria. Encontra-se hemodinamicamente estável, sem globo vesical palpável, e nega alergias a medicamentos. Considerando a hipótese diagnóstica mais provável, qual é a conduta mais apropriada?

02

Como esse tema cai

Há um ponto no tema da infecção urinária em que a pergunta deixa de ser qual antibiótico e passa a ser qual procedimento. Urina represada acima de uma obstrução não esteriliza com droga nenhuma, porque o antibiótico chega pelo sangue e o que está sob pressão numa cavidade fechada não se renova. Coleção grande não se penetra em concentração terapêutica. Próstata inflamada barra a difusão do que circula. Este capítulo é o do adulto não gestante em que o antibiótico, sozinho, não fecha o caso — e a resposta certa é drenar, desobstruir ou prolongar.

O que já está escrito em outro lugar entra aqui só como piso. A escada da bacteriúria assintomática à urossepse, a lista de quem não se trata, os esquemas da cistite não complicada e os números brasileiros de resistência estão no capítulo de Infecção do trato urinário, em Nefrologia. A gestante está em Infecção urinária na gestação; a criança, em Infecção do trato urinário na criança; o cálculo, a cólica e a drenagem do rim obstruído por pedra, no primeiro capítulo desta apostila; a epididimite e a orquite, em Escroto agudo; a retenção urinária e a próstata que cresce, em Hiperplasia prostática benigna; e o PSA que sobe por inflamação, em Câncer de próstata.

O que a prova cobra aqui tem três formatos. O relógio: quantas horas de antibiótico correto antes de a febre que persiste virar indicação de tomografia. O gatilho: que tamanho de coleção troca a veia pela agulha, e que achado troca a agulha pela sala de cirurgia. E a próstata: por que o toque retal se faz com delicadeza, por que a massagem não se faz na fase aguda, e por que o curso dura semanas onde a cistite durava cinco dias.

03

O que muda decisão

Complicada é a que prevê falha, não a que soa grave

A definição operacional de infecção urinária complicada é a que não cabe no molde da mulher adulta, não gestante, sem alteração anatômica nem funcional do trato urinário e sem comorbidade que a exponha a desfecho pior. Tudo o que sai desse molde entra na outra categoria: homem, gestante, cateter de demora ou cateterismo intermitente, obstrução de qualquer causa, litíase, bexiga neurogênica, refluxo, rim transplantado, doença renal crônica, imunossupressão, diabetes mal controlado, manipulação urológica recente e infecção adquirida em ambiente de assistência.

A lista é longa e decorá-la item a item rende pouco. O que rende é entender o que ela mede. Cada item da lista é um preditor de que um curso curto e padronizado vai falhar — porque existe um reservatório que a droga não alcança, porque o esvaziamento da bexiga é incompleto, porque o germe provável já não é o mesmo Escherichia coli sensível da comunidade, ou porque o hospedeiro não fecha a conta com o antibiótico sozinho. É por isso que a mesma cistite que se resolve com dose única na mulher jovem vira curso de sete a catorze dias no homem, e por isso que a febre que persiste em quem tem cálculo pede tomografia enquanto em quem não tem pede paciência.

Daí decorre a única pergunta que precisa ser feita em toda infecção urinária febril: existe alguma coisa aqui que impeça o antibiótico de funcionar? Ela tem quatro respostas possíveis — obstrução, coleção, corpo estranho e tecido com penetração ruim. As quatro têm conduta própria, e nenhuma delas é trocar a droga.

Um cuidado de vocabulário evita erro de leitura de enunciado. Infecção urinária complicada e infecção urinária grave não são sinônimos: um homem jovem com cistite simples tem infecção complicada e não tem gravidade nenhuma, e uma mulher hígida pode chegar em choque séptico por pielonefrite tecnicamente não complicada. A categoria governa a duração e a investigação; a gravidade governa a via, o local do tratamento e a pressa.

A régua europeia vigente foi além e aposentou o próprio par de termos. A associação europeia de urologia propõe uma classificação nova, que não usa mais as palavras complicada e não complicada, e trabalha com dois eixos: ITU localizada, que é a cistite sem qualquer sinal ou sintoma de infecção sistêmica, em qualquer sexo; e ITU sistêmica, que é a infecção com sinais e sintomas sistêmicos, com ou sem sintoma localizado, originada em qualquer ponto do trato urinário, também em qualquer sexo. Os sinais que separam os dois grupos estão tabelados: disúria, urgência, frequência, incontinência, secreção uretral e desconforto em baixo ventre de um lado; febre ou hipotermia, calafrios com tremor, delirium, hipotensão, taquicardia e dor ou sensibilidade no ângulo costovertebral do outro.

A lista de fatores complicadores não desapareceu — ela virou lista de fatores de risco, e é ela que continua a governar duração e investigação: lactentes; idoso ou paciente frágil; anormalidade anatômica ou funcional do trato urinário; uso prévio de antibiótico; cateter urinário de demora; cálculos; imunossupressão; resíduo pós-miccional significativo; doença neurourológica; germe resistente; obstrução do trato urinário; instrumentação recente; e, do lado do sexo, gravidez e prolapso de órgão pélvico na mulher, e envolvimento prostático no homem. Duas leituras práticas decorrem daí. A primeira é que resíduo pós-miccional entrou na lista por mérito próprio — bexiga que não esvazia é reservatório, e reservatório é a definição operacional deste capítulo. A segunda é que o uso prévio de antibiótico pesa tanto quanto uma alteração anatômica.

Há um ponto em que o documento europeu se contradiz e vale conhecer, porque enunciado de prova pode cair de qualquer um dos dois lados: o texto corrido afirma que, na classificação proposta, o sexo masculino não é considerado fator de risco, por falta de sustentação na literatura contemporânea, enquanto a tabela de fatores de risco do mesmo documento lista o sexo masculino, com o envolvimento prostático como subitem. A conduta que o próprio documento recomenda não é ambígua e resolve o impasse na prática: em homem com ITU febril, pielonefrite ou infecção recorrente, ou sempre que se suspeite de fator complicador, a duração mínima é de duas semanas, preferencialmente com fluoroquinolona, porque o envolvimento prostático é frequente.

O piso farmacológico: por que a droga da cistite não serve aqui

Os esquemas da cistite não complicada estão no capítulo de Nefrologia e não se repetem: nitrofurantoína por cinco dias ou fosfomicina trometamol em dose única, com fluoroquinolona fora da primeira linha. O que interessa a este capítulo é o motivo pelo qual essas duas drogas somem daqui por completo. Nitrofurantoína e fosfomicina são agentes de concentração urinária: atingem níveis altos na urina da bexiga e níveis baixos no parênquima renal, no tecido prostático e dentro de uma coleção. Servem para tratar epitélio banhado por urina, e é só isso que a cistite é.

Pielonefrite, abscesso e prostatite são infecções de tecido. Exigem droga que alcance concentração no interstício, e é essa exigência que explica a lista curta de opções: fluoroquinolona, sulfametoxazol-trimetoprima, cefalosporina de terceira geração, aminoglicosídeo, carbapenêmico. A prostatite acrescenta uma barreira a mais, o epitélio prostático, e por isso reduz ainda mais a lista — sobram sobretudo a fluoroquinolona e o sulfametoxazol-trimetoprima, com a fosfomicina reaparecendo como exceção justamente nos germes multirresistentes.

Esse é o gerador de distrator mais produtivo do tema, e a régua europeia o registra como recomendação forte, com as três drogas nomeadas: não usar nitrofurantoína, fosfomicina oral nem pivmecilinam para tratar pielonefrite. Uma alternativa que oferece qualquer uma delas para pielonefrite, prostatite ou abscesso renal está errada por farmacocinética, não por espectro: o germe até é sensível no antibiograma, mas a droga não chega onde a infecção está. O antibiograma informa sensibilidade in vitro; ele não informa penetração tecidual.

A segunda consequência é a duração. Curso de três dias e dose única são regimes desenhados para infecção de superfície e não se aplicam a nada deste capítulo. Aqui as durações se contam em semanas — quatro semanas para abscesso renal, duas a quatro para prostatite aguda, quatro a seis para prostatite crônica bacteriana — e cada uma delas tem uma razão física por trás.

No homem, a duração tem um piso próprio e ele cai em prova. Diante de ITU febril, pielonefrite ou infecção recorrente masculina, ou sempre que se suspeite de fator complicador, a recomendação é de duração mínima de duas semanas, preferencialmente com fluoroquinolona, justamente porque o envolvimento prostático é frequente e a próstata é o compartimento de penetração mais difícil. O mesmo documento é explícito ao comparar: em homens com ITU sistêmica, sete dias de antibiótico são inferiores a catorze.

Para o resto dos pacientes com ITU sistêmica, a faixa geral vai de cinco a dez dias, e ela se estratifica por classe: cinco a sete dias para fluoroquinolona, sete a dez para sulfametoxazol-trimetoprima e sete a dez para betalactâmico, nos pacientes que melhoram nas primeiras 48 a 72 horas. Alternativa que troca o par droga-duração é distrator construído de propósito.

Há uma terceira consequência, e ela é brasileira. A Relação Nacional de Medicamentos Essenciais vigente, a de 2024, define o que a rede dispensa — e o desenho dela conversa mal com algumas diretrizes de sociedade. A fosfomicina trometamol, primeira linha de cistite não complicada no consenso brasileiro, não figura na relação; o norfloxacino também não. O ciprofloxacino está listado apenas em comprimido de 250 mg e 500 mg, sem apresentação injetável. A gentamicina consta somente como formulação oftálmica, de modo que o aminoglicosídeo sistêmico disponível na relação é a amicacina, classificada como componente estratégico. Ficam disponíveis a nitrofurantoína 100 mg em cápsula, o sulfametoxazol-trimetoprima em comprimido e em solução injetável, a cefalexina 500 mg, a ceftriaxona em 250 mg, 500 mg e 1 g, a amoxicilina isolada e com clavulanato, a cefotaxima 500 mg e o ofloxacino 400 mg.

Essa lista muda a resposta esperada quando o cenário do enunciado é a rede pública. Um caso de pielonefrite que precisa de esquema parenteral em unidade que trabalha com o componente básico chega naturalmente à ceftriaxona; um esquema que exigisse ciprofloxacino endovenoso ou gentamicina depende de padronização local. E o par ciprofloxacino oral mais ceftriaxona injetável cobre, com o que está na relação, a maior parte das decisões deste capítulo.

Quarenta e oito a setenta e duas horas: o relógio que troca a droga pela imagem

Pielonefrite tratada com antibiótico adequado melhora. A febre cede, a dor lombar diminui e o paciente volta a aceitar líquido dentro de 48 a 72 horas. Persistência ou recrudescimento de febre e de dor após esse intervalo, ou piora clínico-laboratorial em qualquer momento, define falha — e falha é indicação de imagem, não de troca empírica de antibiótico. A régua europeia diz exatamente isso e diz duas vezes, com uma diferença de redação que vale conhecer: o texto corrido fala em investigação adicional se o paciente permanece febril após 72 horas de tratamento, ou imediatamente se houver deterioração clínica; o sumário de evidência do mesmo tópico fala em 48 a 72 horas. O número que a prova reproduz é 48 a 72 horas.

O que a imagem procura está declarado no próprio documento e tem duas metades. Primeira: condições subjacentes que atrasam a resposta terapêutica ou exigem intervenção — retenção urinária e hidronefrose. Segunda: complicações potenciais da infecção — abscesso renal, abscesso perinéfrico e abscesso prostático. A ultrassonografia é o exame inicial; havendo hidronefrose ou suspeita de obstrução, segue-se para tomografia ou ressonância.

A ordem das hipóteses importa mais que a lista. Primeiro obstáculo mecânico: cálculo, estenose, coágulo, tumor, rim obstruído. Segundo coleção: abscesso renal, abscesso perinéfrico, abscesso prostático no homem. Terceiro gás: pielonefrite enfisematosa, que muda a categoria do caso inteiro. Só em quarto lugar entra a hipótese de germe resistente ou de droga inadequada — e essa é a única das quatro que a urocultura colhida antes da primeira dose já vai responder sozinha, o que reforça por que ela é obrigatória em toda infecção urinária febril.

O exame que responde às três primeiras perguntas de uma vez é a tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste, cuja sensibilidade para abscesso renal fica entre 92% e 98%. A ultrassonografia entra antes quando o que se quer saber é apenas se há hidronefrose — é rápida, não irradia, não precisa de contraste e serve ao paciente instável, ao gestante e a quem tem função renal comprometida. Ela tem, porém, um limite que a prova gosta de cobrar: pode não distinguir massa inflamatória de abscesso verdadeiro, e é pouco sensível para pequenas quantidades de gás.

Há três situações em que o relógio das 48 a 72 horas não se aplica porque a imagem é imediata: sinal de sepse ou choque na chegada, história de litíase ou de manipulação urológica recente, e rim único ou transplantado. Nessas, a pergunta sobre obstrução se responde antes de dar tempo de o antibiótico falhar.

Uma conta ajuda a fixar o intervalo. Ceftriaxona de 12 em 12 horas por 72 horas são seis doses; ciprofloxacino de 12 em 12 horas por 72 horas são seis tomadas. Quando o enunciado descreve o terceiro dia de internação com febre mantida, ele está descrevendo um paciente que já recebeu seis doses do antibiótico certo — e é isso que torna a explicação farmacológica implausível e a mecânica provável.

Três cortes coronais de rim lado a lado. No primeiro, a pelve e os cálices estão dilatados e cheios de líquido, com um cálculo alojado no ureter logo abaixo. No segundo, há uma cavidade arredondada única dentro do parênquima, com borda mais espessa e conteúdo mais claro. No terceiro, o parênquima está salpicado de pequenas cavidades arredondadas e há uma faixa fina em crescente contornando a borda externa do rim.
As três coisas que a tomografia procura quando a febre da pielonefrite atravessa as 48 a 72 horas: obstrução, coleção e gás. A ordem do desenho é a ordem das hipóteses — obstáculo mecânico primeiro, coleção depois, gás em terceiro. Germe resistente é a quarta hipótese, e a urocultura colhida antes da primeira dose já a responde sem exame de imagem.

Abscesso renal e perinéfrico: o tamanho decide a agulha

O abscesso renal nasce por dois caminhos. O corticomedular é a evolução de uma pielonefrite ascendente que não resolveu, e por isso convive com os mesmos fatores de risco dela: mais da metade dos pacientes com abscesso corticomedular tem diabetes, e cerca de 30% têm urolitíase associada. O cortical, mais raro, é hematogênico e clássico do estafilococo. O perinéfrico é a extensão para fora da cápsula, dentro da gordura perirrenal, e resulta de necrose gordurosa — em cerca de metade dos casos o agente é Escherichia coli, isolada em 51,4% das séries.

A regra de conduta é de tamanho, e ela tem três faixas, não duas. Abscesso renal pequeno, abaixo de 3 cm, resolve com antibiótico isolado no paciente estável e sem sinal sistêmico. Abscesso grande, de 5 cm ou mais, exige drenagem — e a exigência se estende às lesões multiloculadas e aos casos com toxicidade sistêmica, independentemente do tamanho. A faixa intermediária, entre 3 e 5 cm, é declarada controversa: tanto o tratamento clínico quanto a drenagem funcionaram. O que desempata na faixa do meio são três coisas: extensão perinéfrica, comprometimento sistêmico grave e ausência de resposta ao tratamento clínico — qualquer uma delas empurra para a drenagem percutânea guiada por imagem.

Três motivos sustentam a drenagem da coleção grande, e vale citá-los juntos porque a alternativa costuma testar um deles: penetração antibiótica ruim, risco aumentado de ruptura espontânea e duração prolongada da infecção.

O abscesso perinéfrico drena mais cedo: acima de 3 cm a orientação é drenar, e abaixo de 3 cm começa-se por antibiótico. O limiar mais baixo tem lógica anatômica — a coleção está em gordura, que é tecido de vascularização pobre e penetração ruim, e o espaço perirrenal comunica-se com o retroperitônio dentro da fáscia de Gerota, o que dá à coleção um caminho de expansão que o parênquima renal não oferece. A extensão perinéfrica complica de 10% a 40% dos abscessos renais, sobretudo em apresentação tardia, diabetes e uropatia obstrutiva; e a drenagem percutânea aqui falha em até 30% dos casos, o que torna a cirurgia aberta um desfecho previsível e não uma surpresa.

Uma entidade vizinha aparece em enunciado e não se drena: a nefronia lobar aguda, que é infecção focal do parênquima sem liquefação. Como não há cavidade com pus, não há o que drenar — trata-se com antibiótico. O cuidado é de vigilância: em diabético, ela pode progredir para abscesso renal franco em três dias ou menos.

A duração do antibiótico é longa e independe de ter havido drenagem. No abscesso renal, quatro semanas é a referência, com mínimo de duas; diabético, imunodeprimido ou bacterêmico pode precisar de seis a oito semanas. No perinéfrico, o piso é de duas a três semanas. A tomografia com contraste é o método preferencial dos dois, e a imagem de controle faz parte do seguimento — coleção que não regride é coleção que ainda precisa de conduta.

A cirurgia aberta ficou para três situações: coleção grande demais para ser resolvida por cateter percutâneo, falha da drenagem percutânea associada a antibiótico, e rim cronicamente infectado e atrófico que desenvolve abscesso perinéfrico — nesse último, a nefrectomia trata o abscesso e retira o reservatório de uma vez. Com drenagem percutânea disponível, a mortalidade do abscesso renal caiu para menos de 5% nos sistemas de saúde desenvolvidos, contra 20% a 50% nas séries históricas.

E há uma condição que precede toda essa discussão de tamanho: obstrução associada se alivia primeiro. Drenar a coleção e deixar o sistema coletor obstruído é resolver metade do problema — o reservatório continua produzindo.

Pielonefrite enfisematosa: o gás muda a classe, e a classe muda a conduta

Pielonefrite enfisematosa é infecção necrosante do parênquima renal e das áreas ao redor com produção de gás. O paciente típico é diabético: na série original de 48 casos que fundou a classificação, 96% tinham diabetes melito. Os agentes são os mesmos de sempre — Escherichia coli em 69% e Klebsiella pneumoniae em 29% —, e a origem do gás foi demonstrada por análise direta: dióxido de carbono em todas as amostras e hidrogênio em cinco, compatível com fermentação ácida mista da glicose por enterobactérias. O gás é subproduto do metabolismo bacteriano em tecido com glicose disponível, e é por isso que o diabetes descompensado é o terreno.

A classificação tomográfica de Huang e Tseng, de 2000, tem cinco degraus e é a que a prova cobra. Classe 1: gás apenas no sistema coletor. Classe 2: gás no parênquima renal, sem extensão extrarrenal. Classe 3A: gás ou abscesso no espaço perinéfrico. Classe 3B: gás ou abscesso no espaço pararrenal. Classe 4: acometimento bilateral — as revisões brasileiras acrescentam aqui o rim único, pela mesma lógica de ausência de parênquima de reserva. Repare que o eixo é território, não volume — o que sobe a classe é o gás alcançar um novo compartimento, e é essa progressão territorial que se correlaciona com mortalidade.

A conduta segue a classe. Nas classes 1 e 2, tratamento clínico isolado ou associado à drenagem percutânea produz bons resultados, e a pielite enfisematosa isolada — gás confinado ao sistema coletor — é a situação em que se pode postergar a drenagem e ficar só no antibiótico. Nas classes 3A e 3B a decisão passa a depender de quantos fatores de risco o paciente acumula: com menos de dois, a associação de tratamento clínico e drenagem percutânea tem sobrevida de 85%; com mais de dois, essa mesma associação falhou em 92% dos casos, e a proporção de pacientes que acabaram em nefrectomia foi maior. Uma revisão brasileira reproduz a mesma regra fechando a faixa pelo outro lado — dois ou mais fatores de risco nas classes III e IV indicam nefrectomia —, e relata 87% de sucesso terapêutico da drenagem percutânea com antibioticoterapia nos pacientes abaixo desse corte. A leitura operacional que concilia as duas redações é contar os fatores e tratar dois como já pertencendo ao grupo de alto risco. Na classe 4, o passo inicial continua sendo tratamento clínico com drenagem percutânea. Em qualquer classe, quando a tentativa de preservar o rim falha, o passo seguinte é a nefrectomia.

A duração do antimicrobiano é longa e raramente aparece nos resumos: duas semanas por via endovenosa, seguidas de pelo menos mais quatro semanas por via oral. São seis semanas de tratamento no total — a mesma ordem de grandeza do abscesso renal em hospedeiro comprometido, e pela mesma razão física.

Os fatores de risco que entram nessa contagem são diabetes melito, plaquetopenia, injúria renal aguda, alteração do nível de consciência e choque. Séries posteriores acrescentam idade avançada, proteinúria intensa, hipoalbuminemia com albumina sérica abaixo de 3 g/dL, infecção polimicrobiana e hiponatremia grave.

O que a classificação mudou na prática está nos números da série original. Drenagem percutânea associada a antibiótico teve 66% de sucesso — 27 de 41 pacientes —, contra 40% do antibiótico isolado; a nefrectomia resolveu 90% dos casos em que foi feita; e a mortalidade global da série ficou em 18,8%, o que corresponde a 9 dos 48 pacientes. Antes disso a nefrectomia de urgência era a conduta padrão. Séries mais recentes descrevem mortalidade em torno de 21%, com 19% no braço de antibiótico isolado contra 9% quando houve drenagem adequada.

Existe uma segunda classificação, de Wan e colaboradores, de 1996, com dois tipos — e o motivo de conhecê-la é que a gravidade nela corre ao contrário. O tipo I é a destruição parenquimatosa com gás estriado ou mosqueado e ausência de coleção líquida; o tipo II tem coleção líquida renal ou perinéfrica, gás em bolhas ou localizado, ou gás no sistema coletor. Na classificação de Wan, o tipo I é o de pior prognóstico e maior mortalidade; na de Huang e Tseng, é a classe mais alta que carrega o pior desfecho. Enunciado que diz apenas 'classe I de pielonefrite enfisematosa' não é interpretável sem dizer de qual sistema — e a diferença entre os dois inverte a resposta.

Epidemiologia que ajuda a reconhecer o caso: mais de 90% dos pacientes com pielonefrite enfisematosa têm diabetes melito, e a condição é mais prevalente em pacientes mais velhos e em mulheres, numa proporção descrita de quatro para um. Radiografia simples de abdome detecta a sombra gasosa — de configuração em crescente — em apenas cerca de 30% dos casos, e é por isso que o exame que fecha o diagnóstico é a tomografia. A régua urológica europeia vigente não trata da pielonefrite enfisematosa em seu capítulo de infecções: quem descreve classificação e conduta é a literatura dedicada ao tema, e é dela que vêm os números deste tópico.

E vale a mesma condição de sempre: quando há hidronefrose associada, aliviar a obstrução é parte do tratamento, por nefrostomia percutânea ou por cateter ureteral.

Rim obstruído e infectado: a descompressão não espera o antibiótico

Pionefrose é o acúmulo de pus dentro de um sistema coletor obstruído, e carrega risco de morte iminente. Os sinônimos que aparecem em enunciado são pielonefrite obstrutiva e urossepse de origem obstrutiva. O princípio que governa o caso inteiro cabe numa frase: antibiótico não esteriliza urina represada. Sob obstrução, a droga que circula no sangue não se renova dentro da cavidade, a pressão intrapiélica empurra bactéria e endotoxina para a circulação, e o quadro escala em horas. Isto é controle de foco, e controle de foco não aguarda resposta a antibiótico.

A régua europeia enuncia esse princípio como recomendação forte no bloco da urossepse, e a redação vale decorar porque cobre os três cenários deste capítulo de uma vez: instituir controle de foco, incluindo remoção de corpos estranhos, descompressão da obstrução e drenagem de abscessos do trato urinário. Ao lado dela vêm as outras recomendações fortes do pacote inicial: aplicar o quickSOFA para identificar o paciente com sepse potencial, colher urocultura e dois pares de hemoculturas antes de iniciar o antimicrobiano, e administrar antimicrobiano parenteral de amplo espectro em dose alta dentro da primeira hora.

A descompressão tem dois caminhos: nefrostomia percutânea, que entra pelo flanco sob imagem, e cateter ureteral retrógrado ou duplo J, que sobe pela uretra em sala cirúrgica. O ensaio randomizado que comparou os dois na obstrução com infecção alocou 42 pacientes, 21 por braço, com critério de entrada de temperatura acima de 38 °C e/ou leucócitos acima de 17.000/mm³. Não houve diferença relevante entre os braços no tempo até a normalização da temperatura, 2,3 contra 2,6 dias, na normalização dos leucócitos, 2 contra 1,7 dia, nem no tempo de internação, 4,5 contra 3,2 dias. A leitura correta desse resultado é a que a prova cobra: as duas vias descomprimem, e a escolha se faz por logística e por características do paciente, não por superioridade de uma sobre a outra. A régua urológica europeia acompanha essa neutralidade — onde menciona a escolha, ela cita drenagem imediata por cateter ureteral ou por nefrostomia percutânea sem estabelecer hierarquia entre as duas e sem fixar prazo em horas.

O que de fato decide é uma lista curta, e ela tem dois eixos que puxam em sentidos opostos. Do lado da via retrógrada pesam: coagulopatia não corrigida, gestação quando a nefrostomia exigiria radiação, e o menor risco de sangramento — o critério de adequação radiológico é explícito ao dizer que a cateterização retrógrada, quando tecnicamente possível, é preferível justamente por isso. Do lado da nefrostomia percutânea pesam: impossibilidade de transpor a obstrução por via retrógrada, necessidade futura de acesso de maior calibre para tratar a pedra — o cateter retrógrado costuma trabalhar com instrumental de 8 French ou menos, enquanto o trajeto percutâneo pode ser dilatado —, bexiga hostil ou não abordável, alto risco anestésico, e o risco de sepse: o mesmo documento observa que os cateteres ureterais podem associar-se a risco mais alto de sepse comparados à nefrostomia, e nomeia a pionefrose como o caso em que a via percutânea pode ser a opção preferível.

Os números que sustentam a descompressão são convincentes justamente por comparar contra a ausência dela: a sobrevida descrita foi de 92% com nefrostomia percutânea, 88% com descompressão cirúrgica e 60% com tratamento médico sem descompressão. Não é a escolha entre as vias que muda o desfecho — é a decisão de descomprimir.

Dois detalhes do exame complementar salvam questão. O primeiro: a bacteriúria pode não ser observada quando a obstrução ureteral é completa, porque a urina infectada não desce até a bexiga — urina limpa em paciente com hidronefrose febril não afasta pionefrose, e esperar por uma urocultura positiva para agir é o erro que o achado existe para prevenir. O segundo: plaquetopenia neste contexto não é um dado hematológico isolado, e sim um sinal de que o quadro está evoluindo para sepse; ela indica cirurgia em caráter de urgência mesmo com o estado geral aparentemente mantido.

Os parâmetros de segurança da nefrostomia são objetivos: razão normalizada internacional não maior que 1,5, tempo de tromboplastina parcial ativada não maior que 1,5 vez o padrão do serviço, e plaquetas de pelo menos 50.000 por microlitro. O sucesso técnico chega a 95% em sistema dilatado e cai para cerca de 80% em sistema não dilatado, mesmo com operador experiente. Complicações maiores ocorrem em 2% a 10%. E quando há suspeita de sistema infectado, o antibiótico entra pelo menos 1 hora antes do procedimento.

O erro clássico é tratar a pedra no mesmo tempo. Fragmentar cálculo em rim infectado e obstruído eleva a pressão intrapiélica e converte pielonefrite em choque séptico sobre a mesa. Drena-se, trata-se a infecção, e o cálculo é abordado eletivamente depois — o detalhamento do manejo do cálculo está no capítulo de Litíase urinária e cólica nefrética.

Duas situações merecem pressa igual mesmo sem febre alta: obstrução em rim único ou funcionalmente único, e obstrução bilateral. As duas são anúria funcional, e a creatinina sobe porque não existe parênquima de reserva do outro lado.

Prostatite aguda bacteriana: o toque que confirma e a massagem que não se faz

A prostatite aguda bacteriana é a categoria I da classificação do National Institutes of Health. Chega como febre com calafrio, dor perineal, pélvica ou lombossacra baixa, sintomas miccionais irritativos e obstrutivos, e não raro retenção urinária. É a infecção urinária do homem que a prova mais confunde com pielonefrite, e o que separa as duas é justamente o exame que muitos deixam de fazer.

No toque retal, a próstata está aumentada, firme, edemaciada e exuberantemente dolorosa à palpação — a dor desproporcional é o achado, e ela contrasta com a forma crônica, em que a próstata usualmente é indolor ao toque. O toque se faz com delicadeza e uma vez. Manipulação vigorosa da glândula não se faz na fase aguda, e a massagem prostática está proscrita aqui — a régua europeia registra isso como recomendação forte, sem qualificar intensidade: não realizar massagem prostática na prostatite aguda bacteriana, porque a manobra pode induzir bacteremia e sepse. A diretriz brasileira formula a mesma cautela ao descrever as culturas seriadas antes e depois da massagem. Este é o par que a banca adora: mesma manobra, duas categorias, indicações opostas — na crônica ela é ferramenta de diagnóstico, na aguda é iatrogenia.

A investigação mínima é sedimento urinário e urocultura de jato médio. Paciente séptico ou com comorbidade acrescenta hemoculturas, lactato, painel metabólico e hemograma. Quando a história sugere infecção sexualmente transmissível, testa-se para gonococo e clamídia — e o esquema muda para ceftriaxona intramuscular em dose única seguida de duas semanas de doxiciclina.

No paciente que fica em casa, o tratamento é fluoroquinolona ou sulfametoxazol-trimetoprima por via oral. A duração é o ponto em que os documentos não coincidem, e a divergência está registrada adiante: a régua europeia fala em duas a quatro semanas no total, contando a transição do parenteral para o oral; a régua brasileira de atenção primária derivada do caderno do Ministério fala em três a quatro semanas; e a diretriz brasileira de 2003 pede no mínimo quatro a seis semanas para evitar recidiva. O que todas compartilham, e é o que a alternativa testa, é que a contagem é em semanas, nunca em dias. No paciente que interna, o esquema é combinado: fluoroquinolona associada a aminoglicosídeo, ou penicilina ou cefalosporina antipseudomonas. Internam os que preenchem critérios de sepse, os que estão em retenção urinária, e os que têm fator de risco para falha de tratamento ou para germe resistente. Cerca de 5% a 10% dos casos progridem para prostatite crônica bacteriana, e é essa a razão de o curso ser longo mesmo no quadro que parece leve.

A retenção urinária na prostatite aguda tem conduta própria e ela cai em prova. Ela ocorre em cerca de 10% dos homens com prostatite aguda bacteriana. A passagem de sonda vesical de demora por via transuretral pode agravar o quadro, atravessando a glândula inflamada; a orientação é acionar a urologia para cistostomia suprapúbica. Quem drena a bexiga por cima resolve a retenção sem manipular a próstata — e há um ganho adicional que a régua europeia registra: a derivação suprapúbica reduz o risco de o quadro evoluir para prostatite crônica bacteriana.

Um dado que costura este tópico ao resto do capítulo: a prostatite bacteriana é a causa mais comum de infecção urinária complicada aguda, ou recorrente crônica, no homem. Quando o enunciado descreve um homem que repete infecção urinária com o mesmo germe, a próstata é a primeira hipótese de reservatório — não o rim.

Imagem não é rotina. Ela entra — tomografia ou ultrassonografia transretal — em duas situações: paciente imunodeprimido ou predisposto a bacteremia, e paciente que piora apesar do tratamento adequado. O que se procura nos dois casos é abscesso prostático.

Um detalhe que atravessa outro capítulo: o PSA sobe na prostatite aguda, e sobe muito. Dosar PSA na vigência do quadro produz um número que não significa câncer e que vai obrigar a repetir depois — a conduta e o intervalo de repetição estão no capítulo de Câncer de próstata.

Abscesso prostático: a complicação que a piora anuncia

O abscesso prostático responde por até 0,5% das doenças urológicas, e cerca de 6% dos pacientes com prostatite aguda bacteriana evoluem para ele. A mortalidade descrita vai de 1% a 16%, e sobe para 25% nas formas enfisematosas. O terreno é o mesmo da pielonefrite enfisematosa: mais de 50% dos pacientes com abscesso prostático são diabéticos. Somam-se a isso sonda vesical de demora ou cistostomia crônica, bexiga neurogênica, imunossupressão incluindo infecção pelo HIV, e biópsia prostática recente — cerca de 10% dos homens que se apresentam com abscesso prostático haviam sido biopsiados havia pouco.

A suspeita nasce do curso: prostatite aguda que não melhora, febre que persiste, dor que aumenta. A ultrassonografia transretal é o exame inicial e identifica o abscesso em pelo menos 80% dos pacientes acometidos; a tomografia serve melhor nos casos graves ou no paciente instável, e a ressonância é mais sensível nas fases muito iniciais. Escherichia coli responde por mais de 70% dos casos, seguida de Klebsiella, Pseudomonas, Proteus, Enterobacter, Serratia e Enterococcus; Staphylococcus aureus vem se tornando mais frequente.

O tamanho decide, como no rim, mas com números bem menores. Abscesso de até 1 cm de diâmetro se trata clinicamente. Entre 1 cm e 2 cm o tratamento clínico é possível, mas a aspiração ou drenagem cirúrgica acelera a recuperação. Acima de 2 cm, a destelhamento cirúrgico responde melhor que o tratamento clínico. A primeira escolha de via é a drenagem transretal guiada por ultrassonografia transretal; as alternativas são a ressecção, destelhamento ou aspiração transuretral e a evacuação transperineal, e a ressecção transuretral é a recomendada para abscessos maiores.

O antibiótico acompanha e é longo: mínimo de duas semanas para resolução completa, com quatro semanas como duração tradicionalmente recomendada, e a média dos pacientes recebendo pouco mais de 30 dias de tratamento. A conta que fecha o raciocínio é simples: o abscesso prostático troca o limiar de drenagem de centímetros para milímetros de diferença — 2 cm aqui pesa o que 5 cm pesa no rim —, porque a glândula inteira mede poucos centímetros e porque a penetração antibiótica no tecido prostático já é ruim antes de existir cavidade.

Prostatite crônica e dor pélvica crônica: as quatro categorias e os dois testes

A classificação do National Institutes of Health organiza o tema em quatro categorias, e é a espinha de qualquer questão sobre próstata inflamada. Categoria I é a prostatite aguda bacteriana. Categoria II é a prostatite crônica bacteriana: dor urogenital crônica com evidência de infecção urinária em curso, com sintomas que persistem tipicamente por pelo menos 3 meses. Categoria III é a prostatite crônica ou síndrome da dor pélvica crônica: dor geniturinária, prostática ou pélvica, recorrente ou crônica, sem evidência de infecção urinária — subdividida em IIIa, inflamatória, com 500 ou mais leucócitos por milímetro cúbico na secreção prostática expressa, e IIIb, não inflamatória, com leucócitos insuficientes ou ausentes. Categoria IV é a prostatite inflamatória assintomática, achado histológico de inflamação em biópsia ou achado laboratorial positivo em paciente sem sintoma — e não se trata.

O que separa a categoria II da III é bacteriológico, e o método clássico é o teste de quatro frascos de Meares e Stamey. Colhe-se VB1, a primeira urina emitida, que representa a uretra; VB2, urina de jato médio, que representa a bexiga; depois faz-se a massagem prostática e colhe-se a secreção prostática expressa; e por fim VB3, a primeira urina emitida após a massagem, que representa novamente a secreção prostática. O resultado é positivo para prostatite bacteriana crônica quando a contagem bacteriana na secreção expressa ou em VB3 é pelo menos dez vezes maior que em VB1 ou VB2.

Na prática, o teste que se usa é o de dois frascos: uma amostra antes e outra depois da massagem prostática, com a mesma regra do aumento de dez vezes ou mais na amostra pós-massagem. Ele tem sensibilidade diagnóstica semelhante à do teste de quatro frascos e é muito mais exequível — o de quatro frascos permanece descrito como padrão-ouro, mas é trabalhoso e demorado o bastante para ter saído do dia a dia.

A duração do antibiótico na categoria II é o número que a prova cobra, e é longo: seis semanas é a duração típica indicada, podendo chegar a doze — cursos de doze semanas têm as maiores taxas de cura na prostatite crônica bacteriana —, e até seis meses de tratamento podem ser usados quando um organismo específico foi identificado em cultura apropriada. A razão é farmacológica e vale entender em vez de decorar: na inflamação, a secreção prostática fica mais alcalina e o gradiente de pH que carrega o antibiótico para dentro se desfaz; e como a reprodução bacteriana dentro dos ductos prostáticos é lenta, é preciso muito mais tempo de exposição para acumular o mesmo número de ciclos reprodutivos em que a droga age.

As opções refletem essa barreira. As fluoroquinolonas são historicamente as drogas de escolha, por espectro amplo e excelente penetração prostática. A fosfomicina foi usada com sucesso em prostatite crônica intratável por germes altamente resistentes e já foi proposta como agente de primeira linha nesse cenário — é a única situação de todo este capítulo em que a fosfomicina reaparece. A doxiciclina serve aos organismos suscetíveis, sobretudo clamídia, e os macrolídeos funcionam bem na infecção clamidiana, com erradicação completa relatada em até 80% dos pacientes com infecção prostática por clamídia.

Na categoria III a regra é a oposta. Antibiótico na ausência de infecção comprovada é aceito como inútil no tratamento da síndrome da dor pélvica crônica. O que se admite é um ensaio terapêutico curto, de 2 ou 4 semanas, no paciente recém-diagnosticado e ainda não tratado, porque muitos respondem; o que não se justifica é uso prolongado sem cultura que documente infecção ou sem melhora sintomática significativa. Um diagnóstico de síndrome da dor pélvica crônica deve ser considerado quando os sintomas são persistentes ou recorrentes por mais de 6 meses e refratários à farmacoterapia inicial.

As proporções explicam por que essa distinção importa tanto na prática: mais de 90% dos pacientes que se apresentam com sintomas de prostatite têm a forma da categoria III, e menos de 10% dos sintomáticos têm um germe uropatogênico identificado. A prevalência média do quadro é de 8,2%, e estima-se que de 35% a 50% dos homens apresentem esses sintomas em algum momento da vida. Ou seja: a categoria mais cobrada em prova é a categoria I, mas a categoria que o consultório vê é a III.

A régua brasileira de atenção primária define a categoria III pelo tempo com uma formulação própria, que vale decorar porque difere da contagem contínua: dor ou desconforto na região pélvica, persistentes ou recorrentes, em pelo menos 3 dos últimos 6 meses. E oferece o instrumento para medir: o NIH-CPSI, questionário de 9 itens com escore total de 0 a 43, no qual uma melhora de 6 pontos é considerada clinicamente significativa.

O mesmo documento brasileiro fecha o ciclo terapêutico de um jeito que a prova aproveita. O esquema é ciprofloxacino 500 mg duas vezes ao dia, sulfametoxazol-trimetoprima 800+160 mg duas vezes ao dia ou doxiciclina 100 mg duas vezes ao dia, por 4 a 6 semanas. Se o paciente persistir sintomático depois disso, não há indicação de novo ciclo de antibioticoterapia — repetir o curso é o erro mais comum do seguimento. O encaminhamento se faz quando não há melhora após 12 semanas.

Porque a categoria III é heterogênea, o manejo se organiza por fenótipo. O sistema upoints separa os pacientes em domínios que orientam o tratamento: urinário, psicossocial, órgão-específico, infeccioso, neurológico ou sistêmico, dor à palpação muscular e disfunção sexual. Tratar todos os pacientes da categoria III com o mesmo antibiótico e o mesmo alfabloqueador é o erro que o fenótipo existe para evitar.

Uma separação final que evita confusão de enunciado: dor escrotal com epidídimo doloroso e aumentado é epididimite, não prostatite, e tem capítulo próprio nesta apostila — em Escroto agudo. Prostatite dói no períneo, na pelve e ao toque retal; a bolsa escrotal está normal.

Infecção associada a cateter: colonização não é infecção, e o dispositivo faz parte do tratamento

Todo paciente com cateter vesical de demora acaba portador de bacteriúria — isso é o curso natural do dispositivo, não complicação dele. As proibições que decorrem disso estão no capítulo de Infecção do trato urinário, em Nefrologia, e valem inteiras: não colher urocultura de rotina em paciente cateterizado assintomático, não tratar bacteriúria assintomática associada a cateter, não usar antibiótico profilático de rotina e não trocar o cateter só porque a urina mudou de aspecto.

O que este capítulo acrescenta é a parte que o urologista resolve: o dispositivo faz parte do tratamento. Diante de infecção urinária associada a cateter confirmada, a conduta tem dois tempos. Primeiro, decidir sobre o cateter — quem não precisa mais dele tem o cateter removido, e quem ainda precisa tem o cateter trocado antes de iniciar o antibiótico, porque o biofilme aderido à superfície do dispositivo antigo é um reservatório que a droga não penetra e que reinocula o sistema. Segundo, tratar. Antibiótico dado sobre um cateter velho tem a mesma limitação física do antibiótico dado sobre um sistema obstruído.

A alternativa estrutural, quando o esvaziamento vesical é o problema de base, é substituir o cateter de demora pelo cateterismo intermitente limpo. É intervenção de bexiga neurogênica e de retenção crônica, e reduz o tempo de dispositivo permanente dentro do trato — que é a variável que mais pesa.

O quadro clínico costuma faltar. Disúria e urgência dependem de sensibilidade vesical preservada e de urina passando pela uretra, e o cateter suprime as duas coisas. Por isso a infecção associada a cateter se manifesta como febre sem outro foco, dor suprapúbica ou em flanco, e mal-estar; no paciente com lesão medular, pode aparecer apenas como aumento da espasticidade, letargia ou desconforto vago. Piúria isolada não define nada aqui: o cateter produz piúria por irritação mecânica, e a ausência de sintoma continua sendo bacteriúria assintomática mesmo com sedimento alterado. A régua europeia é explícita nos dois sentidos — a presença, a ausência ou o grau de piúria não distinguem bacteriúria assintomática de infecção associada a cateter; mas a ausência de piúria em paciente sintomático sugere que o diagnóstico é outro.

O critério diagnóstico institucional brasileiro é da vigilância sanitária, e tem quatro requisitos que precisam ocorrer juntos. Primeiro, cateter vesical de demora por mais de dois dias consecutivos, contando o dia da instalação como primeiro dia — ou seja, a partir do terceiro dia —, com o cateter em uso na data da infecção ou removido no dia anterior. Segundo, pelo menos um sinal ou sintoma sem outra causa reconhecida: febre acima de 38 °C, dor ou desconforto suprapúbico, dor ou desconforto lombar, hematúria, e — apenas para quem retirou o cateter no dia anterior — urgência, aumento da frequência miccional ou disúria. Terceiro, urocultura positiva com no máximo duas espécies bacterianas e contagem de pelo menos 10⁵ UFC/mL de ao menos uma delas. Quarto, sinais e primeira urocultura positiva dentro do período de janela de infecção, que é de sete dias, tomados três dias antes e três dias depois da data da coleta do primeiro exame positivo.

Desse critério saem quatro consequências práticas que a prova aproveita. Achado bacteriano sem clínica é bacteriúria assintomática, e não infecção. Cultura de ponta de cateter urinário não é exame aceitável para diagnosticar infecção urinária. Mais de duas espécies na urocultura indicam alta probabilidade de contaminação da amostra. E infecção urinária em paciente que usa cateter duplo J não é considerada infecção associada a cateter vesical — a mesma exclusão vale para nefrostomia, cistostomia, cateter suprapúbico, dispositivo de incontinência e cateterismo intermitente.

Os números do dispositivo explicam por que a prevenção rende mais que o tratamento. A incidência de bacteriúria sobe de 3% a 8% ao dia após a inserção do cateter, e praticamente todos os pacientes estão bacteriúricos aos 30 dias. Cerca de 5% das bacteriúrias evoluem para bacteremia; aproximadamente 17% das bacteremias adquiridas no hospital têm origem urinária, com mortalidade em torno de 10%. E entre 15% e 25% dos pacientes internados são cateterizados em algum momento. Daí a regra que o protocolo brasileiro fixa para o pós-operatório: remover o cateter precocemente, preferencialmente em até 24 horas, ressalvadas as cirurgias urológicas, a hematúria com irrigação e a obstrução. E quando algum componente do sistema precisa ser trocado, troca-se o sistema inteiro.

Repetição no adulto: quando o caso deixa de ser clínico

A definição numérica e as três camadas de prevenção — comportamental, estrogênio vaginal na pós-menopausa e profilaxia antibiótica — estão no capítulo de Nefrologia e não se repetem aqui. O que este capítulo responde é outra pergunta: quando a repetição deixa de ser um problema de prescrição e vira um problema de anatomia.

No homem, a resposta é curta: infecção urinária de repetição em qualquer idade vai ao urologista. A recorrência masculina costuma traduzir obstrução, esvaziamento vesical incompleto ou foco prostático, e nenhuma das três se resolve prolongando o antibiótico. A próstata, em particular, é o reservatório que explica a recidiva com o mesmo germe: infecção urinária que reaparece com o mesmo organismo pouco depois do fim do tratamento sugere foco não erradicado, enquanto reinfecção com germe diferente sugere exposição nova.

Na mulher, a maioria das recorrências não tem anormalidade estrutural, e investigar todo mundo com imagem não muda conduta. O que muda conduta é uma lista de sinais que empurram o caso para investigação: hematúria que persiste depois de tratada a infecção, sintomas obstrutivos ou jato fraco, massa palpável, história de litíase ou de cirurgia urológica, elevação de creatinina, germe produtor de urease como Proteus mirabilis — que aponta para cálculo de estruvita, assunto do capítulo de Litíase —, e pneumatúria ou fecalúria, que denunciam fístula do trato urinário com o intestino e mudam a especialidade do caso.

A investigação, quando indicada, começa por ultrassonografia do trato urinário com medida do resíduo pós-miccional, porque responde a duas perguntas de uma vez: existe obstrução, e a bexiga esvazia? Tomografia e cistoscopia entram por indicação específica — a cistoscopia sobretudo quando há hematúria a esclarecer ou suspeita de corpo estranho, fístula ou lesão vesical.

E o que sustenta essa investigação é a mesma trava do começo do capítulo: a repetição é um dos preditores de falha que define a infecção como complicada. Quando o antibiótico correto foi dado, na dose certa, pelo tempo certo, e a infecção volta, a hipótese preferencial deixa de ser farmacológica.

Resistência: o antibiótico anterior é dado de anamnese

Em infecção urinária complicada, a urocultura com antibiograma é obrigatória e se colhe antes da primeira dose. Não é preciosismo: a probabilidade pré-teste de germe resistente nessa população é diferente da de uma cistite de primeira vez, e sem cultura não existe descalonamento — o paciente fica no esquema empírico largo até o fim do curso, que aqui dura semanas.

Os preditores de resistência que a anamnese entrega são poucos e valem mais que qualquer regra geral: uso de antibiótico nos últimos meses, e sobretudo da mesma classe que se pretende prescrever agora; internação recente; residência em instituição de longa permanência; cateter de demora; manipulação urológica ou biópsia prostática recente; e isolamento prévio de germe produtor de betalactamase de espectro estendido. Cada um desses itens desloca a escolha empírica para cima — e a biópsia prostática recente é a que mais surpreende, porque a profilaxia usada nela seleciona justamente a flora que depois causa o abscesso.

O detalhamento dos números brasileiros de resistência comunitária, e a razão pela qual o sulfametoxazol-trimetoprima saiu do tratamento empírico da cistite no Brasil, está no capítulo de Infecção do trato urinário, em Nefrologia. O que muda de sinal aqui é a fluoroquinolona: na cistite não complicada ela está fora da primeira linha por dano ecológico e por efeito adverso de classe, mas na pielonefrite e na prostatite ela é droga de escolha, porque a penetração tecidual e prostática que ela oferece tem poucos substitutos. Confundir as duas réguas é o erro mais comum de quem estudou só a cistite.

Só que a fluoroquinolona tem um limiar próprio, e no Brasil ele aperta. Tanto a diretriz internacional quanto o protocolo brasileiro restringem o ciprofloxacino empírico na pielonefrite a locais onde a resistência local seja inferior a 10%. A tabela de sensibilidade do consenso brasileiro mostra o ciprofloxacino entre 82,3% e 89,2% de sensibilidade nas séries nacionais — ou seja, entre 11% e 18% de resistência. O número brasileiro fica acima do limiar que o próprio documento brasileiro exige. A consequência prática é a que a prova cobra: quando se usa fluoroquinolona empírica na pielonefrite ambulatorial em cenário de resistência acima de 10%, a conduta correta acrescenta uma dose parenteral inicial de antimicrobiano de longa ação, como 1 g de ceftriaxona, antes de mandar o paciente para casa com o comprimido. Na mesma tabela, o sulfametoxazol-trimetoprima aparece com sensibilidade entre 54,5% e 63,3%, o que corresponde a algo entre 37% e 46% de resistência — quase o dobro do limiar de 20% que autorizaria o uso empírico.

A idade é o preditor que a maior casuística brasileira aberta mede diretamente, e o gradiente é o dado mais útil deste tópico. Em 56.555 uroculturas de mulheres atendidas em unidades básicas e de pronto atendimento no Paraná, a sensibilidade de Escherichia coli ao ciprofloxacino caiu de 94,8% abaixo dos 15 anos para 90,6% entre 15 e 45 anos, 84,4% entre 46 e 59 anos e 73,3% aos 60 anos ou mais. Traduzindo em resistência: 5,2%, 9,4%, 15,6% e 26,7%. O limiar de 10% que autoriza fluoroquinolona empírica na pielonefrite é cruzado já na faixa dos 46 aos 59 anos e chega a quase três vezes esse valor depois dos 60 — que é exatamente a faixa etária em que este capítulo mora. O sulfametoxazol-trimetoprima, na mesma série, tem resistência acima de 30% independentemente da idade, chegando a 32,5% acima dos 60 anos. A ceftriaxona mantém 91,4% de sensibilidade aos 60 anos ou mais, e a nitrofurantoína fica entre 95,6% e 97,1% sem diferença significativa por faixa etária — o que reforça, pela negativa, o argumento farmacológico do começo do capítulo: a droga mais preservada do Brasil é justamente a que não serve para nada que esteja em tecido.

Dois números fecham o cenário de resistência: betalactamase de espectro estendido foi detectada em 4,7% dos isolados dessa série comunitária, e amicacina, ertapeném e meropeném mantiveram 99,7% de sensibilidade. É essa distância que justifica o descalonamento — começar largo quando o paciente está grave é defensável; permanecer largo depois do antibiograma não é.

Existe ainda uma regra que vale especificamente para o paciente deste capítulo, e ela é categórica na régua europeia: não usar ciprofloxacino nem outra fluoroquinolona no tratamento empírico da ITU sistêmica em pacientes de serviços de urologia, ou em quem tenha usado fluoroquinolona nos últimos seis meses. Ou seja, a mesma classe que é primeira linha na pielonefrite comunitária deixa de sê-lo justamente na população que enche a enfermaria de urologia — a que já foi instrumentada, já foi biopsiada e já recebeu quinolona.

Descalonar é regra, não exceção. Paciente que começou parenteral, ficou afebril e tolera via oral passa a oral guiado pelo antibiograma, e a duração se conta desde o início do tratamento efetivo, não desde a troca de via. E há uma pergunta que fecha o capítulo, porque é a que muda o desfecho: quando a cultura vem sensível ao que já estava sendo usado e o paciente continua febril, o problema deixa de ser microbiológico por definição — sobrou obstrução, coleção ou dispositivo.

04

Sem melhora em 48 a 72 horas: o que a imagem procura

Toda infecção urinária febril tratada com antibiótico adequado responde em 48 a 72 horas. Quando não responde, a pergunta certa não é qual outro antibiótico — é o que está impedindo este de funcionar. As respostas possíveis são quatro, e três delas aparecem numa tomografia. Percorra sempre na mesma ordem: obstáculo mecânico, coleção, gás, e só então germe. A ordem não é estilística: as três primeiras exigem procedimento e a quarta já foi respondida pela urocultura colhida antes da primeira dose.

  1. 1Conte as horas de antibiótico ADEQUADO, não as horas de internação. Febre no terceiro dia com seis doses de ceftriaxona 12/12h dadas é falha; febre na manhã seguinte à primeira dose é evolução esperada.
  2. 2Antecipe a imagem sem esperar o prazo em três cenários: sepse ou choque na chegada, história de litíase ou manipulação urológica recente, e rim único, transplantado ou obstrução bilateral.
  3. 3Peça tomografia de abdome e pelve COM contraste — ela responde às três perguntas de uma vez. Ultrassonografia primeiro apenas quando a pergunta é só hidronefrose, ou quando o paciente está instável, gestante ou com função renal comprometida.
  4. 4Achou obstrução com infecção: descomprima AGORA, por nefrostomia percutânea ou cateter ureteral. Antibiótico e ressuscitação acompanham, não substituem. Não trate o cálculo no mesmo tempo.
  5. 5Achou coleção: meça. Abscesso renal a partir de 5 cm drena; abaixo de 3 cm tenta-se antibiótico no paciente estável; entre 3 e 5 cm decide-se pela resposta e pelo hospedeiro. Abscesso perinéfrico drena acima de 3 cm. Abscesso prostático drena acima de 2 cm.
  6. 6Achou gás: classifique por território (Huang e Tseng) e conte fatores de risco. Gás só no sistema coletor admite antibiótico isolado; gás fora do rim com dois ou mais fatores de risco anuncia falha da drenagem percutânea e nefrectomia provável.
  7. 7Não achou nada nas três: aí sim reveja o antibiótico contra o antibiograma — e reveja também se há cateter que precise ser trocado antes de a droga ter chance.

Obstrução — hidronefrose

Sistema coletor dilatado acima de um obstáculo, com ou sem cálculo visível. Em vigência de infecção, isto é pionefrose até prova em contrário e tem risco de morte iminente. A conduta é descomprimir de imediato, por nefrostomia percutânea ou cateter ureteral retrógrado; o ensaio randomizado que comparou as duas vias não encontrou diferença no tempo até a defervescência, na normalização dos leucócitos nem no tempo de internação. Escolhe-se pela logística e pelo paciente: coagulopatia não corrigida e gestação favorecem a via retrógrada; impossibilidade de transpor a obstrução por baixo e necessidade futura de acesso de maior calibre favorecem a percutânea.

Coleção — abscesso renal ou perinéfrico

Cavidade de conteúdo líquido com realce de parede na tomografia com contraste, dentro do parênquima (renal) ou na gordura perirrenal (perinéfrico). A tomografia tem sensibilidade de 92% a 98%; a ultrassonografia pode não distinguir massa inflamatória de abscesso verdadeiro. Mais da metade dos abscessos corticomedulares ocorre em diabéticos e cerca de 30% associam-se a urolitíase. O limiar de drenagem é mais baixo fora do rim: 3 cm no perinéfrico, 5 cm no renal. O antibiótico dura 4 semanas no renal, com mínimo de 2, e 6 a 8 semanas em diabético, imunodeprimido ou bacterêmico.

Gás — pielonefrite enfisematosa

Gás no rim ou ao redor dele em paciente quase sempre diabético — 96% na série que fundou a classificação. O gás vem da fermentação ácida mista da glicose por enterobactérias: dióxido de carbono em todas as amostras analisadas e hidrogênio em cinco. Classifica-se por território: classe 1, gás só no sistema coletor; classe 2, no parênquima sem extensão; 3A, no espaço perinéfrico; 3B, no pararrenal; 4, bilateral. Classes 1 e 2 vão bem com tratamento clínico com ou sem drenagem. Nas classes 3, a contagem de fatores de risco decide — e a falha da preservação renal, em qualquer classe, leva à nefrectomia.

Pus sob pressão — pionefrose e a nefrostomia

Sistema coletor obstruído e cheio de pus. Antibiótico não esteriliza urina represada: a droga chega pelo sangue e não se renova dentro de uma cavidade fechada, enquanto a pressão empurra bactéria e endotoxina para a circulação. Isto é controle de foco e não espera resposta a antibiótico. A nefrostomia percutânea tem sucesso técnico de até 95% em sistema dilatado e cerca de 80% em sistema não dilatado, com 2% a 10% de complicações maiores; exige razão normalizada internacional até 1,5, tempo de tromboplastina parcial ativada até 1,5 vez o padrão do serviço e plaquetas de pelo menos 50.000/µL. O antibiótico entra pelo menos 1 hora antes do procedimento.

ComplicaçãoO gatilho que a levantaO que a imagem mostraConduta
Pionefrose / rim obstruído infectadoFebre com hidronefrose, história de cálculo, rim único ou obstrução bilateral, sepse na chegadaSistema coletor dilatado com conteúdo espesso, com ou sem cálculo obstrutivoDescompressão urgente: nefrostomia percutânea OU cateter ureteral retrógrado. Antibiótico ao menos 1 h antes do procedimento. Não tratar o cálculo no mesmo tempo
Abscesso renalFebre além de 48 a 72 h de antibiótico adequado, diabetes, urolitíaseCavidade com realce de parede dentro do parênquima; TC com sensibilidade de 92% a 98%Menor que 3 cm (possivelmente até 5 cm) em paciente estável: antibiótico EV isolado. A partir de 5 cm: drenagem percutânea. Entre 3 e 5 cm: individualizar. Antibiótico 4 semanas (mín. 2); 6 a 8 semanas em diabético, imunodeprimido ou bacterêmico
Abscesso perinéfricoOs mesmos gatilhos, com massa em flanco ou dor que não cedeColeção na gordura perirrenal, dentro da fáscia de Gerota; TC com contraste é o método preferencialAcima de 3 cm: drenar. Abaixo de 3 cm: antibiótico inicialmente. Antibiótico por 2 a 3 semanas no mínimo. Nefrectomia se o rim de base é cronicamente infectado e atrófico
Pielonefrite enfisematosaDiabetes (96% da série original), quadro tóxico, má resposta ao antibióticoGás no sistema coletor, no parênquima, no espaço perinéfrico ou pararrenal, ou bilateralClasses 1 e 2: clínico com ou sem drenagem percutânea. Classes 3A/3B: contar fatores de risco. Classe 4: iniciar clínico com drenagem. Falha da preservação renal em qualquer classe: nefrectomia. Aliviar obstrução associada
Abscesso prostáticoProstatite aguda que piora ou não melhora; diabetes; sonda; biópsia prostática recenteUltrassonografia transretal identifica em pelo menos 80%; TC nos casos graves; RM nas fases muito iniciaisAté 1 cm: clínico. Entre 1 e 2 cm: clínico possível, drenagem acelera. Acima de 2 cm: destelhamento cirúrgico. Via de escolha: drenagem transretal guiada por USG transretal. Antibiótico mín. 2 semanas, tradicional 4

Prostatite: as quatro categorias do NIH e o que muda em cada uma

CategoriaO que éComo se demonstraAntibiótico
I — Prostatite aguda bacterianaQuadro agudo com febre, dor perineal/pélvica, sintomas miccionais e próstata aumentada, firme e exuberantemente dolorosa ao toque. Retenção urinária em cerca de 10%Sedimento urinário e urocultura de jato médio; hemoculturas se séptico. Massagem prostática PROSCRITA (recomendação forte)Total de 2 a 4 semanas pela régua europeia; 3 a 4 semanas pela régua brasileira de atenção primária; no mínimo 4 a 6 semanas pela diretriz brasileira de 2003. No internado: fluoroquinolona + aminoglicosídeo ou betalactâmico antipseudomonas
II — Prostatite crônica bacterianaDor urogenital crônica com evidência de infecção urinária em curso; sintomas persistindo tipicamente por 3 meses ou mais, com recidiva pelo MESMO germeTeste de dois frascos (pré e pós-massagem) ou de quatro frascos de Meares-Stamey: aumento de 10 vezes ou mais na contagem pós-massagem4 a 6 semanas na régua europeia e na brasileira; até 12 semanas como extensão (maiores taxas de cura); até 6 meses quando há organismo identificado em cultura. Sem melhora, NÃO se repete o ciclo
IIIa — CP/CPPS inflamatóriaDor geniturinária, prostática ou pélvica, recorrente ou crônica, SEM evidência de infecção urinária, com inflamação. Pelo menos 3 dos últimos 6 meses. É a categoria de mais de 90% dos sintomáticos500 ou mais leucócitos por mm³ na secreção prostática expressa. Quantificar sintomas pelo NIH-CPSI: 9 itens, escore 0 a 43, melhora de 6 pontos é clinicamente significativaEnsaio curto de 2 a 4 semanas apenas no recém-diagnosticado ainda não tratado; uso prolongado sem cultura positiva não se justifica. Encaminhar se não melhorar em 12 semanas
IIIb — CP/CPPS não inflamatóriaMesmo quadro doloroso, sem inflamação demonstrávelLeucócitos insuficientes ou ausentes na secreção prostática expressaNão é doença infecciosa. Manejo por fenótipo (UPOINTS), não por antibiótico
IV — Prostatite inflamatória assintomáticaPaciente SEM sintoma; achado incidentalInflamação histológica em biópsia, ou excesso de leucócitos/cultura positiva em paciente assintomáticoNão se trata

Limiares de drenagem: o mesmo raciocínio, três números diferentes

ColeçãoAntibiótico isoladoDrenarPor que o limiar é esse
Abscesso renalMenor que 3 cm (possivelmente até 5 cm), paciente estável e sem sinal sistêmicoA partir de 5 cm; faixa de 3 a 5 cm individualizadaParênquima é bem vascularizado: a droga ainda chega em coleção pequena. Acima de 5 cm pesam penetração ruim, risco de ruptura e infecção arrastada
Abscesso perinéfricoAbaixo de 3 cm, como tentativa inicialAcima de 3 cmA coleção está em gordura, de vascularização pobre, e o espaço perirrenal dá caminho de expansão dentro da fáscia de Gerota
Abscesso prostáticoAté 1 cm; entre 1 e 2 cm é possível, mas a drenagem aceleraAcima de 2 cm (destelhamento)A glândula inteira mede poucos centímetros e a penetração prostática já é ruim antes de existir cavidade — 2 cm aqui pesa o que 5 cm pesa no rim

Nitrofurantoína e fosfomicina não aparecem em nenhum esquema deste capítulo, com uma única exceção: a fosfomicina reaparece na prostatite crônica bacteriana por germe multirresistente. Alternativa que oferece nitrofurantoína para pielonefrite, prostatite ou abscesso está errada por farmacocinética — concentração urinária alta, penetração tecidual baixa —, e não por espectro.

A fluoroquinolona tem duas réguas opostas e confundi-las é o erro mais comum de quem estudou só a cistite: fora da primeira linha na cistite não complicada, por dano ecológico e efeito adverso de classe; droga de escolha na pielonefrite e na prostatite, por penetração tecidual e prostática.

Contas que a fonte não dá prontas. Seis doses: é o que um paciente já recebeu de ceftriaxona 12/12 h ou de ciprofloxacino 12/12 h quando completa 72 horas de tratamento — o número que torna implausível a explicação farmacológica da febre persistente. Na série de Huang e Tseng, 27 de 41 são 65,9%, compatíveis com os 66% impressos; a mortalidade de 18,8% em 48 pacientes corresponde a 9 óbitos; e os 96% de diabéticos correspondem a 46 dos 48.

Faixa que deixa valor sem categoria, primeiro caso: o capítulo de pielonefrite enfisematosa do StatPearls divide as classes 3A e 3B entre pacientes com MENOS de dois fatores de risco e pacientes com MAIS de dois. O paciente com exatamente dois fatores fica sem regra. Na prática, dois fatores de risco em classe 3 é cenário de alto risco de falha da drenagem percutânea, e é assim que a alternativa costuma ser escrita.

Faixa que deixa valor sem categoria, segundo caso: o capítulo de abscesso perinéfrico manda drenar coleções MAIORES que 3 cm e tratar com antibiótico as MENORES que 3 cm. A coleção de exatamente 3 cm não recebe categoria.

Divergência interna de um mesmo documento: o capítulo de pielonefrite enfisematosa do StatPearls apresenta três taxas globais de mortalidade em pontos diferentes do texto — 12,5% agrupada, 21% atual e cerca de 18% em metanálise. A série original de Huang e Tseng, com denominador declarado, traz 18,8% de 48 pacientes, e é o número com denominador verificável.

O resumo do ensaio randomizado de descompressão publica duas taxas de urocultura positiva na admissão que não fecham com 21 pacientes por braço — em 21 pacientes só são possíveis múltiplos de 1/21, ou seja, incrementos de 4,76%. Por isso essas duas porcentagens ficaram fora do texto: o que o ensaio sustenta é o desenho, os critérios de entrada e a ausência de diferença entre as vias.

O sistema de fenótipo da dor pélvica crônica aparece no mesmo capítulo com duas listas diferentes: a sigla UPOINTS tem sete letras, mas uma das listas do documento enumera apenas seis domínios, omitindo o S de disfunção sexual. A lista completa é urinário, psicossocial, órgão-específico, infeccioso, neurológico/sistêmico, dor à palpação muscular (tenderness) e disfunção sexual.

Duração da prostatite crônica bacteriana: dois capítulos do mesmo acervo divergem. O de prostatite aguda descreve o tratamento da forma crônica como de duas a seis semanas; o capítulo dedicado à prostatite crônica indica seis semanas como duração típica, com extensão a doze e até seis meses quando há organismo identificado. Este capítulo adota o documento dedicado ao tema, que é o mais específico.

Bacteriúria assintomática só se rastreia e se trata em duas situações — gestação, por 4 a 7 dias, e procedimento urológico endoscópico associado a trauma de mucosa, com 1 ou 2 doses iniciadas 30 a 60 minutos antes. A lista completa de quem NÃO se trata, incluindo o paciente sondado, o idoso institucionalizado e o diabético, está no capítulo de Infecção do trato urinário, em Nefrologia. Uma exceção fina vale para este capítulo: a bacteriúria assintomática NÃO é fator de risco antes da colocação ou troca simples de cateter uretral, mas É fator de risco de complicação infecciosa antes da colocação ou troca de nefrostomia e de cateter ureteral de demora.

A régua urológica europeia vigente não contém seção de urossepse: o documento informa que a seção está em revisão e remete o leitor às diretrizes da Surviving Sepsis Campaign de 2021 até a edição de 2027. O conteúdo de controle de foco usado neste capítulo vem da edição de bolso de 2025, que ainda traz a seção. A mesma régua também não trata da pielonefrite enfisematosa, e não estabelece hierarquia nem prazo entre nefrostomia percutânea e cateter ureteral — essa comparação vive no guia de litíase e na literatura dedicada, não no de infecções.

Não há Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde para infecção urinária, pielonefrite ou prostatite no adulto. O que vale no lugar, e é o que a prova brasileira cobra: a Nota Técnica GVIMS/GGTES/DIRE3/ANVISA nº 03/2026 para o critério diagnóstico de infecção associada a cateter; o consenso conjunto das sociedades de infectologia, ginecologia, urologia e patologia clínica de 2020 para o manejo da ITU baixa; e a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais de 2024 para saber o que a rede dispensa.

Contradições internas da régua europeia registradas na leitura: o texto corrido afirma que o sexo masculino não é fator de risco, enquanto a tabela de fatores de risco do mesmo documento o lista; o intervalo para imagem na pielonefrite aparece como 72 horas no texto e 48 a 72 horas no sumário de evidência; e, na prostatite crônica bacteriana, o texto pede pelo menos três a quatro semanas de doxiciclina enquanto a tabela prescreve 10 dias, e pede pelo menos três a quatro semanas de azitromicina enquanto a tabela escreve até 3 semanas — piso e teto invertidos. O mesmo documento atribui o NIDDK ao National Institutes of Health do Reino Unido; o instituto é norte-americano.

Erro de rótulo de dose no protocolo brasileiro de ginecologia: o sulfametoxazol-trimetoprima aparece grafado como 'sulfametoxazol/trimetoprima 160/800 mg'. A ordem está trocada — 160 mg é a dose de trimetoprima e 800 mg a de sulfametoxazol. O comprimido brasileiro é 800/160 mg, como grafa corretamente o protocolo municipal derivado do caderno do Ministério.

Denominador que não fecha na maior série brasileira de sensibilidade urinária: o resumo declara 8.832 uroculturas positivas e os resultados declaram 8.382, e nenhum dos dois reproduz os 72,2% de Escherichia coli anunciados sobre os 5.794 isolados (5.794/8.382 = 69,1%; 5.794/8.832 = 65,6%). Por isso este capítulo usa dessa série apenas as porcentagens de sensibilidade por faixa etária, que são internamente coerentes, e não a proporção de isolados.

Contas feitas a partir dos percentuais publicados. A resistência ao ciprofloxacino por faixa etária, que a série brasileira publica como sensibilidade, é 5,2% abaixo de 15 anos, 9,4% entre 15 e 45 anos, 15,6% entre 46 e 59 anos e 26,7% aos 60 anos ou mais. A pielonefrite enfisematosa tratada de forma completa soma seis semanas: duas por via endovenosa mais pelo menos quatro por via oral.

Erros de unidade e de transcrição no relato brasileiro de pionefrose consultado, nenhum deles reproduzido aqui: creatinina de 1,0 mg/dL no resumo contra 1,3 mg/dL no corpo do texto; cálcio iônico impresso como 1,3 mg/dL, que é um valor em mmol/L com rótulo de mg/dL, já que a faixa normal em mg/dL vai de 4,5 a 5,3; a mesma sigla TGP usada para os dois valores de transaminase; e cálcio, fósforo e ácido úrico urinários expressos em mEq/24h onde o correto é mg/24h.

Discrepância entre dois documentos da mesma agência reguladora brasileira: a incidência diária de bacteriúria em paciente cateterizado aparece como 5% a 10% ao dia no caderno de 2017 e 3% a 8% ao dia no protocolo de 2025, e a proporção de internados cateterizados como 16% a 25% contra 15% a 25%. Este capítulo adota os números do documento mais recente.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

O tamanho a partir do qual se drena uma coleção renal

Documento dedicado ao abscesso renal: o limiar é 5 cm, com zona cinzenta de 3 a 5 cm

Abscessos pequenos, abaixo de 3 cm e possivelmente até 5 cm, em paciente estável e sem sintoma sistêmico, podem ser manejados conservadoramente só com antibiótico endovenoso. Abscessos de 5 cm ou mais tipicamente exigem drenagem percutânea, por penetração antibiótica ruim, risco aumentado de ruptura espontânea e duração prolongada da infecção. A faixa intermediária, de 3 a 5 cm, é explicitamente descrita como controversa, porque tanto o manejo clínico quanto a drenagem se mostraram eficazes.

Joshi S, Leslie SW, Desai D. Renal Abscess. StatPearls, NCBI Bookshelf NBK614172, atualizado em 11 de abril de 2025

Documento dedicado ao abscesso perinéfrico: o limiar é 3 cm

Abscessos perinéfricos maiores que 3 cm devem ser drenados, enquanto os menores que 3 cm devem ser inicialmente tratados com antibiótico. O limiar mais baixo acompanha a anatomia da coleção: ela ocupa gordura perirrenal, tecido de vascularização pobre, dentro de um espaço que se comunica com o retroperitônio pela fáscia de Gerota. O mesmo documento indica nefrectomia no paciente com rim cronicamente infectado e atrófico que desenvolve abscesso perinéfrico.

Okafor CN, Onyeaso EE. Perinephric Abscess. StatPearls, NCBI Bookshelf NBK536936, atualizado em 14 de agosto de 2023

Na prova

Os dois números não se contradizem: eles descrevem coleções em compartimentos diferentes. O que o enunciado precisa entregar, e quase sempre entrega, é ONDE está a coleção. Descrição de cavidade dentro do parênquima renal, com realce de parede, roda com a régua dos 5 cm e com a zona cinzenta de 3 a 5 cm. Descrição de coleção na gordura perirrenal, ou de extensão para fora da cápsula, roda com a régua dos 3 cm. Quando o enunciado descreve os dois compartimentos ao mesmo tempo, prevalece o limiar mais baixo — a coleção perinéfrica é a que decide. E há um marcador de linguagem útil: enunciado que fala em massa palpável em flanco e em coleção que se estende para o psoas está descrevendo o compartimento perirrenal, mesmo sem usar a palavra.

Nefrostomia percutânea ou cateter ureteral retrógrado no rim obstruído e infectado

Ensaio randomizado: as duas vias são equivalentes, escolha por logística

Quarenta e dois pacientes com cálculo ureteral obstrutivo e sinais de infecção — temperatura acima de 38 °C e/ou leucócitos acima de 17.000/mm³ — foram alocados, 21 por braço, para nefrostomia percutânea ou cateterismo ureteral retrógrado. Não houve diferença relevante entre os braços no tempo até a normalização da temperatura (2,3 contra 2,6 dias), na normalização dos leucócitos (2 contra 1,7 dia) nem no tempo de internação (4,5 contra 3,2 dias). A conclusão prática é que ambas descomprimem de forma eficaz e a escolha se faz por disponibilidade, por logística de sala e por características do paciente.

Pearle MS et al. Optimal method of urgent decompression of the collecting system for obstruction and infection due to ureteral calculi. J Urol. 1998;160(4):1260-4, PMID 9751331

Documento de técnica: a nefrostomia é a primeira escolha tradicional no sistema infectado

Tradicionalmente, a nefrostomia percutânea isolada é realizada como passo inicial para reduzir o risco de induzir mecanicamente a passagem de bactérias do trato urinário infectado para a corrente sanguínea durante a inserção do stent. O mesmo documento lista, do outro lado, os fatores que favorecem o acesso ureteral retrógrado: coagulopatia não corrigida e gestação quando a nefrostomia exigiria radiação. E acrescenta que um ensaio randomizado não encontrou diferença de desfechos clínicos entre as duas vias em pacientes com cálculo ureteral e pielonefrite.

Young M, Leslie SW. Percutaneous Nephrostomy. StatPearls, NCBI Bookshelf NBK493205, atualizado em 4 de maio de 2025

Na prova

A divergência é de ênfase, não de conduta, e o enunciado quase sempre entrega de que lado ele está. Questão que pergunta apenas O QUE FAZER diante de rim obstruído e infectado tem uma resposta só, e ela é descomprimir — qualquer alternativa que ofereça apenas antibiótico, ou que proponha tratar o cálculo antes, está errada independentemente da via. Questão que pergunta COMO descomprimir está testando o modificador escondido no caso: coagulopatia, plaqueta baixa ou anticoagulação em curso puxam para a via retrógrada; gestação puxa para a retrógrada pela radiação; impossibilidade de transpor a obstrução por baixo, bexiga não abordável ou necessidade futura de acesso de maior calibre puxam para a percutânea. Sem nenhum desses modificadores no texto, a alternativa que diz 'nefrostomia percutânea OU cateter ureteral, conforme disponibilidade' é a que reproduz a evidência.

Quanto tempo dura o antibiótico na prostatite crônica bacteriana

Capítulo de prostatite aguda: duas a seis semanas

Ao tratar da forma crônica, o documento dedicado à prostatite aguda bacteriana descreve o tratamento da prostatite crônica bacteriana como de duas a seis semanas de duração. É o intervalo mais curto entre os dois, e ele convive no mesmo texto com a informação de que 5% a 10% dos casos agudos progridem para a forma crônica.

Davis NG, Silberman M. Acute Bacterial Prostatitis. StatPearls, NCBI Bookshelf NBK459257, atualizado em 22 de maio de 2023

Capítulo dedicado à prostatite crônica: seis semanas típicas, até doze, e até seis meses com germe identificado

Um curso estendido, tipicamente de seis semanas, está indicado; até doze semanas podem ser usadas, e cursos de doze semanas têm as maiores taxas de cura na prostatite crônica bacteriana. Até seis meses de tratamento podem ser usados quando um organismo específico é identificado por culturas apropriadas. A justificativa é farmacológica: na inflamação a secreção prostática fica mais alcalina e desfaz o gradiente de pH que carrega o antibiótico para dentro, e a reprodução bacteriana lenta dentro dos ductos exige mais tempo de exposição para acumular o mesmo número de ciclos em que a droga atua.

Pendegast HJ, Leslie SW, Rosario DJ. Chronic Prostatitis and Chronic Pelvic Pain Syndrome in Men. StatPearls, NCBI Bookshelf NBK599550, atualizado em 11 de janeiro de 2024

Na prova

Quando dois documentos do mesmo acervo divergem, o dedicado ao tema é o que costuma ser cobrado — e aqui ele é também o que traz a justificativa farmacológica. A leitura segura é a faixa larga: quatro a seis semanas como resposta central da prostatite crônica bacteriana, com doze semanas como extensão legítima. O que a alternativa errada faz, quase sempre, é oferecer duração de prostatite AGUDA para um caso descrito como crônico, ou oferecer curso de dias, que não existe em nenhum documento para próstata. Marcador de enunciado: sintoma há três meses ou mais com urocultura positiva recorrente pelo MESMO germe é categoria II e pede semanas; dor pélvica em pelo menos 3 dos últimos 6 meses com culturas negativas é categoria III e não pede antibiótico prolongado.

Quanto tempo dura o antibiótico na prostatite AGUDA bacteriana

Régua europeia e literatura internacional: duas a quatro semanas no total

A conduta inicial é administração parenteral de doses altas de antimicrobiano bactericida — penicilina de amplo espectro, cefalosporina de terceira geração ou fluoroquinolona — e, após a normalização dos parâmetros de infecção, substitui-se por terapia oral, continuada até um total de duas a quatro semanas. A mesma faixa aparece na literatura de referência em língua inglesa, que descreve fluoroquinolona ou sulfametoxazol-trimetoprima por via oral por 2 a 4 semanas no paciente ambulatorial não grave.

European Association of Urology, EAU Guidelines on Urological Infections, edição de 2026, seção de prostatite; e Davis NG, Silberman M, Acute Bacterial Prostatitis, StatPearls NBK459257

Réguas brasileiras: três a quatro semanas na atenção primária, e no mínimo quatro a seis semanas na diretriz nacional

O protocolo municipal derivado do caderno de atenção básica do Ministério da Saúde fixa 3 a 4 semanas de antibioticoterapia para a prostatite aguda e 4 a 12 semanas para a crônica bacteriana, com sulfametoxazol-trimetoprima 800/160 mg de 12 em 12 horas, doxiciclina 100 mg de 12 em 12 horas ou ciprofloxacino 500 mg de 12 em 12 horas. A diretriz brasileira de 2003 vai além e pede curso mais longo: a prostatite aguda responde melhor às fluoroquinolonas como o ciprofloxacino, pela melhor penetração tecidual, e o tratamento é longo, por no mínimo 4 a 6 semanas, para evitar recidiva.

Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, Protocolo de Atenção Primária à Saúde nº 08 (Disúria), 2017, derivado do Caderno de Atenção Básica nº 28, volume II; e Heilberg IP, Schor N, Rev Assoc Med Bras. 2003;49(1):109-16

Na prova

As três faixas se sobrepõem em quatro semanas, e é por isso que a alternativa que oferece 'quatro semanas' raramente está errada em qualquer recorte. O que separa as bancas é o piso: enunciado que cita nominalmente documento brasileiro de atenção primária, ou que descreve unidade básica com lista padronizada de medicamentos, roda com 3 a 4 semanas; enunciado que cita a régua europeia ou que descreve internação com transição de parenteral para oral roda com 2 a 4 semanas no total. Nenhum documento, brasileiro ou internacional, sustenta curso de dias para próstata — e essa é a discriminação que a questão quase sempre está testando de verdade. Quando a alternativa oferecer 7 ou 10 dias para prostatite aguda, ela está errada em todos os recortes ao mesmo tempo.

Trocar o cateter vesical antes de iniciar o antimicrobiano

Régua europeia: substituir ou remover o cateter ANTES de iniciar o antimicrobiano, recomendação forte

A recomendação é textual e tem força forte: substituir ou remover o cateter de demora antes de iniciar a terapia antimicrobiana. O documento acrescenta o critério temporal: se o cateter está instalado há duas semanas no momento em que a infecção associada a cateter se manifesta e ainda é necessário, ele deve ser substituído, para acelerar a resolução dos sintomas e reduzir o risco de bacteriúria e de infecção subsequentes. E fecha pelo outro lado: cateteres de demora de longa permanência não devem ser trocados rotineiramente.

European Association of Urology, EAU Guidelines on Urological Infections, edição de 2026, seção de infecção associada a cateter

Vigilância sanitária brasileira: não há indicação absoluta de troca para obter urina para cultura

A nota técnica vigente registra que não existe consenso na literatura em relação à necessidade de troca de cateteres diante de suspeita de infecção urinária ou para coleta de urina, e conclui que não há indicação absoluta de troca do cateter para obter urina para cultura, devendo a orientação ser definida pela equipe assistencial junto com a comissão de controle de infecção. O documento brasileiro de prevenção, no mesmo sentido, lista 'não trocar cateteres rotineiramente' entre as estratégias que não devem ser utilizadas, com grau A-III.

Nota Técnica GVIMS/GGTES/DIRE3/ANVISA nº 03/2026; e Anvisa, Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde, Caderno 4, seção 5.3

Na prova

A divergência é menor do que parece porque as duas frases respondem a perguntas diferentes, e é justamente isso que a questão testa. O documento brasileiro fala em trocar o cateter para COLHER a urocultura, e diz que isso não é obrigatório. A régua europeia fala em trocar o cateter para que o ANTIBIÓTICO funcione, e diz que isso é recomendação forte. Enunciado que pergunta como colher a amostra roda com a régua brasileira; enunciado que pergunta o que fazer com o dispositivo ao iniciar o tratamento roda com a europeia. O que as duas assinam junto, e nunca é alternativa errada, é que cateter de longa permanência não se troca de rotina e que bacteriúria sem sintoma não se trata.

06

Caso resolvido

Homem de 58 anos, diabético tipo 2 em uso irregular de metformina, interna com febre de 39 °C, calafrios e dor lombar direita há três dias. Na admissão: pressão arterial 108×62 mmHg, frequência cardíaca 112 bpm, temperatura 38,9 °C. Urina II com piúria e nitrito positivo; urocultura colhida antes da primeira dose. Iniciada ceftriaxona 1 g endovenosa de 12 em 12 horas. No terceiro dia de internação mantém febre de 38,7 °C e dor lombar, agora com discreto abaulamento doloroso em flanco direito. A urocultura voltou com Escherichia coli sensível à ceftriaxona. Creatinina 1,4 mg/dL, glicemia 288 mg/dL, plaquetas 96.000/mm³.
achado
Febre e dor mantidas no terceiro dia de internação. A contagem que importa não é de dias de internação, é de doses: ceftriaxona de 12 em 12 horas por 72 horas são seis doses do antibiótico correto. O paciente atravessou a janela de 48 a 72 horas.
classificação
Isto é falha de tratamento por definição operacional: persistência de febre e de dor após 48 a 72 horas de antimicrobiano adequado. E é infecção urinária complicada em dois eixos — sexo masculino e diabetes —, o que já dizia, desde a admissão, que o limiar para investigar seria mais baixo.
o que a cultura já respondeu
Escherichia coli sensível à ceftriaxona elimina a quarta hipótese antes de qualquer exame de imagem. O germe é sensível à droga que está correndo na veia há três dias. Portanto o problema não é microbiológico — sobraram obstrução, coleção e gás.
conduta imediata
Tomografia de abdome e pelve com contraste, e não troca de antibiótico. Ela responde às três hipóteses restantes de uma vez, com sensibilidade de 92% a 98% para abscesso renal. Trocar a ceftriaxona por carbapenêmico aqui é adiar o exame que decide — e a cultura já provou que não há o que trocar.
o que o abaulamento sugere
Massa dolorosa em flanco em quem não melhora aponta para o compartimento perirrenal. Se a tomografia mostrar coleção na gordura perirrenal, a régua é a do abscesso perinéfrico: acima de 3 cm, drenar. Se a coleção estiver dentro do parênquima, a régua muda para 5 cm, com individualização entre 3 e 5 cm.
o gás mudaria a categoria
Diabético com controle ruim — glicemia de 288 mg/dL — é o terreno da pielonefrite enfisematosa, e 96% dos pacientes da série original eram diabéticos. Gás só no sistema coletor admitiria antibiótico isolado. Gás no espaço perinéfrico ou pararrenal colocaria o caso em classe 3, e aí a conta de fatores de risco pesaria: diabetes, plaquetopenia de 96.000/mm³ e injúria renal aguda já somam três, cenário em que a drenagem percutânea associada ao tratamento clínico falha na maioria dos casos.
e se houver obstrução
Hidronefrose com infecção reordena tudo: a descompressão passa à frente, por nefrostomia percutânea ou cateter ureteral retrógrado. Com plaquetas de 96.000/mm³ o paciente ainda cumpre o piso de 50.000/µL para a nefrostomia, mas a coagulação precisa ser conferida antes, e o antibiótico entra pelo menos 1 hora antes do procedimento.
duração
Se houver abscesso renal, o antibiótico não é de dias: quatro semanas é a referência, com mínimo de duas, e este paciente — diabético e com quadro sistêmico — se enquadra na faixa de seis a oito semanas. A drenagem não encurta o curso; ela torna o curso capaz de funcionar.
07

Agora feche você

Homem de 46 anos procura o pronto-atendimento com febre de 38,8 °C, calafrios, dor perineal intensa e ardência miccional há dois dias. Refere jato fraco e, nas últimas seis horas, incapacidade de urinar, com desconforto suprapúbico crescente. Nega corrimento uretral e refere parceira única há doze anos. Ao exame, abdome com globo vesical palpável; Giordano negativo bilateralmente; bolsa escrotal sem alterações, epidídimos indolores. Ao toque retal, próstata aumentada, quente e exuberantemente dolorosa à palpação, com o paciente reagindo intensamente à manobra.
achado
Febre, dor perineal, sintomas miccionais e próstata aumentada e exuberantemente dolorosa ao toque. A dor desproporcional ao toque retal é o achado que fecha o quadro.
classificação
Prostatite aguda bacteriana — categoria I do National Institutes of Health. Giordano negativo e bolsa escrotal normal afastam os dois diagnósticos que competem: pielonefrite e epididimite.
o que NÃO fazer no exame
O toque retal se faz, com delicadeza e uma vez, e é ele que dá o diagnóstico. Massagem prostática e manipulação vigorosa da glândula estão proscritas na fase aguda: podem agravar o quadro e precipitar bacteremia. A massagem é ferramenta da prostatite crônica, não da aguda.
08

Onde a banca derruba

  1. 1Trocar o antibiótico quando a febre persiste É o distrator mais frequente do tema porque parece ação e é fácil de escrever numa alternativa. A febre que atravessa 48 a 72 horas de antibiótico adequado tem quatro explicações, e a resistência é a última das quatro — justamente porque é a única que a urocultura colhida antes da primeira dose já respondeu. As outras três são mecânicas: obstrução, coleção e gás. Trocar a droga adia a tomografia, e o que estava sob pressão continua sob pressão. O antídoto é contar as doses efetivamente administradas antes de decidir qualquer coisa.
  2. 2Prescrever nitrofurantoína ou fosfomicina para infecção de tecido Atrai porque o antibiograma volta sensível e porque são as drogas que o aluno associa a infecção urinária. Mas antibiograma mede sensibilidade in vitro e não mede penetração tecidual. Nitrofurantoína e fosfomicina alcançam concentração alta na urina da bexiga e baixa no parênquima renal, no tecido prostático e dentro de uma coleção — servem para cistite, que é infecção de superfície. A única brecha do capítulo inteiro é a fosfomicina na prostatite crônica bacteriana por germe multirresistente.
  3. 3Fazer massagem prostática na prostatite aguda É o par de manobras que a banca mais gosta, porque a mesma técnica muda de status entre duas categorias. Na prostatite crônica, a massagem é ferramenta diagnóstica — é ela que produz a secreção prostática expressa e a amostra pós-massagem do teste de dois frascos. Na prostatite aguda, a manipulação vigorosa da glândula não se faz: pode agravar o quadro e precipitar bacteremia. O toque retal, esse sim, se faz — com delicadeza e uma vez, e é ele que mostra a próstata aumentada e exuberantemente dolorosa que fecha o diagnóstico.
  4. 4Passar sonda de demora pela uretra na retenção da prostatite aguda O reflexo é automático: paciente em retenção, passa-se sonda. Só que a sonda transuretral atravessa exatamente a glândula inflamada, e a passagem pode piorar o quadro. A conduta é acionar a urologia para cistostomia suprapúbica — drenar a bexiga por cima resolve a retenção sem manipular a próstata. Vale lembrar que a retenção urinária, sozinha, já é critério de internação na prostatite aguda.
  5. 5Tentar resolver o cálculo no mesmo tempo da drenagem A tentação é de eficiência: já que o paciente está na sala e a obstrução é por pedra, fragmenta-se a pedra. Ureteroscopia com fragmentação em rim infectado e obstruído eleva a pressão intrapiélica e pode converter pielonefrite em choque séptico sobre a mesa. A sequência é drenar, tratar a infecção e abordar o cálculo eletivamente depois. O mesmo raciocínio proíbe intervenção sobre cálculo na vigência de bacteriúria não tratada.
  6. 6Tratar a urocultura do paciente sondado Todo cateter de demora coloniza, e piúria em paciente sondado é achado esperado — o dispositivo irrita a mucosa. Sem sintoma compatível ou sinal sistêmico sem outra etiologia, cultura positiva é bacteriúria assintomática, e a lista de quem se trata continua tendo dois itens. A armadilha tem uma gêmea que custa mais caro: quando de fato há infecção associada a cateter, dar antibiótico sem trocar o cateter é repetir o erro da urina represada — o biofilme aderido ao dispositivo antigo é reservatório que a droga não penetra.
  7. 7Dosar PSA na vigência da prostatite O PSA sobe na inflamação prostática, e sobe muito. Um valor colhido durante prostatite aguda não significa câncer, mas entra no prontuário como número alterado e gera uma cascata de conduta que a inflamação já explicava. O intervalo e a forma de repetir estão no capítulo de Câncer de próstata; aqui basta a regra: no episódio agudo, não se dosa.
  8. 8Confundir infecção complicada com infecção grave São eixos independentes e o enunciado costuma cruzar os dois de propósito. Homem jovem com cistite simples tem infecção complicada — pelo sexo — e nenhuma gravidade. Mulher hígida pode chegar em choque séptico com pielonefrite tecnicamente não complicada. A categoria governa duração, necessidade de cultura e limiar de investigação; a gravidade governa via, local do tratamento e pressa.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Febre, dor perineal, sintomas miccionais obstrutivos e próstata muito dolorosa ao toque em homem jovem caracterizam prostatite bacteriana aguda. O tratamento é antibiótico com boa penetração prostática (fluoroquinolona, como ciprofloxacino, ou sulfametoxazol-trimetoprima) por período prolongado (2 a 4 semanas). A massagem prostática vigorosa é contraindicada na fase aguda pelo risco de bacteremia. HPB não cursa com febre e próstata dolorosa. Abscesso prostático é complicação a ser investigada (por imagem) se não houver resposta, não a hipótese inicial de um quadro sem flutuação evidente ou sinais de coleção.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Escreva de memória as quatro hipóteses da febre que persiste depois de 48 a 72 horas de antibiótico adequado, na ordem certa, e diga qual delas a urocultura colhida antes da primeira dose já respondeu. Em seguida recite os três limiares de drenagem com o compartimento de cada um: abscesso renal, abscesso perinéfrico e abscesso prostático. Por fim, diga em uma frase por que nitrofurantoína e fosfomicina não aparecem em nenhum esquema deste capítulo — e qual é a única exceção.

em 30 dias

Refaça o capítulo em quatro blocos, em voz alta. Primeiro, a régua do rim obstruído e infectado: por que a descompressão não espera o antibiótico, quais são as duas vias, e que características do paciente puxam para cada uma. Segundo, as cinco classes de Huang e Tseng na ordem, dizendo o território de cada uma, e a conduta por classe. Terceiro, as quatro categorias de prostatite do National Institutes of Health, com o teste que separa a II da III e a regra do aumento de dez vezes. Quarto, a diferença entre bacteriúria e infecção no paciente sondado, incluindo o que se faz com o cateter antes de iniciar o antibiótico. Depois responda sem consultar: quantas doses de ceftriaxona 12/12 h um paciente já recebeu ao completar 72 horas, e por que esse número importa.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Homem de 58 anos, diabético, internado há três dias por pielonefrite direita em uso de ceftriaxona endovenosa, que mantém febre de 38,7 °C e dor lombar, agora com abaulamento doloroso em flanco, urocultura com Escherichia coli sensível à droga em uso, creatinina 1,4 mg/dL, glicemia 288 mg/dL e plaquetas 96.000/mm³ — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Infecção urinária complicada, pielonefrite e prostatite – Infecção urinária complicada e prostatite — Preparatório para provas | OsceLabs