Fundamentos da Prática Clínica › Semiologia: exame segmentar
Ausculta cardíaca: bulhas
O achado que vale 11 e que quase ninguém concorda em ouvir
A cena
A residente ausculta o foco mitral, fecha os olhos e diz que ouviu uma terceira bulha. O preceptor ausculta em seguida e não ouve. Auscultam juntos, com estetoscópio duplo, e continuam discordando. Nenhum dos dois está mentindo.
Essa cena tem número. Quando quatro examinadores treinados auscultaram 81 pacientes internados com insuficiência cardíaca, a concordância entre pares ficou entre 48% e 73%, e o kappa variou de 0,10 a 0,50 conforme a dupla. Experiência do observador não melhorou o acordo.
E aqui está o paradoxo que organiza este capítulo: a terceira bulha é, ao mesmo tempo, um dos achados mais valiosos do exame físico e um dos menos confiáveis de detectar. Quando é ouvida, vale muito. Quando não é ouvida, vale pouco. Aprender ausculta cardíaca é aprender a conviver com essa assimetria em vez de fingir que ela não existe.
De onde vem o sinal
As bulhas nascem do fechamento de válvulas e da desaceleração súbita do sangue, não do movimento do músculo. A primeira bulha corresponde ao fechamento das válvulas atrioventriculares, mitral e tricúspide, e marca o início da sístole. A segunda corresponde ao fechamento das válvulas semilunares, aórtica e pulmonar, e marca o fim da sístole. O intervalo entre a primeira e a segunda é a sístole; entre a segunda e a primeira seguinte, a diástole, que é mais longa em frequências normais.
Os focos de ausculta não ficam sobre as válvulas: ficam onde o som de cada válvula é mais bem transmitido pelo fluxo. O foco aórtico está no segundo espaço intercostal direito, junto ao esterno; o pulmonar, no segundo espaço esquerdo; o tricúspide, junto à borda esternal esquerda baixa; e o mitral, na ponta, onde está o ictus. O foco aórtico acessório, ou de Erb, no terceiro espaço esquerdo, é onde a insuficiência aórtica costuma ser mais audível.
O desdobramento da segunda bulha é fisiológico e tem explicação respiratória. Na inspiração, a pressão negativa intratorácica aumenta o retorno venoso ao coração direito, prolonga a ejeção do ventrículo direito e atrasa o fechamento da pulmonar. O resultado é que os dois componentes se separam de forma audível na inspiração e voltam a se juntar na expiração. Desdobramento que persiste na expiração, ou que se inverte, deixa de ser fisiológico.
A terceira e a quarta bulhas são diastólicas e de baixa frequência, o que exige a campânula do estetoscópio, apoiada levemente. A terceira ocorre no enchimento rápido, logo depois da segunda bulha, e traduz desaceleração abrupta do sangue contra um ventrículo com complacência reduzida ou volume aumentado. A quarta ocorre no fim da diástole, imediatamente antes da primeira bulha, e traduz a contração atrial contra um ventrículo rígido. Em adulto, a terceira bulha costuma ser patológica; em criança e adulto jovem, pode ser normal.

O que perguntar
A ausculta cardíaca rende muito mais quando dirigida. Estas perguntas dizem o que procurar antes de encostar o estetoscópio.
“Precisa de mais travesseiros para dormir? Acorda à noite com falta de ar?”
Ortopneia e dispneia paroxística noturna apontam congestão. Nesse cenário, procurar ativamente a terceira bulha vale muito — é o achado que mais desloca a probabilidade de insuficiência cardíaca.
“Sente o coração acelerado ou falhando?”
Palpitação orienta a atenção para o ritmo. Ausculta irregular exige contar a frequência por sessenta segundos completos e comparar com o pulso periférico.
“Já lhe disseram que tem sopro no coração ou problema de válvula?”
Direciona a ausculta para o foco correspondente e para as manobras que serão vistas no próximo capítulo.
“Tem pressão alta há muito tempo?”
Hipertensão de longa data torna o ventrículo rígido e favorece a quarta bulha, que é diastólica tardia e exige a campânula na ponta.
“Sente tontura, desmaio ou dor no peito ao fazer esforço?”
A tríade clássica da estenose aórtica. Muda a prioridade da ausculta e o grau de urgência da investigação.
“Teve febre reumática na infância?”
Antecedente que aumenta a probabilidade de valvopatia e orienta a busca por alterações de bulha, como a primeira bulha hiperfonética da estenose mitral.
Antes de encostar
- Silêncio, sem exceção
- Terceira e quarta bulhas são de baixa intensidade e baixa frequência. Em ambiente ruidoso elas simplesmente não são ouvidas, e a ausência registrada não significa ausência real.
- Conhecer as duas faces do estetoscópio
- O diafragma, apoiado com firmeza, transmite frequências altas: primeira e segunda bulhas, a maioria dos sopros. A campânula, apoiada levemente, transmite frequências baixas: terceira e quarta bulhas. Apertar a campânula a transforma em diafragma e apaga justamente o que ela serviria para ouvir.
- Três posições
- Decúbito dorsal com cabeceira elevada para a varredura; decúbito lateral esquerdo para as bulhas diastólicas na ponta; sentado e inclinado para a frente, em expiração, para a base. Cada posição existe porque aproxima uma estrutura da parede.
- Olivas na direção certa
- As olivas apontam para a frente, acompanhando o conduto auditivo. Invertidas, abafam tudo — e o estudante conclui que as bulhas estão hipofonéticas.
- Mão no pulso durante a ausculta
- Palpar o pulso carotídeo enquanto ausculta é o que permite dizer com segurança o que é sístole e o que é diástole, sobretudo em frequências altas, quando os intervalos se igualam.
A técnica
A ausculta cardíaca é uma sequência de perguntas, não uma varredura. Cada etapa responde a uma delas.
- 1
Posicionar e localizar o pulso carotídeo
Com o paciente em decúbito dorsal e cabeceira elevada, apoie os dedos no pulso carotídeo do lado direito enquanto ausculta. A bulha que coincide com o pulso é a primeira.
Erro comum: Auscultar sem referência de tempo. Em taquicardia, sístole e diástole ficam parecidas e o estudante inverte as bulhas.
- 2
Percorrer os focos com o diafragma
Comece pelo foco aórtico, siga para o pulmonar, o de Erb, o tricúspide e termine no mitral. Em cada um, escute primeiro a primeira bulha, depois a segunda, depois a sístole e por fim a diástole — uma coisa de cada vez.
Erro comum: Tentar ouvir tudo ao mesmo tempo em cada foco. A escuta seletiva, um elemento por vez, é o que permite perceber o que está fora do lugar.
- 3
Caracterizar a primeira e a segunda bulhas
Defina se estão presentes, se a intensidade é normal, aumentada ou diminuída, e se o ritmo é regular. Registre a frequência contada, não estimada.
Erro comum: Anotar apenas bulhas normofonéticas sem ter avaliado ritmo e frequência.
- 4
Avaliar o desdobramento da segunda bulha
No foco pulmonar, peça respiração tranquila e escute a segunda bulha ao longo do ciclo. O desdobramento fisiológico aparece na inspiração e desaparece na expiração.
Erro comum: Avaliar desdobramento com o paciente prendendo a respiração. Sem o ciclo respiratório não há como saber se o desdobramento é fisiológico.
- 5
Trocar para a campânula na ponta
No foco mitral, troque para a campânula e apoie com pressão mínima, apenas o suficiente para vedar. É assim que se procuram a terceira e a quarta bulhas.
Erro comum: Apoiar a campânula com força. A pele estirada passa a funcionar como diafragma e as frequências baixas somem.
- 6
Virar o paciente para decúbito lateral esquerdo
Nessa posição a ponta se aproxima da parede e as bulhas diastólicas ficam muito mais audíveis. Ausculte com a campânula, com pressão leve, por vários ciclos.
Erro comum: Registrar ausência de terceira bulha sem ter usado esta posição e a campânula. A ausência assim obtida não tem valor.
- 7
Sentar o paciente inclinado para a frente
Peça que se sente, incline o tronco para a frente e solte todo o ar, mantendo em expiração. Ausculte a base com o diafragma — é a posição que mais aproxima a aorta da parede.
Erro comum: Pedir apneia inspiratória. É a expiração sustentada que aproxima as estruturas da parede nesta posição.
- 8
Situar qualquer som extra no ciclo
Ouvido um som além das duas bulhas, decida se é sistólico ou diastólico usando o pulso carotídeo, e se é protodiastólico, mesodiastólico ou telediastólico. Localizar no ciclo é o que dá significado.
Erro comum: Registrar som extra sem situá-lo. Terceira e quarta bulhas ocupam momentos diferentes da diástole e significam coisas diferentes.
- 9
Comparar com o pulso periférico
Ausculte enquanto palpa o pulso radial. Batimentos audíveis que não chegam à periferia caracterizam déficit de pulso, achado que acompanha ritmos irregulares.
Erro comum: Contar a frequência apenas pelo pulso radial em ritmo irregular, o que subestima a frequência cardíaca real.
Padrão esperado, alterações e registro
- Duas bulhas audíveis em todos os focos, ritmo regular, frequência entre 60 e 100 por minuto no adulto em repouso.
- Primeira bulha mais intensa na ponta; segunda bulha mais intensa na base.
- Desdobramento da segunda bulha audível na inspiração e desaparecendo na expiração — variação fisiológica.
- Terceira bulha audível em crianças e adultos jovens, sem outros achados, podendo ser fisiológica nessa faixa.
- Ausência de sopros, estalidos, atrito e sons extras.
- Exemplo de registro: ritmo regular, S1 e S2 identificadas e normofonéticas, desdobramento fisiológico de S2 à inspiração, sem sons adicionais.
- Terceira bulha em adulto, protodiastólica, audível com a campânula na ponta em decúbito lateral esquerdo
- É o achado isolado que mais aumenta a probabilidade de insuficiência cardíaca na dispneia — razão de verossimilhança 11. Quando presente, pesa muito; quando ausente, muda pouco.
- Quarta bulha, telediastólica, imediatamente antes da primeira bulha
- Contração atrial contra ventrículo rígido: hipertensão de longa data, hipertrofia, isquemia. Não ocorre em fibrilação atrial, porque depende de contração atrial organizada.
- Desdobramento da segunda bulha persistente também na expiração
- Deixa de ser fisiológico. Sugere atraso na ejeção do ventrículo direito, como no bloqueio de ramo direito e na comunicação interatrial.
- Bulhas hipofonéticas em todos os focos
- Barreira à transmissão: obesidade, enfisema, derrame pericárdico. Não indica, por si só, contratilidade reduzida.
- Ritmo irregularmente irregular, sem padrão, com déficit de pulso
- Sugere fibrilação atrial. A frequência precisa ser contada na ausculta, e não no pulso radial, que subestima.
- Primeira bulha hiperfonética na ponta
- Pode acompanhar estenose mitral, em que a válvula ainda está amplamente aberta quando a sístole começa e se fecha com maior excursão.
- Atrito pericárdico: som áspero, com componentes na sístole e na diástole
- Pericardite. É mais audível com o paciente sentado e inclinado para a frente, na expiração — a mesma posição usada para a base.
O que isso quer dizer
Comece pelo dado que mais incomoda. Em 1997, 453 médicos em formação e 88 estudantes de medicina ouviram doze eventos cardíacos gravados diretamente de pacientes e tentaram identificá-los. O acerto ficou em torno de 20% dos eventos. As medianas de acerto foram 2,5 em 12 para residentes de clínica médica e 2,0 em 12 para os de medicina de família. E o achado mais duro: o número de identificações corretas melhorou pouco com o ano de treinamento e não foi significativamente maior que o dos estudantes.
A leitura correta desse estudo não é que a ausculta não funciona. É que a exposição repetida, sozinha, não ensina. Anos de residência auscultando pacientes sem retorno estruturado sobre o que era cada som produziram pouca melhora. O que constrói competência é prática deliberada em poucos sons, com confirmação — ouvir, arriscar um nome, e descobrir se acertou.
O segundo dado é sobre concordância. Quatro examinadores treinados auscultaram 81 pacientes internados com insuficiência cardíaca procurando terceira bulha. A concordância entre pares ficou entre 48% e 73%, com kappa entre 0,10 e 0,30 nos piores pares e entre 0,40 e 0,50 nos melhores. Tempo entre as medidas, sexo do paciente e experiência do observador não melhoraram o acordo. Ou seja: dois médicos competentes podem discordar sobre a terceira bulha do mesmo paciente, e isso não significa que um deles seja incompetente.
Junte esses dois dados ao terceiro: quando presente, a terceira bulha tem razão de verossimilhança 11 na dispneia do pronto-socorro, com intervalo de confiança de 4,9 a 25,0. É um dos achados mais informativos de todo o exame físico. A conclusão prática é uma assimetria que precisa ficar clara. Terceira bulha ouvida por você, em boas condições de ausculta, muda bastante a probabilidade e deve ser registrada e comunicada. Terceira bulha não ouvida muda pouco — não afasta insuficiência cardíaca, sobretudo se o ambiente era ruidoso, se você não usou a campânula ou se não virou o paciente.
Por isso a técnica deste capítulo não é detalhe. Campânula com pressão leve, decúbito lateral esquerdo, silêncio e vários ciclos são o que transforma uma ausência sem valor em uma ausência informativa.
| Sinal | Medida | Valor | Fonte |
|---|---|---|---|
| Terceira bulha na dispneia do pronto-socorro | Razão de verossimilhança para insuficiência cardíaca. É um dos achados isolados mais informativos do exame físico quando presente. | LR 11 (IC 95% 4,9–25,0) | Wang CS, FitzGerald JM, Schulzer M, Mak E, Ayas NT. Does this dyspneic patient in the emergency department have congestive heart failure? JAMA. 2005;294(15):1944-56. |
| Concordância entre examinadores na detecção da terceira bulha | Acordo entre quatro examinadores treinados auscultando 81 pacientes internados com insuficiência cardíaca. Experiência do observador não melhorou o acordo. | Concordância entre pares de 48% a 73%; kappa de 0,10 a 0,30 nos piores pares e de 0,40 a 0,50 nos melhores | Ishmail AA, Wing S, Ferguson J, Hutchinson TA, Magder S, Flegel KM. Interobserver agreement by auscultation in the presence of a third heart sound in patients with congestive heart failure. Chest. 1987;91(6):870-3. |
| Proficiência em ausculta cardíaca entre médicos em formação | Identificação de eventos cardíacos gravados de pacientes por 453 médicos em formação e 88 estudantes. O desempenho dos residentes não foi significativamente maior que o dos estudantes. | Acerto em torno de 20% de 12 eventos cardíacos; medianas de 2,5 em 12 (clínica médica) e 2,0 em 12 (medicina de família), sem melhora relevante com o ano de treinamento | Mangione S, Nieman LZ. Cardiac auscultatory skills of internal medicine and family practice trainees. A comparison of diagnostic proficiency. JAMA. 1997;278(9):717-22. |
Onde cada som mora no ciclo
Situar o som no ciclo é o que lhe dá significado. Use o pulso carotídeo como marcador do início da sístole.
| Som | Momento do ciclo | Melhor forma de ouvir | O que sugere |
|---|---|---|---|
| Primeira bulha | Início da sístole, coincide com o pulso carotídeo | Diafragma, na ponta | Fechamento de mitral e tricúspide |
| Segunda bulha | Fim da sístole | Diafragma, na base | Fechamento de aórtica e pulmonar |
| Desdobramento fisiológico da segunda | Só na inspiração | Diafragma, foco pulmonar, respiração tranquila | Variação normal |
| Desdobramento persistente na expiração | Todo o ciclo respiratório | Diafragma, foco pulmonar | Atraso do ventrículo direito |
| Terceira bulha | Protodiastólica, logo após a segunda | Campânula leve, ponta, decúbito lateral esquerdo | Insuficiência cardíaca no adulto |
| Quarta bulha | Telediastólica, logo antes da primeira | Campânula leve, ponta | Ventrículo rígido; ausente na fibrilação atrial |
| Atrito pericárdico | Sístole e diástole | Diafragma, sentado inclinado, em expiração | Pericardite |
- Terceira bulha ouvida vale muito; terceira bulha não ouvida vale pouco. A assimetria é real e vem da baixa concordância entre examinadores.
- Quarta bulha depende de contração atrial organizada — por isso não existe em fibrilação atrial.
Erros que custam o achado
- Apertar a campânula contra o tórax
- A pressão estira a pele e transforma a campânula em diafragma, filtrando exatamente as frequências baixas da terceira e da quarta bulhas. A campânula se apoia com o mínimo necessário para vedar.
- Registrar ausência de terceira bulha sem a técnica completa
- Sem campânula, sem decúbito lateral esquerdo, sem silêncio e sem escutar vários ciclos, a ausência não informa nada. E como o achado tem baixa concordância entre observadores, uma ausência mal obtida é ainda menos confiável.
- Inverter sístole e diástole em taquicardia
- Em frequências altas os dois intervalos se aproximam e a distinção auditiva falha. Mantenha os dedos no pulso carotídeo: a bulha que coincide com ele é a primeira.
- Avaliar desdobramento em apneia
- O desdobramento fisiológico é, por definição, respiratório. Sem o ciclo respiratório não há como classificar, e um desdobramento normal pode ser registrado como patológico.
- Concluir contratilidade reduzida por bulhas hipofonéticas
- Bulhas abafadas em todos os focos costumam refletir barreira à transmissão — obesidade, enfisema, derrame pericárdico. É achado sobre o que existe entre o coração e o estetoscópio, não sobre a força do miocárdio.
- Contar a frequência pelo pulso radial em ritmo irregular
- Batimentos fracos não chegam à periferia. O déficit de pulso faz a contagem radial subestimar a frequência real, que precisa ser obtida na ausculta, por sessenta segundos.
- Achar que exposição repetida basta para aprender
- Residentes que auscultaram pacientes por anos não se saíram significativamente melhor que estudantes. O que constrói competência é prática deliberada em poucos sons, com retorno sobre o acerto — não volume de pacientes.
Roteiro da estação
A ausculta cardíaca completa, depois da inspeção e palpação do precórdio.
- 01Higienizar as mãos, limpar o estetoscópio e pedir silêncio no ambiente
- 02Posicionar o paciente em decúbito dorsal com a cabeceira elevada
- 03Apoiar os dedos no pulso carotídeo para marcar o início da sístole
- 04Percorrer com o diafragma: foco aórtico, pulmonar, de Erb, tricúspide e mitral
- 05Em cada foco, escutar separadamente primeira bulha, segunda bulha, sístole e diástole
- 06Caracterizar intensidade das bulhas, ritmo e frequência contada
- 07Avaliar o desdobramento da segunda bulha no foco pulmonar, com respiração tranquila
- 08Trocar para a campânula na ponta, com pressão leve
- 09Virar o paciente para decúbito lateral esquerdo e reauscultar a ponta por vários ciclos
- 10Sentar o paciente inclinado para a frente, em expiração, e auscultar a base com o diafragma
- 11Situar qualquer som extra no ciclo usando o pulso carotídeo
- 12Comparar a ausculta com o pulso radial e verificar déficit de pulso
- 13Registrar bulhas, ritmo, frequência, desdobramento, sons extras e as posições utilizadas
Teste-se
Agora faça no paciente
Homem de 68 anos está na enfermaria e, à beira do leito, a primeira coisa que você ouve é: "Doutor, tô muito cansado e minhas pernas estão inchadas faz uns dias." Agora é sua vez: conduza a anamnese, examine e monte o seu raciocínio.
Revisão espaçada
Por que o desdobramento da segunda bulha aparece na inspiração? Qual face do estetoscópio e qual posição são necessárias para procurar a terceira bulha, e por quê?
A terceira bulha tem razão de verossimilhança 11 para insuficiência cardíaca, mas a concordância entre examinadores na sua detecção vai de 48% a 73%. Como essas duas informações se combinam na prática? Por que a presença e a ausência do achado não têm o mesmo peso?
