Fundamentos da Prática Clínica › Semiologia: exame segmentar
Ausculta pulmonar
O que dá para ouvir, o que dá para nomear e onde os médicos discordam
A cena
Dois internos auscultam o mesmo paciente com dois minutos de diferença. O primeiro anota estertores crepitantes finos em bases. O segundo anota estertores subcrepitantes difusos. O preceptor ausculta em seguida e descreve roncos esparsos. Três descrições, um pulmão.
A cena não é caricatura: é o que acontece quando se exige do ouvido uma precisão que ele não entrega. E existe medida disso. Doze médicos classificaram gravações de ausculta em dez categorias detalhadas e a concordância entre eles foi ruim — mas quando as mesmas gravações foram classificadas em categorias amplas, estertores de um lado e sibilos do outro, a concordância subiu para um patamar aceitável.
A lição prática é incômoda e libertadora ao mesmo tempo. A ausculta pulmonar é útil, e continua sendo uma das etapas que mais mudam conduta na beira do leito. Só que ela é útil no nível em que os médicos conseguem concordar — e esse nível é mais grosso do que a maioria dos roteiros sugere.
De onde vem o sinal
O som que se ouve no tórax normal nasce do fluxo de ar nas vias aéreas de maior calibre e chega à parede filtrado pelo pulmão aerado. Esse filtro corta as frequências altas, e o resultado é o murmúrio vesicular: suave, mais audível na inspiração, com a expiração curta e discreta. Tudo o que altera o filtro altera o som — e é por isso que a ausculta informa sobre o parênquima, não apenas sobre a via aérea.
Quando o alvéolo se preenche de exsudato e o pulmão fica sólido, o filtro deixa de cortar as frequências altas. O som conduzido das vias centrais chega à parede quase intacto e vira som brônquico, áspero e com expiração tão longa quanto a inspiração, onde deveria haver murmúrio vesicular. É o mesmo mecanismo do frêmito aumentado e da broncofonia: meio sólido conduz melhor. Já quando líquido ou ar se interpõem no espaço pleural, o som simplesmente não chega, e o murmúrio fica diminuído ou abolido.
Os ruídos adventícios se dividem em duas famílias por mecanismo. Estertores são descontínuos, explosivos e breves, e nascem da abertura súbita de vias aéreas que estavam colabadas — daí serem predominantemente inspiratórios e não se modificarem com a tosse quando vêm de doença do interstício. Sibilos e roncos são contínuos e musicais, e nascem da vibração de paredes de vias aéreas estreitadas — daí serem predominantemente expiratórios e mudarem com a tosse quando a causa é secreção.
Sobre a nomenclatura, vale um aviso honesto. A tradição brasileira separa estertores em finos e grossos, e ruídos contínuos em roncos e sibilos, e essa divisão tem lógica fisiopatológica. Mas quanto mais fina a subdivisão que você exige do próprio ouvido, menos dois examinadores concordam. Descreva o que consegue sustentar: presença, tipo amplo, momento do ciclo respiratório e localização. Uma descrição mais grossa e reprodutível vale mais no prontuário do que uma classificação refinada que o próximo médico não vai confirmar.

O que perguntar
A ausculta responde melhor quando a anamnese já apontou o que procurar. Estas perguntas mudam o que você vai valorizar no estetoscópio.
“A falta de ar melhora quando o senhor senta ou fica com a cabeceira elevada?”
Ortopneia aponta congestão. Se houver, valorize estertores em bases e procure ativamente a terceira bulha na ausculta cardíaca — ela pesa muito mais que os estertores.
“O chiado no peito aparece mais à noite ou de madrugada?”
Padrão noturno favorece asma. Sibilos são o achado esperado, mas note que a ausência de chiado no momento da consulta não afasta doença obstrutiva.
“O senhor fuma ou fumou? Quantos maços por dia e por quantos anos?”
Carga tabágica elevada é um dos elementos que, combinados, mais aumentam a probabilidade de doença obstrutiva — e o capítulo mostra adiante quanto a combinação vale.
“A tosse tem catarro? De que cor, e mudou nos últimos dias?”
Secreção em vias aéreas produz ruído que se modifica com a tosse. Auscultar antes e depois de pedir para tossir separa secreção mobilizável de doença do interstício.
“Já lhe disseram que o senhor tem alguma doença do pulmão?”
Doença pulmonar obstrutiva relatada pelo próprio paciente é um dos preditores mais fortes na avaliação clínica — vale perguntar diretamente antes de tentar deduzir pela ausculta.
“Dói quando o senhor respira fundo?”
Dor pleurítica levanta atrito pleural, que é ruído superficial, em geral localizado, presente nas duas fases do ciclo e que não muda com a tosse.
Antes de encostar
- Silêncio de verdade
- Murmúrio vesicular é som de baixa intensidade. Televisão, corredor movimentado e ar-condicionado apagam justamente o que se quer ouvir. Este é o exame que mais perde com ruído ambiental.
- Diafragma na pele, nunca sobre a roupa
- Use o diafragma do estetoscópio, apoiado firmemente e diretamente na pele. Auscultar por cima da roupa cria ruído de atrito que imita estertores — o achado falso mais comum do exame.
- Paciente sentado, respirando pela boca
- Peça respiração um pouco mais profunda que a habitual, com a boca aberta, sem forçar. Respiração pelo nariz gera ruído próprio; respiração forçada demais cansa o paciente e pode gerar sibilo em pessoa sadia.
- Olho no paciente durante a ausculta
- Hiperventilação prolongada causa tontura e formigamento. Observe o paciente e pause a manobra se ele começar a se sentir mal — sobretudo em idosos e em quem já está dispneico.
- Estetoscópio adequado e olivas bem posicionadas
- As olivas apontam para a frente, acompanhando o trajeto do conduto auditivo. Olivas invertidas abafam tudo, e o estudante conclui que o murmúrio está diminuído.
A técnica
A ausculta é a última etapa do exame do tórax, depois da inspeção, da palpação e da percussão — que já estreitaram a hipótese. Estes passos garantem cobertura e comparação.
- 1
Posicionar e orientar a respiração
Paciente sentado, tórax exposto, braços cruzados à frente para afastar as escápulas. Peça respiração pela boca, um pouco mais profunda que o normal, sem forçar.
Erro comum: Deixar o paciente respirar pelo nariz. O ruído nasal se sobrepõe ao murmúrio e imita ruído adventício.
- 2
Auscultar comparando os lados no mesmo nível
Percorra os campos posteriores de cima para baixo, alternando direita e esquerda no mesmo nível, um ciclo respiratório completo em cada ponto. A comparação lado a lado é o que revela a diferença.
Erro comum: Auscultar um hemitórax inteiro e depois o outro, ou permanecer menos de um ciclo em cada ponto — o adventício pode aparecer só na inspiração e passar despercebido.
- 3
Cobrir também laterais e face anterior
Ausculte as linhas axilares médias com o braço elevado e a face anterior, incluindo as regiões supraclaviculares. O lobo médio e a língula só são bem avaliados pela frente e pela lateral.
Erro comum: Auscultar apenas o dorso. É o erro que faz perder consolidação de lobo médio.
- 4
Caracterizar o murmúrio vesicular
Antes de procurar adventício, decida se o murmúrio está presente, diminuído ou abolido, e se está simétrico. Murmúrio abolido de um lado, com percussão maciça, já aponta derrame.
Erro comum: Ir direto atrás do ruído adventício. A intensidade do murmúrio é o dado mais reprodutível da ausculta e costuma ser o que mais muda a conduta.
- 5
Identificar ruído descontínuo: estertores
Estertores são breves, explosivos e descontínuos, predominando na inspiração. Registre se são finos ou grossos apenas quando tiver segurança, e sempre registre o momento e o local — bases, difusos, unilateral.
Erro comum: Confundir com ruído de atrito da roupa ou de pelos sob o diafragma. Reposicione o estetoscópio na pele e reausculte antes de anotar.
- 6
Identificar ruído contínuo: sibilos e roncos
São musicais e prolongados, predominando na expiração. Sibilos são agudos e sugerem estreitamento de vias finas; roncos são graves e costumam vir de secreção em vias mais calibrosas.
Erro comum: Descrever como sibilo o estridor, que é inspiratório, mais audível no pescoço e indica obstrução de via aérea alta — situação de urgência, com significado completamente diferente.
- 7
Auscultar antes e depois da tosse
Peça ao paciente para tossir e reausculte a mesma área. Ruído que desaparece após a tosse era secreção mobilizável; ruído que permanece tem outra origem.
Erro comum: Pular esta etapa e registrar como achado fixo um ruído que sumiria com uma tossida.
- 8
Procurar som brônquico e broncofonia onde houver macicez
Na área em que a percussão foi surda e o frêmito estava aumentado, ausculte procurando som brônquico e peça ao paciente para falar trinta e três: voz nítida e próxima na área alterada indica transmissão aumentada, ou seja, consolidação.
Erro comum: Testar a transmissão da voz em todo o tórax indiscriminadamente, em vez de dirigir a manobra à área que as etapas anteriores já apontaram.
- 9
Medir o tempo expiratório forçado quando houver suspeita de obstrução
Com o estetoscópio sobre a traqueia, peça ao paciente para inspirar fundo e soltar todo o ar pela boca aberta, o mais rápido possível. Cronometre até o som cessar. Tempo acima de nove segundos aumenta bastante a probabilidade de doença obstrutiva.
Erro comum: Cronometrar até o paciente parar de soprar, e não até o som cessar. São coisas diferentes, e a primeira infla o resultado.
Padrão esperado, alterações e registro
- Murmúrio vesicular presente e simétrico em todos os campos, com inspiração mais audível e expiração curta.
- Som brônquico audível sobre a traqueia e a região esternal superior — normal nesse local, alterado quando encontrado na periferia.
- Ausência de ruídos adventícios; voz falada transmitida de forma abafada e indistinta pela parede.
- Tempo expiratório forçado curto, habitualmente bem abaixo de nove segundos no adulto sem doença obstrutiva.
- Exemplo de registro: som respiratório presente e simétrico; crepitações inspiratórias finas bibasais, sem modificação após tosse; ausência de sibilos ou estridor.
- Murmúrio vesicular abolido em base, com macicez e frêmito reduzido
- Derrame pleural. O líquido interrompe tanto a transmissão do som quanto a da vibração — as três etapas apontam na mesma direção.
- Som brônquico em área periférica, com broncofonia e frêmito aumentado
- Consolidação. O pulmão sólido deixou de filtrar as frequências altas e conduz o som central até a parede. É um dos conjuntos mais específicos do exame do tórax.
- Estertores finos bibasais em paciente com ortopneia e edema de membros
- Sugere congestão pulmonar. Mas atenção ao peso: os estertores pesam bem menos que a terceira bulha e que a turgência jugular nesse cenário — procure ativamente as duas.
- Sibilos expiratórios difusos nos dois hemitórax
- Estreitamento difuso de vias aéreas: asma, doença obstrutiva crônica ou congestão. Sibilo não é sinônimo de asma, e o contexto decide.
- Tórax silencioso em paciente com crise asmática grave
- Sinal de gravidade, não de melhora. Fluxo insuficiente não gera sibilo. O desaparecimento do chiado em paciente que piora é achado de emergência.
- Estridor inspiratório, mais audível sobre o pescoço
- Obstrução de via aérea superior. Não é sibilo, não é ausculta pulmonar de rotina, e é emergência — comunique imediatamente.
- Atrito pleural: ruído áspero, superficial, nas duas fases, que não muda com a tosse
- Inflamação das pleuras em contato. Costuma acompanhar dor pleurítica e pode desaparecer se um derrame se formar e separar as folhas.
O que isso quer dizer
A primeira coisa a saber sobre a ausculta é quanto ela é subjetiva, e isso já foi medido. Doze médicos classificaram vinte gravações de ausculta usando dez categorias detalhadas, e a concordância entre eles ficou entre ruim e sofrível. Quando as categorias foram agrupadas em blocos amplos, a concordância subiu para 0,62 nos estertores e 0,59 nos sibilos. Sobre a simples presença de ruído adventício, houve concordância majoritária em dezessete das vinte gravações.
Traduzindo para o prontuário: você consegue sustentar que há ruído adventício, que ele é do tipo descontínuo ou contínuo, em que fase do ciclo aparece e onde está. Você não consegue sustentar, com a mesma confiança, que o estertor é crepitante e não subcrepitante. Escreva o que se sustenta. Descrição reprodutível é a que o próximo médico confirma e usa; classificação refinada que ninguém confirma vira ruído no registro.
A segunda coisa é o peso relativo dos achados. Na dispneia do pronto-socorro, os estertores pulmonares apontam para insuficiência cardíaca com razão de verossimilhança de 2,8 — ajudam, mas pouco. Na mesma avaliação, a terceira bulha tem razão de verossimilhança 11 e a turgência jugular, 5,1. O estudante que ouve estertores em bases e para de procurar deixou de lado justamente os dois achados que mais deslocam a probabilidade.
A terceira é o poder da combinação. Na investigação de doença obstrutiva, os sibilos isolados têm razão de verossimilhança 4,0 e o tempo expiratório forçado acima de nove segundos, 6,7. Mas quando os três elementos preditivos aparecem juntos — história referida de doença pulmonar, sibilos e tempo expiratório prolongado —, a razão de verossimilhança sobe para 33; quando nenhum deles está presente, cai para 0,18. Nenhum sinal isolado chega perto disso. É o argumento mais concreto a favor de fazer o exame inteiro em vez de caçar um achado.
Ausculta pulmonar modifica probabilidades, mas tem sensibilidade limitada e concordância imperfeita. Descrever fase respiratória, localização, extensão e resposta à tosse é mais reprodutível do que transformar o nome de um som em diagnóstico.
| Sinal | Medida | Valor | Fonte |
|---|---|---|---|
| Classificação dos ruídos adventícios entre examinadores | Concordância na classificação de 20 gravações de ausculta. Quanto mais fina a subdivisão exigida, menos os médicos concordam. | Concordância entre 12 médicos: kappa abaixo de 0,40 nas descrições detalhadas; 0,62 para estertores e 0,59 para sibilos quando agrupados em categorias amplas | Melbye H, Garcia-Marcos L, Brand P, Everard M, Priftis K, Pasterkamp H. Wheezes, crackles and rhonchi: simplifying description of lung sounds increases the agreement on their classification. BMJ Open Respir Res. 2016;3(1):e000136. |
| Estertores pulmonares na dispneia do pronto-socorro | Razão de verossimilhança para insuficiência cardíaca. Os estertores deslocam pouco a probabilidade perto dos dois achados cardiovasculares. | LR 2,8 — contra LR 11 (IC 95% 4,9–25,0) da terceira bulha e 5,1 da turgência jugular | Wang CS, FitzGerald JM, Schulzer M, Mak E, Ayas NT. Does this dyspneic patient in the emergency department have congestive heart failure? JAMA. 2005;294(15):1944-56. |
| Sibilos e tempo expiratório forçado acima de nove segundos | Razão de verossimilhança para doença pulmonar obstrutiva crônica, tendo a espirometria como referência. O terceiro preditor é a história de doença pulmonar referida pelo paciente. | LR 4,0 para sibilos e 6,7 para tempo expiratório prolongado; com os três preditores presentes, LR 33; com nenhum deles, LR 0,18 | Straus SE, McAlister FA, Sackett DL, Deeks JJ; CARE-COAD2 Group. Accuracy of history, wheezing, and forced expiratory time in the diagnosis of chronic obstructive pulmonary disease. J Gen Intern Med. 2002;17(9):684-8. |
| Qualquer achado isolado do exame do tórax na suspeita de pneumonia | Conclusão da revisão sistemática sobre pneumonia adquirida na comunidade. | Nenhum item isolado da história ou do exame eleva a probabilidade o bastante para dispensar a radiografia | Metlay JP, Kapoor WN, Fine MJ. Does this patient have community-acquired pneumonia? Diagnosing pneumonia by history and physical examination. JAMA. 1997;278(17):1440-5. |
Os ruídos e o que os produz
Separe primeiro por mecanismo — descontínuo ou contínuo — e só depois refine. Registre sempre fase do ciclo e localização.
| Ruído | Tipo | Fase predominante | Mecanismo e pista clínica |
|---|---|---|---|
| Murmúrio vesicular diminuído | Alteração do som normal | Ambas | Barreira à transmissão: derrame, pneumotórax, obesidade, hiperinsuflação |
| Som brônquico na periferia | Alteração do som normal | Ambas, expiração longa | Pulmão consolidado conduz o som central sem filtrar |
| Estertores finos | Descontínuo | Inspiratória | Abertura súbita de vias colabadas; congestão e doença do interstício |
| Estertores grossos | Descontínuo | Inspiratória e expiratória | Secreção em vias mais calibrosas; costuma mudar com a tosse |
| Sibilos | Contínuo, agudo | Expiratória | Estreitamento de vias finas: asma, obstrução crônica, congestão |
| Roncos | Contínuo, grave | Expiratória | Secreção em vias calibrosas; muda ou some com a tosse |
| Atrito pleural | Descontínuo, áspero | Ambas | Pleuras inflamadas em contato; não muda com a tosse |
| Estridor | Contínuo, agudo | Inspiratória | Obstrução de via aérea superior — emergência, audível no pescoço |
- Registre sempre presença, tipo amplo, fase e local. Essa descrição é a que outro médico confirma; a subdivisão fina, com frequência, não é.
- Tórax silencioso em crise asmática grave não é melhora: é fluxo insuficiente para gerar som. Piora clínica com sibilo sumindo é sinal de alarme.
Erros que custam o achado
- Auscultar por cima da roupa
- O atrito do tecido contra o diafragma produz um ruído descontínuo idêntico a estertores. É a causa mais comum de estertor que não existe. Estetoscópio direto na pele, sempre.
- Ficar menos de um ciclo respiratório em cada ponto
- Ruído adventício pode aparecer só no fim da inspiração. Quem passa o estetoscópio correndo perde estertores teleinspiratórios, que são justamente os da congestão e da doença do interstício.
- Auscultar só o dorso
- Lobo médio e língula não são avaliados pelas costas. Consolidação nessas regiões passa em branco em quem não ausculta a face anterior e as laterais.
- Confundir estridor com sibilo
- Estridor é inspiratório, mais audível sobre o pescoço e indica obstrução de via aérea alta. Tratá-lo como sibilo e prescrever broncodilatador atrasa a conduta certa em uma emergência.
- Anotar classificação que você não sustenta
- Se a diferença entre crepitante e subcrepitante não estiver clara para você, ela também não vai estar para quem ler. Anote o que é reprodutível: presença, tipo amplo, fase e localização.
- Parar de examinar ao ouvir estertores em bases
- Na dispneia, os estertores deslocam pouco a probabilidade de insuficiência cardíaca. A terceira bulha e a turgência jugular pesam muito mais — e só aparecem para quem continua o exame.
- Concluir que não há obstrução porque não há sibilo
- Sibilo tem razão de verossimilhança positiva razoável, mas sua ausência não afasta doença obstrutiva. O tempo expiratório forçado e a história custam pouco e acrescentam bastante.
Roteiro da estação
A ausculta pulmonar completa, depois de inspeção, palpação e percussão.
- 01Higienizar as mãos, limpar o estetoscópio e explicar a manobra
- 02Pedir silêncio no ambiente e posicionar o paciente sentado, tórax exposto
- 03Orientar respiração pela boca, um pouco mais profunda que o normal, sem forçar
- 04Auscultar os campos posteriores de cima para baixo, alternando os lados no mesmo nível
- 05Permanecer um ciclo respiratório completo em cada ponto
- 06Auscultar as linhas axilares médias com o braço elevado, dos dois lados
- 07Auscultar a face anterior, incluindo as regiões supraclaviculares
- 08Definir primeiro o murmúrio vesicular: presente, diminuído ou abolido, e se é simétrico
- 09Caracterizar os ruídos adventícios por tipo amplo, fase do ciclo e localização
- 10Pedir para o paciente tossir e reauscultar a área alterada
- 11Onde houve macicez e frêmito aumentado, procurar som brônquico e broncofonia
- 12Havendo suspeita de obstrução, cronometrar o tempo expiratório forçado sobre a traqueia
- 13Observar o paciente durante toda a manobra e interromper se houver tontura
- 14Registrar murmúrio, adventícios com fase e local, e o resultado das manobras dirigidas
Teste-se
Agora faça no paciente
Homem de 63 anos está na enfermaria e, à beira do leito, a primeira coisa que você ouve é: "Doutor, é essa febre que não passa... e uma pontada do lado direito das costas quando respiro fundo." Agora é sua vez: conduza a anamnese, examine e monte o seu raciocínio.
Revisão espaçada
Por que a consolidação produz som brônquico na periferia do tórax? Qual é a diferença de mecanismo entre estertores e sibilos, e como isso explica a fase do ciclo em que cada um aparece?
Paciente dispneico no pronto-socorro, com estertores finos em bases. Por que esse achado, sozinho, desloca pouco a probabilidade de insuficiência cardíaca, e quais dois achados você deve procurar em seguida por pesarem mais? E por que uma descrição mais grossa dos ruídos adventícios é mais útil no prontuário do que uma classificação refinada?
