Internato·Clínica Médica

Interpretação de Exames à Beira do Leito

Ler o exame com o paciente na frente: o que o número muda na conduta de hoje.

10 capítulos

  1. 01ECG na práticaO interno olha o eletrocardiograma procurando o que está errado — e é exatamente por isso que perde o que não é óbvio. Este capítulo troca a caça ao achado por uma ordem fixa de oito passos, cada um com o valor normal, o corte em milímetros e o que a alteração muda na conduta de hoje.
  2. 02Gasometria arterialO papel diz acidose e você já sabia disso olhando o paciente. O capítulo é sobre os seis passos que transformam seis números em uma linha de prescrição — e sobre as três contas que quase ninguém faz.
  3. 03Radiografia de tóraxO filme que chega às três da manhã é anteroposterior, mal inspirado e rodado — e metade do que ele parece mostrar é a geometria, não o paciente. Este capítulo ensina a julgar o filme antes de interpretá-lo, a percorrer seis passos que começam pelos aparatos, e a saber o que a radiografia não responde.
  4. 04HemogramaO laudo já vem com os valores fora da faixa marcados, e é por isso que ele engana. Este capítulo troca a caça ao asterisco por uma ordem de leitura em seis passos — e o passo zero não é uma célula: é a coluna da direita, que é do laboratório e não do livro.
  5. 05Provas hepáticasSão cinco exames com um nome só, e o nome está errado: dois medem lesão de célula, dois medem obstrução do fluxo, e nenhum dos dois que medem função de verdade se chama transaminase. Este capítulo ensina a classificar o padrão antes de pensar em doença — e a fechar no que decide hoje, que se lê no tempo de coagulação e no nível de consciência.
  6. 06CoagulogramaMetade deste capítulo é sobre não pedir. A outra metade começa quando o exame já está na tela: cada linha percorre um caminho diferente, nenhuma delas mede uma coisa chamada coagulação, e a que mais engana é a que vem normal.
  7. 07Marcadores e culturasO marcador mede inflamação, não infecção, e um valor isolado quase nunca decide — quem decide é a tendência. A cultura positiva não é infecção: o que separa contaminação, colonização e doença está impresso no laudo, em quatro dados que ninguém lê. E a decisão que o interno assina é anterior às duas: quando o resultado não muda a conduta, não se pede.
  8. 08Urina tipo I e uroculturaO exame de urina se decide antes de chegar ao laboratório: pelo frasco, pelo relógio e pelo lugar de onde a urina saiu. A fita e o sedimento respondem a perguntas diferentes e discordam de maneiras previsíveis; a urocultura conta colônias semeadas de um microlitro, e o mesmo número vale uma coisa na porta da sonda e outra no jato médio. Aqui se aprende a ler cada linha do laudo — e a reconhecer o laudo que nem deveria ter sido pedido.
  9. 09Radiografia de abdomeA radiografia de abdome responde bem a poucas perguntas — ar fora do lugar, alça que não esvazia, objeto que o raio não atravessa — e mal a quase todas as outras. Este capítulo ensina a decidir se o filme serve antes de pedi-lo, a escolher a incidência que o paciente consegue fazer e a lê-lo sempre na mesma ordem, escrevendo o que ele mostrou e o que ele não tem como mostrar.
  10. 10Ultrassom à beira do leitoO aparelho que cabe no bolso do jaleco responde, em minutos, perguntas de sim ou não — e erra justamente quando a pergunta que se faz a ele é outra. Este capítulo ensina as janelas que o interno precisa reconhecer, o que cada achado desloca na probabilidade e o que nenhuma imagem focada autoriza a concluir.