Internato·Outras Especialidades
Comunicação, Ética e Segurança na Prática
O que ninguém ensina e todo dia é cobrado: falar, decidir e não causar dano.
12 capítulos
- 01Comunicação de más notíciasNinguém te ensinou e todo plantão cobra: o que dizer, palavra por palavra, quando a notícia é ruim — do preparo antes de entrar na sala até a pergunta "ele vai morrer?".
- 02O que se diz quando não se sabeA pergunta chega no corredor e pede um número que não existe. O capítulo é sobre o que se diz no lugar dele: a faixa de tempo, a diferença entre o prognóstico da doença e o deste paciente, a recomendação quando pedem "e se fosse seu pai", o que fazer quando a equipe não concorda — e o que se escreve depois, que é o que faz a decisão sobreviver à troca de plantão.
- 03As mãos que circulam entre os leitosO interno é quem mais anda de leito em leito e quem menos é observado. Este capítulo trata higiene das mãos e precaução como ato clínico, com hora, produto e ordem — e não como cartaz na parede.
- 04O que continua quando se decide pararTrês da manhã, e a decisão de limitar já foi tomada — ou não foi, e ninguém escreveu nada. Quem decide, com base em quê, o que a ordem de não reanimar alcança e o que ela não alcança, o que continua sendo prescrito depois dela e, sobretudo, o que se escreve: porque quem chega no plantão seguinte só tem o prontuário.
- 05A assinatura não é o consentimentoO interno é quem mais colhe assinatura e quem menos foi ensinado a colher: o que precisa ser dito para o consentimento existir, o que o invalida em silêncio, quem decide quando o paciente não pode, e o que se escreve quando ele recusa.
- 06O documento que você mais escreveO interno escreve mais prontuário do que qualquer outra pessoa da equipe e quase nunca foi ensinado a escrever. Este é o capítulo do ato de escrever e do de guardar: o que se registra quando se conversou, quando o paciente recusou, quando se pensou e não se fez, quando alguma coisa deu errado — e por onde o sigilo vaza quando ninguém está olhando.
- 07As barreiras que parecem burocraciaIdentificar, conferir e pausar: por que os atos que ninguém entende não seguram nada
- 08A hora seguinteO dano já aconteceu. O que decide o desfecho do paciente, e o destino de todo mundo que estava ali, é o que se faz nos minutos seguintes: cuidar primeiro, avisar quem precisa saber, registrar o fato sem a análise e não sumir com nada. Depois vem a conversa que o interno aprende a não ter — a que conta ao paciente o que aconteceu com ele.
- 09Chamar antes de ter certezaO interno quase nunca demora a chamar por não saber que devia. Demora por medo de parecer incapaz, porque o plantonista reclamou da última vez, porque são três da manhã, e porque ainda pode melhorar sozinho. Enquanto isso a piora se instala, e a piora que se instala nesse intervalo é a que não volta. Depois vem a segunda metade do ofício: uma frase desorganizada ao telefone traz uma resposta desorganizada, e o mesmo caso, dito em quatro frases com o pedido explícito no fim, traz alguém à beira do leito.
- 10Dois planos para o mesmo pacienteA discussão sobre quem prescreve, sobre a técnica que não vai puncionar agora, sobre a fisioterapeuta que sentou o paciente sem avisar: quase nenhuma dela é sobre o que parece. Nasce de papel que ninguém combinou e de informação que não circulou — e quem paga é quem está no leito, entre dois planos. Este capítulo é sobre discordar de quem é mais graduado sem virar problema, receber a discordância de quem é de outra profissão, e reconhecer a hora em que a divergência deixa de ser negociável.
- 11Cada um fala uma coisaA frase que a família diz no décimo dia quase nunca é sobre a notícia grave. É sobre a conversa de três minutos, em pé no corredor, repetida por doze dias, com pessoas diferentes da mesma família e profissionais diferentes a cada turno. A família não guarda o que foi dito: guarda a diferença entre o que ouviu ontem e o que ouve hoje. Este capítulo é sobre a rotina, não sobre o acontecimento.
- 12Ninguém disse que era hojeA decisão de conforto pode estar escrita e ainda assim nada acontecer: o remédio é de outro componente, a via não foi puncionada, a linha diz se necessário sem dizer necessário quando, e ninguém disse à família que era hoje. Este capítulo é o turno inteiro — do reconhecimento à constatação, e da constatação ao que se faz no quarto depois.
