Internato·Clínica Médica

Hematologia e Hemoterapia

O sangue como sintoma: reconhecer o padrão, achar a causa e conduzir o tratamento até o fim — anemias, distúrbios da coagulação e o uso racional de hemocomponentes na enfermaria.

10 capítulos

  1. 01Anemia ferroprivaFerropenia não é diagnóstico: é achado. A pergunta que o capítulo responde não é "qual anemia", é "por que este paciente perdeu ferro" — e como se repõe e se investiga ao mesmo tempo, no mesmo dia.
  2. 02O dano que não voltaA anemia da carência de cobalamina se corrige em semanas e a lesão do cordão posterior pode não se corrigir nunca. E o número que deveria dar o alarme — o volume corpuscular médio alto — é justamente o que some quando falta ferro junto.
  3. 03O que fica depois da bolsaCada hemocomponente tem indicação, dose e um rendimento que se mede na primeira hora. E cada bolsa deixa no paciente o que a prescrição não mostra: um registro que alguém precisa ler na próxima vez, um anticorpo que pode sumir do exame sem sumir do sangue e duzentos miligramas de ferro que ficam.
  4. 04Quem sobreviveu à infânciaO adulto com doença falciforme chega ao pronto-socorro com dor e sai do hospital com o que ninguém ofereceu: a analgesia se dá na primeira hora, a síndrome torácica se procura todos os dias da internação, a febre é urgência pela vida inteira e, desde 2024, a hidroxiureia se oferece pelo genótipo.
  5. 05Enquanto a vaga não vemA leucemia aguda que sangra na primeira noite, a crônica que cabe numa consulta marcada e o leucograma que assusta sem ser leucemia — o que o interno decide antes de o hematologista chegar
  6. 06A margem estreitaVarfarina, anticoagulantes orais diretos e heparinas se prescrevem numa faixa estreita entre a trombose que se quer evitar e o sangramento que se provoca; hemofilia, doença de von Willebrand e coagulação intravascular são a mesma faixa vista do outro lado. O capítulo ensina a ler o número, a achar a causa que o mexeu e a saber o que o SUS tem na prateleira antes de prescrever.
  7. 07Antes de pedir o painelQuase ninguém com trombose precisa de pesquisa de trombofilia: o painel hereditário raramente muda o tempo de tratamento, a síndrome antifosfolípide troca o anticoagulante e só se confirma com doze semanas, e a trombose em lugar incomum pergunta, antes de tudo, por outra doença.
  8. 08O gânglio inteiroSuspeitar do linfoma, tirar o linfonodo certo sem apagar o diagnóstico, estadiar até onde o interno precisa, reconhecer a doença que corre e acompanhar quem sobreviveu ao Hodgkin
  9. 09A contagem e a lâminaUma plaquetopenia pode ser erro do tubo, doença que se acompanha no ambulatório ou emergência que mata em horas; o que separa as três é a lâmina, a hemólise e a pergunta certa sobre o sangramento. O capítulo ensina a percorrer as causas antes de chamar de imune, a tratar a trombocitopenia imune pelo PCDT de 2026, a reconhecer a microangiopatia que pede troca plasmática no mesmo dia e a não transfundir a plaqueta que piora o quadro.
  10. 10O que cresce sem pressaMieloma e gamopatia monoclonal, síndrome mielodisplásica e neoplasias mieloproliferativas: separar o clone da reação, achar a urgência dentro da doença lenta e saber por qual porta do SUS cada paciente passa